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Carcinoma basocelular e espinocelular
Reconhecimento da lesão, biópsia e estratificação de risco
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Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Mulher de 34 anos procura a UBS com lesão única no dorso da mão direita, notada há 8 meses. Ao exame: pápula perolada, brilhante, com telangiectasias na superfície e discreta ulceração central, medindo cerca de 6 mm, indolor, de crescimento muito lento. Nega febre ou outros sintomas. Relata trabalhar como agricultora com grande exposição solar ao longo da vida. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
Como esse tema cai
O câncer de pele não melanoma é o tumor maligno mais incidente do Brasil: 263.280 casos novos por ano no triênio 2026-2028, 33,7% de todos os cânceres registrados no país. Nenhum outro chega perto. Isso explica por que ele aparece em prova de residência fora da Dermatologia — cai em Preventiva (rastrear ou não), em Medicina do Trabalho (radiação solar ocupacional) e em Cirurgia (margem e reconstrução).
A prova não pede via Hedgehog nem mutação de p53. Ela escreve uma lesão e cobra o que você faz com ela. Duas famílias de questão se repetem: a primeira dá a descrição morfológica e pergunta o diagnóstico ou o próximo passo; a segunda dá um espinocelular com um detalhe carregado — lábio inferior, orelha, cicatriz de queimadura, transplantado renal — e cobra que você reconheça o alto risco antes de escolher a conduta.
Existe um terceiro recorte, mais recente e mal explorado pelos resumos: o que o SUS efetivamente oferece. Em setembro de 2023 a terapia fotodinâmica foi incorporada ao SUS para carcinoma basocelular superficial e nodular; em junho de 2026 o vismodegibe foi recusado para o basocelular avançado. São duas decisões oficiais brasileiras, datadas, sobre a mesma doença e em sentidos opostos — material de questão pronto.
Melanoma tem capítulo próprio e não é o assunto aqui. Ele entra neste texto só como diferencial de duas lesões que enganam: o basocelular pigmentado e a ceratose seborreica.
O que muda decisão
O terreno: dano actínico, ceratose actínica e campo de cancerização
Os dois carcinomas nascem do mesmo terreno — pele com dano actínico acumulado. O INCA lista como fatores de risco a exposição cumulativa à radiação ultravioleta (sol ou câmara de bronzeamento), pele e olhos claros, cabelos ruivos ou loiros, albinismo, xeroderma pigmentoso, cicatrizes de queimadura, história pessoal ou familiar do tumor e um bloco ocupacional que a prova adora: trabalhador rural, pescador, operário da construção, carteiro, gari. Fora a radiação solar, entram no bloco ocupacional a radiação ionizante, o arsênico, os óleos industriais e os derivados de alcatrão de hulha.
Isso muda a leitura do enunciado. Quando a banca diz 'lavrador de 68 anos' ou 'pescador aposentado', ela não está enfeitando a vinheta — está entregando o fator de risco. A mesma informação abre a porta para a pergunta de saúde do trabalhador: a prevenção ocupacional recomendada é o equipamento de proteção individual — roupa de manga longa, luvas, chapéu, óculos de proteção e protetor solar —, não o afastamento nem o exame periódico de imagem.
A ceratose actínica é a lesão-ponte. Mácula ou pápula eritematosa áspera, com escama aderente, em área fotoexposta — muitas vezes você a percebe melhor com o dedo do que com o olho. É precursora do espinocelular, e a chance de uma ceratose isolada virar carcinoma é pequena; o problema é que ela raramente vem sozinha. Quando toda a região está salpicada de lesões, o conceito que responde a questão é o campo de cancerização: a área inteira sofreu o mesmo dano e o tratamento tem de ser de campo (5-fluorouracila tópica, imiquimode, terapia fotodinâmica), não lesão a lesão com nitrogênio.
Duas entidades vizinhas caem como distrator. A doença de Bowen é o carcinoma espinocelular in situ — placa eritêmato-descamativa bem delimitada, de crescimento lento, que costuma ser confundida com eczema ou psoríase resistente ao corticoide. O ceratoacantoma é o nódulo de crescimento explosivo, em semanas, com cratera central de ceratina; comporta-se como um espinocelular bem diferenciado e é tratado como tal, não observado. A ceratose seborreica, ao contrário, é benigna: lesão 'colada' na pele, verrucosa, marrom, com aspecto de cera pingada — não vira câncer e não justifica exérese oncológica.
Imunossupressão merece parágrafo próprio. Transplantado de órgão sólido, sobretudo o renal em uso crônico de imunossupressor, desenvolve muito mais espinocelular do que a população geral, com lesões múltiplas, mais precoces e de comportamento mais agressivo — e nesse grupo a proporção entre os dois tumores se inverte em relação ao habitual. Em vinheta, 'transplantado renal há 12 anos' é sinal de alto risco, não detalhe de antecedente.
Carcinoma basocelular: o que a descrição entrega
O basocelular é 80% do câncer de pele não melanoma. Cresce devagar, em área cronicamente fotoexposta, com franca preferência pelos dois terços superiores da face — nariz, região periorbitária, fronte, pavilhão auricular. A descrição que a banca usa é quase sempre a mesma: pápula ou nódulo perolado, translúcido, com telangiectasias na superfície e borda em rolete, às vezes com crosta central que sai e volta. O INCA resume em uma frase que vale decorar: lesão, ferida ou nódulo de bordos róseos, translúcidos ou perolados, que não cicatriza.
Os subtipos importam porque decidem o tratamento. O nodular é o mais comum — 56,7% dos casos na maior série brasileira publicada, com 769 tumores. O superficial é a placa eritêmato-descamativa de crescimento centrífugo, mais frequente no tronco, que imita eczema e é o alvo preferencial dos tratamentos não cirúrgicos. O pigmentado é o nodular com melanina — e é a armadilha do melanoma, porque a prova descreve uma lesão escura na face e espera que você repare no brilho perolado e na telangiectasia, que o melanoma não tem. O esclerodermiforme (ou morfeiforme, ou infiltrativo) é o perigoso: placa branco-amarelada, endurecida, com aspecto de cicatriz, mal delimitada, cujas bordas reais vão muito além do que se vê. Na mesma série brasileira, subtipos agressivos apareceram em 32,9% dos casos.
O basocelular praticamente não metastatiza. Isso leva o aluno desavisado a tratá-lo como lesão benigna, e é erro grosseiro: a morbidade dele é local e pode ser devastadora. O ulcus rodens é a forma ulcerada que corrói em profundidade e destrói asa nasal, pálpebra, cartilagem e órbita se for deixado crescer. Não se examina cadeia linfonodal por causa de um basocelular típico — mas se opera com margem, e com margem definida pelo subtipo e pela localização.
Recidiva não é rara nem é fracasso técnico isolado. Na série brasileira de dez anos, 9,6% recidivaram, e os fatores associados foram idade avançada ao diagnóstico, tumor com 20 mm ou mais, localização em zona H da face e subtipo histopatologicamente agressivo. Esses quatro itens são exatamente os que a prova espalha pela vinheta quando quer que você escolha uma conduta mais agressiva do que a excisão simples.

Carcinoma espinocelular: quando a lesão descama, endurece e cresce rápido
O espinocelular (epidermoide) é os outros 20%. A frase do INCA para ele também é curta: mancha vermelha que descama e sangra, formando uma ferida. Na prática, é uma lesão ceratósica, endurecida à palpação, que ulcera, dói e cresce em semanas a meses — não em anos. A base costuma ser infiltrada; quando você aperta, sente uma placa dura por baixo, e é isso que separa clinicamente o espinocelular da ceratose actínica que o precedeu.
A localização é meio caminho do diagnóstico. Lábio inferior, pavilhão auricular, dorso das mãos, couro cabeludo de homem calvo e a semimucosa labial de quem fuma e trabalha ao sol são os sítios clássicos. Também surge onde a pele já foi agredida de outro modo: cicatriz de queimadura, úlcera crônica de perna, fístula, área previamente irradiada. O carcinoma que aparece sobre cicatriz de queimadura ou úlcera crônica tem nome próprio — úlcera de Marjolin — e é espinocelular, com prognóstico pior que o do espinocelular comum.
A diferença que muda a conduta é o potencial metastático. Enquanto o basocelular fica onde nasceu, o espinocelular dissemina por via linfática para a cadeia de drenagem regional. Consequência prática e cobrada: em todo paciente com espinocelular, o exame físico inclui a palpação das cadeias linfonodais correspondentes. Linfonodo endurecido, fixo ou maior que dois centímetros no território de drenagem de um espinocelular não é reativo até prova em contrário — é estadiamento.
Alto risco é conceito operacional, não adjetivo. Contam para ele: diâmetro de 2 cm ou mais; espessura maior que 6 mm ou invasão além da gordura subcutânea; localização em lábio, orelha ou nas áreas centrais da face; grau histológico pouco diferenciado; invasão perineural; lesão recidivada; surgimento sobre cicatriz, úlcera crônica ou área irradiada; e paciente imunossuprimido. Basta um desses para o tumor sair do algoritmo simples. O laudo histopatológico, portanto, não pode se limitar a dizer 'carcinoma espinocelular' — tem de trazer subtipo, grau de diferenciação, espessura, invasão perineural e estado das margens, porque é dessa lista que sai a decisão seguinte.
Como se fecha o diagnóstico
Dermatoscopia ajuda e não fecha. O INCA é explícito: a dermatoscopia é útil, mas precisa ser complementada pela histopatologia, que confirma o diagnóstico e orienta o tratamento preciso. Em prova, alternativa que oferece 'iniciar tratamento com base no aspecto dermatoscópico' está errada por definição quando o tratamento pretendido destrói a lesão.
A escolha do tipo de biópsia segue o tamanho e o local. Lesão pequena, em área com pele de sobra, resolve-se com biópsia excisional, que já é diagnóstico e tratamento. Lesão grande, ou em região onde a reconstrução é problema (nariz, pálpebra, orelha, lábio), pede biópsia incisional ou por punch, feita na área mais representativa — de preferência na borda infiltrada, não no centro necrótico, que costuma vir com material inconclusivo.
Há um motivo administrativo, além do clínico, para não pular a histologia no Brasil: as opções não cirúrgicas oferecidas pelo SUS são delimitadas por subtipo. A terapia fotodinâmica foi incorporada para o basocelular superficial e nodular — e subtipo não se determina no olho, se determina na lâmina. Tratar sem biópsia é, na prática, tratar sem saber se a indicação existe.
Estadiamento formal é assunto do espinocelular, não do basocelular. O sistema TNM da 8ª edição do AJCC é aplicado principalmente aos tumores de cabeça e pescoço; o basocelular raramente é estadiado, porque seu comportamento é local. Para a prova de residência, o que rende é a estratificação de risco (baixo × alto) — ela decide margem, técnica e seguimento —, não a memorização das categorias T.
Tratamento: o que resolve e o que o SUS entrega
O tratamento padrão dos dois tumores é cirúrgico, e a razão é o controle histopatológico da peça: só a cirurgia permite dizer se o tumor saiu inteiro. Nada do que vem a seguir substitui esse princípio; tudo o mais é alternativa para situação delimitada.
As margens de referência do basocelular saem das zonas de risco da face. Em zona L, com tumor não agressivo menor que 20 mm, 4 mm de margem. Em zona H ou M, com tumor não agressivo, 5 mm. Em tumor de subtipo agressivo nessas zonas, mais de 5 mm. No espinocelular, a régua praticada é 4 mm no de baixo risco e 6 mm no de alto risco, com o objetivo de deixar cerca de 95% das peças com margem histológica livre.
A cirurgia micrográfica de Mohs é a técnica que examina 100% da margem no intraoperatório e reexcisa só onde há tumor. Suas indicações são as previsíveis: zona H, tumor recidivado, subtipo agressivo ou esclerodermiforme, lesão mal delimitada, tumor grande e paciente imunossuprimido — ou seja, exatamente onde a taxa de recidiva da excisão convencional é maior e onde poupar tecido vale mais. É custo-efetiva e tem disponibilidade limitada na rede pública brasileira, o que faz do algoritmo cirúrgico convencional a alternativa realista na maior parte do país.
A terapia fotodinâmica é a novidade brasileira que a maioria dos resumos ainda não incorporou. A mesma comissão que, em 2020, recusou a tecnologia, recomendou por unanimidade a incorporação em 28 de junho de 2023, e a decisão foi tornada pública pela Portaria sectics/MS nº 46, de 5 de setembro de 2023: terapia fotodinâmica no SUS para câncer de pele não melanoma do tipo carcinoma basocelular superficial e nodular, conforme Protocolo de Uso do Ministério da Saúde, com prazo de 180 dias para efetivar a oferta. A decisão registra índice de cura em torno de 90% nos ensaios brasileiros que a sustentaram. Repare no recorte: superficial e nodular. Esclerodermiforme e espinocelular invasivo não estão na indicação.
As demais opções têm cada uma o seu nicho. A criocirurgia com nitrogênio líquido serve a lesões superficiais pequenas e deixa como sequela a mácula acrômica. A imunoterapia tópica com imiquimode e a quimioterapia tópica com 5-fluorouracila atendem ao basocelular superficial, ao Bowen e ao campo de cancerização. A curetagem com eletrocoagulação resolve lesões pequenas de baixo risco fora de áreas pilosas, e não serve onde é preciso saber da margem. A radioterapia é opção curativa para quem não pode operar, e é considerada como adjuvante no espinocelular de alto risco — invasão perineural extensa, margem comprometida sem possibilidade de reabordagem, doença linfonodal.
No basocelular localmente avançado ou metastático sem indicação de cirurgia e de radioterapia, existe terapia-alvo oral: o vismodegibe, inibidor da via Hedgehog, de uso continuado enquanto houver resposta. A página do INCA já registrava que o produto é de alto custo e não está disponível no serviço público, e a régua brasileira se firmou em 2026: a Portaria SCTIE/MS nº 29, de 12 de junho de 2026, tornou pública a decisão de não incorporar o vismodegibe ao SUS para essa indicação. A justificativa divulgada foi a limitação da evidência de eficácia somada ao impacto econômico sobre a sustentabilidade do sistema — não a afirmação de que o medicamento não funciona.
O seguimento é parte do tratamento, porque quem teve um carcinoma de pele tende a fazer outro: o campo continua lá. No espinocelular de baixo risco, revisão a cada seis meses nos três primeiros anos e anual depois; no de alto risco, a cada quatro a seis meses nos três primeiros anos e anual em seguida. O INCA recomenda consulta anual com especialista e vigilância das lesões pré-malignas, pelo risco elevado de recidiva e de novos tumores.
Prevenção e a pergunta que a prova adora: rastrear ou não?
A resposta oficial brasileira é não. O INCA afirma que não há evidência científica de que o rastreamento do câncer de pele não melanoma na população em geral traga mais benefícios do que riscos e que, portanto, até o momento, ele não é recomendado — a mesma posição vale para o melanoma. Alternativa que propõe exame dermatológico periódico de toda a população, ou mutirão de rastreamento como política, contraria o documento nacional.
O que se recomenda é diagnóstico precoce, que é outra coisa: não se procura doença em quem não tem queixa, procura-se encurtar o tempo entre o aparecimento da lesão e a consulta. O gatilho é objetivo — qualquer lesão ou ferimento de pele sem resolução em 15 dias deve ser avaliado por especialista. Manchas que coçam, ardem, descamam ou sangram e feridas que não cicatrizam, principalmente em face, pescoço e orelhas, entram na mesma regra.
Vigilância de grupo de risco também não é rastreamento populacional, e a distinção derruba questão. Pessoas com história pessoal ou familiar do tumor, imunodeficiência, pele e olhos claros e história de queimaduras solares na infância podem se beneficiar de acompanhamento periódico com médico. A conduta é dirigida ao risco individual, não à população.
A prevenção primária continua sendo fotoproteção, com um braço ocupacional que raramente é lembrado. Para quem trabalha exposto ao sol, o INCA recomenda o uso adequado de equipamento de proteção individual — roupas de manga longa, luvas, chapéu, óculos de proteção e protetor solar — mais o cumprimento das normas de segurança. É a ponte entre a dermatologia e a Medicina do Trabalho: câncer de pele em trabalhador rural, pescador ou operário de construção tem exposição ocupacional documentável e cabe no raciocínio de nexo.
Da lesão à conduta: separar os dois tumores e estratificar o risco
A sequência é sempre a mesma e não tem atalho: descrever a lesão, confirmar na histologia, classificar o risco e só então escolher a técnica. A localização entra duas vezes — na hipótese diagnóstica e na definição da margem — porque a face é dividida em zonas de risco de recidiva.
- 1Lesão suspeita: ferida que não cicatriza em 15 dias, lesão que cresce, endurece, ulcera ou sangra em área fotoexposta
- 2Descrever: brilho perolado, telangiectasia e borda em rolete apontam para basocelular; superfície ceratósica, base endurecida e crescimento rápido apontam para espinocelular
- 3Palpar cadeias linfonodais de drenagem sempre que a hipótese for espinocelular
- 4Confirmar com histopatologia — o laudo tem de trazer subtipo, grau, espessura, invasão perineural e margens
- 5Classificar em baixo ou alto risco pela soma de tamanho, local, subtipo, histologia e imunossupressão
- 6Escolher a técnica: excisão com margem definida pela zona e pelo risco; Mohs nas situações de alto risco; alternativas não cirúrgicas só nos subtipos em que estão indicadas
- 7Programar o seguimento e tratar o campo de cancerização remanescente
Zona L — tronco e extremidades (exceto pré-tibial, mãos e pés)
Menor risco de recidiva. Basocelular não agressivo com menos de 20 mm nessa zona é excisado com margem de 4 mm.
Zona M — fronte, couro cabeludo, pescoço, região pré-tibial
Risco intermediário. Basocelular não agressivo nessa zona já pede margem de 5 mm.
Zona H — máscara central da face, pálpebras, nariz, lábios, orelhas, região periorbitária
Maior risco de recidiva e de destruição local. Margem de 5 mm no não agressivo, mais de 5 mm no agressivo, e é a zona onde a cirurgia micrográfica de Mohs mais se justifica.
| Carcinoma basocelular | Carcinoma espinocelular | |
|---|---|---|
| Proporção entre os não melanoma | Cerca de 80% | Cerca de 20% |
| Lesão típica | Pápula ou nódulo perolado, translúcido, com telangiectasias e borda em rolete; crosta central que sai e volta | Lesão ceratósica de base endurecida, que ulcera, dói e sangra |
| Velocidade | Anos | Semanas a meses |
| Sítios preferenciais | Dois terços superiores da face: nariz, região periorbitária, fronte, orelha | Lábio inferior, orelha, dorso das mãos, couro cabeludo calvo |
| Lesão precursora ou terreno | Pele fotoexposta, sem precursor definido | Ceratose actínica, doença de Bowen, cicatriz de queimadura, úlcera crônica, área irradiada |
| Metástase | Excepcional; a morbidade é local e pode destruir nariz, pálpebra e órbita | Dissemina por via linfática para a cadeia regional |
| Exame de linfonodos | Não faz parte da avaliação de rotina | Obrigatório em toda avaliação |
| Estadiamento | Raramente estadiado | TNM (AJCC 8ª edição), sobretudo em cabeça e pescoço |
Carcinoma espinocelular: baixo risco × alto risco
| Critério | Baixo risco | Alto risco |
|---|---|---|
| Diâmetro | Menor que 2 cm | 2 cm ou mais |
| Espessura e profundidade | Superficial, limitado à derme | Mais de 6 mm ou invasão além da gordura subcutânea |
| Localização | Tronco e extremidades | Lábio, orelha, máscara central da face |
| Histologia | Bem diferenciado, sem invasão perineural | Pouco diferenciado ou com invasão perineural ou linfovascular |
| História da lesão | Primária, sobre pele fotoexposta | Recidivada, ou sobre cicatriz, úlcera crônica ou área irradiada |
| Hospedeiro | Imunocompetente | Imunossuprimido, sobretudo transplantado de órgão sólido |
| Consequência prática | Excisão com margem de 4 mm; seguimento semestral por 3 anos e anual depois | Margem de 6 mm ou Mohs, avaliação linfonodal, radioterapia adjuvante em situações selecionadas; seguimento a cada 4 a 6 meses por 3 anos |
Margens de referência e quando fugir da excisão simples
| Situação | Conduta de referência |
|---|---|
| Basocelular não agressivo, zona L, menor que 20 mm | Excisão com margem de 4 mm |
| Basocelular não agressivo, zona H ou M | Excisão com margem de 5 mm |
| Basocelular de subtipo agressivo em zona H ou M | Excisão com margem maior que 5 mm ou cirurgia micrográfica de Mohs |
| Basocelular recidivado, mal delimitado ou esclerodermiforme | Cirurgia micrográfica de Mohs quando disponível |
| Basocelular superficial ou nodular sem indicação cirúrgica | Terapia fotodinâmica pelo Protocolo de Uso do Ministério da Saúde, criocirurgia ou imiquimode |
| Espinocelular de baixo risco | Excisão com margem de 4 mm |
| Espinocelular de alto risco | Excisão com margem de 6 mm ou Mohs, com avaliação da cadeia linfonodal |
| Paciente sem condição cirúrgica | Radioterapia com intenção curativa |
| Basocelular localmente avançado ou metastático sem cirurgia nem radioterapia possíveis | Terapia-alvo com vismodegibe existe, mas está fora do SUS desde a decisão de junho de 2026 |
As margens de 4 mm e 5 mm por zona vêm da série brasileira de 769 basocelulares publicada nos Anais Brasileiros de Dermatologia em 2023, que aplica a estratificação da NCCN 2022.
