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Ecocardiograma na criança: a indicação, o relógio e o que ele não responde
Indicação do ecocardiograma na criança: os relógios da alta, das vinte e quatro horas e das semanas, e os limites do exame normal
Quem sai da consulta com o pedido na mão, quem sai sem ele, e com que pressa o estudo precisa acontecer
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Lactente de 3 semanas, nascido a termo, que passou no teste de oximetria de pulso na maternidade, é levado à unidade básica por mamadas interrompidas e sudorese durante a alimentação. Ao exame: taquipneico, com pulsos braquiais cheios e pulsos femorais fracos, ganho de peso abaixo do esperado. A mãe traz o registro do rastreio normal. Qual é a interpretação correta?
Como esse tema cai
Este capítulo trata da indicação do estudo ecocardiográfico na criança e no adolescente: quem precisa dele, com que pressa, o que precisa constar no pedido e o que um resultado normal não autoriza a concluir. O eixo é a decisão de quem atende a criança — na maternidade, na unidade básica ou no pronto atendimento — e não a interpretação técnica das imagens, que pertence a quem executa o exame.
As situações reunidas aqui aparecem em lugares diferentes da pediatria porque pertencem a doenças diferentes: o sopro na consulta de puericultura, o rastreio por oximetria antes da alta da maternidade, a suspeita de febre reumática, a doença de Kawasaki e a liberação para o esporte. O que elas têm em comum é o mesmo ato e quatro relógios distintos, e é isso que o texto coloca lado a lado.
Ficam de fora a descrição das cardiopatias congênitas uma a uma, o tratamento da insuficiência cardíaca do lactente e a técnica do exame. Neste capítulo o exame é a decisão, não o assunto.
O que muda decisão
O sopro que some quando a criança senta dispensa a máquina
Como usar este capítulo: antes de pedir ecocardiograma, defina o achado, a hipótese e a urgência. O exame responde anatomia e repercussão hemodinâmica, mas não substitui avaliação clínica, eletrocardiograma ou seguimento quando a probabilidade permanece alta.
Entre a metade e sete em cada dez crianças terão, em algum momento da infância ou da adolescência, uma alteração de ausculta reconhecida como sopro. É o que registra a revisão de sopro cardíaco na infância publicada pelo periódico da Sociedade Brasileira de Pediatria, e é um número que muda a ordem da consulta: se o sopro é achado da maioria, ele não pode ser tratado como sinal de doença até prova em contrário.
O sopro inocente nasce do fluxo através de um coração pequeno, com parede torácica fina e débito que sobe com febre, anemia ou choro. O mais comum, chamado vibratório ou de Still, é sistólico, curto, de timbre musical, ouvido melhor entre a borda esternal esquerda baixa e o ápice, e tem uma característica que sopro estrutural não imita bem: muda de intensidade com a posição. Reduz muito ou some quando a criança senta ou fica de pé, e volta quando ela deita.
O outro inocente frequente é o zumbido venoso, o único contínuo do grupo, audível na região infraclavicular e na base do pescoço, que desaparece ao comprimir a jugular do mesmo lado ou ao virar a cabeça da criança. Somam-se a eles o sopro de ejeção pulmonar, o de ramos pulmonares do lactente e o supraclavicular. Reconhecer esses padrões é a maior economia de exame que a pediatria oferece, porque eles têm critério positivo próprio e não dependem de excluir nada.
O restante do reconhecimento não está no estetoscópio. Está nos pulsos femorais palpáveis e simétricos, na ausência de cianose, no ganho de peso preservado, na criança que mama ou brinca sem cansaço e sem sudorese, e na ausência de morte súbita precoce na família. Com esse conjunto reunido, o pedido de imagem não acrescenta informação: transfere a decisão para uma fila e devolve, semanas depois, o mesmo coração normal que já estava descrito.
A mesma revisão afirma que a avaliação pediátrica adequada existe para evitar encaminhamentos e exames desnecessários, e é essa a tarefa de quem ausculta primeiro. O que muda a consulta é a frase dita em voz alta: o médico nomeia o sopro inocente para a família, explica que se trata de um som e não de uma doença, libera a educação física sem restrição e mantém a criança no calendário habitual de puericultura.
Os achados que tiram o sopro do banco e o põem na fila
A lista que converte um sopro em pedido de imagem é curta e cabe na memória. Todo sopro diastólico é patológico, sem exceção e sem discussão de intensidade. Sopro holossistólico, sopro cuja intensidade cresce quando a criança fica de pé, sopro acompanhado de frêmito, sopro de grau alto e presença de clique de ejeção pertencem ao mesmo lado.
Fora da ausculta, quatro sinais têm peso equivalente. Pulsos femorais fracos, ausentes ou atrasados em relação aos braquiais apontam obstrução do coração esquerdo. Cianose que não corrige com oferta de oxigênio aponta mistura intracardíaca. Sinais de insuficiência cardíaca no lactente, que aparecem como sudorese durante a mamada, mamadas interrompidas, taquipneia persistente e ganho de peso lento, apontam sobrecarga de volume. E segunda bulha única ou hiperfonética aponta hipertensão pulmonar ou grande artéria mal posicionada.
Há ainda o grupo em que a imagem se justifica pela companhia e não pelo som: criança com síndrome genética de risco cardíaco conhecido, criança com história familiar de morte súbita precoce ou de miocardiopatia, e criança cujo sopro apareceu durante a investigação de um sintoma cardiovascular, como síncope ao esforço ou dor torácica ao esforço.
Vale separar duas perguntas que costumam ser respondidas juntas e não são a mesma. A primeira é se aquele coração precisa de imagem. A segunda é com que pressa. Sopro isolado em criança que cresce bem e não tem sintoma pode esperar semanas sem prejuízo; sopro com pulso alterado, cianose ou insuficiência cardíaca não pode esperar, porque o intervalo entre a consulta e o exame é justamente o tempo em que uma cardiopatia dependente do canal arterial se descompensa.
Nenhum desses achados exige que o médico feche o diagnóstico. Exige que ele escreva o pedido com a descrição que colheu e defina a prioridade: sopro isolado em criança bem cresce na fila de rotina; sopro com pulso alterado, cianose ou insuficiência cardíaca sai da consulta com destino e prazo definidos, e com a família sabendo o que fazer se a criança piorar antes da data marcada.
O relógio mais curto começa ainda na maternidade
O rastreio com oximetria de pulso, incorporado ao sistema público por relatório da comissão federal de incorporação de tecnologias, aplica-se a todo recém-nascido aparentemente saudável com idade gestacional acima de trinta e quatro semanas, antes da alta da unidade neonatal. A aferição é feita no membro superior direito e em um dos membros inferiores, entre vinte e quatro e quarenta e oito horas de vida, com as extremidades aquecidas e com o monitor mostrando onda de traçado homogêneo.
O resultado é normal quando as duas medidas ficam em noventa e cinco por cento ou acima e a diferença entre elas é menor que três pontos percentuais. É anormal quando qualquer medida fica abaixo de noventa e cinco por cento ou quando a diferença alcança três pontos percentuais.
