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Hipotireoidismo adquirido na criança: a estatura decide a investigação

Hipotireoidismo adquirido na criança e no adolescente: bócio, anticorpo e dose por quilo

O crescimento que desacelera abre a porta que o peso não abre, e a tabela brasileira de dose por quilo fecha aos dezesseis anos.

01

Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Menino de 9 anos é avaliado por obesidade iniciada aos 4 anos, com hiperfagia intensa. Índice de massa corporal em escore-z +3,1, estatura em escore-z +1,8 e velocidade de crescimento de 7 cm no último ano. Não há bócio, a pele é normal e o desenvolvimento é adequado. Exames: TSH 6,9 mUI/L, T4 livre normal. Qual é a conduta correta quanto ao achado hormonal?

02

Como esse tema cai

A tireoide da criança tem duas doenças de prova, e elas não se parecem. Uma nasce com o bebê, é achada por um programa de triagem e tem tratamento contado em dias. A outra aparece depois, quase sempre na segunda década, instala-se devagar e é achada por quem repara na curva de crescimento. Este capítulo trata da segunda: o hipotireoidismo adquirido, cuja causa dominante na infância é a tireoidite crônica linfocitária autoimune.

O eixo da decisão é a estatura. O peso não seleciona ninguém: criança pesada é comum, e a doença tireoidiana é rara entre elas. O que seleciona é a direção da curva de altura. Criança que ganha peso e continua crescendo bem tem um problema de balanço energético; criança que ganha peso e desacelera saiu desse território. Essa é a mesma linha que separa, no exame, quem recebe dosagem hormonal de quem recebe rastreio metabólico.

Ficam de fora três recortes. O hipotireoidismo congênito — papel-filtro, faixas de TSH da triagem, prazo de início — tem capítulo próprio nesta apostila, e a doença é outra. A obesidade como entidade, com suas metas de tratamento, suas idades autorizadas e seu rastreio metabólico, pertence à apostila de Nutrologia Pediátrica, que já cede este assunto ao dizer que hormônio tireoidiano não entra em criança que cresce bem. E a investigação do eixo do hormônio de crescimento, com teste de estímulo e idade óssea, pertence ao capítulo de baixa estatura da apostila de Puericultura e Desenvolvimento — aqui entra só o que a tireoide precisa afastar antes.

03

O que muda decisão

O hormônio que faz crescer, e o peso que não denuncia

Como usar este capítulo: suspeite diante de desaceleração do crescimento, ganho ponderal, bócio ou sintomas compatíveis e interprete TSH e T4 livre em conjunto. Anticorpos esclarecem a etiologia; indicação, dose e monitorização da levotiroxina dependem da idade e da intensidade da disfunção.

A revisão brasileira que organiza este assunto é categórica sobre o papel do hormônio tireoidiano: ele pode ser considerado um verdadeiro fator de crescimento, e sua deficiência prejudica o crescimento e o desenvolvimento da criança mesmo na presença do hormônio de crescimento. Isso muda a ordem da investigação. Diante de uma criança que parou de subir na curva, a tireoide não é uma hipótese distante que se guarda para o fim — ela é a que se afasta primeiro, porque é barata de afastar e porque, se estiver presente, nenhuma outra reposição resolve.

Quando o hipotireoidismo é adquirido, com início mais tardio, o comprometimento cognitivo é menos evidente do que na forma congênita, mas o crescimento é afetado e essas crianças terão atraso da maturação óssea. É a única manifestação que aparece cedo, é mensurável na consulta comum e não depende de nenhum equipamento: basta medir a altura, plotar e comparar com a medida anterior.

No adolescente, o quadro se arrasta e se disfarça de vida. A revisão lista fadiga, dificuldades escolares, obstipação intestinal, pele e cabelos secos, queda de cabelo, unhas quebradiças, intolerância ao frio e apetite diminuído. Nas meninas podem aparecer irregularidades menstruais, e a revisão registra que o aumento do fluxo é mais comum do que a ausência de menstruação — o contrário do que a intuição sugere para uma doença que lentifica tudo.

Repare no apetite. A imagem popular da doença é a de quem engorda comendo pouco, e a fonte brasileira desmonta essa imagem em duas frases. Primeiro, ao descrever o adolescente, ela ressalta que a obesidade não é característica do hipotireoidismo. Depois, no diagnóstico diferencial, escreve que se deve lembrar sempre que o hipotireoidismo é raramente associado a quadros de obesidade.

O que resta como sinal confiável, então, é a estatura. O peso é um número que a família traz; a altura é um número que o serviço tem de medir, plotar e comparar com o do ano passado. A conduta prática que sai daqui é simples e ingrata: em toda consulta de criança que engordou, mede-se a altura e olha-se para trás, porque é a comparação com a medida anterior — e não a queixa — que decide se a tireoide entra na conversa.

Régua de parede sem numeração com três marcas de estatura, cujo intervalo mais recente é bem mais estreito que o anterior, ao lado da silhueta de uma criança de costas.
A queda da velocidade de crescimento aparece no espaço entre duas marcas, antes de o exame físico denunciar qualquer coisa.

