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Diarreia aguda e desidratação na criança

A prova cobra literalmente o volume, a via e o tempo de cada plano. O número mais decorado é a expansão do Plano C, que muda de tempo aos 12 meses; o mais esquecido é o zinco, que faz parte da prescrição desde a primeira consulta.

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Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Lactente de 10 meses é levado à UBS com diarreia aquosa há 3 dias, sem sangue, e vômitos. Ao exame: olhos fundos, mucosas secas, bebe avidamente, sinal da prega retorna lentamente, criança irritada. Está sem febre e alerta. Segundo a estratégia AIDPI, qual é a conduta correta?

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Como esse tema cai

Este é um dos capítulos mais previsíveis da pediatria brasileira, e a razão é simples: o documento nacional decide tudo. Não há espaço para julgamento clínico sobre quanto soro dar — há uma tabela, e a prova cobra a tabela. Volume em mililitros por quilo, via, tempo de infusão, faixa etária de corte. Errar um mL/kg aqui não é imprecisão, é a alternativa errada.

A régua brasileira tem duas peças que se encaixam. O quadro de procedimentos do AIDPI Criança, de 2017, é o que se aplica dos 2 meses aos 5 anos incompletos: ele classifica a diarreia em seis caixas e entrega a conduta escrita ao lado de cada uma. E o Manejo do Paciente com Diarreia, do Ministério da Saúde, atualizado em 2023, é o documento geral, válido para qualquer idade, que reescreveu o quadro de avaliação da hidratação e ajustou os volumes. O Guia de Vigilância em Saúde do próprio ministério diz como as duas convivem: os planos seguem o documento de 2023 e, abaixo de 5 anos, a referência de tratamento é o AIDPI. Onde os dois falam do mesmo número, eles hoje concordam — e é essa concordância que torna o capítulo cobrável ao pé da letra.

O que o capítulo cobra, na prática, são quatro coisas em sequência. Primeiro, classificar o estado de hidratação com sinais de exame físico, sem laboratório: são dois ou mais sinais da mesma coluna, e a coluna mais grave exige pelo menos um sinal marcado com asterisco. Segundo, escolher o plano que a classificação manda. Terceiro, executar o plano com o volume e o tempo certos. Quarto, lembrar do que acompanha a reidratação e quase sempre falta na alternativa: zinco, alimentação mantida, e a lista curta de quem recebe antibiótico. O resto — antidiarreico, antiemético de rotina, coprocultura para todos, jejum, leite diluído — é justamente o que a questão coloca no distrator.

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O que muda decisão

O que conta como diarreia, e o que a prova chama de outra coisa

Como usar este capítulo: classifique primeiro a hidratação pelos sinais clínicos e escolha imediatamente o plano A, B ou C. Depois ajuste volume, velocidade e reavaliação; alimentação, antibióticos e adjuvantes são decisões posteriores e não substituem a reposição adequada.

Diarreia é a ocorrência de três ou mais evacuações amolecidas ou líquidas em 24 horas. O parâmetro que mais pesa não é o número, é a queda de consistência: uma criança que evacua quatro vezes com fezes formadas não tem diarreia, e uma que evacua três vezes com fezes líquidas tem. A diarreia aguda dura até 14 dias, e a maioria dos episódios se resolve em até sete.

A Organização Mundial da Saúde separa a doença diarreica em três categorias, e a separação organiza toda a conduta. Diarreia aguda aquosa é a que perde grande volume de líquido e causa desidratação — é o cenário dos planos A, B e C. Diarreia aguda com sangue é a disenteria, que traduz lesão da mucosa e é a única forma que abre a porta para antibiótico. E diarreia persistente é a que passa de 14 dias, com risco alto de desnutrição e letalidade elevada.

Duas situações parecem diarreia e não são, e as duas aparecem em vinheta. O lactente em aleitamento materno exclusivo pode evacuar várias vezes ao dia, em geral logo após as mamadas, por reflexo gastrocólico: as fezes são semilíquidas, às vezes com pouco muco, o ganho de peso é adequado e não há nenhum outro sinal clínico. Esse padrão não é diarreia e não se trata. A outra é a chamada diarreia de fome, do desnutrido: fezes amolecidas, esverdeadas, de pequeno volume, resultado de descamação celular e muco, não de perda de líquido.

A investigação etiológica não é obrigatória. Ela fica para os casos graves e para o paciente hospitalizado, e para os surtos, em que a vigilância epidemiológica é acionada e a coleta é feita antes do antibiótico. Exames laboratoriais não entram no quadro leve; quando entram, convém colhê-los depois da expansão, porque a hemoconcentração da desidratação distorce o resultado. Globalmente o rotavírus é o principal agente de diarreia grave abaixo de 5 anos, e é por isso que a vacina é a medida preventiva que mais mudou a epidemiologia brasileira — com a queda do rotavírus, o norovírus ganhou espaço.

A avaliação que decide: dois sinais, e um deles com asterisco

O quadro de avaliação do Ministério da Saúde tem três etapas com nome próprio: observe, explore, decida. Em observe entram o estado geral, os olhos, a sede, as lágrimas e a boca ou língua. Em explore entram o sinal da prega abdominal, o pulso e a perda de peso. Em decida aplica-se a regra que a prova cobra: dois ou mais sinais da coluna B classificam como desidratação; dois ou mais sinais da coluna C, sendo ao menos um daqueles marcados com asterisco, classificam como desidratação grave. Havendo dúvida entre duas colunas, o documento manda considerar o pior cenário.

Os sinais marcados com asterisco são três, e valem memorização porque são eles que separam o Plano B do Plano C: estado geral comatoso, hipotônico, letárgico ou inconsciente; incapacidade de beber; e pulso fraco ou ausente. Note o detalhe que derruba candidato: o pulso é descrito como cheio tanto na coluna A quanto na coluna B. Pulso alterado, no quadro brasileiro, já é sinal de gravidade — não existe pulso 'um pouco fino' na desidratação sem gravidade.

Quatro variáveis são apontadas como as de melhor sensibilidade e especificidade: estado geral, olhos, sede e sinal da prega abdominal. Elas são o esqueleto do quadro; as demais confirmam. E o sinal da prega tem um número: a pele que volta ao estado anterior em mais de dois segundos é o critério de gravidade. Entre um e dois segundos, é lentidão sem gravidade. Imediato, é normal.

O quadro do AIDPI diz a mesma coisa com menos itens, e o candidato precisa reconhecer os dois formatos. Ali, desidratação grave é a presença de dois dos seguintes: letárgica ou inconsciente, olhos fundos, não consegue beber ou bebe muito mal, sinal da prega volta muito lentamente. Desidratação é a presença de dois destes: inquieta ou irritada, olhos fundos, bebe avidamente com sede, sinal da prega volta lentamente. E sem desidratação é a ausência de sinais suficientes para classificar em qualquer das duas — não é a ausência de todos os sinais, é a insuficiência deles.

A perda de peso é o melhor indicador isolado do grau de desidratação, e o documento de 2023 a reforçou para o paciente internado que evolui com diarreia e vômito. Vale a correspondência que a Sociedade Brasileira de Pediatria registra: perda de até 5% é desidratação leve, e corresponde a um déficit de 50 mL/kg; entre 5% e 10% é moderada, 50 a 100 mL/kg; acima de 10% é grave, mais de 100 mL/kg. O quadro nacional de 2023 simplifica para duas linhas — até 10% na coluna de desidratação, acima de 10% na de desidratação grave —, mas a lógica é essa, e é ela que explica de onde vêm os 100 mL/kg do Plano C.

No desnutrido grave, com ou sem edema, a avaliação perde confiabilidade: os sinais de desnutrição imitam os de desidratação. Nesse paciente, a leitura se apoia na atividade geral, nas características do pulso, na frequência cardíaca e na perfusão de extremidades, e a hidratação venosa é deliberadamente conservadora — 10 mL/kg de soro fisiológico com reavaliação a cada hora, para não sobrecarregar.

Dedos de um examinador pinçando uma prega longitudinal de pele no abdome de uma criança pequena, ao lado do umbigo, com a prega levantada.
Sinal da prega abdominal: a pele é pinçada no sentido longitudinal, ao lado do umbigo, e solta. Voltar ao estado anterior em mais de dois segundos é critério de desidratação grave; entre um e dois segundos, de desidratação.

Plano A: o que a criança hidratada leva para casa

Plano A é para a criança com diarreia e sem sinais de desidratação, e ele é domiciliar. O documento nacional o organiza em cinco etapas, e o AIDPI resume em três regras: dar líquidos adicionais, continuar a alimentar, saber quando retornar. O objetivo aqui não é tratar desidratação, é preveni-la.

O volume é a informação mais cobrada do plano, e ele se dá após cada evacuação diarreica: menores de 1 ano recebem 50 a 100 mL; de 1 a 10 anos, 100 a 200 mL; acima de 10 anos, a quantidade que o paciente aceitar. Guarde o degrau em 12 meses — é o mesmo degrau que reaparece no Plano C, e é onde a memória gosta de escorregar para 2 anos. A regra geral por cima da tabela é oferecer tanto líquido quanto a criança aceitar, em pequenas quantidades e com frequência maior, de copo ou colher. Se a criança vomitar, espera-se dez minutos e retoma-se mais lentamente.