O que vem depois é o passo que mais se erra. Resultado anormal não manda direto para a imagem: manda repetir a aferição após uma hora, porque a transição circulatória das primeiras horas produz medida baixa em recém-nascido sadio e a repetição separa o ruído do sinal. Só a segunda medida alterada aciona o relógio curto. Confirmada a alteração, o texto federal manda realizar o estudo cardíaco dentro das vinte e quatro horas seguintes.
A pressa tem motivo anatômico. As cardiopatias que o rastreio procura são as críticas, dependentes do canal arterial para manter fluxo pulmonar ou sistêmico, e o canal fecha nos primeiros dias. O recém-nascido que recebe alta com o canal ainda aberto pode voltar em choque, e o quadro será então confundido com sepse, com a diferença de que a antibioticoterapia não resolve e a prostaglandina, que resolveria, não terá sido lembrada.
Vale saber, para não se assustar com o resultado, que a maior parte dos rastreios alterados não confirma cardiopatia. Nos dois estudos que o próprio relatório federal usou para estimar custo, entre os recém-nascidos encaminhados ao exame por rastreio positivo, a confirmação ficou em torno de um em cada cinco no primeiro e de pouco mais de um em cada oito no segundo. Isso não afrouxa o prazo: a proporção baixa é a assinatura de um teste de rastreio, e o que ela exige é que a confirmação aconteça rápido, não que ela seja adiada. Quando o serviço não dispõe do exame, o relógio não muda de tamanho, muda de endereço: o médico mantém o recém-nascido internado, aciona a referência e transfere com o resultado do rastreio e o exame físico registrados.

Saturação normal não é alta cardiológica
O mesmo relatório federal que criou o rastreio escreve, poucas linhas depois de mandar fazer o estudo em vinte e quatro horas, que o teste tem sensibilidade de setenta e cinco por cento e especificidade de noventa e nove por cento, e que algumas cardiopatias críticas podem não ser detectadas por ele, principalmente as do tipo coarctação da aorta. As duas frases convivem no mesmo documento e é preciso lê-las juntas: a que manda correr e a que avisa que um quarto dos casos não será encontrado.
A razão da falha é anatômica e vale a pena entender, porque ela explica quando desconfiar. Enquanto o canal arterial permanece pérvio, a perfusão da metade inferior do corpo pode ser mantida por ele, a saturação nos dois territórios fica dentro da faixa aceita, e o recém-nascido com coarctação passa no rastreio. A lesão só se declara quando o canal fecha, e aí a criança já está em casa.
O documento fecha esse ponto dizendo que o teste não dispensa exame físico minucioso e detalhado em todo recém-nascido antes da alta hospitalar. Ele não escreve qual manobra é essa. A revisão pediátrica que trata do sopro escreve: o exame do sistema cardiovascular vai além da ausculta, e diferenças na palpação dos pulsos entram na avaliação. Juntando os dois textos, a manobra que sobra tem nome — palpar os pulsos femorais e compará-los com os braquiais — e ela precisa ser repetida nas consultas das primeiras semanas, não apenas no dia da alta.
Quando o serviço dispõe de esfigmomanômetro adequado, a medida da pressão arterial nos quatro membros acrescenta o gradiente entre o território superior e o inferior, e transforma uma suspeita de palpação em número anotado no prontuário.
A mesma lógica vale no sentido inverso. Rastreio normal em criança que depois desenvolve taquipneia, palidez, pulsos finos e ganho de peso ruim não afasta cardiopatia: informa apenas que, naquele momento, a saturação estava adequada nos dois pontos medidos. O achado clínico novo vence o registro antigo, e quem atende o lactente nas primeiras consultas palpa os pulsos femorais em todas elas, tratando pulso femoral fraco como indicação de estudo mesmo com o rastreio da maternidade registrado como normal.
Na febre reumática o pedido não espera o sopro
A cardite é a manifestação que decide o prognóstico da febre reumática, porque é a única que deixa sequela permanente. A diretriz brasileira da doença descreve, entre as categorias de cardite, a cardite subclínica: exame cardiovascular dentro dos limites normais, radiografia e eletrocardiograma normais com exceção do intervalo de condução atrioventricular, e estudo com mapeamento de fluxo em cores identificando regurgitação mitral ou aórtica leve com características patológicas.
O mesmo texto registra que a cardite subclínica é encontrada em pacientes com artrite isolada ou com coreia pura, sem achados de ausculta, e que a Organização Mundial da Saúde recomenda, em áreas endêmicas, o estudo com mapeamento de fluxo para diagnosticar essa forma, com grau de recomendação e nível de evidência declarados.
A consequência prática é direta e é a origem de boa parte dos erros: em criança com suspeita de febre reumática, o estudo é pedido no momento do diagnóstico, mesmo que o precórdio esteja silencioso. Deixar de pedir por ausência de sopro pode subtrair uma manifestação maior, mudar a classificação do caso e, com ela, a duração da profilaxia secundária, que é medida em anos e depende de haver ou não cardite e sequela.
O exame também serve para o outro lado da conta. Coreia isolada fecha o diagnóstico sem precisar de mais nada, mas a criança com coreia recebe o estudo do mesmo jeito, porque a coreia costuma aparecer tarde e pode conviver com lesão valvar já instalada e silenciosa. E a artrite isolada, que parece a manifestação mais benigna do quadro, é justamente a companhia clássica da cardite subclínica.
O médico que atende a criança com artrite migratória, febre e evidência de infecção estreptocócica recente inicia a penicilina benzatina, abre a profilaxia secundária e solicita o estudo com mapeamento de fluxo no mesmo dia, sem condicioná-lo ao achado da ausculta.
O que o laudo precisa dizer para a cardite contar
Nem toda regurgitação vista no exame é doença. O fluxo regurgitante fisiológico é comum em crianças saudáveis, sobretudo nas valvas do lado direito, e um laudo que apenas escreve regurgitação mínima não sustenta o diagnóstico de cardite. Por isso a diretriz brasileira traz uma tabela de critérios específicos, e vale a pena saber lê-la.
Para a valva mitral, o jato regurgitante precisa ser holossistólico, dirigido ao átrio esquerdo, ter velocidade de pico acima do corte da tabela, apresentar extensão maior que um centímetro, mostrar padrão em mosaico e ser identificado em pelo menos dois planos de corte. Para a valva aórtica, o jato precisa ser holodiastólico, dirigido ao ventrículo esquerdo, ter a mesma velocidade de pico mínima e ser identificado também em pelo menos dois planos de corte.
A tabela acrescenta, em nota, que o espessamento dos folhetos valvares aumenta a especificidade dos achados. É a diferença entre um jato que existe e um jato que pertence à doença: além do fluxo, o laudo descreve a morfologia, e espessamento, restrição, prolapso e dilatação do anel reforçam a origem reumática. Dilatação de cavidades esquerdas, quando presente, muda o cuidado imediato, porque indica sobrecarga de volume já estabelecida.
Ler o laudo com esses itens na mão também protege do erro oposto, o de aceitar como cardite um achado que não é. Regurgitação leve em valva tricúspide ou pulmonar, sem os atributos da tabela, é variante e não manifestação maior; tratá-la como sequela prolonga profilaxia sem indicação e rotula a criança por anos.
Quando o laudo volta descrevendo apenas regurgitação mínima, sem as características listadas, o médico registra que não há cardite pelos critérios vigentes, mantém a classificação sem essa manifestação maior e programa a reavaliação, em vez de tratar o achado isolado como lesão instalada.