Duas frases que parecem brigar, e não brigam

Há uma tensão aparente entre o que a revisão brasileira afirma e o que a prática pediátrica brasileira faz. A revisão diz que o hipotireoidismo raramente vem com obesidade. E, no entanto, é rotina mandar dosar hormônio tireoidiano justamente na criança que engordou. Se as duas coisas fossem respostas à mesma pergunta, uma delas estaria errada. Não são.

A primeira frase responde a uma pergunta de prevalência: entre as crianças que têm hipotireoidismo, quantas são obesas? Poucas. A doença rouba estatura antes de acrescentar peso, e o ganho ponderal que ela produz é modesto, muito dele por infiltração de tecido e não por gordura. Quem espera encontrar uma criança francamente obesa para pensar na tireoide vai perder a maioria dos casos.

A segunda responde a uma pergunta de seleção: entre as crianças que chegam pesadas ao serviço, quais merecem dosagem hormonal? As que pararam de crescer. Aqui a raridade da doença não atrapalha — o que interessa é que o subgrupo selecionado pela desaceleração concentra as poucas causas endócrinas, e que deixar de identificá-las custa estatura final.

As duas frases convivem porque a variável que as reconcilia não é o peso: é a direção da curva de altura. A base populacional e o critério de seleção são planos diferentes de raciocínio, e confundi-los produz os dois erros clássicos e opostos — pedir hormônio para toda criança pesada, e não pedir para aquela em que o crescimento cedeu.

Na consulta isso vira uma única troca de pergunta. Não se pergunta “esta criança está pesada?”, porque a resposta quase sempre é sim e ela não separa nada. Pergunta-se “esta criança ainda está crescendo?”, e é essa resposta que abre ou fecha a porta do laboratório hormonal.

A tireoide nos dois lados da mesma régua

O documento científico brasileiro sobre quando desconfiar da obesidade organiza toda a etiologia em duas colunas, e a coluna é a estatura. De um lado, estatura normal ou aumentada: a obesidade comum, poligênica, com idade óssea normal ou avançada e avanço puberal nas meninas; ao lado dela, endocrinopatias que não roubam altura, como a síndrome dos ovários policísticos e a hiperinsulinemia; e o uso de medicações.

Do outro lado, estatura diminuída, e é aqui que o documento coloca a tireoide: bócio, pele seca e fria, atraso puberal, constipação, queda no rendimento escolar e sonolência levam ao hipotireoidismo. Na mesma coluna estão a adiposidade centrípeta com voz fina, que aponta deficiência de hormônio de crescimento, a hiperfagia com sinais de hipertensão intracraniana, que aponta disfunção hipotalâmica, e as estrias com giba e obesidade truncal, que apontam hipercortisolismo.

Páginas adiante, no quadro das obesidades monogênicas, o mesmo documento descreve o fenótipo do receptor tipo quatro da melanocortina — a forma monogênica mais frequente — e registra, lado a lado, aceleração da velocidade de crescimento e da estatura e hipotireoidismo subclínico. Quer dizer: um estado de hormônio tireoidiano insuficiente aparece, dentro do próprio material, no lado alto da régua que ele mesmo montou.

Não é preciso sair do documento para resolver a aparente incoerência, e ela não é erro de digitação: as duas entradas descrevem coisas diferentes com o mesmo nome. Na coluna da estatura diminuída, a tireoide é causa do quadro. No quadro monogênico, a elevação leve do hormônio estimulante é companhia — um achado laboratorial que acompanha a adiposidade e a mutação, sem explicar nem o peso nem a altura.

A regra de leitura que sai daí é a mais útil do capítulo e vale para qualquer resultado que chegue às mãos. Hormônio estimulante alto em criança que cresce rápido não é o motor do quadro, e tratá-lo com reposição é tratar um passageiro. Hormônio estimulante alto em criança cuja velocidade caiu é o motor até prova em contrário. Antes de decidir o que fazer com o número, olhe para onde a curva de altura está indo.

Três fases, e nenhuma com prazo

A tireoidite crônica linfocitária é, segundo a revisão brasileira, a doença da tireoide mais frequente em pediatria e a principal causa dos bócios não tóxicos. Ela é rara antes dos quatro anos e tem frequência elevada entre os dez e os onze. A predominância feminina é grande e varia com a origem do levantamento: de quatro para um até oito para um. Numa população estudada de adolescentes, o registro foi de cinco casos novos por mil por ano.

O que torna a doença difícil de reconhecer não é a raridade, é a forma como ela caminha. A história natural segue uma sequência de três estágios: uma tireoidite tóxica, transitória e autolimitada; depois um bócio eutireóideo; e por fim o hipotireoidismo, com ou sem bócio. Na primeira consulta a criança pode estar em qualquer um desses estágios.

E nenhum deles tem tempo certo de duração. O curso da fase tóxica pode variar de semanas a meses, e nessa fase os dados de laboratório — hormônios e anticorpos — confundem-se com os do hipertireoidismo. É por isso que uma criança com anticorpo positivo e hormônio estimulante baixo não está, necessariamente, com a doença oposta: pode ser a mesma doença no seu primeiro ato.

