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Ginecomastia: o disco é concêntrico, e o que foge do centro muda o caso

A palpação separa glândula de gordura e, dentro da glândula, separa o disco que cresce em torno da papila da massa que cresce fora dela. Essa segunda separação é a que não se pode errar, porque do outro lado está o câncer de mama do homem.

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Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Homem de 40 anos, eugonádico, com testosterona e LH normais, solicita 'reposição de testosterona' para tratar ginecomastia idiopática. Sobre essa conduta, é correto afirmar:

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Como esse tema cai

A mama do homem aparece em três apostilas, e cada uma cobra outra coisa. A endocrinologia cuida do eixo quando ele é a doença — a hipófise que secreta demais, a tireoide, a adrenal, a obesidade como quadro próprio. A ginecologia oncológica cuida do nódulo mamário e da língua do laudo, o sistema de categorias que ordena a conduta diante de uma imagem. O que sobra para a cirurgia plástica é o corpo do doente entre essas duas: a mama masculina aumentada, quem a examina primeiro e o que ele decide ali mesmo.

O eixo tem três perguntas em sequência, e a ordem importa porque cada uma só faz sentido depois da anterior. A primeira é se aquilo é glândula ou gordura, e ela se responde com a mão, não com pedido de exame. A segunda é se a glândula cresceu em torno da papila ou fora dela, e essa é a pergunta que separa a proliferação benigna mais comum da mama masculina do câncer que responde por um em cada cem cânceres de mama. A terceira é o que causou, e só ela pede laboratório.

A pergunta do câncer não é retórica nem improvável a ponto de ser ignorada. A série brasileira de mamografias masculinas que sustenta boa parte deste texto encontrou dois carcinomas em sessenta exames, numa população de idade média de 62 anos, e registrou que dois pacientes chegaram com fluxo papilar sanguinolento. O homem não é rastreado, chega tarde e costuma ser operado com mastectomia — de modo que o exame de quem o atende por queixa estética é, muitas vezes, o primeiro e único filtro.

A quarta pergunta é cirúrgica e vem por último de propósito: quanto tecido retirar, por qual incisão, e por que a lipoaspiração sozinha não fecha a conta. Aqui convivem duas réguas escritas — a da cirurgia plástica, que classifica por volume e por excesso de pele, e a administrativa, que conta centímetros e anos. Saber que as duas existem evita a discussão estéril sobre qual delas é a verdadeira.

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O que muda decisão

O desequilíbrio é de razão, não de presença

A ginecomastia é a proliferação benigna mais comum do tecido glandular da mama masculina, e o mecanismo tem nome exato: desequilíbrio entre as concentrações de estrógeno e de androgênio. Não é que o homem passe a produzir um hormônio que antes não produzia — ele sempre produziu estrogênios, sobretudo por aromatização periférica de androgênios no tecido adiposo. O que muda é a proporção entre os dois, e a mama responde a essa razão, não a valores absolutos isolados.

Isso explica por que caminhos tão diferentes chegam ao mesmo peito. Cai o numerador dos androgênios no hipogonadismo e na insuficiência testicular; sobe o denominador dos estrogênios quando há mais tecido adiposo aromatizando, quando o fígado deixa de depurar, quando um tumor secreta gonadotrofina coriônica que estimula a gônada. Bloqueia-se o receptor androgênico com espironolactona ou com antiandrogênico e a razão se desloca sem que nenhuma dosagem precise estar fora da faixa.

A resposta tecidual tem duas partes: proliferação de ductos com ramificações secundárias e hiperplasia do estroma. É por isso que o achado não é uma bolha nem um cisto, e sim um disco firme e ramificado logo atrás da aréola. E é por isso, também, que a imagem descreve o tecido como padrão nodular ou ramificado, e não como massa de contornos próprios.

Todo homem tem, desde a infância, o mesmo conjunto de células na região peitoral que na mulher formará a glândula mamária; no homem esse broto tende à involução. A ginecomastia é o desenvolvimento excessivo desse mesmo broto. Guardar essa origem comum ajuda em duas horas diferentes da consulta: quando se explica ao paciente que aquilo não é um órgão estranho que apareceu, e quando se lembra de que tecido mamário existente é tecido que pode adoecer.

Três picos, e cada um por um motivo diferente

A ginecomastia aparece em 40% a 65% dos homens adultos, o que a coloca na faixa de achado quase populacional, e se concentra em três momentos da vida. O primeiro é o recém-nascido: aparece nos primeiros dias, dura em torno de quatorze dias e se relaciona ao estrógeno e à prolactina maternos que atravessaram a placenta. Não se investiga, não se trata e não se opera — apenas se explica.

O segundo pico é o puberal, entre 13 e 17 anos, ligado a fatores hormonais fisiológicos: há desajuste transitório na relação entre estrogênios e androgênios com predomínio do estradiol plasmático, e alguns estudos descrevem ainda maior atividade da aromatase nos fibroblastos da pele desses adolescentes. A regressão habitual ocorre após doze a vinte e quatro meses, e o quadro se resolve por volta dos dezessete anos. Atinge dois em cada três jovens, e o caso típico é o adolescente saudável, com sobrepeso ou obesidade.

