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Pancreatite aguda
A prova quase nunca pergunta se é pancreatite — ela entrega o diagnóstico e cobra a gravidade, as primeiras 48 horas e quando a vesícula sai. É exatamente onde o gabarito mudou nos últimos anos.
Revista FBG (Federação Brasileira de Gastroenterologia) — Gonçalves RN. Manejo inicial da pancreatite aguda (2025)
ABCD — Arquivos Brasileiros de Cirurgia Digestiva. Entendendo o consenso internacional para pancreatite aguda: classificação de Atlanta 2012 (SciELO)
WSES — 2019 guidelines for the management of severe acute pancreatitis (World Journal of Emergency Surgery, 2019;14:27)
ACG — Clinical Guideline: Management of Acute Pancreatitis (American Journal of Gastroenterology, março de 2024)
Atlanta 2012 — Banks PA et al. Classification of acute pancreatitis 2012: revision of the Atlanta classification and definitions by international consensus (Gut, 2013;62:102-111)
IAP/APA — Evidence-based guidelines for the management of acute pancreatitis (Pancreatology, 2013;13:e1-e15)
Ensaios que sustentam as mudanças de conduta: WATERFALL (NEJM, 2022 — hidratação), APEC (Lancet, 2020 — CPRE), PONCHO (Lancet, 2015 — colecistectomia) e POINTER (NEJM, 2021 — momento da drenagem)
StatPearls (NCBI Bookshelf) — Ranson Criteria
Sabiston — Tratado de Cirurgia; Schwartz — Princípios de Cirurgia
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Paciente com pancreatite aguda necrosante realiza tomografia de abdome com contraste na 5ª semana de evolução. O exame demonstra, na topografia da loja pancreática, coleção heterogênea contendo conteúdo líquido e não líquido, com parede bem definida. Qual é a denominação correta desse achado segundo a classificação de Atlanta revisada (2012)?
Como esse tema cai
Pancreatite aguda rende questão porque tem quatro camadas que as bancas cobram separadamente: fechar o diagnóstico (dois de três critérios), definir a causa (biliar ou alcoólica em cerca de 80% dos casos), classificar a gravidade (Atlanta 2012) e conduzir as primeiras 48 horas. A vinheta quase sempre entrega a pancreatite pronta e pergunta o passo seguinte.
Duas condutas mudaram de gabarito na última década e ainda convivem em provas do mesmo ano: a velocidade da hidratação e a indicação de CPRE. Quem estudou por material antigo marca 'hidratação vigorosa' e 'CPRE porque é grave' — e erra em prova recente. Aqui separamos o que é consenso do que é disputa, com a fonte de cada lado.
E há um ponto que sozinho decide questão: pancreatite biliar leve exige colecistectomia na mesma internação. É a recomendação com maior grau de evidência do tema e a armadilha mais frequente, porque a alternativa errada — agendar para seis semanas — soa prudente.
O que muda decisão
Fechar o diagnóstico: dois de três, e o que a enzima não diz
O diagnóstico exige dois dos três critérios: dor abdominal compatível (epigástrica, de início agudo, contínua, com irradiação em faixa para o dorso); amilase ou lipase acima de três vezes o limite superior da normalidade; achado característico em imagem. É 'dois de três', não 'os três'. Na prática e na prova, dor típica somada a enzima elevada fecha o caso e dispensa tomografia de entrada — critério do IAP/APA (2013), reproduzido pelo ACG (2024) e pela WSES (2019).
A lipase é preferida à amilase: sobe mais tarde, dura mais e é mais específica — a amilase também se eleva em parotidite, gravidez ectópica, perfuração de víscera oca e insuficiência renal. O ponto que a banca explora: o VALOR da enzima não guarda relação com a gravidade, e dosagem seriada não serve para acompanhar a evolução. Desconfie da alternativa que pede enzima de controle.
Tomografia com contraste não é exame de admissão. Ela entra em três situações: dúvida diagnóstica, deterioração clínica ou ausência de melhora após 48 a 72 horas. Quando indicada, o momento ótimo da primeira TC é 72 a 96 horas do início dos sintomas (WSES 2019, grau 1C); antes disso a necrose ainda não se demarcou e o exame subestima a extensão. O que todo paciente recebe na admissão é ultrassonografia de abdome, atrás de cálculo, lama biliar e dilatação de via biliar.
Biliar x alcoólica: como a vinheta entrega a etiologia
Cálculo biliar e álcool respondem por cerca de 80% dos casos. A etiologia não é detalhe acadêmico: ela muda a conduta cirúrgica (a biliar exige colecistectomia; a alcoólica, não) e muda até os pontos de corte do escore de Ranson.
A pista laboratorial mais forte para origem biliar é a elevação de ALT (TGP) acima de três vezes o limite superior — alto valor preditivo positivo. Some o perfil clínico: mulher, mais velha, sobrepeso, dor após refeição gordurosa e ultrassonografia com colelitíase. A alcoólica costuma vir em homem mais jovem, com libação recente ou consumo crônico, padrão AST maior que ALT e, não raro, episódios prévios.
