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Anafilaxia
A prova cobra duas coisas: reconhecer o quadro como anafilaxia (e não como "reação alérgica") e saber que adrenalina intramuscular é primeira linha sem exceção. Quem erra aqui erra porque deu anti-histamínico e ficou esperando.
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Mulher de 28 anos procura atendimento após ingerir camarão em um restaurante há 20 minutos. Refere prurido generalizado, placas eritematosas elevadas e pruriginosas disseminadas pelo tronco e membros, edema de lábios e sensação de aperto na garganta. PA 88x54 mmHg, FC 122 bpm, FR 26 ipm, SatO2 91% em ar ambiente. Ausculta pulmonar com sibilos difusos. Qual é a conduta inicial de escolha?
Como esse tema cai
Anafilaxia é reação sistêmica de hipersensibilidade, de início rápido, que pode matar. O que a prova cobra não é a fisiopatologia: é o reconhecimento. Anafilaxia mata quando o médico a chama de "reação alérgica", prescreve anti-histamínico e fica esperando a evolução. O tratamento é adrenalina intramuscular, imediata, sem exceção — e todo o resto do pacote existe para dar suporte, não para substituí-la.
O erro típico tem uma estrutura reconhecível na questão. O enunciado descreve urticária e um segundo sistema acometido — chiado, rouquidão, vômito repetido, síncope — e oferece nas alternativas prometazina intramuscular, hidrocortisona endovenosa, adrenalina subcutânea e adrenalina intramuscular na coxa. Três distratores derivam de práticas antigas ou de confusão de via, e todos são atraentes porque o quadro "parece" alérgico. O que separa quem estudou é ver que a pele mais um sistema já fecha o critério, e que o único item que reverte o mecanismo é o quarto.
Este capítulo é o do tema por extenso: critérios, adrenalina, posição, segunda linha, refratariedade, bifásica, alta e investigação. O choque anafilático também aparece na grade dos quatro tipos de choque, no capítulo de Cirurgia que ensina a diferenciar hipovolêmico, cardiogênico, obstrutivo e distributivo — lá ele entra como o representante do distributivo que tem antídoto. Aqui ele é o desfecho grave de um espectro que começa muito antes do choque, e é por isso que esperar a hipotensão para chamar de anafilaxia é o erro que se paga.
A régua brasileira existe e é acessível. O protocolo AC33 do SAMU, no documento de Suporte Avançado de Vida do Ministério da Saúde, escreve dose, via, sítio, intervalo de repetição e até calibre de agulha; o protocolo pediátrico APed26 faz o mesmo para a criança. O guia da Sociedade Brasileira de Pediatria de 2021 adota os critérios da World Allergy Organization e é a ponte entre eles e a prática nacional. Onde o Brasil se afasta do estado da arte internacional, o motivo é quase sempre disponibilidade — e o exemplo mais claro é o autoinjetor de adrenalina, que não existe no mercado brasileiro.
O que muda decisão
O diagnóstico é clínico, e é aqui que a prova mora
Anafilaxia não tem exame que confirme na hora. O diagnóstico é feito à beira do leito, por critérios clínicos, e o tratamento começa antes de qualquer resultado. Os critérios clássicos — propostos no segundo simpósio do National Institute of Allergy and Infectious Diseases com a Food Allergy and Anaphylaxis Network, em 2006, e adotados pela World Allergy Organization em 2011 — são três, e a regra de ouro é que basta um deles. Essa é a pergunta que a banca faz de forma direta: não é preciso preencher os três, nem dois; um critério fecha o diagnóstico e manda dar adrenalina.
O primeiro critério é o mais frequente e responde por cerca de 80% dos casos. Ele exige início agudo, em minutos a algumas horas, com envolvimento de pele ou mucosa — urticária generalizada, prurido, rubor, inchaço de lábios, língua ou úvula — somado a pelo menos um de dois grupos: comprometimento respiratório (dispneia, broncoespasmo, estridor, hipoxemia) ou redução da pressão arterial com sintomas de disfunção de órgão-alvo (síncope, hipotonia, incontinência). Repare na estrutura: pele mais um sistema. É o critério que a maioria das vinhetas de prova descreve.
O segundo critério dispensa a certeza da causa e conta sistemas. Dois ou mais dos seguintes, agudamente, após exposição a um provável alérgeno: envolvimento de pele ou mucosa; comprometimento respiratório; redução da pressão arterial ou disfunção de órgão-alvo; sintomas gastrintestinais persistentes (dor abdominal, diarreia, vômitos). É o critério que resgata o caso sem pele evidente mas com dois outros sistemas em cena.
O terceiro critério é só pressão, e exige o alérgeno conhecido. Queda da pressão arterial de início agudo após exposição a alérgeno já conhecido daquele paciente: no adulto e na criança acima de 10 anos, sistólica abaixo de 90 mmHg ou queda maior que 30% da pressão basal da pessoa; no lactente e na criança abaixo de 10 anos, sistólica abaixo de 70 mmHg mais duas vezes a idade em anos, ou a mesma queda de 30% da basal. Aquela fórmula — 70 mais 2 vezes a idade — é cobrada literalmente em questão de pediatria, e vale a pena decorá-la.
Duas armadilhas de reconhecimento se resolvem lendo os critérios com atenção. A primeira: a pele pode não estar lá. Sinais cutâneos faltam em 10 a 20% das reações, e a ausência de urticária é justamente o que atrasa o diagnóstico nos casos fatais. A segunda: choque não é requisito. Nenhum dos três critérios exige hipotensão nos dois primeiros — o paciente com urticária e estridor tem anafilaxia com pressão normal, e tratar só quando a pressão cai é chegar tarde.
O diferencial que mais confunde é a reação vasovagal, e ela se separa por dois achados. A vasovagal dá sudorese, náusea e hipotensão com bradicardia, e sem urticária ou angioedema. A anafilaxia cursa com taquicardia, e só bradicardiza na iminência da falência cardiorrespiratória — quando bradicardiza, o quadro está pior, não melhor. Outros diferenciais que aparecem em prova: asma aguda isolada, angioedema hereditário ou por inibidor da enzima conversora de angiotensina (sem urticária e sem prurido, com resposta ruim à adrenalina), síndrome carcinoide, feocromocitoma, disfunção de cordas vocais, escombroidose (histamina de peixe malconservado, com mais de uma pessoa afetada na mesma refeição) e crise de pânico.

Adrenalina: dose, apresentação, via e sítio — cada palavra é cobrada
Adrenalina é primeira linha e não tem substituto. O motivo é farmacológico e vale saber: o efeito alfa-adrenérgico reverte a vasodilatação periférica, reduz o edema de mucosa e a obstrução de via aérea superior e corrige a hipotensão; o efeito beta aumenta contratilidade e débito, faz broncodilatação e suprime a liberação de mediadores por mastócitos e basófilos. Nenhuma outra droga do carrinho faz esse conjunto. Não há contraindicação absoluta à adrenalina intramuscular no tratamento da anafilaxia.
A prescrição, na apresentação brasileira: adrenalina 1:1000, que é 1 mg/mL — a ampola comum. Dose de 0,01 mg/kg, com teto de 0,5 mg no adulto, o que corresponde a 0,5 mL da ampola. Na criança, a mesma 0,01 mg/kg com teto de 0,3 mg, ou seja, 0,3 mL. Via intramuscular. Sítio: região anterolateral do terço médio da coxa, que é o músculo vasto lateral. Repetir a cada 5 a 15 minutos conforme gravidade e resposta à dose anterior. O protocolo do SAMU chega ao detalhe operacional: preparar de preferência em seringa de 1 mL e injetar com agulha 25 x 7, considerando 30 x 8 em obesidade ou hipertrofia muscular.
Por que o vasto lateral e não o deltoide nem o glúteo. A coxa anterolateral é massa muscular grande, com vascularização abundante e fácil de acertar sem ajuda, e a injeção ali atinge pico sérico mais rápido e mais alto do que no deltoide. Na criança e no obeso, a coxa também é onde a agulha padrão realmente alcança músculo — no glúteo, o tecido adiposo faz a injeção virar subcutânea sem que ninguém perceba. Ainda: em quem está hipotenso, a perfusão do subcutâneo cai e a absorção subcutânea despenca, o que é exatamente o argumento contra a via subcutânea.
Adrenalina subcutânea em anafilaxia é erro, não alternativa mais segura. A absorção é lenta e imprevisível, e piora justamente no paciente que mais precisa — o hipoperfundido. Se a alternativa da questão oferece "adrenalina subcutânea", ela é distrator. O mesmo vale para a via inalatória isolada: adrenalina nebulizada tem lugar como adjuvante na obstrução de via aérea superior, ao lado da injeção intramuscular, nunca em lugar dela.
A via endovenosa existe, é restrita e é perigosa. O protocolo AC33 reserva a adrenalina endovenosa aos casos de iminência de choque ou choque já estabelecido, e mesmo aí manda fazer infusão lenta de adrenalina 1:10.000 — obtida diluindo 1 mL da ampola em 9 mL de água destilada ou soro fisiológico, resultando em 0,1 mg/mL — com titulação guiada por monitorização de frequência e ritmo cardíaco. O guia pediátrico da Sociedade Brasileira de Pediatria é ainda mais restritivo: diluições de 1:10.000 ou 1:100.000 por via endovenosa só em parada cardiorrespiratória ou em hipotensão profunda que não respondeu à expansão de volume nem a múltiplas injeções intramusculares. A World Allergy Organization diz, em 2020, que a via endovenosa não é recomendada para o tratamento inicial, e que se usada deve ser em paciente monitorizado, por pessoal com experiência em diluir e administrar, preferencialmente em infusão por bomba.
O perigo do bolus endovenoso tem dois nomes. O primeiro é erro de diluição: a ampola de anafilaxia é 1:1000 e a endovenosa exige 1:10.000 — dez vezes de diferença, no meio de uma emergência, com pressa. O segundo é toxicidade direta: arritmia potencialmente fatal, hipertensão grave, isquemia miocárdica. A via intramuscular no vasto lateral tem margem de segurança larga e é geralmente bem tolerada; palidez, tremor, ansiedade, palpitação, tontura e cefaleia depois da dose são efeitos farmacológicos esperados, e indicam que a dose terapêutica foi ofertada — não são motivo para não repetir.
Vale conhecer a simplificação por faixa etária que a World Allergy Organization publica, porque ela aparece em material internacional e em questão que copia tabela: lactente abaixo de 10 kg, 0,01 mg/kg (isto é, 0,01 mL/kg da solução 1 mg/mL); criança de 1 a 5 anos, 0,15 mg; criança de 6 a 12 anos, 0,3 mg; adolescente e adulto, 0,5 mg. O guia da Sociedade Brasileira de Pediatria registra a faixa de 0,2 a 0,5 mg para adultos e adolescentes, com 0,5 mg como dose máxima. As três referências convergem no essencial: 0,01 mg/kg, teto 0,5 mg, intramuscular na coxa.
A posição do paciente é conduta, e sentar mata
Decúbito dorsal com membros inferiores elevados. O protocolo do SAMU escreve a proibição com todas as letras: não permitir que o paciente sente ou se levante bruscamente, nem colocá-lo em posição vertical, pelo risco de morte súbita — a síndrome da veia cava e do ventrículo vazio. O guia da Sociedade Brasileira de Pediatria repete: levantar-se ou sentar-se subitamente está associado a desfechos fatais, a chamada síndrome do ventrículo vazio.
O mecanismo explica por que isso é regra e não conforto. Na anafilaxia o leito vascular está dilatado e a permeabilidade capilar aumentada — o paciente perde tônus e perde plasma para o interstício ao mesmo tempo. O retorno venoso depende, nesse momento, da posição. Sentar ou levantar joga o volume para a periferia, a veia cava esvazia, o ventrículo direito não recebe, o esquerdo não tem o que ejetar e o coração bate vazio. Há relatos de morte súbita ocorrendo no momento em que o paciente foi colocado de pé, inclusive já em vigência de tratamento.
As exceções são de bom senso e estão nos protocolos. Se há dispneia ou vômito, posição de conforto — no protocolo pediátrico, com leve inclinação da cabeceira e mantendo os membros inferiores elevados. A gestante fica em decúbito lateral esquerdo semi-recostada. O inconsciente que respira vai para a posição de recuperação. E vale registrar uma divergência de nuance: a World Allergy Organization considera controverso o benefício da elevação dos membros inferiores em si, embora a posição supina siga recomendada para a maioria dos pacientes. O que não é controverso em nenhuma fonte é o contrário — pôr o paciente de pé.
Em prova, esse é o detalhe que separa quem decorou o algoritmo de quem entendeu o mecanismo. A questão descreve o paciente que "melhorou e pediu para sentar" ou que "foi levado caminhando até a maca", e a alternativa correta é a que mantém o decúbito. Se a vinheta menciona a mudança de posição seguida de deterioração, o nome que a banca espera é síndrome do ventrículo vazio.
Segunda linha: o que anti-histamínico e corticoide fazem, e o que não fazem
Anti-histamínico alivia pele. É isso. O anti-H1 tem papel limitado no tratamento da anafilaxia e serve para prurido, urticária e rubor — não trata broncoespasmo, não trata edema laríngeo, não trata hipotensão, e não muda o desfecho. A World Allergy Organization registra que em algumas diretrizes o anti-histamínico já foi rebaixado a terceira linha, exatamente pelo risco de que administrá-lo atrase medidas mais urgentes, como repetir a adrenalina intramuscular. Há ainda um detalhe prático: os anti-H1 de primeira geração são os únicos disponíveis por via parenteral, e a administração endovenosa rápida de um deles pode causar hipotensão.
O erro clínico que essa droga produz é o mais letal do tema. Prescrever prometazina ou difenidramina e observar cria a sensação de que algo foi feito — a urticária realmente melhora — enquanto a via aérea continua fechando. Se a questão oferece anti-histamínico como conduta inicial de um quadro que preenche critério de anafilaxia, é distrator, e a chave do comentário é que ele não age nos mecanismos que matam.
Corticoide é o dogma que envelheceu, e é preciso saber o estado da discussão. A justificativa tradicional era prevenir sintomas prolongados e reação bifásica, e é por isso que hidrocortisona entrou nos protocolos. As doses brasileiras, quando usadas: hidrocortisona endovenosa ou intraóssea, 5 a 10 mg/kg, com teto de 100 mg no protocolo do adulto e 250 mg no protocolo pediátrico; ou, por via oral na alta, prednisona ou prednisolona 1 a 2 mg/kg/dia. O guia da Sociedade Brasileira de Pediatria, no entanto, é explícito: os corticosteroides, por via oral ou parenteral, são tradicionalmente administrados, porém têm pouca ou nenhuma ação no tratamento agudo da anafilaxia — e a própria tabela do guia coloca "prevenção de reações bifásicas?" com sinal de interrogação. A World Allergy Organization vai além: há evidência crescente de que o glicocorticoide pode não trazer benefício no manejo agudo e até ser prejudicial, e seu uso rotineiro está se tornando controverso.
Nem um nem outro atrasa a adrenalina. Essa é a frase operacional. Segunda linha significa depois, e depois quer dizer com a adrenalina já feita, o paciente deitado, o oxigênio correndo e o acesso instalado — nunca em vez disso.
O resto do pacote inicial, em ordem de execução. Suspender a exposição ao agente, se possível. Oxigênio suplementar sob máscara não reinalante se a saturação cair abaixo de 94% — e vale a observação do guia pediátrico de que saturação abaixo de 95% anda junto da necessidade de mais de uma dose de adrenalina. Acesso venoso periférico do maior calibre possível (14 ou 16 gauge no adulto). Expansão volêmica com solução salina 0,9%: 1 a 2 litros rapidamente no adulto, o que corresponde a 5 a 10 mL/kg nos primeiros 5 a 10 minutos; na criança, 5 a 10 mL/kg nos primeiros 5 minutos e 30 mL/kg na primeira hora. Salbutamol inalatório para o broncoespasmo: no adulto, 4 a 8 jatos a cada 20 minutos; na criança, 1 jato para cada 2 kg de peso até o máximo de 10 jatos. E monitorização contínua de frequência cardíaca, pressão, oximetria e ritmo.
Intubação orotraqueal precoce é decisão que se toma pelo achado, não pela gasometria. Rouquidão, alteração de voz, edema de língua, estridor, edema de orofaringe ou angioedema de via aérea superior: considerar intubar já. A via aérea que ainda está pérvia pode não estar em cinco minutos, e intubar edema instalado é outro problema — pode virar via aérea cirúrgica. O protocolo pediátrico manda pré-oxigenar por 3 a 4 minutos antes.
Quando não responde: refratariedade, betabloqueador e o glucagon
Até 10% das reações podem não ser revertidas mesmo com adrenalina administrada rapidamente. Antes de concluir refratariedade, checar o óbvio: a dose foi 0,01 mg/kg de fato ou foi "meia ampola"? Foi intramuscular na coxa ou subcutânea no braço? Já se passaram 5 minutos para repetir? O paciente está deitado? A exposição ao agente foi interrompida — o soro com o antibiótico foi fechado, o ferrão foi retirado? Boa parte da anafilaxia "que não responde" é anafilaxia subtratada.
Duas regras de progressão ajudam. Quanto mais a hipotensão se agrava ao longo da reação, menor a resposta ao tratamento com adrenalina — o que é argumento a favor de tratar cedo, não de esperar. E asma mal controlada é fator de risco reconhecido para reação fatal: o asmático que faz anafilaxia é o paciente para quem o limiar de intubação e de internação é mais baixo.
O paciente em uso de betabloqueador é a situação clássica de resposta ruim. O bloqueio beta limita justamente o braço da adrenalina que faz broncodilatação e aumenta o débito, e esses pacientes tendem a apresentar quadros mais graves. Podem ser necessárias doses maiores de adrenalina para o mesmo efeito. O protocolo brasileiro manda, na bradicardia persistente, usar atropina; e no broncoespasmo resistente, brometo de ipratrópio inalatório.
É aí que entra o glucagon, e a dose é cobrável: 5 a 15 µg por minuto em infusão contínua endovenosa. A lógica é elegante — o glucagon aumenta o AMP cíclico intracelular por uma via que não passa pelo receptor beta, contornando o bloqueio. A World Allergy Organization registra o uso parenteral de glucagon em paciente sem resposta ótima à adrenalina, particularmente em quem usa betabloqueador, com a ressalva honesta de que a evidência é muito limitada. Náusea e vômito são o efeito adverso esperado — em paciente com nível de consciência rebaixado, atenção à via aérea.
Um par de medicações merece nota porque muda o manejo futuro: betabloqueadores e inibidores da enzima conversora de angiotensina interferem no tratamento de um próximo episódio, e sua suspensão ou substituição entra na conversa da alta, junto do inibidor da monoamino oxidase. Na anafilaxia refratária, a adrenalina passa a ser dada em infusão contínua com monitorização, e o corticoide entra — como adjuvante, é a formulação da diretriz europeia de 2021 — nunca em preferência à adrenalina ou aos vasopressores.
Reação bifásica, tempo de observação e o que a alta precisa levar
Reação bifásica é o retorno dos sintomas depois de um intervalo de melhora, sem nova exposição ao alérgeno. O guia da Sociedade Brasileira de Pediatria a situa entre 8 e 12 horas após o episódio agudo, em até 10% dos casos. A World Allergy Organization registra que cerca de metade das reações bifásicas ocorre nas primeiras 6 a 12 horas. É esse número — e só ele — que sustenta a exigência de observação: ninguém observa por burocracia, observa porque uma em dez reações volta.
O tempo de observação brasileiro é o do guia pediátrico e vale decorar: mínimo de 6 a 8 horas nos casos leves, e 24 a 48 horas nos casos graves. Se a questão é de prova nacional e pede um número, é esse par. A alta antes disso, num caso que precisou de adrenalina, é conduta frágil.
Fatores que empurram para o teto do intervalo, e que a vinheta costuma plantar: necessidade de duas ou mais doses de adrenalina; hipotensão ou comprometimento respiratório durante a reação; asma mal controlada; história prévia de reação bifásica; alérgeno de absorção continuada (alimento ingerido há pouco, medicamento de depósito); atraso na primeira dose de adrenalina; anafilaxia idiopática; e o critério social, que ninguém deveria esquecer — paciente que mora longe, sem acompanhante ou sem acesso a serviço de emergência.
A alta é prescrição, não despedida. O que sai por escrito: plano de ação em linguagem clara, com o nome e a dose dos medicamentos e o que fazer diante dos primeiros sinais; identificação portátil com o diagnóstico, o telefone de contato e o plano; notificação da escola quando for criança, com os fatores a evitar e a conduta na emergência; revisão dos medicamentos de risco (betabloqueador, inibidor da enzima conversora de angiotensina, inibidor da monoamino oxidase); e encaminhamento ao alergista — sempre, mesmo depois de um único episódio.
A medicação de alta do guia brasileiro tem prazo: corticosteroide oral (prednisona ou prednisolona 1 a 2 mg/kg/dia em dose única) por 5 a 7 dias, e anti-histamínico H1 de segunda geração (fexofenadina, cetirizina, desloratadina) nas doses habituais por pelo menos 7 dias, em todas as faixas etárias. É prática consolidada no Brasil, e é justo saber que a discussão internacional sobre o benefício do corticoide na prevenção da bifásica está aberta — a prescrição segue nos documentos nacionais.
O item de alta mais cobrado é o autoinjetor de adrenalina, e ele tem um problema brasileiro. Os dispositivos existem em doses fixas — 0,1 mg para lactentes, 0,15 mg para crianças até 30 kg, 0,3 mg para crianças maiores e adultos — aplicados na face anterolateral da coxa, por cima da roupa para não perder tempo, com segunda dose 5 a 10 minutos depois se não houver melhora. A recomendação internacional é prescrever ao menos um, idealmente já na alta. No Brasil o produto não tem registro sanitário e não é comercializado: a adrenalina existe em ampola, e a alternativa que resta é seringa preenchida ou ampola com seringa de 1 mL, com treinamento e instrução escrita para aspirar a dose correta. A causa não é discordância técnica — é ausência de pedido de registro por parte de fabricante, e o dispositivo importado sem registro é objeto de apreensão pela autoridade sanitária. As sociedades brasileiras de pediatria e de alergia sustentam a demanda pela disponibilização, e a reclassificação do dispositivo como inovação incremental pela agência, em setembro de 2024, foi passo regulatório nessa direção.
Gatilhos, cofatores e a investigação depois da crise
O perfil de gatilho depende da idade, e a prova usa isso para dar pista. No inquérito brasileiro conduzido entre alergologistas, os principais agentes causais foram: medicamentos — anti-inflamatórios não hormonais e antibióticos, com destaque para os betalactâmicos —, seguidos de alimentos e de picadas de insetos (formigas de fogo, abelhas, vespas). Dentro dos alimentos, a distribuição por faixa etária é a que se decora: leite de vaca e clara de ovo entre lactentes e pré-escolares; crustáceos entre crianças maiores, adolescentes e adultos. Em cerca de 10% dos casos o agente não é identificado — anafilaxia idiopática.
Anafilaxia perioperatória tem elenco próprio, e a ordem importa. A causa mais frequente são os bloqueadores neuromusculares; o látex é a segunda maior causa. Além deles, antibióticos, anti-inflamatórios não hormonais, coloides, opiáceos, clorexidina e corantes. O cenário é traiçoeiro porque o paciente está coberto, sob anestesia e monitorizado — a urticária não é vista e a queixa não existe. O que denuncia é hipotensão inexplicada, aumento súbito da pressão de vias aéreas, broncoespasmo ou dessaturação sem causa ventilatória. E existe um agravante mecânico: o paciente anestesiado já está deitado, mas também está com o retorno venoso comprometido pela própria anestesia.
O látex merece parágrafo à parte pelos grupos de risco e pelas reações cruzadas. Risco aumentado: profissionais de saúde, pacientes com espinha bífida e quem passou por múltiplas cirurgias. Reação cruzada com frutas e vegetais — banana, abacate, kiwi, mamão, e ainda aipim e inhame. Mais de 40 mil produtos médicos e de uso geral contêm látex: chupetas, balões de festa, máscaras odontológicas, luvas cirúrgicas, drenos, equipos de soro. Em paciente sensível, procedimento em ambiente látex-free, com substitutos de vinil, nitrila, polietileno ou silicone.
Contraste iodado ainda aparece em prova. Cerca de 2% dos indivíduos que recebem radiocontraste iônico de alta osmolaridade apresentam algum tipo de reação adversa; a maioria é leve, mas há reações fatais. Com contraste não iônico de baixa osmolaridade a frequência é muito menor. Pré-tratamento pode ser indicado em quem já teve reação prévia a contraste.
Cofatores mudam o limiar da mesma exposição, e é por isso que o paciente "come camarão sempre e nunca aconteceu nada". Exercício físico — isolado ou associado a alimento como camarão, maçã, aipo e trigo —, infecção em curso, privação de sono, estresse, álcool, anti-inflamatórios não hormonais, status hormonal e as próprias medicações (betabloqueador, inibidor da enzima conversora de angiotensina). Do lado endógeno: mastocitose sistêmica, asma instável, doença cardiovascular, triptase basal elevada.
A triptase é o exame do tema, e serve para depois, não para decidir agora. Ela sobe no sangue a partir de 15 minutos do início dos sintomas, permanece elevada por até 3 horas ou mais, e o pico ocorre entre 1 e 2 horas — essa é a janela de coleta. O ponto que a prova cobra: valor normal não exclui anafilaxia. Em 36 a 40% dos casos a triptase permanece abaixo de 11,4 µg/L, e na criança com anafilaxia por alimento a normalidade é comum. Além disso, recomenda-se dosar a triptase basal ao menos 24 horas depois da resolução dos sintomas, mesmo quando a do episódio veio normal: comparar pico e basal é o que dá sentido ao número — a equação de consenso de 2010 pede que o pico seja maior que 1,2 vez a basal mais 2 ng/mL. Triptase basal elevada abre a investigação de mastocitose, e mesmo triptase basal normal não a exclui.
A investigação etiológica é do alergista e vem depois. História detalhada — agente suspeito, via, dose, sequência e tempo dos sintomas, tratamento aplicado antes na mesma situação, exercício e medicações associadas —, testes cutâneos e IgE específica. Dosar IgE específica no momento da reação pode dar resultado falsamente negativo, e por isso a coleta é posterior. Quando nada é identificado, anafilaxia idiopática é o rótulo, e aí mastocitose e distúrbio clonal de mastócito precisam ser afastados. Imunoterapia específica é eficaz e indicada na anafilaxia por veneno de himenópteros; dessensibilização e indução de tolerância cabem em casos selecionados de alimento e medicamento.
O que não fazer — a lista curta que resolve a maioria das questões
Não esperar para ver. Anafilaxia é diagnóstico clínico com um critério, e o tratamento começa junto com o reconhecimento. Não existe "observo mais um pouco e, se piorar, faço adrenalina": a demora até a primeira dose é fator de risco para desfecho fatal, e a resposta à adrenalina piora conforme a hipotensão se aprofunda.
Não dar anti-histamínico primeiro. Ele alivia pele e não faz nada pelos mecanismos que matam. Prescrevê-lo como conduta inicial é o erro clássico, e o efeito colateral pior não é farmacológico: é a falsa sensação de que o caso está tratado.
Não usar adrenalina subcutânea. Absorção lenta e imprevisível, e pior justamente no hipotenso. A via é intramuscular, no vasto lateral.
Não fazer adrenalina em bolus endovenoso na anafilaxia sem choque. Risco de arritmia fatal e de erro de diluição — 1:1000 é a ampola intramuscular, 1:10.000 é a diluída para infusão. A via endovenosa é para o choque iminente ou estabelecido, em infusão lenta e titulada, com monitorização.
Não sentar nem levantar o paciente. Síndrome do ventrículo vazio, morte súbita descrita. Decúbito dorsal com membros inferiores elevados; posição de conforto só se houver dispneia ou vômito.
Não confiar em triptase normal para descartar. Não substituir a segunda dose de adrenalina por corticoide. Não dar alta cedo em quem precisou de duas doses. Não mandar o paciente embora sem plano de ação escrito e sem encaminhamento ao alergista. E não considerar excluído o diagnóstico só porque não havia urticária — em 10 a 20% das reações a pele não participa, e são essas as que chegam tarde.
