Outras EspecialidadesNeurologia e Neurocirurgia

AVC isquêmico agudo

Janela terapêutica, seleção e cuidados após reperfusão

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Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Homem de 68 anos é levado ao pronto-socorro pela esposa com início súbito, há 1 hora, de fraqueza no braço e perna direitos e dificuldade para falar. Ao exame: PA 168x94 mmHg, FC 84 bpm, hemiparesia à direita e afasia. Qual é o exame de imagem inicial de escolha para diferenciar AVC isquêmico de hemorrágico?

02

Como esse tema cai

A questão de AVC isquêmico quase nunca pergunta o diagnóstico: a vinheta já entrega o déficit focal súbito e a tomografia sem sangue. O que ela cobra é aritmética de relógio e uma lista de exclusão. Quantas horas se passaram desde que o paciente foi visto bem? Esse tempo autoriza trombolisar, autoriza trombectomia, ou já não autoriza nada? E, dentro da janela, existe alguma contraindicação na história que trave a alteplase?

No Brasil essas respostas têm endereço fixo: o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do AVC isquêmico agudo, aprovado pela Portaria Conjunta SAES/sectics nº 29, de dezembro de 2023, que substituiu o protocolo de 2012. É ele que define, para o SUS, os três números que governam o capítulo: 4 horas e 30 minutos para a trombólise intravenosa, 8 horas para a trombectomia mecânica com critério clínico simples, e 24 horas para a trombectomia com critério de imagem avançada. Banca que escreve cenário de SUS — sala de urgência pública, regulação, transferência — está cobrando essa régua.

A régua internacional andou depois. A diretriz da American Heart Association e da American Stroke Association de janeiro de 2026 admite tenecteplase em bolus único como alternativa à alteplase, abre janela de trombólise de 4,5 a 9 horas guiada por perfusão automatizada e amplia a trombectomia para núcleo isquêmico grande e para oclusão de basilar. Nada disso está no protocolo brasileiro — e a diferença não é de mérito científico, é de bula, de incorporação e de disponibilidade de software de perfusão. Saber de que lado o enunciado está é metade do ponto.

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O que muda decisão

O relógio começa no último momento em que o paciente foi visto bem

Todo o capítulo depende de um único dado da anamnese: o horário do início dos sintomas. Quando ninguém viu o começo — o caso clássico é o paciente que acorda com o déficit —, o protocolo brasileiro manda usar o último momento em que ele foi visto sem déficit neurológico. Não é a hora em que acordou, não é a hora em que a família encontrou: é a última hora em que alguém pode jurar que ele estava normal. Quem dormiu bem às 23h e acordou hemiplégico às 6h tem sete horas de janela, não trinta minutos.

O PCDT é explícito sobre como isso se converte em conduta: calculado o tempo, o paciente entra na faixa correspondente. Visto bem há 6 horas, avalia-se elegibilidade para trombectomia na janela de até 8 horas; visto bem há 12 horas, avalia-se pela janela de 8 a 24 horas. Passadas 24 horas do último momento visto bem, o protocolo não oferece trombectomia — o paciente sai da via de reperfusão e entra na via de prevenção secundária e reabilitação.

A pressa tem base epidemiológica dura. O AVC é uma das principais causas de morte e de incapacidade, e o próprio PCDT cita incidência anual de 108 casos por 100 mil habitantes no Brasil. O mesmo documento registra o tamanho do desperdício: pela estreiteza da janela terapêutica, o número de pacientes que efetivamente recebe tratamento é pequeno, e a prevenção de incapacidade acaba alcançando apenas 6 em cada 1.000 pacientes com AVC. O gargalo, portanto, não é o remédio — é o tempo até a porta certa.

A porta: reconhecer, medir e pedir o que interessa

Na triagem pré-hospitalar, o PCDT indica a escala de Cincinnati, positiva com qualquer um dos três achados: queda facial (assimetria ao sorrir ou mostrar os dentes), debilidade de um dos braços (o braço cai quando os dois são estendidos) e fala anormal (palavras incompreensíveis, palavras trocadas ou incapacidade de falar). O documento adverte que a escala não cobre tudo: vertigem com desequilíbrio, adormecimento de um hemicorpo, perda visual em um ou ambos os olhos e cefaleia súbita e intensa também exigem acionamento da rota de AVC.

Dentro do hospital, a escala de trabalho é a NIHSS, que vai de 0 a 42 e serve para três coisas ao mesmo tempo: quantificar a gravidade, prever prognóstico e permitir comparação seriada. Ela também é critério formal de elegibilidade — a trombectomia, nas duas janelas, exige NIHSS de 6 ou mais. Vale decorar esse corte: ele aparece em prova com frequência maior que qualquer item isolado da escala.

