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Outras EspecialidadesDermatologia

Hanseníase

Sinais cardinais, classificação operacional e manejo das reações

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Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Paciente de 30 anos, procedente do Norte do país, apresenta há mais de 6 meses placas hipocrômicas com bordas mal definidas nos membros, referindo perda de sensibilidade térmica e dolorosa nas lesões e espessamento do nervo ulnar à palpação. A baciloscopia foi negativa. Considerando a hipótese de hanseníase, qual é a forma clínica e a conduta terapêutica mais provável?

02

Como esse tema cai

Hanseníase é tema soberanamente brasileiro. O Brasil é o segundo país do mundo em casos novos, atrás apenas da Índia, e tem programa nacional próprio, protocolo próprio e medicação distribuída de graça em qualquer unidade básica. Por isso a doença aparece em prova quase sempre do mesmo lugar: uma UBS, um paciente com manchas, e a pergunta é se você fecha o diagnóstico ali mesmo ou empurra para o laboratório.

Fecha ali mesmo. Esse é o eixo do capítulo. O diagnóstico da hanseníase é clínico, feito com o paciente despido em sala iluminada, com as mãos do examinador nos troncos nervosos e um chumaço de algodão testando sensibilidade. Baciloscopia é exame auxiliar, negativa na maioria dos casos, e nunca condição para começar tratamento. Questão que oferece 'aguardar o resultado da baciloscopia' está oferecendo o erro clássico do programa.

Os números que a banca cobra são poucos e fixos: quantos sinais cardinais bastam, onde fica o corte entre paucibacilar e multibacilar, quantas doses tem cada esquema e em que prazo, o que separa grau 1 de grau 2 de incapacidade, e a dose de prednisona e de talidomida nas reações. Este capítulo crava cada um deles com a fonte ao lado. As duas controvérsias reais — o esquema uniforme de seis doses e a quimioprofilaxia de contatos — estão isoladas no bloco de divergências, porque em prova elas se identificam pelo recorte do enunciado, não pelo que é mais moderno.

03

O que muda decisão

O diagnóstico é clínico, e um sinal cardinal basta

O Ministério da Saúde define caso de hanseníase pela presença de pelo menos um dos três sinais cardinais. Um. Não é preciso somar dois nem confirmar com laboratório. São eles: lesão ou área de pele com alteração de sensibilidade térmica, dolorosa ou tátil; espessamento de nervo periférico associado a alterações sensitivas, motoras ou autonômicas; e presença do Mycobacterium leprae confirmada na baciloscopia de esfregaço intradérmico ou na biópsia de pele.

Note a estrutura dos dois primeiros. O primeiro sinal não é a mancha — é a mancha com alteração de sensibilidade. Mancha hipocrômica com sensibilidade preservada não é sinal cardinal e tem uma lista enorme de diferenciais, de pitiríase versicolor a pitiríase alba. O segundo sinal também não é o nervo espessado sozinho: é o espessamento acompanhado de perda sensitiva, motora ou autonômica no território daquele nervo. Nervo grosso sem repercussão funcional não fecha caso.

O exame que encontra esses sinais é o dermatoneurológico completo, e ele exige o paciente somente de roupas íntimas, em local reservado e bem iluminado. Varre-se toda a superfície corporal procurando manchas, placas, nódulos, áreas de rarefação de pelos e áreas que não suam. Palpam-se os troncos nervosos — ulnar, mediano, radial, fibular comum e tibial posterior — procurando espessamento, dor e o reflexo de retirada. Testa-se a força muscular de membros superiores e inferiores. E testa-se sensibilidade em pontos padronizados: palmas das mãos, dorso das mãos no espaço entre polegar e indicador, plantas dos pés, dorso dos pés entre o primeiro e o segundo dedo, e sobre cada mancha, placa ou nódulo.

Os três testes de sensibilidade têm uma ordem de perda que vale decorar porque ela explica achado de prova. A sensibilidade térmica se perde primeiro, a dolorosa depois, e a tátil por último. Por isso a forma inicial da doença frequentemente cursa apenas com hipoestesia térmica, tátil preservada — e por isso o teste térmico com dois tubos, um com água morna e outro com água fria, é o mais sensível dos três à beira do leito. Na falta de estesiômetro, o teste tátil se improvisa com fiapo de algodão, fio dental e ponta de caneta; o doloroso, com a ponta e o canhão de uma agulha de insulina.

Duas coisas que a prova gosta de vestir de critério diagnóstico e não são. A primeira é a sorologia anti-PGL-1 e o teste rápido imunocromatográfico: no SUS o teste rápido está aprovado para uso exclusivo na investigação de contatos, como ferramenta para decidir quem monitorar mais de perto, e não para firmar diagnóstico. A segunda é a baciloscopia negativa: ela não exclui hanseníase, porque é negativa por definição na forma indeterminada e na tuberculoide, que são justamente as formas em que os bacilos não chegam à pele em número detectável. Enquanto não houver exame laboratorial de alta sensibilidade e especificidade, a clínica é soberana.

Fechado o caso, três providências saem juntas e não esperam nada: iniciar a poliquimioterapia, notificar no Sinan — hanseníase é agravo de notificação compulsória — e listar em prontuário os contatos para convocação. Caso novo, para efeito de notificação, é a pessoa que nunca recebeu tratamento específico para a doença.

Classificação operacional: contar lesões é o que decide o tratamento

Depois de fechado o diagnóstico, o caso precisa ser classificado — e a classificação existe para uma finalidade só: escolher a duração do tratamento. É o que o protocolo chama de classificação operacional, e ela tem exatamente dois compartimentos.

Hanseníase paucibacilar caracteriza-se pela presença de uma a cinco lesões cutâneas e baciloscopia obrigatoriamente negativa. Hanseníase multibacilar caracteriza-se pela presença de mais de cinco lesões de pele ou baciloscopia positiva. O corte é cinco: até cinco, paucibacilar; a partir da sexta lesão, multibacilar. Baciloscopia positiva manda em tudo — havendo bacilo no esfregaço, o caso é multibacilar independentemente de quantas lesões existam.

O acometimento neural entra na conta. Há consenso em classificar como multibacilar todo caso com mais de um nervo periférico comprometido, desde que devidamente documentada a perda ou diminuição de sensibilidade nos respectivos territórios. Para o caso de um nervo só, a coisa se divide: a OMS recomenda classificar como multibacilar, mas o protocolo brasileiro registra que na literatura nacional é clássico o comprometimento isolado de um nervo na forma tuberculoide, reconhecida como paucibacilar, e aceita que esses casos sejam classificados e tratados como paucibacilares desde que avaliados em unidade que conte com profissional experiente em hanseníase.

E existe uma regra de desempate que resolve toda a ansiedade da classificação: todos os casos que suscitem dúvida sobre a classificação operacional devem ser tratados como multibacilares. O erro de classificar um multibacilar como paucibacilar custa recidiva por subtratamento; o erro contrário custa seis meses a mais de medicação bem tolerada. A assimetria dos danos é que produz a regra.

