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Vacinar a criança em quimioterapia: três relógios e o mais longo decide

Vacinas e profilaxia pós-exposição na criança em tratamento oncológico

A criança em tratamento de câncer não tem um intervalo único: a doença, a vacina e o último hemoderivado contam separado, e vale o maior.

01

Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Escolar de 6 anos com síndrome nefrótica em uso de corticoterapia é levado à unidade porque teve contato domiciliar com um irmão que iniciou quadro de varicela há 2 dias. A criança nunca teve varicela e não foi vacinada. Está assintomática no momento. PA 100x62 mmHg, FC 96 bpm, T 36,7 °C. Qual a conduta profilática mais indicada?

02

Como esse tema cai

Este capítulo trata da criança que já tem o diagnóstico de câncer e continua precisando de vacina. A pergunta cobrada não é qual é o tumor: é o que se aplica hoje, o que fica proibido, quando a proibição acaba e o que fazer quando essa criança encosta em alguém com varicela. São decisões de calendário tomadas sobre um paciente que ficou fora do calendário por anos.

Ficam fora, com endereço. O calendário de rotina da criança saudável, a lista de falsas contraindicações e a regra de vacinar quem convive com o imunodeprimido estão no capítulo de Calendário vacinal da criança, em Infectologia Pediátrica. O reconhecimento da leucemia, do linfoma e dos tumores sólidos, com os prazos legais de encaminhamento, está nos capítulos anteriores desta apostila. Febre no paciente em quimioterapia é assunto do capítulo de neutropenia febril, em Oncologia.

O que este capítulo desenvolve é o relógio. Quanto tempo antes de começar o tratamento uma vacina viva ainda vale, o que continua sendo aplicado durante a quimioterapia e por que essa dose não conta, quantas horas existem depois do contato com varicela e por que o paciente mais grave tem menos horas, e — o ponto que mais confunde — por que o intervalo depois do tratamento não é um número, mas o maior entre três contagens que correm ao mesmo tempo.

03

O que muda decisão

Por que a quimioterapia interrompe o calendário vacinal

Como usar este capítulo: separe vacinas vivas de inativadas e organize a decisão em quatro momentos — antes, durante e depois da quimioterapia, além da exposição de risco. O grau de imunossupressão e o tratamento recebido definem o intervalo; transplante reinicia o calendário.

A diretriz federal do tratamento da leucemia linfoblástica aguda da criança descreve a fase de manutenção como aquela que previne a recidiva depois da indução e da consolidação, e registra que ela pode durar de dois a três anos. É esse número que muda a conversa na unidade básica. Um pré-escolar que adoece aos três anos atravessa, dentro do tratamento, toda a faixa em que o calendário nacional concentra reforços e doses de vírus vivo. Não se está adiando uma consulta: está-se diante de uma criança que fica fora da rotina por mais tempo do que separa duas revisões de puericultura.

O manual dos centros de referência classifica a quimioterapia para câncer como imunodepressão de alto grau, ao lado das doenças associadas à imunodeficiência primária e do período recente após transplante de órgão sólido. A classificação tem duas consequências opostas e simultâneas: ela abre o acesso aos imunobiológicos especiais e fecha a porta das vacinas de agente vivo. O mesmo manual descreve entre os elegíveis o paciente oncológico com doença em atividade ou até a alta médica, de modo que a criança em manutenção está dentro do grupo, e não fora dele.

Antes de decidir qualquer dose, o manual pede uma triagem com itens que a consulta apressada costuma pular: identificar a doença de base e o mecanismo pelo qual ela imunodeprime, o mecanismo de ação das drogas em uso, o tempo de doença e o tempo de tratamento, a necessidade de reforços e — o item que organiza todos os outros — identificar se a avaliação é pré, durante ou pós a imunodepressão. Quem responde à mãe sem situar a criança em uma dessas três casas responde por sorte. Situar é o primeiro ato da consulta: perguntar em que fase o tratamento está, qual a droga e há quantos dias foi a última administração.

Há uma dobra na leitura desse quadro que pega justamente a criança em manutenção. O quadro que separa alto e baixo grau lista, do lado do baixo grau, doses de metotrexato, de azatioprina e de mercaptopurina — e são essas duas últimas drogas, com o metotrexato, que sustentam a manutenção da leucemia linfoblástica aguda. O capítulo sobre imunodepressão terapêutica, no mesmo volume, arrola os mesmos fármacos com os mesmos números na lista do que considera altas doses. O limiar do metotrexato, de quatro décimos de miligrama por quilo por semana, aparece de um lado como teto do baixo grau e do outro como piso da alta dose; com a mercaptopurina acontece o mesmo em um miligrama e meio por quilo ao dia.

O empate não fica aberto, e é a própria criança oncológica que o desempata. No lado do alto grau, o mesmo quadro traz uma entrada que não depende de miligrama nenhum: quimioterapia para câncer. As faixas de dose por droga foram escritas para as doenças imunomediadas, em que o fármaco é o tratamento inteiro; na leucemia, o metotrexato e a mercaptopurina são a cauda de um esquema que já incluiu indução, consolidação e quimioterapia intratecal — que, segundo a diretriz federal, corre por todo o curso, inclusive na manutenção. Diante da criança em manutenção, portanto, não se calcula miligrama por quilo para decidir o grau: ela é de alto grau pela entrada da doença, e é assim que entra na sala de vacina.

