Pediatria › Gastroenterologia Pediátrica
Diarreia aguda e desidratação na criança
A prova cobra literalmente o volume, a via e o tempo de cada plano. O número mais decorado é a expansão do Plano C, que muda de tempo aos 12 meses; o mais esquecido é o zinco, que faz parte da prescrição desde a primeira consulta.
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Lactente de 10 meses é levado à UBS com diarreia aquosa há 3 dias, sem sangue, e vômitos. Ao exame: olhos fundos, mucosas secas, bebe avidamente, sinal da prega retorna lentamente, criança irritada. Está sem febre e alerta. Segundo a estratégia AIDPI, qual é a conduta correta?
Como esse tema cai
Este é um dos capítulos mais previsíveis da pediatria brasileira, e a razão é simples: o documento nacional decide tudo. Não há espaço para julgamento clínico sobre quanto soro dar — há uma tabela, e a prova cobra a tabela. Volume em mililitros por quilo, via, tempo de infusão, faixa etária de corte. Errar um mL/kg aqui não é imprecisão, é a alternativa errada.
A régua brasileira tem duas peças que se encaixam. O quadro de procedimentos do AIDPI Criança, de 2017, é o que se aplica dos 2 meses aos 5 anos incompletos: ele classifica a diarreia em seis caixas e entrega a conduta escrita ao lado de cada uma. E o Manejo do Paciente com Diarreia, do Ministério da Saúde, atualizado em 2023, é o documento geral, válido para qualquer idade, que reescreveu o quadro de avaliação da hidratação e ajustou os volumes. O Guia de Vigilância em Saúde do próprio ministério diz como as duas convivem: os planos seguem o documento de 2023 e, abaixo de 5 anos, a referência de tratamento é o AIDPI. Onde os dois falam do mesmo número, eles hoje concordam — e é essa concordância que torna o capítulo cobrável ao pé da letra.
O que o capítulo cobra, na prática, são quatro coisas em sequência. Primeiro, classificar o estado de hidratação com sinais de exame físico, sem laboratório: são dois ou mais sinais da mesma coluna, e a coluna mais grave exige pelo menos um sinal marcado com asterisco. Segundo, escolher o plano que a classificação manda. Terceiro, executar o plano com o volume e o tempo certos. Quarto, lembrar do que acompanha a reidratação e quase sempre falta na alternativa: zinco, alimentação mantida, e a lista curta de quem recebe antibiótico. O resto — antidiarreico, antiemético de rotina, coprocultura para todos, jejum, leite diluído — é justamente o que a questão coloca no distrator.
O que muda decisão
O que conta como diarreia, e o que a prova chama de outra coisa
Como usar este capítulo: classifique primeiro a hidratação pelos sinais clínicos e escolha imediatamente o plano A, B ou C. Depois ajuste volume, velocidade e reavaliação; alimentação, antibióticos e adjuvantes são decisões posteriores e não substituem a reposição adequada.
Diarreia é a ocorrência de três ou mais evacuações amolecidas ou líquidas em 24 horas. O parâmetro que mais pesa não é o número, é a queda de consistência: uma criança que evacua quatro vezes com fezes formadas não tem diarreia, e uma que evacua três vezes com fezes líquidas tem. A diarreia aguda dura até 14 dias, e a maioria dos episódios se resolve em até sete.
A Organização Mundial da Saúde separa a doença diarreica em três categorias, e a separação organiza toda a conduta. Diarreia aguda aquosa é a que perde grande volume de líquido e causa desidratação — é o cenário dos planos A, B e C. Diarreia aguda com sangue é a disenteria, que traduz lesão da mucosa e é a única forma que abre a porta para antibiótico. E diarreia persistente é a que passa de 14 dias, com risco alto de desnutrição e letalidade elevada.
Duas situações parecem diarreia e não são, e as duas aparecem em vinheta. O lactente em aleitamento materno exclusivo pode evacuar várias vezes ao dia, em geral logo após as mamadas, por reflexo gastrocólico: as fezes são semilíquidas, às vezes com pouco muco, o ganho de peso é adequado e não há nenhum outro sinal clínico. Esse padrão não é diarreia e não se trata. A outra é a chamada diarreia de fome, do desnutrido: fezes amolecidas, esverdeadas, de pequeno volume, resultado de descamação celular e muco, não de perda de líquido.
A investigação etiológica não é obrigatória. Ela fica para os casos graves e para o paciente hospitalizado, e para os surtos, em que a vigilância epidemiológica é acionada e a coleta é feita antes do antibiótico. Exames laboratoriais não entram no quadro leve; quando entram, convém colhê-los depois da expansão, porque a hemoconcentração da desidratação distorce o resultado. Globalmente o rotavírus é o principal agente de diarreia grave abaixo de 5 anos, e é por isso que a vacina é a medida preventiva que mais mudou a epidemiologia brasileira — com a queda do rotavírus, o norovírus ganhou espaço.
A avaliação que decide: dois sinais, e um deles com asterisco
O quadro de avaliação do Ministério da Saúde tem três etapas com nome próprio: observe, explore, decida. Em observe entram o estado geral, os olhos, a sede, as lágrimas e a boca ou língua. Em explore entram o sinal da prega abdominal, o pulso e a perda de peso. Em decida aplica-se a regra que a prova cobra: dois ou mais sinais da coluna B classificam como desidratação; dois ou mais sinais da coluna C, sendo ao menos um daqueles marcados com asterisco, classificam como desidratação grave. Havendo dúvida entre duas colunas, o documento manda considerar o pior cenário.
Os sinais marcados com asterisco são três, e valem memorização porque são eles que separam o Plano B do Plano C: estado geral comatoso, hipotônico, letárgico ou inconsciente; incapacidade de beber; e pulso fraco ou ausente. Note o detalhe que derruba candidato: o pulso é descrito como cheio tanto na coluna A quanto na coluna B. Pulso alterado, no quadro brasileiro, já é sinal de gravidade — não existe pulso 'um pouco fino' na desidratação sem gravidade.
Quatro variáveis são apontadas como as de melhor sensibilidade e especificidade: estado geral, olhos, sede e sinal da prega abdominal. Elas são o esqueleto do quadro; as demais confirmam. E o sinal da prega tem um número: a pele que volta ao estado anterior em mais de dois segundos é o critério de gravidade. Entre um e dois segundos, é lentidão sem gravidade. Imediato, é normal.
O quadro do AIDPI diz a mesma coisa com menos itens, e o candidato precisa reconhecer os dois formatos. Ali, desidratação grave é a presença de dois dos seguintes: letárgica ou inconsciente, olhos fundos, não consegue beber ou bebe muito mal, sinal da prega volta muito lentamente. Desidratação é a presença de dois destes: inquieta ou irritada, olhos fundos, bebe avidamente com sede, sinal da prega volta lentamente. E sem desidratação é a ausência de sinais suficientes para classificar em qualquer das duas — não é a ausência de todos os sinais, é a insuficiência deles.
A perda de peso é o melhor indicador isolado do grau de desidratação, e o documento de 2023 a reforçou para o paciente internado que evolui com diarreia e vômito. Vale a correspondência que a Sociedade Brasileira de Pediatria registra: perda de até 5% é desidratação leve, e corresponde a um déficit de 50 mL/kg; entre 5% e 10% é moderada, 50 a 100 mL/kg; acima de 10% é grave, mais de 100 mL/kg. O quadro nacional de 2023 simplifica para duas linhas — até 10% na coluna de desidratação, acima de 10% na de desidratação grave —, mas a lógica é essa, e é ela que explica de onde vêm os 100 mL/kg do Plano C.
No desnutrido grave, com ou sem edema, a avaliação perde confiabilidade: os sinais de desnutrição imitam os de desidratação. Nesse paciente, a leitura se apoia na atividade geral, nas características do pulso, na frequência cardíaca e na perfusão de extremidades, e a hidratação venosa é deliberadamente conservadora — 10 mL/kg de soro fisiológico com reavaliação a cada hora, para não sobrecarregar.

Plano A: o que a criança hidratada leva para casa
Plano A é para a criança com diarreia e sem sinais de desidratação, e ele é domiciliar. O documento nacional o organiza em cinco etapas, e o AIDPI resume em três regras: dar líquidos adicionais, continuar a alimentar, saber quando retornar. O objetivo aqui não é tratar desidratação, é preveni-la.
O volume é a informação mais cobrada do plano, e ele se dá após cada evacuação diarreica: menores de 1 ano recebem 50 a 100 mL; de 1 a 10 anos, 100 a 200 mL; acima de 10 anos, a quantidade que o paciente aceitar. Guarde o degrau em 12 meses — é o mesmo degrau que reaparece no Plano C, e é onde a memória gosta de escorregar para 2 anos. A regra geral por cima da tabela é oferecer tanto líquido quanto a criança aceitar, em pequenas quantidades e com frequência maior, de copo ou colher. Se a criança vomitar, espera-se dez minutos e retoma-se mais lentamente.
Servem como líquido a solução de sais de reidratação oral, água limpa, chá e suco não adoçados, água de coco, sopas e caldos. A criança em aleitamento materno exclusivo mantém o peito e, além dele, o único líquido a ser oferecido é a solução de reidratação oral. Não servem refrigerantes e bebidas açucaradas: o açúcar acrescenta carga osmótica, piora a diarreia e pode causar hipernatremia. Sucos industrializados e chá adoçado caem na mesma vala, e café e infusões com efeito estimulante, diurético ou purgativo ficam fora.
O soro caseiro é aceito como líquido caseiro, mas não substitui a solução de reidratação oral, e é preciso saber por quê: ele é apenas sal de cozinha, açúcar e água, sem potássio e sem citrato — logo, sem a base que corrige a acidose e sem o potássio que a diarreia perde. Além disso, o preparo domiciliar erra com frequência a concentração final, e o erro é menos frequente quando se usa a colher-medida de dupla concha.
Zinco entra no Plano A, e entra em toda criança com diarreia, não só na desidratada: uma vez ao dia, durante 10 a 14 dias, na dose de 10 mg/dia até os 6 meses de idade e 20 mg/dia dos 6 meses aos 5 anos incompletos. O quadro do AIDPI imprime 10 dias e a mesma partição de dose. O zinco reduz a duração e a gravidade do episódio e diminui a incidência de novos episódios nos dois a três meses seguintes — é por isso que se completa o curso mesmo depois de a diarreia parar.
A alta do Plano A é uma conversa, e a prova cobra o conteúdo dela. A família volta imediatamente ao serviço se a criança não melhorar em dois dias ou se aparecer qualquer um dos seis sinais de alerta: piora da diarreia, com aumento da frequência ou do volume; vômitos repetidos; sangue nas fezes; diminuição da diurese; muita sede; recusa de alimentos. O quadro do AIDPI escreve a mesma orientação em versão curta para qualquer criança doente — não consegue beber nem mamar, piora do estado geral, aparecimento ou piora da febre — e acrescenta, para a criança com diarreia, sangue nas fezes e dificuldade para beber.
Plano B: 75 mL/kg em quatro horas, dentro do serviço de saúde
Plano B é para a criança com desidratação sem gravidade, que consegue ingerir líquidos. Ele é executado no estabelecimento de saúde e a criança permanece lá até a reidratação completa — mandar para casa com o envelope no meio do plano é erro de conduta, não de logística.
O volume é 50 a 100 mL/kg, com média de 75 mL/kg, administrados em 4 a 6 horas. O quadro do AIDPI escreve a mesma coisa de outro jeito, e vale conhecer as duas formulações porque as bancas usam as duas: administrar a quantidade recomendada durante um período de 4 horas, calculando o volume aproximado pela multiplicação do peso em quilos por 75. A tabela por idade e peso do AIDPI existe justamente para quando não se conhece o peso: menos de 6 kg, 200 a 400 mL; de 6 a menos de 10 kg, 400 a 700 mL; de 10 a menos de 12 kg, 700 a 900 mL; de 12 a 19 kg, 900 a 1.400 mL. Se a criança quiser mais do que o previsto, dá-se mais.
A técnica é cobrada. A solução vai de copo ou colher, em pequenos goles frequentes; mamadeira não se usa. Vomitou, espera-se dez minutos e retoma-se mais lentamente. O aleitamento materno continua sempre que a criança quiser; os demais alimentos ficam suspensos apenas durante a fase de reparação, e a alimentação é reiniciada no próprio serviço de saúde ao fim das quatro horas — reiniciar ali tem função pedagógica, é o momento em que a família vê que a criança volta a comer.
Vômitos persistentes durante o Plano B são a única indicação de antiemético no capítulo, e a droga é a ondansetrona, em dose única: 2 mg dos 6 meses aos 2 anos, o que corresponde a 0,2 a 0,4 mg/kg; 4 mg dos 2 aos 10 anos, até 30 kg; 8 mg acima de 10 anos ou 30 kg, e no adulto. Há alerta da Anvisa contra o uso em gestantes, e a metoclopramida é contraindicada abaixo de 1 ano de idade e não recomendada entre 1 e 18 anos — dois degraus com pesos diferentes, e nenhum deles a coloca nesta indicação. O objetivo declarado é instrumental: parar o vômito para que a criança consiga ingerir a solução e ser reidratada por via oral.
A reavaliação é constante e usa o mesmo quadro de sempre. Desaparecendo os sinais de desidratação, passa-se ao Plano A. Continuando desidratada com pouca tolerância à via oral, indica-se a sonda nasogástrica — a gastróclise. Evoluindo para desidratação grave, segue-se o Plano C. E há um prazo: se após seis horas de tratamento não houver melhora da desidratação, encaminha-se ao hospital de referência para internação. A Sociedade Brasileira de Pediatria acrescenta que, na prática, é prudente encaminhar já entre três e quatro horas sem resposta.
Fracasso da reidratação oral tem definição: aumento das dejeções, vômitos incoercíveis ou evolução para desidratação grave. E há situações em que a via enteral está proibida desde o início e a decisão é venosa direta — íleo paralítico, abdome agudo, alteração do estado de consciência ou convulsões, e choque hipovolêmico.
Plano C: o número mais cobrado do capítulo inteiro
Plano C é para a desidratação grave e é endovenoso. Ele tem duas fases — expansão e, depois, manutenção com reposição — e a fase de expansão é separada por faixa etária. O total é o mesmo nas duas faixas, 100 mL/kg, divididos em 30 mL/kg e 70 mL/kg; o que muda é o tempo.
Abaixo de 1 ano: 30 mL/kg em 1 hora, seguidos de 70 mL/kg em 5 horas. A partir de 1 ano: 30 mL/kg em 30 minutos, seguidos de 70 mL/kg em 2 horas e 30 minutos. A solução é soro fisiológico a 0,9% ou Ringer lactato. Recém-nascidos e menores de 5 anos com cardiopatia grave começam com 10 mL/kg, ajustando a velocidade pelos parâmetros clínicos. Some as duas fases e note a simetria que ajuda a memorizar: o lactente leva 6 horas para receber os 100 mL/kg, a criança maior leva 3 horas.
Durante a expansão, a criança é reavaliada continuamente — o quadro do AIDPI manda reavaliar de meia em meia hora — e, se não houver melhora do estado de desidratação, a velocidade de gotejamento aumenta. Assim que a criança conseguir beber, o que costuma acontecer entre duas e três horas do início da infusão, começa-se a oferecer a solução de reidratação oral por via oral, junto com o soro venoso, na ordem de 5 mL/kg por hora. A justificativa é fisiológica: a solução oral repõe base e potássio, que a solução venosa da expansão não fornece adequadamente.
A hidratação venosa só é interrompida quando a criança consegue ingerir solução oral em quantidade suficiente para se manter hidratada, sem vômitos. Depois disso, ela permanece em observação por pelo menos seis horas, com reavaliações do estado de hidratação, antes de sair.
A fase de manutenção e reposição vale para todas as faixas etárias e é onde entra a regra de Holliday e Segar. A manutenção usa soro glicosado a 5% com soro fisiológico a 0,9% na proporção de 4:1, em 24 horas: peso até 10 kg, 100 mL/kg; de 10 a 20 kg, 1.000 mL mais 50 mL por quilo que exceder 10 kg; acima de 20 kg, 1.500 mL mais 20 mL por quilo que exceder 20 kg, no máximo 2.000 mL. A reposição das perdas usa a mesma dupla de soros em partes iguais, na proporção de 1:1, começando com 50 mL/kg/dia e sendo reavaliada conforme as perdas. E acrescenta-se cloreto de potássio a 10% na dose de 2 mL para cada 100 mL da solução de manutenção.
O que fazer quando não há acesso venoso é a segunda metade do plano, e é a parte que a prova esconde no enunciado. O fluxograma do AIDPI pergunta em cascata. Havendo tratamento venoso disponível nas proximidades, a menos de trinta minutos, a criança é referida urgentemente, recebendo goles de solução oral durante o trajeto se conseguir beber. Não havendo, e havendo profissional treinado em sonda nasogástrica, inicia-se a reidratação com solução oral por sonda ou pela boca, de 20 a 30 mL/kg por hora — a OMS escreve 20 mL/kg por hora durante seis horas, o que perfaz 120 mL/kg. Reavalia-se a cada uma a duas horas; havendo vômitos repetidos ou distensão abdominal, oferece-se mais lentamente. E há dois prazos que decidem: se depois de três horas a criança não estiver melhorando, ela é encaminhada para terapia venosa; completadas seis horas, faz-se a reavaliação completa do estado de hidratação e escolhe-se o plano seguinte. Se nem sonda nem via oral são possíveis, a criança é referida urgentemente para tratamento venoso ou por sonda.
Alimentação: manter, não diluir, e o que fazer com o leite
Manter a alimentação com aporte energético apropriado é um dos dois pilares do tratamento, ao lado da reidratação — e é o pilar que se esquece. Só o soro, oral ou venoso, não nutre ninguém. A criança volta a comer sua dieta habitual, e o episódio é uma boa oportunidade para corrigir erros alimentares.
O aleitamento materno é mantido e incentivado em todas as diretrizes, sem exceção e em todos os planos, inclusive durante a fase de reparação do Plano B, quando os demais alimentos ficam suspensos. Fora do leite materno, o jejum só se justifica durante a reversão da desidratação, e a alimentação é reiniciada assim que essa etapa termina — em geral, no máximo em 4 a 6 horas.
Fórmula infantil e preparação láctea não devem ser diluídas. Diluir o leite é um reflexo antigo e é justamente o que prolonga a diarreia e faz a criança perder peso: quem tem a alimentação restrita ou diluída recupera a função intestinal mais lentamente.
A pergunta sobre lactose tem resposta em duas partes, e a prova usa exatamente essa divisão. Na diarreia aguda tratada ambulatorialmente, não há recomendação de fórmula sem lactose. Já no paciente hospitalizado com diarreia aguda e no paciente com diarreia persistente, tratado no hospital ou no ambulatório, há vantagem na prescrição de fórmula sem lactose. Se, na diarreia persistente, a criança não responde adequadamente à dieta sem lactose, entra a hipótese de intolerância às proteínas do leite de vaca, e aí a substituição é por fórmula com proteína extensamente hidrolisada ou de aminoácidos, conforme a gravidade — mudança que não é necessária no paciente com diarreia aguda.
Antibiótico: a lista curta, e o esquema que mudou em 2023
Antibiótico na diarreia aguda é exceção, e a frase do documento nacional é categórica: eles devem ser usados somente nos casos de diarreia com sangue e comprometimento do estado geral, ou em caso de cólera grave; em outras condições são ineficazes, causam resistência antimicrobiana e não devem ser prescritos. A razão é clínica antes de ser ecológica — a maioria dos episódios é viral e autolimitada, e não é possível distinguir clinicamente quem responderia.
A lista de exceções que a Sociedade Brasileira de Pediatria acrescenta ao redor dessa regra é útil porque explica os casos-limite da vinheta: disenteria, cólera, infecção comprovada por Giardia lamblia ou Entamoeba histolytica, imunossuprimidos, portadores de anemia falciforme, portadores de prótese e crianças com sinais de disseminação bacteriana extraintestinal. Na disenteria, a indicação se firma quando há febre e comprometimento do estado geral, e a hipótese que prevalece empiricamente é a de Shigella.
O esquema brasileiro mudou em 2023, e a mudança é cobrável. Para a criança com até 30 kg, ou até 10 anos, a partir de 3 meses e sem imunodeficiência: azitromicina, 10 mg/kg/dia por via oral no primeiro dia e 5 mg/kg/dia por mais quatro dias, num total de cinco dias; como alternativa, ceftriaxona 50 mg/kg por via intramuscular, uma vez ao dia, por 3 a 5 dias. Para quem tem mais de 30 kg, ou mais de 10 anos, adolescentes e adultos: ciprofloxacino 500 mg de 12 em 12 horas por via oral, por três dias, com a mesma alternativa de ceftriaxona. Abaixo de 3 meses ou na imunodeficiência, a ceftriaxona é endovenosa, 50 a 100 mg/kg uma vez ao dia; se a criança não estiver hospitalizada, dá-se a primeira dose intramuscular e referencia-se.
O que saiu do esquema explica o que entrou. O sulfametoxazol-trimetoprim, que ainda aparece como segunda linha na tabela do quadro do AIDPI de 2017, perdeu espaço porque as amostras de Shigella testadas no Brasil mostram alta taxa de resistência a ele, enquanto mantêm boa sensibilidade ao ciprofloxacino e à ceftriaxona. E o ciprofloxacino, que a Sociedade Brasileira de Pediatria trazia como primeira escolha em 2017, esbarra numa limitação prática na criança pequena: não existe apresentação em suspensão ou solução oral no Brasil — o que ajuda a entender por que a azitromicina assumiu a primeira linha pediátrica.
A reavaliação da disenteria é em dois dias, e o roteiro do retorno é conhecido. Se as evacuações e o sangue nas fezes continuarem iguais ou piores, se surgir febre ou se a criança não estiver se alimentando, inicia-se a antibioticoterapia. Se a criança piorou já em uso de antibiótico, a conduta se separa por idade: abaixo de 1 ano, refere-se; acima de 1 ano em uso de sulfametoxazol-trimetoprim, troca-se para ceftriaxona; acima de 1 ano em uso de ceftriaxona, refere-se. Pelo documento de 2023, persistindo sangue nas fezes após 48 horas de tratamento, a criança de até 10 anos vai para internação hospitalar.
Antiparasitário tem indicação estreita e dose fixa. Amebíase, quando o tratamento da disenteria por Shigella fracassa ou quando se identificam trofozoítos de Entamoeba histolytica englobando hemácias: metronidazol 50 mg/kg/dia, três vezes ao dia, por 10 dias. Giardíase, quando a diarreia dura 14 dias ou mais e se identificam cistos ou trofozoítos: metronidazol 15 mg/kg/dia, três vezes ao dia, por 5 dias.
Antidiarreicos, antieméticos e coadjuvantes: o que a régua permite
A frase do documento nacional é de uma linha e resolve metade das questões de conduta: antidiarreicos não devem ser usados. A loperamida continua totalmente contraindicada em pediatria — não reduz de forma apreciável o volume de fezes na criança pequena, pode causar íleo paralítico grave e fatal, prolonga a infecção ao retardar a eliminação do agente, e há relato de toxicidade fatal do sistema nervoso central com alguns agentes dessa classe. Difenoxilato com atropina, tintura de ópio e codeína entram na mesma proibição. Adsorventes e combinações de fármacos não têm valor prático demonstrado.
O antiemético é o ponto em que a régua brasileira se moveu. Na edição de 2005 da OMS, antieméticos nunca deveriam ser dados a crianças com diarreia — os disponíveis à época, como proclorperazina e clorpromazina, sedavam e atrapalhavam a própria terapia de reidratação oral, e o argumento se fechava lembrando que o vômito cessa quando a criança é reidratada. O documento brasileiro de 2023 adotou a ondansetrona, com indicação estreita e propósito declarado: apenas quando há vômitos persistentes durante o Plano B, para garantir que a criança consiga ingerir a solução e ser reidratada. Fora dessa janela, a conduta continua sendo reidratar, não medicar.
A racecadotrila é um inibidor da encefalinase que reduz a secreção intestinal de água e eletrólitos sem interferir na motilidade. A dose é 1,5 mg/kg, três vezes ao dia, contraindicada abaixo de 3 meses, interrompida assim que a diarreia cessa. Ela aparece como coadjuvante nas diretrizes europeia e ibero-latino-americana; o Ministério da Saúde não menciona antissecretores em seu plano de tratamento.
Vitamina A não é tratamento da diarreia, é medida para população com risco de deficiência, e reduz mortalidade e internações nesse grupo. As doses de referência são 50.000 UI abaixo dos 6 meses, 100.000 UI dos 6 aos 12 meses e 200.000 UI acima disso. O quadro do AIDPI reserva a vitamina A para a desnutrição grave ou o peso muito baixo, quando a criança não a recebeu nos últimos 30 dias.
O soro de reidratação oral: por que a fórmula mudou
A terapia de reidratação oral funciona por um motivo único e vale saber enunciá-lo: a via de transporte ativo acoplado de sódio, glicose e água pelo enterócito permanece preservada na diarreia aguda, seja qual for a etiologia. O que aumenta na doença são outras vias, de secreção e de menor absorção. É por isso que uma solução simples reidrata mais de 90% dos casos, exceto os graves.
A solução tradicional da OMS, de 1975, tinha 90 mmol/L de sódio, 111 mmol/L de glicose, 20 de potássio, 80 de cloro, 10 de citrato, e osmolaridade total de 311 mOsm/L. Em 2002 a OMS reduziu sódio e glicose para 75 mmol/L cada, mantendo potássio em 20, cloro em 65 e citrato em 10, com osmolaridade total de 245 mOsm/L. Esta é a solução de osmolaridade reduzida, e desde 2003 é a formulação oficialmente recomendada por OMS e Unicef.
A substituição não foi estética. Reduzir a osmolaridade evita o efeito adverso da hipertonicidade sobre a absorção líquida de fluido, e o resultado medido foi expressivo: a necessidade de terapia venosa suplementar não programada caiu 33% em relação à solução padrão, a incidência de vômitos caiu cerca de 30% e o volume das fezes, cerca de 20%. Com a solução antiga, os sinais de desidratação persistiam ou reapareciam durante a terapia oral em cerca de 5% das crianças; com a de osmolaridade reduzida, estima-se 3% ou menos.
Há um detalhe operacional que vem junto e cai em prova de leitura atenta: com a solução antiga, de 90 mmol/L, o lactente abaixo de 6 meses que não é amamentado precisava receber também 100 a 200 mL de água limpa durante o período de reidratação, para não receber sódio em excesso. Com a solução de 75 mmol/L, isso deixa de ser necessário.
Diarreia persistente: o que muda depois dos 14 dias
Diarreia persistente é a que se estende por 14 dias ou mais. O grupo tem risco alto de complicação e letalidade elevada, e a razão é nutricional antes de ser infecciosa — cada dia a mais de perda com alimentação inadequada empurra a criança para a desnutrição, que por sua vez torna a diarreia mais grave e mais prolongada.
A conduta do documento de 2023 é de encaminhamento por dois critérios: passa de 14 dias e a criança é menor de 6 meses, encaminha-se para unidade hospitalar; passa de 14 dias e há sinais de desidratação, reidrata-se primeiro e encaminha-se em seguida. Maior de 6 meses e sem desidratação, encaminha-se para consulta médica de investigação e tratamento.
O AIDPI desdobra isso em duas caixas. Diarreia persistente grave é a que vem com desidratação: trata-se a desidratação antes de referir, a não ser que a criança se enquadre em outra classificação grave, e refere-se urgentemente ao hospital. Diarreia persistente sem desidratação recebe orientação alimentar específica, zinco oral por dez dias, orientação sobre quando retornar imediatamente e retorno marcado em cinco dias.
A orientação alimentar da diarreia persistente é própria e não se confunde com a da diarreia aguda. Abaixo de 6 meses em aleitamento materno exclusivo, amamenta-se com mais frequência e por mais tempo, de dia e de noite. Em aleitamento misto, aumenta-se a frequência do leite materno e substitui-se o leite complementar por mucilagem de arroz ou por dieta com baixo teor de lactose. Sem aleitamento materno, dão-se 200 mL/kg/dia de mucilagem de arroz, divididos em seis a oito vezes, em substituição ao leite complementar. Acima de 6 meses, substitui-se gradativamente o leite complementar por alimentos semissólidos ricos em nutrientes e adequados à idade, mantendo dieta com baixo teor de lactose enquanto o leite artificial não for totalmente substituído.
No retorno de cinco dias, a régua é o número de evacuações e o peso. Se a criança continua com três ou mais evacuações amolecidas por dia, faz-se nova avaliação completa; havendo perda de peso, refere-se ao hospital, e não havendo, marca-se novo retorno em cinco dias. Melhorando — menos de três evacuações amolecidas por dia —, retoma-se a alimentação habitual para a idade e completa-se o zinco. Na convalescença, dão-se polivitaminas e sais minerais em duas ingestões diárias recomendadas, por duas semanas: a OMS especifica 50 µg de folato, 10 mg de zinco, 400 µg de vitamina A, 1 mg de cobre e 80 mg de magnésio por dia, e o paciente hospitalizado com diarreia persistente deve receber 110 calorias por quilo por dia.
Quando não é gastroenterite: o diferencial que a vinheta esconde
Disenteria e diarreia aquosa não são graus do mesmo quadro, são histórias diferentes. A aquosa perde volume, causa desidratação e não pede antibiótico. A disenteria traduz lesão de mucosa, associa-se a febre, dor abdominal intensa e tenesmo, pode vir com infecção sistêmica, e é a única forma em que o antibiótico entra por indicação, e ainda assim só com comprometimento do estado geral. Shigella é o agente que organiza o tratamento empírico da disenteria, como o pneumococo organiza o da pneumonia.
Alguns agentes trazem assinatura própria que a vinheta usa. Vibrio cholerae dá início abrupto, vômitos e diarreia líquida semelhante a água de arroz, com desidratação rápida e até choque. Escherichia coli êntero-hemorrágica e Shigella dysenteriae tipo 1 produzem toxina Shiga e podem evoluir para síndrome hemolítico-urêmica — anemia, plaquetopenia e lesão renal depois de uma diarreia com sangue. Campylobacter, Aeromonas e enterovírus também aparecem nessa lista de complicação. Yersinia enterocolitica acomete o íleo terminal e o tecido linfoide e pode mimetizar apendicite aguda. Clostridioides difficile aparece depois de antibiótico e no ambiente hospitalar.
Fora da infecção, há causas que abrem com diarreia e não se tratam com soro: alergia à proteína do leite de vaca, deficiência de lactase, uso de laxantes e de antibióticos, intoxicação por metais pesados. E há uma que precisa ser pensada de propósito, porque o atraso custa caro — a invaginação intestinal entra no diagnóstico diferencial da disenteria aguda, principalmente no lactente. Sangue nas fezes com dor em cólica intermitente e vômitos num lactente não é automaticamente shigelose.
A febre alta é uma pista de que o problema pode não estar no intestino. Temperatura de 39 °C ou mais em criança com diarreia manda investigar e tratar outras causas possíveis — pneumonia, otite, amigdalite, faringite, infecção urinária. A criança com diarreia e febre alta que passou pelo plano de hidratação sem ninguém olhar o ouvido e o pulmão é uma vinheta clássica.
Por fim, os fatores que aumentam o risco de complicação e deveriam elevar o nível de atenção antes mesmo do exame: idade inferior a 2 meses, doença de base grave, vômitos persistentes, perdas volumosas e frequentes com mais de oito episódios diários, e a percepção dos pais de que há sinais de desidratação. Somam-se a esses os critérios formais de internação: choque hipovolêmico, desidratação grave, manifestações neurológicas como letargia e convulsões, vômitos biliosos ou de difícil controle, falha da terapia de reidratação oral, suspeita de doença cirúrgica associada e falta de condições de tratamento domiciliar ou de acompanhamento ambulatorial.
Prevenção: onde a mortalidade caiu de verdade
A queda da mortalidade por diarreia no Brasil não veio de medicamento novo. Ela veio da disseminação dos princípios do tratamento — reidratação e manutenção da alimentação — somada à melhoria das condições de vida. Em 1980 a diarreia era a segunda causa de mortalidade infantil e respondia por 24,3% dos óbitos; em 2005 já era a quarta, com 4,1%.
A vacina contra rotavírus, incluída no calendário brasileiro em 2006, é o segundo capítulo dessa história e é a resposta correta em qualquer questão de prevenção específica. Entre 2006 e 2018, a taxa de hospitalização por diarreia em menores de cinco anos caiu 52,5%, com redução significativa da mortalidade, especialmente no Nordeste; a cobertura vacinal e a mortalidade por diarreia se correlacionaram inversamente com o índice de vulnerabilidade social.