Margem comprometida no laudo não obriga automaticamente à reexcisão: na mesma série, a decisão levou em conta localização, tamanho, subtipo, tumores prévios e condição clínica do paciente, e a reexcisão foi feita em 18,9% dos casos.
Zona L não inclui mãos, pés e região pré-tibial — essas áreas sobem de categoria.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Conitec, 2020: não recomendar a incorporação
Na 85ª Reunião Ordinária, os membros deliberaram por unanimidade não recomendar a incorporação da terapia fotodinâmica ao SUS como alternativa à cirurgia. O recorte avaliado era esse: substituir a cirurgia, que é o padrão por permitir controle histopatológico da peça.
Conitec — 85ª Reunião Ordinária, 2020
Conitec, 2023: incorporar, com indicação delimitada por subtipo
Na 120ª Reunião Ordinária, de 28 de junho de 2023, a deliberação foi unânime pela incorporação para carcinoma basocelular nodular e superficial, conforme Protocolo de Uso; a Portaria SECTICS/MS nº 46, de 5 de setembro de 2023, tornou pública a decisão, com prazo de 180 dias para efetivar a oferta. Pesaram ensaios clínicos brasileiros com índice de cura em torno de 90% e taxas mínimas de recidiva, e o fato de a tecnologia entrar como opção para casos em que a intervenção cirúrgica não é recomendada — não como substituta universal da cirurgia.
Portaria SECTICS/MS nº 46, de 5/9/2023, e Relatório de Recomendação nº 835 da Conitec
Na prova
O que separa as duas posições é a data e o recorte da pergunta. Enunciado ambientado antes de setembro de 2023, ou que pergunte se a fotodinâmica substitui a cirurgia como tratamento padrão, opera na régua de 2020. Enunciado que cite o Protocolo de Uso do Ministério da Saúde, que fale em oferta no SUS ou que descreva paciente sem condição cirúrgica opera na régua de 2023. Repare também no subtipo escrito na vinheta: as alternativas que oferecem fotodinâmica para basocelular esclerodermiforme ou para espinocelular invasivo estão fora da indicação incorporada, e essa escolha de subtipo costuma ser o que a questão está testando.
Terapia-alvo como opção no basocelular avançado — literatura internacional e a descrição do próprio INCA
Para basocelular localmente avançado ou metastático existe terapia-alvo oral inibidora da via Hedgehog. A página do INCA para profissionais descreve o vismodegibe como medicamento que apresenta excelentes resultados durante o seu uso, com a ressalva de que o uso deve ser mantido por toda a vida e de que o produto é de alto custo.
INCA — Câncer de pele não melanoma, versão para profissionais de saúde
Fora do SUS — decisão da Conitec de 2026
A Portaria SCTIE/MS nº 29, de 12 de junho de 2026, tornou pública a decisão de não incorporar o vismodegibe ao SUS para pacientes com carcinoma basocelular localmente avançado ou metastático. A justificativa divulgada combina limitação da evidência de eficácia e impacto econômico sobre a sustentabilidade do sistema. A causa do afastamento é econômico-regulatória e de qualidade da evidência disponível, não uma afirmação de que o medicamento seja ineficaz.
Portaria SCTIE/MS nº 29, de 12/6/2026, e relatório de recomendação da Conitec
Na prova
O cenário denuncia a régua. Vinheta de unidade básica, de rede pública ou pergunta redigida como 'conduta disponível no SUS' pede o corpo brasileiro, em que a saída para o tumor irressecável é radioterapia e discussão em serviço de referência. Vinheta de centro terciário, de estado da arte ou que cite explicitamente a via Hedgehog pede o corpo farmacológico internacional. Prova oficial do MEC tende a conduta SUS; em outras bancas, olhe as alternativas — se nenhuma outra opção de tratamento sistêmico aparece na lista, a questão provavelmente está testando o reconhecimento do fármaco, e não a política de incorporação.
Caso resolvido
- achado que fecha o quadro
- Brilho perolado, borda em rolete e telangiectasias sobre a lesão, em área cronicamente fotoexposta de um trabalhador rural, com evolução arrastada de um ano. É a descrição do carcinoma basocelular.
- o que não está aqui
- Não há endurecimento da base, crescimento rápido nem linfonodo palpável — os elementos que apontariam para espinocelular. E não há assimetria, bordas irregulares e policromia que sustentariam melanoma. A ausência desses dados é parte do diagnóstico.
- próximo passo
- Biópsia para confirmação histológica e definição do subtipo. O subtipo não é detalhe acadêmico: ele decide a margem e libera ou barra as opções não cirúrgicas.
- estratificação
- A asa nasal é zona H. Com 9 mm, o tumor está abaixo dos 20 mm; se o laudo vier nodular, é um basocelular não agressivo em zona H.
- tratamento
- Excisão cirúrgica com margem de 5 mm e controle histopatológico. Se o laudo mostrar subtipo esclerodermiforme ou infiltrativo, a margem passa de 5 mm e a cirurgia micrográfica de Mohs se torna a melhor escolha onde estiver disponível, pela combinação de zona H com subtipo agressivo.
- seguimento
- Consulta anual com especialista, avaliação de toda a superfície fotoexposta e tratamento das ceratoses actínicas que restarem. Quem teve um carcinoma de pele tem risco alto de fazer outro, porque o campo danificado continua no lugar.
- prevenção
- Orientação de fotoproteção com braço ocupacional: manga longa, chapéu de aba larga, óculos e protetor solar durante o trabalho no campo, além do cumprimento das normas de segurança.
Agora feche você
- achado
- Lesão ceratósica ulcerada, de base endurecida, no lábio inferior de uma paciente com exposição solar ocupacional crônica e tabagismo — carcinoma espinocelular até prova em contrário. As máculas ásperas espalhadas pela face são ceratoses actínicas: o campo de cancerização de onde a lesão saiu.
- estratificação de risco
- …
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Tratar a lesão com criocirurgia ou fotodinâmica sem biópsia prévia Atrai porque a lesão 'é claramente um basocelular' e o método parece pouco invasivo. Só que a indicação incorporada ao SUS é por subtipo — superficial e nodular —, e subtipo se determina na lâmina, não no olho. Método destrutivo sem histologia apaga a lesão e a informação que decidiria a conduta.
- 2Tratar basocelular como se fosse lesão benigna porque 'não dá metástase' A frase é verdadeira e a conclusão é falsa. A morbidade do basocelular é local: o ulcus rodens destrói asa nasal, pálpebra, cartilagem e órbita, e o subtipo esclerodermiforme se estende muito além da borda visível. Ele exige margem, controle histopatológico e seguimento como qualquer carcinoma.
- 3Aplicar a regra do ABCDE ao basocelular pigmentado A vinheta descreve lesão escura na face e o aluno dispara o algoritmo do melanoma. O que separa é o resto da descrição: brilho perolado, translucidez e telangiectasias na superfície pertencem ao basocelular. O ABCDE é ferramenta para lesão melanocítica, não senha para qualquer lesão pigmentada.
- 4Não examinar as cadeias linfonodais no espinocelular Erro de omissão, difícil de perceber na hora. Como o basocelular não metastatiza, o aluno generaliza para os dois tumores. O espinocelular dissemina por via linfática, e linfonodo endurecido no território de drenagem é estadiamento, não achado incidental.
- 5Ler 'úlcera crônica de perna' ou 'cicatriz de queimadura' como comorbidade e não como diagnóstico A banca coloca a queimadura de 30 anos atrás no antecedente, longe da descrição da lesão. Carcinoma sobre cicatriz de queimadura ou úlcera crônica é a úlcera de Marjolin: espinocelular, com prognóstico pior que o do espinocelular comum.
- 6Propor rastreamento populacional de câncer de pele Soa responsável e contraria o documento nacional: o INCA afirma que não há evidência de que o rastreamento na população geral traga mais benefício do que risco e que ele não é recomendado. A resposta é diagnóstico precoce — lesão sem resolução em 15 dias vai ao especialista — mais acompanhamento dirigido a quem tem risco individual aumentado.
- 7Tratar a ceratose actínica lesão a lesão e ignorar o campo Congelar as três lesões mais visíveis resolve o que se vê e deixa o terreno intacto. Quando a área está salpicada de ceratoses, o alvo é o campo de cancerização, com tratamento de campo: 5-fluorouracila tópica, imiquimode ou terapia fotodinâmica.
- 8Oferecer vismodegibe como conduta de rotina no basocelular avançado do paciente do SUS O medicamento existe, tem indicação descrita e é lembrado com facilidade. A régua brasileira, porém, é explícita: a Portaria SCTIE/MS nº 29, de 12 de junho de 2026, tornou pública a decisão de não incorporá-lo ao SUS para o basocelular localmente avançado ou metastático.
A pápula perolada com telangiectasias, brilho e ulceração central em área fotoexposta, de crescimento lento, é a apresentação clássica do carcinoma basocelular (o câncer de pele mais comum). Melanoma nodular tende a ser pigmentado, de crescimento rápido e sem aspecto perolado. Ceratose seborreica é lesão marrom, verrucosa e com aspecto 'colado'. Molusco contagioso são pápulas umbilicadas, múltiplas, em jovens/imunossuprimidos. Granuloma piogênico é lesão vascular vermelha, friável e de crescimento rápido, geralmente após trauma.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Homem de 55 anos, agricultor, apresenta há 8 meses lesão nodular ulcerada de bordas infiltradas no dorso do nariz, com crescimento lento, telangiectasias na superfície e bordas peroladas. Nega dor e não há linfonodos palpáveis. A dermatoscopia evidencia telangiectasias arboriformes e ninhos ovoides azul-acinzentados. Qual é o achado histopatológico esperado e o comportamento biológico típico da lesão?
A lesão descrita (nódulo perolado com telangiectasias, dermatoscopia com telangiectasias arboriformes e ninhos ovoides azul-acinzentados) é carcinoma basocelular, cuja histologia mostra ninhos de células basaloides com paliçada periférica e fenda de retração do estroma; é localmente invasivo mas metastatiza raramente. Queratinócitos atípicos com pérolas córneas e potencial metastático correspondem ao carcinoma espinocelular. Melanócitos atípicos juncionais com metástase precoce descrevem melanoma. Células de Langerhans referem-se à histiocitose. Granulomas com necrose caseosa correspondem a tuberculose/infecção, não a neoplasia epitelial.
Homem de 60 anos, tabagista e etilista de longa data, procura a UBS por lesão ulcerada em borda lateral de língua há 2 meses, indolor no início, agora dolorosa, que não cicatriza. Ao exame, úlcera de bordas endurecidas e fundo infiltrativo de cerca de 2 cm, além de linfonodo cervical endurecido e fixo em nível II à direita. Assinale a hipótese diagnóstica mais provável e a conduta inicial, respectivamente.
Lesão ulcerada crônica (>2 semanas), de bordas endurecidas, que não cicatriza, em borda lateral de língua de homem tabagista e etilista, com linfonodo cervical endurecido e fixo, é altamente suspeita de carcinoma espinocelular de cavidade oral. A conduta é biópsia da lesão para confirmação e encaminhamento a serviço de referência. Afta é autolimitada e não gera adenopatia fixa. O cancro sifilítico é indolor e autolimitado, sem esse padrão infiltrativo com linfonodo pétreo. Candidíase forma placas removíveis, não úlcera endurecida infiltrativa.
Homem de 60 anos, agricultor com histórico de longa exposição solar sem proteção, procura a UBS por uma lesão na face que não cicatriza há cerca de oito meses. Ao exame, observa-se, na asa nasal, uma pápula perolada de coloração rósea, com bordas elevadas e brilhantes, telangiectasias na superfície e uma pequena ulceração central com crosta. A lesão é indolor, de crescimento lento, e não há linfadenopatia palpável. Nega perda de peso ou outras lesões. Considerando o diagnóstico mais provável e a conduta mais adequada, respectivamente, qual é a alternativa correta?
Pápula perolada com telangiectasias, bordas elevadas brilhantes e ulceração central de crescimento lento em área fotoexposta de idoso é o quadro clássico do carcinoma basocelular; a conduta é a exérese cirúrgica com confirmação anatomopatológica. A ceratose seborreica tem aspecto verrucoso 'colado' e não ulcera de forma perolada. O melanoma é uma lesão pigmentada assimétrica (regra ABCDE) e jamais se trata com corticoide. O herpes zoster cursa com vesículas dolorosas em faixa (dermátomo), de curso agudo, não uma lesão indolor persistente por meses.
Um homem de 62 anos, pescador aposentado, de pele clara, comparece ao ambulatório referindo uma 'ferida que não cicatriza' no dorso do nariz há cerca de 8 meses. Nega dor. Relata décadas de exposição solar sem proteção. Ao exame dermatológico, identifica-se uma pápula perolada, com bordas elevadas e translúcidas, telangiectasias na superfície e uma pequena ulceração central com crosta, medindo cerca de 8 mm. Não há linfonodomegalia cervical palpável. As demais áreas fotoexpostas apresentam elastose e ceratoses actínicas. Considerando o quadro, assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, a hipótese diagnóstica mais provável e a conduta adequada.
Pápula perolada, translúcida, com telangiectasias e ulceração central em área cronicamente fotoexposta de idoso de pele clara é a apresentação clássica do carcinoma basocelular, o câncer de pele mais frequente. A conduta correta é confirmar histologicamente (biópsia) e tratar com exérese cirúrgica, que é curativa na maioria dos casos por ter baixo potencial metastático. Ceratose seborreica é placa 'colada', verrucosa, acastanhada, sem brilho perolado ou telangiectasias, e não ulcera progressivamente. Melanoma nodular é lesão pigmentada/enegrecida de crescimento rápido, não perolada, e nunca se inicia imunoterapia sem diagnóstico histológico. Leishmaniose causa úlcera de bordas elevadas 'em moldura', mas o aspecto perolado com telangiectasias e o contexto de dano actínico apontam para CBC.
Homem, 68 anos, agricultor, com histórico de longa exposição solar cumulativa, procura atendimento por lesão em região malar direita com cerca de 8 meses de evolução e crescimento lento. Ao exame, observa-se pápula perolada de 6 mm, com bordas elevadas e brilhantes, telangiectasias na superfície e discreta depressão central com crosta. Nega dor, prurido ou sangramento espontâneo relevante. Não há linfonodos palpáveis. A dermatoscopia evidencia estruturas arboriformes (vasos ramificados) e ninhos ovoides azul-acinzentados. Qual é o diagnóstico mais provável?
Correta: a combinação de pápula perolada com bordas elevadas e brilhantes, telangiectasias, crescimento lento em área fotoexposta, associada aos vasos arboriformes e ninhos ovoides azul-acinzentados na dermatoscopia, é o quadro classico do carcinoma basocelular nodular (subtipo mais comum). O espinocelular tende a ser mais ceratótico/ulcerado, de crescimento mais rápido e sem o aspecto perolado com vasos arboriformes. O melanoma amelanótico não apresenta o padrão vascular arboriforme típico nem os ninhos ovoides do CBC; costuma ter vasos polimórficos/pontilhados. A ceratose actínica é máculo-pápula eritematodescamativa áspera, sem borda perolada nem vasos arboriformes. O queratoacantoma é nódulo de crescimento rápido (semanas) com cratera central ceratótica, não perolado com telangiectasias.
Mulher, 72 anos, pele clara (fototipo II), com múltiplos sinais de fotoenvelhecimento, apresenta lesão nodular endurecida e ulcerada de 1,5 cm no dorso da mão esquerda, com bordas evertidas e base infiltrada, surgida sobre área de ceratose actínica prévia, com crescimento em cerca de 3 meses. Qual é o diagnóstico mais provável?
Correta: Nódulo endurecido, ulcerado, de bordas evertidas e base infiltrada, surgindo sobre ceratose actínica (lesão precursora) em área fotoexposta de idoso, com crescimento relativamente rápido, é o quadro típico do carcinoma espinocelular. O CBC superficial é placa eritematosa fina com borda perolada, não nódulo ulcerado infiltrado, e raramente surge sobre ceratose actínica. A dermatite de contato causa eritema/vesículas/descamação pruriginosa, sem nódulo endurecido infiltrativo. A verruga vulgar é pápula ceratótica de superfície verrucosa, sem infiltração/ulceração maligna. O granuloma piogênico é lesão vascular friável de crescimento rápido que sangra facilmente, sem base infiltrada endurecida.
Homem, 60 anos, transplantado renal em uso crônico de imunossupressores, apresenta carcinoma espinocelular no lábio inferior. Ao exame, a lesão mede 2,5 cm de diâmetro, é ulcerada e à palpação nota-se linfonodo submandibular ipsilateral aumentado e endurecido. A biópsia confirma CEC pouco diferenciado com invasão perineural. Diante desse quadro, qual característica é a que MAIS aumenta o risco de comportamento agressivo e metástase neste paciente?
Correta: Fatores de alto risco no CEC incluem localização em lábio/orelha, invasão perineural, baixa diferenciação, diâmetro >2 cm, espessura/profundidade aumentada e imunossupressão (como no transplantado). A combinação lábio + invasão perineural + imunossupressão configura alto risco de recorrência e metástase, corroborado pela linfonodomegalia. Lesões <2 cm são de MENOR risco; além disso a lesão descrita mede 2,5 cm. Coloração perolada com telangiectasias e bordas perladas são características do carcinoma basocelular, não do CEC, e o CBC quase nunca metastatiza. Crescimento lento fala a favor de benignidade/baixo risco, o oposto do comportamento agressivo em questão.
Homem, 68 anos, agricultor, com longa história de exposição solar, procura atendimento por lesão em face que cresce lentamente há cerca de 1 ano. Ao exame, observa-se pápula perolada de 8 mm na asa nasal, com bordas elevadas e translúcidas, telangiectasias na superfície e uma pequena crosta central. Nega dor, sangramento espontâneo importante ou crescimento rápido. Não há linfonodos palpáveis. Qual é o diagnóstico mais provável?
Correta: a lesão clássica do carcinoma basocelular (CBC) é a pápula/nódulo perolado com bordas elevadas e translúcidas, telangiectasias superficiais e crescimento lento, em áreas fotoexpostas de idosos — exatamente o quadro descrito. É o câncer de pele mais comum e raramente metastatiza. O carcinoma espinocelular costuma ser lesão hiperceratótica/ulcerada de crescimento mais rápido, sem o aspecto perolado nem as telangiectasias características. O melanoma nodular é lesão pigmentada, de crescimento rápido, sem borda perolada. A ceratose actínica é lesão pré-maligna, áspera/descamativa (sensação de lixa), sem nódulo perolado. O ceratoacantoma é nódulo de crescimento rápido (semanas) com cratera central de queratina, evolução distinta da descrita.
Homem, 74 anos, pescador, com múltiplas ceratoses actínicas prévias, apresenta lesão no lábio inferior com 1,5 cm, ulcerada, de bordas endurecidas e infiltrativas, evoluindo há 4 meses. A biópsia confirma carcinoma espinocelular (CEC) invasivo. Ao exame físico cuidadoso da região cervical, palpa-se linfonodo submandibular de 2 cm, endurecido e móvel, ipsilateral à lesão. Diante desse achado, qual é a conduta mais adequada?
Correta: o CEC de lábio/pele com linfonodo regional clinicamente positivo (palpável, endurecido, ipsilateral) exige tratamento da doença metastática regional — ressecção da lesão primária com margens adequadas ASSOCIADA a esvaziamento cervical terapêutico da cadeia acometida (com ou sem adjuvância). O CEC labial é o tumor labial mais comum e tem potencial metastático linfático relevante, ao contrário do CBC. Ignorar um linfonodo clinicamente suspeito e apenas observar subtrata a doença regional. O linfonodo sentinela se aplica a cadeia clinicamente NEGATIVA; com linfonodo já palpável/suspeito, a indicação é esvaziamento terapêutico, não sentinela. Radioterapia exclusiva da primária deixa a doença cervical sem tratamento e não é a estratégia de escolha para linfonodo macroscópico ressecável. Postergar a cirurgia com antibiótico assume inflamação como causa e atrasa o tratamento de uma metástase provável em linfonodo com características francamente neoplásicas.
Homem, 68 anos, agricultor, com longa história de exposição solar, procura atendimento por lesão na asa nasal direita com crescimento lento ao longo de 14 meses. Ao exame, observa-se pápula perolada de 8 mm, com telangiectasias na superfície e bordas elevadas com depressão ulcerada central, sem dor nem sangramento espontâneo. Não há linfonodomegalia cervical palpável. A hipótese diagnóstica mais provável é carcinoma basocelular. Qual é a conduta mais adequada como próximo passo?
Correta: Diante de lesão clinicamente sugestiva de carcinoma basocelular (pápula perolada, telangiectasias, borda em rolete com ulceração central), a confirmação histológica por biópsia é o passo que precede e orienta a escolha do tratamento (excisão, cirurgia de Mohs, etc.). Margem de 2 cm é regra para melanoma, não para CBC (que usa cerca de 4 mm), e excisar sem diagnóstico é inadequado. Crioterapia empírica trata sem confirmar e é reservada a lesões superficiais selecionadas já diagnosticadas. 5-FU tópico não é adequado para CBC nodular ulcerado. Conduta expectante é inadequada frente a lesão suspeita de malignidade.