Os exames de admissão que o protocolo lista são poucos e todos rápidos: eletrocardiograma de repouso, glicemia capilar, hemograma com contagem de plaquetas, tempo de protrombina com RNI, TTPA, sódio, potássio, ureia, creatinina e troponina. O eletrocardiograma procura fibrilação atrial e sinais de infarto ou de dissecção associada; os exames laboratoriais servem para coagulopatia e para os grandes imitadores. A glicemia capilar é o exame mais importante da lista, porque hipoglicemia é o mimetizador de AVC que se resolve em segundos e mata quando não é procurado.

Além da hipoglicemia, o PCDT cita como diagnósticos que confundem: doença de Ménière e outras vestibulopatias periféricas, e o estado pós-ictal depois de uma crise convulsiva. Atenção à armadilha invertida — cerca de 10% dos AVCs, sobretudo os embólicos, cursam com crise convulsiva no início. Ter convulsionado, portanto, não exclui AVC nem contraindica trombólise.

A imagem: o que a tomografia precisa responder

A tomografia de crânio sem contraste é o exame inicial no protocolo brasileiro por três razões declaradas: é o mais disponível, o mais barato e o mais rápido. A ressonância detecta isquemia precoce melhor, mas consome um tempo que pode custar a indicação do trombolítico. Na prática da prova, a TC tem uma pergunta a responder antes de qualquer outra: há sangue? Se há hemorragia intracraniana, acabou a conversa sobre trombólise.

A segunda pergunta é o tamanho do que já morreu. O PCDT exclui da trombólise o paciente com área de hipodensidade precoce acometendo mais de um terço do território da artéria cerebral média — sinal de infarto já estabelecido e extenso, no qual o risco de transformação hemorrágica supera o ganho. Para a trombectomia até 8 horas, a mesma ideia aparece quantificada pelo aspects: exclui-se quem tem aspects menor que 6 na tomografia (ou menor que 5 na difusão da ressonância).

A terceira pergunta só vale para quem é candidato a trombectomia: onde está o trombo. É a angiotomografia que identifica a oclusão de grande vaso — no protocolo, carótida interna intracraniana, primeiro segmento da cerebral média (M1) ou ambos. Sem oclusão proximal demonstrada não há indicação de tratamento endovascular, por mais grave que seja o quadro.

Na janela de 8 a 24 horas entra um quarto exame: a estimativa do volume de infarto por perfusão ou por difusão. Aqui o protocolo abandona o critério puramente temporal e passa a decidir por tecido — quanto já está perdido e quanto ainda pode ser salvo. É a lógica da penumbra isquêmica: em torno do núcleo infartado existe tecido hipoperfundido, eletricamente silencioso mas ainda viável, que a reperfusão recupera.

Corte axial do encéfalo com oclusão de ramo da artéria cerebral média, núcleo de infarto escuro e halo mais claro de penumbra isquêmica ao redor.
Núcleo e penumbra: o centro já está perdido, o halo em volta é tecido hipoperfundido ainda viável. A reperfusão salva o halo — e é por isso que a janela existe.

Trombólise: alteplase, 4 horas e 30 minutos

O protocolo brasileiro tem um único trombolítico preconizado: a alteplase. A dose é 0,9 mg/kg, com máximo absoluto de 90 mg, por via intravenosa, sendo 10% da dose em bolus e o restante em infusão contínua ao longo de 60 minutos. O prazo é medido até a infusão: a administração deve ocorrer em até 4 horas e 30 minutos do início dos sintomas. Não é até a decisão nem até a chegada ao tomógrafo — é até a droga correr.

Os critérios de inclusão da trombólise são três, e todos precisam estar presentes: avaliação de médico neurologista confirmando o AVC isquêmico agudo; quadro com início há menos de 4h30 até a infusão; e tomografia ou ressonância sem sinais de hemorragia intracraniana. O critério geral de entrada no protocolo é idade igual ou maior que 18 anos — não existe teto de idade para trombolisar no PCDT vigente.

O documento também descarta as duas outras opções da classe. A estreptoquinase está fora: os estudos que a avaliaram no AVC foram interrompidos precocemente por segurança e não há evidência que sustente seu uso. A tenecteplase é tratada como promessa: o texto de 2023 reconhece potencial efeito benéfico nos estudos recentes, mas registra que, no Brasil, não havia então indicação aprovada em bula para AVC isquêmico. Esse quadro regulatório mudou em dezembro de 2025, quando a Anvisa aprovou a tenecteplase 25 mg para AVC isquêmico agudo — a incorporação ao SUS, porém, depende de decisão própria da Conitec, e enquanto ela não vier o trombolítico do protocolo continua sendo a alteplase.

Antes de infundir, a pressão arterial precisa estar controlada: são contraindicações a pressão sistólica maior que 185 mmHg e a diastólica maior que 110 mmHg que não respondem ao tratamento anti-hipertensivo. A leitura correta é sutil e cai em prova: pressão alta não contraindica trombólise — pressão alta refratária ao tratamento contraindica. Diante de 200/110 em paciente elegível, a conduta é baixar a pressão e trombolisar, não desistir.