O restante do pacote de prevenção é o que a OMS elenca para eliminar as mortes evitáveis por diarreia: imunização contra rotavírus e sarampo, aleitamento materno prolongado, suplementação de vitamina A onde há deficiência, disponibilidade e armazenamento adequado de água de boa qualidade, lavagem das mãos com sabão, preparo adequado dos alimentos e cobertura de saneamento básico. Onde não há acesso a água própria para consumo, ferve-se por 20 minutos ou trata-se com duas gotas de hipoclorito de sódio para cada litro.
Classificar a hidratação e executar o plano
A classificação do estado de hidratação é uma escala ordinal de três degraus, e cada degrau já vem com o plano colado. A regra de decisão é sempre a mesma: dois ou mais sinais da coluna classificam, e a coluna mais grave exige ao menos um dos sinais marcados com asterisco. Havendo dúvida entre dois degraus, considera-se o pior cenário. As tabelas abaixo trazem, em ordem, o quadro de avaliação, as seis classificações do AIDPI, os volumes dos três planos, o detalhe do Plano C, a composição do soro oral e a lista de medicamentos.
- 1Pergunte há quanto tempo há diarreia e se há sangue nas fezes.
- 2Observe: estado geral, olhos, sede, lágrimas e boca ou língua.
- 3Explore: sinal da prega abdominal, pulso e perda de peso quando o paciente está internado e evolui com diarreia e vômito.
- 4Decida pela regra dos dois sinais: dois ou mais da coluna B classificam como desidratação; dois ou mais da coluna C, com ao menos um marcado por asterisco, classificam como desidratação grave. Na dúvida, considere o pior cenário.
- 5Execute o plano correspondente: sem desidratação, Plano A no domicílio; com desidratação, Plano B no serviço de saúde; com desidratação grave, Plano C por via endovenosa.
- 6Acrescente zinco por 10 a 14 dias em toda criança menor de 5 anos com diarreia, qualquer que seja o plano.
- 7Verifique separadamente se há sangue nas fezes, se a diarreia passa de 14 dias, se há desnutrição grave e se a temperatura chega a 39 °C — cada um desses achados abre uma conduta própria, independente do plano de hidratação.
- 8Antes da alta, ensine os sinais de alerta e marque o retorno.
Sem desidratação — Plano A, em casa
Ativo e alerta, olhos sem alteração, sem sede, lágrimas presentes, boca úmida, prega abdominal que desaparece imediatamente, pulso cheio, sem perda de peso. Não há sinais suficientes para classificar nas outras colunas. Conduta: líquidos adicionais após cada evacuação (50 a 100 mL abaixo de 1 ano; 100 a 200 mL de 1 a 10 anos), manter a alimentação habitual e o aleitamento, zinco por 10 a 14 dias, ensinar os seis sinais de alerta e retornar se não melhorar em dois dias.
Com desidratação — Plano B, no serviço de saúde
Dois ou mais destes: irritado e intranquilo, olhos fundos, sedento e bebendo rápido e avidamente, lágrimas ausentes, boca seca ou levemente seca, prega abdominal que desaparece lentamente, perda de peso de até 10%. O pulso ainda é cheio. Conduta: 50 a 100 mL/kg de solução de reidratação oral (média de 75 mL/kg) em 4 a 6 horas, no serviço, até a reidratação completa; ondansetrona em dose única se houver vômitos persistentes; zinco; gastróclise se não tolerar a via oral; hospital se não melhorar em 6 horas.
Desidratação grave — Plano C, endovenoso
Dois ou mais destes, sendo ao menos um marcado com asterisco: comatoso, hipotônico, letárgico ou inconsciente*; olhos fundos; não é capaz de beber*; lágrimas ausentes; boca muito seca; prega abdominal que desaparece muito lentamente, em mais de dois segundos; pulso fraco ou ausente*; perda de peso acima de 10%. Conduta: expansão endovenosa de 100 mL/kg em duas fases, com o tempo separado por faixa etária; solução de reidratação oral a 5 mL/kg/hora assim que a criança conseguir beber; manutenção com reposição; observação por pelo menos 6 horas.
| Etapa e sinal | A — sem desidratação | B — com desidratação | C — com desidratação grave |
|---|---|---|---|
| Observe: estado geral | Ativo, alerta | Irritado, intranquilo | Comatoso, hipotônico, letárgico ou inconsciente (asterisco) |
| Observe: olhos | Sem alteração | Fundos | Fundos |
| Observe: sede | Sem sede | Sedento, bebe rápido e avidamente | Não é capaz de beber (asterisco) |
| Observe: lágrimas | Presentes | Ausentes | Ausentes |
| Observe: boca e língua | Úmida | Seca ou levemente seca | Muito seca |
| Explore: sinal da prega abdominal | Desaparece imediatamente | Desaparece lentamente | Desaparece muito lentamente (mais de 2 segundos) |
| Explore: pulso | Cheio | Cheio | Fraco ou ausente (asterisco) |
| Explore: perda de peso | Sem perda | Até 10% | Acima de 10% |
| Decida | Sem sinais de desidratação | Dois ou mais sinais desta coluna | Dois ou mais sinais, com ao menos um dos marcados por asterisco |
| Trate | Plano A, no domicílio | Plano B, no estabelecimento de saúde | Plano C, endovenoso, no estabelecimento de saúde ou hospital |
As seis classificações da diarreia no quadro do AIDPI e a conduta de cada uma
| Classificação | Sinais | Conduta |
|---|---|---|
| Desidratação grave | Dois dos seguintes: letárgica ou inconsciente; olhos fundos; não consegue beber ou bebe muito mal; prega volta muito lentamente | Iniciar terapia endovenosa (Plano C). Se houver outra classificação grave, referir urgentemente ao hospital com goles frequentes de solução oral no trajeto e manter a amamentação. Havendo cólera na região, administrar antibiótico à criança de 2 anos ou mais |
| Desidratação | Dois dos seguintes: inquieta ou irritada; olhos fundos; bebe avidamente com sede; prega volta lentamente | Administrar solução de reidratação oral na unidade até hidratar (Plano B); zinco oral por dez dias; informar sobre quando retornar imediatamente; seguimento em cinco dias se não melhorar |
| Sem desidratação | Não há sinais suficientes para classificar como desidratação ou desidratação grave | Alimentos e líquidos para tratar a diarreia em casa (Plano A); zinco oral por dez dias; informar sobre quando retornar imediatamente; seguimento em cinco dias se não melhorar |
| Diarreia persistente grave | Diarreia há 14 dias ou mais, com desidratação | Tratar a desidratação antes de referir, a não ser que a criança se enquadre em outra classificação grave; referir urgentemente ao hospital |
| Diarreia persistente | Diarreia há 14 dias ou mais, sem desidratação | Orientar a alimentação da diarreia persistente; zinco oral por dez dias; informar sobre quando retornar imediatamente; retorno em cinco dias |
| Disenteria | Sangue nas fezes | Antibiótico recomendado na região para Shigella, se houver comprometimento do estado geral; zinco oral por dez dias; retorno em dois dias; informar sobre quando retornar imediatamente |
Os três planos: onde, o que se dá, quanto e em quanto tempo
| Plano | Onde | O que se dá | Quanto e em quanto tempo |
|---|---|---|---|
| A — prevenir a desidratação | Domicílio | Solução de reidratação oral e líquidos caseiros, após cada evacuação; alimentação habitual mantida; zinco | Menores de 1 ano: 50 a 100 mL por evacuação. De 1 a 10 anos: 100 a 200 mL. Acima de 10 anos: o volume que aceitar. Zinco 1 vez ao dia por 10 a 14 dias (10 mg/dia até 6 meses; 20 mg/dia dos 6 meses aos 5 anos) |
| B — tratar a desidratação por via oral | Estabelecimento de saúde, até a reidratação completa | Solução de reidratação oral, de copo ou colher, em pequenos goles frequentes; aleitamento materno mantido; ondansetrona só se houver vômitos persistentes | 50 a 100 mL/kg, média de 75 mL/kg, em 4 a 6 horas. Sem melhora em 6 horas, encaminhar ao hospital para internação |
| C — tratar a desidratação grave | Estabelecimento de saúde ou hospital, por via endovenosa | Soro fisiológico a 0,9% ou Ringer lactato na expansão; solução oral concomitante assim que a criança beber; depois manutenção e reposição | 100 mL/kg na expansão, divididos em 30 mL/kg e 70 mL/kg, com o tempo dependente da faixa etária. Solução oral a 5 mL/kg/hora quando conseguir beber, em geral 2 a 3 horas após o início. Observar por pelo menos 6 horas |
Plano C: a expansão endovenosa por faixa etária, e o que fazer sem acesso venoso
| Situação | Solução | Volume | Tempo |
|---|---|---|---|
| Menores de 1 ano — 1ª etapa | Soro fisiológico a 0,9% ou Ringer lactato | 30 mL/kg | 1 hora |
| Menores de 1 ano — 2ª etapa | Soro fisiológico a 0,9% ou Ringer lactato | 70 mL/kg | 5 horas |
| A partir de 1 ano — 1ª etapa | Soro fisiológico a 0,9% ou Ringer lactato | 30 mL/kg | 30 minutos |
| A partir de 1 ano — 2ª etapa | Soro fisiológico a 0,9% ou Ringer lactato | 70 mL/kg | 2 horas e 30 minutos |
| Recém-nascido ou menor de 5 anos com cardiopatia grave | Soro fisiológico a 0,9% ou Ringer lactato | Começar com 10 mL/kg | Ajustar a velocidade pelos parâmetros clínicos |
| Manutenção, todas as faixas | Soro glicosado a 5% + soro fisiológico a 0,9% em 4:1, com KCl a 10% 2 mL para cada 100 mL | Até 10 kg: 100 mL/kg. De 10 a 20 kg: 1.000 mL + 50 mL/kg acima de 10 kg. Acima de 20 kg: 1.500 mL + 20 mL/kg acima de 20 kg, no máximo 2.000 mL | 24 horas |
| Reposição das perdas, todas as faixas | Soro glicosado a 5% + soro fisiológico a 0,9% em 1:1 | Iniciar com 50 mL/kg/dia | Reavaliar conforme as perdas |
| Sem acesso venoso, mas há tratamento venoso a menos de 30 minutos | Solução de reidratação oral no trajeto, se a criança conseguir beber | Goles frequentes | Referir urgentemente |
| Sem acesso venoso, com profissional treinado em sonda nasogástrica | Solução de reidratação oral por sonda ou pela boca | 20 a 30 mL/kg por hora (a OMS escreve 20 mL/kg/hora por 6 horas, total de 120 mL/kg) | Reavaliar a cada 1 a 2 horas; sem melhora em 3 horas, encaminhar para terapia venosa; reavaliação completa em 6 horas |
Composição da solução de reidratação oral
| Componente (mmol/L) | Solução tradicional (OMS, 1975) | Osmolaridade reduzida (OMS, 2002) | Solução hipotônica da ESPGHAN |
|---|---|---|---|
| Glicose | 111 | 75 | 74 a 111 |
| Sódio | 90 | 75 | 60 |
| Potássio | 20 | 20 | 20 |
| Cloro | 80 | 65 | 60 |
| Citrato | 10 | 10 | 10 |
| Osmolaridade total | 311 | 245 | 225 a 260 |
| Ganho medido da mudança | Referência da comparação | Redução de 33% na necessidade de terapia venosa suplementar, de cerca de 30% nos vômitos e de cerca de 20% no volume das fezes | Concentração de sódio mais baixa, tradicionalmente preconizada na Europa |
Medicamentos na diarreia aguda da criança
| Classe | Entra quando | Como |
|---|---|---|
| Zinco | Toda criança menor de 5 anos com diarreia, em qualquer plano | 1 vez ao dia por 10 a 14 dias: 10 mg/dia até 6 meses; 20 mg/dia dos 6 meses aos 5 anos. O quadro do AIDPI imprime 10 dias |
| Antiemético (ondansetrona) | Apenas vômitos persistentes durante o Plano B, para viabilizar a via oral | Dose única: 2 mg dos 6 meses aos 2 anos (0,2 a 0,4 mg/kg); 4 mg dos 2 aos 10 anos, até 30 kg; 8 mg acima de 10 anos ou 30 kg. Alerta da Anvisa contra o uso em gestantes. Metoclopramida contraindicada abaixo de 1 ano; não recomendada de 1 a 18 anos |
| Antibiótico | Diarreia com sangue e comprometimento do estado geral, ou cólera grave | Até 30 kg ou 10 anos, a partir de 3 meses e sem imunodeficiência: azitromicina 10 mg/kg/dia no 1º dia e 5 mg/kg/dia por mais 4 dias; alternativa, ceftriaxona 50 mg/kg IM 1 vez ao dia por 3 a 5 dias. Acima de 30 kg ou 10 anos: ciprofloxacino 500 mg de 12/12 h por 3 dias. Abaixo de 3 meses ou imunodeficiência: ceftriaxona 50 a 100 mg/kg EV 1 vez ao dia |
| Antiparasitário | Amebíase com trofozoítos englobando hemácias ou falha do tratamento da shigelose; giardíase com 14 dias ou mais de diarreia e parasito identificado | Amebíase: metronidazol 50 mg/kg/dia, 3 vezes ao dia, por 10 dias. Giardíase: metronidazol 15 mg/kg/dia, 3 vezes ao dia, por 5 dias |
| Antitérmico e analgésico | Febre e dor | Dipirona ou paracetamol |
| Vitamina A | População com risco de deficiência; desnutrição grave ou peso muito baixo, se não recebeu nos últimos 30 dias | 50.000 UI abaixo de 6 meses; 100.000 UI dos 6 aos 12 meses; 200.000 UI acima disso |
| Antidiarreicos e antimotilidade | Nunca | Loperamida totalmente contraindicada em pediatria; difenoxilato com atropina, tintura de ópio e codeína na mesma proibição, pelo risco de íleo paralítico fatal e por prolongarem a infecção |
| Racecadotrila | Coadjuvante nas diretrizes europeia e ibero-latino-americana; o Ministério da Saúde não menciona antissecretores | 1,5 mg/kg, 3 vezes ao dia, contraindicada abaixo de 3 meses, interrompida assim que a diarreia cessa |
Dois sinais classificam, não um. Uma criança apenas irritada, ou apenas com olhos fundos, não está classificada como desidratada — e a coluna grave exige, além dos dois sinais, que ao menos um deles seja dos marcados com asterisco.
O degrau de idade dos volumes brasileiros fica em 12 meses, tanto no Plano A quanto no Plano C. A OMS coloca o degrau do Plano A aos 2 anos.
No Plano C, o volume total é o mesmo nas duas faixas — 100 mL/kg. O que muda é o tempo: o lactente recebe em 6 horas (1 hora mais 5 horas) e a criança a partir de 1 ano em 3 horas (30 minutos mais 2 horas e 30 minutos).
Zinco não é reservado ao desidratado. Ele entra em toda criança menor de 5 anos com diarreia, inclusive na que vai para casa pelo Plano A, e o curso se completa mesmo depois de a diarreia parar.
Antibiótico só entra na diarreia com sangue e comprometimento do estado geral, ou na cólera grave. Diarreia aquosa febril, por si só, não é indicação.
Antidiarreico não entra nunca, em nenhum plano e em nenhuma idade pediátrica.
Sangue nas fezes, diarreia com 14 dias ou mais, desnutrição grave e temperatura de 39 °C ou mais são verificações separadas: cada uma abre uma conduta própria, que corre em paralelo ao plano de hidratação.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Não usar antieméticos — a posição da OMS na edição de 2005
O manual da OMS afirma que antieméticos não têm benefício prático na diarreia aguda ou persistente da criança e que nunca devem ser dados. O argumento tem duas partes: os agentes disponíveis à época, como proclorperazina e clorpromazina, provocam sedação que interfere na própria terapia de reidratação oral; e o vômito cessa espontaneamente quando a criança é reidratada, de modo que tratá-lo não muda o desfecho que importa, que é a prevenção da desidratação.
World Health Organization, The Treatment of Diarrhoea: A Manual for Physicians and Other Senior Health Workers (2005), seções 2.6 e 10.3
Usar em dose única, em janela estreita — a posição do Ministério da Saúde desde 2023, alinhada à europeia
O fluxograma nacional adotou a ondansetrona como parte do Plano B, com indicação limitada a vômitos persistentes durante o próprio plano e com propósito instrumental declarado: garantir que a criança consiga ingerir a solução e ser reidratada por via oral. As doses são 2 mg dos 6 meses aos 2 anos, 4 mg dos 2 aos 10 anos até 30 kg, e 8 mg acima de 10 anos ou 30 kg. Há alerta da Anvisa contra o uso em gestantes e a metoclopramida é contraindicada abaixo de 1 ano de idade e não recomendada entre 1 e 18 anos. O quadro do AIDPI de 2017 já trazia a droga na mesma janela. A base é a diretriz europeia, que registra redução da frequência de vômitos, da necessidade de hidratação parenteral e da internação imediata, com a ressalva de segurança cardíaca.
Ministério da Saúde, Manejo do paciente com diarreia (2023); Ministério da Saúde/OPAS/UNICEF, AIDPI Criança (2017); ESPGHAN/ESPID, Guarino A et al., JPGN (2014)
Na prova
O recorte se identifica pela data e pelo cenário. Enunciado ancorado no fluxograma nacional atual, na Unidade Básica de Saúde, no Plano B ou que use a expressão 'vômitos persistentes' está no corpo brasileiro de 2023, em que a ondansetrona existe com dose por faixa etária. Enunciado que cita o manual da OMS, que fale de antieméticos como classe, ou que descreva proclorperazina e clorpromazina, está no corpo de 2005, em que a classe está vedada. As alternativas denunciam o mundo da questão: um distrator com metoclopramida está fora dos dois mundos, porque a droga é contraindicada abaixo de 1 ano de idade e não recomendada entre 1 e 18 anos no Brasil; um distrator com ondansetrona 'de rotina em toda criança com diarreia' extrapola até a posição mais permissiva, que restringe a droga ao vômito persistente durante o Plano B. Registre o descompasso de datas: o manual da OMS é de 2005, a diretriz europeia é de 2014 e o fluxograma brasileiro é de 2023. Prova oficial do MEC tende a conduta SUS; outras bancas dependem do que as alternativas revelam.
Osmolaridade reduzida, 245 mOsm/L — OMS e Unicef desde 2002
A solução com 75 mmol/L de sódio, 75 mmol/L de glicose, 20 de potássio, 65 de cloro e 10 de citrato, com osmolaridade total de 245 mOsm/L, substituiu a fórmula tradicional de 1975, que tinha 90 de sódio, 111 de glicose e 311 mOsm/L. A mudança foi sustentada por desfecho medido: redução de 33% na necessidade de terapia venosa suplementar não programada, de cerca de 30% na incidência de vômitos e de cerca de 20% no volume das fezes. É a formulação oficialmente recomendada por OMS e Unicef.
World Health Organization, The Treatment of Diarrhoea (2005), introdução e Anexo 2
Sódio mais baixo ainda, 60 mmol/L — a solução hipotônica preconizada na Europa
A sociedade europeia de gastroenterologia, hepatologia e nutrição pediátrica preconiza tradicionalmente uma solução com concentração de sódio mais baixa, de 60 mmol/L, com osmolaridade entre 225 e 260 mOsm/L. O contexto epidemiológico é outro: cólera e diarreias de alta perda de sódio não são o cenário europeu, e a preocupação dominante ali é a hiponatremia.
ESPGHAN, solução hipotônica, conforme o Quadro 6 do Guia Prático de Atualização nº 1 da Sociedade Brasileira de Pediatria (2017)
No Brasil, a adequação formal não foi feita — o registro da Sociedade Brasileira de Pediatria
A Sociedade Brasileira de Pediatria registra, em 2017 e de novo em 2023, que o país não estabeleceu política de difusão da solução de baixa osmolaridade e que o Ministério da Saúde não fez a adequação da composição. Do lado prático, os documentos nacionais tratam o soro oral pelo volume e pelo tempo, não pela fórmula, e as soluções comercializadas no Brasil variam em sódio e glicose, algumas alinhadas à recomendação da OMS e outras à europeia. A orientação que se tira disso é operacional: se for usado o sachê com 90 mmol/L de sódio na prevenção da desidratação, ofereçam-se também líquidos sem sódio, inclusive água, para evitar ingestão excessiva de sódio.
Sociedade Brasileira de Pediatria, Guia Prático de Atualização nº 1 (2017) e nº 74 (2023)
Na prova
O número denuncia o documento. Sódio de 75 mmol/L com osmolaridade de 245 é o vocabulário da OMS a partir de 2002; 90 mmol/L com 311 é a fórmula de 1975; 60 mmol/L é linguagem europeia. Enunciado que descreva ganho percentual — 33% de redução na terapia venosa, 30% nos vômitos, 20% no volume fecal — está construindo o argumento da osmolaridade reduzida. Enunciado que peça a conduta na Unidade Básica de Saúde brasileira raramente cobra a fórmula: cobra o volume e o tempo, que são o que os documentos nacionais fixam. E um distrator que ofereça refrigerante, suco industrializado ou chá adoçado como reidratação está fora de todos os documentos ao mesmo tempo, porque a carga osmótica do açúcar piora a diarreia e pode causar hipernatremia.
Degrau em 12 meses no Plano A — os documentos brasileiros
Tanto o fluxograma nacional de 2023 quanto o quadro do AIDPI colocam o degrau do Plano A em 1 ano: menores de 1 ano recebem 50 a 100 mL após cada evacuação, e de 1 a 10 anos recebem 100 a 200 mL, com o volume tolerado acima de 10 anos.
Ministério da Saúde, Manejo do paciente com diarreia (2023); Ministério da Saúde/OPAS/UNICEF, AIDPI Criança (2017)
Degrau em 2 anos no Plano A — a OMS
O manual da OMS coloca o mesmo degrau dois anos mais tarde: crianças abaixo de 2 anos recebem 50 a 100 mL após cada evacuação líquida, e de 2 a 10 anos, 100 a 200 mL, com o volume desejado para crianças maiores e adultos. Os valores são os mesmos; a fronteira etária é que difere.
World Health Organization, The Treatment of Diarrhoea (2005), Plano de Tratamento A
No Plano C, a expansão brasileira mudou em 2023 e passou a coincidir com a da OMS
O esquema anterior do Ministério da Saúde, reproduzido pela Sociedade Brasileira de Pediatria em 2017, usava soro fisiológico a 20 mL/kg a cada 30 minutos, repetidos até hidratar, para menores de 5 anos, e reservava as duas etapas de 30 e 70 mL/kg para os maiores de 5 anos. O fluxograma de 2023 substituiu isso pelo esquema de 100 mL/kg em duas etapas com o corte em 1 ano — que é exatamente o da Tabela 3 do manual da OMS: abaixo de 12 meses, 30 mL/kg em 1 hora e 70 mL/kg em 5 horas; a partir de 12 meses, 30 mL/kg em 30 minutos e 70 mL/kg em 2 horas e 30 minutos. Hoje o documento brasileiro e o internacional dizem o mesmo número.
Ministério da Saúde, Manejo do paciente com diarreia (2023); World Health Organization, The Treatment of Diarrhoea (2005), Tabela 3; esquema anterior reproduzido no Guia Prático de Atualização nº 1 da Sociedade Brasileira de Pediatria (2017)
Na prova
Aqui o eixo é a data, não a instituição. Vinheta construída sobre material anterior a 2023 pode trazer o esquema de 20 mL/kg repetidos para o menor de 5 anos; vinheta construída sobre o fluxograma atual traz as duas etapas com o corte em 1 ano. A distinção se faz pelo próprio enunciado: menção a 'novo fluxograma', 'atualização do Ministério da Saúde' ou 'Manejo do Paciente com Diarreia' aponta para o corpo de 2023. No Plano A, a fronteira etária é o que separa os corpos — 1 ano é linguagem brasileira, 2 anos é linguagem da OMS —, e os volumes, 50 a 100 mL e 100 a 200 mL, são os mesmos nos dois. Um distrator que troque 30 mL/kg em 30 minutos por 30 mL/kg em 1 hora está apenas invertendo as faixas etárias entre si, e é o erro mais frequente do capítulo.
Não mencionados — OMS e Ministério da Saúde
Nem o manual da OMS nem os documentos brasileiros de manejo da diarreia mencionam probióticos entre as condutas do tratamento. A régua nacional se organiza em torno de três coisas: reidratação, alimentação mantida e zinco.
World Health Organization, The Treatment of Diarrhoea (2005); Ministério da Saúde, Manejo do paciente com diarreia (2023)
Coadjuvantes, e só cepas nomeadas — o posicionamento europeu de 2023 e a diretriz ibero-latino-americana
O posicionamento europeu recomenda quatro opções, sempre associadas à reidratação e à alimentação, nunca no lugar delas: Saccharomyces boulardii CNCM I-745, 250 a 750 mg/dia por 5 a 7 dias; Lacticaseibacillus rhamnosus GG ATCC53103, ao menos 10 elevado a 10 unidades formadoras de colônia por dia, por 5 a 7 dias; Limosilactobacillus reuteri DSM 17938, de 1 a 4 vezes 10 elevado a 8 unidades formadoras de colônia por dia, por 5 a 7 dias; e a combinação de L. rhamnosus 19070-2 com L. reuteri DSM 12246. O efeito medido é modesto e conhecido: cerca de um dia a menos de duração da diarreia, sem redução demonstrada das perdas. O mesmo documento recomenda contra duas opções por falta de eficácia — a combinação de Lactobacillus helveticus R0052 com L. rhamnosus R0011, e as cepas de Bacillus clausii O/C, SIN, N/R e T.
ESPGHAN, posicionamento sobre probióticos em distúrbios gastrointestinais pediátricos (2023), e diretriz ibero-latino-americana, conforme reproduzidos no Guia Prático de Atualização nº 74 da Sociedade Brasileira de Pediatria (2023)
Na prova
O recorte se reconhece pelo nível de detalhe. Questão que nomeia cepa e dose está no corpo europeu, em que a recomendação é cepa-específica e o benefício declarado é de aproximadamente um dia; questão de conduta em Unidade Básica de Saúde, com plano de hidratação e zinco, está no corpo nacional, em que probiótico não figura. Duas marcas ajudam: a expressão 'coadjuvante' sinaliza o mundo europeu, e qualquer alternativa que trate probiótico como substituto da reidratação está errada nos dois mundos. Note também que o mesmo posicionamento europeu traz recomendações negativas nomeadas — um distrator com Bacillus clausii ou com a combinação de L. helveticus R0052 e L. rhamnosus R0011 está citando exatamente o que aquele documento desaconselha.
Azitromicina em primeira linha — fluxograma nacional de 2023
Para a criança com até 30 kg, ou até 10 anos, a partir de 3 meses e sem imunodeficiência: azitromicina 10 mg/kg/dia por via oral no primeiro dia e 5 mg/kg/dia por mais quatro dias, com ceftriaxona 50 mg/kg intramuscular uma vez ao dia por 3 a 5 dias como alternativa. Acima de 30 kg ou 10 anos, ciprofloxacino 500 mg de 12 em 12 horas por três dias. Abaixo de 3 meses ou na imunodeficiência, ceftriaxona endovenosa 50 a 100 mg/kg uma vez ao dia.
Ministério da Saúde, Manejo do paciente com diarreia (2023)
Ceftriaxone em primeira linha e sulfametoxazol-trimetoprim em segunda — quadro do AIDPI de 2017
A tabela do quadro de procedimentos traz ceftriaxone intramuscular, 50 mg por kg por dose, uma vez ao dia durante três dias, como antibiótico de primeira linha da disenteria, e sulfametoxazol com trimetoprim, 40 mg/kg/dia de 12 em 12 horas por cinco dias, como segunda linha, reduzida a três dias no caso de cólera.
Ministério da Saúde/OPAS/UNICEF, AIDPI Criança, quadro de procedimentos (2017)
Ciprofloxacino em primeira escolha — Sociedade Brasileira de Pediatria em 2017
O guia de 2017 registra ciprofloxacino, 15 mg/kg duas vezes ao dia por três dias, como primeira escolha na criança, com azitromicina como segunda escolha e ceftriaxona nos casos graves que requerem hospitalização. O documento explica o que tirou o sulfametoxazol-trimetoprim de cena: as amostras de Shigella testadas no Brasil apresentam alta taxa de resistência a ele, mantendo boa sensibilidade ao ciprofloxacino e à ceftriaxona. E acrescenta a limitação prática que empurra a pediatria para outra droga — não existe ciprofloxacino em suspensão ou solução oral no Brasil.
Sociedade Brasileira de Pediatria, Guia Prático de Atualização nº 1 (2017)
Na prova
Este é um dos poucos pontos do capítulo em que dois documentos brasileiros vigentes trazem esquemas diferentes, e o eixo de novo é a data: o quadro do AIDPI é de 2017 e o fluxograma de manejo é de 2023. O enunciado costuma entregar o recorte pelo nome do documento ou pelo cenário — 'quadro de procedimentos', 'classificar a diarreia' e 'criança de 2 meses a 5 anos' apontam para o AIDPI; 'nova recomendação do Ministério da Saúde', 'fluxograma' e faixas descritas por peso em quilos apontam para 2023. Duas âncoras valem mais que o nome da droga e não mudam entre os documentos: o antibiótico só entra na diarreia com sangue e comprometimento do estado geral ou na cólera grave, e a hipótese empírica é Shigella. Um distrator que prescreva antibiótico para diarreia aquosa febril está errado em qualquer dos corpos.
Caso resolvido
- observe
- Estado geral irritado e intranquilo, olhos fundos, sedento bebendo rápido e avidamente, lágrimas ausentes, boca seca. Cinco achados na coluna B.
- explore
- Prega abdominal que desaparece lentamente — coluna B. Pulso cheio, que é o que a coluna B descreve e o que exclui a coluna C. Nenhum dos três sinais marcados com asterisco está presente: a criança não está letárgica, bebe, e o pulso não é fraco.
- decida
- Dois ou mais sinais da coluna B, sem nenhum sinal com asterisco: classificação COM DESIDRATAÇÃO. O AIDPI chega ao mesmo lugar pelos seus quatro sinais — inquieta ou irritada, olhos fundos, bebe avidamente com sede, prega volta lentamente —, dos quais bastariam dois.
- trate
- Plano B, no serviço de saúde. Volume: 50 a 100 mL/kg, média de 75 mL/kg, em 4 a 6 horas. Para 8 kg, 75 vezes 8 dá 600 mL, dentro da faixa de 400 a 700 mL que a tabela do AIDPI prevê para a criança de 4 a 11 meses com 6 a menos de 10 kg. Oferecer de copo ou colher, em pequenos goles frequentes, sem mamadeira. Manter o aleitamento materno sempre que ele quiser; os demais alimentos ficam suspensos apenas durante a reparação.
- o que vai junto
- Zinco oral, 20 mg/dia — ele tem 10 meses, portanto está na faixa acima de 6 meses —, uma vez ao dia por 10 a 14 dias, começando agora e continuando em casa mesmo depois de a diarreia parar.
- se vomitar
- Vômito isolado durante a oferta: esperar dez minutos e retomar mais lentamente. Vômitos persistentes que impeçam a ingestão: dose única de ondansetrona, 2 mg, porque ele está na faixa de 6 meses a 2 anos. Persistindo a intolerância à via oral com a criança ainda desidratada, indica-se gastróclise.
- a reavaliação
- Reavaliar pelo mesmo quadro. Desaparecendo os sinais, passa-se ao Plano A e reinicia-se a alimentação ali mesmo, no serviço. Persistindo a desidratação com pouca tolerância oral, sonda nasogástrica. Evoluindo para desidratação grave, Plano C. E há prazo: sem melhora da desidratação após seis horas, encaminhar ao hospital de referência para internação.
- o que não fazer
- Não pedir coprocultura: a investigação etiológica não é obrigatória e fica para o caso grave, o hospitalizado e o surto. Não prescrever antibiótico: não há sangue nas fezes. Não prescrever antidiarreico, em nenhuma hipótese. Não diluir o leite nem suspender a alimentação além da fase de reparação. E não mandar para casa com o envelope no meio do plano — o Plano B se completa dentro do serviço de saúde.
Agora feche você
- observe
- Sonolenta e pouco responsiva, olhos muito fundos, lágrimas ausentes, boca muito seca, incapaz de beber. Dois dos achados — o rebaixamento do sensório e a incapacidade de beber — são dos marcados com asterisco.
- explore
- Prega abdominal que desaparece em mais de dois segundos, e pulso fraco, que é o terceiro sinal com asterisco. A anúria referida desde a madrugada e as extremidades frias reforçam a hipovolemia.
