Outras Especialidades › Oftalmologia
Olho vermelho
Diferenciar conjuntivite das condições que ameaçam a visão
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Recém-nascido a termo, 6 dias de vida, apresenta secreção ocular purulenta bilateral abundante e edema palpebral acentuado, iniciados no 4º dia de vida. A mãe não realizou pré-natal. Ao exame, hiperemia conjuntival intensa e quemose. Considerando o agente mais associado a complicações graves (perfuração de córnea) nessa faixa etária, qual é a conduta antimicrobiana mais adequada?
Como esse tema cai
Olho vermelho é sintoma, não diagnóstico. A grande maioria é conjuntivite e se resolve sozinha; uma minoria pequena — ceratite, uveíte anterior, crise de fechamento angular e conjuntivite hiperaguda gonocócica — cega em dias ou horas. A prova cobra exatamente a fronteira entre os dois grupos, e cobra sempre pelos mesmos três dados: acuidade visual, dor verdadeira e o lugar onde o olho está mais vermelho.
Não existe protocolo clínico nacional dedicado ao olho vermelho. A régua brasileira é de encaminhamento: o protocolo de Oftalmologia Adulto do TelessaúdeRS-UFRGS, de 2017, lista quais quadros não podem esperar consulta ambulatorial. Os fármacos vêm de outros documentos — o PCDT de IST dá os esquemas do gonococo e da oftalmia neonatal, o PCDT do Glaucoma dá o tratamento contínuo, e o consenso da Sociedade Brasileira de Glaucoma dá o esquema da crise aguda. Saber de qual documento cada número sai é o que permite reconhecer o recorte da questão.
O segundo eixo cobrado é iatrogenia. Dois frascos aparecem em vinheta com frequência desproporcional à sua utilidade: o corticoide tópico, que prolonga infecção por adenovírus, agrava ceratite herpética e sobe a pressão intraocular; e o anestésico tópico, que alivia na hora e destrói o epitélio corneano quando repetido. Quem prescreve olho vermelho sem lâmpada de fenda erra por esses dois.
O que muda decisão
Os três dados que separam o banal do grave
Acuidade visual é o primeiro. Meça em cada olho separadamente, com a correção que o paciente já usa, na tabela de optotipos a 4 a 6 metros; considere como acuidade a menor linha lida corretamente e, se o paciente acertar só parte dela, registre a linha de cima. Conjuntivite não derruba visão — no máximo embaça transitoriamente por secreção sobre a córnea, e melhora ao piscar. Visão pior que a habitual em olho vermelho é achado de encaminhamento, não de observação.
Dor verdadeira é o segundo, e depende de perguntar direito. Ardor, prurido, areia nos olhos e sensação de sujeira são queixas de superfície e acompanham conjuntivite e olho seco. Dor profunda, latejante, que atrapalha o sono, ou fotofobia que faz o paciente fechar o olho no consultório, vem de córnea, íris ou pressão intraocular.
O padrão da hiperemia é o terceiro e o mais subestimado. Vermelhidão difusa, mais carregada nos fórnices e sob as pálpebras, com vasos que se movem quando se desloca a conjuntiva, é conjuntival. Vermelhidão concentrada em anel ao redor da córnea, que desbota em direção à periferia e não se move, é ciliar — também chamada periquerática — e aponta córnea, câmara anterior ou pressão. O protocolo do TelessaúdeRS trata esse detalhe como gatilho de emergência: olho vermelho agudo cuja hiperemia predomina ao redor da córnea, ou é setorial, vai para a emergência oftalmológica.
Fecham o exame duas observações de dez segundos: a transparência da córnea, olhada contra o reflexo de uma lanterna, e a pupila. Córnea fosca com pupila em midríase média que não reage à luz é crise de fechamento angular até prova em contrário. Pupila menor que a do outro olho, com dor e fotofobia, é uveíte anterior. Fluoresceína, quando há dor, sensação de corpo estranho ou uso de lente de contato, revela a úlcera que a olho nu não aparece.

