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Puberdade normal: os estágios de Tanner e o estirão

A prova cobra três coisas: qual evento abre a puberdade em cada sexo, onde o estirão cai em relação ao estágio — cedo na menina, tarde no menino — e o que ainda sobra de crescimento depois da menarca.

01

Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Menina de 12 anos é trazida pela mãe, preocupada com o desenvolvimento puberal. Segundo a mãe, o primeiro sinal foi o surgimento de 'pontinhos' nas mamas há cerca de 1 ano. Sobre a sequência normal da puberdade feminina, qual é habitualmente o PRIMEIRO sinal físico a surgir?

02

Como esse tema cai

Este capítulo responde a três perguntas que a prova faz sempre juntas. Qual evento abre a puberdade em cada sexo — e não é o pelo pubiano em nenhum dos dois. Onde o estirão cai dentro da sequência dos estágios — cedo na menina, tarde no menino, e essa assimetria decide mais questões do que qualquer outro dado do tema. E quanto ainda sobra de crescimento depois de a menarca chegar.

A escala é a de Tanner, e ela tem uma regra de uso que a maioria dos erros ignora: mama e genitália são uma escala, pelos pubianos são outra, e as duas se pontuam em separado. Dizer que uma adolescente está em 'Tanner 3' sem dizer se é M3 ou P3 é uma resposta incompleta, porque os dois eixos não caminham juntos — um é gonadal, o outro é adrenal, e eles podem estar em estágios diferentes na mesma pessoa e no mesmo dia.

As bordas do normal têm capítulo próprio: puberdade precoce e puberdade tardia entram em detalhe em outro texto desta apostila, e a leitura de escore Z, percentil e curva de crescimento está no capítulo de acompanhamento do crescimento. Aqui as idades-limite aparecem só para delimitar o que é normal — 8 anos na menina, 9 no menino, e o outro extremo, que é justamente onde os documentos brasileiro e internacional discordam.

03

O que muda decisão

O que abre a puberdade — e por que não é o pelo

Na menina, a primeira manifestação da puberdade é o broto mamário: a elevação da mama e da aréola como um pequeno montículo, que é o estágio M2. Na maioria das vezes a mama aparece antes do pelo pubiano, e o broto pode surgir de um lado só antes de aparecer do outro — a assimetria inicial é normal e costuma vir com desconforto ou dor mamária leve, que passa.

No menino, a primeira manifestação é o aumento do volume testicular. É o estágio G2, descrito pela prancha da Sociedade Brasileira de Pediatria como aumento do escroto e dos testículos sem aumento do pênis. O documento do Ministério da Saúde para a atenção básica coloca a fronteira em volume acima de 4 cm³; o protocolo da puberdade precoce central escreve o mesmo evento como volume maior ou igual a 4 mL. Em ambos, a chave é a mesma: o testículo cresce primeiro, o pênis depois.

O pelo pubiano não abre nem um nem outro. Ele é a pubarca, e a pubarca é a manifestação da adrenarca — a maturação da zona reticular da adrenal, que ocorre normalmente entre os 6 e os 8 anos e é um eixo diferente do eixo hipotálamo-hipófise-gônada. Por isso o pelo pode aparecer isolado, sem mama e sem aumento testicular, sem que a puberdade tenha começado. Não é acaso que o protocolo brasileiro da puberdade precoce central liste a pubarca precoce isolada como critério de exclusão: o que ele trata é a ativação do eixo gonadal, e pelo sozinho não é sinal disso.

Duas consequências práticas. A primeira: mama e pelo se pontuam separadamente, e o mesmo vale para genitália e pelo no menino — no menino, o estágio 2 de pelos aparece em média de 12 a 20 meses depois do estágio genital 2, de modo que G3 com P2 é uma combinação corriqueira, não uma contradição. A segunda: mama se palpa, não se olha. Na criança com obesidade, a gordura mamária imita o broto; a palpação em decúbito dorsal encontra, sob o mamilo, uma depressão central em vez de tecido glandular — a impressão de rosquinha que dá nome ao sinal do 'donut'.

Orquidômetro de Prader: fileira de elipsoides de tamanhos crescentes, com a mão do examinador segurando um deles ao lado.
O orquidômetro de Prader traz elipsoides de 1 a 25 mL. O examinador compara o testículo com a sequência até achar o de tamanho equivalente: é assim que se transforma em número a primeira manifestação da puberdade masculina.

Os cinco estágios, na redação da prancha brasileira

A escala nasceu do acompanhamento longitudinal que Marshall e Tanner fizeram com crianças de um orfanato no Reino Unido, e chegou ao Brasil pelas pranchas que a Sociedade Brasileira de Pediatria publica em aberto. Vale conhecer a redação exata, porque as bancas costumam reproduzir a descrição em vez do número.

Mamas. M1 é a fase pré-adolescente, com elevação apenas das papilas. M2 é a mama em fase de botão, com elevação da mama e da aréola como pequeno montículo. M3 é o maior aumento da mama, sem separação dos contornos. M4 é a projeção da aréola e das papilas formando um montículo secundário por cima da mama. M5 é a fase adulta, com saliência somente das papilas.

Genitália masculina. G1 é a pré-adolescência, infantil. G2 é o aumento do escroto e dos testículos, sem aumento do pênis. G3 acrescenta o aumento do pênis, inicialmente em toda a sua extensão. G4 é o aumento do diâmetro do pênis e da glande, com crescimento dos testículos e do escroto, cuja pele escurece. G5 é o tipo adulto.