Servem como líquido a solução de sais de reidratação oral, água limpa, chá e suco não adoçados, água de coco, sopas e caldos. A criança em aleitamento materno exclusivo mantém o peito e, além dele, o único líquido a ser oferecido é a solução de reidratação oral. Não servem refrigerantes e bebidas açucaradas: o açúcar acrescenta carga osmótica, piora a diarreia e pode causar hipernatremia. Sucos industrializados e chá adoçado caem na mesma vala, e café e infusões com efeito estimulante, diurético ou purgativo ficam fora.

O soro caseiro é aceito como líquido caseiro, mas não substitui a solução de reidratação oral, e é preciso saber por quê: ele é apenas sal de cozinha, açúcar e água, sem potássio e sem citrato — logo, sem a base que corrige a acidose e sem o potássio que a diarreia perde. Além disso, o preparo domiciliar erra com frequência a concentração final, e o erro é menos frequente quando se usa a colher-medida de dupla concha.

Zinco entra no Plano A, e entra em toda criança com diarreia, não só na desidratada: uma vez ao dia, durante 10 a 14 dias, na dose de 10 mg/dia até os 6 meses de idade e 20 mg/dia dos 6 meses aos 5 anos incompletos. O quadro do AIDPI imprime 10 dias e a mesma partição de dose. O zinco reduz a duração e a gravidade do episódio e diminui a incidência de novos episódios nos dois a três meses seguintes — é por isso que se completa o curso mesmo depois de a diarreia parar.

A alta do Plano A é uma conversa, e a prova cobra o conteúdo dela. A família volta imediatamente ao serviço se a criança não melhorar em dois dias ou se aparecer qualquer um dos seis sinais de alerta: piora da diarreia, com aumento da frequência ou do volume; vômitos repetidos; sangue nas fezes; diminuição da diurese; muita sede; recusa de alimentos. O quadro do AIDPI escreve a mesma orientação em versão curta para qualquer criança doente — não consegue beber nem mamar, piora do estado geral, aparecimento ou piora da febre — e acrescenta, para a criança com diarreia, sangue nas fezes e dificuldade para beber.

Plano B: 75 mL/kg em quatro horas, dentro do serviço de saúde

Plano B é para a criança com desidratação sem gravidade, que consegue ingerir líquidos. Ele é executado no estabelecimento de saúde e a criança permanece lá até a reidratação completa — mandar para casa com o envelope no meio do plano é erro de conduta, não de logística.

O volume é 50 a 100 mL/kg, com média de 75 mL/kg, administrados em 4 a 6 horas. O quadro do AIDPI escreve a mesma coisa de outro jeito, e vale conhecer as duas formulações porque as bancas usam as duas: administrar a quantidade recomendada durante um período de 4 horas, calculando o volume aproximado pela multiplicação do peso em quilos por 75. A tabela por idade e peso do AIDPI existe justamente para quando não se conhece o peso: menos de 6 kg, 200 a 400 mL; de 6 a menos de 10 kg, 400 a 700 mL; de 10 a menos de 12 kg, 700 a 900 mL; de 12 a 19 kg, 900 a 1.400 mL. Se a criança quiser mais do que o previsto, dá-se mais.

A técnica é cobrada. A solução vai de copo ou colher, em pequenos goles frequentes; mamadeira não se usa. Vomitou, espera-se dez minutos e retoma-se mais lentamente. O aleitamento materno continua sempre que a criança quiser; os demais alimentos ficam suspensos apenas durante a fase de reparação, e a alimentação é reiniciada no próprio serviço de saúde ao fim das quatro horas — reiniciar ali tem função pedagógica, é o momento em que a família vê que a criança volta a comer.

Vômitos persistentes durante o Plano B são a única indicação de antiemético no capítulo, e a droga é a ondansetrona, em dose única: 2 mg dos 6 meses aos 2 anos, o que corresponde a 0,2 a 0,4 mg/kg; 4 mg dos 2 aos 10 anos, até 30 kg; 8 mg acima de 10 anos ou 30 kg, e no adulto. Há alerta da Anvisa contra o uso em gestantes, e a metoclopramida é contraindicada abaixo de 1 ano de idade e não recomendada entre 1 e 18 anos — dois degraus com pesos diferentes, e nenhum deles a coloca nesta indicação. O objetivo declarado é instrumental: parar o vômito para que a criança consiga ingerir a solução e ser reidratada por via oral.

A reavaliação é constante e usa o mesmo quadro de sempre. Desaparecendo os sinais de desidratação, passa-se ao Plano A. Continuando desidratada com pouca tolerância à via oral, indica-se a sonda nasogástrica — a gastróclise. Evoluindo para desidratação grave, segue-se o Plano C. E há um prazo: se após seis horas de tratamento não houver melhora da desidratação, encaminha-se ao hospital de referência para internação. A Sociedade Brasileira de Pediatria acrescenta que, na prática, é prudente encaminhar já entre três e quatro horas sem resposta.

Fracasso da reidratação oral tem definição: aumento das dejeções, vômitos incoercíveis ou evolução para desidratação grave. E há situações em que a via enteral está proibida desde o início e a decisão é venosa direta — íleo paralítico, abdome agudo, alteração do estado de consciência ou convulsões, e choque hipovolêmico.

Plano C: o número mais cobrado do capítulo inteiro

Plano C é para a desidratação grave e é endovenoso. Ele tem duas fases — expansão e, depois, manutenção com reposição — e a fase de expansão é separada por faixa etária. O total é o mesmo nas duas faixas, 100 mL/kg, divididos em 30 mL/kg e 70 mL/kg; o que muda é o tempo.

Abaixo de 1 ano: 30 mL/kg em 1 hora, seguidos de 70 mL/kg em 5 horas. A partir de 1 ano: 30 mL/kg em 30 minutos, seguidos de 70 mL/kg em 2 horas e 30 minutos. A solução é soro fisiológico a 0,9% ou Ringer lactato. Recém-nascidos e menores de 5 anos com cardiopatia grave começam com 10 mL/kg, ajustando a velocidade pelos parâmetros clínicos. Some as duas fases e note a simetria que ajuda a memorizar: o lactente leva 6 horas para receber os 100 mL/kg, a criança maior leva 3 horas.

Durante a expansão, a criança é reavaliada continuamente — o quadro do AIDPI manda reavaliar de meia em meia hora — e, se não houver melhora do estado de desidratação, a velocidade de gotejamento aumenta. Assim que a criança conseguir beber, o que costuma acontecer entre duas e três horas do início da infusão, começa-se a oferecer a solução de reidratação oral por via oral, junto com o soro venoso, na ordem de 5 mL/kg por hora. A justificativa é fisiológica: a solução oral repõe base e potássio, que a solução venosa da expansão não fornece adequadamente.

A hidratação venosa só é interrompida quando a criança consegue ingerir solução oral em quantidade suficiente para se manter hidratada, sem vômitos. Depois disso, ela permanece em observação por pelo menos seis horas, com reavaliações do estado de hidratação, antes de sair.

A fase de manutenção e reposição vale para todas as faixas etárias e é onde entra a regra de Holliday e Segar. A manutenção usa soro glicosado a 5% com soro fisiológico a 0,9% na proporção de 4:1, em 24 horas: peso até 10 kg, 100 mL/kg; de 10 a 20 kg, 1.000 mL mais 50 mL por quilo que exceder 10 kg; acima de 20 kg, 1.500 mL mais 20 mL por quilo que exceder 20 kg, no máximo 2.000 mL. A reposição das perdas usa a mesma dupla de soros em partes iguais, na proporção de 1:1, começando com 50 mL/kg/dia e sendo reavaliada conforme as perdas. E acrescenta-se cloreto de potássio a 10% na dose de 2 mL para cada 100 mL da solução de manutenção.

O que fazer quando não há acesso venoso é a segunda metade do plano, e é a parte que a prova esconde no enunciado. O fluxograma do AIDPI pergunta em cascata. Havendo tratamento venoso disponível nas proximidades, a menos de trinta minutos, a criança é referida urgentemente, recebendo goles de solução oral durante o trajeto se conseguir beber. Não havendo, e havendo profissional treinado em sonda nasogástrica, inicia-se a reidratação com solução oral por sonda ou pela boca, de 20 a 30 mL/kg por hora — a OMS escreve 20 mL/kg por hora durante seis horas, o que perfaz 120 mL/kg. Reavalia-se a cada uma a duas horas; havendo vômitos repetidos ou distensão abdominal, oferece-se mais lentamente. E há dois prazos que decidem: se depois de três horas a criança não estiver melhorando, ela é encaminhada para terapia venosa; completadas seis horas, faz-se a reavaliação completa do estado de hidratação e escolhe-se o plano seguinte. Se nem sonda nem via oral são possíveis, a criança é referida urgentemente para tratamento venoso ou por sonda.

Alimentação: manter, não diluir, e o que fazer com o leite

Manter a alimentação com aporte energético apropriado é um dos dois pilares do tratamento, ao lado da reidratação — e é o pilar que se esquece. Só o soro, oral ou venoso, não nutre ninguém. A criança volta a comer sua dieta habitual, e o episódio é uma boa oportunidade para corrigir erros alimentares.

O aleitamento materno é mantido e incentivado em todas as diretrizes, sem exceção e em todos os planos, inclusive durante a fase de reparação do Plano B, quando os demais alimentos ficam suspensos. Fora do leite materno, o jejum só se justifica durante a reversão da desidratação, e a alimentação é reiniciada assim que essa etapa termina — em geral, no máximo em 4 a 6 horas.

Fórmula infantil e preparação láctea não devem ser diluídas. Diluir o leite é um reflexo antigo e é justamente o que prolonga a diarreia e faz a criança perder peso: quem tem a alimentação restrita ou diluída recupera a função intestinal mais lentamente.

