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Sopro cardíaco na criança
Sopro cardíaco inocente versus patológico na criança
A prova quase nunca pergunta o nome do sopro. Ela monta a consulta e cobra a decisão: tranquilizar, investigar ou encaminhar hoje.
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Menino de 8 anos é encaminhado por sopro detectado em consulta de rotina. É assintomático, tem bom desenvolvimento e prática esportiva normal. Ao exame: FC 88 bpm, PA 100/62 mmHg, pulsos simétricos, sem cianose. Ausculta: sopro sistólico ejetivo 2/6 em borda esternal esquerda média, curto, musical, que diminui de intensidade quando ele senta e fica em pé, sem irradiação, com B2 normal e desdobramento fisiológico. Qual é a conduta mais adequada?
Como esse tema cai
Entre 50% e 70% das crianças terão um sopro cardíaco em algum momento da infância ou da adolescência, com pico na idade escolar, e a esmagadora maioria não tem doença nenhuma. É por isso que o sopro é a principal causa de encaminhamento de criança ao cardiologista pediátrico — e é por isso que a prova raramente pergunta o que é um sopro de Still. Ela monta uma consulta inteira e cobra a decisão que vem depois: tranquilizar a família, pedir ecocardiograma ou encaminhar hoje.
O que decide essa conta não é o sopro sozinho. É o pacote: idade da criança, presença de sintoma, como está a segunda bulha, se há click, o que os pulsos femorais dizem, como vai a curva de peso e o que a mudança de postura faz com o sopro. Um sopro 2/6 vibratório num escolar corado que joga futebol é uma coisa; o mesmo 2/6 num lactente que sua para mamar e não ganha peso é outra completamente diferente.
Guarde a hierarquia, porque ela resolve a maioria das questões: existem achados que sozinhos derrubam a hipótese de sopro inocente — sopro diastólico, frêmito, click, desdobramento fixo de B2, pulso femoral fraco. Nenhum deles precisa de exame complementar para ser levado a sério, e nenhum exame complementar normal desfaz qualquer um deles.
O que muda decisão
Por que a maioria dos sopros da infância não é doença
Sopro é o som da turbulência do fluxo sanguíneo. A criança reúne todas as condições para produzi-la sem ter defeito nenhum: parede torácica fina, distância curta entre o coração e a membrana do estetoscópio, frequência cardíaca alta e débito cardíaco proporcionalmente grande. Qualquer estado hiperdinâmico — febre, anemia, ansiedade, exercício recente, hipertireoidismo — acelera o fluxo e faz aparecer, ou aumentar, um sopro que é apenas funcional.
Daí a prevalência que a SBP registra: de 50% a 70% das crianças apresentam sopro em algum momento, concentrado na idade escolar. Numa criança assintomática dessa faixa, com sopro sistólico isolado, a probabilidade pré-teste de cardiopatia estrutural é baixa. Isso não é licença para ignorar o achado — é exatamente o motivo pelo qual as características do sopro e o resto do exame físico carregam tanto peso na decisão.
A consequência prática mais rentável é simples: sopro que surge durante um quadro febril e desaparece com a criança afebril é a história clássica do sopro funcional. Reavaliar fora do quadro agudo, sem pressa, resolve boa parte desses casos sem consumir uma vaga de ecocardiograma. O que não se faz é dar alta com 'tem um sopro' escrito no prontuário e nenhuma característica descrita: na consulta seguinte, com outro profissional, esse registro vira encaminhamento.
A régua de intensidade e o que ela realmente decide
A intensidade se gradua de 1 a 6. Grau 1/6 é muito fraco, só audível com concentração e silêncio; 2/6 é fraco, mas audível assim que o estetoscópio encosta; 3/6 é claramente audível e ainda sem frêmito; 4/6 é forte e vem acompanhado de frêmito palpável; 5/6 é audível com apenas a borda do estetoscópio encostada no tórax; 6/6 é audível com o estetoscópio afastado da pele.
O corte que interessa é o quatro, porque ele é o frêmito. Frêmito não é sopro inocente — ponto final. Na prática, sopro de 3/6 já sai da zona de conforto e pede o resto do algoritmo com rigor; sopro com frêmito é patológico até prova em contrário e vai para ecocardiograma.
O que a régua não mede é gravidade. Uma comunicação interventricular muscular pequena produz sopro alto e rude justamente porque o orifício estreito gera muita turbulência, e pode nunca repercutir. Uma comunicação interventricular grande, com hipertensão pulmonar instalada, pode ter sopro discreto porque o gradiente entre os ventrículos caiu. Vale o mesmo para o recém-nascido em baixo débito por estenose aórtica crítica: o sopro pode ser modesto e a criança estar à beira do colapso. Sopro alto assusta mais; sopro discreto em criança sintomática mata mais.
Os cinco sopros inocentes que caem na prova
O sopro vibratório de Still é o mais cobrado: aparece entre 2 e 7 anos, é mesossistólico, ouvido na borda esternal esquerda baixa e no ápice, com timbre musical, vibratório — a comparação clássica é com corda de instrumento — e intensidade de 1 a 3/6. Aumenta em decúbito dorsal, com febre e com anemia; diminui ou desaparece quando a criança senta, fica em pé ou faz Valsalva.
O sopro sistólico de fluxo pulmonar é do escolar e do adolescente: ejetivo, suave, curto, 1 a 2/6, no segundo espaço intercostal esquerdo, com B2 preservada e desdobramento que varia com a respiração. O sopro supraclavicular (ou carotídeo) pode ocorrer em qualquer idade, é ejetivo, ouvido acima das clavículas, e reduz de forma característica com a hiperextensão dos ombros.
O zumbido venoso é o único inocente contínuo, e é justamente por isso que ele cai: ocorre entre 3 e 8 anos, é ouvido na região infraclavicular direita com a criança sentada, e desaparece com o decúbito dorsal, com a compressão da veia jugular ipsilateral e com a rotação da cabeça. É o que o separa da persistência do canal arterial, que é infraclavicular esquerda, tem timbre 'em maquinaria' e não se altera com nenhuma dessas manobras.
Por fim, a estenose fisiológica de ramos pulmonares do recém-nascido: sopro ejetivo suave em foco pulmonar que irradia para as axilas e para o dorso, presente nas primeiras semanas e que some por volta dos 3 a 6 meses, com o crescimento das artérias pulmonares. É o único sopro neonatal que se aceita como benigno, e apenas quando o restante do exame — pulsos, saturação pré e pós-ductal, ausculta e curva de peso — é normal.
O que todos têm em comum é o retrato que a SBP descreve: são sistólicos (com a exceção do zumbido venoso, que é contínuo), curtos, de baixa intensidade, sem frêmito, sem estalido e sem galope, sem irradiação relevante, com B2 normal, e mudam de intensidade com a posição.

O que nunca é inocente
Nenhum sopro diastólico é inocente. Não existe essa categoria. Sopro diastólico significa regurgitação aórtica ou pulmonar, ou estenose de valva atrioventricular, e o caminho é sempre ecocardiograma. Também estão fora do repertório benigno o sopro holossistólico — comunicação interventricular, insuficiência mitral ou tricúspide — e o sopro contínuo que não seja zumbido venoso.
Frêmito (grau 4/6 ou mais) encerra a discussão. Click de ejeção protossistólico aponta para valva aórtica ou pulmonar bicúspide ou estenótica; click mesossistólico aponta para prolapso mitral. E a segunda bulha diz mais do que o sopro em muitos casos: desdobramento amplo e fixo é a assinatura da comunicação interatrial, B2 única sugere valva única, atresia ou hipertensão pulmonar, e P2 hiperfonética sugere hipertensão pulmonar.
Preste atenção na direção da manobra, porque a prova adora inverter: reduzir o retorno venoso — ficar em pé, fazer Valsalva — diminui o sopro inocente e diminui o sopro da estenose aórtica valvar, mas aumenta o sopro da cardiomiopatia hipertrófica, porque o ventrículo mais vazio agrava a obstrução dinâmica da via de saída. Sopro que fica mais alto quando a criança se levanta não é funcional.
Somam-se os contextos que mudam a probabilidade antes mesmo da ausculta: sopro em recém-nascido, sopro que irradia para o dorso ou para a região interescapular, criança com síndrome genética conhecida (Down, Turner, Williams, Noonan, deleção 22q11) e história familiar de morte súbita precoce ou cardiomiopatia. Nesses cenários, o limiar para pedir ecocardiograma é mais baixo, mesmo com sopro de características benignas.
O exame que fecha o caso não é a ausculta do sopro
Pulsos femorais são obrigatórios em toda criança com sopro, e a omissão deles é a falha mais cara do exame. Pulso femoral fraco, ausente ou com atraso em relação ao braquial significa coarctação da aorta até prova em contrário. Meça a pressão arterial nos quatro membros: gradiente de 20 mmHg ou mais entre membro superior e membro inferior é anormal e sustenta a hipótese.
A oximetria de pulso pré-ductal (membro superior direito) e pós-ductal (qualquer membro inferior) segue valendo mesmo quando o sopro é bonito: saturação abaixo de 95% em qualquer um dos pontos, ou diferença maior que 3 pontos percentuais entre eles, é resultado alterado e pede avaliação. Da mesma forma, cianose que não melhora com oferta de oxigênio aponta para shunt direita-esquerda, não para doença pulmonar.
No lactente, a insuficiência cardíaca não se apresenta como dispneia aos esforços — o esforço dele é mamar. Procure sudorese durante as mamadas, mamadas fracionadas e demoradas, interrupções para respirar, taquipneia sem febre, ganho de peso ruim e hepatomegalia. A tríade taquipneia, sudorese às mamadas e curva de peso caindo, com sopro, é insuficiência cardíaca por shunt esquerda-direita até que se prove o contrário.
Complete com o que o resto do corpo entrega: fácies e dismorfias sindrômicas, perfusão periférica, precórdio hiperdinâmico, ictus desviado, presença de galope. Um único desses achados, mesmo com sopro de 2/6, tira o caso da via do sopro inocente.
Que exame pedir — e o que cada um não faz
O ecocardiograma com Doppler é o único exame que responde à pergunta anatômica, e é ele que define a conduta quando há suspeita. O critério de uso apropriado publicado em 2014 pela cardiologia pediátrica norte-americana organiza bem a indicação: no sopro presumidamente inocente, em criança sem sintoma, sem sinal de doença cardiovascular e com história familiar benigna, o ecocardiograma inicial é classificado como raramente apropriado; na presença de qualquer sintoma, sinal alterado ou sopro com características patológicas, passa a apropriado.
O eletrocardiograma e a radiografia de tórax não são exames de triagem de sopro. Resultado normal não afasta cardiopatia estrutural, e resultado alterado costuma apenas confirmar o que o exame físico já apontava. Eles têm papel quando a pergunta é outra: arritmia, sobrecarga de câmaras, avaliação de área cardíaca e trama vascular pulmonar na suspeita de insuficiência cardíaca, ou o conjunto de sinais que acompanha a coarctação. Pedi-los para 'tranquilizar' produz falsa segurança e atrasa o encaminhamento.
A oximetria de pulso da triagem neonatal também tem alvo próprio: cardiopatia congênita crítica dependente de canal arterial. Resultado normal na maternidade não exclui comunicação interventricular, comunicação interatrial, persistência do canal arterial nem coarctação de apresentação tardia — todas acianóticas.
Regra de encaminhamento que fecha o capítulo: sopro em recém-nascido, sopro com qualquer característica patológica, sopro em criança sintomática, alteração de pulsos ou de saturação, e história familiar de morte súbita precoce vão para avaliação com cardiologista pediátrico e ecocardiograma. Nos casos com insuficiência cardíaca já instalada ou suspeita de lesão dependente de canal, isso não entra em fila de rotina.
O que dizer à família quando o sopro é inocente
Diga o nome e diga o que ele significa: sopro inocente, ou funcional, é o som de um coração normal com fluxo normal. Não é doença, não é 'coração fraco', não vira doença com o tempo e não exige acompanhamento cardiológico indefinido. Essa conversa evita que a família chegue à próxima consulta apresentando a criança como cardiopata.
Sopro inocente não restringe atividade física nem esporte competitivo, não indica profilaxia de endocardite infecciosa e não pede ecocardiograma de controle. Reavaliar é razoável na consulta de rotina seguinte, especialmente se o sopro apareceu durante um quadro febril.
Registre no prontuário e na Caderneta de Saúde da Criança as características auscultadas — tempo no ciclo, foco, timbre, intensidade, resposta à mudança de postura e o estado dos pulsos femorais. É esse registro que permite ao próximo profissional reconhecer o mesmo sopro em vez de reiniciar a investigação. E oriente o retorno antes do previsto se surgir cansaço desproporcional, sudorese às mamadas, síncope ou dor torácica ao esforço, cianose ou piora da curva de peso.
Triagem do sopro em cinco perguntas
As cinco perguntas abaixo são feitas na consulta, com estetoscópio e mão, antes de qualquer pedido de exame. Cinco respostas favoráveis, em criança fora do período neonatal, definem sopro provavelmente inocente. Uma única resposta desfavorável leva a ecocardiograma e avaliação com cardiologista pediátrico.
- 1A criança está assintomática? Sudorese às mamadas, mamadas interrompidas, ganho de peso ruim, cansaço desproporcional aos pares, síncope ao esforço, dor torácica ao esforço ou cianose tiram o caso da via do sopro inocente.
- 2O sopro é sistólico, curto, de baixa intensidade e sem frêmito? Qualquer sopro diastólico, holossistólico, contínuo fora do zumbido venoso, ou com frêmito, encerra a triagem aqui.
- 3A segunda bulha é normal e não há click? Desdobramento amplo e fixo, B2 única, P2 hiperfonética, click de ejeção ou galope pedem ecocardiograma.
- 4Os pulsos femorais estão cheios e simétricos, sem atraso braquiofemoral, e a pressão dos quatro membros é concordante? Gradiente de 20 mmHg ou mais entre membro superior e inferior sustenta coarctação da aorta.
- 5O sopro muda com a postura na direção esperada? O inocente diminui em pé e com Valsalva. Sopro que aumenta nessas manobras é o comportamento da cardiomiopatia hipertrófica.
Grau 1 a 2/6 — sem frêmito
Fraco. O 1/6 exige silêncio e concentração; o 2/6 é audível assim que o estetoscópio encosta. Faixa em que vivem os sopros inocentes.
Grau 3/6 — sem frêmito
Claramente audível, ainda sem frêmito. Já sai da zona de conforto: exige que as outras quatro perguntas da triagem sejam respondidas com rigor.
Grau 4/6 — com frêmito
Forte, com frêmito palpável. Frêmito não é sopro inocente: a partir daqui é patológico até prova em contrário, e o caminho é ecocardiograma.
