Cirurgia Geral › Urgência e Emergência Cirúrgica
Colecistite aguda
A prova não pergunta se você reconhece dor no hipocôndrio direito. Ela pergunta em que grau de Tóquio o paciente está, e o que esse grau muda no momento e na via da colecistectomia.
Maya MCA, Freitas RG, Pitombo MB, Ronay A. Colecistite aguda: diagnóstico e tratamento. Revista do Hospital Universitário Pedro Ernesto (UERJ), ano 8, jan/jun 2009
FEBRASGO — fluxograma "Colelitíase e colecistite" (fluxogramas assistenciais)
Okamoto K, Suzuki K, Takada T, et al. Tokyo Guidelines 2018: flowchart for the management of acute cholecystitis. J Hepatobiliary Pancreat Sci. 2018;25(1):55-72. DOI 10.1002/jhbp.516
Gomi H, Solomkin JS, Schlossberg D, et al. Tokyo Guidelines 2018: antimicrobial therapy for acute cholangitis and cholecystitis. J Hepatobiliary Pancreat Sci. 2018;25(1):3-16. DOI 10.1002/jhbp.518
Yokoe M, Hata J, Takada T, et al. Tokyo Guidelines 2018: diagnostic criteria and severity grading of acute cholecystitis (with videos). J Hepatobiliary Pancreat Sci. 2018;25(1):41-54. DOI 10.1002/jhbp.515
Pisano M, Allievi N, Gurusamy K, et al. 2020 World Society of Emergency Surgery updated guidelines for the diagnosis and treatment of acute calculus cholecystitis. World J Emerg Surg. 2020;15:61. DOI 10.1186/s13017-020-00336-x
Loozen CS, van Santvoort HC, van Duijvendijk P, et al. Laparoscopic cholecystectomy versus percutaneous catheter drainage for acute cholecystitis in high risk patients (CHOCOLATE): multicentre randomised clinical trial. BMJ. 2018;363:k3965
ASGE — 2019 guideline for the role of endoscopy in the evaluation and management of choledocholithiasis (Gastrointest Endosc)
Sabiston — Tratado de Cirurgia; Schwartz — Princípios de Cirurgia
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Homem de 81 anos, diabético e com doença renal crônica, com colecistite aguda confirmada. Encontra-se hipotenso em uso de noradrenalina, Glasgow 13, creatinina 2,7 mg/dL (basal 1,3), bilirrubina total 2,9 mg/dL, ASA-PS IV. O hospital dispõe de terapia intensiva, mas não há cirurgião com experiência em laparoscopia avançada nem possibilidade de transferência imediata. Segundo o fluxograma do TG18, qual a conduta mais adequada?
Como esse tema cai
Este capítulo trata do cálculo na vesícula e do que acontece quando ele obstrui: cólica biliar, colecistite aguda litiásica e alitiásica, a graduação de Tóquio e a decisão cirúrgica. Colangite, pancreatite biliar e câncer de vesícula têm capítulos próprios.
O padrão da questão é sempre o mesmo: a vinheta entrega dor em hipocôndrio direito, febre, leucocitose e um ultrassom, e pergunta o destino do paciente. Existem só dois pontos de decisão — operar ou drenar, e operar agora ou depois. O resto é ambientação.
A régua é a Tokyo Guidelines 2018 (TG18), que manteve intactos os critérios diagnósticos e a graduação do TG13 e reescreveu apenas os fluxogramas de tratamento. O WSES 2020 é o contraponto que bancas mais modernas já cobram. Não há protocolo do Ministério da Saúde para o tema: quando a questão diz “segundo as diretrizes atuais”, está falando de Tóquio.
O que muda decisão
Cólica biliar não é colecistite
O cálculo não adoece ninguém enquanto rola solto no fundo da vesícula. O problema começa quando ele encrava no infundíbulo ou no ducto cístico: a vesícula contrai contra um obstáculo e nasce a cólica biliar — dor visceral em hipocôndrio direito ou epigástrio, contínua apesar do nome, que dura de meia hora a algumas horas e cede quando o cálculo desencrava. Sem febre, sem leucocitose, com abdome limpo depois da crise.
Se a obstrução se mantém, a bile represada distende a parede, comprime a microcirculação e a inflamação se instala: é a colecistite aguda. A dor deixa de ceder, ultrapassa seis horas e ganha febre, leucocitose e defesa localizada. As duas condições têm o mesmo cálculo e a mesma dor inicial; o que as separa é o tempo de obstrução mantida.
Nove em cada dez colecistites são litiásicas. A minoria alitiásica aparece no doente grave — terapia intensiva, pós-operatório de grande porte, queimado, nutrição parenteral prolongada, ventilação mecânica — e é traiçoeira: evolui mais rápido para gangrena e perfuração, e acontece em quem não consegue relatar dor. Febre e leucocitose sem foco nesse paciente obrigam a olhar a vesícula.