Vacinação antes da quimioterapia: quanto tempo é necessário

Quando a imunossupressão é programada, o manual manda vacinar antes, e o capítulo de conceitos gerais separa os dois tipos de antígeno: a imunização com antígenos não vivos deve ser realizada pelo menos duas semanas antes do início da imunossupressão, e a imunização com antígenos vivos, pelo menos quatro semanas antes. É a formulação mais conservadora do volume, e a que costuma ser decorada.

O capítulo sobre imunodepressão terapêutica, no mesmo volume e na mesma edição, escreve outra coisa: as vacinas de vírus vivos devem ser administradas de catorze a trinta dias antes da introdução da droga, e os pacientes sem comprovação de vacinação prévia devem ser vacinados, no mínimo, de duas a quatro semanas antes do início da terapêutica. Catorze dias é metade de quatro semanas. Uma criança que recebe tríplice viral vinte dias antes de começar a quimioterapia cumpre uma passagem e descumpre a outra.

Há ainda duas medidas avulsas espalhadas pelo texto. A indicação da vacina pneumocócica polissacarídica traz a observação de que, em caso de quimioterapia, a dose deve ser aplicada preferencialmente quinze dias antes do início. E o quadro que libera a febre amarela por condição clínica escreve, para tumores sólidos, até trinta dias antes do início da quimioterapia. Diante da divergência, protege o paciente adotar o prazo mais longo que o caso permitir e registrar a data exata da aplicação e a data prevista da primeira dose de quimioterapia.

Na leucemia aguda, porém, a discussão costuma ser acadêmica. Entre a suspeita e a indução passam-se dias, e as quatro semanas que uma vacina viva pede simplesmente não existem. O quadro das vacinas do paciente oncológico traz, na coluna de antes do tratamento, um sim condicionado por nota de rodapé — se não houver doença que contraindique o uso de vacinas vivas —, e o próprio manual trata o câncer no capítulo das imunodeficiências devidas a ele. Quem recebe a criança aplica o que é inativado, anota por escrito o que ficou faltando e encaminha sem segurar o tratamento.

Vacinas durante o tratamento: segurança e necessidade de repetição

O quadro que resume a conduta do paciente oncológico tem três colunas — antes do tratamento, durante o tratamento e o convivente — e a coluna do meio é a que mais rende. Durante a quimioterapia entram as vacinas não vivas: a tríplice bacteriana, preferencialmente com componente pertussis acelular, a poliomielite inativada, a hepatite B, a hepatite A, o hemófilo do tipo b, a meningocócica, a influenza, o papilomavírus e as pneumocócicas conforme a idade. Recebem um não seco a tuberculose, a tríplice viral, a varicela e a febre amarela.

A frase que acompanha o quadro é a que reorganiza o plano: se houver necessidade ditada por condições epidemiológicas, as vacinas inativadas podem ser utilizadas ainda durante a quimioterapia, tendo-se o cuidado de repeti-las depois para assegurar resposta imune adequada. Dito de outro modo, a dose aplicada durante o tratamento protege naquele momento e não conta como esquema cumprido. O manual admite ainda que, nessa situação, o esquema seja encurtado se for mais conveniente — a pressa é permitida, o esquecimento não.

A consequência prática não aparece sozinha na caderneta. A criança termina o tratamento com um cartão aparentemente em dia, e o cartão está errado — não porque alguém falhou, mas porque as doses foram dadas na janela em que o sistema imune não podia respondê-las. Quem faz a consulta de saída compara, dose a dose, a data de aplicação com a data de início da quimioterapia, marca as que caíram dentro do período e programa a repetição. É trabalho de conferência de datas, e é ele que separa a criança protegida da criança com um cartão bonito.

Exposição à varicela: imunoglobulina, antiviral e prazos

Diante do contato com varicela, o manual oferece dois produtos e dois prazos. A vacina, em uso pós-exposição, serve ao controle de surto em ambiente hospitalar, creches e escolas que atendam crianças menores de sete anos, e vale para comunicantes suscetíveis imunocompetentes a partir de nove meses de idade, até cento e vinte horas do contato. A imunoglobulina humana antivaricela-zóster deve ser utilizada em até noventa e seis horas.

A intuição diz que o paciente mais grave teria o prazo mais largo, e o documento diz o contrário. A criança em quimioterapia, que é quem mais tem a perder com a varicela, é justamente a que dispõe de menos tempo. A razão está no mecanismo, não na burocracia: a vacina precisa de um sistema imune capaz de responder e leva dias para induzir proteção, e é ela que pede o prazo maior. Para quem não pode receber agente vivo, o que resta é anticorpo pronto, e anticorpo pronto tem de chegar antes de a infecção se estabelecer.

A imunoglobulina exige três condições ao mesmo tempo, e nenhuma dispensa as outras: suscetibilidade, contato significativo e condição especial de risco. Contato significativo tem definição escrita — permanência junto com o doente durante pelo menos uma hora em ambiente fechado, contato hospitalar no mesmo quarto ou contato direto prolongado. A dose é de cento e vinte e cinco unidades para cada dez quilos de peso, com piso de cento e vinte e cinco e teto de seiscentas e vinte e cinco unidades, por via intramuscular. O teto faz a dose parar de subir a partir de cinquenta quilos: o adolescente de sessenta quilos recebe o mesmo que o de cinquenta. Diante da criança em quimioterapia cujo irmão amanheceu com vesículas, o ato é pesar, calcular a dose e aplicar hoje.