Grau 5 a 6/6 — com frêmito
O 5/6 é audível com apenas a borda do estetoscópio encostada; o 6/6, com o estetoscópio afastado da pele. Intensidade alta não mede gravidade da lesão.
| Eixo | Sopro inocente | Sopro patológico |
|---|---|---|
| Momento no ciclo | Sistólico; o zumbido venoso é o único contínuo | Qualquer diastólico; holossistólico; contínuo fora do zumbido venoso |
| Intensidade | 1 a 3/6, nunca com frêmito | 4/6 ou mais; qualquer intensidade acompanhada de frêmito |
| Timbre | Musical, vibratório, suave, ejetivo curto | Rude, áspero, em jato, prolongado |
| Irradiação | Ausente ou mínima | Dorso, região interescapular, axila, carótidas |
| Bulhas e extras | B2 normal, desdobramento que varia com a respiração, sem click e sem galope | Desdobramento amplo e fixo, B2 única, P2 hiperfonética, click, terceira bulha ou galope |
| Resposta à postura | Diminui ou some em pé e com Valsalva; aumenta em decúbito, na febre e na anemia | Praticamente fixo; ou aumenta em pé e com Valsalva, como na cardiomiopatia hipertrófica |
| Idade | Escolar e adolescente; no recém-nascido, apenas a estenose fisiológica de ramos pulmonares | Recém-nascido e lactente pedem investigação mesmo com sopro discreto |
| Resto do exame | Pulsos femorais cheios e simétricos, saturação normal, crescimento adequado | Pulso femoral fraco ou atrasado, gradiente de pressão, cianose, hepatomegalia, precórdio hiperdinâmico |
| Sintomas | Nenhum | Sudorese às mamadas, mamadas interrompidas, cansaço, síncope ou dor torácica ao esforço |
Os cinco sopros inocentes: como reconhecer cada um
| Sopro | Idade típica | Onde se ouve | Tempo e timbre | O que o reduz ou abole |
|---|---|---|---|---|
| Vibratório de Still | 2 a 7 anos | Borda esternal esquerda baixa e ápice | Mesossistólico, musical e vibratório, 1 a 3/6 | Sentar, ficar em pé, Valsalva |
| Sistólico de fluxo pulmonar | Escolar e adolescente | Segundo espaço intercostal esquerdo | Ejetivo suave e curto, 1 a 2/6 | Ficar em pé |
| Supraclavicular ou carotídeo | Qualquer idade | Acima das clavículas, irradiando para o pescoço | Ejetivo, protossistólico, 1 a 3/6 | Hiperextensão dos ombros |
| Zumbido venoso | 3 a 8 anos | Região infraclavicular direita, com a criança sentada | Contínuo, suave e soprado | Decúbito dorsal, compressão da jugular, rotação da cabeça |
| Estenose fisiológica de ramos pulmonares | Recém-nascido até 3 a 6 meses | Foco pulmonar, irradiando para axilas e dorso | Ejetivo suave, 1 a 2/6 | Desaparece sozinho com o crescimento das artérias pulmonares |
Achado à ausculta e a lesão que ele sugere
| Achado | Lesão sugerida | Pista que confirma o raciocínio |
|---|---|---|
| Holossistólico rude em borda esternal esquerda baixa, com frêmito | Comunicação interventricular | Quanto menor o defeito, mais alto o sopro; a repercussão aparece como insuficiência cardíaca do lactente |
| Sistólico ejetivo em foco pulmonar com desdobramento amplo e fixo de B2 | Comunicação interatrial | O sopro é do hiperfluxo pela valva pulmonar, não do defeito no septo |
| Contínuo em maquinaria, infraclavicular esquerdo | Persistência do canal arterial | Pulsos amplos e pressão de pulso divergente; não muda com postura nem com compressão jugular |
| Sistólico ejetivo em foco aórtico irradiando para carótidas, com click | Estenose aórtica ou valva aórtica bicúspide | Síncope e dor torácica ao esforço; o sopro diminui com Valsalva |
| Sistólico ejetivo em foco pulmonar com click, irradiando para o dorso | Estenose pulmonar valvar | Desdobramento amplo de B2 com P2 hipofonética nas formas importantes |
| Sistólico audível na região interescapular | Coarctação da aorta | Pulso femoral fraco ou atrasado e gradiente de 20 mmHg ou mais entre membros superiores e inferiores |
| Holossistólico apical irradiando para a axila | Insuficiência mitral | Em escolar com história de faringoamigdalite, levanta cardite reumática |
| Sistólico que aumenta em pé e com Valsalva, sem click | Cardiomiopatia hipertrófica | História familiar de morte súbita precoce; síncope durante o exercício, não depois |
Sopro que aparece na vigência de febre ou anemia e desaparece com a criança compensada é funcional: reavaliar fora do quadro agudo evita ecocardiograma desnecessário.
Intensidade não mede gravidade. Comunicação interventricular pequena faz sopro alto; comunicação interventricular grande com hipertensão pulmonar pode fazer sopro discreto.
Ausência de sopro não afasta cardiopatia grave: a transposição das grandes artérias com septo interventricular íntegro pode se apresentar apenas com cianose, sem sopro nenhum.
Todo recém-nascido com sopro merece exame completo com pulsos femorais e oximetria pré e pós-ductal antes da alta da maternidade, mesmo que o sopro pareça benigno.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Critério de uso apropriado da cardiologia pediátrica norte-americana, 2014
O ecocardiograma transtorácico inicial é classificado como raramente apropriado diante de sopro presumidamente inocente em criança sem sintoma, sem sinal ou achado de doença cardiovascular e com história familiar benigna; torna-se apropriado quando há sintoma, sinal alterado ou sopro com características patológicas. O cenário do documento, porém, é o ambulatório de cardiologia pediátrica: a criança avaliada já passou pelo ouvido do especialista, e é sobre essa classificação prévia que o critério se apoia.
ACC/AAP/AHA/ASE/HRS/SCAI/SCCT/SCMR/SOPE 2014 Appropriate Use Criteria for Initial Transthoracic Echocardiography in Outpatient Pediatric Cardiology, JACC 2014
Documento da SBP dirigido ao pediatra geral, 2018
O interlocutor é o pediatra da consulta de rotina, que no Brasil é quem faz a triagem antes de qualquer encaminhamento. O documento coloca o exame clínico como principal pilar da avaliação e descreve as características que tornam o sopro provavelmente inocente na criança assintomática — a decisão de encaminhar nasce da anamnese e do exame físico, não de um exame de imagem pedido por rotina. A diferença de interlocutor explica a diferença de ênfase: onde o acesso ao cardiologista pediátrico e ao ecocardiograma é limitado, o filtro precisa funcionar na atenção básica.
SBP, Departamento Científico de Cardiologia. Avaliação da criança com sopro cardíaco, novembro de 2018
Na prova
O recorte se identifica pelo cenário e pelo vocabulário do enunciado. Consulta de puericultura, unidade básica, pediatra geral e criança assintomática colocam o eixo no exame clínico e nas características auscultatórias — as alternativas costumam contrastar seguimento pelo pediatra contra pedidos de exame. Ambulatório de cardiologia pediátrica, menção nominal a critério de uso apropriado ou a presença de sintoma, sinal alterado ou sopro patológico deslocam o eixo para a indicação do ecocardiograma. Um detalhe denuncia o mundo da questão: alternativa que oferece eletrocardiograma e radiografia de tórax como etapa de triagem pertence ao repertório de serviço com acesso restrito ao ecocardiograma, e não ao documento internacional, que só discute o eco. Vale a régua geral: prova oficial do MEC tende a conduta compatível com o SUS; em outras bancas, o que as alternativas oferecem revela o recorte.
Caso resolvido
- achado
- O sopro reúne todas as marcas do vibratório de Still: idade entre 2 e 7 anos, foco na borda esternal esquerda baixa, timbre musical, intensidade 2/6, mesossistólico e claramente postura-dependente.
- achado
- Segunda bulha com desdobramento que varia com a respiração e ausência de click afastam comunicação interatrial e lesão valvar como origem do sopro.
- achado
- Pulsos femorais cheios e simétricos, com pressão arterial normal para a idade, tornam coarctação improvável. Este é o passo que não se pula, mesmo quando o sopro é típico.
- raciocínio
- As cinco perguntas da triagem foram respondidas de forma favorável em criança assintomática, fora do período neonatal e sem história familiar de risco. A probabilidade de cardiopatia estrutural aqui é muito baixa, e nenhum exame complementar acrescentaria informação à decisão.
- conduta
- Seguimento com o pediatra, sem eletrocardiograma, sem radiografia de tórax e sem ecocardiograma. Registrar no prontuário e na Caderneta de Saúde da Criança as características auscultadas e o estado dos pulsos femorais, para que a próxima consulta reconheça o mesmo sopro. Liberar atividade física e esporte sem restrição, sem profilaxia de endocardite infecciosa, e explicar à família que sopro inocente não é doença nem se transforma em doença. Retorno antes do previsto se surgir cansaço desproporcional, síncope ou dor torácica durante o exercício, cianose ou queda da curva de peso.
Agora feche você
- achado
- Sopro holossistólico e rude está fora do repertório de qualquer sopro inocente, e a localização na borda esternal esquerda baixa aponta para shunt entre os ventrículos.
- achado
- Sudorese e interrupção das mamadas, taquipneia sem febre, taquicardia e hepatomegalia compõem a insuficiência cardíaca do lactente. Aqui, a dispneia aos esforços é a mamada.
- achado
- Ganho de 300 g em dois meses é falha de crescimento, não variação — nessa idade, o esperado é aproximadamente o dobro disso por mês.
- achado
- Saturação normal e sem diferença entre pré e pós-ductal, com pulsos femorais cheios e simétricos, situam o caso entre as cardiopatias acianóticas e afastam coarctação e lesão dependente do canal arterial.
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Pedir eletrocardiograma e radiografia de tórax para 'descartar' cardiopatia São exames disponíveis e baratos, o que os torna tentadores como triagem. O problema é o desempenho: normal não afasta cardiopatia estrutural, e a normalidade dos dois produz uma tranquilidade que atrasa o encaminhamento de uma criança que tinha sopro holossistólico ou pulso femoral fraco. O exame que responde à pergunta anatômica é o ecocardiograma.
- 2Achar que sopro fraco em recém-nascido é sinal de benignidade A intuição de que sopro alto é grave se inverte no período neonatal. Recém-nascido em baixo débito por lesão obstrutiva crítica pode ter sopro discreto ou nenhum sopro, porque falta fluxo para gerar turbulência. Todo sopro no recém-nascido pede exame completo com pulsos femorais e oximetria pré e pós-ductal, e limiar baixo para ecocardiograma.
- 3Chamar todo sopro contínuo de persistência do canal arterial O zumbido venoso é contínuo e é inocente, o que quebra a regra decorada de que sopro contínuo é sempre patológico. A separação é feita à beira do leito: o zumbido é infraclavicular direito, aparece com a criança sentada e desaparece com decúbito dorsal, compressão da jugular ou rotação da cabeça. O canal arterial é infraclavicular esquerdo, tem timbre em maquinaria e não se altera com nenhuma dessas manobras.
- 4Ler a manobra postural ao contrário Ficar em pé e fazer Valsalva reduzem o retorno venoso, e o reflexo é assumir que todo sopro diminui. Diminuem o sopro inocente e o da estenose aórtica valvar; aumenta o da cardiomiopatia hipertrófica, porque o ventrículo menos cheio agrava a obstrução dinâmica. Sopro que fica mais alto quando a criança se levanta é exatamente o achado que não pode ser rotulado como funcional.
- 5Confundir intensidade do sopro com gravidade da lesão A associação parece natural e é falsa. Comunicação interventricular pequena faz sopro alto e rude sem repercussão; comunicação interventricular grande com hipertensão pulmonar pode ter sopro discreto porque o gradiente entre os ventrículos caiu. Quem gradua a gravidade é a repercussão clínica — crescimento, taquipneia, hepatomegalia — não a régua de 1 a 6.
- 6Não palpar os pulsos femorais É a omissão mais cara do exame cardiovascular pediátrico, porque a coarctação da aorta pode ter sopro discreto, ausente ou audível apenas na região interescapular. Pulso femoral fraco, ausente ou atrasado em relação ao braquial, e gradiente de 20 mmHg ou mais entre membro superior e inferior, mudam a conduta imediatamente.
- 7Prescrever profilaxia de endocardite ou restringir esporte por sopro inocente O rótulo de 'sopro' faz o profissional agir por precaução, e o custo recai sobre a criança: exclusão da educação física, antibiótico antes de procedimento odontológico e uma família que passa a se referir a ela como cardiopata. Sopro inocente é coração normal — não restringe atividade, não indica profilaxia e não pede ecocardiograma de controle.
- 8Tratar o teste do coraçãozinho normal como certificado de coração sadio A oximetria da triagem neonatal tem alvo estreito: cardiopatia congênita crítica dependente de canal arterial. Comunicação interventricular, comunicação interatrial, persistência do canal arterial e coarctação de apresentação tardia são acianóticas e passam pelo teste com saturação normal. Resultado normal na maternidade não substitui o exame físico de cada consulta de puericultura.
O sopro descrito tem todas as características de sopro inocente (de Still): sistólico ejetivo, curto, musical/vibratório, baixa intensidade (≤2/6), sem irradiação, B2 normal, criança assintomática e que varia com a postura (diminui ao sentar/levantar). A conduta é tranquilizar, sem exames. Ecocardiograma de urgência é desnecessário e ansiogênico. Cateterismo é invasivo e não indicado. Profilaxia de endocardite não se aplica a sopro inocente. Restrição de atividade é injustificada em criança assintomática com sopro inocente.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Menino de 4 anos é avaliado por sopro cardíaco em consulta de rotina. Está totalmente assintomático, com crescimento e desenvolvimento normais. Ausculta: sopro sistólico ejetivo, curto, de intensidade 2/6, de caráter musical/vibratório, mais audível entre a borda esternal esquerda baixa e o ápice, que diminui de intensidade quando a criança fica em pé. Segunda bulha normal, sem frêmito, pulsos simétricos. Qual a conduta mais adequada?
As características (sopro sistólico ejetivo curto, musical/vibratório, baixa intensidade, sem frêmito, B2 normal, criança assintomática com crescimento normal, e que reduz com a mudança postural para ortostatismo) são típicas do sopro inocente de Still. A conduta é tranquilizar, sem necessidade de propedêutica invasiva. Cateterismo, cirurgia e RM são desproporcionais para sopro inocente. Profilaxia de endocardite não está indicada em sopro inocente (coração estruturalmente normal).
Durante consulta de puericultura na UBS, um lactente de 3 meses, assintomático e com bom desenvolvimento, apresenta à ausculta um sopro sistólico suave (grau 2/6), musical, em borda esternal esquerda baixa, que varia com a posição, sem outros achados. As bulhas são normais, os pulsos são simétricos e a criança é rosada. Qual é a conduta mais adequada?
