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Clínica MédicaImunologia

Rinite alérgica e asma alérgica

A prova cobra a classificação ARIA porque ela decide o fármaco, e cobra o elo com a asma porque uma doença desmascara a outra. O que muda no Brasil é o tamanho da lista: o consenso descreve um arsenal, a Rename entrega três itens.

01

Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Uma mulher de 24 anos procura a Unidade Básica de Saúde queixando-se de espirros em salva, prurido nasal, coriza aquosa e obstrução nasal há cerca de dois anos, com piora no período de floração e ao limpar a casa. Refere prurido ocular e lacrimejamento associados. Nega febre, dor facial ou secreção nasal purulenta. Ao exame, apresenta cornetos nasais hipertrofiados e pálidos, com mucosa edemaciada e secreção clara, além de um vinco transverso no dorso do nariz. A mãe tem asma e a paciente teve eczema na infância. Considerando o quadro descrito, qual é o diagnóstico mais provável e a conduta inicial mais apropriada?

02

Como esse tema cai

A rinite alérgica é a doença alérgica crônica mais prevalente e chega a atingir de 10% a 40% da população mundial. Ela é cobrada em prova de dois jeitos: como classificação que decide conduta — e a classificação ARIA é das poucas que o avaliador espera que o candidato aplique de cabeça — e como o par inseparável da asma, sob o conceito de via aérea unida.

Este capítulo trata da rinite como eixo. Constrói o diagnóstico clínico, mostra quando o teste alérgico muda alguma coisa, cruza os dois eixos da classificação ARIA com o degrau de tratamento e confronta a tabela do consenso brasileiro com o que a farmácia da unidade básica realmente dispensa. A asma entra pelo elo que a une à rinite: quando investigar uma a partir da outra, o que muda no manejo quando coexistem e onde o Sistema Único de Saúde trata a asma alérgica grave. A escada de tratamento da asma, os critérios de controle e o fluxo dos imunobiológicos são matéria do capítulo de asma, na apostila de Pneumologia.

A rinite alérgica não tem Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas — ao contrário da asma, que tem. A régua nacional se monta em duas peças: o Caderno de Atenção Básica nº 25, do Ministério da Saúde, que fixa a conduta na atenção primária por classe ARIA, e a Relação Nacional de Medicamentos Essenciais, que define o que existe para prescrever. O consenso de sociedade — o V Consenso Brasileiro sobre Rinites, de 2024 — descreve o estado da arte e o mercado brasileiro inteiro, que é bem maior que a lista pública. Saber onde as duas coisas se separam é metade do que a prova cobra.

03

O que muda decisão

Rinite e rinite alérgica não são sinônimos

Rinite é a inflamação da mucosa nasal que se manifesta por prurido, espirros, rinorreia anterior ou posterior e obstrução nasal. Quando vem com prurido ocular, hiperemia conjuntival e lacrimejamento, o nome muda para rinoconjuntivite. Essa é a definição do V Consenso Brasileiro sobre Rinites, e ela é puramente sindrômica: descreve um conjunto de sintomas, não uma causa.

As causas se dividem em três grupos. As infecciosas, quase sempre virais, e o resfriado comum. As alérgicas, que são reação de hipersensibilidade do tipo I mediada por IgE na mucosa nasal de um indivíduo já sensibilizado. E as não alérgicas, um grupo grande que inclui a rinite medicamentosa por vasoconstritor tópico, a rinite induzida por fármacos sistêmicos (anti-inflamatórios não hormonais, betabloqueadores, inibidores da enzima conversora, inibidores de fosfodiesterase, cocaína), a ocupacional, a gestacional, a hormonal, a gustativa, a do idoso e a atrófica.

Dentro da rinite alérgica há fenótipos que o generalista precisa conhecer pelo menos de nome, porque explicam o teste negativo em quem claramente tem a doença. Na rinite alérgica local, o teste cutâneo e a IgE sérica específica são negativos porque a produção de IgE é apenas nasal — o padrão-ouro para confirmá-la é o teste de provocação nasal. Na rinite alérgica dual, o paciente tem produção local para um alérgeno e sensibilização sistêmica para outro. E na rinite mista convivem o mecanismo IgE-mediado e a hiper-reatividade neurogênica: cerca de 30% a 50% dos alérgicos têm sintomas tanto com alérgeno quanto com gatilho inespecífico — mudança de temperatura, fumaça de cigarro, perfume, produto de limpeza.

Nem todo sintoma nasal é rinite. Desvio de septo, hipertrofia de conchas, alteração da válvula nasal, pólipos, hipertrofia adenoideana, corpo estranho, tumores, atresia coanal, discinesia ciliar, fibrose cística e rinorreia liquórica cursam com queixa nasal e não são rinite. O V Consenso lista os achados que empurram o raciocínio para fora da rinite alérgica: sintoma unilateral, obstrução nasal como sintoma isolado, secreção posterior mucopurulenta, dor, epistaxe e anosmia isolada.

