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Acidente com material biológico: a régua da profilaxia corre ao contrário da régua do risco
Acidente de trabalho com exposição a material biológico e profilaxia pós-exposição
HIV, hepatites virais e prazos da profilaxia
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Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Enfermeira de 30 anos sofre acidente com agulha oca de grosso calibre visivelmente contaminada com sangue de paciente-fonte HIV positivo, em falha terapêutica com carga viral elevada. O acidente ocorreu há 2 horas. A profissional é HIV negativa. Qual é a conduta correta quanto à profilaxia pós-exposição (PEP)?
Como esse tema cai
Este capítulo cobre o acidente de trabalho com exposição a material biológico do adulto: a decisão dos primeiros minutos, as quatro perguntas que indicam ou não a profilaxia antirretroviral, a tabela de hepatite B por situação vacinal, o que existe e o que não existe para a hepatite C, o calendário de retorno e o circuito de registro. O leitor típico é a própria pessoa exposta.
Ficam de fora, com endereço: o manejo da infecção pelo vírus da imunodeficiência humana já estabelecida e a profilaxia pré-exposição, que pertencem ao capítulo de infecção pelo vírus da imunodeficiência humana; a sorologia da hepatite B lida marcador por marcador, que pertence ao capítulo de hepatite B; e a profilaxia depois de violência sexual, que corre por outra régua e tem prazos próprios de notificação.
Também fica de fora a profilaxia depois de mordedura de animal, que compartilha a expressão profilaxia pós-exposição e nada mais: material biológico, janela, esquema e alvo são outros. Confundir as duas é o modo mais rápido de errar uma questão fácil.
O recorte vale para o trabalhador de qualquer ocupação. A definição nacional de caso não restringe o agravo ao pessoal da saúde, e em São Paulo cerca de um décimo das notificações vem de empresas que não são de saúde.
O que muda decisão
O acidente cujo paciente é o leitor
A notificação deste agravo é obrigatória em todo o território nacional desde a Portaria nº 777, de 28 de abril de 2004, e a definição de caso é mais larga do que a intuição sugere: notifica-se todo trabalhador que teve contato com material potencialmente contaminado, e não apenas o da saúde. Um coletor de resíduos que se fere numa agulha dentro do saco de lixo é caso notificável pela mesma ficha que a residente da enfermaria.
O tamanho do problema é conhecido pela vigilância, não pela clínica. Em São Paulo, a série municipal mostra queda em 2020, na pandemia, e alta em 2023 e 2024 — e a explicação registrada no próprio documento é administrativa: um projeto do Ministério Público do Trabalho junto aos serviços especializados das empresas e, em dezembro de 2023, notificações sanitárias expedidas a cinquenta e sete hospitais que não notificavam nada. O número subiu porque a subnotificação caiu, não porque o risco aumentou.
Vale reter o outro dado do mesmo levantamento, porque ele mede a qualidade do registro e não a do cuidado: em cerca de um quinto das fichas o nome da empresa vinha em branco, ignorado ou não informado. A ficha existe para ligar o acidente ao ambiente que o produziu; sem o nome da empresa, ela vira uma estatística de doença e deixa de ser um instrumento de vigilância.
Do outro lado da mesa, o relógio é curto. A vigilância acompanha o acidentado por no mínimo seis meses e encerra o caso por volta do oitavo mês. A decisão que este capítulo ensina, porém, cabe inteira na primeira hora — e ela é tomada, quase sempre, por um plantonista que acabou de ser acordado para atender um colega.
Três vírus, três ferramentas, e a régua ao contrário
Os três agentes que interessam ao acidente percutâneo têm riscos de transmissão muito diferentes, e é aqui que a intuição trai. O vírus da imunodeficiência humana transmite-se em cerca de 0,3% das exposições percutâneas com sangue contaminado e em cerca de 0,09% das exposições de mucosa. O vírus da hepatite C fica em torno de 1,8%, com faixa relatada de zero a sete por cento. O vírus da hepatite B é, de longe, o mais transmissível: com fonte reagente para o antígeno de superfície e para o antígeno de replicação, o risco de hepatite clínica é de vinte e dois a trinta e um por cento, e o de evidência sorológica de infecção vai de trinta e sete a sessenta e dois por cento.
Ordenados pelo risco, ficam assim: hepatite B em primeiro, hepatite C em segundo, imunodeficiência humana em terceiro e distante. Ordenados pelo que se faz na sala de atendimento, a fila se inverte. Para a hepatite B, o profissional com resposta vacinal conhecida e adequada recebe, nas três colunas da tabela nacional, nenhuma medida. Para a hepatite C, não existe profilaxia — o documento federal é explícito ao dizer que a única forma de reduzir o risco de transmissão desse vírus é a prevenção do acidente. Para a imunodeficiência humana, que é o menor dos três riscos, indica-se um esquema de três antirretrovirais por vinte e oito dias.
A inversão não é incoerência: ela mede a existência de ferramenta, não a gravidade. Contra a hepatite B existe uma vacina, e ela foi aplicada anos antes do acidente — a decisão já estava tomada quando a agulha entrou. Contra a imunodeficiência humana existe medicamento, e ele só funciona depois. Contra a hepatite C não existe nem uma coisa nem outra, e o que sobra é diagnosticar cedo para tratar a infecção aguda.
É por isso que o maior número deste capítulo é o que menos decide sozinho. Sessenta e dois por cento é o número mais impressionante da página e o que menos muda a conduta de hoje: quem decide agora é o 0,3%, que aciona a receita, e um sim ou não sobre a resposta vacinal, que dispensa tudo.

As quatro perguntas não são um escore
O protocolo nacional organiza a indicação da profilaxia antirretroviral em quatro perguntas. O material biológico é de risco? O tipo de exposição é de risco? O tempo entre a exposição e o atendimento é inferior a 72 horas? A pessoa exposta é não reagente no momento do atendimento? E então vem a frase que muda tudo: se todas as respostas forem sim, a profilaxia está indicada.
Isso não é um escore. Não existe três de quatro, não existe faixa de pontuação, não existe risco intermediário. É uma conjunção: um único não encerra a conversa. Quem chega ao serviço com setenta e três horas de acidente não tem indicação, por mais grave que tenha sido a exposição; quem se feriu em pele íntegra não tem indicação, por mais alta que seja a carga viral da fonte. Este é o ponto que separa esta régua do escore de garganta e do escore de trombose, e é exatamente onde a banca costuma armar.
A primeira pergunta traz uma lista fechada. São materiais com risco: sangue, sêmen, fluidos vaginais, líquidos de serosas — peritoneal, pleural e pericárdico —, líquido amniótico e líquor. São materiais sem risco: suor, lágrima, fezes, urina, vômito, secreção nasal e saliva. Um detalhe da lista de sem risco vale a questão inteira: a saliva sai da lista em ambiente odontológico, onde ela costuma vir com sangue.
A segunda pergunta também é lista, e tem um par simétrico que a prova adora: mordedura com presença de sangue é exposição de risco; mordedura sem sangue não é. A mesma boca, o mesmo dente, a mesma pele — e o que decide é o sangue visível. Pele íntegra nunca é exposição de risco, e essa é a linha que anula todas as outras.
Repare no que a estrutura faz com o raciocínio: a checagem do material e do tipo de exposição vem antes de tudo. Se o material é urina e a pele estava íntegra, não se pergunta a hora nem se testa ninguém. A régua não soma, ela filtra — e o achado que tira o caso do filtro torna irrelevante todo o resto da página.
O texto pergunta quatro vezes, o desenho pergunta seis
Quatro páginas adiante do quadro das quatro perguntas, o mesmo protocolo traz a Figura 2, o fluxograma de indicação. E o desenho tem seis caixas de decisão, não quatro. Depois do material, do tipo de exposição, do tempo e do estado sorológico da pessoa exposta, o fluxograma acrescenta duas perguntas que o quadro do texto não faz: a pessoa-fonte tem exame reagente ou desconhecido, e a pessoa-fonte teve exposição de risco nos últimos trinta dias.
Não é detalhe de diagramação, porque as duas páginas mandam condutas diferentes para o mesmo paciente. Pelo quadro, quatro sins indicam a profilaxia. Pelo desenho, o mesmo caso com fonte comprovadamente não reagente e sem exposição de risco no último mês desemboca na caixa que diz para não recomendar a profilaxia e dispensa até o acompanhamento sorológico. O mesmo profissional sai com receita pela página do texto e sem nada pela página do fluxograma.
E há uma terceira voz no mesmo documento: no item que trata do estado sorológico da fonte, o protocolo escreve que esse é o único critério não obrigatório para a indicação da profilaxia, porque nem sempre a fonte está presente ou disponível. O texto rebaixa a fonte a critério dispensável; o desenho a promove a caixa de decisão com poder de veto.
Para a prova, a saída é ler o verbo do enunciado. Quando a questão descreve fonte desconhecida ou ausente e pergunta a conduta, a resposta segue as quatro perguntas e a profilaxia é indicada. Quando a questão faz questão de dizer que a fonte foi testada, que o resultado é não reagente e que não há história de exposição recente, a banca está desenhando o fluxograma e quer a suspensão. O detalhe que denuncia o recorte é a menção aos trinta dias: essa frase só existe no desenho.
Os primeiros minutos: o que fazer e o que estraga
O cuidado imediato com a área exposta é curto e quase todo negativo. Em exposição percutânea ou cutânea, lavagem exaustiva com água e sabão. Em mucosa, lavagem exaustiva com água ou solução salina fisiológica. E acaba aí.
O que o documento federal proíbe é mais cobrado do que o que ele manda: são contraindicados os procedimentos que aumentam a área exposta, e ele nomeia dois — cortes e injeções locais —, além do uso de soluções irritantes, com três exemplos nominais: éter, hipoclorito e glutaraldeído. Espremer o dedo para fazer sangrar entra na primeira categoria: aumenta o trauma local sem nenhuma evidência de que reduza a inoculação.
A prevenção que teria evitado tudo isso está na norma trabalhista, não no protocolo clínico. A norma de segurança em serviços de saúde veda o reencape e a desconexão manual de agulhas, atribui o descarte ao próprio trabalhador que usou o objeto perfurocortante, e fixa um número que cai em prova: o limite máximo de enchimento do recipiente rígido deve estar cinco centímetros abaixo do bocal, com o recipiente em suporte exclusivo e em altura que permita ver a abertura.
A mesma norma põe a vacinação no colo do empregador, e com três obrigações encadeadas: fornecer gratuitamente as vacinas eficazes contra os agentes a que o trabalhador está exposto, fazer o controle da eficácia sempre que recomendado e providenciar reforço, e registrar a vacinação no prontuário clínico individual. Há ainda um dever de documentação que muda a lógica da recusa: se o trabalhador recusa a vacina, o empregador precisa guardar documento comprobatório disso, informando antes as vantagens, os efeitos colaterais e os riscos da falta.
Esse encadeamento explica por que a próxima seção é decidida por um exame que muitas vezes não existe. O controle da eficácia vacinal é obrigação legal do empregador; quando ele não foi feito, o custo aparece na madrugada do acidente, em forma de imunoglobulina.
Hepatite B: a linha que decide é a que costuma faltar
A tabela nacional de hepatite B na exposição ocupacional cruza duas entradas: a situação vacinal e sorológica do profissional exposto, nas linhas, e o estado do antígeno de superfície da pessoa-fonte, nas colunas — reagente, não reagente e desconhecido. Ela vale para o exposto que tem o próprio antígeno de superfície não reagente.
