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Outras EspecialidadesOrtopedia

Lombalgia e hérnia de disco

Sinais de alerta, indicação de imagem e prioridade de encaminhamento

01

Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Homem de 55 anos é atendido na UBS com queixa de dor lombar há cinco dias, iniciada após esforço físico. A dor é mecânica, sem irradiação para membros, e ele nega febre, perda de peso, déficit neurológico, trauma significativo ou história de câncer. Exame físico sem sinais de alarme. Qual é a conduta mais adequada na Atenção Primária?

02

Como esse tema cai

A lombalgia é a dor crônica mais comum do adulto brasileiro. O PCDT da Dor Crônica registra prevalência de dor crônica em torno de 40% entre adultos no Brasil, com cerca de 10% de dor intensa e 5% de dor com limitação grave ou generalizada; num estudo em capitais brasileiras, 77% dos que referiam dor apontavam a coluna. Em 2017 a lombalgia foi a principal causa de anos perdidos por incapacidade entre adultos de 50 a 69 anos. A diretriz de sociedade acrescenta o outro lado da conta: cerca de 80% das pessoas terão alguma queixa de coluna lombar na vida, e apenas cerca de 2% evoluem com ciatalgia por transtorno degenerativo do disco, tipicamente em torno dos 35 anos e sem diferença entre os sexos.

Justamente por ser tão comum, a prova raramente pergunta o diagnóstico — a vinheta já entrega a dor lombar. O que se cobra são três decisões em cadeia: existe sinal de alerta, e ele exige atendimento hoje ou investigação em semanas? Este paciente precisa de imagem, e de qual? Para onde ele vai, e depois de quanto tempo de tratamento? As alternativas erradas quase sempre são a resposta certa de outro degrau dessa cadeia.

A régua brasileira desses três degraus é o Protocolo de Encaminhamento para Ortopedia Adulto do Ministério da Saúde com o TelessaúdeRS-UFRGS, cujo Protocolo 1 trata da dor lombar. Ele traz o que a prova gosta de cobrar: listas fechadas de sinais de alerta, destinos nominais por especialidade e prazos em números — 6 semanas, 8 semanas, 3 meses, 6 meses. Decorar esses quatro números resolve mais questões do que decorar a fisiopatologia do disco.

03

O que muda decisão

Lombalgia inespecífica: o rótulo que sobra quando não há alerta

Lombalgia é dor na região entre as últimas costelas e a prega glútea, com ou sem irradiação para o membro inferior. Na maior parte dos casos não se identifica uma lesão anatômica que explique a dor, e o quadro é chamado de inespecífico ou mecânico. Isso não é uma confissão de derrota diagnóstica: é o resultado esperado da avaliação, e o protocolo brasileiro é construído em cima dele — o paciente sem sinal de alerta fica na atenção primária, sem exame de imagem e sem especialista.

O recorte temporal importa porque é ele que aciona os prazos. O PCDT da Dor Crônica adota a definição de dor crônica como aquela superior a três meses, independentemente do grau de recorrência, da intensidade e das implicações funcionais ou psicossociais — mas recomenda que esses fatores sejam avaliados no cuidado. O protocolo de encaminhamento usa o mesmo corte de 3 meses para a dor de característica inflamatória e para a dor com suspeita de relação com o trabalho, e usa 8 semanas de dor sem resposta ao tratamento como gatilho para investigar por imagem.

O padrão da dor é o segundo eixo de classificação, e é ele que separa a ortopedia da reumatologia. Segundo o PCDT, a dor mecânica intensifica-se ao longo do dia com atividades de sobrecarga articular e melhora com repouso — é o padrão da deterioração do disco intervertebral, das lombalgias mecânicas e da dor miofascial. A dor inflamatória é mais intensa pela manhã, com rigidez matinal de uma hora ou mais que diminui durante o dia com as atividades, e volta a piorar à noite, com o repouso, podendo afetar o sono.

Para medir e acompanhar a incapacidade, e não apenas a intensidade da dor, o PCDT indica dois questionários validados: o Oswestry Disability Questionnaire, específico para lombalgia, e o Roland Morris Disability Questionnaire. Vinheta que traz um escore de incapacidade em vez de uma nota de dor está sinalizando que a pergunta é sobre função e retorno às atividades, não sobre analgesia.

Sinais de alerta: a lista que manda para hoje e a lista que manda para a imagem

O erro mais caro em prova é tratar todos os sinais de alerta como um bloco único. O Protocolo 1 tem duas listas distintas, e cada uma dispara uma conduta diferente. A primeira manda o paciente para a emergência: suspeita de compressão de cone medular ou síndrome da cauda equina; perda de força progressiva medida de maneira objetiva; dor intensa refratária ao tratamento clínico otimizado; diagnóstico de neoplasia acometendo a coluna vertebral; suspeita de infecção, especialmente em pessoas imunossuprimidas ou usuárias de drogas ilícitas endovenosas; e suspeita de fratura ou luxação associada a traumatismo recente.

