PediatriaEndocrinologia Pediátrica

O pezinho voltou alterado

Hipotireoidismo congênito: rastreio e tratamento

Do teste do pezinho alterado à confirmação, ao início oportuno da levotiroxina e ao acompanhamento do desenvolvimento: dose pelo peso, administração demonstrada pela família e interpretação conjunta de TSH e tiroxina livre.

Fontes deste capítulo

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Especializada à Saúde; Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde. Portaria Conjunta nº 05, de 16 de abril de 2021. Aprova o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Hipotireoidismo Congênito. Brasília: Ministério da Saúde, 2021 (Relatório de Recomendação Conitec nº 586).

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Especializada e Temática. Triagem neonatal biológica: manual técnico. 1. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2016. ISBN 978-85-334-2407-4.

Brasil. Ministério da Saúde. Relação Nacional de Medicamentos Essenciais: Rename 2024. Brasília: Ministério da Saúde, 2024. ISBN 978-65-5993-710-3.

Sociedade Brasileira de Pediatria. Departamento Científico de Endocrinologia. Hipotireoidismo congênito: triagem neonatal. Documento Científico nº 5. Rio de Janeiro: SBP, novembro de 2018.

Maciel LMZ, Kimura ET, Nogueira CR, Mazeto GMFS, Magalhães PKR, Nascimento ML, Nesi-França S, Vieira SE. Hipotireoidismo congênito: recomendações do Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Arq Bras Endocrinol Metab. 2013;57(3):184-92.

01

Responda antes de ler

Recém-nascida de 18 dias, a termo, é trazida ao ambulatório com a carta do laboratório de triagem neonatal: TSH de 70 mUI/L no papel-filtro, colhido no quarto dia. Mama pouco, dorme muito, ainda está ictérica e tem uma pequena hérnia umbilical. O laboratório do hospital devolve TSH e tiroxina livre séricos em três dias úteis, e a consulta de endocrinologia pediátrica está marcada para daqui a quatro dias. Qual é a conduta mais adequada nesta consulta?

02

O paciente que você vai ver

Segunda-feira, oito e meia da manhã, ambulatório de pediatria de um hospital universitário que é a referência regional em triagem neonatal. A primeira ficha do dia não tem queixa escrita, tem um papel grampeado: a carta de convocação do laboratório estadual. Lívia Camboim, 17 dias, nasceu de parto normal com 39 semanas e 3.300 gramas, teve alta com 48 horas e colheu o teste do pezinho no quarto dia, na unidade básica do bairro. O resultado chegou à unidade na sexta-feira à tarde com a palavra que o laboratório reserva para poucos casos: hormônio tireoestimulante no papel-filtro de 86 mUI/L, convocar com urgência.

Ninguém atendeu o telefone da família na sexta. No sábado de manhã, a agente comunitária de saúde, Ordália, foi até a casa com a carta na mão, e hoje a mãe, Daiane, 22 anos, primeira filha, está sentada à sua frente com a bebê enrolada numa manta, apesar do calor. Ela conta o que ninguém tinha perguntado: a menina dorme quase o dia inteiro, precisa ser acordada para mamar, mama devagar e cansa no meio da mamada; ainda está amarela, e o cocô sai a cada três dias. No domingo alguém da família disse que era assim mesmo, que bebê quieto é bebê bom.

Você despe a criança na maca. Pesa 3.450 gramas, a temperatura axilar é de 36,1 °C, a icterícia desce até o abdome. A fontanela posterior está maior do que se espera nessa idade; há uma pequena hérnia umbilical; o tônus é um pouco mole e o choro, quando vem, é rouco e curto. Nada disso, sozinho, faria alguém pedir exame. Junto com a carta, cada achado passa a ter nome.

O preceptor lê a carta, olha a data de nascimento e faz duas perguntas. A primeira: quantos dias ela tem? A segunda: o que você vai fazer antes de ela sair desta sala? A enfermeira avisa, do corredor, que a primeira vaga do ambulatório de endocrinologia pediátrica é na quinta-feira e que o laboratório do hospital devolve TSH e T4 livre em dois ou três dias úteis. Daiane pergunta o que parece mais sensato do mundo: se pode voltar na quinta, quando tiver o exame e o especialista.

A conta é curta e é sua. Os protocolos brasileiros querem o tratamento começado idealmente nos primeiros 14 dias de vida, e Lívia já passou do décimo sétimo. Esperar a quinta-feira são mais três dias; esperar o laudo e depois uma receita pode ser uma semana. Do outro lado, você nunca prescreveu levotiroxina para uma criança de 3 quilos, não sabe se o comprimido da farmácia serve para ela, não sabe se deve colher alguma coisa antes, e a mãe está com medo de uma palavra que ainda não foi dita.

Este capítulo é sobre essa manhã e sobre os três anos que ela decide: o que o resultado alterado do pezinho significa, o que se colhe e o que não se espera, a dose certa com o comprimido que a rede tem, como saber nas semanas seguintes que a dose está certa, e quando — e em quem — vale suspender o remédio para descobrir se a doença era para sempre.

03

Quem adoece disso

O hipotireoidismo congênito é a doença congênita mais comum do sistema endócrino e, segundo o protocolo federal de 2021, a principal causa de deficiência intelectual passível de prevenção. A incidência mundial do hipotireoidismo primário varia de 1 em 1.500 a 1 em 4.000 nascidos vivos, e os dados brasileiros citados pelo protocolo ficam entre 1 em 2.595 e 1 em 4.795. O documento científico da Sociedade Brasileira de Pediatria acrescenta que a doença acomete duas vezes mais meninas. Na ordem de grandeza de quase três milhões de nascimentos por ano que o manual técnico de triagem neonatal registra, a conta dá algo entre 600 e 1.150 crianças por ano no país — numa maternidade que faz três mil partos por ano, cerca de um caso por ano, quase nunca reconhecido pela aparência.

Cerca de 85% dos casos permanentes são disgenesias — a tireoide não se formou (agenesia), formou-se pequena (hipoplasia) ou não chegou ao lugar (ectopia) — e os outros 15% são disormonogêneses, glândulas no lugar que não conseguem fabricar hormônio por defeito enzimático herdado. O hipotireoidismo central, por falta de hormônio tireoestimulante, é raro: o protocolo estima entre 1 em 25.000 e 1 em 100.000 nascidos vivos no Brasil, quase sempre com outros déficits da hipófise. Há ainda as formas transitórias, por antitireoidiano ou anticorpo da mãe, por excesso ou falta de iodo e pela imaturidade do prematuro. Separar transitório de permanente ao nascer é mais difícil do que parece: numa série citada pelo consenso da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, 47% das crianças que pareciam ter a forma transitória revelaram-se permanentes aos três anos.

O custo de não tratar a tempo tem número. O manual técnico do Ministério resume estudos em que, sem tratamento precoce, 40% das pessoas afetadas tinham quociente de inteligência abaixo de 70 e 19% abaixo de 55, com média em torno de 80; com tratamento tardio muito do prejuízo se recupera, mas não o nível normal. O documento da SBP lista o que a falta do hormônio produz além da deficiência intelectual: falência do crescimento, ataxia, incoordenação, estrabismo, movimentos coreiformes e perda auditiva neurossensorial. Com triagem e tratamento nas primeiras semanas, o quociente de inteligência costuma ser normal, e o que sobra, em algumas crianças, são déficits seletivos de linguagem, habilidade visuoespacial e motora.

A doença não se deixa ver na hora em que ainda dá tempo. O protocolo registra que só 5% das crianças são diagnosticadas clinicamente no período neonatal, e o consenso da SBEM, que mais de 95% nascem com poucas ou nenhuma manifestação. Por isso o diagnóstico brasileiro é, na prática, o resultado do teste do pezinho. E mesmo ele deixa passar alguns: o documento da SBP estima em cerca de 5% os casos com elevação tardia do hormônio tireoestimulante que a triagem não identifica, e o manual técnico fala em até 10% não detectáveis antes de 2 a 6 semanas de vida. Por qualquer dos dois números, pezinho normal não fecha a questão diante de uma criança com sinais.

Duas frequências mudam o que o interno examina. Cerca de 10% das crianças com hipotireoidismo congênito têm outra anomalia congênita, contra 3% da população geral, e as cardíacas são as mais comuns — estenose pulmonar e defeitos de septo atrial ou ventricular; e até 20% têm algum problema auditivo, razão pela qual toda criança afetada precisa do resultado da triagem auditiva. O protocolo acrescenta que a taxa da doença é maior em recém-nascidos pré-termo e de baixo peso, justamente os que mais escapam do teste feito uma vez só.

04

Por que acontece o que acontece

O feto sem tireoide nasce com cara de saudável por dois motivos que a SBP descreve. A tiroxina da mãe atravessa a placenta e chega à circulação fetal, e o cérebro aumenta a atividade da desiodase que converte tiroxina em triiodotironina dentro do próprio tecido nervoso, protegendo a si mesmo à custa de outras estruturas. O esqueleto é quem paga: a maturação óssea atrasa, e a ausência da epífise femoral distal numa radiografia simples de joelho ao nascer é um marcador de hipotireoidismo intrauterino e de gravidade. A proteção dura o tempo que o hormônio materno leva para sair do sangue da criança — dias.

Depois disso começa a janela que dá nome ao capítulo. O documento da SBP situa o período crítico de dependência do sistema nervoso central do hormônio tireoidiano da vida fetal até os dois anos; o consenso da SBEM fala nos dois a três primeiros anos. Dentro dela, a margem de tempo é curta: a partir da segunda semana de vida, nas formas graves como a agenesia e a disormonogênese grave, já pode haver dano cerebral. É desse número que sai a meta dos três documentos brasileiros — tratamento começado idealmente até o 14º dia de vida —, e é por isso que a criança da cena, no 17º dia, não tem uma semana para esperar laudo.

O teste do pezinho brasileiro mede o hormônio tireoestimulante, e não a tiroxina, porque o TSH isolado é mais específico e pega as formas leves que a dosagem inicial de tiroxina deixaria passar — ao preço, como se verá, de não enxergar o hipotireoidismo central. Mas o próprio parto provoca um pico fisiológico de TSH nas primeiras horas, e a tiroxina materna ainda circula nos primeiros dias; por isso o protocolo quer a amostra depois de 48 horas e até o quinto dia, e avisa que a coleta antes de 48 horas enche o sistema de falsos positivos. Na primeira ou segunda semana, o limite superior do TSH já caiu para perto de 10 mUI/L, e a confirmação venosa se lê contra as faixas de 4 a 30 dias, não contra as do adulto nem contra as do primeiro dia.

A mesma lógica explica as falhas previsíveis. A triagem por TSH só enxerga a falha da glândula; o hipotireoidismo central, em que a hipófise não produz o estímulo, passa com TSH baixo ou normal. No prematuro, o eixo hipotálamo-hipófise-tireoide é imaturo: o pico neonatal é atenuado e a elevação do TSH pode aparecer só entre a segunda e a sexta semana. Dopamina e glicocorticoides suprimem o TSH e produzem resultado falsamente normal enquanto são usados; o iodo de antisséptico ou de outros preparados iodados bloqueia a glândula e produz hipotireoidismo transitório com TSH alto, que some em semanas depois que a exposição termina. Quem recebe um TSH normal de uma criança internada em uso de dopamina não recebeu uma exclusão — recebeu um exame que ainda precisa ser repetido.