A pergunta sobre lactose tem resposta em duas partes, e a prova usa exatamente essa divisão. Na diarreia aguda tratada ambulatorialmente, não há recomendação de fórmula sem lactose. Já no paciente hospitalizado com diarreia aguda e no paciente com diarreia persistente, tratado no hospital ou no ambulatório, há vantagem na prescrição de fórmula sem lactose. Se, na diarreia persistente, a criança não responde adequadamente à dieta sem lactose, entra a hipótese de intolerância às proteínas do leite de vaca, e aí a substituição é por fórmula com proteína extensamente hidrolisada ou de aminoácidos, conforme a gravidade — mudança que não é necessária no paciente com diarreia aguda.

Antibiótico: a lista curta, e o esquema que mudou em 2023

Antibiótico na diarreia aguda é exceção, e a frase do documento nacional é categórica: eles devem ser usados somente nos casos de diarreia com sangue e comprometimento do estado geral, ou em caso de cólera grave; em outras condições são ineficazes, causam resistência antimicrobiana e não devem ser prescritos. A razão é clínica antes de ser ecológica — a maioria dos episódios é viral e autolimitada, e não é possível distinguir clinicamente quem responderia.

A lista de exceções que a Sociedade Brasileira de Pediatria acrescenta ao redor dessa regra é útil porque explica os casos-limite da vinheta: disenteria, cólera, infecção comprovada por Giardia lamblia ou Entamoeba histolytica, imunossuprimidos, portadores de anemia falciforme, portadores de prótese e crianças com sinais de disseminação bacteriana extraintestinal. Na disenteria, a indicação se firma quando há febre e comprometimento do estado geral, e a hipótese que prevalece empiricamente é a de Shigella.

O esquema brasileiro mudou em 2023, e a mudança é cobrável. Para a criança com até 30 kg, ou até 10 anos, a partir de 3 meses e sem imunodeficiência: azitromicina, 10 mg/kg/dia por via oral no primeiro dia e 5 mg/kg/dia por mais quatro dias, num total de cinco dias; como alternativa, ceftriaxona 50 mg/kg por via intramuscular, uma vez ao dia, por 3 a 5 dias. Para quem tem mais de 30 kg, ou mais de 10 anos, adolescentes e adultos: ciprofloxacino 500 mg de 12 em 12 horas por via oral, por três dias, com a mesma alternativa de ceftriaxona. Abaixo de 3 meses ou na imunodeficiência, a ceftriaxona é endovenosa, 50 a 100 mg/kg uma vez ao dia; se a criança não estiver hospitalizada, dá-se a primeira dose intramuscular e referencia-se.

O que saiu do esquema explica o que entrou. O sulfametoxazol-trimetoprim, que ainda aparece como segunda linha na tabela do quadro do AIDPI de 2017, perdeu espaço porque as amostras de Shigella testadas no Brasil mostram alta taxa de resistência a ele, enquanto mantêm boa sensibilidade ao ciprofloxacino e à ceftriaxona. E o ciprofloxacino, que a Sociedade Brasileira de Pediatria trazia como primeira escolha em 2017, esbarra numa limitação prática na criança pequena: não existe apresentação em suspensão ou solução oral no Brasil — o que ajuda a entender por que a azitromicina assumiu a primeira linha pediátrica.

A reavaliação da disenteria é em dois dias, e o roteiro do retorno é conhecido. Se as evacuações e o sangue nas fezes continuarem iguais ou piores, se surgir febre ou se a criança não estiver se alimentando, inicia-se a antibioticoterapia. Se a criança piorou já em uso de antibiótico, a conduta se separa por idade: abaixo de 1 ano, refere-se; acima de 1 ano em uso de sulfametoxazol-trimetoprim, troca-se para ceftriaxona; acima de 1 ano em uso de ceftriaxona, refere-se. Pelo documento de 2023, persistindo sangue nas fezes após 48 horas de tratamento, a criança de até 10 anos vai para internação hospitalar.

Antiparasitário tem indicação estreita e dose fixa. Amebíase, quando o tratamento da disenteria por Shigella fracassa ou quando se identificam trofozoítos de Entamoeba histolytica englobando hemácias: metronidazol 50 mg/kg/dia, três vezes ao dia, por 10 dias. Giardíase, quando a diarreia dura 14 dias ou mais e se identificam cistos ou trofozoítos: metronidazol 15 mg/kg/dia, três vezes ao dia, por 5 dias.

Antidiarreicos, antieméticos e coadjuvantes: o que a régua permite

A frase do documento nacional é de uma linha e resolve metade das questões de conduta: antidiarreicos não devem ser usados. A loperamida continua totalmente contraindicada em pediatria — não reduz de forma apreciável o volume de fezes na criança pequena, pode causar íleo paralítico grave e fatal, prolonga a infecção ao retardar a eliminação do agente, e há relato de toxicidade fatal do sistema nervoso central com alguns agentes dessa classe. Difenoxilato com atropina, tintura de ópio e codeína entram na mesma proibição. Adsorventes e combinações de fármacos não têm valor prático demonstrado.

O antiemético é o ponto em que a régua brasileira se moveu. Na edição de 2005 da OMS, antieméticos nunca deveriam ser dados a crianças com diarreia — os disponíveis à época, como proclorperazina e clorpromazina, sedavam e atrapalhavam a própria terapia de reidratação oral, e o argumento se fechava lembrando que o vômito cessa quando a criança é reidratada. O documento brasileiro de 2023 adotou a ondansetrona, com indicação estreita e propósito declarado: apenas quando há vômitos persistentes durante o Plano B, para garantir que a criança consiga ingerir a solução e ser reidratada. Fora dessa janela, a conduta continua sendo reidratar, não medicar.

A racecadotrila é um inibidor da encefalinase que reduz a secreção intestinal de água e eletrólitos sem interferir na motilidade. A dose é 1,5 mg/kg, três vezes ao dia, contraindicada abaixo de 3 meses, interrompida assim que a diarreia cessa. Ela aparece como coadjuvante nas diretrizes europeia e ibero-latino-americana; o Ministério da Saúde não menciona antissecretores em seu plano de tratamento.

Vitamina A não é tratamento da diarreia, é medida para população com risco de deficiência, e reduz mortalidade e internações nesse grupo. As doses de referência são 50.000 UI abaixo dos 6 meses, 100.000 UI dos 6 aos 12 meses e 200.000 UI acima disso. O quadro do AIDPI reserva a vitamina A para a desnutrição grave ou o peso muito baixo, quando a criança não a recebeu nos últimos 30 dias.

O soro de reidratação oral: por que a fórmula mudou

A terapia de reidratação oral funciona por um motivo único e vale saber enunciá-lo: a via de transporte ativo acoplado de sódio, glicose e água pelo enterócito permanece preservada na diarreia aguda, seja qual for a etiologia. O que aumenta na doença são outras vias, de secreção e de menor absorção. É por isso que uma solução simples reidrata mais de 90% dos casos, exceto os graves.

A solução tradicional da OMS, de 1975, tinha 90 mmol/L de sódio, 111 mmol/L de glicose, 20 de potássio, 80 de cloro, 10 de citrato, e osmolaridade total de 311 mOsm/L. Em 2002 a OMS reduziu sódio e glicose para 75 mmol/L cada, mantendo potássio em 20, cloro em 65 e citrato em 10, com osmolaridade total de 245 mOsm/L. Esta é a solução de osmolaridade reduzida, e desde 2003 é a formulação oficialmente recomendada por OMS e Unicef.

A substituição não foi estética. Reduzir a osmolaridade evita o efeito adverso da hipertonicidade sobre a absorção líquida de fluido, e o resultado medido foi expressivo: a necessidade de terapia venosa suplementar não programada caiu 33% em relação à solução padrão, a incidência de vômitos caiu cerca de 30% e o volume das fezes, cerca de 20%. Com a solução antiga, os sinais de desidratação persistiam ou reapareciam durante a terapia oral em cerca de 5% das crianças; com a de osmolaridade reduzida, estima-se 3% ou menos.

Há um detalhe operacional que vem junto e cai em prova de leitura atenta: com a solução antiga, de 90 mmol/L, o lactente abaixo de 6 meses que não é amamentado precisava receber também 100 a 200 mL de água limpa durante o período de reidratação, para não receber sódio em excesso. Com a solução de 75 mmol/L, isso deixa de ser necessário.

Diarreia persistente: o que muda depois dos 14 dias

Diarreia persistente é a que se estende por 14 dias ou mais. O grupo tem risco alto de complicação e letalidade elevada, e a razão é nutricional antes de ser infecciosa — cada dia a mais de perda com alimentação inadequada empurra a criança para a desnutrição, que por sua vez torna a diarreia mais grave e mais prolongada.

A conduta do documento de 2023 é de encaminhamento por dois critérios: passa de 14 dias e a criança é menor de 6 meses, encaminha-se para unidade hospitalar; passa de 14 dias e há sinais de desidratação, reidrata-se primeiro e encaminha-se em seguida. Maior de 6 meses e sem desidratação, encaminha-se para consulta médica de investigação e tratamento.

O AIDPI desdobra isso em duas caixas. Diarreia persistente grave é a que vem com desidratação: trata-se a desidratação antes de referir, a não ser que a criança se enquadre em outra classificação grave, e refere-se urgentemente ao hospital. Diarreia persistente sem desidratação recebe orientação alimentar específica, zinco oral por dez dias, orientação sobre quando retornar imediatamente e retorno marcado em cinco dias.

