Fundamentos da Prática ClínicaSemiologia: populações especiais

Semiologia pediátrica

A ordem do exame muda, o normal muda — e o quadril normal não afasta displasia

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A cena

A criança de dois anos entra no consultório chorando antes de ser tocada. O interno tenta deitá-la na maca, ela grita mais, e a partir daí não há ausculta cardíaca possível: o choro cobre tudo.

A pediatra faz diferente. Cumprimenta a mãe, deixa a criança no colo dela, conversa olhando para a mãe, e enquanto isso já contou a frequência respiratória e observou tiragem. Depois encosta o estetoscópio ainda com a criança no colo, brincando. Só no fim, com a criança já contida com jeito, examina orofaringe e ouvidos.

A diferença não é habilidade manual, é ordem. Em pediatria, o exame não segue a sequência do adulto — segue a colaboração disponível. O que não exige toque vem primeiro, o que incomoda vem por último, e boa parte do exame acontece antes de a criança perceber que está sendo examinada.

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De onde vem o sinal

Três coisas mudam quando o paciente é criança. A primeira é a ordem do exame, que passa a ser oportunista: aproveita-se o momento de calma para o que exige silêncio, e deixa-se para o fim o que provoca choro. A segunda é o normal, que varia com a idade — frequência cardíaca, frequência respiratória, pressão arterial e proporções corporais têm faixas próprias para cada faixa etária, e usar valores de adulto é errar por definição. A terceira é a fonte da história, que passa a ser um terceiro: o acompanhante conta, e a criança confirma ou não, conforme a idade.

A observação é a etapa mais rica e a mais subestimada. Antes de tocar, dá para avaliar estado geral, nível de atividade, interação com o cuidador, padrão respiratório, presença de tiragem, batimento de asa de nariz e gemido. Em criança, o estado geral e a qualidade da interação são dos indicadores mais sensíveis de doença grave — e todos eles somem quando ela começa a chorar.

O crescimento é um sinal vital próprio da pediatria. Peso, comprimento ou estatura e perímetro cefálico plotados em curva ao longo do tempo informam mais que qualquer medida isolada: o que interessa é a trajetória, não o ponto. Uma criança que sempre esteve no mesmo percentil e agora cruzou duas linhas para baixo merece investigação mesmo que o valor atual pareça aceitável.

O desenvolvimento segue lógica parecida. Os marcos existem para serem comparados com a idade, e a perda de um marco já adquirido é sempre mais preocupante que o atraso em atingi-lo.

No recém-nascido, o exame ganha itens que não existem em nenhuma outra idade: fontanelas, reflexos primitivos, coto umbilical, reflexo vermelho e a avaliação do quadril. Esse último merece atenção especial, porque a evidência sobre ele contraria a confiança com que costuma ser registrado.

Exame pediátrico adaptado à idade
Observar primeiro e deixar manobras incômodas para o fim.
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O que perguntar

A história vem do acompanhante, e algumas perguntas mudam completamente o rumo.

  • Está mamando ou comendo como de costume? Quantas fraldas molhadas por dia?

    Aceitação alimentar e diurese são os melhores indicadores caseiros de gravidade e de hidratação, e o cuidador sabe responder com precisão.

  • Está brincando e interagindo como sempre, ou está mais quietinho?

    Mudança no nível de atividade e na interação é dos sinais mais sensíveis de doença grave em criança pequena.

  • Teve febre? Aferida ou pela sensação?

    Muda a interpretação, e em lactente pequeno a febre tem significado diferente do de criança maior.

  • Como foi a gestação e o parto? Nasceu de quantas semanas e com quanto?

    Prematuridade, apresentação pélvica e intercorrências mudam riscos específicos — inclusive o risco de displasia do quadril.

  • A caderneta está aqui? Posso ver as curvas e as vacinas?

    A caderneta contém a trajetória de crescimento e o calendário vacinal. Sem ela, o exame perde a dimensão temporal.

  • Ele já fazia isso antes e parou de fazer?

    Perda de marco já adquirido é sempre mais preocupante que atraso em alcançá-lo, e essa distinção depende da pergunta.

  • Alguém na família teve problema no quadril ou usou aparelho quando bebê?

    Antecedente familiar é fator de risco para displasia do desenvolvimento do quadril e deve reduzir o limiar para investigar com imagem.

