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Obesidade infantil
O que vem depois da curva: a estatura que muda o diagnóstico, o rastreio que cabe na atenção primária, as idades que o Brasil autoriza e a estratégia que a prova de coletiva cobra
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Gestor municipal de saúde apresenta à equipe da atenção primária o plano de adesão à Estratégia Nacional para Prevenção e Atenção à Obesidade Infantil (Proteja). Um dos profissionais pergunta o que a letra P nomeia dentro da estratégia. Assinale a alternativa que responde corretamente.
Como esse tema cai
Quase toda questão de obesidade infantil começa igual: uma criança de sete a doze anos, ultraprocessados na história, horas de tela, história familiar de diabetes tipo 2 e manchas aveludadas escuras no pescoço. O enunciado entrega o índice de massa corporal já em escore-z ou em percentil, e quem sabe apenas classificar chega à alternativa correta sem ter usado nada além da curva. Esse trecho do tema é importante, mas é o menor deles, e a régua que o sustenta pertence ao capítulo Escore-z e percentil: a régua por trás das curvas, na apostila de Puericultura e Desenvolvimento.
O que decide a questão vem depois. É a estatura, que separa em uma linha a obesidade exógena da endócrina. É a lista do que se pede de exame. É a meta do tratamento, que quase nunca é perder peso. E são as idades: a partir de quando o Brasil autoriza medicamento, a partir de quando autoriza cirurgia, e o que mudou nessas duas respostas entre 2020 e 2025 — mudou tanto que o manual brasileiro de referência sobre o tema, de 2019, já não descreve a situação regulatória atual.
Há ainda uma camada que as provas de perfil coletivo cobram com frequência e que raramente aparece em material de pediatria clínica: a estratégia nacional que organiza o cuidado. O Proteja tem letra, ações essenciais nomeadas, critério de priorização municipal escrito em portaria e um sistema de informação que fornece o denominador. Enunciado que descreve gestão municipal, escola ou vigilância alimentar está pedindo essa camada, não o percentil da criança.
Este capítulo trata do que vem depois da curva. A leitura da curva em si, o cálculo do escore-z e a diferença entre as faixas de zero a cinco anos e de cinco a dezenove anos pertencem ao capítulo de escore-z; a síndrome metabólica do adulto pertence a Obesidade e síndrome metabólica, na apostila de Endocrinologia; e os critérios completos da cirurgia pertencem a Cirurgia bariátrica: quem tem indicação, na apostila de Cirurgia do Aparelho Digestivo.
O que muda decisão
A mesma distância da média tem dois nomes, conforme a idade
As curvas da Organização Mundial da Saúde usadas no Brasil vêm em dois blocos: as de zero a cinco anos, de 2006, construídas a partir de amostra de diferentes grupos étnicos, e as de cinco a dezenove anos incompletos, de 2007, obtidas por reprocessamento de dados norte-americanos. O índice de massa corporal para idade é lançado nelas em percentil ou em escore-z, e é aí que mora a pegadinha mais barata do tema: o mesmo escore-z recebe rótulos diferentes conforme a criança tenha mais ou menos de cinco anos.
Abaixo de cinco anos, índice de massa corporal entre os percentis 85 e 97, ou entre os escores-z mais um e mais dois, é risco de sobrepeso; entre os percentis 97 e 99,9, ou entre mais dois e mais três, é sobrepeso; e acima do percentil 99,9, ou de mais três, é obesidade. Dos cinco aos dezenove anos incompletos a mesma sequência de faixas se chama sobrepeso, obesidade e obesidade grave. Um escore-z de mais dois e meio classifica sobrepeso num pré-escolar de três anos e obesidade num escolar de nove: a faixa não mudou, o nome mudou.
A consequência prática é que a idade tem de ser lida antes do número. Enunciado que dá o escore-z sem dizer a idade, ou que dá a idade em meses num limite próximo dos cinco anos, está testando exatamente isso. A construção da curva, o significado do percentil e a conversão entre as duas escalas pertencem ao capítulo Escore-z e percentil: a régua por trás das curvas.
A circunferência abdominal aparece em enunciado como achado, quase nunca como número que decide. O motivo está escrito no manual da Sociedade Brasileira de Pediatria: na criança falta consenso sobre os pontos anatômicos e sobre os pontos de corte da medida. Usa-se rotineiramente o percentil 85 proposto por McCarthy para estudos populacionais, ou o percentil 90 para idade e sexo proposto por Freedman para uso clínico e ambulatorial. Quando o enunciado diz apenas circunferência abdominal aumentada, ele está somando um marcador de adiposidade central ao quadro, e não aplicando um corte formal.
A estatura é o desvio de agulha
A obesidade da criança é quase sempre exógena, isto é, resultado do balanço energético e do ambiente. E a obesidade exógena tem uma assinatura que o enunciado precisa entregar para ser justo: a criança cresce bem. O excesso calórico crônico se associa a aumento da estatura para a idade e a velocidade de crescimento normal ou acelerada, e pode adiantar a maturação óssea e a menarca — meninas com obesidade costumam menstruar antes dos dez anos.
Por isso a inversão é o sinal de alarme. Criança com obesidade e baixa estatura, ou com desaceleração da velocidade de crescimento, saiu do território exógeno. Aí entram as causas endócrinas — hipotireoidismo, hipercortisolismo, deficiência de hormônio de crescimento — e as genéticas. O hipercortisolismo costuma vir acompanhado de gordura centrípeta, face arredondada, estrias violáceas e hipertensão; o hipotireoidismo, de lentificação e queixas próprias.
As causas sindrômicas e monogênicas têm marcas próprias e independentes da estatura: início muito precoce, antes dos cinco anos, hiperfagia intensa e desproporcional, atraso do desenvolvimento neuropsicomotor, dismorfismos. Hipotonia neonatal com dificuldade de sucção seguida de hiperfagia é a história que faz pensar em síndrome de Prader-Willi. Sem nenhum desses elementos, pedir cariótipo ou pesquisa molecular numa criança que cresce bem é gasto sem pergunta.
Repare no que essa regra faz com o exame laboratorial. Dosar hormônio estimulante da tireoide e tiroxina livre numa criança com obesidade, estatura preservada e velocidade de crescimento normal não é rastreamento de comorbidade: é procurar uma causa que o próprio crescimento já afastou. O rastreio de que essa criança precisa é metabólico, não hormonal.

O que se pede de exame, e o que só se procura no exame físico
O rastreio laboratorial da criança com obesidade é curto e cabe na atenção primária: glicemia de jejum, perfil lipídico e transaminases. A glicemia procura disglicemia — glicemia de jejum entre 100 e 125 mg/dL, ou hemoglobina glicada entre 5,7% e 6,4%, configuram pré-diabetes, e o diagnóstico de diabetes exige glicemia de jejum igual ou maior que 126 mg/dL confirmada, glicemia igual ou maior que 200 mg/dL com sintomas, ou hemoglobina glicada igual ou maior que 6,5%. O perfil lipídico procura dislipidemia. As transaminases procuram doença hepática gordurosa não alcoólica.
A acantose nigricans não é exame: é achado de exame físico e marcador clínico de resistência insulínica. Ela reforça a indicação do rastreio metabólico e sai do raciocínio depois disso. Não confirma diabetes, não indica metformina e, nessa faixa etária e nesse contexto, não sugere neoplasia — a acantose paraneoplásica é fenômeno de adulto.
A pressão arterial entra em toda consulta, aferida e interpretada por percentil de idade, sexo e estatura. O risco de hipertensão cresce com a gravidade da obesidade: meninos com índice de massa corporal igual ou acima do percentil 95 para idade e sexo tiveram cerca de três vezes mais chance de hipertensão do que os abaixo desse percentil.
O restante do mapa de comorbidades se procura pela história e pelo exame, não por painel laboratorial. No fígado, além das transaminases, vale lembrar que a perda ponderal é o único tratamento estabelecido para a doença hepática gordurosa — vitamina E e metformina não se mostraram superiores ao placebo em estudos pequenos. Na vesícula, a obesidade é a causa mais comum de cálculo biliar em crianças sem outra condição predisponente, com risco maior em meninas, sobretudo adolescentes em uso de anticoncepcional oral, e a ultrassonografia é o método de escolha. No pulmão, a apneia obstrutiva do sono se rastreia por ronco, pausas e sonolência diurna. No esqueleto, dor no quadril ou no joelho com claudicação em criança com obesidade pede radiografia por epifisiólise proximal do fêmur, e o desvio progressivo em varo sugere doença de Blount. E há o eixo psicossocial — bullying, sintomas depressivos, compulsão alimentar —, que muda a adesão e raramente aparece nas alternativas, embora mude o desfecho.
A meta não é emagrecer
A base do tratamento é mudança do estilo de vida com abordagem familiar, e o adjetivo familiar tem peso de evidência: a participação dos pais ou responsáveis produz melhores resultados do que o tratamento da criança sozinha. Dieta com restrição calórica acentuada e contagem rígida de calorias é resposta errada em criança em crescimento, e essa é a alternativa distratora mais frequente do tema.
A meta ponderal se define por três coisas: idade, gravidade da obesidade e presença de comorbidades. Na obesidade leve, a meta apropriada costuma ser manter o peso — como a criança continua crescendo em estatura, o índice de massa corporal cai sozinho com o tempo. A perda de peso propriamente dita fica reservada à obesidade grave com comorbidades.
Quando a perda é a meta, os tetos sugeridos são de 500 gramas por mês entre os 2 e os 11 anos e de até 1 quilo por semana no adolescente com obesidade grave e comorbidades. Os dois números não são intercambiáveis: 1 quilo por semana equivale a cerca de 4,3 quilos por mês, quase nove vezes o teto da criança menor. O manual que os propõe registra que pouca ou nenhuma evidência sustenta esses valores específicos, e que eles estão melhor definidos para o adolescente que já completou o estirão.
O acompanhamento é longitudinal e acontece na própria atenção primária. Encaminhar de saída para serviço especializado, para cirurgia ou para tratamento medicamentoso, sem investigação e sem manejo clínico estruturado, é conduta errada em qualquer das três direções.
Farmacoterapia: o que o Brasil aprovou, e com que idade
Este é o ponto em que o material de estudo brasileiro mais envelheceu, e por isso é o que melhor separa candidatos. O manual de referência da Sociedade Brasileira de Pediatria, de 2019, descreve um cenário em que nenhum medicamento antiobesidade estava liberado no país abaixo dos 18 anos. Esse cenário mudou duas vezes desde então.
A liraglutida na apresentação de 3,0 mg teve ampliação de uso aprovada pela Anvisa com publicação no Diário Oficial da União em 3 de agosto de 2020, para adolescentes a partir de 12 anos com peso corporal acima de 60 kg e obesidade, em associação a aconselhamento nutricional e atividade física. A semaglutida de 2,4 mg teve ampliação de uso publicada em 25 de setembro de 2023, para adolescentes a partir de 12 anos com obesidade e peso corporal acima de 60 kg. O par de condições é o mesmo nas duas: doze anos e sessenta quilos.
Os fármacos mais antigos seguem onde estavam. A sibutramina, no Brasil, é liberada a partir dos 18 anos, com termo assinado pelo paciente ciente dos riscos, ainda que estudos clínicos tenham reconhecido eficácia a partir dos 12. O orlistate é aprovado nos Estados Unidos para maiores de 12 anos desde 2003, mas no Brasil é liberado para uso adulto — uma divergência de país que enunciado traduzido às vezes importa sem avisar.
A metformina não é medicamento antiobesidade. Ela é aprovada pela agência norte-americana apenas para diabetes tipo 2 acima dos 10 anos, e seu uso em obesidade com resistência insulínica tem evidência escassa: revisão sistemática de cinco estudos randomizados de seis meses mostrou redução apenas moderada do índice de massa corporal e da resistência insulínica, e estudo de dezoito meses em adolescentes não encontrou redução importante do escore-z do índice de massa corporal. Iniciar metformina empiricamente porque há acantose nigricans é a armadilha mais repetida do tema — a acantose é sinal clínico, não diagnóstico laboratorial de disglicemia.
Em todos os casos o medicamento é adjuvante, nunca a primeira conduta, e vem depois de dieta e atividade física estruturadas.
