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Anemia ferropriva na infância

Três números mudaram há pouco: o corte de hemoglobina do lactente (OMS, 2024), o esquema profilático do SUS (PNSF, 2022) e a régua da Sociedade Brasileira de Pediatria, que em 2026 se alinhou ao programa. A prova cobra o número vigente — e a data em que ele passou a valer.

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Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Lactente de 14 meses, alimentado predominantemente com leite de vaca integral (mais de 800 mL/dia) e baixa ingesta de alimentos ricos em ferro, apresenta palidez cutâneo-mucosa há semanas. Exame: descorado 2+/4+, sem hepatoesplenomegalia. Hemograma: Hb 8,5 g/dL, VCM 68 fL (baixo), HCM baixa, RDW elevado, plaquetas normais. Qual o diagnóstico mais provável?

02

Como esse tema cai

No adulto, anemia ferropriva é uma pista: o corpo está perdendo sangue e a pergunta é por onde. Na criança pequena, quase nunca é isso. Entre 6 e 24 meses a causa dominante é dietética — a demanda de ferro do crescimento mais rápido da vida encontra uma alimentação que não a acompanha, e o que decide o desfecho é o que a criança come e o que ela bebe. Cinética do ferro, investigação de perda digestiva e ferro parenteral estão no capítulo de anemia ferropriva do adulto, na apostila de Hematologia; valem aqui sem repetição. O que é próprio da infância é outra coisa: o rastreio se organiza por idade, e a profilaxia é política pública, com dose escrita em portaria e registro na Caderneta da Criança.

Três números se mexeram recentemente, e é neles que a prova mora. A Organização Mundial da Saúde revisou em 2024 os cortes de hemoglobina que definem anemia e partiu a antiga faixa de 6 a 59 meses em duas, com corte mais baixo na primeira. O Programa Nacional de Suplementação de Ferro trocou, em 2022, a dose profilática por quilo por uma dose fixa diária em ciclos. E a Sociedade Brasileira de Pediatria, que sustentava 1 mg/kg/dia em 2018 e na atualização de 2021, incorporou o esquema do programa na atualização de março de 2026. Questão escrita antes dessas datas carrega o número antigo, e as alternativas denunciam a época.

O resto do capítulo se organiza em torno de três decisões. A primeira é se há anemia, e ela depende da idade antes de depender da hemoglobina. A segunda é se a anemia é ferropriva, e aí a ferritina só significa alguma coisa acompanhada da proteína C reativa. A terceira é o diferencial que custa caro: talassemia. Errar para o lado da ferropriva num talassêmico sem ferropenia não é omissão — é dar ferro a quem tende a acumular.

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O que muda decisão

Por que o lactente é o grupo de maior risco

Como usar este capítulo: percorra risco, rastreio, confirmação laboratorial, profilaxia e tratamento. Na primeira passagem, diferencie deficiência de ferro de anemia estabelecida e confirme resposta terapêutica; doses, duração e mudanças recentes dos pontos de corte vêm depois.

A criança nasce com um estoque de ferro que ela não escolheu: entre 60% e 80% dele se forma no terceiro trimestre da gestação, por transferência placentária. No recém-nascido a termo, com peso adequado e mãe sem deficiência, esse estoque é suficiente para os primeiros quatro a seis meses de vida. Não é coincidência que a alimentação complementar e a suplementação profilática comecem no mesmo mês: por volta dos 6 meses as reservas endógenas se esgotam, e a partir daí todo o ferro tem de vir de fora.

Vir de fora é difícil. A recomendação de ingestão diária de ferro para a criança acima de 6 meses até a adolescência é de 11 a 15 mg, e desse total só 0,5 a 1,5 mg são efetivamente absorvidos no duodeno e no jejuno proximal. A margem entre o que entra pela boca e o que chega à medula é estreita, e ela se estreita ainda mais quando a dieta é pobre em ferro heme — o das carnes, aves e peixes, com absorção estimada em torno de 20% — e rica nos inibidores da absorção do ferro não heme: fitatos, polifenóis do chá e do café, cálcio, fibras, fosfatos e as proteínas do leite e da soja.

Quem nasce antes do tempo ou pequeno demais começa com menos. A reserva é proporcional ao peso e à duração da gestação, e o prematuro ainda cresce mais rápido depois de nascer — dobra e triplica o peso em menos tempo, o que significa expandir a massa eritrocitária com um estoque menor. Nesse grupo o ferro acaba antes dos 6 meses, e por isso a profilaxia dele não espera: começa aos 30 dias de vida e é calculada por quilo, não em dose fixa.

Há uma última transferência de ferro possível, e ela dura minutos. O sangue que ainda está na placenta no momento do nascimento continua a passar para o recém-nascido enquanto o cordão não é clampeado. A recomendação da Organização Mundial da Saúde é não clampear antes de 1 minuto de vida no recém-nascido que não precisa de ventilação com pressão positiva, com a janela útil descrita entre 1 e 3 minutos; a diretriz brasileira de 2026 registra a mesma orientação como clampeamento preferencialmente após o primeiro minuto. É a intervenção mais barata do capítulo inteiro, feita uma única vez, e o efeito dela aparece meses depois, na hemoglobina do segundo semestre.

Do outro lado da conta está o leite de vaca. Ele tem 0,03 mg de ferro por 100 g, com absorção estimada em 10% — cerca de 0,003 mg absorvidos, contra 0,56 mg da mesma porção de carne bovina cozida. Mas o problema não é só a pobreza: o leite de vaca também inibe a absorção do ferro de outros alimentos e provoca microssangramento intestinal no lactente. São três mecanismos somados, e é por isso que ele é contraindicado no primeiro ano de vida, e limitado a 500 mL/dia depois dos 12 meses. Quando não é possível amamentar, a fórmula infantil é a opção, até por volta dos 12 meses.

Curva das reservas de ferro do lactente descendo do nascimento até o meio do primeiro ano, com marcas do clampeamento do cordão, da alimentação complementar e do leite de vaca.
As reservas formadas no terceiro trimestre bastam até os quatro a seis meses de vida. Depois disso, quem decide a curva é a dieta — e o leite de vaca no primeiro ano a puxa para baixo por três caminhos ao mesmo tempo: pouco ferro, inibição da absorção e microssangramento intestinal.

O corte de hemoglobina mudou, e as faixas da criança não são as do adulto

Em 2024 a Organização Mundial da Saúde revisou os pontos de corte de hemoglobina que definem anemia, os primeiros dos quais datavam de 1967. A mudança que interessa à pediatria é uma só, e é grande: a antiga faixa única de 6 a 59 meses, com corte em 11,0 g/dL, virou duas. Dos 6 aos 23 meses o corte caiu para 10,5 g/dL; dos 24 aos 59 meses ele permanece em 11,0 g/dL. O motivo declarado é que a régua anterior não acompanhava a ontogenia da hemoglobina nos primeiros anos: em amostras internacionais, o quinto percentil da hemoglobina fica em torno de 10,4 g/dL entre 6 e 23 meses e em torno de 11,0 g/dL entre 24 e 59 meses.