Pelos pubianos, com a mesma lógica nos dois sexos. P1 é a fase pré-adolescente, sem pelugem. P2 traz pelos longos, macios e ligeiramente pigmentados — ao longo dos grandes lábios na menina, na base do pênis no menino. P3 traz pelos mais escuros e ásperos, sobre o púbis. P4 é a pelugem do tipo adulto, mas cobrindo área consideravelmente menor que no adulto. P5 é o tipo adulto: na menina, cobrindo todo o púbis e a virilha; no menino, estendendo-se até a face interna das coxas.

Duas armadilhas moram na redação. A primeira é o par M3-M4: em M3 os contornos da mama e da aréola formam uma linha só, e em M4 a aréola e a papila se destacam como um segundo montículo por cima. A segunda é o par M4-M5: em M5 a aréola recua para o contorno da mama e só a papila continua projetada, de modo que a mama de M5 tem contorno mais liso que a de M4, embora seja o estágio mais avançado. Quem decora 'quanto maior o número, mais projetado' erra essa.

O número que abre a puberdade masculina, e o instrumento que o mede

Volume testicular de 4 mL é a fronteira. Abaixo dela, o menino é pré-púbere; a partir dela, a puberdade começou. Mede-se comparando o testículo com o orquidômetro de Prader, uma sequência de elipsoides de volume crescente de 1 a 25 mL, até encontrar o equivalente. O testículo adulto fica entre 12 e 25 mL.

O mesmo número aparece nas duas pontas do tema e com sinais diferentes nos dois documentos brasileiros: o material da atenção básica escreve volume maior que 4 cm³ como primeira manifestação, e o protocolo da puberdade precoce central escreve volume maior ou igual a 4 mL como o achado que, antes dos 9 anos, define precocidade. Não se uniformizam: quem responde por um documento responde com o sinal dele.

Depois de G2, o roteiro é conhecido: crescem os pelos pubianos, o pênis cresce primeiro em comprimento e depois em diâmetro, aparecem pelos axilares e faciais e vem o estirão. A espermatogênese costuma se estabelecer no estágio 4 de Tanner — ou seja, tarde, quando o menino já mudou de aparência há um bom tempo.

Os marcos que sobram têm cronologia própria e caem em prova como detalhe: os pelos axilares aparecem, em média, dois anos depois dos pubianos, e o pelo facial surge junto com o axilar; a muda vocal, uma vez iniciada, completa-se em cerca de seis meses, e o crescimento dos pelos da face indica que o processo terminou.

O estirão: quanto, quão rápido e por quanto tempo

Ao longo de toda a puberdade, o adolescente cresce de 10 a 30 cm, com média de 20 cm. A velocidade máxima de crescimento é de cerca de 10 cm/ano no menino e 9 cm/ano na menina — e essa diferença de 1 cm/ano é uma das razões de o homem adulto ser, em média, mais alto.

O pico dessa velocidade ocorre, em média, entre 13 e 14 anos no menino e entre 11 e 12 anos na menina. Ou seja, a menina não cresce mais rápido que o menino: ela cresce mais cedo. Aos 12 anos, a menina mediana da turma está no auge do estirão e o menino mediano ainda nem começou — é daí que vem a impressão, universal na sétima série, de que as meninas 'passaram' os meninos. Passaram mesmo, e depois são alcançadas.

Atingido o pico, segue-se desaceleração gradual até a parada do crescimento, com duração em torno de 3 a 4 anos. O crescimento estatural começa pelos pés e sobe: a ordem é invariável, das extremidades para o tronco — motivo pelo qual o adolescente troca de número de sapato antes de trocar de calça e passa uma temporada com aparência desproporcional. As proporções também mudam por sexo: o diâmetro biacromial cresce mais no menino, e a pelve se alarga na menina.

Uma medida sozinha não diz nada disso. Velocidade de crescimento é a diferença entre duas medidas separadas por um intervalo conhecido, e o intervalo recomendado para reavaliar peso e estatura do adolescente é de 4 a 6 meses. Uma única consulta com uma única altura não permite dizer se o estirão começou, está no pico ou já passou.

Onde o estirão cai em relação ao estágio — a assimetria que decide a questão

Este é o dado mais cobrado do tema. Na menina, o pico de velocidade de crescimento acontece cedo: entre os estágios mamários 2 e 3. No menino, acontece tarde: entre os estágios testiculares 3 e 4. Mesmo evento, posições opostas na sequência.

A consequência para a menina: quando ela chega a M4, o auge do estirão já ficou para trás. Uma adolescente em M4 que ainda não menstruou está na descida da curva, não na subida. Quem lê M4 como 'está quase lá, ainda vai crescer muito' inverte a fisiologia.

A consequência para o menino é oposta e é a origem do cenário clássico: o menino de 13 ou 14 anos que é o menor da turma. Se ele estiver em G1 ou G2, o estirão dele ainda não aconteceu — comparar a altura dele com a dos colegas, que já dispararam, mede a diferença de calendário biológico, não de potencial de crescimento. A régua útil não é a idade cronológica: é o estágio puberal somado à velocidade de crescimento medida em dois pontos.

Por isso, quando o enunciado descreve um adolescente baixo, procure sempre duas informações antes de responder: em que estágio de Tanner ele está e quanto ele cresceu no último ano. Sem essas duas, qualquer conclusão sobre altura é chute.