Mulher, 74 anos, pele clara, com múltiplas lesões ceratósicas ásperas e eritematosas no dorso das mãos e na face (queratoses actínicas) decorrentes de dano solar crônico. Uma dessas lesões, no dorso da mão direita, evoluiu nos últimos dois meses para nódulo ceratósico endurecido, com superfície ulcerada e crosta aderente. Qual é a neoplasia cutânea mais frequentemente originada a partir dessa lesão precursora (queratose actínica)?
Correta: a queratose actínica é a lesão precursora clássica do carcinoma espinocelular (CEC); a evolução para nódulo ceratósico ulcerado e endurecido sobre uma queratose actínica sugere transformação para CEC invasivo. O carcinoma basocelular relaciona-se à exposição solar, mas não deriva de queratose actínica. O melanoma origina-se de melanócitos, não de queratose actínica. Dermatofibrossarcoma e linfoma cutâneo têm origem e apresentação distintas, sem relação com queratose actínica.
Homem, 62 anos, tabagista de longa data e trabalhador rural, apresenta lesão no lábio inferior com cerca de 3 meses de evolução: úlcera de bordas endurecidas e infiltradas, com base ceratótica, que não cicatriza. Refere sangramento ocasional ao toque. À palpação cervical, nota-se linfonodo submandibular de 1,5 cm, endurecido e móvel. A biópsia confirmou carcinoma espinocelular invasivo. Em relação a esse tumor, qual característica o distingue clinicamente do carcinoma basocelular e justifica a avaliação dos linfonodos regionais?
Correta: Diferentemente do carcinoma basocelular, cujas metástases são raríssimas, o carcinoma espinocelular tem potencial real de disseminação linfática regional, maior em sítios como lábio e orelha e em lesões grandes ou mal diferenciadas; por isso a linfonodomegalia endurecida exige investigação. Ambos podem ulcerar. O CEC também tem forte associação com exposição solar crônica (e ao tabaco, no lábio). Idade avançada é típica de ambos. O CEC costuma ser ceratótico/ulcerado e não pigmentado; pigmentação não é seu traço distintivo.
Homem, 70 anos, pescador aposentado, procura atendimento por lesão de crescimento lento há cerca de 2 anos na asa nasal. Ao exame: pápula perlácea, brilhante, com telangiectasias sobre a superfície, bordas elevadas e enroladas, apresentando pequena ulceração central que sangra ao toque. Não há linfonodomegalia cervical. Considerando o diagnóstico mais provável, qual é a melhor conduta terapêutica?
Correta: o quadro (pápula perlácea, telangiectasias, borda perolada enrolada e ulceração central) é típico de carcinoma basocelular. Localizado na asa nasal — parte da zona H/máscara facial, de alto risco de recidiva e com limitação de tecido — a cirurgia micrográfica de Mohs é a técnica de escolha, por permitir controle histológico completo das margens preservando tecido. Excisão com 4 mm é adequada para CBC de baixo risco em áreas de baixo risco, não na asa nasal. Curetagem/eletrocoagulação não é recomendada em áreas de alto risco nem em lesões com margens indefinidas. Radioterapia é reservada a pacientes sem condição cirúrgica ou como adjuvante, não primeira linha aqui. Imiquimode só se aplica a CBC superficial de baixo risco, não a lesão nodular ulcerada em zona H.
Mulher, 67 anos, de pele clara e história de exposição solar crônica, apresenta na asa nasal uma lesão perolada, de crescimento lento ao longo de 2 anos, com bordas elevadas, brilho translúcido, telangiectasias na superfície e uma pequena ulceração central que sangra ao toque. Não há linfonodos palpáveis. Qual é o diagnóstico mais provável?
Correta: a lesão perolada, translúcida, com bordas elevadas, telangiectasias e ulceração central ('úlcera roedora') em área fotoexposta do idoso é a descrição clássica do carcinoma basocelular, o câncer de pele mais comum, de crescimento lento e baixo potencial metastático. O espinocelular costuma ser mais ceratósico/endurecido, de crescimento mais rápido e com maior risco de metástase, sem o aspecto perolado translúcido. O melanoma nodular é pigmentado (enegrecido/azulado) e de crescimento rápido, não perolado. A ceratose actínica é uma lesão pré-maligna, áspera/descamativa, sem borda perolada nem ulceração. O queratoacantoma cresce rapidamente em semanas com cratera central ceratósica, diferente do curso lento e do aspecto perolado descrito.
Um homem de 67 anos, agricultor aposentado, procura a unidade de saúde da família por uma ferida no lábio inferior que não cicatriza há cerca de sete meses. Refere exposição solar diária por décadas, tabagismo de 40 anos-maço e etilismo social. Ao exame, o vermelhão do lábio inferior mostra-se difusamente esbranquiçado, ressecado e com perda do limite cutâneo-mucoso; sobre essa área há lesão ulcerada de 1,5 cm, de bordas elevadas e endurecidas, fundo granuloso, com base infiltrada à palpação. Palpa-se linfonodo submandibular esquerdo de 1,5 cm, endurecido e móvel. Restante do exame sem alterações.
O quadro é típico de carcinoma espinocelular (CEC) de lábio inferior surgindo sobre queilite actínica (lesão precursora: vermelhão esbranquiçado, ressecado, com apagamento do limite cutâneo-mucoso) em paciente com os fatores de risco clássicos — exposição solar crônica, tabagismo e etilismo. A úlcera crônica de bordas elevadas e base infiltrada exige biópsia para confirmação, e o linfonodo submandibular endurecido deve ser investigado, pois o CEC de lábio tem potencial de metástase linfática (ao contrário do basocelular); o tratamento é cirúrgico, com margens e abordagem do pescoço conforme o estadiamento. O carcinoma basocelular é praticamente inexistente no vermelhão labial (origina-se de pele com folículos pilosos), não gera metástase linfonodal, e a criocirurgia não seria adequada para lesão infiltrada e sem diagnóstico histológico. O ceratoacantoma tem crescimento rápido em semanas com cratera central córnea e não cursa com linfonodo endurecido; além disso, aguardar involução em lesão indistinguível do CEC é inaceitável. O cancro sifilítico é indolor, de base limpa e endurecida, resolve-se espontaneamente em 3 a 6 semanas, não persistindo por sete meses.
Homem de 68 anos, lavrador, procura a unidade básica de saúde por ferida no lábio inferior que não cicatriza há 8 meses. Nega dor importante, mas relata sangramento ao alimentar-se. É tabagista (40 anos-maço) e trabalhou a vida toda sob sol, sem proteção. Ao exame: lesão ulcerada de 2 cm no vermelhão do lábio inferior, com bordas elevadas e endurecidas, base infiltrada, circundada por área de mucosa esbranquiçada, atrófica e com apagamento do limite cutâneo-mucoso. Palpa-se linfonodo submandibular ipsilateral de 1,5 cm, endurecido e pouco móvel. Considerando o quadro, o diagnóstico mais provável e a conduta são, respectivamente,
Lesão ulcerada, infiltrada e de bordas endurecidas no vermelhão do lábio inferior, em lavrador tabagista com queilite actínica de base (mucosa atrófica, apagamento do limite cutâneo-mucoso), é carcinoma espinocelular até prova em contrário; o linfonodo endurecido e pouco móvel sugere disseminação regional, o que exige confirmação histopatológica e encaminhamento para tratamento cirúrgico com estadiamento e abordagem linfonodal. O carcinoma basocelular praticamente não acomete o vermelhão labial (surge em pele com folículos pilosos) e raramente metastatiza — não explica a linfonodomegalia; além disso, lesão desse porte não deve ser excidida na atenção básica com margem de 4 mm. Tratar como queilite actínica, com crioterapia, fotoproteção labial e reavaliação em 6 meses, também não serve: a queilite é a lesão precursora presente ao redor, mas a úlcera infiltrada com linfonodo representa transformação maligna — postergar 6 meses é erro grave. A leishmaniose tegumentar é diferencial de úlcera crônica no Brasil, porém a úlcera leishmaniótica tem fundo granuloso e bordas em moldura, sem o contexto de dano actínico crônico, e não justifica dispensar a biópsia.
Homem de 65 anos, pescador, comparece à unidade de saúde da família por lesão na asa nasal direita, que cresce muito lentamente há cerca de 2 anos. Relata que a lesão às vezes forma crosta, sangra discretamente e volta a cicatrizar. Nega dor, emagrecimento ou febre. Tem pele clara, olhos azuis e história de exposição solar ocupacional intensa, sem uso de proteção. Ao exame: pápula de 8 mm, de aspecto perolado e brilhante, com telangiectasias na superfície, bordas elevadas e discreta depressão ulcerada central. Não há linfonodos cervicais ou submandibulares palpáveis. Restante do exame físico sem alterações. O diagnóstico mais provável é
O quadro é o retrato clássico do carcinoma basocelular nodular: pápula perolada, brilhante, com telangiectasias, borda elevada e ulceração central ("úlcera roedora"), em área fotoexposta da face (asa nasal) de pessoa de pele clara com exposição solar crônica, evolução arrastada em anos e sem linfonodomegalia — é o câncer de pele mais frequente e de baixíssimo potencial metastático. O carcinoma espinocelular costuma ser mais rápido, com lesão ceratósica/ulcerada de base infiltrada e maior risco de acometimento linfonodal. O melanoma nodular é lesão pigmentada, de crescimento rápido em meses, frequentemente enegrecida e simétrica, sem brilho perolado e telangiectasias. A ceratose seborreica é benigna, com aspecto "colado", superfície verrucosa e untuosa, sem ulceração central nem telangiectasias arboriformes. A confirmação é histopatológica, e o tratamento padrão é a excisão cirúrgica com margens.
Um homem de 67 anos, agricultor há 40 anos, comparece à unidade básica de saúde queixando-se de uma "ferida que não cicatriza" no dorso da mão direita, notada há cerca de 4 meses e com crescimento progressivo nas últimas semanas. Nega dor importante, refere sangramento ocasional aos pequenos traumas e uso irregular de proteção solar. Ao exame, observa-se lesão de 2 cm, hiperceratótica, com ulceração central, bordas elevadas e base endurecida/infiltrada à palpação. A pele adjacente é fotolesada, com múltiplas máculas eritematosas ásperas compatíveis com ceratoses actínicas e efélides. Não há linfonodos palpáveis em região epitroclear ou axilar. O paciente não apresenta comorbidades e não faz uso de medicações. Quais são, respectivamente, o diagnóstico mais provável e a conduta adequada?
A tríade lesão hiperceratótica ulcerada + base endurecida/infiltrada + crescimento rápido em pele cronicamente fotoexposta com ceratoses actínicas, em trabalhador rural, caracteriza carcinoma espinocelular (CEC). Como o CEC tem potencial de invasão local e de metástase linfática, a conduta padronizada é confirmação histopatológica e tratamento cirúrgico com margens, com encaminhamento a serviço de referência. Ceratose actínica é lesão precursora, plana/áspera, sem infiltração ou ulceração — a indução/ulceração e a base endurecida indicam progressão e contraindicam tratar às cegas com crioterapia. Ceratoacantoma pode regredir, mas é clinicamente indistinguível do CEC bem diferenciado, e conduta expectante por seis meses é inaceitável. Carcinoma basocelular superficial é placa eritematosa com borda perolada, sem hiperceratose infiltrada, e imiquimode não se aplica a lesão infiltrativa não diagnosticada.
Um homem de 58 anos procura a unidade de saúde da família por uma úlcera na face lateral da perna esquerda, presente há 8 meses, sobre uma cicatriz retrátil de queimadura sofrida na infância. Relata que a lesão surgiu após trauma leve e não cicatriza apesar de curativos regulares e de dois cursos de cefalexina. Ao exame, úlcera de 4 cm, fundo vegetante e sujo, com odor fétido, bordas elevadas, evertidas e endurecidas, sangrantes ao toque. Pulsos pediosos presentes e simétricos; ausência de varizes, edema ou dermatite ocre. Nunca residiu em área rural ou de mata. Palpa-se linfonodo inguinal esquerdo de 1,5 cm, endurecido. Quais são, respectivamente, a hipótese diagnóstica e a conduta inicial?
Úlcera crônica que não cicatriza sobre cicatriz de queimadura antiga, com bordas evertidas e endurecidas, fundo vegetante e linfonodo regional endurecido, é a apresentação clássica da úlcera de Marjolin — carcinoma espinocelular surgido em cicatriz/inflamação crônica. A conduta obrigatória é a biópsia incisional da borda da lesão para confirmação histopatológica antes de qualquer tratamento definitivo, com encaminhamento a serviço de referência. Úlcera venosa está afastada pela ausência de varizes, edema e dermatite ocre e por bordas não evertidas. Leishmaniose tegumentar cursa com úlcera de bordas em moldura, mas exige exposição em área endêmica, negada aqui, e não explica a cicatriz prévia. Osteomielite fistulizada produz orifício com drenagem purulenta, não lesão vegetante de bordas endurecidas.
Uma mulher de 72 anos, aposentada, ex-lavradora, comparece à unidade básica de saúde acompanhada da filha, que insistiu na consulta por causa de uma "pinta que virou ferida" na asa nasal direita. A paciente refere que a lesão surgiu há cerca de dois anos como pequena elevação brilhante, cresceu muito lentamente e passou a apresentar crosta que descama e sangra discretamente ao lavar o rosto. Nega dor, emagrecimento ou febre. Ao exame, nota-se pápula de 1 cm, de aspecto perolado e translúcido, com telangiectasias finas na superfície, bordas em rolete e pequena ulceração central. Não há linfonodos cervicais ou submandibulares palpáveis. Pele do rosto intensamente fotolesada. Qual é o diagnóstico mais provável?
Lesão perolada e translúcida, com telangiectasias, bordas em rolete e ulceração central, de crescimento lento em área fotoexposta da face de idosa, é o quadro típico do carcinoma basocelular — a neoplasia maligna cutânea mais frequente, de agressividade local e metástase excepcional (compatível com a ausência de linfonodos). O carcinoma espinocelular é hiperceratótico/vegetante, de crescimento mais rápido e com potencial de metástase linfática. O melanoma nodular amelanótico é nódulo róseo de crescimento rápido (semanas a meses), sem brilho perolado nem borda em rolete. A ceratose seborreica é lesão benigna, acastanhada, de superfície untuosa e aspecto "colado à pele", sem telangiectasias, perolamento ou ulceração.
Um homem de 68 anos, agricultor há mais de 40 anos, comparece à Unidade Básica de Saúde queixando-se de uma ferida que não cicatriza na face há cerca de 1 ano. Nega dor, febre ou emagrecimento. Refere trabalhar diariamente exposto ao sol, sem uso de chapéu ou protetor solar. Nega comorbidades e uso de medicações. Ao exame físico, apresenta pele fotoenvelhecida, com efélides e manchas hipocrômicas em face e dorso das mãos. Na asa nasal direita, observa-se lesão de 8 mm, papulosa, com bordas elevadas, peroladas e translúcidas, telangiectasias finas na superfície e discreta ulceração central recoberta por crosta hemática. Não há linfonodomegalia cervical palpável. Considerando o quadro descrito, qual é o diagnóstico mais provável?
A tríade clássica do carcinoma basocelular (CBC) nodular está presente: pápula com borda elevada e perolada/translúcida, telangiectasias superficiais e ulceração central (úlcera roedora), em área fotoexposta de paciente com dano actínico crônico — a asa nasal é sítio de predileção. É o câncer de pele mais frequente no Brasil (INCA); diagnóstico clínico confirmado por biópsia. Carcinoma espinocelular: lesão ceratósica/verrucosa, endurecida e mais infiltrada, sem borda perolada com telangiectasias. Melanoma nodular amelanótico: nódulo róseo de crescimento rápido (semanas a poucos meses), sem borda perolada; evolução indolente de 1 ano torna-o improvável. Ceratose actínica hipertrófica: lesão pré-maligna eritemato-descamativa, áspera à palpação (sensação de lixa), sem borda perolada nem ulceração central.
Uma mulher de 72 anos é atendida na Unidade de Saúde da Família por lesão no lábio inferior, com 4 meses de evolução e crescimento progressivo. Trabalhou como pescadora por décadas, é tabagista (40 anos-maço) e etilista social. Relata que a lesão sangra ao mínimo trauma e dói discretamente. Ao exame, o lábio inferior apresenta perda do limite do vermelhão, com áreas atróficas e esbranquiçadas difusas (queilite actínica). Sobre esse fundo, há lesão ulcerada de 1,5 cm, com bordas endurecidas, evertidas e base infiltrada, recoberta por crosta ceratósica. Palpa-se linfonodo submandibular direito de 1,5 cm, endurecido e móvel. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
Correta: o carcinoma espinocelular (CEC) é o tumor maligno mais comum do lábio inferior, e todos os fatores estão reunidos — exposição solar ocupacional crônica, queilite actínica (lesão precursora), tabagismo e etilismo. A lesão ulcerada de bordas endurecidas e evertidas, com crosta ceratósica sobre queilite actínica, é típica; a linfonodomegalia endurecida reforça o CEC, que, ao contrário do CBC, metastatiza por via linfática (CEC de lábio é sítio de alto risco). Carcinoma basocelular esclerodermiforme: praticamente não ocorre em semimucosa/vermelhão do lábio (o CBC surge em pele com folículos pilosos) e se apresenta como placa esclerótica, não ulcerada e ceratósica; além disso, não costuma dar metástase linfonodal. Leucoplasia pilosa oral: placa branca vilosa em bordas laterais da língua, associada a EBV/imunossupressão (HIV), não ulcera nem endurece o lábio. Paracoccidioidomicose: estomatite moriforme com pontilhado hemorrágico, geralmente acompanhada de sintomas respiratórios e adenomegalias supurativas, quadro distinto do descrito.
Um homem de 60 anos, pedreiro, é atendido na Unidade Básica de Saúde por lesão em dorso do nariz há cerca de 8 meses. O médico da equipe examina a lesão e identifica uma pápula perolada de 6 mm, com telangiectasias, bem delimitada, sem ulceração, e levanta a hipótese de carcinoma basocelular. O paciente não apresenta linfonodomegalias e o restante do exame físico é normal. A unidade não dispõe de dermatoscópio nem de estrutura para procedimentos cirúrgicos. De acordo com as diretrizes brasileiras para o câncer de pele não melanoma, qual é a conduta mais adequada nesse momento?
Correta: diante de suspeita clínica de carcinoma basocelular, a conduta é confirmar o diagnóstico por exame histopatológico (biópsia) e tratar — o padrão-ouro é a excisão cirúrgica com margens de segurança. Como a UBS não dispõe de estrutura para o procedimento, cabe o encaminhamento referenciado ao serviço de dermatologia/cirurgia, mantendo o vínculo e a coordenação do cuidado pela equipe de saúde da família (integralidade e hierarquização do SUS). Corticoide tópico: não tem qualquer papel e apenas retarda o diagnóstico de uma neoplasia. Criocirurgia sem biópsia: destrói a lesão e inviabiliza a confirmação histológica e a avaliação de margens; ademais, o dorso do nariz é área de alto risco de recidiva (zona H da face), onde a destruição às cegas é inadequada. Conduta expectante com retorno em 12 meses: inaceitável frente a lesão suspeita de neoplasia maligna, permitindo crescimento e destruição local.
Homem de 68 anos, agricultor há 40 anos, procura a Unidade Básica de Saúde por lesão na asa nasal direita que surgiu há cerca de 10 meses e cresce lentamente. Relata sangramento ocasional ao secar o rosto, sem dor. Ao exame: pápula de 9 mm, brilhante, cor da pele, com bordas peroladas elevadas, finas telangiectasias na superfície e pequena ulceração central recoberta por crosta. Pele do rosto com dano actínico difuso. Não há linfonodos cervicais palpáveis. Qual é a hipótese diagnóstica e o próximo passo mais adequado?
Pápula perolada com telangiectasias e ulceração central em área fotoexposta de paciente com dano actínico crônico é o quadro clássico do carcinoma basocelular; a confirmação é histopatológica e o tratamento padrão é a exérese cirúrgica com margens, cabendo à APS reconhecer e encaminhar. Ceratose actínica é mácula/pápula eritêmato-descamativa áspera, sem borda perolada, e crioterapia sem diagnóstico definido trataria inadequadamente um câncer invasivo. Melanoma nodular amelanótico cresce em semanas a meses e não apresenta borda perolada com telangiectasias; além disso, estadiamento por imagem nunca precede a biópsia diagnóstica. Dermatite actínica crônica não forma nódulo ulcerado persistente, e postergar a investigação por 6 meses permitiria destruição local progressiva.
Homem de 62 anos, tabagista (40 anos-maço) e etilista, comparece à Unidade Básica de Saúde por ferida no lábio inferior que não cicatriza há 4 meses. Ao exame: úlcera de 1,5 cm com bordas endurecidas e evertidas, base ceratótica e sangrante, sobre lábio com áreas esbranquiçadas e apagamento do vermelhão. Palpa-se linfonodo submandibular direito de 2 cm, endurecido e móvel. Qual é a conduta mais adequada?