O terceiro pico é o da senectude, habitualmente entre 50 e 70 anos, e o mecanismo é mais interessante do que parece. Instala-se um estado de hipogonadismo de graus variados por volta dos sessenta anos, com queda da testosterona total e livre e aumento da globulina ligadora dos hormônios sexuais, enquanto os níveis de estradiol se mantêm. Some-se o aumento da aromatização periférica ligado à adiposidade, e a razão entre os dois hormônios se desloca sem que nenhum deles precise estar francamente alterado.

A leitura prática dessa lista é uma pergunta de anamnese: em qual dos três momentos este homem está? Fora deles, a ginecomastia perde o rótulo de fisiológica e passa a exigir explicação. E dentro deles ainda vale a regra geral — crescimento rápido e doloroso preocupa mais do que crescimento lento, e assimetria acentuada merece o mesmo cuidado que a idade fora de faixa.

O disco cresce em torno da papila, e essa é a definição

A maior parte dos pacientes com ginecomastia é assintomática e a condição é detectada no exame físico, que estabelece o diagnóstico com certa facilidade. O achado característico é um nódulo discoide, de consistência elástica, bordas bem delimitadas, não aderido aos planos profundos e com crescimento concêntrico em torno do complexo areolopapilar. A consistência varia conforme a proporção entre tecido fibroglandular e tecido adiposo, mas a geometria não varia: o disco é centrado na papila.

Há uma medida que transforma impressão em critério. No doente não obeso, deve-se palpar ao menos dois centímetros de tecido mamário subareolar para definir ou confirmar ginecomastia. Abaixo disso, o que se está apalpando pode ser apenas o tecido peitoral normal e a impressão do próprio paciente diante do espelho. A medida é grosseira de propósito — feita com os dedos em pinça, deitado, a partir da borda da aréola em direção ao centro.

A apresentação mais frequente é unilateral, mas a forma bilateral também ocorre, e a bilateralidade aparece em cerca de 55% dos casos nas séries. Assimetria entre os dois lados é comum e não é, por si, sinal de alarme: o que alarma é a posição da massa dentro da mama, e não a diferença de volume entre elas. Também pode haver derrame papilar nos casos ligados a medicamentos.

O exame não termina no tórax. É de extrema importância o exame testicular para excluir sinais de hipogonadismo e para procurar massa palpável, e o exame geral procura os estigmas que apontam causa: telangiectasias, eritema palmar e hepatomegalia na doença hepática; tremor, taquicardia e bócio no hipertireoidismo; rarefação de pelos e redução do volume testicular no hipogonadismo. Encerrar a consulta sem despir abaixo da cintura é deixar metade do diagnóstico de fora.

Três cortes esquemáticos da região peitoral lado a lado: no primeiro, um disco simétrico centrado sob a papila; no segundo, um nódulo irregular fora do eixo, afastado da papila, com linhas de retração; no terceiro, preenchimento difuso e homogêneo, sem disco.
A geometria decide a conduta: disco centrado na papila é a proliferação glandular benigna; massa fora do eixo obriga imagem e outro diagnóstico; preenchimento difuso sem disco é acúmulo de gordura.

A palavra que muda o caso é excêntrica

A distinção entre ginecomastia e câncer se faz, no exame, por três atributos: mobilidade, ausência de aderência à pele e localização concêntrica. A frase que fecha a regra está escrita sem ressalva na literatura brasileira: se uma massa excêntrica é encontrada, um diagnóstico alternativo tem de ser considerado e a mamografia obrigatoriamente deve ser solicitada, entre outros exames. Excêntrica quer dizer fora do eixo da papila, e não simplesmente assimétrica entre as mamas.

Os demais sinais que deslocam a hipótese são os mesmos da mama feminina, com a diferença de que aqui há pouco tecido para escondê-los: consistência endurecida em vez de elástica, contorno irregular, aderência à pele ou ao plano profundo, retração de pele ou de papila, ulceração, descarga papilar sanguinolenta e linfonodo axilar palpável. Na série brasileira, o carcinoma ductal invasivo apareceu à mamografia como nódulo irregular de margens espiculadas na região retroareolar, com retração tecidual.

O câncer de mama masculino é raro e responde por cerca de 1% de todos os cânceres de mama, o que costuma ser lido como licença para não pensar nele. Os números da própria série desmentem essa leitura: em sessenta mamografias masculinas houve dois carcinomas confirmados, um ductal invasivo e um papilífero, numa população de idade média de 62,1 anos e com extremos de 22 a 99 anos. Entre 52 pacientes com queixa registrada, 24 procuraram por ginecomastia, 18 por nódulo palpável, 8 por mastalgia e 2 por fluxo papilar sanguinolento.

Há uma diferença anatômica que trabalha a favor de quem examina. A mama masculina tem pouco tecido, de modo que uma lesão de dois ou três centímetros ocupa proporcionalmente muito mais espaço do que ocuparia numa mama feminina e alcança a pele mais cedo — daí a retração aparecer relativamente cedo na história. O mesmo pouco tecido torna a palpação mais informativa e mais rápida: em dois minutos se percorre a mama inteira, do esterno à axila, e se decide se o que há é disco ou massa. É um exame que quase não tem desculpa para ser pulado.

Dois fatos de contexto explicam por que o atraso custa caro. O homem não entra em programa de rastreamento, de modo que a doença é habitualmente diagnosticada em estágios mais avançados; e a mastectomia tem sido o padrão cirúrgico nele, enquanto a conservação da mama é amplamente usada em mulheres selecionadas. O risco é maior em quem tem parente de primeiro ou segundo grau com a doença, mas a maioria dos homens diagnosticados não tem risco identificável além do aumento da idade.