Os critérios diagnósticos e as doses, lado a lado
A primeira tabela é a régua do diagnóstico: um critério basta. A segunda é a adrenalina por faixa etária, na apresentação brasileira. A terceira separa segunda linha de primeira linha, com dose e com a função real de cada droga.
- 1Reconheça: quadro agudo, minutos a horas, após exposição possível — preenche 1 dos 3 critérios? Trate.
- 2Adrenalina 1:1000 (1 mg/mL), 0,01 mg/kg IM no vasto lateral (terço médio anterolateral da coxa). Teto 0,5 mg no adulto, 0,3 mg na criança. Anote o horário.
- 3Posicione: decúbito dorsal com membros inferiores elevados. Não sentar, não levantar. Posição de conforto só se dispneia ou vômito.
- 4Suspenda o agente, chame ajuda, oxigênio se saturação abaixo de 94%, acesso venoso de grosso calibre.
- 5Reavalie em 5 minutos: sem melhora, repita a adrenalina IM (a cada 5 a 15 minutos, quantas vezes for preciso).
- 6Expanda: salina 0,9%, 1 a 2 L rápido no adulto; 5 a 10 mL/kg em 5 minutos na criança, 30 mL/kg na primeira hora.
- 7Via aérea: rouquidão, edema de língua, estridor ou angioedema de orofaringe → considere intubação precoce.
- 8Broncoespasmo residual: salbutamol inalatório. Refratário em betabloqueado: atropina se bradicardia, ipratrópio, e glucagon 5 a 15 µg/min IV.
- 9Só então a segunda linha (anti-H1, corticoide) — nunca antes, nunca em lugar da adrenalina.
- 10Observe: 6 a 8 horas no caso leve, 24 a 48 horas no grave. Alta com plano de ação escrito, identificação, revisão de medicações e encaminhamento ao alergista.
| Critério | O que exige | Detalhe cobrado |
|---|---|---|
| Regra geral | Basta UM dos três critérios para o diagnóstico ser altamente provável | Não precisa de dois, nem dos três. Um fecha e manda tratar |
| 1º critério | Pele ou mucosa + ao menos 1 de: respiratório OU queda da PA / disfunção de órgão-alvo | Presente em cerca de 80% dos casos |
| 2º critério | 2 ou mais de: pele/mucosa; respiratório; queda da PA / órgão-alvo; gastrintestinal persistente — após provável alérgeno | É o que capta o caso com gastrintestinal proeminente |
| 3º critério | Queda da PA isolada, após alérgeno CONHECIDO daquele paciente | Adulto e >10 anos: PAS <90 mmHg ou queda >30% da basal; <10 anos: PAS <(70 + 2×idade) |
| Definição de hipotensão | Queda >30% da pressão sistólica basal da própria pessoa serve em qualquer idade | O corte absoluto muda com a idade; a queda relativa não |
| Início | Minutos a algumas horas após a exposição | A alergia à alfa-gal (galactose-alfa-1,3-galactose) é a exceção reconhecida de início tardio após a exposição |
| Confirmação | Nenhum exame confirma na hora — o diagnóstico é clínico | Triptase serve para depois; normal não exclui |
Adrenalina na anafilaxia — apresentação brasileira (ampola 1:1000 = 1 mg/mL)
| Paciente | Dose | Volume da ampola 1 mg/mL | Via e sítio | Repetição |
|---|---|---|---|---|
| Adulto e adolescente | 0,01 mg/kg, teto de 0,5 mg | até 0,5 mL | IM, terço médio anterolateral da coxa (vasto lateral) | a cada 5 a 15 min conforme gravidade e resposta |
| Criança (regra geral) | 0,01 mg/kg, teto de 0,3 mg | até 0,3 mL | IM, terço médio anterolateral da coxa | a cada 5 a 15 min |
| Lactente < 10 kg | 0,01 mg/kg | 0,01 mL/kg | IM, coxa | a cada 5 a 15 min |
| Criança 1 a 5 anos (dose fixa WAO) | 0,15 mg | 0,15 mL | IM, coxa | a cada 5 a 15 min |
| Criança 6 a 12 anos (dose fixa WAO) | 0,3 mg | 0,3 mL | IM, coxa | a cada 5 a 15 min |
| Choque iminente ou estabelecido | Adrenalina 1:10.000 (0,1 mg/mL) — 1 mL da ampola em 9 mL de AD ou SF 0,9% | infusão lenta, titulada | IV/IO, com monitorização de FC e ritmo | titular; NÃO é a via do tratamento inicial |
| Parada cardiorrespiratória | 0,01 mg/kg (0,1 mL/kg da solução 1:10.000) em bolus | conforme protocolo de PCR | IV/IO | conforme protocolo de PCR |
| Autoinjetor (doses fixas) | 0,1 mg lactente · 0,15 mg até 30 kg · 0,3 mg maiores e adultos | dispositivo pronto | IM na face anterolateral da coxa, por cima da roupa | 2ª dose 5 a 10 min depois se não houver melhora |
Primeira linha × segunda linha: dose e função real
| Droga | Linha | Dose | O que faz | O que NÃO faz |
|---|---|---|---|---|
| Adrenalina IM | 1ª — sem substituto | 0,01 mg/kg IM na coxa (teto 0,5 mg adulto / 0,3 mg criança), repetir 5-15 min | Reverte vasodilatação e edema de mucosa (alfa); broncodilata, aumenta débito e freia mediadores (beta) | — |
| Oxigênio | 1ª (suporte) | Máscara não reinalante se SatO2 < 94% | Corrige hipoxemia | Não trata o mecanismo |
| Salina 0,9% | 1ª (suporte) | Adulto 1-2 L rápido (5-10 mL/kg em 5-10 min); criança 5-10 mL/kg em 5 min e 30 mL/kg na 1ª hora | Repõe o plasma perdido para o interstício | Não reverte a vasodilatação |
| Salbutamol inalatório | 2ª | Adulto 4-8 jatos a cada 20 min; criança 1 jato/2 kg, máx. 10 jatos | Alivia broncoespasmo residual | Não substitui repetir a adrenalina; não age em via aérea alta nem em hipotensão |
| Anti-H1 (prometazina, difenidramina) | 2ª — 3ª em algumas diretrizes | Difenidramina 25-50 mg IV no adulto; 1 mg/kg na criança (máx. 50 mg) | Alivia prurido, urticária e rubor | Não trata broncoespasmo, edema laríngeo nem hipotensão; IV rápido pode causar hipotensão |
| Hidrocortisona | 2ª | 5-10 mg/kg IV/IO (teto 100 mg no protocolo do adulto; 250 mg no pediátrico) | Uso tradicional para sintomas prolongados | Início de ação tardio; pouca ou nenhuma ação no quadro agudo; benefício na prevenção da bifásica é controverso |
| Prednisona / prednisolona VO | alta | 1-2 mg/kg/dia por 5 a 7 dias | Prescrição de alta consolidada no Brasil | Não é conduta da emergência |
| Glucagon | resgate | 5-15 µg/min IV em infusão contínua | Eleva AMPc sem passar pelo receptor beta — resgate no betabloqueado | Evidência limitada; causa náusea e vômito |
| Atropina / ipratrópio | resgate no betabloqueado | Atropina na bradicardia persistente; ipratrópio inalatório no broncoespasmo resistente | Cobre bradicardia e broncoespasmo refratários | Não trata a reação em si |
A dose é sempre em mg/kg com teto; a apresentação brasileira é 1:1000 (1 mg/mL), e por isso a dose em mL coincide numericamente com a dose em mg. Confundir a ampola 1:1000 com a diluição 1:10.000 é erro de dez vezes.
Anote o horário de cada dose de adrenalina. É o que permite decidir a repetição em 5 minutos e é o que sustenta a decisão de observar por 24 horas depois.
Saturação abaixo de 95% na criança anda junto da necessidade de mais de uma dose de adrenalina — trate o número como aviso, não como meta isolada.
Palidez, tremor, palpitação, tontura e cefaleia após a adrenalina são efeitos farmacológicos esperados e indicam que a dose terapêutica foi ofertada. Não são motivo para não repetir.
Não há contraindicação absoluta à adrenalina intramuscular na anafilaxia — nem idade, nem coronariopatia, nem gestação.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Três critérios (NIAID/FAAN 2006, adotados pela WAO em 2011 e usados nos protocolos brasileiros do SAMU)
Os critérios propostos no segundo simpósio do National Institute of Allergy and Infectious Diseases com a Food Allergy and Anaphylaxis Network, publicados em 2006, são três, e anafilaxia é altamente provável quando qualquer um deles é preenchido: (1) pele/mucosa mais um de respiratório ou queda de pressão/órgão-alvo; (2) dois ou mais sistemas após provável alérgeno, incluindo gastrintestinal persistente; (3) queda de pressão isolada após alérgeno conhecido. Foram desenhados para identificar ao menos 95% dos episódios e é essa a forma reproduzida nos protocolos AC33 e APed26 do SAMU, que são o documento operacional do atendimento pré-hospitalar brasileiro.
Sampson HA, Muñoz-Furlong A, Campbell RL, et al. Second symposium on the definition and management of anaphylaxis. Ann Emerg Med. 2006;47:373-380; reproduzidos em Ministério da Saúde, Protocolos SAMU 192 — SAV, AC33 e APed26
Dois critérios (World Allergy Organization 2020, reproduzidos pela Sociedade Brasileira de Pediatria em 2021)
A World Allergy Organization, em 2020, propôs emendar os critérios: combinou os dois primeiros num só e modificou o terceiro, resultando em dois. O primeiro passa a ser pele ou mucosa mais ao menos um de respiratório, queda de pressão/órgão-alvo ou sintomas gastrintestinais GRAVES (a palavra "persistente" saiu por ser ambígua, e "grave" entrou, com a ressalva de que o gastrintestinal pesa mais após alérgeno não alimentar). O segundo passa a captar o início agudo de hipotensão OU broncoespasmo OU envolvimento laríngeo após exposição a alérgeno conhecido ou altamente provável, mesmo sem manifestação cutânea — reconhecendo que apresentação respiratória isolada é comum na anafilaxia fatal e não era contemplada pelos critérios de 2006. O guia da Sociedade Brasileira de Pediatria de 2021 traz exatamente esse quadro de dois critérios, em português, como "novos critérios".
Cardona V, et al. World Allergy Organization Anaphylaxis Guidance 2020. World Allergy Organ J. 2020;13(10):100472; Sociedade Brasileira de Pediatria, Anafilaxia: atualização 2021, Quadro 1
Na prova
O conteúdo clínico dos dois conjuntos é praticamente o mesmo — o que muda é a contagem e a redação do gastrintestinal. Como identificar o recorte: se o enunciado ou as alternativas falam em "três critérios", "critérios do NIAID/FAAN", "sintomas gastrintestinais persistentes" ou citam protocolo do SAMU, o documento em jogo é o de 2006. Se aparecem "dois critérios", "World Allergy Organization 2020", "sintomas gastrintestinais graves" ou o reconhecimento explícito de broncoespasmo/envolvimento laríngeo isolado como anafilaxia, o recorte é o de 2020 — e a bibliografia pediátrica brasileira mais recente já está desse lado. O que não varia entre os dois, e é o que a pergunta costuma testar de verdade: basta um critério, choque não é requisito, e a ausência de urticária não exclui o diagnóstico.
Prazo fixo por gravidade: 6 a 8 horas no caso leve, 24 a 48 horas no grave (Sociedade Brasileira de Pediatria, 2021)
O guia brasileiro de 2021 dá números fechados: observação clínica de no mínimo 6 a 8 horas nos casos leves e de 24 a 48 horas nos casos graves. O que sustenta o intervalo é a estatística da reação bifásica que o próprio documento apresenta: ela pode ocorrer entre 8 e 12 horas após o episódio agudo, em até 10% dos casos, e o guia acrescenta que a orientação de alta deve cobrir a possibilidade de recorrência de sintomas por até 12 horas, especialmente nos casos idiopáticos, com absorção continuada do alérgeno, asma mal controlada ou história prévia de reação bifásica.
Sociedade Brasileira de Pediatria, Departamento Científico de Alergia. Anafilaxia: atualização 2021 — "Considerações importantes em relação ao acompanhamento"
Sem prazo fixo: observação individualizada e estratificada por risco (EAACI, atualização de 2021)
A diretriz europeia de anafilaxia, na atualização de 2021, abandonou o tempo fixo e propôs abordagem pragmática, individualizada e estratificada por risco. O argumento registrado é que a recomendação anterior, de prazo fixo, podia oferecer falsa segurança quanto ao risco de reação bifásica: nem todo paciente precisa do mesmo tempo, e cumprir o número não garante que a bifásica não venha depois da alta. Na prática, a estratificação usa a gravidade da reação, o número de doses de adrenalina necessárias, comorbidades como asma e a segurança do plano de alta.
Muraro A, Worm M, Alviani C, et al. EAACI guidelines: Anaphylaxis (2021 update). Allergy. 2022;77(2):357-377
Observação orientada pela janela da bifásica, sem número único (World Allergy Organization, 2020)
A World Allergy Organization registra que cerca de metade das reações bifásicas ocorre nas primeiras 6 a 12 horas e afirma que pacientes com anafilaxia precisam ser observados, com ênfase nas reações graves e nas que exigiram múltiplas doses de adrenalina — mas o documento reconhece expressamente, na lista de necessidades não atendidas, que ainda falta consenso sobre por quanto tempo observar.
Cardona V, et al. World Allergy Organization Anaphylaxis Guidance 2020. World Allergy Organ J. 2020;13(10):100472
Na prova
Questão de banca brasileira que pede um número tende a trazer o par do documento nacional (6 a 8 horas no leve, 24 a 48 horas no grave), e a presença desses valores entre as alternativas já indica o recorte. Quando as alternativas descrevem critérios em vez de horas — "observar mais tempo se precisou de duas doses de adrenalina", "se há asma mal controlada", "se a reação foi grave" —, o recorte é o da estratificação por risco da diretriz europeia. O elemento comum, e que sustenta qualquer das duas posições, é a estatística: reação bifásica em até 10% dos casos, com metade das ocorrências nas primeiras 6 a 12 horas. Enunciado que traz paciente que precisou de duas doses de adrenalina, asma mal controlada ou mora longe está plantando fatores de risco para prolongar a observação, qualquer que seja a régua.
Uso mantido nos protocolos brasileiros, com a finalidade declarada de ajudar a prevenir a bifásica
O protocolo pediátrico do SAMU afirma que a hidrocortisona deve ser administrada no atendimento pré-hospitalar, apesar do início de ação mais tardio, porque pode ajudar a prevenir a anafilaxia bifásica. As doses estão nos protocolos: hidrocortisona 5 a 10 mg/kg IV/IO, com teto de 100 mg no protocolo do adulto e 250 mg no pediátrico. E a prescrição de alta do guia da Sociedade Brasileira de Pediatria mantém corticosteroide oral — prednisona ou prednisolona 1 a 2 mg/kg/dia em dose única — por 5 a 7 dias, justamente pela possibilidade de recorrência de sintomas até 12 horas depois.
Ministério da Saúde, Protocolos SAMU 192 — SAV, APed26 e AC33; Sociedade Brasileira de Pediatria, Anafilaxia: atualização 2021 — "Orientações após a alta hospitalar"
Sem ação no quadro agudo, e a prevenção da bifásica aparece com interrogação no próprio documento brasileiro
O mesmo guia da Sociedade Brasileira de Pediatria de 2021 escreve que os corticosteroides, por via oral ou parenteral, são tradicionalmente administrados, porém têm pouca ou nenhuma ação no tratamento agudo da anafilaxia — e na tabela de agentes terapêuticos registra a finalidade como "prevenção de reações bifásicas?", com sinal de interrogação, ao lado da observação de que a padronização de doses não está estabelecida. Convive, no mesmo documento, a prescrição consolidada e a dúvida sobre o benefício.
Sociedade Brasileira de Pediatria, Anafilaxia: atualização 2021 — Quadro 3 e "Considerações importantes"
Evidência crescente de ausência de benefício e possibilidade de dano; uso rotineiro em revisão (WAO 2020, EAACI 2021)
A World Allergy Organization, em 2020, registra que glicocorticoides são comumente usados com o objetivo de prevenir sintomas prolongados e reações bifásicas, mas que há evidência crescente de que possam não trazer benefício no manejo agudo da anafilaxia, e mesmo ser prejudiciais — o uso rotineiro, diz o documento, está se tornando controverso. A diretriz europeia de 2021 reposiciona a droga: é razoável incluir corticosteroide no manejo da anafilaxia refratária, mas apenas como adjuvante, e não em preferência à adrenalina ou aos inotrópicos e vasopressores.
Cardona V, et al. World Allergy Organization Anaphylaxis Guidance 2020. World Allergy Organ J. 2020;13(10):100472; Muraro A, et al. EAACI guidelines: Anaphylaxis (2021 update). Allergy. 2022;77(2):357-377
Na prova
Duas perguntas diferentes se esconderam nesse tema, e vale separá-las. Se a questão pergunta o que se faz PRIMEIRO, ou qual droga reverte o quadro, a discussão sobre corticoide é irrelevante — o item é adrenalina, e corticoide como conduta inicial é distrator em qualquer recorte. Se a questão pergunta especificamente sobre o papel do corticoide, o recorte se lê pelo vocabulário: enunciado que descreve o corticoide como parte do protocolo de atendimento, com dose de hidrocortisona, está no mundo dos documentos brasileiros; enunciado que fala de "evidência", "revisão sistemática", "prevenção de reação bifásica" ou oferece alternativas do tipo "não previne" está no mundo da literatura internacional recente. E há um ponto em que todas as fontes coincidem, que é o mais cobrável de todos: corticoide tem início de ação tardio e não substitui a adrenalina nem justifica atrasá-la.
Prescrever autoinjetor a todo paciente em risco, idealmente já na alta (World Allergy Organization, 2020)
A World Allergy Organization recomenda que pacientes em risco de novo episódio recebam prescrição de um ou mais autoinjetores de adrenalina, com treinamento sobre por que, quando e como aplicar, além de plano de ação escrito e identificação médica — idealmente entregues na alta após a reação. O documento reconhece, no mesmo parágrafo, que os dispositivos não estão disponíveis em muitas regiões: estão presentes em apenas 32% dos 195 países do mundo, sobretudo os de renda alta. Onde não há, a orientação é recomendar formulações alternativas — seringa preenchida de adrenalina ou, na falta dela, ampola com seringa de 1 mL, com treinamento adequado e instrução escrita para aspirar a dose correta.
Cardona V, et al. World Allergy Organization Anaphylaxis Guidance 2020. World Allergy Organ J. 2020;13(10):100472 — seções de manejo de longo prazo e "Global availability of epinephrine autoinjectors"
No Brasil o dispositivo não é comercializado — a adrenalina existe em ampola, e as sociedades sustentam a demanda pela disponibilização
O guia da Sociedade Brasileira de Pediatria descreve as doses fixas dos dispositivos (0,1 mg para lactentes, 0,15 mg para crianças até 30 kg, 0,3 mg para crianças maiores e adultos), a técnica de aplicação na face anterolateral da coxa por cima da roupa e a segunda dose 5 a 10 minutos depois — e encerra registrando a expectativa de que em breve seja possível adquirir a adrenalina autoinjetável no país, com a Sociedade Brasileira de Pediatria e a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia lutando por essa disponibilização. A causa da ausência é regulatória e comercial, não técnica: o produto não tem registro sanitário no Brasil porque nenhum fabricante solicitou o registro, e dispositivo importado sem registro é objeto de apreensão pela autoridade sanitária — a agência determinou apreensão de autoinjetor importado em abril de 2026. Em setembro de 2024 o dispositivo foi reclassificado como inovação incremental pela agência, passo regulatório na direção do registro.
Sociedade Brasileira de Pediatria, Anafilaxia: atualização 2021 — "Como prevenir?" e Figura 2; Anvisa, notícia de 02/04/2026 sobre apreensão de autoinjetor de adrenalina sem registro no Brasil
Na prova
É o caso clássico de recomendação internacional que não se cumpre por indisponibilidade, e a causa tem nome: falta de registro sanitário por ausência de pedido de fabricante — não discordância clínica. Como identificar o recorte: enunciado que descreve orientação de alta em ambiente brasileiro, ou que pergunta "o que prescrever no SUS", trabalha com ampola de adrenalina, plano de ação escrito, identificação portátil e encaminhamento ao alergista. Enunciado que cita autoinjetor, EpiPen, dose de 0,15 mg ou 0,3 mg em dispositivo, ou que se ancora em diretriz internacional, trabalha com a recomendação da World Allergy Organization. O conteúdo que atravessa os dois mundos e costuma ser o ponto real da questão: todo paciente que teve anafilaxia sai com plano de ação por escrito, identificação, revisão das medicações de risco e encaminhamento ao especialista.
Caso resolvido
- achado
- Início agudo (20 minutos após provável alérgeno alimentar) com pele e mucosa envolvidas — urticária generalizada e edema de lábios — MAIS comprometimento respiratório: rouquidão, estridor, sibilos, saturação 93%. Isso preenche o primeiro critério, e um critério basta. Diagnóstico: anafilaxia.
- raciocínio
- A pressão arterial está normal, e é justamente aí que o caso engana. Nenhum dos dois primeiros critérios exige hipotensão — esperar a pressão cair para chamar de anafilaxia é o atraso que a literatura associa a desfecho fatal. A taquicardia de 122 bpm, além de esperada na anafilaxia, afasta a reação vasovagal, que cursaria com bradicardia e sem urticária.
- conduta
- Adrenalina 1:1000 (1 mg/mL), 0,5 mg — 0,5 mL da ampola — intramuscular no terço médio anterolateral da coxa, agora, antes de qualquer outra droga. Anotar o horário. Suspender a exposição (nada mais por via oral). Chamar ajuda.
- posição
- O pedido para sentar não é atendido como conforto. Ela tem dispneia, o que autoriza posição de conforto — leve elevação da cabeceira —, mas mantendo os membros inferiores elevados e sem permitir que se levante ou fique em posição vertical: risco de morte súbita por síndrome do ventrículo vazio. A explicação vai junto, em linguagem clara, para que ela não se levante quando ninguém estiver olhando.
- suporte
- Oxigênio sob máscara não reinalante (SpO2 93%, abaixo de 94%). Acesso venoso periférico de grosso calibre. Monitorização de pressão, frequência, ritmo e oximetria. Salbutamol inalatório para o broncoespasmo, sem que isso substitua a próxima dose de adrenalina.
- via aérea
- Rouquidão mais estridor mais edema de lábios é sinal de alerta de via aérea superior. A decisão de intubar precocemente é tomada pelo achado, não pela gasometria: a via aérea que está pérvia agora pode não estar em cinco minutos, e intubar edema instalado pode virar via aérea cirúrgica. Material de via aérea difícil à cabeceira, profissional mais experiente disponível.
- reavaliação
- Aos 5 minutos, sem melhora do estridor: segunda dose de adrenalina IM, 0,5 mg na coxa. O intervalo é de 5 a 15 minutos, e o número de doses é o que for preciso. Se ela evoluir com hipotensão, expandir com salina 0,9%, 1 a 2 litros rápido; se caminhar para choque, adrenalina passa a infusão endovenosa de 1:10.000 titulada com monitorização — nunca bolus da ampola 1:1000.
- segunda linha
- Só depois: anti-H1 para o prurido e a urticária (que é o que ele faz), e corticoide conforme protocolo do serviço, sabendo que o início de ação é tardio e que nenhum dos dois trata a via aérea nem substitui a adrenalina.
- observação
- Reação com comprometimento respiratório e necessidade de duas doses de adrenalina não é caso leve: observação prolongada, no teto do intervalo — 24 horas ou mais —, pela janela da reação bifásica, que ocorre entre 8 e 12 horas em até 10% dos casos e cuja metade se concentra nas primeiras 6 a 12 horas.
- alta
- Plano de ação por escrito com o que fazer aos primeiros sinais; identificação portátil com o diagnóstico; corticoide oral 1 a 2 mg/kg/dia por 5 a 7 dias e anti-H1 de segunda geração por pelo menos 7 dias, conforme o guia brasileiro; orientação de que o autoinjetor não é comercializado no país e de como aspirar a dose de uma ampola de adrenalina, se essa for a alternativa disponível; e encaminhamento ao alergista para investigação etiológica — provável crustáceo, mas isso se confirma com teste, não com suposição. Triptase, se o serviço dispuser, colhida na janela de 15 minutos a 3 horas do início, com basal repetida ao menos 24 horas depois.
Agora feche você
- achado
- Queda aguda da pressão arterial (68/40 mmHg) minutos após exposição a um alérgeno provável — betalactâmico endovenoso —, com extremidades quentes e enchimento capilar alargado: quadro distributivo. A pele não participa, e a frequência cardíaca está em 52 bpm.
- raciocínio
- Dois achados atrapalham o reconhecimento e são a razão de ser deste caso. Primeiro: a ausência de urticária não exclui anafilaxia — a pele falta em 10 a 20% das reações, e essa apresentação é comum nas fatais; a queda de pressão isolada após alérgeno provável preenche critério. Segundo: a bradicardia não afasta o diagnóstico. Ela poderia sugerir reação vasovagal, mas o paciente usa betabloqueador (atenolol), e a anafilaxia bradicardiza na iminência da falência cardiorrespiratória. O enalapril é o segundo agravante: inibidor da enzima conversora de angiotensina interfere na resposta compensatória.
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Chamar de "reação alérgica", dar anti-histamínico e observar É o erro que mata, e atrai porque funciona parcialmente: a urticária melhora e o médico sente que tratou. Só que o anti-H1 não age no broncoespasmo, no edema laríngeo nem na hipotensão — os três mecanismos que levam ao óbito. Pior: administrá-lo consome tempo e atenção, e é por isso que algumas diretrizes já o rebaixaram a terceira linha. Se o quadro preenche um critério, o item é adrenalina; o anti-histamínico vem depois e trata pele.
- 2Esperar a hipotensão para chamar de anafilaxia Choque não é requisito em nenhum dos dois primeiros critérios. Urticária mais estridor com pressão normal é anafilaxia. A armadilha é sedutora porque a palavra "anafilático" veio associada a "choque" — mas o choque é o extremo do espectro, não o portão de entrada. E há uma consequência prática: quanto mais a hipotensão se aprofunda ao longo da reação, menor a resposta à adrenalina.
- 3Descartar anafilaxia porque não há urticária Sinais cutâneos faltam em 10 a 20% das reações — e são exatamente essas as que chegam tarde, porque ninguém pensou no diagnóstico. Hipotensão, broncoespasmo ou envolvimento laríngeo de início agudo após exposição a alérgeno conhecido ou altamente provável é anafilaxia sem pele nenhuma. Anafilaxia perioperatória é o cenário arquetípico: o paciente está coberto, anestesiado, e a urticária não é vista.
- 4Adrenalina subcutânea Parece a via "mais segura" e é a pior. A absorção subcutânea é lenta e imprevisível, e despenca justamente no paciente hipotenso, que é quem mais precisa de nível sérico rápido. A via é intramuscular, no vasto lateral — terço médio anterolateral da coxa. Se a alternativa oferece via subcutânea, ela existe para punir quem decorou uma prática antiga.
- 5Confundir 1:1000 com 1:10.000 — e fazer bolus endovenoso A ampola do atendimento é 1:1000, ou 1 mg/mL, e é intramuscular. A endovenosa exige 1:10.000, obtida diluindo 1 mL em 9 mL. São dez vezes de diferença, no meio de uma emergência. Bolus endovenoso da concentração errada produz arritmia potencialmente fatal, hipertensão grave e isquemia miocárdica. A via endovenosa é reservada ao choque iminente ou estabelecido, em infusão lenta e titulada, com monitorização.
- 6Sentar ou levantar o paciente "que já melhorou" Síndrome da veia cava e do ventrículo vazio: com o leito vascular dilatado e o volume represado na periferia, a mudança para a vertical esvazia o ventrículo e há relatos de morte súbita — inclusive já em vigência de tratamento. O protocolo brasileiro escreve a proibição com todas as letras. Decúbito dorsal com membros inferiores elevados; posição de conforto apenas se houver dispneia ou vômito, mantendo os membros elevados.