A síndrome da cauda equina e a compressão de cone medular têm quadro fechado no anexo do protocolo, e são só três achados: perda de força e alteração da sensibilidade nos membros inferiores, simétrica ou assimétrica; anestesia em sela; e alteração no controle de esfíncteres vesical ou anal. Retenção urinária e perda do controle esfincteriano numa dor lombar aguda não pedem exame na unidade — pedem transporte para a emergência.

A segunda lista reúne os sinais de alerta sem indicação de avaliação emergencial, e o que ela dispara é investigação por imagem, não corrida ao pronto-socorro: sintomas que iniciaram em paciente com idade maior que 70 anos ou menor que 20 anos; história prévia ou suspeita de câncer; imunossupressão, incluindo HIV e uso crônico de corticoides ou outros imunossupressores; sinais ou sintomas sistêmicos, como perda de peso involuntária e febre; dor de característica não mecânica, ou seja, não relacionada à atividade e ao repouso, ou predominantemente noturna; diagnóstico prévio de osteoporose; e dor lombar com duração maior que 8 semanas sem resposta ao tratamento clínico otimizado.

Repare na diferença fina entre as duas listas no item câncer: história prévia ou suspeita de câncer é alerta para investigar; diagnóstico de neoplasia já acometendo a coluna vertebral é emergência. A mesma lógica vale para o déficit motor — perda de força estável não é o mesmo que perda de força progressiva medida de maneira objetiva. Vinhetas bem construídas colocam exatamente uma dessas duas palavras no enunciado.

Ciática e hérnia de disco: identificar a raiz antes de pensar em exame

A hérnia lombar nasce da degeneração do disco intervertebral, com queda do teor de água e de proteoglicanos e perda de resistência do ânulo fibroso e do núcleo pulposo. O rompimento do ânulo forma a hérnia, que pode ser contida, não contida, extrusa subligamentar ou transligamentar, e sequestrada. O que produz a lombociatalgia é a combinação do processo inflamatório com o fragmento discal adjacente à raiz nervosa.

O quadro tem assinatura clínica: dor distribuída pelo dermátomo da raiz comprometida, que piora ao sentar e após tossir, com sinal de Lasègue presente — dor irradiada reproduzida à elevação da perna estendida, com o paciente em decúbito dorsal — e, em alguns casos, paresia ou plegia do músculo correspondente ao nível neurológico. O Lasègue cruzado, em que a elevação da perna sadia reproduz a dor no lado doente, é menos sensível e mais específico para compressão radicular.

Três raízes respondem por quase toda a ciática lombar e cada uma tem um tripé próprio de motor, sensibilidade e reflexo. L4 dá alteração da extensão do joelho e da dorsiflexão do pé, hipoestesia na face medial da perna e reflexo patelar diminuído ou abolido. L5 dá fraqueza para estender o hálux, hipoestesia no dorso do pé e face lateral da perna e — este é o detalhe que a prova adora — não tem reflexo próprio, de modo que os reflexos permanecem preservados. S1 dá fraqueza de flexão plantar, com dificuldade para ficar na ponta dos pés, hipoestesia na borda lateral e na planta do pé e reflexo aquileu diminuído ou abolido.

Um achado semiológico da diretriz de sociedade costuma passar despercebido e é bom guardar: quando a dor ciática é provocada com o paciente sentado, o benefício da cirurgia sobre o tratamento conservador é maior; naqueles em que a dor não é provocada nessa posição, esse benefício não é observado.

Membro inferior direito com três faixas de dermátomo destacadas em tons distintos e, ao lado, corte de vértebra lombar com protrusão discal posterolateral tocando a raiz nervosa emergente.
As três raízes que respondem por quase toda a ciática lombar: L4 na face medial da perna, L5 na face lateral da perna, dorso do pé e hálux, e S1 na panturrilha posterior, borda lateral e planta do pé. A protrusão posterolateral do disco é a que alcança a raiz.

Mecânica ou inflamatória: o desvio que tira o paciente da ortopedia

Dor lombar crônica de característica inflamatória não é problema de ortopedista, e o protocolo diz isso com todas as letras: dor lombar crônica, com mais de 3 meses, de característica inflamatória, é encaminhamento para a reumatologia. O que está por trás é a espondiloartrite axial, que se manifesta como dor lombar num adulto jovem e é sistematicamente confundida com lombalgia mecânica por anos.

O anexo do protocolo fecha a definição com cinco critérios, dos quais é preciso ter pelo menos quatro: os primeiros sintomas começaram antes dos 40 anos; o início foi insidioso; a dor melhora com exercício; a dor não melhora com repouso; e há dor noturna, com melhora ao levantar-se. É um quadro clínico inteiro construído contra a intuição do paciente e do médico, que esperam que dor de coluna melhore deitando.

A leitura invertida também vale e cai em prova: um adulto de 30 anos com dor lombar de instalação insidiosa, rigidez pela manhã, que melhora quando ele começa a trabalhar e piora quando fica parado no fim de semana, não é candidato a ressonância de coluna nem a fisioterapia por mais seis meses — é candidato a avaliação reumatológica.

Imagem: o exame que quase nunca muda a conduta, e quando ele muda

Na lombalgia sem sinal de alerta, não se pede imagem. Isso não é economia de recurso, é acerto diagnóstico: alterações degenerativas de disco são achado corriqueiro, e o próprio protocolo brasileiro, que se chama Dor lombar e alterações em exame de imagem de coluna lombar, não tem um único critério de encaminhamento cujo gatilho seja um laudo. Todos os critérios são clínicos. Um laudo com protrusão discal não move o paciente de lugar; um déficit motor progressivo move.

