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Perda auditiva no adulto: a que é emergência, a que é do trabalho e a que espera fila
Perdas auditivas do adulto e surdez súbita
Teste com diapasão, perda súbita e prioridade de encaminhamento
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Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Mulher de 39 anos com perda auditiva neurossensorial súbita à direita, com 4 dias de evolução, é atendida em serviço com fila de 8 semanas para ressonância magnética. O médico plantonista decide aguardar o resultado do exame antes de prescrever qualquer tratamento, para não medicar sem diagnóstico definido. Qual é a avaliação correta dessa decisão?
Como esse tema cai
O capítulo cobre a perda auditiva do adulto na porta de entrada: como separar condutiva de neurossensorial sem audiômetro, qual perda é emergência, o que se pede e o que não se pede, quais são as janelas de tratamento da perda súbita e para qual das quatro filas cada paciente vai. O eixo é o tempo de instalação — porque é ele, e não o grau da perda, que decide o destino.
Fica de fora o que tem dono. A vertigem periférica — vertigem posicional, neurite vestibular e doença de Ménière — é do capítulo 2 desta apostila, e aqui a tontura entra só como sinal que muda a urgência. As otites externa, média aguda e crônica, o colesteatoma e a perda condutiva que a otoscopia explica são do capítulo 5. A rolha de cerume e o corpo estranho de conduto são dos capítulos 3 e 5. A perda auditiva da criança, a triagem auditiva neonatal e a otite média com efusão da infância são das apostilas de Pediatria e de Pneumologia Pediátrica.
E fica de fora, por decisão de fronteira, a perda auditiva induzida por ruído. Ela tem capítulo próprio na apostila de Medicina do Trabalho, junto com a audiometria ocupacional comparativa, o nexo causal e a comunicação de acidente de trabalho. A divisão é simples de enunciar: o que é ocupacional é de lá; o que não é ocupacional é daqui. Ainda assim, o padrão audiométrico da perda por ruído aparece aqui — não para tratar do trabalhador, e sim porque é o desenho que mais se confunde com o da perda que é emergência, e porque um trabalhador exposto a ruído que perde audição de um lado, de uma hora para outra, não tem doença ocupacional: tem urgência otológica.
As fontes são de três funções. Um protocolo brasileiro de regulação diz para onde encaminhar e com que prioridade. Uma diretriz clínica estrangeira diz o que fazer com a perda súbita, e é dela que vêm os números e as janelas. E um guia federal de vigilância descreve a perda ocupacional, que é o desenho de contraste. O protocolo brasileiro, ao imprimir a tabela de graus, traz uma data no título do quadro e outra na linha da fonte, e deixa um decibel inteiro fora de qualquer classe.
O que muda decisão
O diapasão separa o compartimento antes do audiômetro
O protocolo brasileiro de encaminhamento começa a avaliação sem nenhum equipamento. Recomenda excluir causas reversíveis — cerume obstrutivo, infecção — e testar a audição pelo teste do sussurro: o médico se posiciona atrás do paciente, a cerca de trinta centímetros, oclui a orelha contralateral e sussurra uma informação, pedindo que ele repita. Confirmada a hipoacusia, seguem-se os testes com diapasão.
O teste de Weber coloca o diapasão vibrando na linha média, de preferência no vértice do crânio. Em audição simétrica, não há lateralização. Na perda condutiva, o som é ouvido do lado doente; na perda neurossensorial, é ouvido do lado bom. A regra parece invertida e não é: a orelha condutivamente bloqueada perde o ruído ambiente e escuta melhor a condução óssea, enquanto a orelha com cóclea doente não consegue processar o som que chega por nenhuma via.
O teste de Rinne compara condução aérea e óssea na mesma orelha: coloca-se o diapasão na mastoide até o som sumir e leva-se à frente do meato acústico. Normalmente a condução aérea vence, e o som volta a ser ouvido. A nomenclatura é a armadilha do tema: quando a condução óssea supera a aérea, o teste é chamado de negativo ou anormal, e isso significa perda condutiva; quando a aérea supera a óssea, o teste é positivo ou normal, o que ocorre na audição normal e também na perda neurossensorial.
Junte os dois e o resultado é um par que resolve a maioria dos enunciados. Rinne positivo nas duas orelhas com Weber lateralizando para a orelha que ouve bem: perda neurossensorial do lado oposto. Rinne negativo do lado da queixa com Weber lateralizando para esse mesmo lado: perda condutiva. Repare que Rinne positivo bilateral não significa audição normal — significa apenas que a via aérea vence dos dois lados, o que é compatível com uma cóclea gravemente doente.
Esse par de testes é o que transforma uma queixa vaga em decisão. Perda condutiva com otoscopia alterada tem causa na orelha externa ou média e é assunto do capítulo das otites. Perda condutiva com otoscopia normal é motivo de encaminhamento à otorrinolaringologia, depois de confirmada por audiometria, porque aponta problema na cadeia ossicular. E perda neurossensorial muda o eixo inteiro: o que passa a importar é o tempo de instalação.
Vale a nota do protocolo sobre acesso: a oferta de exames audiológicos varia conforme as pactuações regionais, e o documento orienta contato com a coordenadoria regional quando é preciso solicitar audiometria. Isso explica por que os testes com diapasão continuam sendo cobrados — em boa parte do país, eles são a única audiometria disponível na primeira consulta.
A perda que é emergência, e o que a define em números
Existe uma perda auditiva que não espera fila, e ela se reconhece pelo relógio. A perda auditiva neurossensorial súbita é definida, na diretriz que organiza o tema, como queda de pelo menos 30 decibéis em três frequências contíguas, instalada em até 72 horas. Quando nenhuma causa é identificada pela história e pelo exame, ela recebe o nome de idiopática — e é assim que chega à maior parte dos enunciados.
O quadro típico é bastante estável. Adulto de meia-idade percebe, muitas vezes ao acordar, que uma orelha ficou surda ou distorcida. Acompanham plenitude auricular e zumbido do mesmo lado. Não há otalgia, otorreia, febre nem infecção recente. A otoscopia é normal dos dois lados, e é justamente essa normalidade que faz o quadro ser subestimado: não há o que ver.
O protocolo brasileiro de encaminhamento manda esse paciente para urgência ou emergência com duas redações complementares. Uma cobre a perda auditiva aguda quando há suspeita de condição subjacente grave; a outra, mais importante para o caso idiopático, cobre a perda auditiva de início agudo sem condição subjacente identificável pela história ou pelo exame físico. Ou seja: não encontrar causa não é motivo para tranquilizar — é o próprio critério de urgência.
O mesmo documento coloca a hipoacusia súbita, depois da avaliação na emergência, entre as condições que têm preferência no encaminhamento à otorrinolaringologia, ao lado de colesteatoma e de mastoidite crônica com drenagem. E o protocolo de vertigem, no mesmo arquivo, lista a perda auditiva neurossensorial unilateral aguda sem causa óbvia entre os sinais que mandam o paciente com tontura para a emergência. O achado aparece três vezes, em três lugares, e nunca em fila eletiva.
A lista de condições graves que produzem perda auditiva aguda vale ser lida uma vez, porque ela organiza o que o exame procura: infecção aguda grave, com meningite, mastoidite e neurossífilis; trauma, incluindo traumatismo cranioencefálico, trauma de orelha média e perfuração por corpo estranho; doença neurológica aguda, com destaque para o acidente vascular; tumores; doença autoimune aguda associada a doença sistêmica descompensada; e otite externa necrosante.
Os sinais de gravidade que acompanham a perda aguda completam o roteiro: sintomas ou sinais neurológicos, vertigem de padrão central, desequilíbrio grave com dificuldade de caminhar ou de ficar em pé, e história de trauma com hemotímpano. Perda súbita com vertigem intensa e nistagmo de características centrais não é apenas surdez súbita: é suspeita de infarto no território que irriga o labirinto e o cerebelo, e muda o fluxo inteiro.
O que não se pede — e por que essa é a parte cobrada
A diretriz de perda súbita tem duas recomendações negativas, e elas costumam ser o alvo da questão. A primeira: não se pede tomografia de crânio de rotina na avaliação inicial da perda súbita presumida. A tomografia não enxerga a patologia que interessa nessa doença, expõe a radiação e atrasa o tratamento.
A segunda: não se pedem exames laboratoriais de rotina. Bateria ampla de sorologias, marcadores autoimunes e provas metabólicas solicitada sem hipótese não altera a conduta na maioria dos casos e serve, na prática, para adiar o corticoide enquanto os resultados não voltam.
O que se pede é curto. Audiometria tonal e vocal com urgência, para documentar a perda e classificá-la — é ela que confirma o caráter neurossensorial e mede a queda nas três frequências contíguas. E ressonância magnética dos condutos auditivos internos ou potencial evocado auditivo de tronco encefálico para investigar patologia retrococlear, sobretudo o schwannoma vestibular, que se manifesta em parcela pequena mas relevante dos casos de perda súbita.