Repare no papel real da baciloscopia nesse desenho. Ela não é exigida para diagnosticar e não é exigida para classificar — o próprio protocolo diz que a classificação baseada no número de lesões é suficiente para a escolha adequada do esquema terapêutico. Mas quando é feita e vem positiva, ela reclassifica: joga o caso para multibacilar. O exame se colhe como raspado intradérmico de pontos-índice, que são os lóbulos auriculares e os cotovelos, mais as lesões de pele. Dele saem o índice baciloscópico, que mede a quantidade de bacilos por ponto avaliado, e o índice morfológico, que mede a proporção de bacilos íntegros — vivos — sobre o total. Bacilo granuloso ou fragmentado está morto e não transmite, mas os antígenos liberados na sua decomposição continuam capazes de disparar reações imunológicas graves anos depois, o que explica reação hansênica em paciente já curado.

Um detalhe operacional que aparece em questão de gestão: alguns casos precisam passar por avaliação de referência antes de seguir na atenção primária. São os menores de 15 anos, as suspeitas de recidiva e retratamentos, as prorrogações de tratamento, as intolerâncias medicamentosas, a hanseníase neural primária, os casos com grau 2 de incapacidade e as dúvidas diagnósticas ou reações de difícil manejo. Validado o caso, o acompanhamento volta para a atenção primária.

Diagrama horizontal com cinco silhuetas humanas mostrando o espectro da hanseníase, da lesão única e bem delimitada à esquerda até a infiltração difusa da face com nódulos à direita, sobre uma barra de gradiente que indica imunidade celular decrescente e carga bacilar crescente.
O espectro de Madri não é uma lista de doenças diferentes: é uma régua da resposta imune. À esquerda, imunidade celular forte contém o bacilo em poucas lesões bem delimitadas e muito anestésicas; à direita, a ausência dessa resposta permite multiplicação bacilar maciça, com infiltração difusa e lesões que podem ter sensibilidade normal. As formas do meio são instáveis — e é delas que vem a maior parte das incapacidades.

As formas de Madri: o mesmo bacilo, cinco doenças diferentes

A classificação de Madri, de 1953, é a oficialmente adotada pelo Ministério da Saúde do Brasil, e tem raiz brasileira: nasceu dos estudos de Rabello, de 1936, que descreveram pela primeira vez a doença como um espectro contínuo governado pela intensidade da resposta imune. Internacionalmente usa-se a classificação de Ridley e Jopling, de 1966, que mantém os conceitos de Madri mas se apoia na histopatologia e subdivide a forma dimorfa em três subtipos — borderline tuberculoide, borderline-borderline e borderline lepromatosa. As duas convivem: prova brasileira cobra Madri, artigo internacional usa Ridley-Jopling.

A forma indeterminada é a inicial. Manchas em pequeno número, mais claras que a pele ao redor, sem qualquer alteração de relevo ou de textura — se você passar o dedo, não sente diferença. O comprometimento sensitivo é discreto, em geral apenas hipoestesia térmica; mais raramente há diminuição da dolorosa, e a tátil se preserva. Pode haver hipoidrose e rarefação de pelos na lesão, indicando dano autonômico. Não há comprometimento de nervo periférico e, portanto, não há repercussão em mãos, pés e olhos. Baciloscopia negativa. Sem tratamento, essa forma pode curar espontaneamente ou evoluir para uma das três seguintes, conforme a resposta imune do indivíduo. Como as lesões são discretas e não incomodam, o paciente raramente procura o serviço por conta própria — quem acha caso indeterminado é o exame de contatos e a busca ativa.

A forma tuberculoide é o polo de imunidade celular forte. A multiplicação bacilar é limitada e não detectável na baciloscopia. As lesões são placas de bordas nítidas e elevadas, eritematosas e micropapulosas, únicas ou em pequeno número, com centro por vezes hipocrômico e atrófico. A resposta inflamatória é intensa e destrói os filetes nervosos dentro da lesão, o que se traduz em hipoestesia acentuada ou anestesia franca, facilmente demonstrável — é a forma em que o teste de sensibilidade é mais gritante. Pela mesma razão, há anidrose e queda de pelos na área. Pode-se ver espessamento dos filetes nervosos na pele adjacente à placa, formando o que a semiologia chama de sinal da raquete. Os nervos periféricos são poupados ou espessados de forma localizada e assimétrica.

A forma virchowiana é o polo oposto: o indivíduo não ativa imunidade celular específica, e o bacilo se multiplica sem freio, facilmente detectável na baciloscopia e na biópsia. O comprometimento cutâneo é silencioso e progressivo: infiltração difusa da face com acentuação dos sulcos, madarose — perda dos pelos de cílios e supercílios —, congestão nasal, aumento dos pavilhões auriculares, infiltração de mãos e pés com dedos de aspecto salsichoide, e, com a evolução, múltiplas pápulas e nódulos firmes e assintomáticos, os hansenomas. Aqui está a pegadinha semiológica mais cobrada da doença: como falta a inflamação mediada por imunidade celular, as lesões de pele podem ter sensibilidade normal. O primeiro sinal cardinal pode simplesmente não existir. O diagnóstico se apoia então no segundo — nervos espessados de forma difusa e simétrica, com hipoestesia de mãos e pés, disfunções autonômicas, hipotermia e cianose de extremidades — e se confirma pelo terceiro, com baciloscopia de alta carga. Além da pele e dos nervos, a forma virchowiana infiltra linfonodos, fígado, baço, testículos e medula óssea.

A forma dimorfa fica entre os dois polos e é a mais instável e a mais incapacitante. As lesões aparecem em número variável, em várias áreas, com grande variabilidade clínica: manchas e placas hipocrômicas, acastanhadas ou violáceas, com predomínio do aspecto infiltrativo. A lesão mais típica é a foveolar — bordo interno bem definido delimitando uma área central de pele aparentemente poupada, e bordo externo espraiado, infiltrado, de limites imprecisos. Nessas lesões a sensibilidade pode estar comprometida de forma mais discreta que na tuberculoide. O comprometimento neural é múltiplo e assimétrico, com espessamento, dor e choque à palpação. É a instabilidade da resposta imune dessa forma que produz reações inflamatórias e neurite aguda, e daí as garras, as úlceras plantares e as deformidades faciais quando o diagnóstico é tardio.

Há ainda a hanseníase neural pura, ou neurítica primária: apresentação exclusivamente neural, sem lesão cutânea e com baciloscopia negativa. Estima-se em torno de 10% dos casos, provavelmente subestimado. O diagnóstico se faz pelo segundo sinal cardinal isolado, o que exige do examinador saber palpar nervo. O ulnar é o mais frequentemente acometido, mas qualquer nervo pode ser afetado. Esses casos vão para a atenção especializada, porque o diferencial é longo — neuropatia diabética, neuropatia alcoólica, neuropatias autoimunes, hansenização de quadros compressivos — e a confirmação pode exigir eletroneuromiografia, ultrassom de nervo ou biópsia neural.