- a via oral
- Está fora de questão como tratamento inicial: a criança não consegue beber, e alteração do estado de consciência é contraindicação formal à hidratação oral, ao lado de íleo paralítico, abdome agudo, convulsões e choque hipovolêmico.
- decida
- …
- trate
- …
Onde a banca derruba
- 1Trocar os tempos das duas faixas etárias no Plano C É o erro numérico mais frequente do capítulo, e a alternativa errada quase sempre é a inversão exata: 30 mL/kg em 30 minutos para o lactente e 30 mL/kg em 1 hora para a criança maior. A regra é a contrária, e ela tem lógica — o lactente recebe mais devagar, em 1 hora mais 5 horas, num total de 6 horas; a criança a partir de 1 ano recebe em 30 minutos mais 2 horas e 30 minutos, num total de 3 horas. O volume, 100 mL/kg, é o mesmo nos dois.
- 2Colocar o degrau etário do Plano A aos 2 anos Atrai porque 2 anos marca outras transições em pediatria e porque a OMS de fato usa esse degrau. No Brasil, tanto o fluxograma de 2023 quanto o quadro do AIDPI cortam em 12 meses: menores de 1 ano recebem 50 a 100 mL após cada evacuação, e de 1 a 10 anos, 100 a 200 mL. Numa vinheta de Unidade Básica de Saúde brasileira, é o corte de 1 ano que se aplica.
- 3Classificar como desidratado com um sinal só Atrai porque olhos fundos e irritabilidade impressionam. A regra é dois ou mais sinais da mesma coluna, e para a coluna grave é necessário ainda que ao menos um deles esteja marcado com asterisco. Uma criança apenas irritada, com olhos normais, bebendo normalmente e com prega que desaparece de imediato, é uma criança sem desidratação — e Plano A não é um plano menor, é o plano certo para ela.
- 4Esquecer o zinco porque a criança vai para casa Atrai porque o zinco parece tratamento de desidratação, e a criança do Plano A não está desidratada. Mas o zinco entra em toda criança menor de 5 anos com diarreia, em qualquer plano, uma vez ao dia por 10 a 14 dias: 10 mg até os 6 meses e 20 mg dos 6 meses aos 5 anos. Ele reduz a duração e a gravidade do episódio e diminui a incidência de novos episódios nos dois a três meses seguintes — por isso o curso se completa mesmo depois de a diarreia parar.
- 5Prescrever antibiótico para diarreia aquosa com febre Atrai porque febre alta sugere bactéria e porque a criança parece doente. A régua não deixa margem: antibiótico só na diarreia com sangue e comprometimento do estado geral, ou na cólera grave. Febre de 39 °C ou mais numa criança com diarreia manda procurar outro foco — pneumonia, otite, amigdalite, faringite, infecção urinária —, não prescrever antibiótico para o intestino.
- 6Dar antidiarreico para 'segurar' a diarreia da criança Atrai porque a família pede e porque o medicamento existe na farmácia. A loperamida é totalmente contraindicada em pediatria: não reduz de forma apreciável o volume das fezes na criança pequena, causa íleo paralítico grave e potencialmente fatal, prolonga a infecção ao retardar a eliminação do agente e tem relato de toxicidade fatal do sistema nervoso central em alguns agentes da classe. O documento nacional resolve em uma frase — antidiarreicos não devem ser usados.
- 7Suspender a alimentação ou diluir o leite durante a diarreia Atrai porque parece dar descanso ao intestino. O jejum se limita à fase de reparação da desidratação e não vale para o leite materno, que é mantido em todos os planos; a alimentação é reiniciada em no máximo 4 a 6 horas, no próprio serviço de saúde. Fórmula e preparação láctea não se diluem: quem tem a alimentação restrita ou diluída perde peso, tem diarreia mais longa e recupera a função intestinal mais devagar.
- 8Trocar por fórmula sem lactose toda criança com diarreia aguda Atrai porque a diarreia realmente causa deficiência transitória de lactase. Mas não há recomendação de fórmula sem lactose para o lactente com diarreia aguda tratado ambulatorialmente. A vantagem está descrita em dois cenários diferentes: o paciente hospitalizado com diarreia aguda e o paciente com diarreia persistente, no hospital ou no ambulatório.
- 9Ler pulso alterado como sinal de desidratação moderada Atrai porque em outras escalas de desidratação o pulso vai piorando em degraus. No quadro brasileiro, o pulso é descrito como cheio tanto na coluna A quanto na coluna B: fraco ou ausente só aparece na coluna C, e é um dos três sinais com asterisco. Pulso alterado numa criança com diarreia já é desidratação grave até prova em contrário.
- 10Oferecer refrigerante, suco de caixinha ou chá adoçado como reidratação Atrai porque a criança aceita melhor e porque 'é líquido'. Bebidas açucaradas carregam osmolaridade alta, podem provocar diarreia osmótica e hipernatremia, e não repõem potássio nem base. Servem água, chá e suco sem açúcar, água de coco, sopas, caldos e a solução de reidratação oral; para o lactente em aleitamento materno exclusivo, o único líquido além do peito é a solução de reidratação oral.
- 11Tratar sangue nas fezes do lactente como shigelose sem pensar em invaginação Atrai porque disenteria é o diagnóstico estatisticamente provável e porque o algoritmo tem uma caixa pronta para ela. A invaginação intestinal entra no diferencial da disenteria aguda, principalmente no lactente, e a demora custa alça. Dor em cólica intermitente, vômitos e sangue nas fezes num lactente pedem exame abdominal cuidadoso antes do antibiótico.
Os sinais (olhos fundos, mucosas secas, sede ávida, prega lenta, irritabilidade) caracterizam desidratação (alguns/moderada), indicando o Plano B: reidratação oral com SRO supervisionada na unidade por 4 horas e suplementação de zinco. O Plano C (hidratação venosa) é reservado à desidratação grave/choque. Antibióticos não são indicados na diarreia aquosa sem sangue e antidiarreicos são contraindicados em crianças. O Plano A é apenas para a criança sem sinais de desidratação.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Lactente de 10 meses é levado à UBS com quadro de diarreia aquosa há 2 dias, sem sangue, e vômitos ocasionais. Ao exame está ativo, com mucosas úmidas, olhos sem alteração, turgor cutâneo preservado e aceitando líquidos, sem sinais de desidratação. Qual a conduta mais adequada?
Trata-se de diarreia aguda sem desidratação, cujo manejo é o Plano A: manutenção da alimentação/aleitamento, oferta de soro de reidratação oral após as evacuações e orientação de sinais de alarme, com acompanhamento domiciliar. Hidratação intravenosa é reservada à desidratação grave (Plano C). Antibiótico não é indicado na diarreia aguda aquosa habitual (maioria viral). Jejum prolongado é contraindicado, pois a manutenção da alimentação favorece a recuperação e previne desnutrição.
Criança de 2 anos é atendida na UPA com diarreia e vômitos há 1 dia. Ao exame apresenta-se irritada, com olhos fundos, mucosas secas, sede intensa e sinal da prega cutânea com retorno lento, mas sem alteração do nível de consciência e ainda consegue beber. Qual o grau de desidratação e a conduta indicada?
Irritabilidade, olhos fundos, mucosas secas, sede intensa e prega com retorno lento, com a criança ainda bebendo e consciente, caracterizam desidratação de algum grau, manejada pelo Plano B com terapia de reidratação oral supervisionada na unidade de saúde. Não é caso sem desidratação, pois há sinais clínicos evidentes. A hidratação intravenosa (Plano C) fica reservada à desidratação grave, com alteração de consciência, incapacidade de beber ou choque. Não há sinais de choque que justifiquem vasoativos.
Menino de 3 anos é levado à UPA com história de diarreia aquosa há 2 dias, cerca de 6 evacuações por dia, e vômitos ocasionais. Ao exame, apresenta-se irritado, com olhos levemente encovados, mucosas discretamente secas, sinal da prega cutânea que desaparece lentamente, bebe avidamente quando oferecido líquido e tem pulso e diurese preservados. Segundo o protocolo do Ministério da Saúde, qual é a classificação e a conduta indicadas?
Olhos encovados, mucosas secas, prega que desaparece lentamente, irritabilidade e sede ávida configuram 'algum grau de desidratação' na classificação do MS, cuja conduta é o Plano B: soro de reidratação oral supervisionado na unidade de saúde (75 mL/kg em 4 horas) com reavaliação. O Plano A aplica-se a crianças sem sinais de desidratação. O Plano C e o choque exigem sinais de desidratação grave (letargia/inconsciência, incapacidade de beber, prega que desaparece muito lentamente, pulso débil), ausentes neste caso com criança que bebe avidamente e mantém pulso/diurese.
Criança de 5 anos é levada à UBS com diarreia aquosa há 2 dias, sem sangue. Ao exame: ativa, mucosas úmidas, olhos não fundos, bebe líquidos normalmente, sinal da prega desaparece rápido. Segundo o manejo da doença diarreica na APS, qual a conduta correta?
Os achados descrevem criança sem sinais de desidratação (plano A): tratamento domiciliar com soro de reidratação oral, manutenção da alimentação e da amamentação, zinco quando indicado, e orientação de retorno diante de sinais de alarme. Antibiótico não é rotina na diarreia aguda aquosa sem sangue; antidiarreicos não são recomendados em crianças. Hidratação venosa é para desidratação grave (plano C), ausente aqui. Suspender alimentação é contraindicado, pois favorece desnutrição e piora a evolução.
Lactente de 8 meses é levado à UBS pela mãe com diarreia aquosa há 2 dias, aceitando líquidos, sem vômitos incoercíveis. Ao exame: olhos levemente fundos, mucosas úmidas, turgor levemente diminuído, irritado mas consolável, débito urinário mantido. Segundo o plano de manejo da desidratação do SUS, qual a conduta?
Sinais de desidratação sem gravidade (olhos fundos, turgor diminuído, irritado mas consolável, diurese presente) classificam-se como algum grau de desidratação, indicando Plano B: TRO com SRO supervisionada na unidade e reavaliação. Plano C é para desidratação grave/choque, ausente aqui. Plano A puro subestima os sinais presentes. Antibiótico/antidiarreico de rotina é contraindicado na diarreia aguda infantil.
Um lactente de 10 meses é levado à UBS com diarreia aquosa há 2 dias, sem sangue, cerca de 5 evacuações por dia, e vômitos ocasionais. Ao exame está ativo, bebendo avidamente quando oferecido líquido, com mucosas úmidas, olhos normais, turgor cutâneo preservado e sem sinais de desidratação. Segundo o protocolo do Ministério da Saúde, qual é a conduta correta?
A criança tem diarreia aguda SEM sinais de desidratação, o que corresponde ao Plano A do Ministério da Saúde: manter alimentação e aleitamento, aumentar a oferta de líquidos e ofertar soro de reidratação oral após cada evacuação, com orientação de sinais de alerta e retorno (opção correta). Plano C é reservado à desidratação grave/choque (opção errada). Antibiótico não é indicado na maioria das diarreias agudas (virais), e antiemético de rotina não é recomendado (opção errada). Jejum é contraindicado; manter a alimentação favorece a recuperação (opção errada).
Menino de 2 anos é atendido na UBS por diarreia aquosa há 3 dias, cerca de 6 evacuações/dia, com vômitos ocasionais e febre baixa. Ao exame apresenta-se irritado quando manipulado, olhos discretamente encovados, bebe água avidamente quando oferecida, sinal da prega cutânea com retorno lento. Está com diurese presente. Qual a classificação do estado de hidratação e a conduta inicial recomendada pelo protocolo do Ministério da Saúde?
Os sinais descritos — irritabilidade, olhos encovados, sede ávida (bebe avidamente) e prega cutânea com retorno lento — configuram "desidratação/algum grau de desidratação" (dois ou mais sinais), correspondente ao PLANO B do Ministério da Saúde: reidratação oral com SRO na unidade de saúde, sob supervisão (cerca de 50-100 mL/kg em 4 horas), com reavaliação. O plano A é para criança sem sinais de desidratação. O plano C/hidratação venosa é reservado à desidratação GRAVE (letargia/inconsciência, incapaz de beber, prega com retorno muito lento, pulso fraco). Antibiótico venoso/UTI não se justifica em diarreia aquosa sem sinais de sepse ou disenteria — a maioria é viral.
Menina de 3 anos é levada à UBS com quadro de diarreia aquosa há 2 dias, sem sangue, com boa aceitação de líquidos, olhos e mucosas normais, turgor preservado, sem sinais de desidratação. Está alerta e ativa. Segundo o manejo da diarreia aguda na APS, qual é a conduta correta?
Criança com diarreia aguda sem sinais de desidratação enquadra-se no Plano A: hidratação oral domiciliar (SRO após cada evacuação), manutenção da alimentação/aleitamento, suplementação de zinco e orientação de sinais de alarme. Antibiótico/antiemético de rotina não é indicado na diarreia aguda aquosa. Hidratação venosa é para desidratação grave/Plano C. Suspender alimentação é contraindicado — manter a dieta reduz desnutrição e duração.
Menino de 2 anos é levado à UBS com diarreia aquosa há 2 dias, cerca de 6 evacuações por dia, e alguns episódios de vômito. A mãe refere que a criança está bebendo líquidos avidamente. Ao exame: irritado, choro com lágrimas presentes, mucosas levemente úmidas, olhos discretamente encovados, turgor cutâneo com retorno lento, tempo de enchimento capilar de 2 segundos, frequência cardíaca de 130 bpm. Afebril, sem sangue nas fezes. A criança está alerta e aceita líquidos. Considerando o grau de desidratação e a conduta preconizada pelo SUS, assinale a alternativa correta.
Sede aumentada, olhos encovados, turgor com retorno lento e irritabilidade caracterizam desidratação leve a moderada (algum grau), cuja conduta é a terapia de reidratação oral com sais de reidratação sob supervisão na unidade (Plano B). O Plano A é para crianças sem sinais de desidratação. O Plano C (hidratação venosa) é reservado à desidratação grave com sinais de choque (letargia, pulso fraco, enchimento capilar lento >3s). Antibiótico não é indicado na diarreia aquosa aguda sem disenteria.
Menina de 5 anos é levada à UBS com quadro de dor abdominal em cólica e diarreia com muco e raias de sangue há 2 dias, acompanhada de febre de 38,5°C e tenesmo. A mãe relata que a criança frequenta creche onde há outros casos semelhantes. Ao exame: em regular estado geral, hidratada, dor à palpação difusa do abdome, sem sinais de irritação peritoneal. Frequência cardíaca de 110 bpm. As fezes são disentéricas. Considerando o quadro de diarreia invasiva e a conduta, assinale a alternativa correta.
Diarreia com muco, sangue, tenesmo e febre configura disenteria (diarreia invasiva bacteriana, ex.: Shigella), em que se recomenda hidratação e, dado o componente invasivo/disentérico, considerar antibioticoterapia com avaliação/coprocultura. Diarreia osmótica não cursa com sangue e febre. Diarreia viral é aquosa, não disentérica. Apendicite cursaria com dor localizada em fossa ilíaca direita e sinais de irritação peritoneal, não diarreia disentérica com casos na creche.
Menino de 2 anos é levado à UBS pela mãe com quadro de diarreia aquosa há 3 dias, cerca de 6 evacuações ao dia, acompanhada de vômitos e febre baixa. A criança está bebendo água avidamente. Ao exame: ativa e irritada, olhos discretamente encovados, mucosa oral seca, bebe com avidez quando oferecido líquido, sinal da prega cutânea desaparece lentamente (em menos de 2 segundos) e enchimento capilar de 2 segundos. Frequência cardíaca 130 bpm, sem sinais de choque. A mãe não trouxe registro de peso prévio. Segundo o protocolo do Ministério da Saúde para manejo da diarreia aguda, qual é a classificação do estado de hidratação e a conduta indicada, respectivamente?
A presença de dois ou mais sinais — irritabilidade, olhos encovados, sede/bebe avidamente e prega que desaparece lentamente — classifica como 'algum grau de desidratação', que corresponde ao plano B: reidratação oral supervisionada com SRO (75 mL/kg em 4 horas) na unidade. O plano A (sem desidratação) exige ausência de sinais suficientes e é feito no domicílio. O plano C (desidratação grave) requer sinais como letargia/inconsciência, incapacidade de beber, prega que retorna muito lentamente (>2 s) ou choque, ausentes aqui. Antibiótico não é indicado em diarreia aguda aquosa sem sangue, pois a maioria é viral e autolimitada.
Um lactente de 10 meses é levado pela mãe à Unidade Básica de Saúde com quadro de diarreia aquosa há dois dias, cerca de seis evacuações por dia, sem sangue ou muco, acompanhada de vômitos ocasionais. A criança mantém-se alerta e ativa, aceita líquidos avidamente quando oferecidos, apresenta olhos levemente encovados, mucosas discretamente secas e sinal da prega cutânea que desaparece lentamente (< 2 segundos). Peso preservado, sem febre alta. Ao aplicar a classificação do estado de hidratação preconizada pelo Ministério da Saúde/AIDPI, a criança apresenta sinais de algum grau de desidratação. Qual é a conduta correta?
A criança apresenta sinais de desidratação (olhos encovados, mucosas secas, sede ávida, prega que retorna lentamente) sem sinais de gravidade/choque — classifica-se como 'com desidratação', indicando o plano B: terapia de reidratação oral supervisionada na unidade com sais de reidratação e reavaliação (correta). O plano C (hidratação venosa rápida) é reservado à desidratação grave/choque, ausente aqui (criança alerta e ativa). O plano A é para crianças sem sinais de desidratação — não é o caso. Antibióticos e antidiarreicos não são indicados de rotina na diarreia aguda aquosa; o pilar é a reidratação (e zinco), evitando antidiarreicos em crianças.
Um lactente de 10 meses é levado à UBS pela mãe com diarreia aquosa há 2 dias, cerca de 6 evacuações/dia, sem sangue ou muco, e dois episódios de vômito. Aceita líquidos com avidez. Ao exame: ativo, olhos normais, mucosas úmidas, turgor cutâneo preservado, lágrimas presentes, bebe avidamente quando oferecido, sem sinais de choque; peso estável em relação à última consulta. A mãe está preocupada e pergunta o que fazer. Considerando a classificação do estado de hidratação e o manejo da doença diarreica aguda pelo Ministério da Saúde, qual a conduta correta?
A criança está sem sinais de desidratação (ativa, mucosas úmidas, lágrimas presentes, turgor normal), classificando-se como hidratada — Plano A: reidratação oral com soro (SRO) após cada evacuação, manutenção do aleitamento/alimentação, zinco quando preconizado, e orientação de sinais de alarme e retorno. Hidratação venosa/internação e Plano C com via intraóssea são para desidratação grave/choque, não presentes. Antibiótico e antiemético de rotina não são indicados em diarreia aguda aquosa sem disenteria, e nunca se deve suspender a alimentação.
Lactente, 14 meses, 10 kg, com diarreia aquosa há 2 dias (8 evacuações/dia) e vômitos ocasionais. Ao exame: alerta, mucosas úmidas, olhos normais, bebe avidamente quando oferecido líquido, sinal da prega desaparece rapidamente, lágrimas presentes, FC 120 bpm, tempo de enchimento capilar < 2 s. A mãe relata que a criança continua mamando e aceita alimentos. Segundo a classificação da AIDPI para desidratação, qual é a conduta indicada? Qual a conduta correta?
Correta: a criança não apresenta sinais suficientes para desidratação pela AIDPI (está alerta, olhos normais, bebe normalmente, prega desaparece rápido, lágrimas presentes) — classifica-se como 'sem sinais de desidratação', que corresponde ao Plano A: hidratação domiciliar com aumento da oferta de líquidos, SRO 50–100 mL após cada evacuação em menores de 2 anos e manutenção da alimentação. O Plano B exige dois ou mais sinais de desidratação (irritado ou inquieto, olhos fundos, bebe avidamente/sedento, prega lenta), ausentes aqui. O Plano C é reservado à desidratação grave (letárgico ou inconsciente, incapaz de beber, prega muito lenta), que também não há. Internar para hidratação venosa é desnecessário em criança sem desidratação, e a reidratação oral é a via de escolha. Prescrever antibiótico empírico e loperamida é inadequado: antidiarreicos são contraindicados em crianças, e o antibiótico não está indicado em diarreia aquosa sem sinais de disenteria ou cólera.
Menino, 2 anos, trazido por diarreia aquosa e vômitos há 1 dia. Ao exame, a AIDPI classifica o quadro como DESIDRATAÇÃO (dois ou mais sinais: inquieto/irritado, olhos fundos, bebe avidamente com sede e sinal da prega que desaparece lentamente), sem sinais de gravidade. Peso 12 kg. Qual é o plano de terapia de reidratação indicado e o volume de solução de reidratação oral (SRO) nas primeiras 4 horas? Qual a conduta correta?
Correta: a presença de dois ou mais sinais do bloco intermediário classifica como 'desidratação' (Plano B): reidratação oral supervisionada na unidade com SRO 75 mL/kg em 4 horas — para 12 kg = 900 mL. O Plano A (sem desidratação) é insuficiente para este caso. O Plano C é reservado à desidratação grave, e a criança não tem sinais de gravidade. O esquema de 240 mL usa volume incorreto (20 mL/kg não corresponde ao esquema de 75 mL/kg do Plano B). Errado: na solução (o Plano C usa Ringer lactato ou SF 0,9%, não soro glicosado, que não repõe eletrólitos/volume adequadamente) e na indicação.
Lactente, 8 meses, 8 kg, com diarreia há 3 dias e vômitos frequentes. Ao exame: letárgico, de difícil despertar, olhos muito fundos, incapaz de beber, sinal da prega cutânea desaparece muito lentamente (> 2 s), pulsos finos, extremidades frias e enchimento capilar 4 s. Recebe diagnóstico de desidratação grave (Plano C) e inicia-se Ringer lactato intravenoso conforme a AIDPI para menores de 12 meses (30 mL/kg na 1ª hora e 70 mL/kg nas 5 horas seguintes). Após a primeira etapa, a criança permanece letárgica, com pulso radial ainda fino. Qual é o próximo passo mais adequado? Qual a conduta correta?
Correta: No Plano C, ao final de cada etapa deve-se reavaliar; se a criança ainda não melhorou (persiste letárgica, pulso fino, sem retorno de perfusão), repete-se a etapa rápida de expansão (30 mL/kg) antes de progredir, pois a hidratação venosa é titulada pela resposta clínica. Passar para a via oral é erro grave: com a criança letárgica e incapaz de beber, a via oral está contraindicada e a IV não deve ser suspensa. Errado porque não se progride para a fase lenta sem melhora dos sinais — a reavaliação orienta a conduta. Inadequado: o Ringer lactato (ou SF 0,9%) é a solução de expansão de escolha; glicose isolada não expande volume e a hipoglicemia, se houver, é corrigida à parte. A albumina não é conduta de rotina para desidratação por diarreia — o cristaloide é o expansor inicial padrão.
Menino, 3 anos, previamente hígido, é levado ao pronto-socorro com diarreia com raias de sangue há 3 dias, associada a dor abdominal em cólica. Está afebril, bem hidratado, ativo, com sinais vitais normais para a idade (PA 95/60 mmHg, FC 110 bpm, T 36,8 °C). A coprocultura foi solicitada com suspeita de colite por Escherichia coli êntero-hemorrágica (O157:H7). A função renal e o hemograma iniciais estão normais. A família pergunta sobre a melhor abordagem. Considerando o risco de evolução para síndrome hemolítico-urêmica (SHU), a conduta que deve ser EVITADA é:
Gabarito: Na colite por STEC (E. coli O157:H7), a antibioticoterapia associa-se a MAIOR risco de progressão para SHU, pois a lise bacteriana aumenta a liberação de toxina Shiga; por isso deve ser evitada na fase diarreica, mesmo com colite hemorrágica. O manejo é de suporte. Correta: hidratação EV precoce e volume adequado é protetora renal e recomendada. Correta: vigilância laboratorial seriada detecta o início da microangiopatia. Correta: antimotilidade/antidiarreicos prolongam a exposição à toxina e também devem ser evitados — logo, suspendê-los é adequado. Correta: sinais de alarme (oligúria, palidez) sinalizam início da SHU e exigem retorno imediato.
Menino, 2 anos, 12 kg, levado à UBS com diarreia aquosa há 2 dias, 4 a 5 episódios ao dia, sem sangue ou muco. A mãe relata que a criança segue ativa, brincando e aceitando bem líquidos e alimentos. Ao exame: alerta, olhos de aspecto normal, bebe normalmente, mucosas úmidas e sinal da prega cutânea desaparece imediatamente. FC 110 bpm, sem sinais de má perfusão. Segundo a estratégia AIDPI, qual a classificação e a conduta corretas?
A criança não apresenta nenhum dos sinais de desidratação do AIDPI (está alerta, bebe normalmente, olhos normais e prega cutânea que desaparece de imediato), o que a classifica como SEM DESIDRATAÇÃO, ou seja, Plano A — tratamento domiciliar com SRO após cada evacuação, manutenção da alimentação e do aleitamento, suplementação de zinco (20 mg/dia por 10-14 dias em maiores de 6 meses) e orientação dos sinais que indicam retorno imediato. O Plano B com SRO 75 mL/kg em 4 horas sob observação exige a presença de pelo menos dois sinais de desidratação, ausentes aqui. O Plano C com hidratação venosa imediata exige sinais de desidratação grave (letargia, incapaz de beber, prega muito lenta), não presentes. A antibioticoterapia empírica não se justifica: diarreia aquosa aguda sem sangue é predominantemente viral e autolimitada. E a internação com jejum é contraindicada — a alimentação deve ser mantida para evitar piora nutricional e favorecer a recuperação da mucosa.
Menina, 10 meses, 9 kg, com diarreia aquosa há 1 dia, cerca de 8 episódios, associada a recusa parcial da dieta. Ao exame: irritada e inquieta, olhos fundos, bebe avidamente quando lhe é oferecido líquido (sedenta) e o sinal da prega cutânea retorna lentamente (cerca de 1 a 2 segundos). Está consciente e consegue beber. FC 140 bpm, enchimento capilar de 2 segundos. Após classificar o quadro pelo AIDPI, qual é o volume de solução de reidratação oral (SRO) a ser administrado nas primeiras 4 horas?
A presença de dois ou mais sinais (inquietação/irritabilidade, olhos fundos, sede com avidez e prega cutânea que retorna lentamente) classifica como DESIDRATAÇÃO = Plano B. O AIDPI preconiza SRO 75 mL/kg em 4 horas na unidade de saúde: 75 x 9 = 675 mL (opção correta), com reavaliação ao término. 50 mL/kg subestima a reposição preconizada no Plano B. 100 mL/kg é a meta volêmica total do Plano C (hidratação venosa na desidratação grave), não da SRO no Plano B. Hidratação venosa é reservada ao Plano C ou à falha da TRO; a paciente bebe e não tem sinais de gravidade. O Plano B tem volume-alvo e reavaliação programada em 4 horas, não em 24 horas.
Lactente de 8 meses, 8 kg, com diarreia aquosa há 3 dias e vômitos frequentes. Ao exame apresenta-se letárgico e difícil de despertar, olhos muito fundos, é incapaz de beber, o sinal da prega cutânea retorna muito lentamente (mais de 2 segundos), extremidades frias e enchimento capilar de 4 segundos. FC 170 bpm. Definido o Plano C do AIDPI, qual o esquema INICIAL de hidratação venosa (Ringer lactato ou soro fisiológico 0,9%) recomendado para esta criança?
A letargia, os olhos muito fundos, a incapacidade de beber e a prega cutânea muito lenta configuram DESIDRATAÇÃO GRAVE = Plano C, com hidratação venosa imediata (Ringer lactato ou SF 0,9%). Em lactente MENOR de 12 meses o esquema é mais lento: 30 mL/kg na 1ª hora + 70 mL/kg nas 5 horas seguintes, totalizando 100 mL/kg em 6 horas (opção correta). É o esquema da criança de 12 meses ou mais (30 mL/kg em 30 min + 70 mL/kg em 2,5h, total em 3 horas) — pegadinha da faixa etária. Bolus repetidos de 20 mL/kg correspondem à abordagem do choque hipovolêmico, não ao esquema padrão do Plano C do AIDPI. SRO por SNG é alternativa apenas quando não há acesso venoso disponível; aqui há indicação e viabilidade da via venosa. O fracionamento correto é 30/70 e não 50/50, que atrasaria a expansão inicial necessária.
Lactente do sexo masculino, 8 meses, 8 kg, é levado ao pronto-socorro com diarreia aquosa há 2 dias, acompanhada de vômitos e recusa alimentar. Ao exame: letárgico, difícil de despertar, olhos muito fundos, mucosas secas, não consegue beber quando a mãe oferece líquido e a prega cutânea abdominal desfaz muito lentamente (> 2 segundos). FC 165 bpm, tempo de enchimento capilar 4 segundos, extremidades frias. Segundo a AIDPI, a criança é classificada como desidratação grave (Plano C). Qual é o esquema INICIAL de reidratação venosa indicado para esta criança?
A criança tem dois ou mais sinais de gravidade (letargia, olhos muito fundos, incapaz de beber, prega que desfaz muito lentamente) = desidratação grave, indicando Plano C com hidratação venosa. Correta: para MENORES de 12 meses, o esquema AIDPI é 100 mL/kg de SF 0,9% ou Ringer lactato divididos em 30 mL/kg na 1ª hora + 70 mL/kg nas 5 horas seguintes (total 6 horas), com reavaliação a cada 15-30 min e início da SRO tão logo a criança consiga beber. É o esquema correto, porém para a faixa de 12 meses a 5 anos (30 mL/kg em 30 min + 70 mL/kg em 2h30, total 3 horas) — errada por trocar a idade. Bolus repetidos de 20 mL/kg correspondem ao manejo de choque hipovolêmico do PALS/ATLS, não ao esquema faseado do Plano C da AIDPI. 75 mL/kg de SRO em 4 horas é o Plano B (desidratação sem gravidade), insuficiente e por via inadequada para desidratação grave com incapacidade de beber. O soro glicosado 5% não repõe volume/sódio de forma eficaz e não é a solução de escolha para expansão — risco de hiponatremia.
Menina de 18 meses é atendida na UBS com diarreia líquida há 1 dia, sem sangue e sem febre. Ao exame encontra-se irritada e inquieta, bebe água avidamente com sede evidente, apresenta olhos fundos e a prega cutânea desfaz-se lentamente (retorno entre 1 e 2 segundos). Está alerta, sem sinais de choque, aceita líquidos por via oral. De acordo com a classificação e as condutas da AIDPI, qual é a conduta mais adequada?
A presença de dois ou mais sinais do grupo intermediário (inquieta/irritada, olhos fundos, bebe avidamente com sede, prega que desfaz lentamente) classifica como 'desidratação' (algum grau, sem gravidade) = Plano B. Correta: TRO na unidade de saúde com SRO 75 mL/kg em 4 horas, reavaliando periodicamente e mantendo o aleitamento; se melhorar, passa ao Plano A. Plano A é para criança SEM desidratação — subtrata este caso que já tem sinais objetivos de desidratação. Plano C/hidratação venosa é reservado à desidratação grave (dois sinais do grupo grave ou choque), não presente aqui — seria intervenção excessiva. Antibiótico não é indicado em diarreia aquosa sem disenteria/cólera, antieméticos e 'dieta constipante' não fazem parte do protocolo e a criança não foi hidratada. O jejum e a via nasogástrica de rotina são inadequados: a AIDPI prioriza a via oral e a manutenção da alimentação; a SNG só é considerada em falha específica da TRO.
Lactente de 10 meses é trazido à UBS com diarreia aquosa há 1 dia, sem vômitos, febre ou sangue nas fezes. Ao exame: ativo e reativo, aceita e bebe líquidos normalmente (sem sede excessiva), olhos normais, mucosas úmidas e prega cutânea que desfaz imediatamente. Mama no peito com boa pega. A criança é classificada como diarreia SEM desidratação. Qual é a conduta domiciliar recomendada pela AIDPI (Plano A)?
Sem sinais de desidratação, a conduta é o Plano A, domiciliar, com quatro pilares: (1) oferecer mais líquidos que o habitual, incluindo SRO após cada evacuação (50-100 mL nos menores de 1 ano); (2) manter a alimentação e o aleitamento materno; (3) suplementar zinco por 10-14 dias (10 mg/dia se < 6 meses; 20 mg/dia se ≥ 6 meses); e (4) orientar a mãe sobre os sinais de alerta para retorno imediato (não melhora, piora, sede intensa, sangue nas fezes, recusa de líquidos). Correta = B. Internação e hidratação venosa são desnecessárias e desproporcionais em criança sem desidratação e que bebe bem. Suspender o aleitamento é erro clássico — deve ser mantido, pois protege e nutre; a retirada de lactose não é rotina. Antidiarreicos como a loperamida são contraindicados em crianças (risco de íleo e ocultamento de perdas). Antibiótico não tem indicação em diarreia aquosa sem disenteria/suspeita de cólera; a maioria é viral e autolimitada.
