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Otite externa e otite média: a mesma orelha, réguas opostas
Otites externa, média aguda e crônica: otalgia, otorreia e critérios de encaminhamento
Localização da infecção, integridade timpânica e complicações
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Homem de 58 anos, diabético mal controlado (HbA1c 10,2%), procura o pronto-socorro com otalgia intensa e persistente à esquerda há 3 semanas, refratária a analgésicos, e otorreia purulenta. Ao exame: T 37,4 °C, otoscopia com tecido de granulação no assoalho do conduto auditivo externo na junção osteocartilaginosa; há paralisia facial periférica ipsilateral incipiente. Qual é o agente etiológico mais provável e o exame mais adequado para avaliar extensão óssea desta condição?
Como esse tema cai
Este capítulo cobre a orelha externa e a orelha média com dor, secreção ou ambas: otite externa aguda difusa, otite externa necrosante, otite média aguda, otite média com efusão, otite média crônica e colesteatoma. O eixo é a decisão dos primeiros minutos: em qual compartimento está a doença, se o tratamento é tópico ou sistêmico, se a membrana está inteira ou aberta, e a partir de que prazo o caso deixa de ser da atenção primária.
Fica de fora o que já tem dono. A tontura de origem vestibular é do capítulo 2 desta apostila. O corpo estranho de conduto e de vias aéreas é do capítulo 3. A perda auditiva induzida por ruído é da apostila de Medicina do Trabalho. E a régua de idade que decide entre observar e antibiotizar a criança pequena com otite média aguda é da apostila de Pediatria — aqui ela aparece só como fronteira, para o candidato saber que existe e não a confundir com a regra do adulto.
As fontes são de dois tipos, e a diferença importa. Documentos clínicos dizem o que prescrever: o protocolo assistencial de um hospital universitário federal e a monografia da Organização Mundial da Saúde sobre otite média crônica supurativa. Documentos de regulação dizem quando encaminhar: os protocolos de encaminhamento de um serviço universitário de telessaúde, de duas secretarias estaduais e de três municípios. Boa parte da confusão de prova nasce de misturar as duas: um protocolo de regulação que não diz o que prescrever não está omitindo nada, não é o papel dele.
O capítulo foi escrito a partir de oito documentos públicos, todos baixados e conferidos byte a byte. Três deles são, comprovadamente, descendentes do mesmo texto: compartilham dezenas de frases idênticas. E é exatamente na frase copiada que o número muda — o que dá ao candidato a chance de entender que seis semanas e três meses não são duas escolas de pensamento, e sim a mesma linha editada por mãos diferentes.
O que muda decisão
O compartimento decide antes do antibiótico
A orelha externa é pele: o pavilhão e o conduto até a membrana timpânica. A orelha média é mucosa: a cavidade atrás da membrana, ventilada pela tuba auditiva e contínua com a mastoide. São dois territórios com flora, doença e tratamento diferentes, separados por uma película de poucos décimos de milímetro. Toda a decisão deste capítulo é saber de qual lado dessa película está o problema.
O sinal que separa os dois é mecânico e não custa nada. O protocolo municipal de Jundiaí o registra em uma frase: “Um sinal muito característico da otite externa é a dor que o paciente refere à compressão do tragus, o que pode ser útil no diferencial com otite média.” Puxar o pavilhão ou comprimir o tragus movimenta a pele inflamada do conduto e dói; não movimenta a mucosa da orelha média e não dói. É um teste de localização, não de gravidade: a otite média pode ser muito mais grave e ter tração indolor.
A otoscopia fecha. Na otite externa o achado está no caminho: conduto estreitado por edema, paredes espessadas, descamação e secreção, e a membrana — quando dá para vê-la — normal. Na otite média aguda o achado está no fundo: membrana abaulada, opaca e hiperemiada, com perda dos referenciais. O mesmo protocolo descreve a otite externa como inflamação difusa da pele da orelha externa com dor intensa, edema, hiperemia, secreção e descamação, “na ausência de alteração de membrana timpânica”, e a otite média aguda por “dor intensa e exsudação mucóide da orelha média, hiperemia de membrana timpânica, abaulamento da membrana”.
Daí sai a consequência terapêutica inteira. A otite externa é infecção de pele, dominada por Pseudomonas aeruginosa e estafilococos, e o medicamento chega por cima, dentro do conduto. A otite média aguda é infecção de mucosa fechada, dominada por pneumococo, hemófilo e moraxela, e o medicamento tem de chegar pelo sangue. Prescrever amoxicilina para otite externa é tratar uma bactéria que não está lá com uma via que não alcança o lugar.

A prova explora esse par com uma economia notável. Quando o enunciado quer otite externa, ele planta piscina, cotonete, aparelho auditivo ou dor ao mastigar e ao tocar a orelha. Quando quer otite média, planta coriza dos dias anteriores, febre, irritabilidade e a criança levando a mão à orelha. Os dois pacotes são estáveis o suficiente para que a leitura do primeiro parágrafo já resolva metade da questão.
A gota que cura de um lado e envenena do outro
Com a membrana íntegra, o conduto é um fundo de saco: o que se pinga fica na pele e não alcança a orelha interna. Com a membrana perfurada, o conduto passa a se comunicar com a orelha média, e a gota escorre até a janela redonda, que é a porta da cóclea. A mesma solução muda de classe de risco por causa de um furo.
O protocolo assistencial de otites externas do hospital universitário federal de Uberaba, na versão de 2025, escreve a regra de forma direta: “A escolha dos antibióticos tópicos ou gotas otológicas (neomicina, polimixina B, cloranfenicol, ciprofloxacina) depende da presença ou da ausência de perfuração prévia da MT. Diante dos casos de integridade da MT, qualquer uma das drogas citadas acima pode ser prescrita.” E, na sequência: “Quando na presença de perfuração da MT (ex. otite média crônica), pelo risco de ototoxicidade induzida por aminoglicosídeos, apenas o cloranfenicol e a ciprofloxacina devem ser prescritos nesse caso.”
Guarde a estrutura: membrana inteira, qualquer gota; membrana aberta, só as que não são aminoglicosídeo. Neomicina é aminoglicosídeo e sai da lista assim que existe furo. A quinolona tópica, ciprofloxacino ou ofloxacino, é a que atravessa as duas situações, e é por isso que ela aparece como resposta correta em vinhetas muito diferentes entre si.
Agora o ponto que faz o tema valer. A monografia da Organização Mundial da Saúde sobre otite média crônica supurativa, de 2004, contradiz a si mesma nessa exata regra. No capítulo de manejo, ela relata a decisão de um órgão regulador britânico com aspas próprias: gotas de aminoglicosídeo são “contraindicated when the patient has a perforation of the ear drum because of the risk of ototoxicity”. Traduzido: contraindicadas quando o paciente tem perfuração da membrana, pelo risco de ototoxicidade.
No mesmo documento, o roteiro operacional de conduta manda o oposto. O passo 7 do primeiro cenário de manejo instrui a “instil wide-spectrum topical antibiotics such as neomycin-polymyxin for 1–2 weeks” — pingar antibiótico tópico de largo espectro, como neomicina-polimixina, por uma a duas semanas. E o passo 8, se não resolver e a cultura mostrar Pseudomonas, manda trocar “to topical quinolone or another aminoglycoside such as gentamicin”: quinolona tópica ou outro aminoglicosídeo, como a gentamicina.
Repare no que a doença é. Otite média crônica supurativa é, por definição da própria monografia, secreção que sai através de uma perfuração. Ou seja: o texto do documento cita um regulador declarando o aminoglicosídeo contraindicado no ouvido perfurado, e o algoritmo do mesmo documento prescreve aminoglicosídeo exatamente no ouvido perfurado, duas vezes. Não é ambiguidade de redação — é o texto discordando do fluxograma dentro da mesma capa.
A monografia até explica por que se permite: argumenta que boa parte da evidência de ototoxicidade vem de experimentos em animais, com a droga aplicada em orelhas normais ou pintada sobre a janela redonda de chinchilas, ratos e babuínos, e que em duas séries clínicas a gentamicina tópica não produziu desvio significativo de limiar. É um argumento honesto e datado. O protocolo brasileiro de 2025 não o acompanha, e a prova brasileira segue o protocolo brasileiro: com furo, quinolona.
O comprimido que não trata a bactéria que se quer tratar
Na otite externa aguda difusa, o tratamento é tópico. Limpeza do conduto, analgesia, gota com cobertura para Pseudomonas e proteção contra a água. O protocolo de Uberaba dá a posologia: “em geral com a posologia de 3 (três) gotas, de 8/8 hs, durante 1 (uma) semana”, e, nas medidas gerais, “não molhar a orelha (exemplo: durante o banho de chuveiro e piscina) por um período de 15 (quinze) dias”.
Duas contagens no mesmo parágrafo, e a maior é a que o paciente esquece: a gota dura sete dias e a proibição de molhar dura quinze. O dobro. O paciente que interrompe o cuidado quando acaba o frasco cumpre metade da prescrição, e a recidiva que aparece na semana seguinte costuma ser lida como falha do antibiótico.
O antibiótico sistêmico na otite externa é exceção, e o mesmo protocolo lista as três situações: “presença de febre”, “edema acentuado do CAE, impedindo a visualização da MT” e “edema periauricular”. Traduzindo o padrão: o comprimido entra quando a infecção saiu do conduto — quando há repercussão sistêmica ou quando o tecido mole ao redor da orelha está tomado. Enquanto a doença for da pele do conduto, a via tópica alcança concentrações que nenhum comprimido alcança ali.
O exemplo que o protocolo dá para o sistêmico é a cefalexina, que não cobre Pseudomonas. Parece incoerente e não é: o alvo do comprimido não é o mesmo alvo da gota. A gota trata a Pseudomonas do conduto; o comprimido trata a celulite periauricular, que é estafilocócica e estreptocócica. São dois medicamentos para duas infecções vizinhas, e o mesmo protocolo acrescenta que, para infecção acentuada ou resistente, a fluorquinolona oral entra em associação com o tópico, não no lugar dele.
Há um erro de endereço que a prova adora e que aparece impresso em documento público. O protocolo municipal de Jundiaí abre uma seção cujo título reúne, na mesma linha, as otites e a otalgia, e logo abaixo imprime um único bloco de tratamento: para o quadro viral, “analgésicos, antitérmicos, hidratação”; para o quadro bacteriano, “Amoxicilina, penicilina benzatina, macrolideos (alérgicos), Amoxicilina-clavulanato, Acetil-cefuroxima, Clindamicina”. O título cobre otite externa e otite média; a lista serve só à segunda. Um leitor apressado sai dali prescrevendo amoxicilina para o nadador com dor ao tocar o tragus.