Como definir suscetibilidade em imunossuprimidos

A primeira das três condições parece a mais óbvia e é a que mais engana. O manual define como suscetíveis, primeiro, as pessoas imunocompetentes e imunodeprimidas sem história bem definida da doença ou de vacinação anterior. Até aqui, o sentido comum. E define, em seguida, as pessoas com imunodepressão celular grave, independentemente de história anterior de varicela.

Isto é: a criança que teve catapora aos dois anos e hoje está em manutenção de leucemia continua sendo suscetível para efeito de indicação da imunoglobulina. A mãe que responde com segurança que o filho já teve a doença não afasta a indicação, e a pergunta certa deixa de ser se ele teve. A base é imunológica: é a imunidade celular que mantém o vírus latente sob controle e que sustenta a memória adquirida na primeira infecção, e é exatamente ela que a quimioterapia derruba. Quem já teve varicela e perdeu a imunidade celular pode adoecer de novo, e pode adoecer grave.

Duas delimitações fecham o assunto e evitam o uso errado do produto. A imunoglobulina não tem qualquer indicação terapêutica: seu uso tem finalidade exclusivamente profilática, de modo que a criança que já apresenta as vesículas saiu da janela e precisa de outra conduta, não desta. E o contato com um exantema pós-vacinal não é o mesmo contato: quando o convivente vacinado desenvolve exantema variceliforme, evita-se a aproximação direta enquanto durarem as lesões, mas o manual não recomenda imunoglobulina nessa circunstância, porque o risco de transmissão do vírus vacinal é considerado mínimo. Diante da exposição, portanto, o médico registra três coisas antes de indicar: quem foi a fonte, quanto tempo durou o contato e quantas horas se passaram.

Quando reiniciar vacinas depois da quimioterapia

Encerrada a quimioterapia, a pergunta da família é sempre a mesma: quando ele pode tomar as vacinas que faltam. O manual responde em mais de um lugar, e as respostas não coincidem porque medem coisas diferentes. A regra do capítulo das imunodeficiências devidas ao câncer diz que, após três a seis meses de cessada a condição de imunodepressão, o paciente pode utilizar vacinas vivas, bacterianas ou virais, a depender de sua situação clínica.

O capítulo da imunodepressão terapêutica estreita a faixa por droga: as vacinas de vírus vivos podem ser administradas três meses após quimioterapia, mas pelo menos seis meses após terapêutica com anticorpos anticélulas B. Já o quadro que libera a febre amarela por condição clínica corta pela doença: leucemias agudas e linfomas de Hodgkin e não Hodgkin, após seis meses da última quimioterapia ou radioterapia; tumores sólidos, após três meses do fim da quimioterapia e três meses do fim da radioterapia; transplante de células-tronco hematopoiéticas, a partir de vinte e quatro meses.

Não é contradição, e tratá-la como contradição faz errar. São variáveis diferentes: uma passagem fala da classe inteira das vacinas vivas, a outra fala de uma vacina específica, e a terceira separa por doença de base e por tipo de droga. Note também que o quadro da febre amarela não é uma lista de proibições: é o quadro das condições em que essa vacina pode ser considerada após avaliação médica, ou seja, um caminho de liberação, e não de veto. O que ele acrescenta é a data em que esse caminho se abre para cada doença.

A régua que o médico usa é a interseção das três. Diante da criança que encerrou o tratamento de leucemia aguda há quatro meses e viaja para área de circulação de febre amarela, a resposta não é o número da regra geral: nomeie a doença, nomeie a vacina e adote o prazo mais longo entre os que se aplicam ao caso. E registre por escrito qual foi o prazo adotado e de que data ele parte, porque a família ouvirá números diferentes em cada serviço por onde passar, e a caderneta é o único lugar onde a conta fica de pé.

Linha do tempo com três intervalos simultâneos de durações diferentes e vacinação apenas ao final do intervalo mais longo
Três contagens correm ao mesmo tempo depois da quimioterapia — a da classe das vacinas, a do tipo de droga e a da doença de base — e quem manda é a mais longa entre as que se aplicam ao caso.

Divergências entre texto e tabela sobre o intervalo pós-tratamento

Há um terceiro relógio, e ele quase nunca é lembrado porque mora em outro lugar do manual. Entre as contraindicações da vacina varicela está a administração recente de sangue, plasma ou imunoglobulina, com a recomendação de intervalo mínimo de três meses entre esses produtos e a vacina. A frase é curta, tem número redondo e termina mandando ver a tabela.

A tabela diz outra coisa. Para a imunoglobulina humana antivaricela-zóster, na dose de cento e vinte e cinco unidades por dez quilos até o teto, o intervalo sugerido é de cinco meses. Para concentrado de hemácias, cinco meses; para sangue total, seis; para plasma ou plaquetas, sete meses; para imunoglobulina intravenosa de reposição, oito; e para as apresentações terapêuticas de imunoglobulina intravenosa, dez e onze meses conforme a dose. Hemácias lavadas, que quase não carregam anticorpo, não impõem espera nenhuma.