Colelitíase assintomática não é indicação cirúrgica: a maioria dessas vesículas nunca dará sintoma. A conversa muda no primeiro episódio de dor biliar, quando a colecistectomia eletiva passa a ser o tratamento — quem teve uma cólica tende a repetir, e parte das repetições volta como colecistite, coledocolitíase ou pancreatite.

O diagnóstico é A + B + C
Tóquio organiza o diagnóstico em três blocos. O bloco A são os sinais locais: sinal de Murphy, dor, defesa ou massa palpável em hipocôndrio direito. O bloco B são os sistêmicos: febre, PCR elevada e leucocitose. O bloco C é a imagem característica. Um item de A somado a um item de B fecha diagnóstico suspeito; com o C junto, o diagnóstico é definido. O TG18 manteve esses critérios exatamente como estavam no TG13.
Daí saem duas consequências práticas. Exame de sangue não fecha colecistite: todo abdome agudo inflamatório preenche o bloco B. E sem imagem não existe diagnóstico definido — é ela que separa a colecistite da hepatite aguda, da úlcera perfurada tamponada, da pielonefrite direita e da apendicite alta, que o próprio documento manda excluir.
A ultrassonografia é o primeiro exame: barata, à beira do leito, sem radiação e sensível para o cálculo. Para o diagnóstico da colecistite em si o desempenho é apenas razoável — sensibilidade de 81% e especificidade de 83% na metanálise citada pelo WSES 2020. Interessam distensão da vesícula, espessamento da parede, cálculo impactado no infundíbulo, debris, líquido perivesicular e o Murphy ultrassonográfico; o limiar de espessura parietal varia entre os textos, então julgue o conjunto, não o milímetro.
A tomografia tem acurácia ruim para o diagnóstico de colecistite aguda — o WSES 2020 diz isso com todas as letras — mas serve quando o diferencial é largo, o ultrassom foi inconclusivo ou se suspeita de complicação. A cintilografia biliar tem o melhor desempenho e é, no pronto-socorro brasileiro, o exame que não existe.
Graduar não é enfeite: o grau decide o caminho
A graduação sobreviveu de 2013 para 2018 sem mudar uma vírgula porque os estudos de validação a associaram à mortalidade em 30 dias, ao tempo de internação, à taxa de conversão e ao custo. Não é etiqueta descritiva — é o que organiza o fluxograma.
O Grau II descreve a vesícula, não o paciente. Leucócitos acima de 18.000/mm³, massa palpável em hipocôndrio direito, mais de 72 horas de sintomas ou inflamação local marcada (gangrenosa, abscesso perivesicular, abscesso hepático, peritonite biliar, enfisematosa): qualquer um desses itens, sozinho, sobe o caso para Grau II. Todos anunciam a mesma coisa — dissecção difícil, anatomia apagada por edema e fibrose.
O Grau III descreve o paciente, e basta uma disfunção orgânica: hipotensão exigindo dopamina ≥ 5 µg/kg/min ou qualquer dose de noradrenalina (cardiovascular); rebaixamento de consciência (neurológica); PaO₂/FiO₂ < 300 (respiratória); oligúria ou creatinina > 2,0 mg/dL (renal); INR > 1,5 (hepática); plaquetas < 100.000/mm³ (hematológica). Grau I é o caso que não preenche nem III nem II.
O erro clássico é achar que o grau resolve a conduta sozinho. O TG18 acrescenta a cada fluxograma o risco do paciente, medido por índice de comorbidade de Charlson (CCI) e ASA-PS: nos Graus I e II, CCI ≥ 6 ou ASA-PS ≥ III marcam quem não é de baixo risco; no Grau III o corte é mais apertado, CCI ≥ 4 ou ASA-PS ≥ III, porque esse paciente já tem um órgão em falência.
A colecistectomia precoce é o tratamento
Jejum, hidratação, correção de eletrólitos, analgesia, antimicrobiano e monitorização são o tratamento inicial de qualquer grau — mas são preparação, não tratamento definitivo. O tratamento é retirar a vesícula, e a via é laparoscópica: o TG18 propõe a colecistectomia videolaparoscópica sobre a aberta (recomendação 2, nível A).
Sobre o momento, a pergunta de prova é se a regra das 72 horas ainda vale. O TG18 respondeu de forma deliberadamente ampla: se o paciente tem condição de suportar a cirurgia, opere precocemente, independentemente de quanto tempo se passou desde o início dos sintomas (recomendação 2, nível B). A metanálise que sustenta a frase mostrou benefício da cirurgia precoce tanto dentro de 72 horas quanto entre 72 horas e uma semana, com menor internação e menor custo, sem aumento de lesão de via biliar — e operar em até 24 horas não foi superior a operar em até 72 horas.
O WSES 2020 é mais operacional e dá prazos: colecistectomia laparoscópica precoce o mais cedo possível, dentro de 7 dias da admissão e dentro de 10 dias do início dos sintomas; se isso não for possível, adiar para além de 6 semanas. Ninguém defende a janela intermediária — operar na terceira ou quarta semana é o pior dos mundos.