- 7Tratar a bradicardia como prova de que não é anafilaxia A regra geral é taquicardia, e a bradicardia aponta reação vasovagal — mas com duas exceções que a prova adora: o paciente em uso de betabloqueador, e a anafilaxia já na iminência da falência cardiorrespiratória. No segundo caso, a bradicardia é sinal de gravidade extrema, não de diagnóstico alternativo. O que realmente separa vasovagal de anafilaxia é a presença de urticária ou angioedema e o contexto da exposição.
- 8Confiar em triptase normal para excluir o diagnóstico A triptase sobe a partir de 15 minutos, tem pico entre 1 e 2 horas e pode permanecer elevada por 3 horas ou mais — mas em 36 a 40% dos casos ela fica abaixo de 11,4 µg/L, e normalidade é frequente na anafilaxia alimentar da criança. O exame apoia o diagnóstico quando alterado; valor normal não exclui nada. E o diagnóstico nunca dependeu dele: é clínico, e o tratamento começa antes de qualquer coleta.
- 9Dar alta cedo, sem plano e sem encaminhamento Reação bifásica ocorre em até 10% dos casos, entre 8 e 12 horas depois, e cerca de metade das bifásicas se concentra nas primeiras 6 a 12 horas. A régua brasileira observa 6 a 8 horas no caso leve e 24 a 48 horas no grave; quem precisou de duas doses de adrenalina, tem asma mal controlada ou história prévia de bifásica fica no teto. E a alta é prescrição: plano de ação por escrito, identificação portátil, revisão de betabloqueador e inibidor da enzima conversora de angiotensina, notificação da escola quando for criança, e encaminhamento ao alergista sempre — mesmo depois de um episódio único.
- 10Achar que corticoide cobre a falta da segunda dose de adrenalina O corticoide tem início de ação tardio, sua padronização de dose não está estabelecida e o benefício na prevenção da reação bifásica está sob revisão — o próprio guia brasileiro escreve que ele tem pouca ou nenhuma ação no tratamento agudo. Nada disso é argumento para retirá-lo do protocolo do seu serviço; é argumento para não deixar de repetir a adrenalina enquanto os sintomas persistem.
Trata-se de anafilaxia (envolvimento cutâneo, respiratório e cardiovascular após exposição a alérgeno). A adrenalina IM (1:1000, região anterolateral da coxa) é a primeira medida e não deve ser retardada. Anti-histamínico H1 isolado e corticoide têm início lento e não revertem a obstrução de via aérea nem a hipotensão, sendo apenas adjuvantes. Adrenalina EV em bolus é reservada a parada/refratariedade e traz risco de arritmia/isquemia. Salbutamol trata o broncoespasmo mas não a anafilaxia sistêmica.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Mulher de 34 anos procura atendimento após episódio de urticária generalizada, prurido intenso, edema de lábios e sensação de aperto na garganta, iniciados 10 minutos após picada de abelha. Ao exame: PA 82/50 mmHg, FC 122 bpm, FR 26 ipm, SatO2 91% em ar ambiente, com sibilos difusos à ausculta pulmonar. Qual é a conduta farmacológica de PRIMEIRA linha, a ser administrada imediatamente?
Trata-se de anafilaxia (envolvimento cutâneo + respiratório + cardiovascular após exposição a alérgeno), cujo tratamento de primeira linha é adrenalina IM na coxa (0,3-0,5 mg da solução 1:1000). A hidrocortisona e a metilprednisolona (corticoides) e a difenidramina (anti-H1) são adjuvantes de segunda linha — não revertem a obstrução de via aérea nem o choque na fase aguda. A adrenalina IV em bolus na dose de 1:1000 é contraindicada fora de parada/refratariedade por risco de arritmia e isquemia; reserva-se a via IV diluída e titulada para casos refratários.
Homem de 28 anos procura a UBS relatando que, minutos após ser picado por uma abelha, apresentou urticária generalizada, edema de lábios, dispneia com sibilância e sensação de desmaio. Ao exame: agitado, PA 80x50 mmHg, FC 130 bpm, estridor discreto e sibilos difusos. Qual é a conduta medicamentosa inicial de escolha?
O quadro é de anafilaxia (acometimento cutâneo + respiratório + cardiovascular após exposição a alérgeno). O tratamento de primeira linha é adrenalina IM 0,01 mg/kg (máx 0,5 mg no adulto), na face anterolateral da coxa, repetível a cada 5-15 min. Anti-histamínicos (difenidramina) e corticoides (hidrocortisona) são adjuvantes de segunda linha e nunca substituem a adrenalina, pois não revertem obstrução de via aérea nem hipotensão de forma imediata. Adrenalina IV em bolus só é usada em parada ou choque refratário sob monitorização, pelo risco de arritmia e isquemia; a via IM é a correta na abordagem inicial.
Mulher de 35 anos chega à UPA relatando que há 20 minutos, após tomar amoxicilina prescrita para faringite, teve urticária e 'aperto na garganta'. Recebeu adrenalina IM na chegada, com boa resposta, e permanece estável após 1 hora de observação. Antes da alta, além da orientação de evitar o fármaco, qual é a conduta mais adequada quanto ao risco de nova reação?
Após anafilaxia, mesmo com boa resposta, há risco de recorrência (inclusive reação bifásica). A conduta pós-alta inclui prescrever adrenalina de autoadministração, ensinar reconhecimento precoce de sintomas e encaminhar ao especialista em alergia/imunologia para investigação e plano de ação. Corticoide contínuo por 30 dias não previne anafilaxia e traz efeitos adversos. A restrição deve ser ao alérgeno identificado (amoxicilina/betalactâmicos, com avaliação de reatividade cruzada), não a todos os antibióticos. Liberar sem orientação é inadequado dado o risco de reexposição.
Mulher de 28 anos é atendida na UPA após picada de abelha, evoluindo em 15 minutos com urticária generalizada, edema de lábios, dispneia com sibilância e hipotensão (PA 80x50 mmHg). Além de garantir via aérea e acesso venoso, qual é a intervenção farmacológica prioritária?
O quadro é anafilaxia (envolvimento de pele/mucosa + comprometimento respiratório e cardiovascular após alérgeno). A intervenção prioritária e que salva vida é a adrenalina intramuscular (0,3–0,5 mg de 1:1000) na face anterolateral da coxa, repetível a cada 5–15 min. Corticoide e anti-histamínico são adjuvantes de segunda linha e não revertem a fase aguda com rapidez. Adrenalina EV em bolus não diluído é reservada apenas a ambiente monitorizado com risco elevado de arritmia — não é a via de escolha inicial extra-hospitalar/UPA.
Uma mulher de 26 anos é trazida ao pronto-socorro cerca de 15 minutos após picada de abelha. Apresenta urticária generalizada, edema de lábios e pálpebras, sensação de aperto na garganta, dispneia com sibilos e tontura. Ao exame: agitada, PA 80/50 mmHg, FC 128 bpm, FR 28 irpm, SpO2 90% em ar ambiente, sibilância difusa e estridor discreto. Já teve reação leve a picada anterior. Diante do quadro de anafilaxia, o medicamento de primeira linha e a via de administração corretos são:
O quadro é de anafilaxia (envolvimento cutâneo-mucoso, respiratório e cardiovascular após exposição a alérgeno). O tratamento de primeira linha, imediato e salvador, é adrenalina intramuscular na face anterolateral da coxa (vasto lateral), que pode ser repetida a cada 5–15 minutos. Anti-histamínicos e corticoides são adjuvantes: aliviam sintomas cutâneos e podem prevenir reação bifásica, mas não revertem a obstrução de via aérea nem o choque e nunca substituem a adrenalina. A adrenalina endovenosa em bolus é reservada a parada/choque refratário em ambiente monitorizado, pelo risco de arritmias/isquemia — a via IM é a inicial padrão.
Mulher de 28 anos é levada ao pronto-socorro cerca de 15 minutos após ingerir camarão em um restaurante. Apresenta urticária generalizada, edema de lábios, sensação de aperto na garganta com rouquidão e dispneia. Refere episódio prévio leve com frutos do mar. Ao exame: ansiosa, PA 88x54 mmHg, FC 122 bpm, FR 26 irpm, SpO2 91% em ar ambiente, sibilos difusos e estridor discreto. Assinale a conduta inicial correta.
O quadro é anafilaxia (início minutos após alérgeno conhecido, com envolvimento cutâneo-mucoso + comprometimento respiratório e hipotensão). O tratamento de primeira linha, imediato e potencialmente salvador, é a adrenalina intramuscular na face anterolateral da coxa (0,3-0,5 mg no adulto), que pode ser repetida a cada 5-15 minutos. Corticoide e anti-histamínico são adjuvantes de segunda linha e não tratam a obstrução de via aérea/choque nem substituem a adrenalina como medida inicial. Adrenalina endovenosa em bolus não é a via de escolha inicial — reservada a choque refratário/parada, sob monitorização, pelo risco de arritmias.
Mulher, 34 anos, é atendida na sala de emergência 15 minutos após ingerir camarão em um restaurante. Apresenta urticária generalizada, edema de lábios, sensação de "aperto na garganta", dispneia com sibilos difusos, PA 78/40 mmHg, FC 128 bpm, FR 28 ipm, SatO2 89% em ar ambiente. Recebeu imediatamente adrenalina 0,5 mg IM na face anterolateral da coxa, O2 suplementar em máscara e reposição volêmica com cristaloide. Após 5 minutos, mantém PA 80/44 mmHg, FC 130 bpm e desconforto respiratório. Qual a conduta mais apropriada neste momento? Qual a conduta mais apropriada?
Correta: Na anafilaxia refratária à primeira dose de adrenalina IM, a conduta é repetir a adrenalina IM (0,3-0,5 mg) a cada 5-15 minutos; se houver instabilidade persistente após 2-3 doses IM, indica-se adrenalina em infusão contínua IV, idealmente com monitorização. Adrenalina IM na coxa (vasto lateral) é a primeira linha, e a repetição é segura e recomendada. Adrenalina 1 mg IV em bolus é a dose de PARADA cardíaca e causa arritmias/hipertensão grave/isquemia no paciente com pulso — nunca em bolus na anafilaxia com circulação presente; usa-se diluída em infusão. Corticoide e anti-histamínico são adjuvantes de segunda linha, não estabilizam o quadro agudo nem substituem a adrenalina. O vasopressor de escolha na anafilaxia é a própria adrenalina; noradrenalina só entra se refratária mesmo com adrenalina em infusão. Broncodilatador é adjuvante para o broncoespasmo, mas não trata a hipotensão nem substitui a adrenalina.
Homem, 28 anos, sem comorbidades, comparece ao pronto-socorro 20 minutos após picada de abelha. Apresenta placas urticariformes disseminadas, prurido intenso e edema periorbitário, além de dor abdominal em cólica e um episódio de vômito. Está consciente, orientado, sem estridor ou sibilos. PA 118/76 mmHg, FC 92 bpm, FR 18 ipm, SatO2 98% em ar ambiente. Considerando os critérios diagnósticos de anafilaxia, qual a interpretação e a conduta corretas?
Correta: Pelos critérios da WAO/diretrizes, o diagnóstico de anafilaxia é preenchido quando há início agudo com envolvimento de pele/mucosa E pelo menos um de: comprometimento respiratório, hipotensão OU sintomas gastrointestinais graves persistentes. O paciente tem urticária/angioedema mais dor abdominal em cólica e vômito após exposição a alérgeno provável (veneno de himenóptero) — critério cumprido, mesmo sem hipotensão ou dispneia. A adrenalina IM é a primeira linha e deve ser administrada precocemente. Subestimam o quadro: a presença de sintomas GI relevantes com acometimento cutâneo já define anafilaxia — retardar a adrenalina é o principal erro fatal. Hipotensão NÃO é obrigatória para o diagnóstico. Independente do mecanismo (IgE ou não), o tratamento é o mesmo e a adrenalina não é dispensável.
Mulher, 45 anos, desenvolve edema de língua, urticária, chiado no peito e hipotensão poucos minutos após receber contraste iodado endovenoso. O diagnóstico de anafilaxia é firmado. Qual é o medicamento de primeira linha e a via de administração corretos para o tratamento imediato?
Correta: a adrenalina intramuscular na face anterolateral da coxa (músculo vasto lateral) é o tratamento de primeira linha e deve ser administrada imediatamente em toda anafilaxia — a via IM na coxa proporciona absorção rápida e níveis plasmáticos mais altos que a via SC ou o deltoide. Anti-histamínico alivia apenas prurido/urticária, não reverte obstrução de via aérea nem hipotensão, sendo adjuvante. Corticoides têm início de ação lento, não atuam no quadro agudo e não substituem a adrenalina (papel discutível até na prevenção de reação bifásica). A via subcutânea e o deltoide têm absorção mais lenta e errática, não sendo recomendados — a coxa por via IM é o padrão.
Mulher, 24 anos, previamente hígida, é admitida no pronto-socorro 30 minutos após picada de abelhas, com edema de face e lábios, urticária difusa, estridor laríngeo e dispneia. PA 70/40 mmHg, FC 130 bpm, FR 28 ipm, SatO2 90%. Encontra-se com pele quente e ruborizada, extremidades bem perfundidas. Qual é a medicação de primeira linha a ser administrada IMEDIATAMENTE?
Trata-se de choque anafilatico (distributivo): exposicao a alergeno, urticaria, angioedema, estridor e hipotensao com pele quente/ruborizada e vasodilatacao. O tratamento de primeira linha e a adrenalina intramuscular (0,3-0,5 mg, 1:1000) na face anterolateral da coxa, administrada imediatamente. Corticoide e adjuvante de segunda linha, sem efeito imediato. Anti-histaminico alivia sintomas cutaneos, mas nao trata a obstrucao de via aerea nem o choque. Noradrenalina so entra se houver refratariedade a adrenalina e fluidos, nao como primeira medida. Salbutamol trata broncoespasmo associado, mas nao substitui a adrenalina no manejo do choque anafilatico.
Mulher, 28 anos, é levada ao pronto-socorro 10 minutos após receber a primeira dose de amoxicilina prescrita para faringite. Apresenta prurido generalizado, urticária difusa, edema de lábios e língua, dispneia com sibilância à ausculta e sensação de "aperto na garganta". PA 80/50 mmHg, FC 128 bpm, FR 28 ipm, SatO2 89% em ar ambiente. Qual é a conduta terapêutica de PRIMEIRA linha?
O quadro é anafilaxia (início minutos após droga, comprometimento cutâneo-mucoso + respiratório + hipotensão). A conduta de primeira linha e que reduz mortalidade é adrenalina IM na dose 0,01 mg/kg até 0,5 mg (0,5 mL de 1:1000) na face anterolateral da coxa (vasto lateral), podendo repetir a cada 5-15 min. Corticoide não age na fase aguda (início em horas) e é adjuvante, nunca primeira linha. Anti-histamínico só alivia sintomas cutâneos, não reverte broncoespasmo nem hipotensão. Adrenalina IV em bolus só se reserva a parada/choque refratário com monitorização, pelo risco de arritmia/isquemia — não é a primeira medida neste cenário. Salbutamol trata o broncoespasmo como adjuvante, mas não é a droga que salva vida na anafilaxia.
Mulher, 34 anos, sem comorbidades, é submetida a tomografia computadorizada com contraste iodado. Cerca de 5 minutos após a injeção do contraste, apresenta mal-estar súbito, tontura intensa, náuseas e sudorese fria. Ao exame: PA 78/40 mmHg, FC 132 bpm, FR 26 ipm, SatO2 93% em ar ambiente. Ausculta pulmonar com sibilos difusos bilaterais. Não há urticária, prurido ou angioedema visíveis. Qual a conduta imediata mais apropriada?
Correta: Anafilaxia é altamente provável quando há início agudo de hipotensão e/ou comprometimento respiratório após exposição a um alérgeno conhecido (contraste iodado), MESMO sem envolvimento cutâneo — cerca de 10–20% dos casos cursam sem urticária/angioedema. O tratamento de primeira linha é adrenalina IM na face anterolateral da coxa (0,3–0,5 mg no adulto). Erra porque exigir manifestação cutânea atrasa a terapia salvadora e ignora que a hipotensão pós-alérgeno já preenche critério diagnóstico. Corticoide tem início lento e não trata a instabilidade aguda — é adjuvante, nunca primeira medida. Anti-histamínico alivia sintomas cutâneos, mas não reverte hipotensão nem broncoespasmo. Adrenalina IV em bolus está reservada à parada/choque refratário sob monitorização e infusão titulada; bolus IV na fase inicial associa-se a arritmias e isquemia — a via correta aqui é IM.
Homem, 22 anos, com histórico conhecido de alergia a amendoim, ingere um biscoito e, em poucos minutos, desenvolve urticária generalizada, edema labial, dispneia com sibilos e sensação de fechamento da garganta. PA 90/60 mmHg, FC 120 bpm, SatO2 92%. Qual é o tratamento de primeira linha (medicação, via e dose)?
Correta: Trata-se de anafilaxia clássica (dois ou mais sistemas — pele, respiratório — após alérgeno conhecido). A droga de primeira linha, sem contraindicação absoluta, é a adrenalina IM na face anterolateral da coxa (vasto lateral), 0,3–0,5 mg no adulto, repetível a cada 5–15 minutos. Anti-histamínico oral só atenua sintomas cutâneos e tem absorção/início inadequados para emergência. Corticoide não age na fase aguda e não substitui a adrenalina. A via subcutânea foi abandonada por absorção errática e lenta; a via correta é a intramuscular. Broncodilatador inalatório é apenas adjuvante para o broncoespasmo, não trata hipotensão nem edema de via aérea.
Homem, 68 anos, hipertenso em uso crônico de propranolol, é picado por abelha e evolui em minutos com urticária, dispneia e hipotensão (PA 70/40 mmHg, FC 90 bpm). Recebeu duas doses de adrenalina 0,5 mg IM com intervalo adequado e reposição volêmica generosa com cristaloide, mas mantém-se hipotenso e com broncoespasmo. Qual o próximo passo mais indicado?
Correta: Pacientes em uso de betabloqueador podem apresentar anafilaxia refratária à adrenalina, pois o bloqueio beta-adrenérgico impede a resposta ao fármaco (inclusive a FC pode não subir, como neste caso). O glucagon (1–5 mg IV em bolus, seguido de infusão de 5–15 µg/min) age por via independente do receptor beta, aumentando AMPc e revertendo hipotensão e broncoespasmo — é o próximo passo consagrado. Vasopressores como dopamina/noradrenalina entram apenas se persistir choque após adrenalina, fluidos e glucagon, não substituindo a adrenalina. Anti-histamínico e corticoide são adjuvantes e não corrigem o choque. O uso de betabloqueador NÃO contraindica a adrenalina — ao contrário, pode-se precisar de doses adicionais; o erro é não associar o glucagon. Broncodilatador isolado não trata a hipotensão refratária.
Menino, 6 anos, previamente hígido, em festa de aniversário ingere bolo contendo amendoim. Cerca de 10 minutos depois apresenta urticária generalizada, edema labial e palpebral, tosse seca, sibilância difusa e dispneia. À avaliação: PA 90/60 mmHg, FC 130 bpm, FR 34 ipm, SatO2 91% em ar ambiente, tiragem intercostal. Qual a conduta imediata mais adequada?
Quadro típico de anafilaxia (início agudo com acometimento cutâneo + respiratório após alérgeno provável), e o tratamento de primeira linha é adrenalina IM (0,01 mg/kg da solução 1 mg/mL) na face anterolateral da coxa, sem retardo. Anti-histamínico só alivia sintomas cutâneos, não reverte obstrução de via aérea nem hipotensão — nunca é a droga inicial. Corticoide tem início lento (horas) e serve para prevenir reação bifásica, não para o resgate agudo. Adrenalina EV em bolus é reservada a parada/choque refratário em ambiente monitorizado, pelo risco de arritmia/isquemia; a via inicial é IM. Beta-2 isolado trata broncoespasmo mas ignora a anafilaxia sistêmica.
Menino, 4 anos, 15 kg, é picado por abelha e evolui em minutos com urticária, edema de glote incipiente (estridor), vômitos e PA 70/40 mmHg. Recebe imediatamente adrenalina intramuscular. Após 5 minutos, mantém estridor e hipotensão, sem melhora. Qual a conduta mais adequada neste momento?
Na anafilaxia refratária, repete-se a adrenalina IM a cada 5–15 minutos; a dose correta para 15 kg é 0,01 mg/kg = 0,15 mg (0,15 mL da solução 1 mg/mL, isto é, 1:1000), associada à reposição volêmica pela hipotensão distributiva. Bolus EV de dose plena reproduz risco de arritmia/crise hipertensiva e não é a via de repetição padrão fora de parada monitorizada. Corticoide não reverte o choque agudo nem substitui a adrenalina — é adjuvante para reação bifásica. 0,3 mg é dose de autoinjetor pediátrico/adulto padronizada, mas aqui a dose calculada por peso é 0,15 mg; aplicar 0,3 mg seria o dobro e é desnecessário/potencialmente excessivo quando se dispõe da solução para dose exata. Esperar 30 minutos retarda o resgate — o intervalo para nova dose é de apenas 5–15 minutos.
Mulher, 34 anos, previamente hígida, é levada ao pronto-socorro 15 minutos após picada de abelha no antebraço. Queixa-se de prurido generalizado, sensação de "aperto na garganta" e falta de ar de instalação rápida. Ao exame: agitada, urticária difusa, edema de lábios e pálpebras, sibilância difusa à ausculta. PA 80/50 mmHg, FC 122 bpm, FR 28 ipm, SatO2 90% em ar ambiente, Tax 36,4 °C. Qual é a conduta imediata?
O quadro preenche critério de anafilaxia (início agudo pós-alérgeno com pele + via aérea/respiratório + hipotensão). A droga de primeira linha é a adrenalina IM na face anterolateral da coxa (0,3–0,5 mg de 1:1000; 0,01 mg/kg), repetível a cada 5–15 min. Anti-histamínico só alivia prurido/urticária, não reverte broncoespasmo nem choque, e nunca é a primeira medida. Corticoide tem início lento e é adjuvante para prevenir reação bifásica, jamais o primeiro passo. Adrenalina 1 mg IV em bolus é dose de PCR e causa arritmia/isquemia grave — a via inicial é IM; infusão IV titulada só em refratariedade. Beta-2 inalatório trata apenas o broncoespasmo e não corrige hipotensão nem edema de via aérea.
Homem, 58 anos, hipertenso em uso crônico de propranolol, desenvolve anafilaxia poucos minutos após injeção de contraste iodado em exame de imagem. Apresenta urticária, edema de glote incipiente e hipotensão. Recebeu duas doses de adrenalina 0,5 mg IM (intervalo de 5 minutos) e infusão de 1.000 mL de SF 0,9%, mas persiste com PA 75/45 mmHg e FC 58 bpm, sem taquicardia reflexa. Qual é o próximo passo mais adequado?
Trata-se de anafilaxia refratária em paciente betabloqueado: o propranolol bloqueia os receptores beta e reduz a resposta à adrenalina (a bradicardia relativa apesar do choque reforça isso). O glucagon age por via independente dos receptores beta (estimula a adenilato-ciclase), sendo o próximo passo indicado. Repetir apenas a mesma dose IM que já falhou duas vezes não resolve o bloqueio farmacológico. Adrenalina 1 mg IV em bolus é dose de parada e provoca crise hipertensiva/arritmia. Noradrenalina pode ser adjuvante vasopressora, mas não é a primeira escolha aqui e não supera o bloqueio beta — a medida específica é o glucagon. Anti-histamínico e corticoide são adjuvantes de ação lenta e não corrigem a hipotensão refratária.
Mulher, 25 anos, sem comorbidades, procura o pronto-socorro 10 minutos após ingerir um doce contendo amendoim. Refere prurido e placas urticariformes em tronco e membros, acompanhados de vômitos e cólica abdominal intensa. Nega dispneia ou tontura. Ao exame: PA 122/78 mmHg, FC 98 bpm, FR 18 ipm, SatO2 98% em ar ambiente, ausculta pulmonar limpa, sem edema de via aérea e sem estridor. Qual é a conduta correta?
Após exposição a alérgeno provável (amendoim), o acometimento agudo de dois sistemas — pele/mucosa (urticária) e trato gastrointestinal (vômitos e cólica intensa) — já preenche critério de anafilaxia, mesmo SEM hipotensão ou sintoma respiratório. Logo, a conduta é adrenalina IM imediata. É o erro clássico: hipotensão e dispneia não são obrigatórias para o diagnóstico; envolvimento de 2 sistemas após alérgeno basta. Corticoide é adjuvante de ação lenta e não substitui a adrenalina no evento agudo. Apenas observar retarda o tratamento de um quadro que pode evoluir para choque ou obstrução de via aérea. Tratar isoladamente o sintoma digestivo ignora que ele é uma manifestação da própria anafilaxia.
Mulher, 28 anos, previamente hígida, é levada ao pronto-socorro cerca de 10 minutos após ingerir camarão em um restaurante. Apresenta urticária generalizada, edema labial, sensação de "aperto na garganta", sibilância difusa à ausculta pulmonar e PA 85/50 mmHg, FC 122 bpm, FR 26 ipm, SatO2 91% em ar ambiente. Qual é a medida terapêutica inicial mais importante?
O quadro preenche critério de anafilaxia (início minutos após alérgeno provável, com acometimento cutâneo-mucoso + respiratório + hipotensão). A conduta de primeira linha, tempo-dependente, é adrenalina IM na coxa anterolateral, dose de 0,5 mg (0,01 mg/kg da solução 1:1000, máx. 0,5 mg no adulto). Corticoide não tem ação imediata e não substitui a adrenalina; serve apenas como adjuvante para reduzir reação bifásica. Anti-histamínico alivia prurido/urticária, mas não reverte broncoespasmo nem hipotensão e nunca é a medida prioritária. Adrenalina IV em bolus só é reservada a parada/choque refratário com monitorização, pelo risco de arritmia/isquemia — a via inicial é IM. Broncodilatador inalatório é adjuvante para o broncoespasmo, mas não trata a anafilaxia sistêmica.
Homem, 45 anos, evolui com anafilaxia poucos minutos após picada de abelha. Recebeu prontamente adrenalina 0,5 mg por via intramuscular na coxa. Cinco minutos depois, mantém PA 80/40 mmHg, FC 130 bpm e sonolência, com vias aéreas pérvias e sem novo edema de glote. Qual a conduta mais adequada neste momento?
Diante de resposta insuficiente à primeira dose, a adrenalina IM deve ser repetida a cada 5–15 minutos, associada a expansão volêmica com cristaloide, pois a hipotensão da anafilaxia decorre de vasodilatação e extravasamento capilar. Esperar 15 minutos com paciente hipotenso e sonolento é conduta insegura; a redosagem se faz já a partir de 5 minutos. Corticoide não age agudamente sobre a hipotensão. Vasopressores como noradrenalina só entram na anafilaxia refratária, após repetir adrenalina e repor volume — não a substituem neste momento. Anti-histamínico não trata hipotensão e não é medida prioritária.
Homem, 68 anos, hipertenso em uso crônico de propranolol, desenvolve anafilaxia após injeção de contraste iodado durante tomografia. Recebeu duas doses de adrenalina 0,5 mg intramuscular com intervalo adequado e reposição volêmica vigorosa com cristaloide, mas persiste com PA 75/45 mmHg, FC 58 bpm e broncoespasmo importante. Qual a conduta farmacológica mais indicada para a refratariedade neste contexto?
A refratariedade à adrenalina em paciente betabloqueado — sugerida pela hipotensão persistente com FC paradoxalmente baixa (58 bpm) apesar de doses repetidas — é a indicação clássica de glucagon IV, que ativa a adenilciclase por via independente do receptor beta-adrenérgico, contornando o bloqueio. A dose IM da adrenalina no adulto não deve exceder 0,5 mg; escalonar para 1 mg IM não é a correção do problema, que é o bloqueio betarreceptor. Corticoide não reverte hipotensão aguda nem o bloqueio. Azul de metileno é resgate excepcional em choque vasoplégico verdadeiramente refratário, não a próxima medida no betabloqueado. Cálcio não tem papel no manejo da anafilaxia refratária por betabloqueio.