O parágrafo das contraindicações conserva a regra e descarta a exceção: guarda o piso de três meses e perde os números que decidem. E os produtos que ele perde são exatamente os que a criança oncológica recebe. A criança que terminou a quimioterapia e recebeu concentrado de plaquetas na última semana do tratamento não pode tomar a vacina de vírus vivo aos três meses: a contagem que vale é a do hemoderivado, e ela vai até sete meses. Antes de aprazar a dose, portanto, o médico abre o prontuário de transfusões e conta a partir da última bolsa, não a partir da última sessão de quimioterapia.

Por que recomendações de edições diferentes não devem ser misturadas

A frase que hoje diz uma faixa já disse um ponto. Na edição de dois mil e quatorze, o mesmo manual, do mesmo órgão federal, encerrava o trecho sobre imunodepressão secundária a quimioterapia, radioterapia, corticoterapia ou câncer com a redação: após três meses de cessada a condição de imunodepressão o paciente pode utilizar vacinas vivas, bacterianas ou virais. Na edição vigente, a mesma sentença aparece com a mesma estrutura e outro número: após três a seis meses. Quem estudou pela edição antiga guarda um prazo fechado que o documento em vigor não sustenta mais.

A segunda mudança pesa mais, porque é aritmética. A edição antiga considerava imunossupressora a dose de prednisona ou equivalente maior ou igual a dois miligramas por quilo ao dia para crianças, e maior ou igual a vinte miligramas ao dia para adultos, por período superior a catorze dias. A edição vigente escreve o mesmo limiar de dois miligramas por quilo apenas para crianças com até dez quilos de peso, e manda aplicar o teto absoluto de vinte miligramas ao dia às crianças maiores e aos adultos.

As duas réguas se cruzam exatamente em dez quilos, porque é aí que dois miligramas por quilo somam vinte miligramas. Abaixo desse peso elas coincidem; acima dele, a redação vigente é mais restritiva. Uma criança de trinta quilos em uso de prednisona a um miligrama por quilo ao dia recebe trinta miligramas diários: pela régua antiga estava confortavelmente abaixo do limiar, e pela régua atual está acima dele. Ao avaliar a criança em corticoterapia, conte a dose em miligramas por dia, confira o peso contra os dez quilos e só então diga se a vacina viva pode ou não ser aplicada.

Sorologia após quimioterapia e necessidade de revacinação

O manual dedica uma seção inteira à revacinação depois da quimioterapia, abre reconhecendo que o tema é controverso e que os trabalhos são limitados, e ainda assim registra o que os estudos em crianças mostram. Numa casuística de crianças tratadas de leucemia aguda, linfoma, tumor cerebral e tumores sólidos, mais de nove em cada dez estavam soronegativas para pelo menos uma das doenças imunopreveníveis avaliadas. Perto de metade havia perdido a proteção contra o sarampo e contra a difteria; mais de metade, contra o tétano; cerca de um terço, contra caxumba e rubéola.

Num segundo estudo, restrito a crianças tratadas de leucemia linfoblástica aguda, a soronegatividade passava de metade para difteria, tétano, poliomielite do tipo três, hemófilo do tipo b e caxumba. O achado que salva o desfecho é o mesmo em ambos: todas obtiveram boa resposta de anticorpos após dose de reforço. A memória que o tratamento apagou volta com uma dose, desde que alguém a prescreva.

As situações contempladas são duas e não se confundem. Revacinar quem recebeu vacinas inativadas durante a quimioterapia ou a radioterapia, porque aquelas doses não valeram; e revacinar com vacinas de vírus vivos, depois de neoplasias hematológicas, as crianças sobreviventes. Um estudo recente citado no mesmo trecho aponta perda de proteção sobretudo contra a coqueluche. O manual é honesto quanto ao terreno: escreve que o tema é controverso, que os trabalhos ainda são limitados e que, para os adultos que receberam quimioterapia, não há conduta definida. A recomendação firme, nesse trecho, é sobre a criança.

A lista de doenças que reaparecem é sempre a mesma, e vale decorá-la pelo que ela tem de comum: sarampo, caxumba, rubéola, difteria, tétano, hemófilo do tipo b, poliomielite e hepatite B. São, quase todas, doenças com vacina no calendário básico, aplicadas nos primeiros anos e nunca mais revisadas. A criança que adoeceu aos três anos recebeu essas doses antes de adoecer, e é precisamente por isso que ninguém desconfia delas depois. A consulta de alta oncológica, portanto, termina com um plano escrito de revacinação e uma data marcada, e não com a frase de que está tudo em dia.

Transplante de células-tronco: reiniciar o esquema

O transplante de células-tronco hematopoiéticas é o único caso em que o esquema vacinal não se completa: ele recomeça. A célula-tronco transplantada é a responsável pela reconstituição do sistema imune do receptor, e a imunidade construída antes não sobrevive ao condicionamento. Vale para transplante autólogo, alogênico ou singênico — o manual registra que, até o momento, não há evidência que justifique programas diferentes conforme o tipo.

As vacinas de agente vivo entram tarde. O quadro da febre amarela por condição clínica situa o transplantado de células-tronco a partir de vinte e quatro meses do procedimento, e apenas se não houver doença do enxerto contra o hospedeiro, recaída da doença de base ou uso de imunossupressor. A vacina varicela segue a mesma marca de vinte e quatro meses, com a doença do enxerto contra o hospedeiro como contraindicação expressa.