As demais faixas não se mexeram: 11,5 g/dL dos 5 aos 11 anos, 12,0 g/dL dos 12 aos 14 anos em ambos os sexos, 12,0 g/dL para mulheres não gestantes a partir dos 15 anos e 13,0 g/dL para homens. A diretriz da SBP de 2026 adota essa tabela como referência de diagnóstico clínico e epidemiológico, o que significa que, no Brasil, o corte de 10,5 g/dL para o lactente já é a régua da sociedade e não apenas da OMS.

A classificação de gravidade não foi revista — a própria OMS registrou que não havia evidência suficiente para mudar o método, que trabalha com percentuais do corte. Aplicado às faixas novas, isso dá, dos 6 aos 23 meses, anemia leve entre 9,5 e 10,4 g/dL, moderada entre 7,0 e 9,4 e grave abaixo de 7,0; dos 24 aos 59 meses, leve entre 10,0 e 10,9, moderada entre 7,0 e 9,9 e grave abaixo de 7,0. O corte de anemia grave é o mesmo nas duas faixas, e é ele que muda a urgência do atendimento no mesmo dia.

Abaixo dos 6 meses não existe corte da OMS, e essa é a armadilha mais elegante da matéria. O que se usa nessa faixa são valores de referência por idade, com limite inferior a dois desvios-padrão da média: 15,0 g/dL no recém-nascido a termo, 13,5 g/dL com uma semana, 12,5 g/dL com duas, 10,0 g/dL com um mês, 9,0 g/dL aos dois meses e 9,5 g/dL dos três aos seis meses. A queda até os dois meses é fisiológica — é o nadir do lactente, resultado da troca da hemoglobina fetal pela adulta e da queda da eritropoetina após o nascimento. Um bebê de dois meses com hemoglobina de 9,4 g/dL está dentro do esperado; tratá-lo como ferropriva é tratar uma curva normal.

O mesmo raciocínio vale para o volume corpuscular médio. O limite inferior é 70 fL dos 6 aos 24 meses, 75 fL dos 2 aos 6 anos e 77 fL dos 6 aos 12 anos. O corte de 80 fL, que serve ao adulto, reprovaria praticamente todo lactente saudável. Ler VCM de criança com régua de adulto produz microcitose onde não há, e é assim que aparece indicação de ferro em criança que não precisa.

Diagnóstico: o hemograma, a ferritina e o problema da inflamação

A deficiência de ferro é progressiva e tem três estágios, com assinaturas laboratoriais diferentes. No primeiro, a depleção dos estoques, só a ferritina cai — o hemograma e o ferro sérico ainda estão normais. No segundo, a deficiência de ferro propriamente dita, o ferro sérico cai, a capacidade total de ligação do ferro sobe e o índice de saturação da transferrina diminui, mas a hemoglobina ainda resiste. Só no terceiro estágio surge a anemia ferropriva, com queda do VCM e da hemoglobina corpuscular média e aumento do RDW. Intervir no primeiro estágio é o que evita o prejuízo cognitivo; esperar o terceiro é chegar depois que a criança já pagou o preço.

No hemograma, o RDW é o parâmetro que trai primeiro. Ele mede a anisocitose, e na ferropriva sobe porque a medula passa a produzir hemácias progressivamente menores enquanto as antigas ainda circulam — a população fica heterogênea antes de ficar francamente microcítica. Guardar essa ordem ajuda: RDW alto com VCM ainda no limite é ferropenia começando, e não hemograma normal.

A ferritina é o melhor marcador dos estoques corporais de ferro, e é também o mais traiçoeiro, porque é proteína de fase aguda. Numa criança com infecção de repetição, com doença inflamatória crônica ou obesa, ela sobe por um motivo que nada tem a ver com o ferro, e uma ferritina de 25 µg/L pode esconder depleção real. Por isso a ferritina nunca se pede sozinha: pede-se com proteína C reativa, e o corte usado depende do resultado dela.

Com PCR normal, define deficiência de ferro uma ferritina abaixo de 12 µg/L na criança menor de 5 anos e abaixo de 15 µg/L dos 5 anos em diante, incluindo adolescentes. Com PCR elevada, sinalizando infecção ou inflamação, os cortes sobem: abaixo de 30 µg/L na criança menor de 5 anos e abaixo de 70 µg/L dos 5 anos em diante. Usar o corte baixo numa criança inflamada é a forma mais comum de deixar de diagnosticar ferropenia — a ferritina de 20 µg/L que parece tranquilizadora está, num quadro inflamatório, dentro da faixa de deficiência.

Quando é preciso ir mais fundo, os parâmetros reticulocitários resolvem antes do restante. O conteúdo de hemoglobina dos reticulócitos é uma medida indireta do ferro disponível para a eritropoiese na medula, e cai precocemente, antes de a anemia se instalar; o volume reticulocitário médio também está diminuído na ferropriva. A contagem absoluta de reticulócitos, por método automatizado, é preferível à contagem manual por acurácia e reprodutibilidade. Para a prática e para a prova, porém, a tríade que basta na investigação inicial é hemograma, ferritina sérica e proteína C reativa.

Talassemia: o diferencial que não pode passar

Diante de uma criança microcítica e hipocrômica, ferropriva é a hipótese estatisticamente correta e a mais provável de estar certa. O problema é a exceção: o traço talassêmico produz exatamente o mesmo tipo de hemograma, e a conduta é oposta. Três parâmetros separam os dois quadros antes de qualquer exame adicional. Na ferropriva, a contagem de hemácias é baixa — falta matéria-prima, a medula produz menos células. No traço talassêmico, a contagem é normal ou alta: a medula produz muitas células, só que pequenas. O RDW é alto na ferropriva e tipicamente normal na talassemia, porque ali a população de hemácias é uniformemente pequena, não heterogênea.

O índice de Mentzer transforma isso em uma conta. Divide-se o VCM pela contagem de hemácias em milhões por microlitro. Resultado abaixo de 13 sugere talassemia; acima de 13, deficiência de ferro. É um índice de triagem, com boa sensibilidade e nenhuma pretensão de padrão-ouro — não substitui ferritina nem eletroforese —, mas é gratuito, sai do hemograma que já está na mão e muda a conduta imediata: com Mentzer abaixo de 13, RDW normal e hemácias altas, não se prescreve ferro por reflexo.

A confirmação depende de qual talassemia. O traço beta se confirma por eletroforese de hemoglobina, que a diretriz de 2026 pede preferencialmente após o sexto mês de vida. O traço alfa pode ser identificado pela hemoglobina Bart's na triagem neonatal; quando ela não é flagrada ali, o diagnóstico só se faz por biologia molecular, buscando as mutações alfa 3.7 ou alfa 4.2. Na prática do consultório, a triagem neonatal já exclui doença falciforme, e é dela que se parte.

Por que confundir custa: ferro num talassêmico sem ferropenia não corrige a microcitose — ela é genética, não carencial — e adiciona ferro a quem tem tendência a acumular. O Ministério da Saúde é explícito nesse ponto no caderno do programa: crianças com doenças que cursam com acúmulo de ferro, como doença falciforme, talassemia e hemocromatose, devem ser acompanhadas individualmente para que se avalie a viabilidade do sulfato ferroso. Não é um detalhe teórico: é a lista de exceções de um programa que suplementa toda a faixa etária.