Sopro sistólico suave, de baixa intensidade (grau 1-2/6), musical/vibratório, que varia com a posição, em criança assintomática com bulhas normais, pulsos simétricos e boa perfusão, é característico de sopro inocente (funcional); a conduta é tranquilizar e acompanhar. Não há indicação de urgência ou restrição, pois não há sinais de cardiopatia. Cateterismo é procedimento invasivo, não indicado. Profilaxia de endocardite não se aplica a coração estruturalmente normal e nem é indicada rotineiramente para a maioria das cardiopatias.
Menino de 5 anos é atendido na UBS em consulta de rotina. Está assintomático, com bom desenvolvimento. À ausculta, detecta-se sopro sistólico ejetivo +2/6, de caráter musical e vibratório, mais audível entre a borda esternal esquerda baixa e o ápice, que diminui de intensidade quando a criança senta. Bulhas normofonéticas, pulsos simétricos, sem cianose e crescimento adequado. Qual a conduta correta?
As características descritas (sopro de Still: sistólico ejetivo, musical/vibratório, baixa intensidade, que varia com a postura, em criança assintomática com exame e crescimento normais) definem um sopro inocente, achado benigno e muito comum na infância. A conduta é tranquilizar e manter acompanhamento de rotina. Cateterismo é invasivo e injustificado. Restrição de atividade é iatrogênica e desnecessária. Profilaxia de endocardite não se aplica a sopro inocente, sendo reservada a cardiopatias de alto risco específicas.
Durante consulta de puericultura de rotina na UBS, uma criança de 4 anos assintomática apresenta, à ausculta, um sopro sistólico ejetivo suave (grau 2/6), de timbre musical/vibratório, mais audível na borda esternal esquerda baixa, que diminui de intensidade quando a criança fica em pé. O restante do exame é normal, com pulsos simétricos e bom desenvolvimento. Qual a conduta mais apropriada?
As características descritas — sopro sistólico ejetivo suave (≤2/6), musical/vibratório (sopro de Still), em criança assintomática, com exame normal, pulsos simétricos e que se MODIFICA com a postura (reduz ao ficar de pé) — são típicas de sopro inocente/funcional, muito comum em pré-escolares. A conduta é tranquilizar e manter acompanhamento de rotina. Cateterismo é procedimento invasivo sem indicação em sopro inocente. Profilaxia de endocardite não se aplica a coração estruturalmente normal. Restrição de atividade física é desnecessária e prejudicial. Sinais de alarme que exigiriam investigação seriam sopro diastólico, holossistólico, grau ≥3, frêmito, cianose, sintomas ou pulsos anormais — ausentes aqui.
Menina de 7 anos é atendida em UBS para consulta de rotina. Está assintomática, com bom desempenho escolar e físico. Ao exame cardiovascular, ausculta-se sopro sistólico ejetivo 2/6 em foco pulmonar, de timbre suave, que diminui de intensidade quando a criança senta ou fica em pé, sem irradiação, com B2 de desdobramento fisiológico e sem frêmito. Restante do exame normal. Qual a conduta mais apropriada?
As características descritas (sopro sistólico ejetivo suave, baixa intensidade, sem irradiação/frêmito, B2 normal e, sobretudo, variação com a postura — diminui em pé/sentado) são típicas de sopro inocente (funcional), muito prevalente na infância. A conduta correta na APS é tranquilizar e manter seguimento habitual, sem exames adicionais. Ecocardiograma urgente é desnecessário na ausência de sinais de organicidade. Profilaxia de endocardite só se aplica a cardiopatias de risco. Restringir atividade é injustificado e prejudicial em criança hígida com sopro inocente.
Menino de 3 anos é levado à UBS para consulta de rotina e, ao exame, é auscultado sopro cardíaco. A mãe nega cansaço, cianose ou dificuldade para alimentar-se; a criança brinca normalmente e tem crescimento adequado. Ao exame: em bom estado geral, corado, eupneico, pulsos simétricos, sem cianose. Ausculta-se sopro sistólico ejetivo grau 2/6, de baixa intensidade, musical, em borda esternal esquerda baixa, que reduz ao sentar e desaparece à manobra de Valsalva. Restante do exame normal. Considerando as características descritas, qual a interpretação e conduta corretas?
As características descritas — sopro sistólico de baixa intensidade (grau 2/6), musical, sem repercussão clínica, que varia com a postura e reduz com Valsalva, em criança assistomática com desenvolvimento normal — são típicas de sopro inocente; a conduta é tranquilizar sem exames. CIV costuma dar sopro holossistólico rude, mais intenso. Estenose aórtica grave gera sopro ejetivo intenso irradiado para carótidas com sinais clínicos. Não há cianose ou repercussão que sugira cardiopatia cianótica.
Menino, 4 anos, assintomático, é trazido para consulta de puericultura. A mãe nega cianose, cansaço às mamadas na lactância, síncope ou má progressão ponderal. Ao exame: corado, ativo, PA 92/58 mmHg, FC 96 bpm, FR 22 ipm, SatO2 99% em ar ambiente. À ausculta cardíaca, sopro sistólico ejetivo grau 2/6, de timbre musical/vibratório, mais audível na borda esternal esquerda baixa, que DIMINUI de intensidade quando a criança passa da posição deitada para sentada. Bulhas normofonéticas, 2ª bulha com desdobramento fisiológico. Pulsos femorais cheios e simétricos. Restante do exame sem alterações. Qual a conduta mais adequada?
Correta: o quadro reúne todos os critérios de sopro inocente (tipo Still) — criança assintomática, sistólico ejetivo de baixa intensidade (grau 2/6), timbre vibratório/musical, sem irradiação, 2ª bulha normal, pulsos simétricos e, sobretudo, VARIAÇÃO com a postura (diminui ao sentar/em pé, por redução do retorno venoso). Nesse cenário, história e exame físico bastam: conduta é tranquilizar e acompanhar, sem exames. Eco só se indica quando há sinais de organicidade (sopro diastólico, holossistólico, grau ≥3/6, frêmito, sintomas, 2ª bulha anormal) — ausentes aqui. Nada sugere estenose aórtica (que dá sopro em foco aórtico com irradiação para carótidas e clique), e não há sinal de gravidade. ECG e RX de tórax não são recomendados como triagem de rotina para sopro tipicamente inocente, pois têm baixo rendimento e geram falsos-positivos. Não há indicação de restrição nem de teste ergométrico em criança assintomática com sopro inocente clássico.
Sobre o sopro inocente mais comum na infância (sopro de Still), assinale a alternativa que descreve corretamente suas características típicas.
Correta: o sopro de Still é o sopro inocente mais frequente em pré-escolares/escolares — sistólico ejetivo, curto, de baixa intensidade (grau 1-2/6), timbre caracteristicamente musical/vibratório, mais audível entre a borda esternal esquerda baixa e o ápice, sem frêmito, com bulhas normais e que varia com a postura. Sopro diastólico é SEMPRE patológico na criança; o descrito sugere organicidade. Sopro contínuo em maquinaria infraclavicular esquerda é a persistência do canal arterial (patológico). Sopro holossistólico grau 4/6 com frêmito na borda esternal esquerda baixa é típico de comunicação interventricular (patológico). Irradiação para carótidas com pulsos femorais reduzidos aponta para estenose aórtica/coarctação (patológico).
Lactente de 3 meses, sexo feminino, em consulta de rotina. A mãe refere que, nas últimas semanas, a criança fica ofegante e sua durante as mamadas, com pausas frequentes, e ganhou pouco peso (cruzou percentis para baixo na curva). Ao exame: eupneica em repouso, FC 148 bpm, FR 56 ipm, SatO2 98% em ar ambiente, sem cianose. À ausculta, sopro HOLOSSISTÓLICO grau 3/6, mais intenso na borda esternal esquerda baixa, com frêmito palpável; fígado a 3 cm do rebordo costal direito. Pulsos femorais simétricos e cheios. Qual a conduta mais apropriada diante desse achado?
Correta: há múltiplos sinais de organicidade (sopro patológico + repercussão clínica) — sopro holossistólico, grau ≥3/6, COM frêmito, associado a sinais de insuficiência cardíaca (taquicardia, taquipneia, sudorese/fadiga às mamadas, baixo ganho ponderal e hepatomegalia). O quadro é altamente sugestivo de comunicação interventricular com hiperfluxo pulmonar; a conduta correta é encaminhar ao cardiopediatra e solicitar ecocardiograma. Os achados são o oposto de inocente — presença de frêmito, sopro holossistólico e repercussão sistêmica afastam benignidade. Retardar a investigação por 6 meses em lactente com sinais de IC é inadequado e perigoso. ECG isolado não define a anatomia; diante de sopro patológico com repercussão, o exame de escolha é o ecocardiograma, e liberar a criança seria negligente. Anemia pode gerar sopro funcional, mas não explica frêmito, sopro holossistólico nem hepatomegalia/IC; atribuir a ferro atrasaria o diagnóstico estrutural.
Menino, 13 anos, atleta de futebol, comparece para avaliação pré-participação esportiva. Assintomático, nega síncope ou palpitações, mas relata um tio materno que morreu subitamente aos 35 anos. Exame físico: bom estado geral, acianótico, PA 112/70 mmHg, FC 72 bpm, pulsos periféricos simétricos e sem retardo braquiofemoral. À ausculta, sopro mesossistólico rude, de intensidade 3/6, mais audível em borda esternal esquerda baixa, SEM irradiação para as carótidas. Ao realizar manobra de Valsalva e ao assumir a posição ortostática, o sopro AUMENTA de intensidade; ao agachar-se, o sopro diminui. B2 normal, sem cliques ou terceira bulha. Qual é a conduta mais apropriada?
O conjunto sopro rude 3/6, história familiar de morte súbita em jovem e — sobretudo — o comportamento dinâmico (AUMENTA com Valsalva/ortostatismo por reduzir a pré-carga e REDUZ com o agachamento) aponta para cardiomiopatia hipertrófica com obstrução de via de saída, que deve ser investigada com ecocardiograma e implica restrição esportiva até o diagnóstico (opção correta). O sopro de Still é suave (≤2/6) e DIMINUI com o ortostatismo — o padrão aqui é o oposto. A radiografia é insensível para CMH; índice cardiotorácico normal não afasta a doença. A variação com a posição só é tranquilizadora quando o sopro DIMINUI em pé; aumentar sugere obstrução dinâmica, não benignidade. Não se prescreve betabloqueador nem se libera o atleta antes de estabelecer o diagnóstico, situação de risco de morte súbita.
Menina, 5 anos, assintomática, é encaminhada por achado de sopro em consulta de rotina. Sem cianose, com crescimento e desenvolvimento normais. PA 95/60 mmHg, FC 90 bpm, FR 20 ipm, SatO2 99% em ar ambiente. À ausculta em posição sentada: sopro CONTÍNUO, suave (2/6), mais audível na região infraclavicular direita e na base do pescoço. Ao deitar a criança em decúbito dorsal, comprimir suavemente a veia jugular ipsilateral ou girar a cabeça para o lado oposto, o sopro DESAPARECE. Restante do exame cardiovascular normal, com B2 preservada e pulsos simétricos. Qual é o diagnóstico mais provável?
Sopro contínuo, suave, em base do pescoço/infraclavicular que ABOLE com o decúbito, a compressão jugular ou a rotação da cabeça é a descrição clássica do zumbido venoso, o mais comum dos sopros inocentes contínuos. A persistência do canal arterial também é contínua (sopro 'em maquinaria'), porém é mais audível em região infraclavicular ESQUERDA e NÃO se modifica com posição ou compressão venosa. A comunicação interatrial produz sopro SISTÓLICO ejetivo pulmonar com desdobramento fixo de B2 — não é contínuo nem posicional. A estenose aórtica gera sopro sistólico ejetivo rude em foco aórtico com irradiação para carótidas, frequentemente com clique. A coarctação cursa com sopro sistólico no dorso, hipertensão em membros superiores e redução/retardo dos pulsos femorais, ausentes aqui.
Menino, 4 anos, assintomático, levado para consulta de puericultura. Sem queixas, com ganho ponderal e desenvolvimento adequados e sem história familiar de cardiopatia ou morte súbita. Exame físico: bom estado geral, acianótico, PA 92/58 mmHg, FC 96 bpm, FR 22 ipm, pulsos braquiais e femorais simétricos e cheios. À ausculta: sopro sistólico ejetivo, de timbre musical/vibratório, de baixa intensidade (2/6), mais audível em borda esternal esquerda baixa, SEM irradiação, que diminui de intensidade quando a criança fica em pé. B2 com desdobramento fisiológico e sem cliques. Qual é a conduta mais adequada?
A descrição reúne todas as características do sopro inocente de Still: sistólico ejetivo, musical/vibratório, suave (≤2/6), localizado, sem irradiação, com B2 normal, pulsos simétricos, criança assintomática e que DIMINUI com o ortostatismo. O diagnóstico é clínico e não requer exames — apenas orientação e tranquilização. O ecocardiograma é dispensável diante de um sopro tipicamente inocente, gerando custo e ansiedade sem benefício. Não há sinal de alarme (diastólico, holossistólico, ≥3/6, cianose, pulsos alterados, B2 anormal) que justifique encaminhamento, muito menos urgente. ECG e radiografia não são indicados de rotina para sopro inocente e têm baixo rendimento. Não há motivo para restringir atividade física de uma criança com sopro inocente e exame normal.
Menina, 4 anos, assintomática, é levada à consulta de rotina de puericultura. Crescimento e desenvolvimento adequados para a idade, sem história de cansaço, cianose, síncope ou infecções de repetição. Ao exame cardiovascular: FC 90 bpm, PA 95/60 mmHg (simétrica em membros superiores e inferiores), pulsos periféricos cheios e simétricos, sem frêmito. Ausculta-se sopro contínuo grau 2/6 na fossa supraclavicular direita, mais audível com a criança sentada, que desaparece ao deitá-la em decúbito dorsal, ao rodar a cabeça para o lado oposto e à compressão leve da veia jugular ipsilateral. Segunda bulha com desdobramento fisiológico e componente pulmonar normal. Qual a conduta mais adequada?
Correta: o quadro descreve o zumbido venoso (venous hum), o único sopro inocente contínuo da infância. Suas características definidoras estão todas presentes: localização infra/supraclavicular (mais à direita), maior intensidade na posição sentada e, sobretudo, o desaparecimento com o decúbito dorsal, com a rotação da cabeça e com a compressão da jugular ipsilateral — manobras que reduzem/torcem o retorno venoso. Somado a criança assintomática, crescimento normal, B2 normal e pulsos simétricos, a classificação é de sopro inocente e a conduta é tranquilização sem exames. Erra porque a persistência do canal arterial gera sopro contínuo em maquinaria no foco infraclavicular ESQUERDO, que NÃO se modifica com decúbito nem com compressão jugular. Erra por superinvestigação: nada sugere fístula AV (ausência de pulsos amplos difusos ou insuficiência cardíaca). Erra porque profilaxia de endocardite não se indica em sopro inocente. Erra porque solicitar imagem/ECG diante de um sopro tipicamente inocente é conduta desnecessária e geradora de ansiedade.