Havendo sinal de alerta sem indicação de avaliação emergencial, a sequência é definida: radiografia e, se ela for normal ou inconclusiva, ressonância magnética — preferencialmente — ou tomografia computadorizada. A radiografia entra como primeiro passo porque é o exame que a atenção primária tem à mão em quase todo o país.

O protocolo ainda prevê explicitamente o que fazer quando a rede não permite fechar essa sequência: dor lombar com sinal de alerta, sem indicação de avaliação emergencial, na impossibilidade de solicitar ressonância ou tomografia na atenção primária, é encaminhamento para a medicina interna. É uma regra de exequibilidade escrita dentro da própria diretriz — e é o tipo de detalhe que distingue uma prova ambientada no SUS de uma prova ambientada num centro com acesso irrestrito a exames.

Tratamento clínico otimizado: a expressão tem definição fechada

Tratamento clínico otimizado não é uma figura de linguagem. O protocolo o define em nota de rodapé como tratamento medicamentoso, exercícios e acompanhamento fisioterápico, adaptado às condições do paciente. Todos os prazos de encaminhamento — as 6 semanas da síndrome radicular, as 8 semanas que disparam imagem, os 6 meses da dor crônica inespecífica — contam a partir desse pacote, não a partir de uma receita de analgésico.

No não medicamentoso, o PCDT da Dor Crônica sustenta programas educativos, atividade física e exercícios terapêuticos (com evidência de redução de dor e melhora de qualidade de vida frente ao cuidado usual isolado), terapia manual como opção dentro de um contexto multimodal, terapia cognitivo-comportamental — que reduz dor e incapacidade e pode facilitar o retorno ao trabalho e o desmame de opioides — e acupuntura, considerada uma opção viável, com a orientação de descontinuar se não houver melhora significativa no primeiro mês.

E o PCDT é explícito no que não sustenta: ultrassom terapêutico, ondas de choque, estimulação elétrica transcutânea, percutânea e transcraniana e corrente interferencial não são recomendados para dor crônica, por evidência limitada e resultados incertos após três meses. A laserterapia de baixa potência, apesar de algum benefício em estudos maiores, também não é recomendada, por efetividade incerta além de três meses e ausência de estudos de custo-efetividade.

No medicamentoso, a regra do PCDT para dor crônica musculoesquelética e dor lombar é curta: os AINEs, como o ibuprofeno, estão associados a melhoras modestas porém consideráveis na intensidade da dor lombar frente ao placebo, e são recomendados, pesando o risco gastrointestinal e cardiovascular. O paracetamol pode ser associado ao AINE para potencializar a analgesia, mas a associação deve ser avaliada com cautela pelo aumento do risco de sangramento gastrointestinal. Opioides como codeína, morfina e metadona devem ser usados com parcimônia na dor crônica não oncológica, porque a eficácia e a segurança do uso prolongado são incertas. E antidepressivos e anticonvulsivantes não foram superiores ao placebo para dores musculoesqueléticas e dor lombar — seu uso só se considera quando há componente de dor neuropática associado ou sensibilização segmentar.

O que existe no SUS é resultado de decisões de incorporação, e o PCDT as lista nominalmente: o Ministério da Saúde decidiu pela não incorporação, para dor crônica, do diclofenaco oral (Portaria SCTIE/MS nº 45, de 20 de julho de 2021), dos opioides fortes fentanila, oxicodona e buprenorfina (nº 46/2021), dos opioides fracos codeína e tramadol e da morfina em baixa dose (nº 59/2021), dos AINEs tópicos (nº 48/2021), da lidocaína para dor neuropática localizada (nº 50/2021), da pregabalina (nº 51/2021) e da duloxetina (nº 52/2021). O naproxeno teve uso ampliado apenas para osteoartrite de quadril e de joelho. Quando há componente neuropático, os adjuvantes com esquema descrito no PCDT são outros: amitriptilina 25 a 100 mg/dia (máximo 150 mg/dia, e 10 a 50 mg/dia no idoso, preferencialmente ao dormir), nortriptilina 25 mg três ou quatro vezes ao dia (máximo 150 mg/dia), carbamazepina a partir de 200 a 400 mg/dia (máximo 1.200 mg/dia) e gabapentina.

Destino e cirurgia: para onde vai e o que a operação entrega

O mapa de encaminhamento do Protocolo 1 tem seis destinos, e a prova costuma testar exatamente a fronteira entre eles. Ortopedia ou neurocirurgia recebem quatro situações: síndrome radicular sem melhora clínica após 6 semanas de tratamento clínico otimizado; diagnóstico de estenose de canal lombar ou suspeita clínica pela claudicação neurogênica; lombalgia de característica mecânica com diagnóstico de espondilolistese; e dor lombar crônica inespecífica sem melhora após 6 meses de tratamento otimizado, mas só na ausência de serviço especializado para tratamento de dor crônica.