Há uma ordem que o candidato precisa acertar, e ela é contraintuitiva: o tratamento começa antes da ressonância. A investigação retrococlear pode levar semanas para acontecer no sistema público, e a janela do corticoide é de duas semanas. Segurar o tratamento até a imagem ficar pronta é o erro que transforma um caso tratável em perda definitiva, e é a alternativa incorreta mais escolhida nessas questões.
Uma exceção brasileira merece registro. A lista de causas graves inclui a neurossífilis, e a sífilis é doença de alta incidência no país. Investigar sífilis, e o vírus da imunodeficiência humana, é conduta defensável quando a história ou o contexto epidemiológico sugerem — não como bateria de rotina disparada em todo paciente, mas como exame dirigido que pode revelar uma causa tratável por outro caminho.
Duas coisas mais fecham a avaliação. A imitanciometria com pesquisa do reflexo estapediano ajuda a caracterizar a orelha média e a lateralidade, e a audiometria de controle é obrigatória: a diretriz pede reavaliação ao término do tratamento e dentro de seis meses, porque a recuperação pode ser parcial e tardia, e porque a perda residual define a reabilitação.
As janelas do corticoide, e a diferença entre poder e dever
O tratamento da perda súbita se organiza em duas janelas, e a redação da diretriz distingue as duas com cuidado que a prova costuma cobrar.
A primeira janela é a do corticoide sistêmico como terapia inicial, oferecido dentro de duas semanas do início dos sintomas. A diretriz usa aí o verbo mais fraco de sua escala — os médicos podem oferecer —, e isso não é descuido: reflete evidência limitada e conflitante sobre o benefício, num quadro em que parte expressiva dos pacientes recupera espontaneamente. É uma opção, com decisão compartilhada e conversa sobre efeitos adversos.
A segunda janela é a do corticoide intratimpânico como resgate, para quem teve recuperação incompleta, entre duas e seis semanas do início. Aqui a diretriz usa um verbo mais forte: os médicos devem oferecer, ou encaminhar a quem possa oferecer. A injeção transtimpânica entrega concentração alta na orelha interna sem a exposição sistêmica, e é justamente a etapa que exige serviço especializado — daí a importância do encaminhamento com prioridade.
Guarde a assimetria, porque ela é o miolo da questão bem escrita: a terapia inicial é opção dentro de duas semanas; o resgate intratimpânico é recomendação entre duas e seis semanas. Quem decora só o número perde a diferença entre as duas frases.
O oxigênio hiperbárico aparece como possibilidade adicional, combinado ao corticoide dentro de duas semanas como terapia inicial, ou como resgate dentro de um mês do início. A revisão sistemática que reuniu os estudos encontra melhora de limiares em casos agudos, com significado clínico incerto e evidência de qualidade limitada — e a disponibilidade do recurso no país é restrita, o que o mantém fora da resposta esperada na maioria dos enunciados.
Falta a parte da conversa, que a estação prática pontua. A diretriz orienta educar o paciente sobre a história natural: parte dos casos recupera de forma espontânea, parte recupera parcialmente e parte não recupera, e o benefício do tratamento depende de começar cedo. Isso se diz sem prometer recuperação e sem apagar a urgência — as duas coisas ao mesmo tempo, que é o que torna a comunicação difícil neste tema.
A fronteira ocupacional: por que isto aqui não é perda por ruído
A perda auditiva induzida por ruído tem capítulo próprio na apostila de Medicina do Trabalho, e é lá que moram a audiometria admissional, periódica, demissional, de mudança de função e de retorno ao trabalho, o nexo causal e a notificação. O que interessa aqui é apenas o desenho, porque ele é o principal contraste da perda súbita — e porque o mesmo paciente pode circular entre os dois mundos.
O guia federal de vigilância descreve a perda por ruído como neurossensorial, decorrente de comprometimento das células ciliadas da orelha interna, e geralmente bilateral. O primeiro sinal audiométrico é o rebaixamento do limiar em 3, 4 ou 6 kHz, com a média das frequências baixas melhor que a média dessas três, e com o limiar de 8 kHz melhor que o pior limiar — é o entalhe que sobe de volta na última frequência, e é isso que dá ao gráfico a forma que se reconhece de longe. O texto do guia imprime a frequência de 500 hertz como 500 kHz nessa mesma passagem, valor que nenhum audiômetro testa.
O guia também fixa limites que a exposição isolada não ultrapassa: a exposição ao ruído, sozinha, não produz perdas maiores que 75 dB nas frequências altas nem maiores que 40 dB nas baixas. Perda além disso pede outra explicação, somada ou alternativa. E a progressão é maior nos primeiros 10 a 15 anos, tendendo a diminuir conforme os limiares pioram.
O ponto que decide a fronteira está no capítulo de tratamento do mesmo guia: a perda é irreversível, mas, uma vez cessada a exposição, não há progressão. Isso convive com a descrição inicial, que chama a doença de progressiva conforme o tempo de exposição — as duas frases dizem a mesma coisa lida com cuidado: ela avança enquanto o ruído continua, e para quando ele para. Quem lê só o adjetivo da descrição responde que a perda continua piorando depois do afastamento, e erra.
Dois vizinhos da perda por ruído completam o campo e o próprio guia manda diferenciá-los. O trauma acústico é a lesão produzida por um único evento sonoro de intensidade muito alta — explosão, disparo —, que pode ser unilateral, doer no momento e produzir perda imediata; ele quebra a regra da instalação lenta e, quando recente, entra na conversa da urgência. A mudança transitória de limiar é a piora de audição que aparece depois de uma jornada em ambiente ruidoso e regride com horas de repouso acústico; é justamente para não confundi-la com perda permanente que a audiometria ocupacional é feita depois de um intervalo sem exposição, em cabina, com equipamento calibrado. Quem examina alguém logo depois do turno pode medir uma perda que não existe amanhã.
Agora o contraste que resolve questões. A perda por ruído é bilateral, simétrica, insidiosa, de anos, com entalhe nas frequências altas e retorno parcial em 8 kHz, e não é emergência. A perda súbita é unilateral, abrupta, de horas, com queda profunda em três frequências vizinhas e sem retorno, e é emergência com janela de tratamento. O trabalhador exposto a ruído que acorda surdo de um ouvido não está apresentando doença ocupacional acelerada: está apresentando outra doença, que precisa de corticoide hoje.
A consequência administrativa também muda de lado. A perda ocupacional aciona audiometria comparativa, avaliação de nexo, comunicação de acidente de trabalho e vigilância do ambiente — tudo isso na apostila de Medicina do Trabalho. A perda súbita aciona emergência, audiometria de urgência, corticoide e encaminhamento prioritário. Confundir os dois fluxos manda o paciente certo para a fila errada.
A tabela de graus, as duas datas e o decibel sem classe
Documentada a perda, ela é graduada pela média dos limiares nas frequências de 0,5, 1, 2 e 4 kHz. O protocolo brasileiro imprime a tabela e ela é a que se usa no encaminhamento: audição normal de 0 a 25 dB; perda leve de 26 a 40; moderada de 41 a 60; severa de 61 a 80; e profunda acima de 81.
Duas coisas nessa tabela merecem o olho do candidato. A primeira é a data: o título do quadro atribui a classificação à Organização Mundial da Saúde de 2014, e a linha de fonte, logo abaixo, credita a mesma tabela a 2006. Duas datas para o mesmo quadro, no mesmo espaço de página.
A segunda é aritmética. A faixa de perda severa termina em 80 dB e a de perda profunda começa acima de 81. Uma média de 80,5 dB, ou de exatamente 81, não pertence a nenhuma das duas classes: há um decibel inteiro sem endereço entre as faixas. É um vão pequeno e real, do tipo que aparece quando um documento reproduz uma tabela de outro sem refazer as contas.
Há ainda uma divergência de geração. O relatório mundial sobre audição publicado em 2021 reorganizou os graus e baixou o limiar da normalidade: a perda leve passa a começar em 20 dB, não em 26, e o relatório define a perda incapacitante do adulto a partir de 35 dB na melhor orelha. Pela tabela do protocolo brasileiro, uma média de 22 dB é audição normal; pela classificação de 2021, é perda leve. O mesmo paciente muda de rótulo conforme o documento que a questão estiver usando.
A utilidade prática da graduação é o destino. Perda neurossensorial confirmada por audiometria em paciente motivado a usar aparelho de amplificação sonora individual vai para a reabilitação auditiva. Perda condutiva ou mista com otoscopia normal, confirmada por audiometria, vai para a otorrinolaringologia. Perda neurossensorial unilateral progressiva também vai para a otorrinolaringologia — e essa linha merece atenção, porque perda que piora só de um lado levanta a suspeita de lesão retrococlear.
No topo da escala está o implante coclear. Os critérios do protocolo pedem perda severa e profunda nas duas orelhas com desempenho em campo aberto, usando aparelho convencional, igual ou pior que 50 dB nas frequências de 500 a 4000 Hz, somados a anatomia favorável, condições clínicas, estrutura de reabilitação disponível e motivação do paciente e da família. Os critérios específicos do adulto acrescentam linguagem oral estabelecida, ausência de limite de idade e discriminação em campo aberto, sem leitura labial, pior que 50% em uso de aparelho.
As contraindicações são igualmente objetivas e explicam a lógica do dispositivo: surdez pré-lingual em adolescente ou adulto não reabilitado por método oral, agenesia coclear ou do nervo coclear bilateral, e contraindicações clínicas. O implante substitui a cóclea, não o nervo nem o córtex que aprendeu a interpretar som — por isso quem nunca desenvolveu linguagem oral não se beneficia da mesma forma.
As outras perdas, e quando pedir o exame de tronco
Fora da emergência, a maior parte das perdas do adulto é lentamente progressiva e bilateral, e a mais comum é a presbiacusia, com predomínio nas frequências agudas, dificuldade de entender fala em ambiente ruidoso e queixa que costuma chegar pela família antes de chegar pelo paciente. É o quadro que caminha para a reabilitação auditiva, e não para a investigação de urgência.
A perda condutiva com otoscopia normal em adulto jovem, em geral mulher, com piora progressiva e às vezes história familiar, aponta comprometimento da cadeia ossicular, e o protocolo a encaminha à otorrinolaringologia depois de confirmada por audiometria. É a perda que o diapasão identifica melhor que a impressão clínica: Rinne negativo do lado da queixa, Weber lateralizando para o mesmo lado, e nada de anormal à otoscopia.
A perda neurossensorial unilateral progressiva é a que exige mais atenção diagnóstica fora do cenário agudo. Assimetria persistente entre as orelhas, sobretudo com zumbido unilateral e discriminação de fala desproporcionalmente ruim para o grau de perda, levanta a suspeita de lesão retrococlear e leva à investigação por imagem ou por potencial evocado.
O potencial evocado auditivo de tronco encefálico tem indicações listadas e vale conhecê-las, porque delimitam o que o exame faz. Ele serve à mensuração objetiva da audição para fins diagnósticos e legais, incluindo simulação e dissimulação; a pacientes difíceis de avaliar pelos métodos audiológicos de rotina; à avaliação de pacientes com transtornos neurológicos ou cognitivos; ao diagnóstico diferencial da deficiência auditiva quando há baixa discriminação em testes de fala, suspeita de neuropatia auditiva ou audição flutuante; e à detecção de tumores do nervo acústico e de lesões entre o oitavo nervo e o mesencéfalo.
Duas orientações práticas fecham a seção. A primeira é sobre o conteúdo do encaminhamento, que o protocolo detalha: descrever duração e gravidade dos sintomas, presença de zumbido, plenitude auricular e vertigem, informar se já houve uso de aparelho auditivo, descrever a otoscopia e anexar o laudo da audiometria com grau e tipo da perda em cada orelha, com data. Encaminhamento sem esses dados volta.
A segunda é o hábito que salva casos: diante de qualquer queixa de perda auditiva, pergunte quando começou e em quanto tempo se instalou. Semanas ou meses colocam o paciente numa fila; horas colocam o paciente numa emergência. É a única pergunta do capítulo que muda o destino do paciente independentemente de todo o resto.
Como o enunciado entrega
Adulto que acorda com uma orelha surda, plenitude e zumbido do mesmo lado, otoscopia normal nas duas orelhas, Rinne positivo bilateral e Weber lateralizando para a orelha sadia: perda auditiva neurossensorial súbita. A pergunta seguinte é sobre a janela do corticoide ou sobre o que não pedir.
O mesmo quadro acrescido de vertigem intensa, nistagmo que não se inibe com a fixação do olhar, incapacidade de ficar em pé ou déficit neurológico: perda súbita como parte de quadro central, com suspeita de infarto no território que irriga labirinto e cerebelo. A resposta muda de otorrinolaringologia para emergência neurológica.
Trabalhador exposto a ruído por anos, com perda bilateral e simétrica, entalhe nas frequências altas e retorno parcial na frequência mais aguda, queixa de zumbido e dificuldade de conversar em ambiente ruidoso: perda induzida por ruído, com fluxo ocupacional próprio. Se o mesmo trabalhador descreve perda de um lado só, instalada em horas, o desenho não é esse, e o caso vira urgência.
Adulto jovem com perda progressiva, otoscopia normal, Rinne negativo do lado da queixa e Weber lateralizando para esse lado: perda condutiva com otoscopia normal, encaminhamento à otorrinolaringologia depois da audiometria.
Idoso com dificuldade de entender fala em ambiente ruidoso, perda bilateral e simétrica de predomínio agudo, trazido pela família: presbiacusia, com destino na reabilitação auditiva. E o mesmo idoso com perda severa a profunda bilateral que não se beneficia de aparelho, com linguagem oral estabelecida: avaliação para implante coclear, segundo critérios objetivos de desempenho em campo aberto.
Esquemas e tabelas
A sequência vale para o adulto com queixa de perda auditiva na primeira avaliação, com ou sem audiômetro disponível. A ordem manda: excluir o reversível, separar o compartimento com o diapasão, cronometrar a instalação e só então escolher a fila. O tempo de instalação vence o grau da perda em todas as decisões que seguem.
- 1Pergunte quando começou e em quanto tempo se instalou, antes de qualquer outra coisa. É a resposta que separa emergência de fila.
- 2Exclua causas reversíveis: rolha de cerume, corpo estranho e infecção ativa. Otoscopia das duas orelhas, sempre comparando.
- 3Faça o teste do sussurro por trás do paciente, a cerca de trinta centímetros, ocluindo a orelha contralateral.
- 4Confirmada a hipoacusia, aplique Weber e Rinne e escreva o resultado com a nomenclatura correta, lembrando que Rinne negativo significa perda condutiva.
- 5Procure sinais de gravidade: déficit neurológico, nistagmo de padrão central, desequilíbrio que impede ficar em pé, história de trauma com hemotímpano.
- 6Diante de perda aguda sem causa identificável, trate como urgência e solicite audiometria tonal e vocal com urgência.
- 7Não peça tomografia de crânio de rotina nem bateria laboratorial ampla na avaliação inicial da perda súbita presumida.
- 8Inicie o corticoide sistêmico dentro de duas semanas do início dos sintomas, sem aguardar a ressonância, com conversa sobre benefício incerto e efeitos adversos.
- 9Solicite ressonância dos condutos auditivos internos ou potencial evocado de tronco para investigar patologia retrococlear, em paralelo ao tratamento.
- 10Encaminhe com prioridade à otorrinolaringologia, informando que a recuperação incompleta entre duas e seis semanas indica corticoide intratimpânico de resgate.
- 11Programe audiometria de controle ao término do tratamento e dentro de seis meses, porque a perda residual define a reabilitação.
- 12Nas perdas crônicas, gradue pela média de 0,5, 1, 2 e 4 kHz e escolha a fila: otorrinolaringologia, reabilitação auditiva ou avaliação para implante.
Primeiro degrau: o que a otoscopia resolve sozinha
Cerume obstrutivo, corpo estranho e infecção são causas reversíveis e devem ser excluídos antes de tudo. Resolvida a obstrução, a queixa pode desaparecer. Otoscopia alterada com perda condutiva remete ao capítulo das otites; otoscopia normal mantém o paciente aqui.
Segundo degrau: para onde o Weber vai
Na perda condutiva o som lateraliza para a orelha doente e o Rinne é negativo desse lado. Na perda neurossensorial o som lateraliza para a orelha boa e o Rinne permanece positivo nas duas. Rinne positivo bilateral não significa audição normal.
Terceiro degrau: em quanto tempo se instalou
Queda de pelo menos trinta decibéis em três frequências contíguas dentro de setenta e duas horas define a perda súbita, que é emergência com janela de tratamento. Instalação em meses ou anos coloca o paciente em fila eletiva, e o grau da perda decide apenas para qual fila.
Quarto degrau: as duas janelas do corticoide
Corticoide sistêmico como terapia inicial dentro de duas semanas, oferecido como opção. Corticoide intratimpânico como resgate entre duas e seis semanas na recuperação incompleta, oferecido como recomendação. O tratamento começa antes de a ressonância ficar pronta.
Dois desenhos que se confundem no gráfico e não se parecem na clínica
| Item | Perda neurossensorial súbita | Perda induzida por ruído |
|---|---|---|
| Tempo de instalação | Até 72 horas, em geral percebida ao acordar | Anos de exposição, com progressão maior nos primeiros 10 a 15 |
| Lateralidade | Quase sempre unilateral | Geralmente bilateral e com padrões semelhantes nos dois lados |
| Padrão audiométrico | Queda de pelo menos 30 dB em três frequências contíguas | Rebaixamento em 3, 4 ou 6 kHz, com 8 kHz melhor que o pior limiar |
| Limites descritos | Não há teto: a perda pode ser profunda | A exposição isolada não passa de 75 dB nas altas nem de 40 dB nas baixas |
| Depois de cessada a causa | Não se aplica; o que corre é a janela de tratamento | Irreversível, mas sem progressão depois de cessada a exposição |
| Destino | Urgência, corticoide e encaminhamento prioritário | Fluxo ocupacional, na apostila de Medicina do Trabalho |
As quatro filas do protocolo, e o que manda o paciente para cada uma
| Destino | Condições que o indicam | O que precisa estar documentado |
|---|---|---|