O reinício tem data de partida e ritmo próprios, escritos em tabela. O esquema sugerido manda reiniciar a vacinação de três a doze meses após o transplante, e detalha número de doses e intervalo mínimo para cada produto: três doses da tríplice bacteriana com reforço decenal, três de hemófilo do tipo b, três de poliomielite inativada, e assim por diante, com intervalo mínimo de trinta dias entre elas. As vacinas de agente vivo entram contraindicadas enquanto houver doença do enxerto contra o hospedeiro ou terapêutica imunodepressora em curso. Quem acompanha essa criança não completa uma caderneta: abre uma nova.

Há uma peça que costuma passar despercebida e que é ato médico antes do transplante: vacinar o doador. O manual recomenda que o esquema do doador cadastrado seja completado até catorze dias antes do transplante para vacinas inativadas e trinta dias antes para vacinas vivas, com a finalidade de transferir imunidade ao receptor até que ele reconstitua a própria. O mesmo raciocínio vale para os candidatos a transplante de órgão sólido, que devem ter os esquemas avaliados e atualizados enquanto ainda respondem. Quem acompanha uma criança na fila trata a caderneta dela, e a do doador, como parte do preparo.

Corticoide sistêmico: dose, duração e intervalo para vacinas vivas

Nem toda imunossupressão da criança com câncer vem do citostático. O corticoide entra em protocolo de leucemia, entra como antiemético e entra no controle de sintomas, e tem critério e prazo próprios. O manual considera imunossupressora a prednisona ou equivalente em dose maior ou igual a dois miligramas por quilo ao dia nas crianças de até dez quilos, ou maior ou igual a vinte miligramas ao dia nas maiores e nos adultos, sempre por catorze dias ou mais. Corticoide tópico, inalatório ou intra-articular não conta.

A exigência de duração é o que mais se perde na leitura. Pulsos curtos, abaixo de catorze dias, não colocam a criança na faixa de alto grau; e o uso em dias alternados, ou em doses menores que as definidas para alto grau por mais de catorze dias, aparece classificado como imunodepressão de baixo grau, com consequências diferentes. Na indicação da vacina varicela, o manual autoriza a aplicação em quem recebe doses baixas, definidas ali como menores que dois miligramas por quilo ao dia e menores que vinte miligramas ao dia.

O prazo de retomada também é próprio e é o mais curto do capítulo. Entre as contraindicações da vacina varicela está o período de três a seis meses após a suspensão da terapia imunodepressora, variando conforme a medicação, ou um mês, em caso de corticoterapia. Um mês depois de suspender o corticoide, essa trava específica caiu — o que não libera a criança se ela continua sob quimioterapia ou dentro da contagem de algum hemoderivado. Diante da pergunta sobre a próxima dose, o médico separa as contagens, verifica qual delas ainda está correndo e responde pela mais longa que sobrou.

04

Esquemas e tabelas

As perguntas em ordem, do que se decide primeiro para o que se decide depois. Cada cartão traz o número que muda a conduta.

  1. 11. Em que fase está esta criança? Antes de iniciar, durante o tratamento ou depois do término — é o item de triagem do manual que organiza todos os outros. A manutenção da LLA dura de 2 a 3 anos e ainda é 'durante'.
  2. 22. Se é antes: aplique hoje as não vivas pendentes, com pelo menos 2 semanas de antecedência, e avalie as vivas com o prazo mais longo que couber. Não adie a quimioterapia por causa da caderneta.
  3. 33. Se é durante: só não vivas, e marque cada dose aplicada para repetição depois do tratamento. BCG, tríplice viral, varicela e febre amarela ficam de fora.
  4. 44. Houve exposição a varicela? Confira as 3 condições e as 96 horas. Suscetibilidade inclui quem já teve a doença, quando a imunodepressão celular é grave. Dose: 125 UI/10 kg, mínimo 125, máximo 625 UI, por via IM.
  5. 55. Se é depois: abra as três contagens — doença e droga, vacina pretendida e último hemoderivado — e adote a mais longa. Confira o prontuário de transfusões antes de aprazar qualquer vacina viva.
  6. 66. Houve transplante de células-tronco? O esquema reinicia de 3 a 12 meses após o procedimento, com vacinas vivas apenas a partir de 24 meses, na ausência de DECH e de imunossupressor.

Situe a criança nas três casas

Antes, durante ou depois da imunodepressão — é o item de triagem do manual dos CRIE que organiza todos os outros. A fase de manutenção da LLA dura de 2 a 3 anos, então 'depois' pode estar muito longe.

Durante: inativada sim, viva não

Entram DTPa/penta ou hexa acelular, VIP, HB, HA, Hib, MenC, influenza, HPV4 e pneumocócicas. Não entram BCG, tríplice viral, varicela e febre amarela. A dose inativada dada durante o tratamento tem de ser repetida depois.

Exposto à varicela: 96 horas

IGHAVZ em até 96 h, com as 3 condições simultâneas (suscetibilidade, contato significativo, condição especial de risco). A vacina pós-exposição, de 120 h, é para o comunicante imunocompetente — não para este paciente.

Dose da imunoglobulina: 125 UI por 10 kg

Mínimo 125 UI, máximo 625 UI, via IM, dose única. Acima de 50 kg a dose não sobe mais. Sem indicação terapêutica: se as lesões já apareceram, o produto não é este.