A orientação alimentar da diarreia persistente é própria e não se confunde com a da diarreia aguda. Abaixo de 6 meses em aleitamento materno exclusivo, amamenta-se com mais frequência e por mais tempo, de dia e de noite. Em aleitamento misto, aumenta-se a frequência do leite materno e substitui-se o leite complementar por mucilagem de arroz ou por dieta com baixo teor de lactose. Sem aleitamento materno, dão-se 200 mL/kg/dia de mucilagem de arroz, divididos em seis a oito vezes, em substituição ao leite complementar. Acima de 6 meses, substitui-se gradativamente o leite complementar por alimentos semissólidos ricos em nutrientes e adequados à idade, mantendo dieta com baixo teor de lactose enquanto o leite artificial não for totalmente substituído.

No retorno de cinco dias, a régua é o número de evacuações e o peso. Se a criança continua com três ou mais evacuações amolecidas por dia, faz-se nova avaliação completa; havendo perda de peso, refere-se ao hospital, e não havendo, marca-se novo retorno em cinco dias. Melhorando — menos de três evacuações amolecidas por dia —, retoma-se a alimentação habitual para a idade e completa-se o zinco. Na convalescença, dão-se polivitaminas e sais minerais em duas ingestões diárias recomendadas, por duas semanas: a OMS especifica 50 µg de folato, 10 mg de zinco, 400 µg de vitamina A, 1 mg de cobre e 80 mg de magnésio por dia, e o paciente hospitalizado com diarreia persistente deve receber 110 calorias por quilo por dia.

Quando não é gastroenterite: o diferencial que a vinheta esconde

Disenteria e diarreia aquosa não são graus do mesmo quadro, são histórias diferentes. A aquosa perde volume, causa desidratação e não pede antibiótico. A disenteria traduz lesão de mucosa, associa-se a febre, dor abdominal intensa e tenesmo, pode vir com infecção sistêmica, e é a única forma em que o antibiótico entra por indicação, e ainda assim só com comprometimento do estado geral. Shigella é o agente que organiza o tratamento empírico da disenteria, como o pneumococo organiza o da pneumonia.

Alguns agentes trazem assinatura própria que a vinheta usa. Vibrio cholerae dá início abrupto, vômitos e diarreia líquida semelhante a água de arroz, com desidratação rápida e até choque. Escherichia coli êntero-hemorrágica e Shigella dysenteriae tipo 1 produzem toxina Shiga e podem evoluir para síndrome hemolítico-urêmica — anemia, plaquetopenia e lesão renal depois de uma diarreia com sangue. Campylobacter, Aeromonas e enterovírus também aparecem nessa lista de complicação. Yersinia enterocolitica acomete o íleo terminal e o tecido linfoide e pode mimetizar apendicite aguda. Clostridioides difficile aparece depois de antibiótico e no ambiente hospitalar.

Fora da infecção, há causas que abrem com diarreia e não se tratam com soro: alergia à proteína do leite de vaca, deficiência de lactase, uso de laxantes e de antibióticos, intoxicação por metais pesados. E há uma que precisa ser pensada de propósito, porque o atraso custa caro — a invaginação intestinal entra no diagnóstico diferencial da disenteria aguda, principalmente no lactente. Sangue nas fezes com dor em cólica intermitente e vômitos num lactente não é automaticamente shigelose.

A febre alta é uma pista de que o problema pode não estar no intestino. Temperatura de 39 °C ou mais em criança com diarreia manda investigar e tratar outras causas possíveis — pneumonia, otite, amigdalite, faringite, infecção urinária. A criança com diarreia e febre alta que passou pelo plano de hidratação sem ninguém olhar o ouvido e o pulmão é uma vinheta clássica.

Por fim, os fatores que aumentam o risco de complicação e deveriam elevar o nível de atenção antes mesmo do exame: idade inferior a 2 meses, doença de base grave, vômitos persistentes, perdas volumosas e frequentes com mais de oito episódios diários, e a percepção dos pais de que há sinais de desidratação. Somam-se a esses os critérios formais de internação: choque hipovolêmico, desidratação grave, manifestações neurológicas como letargia e convulsões, vômitos biliosos ou de difícil controle, falha da terapia de reidratação oral, suspeita de doença cirúrgica associada e falta de condições de tratamento domiciliar ou de acompanhamento ambulatorial.

Prevenção: onde a mortalidade caiu de verdade

A queda da mortalidade por diarreia no Brasil não veio de medicamento novo. Ela veio da disseminação dos princípios do tratamento — reidratação e manutenção da alimentação — somada à melhoria das condições de vida. Em 1980 a diarreia era a segunda causa de mortalidade infantil e respondia por 24,3% dos óbitos; em 2005 já era a quarta, com 4,1%.

A vacina contra rotavírus, incluída no calendário brasileiro em 2006, é o segundo capítulo dessa história e é a resposta correta em qualquer questão de prevenção específica. Entre 2006 e 2018, a taxa de hospitalização por diarreia em menores de cinco anos caiu 52,5%, com redução significativa da mortalidade, especialmente no Nordeste; a cobertura vacinal e a mortalidade por diarreia se correlacionaram inversamente com o índice de vulnerabilidade social.

O restante do pacote de prevenção é o que a OMS elenca para eliminar as mortes evitáveis por diarreia: imunização contra rotavírus e sarampo, aleitamento materno prolongado, suplementação de vitamina A onde há deficiência, disponibilidade e armazenamento adequado de água de boa qualidade, lavagem das mãos com sabão, preparo adequado dos alimentos e cobertura de saneamento básico. Onde não há acesso a água própria para consumo, ferve-se por 20 minutos ou trata-se com duas gotas de hipoclorito de sódio para cada litro.

04

Classificar a hidratação e executar o plano

A classificação do estado de hidratação é uma escala ordinal de três degraus, e cada degrau já vem com o plano colado. A regra de decisão é sempre a mesma: dois ou mais sinais da coluna classificam, e a coluna mais grave exige ao menos um dos sinais marcados com asterisco. Havendo dúvida entre dois degraus, considera-se o pior cenário. As tabelas abaixo trazem, em ordem, o quadro de avaliação, as seis classificações do AIDPI, os volumes dos três planos, o detalhe do Plano C, a composição do soro oral e a lista de medicamentos.

  1. 1Pergunte há quanto tempo há diarreia e se há sangue nas fezes.
  2. 2Observe: estado geral, olhos, sede, lágrimas e boca ou língua.
  3. 3Explore: sinal da prega abdominal, pulso e perda de peso quando o paciente está internado e evolui com diarreia e vômito.
  4. 4Decida pela regra dos dois sinais: dois ou mais da coluna B classificam como desidratação; dois ou mais da coluna C, com ao menos um marcado por asterisco, classificam como desidratação grave. Na dúvida, considere o pior cenário.
  5. 5Execute o plano correspondente: sem desidratação, Plano A no domicílio; com desidratação, Plano B no serviço de saúde; com desidratação grave, Plano C por via endovenosa.
  6. 6Acrescente zinco por 10 a 14 dias em toda criança menor de 5 anos com diarreia, qualquer que seja o plano.
  7. 7Verifique separadamente se há sangue nas fezes, se a diarreia passa de 14 dias, se há desnutrição grave e se a temperatura chega a 39 °C — cada um desses achados abre uma conduta própria, independente do plano de hidratação.
  8. 8Antes da alta, ensine os sinais de alerta e marque o retorno.

Sem desidratação — Plano A, em casa

Ativo e alerta, olhos sem alteração, sem sede, lágrimas presentes, boca úmida, prega abdominal que desaparece imediatamente, pulso cheio, sem perda de peso. Não há sinais suficientes para classificar nas outras colunas. Conduta: líquidos adicionais após cada evacuação (50 a 100 mL abaixo de 1 ano; 100 a 200 mL de 1 a 10 anos), manter a alimentação habitual e o aleitamento, zinco por 10 a 14 dias, ensinar os seis sinais de alerta e retornar se não melhorar em dois dias.

Com desidratação — Plano B, no serviço de saúde

Dois ou mais destes: irritado e intranquilo, olhos fundos, sedento e bebendo rápido e avidamente, lágrimas ausentes, boca seca ou levemente seca, prega abdominal que desaparece lentamente, perda de peso de até 10%. O pulso ainda é cheio. Conduta: 50 a 100 mL/kg de solução de reidratação oral (média de 75 mL/kg) em 4 a 6 horas, no serviço, até a reidratação completa; ondansetrona em dose única se houver vômitos persistentes; zinco; gastróclise se não tolerar a via oral; hospital se não melhorar em 6 horas.

Desidratação grave — Plano C, endovenoso

Dois ou mais destes, sendo ao menos um marcado com asterisco: comatoso, hipotônico, letárgico ou inconsciente*; olhos fundos; não é capaz de beber*; lágrimas ausentes; boca muito seca; prega abdominal que desaparece muito lentamente, em mais de dois segundos; pulso fraco ou ausente*; perda de peso acima de 10%. Conduta: expansão endovenosa de 100 mL/kg em duas fases, com o tempo separado por faixa etária; solução de reidratação oral a 5 mL/kg/hora assim que a criança conseguir beber; manutenção com reposição; observação por pelo menos 6 horas.