Muitas crianças mantêm-se em estado hormonal normal por alguns anos para só então exibir um quadro de hipotireoidismo. Essa frase tem consequência direta na conduta: um resultado normal hoje não encerra o caso de quem tem bócio ou anticorpo. Encerrar ali é a forma mais comum de perder anos de crescimento em quem já tinha o diagnóstico ao alcance.

A conduta que sai da história natural é de agenda, não de prescrição. Quem tem bócio ou anticorpo e função normal sai da consulta com data de retorno marcada e com a família orientada sobre o que observar — queda de rendimento escolar, intolerância ao frio, obstipação —, e volta a medir altura e hormônio no intervalo combinado, porque a doença que se instala devagar só é pega por quem volta a olhar.

Quando não há bócio

O bócio é a queixa que costuma abrir o caso. A revisão descreve a glândula difusamente aumentada de volume, de duas a cinco vezes o normal, e em geral não nodular — um pescoço que a mãe percebe, ou que o pediatra encontra ao palpar de rotina. Quando ele está lá, o caminho é curto: dosa-se a função e pedem-se os anticorpos.

O problema é o outro caso. A mesma revisão registra que crianças e adolescentes com baixa estatura, ou com velocidade de crescimento progressivamente diminuída, com idade óssea atrasada, pele seca e outros aspectos do hipotireoidismo, mesmo sem bócio, podem apresentar uma forma mais grave da doença — aquela em que a glândula já se tornou fibrótica.

A inversão é contraintuitiva e merece ser dita com todas as letras: a ausência de bócio, nessa criança, não afasta a tireoidite. Ela sugere doença mais avançada, não menos. O pescoço liso é compatível com uma glândula que já foi substituída por fibrose e por isso deixou de estar aumentada.

Some-se a isso que o exame do pescoço na criança é operador-dependente e que o excesso de tecido subcutâneo dificulta a palpação exatamente naquela criança que se quer investigar. O achado positivo vale; o achado negativo vale pouco. Palpar continua sendo obrigatório, mas o resultado da palpação não pode ser o critério de decisão.

Na prática, o que decide é a mesma coisa de sempre. Diante de baixa estatura ou de queda na velocidade de crescimento, dosa-se a função tireoidiana independentemente do pescoço; e diante de um pescoço aumentado, dosa-se a função mesmo que a criança esteja crescendo bem, porque o bócio eutireóideo é um dos estágios da doença e pede acompanhamento. Vale registrar a assimetria: o bócio adianta o raciocínio quando está presente, mas nunca o encerra quando falta. Quem condiciona a dosagem hormonal à palpação de um pescoço aumentado troca um exame barato por uma manobra imprecisa, e o preço desse erro é pago em centímetros que não voltam.

O que se pede, e a idade em que o anticorpo entra

A primeira dupla é sempre a mesma: hormônio estimulante da tireoide e tiroxina livre. Ela responde à pergunta funcional — a glândula está entregando hormônio suficiente? — e é a única que muda conduta imediata. O padrão do hipotireoidismo primário, que é o comum nessa idade, é hormônio estimulante alto com tiroxina livre baixa; a elevação isolada do estimulante, com tiroxina normal, tem regra própria e será tratada adiante.

O anticorpo vem depois, e a revisão brasileira dá inclusive a idade em que ele passa a fazer parte da rotina: a partir dos quatro anos, sobretudo, além dos valores de função devemos ter os anticorpos antitireoglobulina e antiperoxidase para diagnosticar a tireoidite. O anticorpo não é o exame que decide tratar, e sim o que dá nome à causa e prevê que a função vai piorar com o tempo.

A ultrassonografia é descrita como exame de valor para diagnóstico e seguimento: imagens de textura irregular do parênquima lembram tireoidite. Ela não substitui a função nem o anticorpo — entra para caracterizar a glândula e, principalmente, para procurar o que a palpação não alcança.

É aqui que mora o achado que muda o encaminhamento. A presença de nódulos ou cistos merece atenção especial, porque a revisão registra que de dez a vinte e cinco por cento dos nódulos podem ser carcinomas — proporção que não é a do adulto e que transforma um nódulo nessa criança em indicação de punção biópsia, não de observação. A tireoglobulina no soro, por sua vez, indica lesão do parênquima e pode funcionar como marcador tumoral.

Fica de fora o exame que a memória insiste em trazer junto: a captação da glândula por isótopo radioativo serve para definir glândula ectópica, agenesia e disgenesia — perguntas do recém-nascido, não do adolescente com bócio. A ordem que resolve a consulta é hormônio, depois anticorpo, depois imagem, e cada passo só se justifica pelo que o anterior mostrou.

A encefalopatia que não espera o hormônio

Existe uma apresentação da mesma doença que não se anuncia pela glândula nem pela curva de crescimento, e a revisão brasileira faz questão de destacá-la: a encefalopatia de Hashimoto, envolvimento do sistema nervoso central que deve ser lembrada em quadros de encefalopatia de causa desconhecida.

O detalhe que a torna traiçoeira é o estado hormonal. A revisão orienta pesquisar adolescentes com história de presença de anticorpos mesmo em situação de função normal, com tiroxina e hormônio estimulante dentro da faixa, que apresentem declínio cognitivo progressivo. Quer dizer: a função tireoidiana normal não afasta essa complicação, porque o mecanismo não é a falta de hormônio.