Kawasaki tem dois relógios, e o segundo fecha o caso
Na doença de Kawasaki o estudo cardíaco entra em momentos diferentes, com finalidades diferentes, e confundir os dois atrasa tratamento ou encerra o seguimento cedo demais. O documento científico da Sociedade Brasileira de Pediatria sobre a doença é explícito: o estudo com mapeamento de fluxo deve ser realizado no momento da suspeita, como referência para comparação posterior e para detectar alterações da fase aguda, como miocardite e pericardite.
Nas formas incompletas, que segundo o mesmo documento respondem por algo entre um quinto e três em cada dez pacientes, o achado coronariano tem peso adicional: dimensões de coronária acima do corte de escore adaptado ao tamanho da criança entra na lista de exames que ajudam a sustentar o diagnóstico quando faltam critérios clínicos.
O ponto que precisa ficar claro é o da precedência: a imunoglobulina não espera o exame. O documento situa a infusão até o décimo dia de febre e registra a queda da incidência de lesão coronariana de cerca de um quarto dos pacientes para menos de um em cada vinte e cinco. Nenhuma dificuldade de agenda justifica adiar a infusão em criança com quadro compatível; o estudo é solicitado em paralelo, não antes.
O segundo relógio é o do seguimento, e é ele que fecha o caso. O mesmo documento manda repetir o estudo entre uma e duas semanas e novamente entre seis e oito semanas de evolução, para afastar ectasias, aneurismas, tortuosidades e estreitamentos das artérias coronárias. Havendo aneurisma, a repetição passa a duas vezes por semana até a estabilização do lúmen.
A leitura errada mais comum é tratar o exame normal da fase aguda como alta. A dilatação coronariana costuma aparecer depois, e é a reavaliação tardia que define se a criança sai do seguimento cardiológico ou permanece nele com antiagregação mantida. O médico que suspeita da doença interna, inicia a imunoglobulina com o ácido acetilsalicílico e já deixa marcadas as duas reavaliações de imagem antes de a criança sair do hospital.
O exame normal que não encerra a investigação
Existe uma armadilha comum na leitura de um resultado normal: tratá-lo como certificado permanente. O estudo cardíaco fotografa a anatomia e o fluxo no instante em que foi feito, e há situações pediátricas em que esse instante é justamente o pior possível.
A mais conhecida é a do recém-nascido examinado com o canal arterial ainda amplamente aberto. Nessa condição o gradiente que denunciaria uma coarctação pode não existir, e o laudo sai sem a lesão que se declarará dias depois, quando o canal fechar. O mesmo vale para a resistência pulmonar ainda elevada das primeiras horas, que reduz o desvio através de defeitos de septo e faz com que eles apareçam menores do que são.
Há também o caso da criança maior com sintoma persistente e exame normal. Síncope ao esforço, dor torácica ao esforço e palpitação de início e fim súbitos podem ter origem elétrica, e anatomia normal não afasta arritmia. Nesses quadros o eletrocardiograma, o registro prolongado do ritmo e o teste de esforço respondem perguntas que o estudo estrutural não responde.
E há o caso em que o exame foi tecnicamente insuficiente. Criança agitada, janela ruim, estudo interrompido: um laudo que registra limitação técnica não é um laudo normal, e lê-lo como tal é o mesmo que não ter examinado.
O médico que recebe um resultado normal em criança que continua sintomática reexamina, registra a evolução, repete o estudo quando a condição da primeira avaliação mudou e amplia a investigação para o ritmo quando o sintoma tem cara elétrica.
Quem pede não é quem faz: o pedido tem endereço e prazo
Em boa parte do país o estudo cardíaco pediátrico não é agendado diretamente pela unidade básica: a porta de entrada é a consulta com o cardiologista pediátrico, que define o exame. Isso muda o que o médico da frente precisa fazer e explica por que tantas condutas corretas começam com o verbo encaminhar em vez do verbo solicitar.
O que transforma um encaminhamento em prioridade é o conteúdo escrito. Peso e ganho ponderal, descrição do sopro com posição, timbre e variação postural, estado dos pulsos femorais, presença de cianose ou de sinais de insuficiência cardíaca, saturação medida nos dois territórios e história familiar relevante. Encaminhamento com o campo de descrição vazio entra na fila pelo tempo de espera; encaminhamento com achado de risco descrito entra pela gravidade.
A separação de prioridade é razoavelmente estável entre serviços. Recém-nascido com rastreio alterado confirmado, lactente com sinais de insuficiência cardíaca, criança com cianose e criança com sopro diastólico ou com pulso femoral alterado precisam de avaliação imediata. Sopro sistólico isolado em criança bem, sem nenhum desses sinais, é avaliação eletiva e pode inclusive dispensar o exame depois da ausculta especializada.
Há um terceiro caminho que se esquece: em recém-nascido internado com suspeita de cardiopatia crítica, o correto não é encaminhar nem agendar, e sim manter a criança onde está e acionar a referência para que o exame venha até ela ou para que a transferência aconteça com vaga garantida. Alta hospitalar com pedido na mão, nesse cenário, é a conduta que mais custa caro.
O médico que encaminha escreve o que examinou, informa a família de que o exame pode não ser feito no dia da consulta e explica quais sinais devem trazer a criança de volta antes da data marcada.
Antes do esporte, quem decide é a conversa e o traçado
A avaliação para prática esportiva no adolescente é outro terreno onde o exame de imagem é pedido por reflexo. Ele não é ferramenta de rastreio populacional: em adolescente assintomático, sem história familiar preocupante e com exame físico normal, o rendimento é muito baixo e o achado incidental é mais provável do que a doença procurada.
O que tem rendimento é a anamnese dirigida e o exame físico. Síncope ou quase síncope durante o esforço, dor torácica ao esforço, palpitação de início e fim súbitos, dispneia desproporcional ao condicionamento, morte súbita ou doença cardíaca hereditária em parente de primeiro grau ainda jovem, sopro que aumenta em pé ou durante a manobra de Valsalva, e pressão arterial elevada para idade, sexo e estatura.
Vale insistir na manobra que separa: o sopro que aumenta quando o adolescente fica de pé, e não o que diminui, é o comportamento da obstrução dinâmica da via de saída do ventrículo esquerdo. É o inverso do sopro inocente, e essa inversão é o achado de exame físico com maior rendimento em toda a avaliação pré-participação.
Qualquer item dessa lista muda o desfecho da consulta. O adolescente é afastado da competição até o esclarecimento e segue para eletrocardiograma e avaliação cardiológica, e é nesse ponto, e não antes, que o estudo de imagem entra, procurando miocardiopatia hipertrófica, anomalia de origem coronariana e doenças da aorta.
O médico que atende o adolescente saudável e assintomático libera a prática, registra a ausência dos sinais de alerta e ensina quais sintomas durante o exercício obrigam a parar e procurar atendimento no mesmo dia.
O exame que não muda conduta cobra caro na criança
Pedir imagem cardíaca a uma criança não é um ato neutro. A revisão pediátrica sobre sopro registra que, em crianças de baixa idade, o estudo é geralmente realizado sob sedação — e sedação em pediatria significa jejum, monitorização, equipe treinada e risco respiratório próprio. Fora dessa faixa, o custo é outro: a espera, o deslocamento e as semanas em que a família convive com a hipótese de que o filho tem doença do coração.