Duas linhas resolvem quase todas as questões. A primeira é a do profissional não vacinado ou com esquema incompleto: com fonte reagente, imunoglobulina somada a iniciar ou completar a vacinação; com fonte não reagente ou desconhecida, apenas vacinar. A segunda é a linha que a prova mais esconde: resposta vacinal conhecida e adequada, definida como antígeno protetor igual ou superior a dez unidades por mililitro, dá nenhuma medida nas três colunas — inclusive quando a fonte é reagente.
Três doses de vacina produzem esse título protetor em mais de noventa por cento dos adultos e jovens saudáveis, e em mais de noventa e cinco por cento de lactentes, crianças e adolescentes. Os que não respondem à primeira série recebem, com fonte reagente, imunoglobulina somada à primeira dose da segunda série; os que não respondem depois de seis doses recebem duas doses de imunoglobulina, com intervalo de um mês, porque para eles a vacina já mostrou que não funciona.
Agora o detalhe que faz o capítulo. A linha da resposta adequada exige que a resposta seja conhecida — não basta ter tomado as três doses. Quem tem esquema completo e resposta vacinal desconhecida cai numa linha própria, que manda testar o antígeno protetor. E o rodapé dessa linha traz o prazo: se o resultado não estiver disponível dentro de 48 horas, conduz-se o caso como resposta vacinal inadequada.
Leia de novo o que isso significa. O trabalhador imunizado há dez anos, com anticorpo suficiente circulando agora, recebe imunoglobulina e recomeça série vacinal porque o laboratório demorou. O que mudou de braço no fluxograma não foi a imunidade dele: foi a ausência de um papel. O déficit apaga o sinal, e o sinal apagado é lido como sinal negativo.
O relógio da imunoglobulina e o relógio do exame
A imunoglobulina humana anti-hepatite B tem dose e prazo próprios: dose única de zero vírgula zero seis mililitro por quilo, por via intramuscular, em extremidade diferente da que recebeu a vacina, com teto de cinco mililitros, e pode ser aplicada junto com a vacina desde que em locais diferentes. Está disponível nos centros de referência para imunobiológicos especiais.
O prazo tem duas pontas, e a prova usa as duas. Recomenda-se aplicá-la nas primeiras vinte e quatro horas. O limite, porém, é de sete dias na exposição percutânea e de catorze dias na exposição sexual. São dois números diferentes para o mesmo produto, separados pela via de exposição — e o do acidente de trabalho é o menor dos dois.
Ponha as duas réguas lado a lado e a decisão fica óbvia, ainda que ela pareça contraintuitiva. Uma régua decide a investigação: o antígeno protetor do profissional, com prazo de quarenta e oito horas para chegar. A outra decide o relógio: a janela da imunoglobulina, de sete dias na exposição percutânea. As duas não competem, porque a janela é larga o bastante para o exame caber inteiro dentro dela, com cinco dias de folga.
O que se ganha esperando é preciso: uma dose de imunoglobulina que não seria necessária, mais o recomeço de uma série vacinal em quem já está protegido. O que se arrisca é zero, desde que o exame volte no prazo. Esperar custa uma dose, não uma hepatite — e o rodapé das quarenta e oito horas existe justamente para que a espera não vire indefinição.

A profilaxia antirretroviral e o que a janela de setenta e duas horas compra
Indicada a profilaxia, o esquema preferencial é único e independe do tipo de exposição e do material envolvido: tenofovir com lamivudina, em comprimido coformulado de trezentos miligramas com trezentos miligramas, um comprimido ao dia, somado a dolutegravir de cinquenta miligramas, um comprimido ao dia. A duração é de 28 dias. O tenofovir não entra em quem tem lesão renal aguda, e o dolutegravir na apresentação de cinquenta miligramas vale para quem tem mais de seis anos e mais de vinte quilos.
O teste rápido é peça central e por um motivo cronométrico: ele dispensa infraestrutura laboratorial, pode ser feito na frente da pessoa e devolve resultado em 30 minutos ou menos. Dentro de uma janela de setenta e duas horas, meia hora não é custo. Por isso o protocolo exige que todo serviço que ofereça a profilaxia se organize também para oferecer a testagem — e por isso, do outro lado, manda que exame nenhum atrase o começo da profilaxia, dizendo isso literalmente sobre o hemograma no quadro de seguimento.
Agora a conta que a régua esconde. Imagine mil acidentes percutâneos com fonte reagente e sangue visível. Com risco de três por mil, esperam-se três conversões sorológicas se ninguém tomar nada. A profilaxia reduz esse risco em cerca de quatro quintos, de modo que ela evita algo em torno de duas conversões e meia. Ou seja: mil pessoas tomam vinte e oito dias de três antirretrovirais para que menos de três não adoeçam, e mais de novecentas e noventa delas tomariam remédio sem nenhuma chance de benefício, porque nunca iam converter.
Isso não é crítica ao protocolo — é a razão de ele existir na forma em que existe. Como não há maneira de saber qual dos mil é o que vai converter, trata-se os mil; e como o custo individual é vinte e oito dias de um esquema bem tolerado, a conta fecha. É a mesma aritmética que sustenta qualquer profilaxia de evento raro e grave, e é por isso que a pergunta certa nunca é o tamanho do risco, e sim se a exposição atravessou as quatro perguntas.
Vale ainda uma nota de prazo que a prova cobra pelo avesso: depois de setenta e duas horas a profilaxia deixa de ser indicada, mas o atendimento não acaba. Testa-se, vacina-se quando indicado, acompanha-se. Perder a janela retira a receita, não o paciente.
Hepatite C: o vírus do meio, que não tem o que oferecer
A hepatite C ocupa a posição mais desconfortável do capítulo: risco intermediário e arsenal vazio. Não há vacina, não há imunoglobulina, não há profilaxia medicamentosa. O documento federal encerra o assunto numa frase que vale decorar: a única forma de reduzir o risco de transmissão desse vírus é a prevenção do acidente.
O que sobra, e não é pouco, é o diagnóstico precoce. Detectar a conversão sorológica ou o material genético do vírus durante o seguimento permite tratar a infecção ainda na fase aguda, o que reduz a progressão para a forma crônica e corta novas transmissões. O seguimento é feito com anticorpo, carga viral e enzima hepática, na fonte e no exposto, imediatamente — o protocolo escreve até 48 horas —, depois entre quatro e seis semanas e outra vez entre quatro e seis meses.
Há uma armadilha metodológica no meio disso, e ela está escrita no próprio protocolo: a janela imunológica para detecção de anticorpos contra o vírus da hepatite C varia de 33 a 129 dias. Um resultado não reagente na fonte, colhido logo depois do acidente, pode ser falso negativo — e por isso, havendo história epidemiológica compatível naquele intervalo, recomenda-se testar a fonte outra vez ao fim da janela e manter o acompanhamento do exposto.
Repare no que essa janela faz com o fluxograma da seção anterior. A caixa que pergunta se a fonte teve exposição de risco nos últimos trinta dias existe exatamente por isso: um exame não reagente colhido dentro da janela não é prova de ausência de infecção, é prova de ausência de anticorpo. Trinta dias, no entanto, é um corte estreito diante de uma janela que pode chegar a cento e vinte e nove — e essa distância entre o corte do desenho e o número do texto é matéria de prova.
Quando o exposto volta, e por que o calendário muda de página
Aqui o capítulo encontra a divergência mais concreta do conjunto, e ela cabe num caractere. O protocolo federal traz dois calendários de retorno. No quadro de seguimento da profilaxia, o teste para o vírus da imunodeficiência humana é feito no primeiro atendimento, na quarta semana e na 12ª semana após o início do esquema. No apêndice de cronograma de exames, o mesmo teste aparece no atendimento inicial, entre quatro e seis semanas, e numa terceira coluna que decide o retorno.
Essa terceira coluna tem dois rótulos diferentes em dois arquivos oficiais do mesmo protocolo. Na versão exportada em julho, ela se chama três semanas. Na versão exportada em setembro, com a paginação idêntica e um único caractere de diferença no arquivo inteiro, ela se chama três meses. Três semanas e três meses são o mesmo número com unidades diferentes, e o profissional exposto ganha um retorno em vinte e um dias por um arquivo e em noventa dias pelo outro.
O detalhe que resolve é que a coluna vizinha já é de quatro a seis semanas: um retorno de três semanas cairia antes dela, invertendo a ordem cronológica da própria tabela — e o quadro de seguimento, na mesma publicação, marca a décima segunda semana. Quando dois rótulos brigam, quem desempata é a coluna vizinha e o quadro do corpo do texto, não a memória.
E há um terceiro calendário, municipal, que mede o mesmo intervalo por outro caminho: o material de vigilância de São Paulo manda testar para imunodeficiência humana no momento zero, com trinta e noventa dias, e para hepatites B e C no momento zero, com noventa e cento e oitenta dias. Nenhuma dessas datas coincide exatamente com as do protocolo federal, e nenhuma das duas fontes menciona a outra.
Uma linha do apêndice federal fecha a seção e vale a questão: os testes para sífilis, gonococo, clamídia e gravidez, que aparecem no cronograma, trazem asterisco com a observação de que não precisam ser feitos em caso de exposição ocupacional. A tabela é a mesma para a violência sexual e para o acidente de trabalho, e é o rodapé que separa os dois pacientes.

O que fecha o caso: a comunicação, a ficha e a alta
O acidente com material biológico corre em dois trilhos que não se substituem. O trilho clínico termina no consultório, com a última sorologia. O trilho legal e de vigilância só termina na ficha, e é ele que a prova de medicina do trabalho cobra.
A ficha nacional do agravo tem um campo de preenchimento obrigatório para dizer se foi emitida a comunicação de acidente de trabalho, o documento previdenciário devido quando o trabalhador é segurado. É um campo de sim, não, não se aplica e ignorado — e a existência da opção não se aplica é o que separa o vínculo formal do informal: o trabalhador sem carteira gera notificação e não gera comunicação previdenciária.
O campo de evolução do caso é o que fecha o registro, e as suas opções ensinam a lógica do seguimento: alta com conversão sorológica, alta sem conversão sorológica, e alta por paciente-fonte negativo. Repare que a última fecha o caso pelo resultado da fonte, e não pelo do exposto — é a única saída que dispensa esperar as janelas.
Há também o que não se notifica, e o critério é o vínculo com o trabalho, não o material. Contatos com material biológico ocorridos fora do ambiente ou das condições de trabalho, como o que acontece em casa com uma criança, ficam de fora da ficha. O mesmo sangue, a mesma agulha, e o registro muda porque muda o cenário.
Uma última nota sobre o que os números da vigilância significam. Em São Paulo, no ano de 2024, dezoito casos foram detectados com evolução registrada como conversão sorológica, e o próprio documento informa que todos foram encerrados erroneamente e depois corrigidos. Esses dezoito representam 0,3% das notificações do município no ano — o mesmo dígito do risco de transmissão por exposição percutânea, e sem nenhuma relação com ele. Um dos números é uma probabilidade por acidente; o outro é uma taxa de erro de preenchimento sobre o total de fichas. Quando dois números coincidem, vale perguntar sempre qual é o denominador de cada um antes de tratá-los como a mesma medida.
Da agulha à receita, na ordem em que se decide
A sequência abaixo vale para o acidente de trabalho com exposição a material biológico em adulto, na primeira hora de atendimento. Ela é filtro, não somatório: o primeiro não encerra o ramo.
- 1Cuide da área exposta: água e sabão na pele e na exposição percutânea; água ou solução salina fisiológica na mucosa. Não corte, não injete nada no local e não use éter, hipoclorito nem glutaraldeído.