| Urgência ou emergência | Perda aguda com suspeita de condição grave; perda de início agudo sem causa identificável pela história ou pelo exame | Tempo de instalação, otoscopia, testes com diapasão e sinais de gravidade |
| Otorrinolaringologia | Perda condutiva ou mista com otoscopia normal confirmada por audiometria; perda neurossensorial unilateral progressiva; perda associada a otite média crônica | Laudo de audiometria com grau e tipo por orelha, com data, e descrição da otoscopia |
| Reabilitação auditiva | Perda neurossensorial confirmada em paciente motivado ao aparelho; perda severa ou profunda bilateral sem resposta ao aparelho; perda condutiva ou mista com indicação de prótese | Audiometria, uso prévio de aparelho e avaliação em serviço de referência regional |
| Preferência no encaminhamento | Hipoacusia súbita, depois da avaliação na emergência, ao lado de colesteatoma e mastoidite crônica com drenagem | Registro da avaliação de emergência e do tratamento já iniciado |
A nomenclatura do teste de Rinne é contraintuitiva: negativo ou anormal significa condução óssea maior que a aérea, isto é, perda condutiva. Positivo ou normal ocorre na audição normal e também na perda neurossensorial.
O quadro de graus impresso no protocolo brasileiro traz uma data no título e outra na linha da fonte, e a faixa de perda severa termina em 80 dB enquanto a de profunda começa acima de 81, deixando um decibel sem classe.
Na perda súbita, o tratamento não espera a imagem. A investigação retrococlear corre em paralelo, porque a janela do corticoide sistêmico é de duas semanas e a fila da ressonância costuma ser maior que isso.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
A partir de 26 dB. O quadro reproduzido no protocolo brasileiro de encaminhamento classifica como audição normal a média de 0 a 25 dB nas frequências de 0,5, 1, 2 e 4 kHz, e abre a perda leve em 26 dB, com moderada de 41 a 60, severa de 61 a 80 e profunda acima de 81. O título do quadro atribui a tabela ao ano de 2014 e a linha de fonte, ao ano de 2006.
TelessaúdeRS-UFRGS. Protocolos de encaminhamento em Otorrinolaringologia Adulto, versão digital de 2023, quadro de classificação do grau da perda auditiva em adultos.
A partir de 20 dB. O relatório mundial sobre audição publicado em 2021 reorganizou os graus e deslocou o limiar de normalidade para baixo, abrindo a perda leve em 20 dB e definindo a perda incapacitante do adulto a partir de 35 dB na melhor orelha, com faixas subsequentes redesenhadas.
World Health Organization. World report on hearing. Genebra, 2021.
Na prova
As duas tabelas coexistem em documentos vivos, e o mesmo paciente com média de 22 dB é normal em uma e tem perda leve na outra. Questão de encaminhamento no sistema brasileiro usa a tabela do protocolo; questão que cite explicitamente a classificação mais recente usa a de 2021. Quando o enunciado não nomeia a régua, o grau raramente é o que decide — o que decide é o tempo de instalação e o tipo da perda. Vale ainda notar o vão entre 80 e 81 dB na tabela do protocolo, que não pertence a nenhuma classe.
É opção, não recomendação. A diretriz enuncia que os médicos podem oferecer corticoide como terapia inicial dentro de duas semanas do início dos sintomas, usando deliberadamente o verbo mais fraco da escala, o que reflete evidência limitada e conflitante e a recuperação espontânea de parte expressiva dos casos.
Clinical Practice Guideline: Sudden Hearing Loss (Update), 2019, declaração sobre corticoide como terapia inicial.
É conduta a oferecer sem demora. A mesma diretriz recomenda, com verbo mais forte, oferecer ou encaminhar para corticoide intratimpânico quando a recuperação for incompleta entre duas e seis semanas do início, e o protocolo brasileiro classifica a perda aguda sem causa identificável como encaminhamento para urgência ou emergência. As duas janelas só existem para quem foi tratado cedo.
Clinical Practice Guideline: Sudden Hearing Loss (Update), 2019, declaração sobre corticoide intratimpânico de resgate; e TelessaúdeRS-UFRGS, Protocolo 6, condições que indicam encaminhamento para urgência ou emergência.
Na prova
A distinção entre poder oferecer e dever oferecer é o miolo da questão bem escrita, e ela separa a terapia inicial do resgate. Em conduta, a resposta esperada é iniciar o corticoide sistêmico dentro de duas semanas e encaminhar com prioridade, informando que a recuperação incompleta entre duas e seis semanas indica a via intratimpânica. Alternativa que mande aguardar a ressonância para começar o tratamento é a errada mais escolhida, porque a fila do exame costuma ser maior que a janela.
Não pedir de rotina. A diretriz enuncia que os médicos não devem obter exames laboratoriais de rotina em pacientes com perda neurossensorial súbita, porque a bateria ampla raramente altera a conduta e, na prática, adia o tratamento enquanto os resultados não voltam.
Clinical Practice Guideline: Sudden Hearing Loss (Update), 2019, declaração contra exames laboratoriais de rotina.
Investigar o que é grave e prevalente. O protocolo brasileiro lista, entre as causas de perda auditiva aguda por condições graves, a infecção aguda grave com neurossífilis, além de doença autoimune aguda associada a doença sistêmica descompensada — de modo que o exame dirigido, escolhido pela história e pelo contexto epidemiológico, tem papel diferente da bateria disparada em todos.
TelessaúdeRS-UFRGS. Protocolos de encaminhamento em Otorrinolaringologia Adulto, versão digital de 2023, quadro de perda auditiva aguda em adultos por condições graves.
Na prova
As duas posições convivem porque a palavra que as separa é rotina. A resposta esperada em questão de conduta é não solicitar bateria laboratorial ampla e não solicitar tomografia de crânio de rotina, iniciando o tratamento e investigando o compartimento retrococlear. Investigação dirigida de sífilis ou de causa autoimune permanece defensável quando o enunciado planta o contexto — e é isso que distingue o exame escolhido do exame automático.
Caso resolvido
- primeiro, use o diapasão para nomear o tipo de perda
- Rinne positivo nas duas orelhas com Weber lateralizando para a orelha esquerda, que é a que ouve bem, define perda neurossensorial à direita. Se fosse condutiva, o Rinne seria negativo do lado da queixa e o Weber lateralizaria para esse mesmo lado. A otoscopia normal já havia afastado obstrução e otite.
- segundo, cronometre e reconheça a definição
- Instalação em poucas horas, percebida ao acordar, com 36 horas de evolução: está dentro das 72 horas que definem a perda súbita. O que falta é a audiometria documentando queda de pelo menos 30 dB em três frequências contíguas — exame a solicitar com urgência, e não em fila.
- terceiro, procure o que tornaria o caso ainda mais grave
- Ausência de nistagmo espontâneo, impulso cefálico sem sacada de correção, sem déficit neurológico, sem trauma e sem hemotímpano afastam os sinais de gravidade que apontariam evento central ou condição subjacente grave. O episódio isolado de instabilidade, sem recorrência e sem vertigem rotatória, não muda o fluxo.
- quarto, decida o que não pedir
- Nada de tomografia de crânio de rotina e nada de bateria laboratorial ampla. A investigação do compartimento retrococlear se faz por ressonância dos condutos auditivos internos ou por potencial evocado de tronco, e ela corre em paralelo ao tratamento. Sorologia dirigida para sífilis é defensável pelo contexto epidemiológico brasileiro, não como rotina automática.
- quinto, comece o tratamento ainda neste atendimento
- Corticoide sistêmico em curso curto, dentro da janela de duas semanas, oferecido como opção e conversado quanto a benefício incerto e efeitos adversos. Não se aguarda a ressonância: a fila do exame é maior que a janela, e a perda de prazo é irreversível.
- sexto, deixe o próximo passo marcado antes de ela sair
- Encaminhamento com prioridade à otorrinolaringologia, avisando que a recuperação incompleta entre duas e seis semanas indica corticoide intratimpânico de resgate, e audiometria de controle ao término do tratamento e dentro de seis meses. Sobre o prognóstico: parte recupera espontaneamente, parte recupera em parte e parte não recupera — dito sem prometer e sem minimizar.
Agora feche você
- Passo 1
- Interprete a audiometria ocupacional: nomeie o padrão, diga quais três elementos do laudo o caracterizam e a qual capítulo pertence o seguimento desse achado.
- Passo 2
- Explique por que o quadro instalado há dois dias não pode ser lido como piora da perda ocupacional, citando a afirmação do guia federal sobre progressão depois de cessada a exposição e as três características que separam os dois desenhos.
- Passo 3
- Use os testes com diapasão para nomear o tipo da perda nova e diga qual seria o resultado esperado se ela fosse condutiva.
- Passo 4
- Defina a conduta imediata, listando o exame a solicitar com urgência, os dois exames que não se pedem de rotina e a janela de tratamento que já está correndo.
- Passo 5
- Organize os dois destinos deste paciente, dizendo o que vai para o fluxo ocupacional e o que vai para o fluxo otológico, e o que deve constar do encaminhamento.
Onde a banca derruba
- 1Traduzir Rinne negativo como perda neurossensorial A nomenclatura é o contrário do que a intuição sugere. Rinne negativo, ou anormal, significa condução óssea maior que a aérea, isto é, perda condutiva. Rinne positivo, ou normal, ocorre na audição normal e também na perda neurossensorial, porque nela a via aérea continua vencendo a óssea.
- 2Ler Rinne positivo bilateral como audição normal O teste compara duas vias na mesma orelha, e não duas orelhas entre si. Uma cóclea gravemente doente mantém a via aérea melhor que a óssea, de modo que o resultado permanece positivo. Quem precisa da comparação entre lados é o Weber, e quem quantifica é a audiometria.
- 3Tranquilizar o paciente porque não se achou causa O protocolo brasileiro lista a perda auditiva de início agudo sem condição subjacente identificável pela história ou pelo exame entre as indicações de encaminhamento para urgência ou emergência. A ausência de causa não é sinal de benignidade — é o próprio critério que define a urgência.
- 4Aguardar a ressonância para iniciar o corticoide A janela da terapia inicial é de duas semanas do início dos sintomas, e a fila da imagem costuma ser maior. A investigação retrococlear corre em paralelo, não antes. Segurar o tratamento até o exame ficar pronto é o erro que transforma perda tratável em perda definitiva.
- 5Pedir tomografia de crânio na avaliação inicial A diretriz enuncia que não se deve solicitar tomografia de crânio de rotina na avaliação inicial da perda súbita presumida: ela não enxerga o que interessa, expõe a radiação e atrasa a conduta. A investigação do compartimento retrococlear se faz por ressonância dos condutos auditivos internos ou por potencial evocado de tronco.
- 6Disparar bateria laboratorial ampla em todo paciente Exames de rotina não estão indicados e servem, na prática, para adiar o corticoide. Isso não proíbe exame dirigido: sífilis e doença autoimune constam da lista de causas graves, e a escolha se justifica pela história e pelo contexto. O que se recusa é a bateria automática.
- 7Confundir opção com recomendação nas duas janelas A terapia inicial com corticoide sistêmico dentro de duas semanas é enunciada como opção, com decisão compartilhada. O corticoide intratimpânico de resgate, entre duas e seis semanas na recuperação incompleta, é enunciado como recomendação. Decorar apenas os números perde a diferença que a questão cobra.
- 8Chamar de perda ocupacional a queda unilateral e abrupta A perda por ruído é neurossensorial, geralmente bilateral, com entalhe em 3, 4 ou 6 kHz e retorno parcial em 8 kHz, e se instala em anos. Trabalhador exposto a ruído que acorda surdo de um lado tem outra doença, com janela de tratamento correndo — e mandá-lo para a audiometria ocupacional perde o prazo.
- 9Afirmar que a perda por ruído continua progredindo após o afastamento O guia federal descreve a doença como progressiva conforme o tempo de exposição e, no capítulo de tratamento, afirma que a perda é irreversível mas que, cessada a exposição, não há progressão. As duas frases dizem a mesma coisa: ela avança enquanto o ruído continua e para quando ele para.
- 10Ignorar a vertigem intensa que acompanha a perda súbita Perda auditiva aguda com nistagmo que não se inibe com a fixação do olhar, desequilíbrio que impede ficar em pé ou déficit neurológico não é apenas surdez súbita: entra no rol de perda aguda por condição grave, com suspeita de evento vascular no território que irriga labirinto e cerebelo, e muda o fluxo para emergência neurológica.
- 11Indicar implante coclear pelo grau da perda apenas Os critérios pedem perda severa e profunda bilateral com desempenho em campo aberto usando aparelho convencional igual ou pior que 50 dB entre 500 e 4000 Hz, além de anatomia favorável, condições de reabilitação e motivação. Surdez pré-lingual em adulto não reabilitado por método oral e agenesia coclear ou do nervo bilateral são contraindicações.
- 12Encaminhar sem o laudo da audiometria O protocolo exige, no conteúdo mínimo do encaminhamento, duração e gravidade dos sintomas, presença de zumbido, plenitude e vertigem, descrição da otoscopia e o laudo da audiometria com grau e tipo de perda em cada orelha, com data. Encaminhamento incompleto volta e o paciente perde a vez na fila.
A terapia inicial com corticoide sistêmico é oferecida dentro de duas semanas do início dos sintomas, e a investigação de patologia retrococlear por ressonância ou por potencial evocado de tronco ocorre em paralelo, não antes. Com fila de oito semanas, aguardar o exame significa perder a janela inteira e transformar perda tratável em perda definitiva. O corticoide não mascara nem retarda o diagnóstico de lesão retrococlear, que continua sendo investigada. Reduzir o problema ao tamanho da fila ignora que a ordem correta independe dela: o tratamento precede a imagem em qualquer cenário. E o corticoide intratimpânico tem lugar definido como resgate, entre duas e seis semanas, diante de recuperação incompleta, não como primeira medida.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Mulher de 55 anos chega ao pronto-socorro com perda auditiva à direita instalada em poucas horas, acompanhada de vertigem intensa contínua, incapacidade de permanecer em pé sem apoio e nistagmo vertical que não se inibe com a fixação do olhar. A otoscopia é normal. Qual é a conduta prioritária?
Nistagmo vertical que não se inibe com a fixação do olhar, desequilíbrio que impede permanecer em pé e perda auditiva aguda compõem o rol de sinais de gravidade que apontam origem central, e a associação de surdez com síndrome vestibular aguda de padrão central levanta a suspeita de evento isquêmico no território que irriga labirinto e cerebelo — o caso muda de fluxo e vai para avaliação neurológica imediata. Tratar como perda súbita idiopática ignora que a idiopática exige ausência de condição subjacente identificável. Doença de Ménière cursa com crises recorrentes de duração limitada e nistagmo de padrão periférico. Neurite vestibular não produz perda auditiva. E a vertigem posicional é desencadeada por mudança de posição, dura segundos e não cursa com hipoacusia.
Homem de 51 anos comparece ao pronto-atendimento por perda auditiva à esquerda instalada em cerca de 12 horas, com zumbido e plenitude, sem otalgia, febre ou trauma. A otoscopia é normal e não há sinais neurológicos, nistagmo ou desequilíbrio. O médico afirma que, por não ter encontrado causa aparente, o caso pode ser acompanhado com retorno ambulatorial em 30 dias. Como avaliar essa conduta?
O protocolo brasileiro de encaminhamento lista duas situações de urgência ou emergência na avaliação da hipoacusia: perda auditiva aguda com suspeita de condição subjacente grave e perda auditiva de início agudo sem condição subjacente identificável pela história ou pelo exame físico. A ausência de causa, portanto, não tranquiliza — ela é o próprio critério. Tratar o quadro como benigno consome a janela de duas semanas do corticoide sistêmico. Solicitar audiometria para 30 dias mantém o mesmo problema, pois o exame precisa ser de urgência. A tomografia de crânio de rotina é justamente o que a diretriz recomenda não pedir na avaliação inicial. E a vertigem intensa agrava o caso e sugere causa central, mas sua ausência não retira a urgência.
Homem de 62 anos com perda auditiva neurossensorial bilateral de grau severo a profundo, com linguagem oral estabelecida desde a infância, usa aparelhos de amplificação há três anos. A avaliação em campo aberto com os aparelhos mostra limiares piores que 50 dB entre 500 e 4000 Hz e discriminação de fala sem leitura labial de 30%. Não há agenesia coclear ou do nervo coclear e não há contraindicação clínica. Qual é a conduta?
Os critérios de indicação exigem perda severa e profunda nas duas orelhas com desempenho em campo aberto usando aparelhos convencionais igual ou pior que 50 dB entre 500 e 4000 Hz, além de anatomia favorável, condições clínicas e de reabilitação e motivação — e os critérios específicos do adulto pedem linguagem oral estabelecida, discriminação em campo aberto sem leitura labial pior que 50% em uso de aparelho e, explicitamente, ausência de limite de idade. Todos os itens descritos estão preenchidos. A idade não contraindica. A prótese ancorada no osso destina-se a perdas condutivas ou mistas, não a esta situação. Discriminação de 30% é pior que 50%, portanto dentro do critério, e não acima dele. E o uso prévio de aparelhos sem benefício suficiente é justamente parte do caminho que leva à avaliação, não uma contraindicação.
Mulher de 34 anos apresenta hipoacusia progressiva à esquerda há três anos, sem otalgia, otorreia ou vertigem. A otoscopia é rigorosamente normal nas duas orelhas. Ao teste de Rinne, a condução óssea supera a aérea à esquerda; ao Weber, o som lateraliza para a esquerda. Qual é o tipo de perda e o destino indicado pelo protocolo de encaminhamento?
Condução óssea maior que a aérea configura Rinne negativo, ou anormal, que significa perda condutiva; e na perda condutiva o Weber lateraliza para a orelha doente, o que é exatamente o descrito. Com otoscopia rigorosamente normal, a causa está na cadeia ossicular, e o protocolo indica encaminhamento à otorrinolaringologia para perda condutiva ou mista com otoscopia normal confirmada por audiometria. Não é neurossensorial, cujo padrão seria Rinne positivo com Weber para a orelha sadia, de modo que nem a reabilitação auditiva nem a urgência se aplicam. A remoção de cerume não cabe diante de otoscopia normal. E não há elemento que sustente queixa funcional, já que os testes com diapasão mostram alteração objetiva e concordante.