Mulher, 25 anos, previamente hígida, é levada ao pronto-socorro cerca de 10 minutos após picada de abelha. Apresenta urticária difusa, edema de lábios e pálpebras, sibilos difusos e estridor laríngeo. PA 80/40 mmHg, FC 132 bpm, FR 30 ipm, SatO2 90%. Qual é a medicação de primeira linha, com via e dose adequadas, para o quadro?
O quadro é anafilaxia com choque distributivo (vasodilatação e extravasamento capilar), e a medicação de primeira linha é a adrenalina intramuscular na face anterolateral da coxa, 0,3–0,5 mg (0,01 mg/kg) da solução 1 mg/mL, repetível a cada 5–15 minutos. Corticoide não trata a fase aguda — tem início lento e visa prevenir reação bifásica; nunca é a primeira medida. Adrenalina EV em bolus de 1 mg é a dose de parada cardiorrespiratória e, no paciente com pulso, associa-se a arritmias e crises hipertensivas graves — a via inicial é IM. Anti-histamínico alivia urticária/prurido, mas não reverte a hipotensão nem a obstrução de via aérea. Cristaloide é adjuvante importante na hipotensão refratária, porém não substitui a adrenalina como tratamento inicial.
Mulher, 58 anos, hipertensa em uso crônico de atenolol, evolui 10 minutos após picada de vespa com urticária generalizada, dispneia e sibilância difusa. PA 70x40 mmHg, FC 56 bpm, FR 28 ipm, SatO2 88% em ar ambiente. Recebe adrenalina 0,5 mg intramuscular na face anterolateral da coxa, repetida após 5 minutos, além de oxigênio, decúbito dorsal com membros inferiores elevados e SF 0,9% endovenoso em bolus. Permanece hipotensa, bradicárdica e com broncoespasmo importante. Qual a próxima medicação a ser administrada?
Correta: a paciente tem anafilaxia (exposição a alérgeno + acometimento cutâneo, respiratório e cardiovascular) refratária a duas doses de adrenalina IM em vigência de betabloqueio. O atenolol atenua a resposta aos receptores beta-adrenérgicos; o glucagon (1-5 mg EV) age por via independente do receptor beta, elevando o AMPc e produzindo efeito inotrópico e cronotrópico, sendo o passo específico recomendado nesse cenário. Adrenalina 1 mg EV em bolus é a dose de parada cardiorrespiratória; no paciente com pulso o risco de arritmia/isquemia é alto e a via preferencial refratária seria infusão titulada, não bolus. Corticoide não reverte a fase aguda do choque/broncoespasmo, apenas reduz o risco de reação bifásica. Anti-histamínico alivia prurido e urticária, mas não trata hipotensão nem broncoespasmo. Gluconato de cálcio não tem papel no manejo da anafilaxia refratária.
Homem, 24 anos, previamente hígido, chega à emergência 20 minutos após ingerir amendoim, com urticária, angioedema labial, dispneia e sibilância difusa. PA 118x74 mmHg, FC 96 bpm, FR 24 ipm, SatO2 93%. Recebe adrenalina 0,5 mg intramuscular, com resolução completa dos sintomas em 30 minutos; encontra-se normotenso, eupneico e assintomático. Qual a conduta mais adequada antes da alta hospitalar?
Correta: Mesmo após resposta completa à adrenalina, existe risco de reação bifásica (recorrência dos sintomas horas após a resolução, tipicamente nas primeiras 4-12 horas), o que justifica período de observação mínimo de 4 a 6 horas (estendido em reações graves, refratárias ou em asmáticos). A liberação imediata subestima o risco de reação bifásica; anti-histamínico e corticoide são apenas adjuvantes e não substituem a observação nem a prescrição de autoinjetor de adrenalina. Internação em UTI por 72 horas é conduta desproporcional para paciente que respondeu bem e está estável.
Mulher, 30 anos, poucos minutos após receber dipirona endovenosa em unidade de emergência, apresenta urticária generalizada, edema de glote, estridor, sibilância, PA 80x50 mmHg, FC 122 bpm, SatO2 89%. Qual a medicação de primeira linha, a ser administrada imediatamente?
Correta: o quadro é anafilaxia de instalação rápida com comprometimento cutâneo, respiratório (edema de glote/broncoespasmo) e cardiovascular (hipotensão). A adrenalina intramuscular (0,5 mg, solução 1:1000, na face anterolateral da coxa) é o tratamento de primeira linha e o único fármaco que comprovadamente reduz mortalidade, devendo ser administrada sem retardo. Corticoide não tem efeito na fase aguda, apenas reduz risco de reação bifásica. Anti-histamínicos H1/H2 aliviam sintomas cutâneos, mas não revertem obstrução de via aérea nem hipotensão. Salbutamol inalatório trata o broncoespasmo como adjuvante, mas não atua sobre o choque nem sobre o edema de via aérea superior.
Homem, 28 anos, sem comorbidades, recebe a primeira dose de ceftriaxona endovenosa em pronto-socorro. Cerca de 10 minutos após o início da infusão apresenta urticária generalizada, prurido intenso, sensação de aperto na garganta, sibilância difusa à ausculta, PA 82/50 mmHg, FC 124 bpm e SatO2 91% em ar ambiente. Qual é a conduta imediata?
Correta: Reação imediata (hipersensibilidade tipo I, IgE-mediada) com envolvimento de pele, via aérea (broncoespasmo/estridor) e cardiovascular (hipotensão) minutos após a droga configura anafilaxia — o tratamento de primeira linha é adrenalina IM 0,3–0,5 mg da solução 1:1000 (1 mg/mL) no vasto lateral da coxa, repetível a cada 5–15 min. Adrenalina EV em bolus 1:1000 é erro grave (risco de arritmia e isquemia); a via EV só é usada diluída, em bomba, no choque refratário sob monitorização. Corticoide e anti-histamínico são adjuvantes de segunda linha — não revertem a obstrução de via aérea nem o choque e nunca substituem a adrenalina como medida inicial. Volume é coadjuvante importante na hipotensão, mas isolado não trata o quadro; retardar a adrenalina aumenta a mortalidade.
Mulher, 28 anos, previamente hígida, é atendida na emergência cerca de 10 minutos após ser picada por uma abelha durante uma caminhada. Apresenta urticária generalizada e prurido, além de sensação de "aperto na garganta", dispneia com sibilância difusa à ausculta e tontura. PA 82/50 mmHg, FC 128 bpm, FR 28 ipm, SatO2 91% em ar ambiente. Está ansiosa, com sudorese e extremidades frias. Após garantir via aérea, oferta de oxigênio e posicionamento em decúbito com elevação dos membros inferiores, qual é a conduta medicamentosa IMEDIATA de primeira linha?
O quadro preenche critério de anafilaxia: início agudo (minutos) após exposição a alérgeno provável (veneno de himenóptero), com envolvimento cutâneo (urticária/prurido) somado a comprometimento respiratório (estridor/sibilância, SatO2 91%) e cardiovascular (PA 82/50, taquicardia, hipoperfusão). O tratamento de primeira linha, que reduz mortalidade, é a adrenalina INTRAMUSCULAR na face anterolateral da coxa (vasto lateral): dose 0,01 mg/kg, máximo 0,5 mg no adulto, solução 1:1.000, repetível a cada 5-15 min. A hidrocortisona tem início lento e papel apenas adjuvante/2ª linha (prevenir reação bifásica), nunca substitui a adrenalina inicial. A difenidramina, anti-histamínico, alivia sintomas cutâneos, mas não trata broncoespasmo nem hipotensão e não é a droga que salva vida. A adrenalina intravenosa em bolus, na solução 1:10.000, fica reservada a parada ou choque refratário sob monitorização contínua; em bolus indevido causa arritmias, isquemia e emergência hipertensiva - via e diluição erradas para o momento. E o salbutamol nebulizado trata apenas o broncoespasmo e não age sobre a hipotensão/edema de via aérea, sendo adjuvante após a adrenalina.
Menino, 6 anos, previamente hígido, apresenta, cerca de 10 minutos após ingerir amendoim em festa de aniversário, urticária generalizada, edema de lábios e pálpebras, rouquidão, tosse e sibilância difusa à ausculta. Evolui em poucos minutos com sonolência. FC 160 bpm, FR 40 ipm, PA 72/38 mmHg, SatO2 89% em ar ambiente, tempo de enchimento capilar 4 segundos. Qual é a conduta medicamentosa de primeira linha?
O quadro é anafilaxia (envolvimento cutâneo-mucoso + respiratório + cardiovascular após alérgeno) com choque DISTRIBUTIVO. O tratamento de primeira linha é ADRENALINA INTRAMUSCULAR 0,01 mg/kg (solução 1:1000, máx. 0,3–0,5 mg) na face anterolateral da coxa (vasto lateral), repetível a cada 5–15 min. Correta: Erra anti-histamínicos aliviam apenas prurido/urticária e são adjuvantes — nunca substituem a adrenalina nem revertem obstrução de via aérea ou choque. Erra: corticoides têm início lento e são adjuvantes para prevenir reação bifásica, sem papel na estabilização imediata. Erra: a via de escolha inicial é a IM; a adrenalina EV em bolus fica reservada à parada/choque refratário sob monitorização contínua, pelo risco de arritmias e isquemia. Erra: salbutamol trata apenas o broncoespasmo e não corrige a hipotensão/choque da anafilaxia.
Menino, 6 anos, com histórico de asma leve, é levado ao pronto-socorro 15 minutos após ingerir um bombom de amendoim em uma festa. Apresenta urticária generalizada, edema labial, tosse seca com sibilância difusa à ausculta e vômito. PA 88/50 mmHg, FC 140 bpm, FR 40 ipm, SatO2 91% em ar ambiente. Está agitado e refere "aperto na garganta". Qual é a conduta imediata mais adequada?
O quadro preenche critério de anafilaxia (início agudo pós-alérgeno com acometimento cutâneo-mucoso + respiratório + cardiovascular/hipotensão). Correta: a adrenalina intramuscular na coxa (vasto lateral), 0,01 mg/kg da solução 1:1000, máx 0,3-0,5 mg, é a droga de primeira linha e deve ser administrada IMEDIATAMENTE, sem aguardar outras medidas. Anti-histamínico age apenas na urticária/prurido, não reverte o comprometimento respiratório ou cardiovascular, e nunca é a medida inicial na anafilaxia. Corticoide tem início de ação lento (horas) e serve, no máximo, para reduzir reação bifásica; jamais substitui a adrenalina como conduta imediata. A via IV com solução 1:10000 só é reservada a parada/choque refratário sob monitorização, com alto risco de arritmia se usada de rotina como bolus. Broncodilatador trata o broncoespasmo de forma adjuvante, mas postergar a adrenalina para "observar" é conduta potencialmente fatal.
Uma mulher de 28 anos é levada à UPA cerca de 15 minutos após receber a primeira dose de amoxicilina prescrita por um dentista. Apresenta-se ansiosa, com urticária difusa, edema de lábios e pálpebras, rouquidão e estridor inspiratório. Refere sensação de aperto na garganta e dificuldade para respirar. Ao exame: PA 80x50 mmHg, FC 128 bpm, FR 28 irpm, SpO2 90% em ar ambiente, com sibilos difusos à ausculta pulmonar. A equipe estabelece o diagnóstico de anafilaxia. Considerando o manejo emergencial recomendado, qual é a conduta farmacológica prioritária a ser instituída imediatamente?
A adrenalina intramuscular na face anterolateral da coxa (0,3 a 0,5 mg da solução 1:1000 no adulto) é a droga de primeira linha e deve ser administrada imediatamente diante de anafilaxia, pois reverte a vasodilatação, o broncoespasmo e o edema de vias aéreas. A via IV em bolus (1:10000) é reservada a parada/choque refratário sob monitorização, pelo risco de arritmia e isquemia. Corticoide e anti-histamínico são adjuvantes (agem tardiamente, não salvam a via aérea nem revertem o choque) e nunca substituem a adrenalina como medida inicial.
Um homem de 45 anos, atendido em unidade básica de saúde por picada de abelha há 20 minutos, evolui com prurido, urticária generalizada, náuseas, vômitos e tontura. Ao exame apresenta-se pálido e sudoreico: PA 70x40 mmHg, FC 130 bpm, FR 24 irpm, SpO2 94% em ar ambiente, sem estridor mas com sibilância leve. Recebeu adrenalina intramuscular e oxigênio. Apesar da posição adequada, mantém hipotensão persistente. Além de repetir a adrenalina intramuscular se necessário, qual medida complementar é a mais apropriada para o manejo da hipotensão neste paciente?
Na anafilaxia com hipotensão há vasodilatação e extravasamento capilar; após a adrenalina IM, a conduta correta é posicionar em decúbito dorsal com elevação dos membros inferiores (favorece o retorno venoso) e repor volume com cristaloide (soro fisiológico 0,9% em bolus). Manter o paciente sentado/de pé em choque pode ser fatal. Vasopressores em infusão só entram na anafilaxia refratária a adrenalina e volume, não como primeira medida. Anti-histamínico não corrige a hipotensão.
Uma adolescente de 16 anos chega ao pronto-socorro poucos minutos após ingerir um doce contendo amendoim, alimento ao qual já teve reação prévia. Apresenta urticária generalizada, edema de face e lábios, tosse, sensação de garganta fechando e dificuldade respiratória. Ao exame: PA 90x60 mmHg, FC 120 bpm, FR 30 irpm, SpO2 89% em ar ambiente, com estridor e sibilos. Diante desse quadro compatível com anafilaxia, qual é o medicamento de primeira escolha que deve ser administrado sem demora?
A adrenalina intramuscular é o tratamento de primeira linha da anafilaxia e não deve ser postergada, pois é a única droga que reverte prontamente o edema de vias aéreas, o broncoespasmo e a hipotensão. Corticoide e anti-histamínico são adjuvantes de ação tardia e não substituem a adrenalina. A aminofilina não tem papel no manejo inicial da anafilaxia.
Uma mulher de 34 anos, previamente hígida, é atendida na unidade básica de saúde cerca de 10 minutos após receber a primeira dose de penicilina benzatina intramuscular para tratamento de sífilis. Apresenta-se com dispneia, urticária generalizada, edema de lábios e sensação de mal-estar intenso. Ao exame, mostra-se agitada, com extremidades quentes e bem perfundidas, sibilos difusos à ausculta. Sinais vitais: PA 70/40 mmHg, FC 130 bpm, FR 30 irpm, SatO2 90% em ar ambiente. Qual é o tipo de choque apresentado e a medicação de primeira linha a ser administrada imediatamente?
O quadro de hipotensão, urticária, angioedema, broncoespasmo e extremidades quentes surgindo minutos após a administração de penicilina caracteriza choque anafilático, uma forma de choque distributivo; a medicação de primeira linha é a adrenalina intramuscular na face anterolateral da coxa (vasto lateral), que deve ser aplicada imediatamente. A dobutamina é indicada no choque cardiogênico, não presente. O concentrado de hemácias trata o choque hemorrágico/hipovolêmico. A heparina em dose plena seria conduta de tromboembolismo pulmonar (choque obstrutivo), quadro incompatível com a apresentação alérgica descrita.
Um homem de 35 anos chega ao pronto-socorro cerca de 20 minutos após tomar amoxicilina para uma amigdalite. Refere prurido intenso, lesões urticariformes disseminadas, sensação de aperto na garganta e dificuldade para respirar. Ao exame: agitado, edema de lábios e língua, estridor, sibilos difusos à ausculta, pressão arterial de 80/50 mmHg, frequência cardíaca de 125 bpm e saturação de 90% em ar ambiente. Qual é a conduta imediata mais adequada?
Correta: trata-se de anafilaxia (urticária/angioedema + comprometimento respiratório e hipotensão após alérgeno). O tratamento de primeira linha é adrenalina 0,3-0,5 mg IM (1:1000) na face anterolateral da coxa, repetível a cada 5-15 minutos. Corticoides e anti-histamínicos são medidas adjuvantes de ação lenta e NÃO substituem a adrenalina, jamais devendo retardá-la. A adrenalina EV em bolus rápido é reservada à parada/choque refratário sob monitorização, pelo alto risco de arritmias e isquemia; a via IM é a recomendada na abordagem inicial.
Um homem de 28 anos é atendido na UPA cerca de 15 minutos após receber a primeira dose de dipirona endovenosa para cefaleia. Apresenta prurido intenso, urticária generalizada, edema de lábios, sensação de aperto na garganta, dispneia com sibilos e PA de 80x50 mmHg. Está ansioso e sudoreico. Diante desse quadro de reação de hipersensibilidade imediata grave, qual é a conduta medicamentosa de primeira linha?
O quadro é de anafilaxia (reação de hipersensibilidade imediata, IgE-mediada) com comprometimento respiratório e cardiovascular. O tratamento de primeira linha é a adrenalina intramuscular na coxa (região anterolateral), que deve ser administrada imediatamente. Corticoides têm início de ação lento e são adjuvantes, não revertem a fase aguda. Anti-histamínicos aliviam sintomas cutâneos, mas não tratam a obstrução de via aérea nem a hipotensão. Salbutamol trata o broncoespasmo, porém isoladamente não corrige a instabilidade hemodinâmica; nenhum substitui a adrenalina.
Adolescente de 11 anos recebe a primeira dose da vacina HPV quadrivalente na sala de vacinacao da UBS. Cerca de 5 minutos apos a aplicacao, ainda no local, apresenta prurido intenso, urticaria generalizada, edema de labios, tosse e sensacao de aperto na garganta, com dificuldade respiratoria progressiva, sibilos difusos a ausculta e queda do nivel de consciencia. A pressao arterial esta em 80x50 mmHg e a saturacao de oxigenio em 90% em ar ambiente. Diante desse quadro compativel com anafilaxia, qual e a conduta imediata mais adequada?
Na anafilaxia (comprometimento respiratorio e cardiovascular apos exposicao), a medida imediata e a adrenalina intramuscular na coxa (anterolateral), acionando suporte e posicionando o paciente em decubito com elevacao dos membros; toda sala de vacina deve estar preparada para isso. Anti-histaminico/corticoide sao adjuvantes e nao substituem a adrenalina, cujo atraso aumenta a mortalidade. A via IV nao e a de escolha inicial pelo risco de arritmia; reserva-se a casos refratarios sob monitorizacao. Nao e crise asmatica isolada; ha urticaria, edema e hipotensao, exigindo adrenalina.
Uma mulher de 34 anos é levada à UPA cerca de 15 minutos após ser picada por abelha em atividade rural. Refere prurido intenso, urticária generalizada e "aperto na garganta". Ao exame: agitada, dispneica, com estridor e sibilos difusos, PA 80/50 mmHg, FC 128 bpm, SpO2 89% em ar ambiente. Já apresentou reação semelhante, porém mais leve, há dois anos. Diante do quadro compatível com anafilaxia, qual é a conduta medicamentosa inicial de primeira linha, com a via e o local corretos?
Na anafilaxia, o tratamento de primeira linha é adrenalina IM na face anterolateral da coxa (vasto lateral), dose de 0,3-0,5 mg da solução 1:1000 no adulto, por proporcionar absorção rápida e segura. Errada: adrenalina IV em bolus só é indicada em parada/hipotensão refratária, com diluição e titulação, pelo risco de arritmia/isquemia. O corticoide e o anti-histamínico são adjuvantes de segunda linha e NUNCA substituem a adrenalina, pois não revertem a obstrução de via aérea nem o choque de forma imediata.
Um homem de 28 anos chega à unidade de pronto atendimento cerca de 20 minutos após ingerir camarão em um restaurante. Apresenta placas urticariformes disseminadas, edema de lábios e pálpebras, dispneia com sibilância audível e vômitos. A PA está em 90/60 mmHg. Ele nega episódios prévios semelhantes. Com base no quadro clínico apresentado, qual é o diagnóstico mais provável?
O diagnóstico é anafilaxia: início agudo após exposição a alérgeno provável (camarão), com envolvimento de pele/mucosa (urticária e edema) associado a comprometimento respiratório (dispneia/sibilância) e digestivo (vômitos), preenchendo os critérios clínicos. Urticária isolada não teria acometimento respiratório/gastrointestinal nem hipotensão. Asma não explica a urticária e o edema após alimento. Angioedema hereditário cursa sem urticária/prurido, tem caráter familiar, não responde à adrenalina e costuma ter história de crises recorrentes.
Um homem de 34 anos é trazido à unidade de pronto atendimento cerca de 15 minutos após ter sido ferroado por uma abelha enquanto trabalhava em uma horta comunitária. Refere prurido generalizado, sensação de "aperto na garganta" e falta de ar progressiva. Nega comorbidades e uso de medicamentos; relata episódio semelhante, porém mais leve, há dois anos. Ao exame: agitado, urticária difusa em tronco e membros, edema de lábios e pálpebras, estridor leve, sibilos difusos à ausculta pulmonar. Sinais vitais: PA = 88/52 mmHg, FC = 128 bpm, FR = 28 irpm, SpO2 = 91% em ar ambiente. Foi obtido acesso venoso periférico e instalado oxigênio suplementar sob máscara. Qual é a conduta medicamentosa imediata e prioritária?
Trata-se de anafilaxia (início agudo com acometimento de pele/mucosas somado a comprometimento respiratório e hipotensão após exposição a alérgeno conhecido). A adrenalina intramuscular na face anterolateral da coxa (vasto lateral), 0,01 mg/kg até 0,5 mg no adulto, é a PRIMEIRA e única droga capaz de reverter o quadro, conforme protocolos do Ministério da Saúde e diretrizes brasileiras/internacionais de anafilaxia; pode ser repetida a cada 5 a 15 minutos. Corticoide (hidrocortisona) tem início de ação lento e é medida adjuvante, nunca inicial — retardá-la para "aguardar resposta" custa vidas. Anti-histamínicos (prometazina, ranitidina) apenas aliviam prurido/urticária, não atuam sobre obstrução de via aérea ou choque, e a prometazina IM ainda pode agravar a hipotensão. Adrenalina 1 mg IV em bolus é a dose de parada cardiorrespiratória e, no paciente com pulso, provoca crise hipertensiva, arritmias e isquemia miocárdica; se houver refratariedade, o correto é infusão contínua titulada, não bolus.
Uma mulher de 52 anos realiza tomografia com contraste iodado em hospital do SUS. Cinco minutos após a injeção, apresenta rubor facial, urticária, náuseas e dispneia. É levada à sala de emergência, onde recebe adrenalina 0,5 mg por via intramuscular na coxa, oxigênio a 10 L/min sob máscara com reservatório e tem dois acessos venosos calibrosos puncionados. Após 6 minutos, mantém-se sonolenta, com pele fria e pegajosa, sibilância difusa. Sinais vitais atuais: PA = 74/40 mmHg (antes, 80/45 mmHg), FC = 134 bpm, FR = 30 irpm, SpO2 = 92%. Não usa betabloqueador. Qual é a conduta mais adequada neste momento?
A paciente permanece em choque anafilático refratário à primeira dose. A conduta correta é repetir a adrenalina IM a cada 5 a 15 minutos enquanto necessário E corrigir a intensa vasodilatação/extravasamento capilar com expansão volêmica agressiva com cristaloide (1 a 2 L no adulto, em bolus), mantendo o decúbito dorsal com elevação dos membros inferiores — sentar ou levantar o paciente em anafilaxia hipotensiva pode precipitar a síndrome do ventrículo vazio e parada cardíaca. Suspender a adrenalina é erro grave: não há contraindicação absoluta na anafilaxia, e corticoide/anti-histamínico não revertem o choque nem agem em 30 minutos. Noradrenalina é droga de resgate apenas após adrenalina repetida e volume adequados, jamais de primeira escolha, e a orientação de sentar a paciente é deletéria. A via subcutânea tem absorção errática e não é recomendada; a intubação não é o passo prioritário nesta paciente, que ainda mantém SpO2 de 92% e sonolência atribuível à hipoperfusão — corrigir volume e repetir adrenalina pode evitá-la.
Um menino de 6 anos, com 20 kg, é levado ao pronto-socorro pela mãe cerca de 20 minutos após ingerir um doce contendo amendoim em uma festa. Tem diagnóstico prévio de alergia a amendoim. Apresenta vômitos, urticária em face e tronco, edema periorbital, tosse e dificuldade para respirar. Ao exame: irritado, tiragem intercostal, sibilos difusos, tempo de enchimento capilar de 3 segundos. Sinais vitais: PA = 82/48 mmHg, FC = 150 bpm, FR = 40 irpm, SpO2 = 93% em ar ambiente. Não há acesso venoso puncionado até o momento. Considerando o diagnóstico de anafilaxia, quais são, respectivamente, a dose de adrenalina a ser aplicada e a conduta subsequente adequada?
A dose pediátrica de adrenalina na anafilaxia é 0,01 mg/kg da solução 1 mg/mL (1:1.000), por via intramuscular no vasto lateral, até o máximo de 0,5 mg. Para 20 kg: 0,2 mg, ou seja, 0,2 mL. A via IM não depende de acesso venoso e deve ser feita de imediato, sem aguardar punção. Após a estabilização, a observação hospitalar de no mínimo 4 a 6 horas é recomendada pelo risco de reação bifásica (recorrência dos sintomas horas após a melhora inicial), com orientação de evitação do alérgeno e encaminhamento para seguimento — pilar da integralidade do cuidado no SUS. A dose de 0,02 mg corresponde a erro de cálculo por fator de 10 (0,001 mg/kg), subdosagem perigosa, e a alta precoce com apenas anti-histamínico não previne a reação bifásica. A via subcutânea tem absorção lenta e imprevisível, especialmente no paciente vasoconstrito/hipotenso, e 1 hora de observação é insuficiente. A dose de 0,5 mg é a máxima do adulto e superestima a dose para 20 kg, além de a alta imediata desconsiderar o risco de recorrência.
Um homem de 34 anos é levado à unidade de pronto atendimento cerca de 15 minutos após ter sido picado por uma abelha enquanto trabalhava em uma horta comunitária. Refere prurido generalizado, sensação de "aperto na garganta" e falta de ar progressiva. Nega comorbidades e uso de medicamentos; relata episódio semelhante, porém mais brando, há dois anos. Ao exame: agitado, urticária difusa em tronco e membros, edema de lábios e pálpebras, estridor discreto, sibilos difusos à ausculta pulmonar, frequência respiratória de 28 irpm, frequência cardíaca de 124 bpm, pressão arterial de 82 x 50 mmHg e saturação de oxigênio de 90% em ar ambiente. Um acesso venoso periférico é obtido e oxigênio suplementar é iniciado. Qual é a conduta medicamentosa imediata mais adequada?
O quadro preenche critérios de anafilaxia (início agudo com acometimento cutâneo-mucoso associado a comprometimento respiratório e hipotensão). O tratamento de primeira linha, segundo as diretrizes brasileiras (ASBAI) e o Ministério da Saúde, é adrenalina 0,01 mg/kg (máximo 0,5 mg no adulto) da solução 1 mg/mL por via INTRAMUSCULAR no vasto lateral da coxa, que oferece pico sérico mais rápido e seguro. Corticosteroide (hidrocortisona) tem início de ação lento e é medida de segunda linha, jamais substituindo a adrenalina. Anti-histamínicos H1/H2 aliviam prurido e urticária, mas não revertem obstrução de via aérea nem hipotensão. A via subcutânea tem absorção errática e a dose de 1 mg IM/SC é excessiva — 1 mg em bolus é reservado apenas à parada cardiorrespiratória.
Uma mulher de 27 anos chega ao pronto-socorro de uma UPA 20 minutos após ingerir camarão em um restaurante. Apresenta urticária difusa, vômitos, dispneia e lipotimia. Ao exame inicial: pressão arterial de 78 x 44 mmHg, frequência cardíaca de 130 bpm, sibilos difusos e saturação de 89% em ar ambiente. Recebeu prontamente adrenalina 0,5 mg por via intramuscular na coxa, oxigênio sob máscara e infusão de 1.000 mL de solução salina isotônica. Após 6 minutos, mantém-se sonolenta, com pressão arterial de 80 x 46 mmHg, frequência cardíaca de 128 bpm e sibilância persistente. Nega uso de betabloqueador. Dois acessos venosos calibrosos estão instalados. Qual é a conduta mais adequada neste momento?