O antibiótico é onde mais se erra por excesso. Na colecistite comunitária Grau I e Grau II ele pode ser suspenso em até 24 horas após a colecistectomia — retirar a vesícula é controlar o foco. No Grau III, e na colangite de qualquer grau, são 4 a 7 dias depois de controlada a fonte; o mesmo prazo vale se a cirurgia encontrar perfuração, alterações enfisematosas ou necrose. Uma exceção merece ser decorada: bacteremia por cocos Gram-positivos (Enterococcus, Streptococcus) exige no mínimo duas semanas, pelo risco de endocardite.
Quando a dissecção não é segura: o resgate
A complicação que assombra a colecistectomia é a lesão de via biliar, e ela quase nunca vem de técnica ruim — vem de identificação errada, quando o colédoco é confundido com o cístico numa anatomia apagada pela inflamação. A defesa é a visão crítica de segurança: liberar o triângulo hepatocístico de gordura e fibrose, separar o terço inferior da vesícula do leito hepático e só clipar quando exatamente duas estruturas tubulares forem vistas entrando na vesícula.
Quando essa visão não se obtém, insistir é o erro. O TG18 é explícito: diante de dificuldade operatória séria, procedimentos de resgate, inclusive a conversão, devem ser usados. O WSES 2020 recomenda a colecistectomia subtotal, laparoscópica ou aberta, quando a identificação anatômica é difícil e o risco de lesão iatrogênica é alto.
Converter não é fracasso, é decisão de segurança na hora certa. Vale o mesmo para o encaminhamento: o TG18 condiciona a cirurgia precoce nos Graus II e III a serviços com cirurgião experiente em laparoscopia avançada e terapia intensiva disponível, e manda transferir quando o serviço não reúne essas condições. Na vinheta, “hospital sem cirurgião habituado a laparoscopia avançada” nunca é detalhe decorativo.

Quando não dá para operar agora: a drenagem
No Grau III o TG18 abriu, pela primeira vez, a porta da colecistectomia precoce — com critérios estritos e simultâneos: ausência de fatores preditores negativos (icterícia com bilirrubina total ≥ 2 mg/dL, disfunção neurológica, disfunção respiratória), presença de FOSF (falência cardiovascular ou renal rapidamente reversível após a admissão), paciente sem alto risco (CCI ≤ 3 e ASA-PS ≤ II) e serviço com terapia intensiva e laparoscopia avançada. Faltando qualquer item, o caminho é drenagem vesicular de urgência — colecistostomia percutânea trans-hepática, com cultura da bile — e colecistectomia adiada. No Grau II a drenagem entra por falha do tratamento clínico ou alto risco.
Não confunda drenagem com solução. O CHOCOLATE, ensaio randomizado holandês publicado no BMJ em 2018, comparou colecistectomia laparoscópica e drenagem percutânea em 134 pacientes de alto risco (APACHE II ≥ 7) e mostrou o preço do dreno: complicações maiores em 12% contra 65%, reintervenção em 12% contra 66%, doença biliar recorrente em 5% contra 53% e internação mediana de 5 contra 9 dias, sem diferença de mortalidade. O dreno é ponte, não destino.
Sobre quando operar depois da drenagem, o TG18 é honesto: não há evidência de qualidade nem consenso (nível C). Opera-se quando o paciente compensa e a inflamação regride — e a colecistectomia de intervalo continua indicada, porque o cálculo permanece lá.
Coledocolitíase junto e as variantes que caem em prova
Colecistite e coledocolitíase convivem, e é isso que a banca explora ao colocar bilirrubina alta na vinheta. A estratificação da ASGE separa risco alto (cálculo visto no colédoco por imagem, colangite ascendente clínica, ou bilirrubina total > 4 mg/dL com colédoco dilatado), intermediário (provas hepáticas alteradas, idade acima de 55 anos ou colédoco dilatado isoladamente) e baixo. Alto risco vai direto para a retirada do cálculo — CPRE, exploração intraoperatória ou abordagem pós-operatória, conforme a expertise local. Risco intermediário pede exame adicional antes, não CPRE diagnóstica.
Icterícia franca sem cálculo visível no colédoco levanta a síndrome de Mirizzi: cálculo impactado no infundíbulo ou no cístico comprimindo o hepático comum, com ou sem fístula colecistobiliar. É um dos poucos cenários em que partir para a colecistectomia laparoscópica direta é armadilha — a taxa de lesão de via biliar é alta e o planejamento muda.
A colecistite enfisematosa é a variante do diabético e do idoso: gás na parede ou na luz, evolução rápida para gangrena e perfuração. Ela já é, por si, inflamação local marcada — Grau II no mínimo — e manda operar sem demora. O íleo biliar é a complicação tardia da fístula colecistoentérica: obstrução intestinal no idoso com a tríade de Rigler (obstrução, pneumobilia e cálculo ectópico), em que a prioridade é desobstruir o intestino, não a vesícula.
Duas situações mandam operar sem esperar sintoma, por prática consagrada de livro-texto: vesícula em porcelana e pólipo vesicular grande, ambas pela associação com neoplasia. E a gestante: o WSES 2020 sugere a colecistectomia laparoscópica também na gravidez, contrariando a inércia de “esfriar até o parto” — a preferência clássica pelo segundo trimestre segue como melhor janela técnica.