A monografia da Organização Mundial da Saúde reforça o mesmo princípio do outro lado da membrana, e com uma frase curta: “There is no evidence that the addition of oral antibiotics confers increased benefit” — não há evidência de que acrescentar antibiótico oral traga benefício adicional. Ela fala da otite média crônica supurativa, não da externa; mas as duas doenças chegam à mesma conclusão pela mesma razão física: o medicamento precisa estar onde a infecção está, e a boca é longe.
Quando o ouvido deixa de ser agudo: cinco relógios para a mesma pergunta
A pergunta é banal e a resposta pública é caótica: quanto tempo de furo, ou de secreção, transforma um caso agudo em crônico e manda encaminhar? Nos oito documentos deste capítulo há cinco respostas diferentes, e duas delas convivem no mesmo arquivo.
O protocolo de encaminhamento do serviço universitário de telessaúde do Rio Grande do Sul, na versão digital de 2023, lista, em bullets consecutivos, dois prazos distintos. O primeiro: “membrana timpânica perfurada persistente após 6 semanas do tratamento da otite média aguda”. O segundo, para a otite média crônica: “com otorreia (drenagem de líquido na orelha externa, resultante de perfuração da membrana timpânica) que persiste por mais de 3 meses”. O buraco é encaminhado com seis semanas; o líquido que sai do buraco, só com três meses.

O protocolo estadual do Espírito Santo, no mesmo lugar da lista, escreve outra coisa: “Membrana timpânica perfurada após três meses de acompanhamento na APS”. Dobrou o prazo do furo, de seis semanas para três meses, e, de quebra, trocou a âncora: o documento gaúcho conta a partir do fim do tratamento da otite média aguda, e o capixaba conta a partir do início do acompanhamento na atenção primária. Duas réguas com origens diferentes não medem a mesma coisa nem quando o número coincide.
O protocolo municipal de Jundiaí inverte a relação. Ele define a cronicidade em três meses — “otite média crônica se a perfuração manter-se por mais de 3 meses” — mas manda encaminhar antes: “Nos casos de otite média aguda com supuração, onde a otorreia se mantém por mais de 4 semanas, deve-se encaminhar com prioridade para avaliação com especialista para tentar evitar a evolução para otite média crônica.” O relógio do encaminhamento dispara em quatro semanas, antes do relógio do diagnóstico, e por um motivo defensável: encaminha-se para impedir que a doença que se define em três meses chegue a existir.
A monografia da Organização Mundial da Saúde entra com o prazo mais curto de todos e depois o desautoriza. Na orientação para o trabalhador da atenção primária: “A history of at least 2 weeks of persistent ear discharge should alert primary health workers to the problem” — pelo menos duas semanas de secreção persistente. E o algoritmo de manejo abre com “Patient with ear discharge of 2 weeks or more”.
Mas o corpo do texto, na discussão diagnóstica, diz o contrário. Como oitenta por cento das otites médias agudas de crianças levam de dois a três meses para resolver, a “persistence of ear discharge beyond 2 weeks does not necessarily indicate” a doença crônica: a persistência de secreção além de duas semanas não indica necessariamente cronicidade, e o diagnóstico, diz a monografia, só pode ser presuntivo na atenção primária. O texto do documento está mais perto do prazo brasileiro de três meses do que do algoritmo do próprio documento.
E há o quarto caso, o mais fácil de ignorar: a definição da monografia não tem prazo nenhum. Otite média crônica supurativa é definida como “a chronic inflammation of the middle ear and mastoid cavity, which presents with recurrent ear discharges or otorrhoea through a tympanic perforation” — inflamação crônica da orelha média e da mastoide que se apresenta com secreção recorrente através de uma perfuração timpânica. Nem duas semanas, nem três meses: nenhuma semana. Quem cita a definição não restringe; quem cita o algoritmo restringe em duas semanas; quem cita o protocolo brasileiro restringe em seis semanas ou três meses.
A própria monografia admite que essa bagunça contaminou os números que ela publica. Sobre os estudos de prevalência que alimentam sua tabela global, ela registra que nenhum dos inquéritos mencionou o termo do relatório nem forneceu definição semelhante à dele, e conclui, na letra: “The terms used (‘chronic otitis media', ‘perforation' and ‘otorrhoea') did not appear to be synonymous.” Os termos empregados não eram sinônimos entre si. A tabela existe; o denominador de cada linha, não.
O mesmo texto, o número trocado
Os prazos acima parecem opiniões técnicas concorrentes. Não são. Os documentos foram comparados frase a frase, e o protocolo de Itu compartilha trinta e duas frases idênticas com o de Jundiaí, vinte com o do serviço gaúcho de telessaúde e nove com o do Espírito Santo — frases longas, de sessenta caracteres ou mais, iguais até a pontuação. O documento de Itu chega a citar a origem por escrito no rodapé de uma seção: “Fonte: TelesaúdeRS-UFRGS (2018) adaptado”.
Ou seja: existe um texto-mãe, de 2018, e existem cópias estaduais e municipais dele. A frase do encaminhamento é literalmente a mesma nos dois lados da divergência; o que mudou foi o numeral dentro dela e o ponto de onde se começa a contar. Isso muda a natureza do que o candidato precisa decorar: não são duas correntes de pensamento com fisiopatologias distintas, é uma linha editada.
A consequência prática é a que interessa na prova. Quando a questão pedir um prazo, o que importa é qual documento ela está usando como régua, e isso o enunciado quase sempre entrega: se fala em encaminhamento para o especialista, é protocolo de regulação, e o intervalo grande — três meses para secreção e efusão — é o mais seguro. Se a questão descreve uma criança com secreção há três semanas, ela não está perguntando prazo: está perguntando se você reconhece que ainda é agudo.
Vale registrar o que essa cópia não explica. As divergências de prazo não vieram da tradução do texto da Organização Mundial da Saúde: o documento internacional não aparece na lista de referências dos protocolos municipais examinados, e o prazo de duas semanas não sobreviveu em nenhum deles. As duas semanas ficaram só no documento de origem, e os documentos brasileiros, sem exceção, adotaram prazos maiores.
A otite que deixou de ser otite: a necrosante do diabético
Existe uma otite externa que não é doença de pele e não se resolve com gota: a otite externa necrosante, ainda chamada de maligna na literatura mais antiga e nos enunciados de prova. É osteomielite da base do crânio que começa no conduto e caminha pelo osso. O nome duplo é herança e vale conhecer os dois, porque a mesma prova usa ora um, ora outro: o protocolo de Uberaba registra os dois termos lado a lado nos descritores de busca.
O paciente é estável demais para o que tem. O protocolo de Uberaba é explícito: “A febre e a taquicardia também são incomuns”. É o padrão do déficit que apaga o sinal: no diabético idoso com resposta inflamatória comprometida, a osteomielite da base do crânio corre sem os sinais que fariam qualquer médico interná-lo. Esperar febre para levar o caso a sério é esperar por um sinal que o hospedeiro não consegue produzir.
Os três números do quadro clínico contam uma história contraintuitiva, e o protocolo os cita com as fontes originais. A otorreia “ocorre em 78% dos indivíduos portadores desta patologia, porém é pouco específica”. O tecido de granulação, “geralmente situado entre as porções ósteo-cartilagínea do CAE, é uma condição específica da doença, observada em 75% dos casos”. E o nervo facial “é o nervo craniano mais acometido (31% das OEN)”, mas “embora isto esteja associado à maior extensão da doença, não se comprovou tratar-se de um preditor prognóstico”.
Leia os três juntos. O achado mais frequente, com setenta e oito por cento, é o que menos decide, porque qualquer otite externa escorre. O achado logo abaixo, com setenta e cinco, é o que fecha o caso, porque tecido de granulação na junção entre osso e cartilagem não pertence a nenhuma outra otite externa. E o achado mais dramático, a paralisia facial em trinta e um por cento, impressiona, marca extensão e não prediz desfecho. Três pontos percentuais separam o primeiro do segundo, e uma distância enorme de utilidade clínica: é a diferença entre sensibilidade e especificidade escrita em números.
O protocolo gaúcho descreve o mesmo quadro do lado da regulação, com uma lista de gatilhos: “suspeita de otite externa maligna (otite externa severa com otalgia que não responde ao tratamento da dor, dor em mastoide, tecido de granulação, necrose no conduto ou paralisia facial)”, e classifica isso como encaminhamento para urgência ou emergência, não para ambulatório. É a única otite externa que sai da fila eletiva.

O tratamento também troca de escala. O protocolo de Uberaba coloca o ciprofloxacino como antimicrobiano de escolha, por via oral e tópica nos casos menos graves, e a ceftazidima como primeira escolha intravenosa, acrescentando que “30% de cepas de Pseudomonas apresentaram resistência ao ciprofloxacino”, o que explica por que alguns autores associam as duas. A tomografia contrastada é o padrão-ouro de extensão, mas o próprio protocolo avisa que ela “não colabora para a avaliação evolutiva, haja vista que as alterações ósseas geralmente são persistentes”, e por isso o seguimento se faz com cintilografia e com provas inflamatórias.
Guarde esse par, porque é armadilha frequente: o exame que fecha o diagnóstico não é o exame que acompanha a resposta. O osso continua alterado na imagem muito depois de a infecção ter cedido. Quem pede tomografia de controle para decidir alta lê melhora inexistente como falha e prolonga tratamento sem motivo.
O ouvido que escorre há meses: crônica e colesteatoma
Quando a secreção passa de semanas para meses, o vocabulário muda e as opções de resposta ficam mais parecidas entre si. O protocolo gaúcho organiza o campo em três formas. A otite média crônica benigna ou inativa é a “perfuração seca da membrana timpânica, sem infecção ativa”. A otite média crônica com efusão é “condição inflamatória crônica com líquido no ouvido médio sem sinais ou sintomas agudos”, com a membrana íntegra. E a forma supurativa é diagnosticada “quando há drenagem purulenta persistente através de uma MT perfurada”.
O colesteatoma é outra coisa, e a prova insiste nele. O mesmo documento o define como “coleção epitelial queratinizada e descamativa na orelha média ou mastóide”, que “pode ocorrer secundariamente à perfuração da MT ou como lesão primária”. Não é uma infecção que se resolve, é epitélio crescendo no lugar errado e corroendo o que encontra pela frente. O sinal de prova é a otorreia fétida persistente com perda auditiva condutiva, eventualmente com vertigem ou paralisia facial quando a erosão avança.