A menarca é evento tardio — e o que sobra depois dela

A menarca não abre nada: ela chega perto do fim. Acontece cerca de um ano depois da velocidade máxima de crescimento, coincidindo com a fase de desaceleração, e tipicamente dois a três anos depois da telarca. Depois da menarca, a menina cresce, no máximo, mais 5 a 7 cm. Esse número responde à pergunta que a mãe faz na consulta e à pergunta que a banca faz na vinheta.

Dois cuidados sobre fertilidade que a prova gosta. Os primeiros ciclos podem ser anovulatórios, de modo que a menarca não significa função reprodutora completa. E o inverso também é verdadeiro: é possível engravidar antes da menarca, se o primeiro ciclo for ovulatório — a ovulação precede a menstruação, não o contrário.

Sobre a idade brasileira da menarca, o dado nacional existe e vem do ERICA, o Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes: 73.624 estudantes avaliados, 40.803 meninas, das quais 37.390 referiram já ter menstruado. A média de idade de ocorrência foi de 11,71 anos e a mediana, de 12,41 anos. As médias das cinco macrorregiões foram semelhantes entre si, sem diferença estatisticamente significativa, e o mesmo valeu para cor da pele autorrelatada.

O que o ERICA achou de associado à menarca mais cedo foi peso: excesso de peso com razão de risco de 1,28 (IC95% 1,21 a 1,36) e estudar em escola privada com razão de risco de 1,06 (IC95% 1,02 a 1,10). Ou seja, a antecipação da menarca no Brasil acompanha o estado nutricional e o gradiente socioeconômico, e não a região do país.

Ginecomastia puberal e as outras variações que assustam a família

A ginecomastia puberal é o aumento visível ou palpável da glândula mamária no adolescente do sexo masculino. Aparece em torno dos 13 e 14 anos, durante o estirão, pode ser uni ou bilateral e regride naturalmente em 12 a 18 meses. Atinge cerca de metade dos meninos e é mais evidente no meio da puberdade, quando a razão entre estradiol e testosterona circulantes está relativamente mais alta. É condição frequente e normal — o que ela costuma exigir é conversa sobre autoimagem, não investigação.

O diagnóstico diferencial que se faz na consulta é com obesidade e com lipoma, e ele se faz pela palpação. Ginecomastia que não regride no prazo esperado, que aparece fora do meio da puberdade, que vem com testículo pequeno ou assimétrico, ou que cresce rápido, sai da faixa da variação normal e vai para o serviço especializado.

Do outro lado, na menina, a variação equivalente é a telarca unilateral no começo do processo, com desconforto mamário leve, que também não exige nada além de explicar. E o hirsutismo — pelos faciais, torácicos ou abdominais na adolescente — pode ser constitucional e apenas acompanhado, mas exige encaminhamento quando vier acompanhado de sinais de virilização ou de suspeita de doença endócrina.

O que dispara encaminhamento numa puberdade que parecia normal

O fluxograma da atenção básica tem um gatilho que não depende de idade nenhuma: parada no amadurecimento puberal, definida como mais de um ano no mesmo estágio de maturação sexual. É por isso que o estágio de Tanner é anotado em toda consulta e registrado na Caderneta de Saúde do Adolescente — o dado só vira informação quando comparado com o da consulta anterior.

Do lado oposto, correr demais também é sinal: o protocolo brasileiro chama de puberdade rapidamente progressiva a mudança de estágio de Tanner em menos de três meses, e usa velocidade de crescimento acima de 6 cm/ano como marcador de aceleração. Progressão puberal deve ser documentada a cada 3 a 6 meses.

As bordas de idade delimitam o normal. Antes dos 8 anos na menina e antes dos 9 no menino, qualquer caractere sexual secundário é precocidade — e aí o caminho é o protocolo da puberdade precoce central, que exige serviço especializado em endocrinologia. O limite superior é onde os documentos discordam, e o bloco de divergências trata disso.

Duas coisas que este capítulo delimita e não desenvolve. A investigação e o tratamento da puberdade precoce e da puberdade tardia têm capítulo próprio nesta apostila. E a leitura da estatura em escore Z, o percentil e a estatura-alvo parental estão no capítulo de acompanhamento do crescimento — é lá que se decide se um adolescente é baixo; aqui se decide se ele é, ou não, púbere.

04

A cronologia da puberdade normal, estágio por estágio

Os cinco cards trazem a escala mamária de Tanner, que é a única escala ordinal fechada deste capítulo e onde os erros de estagiamento se concentram. As tabelas abaixo separam três coisas que costumam ser amassadas numa só: a redação dos estágios nos dois sexos, a cronologia dos eventos e os números do estirão.