Lipomastia é outra coisa, e a diferença está na mão

A pseudoginecomastia, também chamada lipomastia, é o aumento do volume mamário pelo acúmulo de gordura, sem expressivo aumento glandular. É condição cada vez mais comum, acompanha o sobrepeso e produz exatamente a mesma queixa: peito grande, constrangimento, vontade de operar. A distinção se faz pela palpação e, quando necessário, pela imagem — e é a distinção que mais muda a conduta, porque uma responde a peso e a outra não.

Na palpação, o que se procura é o disco. Na ginecomastia, os dedos em pinça encontram uma borda definida que termina em algum ponto e um núcleo mais firme sob a aréola; na lipomastia, o tecido é homogêneo do esterno à axila e não há borda que se possa marcar. A régua dos dois centímetros de tecido subareolar no não obeso serve exatamente para dar objetividade a essa impressão.

Na imagem, a diferença é ainda mais nítida. A mamografia da ginecomastia mostra acúmulo de tecido fibroglandular retroareolar, de padrão triangular ou ramificado, e a ultrassonografia confirma tecido glandular; na lipomastia, a área que parecia estroma na mamografia se revela, ao ultrassom, acúmulo de tecido adiposo, sem caracterização de tecido fibroglandular. É um caso em que o segundo exame corrige a leitura do primeiro.

A consequência prática atravessa a conversa toda. Ao paciente com lipomastia, o que muda o peito é o que muda o peso, e nenhuma operação de glândula resolve o que é gordura; a régua administrativa brasileira, aliás, recusa cobertura para a cirurgia da lipomastia justamente por essa razão. Ao paciente com ginecomastia verdadeira, emagrecer melhora o contorno e não desfaz o disco.

A causa costuma estar na receita, no copo ou no fígado

A causa mais frequente é idiopática, e a segunda leitura mais útil da lista é que boa parte das causas identificáveis chega ao consultório por escrito. A relação de fármacos associados inclui risperidona, fenotiazina, inibidores seletivos da recaptação de serotonina, metildopa, antidepressivos tricíclicos, saquinavir, minociclina, finasterida, sulpirida e domperidona, além de maconha e heroína. Espironolactona e antiandrogênicos entram pelo mesmo caminho, deslocando a razão hormonal no receptor.

Álcool e obesidade compõem o segundo bloco e costumam vir juntos no mesmo paciente. O álcool age por mais de uma via — lesão testicular direta, alteração do metabolismo hepático dos esteroides — e a obesidade age por aromatização periférica aumentada. Quantificar o consumo sem julgamento é parte do exame, e reperguntar de forma acolhedora costuma ser o que traz o número verdadeiro na segunda tentativa.

O terceiro bloco é o das causas patológicas que a régua administrativa lista de forma útil: endocrinopatias, com hipotireoidismo, hipertireoidismo, hipogonadismo hipogonadotrófico e hiperprolactinemia; neoplasias, com tumores testiculares de linha germinativa, tumores da hipófise, tumores da adrenal e carcinoma broncogênico; e síndromes genéticas, como a de Klinefelter e a de Reifenstein. Doença hepática crônica e doença renal completam o quadro.

A anamnese que cobre isso é curta e tem ordem. Tempo de instalação e velocidade; dor; todos os medicamentos em uso, incluindo os anti-hipertensivos que o paciente não considera medicamento; anabolizantes e suplementos, perguntados de forma direta; consumo de álcool quantificado; sintomas de hipogonadismo, de disfunção tireoidiana, de doença hepática e de doença renal. Uma história completa associada ao exame físico é, muitas vezes, suficiente para o diagnóstico.

O laboratório tem dois andares, e o de baixo é para todos

A recomendação brasileira de atenção primária separa o que se pede a todos do que se pede a alguns. Para todos os pacientes: transaminase hepática, creatinina sérica e hormônio tireoestimulante. São três exames baratos que cobrem três das causas sistêmicas mais comuns — hepatopatia, doença renal e disfunção tireoidiana — e que, quando normais, já estreitam bastante o campo restante.

O andar de cima é a avaliação hormonal dirigida, indicada quando há suspeita clínica: testosterona total e livre, estradiol, hormônio luteinizante e hormônio folículo-estimulante. Esse painel serve especialmente para caracterizar hipogonadismo primário ou secundário, e por isso faz sentido diante de rarefação de pelos, redução de libido, testículos pequenos ou ginecomastia sem causa aparente. Pedir esse conjunto a todo homem com peito aumentado gasta recurso e produz achados de difícil interpretação.

Há um exame que a prática pede por hábito e que a recomendação desautoriza como rotina: a prolactina. A frase é direta — a hiperprolactinemia não é comum em pacientes com ginecomastia. Ela permanece indicada quando há galactorreia, quando há sintomas de massa selar, ou quando o paciente usa fármaco que sabidamente eleva prolactina, como a risperidona. Fora disso, é exame de segunda linha, e este é justamente o ponto em que o assunto encosta na apostila de endocrinologia.

