Saúde Coletiva e Atenção PrimáriaDeterminantes sociais e vigilância

Ambiente, clima e saúde

Calor, poluição, seca, chuva e desastres alteram exposições e demanda de modo desigual; APS e vigilância precisam identificar grupos vulneráveis, antecipar eventos e adaptar o território.

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O caso

Janeiro. Doze dias consecutivos com temperatura bem acima da média histórica da cidade. Na unidade básica, a semana foi diferente de todas as anteriores. Aumentaram muito os atendimentos por crise de asma em crianças. Chegaram idosos desidratados, dois deles confusos, trazidos por vizinhos. Três pessoas com insuficiência cardíaca descompensaram. A demanda por consulta de saúde mental subiu, e ninguém soube explicar por quê. A sala de espera não tem ventilação cruzada e marca 34 graus às duas da tarde. O bebedouro está sem manutenção há um mês.

Na reunião de sexta-feira, o comentário foi: essa semana foi puxada por causa do calor. Ninguém contou os atendimentos. Ninguém comparou com as semanas anteriores. Nenhum registro foi feito relacionando os quadros à temperatura. O boletim epidemiológico municipal não menciona a onda de calor. Duas semanas depois, quando a temperatura caiu, o volume voltou ao normal e o assunto desapareceu. As perguntas que essa história obriga a fazer são as três deste capítulo. Clima é assunto de clínica? Parece tema de meio ambiente.

O que uma unidade básica pode fazer contra o calor? Ela não planta árvore nem muda a cidade. Isso não é problema do futuro? As projeções falam de décadas. Este é o último capítulo da apostila e da área: o ambiente que decide quem chega, quando e por quê.

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A ideia central

Três passos: ver que o ambiente muda a demanda de forma medida, dimensionar a fração de mortes que a intervenção urbana evita, e reconhecer o que cabe à unidade fazer. Ato 1 — O ambiente muda quem chega, e isso é mensurável na própria atenção primária. A primeira pergunta da cena tem uma resposta direta: o que muda com o clima e com o ar não é um conceito, é a agenda do dia seguinte. Em estudo de séries temporais com mais de 100 mil consultas de crianças em serviços de atenção primária ao longo de cinco anos, a taxa basal foi de 18,12 consultas por mil pessoas-ano, com os motivos mais frequentes sendo infecções respiratórias agudas altas (4,69), asma (3,68) e tosse (2,31) — e o desenho avaliou justamente a associação entre as concentrações diárias de poluentes e o volume dessas consultas, ajustando por sazonalidade, pólen, dia da semana e temperatura (BMJ Paediatrics Open, 2025).

Note o dado importante para este capítulo: o desfecho analisado não foi internação nem óbito. Foi consulta na atenção primária — ou seja, exatamente o que a equipe da cena tinha diante de si e não contou. O mesmo vale para a saúde mental. Em análise de séries temporais de consultas psiquiátricas de urgência e internações agudas em três anos não consecutivos, modelos incorporando temperatura mínima e máxima diária, noites tropicais e um índice cumulativo de onda de calor foram usados para avaliar a variação da demanda por serviços em períodos de calor extremo (Frontiers in Psychiatry, 2026).

E a relação vale também no sentido protetor. Num estudo de séries temporais multipaís com 6.842 localidades em sete países, incluindo o Brasil, foram analisadas 11,4 milhões de internações por transtornos mentais entre 2000 e 2019 em relação à cobertura vegetal, com modelos ajustados para clima, poluentes, indicadores socioeconômicos, sazonalidade e tendência de longo prazo (BMJ, 2025). Ato 2 — A fração evitável é grande, e a intervenção é urbana. A segunda pergunta da cena — o que a unidade pode fazer contra o calor? — exige antes reconhecer de que tamanho é o problema e onde está a alavanca. Num estudo de avaliação de impacto em saúde numa cidade de porte médio, estimou-se que atingir cerca de 30% de cobertura arbórea evitaria 4% a 5% de todas as mortes anuais, e que atingir as diretrizes internacionais de qualidade do ar, considerando a redução combinada de material particulado fino e dióxido de nitrogênio, evitaria 11% a 13% das mortes — o equivalente a 423 e 1.159 óbitos evitáveis em três anos, respectivamente (Scientific Reports, 2026).