Por que a glândula falha define quem vai precisar do remédio para sempre. Na disgenesia, a tireoide não existe, é pequena ou está fora da loja cervical, e não há o que recuperar. Na disormonogênese, a glândula está no lugar, às vezes aumentada, mas uma enzima da síntese falha; a herança costuma ser recessiva. No central, fatores de transcrição da hipófise falham e outros eixos costumam cair junto. Nas formas transitórias, algo de fora bloqueia uma glândula normal: o antitireoidiano que a mãe tomou, que sai em dias; o anticorpo materno bloqueador do receptor de TSH, que o consenso da SBEM diz persistir em geral de um a três meses; o excesso ou a falta de iodo; e causas raras como hemangiomas hepáticos grandes, que aumentam a desiodase que inativa o hormônio.

Corte sagital da cabeça e do pescoço de um recém-nascido com um pequeno nódulo de tecido tireoidiano no alto do pescoço e o espaço vazio à frente da traqueia, onde a glândula deveria estar.
Tireoide lingual: tecido tireoidiano na base da língua, com trajeto de descida embrionária apenas esquemático. A ausência da glândula na loja cervical ao ultrassom não confirma, sozinha, ectopia; tiroxina e tireoglobulina não localizam o tecido. A investigação etiológica não deve atrasar o tratamento do hipotireoidismo congênito.

O remédio é a tiroxina, e não a triiodotironina, pela mesma razão que protegeu o feto: a maior parte do T3 dentro do sistema nervoso central vem da conversão local de T4. A levotiroxina tem boa absorção oral e meia-vida de cerca de sete dias, e por isso vai em dose única diária. Com a dose inicial de 10 a 15 mcg/kg, o consenso da SBEM descreve a tiroxina livre normalizando em cerca de três dias e o TSH em duas a quatro semanas; o documento da SBP acrescenta que em cerca de 10% das crianças com TSH inicial muito alto ele demora mais para cair, possivelmente por uma regulação do eixo que ficou ajustada para cima. A consequência prática é que, nas primeiras semanas, quem guia a dose é a tiroxina livre. A farmacologia que não muda com a idade está em Quem pediu este TSH, na apostila de Endocrinologia.

Há dois jeitos de errar a dose, e os dois deixam marca. A subdose prolongada no primeiro ano custa desenvolvimento. O excesso prolongado, dizem a SBEM e a SBP, pode levar a craniossinostose e a alterações de temperamento, e as séries resumidas pela SBP mostram que crianças tratadas com doses mais altas se saem melhor em testes de inteligência, habilidade verbal e memória, mas têm mais problemas de comportamento. É por isso que a meta não é um número qualquer dentro da referência: a tiroxina livre é mantida na parte alta da faixa e o TSH dentro da faixa normal, com exames frequentes justamente quando a criança cresce mais depressa e a dose por quilo cai sozinha.

Por fim, a razão de esperar até os três anos para testar quem talvez não precise do remédio. Suspender a levotiroxina por um mês numa criança de oito meses significa um mês de cérebro sem hormônio dentro da janela crítica; aos três anos, o mesmo mês custa pouco e responde a pergunta de forma definitiva. Enquanto isso, a própria evolução dá pistas: a glândula tópica e normal na ultrassonografia, a dose que nunca precisou subir e o quadro inicial duvidoso apontam para a forma transitória; a glândula ausente ou ectópica dispensa o teste.

05

Como se apresenta de verdade

O hipotireoidismo congênito chega ao interno por duas portas. A primeira, a de quase todas as crianças, é a carta do laboratório de triagem neonatal com um hormônio tireoestimulante acima do corte. A segunda, mais rara e mais perigosa, é a criança com sinais — icterícia que não passa, sonolência, constipação — cujo pezinho foi normal, não foi colhido ou foi colhido cedo demais. Em qualquer das duas, o que se vê no exame físico ajuda pouco a decidir e muito a convencer a família.

A fronteira com os capítulos vizinhos fica assim. A coleta do teste do pezinho, a janela do terceiro ao quinto dia e as outras doenças triadas são de As cinco triagens neonatais, em Puericultura e Desenvolvimento, que também é dona do resultado alterado como achado; a confirmação, o tratamento e o seguimento do hipotireoidismo congênito são deste capítulo. A investigação da icterícia prolongada é de A hora antes da cor, em Neonatologia, que assume a obrigação de ir buscar o resultado do pezinho quando a icterícia passa de duas semanas. O hipotireoidismo do adulto está em Quem pediu este TSH, em Endocrinologia, e a doença da tireoide da gestante, em O laboratório não sabe que ela está grávida, em Obstetrícia. Os marcos do desenvolvimento são de O marco que ela tinha e perdeu, e as curvas de crescimento, de A linha, não o ponto, ambos em Puericultura e Desenvolvimento; a constipação com retardo de mecônio e a doença de Hirschsprung são de A cor do vômito e a fralda que não sujou, em Cirurgia Pediátrica; e a deficiência de iodo na criança, de Três camadas, uma criança, em Nutrologia Pediátrica.

A carta do laboratório: quase sempre uma criança que parece normal

O consenso da SBEM resume o que o interno vai ver em quase todas as convocações: mais de 95% das crianças com hipotireoidismo congênito têm poucas ou nenhuma manifestação ao nascer. A carta chega, a família é localizada pelo ponto de coleta — o manual técnico manda contatar a família assim que o laboratório comunica o resultado e fazer busca ativa dos convocados —, e a criança que entra no consultório mama, ganha peso e parece igual às outras. O erro natural é ler a normalidade do exame como sinal de resultado errado. Ela não informa nada: é exatamente o que a doença faz nas primeiras semanas.

Mesmo assim, examine com a lista na mão, por três razões. Os sinais discretos, quando existem, sustentam a urgência diante de uma família que acha que o bebê está bem. Uma criança com sinais já instalados provavelmente tem a forma mais grave, e isso pesa na dose. E cerca de uma em cada dez tem outra malformação associada, que só aparece para quem ausculta o coração e olha o palato — o documento da SBP registra as cardíacas como as mais comuns e fenda palatina entre as associações conhecidas.

Anote também o que a carta não diz e a família sabe: com quantos dias o pezinho foi colhido, se a criança nasceu pré-termo, se ficou internada, se recebeu transfusão, dopamina ou corticoide, se a pele foi limpa com antisséptico iodado, se a mãe tem doença da tireoide e o que tomou na gestação, se há irmão tratado de hipotireoidismo na infância. Cada uma dessas respostas muda a leitura do número, como mostram as seções seguintes.

Os sinais que se acham quando se procura

O documento da SBP manda considerar o diagnóstico em qualquer lactente com icterícia prolongada, hipotermia transitória, fontanela posterior aumentada, dificuldade de sucção ou dificuldade respiratória às mamadas. O protocolo federal registra a icterícia neonatal prolongada como um dos primeiros sinais e descreve o que se instala quando o tempo passa sem diagnóstico: criança letárgica, choro rouco, engasgos frequentes, constipação, macroglossia, hérnia umbilical, fontanela ampla, hipotonia, movimentos lentos e pele seca.

O tempo dos sinais importa. Segundo a SBP, a maior parte deles está presente entre 6 e 12 semanas de vida — letargia, obstipação intestinal e hérnia umbilical são os mais citados — e a fácies típica e o atraso de crescimento ficam evidentes só depois dos primeiros meses. O manual técnico acrescenta à lista dificuldade respiratória, cianose, bradicardia, anemia, livedo reticular, mixedema, sopro cardíaco, dificuldade de alimentação com ganho de peso ruim e atraso da dentição. Ou seja: quando o quadro é bonito de livro, o prazo de proteger o cérebro já passou.

O bócio é raro. O protocolo lembra que poucos recém-nascidos com disormonogênese nascem com a glândula aumentada; quando aparece, fala a favor de glândula no lugar com defeito de síntese, e não de disgenesia. Uma língua grande, uma hérnia umbilical e uma icterícia que não cede, juntas numa criança sonolenta de três semanas, pedem TSH e T4 livre no mesmo dia, com ou sem carta.

Pezinho normal e criança com sinais

O resultado normal do teste do pezinho não encerra a suspeita. O documento da SBP é direto: se a criança tem sintomas sugestivos, TSH e T4 devem ser dosados no soro mesmo com triagem normal, porque cerca de 5% dos casos têm elevação tardia do TSH que a triagem não identifica. A diretriz europeia de 2021 recomenda o mesmo diante da suspeita clínica e lembra o outro grupo que a triagem por TSH não vê: o hipotireoidismo central.

Pense em hipotireoidismo central quando a criança tem sinais de hipotireoidismo ou de hipopituitarismo congênito com TSH baixo, normal ou pouco elevado. A diretriz europeia lista os sinais que devem levar a exame endócrino: micropênis com testículos não descidos, hipoglicemia, icterícia prolongada e falha de crescimento sem explicação, além de história familiar de hipotireoidismo central. Esse recém-nascido não é tratado como o do pezinho alterado — a sequência dos hormônios muda, e a investigação mostra por quê.

Duas situações pedem uma segunda amostra mesmo sem sinal, pela diretriz europeia: gêmeos do mesmo sexo, porque o gêmeo afetado pode ter triagem inicial normal, e crianças com síndrome de Down, em quem se recomenda dosar TSH ao fim do período neonatal. A criança que nunca colheu o teste, ou colheu antes de 48 horas, não é assunto de sinal clínico: é coleta que falta, e a regra de quando e como refazer é de As cinco triagens neonatais.

O prematuro e o recém-nascido internado

O prematuro tem mais hipotireoidismo congênito e é mais difícil de diagnosticar. O protocolo federal registra as duas coisas: a taxa da doença é maior nos pré-termo e nos de baixo peso, e esses bebês costumam estar internados recebendo intervenções que alteram o exame. O eixo imaturo produz o padrão que engana nos dois sentidos — um TSH que ainda não subiu, que a diretriz europeia situa entre a segunda e a sexta semana de vida, e uma tiroxina baixa que pode ser só imaturidade.

Por isso a triagem do internado é seriada, e o protocolo manda repetir o exame com um mês de vida ou na alta hospitalar, o que ocorrer primeiro, ou fazer a triagem tripla no 5º, no 10º e no 30º dia. O esquema de amostras por peso e idade gestacional pertence a As cinco triagens neonatais; o que pertence a este capítulo é saber ler o resultado dessas amostras. Uma tiroxina baixa com TSH normal no prematuro ou no recém-nascido gravemente doente, dizem a SBEM e a SBP, não se trata com levotiroxina, a não ser que haja evidência de doença do hipotálamo ou da hipófise. Um TSH que sobe na terceira amostra se confirma no sangue venoso e se trata como qualquer hipotireoidismo primário, com dose pelo peso do dia.

Três exposições da UTI mudam o número. A dopamina suprime o TSH e produz resultado falsamente normal até a suspensão da droga; os corticoides suprimem TSH e tiroxina, com possibilidade de falso-negativo, por um tempo que o manual técnico estima entre uma e duas semanas; e o iodo de antissépticos ou preparados iodados produz hipotireoidismo transitório com TSH alto, que desaparece de duas a seis semanas depois do fim da exposição. A diretriz europeia recomenda evitar iodo como antisséptico no período perinatal justamente por isso.

O filho de mãe com doença da tireoide

O que a mãe tem ou tomou atravessa a placenta e aparece no pezinho. O manual técnico lista o propiltiouracil em uso pela mãe como causa de tiroxina baixa com TSH alto no recém-nascido — hipotireoidismo transitório que dura tipicamente de 7 a 14 dias, o tempo de eliminar o medicamento — e deixa claro que hipotireoidismo materno tratado e bem controlado não interfere na triagem. O consenso da SBEM acrescenta o anticorpo materno bloqueador do receptor de TSH, que costuma persistir de um a três meses, e manda pensar nele quando mais de um filho da mesma mãe teve hipotireoidismo transitório detectado pela triagem.