Conjuntivites: viral, bacteriana e alérgica
A viral é a mais comum e quase sempre adenovírus. Começa em um olho e passa para o outro em dois a três dias, com secreção aquosa, folículos na conjuntiva tarsal e, o sinal mais útil, linfonodo pré-auricular palpável e doloroso — que a bacteriana e a alérgica não têm. Costuma vir com quadro de vias aéreas ou contato com caso semelhante. Acuidade visual preservada, sem dor verdadeira. O tratamento é sintomático: compressa fria, lubrificante, higiene das mãos, toalha e travesseiro separados. O período de transmissão dura de dez a catorze dias desde o início, e o afastamento de escola e trabalho nessa fase vale mais que qualquer colírio.
A bacteriana dá secreção francamente purulenta ou mucopurulenta, que reaparece pouco depois de limpa e cola as pálpebras ao acordar. Costuma ser unilateral no início, sem adenopatia. Em adulto imunocompetente, o quadro leve é autolimitado; o antibiótico tópico de amplo espectro por cinco a sete dias antecipa a remissão nos primeiros dias e reduz transmissibilidade, e nenhum agente é superior a outro. A regra prática do protocolo brasileiro é a do prazo: conjuntivite catarral ou mucopurulenta que não melhora até o segundo ou terceiro dia de antibiótico tópico deixa de ser conjuntivite banal e vira encaminhamento para a emergência oftalmológica.
A alérgica é bilateral, simétrica, recorrente e sazonal, e o sintoma dominante é prurido — não ardor, não dor. Vem com quemose, edema palpebral e história de rinite ou atopia. Trata-se com afastamento do alérgeno, compressa fria, lubrificante gelado e anti-histamínico ou estabilizador de mastócito tópico. Corticoide tópico só entra em formas graves, por tempo curto e sob acompanhamento de quem consegue medir pressão intraocular.
A pergunta que desmonta a maioria das vinhetas de conjuntivite é sempre a mesma: a visão caiu? Se caiu, ou se dói de verdade, ou se o vermelho está em anel ao redor da córnea, o diagnóstico de conjuntivite já não se sustenta.
Conjuntivite hiperaguda: o gonococo
É a exceção mais cobrada. Instala-se em doze a vinte e quatro horas, com secreção purulenta tão abundante que reaparece em minutos após a limpeza, edema palpebral acentuado, quemose e linfonodo pré-auricular. Aparece em adulto sexualmente ativo, muitas vezes com uretrite ou cervicite recente, e no recém-nascido contaminado no canal de parto. O gonococo é dos poucos agentes capazes de atravessar epitélio corneano íntegro: a conjuntivite gonocócica não tratada pode chegar a perfuração de córnea e perda visual em vinte e quatro horas.
O tratamento é sistêmico — colírio não resolve. O PCDT de IST prescreve, para conjuntivite gonocócica do adulto, ceftriaxona 1 g por via intramuscular em dose única. Associam-se lavagem ocular com soro fisiológico e avaliação oftalmológica no mesmo dia, porque comprometimento corneano muda o tratamento. Como se trata de infecção sexualmente transmissível, entram junto o rastreamento das demais IST, a testagem e o tratamento das parcerias sexuais e a notificação quando indicada.
No recém-nascido, a oftalmia neonatal é definida como conjuntivite purulenta no primeiro mês de vida e é urgência. O risco de transmissão vertical no parto vaginal fica entre 30% e 50%, tanto para Neisseria gonorrhoeae quanto para Chlamydia trachomatis, o que explica por que a profilaxia ocular ao nascer é conduta universal e por que a ausência de pré-natal pesa tanto na vinheta. O PCDT de IST trata com ceftriaxona 25 a 50 mg/kg por via intramuscular, em dose única e no máximo 125 mg, associada a instilação local de soro fisiológico de hora em hora; instilação local de penicilina não é indicada. A conjuntivite neonatal por clamídia é bem menos grave e tem incubação de cinco a catorze dias, contra dois a cinco dias do gonococo — a diferença de tempo entre o parto e o início dos sintomas é a pista que a vinheta costuma dar.
Ceratite e úlcera de córnea
Ceratite é dor, e dor forte: o paciente lacrimeja, fotofobia intensa, sensação de corpo estranho que não passa ao piscar, hiperemia periquerática e visão reduzida quando a lesão fica no eixo visual. A fluoresceína cora o defeito epitelial sob luz azul de cobalto. Infiltrado esbranquiçado no estroma, com ou sem hipópio, é úlcera infecciosa e emergência.
Usuário de lente de contato é categoria à parte. Qualquer sintoma agudo — baixa de visão, dor ou secreção — em quem usa lente é encaminhamento imediato para a emergência oftalmológica, sem tentativa terapêutica na atenção primária, pela chance de ceratite por Pseudomonas, que evolui em horas, e por Acanthamoeba, que dá dor desproporcional aos achados. A lente é suspensa e levada ao serviço junto com o estojo e a solução, que servem para cultura.
A ceratite herpética tem a lesão dendrítica característica à fluoresceína, com bordas em bulbo, e costuma reduzir a sensibilidade corneana. É o cenário em que o corticoide tópico faz o maior estrago: a Academia Americana de Oftalmologia é explícita em que corticoide pode prolongar a infecção adenoviral e piorar a infecção por herpes simples. Tratamento antiviral, tópico ou sistêmico, e acompanhamento com oftalmologista.
Três condutas não devem ser tomadas em olho com suspeita de ceratite: prescrever corticoide, entregar anestésico tópico para uso domiciliar — que atrasa a reepitelização e produz ceratopatia tóxica — e ocluir o olho de usuário de lente de contato, porque a oclusão cria estufa para a Pseudomonas.
Uveíte anterior
Uveíte anterior — irite ou iridociclite — é dor em peso, fotofobia marcante, lacrimejamento e visão levemente reduzida, geralmente unilateral e sem secreção. O olho está vermelho em anel ao redor da córnea. A pupila fica miótica e responde mal à luz, e sinéquias posteriores deixam o contorno pupilar irregular. À lâmpada de fenda há células e proteína no humor aquoso — o efeito Tyndall — e precipitados ceráticos no endotélio.
A ausência de secreção é o que mais separa da conjuntivite na vinheta escrita: dor com fotofobia, sem secreção e com pupila menor do que a do outro olho é uveíte até prova em contrário. O tratamento é do oftalmologista e combina corticoide tópico em esquema de retirada progressiva com cicloplégico, que alivia o espasmo ciliar e previne sinéquias — e é uma das poucas situações em que se dilata deliberadamente um olho vermelho.
A investigação etiológica vale a pena nas recorrentes, nas bilaterais e nas que vêm com sintoma sistêmico: espondiloartrites e HLA-B27, artrite idiopática juvenil, sarcoidose, doença inflamatória intestinal, além de sífilis, tuberculose e toxoplasmose. O acometimento ocular da sífilis se dá principalmente como uveíte posterior e panuveíte, associa-se com frequência a meningite sifilítica e é indicação formal de punção lombar para investigar neurossífilis. A toxoplasmose ocular aguda ou reativada, no protocolo brasileiro de encaminhamento, é caso de emergência oftalmológica.
Crise aguda de fechamento angular
É o quadro mais dramático da lista e o mais reconhecível: dor ocular intensa de início abrupto, cefaleia, náusea e vômitos, visão turva e halos coloridos ao redor das luzes. O consenso da Sociedade Brasileira de Glaucoma descreve pressão intraocular frequentemente acima de 40 mmHg, edema de córnea predominantemente epitelial, câmara anterior rasa, midríase média paralítica ou pupila hiporreativa, hiperemia conjuntival com injeção ciliar e globo tenso à palpação bidigital. Náusea e vômito desviam o raciocínio para abdome e enxaqueca — a vinheta costuma explorar isso.
O terreno é anatômico. O PCDT do Glaucoma lista, entre os fatores de risco do fechamento angular, idade acima de 40 anos, hipermetropia e etnia amarela — nessa população acima de 40 anos a prevalência do glaucoma primário de ângulo fechado varia de 3% a 5%. Some-se câmara anterior rasa. O gatilho é a midríase média, que empurra a íris contra o trabeculado: daí a crise em ambiente escuro, em estresse emocional e após anticolinérgicos, descongestionantes, antidepressivos tricíclicos e colírios midriáticos. É o motivo pelo qual dilatar a pupila de um olho vermelho com dor intensa e câmara rasa é conduta a evitar fora do serviço especializado.
O manejo é simultâneo, não sequencial: paciente em decúbito dorsal, hiperosmótico, inibidor da anidrase carbônica, hipotensor tópico, pilocarpina e corticoide tópico, com as doses da tabela adiante, mais indentação central da córnea com o cone do tonômetro para forçar a abertura do seio camerular. O tratamento clínico interrompe a crise em cerca de 90% dos casos nas primeiras doze a vinte e quatro horas — mas nada disso resolve o bloqueio pupilar.
O que resolve é a iridotomia, de preferência com YAG-laser, feita depois que a córnea clareia. O PCDT do Glaucoma diz o mesmo em outras palavras: quando o mecanismo é bloqueio pupilar, o tratamento básico é criar comunicação entre as câmaras posterior e anterior, por iridotomia a laser ou cirurgia fistulizante. E o olho contralateral, que tem a mesma anatomia, quase sempre recebe iridotomia profilática. O tratamento medicamentoso contínuo do PCDT — timolol como primeira linha, dorzolamida, brinzolamida ou brimonidina como segunda, prostaglandinas depois — é para o glaucoma crônico, não para a crise.
Os que parecem e não são
Hemorragia subconjuntival é uma mancha vermelho-vivo, homogênea, de limites nítidos, sem dor, sem secreção e sem queda de visão. Assusta o paciente e não é doença ocular: reabsorve em uma a duas semanas. O que muda a conduta é o contexto — trauma, manobra de Valsalva, uso de antiagregante ou anticoagulante, hipertensão descontrolada e recorrência, que pede investigação de coagulopatia.
Episclerite é hiperemia setorial, de um quadrante, com desconforto leve e visão normal; costuma ceder sozinha ou com anti-inflamatório. Esclerite dói fundo, piora à noite, tem tonalidade violácea, dor à palpação do globo e associa-se a doença reumatológica sistêmica, com risco de perda visual. As duas entram no mesmo gatilho do protocolo de encaminhamento: olho vermelho agudo com hiperemia setorial vai para a emergência oftalmológica, porque separar uma da outra depende de exame que a atenção primária não tem.
Blefarite e olho seco produzem vermelhidão crônica, com ardor, sensação de areia e piora ao fim do dia — não olho vermelho agudo. Pterígio irritado dá hiperemia localizada no lado nasal. O protocolo brasileiro só manda ao oftalmologista o pterígio que reduz acuidade visual, e o pterígio sintomático ou o olho seco que não aliviam com lubrificante ocular três a seis vezes ao dia por um mês.
Hordéolo e calázio são nódulos palpebrais, não conjuntivite: tratam-se com compressa morna, massagem e pomada oftálmica de antibiótico, e só vão ao especialista quando o hordéolo é recorrente ou o calázio não responde a catorze dias de tratamento clínico. Já a celulite orbitária — proptose, dor à movimentação ocular, restrição da motilidade e comprometimento sistêmico — é internação e antibiótico endovenoso, e não pode ser confundida com celulite pré-septal.
Triagem do olho vermelho em cinco minutos
A triagem não tenta fechar diagnóstico: ela decide quem fica e quem vai para a emergência oftalmológica hoje. Cinco passos, todos executáveis numa UBS com lanterna, tabela de optotipos e fluoresceína.
- 1Meça a acuidade visual de cada olho em separado, com a correção que o paciente já usa — é o dado que mais separa conjuntivite de tudo o que ameaça a visão.
- 2Pergunte por dor profunda e fotofobia, e não aceite ardor, prurido ou sensação de areia como resposta equivalente.
- 3Olhe onde está o vermelho: difuso e mais forte nos fórnices é conjuntival; em anel ao redor da córnea, ou setorial em um quadrante, tira o caso do grupo benigno.
- 4Olhe a córnea contra o reflexo da lanterna e compare as pupilas: córnea fosca com pupila em midríase média fixa é crise de fechamento angular; pupila miótica com dor e fotofobia é uveíte anterior.
- 5Pingue fluoresceína se houver dor, sensação de corpo estranho, trauma ou uso de lente de contato — e encaminhe qualquer defeito epitelial ou infiltrado.
- 6Usuário de lente de contato com qualquer sintoma agudo vai para a emergência oftalmológica sem tentativa terapêutica prévia.
Ceratite e úlcera de córnea
Dor forte, fotofobia, corpo estranho que não passa, hiperemia periquerática e fluoresceína positiva. Usuário de lente de contato é emergência por definição. Nunca corticoide, nunca anestésico para casa, nunca oclusão em usuário de lente.
Uveíte anterior
Dor em peso, fotofobia, sem secreção, pupila miótica e irregular, hiperemia em anel ao redor da córnea. Tratamento com corticoide tópico e cicloplégico é do oftalmologista; investigar espondiloartrite, sífilis, tuberculose e toxoplasmose nas recorrentes.
Crise de fechamento angular
Dor abrupta, cefaleia, náusea e vômito, halos coloridos, PIO em geral acima de 40 mmHg, córnea fosca, midríase média fixa e globo tenso. Reduzir a pressão já, encaminhar na hora, e iridotomia a laser como tratamento definitivo.
Conjuntivite hiperaguda gonocócica
Instalação em 12 a 24 horas com secreção purulenta profusa que reaparece em minutos, edema palpebral e adenopatia pré-auricular. Antibiótico sistêmico, não colírio: ceftriaxona intramuscular, avaliação oftalmológica no mesmo dia e manejo como IST.
| Quadro | Acuidade visual | Dor | Hiperemia | Pupila e córnea | O que fecha |
|---|---|---|---|---|---|
| Conjuntivite viral | Preservada | Ardor, sem dor verdadeira | Difusa, bilateral em 2-3 dias | Normais | Secreção aquosa, folículos e linfonodo pré-auricular doloroso |
| Conjuntivite bacteriana | Preservada | Ardor, pálpebras coladas | Difusa, começa unilateral | Normais | Secreção purulenta que reaparece após a limpeza, sem adenopatia |
| Conjuntivite alérgica | Preservada | Prurido dominante | Difusa e bilateral, com quemose | Normais | Sazonalidade, atopia e recorrência |
| Conjuntivite gonocócica | Pode cair | Dor e edema palpebral intensos | Difusa e exuberante | Córnea em risco de ulceração | Instalação em 12-24 h com secreção profusa e IST recente |
| Ceratite / úlcera | Reduzida se central | Intensa, com fotofobia | Periquerática | Córnea com defeito ou infiltrado | Fluoresceína positiva; lente de contato ou trauma no relato |
| Uveíte anterior | Levemente reduzida | Em peso, fotofobia | Periquerática | Pupila miótica e irregular | Ausência de secreção; Tyndall e precipitados ceráticos |
| Fechamento angular agudo | Muito reduzida | Intensa, com náusea e vômito | Difusa com injeção ciliar | Córnea fosca, midríase média fixa | Halos coloridos, globo tenso, PIO em geral acima de 40 mmHg |
| Episclerite / esclerite | Preservada | Leve na episclerite, profunda na esclerite | Setorial, um quadrante | Normais | Tom violáceo e dor à palpação apontam esclerite |
| Hemorragia subconjuntival | Preservada | Ausente | Mancha homogênea de limites nítidos | Normais | Valsalva, trauma, antiagregante ou hipertensão no contexto |
Olho vermelho que não espera consulta ambulatorial (TelessaúdeRS-UFRGS, 2017)
| Situação | Por que não espera |
|---|---|
| Hiperemia que predomina ao redor da córnea, ou setorial | Aponta ceratite, úlcera, corpo estranho, episclerite ou esclerite |
| Conjuntivite hiperaguda, instalada em 12 a 24 h, com secreção purulenta abundante | Suspeita de conjuntivite gonocócica, que perfura córnea |
| Conjuntivite catarral ou mucopurulenta sem melhora após o 2º ou 3º dia de antibiótico tópico | Falha terapêutica muda o diagnóstico presumido |
| Qualquer sintoma agudo — baixa de visão, dor ou secreção — em usuário de lente de contato | Ceratite bacteriana e por Acanthamoeba evoluem em horas |
| Suspeita de glaucoma agudo: olho vermelho unilateral, dor grave abrupta, náusea e vômito, olho tenso | Perda de campo visual definitiva se a pressão não cair |
| Uveíte aguda, incluindo suspeita de toxoplasmose ocular | Precisa de corticoide e cicloplégico sob controle da pressão |
| Corpo estranho ocular, úlcera de córnea ou trauma ocular de qualquer tipo | Risco de perfuração e de perda visual permanente |
| Baixa de acuidade visual aguda, ou associada a dor, sombra em cortina, fotopsias ou metamorfopsia | Retina, nervo óptico ou córnea em sofrimento agudo |
Crise aguda de fechamento angular — esquema clínico (I Consenso da Sociedade Brasileira de Glaucoma, 2006)
| Medida | Como |
|---|---|
| Posição | Decúbito dorsal |
| Hiperosmótico | Manitol 20% IV, 1,5 a 2 g/kg (80 a 100 gotas/min), 8/8 h; ou glicerina 50% VO, 1,5 g/kg, 8/8 h — vômito costuma inviabilizar a via oral |
| Inibidor da anidrase carbônica | Acetazolamida 250 mg VO 6/6 h, podendo começar com ataque de 500 mg |
| Miótico | Pilocarpina 2% colírio, 1 gota por hora nas três primeiras horas, depois 1 gota 6/6 h |
| Betabloqueador tópico | Maleato de timolol 0,5% colírio, 1 gota 12/12 h |
| Alfa-agonista tópico | Tartarato de brimonidina 0,15% ou 0,2%, 1 gota 12/12 h, quando há contraindicação ao timolol |
| Anti-inflamatório tópico | Colírio de corticosteroide, 1 gota 2/2 h nas primeiras 24 h |
| Manobra mecânica | Indentação central da córnea com o cone do tonômetro ou lente de indentação, três compressões de dez segundos, logo após iniciar as medicações |
| Tratamento definitivo | Iridotomia, de preferência com YAG-laser, após clareamento da córnea; iridotomia profilática no olho contralateral |
O esquema clínico interrompe a crise em cerca de 90% dos casos nas primeiras 12 a 24 horas, mas não desfaz o bloqueio pupilar: sem iridotomia, a crise volta.
O PCDT do Glaucoma trata do uso contínuo — timolol na primeira linha, dorzolamida, brinzolamida ou brimonidina na segunda, prostaglandinas depois. Ele não é a régua da crise aguda.
Dilatar a pupila de um olho com câmara anterior rasa pode deflagrar a crise. Em olho vermelho com dor intensa e córnea fosca, a fundoscopia com midriático espera o oftalmologista.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Nitrato de prata 1% (método de Credé) ou tetraciclina 1%, na primeira hora de vida
O Quadro 32 do PCDT de IST mantém a dupla clássica para prevenção da oftalmia neonatal: nitrato de prata a 1% em aplicação única ou colírio de tetraciclina a 1%, ambos na primeira hora após o nascimento. É o texto de um protocolo clínico vigente, publicado sob portaria.
Ministério da Saúde. PCDT para Atenção Integral às Pessoas com IST, 2022 (Portaria SCTIE/MS nº 12, de 19/04/2021), Quadro 32
Iodopovidona 2,5%, eritromicina 0,5% ou tetraciclina 1%, com nitrato de prata só na falta dos demais
A nota técnica de 2024 da Atenção Primária determina a substituição do nitrato de prata: iodopovidona a 2,5% tem eficácia contra gonococo e clamídia, não gera conjuntivite química nem tem problema de conservação, e o nitrato de prata fica reservado aos serviços que não dispuserem das opções anteriores. O argumento é o aumento relativo da conjuntivite por Chlamydia trachomatis e a irritação química causada pelo nitrato.
Ministério da Saúde. Nota Técnica nº 11/2024-CACRIAD/CGACI/DGCI/SAPS/MS
Na prova
São dois documentos brasileiros do mesmo ministério, de 2021/2022 e de 2024, e os dois circulam. Enunciado que cita nominalmente o PCDT de IST, ou que descreve o método de Credé pelo nome, está ancorado no protocolo mais antigo; enunciado que fala em substituição do nitrato de prata, cita iodopovidona a 2,5% ou menciona conjuntivite química no recém-nascido está ancorado na nota técnica de 2024. Quando as alternativas trazem iodopovidona entre as opções, a questão foi escrita depois da mudança.
Antibiótico tópico como padrão na atenção primária, com prazo de reavaliação
O protocolo brasileiro de encaminhamento pressupõe o colírio antibiótico já iniciado e usa a falha dele como gatilho: conjuntivite catarral ou mucopurulenta aguda sem melhora após o segundo ou terceiro dia de antibiótico tópico vira encaminhamento para a emergência oftalmológica. O prazo curto dá um critério objetivo a quem não tem lâmpada de fenda.
TelessaúdeRS-UFRGS / SES-RS. Protocolos de Encaminhamento para Oftalmologia Adulto, 2017, protocolo 7
Quadro leve é autolimitado e a prescrição é decisão individual
A Academia Americana de Oftalmologia registra que a conjuntivite bacteriana leve costuma resolver espontaneamente em adulto imunocompetente; o antibiótico tópico antecipa a remissão clínica e microbiológica entre o segundo e o quinto dia, com benefício que diminui com o tempo, e nenhum agente é superior a outro. O uso indiscriminado de antibiótico e de corticoide tópicos deve ser evitado.
American Academy of Ophthalmology. Conjunctivitis Preferred Practice Pattern, 2023
Na prova
A distância aqui não é de evidência, e sim de função do documento: um organiza fila de encaminhamento em rede pública sem oftalmologista à mão e precisa de um prazo objetivo, o outro orienta o especialista que examina à lâmpada de fenda. Cenário de UBS, protocolo estadual citado ou alternativa que fala em reavaliar em 48 a 72 horas indica o recorte brasileiro; enunciado que discute resistência antimicrobiana, autolimitação ou prescrição diferida indica o recorte da sociedade internacional.
Ceftriaxona 1 g IM em dose única
O PCDT de IST separa a conjuntivite gonocócica dos demais sítios: infecção gonocócica não complicada de uretra, colo, reto e faringe recebe ceftriaxona 500 mg IM mais azitromicina 1 g VO, enquanto a conjuntivite do adulto recebe ceftriaxona 1 g IM em dose única. A dose maior reflete a gravidade do sítio ocular, que pode perfurar córnea em 24 horas.
Ministério da Saúde. PCDT para Atenção Integral às Pessoas com IST, 2022, Quadro 31
Ceftriaxona 500 mg IM associada a azitromicina 1 g VO ou doxiciclina por 7 dias
O apêndice de antibioticoterapia sistêmica da Academia Americana de Oftalmologia traz, para conjuntivite gonocócica em adultos e adolescentes, ceftriaxona 500 mg IM em dose única associada a azitromicina 1 g VO em dose única ou a doxiciclina 100 mg VO duas vezes ao dia por sete dias — isto é, dose menor de cefalosporina e cobertura formal para clamídia dentro do mesmo esquema.
American Academy of Ophthalmology. Conjunctivitis Preferred Practice Pattern, 2023, Apêndice 4
Na prova
As duas réguas concordam no essencial — infecção ocular pelo gonococo se trata por via sistêmica, não com colírio — e divergem na dose e na cobertura simultânea da clamídia. Vinheta em português com paciente do SUS, referência a IST e manejo de parcerias sexuais aponta o documento nacional; enunciado que traz doxiciclina por sete dias no mesmo esquema, ou alternativas com cefixima e gentamicina, sinaliza o corpo internacional.
Caso resolvido
- achado
- Olho vermelho unilateral com dor abrupta, náusea e vômito, halos coloridos, queda acentuada de acuidade visual, córnea fosca, midríase média fixa e globo tenso. Cinco desses achados constam da descrição da forma aguda no consenso brasileiro de glaucoma primário de ângulo fechado, que registra pressão intraocular frequentemente acima de 40 mmHg.
- leitura
- Náusea e vômito com cefaleia desviam para abdome agudo ou enxaqueca, e é o exame ocular que corrige a rota: pupila em midríase média fixa com córnea fosca não pertence a nenhum dos dois. O gatilho está no relato — ambiente escuro provoca midríase média, que empurra a íris contra o trabeculado num olho hipermetrope de câmara rasa.
- conduta imediata
- Decúbito dorsal, acetazolamida 250 mg VO 6/6 h com ataque de 500 mg, manitol 20% IV 1,5 a 2 g/kg de 8/8 h — a via oral fica inviável pelo vômito —, timolol 0,5% 12/12 h, pilocarpina 2% de hora em hora nas três primeiras horas e corticoide tópico 2/2 h nas primeiras 24 h. Contato imediato com o oftalmologista: o quadro é emergência oftalmológica no protocolo brasileiro de encaminhamento.
- definitivo
- Controlada a pressão e clareada a córnea, iridotomia com YAG-laser rompe o bloqueio pupilar. O olho esquerdo tem a mesma anatomia e recebe iridotomia profilática. Sem esse passo, o esquema medicamentoso apenas adia a próxima crise.
- erro a evitar
- Pingar midriático para fazer fundoscopia, prescrever analgésico e mandar voltar de manhã, ou atribuir os vômitos a causa digestiva sem medir a pressão intraocular. Anticolinérgico prescrito para o enjoo piora o mecanismo.
- seguimento
- Quem teve uma crise pode já ter glaucoma crônico por baixo, ou desenvolvê-lo depois: acompanhamento periódico com campo visual e avaliação do disco óptico, e tratamento contínuo pelo PCDT do Glaucoma se a pressão permanecer alta.
Agora feche você
- achado
- Conjuntivite hiperaguda: instalação em menos de 24 horas, secreção purulenta profusa e recidivante, edema palpebral marcado, quemose e adenopatia pré-auricular, em adulto com uretrite recente e tratamento incompleto.
- leitura
- O tempo de instalação é o que separa esta do resto. O gonococo atravessa epitélio corneano íntegro e a infecção não tratada pode chegar a perfuração de córnea e perda visual em 24 horas — por isso o protocolo brasileiro de encaminhamento coloca a conjuntivite hiperaguda com secreção purulenta abundante entre os quadros de emergência oftalmológica.
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Chamar de conjuntivite todo olho vermelho É o diagnóstico mais provável e por isso o mais perigoso: a vinheta escolhe justamente o caso em que a acuidade visual caiu, ou em que a dor é profunda, e conta com o automatismo. Três perguntas desfazem a armadilha — a visão caiu, dói de verdade, o vermelho está em anel ao redor da córnea.
- 2Prescrever corticoide tópico para desinflamar Alivia rápido e é justamente por isso que atrai. Corticoide prolonga a infecção por adenovírus, agrava a ceratite herpética, eleva a pressão intraocular e catarateia com o uso continuado. Quem não examina à lâmpada de fenda não tem como excluir a úlcera dendrítica que o corticoide vai aprofundar.
- 3Entregar anestésico tópico para o paciente usar em casa O alívio é imediato e a lógica parece humanitária, mas o uso repetido atrasa a reepitelização e produz ceratopatia tóxica, com perda visual. Anestésico tópico serve para examinar, não para tratar.
- 4Ocluir o olho de usuário de lente de contato A oclusão é reflexo antigo do curativo ocular e, em usuário de lente, cria ambiente favorável à Pseudomonas, que fura a córnea em dias. Qualquer sintoma agudo em usuário de lente é encaminhamento imediato, com a lente suspensa e o estojo levado ao serviço.
- 5Ler náusea e vômito como sinal digestivo Na crise de fechamento angular, os sintomas vagais roubam a cena e o olho vira detalhe da história. Pior: o antiemético anticolinérgico prescrito para o enjoo piora a midríase e alimenta o mecanismo da crise.
- 6Tratar conjuntivite hiperaguda só com colírio A palavra conjuntivite empurra a conduta para o tópico, mas o gonococo é infecção sistêmica com porta de entrada ocular e perfura córnea em 24 horas. O tratamento é intramuscular, o encaminhamento é no mesmo dia, e o caso obriga a manejar parcerias sexuais e rastrear outras IST.
- 7Confundir midríase média fixa com pupila miótica É o par de achados que decide entre crise de fechamento angular e uveíte anterior, e a vinheta costuma dar apenas esse detalhe. Pupila em midríase média que não reage, com córnea fosca, é pressão; pupila menor que a do outro olho, com fotofobia e sem secreção, é íris inflamada.
O quadro de conjuntivite neonatal hiperaguda purulenta iniciada entre o 2º e 5º dia, em filho de mãe sem pré-natal, é altamente sugestivo de oftalmia gonocócica (Neisseria gonorrhoeae), que pode levar a ulceração/perfuração corneana. O tratamento é ceftriaxona parenteral (dose única) além de irrigação ocular. O nitrato de prata é profilaxia (Credé), não tratamento, e nem cobre gonococo estabelecido. Eritromicina oral é o tratamento da conjuntivite/pneumonia por Chlamydia, que costuma iniciar mais tardiamente (5-14 dias). Aciclovir trata conjuntivite herpética (vesículas). Colírio isolado é insuficiente para a doença gonocócica invasiva.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Homem de 62 anos procura o pronto-socorro com dor ocular intensa à direita, visão borrada e halos coloridos ao redor das luzes, iniciados há 4 horas ao assistir cinema no escuro. Refere náuseas e vômitos. Ao exame: olho direito com hiperemia conjuntival, córnea embaçada, pupila em midríase média fixa e globo endurecido à palpação. PA 150x90 mmHg, FC 88 bpm. Qual é o diagnóstico mais provável?
Dor ocular intensa, halos coloridos, córnea embaçada, pupila em midríase média fixa, olho endurecido e sintomas vagais (náusea/vômito) desencadeados no escuro são clássicos de glaucoma agudo de ângulo fechado (elevação abrupta da pressão intraocular) — emergência oftalmológica. Uveíte anterior cursa com miose e pupila irregular, sem globo endurecido. Conjuntivite bacteriana tem secreção purulenta e pupila/visão normais. Neurite óptica dá perda visual com dor à movimentação e fundo geralmente normal, sem olho vermelho endurecido. Ceratite herpética mostra lesão dendrítica à fluoresceína, sem midríase fixa nem globo endurecido.
Recém-nascido a termo, 5 dias de vida, é levado ao pronto-socorro com secreção ocular purulenta bilateral abundante e edema palpebral intenso iniciados há 1 dia. A mãe fez pré-natal incompleto. Ao exame: hiperemia conjuntival importante, quemose e secreção mucopurulenta em grande quantidade; sem outros sinais sistêmicos. Considerando a etiologia mais associada a esse tempo de aparecimento e à gravidade descrita, qual a conduta mais adequada?
Conjuntivite neonatal hiperaguda e purulenta abundante com quemose nos primeiros dias sugere Neisseria gonorrhoeae, que pode perfurar a córnea — exige ceftriaxona (ou cefotaxima em hiperbilirrubinêmicos) parenteral e lavagem ocular (correta). Nitrato de prata é profilaxia (e causa conjuntivite química), não tratamento. Aciclovir seria para herpes (vesículas, ceratite). Eritromicina tópica isolada não trata gonococo invasivo. Azitromicina oral isolada é para clamídia (que surge mais tarde, 5-14 dias, com quadro menos hiperagudo).
Homem de 55 anos, hipermetrope, chega ao pronto-socorro com dor ocular intensa à direita de início súbito há 3 horas, associada a visão borrada, halos coloridos ao redor de luzes, náuseas e vômitos. Ao exame: olho direito com hiperemia conjuntival difusa, córnea com edema (aspecto fosco), pupila em midríase média fixa e pouco reativa. A pressão intraocular medida é de 52 mmHg. Qual é o diagnóstico mais provável?
Dor ocular súbita e intensa com halos coloridos, náuseas/vômitos, córnea edemaciada, pupila em midríase média fixa e PIO muito elevada (52 mmHg) em paciente hipermetrope caracterizam glaucoma agudo de ângulo fechado. A uveíte anterior cursa com miose, hipópio/precipitados e PIO geralmente normal ou baixa. A conjuntivite tem secreção e não eleva a PIO nem borra tanto a visão. A ceratite herpética mostra úlcera dendrítica à fluoresceína, com pupila normal. A neurite óptica retrobulbar cursa com perda visual e dor à movimentação, sem hiperemia, edema de córnea ou elevação da PIO.
Um recém-nascido a termo, com 20 dias de vida, é levado pela mãe à UBS. Ela relata secreção purulenta abundante em ambos os olhos, com edema palpebral importante, iniciada por volta do 5º ao 7º dia de vida. A mãe não realizou pré-natal completo. Considerando as causas de conjuntivite neonatal (oftalmia neonatal), qual agente deve ser prioritariamente investigado e tratado, dado o risco de complicações graves?
A oftalmia neonatal por Neisseria gonorrhoeae tipicamente se manifesta entre o 2º e 5º dia (podendo variar), com conjuntivite hiperaguda, secreção purulenta abundante e intenso edema palpebral, sendo emergência pelo risco de perfuração de córnea e cegueira. O contexto de pré-natal incompleto (sem rastreio/tratamento de ISTs maternas) reforça essa hipótese, e o tratamento exige antibioticoterapia sistêmica. A conjuntivite por Chlamydia trachomatis também é importante e costuma surgir por volta da 1ª-2ª semana. Staphylococcus epidermidis, adenovírus e Cândida não são causas prioritárias da oftalmia neonatal grave que ameaça a visão nesse contexto de exposição perinatal a IST.
Recém-nascido a termo, com 20 dias de vida, é levado à UPA com secreção ocular purulenta bilateral abundante e edema palpebral iniciados há 4 dias. A mãe teve pré-natal incompleto. Considerando a principal etiologia bacteriana grave nessa faixa, qual é a conduta mais apropriada?
Conjuntivite neonatal com secreção purulenta abundante e edema palpebral, sobretudo com pré-natal incompleto, exige investigação e tratamento da oftalmia gonocócica (Neisseria gonorrhoeae), que pode causar perfuração corneana e cegueira, requerendo antibiótico sistêmico (ceftriaxona/cefotaxima) e coleta para clamídia (causa de conjuntivite de início mais tardio). Lubrificante isolado não trata infecção bacteriana grave. Corticoide tópico é contraindicado em infecção ativa. Apenas higiene ocular sem investigação subestima uma emergência oftalmológica neonatal.
Recém-nascido de 5 dias, na UBS, apresenta secreção ocular purulenta bilateral abundante e edema palpebral intenso iniciados no 3º dia de vida. A mãe fez pré-natal incompleto. Considerando a etiologia mais grave a ser descartada nessa faixa etária, qual é a conduta mais apropriada?
Conjuntivite neonatal purulenta bilateral intensa entre o 2º e 5º dia de vida, sobretudo com pré-natal incompleto, obriga a descartar oftalmia gonocócica, que pode causar perfuração de córnea e cegueira. A conduta é tratamento sistêmico (ceftriaxona), higiene ocular e investigação/tratamento materno e de parceiros, além de considerar coinfecção por clamídia. Lubrificante, apenas higiene ou corticoide tópico são inadequados e retardam o tratamento de uma emergência oftalmológica infecciosa.
Recém-nascido a termo, 12 dias de vida, é levado ao pronto-socorro com secreção purulenta abundante em ambos os olhos, edema palpebral acentuado e hiperemia conjuntival intensa iniciados há 2 dias. A mãe, de 19 anos, não realizou pré-natal e relata corrimento vaginal na gestação. Ao exame, a criança está afebril, mamando bem, com quemose e secreção mucopurulenta espessa; a córnea está transparente. Colhe-se material para bacterioscopia com Gram, que evidencia diplococos gram-negativos intracelulares. Considerando a etiologia mais provável, assinale o agente e a conduta terapêutica, respectivamente.
Conjuntivite neonatal com secreção purulenta abundante, edema palpebral intenso e diplococos gram-negativos intracelulares ao Gram define oftalmia gonocócica (mãe sem pré-natal e com corrimento reforça). O tratamento é ceftriaxona (dose única parenteral) com lavagem ocular frequente, dada a agressividade e o risco de perfuração corneana. Chlamydia (distrator) causa conjuntivite mais tardia/subaguda com Gram sem diplococos e trata-se com macrolídeo VO, mas não explica os diplococos. S. aureus não daria diplococos gram-negativos e colírio isolado é insuficiente para gonococo. A reação ao nitrato de prata é precoce (primeiras 24-48h), autolimitada e sem secreção purulenta franca com diplococos.