Critérios de Tóquio (TG18): diagnóstico e gravidade
O TG18 adotou sem alteração os critérios e a graduação do TG13. São duas contas independentes: primeiro você fecha o diagnóstico (A + B + C); depois gradua, procurando nesta ordem — III, II, I.
- 1Feche o diagnóstico: 1 item do bloco A + 1 item do bloco B = suspeito; some a imagem (bloco C) e ele é definido. Exclua hepatite aguda, outras causas de abdome agudo e colecistite crônica.
- 2Procure disfunção orgânica, com os cortes definidos. Achou uma? É Grau III — pare aqui.
- 3Sem disfunção orgânica, procure gravidade local: leucócitos > 18.000/mm³, massa palpável em hipocôndrio direito, mais de 72 h de sintomas ou inflamação local marcada. Um item basta para Grau II.
- 4Nenhum dos dois grupos: Grau I.
- 5Só então acrescente o risco do paciente (CCI e ASA-PS) e a estrutura do serviço. É a soma grau + risco + serviço que define quem vai para a mesa agora, quem vai depois e quem vai para o dreno.
Grau I — leve
Não preenche critérios de Grau II nem de Grau III: vesícula inflamada em paciente sem disfunção orgânica e com pouca inflamação local. Conduta: antimicrobiano, suporte e colecistectomia videolaparoscópica precoce se o paciente for de baixo risco (CCI ≤ 5 e/ou ASA-PS ≤ II).
Grau II — moderada
Qualquer um destes: leucócitos > 18.000/mm³; massa palpável dolorosa em hipocôndrio direito; sintomas com mais de 72 h; inflamação local marcada (gangrenosa, abscesso perivesicular, abscesso hepático, peritonite biliar, enfisematosa). Descreve dissecção difícil, não paciente grave. Conduta: colecistectomia precoce por equipe habituada; se alto risco ou falha do tratamento clínico, drenagem e cirurgia adiada.
Grau III — grave
Disfunção de qualquer órgão: cardiovascular (dopamina ≥ 5 µg/kg/min ou qualquer dose de noradrenalina); neurológica (rebaixamento de consciência); respiratória (PaO₂/FiO₂ < 300); renal (oligúria ou creatinina > 2,0 mg/dL); hepática (INR > 1,5); hematológica (plaquetas < 100.000/mm³). Conduta: suporte orgânico e, em regra, drenagem de urgência — cirurgia precoce só com os critérios estritos do fluxograma.
| Bloco | O que entra | Como fecha |
|---|---|---|
| A — sinais locais de inflamação | Sinal de Murphy; dor, defesa ou massa palpável em hipocôndrio direito | 1 item de A |
| B — sinais sistêmicos de inflamação | Febre; PCR elevada; leucocitose | + 1 item de B → diagnóstico SUSPEITO |
| C — imagem | Achados característicos de colecistite aguda (ultrassom, tomografia ou cintilografia) | + C → diagnóstico DEFINIDO |
Excluir antes de fechar: hepatite aguda, outras causas de abdome agudo e colecistite crônica.
Bilirrubina não é critério de gravidade em Tóquio. No Grau III, icterícia com bilirrubina total ≥ 2 mg/dL entra como fator preditor negativo — argumento contra operar cedo, não critério para classificar.
O risco do paciente corre por fora do grau: nos Graus I e II, CCI ≥ 6 ou ASA-PS ≥ III; no Grau III, CCI ≥ 4 ou ASA-PS ≥ III.
Os achados de imagem valem em conjunto: o limiar de espessamento parietal varia entre os documentos e não fecha nem afasta o diagnóstico isoladamente.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
TG18 — sem relógio
Se o paciente tem condição de suportar a cirurgia, opere precocemente, independentemente do tempo decorrido desde o início dos sintomas. Operar em até 24 h não se mostrou superior a operar em até 72 h.
Okamoto K et al. TG18: flowchart for the management of acute cholecystitis. J Hepatobiliary Pancreat Sci. 2018;25(1):55-72 — Q3, recomendação 2, nível B
WSES 2020 — com prazo
Havendo expertise cirúrgica, colecistectomia laparoscópica precoce o mais cedo possível, dentro de 7 dias da admissão hospitalar e dentro de 10 dias do início dos sintomas; se não for possível, adiar para além de 6 semanas.
Pisano M et al. 2020 WSES updated guidelines for acute calculus cholecystitis. World J Emerg Surg. 2020;15:61 — enunciados 4.1 e 4.2
Na prova
Aqui a convergência é maior que a divergência: cirurgia precoce, na mesma internação, é o terreno comum do TG18 e da WSES 2020 — e nenhum dos dois manda esperar quando o quadro passou de 72 horas, o que faz da 'regra das 72 horas' como barreira rígida um resquício de ensino antigo, sem lastro nas fontes atuais. O que muda entre elas é o relógio: o TG18 dispensa prazo (paciente com condição de suportar a cirurgia, cirurgia precoce — operar em até 24 h não se mostrou superior a até 72 h); a WSES delimita 7 dias da admissão e 10 dias do início dos sintomas. O adiamento para além de 6 semanas aparece nos dois corpos sob a mesma condição — cirurgia precoce inviável naquele paciente ou naquele serviço —, então procure essa inviabilidade declarada no enunciado antes de ler a questão como sendo do cenário diferido. Menção nominal a Tóquio/TG18 ou à WSES define qual régua de prazo está em jogo.