A terceira causa é a hipertrigliceridemia, e a banca sinaliza com um número: triglicerídeos acima de 1.000 mg/dL — abaixo disso, dificilmente é a causa. Complete a lista com o que costuma aparecer como distrator: pós-CPRE (a iatrogênica mais frequente), medicamentos (azatioprina, valproato, didanosina, estrogênio), hipercalcemia, trauma abdominal, pancreatite autoimune e tumor periampular — este último obrigatório na cabeça diante de paciente mais velho com pancreatite dita idiopática.
Quando a ultrassonografia inicial não mostra cálculo e nenhuma outra causa aparece, o rótulo 'idiopática' é provisório: o ACG (2024) recomenda repetir a ultrassonografia e, persistindo a dúvida, seguir para colangiorressonância ou ecoendoscopia. A microlitíase é a explicação mais comum das idiopáticas e escapa no primeiro exame.

Atlanta 2012: quem define gravidade é a falência orgânica
A classificação de Atlanta revisada (2012) organizou o tema em três eixos: gravidade, fase e morfologia. Na gravidade, o divisor de águas é a falência orgânica e, sobretudo, a sua DURAÇÃO.
Os três degraus estão nos cartões adiante. O que decide entre eles é uma pergunta só: houve falência orgânica e, se houve, durou mais de 48 horas? Complicação local ou descompensação de comorbidade também tiram o caso do degrau leve, mesmo sem falência alguma.
A falência orgânica é medida pelo escore de Marshall modificado, que avalia exatamente três sistemas: respiratório (relação PaO₂/FiO₂), renal (creatinina sérica) e cardiovascular (pressão arterial sistólica e resposta a volume). Pontuação igual ou maior que 2 em qualquer um deles caracteriza falência daquele sistema. Note o que NÃO está no Marshall: não há item hepático, hematológico nem neurológico. É pegadinha recorrente.
Daí uma consequência que cai em prova: a classificação de Atlanta só se fecha de forma retrospectiva, depois de 48 horas — na admissão ninguém sabe se a falência será transitória ou persistente. É por isso que os escores preditivos continuam existindo, cumprindo outra função, a de triagem precoce.
Nos outros dois eixos: a fase precoce (primeira a segunda semana) tem a mortalidade dirigida pela resposta inflamatória sistêmica e pela falência orgânica; a fase tardia, pela infecção da necrose. Morfologicamente, 80% a 90% dos casos são pancreatite intersticial edematosa (realce homogêneo na TC) e 5% a 10% são necrosantes (áreas sem realce).
Coleções: o relógio de quatro semanas
A nomenclatura das coleções parece decorativa e é das mais rentáveis, porque a resposta sai de uma tabela de duas entradas: TEM necrose ou não, e ANTES ou DEPOIS de quatro semanas.
Sem necrose, ou seja, na pancreatite intersticial edematosa: antes de 4 semanas é coleção fluida peripancreática aguda — densidade líquida homogênea, sem parede definida, em geral estéril e reabsorvida sozinha. Depois de 4 semanas, se persistir e ganhar parede bem definida, é pseudocisto.
Com necrose: antes de 4 semanas é coleção necrótica aguda — conteúdo heterogêneo, com componente sólido, sem parede perceptível. Depois de 4 semanas, com parede madura, é necrose encapsulada (walled-off necrosis, WON).
Duas consequências práticas. Pseudocisto verdadeiro é raro na pancreatite necrosante: quase tudo o que se chamava de 'pseudocisto com debris' é, hoje, WON. E o termo 'abscesso pancreático', herdado da Atlanta de 1992, foi abandonado — quando aparece entre as alternativas de uma questão de nomenclatura, é distrator.
Coleção assintomática, mesmo volumosa, não se drena. Drena-se coleção infectada ou sintomática (obstrução gástrica ou biliar, dor persistente) — e o momento depende da parede: antes das 4 semanas a coleção ainda não tem parede que sustente o procedimento.
Ranson e BISAP: para que servem e para que não servem
Ranson tem 11 critérios na versão original (pancreatite não biliar, tipicamente alcoólica) e 10 na versão modificada para pancreatite biliar. Cinco são colhidos na admissão e o restante às 48 horas. Os cinco da admissão são os mesmos parâmetros nas duas versões — idade, leucócitos, glicemia, LDH e AST — mudam apenas os pontos de corte.
A tabela adiante traz os valores. Vale fixar dois padrões: na versão biliar todos os cortes de admissão são MAIS ALTOS, exceto a AST, que segue em 250 UI/L; e a PaO₂ simplesmente não faz parte da versão biliar.
A limitação estrutural do Ranson é o motivo de ele estar perdendo espaço: só fecha em 48 horas, e na sala de emergência ele está incompleto. Por isso a WSES (2019) aponta o BISAP como o mais aplicável na prática diária (grau 1B): cinco variáveis disponíveis nas primeiras 24 horas — ureia (BUN) acima de 25 mg/dL, alteração do estado mental, SIRS, idade acima de 60 anos e derrame pleural. BISAP igual ou maior que 2 sinaliza risco. Já o ACG (2024) não elege escore algum: nenhuma pontuação nem exame de imagem identifica com segurança quem vai deteriorar. O escore serve para não subestimar o paciente — nunca para liberar alguém.
