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Clínica MédicaGeriatria

Demências e comprometimento cognitivo

Separar envelhecimento normal, CCL e demência; reconhecer os perfis de Alzheimer, vascular, Lewy, frontotemporal e das causas reversíveis; e aplicar as faixas de MEEM e CDR que o PCDT de 2025 usa para autorizar cada fármaco no SUS.

01

Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Mulher de 72 anos é trazida ao pronto-socorro por familiar que refere, no último ano, esquecimentos progressivos de fatos recentes, repetição das mesmas perguntas, dificuldade de encontrar palavras e desorientação em locais familiares. Nega início súbito, quedas, alucinações ou flutuação do nível de consciência. Exame neurológico sem déficit focal; mini-exame do estado mental 19/30. Exames laboratoriais (TSH, B12, função renal e hepática) e TC de crânio sem alterações agudas, com atrofia cortical difusa. Qual é o diagnóstico MAIS provável?

02

Como esse tema cai

O Brasil envelheceu antes de enriquecer, e as provas sabem disso. O Relatório Nacional sobre a Demência (Ministério da Saúde, 2024) estima que cerca de 8,5% da população com 60 anos ou mais vive com demência — aproximadamente 1,8 milhão de pessoas —, com projeção de ultrapassar 5 milhões até 2050. A doença de Alzheimer é a causa mais comum, seguida do comprometimento cognitivo vascular, e a forma mista é frequente no idoso. Em 2024 o país ganhou uma política nacional específica (Lei nº 14.878/2024) e, em novembro de 2025, um PCDT de Alzheimer inteiramente reescrito — combinação que costuma anunciar tema quente de prova.

O que as bancas cobram é menos a fisiopatologia e mais a clínica aplicada: decidir se o esquecimento é envelhecimento normal, comprometimento cognitivo leve ou demência; interpretar o MEEM sem cair na armadilha da escolaridade; farejar a causa reversível escondida (hipotireoidismo, B12, hidrocefalia de pressão normal, hematoma subdural, depressão); reconhecer o perfil de cada etiologia — o amnésico insidioso do Alzheimer, o disexecutivo lentificado do vascular, o alucinado flutuante do Lewy, o desinibido frontotemporal — e tratar segundo a régua do SUS: anticolinesterásicos, memantina e as faixas de MEEM e CDR que o PCDT usa para autorizar cada um.

03

O que muda decisão

Do esquecimento benigno à demência: a régua é a funcionalidade

Três categorias organizam todo o capítulo. No envelhecimento normal há lentificação discreta e lapsos ocasionais (esquecer onde deixou a chave), sem piora progressiva e sem prejuízo nas atividades. No comprometimento cognitivo leve (CCL) existe declínio objetivo em teste, além do esperado para idade e escolaridade, mas a funcionalidade está preservada — a pessoa segue administrando finanças, medicações e vida social, ainda que com mais esforço. Na demência (transtorno neurocognitivo maior, no DSM-5) o declínio cognitivo compromete a independência: alguém precisou assumir as contas, os remédios, o fogão. É a perda de funcionalidade, não o número do teste, que separa CCL de demência.

Duas consequências práticas. Primeira: a anamnese com um informante confiável vale tanto quanto o teste — instrumentos como o Questionário de Atividades Funcionais de Pfeffer (FAQ) e o IQCODE, aplicados ao acompanhante, documentam o declínio funcional que o paciente minimiza. Segunda: início agudo não é demência. Quadro confusional que começou em dias, flutua ao longo do dia e cursa com desatenção é delirium até prova em contrário, e exige busca de causa aguda (infecção, fármaco, distúrbio metabólico). Demência se instala em meses a anos; o delirium frequentemente se sobrepõe a ela, mas nunca deve ser rotulado como 'piora da demência' sem investigação.

A depressão do idoso completa o trio de imitadores. Na chamada pseudodemência depressiva o início é subagudo e datável, o paciente se queixa espontânea e intensamente da memória (no Alzheimer quem se queixa é a família), responde 'não sei' em vez de errar, e o desempenho melhora com incentivo — e com o tratamento antidepressivo. O erro de rotular depressão como demência degenerativa priva o paciente de uma condição inteiramente tratável; o inverso, tratar demência incipiente como 'só depressão', atrasa o diagnóstico. Na dúvida, trata-se a depressão e reavalia-se a cognição depois da resposta.