A cirurgia mudou de régua em 2025
A Resolução CFM nº 2.429, de 25 de abril de 2025, publicada em 20 de maio de 2025 e republicada no dia seguinte, revogou expressamente as Resoluções CFM nº 2.131/2015 e nº 2.172/2017 e reescreveu a idade. Adolescente com 16 anos ou mais passa a ser avaliado pelos mesmos critérios do adulto, desde que ele e a família compreendam os riscos e o compromisso com o seguimento, e desde que haja maturidade psicológica e fisiológica, capacidade de compreender e decidir e suporte social e familiar. Entre 14 e 16 anos a cirurgia pode ser considerada em casos excepcionais de obesidade grave, com índice de massa corporal maior que 40 kg/m², associada a complicações clínicas que levem a risco de vida. O termo de consentimento livre e esclarecido é obtido dos pais ou responsáveis legais.
A mudança mais fácil de errar é a que sumiu do texto. A resolução registra que a cirurgia não impacta negativamente o desenvolvimento da puberdade nem o crescimento linear e que, portanto, o estágio de Tanner II e a idade óssea não devem ser considerados pré-requisitos. Quem memorizou a exigência de consolidação das cartilagens epifisárias aprendeu uma régua que a norma ética vigente abandonou.
Continua valendo, porém, que a cirurgia é considerada apenas quando há falha do tratamento clínico, avaliada de forma consensual por cirurgião e equipe multidisciplinar, e que obesidade passível de controle com tratamento clínico é contraindicação escrita. Em pediatria isso quase sempre significa que a alternativa que manda encaminhar para cirurgia é a errada, porque o enunciado descreve uma criança que ainda não recebeu tratamento clínico estruturado.
Os critérios de índice de massa corporal do adulto, as classes de obesidade, o alerta estrutural acima de 60 kg/m² e a régua administrativa própria do Sistema Único de Saúde pertencem ao capítulo Cirurgia bariátrica: quem tem indicação, na apostila de Cirurgia do Aparelho Digestivo. A diferença entre a régua ética e a régua do financiamento público está no bloco de divergências deste capítulo, porque é ela que produz enunciado ambíguo.
Proteja: a camada que a prova de saúde coletiva cobra
A Estratégia Nacional para Prevenção e Atenção à Obesidade Infantil foi instituída pela Portaria GM/MS nº 1.862, de 10 de agosto de 2021, com o objetivo de deter o avanço da obesidade infantil, e cada letra da palavra Proteja nomeia um conjunto de ações. P é Primeiro Contato: garantir que a atenção primária seja o principal lócus de monitoramento do estado nutricional, promoção da saúde, prevenção do ganho de peso excessivo, diagnóstico precoce e cuidado de crianças, adolescentes e gestantes. R é Responsabilização; O é Organização; T é Transformação, com ações de educação alimentar e nutricional e de atividade física; E é Educação, no sentido de formação permanente dos profissionais; J é Janela de Oportunidade, que trata de comunicação; e A é Ambientes, a proteção dos espaços frequentados por crianças e adolescentes.
As ações essenciais têm itens concretos que rendem alternativa. Monitorar estado nutricional e marcadores de consumo alimentar no Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional. Ofertar cuidado multiprofissional a gestantes com excesso de peso pré-gestacional ou ganho de peso gestacional excessivo, e a crianças e adolescentes já diagnosticados. Equipar cada unidade básica com, no mínimo, balança e estadiômetro, adulto e infantil. Fortalecer a Estratégia Amamenta Alimenta Brasil. Levar educação alimentar e atividade física à escola, principalmente pelo Programa Saúde na Escola. E garantir pelo menos 15 minutos de atividade física por dia nas escolas, em todos os níveis de ensino, além das aulas curriculares de educação física.
O incentivo financeiro veio pela Portaria GM/MS nº 1.863, de 10 de agosto de 2021, que priorizou municípios por quatro critérios simultâneos: porte populacional abaixo de 30 mil habitantes segundo projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística para 2020; prevalência de excesso de peso igual ou maior que 15% em crianças menores de 10 anos em 2019, pelo Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional; cobertura de avaliação do estado nutricional igual ou maior que 50% nessa mesma faixa e ano; e registro de marcadores de consumo alimentar. Dos 1.331 municípios elegíveis, 1.320 concluíram a adesão, ou 99,1%, e o repasse foi desenhado em três parcelas anuais condicionadas a avaliação de desempenho.
Os números que justificam a estratégia vêm de duas fontes. Pela Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2008-2009, cerca de uma em cada três crianças de 5 a 9 anos já tinha excesso de peso, e a obesidade nessa faixa havia saltado, em 34 anos, de 2,9% para 16,6% entre meninos e de 1,8% para 11,8% entre meninas — quase seis vezes e cerca de seis vezes e meia os valores iniciais. Entre adolescentes, o excesso de peso passou de 3,7% para 21,7% no sexo masculino e de 7,6% para 19,4% no feminino. Pelo Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional, em 2020, entre os acompanhados na atenção primária, tinham excesso de peso 15,9% dos menores de 5 anos, 31,8% das crianças de 5 a 9 anos e 31,9% dos adolescentes; e tinham obesidade 7,4%, 15,8% e 12,0%, respectivamente, sempre como proporção do total acompanhado, e não do subgrupo com excesso de peso.
Ler o enunciado na ordem que a decisão exige
Quase toda questão do tema pode ser resolvida em quatro leituras, sempre na mesma ordem. Pular a primeira é o que faz o candidato acertar a classificação e errar a conduta.
- 1Primeiro leia a idade, depois o número. Abaixo de cinco anos as faixas se chamam risco de sobrepeso, sobrepeso e obesidade; dos cinco aos dezenove anos incompletos, as mesmas faixas se chamam sobrepeso, obesidade e obesidade grave. O mesmo escore-z muda de nome ao cruzar o quinto aniversário.
- 2Depois leia a estatura e a velocidade de crescimento. Criança que cresce bem tem obesidade exógena e não precisa de investigação hormonal. Criança que parou de crescer tem de ser investigada antes de receber o rótulo de exógena, e é esse dado — não a acantose, não o índice de massa corporal — que vira a conduta.
- 3Em seguida decida a meta, e não a dieta. Obesidade leve costuma pedir manutenção do peso, porque o crescimento em estatura derruba o índice de massa corporal sozinho. Perda de peso fica para obesidade grave com comorbidades, com teto de 500 gramas por mês dos 2 aos 11 anos e de até 1 quilo por semana no adolescente.
- 4Só então examine idade e peso para as alternativas de medicamento e de cirurgia. Abaixo de 12 anos ou de 60 quilos não há análogo de GLP-1 autorizado no Brasil; abaixo de 14 anos não há cirurgia; e em qualquer idade a cirurgia exige falha documentada do tratamento clínico, o que o enunciado de pediatria quase nunca descreve.
- 5Se o enunciado falar de município, escola, unidade básica ou vigilância alimentar, a pergunta trocou de camada e a resposta está no Proteja, não na curva da criança.
Cresce bem: exógena
Índice de massa corporal alto com estatura preservada ou acima da média e velocidade de crescimento normal ou acelerada. É o padrão da obesidade exógena. O rastreio devido é metabólico: glicemia de jejum, perfil lipídico e transaminases.
Parou de crescer: investigar
Índice de massa corporal alto com baixa estatura ou desaceleração da velocidade de crescimento. Sai do território exógeno e entra o rastreio de causa endócrina — hipotireoidismo e hipercortisolismo em primeiro lugar.
Três exames, não mais
Glicemia de jejum, perfil lipídico e transaminases resolvem o rastreio inicial na atenção primária. Hormônio tireoidiano, cortisol e cariótipo só entram quando a estatura, o neurodesenvolvimento ou os dismorfismos pedirem.
As idades que decidem
Doze anos e sessenta quilos abrem a farmacoterapia com análogo de GLP-1 no Brasil. Quatorze anos abrem a exceção cirúrgica; dezesseis anos igualam o adolescente ao adulto. Dezoito anos é a idade da sibutramina e do orlistate.
Índice de massa corporal para idade: a mesma faixa, dois nomes (curvas da Organização Mundial da Saúde)
| Faixa | Zero a cinco anos | Cinco a dezenove anos incompletos |
|---|---|---|
| Percentis 85 a 97 (escore-z +1 a +2) | Risco de sobrepeso | Sobrepeso |
| Percentis 97 a 99,9 (escore-z +2 a +3) | Sobrepeso | Obesidade |
| Acima do percentil 99,9 (escore-z acima de +3) | Obesidade | Obesidade grave |
Idade autorizada no Brasil para o tratamento farmacológico da obesidade
| Fármaco | Idade autorizada no Brasil | Observação |
|---|---|---|
| Liraglutida 3,0 mg | A partir de 12 anos | Exige peso corporal acima de 60 kg e obesidade; ampliação de uso publicada em 3 de agosto de 2020 |
| Semaglutida 2,4 mg | A partir de 12 anos | Exige obesidade e peso corporal acima de 60 kg; ampliação de uso publicada em 25 de setembro de 2023 |
| Orlistate | Uso adulto | Aprovado nos Estados Unidos para maiores de 12 anos desde 2003 — a divergência é de país |
| Sibutramina | A partir de 18 anos | Com termo assinado pelo paciente ciente dos riscos |
| Metformina | Não é antiobesidade | Aprovada pela agência norte-americana apenas para diabetes tipo 2 acima dos 10 anos |
Cirurgia bariátrica e metabólica no adolescente pela Resolução CFM nº 2.429/2025
| Idade | Regra | Exigência somada |
|---|---|---|
| Abaixo de 14 anos | Não contemplada | — |
| Acima de 14 e abaixo de 16 anos | Casos excepcionais de obesidade grave, com índice de massa corporal maior que 40 kg/m² | Complicações clínicas que levem a risco de vida; termo de consentimento dos pais ou responsáveis legais |
| 16 anos ou mais | Mesmos critérios do adulto | Maturidade psicológica e fisiológica, capacidade de compreender e decidir, suporte social e familiar |
| Qualquer idade | Só após falha do tratamento clínico | Estágio de Tanner II e idade óssea não são pré-requisitos |
Falha do tratamento clínico tem definição escrita: o paciente se submeteu ao tratamento e não respondeu aos protocolos, e cirurgião e equipe multidisciplinar concordam de forma consensual com a falha. Obesidade passível de controle com tratamento clínico é contraindicação cirúrgica expressa. Em enunciado de pediatria a criança quase nunca chegou a esse ponto.
Os percentuais do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional são proporções do total de crianças acompanhadas, e não do subgrupo com excesso de peso. Entre as crianças de 5 a 9 anos acompanhadas em 2020, 31,8% tinham excesso de peso e 15,8% tinham obesidade — ou seja, a obesidade responde por cerca de metade do excesso de peso, porque toda criança com obesidade também tem excesso de peso.
A menarca antecipada e o avanço da idade óssea acompanham a obesidade exógena e não são, por si, motivo de investigação endócrina. O que pede investigação é o oposto: crescer devagar.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Não é pré-requisito (régua ética)
A Resolução CFM nº 2.429/2025 registra que a cirurgia bariátrica e metabólica não impacta negativamente o desenvolvimento da puberdade nem o crescimento linear e que, portanto, o estágio de Tanner II e a idade óssea não devem ser considerados pré-requisitos para a cirurgia. A resolução revogou expressamente as Resoluções CFM nº 2.131/2015 e nº 2.172/2017, que sustentavam a exigência anterior.
Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.429, de 25 de abril de 2025, artigo 2º e anexo, item de indicação cirúrgica em adolescentes.
Continua exigida no financiamento público
A régua administrativa do Sistema Único de Saúde para o procedimento entre 16 e 18 anos pede escore-z do índice de massa corporal para idade maior que +4 e determina que a cirurgia não seja realizada antes da consolidação das epífises de crescimento, com análise de idade óssea e avaliação criteriosa de risco-benefício por equipe multiprofissional. São dois documentos com finalidades distintas: um regula o ato médico, o outro regula o custeio.
Brasil. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 425, de 19 de março de 2013, conforme detalhado no capítulo Cirurgia bariátrica: quem tem indicação, da apostila de Cirurgia do Aparelho Digestivo.
Na prova
O enunciado avisa de que régua está falando pela moldura, não pelo conteúdo clínico. Quando ele cita conselho de medicina, ética médica ou responsabilidade profissional, a resposta é a resolução de 2025 e a idade óssea não entra. Quando ele diz Sistema Único de Saúde, autorização de procedimento, regulação ou fila, a resposta é a portaria e a consolidação das epífises volta a valer. Enunciado que não nomeia nenhum dos dois costuma estar cobrando a resolução, por ser a norma mais recente e a que descreve o ato médico.
Somente adultos (manual de 2019)
O Manual de Orientação da Sociedade Brasileira de Pediatria, em sua 3ª edição, descreve que a sibutramina no Brasil só está liberada a partir dos 18 anos, que o orlistate é liberado para uso adulto e que a liraglutida foi liberada no país em 2016 somente para adultos. Pelo texto do manual, nenhuma opção estaria autorizada para adolescentes.