Lactente, 10 meses, sexo masculino, é levado ao pronto-socorro com diarreia aquosa volumosa (mais de 10 episódios/dia) e vômitos há 2 dias, com recusa alimentar e diminuição da diurese. Ao exame: sonolento e hipoativo, olhos fundos, mucosas secas, choro sem lágrimas. FC 190 bpm, FR 44 ipm, PA 68/40 mmHg, tempo de enchimento capilar 5 segundos, extremidades frias e pulsos periféricos finos. Gasometria: pH 7,20, HCO3 12 mEq/L (VR 22–26), lactato 4,5 mmol/L (VR < 2,0). Qual é a conduta imediata mais apropriada?
O quadro é de choque hipovolêmico DESCOMPENSADO (hipotensão já instalada, TEC prolongado, extremidades frias, pulsos finos, acidose metabólica com lactato elevado) por perdas gastrointestinais. A conduta imediata é reposição rápida com cristaloide ISOTÔNICO 20 mL/kg em bolus (5–10 min), repetível até 40–60 mL/kg conforme resposta. É correta. Erra: solução hipotônica e velocidade de manutenção são insuficientes e perigosas no choque — não restauram a volemia. Erra: salina a 3% é para hipertensão intracraniana/hiponatremia sintomática, não para expansão volêmica no choque hipovolêmico. Erra: droga vasoativa antes da adequada reposição de volume é conduta equivocada — no hipovolêmico o volume é a prioridade. Erra: reidratação oral é contraindicada no choque/rebaixamento de consciência pelo risco de aspiração e por ser lenta demais para a instabilidade hemodinâmica.
Lactente do sexo masculino, 10 meses, é levado ao pronto-socorro com diarreia aquosa há 2 dias, cerca de 8 evacuações/dia, e vômitos. A mãe refere que ele está "muito molinho" e recusa mamadas e água nas últimas horas. Ao exame: letárgico, resposta lentificada aos estímulos, olhos muito fundos, mucosas secas, tempo de enchimento capilar de 4 segundos e sinal da prega cutânea desaparecendo muito lentamente (> 2 segundos). Sinais vitais: FC 168 bpm, FR 44 ipm, PA 78/48 mmHg, T 37,4 °C, SatO2 97%. Peso atual 8 kg. Segundo a classificação de risco da estratégia AIDPI, qual é a conduta inicial de reidratação mais adequada?
O quadro reúne letargia/rebaixamento, olhos muito fundos, incapacidade de beber e prega cutânea que desaparece muito lentamente — pelo menos dois sinais que classificam DESIDRATAÇÃO GRAVE na AIDPI, indicando Plano C (reidratação venosa imediata). O esquema de volume depende da idade: em menores de 12 meses administra-se Ringer lactato (ou SF 0,9%) 30 mL/kg na PRIMEIRA HORA e, a seguir, 70 mL/kg nas 5 horas seguintes (total 100 mL/kg em 6 h) — é esse o esquema correto para um lactente de 10 meses. Dar 30 mL/kg em 30 minutos seguidos de 70 mL/kg em 2h30 inverte o esquema etário: esse é o protocolo para maiores de 1 ano, e aplicá-lo a um lactente de 10 meses é erro de faixa etária. Iniciar SRO 50–100 mL/kg em 4 horas corresponde ao Plano B (desidratação sem gravidade), passo insuficiente e inseguro: a criança está letárgica e não consegue beber, o que contraindica a via oral como terapia inicial. Usar soro glicosado a 5% erra o fluido: não é solução de escolha para reposição volêmica na desidratação grave (falta eletrólitos e poder de expansão), além de não respeitar as fases. A gastróclise é recurso do Plano B em vômitos persistentes ou recusa da via oral e não substitui a via venosa na desidratação grave com rebaixamento do sensório.
Lactente de 10 meses, previamente hígido e com esquema vacinal em dia, é levado pela mãe à Unidade Básica de Saúde com história de diarreia aquosa, sem sangue ou muco, há 2 dias, com 4 a 5 evacuações diárias e sem vômitos. Ao exame físico apresenta-se ativo e alerta, olhos sem alteração, mucosas úmidas, aceita e bebe água normalmente, sinal da prega cutânea com retorno imediato e tempo de enchimento capilar menor que 2 segundos. Não há sinais clínicos de desidratação. De acordo com as recomendações do Ministério da Saúde para o manejo da diarreia aguda na infância, qual é a conduta correta?
A criança não apresenta sinais de desidratação, o que corresponde ao Plano A: hidratação domiciliar com SRO após cada evacuação, manutenção da alimentação, suplementação de zinco por 10-14 dias (reduz duração e recorrência) e orientação de sinais de alarme. O Plano B é indicado quando há 'algum grau de desidratação'. O Plano C reserva-se à desidratação grave. Antibiótico e suspensão da dieta não têm indicação na diarreia aquosa aguda sem desidratação, que é habitualmente viral e autolimitada.
Uma menina de 2 anos é levada pela mãe à Unidade Básica de Saúde com quadro de diarreia aquosa, sem sangue ou muco, com cerca de 6 evacuações por dia há 2 dias, associada a episódios de vômitos. Ao exame, apresenta-se irritada e inquieta, com olhos fundos; ao ser oferecida água, bebe avidamente, demonstrando sede; o sinal da prega cutânea desfaz-se lentamente. Encontra-se afebril, com boa perfusão periférica e ausência de sinais de gravidade. Segundo a estratégia AIDPI do Ministério da Saúde, qual a classificação do estado de hidratação e a conduta imediata mais adequada?
A presença de dois ou mais sinais (inquietação/irritabilidade, olhos fundos, sede/bebe avidamente, prega que desfaz lentamente) classifica como 'desidratação' pela AIDPI, indicando o Plano B — TRO com SRO 75 mL/kg em 4 horas na unidade, com reavaliação. Classificar como sem desidratação e liberar para o domicílio não cabe: o Plano A é para a criança SEM sinais de desidratação, o que não é o caso. A hidratação intravenosa do Plano C exige sinais de desidratação GRAVE (letargia, incapacidade de beber, prega muito lenta), ausentes aqui. E antibiótico com antiemético e jejum não tem indicação na diarreia aguda aquosa sem desidratação grave nem disenteria; a alimentação deve ser mantida.
Um lactente de 8 meses é trazido ao pronto-socorro com diarreia aquosa volumosa e vômitos há 3 dias, tendo passado a recusar a ingestão de líquidos nas últimas horas. Ao exame, mostra-se letárgico e de difícil despertar, com olhos muito fundos, boca seca e não consegue beber quando a água lhe é oferecida; o sinal da prega cutânea desfaz-se muito lentamente (mais de 2 segundos) e o tempo de enchimento capilar está lentificado. Com base na classificação da AIDPI e nas recomendações do Ministério da Saúde, qual a conduta de reidratação correta?
Letargia, incapacidade de beber e prega que desfaz muito lentamente caracterizam desidratação GRAVE, indicando o Plano C com hidratação intravenosa imediata. Para menores de 12 meses o esquema é 30 mL/kg na 1ª hora + 70 mL/kg nas 5 horas seguintes (total 100 mL/kg) com SF 0,9% ou Ringer lactato. A TRO oral é insuficiente e inviável, pois a criança não consegue beber. O Plano A é para criança sem desidratação. A via intravenosa é a primeira escolha na desidratação grave; a gastróclise só substitui a IV quando esta não está disponível.
Um menino de 3 anos é atendido na Unidade Básica de Saúde com relato de diarreia aguda há 3 dias, com fezes líquidas sem sangue, sem vômitos e sem febre. Ao exame, encontra-se ativo e alerta, aceitando líquidos normalmente, com olhos de aspecto normal, mucosas úmidas, sinal da prega cutânea que se desfaz imediatamente e diurese preservada. Não há qualquer sinal de desidratação. De acordo com a estratégia AIDPI do Ministério da Saúde, qual é a conduta correta?
Sem sinais de desidratação, a conduta é o Plano A, realizado no domicílio: aumentar líquidos após cada evacuação, manter alimentação/aleitamento, suplementar zinco por 10-14 dias (recomendação do MS) e orientar sinais de alerta. O plano B e o plano C se aplicam a algum grau de desidratação (moderada e grave, respectivamente), ausentes aqui. Antibiótico não é indicado em diarreia aquosa sem disenteria, e antidiarreicos como a loperamida são contraindicados em crianças pelo risco de efeitos adversos.
Um menino de 2 anos é atendido em uma UPA por diarreia aquosa há dois dias, com cerca de seis evacuações por dia, sem sangue nas fezes. Não há vômitos importantes. Na avaliação segundo a estratégia AIDPI, a criança está irritada e inquieta, os olhos apresentam-se levemente fundos, bebe água avidamente quando oferecida e o sinal da prega cutânea desaparece lentamente. Encontra-se alerta, com mucosas discretamente secas e sem sinais gerais de perigo. Com base na classificação de risco da AIDPI para a criança com diarreia, qual é a classificação e a conduta adequada?
A AIDPI classifica como DESIDRATAÇÃO (alguma desidratação) quando há dois ou mais dos sinais: inquieto/irritado, olhos fundos, bebe avidamente com sede, e prega cutânea que desaparece lentamente. O menino preenche esses critérios, indicando plano B (TRO supervisionada na unidade por 4 horas). Errada: desidratação grave exige dois sinais como letargia/inconsciência, incapacidade de beber ou prega que desaparece muito lentamente (>2 s). Classificar como sem desidratação subestima os achados presentes. A diarreia persistente não se aplica — o quadro tem menos de 14 dias e não há critério de referência urgente.
Uma menina de 2 anos é levada à Unidade Básica de Saúde da Família com diarreia aquosa (6 evacuações no dia) e vômitos há 2 dias. A mãe nega febre alta e relata que a criança urinou pela última vez há cerca de 5 horas. Ao exame, a criança está irritada e agitada, com olhos fundos, mucosas secas e bebe água avidamente quando lhe é oferecido o copo. O enchimento capilar é de 2 segundos e o sinal da prega cutânea desfaz-se lentamente. Os pulsos estão cheios e a frequência cardíaca é de 130 bpm. Diante desse quadro, qual é a classificação do estado de hidratação e a conduta imediata, segundo o protocolo do Ministério da Saúde?
O conjunto irritabilidade/agitação, olhos fundos, sede ávida e prega que desfaz lentamente caracteriza 'algum grau de desidratação', indicando o Plano B: TRO com soro de reidratação oral 75 mL/kg em 4 horas, sob observação na unidade (correta). Plano A destina-se ao paciente hidratado, sem os sinais descritos. Plano C exige sinais de desidratação grave/choque (letargia/inconsciência, incapacidade de beber, pulso fino), ausentes aqui. Antibiótico não é rotina na diarreia aguda e antiemético não substitui a reidratação, que é a base do manejo.
Um menino de 2 anos é levado pela mãe à Unidade Básica de Saúde por quadro de evacuações líquidas, sem sangue ou muco, cerca de 5 a 6 vezes ao dia. A mãe relata que o quadro começou de forma súbita há 16 dias, após um episódio interpretado como virose, e que desde então não houve melhora completa. A criança mantém-se hidratada, aceita a alimentação com alguma recusa e não apresenta febre no momento. Ao exame, encontra-se em bom estado geral, hidratada, com discreta perda ponderal em relação à última consulta. Considerando a duração do quadro, qual é a classificação correta dessa diarreia?
A diarreia persistente é definida como o episódio que se inicia de forma aguda (geralmente de origem infecciosa) e se prolonga por 14 dias ou mais — exatamente o caso, com 16 dias de evolução. A diarreia aguda dura menos de 14 dias, portanto não se aplica. A diarreia crônica tem instalação habitualmente insidiosa e duração igual ou superior a 30 dias, além de curso frequentemente contínuo/recidivante, o que não corresponde a este quadro de início súbito pós-infeccioso. Disenteria implica evacuações com sangue e/ou muco, ausentes na descrição.
Menino de 2 anos e 6 meses é levado pela mãe à Unidade Básica de Saúde por diarreia aquosa há 2 dias, sem sangue ou muco, com cerca de 8 evacuações/dia e vômitos ocasionais. Nega febre alta. Ao exame: irritado e agitado, olhos fundos, bebe água avidamente quando lhe é oferecido o copo; o sinal da prega cutânea desaparece lentamente (menos de 2 segundos). Frequência cardíaca de 130 bpm, mucosas secas, tempo de enchimento capilar normal e diurese presente, porém diminuída. Peso atual de 12 kg. Com base na avaliação do estado de hidratação preconizada pelo Ministério da Saúde, qual é, respectivamente, a classificação e a conduta adequadas para este paciente?
O conjunto irritado/agitado, olhos fundos, sede intensa (bebe avidamente) e prega que desaparece lentamente caracteriza DESIDRATAÇÃO (algum grau) na classificação do MS, cuja conduta é o Plano B — terapia de reidratação oral com SRO na unidade, sob supervisão, por cerca de 4 horas. Classificar a criança como hidratada, com orientação domiciliar do Plano A, descreve a criança sem sinais de desidratação, incompatível com os achados. A desidratação grave, que levaria à reidratação venosa do Plano C, exige sinais de gravidade (letárgico/inconsciente, incapaz de beber, prega muito lenta, choque), ausentes aqui. Antibioticoterapia empírica com antiemético e alta para casa não se indica: não há disenteria em diarreia aquosa, e o manejo inicial é a reidratação supervisionada, não a alta com fármacos.
Um menino de 18 meses é levado pela mãe a uma Unidade de Pronto Atendimento com história de diarreia aquosa há 3 dias, cerca de 6 evacuações ao dia, e dois episódios de vômito hoje. Nega febre alta, sangue nas fezes ou viagens recentes. Ao exame, pesa 12 kg, está irritado e chora sem lágrimas, mas consolável; apresenta olhos fundos, mucosas secas e, ao ser oferecida água, bebe avidamente. O sinal da prega cutânea desaparece lentamente. Está alerta, com boa perfusão periférica e sem sinais de choque. De acordo com a estratégia AIDPI/Ministério da Saúde, qual é, respectivamente, a classificação do estado de hidratação e a conduta adequada?
A presença de dois ou mais sinais (irritabilidade, olhos fundos, sede/bebe avidamente e prega que desaparece lentamente) caracteriza 'algum grau de desidratação' na AIDPI, cuja conduta é o Plano B: SRO 75 mL/kg em 4 horas, sob supervisão na unidade, seguido de reavaliação. Classificar como desidratação grave é erro — não há sinais de gravidade (letargia, incapacidade de beber, prega muito lenta) que indiquem via venosa/Plano C. Liberar do serviço como se não houvesse desidratação subestima o quadro: a criança tem sinais claros de desidratação, não podendo ir para casa. Antibiótico e antiemético não são conduta de rotina na diarreia aguda e não corrigem a desidratação.
Uma lactente de 8 meses chega ao pronto-socorro de um hospital do SUS com diarreia volumosa há 2 dias e recusa alimentar desde a véspera. Ao exame, encontra-se letárgica, difícil de despertar, com olhos muito fundos e boca ressecada; ao ser oferecido líquido, não consegue beber. O sinal da prega cutânea desaparece muito lentamente (mais de 2 segundos), as extremidades estão frias e o tempo de enchimento capilar está prolongado. Peso estimado 8 kg. Considerando a classificação AIDPI e as diretrizes brasileiras, qual é a conduta imediata mais apropriada?
Letargia, olhos muito fundos, incapacidade de beber e prega que retorna muito lentamente configuram desidratação grave (Plano C), que exige hidratação venosa imediata. Em menores de 12 meses, o esquema é 30 mL/kg na 1ª hora e 70 mL/kg nas 5 horas seguintes (Ringer lactato ou SF 0,9%). A via oral é insuficiente e insegura na desidratação grave com rebaixamento e recusa de líquidos. A gastróclise é alternativa quando não há acesso venoso, não a primeira escolha diante de sinais de choque. Manutenção não repõe o déficit volêmico grave e retarda o tratamento de uma emergência.
Uma criança de 2 anos é atendida na Estratégia Saúde da Família por diarreia aquosa há dois dias, sem sangue nas fezes. Não apresenta sinais gerais de perigo. Ao exame, mostra-se irritada e inquieta, com olhos fundos; ao ser oferecida água, bebe avidamente, com sede evidente. O sinal da prega cutânea desaparece lentamente. A criança está afebril e sem outros sintomas. Aplicando os critérios de avaliação e classificação de risco da AIDPI para a criança de 2 meses a 5 anos, qual é, respectivamente, a classificação do estado de hidratação e o plano de tratamento indicado?
A presença de dois ou mais sinais — inquietação/irritabilidade, olhos fundos, sede ao beber avidamente e prega que desaparece lentamente — classifica como DESIDRATAÇÃO (algum grau), cujo tratamento é o plano B (TRO com sais de reidratação oral sob observação na unidade). O plano C exige sinais de desidratação GRAVE (letargia, prega muito lenta, bebe muito mal); o plano A é para ausência de sinais; e diarreia persistente pressupõe duração ≥ 14 dias.
Um lactente de 11 meses, com 9 kg, é levado pela mãe à Unidade Básica de Saúde por diarreia há 3 dias, com evacuações líquidas e abundantes, sem sangue ou muco, associadas a dois episódios de vômito e febre baixa. A mãe relata que a criança está aceitando pouco os alimentos e que a diurese diminuiu desde ontem. Ao exame físico, encontra-se irritada, com olhos fundos, mucosas secas, bebendo água avidamente quando oferecida, sinal da prega cutânea desfazendo-se lentamente (menos de 2 segundos), pulsos radiais cheios, tempo de enchimento capilar de 2 segundos, frequência cardíaca de 140 bpm e ausculta cardiopulmonar sem alterações. Considerando os protocolos do Ministério da Saúde, o plano de tratamento e a conduta indicados são, respectivamente,
O quadro reúne os critérios de desidratação (irritabilidade, olhos fundos, sede ávida, prega que desfaz lentamente) SEM sinais de choque — pulsos cheios, enchimento capilar normal e criança capaz de beber. Isso classifica como "com desidratação", cujo tratamento padronizado pelo Ministério da Saúde/OMS é o Plano B: terapia de reidratação oral com SRO de osmolaridade reduzida, 75 mL/kg em 4 horas, na unidade de saúde, com reavaliação ao término. O Plano A está errado porque se aplica apenas à criança SEM sinais de desidratação, que pode ser tratada em casa. O Plano C está errado porque exige desidratação grave/choque (letargia ou incapacidade de beber, pulso fino, enchimento capilar lentificado), ausentes aqui — hidratação venosa nesta criança é intervenção desnecessária e mais arriscada. A internação com hidratação venosa e antibiótico empírico contraria o protocolo: a diarreia é aquosa, sem sangue, presumivelmente viral, e não há indicação de antibiótico nem de via parenteral quando a via oral está viável.
Uma criança de 2 anos, previamente hígida e com vacinação em dia, é levada pela mãe à Unidade Básica de Saúde por diarreia iniciada há 1 dia, com quatro evacuações líquidas, sem sangue ou muco, e um episódio de vômito. A mãe informa que a criança continua brincando, mamando e aceitando bem líquidos e alimentos, e que a diurese está preservada. Ao exame físico, a criança apresenta-se ativa e alerta, com olhos e mucosas normais, lágrimas presentes, sinal da prega cutânea desfazendo-se imediatamente, bebe normalmente quando lhe é oferecido líquido, tempo de enchimento capilar de 2 segundos e abdome flácido e indolor. Segundo o Ministério da Saúde, a conduta correta é
A criança não apresenta nenhum sinal de desidratação: está ativa, com olhos e mucosas normais, lágrimas presentes, prega cutânea que desfaz imediatamente e bebe normalmente. Essa classificação corresponde a "sem sinais de desidratação", tratada no domicílio pelo Plano A, que consiste em aumentar a oferta de líquidos e SRO após cada evacuação, MANTER a alimentação habitual e o aleitamento materno, prescrever zinco por 10 a 14 dias (20 mg/dia acima de 6 meses) e orientar sinais de alarme para retorno. O Plano B está errado porque só se aplica à criança que já apresenta sinais de desidratação. Antibiótico e antiemético estão errados porque a diarreia aguda aquosa da criança é predominantemente viral e autolimitada, e o jejum é francamente contraindicado por piorar o estado nutricional e a recuperação da mucosa. Suspender leite e alimentos oferecendo chá e água de arroz é conduta obsoleta e prejudicial: essas soluções não corrigem as perdas hidroeletrolíticas e a restrição alimentar agrava a diarreia.
Um lactente de 11 meses é levado pela mãe à Unidade Básica de Saúde por diarreia aquosa, sem sangue ou muco, com oito evacuações nas últimas 24 horas, acompanhada de dois episódios de vômito. A criança está em aleitamento materno complementado com outros alimentos e tem calendário vacinal em dia. Ao exame, encontra-se irritada e inquieta ao ser examinada, com olhos fundos, bebe água avidamente quando lhe é oferecido copo e apresenta sinal da prega cutânea com retorno lento (menos de 2 segundos). Frequência cardíaca de 140 bpm, pulso radial cheio, enchimento capilar de 2 segundos, temperatura axilar de 37,2 °C e peso de 9 kg. Segundo a estratégia AIDPI/Ministério da Saúde, a classificação e a conduta são, respectivamente,
Irritabilidade, olhos fundos, sede ávida e prega cutânea de retorno lento são dois ou mais sinais do quadro "desidratação" no AIDPI, que indica Plano B — TRO com SRO de osmolaridade reduzida, ~75 mL/kg em 4 horas, na unidade, sob supervisão, com reavaliação periódica. Classificar como sem desidratação e Plano A está errado porque a criança tem sinais de desidratação, o que exclui esse plano. Classificar como desidratação grave e Plano C está errado porque não há letargia, pulso fino ou incapacidade de beber que caracterizem desidratação grave. E acrescentar antiemético e antibiótico empírico antes de iniciar a reidratação oral está errado porque antibiótico não é indicado em diarreia aquosa sem disenteria/cólera, e antieméticos de rotina não fazem parte do protocolo do MS.
Uma criança de 2 anos é atendida na Unidade Básica de Saúde com história de quatro evacuações líquidas, sem sangue, nas últimas 12 horas, iniciadas após frequentar uma festa infantil. Não houve vômitos e a criança segue aceitando alimentos e líquidos normalmente. Ao exame físico, apresenta-se ativa, alerta e brincando na sala, com olhos sem alteração, mucosas úmidas, bebe água normalmente quando oferecida, sinal da prega cutânea com retorno imediato, enchimento capilar de 2 segundos, frequência cardíaca de 110 bpm, temperatura axilar de 36,8 °C e peso adequado para a idade. De acordo com a estratégia AIDPI/Ministério da Saúde, a conduta indicada é
A criança não apresenta nenhum sinal de desidratação (alerta, bebe normalmente, olhos e prega normais), sendo classificada como "sem desidratação" e tratada com Plano A em domicílio: aumentar a oferta de líquidos, SRO após cada evacuação (50 a 100 mL em menores de 1 ano e 100 a 200 mL de 1 a 10 anos), manter a alimentação, suplementar zinco por 10 a 14 dias e orientar os sinais de retorno imediato. Errada: antidiarreicos como a loperamida são contraindicados em crianças pelo risco de íleo e mascaramento de perdas. Errada porque o Plano B só se aplica com sinais de desidratação. Errada: diarreia aquosa aguda em criança eutrófica e sem disenteria não requer antibiótico nem coprocultura.
Um lactente de 8 meses, previamente hígido, é atendido em uma UPA por diarreia aquosa há 3 dias, com múltiplas evacuações e vômitos. Foi classificado como "desidratação" e iniciou Plano B com solução de reidratação oral. Após 4 horas de terapia supervisionada, a equipe reavalia a criança: encontra-se letárgica, de difícil despertar, com olhos muito fundos, não consegue beber quando o copo é oferecido, sinal da prega cutânea com retorno muito lento (mais de 2 segundos), pulso radial fino e rápido, extremidades frias, enchimento capilar de 4 segundos e frequência cardíaca de 180 bpm. Peso atual de 7 kg. A conduta imediata mais adequada é
A criança evoluiu com letargia, incapacidade de beber, prega de retorno muito lento e sinais de má perfusão (pulso fino, extremidades frias, enchimento capilar de 4 segundos), o que caracteriza desidratação grave/choque e falha do Plano B — indicação formal de Plano C, com hidratação venosa imediata com solução cristaloide isotônica (soro fisiológico 0,9%) e retorno à via oral tão logo a criança consiga beber. Errada porque insistir na via oral em criança letárgica e incapaz de beber retarda o tratamento e traz risco de broncoaspiração. Errada: a gastróclise é opção na falha do Plano B por vômitos persistentes em criança ainda sem desidratação grave, não em quadro com comprometimento hemodinâmico. Errada porque a reposição volêmica na desidratação grave é imediata e clínica, nunca condicionada a exames.
Uma criança de 18 meses é levada à unidade de saúde por diarreia líquida há três dias, cerca de seis evacuações ao dia, sem sangue nas fezes, acompanhada de dois episódios de vômito no dia anterior. Não houve convulsão, e a criança aceita líquidos. Ao exame: irritada e chorosa, mas responsiva; olhos fundos; bebe água avidamente quando lhe é oferecida; sinal da prega cutânea com retorno lento (menor que 2 segundos); temperatura axilar de 37,2 °C; frequência respiratória de 32 incursões por minuto; sem tiragem subcostal. Peso de 10 kg, adequado para a idade; vacinação em dia. Segundo a estratégia AIDPI, a classificação e a conduta imediatas são, respectivamente:
O AIDPI classifica a desidratação por sinais objetivos. DESIDRATAÇÃO GRAVE exige dois dos seguintes: letargia/inconsciência, olhos fundos, não consegue beber ou bebe muito mal, e prega cutânea que desaparece muito lentamente (≥ 2 segundos). DESIDRATAÇÃO (alguma) exige dois dos seguintes: inquieto/irritado, olhos fundos, bebe avidamente com sede, e prega que desaparece lentamente (< 2 segundos). A criança apresenta irritabilidade, olhos fundos, sede ávida e prega com retorno lento — quatro sinais da fila amarela, definindo DESIDRATAÇÃO e indicando o Plano B: SRO 75 mL/kg em 4 horas na unidade, com reavaliação. Classificar como sem desidratação está errado porque há sinais claros de desidratação. Classificar como desidratação grave está errado porque faltam os critérios de gravidade (a criança está responsiva, bebe avidamente e a prega retorna em menos de 2 segundos). Classificar como diarreia persistente está errado porque exige duração ≥ 14 dias, e a quadro tem 3 dias; além disso, nunca se refere sem iniciar a reidratação.
Um lactente de 8 meses é levado pela mãe à Unidade Básica de Saúde com história de diarreia aquosa, sem sangue ou muco, há dois dias, com cerca de oito evacuações por dia e dois episódios de vômito. Está em aleitamento materno complementado com papas. A mãe refere que ele urinou pela última vez há cerca de seis horas. Ao exame: irritado, choroso, olhos fundos, mucosas secas, sinal da prega cutânea desfazendo-se lentamente (menos de 2 segundos), bebe água avidamente quando oferecida, pulso radial cheio, tempo de enchimento capilar de 2 segundos, temperatura axilar de 37,2 °C, frequência cardíaca de 140 bpm. Segundo a estratégia AIDPI/Ministério da Saúde, qual é, respectivamente, a classificação do estado de hidratação e a conduta indicada?
Correta: o conjunto irritabilidade, olhos fundos, sede ávida e prega cutânea que se desfaz lentamente define, no AIDPI, 'desidratação' (alguns sinais), cuja terapia é o Plano B — TRO com SRO de osmolaridade reduzida, 75 mL/kg em 4 horas, na unidade de saúde e sob supervisão, com reavaliação e manutenção do aleitamento materno; o zinco (10 mg/dia se <6 meses; 20 mg/dia se ≥6 meses) por 10 a 14 dias é recomendado pelo MS/OMS em toda diarreia aguda na infância. Plano A (alternativa 1) é para a criança SEM desidratação — não se aplica, pois há sinais objetivos de desidratação. Plano C (alternativa 3) exige desidratação grave (letargia/inconsciência, incapacidade de beber, prega >2 s, pulso fino) — ausentes aqui, e a via oral está preservada. A alternativa 4 erra ao mandar reidratar em domicílio e ao prescrever antibiótico (diarreia aquosa sem sangue, sem indicação) e antiemético de rotina, não recomendado pelo MS nesse contexto.
Uma criança de 2 anos e 3 meses, previamente hígida, é trazida ao pronto-socorro de uma UPA com diarreia aquosa volumosa há três dias e vômitos incoercíveis nas últimas 12 horas. A mãe tentou oferecer líquidos em casa sem sucesso. Ao exame: letárgica, de difícil despertar, olhos muito fundos, ausência de lágrimas, boca muito seca, não consegue beber quando o soro é oferecido, sinal da prega cutânea desfazendo-se muito lentamente (mais de 2 segundos), pulso radial fino e rápido, tempo de enchimento capilar de 4 segundos, extremidades frias, frequência cardíaca de 178 bpm. Peso estimado: 12 kg. Qual é a conduta imediata correta, conforme o Plano C do Ministério da Saúde/AIDPI?
Correta (3): letargia, incapacidade de beber, prega cutânea >2 s, pulso fino e rápido e enchimento capilar lentificado classificam DESIDRATAÇÃO GRAVE com choque — indicação de Plano C, hidratação intravenosa imediata com solução isotônica (SF 0,9%). No esquema do MS/AIDPI, para criança com 12 meses ou mais o volume total de 100 mL/kg é infundido em 3 horas: 30 mL/kg na primeira meia hora e 70 mL/kg nas 2 horas e 30 minutos seguintes, com reavaliação contínua e início da TRO (cerca de 5 mL/kg/h) tão logo a criança consiga beber. A alternativa 1 erra: a gastróclise é alternativa para desidratação com alguns sinais e vômitos persistentes, jamais para desidratação grave com sinais de choque, que exige via intravenosa. A alternativa 2 erra: soro glicosado em volume de manutenção não expande o intravascular e não trata o choque hipovolêmico. A alternativa 4 aplica o esquema do lactente menor de 12 meses (30 mL/kg em 1 hora + 70 mL/kg em 5 horas) — inadequado para esta faixa etária — e ainda prescreve jejum absoluto, contrariando a recomendação de reintroduzir precocemente a via oral e a alimentação.
Um menino de 2 anos é levado pela mãe à unidade básica de saúde com história de sete evacuações líquidas, sem sangue ou muco, e dois episódios de vômito nas últimas 24 horas. Ele frequenta creche onde outras crianças apresentam quadro semelhante. A mãe nega febre alta, viagens recentes ou uso de medicamentos. Ao exame físico: peso 12 kg, temperatura axilar 37,4 °C, frequência cardíaca 130 bpm, criança irritada e agitada, olhos fundos, mucosas secas, bebe água avidamente quando oferecida, sinal da prega cutânea desaparecendo lentamente, tempo de enchimento capilar de 2 segundos, sem rebaixamento do nível de consciência. A mãe refere diurese presente, porém diminuída. De acordo com o Ministério da Saúde, o estado de hidratação e a conduta imediata são, respectivamente,
O quadro é de diarreia aguda aquosa presumivelmente viral (surto em creche, sem disenteria, sem febre alta). Pela classificação do Ministério da Saúde/AIDPI, a presença de dois ou mais sinais — irritabilidade ou agitação, olhos fundos, sede ávida e prega cutânea desfazendo-se lentamente (menos de 2 segundos) — define 'com desidratação' (algum grau), sem sinais de choque. A conduta padronizada é o Plano B: terapia de reidratação oral na própria unidade de saúde, 50 a 100 mL/kg de SRO em cerca de 4 horas, com reavaliação periódica e reclassificação ao final. Classificar como ausência de desidratação erra: a criança já tem sinais objetivos, e o Plano A é reservado à criança hidratada. Indicar o Plano C erra: a expansão endovenosa só se aplica à desidratação grave, com letargia ou inconsciência, incapacidade de beber, prega que desfaz muito lentamente (mais de 2 segundos) ou choque — ausentes aqui. Manejar em domicílio com ciprofloxacino e ondansetrona erra duplamente: o plano é o B, e não há indicação de antibiótico em diarreia aquosa sem disenteria ou cólera, nem de antiemético de rotina; o antibiótico ainda pode prolongar a excreção do patógeno e favorecer resistência.