  1. 1Pergunte pelos marcos antes de examinar: na menina, quando apareceu a mama, quando vieram os pelos e se já houve menarca; no menino, se já houve mudança de voz e polução noturna. Pergunte também a idade da menarca da mãe e das irmãs.
  2. 2Examine e estagie SEPARADAMENTE: mama (M1 a M5) ou genitália (G1 a G5) numa escala, pelos pubianos (P1 a P5) na outra. Mama se palpa, não se olha — na adolescente com obesidade, a palpação em decúbito dorsal separa tecido glandular de gordura.
  3. 3No menino, meça o volume testicular com o orquidômetro de Prader. Abaixo de 4 mL, pré-púbere; a partir daí, a puberdade começou, independentemente de haver ou não pelo pubiano.
  4. 4Confira se está dentro da janela: qualquer caractere sexual secundário antes dos 8 anos na menina ou antes dos 9 no menino é precocidade e sai desta rota. Pelo pubiano isolado, sem mama e sem aumento testicular, é pubarca — eixo adrenal, não gonadal.
  5. 5Localize o estirão pelo estágio: na menina, o pico já está acontecendo ou já passou se ela está em M2-M3 ou adiante; no menino, o pico só chega entre os estágios testiculares 3 e 4. Some a velocidade de crescimento, calculada entre duas medidas separadas por 4 a 6 meses.
  6. 6Registre o estágio na Caderneta e compare com a consulta anterior. Mais de um ano no mesmo estágio é parada no amadurecimento puberal; mudança de estágio em menos de três meses é puberdade rapidamente progressiva. Qualquer um dos dois tira o adolescente da rota do acompanhamento de rotina.

M1 — pré-adolescente: elevação apenas das papilas

Sem tecido mamário palpável. O contorno do tórax não se afasta da parede e só a papila se projeta. É o estágio de qualquer menina antes da telarca — e, se persistir aos 13 anos, deixa de ser o estágio esperado.

M2 — broto mamário: mama e aréola elevadas como pequeno montículo

É o marco que abre a puberdade feminina. O tecido glandular já se palpa sob a aréola e o conjunto mama-aréola forma um único montículo pequeno. Pode ser unilateral no começo, e o pico do estirão começa por aqui.

M3 — maior aumento da mama, sem separação dos contornos

A mama cresceu além da aréola, mas os dois contornos ainda formam uma linha contínua: não há degrau entre a mama e a aréola. É por volta daqui que o pico de velocidade de crescimento se encerra na menina.

M4 — aréola e papila projetadas como montículo secundário

Aparece o degrau: a aréola com a papila forma um segundo montículo por cima do contorno da mama. É o único estágio com dois contornos, e costuma ser rápido. Aqui o auge do estirão já passou e a menarca está próxima.

M5 — mama adulta: saliência somente das papilas

A aréola recua para o contorno da mama e o degrau de M4 desaparece: sobra um contorno único, com apenas a papila projetada. Mama mais volumosa e mais lisa que a de M4 — quem decora 'quanto mais avançado, mais projetado' erra este par.

EstágioMamas (menina)Genitália (menino)Pelos pubianos (ambos os sexos)
1Fase pré-adolescência: elevação das papilasPré-adolescência (infantil)Fase pré-adolescência: não há pelugem
2Mama em fase de botão: elevação da mama e da aréola como pequeno montículoAumento do escroto e dos testículos, sem aumento do pênisPelos longos, macios e ligeiramente pigmentados — ao longo dos grandes lábios na menina, na base do pênis no menino
3Maior aumento da mama, sem separação dos contornosOcorre também aumento do pênis, inicialmente em toda a sua extensãoPelos mais escuros e ásperos, sobre o púbis
4Projeção da aréola e das papilas formando montículo secundário por cima da mamaAumento do diâmetro do pênis e da glande, com crescimento dos testículos e do escroto, cuja pele escurecePelugem do tipo adulto, mas a área coberta é consideravelmente menor que no adulto
5Fase adulta, com saliência somente das papilasTipo adultoTipo adulto: na menina cobre todo o púbis e a virilha; no menino estende-se até a face interna das coxas

Cronologia dos eventos puberais, por sexo

EventoMeninaMenino
O que abre a puberdadeBroto mamário (telarca), estágio M2Aumento do volume testicular, estágio G2 — testículo cresce antes do pênis
Idade a partir da qual é normal8 anos9 anos
Onde cai o pico de velocidade de crescimentoCedo: entre os estágios mamários 2 e 3Tarde: entre os estágios testiculares 3 e 4
Idade média do pico11 a 12 anos13 a 14 anos
Marco de fertilidadeMenarca — cerca de 1 ano após o pico, já na desaceleração; primeiros ciclos podem ser anovulatóriosEspermatogênese — costuma se estabelecer no estágio 4 de Tanner
Variação normal que assusta a famíliaTelarca unilateral no início, com desconforto mamário leveGinecomastia puberal em torno dos 13 e 14 anos, regredindo em 12 a 18 meses
Sinal de alerta que não depende de idadeMais de 1 ano no mesmo estágio de Tanner (parada) ou mudança de estágio em menos de 3 meses (rapidamente progressiva)Mais de 1 ano no mesmo estágio de Tanner (parada) ou mudança de estágio em menos de 3 meses (rapidamente progressiva)

Os números do estirão puberal

O que se medeMeninaMenino
Crescimento total durante toda a puberdade10 a 30 cm, média de 20 cm10 a 30 cm, média de 20 cm
Velocidade máxima de crescimentoCerca de 9 cm/anoCerca de 10 cm/ano
Idade média em que a velocidade máxima ocorre11 a 12 anos13 a 14 anos
Duração da desaceleração até a parada de crescimentoEm torno de 3 a 4 anosEm torno de 3 a 4 anos
Crescimento que ainda resta após a menarcaNo máximo 5 a 7 cmNão se aplica
Ordem em que o corpo cresceDos pés para o tronco, das extremidades para o centro; alargamento da pelveDos pés para o tronco, das extremidades para o centro; maior crescimento do diâmetro biacromial
Intervalo recomendado entre medidas para calcular velocidade4 a 6 meses4 a 6 meses

O volume testicular de 4 mL aparece com sinais diferentes nos dois documentos brasileiros e não se uniformiza: o material da atenção básica escreve volume MAIOR QUE 4 cm³ como primeira manifestação da puberdade masculina, e o protocolo da puberdade precoce central escreve volume MAIOR OU IGUAL A 4 mL como o achado que, antes dos 9 anos, define precocidade. São funções diferentes do mesmo número — um descreve o início fisiológico, o outro é critério de inclusão em protocolo.