O que o exame físico entrega

O diagnóstico de rinite alérgica é clínico. O Caderno de Atenção Básica nº 25 do Ministério da Saúde é explícito: baseia-se em história e exame físico, e a imensa maioria dos pacientes é diagnosticada e tratada na atenção primária.

Na história, três coisas mudam a probabilidade: início, duração e intensidade dos sintomas com os gatilhos que os desencadeiam; história familiar e pessoal de atopia; e o que já foi tentado, em que dose, por quanto tempo e com que resposta. Esse último item é o que separa doença refratária de tratamento mal feito, e é a diferença entre encaminhar e ajustar.

No exame, os estigmas de atopia são os achados de maior rendimento. A linha de Dennie-Morgan é a dupla prega nas pálpebras inferiores produzida pelo edema crônico. A prega nasal transversa é o sulco horizontal no terço inferior do dorso do nariz, calo de quem empurra a ponta do nariz para cima repetidamente — a saudação alérgica. A rinoscopia anterior mostra cornetos congestos e edemaciados, com mucosa pálida e acinzentada, diferente da mucosa vermelha e brilhante da rinite infecciosa.

A obstrução nasal crônica em criança tem consequência que ultrapassa o nariz. A respiração oral de suplência altera o crescimento craniofacial num período em que 60% desse crescimento já ocorreu nos quatro primeiros anos de vida e 90% até os 12 anos, e se associa a mordida aberta anterior, mordida cruzada posterior e estreitamento maxilar. Por isso, na criança, tratar a rinite tem indicação que não é apenas sintomática.

Rosto de criança com prega dupla nas pálpebras inferiores, escurecimento infraorbitário e prega horizontal no dorso do nariz; ao lado, a criança empurrando a ponta do nariz com a palma da mão.
Estigmas de atopia: dupla prega palpebral inferior (linha de Dennie-Morgan), olheira alérgica, prega nasal transversa e a saudação alérgica que a produz.

Quando pedir teste, qual pedir e o que ele responde

O teste alérgico não faz o diagnóstico de rinite alérgica: ele identifica o alérgeno. Serve para dirigir o controle ambiental e, principalmente, para indicar imunoterapia. Em quem tem quadro típico e responde ao tratamento, ele não muda conduta nenhuma.

O teste cutâneo de hipersensibilidade imediata, o prick test, é o método de primeira linha porque é mais sensível que a dosagem sérica. Aplicam-se os extratos na face ventral do antebraço, com controle positivo de histamina 0,1% e controle negativo de salina, e faz-se a puntura superficial. A leitura é aos 15 minutos e o teste é positivo quando o diâmetro médio da pápula supera em mais de 3 mm o do controle negativo. Os alérgenos testados devem ser selecionados pela história e pela região: no Brasil os ácaros da poeira domiciliar Dermatophagoides pteronyssinus, Dermatophagoides farinae e Blomia tropicalis são os principais, com baratas, fungos e pólens conforme o lugar onde o paciente vive.

O preparo do teste guarda a pegadinha mais cobrada da área, porque é contraintuitiva: os anti-histamínicos de primeira geração precisam ser suspensos de 36 a 48 horas antes, e os de segunda geração, uma semana antes. O de ação mais moderna é o que exige a pausa mais longa. Se o controle positivo com histamina não reagir, o teste inteiro não pode ser lido.

A IgE sérica específica é a alternativa quando o prick test não é viável: paciente que não pode suspender o anti-histamínico, dermografismo, lesão cutânea extensa, risco de reação sistêmica. Custa mais e exige coleta de sangue, mas não sofre interferência de medicamento. Já a IgE sérica total não serve para diagnosticar nem para acompanhar rinite alérgica — está elevada na atopia em geral, não é específica de nenhuma doença atópica e, fora da aspergilose broncopulmonar alérgica, não guarda relação com gravidade.

O resultado positivo significa sensibilização, e sensibilização não é doença. O diagnóstico de rinite alérgica exige história compatível somada ao teste positivo. Em criança abaixo de 5 anos é comum o teste ser negativo mesmo na doença, e abaixo de 1 ano pode não haver reação a aeroalérgeno nenhum; na alergia sazonal, a positividade só aparece depois de duas estações de exposição.

Anti-histamínico e corticoide intranasal fazem coisas diferentes

Os dois grupos não são intercambiáveis, e a razão está no mecanismo. Os anti-H1 bloqueiam a ação da histamina sobre terminações sensoriais e sobre o reflexo parassimpático: aliviam bem prurido, espirros, rinorreia e sintoma ocular, que são a fase imediata da reação. Atuam pouco sobre o bloqueio nasal, que é fase tardia. Ou seja, o paciente cuja queixa dominante é nariz entupido tende a não melhorar com anti-histamínico, por mais que se troque a molécula.