A consequência de conduta é a que separa as alternativas: colesteatoma não se trata com gota nem com ciclo de antibiótico. Ele se opera. A gota trata a infecção secundária que o acompanha e melhora o cheiro; a doença continua crescendo. Por isso os protocolos brasileiros colocam a suspeita de colesteatoma na lista de encaminhamento com prioridade, e o documento gaúcho o inclui entre as condições que “devem ter preferência no encaminhamento” ao lado de mastoidite crônica com drenagem e hipoacusia súbita.
A otite média com efusão fecha o grupo pelo lado silencioso. Sem dor e sem febre, ela se manifesta como perda auditiva de condução — e, na criança, como a queixa indireta que os protocolos descrevem: dificuldade de escutar a televisão, desatenção, atraso de fala. É o único quadro deste capítulo que costuma chegar sem otalgia, e por isso escapa da suspeita de quem só pensa em ouvido quando dói.
Emergência, ambulatório e o que fica na atenção primária
O protocolo gaúcho separa três destinos, e a separação é a espinha das questões de conduta. Vão para urgência ou emergência a suspeita de otite externa necrosante e a “otite média com complicações graves (como mastoidite aguda, paralisia facial e meningite)”. São os quadros em que a infecção saiu da orelha: entrou no osso, no nervo ou nas meninges.
Vão para o ambulatório de otorrinolaringologia a membrana perfurada persistente após o prazo, a otite média crônica com otorreia ou hipoacusia, a otite média com efusão que persiste, a suspeita de colesteatoma, a mastoidite crônica e os casos de otite externa necrosante já manejados na emergência. Repare que a necrosante aparece nas duas listas, em momentos diferentes: primeiro na emergência, depois no ambulatório, no seguimento.
Fica na atenção primária tudo o que sobra, e é a maior parte: otite externa aguda difusa não complicada, otite média aguda sem complicação, cerume e a reavaliação marcada. O fluxograma do protocolo de Uberaba resume a linha de frente em uma sequência: tratamento na unidade básica ou no pronto atendimento com “analgésico, anti-inflamatório, antibiótico tópico ou gotas otológicas, antibiótico sistêmico”, “reavaliação em 48 a 72 hs” e, se não houver melhora, encaminhamento pelo complexo regulador ao ambulatório de especialidades.
A mastoidite merece parágrafo próprio porque é a complicação que a prova usa como divisor. A criança em tratamento de otite média aguda que volta pior depois de três ou quatro dias de antibiótico adequado, com febre nova, dor retroauricular e pavilhão deslocado, não precisa de troca de gota nem de mais uma semana de amoxicilina: precisa de internação, antibiótico endovenoso, imagem do osso temporal e avaliação especializada. É a situação em que o tempo de resposta do primeiro esquema vira sinal de alarme, não de paciência.
O que a prova mede quando descreve a otoscopia
Vale fechar com o dicionário que os enunciados usam, porque a descrição da otoscopia carrega quase toda a informação diagnóstica das questões deste tema. Membrana abaulada, opaca e hiperemiada, com perda do triângulo luminoso: otite média aguda. Conduto edemaciado, com descamação e secreção, membrana normal ou não visualizada, dor à compressão do tragus: otite externa aguda difusa.
Tecido de granulação no assoalho do conduto, na junção entre osso e cartilagem, em diabético com otalgia que não cede à analgesia: otite externa necrosante, até prova em contrário. Perfuração com secreção purulenta há meses: otite média crônica supurativa. Secreção fétida com perda auditiva condutiva e massa esbranquiçada: colesteatoma. Membrana íntegra, retraída ou com nível líquido, sem dor e sem febre, com hipoacusia: otite média com efusão.
Duas confusões merecem nome porque aparecem em alternativa quase toda vez. A primeira: otorreia alivia a dor. A otite média aguda que perfura espontaneamente melhora a otalgia e passa a escorrer; o paciente que diz que doía muito e que ontem estourou não está melhorando por acaso, está descrevendo uma perfuração. A segunda: a otite externa também escorre. Secreção não é sinônimo de orelha média; o que localiza é o conduto, o tragus e a membrana, não o fato de sair líquido.
E uma fronteira que a prova respeita: a régua de idade que decide entre observar por quarenta e oito a setenta e duas horas ou antibiotizar de imediato a criança com otite média aguda pertence à Pediatria, e é lá que ela deve ser estudada. Neste capítulo ela aparece apenas para o candidato não a aplicar onde não vale: no adulto com otalgia e conduto edemaciado não existe observação, existe gota.
Da otalgia ao encaminhamento, na ordem em que se decide
A sequência vale para o adulto e para a criança com dor de ouvido, secreção ou ambas, na primeira avaliação. Ela não substitui a régua pediátrica de idade para escolher entre observar e antibiotizar a otite média aguda, que é assunto da apostila de Pediatria. Cada passo só faz sentido depois do anterior: o compartimento antes do agente, o agente antes da via, a via antes do prazo.
- 1Comprima o tragus e tracione o pavilhão. Dor a essa manobra localiza a doença na pele do conduto e afasta, na prática, a otite média isolada como explicação da dor.
- 2Faça a otoscopia com a pergunta certa: o achado está no caminho ou no fundo? Conduto estreitado e descamativo com membrana normal é orelha externa; membrana abaulada, opaca e hiperemiada é orelha média.
- 3Se a membrana não pode ser vista por edema do conduto, registre isso: além de ser critério para antibiótico sistêmico na otite externa, é o que impede afirmar que a orelha média está livre.
- 4Procure tecido de granulação no assoalho do conduto, na junção entre osso e cartilagem, sempre que houver diabetes, imunossupressão ou dor desproporcional que não cede à analgesia.
- 5Na otite externa não complicada, prescreva tópico: limpeza, analgesia, gota com cobertura para Pseudomonas por cerca de sete dias e orelha seca por quinze. Não acrescente antibiótico oral por reflexo.
- 6Acrescente o antibiótico sistêmico apenas nas três situações do protocolo: febre, edema do conduto que impede ver a membrana e edema periauricular. O alvo dele é o tecido mole, não o conduto.
- 7Antes de escolher a gota, decida se há perfuração. Com membrana íntegra, qualquer uma das opções serve; com membrana aberta, exclua o aminoglicosídeo e fique com cloranfenicol ou ciprofloxacina.
- 8Na otite média aguda, o tratamento é sistêmico e a reavaliação é marcada para quarenta e oito a setenta e duas horas. Piora nesse intervalo, sob esquema adequado, é sinal de complicação e não motivo de paciência.
- 9Diante de dor retroauricular, pavilhão deslocado e febre nova em criança já tratada, pense em mastoidite: internação, antimicrobiano endovenoso, imagem do osso temporal e avaliação especializada.
- 10Conte o relógio da cronicidade a partir do que o protocolo do seu serviço define, e registre a data de início da secreção no prontuário. Sem essa data, nenhum dos prazos publicados pode ser aplicado.
- 11Encaminhe para urgência a suspeita de otite externa necrosante e a otite média com mastoidite, paralisia facial ou meningite. Encaminhe para ambulatório a perfuração persistente, a otite média crônica, a efusão que não resolve e a suspeita de colesteatoma.
Primeiro degrau: a doença está no caminho
Conduto estreitado por edema e descamação, membrana ao fundo íntegra, dor à compressão do tragus. Otite externa aguda difusa. Gota com cobertura para Pseudomonas por sete dias, analgesia e orelha seca por quinze. Antibiótico oral só com febre, edema que impede ver a membrana ou edema periauricular.
Segundo degrau: a doença está no fundo
Conduto livre, membrana abaulada, opaca e hiperemiada, cavidade atrás dela preenchida. Otite média aguda. O tratamento é sistêmico porque a mucosa doente está atrás de uma barreira fechada; a gota não chega lá. Reavaliação marcada em quarenta e oito a setenta e duas horas.
Terceiro degrau: a barreira se abriu
Membrana com perfuração e secreção saindo por ela. A partir daqui a gota volta a alcançar a orelha média, e por isso o aminoglicosídeo sai da lista: só cloranfenicol e ciprofloxacina. Secreção que persiste conta o relógio da cronicidade e vira motivo de encaminhamento.
Quarto degrau: a doença saiu da orelha
Tecido de granulação na junção entre osso e cartilagem, dor que não cede à analgesia, diabético ou imunossuprimido, febre em geral ausente. Otite externa necrosante, que é osteomielite de base de crânio: encaminhamento para urgência, antimicrobiano sistêmico antipseudomonas e imagem.
Os seis quadros, lado a lado
| Quadro | O que a otoscopia e o exame mostram | Via do tratamento | Destino |
|---|---|---|---|
| Otite externa aguda difusa | Conduto edemaciado e descamativo, membrana íntegra, dor à compressão do tragus | Tópica: gota com cobertura para Pseudomonas; sistêmico só nas três exceções | Atenção primária, reavaliação em 48 a 72 horas |
| Otite externa necrosante | Tecido de granulação na junção osso-cartilagem, dor refratária, diabético, febre incomum | Sistêmica antipseudomonas, oral ou intravenosa, mais tópica | Urgência ou emergência; depois, ambulatório para seguimento |
| Otite média aguda | Membrana abaulada, opaca e hiperemiada, precedida de coriza, com febre e otalgia | Sistêmica; a gota não alcança a mucosa atrás da membrana íntegra | Atenção primária; especialista se falha de primeira e segunda escolha |
| Otite média com efusão | Membrana íntegra, retraída ou com nível líquido, sem dor e sem febre, com hipoacusia | Observação; nenhuma gota resolve líquido atrás de membrana fechada | Especialista se persiste por mais de três meses |
| Otite média crônica supurativa | Perfuração com drenagem purulenta persistente através dela | Limpeza e tópico sem aminoglicosídeo; oral não acrescenta benefício | Especialista pelo prazo do protocolo local |
| Colesteatoma | Otorreia fétida persistente, perda auditiva condutiva, massa esbranquiçada | Cirúrgica; a gota trata a infecção associada, não a doença | Especialista com prioridade |
O relógio de cada documento para a mesma pergunta
| Documento e ano | Perfuração após otite média aguda | Otorreia ou efusão | De onde se conta |
|---|---|---|---|
| Organização Mundial da Saúde, 2004 | A definição não traz prazo algum | Duas semanas no algoritmo; o texto diz que duas semanas não bastam | Do início da secreção |
| Serviço de telessaúde do Rio Grande do Sul, 2023 | Seis semanas | Três meses | Do fim do tratamento da otite média aguda |
| Município de Itu, 2023 | Seis semanas | Três meses | Do fim do tratamento da otite média aguda |
| Estado do Espírito Santo, 2020 e 2021 | Três meses | Três meses | Do início do acompanhamento na atenção primária |
| Município de Jundiaí, 2023 | Três meses para nomear a doença | Quatro semanas para encaminhar com prioridade | Do início da supuração |
A dor à compressão do tragus localiza, não gradua. Uma otite média com complicação intracraniana pode ter tração do pavilhão completamente indolor, e nem por isso é o quadro mais leve dos dois.