Uma ressalva impede o excesso de zelo na direção contrária. Traço talassêmico e ferropenia coexistem com frequência, e o talassêmico com ferritina baixa tem as duas coisas e precisa de ferro. Por isso a ferritina não é dispensada quando o Mentzer aponta talassemia: ela é justamente o que decide se, além do traço, há carência para tratar. O que a diretriz proíbe é o ferro empírico prolongado sem diagnóstico — não o ferro em quem está, comprovadamente, sem estoque.

Rastreio: quem, quando e com o quê

A régua brasileira vigente é dirigida pelo risco, e isso é uma mudança recente. A diretriz da SBP de 2026 diz que lactentes saudáveis, com crescimento adequado e alimentação apropriada para a idade, não precisam de investigação laboratorial de rotina para ferropenia ou anemia ferropriva. O rastreio laboratorial fica para quem tem fator de risco, e o exame não é apenas a hemoglobina: é hemograma, ferritina sérica e proteína C reativa, preferencialmente entre 9 e 12 meses de vida, ou no momento em que a história clínica pedir.

A lista de risco que o documento nomeia é curta e operacional: nascimento prematuro, baixo peso ao nascer, falha na suplementação profilática de ferro medicamentoso, alimentação deficiente em fonte de ferro de boa biodisponibilidade e crescimento inadequado. O crescimento inadequado inclui, no texto, tanto o deficiente quanto o excessivo — e isso não é descuido de redação: a obesidade aparece entre as condições associadas à deficiência de ferro no próprio quadro de fatores de risco da diretriz, pela inflamação crônica de baixo grau que eleva a hepcidina e reduz a absorção intestinal.

Há situações em que a investigação se antecipa sem esperar os 9 meses, e todas elas vêm da anamnese, não do calendário: leite de vaca introduzido no primeiro ano, dieta vegetariana sem orientação profissional, perda sanguínea de qualquer origem, parasitose intestinal, uso continuado de inibidor de bomba de prótons. Na adolescente, o gatilho é outro: perdas menstruais significativas mudam a probabilidade pré-teste o suficiente para justificar hemograma e ferritina fora de qualquer protocolo etário.

Uma observação prática sobre a hemoglobina isolada. Rastrear só com hemoglobina detecta apenas o terceiro estágio — a anemia já instalada — e deixa passar a depleção e a deficiência de ferro sem anemia, que são exatamente as fases em que a intervenção previne o prejuízo cognitivo. É por isso que os documentos recentes, brasileiro e americano, pedem ferritina junto e não hemoglobina sozinha. Onde não for possível obter ferritina, a hemoglobina isolada é o mínimo aceitável, não o exame de escolha.

Profilaxia é política pública, com dose escrita em portaria

O Programa Nacional de Suplementação de Ferro existe desde 2005 e tem base normativa própria — Portaria nº 1.555, de 30 de julho de 2013, consolidada na Portaria de Consolidação nº 5, de 28 de setembro de 2017. Ele atende crianças de 6 a 24 meses, gestantes e mulheres no pós-parto e pós-aborto. Os suplementos integram o componente básico da assistência farmacêutica, o que significa que devem estar disponíveis na farmácia de qualquer unidade básica de saúde do país, e que a dispensação se faz nas consultas de pré-natal e de puericultura.

Desde 2022 o esquema da criança é dose fixa, e essa é a mudança que a prova cobra. A dose profilática do lactente a termo, com peso adequado, é de 10 a 12,5 mg de ferro elementar por dia, independentemente do peso corporal — não se calcula por quilo. Ela é ofertada em dois ciclos, cada um com três meses de uso diário, separados por uma pausa de três meses, começando preferencialmente aos 6 e aos 12 meses de idade. O desenho não é arbitrário: os ciclos coincidem com o calendário de consultas de puericultura da Caderneta da Criança, e a dispensação é anotada na própria Caderneta, que é o instrumento de acompanhamento do programa.

A régua anterior era outra. O consenso da SBP de 2018 recomendava 1 mg de ferro elementar/kg/dia a partir do terceiro mês de vida até os 24 meses, independentemente do regime de aleitamento; a atualização de 2021 manteve a dose por quilo e moveu o início para os 6 meses. A atualização de 2026 incorporou o esquema do programa do Ministério da Saúde, e com isso a sociedade e o governo passaram a dizer a mesma coisa. Início aos 3 meses, hoje, não pertence a nenhum documento vigente.

As exceções de idade e de elegibilidade estão no caderno do programa. Criança em aleitamento materno exclusivo ou em uso de fórmula infantil só recebe suplemento a partir do sexto mês. Criança que não está em aleitamento exclusivo e recebe leite de vaca pode ser suplementada a partir dos 4 meses de idade, junto com a introdução da alimentação complementar. E criança que recebe os sachês de micronutrientes do NutriSUS não recebe o sulfato ferroso do programa — as duas estratégias não se somam.

O prematuro e o baixo peso seguem regra própria, e essa continua sendo por quilo. A suplementação começa aos 30 dias de vida e mantém-se durante todo o primeiro ano, com a dose definida pelo peso ao nascer: 2 mg/kg/dia entre 1500 e 2500 g, 3 mg/kg/dia entre 1000 e 1500 g e 4 mg/kg/dia abaixo de 1000 g. Dos 12 aos 24 meses a dose passa a 1 mg/kg/dia, calculada pelo peso atual e mantida de forma contínua, sem as pausas do esquema do lactente a termo. Quando a criança recebe fórmula infantil, o ferro que vem da dieta entra no cálculo do que ainda precisa ser suplementado.

O sal que o SUS oferece é o sulfato ferroso. A Relação Nacional de Medicamentos do componente básico prevê três apresentações: xarope de 5 mg/mL, solução oral de 25 mg/mL e comprimido de 40 mg. O sulfato ferroso tem cerca de 20% de ferro elementar, e é o mais barato e o mais disponível; a contrapartida são os efeitos gastrintestinais — vômitos, diarreia e constipação —, que o próprio caderno do programa nomeia e que são a primeira causa de abandono. Orientar a família sobre isso antes que aconteça vale mais para a adesão do que qualquer troca de formulação.

Tratamento: dose, tempo e como tomar

Confirmado o diagnóstico, o tratamento é ferro por via oral na dose de 3 a 6 mg/kg/dia de ferro elementar, em dose única diária ou fracionada. A faixa alargou: o consenso de 2018 falava em 3 a 5 mg/kg/dia, e a atualização de 2026 trabalha com 3 a 6. Em criança com desnutrição grave, começa-se com 3 mg/kg/dia na fase de reabilitação, ajustando conforme a evolução clínica.

A duração é de três a seis meses, ou até a normalização da hemoglobina e a reposição adequada dos estoques de ferro — as duas coisas, não só a primeira. Parar quando a hemoglobina normaliza é o erro que produz recidiva em poucos meses: a hemoglobina se recompõe antes do estoque, e interromper nesse ponto devolve a criança ao mesmo lugar onde ela estava. O critério de alta do tratamento é a normalização da hemoglobina, dos índices hematimétricos — VCM, HCM e RDW — e da ferritina sérica.