Na anafilaxia refratária à primeira dose, a conduta preconizada é REPETIR a adrenalina intramuscular a cada 5–15 minutos enquanto persistirem hipotensão e comprometimento respiratório, mantendo reposição volêmica agressiva com cristaloide (a vasodilatação e o extravasamento capilar causam hipovolemia relativa importante). Anti-histamínicos e corticosteroides são adjuvantes: não revertem choque nem broncoespasmo agudo e a prometazina IM pode agravar a hipotensão. Noradrenalina/adrenalina em infusão contínua só são consideradas após falha de doses repetidas de adrenalina IM e volume adequado, exigindo monitorização — não é o passo seguinte imediato. Salbutamol trata apenas o broncoespasmo residual e "aguardar 20 minutos" diante de choque persistente é conduta inaceitável, pois o retardo da adrenalina é o principal fator associado à mortalidade.
Uma criança de 5 anos recebe, na sala de vacinação de uma unidade básica de saúde, a segunda dose da vacina tríplice viral. Cerca de 10 minutos depois, ainda na unidade, a mãe chama a equipe porque a criança começou a apresentar prurido intenso e placas urticariformes disseminadas pelo tronco e face, com edema de lábios. Em seguida, evolui com estridor, tosse e dificuldade respiratória progressiva. Ao exame: sonolenta, com edema de língua, tiragem intercostal, sibilos difusos, frequência cardíaca de 160 bpm, pulsos finos, tempo de enchimento capilar de 4 segundos e pressão arterial de 70 x 40 mmHg. Não há relato de uso de medicamentos nem de ingestão de alimentos nas últimas horas.
O quadro é de anafilaxia pós-vacinal (início em minutos, com acometimento cutâneo, respiratório e cardiovascular). A conduta de primeira linha, segundo o Manual de Vigilância Epidemiológica de Eventos Adversos Pós-Vacinação e os protocolos de urgência, é adrenalina 1:1.000 (0,01 mg/kg, máximo 0,5 mg) por via intramuscular na face anterolateral da coxa (vasto lateral), imediatamente, antes de qualquer outra medida — seguida de decúbito com elevação de membros inferiores, oxigênio, acesso venoso e transporte. Anti-histamínico oral não trata obstrução de via aérea nem choque e apenas alivia sintomas cutâneos. Corticoide tem início de ação lento e nunca é a primeira medida na anafilaxia. A via subcutânea e a diluição 1:10.000 têm absorção errática e inadequada nesse contexto — a via intramuscular no vasto lateral é a preconizada. O evento deve ser notificado e a anafilaxia comprovada contraindica doses subsequentes do mesmo imunobiológico.
Uma mulher de 28 anos, gestante de 12 semanas, comparece à unidade básica de saúde para tratamento de sífilis recente, com VDRL 1:32. Nega alergias medicamentosas prévias e faz uso apenas de sulfato ferroso e ácido fólico. Recebe penicilina G benzatina 2.400.000 UI por via intramuscular e permanece em observação na unidade. Cerca de 10 minutos após a aplicação, apresenta prurido intenso, placas urticariformes disseminadas em tronco e membros, edema de lábios, sensação de aperto na garganta e dispneia. Ao exame: regular estado geral, ansiosa, pressão arterial de 80/50 mmHg, frequência cardíaca de 128 bpm, frequência respiratória de 30 irpm, saturação de oxigênio de 90% em ar ambiente e sibilos difusos à ausculta pulmonar. A unidade dispõe de adrenalina, corticoide, anti-histamínico, oxigênio e material para acesso venoso. Qual é a conduta imediata?
Trata-se de anafilaxia (início súbito após exposição a alérgeno, com acometimento cutâneo-mucoso associado a comprometimento respiratório e hipotensão). Diretrizes brasileiras (ASBAI/Ministério da Saúde) e internacionais são unânimes: o tratamento de primeira linha é adrenalina 1 mg/mL, 0,01 mg/kg (máximo 0,5 mg no adulto) por via INTRAMUSCULAR na face anterolateral da coxa (vasto lateral), que oferece pico sérico rápido e seguro, além de posição supina com elevação dos membros inferiores e oxigênio suplementar. Corticoide tem início de ação em horas e não trata a fase aguda — é adjuvante. Anti-histamínico alivia apenas prurido/urticária, não reverte broncoespasmo nem hipotensão, e a via subcutânea foi abandonada por absorção errática na vasoconstrição do choque. Adrenalina em bolus intravenoso só é considerada em parada cardiorrespiratória ou choque refratário, diluída e com monitorização, pelo risco de arritmias graves e isquemia miocárdica.
Um homem de 45 anos, hipertenso em uso regular de propranolol, é trazido à unidade de pronto atendimento cerca de 20 minutos após ingerir camarão em um restaurante. Apresentou urticária generalizada, vômitos, dispneia e lipotimia. Na admissão: sonolento, pressão arterial de 70/40 mmHg, frequência cardíaca de 130 bpm, saturação de oxigênio de 89%, sibilos difusos. Recebeu imediatamente adrenalina 0,5 mg por via intramuscular no vasto lateral, oxigênio sob máscara e foi mantido em decúbito dorsal com elevação dos membros inferiores. Obteve-se acesso venoso periférico calibroso. Após 5 minutos, mantém pressão arterial de 75/45 mmHg, taquicardia e sibilância, sem melhora clínica significativa. Qual é a conduta mais apropriada neste momento?
Anafilaxia refratária à primeira dose: a conduta padronizada é REPETIR a adrenalina intramuscular a cada 5–15 minutos e expandir volume com cristaloide isotônico em infusão rápida (a vasodilatação e o extravasamento capilar causam hipovolemia relativa importante). Em pacientes em uso de betabloqueador, a resposta à adrenalina pode ser atenuada — nessa situação o glucagon (que ativa a adenilato-ciclase por via independente do receptor beta) é o adjuvante indicado, e o uso de betabloqueador NÃO contraindica a adrenalina (está errada; além disso corticoide e anti-histamínico são adjuvantes de segunda linha, sem efeito na fase aguda). Vasopressores como noradrenalina só entram após falha da adrenalina e da reposição volêmica, preferencialmente com monitorização e acesso central — nunca como primeira escolha. Salbutamol é apenas adjuvante para o broncoespasmo residual e não trata a hipotensão; aguardar 30 minutos em choque é conduta inaceitável.
Um homem de 32 anos comparece à unidade de saúde da família relatando que, há cerca de 40 minutos, tomou o primeiro comprimido de amoxicilina prescrito na véspera para uma sinusite. Poucos minutos após a ingestão, começou a apresentar coceira generalizada, placas avermelhadas elevadas em tronco e membros, inchaço dos lábios, sensação de aperto na garganta e falta de ar progressiva. Nega uso prévio de penicilinas e nega doenças crônicas. Ao exame: ansioso, dispneico, com urticária difusa e angioedema labial, estridor laríngeo discreto, sibilos difusos à ausculta pulmonar, pressão arterial de 80 x 50 mmHg, frequência cardíaca de 128 bpm, frequência respiratória de 28 irpm e saturação de oxigênio de 90% em ar ambiente. Quais são, respectivamente, o diagnóstico e a conduta imediata mais adequada?
Trata-se de anafilaxia: início em minutos após exposição a alérgeno provável (betalactâmico), com acometimento cutâneo-mucoso (urticária e angioedema) associado a comprometimento respiratório (estridor, sibilos, SpO2 90%) e cardiovascular (hipotensão) — critérios diagnósticos clássicos. A conduta de primeira linha, segundo as diretrizes brasileiras e o Ministério da Saúde, é adrenalina IM (1:1.000, 0,01 mg/kg, máx. 0,5 mg) no vasto lateral da coxa, imediatamente, sem aguardar exames; nenhuma outra medida a substitui. Anti-histamínico oral só alivia sintomas cutâneos, não reverte broncoespasmo nem choque, e o quadro descrito ultrapassa urticária isolada. Corticoide tem início de ação lento (horas), é medida adjuvante e nunca inicial; além disso, o quadro é imediato (mediado por IgE, tipo I), não tardio. Broncodilatador é adjuvante para o sibilo, mas não trata angioedema, estridor nem hipotensão, e o quadro não é asma infecciosa — a relação temporal com o fármaco é evidente.
Homem de 34 anos chega à Unidade de Pronto Atendimento 20 minutos após ser picado por abelha no antebraço direito. Queixa-se de aperto na garganta e falta de ar progressiva. Ao exame: consciente, ansioso, estridor discreto, sibilos difusos, PA 80/50 mmHg, FC 128 bpm, FR 30 irpm, SpO2 90% em ar ambiente. Não apresenta urticária, angioedema ou prurido. Qual é a conduta imediata?
Correta: há acometimento respiratório e cardiovascular de instalação aguda após exposição a alérgeno provável (himenóptero) — critério diagnóstico de anafilaxia mesmo sem manifestação cutânea (ausente em até 10-20% dos casos). O tratamento de primeira linha é adrenalina 1:1.000, 0,01 mg/kg (máximo 0,5 mg no adulto), IM no vasto lateral da coxa, repetível a cada 5-15 minutos. Hidrocortisona é medicação de segunda linha, com início de ação lento, e não trata a obstrução de via aérea nem o choque. Adrenalina EV em bolus é reservada a parada cardiorrespiratória ou choque refratário sob monitorização (risco de arritmia e isquemia miocárdica). Salbutamol trata apenas o broncoespasmo e não reverte o edema laríngeo nem a hipotensão — atrasar a adrenalina é o principal fator associado a óbito por anafilaxia.
Mulher de 62 anos, hipertensa em uso crônico de propranolol, é atendida na UPA por anafilaxia iniciada após injeção de contraste iodado. Recebeu duas doses de adrenalina 0,5 mg IM com intervalo de 5 minutos e 1.000 mL de solução fisiológica em infusão rápida. Mantém PA 70/40 mmHg, FC 58 bpm, broncoespasmo intenso e sonolência. Qual é a conduta mais apropriada neste momento?
Correta: pacientes em uso de betabloqueador podem ser refratários à adrenalina, pois o bloqueio beta impede a resposta inotrópica e broncodilatadora. A bradicardia paradoxal na vigência de choque é a pista. O glucagon ativa a adenilato ciclase por via independente do receptor beta e é a medicação indicada na anafilaxia refratária associada a betabloqueio (1 a 5 mg EV lento em 5 minutos, seguido de 5 a 15 mcg/min); a via aérea deve ser protegida pelo risco de vômitos. Atropina pode elevar a frequência cardíaca, mas não reverte a vasodilatação nem o broncoespasmo. Corticoide e anti-histamínico não têm efeito no choque agudo e aguardar 15 minutos em paciente com hipotensão e rebaixamento é inaceitável. Suspender a adrenalina é erro: ela permanece a droga central, devendo ser mantida em infusão contínua se necessário.
Criança de 12 meses recebe a vacina tríplice viral na sala de vacinação de uma Unidade Básica de Saúde. Cerca de 10 minutos após a aplicação, ainda na unidade, apresenta urticária difusa, edema de lábios, tosse com sibilância à ausculta, palidez e enchimento capilar lento. A pressão arterial está reduzida para a idade e a criança encontra-se prostrada. Não há relato de choro prévio nem recuperação espontânea. Qual é a conduta imediata mais adequada?
O quadro sistêmico de início rápido com acometimento cutâneo (urticária/edema), respiratório (sibilância) e cardiovascular (hipotensão, má perfusão) caracteriza anafilaxia; o tratamento de primeira linha é adrenalina intramuscular na coxa, com acionamento de urgência. Anti-histamínico oral não reverte anafilaxia e não substitui a adrenalina. Não é síncope vasovagal — esta é transitória e sem broncoespasmo/urticária. Corticoide tem início lento e é adjuvante, jamais a primeira medida na anafilaxia. O evento deve ser notificado e as próximas doses avaliadas no CRIE.
Menino de 6 anos é levado à UPA cerca de 20 minutos após ingerir um doce com amendoim. Ao exame, apresenta urticária generalizada, edema de lábios, tosse, sibilância difusa e desconforto respiratório. FC 140 bpm, PA 80/50 mmHg, SatO2 91% em ar ambiente. Qual a conduta imediata mais adequada?
O quadro preenche critério de anafilaxia (início agudo pós-alérgeno com acometimento cutâneo-mucoso + respiratório + hipotensão): a primeira medida, salvadora, é adrenalina IM na coxa (vasto lateral), 0,01 mg/kg. Anti-histamínico oral alivia apenas o prurido e não trata obstrução/hipotensão, jamais como tratamento inicial. Corticoide isolado tem início lento e não substitui a adrenalina. A via subcutânea tem absorção errática; a recomendada é a IM na coxa.
Menino de 8 anos teve anafilaxia por leite de vaca e recebeu adrenalina IM na UPA, com boa resposta. Após 1 hora está estável, sem sintomas respiratórios ou hipotensão. A mãe deseja levá-lo para casa. Qual a conduta subsequente mais adequada?
Após anafilaxia há risco de reação bifásica, exigindo observação prolongada (4 a 6 horas ou mais em casos graves); a alta deve incluir prescrição/orientação de autoinjetor de adrenalina, plano de emergência e encaminhamento ao especialista. Alta imediata ignora a reação bifásica. Corticoide contínuo por seis meses não previne recorrência e não tem indicação. Imunoterapia é conduta eletiva e especializada, nunca em ambiente de urgência.
Mulher de 28 anos é levada à Unidade de Pronto Atendimento cerca de 10 minutos após ser picada por abelha. Apresenta urticária generalizada, edema de lábios, dispneia com sibilos e sensação de aperto na garganta. PA 90x60 mmHg, FC 120 bpm, SatO2 92% em ar ambiente. Diante do quadro de anafilaxia, qual é a conduta medicamentosa imediata e prioritária?
A adrenalina intramuscular (0,3–0,5 mg, solução 1:1000) na face anterolateral da coxa é a droga de primeira linha e deve ser administrada imediatamente ante o reconhecimento da anafilaxia — nenhuma outra medida a substitui. Corticoide tem início lento e é adjuvante, não reverte a fase aguda. Anti-histamínico alivia urticária/prurido, mas não trata broncoespasmo nem hipotensão. Adrenalina IV em bolus só é indicada em parada ou choque refratário com monitorização, pelo alto risco de arritmia e isquemia — não é a via inicial.
Homem de 45 anos é atendido no pronto-socorro com anafilaxia após receber dipirona endovenosa. Foi prontamente medicado com adrenalina intramuscular. Após 5 minutos, mantém-se com PA 80x50 mmHg, FC 130 bpm e sensação de desfalecimento. Além de repetir a dose de adrenalina intramuscular, qual medida deve ser prioritariamente associada neste momento?
Na anafilaxia com hipotensão persistente, a vasodilatação e o extravasamento capilar geram hipovolemia relativa; por isso, repetir a adrenalina IM (a cada 5–15 min) associada à expansão volêmica rápida com cristaloide é a conduta correta. Corticoide não tem efeito na fase aguda da hipotensão. Vasopressores como dopamina só entram no choque refratário, após adrenalina e volume adequados, nunca antes da reposição. Anti-histamínico não corrige a instabilidade hemodinâmica.
Homem de 60 anos, hipertenso em uso regular de propranolol, chega ao pronto-socorro com anafilaxia após ingestão de camarão, apresentando hipotensão e broncoespasmo importante. Recebeu duas doses de adrenalina intramuscular e expansão volêmica vigorosa, mas mantém PA 75x45 mmHg refratária, sem resposta adequada. Qual é o próximo passo mais indicado no manejo?
Pacientes em uso de betabloqueador podem ter anafilaxia refratária à adrenalina; o glucagon IV age por via independente dos receptores beta-adrenérgicos, sendo o próximo passo recomendado no choque anafilático que não responde à adrenalina. Suspender a adrenalina é erro grave — ela permanece a base do tratamento. Aguardar é inaceitável diante de instabilidade. Anti-histamínico oral tem absorção lenta e nenhum efeito hemodinâmico útil na emergência.
Homem de 28 anos é atendido na UPA cerca de 20 minutos após tomar o primeiro comprimido de amoxicilina prescrita para sinusite. Refere prurido palmar seguido de urticária generalizada, aperto na garganta e falta de ar progressiva. Nega comorbidades e uso de outras medicações. Ao exame: ansioso, voz abafada, urticária em tronco e membros, sibilos difusos, FR 30 irpm, SpO2 91% em ar ambiente, PA 90/50 mmHg, FC 118 bpm. A equipe de acolhimento já havia administrado prometazina intramuscular, sem melhora. Assinale a conduta imediata mais adequada.
O quadro preenche critério de anafilaxia (início agudo com acometimento cutâneo-mucoso associado a comprometimento respiratório e hipotensão após exposição a alérgeno provável). O tratamento de primeira linha, sem qualquer etapa prévia, é adrenalina intramuscular na face anterolateral da coxa (vasto lateral), 0,01 mg/kg até o máximo de 0,5 mg no adulto — a via IM em vasto lateral atinge pico sérico mais rápido e confiável que deltoide ou subcutânea. A via subcutânea tem absorção errática pela vasoconstrição local e 0,3 mg é dose subterapêutica para este adulto. O bolus intravenoso de 1 mg é reservado à parada cardiorrespiratória; em paciente com pulso provoca crise hipertensiva, arritmias e isquemia miocárdica — havendo refratariedade, a via EV é feita em infusão titulada, nunca em bolus. Broncodilatador e corticoide são adjuvantes do broncoespasmo, mas não revertem hipotensão nem edema de via aérea; postergar a adrenalina é o principal fator associado a óbito por anafilaxia.
Mulher de 62 anos, hipertensa em uso crônico de propranolol, realiza angiotomografia com contraste iodado. Cerca de cinco minutos após a injeção, apresenta urticária, estridor e colapso circulatório. Recebeu duas doses de adrenalina 0,5 mg por via intramuscular, com intervalo de cinco minutos, oxigênio sob máscara e 2.000 mL de solução salina isotônica em bolus. Mantém-se torporosa, com PA 70/40 mmHg, FC 58 bpm e broncoespasmo persistente. Assinale a medida farmacológica adicional mais adequada para este caso específico.
Trata-se de anafilaxia refratária em paciente betabloqueada — situação clássica de resistência à adrenalina, pois o bloqueio beta-adrenérgico impede a resposta inotrópica, cronotrópica e broncodilatadora do fármaco (a bradicardia relativa de 58 bpm em vigor de choque é a pista da vinheta). O glucagon 1–5 mg IV lento (em 5 minutos), seguido de infusão de 5–15 mcg/min, é a medida indicada porque age em receptor próprio, ativando a adenilato-ciclase e elevando o AMPc independentemente do receptor beta bloqueado; protege-se a via aérea pelo risco de vômitos. A adrenalina em bolus IV de 1 mg só se aplica à parada cardiorrespiratória — em paciente com pulso causa hipertensão grave, arritmia e isquemia; quando necessária, a via EV é em infusão titulada. A atropina corrige bradicardia vagal, mas não reverte a vasoplegia, o broncoespasmo nem o bloqueio beta subjacente. Anti-histamínicos H1/H2 aliviam prurido e urticária, sem qualquer efeito sobre hipotensão ou obstrução de via aérea.
Menino de 6 anos, 20 kg, com alergia a amendoim documentada, é levado à sala de emergência pela professora. Cerca de dez minutos após comer um bolo em festa na escola, iniciou vômitos incoercíveis, cólica abdominal intensa e sonolência. Ao exame: pálido, sudoreico, sem lesões cutâneas ou prurido, ausculta pulmonar limpa, PA 78/40 mmHg, FC 150 bpm, tempo de enchimento capilar de 4 segundos. Assinale a opção que apresenta, respectivamente, a hipótese diagnóstica e a conduta imediata corretas.
A ausência de urticária engana, mas não afasta o diagnóstico: até 10–20% das anafilaxias cursam sem manifestação cutânea. O caso preenche o critério de hipotensão após exposição a alérgeno conhecido para aquele paciente (PA sistólica < 70 + 2×idade, ou seja, < 82 mmHg aos 6 anos) e também o critério de dois ou mais sistemas acometidos (gastrointestinal e cardiovascular) após alérgeno provável. A conduta é adrenalina IM imediata, 0,01 mg/kg = 0,2 mg em criança de 20 kg, no vasto lateral, seguida de decúbito dorsal com membros elevados e expansão volêmica. Gastroenterite não explica hipotensão e má perfusão em dez minutos, nem se instala com gatilho alimentar tão temporalmente definido. Classificar como reação leve e prescrever anti-histamínico é o erro mais grave: o retardo na adrenalina é o principal fator de risco para óbito. Intoxicação por toxina pré-formada tem latência típica de 1 a 6 horas e não cursa com choque nesse padrão; carvão ativado não tem indicação.
Menino de 5 anos recebe dose de reforço da vacina DTP na sala de vacinação de uma UBS. Cerca de 8 minutos após a aplicação, apresenta urticária generalizada, edema de lábios, estridor laríngeo, sibilância difusa, palidez e sonolência. PA = 60 x 30 mmHg, FC = 170 bpm, SpO2 = 88% em ar ambiente. Assinale a conduta imediata correta.
O quadro é anafilaxia (início em minutos após exposição, com envolvimento cutâneo-mucoso, respiratório e cardiovascular). O tratamento de primeira linha, sem exceção, é adrenalina 1:1000 (0,01 mg/kg, máximo 0,3–0,5 mg) por via intramuscular no vasto lateral da coxa, com oxigênio, posicionamento e transporte para serviço de urgência; a anafilaxia pós-vacinal contraindica formalmente doses subsequentes da vacina implicada. Corticoide e anti-histamínico são medicações de segunda linha: não revertem obstrução de via aérea nem hipotensão e jamais devem preceder a adrenalina. Anti-histamínico isolado com adrenalina "se não melhorar" atrasa o único tratamento capaz de evitar o óbito, e a via subcutânea tem absorção errática e é abandonada. A adrenalina 1:10000 endovenosa em bolus é reservada a parada cardiorrespiratória ou choque refratário com monitorização, pelo risco de arritmia e isquemia miocárdica.
Um menino de 6 anos, previamente hígido, é levado ao pronto-socorro cerca de 10 minutos após ingerir um doce contendo amendoim numa festa de aniversário. Ao exame, apresenta urticária generalizada, edema de lábios e pálpebras, tosse com sibilância difusa à ausculta e um episódio de vômito. Está prostrado, com PA de 78x40 mmHg, FC de 148 bpm e SpO2 de 90% em ar ambiente. Diante do quadro compatível com anafilaxia com acometimento cutâneo, respiratório e cardiovascular, assinale a conduta imediata mais adequada.
O tratamento de primeira linha da anafilaxia é a adrenalina intramuscular 0,01 mg/kg (1:1000, máximo 0,3–0,5 mg) na face anterolateral da coxa, repetível a cada 5–15 min — nenhuma outra medida a substitui. O anti-histamínico alivia apenas urticária/prurido e não trata obstrução de via aérea nem hipotensão. O corticoide tem início lento e não é droga de primeira linha, servindo apenas para reduzir reação bifásica. A adrenalina EV em bolus é reservada a choque refratário/PCR e, na dose IM feita EV, causa arritmia e isquemia.
Mulher de 28 anos é levada ao pronto-socorro cerca de 20 minutos após ingerir camarão em um restaurante. Apresenta urticária generalizada, edema de lábios e língua, dispneia com sibilos difusos e sensação de "fechamento da garganta". Ao exame: agitada, PA 85/50 mmHg, FC 124 bpm, FR 28 irpm, SpO2 91% em ar ambiente. Considerando o diagnóstico de anafilaxia com repercussão respiratória e hemodinâmica, assinale a conduta medicamentosa inicial mais adequada.
A anafilaxia (envolvimento de pele/mucosa + comprometimento respiratório e cardiovascular) tem como tratamento de primeira linha a adrenalina IM 0,3–0,5 mg da solução 1:1.000, aplicada na face anterolateral da coxa (vasto lateral), repetível a cada 5–15 min. O bolus IV de 1 mg é a dose de parada cardiorrespiratória e, na anafilaxia com pulso, causa arritmias e isquemia — a via IV só se cogita, diluída e em infusão, na refratariedade e com monitorização. O anti-histamínico (difenidramina) é adjuvante de ação lenta e não substitui a adrenalina nem reverte a hipotensão inicial. O salbutamol isolado trata apenas o broncoespasmo e não atua sobre o choque nem o edema de via aérea.
Homem de 62 anos, hipertenso em uso crônico de propranolol, evolui com anafilaxia após injeção de contraste iodado em exame de imagem. Recebeu duas doses de adrenalina intramuscular com intervalo de 5 minutos e reposição volêmica com cristaloide, mas mantém-se hipotenso (PA 80/48 mmHg), taquicárdico e com broncoespasmo persistente, sem resposta clínica satisfatória. Diante da provável refratariedade à adrenalina relacionada ao betabloqueio, assinale a conduta mais apropriada para o próximo passo.
Pacientes em uso de betabloqueador podem apresentar anafilaxia refratária à adrenalina; nesses casos o glucagon IV é a droga indicada, por ativar a adenilciclase de forma independente do receptor beta-adrenérgico, produzindo efeito inotrópico e cronotrópico. Anti-histamínico e corticoide são adjuvantes lentos e não revertem o choque refratário. Sentar o paciente hipotenso é contraindicado (risco de "síndrome do ventrículo vazio" e parada) — a posição deve ser supina com membros inferiores elevados.
Homem de 35 anos chega ao pronto-socorro com anafilaxia após ferroada de abelha, apresentando urticária, dispneia e hipotensão. Recebeu adrenalina intramuscular e reposição volêmica, com resolução completa dos sintomas em cerca de 30 minutos; encontra-se agora assintomático, com sinais vitais normais. A família solicita alta imediata por já se sentir bem. Considerando o manejo pós-estabilização da anafilaxia, assinale a conduta mais adequada.
Mesmo após resolução completa, há risco de reação anafilática bifásica (recorrência horas depois sem nova exposição), o que exige período de observação — geralmente 4–6 h, prolongado em quadros graves, com hipotensão ou necessidade de doses repetidas de adrenalina. A conduta correta inclui ainda prescrição de autoinjetor de adrenalina, plano de ação e encaminhamento ao alergista. Dar alta apenas com anti-histamínico oral ignora o risco bifásico. Internação em UTI por 72 h para todos é desproporcional. O corticoide não previne de forma confiável a reação bifásica, não justificando dispensar a observação.
Homem de 62 anos, hipertenso e coronariopata em uso regular de atenolol e enalapril, é levado à emergência 20 minutos após picada de abelha no antebraço. Apresenta urticária generalizada, edema de lábios, sibilância difusa e vômitos. Exame: PA 70/40 mmHg, FC 56 bpm, FR 30 irpm, SpO2 89% em ar ambiente. Recebeu oxigênio sob máscara, decúbito com elevação de membros inferiores, três doses de adrenalina 0,5 mg por via intramuscular na face anterolateral da coxa (a cada 5 minutos) e 2.000 mL de solução salina isotônica em acesso calibroso. Mantém PA 72/44 mmHg, FC 54 bpm e sibilos difusos. Assinale a medida farmacológica que deve ser priorizada neste momento.
O quadro é de anafilaxia refratária em paciente betabloqueado: o bloqueio beta-adrenérgico impede a resposta à adrenalina e explica a bradicardia paradoxal com hipotensão sustentada apesar de três doses IM e reposição volêmica agressiva. O glucagon age por via independente do receptor beta (estimulação direta da adenilato-ciclase, aumentando o AMPc), sendo a droga de resgate recomendada nesse cenário (1-5 mg IV lento em 5 min, seguido de 5-15 mcg/min); deve-se proteger via aérea pelo risco de vômitos. Atropina corrige bradicardia vagal, mas não trata a vasodilatação e o extravasamento capilar da anafilaxia, nem supera o bloqueio beta. Adrenalina em bolus IV não diluído é proscrita fora da parada cardiorrespiratória pelo risco de arritmia maligna e isquemia miocárdica — em paciente coronariopata, o correto seria infusão contínua diluída e titulada, não bolus. Corticoide não tem efeito hemodinâmico agudo (início de ação em horas) e nunca é droga de resgate no choque anafilático.