Os prazos da tabela de relógios não são graus de rigor de escolas diferentes: três dos documentos descendem do mesmo texto, e a frase é literalmente a mesma nos dois lados da divergência. O que muda é o numeral e a âncora da contagem.
Nenhum dos oito documentos consultados declara conflito de interesse, fonte de financiamento, patrocínio ou ausência deles. Isso inclui a monografia internacional e o protocolo assistencial do hospital universitário, em que a declaração seria esperada.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Contraindicada. O protocolo assistencial brasileiro de 2025 é categórico: com perfuração da membrana, pelo risco de ototoxicidade induzida por aminoglicosídeos, apenas o cloranfenicol e a ciprofloxacina devem ser prescritos. A mesma posição é atribuída, dentro da monografia internacional, a um órgão regulador britânico, que declarou as gotas de aminoglicosídeo contraindicadas quando existe perfuração da membrana, pelo risco de ototoxicidade.
Protocolo Manejo Clínico das Otites Externas, hospital universitário federal de Uberaba, versão 2, 2025; e Chronic suppurative otitis media, Organização Mundial da Saúde, 2004, capítulo de manejo.
Permitida como primeira linha. O roteiro operacional da mesma monografia internacional instrui a instilar antibiótico tópico de largo espectro, dando como exemplo a associação de neomicina com polimixina, por uma a duas semanas, em orelha cuja doença é definida como secreção através de uma perfuração; e, se não houver resolução com cultura mostrando Pseudomonas, oferece como alternativa trocar por quinolona tópica ou por outro aminoglicosídeo, como a gentamicina.
Chronic suppurative otitis media, Organização Mundial da Saúde, 2004, cenários de manejo, passos 7 e 8.
Na prova
A divergência está dentro do mesmo documento: o texto cita o regulador que proíbe e o algoritmo prescreve o proibido, na mesma doença. A prova brasileira segue o protocolo brasileiro, e a resposta esperada é a quinolona tópica sempre que o enunciado mencionar perfuração, otite média crônica ou secreção saindo pela membrana. Se o enunciado descrever membrana íntegra, a restrição desaparece e outras gotas voltam a ser aceitáveis.
Seis semanas, contadas do fim do tratamento. A condição escrita é membrana timpânica perfurada persistente após seis semanas do tratamento da otite média aguda, e ela aparece com a mesma redação em dois documentos, um estadual de origem universitária e um municipal que declara ter copiado dele.
Protocolos de encaminhamento em Otorrinolaringologia, serviço de telessaúde universitário do Rio Grande do Sul, versão digital de 2023; e protocolo do município de Itu, 2023.
Três meses, contados do início do acompanhamento. A condição escrita é membrana timpânica perfurada após três meses de acompanhamento na atenção primária, com a mesma posição na lista e o mesmo vizinho de bullet, mas com o numeral dobrado e a origem da contagem trocada.
Protocolo de regulação formativa em Otorrinolaringologia, secretaria estadual de saúde do Espírito Santo, novembro de 2020; e protocolo de Otorrinolaringologia do instituto capixaba de ensino, 2021.
Na prova
O candidato não precisa escolher um lado, precisa reconhecer o eixo: perfuração que não fecha depois do tratamento é motivo de encaminhamento eletivo, e o prazo publicado varia por documento entre seis semanas e três meses. Questão que cobre prazo costuma dar o desenho do serviço no enunciado. Quando não der, o intervalo maior é o mais defensável, porque é o que mais documentos adotam.
Duas semanas. A orientação para o trabalhador da atenção primária diz que uma história de pelo menos duas semanas de secreção persistente deve alertar para o problema, e o algoritmo de manejo abre justamente com o paciente que tem secreção de duas semanas ou mais.
Chronic suppurative otitis media, Organização Mundial da Saúde, 2004, resumo e algoritmo de manejo.
Duas semanas não bastam. O corpo do mesmo documento afirma que, como oitenta por cento das otites médias agudas de crianças levam de dois a três meses para resolver, a persistência de secreção além de duas semanas não indica necessariamente doença crônica, e o diagnóstico só pode ser presuntivo na atenção primária.
Chronic suppurative otitis media, Organização Mundial da Saúde, 2004, discussão diagnóstica.
Três meses, com encaminhamento antes disso. Os protocolos brasileiros usam três meses de otorreia ou de efusão como critério de encaminhamento, e um deles antecipa o encaminhamento prioritário para quatro semanas de supuração, explicitamente para evitar que a doença de três meses se instale.
Protocolos de encaminhamento do Rio Grande do Sul, 2023; do Espírito Santo, 2021; e protocolo do município de Jundiaí, 2023.
Na prova
Três posições e um detalhe que fecha o assunto: a definição formal da monografia internacional não traz prazo nenhum. Ela descreve inflamação crônica da orelha média e da mastoide com secreção recorrente através de uma perfuração, sem contar semanas. Quem decorou duas semanas está citando o algoritmo; quem decorou três meses está citando o protocolo de encaminhamento; quem cita a definição não deveria citar prazo nenhum.
Caso resolvido
- primeiro, localize o compartimento antes de nomear a doença
- O achado está no caminho, não no fundo: edema, secreção e granulação no conduto. Isso é orelha externa. A membrana não visualizada não permite afirmar que a orelha média está livre, e esse registro importa: é um dos critérios de antibiótico sistêmico e uma limitação declarada do exame.
- segundo, some os quatro elementos que mudam a doença de categoria
- Diabetes malcontrolado, idade avançada, dor refratária ao tratamento tópico já tentado e tecido de granulação na junção entre osso e cartilagem. Esses quatro juntos deixam de descrever otite externa aguda difusa e passam a descrever otite externa necrosante, que é osteomielite de base de crânio.
- terceiro, não use a ausência de febre para tranquilizar
- Estar afebril e sem taquicardia é o esperado neste quadro, não um sinal de benignidade. A fonte é explícita: febre e taquicardia são incomuns na otite externa necrosante. O hospedeiro com defesa comprometida não produz o sinal que o médico está esperando.
- quarto, mude o destino antes de mudar a prescrição
- A suspeita de otite externa necrosante é, nos protocolos de encaminhamento, condição de urgência ou emergência, e não de fila eletiva. Prescrever outra gota e reavaliar em uma semana é o erro central da vinheta: o caso saiu do escopo da unidade básica no momento em que a granulação apareceu.
- quinto, escolha o antimicrobiano pelo agente e pela via certa
- O agente é Pseudomonas na maioria dos casos. O ciprofloxacino é o antimicrobiano de escolha, por via oral e tópica nos casos menos graves; a ceftazidima é a primeira escolha intravenosa. A associação das duas é proposta por parte dos autores porque cerca de trinta por cento das cepas mostram resistência ao ciprofloxacino.
- sexto, separe o exame que diagnostica do exame que acompanha
- A tomografia contrastada de orelhas e mastoides define a extensão e é o padrão-ouro para isso, mas não serve para acompanhar resposta, porque as alterações ósseas persistem. O seguimento se faz com cintilografia e com provas inflamatórias, além da avaliação clínica e do controle glicêmico.
Agora feche você
- Passo 1
- Nomeie o quadro inicial usando os três adjetivos da otoscopia e diga por que o tratamento tinha de ser sistêmico, e não tópico.
- Passo 2
- Explique por que a resposta à mãe sobre a gota é negativa em duas frentes: a barreira anatômica e o momento clínico em que a pergunta foi feita.
- Passo 3
- Diga o que significa piorar no quarto dia sob antibiótico adequado e nomeie a complicação sugerida pela dor retroauricular com deslocamento do pavilhão.
- Passo 4
- Defina o destino do paciente e liste as quatro medidas que a complicação exige, incluindo o exame de imagem apropriado.
- Passo 5
- Suponha agora que, em vez de piorar, a criança tivesse melhorado, mas a secreção pela orelha persistisse por semanas. Diga a partir de que prazo cada família de documentos manda encaminhar e por que os números divergem.
Onde a banca derruba
- 1Prescrever amoxicilina para otite externa O agente é Pseudomonas ou estafilococo de pele, e a via é a gota. A amoxicilina não cobre o agente e não alcança o conduto em concentração útil. O erro é reforçado por protocolo público que imprime uma lista de antibióticos orais sob um título que abrange otite externa e otite média.
- 2Usar gota com aminoglicosídeo em orelha perfurada Com a membrana aberta, a solução alcança a janela redonda. Neomicina e gentamicina saem da lista; cloranfenicol e ciprofloxacina ficam. Se o enunciado mencionar perfuração, otite média crônica ou secreção que sai pela membrana, a quinolona tópica é a escolha.
- 3Ler tração indolor do pavilhão como caso leve A manobra localiza o compartimento, não mede gravidade. Uma otite média com mastoidite ou complicação intracraniana tem tração indolor, e é muito mais grave do que a otite externa que doeu ao toque.
- 4Esperar febre para levar a sério a otite do diabético Na otite externa necrosante, febre e taquicardia são incomuns. O que decide é dor refratária à analgesia com tecido de granulação na junção entre osso e cartilagem, em hospedeiro com defesa comprometida. Esperar o sinal sistêmico é esperar por algo que o paciente não consegue produzir.
- 5Tratar a otorreia como sinal de gravidade da necrosante A secreção aparece em setenta e oito por cento dos casos e é pouco específica, porque qualquer otite externa escorre. O achado que fecha o diagnóstico é o tecido de granulação, presente em setenta e cinco por cento; a diferença de frequência é pequena e a diferença de utilidade é enorme.
- 6Usar a paralisia facial como marcador de prognóstico O nervo facial é o par craniano mais acometido, em cerca de trinta e um por cento dos casos, e isso marca extensão da doença. Não está comprovado que seja preditor de desfecho; a fonte que traz o número é explícita nesse ponto.
- 7Pedir tomografia de controle para decidir a alta A tomografia contrastada é padrão-ouro para extensão, mas não serve ao acompanhamento evolutivo, porque as alterações ósseas persistem depois da cura. O seguimento se faz com provas inflamatórias e cintilografia; quem controla por tomografia lê melhora inexistente como falha.
- 8Tratar colesteatoma com antibiótico Não é infecção que se resolve: é epitélio queratinizado crescendo na orelha média ou na mastoide e erodindo o que encontra. A gota melhora o cheiro e a infecção associada, e a doença continua. A conduta é encaminhamento com prioridade para avaliação cirúrgica.
- 9Achar que secreção significa orelha média A otite externa também escorre. O que localiza é o conduto, a dor ao toque e o estado da membrana, não a presença de líquido. E a otite média aguda que perfura espontaneamente melhora a dor justamente quando começa a escorrer.