Mulher, 58 anos, hipermetrope, procura o pronto-socorro com dor ocular intensa no olho direito iniciada há 4 horas, acompanhada de visão borrada, halos coloridos ao redor das luzes, náuseas e vômitos. Refere que os sintomas começaram no fim da tarde, enquanto assistia televisão em ambiente com pouca luz. Ao exame: acuidade visual 20/200 no olho direito; hiperemia conjuntival com predomínio periciliar (injeção ciliar), córnea com aspecto embaçado/edematoso, pupila em midríase média fixa e pouco reativa. À palpação digital, o globo ocular direito apresenta-se endurecido ("duro como pedra"). O olho esquerdo é indolor e sem alterações. Qual é o diagnóstico mais provável?
Correta: o quadro é clássico de glaucoma agudo de ângulo fechado: dor intensa de início súbito, halos coloridos, náuseas/vômitos, midríase média fixa, córnea edematosa e, sobretudo, tônus ocular muito elevado (globo endurecido à palpação). Fatores de risco presentes: sexo feminino, hipermetropia (câmara anterior rasa) e desencadeamento em ambiente escuro (midríase fisiológica que fecha o ângulo). Conjuntivite bacteriana erra: cursa com secreção purulenta, sem dor intensa, sem alteração de acuidade visual nem aumento da pressão intraocular. Uveíte anterior erra: tipicamente cursa com pupila em MIOSE e dor fotofóbica, com pressão geralmente normal ou baixa, não com globo endurecido e midríase. Ceratite herpética erra: apresenta úlcera dendrítica ao teste com fluoresceína e reduz a sensibilidade corneana, sem elevação abrupta da pressão. Esclerite erra: dor profunda de instalação insidiosa (dias), com hiperemia violácea de vasos esclerais profundos, sem midríase fixa nem pressão elevada.
Homem, 22 anos, estudante, procura atendimento por olho vermelho bilateral há 3 dias, com sensação de "areia nos olhos", lacrimejamento abundante e secreção aquosa. Relata que iniciou em um olho e depois acometeu o outro. Refere quadro gripal na semana anterior e que um colega de república apresentou sintomas oculares semelhantes. Ao exame: hiperemia conjuntival difusa bilateral, secreção seromucosa, linfonodo pré-auricular palpável e doloroso, acuidade visual preservada e córnea sem alterações à fluoresceína. Qual é o diagnóstico mais provável?
Correta: o conjunto secreção aquosa/seromucosa, acometimento sequencial dos dois olhos, contexto epidemiológico (contágio, quadro gripal prévio) e — o achado mais específico — a linfadenopatia pré-auricular são característicos da conjuntivite viral (adenovírus). Conjuntivite bacteriana erra: cursa com secreção francamente purulenta e ausência de linfonodo pré-auricular. Conjuntivite alérgica erra: predomina o PRURIDO intenso, é bilateral desde o início, associada a atopia e sem linfadenopatia. Uveíte erra: cursa com dor, fotofobia, injeção ciliar e miose, não com secreção e prurido. Glaucoma agudo erra: é raro ser bilateral simultâneo, cursa com dor intensa, midríase e visão borrada com halos, não com secreção aquosa e visão preservada.
Homem, 34 anos, usuário de lentes de contato gelatinosas de uso prolongado, que costuma dormir com as lentes, procura o pronto-socorro com dor ocular intensa no olho esquerdo, fotofobia acentuada, lacrimejamento e sensação de corpo estranho há 2 dias, com piora progressiva. Ao exame: acuidade visual reduzida no olho esquerdo, injeção ciliar, e à biomicroscopia observa-se infiltrado corneano estromal esbranquiçado com defeito epitelial suprajacente que cora com fluoresceína, além de discreto hipópio. A pupila é normorreativa e a pressão intraocular está normal. Além da suspensão imediata do uso das lentes, qual é a conduta inicial mais apropriada?
Correta: o quadro é de ceratite infecciosa (úlcera de córnea), fortemente associada ao uso de lentes de contato, especialmente dormir com elas (risco de Pseudomonas e Acanthamoeba). Diante de infiltrado estromal com defeito epitelial e hipópio, a conduta padrão é coletar raspado corneano para bacterioscopia/cultura e iniciar antibioticoterapia tópica fortificada de amplo espectro empírica — é urgência oftalmológica pelo risco de perfuração e perda visual. Erra: corticoide isolado, na vigência de infecção ativa não tratada, favorece a proliferação do agente e piora a úlcera (contraindicado como monoterapia inicial). Erra: subtrata gravemente uma ceratite infecciosa, retardando terapia crítica. Erra: oclusão compressiva é contraindicada em úlcera infecciosa (favorece ambiente para germes) e o encaminhamento de rotina é lento demais para uma urgência. Erra: o contexto (lentes de contato, hipópio, infiltrado estromal) aponta etiologia bacteriana/Acanthamoeba, não herpética; a ceratite herpética típica cursa com úlcera dendrítica e não justifica aciclovir empírico isolado aqui.
Mulher, 63 anos, hipermetrope, procura o pronto-socorro com dor ocular intensa no olho direito iniciada há 4 horas, acompanhada de visão borrada, halos coloridos ao redor das luzes, náuseas e um episódio de vômito. Ao exame: olho direito com hiperemia e injeção ciliar, córnea com aspecto fosco por edema, pupila em midríase média (semidilatada) e arreativa à luz. À palpação bidigital, o globo ocular apresenta-se endurecido ("duro como pedra"). A acuidade visual está reduzida no olho acometido. Qual a conduta inicial mais apropriada?
O conjunto dor intensa, halos, midríase média fixa, córnea fosca, olho endurecido à palpação e cortejo vagal (náusea/vômito) em olho hipermetrope define glaucoma agudo de ângulo fechado — emergência que exige redução imediata da pressão intraocular (acetazolamida sistêmica + hipotensores tópicos; pilocarpina reabre o ângulo) e encaminhamento urgente. A atropina e demais midriáticos agravam o bloqueio pupilar e são contraindicados. O colírio antibiótico com oclusão trata ceratite/conjuntivite, não reduz a PIO e atrasa a terapia, com risco de perda visual. O corticoide com lágrimas artificiais não aborda a hipertensão ocular. E as compressas mornas com analgésico partem de premissa falsa: o quadro não é benigno — o retardo leva a lesão irreversível do nervo óptico.
Homem, 34 anos, refere olho esquerdo vermelho há 3 dias, com sensação de corpo estranho, lacrimejamento e fotofobia. Relata episódios prévios de "feridas" labiais recorrentes. À biomicroscopia com fluoresceína observa-se úlcera corneana com padrão ramificado (dendrítico), de bordas terminais bulbosas. A sensibilidade corneana está diminuída no olho acometido. Qual o tratamento mais apropriado?
A úlcera dendrítica à fluoresceína somada à hipoestesia corneana e ao histórico de herpes labial recorrente caracteriza ceratite herpética epitelial (HSV), cujo tratamento é antiviral. O corticoide de alta potência isolado na doença epitelial ativa favorece a replicação viral e pode transformar o dendrito em úlcera geográfica ou levar à perfuração — contraindicado. O antibiótico de amplo espectro trata ceratite bacteriana, não a etiologia viral. A oclusão ocular com lágrimas artificiais não trata a infecção e cria ambiente favorável à sua progressão. E o anti-histamínico com estabilizador de mastócitos destina-se à conjuntivite alérgica (prurido e papilas), incompatível com o dendrito descrito.
Homem, 28 anos, com olho direito vermelho e dor há 2 dias, fotofobia intensa e discreta baixa de visão. Nega secreção purulenta. Relata lombalgia crônica que piora pela manhã, com rigidez, e melhora ao longo do dia com atividade física. Ao exame: hiperemia predominando ao redor do limbo (injeção ciliar), pupila miótica e, à lâmpada de fenda, células e flare na câmara anterior. A pressão intraocular está normal. Qual a conduta inicial mais apropriada?
Injeção ciliar, dor com fotofobia, miose e presença de células e flare na câmara anterior definem uveíte anterior aguda; a lombalgia inflamatória (pior pela manhã, melhora com atividade) aponta para espondiloartrite associada a HLA-B27. O tratamento combina corticoide tópico (controle da inflamação) e cicloplégico (alívio do espasmo ciliar e prevenção de sinéquias), além de investigar a causa sistêmica. A pilocarpina, por ser miótica, intensifica a dor e favorece sinéquias posteriores — contraindicada. O colírio antibiótico com oclusão seria para causa infecciosa bacteriana/conjuntivite, ausente aqui (sem secreção). Não há elementos de infecção herpética, de modo que o antiviral oral não está indicado. E limitar-se a lágrimas artificiais com observação é inadequado: uveíte não tratada evolui com sinéquias, glaucoma secundário e catarata.
Mulher de 63 anos chega à unidade de pronto atendimento com dor ocular intensa em olho direito iniciada há 4 horas, acompanhada de visão borrada, percepção de halos coloridos ao redor das luzes, cefaleia ipsilateral, náuseas e um episódio de vômito. Relata que os sintomas surgiram à noite, quando estava em ambiente com pouca luz. Ao exame, apresenta hiperemia conjuntival difusa com congestão perilímbica, córnea com aspecto embaçado (edematosa), pupila em midríase média fixa e pouco reativa. À palpação bidigital, o globo ocular direito encontra-se endurecido, muito mais tenso que o contralateral. Qual é o diagnóstico mais provável e a conduta inicial mais adequada?
O quadro de dor ocular intensa, halos ao redor das luzes, náuseas/vômitos, córnea embaçada, pupila em midríase média fixa e globo endurecido à palpação é típico do glaucoma agudo de ângulo fechado, emergência oftalmológica: a conduta é reduzir a PIO (hipotensores tópicos + acetazolamida) e encaminhar com urgência para iridotomia. Errada: conjuntivite não cursa com córnea embaçada, midríase fixa nem globo endurecido. A atropina é perigosa: midriáticos PIORAM o fechamento angular. Atribuir a dor e a hiperemia a crise hipertensiva sistêmica confunde o quadro, ignorando o sinal-chave (globo tenso).
Homem de 25 anos, usuário de lentes de contato gelatinosas de uso prolongado, procura a UBS com dor intensa, sensação de corpo estranho, lacrimejamento, fotofobia acentuada e embaçamento visual no olho esquerdo há 2 dias. Relata que costuma dormir com as lentes e reutiliza a solução de limpeza. Ao exame, há hiperemia conjuntival com congestão perilímbica, e a instilação de fluoresceína revela um infiltrado corneano central esbranquiçado que capta o corante, com defeito epitelial associado. A acuidade visual do olho acometido está reduzida. Diante desse quadro, qual é a conduta mais adequada na atenção primária?
Usuário de lente de contato com dor, fotofobia, infiltrado corneano que capta fluoresceína e queda de visão tem ceratite infecciosa (bacteriana, frequentemente por Pseudomonas), que ameaça a visão. A conduta é suspender as lentes e encaminhar com urgência para raspado corneano e antibiótico tópico. O corticoide isolado está contraindicado: agrava a infecção e risco de perfuração. Errada: a oclusão favorece proliferação bacteriana e é proscrita em ceratite infecciosa. Diagnosticar conjuntivite viral ignora o infiltrado corneano e a captação de fluoresceína, sinais que descartam conjuntivite viral simples.
Homem de 30 anos comparece à unidade de saúde da família com olho direito vermelho, dor ocular em pressão, fotofobia importante e visão levemente embaçada há 3 dias, sem secreção purulenta. Refere já ter tido episódio semelhante no ano anterior e queixa-se de dor lombar baixa com rigidez matinal prolongada que melhora com atividade física. Ao exame, observa-se hiperemia predominante ao redor da córnea (injeção ciliar/perilímbica), pupila do olho acometido menor que a contralateral e pouco reativa, sem secreção. A hiperemia não melhora após instilação de colírio vasoconstritor. Qual é o diagnóstico mais provável e a associação sistêmica esperada?
Olho vermelho com injeção ciliar/perilímbica, dor, fotofobia, miose (pupila menor e pouco reativa) e ausência de secreção configura uveíte anterior aguda; a lombalgia inflamatória (rigidez matinal que melhora com exercício) aponta espondiloartrite HLA-B27 (espondilite anquilosante), causa clássica de uveíte recorrente. Deve ser encaminhado ao oftalmologista. A e D cursam com secreção e hiperemia difusa (não ciliar) e sem miose. Episclerite costuma ser indolor ou com desconforto leve, sem fotofobia intensa nem alteração pupilar, e a hiperemia setorial tende a branquear com vasoconstritor.
Mulher de 58 anos, diabética tipo 2, é atendida na Unidade Básica de Saúde trazendo relatório do oftalmologista da referência: "glaucoma primário de ângulo aberto em ambos os olhos; pressão intraocular de 26 mmHg (OD) e 25 mmHg (OE); gonioscopia com ângulo aberto grau IV; escavação de disco óptico 0,7 bilateral; campimetria com escotoma arqueado superior no olho direito; sem tratamento prévio". A paciente está assintomática, com acuidade visual 20/25 em ambos os olhos, e pergunta como será tratada. Qual é o tratamento inicial de escolha para esse quadro?
No GPAA, o tratamento inicial padrão é clínico: colírio hipotensor tópico para reduzir a pressão intraocular, e os análogos de prostaglandina (latanoprosta, bimatoprosta, travoprosta) são a primeira linha por maior eficácia hipotensora, posologia de uma vez ao dia e bom perfil de segurança sistêmica; a única intervenção com benefício comprovado é a redução da pressão intraocular. Iridotomia a laser é o tratamento do glaucoma de ângulo FECHADO (ou de olhos com ângulo ocluível) — aqui a gonioscopia mostra ângulo aberto grau IV, portanto não há bloqueio pupilar a tratar. Corticoide tópico é contraindicado: pode ELEVAR a pressão intraocular (glaucoma corticoinduzido). Trabeculectomia é reservada a falha do tratamento clínico/laser ou doença avançada e progressiva, não como abordagem inicial.
Um homem de 62 anos comparece à unidade de pronto atendimento com dor intensa no olho direito iniciada há 6 horas, enquanto assistia televisão em um cômodo escuro. Refere náuseas, dois episódios de vômito, visão borrada e relato de halos coloridos ao redor das luzes. Nega trauma ocular, secreção ou coriza. É hipermetrope e faz uso apenas de óculos para leitura. Ao exame: acuidade visual de 20/200 no olho direito e 20/25 no esquerdo; hiperemia ocular difusa com predomínio perilímbico, córnea com aspecto embaçado, câmara anterior rasa e pupila em midríase média, ovalada e sem reação à luz. O globo ocular direito apresenta consistência endurecida à palpação bidigital. Qual é o diagnóstico mais provável?
Correta: glaucoma agudo de ângulo fechado. A tríade dor ocular intensa com náuseas/vômitos, halos coloridos e baixa acuidade visual, somada a córnea embaçada (edema), câmara anterior rasa, pupila em midríase média fixa e globo endurecido à palpação (hipertensão ocular), em paciente hipermetrope após midríase fisiológica no escuro, é o quadro clássico. É emergência oftalmológica: iniciar hipotensores tópicos/sistêmicos e encaminhar com urgência para iridotomia a laser. Conjuntivite bacteriana: cursa com secreção purulenta, sem dor intensa, sem baixa de acuidade visual e sem alteração pupilar. Uveíte anterior: dor e fotofobia com hiperemia perilímbica, porém a pupila é MIÓTICA (não midriática), há células/flare na câmara anterior e a pressão costuma estar normal ou baixa. Ceratite bacteriana: exige fator de risco (lente de contato, trauma) e cursa com infiltrado/úlcera corneana localizada que cora à fluoresceína, sem câmara rasa nem globo endurecido.
Uma mulher de 24 anos procura a Unidade Básica de Saúde referindo, há 3 dias, olho esquerdo vermelho com "remela" abundante e amarelada, que gruda os cílios ao acordar, obrigando-a a lavar as pálpebras para abrir os olhos. Sensação de areia no olho, sem dor intensa. Nega uso de lentes de contato, trauma, febre ou sintomas gripais. Ao exame: acuidade visual preservada em ambos os olhos (20/20), hiperemia conjuntival difusa e mais intensa nos fórnices do olho esquerdo, secreção mucopurulenta abundante, córnea transparente, pupilas isocóricas e fotorreagentes. Não há linfonodo pré-auricular palpável nem fotofobia. Qual é o diagnóstico mais provável?
Correta: conjuntivite bacteriana. Secreção mucopurulenta abundante que gruda os cílios ao despertar, hiperemia conjuntival difusa, acuidade visual preservada, córnea transparente, pupilas normais e ausência de linfonodo pré-auricular caracterizam a etiologia bacteriana. É autolimitada na maioria dos casos; higiene local e medidas de contato são a base, com antibiótico tópico abreviando o curso e a transmissibilidade. Conjuntivite viral (adenovírus): secreção aquosa/serosa, folículos, linfonodo pré-auricular palpável e associação com quadro gripal — nada disso presente. Episclerite: hiperemia setorial/nodular sem secreção. Uveíte anterior: dor, fotofobia, hiperemia perilímbica, miose e baixa de acuidade visual — ausentes aqui, e a acuidade preservada praticamente a exclui.
Um universitário de 21 anos chega ao pronto-socorro com dor no olho direito, lacrimejamento, fotofobia importante e visão embaçada há 2 dias. Relata usar lentes de contato gelatinosas de uso diário, mas confessa dormir com elas várias vezes por semana e reutilizar a solução de conservação no estojo. Ao exame: acuidade visual de 20/80 no olho direito e 20/20 no esquerdo; blefaroespasmo, hiperemia conjuntival com predomínio perilímbico e infiltrado corneano esbranquiçado central de cerca de 2 mm, com defeito epitelial que se cora intensamente pela fluoresceína. Há discreto nível de hipópio na câmara anterior. Pupila isocórica e fotorreagente; globo com consistência normal à palpação. Qual é o diagnóstico mais provável?
Correta: ceratite infecciosa (úlcera de córnea). Uso abusivo de lente de contato (dormir com as lentes, reutilizar solução) é o principal fator de risco; o achado que define o diagnóstico é o infiltrado corneano branco com defeito epitelial que cora à fluoresceína, acompanhado de dor, fotofobia, hiperemia perilímbica, baixa de acuidade visual e hipópio reacional. Conduta: suspender a lente, NÃO ocluir o olho e encaminhar com urgência ao oftalmologista para colher raspado e iniciar colírio antibiótico fortificado — corticoide tópico é contraindicado na atenção primária. Conjuntivite viral: secreção aquosa e córnea sem infiltrado, sem hipópio. Glaucoma agudo: córnea difusamente edemaciada (sem infiltrado focal), pupila em midríase fixa, câmara rasa e globo endurecido — a pupila normal e o tônus normal afastam. Hemorragia subconjuntival: mancha vermelha bem delimitada, indolor, sem alteração visual.
Mulher de 58 anos chega à Unidade de Pronto Atendimento com dor ocular intensa no olho direito, iniciada há 6 horas, acompanhada de náuseas, vômitos, cefaleia frontal e visão borrada com halos coloridos ao redor das luzes. Ao exame: hiperemia conjuntival difusa com predomínio periquerático, córnea com aspecto embaçado, pupila em midríase média e pouco reativa, globo ocular endurecido à palpação bidigital. Refere ter usado colírio para "dilatar a pupila" em consulta recente. Qual é a conduta mais adequada?
O quadro é clássico de glaucoma agudo de ângulo fechado: dor intensa, halos coloridos, náuseas/vômitos, midríase média fixa, córnea embaçada e globo endurecido, desencadeado por midriático. É emergência oftalmológica — a hipertensão intraocular deve ser reduzida imediatamente (acetazolamida sistêmica, betabloqueador e/ou alfa-agonista tópicos) enquanto se garante o encaminhamento para iridotomia. Corticoide com oclusão não trata a hipertensão e a oclusão é contraindicada no olho vermelho agudo. Midriático é justamente o fator precipitante e agrava o bloqueio angular. Antibiótico tópico com retorno em 48 horas trata quadro infeccioso inexistente e o atraso pode levar à perda visual irreversível por lesão do nervo óptico.
Homem de 24 anos procura a Unidade Básica de Saúde com dor no olho esquerdo, fotofobia e sensação de corpo estranho há 2 dias. É usuário de lentes de contato gelatinosas e admite dormir com elas. Ao exame: hiperemia periquerática, lacrimejamento, secreção mucopurulenta discreta e mancha esbranquiçada na córnea, com piora da acuidade visual nesse olho. Qual é a conduta mais apropriada nesse nível de atenção?
Infiltrado corneano esbranquiçado com dor, fotofobia e queda de acuidade visual em usuário de lente de contato que dorme com ela é ceratite infecciosa (risco de Pseudomonas e de Acanthamoeba) — ameaça à visão. Na APS a conduta é suspender a lente e encaminhar com urgência para lâmpada de fenda, raspado e antibioticoterapia dirigida. Corticoide tópico sem diagnóstico etiológico favorece a progressão da infecção e a perfuração corneana. A oclusão compressiva cria câmara úmida que estimula a proliferação bacteriana e está contraindicada. Anestésico tópico domiciliar é epiteliotóxico, retarda a cicatrização, mascara a dor e pode levar à ceratopatia neurotrófica.
Homem de 22 anos comparece à Unidade Básica de Saúde com olho direito vermelho há 3 dias, com secreção aquosa abundante, sensação de areia e lacrimejamento; hoje o olho esquerdo começou a apresentar os mesmos sintomas. Relata quadro gripal recente e colegas de trabalho com queixa semelhante. Ao exame: hiperemia conjuntival difusa, acuidade visual preservada, pupilas normorreativas, córnea sem alterações e linfonodo pré-auricular palpável e doloroso à direita. Qual é o diagnóstico mais provável e a conduta inicial?
Secreção aquosa, acometimento sequencial dos dois olhos, pródromo gripal, casos na comunidade e adenopatia pré-auricular definem conjuntivite viral (adenovírus), que é autolimitada — o manejo na APS é sintomático (compressas frias, lubrificante) com ênfase nas medidas de higiene e afastamento para conter a transmissão. Uveíte anterior cursaria com dor, fotofobia, hiperemia periquerática e miose, ausentes aqui, e corticoide tópico sem avaliação especializada é inadequado. Glaucoma agudo é unilateral e cursa com dor intensa, halos, midríase e perda visual. Conjuntivite bacteriana produz secreção purulenta espessa e não cursa com adenopatia pré-auricular; o antibiótico é desnecessário e alimenta a resistência antimicrobiana.
Um homem de 60 anos é atendido na UPA por dor ocular intensa de início súbito em um olho, com visão borrada, halos ao redor das luzes, náuseas e vômitos. Ao exame, o olho está hiperemiado, a córnea embaçada e a pupila em midríase média fixa; a pressão intraocular está muito elevada. O paciente traz relatório de acompanhamento por 'glaucoma crônico de ângulo aberto' controlado no outro olho. Qual a interpretação mais adequada do quadro atual?
Dor súbita e intensa, halos, náuseas/vômitos, córnea embaçada e pupila em midríase média fixa com PIO muito elevada caracterizam glaucoma AGUDO de ângulo FECHADO — emergência que exige redução imediata da PIO e encaminhamento urgente. É entidade distinta do glaucoma crônico de ângulo aberto, que é indolor e insidioso; ter um não protege do outro. Conjuntivite não cursa com midríase fixa nem PIO elevada. Crise hipertensiva sistêmica não produz esse conjunto de sinais oculares.
Menino de 8 anos é levado ao pronto-socorro com história de coriza e obstrução nasal há 6 dias, tratada com sintomáticos. Há 24 horas evoluiu com febre de 39 °C, edema e hiperemia palpebral à direita, e hoje a mãe notou que "o olho está saltado". Ao exame: edema periorbitário direito importante, proptose, quemose, dor à movimentação ocular com limitação da adução, diplopia ao olhar lateral e acuidade visual preservada. Rinoscopia com secreção purulenta em meato médio direito. Sem rigidez de nuca ou alteração do nível de consciência. Assinale o próximo passo.
Proptose, oftalmoplegia (limitação da adução), quemose e diplopia caracterizam acometimento pós-septal (celulite orbitária/abscesso subperiosteal — Chandler III), a complicação orbitária mais frequente da rinossinusite aguda na criança, tipicamente por etmoidite com disseminação através da lâmina papirácea. A conduta é internação imediata, antibiótico endovenoso de amplo espectro e tomografia com contraste de seios paranasais e órbitas para definir a presença e o tamanho do abscesso, com avaliação conjunta da otorrinolaringologia e da oftalmologia. Tratamento oral ambulatorial só se aplica à celulite pré-septal (Chandler I), em que não há proptose, dor à movimentação ocular nem diplopia. Punção do seio maxilar não é o passo inicial e retardar o antibiótico em complicação orbitária arrisca perda visual e trombose do seio cavernoso. A ressonância é reservada à suspeita de complicação intracraniana, e em nenhuma hipótese se posterga o antibiótico à espera de imagem.
Mulher de 63 anos, hipermétrope, procura o pronto-socorro com dor ocular intensa à direita, iniciada há 6 horas enquanto assistia a um filme em sala escura. Refere visão embaçada, halos coloridos ao redor das luzes, náuseas e dois episódios de vômito, tendo sido inicialmente abordada como abdome agudo. Ao exame oftalmológico: acuidade visual de 20/200 à direita, hiperemia mista com predomínio perilímbico, córnea edematosa de aspecto fosco, pupila em midríase média arreflexa, câmara anterior rasa e globo endurecido à palpação digital. Tonometria de aplanação: 54 mmHg. Assinale a conduta adequada.
O quadro é clássico de glaucoma agudo de ângulo fechado: hipermetropia (câmara rasa), midríase em ambiente escuro como gatilho, dor intensa com náuseas/vômitos (que simulam abdome agudo), halos, córnea edematosa, pupila em midríase média arreflexa e PIO muito elevada. A conduta é reduzir a PIO com inibidor da anidrase carbônica sistêmico e hipotensores tópicos (betabloqueador, alfa-agonista, hiperosmótico se necessário); a pilocarpina só é eficaz após queda pressórica, pois o esfíncter isquêmico não responde com PIO muito alta. O tratamento definitivo, inclusive profilático no olho contralateral, é a iridotomia periférica a laser. Atropina é midriático/cicloplégico e agrava o bloqueio pupilar — está formalmente contraindicada. Corticoide tópico isolado não trata o mecanismo de bloqueio pupilar (é conduta de uveíte anterior). Trabeculectomia é cirurgia filtrante reservada a casos refratários ou a glaucoma crônico descompensado, jamais o primeiro passo no episódio agudo.
Homem de 28 anos comparece à UPA com dor ocular esquerda, fotofobia intensa e visão borrada há dois dias, sem secreção. Relata episódio semelhante no mesmo olho há um ano, resolvido com colírio cujo nome não recorda. Refere lombalgia inflamatória há dois anos, com rigidez matinal de cerca de uma hora que melhora com atividade física. Ao exame: acuidade visual 20/60 à esquerda, hiperemia com predomínio perilímbico (injeção ciliar), pupila miótica com resposta lentificada, precipitados ceráticos finos no endotélio e células e flare em câmara anterior. Fluoresceína sem captação. Assinale a conduta inicial adequada.
O conjunto injeção ciliar perilímbica, dor com fotofobia, miose, precipitados ceráticos e células/flare na câmara anterior define uveíte anterior aguda; a recorrência unilateral em homem jovem com lombalgia inflamatória (rigidez matinal prolongada que melhora com exercício) aponta para espondiloartrite axial associada ao HLA-B27, a causa sistêmica mais frequente dessa apresentação. O tratamento é corticoide tópico frequente com desmame lento, somado a cicloplégico (que alivia o espasmo ciliar e previne sinéquias posteriores), além da investigação reumatológica. Conjuntivite viral cursa com secreção aquosa, hiperemia difusa periférica, adenopatia pré-auricular e não causa precipitados ceráticos nem miose. Ceratite herpética exigiria úlcera dendrítica captante à fluoresceína, o que o enunciado exclui explicitamente. Episclerite é indolor ou pouco dolorosa, com hiperemia setorial superficial, sem reação de câmara anterior e sem baixa visual.
Mulher de 68 anos, hipermétrope, procura a unidade de pronto atendimento com dor ocular intensa em olho direito iniciada há 5 horas, após passar a tarde em uma sala de cinema. Refere visão borrada, halos coloridos ao redor das luzes, náuseas e dois episódios de vômito. Nega trauma ou secreção. Faz uso de amitriptilina para insônia. Ao exame: acuidade visual de conta dedos a 1 metro no olho direito e 20/25 no esquerdo; hiperemia conjuntival difusa com predomínio periquerático, córnea com edema epitelial e aspecto fosco, câmara anterior rasa, pupila em midríase média (5 mm) e não reativa à luz. Tonometria: 54 mmHg no olho direito e 15 mmHg no esquerdo. Assinale a conduta inicial mais adequada.
O quadro é de glaucoma agudo de ângulo fechado: hipermetropia (câmara rasa), midríase desencadeada por penumbra e anticolinérgico (amitriptilina), dor com náuseas/vômitos, halos, córnea edemaciada, pupila em midríase média arreativa e PIO de 54 mmHg. A conduta é baixar a pressão de imediato com acetazolamida sistêmica somada a betabloqueador e alfa-agonista tópicos; a pilocarpina só age depois que a pressão cai (acima de ~40-50 mmHg o esfíncter da íris fica isquêmico e não responde), e o tratamento definitivo é a iridotomia periférica a laser. A atropina é midriática e agrava o bloqueio pupilar, sendo formalmente contraindicada. Corticoide/antibiótico tópico trata ceratoconjuntivite, não a hipertensão ocular aguda, e o adiamento permite lesão irreversível do nervo óptico. Oclusão com analgesia apenas mascara o quadro e não reduz a PIO — perda visual permanente pode ocorrer em horas.
Homem de 28 anos procura ambulatório com dor e vermelhidão no olho esquerdo há 4 dias, associadas a intensa fotofobia e lacrimejamento, sem secreção purulenta. Relata episódio semelhante no olho direito há um ano, resolvido espontaneamente. Refere ainda dor lombar de ritmo inflamatório há dois anos, com rigidez matinal de cerca de uma hora que melhora com exercício. Ao exame: acuidade visual 20/40 no olho esquerdo; hiperemia com predomínio periquerático (injeção ciliar), sem secreção; à lâmpada de fenda observam-se células e flare em câmara anterior, precipitados ceráticos finos e pupila em miose com aderências à cápsula anterior do cristalino. Tonometria: 14 mmHg. Fundoscopia sem alterações. Assinale a conduta mais apropriada.
Dor com fotofobia, injeção ciliar sem secreção, células/flare, precipitados ceráticos, miose e sinéquias posteriores definem uveíte anterior aguda; a lombalgia inflamatória com rigidez matinal prolongada que melhora ao exercício e a recorrência alternante apontam para espondiloartrite axial associada ao HLA-B27, a causa mais frequente dessa apresentação em homens jovens. O tratamento é corticoide tópico frequente (para controlar a inflamação) somado a cicloplégico (que alivia o espasmo ciliar e previne/rompe sinéquias), com investigação sistêmica dirigida. Conjuntivite bacteriana cursa com secreção purulenta e hiperemia difusa, sem células em câmara anterior. Ceratite herpética exige lesão dendrítica com fluoresceína e hipoestesia corneana, ausentes aqui. Glaucoma agudo cursaria com PIO elevada e pupila em midríase média — o oposto da miose e da tonometria de 14 mmHg descritas.
Estudante de 22 anos chega ao pronto-socorro com dor intensa, fotofobia e queda importante da visão no olho direito há 36 horas. Usa lentes de contato gelatinosas de uso diário, mas admite dormir com elas várias vezes por semana e enxaguá-las com água da torneira. Ao exame: acuidade visual de vultos no olho direito; blefaroespasmo, hiperemia conjuntival intensa com injeção periquerática e secreção mucopurulenta moderada. À lâmpada de fenda observa-se infiltrado estromal branco-acinzentado de 3 mm no centro da córnea, com defeito epitelial correspondente que cora com fluoresceína, e nível de hipópio de 1 mm em câmara anterior. Assinale a conduta correta.
Infiltrado estromal com defeito epitelial, secreção e hipópio em usuária de lente de contato com uso noturno e enxágue com água da torneira caracterizam ceratite infecciosa bacteriana (Pseudomonas aeruginosa é o agente clássico nesse contexto) — uma urgência oftalmológica. A conduta é suspender a lente, colher raspado corneano para bacterioscopia e cultura antes ou junto do início do tratamento e iniciar antibiótico tópico de amplo espectro (fluoroquinolona ou colírios fortificados) em regime horário, com reavaliação diária. A oclusão é contraindicada porque cria câmara úmida que favorece a proliferação bacteriana e impede a instilação frequente. O aciclovir trata ceratite herpética, que cursa com lesão dendrítica e hipoestesia, não com infiltrado supurativo e hipópio. O antibiótico sistêmico isolado não atinge concentração corneana adequada, e liberar a lente após a melhora da dor mantém o fator de risco.
Homem de 31 anos comparece à UBS com olho direito vermelho há 3 dias, agora com acometimento também do olho esquerdo. Refere sensação de areia, lacrimejamento abundante e secreção aquosa, sem dor intensa nem borramento visual significativo. Teve quadro de coriza e dor de garganta na semana anterior, e dois colegas do escritório apresentaram sintomas oculares semelhantes. Ao exame: acuidade visual 20/20 em ambos os olhos; hiperemia conjuntival difusa, reação folicular na conjuntiva tarsal inferior, pequena hemorragia subconjuntival à direita, córnea transparente sem captação de fluoresceína, pupilas isocóricas e fotorreagentes, câmara anterior sem células. Palpa-se linfonodo pré-auricular doloroso à direita. Assinale a conduta adequada.
Quadro típico de conjuntivite viral (adenovírus): início unilateral com bilateralização, secreção aquosa, folículos tarsais, hemorragia subconjuntival, pródromo de infecção de via aérea superior, contactantes doentes e — o dado mais característico — adenopatia pré-auricular dolorosa. É autolimitada e o tratamento é de suporte, com ênfase nas medidas de controle de transmissão, já que a contagiosidade é altíssima e persiste enquanto houver lacrimejamento. Corticoide tópico prescrito na atenção primária é inadequado e perigoso: mascara ceratite herpética, favorece infecção e pode elevar a PIO. Antibiótico tópico não previne superinfecção nem encurta o quadro viral, gerando custo e resistência. A conjuntivite alérgica cursa com prurido intenso, papilas e história atópica, ausentes na vinheta.
Mulher de 65 anos procura o pronto-socorro às 21h com dor intensa no olho direito iniciada há 4 horas, quando estava numa sala de cinema. Refere cefaleia frontal, dois episódios de vômito e halos coloridos ao redor das luzes. Ao exame: acuidade visual conta dedos a 1 metro à direita e 20/30 à esquerda; olho direito com hiperemia difusa mais intensa ao redor da córnea, córnea fosca, pupila em midríase média sem resposta à luz e globo tenso à palpação. Pressão intraocular de 48 mmHg à direita. Qual é a conduta imediata mais apropriada?
O conjunto dor abrupta, náusea e vômito, halos coloridos, córnea fosca, midríase média fixa, globo tenso e pressão de 48 mmHg é crise aguda de fechamento angular — o consenso brasileiro descreve pressão frequentemente acima de 40 mmHg nessa forma. A conduta é baixar a pressão já (acetazolamida com ataque de 500 mg, hipotensor tópico, hiperosmótico) e acionar o oftalmologista, porque o tratamento definitivo é a iridotomia a laser. Antibiótico tópico trata um diagnóstico que não é esse. Midriático é o erro mais grave: dilatar a pupila de olho com câmara rasa alimenta o bloqueio pupilar. Oclusão com analgésico e consulta ambulatorial perde a janela de resgate do nervo óptico. Anestésico tópico alivia e mascara, e seu uso repetido causa ceratopatia tóxica.