Rastreio cognitivo e a armadilha da escolaridade

O MEEM (0 a 30 pontos) segue sendo o teste breve mais cobrado, e a pegadinha clássica é aplicá-lo com corte único. O desempenho depende fortemente da escolaridade: o estudo normativo brasileiro de Brucki e colaboradores (2003) encontrou medianas de 20 pontos em analfabetos, 25 com 1 a 4 anos de estudo, 26,5 com 5 a 8, 28 com 9 a 11 e 29 acima de 11 anos. Um analfabeto com 19 pontos pode ser normal; um professor universitário com 26 pode estar francamente doente. A ABN recomenda sempre interpretar o rastreio ajustado à escolaridade e complementá-lo com testes de outros domínios — fluência verbal (fonêmica e semântica), teste do desenho do relógio, span de dígitos — e com uma escala funcional aplicada ao informante.

O MoCA é alternativa mais exigente, com mais itens executivos, útil quando a queixa é consistente e o MEEM veio 'normal' — cenário típico do CCL e de pacientes de alta escolaridade. Para populações de baixa escolaridade, a Bateria Breve de Rastreio Cognitivo (BBRC), com as 10 figuras, sofre menos interferência do estudo formal. O estadiamento se faz com o CDR (Clinical Dementia Rating): 0 é normal, 0,5 questionável (território do CCL), 1 demência leve, 2 moderada e 3 grave — e é essa escala, ao lado do MEEM, que o PCDT usa para autorizar e interromper fármacos no SUS.

Todo primeiro diagnóstico sindrômico de demência obriga a excluir causa potencialmente reversível. O laboratório mínimo inclui hemograma, TSH e T4 livre, vitamina B12, função renal e hepática, glicemia e eletrólitos com cálcio; sorologia para sífilis entra na rotina da ABN, e anti-HIV nos quadros atípicos ou pré-senis. Neuroimagem estrutural é para todos: TC de crânio serve na atenção primária, mas a ressonância magnética é o método de escolha — além de excluir tumor, hematoma subdural crônico e hidrocefalia, ela gradua a atrofia temporal medial (escala MTA, anormal se ≥2 antes dos 75 anos e ≥3 depois) e quantifica a carga vascular.

Biomarcadores fisiopatológicos — beta-amiloide e tau no líquor, PET amiloide — não são exame de rotina. A ABN os reserva para demência pré-senil (início antes dos 65 anos), apresentações atípicas ou dúvida diagnóstica relevante em nível terciário. Com a chegada das terapias anti-amiloide, que exigem patologia amiloide confirmada, essa fronteira tende a se mover nos próximos anos — mas, para a prova, biomarcador de rotina em idoso com quadro típico continua errado.

Doença de Alzheimer: o protótipo amnésico e a régua do PCDT

A doença de Alzheimer (da) resulta do acúmulo extracelular de beta-amiloide e da degeneração neurofibrilar por tau hiperfosforilada, com perda precoce de neurônios colinérgicos e atrofia que começa na região temporal medial. A tradução clínica é o quadro que toda banca descreve: início insidioso, piora lentamente progressiva, comprometimento inicial da memória episódica — repetir perguntas, esquecer compromissos e onde guardou pertences — seguido de desorientação, anomia, dificuldades executivas e visuoespaciais, até a dependência completa. O diagnóstico em vida é clínico: da provável pelos critérios NIA-AA (2011), que o PCDT 2025 adota por extenso com endosso da ABN.

Os mesmos critérios trazem as condições que afastam o diagnóstico, e elas caem em prova como alternativas erradas: doença cerebrovascular importante (AVC temporalmente ligado ao declínio, infartos múltiplos ou extensos, lesão acentuada de substância branca), características centrais de demência com corpos de Lewy, da variante comportamental da demência frontotemporal ou de afasia progressiva primária, e qualquer outra doença ativa ou fármaco com efeito relevante sobre a cognição. Memória, vale notar, deixou de ser obrigatória: formas atípicas (visuoespacial, logopênica, disexecutiva) existem, sobretudo nos casos pré-senis.

O tratamento específico disponível no SUS atua em dois sistemas. Os inibidores da acetilcolinesterase — donepezila (5 a 10 mg/dia), rivastigmina (6 a 12 mg/dia oral ou adesivo transdérmico, que dá menos efeito gastrointestinal com eficácia semelhante) e galantamina (16 a 24 mg/dia) — são indicados na demência leve a moderada; a donepezila é a única que o protocolo mantém até a fase grave. A memantina, antagonista do receptor NMDA, entra na fase moderada (em monoterapia ou associada a um anticolinesterásico) e na grave (isolada ou com donepezila), na dose-alvo habitual de 20 mg/dia. O efeito de todos é sintomático e modesto — retarda declínio, não muda a neuropatologia — e a troca de um anticolinesterásico por outro só se justifica por intolerância, nunca por 'falta de resposta'.