Uma correlação que ajuda a montar o quadro na cabeça: o padrão da neuropatia acompanha o polo imune. No polo tuberculoide, mononeuropatia ou mononeurite múltipla, porque o bacilo fica restrito a poucos ramos. No polo virchowiano, polineuropatia, por acometimento difuso. Na dimorfa, mononeurite múltipla assimétrica que pode confluir. Os nervos superficiais e de regiões mais frias são os prediletos — ulnar e fibular comum à frente. E o acometimento de nervos cranianos ocorre em 10% a 17% dos pacientes, com facial e trigêmeo na frente, o que explica lagoftalmo, anestesia de córnea e paresia de pálpebra.

Poliquimioterapia única: o que a palavra única quer dizer

O tratamento no SUS chama-se poliquimioterapia única, PQT-U, e é entregue em cartelas mensais com três antimicrobianos: rifampicina, dapsona e clofazimina. Essa é a primeira armadilha do nome. Único, aqui, refere-se aos fármacos, não ao número de doses. O que o Brasil uniformizou foi a composição — a clofazimina, que antes só entrava no esquema multibacilar, passou a compor também o esquema paucibacilar, de modo que hoje todo paciente recebe as mesmas três drogas. A duração continua definida pela classificação operacional.

Para paciente com peso acima de 50 kg, a cartela de adulto traz dose mensal supervisionada de rifampicina 600 mg, clofazimina 300 mg e dapsona 100 mg, mais dose diária autoadministrada de clofazimina 50 mg e dapsona 100 mg. Para criança ou adulto entre 30 e 50 kg, a cartela infantil traz dose mensal supervisionada de rifampicina 450 mg, clofazimina 150 mg e dapsona 50 mg, com dose diária autoadministrada de dapsona 50 mg e clofazimina 50 mg em dias alternados. Abaixo de 30 kg, calcula-se por peso: mensal supervisionada de rifampicina 10 mg/kg, clofazimina 6 mg/kg e dapsona 2 mg/kg; diária autoadministrada de clofazimina 1 mg/kg/dia e dapsona 2 mg/kg/dia.

Os prazos são o que a prova cobra em números. Paucibacilar: seis doses mensais supervisionadas administradas em um intervalo de até nove meses. Multibacilar: doze doses mensais supervisionadas em um intervalo de até dezoito meses. Completadas as doses, o paciente recebe alta por cura e sai do registro ativo. A janela maior que o número de doses existe porque a contagem é de doses supervisionadas tomadas, não de meses no calendário: quem falta um mês não recomeça, apenas empurra a alta. E o protocolo é explícito quanto ao teto — não está autorizada a extensão do tratamento com PQT-U por mais de doze meses. Se ao fim do tratamento houver suspeita de infecção ativa, o caminho não é prolongar: é investigar resistência do bacilo e, só com resistência comprovada, aplicar esquema de segunda linha.

Um ponto que gera insegurança na alta: a regressão das lesões de pele é lenta e variável, podendo levar meses ou anos, especialmente nos multibacilares com hansenomas e índice baciloscópico alto. Lesão ainda visível na última dose não é falha terapêutica e não justifica prolongar a cartela. O índice morfológico cai em média 0,5 a 1,0 ao ano, de modo que a limpeza completa dos bacilos mortos da pele pode levar até dez anos.

Os eventos adversos que aparecem em questão são três, um por droga. A dapsona é a que exige mais atenção: anemia discreta é esperada, e se houver avermelhamento da pele, prurido e descamação, falta de ar com cianose de extremidades, febre com dor de garganta, dor abdominal, fraqueza, taquicardia e mucosas descoradas, suspende-se e encaminha-se com urgência. A rifampicina tinge a urina de vermelho — avise o paciente, ou ele abandona o tratamento com medo — e reduz a eficácia de anticoncepcional oral, exigindo método de barreira por sete dias após a dose supervisionada em mulher em idade fértil. A clofazimina escurece a pele, dando aspecto bronzeado, e resseca; a hiperpigmentação regride depois do tratamento, mas é a maior causa de abandono por questão estética, e merece ser combinada com o paciente antes de a primeira cartela sair.

Situações especiais que caem: gestação e aleitamento não contraindicam a PQT-U padrão — o recém-nascido pode nascer com pele hiperpigmentada pela clofazimina, com regressão gradual. Em coinfecção com tuberculose, administra-se a rifampicina na dose exigida pela tuberculose, mantendo dapsona e clofazimina nas doses do esquema da hanseníase. Em HIV, a rifampicina na dose mensal de 600 mg não interfere nos inibidores de protease. E para pacientes com dificuldade grave de adesão — transtorno mental grave, dependência química avançada, intolerância a múltiplos fármacos da PQT-U — existe alternativa em dose mensal supervisionada exclusiva de rifampicina 600 mg, ofloxacino 400 mg e minociclina 100 mg, o esquema ROM, por seis meses no paucibacilar e vinte e quatro meses no multibacilar.

Avaliação neurológica e grau de incapacidade: 0, 1 e 2

A Avaliação Neurológica Simplificada é o instrumento que transforma o exame neurológico em número comparável ao longo do tempo. Ela é feita no momento do diagnóstico, a cada três meses durante a poliquimioterapia e na última dose supervisionada. Depois da alta, repete-se pelo menos uma vez ao ano por no mínimo cinco anos. E é refeita fora de calendário sempre que surgir queixa nova sugestiva de dano neural, em estados reacionais e neurites, durante corticoterapia e no pré e pós-operatório de cirurgias de descompressão neural.

Dela sai o grau de incapacidade física, que tem três níveis e uma definição operacional limpa. Grau 0 é conferido ao paciente que não apresenta nenhum problema causado pela hanseníase nas mãos, nos pés ou nos olhos. Grau 1 é quando a incapacidade não é detectável pela inspeção nem pelo teste de acuidade visual, mas se observa diminuição da sensibilidade protetora ou redução da força muscular nas mãos, pés ou olhos. Grau 2 é quando há deformidade física visível ou cegueira resultante da neuropatia hansênica.

A régua, portanto, é do que se vê contra o que se testa. O que separa grau 0 de grau 1 é um achado que só aparece quando o examinador testa — monofilamento não percebido, força muscular diminuída. O que separa grau 1 de grau 2 é a deformidade estar visível a olho nu, ou a visão estar perdida. Garra ulnar instalada, mão caída, pé caído, reabsorção de dedos, lagoftalmo, úlcera plantar: grau 2. Perda da sensibilidade protetora na planta sem qualquer deformidade: grau 1.

Existe ainda o escore Olhos, Mãos e Pés, que expressa a extensão do dano somando o grau verificado em cada um dos seis segmentos — dois olhos, duas mãos, dois pés. Um paciente com grau 0 nas duas mãos, grau 1 no pé direito, grau 2 no pé esquerdo, grau 0 no olho direito e grau 2 no olho esquerdo tem escore 5. O escore vai de 0 a 12 e serve para acompanhar evolução; o grau de incapacidade registrado no Sinan continua sendo o pior encontrado.

Por que isso importa além do prontuário: a proporção de casos novos diagnosticados com grau 2 é indicador oficial de diagnóstico tardio no país. Grau 2 no momento do diagnóstico significa que a doença correu solta tempo suficiente para deformar — é medida da falha do programa, não da gravidade intrínseca do caso. É por isso que o grau precisa ser avaliado e registrado já na primeira consulta, e reavaliado pelo menos a cada três meses e na alta.