Homem de 30 anos apresenta olho direito vermelho há 4 dias, com lacrimejamento abundante e secreção aquosa; há dois dias o olho esquerdo começou a ficar vermelho também. Refere quadro gripal na semana anterior e um colega de trabalho com o mesmo quadro. Ao exame: acuidade visual 20/20 em ambos os olhos, hiperemia conjuntival difusa, folículos na conjuntiva tarsal e linfonodo pré-auricular palpável e doloroso à direita. Não há dor profunda nem fotofobia. Qual é a conduta mais apropriada?
Secreção aquosa, folículos, acometimento sequencial dos dois olhos, pródromo de vias aéreas, contato com caso semelhante e — o achado mais discriminante — linfonodo pré-auricular doloroso caracterizam conjuntivite viral por adenovírus. Acuidade preservada e ausência de dor profunda afastam ceratite, uveíte e crise de fechamento angular. O tratamento é sintomático, com ênfase nas medidas de contenção, já que o período de transmissão dura cerca de 10 a 14 dias desde o início. Corticoide tópico pode prolongar a infecção adenoviral. Antibiótico tópico não age sobre vírus. Conjuntivite bilateral com visão normal e sem dor não é critério de emergência oftalmológica.
Mulher de 41 anos foi atendida há cinco dias com olho direito vermelho e diagnóstico de conjuntivite, recebendo colírio de dexametasona. Retorna com piora da dor, fotofobia intensa e queda da visão para 20/100. À instilação de fluoresceína, observa-se lesão linear ramificada com bordas em bulbo na córnea, e a sensibilidade corneana está reduzida. Qual afirmação melhor explica o desfecho?
Lesão linear ramificada com bordas em bulbo à fluoresceína, associada a hipoestesia corneana, é a úlcera dendrítica da ceratite por herpes simples. Corticoide tópico prescrito às cegas é o erro clássico: além de elevar a pressão intraocular e favorecer catarata, ele prolonga a infecção por adenovírus e piora a infecção herpética, permitindo que a úlcera avance. A dose de corticoide não é a questão, e sim a indicação. Conservante de colírio causa ceratite tóxica difusa e punctata, não dendrito. Corticoide não tem espectro antibacteriano, de modo que falar em resistência ao corticoide não descreve mecanismo algum.
Homem de 34 anos, com lombalgia inflamatória de longa data, apresenta olho esquerdo vermelho e doloroso há dois dias, com fotofobia intensa e visão levemente embaçada. Nega secreção e nega prurido. É o terceiro episódio semelhante em três anos, sempre no mesmo olho. Qual conjunto de achados ao exame melhor sustenta o diagnóstico de uveíte anterior neste caso?
Uveíte anterior dá hiperemia periquerática, dor em peso com fotofobia, ausência de secreção e pupila miótica, muitas vezes com contorno irregular por sinéquias posteriores; à lâmpada de fenda há células no humor aquoso e precipitados ceráticos. A recorrência unilateral em paciente com lombalgia inflamatória sugere espondiloartrite associada ao HLA-B27. Hiperemia nos fórnices com secreção e adenopatia é conjuntivite. Hiperemia setorial que empalidece com fenilefrina é episclerite. Córnea fosca com midríase média fixa e globo tenso é crise de fechamento angular. Mancha homogênea indolor com visão normal é hemorragia subconjuntival.
Recém-nascido com 3 dias de vida, parto vaginal, é levado à unidade de saúde com edema palpebral acentuado e secreção purulenta abundante em ambos os olhos, iniciada há 24 horas. A mãe não realizou pré-natal. Considerando o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com IST do Ministério da Saúde, qual é o tratamento da oftalmia neonatal gonocócica?
Conjuntivite purulenta no primeiro mês de vida é oftalmia neonatal e, quando gonocócica, pode levar a perfuração de córnea e perda visual em 24 horas — o início entre o segundo e o quinto dia de vida favorece o gonococo, enquanto a clamídia tem incubação de 5 a 14 dias. O PCDT de IST trata com ceftriaxona 25 a 50 mg/kg por via intramuscular em dose única, limitada a 125 mg, associada a instilação local de soro fisiológico de hora em hora, e registra explicitamente que não se indica instilação local de penicilina. Tetraciclina a 1% em aplicação única é medida de prevenção ao nascimento, não tratamento. Azitromicina oral isolada não cobre adequadamente o gonococo nesse sítio. Corticoide é contraindicado diante de risco de ulceração corneana.
Homem de 58 anos, hipertenso e em uso de ácido acetilsalicílico, procura a unidade básica assustado com uma mancha vermelho-viva no olho direito, notada ao acordar. Refere um episódio de tosse intensa na véspera. Nega dor, secreção, prurido e alteração da visão. Ao exame: acuidade visual 20/25 em ambos os olhos, mancha vermelha homogênea de limites nítidos no quadrante temporal do olho direito, córnea transparente e pupilas isocóricas e fotorreagentes. Qual é a conduta?
Mancha vermelho-viva homogênea, de limites nítidos, sem dor, sem secreção e com acuidade visual e pupilas normais é hemorragia subconjuntival, condição benigna que reabsorve em uma a duas semanas. O contexto que importa é a manobra de Valsalva, o antiagregante e a hipertensão — daí aferir a pressão arterial e investigar apenas se houver recorrência. Antibiótico tópico não tem indicação, porque não há infecção. Suspender antiagregante e pedir coagulograma de urgência é desproporcional a um episódio isolado com causa identificada. Não há critério de emergência oftalmológica: não houve queda de visão, dor nem alteração corneana ou pupilar.
Homem de 24 anos chega à unidade básica com olho direito vermelho iniciado há 16 horas. Apresenta secreção purulenta muito abundante, que reaparece minutos após a limpeza, edema palpebral acentuado, quemose e linfonodo pré-auricular doloroso. Relata corrimento uretral há dez dias, não tratado. Acuidade visual 20/40 à direita. De acordo com o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com IST do Ministério da Saúde, qual é a conduta?
Instalação em 12 a 24 horas com secreção purulenta profusa, edema palpebral e adenopatia pré-auricular, em adulto com uretrite recente, define conjuntivite hiperaguda gonocócica. O PCDT de IST prescreve ceftriaxona 1 g por via intramuscular em dose única para a conjuntivite gonocócica do adulto — dose maior que a dos sítios não complicados, justamente pela gravidade ocular, já que o gonococo atravessa epitélio corneano íntegro e pode perfurar a córnea em 24 horas. Colírio isolado não trata infecção sistêmica. Azitromicina isolada não cobre o gonococo de forma adequada. Aciclovir trata herpes, não gonococo. Corticoide tópico é contraindicado diante de risco de úlcera de córnea.
Estudante de 22 anos, usuária de lentes de contato gelatinosas de uso diário que costuma dormir com elas, chega à unidade básica com dor no olho esquerdo há um dia, fotofobia e sensação de corpo estranho que não melhora ao piscar. Ao exame: acuidade visual 20/80 à esquerda e 20/20 à direita, hiperemia concentrada ao redor da córnea e pequena mancha esbranquiçada paracentral na córnea, que cora com fluoresceína. Qual é a conduta correta?
Infiltrado corneano com defeito epitelial em usuária de lente de contato é úlcera infecciosa até prova em contrário, com Pseudomonas e Acanthamoeba entre os agentes possíveis, e o protocolo brasileiro de encaminhamento coloca qualquer sintoma agudo em usuário de lente — baixa de visão, dor ou secreção — como emergência oftalmológica. O estojo e a solução vão junto porque servem para cultura. Corticoide tópico sem lâmpada de fenda pode aprofundar a úlcera e agravar infecção herpética. Curativo oclusivo em usuário de lente cria ambiente favorável à Pseudomonas. Anestésico tópico de uso domiciliar atrasa a reepitelização e produz ceratopatia tóxica.
Mulher de 62 anos com dor ocular intensa, náusea, visão de halos ao redor das luzes, olho vermelho com pupila em midríase média não reativa e córnea embaçada. Qual o diagnóstico e a conduta?
Dor ocular intensa com halos, olho vermelho, córnea embaçada e pupila em midríase média fixa caracteriza o glaucoma agudo, emergência que pode levar à cegueira em horas se a pressão não for reduzida. A cefaleia em salvas engana pela dor periorbitária intensa com lacrimejamento, mas nela há miose e ptose, não midríase, e a córnea permanece transparente.
Homem de 58 anos chega com olho direito vermelho, doloroso, visao embacada com halos ao redor das luzes, nausea e vomitos. A pupila esta em midriase media e nao reativa, e o globo esta endurecido a palpacao. Qual o diagnostico e a conduta?
Olho vermelho doloroso com halos, nausea, midriase media fixa e globo endurecido define glaucoma agudo de angulo fechado, emergencia em que cada hora de pressao elevada destroi fibras do nervo optico; o tratamento combina drogas hipotensoras topicas e sistemicas, como acetazolamida, e iridotomia a laser definitiva. Colirio midriatico e formalmente contraindicado por fechar ainda mais o angulo. Conjuntivite cursa com secrecao e sem dor intensa ou alteracao visual. Uveite anterior traz miose e dor com fotofobia, e o corticoide isolado nao trata o glaucoma. Ceratite herpetica mostra lesao dendritica a fluoresceina. Hemorragia vitrea causa perda visual indolor com perda do reflexo vermelho.
Paciente chega com olho vermelho, dor ocular, fotofobia, visao borrada e hiperemia predominantemente perilimbar (ciliar), com pupila miotica. Qual a interpretacao e a conduta?
Hiperemia perilimbar, dor, fotofobia, baixa da visao e miose apontam inflamacao do segmento anterior, e o encaminhamento e urgente pelo risco de sinequias e complicacoes. A conjuntivite engana porque tambem da olho vermelho, mas com hiperemia difusa e predominio periferico, secrecao, sensacao de areia e SEM baixa importante da acuidade visual nem fotofobia intensa. O outro diagnostico que nao pode ser perdido no olho vermelho doloroso e o glaucoma agudo, com pupila em midriase media e olho endurecido.
Menino de 11 anos com rinite alérgica coça os olhos há uma semana, pela terceira primavera seguida. O incômodo maior é o prurido, sem dor profunda e sem fotofobia; a mãe nota as pálpebras inchadas ao acordar. Ao exame: visão inalterada em relação à habitual dos dois lados, vermelhidão difusa e simétrica, quemose e edema palpebral discreto, lágrima clara e escassa. Qual a conduta?
Quadro bilateral, simétrico, recorrente e sazonal, em que o sintoma dominante é prurido — e não ardor nem dor —, com quemose, edema palpebral e história de rinite, é conjuntivite alérgica. O tratamento é afastamento do alérgeno, compressa fria, lubrificante gelado e anti-histamínico ou estabilizador de mastócito tópico. Antibiótico não tem alvo aqui, porque não há secreção purulenta nem infecção. Corticoide tópico não é primeira linha: entra apenas em formas graves, por tempo curto e sob acompanhamento de quem consegue medir a pressão intraocular, e usado às cegas prolonga infecção adenoviral, agrava ceratite herpética e eleva a pressão. Anestésico tópico serve para examinar, nunca para tratar — o uso repetido atrasa a reepitelização e produz ceratopatia tóxica. E bilateralidade com quemose não é critério de emergência: com acuidade preservada, sem dor verdadeira e com hiperemia difusa e não periquerática, o caso não sai do grupo benigno.
Homem de 32 anos tem, há 9 dias, nódulo indolor de cerca de 5 mm na pálpebra superior direita, sem hiperemia da pele que o recobre, sem secreção e sem febre. Vem fazendo compressa morna e massagem por conta própria há 4 dias, sem mudança no tamanho. Acuidade visual 20/20 nos dois olhos, motilidade ocular completa e indolor, sem proptose, sem hiperemia conjuntival e sem dor à movimentação do olho. Qual a conduta?
O quadro é compatível com calázio pequeno e não inflamado. O tratamento inicial é conservador, com compressas mornas e massagem; quatro dias ainda não caracterizam falha, pois a resolução pode levar semanas ou meses. Antibiótico tópico não é rotina quando não há eritema, secreção ou infecção associada. Encaminhamento não urgente é considerado se a lesão persistir apesar do manejo conservador, for recorrente, grande, desconfortável ou afetar a visão; sinais de celulite, dor ocular, fotofobia ou alteração visual exigem avaliação mais rápida. Fontes: Moorfields Eye Hospital NHS Foundation Trust, orientações para calázio.
Mulher de 44 anos com artrite reumatoide nota, há 3 dias, uma área avermelhada de tonalidade violácea restrita a um quadrante do olho direito. A dor é profunda, piora à noite e chega a acordá-la, e há dor ao apalpar o globo através da pálpebra. Não há prurido nem secreção; a visão está discretamente pior à direita que a habitual, e as pupilas respondem normalmente à luz. Qual a conduta?
O protocolo brasileiro de encaminhamento trata olho vermelho agudo com hiperemia setorial como emergência oftalmológica, justamente porque separar episclerite de esclerite depende de exame que a atenção primária não tem. E o caso traz a coleção de achados que pesa para o lado grave: dor profunda com piora noturna, dor à palpação do globo, tonalidade violácea e doença reumatológica sistêmica de base — a esclerite tem risco de perda visual, enquanto a episclerite dá desconforto leve, visão normal e cede sozinha ou com anti-inflamatório. Tratar como episclerite sem esse exame é decidir pelo diagnóstico mais benigno sem instrumento para excluir o outro. Corticoide tópico prescrito sem lâmpada de fenda é o erro clássico do olho vermelho. Antibiótico não tem alvo, porque não há secreção nem infecção. E a lesão descrita não é hemorragia subconjuntival, que é mancha homogênea de limites nítidos, indolor e sem dor à palpação.
Paciente com úlcera corneana em uso de colírio fortificado horário refere piora da vermelhidão e sensação de queimação após uma semana, mas a úlcera está menor e o infiltrado, mais claro. Qual a interpretação mais provável?
Redução do tamanho da úlcera e clareamento do infiltrado são marcadores objetivos de resposta ao tratamento; a queimação e a hiperemia que aumentam nesse contexto costumam ser toxicidade dos colírios fortificados e conservantes, que se resolve ao espaçar as doses. Falha terapêutica se define por aumento do infiltrado, do defeito epitelial ou do hipópio, o oposto do descrito. Superinfecção fúngica traria piora dos parâmetros objetivos, com bordas plumosas novas. Alergia sistêmica ao antibiótico tópico é rara e cursaria com dermatite periocular e prurido, não só queimação. Endoftalmite exigiria queda de visão e vitreíte.
Homem de 30 anos com olho vermelho, dor e visão embaçada há 5 dias após respingo de terra durante trabalho no campo. À lâmpada de fenda observa-se infiltrado com bordas irregulares e lesões satélites. O raspado inicial foi negativo. Qual a melhor conduta?
O rendimento do raspado superficial em ceratite fúngica é baixo, e o quadro epidemiológico e biomicroscópico tem peso maior que uma cultura negativa isolada; mantém-se o antifúngico e repete-se a coleta, se necessário com raspado profundo ou biópsia. Descartar fungo pela cultura negativa é o erro que mais custa córnea nesse cenário. Corticoide numa suspeita de fungo acelera a invasão estromal. Transplante sem tentativa clínica adequada opera sobre olho infectado e com pior prognóstico do enxerto. Observar sem tratamento por 72 horas permite que a lesão avance para a câmara anterior.
Sobre a cicatrização de úlceras corneanas, qual afirmação está correta?
A córnea central é a superfície refrativa que forma a imagem, então uma opacidade pequena no eixo visual degrada mais a visão do que um leucoma amplo na periferia; é por isso que úlcera central é considerada ameaçadora. O leucoma periférico raramente afeta a acuidade, mesmo sendo maior. Nem toda cicatriz precisa de transplante penetrante: há lentes rígidas, ceratectomia fototerapêutica e enxertos lamelares conforme profundidade. A cicatriz estromal madura não regride por completo, apenas clareia parcialmente. E localização importa tanto quanto profundidade, justamente pelo eixo visual.
Mulher de 62 anos com artrite reumatoide de longa data apresenta afinamento corneano periférico progressivo, com escavação junto ao limbo e olho pouco inflamado. Qual a preocupação principal?
Afinamento periférico escavado em paciente com artrite reumatoide sinaliza ceratite ulcerativa periférica, manifestação de vasculite que marca doença sistêmica ativa e exige imunossupressão sistêmica, não apenas colírio; tratada só localmente ela perfura. Ceratite bacteriana periférica traria infiltrado supurativo e secreção, com quadro mais agudo. A degeneração de Terrien afina a periferia superior de forma lenta, com vascularização e sem defeito epitelial, e não indica doença sistêmica. Ceratocone afina o centro e a região inferior, sem escavação limbar e sem componente inflamatório. Pterígio é crescimento fibrovascular conjuntival, não afinamento escavado.
Qual característica clínica mais sugere ceratite por Acanthamoeba em usuário de lente de contato que lava o estojo com água de torneira?
A marca da Acanthamoeba é a dor intensa e desproporcional ao que se vê na lâmpada de fenda, explicada pelo tropismo pelos nervos corneanos, que produz ceratoneurite radial; mais tarde surge o infiltrado em anel. O hipópio volumoso com secreção purulenta precoce é padrão bacteriano. Lesão dendritiforme existe na Acanthamoeba na fase epitelial e é justamente a armadilha, mas ela não responde a antiviral e a resposta ao antiviral aponta herpes. Infiltrado periférico com zona clara limbar é ceratite marginal por hipersensibilidade a antígeno estafilocócico. Início hiperagudo com quemose e adenopatia sugere conjuntivite gonocócica ou adenoviral, não ceratite amebiana.
Menino de 9 anos apresenta prurido ocular bilateral e lacrimejamento recorrentes durante a primavera, associados à rinite alérgica. Ao exame, há hiperemia, secreção aquosa e reação papilar leve, sem papilas gigantes, fotofobia, lesão corneana ou adenopatia pré-auricular. Qual o diagnóstico mais provável?
Prurido bilateral recorrente em determinada estação, lacrimejamento, reação papilar leve e rinite associada favorecem conjuntivite alérgica sazonal. O conjunto deve ser interpretado clinicamente, pois um sinal isolado não define o diagnóstico. Muco espesso filamentoso, papilas gigantes, fotofobia ou lesão corneana levantariam suspeita de ceratoconjuntivite vernal e exigiriam avaliação oftalmológica específica. Secreção purulenta favorece etiologia bacteriana, enquanto folículos e adenopatia pré-auricular podem ocorrer na adenoviral.
Paciente de 34 anos usa há 6 meses colírio com fenilefrina e nafazolina várias vezes ao dia para olho vermelho. Retorna com hiperemia persistente, que piora quando tenta interromper o colírio. Qual a conduta correta?
Vasoconstritor tópico de uso crônico causa taquifilaxia e hiperemia rebote, e a única saída é retirá-lo e apoiar a superfície com lubrificante enquanto o leito vascular normaliza, o que leva semanas. Aumentar a dose aprofunda o ciclo. Associar corticoide contínuo troca um problema por catarata, glaucoma e risco infeccioso. Antibiótico não tem alvo, já que não há infecção. Cauterizar vasos conjuntivais é procedimento cosmético de exceção, com risco de isquemia e cicatriz, e não resolve a causa medicamentosa.
Sobre a transmissão e o controle de conjuntivites infecciosas em creches e escolas, qual orientação é a mais correta?
A transmissão é por contato direto e por fômites, então higiene das mãos, não compartilhar toalhas e travesseiros e afastamento enquanto há secreção ativa são as medidas efetivas. Dizer que não há transmissão contraria a epidemiologia dos surtos, especialmente adenovirais. Profilaxia tópica em massa dos contatos não previne a doença e seleciona resistência. Afastamento de 30 dias é desproporcional e sem base, já que a maioria dos quadros cursa poucos dias. Cultura de contatos assintomáticos não muda conduta e não deve ser rotina.
Qual das seguintes medidas NÃO deve ser realizada em paciente com conjuntivite bacteriana simples?
Corticoide tópico numa conjuntivite aparentemente banal é a conduta que transforma uma ceratite herpética não diagnosticada em úlcera geográfica e agrava infecções bacterianas e fúngicas, sem qualquer ganho no desfecho. Limpeza com soro remove secreção e melhora o conforto. Antibiótico tópico de amplo espectro encurta o curso e reduz transmissão. Orientação de higiene interrompe a cadeia de contato. Reavaliar em dois a três dias é a rede de segurança que flagra ceratite ou etiologia diferente da presumida.
Qual é a conduta adequada para conjuntivite bacteriana não complicada em adulto imunocompetente?
A maioria dos casos é autolimitada, mas o antibiótico tópico encurta o quadro e reduz a transmissão, e a higiene é parte do tratamento; a reavaliação existe para flagrar ceratite ou etiologia não bacteriana. Corticoide desde o início mascara sinais de ceratite herpética e pode agravar infecção, sem benefício comprovado. Antibiótico sistêmico é reservado a gonococo, clamídia e casos com celulite associada. Oclusão retém secreção e favorece a proliferação bacteriana. Vasoconstritor só reduz o vermelho e produz rebote.
Homem de 32 anos apresenta olho direito vermelho há 3 dias, com secreção purulenta amarelada abundante e pálpebras coladas ao acordar. Sem dor importante, sem fotofobia, acuidade visual preservada. No segundo dia o olho esquerdo começou a apresentar quadro semelhante. Qual o diagnóstico mais provável?
Secreção francamente purulenta com pálpebras coladas pela manhã, visão preservada e ausência de dor verdadeira ou fotofobia definem conjuntivite bacteriana, que costuma começar de um lado e passar para o outro por autoinoculação. A adenoviral engana pela bilateralização, porém a secreção é aquosa, há folículos e adenopatia pré-auricular e o quadro vem de contato com pessoa doente. Uveíte anterior traz dor, fotofobia, hiperemia perilímbica e células em câmara anterior, sem secreção purulenta. Glaucoma agudo cursa com dor intensa, córnea embaçada, pupila em média midríase e visão muito reduzida. Ceratite tem dor, fotofobia e infiltrado corneano com queda de visão.
Homem de 25 anos, sexualmente ativo, apresenta conjuntivite unilateral com secreção hiperpurulenta abundante, edema palpebral tenso e quemose intensa, instalada em menos de 24 horas. Qual a conduta prioritária?
Conjuntivite hiperaguda com secreção hiperpurulenta em adulto sexualmente ativo exige presumir etiologia gonocócica e tratar imediatamente, pois pode causar ulceração e perfuração da córnea. O PCDT-IST recomenda ceftriaxona 1 g intramuscular em dose única para conjuntivite gonocócica no adulto; a coleta de material, irrigação ocular e avaliação oftalmológica urgente não devem atrasar o antibiótico. As parcerias sexuais precisam ser avaliadas e tratadas conforme o diagnóstico. Gonorreia no adulto não deve ser apresentada como agravo de notificação compulsória nacional em todo caso; o PCDT orienta notificar quando indicado. Fonte: Ministério da Saúde, PCDT-IST 2022, pp. 115 e 126.
Paciente com ceratite fúngica confirmada por cultura pergunta por que o médico recusou o corticoide que um colega havia sugerido. Qual a justificativa correta?
O motivo é imunológico: o corticoide suprime a defesa local que contém o fungo, permitindo invasão estromal profunda e chegada à câmara anterior, com piora do desfecho e risco de perfuração. A ideia de inativação farmacológica da natamicina não existe. Liberar corticoide no início inverte a regra, porque é justamente na fase de carga fúngica alta que o dano é maior. O aumento de pressão intraocular é efeito adverso real, mas não é a razão de se proibir corticoide na ceratite fúngica. E o corticoide não espessa o epitélio a ponto de bloquear a penetração do antifúngico; o problema não é farmacocinético.
Paciente de 29 anos em uso de aciclovir tópico há 10 dias por ceratite dendrítica evolui com defeito epitelial de bordas arredondadas e elevadas, base limpa, sem infiltrado, que não cicatriza. Sensibilidade corneana abolida. Qual a explicação mais provável?
A úlcera trófica tem bordas lisas e elevadas, base limpa sem infiltrado inflamatório e anestesia corneana, e traduz falência da reepitelização por perda da inervação somada à toxicidade do antiviral tópico usado por tempo prolongado; a conduta é suspender o tópico agressivo, lubrificar intensamente e proteger a superfície. A úlcera geográfica engana porque também é herpética e ampla, mas mantém as bordas em festão com dendritos periféricos e cora vivamente, e piorar a dose de antiviral tópico nesse cenário só agrava a toxicidade. Superinfecção bacteriana traria infiltrado, secreção e reação de câmara anterior. A doença estromal imune ocorre com epitélio íntegro, o oposto do descrito. A úlcera de Mooren é periférica, com borda escavada em rampa e não cursa com anestesia corneana.
Paciente com conjuntivite tratada com colírio antibiótico há 7 dias retorna com piora: agora refere dor, fotofobia e queda de visão, e ao exame há hiperemia perilímbica e um infiltrado corneano branco. Qual a interpretação?
A tríade dor, fotofobia e queda de visão com hiperemia perilímbica e infiltrado corneano tira o caso da conjuntiva e o coloca na córnea: é ceratite, que precisa de lâmpada de fenda, raspado e antibiótico em regime intensivo. Considerar isso resposta esperada e apenas completar o esquema perde a janela terapêutica. Reação alérgica ao colírio dá prurido, edema palpebral e dermatite, sem infiltrado branco no estroma. Conjuntivite viral tardia não produz infiltrado estromal denso com essa apresentação. Olho seco não explica infiltrado corneano nem hiperemia perilímbica.
Homem de 47 anos, lavrador, sofreu trauma no olho direito com folha de cana há 12 dias. Evolui com infiltrado corneano de bordas irregulares e plumosas, lesões satélites e placa endotelial, com dor moderada. Qual a hipótese principal?
Trauma com material vegetal, evolução arrastada de mais de uma semana, bordas plumosas, lesões satélites e placa endotelial compõem o retrato da ceratite fúngica filamentosa, sendo Fusarium e Aspergillus os agentes típicos em clima tropical. A ceratite pneumocócica engana pelo infiltrado denso, porém tem curso agudo em dias, bordas bem delimitadas e forte reação purulenta. A herpética necrosante ocorre em olho com história prévia de herpes e tende a ter anestesia corneana. Acanthamoeba se liga mais a lente de contato e água contaminada, com dor desproporcional. A ceratite marginal estafilocócica é periférica, com zona clara entre o infiltrado e o limbo, e não forma placa endotelial.
Qual é o tratamento de primeira linha para conjuntivite alérgica sazonal de intensidade leve a moderada?
A dupla ação anti-histamínica e estabilizadora de mastócito controla tanto o sintoma imediato quanto a fase tardia, e as medidas não farmacológicas somam sem efeito adverso. Corticoide potente contínuo por meses cria catarata e glaucoma induzido, além de risco infeccioso, e só entra em cursos curtos nas crises graves. Antibiótico não trata alergia e o combinado com corticoide traz o risco do corticoide sem benefício. Vasoconstritor contínuo produz hiperemia rebote e conjuntivite medicamentosa. Imunoterapia é opção para doença alérgica sistêmica refratária, com indicação especializada, e não substitui a primeira linha tópica.
Qual mecanismo imunológico predomina na fase imediata da conjuntivite alérgica sazonal?
A fase imediata depende de IgE ligada a mastócitos conjuntivais, que degranulam ao contato com o alérgeno e liberam histamina, responsável pelo prurido, pela hiperemia e pela quemose em minutos. A hipersensibilidade tipo IV explica quadros tardios como a dermatoconjuntivite de contato, não o prurido imediato. Imunocomplexos e complemento operam em vasculites e em doenças por deposição, não na alergia sazonal. Citotoxicidade por IgG define reações tipo II, como em algumas doenças autoimunes. Ativação policlonal independente de antígeno não descreve o mecanismo alérgico, que é antígeno-específico.
Qual medida não farmacológica tem maior impacto no controle da conjuntivite alérgica perene por ácaros?
Doença perene por ácaro melhora quando a carga alergênica do quarto cai, e as medidas de maior efeito são capas impermeáveis, remoção de reservatórios de poeira e lavagem da roupa de cama em água quente. Óculos escuros reduzem fotofobia, mas não a exposição ao ácaro dentro de casa. Ingestão hídrica não altera resposta alérgica ocular. Água boricada não tem papel terapêutico, remove o filme lacrimal protetor e pode irritar a superfície. Travesseiro de penas tende a aumentar a exposição a alérgenos, não a reduzir.
Adolescente de 16 anos com blefarite crônica apresenta infiltrados corneanos periféricos múltiplos, com zona clara entre o infiltrado e o limbo, olho moderadamente vermelho e sem secreção. Qual o diagnóstico e a conduta?
Infiltrado periférico com zona clara separando-o do limbo, em paciente com blefarite, é a marca da ceratite marginal, uma reação de hipersensibilidade a antígenos estafilocócicos da margem palpebral; trata-se a causa com higiene palpebral e usa-se corticoide tópico em curso curto. Ceratite bacteriana periférica não deixa zona clara e traz secreção e defeito epitelial franco. A herpética marginal existe, porém costuma ser unilateral, dolorosa, com hipoestesia e não se associa a blefarite. Acanthamoeba dá dor desproporcional e liga-se a lente de contato. Mooren é úlcera escavada progressiva, dolorosa, sem zona clara, e não ocorre nessa faixa etária com esse perfil.
Homem de 26 anos chega ao pronto-socorro com dor ocular intensa, blefaroespasmo e lacrimejamento 8 horas após um dia de trabalho em solda sem proteção. À fluoresceína: ceratite punctata difusa bilateral. Qual a conduta?
A ceratite actínica do soldador é queimadura ultravioleta do epitélio, tipicamente bilateral e com latência de 6 a 12 horas; cicloplégico alivia o espasmo ciliar, lubrificante e antibiótico tópico protegem enquanto o epitélio se refaz, e a resolução vem em um a dois dias. Corticoide não acelera a epitelização e retarda o fechamento. Anestésico domiciliar é o erro mais perigoso, porque a analgesia excelente esconde a piora e bloqueia a reepitelização, podendo levar a úlcera. Padrão punctato bilateral após exposição a solda não é herpes e antiviral não tem papel. Transplante não tem qualquer indicação num epitélio que se regenera sozinho.
Qual conduta é mais adequada para paciente com ceratite bacteriana e alto risco de perfuração, com afinamento maior que 50% da espessura estromal e sem Seidel?
Com afinamento importante e sem perfuração o objetivo é controlar a infecção e ganhar tempo estrutural: antibiótico mantido, sem corticoide enquanto o agente não estiver dominado, proteção mecânica e recurso cirúrgico se a lise avançar. Corticoide em dose alta nesse ponto é o que mais precipita a perfuração. Tampão compressivo firme aumenta a pressão sobre uma córnea prestes a ceder. Suspender o antibiótico entrega o olho ao agente, e a toxicidade se maneja espaçando as doses, não abandonando o tratamento. Evisceração é procedimento destrutivo de exceção, para olho cego e doloroso ou infecção incontrolável, não profilaxia.
Paciente com úlcera corneana bacteriana em tratamento com fluoroquinolona horária há 48 horas apresenta afinamento estromal acentuado, teste de Seidel positivo e câmara anterior rasa. Qual a conduta imediata?
Seidel positivo com câmara rasa significa perfuração corneana em curso: é olho aberto, e a prioridade é proteger sem pressionar, manter a cobertura antimicrobiana e levar o paciente ao reparo cirúrgico com adesivo ou enxerto. Aumentar antibiótico e esperar 24 horas ignora que já há comunicação da câmara anterior com o exterior e risco de endoftalmite. Corticoide sobre córnea em derretimento com infecção ativa acelera a lise. Curativo compressivo empurra o conteúdo intraocular através da fístula e pode expulsar a íris ou o cristalino. Midriático isolado com retorno em uma semana é abandono de uma emergência.
Paciente transplantado renal, em tacrolimo e prednisona, apresenta ceratite herpética epitelial. Comparado a um imunocompetente, o que se espera desse caso?
No imunossuprimido a doença herpética ocular tende a ser mais extensa, atípica, bilateral com mais frequência, de resolução lenta e com recorrências mais próximas, o que costuma exigir antiviral sistêmico e profilaxia prolongada. A ideia de curso mais brando confunde a imunossupressão com proteção: ela reduz a resposta imune, mas quem destrói o epitélio nessa fase é a replicação viral, que fica sem freio. Falha ao aciclovir existe, porém é minoria e não autoriza antifúngico empírico. O acometimento estromal não desaparece: continua ocorrendo e ainda é somado ao componente infeccioso. Suspender toda imunossupressão põe o enxerto em risco de rejeição, e o ajuste é individualizado com o time de transplante.
Qual achado clínico melhor distingue conjuntivite bacteriana de conjuntivite viral no pronto-atendimento?
O par mais discriminante é o tipo de secreção somado à reação conjuntival: purulenta espessa com pálpebras coladas na bacteriana, aquosa com folículos e gânglio pré-auricular palpável na viral. Hiperemia existe em ambas e não separa nada. Bilateralidade ocorre nas duas, e a bacteriana frequentemente bilateraliza por autoinoculação. Prurido é sintoma de alergia, não de infecção bacteriana. Ausência de dor importante caracteriza conjuntivite em geral, viral ou bacteriana, e serve para excluir ceratite e uveíte, não para separar as duas.
Estudante de medicina em plantão de pronto atendimento sem lâmpada de fenda atende paciente com olho vermelho unilateral doloroso, fotofobia e visão borrada. Qual conduta é a mais segura?
Olho vermelho unilateral com dor, fotofobia e queda de visão é sinal de alarme, e sem lâmpada de fenda não há como diferenciar ceratite herpética, ceratite bacteriana, uveíte ou glaucoma agudo; a conduta segura é encaminhar em caráter prioritário e não introduzir corticoide, que pode transformar uma dendrítica em úlcera geográfica ou perfurar uma ceratite infecciosa. Prescrever corticoide com antibiótico é o atalho que mais causa dano nesse cenário. Anestésico domiciliar é proscrito por impedir a reepitelização e mascarar a piora. Curativo compressivo sobre possível infecção fecha a câmara úmida e favorece o agravamento. Antiviral empírico sem reavaliação deixa sem cobertura as causas bacterianas e fúngicas.
Qual sinal ou sintoma indica que um olho vermelho com prurido NÃO é apenas conjuntivite alérgica e exige avaliação oftalmológica urgente?
Perda de visão, dor verdadeira e fotofobia marcada são sinais de alarme que apontam para acometimento corneano ou intraocular, como úlcera em escudo, ceratite ou uveíte, e obrigam avaliação com lâmpada de fenda. Prurido bilateral com sintomas nasais é justamente o retrato da alergia. Secreção mucosa filamentosa é típica da alergia e do olho seco. Quemose leve após poeira é reação alérgica autolimitada. Hiperemia difusa sem dor, isolada, é achado de conjuntivite e não caracteriza urgência.