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Antes de encostar

Criança no colo do cuidador sempre que possível
O colo reduz o choro e preserva a colaboração. Boa parte do exame de lactente e pré-escolar pode ser feita ali.
Ambiente aquecido, sobretudo para recém-nascidos
Recém-nascido perde calor rapidamente e o desconforto compromete todo o exame. Aqueça o ambiente, as mãos e o estetoscópio.
Falar com o cuidador antes de encostar na criança
A criança observa a interação. Ver o adulto de confiança conversando tranquilamente com você reduz a resistência.
Aproveitar o momento de calma para a ausculta
Ausculta cardíaca e respiratória exigem silêncio. Se a criança está calma, faça agora, mesmo fora da ordem habitual.
Deixar orofaringe e otoscopia por último
São as etapas que mais provocam choro. Feitas no começo, inviabilizam tudo o que viria depois.
Ter as curvas e a caderneta à mão
Medidas sem plotagem não informam. A trajetória no gráfico é o dado, não o número isolado.
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A técnica

A ordem é ditada pela colaboração. Observação primeiro, procedimentos incômodos por último.

  1. 1

    Observar antes de tocar

    Avalie estado geral, nível de atividade, interação com o cuidador, coloração, padrão respiratório, tiragem, batimento de asa de nariz e gemido — tudo à distância, com a criança tranquila.

    Erro comum: Começar pelo toque. Depois do choro, a maior parte dessas informações fica indisponível.

  2. 2

    Contar frequência respiratória e cardíaca com a criança calma

    Conte a frequência respiratória observando o tórax por um minuto e compare com a faixa da idade. Faça a ausculta enquanto a criança está no colo e quieta.

    Erro comum: Usar faixas de adulto. Frequências normais variam muito com a idade, e o valor isolado não significa nada sem essa referência.

  3. 3

    Auscultar cardio e pulmões aproveitando a calma

    Com o estetoscópio aquecido e a criança no colo, ausculte antes de qualquer manobra desconfortável. Se ela chorar depois, a ausculta já está feita.

    Erro comum: Seguir rigidamente a ordem do exame do adulto e perder a janela de silêncio.

  4. 4

    Medir peso, comprimento ou estatura e perímetro cefálico

    Meça com técnica adequada para a idade e PLOTE nas curvas da caderneta. Avalie a trajetória em relação às medidas anteriores.

    Erro comum: Registrar os números sem plotar. A informação está no traçado ao longo do tempo, não no valor de hoje.

  5. 5

    Avaliar os marcos do desenvolvimento

    Verifique os marcos esperados para a idade nas quatro áreas — motor grosseiro, motor fino, linguagem e social. Pergunte especificamente se algum marco já adquirido foi perdido.

    Erro comum: Avaliar só o que a criança faz hoje, sem investigar perda de habilidades.

  6. 6

    Examinar fontanelas e crânio no lactente

    Palpe a fontanela anterior avaliando tensão e tamanho, com a criança tranquila e em posição sentada. Fontanela tensa ou abaulada em criança calma é achado relevante.

    Erro comum: Avaliar a fontanela com a criança chorando ou deitada, o que a torna aparentemente abaulada.

  7. 7

    Pesquisar o reflexo vermelho

    Em ambiente com pouca luz, projete a luz do oftalmoscópio sobre os dois olhos e compare. Ausência ou assimetria exige encaminhamento.

    Erro comum: Deixar de fazer em consulta de rotina do lactente. É rápido e detecta condições com janela de tratamento curta.

  8. 8

    Avaliar o quadril com Ortolani e Barlow

    Com o bebê relaxado em decúbito dorsal, quadris e joelhos fletidos, execute a manobra de Ortolani — abdução com elevação do trocânter, procurando o ressalto de redução — e a de Barlow — adução com pressão posterior, procurando luxação.

    Erro comum: Registrar quadris normais como se isso afastasse displasia. A sensibilidade medida é de 36%.

  9. 9

    Complementar com a abdução do quadril

    Avalie se a abdução é simétrica e completa. Abdução limitada acrescenta sensibilidade ao Ortolani-Barlow, sobretudo após os primeiros meses.

    Erro comum: Executar só Ortolani e Barlow. A combinação com a avaliação da abdução detecta mais que qualquer um isolado.

  10. 10

    Avaliar hidratação quando houver diarreia ou vômitos

    Verifique enchimento capilar, turgor cutâneo e padrão respiratório, e integre com o relato de diurese e aceitação alimentar. A combinação de sinais é o que prediz melhor.