Lactente de 10 meses é levado à Unidade Básica de Saúde com diarreia aquosa há 3 dias, sem sangue nas fezes, cerca de 8 evacuações ao dia, e dois episódios de vômito. Não há febre. Ao exame: irritado e inquieto, olhos fundos, mucosas secas, bebe água avidamente quando oferecida, sinal da prega cutânea desfaz-se lentamente (menos de 2 segundos), pulsos radiais cheios, tempo de enchimento capilar de 2 segundos, criança consciente. Peso atual: 9 kg. Segundo a estratégia AIDPI, a conduta imediata é
O quadro reúne os sinais de desidratação sem gravidade da AIDPI (irritabilidade, olhos fundos, sede ávida, prega que desfaz lentamente) com criança consciente e pulsos cheios — classificação "com desidratação", que indica o Plano B: SRO 75 mL/kg em 4 horas sob supervisão na unidade, com reavaliação. O Plano A (primeira opção) é para a criança sem sinais de desidratação. O Plano C endovenoso exige desidratação grave (letargia/inconsciência, incapacidade de beber, prega que desfaz muito lentamente, pulso débil), ausente aqui. A gastróclise é recurso de resgate quando o Plano B falha por vômitos incoercíveis ou recusa da via oral, não a conduta inicial.
Lactente de 8 meses, 8 kg, chega à UPA após 4 dias de diarreia aquosa volumosa. Ao exame: letárgico, difícil de despertar, incapaz de beber, olhos muito fundos, prega cutânea desfaz-se muito lentamente (mais de 2 segundos), pulso radial fino, tempo de enchimento capilar de 4 segundos, extremidades frias. A unidade dispõe de acesso venoso periférico. De acordo com o esquema do Plano C preconizado pelo Ministério da Saúde/AIDPI, a hidratação venosa deve ser feita com soro fisiológico 0,9% ou Ringer lactato na seguinte sequência:
Trata-se de desidratação grave (letargia, incapacidade de beber, prega muito lenta, pulso fino) — Plano C. O esquema é dividido por faixa etária: em menores de 1 ano, 30 mL/kg na primeira hora seguidos de 70 mL/kg nas 5 horas seguintes; em crianças de 1 ano ou mais, 30 mL/kg em 30 minutos seguidos de 70 mL/kg em 2 horas e 30 minutos. A primeira alternativa é exatamente o esquema do maior de 1 ano — pegadinha de faixa etária, pois este lactente tem 8 meses. As demais não correspondem a nenhum esquema preconizado: o volume total é de 100 mL/kg, mas a fase inicial rápida de 30 mL/kg é indispensável para restaurar a perfusão.
Menina de 2 anos, 12 kg, permaneceu em observação na Unidade Básica de Saúde recebendo Plano B por diarreia aguda. Após 4 horas de sais de reidratação oral, encontra-se alerta, bebe normalmente sem avidez, olhos sem alteração, prega cutânea desfaz-se imediatamente, diurese presente e aceitou dieta. Mantém 3 evacuações líquidas sem sangue, sem febre. A mãe pergunta o que fazer em casa. A conduta correta na alta é
A reavaliação após o Plano B mostra criança sem sinais de desidratação, o que indica passagem para o Plano A no domicílio: SRO após cada evacuação (50 a 100 mL em menores de 1 ano; 100 a 200 mL de 1 a 10 anos), zinco oral (20 mg/dia para maiores de 6 meses, por 10 a 14 dias), manutenção da alimentação e do aleitamento, e orientação sobre sinais de alerta com retorno imediato. Repetir o Plano B só se persistirem sinais de desidratação. Antidiarreicos e antieméticos como a loperamida são contraindicados em menores de 5 anos pelo risco de íleo e mascaramento das perdas. Antibiótico não está indicado em diarreia aquosa sem sangue nem suspeita de cólera, sendo a etiologia habitualmente viral e autolimitada.
Lactente de 10 meses, 9 kg, é levada à Unidade Básica de Saúde com diarreia aquosa há 3 dias, sem sangue nas fezes. Está irritada e inquieta ao exame, porém desperta e responsiva; apresenta olhos fundos, bebe água avidamente quando oferecida e o sinal da prega cutânea desaparece lentamente, em menos de 2 segundos. Sem vômitos incoercíveis e sem convulsões. Conforme a estratégia AIDPI, a classificação e o plano de tratamento indicados são:
Correta: a presença de dois ou mais dos sinais 'inquieta/irritada', 'olhos fundos', 'bebe avidamente com sede' e 'prega cutânea desaparece lentamente (< 2 segundos)' classifica como DESIDRATAÇÃO, cujo tratamento é o Plano B — terapia de reidratação oral com SRO, aproximadamente 75 mL/kg em 4 horas, administrada na unidade de saúde sob observação, com reavaliação e reclassificação ao final. Incorreta 'sem desidratação/Plano A': exige que nenhum par de sinais esteja presente, o que não ocorre. Incorreta 'desidratação grave/Plano C': demandaria dois dos sinais letargia/inconsciência, olhos fundos, não consegue beber ou bebe muito mal, ou prega desaparecendo muito lentamente (> 2 segundos) — a criança está responsiva e bebe avidamente. Incorreta 'diarreia persistente grave': essa classificação pressupõe diarreia com duração de 14 dias ou mais, e o quadro tem 3 dias.
Menino de 4 anos é atendido em Unidade Básica de Saúde por diarreia há três dias, com seis a oito evacuações diárias contendo sangue vivo e muco, acompanhadas de cólicas, tenesmo e febre aferida de 38,8 °C. Está ativo, bebendo normalmente, com olhos e mucosas normais e prega cutânea que desaparece rapidamente. Não há vômitos nem comorbidades. Qual é a conduta mais adequada neste momento?
Diarreia com sangue e muco associada a febre configura disenteria, cuja causa bacteriana mais provável em crianças no Brasil é Shigella spp. O Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde recomendam antibioticoterapia empírica com ciprofloxacino, mantendo a hidratação pelo Plano A (a criança não tem sinais de desidratação) e a alimentação habitual. A loperamida é formalmente contraindicada na disenteria febril e em crianças pequenas, pelo risco de íleo, megacólon tóxico e prolongamento da excreção do patógeno. O metronidazol trataria amebíase, hipótese pouco provável neste quadro agudo e febril de três dias sem exposição epidemiológica sugestiva. Aguardar a coprocultura atrasa o tratamento de uma disenteria febril, cuja indicação de antibiótico é clínica e empírica na atenção primária.
Menina de 2 anos é levada à Unidade Básica de Saúde com diarreia aquosa há três dias, sem sangue, muco ou febre. Ao exame: ativa, alerta, bebendo normalmente, olhos sem alteração, mucosas úmidas, prega cutânea desfazendo-se imediatamente e enchimento capilar de 2 segundos. Está eutrófica e mantém aleitamento complementado por dieta habitual. Qual é a conduta correta?
A criança não apresenta nenhum sinal de desidratação, o que a classifica no Plano A: hidratação domiciliar com soro de reidratação oral após cada evacuação, manutenção do aleitamento e da alimentação habitual, suplementação de zinco por 10 a 14 dias (reduz duração e gravidade dos episódios e previne recorrências em menores de 5 anos) e orientação sobre sinais de alarme para retorno. O Plano B só se aplica quando há desidratação sem sinais de gravidade, o que não é o caso. Antibiótico não tem indicação em diarreia aquosa aguda sem disenteria, e antieméticos de rotina não são recomendados. Suspender o aleitamento ou restringir a dieta é conduta ultrapassada e prejudicial, pois piora o estado nutricional e prolonga a recuperação.
Menino de 3 anos é atendido na UBS com diarreia há 2 dias, sem sangue, com cerca de 5 evacuacoes por dia. Encontra-se irritado, mas ativo, bebe agua avidamente quando oferecida, apresenta olhos levemente encovados e sinal da prega cutanea que se desfaz lentamente, sem alteracao do nivel de consciencia e com diurese preservada. Qual e a conduta indicada?
Os sinais (crianca irritada, sedenta, olhos encovados e prega que desfaz lentamente) configuram desidratacao com algum grau (Plano B), cujo tratamento e a reidratacao oral com SRO na unidade sob supervisao. A hidratacao venosa e reservada ao Plano C (desidratacao grave/choque ou falha da via oral). Antibiotico e antidiarreico nao sao indicados na diarreia aguda sem disenteria e o antidiarreico e contraindicado em criancas. A alta apenas com liquidos caseiros corresponde ao Plano A (sem desidratacao), inadequado para este caso.
Menina de 5 anos é levada à UBS com diarreia há três dias, evoluindo com fezes de pequeno volume contendo muco e sangue, acompanhadas de febre de 38,8 °C, cólicas e tenesmo. Ao exame, mostra-se irritada, porém hidratada, com mucosas úmidas, enchimento capilar normal e sem sinais de desidratação. Nega uso recente de antibióticos. Considerando o quadro de disenteria febril, qual é a conduta mais apropriada?
Sangue e muco nas fezes com febre configuram disenteria, sugestiva de agente invasivo (Shigella é a principal causa): a presença de sangue nas fezes é justamente o critério que indica antibiótico empírico, mantendo a hidratação. A máxima de que "toda diarreia dispensa antibiótico" não vale para a disenteria febril invasiva. Antimotilidade (loperamida) é contraindicada na diarreia com sangue/febre, pelo risco de agravar o quadro invasivo. Colonoscopia de urgência não faz parte da abordagem inicial de diarreia aguda infecciosa na criança.
Lactente de 10 meses, previamente hígido, é levado à UPA com diarreia aquosa profusa e vômitos há um dia. Ao exame: letárgico, olhos muito encovados, bebe mal quando o líquido é oferecido, sinal da prega cutânea desfaz-se muito lentamente (> 2 s), pulsos finos e taquicárdicos. É classificado como desidratação grave. De acordo com o protocolo de reidratação (Plano C), qual é a conduta inicial correta?
Desidratação grave (letargia, incapacidade de beber, prega que desaparece muito lentamente) exige hidratação venosa imediata — Plano C, que no lactente (< 12 meses) prevê, Ringer lactato/SF 100 mL/kg IV, sendo 30 mL/kg na 1ª hora e 70 mL/kg nas 5 horas seguintes. Oferecer 75 mL/kg de soro de reidratação oral em 4 horas corresponde ao Plano B (desidratação sem gravidade), insuficiente e inseguro aqui. Antibiótico e antiemético intravenosos não precedem a reposição volêmica, prioridade absoluta na desidratação grave. Liberar com líquidos caseiros e reavaliar em 24 horas é manejo domiciliar, contraindicado na desidratação grave, que é emergência.
Uma criança de 2 anos é levada à Unidade Básica de Saúde com história de diarreia aquosa há 2 dias, cerca de 4 evacuações ao dia, sem sangue ou muco. Está ativa, alerta e aceitando líquidos e alimentos normalmente. Ao exame: olhos sem alteração, mucosas úmidas, bebe normalmente, sinal da prega cutânea com retorno imediato. Segundo a estratégia AIDPI, qual é a classificação do estado de hidratação e a conduta indicada?
A criança não apresenta nenhum sinal de desidratação (alerta, bebe normalmente, olhos e prega normais), o que a classifica como 'sem desidratação' → Plano A, de manejo domiciliar: aumento de líquidos, SRO após cada evacuação, manutenção da alimentação/aleitamento, zinco por 10-14 dias e orientação de sinais de retorno. O Plano B (SRO 75 mL/kg/4h) é para desidratação com dois ou mais sinais; o Plano C (venoso) é para desidratação grave — nenhum presente aqui. Antibiótico não é indicado em diarreia aquosa sem sangue, e antiemético/restrição alimentar são contraindicados na abordagem AIDPI.
Um lactente de 13 meses é atendido na UBS com diarreia há 1 dia e vômitos ocasionais. Ao exame está irritado e inquieto, com olhos fundos, bebe avidamente quando lhe oferecem água e o sinal da prega cutânea desaparece lentamente. Sinais vitais estáveis, sem letargia. Com base na classificação da desidratação pela AIDPI, qual é a conduta mais apropriada?
A presença de dois ou mais sinais — inquietação/irritabilidade, olhos fundos, sede (bebe avidamente) e prega que retorna lentamente — classifica como 'desidratação' (com desidratação) → Plano B: SRO 75 mL/kg por via oral em 4 horas na unidade de saúde, sob supervisão, com reavaliação. O Plano A é para ausência de sinais. O Plano C exige sinais de gravidade (letargia/inconsciência, incapacidade de beber, prega muito lenta), ausentes aqui — a criança bebe avidamente e está apenas irritada. Jejum e soro de manutenção não corrigem o déficit e não são a estratégia de escolha; vômitos ocasionais não contraindicam a TRO.
Um lactente de 8 meses chega à UPA com diarreia volumosa e vômitos há 12 horas. Encontra-se letárgico e hipoativo, com olhos muito fundos, não consegue mamar nem beber quando oferecido, e o sinal da prega cutânea desaparece muito lentamente (mais de 2 segundos). Foi classificado como desidratação grave. Qual é o esquema de hidratação venosa correto, segundo a AIDPI/Ministério da Saúde, para essa faixa etária?
Desidratação grave (letargia, incapacidade de beber, olhos muito fundos, prega muito lenta) exige hidratação venosa imediata — Plano C. Para crianças abaixo de 12 meses, o esquema é 100 mL/kg de Ringer lactato (ou SF 0,9%): 30 mL/kg na 1ª hora e 70 mL/kg nas 5 horas seguintes. O esquema de 30 mL/kg em 30 minutos seguido de 70 mL/kg em 2h30 é o indicado para crianças de 12 meses ou mais, não para este lactente. O soro glicosado 5% não é solução de expansão/reidratação (não corrige o déficit de sódio e volume). O bolus único de 20 mL/kg é a conduta do choque hipovolêmico, e a alta precoce após um bolus é inadequada em desidratação grave.
Menina de 18 meses é trazida à UBS com diarreia aquosa há 2 dias, sem sangue, e vômitos ocasionais. Está consciente, porém irritada e inquieta. Na avaliação pela estratégia AIDPI: olhos discretamente fundos, bebe água avidamente e com sede quando oferecida, e o sinal da prega cutânea desaparece lentamente (em menos de 2 segundos). Não há sinais gerais de perigo e a diurese está mantida. De acordo com a classificação de risco da AIDPI, qual é a conduta de hidratação indicada?
A criança apresenta dois ou mais sinais do bloco de DESIDRATAÇÃO (amarelo): inquietação/irritabilidade, olhos fundos, sede ávida e prega que retorna lentamente (< 2 s). A conduta é o Plano B — TRO na unidade, ~75 mL/kg em 4 horas, com reavaliação. Plano A é para crianças SEM desidratação. Plano C/IV seria para desidratação grave, que exige sinais como letargia/inconsciência, não consegue beber ou prega desaparecendo muito lentamente (> 2 s). Referir sem hidratar contraria a conduta escalonada da AIDPI para desidratação sem sinais de gravidade.
Em uma UBS, uma menina de 18 meses apresenta diarreia aquosa há 3 dias, sem sangue nem muco, com cerca de 5 evacuações/dia. Ao exame: sinais de desidratação leve, aceitando líquidos, boa diurese. Além da reidratação oral e da manutenção da alimentação e do aleitamento, qual medida recomendada pelo Ministério da Saúde reduz a duração e a recorrência do episódio diarreico?
O Ministério da Saúde/OMS recomenda zinco na diarreia aguda infantil (10 mg/dia em menores de 6 meses; 20 mg/dia a partir de 6 meses) por 10 a 14 dias, pois reduz duração, gravidade e recorrência dos episódios. Antibiótico não é rotina na diarreia aquosa aguda; reserva-se a disenteria, cólera ou casos específicos. Antimotilidade (loperamida) é contraindicada em crianças pelo risco de íleo e mascaramento da perda. Deve-se manter o aleitamento/dieta habitual; fórmula sem lactose não é medida de rotina.
Menino de 14 meses (10 kg) é levado à UPA com diarreia há 3 dias, cerca de oito evacuações líquidas ao dia, sem sangue ou muco, e dois episódios de vômito nas últimas 12 horas. Nega febre no momento. Ao exame: irritado, chorando durante toda a avaliação, olhos fundos, mucosas secas, bebe o líquido oferecido com avidez; sinal da prega desaparece lentamente. Frequência cardíaca de 138 bpm, pulsos cheios, enchimento capilar de 2 segundos, sem alteração do nível de consciência. Segundo a estratégia AIDPI/Ministério da Saúde, assinale a conduta adequada.
A criança tem dois ou mais sinais da coluna de DESIDRATAÇÃO do AIDPI (irritada, olhos fundos, bebe avidamente/com sede, prega que desaparece lentamente), sem nenhum sinal de gravidade (consciente, consegue beber, pulsos cheios) — logo, Plano B: TRO supervisionada na unidade, 50–100 mL/kg em 4–6 horas, com reavaliação e reclassificação ao final. Liberar para casa com SRO após cada evacuação é o Plano A, cabível apenas sem sinais de desidratação. A expansão venosa imediata é o Plano C, reservado à desidratação grave (letargia, incapacidade de beber, prega muito lenta) ou choque, ausentes aqui. Hidratação venosa de manutenção com dieta zero também não serve: a via venosa não é a primeira escolha na desidratação não grave e o jejum é contraindicado — a TRO e a realimentação precoce são a base do tratamento.
Menina de 2 anos (12 kg) chega ao pronto-socorro com diarreia aquosa profusa há 2 dias e vômitos incoercíveis há 12 horas. A mãe refere que a criança 'não reage direito' há algumas horas. Ao exame: letárgica, não consegue beber o líquido oferecido, olhos muito fundos, boca muito seca, sinal da prega desaparece muito lentamente (mais de 2 segundos), pulsos finos, extremidades frias, enchimento capilar de 4 segundos. FC 168 bpm, FR 42 irpm. Obtido acesso venoso periférico na primeira tentativa. Segundo o Plano C do Ministério da Saúde/AIDPI, assinale a prescrição adequada da fase de expansão para essa criança.
Letargia, incapacidade de beber, olhos muito fundos e prega muito lenta definem DESIDRATAÇÃO GRAVE — Plano C, com 100 mL/kg de Ringer lactato (ou SF 0,9%) por via venosa; em maiores de 1 ano, 30 mL/kg em 30 minutos e depois 70 mL/kg em 2 horas e 30 minutos, com reavaliação frequente e introdução da SRO (cerca de 5 mL/kg/h) assim que a criança conseguir beber. O esquema de 30 mL/kg em 1 hora seguido de 70 mL/kg em 5 horas é o dos menores de 1 ano, inadequado para uma criança de 2 anos em provável choque hipovolêmico. O soro glicosado 5% é hipotônico e não expande volume — não serve para reposição. E a gastróclise com soro de reidratação oral é alternativa apenas quando NÃO se consegue acesso venoso (e a referência está distante), o que não é o caso.
Lactente de 8 meses, em aleitamento materno complementado, é levado à consulta na UBS com diarreia há 2 dias, quatro a cinco evacuações líquidas ao dia, sem sangue, e um episódio de vômito. Vacinação em dia, incluindo rotavírus. Ao exame: ativo, sorridente no colo da mãe, olhos sem alterações, lágrimas presentes, mucosas úmidas, aceita bem o seio e o copo oferecido, sinal da prega desaparece imediatamente. Peso mantido em relação à consulta do mês anterior. Classificada a criança pelo AIDPI, assinale a orientação correta para o domicílio.
Sem nenhum sinal de desidratação (ativo, lágrimas presentes, mucosas úmidas, bebe normalmente, prega imediata), a classificação é SEM DESIDRATAÇÃO — Plano A domiciliar: aumentar a oferta de líquidos, dar SRO após cada evacuação (50–100 mL em menores de 1 ano; 100–200 mL em maiores), manter aleitamento materno e alimentação habitual, suplementar zinco por 10–14 dias (20 mg/dia a partir dos 6 meses; 10 mg/dia abaixo disso) e ensinar os sinais de retorno imediato (piora, sangue nas fezes, recusa de líquidos, vômitos repetidos). Suspender o leite materno e trocar por fórmula sem lactose erra: o aleitamento nunca deve ser suspenso e a troca não é indicada de rotina. Observar 4 horas na unidade com SRO 75 mL/kg descreve o Plano B, indicado apenas quando há sinais de desidratação. Diarreia aquosa sem sangue é predominantemente viral — o sulfametoxazol-trimetoprima empírico não está indicado.
Pré-escolar de 2 anos é levado à unidade de Estratégia Saúde da Família com diarreia aquosa há 3 dias, sem sangue nas fezes, cerca de 6 evacuações ao dia. Nega-se febre alta e a criança não apresenta sinais gerais de perigo. Ao exame: irritada, chorosa, olhos fundos; ao ser oferecido copo com água, bebe avidamente, com sede intensa; o sinal da prega desfaz-se lentamente (menos de 2 segundos). Peso de 12 kg. Segundo a estratégia AIDPI, a classificação do estado de hidratação e a conduta indicadas são:
A criança apresenta dois sinais da coluna de desidratação da AIDPI (olhos fundos, bebe avidamente/sedenta, além de irritada e prega que desfaz lentamente), o que classifica DESIDRATAÇÃO e indica o Plano B — solução de reidratação oral na própria unidade de saúde, em torno de 50–100 mL/kg (média de 75 mL/kg) em 4 horas, com reavaliação e reclassificação ao final. Classificar como sem desidratação e liberar para casa com o Plano A caberia à criança sem sinais suficientes de desidratação, o que não é o caso. Desidratação grave com Plano C e hidratação venosa imediata exigiria letargia/inconsciência, incapacidade de beber ou prega que desfaz muito lentamente (> 2 segundos). Antibioticoterapia empírica com ciprofloxacino não está indicada em diarreia aquosa sem sangue — reserva-se à disenteria/cólera.
Lactente de 8 meses, previamente hígido, peso 8 kg, é levado à unidade de pronto atendimento com diarreia aquosa profusa há 2 dias, cerca de 12 evacuações ao dia, associada a vômitos e recusa alimentar. A mãe refere que não conseguiu ofertar líquidos nas últimas horas. Ao exame: letárgico, pouco responsivo ao estímulo, olhos muito fundos, mucosas secas, bebe mal, prega cutânea desfaz-se muito lentamente (> 2 segundos), pulso radial fino, tempo de enchimento capilar de 4 segundos, FC 178 bpm. Obtido acesso venoso periférico na primeira tentativa. De acordo com o Ministério da Saúde, a hidratação venosa deve ser feita com solução de Ringer lactato, no volume e no esquema de:
O quadro (letargia, olhos muito fundos, bebe mal, prega > 2 s, pulso fino, TEC 4 s) caracteriza desidratação grave com choque, indicando Plano C. Correta: para menores de 1 ano, o esquema do Ministério da Saúde é Ringer lactato (ou SF 0,9%) 100 mL/kg — 30 mL/kg na 1ª hora e 70 mL/kg nas 5 horas seguintes; a fase de expansão é mais lenta que na criança maior pelo risco de sobrecarga. Errada: 30 mL/kg em 30 min + 70 mL/kg em 2h30 é o esquema para crianças com 1 ano ou mais — conduta certa na faixa etária errada. Errada: 75 mL/kg em 4 h por via oral/SNG é o Plano B, contraindicado na desidratação grave com rebaixamento e vômitos. Errada: 20 mL/kg em bolus até 60 mL/kg é o esquema genérico de choque do PALS, não o protocolo de diarreia do MS, além de não prever a reposição subsequente com reavaliação para passar ao Plano A.
Menina de 2 anos é levada à Unidade Básica de Saúde por diarreia aquosa há 3 dias, sem sangue ou muco, com cerca de 4 evacuações ao dia e um episódio de vômito no primeiro dia. Não houve febre. Está em uso de dieta habitual da família e aceita bem líquidos. Ao exame: ativa, alerta, sedenta e bebendo avidamente quando ofertada água, olhos sem alteração, lágrimas presentes, mucosas úmidas, prega cutânea desfaz-se imediatamente, pulsos cheios, tempo de enchimento capilar de 2 segundos. Peso mantido em relação à última consulta. A conduta adequada é:
Criança ativa, alerta, com lágrimas presentes, mucosas úmidas, prega imediata e perfusão normal não preenche critérios de desidratação — trata-se de diarreia aguda sem desidratação. Correta: Plano A, com SRO após cada evacuação (50–100 mL nos menores de 2 anos), manutenção da alimentação/aleitamento, zinco por 10 a 14 dias e orientação dos sinais de alarme para retorno. Errada: Plano B (75 mL/kg em 4 h na unidade) só se aplica quando há desidratação sem gravidade, com pelo menos dois sinais como olhos fundos, bebe avidamente e prega lenta. Errada: antidiarreicos como a loperamida são contraindicados em crianças pelo risco de íleo, distensão e mascaramento da perda de líquidos. Errada: a diarreia aguda aquosa, afebril e autolimitada não tem indicação de coprocultura nem de antibiótico empírico.
Lactente de 8 meses, 7 kg, é levado à emergência com diarreia líquida há 3 dias, cerca de 10 evacuações/dia, e vômitos. Ao exame: letárgico, respiração acidótica, olhos muito fundos, mucosas secas, bebe mal, sinal da prega desaparece muito lentamente, tempo de enchimento capilar de 4 segundos e pulso radial fino. A equipe classifica como desidratação grave e inicia terapia de reidratação venosa segundo o AIDPI, com Ringer lactato. Ao término da primeira etapa da expansão, a criança permanece letárgica, com pulso radial ainda muito fraco e enchimento capilar lentificado. Assinale a conduta adequada neste momento.
No Plano C do AIDPI, para menores de 12 meses o esquema é 100 mL/kg de Ringer lactato (ou SF 0,9%) divididos em 30 mL/kg na primeira hora e 70 mL/kg nas 5 horas seguintes. A regra explícita do protocolo é reavaliar ao fim da primeira etapa e, se o pulso radial permanecer fraco ou ausente e os sinais de choque persistirem, REPETIR a primeira etapa antes de progredir — por isso está correta. Progredir para a fase lenta é erro clássico: com perfusão ainda inadequada, perpetua o choque. Gastróclise pertence ao Plano B em falha da TRO por vômitos, não à desidratação grave com má perfusão. O coloide não tem respaldo: não é primeira nem segunda linha na desidratação por diarreia, e o acesso venoso já está estabelecido.
Menina de 2 anos, 12 kg, chega à UBS com diarreia aquosa há 2 dias, sem sangue ou muco, e vômitos ocasionais. Está irritada, com olhos fundos, mucosas secas, bebendo avidamente, sinal da prega desfazendo-se lentamente, pulsos cheios e enchimento capilar de 2 segundos. É classificada como desidratação e iniciada terapia de reidratação oral com SRO de osmolaridade reduzida na própria unidade. Após 90 minutos, apresentou quatro episódios de vômito, aceitando volumes pequenos, mas mantém-se hidratada de forma incompleta, alerta, com diurese presente e sem sinais de choque. Assinale o próximo passo.
A criança tem desidratação sem sinais de choque, ou seja, Plano B (SRO 75 mL/kg em 4 horas na unidade, sob supervisão). Vômito NÃO contraindica a TRO; diante de vômitos persistentes com aceitação insuficiente, o AIDPI prevê a gastróclise — SRO por sonda nasogástrica a 20-30 mL/kg/h — antes de escalar para a via venosa, o que torna correta a gastróclise. Escalar direto para o Plano C é errado, porque ele se reserva à desidratação grave/choque ou à falha da gastróclise, ausentes aqui. Liberar para o domicílio deixa sair uma criança ainda desidratada, contrariando a exigência de reidratação supervisionada até o desaparecimento dos sinais. A hidratação com soro glicosado confunde manutenção com reidratação e usa solução hipotônica inadequada.
Menina de 10 meses é trazida à Unidade Básica de Saúde por diarreia aquosa há 3 dias, sem sangue nas fezes, associada a vômitos ocasionais. A mãe nega convulsões e refere que a criança aceita o peito. Ao exame: criança irritada e inquieta ao ser manipulada, olhos fundos, bebe avidamente com sede quando lhe é oferecido líquido, sinal da prega cutânea desaparecendo lentamente (menos de 2 segundos), enchimento capilar de 2 segundos, pulso cheio, sem outros sinais gerais de perigo. Segundo o AIDPI, a classificação do estado de hidratação e o plano terapêutico indicados são:
O AIDPI classifica como DESIDRATAÇÃO (fileira amarela) a criança com dois ou mais dos sinais: inquieta/irritada, olhos fundos, bebe avidamente com sede, sinal da prega desaparecendo lentamente — exatamente o quadro descrito —, cuja conduta é o Plano B: 75 mL/kg de SRO em 4 horas, sob observação na unidade, com reavaliação ao final. 'Sem desidratação' (Plano A) exigiria menos de dois desses sinais. 'Desidratação grave' (Plano C) requer letargia/inconsciência, incapacidade de beber ou beber muito mal, prega desaparecendo muito lentamente (mais de 2 segundos) — ausentes aqui. 'Diarreia persistente' só se aplica a diarreia com 14 dias ou mais de duração; o quadro tem 3 dias.
Menina de 18 meses, 10 kg, é atendida na UBS com diarreia aquosa há 3 dias, cerca de 6 evacuações por dia, sem sangue nas fezes, acompanhada de vômitos ocasionais. Não houve convulsão e a mãe nega recusa completa de líquidos. Ao exame: consciente, porém inquieta e irritada; olhos fundos; mucosas secas; bebe água avidamente, demonstrando sede; sinal da prega cutânea desaparece lentamente, em menos de 2 segundos; pulsos cheios; enchimento capilar de 2 segundos; sem rigidez de nuca. De acordo com a estratégia AIDPI, a classificação e a conduta corretas são:
A criança tem dois ou mais sinais do quadro intermediário do AIDPI (inquieta/irritada, olhos fundos, bebe avidamente com sede, prega desaparecendo lentamente em menos de 2 segundos) — classificação DESIDRATAÇÃO, tratada com Plano B: 75 mL/kg de SRO em 4 horas NA unidade de saúde, sob supervisão, com reavaliação ao final. O Plano A domiciliar exige ausência de sinais suficientes de desidratação. O Plano C requer letargia/inconsciência, incapacidade de beber ou prega desaparecendo muito lentamente (> 2 segundos), o que não ocorre. O Plano B não é domiciliar nem em livre demanda — o volume é calculado e administrado na unidade.
Menina de 2 anos é levada à UPA com diarreia líquida há 2 dias, cerca de 8 evacuações por dia, sem sangue ou muco, associada a dois episódios de vômito. A mãe manteve a alimentação habitual e ofereceu água. Ao exame: ativa, porém irritada e chorosa, olhos fundos, mucosas secas, bebe água avidamente quando oferecida; sinal da prega cutânea desfaz-se lentamente (< 2 segundos); pulso radial cheio, tempo de enchimento capilar de 2 segundos; diurese diminuída no último dia. Peso atual: 12 kg. Segundo a estratégia AIDPI do Ministério da Saúde, assinale a classificação e a conduta corretas.
Dois ou mais sinais do quadro intermediário do AIDPI (irritada/inquieta, olhos fundos, bebe avidamente com sede, prega que desfaz lentamente) classificam como "diarreia com desidratação", tratada pelo Plano B: TRO 75 mL/kg nas primeiras 4 horas, na unidade de saúde e sob supervisão, com reavaliação periódica e zinco. Plano A vale apenas para a criança sem sinais de desidratação. Não há critério de desidratação grave (a criança está alerta o suficiente para beber avidamente, com pulso cheio e enchimento capilar normal), logo Plano C e bolus venoso não se aplicam. Vômitos ocasionais não contraindicam a via oral — a sonda nasogástrica é reservada a vômitos persistentes/incoercíveis ou recusa da via oral durante a TRO.
Lactente de 8 meses, previamente hígido, peso 8 kg, é trazido ao pronto-socorro após 3 dias de diarreia aquosa profusa e vômitos. Nas últimas horas a mãe notou que "ele não acorda direito". Ao exame: letárgico, difícil de despertar, olhos muito fundos e sem lágrimas, bebe mal quando o copo é oferecido, sinal da prega cutânea desfaz-se muito lentamente (> 2 segundos), pulso radial fino e rápido, extremidades frias, enchimento capilar de 4 segundos, sem diurese há 10 horas. Acesso venoso periférico obtido na primeira tentativa. De acordo com o Plano C do AIDPI/Ministério da Saúde, assinale o esquema de hidratação venosa inicial correto para esta criança.