Diante de suspeita de tumor, entram gonadotrofina coriônica sérica ou sulfato de deidroepiandrosterona. A gonadotrofina coriônica elevada aponta tumor de células germinativas, testicular ou extragonadal, e o sulfato de deidroepiandrosterona muito elevado aponta a adrenal. São exames de hipótese, não de varredura: pedi-los sem pergunta clínica por trás produz o achado incidental que atrasa o caso.

Ler o painel: quatro padrões que separam origens

O primeiro padrão é o do hipogonadismo primário: testosterona baixa com elevação desproporcional de estrogênios e de gonadotrofinas. A gônada falhou e a hipófise responde subindo o comando; a investigação segue para causas testiculares, incluindo cariótipo quando o fenótipo sugere síndrome genética. É o padrão que costuma vir acompanhado de testículos pequenos e firmes.

O segundo padrão é o do hipogonadismo secundário: testosterona reduzida com gonadotrofinas também reduzidas. Aqui o comando é que falhou, e a investigação se dirige à região hipotálamo-hipofisária, com dosagem dos demais eixos e imagem da sela quando indicado. É o único dos quatro padrões que empurra o caso para fora da cirurgia plástica e para dentro da endocrinologia, e reconhecê-lo evita tanto a cirurgia precipitada quanto a reposição feita às cegas.

O terceiro padrão é o da resistência androgênica: testosterona, gonadotrofinas e estradiol todos elevados. O androgênio existe e circula, mas o receptor não responde, de modo que o eixo sobe sem produzir efeito periférico. É raro e aparece sobretudo em quadros sindrômicos, mas o reconhecimento importa porque a reposição de testosterona, nesse cenário, não corrige nada e alimenta a aromatização.

O quarto padrão não é hormonal no sentido gonadal: é a gonadotrofina coriônica elevada, que estimula a gônada e desloca a razão de forma abrupta. Ele muda a urgência do caso, porque a hipótese passa a ser tumor produtor, e não desequilíbrio crônico. Vale a observação geral que fecha os quatro: prescrever testosterona ao homem eugonádico, com testosterona e hormônio luteinizante normais, tende a piorar a ginecomastia, porque parte da dose é aromatizada a estrogênio.

Quando a imagem entra, e qual delas

Para o testículo, o gatilho é explícito e estreito: ultrassonografia da bolsa escrotal apenas nos pacientes com massa testicular palpável, com ginecomastia inexplicada ou com elevação de gonadotrofina coriônica. Fora dessas três situações, o exame não é rotina. O corolário incomoda quem gosta de protocolo fixo: o exame das gônadas com as mãos é que decide se o exame de imagem das gônadas será pedido.

Para a mama, a recomendação brasileira de atenção primária reconhece que não há consenso: ultrassonografia ou mamografia conforme a disponibilidade, e há quem considere ambas desnecessárias na ausência de suspeita de malignidade. Essa frase não autoriza dispensar imagem em qualquer cenário — ela descreve o paciente típico, com disco concêntrico, história compatível e exame sem sinais de alarme.

O que fecha a lacuna é o gatilho geométrico já visto: massa excêntrica obriga a mamografia. A série brasileira mostra a sequência funcionando na prática — entre sessenta exames, quatro foram inconclusivos e seguiram para ultrassonografia complementar; dois deles ganharam características suspeitas ao ultrassom e foram biopsiados, com histologia benigna, e os outros dois foram reclassificados como benignos. A investigação em degraus custa duas biópsias negativas e não deixa passar o que importa.

A distribuição do restante ajuda a calibrar a expectativa: cinquenta e um dos sessenta exames foram categorizados como achado benigno, um como negativo, três como suspeitos e um como altamente suspeito, com dois cânceres confirmados no total. E há um detalhe que a série registra sem comentar: nenhum exame recebeu a categoria de acompanhamento semestral. Na mama masculina, o achado provavelmente benigno que se vigia por seis meses praticamente não aparece — ou se resolve como benigno, ou vai para o tecido.

O relógio da fase: o que ainda regride e o que já não regride

A primeira decisão terapêutica é de tempo, não de técnica. A ginecomastia neonatal dura em torno de quatorze dias e some sozinha. A puberal costuma regredir após doze a vinte e quatro meses, com resolução por volta dos dezessete anos, o que transforma o acompanhamento com data marcada em conduta ativa, e não em omissão. Quem opera o adolescente no sexto mês opera um quadro que se resolveria.

No adulto, o relógio é o do fator causal. Retirado o medicamento, tratada a hepatopatia ou a disfunção tireoidiana, reduzido o álcool, o tecido pode regredir — mas há uma janela. A proliferação de ductos e o estroma edemaciado da fase inicial dão lugar, com o tempo, a um tecido fibroso, e o que é fibrose não volta com a retirada da causa nem com tratamento clínico. Daí a regra de que ginecomastia dolorosa e recente merece tentativa clínica, e ginecomastia antiga e indolor, não.

A régua administrativa brasileira embute esse raciocínio de um jeito burocrático mas legível: recomenda que a cirurgia se realize com pelo menos dois anos entre o diagnóstico e a indicação, e ressalta que ela só deve ser indicada depois de afastadas causas patológicas. Traduzindo: primeiro se procura a causa, depois se dá tempo para a regressão, e só então se opera o que sobrou.