A dose se calcula pelo ferro elementar contido na preparação, nunca pelo peso do sal. Sulfato ferroso tem cerca de 20% de ferro elementar; fumarato ferroso, 33%; gluconato ferroso, 12%; bisglicinato ferroso, 20%; ferro carbonila, 98%. A diretriz de 2026 pede explicitamente que se confira na bula a equivalência entre gotas, mililitros e miligramas — é o tipo de conta que erra sozinha e produz subdose que depois será lida como falha de resposta.

Sobre como tomar, a orientação clássica é longe das refeições, com fonte de vitamina C, evitando leite, chá, café, antiácidos, bloqueadores H2 e inibidores de bomba de prótons no mesmo horário. A atualização de 2026 acrescenta uma nuance útil: a magnitude dessa interferência depende da formulação, e sais férricos e quelatos sofrem menos com a dieta, podendo ser dados junto às refeições. A recomendação prática é verificar qual formulação foi prescrita antes de orientar a família — e, quando a escolha for entre absorção teórica e a criança efetivamente tomar o remédio, a segunda ganha.

A diretriz de 2026 também registra que as evidências atuais não mostram superioridade consistente entre as formulações orais quanto a eficácia clínica ou tolerabilidade, o que retira o peso da discussão sobre qual sal escolher. Duas apresentações ficam expressamente de fora da pediatria: carboximaltose férrica e derisomaltose férrica não são recomendadas nessa população.

Nada disso funciona sem corrigir a causa. Retirar o leite de vaca do primeiro ano, ajustar a alimentação complementar com oferta regular de carnes, tratar parasitose, investigar perda sanguínea quando a história sugerir — a correção do fator etiológico primário entra na mesma consulta em que o ferro é prescrito, não na de retorno. Ferro parenteral, eritropoetina e transfusão existem como saída para a falha do tratamento oral, mas a indicação é conduzida junto com o especialista, considerando etiologia, gravidade e condições associadas.

Resposta esperada e o que fazer quando a hemoglobina não sobe

O primeiro sinal de que o ferro chegou à medula não é a hemoglobina — é o reticulócito. Com dose adequada e adesão, a reticulocitose aparece em três a cinco dias e atinge o pico por volta de uma semana. Não é exame obrigatório de controle na atenção primária, mas é o que responde primeiro, e é útil quando há dúvida se a criança está mesmo tomando a medicação.

O controle formal é o hemograma entre 30 e 45 dias do início da terapia, e o que se espera é um aumento de hemoglobina igual ou superior a 1,0 g/dL. Esse é o número que define resposta adequada e é o que a prova usa. Não alcançado, a conduta não é aumentar a dose por reflexo: é percorrer a lista de causas de falha, e ela tem uma ordem.

A primeira é sempre a adesão, e ela se investiga com perguntas concretas, não com a pergunta genérica. Quantos dias a criança deixou de tomar na última semana. O frasco acabou e foi renovado. O gosto, a constipação ou o vômito afastaram a família. As fezes escurecem com ferro, e quem não foi avisado às vezes interrompe achando que é sangue. A segunda causa é dose inadequada, e o erro típico é ter calculado pelo peso do sal em vez do ferro elementar. A terceira é a persistência do fator causal: o leite de vaca que continua, a perda oculta que não foi procurada, a verminose não tratada.

A quarta é má absorção — doença celíaca, doença inflamatória intestinal, gastrite atrófica, infecção por Helicobacter pylori, cirurgia gástrica, ou uso de medicamentos que reduzem a acidez gástrica. A quinta é diagnóstico incorreto, com quatro suspeitos principais: traço talassêmico, anemia da inflamação, deficiência de cobre e anemia sideroblástica. A sexta, rara e por exclusão, é a anemia ferropriva refratária ao ferro, a IRIDA, que por definição não responde ao ferro oral.

O encaminhamento ao hematologista pediátrico se justifica quando a falha persiste com adesão confirmada e dose correta; quando a microcitose se mantém com ferritina normal; quando há suspeita de hemoglobinopatia que exija eletroforese ou biologia molecular para ser fechada; quando a criança precisa de ferro endovenoso, eritropoetina ou transfusão; e quando há citopenia associada ou qualquer suspeita de comprometimento medular. Em criança com anemia grave — hemoglobina abaixo de 7,0 g/dL — ou com repercussão hemodinâmica, o encaminhamento não espera o resultado da investigação ambulatorial.

Fortificação de farinhas e o que ela mudou na epidemiologia brasileira

O Brasil fortifica farinha por obrigação legal. A regra vigente é a RDC nº 150, de 2017, que exige o enriquecimento das farinhas de trigo e de milho, nacionais e importadas, de uso doméstico ou industrial, com 4 a 9 mg de ferro e 140 a 220 µg de ácido fólico por 100 g de produto, admitindo apenas sulfato ferroso e fumarato ferroso e suas formas encapsuladas. Ficam de fora, por razões tecnológicas, a farinha de trigo integral, a de trigo durum, a de biju, a de milho flocada e os flocos de milho pré-cozidos.

O que a fortificação mudou é real e tem limite conhecido: ela alcança quem come pão, massa, bolo e biscoito — escolar, adolescente, adulto, gestante. Não alcança o lactente de 6 a 24 meses, que quase não come farinha e é justamente a faixa de maior risco. Essa é a razão de a fortificação e o programa de suplementação coexistirem no mesmo país: um cobre a população, o outro cobre a faixa que a fortificação não toca. Enunciado que apresente a fortificação como suficiente para prevenir anemia no lactente está descrevendo uma cobertura que a política brasileira nunca reivindicou.

Os números acompanham essa leitura. O consenso de 2018 trabalhava com prevalências de 40% a 50% em estudos regionais e citava revisão sistemática nacional com 53%. A atualização de 2026 estima, com base em dados nacionais e revisões sistemáticas, que a anemia acomete entre 19% e 35% das crianças de 6 a 24 meses. A queda é consistente e se atribui ao conjunto — aleitamento materno, fórmulas enriquecidas, fortificação, suplementação, melhora de acesso a alimentos. Mas a faixa que segue mais alta é a mesma de sempre, e é por isso que o lactente continua sendo o centro de todo o capítulo.

04

Do corte de hemoglobina à dose em miligramas

Os cards abaixo são a escala de gravidade da anemia por hemoglobina no lactente e no pré-escolar: ela é ordinal de verdade e muda o que se faz no mesmo dia. A tabela principal traz os cortes que definem anemia por idade, que é o número mais cobrado da matéria. As seguintes trazem os valores de referência abaixo dos 5 anos, onde não existe corte da OMS; a gravidade em cada faixa; os cortes de ferritina com e sem inflamação; a profilaxia com dose, início e duração por categoria; o tratamento com dose, tempo e resposta esperada; e o que separa ferropriva de traço talassêmico dentro do mesmo hemograma microcítico.