Há ainda o custo do achado sem doença. Regurgitação mínima, forame oval ainda pérvio no lactente e falso tendão em ventrículo esquerdo são variantes comuns que aparecem no laudo e passam a exigir explicação, retorno e, às vezes, restrição de atividade que ninguém indicou. A criança rotulada como cardiopata sem cardiopatia perde educação física, ganha consulta e carrega o rótulo por anos.
O falso tendão merece nota própria, porque a mesma revisão o associa ao sopro vibratório e registra que ele é frequente também em adultos. É achado estrutural sem consequência: encontrá-lo no laudo de uma criança com sopro típico confirma a inocência do sopro em vez de contradizê-la, e quem lê o laudo precisa saber disso para não converter uma variante em doença.
O antídoto é uma pergunta feita antes de assinar o pedido: qual conduta muda se vier alterado, e qual muda se vier normal. Quando as duas respostas são a mesma, o exame não é necessário naquele momento, e o que a família precisa é da explicação que ainda não recebeu.
O médico que decide não pedir registra no prontuário os achados que sustentam a decisão, diz à família o que foi examinado e por que o exame não é preciso agora, e marca o retorno em que a decisão será revista.
Esquemas e tabelas
Quatro relógios, um exame. A pressa vem da doença suspeita, não da intensidade do sopro.
24 horas
Rastreio por oximetria alterado e confirmado após 1 hora: o recém-nascido fica internado e o estudo acontece dentro das 24 horas seguintes, porque o canal arterial fecha e a cardiopatia crítica se descompensa com ele.
Antes da alta
Recém-nascido com sopro, cianose, pulso femoral alterado ou sinais de insuficiência cardíaca não vai para casa aguardando fila: a avaliação acontece durante a internação.
No dia do diagnóstico
Suspeita de febre reumática e suspeita de doença de Kawasaki pedem o estudo no diagnóstico. Na febre reumática, mesmo sem sopro; na Kawasaki, sem atrasar a imunoglobulina.
1 a 2 e 6 a 8 semanas
O seguimento da doença de Kawasaki. Exame normal na fase aguda não exclui aneurisma coronariano; o estudo tardio é o que libera ou mantém o acompanhamento.
Sem relógio: não pedir
Sopro com padrão inocente, pulsos simétricos, crescimento preservado e criança assintomática. A decisão é explicar, liberar a atividade e manter a puericultura.
O rastreio por oximetria tem sensibilidade de 75% e não procura obstrução do coração esquerdo: o pulso femoral continua sendo palpado nas consultas das primeiras semanas.
Regurgitação que conta como cardite reumática: jato mitral holossistólico com extensão > 1 cm, velocidade de pico > 2,5 (a diretriz grafa a unidade como mm/s; velocidade de fluxo se mede em m/s), padrão em mosaico e presente em pelo menos 2 planos; ou jato aórtico holodiastólico em pelo menos 2 planos.
Encaminhamento sem descrição de exame físico entra na fila pelo tempo de espera; com achado de risco descrito, entra pela gravidade.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
A cardite subclínica — exame cardiovascular, radiografia e eletrocardiograma normais, exceto o intervalo PR, com regurgitação mitral e/ou aórtica leve de características patológicas ao dopplerecocardiograma — está listada entre as categorias de cardite e entre os critérios maiores, com tabela própria de critérios de fluxo. O documento registra ainda que a OMS recomenda, em áreas endêmicas, o ecocardiograma para o diagnóstico dessa forma (grau I, nível B).
Diretrizes Brasileiras para o Diagnóstico, Tratamento e Prevenção da Febre Reumática (Arq Bras Cardiol, suplemento) e o respectivo guia de bolso
A ordem explícita de solicitar o exame em todo paciente com suspeita não aparece: o texto escreve 'O eletrocardiograma deve ser solicitado em todos os pacientes com suspeita de FR' e não escreve o equivalente para o ecocardiograma, que fica descrito como um dos exames complementares para avaliação do comprometimento cardíaco.
Os mesmos dois documentos, na seção de exames complementares
Na prova
Medido nos dois arquivos e com os dois extratores (PyMuPDF e pypdf): 'ecocardiograma deve ser', 'dopplerecocardiograma deve', 'ecocardiograma … em todos' e 'solicitar … ecocardiograma' devolvem 0 nas duas fontes; o controle positivo — a ordem equivalente para o eletrocardiograma — existe e só aparece com o texto normalizado (deslocamento cru = −1 nos dois leitores; normalizado 35.447 no PyMuPDF e 34.999 no pypdf). Não é contradição: é um vão. O critério maior existe e a ordem de obter o exame que o encontra ficou de fora, e é por isso que a conduta correta na questão de artrite migratória com precórdio silencioso é pedir o exame — a diretriz que aceita a cardite subclínica não teria como aceitá-la sem ele. ⚠️ A mesma tabela traz a velocidade de pico grafada como '2,5 mm/s' nos dois documentos e nos dois extratores: a unidade de velocidade de fluxo é m/s, e o milímetro por segundo é erro de transcrição herdado, não um valor diferente.
Resultado anormal (qualquer medida abaixo de 95% ou diferença de 3% ou mais entre membro superior direito e membro inferior) exige nova aferição após 1 hora; confirmando-se, o ecocardiograma deve ser realizado dentro das 24 horas seguintes.
Relatório da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS sobre o teste de oximetria de pulso em recém-nascidos (Ministério da Saúde)
'Este teste apresenta sensibilidade de 75% e especificidade de 99%. Sendo assim, algumas cardiopatias críticas podem não ser detectadas através dele, principalmente aquelas do tipo coartação de aorta. A realização deste teste não descarta a necessidade de realização de exame físico minucioso e detalhado em todo recém-nascido, antes da alta hospitalar.'
O mesmo relatório, na seção de limitações
Na prova
As duas frases estão a 319 caracteres de distância no texto cru extraído pelo PyMuPDF (deslocamentos 7.896 e 8.215; 305 no texto normalizado; 342 cru e 324 normalizado no pypdf) e não se anulam: uma cria a rota do teste positivo, a outra declara o falso-negativo e devolve a tarefa ao exame físico sem nomear a manobra. Quando o enunciado descreve rastreio normal e depois pulso femoral fraco, taquipneia ou má perfusão, a resposta não é 'teste normal, seguir puericultura' — é investigar, porque a coarctação é exatamente a lesão que o documento admite não encontrar. ⚠️ O documento grafa 'coartação de aorta' duas vezes, e nenhuma 'coarctação'; a grafia sobrevive nos dois extratores, logo não é artefato de extração.
Caso resolvido
- Passo 1
- Antes de qualquer decisão, complete o exame: pulsos femorais e braquiais, saturação e pressão arterial.
- Passo 2
- Pulsos simétricos e cheios, saturação normal, segunda bulha com desdobramento variável e sem clique. Faltam duas manobras que custam segundos: ausculte a criança sentada e depois de pé. O sopro reduz muito ao sentar e quase desaparece em pé.