Isso obriga a separar dois quadros que chegam com a mesma queixa da escola. A queda de rendimento do hipotireoidismo instalado vem acompanhada de lentificação geral, intolerância ao frio, obstipação e pele seca, e melhora com reposição. O declínio cognitivo progressivo em quem tem anticorpo e função normal é outra coisa, e não vai responder a levotiroxina nenhuma.

A revisão registra que, embora a causa permaneça desconhecida, a boa resposta ao glicocorticoide sugere disfunção inflamatória ou autoimune, e que os anticorpos são considerados marcadores relevantes para identificar quem vai se beneficiar do tratamento eficiente com o corticoide. O anticorpo, aqui, deixa de ser um dado de prognóstico e passa a ser critério de seleção terapêutica.

Na prática pediátrica o desdobramento é objetivo: diante do adolescente cujo desempenho escolar desaba de forma progressiva, sem explicação, peça o anticorpo antitireoidiano ainda que a função esteja normal, e encaminhe para avaliação neurológica em vez de esperar que o hormônio caia para agir.

A tabela de dose que fecha cedo demais

A revisão brasileira traz uma tabela de doses de levotiroxina cujo título anuncia, com todas as letras, que ela vale para crianças e adolescentes. São cinco linhas, das primeiras semanas de vida até a adolescência, com a dose expressa em micrograma por quilo por dia e caindo a cada faixa — muito alta no lactente, muito baixa no adolescente, na proporção do que cada idade cresce.

O primeiro defeito está no fim da tabela: a última faixa fecha aos dezesseis anos e não há linha seguinte. E a insuficiência se demonstra dentro do próprio material, sem recorrer a documento estrangeiro: quando a mesma revisão relata a incidência da tireoidite, ela trabalha com uma população de adolescentes que vai até os dezoito. O texto reconhece adolescentes que a sua própria tabela de dose deixa sem faixa.

O segundo defeito está nas junções. Todos os limites internos aparecem duas vezes, porque as faixas são fechadas dos dois lados e encostam umas nas outras. O resultado é que quatro idades exatas — três meses, um ano, três anos e dez anos — pertencem simultaneamente a duas linhas, e cada uma dessas linhas manda uma dose diferente. No aniversário, a mesma criança tem duas prescrições possíveis pela mesma tabela.

Nada disso torna a tabela inútil, e o capítulo não a descarta: ela é a régua brasileira, publicada no periódico da sociedade de pediatria, e é dela que sai a ordem de grandeza correta por idade. O que ela exige é uma regra de leitura que o próprio material não escreve, e que precisa estar explícita antes que o número vire receita.

A regra é conservadora e tem duas linhas. Na idade que cai exatamente na junção, prescreva pela faixa de dose mais baixa, porque o excesso tem consequência e a falta se corrige na reavaliação. Acima do teto da tabela, prescreva pela lógica do adulto, com dose diária total ajustada ao peso e ao resultado. Em ambos os casos a prescrição inicial é uma aposta calibrada, e quem corrige a aposta é a dosagem de controle.

Como se dá, e como se erra ao dar

A reposição é descrita como a mais simples das terapias hormonais, e a droga de escolha é a levotiroxina, o sal sódico da tiroxina, administrada uma vez ao dia, pela manhã. A escolha não é indiferente: repor a tiroxina, e não a tri-iodotironina, permite medir o hormônio no soro para avaliar a eficácia e ajustar a dose, porque grande parte dela é convertida no organismo.

A farmacocinética explica o erro mais comum de quem começa. A meia-vida da levotiroxina é de cerca de sete dias, e a resposta máxima só é atingida na segunda semana de tratamento. Quem redosa no terceiro dia porque a criança “não melhorou” está medindo um efeito que ainda não existe, e a tendência é subir a dose de quem já estava certo.

A superdosagem tem assinatura clínica e a revisão a nomeia item a item: irritabilidade, perda de sono, rubor, diarreia, taquicardia e sudorese. São exatamente os sintomas que a família descreve como “ele ficou elétrico”, e são motivo de reduzir a dose, não de mudar de diagnóstico. No lactente submetido a doses altas há um risco somático adicional, a cranioestenose.

Há um alvo que também é um teto. A recomendação é monitorar os níveis do hormônio estimulante cuidadosamente para que não atinjam valores abaixo do normal, porque os hormônios tireoidianos estimulam a reabsorção óssea e aumentam o número de osteoclastos. Suprimir o estimulante em quem ainda está formando massa óssea troca um problema por outro.

Fechando a rotina: as doses da tabela são reajustáveis conforme as variações laboratoriais, e devem ser ajustadas sempre que houver sinais de excesso. Isso significa prescrever pelo peso, marcar a reavaliação para depois que o efeito se estabilizou, e corrigir pelo hormônio — nunca pela impressão da família nem pela ansiedade da primeira semana.

O hormônio pouco alto: tratar ou olhar de novo

A forma leve tem nome e definição: aplica-se a pacientes assintomáticos, com tiroxina e tri-iodotironina normais e hormônio estimulante discretamente elevado. Ela é tida como fator de risco para evolução ao hipotireoidismo franco, e a discussão toda começa no lugar mais banal — em onde termina o normal.