O contrapeso a essa espera é o sofrimento. O próprio documento reconhece que a queixa mais frequente se relaciona a aspectos psicossociais e admite indicação abaixo dos dezoito anos nos casos mais exuberantes, sob avaliação prévia. É uma negociação explícita entre dois riscos: operar cedo demais um quadro que regrediria, e manter por anos um adolescente em retraimento social.

A cirurgia: o que a classificação decide, e o que ela não decide

A classificação de Simon, de 1973, permanece a mais usada na literatura mundial por sua correlação clínico-cirúrgica, e o eixo que ela organiza é duplo: o volume do aumento e a presença de excesso de pele. Nos graus menores há aumento sem sobra de pele; num grau intermediário o aumento é moderado e ainda não exige ressecção cutânea; no seguinte, o mesmo volume vem com pele sobrando; e no maior há aumento acentuado com excesso de pele que reproduz a mama feminina com ptose.

A escolha da técnica segue essa leitura. Nos graus menores, a incisão periareolar inferior, descrita por Webster, permite ressecar o tecido glandular por uma cicatriz curta escondida na transição da aréola. Nos graus maiores, entram a incisão periareolar circular e as variantes com prolongamentos, porque já não basta esvaziar: é preciso reduzir o envelope cutâneo e reposicionar o complexo areolopapilar.

O objetivo do tratamento cirúrgico é ressecar o tecido mamário anômalo e restaurar o contorno da mama masculina, com cicatriz mínima, sem deformidade residual e sem sofrimento do complexo areolopapilar. A lipoaspiração entra associada, para tratar o componente adiposo e suavizar a transição das bordas — e é justamente aí que a régua administrativa faz um ponto técnico correto: sozinha, ela não trata a causa, deixa o disco fibroglandular no lugar e implica reintervenções.

Vale registrar o que a operação não resolve, porque é aí que nasce a insatisfação. Ela retira glândula e ajusta pele; não corrige a causa que produziu o tecido, de modo que operar sem ter afastado hepatopatia, disfunção tireoidiana, hipogonadismo ou fármaco em uso deixa o problema ativo do outro lado da cicatriz. Também não devolve, sozinha, um contorno peitoral que dependa de perda de peso. Combinar as duas conversas na mesma consulta — o que a cirurgia entrega e o que continua sendo tarefa clínica — evita a segunda cirurgia por resultado tido como insuficiente.

A régua administrativa acrescenta números que a literatura cirúrgica não escreve: aumento relevante definido como 4 cm ou mais projetando-se além da parede torácica, idade mínima de cobertura em 14 anos com recomendação de aguardar os 18, laudo médico e perícia prévia, e recusa de cobertura para a cirurgia da lipomastia. Não são critérios clínicos, e não devem ser apresentados como tais — mas são a régua que decide se aquela operação acontece.

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Esquemas e tabelas

Três decisões se encadeiam no consultório, e cada uma tem critério próprio: o que é aquele tecido, se ele pede imagem, e se pede cirurgia. As tabelas separam o que se decide com a mão do que se decide com documento.

  1. 1Palpe antes de pedir: dedos em pinça, deitado, da borda da aréola para o centro. No não obeso, menos de dois centímetros de tecido subareolar não define ginecomastia.
  2. 2Localize a massa em relação à papila. Concêntrica segue a rota da proliferação benigna; excêntrica obriga mamografia e outro diagnóstico, independentemente da idade.
  3. 3Examine testículos, fígado e sinais de tireoide na mesma consulta. O gatilho da ultrassonografia escrotal é massa palpável, elevação de gonadotrofina coriônica ou ginecomastia sem explicação.
  4. 4Peça a todos transaminase, creatinina e hormônio tireoestimulante. O painel hormonal é dirigido, e a prolactina só entra com galactorreia, sintomas de massa selar ou fármaco que a eleve.
  5. 5Revise a lista de medicamentos linha a linha, incluindo os anti-hipertensivos, e quantifique o álcool sem julgamento — a maior parte das causas identificáveis está aí.
  6. 6Decida o tempo antes da técnica: quadro recente e doloroso merece retirada da causa e reavaliação; quadro antigo e indolor já fibrosou e não regride com medida clínica.

Palpação: o que cada padrão significa e o que dispara

AchadoDescriçãoO que dispara
Disco concêntricoNódulo discoide, elástico, bordas delimitadas, móvel, centrado na papila, ao menos 2 cm no não obesoInvestigar causa; imagem não obrigatória se o restante do exame é normal
Massa excêntricaFora do eixo da papila, endurecida, contorno irregular, podendo aderir à pele ou ao plano profundoMamografia obrigatória e consideração de outro diagnóstico
Tecido difuso sem discoHomogêneo do esterno à axila, sem borda palpável; ultrassom mostra gordura sem tecido fibroglandularLipomastia: conduta é peso; cirurgia glandular não resolve
Retração, ulceração, descarga sanguinolentaSinais de comprometimento de pele ou de ductoEncaminhamento para investigação de malignidade
Massa testicular palpávelNódulo sólido em testículo ou epidídimoUltrassonografia escrotal e marcadores tumorais

Painel hormonal: qual combinação aponta para onde

PadrãoTestosteronaGonadotrofinasPara onde vai a investigação
Hipogonadismo primárioBaixaElevadasCausa testicular; cariótipo se o fenótipo sugerir síndrome
Hipogonadismo secundárioBaixaReduzidasRegião hipotálamo-hipofisária, com os demais eixos e imagem da sela
Resistência androgênicaElevadaElevadas, com estradiol altoQuadros sindrômicos; reposição de testosterona não corrige
Tumor produtorVariávelGonadotrofina coriônica elevadaTumor de células germinativas, testicular ou extragonadal
EugonádicoNormalNormaisFármacos, álcool, obesidade, hepatopatia, tireoide; sem indicação de repor testosterona

Reposição de testosterona no homem eugonádico piora a ginecomastia: parte da dose é aromatizada a estrogênio.