O PCDT operacionaliza tudo isso em faixas de MEEM ajustadas por escolaridade (mais de 4 anos versus até 4 anos de estudo) cruzadas com o CDR — a tabela deste capítulo traz os números, que valem decorar para questões de dispensação. Também define quando parar: galantamina e rivastigmina são interrompidas se, após pelo menos 6 meses, não houver melhora nem estabilização, se o MEEM cair abaixo de 12 (ou de 8 na baixa escolaridade) ou se o paciente atingir CDR 3. Antes de prescrever, cheque as exclusões: bradicardia sintomática, bloqueio atrioventricular de 2º ou 3º grau, doença do nó sinusal, insuficiência cardíaca ou arritmia graves e broncoespasmo grave descompensado contraindicam anticolinesterásicos; a galantamina exige fígado e rim funcionantes; a memantina só é vetada na falência renal extrema (clearance abaixo de 5 mL/min).

Fora do SUS, o cenário mudou de figura: os anticorpos monoclonais anti-amiloide lecanemabe e donanemabe, aprovados pela FDA em 2023 e 2024, mostraram redução modesta da velocidade de declínio na doença inicial. A Anvisa registrou o lecanemabe em janeiro de 2026, com indicação restrita a CCL ou demência leve por da com patologia amiloide confirmada e restrição pelo genótipo ApoE ε4 (uso vetado em homozigotos, pelo risco de ARIA — edema e micro-hemorragias vistos à RM de monitoramento). O PCDT publicado semanas antes não os incorpora, e o bloco de divergências detalha como esse descompasso aparece em prova.

Corte coronal comparando um encéfalo saudável e um com doença de Alzheimer, este com hipocampos atrofiados, ventrículos alargados e sulcos corticais aprofundados.
Na doença de Alzheimer a atrofia começa e predomina na região temporal medial (hipocampos) — por isso a memória episódica cai primeiro — e avança com alargamento ventricular e dos sulcos corticais.

Comprometimento cognitivo vascular: espectro, não evento único

A ABN (2022) adota o termo comprometimento cognitivo vascular (CCV) para todo o espectro cognitivo da doença cerebrovascular — do CCL vascular à demência vascular — e o divide em subtipos que a prova cobra pelo perfil: demência pós-AVC, com declínio que se estabelece em até 6 meses do evento; demência por múltiplos infartos, com a clássica piora 'em degraus'; doença de pequenos vasos (subcortical isquêmica), a forma mais prevalente; a forma hemorrágica; e a demência mista, em que patologia vascular e de Alzheimer coexistem — combinação frequente no idoso muito longevo.

A pegadinha central: o curso insidioso não exclui etiologia vascular. Na doença de pequenos vasos a isquemia é cumulativa e silenciosa, e o quadro progride devagar, imitando doença degenerativa. O perfil, porém, é outro: lentificação do processamento, síndrome disexecutiva (planejar, alternar, inibir), alteração precoce da marcha (passos curtos), sintomas urinários e labilidade emocional — com memória de evocação relativamente poupada quando se oferecem pistas, porque o problema é mais de busca que de armazenamento. O exame frequentemente mostra sinais focais discretos, liberação piramidal ou parkinsonismo de membros inferiores.

O diagnóstico exige neuroimagem compatível — sem lesão vascular na imagem, não há CCV. A RM é o método preferido: infartos estratégicos (tálamo, giro angular), lacunas em núcleos da base, hiperintensidades confluentes de substância branca, micro-hemorragias. Os critérios atuais (VICCCS, VASCOG, incorporados pela ABN 2022) restringem a exigência de relação temporal com AVC sintomático à forma pós-AVC — nas demais, basta a carga vascular suficiente para explicar o déficit. E o espectro não é fatalmente progressivo: parte dos casos de CCL vascular estabiliza ou até melhora com controle agressivo dos fatores de risco.

O tratamento é a prevenção secundária: controle rigoroso de pressão arterial, diabetes e lipídios, cessação do tabagismo, antiagregação ou anticoagulação conforme a etiologia do evento isquêmico (a anticoagulação é para fontes cardioembólicas como fibrilação atrial, não para 'demência vascular' em si), atividade física e reabilitação cognitiva. Não há fármaco específico aprovado para demência vascular pura, e o PCDT brasileiro de anticolinesterásicos cobre apenas a doença de Alzheimer — doença cerebrovascular importante é, inclusive, critério de exclusão diagnóstica. Na demência mista com componente de da, o tratamento anti-Alzheimer se aplica.