A revisão brasileira sustenta o corte convencional para o limite superior de referência e rejeita explicitamente a proposta de baixá-lo: classificar como anormal os valores logo acima de dois e introduzir medicação, escreve, provavelmente provocará mais malefícios do que benefícios. É uma advertência contra transformar variação de laboratório em doença.

Passado o limite, a mesma revisão lista os fatores que justificam a conduta terapêutica com levotiroxina, e a lista inclui bócio, presença de anticorpos, tireoidite autoimune — e, ao final, crianças e adolescentes com ou sem bócio, para evitar possíveis efeitos adversos sobre o crescimento e o desenvolvimento. Nessa leitura, ser criança é, por si, razão para tratar.

O contraponto também está escrito, e está na mesma revisão: em cerca de quarenta por cento dos casos o hormônio estimulante normaliza-se espontaneamente, sem medicação, e é justamente isso que explica as controvérsias. Quando não há justificativa terapêutica, a recomendação é fazer avaliações clínicas e laboratoriais a cada seis meses.

O que isso vira na consulta depende, outra vez, da curva. Na criança que cresce bem e tem elevação leve isolada, repita antes de prescrever e reavalie no intervalo recomendado, porque a chance de o número voltar sozinho é alta. Na criança com bócio, anticorpo positivo ou velocidade de crescimento em queda, a elevação leve não é para observar: é para tratar e acompanhar o crescimento como desfecho.

O que a reposição devolve, e o que não devolve

A primeira coisa a alinhar com a família é o que vai mudar. A reposição devolve velocidade de crescimento e destrava a maturação óssea atrasada; devolve disposição, ritmo intestinal, pele e desempenho escolar. O que ela não faz é emagrecer a criança, e prometer isso é preparar uma decepção que costuma terminar em abandono do tratamento.

Vale lembrar o que a doença pode ter feito com a puberdade, porque o efeito é dos dois lados. A revisão registra que o adolescente pode apresentar infantilismo sexual e que, paradoxalmente, alguns podem apresentar puberdade precoce; e que, no hipotireoidismo de longa duração, pode haver hipertrofia dos tireotrofos, com aumento da hipófise e até da sela túrcica — uma imagem que assusta e que regride com a reposição.

Quando o tratamento é adiado, a revisão descreve o que se acumula: a pele torna-se cérea, pálida ou amarelada por impregnação de caroteno; pode surgir mixedema, por acúmulo de mucopolissacarídeos no tecido subcutâneo; há lentidão dos movimentos e dos reflexos; e em casos graves a musculatura cardíaca pode ser atingida, com aumento de volume e até derrame pericárdico.

Convém guardar também a lista de quem imita a doença, porque ela evita investigação desnecessária e encaminhamento errado. O diagnóstico diferencial proposto reúne síndrome de Down, síndrome de Beckwith, mucopolissacaridoses, condrodistrofias, hipopituitarismo e a própria obesidade — e é dentro dessa lista que a frase sobre a raridade da associação com obesidade aparece.

O seguimento, então, tem um desfecho principal e ele não é laboratorial. Marque o retorno para depois que o efeito da dose se estabilizou, dose o hormônio estimulante para ajustar, e meça a altura para saber se funcionou: a criança que volta a subir de canal está tratada; a que corrigiu o exame e continua parada tem outra coisa acontecendo, e é hora de olhar o eixo do hormônio de crescimento.

04

Esquemas e tabelas

Quatro decisões do capítulo, com o parâmetro que resolve cada uma.

Cresce ou desacelera

Peso alto com estatura preservada e velocidade normal: rastreio metabólico, não hormonal. Peso alto com baixa estatura ou queda da velocidade: dosar TSH e T4 livre. O parâmetro é a inclinação da curva de altura entre duas medidas, não o valor isolado do IMC.

Bócio ausente não exclui

Glândula difusa, 2 a 5 vezes o normal e não nodular é a apresentação clássica. A ausência de bócio em criança com baixa estatura, idade óssea atrasada e pele seca sugere glândula já fibrótica — doença mais avançada, não menos. Palpação negativa não fecha o caso.

Dose por quilo, faixa por idade

0 a 3 meses: 10 a 15 mcg/kg/dia. 3 a 12 meses: 6 a 10. 1 a 3 anos: 4 a 6. 3 a 10 anos: 3 a 5. 10 a 16 anos: 2 a 4. Na idade que cai na junção de duas faixas, use a dose mais baixa; acima de 16 anos a tabela não legisla e vale a lógica do adulto.

TSH pouco alto: repetir ou tratar

Elevação leve isolada em criança que cresce bem: repetir e reavaliar em 6 meses — cerca de 40% normalizam sozinhos. Com bócio, anticorpo positivo ou queda de velocidade de crescimento, trata-se. Monitorar para o TSH não cair abaixo do normal: excesso reabsorve osso.

Anticorpos antitireoglobulina e antiperoxidase entram a partir dos 4 anos, junto com a função, para nomear a tireoidite. Não são o exame que decide tratar.