Menino, 6 anos, assintomático, é encaminhado por sopro cardíaco detectado em avaliação escolar. Nega cansaço aos esforços, cianose ou síncope; crescimento e desenvolvimento normais. Ao exame: FC 88 bpm, PA 100/65 mmHg, sem cianose, pulsos periféricos simétricos. Ausculta-se sopro holossistólico grau 3/6, de timbre rude, mais intenso na borda esternal esquerda baixa, com irradiação para a região paraesternal direita e frêmito palpável no mesmo local. Segunda bulha de intensidade e desdobramento normais. Qual o próximo passo mais adequado?
Correta: apesar de assintomático, o menino apresenta múltiplos sinais de organicidade que obrigam investigação — sopro holossistólico (nunca é inocente), grau ≥3/6, timbre rude, com irradiação e, principalmente, frêmito palpável (frêmito é sempre patológico). A topografia na borda esternal esquerda baixa com irradiação paraesternal sugere comunicação interventricular. Diante de qualquer característica patológica, o exame de escolha para caracterização anatômica é o ecocardiograma transtorácico. Erra porque frêmito e sopro holossistólico grau 3/6 afastam sopro inocente — apenas reavaliar posterga o diagnóstico. Erra porque o sopro de Still é sistólico ejetivo, musical/vibratório, grau 1-2/6, sem frêmito e sem irradiação — incompatível com o descrito. Erra porque profilaxia não substitui o diagnóstico e não é indicada de rotina para CIV isolada. Erra porque o ECG isolado não caracteriza a anatomia da lesão; ECG normal não descarta cardiopatia estrutural.
Uma criança de 4 anos é levada pela mãe à Unidade Básica de Saúde para consulta de puericultura de rotina. Está assintomática, com bom ganho ponderoestatural, sem cansaço aos esforços, sem cianose e com desenvolvimento adequado. Ao exame físico, apresenta bom estado geral, ausculta pulmonar limpa e sopro sistólico ejetivo de intensidade 2/6, de timbre musical/vibratório, mais audível no bordo esternal esquerdo baixo, que se atenua quando a criança fica em pé. A segunda bulha é normal, não há frêmito, cliques ou sopro diastólico, e os pulsos femorais estão presentes e simétricos. Qual é, respectivamente, o diagnóstico mais provável e a conduta adequada?
As características descritas (sopro sistólico, baixa intensidade ≤2/6, timbre vibratório, ausência de frêmito, B2 normal, variação com a posição e criança assintomática com crescimento normal) definem o sopro inocente de Still, cuja conduta é apenas tranquilizar e acompanhar, sem exames. A CIV cursa com sopro holossistólico e frequentemente sinais de repercussão; não há critérios para febre reumática (sem sopro de regurgitação/artrite/história de faringite) nem indicação de profilaxia de endocardite em criança hígida.
Um lactente de 6 meses é levado à Unidade de Saúde da Família porque a mãe percebe que ele sua e faz pausas para respirar durante as mamadas, além de estar ganhando pouco peso nos últimos dois meses. Ao exame, apresenta taquipneia em repouso (FR 62 irpm), tiragem subcostal leve, sopro holossistólico rude de intensidade 3/6 em bordo esternal esquerdo baixo, com frêmito, e fígado palpável a 3 cm do rebordo costal. Não há cianose. Considerando os achados, qual é a conduta mais adequada nesse momento?
O quadro reúne sinais de alarme que caracterizam sopro patológico: sopro holossistólico rude com frêmito somado a repercussão clínica (dificuldade nas mamadas, sudorese, baixo ganho ponderal, taquipneia e hepatomegalia), sugerindo insuficiência cardíaca por cardiopatia congênita (ex.: CIV ampla). A conduta correta é encaminhar à cardiologia pediátrica com ecocardiograma. Sopro inocente nunca cursa com frêmito, sintomas ou má progressão de peso; atribuir a quadro respiratório ou apenas fazer radiografia sem encaminhamento retarda o diagnóstico.
Durante consulta de rotina em uma Unidade Básica de Saúde, uma criança de 5 anos, hígida e assintomática, com crescimento e desenvolvimento normais, apresenta ao exame um sopro cardíaco. O médico da atenção primária deseja classificar esse sopro como provavelmente inocente antes de decidir a conduta. Qual das características abaixo é típica do sopro inocente na infância?
O sopro inocente é caracteristicamente sistólico, de baixa intensidade (≤2/6), sem frêmito, com B2 normal e em criança assintomática. Sopros diastólicos, contínuos ou holossistólicos, presença de frêmito, B2 alterada e sinais como cianose são sempre marcadores de sopro patológico e exigem investigação/encaminhamento. Trata-se de recall direto das características que permitem, na atenção primária, presumir a benignidade do achado.
Um menino de 4 anos é levado pela mãe à Unidade Básica de Saúde para consulta de puericultura. Está assintomático, frequenta creche, tem bom rendimento nas atividades físicas e não apresenta cansaço, cianose ou episódios de síncope. Nasceu a termo, sem intercorrências, e o crescimento e desenvolvimento estão adequados para a idade. Ao exame físico: bom estado geral, corado, acianótico, eupneico; peso e estatura no percentil 50; pulsos periféricos simétricos e cheios nos quatro membros; frequência cardíaca de 96 bpm; pressão arterial no membro superior direito de 92 x 58 mmHg. À ausculta cardíaca, identifica-se sopro sistólico de ejeção, grau 2/6, curto, de timbre musical/vibratório, mais audível na borda esternal esquerda baixa, com segunda bulha normalmente desdobrada e variável com a respiração; o sopro reduz nitidamente de intensidade quando a criança fica de pé. Não há sopro diastólico, clique ou frêmito. Qual é a conduta mais adequada?
O quadro reúne todos os critérios de sopro inocente (sopro de Still): criança assintomática, sem história de cardiopatia, crescimento e desenvolvimento normais, pulsos simétricos, 2ª bulha com desdobramento fisiológico variável, sopro sistólico de ejeção grau ≤2/6, curto, vibratório/musical, na borda esternal esquerda baixa, e que diminui com a mudança postural para ortostase (queda do retorno venoso). Nessa situação o diagnóstico é clínico e a conduta é tranquilizar a família e manter a puericultura de rotina, sem exames nem restrição de atividade. Ecocardiograma/ECG só se indicam diante de sinais de alarme — sopro ≥3/6, holossistólico, diastólico, frêmito, clique, 2ª bulha única/fixa, pulsos assimétricos, sintomas ou sopro em lactente <1 ano —, ausentes aqui, e o rastreio indiscriminado gera custo e ansiedade desnecessários no SUS. Encaminhar ao cardiologista pediátrico é desnecessário: não há qualquer característica patológica que sustente suspeita de cardiopatia congênita. A profilaxia de endocardite Errada: duas vezes: sopro inocente significa coração estruturalmente normal e, mesmo em cardiopatas, a profilaxia atual restringe-se a condições de alto risco (prótese valvar, endocardite prévia, cardiopatia cianogênica não corrigida).
Um médico da Estratégia Saúde da Família realiza consulta de rotina em um menino de 5 anos, assintomático, e ausculta um sopro cardíaco. Ele revisa com a preceptora as características que, em crianças, obrigam a investigação por sugerirem sopro patológico, em contraste com o sopro inocente. Qual dos achados abaixo, isoladamente, é o que mais sugere que o sopro é PATOLÓGICO?
Sopro DIASTÓLICO em criança é sempre patológico — não existe sopro inocente diastólico —, pois traduz obstrução ao enchimento ventricular (estenose mitral/tricúspide, hiperfluxo por shunt) ou regurgitação de valva semilunar (insuficiência aórtica/pulmonar), impondo ecocardiograma e encaminhamento ao cardiologista pediátrico. Sopro sistólico grau 2/6 é justamente o padrão de baixa intensidade típico do sopro inocente (alarme começa a partir de grau ≥3/6 ou na presença de frêmito). Timbre musical ou vibratório é a marca registrada do sopro de Still, o mais comum dos sopros inocentes na faixa etária. A redução do sopro em ortostase também favorece inocência: a queda do retorno venoso diminui o volume ejetado e atenua o sopro funcional — manobra usada à beira do leito exatamente para reforçar o caráter benigno.
Uma menina de 4 anos é levada pela mãe à Unidade Básica de Saúde para consulta de puericultura de rotina. Está assintomática, frequenta creche, alimenta-se bem e tem crescimento e desenvolvimento adequados para a idade. Não há história de cansaço aos esforços, cianose, sudorese durante as refeições, infecções respiratórias de repetição ou internações prévias. Ao exame físico: ativa, corada, hidratada, acianótica; peso e estatura no percentil 50; frequência cardíaca de 96 bpm, frequência respiratória de 22 irpm, pressão arterial de 92 x 58 mmHg em membro superior direito. Ausculta cardíaca com bulhas normofonéticas, segunda bulha com desdobramento fisiológico variável com a respiração, e sopro sistólico de ejeção grau 2/6, de timbre musical/vibratório, mais audível na borda esternal esquerda baixa, sem irradiação, que diminui nitidamente quando a criança senta e se acentua em decúbito dorsal. Pulsos periféricos simétricos e cheios nos quatro membros. Restante do exame sem alterações.
Correta: o quadro reúne todos os critérios de sopro inocente na criança — criança assintomática, com crescimento/desenvolvimento normais, sem cianose ou sinais de insuficiência cardíaca, sopro sistólico de ejeção grau ≤2/6, timbre musical/vibratório, sem irradiação, com segunda bulha de desdobramento fisiológico e que varia com a posição (diminui ao sentar/em pé por redução do retorno venoso). É o clássico sopro de Still, o sopro inocente mais frequente entre 2 e 6 anos. A conduta do generalista é tranquilizar a família, manter puericultura de rotina e não restringir atividades nem pedir exames. Erra na comunicação interatrial a segunda bulha é amplamente desdobrada e FIXA (não varia com a respiração), o oposto do descrito. Erra: exames complementares não são indicados quando as características são típicas de sopro inocente — o diagnóstico é clínico; pedir exames gera custo e ansiedade desnecessários. Erra: intensidade grau ≤2/6 não caracteriza sopro patológico (sopros ≥3/6, holossistólicos, diastólicos, contínuos ou com frêmito é que preocupam), e não há cardiopatia estrutural nem indicação de profilaxia de endocardite.
Menino de 5 anos comparece à UBS para consulta de rotina. Está assintomático, com desenvolvimento e crescimento normais, brinca e corre sem limitações. Ao exame: corado, acianótico, FC 92 bpm, pulsos femorais e braquiais simétricos, precórdio sem frêmito. Ausculta-se sopro contínuo 2/6 na região infraclavicular direita, mais audível com a criança sentada, que desaparece ao deitá-lo em decúbito dorsal e também com a compressão digital da veia jugular interna ipsilateral. Bulhas normofonéticas, segunda bulha com desdobramento fisiológico. Qual é a conduta?
O quadro é o zumbido venoso (venous hum), o único sopro contínuo inocente: origina-se do fluxo nas veias jugulares, é infraclavicular (mais à direita), audível com a criança sentada e DESAPARECE com decúbito dorsal, rotação da cabeça ou compressão jugular — manobras que colapsam a veia. Somado a criança assintomática, pulsos simétricos, precórdio calmo e segunda bulha normal, o diagnóstico é clínico e a conduta é tranquilizar a família e manter puericultura, sem exames. O principal diferencial é a persistência do canal arterial, mas nela o sopro é infraclavicular ESQUERDO, em maquinaria, não se modifica com decúbito ou compressão jugular e costuma cursar com pulsos amplos/em martelo d'água — encaminhar seria expor a família e o SUS a custo e ansiedade desnecessários. Ecocardiograma não é oferta da APS e não se justifica em sopro com manobras diagnósticas típicas de zumbido venoso. Radiografia e ECG não agregam a um sopro inocente já caracterizado ao exame físico.
Menina de 7 anos, em consulta de rotina na UBS, assintomática, sem histórico de febre reumática, anemia ou infecções recentes. Ao exame físico está corada, afebril, FC 88 bpm, com pulsos simétricos e precórdio sem frêmito. À ausculta cardíaca identifica-se sopro diastólico 2/4 em borda esternal esquerda alta, de caráter aspirativo. Considerando as características que diferenciam sopro inocente de sopro patológico na criança, qual é a conduta correta?
Regra básica da propedêutica cardiológica pediátrica: sopro diastólico é SEMPRE patológico, independentemente da intensidade ou de a criança estar assintomática — não existe sopro inocente diastólico. Todo sopro inocente (Still, ejetivo pulmonar, zumbido venoso, sopro supraclavicular) é sistólico ou contínuo, de baixa intensidade (até 2/6), sem frêmito, com segunda bulha normal. Portanto, o encaminhamento à cardiologia pediátrica para ecocardiograma está indicado. Tranquilizar a família é incorreto porque a baixa intensidade não exclui doença quando o sopro é diastólico. Postergar a reavaliação por um ano retarda o diagnóstico de uma lesão valvar potencialmente progressiva. Estados hiperdinâmicos (anemia, febre, tireotoxicose) acentuam sopros SISTÓLICOS de hiperfluxo, e a paciente está corada, sem febre e sem histórico sugestivo — o hemograma isolado não responde à questão.
Adolescente de 15 anos, jogador de futebol, comparece à UBS para avaliação pré-participação esportiva. Assintomático, nega síncope. Refere que um tio paterno morreu subitamente aos 34 anos, sem causa esclarecida. Ao exame: eupneico, PA 118x70 mmHg, pulsos simétricos e amplos, ictus impulsivo e desviado, sopro mesossistólico 2/6 em borda esternal esquerda baixa, sem irradiação para carótidas, sem clique, B2 com desdobramento fisiológico. O sopro se intensifica ao assumir a posição ortostática e à manobra de Valsalva, e reduz nitidamente ao agachamento. Assinale a conduta mais adequada.
O comportamento dinâmico é a chave: sopro que AUMENTA com Valsalva e ortostatismo (redução da pré-carga → menor volume ventricular → maior obstrução na via de saída) e DIMINUI ao agachamento é o padrão clássico da cardiomiopatia hipertrófica obstrutiva — comportamento oposto ao de praticamente todos os demais sopros. Somam-se ictus impulsivo/desviado e história familiar de morte súbita precoce, sinais de alarme. A conduta é ECG + ecocardiograma com restrição de esporte competitivo até o esclarecimento (a CMH é a principal causa de morte súbita em atletas jovens). O sopro de Still é vibratório/musical e DIMINUI ao ortostatismo — comportamento inverso ao descrito; além disso, ictus impulsivo e história familiar afastam sopro inocente. O prolapso cursa com clique mesossistólico seguido de sopro tardio, ausente aqui; e liberar o esporte antes do eco é inadequado. Betabloqueador sem diagnóstico e manutenção dos treinos mantêm o risco de morte súbita — o afastamento precede o tratamento.