  1. 1Confira a idade antes de olhar a hemoglobina: o corte que define anemia muda quatro vezes até os 15 anos.
  2. 2Abaixo dos 6 meses, não use corte da OMS — compare com o valor de referência da faixa etária, lembrando que a queda dos 2 meses é fisiológica.
  3. 3Confirmada a anemia, leia VCM, HCM e RDW pelos limites da idade, nunca pelo corte do adulto.
  4. 4Peça ferritina e proteína C reativa juntas: sem a PCR, a ferritina não pode ser interpretada.
  5. 5Com PCR normal, use os cortes baixos de ferritina; com PCR elevada, use os cortes altos.
  6. 6Antes de tratar qualquer microcitose, calcule o índice de Mentzer e olhe a contagem de hemácias e o RDW.
  7. 7Mentzer abaixo de 13, com RDW normal e hemácias normais ou altas: não prescreva ferro por reflexo — confirme a ferritina e investigue talassemia.
  8. 8Confirmada a ferropriva, prescreva 3 a 6 mg/kg/dia de ferro elementar e corrija a causa na mesma consulta.
  9. 9Retire o leite de vaca do primeiro ano de vida e afaste o horário do ferro do leite, do chá, do café e dos antiácidos.
  10. 10Repita o hemograma entre 30 e 45 dias: aumento de 1,0 g/dL ou mais na hemoglobina confirma resposta adequada.
  11. 11Sem resposta, revise nesta ordem — adesão, dose calculada em ferro elementar, fator causal persistente, má absorção, diagnóstico alternativo.
  12. 12Mantenha o ferro por três a seis meses, até normalizarem a hemoglobina, os índices hematimétricos e a ferritina.

Sem anemia para a idade

Hemoglobina igual ou acima de 10,5 g/dL dos 6 aos 23 meses, e igual ou acima de 11,0 g/dL dos 24 aos 59 meses. Não exclui deficiência de ferro sem anemia: a depleção de estoques cursa com hemograma normal e ferritina baixa, e é a fase em que a intervenção previne o prejuízo cognitivo.

Anemia leve

Hemoglobina de 9,5 a 10,4 g/dL dos 6 aos 23 meses, e de 10,0 a 10,9 g/dL dos 24 aos 59 meses. É a faixa mais comum da ferropriva do lactente e a que costuma passar despercebida: a criança está pálida sem que ninguém note, irritada, com menos iniciativa para explorar o ambiente. Investigação ambulatorial e ferro oral.

Anemia moderada

Hemoglobina de 7,0 a 9,4 g/dL dos 6 aos 23 meses, e de 7,0 a 9,9 g/dL dos 24 aos 59 meses. Palidez cutaneomucosa evidente, fadiga, apatia e redução da tolerância ao esforço. Ferro oral em dose plena, correção da causa na mesma consulta e controle mais próximo — a resposta em 30 a 45 dias precisa ser documentada.

Anemia grave

Hemoglobina abaixo de 7,0 g/dL em qualquer das duas faixas — o corte de gravidade é o mesmo antes e depois dos 24 meses. Sai da rotina ambulatorial: avaliação hospitalar, investigação de causa não carencial e decisão sobre ferro endovenoso ou transfusão conduzida com o especialista.

Faixa etáriaAnemia se hemoglobinaO que mudou na revisão de 2024
6 a 23 meses< 10,5 g/dLFaixa nova. Antes fazia parte de 6 a 59 meses, com corte de 11,0 g/dL
24 a 59 meses< 11,0 g/dLFaixa nova; o valor do corte não mudou
5 a 11 anos< 11,5 g/dLSem mudança
12 a 14 anos, meninas não gestantes e meninos< 12,0 g/dLSem mudança
15 anos ou mais, mulheres não gestantes< 12,0 g/dLSem mudança
15 anos ou mais, homens< 13,0 g/dLSem mudança
Menores de 6 mesesNão há corte da OMS — usar o valor de referência da idade

Valores de referência abaixo dos 6 anos — limite inferior (média menos 2 desvios-padrão)

IdadeHemoglobina (g/dL)VCM (fL)
Recém-nascido a termo15,098
1 semana13,588
2 semanas12,586
1 mês10,085
2 meses (nadir fisiológico)9,077
3 a 6 meses9,574
6 a 24 meses10,570
2 a 6 anos11,575

Gravidade da anemia por hemoglobina (g/dL)

Faixa etáriaLeveModeradaGrave
6 a 23 meses9,5 a 10,47,0 a 9,4< 7,0
24 a 59 meses10,0 a 10,97,0 a 9,9< 7,0

Ferritina sérica que define deficiência de ferro (µg/L, equivalente a ng/mL)

IdadePCR normalPCR elevada (infecção ou inflamação)
Menores de 5 anos< 12< 30
5 anos ou mais e adolescentes< 15< 70

Profilaxia com ferro: dose, início e duração — esquema vigente desde 2022

QuemDose de ferro elementarInícioDuração e esquema
A termo, peso adequado, em aleitamento materno ou fórmula infantil10 a 12,5 mg/dia — dose fixa, não calculada por quilo6 mesesAté os 24 meses, em 2 ciclos de 3 meses de uso diário separados por pausa de 3 meses, iniciados preferencialmente aos 6 e aos 12 meses
A termo que recebe leite de vaca10 a 12,5 mg/dia4 mesesMesmo esquema de dois ciclos, até os 24 meses
Prematuro e/ou peso ao nascer entre 1500 e 2500 g2 mg/kg/dia30 dias de vidaTodo o primeiro ano; dos 12 aos 24 meses, 1 mg/kg/dia contínuo, sem pausas
Prematuro e/ou peso ao nascer entre 1000 e 1500 g3 mg/kg/dia30 dias de vidaTodo o primeiro ano; dos 12 aos 24 meses, 1 mg/kg/dia contínuo, sem pausas
Prematuro e/ou peso ao nascer abaixo de 1000 g4 mg/kg/dia30 dias de vidaTodo o primeiro ano; dos 12 aos 24 meses, 1 mg/kg/dia contínuo, sem pausas
Criança em uso dos sachês do NutriSUSNão recebe o sulfato ferroso do programaAs duas estratégias não se somam

Tratamento da anemia ferropriva e resposta esperada

ItemConduta
Dose3 a 6 mg/kg/dia de ferro elementar por via oral, em dose única diária ou fracionada
Desnutrição graveIniciar com 3 mg/kg/dia na fase de reabilitação e ajustar conforme a evolução clínica
Duração3 a 6 meses, ou até normalizar a hemoglobina e repor os estoques de ferro
Como tomarLonge das refeições, com fonte de vitamina C; afastado de leite, chá, café, antiácidos e inibidores de bomba de prótons. A exigência é menor com sais férricos e quelatos, que podem ser dados junto às refeições
Primeiro sinal de respostaReticulocitose em 3 a 5 dias, com pico por volta de uma semana
Controle formalHemograma entre 30 e 45 dias, esperando aumento de 1,0 g/dL ou mais na hemoglobina
Alta do tratamentoHemoglobina, VCM, HCM, RDW e ferritina sérica normalizados
Não recomendados em pediatriaCarboximaltose férrica e derisomaltose férrica

Ferropriva e traço talassêmico dentro do mesmo hemograma microcítico

ParâmetroAnemia ferroprivaTraço talassêmico
Índice de Mentzer (VCM ÷ hemácias em milhões/µL)Acima de 13Abaixo de 13
Contagem de hemáciasBaixaNormal ou alta
RDWAltoTipicamente normal
FerritinaBaixaNormal ou alta, salvo ferropenia associada
Como confirmarFerritina baixa com PCR normal e resposta ao ferro oralEletroforese de hemoglobina para o traço beta, preferencialmente após o 6º mês; alfa por hemoglobina Bart's na triagem neonatal ou por biologia molecular
Ferro empírico prolongadoCorrige a anemiaNão corrige a microcitose e adiciona ferro a quem tende a acumular

A dose se calcula sempre pelo ferro elementar contido na preparação, nunca pelo peso do sal: sulfato ferroso tem cerca de 20% de ferro elementar, fumarato ferroso 33%, gluconato ferroso 12%, bisglicinato ferroso 20% e ferro carbonila 98%.