Úlcera crônica de lábio inferior com bordas endurecidas e evertidas sobre queilite actínica, em tabagista e etilista, com linfonodo regional endurecido, caracteriza carcinoma espinocelular — tumor com risco real de metástase linfática, ao contrário do basocelular; a conduta é biópsia e encaminhamento para tratamento cirúrgico com estadiamento e abordagem do pescoço. Herpes labial produz vesículas agrupadas autolimitadas em dias, não úlcera endurecida de 4 meses. 5-fluorouracila tópica trata queilite/ceratose actínica, mas é insuficiente e retarda o tratamento de um carcinoma invasivo já estabelecido. Cancro sifilítico é indolor e cicatriza espontaneamente em semanas, não justificando tratamento empírico diante de lesão com linfonodo suspeito.
Mulher de 55 anos, fototipo II, é atendida em ambulatório de dermatologia de centro de referência com placa de 2 cm na região nasogeniana esquerda, branco-amarelada, endurecida, deprimida, de limites mal definidos, lembrando cicatriz, sem história de trauma local. Refere crescimento insidioso há 2 anos. A biópsia incisional revelou carcinoma basocelular de padrão esclerodermiforme. Qual é o tratamento de escolha?
O carcinoma basocelular esclerodermiforme é subtipo de alto risco: cresce de forma infiltrativa com limites clínicos imprecisos, em zona de alto risco da face (região centrofacial), o que torna a cirurgia micrográfica de Mohs — com controle histológico completo das margens no intraoperatório — o tratamento de escolha, com as menores taxas de recidiva. Curetagem com eletrocoagulação é aceitável apenas em basocelulares superficiais/nodulares de baixo risco e em áreas de baixo risco, sendo contraindicada em subtipos infiltrativos. Imiquimode tópico tem indicação restrita ao basocelular superficial, não atingindo a profundidade do tumor infiltrativo. Crioterapia é destrutiva e sem controle de margens, inadequada para tumor de limites indefinidos na face.
Homem de 72 anos, agricultor, comparece à Unidade Básica de Saúde por lesão na asa nasal com cerca de um ano de evolução e crescimento lento. Ao exame, observa-se pápula perolada, brilhante, com finas telangiectasias na superfície e discreta ulceração central que sangra ao trauma leve. Nega dor. Refere longa história de exposição solar sem proteção. Qual é o diagnóstico mais provável?
A pápula perolada com telangiectasias e ulceração central em área fotoexposta de idoso é a apresentação clássica do carcinoma basocelular (nodular), o câncer de pele mais comum. O carcinoma espinocelular costuma ser placa/nódulo ceratósico, endurecido e mais infiltrativo, muitas vezes sobre ceratose actínica. O melanoma nodular é lesão pigmentada, de crescimento rápido, sem aspecto perolado. A ceratose actínica é lesão pré-maligna, áspera/descamativa, sem o aspecto perolado nem a neovascularização descrita.
Homem de 72 anos, agricultor aposentado, fototipo II, comparece à UBS por lesão na asa nasal direita que surgiu há cerca de dois anos e cresce lentamente. Refere sangramento fácil ao secar o rosto após o banho e formação de crosta que cai e se refaz, sem dor. Nega perda de peso ou febre. História de exposição solar ocupacional intensa por mais de 40 anos, sem uso de fotoproteção. Ao exame: pápulo-nódulo de 8 mm, perolado, com bordas elevadas e brilhantes, telangiectasias finas na superfície e depressão central crostosa. Não há linfonodos cervicais palpáveis. Assinale o diagnóstico mais provável.
O quadro é o retrato clássico do carcinoma basocelular nodular: idoso, fototipo claro, dano actínico crônico, lesão de crescimento lento em área centrofacial (a asa nasal é sítio de eleição), pápulo-nódulo perolado/translúcido, com telangiectasias na superfície e ulceração central que sangra e recrosta ('ferida que não cicatriza'). É o câncer de pele mais frequente no Brasil, de baixo potencial metastático. Espinocelular: costuma ser lesão ceratósica/endurecida, de crescimento mais rápido, sobre queratose actínica ou lábio/orelha, e pode acometer linfonodos — não tem o aspecto perolado com telangiectasias. Queratose actínica hipertrófica: mácula/placa áspera, eritemato-descamativa, 'mais palpável que visível', sem nódulo perolado ulcerado. Ceratoacantoma: nódulo de crescimento explosivo em semanas, com cratera central preenchida por queratina — a cronologia de dois anos não se sustenta.
Homem de 72 anos, agricultor aposentado com história de intensa exposição solar ao longo da vida, procura a Unidade Básica de Saúde por lesão de crescimento lento no dorso do nariz, presente há cerca de 18 meses. Ao exame, observa-se pápula perolada, de coloração rósea, com telangiectasias na superfície, bordas elevadas e enroladas e uma pequena ulceração central que sangra ao mínimo trauma. Não há linfonodos palpáveis. Considerando a apresentação clínica descrita, o diagnóstico mais provável é:
A tríade pápula perolada + telangiectasias + borda enrolada com ulceração central ('úlcera roedora') em área fotoexposta de idoso é o quadro clássico do carcinoma basocelular nodular, o tumor cutâneo mais comum. O CEC bem diferenciado costuma ser lesão hiperceratótica/ulcerada mais infiltrativa, sem o aspecto perolado nem telangiectasias. Melanoma nodular amelanótico cresce mais rápido e não tem borda perolada. Ceratoacantoma tem crescimento rápido (semanas) com cratera central ceratótica, distinto do curso indolente de 18 meses aqui descrito.
Homem de 65 anos, tabagista e lavrador, é avaliado no ambulatório por lesão no lábio inferior. Refere ressecamento e descamação crônica do lábio há anos ('queilite'), e nos últimos 4 meses surgiu uma úlcera endurecida, de bordas evertidas e infiltradas, que não cicatriza. À palpação cervical, identifica-se linfonodo submandibular endurecido de 1,5 cm, ipsilateral. Além da biópsia incisional da lesão labial, qual conduta melhor se justifica pela característica biológica do tumor mais provável?
Úlcera endurecida de bordas evertidas em lábio inferior sobre queilite actínica crônica, em lavrador tabagista, caracteriza carcinoma espinocelular (CEC). Diferentemente do basocelular (que raramente metastatiza), o CEC — sobretudo o de lábio/mucosa — tem real potencial de disseminação linfática, e o linfonodo endurecido ipsilateral deve ser investigado (estadiamento). Portanto observar o linfonodo é inadequado. Crioterapia não se aplica a lesão invasiva de alto risco sem diagnóstico histológico. Adiar a biópsia com antibiótico retarda perigosamente o diagnóstico de uma úlcera crônica que não cicatriza.
Mulher de 58 anos comparece à UPA por lesão ulcerada e vegetante, de crescimento nas últimas semanas, localizada sobre uma cicatriz de queimadura extensa sofrida na perna direita há mais de 20 anos. A área, previamente estável, passou a apresentar úlcera de bordas elevadas, secreção fétida e sangramento fácil. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável para essa transformação?
A degeneração maligna de cicatrizes crônicas (queimaduras, úlceras e fístulas de longa data) resulta tipicamente em carcinoma espinocelular, a clássica úlcera de Marjolin; a mudança de uma cicatriz estável para lesão vegetante, ulcerada e sangrante sugere fortemente essa transformação. O basocelular esclerodermiforme aparece como placa esclerótica/cicatricial em pele fotoexposta, não sobre queimadura, e raramente ulcera de forma vegetante. Úlcera venosa localiza-se em região maleolar sobre estase, sem aspecto vegetante. Pioderma gangrenoso cursa com úlcera dolorosa de borda violácea associada a doenças sistêmicas, não a cicatriz antiga.
Homem de 71 anos, agricultor, fototipo II, comparece à unidade básica de saúde queixando-se de "ferida que não sara" na asa nasal direita, com cerca de dois anos de evolução e crescimento muito lento. Refere sangramento discreto ao trauma e formação de crosta que descama e recidiva. Nega dor, febre ou emagrecimento. Ao exame: pápula de 0,9 cm, perolada, de bordas elevadas e brilhantes, com finas telangiectasias na superfície e depressão ulcerada central. Não há linfonodos cervicais palpáveis. Assinale o diagnóstico mais provável.
A tríade lesão perolada, bordas elevadas e brilhantes com telangiectasias e ulceração central ("úlcera roedora"), em área fotoexposta de idoso com exposição solar cumulativa e evolução arrastada de anos, é o quadro clássico do carcinoma basocelular — o câncer de pele mais frequente, de crescimento lento e metástase excepcional, o que explica a ausência de linfadenopatia. O carcinoma espinocelular costuma ser mais rápido, ceratósico/vegetante, com base infiltrada e potencial de metástase linfonodal. O melanoma nodular amelanótico é nódulo róseo de crescimento rápido em semanas a meses, sem o brilho perolado nem as telangiectasias arboriformes. O queratoacantoma tem história típica de crescimento explosivo em poucas semanas, com cratera central preenchida por ceratina, e não evolução de dois anos.
Mulher de 67 anos é encaminhada ao serviço de cirurgia plástica com lesão no sulco nasogeniano direito, estendendo-se até a asa nasal. Foi submetida há dois anos a exérese de carcinoma basocelular nesse mesmo local, com margem profunda comprometida no laudo, e não retornou ao seguimento. Ao exame: placa de 1,8 cm, esbranquiçada, endurecida, deprimida, com limites clínicos imprecisos, aspecto cicatricial. Nova biópsia confirma carcinoma basocelular de padrão esclerodermiforme (morfeiforme). Assinale a modalidade terapêutica de escolha.
Trata-se de carcinoma basocelular de alto risco por acúmulo de critérios: recidiva de tumor previamente ressecado com margem comprometida, subtipo histológico agressivo (esclerodermiforme/morfeiforme), limites clínicos imprecisos e localização em área nobre da face (zona H — sulco nasogeniano/asa nasal). Nesse cenário a cirurgia micrográfica de Mohs é a técnica de escolha: avalia 100% das margens no intraoperatório, oferece as maiores taxas de cura em tumores recidivados e agressivos e poupa ao máximo tecido em região de difícil reconstrução. A exérese convencional com 4 mm é adequada apenas a tumores primários de baixo risco, bem delimitados e de subtipo não agressivo — aqui subestimaria a extensão subclínica, que é justamente a marca do padrão esclerodermiforme (e já falhou uma vez). O imiquimode é opção tópica restrita a lesões superficiais, pequenas e de baixo risco, sem controle histológico de margem — inaceitável em tumor infiltrativo recidivado. A radioterapia exclusiva fica reservada a pacientes sem condições cirúrgicas ou como adjuvante, e tem pior controle em recidiva após irradiação, além de sequelas locais a longo prazo em paciente com boa expectativa de vida.
Homem de 68 anos, agricultor há 40 anos, com fototipo II, procura ambulatório de dermatologia por lesão na asa nasal esquerda com crescimento lento há cerca de 2 anos. Nega dor. Ao exame, pápula perolada de 0,9 cm, com telangiectasias na superfície, bordas elevadas e discreta ulceração central; não há linfonodomegalia cervical. A biópsia incisional confirmou carcinoma basocelular de padrão nodular, com áreas focais de padrão micronodular. Considerando o subtipo histológico e a localização anatômica da lesão, assinale a conduta terapêutica mais adequada.
O caso reúne dois marcadores de alto risco: localização na 'área H' da face (asa nasal, região periorificial, com risco de recidiva e de invasão perineural) e subtipo histológico agressivo (micronodular). Nessa situação, a cirurgia micrográfica de Mohs é a técnica de escolha, pois permite controle histológico de 100% das margens no intraoperatório com a maior taxa de cura e máxima preservação tecidual em área de reconstrução difícil. Imiquimode e curetagem com eletrodissecção são alternativas restritas a carcinomas basocelulares superficiais de BAIXO risco, em tronco e membros, e estão formalmente contraindicadas em subtipo micronodular e em área H, por não permitirem avaliação de margem. A radioterapia é opção válida, mas como tratamento de segunda linha — em pacientes sem condições cirúrgicas ou como adjuvante —, e não como primeira escolha em paciente hígido e operável.
Homem de 62 anos, lavrador, tabagista de 40 anos-maço e etilista, comparece à Unidade Básica de Saúde queixando-se de ferida no lábio inferior que não cicatriza há 6 meses. Ao exame do lábio inferior observam-se áreas de atrofia, apagamento do limite cutâneo-mucoso e descamação difusa, e sobre essa área há úlcera de 1,5 cm, de fundo sujo, bordas endurecidas e evertidas, que sangra ao toque. Palpa-se linfonodo submandibular ipsilateral de 1,0 cm, endurecido. Assinale a hipótese diagnóstica mais provável.
A tríade exposição solar crônica ocupacional + tabagismo/etilismo + úlcera crônica de bordas endurecidas e evertidas em lábio inferior, sobre base de queilite actínica (lesão precursora), define carcinoma espinocelular; o linfonodo endurecido reforça o diagnóstico, já que o CEC — ao contrário do basocelular — tem potencial metastático linfático relevante, especialmente em lábio. O herpes labial recorrente cursa com vesículas agrupadas de resolução em 7-10 dias, não com úlcera de 6 meses e bordas endurecidas. O cancro duro é indolor, mas é autolimitado (cicatriza em 3-6 semanas) e não se associa a queilite actínica. O carcinoma basocelular é raro no vermelhão do lábio e no semimucoso, apresenta borda perolada com telangiectasias e praticamente não metastatiza.
Mulher de 71 anos, hipertensa e obesa, é atendida em ambulatório de angiologia com úlcera em região supramaleolar medial da perna direita há 14 anos, atribuída a insuficiência venosa crônica, tratada com curativos e terapia compressiva intermitente. Nos últimos 5 meses, refere que a ferida aumentou, tornou-se dolorosa e passou a sangrar com facilidade. Ao exame: úlcera de 7 cm, com bordas elevadas, endurecidas e evertidas, e leito com áreas vegetantes e exofíticas, associada a lipodermatoesclerose e dermatite ocre no restante do membro. Assinale o próximo passo mais adequado.
Úlcera crônica de mais de uma década que muda de comportamento — cresce, dói, sangra e adquire bordas evertidas com leito vegetante — obriga a afastar a degeneração maligna (úlcera de Marjolin), habitualmente carcinoma espinocelular. A conduta correta é a biópsia incisional das bordas, que é o único método capaz de confirmar a neoplasia e definir o tratamento oncológico. Antibiótico empírico trata infecção secundária, que não explica bordas evertidas nem vegetação, e apenas retarda o diagnóstico. A bota de Unna é o pilar do tratamento da úlcera venosa não complicada, mas não deve ser instituída sem antes excluir malignidade. O corticoide de alta potência é errado por duplo motivo: o pioderma gangrenoso cursa com borda violácea escavada e progressão rápida, e o corticoide favoreceria o crescimento tumoral.
A terapia fotodinâmica foi incorporada ao SUS por decisão tornada pública em setembro de 2023. Para qual indicação, exatamente?
A Portaria SECTICS/MS nº 46, de 5 de setembro de 2023, tornou pública a decisão de incorporar ao SUS a terapia fotodinâmica para câncer de pele não melanoma do tipo carcinoma basocelular superficial e nodular, conforme protocolo de uso do Ministério da Saúde, após deliberação unânime do comitê na 120ª Reunião Ordinária, em junho de 2023. O recorte por subtipo é o núcleo da questão: superficial e nodular estão dentro, esclerodermiforme está fora — e é justamente no subtipo agressivo em zona H que a cirurgia micrográfica se justifica. A tecnologia entrou como opção para casos em que a intervenção cirúrgica não é recomendada, não como substituta universal da cirurgia, que segue sendo o padrão por permitir controle histopatológico. Espinocelular invasivo e melanoma não fazem parte da indicação incorporada.
Sobre a epidemiologia do câncer de pele não melanoma no Brasil, assinale a alternativa correta.
O câncer de pele não melanoma é o tumor maligno mais incidente do Brasil, com 220.490 casos novos por ano estimados para o triênio 2023-2025 e 31,3% de todos os tumores registrados, segundo a Estimativa do INCA. Dentro dele, o carcinoma basocelular corresponde a cerca de 80% dos casos e o espinocelular a cerca de 20%, proporção informada pelo próprio INCA no material para profissionais de saúde — o que elimina a segunda alternativa, que apenas inverte os números. O melanoma tem cerca de 9 mil casos novos por ano, ordem de grandeza vinte vezes menor, o que derruba a terceira. Fototipos altos, com mais melanina, são justamente os de menor risco: os fatores listados são pele e olhos claros, cabelos ruivos ou loiros e albinismo. E 31,3% está muito acima dos 5% da última alternativa.
Homem de 58 anos sofreu queimadura extensa na coxa esquerda aos 20 anos, tratada com enxertia. Há seis meses surgiu, sobre a cicatriz, lesão vegetante e ulcerada de 3 cm, com bordas endurecidas, que sangra ao trauma. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
Carcinoma que surge sobre cicatriz de queimadura, úlcera crônica de perna, fístula ou área previamente irradiada é o espinocelular, e recebe o nome de úlcera de Marjolin — com prognóstico pior que o do espinocelular comum, além de ser critério de alto risco por si só. A descrição bate: lesão vegetante e ulcerada, com bordas endurecidas, de crescimento em meses, sobre cicatriz antiga. O basocelular prefere áreas cronicamente fotoexpostas dos dois terços superiores da face e não tem esse terreno como sítio típico. Cicatriz hipertrófica e queloide são proliferações fibrosas benignas, sem borda endurecida vegetante nem esse padrão de crescimento, e a mudança do aspecto de uma cicatriz antiga é exatamente o sinal de alerta. Melanoma amelanótico existe, mas é raro e não tem na cicatriz de queimadura seu contexto característico, que é justamente o do espinocelular.
Homem de 55 anos, assintomático, pele clara, procura a unidade básica pedindo 'exame de pele de rotina' porque viu uma campanha na televisão. Nega lesões novas, feridas ou manchas que mudaram. Não tem história pessoal ou familiar de câncer de pele. De acordo com a posição oficial brasileira, qual é a conduta correta?
O INCA afirma que não há evidência científica de que o rastreamento do câncer de pele na população em geral traga mais benefícios do que riscos e que, portanto, ele não é recomendado. A estratégia adotada é a de diagnóstico precoce, que não procura doença em assintomáticos: orienta a reconhecer os sinais e encurtar o tempo até a consulta. O gatilho é objetivo — qualquer lesão ou ferimento de pele sem resolução em 15 dias deve ser avaliado por especialista, assim como manchas que coçam, ardem, descamam ou sangram, sobretudo em face, pescoço e orelhas. Mapeamento anual e mutirão populacional são justamente o rastreamento que o documento nacional não recomenda; acompanhamento periódico dirigido é reservado a quem tem risco individual aumentado, como história pessoal ou familiar, imunodeficiência ou queimaduras solares na infância — que não é o caso. Biópsia por tamanho isolado, sem alteração, não tem respaldo.
Paciente de 79 anos, acompanhado em serviço público, tem carcinoma basocelular localmente avançado em região frontal e periorbitária, considerado irressecável pela equipe cirúrgica, com radioterapia prévia na mesma área e progressão da lesão. A família pergunta sobre a terapia-alvo oral que leu na internet. Considerando a régua vigente no SUS, qual afirmação está correta?
A Portaria SCTIE/MS nº 29, de 12 de junho de 2026, tornou pública a decisão de não incorporar o vismodegibe ao SUS para pacientes com carcinoma basocelular localmente avançado ou metastático, e a justificativa divulgada combina limitação da evidência de eficácia com o impacto econômico sobre a sustentabilidade do sistema. Isso é diferente de dizer que o medicamento não produz resposta: a própria página do INCA para profissionais descreve o vismodegibe, inibidor da via Hedgehog, como opção com bons resultados durante o uso, ressalvando que exige uso continuado e é de alto custo, e registrando que não está disponível no serviço público — o que derruba a quarta alternativa. A decisão de 2023 incorporou a terapia fotodinâmica, e apenas para basocelular superficial e nodular, não o vismodegibe. O medicamento não é de dispensação na atenção básica nem tem incorporação para espinocelular.
Homem de 68 anos, lavrador, pele e olhos claros, procura a unidade básica de saúde por uma lesão na asa nasal direita que 'não cicatriza' há cerca de um ano. Relata que forma crosta, a crosta cai e a lesão volta a sangrar. Ao exame, pápula de 9 mm, translúcida, com brilho perolado, borda elevada em rolete e telangiectasias finas na superfície, com pequena crosta central. Não há linfonodos cervicais palpáveis. Qual é a conduta mais adequada neste momento?
A descrição é de carcinoma basocelular: pápula perolada, translúcida, com borda em rolete e telangiectasias, em área fotoexposta de trabalhador rural, com evolução de um ano. O INCA é explícito ao dizer que a dermatoscopia é útil, mas precisa ser complementada pela histopatologia, que confirma o diagnóstico e orienta o tratamento preciso — por isso a biópsia vem antes. O subtipo não é detalhe acadêmico: define a margem cirúrgica e libera ou barra as opções não cirúrgicas, já que a terapia fotodinâmica incorporada ao SUS vale para os subtipos superficial e nodular. Criocirurgia e imiquimode destroem a lesão e, portanto, a informação que decidiria a conduta, além de não estarem indicados sem diagnóstico histológico. Tomografia não é passo inicial: o basocelular raramente é estadiado, porque o comportamento é local. Observar por um ano deixa crescer um tumor que pode destruir a asa nasal.
Homem de 62 anos foi submetido há dois anos à excisão de carcinoma basocelular na região nasogeniana esquerda. Retorna com lesão no mesmo local: placa branco-amarelada, endurecida, com aspecto de cicatriz, de limites mal definidos. A biópsia mostra carcinoma basocelular de subtipo esclerodermiforme. Qual é a melhor opção terapêutica?