Essa última condicional é o ponto cego mais comum. Havendo serviço de dor crônica na rede — fisiatria, acupuntura, equipe de tratamento da dor —, a dor lombar crônica inespecífica sem melhora após 6 meses, e sem indicação ou condição clínica para cirurgia, vai para esse serviço, e não para o ortopedista. Reumatologia fica com a dor crônica de característica inflamatória, e medicina do trabalho ou saúde do trabalhador ficam com a dor lombar crônica de mais de 3 meses com suspeita de associação com o trabalho.

Na hérnia de disco, a diretriz brasileira de sociedade é direta: o tratamento primário é conservador e a maioria dos pacientes tem alívio com ele. Para quem não obtém alívio no período de 3 a 6 semanas, a melhora dos sintomas é mais rápida com a cirurgia do que com o tratamento convencional. Cauda equina, déficit neurológico intenso ou progressivo e casos hiperálgicos sem controle com tratamento conservador devem ser considerados para cirurgia.

O que a cirurgia entrega, porém, precisa ser dito ao paciente com precisão, e é o que as vinhetas de comunicação cobram. Os operados têm alívio mais rápido da dor radicular, mas ao longo de um ano de seguimento os resultados clínicos e funcionais de operados e não operados são semelhantes. A melhora clínica e funcional dos operados não se traduz em maior número de retornos ao trabalho. E há custo: o índice de reoperação é de 6% em um ano, 8% em dois, 9% em três e 10% em quatro anos, sendo cerca de metade dessas reoperações por recidiva da hérnia no mesmo nível operado.

Sobre a técnica, a diretriz recomenda a microdiscectomia aberta, admitindo a discectomia e a discectomia endoscópica como opções — sem diferença de resultado funcional entre elas, com vantagem das técnicas endoscópicas e microcirúrgicas apenas em sangramento e tempo de internação, cuja relevância clínica a médio e longo prazo é questionada. A artrodese não tem superioridade demonstrada nesse cenário, e para a fixação dinâmica não foi identificado estudo de bom nível de evidência que defina indicações precisas.

04

Triagem da dor lombar: alerta, prazo e destino

Toda a conduta da dor lombar cabe numa sequência de três perguntas, e o protocolo brasileiro responde às três com listas fechadas. A primeira separa quem vai para a emergência hoje. A segunda separa quem precisa de imagem. A terceira diz o destino e o prazo de quem fica.

  1. 1Procure os três achados que mudam o dia de hoje: perda de força e alteração de sensibilidade nos membros inferiores, anestesia em sela e alteração do controle de esfíncteres. Qualquer um deles, com dor lombar, é encaminhamento para a emergência.
  2. 2Ainda na lista de emergência, verifique perda de força progressiva medida objetivamente, dor intensa refratária ao tratamento otimizado, neoplasia já acometendo a coluna, suspeita de infecção e suspeita de fratura ou luxação após trauma recente.
  3. 3Não havendo nada disso, passe à segunda lista: início antes dos 20 ou depois dos 70 anos, câncer prévio ou suspeito, imunossupressão, febre ou perda de peso involuntária, dor não mecânica ou noturna, osteoporose já diagnosticada, e dor com mais de 8 semanas sem resposta ao tratamento otimizado.
  4. 4Com sinal de alerta e sem indicação emergencial, o caminho é a imagem: radiografia e, se normal ou inconclusiva, ressonância — preferencialmente — ou tomografia. Onde a atenção primária não pode solicitar esses exames, o encaminhamento é para a medicina interna.
  5. 5Sem sinal de alerta, não se pede imagem: trata-se. Tratamento clínico otimizado é medicamento, exercício e acompanhamento fisioterápico adaptados ao paciente — é a partir dele que os relógios começam a correr.
  6. 6Havendo síndrome radicular, o relógio é de 6 semanas de tratamento otimizado antes de acionar a ortopedia ou a neurocirurgia.
  7. 7Na dor crônica sem raiz comprometida, separe o padrão: inflamatório por mais de 3 meses vai à reumatologia; mecânico sem melhora após 6 meses vai ao serviço de dor crônica — e à ortopedia ou neurocirurgia apenas onde esse serviço não existir. Suspeita de relação com o trabalho tem destino próprio.

Hoje, na emergência

Cauda equina ou cone medular (perda de força e alteração de sensibilidade em membros inferiores, anestesia em sela, alteração esfincteriana), perda de força progressiva objetivada, dor refratária ao tratamento otimizado, neoplasia na coluna, suspeita de infecção e suspeita de fratura ou luxação após trauma recente.

Em semanas, com imagem

Sinal de alerta sem indicação emergencial: radiografia e, se normal ou inconclusiva, ressonância (preferencialmente) ou tomografia. Se a unidade não pode solicitar esses exames, o paciente vai para a medicina interna — a própria diretriz prevê essa saída.

Em 6 semanas, se a raiz não melhorar

Síndrome radicular sem melhora clínica após 6 semanas de tratamento clínico otimizado vai para ortopedia ou neurocirurgia. A diretriz de sociedade coloca o ganho da cirurgia na faixa de 3 a 6 semanas de ciática persistente.