Etapa e sinalA — sem desidrataçãoB — com desidrataçãoC — com desidratação grave
Observe: estado geralAtivo, alertaIrritado, intranquiloComatoso, hipotônico, letárgico ou inconsciente (asterisco)
Observe: olhosSem alteraçãoFundosFundos
Observe: sedeSem sedeSedento, bebe rápido e avidamenteNão é capaz de beber (asterisco)
Observe: lágrimasPresentesAusentesAusentes
Observe: boca e línguaÚmidaSeca ou levemente secaMuito seca
Explore: sinal da prega abdominalDesaparece imediatamenteDesaparece lentamenteDesaparece muito lentamente (mais de 2 segundos)
Explore: pulsoCheioCheioFraco ou ausente (asterisco)
Explore: perda de pesoSem perdaAté 10%Acima de 10%
DecidaSem sinais de desidrataçãoDois ou mais sinais desta colunaDois ou mais sinais, com ao menos um dos marcados por asterisco
TratePlano A, no domicílioPlano B, no estabelecimento de saúdePlano C, endovenoso, no estabelecimento de saúde ou hospital

As seis classificações da diarreia no quadro do AIDPI e a conduta de cada uma

ClassificaçãoSinaisConduta
Desidratação graveDois dos seguintes: letárgica ou inconsciente; olhos fundos; não consegue beber ou bebe muito mal; prega volta muito lentamenteIniciar terapia endovenosa (Plano C). Se houver outra classificação grave, referir urgentemente ao hospital com goles frequentes de solução oral no trajeto e manter a amamentação. Havendo cólera na região, administrar antibiótico à criança de 2 anos ou mais
DesidrataçãoDois dos seguintes: inquieta ou irritada; olhos fundos; bebe avidamente com sede; prega volta lentamenteAdministrar solução de reidratação oral na unidade até hidratar (Plano B); zinco oral por dez dias; informar sobre quando retornar imediatamente; seguimento em cinco dias se não melhorar
Sem desidrataçãoNão há sinais suficientes para classificar como desidratação ou desidratação graveAlimentos e líquidos para tratar a diarreia em casa (Plano A); zinco oral por dez dias; informar sobre quando retornar imediatamente; seguimento em cinco dias se não melhorar
Diarreia persistente graveDiarreia há 14 dias ou mais, com desidrataçãoTratar a desidratação antes de referir, a não ser que a criança se enquadre em outra classificação grave; referir urgentemente ao hospital
Diarreia persistenteDiarreia há 14 dias ou mais, sem desidrataçãoOrientar a alimentação da diarreia persistente; zinco oral por dez dias; informar sobre quando retornar imediatamente; retorno em cinco dias
DisenteriaSangue nas fezesAntibiótico recomendado na região para Shigella, se houver comprometimento do estado geral; zinco oral por dez dias; retorno em dois dias; informar sobre quando retornar imediatamente

Os três planos: onde, o que se dá, quanto e em quanto tempo

PlanoOndeO que se dáQuanto e em quanto tempo
A — prevenir a desidrataçãoDomicílioSolução de reidratação oral e líquidos caseiros, após cada evacuação; alimentação habitual mantida; zincoMenores de 1 ano: 50 a 100 mL por evacuação. De 1 a 10 anos: 100 a 200 mL. Acima de 10 anos: o volume que aceitar. Zinco 1 vez ao dia por 10 a 14 dias (10 mg/dia até 6 meses; 20 mg/dia dos 6 meses aos 5 anos)
B — tratar a desidratação por via oralEstabelecimento de saúde, até a reidratação completaSolução de reidratação oral, de copo ou colher, em pequenos goles frequentes; aleitamento materno mantido; ondansetrona só se houver vômitos persistentes50 a 100 mL/kg, média de 75 mL/kg, em 4 a 6 horas. Sem melhora em 6 horas, encaminhar ao hospital para internação
C — tratar a desidratação graveEstabelecimento de saúde ou hospital, por via endovenosaSoro fisiológico a 0,9% ou Ringer lactato na expansão; solução oral concomitante assim que a criança beber; depois manutenção e reposição100 mL/kg na expansão, divididos em 30 mL/kg e 70 mL/kg, com o tempo dependente da faixa etária. Solução oral a 5 mL/kg/hora quando conseguir beber, em geral 2 a 3 horas após o início. Observar por pelo menos 6 horas

Plano C: a expansão endovenosa por faixa etária, e o que fazer sem acesso venoso

SituaçãoSoluçãoVolumeTempo
Menores de 1 ano — 1ª etapaSoro fisiológico a 0,9% ou Ringer lactato30 mL/kg1 hora
Menores de 1 ano — 2ª etapaSoro fisiológico a 0,9% ou Ringer lactato70 mL/kg5 horas
A partir de 1 ano — 1ª etapaSoro fisiológico a 0,9% ou Ringer lactato30 mL/kg30 minutos
A partir de 1 ano — 2ª etapaSoro fisiológico a 0,9% ou Ringer lactato70 mL/kg2 horas e 30 minutos
Recém-nascido ou menor de 5 anos com cardiopatia graveSoro fisiológico a 0,9% ou Ringer lactatoComeçar com 10 mL/kgAjustar a velocidade pelos parâmetros clínicos
Manutenção, todas as faixasSoro glicosado a 5% + soro fisiológico a 0,9% em 4:1, com KCl a 10% 2 mL para cada 100 mLAté 10 kg: 100 mL/kg. De 10 a 20 kg: 1.000 mL + 50 mL/kg acima de 10 kg. Acima de 20 kg: 1.500 mL + 20 mL/kg acima de 20 kg, no máximo 2.000 mL24 horas
Reposição das perdas, todas as faixasSoro glicosado a 5% + soro fisiológico a 0,9% em 1:1Iniciar com 50 mL/kg/diaReavaliar conforme as perdas
Sem acesso venoso, mas há tratamento venoso a menos de 30 minutosSolução de reidratação oral no trajeto, se a criança conseguir beberGoles frequentesReferir urgentemente
Sem acesso venoso, com profissional treinado em sonda nasogástricaSolução de reidratação oral por sonda ou pela boca20 a 30 mL/kg por hora (a OMS escreve 20 mL/kg/hora por 6 horas, total de 120 mL/kg)Reavaliar a cada 1 a 2 horas; sem melhora em 3 horas, encaminhar para terapia venosa; reavaliação completa em 6 horas

Composição da solução de reidratação oral

Componente (mmol/L)Solução tradicional (OMS, 1975)Osmolaridade reduzida (OMS, 2002)Solução hipotônica da ESPGHAN
Glicose1117574 a 111
Sódio907560
Potássio202020
Cloro806560
Citrato101010
Osmolaridade total311245225 a 260
Ganho medido da mudançaReferência da comparaçãoRedução de 33% na necessidade de terapia venosa suplementar, de cerca de 30% nos vômitos e de cerca de 20% no volume das fezesConcentração de sódio mais baixa, tradicionalmente preconizada na Europa

Medicamentos na diarreia aguda da criança

ClasseEntra quandoComo
ZincoToda criança menor de 5 anos com diarreia, em qualquer plano1 vez ao dia por 10 a 14 dias: 10 mg/dia até 6 meses; 20 mg/dia dos 6 meses aos 5 anos. O quadro do AIDPI imprime 10 dias
Antiemético (ondansetrona)Apenas vômitos persistentes durante o Plano B, para viabilizar a via oralDose única: 2 mg dos 6 meses aos 2 anos (0,2 a 0,4 mg/kg); 4 mg dos 2 aos 10 anos, até 30 kg; 8 mg acima de 10 anos ou 30 kg. Alerta da Anvisa contra o uso em gestantes. Metoclopramida contraindicada abaixo de 1 ano; não recomendada de 1 a 18 anos
AntibióticoDiarreia com sangue e comprometimento do estado geral, ou cólera graveAté 30 kg ou 10 anos, a partir de 3 meses e sem imunodeficiência: azitromicina 10 mg/kg/dia no 1º dia e 5 mg/kg/dia por mais 4 dias; alternativa, ceftriaxona 50 mg/kg IM 1 vez ao dia por 3 a 5 dias. Acima de 30 kg ou 10 anos: ciprofloxacino 500 mg de 12/12 h por 3 dias. Abaixo de 3 meses ou imunodeficiência: ceftriaxona 50 a 100 mg/kg EV 1 vez ao dia
AntiparasitárioAmebíase com trofozoítos englobando hemácias ou falha do tratamento da shigelose; giardíase com 14 dias ou mais de diarreia e parasito identificadoAmebíase: metronidazol 50 mg/kg/dia, 3 vezes ao dia, por 10 dias. Giardíase: metronidazol 15 mg/kg/dia, 3 vezes ao dia, por 5 dias
Antitérmico e analgésicoFebre e dorDipirona ou paracetamol
Vitamina APopulação com risco de deficiência; desnutrição grave ou peso muito baixo, se não recebeu nos últimos 30 dias50.000 UI abaixo de 6 meses; 100.000 UI dos 6 aos 12 meses; 200.000 UI acima disso
Antidiarreicos e antimotilidadeNuncaLoperamida totalmente contraindicada em pediatria; difenoxilato com atropina, tintura de ópio e codeína na mesma proibição, pelo risco de íleo paralítico fatal e por prolongarem a infecção
RacecadotrilaCoadjuvante nas diretrizes europeia e ibero-latino-americana; o Ministério da Saúde não menciona antissecretores1,5 mg/kg, 3 vezes ao dia, contraindicada abaixo de 3 meses, interrompida assim que a diarreia cessa

Dois sinais classificam, não um. Uma criança apenas irritada, ou apenas com olhos fundos, não está classificada como desidratada — e a coluna grave exige, além dos dois sinais, que ao menos um deles seja dos marcados com asterisco.