No SUS o sal disponível é o sulfato ferroso, previsto na Rename em xarope de 5 mg/mL, solução oral de 25 mg/mL e comprimido de 40 mg.

A dispensação do suplemento vai anotada na Caderneta da Criança — é por ela que o programa é monitorado, e é ela que revela, na consulta seguinte, se a profilaxia foi de fato feita.

Crianças com condições que cursam com acúmulo de ferro — doença falciforme, talassemia, hemocromatose — e as que recebem transfusão crônica devem ser avaliadas individualmente antes de entrar na suplementação profilática.

Ferritina isolada não se interpreta. Sem proteína C reativa no mesmo pedido, um valor entre 12 e 30 µg/L não decide nada na criança pequena.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Dose profilática do lactente a termo: miligrama por quilo ou dose fixa em ciclos

1 mg de ferro elementar/kg/dia até os 24 meses — consenso da SBP de 2018, com atualização em 2021

O consenso de 2018 recomendava 1 mg/kg/dia a partir do terceiro mês de vida até os 24 meses, independentemente do regime de aleitamento, com esquema por quilo também para o prematuro e o baixo peso. A atualização de 2021 manteve a dose por quilo e moveu o início para os 6 meses, admitindo antecipação na dependência de fatores de risco.

Sociedade Brasileira de Pediatria, Consenso sobre anemia ferropriva, Diretrizes nº 2, 2018, com atualização em 2021

10 a 12,5 mg de ferro elementar/dia em dois ciclos de três meses — PNSF desde 2022, incorporado pela SBP em 2026

Desde 2022 o Programa Nacional de Suplementação de Ferro recomenda dose fixa diária, independentemente do peso corporal, de 10 a 12,5 mg de ferro elementar para crianças de 6 a 24 meses, operacionalizada em dois ciclos de três meses de uso diário separados por pausa de três meses, iniciados preferencialmente aos 6 e aos 12 meses. A atualização da SBP de março de 2026 adotou esse esquema, mantendo o cálculo por quilo apenas para prematuros e recém-nascidos de baixo peso.

Ministério da Saúde, Caderno dos Programas Nacionais de Suplementação de Micronutrientes, 2022; Sociedade Brasileira de Pediatria, Diretrizes nº 32, 2026

Na prova

A data do documento e o vocabulário do enunciado separam os dois mundos. Cenário de unidade básica, puericultura, Caderneta da Criança, dispensação de sulfato ferroso ou menção nominal ao PNSF trabalha com o esquema fixo em ciclos. Duas pistas nas alternativas denunciam a régua anterior: 'a partir dos 3 meses de idade' como início da profilaxia do lactente a termo, que não pertence a nenhum documento vigente, e dose em mg/kg/dia oferecida para criança nascida a termo com peso adequado — o mg/kg vigente é do prematuro e do baixo peso, e some assim que a criança a termo entra na vinheta. Prova oficial do MEC tende a conduta SUS.

Ferro diário ou em dias alternados

Dias alternados absorvem mais — ensaios em mulheres depletadas (2017) e ensaio pediátrico (2025)

Dar a mesma quantidade de ferro em dias alternados eleva a fração absorvida — 21,8% contra 16,3% em dias consecutivos — porque cada dose induz um pico de hepcidina que reduz a absorção da dose seguinte; a hepcidina sérica mediana foi menor no braço alternado. Em pediatria, um ensaio de 2025 descreveu maior ganho de hemoglobina e menos efeitos gastrintestinais com esquema em dias alternados comparado a dose fracionada duas vezes ao dia ao longo de 30 dias.

Stoffel NU et al., The Lancet Haematology, 2017; revisão narrativa sobre terapia com ferro em pediatria, Hematology Reports, 2026

Uso diário — recomendação da OMS para contextos de alta prevalência, adotada pelo PNSF e pela SBP

A OMS recomenda a suplementação diária de ferro como intervenção de saúde pública para prevenir deficiência e anemia em lactentes e crianças de 6 a 24 meses onde a anemia ultrapassa 40% de prevalência. O esquema brasileiro é diário dentro de cada ciclo: três meses de uso diário, pausa de três meses, novo ciclo. O tratamento da anemia já instalada também é diário, em dose única ou fracionada.

Ministério da Saúde, Caderno dos Programas Nacionais de Suplementação de Micronutrientes, 2022; Sociedade Brasileira de Pediatria, Diretrizes nº 32, 2026

Na prova

A causa do descompasso é a origem da evidência e o desenho do programa, não discordância sobre a fisiologia: o corpo de dados de dias alternados nasceu em mulheres adultas depletadas e ainda é pequeno em lactentes, e o esquema brasileiro é uma política de dispensação, com logística de estoque, registro na Caderneta e adesão medida em ciclos de três meses — trocar o intervalo muda a operação inteira. Enunciado ambientado em programa, unidade básica ou puericultura descreve o esquema diário. Alternativa que oferece 'em dias alternados' num cenário de atenção primária brasileira denuncia recorte internacional; se a vinheta menciona hepcidina, fração absorvida ou ambulatório especializado, o recorte é o da fisiologia da absorção.

Corte de hemoglobina do lactente: 11,0 ou 10,5 g/dL

11,0 g/dL para toda a faixa de 6 a 59 meses — régua da OMS de 2011

Até a revisão recente, a OMS usava um único corte de 11,0 g/dL para crianças de 6 a 59 meses, com gravidade leve entre 10,0 e 10,9, moderada entre 7,0 e 9,9 e grave abaixo de 7,0. É a régua que aparece no consenso da SBP de 2018 e em praticamente todo material didático anterior a 2024.

Organização Mundial da Saúde, cortes de hemoglobina anteriores à revisão de 2024, reproduzidos no consenso da SBP de 2018

10,5 g/dL dos 6 aos 23 meses e 11,0 g/dL dos 24 aos 59 — revisão da OMS de 2024, adotada pela SBP em 2026

A revisão de 2024 dividiu a faixa de 6 a 59 meses em duas e reduziu em 0,5 g/dL o corte da primeira, por evidência de que a régua anterior não acompanhava a ontogenia da hemoglobina nos primeiros dois anos. A diretriz brasileira de 2026 reproduz a tabela nova como referência para diagnóstico clínico e epidemiológico.