O efeito das medidas de adaptação também foi quantificado. Em modelagem urbana de alta resolução aplicada a uma onda de calor real, a implantação ampla de telhados frios reduziria as máximas diárias em 2,1 graus, e a combinação com um aumento relativo de 20% na vegetação reduziria as mínimas diárias em 1,7 grau; estimou-se que os telhados frios teriam evitado cerca de um quarto de todas as mortes relacionadas ao calor durante aquele evento na capital estudada (Environment International, 2026). Repare em duas coisas. A primeira: nenhuma dessas intervenções é uma prescrição. A segunda: a mesma modelagem mostrou que o benefício depende do tipo de tecido urbano — áreas compactas ganham mais com telhados frios durante o dia, enquanto a combinação com vegetação atua mais nas mínimas noturnas. Adaptação é território, e território é o que a apostila inteira vem descrevendo.

Ato 3 — O risco não é uniforme, e o mapa está mudando. A terceira pergunta da cena — isso não é problema do futuro? — é respondida por dados de eventos que já ocorreram. Em análise da incidência de dengue por distrito ao longo de treze anos, agrupando os distritos por zona climática, encontrou-se heterogeneidade espacial significativa e tendências de aumento mais acentuadas em determinadas zonas, com identificação de agrupamentos e áreas de alta incidência por testes de autocorrelação espacial local (PLoS One, 2026). Ou seja: a distribuição geográfica do risco muda, e muda por zona climática. O território que hoje não é de transmissão pode passar a ser.

É aí que a resposta prática aparece. A unidade não planta árvore nem muda a matriz energética — e tem quatro tarefas concretas. A primeira é saber quem está em risco antes do evento: idosos que moram sozinhos, pessoas acamadas, lactentes, pessoas em uso de fármacos que interferem na termorregulação ou no equilíbrio hidroeletrolítico, trabalhadores expostos ao sol, pessoas em situação de rua. Essa lista sai da população adscrita, e é o uso mais direto do denominador discutido na apostila anterior. A segunda é agir durante o evento: busca ativa e visita a quem está na lista, orientação de hidratação e de sinais de alerta, adaptação da própria unidade — sombra, ventilação, água disponível, horário compatível com as horas menos quentes.

A terceira é contar. O que aconteceu naquela semana de janeiro só existe se alguém somar os atendimentos, comparar com as semanas anteriores e registrar a associação. É o mesmo princípio do capítulo sobre vigilância: a percepção vira sinal quando é convertida em número. A quarta é levar adiante. Falta de arborização, ilha de calor, ausência de bebedouro público, água parada e drenagem são pautas intersetoriais — e o que sustenta uma pauta é o padrão contado, não a impressão. Falta lembrar que o ambiente relevante não termina na rua. Em inquérito nacional com 48.512 crianças, cerca de uma em cada cinco vivia em domicílio superlotado, e má qualidade percebida do ar interno e presença de mofo associaram-se à aglomeração, com menor probabilidade de boa saúde geral entre as crianças em superlotação (BMJ Open, 2025). O ambiente interno é a parte do ambiente que a visita domiciliar alcança.

Voltemos a janeiro. A onda de calor terminou e o assunto sumiu porque ninguém transformou aquela semana em dado. No próximo verão, a mesma unidade viverá a mesma semana — com a diferença de que, se a lista de risco existir e a contagem for feita, ela poderá agir antes. A pergunta de cabeceira: quem da sua área não deveria passar a próxima onda de calor sozinho em casa?

Roda ligando eventos ambientais aos quadros clínicos que chegam à unidade básica.
O ambiente não produz doenças novas: ele muda a proporção e o momento das que já existem.
Duas barras comparando a fração de mortes evitáveis por cobertura arbórea e por qualidade do ar na mesma população.
As duas intervenções são urbanas e não clínicas — e a fração de mortes que evitam é maior que a de muitas condutas de consultório.
Três colunas relacionando quem tem mais risco no calor, o que a unidade faz e o que leva adiante.
A unidade não muda o clima. Ela decide quem será procurado antes de o calor chegar.
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O mecanismo

As perguntas de janeiro, respondidas pelo efeito medido do ambiente sobre a demanda e pela fração evitável.

