Notícia· Equipe OsceLabs

Enare Acesso Direto: por que a nota não é mais 'quantidade de acertos'

Quem fez o Enamed/Enare em 13 de setembro e já conferiu o gabarito talvez não tenha percebido: para o Acesso Direto, a velha conta de 'quantos acertei em 100' deixou de valer. Uma resolução da Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) publicada este ano abriu caminho para que a nota seja calculada por um modelo estatístico de proficiência — e o Enare 2026/2027 já adotou esse modelo de ponta a ponta na maior modalidade do exame.

A regra que mudou: soma de acertos deixou de ser a única opção

A Resolução CNRM nº 4/2026 alterou o anexo da Resolução CNRM nº 17/2022 para permitir que os processos seletivos de residência médica escolham entre dois critérios de habilitação na prova objetiva: no modelo de correção por soma de acertos, atingir o percentual mínimo de 50% (cinquenta por cento) de acertos, observado o total de questões válidas da prova, ou adotar o modelo por escala de proficiência.

No segundo modelo, o critério passa a ser atingir pontuação mínima equivalente ao nível proficiente, apurada mediante metodologia estatística de mensuração de proficiência, inclusive mediante a utilização da Teoria de Resposta ao Item - TRI, conforme parâmetros objetivos previamente estabelecidos. A mesma norma também passou a permitir, em processos com pré-requisito, área de atuação ou ano adicional, o uso dos resultados do próprio Enare como etapa de avaliação teórica.

Fontes: MEC Normas — Resolução CNRM nº 4/2026

No Acesso Direto do Enare, já é 100% TRI e corte em 'Proficiente'

O Enare 2026/2027 não deixou essa mudança no papel: para quem concorre a vagas de Acesso Direto, o processo seletivo será composto por 1 (uma) etapa: Prova Objetiva, realizada por meio do Enamed, e as provas da Residência Médica de Acesso direto do Enare serão aplicadas pelo Inep, no âmbito do Enamed. Não existe mais uma prova própria da FGV para essa modalidade — a nota vem inteira do exame do Inep.

E essa nota não é mais uma porcentagem simples de acertos. O manual oficial do Inep explica que o cálculo usa o modelo estatístico usado no cálculo das notas: a Teoria de Resposta ao Item (TRI), no Modelo de Rasch, e como é definido o ponto de corte que separa os participantes Proficientes dos Não Proficientes, fixado em 60 pontos na escala do exame. Quem fica abaixo dos 60 pontos na escala é considerado não proficiente — independentemente de quantas questões marcou como certas.

Fontes: HU Brasil — Perguntas Frequentes Enare · Inep — manual explicativo do Enamed

O que muda na rotina de quem estuda

Na prática, dois candidatos com o mesmo número de acertos podem sair com notas diferentes, porque o modelo pondera a dificuldade de cada item e o padrão de respostas, não apenas o total de certas. Isso muda a lógica de treino: em vez de correr atrás de um número fixo de acertos, faz mais sentido treinar em profundidade os temas que mais aparecem nas matrizes de referência e se acostumar a lidar com questões de dificuldades bem diferentes dentro da mesma prova — inclusive as mais difíceis, que pesam mais na escala.

Vale lembrar que essa mudança não é universal: quem disputa vagas de Pré-requisito, Área de Atuação ou Ano Adicional continua na conta tradicional. Segundo o próprio edital dessa modalidade, será considerado aprovado na prova objetiva o candidato que atingir o percentual mínimo de 50% de acertos, com prova própria aplicada pela FGV. Ou seja, quem faz mais de uma modalidade do Enare precisa estudar para duas lógicas de correção diferentes no mesmo ciclo.

Fontes: Agência Brasil — Enare pré-requisito

💡 Dica OsceLabs

Treinar com provas antigas ajuda a enxergar essa diferença de dificuldade na prática — nas provas antigas com gabarito do OsceLabs (www.oscelabs.com.br/provas-antigas) dá pra comparar seu desempenho em questões fáceis e difíceis, não só contar acertos.

Confira sempre datas e regras no edital oficial de cada instituição.

Enquanto o edital não sai, treine pra prova

Estações práticas OSCE com paciente virtual + banco de questões no estilo de Residência, ENARE, ENAMED e Revalida.

Enare Acesso Direto: por que a nota não é mais 'quantidade de acertos' | Portal OsceLabs