Nesses casos, anticorpo antiperoxidase e anticorpo antirreceptor de TSH podem explicar um TSH elevado em filho de mãe com tireoidite de Hashimoto ou doença de Graves, e a causa transitória não muda a regra da confirmação: TSH acima de 10 com tiroxina baixa no sangue venoso é tratado, porque o cérebro não sabe que o hormônio vai voltar, e o manual técnico pede acompanhar essas crianças até TSH e tiroxina normalizarem. A diferença aparece depois, na reavaliação. A amamentação continua: o protocolo e a SBP dizem que a mãe em uso de antitireoidiano pode amamentar, mesmo que o filho tenha hipotireoidismo.

A doença da gestante — o anticorpo antirreceptor medido no terceiro trimestre, a vigilância do feto, a escolha do antitireoidiano — é de O laboratório não sabe que ela está grávida, em Obstetrícia. A tireotoxicose do recém-nascido, que o mesmo anticorpo materno pode causar quando estimula em vez de bloquear, é outra doença, com outro tratamento, e não é ensinada neste capítulo; o recém-nascido de mãe com Graves e anticorpo alto sai da maternidade com a pediatria avisada, como aquele capítulo prescreve.

O atraso que se instala quando o comprimido atrasa

A criança tratada tarde conta a história da janela. O manual técnico descreve o que se ganha quando o tratamento começa depois de 30 dias de vida: melhora do desenvolvimento, recuperação do ritmo de ganho de peso e estatura, normalização da frequência cardíaca, do intestino, do sono e da pele — mas com parte do prejuízo intelectual que nunca volta ao nível normal. É esse o desfecho que um atraso de uma semana compra, e ele não aparece no dia da consulta: aparece na fala que não vem aos dois anos e no rendimento escolar.

Por isso toda consulta de seguimento é também uma consulta de puericultura. Peso, comprimento e perímetro cefálico entram na curva a cada visita, com a leitura de A linha, não o ponto; os marcos do desenvolvimento são conferidos pela régua de O marco que ela tinha e perdeu; e a triagem auditiva, que o consenso da SBEM recomenda para toda criança com hipotireoidismo congênito, precisa de resultado anotado, porque a SBP registra problema auditivo em até 20% delas e a diretriz europeia pede audiometria repetida antes da idade escolar. Uma criança tratada com dose certa e adesão boa, diz a SBP, cresce e entra na puberdade como as outras — o atraso, quando aparece, é sinal de que alguma coisa no tratamento falhou.

06

Como fechar o diagnóstico

A investigação do hipotireoidismo congênito tem uma ordem e uma regra. A ordem é ler o corte do laboratório, colher TSH e tiroxina livre venosos, interpretar pelo padrão entre os dois e só então procurar a causa. A regra atravessa os três documentos brasileiros e a diretriz europeia: nenhum exame de etiologia adia o comprimido. Ultrassonografia, cintilografia e tireoglobulina respondem por que a glândula falhou; o que decide o tratamento é o sangue da confirmação.

1. Ler a carta: o que o corte do laboratório quer dizer

O programa nacional padroniza o corte do TSH neonatal em 10 mUI/L, medido em sangue total seco no papel-filtro. O protocolo federal e a SBP descrevem três faixas: abaixo de 10, resultado normal e nenhum seguimento na criança a termo colhida depois de 48 horas; de 10 a 20, resultado limítrofe, e a criança é convocada para uma nova amostra do pezinho, que na maioria das vezes vem normal; acima de 20, resultado sugestivo, e a criança é convocada com urgência para consulta médica e dosagem venosa de TSH e tiroxina. A SBP registra que a maioria das crianças com TSH neonatal acima de 20 terá a doença.

Duas ressalvas mudam a leitura. A primeira é que alguns centros, no Brasil e fora dele, trabalham com cortes mais baixos — normal abaixo de 5, limítrofe de 6 a 10, sugestivo acima de 10 —, e o que vale para a sua criança é o corte e a orientação impressos no laudo do laboratório de referência do seu estado. A segunda é que o número do papel-filtro não se compara com as faixas de referência do soro: são matrizes diferentes, e o papel-filtro serve para separar quem precisa de sangue venoso de quem não precisa.

Diante de um resultado limítrofe, a tarefa do interno é garantir que a segunda amostra seja colhida logo, com data marcada, porque a nova coleta cabe ao fluxo do programa descrito em As cinco triagens neonatais. Diante de um resultado acima de 20, a tarefa é deste capítulo e começa no mesmo dia: consulta, sangue venoso e a decisão sobre o comprimido que os critérios e a conduta detalham. Um TSH do papel-filtro muito alto — a diretriz europeia usa 40 mUI/L como marca de hipotireoidismo primário moderado a grave — é o caso em que nenhuma espera se justifica.

2. Colher antes de dar: TSH e tiroxina livre venosos

O diagnóstico é dado pela dosagem venosa de TSH e de tiroxina livre ou total, feita com a maior brevidade possível, e os testes do pezinho não são diagnósticos — nisso protocolo, SBP e SBEM repetem a mesma frase. O sangue é colhido antes da primeira dose: a levotiroxina normaliza a tiroxina livre em cerca de três dias, e uma amostra colhida depois do comprimido já não mostra o ponto de partida. No pedido, escreva data e hora da coleta e que a criança ainda não recebeu levotiroxina.

A leitura usa as faixas da idade. Entre 4 e 30 dias de vida, os valores de referência do programa nacional reproduzidos pelo protocolo são TSH abaixo de 9 mUI/L, tiroxina livre de 0,8 a 2,3 ng/dL e tiroxina total de 7 a 16 µg/dL. TSH acima de 10 com tiroxina livre ou total baixa confirma o hipotireoidismo primário e indica o tratamento. Se o serviço dosa tiroxina total e não livre, tiroxina total baixa num menino de peso e aparência normais pede também tiroxina livre e globulina ligadora: a deficiência dessa globulina, ligada ao X, dá tiroxina total baixa com tiroxina livre normal e não se trata, lembra a SBP.

Quando o serviço dosa tireoglobulina, ela ajuda depois, na etiologia; quando não dosa, a falta dela não muda nada hoje. A radiografia simples de joelho, para ver se a epífise femoral distal está presente, é opcional e serve para estimar a gravidade da falta de hormônio ainda no útero — não para decidir se trata.

3. TSH alto com tiroxina livre normal

Este é o resultado que mais confunde e o que o protocolo federal não descreve: ele diz o que fazer com TSH acima de 10 e tiroxina baixa, e não diz o que fazer com TSH alto e tiroxina normal. A SBP e o consenso da SBEM cobrem só o começo da faixa: TSH confirmatório entre 6 e 10 com tiroxina normal pede nova dosagem em uma semana, e, se o TSH continuar discretamente elevado com cerca de um mês de vida, alguns pesquisadores sugerem tratar e reavaliar depois dos 3 anos.

A diretriz europeia de 2021 cobre o resto. Com TSH venoso acima de 20 mUI/L na confirmação, por volta da segunda semana de vida, trata-se mesmo com tiroxina livre normal — um limiar que ela mesma declara arbitrário, de opinião de especialistas. Com TSH entre 6 e 20 depois dos 21 dias de vida, numa criança saudável com tiroxina livre normal, ela aceita dois caminhos: tratar já e retestar sem remédio mais tarde, ou adiar e repetir em uma a duas semanas.

Como nenhum documento brasileiro fala de TSH venoso acima de 10 com tiroxina normal, esta apostila adota a régua europeia onde a brasileira silencia, e a brasileira onde ela existe. TSH venoso acima de 20: trata-se, com tiroxina livre normal ou baixa. Entre 10 e 20 com tiroxina livre normal: se a criança já recebeu a primeira dose na consulta da coleta, como manda a conduta deste capítulo, o comprimido é mantido e ela entra no grupo que será reavaliado depois dos 3 anos — o primeiro dos dois caminhos europeus —; se ainda não recebeu, repetem-se TSH e tiroxina livre em uma a duas semanas e trata-se se a tiroxina cair ou se o TSH seguir acima da referência com cerca de um mês de vida. De 6 a menos de 10: repete-se em uma semana, como mandam a SBP e a SBEM. A combinação é escolha desta apostila, e não de fonte alguma.

4. Tiroxina livre baixa com TSH normal ou baixo

Três causas produzem esse padrão, e uma delas é urgente. No prematuro e no recém-nascido gravemente doente, tiroxina baixa com TSH normal costuma ser imaturidade do eixo ou doença grave, e a SBEM e a SBP não recomendam tratar sem evidência de doença hipotálamo-hipofisária. Na deficiência da globulina ligadora, a tiroxina total é baixa e a livre é normal, e nada se trata. E no hipotireoidismo central a tiroxina livre é baixa com TSH baixo, normal ou pouco elevado — é o diagnóstico que a diretriz europeia manda considerar sempre que esse padrão aparece.

O central muda a sequência do tratamento. Como o hipotireoidismo central costuma vir com outros déficits da hipófise, a diretriz europeia recomenda começar a levotiroxina só depois de demonstrar função adrenal intacta e, se a insuficiência adrenal central não puder ser afastada, dar o glicocorticoide antes. O protocolo federal e a SBP fazem a mesma regra com prazo: havendo insuficiência adrenal ou deficiência de corticotrofina, a levotiroxina só começa de 3 a 5 dias depois do início do corticoide, para não precipitar uma crise adrenal. A tiroxina acelera o consumo de um cortisol que já falta.

Na prática do interno, o recém-nascido com tiroxina livre baixa e TSH que não acompanha, sobretudo se tem hipoglicemia, micropênis ou icterícia prolongada, não recebe levotiroxina na primeira consulta: colhe cortisol, é discutido no mesmo dia com a endocrinologia pediátrica e só começa a tiroxina na sequência que ela definir.

5. A causa: ultrassonografia primeiro, e nunca antes do comprimido

O protocolo federal manda começar a investigação etiológica pela ultrassonografia cervical, de preferência com Doppler, e complementar com cintilografia quando a ultrassonografia não bastar, com dosagem de tireoglobulina. Se esses exames não puderem ser feitos, o tratamento começa assim mesmo e a determinação da causa fica para depois dos 3 anos, quando a levotiroxina pode ser suspensa. A diretriz europeia é ainda mais explícita: recomenda fortemente começar a levotiroxina antes de qualquer exame de imagem da tireoide.

Cada exame responde uma pergunta diferente. A ultrassonografia vê se há glândula na loja cervical e de que tamanho, sem radiação e com custo menor; o consenso da SBEM registra, porém, que ela é pouco sensível para achar a glândula ectópica, embora o Doppler aumente essa sensibilidade. A cintilografia, com tecnécio ou iodo-123 em vez do iodo-131, pela menor irradiação, acha a ectópica com sensibilidade de 92% e especificidade de 97% na série citada pela SBEM, e pode mostrar bócio quando há defeito enzimático. A tireoglobulina junta as duas: sem glândula na loja e com tiroxina e tireoglobulina mensuráveis, há tecido funcionante em outro lugar; tireoglobulina muito baixa sem glândula fala a favor de atireose.

A cintilografia tem prazo. A diretriz europeia avisa que, feita além de 5 a 7 dias depois do início da levotiroxina, ela pode não captar mesmo com glândula presente, porque o TSH já foi suprimido — e o mesmo acontece depois de exposição a iodo e na presença de anticorpo materno bloqueador. Se ela não couber nessa semana, não se suspende o remédio para fazê-la: fica para a reavaliação, e a ultrassonografia responde o que for possível agora.

O padrão final orienta o futuro sem mudar a dose de hoje. Glândula ausente ou ectópica é disgenesia, e o tratamento é para a vida inteira sem necessidade de teste de suspensão. Glândula tópica, normal ou aumentada, com tireoglobulina normal ou alta, pode ser disormonogênese ou forma transitória, e é esse grupo que será reavaliado. Nos filhos de mãe com doença autoimune da tireoide, os anticorpos da criança ajudam a explicar o transitório; e, quando se suspeita de falta ou excesso de iodo, a iodúria confirma a exposição, diz a SBEM.