A criança tem desidratação grave (letargia, olhos muito fundos, bebe mal, prega que desfaz muito lentamente, pulso fino e perfusão lentificada), com indicação de Plano C. O esquema do Ministério da Saúde é dividido por faixa etária: em menores de 12 meses, 30 mL/kg na primeira hora e 70 mL/kg nas 5 horas seguintes (total de 100 mL/kg em 6 horas); em crianças de 12 meses ou mais, 30 mL/kg em 30 minutos e 70 mL/kg em 2 horas e 30 minutos (total em 3 horas) — este último é exatamente a pegadinha da alternativa que troca a faixa etária. Infundir 100 mL/kg de forma uniforme em 24 horas não corrige o déficit na velocidade exigida. Não se repõe potássio antes do restabelecimento da diurese. A TRO por sonda é alternativa quando não há acesso venoso disponível, o que não se aplica ao caso.
Menino de 1 ano e 2 meses é atendido na UBS com história de diarreia iniciada há 20 dias. As evacuações são amolecidas a líquidas, 4 a 5 por dia, sem sangue, muco ou pus, e o quadro começou após um episódio de gastroenterite aguda. A mãe manteve o aleitamento materno e a alimentação complementar. Ao exame: ativo, alerta, bebe normalmente, olhos sem alteração, mucosas úmidas, sinal da prega cutânea desfaz-se imediatamente, sem febre. Peso e comprimento estão adequados para a idade na curva de crescimento. Considerando a estratégia AIDPI, assinale a classificação correta do quadro.
Diarreia com duração igual ou superior a 14 dias é classificada como persistente; como não há sinais de desidratação, trata-se de diarreia persistente (e não persistente grave, classificação reservada aos casos com desidratação, que exigem referência hospitalar). A conduta é ambulatorial, com orientação alimentar, manutenção do aleitamento e suplementação de zinco. Diarreia aguda é a de duração inferior a 14 dias. Disenteria exige sangue nas fezes, ausente aqui.
Menino de 2 anos, 12 kg, chega ao pronto atendimento letárgico, com olhos muito fundos, incapaz de beber, prega abdominal que desaparece em mais de dois segundos e pulso radial fraco, após três dias de diarreia volumosa. Há acesso venoso disponível. Segundo o Manejo do Paciente com Diarreia do Ministério da Saúde, qual é o esquema de expansão endovenosa?
A criança tem dois ou mais sinais da coluna C com pelo menos um marcado por asterisco — na verdade três: letargia, incapacidade de beber e pulso fraco —, portanto está em desidratação grave e vai para o Plano C. A expansão é de 100 mL/kg de soro fisiológico a 0,9% ou Ringer lactato, divididos em duas etapas cujo tempo depende da faixa etária. A partir de 1 ano, o esquema é 30 mL/kg em 30 minutos seguidos de 70 mL/kg em 2 horas e 30 minutos, o que dá 360 mL e 840 mL para 12 kg, num total de 1.200 mL em 3 horas. A segunda alternativa descreve o esquema do menor de 1 ano, que recebe o mesmo volume total, mas em 6 horas — e trocar as faixas entre si é o erro mais comum do capítulo. A terceira reproduz o esquema anterior do Ministério da Saúde para menores de 5 anos, substituído na atualização de 2023. A quarta inventa volumes e tempos que não constam de nenhum dos documentos. Vale lembrar que, assim que a criança conseguir beber, em geral 2 a 3 horas após o início da infusão, oferece-se solução de reidratação oral a cerca de 5 mL/kg/hora, concomitantemente ao soro venoso.
Lactente de 5 meses, em aleitamento materno e fórmula, apresenta diarreia há 16 dias, sem sangue nas fezes. Está hidratado, ativo, com bom estado geral, e o peso caiu 300 g em relação à consulta anterior. Segundo o Manejo do Paciente com Diarreia do Ministério da Saúde, qual a conduta?
Diarreia com 14 dias ou mais é diarreia persistente, e o documento nacional traz dois critérios de encaminhamento hospitalar nessa situação: ser menor de 6 meses, ou apresentar sinais de desidratação, caso em que se reidrata primeiro e encaminha em seguida. Este lactente tem 5 meses, portanto se encaixa no primeiro critério mesmo estando hidratado e em bom estado geral — e a perda de peso reforça a preocupação nutricional que justifica a regra, já que a diarreia persistente é o grupo de maior risco de desnutrição e letalidade. Acima de 6 meses e sem desidratação, a conduta seria encaminhar para consulta médica de investigação e tratamento. A primeira alternativa aplica o seguimento ambulatorial de cinco dias a uma criança que a régua manda encaminhar pela idade. A segunda prescreve antibiótico sem sangue nas fezes, fora de qualquer indicação. A quarta transforma um exame não obrigatório em pré-requisito e adia a conduta. A quinta suspende o aleitamento materno, que é mantido e incentivado em todos os cenários, inclusive na diarreia persistente, em que a orientação é aumentar a frequência das mamadas.
Lactente de 10 meses, pesando 8 kg, é levado à Unidade Básica de Saúde com diarreia líquida há dois dias, cerca de oito evacuações diárias, sem sangue, e dois episódios de vômito no dia de hoje. Ao exame encontra-se irritado e intranquilo, com olhos fundos, chorando sem lágrimas, mucosa oral seca, bebendo rápido e avidamente a água oferecida no copo. A prega abdominal desaparece lentamente. O pulso está cheio e a criança está afebril. Segundo o quadro de avaliação do estado de hidratação do Ministério da Saúde, qual a classificação e a conduta?
A criança soma cinco sinais da coluna B do quadro nacional — irritada e intranquila, olhos fundos, lágrimas ausentes, boca seca e sede com ingestão rápida e ávida — e ainda a prega abdominal que desaparece lentamente. Como bastam dois sinais da coluna para classificar, ela está COM DESIDRATAÇÃO. Nenhum dos três sinais marcados com asterisco está presente: ela não está letárgica, consegue beber e o pulso é cheio, e é justamente isso que a mantém fora da coluna de desidratação grave. A conduta é o Plano B, no estabelecimento de saúde, com 50 a 100 mL/kg de solução de reidratação oral, média de 75 mL/kg, administrados em 4 a 6 horas — para 8 kg, cerca de 600 mL —, mais zinco 20 mg/dia por 10 a 14 dias, já que ela tem mais de 6 meses. A primeira e a quinta alternativas subclassificam a criança, que tem sinais de sobra para a coluna B. A terceira aplica o Plano C a quem não tem nenhum sinal com asterisco, e ainda usaria os tempos da faixa correta de idade no plano errado. A quarta acerta a classificação e erra o lugar: o Plano B é executado no serviço de saúde, e o paciente permanece lá até a reidratação completa. E a loperamida é totalmente contraindicada em pediatria.
Uma criança de 3 anos com diarreia aquosa há um dia é avaliada na Unidade Básica de Saúde e não apresenta sinais de desidratação. A mãe será orientada a manter o tratamento em casa. Segundo o Plano A do Ministério da Saúde, qual a orientação correta quanto a líquidos e zinco?
O Plano A fixa o volume por faixa etária, com o degrau em 12 meses: menores de 1 ano recebem 50 a 100 mL após cada evacuação diarreica, de 1 a 10 anos recebem 100 a 200 mL e acima de 10 anos oferece-se o volume que o paciente aceitar. Uma criança de 3 anos está na segunda faixa. O zinco é administrado uma vez ao dia durante 10 a 14 dias, na dose de 10 mg/dia até os 6 meses de idade e 20 mg/dia dos 6 meses aos 5 anos incompletos — logo, 20 mg para esta criança. A primeira e a quinta alternativas usam o volume da faixa abaixo de 1 ano, e a quinta ainda encurta o zinco para a duração da diarreia, quando o objetivo declarado do curso de 10 a 14 dias é repor o zinco perdido e reduzir a incidência de novos episódios nos dois a três meses seguintes. A terceira comete o erro mais frequente com o zinco: ele entra em toda criança menor de 5 anos com diarreia, em qualquer plano, inclusive na que vai para casa sem desidratação. A quarta acerta o volume e usa a dose da faixa abaixo de 6 meses.
Uma criança de 18 meses com desidratação grave por diarreia chega a uma unidade rural onde não há material para acesso venoso e não existe serviço com hidratação endovenosa a menos de trinta minutos. Há profissional treinado em sonda nasogástrica. Qual a conduta e qual o prazo que decide a mudança de plano?
O fluxograma do Plano C pergunta em cascata. Não sendo possível a via endovenosa imediata nem havendo serviço com hidratação venosa a menos de trinta minutos, e havendo profissional treinado, inicia-se a reidratação com solução de reidratação oral por sonda nasogástrica ou pela boca, de 20 a 30 mL/kg por hora — a Organização Mundial da Saúde escreve 20 mL/kg por hora durante seis horas, o que perfaz 120 mL/kg. A criança é reavaliada a cada uma a duas horas e, havendo vômitos repetidos ou aumento da distensão abdominal, o líquido é oferecido mais lentamente. O prazo que decide é de três horas: se após esse tempo ela não estiver melhorando, encaminha-se para terapia endovenosa; completadas seis horas, faz-se a reavaliação completa do estado de hidratação e escolhe-se o plano seguinte. A primeira e a segunda alternativas adiam a reidratação de uma criança gravemente desidratada, quando o princípio do plano é justamente começar imediatamente pelo recurso disponível. A terceira usa 5 mL/kg por hora, que é o volume da solução oral oferecida junto com o soro venoso durante a expansão, não o da reidratação enteral isolada. A quarta prescreve antidiarreico, totalmente contraindicado em pediatria.
Menina de 4 anos apresenta há dois dias diarreia com sangue e muco, cólicas intensas, febre de 38,8 °C e prostração. Está hidratada e aceita líquidos. Não há imunodeficiência conhecida e ela pesa 16 kg. Segundo o Manejo do Paciente com Diarreia do Ministério da Saúde, qual a conduta medicamentosa?
Há sangue nas fezes com comprometimento do estado geral — febre e prostração —, que é exatamente a situação em que o documento nacional autoriza o antibiótico, ao lado da cólera grave. A hipótese empírica é Shigella. Para a criança com até 30 kg, ou até 10 anos, a partir de 3 meses e sem imunodeficiência, o esquema é azitromicina 10 mg/kg/dia por via oral no primeiro dia e 5 mg/kg/dia por mais quatro dias, num total de cinco dias; a alternativa é ceftriaxona 50 mg/kg intramuscular uma vez ao dia por 3 a 5 dias. A primeira alternativa aplica corretamente a regra geral ao caso errado: aqui há disenteria com comprometimento do estado geral, que é a exceção. A segunda usa o esquema do paciente com mais de 30 kg ou mais de 10 anos, e esbarra ainda na limitação prática de não haver ciprofloxacino em suspensão ou solução oral no Brasil. A terceira reproduz a segunda linha da tabela do quadro do AIDPI de 2017, droga que perdeu espaço porque as amostras de Shigella testadas no país mostram alta taxa de resistência a ela. A quinta é o esquema da amebíase, que fica para a falha do tratamento da shigelose ou para a identificação de trofozoítos englobando hemácias. Vale lembrar que o zinco entra do mesmo jeito, e que a reavaliação é em dois dias.
Sobre a solução de reidratação oral, assinale a alternativa que descreve corretamente a mudança de composição recomendada pela Organização Mundial da Saúde e o motivo dela.
A solução tradicional de 1975 tinha 90 mmol/L de sódio, 111 mmol/L de glicose e osmolaridade total de 311 mOsm/L. Em 2002, a Organização Mundial da Saúde reduziu sódio e glicose para 75 mmol/L cada, mantendo potássio em 20, cloro em 65 e citrato em 10, o que levou a osmolaridade total a 245 mOsm/L. O objetivo era evitar o efeito adverso da hipertonicidade sobre a absorção líquida de fluido, e os desfechos medidos foram a redução de 33% na necessidade de terapia venosa suplementar não programada, de cerca de 30% na incidência de vômitos e de cerca de 20% no volume das fezes. A primeira alternativa inverte a direção da mudança. A segunda descreve o soro caseiro, que é uma mistura de sal, açúcar e água, sem citrato e sem potássio — justamente por isso ele não substitui a solução de reidratação oral, embora seja aceito como líquido caseiro. A terceira descreve a solução com potássio mais alto que a Organização Mundial da Saúde reserva ao paciente desnutrido grave, com 45 mmol/L de sódio, 40 de potássio e 125 de glicose, e não a fórmula de uso geral.
Lactente de 11 meses, com desidratação, está em Plano B na sala de observação. Passados quarenta minutos, apresenta o terceiro episódio de vômito e praticamente não consegue ingerir a solução de reidratação oral. Segundo o fluxograma nacional vigente, qual a conduta?
Vômitos persistentes durante o Plano B são a única indicação de antiemético neste capítulo, e a droga adotada pelo documento nacional é a ondansetrona, em dose única, com propósito declaradamente instrumental: parar o vômito para que a criança consiga ingerir a solução e ser reidratada por via oral. As doses são 2 mg dos 6 meses aos 2 anos, o que corresponde a 0,2 a 0,4 mg/kg; 4 mg dos 2 aos 10 anos, até 30 kg; e 8 mg acima de 10 anos ou 30 kg. Um lactente de 11 meses recebe 2 mg. A primeira alternativa escala para o Plano C sem que a criança tenha sinal da coluna de desidratação grave — e, se a via oral seguisse intolerável com a criança ainda desidratada, o passo intermediário previsto seria a gastróclise, não a expansão. A segunda usa metoclopramida, cujo uso está proibido abaixo de 18 anos pela Anvisa. A quarta prescreve um antissecretor que não figura no plano de tratamento do Ministério da Saúde e que, de todo modo, não resolve o vômito. A quinta troca a solução de reidratação por líquidos que não repõem eletrólitos, e o suco de fruta industrializado ainda acrescenta carga osmótica.
Menino de 2 anos chega à unidade básica com diarreia líquida sem sangue há dois dias, cerca de seis evacuações por dia, e temperatura axilar de 39,3 °C. Apresenta desidratação sem sinais de gravidade e aceita líquidos no copo. Segundo o Manejo do Paciente com Diarreia do Ministério da Saúde, além de iniciar o plano de hidratação correspondente à classificação, o que a febre nesse patamar obriga a fazer?
Temperatura de 39 °C ou mais numa criança com diarreia é o aviso de que o problema pode não estar no intestino, e o documento nacional manda investigar e tratar outras causas possíveis: pneumonia, otite, amigdalite, faringite e infecção urinária. A hidratação segue o plano que a classificação indicar, e a febre não a altera. Antibiótico não entra, porque a régua o reserva à diarreia com sangue e comprometimento do estado geral e à cólera grave — fora disso ele é ineficaz, causa resistência antimicrobiana e não deve ser prescrito. Chamar o quadro de disenteria contraria o enunciado, já que não há sangue nas fezes, e é justamente o sangue que traduz lesão de mucosa e abre a porta do antibiótico. A coprocultura não é obrigatória, fica reservada aos casos graves, ao paciente hospitalizado e aos surtos, e nunca precede a hidratação. E tratar só o sintoma térmico, assumindo etiologia viral sem examinar ouvido, pulmão e urina, é exatamente a consulta que o documento quer evitar.
Durante a discussão de um caso de diarreia aguda em criança de 3 anos eutrófica, um estudante propõe prescrever vitamina A junto com o zinco, alegando que os dois fazem parte do tratamento da diarreia. Considerando o quadro de procedimentos do AIDPI Criança e o documento nacional de manejo da diarreia, qual é a orientação correta?
A vitamina A não é tratamento da doença diarreica: é medida dirigida a população com risco de deficiência, grupo em que reduz mortalidade e internações. O quadro do AIDPI a reserva à desnutrição grave ou ao peso muito baixo, quando a criança não a recebeu nos últimos 30 dias, e as doses de referência dependem da idade — 50.000 UI abaixo dos 6 meses, 100.000 UI dos 6 aos 12 meses e 200.000 UI acima disso —, e não do quadro diarreico. A criança descrita é eutrófica e não preenche esse gatilho. O zinco, ao contrário, entra em toda criança com diarreia, em qualquer plano, uma vez ao dia por 10 a 14 dias, com 10 mg até os 6 meses e 20 mg dos 6 meses aos 5 anos incompletos: são micronutrientes com indicações distintas, e um não substitui o outro nem partilha a dose. E não se exige dosagem sérica prévia, porque a indicação da vitamina A é epidemiológica e clínica, não laboratorial.
Lactente de 14 meses, 10 kg, chega com diarreia há três dias e desidratação sem sinais de gravidade: está irritado, com olhos fundos, sedento e com prega abdominal que desaparece lentamente, mas o pulso é cheio e ele responde bem ao chamado. Ao exame do abdome há distensão importante com ruídos hidroaéreos ausentes, quadro compatível com íleo paralítico. Há acesso venoso disponível na unidade. Qual é a conduta?
Classificar o estado de hidratação e escolher a via são decisões separadas. Pelos sinais descritos — irritado, olhos fundos, sede, prega que desaparece lentamente, pulso cheio e nenhum dos sinais marcados com asterisco — a criança tem desidratação sem gravidade, e a via oral seria a rota esperada. O que muda tudo é o abdome: o documento nacional lista as situações em que a via enteral está proibida desde o início e a decisão é venosa direta, e o íleo paralítico é uma delas, ao lado do abdome agudo, da alteração do estado de consciência ou convulsões e do choque hipovolêmico. Oferecer solução de copo ou colher num intestino parado não hidrata e ainda aumenta a distensão. A gastróclise também é enteral e cai na mesma proibição — ela é o passo intermediário de quem tolera mal a via oral com o intestino funcionante. Mandar para casa ignora a desidratação já instalada. E a ondansetrona atende a vômitos persistentes durante a reidratação oral, cenário que aqui sequer chega a começar.
Crianca de 3 anos chega a unidade com diarreia ha 2 dias, irritada, olhos fundos, bebe agua avidamente, sinal da prega desfaz lentamente, sem choque. A conduta preconizada e:
Olhos fundos, sede avida, irritabilidade e prega que desfaz lentamente definem desidratacao sem choque, que e tratada na unidade com terapia de reidratacao oral, 75 mL/kg em 4 horas, com reavaliacao seriada. Passar direto para expansao venosa engana quem confunde desidratacao moderada com grave — a via venosa fica reservada a choque, alteracao de consciencia, ileo ou falha da via oral. Mandar para casa subestima o quadro, e soro glicosado de manutencao nao repoe o deficit de sodio e agua da diarreia.
Sobre a solução de reidratação oral de osmolaridade reduzida preconizada atualmente, assinale a alternativa correta.
A fórmula de osmolaridade reduzida diminui as perdas fecais, os vômitos e a necessidade de veia, e é a recomendada em todas as idades. Refrigerantes e sucos têm carga osmótica alta e pouco sódio, piorando a diarreia — são o substituto mais oferecido em casa e justamente o mais nocivo. Mesmo com vômitos, o soro oral em pequenos volumes e frequência alta costuma ser tolerado.
Qual sinal clínico é o mais fidedigno para estimar a gravidade da desidratação e monitorizar a resposta à reidratação em lactentes?
Se o peso anterior é conhecido, a diferença traduz diretamente o volume perdido e é o padrão para estimar o déficit e acompanhar a reposição. Contar evacuações mede a doença, não o estado de hidratação, e por isso engana. Na ausência de peso prévio, o conjunto de enchimento capilar, turgor, nível de consciência e presença de lágrimas orienta a classificação.
Lactente de 8 meses recebeu expansão adequada e saiu do choque. Qual a conduta em relação à alimentação?
A realimentação precoce preserva a mucosa intestinal, encurta a diarreia e evita perda ponderal, e o aleitamento materno nunca deve ser interrompido. Jejum prolongado é conduta antiga e nociva, que atrofia o enterócito e prolonga o quadro. Fórmula sem lactose fica reservada a casos com intolerância documentada e sintomática, não como rotina.
Lactente de 10 meses com diarreia aquosa há 3 dias, cerca de 12 evacuações ao dia, chega letárgico, com olhos muito encovados, pele com sinal da prega desfazendo-se lentamente, pulsos finos, tempo de enchimento capilar de 5 segundos e taquicardia. Qual a classificação e a conduta?
Letargia, pulsos finos e enchimento capilar prolongado configuram choque hipovolêmico e definem o plano de reidratação venosa rápida com cristaloide isotônico, reavaliando após cada bolus. Tentar reidratação oral em criança letárgica com perfusão comprometida é o erro que custa tempo precioso e ainda arrisca broncoaspiração — o soro oral pertence aos quadros sem choque.
Sobre a suplementação de zinco na diarreia aguda em crianças, assinale a alternativa correta.
O zinco por 10 a 14 dias encurta o episódio, reduz a gravidade e diminui a recorrência nos meses seguintes, sendo recomendado de forma ampla em menores de cinco anos e não apenas nos desnutridos. É medida adjuvante e barata, que em hipótese alguma substitui a reidratação — pensar nele como tratamento principal é inverter as prioridades.
Qual antimicrobiano tem indicação na diarreia aguda infantil, em situação específica?
A imensa maioria das diarreias agudas na infância é viral e autolimitada; antibiótico se reserva à disenteria com suspeita de shigelose, à cólera e a situações especiais como imunossupressão. Tratar por febre ou por presença de muco é o gatilho mais comum de prescrição indevida e, em infecção por Escherichia coli êntero-hemorrágica, aumenta o risco de síndrome hemolítico-urêmica.
Menina de 5 anos com diarreia há 4 dias, agora com fezes contendo sangue e muco, febre de 39 graus, tenesmo e dor abdominal. Está hidratada e em bom estado geral. Qual a conduta mais adequada?
Febre, sangue, muco e tenesmo sugerem disenteria bacilar. A investigação fecal é importante, mas não se deve afirmar que todo tratamento precisa aguardar identificação do agente. A IDSA admite terapia empírica em situações clínicas selecionadas compatíveis com Shigella, conforme gravidade e resistência local. A hipótese de STEC exige cautela, pois antibióticos devem ser evitados para STEC O157 ou produtora de toxina Shiga 2. A decisão combina quadro clínico e investigação; não é antibiótico indiscriminado nem proibição universal. Loperamida não é apropriada neste cenário pediátrico. Referência: IDSA 2017, recomendações 30–35 e 47.
Menina de 1 ano com diarreia persistente e vômitos há 2 dias chega ao pronto-socorro. Está irritada, com olhos encovados, bebe água avidamente, sinal da prega desfaz lentamente, pulsos cheios e diurese presente há 4 horas. Qual a conduta imediata?
Sede ávida, olhos encovados e prega que desfaz lentamente, com pulso cheio e diurese preservada, definem desidratação com algum grau de perda, sem choque: é o plano de reidratação oral supervisionada no serviço de saúde. A expansão venosa engana porque a criança parece grave, mas está reservada a quem tem sinais de choque, letargia ou incapacidade de beber. Mandar para casa subestima o quadro, já que essa criança precisa ser reavaliada de hora em hora. Soro glicosado de manutenção não corrige déficit, e a ondansetrona pode facilitar a via oral, mas não substitui a reidratação.
Sobre a solução de reidratação oral recomendada atualmente para crianças com gastroenterite, é correto afirmar que:
A solução de baixa osmolaridade, com cerca de 75 mEq/L de sódio e 75 mmol/L de glicose, mostrou redução de perdas fecais, de vômitos e de necessidade de acesso venoso, e por isso substituiu a fórmula antiga em quase todas as diarreias não coléricas. A opção pelos refrigerantes engana famílias e alunos porque parece resolver a aceitação, mas essas bebidas são hiperosmolares, pobres em sódio e pioram a diarreia osmótica. Vômito não contraindica a oferta: a solução deve ser dada em pequenos volumes e com frequência. E o cotransporte de sódio e glicose no enterócito é exatamente a base fisiológica que faz a terapia oral funcionar.
Menino de 6 anos com vômitos e diarreia há 10 horas após refeição em quiosque. Está alerta, com mucosas secas, olhos discretamente encovados, bebe com avidez, prega cutânea desfaz lentamente, frequência cardíaca 130 bpm, enchimento capilar 2 segundos. Qual o plano de hidratação indicado?
Sede ávida, mucosas secas e prega lenta com perfusão preservada caracterizam desidratação moderada, cuja resposta é a reidratação oral supervisionada dentro do serviço, com reavaliação seriada. O plano domiciliar engana porque a criança está alerta e bebendo, mas ela já tem sinais objetivos de déficit e não pode ser mandada para casa sem correção. A expansão venosa se reserva a quem tem letargia, pulso fino, enchimento capilar lentificado ou não consegue ingerir. Soro de manutenção não repõe déficit, e o jejum prolongado é conduta abandonada, porque a realimentação precoce encurta a diarreia.
Criança de 3 anos com gastroenterite aguda e vômitos frequentes tem baixa aceitação da solução de reidratação oral, mas está sem sinais de choque. Qual medida tem melhor respaldo para viabilizar a via oral e reduzir a necessidade de acesso venoso?
A ondansetrona em dose única reduz vômitos, aumenta a taxa de sucesso da reidratação oral e diminui a necessidade de acesso venoso e de internação, com boa tolerância nessa faixa etária. A metoclopramida engana quem lembra dela como antiemético clássico, mas em criança tem risco relevante de reação extrapiramidal e distonia aguda, o que a torna má escolha. O dimenidrinato tem eficácia modesta e sedação. Loperamida está contraindicada na criança pequena. Suspender a via oral contraria toda a lógica do tratamento, que é justamente insistir na oferta em pequenos volumes e com frequência.
Lactente de 14 meses com vômitos e diarreia há 12 horas chega letárgico, com respiração acidótica, pulso radial fino, enchimento capilar de 4 segundos e recusa de líquidos. Qual a conduta imediata?
Letargia, pulso fino e enchimento capilar acima de 3 segundos definem desidratação grave com choque, e a resposta é volume rápido por via venosa, com reavaliação após cada bolus. A gastróclise por sonda é alternativa válida na criança que não bebe, mas apenas quando não há choque, o que a torna o distrator mais tentador. A via oral pressupõe capacidade de ingerir, que essa criança perdeu. O soro de manutenção repõe o gasto do dia, não o déficit instalado, e o bicarbonato não é conduta inicial: a acidose da desidratação corrige com perfusão restaurada.
Criança de 2 anos com gastroenterite aguda e desidratação leve. Além da reidratação, qual medida farmacológica tem recomendação formal para reduzir a duração e a recorrência da diarreia em países em desenvolvimento?
O zinco reduz duração e gravidade do episódio e diminui a recorrência nos meses seguintes, sendo recomendação formal para crianças menores de cinco anos em regiões com alta prevalência de deficiência do micronutriente. A vitamina A é o distrator que engana quem associa micronutriente a sarampo e imunidade, mas ela não tem essa indicação na diarreia aguda. A racecadotrila reduz a secreção intestinal e pode ser adjuvante, sem status de recomendação universal. Antibiótico profilático não tem lugar algum, e o ferro terapêutico durante o episódio agudo tende a piorar a tolerância digestiva.
Qual a composição atualmente recomendada dos sais de reidratação oral pela Organização Mundial da Saúde?
A fórmula de osmolaridade reduzida substituiu a original porque diminui o volume das fezes, os vômitos e a necessidade de terapia endovenosa, mantendo a proporção que permite o cotransporte de sódio e glicose no enterócito. A fórmula antiga, mais concentrada em sódio, é o distrator histórico e ainda aparece em provas. Soluções caseiras improvisadas ou refrigerantes têm osmolaridade alta e sódio insuficiente, podendo agravar a diarreia.
Criança de 3 anos com diarreia aguda, sem desidratação, é liberada para casa. Quais orientações compõem o plano domiciliar?
O plano domiciliar tem três pilares: mais líquido, alimentação mantida e reconhecimento de sinais de alarme como sede intensa, olhos encovados, sangue nas fezes, vômitos persistentes e piora do estado geral. Suspender leite materno ou impor jejum prolonga a diarreia e piora o estado nutricional. Antidiarreicos que inibem a motilidade são contraindicados na criança pelo risco de íleo, distensão e mascaramento de perdas.
Criança de 4 anos com febre de 39 graus, dor abdominal em cólica, tenesmo e fezes com sangue e muco há dois dias. Qual a conduta?
Sangue nas fezes com febre e tenesmo caracteriza disenteria, em que o antibiótico tem indicação, ao contrário da diarreia aquosa comum, e a hidratação continua sendo o pilar. Antidiarreicos que reduzem a motilidade são contraindicados por favorecerem megacólon tóxico e prolongarem a exposição ao agente. Metronidazol empírico para todos ignora que a maioria dessas disenterias no Brasil é bacteriana, e a amebíase exige contexto epidemiológico e confirmação.
Lactente de 14 meses com diarreia há dois dias, cerca de oito evacuações líquidas por dia. Está irritado, bebe água avidamente, tem olhos encovados, mucosas secas e sinal da prega que desfaz lentamente. Enchimento capilar de 2 segundos e pulsos cheios. Qual a classificação e o plano de tratamento?
Irritabilidade, sede ávida, olhos encovados e prega que desfaz lentamente, com perfusão e pulsos preservados, definem desidratação sem gravidade, cuja terapia é a reidratação oral supervisionada por algumas horas, com reavaliação. O plano endovenoso é reservado a quem tem letargia ou coma, incapacidade de beber, pulso débil e enchimento capilar prolongado. Mandar essa criança para casa apenas com orientação é o erro que a traz de volta em choque no dia seguinte.
Qual é o mecanismo que sustenta a eficácia da terapia de reidratação oral mesmo na presença de diarreia secretora intensa?
A descoberta que fez da reidratação oral uma das maiores intervenções de saúde pública do século é que o transportador que acopla sódio e glicose na borda em escova continua funcionando mesmo quando a toxina bacteriana dispara a secreção; a água segue o sódio absorvido por gradiente osmótico. É por isso que a proporção entre glicose e sódio na fórmula importa tanto, e por que soluções muito açucaradas, como refrigerantes e sucos, pioram a diarreia em vez de tratá-la.
Criança de 2 anos chega letárgica, com pulso radial fino, extremidades frias, enchimento capilar de 5 segundos e incapaz de beber, após três dias de diarreia. Qual a conduta imediata?
O plano de tratamento endovenoso existe para exatamente esse quadro: choque hipovolêmico exige acesso rápido e expansão isotônica, com reavaliação a cada bolus e transição para via oral tão logo a criança consiga beber. A gastróclise por sonda é alternativa útil quando não há acesso venoso disponível, mas não é a primeira escolha em choque estabelecido. Esperar exames antes de expandir é a demora que custa vidas nessa faixa etária.
Durante a reidratação oral, uma criança de 18 meses apresenta vômitos repetidos e não consegue manter o volume ofertado. Qual a melhor conduta antes de partir para o acesso venoso?
O vômito é frequente na fase inicial e quase sempre cede com oferta fracionada; quando não cede, a gastróclise por sonda mantém a via enteral e evita a punção. O jejum é conduta ultrapassada e prejudicial, porque a alimentação precoce encurta a diarreia e preserva a mucosa. Ondansetrona pode reduzir vômitos e a necessidade de hidratação venosa, mas seu uso não substitui a supervisão nem autoriza alta imediata sem garantir que a criança está hidratando.
Qual é a conduta alimentar recomendada durante um episódio de diarreia aguda em uma criança de 18 meses?
Alimentação precoce e mantida encurta a diarreia, preserva a mucosa e evita a perda de peso; o leite materno nunca deve ser interrompido. A dieta restritiva composta apenas de arroz, banana, maçã e torrada é pobre em proteína e energia e caiu em desuso. A fórmula sem lactose fica reservada a casos de intolerância transitória documentada, geralmente em diarreia prolongada, e não é conduta de rotina.
Em qual situação a coprocultura está indicada em criança com diarreia aguda?
A maioria das diarreias agudas é viral e autolimitada, e a cultura não muda a conduta; ela rende quando há disenteria, gravidade sistêmica, imunossupressão, exposição epidemiológica ou persistência, situações em que identificar o agente altera o antibiótico e a notificação. Pedir em todos gera custo, atraso e tratamento desnecessário guiado por colonização. Frequência de evacuações e idade isoladas não são critérios.
Menino de 2 anos, não vacinado para rotavírus, apresenta vômitos por um dia seguidos de diarreia aquosa volumosa, sem sangue, com febre baixa, em um surto na creche durante o inverno. Qual o agente mais provável?
Vômito precedendo diarreia aquosa abundante, sem sangue, em criança pequena não vacinada, com sazonalidade e surto institucional, é o retrato clássico do rotavírus, ainda o principal responsável por diarreia grave nessa faixa etária. Shigella e Campylobacter produzem disenteria, com sangue, muco e febre alta, e por isso são os distratores que testam a leitura do tipo de fezes. A cólera dá diarreia em água de arroz com desidratação fulminante e não tem esse padrão de creche.
Qual afirmação sobre o uso de probióticos e racecadotrila na diarreia aguda infantil é mais adequada?