Quem não pode receber alteplase — e quem parece que não pode, mas pode

A lista de contraindicações absolutas do PCDT tem uma lógica única: tudo que sangra, tudo que já sangrou e tudo que revela um vaso frágil. Entram nela: hipodensidade precoce em mais de um terço do território da cerebral média ou resolução espontânea completa do déficit; cirurgia de grande porte nos últimos 14 dias; história de hemorragia intracraniana; malformação arteriovenosa ou tumor intracraniano; pressão refratária acima de 185/110 mmHg; suspeita de hemorragia subaracnóidea, mesmo com tomografia normal; hemorragia gastrointestinal ou geniturinária nos últimos 21 dias; endocardite bacteriana; dissecção de arco aórtico; e hemorragia interna ativa em sítio não compressível.

No laboratório, os cortes são plaquetas abaixo de 100.000/microlitro, RNI acima de 1,7 e TTPA acima de 40 segundos. Aqui vem um detalhe operacional que separa quem leu o protocolo de quem decorou lista: na maioria dos casos não é preciso esperar o resultado dos exames para começar. Espera-se RNI em quem usa antagonista da vitamina K (varfarina, femprocumona); espera-se TTPA em paciente internado em uso de heparina não fracionada intravenosa; espera-se plaquetas em quem tem história ou suspeita de plaquetopenia; e esperam-se todos os exames em quem tem coagulopatia, hepatopatia ou sangramento conhecidos. Fora dessas situações, o relógio vence a burocracia.

Anticoagulantes têm regra própria. Uso de anticoagulante oral direto nas últimas 48 horas com função renal normal contraindica; se os testes de coagulação vierem normais, a trombólise pode ser feita. Em usuário de dabigatrana com idarucizumabe disponível, reverte-se e trombolisa-se em seguida. Heparina de baixo peso molecular em dose terapêutica nas últimas 24 horas também contraindica.

As contraindicações relativas exigem pesar risco e benefício caso a caso, não recusar automaticamente: sintomas leves com comprometimento funcional discreto; cirurgia intracraniana, trauma craniano ou AVC grave nos 3 meses anteriores; punção lombar tecnicamente correta nos últimos 7 dias; infarto agudo do miocárdio nos últimos 3 meses; punção arterial em sítio não compressível nos últimos 7 dias; e glicemia abaixo de 50 mg/dL quando o déficit focal se recupera por completo com a correção, sendo então atribuído à hipoglicemia e não ao AVC.

O protocolo dedica uma nota inteira ao que não contraindica, e é dela que saem as pegadinhas mais frequentes. Uso de antiagregante plaquetário não contraindica. Crise convulsiva não contraindica. NIHSS maior que 22, idade acima de 80 anos e a combinação de AVC prévio com diabetes melito interferem no balanço de risco e benefício, mas não são contraindicação absoluta. Aneurisma não roto conhecido também não exclui o tratamento, embora exija individualização nos de maior tamanho.

Trombectomia mecânica: as duas janelas do SUS

A trombectomia é a retirada endovascular do trombo, feita durante angiografia por dois tipos de dispositivo: o stent autoexpansível removível, que se integra ao coágulo e o extrai, e o sistema de aspiração, que suga o trombo. O dispositivo permanece implantado no coágulo por 3 a 5 minutos antes da retirada. Ela não substitui a trombólise: quem é elegível às duas recebe as duas, e a infusão do trombolítico não deve atrasar o transporte para a sala de angiografia.

A primeira janela é de até 8 horas do início dos sintomas ou do último momento visto bem, e o critério é clínico e anatômico. Exige oclusão de carótida interna intracraniana, de M1, ou de ambos; Rankin modificado prévio de 0 a 2, isto é, paciente funcionalmente independente antes do evento; e NIHSS de 6 ou mais na apresentação. Exclui hemorragia intracraniana recente e infarto grande, definido por aspects menor que 6 na tomografia ou menor que 5 na difusão da ressonância.

A segunda janela vai de 8 a 24 horas e troca o critério de tempo pelo critério de tecido. Exige quadro compatível com AVC isquêmico de circulação anterior, NIHSS de 6 ou mais, Rankin modificado prévio menor ou igual a 2 — e volume de infarto por perfusão ou difusão dentro de cortes que dependem de idade e gravidade: menor que 21 cm³ em quem tem 80 anos ou mais e NIHSS acima de 10; menor que 31 cm³ em quem tem menos de 80 anos e NIHSS entre 10 e 19; menor que 51 cm³ em quem tem menos de 80 anos e NIHSS acima de 20; e menor que 70 cm³ quando há mismatch maior que 1,8, penumbra maior que 15 mL e janela entre 8 e 16 horas.