Entre os anti-H1 orais, os de segunda geração devem ser priorizados sobre os de primeira em todas as faixas etárias, pela baixa passagem na barreira hematoencefálica e pelo perfil de segurança — e o efeito sedativo e anticolinérgico da primeira geração é ainda mais problemático no idoso. Desde a Instrução Normativa Anvisa nº 86, de 12 de março de 2021, a maior parte dos anti-H1 de nova geração é de venda livre no Brasil, o que muda o cenário do consultório: boa parte dos pacientes chega já usando um deles por conta própria.

Os corticosteroides intranasais são os medicamentos mais eficazes no tratamento da rinite alérgica, e são os únicos que atuam sobre todos os sintomas, inclusive a obstrução. O preço é o tempo: o efeito terapêutico máximo começa a partir da segunda semana de uso e a supressão da inflamação crônica da mucosa exige uso contínuo por 60 a 90 dias. Prescrever e reavaliar em uma semana esperando resolução é programar a própria frustração.

A técnica de aplicação decide efeito adverso. O jato não deve ser dirigido ao septo, e sim em direção à asa nasal do mesmo lado — a epistaxe, a irritação e a ardência são locais e dependem de dose e de técnica. Vale ensinar e conferir na consulta seguinte, como se faz com dispositivo inalatório.

As demais classes ocupam posições menores. O brometo de ipratrópio nasal serve ao paciente cujo sintoma único é rinorreia, mas não tem apresentação nasal disponível no Brasil. O cromoglicato dissódico é seguro e liberado no primeiro ano de vida, porém menos eficaz que o corticoide tópico e exige de três a seis aplicações por dia. Os antagonistas de leucotrienos aparecem com grau de recomendação menor. E a combinação de anti-histamínico com corticoide tópico nasal existe no Brasil numa única apresentação, propionato de fluticasona com cloridrato de azelastina, liberada a partir dos 6 anos, com início de ação mais rápido que as drogas isoladas.

O que a unidade básica realmente tem

A Relação Nacional de Medicamentos Essenciais em vigor, aprovada pela Portaria GM/MS nº 6.324, de 26 de dezembro de 2024, define o que existe no Componente Básico — o financiamento tripartite que abastece a farmácia da unidade. É essa lista, e não a tabela do consenso, que determina a prescrição possível no Sistema Único de Saúde.

O anti-histamínico de segunda geração disponível é a loratadina, em xarope de 1 mg/mL e comprimido de 10 mg, única da classe na lista. Cetirizina, desloratadina, fexofenadina, bilastina, ebastina e rupatadina, todas descritas no consenso brasileiro, não constam. Os de primeira geração presentes são o maleato de dexclorfeniramina, em comprimido de 2 mg e solução oral e xarope de 0,4 mg/mL, e o cloridrato de prometazina, em comprimido de 25 mg e solução injetável de 25 mg/mL.

O corticosteroide intranasal do Componente Básico é a budesonida, em suspensão para inalação nasal de 32, 50 e 64 mcg por dose. Não há na lista mometasona, fluticasona, triancinolona nem ciclesonida por via nasal, nem a combinação com azelastina, nem montelucaste, nem cromoglicato, nem ipratrópio nasal. Há ainda cloreto de sódio a 0,9% em solução nasal, o que coloca a lavagem nasal com solução salina isotônica dentro do que a unidade dispensa, e não apenas dentro do que se orienta comprar.

A leitura prática é curta: no Sistema Único de Saúde, o tratamento da rinite alérgica se faz com solução salina nasal, loratadina e budesonida nasal. Tudo o mais que aparece nas tabelas do consenso é prescrição de farmácia privada, e isso precisa ser dito ao paciente na hora da receita, não descoberto por ele no balcão.

Imunoterapia com alérgenos: o único tratamento que muda o curso

A imunoterapia com alérgenos é a administração repetida e progressiva do alérgeno ao qual o paciente é sensibilizado, com o objetivo de induzir tolerância. É o único tratamento capaz de modificar a resposta imunológica alérgeno-específica: as Diretrizes Brasileiras para Imunoterapia com Alérgenos no Tratamento da Rinite Alérgica, da Associação Médica Brasileira com a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia, atribuem grade alto e recomendação forte para ácaros da poeira domiciliar, por via subcutânea e por via sublingual, e grade moderado com recomendação forte para pólens.

O mecanismo é imunomodulação: modificação fenotípica de células dendríticas, indução de células T reguladoras alérgeno-específicas com produção de interleucina 10 e TGF-beta, supressão da inflamação tipo 2 e aumento de IgG4 e IgA específicas. O efeito das células reguladoras aparece entre 3 e 6 meses do início; o desvio para perfil Th1 com aumento de interferon gama, por volta de 12 meses.

As réguas práticas são poucas e caem em prova. Duas vias: sublingual em gotas e subcutânea. A sublingual é indicada a partir dos 2 anos e a subcutânea a partir dos 5, ambas até cerca de 65 anos. A duração é de 3 a 5 anos, contados a partir da fase de manutenção, isto é, de quando se alcançou a dose efetiva — não do primeiro frasco. O benefício persiste por 7 a 10 anos após o término, e a imunoterapia tem potencial preventivo para o desenvolvimento de asma. Não existe biomarcador validado para monitorar eficácia ou decidir suspensão: IgG4 e IgE específica seguem restritas à pesquisa.