Cepas específicas de probióticos podem encurtar em algumas horas a duração da diarreia, e o racecadotrila reduz o volume fecal por ação antissecretora, mas os dois são coadjuvantes e a base do tratamento continua sendo hidratação, zinco e alimentação mantida. Vendê-los como tratamento principal é o desvio comercial mais comum do tema. Em disenteria e em imunossuprimidos, o uso de probióticos exige cautela adicional.
Em qual situação a via endovenosa é preferível à reidratação oral em criança com diarreia aguda?
A reidratação oral resolve a maioria dos casos e é mais segura e barata; a via venosa fica para quem não pode usar o intestino ou está em choque, além da falha comprovada da tentativa oral bem conduzida. Usar número de evacuações, febre ou idade como critério é o que produz punções desnecessárias em crianças que beberiam sem problema. Vômito isolado, longe de contraindicar, costuma ceder com a própria oferta fracionada.
Qual sinal clínico é considerado o mais confiável para estimar o grau de desidratação em lactentes?
Nenhum sinal isolado tem bom desempenho; o que funciona é o conjunto, e a tríade de enchimento capilar lentificado, turgor reduzido e respiração anormal é a que melhor prediz desidratação significativa em estudos de acurácia. Mucosa seca engana em quem respira pela boca, e fontanela deprimida tem baixa reprodutibilidade entre examinadores. O relato de diurese é útil, mas subjetivo e confundido pela diarreia que molha a fralda.
Lactente de 8 meses com diarreia é reidratado com solução hipotônica caseira em excesso e apresenta convulsão. Sódio de 121 mEq/L. Qual a explicação?
Repor perdas com chá, água ou soluções caseiras pobres em sódio produz intoxicação hídrica, e a queda rápida do sódio se manifesta como convulsão, que exige solução salina hipertônica em alíquotas para elevar o sódio o suficiente e cessar a crise. É por isso que se insiste na solução com composição padronizada em vez de receitas improvisadas. Meningite deve permanecer no diferencial de convulsão nessa idade, mas o sódio de 121 mEq/L já explica o evento.
Ao reavaliar após 4 horas de plano B, a criança está alerta, bebendo normalmente, com turgor recuperado e diurese presente. Qual a conduta?
Alcançada a hidratação, a criança passa ao plano domiciliar, que combina manutenção, reposição de perdas após cada evacuação e alimentação mantida, com orientação clara de retorno. Prolongar a supervisão sem critério e internar para observação ocupam vaga sem benefício. Coprocultura não é exame de rotina na diarreia aguda: ela se reserva a disenteria, suspeita de surto, imunossupressão e casos prolongados.
Qual o papel do zinco no tratamento da diarreia aguda em crianças menores de 5 anos?
A suplementação de zinco encurta o episódio, diminui o volume das fezes e protege contra novos episódios por dois a três meses, com recomendação universal em menores de 5 anos em países de renda média e baixa; a dose habitual é de 10 mg ao dia até os 6 meses e 20 mg ao dia acima disso. Restringir aos desnutridos graves é o erro que perde o benefício populacional. O zinco complementa, e nunca substitui, a reidratação oral.
Criança de 5 anos apresenta diarreia aquosa profusa, súbita, em água de arroz, com desidratação grave em poucas horas, procedente de área com surto. Qual a conduta específica além da reidratação?
Na cólera a reidratação salva a vida e o antibiótico é adjuvante com benefício real, encurtando a diarreia, reduzindo o volume de solução necessário e diminuindo a excreção do vibrião, o que também tem valor epidemiológico. Dizer que o antibiótico não tem papel é o erro que ignora esse benefício. Inibidores de motilidade e corticoide não têm indicação e podem prejudicar; a nutrição parenteral é desnecessária em quadro que resolve em dias com via oral preservada.
Lactente de 10 meses com diarreia há três dias apresenta irritabilidade intensa, hipertonia, sede exagerada e pele com consistência pastosa. Sódio de 158 mEq/L. Qual o cuidado principal no tratamento?
Na desidratação hipernatrêmica o cérebro acumula osmóis protetores, e a correção rápida faz a água entrar no neurônio e provocar edema cerebral com convulsão; por isso a reidratação é lenta, ao longo de dois dias, com controle seriado do sódio. A pele em consistência de massa e a irritabilidade desproporcional são as pistas clínicas desse tipo de desidratação. Diurético e restrição hídrica não têm papel e agravam a hipovolemia.
Lactente de 9 meses, em uso de amoxicilina há sete dias para otite, apresenta diarreia aquosa de início recente, sem sangue e sem febre, com bom estado geral. Qual a conduta?
Diarreia associada a antibiótico é comum, quase sempre leve e por alteração da microbiota, resolvendo com hidratação e término do tratamento. A colite por Clostridioides difficile, que justificaria pesquisa de toxina e tratamento específico, cursa com diarreia grave, febre, leucocitose e às vezes sangue, e há a particularidade de que lactentes são colonizados com frequência, o que torna o teste positivo pouco interpretável nessa idade. Inibidor de motilidade é contraindicado sempre que se cogita colite.
Qual complicação metabólica é esperada em uma criança com diarreia aguda profusa e perdas fecais volumosas?
O conteúdo intestinal é rico em bicarbonato e potássio, e perdê-lo em grande quantidade produz acidose hiperclorêmica com potássio baixo, que se soma à hipoperfusão quando há choque. Alcalose hipoclorêmica com hipocalemia é o padrão das perdas gástricas, como na estenose de piloro, e por isso funciona como distrator espelhado. Cetose pode acompanhar o jejum associado, mas não é o distúrbio primário das perdas fecais.
Criança de 4 anos que frequenta creche apresenta, após episódio de diarreia aguda resolvido, retorno de fezes amolecidas, distensão abdominal e flatulência sempre que toma leite. Qual a explicação mais provável?
A lactase fica na ponta das vilosidades e é a primeira enzima a se perder e a última a voltar após uma gastroenterite, o que produz intolerância temporária com fezes ácidas, gases e assadura perianal; a conduta é reduzir a lactose por poucas semanas e reintroduzir. A alergia à proteína do leite é o distrator mais escolhido, mas ela é imunomediada, costuma começar no primeiro ano e pode cursar com sangue nas fezes, urticária ou eczema. Deficiência congênita de lactase é rara e se manifesta nas primeiras mamadas de vida.
Criança com desnutrição grave e diarreia aguda tem sinais de desidratação. Qual particularidade do manejo se aplica?
No desnutrido grave o turgor está alterado pela perda de gordura subcutânea mesmo sem desidratação, e os olhos podem parecer encovados de base, o que derruba a acurácia dos sinais clássicos; além disso, o miocárdio atrofiado não tolera volumes rápidos. A solução de reidratação específica, com menos sódio e mais potássio, ofertada devagar com reavaliação frequente, é a resposta a esse duplo problema. O zinco, ao contrário do ferro, é indicado desde o início.
Lactente de 6 meses tem diarreia aquosa e chega com peso 8 por cento inferior ao registrado uma semana antes, mucosas secas e diurese reduzida. Como usar esse dado de peso?
Quando existe um peso recente confiável, a diferença aguda é praticamente equivalente ao volume perdido, e cada ponto percentual de perda corresponde a cerca de 10 mL/kg de déficit, o que torna o dado mais objetivo que qualquer sinal isolado do exame. É por isso que a caderneta com pesos seriados vale ouro na emergência. Na ausência desse registro, recorre-se ao conjunto de sinais clínicos, sabendo que eles são menos precisos.
Criança de 5 anos com sarampo apresenta, no 4º dia de exantema, diarreia líquida volumosa, desidratação moderada e recusa alimentar. Qual a conduta prioritária?
A diarreia é a complicação mais frequente do sarampo e a segunda causa de morte; o manejo é reidratação segundo o plano correspondente ao grau de desidratação, mantendo alimentação e aleitamento, porque o jejum agrava a desnutrição que já é fator de risco para a gravidade da doença. Antibiótico só é indicado com evidência de infecção bacteriana. Antidiarreicos inibidores da motilidade são contraindicados na criança pelo risco de íleo e mascaramento das perdas. Colonoscopia é totalmente desnecessária nesse contexto.
Qual conjunto de medidas tem maior impacto na redução da mortalidade infantil por diarreia em nível populacional?
A queda histórica da mortalidade por diarreia se explica pela combinação de prevenção da transmissão, proteção pelo aleitamento, vacina e tratamento simples e acessível — nenhuma medida isolada reproduz esse efeito. Antibiótico em massa não previne diarreia viral e só produz resistência. Internar todos consome recursos e expõe a infecção hospitalar, quando a maioria se resolve em casa com orientação adequada.
Qual característica das fezes sugere diarreia de origem no intestino delgado, e não no cólon?
Diarreia alta produz grande volume por episódio, com poucas idas ao banheiro, sem sangue nem urgência, refletindo perda de líquido e eletrólitos ao longo de um segmento absortivo extenso. Os demais achados descrevem diarreia baixa, invasiva, com inflamação da mucosa colônica, urgência e tenesmo, o padrão de disenteria. Fazer essa separação no leito orienta a decisão sobre necessidade de antibiótico e de coprocultura.
O que NÃO deve ser feito no manejo da diarreia aguda em criança pequena?
Drogas que paralisam a motilidade retêm o agente e as toxinas no lúmen, favorecem distensão, íleo e megacólon tóxico e mascaram perdas que continuam acontecendo dentro do intestino, sendo formalmente desaconselhadas em crianças. As demais medidas listadas compõem exatamente o tratamento correto, cuja simplicidade é o que o torna eficaz em qualquer nível de atenção.
Lactente de 8 meses, no quinto dia de diarreia, apresenta letargia, incapacidade de beber, olhos muito encovados, pulsos finos e enchimento capilar de 4 segundos. Qual a conduta?
Letargia, incapacidade de beber e sinais de má perfusão configuram desidratação grave com choque, e o tratamento é expansão venosa imediata com cristaloide isotônico em bolus, com reavaliação frequente — o plano C. Tentar a via oral nesse cenário é o erro que consome minutos críticos numa criança que já não deglute com segurança e tem risco de aspiração e de parada por hipovolemia.
Lactente de 8 meses com diarreia aquosa há 3 dias apresenta olhos fundos, mucosas secas, sinal da prega desfazendo-se lentamente, irritabilidade e sede aumentada, sem choque. Qual o plano de tratamento?
Sinais de desidratação sem choque, com irritabilidade, sede e prega que desfaz lentamente, correspondem a desidratação moderada e ao plano B: reidratação oral supervisionada na unidade, com reavaliação periódica. O plano A é para o hidratado, com orientação domiciliar. O plano C é para desidratação grave com choque ou incapacidade de ingerir. Jejum não é conduta na diarreia — a alimentação deve ser mantida. E antibiótico empírico não se indica na diarreia aquosa da criança.
Qual a conduta em relação à alimentação de lactente com diarreia aguda?
Manter o aleitamento e reintroduzir a dieta habitual precocemente reduz a duração da diarreia e previne a desnutrição, porque o enterócito depende do aporte luminal para se recuperar. Jejum, diluição de fórmula e dietas restritivas são práticas antigas, superadas, que prolongam o quadro e comprometem o estado nutricional — e a suspensão do leite materno é particularmente prejudicial, já que ele é fonte de hidratação, nutrição e fatores protetores.
Sobre a suplementação de zinco na diarreia aguda da criança, assinale a afirmativa correta.
O zinco por 10 a 14 dias reduz a duração e a gravidade do episódio e diminui a incidência de novos episódios nos meses seguintes, sendo recomendação consolidada — o efeito se relaciona à recuperação da mucosa e à função imune. Considerá-lo substituto da reidratação é o erro conceitual: a desidratação continua sendo a causa de morte, e o zinco é adjuvante, não tratamento da perda de volume.
Lactente de 10 meses, 4 dias após vacinação contra rotavírus, apresenta crises de choro intenso intercaladas com períodos de calma, vômitos, palidez e fezes com aspecto de geleia de framboesa. Qual a hipótese?
Choro paroxístico intercalado com intervalos de calma, vômitos, palidez e fezes em geleia de framboesa caracterizam a intussuscepção, cujo diagnóstico se confirma por ultrassonografia com o sinal do alvo e cujo tratamento inicial é a redução por enema. Atribuir o quadro a gastroenterite pós-vacinal é o erro que atrasa uma urgência com risco de necrose intestinal — a associação temporal com a vacina é justamente o que deve aumentar o alerta, e não tranquilizar.
Qual medicação é INADEQUADA no tratamento da diarreia aguda em lactentes?
A loperamida é contraindicada em lactentes pelo risco de íleo paralítico, distensão abdominal e depressão do sistema nervoso central, além de mascarar a perda de líquido no lúmen intestinal — a redução do número de evacuações dá falsa impressão de melhora enquanto a criança segue perdendo volume. As demais opções compõem o manejo adequado, com o probiótico tendo benefício modesto e dependente da cepa utilizada.
Qual achado sugere diarreia de etiologia bacteriana invasiva, e não viral?
Disenteria — sangue e muco nas fezes com febre alta e tenesmo — aponta para agentes invasivos como Shigella, Campylobacter e Salmonella, e é o quadro em que se avalia antibiótico. A diarreia aquosa volumosa precedida de vômitos é o padrão viral, típico do rotavírus, no qual o antibiótico não tem indicação e pode agravar, como no caso da Escherichia coli produtora de toxina Shiga e o risco de síndrome hemolítico-urêmica.
Sobre a composição da solução de reidratação oral recomendada atualmente, assinale a afirmativa correta.
A solução de osmolaridade reduzida diminuiu o volume das fezes, os vômitos e a necessidade de hidratação venosa quando comparada à formulação antiga, aproveitando o cotransporte de sódio e glicose no enterócito, que permanece funcionante mesmo na diarreia. Usar refrigerantes ou sucos é o erro doméstico mais comum e prejudicial: são hiperosmolares e pobres em sódio, agravando a diarreia osmótica.
Lactente de 14 meses apresenta há 3 dias vômitos, seguidos de diarreia aquosa abundante e febre baixa. Ao exame: irritado, olhos encovados, mucosas secas, turgor lentificado, bebe avidamente, com enchimento capilar de 2 segundos e pulsos cheios. Qual a classificação e a conduta?
Irritabilidade, olhos encovados, mucosas secas, turgor lentificado e sede ávida com perfusão preservada configuram desidratação moderada, tratada com reidratação oral supervisionada — o plano B — que tem eficácia comparável à via venosa nesse cenário e menos complicações. Partir para expansão venosa é o excesso que se justifica apenas na desidratação grave, marcada por letargia, incapacidade de beber, pulsos finos e enchimento capilar lentificado.
Qual conduta relacionada à alimentação é correta na criança com diarreia aguda?
Manter a alimentação e o aleitamento reduz a duração da diarreia, previne desnutrição e melhora a recuperação da mucosa, sendo recomendação consolidada. Jejum prolongado, diluição da fórmula, dieta apenas com líquidos claros e suspensão do aleitamento são condutas antigas e prejudiciais, que agravam a perda de peso e prolongam o quadro. A suplementação de zinco por 10 a 14 dias também reduz duração e gravidade e faz parte das recomendações para crianças pequenas.
Um lactente de 8 meses é levado à UBS com diarreia aquosa há 2 dias, sem sangue, com 4 evacuações ao dia. Está ativo, com mucosas úmidas, olhos normais, bebe normalmente e tem turgor cutâneo preservado. Peso mantido em relação ao registro anterior. Segundo a estratégia de atenção integrada às doenças prevalentes na infância, qual é a conduta?
Criança sem sinais de desidratação é tratada com plano A, que inclui líquidos aumentados, sais de reidratação após cada evacuação, manutenção da alimentação, zinco e orientação de sinais de alarme. O plano B é indicado quando há desidratação sem choque, com sinais como irritabilidade, olhos fundos e sede intensa. O plano C se destina à desidratação grave com comprometimento hemodinâmico. Antibiótico não é indicado na diarreia aquosa comum e a suspensão da alimentação piora a evolução nutricional.
Criança de 3 anos é levada à Unidade Básica de Saúde com diarreia aquosa há 2 dias, sem sangue, cerca de oito evacuações por dia, com vômitos ocasionais. Ao exame, apresenta-se irritada, com olhos encovados, bebe líquidos avidamente e o sinal da prega desfaz lentamente. Frequência cardíaca de 140 batimentos por minuto, sem letargia. Segundo a Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância, qual é a conduta?
Irritabilidade, olhos encovados, sede ávida e sinal da prega lento configuram desidratação moderada, tratada com o plano B, que consiste em terapia de reidratação oral supervisionada na unidade por cerca de quatro horas com reavaliação periódica. O plano A é para a criança hidratada, sem esses sinais. O plano C exige desidratação grave com letargia, incapacidade de beber ou choque. O antibiótico não está indicado em diarreia aquosa sem sangue, cuja causa mais comum é viral.
Criança de 4 anos é levada ao pronto-atendimento com quadro de diarreia com muco e sangue há 3 dias, febre de 39 graus Celsius, cólicas intensas e tenesmo. Está hidratada, ativa, com dor abdominal difusa sem sinais de irritação peritoneal. A família relata que outras crianças da creche apresentam quadro semelhante. Qual é a conduta terapêutica adequada?
Diarreia com sangue e muco acompanhada de febre alta e tenesmo caracteriza disenteria, situação em que a Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância recomenda antibiótico dirigido a Shigella, além da manutenção da hidratação e do aporte nutricional. Antidiarreicos que reduzem a motilidade são contraindicados por risco de megacólon e prolongamento da infecção. Negar qualquer indicação de antibiótico ignora a exceção representada pela disenteria e pela cólera. O metronidazol trata giardíase e amebíase, quadros de apresentação distinta e sem esse contexto de surto febril agudo.
Criança de 2 anos apresenta diarreia aquosa há 4 dias, sem sangue, com desidratação leve corrigida com sais de reidratação oral na Unidade Básica de Saúde. A mãe pergunta sobre medicamentos para acelerar a recuperação. Além da reidratação e da manutenção da alimentação, qual medida tem respaldo do Ministério da Saúde para reduzir a duração e a gravidade do episódio?
A suplementação de zinco reduz a duração e a gravidade da diarreia aguda e diminui a recorrência nos meses seguintes, sendo recomendada de rotina em crianças pequenas junto à reidratação e à manutenção alimentar. O antibiótico não tem indicação em diarreia aquosa sem sangue. Antiemético contínuo não é recomendado e pode mascarar sinais de gravidade. A suspensão prolongada do leite não é necessária na maioria dos casos e compromete o aporte nutricional.
Criança de 4 anos apresenta há 2 dias febre alta, dor abdominal e vômitos, com diarreia aquosa. Frequenta creche e há vários casos semelhantes na turma. Está hidratada, com abdome flácido e doloroso à palpação difusa, sem sinais de irritação peritoneal. Não há sangue nas fezes. Qual é o agente mais provável?
Diarreia aquosa com vômitos e febre em surto de creche, sem sangue nas fezes, é altamente sugestiva de gastroenterite viral, sendo rotavírus e norovírus os agentes mais frequentes nesse cenário. A shigelose cursa com disenteria febril, com muco e sangue e tenesmo. A amebíase produz disenteria de curso mais arrastado e é menos comum nessa faixa. A febre tifoide tem evolução prolongada com febre alta contínua e não se apresenta como surto agudo de gastroenterite em creche.
Criança de 4 anos com quadro de gastroenterite é atendida na Unidade Básica de Saúde. A mãe pergunta se deve suspender a alimentação durante a diarreia, como fazia a avó. A criança está hidratada, aceitando líquidos, com duas evacuações líquidas nas últimas horas e sem vômitos. Qual é a orientação nutricional correta?
A manutenção da alimentação durante a diarreia aguda reduz a duração do episódio, previne desnutrição e melhora a recuperação da mucosa intestinal, sendo recomendação consolidada do Ministério da Saúde. O jejum prolongado agrava a atrofia de vilosidades e a perda de peso. Dietas restritivas com chá e torradas são nutricionalmente inadequadas. A fórmula sem lactose é reservada a casos selecionados com intolerância documentada, e não à rotina.
Uma criança de 2 anos apresenta febre e diarreia e a mãe informa que já iniciou soro caseiro preparado com uma colher de sopa cheia de açúcar e duas pitadas de sal em um copo de água, seguindo orientação de vizinha. Qual é a orientação correta da equipe?
O preparo incorreto do soro caseiro pode gerar solução hiperosmolar e piorar a diarreia ou causar distúrbio de sódio, sendo necessário corrigir a técnica e priorizar os sais de reidratação oral disponíveis gratuitamente na unidade. Aceitar qualquer proporção ignora esse risco. Suspender a hidratação oral em criança que aceita líquidos é conduta inadequada. Refrigerantes têm alta carga de açúcar e baixo teor de sódio e potássio, não servindo para reidratação.
Menina de 2 anos é levada ao pronto-atendimento com diarreia aquosa há três dias, sem sangue, e vômitos ocasionais. Ela está aceitando líquidos com dificuldade e a mãe relata redução da diurese. Ao exame, está irritada, com olhos encovados, mucosas secas, sede intensa quando oferecido líquido, turgor cutâneo com retorno lento, enchimento capilar de dois segundos, pulso radial cheio e sem hipotensão. Ela pesa 12 kg e está afebril. Considerando os planos de tratamento da diarreia aguda, a conduta correta é
Sinais de desidratação sem choque, com sede intensa, olhos encovados e turgor lentificado, correspondem a desidratação moderada, indicando reidratação oral supervisionada na unidade com soro de reidratação oral e reavaliação periódica antes da alta. Liberar para casa sem supervisão é a conduta do plano destinado à criança hidratada. Hidratação endovenosa em bolus é reservada ao choque, ausente pela perfusão e pelos pulsos preservados. Antibiótico não é indicado em diarreia aquosa sem disenteria nem sinais de infecção invasiva.
Menina de 4 anos é levada ao pronto-atendimento com diarreia aquosa volumosa há dois dias, vômitos e febre baixa, com cerca de dez evacuações por dia. Ela frequenta creche e várias crianças apresentaram quadro semelhante. A mãe informa que a criança recebeu todas as vacinas do calendário básico. Ao exame, está irritada, com olhos discretamente encovados, mucosas úmidas, turgor cutâneo normal, enchimento capilar de dois segundos e diurese preservada. Não há sangue ou muco nas fezes e o abdome é flácido e indolor. A conduta correta é
Diarreia aquosa sem desidratação em criança com bom estado geral é manejada com soro de reidratação oral após cada evacuação, manutenção da alimentação habitual, incluindo o aleitamento, suplementação de zinco conforme protocolo e orientação sobre sinais de alarme. Antibiótico não é indicado em diarreia aquosa presumivelmente viral. Jejum prolongado agrava a desnutrição e retarda a recuperação da mucosa. Antidiarreicos inibidores da motilidade são contraindicados em crianças pelo risco de íleo e de complicações neurológicas.
Menina de 3 anos é levada ao pronto-atendimento com diarreia com sangue e muco, cólicas intensas, febre de 39 °C e tenesmo há três dias. Ela frequenta creche e outras crianças apresentaram quadro semelhante. Ao exame, está prostrada, hidratada com dificuldade, com temperatura de 38,9 °C, abdome doloroso à palpação difusa e ruídos hidroaéreos aumentados, sem sinais de irritação peritoneal. Não há rebaixamento do nível de consciência e o hemograma mostra leucocitose com desvio à esquerda. A conduta correta é
Diarreia com sangue e febre alta caracteriza disenteria, situação em que se avalia antibioticoterapia dirigida conforme protocolo, mantendo hidratação e alimentação, pois agentes invasivos podem causar complicações graves em crianças pequenas. Antidiarreicos inibidores da motilidade são contraindicados na disenteria, por risco de megacólon tóxico e prolongamento da infecção. Afirmar que antibióticos nunca são indicados ignora as situações de disenteria e de agentes específicos. Jejum prolongado agrava a desnutrição e a recuperação da mucosa.
Menino de 5 anos é levado à Unidade Básica de Saúde para consulta e a mãe traz o resultado de exames solicitados por diarreia aguda tratada há duas semanas. A criança já está bem, sem diarreia, ativa e comendo normalmente. A equipe revisa a conduta adotada e discute o protocolo de manejo da diarreia aguda na infância, incluindo intervenções com benefício comprovado além da reidratação. A criança está eutrófica, com peso e estatura adequados e hemograma normal. Considerando as recomendações vigentes, a medida adicional com benefício demonstrado é
A suplementação de zinco por 10 a 14 dias reduz a duração e a gravidade da diarreia aguda e diminui a incidência de novos episódios nos meses seguintes, sendo recomendação consolidada em crianças de países de média e baixa renda. Antibiótico de rotina não tem benefício em diarreia aquosa e favorece resistência. Antiemético contínuo após a resolução não tem indicação. Restrição prolongada de leite não é recomendada, pois a manutenção da alimentação favorece a recuperação nutricional e da mucosa.
Menino de 8 meses é levado à Unidade Básica de Saúde e a mãe relata que ele teve diarreia por cinco dias, já resolvida, e que perdeu peso no período. Ela pergunta se precisa oferecer alguma vitamina para recuperar. A criança está em aleitamento materno com alimentação complementar e voltou a aceitar bem os alimentos. Ao exame, está ativa, hidratada, com discreta perda ponderal em relação à consulta anterior e sem outras alterações. A família tem acesso a alimentos variados e a criança não usa suplementos. A conduta nutricional correta é
Após episódio de diarreia, a recuperação nutricional se faz com aumento da frequência e da densidade nutricional das refeições, manutenção do aleitamento e conclusão do curso de zinco iniciado, o que reduz recorrências e favorece o ganho de peso. Restringir a alimentação prolonga o déficit e a lesão da mucosa. Substituir o leite materno por fórmula sem lactose não é indicado de rotina. Polivitamínico injetável não é necessário nem recomendado nessa situação.
Menina de 3 anos é levada ao pronto-atendimento com desidratação por diarreia e vômitos, e a equipe inicia o plano de reidratação. Após duas horas de terapia de reidratação oral supervisionada, ela mantém vômitos persistentes a cada tentativa de oferta, com piora dos sinais de desidratação e redução do nível de atividade. Ao exame, apresenta olhos muito encovados, turgor com retorno muito lento, letargia, pulso rápido e fino e enchimento capilar de quatro segundos. Ela pesa 14 kg e está afebril. A conduta correta é
A falha da terapia de reidratação oral com vômitos persistentes e a progressão para desidratação grave com sinais de choque indicam hidratação endovenosa com expansão rápida por cristaloide isotônico e reavaliação a cada etapa, conforme o plano correspondente. Insistir na via oral em criança letárgica com má perfusão é conduta perigosa. Antiemético com alta domiciliar não corrige a depleção volêmica. Antibiótico não é prioridade em diarreia aquosa sem sinais de infecção invasiva.
Lactente de 10 meses é levado à Unidade Básica de Saúde com diarreia aquosa há dois dias, sem sangue, com quatro a seis evacuações diárias e dois episódios de vômito. Ao exame: alerta, com olhos normais, mucosas úmidas, bebe normalmente quando oferecido líquido, sinal da prega desaparece rapidamente, sem sinais gerais de perigo e com diurese preservada. O peso está mantido em relação à última consulta. Considerando a estratégia de atenção integrada, qual é a classificação e a conduta?
A criança alerta, com olhos normais, mucosas úmidas, que bebe normalmente e com prega cutânea que desaparece rapidamente, é classificada como sem desidratação, sendo tratada em domicílio pelo plano A, com aumento da oferta de líquidos, manutenção da alimentação e do aleitamento, suplementação de zinco e orientação de sinais de alerta. O plano B se destina a crianças com desidratação, com sinais como olhos encovados e sede aumentada. O plano C se aplica à desidratação grave. Diarreia persistente exige duração igual ou superior a quatorze dias.
Menina de 2 anos é levada à Unidade Básica de Saúde com diarreia e vômitos há três dias. Ao exame: irritada, com olhos encovados, mucosas secas, bebe avidamente quando oferecido líquido, sinal da prega desaparecendo lentamente, com diurese reduzida referida pela mãe, mas sem letargia, sem incapacidade de beber e sem sinais de choque. A criança está consciente e a unidade dispõe de sala de reidratação oral com equipe treinada e sais de reidratação. Qual é a conduta correta?
Criança com olhos encovados, sede aumentada, mucosas secas e prega que desaparece lentamente, sem sinais de choque e capaz de beber, é classificada com desidratação e deve receber terapia de reidratação oral supervisionada na unidade, com reavaliação periódica e progressão conforme a resposta. Hidratação endovenosa se reserva à desidratação grave ou à falha da via oral. Antibiótico não está indicado na maioria das diarreias agudas. Antidiarreicos inibidores da motilidade não são recomendados em crianças pequenas.
Lactente de 11 meses é levado à Unidade de Pronto Atendimento com diarreia e vômitos há dois dias, com piora importante hoje. Ao exame: letárgico, com dificuldade para despertar, olhos muito encovados, incapaz de beber, sinal da prega desaparecendo muito lentamente, extremidades frias, pulso radial fino e rápido, tempo de enchimento capilar de 5 segundos. Não há sangue nas fezes e a criança não apresenta febre alta. Qual é a conduta imediata?
Letargia, incapacidade de beber, olhos muito encovados, prega que desaparece muito lentamente e sinais de má perfusão caracterizam desidratação grave, com indicação de hidratação endovenosa rápida conforme o plano C, iniciando-se soro por via oral ou por sonda assim que a criança conseguir beber. Tentar via oral em criança letárgica e incapaz de beber é perigoso pelo risco de aspiração. Antibiótico não corrige a hipovolemia. Antiemético isolado com observação prolongada adia a medida que salva a vida.
Menino de 18 meses é levado à Unidade Básica de Saúde com diarreia aquosa há três dias, sem sangue e sem febre alta, e a mãe pergunta o que deve oferecer para comer, pois uma vizinha recomendou suspender a alimentação e dar apenas chá e água de arroz até parar a diarreia. Ao exame: criança alerta, hidratada, aceitando líquidos, com abdome flácido e sem sinais de desidratação, com peso mantido. Ela ainda está em aleitamento materno complementado com alimentação da família. Qual é a orientação correta?
Na diarreia aguda a alimentação e o aleitamento devem ser mantidos, com aumento da oferta de líquidos e uso de sais de reidratação oral quando indicado, além de suplementação de zinco, que reduz duração e gravidade do episódio e a recorrência nos meses seguintes. Suspender a alimentação agrava a desnutrição e prolonga a diarreia. Chás e água de arroz não fornecem nutrientes nem eletrólitos adequados. Diluir o leite reduz o aporte calórico sem benefício comprovado.
Menina de 4 anos é levada à Unidade Básica de Saúde com diarreia há cinco dias, com fezes de pequeno volume contendo muco e sangue visível, acompanhadas de febre, cólicas intensas e tenesmo. Frequenta creche onde outras crianças apresentaram quadro semelhante. Ao exame: temperatura axilar 38,7 °C, desidratação leve, abdome doloroso à palpação difusa, sem massas e sem irritação peritoneal, com criança alerta e aceitando líquidos. Qual é a conduta mais adequada?
Disenteria com febre em criança sugere agente invasivo, situação em que se indica hidratação, coleta de coprocultura e antibioticoterapia empírica conforme protocolo, além de notificação diante da possibilidade de surto em creche, com medidas de higiene e controle. Manter apenas sintomáticos em disenteria febril retarda o tratamento. Antidiarreicos inibidores da motilidade são contraindicados pelo risco de complicações. Colonoscopia não é exame de investigação de disenteria aguda infecciosa na criança.
Menina de 5 anos é atendida em pronto-socorro de município da região amazônica durante surto de doença diarreica, com diarreia aquosa profusa de aspecto claro com grumos, vômitos e evolução rápida em poucas horas. Ao exame: letárgica, olhos muito encovados, mucosas secas, sinal da prega com retorno muito lento, pulsos finos, tempo de enchimento capilar de 4 segundos e ausência de febre, com perda ponderal de 11% em relação ao peso habitual. Qual é a conduta imediata?
A desidratação grave com sinais de choque exige hidratação venosa imediata segundo o plano C, com reavaliação frequente, sendo o antimicrobiano indicado na cólera após a estabilização para reduzir o volume e a duração da diarreia e o período de eliminação do vibrião. A reidratação oral domiciliar é insuficiente diante de choque. Antidiarreicos inibidores da motilidade são contraindicados. Aguardar exames antes de hidratar retarda a medida que salva a vida.