As exclusões dessa janela tardia são mais restritivas que as da janela precoce e valem a leitura: idade acima de 90 anos; alergia ao iodo que impeça o procedimento endovascular; diátese hemorrágica ou deficiência de fator; anticoagulação oral com RNI maior que 3 — o anticoagulante oral direto não exclui se a filtração glomerular estimada estiver acima de 30 mL/min; convulsão no início do quadro, se impedir a aplicação da NIHSS; plaquetas abaixo de 50.000/microlitro; hipertensão grave sustentada acima de 185/110 mmHg; embolia séptica presumida; suspeita de endocardite bacteriana; e hemorragia nos últimos 30 dias.

Durante o procedimento, o protocolo aceita anestesia geral ou sedação consciente, escolhidas conforme jejum, agitação, nível de consciência, vômitos e complexidade prevista. O ponto pressórico é o que costuma cair em prova: evitam-se tanto hipotensão quanto hipertensão, e depois de recanalização efetiva — mTICI maior que 2b — o alvo passa a ser abaixo de 160/100 mmHg. Reperfundir o território e manter a pressão alta é convidar a transformação hemorrágica.

As 24 horas seguintes

Depois da trombólise, o paciente fica 24 horas sem receber nada por via oral — nem alimento, nem líquido, nem medicamento oral. E, antes da primeira alimentação, todo paciente com AVC precisa ser rastreado para disfagia, o que inclui quem foi tratado de forma conservadora e quem foi submetido a trombectomia, não só quem trombolisou. O protocolo indica teste de deglutição de água ou testes de múltiplas consistências. O alvo é prevenir a pneumonia pós-AVC, causa evitável de mortalidade precoce.

A monitorização pós-trombólise é contínua por pelo menos 24 horas e cobre pressão arterial, oximetria de pulso e eletrocardiografia. A glicemia deve ser mantida abaixo de 200 mg/dL. A temperatura axilar deve ser tratada quando igual ou maior que 37,5 °C. Além de sangramento, o protocolo manda vigiar mal-estar, vômitos, calafrios, elevação de temperatura, urticária, cefaleia, convulsão e alteração do nível de consciência — a deterioração neurológica súbita nesse período obriga a repetir a imagem.

Depois da trombectomia, a exigência é de aferição estruturada de desfecho: NIHSS antes do tratamento e 24 horas após o evento, e Rankin modificado aos 3 meses. Esse par de medidas não é burocracia de pesquisa — é o que permite auditar se a rede está entregando independência funcional ou apenas recanalizando artéria.

A rede: por que o paciente não fica onde chegou

Trombolisar não é decisão isolada de um médico: é capacidade instalada. O PCDT lista o que o serviço precisa ter para infundir trombolítico com segurança — equipe organizada e treinada, coordenada por neurologista clínico e disponível 24 horas; monitorização cardiovascular e respiratória contínua; unidade de terapia intensiva; laboratório de patologia clínica 24 horas; tomógrafo 24 horas; disponibilidade neurocirúrgica 24 horas; e serviço de hemoterapia 24 horas, com crioprecipitado disponível. Hospital que não tem isso não é onde o paciente com suspeita de AVC deve entrar.

A rede formal vem da Portaria GM/MS nº 665, de 2012, hoje consolidada na Portaria de Consolidação nº 3 de 2017, que habilita os Centros de Atendimento de Urgência aos Pacientes com AVC em tipos I, II e III. O tipo II tem Unidade de Cuidado Agudo ao AVC, a U-AVC Agudo, com no mínimo cinco leitos exclusivos. O tipo III é o mais completo, com no mínimo dez leitos, e é ele que concentra a retaguarda neurocirúrgica e endovascular.

A trombectomia mecânica só entrou na Tabela de Procedimentos do SUS em novembro de 2023, pela Portaria GM/MS nº 1.996 — antes disso, o procedimento existia no país mas não tinha financiamento próprio no sistema público. A Academia Brasileira de Neurologia detalhou o que a portaria exige do hospital: habilitação em alta complexidade em neurologia e neurocirurgia, serviço de tratamento endovascular, condição de Centro de Urgência AVC tipo III e homologação na Comissão Intergestores Bipartite do estado. A mesma nota desfaz um boato: ter participado do estudo resilient, o ensaio brasileiro que embasou a incorporação, não é pré-requisito para habilitar-se.

A consequência prática aparece na vinheta de prova travestida de logística. Paciente com oclusão de M1 atendido num hospital tipo I recebe alteplase ali mesmo, se elegível, e segue transferido para o centro com serviço endovascular — a transferência não espera o fim da infusão. Reconhecer que a conduta correta envolve regulação e transporte, e não apenas prescrição, é o que a banca de saúde pública está medindo quando escreve o cenário no SUS.

04

As três janelas e as listas que decidem

Tudo o que segue é o protocolo brasileiro vigente (Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 29, de 2023). O tempo de referência é sempre o início dos sintomas ou, quando ele é desconhecido, o último momento em que o paciente foi visto sem déficit.