Sociedade Brasileira de Pediatria, Departamento Científico de Nutrologia. Obesidade na infância e adolescência — Manual de Orientação, 3ª edição, 2019, capítulo de tratamento farmacológico.
A partir de 12 anos, com peso acima de 60 kg (atos de 2020 e 2023)
A Anvisa aprovou ampliação de uso da liraglutida 3,0 mg para adolescentes a partir de 12 anos com peso corporal acima de 60 kg e obesidade, com publicação em 3 de agosto de 2020, e ampliação de uso da semaglutida 2,4 mg para adolescentes a partir de 12 anos com obesidade e peso corporal acima de 60 kg, com publicação em 25 de setembro de 2023. Os dois atos são posteriores ao manual e o superam nesse ponto específico.
Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Saxenda (liraglutida): nova indicação, publicação em 3 de agosto de 2020; e Wegovy (semaglutida): ampliação de uso, publicação em 25 de setembro de 2023.
Na prova
A divergência é de data, não de opinião: o manual descreve corretamente o que valia quando foi escrito. Enunciado que pergunta o que existe hoje, ou que descreve adolescente com 12 anos ou mais e peso acima de 60 kg, está cobrando os atos da Anvisa. Enunciado que pergunta pela conduta inicial continua sendo respondido por mudança de estilo de vida com abordagem familiar, porque em nenhuma das duas leituras o medicamento é primeira linha — a existência da autorização não a transforma em ponto de partida.
Percentil 85, para estudos populacionais
O manual da Sociedade Brasileira de Pediatria registra o percentil 85 proposto por McCarthy como referência rotineiramente usada quando o objetivo é populacional.
Sociedade Brasileira de Pediatria. Obesidade na infância e adolescência — Manual de Orientação, 3ª edição, 2019, seção de circunferência abdominal.
Percentil 90 para idade e sexo, no consultório
O mesmo manual registra o percentil 90 para idade e sexo proposto por Freedman como a referência para uso clínico e ambulatorial, e afirma que falta consenso sobre os pontos anatômicos e sobre os pontos de corte da medida em crianças, o que limita seu uso na pediatria.
Sociedade Brasileira de Pediatria. Obesidade na infância e adolescência — Manual de Orientação, 3ª edição, 2019, seção de circunferência abdominal.
Na prova
Como a própria fonte declara falta de consenso, questão bem feita não cobra o número. A circunferência abdominal aparece como reforço qualitativo de adiposidade central, somada ao índice de massa corporal e à acantose. Alternativa que faz a conduta depender de um corte específico de circunferência abdominal na criança está construindo certeza onde a fonte brasileira não a oferece — e o diagnóstico continua sendo feito pelo índice de massa corporal para idade.
Caso resolvido
- onde a idade e a estatura colocam este adolescente
- Aos 15 anos vale a faixa de cinco a dezenove anos incompletos, na qual escore-z acima de +3 é obesidade grave. A estatura no escore-z +0,2, dentro do canal familiar, e o estágio puberal avançado afastam causa endócrina: obesidade com baixa estatura ou desaceleração do crescimento é que pediria hipotireoidismo e hipercortisolismo. A ausência de estrias violáceas reforça, mas quem decide é o crescimento.
- o que os exames já dizem
- Glicemia de jejum de 108 mg/dL está na faixa de 100 a 125 e hemoglobina glicada de 5,9% está na faixa de 5,7% a 6,4%: é pré-diabetes, não diabetes, porque o diagnóstico exigiria glicemia de jejum igual ou maior que 126 mg/dL confirmada, glicemia igual ou maior que 200 mg/dL com sintomas, ou hemoglobina glicada igual ou maior que 6,5%. Triglicerídeos altos com HDL baixo compõem dislipidemia, e a alanina aminotransferase elevada aponta doença hepática gordurosa não alcoólica — cujo único tratamento estabelecido é a perda ponderal. A acantose já cumpriu o papel de indicar esse rastreio e sai do raciocínio.
- qual é a meta ponderal
- Aqui a meta é perda de peso, e não manutenção, porque há obesidade grave com comorbidades — pré-diabetes, dislipidemia, doença hepática gordurosa e pressão arterial no percentil 96. Como adolescente, o teto sugerido é de até 1 quilo por semana, e não os 500 gramas por mês que valem dos 2 aos 11 anos. A base continua sendo mudança de estilo de vida com envolvimento da família; dieta com restrição acentuada e contagem rígida não entra.
- se cabe medicamento
- Cabe discutir, e a resposta à mãe é que existe autorização. Ele tem 15 anos e 96 kg, portanto cumpre as duas condições dos análogos de GLP-1 aprovados no Brasil para adolescentes: idade a partir de 12 anos e peso corporal acima de 60 kg. O medicamento é adjuvante do aconselhamento nutricional e da atividade física, não substituto, e a prescrição pressupõe acompanhamento. Sibutramina e orlistate não entram, porque no Brasil respondem a uso adulto. Metformina não entra como antiobesidade — se a disglicemia progredir para diabetes tipo 2, a discussão muda de tema.
- se cabe cirurgia agora
- Não. Aos 15 anos ele está na janela excepcional entre 14 e 16 anos, que exige índice de massa corporal maior que 40 kg/m² e complicações clínicas que levem a risco de vida. O índice de massa corporal dele é de aproximadamente 33 kg/m², e as comorbidades presentes, embora relevantes, não são de risco de vida imediato. Some-se a isso que a cirurgia só é considerada após falha do tratamento clínico avaliada de forma consensual, e quatro meses de acompanhamento irregular não configuram falha. A idade óssea, por sinal, não seria o obstáculo: a resolução vigente retirou Tanner II e idade óssea da condição de pré-requisito.
- o que fica combinado
- Tratamento clínico estruturado na própria unidade, com abordagem familiar, meta de perda gradual, reavaliação da pressão arterial e do perfil metabólico, e discussão da farmacoterapia adjuvante com acompanhamento. A conversa sobre cirurgia fica registrada como possível no futuro, condicionada a critérios que hoje não estão preenchidos — o que é diferente de dizer que a cirurgia é proibida.
Agora feche você
- como se chama, nesta idade, um escore-z de +2,5
- Pense antes de virar a resposta: a criança tem menos de cinco anos, e a nomenclatura dessa faixa não é a mesma da faixa escolar.
- se há indicação de investigar causa endógena
- Confira estatura, velocidade de crescimento, idade de início do ganho, neurodesenvolvimento e dismorfismos antes de decidir.
- qual é a meta ponderal e o que responder sobre os quilos
- Decida entre manter o peso e perder peso, e diga o que sustenta a escolha nesta idade e neste grau.
- o que entra e o que não entra na conduta
- Separe o que é intervenção apropriada nesta faixa etária do que só existe para o adolescente.
Onde a banca derruba
- 1Ler o escore-z sem ler a idade É o erro mais barato do tema e o mais fácil de plantar num enunciado. Escore-z entre +2 e +3 é sobrepeso antes dos cinco anos e obesidade dos cinco aos dezenove; acima de +3 é obesidade antes dos cinco e obesidade grave depois. Idade dada em meses, ou aniversário próximo dos cinco anos, é aviso de que a banca está cobrando exatamente essa troca.
- 2Pedir hormônio tireoidiano em criança que cresce bem Dosar hormônio estimulante da tireoide e tiroxina livre em criança com obesidade, estatura preservada e velocidade de crescimento normal não é rastreio de comorbidade — é procurar uma causa que o próprio crescimento já afastou. Na obesidade exógena a criança tende a ser normal ou alta para a idade. O que muda a conduta é o inverso: baixa estatura ou desaceleração do crescimento.
- 3Transformar a acantose nigricans em indicação de metformina A acantose é marcador clínico de resistência insulínica e serve para reforçar a indicação do rastreio metabólico. Não é diagnóstico laboratorial de disglicemia e não autoriza tratamento medicamentoso empírico. A metformina sequer é medicamento antiobesidade: é aprovada pela agência norte-americana apenas para diabetes tipo 2 acima dos 10 anos.
- 4Afirmar que nada é autorizado abaixo dos 18 anos no Brasil Era verdade até 2020 e deixou de ser. Liraglutida 3,0 mg e semaglutida 2,4 mg têm ampliação de uso aprovada para adolescentes a partir de 12 anos com peso corporal acima de 60 kg. Quem estudou apenas pelo manual de 2019 responde uma situação regulatória que já mudou duas vezes. Sibutramina e orlistate, esses sim, seguem em uso adulto no país.
- 5Exigir consolidação das epífises pela régua errada A resolução do Conselho Federal de Medicina vigente desde 2025 afirma que estágio de Tanner II e idade óssea não devem ser considerados pré-requisitos para a cirurgia. A exigência de consolidação das cartilagens de crescimento sobrevive na régua administrativa do Sistema Único de Saúde para a faixa de 16 a 18 anos, junto com escore-z maior que +4. Aplicar uma régua no enunciado da outra é o erro que a banca compra.
- 6Prescrever perda de peso para criança pequena com excesso leve Na obesidade leve a meta é manter o peso, porque o crescimento em estatura derruba o índice de massa corporal sem que nenhum quilo precise sair. Perda de peso é para obesidade grave com comorbidades, e mesmo aí com teto: 500 gramas por mês dos 2 aos 11 anos e até 1 quilo por semana no adolescente — cerca de nove vezes mais, portanto números que não se transferem de uma faixa para a outra.
- 7Ler os percentuais do Sisvan como fração dos que já têm excesso de peso Quando o dado diz que, entre as crianças de 5 a 9 anos acompanhadas na atenção primária em 2020, 31,8% tinham excesso de peso e 15,8% tinham obesidade, os dois números se referem ao mesmo denominador: o total de crianças acompanhadas. Obesidade é subconjunto de excesso de peso, e responde por cerca de metade dele. Interpretar 15,8% como fração dos 31,8% reduz a prevalência de obesidade a menos de um sexto do valor real.
Cada letra da palavra Proteja nomeia um conjunto de ações recomendadas aos municípios. A letra P corresponde a Primeiro Contato e coloca a atenção primária como principal lócus de monitoramento do estado nutricional, promoção da saúde, prevenção do ganho de peso excessivo, diagnóstico precoce e cuidado adequado a crianças, adolescentes e gestantes — repare que gestantes entram explicitamente no escopo, o que costuma surpreender. As demais letras são Responsabilização, Organização, Transformação, Educação, Janela de Oportunidade e Ambientes. Padronizar tratamento medicamentoso não é objeto da estratégia, cujo eixo é prevenção e organização do cuidado. Pesagem obrigatória de escolares não é a formulação adotada: a vigilância do estado nutricional se faz pelo Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional, e as ações escolares correm principalmente pelo Programa Saúde na Escola. E a articulação prevista é intersetorial dentro da gestão pública, não um termo com serviços privados.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Adolescente de 15 anos, com índice de massa corporal de 43 kg/m², apresenta apneia obstrutiva do sono grave com dessaturações noturnas e hipertensão pulmonar em investigação. Está em acompanhamento clínico multiprofissional estruturado há dois anos, sem resposta, e a equipe considera o tratamento clínico falho de forma consensual. Os pais concordam com a proposta cirúrgica. Segundo a Resolução CFM nº 2.429/2025, assinale a alternativa correta quanto à elegibilidade.
A resolução de 2025 criou uma janela excepcional entre 14 e 16 anos, condicionada a obesidade grave com índice de massa corporal maior que 40 kg/m² associada a complicações clínicas que levem a risco de vida, sempre com termo de consentimento livre e esclarecido obtido dos pais ou responsáveis legais. O adolescente do caso tem 43 kg/m², apneia grave com dessaturações e hipertensão pulmonar em investigação, e falha do tratamento clínico avaliada de forma consensual — o cenário que a exceção descreve. Dizer que nenhuma cirurgia é contemplada abaixo dos 18 anos ignora que a mesma resolução equipara o adolescente de 16 anos ou mais ao adulto. A equiparação aos critérios de adulto começa aos 16, e não aos 14. O limiar da janela excepcional é 40 kg/m², e não 50. E a exigência de consolidação das epífises foi expressamente afastada: a resolução registra que a cirurgia não impacta negativamente a puberdade nem o crescimento linear e que estágio de Tanner II e idade óssea não devem ser considerados pré-requisitos.
Durante a implantação das ações essenciais do Proteja, a equipe discute quais compromissos concretos o município assumiu. Sobre as ações essenciais previstas nas orientações técnicas do Ministério da Saúde, assinale a alternativa correta.