Quanto o estirão contribui para a estatura final é dado que o próprio documento do Ministério da Saúde apresenta em dois recortes: o capítulo de crescimento e desenvolvimento escreve cerca de 20% da estatura final adulta em um período de 18 a 36 meses, e o capítulo de alimentação e nutrição escreve 20% a 25% da estatura final e 40% a 50% do peso final ao longo de três a cinco anos. Os dois convergem no percentual de estatura e divergem na janela de tempo, porque um mede o estirão propriamente dito e o outro, todo o período puberal.

A média e a mediana da idade da menarca do ERICA não são intercambiáveis, e é por isso que a mediana (12,41 anos) é maior que a média (11,71 anos): a média foi estimada pelo método recordatório entre as 37.390 meninas que já haviam menstruado, e a mediana veio da análise de sobrevida, que também considera as que ainda não menstruaram. Denominadores diferentes, números diferentes — citar um pelo outro é erro.

As pranchas de Tanner da Sociedade Brasileira de Pediatria trazem faixas etárias ao lado de cada estágio, mas os arquivos publicados são digitalizações cujo reconhecimento de texto corrompeu justamente esses números. As idades usadas neste capítulo vêm dos documentos do Ministério da Saúde e do Endotext, não das pranchas.

Classificar estatura e IMC do adolescente em escore Z, ler a curva da OMS de 2007 e calcular a estatura-alvo parental são assunto do capítulo de acompanhamento do crescimento. Aqui a estatura entra só como velocidade — a diferença entre duas medidas —, que é o que se cruza com o estágio de Tanner.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Onde termina a puberdade normal: a partir de que idade a ausência de puberdade vira atraso

Telarca acima de 13 anos, pubarca acima de 14 e menarca acima de 16 na menina; estágio pré-puberal persistindo após os 16 anos no menino

O material do Ministério da Saúde para a atenção básica fixa esses limites no capítulo de problemas do desenvolvimento puberal, e os apresenta junto com um segundo gatilho que independe de idade: parada no amadurecimento puberal, definida como mais de um ano no mesmo estágio de maturação sexual. São limiares operacionais de encaminhamento, escritos para uma equipe que acompanha o adolescente ao longo do tempo e que dispõe de acesso limitado ao especialista — por isso o documento combina um corte de idade generoso com um critério de seguimento que dispara antes dele.

Brasil. Ministério da Saúde. Proteger e cuidar da saúde de adolescentes na atenção básica, 2017, capítulo 13, item A.

Ausência de mama aos 13 anos ou de menarca aos 15 na menina; ausência de volume testicular maior ou igual a 4 mL aos 14 anos no menino

O corpo internacional define atraso puberal como ausência de gonadarca em idade cronológica situada mais de 2 desvios-padrão acima da média populacional, e é dessa ancoragem estatística que saem os números. Na menina, acrescenta ainda a ausência de menarca 3 anos depois da telarca como critério independente da idade. São critérios diagnósticos, construídos para decidir quando investigar — e não para decidir quando encaminhar dentro de um sistema com fila.

Kota AS, Ejaz S. Normal and Abnormal Puberty. Endotext, NCBI Bookshelf NBK279024, seção Delayed Puberty.

Na prova

A causa da diferença é de desenho e finalidade da ferramenta, não de evidência: um documento fixa limiar de encaminhamento em atenção primária e o outro fixa critério diagnóstico ancorado em desvio-padrão da média populacional. A distância maior está no menino — 14 contra 16 anos —, e o vocabulário do enunciado entrega o recorte. Enunciado ambientado em unidade básica, com Caderneta de Saúde do Adolescente em cena, falando em acompanhar, reavaliar ou encaminhar, está no corpo do Ministério da Saúde; enunciado que fale em 'definição de puberdade atrasada', que cite desvio-padrão ou que ambiente a cena em ambulatório de endocrinologia pediátrica está no corpo internacional. Repare também que os dois lados coincidem no limite inferior — 8 anos na menina e 9 no menino —, de modo que alternativa que mexa nesse par é distrator em qualquer dos dois mundos. E preste atenção às alternativas: se uma delas oferecer 'mais de um ano no mesmo estágio de Tanner', a questão foi escrita a partir do material brasileiro, porque esse critério não aparece na definição internacional. Prova oficial do MEC tende a conduta SUS; nas demais bancas, o conjunto de alternativas denuncia o documento de origem.

Qual número citar como idade da menarca no Brasil

Média de 11,71 anos e mediana de 12,41 anos, com representatividade nacional

O ERICA avaliou 73.624 estudantes, entre eles 40.803 meninas de 12 a 17 anos de municípios com mais de 100 mil habitantes, das quais 37.390 referiram já ter menstruado. A média de 11,71 anos vem do método recordatório aplicado a esse subgrupo; a mediana de 12,41 anos vem da análise de sobrevida, que também conta as adolescentes que ainda não menstruaram. As médias das cinco macrorregiões não diferiram entre si de forma estatisticamente significativa, e a antecipação apareceu associada a excesso de peso (razão de risco 1,28) e a escola privada (razão de risco 1,06).