As outras que a prova adora: Lewy, frontotemporal, hidrocefalia e as reversíveis

Demência com corpos de Lewy (DCL): depois da da, a degenerativa mais comum. A tétrade nuclear é flutuação cognitiva (dias ou horas de lucidez alternando com confusão), alucinações visuais precoces, bem estruturadas e recorrentes, parkinsonismo espontâneo e transtorno comportamental do sono REM ('encenar os sonhos', muitas vezes anos antes). O detalhe que decide questões: hipersensibilidade grave a antipsicóticos — um haloperidol na emergência pode precipitar rigidez intensa, rebaixamento e até síndrome neuroléptica maligna. Antipsicóticos típicos são proibidos; se a psicose exigir fármaco, usa-se quetiapina em dose baixa, e os anticolinesterásicos (a rivastigmina é o mais estudado no espectro Lewy) ajudam cognição e alucinações. A convenção do 1 ano separa DCL (demência antes ou junto do parkinsonismo) da demência da doença de Parkinson (parkinsonismo estabelecido mais de um ano antes). Essa fronteira tem consequência prática na dispensação: a rivastigmina foi incorporada ao SUS em 2024 para a demência da doença de Parkinson e entrou no PCDT da doença refeito em 2025, pelo Componente Especializado — o capítulo de Doença de Parkinson e parkinsonismos detalha o acesso.

Demência frontotemporal variante comportamental (DFTvc): a demência pré-senil por excelência — pico entre 45 e 65 anos, quando é mais frequente que a da. O núcleo não é amnésia, é mudança de personalidade: desinibição social, apatia, perda de empatia, comportamentos compulsivos e perseverativos, hiperoralidade com mudança de preferência alimentar (doces). O MEEM pode vir enganosamente normal no início; a imagem mostra atrofia frontal e temporal anterior. Anticolinesterásicos não ajudam e podem piorar o comportamento. As afasias progressivas primárias (variante semântica, fluente e com perda do significado das palavras; variante não fluente, com agramatismo e apraxia de fala) pertencem ao mesmo espectro e aparecem nos critérios de exclusão da da.

Hidrocefalia de pressão normal (HPN): a tríade de Hakim na ordem que a prova cobra — primeiro a marcha (apráxica, 'magnética', passos curtos com pés colados ao chão, quedas), depois a urgência e incontinência urinária, por fim o declínio cognitivo frontal-subcortical. A imagem mostra ventriculomegalia desproporcional à atrofia cortical. O teste diagnóstico-terapêutico é a punção lombar de alívio (tap test), com reavaliação objetiva da marcha; resposta positiva indica derivação ventriculoperitoneal — uma das poucas demências operáveis. Confundi-la com Parkinson (a marcha não responde a levodopa) ou com da atrasa a única janela de reversibilidade.

As demais reversíveis fecham o rastreio obrigatório: hipotireoidismo, deficiência de B12, neurossífilis e HIV, hematoma subdural crônico (idoso anticoagulado com trauma banal esquecido), tumores frontais e a já discutida depressão. Acrescente a iatrogenia — anticolinérgicos, benzodiazepínicos, opioides e polifarmácia são causa tratável de declínio cognitivo no idoso e potencializam qualquer demência de base. Nenhuma lista de diferenciais está completa sem revisar a receita.

Sintomas comportamentais, cuidador e a política nacional

Cerca de 90% das pessoas com demência por da apresentarão ao menos um sintoma psicológico e comportamental (SPCD) — apatia, depressão, ansiedade, agitação, agressividade, delírios (o de roubo é típico), alucinações, perambulação, inversão do sono. Diante de um SPCD agudo, a primeira pergunta não é 'qual antipsicótico', é 'o que desencadeou': dor não verbalizada, infecção (urinária é a clássica), constipação, retenção urinária, fármaco novo, mudança de ambiente — ou seja, afastar delirium sobreposto. Resolvido o gatilho, a primeira linha é sempre não farmacológica: rotina estruturada, estimulação cognitiva, música, atividade física, manejo do ambiente e treinamento do cuidador.

Quando o sintoma persiste com sofrimento ou risco físico, a ABN indica antipsicótico atípico — risperidona em dose baixa como primeira escolha, pelo menor tempo possível e com reavaliação programada, informando a família do aumento de risco de eventos cerebrovasculares e de mortalidade associado à classe no idoso com demência. Aripiprazol e quetiapina são alternativas (a quetiapina é a opção no espectro Lewy e no parkinsonismo). Benzodiazepínicos devem ser evitados — sedação, quedas, piora cognitiva e efeito paradoxal —, assim como antidepressivos anticolinérgicos como a amitriptilina. Os próprios anticolinesterásicos e a memantina têm efeito modesto, porém real, sobre os SPCD.