Nódulo tireoidiano nessa faixa: 10% a 25% podem ser carcinoma — indicação de punção biópsia, não de observação.

Meia-vida da levotiroxina ~7 dias e resposta máxima na 2ª semana: não reajuste antes disso. Sinais de excesso: irritabilidade, insônia, rubor, diarreia, taquicardia, sudorese; no lactente, cranioestenose.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Tratar a elevação leve do TSH pelo simples fato de o paciente ser criança

Ser criança é, por si, fator que justifica tratar

Entre os fatores que justificam a conduta terapêutica com levotiroxina quando os limites normais são ultrapassados, a revisão lista bócio, presença de anticorpos antiperoxidase e tireoglobulina, portadores de tireoidite autoimune e 'crianças e adolescentes com ou sem bócio (para evitar possíveis efeitos adversos sobre o crescimento e desenvolvimento)'. A idade pediátrica entra na lista sem corte numérico próprio.

Jornal de Pediatria (SBP), 83(5 Supl), 2007, seção 'Hipotireoidismo subclínico'.

Na criança, a elevação leve costuma se resolver e faltam estudos de tratamento

A diretriz define a forma subclínica da criança pela faixa de TSH acima de 5,5 e até 10 mU/L, registra que mais de 70% normalizam e que, na maioria dos que persistem ao longo dos cinco anos seguintes, o quadro raramente piora, e conclui que faltam estudos de boa qualidade examinando o efeito de tratar a forma subclínica em crianças.

European Thyroid Association, 2014 Guidelines for the Management of Subclinical Hypothyroidism in Pregnancy and in Children, Eur Thyroid J 3(2).

Na prova

O enunciado entrega o corpo de referência pelo que ele coloca ao lado do número. Se a questão descreve bócio, anticorpo positivo ou queda da velocidade de crescimento junto com TSH pouco alto, a resposta é tratar — e aí os dois corpos convergem. Se a questão descreve criança assintomática, crescendo bem, com TSH isolado entre o limite superior e 10 mU/L e nada mais, a chave é o verbo pedido: 'conduta inicial' e 'atenção primária' puxam repetir e reavaliar; enunciado que cite explicitamente prevenção de dano ao crescimento puxa iniciar levotiroxina.

A faixa etária que a tabela brasileira de dose cobre

A tabela se anuncia para adolescentes e para de legislar aos dezesseis

As cinco linhas são: 0 a 3 meses, 10 a 15 mcg/kg/dia; 3 a 12 meses, 6 a 10; 1 a 3 anos, 4 a 6; 3 a 10 anos, 3 a 5; 10 a 16 anos, 2 a 4. Não há linha acima de 16 anos. Além disso, cada limite interno aparece em duas linhas — 3 meses, 12 meses/1 ano, 3 anos e 10 anos —, de modo que quatro idades exatas admitem duas doses diferentes pela mesma tabela.

Jornal de Pediatria (SBP), 83(5 Supl), 2007, Tabela 2 — 'Doses de levotiroxina recomendadas para crianças e adolescentes'.

O mesmo artigo trabalha com adolescentes até os dezoito

Ao relatar a incidência da tireoidite, o texto usa 'uma população estadunidense de 11 a 18 anos de idade', com registro de cinco casos novos por 1.000 adolescentes por ano. O corpo do artigo reconhece, portanto, pacientes de 17 e 18 anos que a sua própria tabela de dose deixa sem faixa — a lacuna se demonstra dentro do mesmo documento.

Jornal de Pediatria (SBP), 83(5 Supl), 2007, seção 'Incidência' da tireoidite crônica linfocitária.

Na prova

Questão que peça dose de levotiroxina em criança costuma escolher idades confortáveis, no meio das faixas — lactente, pré-escolar, escolar. Desconfie de enunciado que dê a idade exata de uma junção (3 meses, 1 ano, 3 anos, 10 anos) ou que traga adolescente de 17 anos: nesses casos a alternativa que reproduz a faixa mais baixa é a defensável, e a que exige um número para além do teto da tabela está pedindo a lógica do adulto, com dose total ajustada ao peso.

De que lado da régua de estatura fica a tireoide

Coluna de estatura diminuída: hipotireoidismo

O quadro separa a etiologia em 'Estatura normal ou aumentada' — comum/exógena/poligênica, endocrinopatias sem perda de altura e uso de medicações — e 'Estatura diminuída', onde escreve: 'Bócio, pele seca e fria, atraso puberal, constipação, queda no rendimento escolar, sonolência = Hipotireoidismo'. A lista final de sinais de alerta inclui 'queda na velocidade de crescimento e/ou baixa estatura'.

SBP, Departamento Científico de Endocrinologia, 'Quando suspeitar que a obesidade não é comum', 2020, Quadro 5 (Etiologia da obesidade).

Quadro monogênico: hipotireoidismo subclínico com estatura acelerada

A mesma publicação descreve o fenótipo mais frequente entre as formas monogênicas (3% a 5% dos casos de obesidade grave de início precoce) com 'aceleração da velocidade de crescimento e estatura' e, na mesma linha, 'hipotireoidismo subclínico'. Um estado tireoidiano insuficiente aparece, dentro do próprio material, no lado alto da régua de estatura que ele montou.