Segurança separa as duas vias. Cerca de 1% das aplicações subcutâneas dão reação adversa, quase sempre local; reações sistêmicas graves e anafilaxia são raras, mas há relatos de morte. Por isso a via subcutânea exige aplicação sob supervisão médica, em local com infraestrutura para atender reação sistêmica, com observação mínima de 30 minutos após a dose — e em caso de anafilaxia, adrenalina intramuscular, com anti-histamínico e corticoide como medicações secundárias. Em paciente com asma associada, mede-se o pico de fluxo antes de aplicar e suspende-se a dose na vigência de exacerbação. A sublingual dá sobretudo reações orais leves e pode ser feita em domicílio, com a primeira dose de cada concentração nova sob supervisão.

No Brasil, o emprego de extratos alergênicos para fins diagnósticos e terapêuticos é regulado pela Resolução CFM nº 2.215/2018, que fixa as normas mínimas de estrutura e atribui a formulação e a prescrição ao especialista com registro de qualificação em alergia e imunologia ou área de atuação em alergia pediátrica. Extratos alergênicos não constam da Rename 2024, em nenhum componente.

Via aérea unida: por que a rinite entra na consulta de asma

Via aérea superior e inferior formam uma unidade anatômica e funcional, e foi a iniciativa Allergic Rhinitis and Its Impact on Asthma, publicada pela primeira vez em 2001, que consolidou o conceito. Os números brasileiros sustentam a conduta: cerca de 80% das pessoas com asma têm rinite alérgica, e de 15% a 38% dos pacientes com rinite alérgica desenvolvem asma alérgica.

A consequência clínica é simétrica e vale como regra fixa: quem tem rinite persistente deve ser investigado para asma, e quem tem asma deve ser examinado quanto à via aérea superior. A rinite alérgica é fator de risco e marcador de gravidade da asma — piora o controle, aumenta risco de hospitalização e favorece exacerbação. Antes de subir uma etapa de tratamento da asma, o consenso brasileiro e o internacional mandam checar comorbidades, e a rinite é a primeira da lista.

Tratar as duas doenças não significa um tratamento só. Na coexistência, trata-se a asma com corticoide inalatório e a rinite com corticoide intranasal, cada um pela sua via. O Caderno de Atenção Básica nº 25 registra uma alternativa nascida da escassez e testada em dois ensaios clínicos brasileiros: na indisponibilidade do corticoide tópico nasal, administra-se o corticoide inalatório por inalação nasal exclusiva, de boca fechada, com máscara facial acoplada a espaçador valvulado de grande volume.

A asma alérgica grave tem porta própria no Sistema Único de Saúde, e ela não passa pela rinite. O omalizumabe, anticorpo anti-IgE, consta da Rename no Componente Especializado vinculado ao Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Asma, para asma alérgica grave não controlada — não há indicação coberta para rinite alérgica isolada. Os critérios de inclusão, a etapa de tratamento e o fluxo do Componente Especializado são matéria do capítulo de asma, na apostila de Pneumologia.

A rinite alérgica também raramente vem sozinha do lado de cima. Rinoconjuntivite, otite média com secreção, respiração oral com apneia obstrutiva do sono, hipertrofia adenoideana, rinossinusite e tosse crônica como sintoma único da rinite compõem o cortejo, e cada uma delas pode ser o motivo pelo qual o paciente procurou a consulta.

04

Da classificação ARIA ao degrau de tratamento

A classificação ARIA não é enfeite taxonômico: ela existe porque decide o fármaco. São dois eixos independentes — frequência e intensidade — e o cruzamento dos dois define o degrau. Errar o eixo da frequência é o erro mais comum, porque o critério usa um “ou” de um lado e um “e” do outro.

  1. 1Confirme que é rinite alérgica: sintomas nasais compatíveis, história de atopia, estigmas ao exame; afaste sintoma unilateral, obstrução isolada, secreção mucopurulenta posterior, dor, epistaxe e anosmia isolada.
  2. 2Classifique a frequência: intermitente se os sintomas ocorrem em menos de 4 dias por semana OU por menos de 4 semanas; persistente se ocorrem em 4 ou mais dias por semana E por 4 semanas ou mais.
  3. 3Classifique a intensidade: leve se sono normal, atividades diárias, esportivas, escolares e de trabalho normais e sem sintomas incômodos; moderada a grave se qualquer um desses quatro itens estiver comprometido.
  4. 4Cruze os dois eixos e prescreva o degrau correspondente, sempre somado à lavagem nasal com solução salina isotônica e ao controle ambiental dirigido pela história.
  5. 5Reavalie. Na rinite persistente moderada a grave, reavalie em uma semana para ajustar, mas mantenha o corticoide intranasal por 60 a 90 dias antes de julgar falha terapêutica.
  6. 6Encaminhe se houver dúvida diagnóstica, se o quadro sugerir uma das doenças do diagnóstico diferencial ou se a resposta for inadequada apesar de tratamento correto, na dose certa, pelo tempo certo e com técnica conferida.
EixoCategoriaCritério
FrequênciaIntermitenteMenos de 4 dias por semana OU menos de 4 semanas
FrequênciaPersistente4 ou mais dias por semana E 4 semanas ou mais
IntensidadeLeveSono normal; atividades diárias, esportivas e de recreação normais; escola e trabalho normais; sem sintomas incômodos
IntensidadeModerada a graveQualquer um dos quatro itens acima comprometido