O cuidado não farmacológico é o eixo do tratamento, e o cuidador é parte do paciente: sobrecarga, depressão e adoecimento do cuidador pioram o desfecho de ambos. Exercício físico regular e estimulação cognitiva têm recomendação forte; orientações de segurança (direção veicular, fogão, quedas, tutela de decisões financeiras) e o planejamento antecipado de cuidados devem entrar cedo, enquanto o paciente pode participar das decisões. Do lado das políticas públicas, a Lei nº 14.878/2024 instituiu a Política Nacional de Cuidado Integral às Pessoas com Doença de Alzheimer e Outras Demências, com diretrizes de capacitação da atenção primária e criação de linha de cuidado — e o Ministério da Saúde publicou guia de rastreio cognitivo inicial na APS, citado pelo próprio PCDT. Prevenção importa: boa parte do risco de demência é atribuível a fatores modificáveis ao longo da vida (hipertensão, diabetes, sedentarismo, tabagismo, perda auditiva, baixa escolaridade), e controlá-los é a única intervenção que reduz incidência em escala populacional.

04

Do rastreio ao estadiamento: o fluxo diagnóstico e as faixas do PCDT

A sequência abaixo resolve a maioria das questões: confirmar que há declínio real, excluir delirium e depressão, separar CCL de demência pela funcionalidade, rastrear reversíveis, tipar a etiologia pelo fenótipo com imagem e estadiar com o CDR — que, cruzado com o MEEM e a escolaridade, define o que o SUS autoriza.

  1. 1Queixa cognitiva (do paciente ou do informante) → teste breve (MEEM/MoCA ajustado à escolaridade) + escala funcional com informante (Pfeffer/FAQ, IQCODE)
  2. 2Início agudo, curso flutuante ou desatenção marcada → afastar delirium (causa aguda, fármacos) antes de qualquer rótulo
  3. 3Declínio objetivo COM funcionalidade preservada → CCL; COM perda de independência → demência
  4. 4Rastreio de reversíveis para todos: hemograma, TSH/T4L, B12, função renal e hepática, glicemia, eletrólitos e cálcio, sífilis (HIV se atípico) + TC ou, de preferência, RM de crânio
  5. 5Fenótipo clínico + imagem definem a etiologia: amnésico insidioso (DA), disexecutivo com carga vascular (CCV), tétrade flutuante (DCL), comportamental pré-senil (DFT), tríade com ventriculomegalia (HPN)
  6. 6Estadiar com CDR (e MEEM) → elegibilidade dos fármacos do PCDT, plano de segurança e suporte ao cuidador

CDR 0,5 — questionável (território do CCL)

Esquecimento leve e consistente, prejuízo apenas duvidoso nas atividades; funcionalidade mantida. Sem fármaco anti-demência: exercício, estimulação cognitiva, fatores de risco e reavaliação periódica.

CDR 1 — demência leve

Perda funcional clara nas atividades instrumentais (finanças, medicações). No Alzheimer: anticolinesterásico em monoterapia (PCDT: MEEM 12–24 se >4 anos de estudo; 8–21 se ≤4).

CDR 2 — demência moderada

Dependência parcial também para atividades básicas; supervisão frequente. PCDT: memantina entra (monoterapia ou associada a um anticolinesterásico) na faixa MEEM 12–19 (>4 anos) ou 8–15 (≤4).

CDR 3 — demência grave

Dependência total, comunicação mínima. PCDT (MEEM 5–11 ou 3–7 conforme escolaridade): memantina e/ou donepezila — galantamina e rivastigmina são interrompidas nesta fase.

EtiologiaInício e cursoMarca clínicaNeuroimagem típicaPista de prova
Doença de AlzheimerInsidioso, lentamente progressivoMemória episódica primeiro: repete perguntas, perde objetosAtrofia temporal medial (hipocampos), MTA elevadaFamília se queixa, paciente minimiza; workup reversível negativo
Comprometimento cognitivo vascularEm degraus (multi-infarto) OU insidioso (pequenos vasos)Lentificação + disexecutivo; marcha e urina precoces; labilidadeInfartos, lacunas, leucoaraiose confluenteHipertenso/diabético; memória melhora com pistas; sinais focais
Demência com corpos de LewyProgressivo com FLUTUAÇÃO marcadaAlucinações visuais precoces + parkinsonismo + sono REM agitadoAtrofia difusa; hipocampos relativamente poupadosPiora dramática com haloperidol (sensibilidade neuroléptica)
Frontotemporal (variante comportamental)Pré-senil (45–65 anos), progressivoDesinibição, apatia, hiperoralidade, perseveração; memória tardiaAtrofia frontal e temporal anteriorMEEM pode vir normal no início; 'mudou a personalidade'
Hidrocefalia de pressão normalSubagudo a crônico (meses)Tríade: marcha magnética → incontinência → cognição frontalVentriculomegalia desproporcional à atrofiaTap test com melhora da marcha → derivação: demência operável