O exame dos olhos merece linha própria porque é frequentemente esquecido e é onde o dano custa mais caro. Verifica-se acuidade visual, ainda que grosseiramente, pedindo que conte dedos a seis metros; procura-se madarose; testa-se sensibilidade de córnea tocando o quadrante inferior externo com algodão e observando se pisca; procura-se opacidade corneana, triquíase, ectrópio e lagoftalmo, pedindo que feche os olhos com e sem força.

Figura esquemática de corpo humano com marcadores nos pontos de palpação dos nervos periféricos examinados na hanseníase — pescoço, cotovelo, punho, joelho e tornozelo — com dois detalhes ampliados de cotovelo e tornozelo e a posição das mãos do examinador.
Os troncos palpados de rotina na Avaliação Neurológica Simplificada: ulnar acima do cotovelo, mediano e radial no antebraço, fibular comum abaixo do joelho e tibial posterior atrás do maléolo medial, além do auricular magno no pescoço. Procura-se espessamento, dor e o reflexo de retirada — e, achando qualquer um, testa-se sensibilidade e força no território correspondente, porque nervo espessado sem repercussão funcional não fecha sinal cardinal.

Reações hansênicas: a urgência da doença

Reações hansênicas são fenômenos inflamatórios agudos que acometem um percentual elevado de casos, chegando a 50% em alguns estudos. Podem ocorrer antes, durante ou depois do tratamento — inclusive estar presentes já no momento do diagnóstico, e inclusive aparecer anos após a alta por cura, porque o gatilho são antígenos de bacilos mortos que permanecem no organismo. Elas são a principal causa de dano neural e de incapacidade permanente na hanseníase, e é por isso que reconhecer e tratar rápido é o que decide se aquele paciente vai terminar com grau 0 ou com grau 2.

A reação tipo 1, ou reação reversa, é hipersensibilidade celular, dos tipos III e IV de Gell e Coombs. Acomete especialmente pacientes com formas dimorfas e portanto pode surgir tanto em paucibacilares quanto em multibacilares. Clinicamente: lesões cutâneas preexistentes ficam mais visíveis, eritemato-vinhosas, edemaciadas, às vezes dolorosas, e surgem lesões aparentemente novas em áreas onde a infecção era imperceptível. Vem com neurite — dor aguda espontânea ou à palpação, com o reflexo de retirada do membro — e com piora de função sensitiva, motora ou autonômica. O que caracteristicamente falta é o quadro sistêmico: o paciente não fica com febre alta e prostração.

A reação tipo 2, o eritema nodoso hansênico, é síndrome mediada por imunocomplexos e acomete exclusivamente pacientes multibacilares, sobretudo virchowianos e dimorfos com carga bacilar alta. Essa exclusividade é o discriminador mais cobrado em prova. Na pele, nódulos subcutâneos dolorosos, múltiplos, que aparecem em qualquer área e não guardam relação com a localização das lesões prévias — histologicamente é paniculite. E vem acompanhada de quadro sistêmico: febre, artralgias, mialgias, dor óssea, edema periférico, linfadenomegalia, além de irite e episclerite, orquite e nefrite. No laboratório, leucocitose com neutrofilia e por vezes desvio à esquerda, plaquetose, VHS e proteína C reativa elevadas, proteinúria e hematúria. Em casos graves há necrose e ulceração das lesões, o eritema nodoso necrotizante.

O tratamento da reação tipo 1 é prednisona, na dose inicial de 1 mg/kg/dia por via oral. A retirada é longa e escalonada: reduz-se cerca de 10 mg a cada 15 dias até chegar a 20 mg/dia; daí em diante reduz-se 5 mg a cada 15 dias; ao atingir 5 mg/dia mantém-se essa dose por 15 dias seguidos e depois 5 mg em dias alternados por mais 15 dias. A corticoterapia deve durar, em média, no mínimo seis meses. Como se vai usar corticoide alto e prolongado, o protocolo manda fazer profilaxia de estrongiloidíase disseminada ao iniciar: albendazol 400 mg/dia por três dias consecutivos, ou ivermectina 200 mcg/kg em dose única. Monitoram-se peso, pressão arterial, glicemia de jejum e função neural, e imobiliza-se o membro afetado quando há neurite.

O tratamento da reação tipo 2 é preferencialmente talidomida, por via oral, na dose de 100 a 400 mg/dia conforme a intensidade do quadro, com redução gradual conforme a resposta. Mas há um conjunto de situações em que a talidomida não resolve sozinha e o corticoide entra nas mesmas doses da reação tipo 1: neurite aguda, orquite e episclerite. Se talidomida e corticoide forem associados, prescreve-se ácido acetilsalicílico 100 mg/dia como profilaxia de tromboembolismo. A pentoxifilina é a alternativa quando a talidomida está contraindicada e não há indicação de corticoterapia — o cenário típico é a mulher com potencial reprodutivo sem neurite.

A talidomida é teratogênica em humanos mesmo em dose única de 50 mg, e a trava legal brasileira em torno dela é rígida e cai em prova de ética e de saúde pública. É proibido o uso por gestantes ou lactantes. Nos casos excepcionais de indicação para paciente com potencial reprodutivo, quando o medicamento se fizer indispensável e esgotados todos os outros recursos, é obrigatório: aderir simultaneamente a dois métodos contraceptivos, sendo pelo menos um de alta eficácia, preferencialmente independente de adesão diária, como injetável, implante ou DIU; iniciar a prevenção da gravidez pelo menos quatro semanas antes de começar o tratamento e mantê-la durante toda a terapia e por pelo menos mais quatro semanas após a interrupção; realizar teste de gravidez 24 horas antes de iniciar e a cada retirada de novo ciclo, e semanalmente durante o primeiro mês. A dispensação fica condicionada à apresentação de teste de gravidez recente — sem comprovação do estado gestacional, o farmacêutico solicita novo exame. O controle do uso e a farmacovigilância são compulsórios por normativa sanitária.

Duas regras de manejo que fecham o tema. Durante o episódio reacional, a PQT-U deve ser mantida se o paciente ainda não completou os critérios de alta; e se a reação ocorre depois da alta, a PQT-U não deve ser reintroduzida, exceto nos casos que cumpram critério de recidiva. Reação hansênica não é recidiva: a reação surge de forma súbita, durante o tratamento ou até dois a três anos depois, responde muito bem a medicação antirreacional e cursa com múltiplas lesões novas que regridem com descamação; a recidiva surge de forma lenta e insidiosa, em geral mais de cinco anos após o término da PQT-U, envolve poucos nervos com evolução lenta, tem resposta pouco pronunciada a antirreacional e as lesões antigas permanecem imperceptíveis.

Contatos: onde o programa ganha ou perde

Contato, para o protocolo, é toda e qualquer pessoa que resida ou tenha residido, conviva ou tenha convivido com o doente de hanseníase no âmbito domiciliar nos últimos cinco anos anteriores ao diagnóstico, sendo familiar ou não. Cinco anos, âmbito domiciliar, com ou sem parentesco — os três elementos costumam ser testados juntos.