Pré-escolar de 4 anos, assintomático, é levado à Unidade Básica de Saúde para consulta de puericultura. Sem antecedentes relevantes; crescimento e desenvolvimento adequados para a idade; tolera bem atividade física, sem cianose, dispneia ou episódios de síncope. Ao exame: corado, eupneico, pulsos periféricos simétricos e cheios, precórdio calmo, sem frêmito. Ausculta com sopro mesossistólico, de timbre musical/vibratório, intensidade 2/6, mais audível entre a borda esternal esquerda baixa e o ápice, sem irradiação, com B2 de desdobramento fisiológico. O sopro reduz de intensidade quando a criança senta ou fica de pé. Assinale a conduta adequada.
O quadro reúne todos os critérios de sopro inocente de Still, o mais comum entre 2 e 6 anos: criança assintomática, crescimento normal, sopro SISTÓLICO (nunca diastólico), de baixa intensidade (≤2/6), timbre musical/vibratório, sem irradiação, sem frêmito, B2 com desdobramento fisiológico, pulsos normais e precórdio calmo — e, marca registrada, atenua-se em pé ou sentado (queda do retorno venoso). O diagnóstico é clínico: basta tranquilizar a família e manter puericultura de rotina, sem exames. Ecocardiograma de urgência não se justifica na ausência de qualquer sinal de alarme e ainda gera ansiedade familiar. Encaminhamento imediato e restrição de atividade em sopro inocente são iatrogenia — a criança pode e deve exercitar-se normalmente. ECG e radiografia têm baixo rendimento e não são recomendados para sopro com todas as características de benignidade.
Menino de 4 anos é levado à UBS para consulta de rotina, assintomático, com desenvolvimento pôndero-estatural adequado e sem internações prévias. Nega cansaço, cianose, síncope ou dificuldade em acompanhar os colegas na educação física. Ao exame: corado, eupneico, pulsos periféricos simétricos e amplos, sem estase jugular. Ausculta cardíaca com bulhas normofonéticas, segunda bulha com desdobramento fisiológico, e sopro sistólico ejetivo de intensidade 2/6, de timbre musical e vibratório, mais audível na borda esternal esquerda média, que reduz nitidamente ao assumir a posição ortostática. Assinale a conduta adequada.
O quadro descreve o sopro de Still: sistólico ejetivo, de baixa intensidade (≤2/6), timbre musical/vibratório, em borda esternal esquerda média, que diminui em ortostatismo — em criança assintomática, com pulsos simétricos, B2 com desdobramento fisiológico e crescimento normal. Preenchidos esses critérios, o sopro inocente dispensa exames complementares e o manejo é tranquilizar a família e manter a puericultura. Ecocardiograma de urgência com restrição física está indicado apenas diante de sinais de alarme (sopro ≥3/6, holossistólico, diastólico, contínuo, frêmito, B2 única ou fixa, pulsos alterados, sintomas), ausentes aqui. Profilaxia de endocardite não se aplica a coração estruturalmente normal e, mesmo em cardiopatia, restringe-se a condições de alto risco. ECG e radiografia têm baixo rendimento nesse contexto e apenas geram achados incidentais e ansiedade.
Menino de 5 anos comparece a consulta de rotina em UBS, assintomático, com crescimento adequado e sem antecedentes relevantes. À ausculta, em posição sentada, identifica-se sopro contínuo, suave, de intensidade 2/6, mais audível em região infraclavicular direita, com discreto reforço diastólico. O sopro desaparece completamente quando a criança é colocada em decúbito dorsal e também com a compressão digital leve da veia jugular interna ipsilateral ou com a rotação da cabeça para o lado oposto. Pulsos simétricos, pressão arterial normal para idade. Assinale o diagnóstico.
Sopro contínuo infraclavicular DIREITO que abole com decúbito, compressão jugular ou rotação cefálica é o zumbido venoso — turbulência do fluxo nas veias jugulares/braquiocefálicas, achado inocente que dispensa investigação. A manobra postural/compressiva é o teste diagnóstico à beira do leito. A persistência do canal arterial dá sopro contínuo em infraclavicular ESQUERDA, que não se modifica com essas manobras, e cursa com pulsos amplos e pressão divergente. A fístula coronariana produz sopro contínuo em topografia precordial, também não postural. A janela aorto-pulmonar cursa com sopro contínuo e insuficiência cardíaca precoce no lactente, incompatível com criança assintomática de 5 anos.
Menino de 5 anos é levado à Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina, assintomático, com bom desenvolvimento pôndero-estatural e sem antecedentes relevantes. Nega cansaço aos esforços, síncope, cianose ou infecções respiratórias de repetição. Não há história familiar de morte súbita. Ao exame: corado, eupneico, pulsos periféricos simétricos e cheios, precórdio calmo, ictus não desviado. Ausculta revela sopro sistólico ejetivo, de intensidade 2/6, timbre musical/vibratório, mais audível na borda esternal esquerda baixa, que se atenua nitidamente quando a criança assume a posição ortostática. Segunda bulha normofonética com desdobramento fisiológico. Assinale a conduta adequada.
O quadro reúne todos os critérios do sopro inocente de Still: criança assintomática, sopro sistólico ejetivo de baixa intensidade (≤2/6), timbre musical/vibratório em borda esternal esquerda baixa, que diminui em ortostase (queda do retorno venoso), com B2 desdobrada fisiologicamente, precórdio calmo e pulsos normais — não há indicação de exames complementares, apenas orientação e seguimento. O ecocardiograma se reserva a sopros com sinais de alarme (≥3/6, diastólico, holossistólico, irradiação para dorso/axila, clique, B2 única/hiperfonética, pulsos alterados, sintomas ou frêmito). A CIV restritiva produz sopro holossistólico, rude, em borda esternal esquerda baixa, frequentemente com frêmito — incompatível com sopro que se atenua em ortostase. A profilaxia de endocardite não é indicada em coração estruturalmente normal, e mesmo nas cardiopatias restringe-se a grupos de alto risco.
Durante a avaliação de crianças com sopro cardíaco, qual característica auscultatória, isoladamente, torna insustentável o diagnóstico de sopro inocente?
Não existe sopro diastólico inocente: qualquer sopro nessa fase do ciclo significa regurgitação aórtica ou pulmonar, ou estenose de valva atrioventricular, e obriga a ecocardiograma. As demais alternativas descrevem achados compatíveis com benignidade. Sopro sistólico 2/6 em foco pulmonar é o típico sopro de fluxo do escolar e do adolescente. Sopro que aumenta com a febre é o comportamento esperado de um sopro funcional, porque o estado hiperdinâmico acelera o fluxo. Sopro mesossistólico musical na borda esternal esquerda baixa é a descrição do sopro de Still. E sopro contínuo que desaparece com o decúbito dorsal é o zumbido venoso, o único inocente contínuo — justamente a manobra que o separa da persistência do canal arterial.
Criança de 4 anos é avaliada por sopro sistólico discreto, de difícil caracterização, mais audível na região interescapular. Ao exame, os pulsos femorais são palpáveis, porém francamente mais fracos e com atraso em relação aos pulsos braquiais. Qual achado adicional sustenta a principal hipótese diagnóstica?
Pulso femoral fraco e atrasado em relação ao braquial, com sopro audível na região interescapular, é coarctação da aorta até prova em contrário, e o achado que sustenta a hipótese é o gradiente de 20 mmHg ou mais entre a pressão dos membros superiores e a dos inferiores, medida nos quatro membros. Desdobramento amplo e fixo da segunda bulha aponta para comunicação interatrial. A diferença de saturação entre pré e pós-ductal é o critério da triagem de cardiopatia crítica e traduz shunt pelo canal arterial, o que não é o mecanismo da coarctação de apresentação tardia em criança acianótica. Click mesossistólico com sopro apical irradiando para a axila descreve prolapso e insuficiência mitral. Sopro que aumenta com Valsalva é o comportamento da cardiomiopatia hipertrófica.
Lactente de 3 meses é levado à unidade básica para avaliação de sopro. A mãe relata que ele interrompe as mamadas para respirar e sua durante a alimentação; ganhou 300 g nos últimos dois meses. Ao exame: frequência respiratória 62 irpm sem febre, tiragem subcostal leve, frequência cardíaca 168 bpm, sopro holossistólico 3/6 rude na borda esternal esquerda baixa, fígado a 3,5 cm do rebordo costal direito, pulsos femorais cheios e simétricos, saturação de 97% em membro superior direito e em membro inferior. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
Sopro holossistólico rude na borda esternal esquerda baixa é a assinatura da comunicação interventricular, e o quadro clínico traduz a repercussão do shunt esquerda-direita: sudorese e interrupção das mamadas, taquipneia sem febre, taquicardia, hepatomegalia e falha de crescimento — no lactente, o esforço que revela a insuficiência cardíaca é mamar. A coarctação está afastada porque os pulsos femorais estão cheios e simétricos. A tetralogia de Fallot cursaria com cianose e dessaturação, ausentes aqui, e seu sopro é ejetivo em foco pulmonar. A bronquiolite não explica hepatomegalia, falha de crescimento nem sopro holossistólico rude, e o lactente está afebril com evolução de semanas. A estenose pulmonar produz sopro sistólico ejetivo em foco pulmonar com click, não holossistólico em borda esternal esquerda baixa.
Recém-nascido de 4 dias de vida, a termo, em aleitamento materno exclusivo e com boa sucção, é examinado antes da alta do alojamento conjunto. Apresenta sopro sistólico ejetivo 2/6 em foco pulmonar, com irradiação para as axilas e para o dorso. Está corado, com pulsos femorais cheios e simétricos, saturação de 98% em membro superior direito e 98% em membro inferior, sem taquipneia e com ganho ponderal adequado. Qual a conduta mais apropriada?
O sopro sistólico ejetivo suave em foco pulmonar com irradiação para axilas e dorso é compatível com estenose fisiológica dos ramos pulmonares, que costuma desaparecer em 3 a 6 meses. Saturação normal, pulsos femorais simétricos e ausência de sintomas afastam urgência e não justificam prostaglandina, internação prolongada ou ecocardiograma emergencial. Ainda assim, um sopro detectado no período neonatal deve ser avaliado por cardiologia pediátrica em curto prazo, porque a distinção clínica entre sopro inocente e cardiopatia estrutural é menos confiável nessa idade. ECG e radiografia normais não excluem cardiopatia. Fontes: American Family Physician, Heart Murmurs in Children (2022); American Academy of Pediatrics, The Newborn with a Heart Murmur or Cyanosis.
Menino de 5 anos, assintomático, apresenta sopro contínuo, suave, audível na região infraclavicular direita quando está sentado. O sopro desaparece por completo quando ele é colocado em decúbito dorsal e também quando o examinador comprime levemente a veia jugular do mesmo lado. Segunda bulha normal, pulsos periféricos simétricos, pressão arterial normal para a idade. Qual a interpretação correta?
O quadro é o zumbido venoso: sopro contínuo, suave, infraclavicular direito, presente com a criança sentada e abolido pelo decúbito dorsal, pela compressão da jugular ipsilateral e pela rotação da cabeça. É o único sopro inocente contínuo e não exige exame complementar. A persistência do canal arterial é infraclavicular esquerda, tem timbre em maquinaria, cursa com pulsos amplos e pressão de pulso divergente e não se altera com postura ou compressão jugular. A comunicação interatrial produz sopro sistólico ejetivo em foco pulmonar com desdobramento amplo e fixo da segunda bulha, não sopro contínuo. Fístula coronariana é rara e não desapareceria com manobras posturais. A estenose fisiológica de ramos pulmonares é sistólica, ocorre no recém-nascido e irradia para axilas e dorso.
Menina de 7 anos, assintomática, apresenta sopro sistólico ejetivo 2/6 no segundo espaço intercostal esquerdo. O que mais chama a atenção do examinador é o desdobramento amplo da segunda bulha, que se mantém igual na inspiração e na expiração. Pulsos femorais simétricos, crescimento adequado, sem cianose. Qual afirmação está correta sobre esse caso?
Desdobramento amplo e fixo da segunda bulha, que não varia com a respiração, é a assinatura auscultatória da comunicação interatrial, e o sopro sistólico ejetivo em foco pulmonar decorre do hiperfluxo pela valva pulmonar, não do defeito no septo. É um caso que ensina a hierarquia do exame: a segunda bulha pesa mais que a intensidade do sopro, e um sopro de apenas 2/6 em criança assintomática não autoriza o rótulo de inocente quando a segunda bulha está alterada — a conduta é ecocardiograma. O sopro de Still é mesossistólico, musical e ouvido na borda esternal esquerda baixa, não em foco pulmonar. Eletrocardiograma e radiografia normais não afastam comunicação interatrial. E o desdobramento fisiológico é aquele que aumenta na inspiração e diminui na expiração, exatamente o oposto do descrito.
Menina de 5 anos comparece à consulta de puericultura em unidade básica de saúde. Está assintomática, brinca e corre sem cansar mais que os colegas, e o peso e a estatura seguem no percentil 50. Ao exame físico: corada, acianótica, frequência cardíaca 96 bpm, pressão arterial 92 x 58 mmHg. Ausculta com sopro mesossistólico 2/6, de timbre musical e vibratório, na borda esternal esquerda baixa, mais audível em decúbito dorsal e que praticamente desaparece quando a criança fica em pé. Segunda bulha com desdobramento que varia com a respiração, sem click e sem galope. Pulsos femorais cheios e simétricos. Não há história familiar de morte súbita precoce. Qual a conduta mais adequada?
O sopro descrito é o vibratório de Still: idade entre 2 e 7 anos, mesossistólico, musical, na borda esternal esquerda baixa, de baixa intensidade e postura-dependente. As cinco perguntas da triagem foram respondidas de forma favorável — criança assintomática, sopro sistólico curto sem frêmito, segunda bulha normal e sem click, pulsos femorais cheios e simétricos com pressão arterial normal, e sopro que diminui em pé. Nessa situação, o seguimento é com o pediatra, sem exame complementar. A alternativa do eletrocardiograma com radiografia falha porque nenhum dos dois é exame de triagem de sopro: normal não afasta cardiopatia e alimenta falsa segurança. O encaminhamento e o ecocardiograma seriam indicados se houvesse sintoma, sinal alterado ou característica patológica do sopro, o que não é o caso. Sopro inocente não indica profilaxia de endocardite nem restrição de atividade física, o que elimina as duas últimas.