Mulher de 28 anos, com história de rinite alérgica, chega à unidade de pronto atendimento 30 minutos após ingerir bolo contendo amendoim, apresentando urticária generalizada, edema de úvula, dispneia com sibilos e PA 85/50 mmHg. Recebeu adrenalina 0,5 mg por via intramuscular na coxa, oxigênio e 1.000 mL de cristaloide, com resolução completa dos sintomas. Após 1 hora, encontra-se assintomática, com PA 120/75 mmHg, FC 82 bpm, FR 16 irpm e SpO2 98% em ar ambiente. A paciente deseja receber alta imediatamente. Assinale a conduta adequada.
O diagnóstico de anafilaxia é clínico e já está estabelecido (envolvimento cutâneo-mucoso + comprometimento respiratório e cardiovascular após exposição a alergênio provável). Após a estabilização, o ponto crítico é o risco de reação bifásica (recorrência sem nova exposição, em geral nas primeiras 8-12 horas), o que justifica observação de pelo menos 6 horas — prolongada para 12-24 horas se houver hipotensão, necessidade de múltiplas doses de adrenalina, asma ou reação bifásica prévia. A alta deve incluir evitação do alergênio, plano de ação escrito com prescrição de adrenalina e encaminhamento ao especialista. Alta em 1 hora com anti-histamínico ignora o risco bifásico e não oferece tratamento de resgate. Corticoide não tem eficácia comprovada na prevenção de reação bifásica — essa é a pegadinha clássica da questão. Triptase e IgE específica são exames complementares para investigação ambulatorial posterior (a triptase, colhida em 1-3 h, tem baixa sensibilidade e não exclui o diagnóstico), jamais condicionam ou confirmam a conduta na emergência.
Homem de 30 anos, previamente hígido, procura o pronto-socorro 15 minutos após a primeira dose de amoxicilina prescrita para amigdalite. Apresenta urticária generalizada e intensamente pruriginosa, edema de lábios e pálpebras, sensação de aperto na garganta e dificuldade respiratória. Ao exame: taquipneico, estridor laríngeo, sibilos difusos, PA 80/50 mmHg, FC 128 bpm, SpO2 91% em ar ambiente. Assinale a conduta medicamentosa imediata.
Trata-se de anafilaxia com acometimento cutâneo-mucoso, respiratório (estridor, broncoespasmo, hipoxemia) e cardiovascular após exposição a alergênio. A adrenalina é a única droga de primeira linha, e a via correta é a intramuscular no vasto lateral (face anterolateral da coxa), que atinge pico sérico mais rápido e mais alto que o deltoide ou a via subcutânea: 0,01 mg/kg da solução 1:1.000, máximo de 0,5 mg no adulto, repetível a cada 5-15 minutos. Não há contraindicação absoluta ao seu uso na anafilaxia, e o atraso na administração é o principal fator de risco para óbito. Corticoides têm início de ação em horas e são apenas adjuvantes, nunca substituem a adrenalina. Anti-histamínicos H1 e H2 tratam somente prurido e urticária, sem efeito sobre obstrução de via aérea ou hipotensão; broncodilatador inalatório é adjuvante para o broncoespasmo residual. A via subcutânea e o sítio deltoide têm absorção errática por vasoconstrição local, sendo inadequados na anafilaxia.
Mulher de 32 anos é atendida na unidade de pronto atendimento cerca de 10 minutos após ingerir camarão em um restaurante. Apresenta urticária generalizada, edema de lábios e pálpebras, sensação de aperto na garganta, tosse e dispneia. Ao exame: ansiosa, sibilos difusos à ausculta pulmonar, pressão arterial 82 x 50 mmHg, frequência cardíaca 128 bpm, frequência respiratória 30 irpm, saturação de oxigênio 91% em ar ambiente. Refere episódio semelhante, mais leve, há dois anos. Assinale a conduta imediata.
Trata-se de anafilaxia (acometimento cutâneo-mucoso agudo associado a comprometimento respiratório e hipotensão após exposição a alérgeno provável). O tratamento de primeira linha, imediato e sem substituto, é adrenalina INTRAMUSCULAR no vasto lateral, 0,01 mg/kg da solução 1:1.000, máximo de 0,5 mg no adulto. Corticoide não age na fase aguda (início em horas) e serve apenas como adjuvante para reação bifásica. Anti-histamínico alivia apenas urticária e prurido, não reverte broncoespasmo nem hipotensão — retardar a adrenalina por ele é a principal causa de óbito evitável. Adrenalina 1:1.000 em bolus intravenoso é erro grave (risco de arritmia e isquemia miocárdica); a via IV só é usada diluída, em infusão, no choque refratário e com monitorização.
Durante indução anestésica para colecistectomia videolaparoscópica, paciente de 48 anos evolui subitamente com hipotensão refratária a volume, aumento importante da pressão de pico das vias aéreas e dessaturação, sem lesões cutâneas visíveis nos campos expostos. Sobre a hipótese de anafilaxia perioperatória, qual afirmativa está correta?
Anafilaxia perioperatória pode apresentar-se sem sinais cutâneos, especialmente com o paciente coberto e anestesiado. Hipotensão súbita, broncoespasmo, aumento da pressão de vias aéreas e dessaturação sustentam o diagnóstico clínico; o tratamento com adrenalina não deve esperar triptase. Antibióticos e bloqueadores neuromusculares estão entre os agentes mais implicados, mas a ordem varia conforme país, prática e período: o NAP6 britânico identificou antibióticos antes de bloqueadores neuromusculares, e látex foi menos frequente. Por isso a versão anterior errou ao declarar uma hierarquia universal. Fonte: NAP6, Br J Anaesth 2018, PMID 30093289.
Adolescente de 15 anos foi atendido por anafilaxia após ingestão de camarão, com urticária, broncoespasmo e hipotensão. Necessitou de duas doses de adrenalina intramuscular e expansão volêmica, com boa resposta. Encontra-se assintomático há 3 horas, com sinais vitais normais. É asmático em uso irregular de corticoide inalatório. A mãe pede alta porque mora a 80 km da unidade. Considerando a régua dos documentos brasileiros, qual a orientação correta?
O guia brasileiro estabelece observação clínica de no mínimo 6 a 8 horas nos casos leves e de 24 a 48 horas nos casos graves. Este caso é grave por vários marcadores: houve hipotensão e comprometimento respiratório, foram necessárias duas doses de adrenalina e há asma mal controlada — que é fator de risco reconhecido para reação fatal. Somam-se dois fatores que empurram para o teto: distância de 80 km do serviço e uso irregular da medicação de controle. O que sustenta a exigência é a estatística da reação bifásica: ela ocorre entre 8 e 12 horas após o episódio agudo em até 10% dos casos, e cerca de metade das bifásicas se concentra nas primeiras 6 a 12 horas — ou seja, às 3 horas o paciente ainda está dentro da janela de risco. Erradas: ausência de sintomas por 3 horas não exclui bifásica; 4 e 5 horas ficam abaixo até do piso do caso leve; e internação obrigatória em terapia intensiva por 72 horas não é recomendação de nenhum dos documentos para paciente que respondeu bem.
Lactente de 18 meses, previamente saudável, é levado ao pronto atendimento 30 minutos após a primeira ingestão de ovo. Apresenta rubor facial, dois episódios de vômito e prostração. PA 62/38 mmHg, FC 176 bpm, tempo de enchimento capilar 4 segundos, sem urticária. Considerando os critérios diagnósticos e os parâmetros de pressão arterial na criança, qual afirmativa está correta?
Para crianças abaixo de 10 anos, o limite de pressão sistólica baixa é (70 mmHg + 2 × idade em anos). Aos 18 meses (1,5 ano): 70 + 3 = 73 mmHg. A sistólica de 62 mmHg está abaixo desse valor, e há enchimento capilar alargado — hipotensão com má perfusão após exposição a alérgeno altamente provável, somada a sintomas gastrintestinais e cutâneos (rubor). O quadro configura anafilaxia e a conduta é adrenalina 1:1000, 0,01 mg/kg intramuscular na região anterolateral do terço médio da coxa, com decúbito dorsal e membros inferiores elevados, oxigênio e expansão volêmica (5 a 10 mL/kg nos primeiros 5 minutos). Erradas: a ausência de urticária não exclui — a pele falta em 10 a 20% das reações; a vasovagal cursa com bradicardia, e aqui há taquicardia de 176 bpm; a triptase não decide nada na emergência e valor normal não exclui, sendo a normalidade comum na anafilaxia alimentar da criança; e a premissa de pressão normal para a idade é falsa pelo cálculo.
Criança de 4 anos, 16 kg, apresenta urticária, vômitos repetidos e sibilância 10 minutos após ingerir bolo com leite. Sobre a dose de adrenalina a ser administrada, considerando a apresentação disponível na unidade (ampola de adrenalina 1 mg/mL), assinale a alternativa que traz dose, volume, via e sítio corretos.
A dose é 0,01 mg/kg, com teto de 0,3 mg na criança. Para 16 kg: 0,01 × 16 = 0,16 mg, abaixo do teto, portanto a dose é 0,16 mg. Na apresentação 1:1000 (1 mg/mL), 0,16 mg correspondem a 0,16 mL — a coincidência numérica entre mg e mL só vale nessa concentração. A via é intramuscular e o sítio é a região anterolateral do terço médio da coxa (vasto lateral), que tem massa muscular grande, atinge pico sérico mais rápido que o deltoide e é onde a agulha padrão realmente alcança músculo. Erradas: 1,6 mL seria dez vezes a dose calculada (erro de vírgula) e o deltoide não é o sítio recomendado; 0,016 mg é dez vezes menos, e a via subcutânea tem absorção lenta e imprevisível, piorando no hipoperfundido; 0,5 mg é o teto do adulto, não dose pediátrica; e o glúteo é o pior sítio, porque o tecido adiposo transforma a injeção em subcutânea sem que se perceba.
Homem de 42 anos em atendimento por anafilaxia a contraste iodado recebeu adrenalina intramuscular há 8 minutos. Está em decúbito dorsal com membros inferiores elevados, com melhora parcial da urticária, PA 96/60 mmHg, FC 108 bpm, SpO2 96% em máscara. Refere que se sente melhor e pede para sentar na maca porque "está com dor nas costas". Qual conduta e qual a justificativa?
Na anafilaxia o leito vascular está dilatado e o plasma extravasa para o interstício: o retorno venoso depende da posição. Sentar ou levantar joga o volume para a periferia, a veia cava esvazia, o ventrículo não recebe e há relatos de morte súbita — inclusive já em vigência de tratamento. É a síndrome da veia cava e do ventrículo vazio, e o protocolo brasileiro escreve a proibição com todas as letras: não permitir que o paciente sente ou se levante bruscamente, nem colocá-lo em posição vertical. Melhora parcial não é resolução, e este paciente ainda está hipotenso e taquicárdico. As exceções são dispneia e vômito, que autorizam posição de conforto mantendo os membros elevados — não é o caso, cuja justificativa é dor lombar. Erradas as demais: sentar por períodos curtos ou elevar a 90 graus expõe ao mesmo mecanismo; e não há indicação de Trendelenburg invertida para edema facial na anafilaxia.
Mulher de 61 anos, hipertensa em uso de propranolol, evolui com hipotensão (PA 70/44 mmHg), broncoespasmo e rubor cutâneo minutos após a primeira dose de um antibiótico endovenoso. Recebeu três doses de adrenalina intramuscular de 0,5 mg na coxa, com intervalos de 5 minutos, além de 2 litros de salina 0,9%, e mantém PA 76/48 mmHg com FC 54 bpm. Qual das condutas abaixo é a mais adequada neste momento?
Após doses adequadas de adrenalina intramuscular e reposição volêmica, a persistência de comprometimento circulatório ou respiratório exige manejo de anafilaxia refratária. A equipe experiente deve iniciar infusão intravenosa titulada de adrenalina, com monitorização contínua e reavaliação de fluidos. Em pacientes sob betabloqueador que permanecem refratários, pode-se acrescentar glucagon; o protocolo RCUK 2021 apresenta 1 mg IV no adulto, com possibilidade de repetição ou infusão subsequente. A evidência é limitada e há risco de vômitos. Glucagon não substitui adrenalina. Anti-histamínico não corrige o choque, e bolus IV de 1 mg de adrenalina não é a conduta para este paciente sem parada cardíaca.
Mulher de 29 anos chega ao pronto-socorro 25 minutos após picada de abelha no antebraço direito. Refere prurido generalizado, sensação de aperto na garganta e falta de ar progressiva. Ao exame: consciente, ansiosa, urticária confluente em tronco, edema de lábios, voz rouca com estridor inspiratório leve, sibilos difusos à ausculta. PA 122/78 mmHg, FC 118 bpm, FR 26 irpm, SpO2 93% em ar ambiente. Nega comorbidades e uso de medicações. Qual é a conduta imediata?
O quadro preenche o primeiro critério diagnóstico: início agudo (25 minutos) com envolvimento de pele e mucosa (urticária generalizada, edema de lábios) MAIS comprometimento respiratório (rouquidão, estridor, sibilos, SpO2 93%). Um critério basta, e o tratamento é adrenalina 1:1000 na dose de 0,01 mg/kg com teto de 0,5 mg, intramuscular no vasto lateral — terço médio anterolateral da coxa —, com o paciente deitado. A pressão normal não muda nada: nenhum dos dois primeiros critérios exige hipotensão, e esperar a pressão cair é o atraso associado a desfecho fatal. Erradas: prometazina é anti-H1, alivia prurido e urticária e não age em broncoespasmo, edema laríngeo nem hipotensão — dá-la e observar é o erro clássico do tema; hidrocortisona tem início de ação tardio e, segundo o próprio guia brasileiro, pouca ou nenhuma ação no quadro agudo, e salbutamol não substitui a adrenalina; a via subcutânea tem absorção lenta e imprevisível, que piora justamente no hipoperfundido, e não é a via da anafilaxia; e o bolus endovenoso da ampola 1:1000 concentra risco de arritmia fatal e erro de diluição (a via endovenosa exige 1:10.000 e é reservada ao choque iminente ou estabelecido, em infusão lenta e titulada).
Sobre o papel dos glicocorticoides e dos anti-histamínicos no manejo da anafilaxia, à luz dos documentos brasileiros e internacionais atuais, assinale a alternativa correta.
O anti-H1 tem papel limitado: alivia prurido, urticária e rubor, e não age nos mecanismos que matam — broncoespasmo, edema laríngeo e hipotensão. Algumas diretrizes já o rebaixaram a terceira linha, pelo risco de que administrá-lo atrase medidas mais urgentes, como repetir a adrenalina; e o anti-H1 de primeira geração por via endovenosa rápida pode causar hipotensão. O glicocorticoide tem início de ação tardio, e o próprio guia brasileiro de 2021 registra que ele tem pouca ou nenhuma ação no tratamento agudo, listando a prevenção da reação bifásica com sinal de interrogação; a literatura internacional recente vai além, apontando evidência crescente de ausência de benefício no manejo agudo e possibilidade de dano, com o uso rotineiro se tornando controverso. Erradas: o anti-H1 nunca é primeira linha e a adrenalina não espera o choque; o glicocorticoide não tem início rápido nem substitui a adrenalina; nenhum dos dois foi removido dos protocolos brasileiros, que trazem hidrocortisona e prescrição de alta; e dose alta de corticoide não dispensa repetir a adrenalina, que é o que se faz a cada 5 a 15 minutos enquanto os sintomas persistem.
Paciente com cisto hidático hepático evolui durante procedimento com hipotensão súbita, broncoespasmo e urticária difusa após manipulação da lesão. Qual é o diagnóstico e a conduta imediata?
Hipotensão súbita com broncoespasmo e urticária durante a manipulação de um cisto hidático caracteriza reação anafilática por liberação de antígenos parasitários, e o tratamento é o mesmo de qualquer anafilaxia grave, com adrenalina como fármaco de primeira linha, suporte volêmico agressivo e manejo da via aérea, seguidos de corticoide e anti-histamínico como medidas adjuvantes. Retardar a adrenalina em favor de corticoide é o erro clássico da anafilaxia. Choque hemorrágico não cursa com broncoespasmo e urticária.
Segundo os criterios diagnosticos vigentes, qual das situacoes abaixo ja permite firmar o diagnostico de anafilaxia?
Um dos criterios estabelecidos e o inicio agudo, em minutos a horas, de acometimento de pele ou mucosa associado a comprometimento respiratorio ou a hipotensao e sintomas de disfuncao de orgao-alvo; o diagnostico e clinico e nao depende de exame. Urticaria isolada e o distrator mais tentador porque assusta e ocorre em quase toda anafilaxia, mas sozinha nao configura o diagnostico nem indica adrenalina. Sintomas gastrointestinais isolados sao insuficientes, embora entrem no criterio quando ha exposicao a alergeno conhecido somada a hipotensao ou a comprometimento respiratorio. Triptase e exame retrospectivo, util para confirmar, jamais para decidir tratamento. Prurido isolado sem repercussao sistemica nao caracteriza anafilaxia.
Mulher de 27 anos, dez minutos apos ingerir camarao, apresenta urticaria generalizada, edema de labios, estridor, sibilos difusos, PA 78x40 mmHg e FC 128 bpm. Qual a conduta imediata?
A anafilaxia com hipotensao e comprometimento de via aerea exige adrenalina intramuscular imediata no vasto lateral da coxa, na dose de 0,01 mg/kg ate 0,5 mg, repetivel a cada cinco a quinze minutos; e a unica medida que reverte broncoespasmo, edema e vasodilatacao ao mesmo tempo. Corticoide e anti-histaminico sao os erros mais comuns e mais perigosos: nao agem em minutos, nao revertem a hipotensao e seu uso como primeira medida atrasa o tratamento que salva. A adrenalina endovenosa em bolus de 1 mg pertence a parada cardiaca e nesse contexto provoca crise hipertensiva, arritmia e isquemia miocardica; quando a via endovenosa e necessaria, usa-se infusao continua titulada com monitorizacao. Broncodilatador e adjuvante para o sibilo residual.
Homem de 45 anos com anafilaxia por picada de vespa recebeu adrenalina intramuscular e permanece com PA 70x38 mmHg apos duas doses. Ja recebeu 2000 mL de cristaloide. Qual o proximo passo?
Anafilaxia refrataria e definida pela persistencia dos sinais apos duas doses adequadas de adrenalina e expansao volemica, e o passo seguinte e a infusao continua de adrenalina endovenosa titulada, em ambiente monitorizado. Repetir a via intramuscular e aguardar meia hora perde tempo justamente em quem ja demonstrou nao responder a essa via, muitas vezes por ma perfusao muscular no choque. A noradrenalina pode ser associada, mas nao substitui a adrenalina, que agrega efeito beta necessario ao broncoespasmo e a estabilizacao de mastocitos. Corticoide nao trata choque agudo. A intubacao se decide pela via aerea, com edema progressivo ou estridor grave, e nao de forma automatica; em paciente em uso de betabloqueador refratario, considerar glucagon.
Apos resolucao completa de um episodio de anafilaxia tratado com adrenalina, qual orientacao deve ser dada na alta?
Todo paciente que teve anafilaxia deve sair com adrenalina de aplicacao autonoma prescrita, treinamento de uso, plano de acao escrito, orientacao de evitacao do agente e encaminhamento ao alergista para investigacao e eventual imunoterapia, no caso de himenopteros. Anti-histaminico continuo trata urticaria cronica e nao previne anafilaxia, sendo o distrator que da falsa seguranca. Deixar o paciente sem prescricao ignora que a mortalidade se concentra nos que nao recebem adrenalina a tempo. Corticoide prolongado nao previne recorrencia. Testes cutaneos exigem intervalo de semanas apos o episodio, sob risco de resultado falsamente negativo por deplecao de mediadores; a observacao pos-evento deve durar de 4 a 6 horas pelo risco de reacao bifasica.
Qual exame laboratorial, colhido nas primeiras horas apos o episodio, ajuda a confirmar retrospectivamente uma reacao anafilatica?
A triptase e liberada pelos mastocitos, atinge pico entre 30 minutos e duas horas do inicio dos sintomas e retorna ao basal em horas, de modo que a coleta precoce comparada a uma dosagem basal posterior permite confirmar a ativacao mastocitaria e ainda levantar a suspeita de mastocitose quando o basal permanece elevado. IgE total nao discrimina, pois se eleva em atopia, parasitose e varias condicoes. Proteina C reativa mede inflamacao inespecifica e demora a subir. Complemento e util no angioedema hereditario, com C4 baixo, e nao na anafilaxia. Eosinofilos nao se alteram de modo util nesse contexto. Nenhum desses exames deve retardar o tratamento, que e clinico.
Sobre a reacao bifasica na anafilaxia, qual afirmativa esta correta?
A reacao bifasica consiste no retorno dos sintomas apos resolucao completa, sem nova exposicao ao alergeno, tipicamente dentro de horas, e por isso recomenda-se periodo de observacao de pelo menos 4 a 6 horas, estendido em quadros graves, refratarios ou que exigiram multiplas doses de adrenalina. Atribuir a ausencia de corticoide e o erro mais difundido: nao ha evidencia solida de que o corticoide previna a recorrencia, embora ainda seja usado. A reacao de retorno pode ser mais leve, semelhante ou mais grave que a inicial, sem regra fixa. Ocorre com qualquer desencadeante, incluindo medicamentos e venenos de himenopteros, e nao apenas com alimentos.
Paciente com anafilaxia grave faz uso cronico de betabloqueador e nao responde adequadamente as doses de adrenalina. Qual medicamento deve ser considerado?
O betabloqueio impede a resposta aos efeitos beta da adrenalina, e o glucagon contorna o bloqueio ao ativar a adenilato ciclase por via independente do receptor beta, restaurando inotropismo e cronotropismo; a dose e de 1 a 5 mg endovenosos lentos, com risco de vomito e necessidade de protecao de via aerea. Atropina apenas corrige bradicardia vagal, sem efeito sobre a vasoplegia. Bicarbonato nao tem indicacao no choque anafilatico. Naloxona reverte opioide, cenario distinto. Gluconato de calcio e antidoto do bloqueio de canal de calcio e da hipercalemia, e sua confusao com o glucagon nesse contexto e frequente porque ambos aparecem em intoxicacoes cardiovasculares.
Mulher de 30 anos, minutos após receber antibiótico endovenoso, apresenta urticária generalizada, edema de lábios, estridor, sibilância e PA 70x40 mmHg. Qual a conduta imediata?
A adrenalina intramuscular é a única medida que reverte rapidamente a vasoplegia, o broncoespasmo e o edema de via aérea, e deve preceder qualquer outra droga na anafilaxia. Iniciar por anti-histamínico ou corticoide engana quem raciocina pelo mecanismo alérgico, mas eles agem em horas e não protegem a via aérea nem a pressão nos primeiros minutos, que são justamente os que decidem o desfecho.
Mulher de 32 anos apresenta, minutos após administração de antibiótico endovenoso, urticária generalizada, broncoespasmo, hipotensão e edema de lábios. Qual a conduta imediata?
Na anafilaxia a adrenalina intramuscular na coxa é a primeira e mais importante medida, e nenhuma outra droga a substitui — corticoide e anti-histamínico são adjuvantes com início de ação lento demais para o evento agudo. Iniciar por corticoide engana quem raciocina em bloquear a resposta inflamatória, mas o que salva é a reversão imediata da vasodilatação e do broncoespasmo pela adrenalina, seguida de volume e oxigênio.
Mulher de 30 anos apresenta hipotensão, broncoespasmo, urticária e angioedema minutos após picada de inseto. Qual a conduta imediata?
A adrenalina intramuscular na coxa é o tratamento de primeira linha da anafilaxia e não deve ser retardada por nenhuma outra medida, porque reverte a vasodilatação, o broncoespasmo e o edema; a via subcutânea tem absorção errática e foi abandonada. Corticoide e anti-histamínico são adjuvantes com início lento e não salvam a vida na fase aguda — administrá-los primeiro é o erro mais comum e o mais associado a desfechos fatais nessa emergência.
Mulher de 34 anos, hígida, realizava coleta de sangue para exames de rotina quando, ainda sentada, ficou pálida, com sudorese fria e náusea, e perdeu brevemente a consciência. Foi deitada com os membros inferiores elevados e recuperou-se em cerca de um minuto. Aferidos naquele momento: pressão arterial de 84/52 mmHg e frequência cardíaca de 46 bpm. Não há urticária, prurido, angioedema, sibilos nem estridor. Não recebeu medicamento ou qualquer outra substância, e o material utilizado era livre de látex. Qual é a interpretação e a conduta?
Dois achados separam a reação vasovagal da anafilaxia, e os dois estão presentes: bradicardia, quando a anafilaxia cursa com taquicardia e só bradicardiza na iminência de falência cardiorrespiratória, e ausência completa de urticária, angioedema e prurido, acompanhada de sudorese e náusea. A conduta é manter o decúbito com as pernas elevadas e observar. Chamar de anafilaxia pela queda de pressão isolada não se sustenta, porque esse caminho diagnóstico exige exposição a alérgeno já conhecido daquela pessoa, e a paciente não recebeu substância alguma. A hipótese de anafilaxia sem sinais cutâneos também não fecha, porque nenhum outro sistema está em cena — não há sintoma respiratório nem gastrintestinal — e ainda acrescentaria anti-histamínico endovenoso, cuja administração rápida pode baixar mais a pressão. O choque cardiogênico não explica a recuperação em um minuto apenas com a mudança de posição. E o rótulo de crise de pânico ignora a bradicardia e a hipotensão objetivamente medidas.
Homem de 40 anos foi atendido por anafilaxia após ingestão de camarão, com urticária, broncoespasmo e hipotensão, e respondeu bem a duas doses de adrenalina intramuscular. A triptase sérica colhida noventa minutos após o início dos sintomas voltou em 8 µg/L, abaixo do limite superior de referência. O médico assistente conclui que não houve anafilaxia, retira o diagnóstico do relatório de alta e cancela o encaminhamento ao alergista. Qual é a crítica correta?
A triptase sobe a partir de quinze minutos do início dos sintomas, tem pico entre uma e duas horas e permanece elevada por até três horas ou mais, de modo que noventa minutos é justamente a janela correta de coleta. O que o resultado não faz é excluir o diagnóstico: em 36% a 40% dos casos ela permanece abaixo de 11,4 µg/L, e na criança com anafilaxia por alimento a normalidade é comum. Por isso se recomenda dosar a triptase basal pelo menos vinte e quatro horas após a resolução, mesmo quando a do episódio veio normal, porque é a comparação entre pico e basal que dá sentido ao número. Aceitar o valor normal como prova de ausência de anafilaxia é o erro central do raciocínio. Atribuir a falha à janela contraria o comportamento conhecido do marcador. Propor IgE específica na urgência escolhe um exame que, colhido durante a reação, pode dar resultado falsamente negativo, e cuja coleta é posterior. E não existe recomendação de colher a amostra antes da adrenalina — o tratamento nunca espera exame.
Adolescente de 16 anos recebe alta após anafilaxia por amendoim, tratada com duas doses de adrenalina intramuscular e observação prolongada. Os pais viram na internet o dispositivo autoinjetor de adrenalina e perguntam onde comprá-lo no Brasil. Qual é a orientação correta?
Em 2 de abril de 2026, a Anvisa informou que o autoinjetor Epipen divulgado por uma rede varejista não tinha registro sanitário no Brasil e proibiu seu armazenamento, comercialização, distribuição, propaganda e transporte. Isso não autoriza afirmar que qualquer importação pessoal será automaticamente apreendida, nem transforma ampola e seringa em solução universal. Após anafilaxia, a alta deve incluir plano escrito, educação para reconhecer recorrência, treinamento para uso de adrenalina e encaminhamento ao especialista, que orientará uma forma legal e segura de acesso. Anti-histamínico não substitui adrenalina. Fonte: Anvisa, 2/4/2026.
Qual exame laboratorial pode auxiliar na confirmação retrospectiva de anafilaxia?