O caso empilha os quatro fatores associados a recidiva na maior série brasileira publicada: tumor recidivado, localização em zona H, subtipo histopatologicamente agressivo e limites mal definidos. A cirurgia micrográfica de Mohs examina a totalidade da margem no intraoperatório e reexcisa apenas onde há tumor, o que a torna a técnica de escolha exatamente nessa combinação, com o ganho adicional de poupar tecido em região de reconstrução difícil. Margem de 4 mm é a referência para tumor não agressivo em zona L com menos de 20 mm — aqui, o subtipo agressivo em zona H pede mais de 5 mm ou Mohs. Imiquimode e criocirurgia atendem a lesões superficiais e não permitem controle de margem, o que é inaceitável em tumor esclerodermiforme, que se estende muito além da borda visível. Observação ignora que a morbidade do basocelular é local e pode destruir estruturas nobres da face.
Mulher de 74 anos, ex-trabalhadora rural, apresenta lesão de 2,5 cm no vermelhão do lábio inferior, ceratósica, ulcerada, com base endurecida, evoluindo há quatro meses. Na cadeia submandibular há linfonodo de 1,5 cm, endurecido e pouco móvel. A biópsia confirmou carcinoma espinocelular. Qual conduta é a mais adequada?
O caso reúne três marcadores de alto risco: diâmetro de 2,5 cm, localização em lábio e linfonodo regional endurecido. Espinocelular de alto risco é tratado com margem de 6 mm ou cirurgia micrográfica, com avaliação da cadeia linfonodal de drenagem, porque esse tumor dissemina por via linfática — ao contrário do basocelular. Margem de 3 mm com seguimento anual subtrata e desrespeita o intervalo recomendado para alto risco, que é de quatro a seis meses nos três primeiros anos. Terapia fotodinâmica foi incorporada ao SUS para carcinoma basocelular superficial e nodular, não para espinocelular invasivo. Criocirurgia serve a lesões superficiais pequenas e não permite controle de margem. Considerar o linfonodo reacional em território de drenagem de espinocelular é justamente a omissão que a questão testa: ele é estadiamento até prova em contrário.
Homem de 58 anos, transplantado renal há doze anos e em uso contínuo de imunossupressor, comparece à consulta de rotina sem queixa dermatológica. Tem pele clara e trabalhou em lavoura na juventude. O exame de toda a superfície corporal feito hoje não encontra lesão suspeita. Ele pergunta se precisa de algum acompanhamento de pele. Qual é a orientação correta?
Rastreamento populacional e vigilância de grupo de risco são coisas diferentes, e é essa distinção que a situação cobra. O documento nacional afirma que não há evidência de que rastrear câncer de pele na população em geral traga mais benefícios do que riscos, e por isso não o recomenda; o mesmo documento registra que pessoas com imunodeficiência, história pessoal ou familiar do tumor, pele e olhos claros e queimaduras solares na infância podem se beneficiar de acompanhamento periódico com médico. A conduta é dirigida ao risco individual, e o transplantado de órgão sólido em imunossupressão crônica é o exemplo mais nítido: ele desenvolve muito mais carcinoma espinocelular do que a população geral, com lesões múltiplas, mais precoces e de comportamento mais agressivo, a ponto de inverter nesse grupo a proporção habitual entre os dois carcinomas. Recusar qualquer acompanhamento aplica a um paciente de alto risco uma regra escrita para assintomáticos sem fator de risco. Imagem periódica não tem papel em quem não tem tumor diagnosticado. Ajustar imunossupressão é decisão da equipe de transplante, nunca do próprio paciente, e não zera o risco acumulado. E biopsiar pele sem lesão clínica não é vigilância, é procedimento sem alvo.
Homem de 66 anos apresenta, no dorso — área de zona L, a de menor risco —, pápula perolada de 12 mm com telangiectasias finas, presente há dois anos. A biópsia incisional mostrou carcinoma basocelular de subtipo nodular, sem padrão histopatológico agressivo. A lesão é bem delimitada, não há tumor prévio no local, o paciente não é imunossuprimido e a excisão convencional está programada. Qual é a margem cirúrgica recomendada?
As margens do carcinoma basocelular saem das zonas de risco da face e do restante do tegumento. No tronco e nas extremidades, com tumor não agressivo menor que 20 mm, a referência é 4 mm. A régua sobe para 5 mm nas zonas de risco intermediário e alto da face com tumor não agressivo, e passa de 5 mm quando o subtipo é agressivo nessas zonas — ou seja, a resposta mudaria se a mesma lesão estivesse no nariz ou na região periorbitária, e não muda por ela ter 12 mm. Margem de 1 a 2 mm é a da biópsia excisional de lesão pigmentada suspeita, cuja finalidade é medir a espessura, não tratar. Margens de 10 e de 20 mm pertencem à ampliação do melanoma conforme o índice de Breslow, e transplantá-las para cá retira tecido sem qualquer ganho. Vale notar o que este caso não reúne: tumor recidivado, subtipo agressivo, limites mal definidos, localização em zona de alto risco da face ou imunossupressão — a combinação que justificaria cirurgia micrográfica em vez da excisão convencional.
Homem de 74 anos, pescador aposentado, fototipo II, tem o dorso das mãos e a fronte salpicados por mais de vinte máculas e pápulas eritematosas ásperas, com escama aderente, que ele percebe melhor passando o dedo do que olhando. Nenhuma delas está endurecida, ulcerada ou infiltrada, e não há nódulo nem lesão perolada. Qual é a conduta mais adequada?
Quando toda a região fotoexposta está salpicada de ceratoses actínicas, o alvo deixa de ser cada lesão e passa a ser o campo de cancerização: a área inteira sofreu o mesmo dano actínico acumulado, e o tratamento tem de ser de campo — 5-fluorouracila tópica, imiquimode ou terapia fotodinâmica —, acompanhado de fotoproteção e de acompanhamento dirigido, porque quem tem esse terreno continua produzindo lesões novas. Congelar as três lesões mais visíveis resolve o que se enxerga e deixa o terreno intacto, e é justamente o erro que a situação testa. Retirar cada lesão com margem trata como carcinoma o que ainda é lesão precursora, com morbidade desproporcional em área extensa. Mapeamento corporal total anual pertence à vigilância de lesão melanocítica e não trata nada aqui. E parar na fotoproteção usa mal um dado verdadeiro: a chance de uma ceratose isolada virar carcinoma espinocelular é pequena, mas ela raramente vem sozinha, e é a multiplicidade que muda a conduta.
Homem de 45 anos com doença pilonidal de 20 anos de evolução, com múltiplos trajetos e ferida crônica que não cicatriza, apresenta lesão vegetante endurecida na borda da ferida. Qual a hipótese e a conduta?
Ferida crônica de muitos anos com lesão vegetante e endurecida levanta a suspeita de transformação maligna, complicação rara e descrita nesse cenário de inflamação prolongada, e a biópsia deve preceder qualquer excisão para permitir planejamento oncológico com margens adequadas. Assumir recidiva e operar sem biópsia é o erro que compromete margens e estadiamento. Granulação exuberante é diagnóstico de exclusão, e cauterizar sem biopsiar apaga o achado suspeito.
Homem de 45 anos com cicatriz de queimadura de longa data em membro inferior apresenta úlcera crônica que não cicatriza há 10 meses, com bordas elevadas e endurecidas. Qual a conduta obrigatória?
Úlcera que não cicatriza sobre cicatriz antiga, especialmente de queimadura, com bordas elevadas e endurecidas, é carcinoma epidermoide até prova em contrário, e a biópsia é obrigatória antes de qualquer tentativa de cobertura. Enxertar sem investigar é o erro que mais custa, porque sela um tumor sob o retalho ou enxerto e adia o diagnóstico de uma neoplasia que costuma ser agressiva nesse contexto. Curativos e antimicrobianos prolongados são a rotina que consome meses sem responder à pergunta principal. O tratamento, uma vez confirmado, é a ressecção com margens e a avaliação linfonodal, e nem sempre um curativo mais moderno.
Em qual situação a cirurgia micrográfica com controle sistemático de margens é particularmente indicada?
A cirurgia micrográfica se justifica em lesões de alto risco: recidivadas, de subtipos infiltrativo ou esclerodermiforme, com bordas mal definidas e localizadas em áreas de alto risco e de grande importância estética e funcional, porque permite avaliar toda a margem e poupar tecido são. Aplicá-la a um carcinoma nodular pequeno de tronco é desperdício de um recurso escasso, resolvido pela excisão convencional. Lesões pré-malignas e benignas não são indicações do método.
Qual característica do carcinoma basocelular explica sua conduta cirúrgica habitual?
O carcinoma basocelular é localmente invasivo e pode destruir cartilagem e osso quando negligenciado, mas metastatiza de forma excepcional — por isso o tratamento é local, com margens adequadas, sem abordagem ganglionar de rotina. Atribuir a ele alto potencial metastático é o erro que gera esvaziamentos injustificados. Supor regressão espontânea ou ausência de invasão leva ao oposto, que é o abandono da lesão até a destruição de estruturas nobres da face.
Lesão eritematosa, descamativa e bem delimitada, com histologia mostrando atipia em toda a espessura da epiderme sem ultrapassar a membrana basal, corresponde a:
Atipia que ocupa toda a espessura da epiderme sem romper a membrana basal define carcinoma espinocelular in situ, também conhecido pelo epônimo clássico, com potencial de progressão para forma invasiva se não tratado. A ceratose actínica apresenta atipia limitada às camadas inferiores e é considerada lesão precursora, sendo a distinção histológica o ponto central. A ultrapassagem da membrana basal é justamente o que caracterizaria a forma invasiva.
Homem de 68 anos, agricultor, apresenta lesão de 1 cm na asa nasal, com bordas peroladas, telangiectasias na superfície e depressão central com crosta, de crescimento lento há 2 anos. O diagnóstico mais provável é:
Pápula perolada com telangiectasias e ulceração central, de crescimento lento em área fotoexposta de paciente idoso, é o retrato do carcinoma basocelular, a neoplasia cutânea mais frequente. O carcinoma espinocelular é o principal diferencial, mas costuma ser mais ceratósico, de crescimento mais rápido e com maior potencial metastático. A ceratose seborreica tem aspecto verrucoso, aderido, com superfície untuosa, sem brilho perolado.
Qual subtipo histológico de carcinoma basocelular apresenta maior risco de recidiva por bordas mal definidas e extensão subclínica?
O subtipo esclerodermiforme apresenta-se como placa endurecida e cicatricial, de limites imprecisos e extensão subclínica muito além do que se vê, o que explica a taxa elevada de recidiva quando tratado com margens convencionais. O nodular, mais comum, é bem delimitado e tem prognóstico favorável, e por isso é o distrator natural de quem associa frequência a gravidade. As formas superficial e cística têm comportamento igualmente menos agressivo.
Qual a principal medida de prevenção primária dos carcinomas cutâneos não melanoma?
A exposição cumulativa à radiação ultravioleta é o principal fator etiológico dos carcinomas cutâneos não melanoma, e a fotoproteção consistente ao longo da vida é a medida de prevenção primária mais eficaz, especialmente em indivíduos de pele clara e em trabalhadores rurais. Exames periódicos configuram detecção precoce, ou seja, prevenção secundária, e não impedem o surgimento das lesões. Corticoide tópico e antibiótico não têm qualquer papel preventivo nesse contexto.
Quais fatores aumentam o risco de metástase no carcinoma espinocelular cutâneo?
Os fatores de alto risco no carcinoma espinocelular incluem tamanho acima de dois centímetros, grande espessura, invasão perineural, baixo grau de diferenciação, topografia em lábio, orelha ou área previamente irradiada e imunossupressão, sobretudo em transplantados. Lesão diminuta em tronco de jovem corresponde exatamente ao perfil de baixo risco. Telangiectasias e crescimento lento remetem ao carcinoma basocelular, cuja metástase é excepcional.
Qual margem cirúrgica é habitualmente recomendada para excisão de carcinoma basocelular pequeno, nodular, bem delimitado e de baixo risco?
Para lesões pequenas, nodulares e bem delimitadas de baixo risco, a margem lateral em torno de quatro milímetros alcança taxa de cura elevada preservando tecido, aspecto crítico na face. Adotar margens centimétricas transporta parâmetros do melanoma e produz defeitos desnecessariamente grandes. Curetagem sem margem não garante ressecção completa em lesão invasiva e favorece recidiva.
Qual orientação deve compor o seguimento de paciente tratado de carcinoma espinocelular cutâneo de alto risco?
Pacientes tratados de carcinoma espinocelular de alto risco requerem seguimento com exame da pele e palpação das cadeias linfáticas em intervalos regulares, além de fotoproteção rigorosa e treinamento de autoexame, pois o risco de recidiva e de novas neoplasias cutâneas é elevado. Dar alta após a cicatrização é o erro que ignora o campo de dano actínico difuso. Não existem marcadores séricos úteis nessa doença, e imagem mensal não tem racional.
Qual a implicação da invasão perineural identificada na peça de carcinoma espinocelular cutâneo?
A invasão perineural permite ao tumor progredir ao longo dos nervos, frequentemente além dos limites visíveis, e é fator independente de recidiva local e de disseminação, motivando ressecção mais ampla e discussão de radioterapia adjuvante. Considerá-la irrelevante é o erro que subestima a extensão real da doença e resulta em recidivas de difícil resgate. Sintomas como parestesia e dor no território do nervo devem levantar essa suspeita já no exame clínico.
Qual margem cirúrgica é recomendada para carcinoma espinocelular cutâneo de alto risco?
Lesões de alto risco exigem margens ampliadas, tipicamente a partir de 6 milímetros e frequentemente maiores, ou o controle sistemático de margens pela técnica micrográfica em áreas nobres, porque a extensão subclínica é maior nesse grupo. Margens mínimas são adequadas apenas a lesões pequenas, bem diferenciadas e em áreas de baixo risco. Destruição sem espécime impede a avaliação de margem, inadmissível em tumor com potencial metastático.
Lesão cutânea de crescimento rápido em semanas, nodular, com cratera central preenchida por queratina, em área fotoexposta. Qual a conduta mais adequada?
O ceratoacantoma tem crescimento rápido e pode regredir, mas sua distinção do carcinoma espinocelular bem diferenciado é difícil clínica e até histologicamente, de modo que a conduta segura é a excisão com avaliação histopatológica completa. Confiar na regressão espontânea é a aposta que ocasionalmente deixa um carcinoma evoluir. Métodos destrutivos sem espécime impedem o diagnóstico diferencial que essa lesão exige.
Paciente com carcinoma espinocelular cutâneo localmente avançado, irressecável e não candidato a radioterapia curativa. Qual opção terapêutica pode ser considerada?
O carcinoma espinocelular cutâneo tem alta carga mutacional e demonstrou respostas expressivas a inibidores de ponto de controle imunológico, que se tornaram opção para doença localmente avançada irressecável ou metastática. Métodos destrutivos locais não têm alcance em doença extensa e infiltrativa. Corticoterapia sistêmica, além de ineficaz, agrava a imunossupressão que favorece o tumor.
Homem de 74 anos com lesão ulcerovegetante de 3,5 cm no pavilhão auricular, endurecida e aderida a planos profundos, com histologia de carcinoma espinocelular pouco diferenciado. Qual a conduta inicial?
Carcinoma espinocelular grande, pouco diferenciado, fixo a planos profundos e em sítio de alto risco como o pavilhão auricular exige imagem seccional para avaliar invasão profunda, comprometimento cartilaginoso ou ósseo e linfonodos regionais antes do planejamento cirúrgico. Tratamentos destrutivos superficiais, como curetagem, crioterapia e agentes tópicos, aplicam-se a lesões superficiais de baixo risco e são erro grave nesse cenário, pois não permitem avaliação de margens. Margem de poucos milímetros é insuficiente para lesão de alto risco.
Por que pacientes transplantados de órgão sólido apresentam risco muito elevado de carcinoma espinocelular cutâneo?
A imunossupressão prolongada compromete a vigilância imunológica e eleva de forma expressiva a incidência de carcinoma espinocelular nesses pacientes, com lesões múltiplas, de comportamento mais agressivo e maior risco de metástase — daí a necessidade de fotoproteção rigorosa e exame dermatológico periódico. Nesse grupo, o espinocelular passa a superar o basocelular em frequência, invertendo a proporção habitual da população geral. Atribuir tudo à doença de base ignora o efeito direto e dose-dependente da imunossupressão.
Lesão ulcerada de bordas endurecidas surge sobre cicatriz de queimadura antiga de 30 anos, com crescimento nos últimos meses. Qual a hipótese diagnóstica?
O surgimento de lesão ulcerada e endurecida com crescimento sobre cicatriz de queimadura ou ferida crônica de longa data caracteriza a degeneração maligna conhecida por esse epônimo, quase sempre um carcinoma espinocelular de comportamento agressivo. Atribuir a mudança à cicatriz hipertrófica é o erro que adia a biópsia em uma lesão com pior prognóstico que os carcinomas cutâneos habituais. Toda alteração em cicatriz antiga que ulcera ou cresce merece confirmação histológica.
Em qual situação a radioterapia adjuvante está indicada após ressecção de carcinoma espinocelular cutâneo?
A radioterapia adjuvante se justifica diante de fatores de alto risco residual, como margens comprometidas sem possibilidade de nova ressecção, invasão perineural extensa e doença linfonodal com extravasamento extracapsular. Indicá-la para toda lesão é excesso que expõe pacientes idosos a toxicidade sem benefício. Lesões pequenas e bem diferenciadas com margens amplas dispensam qualquer tratamento complementar.
Paciente com cicatriz de queimadura antiga, instável, que ulcera repetidamente há anos, apresenta lesão vegetante de bordas elevadas que não cicatriza há 6 meses. A hipótese principal e a conduta são:
Ferida crônica sobre cicatriz de queimadura que não cicatriza e adquire aspecto vegetante levanta a suspeita de degeneração maligna, tipicamente carcinoma espinocelular, e a biópsia é obrigatória. Tratar como cicatriz hipertrófica ou infecção engana e adia o diagnóstico de um tumor que, nesse contexto, costuma ser agressivo. O tratamento é a ressecção com margens e avaliação linfonodal.
Sobre a pesquisa do linfonodo sentinela no carcinoma espinocelular cutâneo, qual afirmativa é correta?
Diferentemente do melanoma, no carcinoma espinocelular cutâneo o linfonodo sentinela não é conduta padrão, sendo cogitado de modo seletivo em lesões de altíssimo risco, com evidência ainda insuficiente para recomendação ampla. Transportar automaticamente a rotina do melanoma é o erro conceitual que a questão explora. A avaliação clínica e por imagem das cadeias regionais permanece indispensável em qualquer cenário.
Paciente com hidradenite supurativa perianal de longa data, com mais de 20 anos de evolução, apresenta úlcera de bordas endurecidas e crescimento progressivo em uma das áreas acometidas. Qual é a conduta obrigatória?
A hidradenite de longa evolução, especialmente na região perianal e glútea, é fator de risco reconhecido para carcinoma espinocelular, e qualquer lesão com comportamento atípico, como úlcera de bordas endurecidas, crescimento progressivo ou dor desproporcional, exige biópsia. Presumir doença inflamatória e reoperar sem histologia é o erro que retarda o diagnóstico de um tumor cujo tratamento exige ressecção oncológica e estadiamento, e cujo prognóstico piora significativamente com o atraso.
Homem de 70 anos, agricultor, apresenta lesão perlácea com telangiectasias e borda elevada em asa nasal, de crescimento lento há 2 anos, com ulceração central. Qual o diagnóstico e o comportamento esperado?
Lesão perlácea, com telangiectasias, borda elevada e ulceração central em área fotoexposta é o carcinoma basocelular, o tumor cutâneo mais frequente: cresce lentamente, invade e destrói localmente, inclusive cartilagem e osso quando negligenciado, mas metastatiza raríssimas vezes. O carcinoma espinocelular engana por também surgir em pele fotoexposta de idosos, mas apresenta lesão mais ceratósica ou ulcerada de crescimento mais rápido e, este sim, tem risco relevante de metástase linfonodal.
Qual é a indicação principal da cirurgia micrográfica de Mohs no tratamento de tumores cutâneos?
A cirurgia micrográfica avalia praticamente toda a margem no intraoperatório, o que combina controle oncológico máximo com preservação de tecido: por isso é escolhida em tumores de alto risco de recidiva localizados em áreas nobres da face, em lesões recidivadas e em histologias infiltrativas. Usá-la em lesões de tronco de baixo risco engana quem imagina que a técnica é sempre superior, mas ela é mais demorada e custosa e não traz ganho onde a excisão convencional com margens já resolve.
Paciente transplantado renal há 8 anos, em imunossupressão contínua, apresenta múltiplas lesões ceratósicas e um carcinoma espinocelular em antebraço. Qual a implicação da imunossupressão?
A imunossupressão crônica dos transplantados aumenta muito a incidência de câncer cutâneo, com inversão da proporção habitual e predomínio do carcinoma espinocelular, além de comportamento mais agressivo e maior risco de metástase: por isso se recomenda vigilância dermatológica periódica, fotoproteção rigorosa e tratamento precoce das ceratoses. Suspender a imunossupressão engana como solução aparente, mas custaria o enxerto; o que se faz é ajustar o esquema em conjunto com a equipe de transplante.