Criança de 5 anos com primeira infecção herpética ocular apresenta blefaroconjuntivite com vesículas na pálpebra, conjuntivite folicular e adenopatia pré-auricular, sem acometimento corneano. Qual a conduta mais adequada?
A primo-infecção herpética na infância costuma se apresentar como blefaroconjuntivite vesicular com adenopatia, e o antiviral sistêmico cobre pele e anexos com melhor tolerância que o tópico nessa faixa etária; a reavaliação seriada existe porque a córnea pode ser acometida dias depois. Corticoide tópico nessa fase é o erro que abre caminho para doença epitelial extensa. Tratar como impetigo com antibiótico isolado ignora o padrão vesicular agrupado e a adenopatia. Só compressas e higiene subtratam uma infecção que pode evoluir para ceratite. Medicar o olho contralateral saudável não previne nada e adiciona toxicidade epitelial.
Homem de 34 anos procura pronto-socorro com olho direito vermelho, dor moderada, lacrimejamento e fotofobia há 3 dias. Refere episódio semelhante no mesmo olho há 2 anos. Acuidade visual 20/60 à direita. À fluoresceína, observa-se lesão epitelial linear ramificada com bulbos terminais. Qual o diagnóstico mais provável?
A lesão epitelial ramificada com bulbos terminais que cora com fluoresceína é a úlcera dendrítica, praticamente patognomônica do herpes simples; a recorrência unilateral no mesmo olho fecha o quadro, porque o vírus fica latente no gânglio trigeminal e reativa sempre no mesmo território. A ceratite por Pseudomonas engana quem só olha o olho vermelho e doloroso, mas ela produz infiltrado estromal denso, supurativo e de evolução em horas, com hipópio, e depende de fator de risco como lente de contato de uso prolongado. A erosão recidivante também recorre, porém dá defeito epitelial de bordas irregulares e dor máxima ao abrir os olhos pela manhã, sem o desenho dendrítico. Os infiltrados subepiteliais do adenovírus aparecem tardiamente, são múltiplos e acompanham quadro bilateral com adenopatia pré-auricular.
Qual das seguintes condutas está CONTRAINDICADA em paciente com úlcera dendrítica ativa em uso de antiviral?
Lente de contato terapêutica sobre úlcera infecciosa ativa cria câmara úmida fechada, favorece a proliferação de microrganismos e a superinfecção bacteriana, e por isso não deve ser colocada enquanto o processo infeccioso está ativo. Lubrificante sem conservante é seguro e reduz a toxicidade da superfície. Antiviral oral é alternativa válida e frequentemente preferida ao tópico pelo perfil de toxicidade epitelial. Reavaliação com fluoresceína em poucos dias é obrigatória para flagrar progressão para úlcera geográfica. Suspender lente cosmética é medida elementar de segurança durante qualquer ceratite.
Paciente de 41 anos com úlcera dendrítica confirmada em olho esquerdo. Um colega sugere iniciar colírio de prednisolona 1% de 4/4 h para aliviar a fotofobia intensa. Qual a conduta correta?
Na doença epitelial herpética o corticoide tópico isolado é o erro clássico: ele suprime a resposta imune local e permite a replicação viral, transformando a dendrítica em úlcera geográfica ampla, de cicatrização lenta e com risco de opacidade central. O tratamento é antiviral, tópico ou sistêmico, e o corticoide só entra depois, associado a antiviral, quando a doença é estromal imune com epitélio íntegro. Associar antibiótico não muda nada, porque ele não tem ação sobre o herpes-vírus e cria falsa sensação de proteção. Manter só lubrificante retarda a epitelização e aumenta o risco de cicatriz. O debridamento tem papel adjuvante limitado e nunca substitui o antiviral.
Mulher de 52 anos com quarta recorrência de ceratite herpética no olho direito em 3 anos, agora com opacidade estromal e redução da acuidade visual para 20/100. Qual a intervenção com melhor evidência para reduzir novas recorrências?
A profilaxia com antiviral oral em dose supressora reduz de forma significativa as recorrências de doença herpética ocular, inclusive a estromal, e é a medida com melhor sustentação em ensaio clínico. O antiviral tópico contínuo engana por parecer mais direto, porém tem toxicidade epitelial cumulativa e não previne reativação, já que a latência está no gânglio trigeminal e não na córnea. Corticoide tópico contínuo isolado é justamente o que aumenta o risco de reativação epitelial. O transplante não elimina o reservatório neural e, feito com o olho inflamado, tem alta taxa de rejeição e recorrência no botão doado. A vacina contra zóster previne doença por varicela-zóster e não protege contra o herpes simples.
Homem de 45 anos com olho vermelho unilateral, dor e fotofobia. À lâmpada de fenda: epitélio íntegro, infiltrado estromal disciforme central com edema, dobras de Descemet e precipitados ceráticos subjacentes, sem hipópio. Sensibilidade corneana reduzida. Qual a conduta correta?
O quadro descrito é ceratite estromal disciforme herpética, uma doença imunomediada com epitélio íntegro; nela o corticoide tópico é o pilar do tratamento e a cobertura antiviral entra justamente para impedir que a imunossupressão local reative a doença epitelial. Usar antiviral isolado engana quem memorizou a regra da dendrítica sem separar doença epitelial de doença estromal, e deixa a inflamação estromal correr até a cicatriz. Antibiótico fortificado e raspado seriam a conduta de ceratite infecciosa supurativa, que traz defeito epitelial, secreção e hipópio. Oclusão e lubrificante subtratam. Anestésico de horário é proscrito, porque bloqueia a reepitelização e mascara a piora.
Diante de uma úlcera corneana central de 4 mm com hipópio em paciente que usa lente de contato, qual conduta inicial é a mais adequada?
Úlcera central, grande e com hipópio é ceratite infecciosa que ameaça a visão: colhe-se raspado para orientar o tratamento e inicia-se antibiótico tópico em regime horário, porque a penetração depende da frequência de instilação. Corticoide no primeiro dia, antes do controle do agente, é o erro que perfura córnea, sobretudo se houver fungo ou Acanthamoeba não identificados. Oclusão compressiva sobre infecção ativa cria ambiente favorável ao crescimento bacteriano e impede a drenagem da secreção. Antibiótico de 6/6 h não atinge concentração corneana suficiente numa úlcera dessa magnitude, e reavaliar só em uma semana perde a janela de perfuração. O transplante é resgate para perfuração ou falha do tratamento, não primeira linha.
Mulher de 33 anos com ceratite bacteriana em olho direito pergunta quando poderá voltar a usar lentes de contato. Qual orientação é correta?
Após ceratite infecciosa a lente só volta com o epitélio íntegro e alta do oftalmologista, e o par usado e o estojo precisam ser descartados porque carregam o biofilme que originou o quadro; dormir com lente e usar água de torneira no estojo são os dois hábitos que mais elevam o risco, este último inclusive de Acanthamoeba. Retomar quando a dor cessa engana porque a dor some antes de o epitélio fechar. Lente rígida reduz alguns riscos mas não elimina ceratite. Antibiótico profilático contínuo seleciona resistência e produz toxicidade epitelial. Lente cosmética costuma ter pior controle sanitário e maior risco, não menor.
Mulher de 24 anos, usuária de lente de contato gelatinosa que dorme com as lentes, apresenta há 2 dias dor intensa, secreção purulenta e queda de visão no olho esquerdo. Lâmpada de fenda: infiltrado estromal branco de 3 mm com defeito epitelial suprajacente e hipópio de 1 mm. Qual o agente mais provável?
Uso prolongado de lente de contato, sobretudo dormindo com ela, com evolução rápida em dias, infiltrado supurativo e hipópio aponta para ceratite bacteriana, e a Pseudomonas é o agente clássico nesse contexto pela capacidade de aderir ao biofilme da lente e produzir proteases que derretem o estroma. O herpes engana quem vê olho vermelho e doloroso, mas cursa com dendrito, não com infiltrado supurativo e hipópio de instalação em 48 horas. Fusarium exige em geral trauma com material vegetal e evolui em semanas, com bordas plumosas e lesões satélites. Acanthamoeba também se liga a lente de contato, porém é marcada por dor desproporcional aos achados e ceratoneurite radial, com curso arrastado. O adenovírus dá quadro bilateral, folicular, sem hipópio.
Qual dos fatores abaixo é o mais fortemente associado ao desenvolvimento de ceratite infecciosa?
O uso de lente de contato, principalmente em regime noturno ou prolongado, é o fator de risco dominante para ceratite infecciosa no adulto jovem: reduz a oxigenação epitelial, cria microlesões e oferece superfície para o biofilme. Hipermetropia não corrigida causa astenopia, não infecção. Lubrificante sem conservante protege a superfície. Cirurgia refrativa antiga não mantém risco relevante depois de cicatrizada, embora possa haver ectasia tardia, que não é infecção. Pterígio pequeno é alteração de superfície com irritação e olho seco localizado, não fator de ceratite bacteriana.
Sobre a coleta de material em ceratite infecciosa, qual afirmação é correta?
O rendimento do raspado é maior quando o material vem das bordas e da base da lesão, onde estão os microrganismos viáveis, e antes de o antibiótico reduzir a carga, com semeadura direta nos meios. O swab conjuntival colhe flora de superfície e tem acurácia bem menor para identificar o agente do estroma. Esperar 7 dias de falha desperdiça a fase em que a cultura ainda cresce e é justamente o hábito que atrasa o diagnóstico de fungo e de Acanthamoeba. Em usuário de lente de contato a cultura é ainda mais importante, e o estojo e a própria lente também devem ser cultivados. Biópsia corneana é recurso de exceção, reservado a casos com culturas negativas e má evolução.
Homem de 38 anos apresenta olho vermelho unilateral com dor, fotofobia e lacrimejamento. A coloracao com fluoresceina revela lesao epitelial linear ramificada com bulbos terminais. Qual o diagnostico e o tratamento?
A lesao dendritica, linear e ramificada com bulbos terminais que cora com fluoresceina, e caracteristica da ceratite herpetica epitelial, tratada com antiviral, e nessa fase o corticoide topico e formalmente contraindicado, pois favorece a replicacao viral e a progressao para ulcera geografica. Prescrever corticoide engana porque o olho esta inflamado e doloroso e a resposta anti-inflamatoria imediata e sedutora, o que faz dessa a iatrogenia classica da oftalmologia de urgencia, com risco de perda visual por cicatriz corneana.
Qual agente e classicamente associado a ceratite bacteriana em usuarios de lentes de contato, com evolucao rapidamente progressiva?
A Pseudomonas aeruginosa e o agente classicamente associado a ceratite em usuarios de lentes de contato, com evolucao rapida, necrose estromal e risco de perfuracao em poucos dias, o que justifica a cobertura empirica dirigida a bacilos gram-negativos nesse contexto. Os cocos gram-positivos enganam porque sao os agentes mais frequentes de conjuntivite bacteriana e de ceratites em outros contextos, o que os torna a primeira lembranca em infeccao ocular - mas o antecedente de lente de contato desloca a probabilidade e muda a escolha antimicrobiana empirica.
Qual afirmação sobre o uso de colírio anestésico em pronto atendimento oftalmológico está correta?
O anestésico tópico pode facilitar exame e procedimentos no atendimento. Uso repetido sem controle pode causar toxicidade corneana e mascarar complicações, portanto não deve ser prescrito indiscriminadamente para dor ocular. A ACEP propôs em 2024 uma exceção restrita a adultos com abrasão corneana simples, após avaliação adequada, por até 24 horas e com quantidade limitada e descarte da sobra. Essa proposta permanece objeto de divergência com a oftalmologia e não se aplica a ceratite, crianças ou uso prolongado. Assim, a cautela é necessária, mas dizer que nunca existe uso domiciliar em qualquer protocolo é excessivo.
Diante de um paciente com olho vermelho na atencao primaria, quais achados indicam gravidade e exigem encaminhamento oftalmologico urgente?
Dor intensa, queda da acuidade visual, fotofobia marcante, alteracao pupilar, opacidade corneana e hipopio sao os sinais que separam o olho vermelho banal das ceratites, uveites, glaucoma agudo e endoftalmites, exigindo encaminhamento urgente. A secrecao aquosa com sensacao de areia bilateral engana porque incomoda muito o paciente e produz olho intensamente vermelho, mas corresponde tipicamente a conjuntivite viral, autolimitada, com visao preservada. Prurido com rinite sugere causa alergica, hiperemia setorial indolor sugere episclerite e crostas nos cilios, blefarite.
Homem de 34 anos sofreu trauma ocular com corpo estranho metalico e refere dor intensa. Qual conduta e inadequada?
O colirio anestesico so deve ser usado pontualmente para permitir o exame: o uso continuo domiciliar retarda a cicatrizacao epitelial, e toxico para a cornea e abole a dor, apagando o sinal que denunciaria a progressao de uma ulcera ou de uma infeccao. A prescricao engana porque o alivio e imediato e completo, o paciente melhora na hora e pede a receita, o que faz dessa uma das iatrogenias oftalmologicas mais frequentes. Exame com fluoresceina, encaminhamento, analgesia sistemica e medida da acuidade visual sao condutas corretas.
Homem de 30 anos apresenta olho vermelho unilateral com dor moderada, fotofobia, lacrimejamento, visao levemente reduzida, hiperemia predominantemente perilimbar e pupila em miose. Refere lombalgia inflamatoria cronica. Qual o diagnostico e a conduta?
Hiperemia perilimbar, dor, fotofobia, miose e discreta baixa visual caracterizam uveite anterior, tratada com corticoide topico e cicloplegico sob acompanhamento oftalmologico, e a associacao com lombalgia inflamatoria sugere espondiloartrite, o que exige investigacao sistemica. A conjuntivite engana porque tambem produz olho vermelho unilateral e e o diagnostico mais frequente, mas a hiperemia e difusa com predominio nos fornices, ha secrecao e nao existem fotofobia marcante, miose ou queda da visao.
Homem de 30 anos com olho vermelho, secreção aquosa e adenopatia pré-auricular há 5 dias, apresenta também hemorragias subconjuntivais puntiformes. Voltou há uma semana de viagem à África. Qual a hipótese mais provável?
Conjuntivite folicular aguda com adenopatia e hemorragias subconjuntivais petequiais, em contexto epidêmico, é o padrão da conjuntivite hemorrágica aguda por enterovírus 70 ou coxsackievírus A24, de curso rápido e autolimitado. A gonocócica traz secreção hiperpurulenta abundante e edema palpebral tenso, não hemorragias petequiais com secreção aquosa. Hemorragia por Valsalva é única, bem delimitada, indolor e sem adenopatia ou secreção. O sarcoma de Kaposi conjuntival é lesão nodular vinhosa persistente em imunossuprimido, não um quadro agudo de dias. Alergia com fricção pode causar hemorragia, mas cursa com prurido dominante e sem adenopatia.
Homem de 45 anos, em uso de corticoide tópico prescrito por conta própria para conjuntivite viral há 3 semanas, retorna com úlcera corneana geográfica extensa e pressão intraocular de 28 mmHg. Qual a explicação para a evolução?
Corticoide tópico prolongado sem supervisão faz duas coisas ruins ao mesmo tempo: libera a replicação de herpes simples, transformando lesão epitelial em úlcera geográfica, e eleva a pressão intraocular nos respondedores. Reação alérgica ao corticoide não produz úlcera geográfica com esse padrão. O conservante causa ceratite punctata e desconforto, não úlcera extensa em festão. Conjuntivite adenoviral não tratada não evolui naturalmente para úlcera geográfica. Pressão elevada causa edema corneano, não defeito epitelial em mapa geográfico.
Mulher de 62 anos, hipermetrope, apresenta ha 6 horas dor ocular intensa a direita com cefaleia, nauseas e vomitos, visao borrada com halos ao redor das luzes. Ao exame, olho vermelho, cornea turva, pupila em midriase media pouco reativa e globo endurecido a palpacao. Qual o diagnostico e a conduta?
Dor ocular intensa com cefaleia, nauseas e vomitos, halos, cornea turva, pupila em midriase media pouco reativa e globo endurecido caracterizam glaucoma agudo de angulo fechado, emergencia que exige reducao imediata da pressao intraocular e iridotomia a laser para evitar perda visual permanente. O diagnostico de gastroenterite engana porque nauseas e vomitos dominam o quadro e muitos pacientes sao encaminhados a clinica geral, o que ja custou olhos - a pista esta em examinar a visao e a pupila de quem vomita com cefaleia e olho vermelho.
Mulher de 26 anos, usuaria de lentes de contato gelatinosas que dorme com elas, apresenta ha 2 dias dor ocular intensa a direita, fotofobia, lacrimejamento, baixa visual e secrecao. Ao exame, ha hiperemia ciliar, infiltrado corneano esbranquicado com defeito epitelial que cora com fluoresceina e hipopio. Qual o diagnostico e a conduta?
Dor intensa, fotofobia, baixa visual, hiperemia ciliar, infiltrado corneano com defeito epitelial e hipopio em usuaria de lente de contato caracterizam ceratite bacteriana, emergencia que exige suspensao das lentes, coleta de material em casos indicados e antibioticoterapia topica intensiva, com risco de perfuracao e cicatriz que compromete a visao. A conjuntivite bacteriana engana porque tambem cursa com olho vermelho e secrecao e e muitissimo mais comum, mas nela nao ha dor intensa, baixa visual, infiltrado corneano nem hipopio - esses achados mudam o diagnostico e a urgencia.
Paciente com conjuntivite adenoviral no décimo dia refere piora da visão e fotofobia. Ao exame há múltiplos infiltrados esbranquiçados subepiteliais na córnea. Qual a explicação e a conduta?
Os infiltrados subepiteliais aparecem uma a três semanas após o início e representam resposta imune a antígenos virais no estroma anterior, e não replicação ativa; quando reduzem a visão, o corticoide tópico em baixa dose ajuda, com retirada lenta porque a suspensão abrupta faz recidivar. Superinfecção bacteriana traria infiltrado único, denso, com defeito epitelial e secreção purulenta. Herpes daria dendrito com hipoestesia, não infiltrados múltiplos difusos. Não são depósitos lipídicos permanentes, pois costumam clarear em meses. Nada nesse quadro sugere infecção intraocular que justifique punção vítrea.
Sobre o teste rápido para adenovírus em conjuntivite, qual afirmação é correta?
O teste rápido tem boa especificidade e ajuda a confirmar o quadro e a evitar antibiótico, mas o diagnóstico se apoia no conjunto clínico e epidemiológico, e sua ausência não impede a conduta correta. Exigi-lo em todos os casos é irreal e não muda o manejo da maioria. A sensibilidade é apenas moderada, então resultado negativo não exclui adenovírus. Nenhum teste substitui a lâmpada de fenda, que é o exame que identifica ceratite, uveíte e membranas. Restringir a indicação a quem usou corticoide inverte a lógica do uso do exame.
Paciente com ceratoconjuntivite epidêmica pergunta por quanto tempo pode transmitir a doença. Qual a resposta mais adequada?
A eliminação viral é maior na fase aguda e acompanha a atividade clínica, o que na prática significa cuidados de higiene enquanto houver olho vermelho e lacrimejamento, tipicamente até cerca de duas semanas. Atribuir o fim da transmissão ao antibiótico é erro comum e perigoso, porque o antibiótico não age no vírus. A doença não é alérgica e transmite por contato. Seis meses de transmissão não corresponde à história natural e geraria afastamento injustificado. A via principal é o contato direto e por fômites, não a respiratória.
Qual dos quadros de conjuntivite abaixo tem indicação formal de tratamento sistêmico, e não apenas tópico?
O gonococo justifica tratamento parenteral porque penetra epitélio corneano íntegro, perfura em horas e integra um quadro sistêmico com necessidade de rastreio de coinfecções e de parceiros; a clamídia ocular também exige sistêmico pela mesma lógica. Conjuntivite estafilocócica banal em adulto hígido responde a tópico. Alergia sazonal se maneja com tópico e controle ambiental. A adenoviral não complicada é autolimitada e recebe suporte. Conjuntivite irritativa por cloro melhora com lavagem e lubrificante, sem antibiótico.
Qual o tempo de evolução esperado e a orientação de retorno em conjuntivite bacteriana tratada com antibiótico tópico?
Conjuntivite bacteriana tratada melhora nos primeiros dois a três dias, e a rede de segurança é orientar retorno imediato diante de dor, fotofobia ou queda de visão, que são sinais de ceratite ou de outra causa grave. Esperar 14 dias sem reavaliação deixa passar complicação corneana. Exigir resolução em 12 horas é irreal e leva a trocas desnecessárias de antibiótico. Dizer que o antibiótico só previne transmissão ignora o encurtamento do quadro que ele proporciona. Condicionar o retorno à febre é perigoso, porque os sinais que importam aqui são oculares.
Qual das seguintes situações caracteriza uso INADEQUADO de antibiótico em quadros conjuntivais?
Prescrever antibiótico para quadro viral típico é o exemplo mais comum de uso inadequado: não altera o curso, agride a superfície, gera custo e favorece resistência, além de dar falsa sensação de tratamento. Conjuntivite bacteriana com secreção purulenta é indicação legítima de tópico. Clamídia neonatal exige macrolídeo sistêmico pela colonização respiratória. Gonococo do adulto exige tratamento parenteral pelo risco corneano. Cobertura tópica após retirada de corpo estranho previne infecção num epitélio rompido, sendo prática apropriada.
Qual característica clínica está mais associada à conjuntivite alérgica quando comparada às formas infecciosas?
Prurido intenso, bilateralidade simétrica, secreção mucosa filamentosa e ausência de gânglio compõem o núcleo semiológico da alergia ocular. Secreção purulenta com pálpebras coladas é bacteriana. Adenopatia pré-auricular dolorosa é sinal viral, sobretudo adenoviral, e por clamídia. Início unilateral com passagem para o outro olho por autoinoculação descreve a bacteriana. Folículos com pródromo gripal apontam etiologia viral.
Homem de 24 anos, após trauma com galho de árvore, apresenta abrasão corneana. Qual conduta específica esse mecanismo exige em relação a uma abrasão por unha ou papel?
Trauma com material vegetal é o fator de risco clássico para ceratite fúngica, cuja apresentação é tardia e insidiosa, então esse mecanismo pede reavaliação mais próxima e disposição para colher material ao menor sinal de infiltrado com bordas plumosas. Corticoide nesse contexto é justamente o que permite a invasão fúngica profunda. Oclusão prolongada cria câmara úmida favorável ao fungo. Antiviral empírico não tem alvo nesse mecanismo. Transplante não é conduta de abrasão, e operar olho potencialmente contaminado teria péssimo prognóstico.
Homem de 52 anos com artrite reumatoide apresenta olho vermelho com dor profunda intensa que o acorda à noite, hiperemia violácea que não branqueia com fenilefrina e sensibilidade à palpação do globo. Qual a conduta?
Dor profunda que desperta o paciente, tonalidade violácea que não branqueia com fenilefrina e dor à palpação definem esclerite, condição que sinaliza doença sistêmica ativa e exige tratamento sistêmico, além de risco de afinamento escleral e perda visual. Lubrificante com retorno em um mês trata um quadro benigno que este não é. Antibiótico tópico não tem alvo, pois não há infecção de superfície. Vasoconstritor apenas maquia a hiperemia e nem sequer a branqueia nesse caso. Compressas e analgésico simples subtratam uma doença com potencial de sequela.
Criança de 6 anos com conjuntivite viral evolui com dor intensa, secreção abundante e, à eversão da pálpebra superior, observa-se membrana esbranquiçada aderida à conjuntiva tarsal que sangra ao ser removida. Qual a conduta?
Membranas e pseudomembranas ocorrem nas formas graves de conjuntivite adenoviral e, se deixadas, podem levar a simbléfaro e cicatriz tarsal; removê-las e controlar a inflamação com corticoide tópico é a conduta que protege a superfície. Esperar a resolução espontânea é justamente o caminho da sequela cicatricial. Difteria ocular é rara e o quadro descrito, num surto viral, não a sugere; antibiótico sistêmico não é a resposta. Cauterização química agrava o dano conjuntival e favorece a cicatriz. Curativo compressivo mantém a membrana aderida e retém secreção inflamatória.
Qual é a conduta correta na ceratoconjuntivite epidêmica adenoviral não complicada?
A doença é autolimitada em uma a três semanas e o tratamento é sintomático, com ênfase nas medidas de controle de transmissão, que é o ponto que muda o desfecho coletivo. Antibiótico tópico de rotina não altera o curso viral, adiciona toxicidade e seleciona resistência. Corticoide desde o primeiro dia prolonga a eliminação viral e mascara ceratite herpética, ficando reservado a infiltrados subepiteliais sintomáticos e a membranas, sob supervisão. Aciclovir não tem ação sobre adenovírus. Oclusão bilateral incapacita o paciente e favorece a retenção de secreção sem qualquer ganho.
Após remoção de corpo estranho corneano metálico, o paciente retorna em 48 horas com piora da dor, secreção purulenta e infiltrado branco ao redor do leito da lesão. Qual a conduta?
Dor crescente, secreção purulenta e infiltrado branco no leito da lesão caracterizam ceratite infecciosa sobre epitélio rompido, e a conduta é antibiótico tópico em regime intensivo, com raspado quando viável e reavaliação diária. Considerar a dor esperada e manter só lubrificante permite a progressão da úlcera. Corticoide sobre infecção ativa não controlada agrava a lise estromal. Oclusão com retorno em uma semana perde a janela de tratamento. O halo de ferrugem residual causa inflamação e retardo de cicatrização, mas não explica infiltrado com secreção purulenta franca.
Mulher de 27 anos, professora, apresenta há 4 dias olho direito vermelho com lacrimejamento aquoso abundante, sensação de areia e fotofobia leve; hoje o olho esquerdo começou igual. Refere gânglio doloroso à frente da orelha e quadro gripal na semana passada. Vários alunos com quadro semelhante. Qual o diagnóstico?
Secreção aquosa, sensação de corpo estranho, adenopatia pré-auricular dolorosa, pródromo de infecção de vias aéreas e surto na comunidade compõem o retrato da ceratoconjuntivite epidêmica adenoviral, que começa em um olho e passa para o outro em dias. Haemophilus produz secreção purulenta espessa, sem adenopatia pré-auricular característica e sem contexto de surto viral. A alergia perene tem prurido como sintoma dominante e não dá gânglio. Episclerite é setorial, indolor ou pouco dolorosa, sem secreção e sem adenopatia. Blefaroconjuntivite estafilocócica é crônica, com crostas na margem palpebral e recorrências, não um quadro agudo epidêmico.
Em relação à reação conjuntival, qual associação está correta?
Folículo é agregado linfoide, avascular no centro, e domina nas conjuntivites virais e por clamídia; papila tem vaso central e predomina nas respostas alérgicas e em processos bacterianos crônicos, o que dá valor diferencial real ao exame da conjuntiva tarsal. Inverter as associações é o erro comum de quem decora sem entender a histologia. Folículo e papila diferem em estrutura e significado, e o vaso central é o detalhe que os separa na lâmpada de fenda. Papilas gigantes ocorrem na vernal e na gigantopapilar por lente de contato, não no gonococo. Folículos são vistos sobretudo na conjuntiva tarsal e nos fórnices.
Mulher de 35 anos com olho vermelho setorial, dor leve, sem secreção e com visão normal; a hiperemia branqueia após instilação de fenilefrina tópica. Qual o diagnóstico e a conduta?
Hiperemia setorial que branqueia com vasoconstritor tópico caracteriza episclerite, quadro benigno e autolimitado, tratado com lubrificante e anti-inflamatório, com investigação sistêmica reservada aos casos recorrentes. Na esclerite a dor é intensa, profunda, piora à noite, o vaso não branqueia com fenilefrina e a doença tem forte associação sistêmica, exigindo tratamento agressivo. Conjuntivite dá hiperemia difusa com secreção. Uveíte traz fotofobia, dor e células na câmara anterior. Ceratite cursa com infiltrado corneano e queda de visão.
Qual complicação da conjuntivite adenoviral pode reduzir a acuidade visual por meses após a resolução do quadro agudo?
Os infiltrados subepiteliais são a sequela visualmente relevante do adenovírus: aparecem após a fase aguda, dispersam a luz, causam ofuscamento e queda de acuidade e podem persistir por meses. Hemorragia subconjuntival se reabsorve sem afetar a visão. Adenopatia é achado sistêmico e regride. Hiperemia persistente incomoda, mas não degrada a imagem retiniana. Edema palpebral tardio não é causa de perda visual duradoura.
Paciente relata olho vermelho unilateral, indolor, com uma mancha vermelha homogênea bem delimitada na esclera, sem secreção e com visão normal. Fazia esforço para tossir. Qual a conduta?
Hemorragia subconjuntival é sangue entre a conjuntiva e a esclera, indolor, com visão preservada, e se reabsorve sozinha em uma a três semanas; a única ação clínica relevante é aferir a pressão arterial e investigar uso de anticoagulante ou episódios repetidos. Antibiótico não tem alvo, pois não há infecção. Corticoide não acelera a reabsorção do sangue e adiciona risco. Fundoscopia de urgência não se justifica por hemorragia subconjuntival isolada com visão normal. Drenagem cirúrgica é intervenção sem indicação e com risco desnecessário.
No manejo inicial de um paciente com suspeita de ceratite infecciosa, qual conduta deve ser evitada?
Corticoide topico sem diagnostico definido pode agravar drasticamente ceratites infecciosas, especialmente as herpeticas e fungicas, e a oclusao com curativo cria ambiente favoravel a proliferacao bacteriana e impede a inspecao - ambas as condutas devem ser evitadas. O corticoide engana porque o olho esta intensamente inflamado e a droga alivia rapidamente a hiperemia e o desconforto, o que reforca a impressao de acerto enquanto a infeccao progride sob a supressao imune local. Suspender lentes, iniciar antibiotico apos avaliacao, encaminhar e tratar a dor sao condutas corretas.
Mulher de 22 anos com olho vermelho bilateral, secreção mucosa filamentosa e prurido intenso pergunta se pode usar o colírio com corticoide que sobrou de um tratamento anterior. Qual a orientação correta?
O corticoide tópico é eficaz na alergia grave, mas seu uso sem avaliação e sem monitorização de pressão é o que produz glaucoma induzido, catarata subcapsular e agravamento de ceratite infecciosa não diagnosticada. Trinta dias sem controle de pressão não é seguro em nenhuma indicação. Associar antibiótico não protege da hipertensão ocular nem da catarata. A ideia de restringir ao período noturno não tem base farmacológica. Bilateralidade da doença não reduz o risco; ao contrário, expõe os dois olhos.
Ao avaliar um paciente com olho vermelho, qual conjunto de achados torna a hipótese de conjuntivite MENOS provável e obriga a considerar causa que ameaça a visão?
Hiperemia perilímbica em halo, dor profunda, fotofobia e queda de visão formam a assinatura das causas graves de olho vermelho, como ceratite, uveíte e glaucoma agudo, e afastam conjuntivite. Hiperemia difusa mais intensa na periferia, com secreção e visão preservada, é o padrão típico da conjuntivite. Sensação de areia sem dor sugere quadro de superfície. Prurido e edema bilateral apontam alergia. Pálpebras coladas com secreção amarelada é conjuntivite bacteriana clássica.
Adolescente de 16 anos apresenta olho vermelho bilateral, iniciado a direita e depois a esquerda, com secrecao aquosa, sensacao de corpo estranho, linfonodo pre-auricular palpavel e quadro de infeccao de vias aereas superiores recente. Visao preservada. Qual a conduta?
Acometimento bilateral sequencial, secrecao aquosa, sensacao de corpo estranho, linfonodo pre-auricular e quadro viral recente, com visao preservada, caracterizam conjuntivite viral, autolimitada, tratada com medidas sintomaticas e orientacoes de higiene, pois a transmissibilidade e alta. Prescrever antibiotico topico engana porque a expectativa do paciente e a pressa do atendimento empurram para a receita e o quadro melhora sozinho, criando falsa impressao de eficacia, mas o antibiotico nao encurta a evolucao viral e seleciona resistencia.
Mulher de 45 anos com ceratite bacteriana em tratamento evolui, apesar do antibiotico topico, com piora do infiltrado, que agora apresenta bordas plumosas e lesoes satelites. Ha historia de trauma ocular com galho de arvore. Qual a hipotese e a conduta?
Infiltrado com bordas plumosas e lesoes satelites, evolucao arrastada e falha do antibiotico, com antecedente de trauma por material vegetal, apontam para ceratite fungica, que exige coleta de material, antifungico especifico e vigilancia, sendo o corticoide especialmente deleterio. Insistir no antibiotico em dose maior engana porque a ceratite bacteriana e mais comum e a resposta lenta a antibiotico e possivel, mas os achados morfologicos e o mecanismo do trauma mudam a hipotese - e cada dia de tratamento errado aproxima a perfuracao.
Qual medida tem maior impacto para conter um surto de ceratoconjuntivite epidêmica em uma unidade de saúde?
O adenovírus é resistente no ambiente e se transmite por mãos, superfícies e instrumentos, sobretudo o tonômetro de aplanação e os frascos de colírio compartilhados, de modo que higiene, desinfecção e afastamento dos sintomáticos são as intervenções que quebram a cadeia. Antibiótico profilático não age sobre vírus. Não há vacina de uso rotineiro contra adenovírus disponível para essa finalidade na assistência civil. A transmissão é por contato, não predominantemente pelo ar-condicionado. Óculos escuros aliviam fotofobia do paciente, mas não reduzem a transmissão por contato.
Paciente com abrasão corneana extensa em uso de lente de contato. Qual conduta é obrigatória nesse contexto específico?
Abrasão em usuário de lente de contato tem risco elevado de ceratite por Pseudomonas, agente que destrói o estroma rapidamente, então a lente sai e o antibiótico escolhido precisa cobrir esse germe. Manter a lente sobre epitélio rompido cria a câmara úmida que favorece a infecção. Ocluir com a lente no olho soma os dois erros. Corticoide sobre epitélio rompido em usuário de lente é conduta de alto risco. Lubrificante isolado sem retorno abandona um paciente que pode evoluir para úlcera em 24 horas.
Qual das seguintes situações em paciente com conjuntivite viral exige encaminhamento oftalmológico prioritário?
Queda de visão com dor forte indica que o processo saiu da conjuntiva e atingiu a córnea ou o segmento anterior, cenário que muda a conduta e requer lâmpada de fenda em caráter prioritário. Lacrimejamento com sensação de areia é o sintoma típico da própria conjuntivite viral. Adenopatia pré-auricular é sinal esperado da etiologia viral e não constitui alarme. Edema palpebral leve com hiperemia difusa faz parte do quadro. Melhora com compressas frias sinaliza evolução benigna e boa resposta ao suporte.
Comparando o glaucoma agudo de ângulo fechado e o glaucoma crônico de ângulo aberto, a diferença fundamental na apresentação clínica é:
A dupla mais cobrada da oftalmologia se separa pelo tempo e pelo sintoma: no fechamento agudo a pressão salta em horas, o olho dói, a visão cai e o paciente procura socorro; no ângulo aberto a pressão sobe devagar, o paciente não sente nada e vai perdendo campo periférico ao longo de anos, chegando ao médico com a doença avançada — motivo pelo qual o rastreamento importa tanto. Achar que o crônico tem pressão mais alta é o erro comum: no agudo ela costuma ultrapassar 40 ou 50 mmHg, valores raros na forma crônica. Nenhum dos dois começa pela visão central, que é poupada até fases muito tardias no glaucoma.
Homem de 55 anos em uso de antidepressivo tricíclico inicia, após ida ao cinema, dor ocular unilateral intensa, visão turva e halos. Sobre a relação entre medicamentos e essa apresentação, é correto afirmar:
Tricíclicos, anti-histamínicos, antiespasmódicos, alguns antiparkinsonianos, descongestionantes e até nebulização com ipratrópio podem dilatar a pupila e, num olho com ângulo estreito, desencadear a crise — o ambiente escuro soma seu próprio efeito midriático, o que explica o clássico relato de crise no cinema. A leitura correta da advertência de bula é que a contraindicação vale para o glaucoma de ângulo fechado ou ângulo ocluível, e não para o glaucoma de ângulo aberto tratado, em que essas drogas são seguras: generalizar a proibição é erro comum e priva pacientes de tratamentos necessários. A maioria das crises ocorre em pessoas que jamais tiveram sintoma ocular.
No diagnóstico diferencial do olho vermelho com dor e baixa visual, o achado que MELHOR distingue a endoftalmite aguda do glaucoma agudo de ângulo fechado é:
Os dois diagnósticos compartilham o tripé olho vermelho, dor e baixa visual, e é por isso que só os achados objetivos separam: na endoftalmite há material inflamatório — hipópio, Tyndall intenso, vitreíte com perda do reflexo vermelho — e a pressão intraocular costuma estar normal; no glaucoma agudo a pressão salta acima de 40 ou 50 mmHg, a córnea fica edemaciada, a câmara anterior é rasa e a pupila fica em média midríase pouco reativa. Apostar em dor, hiperemia ou baixa visual como discriminadores é justamente o erro, pois são comuns aos dois. Ambos são tipicamente unilaterais, o que também invalida a lateralidade como critério.
Paciente de 70 anos com suspeita de fechamento angular. O exame que confirma o mecanismo, avaliando diretamente a configuração do ângulo iridocorneano, é:
A gonioscopia usa uma lente com espelhos para ver o ângulo formado entre a íris e a córnea, e é o exame que define se o ângulo é aberto, estreito ou fechado, além de identificar sinéquias anteriores periféricas resultantes de crises prévias — é ela que separa as duas grandes famílias de glaucoma e orienta o tratamento. A campimetria é essencial no glaucoma, mas mede o dano funcional já instalado e não informa nada sobre o ângulo, sendo o distrator mais tentador para quem associa glaucoma a campo visual. Tomografia de mácula, angiofluoresceinografia e retinografia avaliam retina e não têm papel nessa definição anatômica.
Mulher de 60 anos, com ângulo estreito bilateral identificado em consulta de rotina, sem crise prévia, será submetida a exame com dilatação pupilar. A conduta mais segura é:
Ângulo ocluível é indicação de iridotomia profilática a laser, que elimina o bloqueio pupilar e permite dilatar com segurança dali em diante. Enquanto isso não é feito, a dilatação não é proibida em termos absolutos — muitas vezes é necessária para examinar a retina — mas exige consciência do risco, reavaliação da pressão após o exame e orientação clara ao paciente sobre dor, halos e embaçamento. Proibir para sempre é o excesso que impede exames necessários, e dilatar como se não houvesse risco é a negligência oposta. Atropina prolongada aumentaria o risco, e trabeculoplastia é procedimento de ângulo aberto.
Mulher de 63 anos, hipermétrope, chega ao pronto-socorro com dor ocular intensa à direita há 6 horas, náuseas, vômitos e visão embaçada com halos coloridos ao redor das luzes. Exame: hiperemia ciliar, córnea com aspecto fosco, câmara anterior rasa, pupila em média midríase pouco reativa e pressão intraocular de 52 mmHg. O diagnóstico é:
Dor intensa com náusea e vômito, halos coloridos, córnea edemaciada, câmara rasa, pupila em média midréase pouco reativa e pressão acima de 50 mmHg formam o quadro inconfundível do fechamento angular agudo, mais comum em hipermétropes, cujo olho curto tem câmara anterior estreita. A uveíte anterior é o distrator mais frequente por também dar dor e hiperemia ciliar, mas nela a pupila fica miótica, a pressão em geral é normal ou baixa e há células em câmara anterior. Conjuntivite não reduz visão nem eleva pressão. Endoftalmite traria hipópio e história de cirurgia ou injeção recentes, e a ceratite mostraria infiltrado corneano com defeito epitelial à fluoresceína.
No mesmo pronto-socorro, sem oftalmologista disponível de imediato, o tratamento clínico inicial do glaucoma agudo de ângulo fechado inclui:
A abordagem clínica combina redução da produção de aquoso (acetazolamida sistêmica, betabloqueador e alfa-agonista tópicos, eventualmente manitol endovenoso) com a pilocarpina, que contrai o esfíncter pupilar e tira a íris do ângulo — porém a pilocarpina é pouco eficaz enquanto a pressão está muito alta, porque a isquemia do esfíncter o torna irresponsivo, daí ser usada depois da queda inicial. A atropina é o erro grave: qualquer midriático piora o bloqueio pupilar e é francamente contraindicado. Corticoide isolado, massagem e curativo não reduzem a pressão e apenas atrasam o tratamento definitivo.
Sobre os fatores que predispõem ou desencadeiam a crise de fechamento angular agudo, é correto afirmar:
O olho em risco é curto e hipermétrope, com cristalino que engrossa com a idade e empurra a íris para frente; sobre essa anatomia, qualquer estímulo de midríase média — penumbra, cinema, colírio midriático, anticolinérgicos, antidepressivos tricíclicos, alguns descongestionantes — pode fechar o ângulo. Miopia alta é o distrator natural para quem lembra de olho longo, mas o olho míope tem câmara profunda e é justamente o oposto do fator de risco. Pilocarpina, ao contrair a pupila, trata em vez de desencadear. A crise predomina em mulheres, acima dos 55 anos, e ambientes iluminados contraem a pupila e protegem.
Sobre o dano ao nervo óptico na crise de fechamento angular agudo não tratada, é correto afirmar:
A crise é uma emergência justamente porque a pressão em torno de 50 a 70 mmHg compromete a perfusão da cabeça do nervo óptico e provoca perda axonal em horas; sequelas típicas de uma crise prolongada incluem atrofia setorial da íris, pupila irregular, opacidades subcapsulares anteriores conhecidas como glaukomflecken e sinéquias anteriores periféricas que perpetuam o fechamento. Acreditar que há semanas de margem, ou que controlar a dor basta, é o raciocínio que transforma uma condição tratável em cegueira. O edema de córnea contribui para o embaçamento agudo, mas é reversível e não explica a perda definitiva.
Após controle clínico da crise de fechamento angular agudo, com pressão intraocular normalizada e córnea clara, o tratamento definitivo é:
A crise decorre de bloqueio pupilar: o aquoso não passa da câmara posterior para a anterior, empurra a íris para frente e fecha o ângulo. A iridotomia a laser cria um atalho que iguala as pressões entre as câmaras e resolve o mecanismo, devendo ser feita também no olho contralateral, que tem anatomia idêntica e risco de até 50% de crise nos anos seguintes — esquecer o olho não acometido é o erro mais cobrado. A trabeculoplastia é procedimento do glaucoma de ângulo aberto, sobre uma malha trabecular acessível, o que não é o caso aqui. Manter apenas colírio deixa o mecanismo intacto, e ciclodestrutivos são reservados a glaucomas refratários.
Homem de 58 anos chega ao pronto-socorro com cefaleia frontal intensa, náuseas e vômitos há 8 horas. Foi inicialmente conduzido como enxaqueca e recebeu analgesia. A queixa de "visão embaçada com halos" no olho direito é o dado que deve mudar a conduta. Sobre esse cenário, é correto afirmar:
O fechamento angular agudo é campeão em ser confundido com abdome agudo, enxaqueca e crise hipertensiva, porque a estimulação vagal produz náusea e vômito exuberantes que ofuscam a queixa ocular. A pista é o sintoma visual — halos, embaçamento monocular — e a conduta é medir a pressão intraocular e examinar o olho. Concluir que vômito afasta causa ocular inverte a lógica e é o erro que gera cegueira evitável. O olho quase sempre está vermelho, mas a intensidade varia, e a ausência de hiperemia franca não exclui. Aliviar a dor com analgésico sem baixar a pressão apenas mascara um relógio que continua correndo contra o nervo óptico.
Usuária de lentes de contato gelatinosas de 22 anos apresenta dor ocular intensa, fotofobia, secreção e infiltrado corneano branco com defeito epitelial de 2 mm, após dormir com as lentes. A conduta é:
Infiltrado corneano com defeito epitelial em usuária de lente de contato é ceratite infecciosa até prova em contrário, com Pseudomonas entre os agentes mais temidos pela rapidez com que derrete o estroma: o tratamento é tópico, intensivo, com instilações de hora em hora nas primeiras 48 horas, e reavaliação diária. Corticoide isolado e oclusão são erros graves, porque a oclusão cria ambiente favorável ao crescimento bacteriano e o corticoide sem cobertura pode agravar rapidamente a infecção. Antibiótico oral não atinge concentração corneana adequada, e manter a lente perpetua o insulto e o inóculo.
Sobre a ceratite actínica (fotoceratite) por exposição a solda elétrica sem proteção, é correto afirmar:
A fotoceratite tem um intervalo livre característico: o trabalhador solda ao longo do dia, sente-se bem e acorda de madrugada com dor intensa bilateral, fotofobia e blefaroespasmo, com ceratite puntata difusa à fluoresceína. O tratamento é sintomático e a recuperação é completa em um a dois dias, sem sequela — o que torna importante tranquilizar o paciente e reforçar a proteção no trabalho. Colírio anestésico domiciliar é a tentação óbvia diante de tanta dor e o erro mais grave possível aqui, pois converte uma condição autolimitada em ceratopatia tóxica com risco de úlcera.
Paciente refere trauma ocular há 3 dias com galho de árvore, evoluindo com dor, embaçamento e infiltrado corneano de bordas irregulares, com lesões satélites. A hipótese etiológica prioritária é:
Trauma com material vegetal é o fator de risco clássico da ceratite fúngica, cujo infiltrado tem bordas irregulares em pluma, lesões satélites e evolução mais arrastada que a bacteriana, exigindo raspado com culturas específicas e antifúngico tópico, como natamicina ou voriconazol. O detalhe que mais importa na prática é que corticoide, útil em outros contextos, piora dramaticamente a infecção fúngica. Ceratite por Acanthamoeba é o diferencial em usuários de lente de contato com exposição a água e cursa com dor desproporcional e infiltrado em anel, e a herpética epitelial tem lesão dendrítica característica.
Mulher de 62 anos chega ao pronto-socorro com dor ocular intensa à direita, visão borrada com halos ao redor das luzes, náuseas e vômitos. Ao exame, olho vermelho, córnea edemaciada, pupila em midríase média não reagente e globo endurecido à palpação. Qual o diagnóstico e o que NÃO deve ser feito?
Dor intensa, halos, náuseas, córnea edemaciada, pupila em midríase média fixa e globo endurecido definem o glaucoma agudo de ângulo fechado, emergência que exige redução imediata da pressão intraocular e iridotomia. Midriáticos e anticolinérgicos agravam o bloqueio pupilar e estão contraindicados, o que faz da anamnese medicamentosa parte do diagnóstico. Na uveíte anterior, ao contrário, o corticoide tópico é parte do tratamento, e essa inversão é o que torna aquela opção atraente para o desavisado.
Qual conjunto de achados em um paciente com olho vermelho indica gravidade e necessidade de avaliação oftalmológica urgente?
Dor intensa, queda da acuidade visual, fotofobia acentuada, alteração pupilar e hipópio são os sinais que separam o olho vermelho perigoso, como ceratite, uveíte, glaucoma agudo e endoftalmite, da conjuntivite banal. Secreção com prurido e sensação de areia, sem dor nem perda visual, descreve conjuntivite e é o distrator que domina os atendimentos, motivo pelo qual saber quando o olho vermelho deixa de ser conjuntivite é a competência avaliada aqui.
Jovem usuária de lentes de contato gelatinosas, que dorme com as lentes, apresenta dor ocular intensa, fotofobia, embaçamento visual e infiltrado corneano esbranquiçado ao exame. Qual a conduta correta?
Infiltrado corneano em usuária de lentes de contato é ceratite infecciosa, com Pseudomonas entre os agentes mais temidos pela evolução rápida à perfuração: a conduta é suspender a lente, encaminhar com urgência para coleta e antibiótico tópico intensivo. Três erros são clássicos e todos aparecem entre as opções: ocluir o olho, que favorece a proliferação bacteriana, prescrever corticoide, que aprofunda a úlcera, e liberar anestésico tópico, que retarda a cicatrização e mascara a piora.
Homem de 29 anos apresenta olho direito vermelho, dor e fotofobia há 3 dias. Exame: hiperemia ciliar, pupila miótica, células e flare em câmara anterior, precipitados ceráticos finos no endotélio e acuidade de 20/40. Refere lombalgia inflamatória há 2 anos, com rigidez matinal prolongada. O diagnóstico e a associação são:
Olho vermelho com dor, fotofobia, miose, células e flare e precipitados ceráticos é uveíte anterior aguda, e a lombalgia inflamatória com rigidez matinal prolongada em homem jovem aponta para espondiloartrite, cuja associação com o HLA-B27 é forte — essa uveíte é tipicamente unilateral, de início abrupto, alternante e recorrente. Conjuntivite não dá dor intensa nem miose e cursa com secreção. Glaucoma agudo teria pupila em média midríase e pressão muito elevada, o oposto pupilar da uveíte. Episclerite é pouco dolorosa, sem células em câmara anterior, e a ceratite exigiria infiltrado corneano.
Sobre os fatores de risco para úlcera de córnea infecciosa, o conjunto correto é:
A córnea saudável, com epitélio íntegro, filme lacrimal normal e inervação preservada, resiste muito bem à infecção; a úlcera aparece quando essas defesas falham, o que explica a lista: lentes de contato, especialmente com uso noturno e higiene precária, trauma, olho seco grave, perda da sensibilidade corneana, corticoide tópico e imunossupressão. Erros refrativos e presbiopia não têm relação com a barreira epitelial e são os distratores para quem associa doença corneana a qualquer condição ocular comum. Lubrificante sem conservantes protege a superfície, sendo o oposto de um fator de risco.
Sobre o prognóstico das uveítes, é correto afirmar:
As uveítes concentram desproporcionalmente cegueira em adultos jovens, e os desfechos dependem de três fatores sob controle médico: identificar a etiologia — separando infecciosas de imunomediadas — controlar a inflamação de forma precoce e sustentada, e prevenir as complicações que efetivamente tiram visão, como edema macular cistoide, catarata, glaucoma e descolamento. O prognóstico varia enormemente entre formas: a uveíte anterior do HLA-B27 costuma ter bom desfecho visual, enquanto Behçet com vasculite oclusiva e algumas uveítes posteriores infecciosas têm evolução muito mais grave.
Usuária de lentes de contato de 25 anos, que costuma lavar as lentes com água da torneira e nadar em piscina com elas, apresenta dor ocular desproporcional aos achados, infiltrado corneano em anel e ceratoneurite radial. A hipótese é:
Dor desproporcional aos achados, infiltrado em anel, ceratoneurite radial e exposição a água — torneira, piscina, banheira — em usuária de lente de contato compõem o retrato da ceratite por Acanthamoeba, cujo diagnóstico exige raspado com meios específicos ou microscopia confocal e cujo tratamento envolve biguanidas e diamidinas por meses. Ela é frequentemente confundida com ceratite herpética estromal, o que leva a ciclos de corticoide que pioram o quadro, e esse é justamente o distrator mais custoso. A orientação de nunca usar água em lentes de contato é medida preventiva de altíssimo valor.
Sobre a orientação a usuários de lentes de contato para prevenção de ceratite infecciosa, é correto afirmar:
As regras de ouro do porte de lentes atacam exatamente os mecanismos de risco: dormir com lentes reduz a oxigenação corneana e multiplica o risco de ceratite mesmo com lentes aprovadas para uso prolongado, água de qualquer procedência carrega Acanthamoeba, o biofilme do estojo é reservatório de germes e por isso ele também tem prazo de validade, e manter a lente sobre um olho já sintomático transforma uma irritação em úlcera. A frase que salva córnea é simples: olho vermelho, tira a lente e procura avaliação — manter a lente por acreditar que ela protege é o erro que a questão testa.
Sobre a ceratopatia em faixa observada em pacientes com uveíte crônica, é correto afirmar:
A ceratopatia em faixa é depósito de cálcio na membrana de Bowman, distribuído na faixa exposta entre as pálpebras, e aparece em uveítes crônicas, especialmente na artrite idiopática juvenil, além de estados hipercalcêmicos e olhos com doença crônica. Quando compromete o eixo visual ou causa desconforto por erosões, o tratamento é a quelação com EDTA tópico após desepitelização ou a ceratectomia superficial, muitas vezes assistida por laser. Atribuí-la a infecção ativa ou esperar que lubrificante a dissolva são erros que adiam um procedimento simples e resolutivo.
Sobre o uso de corticoide tópico na uveíte anterior, é correto afirmar:
O corticoide é a base do tratamento, mas exige vigilância: cerca de um terço das pessoas responde com elevação da pressão intraocular, e o uso prolongado induz catarata subcapsular posterior, de modo que pressão e cristalino entram no exame de todas as consultas. O desmame precisa ser gradual, porque a retirada abrupta desencadeia recidiva de rebote — erro comum quando o paciente melhora rápido e para sozinho. Manter dose plena indefinidamente troca a inflamação por complicações iatrogênicas, e contraindicar corticoide na uveíte não infecciosa privaria o paciente do tratamento eficaz.
Paciente de 55 anos com uveíte crônica em uso prolongado de corticoide apresenta queda visual progressiva. Ao exame, a inflamação está controlada, mas há opacidade subcapsular posterior do cristalino e pressão intraocular de 28 mmHg. A interpretação correta é:
Catarata subcapsular posterior e hipertensão ocular são as duas marcas do corticoide ocular crônico, e reconhecê-las como iatrogenia — e não como recidiva — é decisivo, porque a resposta errada seria aumentar a dose e agravar as duas. O manejo envolve hipotensor tópico, cirurgia de catarata quando indicada, e sobretudo a introdução de poupadores de corticoide para reduzir a exposição. Considerar tudo evolução natural da doença ou erro de medida perpetua o dano. Vale lembrar que cirurgia de catarata em olho uveítico exige controle inflamatório prévio de meses para reduzir complicações.
Sobre as sequelas da úlcera de córnea, é correto afirmar:
A córnea cicatriza com opacidade, e quando essa cicatriz fica no eixo visual a perda é permanente, podendo exigir transplante — motivo pelo qual a localização central piora o prognóstico, ao contrário do que a alternativa correspondente sugere. Astigmatismo irregular decorre da cicatriz e prejudica a visão mesmo com o eixo relativamente poupado, e a neovascularização, além de reduzir a transparência, aumenta o risco de rejeição em transplante futuro. Perfuração é desfecho real de úlceras graves ou mal tratadas, e negá-la é subestimar a urgência que a doença impõe.
Mulher de 45 anos apresenta olho esquerdo vermelho e doloroso, fotofobia, embaçamento e moscas volantes há 5 dias. O exame mostra inflamação clinicamente significativa e de intensidade semelhante na câmara anterior, no vítreo e na retina/coroide, sem um sítio predominante. A classificação anatômica desse quadro é:
Na classificação anatômica padronizada pelo grupo SUN, panuveíte descreve inflamação envolvendo câmara anterior, vítreo e retina ou coroide sem predomínio de um único sítio. Um foco posterior com discreta reação anterior secundária continuaria sendo classificado conforme o sítio primário e não bastaria para panuveíte; por isso o enunciado agora explicita acometimento clinicamente significativo e semelhante dos três compartimentos. Uveíte anterior ou intermediária isolada não explicam o conjunto, e conjuntivite e esclerite não produzem inflamação intraocular multicompartimental. Fontes: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/16196117/ ; https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8935739/
Ao atender um paciente com olho vermelho na atenção primária, o achado que MAIS indica necessidade de encaminhamento oftalmológico urgente por suspeita de uveíte é:
O tripé dor verdadeira, fotofobia e baixa visual, somado à hiperemia concentrada ao redor do limbo, separa a inflamação intraocular do olho vermelho banal e obriga a encaminhamento em horas. Prurido com secreção filamentosa é alergia, secreção purulenta com visão preservada é conjuntivite bacteriana, sensação de areia com acuidade normal sugere olho seco ou blefarite, e hemorragia subconjuntival isolada assusta mas é benigna. Saber essa triagem evita dois erros opostos: encaminhar conjuntivites em massa e liberar uveítes com colírio antibiótico, que é o mais grave dos dois.
Paciente de 40 anos com uveíte anterior apresenta pressão intraocular de 38 mmHg no terceiro dia de tratamento com corticoide tópico. As causas possíveis dessa elevação incluem:
A hipertensão ocular na uveíte tem três origens principais que precisam ser distinguidas porque exigem condutas diferentes: obstrução do trabeculado por células e debris inflamatórios, que melhora quando a inflamação é controlada; resposta esteroide, que pode exigir troca por corticoide de menor potência hipertensiva; e bloqueio pupilar por sinéquias em 360 graus com íris bombé, que demanda iridotomia. Atribuir tudo a erro de medida é o erro que atrasa o tratamento de um olho já inflamado, e a inflamação ciliar costuma reduzir a produção de aquoso, não sendo a explicação de uma pressão alta.
No manejo inicial de uma úlcera de córnea infecciosa central de 4 mm com hipópio, a conduta correta é:
Úlceras centrais, grandes, com hipópio ou em olho único são consideradas graves e merecem coleta de material antes do início do tratamento, seguido de antibiótico tópico intensivo — colírios fortificados ou quinolona de quarta geração — em instilações de hora em hora nas primeiras 48 horas, com reavaliação diária. Corticoide como primeira medida é o erro mais perigoso, porque em infecção fúngica ou por Acanthamoeba agrava dramaticamente o quadro, e mesmo na bacteriana só entra depois de resposta clínica documentada. Oclusão favorece o crescimento bacteriano, e antibiótico oral não atinge a córnea em concentração útil.
Sobre a investigação etiológica da uveíte anterior aguda, é correto afirmar:
A investigação é guiada pela apresentação: um primeiro episódio unilateral, agudo, não granulomatoso e sem queixas sistêmicas, que responde bem ao tratamento, pode ser acompanhado sem grande bateria de exames; recorrência, bilateralidade, achados granulomatosos ou sintomas sistêmicos mudam o cenário e pedem investigação dirigida para espondiloartrites, sarcoidose, tuberculose, sífilis, doenças reumatológicas e infecções. Pedir painel extenso para todos gera custo e achados falso-positivos, e biópsia de íris é procedimento excepcional, reservado a suspeita de neoplasia — não faz parte da avaliação de rotina.
Paciente com uveíte anterior aguda evolui com pupila irregular e adesões da íris à cápsula anterior do cristalino, identificadas após dilatação. Essa complicação é denominada e prevenida por:
A inflamação torna a íris aderente à cápsula anterior do cristalino, formando sinéquias posteriores que deixam a pupila irregular e, quando extensas em 360 graus, bloqueiam a passagem de aquoso e produzem íris bombé com glaucoma secundário. A prevenção está no cicloplégico precoce, que mantém a pupila em movimento e dilatada, somado ao controle rápido da inflamação — por isso o cicloplégico não é apenas analgésico. Sinéquias anteriores periféricas ocorrem no ângulo, rubeosis é neovascularização isquêmica e recessão angular é lesão traumática, todas com mecanismos e prevenções distintas.
Sobre a classificação anatômica das uveítes, é correto afirmar:
A classificação anatômica organiza tanto a investigação quanto o tratamento: uveíte anterior é a mais comum e frequentemente associada a HLA-B27, trauma e doenças reumatológicas; a intermediária, com células e snowballs no vítreo, remete a esclerose múltipla e sarcoidose; a posterior, com foco coriorretiniano, remete a toxoplasmose, tuberculose, sífilis e citomegalovírus; e a pan-uveíte a Behçet, Vogt-Koyanagi-Harada e sarcoidose. Dizer que a classificação não muda a investigação é o erro que leva a solicitar os mesmos exames para quadros com diferenciais completamente distintos.
O tratamento de primeira linha da uveíte anterior aguda não infecciosa inclui:
A dupla corticoide tópico e cicloplégico resolve a maior parte das uveítes anteriores não infecciosas: o corticoide controla a inflamação, com frequência alta no início e desmame lento para evitar recidiva de rebote, e o cicloplégico rompe e previne sinéquias posteriores além de aliviar o espasmo ciliar, que é a causa da dor. Corticoide sistêmico fica reservado a casos graves, bilaterais ou refratários. Antibiótico e antiviral tópicos não têm papel na forma não infecciosa, e a oclusão não trata inflamação intraocular — prescrevê-los reflete a confusão entre olho vermelho de superfície e inflamação intraocular.
Paciente com úlcera de córnea em tratamento há 5 dias com quinolona tópica evolui com aumento do infiltrado, afinamento estromal progressivo e descemetocele. A conduta é:
Descemetocele significa que restou apenas a membrana de Descemet separando o interior do olho do ambiente, e a perfuração é iminente: a conduta é cirúrgica e urgente, com cola de cianoacrilato, membrana amniótica ou transplante tectônico, além de rever o agente, porque a falha de resposta sugere fungo, Acanthamoeba ou bactéria resistente, exigindo nova coleta. Corticoide nesse cenário acelera o derretimento estromal, sendo o erro mais destrutivo. Manter o mesmo esquema, ocluir ou suspender tudo são condutas que aguardam a perfuração de um olho que ainda pode ser salvo.
Mulher de 44 anos apresenta lesão corneana dendrítica que cora com fluoresceína, com hipoestesia corneana e história de episódios semelhantes prévios. O diagnóstico e o tratamento são:
A lesão dendrítica com bordas em bulbo terminal, associada a hipoestesia corneana e a recorrências, é a marca da ceratite herpética epitelial, tratada com antiviral tópico ou aciclovir sistêmico. O ponto que a prova sempre cobra é a contraindicação do corticoide na forma epitelial: ele favorece a replicação viral e pode transformar um dendrito em úlcera geográfica extensa. Já na ceratite estromal herpética o corticoide tem papel, sempre sob cobertura antiviral e acompanhamento especializado — distinção que separa o uso correto do erro grave, e que faz do herpes o principal motivo para não prescrever corticoide ocular às cegas.
Sobre a diferenciação clínica entre úlcera de córnea infecciosa e infiltrado estéril (imunológico) periférico em usuário de lente de contato, o achado que MAIS favorece infecção é:
Infiltrados estéreis são tipicamente periféricos, pequenos, múltiplos, com epitélio íntegro ou minimamente comprometido, pouca reação de câmara anterior e sintomas leves, resultando de reação imunológica a antígenos bacterianos retidos sob a lente. Já a infecção tende a ser central ou paracentral, maior, com defeito epitelial sobreposto, hipópio ou reação importante, dor intensa e secreção. A distinção guia a intensidade do tratamento, mas na dúvida trata-se como infecção — subestimar uma úlcera infecciosa custa a córnea, ao passo que tratar um infiltrado estéril como infecção custa apenas alguns dias de colírio.
Homem de 31 anos, usuário de lentes de contato, apresenta dor ocular intensa, fotofobia, lacrimejamento e visão borrada no olho direito há 2 dias. Exame: hiperemia ciliar, infiltrado corneano branco de 3 mm com defeito epitelial sobrejacente que cora com fluoresceína e hipópio de 1 mm. O diagnóstico é:
Infiltrado estromal com defeito epitelial sobreposto, dor intensa, hiperemia ciliar e hipópio caracterizam a úlcera de córnea infecciosa, e o uso de lente de contato é o principal fator de risco na população jovem. A conjuntivite não produz infiltrado nem reduz acuidade de forma significativa, e não dá hipópio — confundir as duas é o erro que resulta em colírio antibiótico de baixa potência e reavaliação tardia. Episclerite é indolor ou pouco dolorosa, com vasos superficiais que branqueiam à fenilefrina e sem lesão corneana. Uveíte anterior isolada não cursa com defeito epitelial e infiltrado corneano.
Sobre a diferenciação entre esclerite e episclerite no paciente com olho vermelho, é correto afirmar:
O teste da fenilefrina é prático e barato: ela contrai o plexo episcleral superficial, de modo que a episclerite branqueia e a esclerite, cujo acometimento é do plexo profundo, não. A dor também separa as duas — a esclerite dói profundamente, irradia para a face e acorda o paciente, enquanto a episclerite incomoda pouco. A distinção importa porque a esclerite associa-se com frequência a artrite reumatoide, granulomatose com poliangiite, lúpus e policondrite, exige investigação sistêmica e tratamento sistêmico, ao passo que a episclerite é geralmente benigna e autolimitada.
Homem de 34 anos com uveíte anterior recorrente apresenta, em novo episódio, precipitados ceráticos grandes e gordurosos (em gordura de carneiro) e nódulos na íris. Esse padrão granulomatoso deve motivar investigação prioritária para:
O padrão granulomatoso — precipitados grandes e gordurosos, nódulos de Koeppe e Busacca na íris — muda o diferencial em relação à uveíte não granulomatosa do HLA-B27: passa a apontar para sarcoidose, tuberculose, sífilis e outras causas infecciosas e inflamatórias sistêmicas, exigindo radiografia ou tomografia de tórax, enzima conversora de angiotensina, prova tuberculínica ou ensaio de liberação de interferon-gama e sorologias. Reconhecer esse padrão é o que evita tratar com corticoide isolado um paciente com tuberculose ou sífilis ocular, cenário em que a imunossupressão sem tratamento específico é francamente prejudicial.
Uma criança de 6 anos é levada à UBS por conjuntivite, com secreção purulenta bilateral e hiperemia, sem dor ocular intensa, sem baixa de acuidade visual e sem alteração pupilar. Há colegas na escola com quadro semelhante. Além do tratamento tópico, qual é a orientação de controle mais adequada?
Conjuntivite infecciosa é altamente transmissível por contato, e as medidas de maior impacto são higiene das mãos, evitar compartilhamento de objetos pessoais e afastamento temporário enquanto houver secreção. Colírio antibiótico profilático em massa não previne surto e favorece resistência. Isolamento por 21 dias é desproporcional ao período de transmissibilidade. Encaminhamento de todos ao oftalmologista sobrecarrega a rede sem benefício, ficando reservado a sinais de alarme como dor intensa, fotofobia ou queda visual.
Menino de 8 anos é levado à Unidade Básica de Saúde com hiperemia conjuntival bilateral, secreção aquosa abundante, prurido e sensação de areia nos olhos há três dias. Há adenopatia pré-auricular palpável. Acuidade visual preservada, pupilas isocóricas e fotorreagentes, sem dor ocular intensa nem fotofobia. Vários colegas de sala com quadro semelhante. Qual é a conduta correta?
Secreção aquosa, adenopatia pré-auricular e surto escolar caracterizam conjuntivite viral, cujo tratamento é sintomático, com medidas de higiene para conter a transmissão. Colírio antibiótico não altera a evolução da forma viral e favorece resistência. Corticoide tópico sem avaliação especializada pode agravar infecção herpética e elevar a pressão intraocular. Encaminhamento urgente se justifica diante de dor intensa, fotofobia ou queda de acuidade visual, ausentes.
Mulher de 63 anos chega à Unidade Básica de Saúde com olho direito vermelho, dor intensa, visão borrada, halos ao redor de luzes, náuseas e vômitos iniciados há 6 horas. Ao exame: hiperemia periquerática, córnea com aspecto opaco e pupila em midríase média pouco reagente. Globo ocular endurecido à palpação bidigital. Qual é a conduta imediata?
Dor ocular intensa com halos, náuseas, córnea opaca, midríase média e globo endurecido caracterizam crise de glaucoma agudo, emergência que exige tratamento hipotensor ocular imediato em serviço especializado para evitar perda visual permanente. Colírio antibiótico trata conjuntivite bacteriana, quadro sem esses achados. Oclusão e analgesia mascaram a emergência. Midriático agrava o bloqueio angular e está formalmente contraindicado nessa suspeita.
Criança de 5 anos apresenta prurido e hiperemia oculares recorrentes, com secreção mucosa e sensação de areia nos olhos, associada a rinite alérgica conhecida. Não há febre, secreção purulenta nem adenomegalia pré-auricular. Os sintomas pioram na primavera. Qual é a conduta?
Prurido ocular com secreção mucosa e sazonalidade, em criança com atopia, caracteriza conjuntivite alérgica, tratada com controle ambiental e anti-histamínico tópico, sem indicação de antibiótico. O colírio antibiótico não trata processo alérgico e favorece resistência. Corticoide ocular prolongado sem supervisão especializada traz risco de glaucoma e catarata. Não há indicação cirúrgica nesse quadro.
Mulher de 23 anos, usuária de lentes de contato gelatinosas de uso prolongado, procura o pronto-atendimento com dor ocular intensa, fotofobia e embaçamento visual à direita há 2 dias, tendo dormido com as lentes por várias noites. Ao exame apresenta hiperemia periquerática, lacrimejamento, blefaroespasmo e uma opacidade esbranquiçada central na córnea, com defeito epitelial correspondente à fluoresceína. A acuidade visual está reduzida a 20/200 nesse olho e há discreto nível de secreção na câmara anterior. A conduta mais adequada é:
Infiltrado corneano com defeito epitelial e reação de câmara anterior em usuária de lente de contato configura ceratite infecciosa, frequentemente por Pseudomonas, emergência que exige suspensão imediata da lente, coleta de material e antibiótico tópico fortificado sob condução especializada. A oclusão compressiva cria ambiente favorável à proliferação bacteriana e é contraindicada na suspeita de infecção. Corticoide tópico sem cobertura antimicrobiana e sem exame com lâmpada de fenda pode aprofundar a úlcera e levar à perfuração. Anestésico tópico de uso domiciliar retarda a cicatrização epitelial e é toxico para a córnea.