Lipoaspiração isolada não retira o disco fibroglandular; ela trata o componente adiposo e acompanha a ressecção, não a substitui.

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Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Imagem da mama na ginecomastia: pedir sempre, pedir nunca ou pedir por gatilho

Não há consenso, e há quem dispense a imagem

Quanto à mama, recomenda-se ultrassonografia ou mamografia conforme a disponibilidade, e alguns autores consideram ambas desnecessárias na ausência de suspeita de malignidade.

Biblioteca Virtual em Saúde — Atenção Primária em Saúde, resposta de segunda opinião formativa sobre investigação das causas da ginecomastia.

Massa excêntrica torna a mamografia obrigatória

Se uma massa excêntrica é encontrada, um diagnóstico alternativo tem de ser considerado e a mamografia obrigatoriamente deve ser solicitada, entre outros exames.

Revista Científica do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual de São Paulo, 2022, na descrição do exame físico da mama masculina.

A imagem separa glândula de gordura para decidir cobertura

Exames de imagem, ultrassonografia ou mamografia, poderão ser solicitados para avaliação do parênquima mamário, e a cirurgia da lipomastia não é coberta.

Planserv, Governo do Estado da Bahia, Diretriz de utilização — Ginecomastia, edição de 2012 com revisão de 2018.

Na prova

As três posições não descrevem doentes diferentes: descrevem finalidades diferentes para o mesmo exame. O vocabulário do enunciado entrega qual delas está em jogo. Cenário de atenção primária, com homem jovem, disco concêntrico, história de medicamento e exame sem sinais de alarme, opera na régua que dispensa imagem de rotina. Enunciado que descreve massa fora do eixo da papila, consistência endurecida, retração de pele, descarga sanguinolenta ou linfonodo axilar sai da discussão de consenso e entra na regra fechada da mamografia obrigatória. E enunciado que fala em autorização, laudo, perícia, cobertura ou distinção entre glândula e gordura para efeito de procedimento está na régua administrativa, em que a imagem serve para documentar o parênquima. Nos três casos, a palpação é que decide qual porta se abriu.

Qual régua indica a cirurgia: a classificação cirúrgica ou o critério administrativo

Classificação de Simon e necessidade de ressecção de pele

A escolha da técnica se relaciona à classificação de Simon e à necessidade ou não de ressecção de pele: incisão periareolar inferior nos graus menores, incisão periareolar circular ou com prolongamentos nos maiores, com lipoaspiração associada.

Revista Brasileira de Cirurgia Plástica, Medeiros MMM, Abordagem cirúrgica para o tratamento da ginecomastia conforme sua classificação, 2012.

Quatro centímetros, quatorze anos e dois anos de diagnóstico

Cobertura apenas para aumento relevante, com 4 cm ou mais projetando-se além da parede torácica, apenas para beneficiários com 14 anos ou mais, com recomendação de realizar o procedimento a partir dos 18 anos ou com pelo menos dois anos entre a indicação e o diagnóstico, e sem cobertura para lipomastia nem para a lipoaspiração como tratamento.

Planserv, Governo do Estado da Bahia, Diretriz de utilização — Ginecomastia, revisão de 26 de abril de 2018.

Na prova

Uma régua responde o que fazer com o bisturi e a outra responde se a operação será autorizada; elas não competem pelo mesmo espaço, mas o enunciado às vezes finge que sim. Quando a pergunta descreve o volume, o excesso de pele, a posição do complexo areolopapilar ou pede a via de acesso, está na régua cirúrgica, e o que classifica é a extensão do aumento somada à sobra de pele. Quando a pergunta traz idade mínima, medida em centímetros, tempo de diagnóstico, laudo ou perícia, está na régua administrativa. E há um ponto em que as duas concordam sem ressalva, e ele é clinicamente correto: lipoaspiração sozinha não trata a ginecomastia verdadeira, porque deixa o disco fibroglandular no lugar.