SBP, Departamento Científico de Endocrinologia, 'Quando suspeitar que a obesidade não é comum', 2020, Quadro 6 (obesidade monogênica), linha do receptor tipo 4 da melanocortina.

Na prova

O enunciado que descreve criança pesada, baixa e desacelerando pede dosagem de TSH e T4 livre, e a alternativa correta costuma dizer isso com a justificativa de que a obesidade exógena não cursa com baixa estatura. Já o enunciado que descreve criança pesada, alta ou crescendo rápido, com TSH discretamente elevado, está montando a armadilha inversa: ali a resposta é o rastreio metabólico e a reavaliação do número, não a reposição hormonal.

06

Caso resolvido

Menina de 11 anos é levada à unidade básica por ganho de peso no último ano e queda no rendimento escolar. A mãe conta que ela 'anda devagar', sente frio quando ninguém sente e evacua a cada três dias. Ao plotar: índice de massa corporal em escore-z +2,3; estatura-para-idade em escore-z −1,9, com a medida do ano anterior em −0,6. A velocidade de crescimento calculada é de 3 cm no último ano. Ao exame, pele seca, reflexos com relaxamento lentificado e tireoide difusamente aumentada, sem nódulos palpáveis. Não há dismorfismos nem atraso de desenvolvimento.
o dado que decide
A estatura, não o peso. O escore-z de altura caiu de −0,6 para −1,9 em um ano e a velocidade de 3 cm/ano está abaixo do esperado para a idade pré-puberal. Isso tira o caso do território da obesidade exógena, que cursa com estatura preservada ou aumentada e velocidade normal ou acelerada.
primeira dupla de exames
TSH e T4 livre. É a dupla que responde à pergunta funcional e a única que muda conduta imediata. O padrão esperado no hipotireoidismo primário desta faixa é TSH elevado com T4 livre baixo.
o que o bócio acrescenta
Aumento difuso, não nodular, é a apresentação clássica da tireoidite crônica linfocitária — a causa mais frequente de hipotireoidismo adquirido e de bócio não tóxico nessa idade. O achado reforça a hipótese, mas não altera a ordem dos exames.
quando entra o anticorpo
Junto com a função, porque a criança tem mais de 4 anos: antitireoglobulina e antiperoxidase nomeiam a tireoidite. O anticorpo não decide tratar — quem decide é a função — mas define a causa e antecipa que a glândula vai continuar perdendo capacidade.
o que o ultrassom procura
Textura irregular do parênquima, compatível com tireoidite, e sobretudo nódulos ou cistos que a palpação não alcançou. Nódulo encontrado aqui vai para punção biópsia, porque de 10% a 25% podem ser carcinoma nessa população.
dose inicial
Aos 11 anos a idade cai dentro da faixa de 10 a 16 anos, cuja dose é 2 a 4 mcg/kg/dia de levotiroxina, em tomada única pela manhã. Se a idade caísse exatamente em 10 anos — junção de duas faixas — a escolha seria a faixa de dose mais baixa.
quando reavaliar
Depois que o efeito se estabilizou: a meia-vida é de cerca de 7 dias e a resposta máxima chega na segunda semana. Reajuste antes disso mede um efeito que ainda não existe. Sinais de excesso a orientar à família: irritabilidade, insônia, rubor, diarreia, taquicardia e sudorese.
o desfecho que prova que funcionou
A retomada da velocidade de crescimento, com a criança voltando a subir de canal. O TSH normalizado serve para ajustar a dose; quem responde à pergunta clínica é a altura. Não se promete emagrecimento à família: o hipotireoidismo raramente responde pelo excesso de peso.
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Agora feche você

Menino de 9 anos é encaminhado por obesidade. Índice de massa corporal em escore-z +3,1, iniciado antes dos 5 anos, com hiperfagia intensa relatada pela família. A estatura está em escore-z +1,8 e a velocidade de crescimento do último ano foi de 7 cm. Não há bócio, a pele é normal e o desenvolvimento é adequado. Exames trazidos de fora: TSH 6,8 mUI/L, T4 livre normal, glicemia de jejum 96 mg/dL, perfil lipídico com HDL baixo. A família chega convencida de que 'é da tireoide' e pede a receita de levotiroxina.
achado
Elevação leve e isolada do TSH, com T4 livre normal, numa criança que cresce acima da média e acelerada, sem bócio e sem qualquer sinal clínico de hipofunção tireoidiana.
o que a curva diz
A estatura está acima da média e a velocidade de 7 cm/ano é normal para a idade. Pela régua de estatura do documento brasileiro, esse conjunto pertence à coluna de estatura normal ou aumentada, que é a da obesidade comum — não à coluna onde mora o hipotireoidismo.
o que os sinais de alerta apontam
Início antes dos 5 anos e hiperfagia intensa estão na lista de alerta do mesmo documento, mas apontam para investigação de obesidade monogênica ou sindrômica, não para a tireoide. O quadro monogênico mais frequente cursa justamente com estatura acelerada e TSH discretamente alto.
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Onde a banca derruba