A investigação de contatos é, segundo o próprio protocolo, o método de detecção de casos com a melhor base de evidências. A convivência intradomiciliar é um dos principais fatores de risco de adoecimento, com risco relativo de 2,41, e o risco sobe quando o caso-índice tem alta carga bacilar, com risco relativo de 2,40. Todos os contatos domiciliares devem passar por avaliação clínica — exame dermatoneurológico completo e Avaliação Neurológica Simplificada —, ser relacionados no prontuário do caso-índice e registrados em ficha própria. A avaliação se repete pelo menos uma vez ao ano, e os contatos precisam sair da consulta sabendo quais sintomas procurar e orientados a voltar ao primeiro sinal suspeito.

A imunoprofilaxia é com BCG, e a regra é por dose prévia comprovada: oferece-se BCG aos contatos maiores de um ano de idade não vacinados ou que receberam apenas uma dose. A comprovação se faz pelo cartão de vacina ou pela presença de cicatriz vacinal — na prática, ausência de cicatriz ou uma cicatriz recebe uma dose; duas cicatrizes, nenhuma dose. Vale para contatos de casos paucibacilares e multibacilares. Duas ressalvas conceituais: a BCG não imuniza especificamente contra hanseníase, ela eleva a imunidade celular, com efeito maior sobre as formas multibacilares; e a vacina pode fazer com que um caso já em incubação se manifeste, o que não significa que ela tenha causado a doença. É contraindicada em imunodeficiência primária ou adquirida, neoplasia maligna, uso de corticoide em dose elevada — equivalente a prednisona 2 mg/kg/dia em crianças até 10 kg, ou 20 mg/dia ou mais acima de 10 kg — por mais de duas semanas, e em gestantes.

O teste rápido imunocromatográfico para anticorpos contra o M. leprae entra exatamente aqui, e só aqui: está aprovado no SUS para uso exclusivo na investigação de contatos de casos confirmados. O Brasil foi o primeiro país do mundo a incorporá-lo. Ele não diagnostica — serve para indicar quem monitorar mais de perto. Contato com sorologia positiva que não preencha critério clínico ou laboratorial de hanseníase é reavaliado anualmente na unidade básica.

E chegamos ao ponto em que o Brasil se afasta da OMS: a quimioprofilaxia com rifampicina em dose única não integra o rol do SUS. Ela chegou a ser incorporada em 2015, mas apenas para viabilizar um projeto-piloto, o PEP-Hans, executado de 2016 a 2018 em municípios de Mato Grosso, Pernambuco e Tocantins, com rifampicina 600 mg em dose única administrada ao contato por volta do segundo mês de tratamento do caso-índice. Concluído o estudo, a Conitec recomendou por unanimidade a exclusão, e a Portaria SCTIE/MS nº 18, de 12 de junho de 2020, excluiu a rifampicina para quimioprofilaxia de contatos no âmbito do SUS. O PCDT de 2022, publicado depois disso, não traz quimioprofilaxia em nenhum ponto — a palavra não aparece no documento. Na prática, o que se oferece ao contato brasileiro hoje é exame clínico anual, BCG conforme cicatriz e teste rápido quando indicado.

Isso não coloca o Brasil em falta com a OMS por descuido, e o motivo está no bloco de divergências. Vale registrar a diferença de propósito: a estratégia global da OMS mira interromper transmissão em escala populacional, e a decisão brasileira foi de que a evidência disponível sobre durabilidade do efeito não sustentava a ampliação nacional sem novos estudos, posição que a Sociedade Brasileira de Dermatologia acompanhou.

04

Do primeiro olhar à primeira cartela

Não existe algoritmo com exame confirmatório na hanseníase — existe uma sequência de exame físico que termina em decisão. A ordem abaixo é a que o protocolo desenha e é também a ordem em que a vinheta de prova entrega os dados.

  1. 1Paciente somente de roupas íntimas, em local reservado e bem iluminado: varra toda a superfície corporal procurando manchas, placas, nódulos, áreas sem pelo e áreas que não suam.
  2. 2Palpe os troncos nervosos — ulnar, mediano, radial, fibular comum, tibial posterior e auricular magno — procurando espessamento, dor e reflexo de retirada; teste força muscular de mãos, pés e pálpebras.
  3. 3Teste sensibilidade térmica, dolorosa e tátil sobre cada lesão e nos pontos padronizados de mãos e pés; a térmica se altera primeiro, a tátil por último.
  4. 4Procure os três sinais cardinais. Encontrou um? O caso está fechado — o diagnóstico é clínico e não depende de laboratório.
  5. 5Conte as lesões de pele e os nervos com repercussão funcional: até cinco lesões e baciloscopia negativa é paucibacilar; mais de cinco lesões, ou baciloscopia positiva, ou mais de um nervo comprometido é multibacilar.
  6. 6Ficou em dúvida na classificação? Trate como multibacilar — a regra é do protocolo, não improviso.
  7. 7Faça a Avaliação Neurológica Simplificada e registre o grau de incapacidade (0, 1 ou 2) já nesta consulta: é o marco zero do acompanhamento e o indicador de diagnóstico tardio.
  8. 8Inicie a PQT-U hoje, com a primeira dose supervisionada na unidade; exames laboratoriais de base não devem atrasar o início.
  9. 9Notifique no Sinan e liste em prontuário os contatos domiciliares dos últimos cinco anos para convocação, exame e BCG conforme cicatriz vacinal.

Grau 0

Nenhum problema causado pela hanseníase nas mãos, nos pés ou nos olhos. Sensibilidade protetora preservada, força muscular normal, acuidade visual sem alteração atribuível à doença, nenhuma deformidade. É o alvo do tratamento e o desfecho que se quer manter da primeira consulta até cinco anos depois da alta.

Grau 1

A incapacidade não é detectável pela inspeção nem pelo teste de acuidade visual, mas o exame revela diminuição da sensibilidade protetora ou redução da força muscular em mãos, pés ou olhos. A mão parece normal e não sente o monofilamento. É o grau que só existe se alguém testar — por isso a Avaliação Neurológica Simplificada não é opcional.

Grau 2

Deformidade física visível ou cegueira resultante da neuropatia hansênica. Garra ulnar instalada, mão caída, pé caído, reabsorção de dedos, lagoftalmo, úlcera plantar. Grau 2 no momento do diagnóstico é indicador oficial de diagnóstico tardio: mede a demora do sistema em achar o caso, não a agressividade do bacilo.

Faixa de pesoDose mensal supervisionadaDose diária autoadministradaPaucibacilarMultibacilar
Acima de 50 kg (PQT-U adulto)Rifampicina 600 mg + clofazimina 300 mg + dapsona 100 mgClofazimina 50 mg/dia + dapsona 100 mg/dia6 doses, em até 9 meses12 doses, em até 18 meses
30 a 50 kg (PQT-U infantil)Rifampicina 450 mg + clofazimina 150 mg + dapsona 50 mgClofazimina 50 mg em dias alternados + dapsona 50 mg/dia6 doses, em até 9 meses12 doses, em até 18 meses
Abaixo de 30 kgRifampicina 10 mg/kg + clofazimina 6 mg/kg + dapsona 2 mg/kgClofazimina 1 mg/kg/dia + dapsona 2 mg/kg/dia6 doses, em até 9 meses12 doses, em até 18 meses

O que a PQT-U uniformizou foram os fármacos, não o número de doses: os três antimicrobianos são os mesmos para paucibacilar e multibacilar, e a duração continua sendo definida pela classificação operacional.