Degrau de tratamento por classe ARIA (Caderno de Atenção Básica nº 25, Ministério da Saúde)

Classe ARIATratamentoObservação
Intermitente leveAnti-H1 oralLoratadina 10 mg/dia no adulto; na criança de 2 a 12 anos, 5 mg/dia abaixo de 30 kg e 10 mg/dia acima de 30 kg
Intermitente moderada a graveCorticoide intranasalSintoma dominante costuma ser obstrução, que o anti-H1 não resolve
Persistente leveAnti-H1 oral ou corticoide intranasalEscolha guiada pelo sintoma dominante: prurido e espirros puxam para o anti-H1; obstrução, para o tópico nasal
Persistente moderada a graveCorticoide intranasal por pelo menos 60 diasReavaliar em 1 semana; se necessário, acrescentar anti-H1 oral e/ou curso breve de corticoide oral

O que a Rename 2024 oferece para rinite alérgica, e o que não oferece

ItemSituação na Rename 2024Componente
Cloreto de sódio 0,9% solução nasalConstaBásico
Loratadina 1 mg/mL xarope e 10 mg comprimidoConsta; único anti-H1 de 2ª geração da listaBásico
Dexclorfeniramina 2 mg e 0,4 mg/mL; prometazina 25 mgConstam; anti-H1 de 1ª geraçãoBásico
Budesonida nasal 32, 50 e 64 mcgConsta; único corticoide intranasal da listaBásico
Mometasona, fluticasona, triancinolona e ciclesonida nasaisNão constam
Fluticasona + azelastina nasal, montelucaste, cromoglicato, ipratrópio nasalNão constam
Extratos alergênicos para imunoterapiaNão constam
Omalizumabe 150 mgConsta, vinculado ao PCDT da Asma (asma alérgica grave), não à riniteEspecializado

O corticoide oral do quarto degrau é curso breve, nunca manutenção: prednisona ou prednisolona 1 a 2 mg/kg/dia, até 40 mg/dia na criança e 40 a 60 mg/dia no adulto, por 3 a 7 dias. O Caderno de Atenção Básica nº 25 lista como não recomendados a dexametasona em gotas nasais, a injeção intranasal de corticosteroide, o corticosteroide de depósito intramuscular e os descongestionantes orais.

O critério de frequência usa 4 dias por semana e 4 semanas nos dois documentos brasileiros, mas a redação difere: o texto original do ARIA fala em semanas consecutivas, enquanto o Caderno de Atenção Básica nº 25 e o V Consenso escrevem a duração referida ao ano. O que decide a classe é a combinação lógica — “ou” para intermitente, “e” para persistente — e essa é idêntica nas duas fontes.

Número de asma associada à rinite: as Diretrizes Brasileiras de Imunoterapia (2023) registram 15% a 38%; o Caderno de Atenção Básica nº 25, de 2010, imprime 15% a 30%. A faixa mais ampla é a do documento mais recente.

O V Consenso de 2024 acrescenta a escala visual analógica de 0 a 10 como medida de controle da rinite, ao lado da classificação ARIA de gravidade. As duas convivem: a classificação ARIA orienta o degrau inicial, a escala visual acompanha a resposta ao longo do tratamento.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Qual corticoide intranasal o Sistema Único de Saúde oferece

Beclometasona nasal 50 mcg, no texto do Ministério da Saúde

O Caderno de Atenção Básica nº 25 nomeia a beclometasona em spray de 50 mcg por dose como o corticoide inalatório nasal da atenção primária, com posologia de 1 a 2 doses por narina a cada 12 horas dos 6 aos 12 anos e 2 doses por narina no adulto.

Ministério da Saúde. Cadernos de Atenção Básica nº 25 — Doenças Respiratórias Crônicas, cap. 3, 2010.

Budesonida nasal 32, 50 e 64 mcg, na lista vigente

A Rename 2024 traz no Componente Básico a budesonida em suspensão para inalação nasal nas três concentrações, código ATC R01AD05, e não traz nenhuma apresentação nasal de beclometasona — a beclometasona da lista é a inalatória para asma, de código R03BA01.

Rename 2024, aprovada pela Portaria GM/MS nº 6.324, de 26 de dezembro de 2024.