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Caso resolvido

Homem de 42 anos, motorista de aplicativo, procura o ambulatório por aumento das mamas há oito meses, bilateral e maior à esquerda, com dor à compressão e ao atrito do cinto de segurança. Nega descarga papilar, nódulo endurecido percebido por ele, retração de papila e linfonodo axilar. Refere redução de pelos corporais e impressão de diminuição do volume testicular no último ano. Usa anti-hipertensivos há dois anos, entre eles espironolactona, e consome de quatro a seis doses de bebida alcoólica por dia. Nega anabolizantes. Está constrangido, faz piada para disfarçar e reluta em expor a região genital. Como se organiza a consulta?
Passo 1
Obter consentimento e examinar de fato, começando pela mama. Dedos em pinça, da borda da aréola para o centro: o que se procura é disco fibroglandular retroareolar, concêntrico, elástico, de bordas definidas, com pelo menos dois centímetros no doente não obeso. Confirmado o disco e sua posição centrada na papila, a hipótese principal está de pé, e a assimetria de volume entre os lados não a desfaz.
Passo 2
Excluir ativamente o que não se pode perder, no mesmo exame. Procurar massa fora do eixo da papila, consistência endurecida, contorno irregular, aderência à pele ou ao plano profundo, retração, ulceração, descarga papilar sanguinolenta e linfonodo axilar. Nenhum deles está presente aqui — e é essa ausência documentada, e não a idade do paciente, que autoriza seguir sem mamografia imediata.
Passo 3
Explicar a finalidade e examinar testículos e abdome, preservando a privacidade. Testículos e epidídimos sem nódulo afastam o gatilho principal da ultrassonografia escrotal; fígado e baço, com telangiectasias e eritema palmar, dizem se o álcool já cobrou preço estrutural. A queixa de rarefação de pelos e de redução do volume testicular é o que justifica o painel hormonal dirigido neste caso.
Passo 4
Pedir o andar de baixo do laboratório para todos — transaminase, creatinina e hormônio tireoestimulante — e o andar dirigido, com testosterona total e livre, estradiol, hormônio luteinizante e folículo-estimulante, porque há sintomas de hipogonadismo. Prolactina não entra de rotina, e gonadotrofina coriônica entra se houver suspeita de tumor. Interpretar o painel pelo par testosterona-gonadotrofinas.
Passo 5
Tratar as duas causas identificáveis em vez de anunciar cirurgia. Substituir a espironolactona em conjunto com quem acompanha a hipertensão, porque o bloqueio do receptor androgênico é causa clássica e reversível; abordar o consumo de álcool sem julgamento, quantificando e oferecendo apoio. Explicar que a cirurgia entra se não houver regressão depois de retirado o fator causal, e que o tecido antigo e fibrosado não regride.
07

Agora feche você

Homem de 67 anos, aposentado, procura a unidade por aumento da mama esquerda percebido há cerca de cinco meses. Nega dor. Ao exame, a mama direita é plana e a esquerda tem um nódulo de cerca de três centímetros, endurecido, de contorno irregular, situado acima e lateralmente à aréola, com discreta retração da pele sobrejacente quando ele eleva os braços. Não há disco retroareolar palpável do outro lado. Há um linfonodo axilar esquerdo endurecido, de cerca de um centímetro e meio. Ele conta que a irmã teve câncer de mama aos 58 anos e diz que veio porque a filha insistiu, achando que era coisa de idade e de barriga. Não usa medicamentos e bebe socialmente.
Passo 1
Nomear, item a item, os achados do exame que afastam a hipótese de proliferação glandular benigna, dizendo qual atributo geométrico é o mais decisivo entre eles.
Passo 2
Definir o exame de imagem que a literatura brasileira torna obrigatório diante desse achado e justificar por que a ausência de consenso sobre imagem na ginecomastia não se aplica a este paciente.
Passo 3
Explicar o que se faz com o linfonodo axilar e como se prossegue da imagem para o tecido, dizendo qual é o desfecho que a investigação precisa alcançar.
Passo 4
Dizer o que se explica a este homem sobre por que o quadro foi percebido tarde, e o que o antecedente familiar acrescenta ou não acrescenta à conduta imediata.
08

Onde a banca derruba

  1. 1Chamar de ginecomastia o peito que é gordura Atrai porque a queixa é idêntica e porque a inspeção não distingue as duas. A ginecomastia tem disco: núcleo mais firme sob a aréola, bordas que terminam em algum ponto, crescimento concêntrico. A lipomastia é tecido homogêneo do esterno à axila, sem borda palpável, e o ultrassom mostra gordura sem tecido fibroglandular onde a mamografia sugeria estroma. A régua objetiva são os dois centímetros de tecido subareolar palpável no doente não obeso. Confundir as duas leva a operar glândula que não existe e a deixar de tratar o que responderia a peso.
  2. 2Aceitar massa fora do eixo como ginecomastia assimétrica Atrai porque assimetria entre as mamas é comum e a bilateralidade só aparece em cerca de 55% dos casos, de modo que um lado maior parece esperado. Assimetria de volume entre as mamas e massa excêntrica dentro de uma mama são coisas diferentes. Encontrada massa fora do eixo da papila, a literatura brasileira é fechada: considera-se outro diagnóstico e a mamografia obrigatoriamente deve ser solicitada. Some-se dureza, contorno irregular, retração, ulceração, descarga sanguinolenta ou linfonodo axilar e a hipótese muda de lugar por completo.
  3. 3Pedir prolactina para todo mundo Atrai porque a associação entre prolactina e mama é intuitiva e porque o exame é barato. A recomendação brasileira de atenção primária afirma que a hiperprolactinemia não é comum em pacientes com ginecomastia, e por isso o exame não é de primeira linha. Ele volta a fazer sentido diante de galactorreia, de sintomas que sugiram massa selar ou de uso de fármaco que reconhecidamente eleva prolactina. Pedir de rotina produz valores limítrofes que geram imagem da sela sem pergunta clínica por trás, e o caso sai do eixo enquanto a causa real segue na receita.
  4. 4Prescrever testosterona ao homem eugonádico Atrai porque a ginecomastia parece falta de hormônio masculino e porque o próprio paciente costuma pedir. Se testosterona e hormônio luteinizante estão normais, não há hipogonadismo a repor, e parte da dose administrada é aromatizada a estrogênio no tecido periférico — de modo que a reposição desloca a razão hormonal exatamente na direção que produziu o quadro. O mesmo raciocínio vale no padrão de resistência androgênica, em que o androgênio já circula elevado sem efeito. Repor sem documentar hipogonadismo piora o peito que se queria tratar.
  5. 5Esperar regressão depois que o tecido fibrosou Atrai porque a retirada do fármaco ou do álcool é conduta correta e porque esperar parece prudente. A regressão depende da fase: o tecido inicial, com proliferação de ductos e estroma edemaciado, ainda responde; o tecido antigo, já fibroso, não volta com retirada de causa nem com tratamento clínico. Na prática, ginecomastia recente e dolorosa merece a tentativa; ginecomastia de anos, indolor e firme, não vai regredir, e prolongar a espera só adia a decisão cirúrgica que já está posta — depois de afastadas as causas patológicas.
  6. 6Oferecer lipoaspiração isolada como solução Atrai porque a cicatriz é mínima, a recuperação é rápida e o resultado inicial no espelho agrada. A cânula trata o componente adiposo e suaviza as bordas, mas o disco fibroglandular retroareolar é denso e permanece onde estava; o contorno melhora e o núcleo continua palpável sob a aréola. A própria régua administrativa recusa cobrir a lipoaspiração como tratamento da ginecomastia, por não tratar a causa e implicar reintervenções. O procedimento é adjuvante da ressecção glandular, escolhida pelo volume e pela sobra de pele, e não substituto dela.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