    Erro comum: Basear a decisão em um único sinal. Nenhum deles isolado é suficiente.

  11. 11

    Examinar orofaringe e ouvidos por último

    Com a criança adequadamente contida pelo cuidador, examine a orofaringe e faça a otoscopia ao final do exame.

    Erro comum: Antecipar essas etapas e perder toda a colaboração restante.

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Achados, limites e forma de registro

Normal
  • Criança ativa, interativa, com boa aceitação alimentar e diurese preservada.
  • Frequências cardíaca e respiratória dentro da faixa esperada para a idade.
  • Curvas de crescimento com trajetória estável em relação às medidas anteriores.
  • Marcos do desenvolvimento compatíveis com a idade, sem perda de habilidades adquiridas.
  • Fontanela anterior plana e depressível na criança tranquila e sentada.
  • Reflexo vermelho presente e simétrico nos dois olhos.
  • Quadris com abdução simétrica e completa, Ortolani e Barlow negativos.
  • Exemplo de registro: sinais vitais obtidos na condição da criança, peso e comprimento aferidos e lançados na curva apropriada; trajetória de crescimento, interação, desenvolvimento por domínios, alimentação e preocupações do cuidador documentados.
Criança hipoativa, pouco interativa, que não se interessa pelo ambiente
Alteração do estado geral e da interação está entre os indicadores mais sensíveis de doença grave em criança pequena, e antecede alterações de sinais vitais.
Tiragem, batimento de asa de nariz e gemido
Sinais de esforço respiratório aumentado. São observados à distância e não dependem de colaboração.
Cruzamento descendente de percentis na curva de crescimento
Mais relevante que o valor absoluto. Trajetória que se desvia merece investigação mesmo com medida atual dentro da faixa.
Perda de marco do desenvolvimento já adquirido
Sempre mais preocupante que atraso em alcançar o marco, e exige investigação.
Fontanela abaulada e tensa em criança calma e sentada
Sugere aumento da pressão intracraniana. A posição e o estado da criança são essenciais para a interpretação.
Ausência ou assimetria do reflexo vermelho
Exige encaminhamento oftalmológico. É um teste rápido para condições com janela terapêutica curta.
Ortolani ou Barlow positivos
Achado de alta especificidade para displasia do desenvolvimento do quadril — quando presente, pesa muito.
Ortolani e Barlow negativos
Não afastam displasia: a sensibilidade medida é de apenas 36%. Justifica reexame nas consultas seguintes e imagem em bebês de risco.
Enchimento capilar prolongado em criança com diarreia
É o sinal isolado de melhor desempenho para desidratação, mas ainda assim insuficiente sozinho — a combinação de sinais prediz melhor.
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O que isso quer dizer

Dois blocos de evidência organizam este capítulo, e os dois corrigem excesso de confiança. O primeiro é sobre o quadril. Uma revisão sistemática com meta-análise reuniu 25 estudos e 72.079 pacientes, comparando o exame clínico com a ultrassonografia na detecção de displasia do desenvolvimento do quadril. O conjunto Ortolani-Barlow apresentou sensibilidade de 36%, com intervalo de 25% a 48%, e especificidade de 98%, com intervalo de 93% a 99%.

A leitura exige separar conceitos. Especificidade de 98% significa que, no conjunto estudado, 2% dos bebês sem displasia tiveram teste positivo; não informa, sozinha, a probabilidade de displasia após um resultado positivo, que depende também da prevalência e dos fatores de risco. Ainda assim, uma manobra positiva e reprodutível eleva a suspeita e exige avaliação oportuna. Já a sensibilidade de 36% significa que quase dois terços dos bebês com displasia tiveram exame normal. Os autores concluíram que o exame clínico tem aplicação limitada como rastreamento isolado e que combiná-lo à avaliação da abdução aumenta a sensibilidade.

Isso tem duas consequências práticas. Primeira: registrar quadris sem alterações não é o mesmo que afastar displasia, e não deve encerrar a vigilância clínica periódica até a criança caminhar. Segunda: diante de fatores de risco relevantes — especialmente apresentação pélvica no terceiro trimestre ou antecedente familiar — deve-se considerar imagem seletiva mesmo com exame normal, conforme idade, protocolo vigente e disponibilidade local.