As primeiras 48 horas: hidratação, dieta, analgesia, antibiótico
Hidratação. O cristaloide de escolha é o Ringer lactato, preferido ao soro fisiológico (ACG 2024), que em volume alto produz acidose hiperclorêmica. O que mudou foi a velocidade: a recomendação hoje é 'moderadamente agressiva' — 1,5 mL/kg/h, precedido de bolus de 10 mL/kg apenas se houver hipovolemia. Reavaliação clínica seriada faz parte da prescrição: hidratação se titula, não se prescreve e esquece. O bloco de divergências detalha o que mudou e por quê.
Dieta. O repouso pancreático morreu. Na pancreatite leve, inicia-se dieta oral em 24 a 48 horas, assim que houver tolerância, e diretamente com dieta sólida pobre em gordura: não é preciso o degrau líquida, pastosa, sólida (ACG 2024). Sonda nasogástrica não tem indicação de rotina e nutrição parenteral total deve ser evitada — quem não tolera a via oral vai para a enteral, gástrica ou jejunal, ambas seguras, o que reduz complicações infecciosas (WSES 2019, grau 1A).
Analgesia. Opioide é permitido e não deve ser negado por medo teórico de espasmo do esfíncter de Oddi. Dor mal controlada é que atrapalha a mobilização e a alimentação precoce.
Antibiótico. Profilaxia antimicrobiana de rotina NÃO é recomendada em nenhum cenário — nem na forma grave, nem na necrose estéril (WSES 2019, grau 1A; ACG 2024). Antibiótico entra quando há infecção documentada ou fortemente suspeitada: necrose infectada, colangite, bacteremia, pneumonia, infecção urinária. Confundir 'necrose extensa' com 'indicação de antibiótico' é erro de conduta e de prova.
CPRE e colecistectomia: as duas decisões da via biliar
São perguntas independentes, e a prova as mistura de propósito. A CPRE resolve a obstrução da via biliar agora; a colecistectomia impede o próximo episódio.
CPRE. Há uma indicação que ninguém discute: colangite aguda associada, com CPRE em até 24 horas. Fora dela a recomendação estreitou — CPRE de rotina na pancreatite biliar não é indicada (WSES 2019, grau 1A), e 'é grave, então faz CPRE' é raciocínio desatualizado. O bloco de divergências trata do caso de fronteira, a obstrução biliar sem colangite.
Colecistectomia. Na pancreatite biliar LEVE, a colecistectomia videolaparoscópica deve ser feita na MESMA internação, antes da alta (WSES 2019, grau 1A). O ensaio PONCHO (Lancet, 2015) é o motivo: complicações biliares recorrentes caíram de 17% na cirurgia de intervalo para 5% na mesma internação.
Na pancreatite necrosante ou com coleções a lógica se inverte: a colecistectomia é ADIADA até que as coleções se resolvam ou se estabilizem e a inflamação ceda (WSES 2019, grau 2C). Quando a cirurgia precisa esperar muito em paciente de risco proibitivo, a papilotomia endoscópica é proteção parcial: reduz a recidiva de pancreatite, mas não trata colecistite nem cólica biliar.
Necrose infectada e a abordagem em degraus
A infecção da necrose ocorre em 20% a 40% das pancreatites graves e dirige a mortalidade tardia. A suspeita é clínica: paciente que vinha estabilizando volta a apresentar febre, leucocitose e deterioração, tipicamente a partir da segunda semana. O achado radiológico específico — e pouco frequente — é gás dentro da coleção. A punção aspirativa por agulha fina deixou de ser rotina: a decisão de tratar é clínica.
Necrose estéril não se opera. Necrose infectada recebe antibiótico e, havendo necessidade de intervenção, segue a abordagem em degraus (step-up): drenagem percutânea ou endoscópica transluminal PRIMEIRO, com necrosectomia minimamente invasiva reservada a quem não responde (WSES 2019, grau 1A). Entre 25% e 60% dos pacientes resolvem apenas com a drenagem.
O tempo é parte do tratamento. Adiar a intervenção cirúrgica para além de 4 semanas do início do quadro associa-se a menor mortalidade (WSES 2019, grau 2B): o intervalo permite que a necrose se demarque e ganhe parede, reduzindo sangramento e perda de tecido viável. O ensaio POINTER (NEJM, 2021) testou a ideia oposta — drenar em até 24 horas do diagnóstico de infecção — e não mostrou superioridade da drenagem imediata; o grupo adiado precisou de menos intervenções invasivas.
A síndrome compartimental abdominal é a exceção que rompe o cronograma: hipertensão intra-abdominal sustentada com nova disfunção orgânica exige descompressão, independentemente da semana de doença.