- 10Aplicar o prazo de um protocolo sem saber de onde ele conta Seis semanas do fim do tratamento e três meses do início do acompanhamento não são a mesma régua com números diferentes: são réguas com origens diferentes. Sem a data de início registrada em prontuário, nenhum dos dois prazos pode ser aplicado.
- 11Suspender o cuidado quando acaba o frasco Na otite externa aguda difusa, a gota dura cerca de sete dias e a orelha deve ficar seca por quinze. A recidiva que aparece na semana seguinte à alta costuma ser lida como falha do antibiótico, quando é reexposição à água.
O quadro é otite externa necrotizante (maligna): idoso diabético, otalgia desproporcional e refratária, tecido de granulação na junção osteocartilaginosa e acometimento de par craniano (facial), indicando osteomielite da base do crânio. O agente clássico é Pseudomonas aeruginosa. A cintilografia com gálio-67 (ou tecnécio-99m) avalia atividade osteomielítica e acompanhamento; a TC define erosão óssea. S. aureus, S. pneumoniae e Candida não são os agentes típicos desta entidade. Radiografia simples e audiometria não avaliam extensão óssea da base do crânio, e USG/RM só de partes moles não caracterizam a osteomielite.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Homem, 28 anos, nadador, procura atendimento com otalgia intensa à esquerda há 3 dias, com piora progressiva e sensação de plenitude auricular. Nega febre. Ao exame, há dor importante à tração do pavilhão auricular e à pressão sobre o trago. À otoscopia, o canal auditivo externo está edemaciado, hiperemiado e com secreção; a visualização da membrana timpânica está prejudicada pelo edema, mas não há abaulamento evidente. É diabético, com controle glicêmico irregular. Além da limpeza do conduto, qual é a conduta inicial mais apropriada?
Correta: Otite externa aguda difusa não complicada tem como pilar o antibiótico TÓPICO otológico (ex.: fluoroquinolona) associado à limpeza do conduto e ao controle da dor; a via tópica atinge altas concentrações locais e evita resistência sistêmica. Erra: antibiótico sistêmico oral não é primeira linha na otite externa não complicada, ficando reservado a extensão de partes moles/celulite ou imunossupressão grave. Erra: deixar sem antibiótico não trata a infecção difusa já estabelecida do conduto. Erra TC e antibiótico EV imediatos são conduta da otite externa maligna/necrosante (dor desproporcional, tecido de granulação no assoalho do conduto, paralisia de nervos cranianos) — o caso é fator de risco (diabético), mas ainda não preenche esse quadro. Erra: corticoide isolado não cobre o agente infeccioso.
Homem, 22 anos, nadador amador, procura o pronto-atendimento com dor intensa no ouvido direito há 2 dias, iniciada horas após um treino na piscina. Refere sensação de plenitude auricular e discreta saída de secreção. Ao exame otoscópico: intensa dor à tração do pavilhão auricular e à pressão sobre o tragus; conduto auditivo externo edemaciado, hiperemiado e com secreção, dificultando a visualização da membrana timpânica, que não apresenta abaulamento. Afebril, sem outras queixas. Qual o diagnóstico mais provável?
Correta: o quadro clássico de otite externa aguda difusa ("ouvido de nadador") reúne exposição à água, dor desproporcional à manipulação do pavilhão e do tragus e conduto auditivo externo edemaciado/hiperemiado com secreção — exatamente o descrito na vinheta. Otite média aguda: a dor da OMA não piora à tração do pavilhão, e o achado-chave é abaulamento/hiperemia da membrana timpânica, ausente aqui. Otite média com efusão: cursa com hipoacusia e membrana retraída/opaca sem sinais inflamatórios agudos do conduto, e não dói à manipulação. Colesteatoma: é doença crônica, com otorreia fétida recorrente e retração/perfuração timpânica, sem instalação aguda pós-piscina. Mastoidite: complicação de OMA, com dor, edema e eritema retroauriculares e deslocamento anterior do pavilhão, além de febre/toxemia — inexistentes no caso.
Uma mulher de 24 anos procura a Unidade de Pronto Atendimento com dor na orelha esquerda, de início há três dias, de forte intensidade, contínua e que piora ao deitar-se sobre o lado afetado e ao mastigar. Refere sensação de ouvido tampado e discreta secreção clara. É nadadora e treina diariamente em piscina; nega febre, coriza, trauma ou uso de hastes flexíveis. Não tem comorbidades. Ao exame físico, encontra-se afebril, em bom estado geral; há dor intensa à tração do pavilhão auricular e à pressão sobre o trágus à esquerda. À otoscopia, observa-se conduto auditivo externo edemaciado, hiperemiado, com descamação e escassa secreção; a membrana timpânica, visualizada parcialmente, está íntegra e sem abaulamento. Nesse caso, o diagnóstico e a conduta são, respectivamente,
Dor à tração do pavilhão e à pressão do trágus, com conduto auditivo externo edemaciado e hiperemiado e membrana timpânica íntegra, em paciente com exposição frequente à água (nadadora), é o quadro clássico de otite externa difusa aguda. O tratamento de escolha é tópico: limpeza/aspiração do conduto, analgesia e gotas otológicas com antibiótico associado a corticoide, reservando-se antibiótico sistêmico para extensão além do conduto, imunossupressão ou diabetes. Otite média aguda cursa com timpânica abaulada e hiperemiada e não com dor à mobilização do pavilhão, além de não justificar amoxicilina-clavulanato como primeira linha. Otite externa necrosante ocorre tipicamente em idosos diabéticos ou imunossuprimidos, com dor desproporcional, tecido de granulação e possível acometimento de pares cranianos — ausentes aqui. Disfunção tubária não produz edema inflamatório do conduto nem dor à tração do pavilhão.
Um homem de 72 anos, com diabetes mellitus tipo 2 há vinte anos, em uso irregular de insulina e com hemoglobina glicada de 10,2%, comparece à Unidade de Saúde da Família com dor na orelha direita há três semanas, de intensidade progressiva, contínua, que não melhora com analgésicos comuns e piora à noite, impedindo o sono. Refere otorreia purulenta persistente apesar de ter usado gotas otológicas com antibiótico por dez dias. Ao exame físico, está afebril, com glicemia capilar de 320 mg/dL; observa-se edema e dor intensa à palpação da região retroauricular direita. À otoscopia, há conduto auditivo externo edemaciado, com secreção purulenta e tecido de granulação em seu assoalho, na junção osteocartilaginosa. Nesse caso, a hipótese diagnóstica e a conduta são, respectivamente,
Idoso diabético descompensado com otalgia intensa e refratária de curso arrastado, otorreia que não responde ao tratamento tópico e tecido de granulação na junção osteocartilaginosa do conduto configura otite externa necrosante (maligna), habitualmente por Pseudomonas aeruginosa, que é uma osteomielite da base do crânio. Trata-se de urgência: exige encaminhamento hospitalar imediato para imagem (tomografia/cintilografia), coleta de cultura, antibioticoterapia sistêmica antipseudomonas prolongada e controle glicêmico rigoroso. Otite externa difusa aguda é autolimitada e responde a tratamento tópico em poucos dias, sem granulação nem dor noturna refratária. Otite média crônica simples cursa com perfuração timpânica e otorreia intermitente indolor, não com dor intensa e granulação do conduto. Otomicose apresenta prurido e hifas/massas algodoadas visíveis, e nenhuma dessas hipóteses justificaria a granulação óssea nesse hospedeiro de risco.
Homem de 28 anos, previamente hígido, procura a Unidade Básica de Saúde queixando-se de dor intensa na orelha direita há 3 dias, iniciada depois de frequentar piscina em fins de semana consecutivos. Refere sensação de ouvido tampado e secreção clara escassa; nega febre, coriza, tosse ou infecção de vias aéreas superiores recente. Ao exame, há dor intensa à tração do pavilhão auricular e à pressão do trago. À otoscopia, o conduto auditivo externo encontra-se hiperemiado, edemaciado e com debris esbranquiçados, dificultando a visualização; a porção visível da membrana timpânica é translúcida, com cone luminoso preservado e mobilidade normal à otoscopia pneumática. Não há linfonodomegalia nem paralisia facial; a orelha esquerda é normal. Glicemia capilar de 92 mg/dL. Qual é, respectivamente, o diagnóstico mais provável e a conduta adequada?
Correta: a tríade dor à tração do pavilhão/pressão do trago, conduto edemaciado com debris e membrana timpânica íntegra, translúcida e com mobilidade normal, em contexto de exposição à água ("otite do nadador"), define otite externa aguda difusa. O tratamento preconizado é tópico: limpeza/aspiração do conduto e gotas otológicas (ciprofloxacino, ou combinação com corticoide), com analgesia — antibiótico sistêmico não é indicado na doença não complicada, pois o quadro é localizado e o fármaco tópico atinge concentrações muito superiores no sítio. Errada: otite média aguda cursa com membrana timpânica abaulada, hiperemiada e com mobilidade reduzida, geralmente após IVAS e sem dor à manipulação do pavilhão — nada disso está presente. Errada: a otite externa necrosante ocorre tipicamente em diabéticos descompensados ou imunossuprimidos e cursa com tecido de granulação no assoalho do conduto, dor desproporcional/noturna e risco de paralisia de nervos cranianos — o paciente é hígido, normoglicêmico e sem esses achados. Errada: na otite média serosa há efusão retrotimpânica com hipomobilidade da membrana e hipoacusia sem dor intensa, o que não corresponde ao conduto edemaciado e à membrana normal descritos.
Uma mulher de 29 anos procura a Unidade Básica de Saúde com dor no ouvido esquerdo há 3 dias, que piora ao mastigar e ao tocar a orelha. Relata que costuma nadar em piscina com frequência. Está afebril. À otoscopia: conduto auditivo externo edemaciado, hiperemiado e com discreta secreção; a dor é intensa à tração do pavilhão auricular e à pressão do trago. A membrana timpânica, quando visualizada, tem aspecto normal. Qual é o diagnóstico mais provável?
Dor à tração do pavilhão e à pressão do trago, conduto edemaciado/hiperemiado com secreção e história de exposição à água (otite do nadador) definem a otite externa aguda, com tímpano preservado. Na OMA a dor não piora à manipulação do pavilhão e a membrana timpânica está abaulada/hiperemiada. A otite média com efusão cursa com líquido atrás do tímpano e hipoacusia, tipicamente sem dor ou sinais inflamatórios do conduto. A mastoidite cursa com dor, edema e hiperemia retroauricular, com deslocamento do pavilhão e sinais sistêmicos, ausentes aqui.