Em 6 meses, se a dor crônica não ceder

Dor lombar crônica inespecífica sem melhora após 6 meses de tratamento otimizado, sem indicação ou condição clínica para cirurgia, vai para o serviço de dor crônica. Só onde esse serviço não existe é que ela vai para ortopedia ou neurocirurgia.

Situação clínicaDestinoQuando
Suspeita de síndrome da cauda equina ou de compressão de cone medularEmergênciaNo mesmo dia
Perda de força progressiva medida de maneira objetivaEmergênciaNo mesmo dia
Dor intensa refratária ao tratamento clínico otimizadoEmergênciaNo mesmo dia
Neoplasia diagnosticada acometendo a coluna vertebralEmergênciaNo mesmo dia
Suspeita de infecção, sobretudo em imunossuprimido ou usuário de droga endovenosaEmergênciaNo mesmo dia
Suspeita de fratura ou luxação associada a traumatismo recenteEmergênciaNo mesmo dia
Sinal de alerta sem indicação de avaliação emergencialRadiografia e, se normal ou inconclusiva, ressonância (preferencial) ou tomografiaInvestigação ambulatorial
Sinal de alerta sem indicação emergencial, sem possibilidade de solicitar ressonância ou tomografia na APSMedicina internaInvestigação ambulatorial
Síndrome radicular sem melhora clínicaOrtopedia ou neurocirurgiaApós 6 semanas de tratamento clínico otimizado
Estenose de canal lombar diagnosticada ou suspeita clínica por claudicação neurogênicaOrtopedia ou neurocirurgiaEletivo
Lombalgia de característica mecânica com diagnóstico de espondilolisteseOrtopedia ou neurocirurgiaEletivo
Dor lombar crônica inespecífica sem melhora, sem indicação ou condição clínica para cirurgiaServiço especializado de dor crônica (fisiatria, acupuntura, equipe de dor)Após 6 meses de tratamento clínico otimizado
Dor lombar crônica inespecífica sem melhora, na ausência de serviço de dor crônicaOrtopedia ou neurocirurgiaApós 6 meses de tratamento clínico otimizado
Dor lombar crônica de característica inflamatóriaReumatologiaDor com mais de 3 meses
Dor lombar crônica com suspeita de associação com o trabalhoMedicina do trabalho ou saúde do trabalhadorDor com mais de 3 meses

Sinais de alerta que NÃO indicam emergência — são os que disparam a imagem

Sinal de alertaRecorte exato do protocolo
Idade de inícioSintomas que iniciaram em paciente com idade maior que 70 anos ou menor que 20 anos
CâncerPaciente com história prévia ou suspeita de câncer
ImunossupressãoHIV, uso crônico de corticoides ou de outros imunossupressores
Sintomas sistêmicosPerda de peso de maneira involuntária ou febre
Padrão da dorDor não relacionada à atividade e ao repouso, ou dor predominantemente noturna
Osso frágilPaciente com diagnóstico prévio de osteoporose
Tempo sem respostaDor lombar com duração maior que 8 semanas sem resposta ao tratamento clínico otimizado

Raiz comprometida na hérnia de disco lombar

RaizMotorSensibilidadeReflexo
L4Extensão do joelho e dorsiflexão do péFace medial da perna e maléolo medialPatelar diminuído ou abolido
L5Extensão do hálux e dos dedosFace lateral da perna, dorso do pé e háluxSem reflexo próprio — reflexos costumam estar preservados
S1Flexão plantar; dificuldade para ficar na ponta dos pésPanturrilha posterior, borda lateral e planta do péAquileu diminuído ou abolido

Dor lombar de característica inflamatória — pelo menos 4 dos 5 critérios

CritérioO que o paciente relata
Idade de inícioOs primeiros sintomas começaram antes dos 40 anos
InstalaçãoInício insidioso, sem evento desencadeante claro
Efeito do exercícioA dor melhora quando ele se movimenta
Efeito do repousoA dor não melhora com repouso
Dor noturnaDor à noite, com melhora ao levantar-se

Tratamento clínico otimizado tem definição fechada: tratamento medicamentoso, exercícios e acompanhamento fisioterápico, adaptado às condições do paciente. Sem esse pacote, os relógios de 6 semanas, 8 semanas e 6 meses não começaram a correr.

Nenhum critério de encaminhamento da dor lombar é 'exame de imagem alterado'. O protocolo cobre justamente dor lombar e alterações em exame de imagem de coluna lombar, e mesmo assim todos os seus gatilhos são clínicos.

O encaminhamento tem conteúdo mínimo obrigatório: características da dor, presença ou não de ciatalgia ou claudicação neurogênica, tempo de início e duração, fatores de piora e alívio; alterações no exame neurológico; sintomas constitucionais; tratamento já feito, com tipo, duração, dose, posologia e resposta; resultado e data do exame de imagem; presença de imunossupressão; motivo da suspeita de neoplasia; osteoporose prévia e como foi diagnosticada; e associação do sintoma com a atividade laboral.