Das primeiras horas à alta
A pancreatite aguda se decide em três momentos: a admissão (diagnóstico e etiologia), as 48 horas (gravidade real) e a alta (a vesícula). O roteiro abaixo responde à maioria das vinhetas; os cartões trazem os três degraus de Atlanta 2012 e a tabela fecha o Ranson nas duas versões.
- 1Dor epigástrica em faixa mais lipase ou amilase acima de 3 vezes o limite superior já fecha o diagnóstico. Não peça TC de entrada.
- 2Ultrassonografia de abdome na admissão, em todo paciente: cálculo, lama biliar e calibre da via biliar. Negativa com etiologia obscura, repita antes de rotular como idiopática.
- 3Ringer lactato 1,5 mL/kg/h; bolus de 10 mL/kg antes apenas se houver hipovolemia. Reavalie a cada 6 a 12 horas.
- 4Analgesia sem receio (opioide é permitido) e dieta oral sólida pobre em gordura em 24 a 48 horas. Sem jejum prolongado e sem sonda nasogástrica de rotina.
- 5Sem infecção documentada, sem antibiótico — inclusive na necrose estéril e na forma grave.
- 6Colangite: CPRE em até 24 horas. Obstrução biliar persistente sem colangite: CPRE, sem urgência. Pancreatite grave sem colangite: não faz CPRE.
- 7Reclassifique às 48 horas pelo Marshall modificado: falência que resolveu é transitória (moderadamente grave); falência que persistiu define grave.
- 8TC com contraste só após 72 a 96 horas, e apenas se houver dúvida diagnóstica, piora ou ausência de melhora.
- 9Biliar leve: colecistectomia videolaparoscópica na MESMA internação. Necrosante ou com coleções: adie a colecistectomia.
- 10Necrose infectada: antibiótico e abordagem em degraus — drenagem primeiro, necrosectomia depois, idealmente após a 4ª semana.
Leve
Sem falência orgânica e sem complicação local ou sistêmica. É a maioria dos casos. Enfermaria, hidratação titulada, analgesia e dieta oral precoce — e, se for biliar, colecistectomia antes da alta.
Moderadamente grave
Falência orgânica transitória (resolve em até 48 horas) e/ou complicação local — coleção, necrose — e/ou descompensação de comorbidade prévia. Basta UM dos três para sair do degrau leve.
Grave
Falência orgânica PERSISTENTE, por mais de 48 horas, em um ou mais dos três sistemas do Marshall modificado: respiratório, renal e cardiovascular. É onde se concentra a mortalidade.
| Critério de Ranson | Não biliar (original, 11) | Biliar (modificado, 10) |
|---|---|---|
| Admissão — idade | > 55 anos | > 70 anos |
| Admissão — leucócitos | > 16.000/mm³ | > 18.000/mm³ |
| Admissão — glicemia | > 200 mg/dL | > 220 mg/dL |
| Admissão — LDH | > 350 UI/L | > 400 UI/L |
| Admissão — AST (TGO) | > 250 UI/L | > 250 UI/L |
| 48 h — queda do hematócrito | > 10% | > 10% |
| 48 h — elevação da ureia (BUN) | > 5 mg/dL | > 2 mg/dL |
| 48 h — cálcio sérico | < 8 mg/dL | < 8 mg/dL |
| 48 h — PaO₂ | < 60 mmHg | não faz parte |
| 48 h — déficit de base | > 4 mEq/L | > 5 mEq/L |
| 48 h — sequestro de líquidos | > 6 L | > 4 L |
Mortalidade pela pontuação de Ranson, na série original: 0 a 2 pontos, 0% a 3%; 3 a 4 pontos, cerca de 15%; 5 a 6 pontos, cerca de 40%; 7 ou mais, próxima de 100%.
Ranson só fecha às 48 horas — na sala de emergência ele não decide nada. Por isso a WSES prefere o BISAP, que fecha em 24 horas com cinco variáveis: ureia acima de 25 mg/dL, alteração do estado mental, SIRS, idade acima de 60 anos e derrame pleural.
Ranson igual ou maior que 3 é previsão de risco, não diagnóstico de pancreatite grave. Quem classifica gravidade é Atlanta 2012, pela duração da falência orgânica.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Indicar quando há obstrução biliar
CPRE indicada quando há obstrução da via biliar principal, mesmo sem colangite. Na pancreatite grave sem colangite e sem obstrução, não se recomenda.
WSES — 2019 guidelines for the management of severe acute pancreatitis (obstrução de via biliar, grau 2B; colangite, grau 1B; rotina, contraindicada em 1A)
Preferir tratamento clínico
Terapia clínica em vez de CPRE precoce (primeiras 72 horas) na pancreatite biliar sem colangite. O APEC não encontrou redução de complicações maiores ou mortalidade com CPRE urgente na pancreatite biliar com previsão de curso grave, sem colangite.