World Health Organization, Guideline on haemoglobin cutoffs to define anaemia, 2024; Sociedade Brasileira de Pediatria, Diretrizes nº 32, 2026

Na prova

A idade da criança na vinheta decide se as duas réguas divergem: acima de 24 meses elas dão a mesma resposta, e só abaixo disso o número muda. Quando a vinheta traz um lactente com hemoglobina entre 10,5 e 10,9 g/dL, ela foi construída exatamente sobre a faixa em que os documentos discordam, e o ano da fonte citada no enunciado resolve. Alternativas montadas em torno de 11,0 g/dL para criança de 9 meses vêm da régua anterior; menção à atualização da OMS, à diretriz da SBP de 2026 ou às faixas etárias partidas em 6 a 23 e 24 a 59 meses indica a régua nova.

Rastrear todo lactente ou apenas o de risco

Rastreio universal com hemograma e ferritina — relatório clínico da AAP de 2026

A academia americana recomenda rastrear todos os lactentes com hemograma completo e ferritina sérica, variando a idade conforme a alimentação: entre 9 e 12 meses quando o leite humano é a fonte principal, e entre 15 e 18 meses no lactente alimentado sobretudo com fórmula. Define deficiência de ferro por ferritina de 20 ng/mL ou menos em lactentes e crianças e de 30 ng/mL ou menos em adolescentes e pessoas que menstruam; manda rerrastrear a cada consulta de puericultura até os 4 anos quem mantém fator de risco, e inclui toda adolescente com pelo menos um ano de pós-menarca, no máximo até os 14 anos. O relatório anterior, de 2010, pedia hemoglobina universal aos 12 meses.

American Academy of Pediatrics, relatório clínico sobre deficiência de ferro e anemia ferropriva, Pediatrics, 2026

Rastreio dirigido pelo risco, entre 9 e 12 meses — SBP, 2026

Lactentes saudáveis, com crescimento adequado e alimentação apropriada para a idade, não necessitam de investigação laboratorial rotineira. Hemograma, ferritina sérica e PCR entre 9 e 12 meses ficam reservados a prematuridade, baixo peso ao nascer, falha na suplementação profilática, alimentação deficiente em fonte de ferro de boa biodisponibilidade e crescimento inadequado. A própria SBP havia proposto, em 2018, triagem em todas as crianças aos 12 meses — a régua brasileira estreitou entre um documento e outro.

Sociedade Brasileira de Pediatria, Diretrizes nº 32, 2026

Evidência insuficiente para recomendar a favor ou contra — força-tarefa americana de prevenção, 2015

Para crianças assintomáticas de 6 a 24 meses, a força-tarefa não localizou estudos que avaliassem benefícios ou danos do rastreio nessa faixa, e classificou a evidência como insuficiente para uma recomendação em qualquer direção.

US Preventive Services Task Force, declaração de recomendação sobre rastreio de anemia ferropriva em crianças pequenas, 2015

Na prova

A causa do afastamento brasileiro é a estrutura do cuidado, não desacordo sobre a doença: o Brasil oferece profilaxia universal por idade dos 6 aos 24 meses, e quem já suplementa toda a faixa de risco ganha menos rastreando a mesma faixa; ferritina e PCR também não são exames de rotina em toda unidade básica. Cenário de unidade básica, puericultura ou Caderneta pede a régua dirigida pelo risco. Duas marcas denunciam o corpo americano nas alternativas: separar a idade do rastreio pelo tipo de leite que a criança recebe, e o corte de ferritina em 20 ng/mL — valor que nenhum documento brasileiro utiliza.

06

Caso resolvido

Menino de 11 meses trazido à unidade básica para consulta de puericultura. Nasceu a termo, com 3.200 g, sem intercorrências. Mamou exclusivamente até os 6 meses; a partir dos 7 meses a família passou a oferecer leite de vaca integral em mamadeira, cerca de 800 mL por dia, e a alimentação complementar é feita quase só de mingau e frutas, sem carne. A mãe conta que o frasco de sulfato ferroso foi retirado uma vez na farmácia da unidade e a criança tomou por três semanas, até acabar. Está ativo, com peso e comprimento adequados. Ao exame, palidez de mucosas discreta, sem visceromegalias. Hemograma: hemoglobina 9,2 g/dL, VCM 66 fL, HCM 21 pg, RDW 17,5%, hemácias 4,1 milhões/µL, plaquetas 480.000/µL. Ferritina 8 µg/L, PCR normal.
achado
Aos 11 meses, o corte de anemia é 10,5 g/dL. Hemoglobina de 9,2 g/dL confirma anemia, e a gravidade é moderada na faixa de 6 a 23 meses, que vai de 7,0 a 9,4 g/dL.
achado
VCM de 66 fL está abaixo do limite inferior da faixa, que é 70 fL dos 6 aos 24 meses — microcitose real, não artefato de régua de adulto. HCM baixa e RDW de 17,5% completam o padrão de anisocitose típico da ferropenia.
diferencial
Índice de Mentzer: 66 dividido por 4,1 dá 16,1, acima de 13, e a contagem de hemácias está baixa. O conjunto aponta ferropriva e afasta traço talassêmico como explicação principal — no traço, as hemácias seriam normais ou altas e o RDW, normal.
achado
Ferritina de 8 µg/L com PCR normal fecha o diagnóstico: abaixo de 12 µg/L é deficiência de ferro em criança menor de 5 anos. A PCR normal é o que permite usar o corte baixo — com PCR alta, o corte seria 30 µg/L. A plaquetose leve é achado esperado e não exige investigação própria.
causa
A anamnese já entrega a etiologia, e ela é dietética: 800 mL de leite de vaca no primeiro ano, alimentação complementar sem ferro heme, e profilaxia interrompida após três semanas. Nenhum sinal aponta perda sanguínea. Investigar sangramento aqui é gastar exame para confirmar o que a história já explicou.
conduta
Ferro oral em dose terapêutica de 3 a 6 mg/kg/dia de ferro elementar, em dose única diária ou fracionada, calculado pelo teor de ferro elementar da apresentação — o sulfato ferroso da unidade tem cerca de 20%. Suspender o leite de vaca, orientar oferta regular de carne, ave ou peixe na alimentação complementar e afastar o horário do ferro do leite e de chás.
conduta
Avisar a família de antemão sobre escurecimento das fezes, náusea e constipação, e garantir a renovação do frasco antes que acabe — a adesão é a primeira causa de falha, e o frasco que acabou e não foi reposto já derrubou este tratamento uma vez.
controle
Hemograma entre 30 e 45 dias, esperando aumento de pelo menos 1,0 g/dL na hemoglobina. Manter o ferro por três a seis meses, até normalizarem hemoglobina, VCM, HCM, RDW e ferritina — parar quando a hemoglobina normalizar devolve a criança à mesma anemia em poucos meses.
07