Homem de 47 anos com perda auditiva neurossensorial súbita à esquerda recebeu corticoide sistêmico iniciado no terceiro dia de sintomas. Retorna na quarta semana com audiometria de controle mostrando recuperação apenas parcial dos limiares, mantendo prejuízo importante da discriminação de fala desse lado. Qual é a conduta indicada neste momento?
A diretriz recomenda oferecer, ou encaminhar a quem possa oferecer, corticoide intratimpânico quando a recuperação é incompleta entre duas e seis semanas do início dos sintomas — a quarta semana está exatamente dentro dessa janela, e essa é uma recomendação, não apenas uma opção. Repetir curso sistêmico prolongado não é a estratégia prevista para o resgate e acrescenta efeitos adversos. Suspender tudo e apenas reavaliar abandona a janela terapêutica ainda aberta, embora a audiometria de controle em até seis meses continue indicada. O implante coclear tem critérios objetivos que exigem perda severa e profunda bilateral sem resposta a aparelho, o que não corresponde a perda unilateral com recuperação parcial. E o oxigênio hiperbárico aparece como possibilidade combinada, com evidência de qualidade limitada, não como superior ao corticoide.
Mulher de 44 anos acorda com a orelha direita abafada, plenitude auricular e zumbido agudo do mesmo lado, há 30 horas. Nega otalgia, otorreia, febre, trauma e infecção recente. A otoscopia é normal nas duas orelhas. Ao teste de Rinne, a condução aérea supera a óssea nas duas orelhas; ao teste de Weber, o som lateraliza para a esquerda. Qual é a conclusão sobre o tipo e o lado da perda?
O teste de Rinne compara duas vias na mesma orelha: quando a condução aérea supera a óssea, ele é chamado de positivo ou normal, resultado que ocorre tanto na audição normal quanto na perda neurossensorial. O teste de Weber é o que compara os lados: na perda neurossensorial o som é ouvido melhor pela orelha sadia, e na condutiva pela orelha doente. Rinne positivo dos dois lados com Weber lateralizando para a esquerda, em paciente que se queixa da direita, define perda neurossensorial à direita. Fosse condutiva à direita, o Weber lateralizaria para a direita e o Rinne seria negativo desse lado. Não há elementos de perda à esquerda, que é justamente a orelha que ouve bem. E Rinne positivo bilateral não exclui perda: uma cóclea gravemente doente mantém a via aérea melhor que a óssea.
Homem de 36 anos, operador de máquinas em ambiente ruidoso há 9 anos, procura a unidade básica relatando que há 24 horas, ao acordar, percebeu perda auditiva importante apenas na orelha direita, com zumbido novo e sensação de ouvido cheio. A otoscopia é normal. A audiometria realizada no mesmo dia mostra, à direita, limiares aéreos e ósseos sobrepostos em 65 dB, com queda de 40 dB em quatro frequências contíguas; à esquerda, limiares em 15 dB em todas as frequências. Qual é a conduta?
A perda induzida por ruído é neurossensorial, geralmente bilateral e simétrica, instala-se em anos e produz rebaixamento em 3, 4 ou 6 kHz com o limiar de 8 kHz melhor que o pior limiar. O exame descrito mostra o oposto: acometimento de uma orelha só, com queda profunda em frequências contíguas e a outra orelha íntegra, instalado em 24 horas — o que preenche a definição de perda neurossensorial súbita, com limiares aéreos e ósseos sobrepostos confirmando o caráter neurossensorial. A conduta é corticoide dentro da janela de duas semanas e encaminhamento prioritário. Mandar ao serviço ocupacional, orientar afastamento do ruído, marcar reavaliação em 60 dias ou apenas indicar protetor auditivo tratam o caso como doença do trabalho e consomem a janela terapêutica de uma urgência otológica.
Durante a avaliação inicial de um paciente com perda auditiva neurossensorial súbita idiopática de 5 dias, sem sinais neurológicos e sem trauma, o residente propõe a seguinte investigação: tomografia de crânio sem contraste, hemograma, provas inflamatórias, painel autoimune completo e perfil lipídico. Segundo a diretriz que organiza o tema, qual crítica se aplica?
A diretriz traz duas declarações negativas explícitas: não solicitar tomografia de crânio de rotina na avaliação inicial da perda súbita presumida e não obter exames laboratoriais de rotina nesses pacientes. A tomografia não visualiza a estrutura de interesse e atrasa a conduta, e a bateria ampla raramente muda o tratamento. O que se recomenda é audiometria com urgência e investigação de patologia retrococlear por ressonância dos condutos auditivos internos ou por potencial evocado auditivo de tronco encefálico. Substituir por tomografia de temporais com contraste mantém o exame errado para o compartimento em questão. Punção lombar não integra a avaliação inicial sem suspeita de meningite. E acrescentar contraste à tomografia não corrige a inadequação do método para essa pergunta.
Homem de 41 anos, soldador há 14 anos em ambiente ruidoso, traz audiometria periódica com perda neurossensorial bilateral e simétrica, rebaixamento em 4 kHz nas duas orelhas e limiar de 8 kHz melhor que o de 4 kHz, com médias de 0,5, 1 e 2 kHz preservadas. Está assintomático além de zumbido leve e refere que foi transferido para setor sem ruído há dois anos. Ele pergunta se a audição vai continuar piorando. Qual é a resposta correta?
O guia federal de vigilância descreve a perda induzida por ruído como neurossensorial, geralmente bilateral e irreversível, e afirma no capítulo de tratamento que, uma vez cessada a exposição, não há progressão da perda auditiva. A doença avança enquanto o ruído continua e para quando ele para, o que resolve a aparente contradição com o adjetivo progressiva usado na descrição geral. Afirmar progressão após o afastamento contraria o texto e é o erro mais comum de leitura. Não há reversão dos limiares: não existe tratamento que os recupere, e a conduta é reabilitação com amplificação sonora quando indicada. A progressão isolada em frequências baixas não corresponde ao padrão descrito. E o padrão relatado — entalhe em 4 kHz com 8 kHz melhor e frequências baixas preservadas — é exatamente o característico da exposição ao ruído.
Um serviço utiliza a tabela de graus de perda auditiva reproduzida no protocolo brasileiro de encaminhamento, baseada na média dos limiares em 0,5, 1, 2 e 4 kHz. Um paciente tem média de 22 dB na melhor orelha. Outro documento internacional, publicado em 2021, classifica o mesmo resultado de forma diferente. Qual é a leitura correta dessa situação?
A tabela reproduzida no protocolo brasileiro considera audição normal a média de 0 a 25 dB e abre a perda leve em 26 dB, de modo que 22 dB é audição normal por essa régua. O relatório mundial sobre audição de 2021 reorganizou os graus e deslocou o limiar de normalidade para baixo, abrindo a perda leve em 20 dB, e por essa régua o mesmo valor já é perda leve. As duas não coincidem, e é justamente esse deslocamento que importa. A leitura invertida contraria as duas tabelas. A classificação de 2021 trata também do adulto, inclusive definindo a perda incapacitante a partir de 35 dB na melhor orelha. E nenhuma delas inicia a graduação em 30 dB, valor que pertence à definição audiométrica da perda súbita, assunto distinto.
Qual é o exame de escolha para o diagnóstico do schwannoma vestibular?
A ressonância com contraste e cortes finos identifica lesões de poucos milímetros no conduto auditivo interno, que passam despercebidas em tomografia, sendo o exame de referência para esse diagnóstico. A tomografia é o distrator natural por estar mais disponível, mas tem sensibilidade insuficiente para tumores pequenos. Os potenciais evocados auditivos de tronco encefálico têm papel complementar, com sensibilidade limitada em lesões pequenas.
Homem de 48 anos relata perda auditiva progressiva no ouvido direito há dois anos, com zumbido contínuo do mesmo lado e sensação de desequilíbrio ao caminhar, sem crises de vertigem rotatória. A audiometria mostra perda neurossensorial unilateral com discriminação vocal desproporcionalmente ruim. Qual a hipótese principal?
Perda auditiva neurossensorial unilateral progressiva com zumbido ipsilateral, desequilíbrio em vez de vertigem rotatória e discriminação vocal desproporcionalmente ruim é o padrão retrococlear do schwannoma vestibular, e a ressonância com contraste e cortes finos nos condutos auditivos internos é o exame de escolha. Ménière cursa com crises de vertigem de vinte minutos a horas e perda auditiva flutuante em baixas frequências, sendo o distrator mais próximo. Otosclerose produz perda condutiva, não neurossensorial.
Homem de 44 anos apresenta perda auditiva neurossensorial unilateral instalada em menos de 24 horas, sem trauma e sem infeccao evidente, com zumbido e discreto desequilibrio. Qual a conduta?
A surdez subita neurossensorial e urgencia otologica: o corticoide iniciado nos primeiros dias, por via sistemica ou intratimpanica, aumenta a chance de recuperacao auditiva, e a investigacao inclui audiometria e ressonancia para afastar lesao retrococlear. Aguardar semanas engana porque parte dos casos se recupera espontaneamente e a espera parece razoavel, mas essa aposta desperdica a janela em que o tratamento faz diferenca. Antivertiginoso trata o sintoma acessorio, antibiotico nao tem indicacao sem infeccao e prescrever aparelho auditivo antes de investigar ignora a causa.
Homem de 55 anos apresenta hipoacusia unilateral progressiva a direita ha 2 anos, com zumbido ipsilateral e discreto desequilibrio, sem crises de vertigem rotatoria. Audiometria confirma perda neurossensorial assimetrica. Qual a conduta?
Hipoacusia neurossensorial assimetrica e progressiva com zumbido unilateral obriga a investigacao de lesao retrococlear, sobretudo schwannoma vestibular, com ressonancia magnetica com contraste do angulo pontocerebelar. Assumir presbiacusia engana porque a perda auditiva relacionada a idade e extremamente comum nessa faixa etaria e o encaminhamento para aparelho parece resolver a queixa, mas a presbiacusia e simetrica e bilateral - a assimetria e justamente o sinal de alerta. Manobras de reposicionamento, dieta hipossodica e supressores vestibulares tratam outras condicoes.
Paciente com hipoacusia à direita apresenta teste de Weber lateralizando para a orelha direita e teste de Rinne com condução óssea maior que a aérea à direita. Qual a interpretação?
Na perda condutiva, o Weber lateraliza para a orelha doente, porque o ruído ambiente mascarado deixa o som conduzido pelo osso mais audível daquele lado, e o Rinne se torna negativo, com a condução óssea superando a aérea. Interpretar a lateralização para o lado sintomático como perda neurossensorial daquele lado é o erro mais frequente, já que na neurossensorial ocorre exatamente o oposto: o Weber foge da orelha doente e o Rinne permanece positivo. Os dois testes só têm valor quando lidos em conjunto.
Em um paciente com perda auditiva neurossensorial unilateral à esquerda, o que se espera dos testes com diapasão?
Na perda neurossensorial, a orelha comprometida percebe pior o som por qualquer via, de modo que o Weber lateraliza para a orelha melhor, no caso a direita, enquanto o Rinne permanece positivo dos dois lados, pois a relação fisiológica entre condução aérea e óssea se mantém. A opção que lateraliza o Weber para a orelha doente com Rinne negativo descreve perda condutiva e é o distrator clássico, sustentado pela intuição enganosa de que o som deve ser mais bem percebido no lado sadio em toda situação.
Homem de 74 anos refere que ouve as pessoas falarem, mas não entende as palavras, sobretudo em ambientes ruidosos como restaurantes. Audiometria com perda neurossensorial bilateral e simétrica, mais acentuada nas frequências agudas. Qual o diagnóstico?
Perda neurossensorial bilateral, simétrica, com predomínio em frequências agudas e queixa desproporcional de dificuldade de discriminação em ambiente ruidoso, é o retrato da presbiacusia, em que a degeneração coclear e o processamento auditivo central se somam. A perda induzida por ruído é o distrator mais próximo, pois também é neurossensorial e bilateral, mas produz entalhe em 4.000 Hz com recuperação em 8.000, e exige história ocupacional. Ménière cursa com vertigem episódica e perda flutuante em graves, e otosclerose gera perda condutiva.
Na audiometria tonal, qual achado caracteriza objetivamente uma perda auditiva condutiva?
A perda condutiva se define pela dissociação entre as vias: a cóclea funciona, então a via óssea está normal, enquanto o som que atravessa conduto, membrana e ossículos chega atenuado, rebaixando a via aérea e criando o gap aéreo-ósseo. Limiares igualmente rebaixados sem gap descrevem perda neurossensorial, e é o distrator que atrai quem memoriza apenas que os limiares estão alterados. Via óssea pior que a aérea não é fisiologicamente possível e traduz erro de exame, e curva timpanométrica normal com reflexos presentes sugere orelha média íntegra.
Mulher de 32 anos com hipoacusia progressiva bilateral iniciada na gestação, que refere ouvir melhor em ambientes ruidosos. Otoscopia normal, audiometria com perda condutiva e queda da condução óssea em 2.000 Hz. Qual o diagnóstico?
Perda condutiva progressiva em mulher jovem, com piora na gestação, otoscopia normal e entalhe de Carhart, que é a queda artefatual da condução óssea em 2.000 Hz, compõe o quadro clássico de otosclerose por fixação do estribo na janela oval. O relato de ouvir melhor no ruído é a paracusia de Willis, achado quase específico. Otite média com efusão é o distrator anatômico natural para perda condutiva, mas alteraria a otoscopia com membrana opaca ou nível hidroaéreo e não teria o padrão progressivo hormônio-dependente.
Qual das condições abaixo é causa de hipoacusia potencialmente reversível com tratamento simples no consultório?
A impactação de cerume é causa condutiva, frequente e imediatamente reversível com remoção, e por isso a otoscopia precede qualquer investigação sofisticada em queixa de hipoacusia. Otite média com efusão e corpo estranho também entram nessa categoria de causas mecânicas reversíveis. As demais opções descrevem perdas neurossensoriais estabelecidas, decorrentes de morte celular ou lesão da via, cujo manejo é de reabilitação e amplificação, e não de reversão, o que torna a presbiacusia inicial um distrator tentador para quem confunde leve com reversível.
Sobre a conduta em paciente com perda auditiva súbita que não recuperou audição após corticoterapia sistêmica adequada e resgate intratimpânico, qual é a orientação correta?
Esgotadas as opções de resgate, o cuidado se desloca para a reabilitação: aparelho de amplificação quando há audição residual útil e dispositivos que roteiam o som do lado surdo para a orelha contralateral nas perdas unilaterais profundas, além de orientação sobre proteção da orelha remanescente. Encerrar o caso sem oferecer reabilitação é o erro que a questão cobra, pois confunde irreversibilidade da lesão com ausência de tratamento possível para a incapacidade que ela produz.
Qual das medidas abaixo NÃO tem indicação estabelecida no tratamento da perda auditiva neurossensorial súbita idiopática?
A perda súbita idiopática não é doença bacteriana, e o antibiótico sistêmico de rotina não altera desfecho, apenas expõe a efeitos adversos, ainda que seja prescrito com frequência por hábito. As demais medidas compõem o cuidado adequado: corticoide precoce, resgate intratimpânico na falha, audiometrias seriadas para documentar a resposta e ressonância para excluir schwannoma vestibular. Reconhecer o que não fazer é tão avaliado em prova quanto reconhecer a conduta correta.
Homem de 52 anos, operador de máquinas há 25 anos, procura atendimento por hipoacusia bilateral de instalação lenta e progressiva, com zumbido. Qual característica torna improvável o diagnóstico de perda auditiva súbita e favorece a hipótese ocupacional?
O eixo temporal é o que separa as duas entidades: a perda induzida por ruído se instala ao longo de anos, é bilateral e simétrica, com entalhe em 4.000 Hz, enquanto a perda súbita se define pela instalação em até 72 horas e é tipicamente unilateral. O zumbido acompanha ambas e não discrimina, sendo esse o distrator que atrai quem valoriza o sintoma mais chamativo em vez da história natural. Vertigem não é obrigatória na perda súbita, embora quando presente indique pior prognóstico.
Qual orientação deve ser dada aos familiares para melhorar a comunicação com um idoso com presbiacusia?
A presbiacusia compromete sobretudo as frequências agudas, que carregam as consoantes, de modo que gritar aumenta a intensidade sem melhorar a inteligibilidade e ainda distorce o som, além de constranger. As estratégias eficazes são falar de frente, com o rosto iluminado para permitir leitura labial, em ritmo pausado, reduzindo o ruído de fundo e reformulando a frase com outras palavras quando não houver compreensão, em vez de repetir a mesma construção em volume crescente.
Homem de 79 anos com presbiacusia moderada bilateral recusa o uso de aparelho auditivo. A família relata que ele se isolou, deixou de participar de conversas e apresenta esquecimentos. Qual a orientação correta quanto à relevância do tratamento?
A perda auditiva não tratada é hoje reconhecida como um dos fatores de risco modificáveis mais relevantes para declínio cognitivo, além de se associar a isolamento, depressão e perda de autonomia, e a reabilitação auditiva integra o cuidado do idoso. Tratar a presbiacusia como envelhecimento inevitável sem consequências é o erro mais difundido e o que mais atrasa a amplificação. Aguardar diagnóstico de demência para reabilitar inverte a ordem, pois a perda auditiva também prejudica o desempenho nos próprios testes cognitivos.
Paciente diabético com controle glicêmico difícil apresenta perda auditiva súbita e há preocupação com o uso de corticoide sistêmico. Qual alternativa terapêutica pode ser considerada?
A aplicação intratimpânica entrega o corticoide diretamente à janela redonda, alcançando concentrações elevadas na orelha interna com exposição sistêmica desprezível, o que a torna opção de escolha em diabéticos descompensados e em outras contraindicações ao uso oral, além de servir como terapia de resgate na falha do tratamento sistêmico. Vasodilatadores, antivirais e expansores plasmáticos não têm eficácia demonstrada, embora sejam prescritos por tradição, e a recuperação espontânea ocorre em parte, mas não em todos os casos.