6. O que mais examinar e pedir

Toda criança com hipotireoidismo congênito precisa do resultado da triagem auditiva e de um exame físico dirigido a outras malformações — é a recomendação 4 do consenso da SBEM. A SBP reforça que não há consenso para exames de rastreio dessas malformações, e que o que decide é o exame cuidadoso: sopro, cianose ou alteração do palato levam a avaliação dirigida. Criança com fenda palatina ou com sintomas neurológicos persistentes, como ataxia, entra na lista de quem pode ter uma causa genética específica, segundo a SBP.

A diretriz europeia lista as situações em que se propõe aconselhamento genético à família de uma criança com hipotireoidismo congênito: surdez, sinais neurológicos como hipotonia, coreoatetose ou deficiência intelectual, doença pulmonar do recém-nascido, cardiopatia congênita, fenda palatina e malformação renal, além de consanguinidade e de familiares com a doença. Não é exame que o interno pede na primeira semana; é a razão para que essas informações fiquem anotadas no prontuário desde a primeira consulta, porque mudam o que se diz à família sobre os próximos filhos.

Os documentos brasileiros diagnosticam e acompanham o hipotireoidismo congênito primário pelo par TSH e tiroxina, sem T3 na rotina. O que acompanha a criança é esse par, colhido antes da dose do dia, no calendário que a reavaliação descreve.

07

Do laudo do pezinho ao comprimido, e do comprimido à reavaliação

Tudo o que decide a manhã da Lívia e os três anos seguintes cabe em quatro perguntas: o que o laudo do papel-filtro pede hoje; o que o laudo venoso faz com o comprimido que já foi dado; quanto comprimido para este peso, com o que a farmácia tem; e quem, depois dos 3 anos, pode tentar ficar sem ele. As réguas são o protocolo federal de 2021 e o documento da SBP de 2018, de onde vêm os cortes e as metas; a diretriz europeia de 2021 entra só onde os documentos brasileiros não falam, e cada uma dessas entradas vem marcada. Duas decisões são desta apostila e estão declaradas nas divergências: a primeira dose é dada na consulta em que se colhe o sangue venoso, e a meta de TSH é a do protocolo, de 0,4 a 4 mUI/L.

  1. 1Carta com TSH do papel-filtro acima de 20 mUI/L: a criança é vista no dia em que a família é localizada, sem fila e sem esperar a consulta especializada.
  2. 2Anamnese que muda a leitura do número — idade na coleta, prematuridade, internação, transfusão, dopamina, corticoide, antisséptico iodado, doença e remédios da mãe, irmão com hipotireoidismo — e exame com a lista de sinais e de malformações associadas.
  3. 3Sangue venoso para TSH e tiroxina livre antes de qualquer comprimido, com a hora da coleta e a anotação de que a levotiroxina ainda não foi dada.
  4. 4Primeira dose na mesma consulta: 10 a 15 mcg/kg, arredondada ao comprimido da Rename, triturada, misturada a pouca água ou leite materno e dada na colher na frente da família; perto do topo da faixa quando o TSH do papel-filtro passa de 40 ou há sinais.
  5. 5Laudo venoso: a tabela do laudo decide se o comprimido continua, se para e se a criança entra no grupo que será reavaliado.
  6. 6Tiroxina livre baixa com TSH baixo, normal ou inadequadamente pouco elevado: suspeitar de hipotireoidismo central, considerando doença grave e prematuridade. Acionar endocrinologia no mesmo dia e avaliar o eixo adrenal; quando necessário, assegurar cobertura com glicocorticoide antes de iniciar levotiroxina. Não transformar essa cautela em adiamento indefinido do tratamento.
  7. 7Ultrassonografia cervical nos dias seguintes, sem suspender o remédio; cintilografia só se couber nos primeiros 5 a 7 dias de tratamento, senão fica para a reavaliação.
  8. 8Controles de TSH e tiroxina livre com 2 e 4 semanas de tratamento; depois a cada 1 a 2 meses até os 6 meses, a cada 2 a 3 meses até os 3 anos e a cada 6 a 12 meses daí em diante; sempre 4 semanas depois de cada mudança de dose, com a coleta antes da dose do dia.
  9. 9A cada retorno, comparar TSH e tiroxina livre com a referência etária e o controle anterior, além do crescimento e desenvolvimento. Nos exemplos, usar as metas do protocolo brasileiro: tiroxina livre de 1,4 a 2,3 ng/dL e TSH de 0,4 a 4 mUI/L. Rever administração e interferentes antes de ajustar; não reduzir por uma tiroxina livre discretamente alta isolada com TSH normal.
  10. 10Depois dos 3 anos: suspensão só em quem preenche os critérios de forma transitória, com o calendário de TSH da tabela de reavaliação; disgenesia confirmada não suspende nunca.

O que cada laudo do papel-filtro pede no dia em que chega

Laudo do papel-filtroLeituraO que o interno fazPrazo que governa
TSH abaixo de 10 mUI/L, criança a termo colhida depois de 48 horasNormal para o programa nacionalNada pelo pezinho; se houver sinal clínico, TSH e tiroxina livre venosos mesmo assimO do sinal clínico: no mesmo dia
TSH de 10 a 20 mUI/LLimítrofe; a nova amostra costuma vir normalGarantir a segunda coleta do pezinho com data marcada, pelo fluxo de As cinco triagens neonataisSem demora: a janela de tratar até o 14º dia continua correndo
TSH acima de 20 mUI/LSugestivo; a maioria dessas crianças tem a doençaConsulta no dia, sangue venoso e primeira dose de levotiroxina na mesma consultaTratamento idealmente até o 14º dia de vida
TSH de 40 mUI/L ou maisHipotireoidismo primário provavelmente moderado a grave, pela diretriz europeiaO mesmo da linha anterior, com dose perto do topo da faixa por quiloNenhuma espera se justifica
TSH normal em prematuro ou internado em uso de dopamina ou corticoideSem valor de exclusão: as duas drogas suprimem o TSHRegistrar a droga e garantir amostra depois da suspensão e a amostra tardiaCom um mês de vida ou na alta, o que vier primeiro
Qualquer resultado com antisséptico iodado recenteTSH alto pode ser bloqueio transitório pelo iodoTratar como qualquer TSH alto até a confirmação venosa e anotar a exposição para a reavaliaçãoO mesmo do TSH do laudo

O laudo venoso decide se o comprimido já dado continua

TSH venosoTiroxina livreLeituraCondutaQuem sustenta
10 mUI/L ou maisBaixa (abaixo de 0,8 ng/dL)Hipotireoidismo primário confirmadoMantém a dose; controle com 2 semanasProtocolo federal 2021, SBP 2018, SBEM 2013
Acima de 20 mUI/LNormalHipotireoidismo primário provávelMantém; se a glândula for tópica, a criança entra no grupo da reavaliaçãoDiretriz europeia 2021, onde os brasileiros silenciam
De 10 a 20 mUI/LNormalZona cinzentaCom comprimido já começado: mantém e marca a reavaliação depois dos 3 anos. Sem comprimido: repete em 1 a 2 semanas e trata se a tiroxina cair ou o TSH seguir alto com cerca de 1 mêsEscolha desta apostila entre a diretriz europeia 2021 e a SBP 2018
De 6 a menos de 10 mUI/LNormalElevação discreta, muitas vezes transitóriaSuspende e repete TSH e tiroxina livre em uma semana; trata se subir ou persistir com cerca de 1 mêsSBP 2018 e SBEM 2013
Abaixo de 6 mUI/LNormalFalso-positivo da triagemSuspende; volta à puericultura; sinal clínico novo pede nova dosagemProtocolo federal 2021 (referência) e SBP 2018
Baixo, normal ou pouco elevadoBaixaCentral, imaturidade do prematuro ou doença graveAvaliação endocrinológica no mesmo dia. Na suspeita central, avaliar o eixo adrenal e, se não for possível afastar insuficiência adrenal, providenciar cobertura com glicocorticoide antes da levotiroxina. Hipotiroxinemia isolada da prematuridade exige contexto próprio, não tratamento automático.Diretriz europeia 2021, protocolo federal 2021, SBEM 2013

Levotiroxina por quilo com os comprimidos da Rename (12,5; 25; 37,5; 50 e 100 mcg)

PesoFaixa de 10 a 15 mcg/kgComprimido que cabeDose por quilo resultanteO que a conta mostra
1,5 kg15 a 22,5 mcgNenhum inteiro dentro da faixa12,5 mcg = 8,3; 25 mcg = 16,7Fração de comprimido ou dose do limite, decidida com a endocrinologia pediátrica; 37,5 mcg dariam 25 mcg/kg
1,9 kg19 a 28,5 mcg25 mcg13,2 mcg/kg37,5 mcg, a dose média que o protocolo cita para o pré-termo, dariam 19,7 mcg/kg
2,5 kg25 a 37,5 mcg25 ou 37,5 mcg10,0 ou 15,0 mcg/kgÉ o peso em que 37,5 mcg encosta no teto de 15
3,0 kg30 a 45 mcg37,5 mcg12,5 mcg/kg50 mcg dariam 16,7 mcg/kg, só aceitável na forma grave
3,45 kg34,5 a 51,8 mcg37,5 ou 50 mcg10,9 ou 14,5 mcg/kgA dose da cena: 50 mcg, pelo TSH muito alto e pelos sinais
4,0 kg40 a 60 mcg50 mcg12,5 mcg/kgCom o ganho de peso a dose por quilo cai sozinha; quem manda ajustar é o exame

Depois dos 3 anos: quem suspende o remédio e como ler

SituaçãoSuspende?Como fazer e ler
Glândula ausente ou ectópica na imagemNãoDisgenesia: tratamento por toda a vida, com controles a cada 6 a 12 meses
Glândula tópica e normal à ultrassonografia, quadro inicial duvidoso ou dose que nunca precisou subirSimSuspender; um mês depois, TSH, repetido mensalmente três vezes. Abaixo de 5 mUI/L nas três: transitório. Acima de 9,9: disormonogênese e o remédio volta. Entre 5 e 9,9: TSH mensal até definir
Nenhuma avaliação de causa feita até os 3 anosSim, por 30 diasTiroxina livre, TSH, tireoglobulina, cintilografia e ultrassonografia: normais, transitório; alterados, permanente e o remédio volta
Glândula tópica com dose que subiu no seguimento e sem outro critério de transitórioNãoO protocolo mantém o tratamento por toda a vida quando não há suspeita de forma transitória

Da convocação ao primeiro controle: sequência da consulta

EtapaO que executarO que deve ficar registrado
ComunicarConfirmar a identificação e explicar que triagem alterada exige avaliação, mas ainda não define sozinha a causa. Combinar atendimento rápido e verificar como a família chegará.Data da coleta, valor e referência do programa; idade atual; nome de quem recebeu a orientação.
ConfirmarExaminar, pesar e colher TSH e tiroxina livre venosos antes da primeira dose. Procurar prematuridade, exposição ao iodo e sinais de deficiência hipofisária.Horário da coleta e informação explícita de que ela precedeu a levotiroxina.
Tratar no tempo necessárioNa apresentação de Lívia, começar após a coleta no mesmo turno. Nos resultados limítrofes, seguir o fluxo do serviço de triagem com retorno garantido. Ultrassonografia não condiciona o início.Dose em mcg por dia, cálculo em mcg/kg/dia, apresentação e orientação do preceptor ou serviço de referência.
DemonstrarO cuidador mostra como triturar e dar todo o comprimido em pequeno volume na colher. Verificar quem dará nos dias úteis e como obter a próxima caixa.Plano escrito compreensível, sem colocar a dose numa mamadeira inteira.
Fechar o circuitoDesignar profissional para conferir o resultado venoso e contatar a família. Agendar controles iniciais de duas e quatro semanas e vínculo com o serviço de triagem.Data, local, responsável e forma de contato; retorno antecipado se houver problema com a administração ou sintomas.