- 2Classifique o material. Sangue, sêmen, fluido vaginal, líquido de serosa, líquido amniótico e líquor têm risco. Suor, lágrima, fezes, urina, vômito, secreção nasal e saliva não têm — e a saliva volta a ter em ambiente odontológico.
- 3Classifique a exposição. Percutânea, mucosa, pele não íntegra e mordedura com sangue têm risco. Pele íntegra e mordedura sem sangue não têm.
- 4Olhe o relógio. Menos de setenta e duas horas mantém o ramo aberto para a profilaxia antirretroviral; mais do que isso fecha a receita e mantém o acompanhamento.
- 5Teste a pessoa exposta com teste rápido. Resultado não reagente mantém o ramo aberto; reagente encaminha para tratamento, porque a infecção é anterior ao acidente.
- 6Teste a pessoa-fonte quando ela existir e estiver disponível. É o único critério não obrigatório da lista, e é o que o fluxograma usa para suspender a profilaxia já iniciada.
- 7Prescreva tenofovir com lamivudina somado a dolutegravir, por vinte e oito dias, sem esperar exame nenhum além do teste rápido da pessoa exposta.
- 8Resolva a hepatite B pela tabela de situação vacinal. Resposta conhecida e adequada dispensa qualquer medida. Resposta desconhecida manda testar o antígeno protetor, e o resultado precisa chegar em quarenta e oito horas.
- 9Aplique imunoglobulina quando a tabela mandar, de preferência nas primeiras vinte e quatro horas e no máximo até sete dias na exposição percutânea.
- 10Programe o seguimento da hepatite C: anticorpo, carga viral e enzima hepática, com retorno entre quatro e seis semanas e entre quatro e seis meses.
- 11Feche o circuito administrativo: notifique o agravo e verifique se cabe emitir a comunicação de acidente de trabalho.
Os três vírus, lado a lado
| Vírus | Risco por exposição percutânea | O que existe para hoje | O que decide | Observação para a prova |
|---|---|---|---|---|
| Hepatite B, fonte com antígeno de replicação reagente | 22% a 31% de hepatite clínica; 37% a 62% de evidência sorológica | Vacina e imunoglobulina | A resposta vacinal do exposto | Maior risco dos três e o mais frequentemente resolvido com nenhuma medida |
| Hepatite B, fonte só com antígeno de superfície reagente | 1% a 6% de hepatite clínica; 23% a 37% de conversão sorológica | Vacina e imunoglobulina | A mesma tabela de situação vacinal | As duas faixas do mesmo vírus mudam pelo antígeno de replicação da fonte |
| Hepatite C | Cerca de 1,8%, faixa relatada de 0% a 7% | Nada | Só o seguimento | Risco intermediário e única linha sem profilaxia possível |
| Imunodeficiência humana, percutânea | Cerca de 0,3% | Esquema de três antirretrovirais | As quatro perguntas e o relógio de setenta e duas horas | Menor risco e única linha que gera receita |
| Imunodeficiência humana, mucosa | Cerca de 0,09% | O mesmo esquema | As mesmas quatro perguntas | Mucosa é exposição de risco, e o esquema não muda por causa dela |
Hepatite B na exposição ocupacional, linha por linha
| Situação do profissional exposto | Fonte com antígeno de superfície reagente | Fonte não reagente | Fonte desconhecida |
|---|---|---|---|
| Não vacinado | Imunoglobulina e iniciar vacinação | Iniciar vacinação | Iniciar vacinação |
| Vacinação incompleta | Imunoglobulina e completar vacinação | Completar vacinação | Completar vacinação |
| Resposta vacinal conhecida e adequada, com dez unidades por mililitro ou mais | Nenhuma medida | Nenhuma medida | Nenhuma medida |
| Resposta vacinal desconhecida | Testar o antígeno protetor; adequada dispensa medida, inadequada indica imunoglobulina e vacina | Testar o antígeno protetor; inadequada indica segunda série | Testar o antígeno protetor; inadequada indica segunda série |
| Sem resposta após a primeira série de três doses | Imunoglobulina e primeira dose da segunda série | Iniciar nova série de três doses | Iniciar nova série de três doses |
| Sem resposta após a segunda série, seis doses no total | Duas doses de imunoglobulina, com um mês de intervalo | Nenhuma medida específica | Duas doses de imunoglobulina, com um mês de intervalo |
Quando o exposto volta: três calendários para o mesmo acidente
| Documento | Vírus da imunodeficiência humana | Hepatite B | Hepatite C |
|---|---|---|---|
| Protocolo federal, quadro de seguimento da profilaxia | Primeiro atendimento, 4ª semana e 12ª semana após o início do esquema | Não consta neste quadro | Não consta neste quadro |
| Protocolo federal, apêndice de cronograma, arquivo de julho | Atendimento inicial, 4 a 6 semanas e três semanas | Antígeno de superfície aos 6 meses; antígeno protetor no inicial e aos 6 meses | Anticorpo no inicial, 4 a 6 semanas e 6 meses |
| Protocolo federal, apêndice de cronograma, arquivo de setembro | Atendimento inicial, 4 a 6 semanas e três meses | Idêntico ao arquivo de julho | Idêntico ao arquivo de julho |
| Protocolo federal, quadro específico de hepatite C | Não se aplica | Não se aplica | Até 48 horas, 4 a 6 semanas e 4 a 6 meses |
| Material municipal de vigilância de São Paulo | Momento zero, 30 dias e 90 dias | Momento zero, 90 dias e 180 dias | Momento zero, 90 dias e 180 dias |
A lista das quatro perguntas é conjunção, não escore: um único não encerra o ramo, e não existe conduta intermediária por pontuação parcial.
O rodapé das quarenta e oito horas se aplica ao antígeno protetor do profissional exposto, não à sorologia da fonte. Confundir os dois inverte a conduta da tabela de hepatite B.
Sífilis, gonococo, clamídia e teste de gravidez constam do cronograma do protocolo porque a tabela serve também à violência sexual. O rodapé dispensa os quatro em caso de exposição ocupacional.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
A profilaxia deve ser instituída até setenta e duas horas após a exposição, e quanto mais precoce o início, maior a eficácia. Depois desse prazo, ela não está mais indicada, e o protocolo afirma que não há benefício demonstrado.
Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Profilaxia Pós-Exposição de Risco à Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana, infecções sexualmente transmissíveis e hepatites virais, Ministério da Saúde, 2021
O retardo na notificação e no atendimento coloca a exposição num intervalo de tempo em que o benefício da profilaxia é indeterminado, e esse intervalo começa após vinte e quatro a trinta e seis horas.
Recomendações para atendimento e acompanhamento de exposição ocupacional a material biológico, Ministério da Saúde, 2004
Na prova
As duas réguas são do mesmo Ministério, com dezessete anos entre elas, e discordam sobre o paciente que chega na quadragésima hora. O que vale hoje é o protocolo de 2021: a janela é de setenta e duas horas e a indicação existe até o último minuto dela. O recorte se identifica pelo desenho do enunciado — quando a questão descreve o acidente com hora cravada entre trinta e setenta e duas horas e oferece a opção de não iniciar por perda de janela, ela está testando se o candidato ainda usa a régua antiga. Enunciado que descreve mais de setenta e duas horas não tem controvérsia: a receita sai de cena e o acompanhamento permanece.
O teste para o vírus da imunodeficiência humana é feito no primeiro atendimento, na quarta semana e na décima segunda semana após o início do esquema, segundo o quadro de seguimento laboratorial do protocolo.
Protocolo federal de profilaxia pós-exposição, quadro de seguimento laboratorial, 2021
O cronograma de exames do mesmo protocolo põe a terceira coleta numa coluna cujo rótulo diverge entre os dois arquivos oficiais publicados: três semanas no arquivo exportado em julho e três meses no arquivo exportado em setembro.
Protocolo federal de profilaxia pós-exposição, apêndice de cronograma de exames laboratoriais, versões de julho e de setembro
O material municipal de vigilância marca a coleta para o vírus da imunodeficiência humana no momento zero, aos trinta dias e aos noventa dias, e a das hepatites no momento zero, aos noventa e aos cento e oitenta dias.
Procedimentos para investigação epidemiológica de acidentes de trabalho com exposição a material biológico, Cadernos de Saúde do Trabalhador, Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, 2025
Na prova
Nenhuma banca vai cobrar a diferença entre dois arquivos do mesmo protocolo, mas todas cobram a terceira coleta. O desempate está dentro da própria tabela: a coluna vizinha já é de quatro a seis semanas, de modo que uma terceira coleta de três semanas cairia antes dela e inverteria a ordem cronológica. Marque o intervalo de três meses, que é o único compatível com a décima segunda semana do quadro de seguimento e o mesmo que o relatório de recomendação da comissão nacional já trazia. Se o enunciado citar explicitamente o serviço municipal e usar contagem em dias, siga trinta e noventa dias.
Com fonte reagente para o antígeno de superfície e para o antígeno de replicação, o risco de hepatite clínica varia de vinte e dois a trinta e um por cento e o de evidência sorológica de infecção, de trinta e sete a sessenta e dois por cento. Com fonte reagente apenas para o antígeno de superfície, os valores caem para um a seis por cento e vinte e três a trinta e sete por cento.
Recomendações para atendimento e acompanhamento de exposição ocupacional a material biológico, Ministério da Saúde, 2004
O risco de infecção pela hepatite B varia de seis a trinta por cento, podendo chegar a sessenta por cento conforme o estado de saúde do paciente-fonte.
Cadernos de Saúde do Trabalhador, Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, 2025, citando documento municipal de 2001
Na prova
As duas faixas parecem competir e medem coisas diferentes. A régua federal separa dois desfechos com o mesmo denominador: adoecer com hepatite clínica e apenas mostrar marcador sorológico. A régua municipal funde os dois num único rótulo de risco de infecção, e o resultado é uma faixa cujo teto de trinta por cento fica abaixo do piso de trinta e sete por cento da faixa sorológica federal — e cuja extensão até sessenta por cento atravessa as duas sem separar nenhuma. Em prova, o número que costuma aparecer é o de até sessenta por cento, usado para contrastar com o risco da imunodeficiência humana; se o enunciado pedir a distinção entre hepatite clínica e evidência sorológica, ele está na régua federal de 2004.
Caso resolvido
- primeiro, cuide da área e não piore o ferimento
- Água e sabão, exaustivamente. Nada de espremer o dedo, de ampliar o corte ou de aplicar éter, hipoclorito ou glutaraldeído — os três estão nomeados como contraindicados. O cuidado imediato leva menos de um minuto e não compete com nenhuma das decisões seguintes.
- segundo, rode as quatro perguntas
- Sangue é material de risco. Percutânea é exposição de risco. Noventa minutos está muito dentro das 72 horas. E a exposta é não reagente agora. Quatro sins: pelo quadro do texto, a profilaxia antirretroviral está indicada e começa já.
- terceiro, olhe a fonte — e saiba que ela é o único critério dispensável
- A fonte é não reagente e sem exposição de risco recente. É exatamente a combinação que o fluxograma usa para não recomendar a profilaxia. Como o teste da fonte tem dois dias e não há história de risco no último mês, o caso desemboca na suspensão do esquema depois de iniciado — e não no seu adiamento, porque esperar não é opção dentro de uma janela de setenta e duas horas.
- quarto, resolva a hepatite B, que aqui é o problema de verdade
- Fonte reagente para o antígeno de superfície coloca o caso na coluna mais exigente da tabela. A trabalhadora não está na linha de resposta conhecida e adequada, porque não há sorologia — está na linha de resposta vacinal desconhecida, que manda testar o antígeno protetor.