Um homem de 68 anos, diabético de longa data e com mau controle glicêmico, procura a Unidade de Pronto Atendimento com otalgia esquerda intensa e persistente há duas semanas, sem melhora com gotas otológicas prescritas previamente. Refere otorreia purulenta contínua. À otoscopia: conduto auditivo externo com tecido de granulação na junção osteocartilaginosa e secreção abundante. Está subfebril e queixa-se de dor desproporcional ao exame. Qual é a conduta mais adequada diante da principal hipótese?
Idoso diabético com otalgia intensa e desproporcional, otorreia persistente refratária a gotas e tecido de granulação no conduto configura otite externa maligna (necrotizante), geralmente por Pseudomonas aeruginosa — condição grave que exige encaminhamento ao serviço de referência, imagem e antibioticoterapia sistêmica antipseudomonas. Manter gotas e reavaliar em 30 dias retarda o diagnóstico de uma osteomielite de base de crânio potencialmente fatal. Amoxicilina oral não cobre Pseudomonas nem trata a forma invasiva. Lavagem/anti-inflamatório não abordam a doença e podem piorar o quadro; o granuloma e a dor desproporcional são sinais de alerta.
Adolescente de 15 anos, nadador de equipe escolar, procura a UPA com dor intensa no ouvido direito há três dias, que piora ao deitar sobre o travesseiro e ao mastigar. Nega febre, hipoacusia importante e infecção respiratória recente. Ao exame: dor exuberante à tração do pavilhão auricular e à pressão do trago; conduto auditivo externo edemaciado e hiperemiado, com escassa secreção esbranquiçada; membrana timpânica íntegra e móvel nos pontos em que pôde ser visualizada. Sem diabetes ou imunossupressão. Assinale a conduta inicial adequada.
Dois passos: reconhecer que a dor à tração do pavilhão/pressão do trago com conduto edemaciado e membrana timpânica normal define otite externa aguda difusa (e não otite média, em que o trago é indolor e a membrana está abaulada), e então tratar. O tratamento de escolha da otite externa difusa não complicada é TÓPICO — quinolona otológica (ciprofloxacino) associada a corticosteroide, cobrindo Pseudomonas aeruginosa e Staphylococcus aureus, com analgesia e conduto seco. Amoxicilina oral não cobre Pseudomonas e não atinge concentração adequada no conduto; antibiótico sistêmico só entra se houver celulite periauricular, extensão além do conduto, diabetes ou imunossupressão. Otomicose cursa com prurido predominante e secreção com hifas/aspecto algodonoso ou pontos enegrecidos, geralmente após uso prolongado de antibiótico tópico — não é o quadro. Ciprofloxacino sistêmico com TC é a abordagem da otite externa necrotizante (maligna), que exige diabético/imunossuprimido, dor refratária e tecido de granulação — ausentes aqui.
Homem de 68 anos, diabético tipo 2 de longa data com controle irregular (HbA1c 9,8%), retorna à emergência com otalgia esquerda intensa e persistente há três semanas, refratária a gotas otológicas e analgésicos comuns, com piora noturna e otorreia purulenta fétida. Ao exame: temperatura 37,4 °C; conduto auditivo externo esquerdo muito edemaciado, com tecido de granulação na junção osteocartilaginosa do assoalho; membrana timpânica não visualizada; discreta assimetria da rima labial à esquerda, com dificuldade de fechar o olho. VHS 92 mm/h. Assinale o próximo passo mais adequado.
Idoso diabético descompensado, com otalgia desproporcional e refratária ao tratamento tópico, tecido de granulação na junção osteocartilaginosa (achado clássico) e VHS muito elevada configuram otite externa necrotizante (maligna), quase sempre por Pseudomonas aeruginosa; a paresia facial indica acometimento do nervo facial no forame estilomastóideo, ou seja, osteomielite de base de crânio já instalada. O próximo passo é imagem (TC de ossos temporais para avaliar erosão óssea; cintilografia/RM complementam) e antibioticoterapia sistêmica antipseudomonas prolongada, além do controle glicêmico. Persistir com tópico é justamente o erro que permitiu a progressão da doença — o tópico não trata osteomielite. A paralisia facial aqui é complicação da osteomielite, não Bell; corticoide isolado, sem antibiótico, pode agravar a infecção. O carcinoma de conduto é diferencial e a biópsia pode ser feita, mas adiar o antibiótico numa infecção com neuropatia craniana é inaceitável.
No protocolo de encaminhamento em Otorrinolaringologia Adulto do TelessaúdeRS-UFRGS, versão 2023, qual formulação corresponde ao critério para encaminhar a perfuração timpânica persistente após otite média aguda?
O protocolo de Otorrinolaringologia Adulto do TelessaúdeRS-UFRGS, versão 2023, inclui como critério de encaminhamento a membrana timpânica perfurada persistente após seis semanas do tratamento da otite média aguda. A formulação não autoriza acrescentar, por conta própria, que o prazo se inicia exclusivamente no último dia do antibiótico. Trata-se de um critério desse documento, que não deve ser generalizado como prazo único nacional. A presença de complicações ou sinais de alarme pode exigir avaliação mais rápida, independentemente do prazo para perfuração persistente.
Homem de 34 anos, com otite média crônica e perfuração timpânica conhecida à direita, apresenta otorreia purulenta há dez dias, sem febre e sem dor intensa. À otoscopia confirma-se a perfuração com secreção saindo por ela. Considerando o risco de ototoxicidade, qual gota otológica pode ser prescrita com segurança?
Com a membrana timpânica perfurada, a solução instilada deixa de ficar restrita à pele do conduto e alcança a orelha média e a janela redonda. O protocolo assistencial brasileiro é explícito: na presença de perfuração, pelo risco de ototoxicidade induzida por aminoglicosídeos, apenas o cloranfenicol e a ciprofloxacina devem ser prescritos. Neomicina, gentamicina e tobramicina são aminoglicosídeos e ficam excluídos exatamente por isso, ainda que tenham boa atividade antimicrobiana; o argumento de espectro ou de absorção não supera a restrição de classe. Vale saber que a monografia internacional de 2004 chega a sugerir neomicina com polimixina nesse cenário, o que contraria a citação do próprio documento sobre a proibição do aminoglicosídeo em orelha perfurada; a régua brasileira atual é a que a prova cobra.
Durante a discussão de um caso de otite externa aguda difusa em adulto, um residente pergunta quando está indicado acrescentar antibiótico sistêmico ao tratamento tópico. Segundo o protocolo assistencial de referência, qual conjunto de situações indica o antibiótico por via sistêmica?
O protocolo assistencial lista três indicações para o antibiótico sistêmico na otite externa: presença de febre, edema acentuado do conduto que impede a visualização da membrana timpânica e edema periauricular. O que une as três é a saída da infecção do território da pele do conduto — repercussão sistêmica ou envolvimento do tecido mole ao redor da orelha. Enquanto a doença estiver restrita ao conduto, a via tópica alcança concentrações que nenhum comprimido alcança ali, e acrescentar antibiótico oral por reflexo não melhora o desfecho. Dor, prurido e exposição à água são o quadro habitual e não indicam sistêmico. Otorreia com hipoacusia aponta para orelha média, outro compartimento. Idade e aparelho auditivo são fatores predisponentes, não critérios de via. Descamação com dermatite e fungos aponta para etiologia fúngica ou alérgica, com abordagem própria.
Homem de 74 anos, diabético de longa data e com controle glicêmico ruim, tem dor na orelha esquerda há três semanas, pior à noite, sem resposta a gotas otológicas e a analgésicos. Está afebril, com frequência cardíaca de 76 batimentos por minuto. À otoscopia há secreção e tecido de granulação no assoalho do conduto, na junção entre a parte óssea e a cartilaginosa. Qual é a conduta?
O conjunto de diabetes malcontrolado, dor refratária ao tratamento tópico já tentado e tecido de granulação na junção entre osso e cartilagem define a suspeita de otite externa necrosante, que é osteomielite da base do crânio e não doença de pele. Estar afebril e sem taquicardia não afasta o diagnóstico: a fonte registra que febre e taquicardia são incomuns neste quadro, porque o hospedeiro com defesa comprometida não produz o sinal esperado. Os protocolos de encaminhamento colocam essa suspeita entre as condições de urgência ou emergência, e não na fila eletiva, de modo que manter a gota, trocar por corticoide ou agendar consulta de rotina perdem tempo em uma infecção que caminha pelo osso. Aguardar cultura antes de qualquer medida também atrasa, embora a coleta seja útil quando feita em paralelo ao encaminhamento e ao início do antimicrobiano.
Mulher de 45 anos relata, há oito meses, saída de secreção com odor fétido pela orelha direita, acompanhada de redução progressiva da audição desse lado. Não tem dor nem febre. À otoscopia observa-se perfuração da membrana com material esbranquiçado e descamativo ocupando a orelha média. Qual é a hipótese e a conduta apropriada?
Otorreia fétida persistente por meses, perda auditiva condutiva progressiva e material esbranquiçado e descamativo na orelha média descrevem colesteatoma, definido como coleção epitelial queratinizada e descamativa na orelha média ou na mastoide, secundária a perfuração ou primária. Não é uma infecção que se resolve com ciclo de antimicrobiano: é epitélio crescendo no lugar errado e erodindo o que encontra, incluindo cadeia ossicular, canal do nervo facial e labirinto. A gota trata a infecção associada e melhora o odor, mas a doença continua avançando, o que torna a conduta expectante e a profilaxia prolongada escolhas perigosas. Os protocolos brasileiros colocam a suspeita de colesteatoma entre as condições de encaminhamento prioritário ao especialista, com vistas ao tratamento cirúrgico.
Mulher de 29 anos, nadadora habitual, procura a unidade básica com dor na orelha esquerda há três dias, que piora ao mastigar e ao encostar na orelha. Está afebril. À otoscopia, o conduto está edemaciado e com descamação, e a membrana timpânica, visualizada parcialmente, tem aspecto normal. Qual é o diagnóstico e a conduta inicial adequada?
Dor que piora ao encostar na orelha, conduto edemaciado e descamativo e membrana timpânica de aspecto normal formam o pacote da otite externa aguda difusa: a doença está na pele do conduto, não na mucosa atrás da membrana. O agente típico é a Pseudomonas aeruginosa, e a via correta é tópica, com limpeza, analgesia e gota que cubra esse agente. A alternativa da otite média erra o compartimento e a via, porque a amoxicilina não cobre o agente da pele e o quadro descrito não tem abaulamento nem opacidade da membrana. A efusão é indolor e afebril, com membrana íntegra e hipoacusia, o que não corresponde a este quadro. A necrosante exige hospedeiro comprometido, dor refratária e tecido de granulação na junção entre osso e cartilagem, ausentes aqui. O colesteatoma cursa com otorreia fétida de meses e perda auditiva condutiva, e não com três dias de dor.