Suscetível inclui quem já teve

Imunodepressão celular grave torna a pessoa suscetível independentemente de história anterior de varicela. 'Já teve catapora' não afasta a indicação da imunoglobulina nessa criança.

Depois: três contagens, vale a maior

Doença e droga (3 meses após QT; 6 meses após anti-célula B); vacina (FA: 6 meses em leucemias agudas e linfomas, 3 meses em tumores sólidos, 24 meses pós-TCTH); hemoderivado (Tabela 5).

O hemoderivado costuma ser o mais longo

IGHAVZ 5 meses; concentrado de hemácias 5; sangue total 6; plasma ou plaquetas 7; IGIV de reposição 8. Hemácias lavadas, 0. O parágrafo das contraindicações só registra o piso de 3 meses.

Corticoide: dose, peso e 14 dias

≥2 mg/kg/dia até 10 kg, ou ≥20 mg/dia acima disso, por ≥14 dias. Tópico, inalatório e intra-articular não contam. Vacina viva 1 mês após a suspensão — se nenhuma outra contagem estiver correndo.

Os números de antes do tratamento não coincidem entre si no mesmo manual: 2 semanas para não vivas e 4 semanas para vivas no capítulo de conceitos; 14 a 30 dias para vivas no capítulo de imunodepressão terapêutica; 15 dias para a pneumocócica polissacarídica; até 30 dias antes no quadro da febre amarela em tumores sólidos. Adote o mais longo que o caso permitir.

A revacinação pós-quimioterapia contempla duas situações distintas: repetir as inativadas aplicadas durante o tratamento e revacinar com vírus vivos as crianças sobreviventes de neoplasia hematológica.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Depois da quimioterapia, a vacina viva volta em três meses ou em seis?

Regra da classe

As vacinas de vírus vivos podem ser administradas três meses após quimioterapia, mas pelo menos seis meses após terapêutica com anticorpos anticélulas B (rituximabe). No mesmo trecho, a faixa geral é de três a seis meses do término da terapia imunodepressora.

Manual dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais, 6ª ed., 2023, seção 4.6, imunodeficiências decorrentes de imunodepressão terapêutica.

Regra da vacina e da doença

Leucemias agudas e linfoma de Hodgkin e não Hodgkin: após 6 meses da última quimioterapia ou radioterapia. Tumores sólidos: após 3 meses do final da quimioterapia e 3 meses do final da radioterapia. Transplante de células-tronco hematopoiéticas: a partir de 24 meses.

Manual dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais, 6ª ed., 2023, Quadro 6, condições de imunodepressão nas quais a vacina febre amarela pode ser considerada.

Na prova

Repare em qual vacina o enunciado nomeia e em qual é a doença de base. Se o texto fala genericamente em 'vacinas de vírus vivo' e a criança tratou um tumor sólido, a régua cobrada é a dos 3 meses. Se a vacina nomeada é a febre amarela e a doença é leucemia aguda ou linfoma, a régua é a dos 6 meses. Se apareceu rituximabe ou outro anticorpo anticélulas B, são 6 meses independentemente do resto. E se o enunciado menciona qualquer transfusão ou imunoglobulina recente, nenhuma dessas contagens responde sozinha: a da Tabela 5 costuma ser a mais longa.

Depois de imunoglobulina ou transfusão, a espera mínima é de três meses ou o que diz a tabela?

O piso do parágrafo

Administração recente de sangue, plasma ou imunoglobulina: recomenda-se intervalo mínimo de três meses entre a administração desses produtos e a vacina. O próprio item remete à Tabela 5.

Manual dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais, 6ª ed., 2023, item 18.7.1, contraindicações da vacina varicela.

A linha da tabela

Imunoglobulina humana antivaricela-zóster, 125 UI/10 kg até 625 UI: 5 meses. Concentrado de hemácias: 5 meses. Sangue total: 6. Plasma ou plaquetas: 7. Imunoglobulina intravenosa de reposição: 8. Hemácias lavadas: 0.

Manual dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais, 6ª ed., 2023, Tabela 5, doses e intervalos entre produtos com imunoglobulinas e vacinas virais vivas atenuadas injetáveis.

Na prova

O enunciado que só diz 'recebeu imunoglobulina' e pergunta o intervalo mínimo está cobrando o piso de 3 meses. O enunciado que nomeia o produto — IGHAVZ, concentrado de hemácias, plaquetas, IGIV — está cobrando a linha correspondente da tabela, e aí o número é maior. Quando os dois aparecem, a conduta é contar a partir do produto, não a partir do fim da quimioterapia.

Qual corticoide imunossuprime a criança: dois miligramas por quilo ou vinte miligramas por dia?

Edição de 2014

Doses maiores ou iguais a 2 mg/kg/dia de prednisona ou equivalente para crianças, e maiores ou iguais a 20 mg/dia para adultos, por um período maior que 14 dias, devem ser consideradas imunodepressoras.

Manual dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais, 4ª ed., 2014, capítulo sobre vacinação de imunodeprimidos.

Edição de 2023

Os corticosteroides são considerados imunossupressores em dose ≥2 mg/kg/dia de prednisona ou seu equivalente para crianças com até 10 kg de peso, ou ≥20 mg/dia por 14 dias ou mais, para crianças maiores e adultos.