- quinto, use o rodapé das quarenta e oito horas
- Se o antígeno protetor voltar em até 48 horas com dez unidades por mililitro ou mais, a conduta é nenhuma medida específica. Se não voltar nesse prazo, conduz-se como resposta inadequada: imunoglobulina somada à primeira dose de vacina. A janela do produto é de sete dias na exposição percutânea, então há folga para esperar o exame.
- sexto, feche o circuito e programe o retorno
- Notifique o agravo e verifique a emissão da comunicação de acidente de trabalho, já que ela é celetista. Programe a sorologia de hepatite C no atendimento inicial e nos retornos, e o teste do vírus da imunodeficiência humana nas coletas de seguimento. O caso será encerrado como alta por paciente-fonte negativo se a fonte se confirmar, sem esperar todas as janelas.
Agora feche você
- Passo 1
- Rode as quatro perguntas com o que a vinheta dá e diga se a profilaxia antirretroviral está indicada, explicando o que a ausência da pessoa-fonte muda e o que ela não muda.
- Passo 2
- Localize a trabalhadora na tabela de hepatite B, dizendo em qual linha ela cai e por quê. Preste atenção ao número de doses registradas no cartão.
- Passo 3
- Diga a conduta de hepatite B para a coluna correspondente ao estado do antígeno de superfície da fonte, e escreva por extenso o que a coluna de fonte desconhecida manda fazer nesse caso.
- Passo 4
- Verifique os dois relógios do caso e diga se algum deles já se fechou. Nomeie os dois prazos separadamente e diga a que produto cada um pertence.
- Passo 5
- Feche o circuito administrativo, dizendo se cabe notificação e se cabe comunicação de acidente de trabalho para esta trabalhadora.
Onde a banca derruba
- 1Tratar as quatro perguntas como escore Não existe três de quatro. A indicação exige todas as respostas afirmativas, e um único não encerra o ramo — inclusive quando o não é o do tempo e a exposição foi gravíssima. Alternativa que oferece profilaxia com setenta e quatro horas de acidente está errada por estrutura, não por dose.
- 2Ler a linha da resposta vacinal adequada como esquema completo A tabela pede resposta conhecida e adequada, com antígeno protetor igual ou superior a dez unidades por mililitro. Três doses documentadas sem sorologia caem na linha da resposta desconhecida, que manda testar. Enunciado que diz apenas esquema completo na infância não autoriza a resposta de nenhuma medida.
- 3Trocar o prazo de quarenta e oito horas pelo prazo da imunoglobulina As quarenta e oito horas são o limite de espera pelo antígeno protetor do exposto; passado esse tempo, conduz-se como resposta inadequada. O prazo do produto é outro: até sete dias na exposição percutânea, com aplicação preferencial nas primeiras vinte e quatro horas.
- 4Oferecer profilaxia para a hepatite C Não há vacina, imunoglobulina nem antiviral profilático para esse vírus depois da exposição. Qualquer alternativa que ofereça medicamento preventivo contra a hepatite C está errada; o que se faz é seguimento com anticorpo, carga viral e enzima hepática, para tratar a infecção aguda se ela aparecer.
- 5Confundir mordedura com e sem sangue A mordedura só é exposição de risco quando há sangue presente. É um par simétrico que a banca escreve com cuidado: se o enunciado diz que não houve sangramento e a pele ficou íntegra, o caso morre na segunda pergunta e não há profilaxia nem acompanhamento.
- 6Esquecer que a saliva sai da lista de material sem risco no ambiente odontológico A saliva figura entre os materiais sem risco de transmissão ocupacional, com uma exceção nomeada: o ambiente odontológico, onde ela costuma estar misturada a sangue. Enunciado que descreve acidente em consultório dentário está usando a exceção, não a regra.
- 7Esperar exame para começar o esquema antirretroviral O protocolo manda que exame nenhum atrase o início da profilaxia, e diz isso literalmente sobre o hemograma. O único teste que precede a decisão é o teste rápido da pessoa exposta, que devolve resultado em até trinta minutos. Colher creatinina e enzimas hepáticas é seguimento, não pré-requisito.
- 8Achar que o vínculo empregatício decide a notificação Duas coisas diferentes: a notificação do agravo alcança todo trabalhador, com carteira ou sem, do setor saúde ou não. A comunicação de acidente de trabalho é documento previdenciário e só cabe a quem é segurado. Por isso a ficha nacional tem a opção de não se aplica nesse campo.
- 9Notificar exposição ocorrida fora do trabalho O critério do agravo é o vínculo com o ambiente ou o processo de trabalho. Contato com material biológico em casa, como o que acontece com uma criança, recebe o mesmo atendimento clínico e fica fora da ficha nacional deste agravo.
- 10Espremer o ferimento ou usar antisséptico agressivo São contraindicados os procedimentos que aumentam a área exposta, e o documento federal nomeia cortes e injeções locais, além de soluções irritantes como éter, hipoclorito e glutaraldeído. O cuidado imediato é água e sabão na pele, água ou solução salina fisiológica na mucosa.
Exposição de alto risco (agulha oca de grosso calibre, sangue visível, fonte HIV+ com CV alta) indica PEP com esquema tríplice preferencial TDF/3TC + dolutegravir por 28 dias, iniciada o quanto antes (ideal <2 h, até 72 h). Monoterapia com AZT está abandonada. Não se aguarda sorologia da fonte/profissional para iniciar — começa-se já. O risco não é desprezível numa exposição percutânea profunda com fonte virêmica. Dose única não confere profilaxia (esquema é de 28 dias).
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Uma agente comunitária de saúde é atendida na UBS após acidente com material perfurocortante ao auxiliar um curativo: sofreu lesão com agulha usada em paciente com sorologia desconhecida. Ela tem esquema vacinal completo para hepatite B com anti-HBs prévio reagente documentado. Além de lavar o local e notificar o acidente de trabalho, qual é a conduta apropriada em relação à hepatite B?
Profissional com esquema vacinal completo e anti-HBs previamente reagente documentado é considerado respondedor/imune; não necessita de imunoglobulina nem de reforço para hepatite B após exposição. Imunoglobulina + revacinação reservam-se a não respondedores/não vacinados. Não há antiviral profilático de rotina para hepatite B pós-exposição em respondedor. Aguardar a sorologia da fonte por semanas não é adequado, mas para HBV especificamente a proteção já está garantida pela resposta vacinal; a investigação da fonte segue para HIV/HCV. A conduta correta reconhece a imunidade estabelecida.
Médica residente de 26 anos sofre acidente com agulha oca, contendo sangue, durante punção venosa em paciente internado com hepatite B crônica (HBsAg reagente, HBeAg reagente, HBV-DNA 2 x 10^7 UI/mL). Na avaliação imediata, ocorrida 4 horas após o acidente, a residente informa nunca ter recebido a vacina contra hepatite B, e seus exames mostram anti-HBs não reagente, anti-HBc total não reagente e HBsAg não reagente. Encontra-se assintomática, com exame físico normal. Assinale a conduta de profilaxia pós-exposição adequada.
Exposição percutânea a fonte HBsAg reagente (aqui com alta infectividade — HBeAg reagente e carga viral elevada) em profissional suscetível (não vacinado, anti-HBs e anti-HBc não reagentes) tem indicação formal de profilaxia dupla: HBIG em dose única (0,06 mL/kg, idealmente em até 24-48 horas, com benefício aceito até 7 dias) associada ao início imediato do esquema vacinal de três doses, aplicados em locais anatômicos diferentes — a imunoglobulina dá proteção passiva imediata e a vacina, proteção ativa duradoura. Aplicar apenas a HBIG é erro: a vacina administrada precocemente após a exposição é eficaz e é justamente o que garante proteção a longo prazo; omiti-la deixa a profissional suscetível. Iniciar apenas o esquema vacinal de três doses também erra, pois a HBIG não se restringe ao recém-nascido — está indicada em exposição percutânea/sexual de suscetíveis a fonte HBsAg reagente. Não existe profilaxia pós-exposição com antiviral para o HBV nesse cenário: o esquema de tenofovir por 28 dias é conceito da profilaxia do HIV. Em todos os casos, mantém-se o acompanhamento sorológico e a notificação do acidente de trabalho.
Auxiliar de laboratório de 34 anos sofre respingo de sangue em mucosa ocular, há 6 horas, de paciente-fonte com infecção pelo vírus da imunodeficiência humana e carga viral detectável. Quanto à hepatite C, qual é a conduta correta?
Contra o vírus da hepatite C não existe vacina, anticorpo pronto nem esquema medicamentoso preventivo depois da exposição, e o protocolo federal encerra o tema afirmando que a única forma de reduzir esse risco é a prevenção do acidente. O que resta é o seguimento estruturado, com anticorpo, material genético do vírus e enzima hepática, colhidos até quarenta e oito horas, entre quatro e seis semanas e entre quatro e seis meses, para diagnosticar e tratar a infecção ainda na fase aguda. Oferecer imunoglobulina específica é transportar indevidamente a lógica da hepatite B, único dos três vírus que dispõe de anticorpo pronto. Antiviral de ação direta e interferon peguilado são tratamento de infecção estabelecida, e nenhum dos dois tem indicação profilática. Vacina para esse vírus simplesmente não existe.
Trabalhador de empresa de coleta de resíduos, 52 anos, sem registro em carteira, fere-se com agulha encontrada em saco de lixo domiciliar durante a jornada. É atendido na unidade básica. Quanto ao circuito de registro, qual a conduta correta?
O acidente com material biológico relacionado ao trabalho deve ser notificado no sistema de vigilância independentemente da ocupação ou de a fonte ser desconhecida. Além disso, a falta de anotação na carteira não descaracteriza automaticamente o vínculo previdenciário: pela Lei 8.213/1991, é segurado obrigatório como empregado quem presta serviço à empresa de modo não eventual, sob dependência e mediante salário, e a empresa deve comunicar o acidente à Previdência Social. Se ela não o fizer, o próprio acidentado, dependentes, sindicato, médico ou autoridade pública podem registrar a CAT. Portanto, neste caso de trabalhador da empresa acidentado durante a jornada, cabem a notificação do agravo e a CAT. Fontes: Lei 8.213/1991, arts. 11, 19 e 22; serviço oficial Registrar Comunicação de Acidente de Trabalho.
Enfermeiro de 38 anos sofre acidente percutâneo com sangue de fonte reagente para o antígeno de superfície da hepatite B. Ele tem duas séries completas de vacina, seis doses no total, e duas sorologias documentando antígeno protetor abaixo de 10 unidades por mililitro. Qual a conduta?
Quem não respondeu depois de duas séries completas é considerado não respondedor, e a tabela nacional troca a estratégia: em vez de insistir na vacina, oferece anticorpo pronto em duas doses, separadas por um mês. Essa mesma conduta se aplica quando a fonte é reagente e quando o estado dela é desconhecido. Insistir numa terceira série contraria a lógica da própria tabela, que já registrou duas falhas de resposta. Já a dose única de imunoglobulina somada ao começo de uma nova série pertence a quem falhou apenas na primeira série de três doses. Redosar o antígeno protetor não acrescenta informação, porque a resposta já é conhecida e é inadequada duas vezes — o rodapé das quarenta e oito horas existe para quem tem resposta desconhecida. Por fim, tratar seis doses como equivalente a proteção confunde esquema completo com resposta vacinal, que é justamente a distinção que esta linha da tabela ensina.