Sobre a otite externa necrosante, a literatura de referência registra que a otorreia ocorre em cerca de 78% dos casos, que o tecido de granulação na junção entre osso e cartilagem é observado em cerca de 75% e que o nervo facial é acometido em cerca de 31%. Qual leitura desses números está correta?
Frequência e utilidade não são a mesma coisa. A otorreia aparece em cerca de setenta e oito por cento dos casos e é descrita como pouco específica, porque qualquer otite externa escorre; ela quase não move a probabilidade diagnóstica. O tecido de granulação, com cerca de setenta e cinco por cento, é apontado como condição específica da doença, e é ele que fecha a suspeita à beira do leito. Três pontos percentuais separam os dois achados, e a distância de utilidade clínica entre eles é enorme: é a diferença entre sensibilidade e especificidade escrita em números. O acometimento do nervo facial, o par craniano mais atingido, marca extensão da doença, mas a fonte registra que não se comprovou tratar-se de preditor prognóstico. E a ausência dos achados clássicos não exclui a doença em diabético com dor refratária, situação em que a imagem continua indicada.
Menino de 2 anos em tratamento de otite média aguda à esquerda com amoxicilina em dose adequada há quatro dias retorna à unidade com febre nova, dor retroauricular e o pavilhão esquerdo deslocado para frente e para fora. À otoscopia, a membrana permanece abaulada e opaca. Qual é a conduta?
Piorar no quarto dia sob antibiótico adequado não é motivo para prolongar o mesmo esquema: é sinal de complicação. Dor retroauricular com deslocamento do pavilhão para frente e para fora é o quadro clássico da mastoidite aguda, e os protocolos de encaminhamento classificam a otite média com complicações graves, incluindo mastoidite, paralisia facial e meningite, como condição de urgência ou emergência. A conduta é hospitalar: internação, antimicrobiano endovenoso, imagem do osso temporal e avaliação da otorrinolaringologia. Trocar por gota é erro de compartimento, porque a membrana está íntegra e a infecção já saiu da orelha média para o osso. Trocar de classe oral ou pedir exames de função auditiva em caráter ambulatorial mantém em casa um paciente com infecção óssea em progressão.
Homem de 40 anos comparece à unidade básica para a avaliação auditiva exigida em um concurso. Conta que, depois de uma otite na infância, ficou com um furo no tímpano esquerdo. Não tem dor, febre nem saída de secreção há muitos anos. À otoscopia o conduto está limpo e há perfuração central seca da membrana à esquerda, sem secreção e sem material esbranquiçado ou descamativo na orelha média. A audiometria mostra perda condutiva leve desse lado. Qual é a conduta?
A descrição corresponde à otite média crônica na forma benigna ou inativa, definida como perfuração seca da membrana timpânica sem infecção ativa. Sem otorreia, sem dor e sem sinal de doença em atividade, não há infecção a tratar: a conduta é proteger a orelha contra a entrada de água e encaminhar ao especialista de forma eletiva, para discutir a correção da perfuração e o seguimento da audição. Pingar quinolona é medicar um ouvido que não está infectado, e a gota tópica trata infecção documentada em vez de prevenir a que não existe. O antibiótico por via oral erra ainda mais, porque não há infecção e porque a própria literatura registra que acrescentar antibiótico oral não traz benefício adicional nessa doença. Chamar o caso de urgência confunde perda condutiva leve e estável com ameaça imediata, quando o que tira o paciente da fila eletiva são achados como otorreia fétida persistente, vertigem, paralisia facial ou suspeita de otite externa necrosante. E adiar por três meses trata como achado agudo uma perfuração que já dura décadas.
Homem de 76 anos, diabético, está na sexta semana de tratamento antimicrobiano dirigido para otite externa necrosante. A dor cedeu por completo, o tecido de granulação do conduto desapareceu e as provas inflamatórias caíram a valores próximos do normal. Uma tomografia computadorizada de controle mostra alterações ósseas praticamente idênticas às da admissão. A equipe cogita prolongar o tratamento por causa da imagem. Qual é a leitura correta?
A tomografia contrastada é o padrão para avaliar a extensão da otite externa necrosante, mas o próprio protocolo de referência avisa que ela não colabora na avaliação evolutiva, porque as alterações ósseas costumam persistir muito depois de a infecção ter cedido. Por isso o seguimento se faz por cintilografia e por provas inflamatórias, e o conjunto descrito — dor resolvida, granulação desaparecida e marcadores em queda — é o de resposta favorável. Ler a imagem inalterada como falha e trocar o antimicrobiano prolonga tratamento sem motivo, que é exatamente o erro contra o qual a advertência do protocolo existe. Indicar desbridamento da base do crânio agrava a mesma leitura equivocada, transformando osso ainda alterado na imagem em doença em progressão. Repetir a tomografia a cada duas semanas soma radiação a um exame que não responde à pergunta feita. E exigir imagem normal para suspender o antibiótico define um critério que a doença não cumpre.
Homem de 32 anos, nadador amador, tem dor na orelha direita há quatro dias, pior ao tracionar o pavilhão e ao comprimir o tragus. Está afebril, sem edema periauricular e sem adenomegalia. À otoscopia, o conduto está edemaciado e descamativo, com secreção escassa, e a membrana timpânica, visualizada em toda a sua extensão, está íntegra e sem alterações. Nunca teve perfuração nem cirurgia otológica. A farmácia da unidade dispõe apenas de solução otológica com neomicina e polimixina B. Qual é a conduta?
A escolha da gota otológica depende da integridade da membrana timpânica. Com a membrana íntegra o conduto é um fundo de saco e a solução não alcança a janela redonda, de modo que qualquer uma das opções tópicas — inclusive a associação de neomicina com polimixina B — pode ser prescrita; a restrição às que não são aminoglicosídeo só vale quando existe perfuração. Recusar o aminoglicosídeo em toda otite externa transporta para o ouvido fechado uma contraindicação que nasceu do ouvido aberto. A amoxicilina por via oral erra o alvo e a via, porque a doença é da pele do conduto, dominada por Pseudomonas e estafilococos, e o comprimido não alcança concentração ali. Encaminhar ao especialista atrasa um tratamento que a própria unidade pode executar. E manter só analgésico e proteção contra a água deixa de fora o antibiótico tópico, que é o núcleo do tratamento — a proteção contra a água acompanha a gota, e por quinze dias, o dobro do tempo do frasco.
Homem de 34 anos apresenta otorreia fetida cronica e recorrente ha anos no ouvido direito, com hipoacusia progressiva. A otoscopia mostra retracao da pars flacida com acumulo de material esbranquicado descamativo. Qual o diagnostico e a conduta?
Otorreia fetida cronica e recorrente, hipoacusia progressiva e retracao da pars flacida com material descamativo caracterizam colesteatoma, cujo tratamento e cirurgico, ja que a lesao erode estruturas adjacentes e pode causar paralisia facial, labirintite, meningite e abscesso intracraniano. Tratar como otite externa cronica engana porque a otorreia sugere infeccao do conduto e as gotas trazem alivio temporario, mas o processo erosivo continua silenciosamente. Cerume, otomicose e efusao nao produzem retracao com acumulo descamativo progressivo.
Homem de 32 anos, nadador frequente, apresenta otalgia intensa a direita com dor a tracao do pavilhao auricular e a pressao do tragus, conduto auditivo edemaciado com secrecao, membrana timpanica pouco visivel mas sem abaulamento. Qual o diagnostico e o tratamento?
Dor a tracao do pavilhao e a pressao do tragus, com conduto edemaciado e secrecao em paciente que nada com frequencia, caracteriza otite externa aguda difusa, cujo tratamento e essencialmente topico, com gotas otologicas e manutencao do conduto seco. A otite media aguda engana porque tambem cursa com otalgia intensa e e o diagnostico otologico mais lembrado, mas nela a dor nao piora a manipulacao do pavilhao e a membrana timpanica esta abaulada e hiperemiada. A forma necrotizante ocorre em diabeticos e imunossuprimidos, com dor desproporcional e tecido de granulacao.
Homem de 71 anos, diabetico de longa data e mal controlado, apresenta otalgia intensa e persistente a esquerda ha 4 semanas, otorreia, tecido de granulacao no assoalho do conduto auditivo e, agora, paralisia facial periferica ipsilateral. Qual a hipotese e a conduta?
Otalgia desproporcional e persistente, otorreia, tecido de granulacao no conduto e paralisia de par craniano em idoso diabetico caracterizam a otite externa necrotizante, osteomielite da base do cranio geralmente por Pseudomonas aeruginosa, que exige internacao, imagem do osso temporal, cultura e antibioticoterapia sistemica prolongada. Tratar como otite externa simples engana porque o quadro comeca com a mesma queixa de dor de ouvido e as gotas resolvem a forma comum, mas nessa doenca o tratamento topico isolado permite progressao para a base do cranio, com mortalidade relevante.
Paciente com mastoidite evolui com massa cervical dolorosa ao longo do músculo esternocleidomastóideo, decorrente da extensão da infecção pela ponta da mastoide. Como se denomina essa complicação?
O abscesso de Bezold ocorre quando a infecção rompe a cortical da ponta da mastoide e se dissemina para os planos profundos do pescoço, ao longo do esternocleidomastóideo, produzindo massa cervical dolorosa e torcicolo. O tratamento é cirúrgico, com mastoidectomia e drenagem cervical, além de antibiótico endovenoso. O tumor de Pott é o distrator mais citado por também ser coleção associada a osteíte, mas corresponde ao abscesso subperiosteal frontal decorrente de sinusite, e não à extensão cervical da mastoidite.
Diante da suspeita clínica de mastoidite aguda com sinais de complicação, qual exame de imagem deve ser solicitado?
A tomografia de ossos temporais com contraste mostra a coalescência das células mastóideas, a erosão das septações ósseas, as coleções subperiosteais e a extensão intracraniana, sendo o exame que define a necessidade e a via da abordagem cirúrgica. A radiografia em incidência de Schüller é o distrator histórico: pode sugerir velamento, mas tem sensibilidade insuficiente e não avalia complicações. A ressonância entra como complemento quando se suspeita de trombose de seio venoso ou abscesso intracraniano, e não substitui a avaliação óssea inicial.
Paciente com otorreia intermitente, indolor e sem odor há anos, apresenta à otoscopia perfuração central da pars tensa, com mucosa da orelha média visível e sem erosão óssea. A audiometria mostra perda condutiva leve. Qual o diagnóstico?