TG18 — dreno primeiro na maioria dos Graus III
A colecistectomia precoce no Grau III só é indicada com todos os critérios estritos reunidos (sem fatores preditores negativos, com FOSF, CCI ≤ 3, ASA-PS ≤ II, em serviço com terapia intensiva e laparoscopia avançada). Fora disso, drenagem de urgência e colecistectomia adiada.
Okamoto K et al. TG18 flowchart, fluxograma do Grau III (Fig. 10)
CHOCOLATE — a cirurgia vence o dreno
Em 134 pacientes de alto risco (APACHE II ≥ 7), a colecistectomia laparoscópica teve menos complicações maiores (12% contra 65%), menos reintervenções (12% contra 66%) e menos doença biliar recorrente (5% contra 53%) que a drenagem percutânea, sem diferença de mortalidade.
Loozen CS et al. CHOCOLATE trial. BMJ. 2018;363:k3965
Na prova
O recorte aqui é fluxograma versus ensaio. Enunciado que gradua o paciente por Tóquio e descreve Grau III com disfunção instalada, fator preditor negativo ou serviço sem retaguarda está dentro do TG18, cujo fluxograma reserva a colecistectomia precoce a critérios estritos (sem preditores negativos, com FOSF, CCI ≤ 3, ASA-PS ≤ II, centro com terapia intensiva e laparoscopia avançada) e encaminha os demais para drenagem; enunciado que cita o CHOCOLATE ou monta paciente de alto risco (APACHE II ≥ 7) em centro capacitado, perguntando pela evidência, está no corpo do ensaio — menos complicações maiores com a cirurgia (12% contra 65%), menos reintervenções (12% contra 66%) e menos doença biliar recorrente (5% contra 53%), sem diferença de mortalidade. Repare que o próprio fluxograma condiciona a conduta à estrutura do serviço: a drenagem ali é, em parte, resposta à disponibilidade real de retaguarda, não um juízo de superioridade do dreno. Onde os dois corpos coincidem: colecistostomia não é tratamento definitivo — alternativa que a apresente como desfecho final não se sustenta em nenhum dos mundos.
TG18 — o grau organiza o fluxograma
O grau é o eixo do tratamento, corrigido pelo risco do paciente (CCI, ASA-PS) e pela estrutura do serviço. A graduação foi mantida sem alteração porque os estudos de validação a associaram à mortalidade em 30 dias, ao tempo de internação, à conversão e ao custo.
Okamoto K et al. TG18 flowchart, critérios de construção do fluxograma; Yokoe M et al. TG18: diagnostic criteria and severity grading. J Hepatobiliary Pancreat Sci. 2018;25(1):41-54
WSES 2020 — o grau é um dado, não o comando
O documento pondera que a confiabilidade dos critérios do TG13 para o diagnóstico da colecistite aguda é limitada, e ancora as recomendações na expertise cirúrgica disponível e nas condições do paciente, sem organizar o tratamento por grau.
Pisano M et al. 2020 WSES updated guidelines for acute calculus cholecystitis. World J Emerg Surg. 2020;15:61
Na prova
A menção nominal decide o eixo. Enunciado que cita 'critérios de Tóquio', pede graduação ou usa o vocabulário de Grau I/II/III está cobrando o TG18, em que o grau organiza o fluxograma, corrigido por CCI, ASA-PS e estrutura do serviço — graduação validada contra mortalidade em 30 dias, tempo de internação, conversão e custo. Enunciado que decide por expertise cirúrgica e condições do paciente, sem graduar, ecoa a WSES 2020, que trata o grau como um dado entre outros e registra limites de confiabilidade dos critérios diagnósticos do TG13. No cenário em que as fontes se encontram — paciente operável em serviço estruturado —, ambas chegam à colecistectomia precoce e a questão deixa de ter lado. As alternativas também denunciam: opção que condiciona a conduta ao grau ('por ser Grau II, ...') só faz sentido no mundo de Tóquio.
Caso resolvido
- diagnóstico
- Murphy e massa em hipocôndrio direito (bloco A) com febre, PCR alta e leucocitose (bloco B) fecham a suspeita; o ultrassom característico (bloco C) fecha o diagnóstico definido.
- gravidade
- Sem droga vasoativa, consciente, creatinina, INR e plaquetas normais — não é Grau III. Leucócitos acima de 18.000, massa palpável e mais de 72 h de sintomas: qualquer um sozinho já classifica Grau II.