Retorno preenchido de Lívia: investigar resposta insuficiente antes de aumentar a dose

PerguntaAchado do casoConsequência para o plano
Qual exame estamos interpretando?TSH 11,4 mUI/L e tiroxina livre 1,1 ng/dL aos três meses. Conferir referência e horário da coleta.Comparar os dois marcadores com o controle anterior e as metas, sem decidir por um número isolado.
Qual é a dose prescrita?50 mcg/dia; peso 5,4 kg; 50 ÷ 5,4 = 9,3 mcg/kg/dia.A queda relativa com o crescimento é uma hipótese; a conta não mede absorção nem adesão.
Qual é a dose efetivamente recebida?Comprimido na mamadeira de soja; sobras frequentes.Demonstrar e observar a administração em pequeno volume na colher; manter rotina consistente e evitar interferentes.
Quem executará a mudança?A avó durante o dia e a mãe nos demais períodos.Ambas recebem o mesmo plano, com dose e modo de dar escritos; checar acesso ao medicamento.
Qual foi a decisão supervisionada?Neste caso: 62,5 mcg/dia, por via oral, diariamente; cerca de 11,6 mcg/kg/dia.Reavaliar o efeito conjunto da nova dose e da administração corrigida; não dobrar empiricamente.
Quando saberemos se funcionou?TSH e tiroxina livre em quatro semanas, antes da dose do dia.Se a resposta continuar inadequada, revisar exposição real e outras causas; sintomas de excesso ou piora clínica antecipam a avaliação.

Dose média do pré-termo contra a dose por quilo da mesma frase. O item 8.2 do protocolo federal de 2021, copiando o Quadro 5 do documento da SBP de 2018, dá a dose-padrão de 10 a 15 mcg/kg (12 a 17 mcg/kg nas formas graves) e, na sequência, a dose média de 50 mcg/dia para o recém-nascido a termo e de 25 a 37,5 mcg/dia para o pré-termo. Conta: 25 mcg só cabem em 15 mcg/kg a partir de 1,67 kg, e 37,5 mcg só a partir de 2,5 kg; num pré-termo de 1,5 kg, 25 mcg são 16,7 mcg/kg e 37,5 mcg são 25 mcg/kg — 1,67 vez o teto de 15 e 1,47 vez o teto de 17 das formas graves. Os 50 mcg do a termo passam de 17 mcg/kg abaixo de 2,94 kg. Quem prescreve a média para o prematuro dá, em muitos pesos, dose de forma grave — ou acima dela — a uma criança que não tem forma grave. Esta apostila não usa a dose média: a dose sai do peso do dia, arredondada ao comprimido que a Rename tem.

Uma linha do manual técnico contra a linha de cima e contra o próprio texto. No manual de triagem neonatal biológica de 2016, o Quadro 4 diz que a dopamina dá teste falso-negativo para hipotireoidismo congênito, porque suprime o TSH, e que os corticoides suprimem TSH e tiroxina, com possibilidade de falso-negativo; o documento da SBP de 2018 diz o mesmo. Na página seguinte, a linha do hipotireoidismo congênito do Quadro 5 põe exposição ao iodo, dopamina e esteroides entre os falso-positivos, e dá como janela ideal da triagem de 12 a 72 horas — com coleta precoce listada, na mesma célula, como causa de falso-positivo, enquanto o texto do manual fixa o período ideal entre o 3º e o 5º dia. Conta do sentido: TSH suprimido pela droga cai abaixo do corte de 10 mUI/L, e o erro que isso produz é deixar passar o caso, não convocar à toa. Quem lê a linha errada aceita um pezinho normal de um prematuro em dopamina como tranquilizador; esta apostila segue o Quadro 4 e manda repetir depois da suspensão.

O mesmo TSH é normal numa régua e pede repetição na outra. O documento da SBP de 2018 dá como referência venosa entre 4 e 30 dias TSH abaixo de 9 mUI/L (Quadro 3, reproduzido no Quadro 2 do protocolo) e, no texto, manda seguir com nova dosagem em uma semana a criança com TSH confirmatório entre 6 e 10 e tiroxina normal. Conta: um TSH de 6,0 a 8,9 mUI/L com tiroxina livre normal é, pelo quadro, resultado normal que dispensa seguimento, e, pelo texto, resultado que obriga a repetir. Esta apostila adota a repetição, que é a leitura que não perde a criança cujo TSH ainda está subindo.

Duas publicações do Ministério em vigor dão idades diferentes para suspender o remédio e investigar a causa: 2 anos no manual técnico de 2016 e depois dos 3 anos no protocolo de 2021. A diferença é de um ano inteiro de tratamento, inteiro dentro da janela que o consenso da SBEM estende até os três anos. O desempate, a favor do protocolo, está nas divergências.

08

A conduta, hora a hora

O retorno de uma triagem alterada precisa terminar com um plano executado: família informada, sangue confirmatório colhido, decisão sobre tratamento registrada e responsável pelo próximo contato definido. Na primeira manhã, o objetivo é evitar atraso de reposição em quem precisa dela. Nas semanas seguintes, TSH, tiroxina livre, administração do comprimido e desenvolvimento mostram se esse plano está funcionando. O quadro de consulta abaixo reúne essa sequência; os marcos a aplicam à história de Lívia.

Lívia chega no 17º dia, com TSH muito elevado no papel-filtro e sinais clínicos. Nessa situação, colhem-se TSH e tiroxina livre venosos e inicia-se levotiroxina no mesmo atendimento, sem esperar o resultado ou a imagem. A dose é calculada com o peso atual e a apresentação disponível. O resultado venoso, identificado como anterior ao tratamento, será revisto assim que liberado; a família não fica responsável por interpretar sozinha o laudo ou decidir se continua o remédio.

O destino da criança também está escrito no protocolo: os Serviços de Referência em Triagem Neonatal são os responsáveis pela triagem, pelo tratamento e pelo acompanhamento do hipotireoidismo congênito, e é para eles que a unidade básica ou o ambulatório encaminham depois da primeira dose, não no lugar dela. A levotiroxina está no Componente Básico da Rename, e a família a retira na farmácia da rede, sem o trâmite do componente especializado. A portaria que aprova o protocolo torna obrigatório informar o responsável legal sobre riscos e efeitos adversos do tratamento, com o termo de esclarecimento que acompanha o documento; a conversa que ensina a dar o comprimido é o momento de cumprir essa obrigação.

Cuidadora demonstra a administração de levotiroxina em uma colher
Ilustração de conferência da administração de levotiroxina: a cuidadora demonstra uma pequena quantidade em colher, sem misturar o medicamento ao volume total de uma mamadeira. A cena não define dose ou volume; preparo e administração devem seguir a apresentação e as orientações do capítulo.
  1. Dia 17, 8h40 — a carta, a idade e a decisão de não esperar

    Você junta o que tem: TSH de 86 mUI/L no papel-filtro, mais que o dobro de 40; 17 dias de vida, três depois do prazo ideal de 14; e uma criança com icterícia prolongada, sonolência, sucção fraca, hérnia umbilical e fontanela posterior aumentada. Qualquer um desses dados, sozinho, bastaria para não esperar a quinta-feira. Juntos, dizem também que a forma provavelmente é grave, e isso vai pesar na escolha dentro da faixa de dose. Você comunica ao preceptor a decisão e o motivo — colher e começar agora — e mantém a consulta de quinta-feira na endocrinologia pediátrica como retorno, não como início. Antes de pegar o tubo, faz as perguntas que mudam a leitura do número: nasceu a termo, não ficou internada, não recebeu transfusão nem droga, a pele não foi limpa com iodo, a mãe não tem doença da tireoide e não tomou remédio na gestação, não há irmãos.

    Prescrição
    • Classificação registrada: TSH do papel-filtro 86 mUI/L (acima de 20 e de 40), 17 dias de vida, sinais clínicos presentes
    • Anamnese dirigida registrada: a termo, sem internação, transfusão, dopamina, corticoide ou antisséptico iodado; mãe sem doença tireoidiana e sem medicação na gestação
    • Decisão registrada: sangue venoso e primeira dose de levotiroxina nesta consulta
    • Consulta da endocrinologia pediátrica de quinta-feira mantida como primeiro retorno
  2. Dia 17, 9h — o sangue antes do comprimido

    A coleta vem antes de qualquer dose, porque é ela que vai provar a doença e dar o ponto de partida para os ajustes. O pedido leva a hora e a informação de que a criança ainda não tomou levotiroxina; se o laboratório do hospital dosar tireoglobulina, ela entra no mesmo pedido e ajuda depois a interpretar a imagem. A icterícia de 17 dias tem a própria investigação, pela régua de A hora antes da cor, e a coleta aproveita a mesma punção. No exame, você ausculta o coração com calma e olha o palato, porque uma em cada dez crianças com a doença tem outra malformação, e descobre na caderneta que a triagem auditiva não foi feita na maternidade.

    Prescrição
    • TSH e tiroxina livre séricos, coleta às 9h, com a anotação 'sem levotiroxina até a coleta'
    • Tireoglobulina no mesmo pedido, se disponível no laboratório do hospital
    • Bilirrubina total e frações pela icterícia prolongada, conforme A hora antes da cor
    • Ausculta cardíaca e inspeção do palato registradas; triagem auditiva agendada, porque não consta na caderneta
  3. Dia 17, 9h30 — a primeira dose na frente da mãe

    A conta vai escrita na receita: 3,45 kg vezes 10 a 15 mcg/kg dá 34,5 a 51,8 mcg. O que a Rename põe na farmácia da rede, no Componente Básico, são comprimidos de 12,5, 25, 37,5, 50 e 100 mcg, e dois cabem na faixa: 37,5 mcg, que dá 10,9 mcg/kg, e 50 mcg, que dá 14,5 mcg/kg. Com TSH acima de 40 e sinais instalados, você escolhe o topo, 50 mcg; a escolha pela gravidade presumida, antes de conhecer a tiroxina livre, é leitura desta apostila sobre a regra do protocolo, que reserva as doses maiores às formas mais graves. Você tritura o comprimido, mistura com um pouco de leite que Daiane ordenha ali mesmo, e ela dá na colher, com a sua mão ajudando. Enquanto isso você explica o que fazer amanhã e depois, e ela sai com a caixa na mão e o horário escrito.

    Prescrição
    • Levotiroxina sódica 50 mcg (14,5 mcg/kg para 3,45 kg): 1 comprimido por via oral, uma vez ao dia, sempre no mesmo horário
    • Comprimido triturado, misturado a um pouco de leite materno ordenhado ou de água e dado com colher; nunca dissolvido na mamadeira
    • Se vomitar logo depois da dose: repetir a mesma dose
    • Não dar no mesmo horário leite de soja, suplemento de ferro ou de cálcio; aleitamento materno mantido
    • Primeira dose administrada no consultório às 9h40; orientação por escrito e comprimidos retirados na farmácia antes da saída
    • Contato telefônico da família confirmado; a equipe liga quando o laudo chegar
  4. Dia 19 — o laudo chega

    O laboratório libera TSH acima de 100 mUI/L, o limite do método, e tiroxina livre de 0,31 ng/dL. TSH acima de 10 com tiroxina livre abaixo de 0,8 é hipotireoidismo primário confirmado, e a tiroxina tão baixa confirma a forma grave que a dose já presumia. Nada muda na prescrição. Você liga para Daiane e pergunta o que importa: as doses de terça e quarta foram dadas, na colher, no mesmo horário? Foram. A ultrassonografia cervical é pedida para esta semana, e o pedido deixa claro que o remédio não deve ser suspenso para o exame.