Na prova

A distância de catorze anos entre os documentos explica o descompasso: o caderno descreve o arsenal de 2010 e nunca foi reeditado, enquanto a Rename é revista a cada ciclo. O enunciado denuncia o recorte pelo vocabulário — questão que cita nominalmente o Caderno de Atenção Básica ou reproduz a tabela de degraus por classe ARIA está no mundo do documento de 2010; questão que pergunta o que a farmácia da unidade dispensa, ou que cita a Rename e o Componente Básico, está no mundo da lista vigente. As alternativas também entregam: se aparecerem mometasona e fluticasona nasais como opções, a questão está discutindo o mercado, não o Sistema Único de Saúde, porque nenhuma das duas consta da lista.

Corticosteroide sistêmico em curso breve na rinite persistente moderada a grave

Admitido como adição, no documento da atenção básica

O Caderno de Atenção Básica nº 25 prevê, no quarto degrau, acrescentar ao corticoide intranasal um anti-H1 oral e/ou curso breve de prednisona ou prednisolona, 1 a 2 mg/kg/dia, por 3 a 7 dias, quando necessário.

Ministério da Saúde. Cadernos de Atenção Básica nº 25 — Doenças Respiratórias Crônicas, cap. 3, 2010.

Recomendação forte contra, nas diretrizes internacionais

O V Consenso registra que os corticosteroides sistêmicos, orais e de depósito, têm eficácia semelhante à dos tópicos nasais no controle dos sintomas, mas que as diretrizes internacionais recomendam fortemente contra seu uso pelos efeitos adversos, e que o uso em crianças e adolescentes está proscrito.

V Consenso Brasileiro sobre Rinites, 2024, item 9.2.5, apoiado no consenso internacional ICAR-Allergic Rhinitis 2023.

Na prova

Note que a discordância é sobre risco, não sobre eficácia — os dois lados concordam que funciona. A causa é de data e de perfil de segurança: o documento nacional é de 2010 e trata do que a unidade tem à mão num paciente muito sintomático; o corpo internacional é de 2023 e pesa o dano cumulativo de cursos repetidos. Há um ponto em que não há divergência alguma, e ele é o mais cobrado: o corticosteroide de depósito intramuscular está vedado nos dois documentos. Cenário de unidade básica com paciente adulto muito sintomático puxa para o corpo brasileiro; cenário de ambulatório de especialidade, criança, ou enunciado que fale em segurança a longo prazo puxa para o corpo internacional.

Imunoterapia com alérgenos: recomendação forte e ausência na lista pública

Recomendação forte com GRADE alto, nas diretrizes brasileiras

As Diretrizes Brasileiras para Imunoterapia com Alérgenos no Tratamento da Rinite Alérgica concluem, após revisão sistemática, que a imunoterapia subcutânea e a sublingual com ácaros da poeira domiciliar são eficazes e seguras em crianças e adultos, com GRADE alto e grau de recomendação forte, e com pólens, GRADE moderado e recomendação forte.

Aarestrup FM, Lira GVAG, Taketomi EA, et al. Brazilian guidelines for allergen immunotherapy in the treatment of allergic rhinitis. Rev Assoc Med Bras. 2023;69(5):e2023D695.

Fora da lista pública, e restrita ao especialista

Extratos alergênicos não figuram na Rename 2024 em nenhum dos componentes de financiamento, e a Resolução CFM nº 2.215/2018 restringe sua formulação e prescrição ao médico com registro de qualificação em alergia e imunologia ou área de atuação em alergia pediátrica, em serviço com infraestrutura definida em anexo.

Rename 2024 (Portaria GM/MS nº 6.324/2024) e Resolução CFM nº 2.215, de 27 de setembro de 2018.

Na prova

Não há contradição técnica entre as duas posições: uma fala de eficácia, a outra de acesso e de competência. A causa da distância é dupla — disponibilidade, porque os extratos não entraram na lista de financiamento público, e exigência de estrutura, porque a via subcutânea demanda supervisão médica, observação de 30 minutos e capacidade de atender anafilaxia. Enunciado ambientado em unidade básica de saúde ou que pergunte o que oferecer no Sistema Único de Saúde tende ao arsenal da Rename; enunciado que fale em modificar a história natural da doença, em prevenir asma ou em paciente já acompanhado por alergista tende ao corpo das diretrizes de sociedade.