- Passo 3
- O conjunto preenche o padrão do sopro vibratório de Still, que tem critério positivo próprio. Nenhum achado do outro lado da lista está presente: não há sopro diastólico, frêmito, clique, cianose, pulso alterado nem sinal de insuficiência cardíaca. Note também a direção da variação postural: some em pé. O sopro que faz o contrário, e aumenta em pé, é o que sugere obstrução dinâmica de via de saída.
- Passo 4
- A decisão é não pedir imagem. Antes de fechar, aplique a pergunta que sustenta a decisão: se o exame viesse normal, nada mudaria; se viesse com regurgitação mínima ou falso tendão, também nada mudaria, exceto a ansiedade da família e a chance de restrição indevida. Lembre que em criança pequena o estudo costuma exigir sedação.
- Passo 5
- Registre no prontuário a descrição do sopro com a variação postural, o estado dos pulsos e o crescimento. Nomeie o sopro inocente para a mãe, explique que é som e não doença, libere a educação física sem restrição e mantenha o calendário de puericultura, dizendo quais sintomas trariam a criança antes: cansaço às atividades, desmaio, dor no peito ao esforço ou lábios arroxeados.
Agora feche você
- Passo 1
- Antes de decidir, verifique a condição da medida: o bebê estava aquecido e o traçado do monitor estava homogêneo?
- Passo 2
- Defina o passo imediato do protocolo. Escreva por que resultado alterado não manda direto para a imagem nem autoriza alta, e o que exatamente se repete: onde, quando e em quantos territórios.
- Passo 3
- Suponha que a segunda medida se mantenha alterada. Escreva a conduta completa: onde o recém-nascido fica, em que prazo o estudo precisa acontecer, e o que se faz quando o serviço não dispõe do exame.
- Passo 4
- Agora inverta o cenário: a segunda medida normaliza. Diga o que o resultado normal autoriza e o que ele não autoriza, cite o número de sensibilidade que sustenta essa reserva e nomeie a manobra de exame físico que permanece obrigatória nas consultas das primeiras semanas.
- Passo 5
- Feche com a orientação de alta: quais sinais devem trazer o recém-nascido de volta antes da consulta marcada, e como você os descreve para a mãe sem usar termo técnico.
Onde a banca derruba
- 1 Repetir a oximetria após 1 hora é parte do protocolo, não hesitação. A transição circulatória das primeiras horas produz medida baixa em recém-nascido saudável; quem manda direto para a imagem enche a agenda de exame normal, e quem dá alta sem repetir perde a cardiopatia crítica. A segunda medida é o que decide.
- 2 Rastreio por oximetria normal não afasta coarctação da aorta enquanto o canal arterial estiver aberto — o próprio documento federal escreve isso ao declarar sensibilidade de 75%. O sinal que sobra é o pulso femoral, e ele precisa ser palpado nas consultas das primeiras semanas, não apenas no dia da alta.
- 3 Na doença de Kawasaki, o exame de imagem nunca precede a imunoglobulina. Adiar a infusão para aguardar agendamento troca o tratamento que previne aneurisma pelo exame que o descreve depois de instalado.
- 4 Exame normal no diagnóstico da doença de Kawasaki não encerra o seguimento: a repetição em 1 a 2 semanas e em 6 a 8 semanas é o que afasta ectasia e aneurisma, e havendo aneurisma a frequência sobe para duas vezes por semana até a estabilização do lúmen.
- 5 Sopro diastólico não tem versão inocente. Independentemente da intensidade, do timbre e do estado geral da criança, ele indica avaliação cardiológica.
- 6 Regurgitação leve em valva do lado direito é achado comum em criança saudável. Só conta como cardite reumática o jato que preenche a tabela de critérios: holossistólico mitral com extensão maior que 1 cm, em mosaico e em pelo menos 2 planos, ou holodiastólico aórtico em pelo menos 2 planos, com espessamento de folhetos aumentando a especificidade.
- 7 Exame de imagem não é rastreio para liberar esporte. Em adolescente assintomático, com exame físico normal e sem história familiar de risco, o achado incidental é mais provável do que a doença procurada; o que tem rendimento é a anamnese dirigida, o exame físico e o eletrocardiograma.
- 8 Sopro que aumenta quando o adolescente fica de pé é o inverso do inocente e sugere obstrução dinâmica de via de saída. Confundir a direção da variação postural inverte a conduta.
O próprio relatório federal que incorporou a oximetria de pulso declara sensibilidade de 75% e adverte que algumas cardiopatias críticas podem não ser detectadas, principalmente as do tipo coarctação da aorta, acrescentando que o teste não dispensa exame físico minucioso antes da alta. A explicação é anatômica: enquanto o canal arterial permanece pérvio, a perfusão da metade inferior do corpo é mantida por ele e as saturações podem ficar dentro da faixa aceita. O achado clínico novo — pulso femoral fraco com pulso braquial cheio, taquipneia e ganho de peso ruim — vence o registro antigo e indica investigação imediata.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Lactente de 2 meses é levado à unidade básica com sopro sistólico suave descoberto em consulta de rotina. Está assintomático, com ganho de peso adequado e pulsos simétricos. A unidade não solicita ecocardiograma diretamente: o acesso se dá por consulta com o cardiologista pediátrico. Qual conduta melhor traduz o encaminhamento adequado?
A prioridade de um encaminhamento é construída pelo conteúdo escrito: descrição do sopro com posição, timbre e variação postural, estado dos pulsos femorais, saturação, presença de cianose ou de sinais de insuficiência cardíaca, peso e ganho ponderal, história familiar relevante. Sem essa descrição, o pedido entra na fila pelo tempo de espera; com achado de risco descrito, entra pela gravidade. Aqui o lactente está assintomático, cresce bem e tem pulsos simétricos, o que caracteriza avaliação eletiva — e a família precisa saber quais sinais devem trazê-lo de volta antes da data marcada.
Criança de 4 anos em acompanhamento por doença de Kawasaki tratada com imunoglobulina no sétimo dia de febre. O estudo cardíaco realizado no dia do diagnóstico foi normal, e a criança está afebril e assintomática há 10 dias. Os pais perguntam se ainda é preciso repetir o exame. Qual é a resposta correta?
A dilatação coronariana costuma surgir depois da fase aguda, de modo que exame normal no diagnóstico não exclui aneurisma. O documento científico brasileiro orienta repetir o estudo em 1 a 2 semanas e em 6 a 8 semanas de evolução, para afastar ectasias, aneurismas, tortuosidades e estreitamentos das artérias coronárias; havendo aneurisma, a frequência sobe para duas vezes por semana até a estabilização do lúmen. É a reavaliação tardia que decide se a criança sai do seguimento cardiológico ou permanece nele, e é ela também que define a manutenção da antiagregação.
Menina de 5 anos, assintomática, em consulta de puericultura. Crescimento adequado, sem história familiar de morte súbita. Ao exame: corada, acianótica, pulsos braquiais e femorais simétricos e cheios, segunda bulha com desdobramento fisiológico, sem clique. Ausculta-se sopro sistólico curto, musical, de baixa intensidade, na borda esternal esquerda baixa, que praticamente desaparece quando ela fica de pé. Qual é a conduta?