O segundo bloco é sobre desidratação. A revisão sistemática do JAMA sobre a criança desidratada encontrou, para detectar desidratação de 5%, razão de verossimilhança positiva de 4,1 para enchimento capilar prolongado, com intervalo de 1,7 a 9,8; de 2,5 para turgor cutâneo anormal, com intervalo de 1,5 a 4,2; e de 2,0 para padrão respiratório anormal, com intervalo de 1,5 a 2,7.

O achado mais importante da revisão, porém, não é nenhum desses números: é que as combinações de sinais do exame foram melhores que qualquer sinal isolado para predizer desidratação. Nenhum dos três, sozinho, sustenta a decisão. O que sustenta é o conjunto, somado ao relato de diurese e de aceitação alimentar que o cuidador fornece.

Os autores também registraram, com honestidade, que a maior parte dos estudos incluídos era de baixa qualidade metodológica e que a imprecisão dos testes disponíveis torna difícil quantificar exatamente o grau de desidratação. Isso não invalida os sinais — eles continuam sendo o que existe à beira do leito —, mas recomenda humildade ao transformar exame físico em percentual de perda de peso.

O fio que une os dois blocos é o mesmo: um achado de alta especificidade tende a reforçar mais a suspeita quando presente, enquanto baixa sensibilidade impede usar sua ausência para excluir. A probabilidade pós-teste, porém, depende também da probabilidade pré-teste e da razão de verossimilhança; nenhum percentual isolado substitui o contexto clínico.

Um percentil isolado não define crescimento saudável: trajetória, técnica de medida, idade gestacional quando aplicável e contexto nutricional importam. Desenvolvimento deve ser observado por domínios e ao longo do tempo; perda de habilidade previamente adquirida é sinal de alarme, não variação normal de calendário.

SinalMedidaValorFonte
Manobras de Ortolani e Barlow para displasia do desenvolvimento do quadrilDesempenho contra ultrassonografia em revisão sistemática com 25 estudos e 72.079 pacientes. Os autores concluíram que o exame clínico tem aplicação limitada como teste de rastreamento e que combinar com a avaliação da abdução aumenta a sensibilidade.Sensibilidade 36% (IC 95% 25–48%) e especificidade 98% (IC 95% 93–99%)Chavoshi M, Soltani G, Shafiei Zargar S, Wyles CC, Maradit Kremers H, Rouzrokh P. Diagnostic Performance of Clinical Examination Versus Ultrasonography in the Detection of Developmental Dysplasia of Hip: A Systematic Review and Meta-Analysis. Arch Bone Jt Surg. 2022;10(5):403-12.
Enchimento capilar prolongado, turgor cutâneo anormal e padrão respiratório anormalRazões de verossimilhança para desidratação de 5% em crianças. O enchimento capilar é o melhor dos três, mas nenhum é suficiente isoladamente.LR+ 4,1 (IC 95% 1,7–9,8) para enchimento capilar prolongado; 2,5 (IC 95% 1,5–4,2) para turgor anormal; 2,0 (IC 95% 1,5–2,7) para padrão respiratório anormalSteiner MJ, DeWalt DA, Byerley JS. Is this child dehydrated? JAMA. 2004;291(22):2746-54.
Combinação de sinais de exame na avaliação de desidrataçãoConclusão da revisão sistemática. Os autores registraram que a maioria dos estudos incluídos era de baixa qualidade e que a imprecisão dos testes dificulta quantificar exatamente o grau de desidratação.Combinações de sinais foram melhores que qualquer sinal isolado para predizer desidrataçãoSteiner MJ, DeWalt DA, Byerley JS. Is this child dehydrated? JAMA. 2004;291(22):2746-54.
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A ordem do exame pediátrico

A sequência é ditada pela colaboração disponível, não pela ordem anatômica do adulto.