Quais fatores estão associados a pior prognóstico de recuperação auditiva na perda súbita?
Perda profunda ao diagnóstico, vertigem concomitante, que sugere acometimento também do labirinto posterior, idade avançada e demora para iniciar o corticoide são os preditores consistentes de pior recuperação. Comprometimento isolado de frequências graves em paciente jovem, ao contrário, associa-se a melhor prognóstico, o que torna essa opção uma inversão do fator prognóstico e um distrator eficaz para quem memoriza a lista sem atentar para a direção da associação.
Idoso de 76 anos com perda auditiva neurossensorial severa bilateral obtém benefício insuficiente com aparelhos de amplificação bem adaptados, mantendo reconhecimento de fala muito baixo. Qual a conduta?
O implante coclear está indicado quando a perda severa a profunda não é adequadamente reabilitada com amplificação convencional, e a idade avançada por si só não é contraindicação, havendo bons resultados funcionais e impacto sobre isolamento e cognição em idosos. Aumentar o ganho além do limite útil apenas produz distorção e desconforto, sem melhorar o reconhecimento de fala. Timpanoplastia trata perda condutiva por lesão timpânica, situação diversa, e corticoide não tem papel na presbiacusia estabelecida.
Homem de 48 anos acorda com hipoacusia importante à direita e zumbido, sem otalgia. Otoscopia normal bilateralmente. Weber lateraliza para a esquerda e Rinne é positivo em ambas as orelhas. Qual a conduta imediata?
Otoscopia normal com Weber lateralizando para a orelha melhor e Rinne positivo bilateralmente indica perda neurossensorial no lado sintomático: trata-se de perda súbita, emergência em que o benefício do corticoide depende da precocidade, sendo maior nas primeiras duas semanas. Prescrever descongestionante e reavaliar em um mês é a conduta mais comum na prática e a que desperdiça a janela terapêutica. Não há indicação de antibiótico nem de imagem de seios da face nesse cenário.
Qual exame de imagem deve ser solicitado em todo paciente com perda auditiva neurossensorial súbita idiopática, ainda que haja recuperação após o tratamento?
Uma fração pequena mas relevante das perdas súbitas, em geral entre 2% e 5%, decorre de schwannoma vestibular, e a ressonância do ângulo pontocerebelar com contraste é o exame que o identifica; a recuperação auditiva após corticoide não exclui a lesão, motivo pelo qual a investigação é recomendada mesmo nos casos que respondem bem. Considerar a boa resposta terapêutica como dispensa da imagem é o erro que a questão cobra, e é justamente o raciocínio que deixa o tumor sem diagnóstico por anos.
Paciente com queixa de hipoacusia súbita é atendido em unidade sem audiômetro disponível no momento. Qual a conduta mais adequada?
A otoscopia afasta as causas condutivas mais comuns, como rolha de cerume, corpo estranho e efusão, e os diapasões caracterizam o tipo de perda à beira do leito, permitindo iniciar o corticoide sem esperar o exame formal, já que o benefício depende da precocidade. Aguardar semanas pela audiometria é o erro que custa a audição. Prescrever corticoide sem otoscopia também é inadequado, pois trata sem excluir causas mecânicas que se resolveriam com uma simples remoção de cerume.
Qual é a definição audiométrica da perda auditiva neurossensorial súbita?
A definição clássica exige queda de no mínimo 30 dB em três frequências consecutivas, com instalação em até 72 horas, e é o que caracteriza a emergência otológica que justifica corticoterapia imediata. Aceitar apenas o relato do paciente é o erro que a questão cobra, porque uma rolha de cerume ou uma otite média com efusão também produzem hipoacusia percebida como súbita, mas são condutivas e têm manejo completamente distinto: a otoscopia e a audiometria precoces são o que separam esses cenários.
Paciente apresenta perda auditiva neurossensorial súbita BILATERAL e simultânea. Qual a implicação dessa apresentação?
A perda súbita idiopática é caracteristicamente unilateral, de modo que a apresentação bilateral e simultânea é bandeira vermelha para causa sistêmica: doença autoimune da orelha interna, vasculites, meningite bacteriana, sífilis e ototóxicos entram na investigação, que se amplia com sorologias, autoanticorpos e avaliação reumatológica. Tratar a bilateralidade como variação banal do quadro idiopático é o erro que a questão cobra, pois deixa de buscar uma doença de base tratável.
Idoso encaminhado por suspeita de demência apresenta, na avaliação inicial, dificuldade para compreender comandos verbais. A otoscopia revela rolha de cerume obstruindo ambos os condutos. Qual a conduta?
A impactação de cerume é causa comum, reversível e frequentemente negligenciada de hipoacusia no idoso, e produz erro sistemático nos testes cognitivos, que dependem de comandos verbais bem compreendidos: remover e reavaliar precede qualquer conclusão. Prosseguir e concluir o diagnóstico é o erro que produz rótulos de demência a partir de um problema de conduto auditivo. Adaptar aparelho sobre a rolha também é inadequado, pois a amplificação não vence a obstrução mecânica.
Paciente com zumbido crônico unilateral à direita e audiometria mostrando perda neurossensorial assimétrica, pior à direita. Qual exame deve ser solicitado?
Zumbido unilateral associado a perda auditiva assimétrica é o principal sinal de alarme na avaliação do zumbido, e a ressonância do ângulo pontocerebelar com contraste é o exame indicado para excluir schwannoma vestibular e outras lesões retrococleares. Zumbido bilateral e simétrico, com audiometria compatível com presbiacusia ou perda por ruído, não exige imagem, e essa distinção é o que evita tanto exames desnecessários quanto tumores diagnosticados tardiamente.
Homem de 49 anos com desequilíbrio progressivo, zumbido unilateral à esquerda e hipoacusia assimétrica documentada em audiometria, com pior discriminação de fala à esquerda do que o esperado pelos limiares tonais. Qual a conduta?
Hipoacusia assimétrica com discriminação de fala desproporcionalmente ruim, zumbido unilateral e desequilíbrio progressivo formam a tríade que levanta suspeita de schwannoma vestibular, e a ressonância do ângulo pontocerebelar com contraste é o exame que confirma. Tratar como Ménière é o distrator mais tentador porque a doença também cursa com zumbido, hipoacusia e desequilíbrio, mas nela a perda é flutuante, predomina em graves e as crises de vertigem são bem delimitadas no tempo.
Qual achado diferencia a hipoacusia condutiva da neurossensorial no teste de Rinne e Weber?
Na perda condutiva o som conduzido pelo osso supera o conduzido pelo ar no ouvido afetado, tornando o Rinne negativo, e o Weber se desloca para o lado doente porque o ruído ambiente não compete; na perda neurossensorial, a via aérea permanece melhor que a óssea e o Weber vai para o ouvido que ouve. Inverter a lateralização do Weber é o erro mais comum, e o teste avalia justamente a condução óssea comparada entre os dois lados.
Homem de 60 anos com hipoacusia neurossensorial unilateral progressiva, zumbido ipsilateral e desequilíbrio leve, sem crises vertiginosas típicas. Qual investigação é indicada?
Hipoacusia neurossensorial assimétrica e progressiva com zumbido unilateral obriga a excluir tumor do ângulo pontocerebelar, e a ressonância com contraste é o exame indicado. Atribuir à presbiacusia é o erro que faz perder o diagnóstico, porque a perda relacionada à idade é bilateral e simétrica — a assimetria é justamente o sinal de alarme. Manobra de reposicionamento, dieta e antibiótico tratam condições que não correspondem ao quadro descrito.
Homem de 70 anos queixa-se de redução da audição à direita há dois meses, com sensação de ouvido tampado, sem dor, otorreia, vertigem ou zumbido pulsátil. Na otoscopia, o conduto auditivo externo direito está totalmente ocluído por cerume endurecido, impedindo a visualização da membrana timpânica. Sem história de perfuração timpânica ou cirurgia otológica. Qual é a conduta inicial adequada?
Rolha de cerume obstrutiva é causa comum e reversível de hipoacusia, e a remoção na própria unidade, após amolecimento e sem contraindicações otoscópicas, resolve o quadro e permite reavaliar a audição. Audiometria antes da desobstrução mede uma perda condutiva artificial. Encaminhar todos os casos ao especialista congestiona a rede sem necessidade. Corticoide sistêmico se aplica à perda auditiva neurossensorial súbita, com membrana e conduto normais, situação distinta.
Mulher de 45 anos procura a Unidade de Pronto Atendimento porque acordou há 36 horas sem ouvir do lado direito, acompanhada de zumbido e sensação de plenitude aural. Nega trauma, otalgia, otorreia, febre e uso de medicações ototóxicas. Não houve vertigem rotatória nem cefaleia. À otoscopia, conduto e membranas timpânicas normais bilateralmente. No teste de Weber, o som lateraliza para a esquerda; o Rinne é positivo à direita. Exame neurológico sem déficits focais. A conduta imediata mais adequada é:
Perda auditiva unilateral de instalação abrupta, com otoscopia normal e padrão neurossensorial nas provas de diapasão (Weber lateralizado para a orelha sadia e Rinne positivo no lado afetado), define surdez súbita, uma urgência otológica. O corticoide sistêmico precoce, idealmente nas primeiras duas semanas e quanto antes melhor, é o tratamento com maior chance de recuperação, associado a encaminhamento urgente para audiometria. Betaistina com retorno em trinta dias desperdiça a janela terapêutica. Lavagem otológica não se aplica, pois o conduto está livre e a perda não é condutiva. A ressonância é necessária para investigar schwannoma vestibular, mas depois e nunca em substituição ao corticoide imediato.
Homem de 74 anos é trazido pela filha à Unidade Básica de Saúde porque tem dificuldade de acompanhar conversas, sobretudo em ambientes ruidosos como o almoço de família. A queixa evoluiu de forma lenta nos últimos anos e é simétrica. Nega otalgia, otorreia, zumbido incapacitante ou vertigem. Trabalhou como bancário, sem exposição a ruído ocupacional. À otoscopia, condutos livres e membranas timpânicas normais. Weber sem lateralização e Rinne positivo bilateral. Vem se isolando das atividades sociais. A conduta adequada é:
Perda auditiva bilateral, simétrica e progressiva no idoso, com otoscopia normal e provas de diapasão indicando padrão neurossensorial, caracteriza presbiacusia. A conduta é documentar com audiometria e encaminhar para reabilitação auditiva, incluindo a concessão de aparelho de amplificação sonora individual pelo SUS, medida que reduz isolamento social e risco de declínio cognitivo. Vitaminas e vasodilatadores não têm eficácia demonstrada. Considerar a perda irreversível e apenas orientar a família nega ao idoso uma reabilitação disponível e efetiva. Timpanoplastia corrige perdas condutivas por lesão da membrana ou cadeia ossicular, o que as provas de diapasão afastam.
Mulher de 62 anos comparece à Unidade Básica de Saúde com sensação de ouvido tampado à direita e queda da audição iniciadas após o banho, há três dias. Nega dor intensa, febre, otorreia, trauma, vertigem ou cirurgia otológica prévia. Usa aparelho auditivo do lado esquerdo. Ao exame, o conduto auditivo externo direito está totalmente ocluído por massa de cerume endurecida, sem hiperemia ou secreção; a membrana timpânica não é visualizada. À esquerda, otoscopia normal. Weber lateraliza para a direita. A conduta apropriada nesse serviço é:
Trata-se de rolha de cerume impactada, com perda condutiva confirmada pela lateralização do Weber para o lado obstruído. A remoção é procedimento próprio da atenção primária: amolecer com ceruminolítico e irrigar com água em temperatura corporal, desde que não haja perfuração timpânica, cirurgia otológica prévia ou otite externa ativa, que estão ausentes. Encaminhar ao especialista sobrecarrega a rede e contraria a resolutividade esperada da APS. Aminoglicosídeo tópico não é ceruminolítico e é arriscado quando não se visualiza a membrana. Antibiótico e analgésico não removem o cerume nem tratam um quadro que não é infeccioso.
Mulher de 33 anos consulta na Unidade Básica de Saúde por perda auditiva progressiva bilateral iniciada há três anos e agravada após a segunda gestação. Refere que ouve melhor em ambientes ruidosos e apresenta zumbido de baixa intensidade. A mãe usa aparelho auditivo desde jovem. Nega otalgia, otorreia, vertigem e exposição a ruído. À otoscopia, condutos livres e membranas timpânicas normais, sem perfurações. Weber lateraliza para a orelha com pior audição e Rinne é negativo bilateralmente. A hipótese diagnóstica mais provável é:
Perda condutiva bilateral progressiva em mulher jovem, com piora na gestação, história familiar, paracusia de Willis (ouvir melhor no ruído) e otoscopia normal é o quadro clássico de otosclerose, por fixação da platina do estribo. Presbiacusia é neurossensorial, de início tardio, e não produz Rinne negativo. Otite média com efusão daria membranas opacas e imóveis com nível hidroaéreo, incompatíveis com a otoscopia normal descrita. Schwannoma vestibular causa perda neurossensorial assimétrica e é excepcional na forma bilateral, restrita à neurofibromatose tipo 2.
Homem de 70 anos comparece à Unidade Básica de Saúde acompanhado da esposa, que relata que ele tem pedido para repetir frases, aumenta muito o volume da televisão e evita reuniões familiares por não acompanhar as conversas. Ele minimiza a queixa. Trabalhou 30 anos em marcenaria sem proteção auricular. Ao exame: otoscopia com membranas timpânicas íntegras e sem cerume obstrutivo, sem otorreia. Sem vertigem ou zumbido pulsátil. Rastreio cognitivo sem alterações relevantes. A conduta mais adequada é:
Hipoacusia bilateral progressiva no idoso, com história ocupacional de ruído e otoscopia normal, indica avaliação audiológica formal, pois a perda auditiva não tratada associa-se a isolamento social, depressão e declínio cognitivo, e a amplificação melhora funcionalidade e qualidade de vida. Naturalizar a perda como envelhecimento nega ao paciente uma intervenção efetiva. Corticoide sistêmico é indicado na perda auditiva neurossensorial súbita, quadro de instalação abrupta e geralmente unilateral, distinto do descrito. Tomografia de ossos temporais não é exame inicial e se reserva a suspeitas específicas, como assimetria importante ou massa retrococlear.
Homem de 82 anos é levado à Unidade Básica de Saúde pela filha, que relata que ele está confuso nas conversas, responde fora de contexto e vem se afastando da convivência familiar. Ela suspeita de demência. Ao exame, o paciente compreende bem quando o examinador fala próximo e devagar, com boa articulação, e realiza corretamente tarefas cognitivas apresentadas por escrito. A otoscopia mostra condutos livres e a avaliação sugere perda auditiva neurossensorial bilateral. Não há déficits neurológicos focais. A conduta correta é:
A privação sensorial auditiva pode simular declínio cognitivo, provocar isolamento e, quando não corrigida, é fator de risco modificável para demência; o desempenho preservado com estímulos escritos e com fala próxima aponta que o problema é sensorial. A conduta é encaminhar para avaliação audiológica e reabilitação, com reavaliação cognitiva depois. Firmar diagnóstico de demência nesse cenário rotula erroneamente o paciente. Considerar o quadro irreversível nega uma reabilitação disponível. Neuroimagem antes de corrigir a causa sensorial evidente inverte a ordem lógica da investigação.
Mulher de 50 anos comparece à Unidade Básica de Saúde com queixa de zumbido contínuo no ouvido esquerdo há seis meses, associado a perda auditiva progressiva do mesmo lado e episódios de desequilíbrio. Nega otorreia, otalgia, trauma ou exposição a ruído intenso. Ao exame: otoscopia normal bilateralmente, teste de Weber lateralizando para a orelha direita, Rinne positivo bilateralmente, sem nistagmo espontâneo, exame neurológico sem outros déficits, sem paralisia facial. A conduta mais adequada é:
Zumbido unilateral com perda auditiva assimétrica de padrão neurossensorial e desequilíbrio é sinal de alarme que exige audiometria e avaliação especializada, pela possibilidade de lesão retrococlear, como schwannoma vestibular, cujo diagnóstico precoce muda a conduta. Apenas tranquilizar deixa de investigar um achado assimétrico relevante. Vasodilatador não tem eficácia demonstrada e adia o diagnóstico por um ano. Lavagem dos condutos não se justifica com otoscopia normal e não explicaria perda neurossensorial com Weber lateralizado para o lado sadio.
Homem de 84 anos comparece à Unidade Básica de Saúde acompanhado do filho. Durante a consulta, responde de forma inadequada a várias perguntas, pede repetição frequente e fala em volume elevado; o filho passa a responder por ele em todas as questões. Ao exame, há rolha de cerume bilateral obstruindo os condutos auditivos externos, sem otorreia ou dor. O rastreio cognitivo prévio, realizado há dois meses, foi normal e não há déficits neurológicos focais. Qual é a conduta mais adequada?
A perda auditiva por obstrução do conduto é causa frequente e reversível de respostas inadequadas no idoso e pode ser confundida com declínio cognitivo; a conduta é remover a cerume, comunicar-se diretamente com o paciente, de frente, em ritmo pausado, preservando sua autonomia. Rotular o quadro como demência sem corrigir a barreira sensorial gera diagnóstico equivocado. Conduzir a consulta apenas com o acompanhante retira do idoso o protagonismo sobre sua saúde. Indicar amplificação sem avaliar a causa da hipoacusia inverte a ordem da investigação.
Um homem de 78 anos comparece à unidade básica de saúde acompanhado da filha, que relata que ele aumenta muito o volume da televisão, pede repetição frequente das frases e vem se isolando das conversas em família. Ele atribui a dificuldade à idade e nega zumbido ou vertigem. A otoscopia mostra canais auditivos livres, sem cerume impactado ou alteração timpânica. Ele mora sozinho, deixou de atender ao telefone e a filha relata que ele não escuta a campainha nem alarmes domésticos, com piora nos últimos dois anos. Qual é a conduta mais adequada?