  • Clima é assunto de clínica?

    É. Em estudo com mais de cem mil consultas de crianças na atenção primária, o desfecho analisado foi justamente o volume de consultas por sintomas respiratórios em relação às concentrações diárias de poluentes.

  • O ambiente cria doenças novas?

    Não. Ele muda a proporção e o momento das que já existem — desidratação e confusão no calor, crise respiratória na poluição, arbovirose na água parada.

  • A fração evitável é relevante?

    Muito. Estimou-se que atingir 30% de cobertura arbórea evitaria 4% a 5% das mortes anuais, e atingir as diretrizes de qualidade do ar evitaria 11% a 13%.

  • O que a unidade pode fazer contra o calor?

    Quatro coisas: saber quem está em risco antes, agir durante o evento com busca ativa e adaptação da unidade, contar o que aconteceu e levar o padrão à pauta intersetorial.

  • As medidas urbanas funcionam mesmo?

    Em modelagem de onda de calor real, telhados frios reduziriam as máximas em 2,1 graus e teriam evitado cerca de um quarto das mortes relacionadas ao calor naquele evento.

  • Isso é problema do futuro?

    Não. Os dados descrevem eventos já ocorridos, e a distribuição espacial do risco já está mudando — como mostra a análise de incidência de dengue por zona climática.

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Como se organiza

Reconhecer o ambiente como determinante da demanda; Manter lista de risco por microárea
Ele muda quem chega, quando e por quê. Idosos sozinhos, acamados, lactentes e trabalhadores expostos.
Agir antes do evento, não durante; Adaptar a própria unidade
A lista precisa existir antes da onda de calor. Sombra, ventilação, água e horário compatível.
Contar os atendimentos e comparar com o esperado; Registrar a relação entre quadro e evento ambiental
Sem contagem, o evento desaparece quando a temperatura cai. É o que permite reconhecer o padrão no ano seguinte.
Investigar o ambiente interno do domicílio; Levar o padrão à pauta intersetorial
Aglomeração, umidade e ventilação afetam a saúde respiratória. Arborização, drenagem e água pública não se resolvem no consultório.
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Como raciocinar

Como preparar, conduzir e registrar a resposta da unidade a um evento ambiental.

  1. 1

    Identificar os riscos ambientais do território — Construir a lista de pessoas em maior risco

    Ilha de calor, poluição, água parada, alagamento e falta de arborização. Atenção: Descrever o território sem os riscos ambientais. Idade, mobilidade, isolamento, medicação e exposição ocupacional. Atenção: Montar a lista só quando o evento já começou. É o grupo com maior risco em eventos de calor. Atenção: Presumir que há alguém acompanhando em casa. Antes do período de risco, não durante a crise. Atenção: Reavaliar a prescrição apenas após a descompensação.

  2. 2

    Definir os gatilhos de ativação da resposta — Acionar busca ativa quando o gatilho ocorrer

    Alerta meteorológico, temperatura ou dias consecutivos de calor. Atenção: Depender da percepção subjetiva de que está quente. Contato telefônico e visita a quem está na lista. Atenção: Aguardar que as pessoas procurem a unidade. O que observar, quando procurar ajuda e onde. Atenção: Orientar apenas beber água, sem sinais concretos. Sombra, ventilação, água disponível e espera reduzida. Atenção: Manter sala de espera quente e sem água durante o evento.

  3. 3

    Ajustar o horário de atendimento e das atividades externas — Registrar o motivo do atendimento de forma padronizada

    Evitar as horas de maior temperatura. Atenção: Programar atividade externa no pico de calor. Permite contar depois por síndrome. Atenção: Registrar apenas em texto livre. Por dia e por tipo de quadro. Atenção: Comentar que a semana foi puxada sem contar. E com o mesmo período de anos anteriores. Atenção: Concluir aumento sem comparação.