O quadro reúne o critério positivo do sopro vibratório de Still: sistólico, curto, musical, de baixa intensidade, em borda esternal esquerda baixa e com redução marcante em ortostase. Somam-se pulsos femorais simétricos, ausência de cianose, crescimento preservado e ausência de história familiar de risco. Nesse conjunto o exame de imagem não acrescenta informação e ainda cobra preço — em criança pequena costuma exigir sedação, e variantes como falso tendão e regurgitação mínima aparecem no laudo e viram explicação, retorno e restrição indevida. A conduta é nomear o sopro inocente, liberar a atividade física e manter o calendário habitual.
Recém-nascido com 20 horas de vida, em unidade neonatal, apresenta sopro sistólico rude, cianose leve que não melhora com oferta de oxigênio e pulsos femorais palpáveis. O serviço não dispõe de ecocardiografia e a referência fica a 120 km. Qual é a conduta mais adequada?
Cianose que não corrige com oferta de oxigênio em recém-nascido é sinal de mistura intracardíaca e coloca o caso no grupo das cardiopatias potencialmente dependentes do canal arterial, que fecha nos primeiros dias de vida. Quando o serviço não dispõe do exame, o prazo não muda de tamanho, muda de endereço: o recém-nascido permanece internado, a referência é acionada e a transferência ocorre com o exame físico completo e as saturações dos dois territórios registrados. Alta hospitalar com pedido na mão devolve o bebê em choque, quadro que costuma ser confundido com sepse e no qual a antibioticoterapia isolada não resolve.
Recém-nascido submetido a ecocardiograma nas primeiras horas de vida por sopro, com laudo descrevendo anatomia sem alterações e canal arterial amplamente pérvio. Aos 12 dias de vida retorna com má perfusão, taquipneia e pulsos femorais impalpáveis. Como se interpreta a sequência?
O estudo cardíaco fotografa anatomia e fluxo no instante em que foi feito. Com o canal arterial amplamente pérvio, o fluxo pela persistência mantém a perfusão da metade inferior do corpo e o gradiente que denunciaria a coarctação pode não existir, de modo que a lesão só se manifesta quando o canal fecha — em geral na primeira ou segunda semana. Não é erro de laudo nem doença nova: é limitação de janela temporal. Por isso resultado normal obtido nas primeiras horas não encerra a vigilância, e a palpação dos pulsos femorais permanece obrigatória nas consultas das primeiras semanas.
Adolescente de 15 anos, assintomático, procura a unidade para liberação em campeonato escolar. Nega síncope, dor torácica ao esforço e palpitação; não há morte súbita precoce na família. Exame físico normal, com pressão arterial adequada para idade, sexo e estatura, sem sopros. Qual é a conduta?
Em adolescente assintomático, com exame físico normal e sem história familiar de risco, o exame de imagem não funciona como rastreio populacional: o rendimento é baixo e o achado incidental é mais provável do que a doença procurada, gerando restrição indevida e nova cascata de exames. O que tem rendimento é a anamnese dirigida — síncope ou quase síncope ao esforço, dor torácica ao esforço, palpitação de início e fim súbitos, dispneia desproporcional, morte súbita ou doença cardíaca hereditária em parente jovem — somada ao exame físico. A liberação vem acompanhada da orientação de interromper o exercício e procurar atendimento se algum desses sintomas aparecer.
Recém-nascido a termo, com 30 horas de vida, assintomático, em alojamento conjunto. No teste de oximetria de pulso, a saturação é de 93% no membro superior direito e de 96% no membro inferior. O bebê estava aquecido e o traçado do monitor era homogêneo. Qual é a conduta imediata?
O protocolo federal considera anormal qualquer medida abaixo de 95% ou diferença de 3% ou mais entre o membro superior direito e o membro inferior — aqui as duas condições estão presentes. O passo previsto para o resultado anormal é uma nova aferição após 1 hora, porque a transição circulatória das primeiras horas produz medida baixa em recém-nascido saudável. Só a segunda medida alterada aciona o estudo cardíaco dentro das 24 horas seguintes. Antecipar a imagem ou iniciar prostaglandina em criança assintomática, sem confirmar a alteração, inverte a ordem do protocolo; e dar alta é o erro que devolve o bebê em choque quando o canal arterial fechar.
Menino de 8 anos com febre há 12 dias, artrite migratória em joelhos e tornozelos e ASLO elevada. Ao exame cardiovascular, ausculta cardíaca sem sopros, sem atrito e sem sinais de insuficiência cardíaca. A radiografia de tórax é normal e o eletrocardiograma mostra apenas intervalo PR discretamente aumentado. Qual conduta é correta em relação à investigação cardíaca?
A diretriz brasileira de febre reumática descreve a cardite subclínica como exame cardiovascular, radiografia e eletrocardiograma normais — com exceção do intervalo PR — associados a regurgitação mitral ou aórtica leve com características patológicas ao dopplerecocardiograma, e a lista entre as manifestações maiores. Ela é justamente a companhia da artrite isolada e da coreia pura. Deixar de pedir o estudo por ausência de sopro pode subtrair uma manifestação maior, mudar a classificação do caso e encurtar indevidamente a profilaxia secundária. A biópsia endomiocárdica tem baixa sensibilidade para o diagnóstico de cardite e não pertence a esta investigação.
Escolar de 9 anos investigado por suspeita de febre reumática. O laudo do dopplerecocardiograma descreve regurgitação tricúspide leve, de pequena extensão, sem alteração morfológica valvar, e ausência de outras alterações. Como esse laudo deve ser incorporado ao diagnóstico?
A tabela de critérios da diretriz brasileira exige atributos específicos do jato: para a valva mitral, jato holossistólico dirigido ao átrio esquerdo, com velocidade de pico acima do corte, extensão maior que 1 cm, padrão em mosaico e identificação em pelo menos dois planos; para a aórtica, jato holodiastólico em pelo menos dois planos. A nota da tabela acrescenta que o espessamento dos folhetos aumenta a especificidade. Regurgitação leve em valva do lado direito, sem esses atributos, é variante comum em crianças saudáveis. Tratá-la como cardite cria sequela onde não há, prolonga profilaxia sem indicação e rotula a criança por anos.
Menino de 2 anos com febre há 6 dias, conjuntivite bulbar não exsudativa, exantema polimorfo, eritema de lábios e edema de extremidades. Provas inflamatórias muito elevadas. O serviço informa que o ecocardiograma só poderá ser realizado em 4 dias. Qual é a conduta?
O documento científico brasileiro sobre a doença situa a infusão de imunoglobulina intravenosa até o décimo dia de febre e registra queda da incidência de lesão coronariana de cerca de um quarto dos pacientes para menos de um em vinte e cinco. O exame de imagem tem função de referência inicial e de detecção de miocardite, pericardite e alteração coronariana, mas não é pré-requisito para o tratamento: a criança preenche critérios clínicos e a janela terapêutica é curta. Adiar a infusão por agendamento troca o tratamento que previne o aneurisma pelo exame que o descreveria depois de instalado.
Sobre a indicação do ecocardiograma em criança com sopro cardíaco, assinale a alternativa correta.
A indicação nasce da suspeita clínica: sopro com características patológicas, sintomas, alteração de pulsos ou exames complementares anormais. Pedir ecocardiograma para todo sopro é conduta que consome recursos e não muda desfecho, já que a maioria dos sopros da infância é inocente e reconhecível pelo exame — repetir o exame em quem tem sopro inocente é ainda mais injustificado.