Queixa de dificuldade auditiva com repercussão funcional e isolamento social em idoso exige triagem e encaminhamento para avaliação audiológica, pois a perda auditiva não tratada associa-se a isolamento, depressão e declínio cognitivo, e a reabilitação melhora desfechos. Naturalizar como envelhecimento inevitável perpetua a incapacidade. Ginkgo e vitaminas não têm eficácia comprovada para presbiacusia. Indicação cirúrgica depende de diagnóstico audiológico e etiológico prévio, inexistente nesse momento.
Homem de 47 anos procura a Unidade Básica de Saúde por perda auditiva progressiva no ouvido direito há dois anos, com zumbido contínuo do mesmo lado e desequilíbrio leve ao caminhar no escuro. Nega otorreia, otalgia, trauma acústico e exposição ocupacional a ruído. Ao exame otoscópico: membranas timpânicas normais bilateralmente. O teste de Weber lateraliza para a esquerda e o Rinne é positivo bilateralmente. Há discreta hipoestesia de córnea à direita ao teste do reflexo corneano. Qual é a conduta adequada?
Perda auditiva neurossensorial assimétrica e progressiva, com zumbido unilateral, desequilíbrio e hipoestesia corneana ipsilateral, sugere lesão do ângulo pontocerebelar, sendo o schwannoma vestibular a causa mais comum, investigado com audiometria e ressonância com contraste. Rolha de cerume causaria perda condutiva, com Rinne negativo e otoscopia alterada. A perda induzida por ruído é bilateral, simétrica e relacionada a exposição, ausente aqui. A otite média serosa é condutiva e visível à otoscopia, o que não corresponde ao exame descrito.
Mulher, 58 anos, hipertensa, é atendida na UBS com queixa de zumbido e perda auditiva progressiva à direita há 8 meses, associada a desequilíbrio leve. Nega otorreia, otalgia ou vertigem rotatória. Exame: otoscopia normal bilateralmente; teste de Weber lateraliza para a esquerda; Rinne positivo bilateralmente. Reflexo corneano preservado, sem paresia facial. Audiometria: perda neurossensorial assimétrica, pior à direita, com discriminação vocal desproporcionalmente ruim. Qual a conduta correta?
Perda auditiva neurossensorial assimétrica e progressiva com zumbido unilateral e discriminação vocal desproporcionalmente ruim é sinal de alerta para lesão retrococlear, sendo a ressonância magnética do ângulo pontocerebelar o exame indicado para investigar schwannoma vestibular. Betaistina com reavaliação em um ano trata sintoma e atrasa a investigação de uma lesão progressiva. A surdez súbita é definida por perda instalada em até 72 horas, incompatível com evolução de 8 meses. Lavagem de cerume não se justifica com otoscopia normal e Rinne positivo, que já excluem componente condutivo. Encaminhar apenas para aparelho auditivo reabilita a função sem investigar a causa, o que pode retardar o diagnóstico de um tumor com repercussões neurológicas futuras.
Mulher de 48 anos procura atendimento por perda auditiva à direita, instalada em poucas horas ao acordar há 2 dias, acompanhada de zumbido e sensação de plenitude aural. Nega otalgia, otorreia, trauma, vertigem rotatória ou infecção recente. À otoscopia, os condutos e as membranas timpânicas estão normais. Weber lateraliza para a esquerda e Rinne é positivo bilateralmente. A audiometria mostra perda neurossensorial de 45 dB em três frequências contíguas à direita. Qual a conduta inicial mais adequada?
A corticoterapia sistêmica precoce associada à investigação por ressonância magnética é o tratamento da surdez súbita idiopática, definida por perda neurossensorial maior que 30 dB em três frequências contíguas instalada em até 72 horas, exatamente os 45 dB desta paciente, com Weber lateralizando para a orelha sadia e Rinne positivo. A antibioticoterapia com amoxicilina trataria otite média aguda, e a otoscopia é normal. O aciclovir isolado não tem benefício comprovado sem vesículas ou zóster ótico e desperdiça a janela terapêutica. A betaistina com manobra de reposicionamento serve à vertigem posicional, ausente no caso. A observação por três meses perde a janela de resposta ao corticoide, que se estreita após duas semanas.
Mulher de 34 anos relata hipoacusia bilateral progressiva há 5 anos, pior à esquerda, com piora durante duas gestações. Refere que ouve melhor em ambientes ruidosos e apresenta zumbido contínuo de baixa frequência. A mãe usa aparelho auditivo desde os 40 anos. À otoscopia, as membranas timpânicas são normais e móveis. Weber lateraliza para a esquerda e Rinne é negativo bilateralmente. A audiometria mostra gap aéreo-ósseo de 35 dB com entalhe em 2.000 Hz na via óssea, e timpanometria tipo A com reflexos estapedianos ausentes. Qual a principal hipótese diagnóstica?
A otosclerose com fixação da platina do estribo explica o conjunto: mulher jovem, hipoacusia condutiva progressiva agravada pela gestação, história familiar, paracusia de Willis, otoscopia normal, timpanometria tipo A com reflexos estapedianos ausentes e entalhe de Carhart em 2.000 Hz na via óssea. A otite média com efusão daria curva timpanométrica tipo B e membranas opacas e imóveis, o oposto do descrito. A disjunção ossicular produz gap condutivo, porém com timpanometria hipercomplacente e antecedente traumático, ausente aqui. A doença de Ménière causa perda neurossensorial flutuante em baixas frequências com vertigem episódica, e não gap aéreo-ósseo. A presbiacusia é neurossensorial, de predomínio em altas frequências, e não se instala aos 34 anos com padrão condutivo.
Homem de 55 anos comparece ao ambulatório por hipoacusia à direita percebida há 6 meses, sem otalgia ou otorreia. À otoscopia, o conduto direito está totalmente ocupado por cerume impactado, e a orelha esquerda é normal. Realiza-se avaliação com diapasão de 512 Hz: o Weber lateraliza para a orelha direita e o Rinne é negativo à direita e positivo à esquerda. Assinale a alternativa que interpreta corretamente esses achados.
A combinação de Weber lateralizando para a orelha pior e Rinne negativo desse mesmo lado define perda condutiva à direita, que aqui tem causa evidente no cerume impactado: com a condução aérea bloqueada, a via óssea supera a aérea e o som do diapasão migra para a orelha obstruída. A leitura como perda neurossensorial à direita inverte a regra, pois nesse caso o Weber lateralizaria para a esquerda e o Rinne permaneceria positivo. A hipótese de perda neurossensorial à esquerda contraria tanto a lateralização quanto a otoscopia, que mostra a esquerda normal. A perda mista bilateral com predomínio à esquerda não se sustenta, já que o Rinne é positivo à esquerda. Afirmar audição normal ignora o Rinne negativo à direita.
Homem de 45 anos refere hipoacusia lentamente progressiva à direita há 2 anos, com zumbido contínuo ipsilateral e dificuldade desproporcional para entender palavras ao telefone. Nega vertigem rotatória, otalgia ou otorreia. À otoscopia, as membranas timpânicas são normais. A audiometria mostra perda neurossensorial assimétrica, com queda de 40 dB à direita e 10 dB à esquerda; a discriminação vocal é de 40% à direita e 100% à esquerda. Reflexos estapedianos ausentes à direita. Qual o exame indicado para elucidação diagnóstica?
A ressonância magnética com gadolínio focada no ângulo pontocerebelar é o exame de escolha, pois a hipoacusia neurossensorial assimétrica com discriminação vocal desproporcionalmente ruim e reflexos estapedianos ausentes caracteriza padrão retrococlear e obriga a excluir schwannoma vestibular. A tomografia de ossos temporais avalia bem osso e colesteatoma, mas tem baixa sensibilidade para tumores intracanaliculares pequenos. A eletrococleografia investiga hidropsia endolinfática, hipótese que exigiria vertigem episódica e perda flutuante em baixas frequências. A videonistagmografia mede função vestibular e não localiza a lesão nem afasta tumor. A timpanometria com reflexos já foi informativa e repeti-la não acrescenta ao diagnóstico topográfico.
Homem de 66 anos está internado há 12 dias por pielonefrite complicada por bacteremia, em uso de amicacina endovenosa. Evolui com zumbido bilateral de tom agudo e dificuldade para compreender a fala em ambiente ruidoso, iniciados há 3 dias. Nega otalgia, otorreia ou vertigem. À otoscopia, as membranas timpânicas são normais. Creatinina 1,9 mg/dL (VR 0,7 a 1,3). A audiometria mostra perda neurossensorial bilateral e simétrica predominante em 6.000 e 8.000 Hz. Qual a conduta mais adequada?
A suspensão imediata da amicacina com substituição por antimicrobiano sem ototoxicidade é a única medida capaz de deter a lesão, pois o dano coclear por aminoglicosídeo é cumulativo e irreversível, e a queixa surgiu com perda simétrica em altas frequências e disfunção renal que aumenta a exposição ao fármaco. Manter a amicacina com corticoide não protege as células ciliadas externas e permite a progressão. Reduzir a dose e reavaliar em 30 dias mantém exposição a um agente já comprovadamente lesivo neste paciente. Manter o esquema com betaistina trata apenas o sintoma e ignora a causa. O implante coclear é reservado à perda profunda bilateral com pouco benefício de próteses, situação distante de uma perda restrita a altas frequências.
Homem de 78 anos é levado pela filha por dificuldade auditiva progressiva nos últimos 6 anos, com queixa de ouvir mas não entender, sobretudo em reuniões familiares. Nega zumbido incômodo, vertigem, otalgia, otorreia ou exposição ocupacional a ruído, e não usa medicações ototóxicas. À otoscopia, os condutos e as membranas timpânicas são normais. A audiometria mostra perda neurossensorial bilateral e simétrica, com queda progressiva acima de 2.000 Hz e discriminação vocal de 68% nas duas orelhas. Qual a principal hipótese diagnóstica?
A presbiacusia é a hipótese: idoso com perda simétrica, lentamente progressiva ao longo de anos, de padrão neurossensorial com queda nas frequências agudas e discriminação vocal reduzida, o que explica a queixa de ouvir sem entender, com otoscopia normal. A otosclerose determina perda condutiva ou mista com gap aéreo-ósseo, ausente nesta audiometria. A otite média com efusão daria membranas opacas e curva timpanométrica alterada, incompatíveis com otoscopia normal. O schwannoma vestibular bilateral é praticamente restrito à neurofibromatose tipo 2, com apresentação em adultos jovens e perda assimétrica. A perda induzida por ruído exige exposição intensa e produz entalhe em 4.000 Hz, e o paciente nega exposição.
Mulher, 46 anos, apresenta perda auditiva progressiva à direita há 3 anos, com zumbido e episódios de desequilíbrio. Exame: hipoacusia neurossensorial direita, reflexo corneano diminuído à direita, discreta hipoestesia em face direita, marcha com desvio à direita, sem paresia facial. Ressonância mostra lesão no ângulo pontocerebelar direito com extensão para o conduto auditivo interno, captante e bem delimitada. Qual a principal hipótese diagnóstica?
Perda auditiva neurossensorial progressiva unilateral com zumbido, desequilíbrio e lesão captante no ângulo pontocerebelar estendendo-se ao conduto auditivo interno caracteriza o schwannoma vestibular, cujo manejo varia entre observação, radiocirurgia e microcirurgia conforme tamanho, idade e audição residual. O meningioma de clivus é extra-axial com base dural ampla, sem extensão para o conduto auditivo. A metástase exigiria neoplasia primária conhecida e evolução mais rápida. O glioma de tronco é intra-axial e cursa com múltiplos nervos cranianos e sinais longos. O colesteatoma acomete a orelha média, com otorreia fétida e perda condutiva.
Homem, 49 anos, com perda auditiva progressiva à direita há 2 anos, associada a zumbido e desequilíbrio leve. Nega vertigem rotatória intensa ou otorreia. PA 126x78 mmHg, FC 74 bpm. Otoscopia normal bilateralmente. Hipoestesia discreta em hemiface direita e reflexo corneano reduzido à direita. Audiometria com perda neurossensorial assimétrica à direita e discriminação vocal desproporcionalmente ruim. Qual o próximo passo?
A perda auditiva neurossensorial assimétrica e progressiva, com discriminação vocal desproporcionalmente ruim e comprometimento do trigêmeo, indica lesão retrococlear, e o exame de escolha é a ressonância de ângulo pontocerebelar com contraste para investigar schwannoma vestibular. A timpanoplastia trata doença de orelha média, afastada pela otoscopia normal e pelo padrão neurossensorial. A betaistina com reavaliação em um ano retarda o diagnóstico de um tumor em crescimento. A corticoterapia trata surdez súbita, que se instala em até três dias, e não em dois anos. As manobras vestibulares tratam vertigem posicional.
Mulher, 47 anos, acordou há 2 dias com perda auditiva importante à esquerda, associada a zumbido e sensação de plenitude aural, sem otalgia, otorreia ou vertigem rotatória. PA 128x80 mmHg, FC 76 bpm, T 36,5 °C. Otoscopia bilateral normal, sem cerume ou alterações da membrana timpânica. Audiometria mostra perda neurossensorial de 45 dB em três frequências contíguas à esquerda, com orelha direita normal. Qual a conduta mais adequada?
O corticosteroide sistêmico iniciado precocemente, com ressonância magnética para investigar schwannoma vestibular e outras lesões retrococleares, é a conduta na perda auditiva neurossensorial súbita idiopática, definida por queda de pelo menos 30 dB em três frequências contíguas em até 72 horas. O antibiótico não tem indicação sem foco infeccioso. A lavagem otológica trataria perda condutiva por cerume, afastada pela otoscopia normal e pelo padrão neurossensorial. A observação isolada desperdiça a janela terapêutica das primeiras duas semanas, e a recuperação espontânea não é garantida. A timpanotomia exploradora de rotina não é conduta inicial, ficando reservada a situações selecionadas.
Homem, 80 anos, refere dificuldade progressiva para compreender conversas, especialmente em ambientes ruidosos, há vários anos, com queixa da família de que aumenta muito o volume da televisão. PA 130x76 mmHg, FC 72 bpm, T 36,4 °C. Otoscopia sem rolha de cerume ou alterações timpânicas. Audiometria: perda auditiva neurossensorial bilateral e simétrica, predominante em frequências agudas. Qual a conduta mais adequada?
A presbiacusia é perda auditiva neurossensorial bilateral e simétrica, de predomínio em frequências agudas, com dificuldade de discriminação da fala sobretudo em ambiente ruidoso, e o manejo é a reabilitação auditiva com aparelho de amplificação sonora, treinamento e orientação de estratégias de comunicação, o que reduz isolamento social, depressão e risco de declínio cognitivo. Considerá-la inevitável e não intervir priva o paciente de benefício funcional relevante. A investigação por imagem é reservada a perdas assimétricas ou com sintomas neurológicos associados. O implante coclear é indicado em perdas severas a profundas com má resposta ao aparelho. Corticoterapia é usada na perda auditiva súbita, não em perda progressiva de anos.
Paciente percebe perda da audição de um ouvido em horas, com otoscopia normal e audiometria mostrando perda neurossensorial. Qual diagnóstico é mais provável?
A instalação rápida caracteriza perda auditiva neurossensorial súbita. Perda rápida da audição, sem causa condutiva, exige avaliação urgente e audiometria para preservar chance de recuperação. Referência: https://www.nidcd.nih.gov/health/sudden-deafness
Idoso tem dificuldade auditiva bilateral lentamente progressiva, principalmente para sons agudos e fala em ruído, com audiometria simétrica. Qual diagnóstico é mais provável?
O padrão é compatível com presbiacusia. Perda auditiva progressiva relacionada à idade é frequentemente bilateral, simétrica e predominante em frequências altas. Referência: https://www.nidcd.nih.gov/health/age-related-hearing-loss
Pessoa acorda com redução auditiva unilateral importante, sem cerume ou alteração timpânica, e exame confirma mecanismo neurossensorial agudo. Qual diagnóstico é mais provável?
O quadro exige reconhecer perda auditiva súbita. Perda rápida da audição, sem causa condutiva, exige avaliação urgente e audiometria para preservar chance de recuperação. Referência: https://www.nidcd.nih.gov/health/sudden-deafness
Paciente de 79 anos apresenta perda auditiva gradual simétrica em altas frequências, sem episódio agudo ou lesão condutiva. Qual diagnóstico é mais provável?
A evolução relacionada à idade favorece presbiacusia. Perda auditiva progressiva relacionada à idade é frequentemente bilateral, simétrica e predominante em frequências altas. Referência: https://www.nidcd.nih.gov/health/age-related-hearing-loss
Idosa pede que familiares repitam palavras, sobretudo consoantes. O volume da televisão aumenta gradualmente há anos; não há assimetria relevante nem início súbito, e a audiometria mostra padrão neurossensorial bilateral descendente. Qual hipótese melhor explica o quadro?
A evolução lenta, simetria e perda de altas frequências são típicas do envelhecimento auditivo. Perda auditiva bilateral progressiva de altas frequências no idoso, com dificuldade de discriminação da fala, favorece presbiacusia. Referência: https://www.nidcd.nih.gov/health/age-related-hearing-loss
Cantor percebe redução unilateral abrupta da audição com zumbido ao despertar. O exame do conduto e tímpano é normal; Weber lateraliza para o ouvido oposto e a audiometria confirma perda neurossensorial recente. Qual hipótese melhor explica o quadro?
A lateralização contralateral e a audiometria afastam obstrução condutiva simples. Redução auditiva neurossensorial aguda requer avaliação urgente; otoscopia normal não exclui essa emergência. Referência: https://www.nidcd.nih.gov/health/sudden-deafness
Professor de 81 anos compreende melhor conversas individuais em local silencioso do que reuniões. A dificuldade evolui há anos, sem vertigem. Audiometria mostra queda bilateral simétrica progressiva nas altas frequências. Qual hipótese melhor explica o quadro?
O envelhecimento auditivo compromete especialmente frequências altas e compreensão em ambientes ruidosos. Perda auditiva bilateral progressiva de altas frequências no idoso, com dificuldade de discriminação da fala, favorece presbiacusia. Referência: https://www.nidcd.nih.gov/health/age-related-hearing-loss
Mulher de 37 anos atribui a um resfriado a redução auditiva direita instalada ontem. Não há cerume nem líquido no ouvido médio. Audiometria demonstra queda de 35 dB em três frequências consecutivas, sem componente condutivo. Qual hipótese melhor explica o quadro?
A instalação em menos de 72 horas e a perda neurossensorial audiométrica caracterizam a emergência. Redução auditiva neurossensorial aguda requer avaliação urgente; otoscopia normal não exclui essa emergência. Referência: https://www.nidcd.nih.gov/health/sudden-deafness
Em 1000 Hz, qual é o gap aéreo-ósseo mostrado?