A contagem é de doses supervisionadas tomadas, não de meses corridos — daí a janela de 9 meses para 6 doses e de 18 meses para 12 doses. Faltar um mês adia a alta, não recomeça o esquema.

Extensão do tratamento com PQT-U além de 12 meses não está autorizada pelo protocolo. Suspeita de infecção persistente ao fim do esquema manda investigar resistência, não prolongar a cartela.

Lesão de pele ainda visível na última dose não é falha terapêutica: a regressão é lenta, especialmente no multibacilar com índice baciloscópico alto, e pode levar meses ou anos.

Um único nervo periférico comprometido é o ponto em que a OMS classifica como multibacilar e o protocolo brasileiro aceita tratar como paucibacilar, desde que o caso seja avaliado em unidade com profissional experiente em hanseníase.

Dificuldade grave de adesão tem saída: esquema ROM em dose mensal supervisionada exclusiva — rifampicina 600 mg, ofloxacino 400 mg e minociclina 100 mg — por 6 meses no paucibacilar e 24 meses no multibacilar.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Esquema uniforme de seis doses para todos os pacientes

Duração pela classificação operacional — OMS e Ministério da Saúde

Os três fármacos são os mesmos para todos, mas a duração acompanha a classificação: seis doses mensais supervisionadas para paucibacilares, em até nove meses, e doze doses para multibacilares, em até dezoito meses. É o desenho do Quadro 1 do PCDT brasileiro, que declara como fonte a diretriz da OMS de 2018, e é o que se pratica no SUS. O argumento é a carga bacilar: o multibacilar tem um volume de bacilos que a experiência acumulada associa a risco maior de recidiva sob tratamento curto.

PCDT da Hanseníase, Ministério da Saúde, 2022, Quadro 1 e nota (a); WHO, Guidelines for the diagnosis, treatment and prevention of leprosy, 2018.

Seis doses para todos, independentemente da classificação — ensaio U-MDT/CT-BR

O maior ensaio randomizado e controlado já feito sobre esquema uniforme, conduzido no Brasil, alocou 613 multibacilares recém-diagnosticados entre seis doses e doze doses do mesmo esquema de três fármacos. A taxa de recidiva no braço uniforme foi de 2,6 por 1.000 pessoas-ano durante o seguimento ativo, e os autores concluem, somando os achados a estudos anteriores da China, Índia e Bangladesh, que o esquema uniforme é opção aceitável. O argumento é operacional além de clínico: metade do tempo de tratamento significa menos abandono e mais gente curada.

PENNA, G. O. et al. Uniform multidrug therapy for leprosy patients in Brazil (U-MDT/CT-BR), PLoS Neglected Tropical Diseases, 2017.

Na prova

O nome PQT-U é a fonte da confusão, e o enunciado costuma denunciar o recorte pelo vocabulário. Quando o texto fala em poliquimioterapia única, cartela mensal, dose supervisionada na unidade e alta por cura no Sinan, o vocabulário é do programa brasileiro, e nesse mundo único qualifica os fármacos — a clofazimina passou a compor também o esquema paucibacilar — enquanto a duração continua sendo seis ou doze doses conforme a classificação. Quando o enunciado cita explicitamente o ensaio U-MDT, fala em esquema uniforme de curta duração ou discute pesquisa clínica e evidência, o recorte é o do debate científico e a alternativa de seis doses para todos passa a fazer sentido. As próprias alternativas entregam o mundo: se uma opção oferece doze meses para multibacilar e outra oferece seis para todos, sem nenhuma menção a estudo ou a proposta de mudança, a questão está pedindo a rotina do SUS. Régua útil: prova oficial do MEC tende a conduta SUS; outras bancas dependem do que as alternativas revelam. A causa do descompasso é de política e de tempo, não de qualidade: o ensaio brasileiro é de 2017 e a OMS considerou a evidência ainda insuficiente para trocar a política global, e o Brasil, que financia o programa pelo protocolo nacional alinhado à OMS, seguiu a duração por classificação.

Quimioprofilaxia de contatos com rifampicina em dose única (PEP)

Rastrear contatos e oferecer rifampicina em dose única — OMS

A OMS recomenda rastreamento de contatos domiciliares, de vizinhança e sociais, acompanhado da administração de dose única de rifampicina como profilaxia pós-exposição, a chamada SDR-PEP. A base é o ensaio COLEP e a análise de custo-efetividade dele derivada, que estimou custo incremental em torno de 158 dólares por caso evitado, além de um subestudo indicando que a BCG ao nascimento potencializa o efeito protetor da dose única. Reunião de especialistas da própria OMS concluiu que a dose única não aumenta o risco de tuberculose resistente à rifampicina, recomendando apenas afastar tuberculose ativa antes de administrar.

WHO, Guidelines for the diagnosis, treatment and prevention of leprosy, 2018, e ficha técnica institucional Leprosy (Hansen disease), OMS.

Fora do SUS desde 2020 — Conitec e Ministério da Saúde, com apoio da SBD

A rifampicina para quimioprofilaxia de contatos foi excluída do SUS pela Portaria SCTIE/MS nº 18, de 12 de junho de 2020, após recomendação unânime da Conitec. Ela nunca havia sido rotina: entrou em 2015 apenas para viabilizar o projeto-piloto PEP-Hans, executado de 2016 a 2018 em municípios de Mato Grosso, Pernambuco e Tocantins, e saiu quando o estudo terminou. A síntese de evidências registra efeito protetor concentrado nos dois primeiros anos, sem efeito adicional aos quatro e seis anos. A SBD acompanhou a exclusão, sustentando ausência de proteção significativa justamente entre contatos de casos multibacilares — o grupo de maior risco — e risco de indução de resistência com uso ampliado. O PCDT de 2022, publicado depois, não menciona quimioprofilaxia em nenhum ponto.

Conitec, Relatório de Recomendação nº 525, junho de 2020, e Portaria SCTIE/MS nº 18, de 12/06/2020; manifestação da Sociedade Brasileira de Dermatologia de 14/03/2020; PCDT da Hanseníase, 2022.

Na prova

O recorte aqui se identifica pelo cenário e pela ausência de menção nominal. Questão ambientada em UBS, com equipe de saúde da família convocando contatos, ficha de contato e cartão de vacina em mãos, está no mundo do programa nacional, onde a oferta ao contato é exame clínico anual, BCG conforme cicatriz vacinal e teste rápido quando indicado. Questão que cita a OMS por extenso, fala em estratégia global, em interrupção da transmissão em escala populacional ou usa a sigla SDR-PEP está no mundo do documento internacional. Um distrator entrega o recorte sozinho: alternativa que oferece rifampicina 600 mg em dose única ao contato sem qualquer referência a estudo ou protocolo internacional está descrevendo algo que não existe na rotina do SUS desde junho de 2020. Régua útil: prova oficial do MEC tende a conduta SUS; outras bancas dependem do que as alternativas revelam. E vale nomear a causa, porque ela é atípica: aqui o afastamento brasileiro não veio de restrição orçamentária nem de documento nacional desatualizado — veio de leitura de evidência, com a durabilidade curta do efeito protetor documentada pela própria OMS, somada ao fim do projeto-piloto e à preocupação da sociedade de especialidade com resistência antimicrobiana.