ACG — Clinical Guideline: Management of Acute Pancreatitis (2024), apoiado no APEC (Lancet, 2020)
Na prova
Procure a colangite na vinheta: febre, icterícia e dor — a tríade de Charcot — colocam os dois corpos de acordo, com CPRE em até 24 horas; sem colangite e sem obstrução, eles também concordam em conduta clínica, e 'CPRE porque a pancreatite é grave' é distrator em qualquer dos mundos. A zona realmente divergente é a colestase persistente sem febre — bilirrubina em ascensão, colédoco dilatado: a WSES 2019 indica CPRE pela obstrução da via biliar (grau 2B), enquanto a ACG 2024, apoiada no ensaio APEC, entende que a CPRE precoce (primeiras 72 horas) não reduz complicações maiores nem mortalidade e trabalha com tratamento clínico e desobstrução da via biliar sem caráter de urgência. Nesse cenário, o recorte aparece no texto: menção nominal à ACG ou ao APEC, ou a discussão da janela de 72 horas, aponta o corpo americano recente; enunciado que trata obstrução como indicação direta de CPRE foi escrito na lógica da WSES.
Reposição precoce e vigorosa
Reposição volêmica precoce com cristaloide isotônico para otimizar a perfusão tecidual, sem esperar a piora hemodinâmica. É o texto anterior ao WATERFALL e sustenta o 'hidrate forte' que ainda aparece em provas.
WSES — 2019 guidelines for the management of severe acute pancreatitis (cristaloide isotônico, grau 1B)
Moderadamente agressiva
Ringer lactato 1,5 mL/kg/h, com bolus de 10 mL/kg apenas na hipovolemia. O WATERFALL (NEJM, 2022) foi interrompido por segurança: o braço agressivo (20 mL/kg em bolus seguidos de 3 mL/kg/h) gerou mais sobrecarga hídrica sem reduzir a progressão para forma moderadamente grave ou grave.
ACG — Clinical Guideline (2024) e Revista FBG — Manejo inicial da pancreatite aguda (2025), ambos apoiados no WATERFALL
Na prova
O cristaloide de escolha não diverge: Ringer lactato atravessa as duas posições, e entre Ringer e soro fisiológico os documentos convergem no Ringer. A divergência é de velocidade e tem data: enunciado na lógica anterior ao WATERFALL cobra reposição precoce e vigorosa (WSES 2019); questão pós-2022 trabalha o regime moderado da ACG 2024 e da FBG 2025 — 1,5 mL/kg/h, com bolus de 10 mL/kg reservado à hipovolemia —, já que o WATERFALL foi interrompido por segurança: o braço agressivo (20 mL/kg em bolus seguidos de 3 mL/kg/h) produziu mais sobrecarga hídrica sem frear a progressão de gravidade. O vocabulário situa a questão: 'reavaliação seriada' e números na casa de 1,5 mL/kg/h pertencem ao mundo novo; volume fixo alto pelas 24 horas, ao antigo. Se nenhuma alternativa menciona ritmo moderado ou reavaliação, a questão inteira foi escrita antes do ensaio — leia as opções dentro dessa lógica.
Pelos escores preditivos
Escores estratificam risco cedo: o BISAP é apontado como o mais aplicável na prática diária por fechar em 24 horas, com corte em 2 pontos; Ranson e APACHE II exigem 48 horas. Nenhum é padrão-ouro.
WSES — 2019 guidelines (BISAP, grau 1B); StatPearls — Ranson Criteria (limitação das 48 horas)
Pela falência orgânica
Gravidade é definida pela presença e pela duração da falência orgânica pelo Marshall modificado: falência transitória, até 48 horas, é moderadamente grave; falência persistente, acima de 48 horas, é grave. A classificação só se fecha de forma retrospectiva.
Atlanta 2012 (Banks PA et al., Gut 2013), conferida no artigo do ABCD (SciELO) e no 'Imaging lexicon for acute pancreatitis: 2012 Atlanta Classification revisited' (PMC)
Na prova
O verbo do enunciado entrega qual corpo está sendo cobrado. 'Qual escore PREVÊ gravidade na admissão?' vive no mundo dos preditores: BISAP, que fecha em 24 horas com corte em 2 pontos, ou Ranson e APACHE II, que exigem 48 — nenhum deles é padrão-ouro. 'CLASSIFIQUE a gravidade deste paciente' vive no mundo de Atlanta 2012, em que o que conta é a falência orgânica pelo Marshall modificado e sua duração: transitória (até 48 horas) é moderadamente grave, persistente (acima de 48 horas) é grave — e a classificação só se fecha retrospectivamente. Os dois corpos não competem: um prevê, o outro classifica. A pegadinha clássica mistura os planos — um Ranson de 4 num paciente sem nenhuma disfunção orgânica é, pela Atlanta, pancreatite leve —, e alternativa que ofereça escore preditivo como critério classificatório (ou o contrário) denuncia o distrator.
Caso resolvido
- diagnóstico
- Dor típica mais lipase acima de 3 vezes o limite superior: dois dos três critérios, diagnóstico fechado. Tomografia de admissão aqui não é zelo, é erro.