Manual dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais, 6ª ed., 2023, item 4.6.1, imunodeficiência secundária a altas doses de medicação imunossupressora.

Na prova

As duas edições do mesmo manual respondem diferente, e o divisor é o peso. Se o enunciado dá peso abaixo de 10 kg, as duas redações coincidem e a dose em mg/kg decide. Se dá uma criança maior — e é o caso mais comum na prática oncológica — a redação vigente manda usar o teto absoluto de 20 mg/dia, que é mais restritivo que a conta por quilo. Em qualquer das duas, a duração de 14 dias ou mais é condição, não detalhe.

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Caso resolvido

Menino de 5 anos, em manutenção de leucemia linfoblástica aguda, com última dose de quimioterapia oral há 4 dias, é levado à unidade básica pela mãe. O irmão de 3 anos, que dorme no mesmo quarto, começou ontem à noite com exantema vesicular, e o pediatra da UPA diagnosticou varicela. A mãe conta que o paciente teve catapora leve aos 2 anos e pergunta se, por isso, não precisa de nada. Ao exame está assintomático, afebril, sem lesões cutâneas; pesa 19 kg. O hemograma da semana passada mostrava 520 linfócitos/mm³.
A história de catapora prévia não decide
A definição de suscetibilidade do manual dos CRIE tem uma segunda entrada escrita justamente para este paciente: pessoas com imunodepressão celular grave são suscetíveis independentemente de história anterior de varicela. Quimioterapia para câncer está classificada como imunodepressão de alto grau. A resposta da mãe é verdadeira e não muda a conduta.
As três condições estão preenchidas
Suscetibilidade, pela regra acima. Contato significativo, porque o contato domiciliar contínuo é definido como permanência junto com o doente por pelo menos uma hora em ambiente fechado, e os irmãos dormem no mesmo quarto. Condição especial de risco, porque a criança está imunodeprimida. Nenhuma das três dispensa as outras, e aqui as três estão presentes.
O relógio é de 96 horas, não de 120
As 120 horas são da vacina pós-exposição, indicada ao comunicante suscetível imunocompetente a partir de 9 meses em controle de surto. Este paciente não pode receber vírus vivo atenuado. A imunoglobulina humana antivaricela-zóster deve ser aplicada o mais precocemente possível e dentro de 96 horas do contato — e o exantema do irmão começou ontem.
A dose sai do peso
São 125 UI para cada 10 kg, por via intramuscular, em dose única, com mínimo de 125 UI e máximo de 625 UI. Com 19 kg, a criança fica na segunda faixa da conta. Aciclovir profilático e imunoglobulina intravenosa inespecífica não substituem o produto específico nesta indicação.
A aplicação de hoje reprograma o futuro
Anote a data: pela Tabela 5, o intervalo sugerido entre a imunoglobulina antivaricela-zóster e uma vacina viral viva injetável é de 5 meses. Quando a quimioterapia terminar, essa contagem pode ser mais longa que a do próprio tratamento, e a caderneta precisa refletir isso.
O que fica programado na saída
Registre no prontuário quais doses foram aplicadas durante o tratamento, porque elas terão de ser repetidas, e monte o plano de revacinação para a alta oncológica. Oriente a família a comunicar imediatamente qualquer febre ou lesão cutânea nas próximas três semanas, porque a imunoglobulina reduz a gravidade e não garante que a doença não ocorra.
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Agora feche você

Menina de 7 anos concluiu o tratamento de leucemia linfoblástica aguda há 3 meses e 2 semanas, está em remissão e sem corticoide há 4 meses. Na última semana de quimioterapia recebeu uma transfusão de concentrado de plaquetas por plaquetopenia sintomática. A mãe traz a caderneta: faltam o reforço da tríplice viral e a segunda dose de varicela, e a família vai se mudar para uma área com recomendação de vacina febre amarela daqui a 2 meses. A criança pesa 23 kg e está assintomática.
Diga quantas contagens estão correndo
Liste todas as contagens que este caso abre, nomeando o que dispara cada uma: a doença de base e a droga, a vacina que se pretende aplicar e o hemoderivado recebido. Diga qual delas já se encerrou.
Resolva a tríplice viral e a varicela
Diga se o prazo de 3 meses do fim da quimioterapia basta para liberar essas duas doses, e qual regra impede ou permite. Aponte de que data começa a contagem que decide.
Resolva a febre amarela
Diga qual prazo o quadro por condição clínica atribui à leucemia aguda, compare-o com o prazo da regra geral e conclua se a mudança daqui a 2 meses é compatível com a vacinação antes da viagem.
Refaça o que já foi aplicado
Explique o que fazer com as doses de vacinas não vivas que a criança recebeu durante o tratamento e justifique com a frase do manual que trata dessa situação.
Escreva o plano com datas
Monte a sequência: o que se aplica hoje, o que fica aprazado e para quando, e o que precisa ser conferido no prontuário de transfusões antes de confirmar cada data.
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Onde a banca derruba