    Prescrição
    • Laudo: TSH acima de 100 mUI/L e tiroxina livre 0,31 ng/dL — hipotireoidismo congênito primário confirmado, forma grave
    • Levotiroxina 50 mcg mantida
    • Ultrassonografia cervical com Doppler solicitada, sem suspensão da levotiroxina
    • Adesão e modo de administração conferidos por telefone
  5. Dia 20, quinta-feira — a imagem e a causa

    Na endocrinologia pediátrica, a ultrassonografia não mostra tireoide na loja cervical. A tireoglobulina colhida no primeiro dia é mensurável. O serviço tem medicina nuclear, e a cintilografia com tecnécio cabe no prazo — três dias depois da primeira dose, antes que a supressão do TSH apague a captação —: há captação no alto do pescoço, acima da posição habitual. É ectopia, uma disgenesia, e a pergunta do transitório ou permanente está respondida no primeiro mês: Lívia vai tomar levotiroxina pela vida inteira e não entra no grupo que suspende o remédio aos 3 anos. Se a cintilografia não coubesse nesses dias, ninguém suspenderia a levotiroxina para fazê-la.

    Prescrição
    • Ultrassonografia: sem tireoide na loja cervical
    • Cintilografia com tecnécio três dias após a primeira dose: captação em posição alta, compatível com ectopia
    • Diagnóstico registrado: hipotireoidismo congênito primário por ectopia tireoidiana, permanente
    • Sem teste de suspensão previsto; seguimento conjunto com a endocrinologia pediátrica
  6. Dia 31 — duas semanas de tratamento

    Daiane conta que Lívia acorda sozinha para mamar, mama mais, e o intestino funciona todo dia; a icterícia está sumindo. Peso de 3.720 gramas. O controle, colhido antes da dose do dia, mostra tiroxina livre de 2,1 ng/dL e TSH de 26 mUI/L. A tentação de ler o TSH acima de 4 como dose insuficiente é o erro deste marco: a tiroxina livre já está na meta, e o TSH normaliza em duas a quatro semanas — ou mais, nas crianças que começaram com TSH muito alto, como Lívia. A dose fica. A triagem auditiva agendada no primeiro dia foi feita e passou.

    Prescrição
    • Controle antes da dose do dia: tiroxina livre 2,1 ng/dL e TSH 26 mUI/L
    • Levotiroxina 50 mcg mantida: tiroxina livre na meta e TSH em queda no tempo esperado
    • TSH e tiroxina livre com 4 semanas de tratamento
    • Resultado da triagem auditiva anotado: passa
  7. Dia 45 — quatro semanas, e o calendário

    Tiroxina livre de 1,9 ng/dL e TSH de 2,8 mUI/L: as duas metas alcançadas. O peso chegou a 4.100 gramas, e os mesmos 50 mcg já são 12,2 mcg/kg; nada se ajusta pela conta enquanto os exames estiverem na meta. A partir daqui o calendário do protocolo organiza os três primeiros anos — exames a cada 1 a 2 meses até os 6 meses, a cada 2 a 3 meses até os 3 anos —, e cada retorno tem também curva de peso, comprimento e perímetro cefálico e marcos do desenvolvimento, porque é neles que uma dose errada aparece primeiro fora do laboratório.

    Prescrição
    • Controle: tiroxina livre 1,9 ng/dL e TSH 2,8 mUI/L — dentro das metas
    • Dose mantida em 50 mcg (12,2 mcg/kg para 4,1 kg)
    • Próximo TSH e tiroxina livre com cerca de 2 meses e meio de vida
    • Peso, comprimento, perímetro cefálico e marcos registrados na caderneta a cada consulta
  8. 3 meses — o TSH que voltou a subir

    No retorno de três meses, Lívia pesa 5,4 kg: a prescrição de 50 mcg corresponde a 9,3 mcg/kg/dia, mas isso não informa quanto ela realmente recebe. TSH de 11,4 mUI/L e tiroxina livre de 1,1 ng/dL mostram resposta insuficiente para as metas usadas neste caso. Perguntada sem julgamento, a avó demonstra que mistura o comprimido numa mamadeira de fórmula de soja nem sempre terminada. Há perda de parte da dose e interferência na absorção. A equipe ensina a administração na colher, garante participação da avó e discute o ajuste com a endocrinologia. Neste caso, prescrevem-se 62,5 mcg/dia, com controle em quatro semanas e contato antecipado se aparecerem sinais de excesso. Corrigir a administração pode aumentar bastante a exposição: esse ajuste não é uma regra automática para todo TSH elevado, nem se faz apenas porque a dose por quilo caiu.

    Prescrição
    • Controle: TSH 11,4 mUI/L e tiroxina livre 1,1 ng/dL, fora das metas
    • Administração corrigida: pó do comprimido na colher com pouca água ou leite materno, antes da mamadeira e longe da fórmula de soja
    • Levotiroxina 62,5 mcg (um comprimido de 50 mcg e um de 12,5 mcg, triturados juntos): 11,6 mcg/kg para 5,4 kg
    • TSH e tiroxina livre em 4 semanas, antes da dose do dia
    • Orientação por escrito entregue a quem dá o remédio durante o dia
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Como saber se está funcionando

Reavaliar o hipotireoidismo congênito é colher TSH e tiroxina livre no calendário certo e ler os dois junto com a criança. O protocolo federal e a SBP fixam o calendário: com 2 e 4 semanas do início; entre 0 e 6 meses, a cada 1 a 2 meses; entre 6 meses e 3 anos, a cada 2 a 3 meses; depois dos 3 anos, a cada 6 a 12 meses; e sempre 4 semanas depois de cada mudança de dose, quando a regularidade for questionada ou quando um valor vier anormal. A coleta é feita antes da dose do dia ou, se ela já foi dada, pelo menos 4 horas depois.

As metas numéricas de 1,4 a 2,3 ng/dL para tiroxina livre e de 0,4 a 4 mUI/L para TSH são as referências do protocolo brasileiro usadas nos exemplos. Na prática, conferir a faixa do ensaio para a idade e interpretar a tendência: o consenso ENDO-ERN orienta TSH na referência etária e tiroxina livre na metade superior da faixa. Antes de modificar a receita, conferir coleta, dose efetivamente administrada, interferentes e crescimento. O controle programado após o ajuste costuma ocorrer em quatro a seis semanas; alteração clínica ou bioquímica relevante pode exigir avaliação mais cedo.

Depois dos 3 anos, os controles se espaçam para cada 6 a 12 meses até o fim do crescimento, e o consenso da SBEM pede acompanhamento até a idade adulta. Três situações pedem atenção a mais. A primeira é a mudança de comprimido: a diretriz europeia recomenda uma avaliação extra de quatro a seis semanas depois de qualquer mudança de dose ou de formulação e prefere comprimido de marca, e não genérico, nos lactentes e nas formas graves; quando a farmácia troca o fabricante, esta apostila antecipa o controle seguinte. A segunda é a disormonogênese, cuja glândula pode formar bócio e nódulos na infância e na adolescência — a mesma diretriz manda manter o TSH na parte baixa da faixa normal e acompanhar o volume com ultrassonografia periódica. A terceira é a adolescência, fase em que a diretriz aponta a falta de adesão como causa frequente de exames fora da meta, e a conversa sobre o comprimido passa a ser também com o próprio adolescente. Com dose certa e adesão, diz a SBP, crescimento e puberdade são essencialmente normais.

Tiroxina livreCom 2 e 4 semanas de tratamento e depois no calendário do protocolo; 4 semanas após cada mudança de dose

Esperado: Tiroxina livre na metade superior da referência para a idade e o método; os exemplos usam a meta de 1,4 a 2,3 ng/dL do protocolo brasileiro.

Se não melhora: Abaixo de 1,4: conferir coleta, modo de dar e regularidade; se estiverem certos, subir a dose e repetir em 4 semanas. Acima de 2,3 com TSH normal: não reduzir por um resultado isolado, como recomenda a diretriz europeia; acima com TSH suprimido ou com sinais de excesso: reduzir

TSHNo mesmo tubo da tiroxina livre, no mesmo calendário

Esperado: TSH dentro da referência etária; os exemplos usam 0,4 a 4 mUI/L. A queda do TSH pode ser mais lenta que a recuperação da tiroxina livre nas primeiras semanas.

Se não melhora: Alto na 2ª semana com tiroxina livre na meta: manter e repetir. Alto depois de 4 semanas: questionar subdose e irregularidade, como pede a SBP, e subir a dose. Abaixo de 0,4 com tiroxina livre alta: reduzir a dose

Modo de dar o comprimidoEm toda consulta, perguntando quem dá, como e em que horário

Esperado: Comprimido triturado, com pouca água ou leite materno, na colher, sempre no mesmo horário, fora da mamadeira e longe de soja, ferro e cálcio

Se não melhora: Observar uma administração e corrigir o problema com o cuidador. Discutir necessidade e magnitude de ajuste da dose considerando TSH, tiroxina livre e gravidade; prever maior absorção após a correção. Manter formulação confiável, sem substituição por solução manipulada de concentração incerta.

RegularidadeEm toda consulta; exame extra quando houver dúvida

Esperado: Nenhuma semana com doses esquecidas; comprimidos retirados na farmácia antes de acabar

Se não melhora: Perguntar de modo aberto sobre esquecimentos, divisão do cuidado, acesso à farmácia, vômitos, interferentes e mudança de formulação. Persistindo alteração apesar de uso comprovado, discutir malabsorção e outras causas com a endocrinologia. Uma dificuldade de adesão exige ajuda concreta; não estabelece por si só negligência.

CrescimentoEm toda consulta

Esperado: Peso, comprimento e perímetro cefálico mantendo o canal da curva

Se não melhora: Desaceleração: rever dose e adesão antes de qualquer outra hipótese e ler a curva pela régua de A linha, não o ponto

Desenvolvimento e audiçãoEm toda consulta de puericultura; audiometria repetida antes da idade escolar

Esperado: Marcos no tempo; triagem auditiva com resultado registrado

Se não melhora: Atraso: investigação e estimulação pela régua de O marco que ela tinha e perdeu, com revisão do histórico de doses e exames; falha auditiva: encaminhamento para avaliação audiológica

Sinais de excesso de hormônioEm toda consulta, e sempre que a dose subir

Esperado: Sem agitação com tremor e sem taquicardia

Se não melhora: Com tiroxina livre alta e TSH suprimido: reduzir a dose; lembrar que o excesso prolongado se associa a craniossinostose e a alterações de temperamento

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Onde o erro machuca

Esperar o laudo venoso, a ultrassonografia ou a consulta especializada para dar a primeira dose.

O dano: Cada dia sem hormônio depois da segunda semana é tempo de cérebro perdido nas formas graves, e nenhum exame de causa muda a decisão de tratar.

Como pegar a tempo: Colher e dar na mesma consulta; a consulta especializada é retorno, a imagem vem depois e o laudo decide se o comprimido continua.

Prescrever a dose média — 50 mcg para todo recém-nascido, 25 a 37,5 mcg para todo prematuro.

O dano: Num pré-termo de 1,9 kg, 37,5 mcg são 19,7 mcg/kg; num a termo de 2,6 kg, 50 mcg são 19,2 mcg/kg — acima até da faixa das formas graves, com o excesso prolongado associado a craniossinostose.

Como pegar a tempo: Escrever peso e conta na receita: mcg/kg primeiro, comprimido da Rename depois, e a dose final em mcg/kg ao lado.