Agora feche você

Menina de 2 anos e 3 meses trazida para consulta de rotina. Nasceu a termo, com peso adequado, fez a suplementação profilática do programa nos dois ciclos previstos, come carne quase todos os dias e não recebe mamadeira. Cresce nos percentis habituais, ativa, sem queixas. A mãe pediu 'os exames de rotina' e trouxe: hemoglobina 10,4 g/dL, VCM 62 fL, HCM 20 pg, RDW 13,1%, hemácias 5,6 milhões/µL, leucócitos e plaquetas normais. O pai tem 'anemia desde criança que nunca melhorou com ferro'.
achado
Aos 2 anos e 3 meses o corte é 11,0 g/dL — hemoglobina de 10,4 g/dL define anemia leve na faixa de 24 a 59 meses, cuja faixa leve vai de 10,0 a 10,9 g/dL.
achado
VCM de 62 fL está bem abaixo do limite de 75 fL para 2 a 6 anos, mas o RDW é normal e a contagem de hemácias está alta — 5,6 milhões/µL. É microcitose intensa sem anisocitose, o que não combina com ferropenia.
diferencial
Índice de Mentzer: 62 dividido por 5,6 dá 11,1, abaixo de 13. Somado à história familiar de anemia que nunca respondeu ao ferro, à profilaxia feita corretamente e a uma dieta com ferro heme regular, o quadro aponta para traço talassêmico e não para carência.
conduta
08

Onde a banca derruba

  1. 1Usar 11,0 g/dL como corte para o lactente de 9 meses É o número que está em quase todo material anterior a 2024 e na cabeça de quem estudou antes disso. Desde a revisão da OMS, dos 6 aos 23 meses o corte é 10,5 g/dL, e a diretriz brasileira de 2026 adotou a tabela nova. O erro tem direção previsível: cria anemia onde não há, entre 10,5 e 10,9 g/dL, e produz tratamento desnecessário.
  2. 2Chamar de anemia ferropriva a queda fisiológica dos 2 meses Abaixo dos 6 meses não existe corte da OMS, e o limite inferior de referência aos 2 meses é 9,0 g/dL. Um lactente de 2 meses com hemoglobina de 9,4 g/dL está dentro do esperado — é o nadir fisiológico, da troca de hemoglobina fetal pela adulta. Aplicar aí o corte de 11,0 g/dL transforma uma curva normal em diagnóstico, e o ferro precoce não resolve o que não é carência.
  3. 3Ler ferritina sem proteína C reativa A ferritina é reagente de fase aguda, e uma criança com infecção de repetição, doença inflamatória ou obesidade pode ter ferritina de 25 µg/L com estoque zerado. Sem PCR no mesmo pedido, esse valor parece tranquilizador; com PCR elevada, ele está dentro da faixa de deficiência, porque o corte sobe de 12 para 30 µg/L abaixo dos 5 anos.
  4. 4Calcular a dose pelo peso do sal em vez do ferro elementar Sulfato ferroso tem cerca de 20% de ferro elementar; gluconato, 12%; ferro carbonila, 98%. Prescrever 'sulfato ferroso 5 mg/kg/dia' pensando em ferro elementar entrega cerca de um quinto da dose pretendida. É subdose silenciosa, e ela reaparece 45 dias depois como falha de resposta, levando ao aumento de dose de um esquema que nunca foi dado direito.
  5. 5Prescrever ferro empírico em toda microcitose Microcitose com RDW normal e contagem de hemácias normal ou alta é assinatura de traço talassêmico, e o índice de Mentzer abaixo de 13 reforça. Nesse cenário, o ferro não corrige a microcitose — ela é genética — e adiciona ferro a quem tende a acumular. O caderno do programa nomeia talassemia, doença falciforme e hemocromatose como condições que exigem avaliação individual antes da suplementação.
  6. 6Manter 1 mg/kg/dia como profilaxia do lactente a termo Foi a régua da SBP em 2018 e 2021, e ainda circula em resumo e aula. O esquema vigente desde 2022 é dose fixa de 10 a 12,5 mg de ferro elementar por dia, independentemente do peso, dos 6 aos 24 meses, em dois ciclos de três meses separados por pausa de três meses. O cálculo por quilo sobreviveu apenas para prematuros e recém-nascidos de baixo peso.
  7. 7Parar o ferro quando a hemoglobina normaliza A hemoglobina se recompõe antes do estoque. O tratamento dura três a seis meses e termina com hemoglobina, VCM, HCM, RDW e ferritina normalizados — não com o primeiro hemograma bom. Interromper no meio é garantir recidiva em poucos meses, com a criança repetindo o mesmo caminho e a família perdendo a confiança no tratamento.
  8. 8Aumentar a dose diante da primeira falha de resposta Sem aumento de 1,0 g/dL entre 30 e 45 dias, a ordem de investigação é adesão, dose calculada em ferro elementar, fator causal persistente, má absorção e diagnóstico alternativo. Subir a dose antes de checar a adesão é a resposta reflexa que aumenta efeito colateral, piora a aceitação e não resolve o problema que estava atrás — que, na maioria das vezes, é o frasco que acabou e não foi renovado.
  9. 9Contar com a fortificação da farinha para proteger o lactente A fortificação obrigatória com 4 a 9 mg de ferro por 100 g de farinha de trigo e de milho alcança quem come pão, massa e bolo — escolar, adolescente, adulto. Não alcança a criança de 6 a 24 meses, que quase não come farinha e é a faixa de maior risco. É exatamente por isso que a fortificação e o programa de suplementação coexistem, e não por redundância.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

Lactente com dieta pobre em ferro e excesso de leite de vaca, anemia microcítica (VCM baixo) e hipocrômica com RDW elevado é o quadro típico de anemia ferropriva, a anemia mais comum na infância (correta). Deficiência de B12 causa anemia macrocítica (VCM alto), não microcítica. Esferocitose cursa com anemia hemolítica, esplenomegalia e VCM normal/alto com CHCM elevada. Anemia de doença crônica costuma ter RDW normal e contexto inflamatório. Talassemia maior manifesta-se mais cedo, com anemia grave, hepatoesplenomegalia e RDW frequentemente normal, e não se explica pela dieta.

09

Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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10

Plano de revisão

em 7 dias

Diga em voz alta os cortes de hemoglobina por idade, começando por 10,5 g/dL dos 6 aos 23 meses e 11,0 dos 24 aos 59; a dose profilática do lactente a termo (10 a 12,5 mg/dia em dois ciclos de três meses, dos 6 aos 24 meses) e a do prematuro por peso ao nascer (2, 3 ou 4 mg/kg/dia a partir dos 30 dias); e a dose de tratamento, 3 a 6 mg/kg/dia de ferro elementar por três a seis meses. Termine calculando um índice de Mentzer de cabeça.

em 30 dias

Pegue três vinhetas — um lactente de 9 meses com hemoglobina 10,7, uma criança de 3 anos com microcitose e RDW normal, e um prematuro de 1.200 g com 40 dias de vida — e escreva a conduta de cada uma sem consultar. Depois confira o que separa as duas réguas de profilaxia (2018 e 2022), os dois cortes de ferritina (com e sem inflamação) e as duas posições sobre rastreio (universal e por risco), nomeando a data e o documento de cada uma.

11

Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Lactente de 10 meses levado à unidade básica pela mãe, que notou a criança 'mais parada e sem vontade de brincar'. Nasceu a termo, mama e recebe leite de vaca em mamadeira desde os 7 meses, e a alimentação complementar quase não inclui carne. A profilaxia com sulfato ferroso foi iniciada aos 6 meses e interrompida quando o frasco acabou. Colha a história alimentar, examine a criança e decida quais exames pedir e o que prescrever hoje. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Anemia ferropriva na infância — Preparatório para provas | OsceLabs