Qual das localizações e características abaixo confere maior risco de recidiva ao carcinoma espinocelular cutâneo?
Os fatores de alto risco do carcinoma espinocelular incluem localização em lábio, orelha e áreas de alto risco da face, tamanho maior, baixa diferenciação, invasão perineural, espessura elevada, imunossupressão e origem em cicatriz de queimadura ou úlcera crônica, situação chamada úlcera de Marjolin. Lesões pequenas, bem diferenciadas e em tronco ou membros têm risco baixo — e é essa estratificação que define margens, necessidade de cirurgia micrográfica e abordagem linfonodal.
Paciente com úlcera de membro inferior de longa data apresenta, na borda da lesão, área vegetante, elevada e endurecida, com crescimento nos últimos meses. Qual a conduta?
Úlcera crônica que desenvolve borda vegetante, elevada e endurecida, com crescimento, levanta a suspeita de carcinoma espinocelular surgido sobre a ferida de longa evolução, e a biópsia é obrigatória. Atribuir a tecido de granulação exuberante engana porque a granulação hipertrófica é achado comum em feridas crônicas e a semelhança é real, mas ela é friável e não endurecida. Tratar como infecção ou apenas desbridar mantém o paciente em cuidado de ferida enquanto uma neoplasia progride.
Mulher de 68 anos, agricultora, com lesão ceratósica endurecida de 2,5 cm em lábio inferior, de crescimento em 4 meses, com base infiltrada e adenomegalia submandibular endurecida. Qual a conduta e a preocupação principal?
Carcinoma espinocelular de lábio, orelha e áreas de cicatriz crônica ou imunossupressão pertence ao grupo de alto risco, e a presença de adenomegalia endurecida obriga a estadiar o linfonodo além de biopsiar a lesão. Tratar como queilite actínica com corticoide engana porque a lesão de fato nasce em campo de dano actínico, mas lesão infiltrada, endurecida e de crescimento rápido já ultrapassou a fase pré-maligna. Crioterapia sem histologia destrói o material diagnóstico, e postergar por um ano em lesão com adenomegalia é perder a janela curativa.
Homem de 72 anos, fototipo II, com lesão perolada na asa nasal, de 8 mm, com telangiectasias na superfície e bordas elevadas com depressão central que sangra a pequenos traumas, de crescimento lento há 3 anos. Qual o diagnóstico e o comportamento esperado?
Pápula perolada com telangiectasias, bordas em rolete e ulceração central em área fotoexposta de idoso é o carcinoma basocelular, o câncer de pele mais frequente, de crescimento lento, agressivo localmente e com metástase raríssima — o que não o torna inofensivo em áreas nobres como o nariz, onde pode destruir estruturas. O carcinoma espinocelular engana porque também é câncer de pele não melanoma em área fotoexposta, mas é mais ceratósico, cresce mais rápido e tem risco real de metástase. Ceratose seborreica tem aspecto de lesão colada à pele, e queratoacantoma cresce em semanas com cratera central ceratótica.
Homem de 71 anos com ulcera em perna ha 12 anos, refrataria a todos os tratamentos, apresenta ha 6 meses bordas evertidas, vegetantes, com sangramento facil e crescimento progressivo. A conduta correta e:
Ulcera cronica de longa data que muda de comportamento — bordas evertidas, tecido vegetante, sangramento e crescimento — obriga a biopsia pela possibilidade de carcinoma espinocelular sobre ulcera cronica. Intensificar a compressao engana porque a ulcera e de origem venosa e o reflexo e otimizar o tratamento de base, mas isso adia o diagnostico de uma neoplasia. Enxertar ou aplicar pressao negativa sobre leito potencialmente neoplasico trata a ferida errada e atrasa a conduta oncologica.
Paciente de 68 anos, agricultor, apresenta múltiplas lesões eritematosas ásperas, de 3 a 8 mm, mais facilmente percebidas ao tato do que à visão, na face e no dorso das mãos. Qual o diagnóstico e a importância clínica?
A ceratose actínica é lesão displásica induzida pela radiação ultravioleta, tipicamente áspera e mais percebida ao tato, em áreas cronicamente fotoexpostas; considera-se hoje que ela integra um continuum com o carcinoma espinocelular, com risco individual baixo de progressão, porém relevante quando as lesões são numerosas. A ceratose seborreica é o principal diferencial visual, mas tem aspecto untuoso e aderido como cera, sem relação com a exposição solar. Verrugas virais são vegetantes, e a psoríase forma placas eritematodescamativas com escama prateada e distribuição diferente.
Paciente de 70 anos apresenta placa eritematosa, bem delimitada, descamativa, de crescimento lento há 2 anos, medindo 3 cm na perna, sem resposta a corticoide tópico. A biópsia mostra atipia em toda a espessura da epiderme, sem invasão da derme. Qual o diagnóstico?
Atipia queratinocítica em toda a espessura da epiderme sem ultrapassar a membrana basal define o carcinoma espinocelular in situ, conhecido como doença de Bowen; a apresentação típica é uma placa eritematodescamativa de crescimento lento que não responde a corticoide — e essa refratariedade é o sinal que deve motivar a biópsia em vez de trocar de creme. O carcinoma basocelular superficial é o principal diferencial clínico, também placa eritematosa de crescimento lento, e a distinção é histológica. Psoríase e eczema numular responderiam ao tratamento tópico e costumam ser múltiplos e simétricos.
Paciente de 72 anos com lesão no dorso do nariz, perlada, de 1,2 cm, com bordas mal delimitadas e aspecto cicatricial esbranquiçado. A biópsia confirma carcinoma basocelular esclerodermiforme. Qual o tratamento mais adequado?
O subtipo esclerodermiforme, também chamado de morfeiforme, cresce de forma infiltrativa com prolongamentos irregulares e margens clínicas imprecisas; somado à localização na chamada máscara facial, área de alto risco de recidiva, isso indica cirurgia micrográfica de Mohs, que avalia 100% das margens no intraoperatório e poupa tecido em região nobre. Crioterapia, curetagem com eletrocoagulação e imiquimode são opções para lesões superficiais, pequenas e de baixo risco, e nesse subtipo deixam doença residual. Apenas observar permite invasão profunda com destruição local importante.
Paciente com ceratoses actínicas múltiplas e confluentes em toda a região frontal e couro cabeludo calvo. Qual a abordagem mais adequada?
Quando as lesões são numerosas e confluentes, o conceito que orienta a conduta é o de campo de cancerização: a área inteira acumula dano actínico e abriga alterações subclínicas, de modo que tratar apenas as lesões visíveis deixa o restante do campo intacto. Por isso se preferem terapias de campo, como fluoruracila tópica, imiquimode, terapia fotodinâmica ou diclofenaco tópico, associadas à fotoproteção. A crioterapia é excelente para lesões isoladas e poucas. Cirurgia ampla é desproporcional, e corticoide tópico não trata displasia — apenas reduz o eritema e mascara a evolução.
Paciente de 60 anos apresenta pápula perlada de 9 mm na região malar, com telangiectasias na superfície, bordas elevadas e discreta depressão central com crosta. Qual o diagnóstico e o subtipo mais provável?
Pápula ou nódulo perlado, translúcido, com telangiectasias arboriformes na superfície, bordas em rolete e ulceração central caracteriza o carcinoma basocelular nodular, o subtipo mais frequente e o de melhor prognóstico terapêutico quando tratado adequadamente. O carcinoma espinocelular é mais ceratósico e endurecido. A ceratose seborreica tem aspecto untuoso, aderido como cera, sem telangiectasias arboriformes. O nevo intradérmico é uma pápula cor da pele, macia, estável por anos. O molusco contagioso apresenta umbilicação central característica e é mais comum em crianças e imunossuprimidos.
Paciente de 66 anos com carcinoma basocelular superficial de 1 cm no ombro, com contraindicação clínica à cirurgia. Qual alternativa terapêutica é adequada?
O subtipo superficial responde bem a tratamentos não cirúrgicos dirigidos à epiderme e à derme superficial, como imiquimode tópico, fluoruracila tópica, terapia fotodinâmica e crioterapia, sendo alternativas legítimas quando a cirurgia não é possível ou quando as lesões são múltiplas. Vismodegibe é inibidor da via hedgehog reservado a doença localmente avançada não passível de cirurgia ou radioterapia, e a doença metastática. Quimioterapia sistêmica convencional não tem papel nesse cenário, e corticoide ou antibiótico não têm ação antitumoral alguma.
Paciente de 28 anos apresenta múltiplos carcinomas basocelulares, cistos odontogênicos de mandíbula, pits palmoplantares e calcificação da foice cerebral. Qual a hipótese diagnóstica?
A associação de carcinomas basocelulares múltiplos e precoces, ceratocistos odontogênicos, depressões puntiformes palmoplantares, calcificação da foice cerebral e anomalias esqueléticas define a síndrome de Gorlin, de herança autossômica dominante por mutação no gene PTCH1, da via hedgehog — a mesma via alvo do vismodegibe. O xeroderma pigmentoso é o principal diferencial de câncer de pele precoce e múltiplo, mas decorre de defeito no reparo do DNA, com fotossensibilidade extrema desde a infância, e cursa com todos os tipos de câncer cutâneo, sem cistos odontogênicos.
Paciente de 55 anos com carcinoma basocelular nodular de 8 mm no tronco, primário, bem delimitado, sem características de alto risco. Qual o tratamento de escolha?
Em lesão primária de baixo risco no tronco, a exérese cirúrgica com margens de 3 a 5 mm oferece altas taxas de cura e é o tratamento de escolha. A cirurgia de Mohs é reservada a lesões de alto risco: localização na máscara facial, tamanho grande, subtipos agressivos como o esclerodermiforme, recidivas, margens imprecisas e imunossupressão. A radioterapia é opção em pacientes sem condição cirúrgica ou em situações selecionadas, evitada em jovens pelo risco de segundos tumores. O imiquimode tem melhor desempenho no subtipo superficial. O vismodegibe fica para doença localmente avançada ou metastática.
Paciente de 71 anos, agricultor, apresenta nódulo ceratósico ulcerado de 2,5 cm no lábio inferior, endurecido, de crescimento em 4 meses, com linfonodo submandibular palpável de 1,5 cm. Qual o diagnóstico e a implicação do sítio?
Nódulo ceratósico, endurecido e ulcerado no lábio inferior de trabalhador rural, com crescimento rápido e linfonodo palpável, é carcinoma espinocelular. O lábio é sítio de alto risco, ao lado da orelha, das regiões periorificiais e das lesões surgidas em cicatrizes e úlceras crônicas, com taxas de metástase linfonodal bem superiores às do espinocelular de tronco e membros. O carcinoma basocelular praticamente não ocorre no vermelhão do lábio e não metastatiza. A queilite actínica é a lesão precursora, apresentando-se como ressecamento e apagamento do limite do vermelhão, sem nódulo endurecido.
Paciente de 65 anos apresenta lesão nodular com cratera central preenchida por queratina, de crescimento muito rápido em 6 semanas, no dorso da mão. Qual a conduta mais segura?
O queratoacantoma cresce rapidamente, forma a cratera central de queratina e pode involuir espontaneamente, mas é clínica e histologicamente muito próximo do carcinoma espinocelular bem diferenciado — a ponto de muitos o considerarem uma variante deste. Por isso a conduta segura é a exérese com estudo histopatológico, e não a observação: apostar na regressão pode deixar evoluir um espinocelular verdadeiro. Crioterapia e corticoide intralesional destroem ou alteram a lesão sem esclarecer o diagnóstico, e a apresentação descrita não corresponde a processo infeccioso agudo.
Paciente de 80 anos com carcinoma espinocelular extenso em couro cabeludo, sem condições clínicas para anestesia geral e com tumor não ressecável sem grande morbidade. Qual alternativa terapêutica?
A radioterapia é opção definitiva no carcinoma espinocelular quando a cirurgia não é factível por comorbidades, extensão ou morbidade estética e funcional inaceitável, e também tem papel adjuvante em lesões de alto risco com invasão perineural ou margens comprometidas. Em doença localmente avançada ou metastática não candidata a tratamento local, discutem-se terapias sistêmicas, incluindo imunoterapia com inibidores de checkpoint. Crioterapia e fluoruracila tópica atuam apenas em lesões superficiais e pré-malignas, e corticoide não tem efeito antitumoral.
Paciente com úlcera crônica em perna há 20 anos, secundária a queimadura na infância, apresenta bordas vegetantes, endurecidas e evertidas, com crescimento nos últimos meses. Qual a hipótese e a conduta?
A úlcera de Marjolin é o carcinoma espinocelular que surge sobre cicatriz de queimadura, úlcera crônica ou trajeto fistuloso de osteomielite, após anos ou décadas de inflamação persistente; bordas vegetantes e evertidas e mudança no comportamento da lesão são os sinais de alarme, e a conduta é biópsia das bordas. Esse tumor tende a ser mais agressivo e com maior taxa de metástase do que o espinocelular fotoinduzido. Tratar como úlcera venosa ou infecciosa sem biopsiar é o erro que mantém o diagnóstico oculto por meses, e corticoide para pioderma agravaria uma neoplasia.
Paciente tratado de carcinoma basocelular há 1 ano pergunta sobre a necessidade de seguimento. Qual a orientação correta?
Ter tido um carcinoma basocelular identifica um paciente com dano actínico acumulado e risco substancial de desenvolver novos tumores cutâneos primários nos anos seguintes, incluindo outros basocelulares, espinocelulares e melanoma; por isso o seguimento é dermatológico e periódico, com exame de toda a superfície cutânea e reforço de fotoproteção e autoexame. Rastreamento por imagem não faz sentido em tumor que praticamente não metastatiza. Esperar sintomas contraria a lógica da detecção precoce, e não há associação estabelecida que justifique rastrear câncer de pulmão por esse motivo.
Qual localização anatômica é considerada de alto risco para recidiva do carcinoma basocelular?
A chamada máscara facial — região centrofacial, pálpebras, sobrancelhas, nariz, lábios, queixo, sulcos nasolabiais, mandíbula, região pré e retroauricular, têmporas e orelhas — concentra as localizações de alto risco de recidiva, junto com mãos, pés e genitália. A razão é anatômica: são áreas com planos de fusão embrionária e proximidade de pericôndrio e periósteo, que favorecem extensão subclínica em profundidade. Tronco e membros são de baixo risco quando as lesões são pequenas e primárias, e essa classificação é o que orienta a escolha entre exérese convencional e cirurgia de Mohs.
Qual afirmação sobre o comportamento biológico do carcinoma basocelular está correta?
O carcinoma basocelular tem crescimento lento e invasão local que pode ser muito destrutiva, especialmente em face, onde alcança cartilagem e osso quando negligenciado; a metástase, porém, é excepcional, com incidência estimada em menos de 0,1%. Essa combinação define a estratégia: tratar bem localmente, com margens adequadas, sem necessidade de estadiamento sistêmico de rotina. Tratá-lo como lesão benigna leva a atrasos com destruição de estruturas nobres; atribuir-lhe metástase frequente gera exames desnecessários. A regressão espontânea não ocorre.
Qual é o fator de risco mais importante para o desenvolvimento de câncer de pele não melanoma?
A exposição cumulativa à radiação ultravioleta é o principal fator de risco para o câncer de pele não melanoma, especialmente em indivíduos de fototipo baixo, o que explica a predominância em áreas fotoexpostas e em trabalhadores rurais e marítimos. Outros fatores relevantes são imunossupressão, sobretudo em transplantados, radioterapia prévia, exposição a arsênico, cicatrizes crônicas e úlceras de longa data, além de genodermatoses como o xeroderma pigmentoso. No melanoma, o padrão é diferente: pesam mais as exposições intermitentes e intensas, com queimaduras solares, além de nevos múltiplos e história familiar.
Paciente tratado de carcinoma espinocelular de alto risco em lábio há 6 meses retorna para seguimento. Qual a orientação correta quanto à periodicidade e ao conteúdo do acompanhamento?
A maioria das recidivas locais e das metástases do carcinoma espinocelular ocorre nos primeiros dois anos após o tratamento, o que justifica seguimento mais frequente nesse período, com exame de toda a pele e, decisivamente, palpação das cadeias linfonodais de drenagem — etapa frequentemente esquecida e que é justamente onde a doença regional se manifesta primeiro. O acompanhamento também busca novos tumores primários, dado o campo de cancerização. Exames laboratoriais de rotina não substituem o exame físico, e avaliação sem palpação não cumpre o objetivo do seguimento.
Qual vírus está associado ao carcinoma espinocelular de região genital e periungueal?
O papilomavírus humano, sobretudo os tipos de alto risco como 16 e 18, participa da carcinogênese do espinocelular em mucosas e semimucosas genitais e também de lesões periungueais, contexto em que a suspeita costuma ser tardia porque a lesão é confundida com verruga vulgar persistente. Nas áreas fotoexpostas, o agente causal predominante é a radiação ultravioleta. Epstein-Barr associa-se a linfomas e ao carcinoma de nasofaringe, o herpes simples causa infecção recorrente sem esse potencial oncogênico, e citomegalovírus e parvovírus não têm relação com esses tumores cutâneos.
Qual é a neoplasia maligna mais frequente em seres humanos?
O carcinoma basocelular é a neoplasia maligna mais comum em seres humanos, respondendo por cerca de 70 a 80% dos cânceres de pele não melanoma, seguido pelo carcinoma espinocelular. Sua importância epidemiológica contrasta com a baixa letalidade: cresce localmente, pode ser destrutivo, mas raramente metastatiza. O carcinoma espinocelular é menos frequente e mais agressivo, com real potencial metastático. O melanoma corresponde a pequena fração dos tumores cutâneos, mas responde pela maioria das mortes por câncer de pele — essa dissociação entre frequência e letalidade é o eixo do tema.
Paciente de 74 anos apresenta lesão pigmentada de 1 cm na região temporal, com bordas em rolete, brilho perlado e áreas azul-acinzentadas. A principal dúvida diagnóstica é com melanoma. Qual conduta define o diagnóstico?
O carcinoma basocelular pigmentado é um dos principais imitadores clínicos do melanoma, e a definição é histológica: a biópsia estabelece o diagnóstico e orienta o tratamento. A dermatoscopia aumenta muito a acurácia e sugere fortemente uma hipótese pelos padrões vasculares e estruturais, mas não substitui a histologia diante de lesão pigmentada suspeita. Crioterapia destrói o tecido e inviabiliza o exame. Observar por meses atrasa o diagnóstico se for melanoma. Ampliar margens sem diagnóstico prévio é mutilante em face e desnecessário para o basocelular.
Quais características clínicas ajudam a diferenciar o carcinoma basocelular do carcinoma espinocelular?
O carcinoma basocelular tem aspecto perlado, com borda translúcida, telangiectasias sobre a superfície e crescimento lento, frequentemente com ulceração central; é localmente invasivo, mas metastatiza excepcionalmente. O espinocelular tende a ser mais ceratósico, infiltrado ao toque, de crescimento mais rápido, podendo ulcerar, e tem potencial metastático real, sobretudo em lábio, orelha, cicatrizes crônicas e imunossuprimidos. Ambos se relacionam à exposição ultravioleta cumulativa em áreas fotoexpostas, e a confirmação diagnóstica é histológica, não por imunofluorescência.
Qual achado dermatoscópico é característico do carcinoma basocelular?
A dermatoscopia do carcinoma basocelular mostra ausência de rede pigmentada e presença de vasos arboriformes, ninhos ovoides azul-acinzentados, estruturas em folha de bordo, estruturas em raio de roda e ulceração. Rede pigmentada atípica com véu azul-esbranquiçado aponta melanoma. Pseudocistos córneos e aberturas pseudofoliculares são a assinatura da ceratose seborreica, principal diferencial de lesão pigmentada benigna. O padrão paralelo do sulco em região acral é benigno, enquanto o padrão paralelo da crista levanta suspeita de melanoma acral.
Quais características definem um carcinoma espinocelular cutâneo de alto risco?
A estratificação de risco do carcinoma espinocelular combina tamanho, profundidade, diferenciação histológica, invasão perineural, localização, condição do hospedeiro e antecedente de recidiva ou radioterapia prévia no sítio. Reconhecer o alto risco muda a conduta: margens mais amplas ou cirurgia micrográfica, discussão de exames de imagem, avaliação linfonodal e, em casos selecionados, radioterapia adjuvante. Lesões pequenas, superficiais e bem diferenciadas em tronco e membros de paciente imunocompetente são de baixo risco e tratadas com exérese convencional.
Paciente transplantado renal há 8 anos, em uso contínuo de imunossupressores, apresenta múltiplas lesões ceratósicas e um nódulo ulcerado no antebraço. Qual a implicação clínica?
Transplantados de órgãos sólidos têm risco muitas vezes maior de carcinoma espinocelular, que nessa população aparece mais cedo, é frequentemente múltiplo, recidiva mais e tem maior potencial metastático; a relação usual entre basocelular e espinocelular chega a se inverter. Isso justifica vigilância dermatológica periódica, tratamento agressivo das lesões pré-malignas e fotoproteção rigorosa, além de discutir ajustes do esquema imunossupressor em casos graves. A ideia de que a imunossupressão protegeria por reduzir inflamação inverte o mecanismo: é a vigilância imunológica antitumoral que se perde.