Barros BS, Kuschnir MCC, Bloch KV, Silva TLN. ERICA: idade da menarca e sua associação com o estado nutricional. J Pediatr (Rio J). 2019;95(1):106-111.

Cerca de 12,5 anos, dois a três anos após a telarca, com pouca variação entre etnias

O corpo internacional descreve a menarca aos 12,5 anos em média, chegando cerca de 2,5 anos depois da telarca, com amplitude de 0,5 a 3 anos, e registra que o valor varia pouco entre grupos étnicos. Esse número vem de coortes com acompanhamento prospectivo, em que a data da primeira menstruação é registrada quando ocorre, e não recuperada pela memória da adolescente anos depois.

Kota AS, Ejaz S. Normal and Abnormal Puberty. Endotext, NCBI Bookshelf NBK279024.

Na prova

Aqui não há discordância clínica: há três métodos de medir a mesma coisa, com denominadores diferentes. O método recordatório pergunta a quem já menstruou e recupera a idade pela memória, o que puxa a média para baixo porque exclui do cálculo justamente as que ainda não menstruaram; a análise de sobrevida inclui essas e devolve mediana mais alta; a coorte prospectiva registra a data no momento em que acontece. Como identificar o recorte: enunciado que cite o ERICA nominalmente, ou que fale em estudo de base escolar, representatividade nacional ou macrorregiões, pede o número brasileiro — e aí importa saber se a pergunta é por média ou por mediana, porque o estudo publica as duas e elas não são a mesma. Enunciado que descreva a menarca em relação à telarca, e não em relação à idade cronológica, está no corpo internacional, onde o intervalo de 2 a 3 anos é o dado. Alternativa que apresente média e mediana como sinônimos é distrator construído exatamente sobre essa confusão.

O pelo pubiano conta como manifestação de puberdade

Pode ser, em algumas situações, uma das primeiras manifestações puberais

O material do Ministério da Saúde para a atenção básica registra, na seção sobre a sequência do crescimento, que o crescimento de pelos pubianos pode corresponder, em algumas situações, às primeiras manifestações puberais. E, ao definir precocidade no menino, escreve o achado como aumento do volume testicular e dos pelos pubianos antes dos 9 anos — o pelo entra na descrição do quadro. É a leitura de quem observa o adolescente por fora e descreve o que aparece primeiro.

Brasil. Ministério da Saúde. Proteger e cuidar da saúde de adolescentes na atenção básica, 2017, itens 12.5 e 13.A.

Pelo isolado é pubarca, manifestação da adrenarca, e não caracteriza início de puberdade

O protocolo brasileiro da puberdade precoce central lista a pubarca precoce isolada — aparecimento de pelos pubianos sem os demais sinais, antes dos 8 anos na menina e dos 9 no menino — entre os critérios de EXCLUSÃO do protocolo, e faz o mesmo com a telarca precoce isolada sem evolução puberal. O corpo internacional dá a razão fisiológica: a pubarca é manifestação da adrenarca, maturação da zona reticular da adrenal que ocorre normalmente entre 6 e 8 anos, ao passo que o início da puberdade é a gonadarca — mama na menina, aumento testicular no menino. São dois eixos, e a adrenarca precoce isolada é diagnóstico de exclusão, sem avanço de idade óssea.

Brasil. Ministério da Saúde. PCDT da Puberdade Precoce Central, Portaria Conjunta nº 13, de 8 de março de 2022, critérios de exclusão; e Kota AS, Ejaz S, Normal and Abnormal Puberty, Endotext NBK279024.

Na prova

A causa da diferença é de endereço fisiológico e de finalidade do texto: o material da atenção básica descreve o que a equipe vê na consulta, em que o pelo às vezes aparece antes; o protocolo define quem entra em tratamento, e por isso precisa separar eixo adrenal de eixo gonadal. A consequência prática é grande, porque muda a conduta: menina de 7 anos com pelo pubiano isolado, sem mama, sem aceleração de crescimento e sem avanço de idade óssea não entra no protocolo da puberdade precoce central. Como identificar o recorte: enunciado que descreva o achado como isolado, que informe idade óssea não avançada ou que pergunte por critério de inclusão ou exclusão em protocolo está no corpo do documento especializado; enunciado que apenas liste os sinais que apareceram, em cenário de unidade básica, está no corpo do material da atenção básica. E as alternativas denunciam: se uma delas oferecer 'adrenarca precoce' ou 'pubarca isolada' como diagnóstico, a questão foi construída sobre a separação dos dois eixos.