MomentoO que fazerPor quê
Antes de tocarEstado geral, interação, atividade, padrão respiratório, tiragem, coloraçãoSome assim que a criança chora
Antes de tocarContar frequência respiratóriaDepende de a criança estar tranquila
Criança calma no coloAusculta cardíaca e pulmonarExige silêncio, e a janela é curta
Com colaboração parcialPalpação de abdome, fontanela, pulsosTolerável, mas melhor sem choro
Com colaboração parcialQuadril: Ortolani, Barlow, abduçãoExige relaxamento muscular
Ambiente escurecidoReflexo vermelhoDepende da pouca luz
Por últimoOrofaringe e otoscopiaSão as etapas que mais provocam choro
  • Frequências e pressões normais variam com a idade — usar faixas de adulto é errar por definição.
  • Na curva de crescimento, o dado é a trajetória, não o ponto. Cruzar percentis para baixo importa mesmo com valor atual aceitável.
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Erros que custam o achado

Registrar quadris normais como se afastasse displasia
A sensibilidade agrupada de Ortolani-Barlow foi de 36% — muitos bebês com displasia podem ter exame normal. Por isso a avaliação dos quadris é periódica, e fatores de risco relevantes podem indicar imagem seletiva mesmo com exame normal, conforme o protocolo vigente.
Começar o exame pelo toque
Estado geral, interação, padrão respiratório e tiragem se avaliam à distância e desaparecem com o choro. É a informação mais sensível de doença grave, e é gratuita.
Deixar orofaringe e otoscopia para o começo
São as etapas que mais provocam choro. Feitas cedo, custam toda a ausculta e toda a observação que viriam depois.
Usar faixas de sinais vitais de adulto
Frequência cardíaca, respiratória e pressão arterial têm valores próprios por faixa etária. Interpretar com a régua do adulto produz alarme falso ou falsa tranquilidade.
Registrar medidas sem plotar nas curvas
O peso de hoje isolado quase não informa. O que informa é a trajetória: uma criança que cruza percentis para baixo merece investigação mesmo com valor dentro da faixa.
Avaliar a fontanela com a criança chorando ou deitada
As duas situações fazem a fontanela parecer abaulada. A avaliação exige criança tranquila e sentada.
Basear a decisão sobre desidratação em um único sinal
Enchimento capilar prolongado tem LR 4,1, turgor anormal 2,5 e padrão respiratório anormal 2,0 — nenhum é suficiente sozinho. A revisão mostra que as combinações predizem melhor.
Não perguntar sobre perda de marcos
Perda de habilidade já adquirida é mais preocupante que atraso em alcançá-la, e só aparece se a pergunta for feita explicitamente ao cuidador.
Examinar sem a caderneta
Sem as curvas anteriores e o calendário vacinal, o exame perde a dimensão temporal, que é justamente o que mais informa em pediatria.
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Roteiro da estação

Exame pediátrico, na ordem que preserva a colaboração.

  1. 01Higienizar e aquecer as mãos e o estetoscópio; garantir ambiente aquecido
  2. 02Cumprimentar o cuidador e conversar antes de encostar na criança
  3. 03Observar à distância: estado geral, interação, atividade, coloração
  4. 04Observar o padrão respiratório, procurando tiragem, batimento de asa de nariz e gemido
  5. 05Contar a frequência respiratória por um minuto com a criança tranquila
  6. 06Auscultar coração e pulmões com a criança no colo, aproveitando a calma
  7. 07Palpar abdome, pulsos e fontanela com a criança ainda colaborativa
  8. 08Medir peso, comprimento ou estatura e perímetro cefálico
  9. 09Plotar as medidas nas curvas e avaliar a trajetória
  10. 10Verificar os marcos do desenvolvimento e perguntar sobre perda de habilidades
  11. 11Pesquisar o reflexo vermelho em ambiente escurecido
  12. 12Avaliar os quadris com Ortolani, Barlow e abdução
  13. 13Avaliar hidratação quando houver diarreia ou vômitos, integrando os sinais
  14. 14Examinar orofaringe e realizar otoscopia por último
  15. 15Conferir a caderneta: curvas anteriores e calendário vacinal
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Teste-se

Sorteando as questões…
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Agora faça no paciente

Um menino no primeiro ano de vida é trazido pela família e a primeira coisa que você ouve é: "Doutor, vim na consulta de rotina do bebê." Agora é sua vez: conduza a anamnese, examine e monte o seu raciocínio.

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Revisão espaçada

7 dias

Por que a ordem do exame pediátrico difere da do adulto, e o que deve vir antes de qualquer toque? Por que a fontanela precisa ser avaliada com a criança tranquila e sentada?

30 dias

O Ortolani-Barlow tem sensibilidade 36% e especificidade 98%. O que você pode concluir de uma manobra positiva e o que pode concluir de um exame normal? Como isso justifica repetir o exame do quadril em todas as consultas dos primeiros meses?

Semiologia pediátrica — Ciclo básico | OsceLabs