A triptase sérica se eleva na degranulação de mastócitos e, colhida idealmente entre trinta minutos e três horas do início dos sintomas e comparada a um valor basal obtido depois, apoia a confirmação retrospectiva do diagnóstico, sem jamais retardar o tratamento. A imunoglobulina E total não define o evento agudo e a específica ajuda na investigação etiológica posterior. Eosinófilos e proteína C reativa são inespecíficos, e a coleta urinária de longa duração não é aplicável a um evento de instalação em minutos.
Após tratamento bem-sucedido de anafilaxia, qual orientação é obrigatória na alta?
Reações bifásicas ocorrem em parcela dos pacientes, geralmente dentro das primeiras horas, o que justifica observação prolongada antes da alta, com período maior em quadros graves ou que exigiram múltiplas doses de adrenalina. A alta deve incluir prescrição de adrenalina autoinjetável quando disponível, plano de ação escrito, orientação sobre evitar o agente e encaminhamento ao alergista. Corticoide prolongado não previne recorrência. Vacinas não são contraindicadas de forma genérica. Teste de provocação, quando indicado, é feito em ambiente controlado e nunca na fase aguda.
Após a administração de duas doses de adrenalina intramuscular, paciente com anafilaxia mantém hipotensão de 70x40 mmHg. Qual é o próximo passo?
Na anafilaxia refratária, a conduta é somar reposição volêmica generosa, dada a vasodilatação e o extravasamento capilar, e iniciar adrenalina em infusão contínua sob monitorização, mantendo-se atento à necessidade de via aérea. Repetir adjuvantes é o erro que consome tempo em drogas que não sustentam a pressão. A adrenalina permanece a droga de escolha, e outros vasopressores entram apenas como adjuvantes em casos selecionados. A intubação pode ser necessária diante de edema de via aérea, mas não substitui o tratamento farmacológico do choque distributivo.
Qual é a posição recomendada para o paciente com anafilaxia e instabilidade hemodinâmica?
Manter o paciente deitado com os membros inferiores elevados favorece o retorno venoso em um quadro de vasodilatação e extravasamento capilar, e há relatos de morte súbita associados ao ato de sentar ou levantar bruscamente pacientes anafiláticos, fenômeno conhecido como síndrome do ventrículo vazio. Colocá-lo sentado com pernas pendentes é exatamente o oposto do recomendado. Pacientes com dispneia importante podem ficar semissentados, e vômitos exigem posição lateral, mas nunca se deve mobilizar bruscamente o paciente instável.
Após resolução completa do quadro anafilático com adrenalina, qual orientação deve compor a alta?
Reações bifásicas podem ocorrer horas após a resolução inicial, o que justifica período de observação proporcional à gravidade, e a alta deve incluir prescrição de adrenalina autoinjetável quando disponível, treinamento de uso, plano de ação escrito, identificação do agente e encaminhamento ao especialista para investigação e avaliação de imunoterapia com veneno em casos de himenópteros. Dar alta imediata com anti-histamínico é a prática que deixa o paciente desprotegido diante de nova exposição, e corticoide prolongado não previne recorrência.
Qual medida de prevenção secundária é indicada para paciente com anafilaxia comprovada por veneno de himenóptero e alto risco de reexposição?
A imunoterapia com veneno de himenópteros reduz de forma expressiva o risco de nova reação sistêmica em pacientes com anafilaxia comprovada, sendo tratamento modificador de doença, e deve ser somada ao porte permanente de adrenalina autoinjetável e à orientação de evitar exposições. Anti-histamínico e corticoide não previnem anafilaxia e podem mascarar sintomas iniciais. Recomendar apenas evitar a exposição deixa o paciente sem proteção diante do inevitável, e dessensibilização com antibiótico não guarda relação com o agente envolvido.
Homem de 41 anos é picado por abelhas e, 10 minutos depois, apresenta urticária generalizada, edema de lábios, sibilos difusos, PA 78x44 mmHg e sensação de morte iminente. Qual é a conduta imediata?
A adrenalina intramuscular na face anterolateral da coxa é a primeira e insubstituível medida da anafilaxia, com absorção mais rápida e previsível do que por via subcutânea, podendo ser repetida a cada cinco a quinze minutos, ao lado de oxigênio, decúbito com elevação dos membros inferiores e volume. Corticoide e anti-histamínico são adjuvantes, não revertem a obstrução nem a hipotensão e demoram horas para agir: escolhê-los como medida inicial é o erro associado às mortes evitáveis. Broncodilatador isolado trata apenas o componente de broncoespasmo.
Paciente com anafilaxia em uso crônico de betabloqueador apresenta resposta insuficiente à adrenalina. Qual medida adicional pode ser considerada?
O bloqueio beta-adrenérgico limita a resposta à adrenalina, e o glucagon age por via independente do receptor beta, elevando o monofosfato cíclico de adenosina e restaurando efeito inotrópico e cronotrópico, sendo o adjuvante recomendado nesses pacientes. Atropina trata bradicardia de origem vagal e não corrige a vasoplegia. Naloxona e flumazenil são antagonistas de opioides e de benzodiazepínicos, sem qualquer papel aqui, e a digoxina não tem lugar no tratamento da anafilaxia, sendo escolhas que revelam associação mecânica de antídotos a quadros graves.
Mulher de 25 anos, após picada de inseto, apresenta em 10 minutos urticária generalizada, dispneia com sibilos, hipotensão de 80 x 50 mmHg e sensação de morte iminente. Qual a conduta imediata?
A adrenalina intramuscular na face anterolateral da coxa é a primeira e insubstituível medida da anafilaxia, com absorção mais rápida e níveis séricos mais altos do que pelas vias subcutânea ou deltoide; a dose habitual no adulto é 0,3 a 0,5 mg, repetível a cada 5 a 15 minutos. Corticoide e anti-histamínico são adjuvantes de ação lenta e não substituem a adrenalina — atrasá-la para administrá-los é o erro mais associado a óbito. Broncodilatador inalatório complementa o broncoespasmo, mas não trata a vasodilatação e o colapso circulatório. Posição deitada com pernas elevadas e volume completam o manejo.
Segundo os critérios WAO de 2020, qual apresentação pode caracterizar anafilaxia mesmo sem hipotensão?
Hipotensão não é obrigatória para reconhecer anafilaxia. Os critérios WAO incluem manifestações cutâneas ou mucosas associadas a comprometimento respiratório ou a sintomas gastrointestinais graves no contexto apropriado. Náusea leve ou persistente isoladamente não equivale a esse critério. Também pode ocorrer anafilaxia sem manifestações cutâneas, por exemplo com comprometimento laríngeo ou broncoespasmo após alérgeno conhecido ou muito provável. Não é necessário esperar choque para iniciar o tratamento indicado; adrenalina intramuscular é a primeira linha.
Qual é a definição prática de anafilaxia que permite o reconhecimento rápido na emergência?
Os critérios permitem diagnosticar anafilaxia à beira do leito, e o ponto que mais gera erro é a exigência mental de urticária ou de hipotensão: uma parcela dos casos evolui sem manifestação cutânea, e a hipotensão pode ser tardia. A dosagem de triptase é retrospectiva e jamais deve retardar a adrenalina — o diagnóstico é clínico e o tratamento, imediato.
Qual orientação é obrigatória na alta de paciente que teve episódio de anafilaxia?
A alta após anafilaxia inclui o acesso à adrenalina autoinjetável com treinamento de uso, a orientação sobre a possibilidade de reação bifásica horas depois, um plano de ação escrito e o encaminhamento para investigação do agente desencadeante. Limitar-se a orientar a evitação é o erro que deixa o paciente sem recurso no próximo episódio, que pode ocorrer por exposição inadvertida.
Qual conduta é adequada durante a anafilaxia quanto ao posicionamento do paciente?
A posição supina com pernas elevadas favorece o retorno venoso em um paciente com vasodilatação intensa, e há relatos de morte súbita associada à mudança abrupta para a posição sentada ou em pé — fenômeno atribuído ao esvaziamento ventricular. Fazer o paciente caminhar até a sala de emergência é justamente o erro que reproduz esse mecanismo, e por isso o transporte deve ser feito com ele deitado.
Mulher de 34 anos, 10 minutos após ingestão de camarão, apresenta urticária generalizada, edema de lábios e língua, estridor inspiratório, dispneia e pressão arterial de 78 x 44 mmHg. Qual a primeira conduta?
A adrenalina intramuscular na face anterolateral da coxa é a primeira e insubstituível medida na anafilaxia, porque reverte a vasodilatação, o broncoespasmo e o edema de via aérea de forma simultânea e rápida. Anti-histamínico e corticoide são adjuvantes que agem sobre a urticária e talvez sobre reações tardias, e usá-los como primeira linha é o erro mais frequente e mais associado a desfechos fatais — o atraso da adrenalina é o denominador comum das mortes por anafilaxia.
Qual é a orientação correta sobre a observação após tratamento bem-sucedido de anafilaxia?
Uma parcela dos pacientes apresenta reação bifásica, com recorrência dos sintomas horas depois da resolução aparente e sem nova exposição ao alérgeno, o que justifica período prolongado de observação, mais longo nos casos graves ou que exigiram múltiplas doses de adrenalina. Liberar assim que o paciente melhora é o erro que devolve à rua alguém que pode voltar a obstruir a via aérea longe do serviço de saúde.
Qual é a via de administração e o local preferenciais da adrenalina na anafilaxia, e por quê?
O vasto lateral da coxa é ricamente vascularizado e proporciona pico plasmático mais rápido e elevado do que o deltoide ou a via subcutânea, o que faz da intramuscular na coxa a via recomendada. A via endovenosa se reserva ao choque refratário, em infusão contínua e com monitorização, porque o bolus rápido se associa a arritmias e isquemia miocárdica — administrar bolus endovenoso de rotina é um erro com potencial de dano grave.
Paciente com anafilaxia recebe duas doses de adrenalina intramuscular e permanece hipotenso, com estridor progressivo e saturação em queda. Qual a conduta?
Anafilaxia refratária a doses repetidas exige escalonamento: via aérea garantida precocemente, antes que o edema a torne impossível, adrenalina em infusão contínua e expansão volêmica agressiva, já que a vasodilatação e o extravasamento produzem hipovolemia relativa importante. Aguardar diante de estridor progressivo é o erro que leva à via aérea impossível — a cricotireoidostomia é o plano de resgate, não a primeira escolha.
Qual paciente com anafilaxia pode apresentar resposta reduzida à adrenalina, exigindo terapia adicional específica?
O betabloqueio antagoniza o efeito beta-adrenérgico da adrenalina, e nesses pacientes a anafilaxia pode ser refratária, situação em que o glucagon é usado por ativar a adenilato ciclase por via independente dos receptores beta. Reconhecer esse cenário evita a interpretação equivocada de que o diagnóstico está errado quando a resposta à adrenalina não vem — e a anamnese medicamentosa rápida é o que permite identificá-lo.
Paciente com anafilaxia por medicamento apresenta hipotensão refratária a duas doses de adrenalina intramuscular e expansão volêmica. Está em uso crônico de betabloqueador. Qual medicação adicional pode ser considerada?
Pacientes em uso de betabloqueador podem apresentar anafilaxia refratária à adrenalina, porque o bloqueio dos receptores beta limita a resposta; nesses casos, o glucagon estimula a adenilato ciclase por via independente do receptor adrenérgico e pode reverter a hipotensão, além do suporte com volume, adrenalina em infusão contínua e outros vasopressores. Anti-histamínicos e corticoides são adjuvantes de ação lenta e não corrigem o colapso circulatório, e nenhum deles resolve o problema específico criado pelo betabloqueio.
Sobre a reação bifásica na anafilaxia, é correto afirmar que:
A recorrência sem nova exposição é minoritária, mas real, e é ela que sustenta o período de observação e a prescrição do autoinjetor na alta. O atraso na adrenalina inicial e a necessidade de doses repetidas são os preditores mais consistentes. Acreditar que o corticoide previne a fase tardia é crença antiga e não sustentada por evidência — é o argumento que faz muitos serviços darem alta precoce sob a proteção ilusória de uma dose de corticoide.
Sobre os critérios diagnósticos de anafilaxia, o quadro se caracteriza quando há:
O ponto que mais reprova é acreditar que a anafilaxia exige urticária ou hipotensão: até 20% dos casos não têm manifestação cutânea, e a hipotensão isolada após exposição a alérgeno já conhecido fecha o diagnóstico. Exigir triptase é erro operacional grave, porque o exame demora e a decisão terapêutica é imediata; além disso, a triptase pode ser normal em anafilaxia alimentar. Reações de início tardio caracterizam outros mecanismos, como a enterocolite induzida por proteína alimentar.
Menino de 9 anos, 30 kg, cinco minutos após ingerir amendoim, apresenta urticária generalizada, edema labial, tosse com estridor e vômitos. A primeira medida terapêutica e a dose são:
A dose intramuscular é 0,01 mg/kg da solução 1:1000, com máximo de 0,5 mg — em 30 kg, 0,3 mg. A via intramuscular no vasto lateral atinge concentração plasmática mais rápida e é a recomendada; a adrenalina endovenosa em bolus reserva-se ao choque refratário sob monitorização, pelo risco de arritmia e isquemia miocárdica. Corticoide e anti-histamínico são adjuvantes lentos que não revertem obstrução de via aérea nem hipotensão, e priorizá-los é o atraso mais associado a óbito.
Sobre o uso do autoinjetor de adrenalina em crianças, é correto afirmar que:
O vasto lateral é o sítio de escolha por vascularização e massa muscular, e o dispositivo foi projetado para atravessar tecido e roupa — hesitar para despir a criança custa tempo. As apresentações são distribuídas por faixa de peso, o que atende também as crianças menores, e não há contraindicação absoluta ao uso na anafilaxia. A adrenalina do autoinjetor é armazenada em temperatura ambiente, protegida de luz e calor extremo; a refrigeração não é recomendada.
Criança de 6 anos recebeu adrenalina intramuscular por anafilaxia a picada de inseto. Após 8 minutos, mantém estridor, sibilos e pressão arterial de 70/40 mmHg. A conduta seguinte é:
A adrenalina pode ser repetida a cada 5 a 15 minutos, e a persistência dos sintomas indica exatamente isso, somada à expansão volêmica, porque a vasodilatação e o extravasamento capilar geram hipovolemia relativa importante. Esperar meia hora entre doses é conduta que permite a evolução para choque refratário. Corticoide e anti-histamínico não substituem a adrenalina em nenhum momento. A intubação é reservada à falência da via aérea, e deve ser antecipada quando há edema progressivo, não realizada como primeira medida em paciente ainda responsivo.
Sobre a triptase sérica na investigação de anafilaxia em pediatria, é correto afirmar que:
A triptase é marcador retrospectivo, com janela estreita de elevação, e serve sobretudo para casos duvidosos ou para investigar mastocitose associada — a comparação com o valor basal é o que dá sentido ao resultado. Ela costuma se elevar mais em reações a medicamentos e a insetos do que em anafilaxia alimentar, o que torna o resultado normal frequente exatamente nas crianças. Tratar com base no exame, e não na clínica, é o erro que atrasa a adrenalina.
Adolescente de 13 anos apresentou anafilaxia por camarão, tratada com sucesso. Está assintomático há 2 horas. A conduta de alta é:
A reação bifásica pode ocorrer horas após a resolução aparente, o que justifica observação de pelo menos 4 a 6 horas, mais prolongada em casos graves ou que exigiram múltiplas doses. A alta precisa entregar ao paciente a capacidade de tratar a próxima reação: autoinjetor com treinamento prático e plano de ação escrito, além de investigação alergológica. Prescrever apenas anti-histamínico ou corticoide dá falsa segurança e é o padrão de conduta encontrado nas mortes evitáveis por anafilaxia.
Criança de 8 anos em uso crônico de propranolol por arritmia apresenta anafilaxia alimentar refratária a três doses de adrenalina intramuscular. A medida adicional específica é:
O betabloqueio impede a resposta beta-adrenérgica à adrenalina, e o glucagon atua por receptor próprio acoplado à adenilato-ciclase, elevando o AMP cíclico independentemente do receptor beta bloqueado — é a saída clássica para anafilaxia refratária nesse contexto. Insistir apenas com mais adrenalina engana porque a droga está sendo administrada corretamente, mas o receptor está indisponível. Atropina trata bradicardia por tônus vagal e não corrige a vasoplegia e o broncoespasmo.
Lactente de 11 meses apresenta, durante infusão de antibiótico endovenoso, hipotensão, taquicardia, palidez e sibilância, sem urticária. A conduta e a posição do paciente são:
Além de suspender o agente e aplicar adrenalina, a posição importa: manter o paciente deitado com pernas elevadas preserva o retorno venoso, e há relatos de parada cardíaca desencadeada por sentar ou levantar abruptamente pacientes anafiláticos hipovolêmicos — a chamada síndrome do ventrículo vazio. A ausência de urticária não afasta anafilaxia, e a hipotensão após exposição a fármaco conhecido já preenche critério diagnóstico.
Menina de 12 anos apresenta urticária, angioedema e broncoespasmo sempre que corre logo após comer massa, mas tolera bem a massa em repouso e o exercício em jejum. O diagnóstico mais provável é:
A dependência da combinação — alimento seguido de exercício — é a assinatura dessa forma, mais frequentemente ligada ao trigo, e a conduta é evitar exercício por algumas horas após a refeição com o alimento implicado, além de portar autoinjetor. Asma induzida por exercício não produz urticária nem angioedema e ocorre independentemente da alimentação. Urticária colinérgica dá micropápulas pruriginosas com o aumento da temperatura corporal, sem esse acoplamento alimentar, e raramente causa anafilaxia.
Qual afirmativa sobre a adrenalina no tratamento da anafilaxia está correta?
Na anafilaxia, a adrenalina não tem contraindicação absoluta: o risco de não administrar supera amplamente o risco cardiovascular, mesmo em idosos, hipertensos e coronariopatas, e o atraso é o fator mais associado a óbito. A via intramuscular na coxa é a de escolha inicial, enquanto a endovenosa em bolus é reservada a situações refratárias com monitorização, pelo risco de arritmia. Reservá-la para o paciente quase em parada é justamente a hesitação que mata.
Mulher de 28 anos, após picada de inseto, apresenta urticária generalizada, edema de face, dispneia com sibilos e pressão arterial de 80x50 mmHg. Qual a conduta imediata?
Anafilaxia é diagnóstico clínico e o tratamento de primeira linha é adrenalina intramuscular na face lateral da coxa, sem atrasos, seguida de posicionamento, oxigênio e volume — o atraso na adrenalina é o fator mais associado a desfecho fatal. Anti-histamínico e corticoide são adjuvantes e não revertem a obstrução nem a hipotensão. A via subcutânea tem absorção errática, e a dosagem de triptase é retrospectiva, jamais condição para tratar.
Sobre a observação após tratamento de anafilaxia, qual conduta é adequada?
A reação bifásica pode ocorrer horas depois da resolução aparente, o que justifica a observação prolongada, e a alta deve incluir plano de ação escrito, prescrição de adrenalina autoinjetável quando disponível e encaminhamento para investigação do agente. Alta imediata é o erro que expõe o paciente à recorrência fora do hospital. Internação de trinta dias é desproporcional, e contraindicar a adrenalina de resgate ou abandonar a investigação retira do paciente as duas medidas que mais reduzem risco futuro.
Mulher de 30 anos, cinco minutos após receber vacina na Unidade Básica de Saúde, apresenta urticária generalizada, edema de lábios, sensação de aperto na garganta, dispneia com sibilos e PA 78x40 mmHg. Está consciente, ansiosa, com FC 128 bpm. A sala dispõe de adrenalina, oxigênio e material de acesso venoso. Qual é a conduta imediata?
Anafilaxia com comprometimento respiratório e hipotensão exige adrenalina intramuscular imediata na face anterolateral da coxa, associada a posicionamento adequado, oxigênio e expansão volêmica. Corticoide tem início de ação lento e não trata a fase aguda. Anti-histamínico alivia sintomas cutâneos, mas não reverte broncoespasmo nem hipotensão. A via subcutânea no deltoide tem absorção mais lenta e errática, sendo inferior à intramuscular no vasto lateral.
Homem de 28 anos chega à Unidade Básica de Saúde carregado por colegas, cerca de dez minutos após ser picado por abelhas enquanto trabalhava. Apresenta urticária generalizada, edema de lábios e língua, rouquidão, dificuldade para respirar e tontura. Ao exame: PA 82x50 mmHg, FC 128 bpm, FR 30 ipm, saturação 90%, estridor inspiratório, sibilos difusos à ausculta, sudorese fria, nível de consciência preservado, mas agitado. Há acesso venoso disponível e kit de emergência na unidade. A conduta imediata correta é:
Anafilaxia com comprometimento respiratório e hipotensão exige adrenalina intramuscular na coxa como primeira e imediata medida, seguida de posicionamento, oxigênio, expansão volêmica e transporte, pois nenhum outro fármaco substitui seu efeito sobre a via aérea e a vasodilatação. Corticoide tem início de ação lento e não trata a fase aguda. Anti-histamínico alivia sintomas cutâneos e não reverte broncoespasmo nem choque. Aguardar sem intervir é a conduta com maior risco de óbito, já que o atraso na adrenalina é o principal preditor de desfecho fatal na anafilaxia.
Homem de 34 anos é levado à Unidade Básica de Saúde 15 minutos após ser picado por abelhas enquanto podava uma árvore. Apresenta urticária generalizada, edema de lábios e pálpebras, sensação de aperto na garganta, tosse e dispneia. A pressão arterial é de 84x50 mmHg, a frequência cardíaca é de 128 bpm, a frequência respiratória é de 28 ipm e a saturação é de 90%, com sibilos difusos à ausculta. Ele já teve reação local extensa a picadas anteriores. A conduta imediata correta é
A anafilaxia é definida pelo acometimento de dois ou mais sistemas após exposição a alérgeno, e o tratamento de primeira linha é a adrenalina intramuscular na face anterolateral da coxa, associada a posicionamento, oxigênio e expansão volêmica. Corticoide tem início de ação lento e não reverte a obstrução nem o choque na fase aguda. Anti-histamínico alivia urticária e prurido, mas não trata hipotensão ou broncoespasmo. Aguardar a transferência sem administrar adrenalina é a principal causa evitável de morte por anafilaxia.
Homem de 19 anos comparece ao ambulatório após episódio de anafilaxia grave por amendoim, ocorrido há duas semanas, tratado com adrenalina no pronto-socorro. Ele já teve reações leves com castanhas e evita alimentos processados desde então. Está bem, com exame físico normal e pressão arterial de 118x72 mmHg. Ele pergunta o que deve fazer para se proteger e se pode voltar a comer amendoim em pequenas quantidades. A conduta correta inclui
Após anafilaxia alimentar, o manejo combina evitação estrita do alérgeno, educação sobre leitura de rótulos e contaminação cruzada, plano de ação escrito e acesso rápido à adrenalina, que é o único tratamento capaz de reverter a reação grave. Tentar induzir tolerância por conta própria em casa pode desencadear reação fatal, pois protocolos de dessensibilização são feitos em serviço especializado. Anti-histamínico contínuo não previne anafilaxia. Orientar apenas evitação sem plano de ação deixa o paciente desprotegido diante de exposição acidental.
Homem de 47 anos é internado com pneumonia e recebe a primeira dose de ceftriaxona endovenosa. Cinco minutos após o início da infusão, apresenta prurido palmar, urticária generalizada, dispneia e sensação de morte iminente. A pressão arterial cai para 76x44 mmHg, a frequência cardíaca sobe para 132 bpm e a saturação cai para 88%, com sibilos difusos. A infusão é interrompida imediatamente. Após administrar adrenalina intramuscular e iniciar volume, a pressão permanece em 82x48 mmHg. A conduta seguinte correta é
Na anafilaxia sem resposta à primeira dose, a adrenalina deve ser repetida em intervalos curtos e a reposição volêmica intensificada, evoluindo para adrenalina em infusão contínua nos casos refratários. Corticoide não atua na fase aguda e não corrige hipotensão. Anti-histamínico é adjuvante para sintomas cutâneos e aguardar 30 minutos em choque é conduta perigosa. Vasopressores adicionais podem ser necessários, mas a adrenalina permanece o fármaco de escolha e não se administra noradrenalina em bolus como primeira alternativa.
Homem de 30 anos é atendido na Unidade de Pronto Atendimento com anafilaxia por alimento, tratada com sucesso com duas doses de adrenalina intramuscular, volume e oxigênio. Após 90 minutos, ele está assintomático, com pressão arterial de 122x76 mmHg, saturação de 98% e ausculta pulmonar limpa. Ele deseja ir para casa imediatamente, pois mora perto e diz estar bem. Não há comorbidades e ele não usa betabloqueador. Quanto à alta hospitalar, a conduta correta é
A anafilaxia pode apresentar reação bifásica horas após a resolução inicial, sobretudo quando houve necessidade de mais de uma dose de adrenalina, justificando observação prolongada e alta com adrenalina disponível, plano de ação escrito e encaminhamento para investigação. Liberar de imediato ignora esse risco. Corticoide isolado não previne de forma confiável a reação bifásica nem substitui o acesso à adrenalina. Internação obrigatória em terapia intensiva por 72 horas é desproporcional em paciente estável e assintomático.
Homem de 58 anos, com asma e hipertensão, é atendido na Unidade Básica de Saúde após episódio de anafilaxia por medicamento tratado no pronto-socorro. Durante o atendimento, a equipe relatou dificuldade em reverter a hipotensão apesar de doses repetidas de adrenalina. Ele usa propranolol para hipertensão e enxaqueca. Está assintomático agora, com pressão arterial de 132x82 mmHg. Ele pergunta se há algo em sua medicação que possa ter piorado o quadro. A orientação correta é
Os betabloqueadores podem atenuar a resposta à adrenalina e tornar a anafilaxia mais refratária, de modo que, em pacientes com risco de anafilaxia, discute-se a substituição por outra classe quando clinicamente possível. Afirmar que não há interferência contraria a fisiopatologia da reversão do choque anafilático. Aumentar a dose de betabloqueador, mesmo cardiosseletivo, agrava o problema. Suspender todo tratamento anti-hipertensivo expõe o paciente a risco cardiovascular sem necessidade, pois existem alternativas seguras.
Mulher de 33 anos é atendida na Unidade de Pronto Atendimento com edema de face e lábios, urticária generalizada e dor abdominal em cólica, iniciados 30 minutos após tomar dipirona para cefaleia. Ela está consciente, com pressão arterial de 104x64 mmHg, frequência cardíaca de 104 bpm, saturação de 96% e sem estridor ou sibilos. Ela relata reação semelhante, porém mais leve, com dipirona há dois anos. A conduta imediata e a orientação de alta corretas são
O acometimento de pele e trato gastrointestinal após exposição a fármaco caracteriza anafilaxia, indicando adrenalina intramuscular, além de evitação definitiva do agente, registro em prontuário e orientação por escrito ao paciente. Tratar apenas com anti-histamínico subtrata a reação e liberar sem orientação favorece nova exposição. Manter o fármaco com pré-medicação é conduta de risco. Substituir por fármaco da mesma classe sem investigação pode reproduzir a reação por mecanismo compartilhado.
Homem de 37 anos é atendido na Unidade de Pronto Atendimento com dispneia, urticária e hipotensão após anafilaxia por picada de inseto, revertida com adrenalina. Após a estabilização, ele pergunta se existe algum tratamento que reduza o risco de novas reações graves, pois trabalha em área rural e a exposição é inevitável. Ele está assintomático agora, com pressão arterial de 124x78 mmHg e saturação de 98%. Ele não tem comorbidades e não usa medicamentos contínuos. A orientação correta é
A imunoterapia com veneno de himenóptero é indicada após reação sistêmica grave com sensibilização comprovada e reduz substancialmente o risco de novas anafilaxias, sendo especialmente relevante quando a exposição é inevitável por motivo ocupacional. Afirmar que não há tratamento preventivo priva o paciente de uma intervenção eficaz. Corticoide contínuo não previne anafilaxia e acarreta efeitos adversos. Repelente isolado, sem acesso à adrenalina, deixa o paciente desprotegido diante de nova picada.