- etiologia
- ALT acima de 3 vezes o limite superior mais colelitíase aponta origem biliar. Colédoco fino e bilirrubina normal afastam obstrução ativa.
- gravidade
- Nenhum dos três sistemas do Marshall modificado em falência: creatinina normal, pressão sustentada, saturação normal. Leve — mas a classificação definitiva só se fecha às 48 horas.
- CPRE
- Não indicada. Sem colangite (não há febre nem icterícia) e sem obstrução biliar persistente, a CPRE não entra — independentemente de como a gravidade evoluir.
- suporte
- Ringer lactato 1,5 mL/kg/h, sem bolus, porque não há hipovolemia. Analgesia com opioide se necessário. Dieta oral sólida pobre em gordura em 24 a 48 horas. Nenhum antibiótico.
- antes da alta
- Colecistectomia videolaparoscópica NESTA internação (WSES 2019, grau 1A). É o único passo que impede a recidiva.
Agora feche você
- achado
- Deterioração na terceira semana de uma pancreatite necrosante, com gás dentro da coleção: o achado radiológico específico de necrose infectada.
- nomenclatura
- Componente sólido e ainda sem parede definida, antes das 4 semanas: coleção necrótica aguda. Chamar de pseudocisto ou de abscesso pancreático é usar terminologia aposentada em 2012.
- o que NÃO fazer
- Punção aspirativa por agulha fina de rotina para confirmar a infecção antes de agir. A decisão de tratar é clínica.
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Ler o valor da lipase como medida de gravidade Lipase de 5.000 U/L impressiona, mas não classifica nada. A gravidade vem da falência orgânica (Atlanta 2012), não da enzima — que também não serve para acompanhar a evolução.
- 2Pedir tomografia na admissão O diagnóstico é clínico-laboratorial. A TC precoce ainda subestima a necrose: o momento útil da primeira TC é 72 a 96 horas do início, e só quando há dúvida, piora ou ausência de melhora.
- 3Prescrever jejum prolongado e sonda nasogástrica O repouso pancreático foi abandonado. Na forma leve, dieta oral sólida pobre em gordura em 24 a 48 horas. Sonda nasogástrica só diante de íleo com vômitos incoercíveis, nunca de rotina.
- 4Iniciar antibiótico porque a necrose é extensa Necrose estéril não recebe antibiótico, por maior que seja (WSES 2019, grau 1A; ACG 2024). Antibiótico exige infecção documentada ou fortemente suspeitada — extensão de necrose não é infecção.
- 5Indicar CPRE porque a pancreatite é grave O gatilho da CPRE é colangite, em até 24 horas, ou obstrução biliar persistente — não a gravidade. O APEC (2020) não achou benefício da CPRE urgente na pancreatite biliar grave sem colangite.
- 6Dar alta com colecistectomia agendada para seis semanas Na pancreatite biliar leve a cirurgia é na mesma internação. O PONCHO derrubou as complicações biliares recorrentes de 17% para 5%. Adiar parece prudente e é a alternativa errada mais atraente do tema.
- 7Chamar toda coleção de pseudocisto Pseudocisto exige ausência de necrose e mais de 4 semanas. Com componente sólido depois de 4 semanas, é necrose encapsulada (WON). 'Abscesso pancreático' é termo aposentado desde 2012 e quase sempre distrator.
- 8Somar critérios de Ranson para dizer que a pancreatite é grave Ranson prevê risco; quem classifica gravidade é Atlanta 2012, pela duração da falência orgânica. Ranson 4 em paciente sem disfunção orgânica é pancreatite LEVE.
A nomenclatura de Atlanta 2012 se resolve por duas perguntas: há necrose e já passaram 4 semanas? Aqui há pancreatite necrosante, conteúdo heterogêneo com componente não líquido e parede bem definida, após 4 semanas — o que define necrose encapsulada (walled-off necrosis, WON). A alternativa A descreve a coleção que ocorre na pancreatite intersticial edematosa, nas primeiras 4 semanas, com densidade líquida homogênea e sem parede. A alternativa B exige ausência de componente sólido: pseudocisto é uma coleção puramente líquida com parede, e é raro na forma necrosante. A alternativa C descreve a fase anterior da mesma lesão, antes de 4 semanas e sem parede definida. A alternativa E usa terminologia da Atlanta de 1992, formalmente abandonada na revisão de 2012, e por isso funciona como distrator clássico.
Recuperação
Responda as 7 e o gabarito abre no fim, com o comentário de cada uma.
Homem de 45 anos na 3ª semana de internação por pancreatite aguda necrosante. Vinha estável e apresenta piora com febre de 38,9 °C, leucocitose e queda do estado geral. Tomografia com contraste evidencia coleção com componente sólido na loja pancreática, contendo bolhas de gás em seu interior. Não há hipertensão intra-abdominal. Qual é a conduta mais adequada?
Homem de 45 anos na 3ª semana de internação por pancreatite aguda necrosante. Vinha estável e apresenta piora com febre de 38,9 °C, leucocitose e queda do estado geral. Tomografia com contraste evidencia coleção com componente sólido na loja pancreática, contendo bolhas de gás em seu interior. Não há hipertensão intra-abdominal. Qual é a conduta mais adequada?