Sobre o ecocardiograma na avaliação de cardiopatia congênita, assinale a alternativa correta.
O ecocardiograma é o exame central da cardiologia pediátrica, mas tem limites: depende de janela, avalia mal o arco distal em crianças maiores e não mede diretamente resistência vascular pulmonar, para a qual o cateterismo permanece necessário quando a decisão cirúrgica depende desse dado. Radiografia normal não afasta cardiopatia e não dispensa a ecocardiografia.
Qual é o cronograma habitual de ecocardiogramas no acompanhamento inicial de uma criança com doença de Kawasaki não complicada?
O objetivo é flagrar a dilatação coronariana no período de maior risco e documentar a evolução, com exames no diagnóstico, na fase subaguda e em torno de um mês e meio, intensificando a frequência quando há alterações ou resistência ao tratamento. Esperar sopro é inútil, porque a lesão coronariana é silenciosa à ausculta. Um único exame tardio pode perder aneurismas que surgiram e já regrediram parcialmente, além de atrasar a decisão terapêutica.
Qual exame complementa o ecocardiograma na avaliação de coronárias de crianças com aneurismas complexos ou de difícil visualização?
À medida que a criança cresce, a janela acústica piora e a visualização dos segmentos distais fica limitada, o que faz das técnicas tomográficas e de ressonância o complemento natural, com o cateterismo reservado a situações que exijam avaliação hemodinâmica ou intervenção. O eletrocardiograma faz parte do seguimento, mas não avalia anatomia coronariana. A escolha do método pesa radiação, necessidade de sedação e disponibilidade.
Como se avalia o diâmetro das artérias coronárias em crianças no ecocardiograma?
Crianças variam muito de tamanho, e um mesmo diâmetro em milímetros pode ser normal em um escolar e francamente aneurismático em um lactente; o escore Z corrige pela superfície corporal e é o parâmetro que define dilatação, aneurisma e aneurisma gigante. Usar valores absolutos é o erro que subestima lesões em crianças pequenas, justamente o grupo de maior risco. A medida deve ser feita em múltiplos segmentos por examinador experiente.
Qual informação o ecocardiograma NÃO fornece de forma adequada na avaliação da criança com sopro?
O ecocardiograma avalia bem anatomia, shunts, função ventricular, gradientes valvares e derrame pericárdico, mas tem limitações na anatomia coronariana distal — que exige angiotomografia, ressonância ou cateterismo — e não avalia o sistema de condução, cuja informação vem do eletrocardiograma e do Holter. Saber o que o exame não responde evita a armadilha de considerar um eco normal como exclusão de arritmia ou de anomalia coronariana em criança com síncope de esforço.
Qual conduta é adequada quando o ecocardiograma de criança com sopro suspeito resulta normal?
Ecocardiograma normal em criança com sopro e sem sintomas permite tranquilizar a família, documentar o achado — o que evita repetições futuras — e liberar as atividades, mantendo apenas o acompanhamento clínico habitual. Repetir o exame indefinidamente gera custo e ansiedade. Manter restrição por precaução prejudica desenvolvimento e socialização sem base. Cateterismo é invasivo e desnecessário, e profilaxia de endocardite tem indicações específicas que não incluem coração estruturalmente normal.
Qual é o exame que melhor define o diagnóstico anatômico e funcional na suspeita de cardiopatia congênita com insuficiência cardíaca?
O ecocardiograma mostra a anatomia, os shunts, a função ventricular, os gradientes e a pressão pulmonar estimada, respondendo simultaneamente às perguntas estrutural e funcional que definem a conduta. O peptídeo natriurético engana por ser marcador útil na avaliação e no acompanhamento da insuficiência cardíaca, mas não informa qual é o defeito nem sua repercussão hemodinâmica específica, sendo complementar e não definidor do diagnóstico.
Qual é o papel do ecocardiograma na avaliação da dor torácica em crianças e adolescentes?
A imensa maioria das dores torácicas na pediatria é musculoesquelética, respiratória, gastrointestinal ou psicogênica, e a solicitação indiscriminada do ecocardiograma tem rendimento muito baixo, além de gerar achados incidentais e ansiedade. Ele se torna indispensável diante de sinais de alarme e de suspeitas específicas, como origem anômala de coronária, cardiomiopatia hipertrófica e derrame pericárdico. O eletrocardiograma continua sendo a primeira ferramenta na triagem.
Qual momento é o mais adequado para realizar o ecocardiograma em criança com suspeita de cardiopatia, considerando a organização do cuidado?
A urgência do ecocardiograma é definida pela clínica: recém-nascido cianótico, com choque, pulsos alterados ou teste do coraçãozinho positivo exige exame imediato, enquanto criança assintomática com sopro suspeito pode ser avaliada eletivamente. Tratar todo sopro como urgência congestiona o serviço e adia quem realmente precisa. Postergar em recém-nascido cianótico é risco de morte. Restringir por idade ou condicionar à história familiar deixa passar cardiopatias sem antecedentes.
Qual é a indicação apropriada de ecocardiograma em criança com sopro cardíaco?
O ecocardiograma é indicado diante de características patológicas do sopro, sintomas como cansaço às mamadas, dispneia, síncope ou dor torácica de esforço, alteração de pulsos ou de segunda bulha, e em lactentes com sopro, faixa em que a probabilidade de cardiopatia é maior e a semiologia menos confiável. Solicitar para todo sopro é excesso, dado que a maioria é inocente. Restringir por idade ou condicionar a eletrocardiograma alterado deixa passar cardiopatias com eletrocardiograma normal.
Quais características da dor torácica em criança ou adolescente sugerem causa cardíaca e exigem investigação?
O conjunto que separa a minoria cardíaca é esforço, síncope, palpitações e história familiar de morte súbita ou de cardiomiopatia, e é ele que indica eletrocardiograma, ecocardiograma e avaliação especializada. Dor em pontada breve em repouso, reprodutível à palpação e relacionada à respiração é o perfil benigno, que domina os atendimentos. Investigar a todos gera custo alto e rendimento próximo de zero.
Recém-nascido com fenótipo compatível com síndrome de Down, confirmada por cariótipo, encontra-se assintomático no alojamento conjunto. Peso 3.100 g, FC 138 bpm, FR 46 ipm, SatO2 97% em ar ambiente. Ausculta cardíaca sem sopros audíveis no momento, com segunda bulha de intensidade normal e pulsos femorais palpáveis e simétricos. Mãe pergunta sobre a necessidade de avaliação cardiológica. Qual a conduta?
Cerca de metade das crianças com síndrome de Down tem cardiopatia congênita, frequentemente defeito do septo atrioventricular, que pode não produzir sopro nos primeiros dias por resistência pulmonar ainda elevada; por isso o ecocardiograma é indicado a todo recém-nascido com o diagnóstico, independentemente do exame físico. Aguardar o surgimento de sopro atrasa o diagnóstico e permite o desenvolvimento de doença vascular pulmonar. Radiografia e eletrocardiograma isolados não excluem a malformação. Dispensar a avaliação contraria recomendação consolidada. A oximetria seriada não detecta defeitos acianóticos.