Elegibilidade farmacológica no PCDT da doença de Alzheimer (2025): MEEM por escolaridade + CDR

EsquemaMEEM se >4 anos de estudoMEEM se ≤4 anos de estudoCDR (fase)
Galantamina OU rivastigmina em monoterapia12–248–211 ou 2 (leve/moderada)
Donepezila em monoterapia12–24 (leve/moderada) ou 5–11 (grave)8–21 ou 3–71–2 ou 3 — única IChE que segue na fase grave
Memantina em monoterapia5–113–73 (grave)
Memantina + galantamina ou rivastigmina12–198–152 (moderada)
Memantina + donepezila12–19 (moderada) ou 5–11 (grave)8–15 ou 3–72 ou 3

Investigação mínima do declínio cognitivo — o que cada exame procura

ExameO que procura
HemogramaAnemia, infecção crônica, macrocitose sugerindo carência de B12
TSH e T4 livreHipotireoidismo — demência reversível clássica
Vitamina B12Deficiência: declínio cognitivo + mielopatia/neuropatia
Glicemia, função renal e hepática, eletrólitos e cálcioEncefalopatias metabólicas, hipercalcemia, uremia
Sorologia para sífilis (e anti-HIV se atípico ou pré-senil)Neurossífilis e demência associada ao HIV — tratáveis
TC ou RM de crânio (RM preferencial, para todos)Hematoma subdural, tumor, hidrocefalia, carga vascular, padrão de atrofia (MTA)

Medianas do MEEM por escolaridade na população brasileira (Brucki et al., 2003)

EscolaridadeMediana do MEEM
Analfabetos20
1 a 4 anos25
5 a 8 anos26,5
9 a 11 anos28
Mais de 11 anos29

Interrupção de galantamina/rivastigmina (PCDT): sem melhora ou estabilização após ≥6 meses; MEEM abaixo de 12 (>4 anos de estudo) ou de 8 (≤4 anos); ou CDR 3.

Troca de um anticolinesterásico por outro: apenas por intolerância — falta de resposta não justifica troca.

Contraindicações dos anticolinesterásicos: bradicardia sintomática, BAV de 2º/3º grau, doença do nó sinusal, IC ou arritmia graves, asma/DPOC graves descompensadas; galantamina também em insuficiência hepática ou renal graves. Memantina: apenas clearance <5 mL/min.

O CDR estadia qualquer demência, mas as faixas de elegibilidade do PCDT valem para doença de Alzheimer — doença cerebrovascular importante é critério de exclusão do protocolo.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Anticorpos anti-amiloide: registrados no país, ausentes do SUS

Agências regulatórias (FDA 2023/2024; Anvisa, jan/2026)

Lecanemabe e donanemabe retardam o declínio na doença de Alzheimer inicial com patologia amiloide confirmada. A Anvisa registrou o lecanemabe em 08/01/2026 para CCL e demência leve por DA, com triagem de ApoE ε4 (risco de ARIA — edema e micro-hemorragias — exige RM seriada).

Notícia oficial Anvisa, 08/01/2026; aprovações FDA 2023 (lecanemabe) e 2024 (donanemabe)

PCDT/CONITEC (Portaria Conjunta nº 27, nov/2025)

O protocolo nacional reescrito em novembro de 2025 mantém como tratamento específico apenas anticolinesterásicos e memantina; nenhum anti-amiloide foi incorporado ao SUS. O descompasso tem causa concreta: custo elevado, efeito clínico modesto e exigência de infraestrutura (PET ou líquor para confirmar amiloide, genotipagem de ApoE, RM de monitoramento) indisponível em escala.

PCDT da Doença de Alzheimer, Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 27/2025

Na prova

O cenário denuncia o recorte: enunciado de SUS, farmácia especializada, PCDT ou UBS trabalha com anticolinesterásicos e memantina; enunciado de 'estado da arte', medicina privada ou pesquisa pode trazer os anti-amiloide. Alternativas citando confirmação de amiloide, ApoE ε4 ou ARIA sinalizam que a questão está no mundo das novas terapias — e uma alternativa que ofereça lecanemabe 'pelo SUS' contradiz o protocolo vigente.

Qual MEEM é 'baixo'? Faixas de elegibilidade do PCDT × normas de rastreio

PCDT 2025 (elegibilidade de tratamento)

Usa apenas duas faixas de escolaridade (mais de 4 anos; até 4 anos) e intervalos amplos de MEEM por fase (ex.: 12–24 e 8–21 para iniciar anticolinesterásico) — servem para autorizar e interromper fármaco, não para diagnosticar.