Médica residente de 27 anos sofre acidente percutâneo com agulha contaminada por sangue de paciente com antígeno de superfície da hepatite B reagente. Ela apresenta cartão com três doses da vacina e uma sorologia de dois anos atrás mostrando antígeno protetor de 84 unidades por mililitro. Qual a conduta específica para a hepatite B?
Esta residente está na linha de resposta vacinal conhecida e adequada, definida por antígeno protetor igual ou superior a dez unidades por mililitro. Essa linha da tabela nacional dá a mesma orientação nas três colunas de estado da fonte, inclusive na coluna de fonte reagente: nada a fazer. Quem respondeu à vacina mantém memória imunológica, e o título dosado no passado documenta essa resposta, de modo que não há indicação de reforço nem de anticorpo pronto. Já a imunoglobulina somada à vacinação pertence a quem não foi vacinado ou tem esquema incompleto; o par de doses de imunoglobulina com um mês de intervalo pertence a quem falhou depois de seis doses. Redosar o antígeno protetor e aguardar seria conduta da linha de resposta desconhecida, que não é o caso de quem já tem sorologia documentada.
Sobre os riscos de transmissão em acidente percutâneo com sangue contaminado e as ferramentas de profilaxia disponíveis, assinale a afirmação correta.
Entre os três, a hepatite B é de longe a mais transmissível dos três em acidente percutâneo, com evidência sorológica de infecção em até sessenta e dois por cento quando a fonte tem antígeno de replicação reagente, e é também o que mais vezes termina sem qualquer medida — basta que o trabalhador tenha resposta vacinal conhecida e adequada. O vírus da imunodeficiência humana tem o menor risco dos três, cerca de três por mil, e é o único que gera receita de vinte e oito dias, porque é o único com medicamento eficaz depois da exposição. Já a hepatite C ocupa a posição intermediária, com cerca de um vírgula oito por cento, e fica sem profilaxia por ausência de ferramenta, e não por baixo risco. Custo não entra na explicação: o que ordena a conduta é a existência de vacina, de anticorpo pronto ou de antirretroviral. Por fim, a exposição de mucosa tem risco menor que a percutânea, cerca de nove em dez mil contra três em mil.
Cirurgião-dentista de 45 anos relata que, durante atendimento, recebeu respingo de saliva do paciente na conjuntiva, sem sangue visível no campo operatório. Ele pergunta se há indicação de profilaxia antirretroviral. Qual a resposta correta?
Suor, lágrima, fezes, urina, vômito, secreção nasal e saliva compõem a lista de materiais sem risco de transmissão ocupacional, e a saliva carrega uma exceção expressa: o ambiente odontológico, onde ela costuma estar misturada a sangue. Reconhecer a exceção é o que a questão cobra, e a consequência é seguir com as demais perguntas em vez de encerrar o caso na primeira. Tratar a saliva como material de risco em todo cenário ignora a lista fechada. Chamar a conjuntiva de pele íntegra é erro anatômico e de classificação: membrana mucosa é exposição de risco declarada no protocolo. Já o prazo de duas horas não existe como critério de indicação: o limite é de setenta e duas horas, com a recomendação de começar o mais cedo possível dentro dele.
Técnica de enfermagem sofre acidente com agulha oca durante punção venosa, há duas horas, com sangramento no dedo. O paciente-fonte tem sorologia desconhecida. Segundo o protocolo nacional, quais são as quatro condições que, todas presentes, indicam a profilaxia antirretroviral pós-exposição?
As quatro perguntas do protocolo são material biológico de risco, tipo de exposição de risco, intervalo menor que setenta e duas horas e pessoa exposta não reagente no momento do atendimento. Todas precisam ser afirmativas, porque a lista é conjunção e não somatório. O estado sorológico da pessoa-fonte não integra as quatro: o próprio protocolo escreve que ele é o único critério não obrigatório, já que a fonte nem sempre está presente ou disponível para testagem. Já a vacinação contra hepatite B pertence a outra régua, a tabela de situação vacinal, e não interfere na indicação do esquema antirretroviral. Já o prazo de vinte e quatro horas não é limite de indicação: é a recomendação preferencial de aplicação da imunoglobulina, produto de outra profilaxia.
Técnico de enfermagem de 31 anos, com acidente percutâneo há 3 horas e fonte com sorologia desconhecida, tem esquema vacinal completo para hepatite B na infância, sem sorologia de controle. Colhe-se o antígeno protetor, e o laboratório informa que o resultado sairá em cinco dias. Qual a conduta?
O rodapé da tabela nacional resolve exatamente esta situação: quando o resultado do antígeno protetor não fica disponível dentro de quarenta e oito horas, conduz-se o caso como resposta vacinal inadequada. Não é um julgamento clínico, é uma regra escrita, e ela existe porque a janela do produto tem prazo. Esperar cinco dias comprometeria essa janela, que na exposição percutânea é de sete dias e não de catorze — o prazo de catorze dias vale para a exposição sexual. Deixar o caso indefinido até o resultado também contraria a regra, que fornece uma saída determinística. Aplicar imunoglobulina sem olhar a situação vacinal ignora a coluna da fonte e a linha do trabalhador, que juntas podem indicar apenas completar vacinação. Por fim, tratar esquema completo na infância como resposta adequada confunde vacinação documentada com resposta documentada, distinção que a própria tabela sustenta ao criar uma linha separada para a resposta desconhecida.
Uma profissional de saúde vacinada contra hepatite B, com anti-HBs de 250 mUI/mL documentado no passado, sofre acidente com paciente-fonte de sorologia desconhecida. Qual a conduta?
Respondedor vacinal documentado, com anticorpo de superfície igual ou superior a 10 mUI/mL em algum momento após o esquema completo, é considerado protegido de forma duradoura, mesmo que o título tenha caído com o tempo, e não requer imunoglobulina nem reforço após exposição. O erro comum é dosar o anticorpo no momento do acidente, encontrá-lo baixo e concluir por perda de proteção, o que gera intervenções desnecessárias. O restante do protocolo de acidente, incluindo avaliação para o vírus da imunodeficiência humana e o vírus C, permanece obrigatório.
Durante inspeção em um hospital, observa-se que as caixas de descarte de perfurocortantes estão cheias até a borda e apoiadas sobre a bancada, e que as agulhas são reencapadas por um funcionário da limpeza antes de serem descartadas. Segundo a norma de segurança e saúde no trabalho em serviços de saúde, quais são as exigências corretas?
A norma veda o reencape e a desconexão manual de agulhas, atribui o descarte do perfurocortante ao próprio trabalhador que o utilizou e fixa o limite máximo de enchimento do recipiente rígido em 5 cm abaixo do bocal, com o recipiente em suporte exclusivo e em altura que permita ver a abertura. As três exigências são cumulativas, e as três estão descumpridas na cena descrita. Deslocar o descarte para a equipe de limpeza transfere o risco a quem não manuseou o objeto e não sabe o que há dentro da caixa. Admitir o reencape com técnica de uma só mão, ou restringi-lo às agulhas de sutura, contorna uma vedação que não tem exceção no texto. Os limites de 2 cm e de 10 cm são números plausíveis e inexistentes. E negar a existência de limite ignora o item que o escreve. Na mesma norma, a vacinação eficaz é fornecida gratuitamente pelo empregador, com controle de eficácia, reforço e registro em prontuário, e a recusa do trabalhador exige documento comprobatório depois de informados vantagens, efeitos colaterais e riscos.
Uma enfermeira relata dois episódios ao serviço de saúde ocupacional. No primeiro, feriu-se com agulha ao puncionar um paciente durante o plantão. No segundo, ocorrido no fim de semana, feriu-se em casa com a agulha da caneta de insulina do próprio pai, ao ajudá-lo na aplicação. Quanto à notificação do agravo acidente de trabalho com exposição a material biológico, qual é a conduta correta?
A definição nacional do agravo é larga quanto à ocupação — alcança qualquer trabalhador que tenha contato com material potencialmente contaminado, e não apenas o pessoal da saúde — mas é estreita quanto ao cenário: contatos ocorridos fora do ambiente ou das condições de trabalho ficam de fora da ficha. O mesmo sangue e a mesma agulha mudam de registro porque muda o cenário, e o acidente em casa, ajudando um familiar, não é notificado. Tomar o material como critério apaga essa fronteira. Notificar apenas o episódio doméstico inverte tudo e ainda supõe que a comunicação previdenciária substitua a notificação, quando os dois trilhos são independentes. A conversão sorológica é campo de evolução do caso, preenchido no encerramento, e nunca condição para notificar. E o preenchimento como não se aplica existe para separar o trabalhador segurado do sem vínculo formal, e não para acomodar um acidente doméstico na ficha.
Técnico de laboratório procura o serviço 84 horas depois de acidente percutâneo com agulha usada em paciente-fonte de sorologia desconhecida. Está assintomático, nunca colheu sorologias e não sabe informar se respondeu à vacina contra hepatite B. Ele pergunta se ainda há o que fazer.
As quatro perguntas que indicam a profilaxia antirretroviral formam uma conjunção, e uma delas é o intervalo inferior a 72 horas: com 84 horas, a resposta é negativa e o esquema deixa de ser indicado, por mais grave que tenha sido a exposição. Perder a janela retira a receita, não o paciente — testa-se, vacina-se quando indicado e mantém-se o seguimento sorológico. E há razão concreta para não dispensar o trabalhador: a janela da imunoglobulina contra hepatite B, na exposição percutânea, é de sete dias, de modo que a linha da hepatite B continua aberta neste caso de resposta vacinal desconhecida. Encurtar o esquema para catorze dias inventa uma duração; a do esquema indicado é de 28 dias. Atribuir o prazo de 72 horas apenas à exposição sexual troca a régua, pois ele vale para a indicação em qualquer via. E nenhum resultado da pessoa-fonte reabre o prazo já vencido.
Homem de 40 anos sofre acidente com material biológico perfurocortante durante procedimento em paciente com sorologia desconhecida. Sobre a notificação, assinale a correta.
A exposição a material biológico relacionada ao trabalho está na lista de notificação compulsória, e a notificação é independente do resultado sorológico do paciente-fonte ou de eventual soroconversão — ela existe para dimensionar o risco ocupacional e disparar o seguimento. Condicionar à soroconversão engana quem raciocina com desfecho: aí a vigilância chegaria tarde demais para a profilaxia, que deve começar em horas.
Profissional sofre acidente com fonte anti-HCV positiva. Qual a conduta recomendada?
Não existe vacina nem profilaxia pós-exposição para hepatite C: a estratégia é o seguimento com sorologia e pesquisa de carga viral, para diagnosticar precocemente a infecção aguda e tratá-la com antivirais de ação direta, que têm altíssima taxa de cura. Prescrever antiviral profilático parece atraente pela eficácia da droga na doença estabelecida, mas não há recomendação nesse contexto. Encerrar o seguimento em 30 dias perde a janela diagnóstica.
Técnica de enfermagem sofre respingo de sangue em pele íntegra do antebraço, de paciente com HIV. Qual a conduta?
Pele íntegra não é material de risco para transmissão do HIV: a exposição de risco exige pele não íntegra, mucosa ou via percutânea. Iniciar profilaxia nesse cenário expõe a profissional a 28 dias de fármaco sem qualquer benefício, e é o erro que a régua da profilaxia existe justamente para evitar. Deve-se registrar o acidente, avaliar hepatites B e C e orientar, mesmo sem antirretroviral.
Profissional de saúde não vacinado contra hepatite B sofre acidente percutâneo com paciente HBsAg positivo. Qual a conduta correta?