Paciente com carcinoma espinocelular de orelha, de 3 cm, com invasão perineural documentada e linfonodo cervical palpável. Qual a conduta complementar?
Espinocelular grande, em sítio de alto risco, com invasão perineural e linfonodo palpável exige abordagem oncológica completa: imagem para avaliar extensão e comprometimento linfonodal e perineural, confirmação citológica ou histológica do linfonodo, planejamento cirúrgico com margens adequadas ou cirurgia micrográfica, esvaziamento quando indicado e discussão de radioterapia adjuvante. Tratar como lesão simples é subtratar um tumor com potencial de recidiva regional e mortalidade real. Terapias tópicas e crioterapia não alcançam tumor invasivo nem doença linfonodal.
Qual é a principal via de disseminação do carcinoma espinocelular cutâneo quando metastatiza?
Quando metastatiza, o carcinoma espinocelular cutâneo o faz preferencialmente por via linfática para linfonodos regionais, o que torna o exame das cadeias de drenagem parte obrigatória da avaliação, sobretudo em tumores de alto risco. A disseminação hematogênica ocorre mais tardiamente. A invasão perineural é um marcador importante de agressividade e de risco de recidiva local, além de indicar avaliação por imagem, mas não substitui nem exclui a via linfática. Disseminação peritoneal e transepidérmica não descrevem o comportamento desse tumor.
Qual a margem cirúrgica recomendada para carcinoma espinocelular cutâneo primário de baixo risco?
Para o espinocelular primário de baixo risco, a margem clínica recomendada é de 4 a 6 mm, com exérese até o tecido subcutâneo, oferecendo altas taxas de cura. Lesões de alto risco exigem margens maiores ou, preferencialmente, cirurgia micrográfica de Mohs, sobretudo em áreas nobres e quando há invasão perineural. Margens de 1 mm deixam doença residual, e margens de 2 a 3 cm pertencem ao melanoma espesso, sendo mutilantes e desnecessárias aqui — a confusão entre as margens do melanoma e as do não melanoma é o erro clássico do tema. Curetagem isolada não trata tumor invasivo.
Paciente submetido a exérese de carcinoma basocelular no nariz recebe laudo com margem profunda comprometida. Qual a conduta?
Margem comprometida em área de alto risco indica reabordagem: a doença residual recidiva na maioria dos casos ao longo do tempo, e recidivas em face são tecnicamente mais difíceis e mais destrutivas do que a primeira cirurgia. A técnica preferida é a micrográfica de Mohs, que controla todas as margens e poupa tecido em região nobre. Observar é o erro que troca uma reabordagem simples por uma reconstrução complexa anos depois. Radioterapia pode ser adjuvante em situações específicas, e tratamentos tópicos não alcançam doença residual profunda sob a cicatriz.
Qual afirmação sobre o risco de progressão da ceratose actínica está correta?
O risco de uma ceratose actínica isolada progredir para carcinoma espinocelular em um ano é baixo, na casa de frações de 1%, e muitas lesões inclusive regridem; o que torna o tema relevante é o acúmulo — pacientes com dezenas de lesões e campo de cancerização extenso têm risco somado significativo ao longo dos anos, além de dificuldade prática de vigiar cada lesão. Por isso se trata o campo e se mantém seguimento. Superestimar o risco por lesão leva a intervenções desproporcionais; negá-lo leva a negligenciar pacientes de alto risco, sobretudo imunossuprimidos.
Paciente com cromoblastomicose de 20 anos de evolução apresenta, sobre a placa verrucosa, área ulcerada com bordas evertidas e crescimento acelerado nos últimos meses. Qual a hipótese?
Lesões inflamatórias crônicas de muitos anos podem originar carcinoma espinocelular, e a cromoblastomicose de longa evolução é uma dessas situações, ao lado de úlceras crônicas, cicatrizes de queimadura e trajetos fistulosos de osteomielite. Mudança no comportamento da lesão — ulceração com bordas evertidas e crescimento acelerado — indica biópsia, e não apenas ajuste do antifúngico. Interpretar como simples reativação ou infecção bacteriana mantém o tumor sem diagnóstico. Reação hansênica ocorre no contexto de hanseníase, com quadro clínico e histológico próprios.
Paciente de 62 anos com uma única ceratose actínica de 5 mm na face, bem delimitada, sem sinais de alarme. Qual o tratamento mais adequado?
Para lesões isoladas e poucas, a crioterapia com nitrogênio líquido é prática, rápida e eficaz, com a ressalva de informar o paciente sobre bolha, crosta e possível hipopigmentação residual, especialmente em fototipos mais altos. Terapias de campo se justificam quando há muitas lesões confluentes em área extensa com dano actínico difuso — usá-las para uma única lesão é desproporcional. Exérese com margens amplas é excessiva para uma lesão pré-maligna sem sinais de invasão. Corticoide não trata displasia, e radioterapia não tem indicação nesse cenário.
Qual orientação de fotoproteção é a mais adequada para paciente com múltiplas ceratoses actínicas?
A fotoproteção eficaz combina medidas: fotoprotetor de amplo espectro com fator adequado, aplicado em quantidade suficiente e reaplicado a cada duas horas ou após transpiração e banho, roupas e chapéu de aba larga, e evitação da exposição no período de maior irradiação. Aplicação única pela manhã e fator baixo dão proteção real muito inferior à esperada. O bronzeamento é sinal de dano ao DNA, não proteção, e as câmaras de bronzeamento artificial são classificadas como carcinógenas, aumentando o risco de melanoma e de câncer não melanoma.
Paciente de 66 anos, pescador, apresenta lábio inferior com ressecamento crônico, descamação, atrofia e apagamento do limite entre o vermelhão e a pele. Qual o diagnóstico e a implicação?
A queilite actínica é a contraparte labial da ceratose actínica, causada pela exposição solar crônica e caracterizada por ressecamento, descamação, atrofia e perda da nitidez do limite do vermelhão. Sua importância é o potencial de progressão para carcinoma espinocelular de lábio, que tem risco metastático maior que o dos espinocelulares de tronco e membros — o que justifica tratamento ativo com vermelhectomia, laser ou terapias tópicas, além de fotoproteção labial. Áreas endurecidas, ulceradas ou nodulares dentro da queilite devem ser biopsiadas de imediato.
Qual achado histopatológico caracteriza a ceratose actínica?
A ceratose actínica mostra atipia limitada às porções inferiores da epiderme, com alternância de paraceratose e ortoceratose acima dos óstios foliculares e elastose solar na derme, refletindo o dano actínico crônico. Quando a atipia toma toda a espessura da epiderme sem ultrapassar a membrana basal, o diagnóstico passa a ser carcinoma espinocelular in situ. A invasão da derme com pérolas córneas define o carcinoma espinocelular invasivo. Proliferação melanocítica atípica juncional aponta melanoma in situ, e pústulas espongiformes são achado de psoríase pustulosa.
Paciente de 74 anos apresenta lesão ceratósica de 1,5 cm no dorso da mão que, nos últimos meses, tornou-se endurecida na base, dolorosa e sangrante ao toque. Havia sido tratada como ceratose actínica há 1 ano. Qual a conduta?
Endurecimento da base, dor, sangramento, ulceração, crescimento rápido, diâmetro acima de 1 cm e refratariedade ao tratamento são os sinais que tiram a lesão do território da ceratose actínica e obrigam à biópsia, pela suspeita de carcinoma espinocelular invasivo. Repetir tratamentos destrutivos sem histologia é o erro que trata às cegas um tumor invasivo e apaga a lesão que precisaria ser analisada. Corticoide tópico reduz o eritema e mascara a evolução. Embora algumas ceratoses regridam, esperar diante desses sinais de alarme é justamente o que não se deve fazer.
Paciente apresenta projeção cônica e endurecida de queratina, com 1 cm de altura, na região temporal. Qual a conduta correta?
O corno cutâneo é uma descrição morfológica, não um diagnóstico: o que importa é o que está na base, que pode ser ceratose actínica, verruga, ceratose seborreica, mas também carcinoma espinocelular em parcela relevante dos casos, sobretudo quando há endurecimento, eritema ou dor na base e localização em área fotoexposta de idoso. Por isso a conduta é a exérese com histologia incluindo a base. Remover apenas a projeção sem analisar a base deixa o diagnóstico em aberto e é o erro clássico, pois a lesão volta a crescer e o tumor segue.
Paciente transplantado hepático há 6 anos apresenta múltiplas ceratoses actínicas em face e antebraços. Qual a conduta em relação ao paciente imunocompetente com quadro semelhante?
Transplantados de órgãos sólidos têm risco muito maior de carcinoma espinocelular, com progressão mais rápida a partir das lesões pré-malignas e tumores frequentemente múltiplos e mais agressivos. Isso justifica limiar mais baixo para tratar, uso de terapias de campo, seguimento dermatológico em intervalos curtos, fotoproteção rigorosa e, em casos selecionados, discussão com a equipe de transplante sobre ajuste do esquema imunossupressor. Suspender abruptamente a imunossupressão por conta própria é inaceitável, pelo risco de rejeição do enxerto, e não é decisão dermatológica isolada.
Paciente inicia fluoruracila tópica para ceratoses actínicas e, na segunda semana, apresenta eritema intenso, erosões e crostas na área tratada, com desconforto. Qual a orientação?
Eritema, erosões e crostas podem ocorrer durante o tratamento com 5-fluorouracil. Entretanto, reação muito dolorosa, intensa ou pouco tolerável justifica contato com o prescritor e possível pausa, cuidados locais e posterior ajuste do esquema. O objetivo não é suportar uma reação grave sem avaliação. Infecção secundária e alergia devem ser consideradas quando apropriado; a presença de inflamação não as confirma nem as exclui. Corticoide tópico pode ser usado sob orientação para controlar inflamação, mas não substitui o tratamento das ceratoses. Referência: British Association of Dermatologists, 5-fluorouracil cream, revisão agosto de 2025.
Homem de 62 anos com osteomielite crônica de longa data em tíbia, com fístula ativa há 15 anos. Nota-se agora crescimento de tecido vegetante e endurecido nas bordas da fístula, com sangramento. Qual a hipótese que deve ser afastada?
Fístula crônica de décadas com surgimento de tecido vegetante, endurecido e sangrante levanta a suspeita de transformação maligna, o carcinoma espinocelular sobre lesão crônica — e a conduta é biópsia, porque o diagnóstico tardio muda radicalmente o prognóstico. Atribuir o achado a cicatrização exuberante ou a lesão benigna que dispensa histologia é justamente o erro que deixa passar o tumor. Reação ao curativo e colonização não produzem massa vegetante endurecida.
Homem de 62 anos procura a Unidade Básica de Saúde por ferida que não cicatriza na face lateral da perna esquerda, sobre área de cicatriz de queimadura sofrida na infância. A lesão surgiu há oito meses, cresce lentamente e sangra com facilidade. Ao exame, úlcera de 4 cm com bordas elevadas, endurecidas e evertidas, fundo irregular com áreas vegetantes e odor desagradável; palpa-se linfonodo inguinal esquerdo endurecido de 2 cm. Pulsos distais presentes e o paciente não é diabético. A conduta correta é:
Ferida crônica sobre cicatriz antiga de queimadura, com bordas elevadas e evertidas, crescimento progressivo, aspecto vegetante e linfonodo regional endurecido, sugere carcinoma espinocelular, a chamada úlcera de Marjolin; a conduta é biópsia e encaminhamento oncológico, pois esse tumor tem comportamento agressivo. Curativos enzimáticos com reavaliação semestral atrasam um diagnóstico de câncer. Tratar como úlcera venosa não se sustenta na ausência de sinais de hipertensão venosa e diante do aspecto da borda. Antibiótico prolongado para osteomielite não explica a lesão vegetante nem a adenomegalia endurecida.
Homem de 67 anos, agricultor com exposição solar diária por décadas, procura a Unidade Básica de Saúde por lesões ásperas na face e no couro cabeludo calvo, presentes há anos. Refere que algumas descamam e voltam. Ao exame, múltiplas máculas e placas eritematosas com superfície áspera ao tato, algumas com escamas aderentes, distribuídas em fronte, dorso do nariz e couro cabeludo, além de pele com elastose e manchas hipocrômicas. Não há lesões ulceradas, nodulares ou com sangramento. A conduta adequada é:
As ceratoses actínicas são lesões pré-malignas com potencial de evolução para carcinoma espinocelular e indicam campo de cancerização em pele cronicamente fotoexposta; a conduta combina tratamento das lesões, por crioterapia ou terapias tópicas de campo, fotoproteção rigorosa e seguimento periódico para detectar precocemente tumores. Considerar apenas envelhecimento cutâneo perde a oportunidade de prevenção. Exérese cirúrgica ampla de toda a área é desproporcional e mutilante para lesões superficiais múltiplas. Quimioterapia sistêmica não tem indicação em doença cutânea pré-maligna localizada.
Mulher de 71 anos, com longa história de exposição solar, procura a Unidade Básica de Saúde por lesão na asa nasal esquerda que cresce lentamente há dois anos e sangra ao trauma leve. Ao exame, pápula perolada de 1,2 cm com telangiectasias na superfície e depressão central com crosta, de bordas elevadas e brilhantes, sem endurecimento profundo evidente e sem linfonodos palpáveis. A paciente não apresenta comorbidades descompensadas e faz uso apenas de anti-hipertensivo. A conduta correta é:
Pápula perolada com telangiectasias e ulceração central em área fotoexposta é carcinoma basocelular; a localização centrofacial, especialmente nariz e região perioorbitária, é de alto risco de recidiva e invasão em profundidade, justificando exérese com controle de margens em serviço com experiência, incluindo a possibilidade de cirurgia micrográfica. Curetagem sem exame histológico impede confirmar diagnóstico e margens em local de risco. Corticoide tópico não trata neoplasia e retarda o diagnóstico. Acompanhar sem tratar permite invasão de cartilagem e estruturas nobres, com reconstrução muito mais complexa depois.
Homem de 63 anos, trabalhador rural que passou a vida exposto ao sol sem proteção, comparece à Unidade Básica de Saúde por lesão em dorso do nariz que não cicatriza há dez meses. Refere sangramento ocasional ao secar o rosto. Ao exame: pápula perolada de 8 mm, com telangiectasias na superfície e depressão central com crosta, bordas elevadas e brilhantes; múltiplas máculas ásperas e eritematodescamativas em face e antebraços; pele com elastose solar acentuada. Sem adenomegalias cervicais. A hipótese e a conduta corretas são:
Pápula perolada com telangiectasias e ulceração central que não cicatriza em área fotoexposta, em paciente com elastose solar e ceratoses actínicas, é apresentação clássica de carcinoma basocelular, que exige confirmação histológica e tratamento cirúrgico, além de tratar as lesões pré-malignas e reforçar fotoproteção. Ceratose seborreica tem aspecto verrucoso, untuoso e aderido, sem ulceração progressiva. Impetigo é infecção aguda com crostas melicéricas, e não lesão de dez meses com bordas peroladas. Melanoma amelanótico é diagnóstico possível em lesões atípicas, mas o quadro descrito é típico de basocelular, e amputação nasal ampla não é conduta inicial de qualquer desses tumores.
Homem de 68 anos, agricultor por mais de quarenta anos e de pele clara, procura a Unidade Básica de Saúde para avaliação de lesões na face e no dorso das mãos, presentes há anos, que às vezes descamam e sangram discretamente. Ao exame apresenta múltiplas lesões eritematosas de superfície áspera e descamativa, mais perceptíveis ao tato do que à vista, com 3 a 8 mm, distribuídas em fronte, dorso do nariz e mãos, sobre pele com elastose solar acentuada e manchas hipercrômicas difusas. A conduta mais adequada é:
Lesões ásperas e descamativas em áreas cronicamente fotoexpostas de trabalhador rural são queratoses actínicas, marcadores de campo de cancerização com potencial de evolução para carcinoma espinocelular, tratadas com crioterapia ou terapias de campo, além de fotoproteção rigorosa e seguimento. Afirmar que nunca evoluem contraria o risco documentado de transformação. Corticoide tópico contínuo não trata a lesão e atrofia a pele já fotodanificada. Exérese ampla de toda a área é desproporcional e inviável diante de acometimento difuso.
Homem de 61 anos, pescador, procura a Unidade Básica de Saúde por ressecamento e descamação persistentes no lábio inferior há dois anos, com áreas que às vezes rachaam e sangram. É tabagista e nunca usou protetor labial. Ao exame apresenta lábio inferior com perda da nitidez do limite entre a semimucosa e a pele, áreas esbranquiçadas entremeadas a áreas atróficas e eritematosas, com descamação e uma pequena erosão persistente, sem nódulo endurecido palpável e sem adenomegalia cervical. A conduta mais adequada é:
Alteração crônica do lábio inferior em trabalhador com exposição solar intensa, com perda do limite semimucoso, áreas atróficas e erosão persistente, é queilite actínica, lesão potencialmente maligna que exige biópsia da área suspeita, tratamento e fotoproteção labial, além de cessação do tabagismo. Hidratante labial isolado com reavaliação anual atrasa o diagnóstico de carcinoma espinocelular. Corticoide contínuo atrofia ainda mais o tecido e mascara a evolução. Afirmar que essas lesões são sempre benignas contraria o risco bem estabelecido de transformação maligna.
Uma equipe de saúde da família planeja ação de prevenção do câncer de pele em município litorâneo com grande número de trabalhadores expostos ao sol, como pescadores, agricultores e carteiros. A equipe discute quais medidas devem compor a intervenção, considerando que o câncer de pele é a neoplasia mais frequente no Brasil e que os fatores de risco principais são exposição solar cumulativa, fototipo claro e queimaduras solares na infância. A medida com maior potencial de impacto populacional é:
O maior impacto populacional vem da prevenção primária, com fotoproteção, uso de chapéu e roupas adequadas, disponibilidade de sombra e medidas de proteção no ambiente de trabalho, associada à capacitação da equipe para identificar precocemente lesões suspeitas e encaminhá-las. Exame dermatológico anual de corpo inteiro para toda a população não tem evidência de benefício como rastreamento universal e é inviável na rede. Corticoide tópico não previne câncer de pele. Encaminhar todos os usuários com manchas congestiona a atenção especializada e não qualifica o acesso de quem realmente precisa.
Homem de 70 anos, agricultor, comparece à Unidade Básica de Saúde com lesão no lábio inferior há oito meses, que não cicatriza. Ele trabalha exposto ao sol sem proteção há décadas, é tabagista de cachimbo e etilista. Ao exame, há úlcera de 1,8 cm com bordas elevadas e endurecidas no vermelhão do lábio inferior, com áreas de queilite actínica ao redor. Não há linfonodos cervicais palpáveis e ele está em bom estado geral. A conduta correta é
Úlcera crônica de lábio inferior com bordas elevadas e endurecidas, em trabalhador com exposição solar crônica e queilite actínica, é altamente suspeita de carcinoma espinocelular, exigindo biópsia para confirmação e estadiamento. Corticoide tópico pode mascarar a lesão e retardar o diagnóstico. Herpes labial produz vesículas agrupadas recorrentes com resolução em dias, e não úlcera persistente por meses. Orientar apenas fotoproteção com reavaliação anual é atraso inaceitável diante de lesão com características de malignidade.
Homem de 70 anos comparece ao ambulatório com lesão na região malar direita, de crescimento lento há dois anos, com borda perolada, telangiectasias na superfície e depressão central com crosta que sangra ocasionalmente. Ele é agricultor aposentado e teve exposição solar intensa ao longo da vida. Não há linfonodos cervicais palpáveis, dor ou parestesia local. A lesão mede 1,2 cm e não está aderida a planos profundos. O diagnóstico mais provável e a conduta são
Lesão de crescimento lento com borda perolada, telangiectasias e ulceração central em área fotoexposta é característica do carcinoma basocelular, tratado por excisão com margens e confirmação anatomopatológica, com excelente prognóstico e raríssima metástase. O melanoma nodular apresenta pigmentação irregular e crescimento rápido, e a biópsia deve preferencialmente ser excisional. A queratose seborreica tem aspecto de lesão sobreposta à pele, sem borda perolada nem ulceração sangrante. O carcinoma espinocelular tem outro aspecto e o esvaziamento cervical eletivo não é conduta para lesões cutâneas pequenas sem adenomegalia.
Homem de 67 anos, trabalhador rural, é atendido na Unidade Básica de Saúde por duas lesões de face. A primeira, na asa nasal, é uma pápula perolada com telangiectasias na superfície e depressão central, de crescimento muito lento em dois anos, sem sintomas. A segunda, no lábio inferior, é uma placa endurecida, ceratósica e ulcerada, surgida há quatro meses, com crescimento rápido. Ele tem pele clara, exposição solar diária sem proteção e é tabagista. Palpa-se linfonodo submandibular endurecido de 1,5 cm. Qual é a hipótese para cada lesão e a conduta?
A pápula perolada com telangiectasias e crescimento lento é típica de carcinoma basocelular, tumor localmente invasivo e de baixo potencial metastático; já a placa ceratósica ulcerada de crescimento rápido em lábio de tabagista com linfonodo endurecido sugere carcinoma espinocelular, que metastatiza e exige avaliação prioritária. Ceratose actínica é lesão pré-maligna eritematodescamativa, sem ulceração ou linfonodo. Ceratose seborreica tem aspecto verrucoso e untuoso, e herpes labial é recorrente e vesicular, não uma placa endurecida persistente. Melanoma amelanótico é raro e o diagnóstico exige biópsia, que não se dispensa em nenhum cenário.