  1. 1Fixe o horário: início dos sintomas ou último momento visto bem. Todo o resto depende dele.
  2. 2Glicemia capilar imediata — hipoglicemia imita AVC e se resolve na hora.
  3. 3NIHSS e tomografia de crânio sem contraste: há sangue? há hipodensidade em mais de um terço do território da cerebral média?
  4. 4Menos de 4h30 e sem contraindicação: controle a pressão para menos de 185/110 mmHg e infunda alteplase 0,9 mg/kg (máximo 90 mg), 10% em bolus e o restante em 60 minutos.
  5. 5Angiotomografia em quem tem NIHSS de 6 ou mais: há oclusão de carótida interna intracraniana ou de M1?
  6. 6Até 8 horas com oclusão proximal, Rankin prévio 0 a 2 e ASPECTS de 6 ou mais: encaminhe para trombectomia — sem esperar o fim da infusão do trombolítico.
  7. 7Entre 8 e 24 horas: a decisão passa a depender do volume de infarto por perfusão ou difusão. Acima de 24 horas do último momento visto bem, não há indicação de trombectomia no protocolo.

Até 4h30

Trombólise intravenosa com alteplase. Exige neurologista confirmando o diagnóstico, idade igual ou maior que 18 anos e imagem sem hemorragia.

Até 8h

Trombectomia com critério clínico: oclusão de carótida interna intracraniana ou M1, NIHSS de 6 ou mais, Rankin prévio 0 a 2, ASPECTS de 6 ou mais.

8h a 24h

Trombectomia com critério de tecido: circulação anterior, NIHSS de 6 ou mais, Rankin prévio até 2 e volume de infarto dentro do corte por idade e gravidade.

Janela, tratamento e critérios no protocolo brasileiro

JanelaTratamentoCritérios que precisam estar presentesO que exclui
Menos de 4h30Alteplase 0,9 mg/kg IV (máx. 90 mg), 10% em bolus e o restante em 60 minIdade 18 anos ou mais; avaliação de neurologista; TC ou RM sem hemorragiaHipodensidade em mais de 1/3 do território da cerebral média; pressão refratária acima de 185/110; plaquetas abaixo de 100.000; RNI acima de 1,7; TTPA acima de 40 s
Até 8 horasTrombectomia mecânicaOclusão de carótida interna intracraniana e/ou M1; Rankin prévio 0 a 2; NIHSS 6 ou maisASPECTS menor que 6 na TC (ou menor que 5 na difusão da RM); hemorragia intracraniana recente
8 a 24 horasTrombectomia mecânicaAVC de circulação anterior; NIHSS 6 ou mais; Rankin prévio até 2; volume de infarto abaixo do corte por idade e NIHSSIdade acima de 90 anos; plaquetas abaixo de 50.000; RNI acima de 3; pressão sustentada acima de 185/110; hemorragia nos últimos 30 dias; suspeita de endocardite
Acima de 24 horasSem reperfusão pelo protocoloO protocolo não oferece trombectomia a quem foi visto bem há mais de 24 horas

Volume de infarto que autoriza trombectomia entre 8 e 24 horas

Perfil do pacienteVolume máximo de infarto
80 anos ou mais, NIHSS acima de 10Menor que 21 cm³
Menos de 80 anos, NIHSS entre 10 e 19Menor que 31 cm³
Menos de 80 anos, NIHSS acima de 20Menor que 51 cm³
Mismatch acima de 1,8, penumbra acima de 15 mL, janela de 8 a 16 horasMenor que 70 cm³

Trombólise: absoluto, relativo e o que não é contraindicação

Absoluto (não trombolisa)Relativo (pesa risco e benefício)Não contraindica
Hemorragia intracraniana prévia; malformação arteriovenosa ou tumor intracranianoCirurgia intracraniana, trauma craniano ou AVC grave nos últimos 3 mesesUso de antiagregante plaquetário
Cirurgia de grande porte nos últimos 14 diasInfarto agudo do miocárdio nos últimos 3 mesesCrise convulsiva no início do quadro
Hemorragia digestiva ou geniturinária nos últimos 21 diasPunção lombar nos últimos 7 dias, feita corretamenteIdade acima de 80 anos
Suspeita de hemorragia subaracnóidea, mesmo com TC normalPunção arterial em sítio não compressível nos últimos 7 diasNIHSS acima de 22
Anticoagulante oral direto nas últimas 48 h com função renal normal; heparina de baixo peso molecular em dose terapêutica nas últimas 24 hSintomas leves com comprometimento funcional discretoAVC prévio associado a diabetes melito
Endocardite bacteriana; dissecção de arco aórtico; sangramento ativo não compressívelGlicemia abaixo de 50 mg/dL com recuperação completa do déficit após correçãoAneurisma não roto conhecido (individualizar nos maiores)