Adolescente de 15 anos, jogador de basquete, é avaliado por sopro detectado em consulta de rotina. O sopro é sistólico, ouvido na borda esternal esquerda média, sem click e sem irradiação para as carótidas. O examinador observa que a intensidade aumenta quando o paciente passa da posição agachada para a posição ortostática e durante a manobra de Valsalva. O pai faleceu subitamente aos 42 anos, sem causa esclarecida. Qual a interpretação desse comportamento do sopro?
Ortostatismo e Valsalva reduzem o retorno venoso e a pré-carga. Com o ventrículo esquerdo menos cheio, a obstrução dinâmica da via de saída na cardiomiopatia hipertrófica piora e o sopro aumenta — o comportamento oposto ao do sopro inocente e ao da estenose aórtica valvar, que diminuem nessas manobras por queda do volume ejetado. A história familiar de morte súbita antes dos 50 anos e o contexto de atleta reforçam a suspeita. A insuficiência mitral também tende a diminuir com a queda da pré-carga. Atribuir o achado ao coração de atleta é o erro que custa vidas: o remodelamento fisiológico não produz sopro que aumenta em ortostatismo, e a conduta aqui é ecocardiograma e avaliação cardiológica antes de liberar o esporte competitivo.
Sobre a graduação de intensidade dos sopros cardíacos na criança, de 1 a 6, e sobre o que essa régua permite ou não permite concluir, assinale a alternativa correta.
O frêmito é a fronteira da régua: ele define o grau 4/6 e não pertence ao repertório de nenhum sopro inocente, de modo que sopro com frêmito é patológico até prova em contrário e vai para ecocardiograma. Situar o frêmito já no grau 3/6 desloca a fronteira: o 3/6 é claramente audível e ainda sem frêmito, embora exija que o resto da triagem seja respondido com rigor. Reservar ao grau 5/6 a ausculta com o estetoscópio fora da pele descreve o grau 6/6; o 5/6 é o que se ouve com apenas a borda do estetoscópio encostada. Fazer a intensidade crescer com o tamanho do defeito inverte a física: orifício pequeno e restritivo mantém gradiente alto e produz sopro alto, enquanto comunicação ampla com hipertensão pulmonar pode soar discreta. E dispensar a palpação dos pulsos femorais por causa de um sopro fraco é a omissão mais cara do exame, porque a coarctação da aorta cursa justamente com sopro discreto ou ausente.
Adolescente de 13 anos, assintomático, é encaminhado por sopro percebido em consulta de rotina. Ao exame: sopro sistólico ejetivo 2/6 no segundo espaço intercostal direito, com irradiação para as carótidas, precedido de click protossistólico. O sopro diminui de intensidade quando ele fica em pé e durante a manobra de Valsalva. Pulsos femorais cheios e simétricos, pressão arterial adequada para idade, sexo e estatura, sem história familiar de morte súbita precoce. Qual é a interpretação correta do comportamento postural desse sopro?
Ficar em pé e fazer Valsalva reduzem o retorno venoso, e essa queda diminui tanto o sopro inocente quanto o da estenose aórtica valvar: a manobra, sozinha, não separa um do outro. Quem decide aqui é a companhia do sopro. Click de ejeção protossistólico aponta valva aórtica ou pulmonar bicúspide ou estenótica, e a irradiação para as carótidas é achado de sopro patológico, não de sopro funcional. Tomar a queda postural como certificado de benignidade ignora esses dois achados. Atribuir a queda em ortostatismo à obstrução dinâmica da via de saída do ventrículo esquerdo inverte o sinal: na cardiomiopatia hipertrófica o ventrículo mais vazio agrava a obstrução e o sopro aumenta nessas manobras. O click do prolapso mitral é mesossistólico e vem com sopro apical que irradia para a axila, não para as carótidas. E o sopro de fluxo pulmonar do adolescente é suave, curto, no foco pulmonar, sem click e sem irradiação relevante.
Menina de 9 anos, assintomática, com crescimento adequado e boa tolerância às atividades escolares, é avaliada por sopro. À ausculta: sopro sistólico ejetivo, breve, de baixa intensidade, mais audível acima das clavículas, sem frêmito, sem click e sem componente diastólico, com segunda bulha de desdobramento que varia com a respiração. Os pulsos femorais são cheios e simétricos e a pressão arterial é adequada para idade, sexo e estatura. O sopro reduz de forma nítida quando a criança hiperestende os ombros. Qual é a interpretação e a conduta?
O sopro supraclavicular, também chamado carotídeo, é um dos sopros inocentes descritos pela pediatria brasileira: ejetivo, ouvido acima das clavículas, e com redução característica à hiperextensão dos ombros. Reunido a bulhas normais, ausência de frêmito, click e componente diastólico, pulsos femorais cheios e pressão normal, ele completa as respostas favoráveis da triagem e não pede exame algum. O zumbido venoso é contínuo, infraclavicular direito, e some com o decúbito dorsal, a compressão da jugular ou a rotação da cabeça — nenhuma dessas manobras é a descrita. A estenose aórtica valvar traz click de ejeção e irradiação para as carótidas, ausentes aqui. A coarctação da aorta se sustenta em pulso femoral fraco ou atrasado e em gradiente de pressão entre os membros, o que o exame exclui. E eletrocardiograma com radiografia de tórax não são exames de triagem de sopro: resultado normal não afasta cardiopatia e produz falsa segurança.
Sobre a avaliação do paciente com sopro cardíaco, qual característica sugere sopro patológico e indica investigação com ecocardiograma?
Todo sopro diastólico é patológico, assim como sopro contínuo e sopro sistólico intenso com frêmito, sobretudo quando acompanhado de sintomas, alteração de bulhas ou de pulsos — esses achados exigem ecocardiograma. Os demais descrevem sopros funcionais, ligados a estados hiperdinâmicos como febre, gestação e anemia, ou que se modificam com a posição, e que costumam dispensar investigação extensa. Investigar todo sopro engana quem não distingue funcional de orgânico e sobrecarrega o sistema com exames de baixo rendimento.
Recém-nascido com sopro detectado na maternidade, assintomático, com pulsos simétricos, saturação normal em membros superiores e inferiores e exame no restante normal. Qual a conduta mais adequada antes da alta?
Muitos sopros na maternidade são transitórios e refletem a queda da resistência pulmonar, mas alguns são a primeira manifestação de lesões que só se expressam quando o canal fecha — por isso a alta pode ocorrer com orientação e reavaliação garantida. Considerar a saturação normal como alta definitiva engana, porque lesões acianóticas com hiperfluxo e obstruções esquerdas iniciais cursam com oximetria normal.
Criança de 7 anos com sopro sistólico grau 2, que diminui quando ela senta e se acentua em decúbito dorsal, sem irradiação, com pulsos normais, segunda bulha normalmente desdobrada e crescimento adequado. Qual a conduta?
Sopro sistólico suave, sem frêmito, que varia com a posição e acompanha exame cardiovascular inteiramente normal preenche todos os critérios de inocência e dispensa investigação. Restringir atividade física por um sopro inocente é iatrogenia frequente, com impacto real na vida da criança. Profilaxia de endocardite não se aplica a coração estruturalmente normal.
Sobre as características do sopro inocente na criança, assinale a alternativa correta.
Sopro inocente é sempre sistólico, suave, sem frêmito, muda com a postura e vem acompanhado de exame cardiovascular normal, incluindo pulsos e segunda bulha. Qualquer sopro diastólico é patológico até prova em contrário — é a regra mais útil da semiologia pediátrica. Frêmito significa intensidade a partir do grau 4 e nunca é compatível com sopro inocente.
Criança com comunicação interatrial e hiperfluxo pulmonar apresenta, à ausculta, além do sopro sistólico em foco pulmonar, um ruflar diastólico em borda esternal esquerda baixa. Qual a explicação?
O volume aumentado que atravessa uma valva tricúspide de tamanho normal produz turbulência diastólica, criando uma estenose relativa e não orgânica — o ruflar traduz o grau do shunt e some após a correção. Interpretar o achado como valvopatia estrutural leva a investigações desnecessárias e desvia do raciocínio de que o problema é volume, não valva.
Qual característica do sopro sugere que uma comunicação interventricular é pequena e restritiva?
Quanto menor o orifício, maior o gradiente e mais intensa a turbulência — daí o paradoxo de que os defeitos pequenos produzem os sopros mais ruidosos em crianças que crescem bem. O inverso também vale e é mais perigoso: defeito amplo pode ter sopro discreto justamente porque as pressões se equalizam, e sopro fraco nunca deve tranquilizar diante de sinais de insuficiência cardíaca.
Qual característica de um sopro cardíaco na criança sempre indica investigação com ecocardiograma?
Não existe sopro diastólico inocente: a diástole é o período de enchimento, e turbulência nessa fase implica insuficiência valvar semilunar, estenose atrioventricular ou fluxo anômalo, o que sempre demanda avaliação. Os demais achados descrevem justamente o padrão funcional, que muda com posição, respiração e estado hiperdinâmico, como ocorre na febre e na anemia. Outros sinais de alerta incluem frêmito, intensidade igual ou superior a 3 em 6, clique e segunda bulha anormal.
Criança de 4 anos, assintomática, com sopro sistólico ejetivo de intensidade 2 em 6, curto, de timbre musical e vibratório, mais audível na borda esternal esquerda baixa, que reduz de intensidade quando a criança senta. Segunda bulha normal, pulsos simétricos, crescimento adequado. Qual a conduta?
O sopro descrito reúne todas as características do sopro inocente: baixa intensidade, sistólico e curto, timbre vibratório, variação com a posição e ausência de qualquer sinal acompanhante, em criança com crescimento e pulsos normais. Nesse contexto o ecocardiograma não acrescenta e ainda gera ansiedade e custo. Restringir esporte ou prescrever profilaxia diante de sopro inocente é iatrogenia frequente na prática ambulatorial.
Qual característica de um sopro cardíaco em criança sugere origem patológica?
São sinais de organicidade o sopro diastólico — que nunca é inocente — o holossistólico, a presença de frêmito, intensidade igual ou superior a 3, irradiação ampla, segunda bulha anormal e associação com sintomas ou pulsos alterados. Sopros de baixa intensidade que mudam com a posição, se intensificam na febre por estado hiperdinâmico e desaparecem à Valsalva são justamente o comportamento dos sopros inocentes, que ocorrem em grande parte das crianças em algum momento.
Qual é o sopro inocente mais comum na infância e suas características?
O sopro de Still é o inocente mais frequente entre 3 e 8 anos, com timbre musical característico, intensidade baixa e redução ao sentar ou levantar, pela diminuição do retorno venoso. Sopro holossistólico com irradiação axilar sugere insuficiência mitral. Sopro diastólico aórtico indica insuficiência valvar. Sopro contínuo em maquinaria aponta persistência do canal arterial — o zumbido venoso é o inocente contínuo, mas se apaga com compressão jugular e mudança de posição. Frêmito indica organicidade.
Qual exame simples pode aumentar a segurança do pediatra na avaliação de criança com sopro, embora não substitua a ausculta cuidadosa nem o ecocardiograma quando indicado?
O eletrocardiograma pode revelar sobrecargas de câmaras, desvios de eixo, pré-excitação e alterações de repolarização que sustentam a suspeita de cardiopatia, sendo complemento útil e barato — sem substituir a ausculta cuidadosa nem o ecocardiograma quando indicado, já que muitas cardiopatias cursam com eletrocardiograma normal. Hemograma pode identificar anemia como causa de sopro funcional, mas não avalia o coração. Radiografia de abdome, eletrólitos e ultrassonografia abdominal são alheios à questão.
Menino de 5 anos, assintomático, apresenta em consulta de rotina sopro sistólico ejetivo de intensidade 2, musical e vibratório, mais audível na borda esternal esquerda baixa, que diminui na posição sentada, com segunda bulha normalmente desdobrada e pulsos simétricos. Qual a conduta?
Sopro sistólico ejetivo, de baixa intensidade, musical e vibratório, que varia com a posição, em criança assintomática com exame cardiovascular normal, é o sopro de Still, inocente por excelência — a conduta é tranquilizar a família e acompanhar clinicamente. Solicitar ecocardiograma com restrição de atividade gera ansiedade e limitação desnecessárias. Cateterismo é invasivo e sem indicação. Profilaxia de endocardite não se aplica a sopro inocente, e cirurgia é conduta absurda diante de coração estruturalmente normal.
Qual característica define o zumbido venoso como sopro inocente?
O zumbido venoso é contínuo, geralmente à direita da região infraclavicular, e sua marca é desaparecer com a compressão da veia jugular, com a rotação ou a extensão da cabeça e em decúbito dorsal — manobras que o distinguem da persistência do canal arterial, cujo sopro em maquinaria persiste. Sopro contínuo que não se modifica sugere justamente o canal arterial. Sopro diastólico e sopro com frêmito indicam organicidade, e cianose associada nunca é compatível com sopro inocente.
Qual sopro inocente é frequentemente audível em recém-nascidos e lactentes pequenos e tende a desaparecer até o final do primeiro ano?
A estenose fisiológica de ramos pulmonares decorre da angulação e do menor calibre das artérias pulmonares no recém-nascido, produz sopro ejetivo audível nos focos pulmonares com irradiação para axilas e dorso, e desaparece em geral até 6 a 12 meses com o crescimento dos vasos. O sopro de Still é típico do pré-escolar, e o zumbido venoso, da criança maior em posição sentada. Sopro holossistólico e sopro diastólico indicam organicidade em qualquer idade.
Qual conduta é indicada quando um sopro é detectado em recém-nascido antes da alta da maternidade?
Sopro no recém-nascido exige avaliação dirigida — sintomas, perfusão, pulsos femorais, saturação pré e pós-ductal — e programação de reavaliação precoce ou ecocardiograma conforme o achado, porque cardiopatias críticas podem se manifestar apenas ao fechar o canal arterial, já em casa. Dar alta sem avaliação é o erro que devolve o bebê em choque. Internar todos em terapia intensiva e realizar cateterismo são excessos, e prostaglandina empírica sem suspeita definida traz riscos como apneia.
Qual orientação é adequada para a família de criança com sopro inocente confirmado?
Sopro inocente significa coração estruturalmente normal, e a orientação correta é explicar isso com clareza, liberar todas as atividades e dispensar profilaxias e restrições — a rotulação equivocada gera limitação de atividades, ansiedade familiar e o chamado coração de vidro, com prejuízo real ao desenvolvimento. Profilaxia de endocardite tem indicações restritas a condições cardíacas de alto risco. Exames semestrais e consultas mensais mantêm a família presa a uma doença que não existe.
Adolescente de 15 anos, atleta, apresenta sopro sistólico que aumenta de intensidade com a manobra de Valsalva e ao levantar-se rapidamente. Qual a hipótese e a conduta?