Em quem já tem testosterona normal, o excesso administrado é convertido perifericamente a estradiol pela aromatase e pode piorar exatamente o sintoma que se pretendia tratar, além de suprimir a produção endógena e a espermatogênese. A reposição só faz sentido quando existe hipogonadismo documentado. Esse é um erro frequente na prática, porque a lógica intuitiva de 'dar o hormônio masculino' ignora o metabolismo que gera o problema.

09

Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

Mecanismo: desequilíbrio na RAZÃO estrógeno/androgênio, com aromatização periférica; proliferação de ductos mais hiperplasia do estroma. Prevalência de 40% a 65% dos adultos. Três picos: neonatal (cerca de 14 dias, estrógeno e prolactina maternos), puberal (13 a 17 anos, regressão após 12 a 24 meses, dois em cada três jovens) e senectude (50 a 70 anos, com queda de testosterona total e livre, aumento da globulina ligadora e estradiol mantido). Exame: nódulo discoide, elástico, bordas delimitadas, móvel, não aderido, CONCÊNTRICO; ao menos 2 cm de tecido subareolar no não obeso; bilateral em 55%. Massa EXCÊNTRICA obriga mamografia e outro diagnóstico. Câncer de mama masculino corresponde a 1% de todos os cânceres de mama. Laboratório para todos: transaminase, creatinina e hormônio tireoestimulante; dirigido: testosterona total e livre, estradiol, hormônio luteinizante e folículo-estimulante; prolactina não é rotina. Ultrassonografia escrotal com massa palpável, gonadotrofina coriônica elevada ou quadro inexplicado. Cirurgia pela classificação de Simon e pela necessidade de ressecção de pele.

em 30 dias

Os porquês. Por que a razão e não o valor absoluto: o homem sempre produziu estrogênio por aromatização, e a mama responde à proporção — daí caberem no mesmo quadro hipogonadismo, hepatopatia, obesidade, tumor produtor de gonadotrofina coriônica e bloqueio de receptor por espironolactona. Por que o disco é concêntrico: a proliferação parte do broto mamário retroareolar e cresce em torno dele, enquanto o carcinoma nasce num ponto e cresce a partir dele — a geometria é a tradução física da origem, e é por isso que excentricidade obriga imagem. Por que 2 cm: abaixo disso o que se palpa pode ser tecido peitoral normal e impressão do paciente diante do espelho. Por que a forma senil não precisa de valor alterado: sobe a globulina ligadora, cai a testosterona livre e a aromatização aumenta com a adiposidade, deslocando a razão com estradiol mantido. Por que prolactina não é rotina: hiperprolactinemia não é comum nessa população, e o exame indiscriminado gera imagem de sela sem pergunta clínica. Por que o tempo decide a terapia: o tecido inicial ainda responde à retirada da causa, o fibrosado não — e a régua administrativa embute isso ao pedir dois anos entre diagnóstico e indicação. Por que a lipoaspiração isolada falha: ela não retira o disco fibroglandular denso, e o núcleo continua sob a aréola.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Treine a consulta em que o constrangimento do paciente é parte do exame: o homem de 42 anos que diz ter vergonha de tirar a camisa, faz piada para disfarçar, minimiza o consumo de álcool na primeira pergunta e reluta em expor a região genital. O exercício é pedir consentimento antes de tocar a mama, palpar procurando disco concêntrico e excluindo em voz alta os sinais que obrigariam a mamografia, explicar a finalidade do exame testicular em vez de simplesmente pedi-lo, reperguntar sobre o álcool de forma acolhedora, e revisar a receita de anti-hipertensivos linha a linha antes de falar em cirurgia. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Ginecomastia: o disco é concêntrico, e o que foge do centro muda o caso — Preparatório para provas | OsceLabs