As orientações técnicas listam, entre as ações essenciais do eixo de Transformação, garantir a realização de pelo menos 15 minutos de atividade física por dia nas escolas, para além das aulas curriculares de educação física, em todos os níveis de ensino — um compromisso concreto e fácil de cobrar em prova. O equipamento exigido das unidades básicas é modesto e explícito: no mínimo balança e estadiômetro, adulto e infantil; densitometria e bioimpedância não fazem parte da estratégia, e a vigilância nutricional continua sendo feita por antropometria registrada no Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional. As gestantes estão dentro do escopo, com oferta de cuidado multiprofissional a quem tem excesso de peso pré-gestacional ou ganho de peso gestacional excessivo. E a priorização do incentivo financeiro foi para municípios com porte populacional abaixo de 30 mil habitantes, exatamente o oposto da restrição descrita.
Adolescente de 13 anos, sexo feminino, com obesidade e 72 kg de peso corporal, é acompanhada há um ano na atenção primária com orientação nutricional e estímulo à atividade física, sem resposta ponderal satisfatória. A mãe pergunta se existe medicamento aprovado no Brasil para a idade da filha. Considerando as autorizações vigentes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, assinale a alternativa correta.
As duas ampliações de uso são atos publicados e recentes: a da liraglutida 3,0 mg saiu em 3 de agosto de 2020 e a da semaglutida 2,4 mg em 25 de setembro de 2023, ambas para adolescentes a partir de 12 anos com obesidade e peso corporal acima de 60 kg, sempre como adjuvantes de dieta e atividade física. A adolescente do caso tem 13 anos e 72 kg e cumpre as duas condições. Afirmar que nada é autorizado abaixo dos 18 anos descreve o cenário anterior a 2020, que é o registrado no manual brasileiro de referência de 2019 e que ficou desatualizado. A sibutramina é justamente a que segue restrita a maiores de 18 anos no país, com termo assinado pelo próprio paciente. O orlistate é aprovado para maiores de 12 anos nos Estados Unidos desde 2003, mas no Brasil permanece de uso adulto — a divergência é entre países. E a metformina não é medicamento antiobesidade: é aprovada pela agência norte-americana apenas para diabetes tipo 2 acima dos 10 anos.
Menina de 6 anos, assintomática, é avaliada em consulta de puericultura. Cresce no canal familiar, com estatura para idade em escore-z +0,7 e velocidade de crescimento normal. O índice de massa corporal para idade está em escore-z +2,2. Não há acantose nigricans, dismorfismos ou queixas. A mãe pergunta quantos quilos a filha precisa emagrecer. Sobre a meta ponderal mais apropriada neste momento, assinale a alternativa correta.
A meta ponderal na criança se define por idade, gravidade da obesidade e presença de comorbidades. Neste caso há excesso de peso de grau leve, sem comorbidade e com crescimento normal, situação em que manter o peso é a meta apropriada: como a estatura continua avançando, o índice de massa corporal cai sozinho com o tempo, sem que nenhum quilo precise sair. A perda de peso propriamente dita fica reservada à obesidade grave com comorbidades. O ritmo de 1 kg por semana existe, mas é o teto sugerido para o adolescente com obesidade grave e comorbidades, e não vale para uma criança de 6 anos; o teto dessa faixa é de 500 gramas por mês, e não por semana — a diferença entre as duas unidades é de cerca de nove vezes. Perseguir escore-z zero não é alvo terapêutico de ninguém. E dizer que nada deve ser feito ignora que excesso de peso identificado pede mudança de hábitos com abordagem familiar e acompanhamento longitudinal, mesmo sem perda de peso como meta.
Menino de 8 anos é levado à unidade básica de saúde por ganho de peso nos últimos três anos. Ao exame: índice de massa corporal para idade em escore-z +3,1, estatura para idade em escore-z -1,8, velocidade de crescimento de 3,5 cm no último ano, face arredondada, gordura de distribuição centrípeta, acantose nigricans cervical e pressão arterial no percentil 97. Desenvolvimento neuropsicomotor normal. Assinale a conduta mais apropriada.
O dado que muda a conduta é a estatura, e não o índice de massa corporal. Na obesidade exógena a criança tende a ser normal ou alta para a idade, com velocidade de crescimento normal ou acelerada. Aqui há estatura em escore-z -1,8 com velocidade de crescimento de 3,5 cm no último ano, valor baixo para um escolar, somados a face arredondada, gordura centrípeta e hipertensão: o fenótipo aponta causa endógena, e hipotireoidismo e hipercortisolismo são os alvos do rastreamento. Pedir apenas o painel metabólico e chamar o quadro de exógeno assume justamente o que a estatura contraria — e esse painel é o correto quando a criança cresce bem, o que não é o caso. A investigação genética não é o primeiro passo: a síndrome de Prader-Willi cursa com hipotonia neonatal e atraso do desenvolvimento, ausentes aqui. A liraglutida é autorizada no país a partir dos 12 anos e com peso acima de 60 kg, o que exclui esta criança, além de ser adjuvante e não conduta inicial. E a cirurgia não se cogita nesta idade nem antes de investigação e tratamento clínico estruturado.
Em uma discussão sobre vigilância alimentar e nutricional, apresenta-se o dado de que, entre as crianças de 5 a 9 anos acompanhadas na atenção primária em 2020, 31,8% tinham excesso de peso e 15,8% tinham obesidade segundo o índice de massa corporal para idade. Um residente conclui que a obesidade atingiria 15,8% das crianças que já apresentavam excesso de peso. Assinale a alternativa que corrige adequadamente o raciocínio.
Excesso de peso é o guarda-chuva que reúne sobrepeso e obesidade, de modo que toda criança com obesidade também está contada no excesso de peso. Os dois percentuais se referem ao mesmo denominador — o total de crianças acompanhadas — e, portanto, 15,8% de obesidade dentro de 31,8% de excesso de peso significa que a obesidade responde por cerca de metade do excesso de peso nessa faixa etária. Ler o segundo número como fração do primeiro reduziria a prevalência real de obesidade a menos de um sexto do que ela é. Somar os dois percentuais duplica a contagem das mesmas crianças. Tratar as categorias como mutuamente exclusivas contraria a própria construção da classificação. E restringir o percentual de obesidade à faixa acima do escore-z +3 confunde obesidade com obesidade grave, que é o nome da faixa acima de +3 dos cinco aos dezenove anos.
Pré-escolar de 4 anos e 2 meses, assintomático, com desenvolvimento neuropsicomotor adequado, é avaliado em consulta de rotina. A estatura para idade está em escore-z +1,1 e o índice de massa corporal para idade em escore-z +2,6, calculado pelas curvas da Organização Mundial da Saúde. Não há dismorfismos nem hiperfagia desproporcional. Assinale a alternativa que classifica corretamente o estado nutricional e indica a conduta apropriada.
Abaixo dos cinco anos, índice de massa corporal para idade entre os escores-z +2 e +3 se chama sobrepeso, e a obesidade nessa faixa exige escore-z acima de +3. O mesmo valor de +2,6 em uma criança de nove anos receberia o nome de obesidade, porque dos cinco aos dezenove anos incompletos a sequência de rótulos se desloca — é a idade, e não o número, que comanda a nomenclatura. Chamar o quadro de obesidade grave desloca o rótulo em duas faixas de uma só vez. Chamar de eutrofia contraria a classificação, já que escore-z acima de +1 nessa idade já configura risco de sobrepeso. Risco de sobrepeso seria o nome da faixa entre +1 e +2, e além disso a conduta descrita é passiva demais: excesso de peso identificado pede intervenção de hábitos com envolvimento da família e acompanhamento longitudinal. E o rastreio ampliado com cortisol e cariótipo não se justifica em criança que cresce acima da média, sem dismorfismos e com desenvolvimento normal — o crescimento preservado já afasta as causas endócrinas que esses exames procuram.
Menino de 12 anos, com obesidade, é levado à unidade básica por dor no joelho esquerdo há três semanas, sem trauma. A mãe notou que ele passou a mancar. Ao exame, o joelho não tem derrame, calor nem limitação, e a dor não se reproduz à palpação; a rotação interna do quadril esquerdo está reduzida e dolorosa. Qual é a conduta correta?
Dor no quadril ou no joelho com claudicação em criança ou adolescente com obesidade pede radiografia por epifisiólise proximal do fêmur — a dor referida no joelho com exame local normal é a apresentação clássica, e a limitação dolorosa da rotação interna do quadril confirma que o problema está acima. O atraso diagnóstico é o que produz o escorregamento maior e a necrose da cabeça femoral, e por isso a imagem não espera. A ressonância investiga uma articulação que o exame já mostrou normal. Analgésico e repouso sem imagem é exatamente a conduta que deixa o quadro progredir. Artrite séptica cursaria com derrame, calor, dor à mobilização e comprometimento do estado geral, ausentes aqui. E densitometria não avalia a placa de crescimento nem explica claudicação com bloqueio de rotação — a outra alteração ortopédica ligada ao excesso de peso, a doença de Blount, se anuncia por desvio progressivo em varo, e não por dor referida.
Menina de 9 anos, assintomática, é avaliada por ganho de peso progressivo desde os 6 anos. Está acima da média de altura para a idade e cresceu 6 cm no último ano, sem dismorfismos e com marcos de desenvolvimento adequados. Ao exame, há acantose nigricans cervical. Que exames traduzem o rastreio adequado neste momento?
O rastreio laboratorial da criança com obesidade é curto e cabe na atenção primária: glicemia de jejum, perfil lipídico e transaminases, procurando disglicemia, dislipidemia e doença hepática gordurosa. A pressão arterial entra em toda consulta, aferida e interpretada por percentil de idade, sexo e estatura. O dado que dispensa o rastreio hormonal é o crescimento: estatura acima da média e velocidade de crescimento preservada afastam as causas endócrinas que tireotropina, tiroxina livre e cortisol procurariam — dosá-los aqui é procurar uma causa que o próprio crescimento já excluiu. A acantose nigricans não é exame: é achado de exame físico e marcador clínico de resistência insulínica, que reforça a indicação do rastreio metabólico e sai do raciocínio depois disso, sem confirmar diabetes e sem indicar metformina. A investigação genética exige início muito precoce, hiperfagia desproporcional, atraso do desenvolvimento ou dismorfismos, ausentes aqui. E densitometria e bioimpedância não fazem parte da avaliação recomendada, que se apoia em antropometria.
Adolescente de 14 anos, com obesidade, é reavaliado com alanina aminotransferase de 92 U/L e aspartato aminotransferase de 68 U/L, confirmadas em nova coleta. Sorologias virais negativas, sem uso de medicamentos, e ultrassonografia com esteatose hepática. Qual é a conduta com melhor respaldo?
A perda ponderal é o único tratamento estabelecido para a doença hepática gordurosa não alcoólica, e a base dela é mudança de estilo de vida com abordagem familiar — a participação dos pais produz melhores resultados do que tratar o adolescente sozinho. Vitamina E e metformina foram testadas e não se mostraram superiores ao placebo em estudos pequenos, de modo que nenhuma das duas ocupa esse lugar; a metformina, além disso, não é medicamento antiobesidade e tem aprovação apenas para diabetes tipo 2 acima dos 10 anos. O ácido ursodesoxicólico não tem indicação estabelecida aqui, e adiar a perda de peso para depois de um teste medicamentoso inverte a ordem do que funciona. E a biópsia não precede a conduta: o rastreio se faz por transaminases, e o tratamento independe do grau de fibrose para começar.
Adolescente de 15 anos, sedentario, com IMC no percentil 92 para idade e sexo. A classificacao e a conduta corretas sao:
Na faixa de 5 a 19 anos, a classificacao usa escore-z ou percentil de IMC para idade e sexo: percentil entre 85 e 97 corresponde a sobrepeso, e acima de 97 a obesidade. Chamar de obesidade engana quem transporta os cortes do adulto, em que IMC acima de 30 ja seria obesidade. A abordagem nessa idade e familiar e longitudinal, com foco em habitos e sem metas agressivas de perda, considerando que o crescimento em estatura ainda ajuda a corrigir o indice.
Qual achado no exame físico de uma criança obesa sugere resistência insulínica?
O escurecimento e o espessamento aveludado das dobras é a expressão cutânea da hiperinsulinemia e serve de alerta para rastrear glicemia, perfil lipídico e doença hepática gordurosa. Estrias largas e vinhosas apontam para hipercortisolismo, e manchas café com leite para neurofibromatose — cada distrator remete a outra investigação. Xantelasma sugere dislipidemia importante, mas é raro na criança e não é marcador de resistência insulínica.
Qual conduta é recomendada para o tratamento da obesidade em uma criança de 8 anos com sobrepeso e sem comorbidades?