Via aérea 40 menos via óssea 10=30 dB.
Qual tipo de perda auditiva é mais compatível com o audiograma apresentado?

Via óssea relativamente preservada com via aérea elevada e gap aéreo-ósseo.
Qual exame complementa a investigação do componente condutivo sugerido?

Ajudam a avaliar conduto, tímpano e sistema de orelha média.
Por que pontos mais baixos no gráfico representam pior limiar auditivo?

É a convenção do audiograma tonal apresentado.
Qual localização deve ser investigada inicialmente para explicar esse padrão condutivo?

Problemas de transmissão podem elevar limiar aéreo com ósseo preservado.
Na prevenção da perda auditiva induzida por ruído, por que intensidade e duração da exposição precisam ser avaliadas conjuntamente?
O risco depende da energia sonora e da exposição. Ruído intenso por tempo curto e ruído menos intenso por períodos prolongados podem ser lesivos; distância e proteção também influenciam o risco. Referência: NIDCD/NIH. Noise-Induced Hearing Loss. https://www.nidcd.nih.gov/health/noise-induced-hearing-loss
Por que aumentar progressivamente o volume de uma prótese auditiva convencional pode não oferecer compreensão adequada da fala em uma perda neurossensorial muito acentuada?
A prótese aumenta a intensidade do som, mas não substitui toda a função sensorial perdida. Quando a lesão coclear é muito extensa, maior amplificação pode não produzir informação útil suficiente. Referência: NIDCD/NIH. Hearing Aids. https://www.nidcd.nih.gov/health/hearing-aids
Por que a colocação cirúrgica bem-sucedida de um implante coclear deve ser acompanhada de programação e reabilitação auditiva?
O implante oferece uma representação de sons diferente da audição natural. A adaptação envolve programação, treinamento e acompanhamento, com resultados variáveis entre as pessoas. Referência: NIDCD/NIH. Cochlear Implants. https://www.nidcd.nih.gov/health/cochlear-implants
Em um adulto com perda auditiva bilateral e indicação de próteses nas duas orelhas, qual benefício funcional fundamenta a avaliação de adaptação bilateral?
A audição binaural contribui para localização da fonte sonora e compreensão em diferentes ambientes. A adaptação deve considerar necessidades, tipo de perda e resposta individual. Referência: NIDCD/NIH. Hearing Aids. https://www.nidcd.nih.gov/health/hearing-aids
Uma pessoa relata um apito recorrente vindo da prótese auditiva. Antes de atribuir o problema à progressão da doença, qual conjunto de fatores deve ser verificado?
Microfonia pode ocorrer por ajuste inadequado, problemas de funcionamento ou obstrução por cerume ou líquido. A inspeção e a revisão da adaptação podem resolver o problema. Referência: NIDCD/NIH. Hearing Aids. https://www.nidcd.nih.gov/health/hearing-aids
Por que o ajuste de uma prótese auditiva digital pode exigir ganhos diferentes conforme a frequência, em vez de apenas aumentar igualmente o volume de todos os sons?
Dispositivos digitais permitem modificar o ganho por faixa de frequência e por situação de escuta. Isso ajuda a equilibrar audibilidade, compreensão e conforto conforme a avaliação audiológica. Referência: NIDCD/NIH. Hearing Aids. https://www.nidcd.nih.gov/health/hearing-aids
Um dispositivo auditivo ancorado ao osso pode ser considerado em situações selecionadas. Qual caminho de transmissão caracteriza seu funcionamento?
A condução óssea permite levar vibrações à cóclea sem depender da mesma trajetória pelo conduto, tímpano e cadeia ossicular. Não equivale à estimulação elétrica de um implante coclear. Referência: NIDCD/NIH. Hearing Aids. https://www.nidcd.nih.gov/health/hearing-aids
Na forma fenestral da otosclerose, qual alteração explica o componente condutivo da perda auditiva e o fundamento das intervenções sobre o estribo?
A fixação do estribo limita a transferência mecânica de vibrações para a orelha interna. Esse mecanismo difere de uma lesão primária do nervo auditivo. Referência: NIDCD/NIH. Otosclerosis. https://www.nidcd.nih.gov/health/otosclerosis
No aconselhamento de um paciente com indicação de cirurgia do estribo por otosclerose, qual informação sobre o resultado auditivo deve integrar o consentimento?
Embora a cirurgia procure melhorar a condução sonora, não garante audição normal e pode ter complicações, inclusive piora auditiva. Benefícios, limitações e alternativas devem ser discutidos. Referência: NIDCD/NIH. Otosclerosis. https://www.nidcd.nih.gov/health/otosclerosis
A cóclea organiza a resposta sonora ao longo da membrana basilar. Qual relação anatômica é correta para a percepção de frequências elevadas?
A tonotopia coclear distribui frequências ao longo da membrana basilar: frequências mais altas são representadas na base, enquanto as mais baixas alcançam regiões mais apicais. Referência: NIDCD/NIH. Otosclerosis. https://www.nidcd.nih.gov/health/otosclerosis
Qual característica de funcionamento distingue um implante coclear de uma prótese auditiva convencional em pacientes devidamente selecionados para reabilitação?
O implante contorna parte da função sensorial coclear comprometida e estimula eletricamente a via auditiva. Não consiste apenas em aumentar a intensidade de som conduzido ao tímpano. Referência: NIDCD/NIH. Cochlear Implants. https://www.nidcd.nih.gov/health/cochlear-implants
Uma explosão pode causar perda auditiva imediata. Que princípio anatômico impede classificar automaticamente toda perda após esse evento como exclusivamente condutiva?
Som impulsivo muito intenso pode afetar o aparelho de condução e a cóclea. A caracterização do tipo de perda exige avaliação; tímpano íntegro não exclui dano neurossensorial. Referência: NIDCD/NIH. Noise-Induced Hearing Loss. https://www.nidcd.nih.gov/health/noise-induced-hearing-loss
Qual característica biológica ajuda a explicar a importância da prevenção primária da perda auditiva permanente causada por ruído?
A morte dessas células pode produzir déficit duradouro. Reabilitação auditiva pode melhorar a comunicação, mas não equivale à reposição espontânea das células sensoriais perdidas. Referência: NIDCD/NIH. Noise-Induced Hearing Loss. https://www.nidcd.nih.gov/health/noise-induced-hearing-loss
Depois de um evento ruidoso, uma pessoa percebe audição abafada que melhora no dia seguinte. Qual interpretação evita uma falsa sensação de segurança?
Pode ocorrer mudança temporária dos limiares após ruído, mas a recuperação subjetiva não comprova ausência de lesão residual. A orientação preventiva continua necessária. Referência: NIDCD/NIH. Noise-Induced Hearing Loss. https://www.nidcd.nih.gov/health/noise-induced-hearing-loss
Qual localização e prioridade melhor integram os testes?

Rinne positivo pode ocorrer em perda neurossensorial; Weber para o melhor ouvido e audiometria sem gap apoiam lesão neurossensorial direita.
Qual ouvido teve perda súbita relatada?

A história informa perda unilateral direita.
Por que o Rinne positivo bilateral não autoriza tranquilizar sem investigação?

Relação aérea/óssea preservada não equivale a audição normal; história e audiometria são essenciais.
A ausência de gap aéreo-ósseo significativo favorece qual categoria?

Elevação semelhante das vias aérea e óssea sugere perda neurossensorial.
Após confirmação, por que o estudo de possível causa retrococlear pode ser necessário, mesmo se houver alguma melhora?

Avaliação etiológica pode incluir RM ou testes apropriados; recuperação parcial não encerra automaticamente a investigação.
Um homem com perda auditiva neurossensorial súbita idiopática já está em acompanhamento especializado. Sugere-se acrescentar aciclovir e um vasodilatador a todos os casos, mesmo sem evidência de infecção específica. Qual avaliação dessa proposta está correta?
Hipóteses etiológicas não comprovadas não justificam adicionar tratamentos de rotina. Referências: AAO-HNS: Sudden Hearing Loss, guideline update — https://www.entnet.org/resource/aao-hnsf-updated-cpg-shl-press-release-fact-sheet/
Adulto com perda auditiva neurossensorial súbita unilateral, sem sinais sistêmicos ou exposições sugestivas na avaliação inicial, pergunta sobre um painel de dezenas de sorologias e marcadores autoimunes. Qual orientação é mais adequada?
A recomendação contra exames de rotina não impede investigação orientada por história e exame físico. Referências: AAO-HNS: Sudden Hearing Loss, guideline update — https://www.entnet.org/resource/aao-hnsf-updated-cpg-shl-press-release-fact-sheet/
Um paciente refere melhora parcial após concluir tratamento de surdez neurossensorial súbita. Diz que não precisa repetir exames porque já consegue atender ao telefone. Qual acompanhamento é recomendado?
Os resultados também ajudam a planejar reabilitação quando houver limitação persistente. Referências: AAO-HNS: Sudden Hearing Loss, guideline update — https://www.entnet.org/resource/aao-hnsf-updated-cpg-shl-press-release-fact-sheet/
Uma mulher foi tratada inicialmente por perda auditiva neurossensorial súbita idiopática. Três semanas após o início dos sintomas, a audiometria mostra recuperação incompleta. Qual opção de resgate deve ser oferecida ou discutida com o otorrinolaringologista?
A recuperação deve ser reavaliada em tempo oportuno para discutir as opções disponíveis. Referências: AAO-HNS: Sudden Hearing Loss, guideline update — https://www.entnet.org/resource/aao-hnsf-updated-cpg-shl-press-release-fact-sheet/
Uma mulher percebeu queda abrupta da audição há dois dias. A otoscopia não mostra obstrução ou alteração timpânica. Na organização da investigação, qual é a prioridade para documentar a natureza da perda?
O limite temporal não é uma orientação para esperar: o exame deve ser obtido precocemente. Referências: AAO-HNS: Sudden Hearing Loss, guideline update — https://www.entnet.org/resource/aao-hnsf-updated-cpg-shl-press-release-fact-sheet/
Pessoa de 68 anos com perda gradual bilateral. Qual é o intervalo aéreo-ósseo da orelha direita em 1000 Hz? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