Menino de 4 anos é levado à Unidade Básica de Saúde com quadro de diarreia aquosa há dois dias, sem sangue e sem febre alta, com boa aceitação de líquidos. A mãe pergunta se deve dar um probiótico que viu na farmácia e se o leite deve ser suspenso durante o episódio. Ao exame: hidratado, ativo, com abdome flácido e discretamente doloroso, sem distensão, com peso preservado em relação à consulta anterior e sem sinais de desidratação ou de gravidade. Qual é a orientação correta?
O manejo da diarreia aguda na criança baseia-se na reidratação oral, na manutenção da alimentação habitual, incluindo o leite, e na suplementação de zinco, medidas com benefício comprovado sobre a duração e a gravidade, sendo os probióticos de papel adjuvante e não central. Suspender o leite prejudica o aporte nutricional sem benefício consistente. Substituir a reidratação por probiótico é erro grave. Jejum retarda a recuperação da mucosa intestinal.
Lactente de 8 meses é levado à Unidade Básica de Saúde por diarreia aquosa abundante e vômitos há dois dias, com febre de 38,5 °C. Está alerta, com olhos discretamente encovados, mucosas úmidas, turgor cutâneo preservado e aceitando líquidos ofertados. A caderneta mostra que ele não recebeu nenhuma dose da vacina oral contra rotavírus. Na creche que frequenta há outras crianças com quadro semelhante. O peso está adequado e não há sangue nas fezes. Qual é a conduta correta?
A criança apresenta diarreia aguda com desidratação leve, e a conduta é a reidratação oral com sais específicos, mantendo a alimentação; a vacina contra rotavírus tem limites rígidos de idade para início e continuidade do esquema, pelo risco de invaginação intestinal, e não pode ser iniciada fora dessa faixa. O antibiótico não trata gastroenterite viral. A vacina é medida preventiva, não terapêutica. Antidiarreicos inibidores da motilidade são contraindicados em crianças pequenas por risco de íleo e de agravamento.
Menino de 18 meses é atendido na Unidade Básica de Saúde com diarreia aquosa há três dias, sem sangue, com quatro a seis evacuações por dia e vômitos ocasionais. Está alerta, bebendo líquidos avidamente, com olhos encovados e sinal da prega com retorno lento, sendo classificado como desidratação leve a moderada. Não há febre alta nem sinais de infecção bacteriana invasiva. A mãe pergunta quais medicamentos a criança deve tomar. Qual conduta compõe o tratamento recomendado além da reidratação?
Além da terapia de reidratação oral e da manutenção da alimentação, a suplementação de zinco por 10 a 14 dias reduz a duração e a gravidade da diarreia e previne novos episódios, sendo recomendação consolidada para crianças. O antibiótico não trata diarreia aquosa de provável etiologia viral. Antidiarreicos que inibem a motilidade são contraindicados em lactentes pelo risco de íleo e de complicações. Suspender a alimentação piora o estado nutricional e retarda a recuperação da mucosa intestinal.
Menino, 5 anos, apresenta diarreia aquosa há 4 dias, com 8 evacuações diárias, vômitos e febre baixa. Ao exame: irritado, olhos encovados, mucosas secas, turgor cutâneo diminuído com prega que desfaz lentamente, sedento e bebendo avidamente. FC 140 bpm, PA 96/60 mmHg, tempo de enchimento capilar de 2 segundos, sem letargia e sem alteração do nível de consciência. Qual a classificação e a conduta indicada?
Irritabilidade, olhos encovados, mucosas secas, sede intensa e prega cutânea de retorno lento correspondem a desidratação com sinais clínicos evidentes, ou plano B, cuja conduta é terapia de reidratação oral supervisionada na unidade de saúde, com reavaliação periódica. A desidratação grave com choque exige letargia ou inconsciência, incapacidade de beber, pulso fino e enchimento capilar prolongado, sinais ausentes já que a criança bebe avidamente. Classificar como sem desidratação contraria os achados de exame físico. Hidratação por sonda em domicílio não é conduta segura nem padronizada nesse cenário. Chamar de diarreia crônica é incorreto, pois o quadro tem quatro dias, e adiar a hidratação para investigar seria perigoso.
Menina, 9 anos, apresenta há 2 dias febre, dor abdominal e diarreia com muco e sangue, com 10 evacuações diárias e tenesmo. T 39,0 °C, FC 128 bpm. Refere consumo de alimento preparado em festa comunitária. Coprocultura em andamento; hemograma com leucócitos 16.000/mm³ (VR 5.000–15.000) e desvio à esquerda. A criança apresenta prostração importante e um episódio convulsivo breve durante a internação, sem alterações neurológicas residuais. Qual o agente mais provável?
Disenteria febril com muco, sangue e tenesmo, associada a convulsão em criança, aponta fortemente para Shigella, que produz neurotoxicidade e é a causa clássica de crise convulsiva na diarreia invasiva. O rotavírus causa diarreia aquosa volumosa com vômitos, sem sangue ou tenesmo. O Vibrio cholerae provoca diarreia aquosa profusa em água de arroz, sem febre alta nem disenteria. A Giardia lamblia produz diarreia crônica com esteatorreia e distensão, sem sangue e sem febre elevada. O norovírus causa gastroenterite aguda com vômitos proeminentes e curso breve, também sem disenteria com sangue.
Menino, 2 anos, é levado à UBS com diarreia aquosa há 3 dias, cerca de 8 evacuações diárias, e vômitos ocasionais. Exame: irritado, olhos encovados, bebe água avidamente, sinal da prega desaparece lentamente, mucosas secas, lágrimas ausentes. FC 148 bpm, tempo de enchimento capilar de 2 segundos, pulso radial cheio, diurese reduzida. Peso atual 11 kg, com peso registrado de 12 kg há 15 dias. Afebril, sem sangue nas fezes. Qual a classificação e a conduta segundo a estratégia AIDPI?
A presença de dois ou mais sinais como irritabilidade, olhos encovados, sede ávida e prega cutânea de desaparecimento lento caracteriza desidratação com algum grau, correspondendo ao plano B, com terapia de reidratação oral supervisionada na unidade por cerca de 4 horas e reavaliação. A desidratação grave exigiria letargia ou inconsciência, incapacidade de beber ou prega de desaparecimento muito lento com sinais de choque, e o enchimento capilar de 2 segundos com pulso cheio afasta essa gravidade. Classificar como sem desidratação ignora os sinais objetivos presentes e a perda de peso recente. Transferir sem hidratar é conduta inadequada em qualquer grau de desidratação. Antibiótico não está indicado em diarreia aquosa sem sangue, e antiemético de rotina não faz parte do manejo padronizado.
Menino, 5 anos, apresenta há 4 dias diarreia aquosa volumosa, com mais de 10 evacuações diárias, vômitos e febre baixa. Frequenta creche onde há outras crianças com quadro semelhante. Ao exame, está irritado, com olhos encovados, mucosas secas e turgor diminuído, aceitando líquidos avidamente. FC 138 bpm, PA 94/58 mmHg. As fezes não apresentam sangue nem muco, e a pesquisa de rotavírus nas fezes resulta positiva. Não há distensão abdominal nem sinais de abdome agudo. Qual a conduta terapêutica indicada?
A gastroenterite por rotavírus é tratada com terapia de reidratação oral com sais específicos, manutenção da alimentação habitual e suplementação de zinco, que reduz duração e gravidade da diarreia em crianças. O ciprofloxacino não tem qualquer indicação em diarreia viral aquosa sem disenteria. A loperamida é contraindicada em crianças pequenas pelo risco de íleo, distensão e mascaramento de perdas. O jejum absoluto prolongado agrava a desnutrição e retarda a recuperação da mucosa intestinal. O metronidazol trata protozoários e anaeróbios, sem papel em quadro viral com etiologia já documentada.
Lactente, 10 meses, apresenta diarreia aquosa há 3 dias, com oito evacuações diárias e dois episódios de vômito, sem sangue nas fezes. Exame: criança irritada, com olhos encovados, mucosas secas, turgor cutâneo lentificado, bebe líquidos avidamente; FC 150 bpm, com pulsos cheios e enchimento capilar de 2 segundos. Peso atual 8,2 kg, com perda estimada de 7% em relação ao peso prévio. Diurese presente, ainda que reduzida. Qual a conduta?
Desidratação moderada, com criança alerta e sedenta, pulsos cheios e diurese presente, é tratada com terapia de reidratação oral supervisionada na unidade de saúde, com reavaliações seriadas — plano B —, mantendo-se o aleitamento e reintroduzindo a alimentação após a reidratação, além de zinco na diarreia aguda. A expansão venosa é indicada na desidratação grave com sinais de choque, ausentes. Antibiótico não é indicado em diarreia aquosa sem disenteria, e antieméticos de rotina não são recomendados. O jejum prolongado agrava a desnutrição e prolonga a diarreia. Oferecer apenas água pura não repõe eletrólitos e arrisca hiponatremia.
Lactente, 10 meses, é levado à unidade com quadro de diarreia aquosa aguda há 2 dias, sem sangue e sem febre alta, com boa aceitação de líquidos. Exame: criança ativa, hidratada, com mucosas úmidas, turgor preservado e diurese normal; escore-z de peso adequado. A mãe pergunta o que deve fazer em casa e se deve suspender a alimentação e o leite materno enquanto durar a diarreia. Qual a orientação correta?
Na diarreia aguda sem desidratação, a orientação é manter o aleitamento e a alimentação habitual, oferecer solução de reidratação oral após cada evacuação e suplementar zinco, medida que reduz duração e gravidade dos episódios e previne recorrências. Suspender a alimentação e oferecer apenas chás agrava a desnutrição e prolonga a diarreia. Suspender o leite materno é contraindicado, pois ele protege e hidrata. O antibiótico não é indicado em diarreia aquosa sem disenteria nem sinais de doença bacteriana invasiva. Antieméticos e antidiarreicos de rotina não são recomendados em lactentes, pelo risco de efeitos adversos e de mascarar a evolução.
Menina, 5 anos, apresenta há 8 dias febre persistente, dor abdominal e diarreia, com piora progressiva do estado geral. Frequentou festa onde outras crianças adoeceram. T 38,8 °C, FC 140 bpm, PA 92/54 mmHg, com enchimento capilar de 3 segundos. A coprocultura isolou Salmonella enteritidis. Está desidratada, com mucosas secas, e apresenta leucocitose com desvio à esquerda, além de hemocultura positiva para o mesmo agente. Qual a conduta indicada?
Embora a gastroenterite por Salmonella não tifoide seja habitualmente autolimitada e o antibiótico possa prolongar o estado de portador, a presença de bacteremia documentada, sinais de gravidade e criança pequena com desidratação e instabilidade indica hidratação venosa e antibioticoterapia dirigida. Afirmar que a salmonelose nunca requer antibiótico ignora justamente as exceções, entre elas a doença invasiva. A loperamida é contraindicada em diarreia invasiva febril, pois favorece megacólon e retarda a eliminação do agente. Aguardar 15 dias de febre para tratar uma bacteremia é conduta perigosa. O corticoide não trata a infecção e agrava a imunossupressão.
Menino, 4 anos, apresenta há 5 dias febre, dor abdominal e diarreia aquosa volumosa, evoluindo com desidratação. Está letárgico, com olhos muito encovados, mucosas secas, incapaz de beber, pulso fino e enchimento capilar de 5 segundos. FC 168 bpm, PA 78/44 mmHg. A criança não apresenta sangue nas fezes, e a família relata redução importante da diurese nas últimas 12 horas, com vômitos frequentes impedindo a hidratação oral. Qual a conduta imediata?
Letargia, incapacidade de beber, pulso fino e enchimento capilar muito prolongado caracterizam desidratação grave com choque, cuja conduta imediata é a expansão volêmica venosa rápida com cristaloide isotônico, seguida de reavaliação frequente. A terapia de reidratação oral é adequada para desidratação sem sinais de choque e em criança capaz de beber. A hidratação por sonda em domicílio não é segura nesse grau de gravidade. O antibiótico venoso não corrige a hipovolemia e não é prioridade em diarreia aquosa sem disenteria. Antiemético com alta deixaria a criança em choque sem tratamento, com risco de óbito.
Menino, 3 anos, apresenta há 5 dias diarreia com sangue e muco, febre e dor abdominal, com 8 evacuações diárias. Está hidratado, aceitando líquidos, sem letargia e sem sinais de choque. T 38,4 °C, FC 122 bpm. A coprocultura está em andamento. A mãe pergunta se pode usar medicação para reduzir as evacuações, pois a criança está incomodada com as idas frequentes ao banheiro durante a noite. Qual a orientação correta?
Em diarreia invasiva com sangue e febre, os antidiarreicos inibidores da motilidade, como a loperamida, são contraindicados em crianças, pois retardam a eliminação do agente e das toxinas e favorecem íleo e megacólon, mantendo-se hidratação, zinco e antibiótico conforme a etiologia identificada. Antiespasmódico contínuo também não é recomendado nesse contexto. Suspender toda a alimentação por 48 horas agrava a desnutrição e retarda a recuperação da mucosa. Iniciar antibiótico de amplo espectro em toda diarreia é prática inadequada, pois muitos casos são virais e autolimitados.
Menino, 5 anos, morador de área com surto de doença diarreica, apresenta diarreia aquosa profusa em água de arroz há 12 horas, com vômitos e perda rápida de peso. FC 156 bpm, PA 76x40 mmHg, letárgico, com olhos fundos, prega cutânea que desfaz muito lentamente e pulso radial fino. T 36,2 °C, sem febre. A diurese está ausente há 8 horas. Qual a conduta imediata?
A expansão venosa rápida com cristaloide isotônico, seguida de antibiótico, é a conduta imediata: o quadro descreve desidratação grave com choque em suspeita de cólera, plano em que a via venosa é obrigatória e o antibiótico encurta a duração da diarreia e a excreção do vibrião. O soro oral por sonda em ritmo lento é insuficiente em criança letárgica e chocada. O antibiótico isolado não corrige a hipovolemia, principal causa de óbito. Os antidiarreicos são contraindicados. Aguardar a coprocultura antes de tratar é inaceitável diante de desidratação grave.
Lactente de 5 meses, previamente hígido, apresenta diarreia aquosa há dois dias, com oito evacuações diárias e dois episódios de vômitos. A mãe relata redução da diurese e maior irritabilidade. Ao exame, apresenta olhos encovados, mucosas secas, bebe água avidamente, tempo de enchimento capilar de 3 segundos e turgor cutâneo com retorno lento. Está irritado, porém consolável, com pulsos periféricos palpáveis e sem alteração do nível de consciência. Qual a classificação e a conduta corretas?
Olhos encovados, mucosas secas, sede ávida, turgor com retorno lento e irritabilidade caracterizam desidratação com sinais clínicos, cuja conduta é terapia de reidratação oral supervisionada em serviço de saúde, com reavaliação periódica. Classificar como sem desidratação ignora sinais evidentes ao exame. Diagnosticar desidratação grave com choque exigiria letargia, pulsos finos e enchimento capilar muito prolongado, o que não se observa. Prescrever antibiótico empírico é inadequado na diarreia aguda aquosa sem sinais de disenteria ou sepse. Antidiarreicos são contraindicados em lactentes, pelo risco de íleo e mascaramento de perdas.
Menino, 15 meses, com diarreia aquosa há 3 dias, sem sangue, e vômitos ocasionais. FC 148 bpm, FR 34 ipm, T 37,6 °C, tempo de enchimento capilar de 2 segundos. Encontra-se irritado, com olhos encovados, bebe água avidamente e o sinal da prega desfaz-se lentamente. Peso atual 9,4 kg, com peso prévio registrado de 10,2 kg há duas semanas. Diurese presente, porém reduzida. Qual o plano de tratamento indicado?
Irritabilidade, olhos encovados, sede intensa e sinal da prega lento configuram desidratação de grau moderado, indicando plano B, com sais de reidratação oral supervisionada na unidade de saúde por quatro a seis horas e reavaliação. O plano A destina-se à criança hidratada, sem esses sinais. O plano C, com expansão intravenosa, é reservado à desidratação grave com letargia, incapacidade de beber ou choque, ausentes aqui. Antibiótico não está indicado em diarreia aquosa sem sangue e sem toxemia. Antidiarreicos são contraindicados em lactentes pelo risco de íleo e de mascarar a perda de líquidos no lúmen intestinal.
Equipe da unidade básica de saúde revisa a composição e o uso da solução de reidratação oral preconizada pela Organização Mundial da Saúde para crianças com diarreia aguda. As crianças atendidas têm entre 6 meses e 5 anos, com diarreia aquosa sem sangue, febre baixa e graus variados de desidratação, sem vômitos incoercíveis e sem sinais de choque. Assinale a alternativa que NÃO corresponde ao manejo correto da diarreia aguda nessa faixa etária.
Suspender o aleitamento materno durante a diarreia é conduta incorreta e prejudicial, pois o leite materno reduz a duração do episódio, mantém o aporte nutricional e protege contra novas infecções. A solução de osmolaridade reduzida, com 75 mEq/L de sódio, é a formulação atualmente preconizada por reduzir vômitos e necessidade de terapia intravenosa. O zinco por dez a quatorze dias diminui duração e recorrência. Manter a alimentação habitual após a hidratação previne desnutrição. O antibiótico é reservado a disenteria, cólera e situações específicas, não sendo usado em diarreia aquosa comum.
Lactente de 11 meses apresenta há 2 dias vômitos e diarreia aquosa muito volumosa, sem sangue ou muco, com febre baixa. T 37,9 graus Celsius, FC 148 bpm, mucosas discretamente secas, turgor preservado, diurese reduzida e criança irritada, porém bebendo líquidos avidamente. A mãe informa que a criança não recebeu as doses da vacina oral prevista no primeiro semestre de vida. Qual a conduta indicada?
A terapia de reidratação oral com sais específicos e reavaliação é a conduta na desidratação leve a moderada, situação sugerida por criança irritada, sedenta, com mucosas discretamente secas e turgor preservado. O antibiótico não tem papel na gastroenterite viral e favorece resistência. O jejum absoluto prolongado é contraindicado, pois a realimentação precoce reduz a duração da diarreia. A hidratação endovenosa é reservada à desidratação grave ou à falha da via oral. O antiparasitário empírico não se justifica em quadro agudo com características virais.
Menino, 11 meses, não vacinado contra rotavírus, apresenta vômitos há 2 dias seguidos de diarreia aquosa volumosa, sem sangue ou muco, com febre baixa. FC 138 bpm, FR 32 ipm, T 37,8 °C; mucosas discretamente secas, com boa diurese e sem letargia. Hemograma sem leucocitose; exame de fezes sem leucócitos fecais e sem sangue oculto detectável na amostra analisada. Qual a conduta indicada?
Diarreia aquosa sem sangue, sem leucócitos fecais e com vômitos precedendo o quadro em lactente não vacinado sugere etiologia viral, provavelmente rotavírus, tratada com reidratação oral com sais de osmolaridade reduzida, suplementação de zinco por dez a quatorze dias e manutenção da alimentação. O antibiótico não tem indicação em diarreia aquosa viral. O jejum absoluto favorece desnutrição e atrofia vilositária. A coprocultura não é obrigatória em quadro aquoso sem sinais de invasão. O antiparasitário empírico não se justifica sem evidência de protozoose no exame de fezes.
Menina, 4 anos, apresenta diarreia com sangue e muco, cólicas intensas e tenesmo há 3 dias, com febre alta. FC 128 bpm, FR 26 ipm, T 39,0 °C; abdome doloroso difusamente, sem massas. Leucócitos 18.200/mm³ (VR 5.000–15.000) com desvio à esquerda; leucócitos fecais presentes em grande quantidade. A criança está hidratada e aceita líquidos por via oral, sem sinais de toxemia grave. Qual a conduta indicada?
Disenteria febril com leucócitos fecais em criança sugere agente invasivo, como Shigella ou Campylobacter, indicando coleta de coprocultura e antibioticoterapia conforme a avaliação clínica e o agente suspeito, além de hidratação e manutenção da dieta. A loperamida é contraindicada em disenteria pelo risco de megacólon tóxico e de prolongar a excreção do agente. O corticoide não tem papel em diarreia infecciosa. O jejum absoluto por 48 horas prejudica a recuperação da mucosa. O albendazol trata helmintos e não tem ação sobre bactérias enteroinvasivas.
Menina, 10 meses, com diarreia e vômitos há 3 dias, chega letárgica e sem conseguir beber. FC 178 bpm, PA 68x40 mmHg, FR 48 ipm, T 36,2 °C; extremidades frias, enchimento capilar de 5 segundos, olhos muito encovados e sinal da prega muito lento. Peso atual 7,2 kg, com peso prévio de 8,3 kg registrado há duas semanas na unidade básica de saúde. Qual a conduta indicada?
Letargia, incapacidade de beber, enchimento capilar prolongado e hipotensão caracterizam desidratação grave com choque, indicando plano C, com expansão intravenosa rápida usando cristaloide isotônico em bolus repetidos até restaurar a perfusão, seguida de reidratação e reintrodução precoce da via oral. O plano B destina-se à desidratação moderada em criança que ainda bebe. A gastróclise é alternativa quando não há acesso venoso, mas não em choque estabelecido. O antibiótico não precede a ressuscitação volêmica. Hidratação de manutenção sem expansão não corrige o déficit nem reverte a hipoperfusão.
Menino de 2 anos apresenta diarreia aquosa há 2 dias, com cerca de oito evacuações diárias e vômitos ocasionais. Está irritado, com olhos encovados, mucosas secas, sedento ao oferecer líquidos, com sinal da prega desfazendo-se lentamente e diurese reduzida. FC 148 bpm, PA 96x58 mmHg, tempo de enchimento capilar de 2 segundos. Aceita líquidos oferecidos com colher, sem vômitos incoercíveis. Qual a conduta indicada?
A terapia de reidratação oral supervisionada na unidade, com reavaliação periódica, é a conduta na desidratação moderada, caracterizada por sede, olhos encovados, mucosas secas e sinal da prega lento, sem sinais de choque. A hidratação endovenosa em bolus é reservada à desidratação grave ou à falha da via oral. O antibiótico empírico não é indicado em diarreia aquosa sem sinais de invasão. O jejum absoluto prolongado é contraindicado, pois a realimentação precoce reduz a duração do quadro. Dar alta sem reidratar deixa a criança sob risco de piora.
Menina, 2 anos, com diarreia aquosa há 3 dias, sem sangue e sem sinais de desidratação, é atendida na unidade básica de saúde. FC 108 bpm, FR 24 ipm, T 37,2 °C; mucosas úmidas, diurese preservada e boa aceitação de líquidos. Peso 12 kg, mantido em relação à consulta anterior. A mãe recebe orientação sobre o plano A e a suplementação recomendada pelo Ministério da Saúde. Qual a orientação correta sobre o zinco?
A suplementação de zinco por 10 a 14 dias é recomendada para todas as crianças com diarreia aguda, reduzindo a duração e a gravidade do episódio e a recorrência nos meses seguintes. Restringir o zinco à desidratação grave contraria a recomendação, que é universal na faixa etária. A dose única no primeiro dia é insuficiente, pois o benefício depende do curso completo. O zinco não é contraindicado em menores de cinco anos, sendo justamente essa a população-alvo. O zinco complementa, mas não substitui, a terapia de reidratação oral, que permanece o pilar do tratamento.
Lactente de 11 meses, não vacinado contra rotavírus, apresenta há 3 dias vômitos seguidos de diarreia aquosa muito volumosa, sem sangue ou muco, com febre de 38,5 °C. FC 148 bpm, FR 34 ipm, T 38,3 °C, mucosas secas, olhos encovados, bebe avidamente quando oferecido líquido e apresenta sinal da prega com retorno lento. Sódio 138 mEq/L (VR 135 a 145); pH 7,30; HCO3 17 mEq/L. Qual a conduta mais adequada?
A terapia de reidratação oral com solução de osmolaridade reduzida é a conduta correta nessa desidratação com algum grau de perda, correspondente ao plano B, com criança alerta e capaz de beber avidamente, mantendo-se a alimentação e o aleitamento e associando zinco. O antibiótico não está indicado em diarreia aquosa sem sangue, de etiologia presumivelmente viral. Antiperistálticos são contraindicados em lactentes e o antiemético isolado com alta imediata não corrige a desidratação. A solução glicosada a 5% isolada não repõe sódio e pode agravar distúrbios eletrolíticos. Suspender a alimentação por 24 horas é conduta ultrapassada e prejudicial à recuperação da mucosa.
Menino de 7 anos, residente em região com surto de doença diarreica, apresenta há 12 horas diarreia aquosa muito volumosa, sem febre, com aspecto claro e grumos esbranquiçados, além de vômitos. FC 148 bpm, PA 78x44 mmHg, letárgico, com olhos muito encovados, sinal da prega com retorno muito lento e incapaz de beber. Potássio 2,9 mEq/L (VR 3,5 a 5,0); HCO3 12 mEq/L (VR 22 a 26); pH 7,18. Qual a conduta imediata mais adequada?
A hidratação venosa rápida com Ringer lactato, correspondente ao plano C, seguida de antibiótico após a estabilização, é a conduta imediata na cólera com desidratação grave, quadro definido por letargia, incapacidade de beber, hipotensão e acidose metabólica com hipocalemia. A reidratação oral exclusiva é insuficiente e insegura em criança letárgica que não consegue beber. O antibiótico isolado sem reposição volêmica não corrige o choque, que é a causa imediata de morte. A loperamida é contraindicada em crianças e não substitui a reposição de perdas. A solução glicosada a 5% em manutenção lenta não repõe sódio nem restaura a volemia.
Criança de dois anos tem diarreia aquosa e vômitos há dois dias. Está alerta, com sede e redução discreta de diurese, sem sangue nas fezes, choque ou incapacidade persistente de beber. Qual intervenção dirigida à causa é a mais adequada entre as opções?
A absorção acoplada de sódio e glicose permanece útil; refrigerantes não substituem a solução de reidratação. Referência: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/diarrhoeal-disease
Criança de dois anos tem diarreia aquosa e vômitos há dois dias. Está alerta, com sede e redução discreta de diurese, sem sangue nas fezes, choque ou incapacidade persistente de beber. Qual é o diagnóstico mais provável?
Perdas digestivas com sinais leves a moderados e capacidade de beber favorecem reidratação oral. Referência: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/diarrhoeal-disease
Criança de dois anos tem diarreia aquosa e vômitos há dois dias. Está alerta, com sede e redução discreta de diurese, sem sangue nas fezes, choque ou incapacidade persistente de beber. Qual mecanismo explica melhor o quadro?
A reposição deve acompanhar déficit e perdas em curso, sem depender de interromper a diarreia. Referência: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/diarrhoeal-disease
Criança de dois anos tem diarreia aquosa e vômitos há dois dias. Está alerta, com sede e redução discreta de diurese, sem sangue nas fezes, choque ou incapacidade persistente de beber. Qual achado complementar favorece especificamente essa hipótese?
Sinais de perfusão e consciência ajudam a identificar quem precisa de ressuscitação venosa. Referência: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/diarrhoeal-disease
Paciente pediátrico com shigelose comprovada apresenta doença sistêmica importante e indicação clínica de antibiótico; o antibiograma está disponível. Qual medida responde melhor à prioridade descrita?
A sensibilidade do agente deve orientar a escolha antimicrobiana. Shigelose grave pode exigir antibiótico; escolha deve considerar resistência e avaliação clínica. Isso não se aplica indiscriminadamente a toda diarreia sanguinolenta. Referência: https://www.cdc.gov/shigella/treatment/index.html
Criança imunocomprometida tem shigelose grave documentada, com suporte hídrico em curso. Busca-se a intervenção etiológica adicional indicada. Qual medida responde melhor à prioridade descrita?
A doença grave confirmada favorece antimicrobiano direcionado. Shigelose grave pode exigir antibiótico; escolha deve considerar resistência e avaliação clínica. Isso não se aplica indiscriminadamente a toda diarreia sanguinolenta. Referência: https://www.cdc.gov/shigella/treatment/index.html
Criança estável perde líquidos por diarreia, consegue beber e não tem distúrbio neurológico. Os pais oferecem refrigerante como único líquido de reposição. Qual medida responde melhor à prioridade descrita?
Solução de reidratação tem composição apropriada para repor perdas. A via enteral é preferível quando a criança pode beber e não há choque; solução de reidratação oral repõe água e eletrólitos. Referência: https://www.rch.org.au/clinicalguide/guideline_index/Gastroenteritis/
Criança com desidratação moderada está consciente, sem sinais de choque, e tolera a oferta enteral supervisionada. Pergunta-se pela estratégia inicial de reidratação. Qual medida responde melhor à prioridade descrita?
A via enteral permanece apropriada se há tolerância e estabilidade. A via enteral é preferível quando a criança pode beber e não há choque; solução de reidratação oral repõe água e eletrólitos. Referência: https://www.rch.org.au/clinicalguide/guideline_index/Gastroenteritis/
Escolar com infecção intestinal por Shigella confirmada apresenta quadro grave e necessidade de tratamento específico, após avaliação de resistência local. Qual medida responde melhor à prioridade descrita?
A terapêutica deve ser direcionada ao agente e à sensibilidade. Shigelose grave pode exigir antibiótico; escolha deve considerar resistência e avaliação clínica. Isso não se aplica indiscriminadamente a toda diarreia sanguinolenta. Referência: https://www.cdc.gov/shigella/treatment/index.html
Criança com gastroenterite apresenta desidratação leve, está alerta, bebe voluntariamente e mantém perfusão normal. A equipe precisa escolher a via inicial de reposição. Qual medida responde melhor à prioridade descrita?
A tolerância oral e a ausência de choque favorecem solução oral. A via enteral é preferível quando a criança pode beber e não há choque; solução de reidratação oral repõe água e eletrólitos. Referência: https://www.rch.org.au/clinicalguide/guideline_index/Gastroenteritis/
Criança tem disenteria grave com Shigella confirmada, persistência de febre e susceptibilidade antimicrobiana conhecida. A hidratação já está corrigida. Qual medida responde melhor à prioridade descrita?
O quadro grave confirmado justifica tratamento antibacteriano direcionado. Shigelose grave pode exigir antibiótico; escolha deve considerar resistência e avaliação clínica. Isso não se aplica indiscriminadamente a toda diarreia sanguinolenta. Referência: https://www.cdc.gov/shigella/treatment/index.html
Escolar com diarreia aquosa tem sede e mucosas pouco secas, sem choque, íleo ou alteração de consciência, aceitando pequenos volumes frequentes. Qual medida responde melhor à prioridade descrita?
A reposição oral fracionada é adequada nesse cenário. A via enteral é preferível quando a criança pode beber e não há choque; solução de reidratação oral repõe água e eletrólitos. Referência: https://www.rch.org.au/clinicalguide/guideline_index/Gastroenteritis/
Quer treinar mais nesse tema? Estas questões vêm do nosso banco — lá tem milhares, com simulado, maratona e estatística de acerto por área.
Criar conta grátis e continuar →Plano de revisão
em 7 dias
Escreva de memória o quadro de avaliação em três colunas, na ordem observe e explore, e marque quais três sinais levam asterisco. Depois enuncie a regra de decisão em uma frase, incluindo o que fazer na dúvida entre duas colunas. Em seguida, os volumes: Plano A por faixa etária, com o degrau em 12 meses; Plano B em mL/kg e em quantas horas; e o Plano C inteiro — as duas etapas, os dois volumes e os dois tempos, separados por faixa etária, mais a exceção do recém-nascido e do cardiopata grave. Por fim, a dose e a duração do zinco nas duas faixas de idade.
em 30 dias
Refaça o quadro de avaliação e os volumes dos três planos sem consultar. Depois reconstrua as seis classificações da diarreia do quadro do AIDPI, com os sinais e a conduta de cada uma. Escreva a fase de manutenção do Plano C pela regra de Holliday e Segar nas três faixas de peso, mais a reposição e o cloreto de potássio. Liste as indicações de antibiótico e escreva o esquema atual por faixa de peso, dizendo qual droga saiu de cena e por quê. Escreva a dose de ondansetrona nas três faixas e a única situação em que ela entra. Diga o que fazer no Plano C quando não há acesso venoso, com os dois prazos que decidem. Enuncie a definição de diarreia persistente e os dois critérios de encaminhamento hospitalar. Por fim, para cada uma das cinco divergências do capítulo, escreva as posições, quem sustenta cada uma, o ano de cada documento e a marca no enunciado que revela em qual deles a questão foi montada.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Lactente de 9 meses chega à Unidade Básica de Saúde com diarreia líquida há dois dias e vômitos desde ontem. A mãe conta que ele está mais irritado que o normal, que 'agarra a mamadeira com sede' e que a fralda está seca há algumas horas. Conduza a consulta: colha a história da diarreia, avalie o estado de hidratação pelo quadro do Ministério da Saúde, classifique, escolha o plano com o volume e o tempo corretos e defina o que orientar à mãe antes de ela sair da unidade. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