Na criança em crescimento, manter o peso enquanto a estatura avança já corrige o índice de massa corporal, o que evita dietas restritivas que prejudicam o crescimento e a relação com a comida. O tratamento é familiar, não individual, e envolve alimentação, atividade física, sono e tempo de tela. Farmacoterapia e cirurgia têm indicações restritas a adolescentes com obesidade grave e comorbidades, dentro de programas especializados.
Como se define obesidade em criança maior de 5 anos pelas curvas da Organização Mundial da Saúde?
Acima dos 5 anos, escore Z do índice de massa corporal para idade entre 1 e 2 define sobrepeso e acima de 2 define obesidade, com um terceiro corte acima de 3 para obesidade grave; abaixo dos 5 anos os pontos de corte são deslocados. O valor absoluto de 30, usado no adulto, não se aplica à criança em crescimento e é o distrator mais comum. Peso para idade não distingue excesso de gordura de estatura elevada.
O mesmo menino tem índice de massa corporal acima do escore-z +2 para a idade. Qual a primeira medida terapêutica?
O tratamento da obesidade infantil é comportamental e familiar: mudança de hábitos de toda a casa, redução de ultraprocessados e de bebidas açucaradas, aumento de atividade física e limitação de tela — a criança não muda o que a família não muda. Prescrever dieta restritiva com contagem de calorias em pré-escolar é inadequado e associa-se a transtorno alimentar futuro, além de risco ao crescimento. Farmacoterapia e cirurgia não têm lugar nessa faixa etária.
Segundo a diretriz da NASPGHAN, qual complicação hepática deve ser rastreada em crianças e adolescentes com obesidade, e qual é o exame inicial recomendado?
A doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica é a hepatopatia crônica mais comum associada à obesidade pediátrica. A diretriz da NASPGHAN recomenda a alanina aminotransferase (ALT) como exame inicial de rastreamento em crianças de risco, interpretada com limites superiores pediátricos específicos por sexo. A ultrassonografia abdominal de rotina não é recomendada como teste de rastreamento por sua sensibilidade e especificidade inadequadas, especialmente em graus menores de esteatose. Fonte: Vos et al., NASPGHAN Clinical Practice Guideline, Journal of Pediatric Gastroenterology and Nutrition, 2017.
Qual característica clínica levanta suspeita de causa endócrina ou sindrômica para a obesidade infantil, em vez de causa exógena?
A criança com obesidade exógena costuma ser alta para a idade e ter maturação óssea um pouco adiantada, porque o excesso de energia acelera o crescimento; quando a obesidade vem acompanhada de baixa estatura ou de desaceleração da velocidade de crescimento, o alarme dispara para hipotireoidismo, hipercortisolismo, deficiência de hormônio de crescimento e síndromes genéticas. Essa é a regra prática mais útil da consulta e evita tanto a investigação excessiva quanto a omissão.
Criança de 4 anos com obesidade apresenta acantose nigricans em pescoço e axilas. Qual a investigação prioritária?
A acantose nigricans é marcador cutâneo de resistência insulínica e obriga o rastreamento metabólico com glicemia de jejum, perfil lipídico e avaliação de enzimas hepáticas pela associação com esteatose. Investigar causas endócrinas de obesidade, como hipercortisolismo ou deficiência de hormônio de crescimento, é o desvio que se justifica apenas quando a criança tem baixa estatura ou desaceleração do crescimento — na obesidade exógena, a estatura costuma estar preservada ou acima da média, como aponta o crescimento normal deste caso.
Qual orientação sobre atividade física é recomendada para crianças e adolescentes?
A recomendação é de pelo menos 60 minutos diários de atividade moderada a vigorosa, incluindo atividades de fortalecimento muscular e ósseo ao menos três vezes por semana, além da redução do tempo sedentário e de tela. Trinta minutos semanais e a limitação às aulas escolares ficam muito aquém. Alta intensidade diária sem supervisão não é adequada, e restringir atividade física em crianças obesas é contraproducente — a adaptação da atividade, e não sua supressão, é o caminho.
Qual comorbidade respiratória deve ser investigada em criança obesa com ronco, pausas respiratórias noturnas e sonolência diurna?
Ronco com pausas respiratórias e sonolência diurna em criança obesa aponta apneia obstrutiva do sono, cujo padrão-ouro diagnóstico é a polissonografia — a condição agrava a resistência insulínica, a hipertensão e o desempenho escolar, e frequentemente coexiste com hipertrofia adenotonsilar. Fibrose cística, bronquiolite obliterante, deficiência de alfa-1 antitripsina e discinesia ciliar cursam com doença pulmonar crônica e produtiva, com apresentação e história natural completamente distintas.
Qual exame deve ser solicitado para rastrear esteatose hepática em criança obesa com risco metabólico?
O rastreio inicial da doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica se faz por transaminases, sobretudo a alanina aminotransferase, complementadas por ultrassonografia quando alteradas — a esteatose é a comorbidade hepática mais frequente da obesidade infantil e pode evoluir para esteato-hepatite e fibrose. Endoscopia, cintilografia hepatobiliar, ressonância de crânio e colangiografia respondem a outras perguntas clínicas e não fazem parte do rastreio metabólico dessa população.
Qual é a base do tratamento da obesidade infantil?
O tratamento envolve toda a família e atua sobre alimentação, atividade física, sono e tempo de tela, com metas realistas e acompanhamento longitudinal — responsabilizar apenas a criança por uma dieta restritiva favorece transtorno alimentar e fracassa. Farmacoterapia tem indicações restritas por idade e condição, não sendo primeira linha. Cirurgia bariátrica é reservada a adolescentes selecionados com obesidade grave, jamais a pré-escolares, e restrições extremas de macronutrientes não são sustentáveis nem recomendadas.
Qual característica sugere causa endócrina ou sindrômica para a obesidade em criança, em vez de obesidade exógena?
A obesidade exógena costuma cursar com estatura normal ou acima da média, porque o excesso calórico acelera o crescimento linear; quando o ganho de peso vem acompanhado de baixa estatura, desaceleração da velocidade de crescimento, atraso do desenvolvimento ou dismorfismos, é preciso investigar hipotireoidismo, hipercortisolismo, deficiência de hormônio de crescimento e síndromes genéticas. As demais alternativas descrevem exatamente o perfil da obesidade exógena, sem indicação de investigação hormonal extensa.
Menina de 9 anos com índice de massa corporal no escore-z de +2,3 para idade e sexo, acantose nigricans em pescoço, pressão arterial no percentil 95 e circunferência abdominal aumentada. Qual a classificação nutricional e a conduta inicial?
Escore-z de índice de massa corporal acima de +2 em criança de 5 a 19 anos define obesidade, e a acantose nigricans sinaliza resistência insulínica, justificando investigação metabólica com perfil lipídico, glicemia, hemoglobina glicada e transaminases, além de intervenção no estilo de vida com participação de toda a família. Classificar como sobrepeso subestima e adia a investigação. Considerar variação constitucional ignora a pressão arterial elevada e a acantose, e as demais opções invertem completamente o estado nutricional.
Qual complicação ortopédica deve ser lembrada em adolescente obeso com dor em quadril ou joelho?
A obesidade é fator de risco maior para epifisiólise proximal do fêmur, que frequentemente se manifesta como dor referida no joelho, motivo pelo qual todo adolescente obeso com dor em joelho precisa ter o quadril examinado — o atraso diagnóstico aumenta o escorregamento e o risco de necrose avascular. Osgood-Schlatter afeta a tuberosidade tibial em atletas em estirão. Sinovite transitória ocorre em pré-escolares, e displasia do desenvolvimento é condição diagnosticada no lactente.
Qual cuidado é essencial na abordagem do adolescente com obesidade grave em consulta?
A abordagem eficaz é livre de estigma, reconhece o sofrimento psíquico e o bullying como parte do quadro, rastreia sintomas de compulsão e de outros transtornos alimentares e pactua metas realistas e progressivas. Confrontar e cobrar publicamente aumenta o estigma, associa-se a piora do comportamento alimentar e afasta o adolescente do serviço. O extremo oposto, evitar completamente o tema, também prejudica, porque deixa de oferecer cuidado a uma condição crônica que o paciente frequentemente deseja tratar.
Qual orientação alimentar é apropriada para uma família de criança de 9 anos com obesidade e esteatose hepática?
A intervenção que funciona é familiar e sustentável, com redução de bebidas açucaradas e ultraprocessados, valorização de alimentos in natura e refeições compartilhadas, porque a criança não escolhe sozinha o que entra em casa. Prescrever dieta apenas para ela, mantendo o restante da família com os mesmos hábitos, é o erro que produz baixa adesão, sensação de punição e maior risco de transtorno alimentar. Jejum prolongado, substitutos industrializados e proibições absolutas não têm respaldo em pediatria.
Menina de 9 anos apresenta ganho de peso progressivo associado a desaceleração do crescimento linear, com estatura que cruzou canais para baixo. Como interpretar?
A obesidade exógena costuma vir acompanhada de crescimento linear normal ou até acelerado, com a criança alta para a idade, de modo que ganho de peso com desaceleração da estatura inverte esse padrão e aponta para causas endócrinas como hipotireoidismo, hipercortisolismo e deficiência de hormônio de crescimento, ou para síndromes genéticas. Considerar o quadro típico de obesidade comum é justamente o erro que retarda esses diagnósticos, e a curva de estatura é o dado que mais rapidamente separa os dois cenários.
Qual meta é mais apropriada para um adolescente de 15 anos com obesidade grave em acompanhamento ambulatorial?
Em obesidade grave a meta realista é a perda gradual e sustentada, com atenção especial à melhora das comorbidades, do condicionamento e dos hábitos, benefícios que aparecem mesmo com reduções modestas do peso e que sustentam a adesão a longo prazo. Estabelecer o peso ideal como meta de curto prazo é o caminho mais rápido para frustração, abandono e comportamento alimentar desorganizado. Aguardar o estirão puberal como estratégia isolada é conduta passiva que não se sustenta em adolescente com comorbidades já instaladas.
Qual orientação sobre atividade física é adequada para criança de 10 anos com obesidade e acantose nigricans?
A recomendação para crianças e adolescentes é de pelo menos uma hora diária de atividade moderada a vigorosa, associada à redução do tempo de tela, com preferência por atividades que a criança goste, porque adesão importa mais que modalidade e a melhora da sensibilidade à insulina ocorre mesmo antes de mudanças expressivas no peso. Adiar a atividade até que o peso caia inverte a relação de causa e efeito, e restringir a uma única modalidade sem indicação clínica limita opções e reduz a chance de manutenção do hábito.
Qual estratégia de prevenção da obesidade infantil tem maior impacto populacional?
A obesidade infantil tem determinantes ambientais e sociais, e as medidas de maior impacto populacional são estruturais: proteção ao aleitamento, alimentação complementar adequada, ambiente escolar com oferta saudável e regulação da publicidade dirigida ao público infantil. Concentrar tudo na responsabilidade individual é a abordagem mais difundida e a de menor efetividade, além de reforçar o estigma. Suplementação universal não previne obesidade, e rastreamento genético populacional não é viável nem altera a conduta na prática.
Qual conjunto de comorbidades deve ser rastreado em criança com obesidade e esteatose hepática?
A esteatose costuma vir acompanhada de outras repercussões metabólicas e clínicas, e o rastreamento inclui perfil lipídico, glicemia e avaliação de resistência insulínica, medida da pressão arterial, investigação de apneia do sono e atenção ao sofrimento psíquico, que é frequente e muitas vezes ignorado. Atribuir a obesidade infantil ao hipotireoidismo é o equívoco mais comum na prática: causas endócrinas são responsáveis por uma pequena minoria dos casos e costumam vir com baixa estatura, e não com criança alta para a idade.
Qual critério define obesidade em criança de 8 anos segundo as curvas da Organização Mundial da Saúde?
Na criança o índice de massa corporal é interpretado em curvas ajustadas para idade e sexo, e a obesidade corresponde a valores acima de dois desvios-padrão, o que equivale ao percentil 97, com o sobrepeso situado entre um e dois desvios. Aplicar o ponto de corte de 30 usado em adultos é o erro mais frequente e subestima gravemente o diagnóstico na infância, já que o índice varia fisiologicamente com a idade. Peso absoluto e percentil 50 de peso para estatura não definem nada isoladamente.
Sobre o rastreamento de esteatose hepática em crianças com obesidade, é correto afirmar:
O rastreamento com transaminases começa no início da segunda década em crianças com obesidade, ou antes disso quando há fatores de risco associados, justamente porque a doença é silenciosa e a maioria dos pacientes não tem hepatomegalia nem icterícia. Aguardar sinais clínicos é o erro que permite a progressão para esteato-hepatite e fibrose, que já foi documentada com cirrose ainda na adolescência, o que também derruba a afirmação de que a doença infantil não progride.