Paciente com diagnóstico ou suspeita de neoplasia óssea tem preferência sobre as demais condições clínicas na fila do ortopedista, segundo o próprio protocolo.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

A partir de quando a ciática vira caso de cirurgião

Diretriz de sociedade brasileira, 2011: faixa de 3 a 6 semanas

Em pacientes com hérnia de disco confirmada por imagem e ciática com sintomas persistindo por mais de 3 a 6 semanas, a cirurgia é superior ao tratamento não operatório quanto ao alívio dos sintomas e à melhora funcional; ao longo de um ano de seguimento, porém, os resultados clínicos e funcionais de operados e não operados são semelhantes. A pergunta que o documento responde é 'quando a cirurgia passa a ser melhor', e o melhor momento para operar é explicitamente descrito como ainda não bem definido cientificamente.

SBOT, SBN, AMB e ANS — Hérnia de Disco Lombar no Adulto: Tratamento Cirúrgico, 2011

Protocolo de encaminhamento do MS/TelessaúdeRS, 2016: 6 semanas de tratamento otimizado

Encaminha à ortopedia ou à neurocirurgia a síndrome radicular sem melhora clínica após 6 semanas de tratamento clínico otimizado — e o protocolo fecha o que 'otimizado' significa: medicamento, exercícios e acompanhamento fisioterápico adaptados ao paciente. A pergunta que ele responde é outra: 'quando este paciente entra na fila do especialista, e com que prioridade'. Por regular acesso num sistema com oferta finita de especialista e de fisioterapia, o documento adota o limite superior da faixa da sociedade, e não o inferior.

TelessaúdeRS-UFRGS, SES-RS e Ministério da Saúde — Protocolos de Encaminhamento para Ortopedia Adulto, Protocolo 1, 2016

Na prova

O cenário denuncia o recorte. Enunciado ambientado em unidade básica, equipe de saúde da família, regulação ou fila do SUS está pedindo o corte do protocolo de encaminhamento — 6 semanas de tratamento otimizado. Enunciado que já traz hérnia confirmada por ressonância, ambulatório de coluna e a pergunta 'a partir de quando a cirurgia supera o tratamento conservador' está no terreno da diretriz de sociedade, cuja faixa é de 3 a 6 semanas. Alternativa que oferece '3 semanas' isolada só faz sentido no segundo mundo; alternativa que menciona 'tratamento clínico otimizado' com essas três palavras vem do primeiro.

Quem pede imagem no paciente com sinal de alerta

Protocolo brasileiro, 2016: radiografia primeiro, e medicina interna quando a ressonância não está ao alcance da atenção primária

Dor lombar com sinal de alerta e sem indicação de avaliação emergencial segue para ressonância magnética — preferencialmente — ou tomografia, se a radiografia for normal ou inconclusiva. E o protocolo escreve a saída para a rede que não fecha essa sequência: na impossibilidade de solicitar ressonância ou tomografia na atenção primária, o paciente é encaminhado à medicina interna.

TelessaúdeRS-UFRGS, SES-RS e Ministério da Saúde — Protocolos de Encaminhamento para Ortopedia Adulto, Protocolo 1, 2016

NICE NG59, 2016 (atualizada em 2020): sem imagem de rotina fora do serviço especializado

A diretriz britânica orienta não oferecer imagem de rotina em ambiente não especializado para dor lombar com ou sem ciática, e considerar imagem no serviço especializado apenas quando o resultado for capaz de mudar a conduta. Ela também estratifica o risco no primeiro contato com uma ferramenta própria, o STarT Back, para modular a intensidade do cuidado.

NICE — Low back pain and sciatica in over 16s, NG59, recomendações 1.1.2 a 1.1.6

Na prova

A diferença não é sobre o valor da imagem: os dois documentos negam imagem à lombalgia sem alerta. É diferença de arquitetura de rede — no Brasil quem segura o paciente com sinal de alerta é a própria atenção primária, e por isso o protocolo precisa dizer o que fazer sem ressonância; no modelo britânico esse paciente já foi transferido ao especialista, que decide o exame. Vocabulário como 'unidade básica', 'equipe de referência' e 'regulação' aponta para a régua brasileira; menção nominal ao NICE, ao STarT Back ou a um serviço com acesso irrestrito a exames aponta para a internacional. Distrator que oferece ressonância imediata na UBS só existe no mundo em que a ressonância está ali.

O arsenal medicamentoso disponível para a dor lombar crônica

PCDT da Dor Crônica: a lista brasileira é curta por decisão de incorporação

O PCDT preconiza apenas o que está disponível no SUS e registra nominalmente as tecnologias cuja incorporação para dor crônica foi negada pelo Ministério da Saúde: diclofenaco oral (Portaria SCTIE/MS nº 45/2021), opioides fortes — fentanila, oxicodona e buprenorfina (nº 46/2021), opioides fracos codeína e tramadol e morfina em baixa dose (nº 59/2021), AINEs tópicos (nº 48/2021), lidocaína para dor neuropática localizada (nº 50/2021), pregabalina (nº 51/2021) e duloxetina (nº 52/2021). O naproxeno ficou restrito à osteoartrite de quadril e de joelho.