  4. 4

    Registrar a associação com o evento ambiental — Verificar o ambiente interno das casas em risco

    Temperatura, qualidade do ar ou chuva no período. Atenção: Registrar o quadro clínico sem o contexto ambiental. Ventilação, insolação direta, aglomeração e umidade. Atenção: Avaliar apenas o ambiente externo. Aumento observado e grupos mais afetados. Atenção: Comunicar apenas depois que o evento terminou. Concentração de casos e características do local. Atenção: Tratar o território como homogêneo diante do evento.

  5. 5

    Documentar o padrão com números — Levar a pauta ambiental à rede intersetorial

    Quantos atendimentos, em quais dias, em quais grupos. Atenção: Levar impressão sem dado à instância de decisão. Arborização, drenagem, água pública e habitação. Atenção: Considerar que ambiente urbano não é assunto do serviço. Quais medidas reduziram a demanda e o dano. Atenção: Encerrar sem avaliação do que foi feito. Lista atualizada, gatilhos definidos e responsáveis nomeados. Atenção: Reconstruir tudo do zero a cada verão.

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O esperado e os alertas

Normal
  • A unidade mantém lista atualizada de pessoas em maior risco em eventos ambientais.
  • Existem gatilhos definidos que ativam busca ativa e adaptação da rotina.
  • Os atendimentos durante o evento são contados e comparados com períodos equivalentes.
  • O padrão observado é documentado e levado à vigilância e à rede intersetorial.
Aumento perceptível de atendimentos durante evento climático sem contagem
O evento desaparece quando a temperatura cai; sem número, não há sinal nem memória para o próximo verão.
Lista de risco construída apenas depois do início do evento
A busca ativa perde os primeiros dias, que costumam concentrar o dano.
Sala de espera sem ventilação e sem água durante onda de calor
A própria unidade agrava a exposição das pessoas que ela atende.
Prescrição que afeta termorregulação não revisada antes do período de risco
Revisão feita após a descompensação perde a janela de prevenção.
Quadro clínico registrado sem menção ao contexto ambiental
Impede reconhecer a associação e reproduzir o raciocínio no evento seguinte.
Território descrito sem riscos ambientais
Ilha de calor, arborização e drenagem ficam fora do diagnóstico do território.
Comunicação à vigilância feita apenas após o evento
Elimina a possibilidade de resposta coordenada durante o período de risco.
Plano reconstruído do zero a cada evento
Perde-se o aprendizado acumulado; a lista e os gatilhos deveriam ser permanentes.
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Por que isso importa

Eventos climáticos mudam o perfil de desidratação, doenças respiratórias, vetores, água e sofrimento mental, com maior impacto onde moradia e trabalho oferecem menos proteção. No caso, identifique exposição, vulnerabilidade clínica e capacidade de resposta; prepare listas, comunicação e busca ativa antes do pico. Adaptação local não substitui mitigação, mas reduz dano enquanto o risco já está presente.