Qual achado clínico associado à obesidade infantil sugere síndrome genética e não obesidade exógena?
Hipotonia e dificuldade alimentar no período neonatal seguidas de hiperfagia progressiva, atraso do desenvolvimento, baixa estatura e hipogonadismo compõem o fenótipo da síndrome de Prader-Willi, exemplo clássico de obesidade sindrômica que exige investigação genética. As demais alternativas descrevem obesidade exógena, e a mais confundida é a presença de acantose nigricans, que muitos interpretam como sinal de doença rara, quando na verdade é marcador comum de resistência insulínica em crianças com obesidade e desenvolvimento normal.
Criança de 4 anos comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina. Pesa 24 kg e mede 102 cm, com índice de massa corporal acima do escore Z +3 para a idade. Os pais relatam consumo diário de refrigerante, uso de telas por mais de quatro horas ao dia e ausência de atividade física. A criança é assintomática, com pressão arterial no percentil 92 e exame físico sem acantose nigricans. Assinale a conduta correta.
Índice de massa corporal acima do escore Z +3 em criança define obesidade, e a abordagem inicial é familiar e comportamental, com reorganização alimentar, redução de telas, aumento da atividade física e acompanhamento longitudinal na Atenção Primária, investigando comorbidades quando indicado. Dietas restritivas com contagem calórica e medicação para emagrecimento não são a abordagem inicial nessa idade. Considerar o quadro transitório retarda uma intervenção cujo sucesso depende da precocidade. Cirurgia bariátrica é reservada a adolescentes com obesidade grave e critérios muito específicos.
Menino de 9 anos comparece à Unidade Básica de Saúde com índice de massa corporal acima do escore-z +3 para a idade, acantose nigricans cervical e pressão arterial no percentil 95 para idade, sexo e estatura. Consome refrigerantes diariamente, passa cerca de 6 horas por dia em telas e não pratica atividade física. Sem síndromes genéticas aparentes. Qual é a conduta mais adequada?
Obesidade grave na infância com sinais de resistência insulínica e pressão elevada exige abordagem familiar de mudança de hábitos, rastreamento de comorbidades e seguimento longitudinal na atenção primária. Dietas restritivas com meta de perda rápida comprometem o crescimento e favorecem recuperação do peso. Cirurgia bariátrica na infância tem indicações excepcionais e não é conduta inicial. Solicitar exames sem intervir deixa de agir sobre a causa modificável.
Adolescente de 14 anos é atendida na Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina. O índice de massa corporal está acima do escore Z +3 para idade e sexo, e a mãe relata que a filha ganhou 18 kg em dois anos. Ao exame: acantose nigricans em pescoço e axilas, circunferência abdominal aumentada, pressão arterial no percentil 95 para idade, estatura e sexo, estágio de Tanner 4. Há história de diabetes tipo 2 na mãe e na avó. Qual é a investigação laboratorial prioritária neste momento?
A adolescente com obesidade grave, acantose nigricans, hipertensão limítrofe e forte história familiar tem indicação de rastreio das comorbidades metabólicas, que na atenção primária significa avaliar glicemia ou hemoglobina glicada para diabetes tipo 2, perfil lipídico para dislipidemia e transaminases para doença hepática gordurosa. Teste de estímulo do hormônio do crescimento se destina à baixa estatura com desaceleração do crescimento, e a obesidade exógena costuma cursar com estatura preservada ou acelerada. Cariótipo se aplica a suspeita de disgenesia gonadal com baixa estatura e atraso puberal, ausentes aqui. Investigação de doença de Graves é incoerente com ganho de peso e não explica o quadro.
Menina de 8 anos é levada à Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina. A mãe relata alimentação rica em ultraprocessados, consumo diário de refrigerante e cerca de quatro horas de tela por dia, com pouca atividade física. Não há queixas clínicas. Ao exame: peso e estatura registrados na caderneta, com índice de massa corporal acima do escore z mais 2 para a idade e o sexo, acantose nigricans discreta em pescoço, PA no percentil 85 para idade, estatura e sexo. Restante sem alterações. A conduta mais adequada é:
Índice de massa corporal acima do escore z mais 2 na infância define obesidade, e a abordagem inicial é familiar e multiprofissional, com mudanças alimentares, redução de tela, aumento de atividade física e metas pactuadas, associada ao rastreio de comorbidades como dislipidemia, alteração glicêmica e esteatose, sinalizadas pela acantose nigricans. Dieta restritiva isolada, sem envolver a família, tem baixa adesão e risco de transtorno alimentar. Cirurgia bariátrica na infância é excepcional, restrita a adolescentes com obesidade grave e critérios rigorosos. Fármacos não são primeira linha nessa faixa etária, que exige mudança de estilo de vida como base.
Uma equipe de Saúde da Família identifica que, entre as crianças de 6 a 10 anos do território, a prevalência de excesso de peso alcança 32%, com alto consumo de bebidas açucaradas e tempo de tela superior a quatro horas por dia. Muitas famílias moram próximas a uma praça pública desativada. A equipe deseja planejar uma intervenção com foco na prevenção do risco cardiovascular futuro, articulada com a escola e com a gestão municipal. A ação mais adequada e coerente com a atenção primária é:
Diante de um diagnóstico coletivo de excesso de peso e hábitos de risco, a resposta mais efetiva e própria da atenção primária é a promoção da saúde com ações intersetoriais, envolvendo escola, gestão e a recuperação de espaços públicos para atividade física, além de orientação alimentar. Rastreamento laboratorial universal sem fatores de risco não é recomendado e sobrecarrega a rede. Encaminhar todas as crianças ao especialista fragmenta o cuidado que a equipe pode coordenar. Tratamento farmacológico para perda de peso na infância tem indicações restritas e jamais é medida populacional.
Adolescente de 15 anos é levado à Unidade Básica de Saúde porque a mãe percebeu escurecimento e engrossamento da pele do pescoço, que não sai ao esfregar. Refere ganho de peso importante no último ano. Ao exame apresenta índice de massa corporal no percentil 98 para idade e sexo, PA 128x82 mmHg, circunferência abdominal aumentada, e placas acastanhadas aveludadas e espessadas em região cervical posterior e axilas, com acentuação das linhas da pele, sem prurido, descamação ou odor. A conduta mais adequada é:
Placas aveludadas e hiperpigmentadas em pescoço e axilas de adolescente com obesidade caracterizam acantose nigricans, marcador cutâneo de resistência à insulina, que indica investigar glicemia, perfil lipídico e pressão arterial e estruturar plano de mudança de estilo de vida. Antifúngico tópico trataria micose, que produz descamação e não espessamento aveludado. Atribuir a lesão à falta de higiene é incorreto e estigmatizante, pois a hiperpigmentação não sai à limpeza. Exérese cirúrgica não trata a causa metabólica subjacente e não é indicada.
Menina de 11 anos, obesa, com índice de massa corporal acima do percentil 97, é avaliada na Unidade Básica de Saúde por hipertensão arterial confirmada em três medidas com manguito adequado, valores em torno de 138x88 mmHg. Ela tem acantose nigricans cervical, história familiar de hipertensão e diabetes tipo 2, e é sedentária, com consumo elevado de ultraprocessados. O exame de urina é normal, a função renal é normal e o ultrassom renal não mostra alterações. A conduta inicial correta é
Em adolescente com obesidade, história familiar positiva, acantose nigricans e ausência de sinais de causa secundária, a hipertensão é presumivelmente primária associada à obesidade, e a conduta inicial é a mudança de estilo de vida com orientação alimentar e atividade física, além de rastreio de dislipidemia, esteatose e alteração glicêmica. Iniciar fármaco sem medidas comportamentais não é a abordagem inicial nesse perfil. Cirurgia bariátrica não é conduta de primeira linha nessa idade. Arteriografia é exame invasivo sem indicação diante de perfil clínico típico de hipertensão primária.
Menino de 6 anos é levado à Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina e a equipe identifica índice de massa corporal acima do percentil 97 para idade e sexo. A mãe relata consumo diário de refrigerantes, bolachas recheadas e frituras, além de mais de quatro horas diárias de tela e ausência de atividade física. Ao exame, ele está ativo, sem acantose nigricans, com pressão arterial normal para idade e estatura e sem estrias violáceas. O crescimento estatural está adequado e não há atraso do desenvolvimento. A conduta correta é
O manejo da obesidade infantil baseia-se em mudanças alimentares e de estilo de vida com abordagem familiar, redução do tempo de tela, estímulo à atividade física e seguimento regular, com rastreio de comorbidades conforme o risco. Dietas restritivas isoladas na criança comprometem o crescimento e favorecem transtornos alimentares. Medicação não é primeira linha nessa faixa etária. Apenas solicitar exames e adiar por um ano perde a janela de intervenção mais eficaz.
Menina de 9 anos, com obesidade, é levada à consulta pela mãe, que a repreende na frente do médico dizendo que ela é gulosa e sem força de vontade. A criança fica cabisbaixa e diz que sofre apelidos na escola e evita educação física. Ao exame: índice de massa corporal acima do escore Z +3, acantose nigricans cervical, sem outras alterações, com pressão arterial no percentil 90. Ela relata gostar de dançar, mas ter vergonha do próprio corpo. Qual é a abordagem mais adequada?
O manejo da obesidade infantil deve evitar estigma e culpabilização, que pioram a autoestima, favorecem transtornos alimentares e afastam a família do cuidado, adotando mudanças de estilo de vida com participação de todos, valorizando atividades prazerosas para a criança e cuidando do sofrimento psíquico e da violência entre pares. Reforçar repreensões amplia o dano. Dietas restritivas rígidas com pesagens frequentes aumentam o risco de transtorno alimentar. Cirurgia bariátrica tem indicações muito restritas e não se aplica a essa idade.
Menino de 11 anos é levado à Unidade Básica de Saúde para consulta e a mãe relata que ele come muito pouco na escola porque não gosta da comida oferecida e leva dinheiro para comprar salgadinhos. A família tem acesso limitado a alimentos frescos e a criança passa a maior parte do tempo em casa com telas. Ao exame, apresenta índice de massa corporal acima do percentil 97, acantose nigricans cervical e pressão arterial no percentil 92 para idade e estatura. O crescimento estatural é adequado e ele não tem queixas. A conduta correta inclui
O manejo da obesidade infantil combina orientação alimentar e de atividade física com abordagem familiar, rastreio de comorbidades como resistência insulínica, dislipidemia e esteatose, e articulação com a escola e os programas de alimentação escolar, que são determinantes do ambiente alimentar. Dietas restritivas isoladas para a criança são ineficazes e arriscadas. Cirurgia bariátrica não é conduta nessa idade fora de contextos excepcionais. Aguardar o estirão puberal é crença sem respaldo e retarda a intervenção.
Menino de 7 anos é levado à Unidade Básica de Saúde e a mãe relata que ele passa cerca de seis horas por dia entre televisão, tablet e videogame, dorme tarde e acorda cansado para a escola. Ele come frequentemente enquanto assiste a vídeos e a família raramente faz refeições juntas. Ao exame, apresenta índice de massa corporal no percentil 90, pressão arterial normal e sem outras alterações. Ele não pratica atividade física estruturada e reclama de cansaço nas aulas de educação física. A conduta correta inclui
O excesso de tempo de tela associa-se a sono insuficiente, alimentação desatenta, sedentarismo e excesso de peso, e a abordagem envolve limites de tela, higiene do sono, refeições em família sem telas e aumento da atividade física, com metas pactuadas e seguimento longitudinal na Atenção Primária. Negar a relação contraria as evidências. Dieta isolada sem mudança comportamental tem baixa efetividade. Encaminhar sem qualquer intervenção transfere um cuidado que é próprio da Atenção Primária.
Menino de 11 anos, com obesidade, é acompanhado na Unidade Básica de Saúde e a equipe solicita exames de rastreio de comorbidades. Os resultados mostram glicemia de jejum de 108 mg/dL, triglicerídeos elevados, colesterol HDL reduzido e alanina aminotransferase discretamente aumentada. Ao exame, apresenta índice de massa corporal muito acima do percentil 97, acantose nigricans cervical e axilar, circunferência abdominal aumentada e pressão arterial no percentil 92 para idade e estatura. Ele é sedentário e consome ultraprocessados diariamente. A interpretação correta é
Glicemia de jejum alterada, dislipidemia com triglicerídeos elevados e HDL reduzido, elevação de transaminases e acantose nigricans em criança com obesidade caracterizam resistência insulínica com alterações metabólicas associadas, indicando intervenção intensiva no estilo de vida, seguimento estruturado e rastreio de esteatose. Considerar os exames normais ignora achados relevantes. Diabetes tipo 1 cursa com hiperglicemia franca, poliúria e perda de peso. Cirurgia bariátrica não é conduta inicial nessa idade.