Gás dentro da coleção em paciente que deteriora na 3ª semana caracteriza necrose infectada. O tratamento é antibioticoterapia associada à abordagem em degraus (step-up): drenagem percutânea ou endoscópica transluminal como PRIMEIRO passo, reservando a necrosectomia minimamente invasiva para quem não responde (WSES 2019, grau 1A) — entre 25% e 60% dos pacientes resolvem apenas com a drenagem. Postergar a intervenção para além de 4 semanas associa-se a menor mortalidade (WSES 2019, grau 2B), e o ensaio POINTER (NEJM, 2021) não demonstrou superioridade da drenagem imediata sobre a adiada. A alternativa A é a resposta errada clássica do tema. A alternativa C está errada porque a punção aspirativa deixou de ser rotina: a decisão de tratar é clínica. A alternativa D confunde necrose estéril, que de fato não se opera, com necrose infectada. A alternativa E erra ao chamar de profilaxia o tratamento de uma infecção já estabelecida e ao fixar necrosectomia aberta como plano obrigatório.
Mulher de 52 anos, IMC 32, procura o pronto-socorro com dor epigástrica intensa há 12 horas, irradiada em faixa para o dorso, iniciada após refeição gordurosa, acompanhada de vômitos. Nega febre e icterícia. PA 128x76 mmHg, FC 96 bpm, SpO₂ 96% em ar ambiente. Exames: lipase 1.200 U/L (limite superior 60), ALT 240 U/L (limite superior 40), bilirrubina total 1,0 mg/dL, creatinina 0,9 mg/dL. Ultrassonografia de abdome: colelitíase, colédoco de 5 mm, sem dilatação. Evolui com melhora da dor em 48 horas, sem qualquer disfunção orgânica nesse período. Qual é a classificação de gravidade pela classificação de Atlanta revisada (2012) e a conduta indicada antes da alta hospitalar?
A paciente não teve falência orgânica em nenhum dos três sistemas do Marshall modificado nem complicação local, o que a define como pancreatite aguda LEVE pela Atlanta revisada de 2012. Sendo a etiologia biliar (ALT acima de 3 vezes o limite superior mais colelitíase), a conduta com maior grau de evidência do tema é a colecistectomia videolaparoscópica na MESMA internação (WSES 2019, grau 1A), sustentada pelo ensaio PONCHO, que reduziu complicações biliares recorrentes de 17% para 5% em comparação com a cirurgia de intervalo. A alternativa A é a errada mais atraente: adiar soa prudente e expõe a paciente a novo episódio. As alternativas C e E erram a classificação (não houve falência orgânica transitória nem complicação local). A CPRE de C não tem indicação: não há colangite nem obstrução biliar (colédoco fino, bilirrubina normal). A alternativa D erra duas vezes: a classificação de grave e a tomografia, que não é exame de admissão e nada acrescentaria aqui.
Homem de 40 anos, etilista crônico, chega ao pronto-socorro com dor epigástrica contínua há 8 horas, irradiada para o dorso, com vômitos. Exames: amilase 2,5 vezes o limite superior da normalidade e lipase 4 vezes o limite superior. Não foi realizada tomografia. Assinale a afirmativa correta.
O diagnóstico de pancreatite aguda exige DOIS dos três critérios: dor abdominal compatível, amilase ou lipase acima de 3 vezes o limite superior da normalidade, e achado característico em imagem. O paciente tem os dois primeiros, e o critério enzimático é satisfeito por amilase OU lipase — basta uma delas, e a lipase é a mais específica. A alternativa A está errada porque a tomografia não é exame de admissão e só entra em caso de dúvida diagnóstica, piora ou ausência de melhora após 48 a 72 horas. A alternativa C inverte a regra do 'ou'. A alternativa D é o erro mais comum do tema: o valor da enzima não guarda correlação com a gravidade, que é definida pela falência orgânica (Atlanta 2012). A alternativa E propõe atraso desnecessário, e dosagens seriadas não têm papel no acompanhamento.
Sobre o escore prognóstico de Ranson na pancreatite aguda, qual dos parâmetros abaixo é avaliado JÁ NA ADMISSÃO do paciente?
Os cinco parâmetros do Ranson colhidos na ADMISSÃO são idade, leucócitos, glicemia, LDH e AST (TGO). Na versão original, para pancreatite não biliar, os cortes são idade acima de 55 anos, leucócitos acima de 16.000/mm³, glicemia acima de 200 mg/dL, LDH acima de 350 UI/L e AST acima de 250 UI/L. Todos os demais itens listados nas alternativas pertencem à avaliação das 48 HORAS: queda do hematócrito acima de 10%, déficit de base acima de 4 mEq/L, cálcio abaixo de 8 mg/dL, sequestro de líquidos acima de 6 litros, elevação da ureia e PaO₂ abaixo de 60 mmHg. Justamente por depender das 48 horas, o Ranson não auxilia a decisão na sala de emergência — limitação que levou a WSES (2019) a apontar o BISAP, calculável em 24 horas, como o mais aplicável na prática diária.