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Caso resolvido

Homem de 34 anos, auxiliar administrativo, procura a unidade básica por espirros em salva, coriza aquosa e prurido nasal e ocular há cerca de quatro meses. Os sintomas ocorrem quase todos os dias, pioram ao arrumar a cama e ao varrer o quarto, e o obrigam a acordar de madrugada para assoar o nariz; refere sonolência diurna e queda de rendimento no trabalho. Nega febre, dor facial, secreção purulenta e epistaxe. Teve eczema na infância e a mãe tem rinite. Ao exame: dupla prega nas pálpebras inferiores, prega horizontal no dorso do nariz e, à rinoscopia anterior, cornetos edemaciados com mucosa pálida. Ausculta pulmonar sem sibilos. Já usa loratadina comprada na farmácia, sem melhora do nariz entupido.
síntese sindrômica
Rinite crônica com prurido, espirros, rinorreia aquosa e obstrução, com gatilho típico de ácaro da poeira domiciliar, história pessoal e familiar de atopia e estigmas de atopia ao exame. A ausência de sintoma unilateral, dor, secreção mucopurulenta, epistaxe e anosmia isolada afasta os diagnósticos diferenciais que exigiriam outra investigação.
classificação ARIA — frequência
Sintomas em quase todos os dias da semana, portanto 4 ou mais dias por semana, há quatro meses, portanto 4 semanas ou mais. Os dois critérios juntos, ligados pelo “e”: rinite persistente.
classificação ARIA — intensidade
Sono alterado, rendimento no trabalho prejudicado e sintomas incômodos. Basta um dos quatro itens para sair de leve: rinite persistente moderada a grave.
por que a loratadina não resolveu
O anti-H1 age sobre a fase imediata — prurido, espirros, rinorreia e sintoma ocular — e atua pouco sobre o bloqueio nasal, que é fase tardia. A queixa dominante deste paciente é obstrução, e trocar de anti-histamínico não mudaria o resultado.
conduta farmacológica
Corticoide intranasal como base do tratamento: budesonida nasal, que é o corticoide intranasal do Componente Básico da Rename 2024. Manter por pelo menos 60 dias antes de julgar resposta, com reavaliação em uma semana para ajuste e conferência de técnica. Se necessário, manter o anti-H1 oral associado pelos sintomas oculares.
conduta não farmacológica
Lavagem nasal com solução salina isotônica, disponível como cloreto de sódio 0,9% solução nasal na própria unidade, e controle ambiental dirigido a ácaros, orientado pela história — quarto, roupa de cama e limpeza.
técnica
Ensinar a aplicação: jato dirigido à asa nasal, nunca ao septo, para reduzir irritação e epistaxe. Conferir na consulta de retorno, como se faz com dispositivo inalatório.
o que investigar além do nariz
Rinite persistente obriga a investigar asma: perguntar por tosse noturna, sibilância, aperto no peito e dispneia aos esforços, e considerar prova de função pulmonar. Ausculta normal em consulta não exclui asma.
quando pedir teste alérgico
Não neste momento. O teste identifica o alérgeno, não faz o diagnóstico, e só muda conduta se for dirigir controle ambiental específico ou indicar imunoterapia — o que pressupõe encaminhamento ao especialista. Se for pedido, o prick test é a primeira linha, e a loratadina precisa estar suspensa há uma semana.
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Agora feche você

Menina de 9 anos é trazida à unidade básica pela mãe por obstrução nasal há cerca de um ano, pior à noite, com ronco e boca aberta ao dormir. Nos últimos dois meses a mãe vem pingando um vasoconstritor nasal comprado sem receita, três a quatro vezes ao dia; funciona por poucas horas e o nariz volta a entupir cada vez mais rápido. A criança tem prega horizontal no dorso do nariz e dupla prega palpebral inferior; a rinoscopia mostra cornetos volumosos e mucosa pálida. Não há febre, dor facial, secreção purulenta, epistaxe nem sintoma unilateral. A ausculta pulmonar é limpa e não há relato de sibilância.
achado
Rinite crônica com obstrução nasal predominante, respiração oral e ronco, com estigmas de atopia ao exame — quadro compatível com rinite alérgica persistente.
achado que muda a conduta
Uso contínuo de vasoconstritor nasal tópico por dois meses, com efeito cada vez mais curto: padrão de rinite medicamentosa somada à doença de base.
risco associado à idade
conduta
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Onde a banca derruba