PCDT da Doença de Alzheimer, Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 27/2025

Normas brasileiras de rastreio (Brucki 2003, adotadas pela ABN 2022)

Cinco estratos de escolaridade com medianas de 20 (analfabetos) a 29 (>11 anos). Para rastreio clínico, o desempenho esperado depende finamente da escolaridade — um MEEM de 22 é preocupante no pós-graduado e pode ser normal no analfabeto.

Brucki et al., Arq Neuropsiquiatr 2003; recomendações ABN, Dement Neuropsychol 2022

Na prova

Questão de dispensação, alto custo ou seguimento farmacológico usa as duas faixas e os intervalos do PCDT; questão de consultório, rastreio ou interpretação de teste cobra o ajuste fino por escolaridade. Um enunciado que aplica corte único de 24 pontos para qualquer paciente está descrevendo prática incorreta — e isso costuma ser exatamente o que a questão quer que o candidato identifique.

Janela temporal entre AVC e demência: 3 ou 6 meses

NINDS-AIREN (1993)

Critérios clássicos de demência vascular provável: início da demência em até 3 meses após AVC reconhecido, com ênfase em curso abrupto ou em degraus.

Critérios NINDS-AIREN, 1993

VICCCS/ABN (2022)

A relação temporal objetiva passa a ser de até 6 meses e vale somente para o subtipo demência pós-AVC; nas formas por doença de pequenos vasos e multi-infarto sem AVC clínico, não se exige janela — o curso pode ser insidioso, desde que a neuroimagem mostre carga vascular suficiente.

Recomendações ABN para comprometimento cognitivo vascular, Dement Neuropsychol 2022

Na prova

O ano e o vocabulário do enunciado identificam o critério: 'NINDS-AIREN' ou 'curso em degraus obrigatório' apontam para a régua de 1993; 'comprometimento cognitivo vascular', 'VICCCS' ou aceitação de curso insidioso apontam para o consenso atual. Uma alternativa que exclua etiologia vascular só porque não houve AVC clínico conflita com a classificação de 2022.

06

Caso resolvido

Mulher, 74 anos, professora aposentada (14 anos de escolaridade). A filha relata 2 anos de esquecimento progressivo: repete as mesmas perguntas no mesmo dia, esqueceu duas panelas no fogo, perdeu-se voltando da padaria e no último ano a filha assumiu contas e medicações. Sem tristeza persistente, sem alucinações, sem quedas, marcha normal. MEEM 19; desenho do relógio muito alterado; Pfeffer 12 (elevado). Exame neurológico sem déficits focais, sem parkinsonismo. Hemograma, TSH, B12, glicemia, função renal e hepática, cálcio e VDRL normais. RM: atrofia temporal medial acentuada (MTA 3), raras hiperintensidades puntiformes de substância branca.
achado
Declínio amnésico insidioso e progressivo há 2 anos, corroborado por informante, COM perda de funcionalidade (finanças, medicações, fogão) — síndrome demencial, não CCL. Sem critérios de delirium (curso longo, sem flutuação aguda) e sem quadro depressivo.
interpretação
MEEM 19 está muito abaixo do esperado para 14 anos de escolaridade (mediana 29). Rastreio de causas reversíveis negativo. RM com atrofia hipocampal desproporcional e carga vascular irrelevante, sem características de Lewy, frontotemporal ou hidrocefalia: doença de Alzheimer provável pelos critérios NIA-AA endossados pelo PCDT e pela ABN.
estadiamento
Dependência para atividades instrumentais com atividades básicas preservadas: CDR 1 (demência leve). Pelo PCDT: MEEM entre 12 e 24 (>4 anos de estudo) + CDR 1 = elegível a anticolinesterásico em monoterapia.
conduta
Iniciar inibidor da acetilcolinesterase (ex.: donepezila 5 mg/dia, titulando para 10 mg) após checar frequência cardíaca e ECG se houver suspeita de distúrbio de condução; estimulação cognitiva e atividade física; orientar e apoiar a cuidadora; plano de segurança (fogão, direção, finanças); reavaliação em 6 meses com MEEM e CDR — sem melhora ou estabilização, reconsiderar o esquema conforme o protocolo.
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Agora feche você