No exame A05, na orelha direita em 1000 Hz, a via aérea é 25 dB NA e a óssea é 20 dB NA. O intervalo é 5 dB. Compare limiares da mesma orelha e frequência.
Adulto com sensação de ouvido tampado à direita. Qual é o intervalo aéreo-ósseo da orelha direita em 2000 Hz? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

No exame A01, na orelha direita em 2000 Hz, a via aérea é 35 dB NA e a óssea é 10 dB NA. O intervalo é 25 dB. Compare limiares da mesma orelha e frequência.
Pessoa com história de doença bilateral da orelha média. Qual interpretação corresponde ao audiograma? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

Os limiares por via aérea estão piores, mas a via óssea permanece em níveis preservados; há intervalo aéreo-ósseo.
Pessoa com hipoacusia bilateral e antecedentes otológicos. Se uma intervenção eliminasse integralmente o componente condutivo, sem alterar a função coclear, qual alteração permaneceria? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

O traçado mostra perda mista: a via óssea está em torno de 30–40 dB NA e a aérea é ainda pior. Mesmo supondo eliminação completa do intervalo aéreo-ósseo, restaria a alteração neurossensorial.
Adulto com perda auditiva esquerda de longa duração. Qual interpretação corresponde ao audiograma? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

Há elevação dos limiares ósseos e, adicionalmente, limiares aéreos ainda piores, configurando os dois componentes.
Adulto com exposição recreativa repetida a sons intensos. Na orelha esquerda, o que acontece com o limiar ao comparar 4.000 e 8.000 Hz? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

Na orelha esquerda, o limiar é 60 dB NA em 4.000 Hz e 30 dB NA em 8.000 Hz, uma recuperação de 30 dB. Esse retorno após o entalhe ajuda a descrever sua configuração.
Pessoa que percebeu perda abrupta à direita há 36 horas, sem cerume obstrutivo. Qual interpretação corresponde ao audiograma? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

À direita, a via óssea acompanha a elevação da via aérea, sem intervalo condutivo relevante; o outro lado está preservado ou melhor.
Pessoa com perda abrupta à esquerda iniciada ontem e otoscopia sem obstrução. Qual conduta decorre da integração entre o tempo de evolução e o tipo de perda mostrado? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

À esquerda, a via óssea acompanha a elevação da via aérea, sem intervalo condutivo relevante; o outro lado está preservado ou melhor. O início em até 72 horas é uma emergência otológica. A indicação e via de corticosteroide dependem da avaliação especializada e das contraindicações.
Pessoa com história de doença bilateral da orelha média. Qual é o intervalo aéreo-ósseo da orelha direita em 1000 Hz? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

No exame A03, na orelha direita em 1000 Hz, a via aérea é 45 dB NA e a óssea é 10 dB NA. O intervalo é 35 dB. Compare limiares da mesma orelha e frequência.
Pessoa que percebeu perda abrupta à direita há 36 horas, sem cerume obstrutivo. Qual conduta decorre da integração entre o tempo de evolução e o tipo de perda mostrado? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

À direita, a via óssea acompanha a elevação da via aérea, sem intervalo condutivo relevante; o outro lado está preservado ou melhor. O início em até 72 horas é uma emergência otológica. A indicação e via de corticosteroide dependem da avaliação especializada e das contraindicações.
Adulto com hipoacusia direita e antecedente de otite crônica. Qual interpretação corresponde ao audiograma? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

Há elevação dos limiares ósseos e, adicionalmente, limiares aéreos ainda piores, configurando os dois componentes.
Pessoa de 68 anos com perda gradual bilateral. Qual interpretação corresponde ao audiograma? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

As vias aérea e óssea pioram de modo semelhante nas frequências avaliadas, sem intervalo condutivo relevante. A configuração é predominante em altas frequências.
Adulto com dificuldade auditiva predominantemente à esquerda. Qual é o intervalo aéreo-ósseo da orelha esquerda em 1000 Hz? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

No exame A02, na orelha esquerda em 1000 Hz, a via aérea é 45 dB NA e a óssea é 10 dB NA. O intervalo é 35 dB. Compare limiares da mesma orelha e frequência.
Pessoa com perda abrupta à esquerda iniciada ontem e otoscopia sem obstrução. Qual interpretação corresponde ao audiograma? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

À esquerda, a via óssea acompanha a elevação da via aérea, sem intervalo condutivo relevante; o outro lado está preservado ou melhor.
Adulto com hipoacusia direita e antecedente de otite crônica. Qual é o intervalo aéreo-ósseo da orelha direita em 1000 Hz? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

No exame A06, na orelha direita em 1000 Hz, a via aérea é 65 dB NA e a óssea é 35 dB NA. O intervalo é 30 dB. Compare limiares da mesma orelha e frequência.
Adulto com dificuldade auditiva predominantemente à esquerda. Qual interpretação corresponde ao audiograma? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

Os limiares por via aérea estão piores, mas a via óssea permanece em níveis preservados; há intervalo aéreo-ósseo.
Trabalhador com exposição prolongada a ruído sem proteção adequada. Qual interpretação corresponde ao audiograma? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

As vias aérea e óssea pioram de modo semelhante nas frequências avaliadas, sem intervalo condutivo relevante. A configuração é com entalhe em torno de 4.000 Hz e recuperação em 8.000 Hz.
Adulto com perda auditiva esquerda de longa duração. Qual é o intervalo aéreo-ósseo da orelha esquerda em 2000 Hz? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

No exame A07, na orelha esquerda em 2000 Hz, a via aérea é 70 dB NA e a óssea é 40 dB NA. O intervalo é 30 dB. Compare limiares da mesma orelha e frequência.
Adulto com sensação de ouvido tampado à direita. Qual interpretação corresponde ao audiograma? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

Os limiares por via aérea estão piores, mas a via óssea permanece em níveis preservados; há intervalo aéreo-ósseo.
Pessoa com hipoacusia bilateral e antecedentes otológicos. Qual interpretação corresponde ao audiograma? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

Há elevação dos limiares ósseos e, adicionalmente, limiares aéreos ainda piores, configurando os dois componentes.
Adulto com exposição recreativa repetida a sons intensos. Qual interpretação corresponde ao audiograma? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

As vias aérea e óssea pioram de modo semelhante nas frequências avaliadas, sem intervalo condutivo relevante. A configuração é com entalhe em torno de 4.000 Hz e recuperação em 8.000 Hz.
Pessoa de 73 anos refere dificuldade para compreender conversas. Qual é a média dos limiares por via aérea da orelha direita em 500, 1.000, 2.000 e 4.000 Hz? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

Somando 20, 30, 45, 65 dB NA e dividindo por 4, obtém-se 40.0 dB NA. A média depende das frequências especificadas; não deve ser confundida com o pior limiar isolado.
Pessoa de 73 anos refere dificuldade para compreender conversas. Qual interpretação corresponde ao audiograma? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

As vias aérea e óssea pioram de modo semelhante nas frequências avaliadas, sem intervalo condutivo relevante. A configuração é predominante em altas frequências.
Trabalhador com exposição prolongada a ruído sem proteção adequada. Na orelha direita, o que acontece com o limiar ao comparar 4.000 e 8.000 Hz? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

Na orelha direita, o limiar é 60 dB NA em 4.000 Hz e 25 dB NA em 8.000 Hz, uma recuperação de 35 dB. Esse retorno após o entalhe ajuda a descrever sua configuração.
Adulto com dificuldade para compreender fala em ambiente ruidoso. A dificuldade comunicativa persiste apesar desse resultado. Qual próximo raciocínio é apropriado? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

Os limiares tonais são preservados e não há intervalo aéreo-ósseo relevante. Como a queixa é específica para fala no ruído, testes funcionais e a história podem revelar dificuldades não mensuradas pela audiometria tonal isolada.
Adulto realiza investigação de perda auditiva esquerda persistente. Qual interpretação corresponde ao audiograma? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

Os limiares por via aérea estão piores, mas a via óssea permanece em níveis preservados; há intervalo aéreo-ósseo.
Pessoa com zumbido bilateral e otoscopia normal. Qual interpretação corresponde ao audiograma? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

Os limiares estão em torno de 5–20 dB NA e as vias estão próximas. A normalidade tonal não exclui todas as dificuldades auditivas.
Adulto com zumbido unilateral direito persistente. Qual investigação pode ser indicada pelo padrão de assimetria, além da avaliação otológica? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

À direita, a via óssea acompanha a elevação da via aérea, sem intervalo condutivo relevante; o outro lado está preservado ou melhor. A investigação retrococlear é considerada diante da assimetria neurossensorial significativa; o audiograma não confirma uma lesão específica.
Adulto com zumbido unilateral direito persistente. Qual interpretação corresponde ao audiograma? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

À direita, a via óssea acompanha a elevação da via aérea, sem intervalo condutivo relevante; o outro lado está preservado ou melhor.
Pessoa com perda auditiva bilateral e história familiar. Qual interpretação corresponde ao audiograma? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

As vias aérea e óssea pioram de modo semelhante nas frequências avaliadas, sem intervalo condutivo relevante. A configuração é predominante nas frequências médias.
Adulto com dificuldade auditiva bilateral desde a juventude. Qual interpretação corresponde ao audiograma? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

As vias aérea e óssea pioram de modo semelhante nas frequências avaliadas, sem intervalo condutivo relevante. A configuração é predominante nas frequências médias.
Pessoa com sintomas auditivos flutuantes à direita. Qual interpretação corresponde ao audiograma? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

À direita, a via óssea acompanha a elevação da via aérea, sem intervalo condutivo relevante; o outro lado está preservado ou melhor.
Adulto com dificuldade para compreender fala em ambiente ruidoso. Qual interpretação corresponde ao audiograma? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

Os limiares estão em torno de 5–20 dB NA e as vias estão próximas. A normalidade tonal não exclui todas as dificuldades auditivas.
Pessoa com perda auditiva bilateral gradual. Qual é a média dos limiares por via aérea da orelha esquerda em 500, 1.000 e 2.000 Hz? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

Somando 45, 50, 50 dB NA e dividindo por 3, obtém-se 48.3 dB NA. A média depende das frequências especificadas; não deve ser confundida com o pior limiar isolado.
Pessoa com zumbido bilateral e otoscopia normal. O zumbido é não pulsátil e não há sinais neurológicos ou otológicos associados. Qual conclusão sobre o exame é correta? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

Os limiares estão preservados e são aproximadamente simétricos. Em zumbido bilateral não pulsátil sem outros sinais, essa imagem não cria por si indicação de investigação de lesão retrococlear unilateral.
Adulto realiza investigação de perda auditiva direita persistente. Qual é o intervalo aéreo-ósseo da orelha direita em 1000 Hz? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

No exame A23, na orelha direita em 1000 Hz, a via aérea é 50 dB NA e a óssea é 10 dB NA. O intervalo é 40 dB. Compare limiares da mesma orelha e frequência.
Adulto com assimetria auditiva progressiva. Qual investigação pode ser indicada pelo padrão de assimetria, além da avaliação otológica? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

À esquerda, a via óssea acompanha a elevação da via aérea, sem intervalo condutivo relevante; o outro lado está preservado ou melhor. A investigação retrococlear é considerada diante da assimetria neurossensorial significativa; o audiograma não confirma uma lesão específica.
Pessoa com plenitude auricular e sintomas flutuantes à esquerda. Qual é o intervalo aéreo-ósseo da orelha esquerda em 2000 Hz? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

No exame A16, na orelha esquerda em 2000 Hz, a via aérea é 25 dB NA e a óssea é 20 dB NA. O intervalo é 5 dB. Compare limiares da mesma orelha e frequência.
Adulto com assimetria auditiva progressiva. Qual interpretação corresponde ao audiograma? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

À esquerda, a via óssea acompanha a elevação da via aérea, sem intervalo condutivo relevante; o outro lado está preservado ou melhor.
Adulto com dificuldade auditiva bilateral desde a juventude. Qual comparação entre regiões do audiograma explica a configuração observada? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

A curva piora nas frequências médias e volta a melhorar nas altas; as baixas também estão melhores. Esse formato não define, por si, a etiologia da perda.
Adulto realiza investigação de perda auditiva direita persistente. Qual interpretação corresponde ao audiograma? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

Os limiares por via aérea estão piores, mas a via óssea permanece em níveis preservados; há intervalo aéreo-ósseo.
Adulto realiza investigação de perda auditiva esquerda persistente. Qual é o intervalo aéreo-ósseo da orelha esquerda em 1000 Hz? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

No exame A24, na orelha esquerda em 1000 Hz, a via aérea é 55 dB NA e a óssea é 15 dB NA. O intervalo é 40 dB. Compare limiares da mesma orelha e frequência.
Pessoa com perda auditiva bilateral gradual. Qual interpretação corresponde ao audiograma? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

As vias aérea e óssea pioram de modo semelhante nas frequências avaliadas, sem intervalo condutivo relevante. A configuração é aproximadamente plana nas frequências da fala.
Pessoa com sintomas auditivos flutuantes à direita. Relata ainda crises espontâneas de vertigem de 40–90 minutos, com zumbido e plenitude no lado pior. Qual integração é adequada? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

A via aérea e a óssea estão elevadas em baixas frequências à direita, com melhora nas altas. Associado a crises típicas e sintomas flutuantes, isso pode integrar Ménière; outras causas precisam ser excluídas.
Pessoa com perda auditiva bilateral e história familiar. Qual é a média dos limiares por via aérea da orelha direita em 500, 1.000, 2.000 e 4.000 Hz? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

Somando 35, 55, 60, 40 dB NA e dividindo por 4, obtém-se 47.5 dB NA. A média depende das frequências especificadas; não deve ser confundida com o pior limiar isolado.
Adulto com dificuldade para acompanhar conversas em intensidade habitual. Qual é o intervalo aéreo-ósseo da orelha esquerda em 1000 Hz? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

No exame A20, na orelha esquerda em 1000 Hz, a via aérea é 40 dB NA e a óssea é 35 dB NA. O intervalo é 5 dB. Compare limiares da mesma orelha e frequência.
Adulto com dificuldade para acompanhar conversas em intensidade habitual. Qual interpretação corresponde ao audiograma? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

As vias aérea e óssea pioram de modo semelhante nas frequências avaliadas, sem intervalo condutivo relevante. A configuração é aproximadamente plana nas frequências da fala.
Pessoa com plenitude auricular e sintomas flutuantes à esquerda. Qual interpretação corresponde ao audiograma? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

À esquerda, a via óssea acompanha a elevação da via aérea, sem intervalo condutivo relevante; o outro lado está preservado ou melhor.
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em 7 dias
Escreva de memória a tabela de Weber e Rinne com as duas linhas, dizendo em cada uma para onde o som lateraliza e como o Rinne é chamado. Em seguida, enuncie a definição audiométrica da perda súbita com os três números que a compõem. Feche listando o que não se pede na avaliação inicial e as duas janelas do corticoide, dizendo qual delas é opção e qual é recomendação.
em 30 dias
Refaça de cabeça a tabela que separa a perda súbita da perda por ruído, com as seis linhas, e explique em voz alta por que um trabalhador exposto a ruído com perda unilateral instalada em horas não tem doença ocupacional. Depois reconstrua as quatro filas do protocolo, dizendo o que manda o paciente para cada uma e o que precisa estar documentado. Termine explicando o vão entre as faixas de perda severa e profunda na tabela de graus e por que o mesmo paciente muda de rótulo conforme a classificação usada.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Uma mulher de 46 anos chega ao pronto-atendimento dizendo que acordou ontem de manhã com o ouvido direito abafado e um apito contínuo, e que agora não entende nada ao telefone desse lado. Não tem dor nem secreção. Conduza o atendimento: separe o tipo de perda com o que você tem na mão, cronometre a instalação e decida o que começa hoje e o que pode esperar. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