O degrau de idade dos volumes brasileiros fica em 12 meses, tanto no Plano A quanto no Plano C. A OMS coloca o degrau do Plano A aos 2 anos.

No Plano C, o volume total é o mesmo nas duas faixas — 100 mL/kg. O que muda é o tempo: o lactente recebe em 6 horas (1 hora mais 5 horas) e a criança a partir de 1 ano em 3 horas (30 minutos mais 2 horas e 30 minutos).

Zinco não é reservado ao desidratado. Ele entra em toda criança menor de 5 anos com diarreia, inclusive na que vai para casa pelo Plano A, e o curso se completa mesmo depois de a diarreia parar.

Antibiótico só entra na diarreia com sangue e comprometimento do estado geral, ou na cólera grave. Diarreia aquosa febril, por si só, não é indicação.

Antidiarreico não entra nunca, em nenhum plano e em nenhuma idade pediátrica.

Sangue nas fezes, diarreia com 14 dias ou mais, desnutrição grave e temperatura de 39 °C ou mais são verificações separadas: cada uma abre uma conduta própria, que corre em paralelo ao plano de hidratação.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Ondansetrona para viabilizar a reidratação oral na criança que vomita

Não usar antieméticos — a posição da OMS na edição de 2005

O manual da OMS afirma que antieméticos não têm benefício prático na diarreia aguda ou persistente da criança e que nunca devem ser dados. O argumento tem duas partes: os agentes disponíveis à época, como proclorperazina e clorpromazina, provocam sedação que interfere na própria terapia de reidratação oral; e o vômito cessa espontaneamente quando a criança é reidratada, de modo que tratá-lo não muda o desfecho que importa, que é a prevenção da desidratação.

World Health Organization, The Treatment of Diarrhoea: A Manual for Physicians and Other Senior Health Workers (2005), seções 2.6 e 10.3

Usar em dose única, em janela estreita — a posição do Ministério da Saúde desde 2023, alinhada à europeia

O fluxograma nacional adotou a ondansetrona como parte do Plano B, com indicação limitada a vômitos persistentes durante o próprio plano e com propósito instrumental declarado: garantir que a criança consiga ingerir a solução e ser reidratada por via oral. As doses são 2 mg dos 6 meses aos 2 anos, 4 mg dos 2 aos 10 anos até 30 kg, e 8 mg acima de 10 anos ou 30 kg. Há alerta da Anvisa contra o uso em gestantes e a metoclopramida é contraindicada abaixo de 1 ano de idade e não recomendada entre 1 e 18 anos. O quadro do AIDPI de 2017 já trazia a droga na mesma janela. A base é a diretriz europeia, que registra redução da frequência de vômitos, da necessidade de hidratação parenteral e da internação imediata, com a ressalva de segurança cardíaca.

Ministério da Saúde, Manejo do paciente com diarreia (2023); Ministério da Saúde/OPAS/UNICEF, AIDPI Criança (2017); ESPGHAN/ESPID, Guarino A et al., JPGN (2014)

Na prova

O recorte se identifica pela data e pelo cenário. Enunciado ancorado no fluxograma nacional atual, na Unidade Básica de Saúde, no Plano B ou que use a expressão 'vômitos persistentes' está no corpo brasileiro de 2023, em que a ondansetrona existe com dose por faixa etária. Enunciado que cita o manual da OMS, que fale de antieméticos como classe, ou que descreva proclorperazina e clorpromazina, está no corpo de 2005, em que a classe está vedada. As alternativas denunciam o mundo da questão: um distrator com metoclopramida está fora dos dois mundos, porque a droga é contraindicada abaixo de 1 ano de idade e não recomendada entre 1 e 18 anos no Brasil; um distrator com ondansetrona 'de rotina em toda criança com diarreia' extrapola até a posição mais permissiva, que restringe a droga ao vômito persistente durante o Plano B. Registre o descompasso de datas: o manual da OMS é de 2005, a diretriz europeia é de 2014 e o fluxograma brasileiro é de 2023. Prova oficial do MEC tende a conduta SUS; outras bancas dependem do que as alternativas revelam.

Qual composição de soro oral usar

Osmolaridade reduzida, 245 mOsm/L — OMS e Unicef desde 2002

A solução com 75 mmol/L de sódio, 75 mmol/L de glicose, 20 de potássio, 65 de cloro e 10 de citrato, com osmolaridade total de 245 mOsm/L, substituiu a fórmula tradicional de 1975, que tinha 90 de sódio, 111 de glicose e 311 mOsm/L. A mudança foi sustentada por desfecho medido: redução de 33% na necessidade de terapia venosa suplementar não programada, de cerca de 30% na incidência de vômitos e de cerca de 20% no volume das fezes. É a formulação oficialmente recomendada por OMS e Unicef.

World Health Organization, The Treatment of Diarrhoea (2005), introdução e Anexo 2

Sódio mais baixo ainda, 60 mmol/L — a solução hipotônica preconizada na Europa

A sociedade europeia de gastroenterologia, hepatologia e nutrição pediátrica preconiza tradicionalmente uma solução com concentração de sódio mais baixa, de 60 mmol/L, com osmolaridade entre 225 e 260 mOsm/L. O contexto epidemiológico é outro: cólera e diarreias de alta perda de sódio não são o cenário europeu, e a preocupação dominante ali é a hiponatremia.

ESPGHAN, solução hipotônica, conforme o Quadro 6 do Guia Prático de Atualização nº 1 da Sociedade Brasileira de Pediatria (2017)

No Brasil, a adequação formal não foi feita — o registro da Sociedade Brasileira de Pediatria

A Sociedade Brasileira de Pediatria registra, em 2017 e de novo em 2023, que o país não estabeleceu política de difusão da solução de baixa osmolaridade e que o Ministério da Saúde não fez a adequação da composição. Do lado prático, os documentos nacionais tratam o soro oral pelo volume e pelo tempo, não pela fórmula, e as soluções comercializadas no Brasil variam em sódio e glicose, algumas alinhadas à recomendação da OMS e outras à europeia. A orientação que se tira disso é operacional: se for usado o sachê com 90 mmol/L de sódio na prevenção da desidratação, ofereçam-se também líquidos sem sódio, inclusive água, para evitar ingestão excessiva de sódio.

Sociedade Brasileira de Pediatria, Guia Prático de Atualização nº 1 (2017) e nº 74 (2023)

Na prova

O número denuncia o documento. Sódio de 75 mmol/L com osmolaridade de 245 é o vocabulário da OMS a partir de 2002; 90 mmol/L com 311 é a fórmula de 1975; 60 mmol/L é linguagem europeia. Enunciado que descreva ganho percentual — 33% de redução na terapia venosa, 30% nos vômitos, 20% no volume fecal — está construindo o argumento da osmolaridade reduzida. Enunciado que peça a conduta na Unidade Básica de Saúde brasileira raramente cobra a fórmula: cobra o volume e o tempo, que são o que os documentos nacionais fixam. E um distrator que ofereça refrigerante, suco industrializado ou chá adoçado como reidratação está fora de todos os documentos ao mesmo tempo, porque a carga osmótica do açúcar piora a diarreia e pode causar hipernatremia.

O degrau etário dos volumes, e o volume da expansão que mudou no Brasil

Degrau em 12 meses no Plano A — os documentos brasileiros

Tanto o fluxograma nacional de 2023 quanto o quadro do AIDPI colocam o degrau do Plano A em 1 ano: menores de 1 ano recebem 50 a 100 mL após cada evacuação, e de 1 a 10 anos recebem 100 a 200 mL, com o volume tolerado acima de 10 anos.

Ministério da Saúde, Manejo do paciente com diarreia (2023); Ministério da Saúde/OPAS/UNICEF, AIDPI Criança (2017)

Degrau em 2 anos no Plano A — a OMS

O manual da OMS coloca o mesmo degrau dois anos mais tarde: crianças abaixo de 2 anos recebem 50 a 100 mL após cada evacuação líquida, e de 2 a 10 anos, 100 a 200 mL, com o volume desejado para crianças maiores e adultos. Os valores são os mesmos; a fronteira etária é que difere.

World Health Organization, The Treatment of Diarrhoea (2005), Plano de Tratamento A

No Plano C, a expansão brasileira mudou em 2023 e passou a coincidir com a da OMS

O esquema anterior do Ministério da Saúde, reproduzido pela Sociedade Brasileira de Pediatria em 2017, usava soro fisiológico a 20 mL/kg a cada 30 minutos, repetidos até hidratar, para menores de 5 anos, e reservava as duas etapas de 30 e 70 mL/kg para os maiores de 5 anos. O fluxograma de 2023 substituiu isso pelo esquema de 100 mL/kg em duas etapas com o corte em 1 ano — que é exatamente o da Tabela 3 do manual da OMS: abaixo de 12 meses, 30 mL/kg em 1 hora e 70 mL/kg em 5 horas; a partir de 12 meses, 30 mL/kg em 30 minutos e 70 mL/kg em 2 horas e 30 minutos. Hoje o documento brasileiro e o internacional dizem o mesmo número.