Sopro que aumenta com Valsalva e ao assumir a posição ortostática — manobras que reduzem o volume ventricular — é típico da obstrução dinâmica da via de saída da cardiomiopatia hipertrófica, principal causa de morte súbita em atletas jovens: a conduta é afastamento temporário e avaliação cardiológica. Sopros inocentes fazem o oposto, diminuindo com a redução do retorno venoso. Estenose mitral produz sopro diastólico, e o canal arterial dá sopro contínuo em maquinaria.
Qual a relação entre anemia e sopro cardíaco em criança?
A anemia reduz a viscosidade sanguínea e aumenta o débito cardíaco, gerando fluxo turbulento e sopro sistólico funcional que desaparece quando a hemoglobina normaliza — por isso o hemograma é útil na avaliação inicial de sopro sistólico em criança pálida. A anemia não causa lesão valvar estrutural, não implica cardiopatia congênita e não faz sopros desaparecerem. E sopro diastólico nunca é funcional: sua presença sempre exige investigação, independentemente do valor da hemoglobina.
Lactente de 8 meses, febril, apresenta sopro sistólico ejetivo de intensidade 2 em foco pulmonar, que não era audível na consulta anterior. Está corado, ativo, com pulsos simétricos e sem sinais de insuficiência cardíaca. Qual a conduta?
Febre, anemia e outros estados hiperdinâmicos aumentam o fluxo transvalvar e podem tornar audível um sopro funcional que não existia antes — em lactente corado, ativo, com pulsos simétricos e sem sinais de insuficiência cardíaca, a conduta razoável é reavaliar após a resolução da febre. Internação e ecocardiograma de urgência são desproporcionais nesse cenário. Tratamento de insuficiência cardíaca não tem indicação sem sinais congestivos, e cateterismo e profilaxia antibiótica não se aplicam.
Qual conjunto de achados torna improvável a origem inocente de um sopro em lactente?
Cansaço e sudorese durante as mamadas — o equivalente do esforço no lactente — taquipneia, hepatomegalia e ganho de peso insuficiente compõem o quadro de insuficiência cardíaca e afastam a hipótese de sopro inocente, exigindo investigação. Variação com a posição, ausência de cianose com pulsos simétricos, baixa intensidade sem frêmito e exames complementares normais são exatamente os elementos que apoiam a benignidade e permitem acompanhamento clínico sem propedêutica adicional.
Qual achado semiológico deve ser sempre pesquisado em criança com sopro para não deixar passar coartação de aorta?
A coartação de aorta pode ter sopro discreto e passar despercebida se os pulsos femorais não forem palpados e comparados aos braquiais, com aferição da pressão em membros superiores e inferiores — o diagnóstico tardio custa hipertensão de difícil controle e complicações vasculares. Ausculta isolada de um foco, frequência respiratória, inspeção precordial e palpação hepática fornecem informações complementares, mas nenhuma delas substitui a manobra que revela justamente essa cardiopatia.
Criança com sopro previamente considerado inocente passa a apresentar dor torácica durante esforço e um episódio de síncope no treino de futebol. Qual a conduta?
Dor torácica de esforço e síncope durante atividade física são sintomas de alarme que obrigam afastamento temporário do esporte e avaliação cardiológica com eletrocardiograma e ecocardiograma, para investigar cardiomiopatia hipertrófica, anomalia coronariana e canalopatias. Manter as atividades e reavaliar em meses é a conduta que permite a morte súbita no próximo treino. Radiografia isolada, ansiolítico e avaliação psicológica exclusiva deixam sem resposta a pergunta que precisa ser respondida antes do retorno.
Lactente de 3 meses apresenta sopro holossistólico intenso em borda esternal esquerda baixa, sudorese às mamadas, taquipneia e ganho ponderal insuficiente. Qual a hipótese e a conduta?
Sopro holossistólico intenso somado a sudorese às mamadas, taquipneia e ganho ponderal insuficiente configura insuficiência cardíaca do lactente por shunt esquerda-direita, tipicamente comunicação interventricular, exigindo ecocardiograma e tratamento clínico com eventual correção cirúrgica. Chamar de inocente diante de sintomas é o erro mais grave. Estenose pulmonar leve não causa repercussão. Anemia pode intensificar sopros, mas não explica o quadro, e coartação cursa com pulsos femorais reduzidos e diferencial pressórico.
Como se diferencia clinicamente um sopro inocente de um sopro patológico em criança?
Sopros inocentes são muito comuns na infância, especialmente durante febre ou anemia, e suas características — sistólico, suave, sem frêmito, mutável com a posição e sem outros achados — permitem tranquilizar a família sem exames. Assumir que a intensidade indica gravidade engana quem raciocina que sopro alto significa problema grande, mas defeitos pequenos geram turbulência intensa e sopros altos, enquanto grandes defeitos podem produzir sopro discreto. Sopro diastólico, contudo, é sempre patológico.
Qual característica da segunda bulha cardíaca sugere cardiopatia congênita em criança com sopro?
O desdobramento fixo e amplo da segunda bulha, que não varia com a respiração, é o achado clássico da comunicação interatrial, cujo sopro é discreto e frequentemente confundido com inocente — a bulha, e não o sopro, é o que denuncia a cardiopatia. Desdobramento fisiológico variando com a respiração é normal, assim como bulhas normofonéticas com ritmo regular. Hiperfonese de segunda bulha em foco pulmonar sugere hipertensão pulmonar e também é achado a valorizar.
Criança de 5 anos, assintomática, é avaliada em consulta de rotina. Ao exame cardiovascular, ausculta-se sopro sistólico de intensidade 2 em 6, curto, musical, em borda esternal esquerda baixa, que se atenua na posição sentada. Não há frêmito, sopro diastólico, cianose, dispneia ou déficit de crescimento. Os pulsos periféricos são simétricos e cheios, e a pressão arterial é normal nos quatro membros. Assinale a conduta correta.
Sopro sistólico curto, de baixa intensidade, musical, sem frêmito, com criança assintomática, crescimento normal, pulsos simétricos e pressão arterial normal nos quatro membros, caracteriza sopro inocente, cuja conduta é a orientação da família e o seguimento habitual. Encaminhamento urgente com restrição de atividade gera ansiedade e limitação injustificadas. Cateterismo é procedimento invasivo, jamais indicado como investigação inicial. Profilaxia antibiótica contínua não é indicada e não previne endocardite nesse contexto.
Menina de 5 anos é levada à Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina, assintomática e com bom desenvolvimento. Durante a ausculta, identifica-se sopro sistólico de ejeção, grau 2, musical e vibratório, mais audível em borda esternal esquerda média, que diminui quando a criança fica em pé e aumenta em decúbito dorsal. Segunda bulha com desdobramento fisiológico, pulsos periféricos simétricos e amplos, sem cianose, sem frêmito, com pressão arterial adequada para idade e estatura e crescimento normal. A conduta adequada é:
O sopro descrito reúne todos os critérios de sopro inocente: sistólico, de baixa intensidade, musical, sem frêmito, com variação postural, segunda bulha normal, pulsos simétricos e criança assintomática com crescimento adequado. A conduta é tranquilizar e acompanhar clinicamente, sem exames. Encaminhamento urgente e ecocardiograma para todo sopro geram ansiedade familiar, custo e sobrecarga da rede, devendo ser reservados a sopros com características patológicas, sintomas ou alteração de pulsos. Restringir atividade física em criança hígida traz prejuízo sem qualquer benefício.
Menina de 3 anos é levada à Unidade Básica de Saúde por palidez e irritabilidade há dois meses. A mãe relata alimentação seletiva, com pouca ingestão de carne e consumo elevado de leite de vaca. Ao exame, palidez cutâneo-mucosa importante, taquicardia com frequência de 148 bpm, sopro sistólico de ejeção grau 2 em foco pulmonar, sem frêmito, com segunda bulha normal e pulsos simétricos. Não há hepatomegalia, edema ou cianose. Hemoglobina de 7,2 g/dL, com microcitose e hipocromia. A conduta correta é:
A anemia importante reduz a viscosidade sanguínea e aumenta o débito cardíaco, produzindo sopro sistólico funcional que costuma desaparecer com a correção da hemoglobina; o quadro alimentar e o perfil microcítico e hipocrômico apontam anemia ferropriva, cujo tratamento é a reposição de ferro com orientação alimentar, reavaliando o sopro depois. Cateterismo é invasivo e sem indicação. Não há sinais de insuficiência cardíaca, como hepatomegalia e congestão, que justifiquem diurético. Profilaxia de endocardite não se aplica: a criança não tem condição cardíaca de alto risco.
Menina de 6 anos é levada à Unidade Básica de Saúde após a escola relatar que o médico do posto ouviu um sopro no ano anterior. Está assintomática, com crescimento adequado e sem infecções respiratórias frequentes. Ao exame, ausculta-se sopro contínuo, suave, em região infraclavicular direita, mais audível com a criança sentada, que desaparece completamente quando ela se deita ou quando se realiza compressão suave da veia jugular ipsilateral. Pulsos simétricos, sem frêmito, segunda bulha normal e pressão arterial adequada. A hipótese mais provável é:
Sopro contínuo suave, mais audível na posição sentada e que desaparece com o decúbito ou com compressão jugular, é o zumbido venoso, achado benigno causado pelo fluxo nas veias cervicais, que não requer investigação nem restrição. A persistência do canal arterial produz sopro contínuo em maquinária infraclavicular esquerda, que não some com mudança de posição ou compressão jugular, e costuma vir com pulsos amplos. A fístula arteriovenosa pulmonar pode cursar com cianose e baqueteamento. A estenose de ramo pulmonar produz sopro sistólico irradiado para as axilas, não sopro contínuo postural.
Recém-nascido a termo, com 36 horas de vida, é examinado antes da alta da maternidade. Está ativo, mamando bem, com peso adequado. Ao exame, ausculta-se sopro sistólico grau 3 em borda esternal esquerda média, com frêmito palpável; pulsos periféricos simétricos, saturação de 97% em membro superior direito e 96% em membro inferior, frequência respiratória de 46 irpm e sem hepatomegalia. Não há dismorfismos nem antecedentes familiares de cardiopatia. A mãe deseja alta hospitalar ainda hoje. A conduta correta é:
Sopro no período neonatal com frêmito palpável e intensidade elevada tem alta probabilidade de corresponder a cardiopatia estrutural e exige avaliação com ecocardiograma antes da alta ou com retorno precoce garantido, ainda que a triagem por oximetria seja normal, pois vários defeitos não cursam com dessaturação. Liberar sem avaliação confia demais em um teste com finalidade específica. Manter internação até o sopro desaparecer é conduta ineficiente. Diurético profilático não tem indicação em recém-nascido assintomático, e adiar o retorno para dois meses pode permitir descompensação sem vigilância.
Menino de 9 anos, com anemia falciforme diagnosticada na triagem neonatal, é acompanhado na Unidade Básica de Saúde. Refere cansaço aos esforços moderados, sem dor torácica ou síncope. Ao exame, palidez de mucosas, icterícia leve de escleras, frequência cardíaca de 106 bpm, sopro sistólico de ejeção grau 2 em foco pulmonar, sem frêmito, segunda bulha normal e ictus discretamente desviado. Hemoglobina de 7,8 g/dL, reticulócitos elevados. Não há hepatomegalia nem edema. A interpretação correta do sopro é:
A anemia crônica da doença falciforme gera circulação hiperdinâmica, com aumento do débito cardíaco e sopro sistólico funcional, além de sobrecarga volumétrica crônica que, ao longo dos anos, pode levar a dilatação de câmaras e hipertensão pulmonar; por isso o paciente merece acompanhamento e vigilância cardiovascular. Endocardite exigiria febre prolongada e outros achados infecciosos. Estenose pulmonar produziria clique, frêmito e alteração da segunda bulha, ausentes. Considerar o achado irrelevante ignora o risco cardiovascular acumulado da doença falciforme.
Lactente de 5 meses é levado à Unidade Básica de Saúde para consulta de puericultura. A mãe está preocupada porque o pediatra de um pronto-atendimento comentou sobre um sopro cardíaco. A criança mama bem, ganha peso adequadamente, não apresenta cansaço às mamadas, sudorese, cianose ou infecções respiratórias de repetição. Ao exame: bom estado geral, corado, sopro sistólico de baixa intensidade em borda esternal esquerda, sem frêmito, segunda bulha normal e desdobrada fisiologicamente, pulsos femorais palpáveis e simétricos, saturação 98%, fígado não palpável. A conduta mais adequada é:
Sopro sistólico de baixa intensidade, sem frêmito, com segunda bulha normal, pulsos femorais presentes e simétricos, boa saturação e crescimento adequado, em lactente assintomático, tem características de sopro inocente, permitindo acompanhamento clínico com reavaliação e encaminhamento apenas diante de sinais de alarme. Cateterismo é procedimento invasivo e jamais é etapa inicial. Profilaxia antibiótica contínua não é indicada por sopro inocente e não previne endocardite nesse contexto. Restringir atividade e suspender o aleitamento prejudica o lactente sem qualquer fundamento clínico.
Recém-nascido a termo, com 36 horas de vida, é examinado antes da alta em alojamento conjunto. Está mamando bem, com bom ganho de peso e sem queixas maternas. Ao exame apresenta FC 142 bpm, FR 46 ipm, saturação de 98% em membro superior direito e em membro inferior, pulsos femorais amplos e simétricos, perfusão adequada, sem hepatomegalia, com sopro sistólico suave, de grau 2, em borda esternal esquerda, sem irradiação e sem frêmito. A conduta mais adequada é:
Sopro suave, sem frêmito, em recém-nascido assintomático, com pulsos simétricos, saturação normal em membros superior e inferior e sem sinais de insuficiência cardíaca, tem alta chance de ser transitório, exigindo reavaliação antes da alta, orientação de sinais de alarme e consulta precoce, com encaminhamento se persistir. Internação em terapia intensiva é desproporcional para recém-nascido estável. Contraindicar a amamentação não tem qualquer fundamento. Afirmar que todo sopro neonatal é inocente e liberar sem seguimento pode deixar passar cardiopatia que se manifesta com o fechamento do canal arterial.
Homem de 45 anos, assintomático, é encaminhado ao ambulatório após avaliação admissional que detectou sopro cardíaco. Ele pratica musculação e nega síncope, dispneia ou palpitações. Ao exame: PA 122x78 mmHg, FC 60 bpm, sopro sistólico ejetivo de baixa intensidade em foco pulmonar, que desaparece na posição sentada, sem irradiação, sem frêmito, segunda bulha com desdobramento fisiológico variável com a respiração, pulsos simétricos, sem estase jugular ou edema. Eletrocardiograma normal. Exames laboratoriais de rotina sem alterações relevantes. A conduta correta é:
Sopro sistólico de baixa intensidade, sem irradiação, sem frêmito, que varia com a posição, com segunda bulha normal, eletrocardiograma normal e ausência de sintomas, apresenta características de sopro inocente, permitindo acompanhamento clínico sem exames adicionais. Solicitar investigação invasiva para todo sopro gera custo e risco desnecessários. Contraindicar exercício sem indício de doença estrutural priva o paciente de benefício. Profilaxia antibiótica contínua não é indicada por sopro inocente e não corresponde às recomendações vigentes.