06

Caso resolvido

Menina de 11 anos e 4 meses chega à consulta de puericultura acompanhada da mãe, que quer saber duas coisas: quando virá a menstruação e se a filha ainda vai crescer, porque ela 'esticou tudo de uma vez' no último ano e já é a mais alta da sala. Não há queixas. Ao exame, mama com aumento além da aréola, formando com ela um contorno único, sem degrau entre os dois; pelos pubianos escuros e ásperos sobre o púbis, sem atingir a virilha. A estatura da consulta anterior, seis meses atrás, era 4,5 cm menor que a de hoje.
estagiamento
Duas escalas, pontuadas em separado. Mama com maior aumento e sem separação dos contornos é M3 — não é M4, porque não há o montículo secundário da aréola sobre a mama. Pelos escuros e ásperos sobre o púbis, com área menor que a do adulto e sem atingir a virilha, são P3. O resultado é M3 P3, e não 'Tanner 3' — os dois eixos coincidirem aqui é coincidência, não regra.
está dentro do normal
A telarca ocorreu depois dos 8 anos, então não há precocidade. Não há parada: a adolescente mudou de estágio entre consultas. E não há progressão rápida demais: a mudança de estágio não ocorreu em menos de três meses.
onde ela está na curva do estirão
4,5 cm em seis meses são 9 cm por ano — exatamente a velocidade máxima esperada na menina. O estágio confirma a leitura: na menina, o pico de velocidade cai entre os estágios mamários 2 e 3, e ela está em M3. Ou seja, está no auge do estirão ou entrando na desaceleração — o 'esticou tudo de uma vez' que a mãe relata é exatamente isso, e é fenômeno esperado, não motivo de investigação. Repare que essa conclusão só foi possível porque havia uma medida anterior: uma altura isolada não permitiria dizer nada sobre velocidade.
quando vem a menarca
Cerca de um ano depois da velocidade máxima de crescimento, já na fase de desaceleração, e tipicamente dois a três anos depois da telarca. Com M3 e o pico ocorrendo agora, a menarca é esperada dentro de aproximadamente um ano. O dado nacional ajuda a ancorar a conversa: no ERICA, a média foi de 11,71 anos e a mediana, de 12,41.
quanto ainda vai crescer
Depois da menarca, no máximo mais 5 a 7 cm. Somando ao que ainda resta antes dela, a resposta honesta à mãe é que o grosso do crescimento já aconteceu e que a desaceleração até a parada leva em torno de 3 a 4 anos. Ser a mais alta da sala aos 11 anos não prediz altura adulta: as colegas que ainda não entraram na puberdade vão fazer o próprio estirão depois.
conduta
Acompanhamento de rotina. Registrar M3 P3 e a estatura na Caderneta de Saúde do Adolescente, refazer peso e estatura em 4 a 6 meses e comparar o estágio com o de hoje. Explicar à mãe e à adolescente a sequência que vem — menarca, primeiros ciclos possivelmente irregulares e anovulatórios, e a desaceleração do crescimento — e avisar que a possibilidade de gravidez não começa com a menarca, porque a ovulação pode precedê-la.
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Agora feche você

Menino de 14 anos e 2 meses é levado pelos pais à unidade básica porque é o menor da turma e 'parou de crescer'. Nasceu a termo, com peso adequado, e não tem doença crônica nem uso de medicamento. O pai conta que também foi baixo na adolescência e só cresceu no fim do ensino médio. Ao exame, testículos com volume de 3 mL comparados ao orquidômetro de Prader, pênis infantil, sem pelos pubianos e sem pelos axilares. A altura registrada há 12 meses mostra ganho de 4 cm no período, e o estágio anotado na consulta daquele dia foi o mesmo de hoje.
estagiamento
Volume testicular de 3 mL com pênis infantil é G1 — abaixo do limiar de 4 mL, o menino é pré-púbere. Ausência de pelos pubianos é P1. O quadro é G1 P1 aos 14 anos e 2 meses.
por que a comparação com a turma engana
No menino, o pico de velocidade de crescimento cai tarde na sequência: entre os estágios testiculares 3 e 4, com idade média de 13 a 14 anos. Colegas que já estão em G3 ou G4 já passaram pelo estirão; este ainda não entrou nele. A diferença de altura mede calendário biológico, não potencial de crescimento — e 4 cm em 12 meses é velocidade pré-puberal, compatível com quem ainda não estirou, não com quem parou de crescer.
o que ainda não aconteceu
Nada da cascata masculina começou: sem aumento testicular não houve gonadarca, e por isso não há crescimento peniano, pelo pubiano, pelo axilar, muda vocal nem espermatogênese — que, quando vier, se estabelece por volta do estágio 4 de Tanner. A história paterna de puberdade tardia é dado relevante: o atraso constitucional do crescimento e da puberdade tem história familiar positiva em 50% a 75% dos casos e responde por cerca de 70% dos atrasos puberais em meninos.
conduta
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Onde a banca derruba