Menino de 5 anos é levado à Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina e a equipe identifica, na caderneta, que o peso vem subindo de canal nos últimos dois anos, com o índice de massa corporal passando do percentil 60 para o percentil 92. Ele não tem queixas e a família não percebeu mudança. Ao exame, está ativo, sem acantose nigricans, com pressão arterial normal e crescimento estatural adequado. A alimentação inclui ultraprocessados diários e ele passa várias horas em telas, com pouca atividade física ao ar livre. A conduta correta é
A vigilância do crescimento permite identificar a ascensão de canal do índice de massa corporal como sinal de alerta precoce, momento em que a intervenção sobre alimentação, atividade física e tempo de tela é mais eficaz e menos estigmatizante. Aguardar o percentil 97 perde a janela de prevenção. Adiar a orientação até resultados laboratoriais atrasa a intervenção comportamental, que independe dos exames. Dietas restritivas com contagem de calorias não são recomendadas nessa faixa etária.
Menino de 8 anos é levado à Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina. Está com índice de massa corporal acima do percentil 97 para idade e sexo, consome bebidas açucaradas diariamente, passa mais de cinco horas por dia em telas e não pratica atividade física. Os pais também têm obesidade e relatam que a alimentação da casa é baseada em ultraprocessados. Ao exame, acantose nigricans cervical discreta, pressão arterial no percentil 90 e restante sem alterações. A conduta mais adequada é:
O tratamento da obesidade infantil é familiar e multiprofissional, com mudanças no ambiente alimentar da casa, redução de bebidas açucaradas e ultraprocessados, aumento da atividade física, limitação do tempo de tela e metas graduais, com acompanhamento longitudinal e sem estigmatização. Restrição calórica intensa isolada na criança é inadequada e ineficaz sem mudança do ambiente familiar. Medicação tem indicações restritas e não é primeira medida nessa idade. Cobrar perda de peso sem oferecer estratégias não modifica comportamento e gera sofrimento.
Menino de 5 anos é levado à Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina e a mãe relata que ele passa a maior parte do dia em atividades sedentárias, assistindo televisão e jogando no tablet, e que não frequenta parques por falta de espaços seguros no bairro. Ao exame: índice de massa corporal no percentil 85, sem alterações ao exame físico, com desenvolvimento adequado. A mãe pergunta quanto tempo de atividade física uma criança dessa idade deveria praticar e como organizar isso na rotina familiar. Qual é a orientação correta?
As recomendações para crianças em idade pré-escolar e escolar incluem pelo menos sessenta minutos diários de atividade física moderada a vigorosa, predominantemente por meio de brincadeiras ativas, com limitação do tempo sedentário e envolvimento da família, o que favorece controle de peso, saúde óssea, sono e desenvolvimento socioemocional. Trinta minutos semanais é aporte insuficiente. Adiar para a adolescência perde a fase de formação de hábitos. Treinamento competitivo diário não é apropriado nessa idade e aumenta risco de lesão por sobrecarga.
Adolescente de 16 anos é levada à Unidade Básica de Saúde por escurecimento e espessamento da pele na nuca e nas axilas, percebido há um ano. Refere ciclos menstruais irregulares desde a menarca, aos 12 anos, e ganho de 12 kg nos últimos dois anos. Ao exame, o índice de massa corporal está no percentil 97 para a idade, a pressão arterial é normal e observam-se placas aveludadas e escurecidas em nuca e axilas. Não usa medicamentos. Qual é a conduta inicial mais adequada?
A acantose nigricans em adolescente com obesidade e ciclos irregulares é marcador cutâneo de resistência insulínica, e a conduta é investigar o metabolismo glicídico e lipídico e intervir sobre o estilo de vida, tratando a causa e não apenas a pele. O clareador atua sobre a aparência sem modificar o distúrbio metabólico subjacente. A biópsia é desnecessária diante de lesão clinicamente típica. A isotretinoína trata acne grave e não tem qualquer indicação para acantose nigricans.
Uma criança de 8 anos é levada à consulta de rotina na unidade básica de saúde. O índice de massa corporal está acima do escore z mais 2 para a idade e o sexo, há acantose nigricans cervical e a família relata consumo diário de refrigerantes, uso de telas por seis horas ao dia e ausência de atividade física. A pressão arterial está no percentil 92 para idade, sexo e estatura. Qual é a conduta mais adequada?
Índice de massa corporal acima do escore z mais 2 define obesidade na faixa etária, e a conduta envolve abordagem familiar de mudança de hábitos alimentares e de atividade física, redução do tempo de tela e rastreamento de comorbidades como dislipidemia, alteração glicêmica e hipertensão. Atribuir o quadro a variação fisiológica adia a intervenção no período mais eficaz. Dieta restritiva isolada e centrada apenas na criança tem baixa adesão e risco de transtorno alimentar. Cirurgia bariátrica não é conduta para criança de 8 anos.
Adolescente do sexo masculino, 13 anos, obeso, tem PA de 138/88 mmHg em três consultas distintas, acima do percentil 95 para idade, sexo e estatura. IMC no percentil 97, circunferência abdominal aumentada e acantose nigricans cervical. Glicemia de jejum 104 mg/dL, triglicerídeos 180 mg/dL, HDL 34 mg/dL. Função renal normal e ultrassonografia renal sem alterações. Qual a conduta inicial mais adequada?
Hipertensão associada à obesidade e a marcadores de resistência insulínica em adolescente tem como abordagem inicial a mudança intensiva de estilo de vida, com perda de peso, atividade física e ajuste alimentar, reservando fármacos para falha, sintomas ou lesão de órgão-alvo. Iniciar dois anti-hipertensivos em dose plena de imediato é agressivo nessa faixa etária. A arteriografia renal é invasiva e não é exame de primeira linha, ainda mais com causa secundária pouco provável diante do quadro metabólico. A metformina trata resistência insulínica, sem ser tratamento da hipertensão. Restringir a atividade física contraria justamente a principal intervenção terapêutica.
Menina, 9 anos, é avaliada em consulta de rotina. Peso 52 kg e estatura 1,32 m, resultando em IMC de 29,8 kg/m², acima do escore-z de +3 para a idade e o sexo. Refere consumo diário de refrigerantes e ultraprocessados e menos de 1 hora semanal de atividade física. Exame: acantose nigricans em nuca, PA 122 x 80 mmHg (percentil 95 para idade, sexo e estatura). Estádio puberal M2, sem outras alterações. Qual a conduta inicial mais adequada?
Na obesidade infantil, a abordagem inicial é a mudança de estilo de vida com participação de toda a família — alimentação, atividade física, sono e tempo de tela — associada ao rastreio de comorbidades como resistência insulínica, dislipidemia, esteatose hepática e hipertensão, já sugeridas pela acantose nigricans e pela pressão elevada. Dietas com restrição calórica severa comprometem o crescimento e favorecem transtornos alimentares. O orlistate não é primeira linha e tem indicação restrita em adolescentes. A cirurgia bariátrica é reservada a adolescentes com obesidade grave e critérios específicos, jamais aos 9 anos. Apenas reavaliar em 12 meses perde a janela de intervenção precoce.
Adolescente, 14 anos, com obesidade e IMC no escore-z de +3,2, é avaliado quanto a comorbidades. Refere sonolência diurna e roncos. Exame: acantose nigricans, circunferência abdominal aumentada, PA 134 x 86 mmHg. Glicemia de jejum 108 mg/dL (VR até 99), hemoglobina glicada 6,0% (VR até 5,7), triglicerídeos 190 mg/dL (VR até 130), HDL 32 mg/dL (VR acima de 45), ALT 78 U/L (VR até 40). Ultrassonografia: esteatose hepática moderada. Qual a conduta mais adequada?
O adolescente apresenta obesidade com pré-diabetes, dislipidemia aterogênica, hipertensão e doença hepática gordurosa: a conduta é intervenção intensiva no estilo de vida com equipe multiprofissional, manejo das comorbidades e rastreio de apneia do sono, considerando-se farmacoterapia adjuvante conforme evolução. A insulina basal não é o tratamento do pré-diabetes, cuja abordagem inicial é comportamental, eventualmente com metformina. Dieta isolada sem seguimento estruturado tem baixa adesão e resultados pobres. A estatina isolada não trata o conjunto das comorbidades e não é a medida principal nessa idade. A biópsia hepática é reservada a dúvida diagnóstica ou suspeita de fibrose avançada, não sendo pré-requisito para iniciar o tratamento.
Adolescente do sexo masculino, 13 anos, obeso, com PA de 138/88 mmHg em consultório, aferida com manguito adequado em três ocasiões. FC 82 bpm, IMC no percentil 99, acantose nigricans e circunferência abdominal aumentada. Glicemia de jejum de 108 mg/dL, triglicerídeos de 190 mg/dL e HDL de 32 mg/dL, com transaminases discretamente elevadas e ultrassonografia com esteatose hepática. Qual a conduta mais adequada?
Hipertensão associada à obesidade em adolescente exige mudanças intensivas de estilo de vida e investigação de comorbidades metabólicas, como resistência insulínica, dislipidemia e esteatose hepática, considerando anti-hipertensivo se não houver controle ou se houver lesão de órgão-alvo. Iniciar três fármacos de imediato é desproporcional. A investigação invasiva de causa secundária não é a primeira etapa em adolescente obeso com fenótipo metabólico típico. A metformina trata resistência insulínica, não a hipertensão. Encerrar o acompanhamento normaliza um fator de risco cardiovascular relevante.
Menina de 10 anos é levada à consulta por ganho de peso progressivo nos últimos 3 anos. Ela tem estatura no percentil 75 e índice de massa corporal com escore Z de mais 2,5 para idade e sexo. Passa 5 horas por dia em telas, consome refrigerante diariamente e não pratica atividade física. PA no percentil 90 para idade, sexo e estatura. Há acantose nigricans em região cervical posterior. Os pais são obesos. Qual a conduta inicial mais adequada?
A mudança de estilo de vida com abordagem familiar e rastreio de comorbidades é a conduta inicial na obesidade infantil, definida por escore Z do índice de massa corporal acima de mais 2, sendo obrigatória a pesquisa de resistência insulínica, dislipidemia e esteatose, sugerida aqui pela acantose nigricans. O uso de sibutramina com dieta de muito baixa caloria não é conduta inicial em pediatria. A cirurgia bariátrica é excepcional, reservada a adolescentes com obesidade grave e comorbidades após falha de tratamento clínico. A investigação endócrina ampla é pouco produtiva quando a estatura está preservada, já que causas hormonais costumam cursar com baixa estatura. A restrição calórica isolada, sem envolver a família, tem baixa adesão e pouca eficácia.
Menino de 5 anos apresenta obesidade grave de início aos 2 anos, com hiperfagia intensa e busca constante por alimento. A mãe relata hipotonia importante e dificuldade de sucção no período neonatal, com necessidade de sonda. Ao exame há baixa estatura para o alvo familiar, mãos e pés pequenos, criptorquidia bilateral e atraso do desenvolvimento cognitivo. A idade óssea está discretamente atrasada. Qual a hipótese diagnóstica mais provável?
A síndrome de Prader-Willi é a hipótese, caracterizada pela sequência de hipotonia neonatal grave com dificuldade de sucção seguida de hiperfagia e obesidade após os 2 anos, somada a baixa estatura, mãos e pés pequenos, hipogonadismo e atraso cognitivo, por perda da expressão de genes paternos na região 15q11-q13. A obesidade exógena cursa com estatura preservada ou acelerada e sem hipotonia neonatal. A síndrome de Down é reconhecida por fácies típica e cardiopatia, sem esse padrão de hiperfagia. O hipotireoidismo congênito é detectado pela triagem neonatal e não cursa com hiperfagia. A deficiência de hormônio do crescimento causa baixa estatura com adiposidade central, mas sem hipotonia neonatal e sem comportamento alimentar compulsivo.
Adolescente, 15 anos, com ganho ponderal progressivo desde os 9 anos. Peso 98 kg, altura 1,68 m, IMC 34,7 kg/m², acima do percentil 99 para a idade. PA 138x88 mmHg, FC 78 bpm, acantose nigricante cervical. Exames: glicemia de jejum 104 mg/dL; HbA1c 5,9% (VR < 5,7); insulina de jejum elevada; alanina aminotransferase 68 U/L (VR até 35); ultrassom com esteatose hepática moderada. Assinale a conduta inicial.