SinalMedidaValorFonte
Fração de mortes evitáveis por cobertura arbórea e por qualidade do arAvaliação de impacto em saúde com exposição populacional ponderada a vegetação por índice satelital em resolução de 30 metros e a poluentes por modelos de transporte químico atmosférico e aprendizado de máquina em resolução de 200 metrosEm estudo de modelagem de uma cidade, alcançar cerca de 30% de cobertura arbórea evitaria 4% a 5% das mortes anuais, e cumprir as diretrizes de qualidade do ar evitaria 11% a 13% — o equivalente a 423 e 1.159 óbitos em três anos, respectivamente.The mortality impacts of implementing the 3-30-300 greenness rule and the WHO air quality guidelines in Bari, Southern Italy. Scientific Reports. 2026. PMID 41974805
Efeito de medidas urbanas sobre temperatura e mortes por calorModelagem de clima urbano de alta resolução aplicada a uma onda de calor real de julho de 2019, com avaliação de intervenções em escala de cidade e de paísEm modelagem urbana, telhados frios reduziriam a temperatura máxima diária em 2,1 graus e, somados a 20% mais vegetação, a mínima em 1,7 grau; estimou-se que teriam evitado cerca de um quarto das mortes por calor durante a onda de calor analisada.Impacts of urban adaptation on reducing temperatures and heat-related deaths in Belgium. Environment International. 2026. PMID 41512509
Cobertura vegetal e internações por transtornos mentaisEstudo multipaís de séries temporais com 11,4 milhões de internações por transtornos mentais em 6.842 localidades de sete países, incluindo o Brasil, entre 2000 e 2019Estudo de séries temporais em vários países relacionou cobertura vegetal urbana a internações por transtornos mentais, das quais 30,8% foram por transtornos psicóticos, 24,7% por uso de substâncias e 11,6% por transtornos do humor.Greenness and hospital admissions for cause specific mental disorders: multicountry time series study. BMJ. 2025. PMID 41193238
Poluentes e consultas por sintomas respiratórios em criançasEstudo de séries temporais com crianças de 0 a 17 anos registradas em serviços de atenção primária, com concentrações diárias de poluentes medidas no endereço dos serviçosAnálise de séries temporais de mais de 100 mil consultas comparou variações diárias de poluentes a queixas respiratórias na atenção primária, cuja taxa basal foi de 18,12 por mil pessoas-ano — infecções respiratórias altas (4,69), asma (3,68) e tosse (2,31) foram os motivos mais frequentes.Short-term effects of air pollution on childhood respiratory symptoms in general practice: a time-series analysis. BMJ Paediatrics Open. 2025. PMID 40803866
Ondas de calor e demanda por serviços de saúde mentalAnálise observacional retrospectiva de consultas psiquiátricas diárias em emergência e de internações em enfermarias psiquiátricas agudas em três anos não consecutivos, com dados meteorológicos da agência ambiental provincialModelos autorregressivos integrados de médias móveis não sazonais, com variáveis indicadoras de dia da semana, apresentaram o melhor ajuste tanto para consultas quanto para internações; a avaliação incorporou temperaturas mínimas e máximas diárias, noites tropicais e um índice cumulativo de onda de calor, com o efeito das variáveis de temperatura avaliado por mudança no critério de informaçãoHeatwave-related variations in psychiatric consultations and admissions: a time-series analysis. Frontiers in Psychiatry. 2026. PMID 42233001
Heterogeneidade espacial e tendência da incidência de arbovirose por zona climáticaAnálise de dados distritais de incidência de dengue de 2010 a 2022, com distritos classificados em onze zonas climáticas agrupadas em três grandes zonas, com regressão de Prais-Winsten e testes de MoranHouve heterogeneidade significativa na distribuição da dengue entre distritos, com as tendências de aumento mais acentuadas em zonas climáticas específicas, incluindo aumento anual de 126,9% em uma delas, 94,8% em outra e 85,1% em uma terceira; testes de autocorrelação espacial global e local identificaram agrupamentos e áreas de alta incidência no nível distritalSpatial distribution and risk assessment of dengue incidence at district level across major climatic zones in India. PLoS One. 2026. PMID 42263103
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Síntese para comparar

As perguntas de janeiro, o mecanismo que responde e a resposta em uma linha.

Pergunta da cenaMecanismoResposta em uma linha
Clima é assunto de clínica?Demanda medidaO desfecho estudado é a própria consulta
O ambiente cria doença nova?Proporção e momentoAltera as que já existem
A fração evitável é grande?Impacto urbanoCobertura arbórea e ar limpo evitam mortes
O que a unidade faz?Quatro tarefasSaber, agir, contar e levar adiante
É problema do futuro?Eventos já ocorridosOs dados descrevem o que já aconteceu

O que cada evento ambiental traz à unidade

EventoQuadros que aumentamQuem tem mais risco
Onda de calorDesidratação, confusão, descompensação cardíacaIdoso sozinho, acamado, lactente
Poluição do arAsma, tosse, infecção respiratória altaCriança, pessoa com doença respiratória
Chuva e água paradaArbovirosesTerritório com drenagem precária
AlagamentoLeptospirose, trauma, interrupção de tratamentoÁrea de baixada e ocupação irregular
Frio e umidadeSintomas respiratórios e agudização de doença crônicaDomicílio sem aquecimento e com mofo
EstiagemDoença diarreica e insegurança hídricaDomicílio com abastecimento intermitente
Evento extremoTrauma, interrupção de cuidado, sofrimento psíquicoPessoa dependente de tratamento contínuo