A baciloscopia é obrigatória para classificar o caso?

Definição literal do PCDT: paucibacilar exige baciloscopia negativa

O texto do protocolo define hanseníase paucibacilar como presença de uma a cinco lesões cutâneas e baciloscopia obrigatoriamente negativa, e multibacilar como mais de cinco lesões ou baciloscopia positiva. Lido ao pé da letra, o rótulo paucibacilar carrega um resultado laboratorial dentro da própria definição, e qualquer baciloscopia positiva desloca o caso para multibacilar por mais restritas que sejam as lesões.

PCDT da Hanseníase, Ministério da Saúde, 2022, itens 6.3.1 e 6.3.2.

Prática assistencial do mesmo protocolo: contar lesões basta para escolher o esquema

O mesmo documento afirma que a classificação com base no número de lesões é suficiente para a escolha adequada do esquema terapêutico, trata a baciloscopia como exame de apoio ao diagnóstico e não como condição, e fecha o problema com a regra de que todo caso que suscite dúvida quanto à classificação seja tratado como multibacilar. Nessa leitura a baciloscopia é dispensável para classificar e decisiva apenas quando existe e vem positiva. Faz sentido operacional: o exame não está disponível em toda a rede, e o corte por número de lesões existe justamente para permitir classificar sem laboratório.

PCDT da Hanseníase, Ministério da Saúde, 2022, item 6.4 e fecho do item 6.3.2; WHO, Guidelines for the diagnosis, treatment and prevention of leprosy, 2018.

Na prova

A tensão é interna ao mesmo documento, então o que identifica o recorte é o dado que o enunciado escolheu entregar. Se a vinheta informa resultado de baciloscopia, ele é para ser usado: positiva empurra para multibacilar mesmo com poucas lesões, e negativa apenas confirma o que a contagem de lesões já dizia. Se a vinheta não menciona baciloscopia, ou diz expressamente que o exame não está disponível no município, o enunciado está testando se o candidato sabe que o diagnóstico e a classificação são clínicos — e a alternativa que propõe aguardar resultado antes de iniciar tratamento é o erro que a questão foi construída para pegar. Cenário de UBS sem laboratório, equipe de saúde da família, município pequeno: contagem de lesões decide. Cenário de ambulatório de referência com baciloscopia colhida em lóbulos auriculares e cotovelos: o resultado do exame entra na conta. A regra de desempate do protocolo continua valendo em qualquer dos dois — dúvida na classificação segue como multibacilar.

06

Caso resolvido

Homem de 41 anos, pedreiro, chega à UBS de um município do interior de Rondônia queixando-se de que vem derrubando ferramentas há uns seis meses e que apareceram manchas nas costas. Ao exame, com o paciente somente de roupas íntimas em sala bem iluminada: sete placas acastanhadas de bordo interno nítido e bordo externo espraiado, no dorso, abdome e coxas, com hipoestesia térmica e dolorosa. Ulnar direito e fibular comum esquerdo espessados e dolorosos à palpação, com reflexo de retirada. Força de preensão diminuída à direita, sem garra. Sensibilidade protetora ausente em três pontos da planta do pé esquerdo. Sem deformidade visível, sem úlcera, acuidade visual normal. O município não dispõe de baciloscopia.
achado
Dois sinais cardinais presentes, e bastaria um: lesões de pele com alteração de sensibilidade térmica e dolorosa, e espessamento de nervo periférico acompanhado de alteração sensitiva e motora nos territórios correspondentes. Diagnóstico de hanseníase fechado nesta consulta, sem exame complementar.
forma clínica
As lesões foveolares — bordo interno nítido delimitando centro poupado, bordo externo infiltrado e impreciso — em número variável e distribuição assimétrica, somadas ao acometimento neural múltiplo e assimétrico, caracterizam a forma dimorfa. É a forma mais instável e a que mais produz incapacidade, o que sobe o nível de vigilância para reação hansênica.
classificação
Sete lesões de pele — acima do corte de cinco — e dois nervos periféricos comprometidos com perda documentada de sensibilidade nos respectivos territórios. Caso multibacilar. A indisponibilidade de baciloscopia não muda nada: a contagem de lesões é suficiente para escolher o esquema, e a dúvida, se houvesse, também resolveria a favor de multibacilar.
grau de incapacidade
Grau 1. Há perda de sensibilidade protetora na planta e redução de força de preensão, mas nada disso é detectável pela inspeção: não há deformidade visível, úlcera nem alteração de acuidade visual. Registrar o grau hoje e reavaliar a cada três meses e na alta.
conduta
Iniciar PQT-U adulto ainda nesta consulta, com a primeira dose supervisionada na unidade: rifampicina 600 mg, clofazimina 300 mg e dapsona 100 mg mensais supervisionados, mais clofazimina 50 mg e dapsona 100 mg diárias autoadministradas. Esquema multibacilar: 12 doses mensais supervisionadas, em intervalo de até 18 meses. Exames de base podem ser solicitados, mas não devem atrasar o início.
programa
Notificar no Sinan como caso novo. Listar em prontuário os contatos domiciliares dos últimos cinco anos, convocar todos para exame dermatoneurológico e Avaliação Neurológica Simplificada, e aplicar BCG nos maiores de um ano sem cicatriz ou com apenas uma cicatriz. Não há quimioprofilaxia com rifampicina a oferecer — está fora do SUS desde 2020.
orientação
Avisar que a urina ficará avermelhada pela rifampicina e que a pele vai escurecer pela clofazimina, com regressão após o tratamento — as duas informações combinadas de antemão evitam abandono. Avisar também que dor nova em trajeto de nervo, piora de dormência ou queda de objetos exige retorno imediato, mesmo depois da alta: é como se apresenta a reação hansênica, e ela é a principal causa de incapacidade permanente.
07

Agora feche você

Mulher de 26 anos, em uso de PQT-U multibacilar há oito meses por hanseníase virchowiana, chega ao pronto atendimento com febre de 38,5 °C há três dias, dor difusa em pernas e braços, dor óssea e prostração. Ao exame, dezenas de nódulos subcutâneos eritematosos e dolorosos em coxas, braços e tronco, que não coincidem com as lesões que ela já tinha. Olhos sem hiperemia, sem queixa visual. Palpação dos troncos nervosos indolor, sem espessamento novo; força e sensibilidade de mãos e pés inalteradas em relação à última Avaliação Neurológica Simplificada, feita há um mês. Hemograma com leucocitose e neutrofilia. Ela tem vida sexual ativa, não usa método contraceptivo e não deseja engravidar.
achado
Nódulos subcutâneos dolorosos, múltiplos, sem relação topográfica com as lesões prévias, acompanhados de febre, artralgia, dor óssea, prostração e leucocitose com neutrofilia, em paciente multibacilar virchowiana. Quadro sistêmico com paniculite.
diagnóstico
Reação hansênica tipo 2, o eritema nodoso hansênico. É mediada por imunocomplexos e acomete exclusivamente pacientes multibacilares — a exclusividade é o discriminador em relação à reação tipo 1, que acomete sobretudo dimorfos e pode ocorrer em paucibacilares, cursando com piora das lesões preexistentes e neurite, sem esse quadro sistêmico.
o que afastar
conduta
08