  1. 1Suspender só o anti-histamínico de primeira geração antes do prick test A intuição diz que a droga mais antiga é mais “forte” e precisa da pausa maior, e é o contrário. A primeira geração sai em 36 a 48 horas; a segunda geração exige uma semana de suspensão, porque tem meia-vida longa e ocupação prolongada do receptor H1. O paciente que tomou loratadina na véspera vai ter teste falso-negativo, e a pista de que algo deu errado está no controle positivo: se a histamina não produziu pápula, não se lê nada.
  2. 2Tratar prick test positivo como diagnóstico de rinite alérgica O teste positivo diz que o paciente tem IgE específica contra aquele alérgeno, ou seja, que é sensibilizado. Sensibilização é frequente na população e não implica doença. O diagnóstico exige história compatível somada ao teste; sem a história, o que se tem é um achado laboratorial atrás de um sintoma que pode ter outra causa. O erro simétrico também existe: descartar rinite alérgica por teste negativo em criança abaixo de 5 anos, faixa em que o falso-negativo é comum, ou em paciente com rinite alérgica local, cujo teste cutâneo e a IgE sérica são negativos por definição.
  3. 3Dar por falha o corticoide intranasal na primeira semana O paciente volta em sete dias sem melhora franca e a tentação é trocar de classe ou subir o degrau. O efeito máximo do corticoide intranasal começa a partir da segunda semana, e a supressão da inflamação crônica pede 60 a 90 dias de uso contínuo. Antes de julgar falha, cheque três coisas que respondem pela maioria dos casos: adesão, técnica de aplicação e uso concomitante de vasoconstritor nasal. Só depois disso a palavra refratário significa alguma coisa.
  4. 4Manter o descongestionante nasal tópico como tratamento da rinite Ele resolve rápido, em até dez minutos, e só a obstrução — o paciente adere sozinho e volta com obstrução pior do que a inicial. O limite é de cinco dias, e a apresentação tópica é contraindicada abaixo de 6 anos e deve ser evitada no idoso, pelo risco de hipertensão e retenção urinária. Em obstrução nasal que não cede, pergunte pelo frasco de vasoconstritor antes de subir o degrau do tratamento: é uma causa de refratariedade que se resolve suspendendo, e não adicionando.
  5. 5Pedir IgE sérica total para diagnosticar ou acompanhar A IgE total está elevada na atopia em geral, não é específica de nenhuma doença atópica e, fora da aspergilose broncopulmonar alérgica, não se correlaciona com gravidade. Não entra no diagnóstico nem no seguimento da rinite alérgica. Ela tem endereço próprio e estreito no Sistema Único de Saúde: é critério de inclusão do omalizumabe no protocolo da asma alérgica grave, e não serve como triagem de alergia no ambulatório geral.
  6. 6Tratar a rinite e não perguntar pela asma Cerca de 80% dos asmáticos têm rinite alérgica e de 15% a 38% dos pacientes com rinite alérgica desenvolvem asma alérgica. Rinite não controlada piora o controle da asma e aumenta o risco de hospitalização, e por isso a rinite é a primeira comorbidade a checar antes de subir uma etapa do tratamento da asma. A pergunta é obrigatória nos dois sentidos: rinite persistente pede investigação de sintoma de via aérea inferior, e asma pede exame da via aérea superior.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

A tríade espірros/prurido/coriza aquosa com obstrução, associada a mucosa pálida, história pessoal de atopia (eczema) e familiar de asma, define rinite alérgica; o corticoide intranasal é a terapia de maior eficácia e o controle ambiental é medida de base. Rinossinusite bacteriana cursa com secreção purulenta, dor facial e febre, sem prurido, não justificando antibiótico. Rinite vasomotora não apresenta prurido/lacrimejamento nem perfil atópico, e descongestionante tópico contínuo é contraindicado. Rinite medicamentosa pressupõe uso prolongado de vasoconstritor tópico, ausente na história.

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Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

Classificação ARIA em dois eixos: intermitente é menos de 4 dias por semana OU menos de 4 semanas; persistente é 4 ou mais dias por semana E 4 semanas ou mais. Leve exige sono normal, atividades normais, escola e trabalho normais e ausência de sintomas incômodos; qualquer item comprometido torna moderada a grave. Anti-H1 age em prurido, espirros e rinorreia e pouco na obstrução; corticoide intranasal age em tudo, começa a fazer efeito na segunda semana e pede 60 a 90 dias. Prick test: leitura em 15 minutos, positivo com pápula mais de 3 mm maior que o controle negativo; suspender anti-H1 de 1ª geração 36 a 48 horas antes e de 2ª geração uma semana antes.

em 30 dias

No Sistema Único de Saúde, o tratamento da rinite alérgica cabe em três itens do Componente Básico: cloreto de sódio 0,9% solução nasal, loratadina e budesonida nasal — não há mometasona, fluticasona, montelucaste, cromoglicato nem extrato alergênico na Rename 2024. Corticoide de depósito intramuscular, injeção intranasal de corticoide e dexametasona em gotas nasais não são recomendados. Descongestionante tópico no máximo 5 dias e nunca abaixo de 6 anos. Imunoterapia com alérgenos é o único tratamento que modifica a resposta imunológica: sublingual a partir dos 2 anos, subcutânea a partir dos 5, duração de 3 a 5 anos contados da fase de manutenção, benefício por 7 a 10 anos após o término, observação de 30 minutos após a dose subcutânea. Via aérea unida: cerca de 80% dos asmáticos têm rinite e de 15% a 38% dos pacientes com rinite desenvolvem asma — investigue sempre nos dois sentidos.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Mulher de 27 anos chega à unidade básica com espirros em salva, coriza clara e prurido nasal e ocular quase diários há cinco meses, que pioram ao limpar a casa e atrapalham o sono. Comprou um descongestionante nasal e vem usando há três semanas, com alívio cada vez mais curto. Classifique a rinite pelos dois eixos, decida o degrau de tratamento com o que existe na unidade e resolva o que fazer com o frasco de vasoconstritor. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Rinite alérgica e asma alérgica — Preparatório para provas | OsceLabs