BRASIL, Ministério da Saúde e CONITEC — PCDT da Dor Crônica, 2022, seção 7.2

NICE NG59: as mesmas classes seguem disponíveis, restritas por balanço clínico

A diretriz britânica considera opioide fraco na dor lombar aguda apenas se o AINE for contraindicado, não tolerado ou ineficaz; orienta não oferecer paracetamol isolado; não oferecer opioide na dor lombar crônica; e não oferecer gabapentinoide ou antiepiléptico na ciática. A restrição é de indicação e de dano esperado, com o medicamento seguindo acessível quando a indicação existir.

NICE — Low back pain and sciatica in over 16s, NG59, recomendações 1.2.16 a 1.2.30

Na prova

Nas condutas de longo prazo os dois documentos chegam quase ao mesmo lugar; o que muda é a causa — no Brasil a restrição é também econômica e de incorporação, e não apenas clínica, de modo que a droga sequer está na rede. Enunciado com 'unidade básica de saúde', 'disponível na farmácia do SUS' ou menção à RENAME coloca pregabalina, duloxetina, tramadol e diclofenaco oral fora do mundo da questão. Enunciado ambientado em serviço terciário de dor ou em saúde suplementar reabre essas classes. Vocabulário 'não incorporado pela Conitec' é assinatura de recorte brasileiro.

06

Caso resolvido

Homem de 38 anos, ajudante de depósito, procura a unidade básica com dor lombar iniciada há 5 dias, após levantar uma caixa pesada. A dor irradia pela face posterior da coxa direita até a borda lateral do pé, piora quando ele senta e quando tosse. Nega febre, perda de peso, alteração urinária ou intestinal. Sem antecedente de câncer, sem uso de corticoide. Ao exame: marcha antálgica, elevação da perna estendida à direita reproduz a dor irradiada a 40 graus, dificuldade para se manter na ponta do pé direito, reflexo aquileu direito diminuído. Força preservada nos demais grupos musculares, sensibilidade perineal normal, sem retenção urinária.
achado
O tripé está fechado em S1: fraqueza de flexão plantar (dificuldade para ficar na ponta do pé), hipoestesia na borda lateral do pé e reflexo aquileu diminuído. Lasègue positivo confirma o componente radicular.
achado
Nenhum item da lista de emergência está presente: não há anestesia em sela, alteração esfincteriana, perda de força progressiva objetivada, neoplasia na coluna, suspeita de infecção nem trauma com suspeita de fratura. O déficit é estável e monorradicular.
achado
Nenhum sinal de alerta da segunda lista também: 38 anos, sem câncer, sem imunossupressão, sem febre ou perda de peso, dor claramente mecânica (piora ao sentar e ao tossir), sem osteoporose, e apenas 5 dias de evolução.
decisão
Sem sinal de alerta, não se pede imagem. Radiografia, tomografia ou ressonância neste momento não mudariam a conduta, e um laudo de protrusão discal não é critério de encaminhamento em nenhum ponto do protocolo.
conduta
Inicia-se o tratamento clínico otimizado como o protocolo o define: medicamento, exercícios e acompanhamento fisioterápico adaptados ao paciente. No medicamentoso, AINE oral na menor dose efetiva pelo menor tempo possível, pesando risco gastrointestinal e cardiovascular. Orientação para manter-se ativo dentro da tolerância, em vez de repouso no leito.
prazo
O relógio da síndrome radicular é de 6 semanas de tratamento otimizado. Persistindo sem melhora clínica ao fim desse período, o encaminhamento é para ortopedia ou neurocirurgia, com o conteúdo mínimo obrigatório do protocolo. Piora do déficit motor, dor refratária ou qualquer achado de cauda equina antecipam tudo: aí é emergência, no mesmo dia.
conversa
Vale informar desde já o que a cirurgia entrega, se ela vier a ser indicada: alívio mais rápido da dor radicular, mas resultados clínicos e funcionais semelhantes aos do tratamento conservador ao fim de um ano, com reoperação em torno de 6% no primeiro ano.
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Agora feche você

Mulher de 74 anos comparece à unidade básica com dor lombar contínua há 4 semanas. A dor não melhora quando ela se deita e a acorda de madrugada. Relata perda de 6 kg nos últimos dois meses, sem dieta. Antecedente de carcinoma de mama tratado há seis anos, em seguimento. Nega febre, trauma, alteração do controle urinário ou intestinal e anestesia perineal. Ao exame, força e sensibilidade preservadas nos membros inferiores, reflexos simétricos, sem déficit focal. A unidade dispõe de radiografia, mas a solicitação de ressonância e de tomografia depende de regulação e não está disponível na atenção primária do município.
achado
Quatro sinais de alerta simultâneos: idade de início acima de 70 anos, história prévia de câncer, perda de peso involuntária e dor de característica não mecânica, predominantemente noturna, que não melhora com repouso.
achado
Nenhum item da lista de emergência: não há neoplasia diagnosticada acometendo a coluna, nem perda de força progressiva objetivada, nem dor refratária ao tratamento otimizado, nem suspeita de infecção ou de fratura, nem qualquer achado de cauda equina.
conduta
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Onde a banca derruba