Para o não vacinado exposto a fonte positiva, indicam-se ao mesmo tempo a imunoglobulina hiperimune, que oferece proteção passiva imediata, e a vacinação completa, que constrói a proteção duradoura, em locais anatômicos diferentes. Aplicar apenas um dos dois é o erro mais comum: só a vacina demora a proteger, e só a imunoglobulina deixa o profissional suscetível no futuro. O antirretroviral não tem papel na hepatite B pós-exposição ocupacional.
Além da conduta clínica, qual providência é obrigatória após acidente de trabalho com material biológico em profissional celetista?
Acidente com material biológico é agravo de notificação compulsória e, no trabalhador com vínculo celetista, exige emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho — documento que garante direitos previdenciários e estabilidade, independentemente de haver ou não soroconversão. Condicionar a formalização à soroconversão é o erro que mais prejudica o trabalhador, porque o nexo se estabelece a partir do evento, e não do desfecho.
Qual é o esquema preferencial de profilaxia pós-exposição ao HIV recomendado no Brasil para exposição ocupacional?
O esquema preferencial reúne três fármacos — tenofovir, lamivudina e dolutegravir — por 28 dias, com boa tolerância e alta barreira genética. Esquema com apenas dois fármacos ou com duração de 14 dias é o distrator baseado em recomendações antigas já superadas. O efavirenz saiu do esquema preferencial por efeitos neuropsiquiátricos que comprometem a adesão justamente no profissional que precisa completar quatro semanas de tratamento.
Residente de 27 anos sofre acidente com agulha oca de grosso calibre, com sangue visível, ao puncionar veia de paciente com HIV, carga viral de 90.000 cópias/mL. Lesão profunda em dedo. Qual a conduta imediata?
A exposição é de alto risco e a profilaxia deve começar o mais rápido possível, com limite de 72 horas; a fonte já é sabidamente positiva, de modo que não há o que aguardar. Espremer o ferimento ou usar substâncias cáusticas é contraindicado, pois aumenta a área de exposição tecidual e não reduz a transmissão. Não existe imunoglobulina específica para o HIV — esse distrator transfere a lógica da profilaxia da hepatite B.
Médico de 33 anos sofre acidente percutâneo com paciente-fonte desconhecido, em unidade com alta prevalência de HIV. Qual a conduta em relação à profilaxia?
Com fonte desconhecida, a decisão é individualizada, pesando o tipo e a gravidade da exposição e a prevalência local — em exposição percutânea profunda com material de alto risco em serviço de alta prevalência, a profilaxia costuma ser indicada. Recusar sistematicamente por não haver fonte identificada é o erro que deixa o profissional desprotegido; iniciar em toda e qualquer exposição, mesmo em pele íntegra, é o excesso oposto. Esperar as 72 horas anula a eficácia.
Qual conjunto de exames deve ser solicitado ao profissional exposto no momento do acidente com material biológico?
A avaliação basal documenta o estado sorológico do profissional no momento do acidente — condição indispensável para caracterizar eventual soroconversão e para fins previdenciários — e inclui HIV, marcadores de hepatite B com avaliação do estado vacinal e anti-HCV. Solicitar apenas o teste para HIV é o recorte incompleto mais frequente. Carga viral e genotipagem no profissional sem infecção não têm indicação nesse momento.
Profissional em uso de profilaxia pós-exposição ao HIV pergunta sobre o seguimento sorológico. Qual a orientação correta?
Com os testes atuais de quarta geração, o seguimento é realizado ao término da profilaxia e em torno de 12 semanas após a exposição, período em que praticamente todas as soroconversões já teriam ocorrido; o seguimento prolongado por 6 a 12 meses ficou restrito a situações particulares, como coinfecção pelo vírus da hepatite C na fonte. Testar apenas quem apresenta sintomas é falha grave, porque boa parte das infecções agudas cursa de forma oligossintomática.
Após acidente com material biológico proveniente de paciente com hepatite C, qual é a conduta correta em relação a esse vírus?
Para a hepatite C não há vacina nem imunoglobulina, e a estratégia é vigilância ativa: repetir sorologia e pesquisar o material genético do vírus nos meses seguintes, porque a infecção aguda detectada cedo tem taxas altíssimas de cura com os antivirais de ação direta. Imaginar uma imunoglobulina específica é o distrator que nasce da analogia com a hepatite B, e não existe. Também não se justifica tratar profilaticamente todos os expostos, dado que a maioria não se infecta.
Profissional de saúde sofre acidente com agulha encontrada em recipiente de descarte, sem identificação da fonte, com lesão superficial em dedo. Qual a orientação sobre profilaxia para HIV?
Quando a fonte não pode ser identificada nem testada, a probabilidade de exposição efetiva ao HIV é baixa e a recomendação geral é não indicar a profilaxia, salvo em situações de alta prevalência ou de exposição particularmente grave, decisão que se toma caso a caso. Prescrever o esquema para toda exposição indiscriminadamente é o excesso que a questão testa, e submete profissionais a efeitos adversos sem benefício. Aguardar sintomas é conduta inaceitável, pois a janela de intervenção já terá passado.
Imediatamente após um acidente perfurocortante, qual conduta local está formalmente contraindicada?
Espremer a ferida aumenta o trauma local e a hiperemia, favorecendo a exposição do inóculo a vasos, e substâncias cáusticas lesam o tecido sem qualquer ganho comprovado de redução do risco. O correto é lavagem abundante com água e sabão na pele e com solução salina nas mucosas. A tentação de espremer é intuitiva e por isso persiste na prática, o que faz dela a resposta certa em uma pergunta sobre o que não fazer. Notificação e avaliação da fonte são etapas obrigatórias do protocolo.
Técnica de enfermagem de 26 anos sofre acidente com agulha usada em paciente com HIV com carga viral detectável. O acidente ocorreu há 6 horas. Qual a conduta?
A profilaxia pós-exposição ao HIV deve começar o mais rápido possível, com janela máxima de 72 horas — seis horas ainda está dentro do prazo, e atrasar em busca de resultados reduz a eficácia. Testa-se a profissional, mas o teste rápido é feito no momento e não deve postergar a primeira dose. Não existe imunoglobulina específica para HIV; a confusão vem da hepatite B, em que imunoglobulina e vacina compõem a conduta. O acidente com material biológico também é acidente de trabalho e exige a comunicação formal.
Profissional de saúde com esquema vacinal completo para hepatite B e anti-HBs documentado acima de 10 mUI/mL sofre exposição percutânea a sangue de fonte com HBsAg reagente. Qual a conduta específica para hepatite B?
Resposta vacinal documentada com título protetor confere proteção duradoura, mesmo que o anti-HBs decline com os anos, e nenhuma medida adicional é indicada após exposição. Aplicar imunoglobulina nesse profissional é gasto sem benefício e reflete a confusão entre quem tem esquema completo com resposta comprovada e quem tem esquema completo sem sorologia conhecida, situação em que a testagem orienta a conduta. Reiniciar toda a série vacinal em respondedor é conduta desnecessária.
Profissional de saúde não vacinado contra hepatite B sofre exposição percutânea a sangue de paciente com HBsAg reagente. Qual a conduta específica para hepatite B?
A profilaxia da hepatite B combina proteção passiva imediata, com a imunoglobulina hiperimune, e proteção duradoura, com o início do esquema vacinal, e a eficácia cai rapidamente com o tempo, sendo ideal aplicar nas primeiras horas. Fazer só a vacina em quem nunca foi imunizado é o erro que deixa o profissional desprotegido no período de incubação, e fazer só a imunoglobulina desperdiça a chance de imunidade definitiva. O antiviral não tem papel de profilaxia pós-exposição nesse contexto.
Durante procedimento cirúrgico, um residente recebe respingo de sangue em conjuntiva ocular, proveniente de paciente vivendo com HIV sem tratamento. Qual a classificação e a conduta?
Mucosa é porta de entrada reconhecida, e sangue de fonte com replicação viral ativa configura risco que justifica a profilaxia, além da lavagem imediata e abundante com solução salina ou água. Classificar como exposição sem risco é o erro que mais deixa profissionais desassistidos, porque o senso comum associa transmissão apenas a agulhas. Aplicar álcool ou antisséptico na conjuntiva é conduta lesiva e não reduz o risco. O acompanhamento sorológico é necessário, mas não substitui a profilaxia.
Sobre a profilaxia pós-exposição ao HIV, qual conjunto de informações está correto quanto a prazo, esquema e seguimento?
A janela é curta e improrrogável, o esquema é triplo e completa vinte e oito dias, e o seguimento sorológico se estende por cerca de três meses para documentar ou afastar soroconversão. Reduzir o curso ou o número de fármacos é o erro que compromete a eficácia demonstrada, e ampliar a janela para dias ou semanas transforma a intervenção em placebo caro. A orientação de iniciar nas primeiras horas não é preciosismo: a eficácia cai de forma acentuada a cada hora de atraso.
Um profissional relata que respingou sangue de paciente desconhecido sobre a pele íntegra do antebraço, que foi lavada logo em seguida. Qual a conduta?
A pele sem solução de continuidade é barreira eficaz, e o contato de sangue sobre ela não caracteriza exposição de risco para HIV ou hepatites, dispensando profilaxia. Prescrever o esquema de vinte e oito dias nesse cenário é o excesso que expõe o profissional a náusea, cefaleia e alterações laboratoriais sem qualquer ganho. O que muda a classificação é a existência de dermatite, ferida ou área desnuda, e por isso a inspeção cuidadosa do sítio de contato faz parte da avaliação.
Técnica de enfermagem sofre acidente perfurocortante com agulha de grosso calibre, contendo sangue visível, após punção venosa em paciente sabidamente vivendo com HIV e com carga viral detectável. O acidente ocorreu há 40 minutos. Qual a conduta?
Exposição percutânea com agulha de grosso calibre e sangue visível, tendo como fonte pessoa com carga viral detectável, é cenário de risco elevado e exige início imediato do esquema tríplice, mantido por vinte e oito dias completos. A profilaxia deve começar nas primeiras horas, sem esperar exames da própria profissional, que são colhidos em paralelo apenas para documentar o estado basal. Encurtar o curso ou reduzir para dois fármacos são erros que comprometem a eficácia comprovada do esquema.
Em um serviço de emergência, discute-se por que a avaliação da fonte deve ser feita com testes rápidos e por que a profilaxia pós-exposição ao HIV não deve aguardar esse resultado quando ele demora. Qual é a justificativa correta?
O benefício da profilaxia é máximo nas primeiras horas e praticamente nulo depois de setenta e duas horas, o que inverte a lógica habitual de investigar antes de tratar: começa-se o esquema pelo risco estimado e interrompe-se sem prejuízo se a fonte se revelar não reagente. Esperar o exame por princípio é o erro que a questão desmonta e já custou janelas terapêuticas. Os testes rápidos, quando disponíveis, encurtam essa incerteza e devem ser usados na fonte, com consentimento.
Sobre a profilaxia pós-exposição ao HIV após acidente com material biológico de fonte com carga viral detectável, qual afirmação está correta?
A profilaxia pós-exposição ao HIV é uma corrida contra o relógio: quanto mais cedo, melhor, com janela máxima de 72 horas e duração de 28 dias com esquema de três fármacos. Esperar resultados para começar é o erro que desperdiça as horas mais valiosas — a testagem do acidentado se faz em paralelo, para documentar o estado basal. Exposição percutânea com material de fonte positiva é justamente a indicação clássica.
Trabalhador da saúde sofre acidente percutâneo com fonte sabidamente positiva para hepatite C. Qual é a conduta correta?