Onde a banca derruba

  1. 1Esperar a baciloscopia para começar o tratamento É o erro mais atraente porque parece prudente e porque toda a formação clínica ensina a confirmar antes de tratar. Só que na hanseníase a baciloscopia é negativa por definição na forma indeterminada e na tuberculoide, e nem sequer está disponível em boa parte da rede. O diagnóstico é clínico, um sinal cardinal basta, e a alternativa que manda aguardar resultado é sistematicamente o distrator da questão.
  2. 2Ler PQT-U como seis doses para todo mundo O nome poliquimioterapia única sugere esquema único, e o candidato completa sozinho que a duração também virou única. Não virou: única se refere aos três fármacos, que hoje são os mesmos para paucibacilar e multibacilar porque a clofazimina passou a entrar também no esquema paucibacilar. A duração continua seis doses em até nove meses para paucibacilar e doze doses em até dezoito meses para multibacilar.
  3. 3Exigir alteração de sensibilidade na lesão do paciente virchowiano A regra que se decora é mancha com hipoestesia, e ela falha justamente no polo virchowiano: como falta a inflamação mediada por imunidade celular, as lesões de pele podem ter sensibilidade normal. O candidato então descarta hanseníase diante de um paciente com madarose, infiltração facial difusa e hansenomas. Nesse caso o diagnóstico se apoia no segundo sinal cardinal, o espessamento simétrico e difuso de nervos com hipoestesia de mãos e pés, e se confirma pelo terceiro.
  4. 4Confundir grau 1 com grau 2 de incapacidade Os dois envolvem dano neural, e a tentação é graduar pela intensidade da queixa. A régua não é essa: é o que se vê contra o que se testa. Perda de sensibilidade protetora ou de força, sem nada aparente à inspeção, é grau 1. Deformidade física visível ou cegueira é grau 2. Uma planta anestésica sem úlcera é grau 1; a mesma planta com úlcera plantar instalada é grau 2.
  5. 5Tratar toda reação tipo 2 com talidomida A talidomida é o tratamento preferencial do eritema nodoso hansênico, e a resposta automática ignora as duas condições que mudam a droga. A primeira é clínica: havendo neurite aguda, orquite ou episclerite, entra corticoide nas mesmas doses da reação tipo 1. A segunda é de segurança: em mulher com potencial reprodutivo sem neurite, a pentoxifilina é a alternativa, porque a talidomida é teratogênica mesmo em dose única de 50 mg e a trava de dispensação é rígida.
  6. 6Oferecer rifampicina em dose única ao contato É recomendação da OMS, aparece na literatura internacional como SDR-PEP e soa moderna — por isso funciona tão bem como distrator. No SUS ela foi excluída pela Portaria SCTIE/MS nº 18, de junho de 2020, e o PCDT de 2022 não menciona quimioprofilaxia. O que se oferece ao contato brasileiro é exame dermatoneurológico anual, BCG conforme cicatriz vacinal e teste rápido quando indicado.
  7. 7Chamar reação hansênica de recidiva e reiniciar a PQT-U Paciente que já recebeu alta volta com lesões novas, e a leitura imediata é falha de tratamento. Reação surge de forma súbita, em geral durante a poliquimioterapia ou até dois a três anos depois, com múltiplas lesões que regridem com descamação e excelente resposta a antirreacional. Recidiva é lenta e insidiosa, em geral mais de cinco anos após o término, com poucas lesões e resposta pouco pronunciada. Na reação após a alta, a PQT-U não é reintroduzida — trata-se a reação.
  8. 8Usar o teste rápido anti-PGL-1 para diagnosticar O Brasil foi o primeiro país a incorporar o teste rápido, o que dá a ele um ar de avanço diagnóstico nacional. A aprovação no SUS, porém, é para uso exclusivo na investigação de contatos de casos confirmados: ele indica quem monitorar mais de perto, não fecha diagnóstico. Contato soropositivo sem critério clínico ou laboratorial é reavaliado anualmente, não tratado.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

Poucas lesões (paucibacilar) com clínica neural (perda de sensibilidade e espessamento nervoso) e baciloscopia negativa configuram hanseníase paucibacilar; pelo esquema único atualmente recomendado pela OMS/MS, todos os casos recebem rifampicina + dapsona + clofazimina, e o paucibacilar completa 6 doses mensais. A opção de 12 doses corresponde ao multibacilar (>5 lesões/baciloscopia positiva). Monoterapia com dapsona está proscrita por resistência. O esquema ROM em dose única aplica-se apenas à lesão única paucibacilar em contextos específicos, não a este quadro com múltiplas lesões e comprometimento neural.

09

Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

Recite sem consultar: os três sinais cardinais e quantos bastam (um); o corte entre paucibacilar e multibacilar (cinco lesões, e baciloscopia positiva manda para multibacilar); as duas durações da PQT-U (6 doses em até 9 meses, 12 doses em até 18 meses) com as doses de adulto acima de 50 kg (mensal supervisionada rifampicina 600 mg, clofazimina 300 mg, dapsona 100 mg; diária clofazimina 50 mg e dapsona 100 mg); e as três definições de grau de incapacidade. Depois desenhe a tabela reação tipo 1 versus tipo 2 em duas colunas — quem acomete, o que aparece na pele, se há quadro sistêmico, qual a droga e em que dose.

em 30 dias

Faça o caminho inverso, partindo do tratamento: dada uma prescrição de prednisona 1 mg/kg/dia com desmame de 10 mg a cada 15 dias, que reação é e por que a corticoterapia dura no mínimo seis meses? Dada talidomida 100 a 400 mg/dia, qual a forma clínica obrigatória por trás e quais três achados obrigam a trocar por corticoide? Em seguida reconstrua o espectro de Madri de ponta a ponta dizendo, para cada forma, o estado da baciloscopia e o estado da sensibilidade na lesão — é a dupla que separa tuberculoide de virchowiana. Feche revisando o que se oferece a um contato no SUS e o que não se oferece, com a data e o número da portaria que tirou a quimioprofilaxia.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Mulher de 33 anos procura a UBS por uma mancha clara no braço direito que apareceu há cerca de um ano e não coça nem dói. Ela conta que passou pomada antifúngica por três meses, sem mudança, e que se queimou no fogão no mês passado sem perceber na hora. Mora com a mãe, que fez tratamento para hanseníase há quatro anos e recebeu alta. Conduza o atendimento: colha a história, faça o exame dermatoneurológico completo, defina se há sinal cardinal, classifique o caso e decida a conduta — inclusive o que fará com os outros moradores da casa. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Hanseníase — Preparatório para provas | OsceLabs