Homem, 70 anos, fototipo II, agricultor aposentado com longa exposição solar cumulativa, apresenta múltiplas lesões eritematosas ásperas e descamativas em couro cabeludo calvo, fronte e dorso das mãos, de 3 a 8 mm, mais perceptíveis à palpação do que à inspeção. Nega dor, sangramento e ulceração. Algumas lesões são confluentes, formando áreas extensas de pele danificada, com elastose solar difusa. Qual o diagnóstico e a implicação clínica principal?
Lesões eritematosas ásperas em áreas cronicamente fotoexpostas, mais perceptíveis ao tato, em paciente com elastose solar, são queratoses actínicas, lesões precursoras que podem progredir para carcinoma espinocelular — daí a indicação de tratamento lesional e de campo de cancerização. As queratoses seborreicas são lesões acastanhadas, de aspecto pregado e superfície aveludada, benignas e sem relação com fotoexposição. As verrugas virais têm superfície verrucosa com pontos hemorrágicos e não se distribuem exclusivamente em áreas fotoexpostas. A dermatite seborreica acomete áreas ricas em glândulas sebáceas com descamação untuosa. A psoríase apresenta placas eritematosas bem delimitadas com escamas prateadas, tipicamente em superfícies extensoras e não restritas a áreas fotoexpostas.
Homem, 70 anos, tabagista e com longa exposição solar, apresenta há 1 ano lesão no lábio inferior, inicialmente placa esbranquiçada e agora úlcera endurecida de 2 cm, com bordas evertidas e sangramento ao trauma. Exame: lesão infiltrativa em vermelhão do lábio inferior e linfonodo submandibular ipsilateral de 2 cm, endurecido e móvel. Biópsia: carcinoma espinocelular moderadamente diferenciado, com invasão de 6 mm de profundidade. Qual a principal implicação clínica?
O carcinoma espinocelular de lábio, com invasão profunda e linfonodo palpável em paciente tabagista, tem risco relevante de metástase linfonodal, exigindo estadiamento com imagem, avaliação do linfonodo e abordagem cervical conforme o resultado. Considerar o comportamento indolente e dar alta sem seguimento é um erro grave, pois o lábio é sítio de alto risco. A crioterapia trata lesões superficiais e é inaceitável em tumor invasivo com adenopatia. A radioterapia isolada pode integrar o tratamento, mas nunca sem avaliação linfonodal adequada. O imiquimode tópico é opção para lesões intraepidérmicas superficiais e não trata carcinoma invasivo profundo.
Homem, 68 anos, apresenta há 3 anos placa eritematosa bem delimitada de 2,5 cm no dorso da mão, com descamação persistente e crostas, sem cicatrização espontânea, refratária a corticoide e antifúngico tópicos. Nega dor e prurido. Exame: placa com bordas nítidas, superfície irregular, sem infiltração profunda evidente. Biópsia: atipia queratinocítica em toda a espessura da epiderme, sem invasão da derme, com membrana basal íntegra. Qual o diagnóstico?
Placa eritemato-descamativa crônica, bem delimitada, refratária a tratamentos tópicos, com atipia queratinocítica em toda a espessura da epiderme e membrana basal íntegra, define a doença de Bowen, carcinoma espinocelular in situ, que exige tratamento por risco de progressão a invasor. A psoríase teria outras lesões em áreas típicas, escamas prateadas e resposta ao tratamento. O eczema numular é pruriginoso, múltiplo e responde a corticoide. O carcinoma basocelular superficial mostra ninhos basaloides com paliçada periférica e retração do estroma, histologia distinta da atipia queratinocítica de espessura total. A tinha teria exame micológico positivo e resposta ao antifúngico, já tentado sem sucesso.
Mulher, 64 anos, apresenta na região malar direita placa endurecida, esbranquiçada e brilhante, de limites imprecisos, com aspecto cicatricial, de crescimento lento nos últimos 3 anos, sem antecedente de trauma ou cirurgia no local. Nega dor. Exame: lesão de 1,5 cm com telangiectasias finas na superfície e retração da pele, com bordas mal definidas à palpação. Biópsia: cordões estreitos de células basaloides infiltrando estroma esclerótico. Qual o diagnóstico e a implicação terapêutica?
Placa esclerótica com telangiectasias, limites imprecisos e histologia de cordões basaloides em estroma esclerótico define carcinoma basocelular esclerodermiforme, subtipo agressivo com extensão subclínica ampla, no qual a cirurgia micrográfica de Mohs oferece o melhor controle de margens, sobretudo em face. Cicatriz hipertrófica exigiria antecedente traumático e não teria essa histologia. A morfeia facial não apresenta ninhos de células basaloides e não é neoplásica. O carcinoma basocelular nodular tem bordas peroladas bem definidas e histologia com ninhos grandes, e curetagem com eletrocoagulação é inadequada para o subtipo esclerodermiforme. A queratose seborreica é benigna, de superfície pregada, sem infiltração esclerótica.
Homem, 60 anos, tabagista, apresenta há 3 meses lesão nodular de crescimento rápido no dorso do nariz, com 1,5 cm, cratera central preenchida por queratina e bordas elevadas e regulares. Nega dor. Refere que a lesão surgiu e cresceu em poucas semanas, com aparente estabilização recente. Biópsia excisional: proliferação escamosa bem diferenciada com arquitetura crateriforme simétrica e queratinização central abundante. Qual a conduta mais adequada diante desse diagnóstico?
O queratoacantoma tem crescimento rápido e arquitetura crateriforme e, embora possa regredir espontaneamente, é hoje considerado variante bem diferenciada de carcinoma espinocelular pela impossibilidade de distinção segura, devendo ser tratado com exérese completa e seguimento, sobretudo em face. Confiar na regressão espontânea garantida arrisca destruição tecidual e eventual comportamento agressivo. A crioterapia superficial não trata lesão nodular profunda e impede a avaliação de margens. A quimioterapia sistêmica é desproporcional para lesão localizada e ressecável. O corticoide intralesional não tem indicação e retardaria o tratamento definitivo de uma lesão com potencial de carcinoma.
Homem, 66 anos, tabagista, apresenta há 2 anos ressecamento, descamação e perda da nitidez do limite entre o vermelhão e a pele do lábio inferior, com áreas esbranquiçadas e fissuras persistentes. Trabalhou 40 anos como pescador, com exposição solar diária e sem proteção labial. Exame: vermelhão do lábio inferior atrófico, com áreas leucoplásicas e uma erosão persistente de 5 mm que não cicatriza há 3 meses. Qual o diagnóstico e a conduta?
Alteração crônica do vermelhão do lábio inferior com atrofia, leucoplasia e perda do limite cutaneomucoso em paciente com fotoexposição ocupacional intensa é queilite actínica, lesão precursora de carcinoma espinocelular; a erosão que não cicatriza há 3 meses exige biópsia para excluir transformação maligna. O herpes labial produz vesículas recorrentes que cicatrizam em dias, não erosão persistente por meses. A candidíase labial cursa com placas removíveis e resposta ao antifúngico. A queilite angular acomete as comissuras labiais, com fissuras nos ângulos da boca. O líquen plano labial apresenta estrias reticuladas brancas, e tratar apenas com corticoide sem biopsiar uma erosão persistente arriscaria retardar o diagnóstico de câncer.
Homem, 62 anos, não circuncidado, apresenta há 1 ano placa eritematosa aveludada e brilhante, bem delimitada, de 1,5 cm na glande, que não melhorou com corticoide e antifúngico tópicos. Nega dor, prurido intenso e secreção. Exame: placa vermelho-vivo com superfície lisa, sem ulceração e sem infiltração profunda. Biópsia: atipia queratinocítica de espessura total da epiderme, com membrana basal íntegra e presença de HPV de alto risco. Qual o diagnóstico?
Placa eritematosa aveludada persistente na glande, refratária a tópicos, com atipia queratinocítica de espessura total e membrana basal íntegra, é eritroplasia de Queyrat, carcinoma espinocelular in situ, que exige tratamento pelo risco de progressão a invasor. A balanopostite candidiásica cursa com placas esbranquiçadas e eritema com resposta ao antifúngico, já tentado. A balanite de Zoon apresenta placa eritematosa alaranjada com infiltrado plasmocitário à histologia, sem atipia queratinocítica. A psoríase genital produz placas eritematosas bem delimitadas com lesões em outras áreas típicas e histologia de acantose regular. O líquen escleroso genital cursa com placas brancas atróficas e esclerose do prepúcio e do meato.
Mulher, 55 anos, é atendida na UBS com queixa de lesão em dorso do nariz que cresce lentamente há 1 ano, com sangramento ocasional ao lavar o rosto. Trabalhou como feirante por 25 anos sem proteção solar. Exame: pápula perolada de 8 mm com telangiectasias na superfície e ulceração central com crosta, bordas elevadas, sem linfonodos palpáveis. Restante do exame dermatológico com múltiplas ceratoses actínicas em face e antebraços. Qual a hipótese diagnóstica e a conduta?
Pápula perolada com telangiectasias e ulceração central de crescimento lento em área fotoexposta, em pessoa com dano actínico crônico, é a apresentação típica do carcinoma basocelular, exigindo confirmação histológica e tratamento, além de orientação de fotoproteção e vigilância de novas lesões. A ceratose seborreica tem aspecto verrucoso, aderido e com superfície opaca, sem telangiectasias nem ulceração progressiva. O melanoma nodular costuma ser pigmentado, de crescimento rápido, e a suspeita descrita não corresponde a esse padrão. O molusco contagioso forma pápulas umbilicadas múltiplas, frequentes em crianças e imunossuprimidos. O granuloma piogênico cresce em semanas, é friável e sangra intensamente, e cauterizar sem histologia perderia o diagnóstico de uma neoplasia.
Homem, 47 anos, transplantado renal há dois anos, em uso de tacrolimo, micofenolato e prednisona. Apresenta lesões cutâneas hiperceratóticas em face e dorso das mãos, além de uma lesão ulcerada de crescimento rápido em pavilhão auricular. PA 132/80 mmHg, FC 76 bpm, sem febre. Trabalha exposto ao sol e não faz uso regular de fotoprotetor nem realiza acompanhamento dermatológico. Qual a conduta indicada?
Transplantados sob imunossupressão crônica têm risco muito elevado de carcinoma espinocelular cutâneo, especialmente com exposição solar ocupacional, e uma lesão ulcerada de crescimento rápido exige biópsia, tratamento dirigido e fotoproteção rigorosa, além de ajuste da imunossupressão. Suspender toda a imunossupressão provoca rejeição e perda do enxerto. Corticoide tópico com reavaliação em seis meses atrasa o diagnóstico oncológico. Afirmar que a imunossupressão não aumenta o risco contraria evidência sólida. Aumentar o micofenolato agrava a imunossupressão e o risco neoplásico.
Homem, 62 anos, com fístula crônica e ferida na perna direita há 22 anos, sequela de osteomielite pós-traumática. Nos últimos 6 meses a ferida cresceu, com bordas elevadas e everteu, passando a sangrar ao toque e a exalar odor fétido. Exame: úlcera de 7 cm com bordas endurecidas e vegetantes, linfonodo inguinal palpável de 2 cm, endurecido. Qual a hipótese diagnóstica e a conduta?
A hipótese é úlcera de Marjolin, carcinoma espinocelular que surge em ferida crônica ou fístula de osteomielite de longa data: crescimento recente, bordas elevadas e evertidas, sangramento ao toque, odor fétido e linfonodo endurecido são sinais de transformação maligna, e a conduta é a biópsia das bordas com planejamento oncológico. A reagudização da osteomielite cursaria com sinais flogísticos e drenagem purulenta, sem bordas vegetantes. A úlcera venosa é rasa, com bordas irregulares e pele com hiperpigmentação ocre. O pioderma gangrenoso apresenta bordas violáceas com halo eritematoso e patergia, e o corticoide seria deletério em neoplasia. A leishmaniose tem borda em moldura mas evolui em meses, não em duas décadas de fístula.
Homem, 71 anos, agricultor aposentado, apresenta múltiplas lesões ásperas e eritematodescamativas na face, no couro cabeludo calvo e no dorso das mãos há vários anos. Exame: mais de 20 lesões de 3 a 8 mm, com superfície áspera à palpação, sem ulceração, sem induração e sem sangramento; pele com elastose solar difusa. Uma das lesões, no lábio inferior, está endurecida e ulcerada há 3 meses. Qual a conduta mais adequada?
A conduta é biopsiar a lesão endurecida e ulcerada do lábio inferior, suspeita de carcinoma espinocelular, e tratar as demais com terapia dirigida ao campo de cancerização, com agentes tópicos ou terapia fotodinâmica, sempre associada à fotoproteção rigorosa. Tratar tudo com crioterapia sem biopsiar a lesão suspeita retarda o diagnóstico de um carcinoma em localização de risco. Afirmar que a ceratose actínica nunca evolui para carcinoma espinocelular é falso, pois ela é lesão precursora. Ressecar com margem de 1 cm dezenas de ceratoses é mutilante e desnecessário. O corticoide tópico não trata ceratose actínica e não modifica o campo de cancerização.
Mulher, 66 anos, apresenta lesão perlácea com telangiectasias e bordas elevadas de 1,4 cm na asa nasal esquerda há 2 anos, com crescimento lento. Biópsia incisional confirma carcinoma basocelular de padrão infiltrativo. Exame: lesão de limites clínicos imprecisos, aderida à cartilagem alar, sem linfonodomegalia cervical; sem outras lesões cutâneas suspeitas. Qual a estratégia cirúrgica mais adequada?
A estratégia adequada é a cirurgia micrográfica de Mohs: carcinoma basocelular de padrão infiltrativo, em área de alto risco de recidiva como a asa nasal, com limites clínicos imprecisos, é indicação clássica da técnica, que avalia 100% das margens e preserva ao máximo o tecido em região nobre. A exérese com 3 mm sem controle de margens tem alta taxa de recidiva nesse subtipo. A radioterapia exclusiva é alternativa em pacientes sem condições cirúrgicas e traz sequelas tardias em cartilagem. A curetagem com eletrocoagulação é contraindicada em subtipos agressivos e em áreas de alto risco. Margem de 2 cm na asa nasal é mutilante e desnecessária para carcinoma basocelular.
Qual característica visual do nódulo nasal à esquerda favorece carcinoma basocelular?

É morfologia sugestiva, a confirmar conforme avaliação.
A lesão persistente ulcerada e queratósica do lábio inferior à direita exige excluir qual neoplasia?

É hipótese relevante nessa localização e morfologia.
Além do dano solar e da imunossupressão, qual exposição ambiental é reconhecida como fator de risco para carcinoma espinocelular cutâneo?
A exposição ao arsênio integra os fatores de risco reconhecidos. Referência: NCI. Skin Cancer Treatment, Health Professional PDQ. https://www.cancer.gov/types/skin/hp/skin-treatment-pdq
No estudo da predisposição hereditária a carcinomas basocelulares, qual função normal do gene PTCH1 explica sua classificação como supressor tumoral?
A perda da função de PTCH1 favorece ativação inadequada dessa via. Referência: MedlinePlus/NIH. Gorlin syndrome. https://medlineplus.gov/genetics/condition/gorlin-syndrome/
Qual associação de manifestações deve levantar suspeita de síndrome de Gorlin em uma pessoa jovem com múltiplos carcinomas basocelulares?
São manifestações características da síndrome de Gorlin. Referência: MedlinePlus/NIH. Gorlin syndrome. https://medlineplus.gov/genetics/condition/gorlin-syndrome/
Nas formas clássicas de xeroderma pigmentoso relacionadas a genes do reparo por excisão de nucleotídeos, qual falha explica o risco elevado de câncer após radiação ultravioleta?
A deficiência de reparo permite acúmulo de dano genético; a variante POLH envolve outro mecanismo de tolerância ao dano. Referência: MedlinePlus/NIH. Xeroderma pigmentosum. https://medlineplus.gov/genetics/condition/xeroderma-pigmentosum/
Qual característica técnica da cirurgia micrográfica de Mohs permite poupar tecido sadio no tratamento de carcinomas cutâneos selecionados?
O exame durante o procedimento orienta onde ampliar a remoção. Referência: NCI. Skin Cancer Treatment, Health Professional PDQ. https://www.cancer.gov/types/skin/hp/skin-treatment-pdq
Quando a criocirurgia é escolhida para uma lesão cutânea apropriada, qual processo físico é utilizado para destruir o tecido tratado?
A criocirurgia utiliza temperaturas muito baixas, frequentemente com nitrogênio líquido. Referência: NCI. Skin Cancer Treatment, Health Professional PDQ. https://www.cancer.gov/types/skin/hp/skin-treatment-pdq
Por que o desaparecimento superficial de um carcinoma basocelular após 5-fluorouracil tópico não assegura controle de um componente infiltrativo profundo?
Tratamento tópico exige seleção de lesões apropriadas e avaliação da resposta. Referência: NCI. Skin Cancer Treatment, Health Professional PDQ. https://www.cancer.gov/types/skin/hp/skin-treatment-pdq
No tratamento de carcinoma basocelular avançado selecionado, qual proteína da via Hedgehog é inibida diretamente pelo vismodegibe?
O vismodegibe bloqueia Smoothened, componente da via Hedgehog. Referência: NCI. Skin Cancer Treatment, Health Professional PDQ. https://www.cancer.gov/types/skin/hp/skin-treatment-pdq
Qual limitação deve ser considerada ao empregar curetagem e eletrodessecação em um carcinoma basocelular selecionado?
A remoção destrutiva dificulta assegurar a extensão microscópica residual. Referência: NCI. Skin Cancer Treatment, Health Professional PDQ. https://www.cancer.gov/types/skin/hp/skin-treatment-pdq
No acompanhamento de um paciente em uso de vismodegibe, qual conjunto corresponde a efeitos adversos frequentemente descritos?
Esses efeitos podem prejudicar a tolerabilidade e devem ser avaliados. Referência: NCI. Skin Cancer Treatment, Health Professional PDQ. https://www.cancer.gov/types/skin/hp/skin-treatment-pdq
Se houver linfonodo regional aumentado, qual passo deve integrar o estadiamento?

Linfonodo pode ser reativo ou neoplásico; esclarecimento influencia estágio e conduta.
Por que o estado de imunossupressão influencia avaliação e seguimento de possível carcinoma espinocelular?

Estado imune compõe avaliação de risco e planejamento do cuidado oncológico cutâneo.
Qual característica temporal é sinal de alerta no caso?

Persistência e crescimento justificam investigação de lesão que não cicatriza.
Qual conduta integra persistência, induração e imunossupressão?

Lesão persistente suspeita, especialmente em imunossuprimido, precisa de confirmação histológica e estratificação de risco.
Qual local anatômico apresenta a lesão descrita?

O lábio inferior é o local registrado.
Uma idosa apresenta a lesão ilustrada há oito meses, com crescimento lento e sangramento ocasional. Qual hipótese é mais provável? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

Superfície rósea brilhante, vasos e erosão crostosa são sugestivos; exige confirmação histológica.
Qual combinação de achados visíveis melhor sustenta a principal suspeita para esta lesão? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

A combinação é sugestiva de carcinoma basocelular nodular.
Uma trabalhadora rural de 74 anos tem a lesão persistente ilustrada e diversas manchas semelhantes às da pele adjacente. Qual exposição crônica é especialmente relevante para esse padrão e localização? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

Dorso das mãos e dano actínico adjacente favorecem exposição solar crônica.
Qual descrição corresponde à lesão persistente mostrada no dorso da mão? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

A superfície espessa e crostosa contrasta com a pele adjacente.
A biópsia da lesão da figura confirma carcinoma basocelular infiltrativo. Ao planejar tratamento com controle de margens, qual característica anatômica demonstrada na imagem reforça essa escolha? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

A localização nasal exige conciliar remoção tumoral e preservação funcional.
A lesão ilustrada aumentou nos últimos meses e apresenta base endurecida à palpação. Qual abordagem esclarece a possibilidade de invasão? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

A amostra deve permitir diferenciar lesão intraepidérmica de carcinoma invasivo.
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em 7 dias
Refaça de cabeça a tabela das duas colunas: basocelular é 80%, cresce em anos, é perolado com telangiectasia e borda em rolete, fica nos dois terços superiores da face e não metastatiza; espinocelular é 20%, cresce em meses, é ceratósico de base endurecida, prefere lábio inferior, orelha e dorso das mãos, nasce sobre ceratose actínica ou cicatriz e vai para linfonodo. Depois responda em voz alta: quais são as margens de 4, 5 e 6 mm e a que situação cada uma pertence?
em 30 dias
Escreva as três decisões brasileiras que datam o tema, com ano e sentido: rastreamento populacional não recomendado pelo INCA; terapia fotodinâmica incorporada ao SUS em 2023 para basocelular superficial e nodular; vismodegibe não incorporado em 2026 para o basocelular avançado. Em seguida, liste os oito critérios que transformam um espinocelular em alto risco e diga, para cada um, o que ele muda na conduta.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Homem de 71 anos, pescador aposentado, chega à unidade básica com uma lesão no pavilhão auricular direito que 'virou ferida' há cinco meses, sangra ao encostar e vem crescendo. Você tem a consulta para caracterizar a lesão, examinar o restante da pele fotoexposta, palpar as cadeias cervicais e decidir entre biopsiar, encaminhar ou tratar. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