Depois do tratamento: o que monitorar

ItemConduta no protocolo
Via oral após trombóliseJejum absoluto por 24 horas, incluindo medicamentos orais
DisfagiaRastrear em todos antes da primeira alimentação — conservador, trombólise ou trombectomia
Monitorização pós-trombólisePressão arterial, oximetria e eletrocardiografia contínuas por pelo menos 24 horas
GlicemiaManter abaixo de 200 mg/dL
Temperatura axilarTratar quando igual ou maior que 37,5 °C
Pressão após trombectomia com recanalização efetiva (mTICI acima de 2b)Alvo abaixo de 160/100 mmHg
Desfecho após trombectomiaNIHSS antes e 24 horas depois; Rankin modificado aos 3 meses

O tempo da trombólise é contado até a INFUSÃO, não até a decisão: 4 horas e 30 minutos do início dos sintomas até a droga correr.

Pressão alta não contraindica; pressão alta que não responde ao anti-hipertensivo contraindica. O passo é baixar e tratar.

Não é preciso esperar coagulograma em todo mundo: espera-se RNI em quem usa varfarina ou femprocumona, TTPA em quem está em heparina não fracionada intravenosa, plaquetas em quem tem plaquetopenia suspeita, e tudo em quem tem coagulopatia, hepatopatia ou sangramento conhecidos.

Rankin modificado de 0 a 2 é critério de trombectomia porque mede o antes, não o depois: reperfundir quem já era dependente não devolve independência.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Qual trombolítico usar dentro das 4h30

Alteplase, única preconizada no SUS

O protocolo brasileiro elege a alteplase como o único trombolítico preconizado, na dose de 0,9 mg/kg (máximo 90 mg), com 10% em bolus e o restante em 60 minutos. O texto de 2023 reconhece o potencial da tenecteplase nos estudos recentes, mas registra que ela não tinha, então, indicação aprovada em bula no Brasil para AVC isquêmico. A Anvisa aprovou essa indicação em dezembro de 2025, e a oferta no SUS depende de decisão de incorporação da Conitec.

PCDT do AVC isquêmico agudo — Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 29/2023; comunicado de aprovação da tenecteplase pela Anvisa, dezembro de 2025

Tenecteplase ou alteplase, com preferência operacional pela tenecteplase

A diretriz americana de 2026 dá recomendação de classe 1 tanto para tenecteplase 0,25 mg/kg (máximo 25 mg) quanto para alteplase 0,9 mg/kg dentro de 4h30, e favorece a tenecteplase pela simplicidade: injeção única, sem bomba de infusão e sem uma hora de gotejamento, o que encurta o tempo porta-agulha e simplifica a transferência.

AHA/ASA — 2026 Guideline for the Early Management of Patients With Acute Ischemic Stroke (Stroke, janeiro de 2026)

Na prova

A causa da diferença é regulatória e de financiamento, não de eficácia: a molécula só ganhou indicação em bula no Brasil no fim de 2025 e ainda depende de incorporação para chegar ao SUS. Enunciado que se ancora no protocolo do Ministério da Saúde, em rede pública ou em regulação de urgência trabalha com alteplase e com a dose fracionada em bolus mais infusão de 60 minutos. Enunciado que cita diretriz americana, fala em bolus único ou traz a dose de 0,25 mg/kg nas alternativas está no mundo internacional. A dose é a pista mais limpa: 0,9 mg/kg com máximo de 90 mg é alteplase; 0,25 mg/kg com máximo de 25 mg é tenecteplase.

Trombólise depois de 4h30 guiada por perfusão

Janela fechada em 4h30 no protocolo brasileiro

O PCDT limita a trombólise a 4 horas e 30 minutos desde o início dos sintomas e não abre exceção por imagem de perfusão. Depois desse prazo, a única via de reperfusão prevista é a trombectomia mecânica, para quem tem oclusão de grande vaso e preenche os critérios das janelas de 8 ou de 24 horas.

PCDT do AVC isquêmico agudo — Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 29/2023

Janela estendida de 4,5 a 9 horas com penumbra salvável

A diretriz americana de 2026 considera razoável (classe 2a) a trombólise intravenosa entre 4,5 e 9 horas do último momento visto bem, e no AVC do despertar até 9 horas contadas do ponto médio do sono, desde que a perfusão automatizada demonstre penumbra isquêmica salvável.

AHA/ASA — 2026 Guideline for the Early Management of Patients With Acute Ischemic Stroke (Stroke, janeiro de 2026)

Na prova

A diferença tem duas causas nomeáveis: o documento brasileiro é de dezembro de 2023 e se apoiou na diretriz americana então vigente, de 2019; e a janela estendida depende de software de perfusão automatizada, que não está disponível na maior parte dos serviços habilitados do SUS. O sinal no enunciado é a própria imagem citada: se a vinheta descreve mapa de perfusão, mismatch ou penumbra quantificada em mililitros, o recorte é o internacional. Se descreve apenas tomografia sem contraste e angiotomografia num serviço público, o recorte é o do PCDT, e a resposta se organiza pelas janelas de trombectomia.