  1. 1Pedir ressonância na lombalgia aguda sem sinal de alerta Atrai porque a imagem parece cuidado e quase sempre volta com algum achado degenerativo, o que dá a sensação de diagnóstico. O protocolo não tem um único critério de encaminhamento baseado em laudo: sem sinal de alerta, o paciente é tratado, não fotografado. E o achado inevitável costuma gerar consulta especializada e ansiedade que não mudam o desfecho.
  2. 2Tratar o laudo em vez do paciente Uma protrusão discal descrita na ressonância convive com paciente assintomático e com paciente cuja dor vem de outro lugar. Como todos os gatilhos de encaminhamento do protocolo são clínicos, quem move o paciente é o déficit radicular, a claudicação neurogênica, a espondilolistese diagnosticada em quadro mecânico — nunca a imagem sozinha.
  3. 3Tratar qualquer déficit motor como emergência A lista de emergência não diz 'déficit motor': diz perda de força progressiva medida de maneira objetiva. Um déficit monorradicular estável, como a fraqueza de flexão plantar de uma ciática S1, entra no relógio de 6 semanas. A palavra 'progressiva' no enunciado é o que muda o destino.
  4. 4Errar o corte de idade dos sinais de alerta O protocolo brasileiro usa sintomas iniciados em paciente com mais de 70 anos ou menos de 20 anos. Quem decora um corte diferente, memorizado de outra referência, marca alerta em paciente de 55 anos e deixa passar o de 19. O número da régua que está sendo cobrada é o que vale.
  5. 5Prescrever diclofenaco oral, tramadol ou pregabalina como se fossem o padrão do SUS São escolhas frequentes no consultório, mas o PCDT da Dor Crônica registra que a incorporação dessas tecnologias para dor crônica foi negada pelo Ministério da Saúde, cada uma com sua portaria de 2021. Em vinheta ambientada na atenção básica, essas alternativas estão fora do arsenal disponível.
  6. 6Mandar a dor lombar inflamatória para a ortopedia Adulto jovem, início insidioso, melhora com exercício, sem melhora com repouso e dor noturna que alivia ao levantar: quatro dos cinco critérios do quadro de dor inflamatória. Com mais de 3 meses, o destino nominal do protocolo é a reumatologia. Encaminhar ao ortopedista adia por anos o diagnóstico de espondiloartrite axial.
  7. 7Mandar a dor crônica inespecífica direto ao ortopedista aos 6 meses O critério tem uma condicional que costuma ser lida pela metade: dor lombar crônica inespecífica sem melhora após 6 meses vai para ortopedia ou neurocirurgia apenas na ausência de serviço especializado para tratamento de dor crônica. Havendo fisiatria, acupuntura ou equipe de dor na rede, e não havendo indicação nem condição clínica para cirurgia, o destino é esse serviço.
  8. 8Prometer que a cirurgia de hérnia resolve o caso de vez Os operados têm alívio mais rápido da dor radicular, mas ao fim de um ano os resultados clínicos e funcionais se igualam aos dos não operados, o retorno ao trabalho não aumenta, e a reoperação chega a 10% em quatro anos, metade por recidiva no mesmo nível. Vinhetas de comunicação cobram exatamente essa precisão.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

Lombalgia aguda mecânica sem sinais de alarme (bandeiras vermelhas: febre, perda de peso, déficit neurológico, câncer, trauma) tem excelente prognóstico e não requer imagem inicial — a conduta é analgesia, manutenção da atividade conforme tolerado e orientação sobre sinais de alarme para reavaliação. Imagem de rotina não muda conduta e gera achados incidentais/sobrediagnóstico. Repouso absoluto no leito piora o prognóstico e é contraindicado. Encaminhar ao neurocirurgião sem indicação (déficit progressivo, síndrome da cauda equina) é inadequado na primeira consulta.

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Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

Recite as duas listas de sinais de alerta separadas pelo que cada uma dispara: as seis condições de emergência e os sete alertas que levam à imagem. Depois recite os quatro números do protocolo e o que cada um significa — 6 semanas (síndrome radicular sem melhora ao especialista), 8 semanas (dor sem resposta ao tratamento otimizado dispara imagem), 3 meses (dor inflamatória à reumatologia; suspeita de relação com o trabalho à saúde do trabalhador) e 6 meses (dor crônica inespecífica ao serviço de dor). Fecha com o tripé motor-sensibilidade-reflexo de L4, L5 e S1.

em 30 dias

Refaça o mapa de destinos sem consultar: emergência, imagem, medicina interna, ortopedia ou neurocirurgia, reumatologia, serviço de dor crônica e medicina do trabalho — dizendo em voz alta o critério que leva a cada um. Em seguida, escreva a definição fechada de tratamento clínico otimizado e a condicional do serviço de dor crônica. Por fim, revise as três divergências: a faixa de 3 a 6 semanas da diretriz de sociedade contra as 6 semanas do protocolo de encaminhamento, o desvio para a medicina interna quando não há ressonância na APS, e a lista de medicamentos não incorporados ao SUS para dor crônica.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Homem de 45 anos chega à unidade básica com dor lombar intensa há dois dias, iniciada ao levantar um móvel. Refere formigamento nas duas nádegas e na face interna das coxas e diz que 'está difícil segurar a urina' desde ontem. Caminha com dificuldade. Conduza a consulta: colha a história, faça o exame neurológico dirigido e decida o destino e o tempo. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Lombalgia e hérnia de disco — Preparatório para provas | OsceLabs