  1. 1Pedir hormônio tireoidiano porque a criança está pesada Atrai porque a associação entre tireoide e ganho de peso é folclore consolidado. A fonte brasileira diz o contrário em duas passagens: obesidade não é característica do hipotireoidismo, e o hipotireoidismo raramente vem acompanhado de obesidade. Em criança com estatura preservada e velocidade normal, o exame devido é metabólico. O peso não seleciona; a desaceleração da altura seleciona.
  2. 2Afastar a tireoidite porque o pescoço está normal A glândula difusamente aumentada é a apresentação típica, mas a criança com baixa estatura, velocidade de crescimento em queda, idade óssea atrasada e pele seca pode ter a forma em que a glândula já se tornou fibrótica — e aí não há bócio. Ausência de bócio, nesse contexto, aponta doença mais avançada. Quem decide é a curva de crescimento, não a palpação.
  3. 3Ler hormônio estimulante baixo como doença oposta A tireoidite crônica linfocitária começa, em parte dos casos, por uma fase tóxica transitória e autolimitada, cujo laboratório se confunde com o do hipertireoidismo e cuja duração vai de semanas a meses. Anticorpo positivo com função em padrão de excesso pode ser o primeiro estágio da mesma doença. Antes de iniciar antitireoidiano, repita e observe a evolução.
  4. 4Dar alta porque a função veio normal desta vez Muitas crianças com a tireoidite mantêm-se eutireóideas por anos antes de exibir o hipotireoidismo, e a sequência de estágios não tem prazo. Função normal em quem tem bócio ou anticorpo positivo é um retrato, não um desfecho. O erro custa estatura: a doença que se instala devagar só é pega por quem remarca e volta a medir a altura.
  5. 5Reajustar a levotiroxina na primeira semana A meia-vida é de cerca de 7 dias e a resposta máxima só chega na segunda semana de tratamento. Subir a dose no terceiro dia porque a criança não melhorou é medir um efeito que ainda não ocorreu, e o resultado costuma ser excesso — com irritabilidade, insônia, taquicardia e diarreia — em quem já estava na dose correta.
  6. 6Perseguir hormônio estimulante suprimido como meta A orientação escrita é monitorar cuidadosamente para que o valor não caia abaixo do normal, porque hormônio tireoidiano em excesso estimula a reabsorção óssea e aumenta o número de osteoclastos. Em criança e adolescente, que ainda formam massa óssea, o alvo é normalizar, não suprimir. Suprimir troca uma doença por uma iatrogenia de longo prazo.
  7. 7Observar um nódulo tireoidiano na criança como se observa no adulto A conduta expectante diante de nódulo pequeno é hábito importado da prática do adulto. Na criança com tireoidite em seguimento, a proporção de carcinoma entre os nódulos é descrita como 10% a 25%, o que muda a decisão: nódulo ou cisto encontrado ao ultrassom merece punção biópsia para afastar tumor, e não novo controle em seis meses.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

A criança cresce acima da média e com velocidade normal para a idade, o que a coloca na coluna de estatura normal ou aumentada da régua etiológica brasileira — a coluna da obesidade comum, não a do hipotireoidismo. Nesse contexto a elevação discreta do TSH com T4 livre normal é achado acompanhante, e a própria fonte brasileira registra que em cerca de 40% dos casos o TSH normaliza espontaneamente, recomendando avaliação clínica e laboratorial semestral quando não há justificativa terapêutica. Início antes dos cinco anos e hiperfagia intensa são sinais de alerta que apontam para obesidade monogênica ou sindrômica; o fenótipo monogênico mais frequente cursa justamente com aceleração da estatura e hipotireoidismo subclínico. Repor hormônio aqui trata um passageiro e não altera o peso.

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Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

Recite sem consultar: a pergunta que substitui 'esta criança está pesada?' e o que a resposta abre; as três fases da tireoidite crônica linfocitária, na ordem, e o que cada uma faz com o laboratório; a idade a partir da qual o anticorpo entra na rotina; e as duas frases da fonte brasileira sobre obesidade e hipotireoidismo, com a diferença entre a pergunta de prevalência e a de seleção. Depois diga, de cabeça, os cinco intervalos da tabela de dose e as duas regras de leitura que ela exige — a junção e o teto.

em 30 dias

Refaça o caso resolvido decidindo em voz alta, item a item: por que a altura entra antes do peso, o que o pescoço acrescenta e o que não acrescenta, qual dupla de exames abre a investigação e por que o anticorpo vem depois, qual faixa da tabela se aplica e por que, e o que você espera ver no retorno como prova de que funcionou. Feche verificando se você consegue explicar, em uma frase, por que TSH pouco alto em criança que cresce rápido não é motivo para reposição.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Adolescente de 13 anos trazida à unidade básica por cansaço e queda no rendimento escolar, com ganho de peso e obstipação nos últimos meses. Conduza a consulta medindo e plotando a altura antes de discutir o peso, examine o pescoço, decida quais exames pede na primeira leva e explique à mãe o que a reposição vai e o que não vai mudar. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Hipotireoidismo adquirido na criança e no adolescente – Hipotireoidismo adquirido na criança: a estatura decide a investigação — Preparatório para provas | OsceLabs