  1. 1Aplicar a vacina varicela no comunicante em quimioterapia A janela de 120 horas existe, mas é do comunicante suscetível imunocompetente a partir de 9 meses, em controle de surto. A criança em quimioterapia não pode receber agente vivo, e para ela o produto é a imunoglobulina, em até 96 horas. Trocar um pelo outro é dar vírus vivo a quem não tem como contê-lo.
  2. 2Afastar a indicação porque a criança já teve catapora A definição de suscetibilidade do manual tem duas entradas, e a segunda diz 'pessoas com imunodepressão celular grave, independentemente de história anterior de varicela'. A história prévia afasta a indicação no imunocompetente e não afasta nada aqui. Perguntar se já teve é razoável; decidir por essa resposta, não.
  3. 3Responder três meses para toda vacina viva depois da quimioterapia Três meses é a menor das contagens e vale para a classe geral em tumores sólidos. Febre amarela em leucemia aguda ou linfoma são 6 meses; anticorpo anticélulas B são 6 meses; transplante de células-tronco são 24 meses. E qualquer hemoderivado recente reinicia a conta em outro lugar.
  4. 4Contar o intervalo a partir da última sessão de quimioterapia A criança oncológica costuma receber concentrado de hemácias e plaquetas no fim do tratamento. A Tabela 5 dá 5 meses para hemácias e 7 meses para plasma ou plaquetas, contados do produto. Quem conta do fim da quimioterapia agenda a vacina viva cedo demais e a dose se perde por interferência de anticorpo passivo.
  5. 5Considerar cumprido o esquema aplicado durante o tratamento As inativadas podem ser usadas durante a quimioterapia por necessidade epidemiológica, mas o manual manda repeti-las depois para assegurar resposta imune adequada. O cartão fica com aparência de completo e a criança fica sem proteção. A conferência é por data: dose aplicada dentro do período de tratamento entra na lista de repetição.
  6. 6Usar a imunoglobulina antivaricela como tratamento O manual registra que a IGHAVZ não tem qualquer indicação terapêutica e que seu uso tem finalidade exclusivamente profilática. Criança em quimioterapia que já está com vesículas não é caso de imunoglobulina pós-exposição — é caso de avaliação para terapia antiviral e de decisão sobre internação.
  7. 7Aplicar a régua do corticoide sem olhar o peso e os dias Na edição vigente, os 2 mg/kg/dia valem para crianças com até 10 kg; acima disso o critério é 20 mg/dia. E as duas versões exigem 14 dias ou mais de uso. Pulso curto de dexametasona como antiemético não coloca a criança na faixa de alto grau, e tópico, inalatório ou intra-articular não entram na conta.
  8. 8Tratar o exantema pós-vacinal do irmão como exposição Quando o convivente vacinado desenvolve exantema variceliforme, evita-se o contato direto enquanto durarem as lesões, mas o manual não recomenda imunoglobulina nessa circunstância, porque o risco de transmissão do vírus vacinal é considerado mínimo. Exposição ao vírus selvagem e ao vírus vacinal não são a mesma exposição.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

Criança suscetível e imunocomprometida (corticoterapia em dose imunossupressora) com exposição significativa à varicela deve receber imunoglobulina específica (VZIG) o quanto antes, idealmente até 96 horas-10 dias do contato (correta). Vacina é contraindicada em imunossuprimido (vírus atenuado). Aciclovir profilático pode ser considerado, mas a medida de escolha para imunocomprometido suscetível é a imunoglobulina. Abstenção é inadequada em paciente de risco. Penicilina não tem papel na varicela.

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Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

Escreva de memória as três colunas do quadro do paciente oncológico — antes, durante e convivente — dizendo o que entra e o que não entra em cada uma. Depois escreva os dois prazos da varicela pós-exposição, com o produto de cada um e a quem cada um se destina, e as três condições que a imunoglobulina exige ao mesmo tempo. Calcule a dose para uma criança de 24 kg e para um adolescente de 62 kg, e diga onde o teto morde. Por fim, escreva as duas entradas da definição de suscetível e explique, pelo mecanismo, por que a segunda delas existe.

em 30 dias

Volte pelos números que decidem. Antes do tratamento: 2 semanas para não vivas, 4 semanas para vivas, 14 a 30 dias no capítulo de imunodepressão terapêutica, 15 dias para a pneumocócica polissacarídica e até 30 dias no quadro da febre amarela. Depois: 3 meses da regra geral, 6 meses para febre amarela em leucemia aguda e linfoma, 6 meses após anticorpo anticélulas B, 24 meses pós-transplante de células-tronco. Da Tabela 5: 5 meses para IGHAVZ e para concentrado de hemácias, 6 para sangue total, 7 para plasma ou plaquetas, 8 para IGIV de reposição, 0 para hemácias lavadas. Do corticoide: 2 mg/kg/dia até 10 kg, 20 mg/dia acima, 14 dias de duração, 1 mês para retomada. E escreva as duas redações do corticoide, a de 2014 e a vigente, dizendo qual criança muda de lado e por quê.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Treine a conversa que este assunto cobra: a mãe da criança em quimioterapia que chega com o irmão com catapora em casa, ou com a caderneta atrasada no fim do tratamento. A estação testa se você situa a criança no tempo do tratamento antes de responder, se separa o prazo da vacina do prazo do hemoderivado e se explica sem prometer proteção que a imunoglobulina não dá. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Vacinas e profilaxia pós-exposição na criança em tratamento oncológico – Vacinar a criança em quimioterapia: três relógios e o mais longo decide — Preparatório para provas | OsceLabs