- risco do paciente
- ASA-PS II e carga de comorbidade baixa: paciente de baixo risco no fluxograma do Grau II. O serviço tem laparoscopia de rotina. Os dois requisitos da cirurgia precoce estão preenchidos.
- conduta
- Internação, jejum, hidratação, analgesia e antimicrobiano; colecistectomia videolaparoscópica nesta internação, o mais precocemente possível. Sem perfuração, gangrena ou coleção, antimicrobiano suspenso em até 24 h do pós-operatório.
- a pegadinha
- “Mais de 72 h de sintomas” é critério de Grau II: agrava o caso e prevê dissecção difícil, mas não contraindica a cirurgia precoce.
Agora feche você
- diagnóstico
- Dor em hipocôndrio direito (bloco A) com leucocitose e febre (bloco B) e ultrassom característico (bloco C): colecistite aguda, diagnóstico definido.
- gravidade
- Disfunção cardiovascular (noradrenalina em qualquer dose), renal (creatinina > 2,0 mg/dL) e neurológica (rebaixamento de consciência): Grau III. Basta uma delas.
- fatores preditores e risco
- Fatores preditores negativos presentes: icterícia com bilirrubina ≥ 2 mg/dL e disfunção neurológica. ASA-PS IV, CCI alto, falência renal que não é rapidamente reversível (não há FOSF) e serviço sem laparoscopia avançada.
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Chamar cólica biliar de colecistite Dor de 3 horas que já cedeu, sem febre, com leucograma normal e ultrassom mostrando só cálculos é cólica biliar: analgesia e colecistectomia eletiva. O bloco B dos critérios existe para separar as duas.
- 2Pedir tomografia para "confirmar" a colecistite A tomografia tem acurácia ruim para o diagnóstico; o exame inicial é a ultrassonografia. Ela entra quando o diferencial é largo, o ultrassom foi inconclusivo ou se suspeita de complicação.
- 3Tratar "mais de 72 horas de evolução" como contraindicação cirúrgica Esse dado sobe o grau para II e prevê dissecção difícil; não manda esperar. O TG18 propõe cirurgia precoce independentemente do tempo decorrido, desde que o paciente suporte o procedimento.
- 4Achar que bilirrubina alta gradua a colecistite Bilirrubina não aparece nos critérios de gravidade. Icterícia levanta coledocolitíase ou Mirizzi; dentro do Grau III, bilirrubina ≥ 2 mg/dL é fator preditor negativo — argumento contra operar cedo, não critério de classificação.
- 5Tratar a colecistostomia como tratamento definitivo O dreno controla a sepse biliar e ganha tempo; o cálculo continua lá. No CHOCOLATE, o grupo drenagem teve 53% de doença biliar recorrente e 66% de reintervenção. Alternativa que encerra a conduta na colecistostomia está errada.
- 6Ver conversão ou colecistectomia subtotal como fracasso técnico São resgates recomendados pelo TG18 e pelo WSES 2020 para evitar lesão de via biliar quando a anatomia não se deixa identificar. O erro é insistir na dissecção sem a visão crítica de segurança.
- 7Operar cálculo assintomático Colelitíase achada em exame de rotina, sem nenhum episódio de dor biliar, não é indicação cirúrgica. As exceções clássicas são outras — vesícula em porcelana, pólipo grande, algumas anemias hemolíticas.
- 8Esquecer a colecistite alitiásica no doente crítico Febre e leucocitose sem foco em paciente ventilado, em nutrição parenteral ou pós-operatório de grande porte pedem olhar a vesícula. A ausência de cálculo não afasta o diagnóstico.
O paciente é Grau III: tem disfunção cardiovascular (noradrenalina), renal (creatinina > 2,0 mg/dL) e neurológica (rebaixamento). O TG18 admite colecistectomia precoce no Grau III, mas só com todos os critérios estritos reunidos ao mesmo tempo: ausência de fatores preditores negativos (icterícia com bilirrubina ≥ 2 mg/dL, disfunção neurológica, disfunção respiratória), falência orgânica rapidamente reversível (FOSF, cardiovascular ou renal), CCI ≤ 3 e ASA-PS ≤ II, e serviço com terapia intensiva E laparoscopia avançada. Este paciente falha em todos: tem icterícia e rebaixamento, é ASA-PS IV, a falência renal não é rapidamente reversível e o serviço não tem cirurgião habilitado. Restam suporte orgânico e drenagem vesicular de urgência, com colecistectomia adiada. A alternativa B abandona o controle do foco em paciente com disfunção orgânica; a D trata a via biliar principal, que não é o foco aqui; a E troca a via mas mantém o problema — o paciente não tem condição de suportar a cirurgia agora.
Recuperação
Responda as 7 e o gabarito abre no fim, com o comentário de cada uma.
Mulher de 58 anos com colecistite aguda. Bilirrubina total 5,4 mg/dL (direta 4,1), fosfatase alcalina e gama-GT elevadas. Ultrassonografia: colelitíase, parede vesicular espessada e colédoco de 11 mm, sem imagem de cálculo no seu interior. Não há febre alta, hipotensão nem confusão mental. Considerando a estratificação de risco para coledocolitíase, qual a classificação e a conduta mais adequada?