Mulher de 36 anos comparece ao ambulatório após dois episódios de anafilaxia sem gatilho identificado, ocorridos em intervalo de seis meses, ambos com urticária, dispneia e hipotensão revertidas com adrenalina. Ela não identifica relação com alimentos, medicamentos, exercício ou picadas. Os testes cutâneos para alérgenos alimentares e inalantes são negativos e a triptase basal é normal. Não há lesões cutâneas pigmentadas e o exame físico é normal, com pressão arterial de 116x74 mmHg. A conduta correta inclui
Na anafilaxia sem gatilho identificado, a prioridade é garantir acesso imediato à adrenalina com plano de ação escrito, além de manter a investigação de causas ocultas, como alérgenos escondidos, cofatores e distúrbios de mastócitos. Encerrar a investigação por testes negativos ignora que a sensibilidade dos testes é limitada. Anti-histamínico contínuo pode reduzir sintomas leves, mas não previne anafilaxia. Internar a cada prurido isolado é desproporcional e não substitui o preparo do paciente para reagir a uma emergência.
Homem de 26 anos comparece ao ambulatório referindo que, em duas ocasiões, apresentou urticária generalizada, dispneia e quase desmaio durante corrida, sempre nas horas seguintes a uma refeição com pão e massas. Ele corre regularmente sem sintomas quando está em jejum e come trigo diariamente sem qualquer reação quando não se exercita. O exame físico é normal, com pressão arterial de 120x76 mmHg, e a espirometria basal é normal. A hipótese diagnóstica mais provável é
Reações sistêmicas graves que ocorrem apenas quando o exercício é precedido pela ingestão de um alimento específico, com tolerância ao alimento isolado e ao exercício isolado, caracterizam a anafilaxia induzida por exercício dependente de alimento, cuja conduta é evitar o alimento antes do exercício e portar adrenalina. A asma induzida por exercício cursa apenas com sintomas respiratórios, sem urticária e hipotensão. A doença celíaca cursa com sintomas gastrointestinais crônicos e não com anafilaxia. A urticária colinérgica produz micropápulas sem hipotensão nem dependência de alimento.
Homem de 33 anos é atendido no pronto-socorro com quadro de urticária, angioedema de lábios e dispneia iniciados após ingestão acidental de amendoim em um doce. Ele já tem diagnóstico de alergia a amendoim e portava adrenalina autoinjetável, que aplicou sozinho antes de chegar. Na admissão, está melhor, com pressão arterial de 118x74 mmHg, saturação de 97% e discreta rouquidão residual. A equipe discute como conduzir o caso. A conduta correta é
Após anafilaxia tratada com adrenalina em ambiente domiciliar, mantém-se observação prolongada pelo risco de reação bifásica, reforça-se a educação sobre uso precoce do dispositivo e prescreve-se nova unidade, pois o paciente ficou sem o medicamento de emergência. Liberar de imediato ignora o risco de recorrência. Substituir a adrenalina por anti-histamínico em exposições futuras é conduta potencialmente fatal. Suspender a prescrição do autoinjetor após exposição acidental contraria justamente a demonstração de que a exposição pode ocorrer apesar do cuidado.
Mulher de 39 anos, submetida a herniorrafia sob anestesia geral, apresenta, poucos minutos após a administração de antibiótico profilático, queda abrupta da pressão arterial para 62 x 34 mmHg, taquicardia de 140 bpm, aumento da pressão de pico nas vias aéreas, sibilos difusos à ausculta e eritema cutâneo generalizado observado no tórax. Não houve sangramento significativo no campo cirúrgico e a profundidade anestésica está adequada. A conduta imediata correta é:
Hipotensão abrupta, broncoespasmo com aumento da pressão de vias aéreas e eritema cutâneo após administração de antibiótico durante anestesia caracterizam anafilaxia; a conduta é interromper o agente suspeito, administrar adrenalina, que é o tratamento de primeira linha, expandir volume e garantir oxigenação e ventilação. Corticoide e anti-histamínico são adjuvantes e não revertem o colapso. Manter o agente desencadeante perpetua a reação. Betabloqueador agrava a hipotensão e o broncoespasmo e antagoniza justamente o efeito terapêutico da adrenalina.
Homem de 19 anos comparece ao ambulatório após episódio de anafilaxia grave por amendoim, ocorrido há duas semanas, tratado com adrenalina no pronto-socorro. Ele já teve reações leves com castanhas e evita alimentos processados desde então. Está bem, com exame físico normal e pressão arterial de 118x72 mmHg. Ele pergunta o que deve fazer para se proteger e se pode voltar a comer amendoim em pequenas quantidades. O paciente nega febre, perda de peso recente, dispneia e alterações do hábito intestinal, e o restante do exame físico é normal. Os exames laboratoriais anteriores não mostravam alterações relevantes. A conduta correta inclui
Após anafilaxia alimentar, o manejo combina evitação estrita do alérgeno, educação sobre leitura de rótulos e contaminação cruzada, plano de ação escrito e acesso rápido à adrenalina, que é o único tratamento capaz de reverter a reação grave. Tentar induzir tolerância por conta própria em casa pode desencadear reação fatal, pois protocolos de dessensibilização são feitos em serviço especializado. Anti-histamínico contínuo não previne anafilaxia. Orientar apenas evitação sem plano de ação deixa o paciente desprotegido diante de exposição acidental.
Homem de 19 anos comparece ao ambulatório após episódio de anafilaxia grave por amendoim, ocorrido há duas semanas, tratado com adrenalina no pronto-socorro. Ele já teve reações leves com castanhas e evita alimentos processados desde então. Está bem, com exame físico normal e pressão arterial de 118x72 mmHg. Ele pergunta o que deve fazer para se proteger e se pode voltar a comer amendoim em pequenas quantidades. Ele nega asma, rinite alérgica e outras reações alimentares além das relatadas, e não usa betabloqueador ou inibidor da enzima conversora. Os testes cutâneos e a dosagem de imunoglobulina E específica confirmam a sensibilização ao amendoim e a castanhas. A conduta correta inclui
Após anafilaxia alimentar, o manejo combina evitação estrita do alérgeno, educação sobre leitura de rótulos e contaminação cruzada, plano de ação escrito e acesso rápido à adrenalina, que é o único tratamento capaz de reverter a reação grave. Tentar induzir tolerância por conta própria em casa pode desencadear reação fatal, pois protocolos de dessensibilização são feitos em serviço especializado. Anti-histamínico contínuo não previne anafilaxia. Orientar apenas evitação sem plano de ação deixa o paciente desprotegido diante de exposição acidental.
Gestante de 32 anos, com 24 semanas, é atendida em pronto-atendimento com quadro de urticária generalizada, edema de lábios, dispneia com sibilos e hipotensão de 82x50 mmHg, iniciados dez minutos após a administração de antibiótico endovenoso. Ela está consciente, com frequência cardíaca de 128 bpm, saturação de 91% e taquipneia. Os batimentos cardiofetais estão presentes, com taquicardia fetal, e não há sangramento vaginal. A equipe interrompe imediatamente a infusão do fármaco e inicia o atendimento. A conduta correta é
Na anafilaxia, a adrenalina intramuscular é o tratamento de primeira linha e não tem contraindicação na gestação, pois a hipoperfusão materna é a maior ameaça ao feto, associando-se oxigênio, reposição volêmica e posicionamento que evite compressão aortocava. Anti-histamínico e corticoide são adjuvantes e não revertem o choque. Aguardar a evolução aumenta a mortalidade. Cesariana de emergência não é a primeira medida, e a estabilização materna beneficia diretamente o feto.
Homem, 42 anos, chega à UBS com quadro de mal-estar iniciado 40 minutos após a primeira dose de amoxicilina prescrita por odontologista. Apresenta urticária difusa, edema de lábios, sensação de aperto na garganta e tosse. PA 82/50 mmHg, FC 128 bpm, FR 28 ipm, SatO2 91% em ar ambiente, sibilos difusos à ausculta. Está lúcido, mas ansioso e sudoreico. A unidade dispõe de adrenalina, corticoide, anti-histamínico, oxigênio e acesso venoso. Qual a primeira medida terapêutica?
Anafilaxia com comprometimento respiratório e hipotensão exige adrenalina intramuscular imediata na face anterolateral da coxa, na dose de 0,3 a 0,5 mg em adultos, por ser a única medida que reverte a vasoplegia e o broncoespasmo com rapidez e segurança. O corticoide tem início de ação em horas e não atua na fase aguda, servindo apenas como adjuvante para reduzir reação bifásica. O anti-histamínico alivia urticária e prurido, mas não reverte hipotensão nem obstrução de via aérea, e usá-lo como primeira medida atrasa o tratamento eficaz. Adrenalina intravenosa em bolus de 1 mg é dose de parada cardiorrespiratória e, em paciente com pulso, provoca arritmias graves e crise hipertensiva. O salbutamol trata o broncoespasmo, mas não corrige o colapso circulatório, sendo apenas complementar após a adrenalina.
Mulher, 62 anos, internada na UTI, apresenta hipotensão súbita durante infusão de antibiótico. Exame: PA 70/38 mmHg, FC 132 bpm, urticária difusa, edema de lábios, sibilos difusos, SatO2 88%. Está com acesso venoso periférico e monitorização contínua. Não há sinais de sangramento e a infusão foi interrompida imediatamente. A unidade dispõe de adrenalina, cristaloides, corticoide, anti-histamínico e material de via aérea completo. Qual a sequência correta de condutas?
A anafilaxia com hipotensão e broncoespasmo exige adrenalina intramuscular imediata, seguida de expansão volêmica agressiva pela vasoplegia e extravasamento capilar, com preparo de via aérea diante do edema, ficando corticoide e anti-histamínico como adjuvantes que não substituem a adrenalina. Corticoide como primeira medida tem início de ação em horas. Anti-histamínico isolado alivia sintomas cutâneos, mas não reverte o choque. Retardar a adrenalina por 30 minutos aumenta a mortalidade, já que o atraso na aplicação é o principal fator associado a óbito. Broncodilatador isolado trata o componente brônquico, mas não a vasoplegia nem o edema de via aérea.
Homem, 48 anos, internado na UTI, apresenta hipotensão e dispneia com histórico de picada por serpente há 8 horas, tendo recebido soroterapia. Exame: PA 78/44 mmHg, FC 128 bpm, urticária difusa, edema periorbital, sibilos difusos, iniciados 20 minutos após o início da infusão do soro heterólogo. A infusão foi interrompida. A unidade dispõe de adrenalina, cristaloides, corticoide, anti-histamínico e material completo de via aérea para atendimento imediato. Qual a conduta correta?
A reação anafilática ao soro heterólogo exige adrenalina intramuscular imediata e expansão volêmica, e como a soroterapia é o único tratamento capaz de neutralizar o veneno, ela deve ser retomada após a estabilização, em velocidade reduzida e sob supervisão rigorosa, quando ainda indicada. Contraindicar definitivamente a soroterapia deixa o paciente sem o único antídoto disponível. Corticoide e anti-histamínico isolados não revertem a anafilaxia, e reiniciar na mesma velocidade repete a reação. Adrenalina intravenosa em bolus de 1 mg é dose de parada cardiorrespiratória e provoca arritmias graves em paciente com pulso. Suspender tudo por 24 horas permite a progressão do envenenamento.
Mulher, 34 anos, apresentou anafilaxia após picada de abelha, tratada com adrenalina intramuscular, com resolução completa dos sintomas em 30 minutos. PA 118/74 mmHg, FC 88 bpm, SatO2 98%, sem broncoespasmo residual. A equipe discute o tempo de observação, considerando que ela mora longe do serviço e deseja alta precoce após a melhora clínica completa. Qual a conduta mais adequada?
Após anafilaxia, recomenda-se período prolongado de observação pelo risco de reação bifásica, sobretudo em quadros graves ou com necessidade de múltiplas doses de adrenalina, além da prescrição de adrenalina autoinjetável e do encaminhamento ao alergista. A alta imediata desconsidera esse risco. Anti-histamínico e corticoide não substituem a adrenalina de resgate, que é o tratamento de primeira linha. A internação obrigatória por 72 horas para todos é desproporcional. O corticoide por 30 dias não previne novas reações e traz efeitos adversos.
Homem, 28 anos, minutos após ingerir camarão, apresenta urticária generalizada, prurido, edema labial, dor abdominal com vômitos e sensação de aperto na garganta. PA 96/58 mmHg, FC 122 bpm, FR 26 ipm, SatO2 94%, com sibilos difusos à ausculta. Não há febre e o paciente relata episódios anteriores mais leves com o mesmo alimento, sem procurar atendimento. Qual a conduta imediata mais adequada?
O acometimento de dois ou mais sistemas após exposição a alérgeno provável define anafilaxia, cujo tratamento imediato é a adrenalina intramuscular na face anterolateral da coxa, sem qualquer atraso. O anti-histamínico alivia urticária e prurido, mas não trata obstrução de via aérea nem hipotensão. O corticoide tem início de ação lento e não substitui a adrenalina. O broncodilatador é adjuvante para o broncoespasmo, sem atuar sobre a hipotensão e o edema de via aérea. Observar antes de medicar retarda o único tratamento que reduz mortalidade.
Homem, 46 anos, com anafilaxia por contraste iodado, recebeu três doses de adrenalina intramuscular e expansão volêmica, mantendo instabilidade. PA 74/42 mmHg, FC 130 bpm, FR 30 ipm, SatO2 90%, com estridor e sibilos. Está em uso crônico de betabloqueador para hipertensão. Encontra-se em ambiente monitorizado, com acesso venoso calibroso e equipe treinada disponível para intervenções adicionais. Qual a conduta adicional mais adequada?
Na anafilaxia refratária, indica-se adrenalina em infusão contínua com monitorização, e o glucagon é útil em pacientes em uso de betabloqueador, por atuar independentemente do receptor beta. Mais uma dose de corticoide não resolve a instabilidade aguda. Suspender a expansão volêmica agrava a hipotensão distributiva. O anti-histamínico em dose dobrada não trata choque nem obstrução de via aérea. Aguardar resposta espontânea em choque refratário é conduta inaceitável.
Mulher, 52 anos, apresentou episódio de hipotensão, urticária e broncoespasmo durante anestesia geral, revertido com adrenalina. PA atual 118/72 mmHg, FC 84 bpm, SatO2 98%. A equipe deseja documentar o mecanismo da reação para orientar a investigação alergológica posterior, considerando a necessidade de futuras cirurgias e a exposição a múltiplos fármacos durante o procedimento. Qual exame deve ser colhido e em que momento?
A triptase sérica deve ser colhida nas primeiras horas do evento, idealmente entre 30 minutos e 3 horas, com amostra basal posterior para comparação, documentando a degranulação mastocitária. Colher apenas 30 dias depois perde o pico. A IgE total isolada não confirma anafilaxia nem identifica o agente. O hemograma é inespecífico. Os testes cutâneos são realizados semanas após o evento, com o paciente estável e sem fármacos interferentes, jamais durante a crise.
Homem, 36 anos, apicultor, apresentou anafilaxia grave com hipotensão após picada de abelha, revertida com adrenalina. PA 120/76 mmHg, FC 78 bpm, atualmente assintomático. Testes cutâneos e IgE específica confirmam sensibilização ao veneno de abelha. Mantém a atividade profissional e o risco de novas picadas é elevado, com difícil evitação completa do contato ocupacional. Qual a conduta mais adequada?
A imunoterapia com veneno de himenóptero é altamente eficaz na prevenção de anafilaxia por novas picadas, sendo indicada em pacientes com reação sistêmica grave e sensibilização documentada, especialmente com exposição ocupacional, associada à adrenalina autoinjetável e ao plano de ação. O anti-histamínico contínuo não previne anafilaxia. Apenas evitação é insuficiente em apicultor. O corticoide profilático diário não previne reações e traz toxicidade. Contraindicar a imunoterapia priva o paciente da única intervenção que modifica o risco de forma substancial.
Homem, 54 anos, durante indução anestésica, apresenta hipotensão súbita, taquicardia, broncoespasmo e rash cutâneo. PA 68/40 mmHg, FC 138 bpm, com pressão de pico inspiratório elevada e dificuldade de ventilação. Recebeu, minutos antes, bloqueador neuromuscular, antibiótico profilático e indução venosa. A equipe iniciou adrenalina e expansão volêmica, com melhora parcial do quadro. Qual conduta é essencial após a estabilização?
Após anafilaxia perioperatória, é essencial coletar triptase sérica no período adequado e encaminhar para investigação alergológica com testes cutâneos dos fármacos envolvidos, identificando o agente causal e permitindo procedimentos futuros seguros. Reintroduzir todos os fármacos sem investigação arrisca nova reação fatal. Contraindicar qualquer anestesia futura é desproporcional e inviável. Considerar reação vasovagal contraria o broncoespasmo, o rash e a hipotensão profunda. A pré-medicação com corticoide não previne anafilaxia mediada por IgE.
Homem, 24 anos, apresentou dois episódios de urticária generalizada com hipotensão durante corrida, ambos ocorridos cerca de 1 hora após ingerir massa de trigo, sem sintomas quando ingere o mesmo alimento em repouso ou quando corre em jejum. PA 118/74 mmHg, FC 62 bpm, assintomático na consulta. IgE específica para ômega-5-gliadina elevada, com demais investigações sem alterações. Qual o diagnóstico mais provável?
Reações anafiláticas que ocorrem apenas quando a ingestão de trigo é seguida de exercício, com IgE específica para ômega-5-gliadina, caracterizam a anafilaxia induzida por exercício dependente de trigo, cuja prevenção é evitar o alimento antes da atividade física. A asma induzida por exercício cursa com broncoespasmo isolado, sem urticária e hipotensão. A urticária colinérgica produz micropápulas com o aumento da temperatura corporal, geralmente sem choque. A anafilaxia idiopática é diagnóstico de exclusão, afastado pelo gatilho identificado. A intolerância ao glúten não celíaca cursa com sintomas digestivos, sem anafilaxia.
Homem, 32 anos, chega ao pronto-socorro com urticária generalizada, dispneia, sibilos e hipotensão após ingerir castanha. PA 84/52 mmHg, FC 128 bpm, FR 30 ipm, SatO2 90%. A equipe administra anti-histamínico e corticoide endovenosos, mantendo o paciente sentado, e considera adrenalina apenas se não houver melhora nos próximos 20 minutos de observação clínica. Qual erro principal está sendo cometido?
O erro principal é retardar a adrenalina intramuscular, único fármaco que reverte a fisiopatologia da anafilaxia, além de manter o paciente sentado quando o correto, na hipotensão, é o decúbito com elevação de membros inferiores. O corticoide e o anti-histamínico são adjuvantes aceitáveis, embora não substituam a adrenalina. Monitorizar a saturação é conduta adequada. Obter acesso venoso calibroso também é apropriado para expansão volêmica.
Gestante de 27 anos, com 30 semanas, recebe a primeira dose de penicilina benzatina para sífilis na unidade básica. Cinco minutos depois, apresenta urticária generalizada, edema de lábios, estridor laríngeo e dispneia. PA 78x40 mmHg, FC 132 bpm, SatO2 88% em ar ambiente. Está consciente, com tempo de enchimento capilar de 4 segundos e sibilos difusos à ausculta. Qual a conduta imediata correta?
A adrenalina intramuscular na face anterolateral da coxa é o tratamento de primeira linha da anafilaxia, também na gestante, associada a decúbito lateral esquerdo, oxigênio e reposição volêmica, pois a estabilização materna é o que restaura a perfusão placentária. Usar hidrocortisona isolada é erro grave, pois o corticoide tem início de ação lento e não reverte a obstrução de via aérea nem o choque. Anti-histamínico isolado atua sobre a urticária e não sobre a hipotensão ou o estridor. A via subcutânea tem absorção errática e foi abandonada, e o receio de vasoconstrição uterina não justifica postergar a adrenalina. Indicar cesariana antes do tratamento inverte a prioridade, pois o feto se beneficia da reanimação materna adequada.
Mulher, 28 anos, minutos após ingerir camarão, apresenta urticária generalizada, prurido, dispneia e sensação de aperto na garganta. Exame: PA 82x48 mmHg, FC 128 bpm, FR 30 ipm, SatO2 89% em ar ambiente, sibilos difusos, edema de lábios, angioedema periorbital. Nega uso de medicamentos e refere episódio semelhante mais leve há 2 anos, atribuído a frutos do mar. Qual a conduta imediata?
A anafilaxia é diagnóstico clínico, e a adrenalina intramuscular na face anterolateral da coxa é a medida de primeira linha, devendo ser administrada imediatamente, sem atrasos, seguida de posicionamento, oxigênio, expansão volêmica e observação prolongada pelo risco de reação bifásica. O corticoide tem início de ação lento e não substitui a adrenalina como primeira medida. O anti-histamínico isolado trata apenas sintomas cutâneos e não reverte hipotensão nem broncoespasmo. O broncodilatador inalatório é adjuvante para o componente brônquico, mas não trata o choque distributivo. Aguardar exames laboratoriais antes de tratar é conduta inaceitável em emergência de instalação em minutos, em que o atraso da adrenalina é o principal fator associado a óbito.
Mulher, 45 anos, em indução anestésica para colecistectomia, apresenta subitamente hipotensão grave, broncoespasmo e eritema difuso com urticária após administração de antibiótico profilático. PA 62x38 mmHg, FC 148 bpm, SatO2 88%, com pressão de pico elevada à ventilação. Não há sangramento e o procedimento cirúrgico ainda não havia sido iniciado no momento do evento. Qual a conduta imediata?
Adrenalina, suspensão do agente suspeito e expansão volêmica compõem a conduta imediata na anafilaxia perioperatória, com hipotensão, broncoespasmo e urticária logo após a exposição ao fármaco. O corticoide tem início de ação lento e é apenas adjuvante, jamais primeira medida. O anti-histamínico isolado não reverte broncoespasmo nem choque. A noradrenalina pode ser necessária em casos refratários, mas não é o fármaco de primeira escolha. Manter o antibiótico e aprofundar a anestesia perpetua a exposição ao agente causal e agrava a hipotensão.
Homem, 42 anos, em anestesia geral para herniorrafia, apresenta 10 minutos após a administração de cefazolina queda abrupta da pressão arterial, taquicardia e aumento das pressões de vias aéreas. Exame: PA 62x36 mmHg, FC 142 bpm, SatO2 88%, exantema difuso visível em tronco, edema de face, sibilos difusos à ausculta. Capnografia mostra queda do dióxido de carbono exalado; pressão de platô elevada. Qual a conduta imediata?
Hipotensão grave de instalação abrupta com taquicardia, exantema, edema de face, broncoespasmo e aumento das pressões de vias aéreas após administração de antibiótico configura anafilaxia perioperatória, e o tratamento imediato é adrenalina endovenosa titulada, suspensão do agente suspeito, expansão volêmica vigorosa, oxigênio a 100% e suporte, com dosagem posterior de triptase e investigação alergológica. O corticoide isolado tem início lento e não reverte o colapso. O anti-histamínico isolado trata apenas manifestações cutâneas. Aprofundar a anestesia com halogenado agrava a vasodilatação e a depressão miocárdica. A noradrenalina isolada não substitui a adrenalina, que atua também sobre o broncoespasmo e a degranulação de mastócitos.
Durante infusão de medicamento, paciente apresenta colapso circulatório e broncoespasmo, mesmo sem lesões cutâneas visíveis. Qual mecanismo predomina?
Ausência de urticária não exclui anafilaxia. Reação sistêmica imediata com comprometimento circulatório e respiratório exige reconhecimento de anafilaxia e adrenalina intramuscular precoce. Referência: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC7607509/
Pessoa alérgica ingere alimento desencadeante e apresenta vômitos, edema de vias aéreas e hipotensão de instalação rápida. Qual mecanismo predomina?
A exposição seguida de comprometimento sistêmico favorece choque anafilático. Reação sistêmica imediata com comprometimento circulatório e respiratório exige reconhecimento de anafilaxia e adrenalina intramuscular precoce. Referência: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC7607509/
Minutos após antibiótico, mulher desenvolve urticária, broncoespasmo e hipotensão, sem evidência de hemorragia ou falência cardíaca. Qual mecanismo predomina?
A reação imediata multissistêmica caracteriza anafilaxia. Reação sistêmica imediata com comprometimento circulatório e respiratório exige reconhecimento de anafilaxia e adrenalina intramuscular precoce. Referência: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC7607509/
Após picada de inseto, paciente apresenta edema de língua, sibilos e pressão arterial muito baixa. Qual mecanismo predomina?
Comprometimento respiratório e circulatório imediato indica anafilaxia. Reação sistêmica imediata com comprometimento circulatório e respiratório exige reconhecimento de anafilaxia e adrenalina intramuscular precoce. Referência: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC7607509/
Qual intervenção tem prioridade, integrando exposição rápida, pele, respiração e choque?

Anafilaxia com comprometimento respiratório e circulatório exige adrenalina imediata, além de suporte.
Qual achado da tabela indica comprometimento circulatório?

A hipotensão marca comprometimento hemodinâmico no contexto sistêmico.
Após adrenalina inicial, há melhora breve seguida de nova hipotensão. Qual princípio orienta o manejo?

Resposta transitória não garante resolução; suporte e novas doses dependem da evolução clínica.
Qual via é preferida para a primeira adrenalina nesse cenário?

A via intramuscular na coxa é a via inicial recomendada para anafilaxia.
Uma triptase coletada depois vem normal. Como integrar o resultado ao quadro descrito?

Sensibilidade e momento da coleta limitam a triptase; o diagnóstico e a decisão inicial são clínicos.
Minutos após uma refeição, um paciente apresenta as placas da imagem, rouquidão, sibilância e sensação de desmaio. Qual intervenção é prioritária? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

O conjunto cutâneo, respiratório e circulatório sugere anafilaxia, cujo tratamento inicial inclui adrenalina IM.
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Recite em voz alta, sem consultar: os três critérios diagnósticos (e que basta UM); a fórmula da hipotensão pediátrica (sistólica abaixo de 70 + 2 × idade em anos) e a do adulto (abaixo de 90 mmHg, ou queda maior que 30% da basal); a prescrição completa da adrenalina — 1:1000 (1 mg/mL), 0,01 mg/kg, teto 0,5 mg no adulto e 0,3 mg na criança, intramuscular no terço médio anterolateral da coxa, repetir a cada 5 a 15 minutos; a posição (decúbito dorsal com membros inferiores elevados) e o nome do que acontece se o paciente se levantar (síndrome do ventrículo vazio); e a frase que resume a segunda linha: anti-histamínico trata pele, corticoide tem início tardio, nenhum dos dois substitui nem atrasa a adrenalina.
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Reconstrua sem olhar: a diluição da adrenalina endovenosa (1 mL da ampola 1:1000 em 9 mL = 1:10.000 = 0,1 mg/mL) e as duas únicas situações que a autorizam; a dose do glucagon no betabloqueado (5 a 15 µg/min IV em infusão contínua) e por que ele funciona sem passar pelo receptor beta; os números da reação bifásica (8 a 12 horas, até 10% dos casos; metade nas primeiras 6 a 12 horas) e o tempo de observação brasileiro (6 a 8 horas no leve, 24 a 48 horas no grave); a janela da triptase (15 minutos a 3 horas, pico entre 1 e 2 horas) e a razão de valor normal não excluir; os gatilhos por faixa etária (leite de vaca e clara de ovo em lactentes e pré-escolares; crustáceos em crianças maiores, adolescentes e adultos; medicamentos liderando o inquérito brasileiro) e a ordem da anafilaxia perioperatória (bloqueador neuromuscular primeiro, látex segundo). Depois abra a tabela de divergências e diga, para cada uma das quatro, qual documento sustenta cada posição e em que ano.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Menino de 7 anos chega à unidade de pronto atendimento carregado pela mãe, 15 minutos depois de comer um salgadinho na festa de um colega. Está com o rosto inchado, a voz mudada e diz que "não consegue engolir". A mãe conta que ele já teve urticária depois de comer amendoim uma vez, mas nunca assim. Ele tenta se sentar no colo dela para respirar melhor. Você é o médico da sala: reconheça o quadro, diga o que faz primeiro, com que dose e por que via, e resolva o pedido de posição. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