Homem de 58 anos, 80 kg, com pancreatite aguda de etiologia alcoólica e 6 horas de evolução. PA 120x70 mmHg, FC 88 bpm, diurese preservada, sem sinais clínicos de hipovolemia, ureia e creatinina normais. Qual conduta de hidratação está mais alinhada às recomendações atuais?
A recomendação atual é hidratação 'moderadamente agressiva' com Ringer lactato a 1,5 mL/kg/h, com bolus de 10 mL/kg reservado a quem apresenta hipovolemia — o que não é o caso deste paciente. A base é o ensaio WATERFALL (NEJM, 2022), interrompido por segurança: o braço agressivo, exatamente o descrito na alternativa C (bolus de 20 mL/kg seguido de 3 mL/kg/h), produziu mais sobrecarga hídrica sem reduzir a progressão para forma moderadamente grave ou grave. A alternativa A erra duas vezes: o volume fixo alto e a escolha do soro fisiológico, que em grande volume causa acidose hiperclorêmica — o ACG (2024) prefere Ringer lactato. A alternativa D é perigosa: a hipovolemia por terceiro espaço é real e a restrição piora a perfusão pancreática. A alternativa E não tem respaldo: o cristaloide isotônico é o fluido de escolha (WSES 2019, grau 1B), não o coloide.
Mulher de 68 anos com pancreatite aguda de origem biliar, admitida há 20 horas, com BISAP de 3 pontos, portanto com previsão de curso grave. Está afebril, sem calafrios e sem icterícia. Bilirrubina total 1,4 mg/dL, estável nas duas dosagens. Ultrassonografia: colelitíase e colédoco de 6 mm, sem cálculo visível na via biliar. Qual a conduta correta quanto à colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE)?
Não há colangite (paciente afebril, sem icterícia, sem tríade de Charcot) nem sinais de obstrução biliar persistente (bilirrubina estável e discretamente elevada, colédoco de calibre limítrofe sem cálculo). A CPRE de rotina na pancreatite biliar não é indicada (WSES 2019, grau 1A), e o ensaio APEC (Lancet, 2020) mostrou que a CPRE urgente com papilotomia na pancreatite biliar com previsão de curso grave, na ausência de colangite, não reduziu complicações maiores nem mortalidade em comparação com o tratamento conservador. Isso invalida as alternativas A e B, que usam a gravidade prevista ou a etiologia biliar como gatilho — raciocínio desatualizado. A alternativa D acrescenta um procedimento sem indicação e ainda antecipa a cirurgia sem definir a gravidade. A alternativa E erra ao tornar a CPRE obrigatória mesmo diante de exame normal, transformando um método diagnóstico em indicação terapêutica automática.
Homem de 36 anos internado há 30 horas por pancreatite aguda leve. Está com a dor controlada com analgesia simples, sem náuseas ou vômitos, e refere fome. Exame abdominal sem distensão, com ruídos hidroaéreos presentes. Qual é a conduta nutricional adequada?
Na pancreatite aguda leve, a recomendação é iniciar dieta oral dentro de 24 a 48 horas, assim que houver tolerância, e diretamente com dieta sólida pobre em gordura, sem a progressão escalonada de líquida para pastosa e depois sólida (ACG 2024). O conceito de repouso pancreático foi abandonado, o que elimina as alternativas A e B — e a alimentação precoce não se associa a piora clínica. A alternativa A ainda erra ao usar a enzima como parâmetro de evolução, o que ela não é. A alternativa D contraria a recomendação de evitar nutrição parenteral total (WSES 2019, grau 1A), que aumenta complicações infecciosas. A alternativa E propõe via enteral por sonda a um paciente que tolera a via oral: a nutrição enteral é o caminho de quem NÃO tolera a via oral, e nesse caso tanto a via gástrica quanto a jejunal são seguras.
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em 7 dias
Recite de memória, sem consultar: os 3 critérios diagnósticos (dois de três bastam); os 3 degraus de Atlanta 2012 e o tempo que separa falência transitória de persistente; os 3 sistemas do Marshall modificado (respiratório, renal, cardiovascular — e nenhum outro); e as 4 coleções na grade necrose contra 4 semanas. Depois escreva a coluna de admissão do Ranson biliar: idade acima de 70, leucócitos acima de 18.000, glicemia acima de 220, LDH acima de 400 e AST acima de 250.
em 30 dias
Reveja só o que mudou de gabarito, que é onde você vai errar: Ringer lactato em ritmo moderado (1,5 mL/kg/h) e não agressivo; dieta oral sólida precoce em vez de jejum; zero antibiótico profilático; CPRE apenas com colangite ou obstrução persistente; colecistectomia na mesma internação na forma biliar leve; step-up com drenagem antes da necrosectomia e intervenção idealmente após a 4ª semana. Refaça as questões que você errou por raciocínio antigo, não as que errou por desatenção.
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