Quem ainda se beneficia da trombectomia — a extensão dos critérios

Núcleo pequeno e circulação anterior, no protocolo brasileiro

O PCDT restringe a trombectomia à circulação anterior, exige ASPECTS de 6 ou mais na janela de até 8 horas e, entre 8 e 24 horas, exige volume de infarto abaixo de cortes que vão de 21 a 70 cm³ conforme idade, NIHSS e mismatch. Oclusão de artéria basilar e infarto de núcleo grande não estão contemplados.

PCDT do AVC isquêmico agudo — Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 29/2023

Núcleo grande e basilar incluídos, na diretriz americana

A diretriz americana de 2026 recomenda (classe 1) trombectomia em circulação anterior com ASPECTS de 3 a 5 em pacientes com menos de 80 anos, NIHSS de 6 ou mais e apresentação entre 6 e 24 horas, e também na oclusão de artéria basilar com NIHSS de 10 ou mais em até 24 horas.

AHA/ASA — 2026 Guideline for the Early Management of Patients With Acute Ischemic Stroke (Stroke, janeiro de 2026)

Na prova

A causa é cronológica e econômica: a janela de 8 horas do protocolo brasileiro veio do RESILIENT, ensaio conduzido no país e usado pela Conitec para sustentar a incorporação no SUS em 2023, enquanto os ensaios de núcleo grande e de basilar consolidaram-se depois. Uma pista útil está nas alternativas: distrator que oferece trombectomia com ASPECTS de 4, ou trombectomia de basilar, só faz sentido no mundo internacional. Cenário de regulação no SUS, com transferência para Centro de Urgência AVC tipo III, aponta para os cortes do protocolo nacional.

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Caso resolvido

Homem de 71 anos, hipertenso e diabético, em uso de AAS 100 mg/dia, chega à emergência de um hospital habilitado como Centro de Urgência AVC tipo III às 14h20. A esposa conta que às 12h30 ele começou subitamente a arrastar a fala e a não conseguir levantar o braço direito. Exame: consciente, disartria importante, hemiparesia direita e desvio do olhar para a esquerda. NIHSS 14. Pressão arterial 196/108 mmHg, glicemia capilar 142 mg/dL. Tomografia de crânio sem contraste: sem hemorragia e sem hipodensidade extensa.
relógio
Início às 12h30, avaliação às 14h20: 1 hora e 50 minutos. Dentro das 4h30, com folga para preparar e infundir.
descartar mimetizador
Glicemia 142 mg/dL afasta hipoglicemia. Tomografia sem sangue autoriza pensar em isquêmico e libera o trombolítico.
o que não trava
Uso de AAS não contraindica trombólise. A combinação de diabetes com AVC prévio pesaria no balanço, mas ele não tem AVC prévio. Não há indicação de esperar coagulograma: não usa varfarina, não está em heparina intravenosa e não tem coagulopatia conhecida.
o que trava até resolver
Pressão de 196/108 mmHg está acima de 185/110. A contraindicação é a pressão que não responde ao tratamento — então reduz-se a pressão e reavalia-se, sem abandonar a trombólise.
conduta
Controlada a pressão para abaixo de 185/110 mmHg, infundir alteplase 0,9 mg/kg, máximo de 90 mg, com 10% em bolus e o restante em 60 minutos.
próximo passo em paralelo
NIHSS 14 com desvio do olhar sugere oclusão de grande vaso: angiotomografia. Se houver oclusão de carótida interna intracraniana ou de M1, com Rankin prévio 0 a 2 e ASPECTS de 6 ou mais, ele é candidato à trombectomia dentro de 8 horas — e o encaminhamento para a sala de angiografia não espera o fim da infusão.
as 24 horas seguintes
Jejum absoluto por 24 horas, monitorização contínua de pressão, oximetria e eletrocardiograma, glicemia abaixo de 200 mg/dL, tratar temperatura igual ou acima de 37,5 °C e rastrear disfagia antes da primeira alimentação.
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Agora feche você

Mulher de 76 anos, independente para todas as atividades de vida diária (Rankin modificado 0), foi deitar às 22h30 conversando normalmente. Acordou às 6h30 com hemiplegia esquerda e negligência, e a família chegou com ela ao pronto-socorro às 8h00. NIHSS 16, pressão arterial 168/92 mmHg, glicemia 118 mg/dL. Tomografia sem hemorragia, ASPECTS 8. Angiotomografia: oclusão de M1 à direita. O hospital é um Centro de Urgência AVC tipo II, sem serviço de tratamento endovascular; o centro tipo III de referência fica a 40 minutos.
achado
Déficit percebido ao despertar. O último momento em que foi vista sem déficit foi às 22h30 — não às 6h30, quando acordou.
relógio
Das 22h30 às 8h00 são 9 horas e 30 minutos desde o último momento vista bem.
conduta
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Onde a banca derruba