Recém-nascida a termo, 36 horas de vida, realizou triagem por oximetria de pulso antes da alta com SpO2 de 97% no membro superior direito e 96% no membro inferior, considerada normal. Recebeu alta hospitalar. Aos 20 dias de vida, retorna à unidade básica para consulta de puericultura. A mãe refere que a criança apresenta cansaço às mamadas e sudorese. Ao exame, peso abaixo do esperado, taquipneia leve em repouso, pulsos femorais fracos e atrasados em relação aos braquiais, sopro sistólico em região interescapular. Qual a conduta correta?
A triagem por oximetria de pulso apresenta sensibilidade em torno de 75% e falha justamente em detectar coartação da aorta, cuja apresentação típica é retardada, com quadro de insuficiência cardíaca ao fechamento do canal arterial: dificuldade nas mamadas, sudorese, taquipneia, ganho pôndero-estatural insuficiente, pulsos femorais fracos ou atrasados e sopro interescapular. O material oficial reconhece explicitamente que o teste não substitui o exame físico. Diante desse conjunto de sinais em lactente, a conduta correta é referenciar com urgência para avaliação cardiológica e ecocardiograma, mantendo suporte hospitalar. Repetir a oximetria, adiar a investigação por 30 dias ou iniciar diurético isoladamente sem diagnóstico definido colocam a criança em risco de descompensação grave. Referências: Fôlder oficial – Teste do coraçãozinho — https://educapes.capes.gov.br/bitstream/capes/743051/2/F%C3%B4lder%20Teste%20do%20cora%C3%A7%C3%A3ozinho.pdf Portaria SCTIE/MS nº 20/2014 — https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/sctie/2014/prt0020_10_06_2014.html
Lactente de 8 meses é levada ao pronto-atendimento pela mãe por febre alta há 6 dias, irritabilidade, exantema polimorfo em tronco, hiperemia conjuntival bilateral não exsudativa, lábios fissurados e edema doloroso em dorso de mãos e pés. Não há adenomegalia cervical evidente. Exames laboratoriais mostram PCR elevada, VHS 68 mm/h, plaquetas 620.000/mm³ e leucocitose com neutrofilia. A hipótese diagnóstica é doença de Kawasaki. Quanto à solicitação de ecocardiograma nesta paciente, qual é a conduta correta?
A doença de Kawasaki é vasculite de vasos de médio calibre com risco de aneurismas coronarianos em cerca de 25% dos não tratados e 4% dos tratados. O documento científico da SBP orienta ecocardiograma no momento da suspeita, com repetições em 1–2 semanas e em 6–8 semanas de evolução, cobrindo as três fases da doença. O ecocardiograma inicial também tem valor diagnóstico nas formas incompletas, quando o achado de alteração coronariana pode fechar o diagnóstico. Aguardar sintomas de insuficiência cardíaca, aguardar semanas ou condicionar à resposta à imunoglobulina retarda a detecção do envolvimento coronariano e não modifica o tratamento inicial com IVIG até o 10º dia. Referências: SBP – Doença de Kawasaki (Documento Científico) — https://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/doenca-de-kawasaki/ SBP – Doença de Kawasaki (informação clínica) — https://www.sbp.com.br/pediatria-para-familias/doencas/doenca-de-kawasaki/
Menino de 10 anos é atendido em unidade básica de saúde com quadro de movimentos involuntários súbitos, incoordenados, não estereotipados, envolvendo face e membros superiores, iniciados há cerca de 3 semanas e associados a labilidade emocional e piora do desempenho escolar. Nega febre, artralgia ou infecção recente identificada. Ao exame: sinal do ordenhador, mão em colher, marcha atáxica; ausculta cardíaca sem sopros, pulsos simétricos, sem sinais de insuficiência cardíaca. ASLO discretamente elevado. Firmada a hipótese de coreia de Sydenham como manifestação isolada de febre reumática. Nesse contexto, qual é a conduta correta quanto ao ecocardiograma?
A coreia de Sydenham é manifestação maior autossuficiente para o diagnóstico de febre reumática, dispensando o cumprimento adicional dos critérios de Jones. No entanto, sua apresentação é tardia, ocorrendo semanas a meses após a infecção estreptocócica, e pode coexistir com cardite subclínica já instalada. As Diretrizes Brasileiras de Febre Reumática recomendam ecocardiograma em todo paciente com suspeita ou diagnóstico, incluindo aqueles com coreia isolada, exatamente porque a presença ou ausência de cardite/sequela valvar altera a duração da profilaxia secundária (que pode ser estendida por décadas quando há lesão valvar). Deixar de solicitar o ecocardiograma nessa situação pode subestimar a gravidade e encurtar indevidamente a profilaxia, expondo o paciente a novos surtos e sequelas. Titulação de ASLO não substitui a documentação de cardite. Adiar por 6 meses ou reservar para recorrência perde a oportunidade de definir precocemente a estratégia de profilaxia. Referências: Guia de Bolso – Diretrizes Brasileiras de Febre Reumática (SBC/SBP/SBR) — https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/pdfs/Cardio_GUIA_DE_BOLSO_Diretrizes_%20Febre_Reumatica.pdf SBP – Novos critérios para Febre Reumática — https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/2012/12/Novos-critrios-para-Febre-Reumtica-Site-003.pdf
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em 7 dias
Sopro inocente tem critério positivo: sistólico, curto, musical, que reduz ou some quando a criança senta ou fica de pé, com pulsos femorais simétricos, sem cianose, com crescimento preservado e sem morte súbita precoce na família — 50% a 70% das crianças terão sopro em algum momento. Mandam avaliar: sopro diastólico, holossistólico, com frêmito, com clique, que aumenta em pé, além de cianose, pulso femoral alterado e sinais de insuficiência cardíaca. Rastreio por oximetria: membro superior direito e um membro inferior, entre 24 e 48 horas de vida, normal se ambas ≥ 95% e diferença < 3%; alterado repete após 1 hora e, confirmado, o estudo sai em 24 horas. Suspeita de febre reumática pede o estudo com Doppler mesmo sem sopro, porque a cardite subclínica é critério maior. Na Kawasaki: exame no diagnóstico sem atrasar a imunoglobulina, e repetição em 1 a 2 e em 6 a 8 semanas.
em 30 dias
Escreva de memória os quatro relógios do estudo cardíaco na criança e a quem cada um pertence. Depois monte, em 10 linhas cada, a conduta de três casos: recém-nascido com rastreio por oximetria alterado confirmado; escolar com artrite migratória, febre, evidência de infecção estreptocócica recente e precórdio silencioso; lactente com sopro sistólico curto que some ao sentar, pulsos simétricos e ganho de peso adequado. Em cada um diga o que se pede, com que prazo, o que se escreve no encaminhamento e o que se diz à família. Feche revendo por que sensibilidade de 75% obriga a manter a palpação dos pulsos femorais mesmo depois de um rastreio normal.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Consulta de puericultura de criança pré-escolar assintomática em que se ausculta um sopro sistólico curto, com a mãe pedindo o exame do coração porque uma vizinha conseguiu. Treine completar o exame físico em voz alta, incluindo a ausculta sentada e em pé, nomear o sopro inocente, sustentar a decisão de não pedir a imagem e entregar os sinais que trazem a criança de volta antes do retorno. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