Mulher de 58 anos com colecistite aguda. Bilirrubina total 5,4 mg/dL (direta 4,1), fosfatase alcalina e gama-GT elevadas. Ultrassonografia: colelitíase, parede vesicular espessada e colédoco de 11 mm, sem imagem de cálculo no seu interior. Não há febre alta, hipotensão nem confusão mental. Considerando a estratificação de risco para coledocolitíase, qual a classificação e a conduta mais adequada?
A estratificação da ASGE define alto risco por três achados: cálculo visualizado no colédoco por imagem, colangite ascendente clínica, ou bilirrubina total acima de 4 mg/dL associada a colédoco dilatado. A paciente preenche o terceiro — bilirrubina 5,4 mg/dL com colédoco de 11 mm — mesmo sem cálculo visível, o que é comum, já que a ultrassonografia tem baixa sensibilidade para cálculos no colédoco distal. Alto risco vai direto para a retirada do cálculo, sem exame diagnóstico intermediário. A CPRE pré-operatória é a resposta esperada nas bancas; vale saber que o WSES 2020 admite igualmente a exploração intraoperatória ou a abordagem pós-operatória, conforme a expertise local. O que não muda é a colecistectomia na mesma internação. A alternativa C descreve a conduta do risco intermediário, que pede exame adicional antes (colangiorressonância, ecoendoscopia ou colangiografia intraoperatória). A alternativa D confunde controle do foco vesicular com desobstrução da via biliar principal.
Mulher de 47 anos procura o pronto-socorro com dor contínua em hipocôndrio direito há 4 dias, com piora progressiva, náuseas e febre. Ao exame: temperatura 38,3 °C, FC 96 bpm, PA 128x78 mmHg, sinal de Murphy positivo e massa dolorosa palpável em hipocôndrio direito. Exames: leucócitos 19.800/mm³, PCR 142 mg/L, bilirrubina total 0,9 mg/dL, creatinina 0,8 mg/dL, plaquetas 265.000/mm³, INR 1,0. Ultrassonografia: vesícula distendida, cálculo impactado no infundíbulo, parede espessada e líquido perivesicular. Sem comorbidades, ASA-PS II. Hospital com equipe habituada à videolaparoscopia. Qual a conduta?
O caso preenche o bloco A (Murphy e massa em hipocôndrio direito), o bloco B (febre, PCR e leucocitose) e o bloco C (ultrassom característico): colecistite aguda, diagnóstico definido. Não há disfunção orgânica, logo não é Grau III; leucócitos acima de 18.000, massa palpável e mais de 72 h de sintomas classificam Grau II. A paciente é ASA-PS II, de baixo risco, e o serviço tem laparoscopia — exatamente o cenário em que o TG18 indica colecistectomia videolaparoscópica precoce, e o WSES 2020 fixa prazo de até 7 dias da admissão. A alternativa A adota a janela intermediária, que nenhuma diretriz recomenda quando a cirurgia precoce é viável. B reserva-se a quem não suporta a cirurgia, o que não é o caso. D não se justifica sem sinais de coledocolitíase (bilirrubina normal). E inverte a regra: mais de 72 h de sintomas agrava o grau e prevê dissecção difícil, mas não contraindica a via laparoscópica — se a visão crítica de segurança não for obtida, o caminho é subtotal ou conversão, decidido no intraoperatório.
Homem de 39 anos com dor em hipocôndrio direito há 12 horas, sinal de Murphy positivo, temperatura de 38,1 °C, leucócitos 14.200/mm³ e PCR elevada. Segundo os critérios de Tóquio (TG18), o que falta para que o diagnóstico de colecistite aguda seja considerado DEFINIDO?
Os critérios de Tóquio têm três blocos: A (sinais locais — Murphy, dor, defesa ou massa em hipocôndrio direito), B (sinais sistêmicos — febre, PCR elevada, leucocitose) e C (imagem característica). Um item de A somado a um item de B dá diagnóstico SUSPEITO; só com o bloco C ele passa a DEFINIDO — por isso a alternativa A está errada, já que o paciente tem apenas A e B. As alternativas C e D confundem colestase com colecistite: bilirrubina e enzimas canaliculares não integram os critérios diagnósticos e, quando alteradas, apontam para coledocolitíase ou Mirizzi. A alternativa E é falsa porque a ultrassonografia é justamente o exame de imagem inicial recomendado; a cintilografia tem melhor desempenho, mas não é exigida nem está disponível na maioria dos prontos-socorros.
Homem de 61 anos com colecistite aguda confirmada por clínica e ultrassonografia. Dor há 5 dias, temperatura 38,0 °C, leucócitos 21.400/mm³, PCR 180 mg/L, bilirrubina total 1,4 mg/dL, creatinina 1,0 mg/dL, INR 1,1, plaquetas 210.000/mm³, PaO₂/FiO₂ preservada, sem hipotensão, Glasgow 15. Qual a classificação de gravidade pelos critérios de Tóquio e por quê?