  1. 1Contar o relógio a partir do despertar no AVC do despertar É o erro que mais muda a resposta inteira. O protocolo manda usar o último momento em que o paciente foi visto sem déficit. Contando pelo despertar, a vinheta parece dentro das 4h30 e a alternativa da alteplase fica tentadora; contando corretamente, o paciente costuma estar na janela de trombectomia de 8 a 24 horas. A banca escreve o horário de deitar de propósito.
  2. 2Achar que uso de AAS ou clopidogrel contraindica trombólise O PCDT tem nota específica dizendo que antiagregante plaquetário não é contraindicação. A confusão vem da analogia com anticoagulante — que é outra história: anticoagulante oral direto nas últimas 48 horas com função renal normal, ou heparina de baixo peso molecular em dose terapêutica nas últimas 24 horas, aí sim contraindicam.
  3. 3Desistir da trombólise por causa da pressão alta A contraindicação é a pressão acima de 185/110 mmHg que não responde ao anti-hipertensivo. Quem lê apenas o número na vinheta descarta a alteplase; quem lê o protocolo baixa a pressão e trombolisa. É a diferença entre uma alternativa distratora bem construída e a conduta correta.
  4. 4Esperar todo o coagulograma antes de infundir O protocolo diz o contrário: na maioria dos casos não é preciso aguardar os resultados. Espera-se RNI em usuário de varfarina ou femprocumona, TTPA em paciente hospitalizado em heparina não fracionada intravenosa, plaquetas em quem tem suspeita de plaquetopenia e todos os exames em coagulopatia, hepatopatia ou sangramento conhecidos. Fora disso, esperar é perder janela.
  5. 5Excluir por idade avançada ou por NIHSS muito alto Idade acima de 80 anos, NIHSS maior que 22 e a combinação de AVC prévio com diabetes melito interferem no balanço de risco e benefício, mas não são contraindicação absoluta à trombólise. O único teto etário do protocolo é o da trombectomia na janela de 8 a 24 horas, que exclui acima de 90 anos.
  6. 6Confundir os cortes de imagem: um terço da cerebral média, ASPECTS 6, ASPECTS 5 São três coisas distintas. Hipodensidade em mais de um terço do território da cerebral média exclui da trombólise. ASPECTS menor que 6 na tomografia exclui da trombectomia até 8 horas. Menor que 5 é o corte equivalente na difusão da ressonância. Trocar um pelo outro leva direto ao distrator.
  7. 7Segurar o paciente até terminar a infusão para depois transferir Quem é elegível às duas terapias recebe as duas, e a trombectomia não espera o gotejamento acabar. Em hospital sem serviço endovascular, a conduta correta é infundir e acionar a regulação em paralelo — a vinheta que descreve o centro tipo II e o centro tipo III de referência está medindo exatamente isso.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

A TC de crânio sem contraste é o exame inicial de escolha no AVC agudo, pois é rápida, disponível e diferencia bem o AVC hemorrágico (essencial antes de decidir trombólise) do isquêmico. A RM tem alta sensibilidade para isquemia precoce, mas é menos disponível e mais demorada para a fase hiperaguda. A angiografia por cateterismo é invasiva e reservada a etapas posteriores/terapêuticas. O doppler de carótidas investiga etiologia, não diferencia isquêmico de hemorrágico agudamente. O EEG não tem papel na diferenciação inicial do AVC.

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Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

Recite os três números e o que cada um autoriza: 4h30 (alteplase 0,9 mg/kg, máximo 90 mg, 10% em bolus e o restante em 60 minutos), 8 horas (trombectomia com oclusão de carótida interna intracraniana ou M1, NIHSS 6 ou mais, Rankin prévio 0 a 2, ASPECTS 6 ou mais) e 24 horas (trombectomia decidida por volume de infarto). Depois liste, sem consultar, as três coisas que NÃO contraindicam trombólise: antiagregante, crise convulsiva e idade acima de 80 anos.

em 30 dias

Pegue quatro vinhetas de bancas diferentes e, antes de responder, escreva só duas linhas: de quando é o último momento visto bem e qual documento o enunciado está usando (protocolo do Ministério da Saúde ou diretriz internacional). Confira depois se o gabarito seguiu o mesmo recorte que você identificou — é esse hábito que resolve as questões de trombolítico e de janela estendida.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Homem de 64 anos trazido pelo SAMU à emergência com hemiparesia esquerda e disartria de início súbito há 2 horas, presenciado pela filha. Hipertenso, ex-tabagista, em uso irregular de losartana e de AAS. Chega com pressão 202/110 mmHg e NIHSS 12. Conduza o atendimento: defina o horário de início, descarte os mimetizadores, decida sobre a trombólise e organize o destino do paciente. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

AVC isquêmico agudo — Preparatório para provas | OsceLabs