Dissolver o comprimido na mamadeira, dar junto da fórmula de soja, do ferro ou do cálcio, ou trocar por solução manipulada.

O dano: A criança absorve menos hormônio do que foi prescrito, o exame sobe, a dose é aumentada à toa e volta a errar quando a família corrige por conta própria.

Como pegar a tempo: Mostrar e fazer junto: pó do comprimido na colher com pouca água ou leite materno, sempre no mesmo horário; a diretriz europeia se opõe a soluções e suspensões manipuladas.

Subir a dose porque o TSH ainda está alto na segunda semana com a tiroxina livre na meta, ou baixar por uma tiroxina livre alta isolada com TSH normal.

O dano: Oscilação de dose no período em que o cérebro mais precisa de estabilidade, com risco de excesso — o TSH normaliza em duas a quatro semanas e demora mais quando começou muito alto.

Como pegar a tempo: Nas primeiras semanas a tiroxina livre guia a dose; reduzir só com TSH suprimido ou sinais de excesso; toda mudança se reavalia em quatro semanas.

Ler só o TSH: aceitar como exclusão o TSH normal do prematuro em dopamina ou corticoide, ou o pezinho normal de uma criança com sinais — e dar levotiroxina a quem tem tiroxina livre baixa com TSH que não sobe.

O dano: O hipotireoidismo tardio ou central passa até os sinais tardios; e, no central com insuficiência adrenal, a tiroxina dada antes do corticoide pode precipitar uma crise adrenal.

Como pegar a tempo: Amostra depois da suspensão da droga e com um mês ou na alta; sinal clínico pede TSH e tiroxina livre venosos no dia; tiroxina livre baixa com TSH baixo ou normal espera o cortisol e a endocrinologia pediátrica.

Suspender a levotiroxina antes dos 3 anos para ver se a criança precisa — ou nunca reavaliar quem preenche os critérios de forma transitória.

O dano: No primeiro caso, meses de cérebro sem hormônio dentro da janela crítica; no segundo, uma criança que tomaria remédio e faria exames pela vida inteira sem precisar.

Como pegar a tempo: Suspender só depois dos 3 anos e só com glândula tópica e normal, quadro inicial duvidoso ou dose que não subiu, seguindo o calendário de TSH da tabela de reavaliação.

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O que dizer ao paciente e à família

Metade do tratamento do hipotireoidismo congênito acontece fora do consultório, na mão de quem dá o comprimido todos os dias, e a conversa da primeira consulta decide se essa mão vai acertar. A diretriz europeia recomenda que o resultado alterado seja comunicado por um profissional experiente, pessoalmente ou por telefone, e complementado com informação escrita para a família — o que no ambulatório brasileiro significa a receita com a conta, o horário e o modo de dar, escritos numa folha que a avó também consegue ler.

Na sala há quase sempre mais de uma pessoa, e cada uma leva uma dúvida diferente: a mãe quer saber se a filha vai ser normal, a avó quer saber se o remédio vai viciar ou fazer mal, e alguém quase sempre acha que o bebê está bem demais para estar doente. As falas abaixo são com Daiane e com a avó de Lívia. Quando a família recusa o tratamento de forma persistente, apesar da explicação e da busca ativa, a criança fica exposta a um dano evitável, e o caminho da rede de proteção é o de Violência e maus-tratos infantis, em Emergências Pediátricas.

Na chegada, antes de qualquer exame — por que a quinta-feira é tarde

"Daiane, o teste do pezinho da Lívia mostrou que a tireoide dela pode não estar produzindo um hormônio que o cérebro de um bebê usa todos os dias para se desenvolver. Por isso ela não vai esperar quinta-feira. Hoje a gente colhe um exame de sangue para confirmar e, logo depois, ela já toma o primeiro comprimido aqui, na sua frente. Se o exame de sangue vier normal, a equipe te liga e o remédio para."

Não diga: "Deve ser erro do exame, ela está ótima, volta na quinta com o especialista." A frase transforma o único exame que achou a doença em suspeito e empurra o começo do tratamento para depois do prazo.

Quando a mãe pergunta se a filha vai ter um problema na cabeça

"Essa é a pergunta mais importante que você podia fazer. Quando esse hormônio falta e ninguém trata, o desenvolvimento fica prejudicado. Quando o remédio começa cedo e é dado todo dia, as crianças crescem, aprendem e vão para a escola como as outras. O que protege a Lívia não é sorte: é o comprimido de hoje e o de todos os dias."

Não diga: "Imagina, isso não é nada." Tranquilizar negando a doença tira da família o motivo para dar o comprimido todos os dias, que é o que de fato garante a resposta que ela quer ouvir.

Ensinando a dar o comprimido, com a mãe fazendo junto

"Vou mostrar e depois você faz. Esmaga o comprimido inteiro na colher até virar pó, põe um pouquinho do seu leite tirado do peito ou de água, mistura e dá tudo na boca dela, com a colher. Nunca na mamadeira: se sobrar leite, sobra remédio. Se ela vomitar logo depois, dá outro igual. E todo dia no mesmo horário, sem leite de soja, sem vitamina com ferro e sem cálcio perto dessa hora."

Não diga: "Dá o comprimidinho de manhã." Sem demonstração, a família dissolve na mamadeira, parte ao meio para facilitar ou dá só nos dias em que lembra.

Quando a mãe pergunta se é para sempre, depois da cintilografia

"No caso da Lívia, é. Os exames mostraram que a tireoide dela não chegou ao lugar certo no pescoço e ficou mais para cima. Ela vai precisar desse comprimido a vida inteira, do jeito que outras pessoas precisam de óculos. É um remédio que a farmácia do SUS fornece, e com ele a vida dela é normal: escola, esporte, tudo. O que ela não pode é ficar sem."

Não diga: "Aos 3 anos a gente tira e vê." Prometer suspensão a quem tem ectopia cria uma expectativa falsa e faz a família parar o remédio por conta própria quando a criança parece ótima.

Quando a mãe pergunta se pode continuar amamentando

"Pode e deve. O remédio não atrapalha a amamentação, e o seu leite é justamente uma das coisas que podem ir junto com o pó do comprimido na colher. O que não pode ir junto é leite de soja, remédio de ferro ou cálcio, porque atrapalham o corpo dela a aproveitar o comprimido — esses ficam para outro horário."

Não diga: "Melhor passar para a fórmula, para controlar quanto ela mama." O protocolo manda manter o aleitamento materno, e trocar o peito pela mamadeira não melhora em nada a dose.

No retorno de 3 meses, com a avó que dá o remédio durante o dia

"A senhora cuida dela o dia inteiro, então a senhora é a pessoa mais importante deste tratamento. O exame mostrou que o hormônio caiu, e não é culpa de ninguém: o comprimido dissolvido na mamadeira fica no leite que sobra e no leite de soja, e não chega todo nela. A partir de hoje ele vai na colher, antes da mamadeira. Eu vou aumentar um pouquinho a dose, e daqui a um mês a gente confere de novo."

Não diga: "A senhora estava dando errado." A culpa faz a família esconder o que acontece em casa — e é o que acontece em casa que explica o exame.

Quando a família quer parar porque a criança está ótima

"Ela está ótima porque toma o remédio. Se parar, o hormônio cai devagar, sem avisar, e o que se perde nessa idade não volta depois. Se um dia faltar o remédio na farmácia, ou vocês tiverem qualquer dúvida, liguem para cá antes de parar — a gente resolve junto."

Não diga: "Tudo bem, vamos ver como ela fica." Aceitar a suspensão dentro da janela crítica é a forma mais silenciosa de perder o que o tratamento precoce ganhou.

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Onde bons médicos discordam

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que pesa na hora de decidir para o seu paciente.

Com que idade suspender a levotiroxina para saber se o hipotireoidismo era transitório?

Depois dos 3 anos — protocolo federal (2021), com a SBP (2018) e a SBEM (2013)

O protocolo posterga a determinação da causa e a suspensão do remédio para depois dos 3 anos, em quem tem suspeita de forma transitória: sem etiologia definida pela imagem, sobretudo com tireoide normal à ultrassonografia, com quadro inicial duvidoso ou sem aumento de dose no seguimento. Suspende-se, espera-se um mês e fazem-se três TSH com intervalo mensal; abaixo de 5 mUI/L nas três confirma o transitório. A SBP completa: TSH acima de 9,9 confirma disormonogênese, e entre 5 e 9,9 pede TSH mensal até definir. O consenso da SBEM recomenda a mesma idade.

Ministério da Saúde, PCDT do Hipotireoidismo Congênito, Portaria Conjunta nº 05/2021, itens 4 e 9; SBP, Documento Científico nº 5, 2018; SBEM, Arq Bras Endocrinol Metab 2013;57(3):184-92, recomendação 2

Depois dos 2 anos — manual técnico de triagem neonatal biológica do Ministério (2016)

Na seção do hipotireoidismo congênito, o manual manda, quando a espera pelos exames de etiologia atrasaria o tratamento, fazê-los só após os dois anos de vida, quando a medicação pode ser suspensa temporariamente sem maiores prejuízos.

Ministério da Saúde, Triagem neonatal biológica: manual técnico, 1ª ed., 2016

Depois dos 2 a 3 anos, e já aos 6 meses em casos selecionados — diretriz europeia (2021)

Reavalia depois dos 2 a 3 anos, sobretudo com glândula tópica: retira o remédio em 4 a 6 semanas ou suspende, e dosa tiroxina livre e TSH após 4 semanas; TSH de 10 ou mais confirma o hipotireoidismo primário, e entre o limite superior e 10 segue sem remédio e repete em 3 a 4 semanas. Com glândula tópica e dose abaixo de 3 mcg/kg/dia aos 6 meses, admite reavaliar já nessa idade.

van Trotsenburg P et al. Thyroid. 2021;31(3):387-419

Como decidir

Esta apostila adota o protocolo federal de 2021 pelo primeiro degrau da régua, o escopo: ele foi escrito para a criança com hipotireoidismo congênito, e o manual, para o programa de triagem; pelo segundo, a data, o protocolo também é o mais novo e cita o manual entre as suas referências. Para a criança à sua frente: não suspenda antes dos 3 anos; aos 3, suspenda só em quem preenche os critérios de forma transitória, espere um mês e siga o calendário de três TSH mensais, lendo a faixa de 5 a 9,9 pela SBP. A reavaliação aos 6 meses da diretriz europeia não é régua brasileira e não é a que esta apostila ensina.

A primeira dose vai no dia da coleta venosa ou espera o laudo?

Colher e começar — protocolo federal (2021) e SBP (2018)

O protocolo manda iniciar o tratamento o mais precocemente possível, idealmente nos primeiros 14 dias de vida, após a coleta de sangue para os exames diagnósticos confirmatórios, e com doses elevadas; o quadro de tratamento da SBP usa a mesma formulação. O evento que libera o comprimido, nas duas redações, é a coleta.

Ministério da Saúde, PCDT do Hipotireoidismo Congênito, Portaria Conjunta nº 05/2021, item 8; SBP, Documento Científico nº 5, 2018, Quadro 5

Esperar o laudo quando ele está disponível — diretriz europeia (2021)

Com tiroxina livre baixa e TSH claramente alto na confirmação, o tratamento começa imediatamente; onde o exame confirmatório não está prontamente disponível, começa-se sem aguardar o resultado quando o TSH da triagem é de 40 mUI/L ou mais, valor que ela considera muito sugestivo de hipotireoidismo primário moderado a grave.

van Trotsenburg P et al. Thyroid. 2021;31(3):387-419, seção 2.1

Como decidir

Esta apostila adota o protocolo federal: a criança convocada por TSH do papel-filtro acima de 20 sai da consulta com o sangue colhido e a primeira dose tomada, e o laudo venoso decide se o comprimido continua. Pesa a natureza do documento — norma brasileira contra diretriz de sociedade estrangeira — e pesa a assimetria do erro: alguns dias de levotiroxina numa criança sem a doença custam menos que alguns dias sem hormônio numa criança com ela, sobretudo quando o laudo não sai durante a consulta. A leitura de que a coleta, e não o laudo, é o marco do início é desta apostila. A exceção é a criança com tiroxina livre baixa e TSH que não sobe, em quem a levotiroxina espera a insuficiência adrenal ser afastada.