A abordagem inicial da obesidade grave na adolescência é um programa estruturado e multiprofissional de mudança de estilo de vida com envolvimento familiar, base sobre a qual qualquer terapia adicional se apoia. A sibutramina não é aprovada para essa faixa etária e tem perfil cardiovascular desfavorável. A cirurgia bariátrica em adolescentes exige critérios estritos, maturidade esquelética e falha documentada do tratamento clínico estruturado, etapa ainda não cumprida. A insulina basal não trata resistência insulínica e promoveria mais ganho de peso. A dieta de muito baixa caloria sem supervisão é insegura em fase de crescimento.
Menino de 12 anos, com índice de massa corporal com escore Z de mais 3, apresenta acantose nigricans em pescoço e axilas. Está assintomático, PA no percentil 92 para idade, sexo e estatura. Glicemia de jejum 106 mg/dL (VR 70-99); insulina de jejum elevada; triglicerídeos 190 mg/dL (VR menor que 90); HDL 32 mg/dL (VR maior que 45); alanina aminotransferase duas vezes acima do limite superior. Qual a conduta inicial mais adequada?
A mudança de estilo de vida com rastreio de esteatose hepática e reavaliação metabólica é a conduta inicial, pois o quadro reúne obesidade, acantose nigricans, glicemia de jejum alterada, dislipidemia e elevação de transaminases, compondo repercussão metabólica que exige abordagem estruturada. A insulinoterapia não é indicada em glicemia de jejum alterada sem diagnóstico de diabetes. Restringir a investigação a cortisol e hormônios tireoidianos é insuficiente e pouco produtivo com estatura preservada. A dieta de muito baixa caloria isolada é inadequada em crescimento. A cirurgia bariátrica é excepcional e não é conduta inicial.
Menino de 4 anos apresenta obesidade grave de início antes dos 2 anos, com escore Z do índice de massa corporal de mais 4,5, associada a hiperfagia intensa e busca constante por alimento. Está com estatura acima do alvo familiar e sem atraso do desenvolvimento. Não há hipotonia neonatal, mãos e pés pequenos ou criptorquidia. Há consanguinidade parental e história de obesidade grave precoce em um primo. Qual a hipótese mais provável?
A obesidade monogênica por defeito da via da leptina e melanocortina é a hipótese mais provável, sugerida por obesidade grave de início muito precoce, hiperfagia intensa, estatura preservada ou aumentada, consanguinidade parental e caso familiar semelhante. A síndrome de Prader-Willi exigiria hipotonia neonatal e outros estigmas, expressamente ausentes. A obesidade exógena raramente atinge esse grau antes dos 2 anos com hiperfagia dessa intensidade. O hipotireoidismo cursaria com baixa estatura e desaceleração do crescimento. A síndrome de Cushing também cursaria com déficit estatural, o oposto do descrito.
Menino de 10 anos, submetido há 18 meses a ressecção de tumor selar, apresenta ganho ponderal rápido e progressivo, com escore Z do índice de massa corporal de mais 3,8, hiperfagia intensa, sonolência diurna e desregulação térmica. Está em reposição de levotiroxina e hidrocortisona, com doses adequadas e exames de controle dentro dos alvos terapêuticos estabelecidos pela equipe assistente. Qual a hipótese e a conduta?
A obesidade hipotalâmica é a hipótese, decorrente de lesão dos centros de saciedade e regulação energética após cirurgia selar, com hiperfagia intensa, ganho ponderal rápido e desregulação autonômica, exigindo abordagem multiprofissional e revisão criteriosa das reposições hormonais. A obesidade exógena simples não explica o padrão e a temporalidade. Suspender a hidrocortisona em paciente com insuficiência adrenal precipitaria crise adrenal. O hipotireoidismo está controlado conforme os exames. A síndrome de Prader-Willi cursa com hipotonia neonatal e manifesta-se muito antes, sem relação com cirurgia.
Menino de 11 anos, com obesidade e escore Z do índice de massa corporal de mais 3, realiza exames de rotina que mostram TSH de 6,2 mUI/L (VR 0,5-4,5) com T4 livre normal e anticorpos antitireoidianos negativos. Está com estatura no percentil 75, com velocidade de crescimento adequada e sem sintomas de hipotireoidismo. A família atribui o ganho de peso a um problema de tireoide e solicita tratamento hormonal. Qual a conduta mais adequada?
Explicar que a elevação discreta do TSH com T4 livre normal costuma ser consequência da obesidade, e não sua causa, priorizando o tratamento do excesso de peso com reavaliação hormonal posterior, é a conduta mais adequada. Iniciar levotiroxina para emagrecer é inadequado e potencialmente prejudicial. Cintilografia e punção não têm indicação sem nódulo. A tireoidectomia parcial é conduta injustificável. Suspender qualquer seguimento também é inadequado, pois a função tireoidiana deve ser reavaliada ao longo do acompanhamento.
Menino, 10 anos, com IMC no percentil 98, sedentário e com alto consumo de ultraprocessados. PA no percentil 92 para idade, sexo e estatura, FC 84 bpm, acantose nigricante cervical. Exames: glicemia de jejum 98 mg/dL; triglicerídeos 168 mg/dL; HDL-c 36 mg/dL; alanina aminotransferase discretamente elevada; ultrassom com esteatose hepática leve. Mãe hipertensa e avô com infarto precoce. Sobre a conduta, assinale a alternativa INCORRETA.
A afirmação incorreta é a que adia a abordagem do risco cardiovascular para a vida adulta: a aterosclerose começa na infância e os fatores de risco identificados nessa fase predizem eventos futuros, justificando intervenção precoce. É correto que a mudança de estilo de vida com envolvimento familiar é a base do tratamento. A acantose nigricante de fato sugere resistência à insulina. A monitorização seriada da pressão arterial integra o seguimento. E o perfil lipídico alterado compõe o risco cardiometabólico já nessa idade.
Adolescente de 14 anos, com índice de massa corporal no percentil 98 para idade e sexo, é levada à consulta pela mãe, preocupada com escurecimento da pele do pescoço que não sai com sabão. Exame: placas aveludadas e hiperpigmentadas em região cervical posterior e axilas, acrocórdons, PA no percentil 92, sem hirsutismo e com ciclos menstruais regulares. Glicemia de jejum 104 mg/dL (VR < 100); hemoglobina glicada 5,8% (VR < 5,7); triglicerídeos 168 mg/dL. Qual a interpretação e a conduta?
Placas aveludadas e hiperpigmentadas em pescoço e axilas com acrocórdons em adolescente com obesidade caracterizam acantose nigricans, marcador cutâneo de resistência insulínica, e o quadro já se acompanha de glicemia de jejum alterada, glicada limítrofe, hipertrigliceridemia e pressão elevada, o que exige investigação de comorbidades e intervenção estruturada no estilo de vida. Atribuir a má higiene é erro comum e adia o diagnóstico. Não se trata de micose, cuja apresentação e resposta a antifúngico são distintas. A hiperpigmentação da insuficiência adrenal é difusa, com acometimento de mucosas e cicatrizes, acompanhada de hipotensão e hiponatremia. Considerar o achado sem significado ignora seu valor como sinal de alerta metabólico.
Qual abordagem é indicada diante da progressão do IMC, independentemente de sintomas atuais?

A trajetória persistente exige intervenção clínica estruturada.
Qual avaliação clínica não deve ser omitida no acompanhamento dessa curva?

Obesidade pode acompanhar hipertensão, dislipidemia e alterações glicêmicas.
Qual evolução da estatura ajuda na interpretação do aumento de IMC?

O padrão não mostra desaceleração linear importante, comum em algumas causas endócrinas de obesidade.
Para a faixa de 5–19 anos, usando obesidade acima de +2 escores-z, em qual idade medida esse limiar é ultrapassado pela primeira vez?

O IMC passa de +1,8 aos sete para +2,5 aos oito.
Qual plano aborda riscos físicos e emocionais de forma integrada?

Obesidade pediátrica requer abordagem multicomponente sem estigma.
Por que metas devem considerar acesso a alimentos e espaços seguros?

Plano factível parte do contexto e mobiliza recursos disponíveis.
Qual problema psicossocial foi relatado?

Violência e estigma pelo peso afetam saúde e participação.
Se houver desaceleração importante da estatura junto ao ganho de peso, qual aspecto muda a investigação?

Padrão de crescimento linear pode indicar etiologia diferente e exige investigação dirigida.
Qual bebida é um alvo possível de mudança na rotina?

Reduzir bebidas açucaradas pode melhorar qualidade alimentar.
Menino de 10 anos com obesidade será avaliado para comorbidades. Propõe-se dosar insulina em jejum como exame obrigatório para confirmar resistência insulínica e definir o diagnóstico de pré-diabetes. Segundo a Endocrine Society, qual avaliação é correta?
A seleção de exames deve responder a riscos e comorbidades com critérios diagnósticos estabelecidos. Referências: Endocrine Society: Pediatric Obesity Guideline Resources — https://www.endocrine.org/clinical-practice-guidelines/pediatric-obesity
Uma criança apresenta ganho excessivo de peso, mas mantém estatura compatível com o alvo familiar e velocidade de crescimento normal para o estágio puberal. Não há sinais clínicos de endocrinopatia. Segundo a Endocrine Society, qual princípio orienta a investigação de causas hormonais?
A avaliação clínica e longitudinal precede exames dirigidos a causas menos frequentes. Referências: Endocrine Society: Pediatric Obesity Guideline Resources — https://www.endocrine.org/clinical-practice-guidelines/pediatric-obesity
Adolescente com obesidade evita consultas após ter recebido comentários humilhantes sobre o corpo. Qual abordagem favorece vínculo e participação no tratamento?
Metas compartilhadas devem considerar saúde, contexto social e barreiras concretas. Referências: AAP: Clinical Practice Guideline for the Evaluation and Treatment of Children and Adolescents With Obesity — https://publications.aap.org/pediatrics/article/151/2/e2022060640/190443/Clinical-Practice-Guideline-for-the-Evaluation-and
Para uma criança de 11 anos, a curva utilizada apresenta IMC no percentil 95 de 24 kg/m². Seu IMC atual é 30 kg/m². Usando o critério da AAP de pelo menos 120% do percentil 95, qual interpretação é correta?
O valor de referência deve corresponder à idade e ao sexo na curva adotada. Referências: AAP: Clinical Practice Guideline for the Evaluation and Treatment of Children and Adolescents With Obesity — https://publications.aap.org/pediatrics/article/151/2/e2022060640/190443/Clinical-Practice-Guideline-for-the-Evaluation-and
Um serviço planeja oferecer tratamento intensivo de hábitos e comportamento a crianças de 8 a 12 anos com obesidade. Segundo a AAP, qual organização se aproxima dos programas com evidência mais consistente de efetividade?
Barreiras de acesso e recursos disponíveis devem ser consideradas ao organizar o cuidado. Referências: AAP: Clinical Practice Guideline for the Evaluation and Treatment of Children and Adolescents With Obesity — https://publications.aap.org/pediatrics/article/151/2/e2022060640/190443/Clinical-Practice-Guideline-for-the-Evaluation-and
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em 7 dias
Escreva de memória a tabela de duas colunas que dá nome à mesma faixa de índice de massa corporal antes e depois dos cinco anos, e teste-se com um escore-z de +2,5 nas duas idades. Depois liste as quatro idades que decidem conduta neste tema — 12, 14, 16 e 18 anos — dizendo o que cada uma libera e o que exige junto. Por fim, recite os três exames do rastreio inicial e explique, em uma frase, por que hormônio tireoidiano não está entre eles quando a criança cresce bem.
em 30 dias
Reconstrua o caso do adolescente de 15 anos e 96 kg decidindo, item a item, se cabe medicamento e se cabe cirurgia, com o motivo de cada resposta. Em seguida escreva as sete letras da palavra Proteja com o que cada uma nomeia, e cite três ações essenciais concretas, incluindo o tempo mínimo diário de atividade física garantido nas escolas. Feche verificando se você consegue dizer, sem consultar, qual régua retirou a idade óssea dos pré-requisitos da cirurgia e qual régua ainda a exige.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Você atende na unidade básica de saúde. Uma mãe traz o filho por ganho de peso e chega pedindo exame e dieta. Conduza a consulta: levante a história alimentar e de atividade, decida o que a estatura já afasta, escolha os exames que realmente mudam a conduta e negocie uma meta que a família consiga sustentar — sem prometer emagrecimento rápido e sem transformar a consulta em lista de proibições. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