Mulher de 66 anos comparece à unidade de pronto atendimento com dor ocular intensa à direita, cefaleia, náuseas e vômitos há 6 horas, além de visão embaçada com halos coloridos ao redor das luzes. Horas antes recebeu colírio midriático em consulta para exame de fundo de olho. Ao exame apresenta olho vermelho com hiperemia difusa, córnea de aspecto embaçado, pupila em midríase média e pouco reativa, globo endurecido à palpação bicompressiva, PA 160x92 mmHg e acuidade visual reduzida a vultos. A conduta imediata é:
Dor ocular intensa com náuseas, halos coloridos, córnea embaçada, pupila em midríase média fixa e globo endurecido após uso de midriático caracterizam glaucoma agudo de ângulo fechado, emergência que exige redução imediata da pressão intraocular com hipotensores e resolução definitiva por iridotomia a laser. Instilar novo midriático agrava o bloqueio pupilar e é precisamente o gatilho do quadro. Analgesia isolada com reavaliação eletiva permite dano irreversível do nervo óptico em poucas horas. Antibiótico e oclusão tratam ceratite ou abrasão, condições que não cursam com globo endurecido nem com pupila fixa em midríase média.
Homem de 30 anos procura ambulatório com olho vermelho doloroso à esquerda, fotofobia e lacrimejamento há 4 dias, sem secreção purulenta. Refere que é o terceiro episódio em dois anos e queixa-se de lombalgia inflamatória, que melhora com exercício e piora em repouso, com rigidez matinal prolongada. Ao exame apresenta hiperemia mais intensa ao redor do limbo, pupila miótica e pouco reativa nesse olho, acuidade visual 20/40 e teste de fluoresceína sem defeito epitelial. Não há febre nem adenomegalia pré-auricular. A hipótese diagnóstica mais provável é:
Hiperemia periquerática, dor, fotofobia e miose, com episódios recorrentes em homem jovem com lombalgia inflamatória, apontam para uveíte anterior aguda associada a espondiloartrite, condição que exige colírio cicloplégico e corticoide sob supervisão especializada, além de investigação reumatológica. A conjuntivite viral cursa com secreção aquosa, adenomegalia pré-auricular e hiperemia difusa, sem miose nem dor intensa. A ceratoconjuntivite seca provoca ardor e sensação de areia, de curso crônico e bilateral. A episclerite é indolor ou pouco dolorosa, com hiperemia setorial superficial e sem comprometimento da acuidade visual ou da pupila.
Homem de 29 anos com espondilite anquilosante procura a Unidade de Pronto Atendimento com olho vermelho doloroso à direita há dois dias, fotofobia intensa e visão borrada, sem secreção purulenta. Já teve episódio semelhante no olho esquerdo há dois anos. Ao exame: hiperemia predominantemente perilímbica, pupila direita miótica e pouco reativa, sem secreção, com dor à acomodação. A acuidade visual está reduzida à direita. Não há febre nem trauma ocular. Qual é a hipótese diagnóstica e a conduta?
Olho vermelho doloroso com hiperemia perilímbica, fotofobia, miose e queda de acuidade visual em portador de espondiloartrite associada ao HLA-B27 caracteriza uveíte anterior aguda, que exige avaliação oftalmológica urgente e tratamento com corticoide tópico e cicloplégico para evitar sinéquias e perda visual. A conjuntivite bacteriana cursa com secreção purulenta, hiperemia difusa e visão preservada. O glaucoma agudo apresenta pupila em midríase média fixa, córnea edemaciada e pressão intraocular muito elevada. A hemorragia subconjuntival é indolor, sem fotofobia e sem alteração visual.
Mulher de 45 anos comparece à Unidade Básica de Saúde com queixa de olhos vermelhos, com prurido intenso, lacrimejamento e sensação de areia, que pioram na primavera e quando ela varre a casa. Os sintomas duram semanas e se associam a espirros e coriza hialina. Ao exame oftalmológico simples, há hiperemia conjuntival bilateral com secreção mucoide clara, sem secreção purulenta, sem dor ocular intensa, sem fotofobia importante e com acuidade visual preservada. A conduta inicial correta é
A conjuntivite alérgica é tratada com medidas locais como compressas frias e lubrificantes, anti-histamínicos tópicos ou orais e controle ambiental, associada ao tratamento da rinite quando presente. Corticoide ocular sem acompanhamento pode causar catarata, glaucoma e infecção secundária. Antibiótico tópico não tem indicação em quadro sem secreção purulenta e com padrão claramente alérgico. Cirurgia não tem qualquer papel no tratamento da conjuntivite alérgica.
Mulher de 24 anos, usuária de lentes de contato gelatinosas de uso prolongado, procura a Unidade de Pronto Atendimento com dor ocular intensa, fotofobia, lacrimejamento e embaçamento visual no olho esquerdo há dois dias. Relata que dorme com as lentes e as limpa com água da torneira. Ao exame: hiperemia conjuntival intensa com padrão perilímbico, lesão corneana esbranquiçada com infiltrado central, secreção discreta e redução da acuidade visual. Qual é a conduta correta?
Dor ocular intensa com fotofobia, infiltrado corneano e queda de acuidade visual em usuária de lentes de contato com má higiene indica ceratite infecciosa, emergência oftalmológica que exige suspensão imediata das lentes, coleta de material e tratamento tópico intensivo em serviço especializado, sob risco de perfuração e perda visual. Corticoide tópico isolado pode agravar a infecção. Lubrificante com retorno tardio retarda o tratamento. Oclusão compressiva favorece a proliferação microbiana e é contraindicada.
Menina de 5 anos é levada à Unidade Básica de Saúde com hiperemia conjuntival bilateral, secreção purulenta abundante que cola os cílios pela manhã e sensação de areia nos olhos há três dias, sem dor ocular importante e sem baixa da acuidade visual. Outras crianças da mesma turma escolar apresentam quadro semelhante. Ao exame: hiperemia conjuntival difusa bilateral com secreção purulenta, córnea transparente, pupilas isocóricas e reativas, sem fotofobia e sem dor à movimentação ocular. Qual é a conduta correta?
A conjuntivite bacteriana aguda, sem dor intensa, fotofobia ou redução da acuidade visual, é tratada com antibiótico tópico e medidas de higiene, com afastamento escolar enquanto houver secreção, dada a alta transmissibilidade em ambientes coletivos. Corticoide tópico sem avaliação especializada pode agravar infecções, sobretudo herpéticas. O encaminhamento urgente se reserva a sinais de alarme como dor intensa, fotofobia, comprometimento corneano ou baixa da visão. Compressas isoladas não abreviam a transmissão em surto escolar.
Menino de 8 anos, com rinite alérgica e asma, é atendido na Unidade Básica de Saúde por prurido ocular intenso, lacrimejamento e secreção mucosa espessa há três meses, com piora na primavera. Nas últimas semanas passou a referir fotofobia importante e sensação de corpo estranho, e a mãe notou que ele evita a luz do sol. Ao exame: hiperemia conjuntival bilateral e papilas grandes na conjuntiva tarsal superior. Refere embaçamento visual persistente após a limpeza do olho. Qual é a conduta mais adequada?
Conjuntivite alérgica com fotofobia, papilas gigantes e embaçamento visual sugere ceratoconjuntivite vernal com risco de acometimento corneano e sequela visual, o que impõe encaminhamento oftalmológico. Corticoide tópico potente prolongado sem acompanhamento especializado pode provocar glaucoma, catarata e ceratite infecciosa. Antibiótico tópico trata conjuntivite bacteriana, cujo quadro é de secreção purulenta e ausência de prurido, e não altera o curso da doença alérgica. Manter apenas medidas locais, sem avaliação especializada, retarda o diagnóstico de lesão corneana já sugerida pelos sintomas.
Mulher, 60 anos, comparece à UBS com queixa de olho vermelho à direita há 1 dia, com dor ocular intensa, visão borrada, halos coloridos ao redor das luzes, náusea e cefaleia frontal. Exame: hiperemia conjuntival difusa com predomínio periquerático, pupila em midríase média pouco reativa, córnea com aspecto edemaciado, globo ocular endurecido à palpação bicital. Acuidade visual reduzida à direita. Nega secreção purulenta, prurido ou trauma. Qual a hipótese diagnóstica e a conduta?
Dor ocular intensa com halos coloridos, midríase média fixa, córnea edemaciada e globo endurecido à palpação, acompanhados de náusea e cefaleia, caracterizam glaucoma agudo de ângulo fechado, emergência que exige encaminhamento oftalmológico imediato pelo risco de perda visual irreversível em horas. A conjuntivite bacteriana cursa com secreção purulenta, sem dor intensa, sem alteração pupilar e com acuidade visual preservada. A uveíte anterior causa dor e fotofobia, mas com pupila miótica e pressão geralmente normal ou baixa, e iniciar corticoide sem avaliação especializada pode agravar outras causas. A ceratite herpética cursa com lesão dendrítica à fluoresceína e hipoestesia corneana, sem endurecimento do globo. A hemorragia subconjuntival é indolor, com mancha vermelha bem delimitada e visão preservada.
Homem, 35 anos, é atendido na UBS com queixa de dor em ambos os olhos, fotofobia e visão borrada há 2 dias, associada a dor lombar inflamatória de longa data. Exame: hiperemia periquerática bilateral, pupilas mióticas e pouco reativas, sem secreção purulenta, acuidade visual reduzida bilateralmente. Nega trauma ou uso de lentes de contato. Teve episódio semelhante há 1 ano. Sem prurido, sem história de conjuntivite em contatos domiciliares. Qual a conduta correta?
Dor ocular com fotofobia, hiperemia periquerática, miose e redução da acuidade visual, de caráter recorrente e associada a lombalgia inflamatória, sugere uveíte anterior no contexto de espondiloartrite, exigindo avaliação oftalmológica urgente e investigação reumatológica. Conjuntivite bacteriana cursa com secreção purulenta, hiperemia difusa e acuidade preservada. Prescrever corticoide tópico sem avaliação especializada é arriscado, pois pode agravar ceratite herpética e elevar a pressão intraocular. Lubrificante e repouso visual não tratam inflamação intraocular e permitem sinequias e perda visual. Lavagem ocular sem seguimento deixa uma condição potencialmente cegante sem tratamento.
Mulher, 66 anos, hipermetrope, procura o pronto-socorro com dor ocular intensa à direita, cefaleia, náuseas e visão borrada com halos coloridos ao redor das luzes, iniciados há 6 horas em ambiente de baixa luminosidade. PA 148x88 mmHg, FC 92 bpm. Ao exame, há hiperemia ciliar, córnea com edema, pupila em midríase média não reagente e globo endurecido à palpação bidigital. Qual a conduta inicial indicada?
Dor ocular intensa com halos coloridos, córnea edemaciada, midríase média fixa e globo endurecido definem glaucoma agudo de ângulo fechado, cuja conduta é reduzir a pressão intraocular com hipotensores tópicos e sistêmicos, seguindo-se iridotomia a laser, também profilática no olho contralateral. A atropina é midriática e cicloplégica, agravando o bloqueio pupilar e sendo formalmente contraindicada. O corticoide isolado não reduz a pressão e pode elevá-la. O antibiótico tópico com oclusão trata abrasões e infecções corneanas, e a oclusão compressiva é prejudicial. Apenas observar leva à perda visual irreversível por sofrimento do nervo óptico em poucas horas.
Mulher, 26 anos, apresenta há 3 dias hiperemia conjuntival bilateral, secreção aquosa abundante, sensação de areia nos olhos e fotofobia leve. Relata quadro gripal recente e contato com familiar com sintomas semelhantes. PA 116x74 mmHg, FC 76 bpm, T 36,8 °C; acuidade visual preservada, pupilas isocóricas e reativas, com linfonodo pré-auricular palpável e doloroso. Qual a principal hipótese diagnóstica?
Hiperemia bilateral com secreção aquosa, quadro gripal recente, contato com caso semelhante e linfonodo pré-auricular palpável são achados típicos da conjuntivite viral por adenovírus, altamente contagiosa e autolimitada. A conjuntivite bacteriana produz secreção purulenta espessa com pálpebras coladas e não cursa com adenopatia pré-auricular. A uveíte anterior apresenta hiperemia ciliar, dor, miose e células na câmara anterior, com queda visual. O glaucoma agudo cursa com dor intensa, córnea edemaciada e globo endurecido. A ceratite bacteriana apresenta infiltrado corneano com dor intensa e redução da acuidade visual.
Homem, 41 anos, com olho direito vermelho, dor moderada, lacrimejamento e visão borrada há 5 dias, com episódio semelhante há 2 anos. PA 122x76 mmHg, FC 74 bpm, T 36,6 °C; a coloração com fluoresceína revela lesão corneana ramificada com bulbos terminais, e há redução da sensibilidade corneana ao teste com fio de algodão. Não há secreção purulenta nem hipópio. Qual o tratamento indicado?
Lesão dendrítica com bulbos terminais à fluoresceína e hipoestesia corneana caracterizam ceratite herpética epitelial, tratada com antiviral tópico ou oral, sendo o corticoide isolado formalmente contraindicado por favorecer a replicação viral e a ulceração geográfica. O corticoide isolado em dose alta é justamente o erro clássico nesse quadro. O antibiótico fortificado destina-se a úlcera bacteriana, que apresenta infiltrado denso e hipópio. O antifúngico é indicado em ceratite fúngica, associada a trauma vegetal e lesão com bordas plumosas. A oclusão compressiva sem medicação não trata a infecção e favorece a progressão.
Mulher, 22 anos, usuária de lentes de contato gelatinosas que dorme com elas, apresenta olho esquerdo vermelho, dor intensa, fotofobia e secreção há 2 dias. PA 118x74 mmHg, FC 88 bpm, T 36,7 °C; acuidade visual reduzida a 20/200 no olho acometido, com infiltrado corneano branco de 3 mm, defeito epitelial correspondente à fluoresceína e hipópio de 1 mm na câmara anterior. Qual a conduta indicada?
Infiltrado corneano com defeito epitelial e hipópio em usuária de lente de contato que dorme com ela caracteriza ceratite infecciosa bacteriana, frequentemente por Pseudomonas, exigindo suspensão imediata das lentes, coleta de raspado para cultura e antibiótico tópico fortificado em intervalos curtos. Manter as lentes perpetua a agressão e a fonte de contaminação. O corticoide isolado favorece a progressão da infecção e o afinamento estromal. A oclusão compressiva cria ambiente favorável ao crescimento bacteriano. O antiviral seria indicado diante de lesão dendrítica com hipoestesia, padrão diferente do descrito.
Homem, 32 anos, com espondilite anquilosante, apresenta olho vermelho doloroso à direita há 2 dias, com fotofobia intensa e visão borrada. Exame: hiperemia periceratica, pupila em miose, dor à acomodação, sem secreção purulenta, acuidade visual reduzida no olho acometido. Não há trauma nem corpo estranho. O olho contralateral encontra-se normal, e o paciente refere episódio semelhante há dois anos. Qual a conduta mais adequada?
Olho vermelho doloroso com hiperemia periceratica, miose, fotofobia e redução da acuidade visual em paciente com espondiloartrite associada ao HLA-B27 caracteriza uveíte anterior aguda, que exige avaliação oftalmológica urgente e tratamento com corticoide tópico e cicloplégico, além de considerar terapia sistêmica em recorrências frequentes. O colírio antibiótico isolado trataria conjuntivite bacteriana, que cursa com secreção purulenta e sem dor intensa ou fotofobia. O colírio anestésico de uso contínuo é formalmente contraindicado, pois retarda a cicatrização epitelial e causa toxicidade corneana. O corticoide sistêmico isolado sem avaliação oftalmológica não é a conduta inicial. Aguardar resolução espontânea arrisca sinéquias, glaucoma e perda visual permanente.
Menino, 9 anos, com rinite alérgica e asma, apresenta prurido ocular intenso bilateral, lacrimejamento e hiperemia recorrentes, piores na primavera, há 2 anos. FC 88 bpm, FR 20 ipm, T 36,7 °C; secreção mucosa filamentosa, papilas na conjuntiva tarsal superior e ausência de secreção purulenta. A acuidade visual está preservada e a córnea é transparente à avaliação realizada. Qual o tratamento indicado?
A conjuntivite alérgica sazonal é tratada com anti-histamínico tópico associado a estabilizador de mastócitos, lubrificantes, compressas frias e controle ambiental dos alérgenos, reservando-se o corticoide tópico a cursos curtos em exacerbações sob supervisão. O antibiótico tópico não trata processo alérgico e favorece resistência. O corticoide contínuo traz risco de catarata, glaucoma e infecção. O antiviral trata ceratoconjuntivite herpética, cuja apresentação é unilateral com lesão dendrítica. A oclusão compressiva não tem indicação e pode agravar o desconforto e a hiperemia.
Serviço de emergência revisa o atendimento ao paciente com olho vermelho, buscando distinguir quadros benignos de emergências que ameaçam a visão. Os pacientes atendidos têm entre 18 e 80 anos, com pressões arteriais médias de 128x80 mmHg, e a equipe organiza os sinais de alarme que exigem avaliação oftalmológica imediata em cada situação clínica. Assinale a alternativa que NÃO constitui sinal de alarme no olho vermelho.
Hiperemia conjuntival difusa com secreção aquosa e visão preservada é o padrão da conjuntivite viral, quadro benigno e autolimitado, não constituindo sinal de alarme. A redução importante da acuidade visual sugere acometimento corneano, uveal ou de segmento posterior. A dor intensa com fotofobia e náuseas aponta glaucoma agudo ou uveíte. A alteração pupilar indica comprometimento do segmento anterior, como no glaucoma agudo com midríase média fixa ou na uveíte com miose. A opacificação corneana revela edema ou infiltrado, exigindo avaliação especializada imediata.
Mulher, 58 anos, hipertensa, percebe mancha vermelha intensa e homogênea na esclera do olho direito ao acordar, sem dor, sem secreção e sem alteração visual. PA 158x94 mmHg, FC 76 bpm; acuidade visual preservada, pupilas isocóricas e reativas, córnea transparente e câmara anterior formada. Refere episódio de tosse intensa na véspera e nega uso de anticoagulantes. Qual a conduta indicada?
Hemorragia subconjuntival é condição benigna, indolor e sem repercussão visual, frequentemente desencadeada por manobra de Valsalva, com reabsorção espontânea em uma a duas semanas, exigindo apenas orientação e, neste caso, controle da hipertensão arterial identificada. O antibiótico tópico não tem indicação em sangramento não infeccioso. O corticoide potente não acelera a reabsorção e traz riscos. A punção da coleção não é procedimento existente para essa condição. Suspender anti-hipertensivos é conduta oposta à necessária, já que a pressão elevada é fator contribuinte.
Mulher, 44 anos, com artrite reumatoide, apresenta olho esquerdo vermelho e dor profunda intensa há 5 dias, que a desperta à noite e piora à movimentação ocular. PA 124x78 mmHg, FC 78 bpm, T 36,8 °C; hiperemia de tonalidade violácea que não branqueia com fenilefrina tópica, com espessamento escleral à palpação e sem secreção. A acuidade visual está discretamente reduzida. Qual o diagnóstico?
Dor profunda que desperta à noite, hiperemia violácea que não branqueia com fenilefrina e espessamento escleral em paciente com artrite reumatoide definem esclerite, condição grave que exige anti-inflamatórios sistêmicos, corticoide ou imunossupressores e investigação da doença de base. A episclerite é superficial, pouco dolorosa e branqueia com fenilefrina. A conjuntivite bacteriana cursa com secreção purulenta e hiperemia difusa superficial. A ceratite apresenta infiltrado corneano com defeito epitelial. O glaucoma agudo cursa com globo endurecido, midríase média fixa e edema corneano.
Homem, 29 anos, soldador, apresenta dor ocular intensa bilateral, lacrimejamento e fotofobia iniciados cerca de 8 horas após jornada de trabalho com solda elétrica sem máscara adequada. PA 128x80 mmHg, FC 88 bpm, T 36,7 °C; hiperemia conjuntival bilateral e blefaroespasmo. A fluoresceína mostra ceratite puntacta superficial difusa em ambos os olhos, sem infiltrados ou úlceras profundas. Qual a conduta indicada?
A ceratite actínica por radiação ultravioleta da solda, com dor intensa surgindo horas após a exposição e ceratite puntacta difusa, é tratada com analgesia sistêmica, lubrificação, cicloplégico e antibiótico tópico profilático, com resolução em 24 a 48 horas. O corticoide potente prolongado retarda a reepitelização e favorece infecção. O antibiótico sistêmico com internação é desproporcional. O transplante de córnea não se aplica a lesão epitelial superficial e reversível. O uso contínuo de anestésico tópico é formalmente contraindicado, pois causa toxicidade epitelial e úlceras neurotróficas.
Homem, 29 anos, com espondilite anquilosante, procura o pronto-socorro com dor ocular intensa, fotofobia e visão borrada no olho direito há 2 dias. Nega secreção purulenta. PA 124x78 mmHg, FC 78 bpm, T 36,6 °C. Exame ocular: hiperemia periceratica, pupila miótica e irregular, células na câmara anterior à lâmpada de fenda; acuidade visual de 20/60 à direita e 20/20 à esquerda. Qual a conduta mais adequada?
A uveíte anterior aguda associada ao HLA-B27, caracterizada por dor, fotofobia, hiperemia periceratica e células em câmara anterior, é urgência oftalmológica e se trata com corticoide tópico frequente e midriático cicloplégico para prevenir sinéquias posteriores, sob avaliação especializada. Antibiótico tópico com oclusão trata ceratite bacteriana e conjuntivite, quadros com secreção e sem células em câmara anterior. Aciclovir sistêmico é reservado a uveíte herpética, que costuma cursar com hipertensão ocular e lesão corneana dendrítica. Anti-inflamatório oral isolado com espera de quinze dias arrisca sinéquias e perda visual permanente. Colírio anestésico de horário é formalmente contraindicado, pois causa toxicidade epitelial e úlcera de córnea.
Mulher, 25 anos, usuária de lentes de contato gelatinosas que dorme com as lentes, apresenta dor ocular intensa, fotofobia e baixa acuidade visual à direita há 2 dias. PA 118x74 mmHg, FC 78 bpm, T 36,6 °C. Olho direito com hiperemia ciliar, infiltrado corneano branco-acinzentado de 3 mm com defeito epitelial e hipópio. Sobre a conduta imediata, assinale a alternativa correta.
A ceratite bacteriana associada ao uso de lentes de contato, com infiltrado corneano e hipópio, é emergência oftalmológica: suspende-se a lente, coleta-se raspado para cultura e inicia-se colírio antibiótico fortificado em intervalos curtos, com cobertura para Pseudomonas. O corticoide tópico isolado, sem controle da infecção, agrava a ceratite e favorece perfuração. O colírio anestésico de uso contínuo é proscrito, pois retarda a cicatrização epitelial e mascara a progressão. O antibiótico oral isolado não atinge concentração corneana adequada, sendo os colírios fortificados o pilar do tratamento. O transplante de córnea é reservado a perfuração ou falha terapêutica, nunca como conduta inicial.
Em uma creche com 60 crianças, 14 apresentaram, em uma semana, hiperemia conjuntival bilateral, lacrimejamento, sensação de corpo estranho e secreção aquosa, com linfonodo pré-auricular palpável em vários casos. As crianças permanecem afebris e com bom estado geral. A equipe de saúde é acionada para orientar as medidas de controle do surto. Qual a orientação mais adequada?
O quadro descreve conjuntivite viral epidêmica, tipicamente adenoviral, com secreção aquosa e adenopatia pré-auricular; o controle se faz por afastamento dos casos enquanto sintomáticos, higiene rigorosa das mãos e não compartilhamento de objetos pessoais. Colírio antibiótico profilático em toda a creche não previne infecção viral e seleciona resistência. Corticoide tópico sem avaliação oftalmológica pode agravar infecções herpéticas e favorecer complicações. Fechar a creche por 30 dias e culturar todas as crianças é medida desproporcional e sem impacto adicional. O aciclovir trataria conjuntivite herpética, que é geralmente unilateral e com lesões vesiculares, não sendo a causa de surtos como o descrito.
Usuária de lentes de contato de 24 anos apresenta dor ocular, fotofobia e redução visual. Há infiltrado branco na córnea com defeito epitelial que cora pela fluoresceína. Qual é o diagnóstico mais provável?
Infiltrado corneano e defeito epitelial em usuária de lentes exigem presumir infecção ameaçadora à visão. Referência: https://eyewiki.org/Bacterial_Keratitis
Usuária de lentes de contato de 24 anos apresenta dor ocular, fotofobia e redução visual. Há infiltrado branco na córnea com defeito epitelial que cora pela fluoresceína. Qual mecanismo explica melhor o quadro?
Lentes, especialmente usadas inadequadamente, aumentam o risco de infecção corneana. Referência: https://eyewiki.org/Bacterial_Keratitis
Usuária de lentes de contato de 24 anos apresenta dor ocular, fotofobia e redução visual. Há infiltrado branco na córnea com defeito epitelial que cora pela fluoresceína. Qual achado complementar favorece especificamente essa hipótese?
Esse achado diferencia ceratite infecciosa de conjuntivite simples. Referência: https://eyewiki.org/Bacterial_Keratitis
Mulher de 63 anos chega com dor ocular intensa, visão de halos, náuseas e olho vermelho. A córnea está edemaciada, a pupila em semimidríase pouco reagente e a pressão intraocular é 52 mmHg. Qual intervenção dirigida à causa é a mais adequada entre as opções?
A crise exige atendimento imediato; a iridotomia trata o bloqueio pupilar quando esse é o mecanismo. Referência: https://www.nei.nih.gov/learn-about-eye-health/eye-conditions-and-diseases/glaucoma
Usuária de lentes de contato de 24 anos apresenta dor ocular, fotofobia e redução visual. Há infiltrado branco na córnea com defeito epitelial que cora pela fluoresceína. Qual intervenção dirigida à causa é a mais adequada entre as opções?
Coleta microbiológica é indicada conforme gravidade; corticoide sem avaliação especializada pode agravar infecção. Referência: https://eyewiki.org/Bacterial_Keratitis
Mulher de 63 anos chega com dor ocular intensa, visão de halos, náuseas e olho vermelho. A córnea está edemaciada, a pupila em semimidríase pouco reagente e a pressão intraocular é 52 mmHg. Qual achado complementar favorece especificamente essa hipótese?
A anatomia do ângulo e a pressão muito elevada apoiam o diagnóstico. Referência: https://www.nei.nih.gov/learn-about-eye-health/eye-conditions-and-diseases/glaucoma
Mulher de 63 anos chega com dor ocular intensa, visão de halos, náuseas e olho vermelho. A córnea está edemaciada, a pupila em semimidríase pouco reagente e a pressão intraocular é 52 mmHg. Qual mecanismo explica melhor o quadro?
A drenagem bloqueada eleva rapidamente a pressão e ameaça o nervo óptico. Referência: https://www.nei.nih.gov/learn-about-eye-health/eye-conditions-and-diseases/glaucoma
Mulher de 63 anos chega com dor ocular intensa, visão de halos, náuseas e olho vermelho. A córnea está edemaciada, a pupila em semimidríase pouco reagente e a pressão intraocular é 52 mmHg. Qual é o diagnóstico mais provável?
Dor intensa, hipertensão ocular, edema corneano e pupila pouco reagente caracterizam uma emergência por fechamento angular. Referência: https://www.nei.nih.gov/learn-about-eye-health/eye-conditions-and-diseases/glaucoma
Adulto de 28 anos apresenta hiperemia bilateral, lacrimejamento e sensação de areia após contato com colega com quadro semelhante. Há linfonodo pré-auricular; a visão está preservada e não há dor importante nem lesão corneana. Qual é o diagnóstico mais provável?
Secreção aquosa, exposição contagiosa e adenopatia pré-auricular favorecem etiologia viral. Referência: https://www.cdc.gov/conjunctivitis/about/index.html
Adulto de 28 anos apresenta hiperemia bilateral, lacrimejamento e sensação de areia após contato com colega com quadro semelhante. Há linfonodo pré-auricular; a visão está preservada e não há dor importante nem lesão corneana. Qual mecanismo explica melhor o quadro?
A inflamação conjuntival viral é contagiosa e pode acompanhar infecção respiratória. Referência: https://www.cdc.gov/conjunctivitis/about/index.html
Adulto de 28 anos apresenta hiperemia bilateral, lacrimejamento e sensação de areia após contato com colega com quadro semelhante. Há linfonodo pré-auricular; a visão está preservada e não há dor importante nem lesão corneana. Qual achado complementar favorece especificamente essa hipótese?
Esses achados apoiam a hipótese; dor, fotofobia acentuada ou perda visual exigem investigar córnea e estruturas profundas. Referência: https://www.cdc.gov/conjunctivitis/about/index.html
Adulto de 28 anos apresenta hiperemia bilateral, lacrimejamento e sensação de areia após contato com colega com quadro semelhante. Há linfonodo pré-auricular; a visão está preservada e não há dor importante nem lesão corneana. Qual intervenção dirigida à causa é a mais adequada entre as opções?
Casos virais não complicados recebem suporte; antibiótico tópico não trata adenovírus. Referência: https://www.cdc.gov/conjunctivitis/about/index.html
Paciente tem secreção purulenta conjuntival, sem dor profunda, fotofobia importante ou comprometimento da córnea. Qual diagnóstico é mais provável?
A apresentação favorece conjuntivite bacteriana. Secreção purulenta com hiperemia conjuntival e ausência de sinais de comprometimento corneano ou intraocular favorece conjuntivite bacteriana. Referência: https://www.cdc.gov/conjunctivitis/about/index.html
Adulto apresenta olho vermelho, fotofobia e dor, com células e flare na câmara anterior à lâmpada de fenda. Qual diagnóstico é mais provável?
A inflamação na câmara anterior indica uveíte. Dor, fotofobia e células na câmara anterior indicam inflamação intraocular; avaliação oftalmológica orienta etiologia e tratamento. Referência: https://www.nei.nih.gov/eye-health-information/eye-conditions-and-diseases/uveitis
Paciente tem secreção purulenta e pálpebras grudadas, com visão preservada, sem dor intensa ou lesão corneana. Qual diagnóstico é mais provável?
O padrão favorece conjuntivite bacteriana. Secreção purulenta com hiperemia conjuntival e ausência de sinais de comprometimento corneano ou intraocular favorece conjuntivite bacteriana. Referência: https://www.cdc.gov/conjunctivitis/about/index.html
Após tosse, adulto nota mancha vermelha bem delimitada na superfície ocular, sem dor, secreção ou alteração visual. Qual diagnóstico é mais provável?
A apresentação sugere hemorragia subconjuntival. Mancha sanguínea bem delimitada sobre a esclera, indolor e sem perda visual, pode representar hemorragia subconjuntival. Referência: https://www.nhs.uk/symptoms/red-eye/
Pessoa com espondiloartrite tem dor ocular e fotofobia, com células inflamatórias na câmara anterior e sem secreção purulenta. Qual diagnóstico é mais provável?
A associação e o exame favorecem uveíte anterior. Dor, fotofobia e células na câmara anterior indicam inflamação intraocular; avaliação oftalmológica orienta etiologia e tratamento. Referência: https://www.nei.nih.gov/eye-health-information/eye-conditions-and-diseases/uveitis
Adulto apresenta hiperemia e secreção amarelada que reaparece após limpeza, sem redução visual ou sinais de uveíte. Qual diagnóstico é mais provável?
O padrão de secreção favorece etiologia bacteriana conjuntival. Secreção purulenta com hiperemia conjuntival e ausência de sinais de comprometimento corneano ou intraocular favorece conjuntivite bacteriana. Referência: https://www.cdc.gov/conjunctivitis/about/index.html
Paciente tem área vermelho-viva plana sob a conjuntiva, com exame ocular e acuidade visual normais e ausência de trauma. Qual diagnóstico é mais provável?
O quadro é compatível com hemorragia subconjuntival. Mancha sanguínea bem delimitada sobre a esclera, indolor e sem perda visual, pode representar hemorragia subconjuntival. Referência: https://www.nhs.uk/symptoms/red-eye/
Paciente apresenta fotofobia consensual, hiperemia pericerática e células na câmara anterior, sem infiltrado corneano. Qual diagnóstico é mais provável?
Os achados favorecem uveíte anterior. Dor, fotofobia e células na câmara anterior indicam inflamação intraocular; avaliação oftalmológica orienta etiologia e tratamento. Referência: https://www.nei.nih.gov/eye-health-information/eye-conditions-and-diseases/uveitis
Paciente tem conjuntivas hiperemiadas e exsudato mucopurulento, com córnea transparente e visão normal. Qual diagnóstico é mais provável?
O quadro sugere conjuntivite bacteriana. Secreção purulenta com hiperemia conjuntival e ausência de sinais de comprometimento corneano ou intraocular favorece conjuntivite bacteriana. Referência: https://www.cdc.gov/conjunctivitis/about/index.html
Pessoa em uso de anticoagulante nota pequena mancha de sangue superficial no olho, sem dor nem perda visual, com avaliação compatível. Qual diagnóstico é mais provável?
O padrão favorece hemorragia subconjuntival, cabendo avaliar contexto clínico. Mancha sanguínea bem delimitada sobre a esclera, indolor e sem perda visual, pode representar hemorragia subconjuntival. Referência: https://www.nhs.uk/symptoms/red-eye/
Paciente tem miose, dor e fotofobia, com inflamação confirmada na câmara anterior do olho. Qual diagnóstico é mais provável?
A localização da inflamação define uveíte anterior. Dor, fotofobia e células na câmara anterior indicam inflamação intraocular; avaliação oftalmológica orienta etiologia e tratamento. Referência: https://www.nei.nih.gov/eye-health-information/eye-conditions-and-diseases/uveitis
Adulto percebe sangue sob a conjuntiva após esforço, com visão inalterada, sem dor e sem trauma ocular significativo. Qual diagnóstico é mais provável?
O quadro é típico de hemorragia subconjuntival. Mancha sanguínea bem delimitada sobre a esclera, indolor e sem perda visual, pode representar hemorragia subconjuntival. Referência: https://www.nhs.uk/symptoms/red-eye/
Um paciente usa corticoide por tempo prolongado no tratamento de uveíte, sob orientação especializada. Qual dupla de complicações justifica vigilância oftalmológica durante o tratamento?
Corticoides oculares podem favorecer catarata e glaucoma, exigindo monitorização mesmo quando controlam a inflamação. Referência: National Eye Institute/NIH. uveitis. https://www.nei.nih.gov/eye-health-information/eye-conditions-and-diseases/uveitis
No exame especializado, a inflamação intraocular compromete predominantemente retina e coroide, sem que o segmento anterior seja o local principal. Qual classificação anatômica descreve esse padrão?
A uveíte posterior envolve retina e coroide; a classificação considera o local predominante de inflamação. Referência: National Eye Institute/NIH. uveitis. https://www.nei.nih.gov/eye-health-information/eye-conditions-and-diseases/uveitis
Ao investigar uveíte, o médico identifica história e achados que sugerem infecção sistêmica. Qual afirmação é correta sobre a interpretação etiológica da inflamação ocular?
Infecções, como sífilis e toxoplasmose, podem causar uveíte; inflamação ocular não é sinônimo de autoimunidade. Referência: National Eye Institute/NIH. uveitis. https://www.nei.nih.gov/eye-health-information/eye-conditions-and-diseases/uveitis
Qual achado do olho à direita exige maior cautela do que hiperemia conjuntival simples?