Qual TSH mirar durante o tratamento nos três primeiros anos?

TSH entre 0,4 e 4 mUI/L — protocolo federal (2021) e SBP (2018)

Nos três primeiros anos, e fundamentalmente nos seis primeiros meses, manter a tiroxina livre entre 1,4 e 2,3 ng/dL, ou a total entre 10 e 16 µg/dL, e o TSH entre 0,4 e 4 mUI/L, assegurando crescimento e desenvolvimento adequados.

Ministério da Saúde, PCDT do Hipotireoidismo Congênito, 2021, Quadro 4; SBP, Documento Científico nº 5, 2018, Quadro 8

TSH abaixo de 5, idealmente entre 0,5 e 2,0 mUI/L — consenso da SBEM (2013)

A tabela de tratamento e monitoramento do consenso, adaptada de LaFranchi, mantém a tiroxina livre na faixa de 1,4 a 2,3 ng/dL e o TSH menor que 5, idealmente entre 0,5 e 2,0.

SBEM, Arq Bras Endocrinol Metab 2013;57(3):184-92, Tabela 3

Como decidir

Esta apostila adota a meta do protocolo de 2021 pelo segundo degrau da régua, a data: o escopo é o mesmo, e o protocolo é oito anos mais novo, além de ser norma. A diferença aparece na criança com tiroxina livre na meta e TSH entre 2 e 4: pela SBEM ela estaria fora do ideal, e a tentação seria subir a dose; pelo protocolo ela está bem, e a dose fica. Suba a dose quando o TSH passar de 4 ou a tiroxina livre cair abaixo de 1,4 — sempre depois de conferir como o comprimido está sendo dado.

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O raciocínio, em voz alta

Bernardo Avelar nasceu com 30 semanas e 1.310 gramas, filho de Rosana, numa maternidade com UTI neonatal. Precisou de ventilação nos primeiros dias e recebeu dopamina do primeiro ao terceiro dia de vida. A primeira amostra do teste do pezinho, colhida na admissão, e a segunda, com 60 horas, ainda em uso de dopamina, vieram com TSH de 3,1 e 4,0 mUI/L. A terceira amostra, com 28 dias, voltou com TSH de 34 mUI/L no papel-filtro. Com 30 dias de vida ele pesa 1.880 gramas, está estável, já suga ao seio e completa a dieta por sonda, sem sinais claros de hipotireoidismo. Você é o interno da UTI e atende o telefonema do laboratório.

  1. o que penso agora

    Um TSH de 34 mUI/L na terceira amostra de um prematuro de 30 semanas é exatamente o resultado que o esquema seriado existe para achar, e ele passa de 20. As duas amostras normais não o contradizem: a primeira foi colhida com o eixo imaturo, e a segunda, sob dopamina, que suprime o TSH e produz resultado falsamente normal. A elevação tardia, entre a segunda e a sexta semana, é o padrão esperado do prematuro.

  2. o que colho e o que dou

    Hoje, antes de qualquer comprimido, TSH e tiroxina livre venosos, com a hora e a anotação de que a levotiroxina não começou. Pelo protocolo que esta apostila adota, a primeira dose vai depois da coleta, no mesmo turno, e o laudo decide se ela continua. Se a tiroxina livre viesse baixa com TSH normal, a conduta seria outra — não tratar a imaturidade —, mas com TSH alto no papel-filtro esse não é o cenário.

  3. a dose, com a conta

    1,88 kg vezes 10 a 15 mcg/kg dá 18,8 a 28,2 mcg. Entre os comprimidos da Rename — 12,5, 25, 37,5, 50 e 100 mcg —, o de 25 mcg dá 13,3 mcg/kg, dentro da faixa. A dose média de 25 a 37,5 mcg que o protocolo cita para o pré-termo não entra na receita: 37,5 mcg em 1,88 kg seriam 19,9 mcg/kg, acima até dos 12 a 17 mcg/kg reservados às formas graves.

  4. como o comprimido chega nele

    Comprimido de 25 mcg triturado, misturado a um pouco de leite materno ordenhado e dado por via oral, uma vez ao dia, no mesmo horário, separado do suplemento de ferro e sem ser diluído no volume da dieta. Rosana aprende a fazer isso na UTI, dias antes da alta, porque é ela quem vai dar em casa.

  5. o laudo

    Dois dias depois: TSH de 41 mUI/L e tiroxina livre de 0,64 ng/dL. TSH acima de 10 com tiroxina livre abaixo de 0,8 confirma hipotireoidismo primário. A dose fica. A ultrassonografia cervical é pedida sem suspender o remédio; se mostrar glândula tópica e normal, Bernardo entra no grupo que será reavaliado depois dos 3 anos, porque o manual técnico descreve no prematuro uma elevação tardia do TSH que pode ser transitória.

  6. o seguimento

    TSH e tiroxina livre com 2 e 4 semanas de tratamento, antes da dose do dia, e depois o calendário do protocolo. Com o ganho de peso rápido do prematuro, os mesmos 25 mcg caem de 13,3 para cerca de 8 mcg/kg quando ele chegar a 3 kg — e quem diz se a dose precisa subir é o exame, não a conta por quilo. A curva, os marcos e a audição entram em cada retorno, com a idade corrigida.

  7. se a via oral parar

    Se Bernardo precisar ficar em jejum por dias, por enterocolite ou cirurgia, a diretriz europeia limita a dose intravenosa, quando ela for necessária, a no máximo 80% da dose oral, ajustada depois por tiroxina livre e TSH. A Rename só tem levotiroxina em comprimido, e a apresentação injetável depende da farmácia do hospital e da endocrinologia pediátrica. Um jejum de horas não pede troca de via: com meia-vida de cerca de sete dias, a dose do dia pode esperar a dieta voltar — leitura desta apostila a partir da farmacologia descrita no protocolo.

  8. o que o caso ensina

    Três lições. Pezinho normal colhido sob dopamina não exclui nada: a amostra tardia existe para isso. A dose sai do peso do dia, arredondada ao comprimido que existe, e não da dose média do protocolo. E a forma do prematuro é candidata natural à reavaliação depois dos 3 anos, desde que a imagem não mostre disgenesia.

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Faça você

Pietro Lobato tem 3 anos e 2 meses e vem com a avó, dona Norberta, que cuida dele desde que a mãe voltou a trabalhar. Nasceu a termo com 3.150 gramas; o pezinho veio com TSH de 24 mUI/L no papel-filtro, e na convocação, com 12 dias, recebeu a primeira dose de levotiroxina na mesma consulta da coleta. O laudo venoso veio com TSH de 16 mUI/L e tiroxina livre de 1,3 ng/dL, e o comprimido foi mantido. A ultrassonografia do primeiro mês mostrou tireoide tópica e de tamanho normal. A dose nunca precisou subir: continua em 25 mcg por dia, hoje 1,8 mcg/kg para 14 kg. Os últimos exames, há quatro meses, trouxeram TSH de 1,9 mUI/L e tiroxina livre de 1,5 ng/dL. Ele cresce no canal da curva e fala frases.

  1. decida se ele entra na reavaliação e diga por quê

    Confira os critérios de suspeita de forma transitória do protocolo federal e a idade mínima que esta apostila adota.

  2. escreva o plano de suspensão e a leitura de cada resultado

    Diga quando colher, quantas vezes, o que fazer com TSH abaixo de 5, entre 5 e 9,9 e acima de 9,9, e o que a avó precisa saber para a suspensão não virar abandono.

Ver como fecharíamos

Pietro preenche os três critérios do protocolo de 2021 — glândula tópica e normal à ultrassonografia, quadro inicial duvidoso, com TSH venoso de 16 e tiroxina livre normal, e nenhuma necessidade de aumento de dose — e já passou dos 3 anos: entra na reavaliação. Plano: suspender a levotiroxina hoje; um mês depois, TSH (com tiroxina livre, que ajuda a leitura), repetido mais duas vezes com intervalo mensal. TSH abaixo de 5 mUI/L nas três medidas confirma hipotireoidismo congênito transitório: alta do remédio, com puericultura mantida e nova dosagem diante de qualquer sinal. TSH acima de 9,9 confirma disormonogênese, e a levotiroxina volta, com a dose definida junto com a endocrinologia pediátrica. TSH entre 5 e 9,9 pede dosagem mensal até definir, como descreve a SBP. Dona Norberta sai com as datas das coletas escritas e com a instrução de antecipar o exame se o neto ficar sonolento, constipado ou mais lento — suspender é um teste com calendário, não o fim do acompanhamento.

Gabarito da questão de abertura
Comentário

Com TSH do papel-filtro acima de 20 — e acima de 40 —, 18 dias de vida e sinais clínicos, cada dia sem hormônio conta. O protocolo federal manda iniciar o tratamento o mais precocemente possível, idealmente até o 14º dia, após a coleta de sangue para os exames confirmatórios: colhem-se TSH e tiroxina livre venosos e a primeira dose é dada na mesma consulta, e o laudo decide se o comprimido continua. Nenhum exame de imagem adia o tratamento, e repetir o pezinho é conduta do resultado limítrofe.

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Teste-se

Cada uma é um ponto de bifurcação: o que você faz agora. O comentário abre a cada decisão ou só no fim — você escolhe.

Sorteando as questões…
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Plano de revisão

Em 7 dias

Sem consultar o capítulo, responda em voz alta: (1) o que o laboratório pede para TSH do papel-filtro abaixo de 10, de 10 a 20 e acima de 20, e o que 40 acrescenta; (2) por que o sangue venoso vem antes da primeira dose e por que a primeira dose não espera o laudo; (3) a faixa em mcg/kg e o comprimido da Rename para uma criança de 3,2 kg, com a dose por quilo que ele dá; (4) as metas de tiroxina livre e TSH e o calendário dos exames até os 3 anos; (5) os três critérios que levam à suspensão depois dos 3 anos e o que significam TSH abaixo de 5, entre 5 e 9,9 e acima de 9,9.

Em 30 dias

Simule uma consulta completa: explique à família o TSH de 60 mUI/L no papel-filtro de um recém-nascido de 16 dias; organize coleta venosa, primeira dose calculada pelo peso e retorno do resultado. Depois, use o quadro de Lívia para demonstrar como investigaria o TSH que voltou a subir, sem culpar o cuidador nem aumentar a dose apenas pela conta por quilo. Por fim, discuta um recém-nascido com hipoglicemia, micropênis e tiroxina livre baixa com TSH normal: qual equipe acionar e por que o eixo adrenal precisa ser avaliado ou protegido antes da levotiroxina?

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Agora atenda

Agora atenda: recém-nascido de 16 dias trazido pela mãe ao ambulatório com a carta do laboratório de triagem neonatal — TSH de 52 mUI/L no papel-filtro, colhido no quarto dia. A mãe acha que o bebê está bem, mas conta que ele dorme muito e ainda está amarelo. Colha a história que muda a leitura do resultado, examine procurando os sinais e as malformações associadas, decida o que colher e se o comprimido começa hoje, calcule a dose com o comprimido que a farmácia do SUS tem, ensine a mãe a dar e explique o que acontece se o exame de sangue vier normal.

Hipotireoidismo congênito – O pezinho voltou alterado — Internato | OsceLabs