  1. 1Achar que o pelo pubiano abre a puberdade Atrai porque o pelo é o sinal mais visível e porque a palavra puberdade vem justamente de pelo. Mas pubarca é adrenarca — eixo adrenal, que amadurece entre 6 e 8 anos — e o que abre a puberdade é a gonadarca: mama na menina, aumento testicular no menino. Pelo isolado, sem mama e sem testículo aumentado, não caracteriza início de puberdade e é critério de exclusão do protocolo brasileiro da puberdade precoce central.
  2. 2Responder 'Tanner 3' sem dizer se é M3 ou P3 Atrai porque a escala tem cinco números e parece uma coisa só. São duas escalas independentes, pontuadas em separado, e elas não caminham juntas: no menino, o estágio 2 de pelos vem em média de 12 a 20 meses depois do estágio genital 2, de modo que G3 com P2 é rotina. Resposta sem a letra é resposta incompleta.
  3. 3Comparar o menino de 14 anos com a altura da turma sem olhar o estágio Atrai porque é o que a família traz e o que o olho vê. No menino, o pico do estirão cai tarde — entre os estágios testiculares 3 e 4 — de modo que o colega em G4 já cresceu e o paciente em G1 nem começou. A régua é o estágio de Tanner somado à velocidade de crescimento medida em dois pontos, nunca a altura isolada comparada com pares de mesma idade cronológica.
  4. 4Ler M4 como 'ainda vai crescer muito' Atrai pela intuição de que o estágio 4 de 5 significa quatro quintos do caminho. Na menina, o pico de velocidade cai entre os estágios mamários 2 e 3 — em M4 o auge já passou, a menarca está próxima e o que resta depois dela são no máximo 5 a 7 cm.
  5. 5Achar que M5 é a mama mais projetada Atrai porque, em todas as outras escalas, o número maior significa mais do mesmo. Em M4 a aréola forma um montículo secundário sobre a mama, criando um degrau; em M5 a aréola recua para o contorno e sobra um contorno único, com apenas a papila saliente. A mama de M5 é maior e mais lisa que a de M4 — o que muda entre os dois estágios é o degrau, não o volume.
  6. 6Tratar a menarca como o começo da puberdade Atrai porque é o evento que a adolescente e a família datam e lembram. A menarca é evento tardio: vem cerca de um ano depois da velocidade máxima de crescimento, já na desaceleração, e tipicamente dois a três anos depois da telarca. Quem usa a menarca como marco inicial erra a leitura de toda a cronologia da vinheta.
  7. 7Dizer que depois da menarca não se cresce mais Atrai porque é a versão popular do dado anterior, e a correção exagerada do erro de tratar a menarca como início. Depois da menarca ainda se cresce, e o número é 5 a 7 cm no máximo. Zero é errado, e 'não dá para saber' também: o valor está escrito no documento do Ministério da Saúde.
  8. 8Olhar a mama em vez de palpar na adolescente com obesidade Atrai porque a inspeção parece bastar e a palpação constrange. A gordura mamária imita o broto; a palpação em decúbito dorsal encontra, sob o mamilo, uma depressão central em vez de tecido glandular — o sinal do 'donut'. Sem palpar, telarca e lipomastia são indistinguíveis, e a diferença entre elas é a diferença entre puberdade iniciada e não iniciada.
  9. 9Investigar ginecomastia puberal no meio da puberdade Atrai porque mama em menino soa anormal e a família chega assustada. A ginecomastia puberal aparece em torno dos 13 e 14 anos, durante o estirão, atinge cerca de metade dos meninos e regride sozinha em 12 a 18 meses. O que se faz é diferenciar de obesidade e lipoma pela palpação e explicar; encaminha-se o que não regride no prazo, o que aparece fora dessa janela ou o que vem com testículo pequeno ou assimétrico.
  10. 10Concluir com uma medida só Atrai porque a consulta é hoje e a resposta é para agora. Velocidade de crescimento é diferença entre duas medidas separadas por intervalo conhecido — o recomendado é de 4 a 6 meses —, e estagiamento só vira informação quando comparado com o registro anterior. É essa comparação que revela os dois sinais de alerta que não dependem de idade: mais de um ano no mesmo estágio, e mudança de estágio em menos de três meses.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

Na menina, o primeiro sinal puberal habitual é a telarca (aparecimento do broto mamário), em média por volta dos 10-11 anos. A pubarca costuma vir logo após a telarca. A menarca é evento tardio, ocorrendo cerca de 2-2,5 anos após a telarca. O estirão de crescimento na menina ocorre no início-meio da puberdade, mas não precede a telarca como primeiro sinal. A axilarca surge mais tardiamente, junto ou após a pubarca.

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Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

Recite de memória, sem consultar: o que abre a puberdade em cada sexo e a partir de que idade isso é normal; onde cai o pico de velocidade de crescimento em cada sexo, dito em estágio e não em idade; os dois números da velocidade máxima (menina e menino) e as duas idades médias do pico; e quantos centímetros ainda restam depois da menarca. Depois responda em uma frase cada: por que M5 tem contorno mais liso que M4? Por que pelo pubiano isolado não conta como início de puberdade? E quais são os dois sinais de alerta que disparam sem depender da idade do adolescente?

em 30 dias

Pegue três vinhetas de adolescente e resolva cada uma em quatro linhas: (1) estagie separadamente — M ou G e P, com a letra; (2) diga se está dentro da janela de normalidade pelas idades de 8 e 9 anos e pelo limite superior, nomeando qual documento você está usando; (3) localize o adolescente na curva do estirão pelo estágio, não pela idade, e diga se o pico já passou, está acontecendo ou ainda vem; (4) feche a conduta. Se travar na conduta, o que falta não é a escala — é a segunda medida: você tem estatura e estágio da consulta anterior para comparar? Sem isso, não dá para saber se houve parada, progressão normal ou progressão rápida demais.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Consulta na unidade básica: adolescente de 12 anos vem com a mãe, que está preocupada porque a filha 'está desenvolvendo muito rápido' e as amigas da mesma idade ainda não menstruaram. A adolescente fala pouco na frente da mãe e parece incomodada com o assunto. Conduza a consulta reservando um momento a sós com a adolescente, estagie a maturação sexual pelos critérios de Tanner registrando mama e pelos separadamente, recupere as medidas anteriores para calcular a velocidade de crescimento, e responda às duas perguntas que a família traz — se está dentro do normal e quanto ela ainda vai crescer. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.