Menino de 4 anos é levado à consulta de rotina e, à ausculta, identifica-se sopro cardíaco. Ele é assintomático, brinca e corre igual aos colegas, sem cansaço desproporcional, cianose, síncope ou palpitações, e o crescimento está adequado. Ao exame: sopro sistólico de ejeção de intensidade 2 em 6, musical e suave, em borda esternal esquerda baixa, que diminui na posição sentada, com segunda bulha normalmente desdobrada e variável com a respiração, pulsos simétricos e sem frêmito. Qual é a conduta mais adequada?
Sopro sistólico suave, musical, de baixa intensidade, que varia com a posição, em criança assintomática, com pulsos simétricos, segunda bulha normal e sem frêmito ou outros achados, tem características de sopro inocente, permitindo acompanhamento clínico sem exames adicionais na atenção primária. Encaminhamento urgente e restrição de atividade geram ansiedade e limitação desnecessárias. Cateterismo é procedimento invasivo sem indicação nesse contexto. Profilaxia de endocardite é indicada apenas em condições cardíacas específicas de alto risco.
Menina, 6 anos, assintomática, é levada à consulta de rotina. Está no percentil 50 de peso e estatura, com desenvolvimento normal. PA 96/60 mmHg, FC 92 bpm, pulsos simétricos e cheios. Ausculta revela sopro sistólico ejetivo 2/6, musical e vibratório, em borda esternal esquerda média, que reduz de intensidade quando a criança fica em pé. B2 com desdobramento fisiológico variável com a respiração; não há cliques nem frêmito. Qual a conduta mais adequada?
Sopro sistólico ejetivo de baixa intensidade, musical e vibratório, que diminui na posição ortostática, em criança assintomática com pulsos normais e desdobramento fisiológico de B2, é o sopro inocente de Still, e a conduta é tranquilizar a família com seguimento clínico. Solicitar cateterismo é agressivo e sem indicação diante de exame típico. A profilaxia de endocardite não se aplica a coração estruturalmente normal. Restringir atividade física impõe limitação injustificada e gera ansiedade familiar. Encaminhar para cirurgia pressupõe lesão estrutural que o quadro clínico afasta.
Mulher, 22 anos, assintomática, apresenta sopro contínuo audível em região infraclavicular direita, que desaparece quando ela se deita e quando se comprime levemente a veia jugular ipsilateral. PA 110/70 mmHg, FC 72 bpm, pulsos simétricos e de amplitude normal. ECG e radiografia de tórax sem alterações; ecocardiograma transtorácico sem cardiopatia estrutural ou shunt detectável. Qual a hipótese diagnóstica mais provável?
Sopro contínuo que desaparece com o decúbito e com a compressão jugular é o zumbido venoso cervical, achado benigno comum em jovens, sem repercussão clínica. A persistência do canal arterial gera sopro contínuo em região infraclavicular esquerda que não desaparece com essas manobras e cursa com pulsos amplos. A fístula arteriovenosa coronariana produz sopro contínuo precordial e costuma ser detectada ao ecocardiograma. A ruptura de aneurisma de seio de Valsalva provoca sopro contínuo de início súbito com repercussão hemodinâmica. A coarctação produz sopro sistólico interescapular com gradiente pressórico entre membros.
Menino, 5 anos, assintomático, tem sopro detectado em consulta de rotina. Peso e estatura adequados, PA 96/58 mmHg, FC 92 bpm, pulsos femorais palpáveis e simétricos. Ausculta revela sopro sistólico ejetivo 2/6 em foco pulmonar com irradiação para as axilas e o dorso, B2 com desdobramento fisiológico e sem cliques. Ecocardiograma mostra coração estruturalmente normal. Qual a hipótese mais provável?
Sopro sistólico ejetivo suave em foco pulmonar com irradiação para axilas e dorso, em criança assintomática com ecocardiograma normal, corresponde ao sopro inocente por turbulência em ramos pulmonares, achado benigno. A estenose pulmonar valvar significativa apresentaria clique de ejeção, sopro mais intenso e gradiente ao ecocardiograma. A coarctação cursaria com pulsos femorais reduzidos e gradiente entre membros, expressamente ausentes. A comunicação interventricular produziria sopro holossistólico em borda esternal esquerda baixa. A persistência do canal arterial geraria sopro contínuo infraclavicular esquerdo com pulsos amplos.
Menino de 5 anos, assintomático, é avaliado em consulta de rotina. Está eutrófico, ativo, com FC 92 bpm, PA 96x60 mmHg, SatO2 99%. À ausculta há sopro sistólico de ejeção, grau 2 em 6, musical e suave, mais audível em borda esternal esquerda baixa, que diminui de intensidade quando o paciente passa da posição deitada para a posição sentada. As bulhas são normofonéticas, com segunda bulha desdobrada e variável, e os pulsos periféricos são simétricos. Qual a conduta indicada?
Tranquilizar a família e manter o acompanhamento de rotina é a conduta correta, pois as características descritas configuram sopro inocente: sistólico de ejeção, de baixa intensidade, musical, que varia com a posição, com segunda bulha desdobrada e variável, pulsos simétricos e criança assintomática. Solicitar ecocardiograma com urgência e restringir atividade física gera ansiedade e limitação injustificadas. O cateterismo é procedimento invasivo sem qualquer indicação nesse contexto. A profilaxia de endocardite é reservada a cardiopatias de alto risco, como próteses valvares e cardiopatias cianóticas não corrigidas. Exames seriados trimestrais medicalizam achado benigno e sem repercussão.
Menino, 6 anos, assintomático, com sopro detectado durante consulta por infecção de vias aéreas superiores com febre. Bom desenvolvimento, sem cansaço, cianose ou história familiar relevante. FC 108 bpm, T 38,2 °C, PA 96x58 mmHg. Sopro sistólico ejetivo, musical e vibratório, de intensidade 2 sobre 6 em borda esternal esquerda média, que diminui na posição ortostática. Segunda bulha normal e pulsos simétricos. Sobre o caso, assinale a alternativa INCORRETA.
A afirmação incorreta é a que atribui a todo sopro infantil uma cardiopatia estrutural: sopros inocentes são muito frequentes em crianças saudáveis, sobretudo em estados hiperdinâmicos. É correto que o caráter musical e vibratório caracteriza o sopro de Still. Também é verdadeiro que a redução em ortostatismo, por queda do retorno venoso, favorece a natureza inocente. A febre de fato intensifica sopros ao elevar o débito cardíaco. E a ausência de sintomas com segunda bulha normal e pulsos simétricos são elementos tranquilizadores da avaliação.
Menina, 5 anos, assintomática, com sopro contínuo detectado em consulta de rotina. Bom desenvolvimento, sem cansaço ou cianose. PA 98x60 mmHg, FC 96 bpm. Sopro contínuo suave em região infraclavicular direita, mais audível na posição sentada, que desaparece ao deitar e ao comprimir levemente a veia jugular ipsilateral. Pulsos simétricos, segunda bulha normal e precórdio sem impulsões anormais. Qual o diagnóstico?
O zumbido venoso é sopro inocente contínuo, mais audível em região infraclavicular na posição sentada, que desaparece com o decúbito, com a rotação da cabeça ou com a compressão jugular, manobras que confirmam a origem venosa. A persistência do canal arterial produz sopro contínuo em maquinaria que não desaparece com essas manobras e cursa com pulsos amplos. A fístula coronariana gera sopro contínuo precordial persistente. A coarctação produz sopro sistólico interescapular com pulsos femorais reduzidos. A janela aortopulmonar cursa com insuficiência cardíaca precoce.
Recém-nascido a termo, com 12 horas de vida, apresenta sopro sistólico de intensidade 2 sobre 6 em borda esternal esquerda, detectado na primeira avaliação. Está corado, ativo, mamando bem. FC 140 bpm, FR 46 ipm, T 36,7 °C, SatO2 97% pré e pós-ductal. Pulsos femorais palpáveis e simétricos, segunda bulha normal, sem hepatomegalia. Peso adequado para a idade gestacional, sem dismorfismos. Sobre a conduta, assinale a alternativa INCORRETA.
A afirmação incorreta é a que dispensa reavaliação: mesmo em recém-nascido assintomático, o sopro exige reavaliação antes da alta e no seguimento, pois algumas cardiopatias só se manifestam com a queda da resistência vascular pulmonar. É correto que sopros transitórios ocorrem na transição circulatória, como o fechamento do canal arterial. A oximetria pré e pós-ductal simétrica é dado tranquilizador. A palpação de pulsos femorais é obrigatória para afastar obstrução aórtica. E a reavaliação clínica programada integra a conduta recomendada.
Lactente, 2 meses, assintomático, com sopro detectado em consulta de puericultura. Nasceu a termo, com bom ganho ponderal e mamadas sem cansaço. FC 132 bpm, FR 40 ipm, SatO2 98% em ar ambiente. Sopro sistólico ejetivo de intensidade 2 sobre 6 em foco pulmonar, com irradiação para axilas e dorso bilateralmente. Segunda bulha normal, pulsos simétricos e ecocardiograma sem cardiopatia estrutural. Qual o diagnóstico?
A estenose pulmonar periférica fisiológica do lactente é sopro inocente frequente nos primeiros meses, decorrente do calibre relativamente pequeno dos ramos pulmonares após o nascimento, com irradiação característica para axilas e dorso e resolução espontânea. A estenose valvar significativa cursaria com clique de ejeção e alteração ecocardiográfica. A coarctação apresentaria pulsos femorais reduzidos e gradiente pressórico. A comunicação interventricular produz sopro holossistólico em borda esternal esquerda baixa. A tetralogia de Fallot cursaria com cianose e segunda bulha única.
Menino, 5 anos, assintomático, com sopro detectado em consulta de rotina. Bom desenvolvimento pôndero-estatural, sem cansaço, cianose ou infecções respiratórias frequentes. FC 96 bpm, PA 96x58 mmHg. Sopro sistólico de intensidade 2 sobre 6 em borda esternal esquerda média, de timbre musical, que reduz em ortostatismo. Segunda bulha com desdobramento fisiológico e pulsos periféricos simétricos. Sobre os sopros inocentes, assinale a alternativa INCORRETA.
A afirmação incorreta é a que admite sopro diastólico como inocente: todo sopro diastólico é considerado patológico até prova em contrário, ao contrário dos sopros sistólicos suaves e musicais. É correto que o sopro inocente costuma ter intensidade igual ou inferior a dois em seis. A variação com mudança de posição, reduzindo em ortostatismo, favorece a natureza inocente. Estados hiperdinâmicos como febre e anemia de fato intensificam sopros funcionais. E segunda bulha normal com pulsos simétricos são dados tranquilizadores da avaliação.
Menino, 9 anos, com anemia falciforme, é avaliado por sopro cardíaco. Assintomático do ponto de vista cardiovascular, sem dispneia aos esforços habituais. FC 96 bpm, PA 100x54 mmHg com pressão de pulso ampla, mucosas hipocoradas. Sopro sistólico ejetivo de intensidade 2 sobre 6 em foco pulmonar, sem sopro diastólico. Exames: hemoglobina 7,8 g/dL; ecocardiograma com câmaras discretamente dilatadas e função sistólica normal. Qual a explicação mais provável para o sopro?
O sopro sistólico ejetivo suave com pressão de pulso ampla e câmaras discretamente dilatadas em paciente com anemia crônica reflete estado hiperdinâmico, com aumento do débito cardíaco e do fluxo transvalvar, sem doença valvar estrutural. A estenose pulmonar congênita cursaria com clique de ejeção e gradiente ao ecocardiograma. A endocardite exigiria febre e vegetação, não descritas. A doença reumática acomete predominantemente mitral e aórtica, poupando a pulmonar. A hipertensão pulmonar grave apresentaria segunda bulha hiperfonética e sopro de regurgitação tricúspide.
Recém-nascido a termo, com 30 horas de vida, tem sopro sistólico ejetivo de intensidade 2/6 em borda esternal esquerda alta, detectado no exame de alta. Está ativo, mamando bem, FC 138 bpm, FR 46 ipm, T 36,8 °C, com pulsos simétricos em quatro membros e enchimento capilar de 2 segundos. Teste do coraçãozinho com saturação de 98% no membro superior direito e 97% no membro inferior, sem diferença significativa. Qual a conduta mais adequada?
Reavaliar clinicamente e programar avaliação cardiológica ambulatorial é a conduta adequada para sopro isolado, de baixa intensidade, em recém-nascido assintomático, com pulsos simétricos e triagem de oximetria normal, situação em que a maior parte dos sopros é transitória ou inocente. A prostaglandina E1 profilática se destina a cardiopatias canal-dependentes já suspeitadas, e não a sopro isolado. Contraindicar a alta e internar por 7 dias é desproporcional na ausência de sinais de gravidade. Furosemida e captopril empíricos tratam insuficiência cardíaca não demonstrada. O cateterismo é procedimento invasivo e diagnóstico de exceção, precedido sempre pelo ecocardiograma.
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em 7 dias
Refaça de memória as cinco perguntas da triagem, na ordem, e liste as características que fazem um sopro ser provavelmente inocente segundo a SBP: sistólico, curto, baixa intensidade, sem estalido ou galope, sem irradiação e que muda de intensidade com a posição. Depois nomeie os cinco sopros inocentes com idade típica, foco e a manobra que reduz cada um — e diga qual deles é contínuo e como separá-lo da persistência do canal arterial.
em 30 dias
Monte três casos e resolva cada um até a conduta: escolar assintomático com sopro 2/6 vibratório postura-dependente; lactente de 3 meses com sopro holossistólico, sudorese às mamadas e hepatomegalia; adolescente com sopro sistólico que aumenta quando fica em pé e história familiar de morte súbita antes dos 50 anos. Para cada um, escreva quais exames você pede e por quê, e explique em uma frase por que eletrocardiograma e radiografia de tórax normais não encerrariam a discussão.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Menino de 6 anos vem à consulta de rotina; a mãe está preocupada porque o pediatra anterior escreveu 'sopro' no prontuário e pediu para 'ver com um cardiologista'. A criança joga futebol duas vezes por semana, acompanha os colegas sem cansar, come bem e está no percentil 50 de peso e estatura. Você precisa auscultar, caracterizar o sopro, palpar os pulsos femorais, medir a pressão arterial e decidir se essa criança sai da consulta com um pedido de ecocardiograma ou com uma explicação para a família. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