Homem, 79 anos, levado à emergência por agitação noturna. A esposa descreve 1 ano de períodos alternados, no mesmo dia, de lucidez e confusão; vê 'crianças e um cachorro' dentro de casa com riqueza de detalhes; ficou mais lento e rígido, com duas quedas; há anos grita e esperneia durante os sonhos, já tendo atingido a esposa dormindo. Na triagem recebeu haloperidol 5 mg IM e evoluiu em poucas horas com rigidez intensa, sonolência profunda e piora global.
achado
Tétrade nuclear: flutuação cognitiva + alucinações visuais precoces e estruturadas + parkinsonismo espontâneo + transtorno comportamental do sono REM — com deterioração dramática após antipsicótico típico (hipersensibilidade neuroléptica).
interpretação
Demência com corpos de Lewy provável. A demência precedeu/acompanhou o parkinsonismo (convenção do 1 ano afasta demência da doença de Parkinson); a reação ao haloperidol é característica da doença e reforça o diagnóstico.
conduta
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Onde a banca derruba

  1. 1Rotular esquecimento progressivo como 'coisa da idade' Atrai porque o paciente minimiza e o exame rápido parece normal. Envelhecimento normal não faz repetir perguntas no mesmo dia nem perder autonomia. Quem denuncia a doença é o informante e a funcionalidade — sem entrevistar o acompanhante com escala funcional, o diagnóstico atrasa anos.
  2. 2MEEM com corte único, ignorando a escolaridade O corte 'menor que 24' decorado no internato gera dois erros simétricos: rotular de demente o analfabeto normal (mediana 20) e liberar como normal o pós-graduado com 26 pontos que já perdeu 3. Toda interpretação do MEEM começa pela pergunta 'quantos anos estudou?'.
  3. 3Chamar delirium de demência (e vice-versa) Confusão que começou em dias, flutua e cursa com desatenção é delirium: busca de causa aguda, revisão de fármacos. O erro atrai porque delirium adora acontecer em quem já tem demência — e a piora aguda vira 'progressão da doença' sem que ninguém peça o exame de urina ou revise a receita.
  4. 4Fechar Alzheimer sem rastrear as reversíveis A vinheta típica esconde um TSH de 40, uma B12 de 90 ou uma ventriculomegalia desproporcional. Hipotireoidismo, B12, neurossífilis, HIV, hematoma subdural e HPN são as demências que o clínico cura — e a banca considera erro grave iniciar donepezila sem o laboratório mínimo e a neuroimagem.
  5. 5Haloperidol no idoso que alucina Alucinação visual + parkinsonismo + flutuação = corpos de Lewy até prova em contrário, e antipsicótico típico pode precipitar rigidez grave, rebaixamento e síndrome neuroléptica maligna. A própria reação ao neuroléptico é dica diagnóstica em prova.
  6. 6Anticolinesterásico para comprometimento cognitivo leve Parece 'prevenção', mas não há benefício demonstrado em CCL — a ABN não recomenda e o PCDT só cobre demência por doença de Alzheimer. A conduta correta no CCL é atividade física, estimulação cognitiva, controle de fatores de risco e reavaliação periódica.
  7. 7Exigir AVC e 'curso em degraus' para etiologia vascular A doença de pequenos vasos — a forma mais comum de comprometimento cognitivo vascular — progride de modo insidioso, sem AVC clínico. Quem decide é a neuroimagem somada ao perfil disexecutivo-lentificado; a janela de 6 meses só se aplica ao subtipo pós-AVC.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

Correta: declínio cognitivo insidioso e progressivo com predomínio de perda de memória recente (amnésia), desorientação e afasia anômica, sem flutuação nem sinais focais, com atrofia cortical — quadro clássico de doença de Alzheimer. Demência por corpos de Lewy cursa com flutuação cognitiva, alucinações visuais e parkinsonismo. Demência vascular tem curso em degraus, associada a déficits focais e lesões vasculares na imagem. Demência frontotemporal predomina alteração de comportamento/personalidade ou linguagem, geralmente mais precoce. Delirium é agudo/flutuante, com alteração da atenção e do nível de consciência — ausente aqui.

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Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

Refaça de cabeça: (1) as três perguntas que separam envelhecimento normal, CCL e demência (declínio objetivo? funcionalidade? informante confirma?); (2) a tétrade da demência com corpos de Lewy e por que haloperidol é proibido; (3) a tríade da hidrocefalia de pressão normal na ordem certa; (4) as faixas de MEEM e CDR do PCDT para anticolinesterásico, memantina e para interromper galantamina/rivastigmina.

em 30 dias

Monte sem consultar a tabela dos cinco perfis (Alzheimer, vascular, Lewy, frontotemporal, HPN) com início, marca clínica, imagem e pista de prova; depois confira no capítulo. Refaça os dois casos clínicos e explique em voz alta por que o lecanemabe registrado pela Anvisa não aparece no PCDT de 2025.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Filha traz a mãe de 76 anos: há dois anos repete perguntas, deixou contas sem pagar e ontem esqueceu o fogão aceso. Conduza a consulta — rastreie a cognição, cace as causas reversíveis e explique o plano à família. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.