Pode acompanhar doença ocular potencialmente grave.
Paciente com aspecto do painel direito tem dor intensa, halos, náuseas e pressão intraocular elevada. Qual hipótese é prioritária?

O conjunto exige avaliação e tratamento urgentes.
Qual dado clínico, quando associado ao olho vermelho da figura, reforça necessidade de encaminhamento urgente?

Sugere comprometimento além de conjuntivite simples.
Qual achado visual do painel direito aumenta preocupação em relação ao esquerdo?

Turvação corneana associada a dor e perda visual é sinal de alarme.
Qual função deve ser documentada em cada olho na avaliação inicial de olho vermelho?

Acuidade visual é um dado essencial para gravidade e comparação.
Usuário de lente de contato tem dor, fotofobia e pequeno infiltrado corneano. Por que tratar como conjuntivite banal pode ser perigoso?

Lente de contato é fator relevante para ceratite; a córnea precisa ser examinada e tratamento não deve ser atrasado.
O olho doloroso com córnea turva do painel direito apresenta pressão intraocular muito elevada. A pessoa relata asma grave com broncoespasmo recente. Qual escolha exige cautela específica por possível efeito sistêmico?

Betabloqueadores tópicos podem ser absorvidos e provocar broncoespasmo; tratamento urgente deve ser escolhido pela equipe considerando contraindicações e alternativas.
Por que prescrever corticoide ocular sem diagnóstico em dor e lesão corneana pode ser inadequado?

Tratamento depende da causa; algumas infecções e lesões são prejudicadas pelo uso não orientado.
Um usuário de lentes de contato apresenta dor, fotofobia e queda visual há 24 horas. Qual hipótese é prioritária diante da imagem? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

O infiltrado corneano focal associado a sintomas agudos exige investigação urgente.
Uma adulta apresenta o olho ilustrado há dois dias, com discreto desconforto, sem fotofobia ou redução da visão. Qual achado visível mais favorece conjuntivite bacteriana? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

Esse tipo de secreção favorece etiologia bacteriana, sem identificá-la definitivamente.
Na imagem de um paciente com dor e fotofobia, em qual estrutura se encontra a opacidade branca focal projetada sobre a porção inferior da íris? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

A lesão se projeta anteriormente à íris, no plano corneano.
O quadro doloroso da imagem começou após dormir com lentes de contato. Ao reconhecer a estrutura acometida, qual bactéria merece cobertura especial no tratamento inicial orientado pela oftalmologia? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

O uso de lentes é fator de risco clássico para ceratite por esse agente.
Dor ocular e fotofobia acompanham o olho mostrado, sem secreção purulenta. Qual combinação favorece uveíte anterior? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

Inflamação uveal anterior pode causar injeção ciliar e miose, com irregularidade por sinéquias.
O olho ilustrado é doloroso e apresenta fotofobia. Qual exame demonstra diretamente inflamação da câmara anterior? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

Esses achados sustentam inflamação intraocular anterior.
O paciente com episódios recorrentes do padrão ocular ilustrado também refere lombalgia que melhora com exercício e rigidez matinal. Qual associação merece investigação? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

Uveíte anterior recorrente pode associar-se a espondiloartrite, especialmente diante de dor axial inflamatória.
Qual combinação visível no olho ilustrado, no contexto de dor súbita e halos, favorece fechamento angular agudo em relação a uveíte anterior típica? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

O conjunto favorece hipertensão ocular aguda; uveíte anterior frequentemente se acompanha de miose.
A irregularidade pupilar observada é atribuída, após biomicroscopia, a sinéquias posteriores. Que estruturas estão aderidas? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

Essa aderência pode deformar o contorno da pupila.
Uma idosa tem dor ocular súbita, halos, náuseas e o olho da imagem. Qual hipótese é prioritária? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

Edema corneano, hiperemia e pupila em média midríase, nesse contexto doloroso, sugerem aumento agudo da pressão intraocular.
No quadro compatível com a imagem, confirma-se fechamento angular por bloqueio pupilar. Qual procedimento cria uma via alternativa de passagem do humor aquoso entre as câmaras? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

Uma abertura periférica na íris contorna o bloqueio pupilar.
Que avaliação deve complementar a inspeção do olho doloroso ilustrado para confirmar a suspeita de fechamento angular e sua repercussão pressórica? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

A foto externa não mede pressão nem demonstra diretamente a configuração do ângulo.
Quer treinar mais nesse tema? Estas questões vêm do nosso banco — lá tem milhares, com simulado, maratona e estatística de acerto por área.
Criar conta grátis e continuar →Plano de revisão
em 7 dias
Reconstrua de memória a tabela de diferenciação pelas três colunas que decidem — acuidade visual, dor e padrão da hiperemia — e diga em voz alta, para cada uma das quatro causas que ameaçam a visão, qual achado do exame físico a denuncia. Depois liste os oito gatilhos de encaminhamento imediato do protocolo brasileiro.
em 30 dias
Escreva o esquema da crise aguda de fechamento angular com as doses (manitol, acetazolamida, pilocarpina, timolol, corticoide tópico) e explique por que nada disso substitui a iridotomia. Em seguida, contraste os dois documentos brasileiros sobre profilaxia da conjuntivite neonatal, com os anos, e as duas doses de ceftriaxona para conjuntivite gonocócica do adulto.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Mulher de 68 anos chega ao pronto-socorro com dor forte no olho direito e vômitos que começaram no fim da tarde. Diz que enxerga halos coloridos em volta das lâmpadas e que a vista do lado direito embaçou de repente. Está com a mão sobre o olho e pede para apagarem a luz da sala. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