Ministério da Saúde, Manejo do paciente com diarreia (2023); World Health Organization, The Treatment of Diarrhoea (2005), Tabela 3; esquema anterior reproduzido no Guia Prático de Atualização nº 1 da Sociedade Brasileira de Pediatria (2017)

Na prova

Aqui o eixo é a data, não a instituição. Vinheta construída sobre material anterior a 2023 pode trazer o esquema de 20 mL/kg repetidos para o menor de 5 anos; vinheta construída sobre o fluxograma atual traz as duas etapas com o corte em 1 ano. A distinção se faz pelo próprio enunciado: menção a 'novo fluxograma', 'atualização do Ministério da Saúde' ou 'Manejo do Paciente com Diarreia' aponta para o corpo de 2023. No Plano A, a fronteira etária é o que separa os corpos — 1 ano é linguagem brasileira, 2 anos é linguagem da OMS —, e os volumes, 50 a 100 mL e 100 a 200 mL, são os mesmos nos dois. Um distrator que troque 30 mL/kg em 30 minutos por 30 mL/kg em 1 hora está apenas invertendo as faixas etárias entre si, e é o erro mais frequente do capítulo.

Probióticos como coadjuvantes da diarreia aguda

Não mencionados — OMS e Ministério da Saúde

Nem o manual da OMS nem os documentos brasileiros de manejo da diarreia mencionam probióticos entre as condutas do tratamento. A régua nacional se organiza em torno de três coisas: reidratação, alimentação mantida e zinco.

World Health Organization, The Treatment of Diarrhoea (2005); Ministério da Saúde, Manejo do paciente com diarreia (2023)

Coadjuvantes, e só cepas nomeadas — o posicionamento europeu de 2023 e a diretriz ibero-latino-americana

O posicionamento europeu recomenda quatro opções, sempre associadas à reidratação e à alimentação, nunca no lugar delas: Saccharomyces boulardii CNCM I-745, 250 a 750 mg/dia por 5 a 7 dias; Lacticaseibacillus rhamnosus GG ATCC53103, ao menos 10 elevado a 10 unidades formadoras de colônia por dia, por 5 a 7 dias; Limosilactobacillus reuteri DSM 17938, de 1 a 4 vezes 10 elevado a 8 unidades formadoras de colônia por dia, por 5 a 7 dias; e a combinação de L. rhamnosus 19070-2 com L. reuteri DSM 12246. O efeito medido é modesto e conhecido: cerca de um dia a menos de duração da diarreia, sem redução demonstrada das perdas. O mesmo documento recomenda contra duas opções por falta de eficácia — a combinação de Lactobacillus helveticus R0052 com L. rhamnosus R0011, e as cepas de Bacillus clausii O/C, SIN, N/R e T.

ESPGHAN, posicionamento sobre probióticos em distúrbios gastrointestinais pediátricos (2023), e diretriz ibero-latino-americana, conforme reproduzidos no Guia Prático de Atualização nº 74 da Sociedade Brasileira de Pediatria (2023)

Na prova

O recorte se reconhece pelo nível de detalhe. Questão que nomeia cepa e dose está no corpo europeu, em que a recomendação é cepa-específica e o benefício declarado é de aproximadamente um dia; questão de conduta em Unidade Básica de Saúde, com plano de hidratação e zinco, está no corpo nacional, em que probiótico não figura. Duas marcas ajudam: a expressão 'coadjuvante' sinaliza o mundo europeu, e qualquer alternativa que trate probiótico como substituto da reidratação está errada nos dois mundos. Note também que o mesmo posicionamento europeu traz recomendações negativas nomeadas — um distrator com Bacillus clausii ou com a combinação de L. helveticus R0052 e L. rhamnosus R0011 está citando exatamente o que aquele documento desaconselha.

Qual antibiótico usar na disenteria da criança

Azitromicina em primeira linha — fluxograma nacional de 2023

Para a criança com até 30 kg, ou até 10 anos, a partir de 3 meses e sem imunodeficiência: azitromicina 10 mg/kg/dia por via oral no primeiro dia e 5 mg/kg/dia por mais quatro dias, com ceftriaxona 50 mg/kg intramuscular uma vez ao dia por 3 a 5 dias como alternativa. Acima de 30 kg ou 10 anos, ciprofloxacino 500 mg de 12 em 12 horas por três dias. Abaixo de 3 meses ou na imunodeficiência, ceftriaxona endovenosa 50 a 100 mg/kg uma vez ao dia.

Ministério da Saúde, Manejo do paciente com diarreia (2023)

Ceftriaxone em primeira linha e sulfametoxazol-trimetoprim em segunda — quadro do AIDPI de 2017

A tabela do quadro de procedimentos traz ceftriaxone intramuscular, 50 mg por kg por dose, uma vez ao dia durante três dias, como antibiótico de primeira linha da disenteria, e sulfametoxazol com trimetoprim, 40 mg/kg/dia de 12 em 12 horas por cinco dias, como segunda linha, reduzida a três dias no caso de cólera.

Ministério da Saúde/OPAS/UNICEF, AIDPI Criança, quadro de procedimentos (2017)

Ciprofloxacino em primeira escolha — Sociedade Brasileira de Pediatria em 2017

O guia de 2017 registra ciprofloxacino, 15 mg/kg duas vezes ao dia por três dias, como primeira escolha na criança, com azitromicina como segunda escolha e ceftriaxona nos casos graves que requerem hospitalização. O documento explica o que tirou o sulfametoxazol-trimetoprim de cena: as amostras de Shigella testadas no Brasil apresentam alta taxa de resistência a ele, mantendo boa sensibilidade ao ciprofloxacino e à ceftriaxona. E acrescenta a limitação prática que empurra a pediatria para outra droga — não existe ciprofloxacino em suspensão ou solução oral no Brasil.

Sociedade Brasileira de Pediatria, Guia Prático de Atualização nº 1 (2017)

Na prova

Este é um dos poucos pontos do capítulo em que dois documentos brasileiros vigentes trazem esquemas diferentes, e o eixo de novo é a data: o quadro do AIDPI é de 2017 e o fluxograma de manejo é de 2023. O enunciado costuma entregar o recorte pelo nome do documento ou pelo cenário — 'quadro de procedimentos', 'classificar a diarreia' e 'criança de 2 meses a 5 anos' apontam para o AIDPI; 'nova recomendação do Ministério da Saúde', 'fluxograma' e faixas descritas por peso em quilos apontam para 2023. Duas âncoras valem mais que o nome da droga e não mudam entre os documentos: o antibiótico só entra na diarreia com sangue e comprometimento do estado geral ou na cólera grave, e a hipótese empírica é Shigella. Um distrator que prescreva antibiótico para diarreia aquosa febril está errado em qualquer dos corpos.

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Caso resolvido

Lactente de 10 meses, 8 kg, levado à Unidade Básica de Saúde com diarreia líquida há dois dias, cerca de oito evacuações por dia, sem sangue, com dois episódios de vômito hoje. Mama no peito e já come outros alimentos. A mãe conta que ele está 'chorão e agitado' e que quer beber o tempo todo. Ao exame: irritado e intranquilo, olhos fundos, chora sem lágrimas, mucosa oral seca, bebe rápido e avidamente a água oferecida no copo. A prega abdominal desaparece lentamente. Pulso cheio. Afebril. Abdome flácido, sem massas. Não há sinal de desnutrição.
observe
Estado geral irritado e intranquilo, olhos fundos, sedento bebendo rápido e avidamente, lágrimas ausentes, boca seca. Cinco achados na coluna B.
explore
Prega abdominal que desaparece lentamente — coluna B. Pulso cheio, que é o que a coluna B descreve e o que exclui a coluna C. Nenhum dos três sinais marcados com asterisco está presente: a criança não está letárgica, bebe, e o pulso não é fraco.
decida
Dois ou mais sinais da coluna B, sem nenhum sinal com asterisco: classificação COM DESIDRATAÇÃO. O AIDPI chega ao mesmo lugar pelos seus quatro sinais — inquieta ou irritada, olhos fundos, bebe avidamente com sede, prega volta lentamente —, dos quais bastariam dois.
trate
Plano B, no serviço de saúde. Volume: 50 a 100 mL/kg, média de 75 mL/kg, em 4 a 6 horas. Para 8 kg, 75 vezes 8 dá 600 mL, dentro da faixa de 400 a 700 mL que a tabela do AIDPI prevê para a criança de 4 a 11 meses com 6 a menos de 10 kg. Oferecer de copo ou colher, em pequenos goles frequentes, sem mamadeira. Manter o aleitamento materno sempre que ele quiser; os demais alimentos ficam suspensos apenas durante a reparação.
o que vai junto
Zinco oral, 20 mg/dia — ele tem 10 meses, portanto está na faixa acima de 6 meses —, uma vez ao dia por 10 a 14 dias, começando agora e continuando em casa mesmo depois de a diarreia parar.
se vomitar
Vômito isolado durante a oferta: esperar dez minutos e retomar mais lentamente. Vômitos persistentes que impeçam a ingestão: dose única de ondansetrona, 2 mg, porque ele está na faixa de 6 meses a 2 anos. Persistindo a intolerância à via oral com a criança ainda desidratada, indica-se gastróclise.
a reavaliação
Reavaliar pelo mesmo quadro. Desaparecendo os sinais, passa-se ao Plano A e reinicia-se a alimentação ali mesmo, no serviço. Persistindo a desidratação com pouca tolerância oral, sonda nasogástrica. Evoluindo para desidratação grave, Plano C. E há prazo: sem melhora da desidratação após seis horas, encaminhar ao hospital de referência para internação.
o que não fazer
Não pedir coprocultura: a investigação etiológica não é obrigatória e fica para o caso grave, o hospitalizado e o surto. Não prescrever antibiótico: não há sangue nas fezes. Não prescrever antidiarreico, em nenhuma hipótese. Não diluir o leite nem suspender a alimentação além da fase de reparação. E não mandar para casa com o envelope no meio do plano — o Plano B se completa dentro do serviço de saúde.
07