A ordem de leitura é sempre a mesma: primeiro se procura disfunção orgânica (Grau III), depois gravidade local (Grau II) e, se nada disso existir, Grau I. Aqui não há droga vasoativa, o Glasgow é 15, creatinina, INR e plaquetas estão normais e a relação PaO₂/FiO₂ está preservada — nenhum critério de Grau III. Mas há dois critérios de Grau II, e um só bastaria: leucócitos acima de 18.000/mm³ e duração dos sintomas maior que 72 horas (os outros dois são massa palpável em hipocôndrio direito e inflamação local marcada, como gangrena, abscesso, peritonite biliar ou colecistite enfisematosa). A alternativa A ignora o Grau II; a C erra porque bilirrubina não é critério de gravidade em Tóquio; D e E inventam critérios — nem PCR nem idade classificam gravidade no TG18.
Qual dos achados abaixo, isoladamente, classifica uma colecistite aguda como Grau III (grave) pelos critérios de Tóquio?
Grau III é definido por disfunção orgânica, e a hematológica tem corte explícito: plaquetas abaixo de 100.000/mm³. As demais são cardiovascular (hipotensão exigindo dopamina ≥ 5 µg/kg/min ou qualquer dose de noradrenalina), neurológica (rebaixamento do nível de consciência), respiratória (PaO₂/FiO₂ < 300), renal (oligúria ou creatinina > 2,0 mg/dL) e hepática (INR > 1,5). As alternativas A, D e E são critérios de Grau II — leucócitos acima de 18.000/mm³, massa palpável e mais de 72 horas de sintomas —, ou seja, gravidade local e não sistêmica. A alternativa B é a pegadinha mais comum do tema: bilirrubina não é critério de gravidade; icterícia com bilirrubina total ≥ 2 mg/dL entra no fluxograma do Grau III como fator preditor negativo, argumento contra a cirurgia precoce, e não como critério de classificação.
Paciente com colecistite aguda comunitária Grau II é submetido a colecistectomia videolaparoscópica sem intercorrências, e o inventário da cavidade não mostrou perfuração, gangrena nem coleção. No pós-operatório evolui afebril, sem leucocitose e com boa aceitação da dieta. Segundo o TG18, qual a duração recomendada da antibioticoterapia?
A tabela de duração do TG18 é direta: nas colecistites comunitárias Grau I e Grau II, a antibioticoterapia pode ser suspensa em até 24 horas após a colecistectomia — a retirada da vesícula é o controle do foco. Os 4 a 7 dias após o controle da fonte valem para o Grau III e para a colangite, e também quando se encontram perfuração, alterações enfisematosas ou necrose da vesícula durante a cirurgia, o que não é o caso. Há ainda uma exceção que costuma cair: bacteremia por cocos Gram-positivos (Enterococcus spp., Streptococcus spp.) exige no mínimo duas semanas, pelo risco de endocardite. A alternativa D reflete prática comum, mas guiar duração de antibiótico pela PCR não é recomendação do documento e prolonga tratamento sem benefício.
Durante colecistectomia videolaparoscópica por colecistite aguda com 6 dias de evolução, o cirurgião encontra intensa fibrose e edema no triângulo hepatocístico e não consegue obter a visão crítica de segurança. Qual a conduta mais adequada?
A lesão de via biliar decorre quase sempre de identificação errada em anatomia distorcida, não de falta de habilidade para dissecar. Por isso o TG18 recomenda explicitamente que, diante de dificuldade operatória séria, se usem procedimentos de resgate, inclusive a conversão; e o WSES 2020 recomenda a colecistectomia subtotal, laparoscópica ou aberta, quando a identificação anatômica é difícil e o risco de lesão iatrogênica é alto. A alternativa A é o comportamento que produz a lesão. A alternativa C é o mecanismo clássico da lesão do colédoco confundido com o cístico — na inflamação, a estrutura de maior calibre costuma ser justamente o colédoco. A alternativa D usa a colangiografia como ritual: ela pode esclarecer a anatomia, mas persistir na mesma dissecção insegura anula o benefício. A alternativa E abandona o foco infeccioso sem oferecer alternativa de drenagem.
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em 7 dias
Escreva de memória: os três blocos (A, B, C) do diagnóstico; os quatro itens do Grau II com seus cortes; e as seis disfunções orgânicas do Grau III com os respectivos valores. Depois responda em uma frase: por que "mais de 72 h de sintomas" agrava o grau mas não adia a cirurgia?
em 30 dias
Pegue três vinhetas de colecistite aguda e escreva, para cada uma, duas linhas: grau de Tóquio e destino (mesa agora, mesa depois de compensar, ou dreno). Se travar no destino, o que falta não é o grau — é o risco do paciente (CCI/ASA) e a estrutura do serviço.
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Mulher de 54 anos chega ao pronto-socorro com dor em hipocôndrio direito há três dias que não cede, febre e vômitos. Conduza: caracterize a dor, procure o sinal de Murphy, peça os exames que fecham os critérios de Tóquio e defina o destino dessa paciente. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
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