Para a hepatite C não existe vacina nem imunoglobulina, e não se recomenda profilaxia medicamentosa após exposição — a estratégia é vigiar com HCV-RNA precoce e sorologias seriadas para detectar a infecção aguda, que hoje pode ser curada com antivirais de ação direta. Prescrever antiviral profilático é o distrator que parece proativo, mas expõe a custo e toxicidade sem evidência de benefício, e não abandonar o seguimento é o que realmente protege o profissional.
Tecnica de enfermagem sofre acidente com material perfurocortante contaminado por paciente com HIV nao tratado. Alem da CAT e da notificacao, a conduta imediata e:
A profilaxia pos-exposicao ao HIV deve comecar o mais rapido possivel, de preferencia nas primeiras 2 horas, com limite de 72 horas, apos teste rapido da profissional para afastar infeccao previa — o esquema dura 28 dias. Esperar exames complementares ou avaliacao especializada engana quem quer 'confirmar a indicacao', mas cada hora reduz a eficacia. Nao se deve usar substancias causticas no ferimento, apenas agua e sabao ou solucao fisiologica.
Profissional de saúde sofre acidente com agulha oca proveniente de paciente com HBsAg reagente. O profissional recebeu três doses da vacina contra hepatite B na infância e nunca dosou anti-HBs. Anti-HBs colhido no momento: 3 mUI/mL. Qual a conduta?
Anti-HBs abaixo de 10 mUI/mL classifica o profissional como não respondedor ou com proteção não documentada, e diante de fonte com HBsAg reagente a conduta combina imunoglobulina hiperimune, idealmente nas primeiras 24 a 48 horas, com nova série vacinal. Confiar no esquema antigo sem sorologia é o erro mais frequente. O tenofovir profilático pertence ao protocolo do HIV, e transportá-lo para a hepatite B é confusão de fluxos.
Homem de 30 anos, profissional de saúde, sofre acidente com material perfurocortante ao manipular agulha usada em paciente com carga viral de HIV detectável. A exposição ocorreu há 2 horas, com lesão percutânea profunda. O profissional tem sorologia negativa para HIV e esquema completo de hepatite B com anti-HBs reagente. Qual é a conduta imediata?
Exposição percutânea profunda a fonte com HIV detectável indica profilaxia antirretroviral iniciada o mais precocemente possível, idealmente nas primeiras 2 horas, com seguimento sorológico do profissional. Imunoglobulina anti-hepatite B não é necessária em profissional com anti-HBs reagente, que já está protegido. A proteção contra hepatite B não confere qualquer proteção contra o HIV, de modo que dispensar a profilaxia é erro grave. Aguardar 72 horas desperdiça a janela de maior eficácia da profilaxia.
Técnica de enfermagem de 30 anos sofre acidente com agulha oca contaminada com sangue de paciente com hepatite B em atividade replicativa. A profissional recebeu três doses da vacina contra hepatite B há oito anos, mas nunca dosou anticorpos anti-HBs. O acidente ocorreu há duas horas. Ela está assintomática e sem hepatopatia. Qual é a conduta imediata?
Diante de fonte com replicação viral e profissional sem resposta vacinal documentada, a conduta é verificar rapidamente o anti-HBs e, na ausência de proteção comprovada, associar imunoglobulina hiperimune e vacina, medidas tempo-dependentes que devem ocorrer nas primeiras horas. Repetir apenas a vacina deixa desprotegido o período de incubação. Antirretroviral profilático se aplica à exposição ao HIV, não à hepatite B. Aguardar 30 dias inviabiliza a profilaxia, que perde eficácia com o tempo.
Técnica de enfermagem de 26 anos procura a Unidade de Pronto Atendimento 90 minutos após sofrer acidente perfurocortante com agulha de grosso calibre usada em punção venosa de paciente sabidamente vivendo com HIV, em falha terapêutica, e com sorologia positiva para hepatite C. A profissional recebeu três doses da vacina contra hepatite B e tem anti-HBs reagente documentado. A lesão foi profunda no dedo indicador, com sangramento. Está assintomática, com sinais vitais normais. A conduta imediata correta é:
Exposição percutânea profunda com agulha de grosso calibre e fonte com HIV em falha terapêutica é de alto risco: a profilaxia antirretroviral deve começar o mais rápido possível, idealmente nas primeiras duas horas e no máximo em 72 horas, sem esperar exames. Coletam-se sorologias basais e mantém-se seguimento para hepatite C, que não tem profilaxia pós-exposição, apenas monitoramento com detecção precoce e tratamento se houver infecção. Esperar resultados desperdiça a janela de eficácia. Imunoglobulina e reforço vacinal para hepatite B são desnecessários em profissional com anti-HBs reagente documentado, que já está protegida. Antiviral de ação direta é tratamento, não profilaxia.
Agente comunitária de saúde de 40 anos sofre acidente com material biológico durante visita domiciliar, ao ser atingida no olho por respingo de sangue de usuário em manejo de ferida. O usuário-fonte é conhecido da equipe e está em acompanhamento por HIV, com carga viral detectável na última coleta. A profissional é imunizada para hepatite B com anti-HBs reagente e não usa medicamentos. Ela procura a unidade cerca de duas horas após o acidente, assintomática. A conduta correta é:
Exposição de mucosa a sangue de fonte com HIV e carga viral detectável é indicação de profilaxia pós-exposição, que deve ser iniciada o mais rápido possível, idealmente nas primeiras duas horas e até 72 horas, após lavagem abundante do local, com notificação obrigatória do acidente de trabalho. Restringir a conduta a lavagem e sorologias tardias perde a janela de profilaxia. Condicionar o início à sorologia da profissional inverte a lógica: sorologia reagente inicial indicaria infecção prévia e contraindicaria a profilaxia. Profissional com anti-HBs reagente já está protegida contra hepatite B e não necessita de imunoglobulina nem de reforço.
Técnica de enfermagem de 29 anos sofre acidente perfurocortante com agulha oca, com sangue visível, durante punção venosa em paciente sabidamente vivendo com HIV, com carga viral detectável e sem uso regular de terapia antirretroviral. O acidente ocorreu há 40 minutos. Ela é vacinada contra hepatite B com anti-HBs reagente e sua sorologia para HIV é não reagente no teste rápido realizado agora. Ao exame: pequena lesão puntiforme no dedo, sem sangramento ativo. Qual é a conduta correta?
Acidente percutâneo com agulha oca e sangue visível de paciente com carga viral detectável configura exposição de risco, e a profilaxia antirretroviral deve ser iniciada o mais rápido possível, idealmente nas primeiras horas e até 72 horas, mantida por 28 dias, com seguimento sorológico. Aguardar semanas perde inteiramente a janela de eficácia. A profissional já tem proteção comprovada contra hepatite B, tornando a imunoglobulina desnecessária, e ela não substitui os antirretrovirais. O tamanho da lesão não afasta o risco de transmissão nesse tipo de exposição.
Uma técnica de enfermagem de 26 anos sofre acidente com material biológico ao encapar agulha usada em punção venosa de paciente com sorologias desconhecidas. Ela procura imediatamente o serviço, muito ansiosa, e relata que lavou o local com água e sabão. Ao exame: pequena lesão puntiforme no dedo indicador, sem sangramento ativo, sem sinais inflamatórios. Ela é vacinada contra hepatite B, mas nunca dosou anticorpos. O paciente-fonte está internado e pode ser testado. Qual é a conduta correta?
Após acidente com material biológico, a conduta inclui cuidados locais, testagem rápida da profissional e do paciente-fonte, avaliação de profilaxia pós-exposição ao HIV conforme o risco e o resultado da fonte, avaliação da imunidade contra hepatite B com eventual imunoglobulina e vacina, notificação do acidente de trabalho e seguimento sorológico. Aguardar semanas perde a janela da profilaxia. Iniciar antirretrovirais para todos, mesmo com fonte negativa, expõe a toxicidade sem benefício. Não conduzir o caso desassiste a trabalhadora e descumpre a legislação.
Gestante de 31 anos, com 34 semanas, é atendida na Unidade Básica de Saúde após acidente com material perfurocortante no trabalho como técnica de enfermagem, ocorrido há quatro horas, com paciente-fonte com sorologia desconhecida. Ela está assintomática, com o esquema vacinal completo para hepatite B e anti-HBs reagente documentado. Ao exame, apresenta pequena lesão puntiforme em polpa digital, sem sangramento ativo, e está normotensa, com exame obstétrico normal. A conduta correta é
Diante de exposição ocupacional com fonte desconhecida, avalia-se a indicação de profilaxia pós-exposição ao HIV conforme protocolo e o tempo decorrido, com testagem da fonte quando possível, sendo dispensada profilaxia adicional para hepatite B em profissional com imunidade documentada. Os antirretrovirais não são contraindicados na gestação. Imunoglobulina não é indicada com anti-HBs reagente. Aguardar 72 horas reduz drasticamente a eficácia da profilaxia antirretroviral.
Menina de 12 anos é levada à Unidade Básica de Saúde após ferimento com material perfurocortante encontrado na rua, ocorrido há duas horas, com pequena lesão no pé. A mãe está preocupada com a possibilidade de infecção por vírus transmitidos pelo sangue. Ao exame: pequena lesão puntiforme no dorso do pé, sem sangramento ativo, sem corpo estranho retido e sem sinais de infecção, com esquema vacinal completo para a idade, incluindo hepatite B. Qual é a conduta correta?
Em ferimento com material perfurocortante descartado, sem fonte identificável, a conduta inclui lavagem da ferida, avaliação da situação vacinal antitetânica, orientação de que o risco de transmissão viral é muito baixo nesse cenário, dada a inviabilidade dos vírus fora do organismo, e seguimento conforme protocolo, com profilaxia avaliada individualmente. Indicar profilaxia antirretroviral completa a todos esses casos é conduta desproporcional. Não realizar nada ignora o risco de tétano e de infecção bacteriana. Solicitar sorologias sem orientação e sem seguimento é conduta incompleta.
Adolescente de 17 anos, estudante de curso técnico em enfermagem, comparece ao pronto-socorro duas horas após acidente com agulha durante coleta de sangue de paciente com sorologia desconhecida. Ele apresenta esquema vacinal completo para hepatite B, com comprovação documental, e nunca dosou anticorpos protetores. Ao exame: ferimento puntiforme em polpa digital, sem sangramento ativo, sem sinais inflamatórios locais e em bom estado geral, sem outras queixas e com sinais vitais normais. Qual é a conduta correta?
Diante de acidente com material biológico, a conduta inclui cuidados locais, avaliação do tipo de exposição e do paciente-fonte com testagem rápida, indicação de profilaxia pós-exposição ao HIV nas primeiras horas quando indicada, avaliação da situação vacinal e sorológica para hepatite B e seguimento sorológico. Indicar antirretroviral para todos os acidentes sem avaliar a fonte expõe a toxicidade desnecessária. Dispensar a avaliação ignora o risco de HIV e hepatite C. Aguardar 30 dias perde a janela da profilaxia.
Uma técnica de enfermagem de 42 anos completou dois esquemas de três doses da vacina contra hepatite B e mantém anti-HBs abaixo de 10 mUI/mL, com HBsAg e anti-HBc não reagentes. Ela trabalha em centro cirúrgico e sofreu acidente perfurocortante com paciente-fonte HBsAg reagente há duas horas. O médico do serviço de saúde do trabalhador precisa definir a conduta imediata para essa profissional. Ela usava luvas no momento do acidente, a agulha era oca e com sangue visível, e o paciente-fonte tem carga viral detectável para o vírus da hepatite B. Qual é a conduta correta?