Agora feche você

Menina de 2 anos, 12 kg, trazida ao pronto atendimento de uma unidade com sala de medicação e acesso venoso disponível. Diarreia líquida há três dias, muito volumosa, com vômitos. A mãe diz que desde a madrugada ela 'não quer mais nada' e que hoje não trocou fralda molhada. Ao exame: sonolenta, responde pouco ao chamado, olhos muito fundos, sem lágrimas, boca muito seca. Recusa o copo e não consegue beber quando oferecido. A prega abdominal leva mais de dois segundos para desaparecer. Pulso radial fino, difícil de palpar. Extremidades frias. Sem sangue nas fezes. Temperatura axilar de 37,4 °C.
observe
Sonolenta e pouco responsiva, olhos muito fundos, lágrimas ausentes, boca muito seca, incapaz de beber. Dois dos achados — o rebaixamento do sensório e a incapacidade de beber — são dos marcados com asterisco.
explore
Prega abdominal que desaparece em mais de dois segundos, e pulso fraco, que é o terceiro sinal com asterisco. A anúria referida desde a madrugada e as extremidades frias reforçam a hipovolemia.
a via oral
Está fora de questão como tratamento inicial: a criança não consegue beber, e alteração do estado de consciência é contraindicação formal à hidratação oral, ao lado de íleo paralítico, abdome agudo, convulsões e choque hipovolêmico.
decida
trate
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Onde a banca derruba

  1. 1Trocar os tempos das duas faixas etárias no Plano C É o erro numérico mais frequente do capítulo, e a alternativa errada quase sempre é a inversão exata: 30 mL/kg em 30 minutos para o lactente e 30 mL/kg em 1 hora para a criança maior. A regra é a contrária, e ela tem lógica — o lactente recebe mais devagar, em 1 hora mais 5 horas, num total de 6 horas; a criança a partir de 1 ano recebe em 30 minutos mais 2 horas e 30 minutos, num total de 3 horas. O volume, 100 mL/kg, é o mesmo nos dois.
  2. 2Colocar o degrau etário do Plano A aos 2 anos Atrai porque 2 anos marca outras transições em pediatria e porque a OMS de fato usa esse degrau. No Brasil, tanto o fluxograma de 2023 quanto o quadro do AIDPI cortam em 12 meses: menores de 1 ano recebem 50 a 100 mL após cada evacuação, e de 1 a 10 anos, 100 a 200 mL. Numa vinheta de Unidade Básica de Saúde brasileira, é o corte de 1 ano que se aplica.
  3. 3Classificar como desidratado com um sinal só Atrai porque olhos fundos e irritabilidade impressionam. A regra é dois ou mais sinais da mesma coluna, e para a coluna grave é necessário ainda que ao menos um deles esteja marcado com asterisco. Uma criança apenas irritada, com olhos normais, bebendo normalmente e com prega que desaparece de imediato, é uma criança sem desidratação — e Plano A não é um plano menor, é o plano certo para ela.
  4. 4Esquecer o zinco porque a criança vai para casa Atrai porque o zinco parece tratamento de desidratação, e a criança do Plano A não está desidratada. Mas o zinco entra em toda criança menor de 5 anos com diarreia, em qualquer plano, uma vez ao dia por 10 a 14 dias: 10 mg até os 6 meses e 20 mg dos 6 meses aos 5 anos. Ele reduz a duração e a gravidade do episódio e diminui a incidência de novos episódios nos dois a três meses seguintes — por isso o curso se completa mesmo depois de a diarreia parar.
  5. 5Prescrever antibiótico para diarreia aquosa com febre Atrai porque febre alta sugere bactéria e porque a criança parece doente. A régua não deixa margem: antibiótico só na diarreia com sangue e comprometimento do estado geral, ou na cólera grave. Febre de 39 °C ou mais numa criança com diarreia manda procurar outro foco — pneumonia, otite, amigdalite, faringite, infecção urinária —, não prescrever antibiótico para o intestino.
  6. 6Dar antidiarreico para 'segurar' a diarreia da criança Atrai porque a família pede e porque o medicamento existe na farmácia. A loperamida é totalmente contraindicada em pediatria: não reduz de forma apreciável o volume das fezes na criança pequena, causa íleo paralítico grave e potencialmente fatal, prolonga a infecção ao retardar a eliminação do agente e tem relato de toxicidade fatal do sistema nervoso central em alguns agentes da classe. O documento nacional resolve em uma frase — antidiarreicos não devem ser usados.
  7. 7Suspender a alimentação ou diluir o leite durante a diarreia Atrai porque parece dar descanso ao intestino. O jejum se limita à fase de reparação da desidratação e não vale para o leite materno, que é mantido em todos os planos; a alimentação é reiniciada em no máximo 4 a 6 horas, no próprio serviço de saúde. Fórmula e preparação láctea não se diluem: quem tem a alimentação restrita ou diluída perde peso, tem diarreia mais longa e recupera a função intestinal mais devagar.
  8. 8Trocar por fórmula sem lactose toda criança com diarreia aguda Atrai porque a diarreia realmente causa deficiência transitória de lactase. Mas não há recomendação de fórmula sem lactose para o lactente com diarreia aguda tratado ambulatorialmente. A vantagem está descrita em dois cenários diferentes: o paciente hospitalizado com diarreia aguda e o paciente com diarreia persistente, no hospital ou no ambulatório.
  9. 9Ler pulso alterado como sinal de desidratação moderada Atrai porque em outras escalas de desidratação o pulso vai piorando em degraus. No quadro brasileiro, o pulso é descrito como cheio tanto na coluna A quanto na coluna B: fraco ou ausente só aparece na coluna C, e é um dos três sinais com asterisco. Pulso alterado numa criança com diarreia já é desidratação grave até prova em contrário.
  10. 10Oferecer refrigerante, suco de caixinha ou chá adoçado como reidratação Atrai porque a criança aceita melhor e porque 'é líquido'. Bebidas açucaradas carregam osmolaridade alta, podem provocar diarreia osmótica e hipernatremia, e não repõem potássio nem base. Servem água, chá e suco sem açúcar, água de coco, sopas, caldos e a solução de reidratação oral; para o lactente em aleitamento materno exclusivo, o único líquido além do peito é a solução de reidratação oral.
  11. 11Tratar sangue nas fezes do lactente como shigelose sem pensar em invaginação Atrai porque disenteria é o diagnóstico estatisticamente provável e porque o algoritmo tem uma caixa pronta para ela. A invaginação intestinal entra no diferencial da disenteria aguda, principalmente no lactente, e a demora custa alça. Dor em cólica intermitente, vômitos e sangue nas fezes num lactente pedem exame abdominal cuidadoso antes do antibiótico.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

Os sinais (olhos fundos, mucosas secas, sede ávida, prega lenta, irritabilidade) caracterizam desidratação (alguns/moderada), indicando o Plano B: reidratação oral com SRO supervisionada na unidade por 4 horas e suplementação de zinco. O Plano C (hidratação venosa) é reservado à desidratação grave/choque. Antibióticos não são indicados na diarreia aquosa sem sangue e antidiarreicos são contraindicados em crianças. O Plano A é apenas para a criança sem sinais de desidratação.

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Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

Escreva de memória o quadro de avaliação em três colunas, na ordem observe e explore, e marque quais três sinais levam asterisco. Depois enuncie a regra de decisão em uma frase, incluindo o que fazer na dúvida entre duas colunas. Em seguida, os volumes: Plano A por faixa etária, com o degrau em 12 meses; Plano B em mL/kg e em quantas horas; e o Plano C inteiro — as duas etapas, os dois volumes e os dois tempos, separados por faixa etária, mais a exceção do recém-nascido e do cardiopata grave. Por fim, a dose e a duração do zinco nas duas faixas de idade.

em 30 dias

Refaça o quadro de avaliação e os volumes dos três planos sem consultar. Depois reconstrua as seis classificações da diarreia do quadro do AIDPI, com os sinais e a conduta de cada uma. Escreva a fase de manutenção do Plano C pela regra de Holliday e Segar nas três faixas de peso, mais a reposição e o cloreto de potássio. Liste as indicações de antibiótico e escreva o esquema atual por faixa de peso, dizendo qual droga saiu de cena e por quê. Escreva a dose de ondansetrona nas três faixas e a única situação em que ela entra. Diga o que fazer no Plano C quando não há acesso venoso, com os dois prazos que decidem. Enuncie a definição de diarreia persistente e os dois critérios de encaminhamento hospitalar. Por fim, para cada uma das cinco divergências do capítulo, escreva as posições, quem sustenta cada uma, o ano de cada documento e a marca no enunciado que revela em qual deles a questão foi montada.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Lactente de 9 meses chega à Unidade Básica de Saúde com diarreia líquida há dois dias e vômitos desde ontem. A mãe conta que ele está mais irritado que o normal, que 'agarra a mamadeira com sede' e que a fralda está seca há algumas horas. Conduza a consulta: colha a história da diarreia, avalie o estado de hidratação pelo quadro do Ministério da Saúde, classifique, escolha o plano com o volume e o tempo corretos e defina o que orientar à mãe antes de ela sair da unidade. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Diarreia aguda e desidratação na criança — Preparatório para provas | OsceLabs