As quatro tarefas da unidade

TarefaQuandoO que produz
Saber quem está em riscoAntes do eventoLista nominal por microárea
Definir gatilhos de ativaçãoAntes do eventoResposta que não depende de percepção
Agir duranteNo eventoBusca ativa, visita e adaptação da unidade
Adaptar a estruturaNo eventoSombra, ventilação, água e espera reduzida
ContarDurante e depoisComparação com períodos equivalentes
Registrar a associaçãoDuranteMemória para o próximo evento
Levar adianteDepoisPauta intersetorial sustentada por dados
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Armadilhas reais

Tratar clima como assunto de outro setor; Descrever o território sem os riscos ambientais; Montar a lista de risco durante o evento
Ele muda a demanda que chega à unidade no dia seguinte. Ilha de calor, arborização e drenagem ficam fora do diagnóstico. Os primeiros dias concentram parte importante do dano.
Presumir que há alguém acompanhando em casa; Revisar prescrição só após a descompensação; Depender da percepção de que está quente
Morar sozinho é dos principais marcadores de risco no calor. A janela de prevenção é antes do período de risco. Gatilhos objetivos evitam resposta tardia.
Manter sala de espera quente e sem água; Programar atividade externa no pico de calor; Comentar que a semana foi puxada sem contar
A unidade agrava a exposição de quem ela atende. A adaptação começa pela própria rotina do serviço. Sem número, o evento desaparece quando a temperatura cai.
Concluir aumento sem comparação; Registrar o quadro sem o contexto ambiental; Avaliar apenas o ambiente externo
É preciso comparar com períodos equivalentes. Impede reconhecer o padrão no evento seguinte. Aglomeração, umidade e ventilação interna também adoecem.
Comunicar a vigilância apenas depois do evento; Reconstruir o plano a cada verão
Elimina a resposta coordenada durante o período de risco. Lista e gatilhos devem ser permanentes e atualizados.
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Roteiro executável

Da preparação anterior ao evento à pauta intersetorial que sai dele.

  1. 01Identificar os riscos ambientais do território Construir a lista de pessoas em maior risco Verificar quem mora sozinho e sem rede de apoio
  2. 02Revisar medicamentos que afetam termorregulação e hidratação Definir os gatilhos de ativação da resposta Acionar busca ativa quando o gatilho ocorrer
  3. 03Orientar hidratação e sinais de alerta concretos Adaptar a estrutura da unidade Ajustar horários de atendimento e de atividades externas
  4. 04Registrar o motivo do atendimento de forma padronizada Contar os atendimentos durante o evento Comparar com períodos equivalentes
  5. 05Registrar a associação com o evento ambiental Verificar o ambiente interno das casas em risco Comunicar a vigilância municipal durante o evento
  6. 06Identificar as microáreas mais afetadas Documentar o padrão e levá-lo à rede intersetorial Avaliar o que funcionou e deixar o plano pronto para o próximo evento
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Questões (10)

Sorteando as questões…
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Ponte para a pessoa e o território

No caso vinculado, conecte o problema individual ao padrão do território sem transformar associação em destino. Defina evento, exposição, população e tempo; consulte a norma vigente quando houver notificação; comunique pelo canal correto e inicie as medidas de proteção que não podem esperar. Registre como a informação retornará à equipe e à comunidade.

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Revisão espaçada

7 dias

De que forma o ambiente altera a demanda que chega à unidade básica, e qual foi o desfecho analisado no estudo de poluentes e consultas pediátricas? Qual é a ordem de grandeza da fração de mortes evitáveis por cobertura arbórea e por qualidade do ar? E quais são as quatro tarefas da unidade diante de um evento ambiental?

30 dias

Retome a semana de janeiro do caso e refaça a resposta da equipe: construa a lista de pessoas em maior risco por microárea, defina os gatilhos que ativariam a busca ativa, descreva as adaptações da unidade, monte a contagem que transformaria a percepção em dado e escreva a pauta intersetorial que levaria o achado adiante. Depois explique, com os dados do capítulo, por que a adaptação urbana precisa ser ajustada ao tipo de território e por que a distribuição espacial do risco de arboviroses não é estável ao longo do tempo.

Ambiente, clima e saúde — Ciclo básico | OsceLabs