Profissional não respondedor após dois esquemas vacinais completos, exposta a fonte HBsAg reagente, deve receber imunoglobulina hiperimune o mais precocemente possível, pois a proteção depende da imunização passiva; conforme o protocolo, considera-se ainda a segunda dose em intervalo definido. Aplicar uma terceira série vacinal não confere proteção em tempo hábil para a exposição atual. Assumir proteção sem resposta sorológica documentada é erro conceitual. Antivirais orais compõem esquemas de profilaxia para HIV, não para hepatite B nesse contexto.
Homem, 38 anos, técnico de enfermagem, sofre acidente perfurocortante com agulha oca previamente inserida em veia de paciente-fonte com HIV em tratamento irregular e carga viral de 45.000 cópias/mL. O acidente ocorreu há 90 minutos. O profissional tem sorologias prévias negativas para HIV, hepatite B e C, e esquema vacinal completo para hepatite B com anti-HBs de 120 mUI/mL (VR > 10). Qual a conduta imediata?
Exposição percutânea com agulha oca de paciente-fonte com HIV e carga viral elevada é acidente de alto risco, e a profilaxia pós-exposição deve começar o mais precocemente possível, idealmente em até 2 horas, com o esquema preferencial de tenofovir, lamivudina e dolutegravir por 28 dias. Esperar 30 dias para testar o profissional inviabiliza a profilaxia, que só é eficaz se iniciada antes do estabelecimento da infecção. Condicionar o início a nova carga viral do paciente-fonte perde a janela terapêutica, pois a fonte já é sabidamente infectada. A imunoglobulina anti-hepatite B não está indicada em profissional com anti-HBs acima de 10 mUI/mL, e postergar antirretroviral até a soroconversão contradiz o próprio conceito de profilaxia. Alegar proteção cruzada é erro conceitual, pois a imunidade contra hepatite B não interfere no risco de HIV.
Um homem de 45 anos comparece à unidade de saúde após acidente com material perfurocortante durante procedimento em paciente com HIV com carga viral detectável. A exposição ocorreu há 3 horas, com agulha oca e sangue visível, produzindo ferimento profundo em dedo. O profissional não usa antirretrovirais, tem sorologia anti-HIV negativa no momento e não tem contraindicações medicamentosas conhecidas. Qual a conduta indicada?
Exposição percutânea profunda com agulha oca e sangue de paciente com carga viral detectável é de alto risco, indicando profilaxia pós-exposição com esquema antirretroviral iniciado o mais rápido possível, idealmente nas primeiras horas, mantido por 28 dias, com acompanhamento sorológico. Aguardar 30 dias perde completamente a janela de eficácia da profilaxia. Não existe antirretroviral tópico com essa finalidade. Um curso de três dias é insuficiente e não confere proteção. Afirmar risco nulo é factualmente incorreto, pois a exposição percutânea a sangue infectado tem risco de transmissão bem documentado.
Um profissional de saúde de 30 anos, com esquema vacinal para hepatite B completo há 8 anos, sofre acidente com material perfurocortante de paciente-fonte com hepatite B ativa e carga viral detectável. O profissional nunca dosou anticorpos anti-HBs após a vacinação. O acidente ocorreu há 4 horas, com agulha oca e sangue visível, produzindo ferimento profundo em dedo da mão direita. Qual a conduta indicada?
Diante de exposição a fonte com hepatite B ativa em profissional vacinado, mas sem comprovação de resposta imunológica, deve-se dosar o anti-HBs com urgência e, na ausência de resposta documentada, administrar imunoglobulina específica associada a dose de vacina, o mais precocemente possível. Considerar o esquema completo suficiente sem comprovar soroconversão deixa desprotegido quem não respondeu. Não existem antirretrovirais indicados como profilaxia pós-exposição para hepatite B nesse contexto. Repetir todo o esquema sem imunoglobulina não protege na janela crítica. Aguardar seis meses elimina qualquer possibilidade de profilaxia eficaz.
Profissional de enfermagem sofre acidente com agulha oca contendo sangue de paciente-fonte com carga viral do HIV detectável e sorologia positiva para hepatite C. A profissional tem esquema vacinal completo contra hepatite B, com anti-HBs reagente documentado. O acidente ocorreu há 90 minutos e houve perfuração profunda com sangue visível no dispositivo. Qual a conduta indicada?
Iniciar profilaxia pós-exposição ao HIV e acompanhar sorologia para hepatite C é a conduta indicada: a exposição percutânea profunda com sangue de fonte com carga viral detectável exige antirretroviral o mais precocemente possível, e para hepatite C não existe profilaxia, apenas monitoramento com tratamento se houver infecção. A imunoglobulina contra hepatite B é desnecessária diante de anti-HBs reagente. Aguardar sorologias da profissional atrasa uma profilaxia tempo-dependente. Condicionar o antirretroviral a sorologia positiva da acidentada inverte a lógica da profilaxia. A vacina contra hepatite B não protege contra HIV nem hepatite C.
Técnica de enfermagem de 30 anos sofre acidente com agulha oca com sangue durante punção venosa há 1 hora. Ela recebeu três doses de vacina contra hepatite B na adolescência, com anti-HBs de 240 mUI/mL documentado após o esquema. O paciente-fonte tem sorologia positiva para hepatite B, com HBsAg reagente. A profissional está assintomática, PA 118x76 mmHg, FC 80 bpm. Qual a conduta em relação à hepatite B?
Nenhuma medida específica é necessária porque a profissional é respondedora comprovada, com anti-HBs documentado acima de 10 mUI/mL após o esquema completo, condição que confere proteção duradoura independentemente do título atual. A associação de imunoglobulina com reinício do esquema destina-se a não respondedores ou a pessoas sem esquema completo. A dose de reforço isolada não é recomendada para respondedores conhecidos. O tenofovir profilático não integra a conduta pós-exposição para hepatite B nesse cenário, sendo componente da profilaxia para o vírus da imunodeficiência humana. Duas doses de imunoglobulina cabem apenas a não respondedores após dois esquemas vacinais completos.
Técnica de enfermagem, 27 anos, sofre acidente perfurocortante com agulha usada em paciente com HBsAg reagente. Ela recebeu três doses da vacina contra hepatite B há 6 anos, sem verificação posterior de resposta sorológica. PA 118x74 mmHg, FC 82 bpm, T 36,6 °C. Coleta imediata mostra anti-HBs de 4 mUI/mL, abaixo do nível protetor de 10 mUI/mL. Qual a conduta indicada?
Profissional vacinada com resposta sorológica desconhecida e anti-HBs abaixo de 10 mUI/mL após exposição a fonte HBsAg reagente é considerada não respondedora naquele momento, indicando imunoglobulina hiperimune para hepatite B nas primeiras 24 a 48 horas somada a dose de reforço da vacina. Apenas acompanhar sorologia deixa a profissional sem proteção passiva na janela de risco. O tenofovir é profilaxia para o vírus da imunodeficiência humana e não para o vírus B nesse contexto. Repetir a série vacinal é parte do manejo, mas sem imunoglobulina não confere proteção imediata. Assumir proteção duradoura contraria o título medido.
Residente de cirurgia sofre lesão perfurante profunda com agulha oca durante sutura em paciente com HIV em falha terapêutica e carga viral elevada. O residente tem esquema vacinal completo para hepatite B com anti-HBs reagente. Exame local: ferimento puntiforme em dedo indicador direito, com sangramento discreto, sem outros ferimentos. Sorologias do profissional acidentado desconhecidas no momento do atendimento. Qual a conduta mais adequada?
Diante de exposição percutânea profunda com agulha oca de paciente com carga viral elevada, a conduta é lavar o local com água e sabão, coletar sorologias do acidentado e da fonte e iniciar profilaxia pós-exposição antirretroviral o mais precocemente possível, idealmente nas primeiras duas horas e no máximo até 72 horas, mantendo-a por 28 dias com seguimento sorológico. Espremer o local e usar substâncias cáusticas aumenta a lesão tecidual e é contraindicado. Aguardar as sorologias do profissional retarda a profilaxia e reduz sua eficácia. A vacinação de reforço isolada não protege contra HIV, e o profissional já é respondedor para hepatite B. A imunoglobulina específica para hepatite B é desnecessária em vacinado com anti-HBs reagente.
Residente de cirurgia, 27 anos, sofre perfuração com agulha de sutura contaminada com sangue durante laparotomia de urgência. O paciente-fonte é desconhecido quanto a sorologias e encontra-se instável. O residente tem esquema completo de vacinação contra hepatite B com anti-HBs prévio maior que 10 mUI/mL. Qual a conduta imediata mais adequada?
A conduta imediata é lavagem com água e sabão, notificação, coleta de sorologias do profissional e da fonte, com teste rápido, e avaliação da indicação de profilaxia pós-exposição ao vírus da imunodeficiência humana, que deve ser iniciada preferencialmente nas primeiras 2 horas quando indicada. Espremer o local e usar substâncias cáusticas como hipoclorito aumenta a lesão tecidual e é contraindicado. A imunoglobulina anti-hepatite B não é necessária em respondedor com anti-HBs previamente maior que 10 mUI/mL. Aguardar 30 dias sem conduta perde a janela da profilaxia. Adiar por 72 horas o antirretroviral à espera do resultado da fonte reduz drasticamente a eficácia da profilaxia.
Técnica de enfermagem, 30 anos, completou o esquema de três doses da vacina contra hepatite B e apresentou anti-HBs de 4 mUI/mL um mês após a última dose. Realizou então novo esquema completo de três doses e apresenta agora anti-HBs de 3 mUI/mL. HBsAg negativo e anti-HBc total negativo. Está assintomática, PA 118x74 mmHg, FC 76 bpm. Sobre a conduta, assinale a alternativa correta.
A profissional é considerada não respondedora após dois esquemas completos com anti-HBs abaixo de 10 mUI/mL, de modo que, diante de exposição de risco a fonte positiva, deve receber imunoglobulina hiperimune, eventualmente em duas doses. Um terceiro esquema completo não é recomendado após a falha de dois esquemas. Títulos abaixo de 10 mUI/mL não conferem proteção, independentemente de serem detectáveis. Hepatite B oculta está afastada pelo anti-HBc total negativo, e o tratamento antiviral não tem indicação. Afastar a profissional de atividades assistenciais não é conduta preconizada, bastando reforçar precauções e conhecer sua condição sorológica.
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em 7 dias
Escreva de memória as quatro perguntas da indicação, na ordem, e diga por que elas não formam um escore. Em seguida, recite as duas listas fechadas — material com risco e material sem risco — e nomeie a exceção da saliva. Termine dizendo, sem consultar, o risco percutâneo dos três vírus e qual deles gera receita.
em 30 dias
Refaça a tabela de hepatite B de cabeça, com as seis linhas e as três colunas, e explique em voz alta por que a linha da resposta conhecida e adequada dá nenhuma medida mesmo com fonte reagente. Depois, separe os dois prazos que se parecem: as quarenta e oito horas do antígeno protetor e os sete dias da imunoglobulina na exposição percutânea. Feche montando o circuito administrativo do caso, da comunicação de acidente ao campo de evolução da ficha.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Uma técnica de enfermagem de 29 anos chega ao pronto atendimento com o dedo enrolado num papel-toalha, dizendo que se furou com a agulha de um paciente há uma hora e que já lavou o dedo com álcool três vezes. Ela não sabe se tomou a terceira dose da vacina de hepatite B e chegou sem o cartão. Você tem duas listas fechadas para percorrer, um relógio de setenta e duas horas, uma tabela de seis linhas e um exame que pode não voltar a tempo. Conduza o atendimento e decida, antes de qualquer receita, se este acidente atravessa as quatro perguntas. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