Perfuração central da pars tensa, otorreia intermitente indolor e sem odor fétido, sem erosão óssea, define a otite média crônica supurativa simples, cujo manejo envolve cuidados de higiene aural, tratamento tópico nas agudizações e timpanoplastia eletiva. O colesteatoma é o diferencial que muda tudo e se caracteriza por perfuração marginal ou ática, otorreia fétida, presença de descamação epitelial e erosão óssea, sendo doença de tratamento cirúrgico obrigatório, o que torna a distinção entre os dois o ponto central da questão.
Qual o tratamento de primeira linha da otite externa aguda difusa não complicada em paciente imunocompetente?
A otite externa é infecção localizada do conduto, e o tratamento tópico alcança concentrações muito superiores às sistêmicas no sítio da infecção, sendo suficiente na imensa maioria dos casos, sempre com analgesia adequada porque a dor é intensa. O antibiótico sistêmico fica reservado à extensão para partes moles adjacentes, a imunossuprimidos, diabéticos descompensados e à suspeita de otite externa maligna. Prescrever antibiótico oral de rotina é o erro mais comum e não acrescenta eficácia, apenas efeitos adversos e seleção de resistência.
Quais são os agentes bacterianos mais frequentemente implicados na otite externa aguda difusa?
A microbiologia do conduto auditivo externo difere completamente da orelha média: predominam Pseudomonas aeruginosa e Staphylococcus aureus, favorecidos pela umidade e pela quebra da barreira do cerume. Responder pneumococo e Haemophilus é o erro que a questão cobra, pois esses são os agentes da otite média aguda e da rinossinusite, e a confusão leva à escolha de esquemas inadequados. É essa flora que justifica a preferência por quinolonas tópicas, ativas contra Pseudomonas, no tratamento da otite externa.
Após tratamento bem-sucedido de otite externa aguda, qual orientação é adequada quanto ao retorno à natação?
A retomada se dá após a resolução clínica, com o conduto reepitelizado, associada às medidas que evitam a recorrência: secagem cuidadosa, protetores auriculares e abolição das hastes flexíveis. Considerar a água clorada protetora é o equívoco que a questão explora, pois o cloro não impede a infecção e ainda irrita a pele do conduto. Usar hastes para secar reintroduz o principal fator de risco, e proibir a natação para sempre ou por meio ano é medida desproporcional que não se sustenta em nenhuma diretriz.
Paciente com otite externa em tratamento tópico adequado não apresenta qualquer melhora após 72 horas. Qual a conduta mais apropriada?
Falha do tratamento tópico em 48 a 72 horas obriga a reexaminar a orelha, porque as causas mais comuns são mecânicas ou diagnósticas: conduto obstruído impedindo a chegada da medicação, otomicose favorecida pelo próprio antibiótico, corpo estranho, dermatite de contato à neomicina ou otite externa maligna em diabético. Prescrever antibiótico sistêmico sem reexaminar é a conduta mais frequente e a que mais atrasa o diagnóstico correto, pois trata o rótulo em vez de rever a hipótese.
Mulher de 22 anos colocou piercing na porção superior do pavilhão auricular há dez dias e apresenta dor intensa, edema e hiperemia difusa da orelha, com preservação do lóbulo. Qual o diagnóstico e a conduta?
Perfuração da porção cartilaginosa do pavilhão é o cenário clássico da pericondrite, com Pseudomonas aeruginosa como agente principal, e o achado semiológico que orienta é a preservação do lóbulo, que não tem cartilagem. O tratamento exige retirada do corpo estranho e antibiótico sistêmico com cobertura antipseudomonas, sob risco de necrose cartilaginosa e deformidade em couve-flor. A erisipela é o distrator próximo, mas acomete a derme, envolve o lóbulo e tem borda bem delimitada, com estreptococo como agente.
Paciente apresenta lesão dolorosa, avermelhada e circunscrita no terço externo do conduto auditivo externo, com ponto de flutuação, após manipulação com haste flexível. Qual o diagnóstico e o agente mais provável?
O terço externo do conduto é cartilaginoso e contém folículos pilosos e glândulas, sendo o único segmento capaz de desenvolver furúnculo, tipicamente estafilocócico e frequentemente precedido de trauma por haste flexível. O tratamento envolve analgesia, calor local, antibiótico antiestafilocócico e drenagem quando há flutuação. A otite externa difusa é o distrator natural, mas acomete todo o conduto de forma difusa e tem Pseudomonas como agente principal, enquanto a pericondrite acomete a cartilagem do pavilhão e poupa o lóbulo.
Homem de 26 anos, frequentador de piscina, com otalgia intensa à direita há dois dias. Ao exame, dor importante à tração do pavilhão auricular e à pressão do trago, conduto auditivo externo edemaciado com secreção esbranquiçada, membrana timpânica parcialmente visível e sem abaulamento. Qual o diagnóstico?
Dor à tração do pavilhão e à pressão do trago é o sinal semiológico que localiza a inflamação no conduto auditivo externo, e a associação com edema, otorreia e exposição à água fecha o diagnóstico de otite externa difusa. Otite média aguda é o distrator mais frequente porque também dói muito, mas nela a dor não se reproduz à manipulação do pavilhão e a membrana timpânica se apresenta abaulada e hiperemiada. Mastoidite acrescentaria edema retroauricular com deslocamento do pavilhão.
Homem de 39 anos com prurido crônico no conduto auditivo externo, descamação e eritema, sem otorreia purulenta e sem dor significativa. A otoscopia mostra pele descamativa sem edema importante. Qual o diagnóstico e a conduta?
Prurido dominante, descamação e eritema sem otorreia purulenta nem dor significativa caracterizam dermatite eczematosa do conduto, e o tratamento é corticoide tópico com afastamento de irritantes e da manipulação. Prescrever antibiótico tópico é o erro mais comum e pode piorar o quadro, seja por dermatite de contato à neomicina, seja por favorecer otomicose. A otite externa maligna se diferencia pela dor intensa e desproporcional, pelo tecido de granulação e pelo contexto de diabetes ou imunossupressão.
Menina de 11 anos, nadadora, com otalgia intensa à esquerda e otite externa difusa confirmada. Além da medicação tópica, qual componente do tratamento é frequentemente subestimado e deve ser explicitamente prescrito?
O conduto tem pele fina aderida ao pericôndrio e ao periósteo, e o edema em espaço inextensível produz dor desproporcional aos achados: a analgesia sistêmica regular é parte essencial do tratamento e a queixa mais lembrada pelos pacientes. Descongestionante age sobre a tuba auditiva e a orelha média, estruturas que nada têm a ver com o conduto, sendo o distrator que revela confusão anatômica. Anti-histamínico não tem eficácia demonstrada, e corticoide sistêmico não é rotina, embora o tópico associado ajude a reduzir edema.
Paciente em uso de gotas otológicas contendo neomicina evolui, no sétimo dia, com piora do prurido, eritema que se estende à concha e ao pavilhão e vesículas na pele periauricular. Qual a hipótese mais provável?
A neomicina é um dos sensibilizantes tópicos mais frequentes, e a dermatite de contato alérgica se manifesta após dias de uso, com piora do prurido e eritema que extrapola o conduto, alcançando concha e região periauricular, padrão que segue a área de escorrimento da medicação. Interpretar como progressão da infecção e intensificar a mesma droga é o erro que a questão cobra, pois agrava exatamente o agente causal. O herpes-zóster ótico cursaria com dor intensa e vesículas agrupadas, frequentemente com paralisia facial.
Criança com tubo de ventilação timpânica apresenta otorreia purulenta pelo tubo, sem dor intensa e sem febre. Qual a conduta?
Com o tubo pérvio, a medicação atinge diretamente a orelha média e a janela redonda, o que torna as quinolonas tópicas a escolha, seguras e eficazes contra a flora envolvida, incluindo Pseudomonas. Optar por gentamicina pela cobertura antipseudomonas é o raciocínio microbiológico correto com a conclusão errada, porque ignora a ototoxicidade nesse cenário: é o distrator mais bem construído da questão. A retirada do tubo não é a conduta inicial, e a abstenção terapêutica prolonga a otorreia e pode obstruir o tubo.
Qual complicação neurológica é mais precocemente observada na progressão da otite externa necrosante?
A progressão da infecção pela base do crânio alcança primeiro o forame estilomastóideo, e a paralisia facial periférica é a neuropatia craniana mais precoce e mais frequente, sinalizando doença avançada e pior prognóstico; com a evolução, o acometimento do forame jugular compromete os nervos glossofaríngeo, vago e acessório. Pensar em oculomotor e seio cavernoso é o distrator que atrai quem raciocina por complicação intracraniana genérica, mas esse envolvimento é tardio e muito menos comum nessa doença.
Confirmada otite externa necrosante em paciente diabético, qual o tratamento adequado?
Trata-se de osteomielite de base de crânio, e o tratamento acompanha essa lógica: antibiótico sistêmico com cobertura antipseudomonas por seis a oito semanas, controle metabólico rigoroso e limpeza ou desbridamento do tecido de granulação, com cirurgia reservada a coleções e a falhas. Prescrever curso de sete dias é o erro que a questão cobra, porque dura o suficiente para aliviar a dor e curto demais para esterilizar o osso, o que leva a recidivas. Corticoide sistêmico é contraproducente em infecção invasiva no diabético.
Paciente com colesteatoma refere vertigem ao pressionar o trago ou ao assoar o nariz. Qual complicação esse sintoma sugere?
Vertigem desencadeada por variação de pressão no conduto, seja pela pressão do trago, seja pela manobra de Valsalva, é o sinal da fístula e indica erosão da cápsula ótica pelo colesteatoma, mais comumente no canal semicircular lateral. É achado de gravidade que reforça a indicação cirúrgica e exige cuidado técnico para não aprofundar a lesão. A vertigem posicional é o distrator óbvio por também ser desencadeada por movimento, mas responde à mudança de posição da cabeça, e não à variação de pressão.
Qual achado otoscópico caracteriza a otite média aguda no adulto?
O abaulamento com perda dos referenciais e mobilidade reduzida traduz coleção sob pressão na orelha média e define a otite média aguda também no adulto. Retração com mobilidade preservada indica disfunção tubária, e conduto edemaciado com dor ao trago aponta otite externa, distratores que separam com precisão as três topografias mais confundidas. Tecido de granulação no assoalho do conduto em diabético levanta otite externa necrosante, e miringoesclerose é sequela cicatricial sem atividade inflamatória.
Paciente de 38 anos com otorreia fétida recorrente e hipoacusia progressiva à direita. A otoscopia mostra retração da pars flácida com acúmulo de material epitelial esbranquiçado e erosão da parede do ático. Qual a conduta?
O colesteatoma é epitélio escamoso queratinizado crescendo na orelha média, com atividade osteolítica: erode ossículos, canal semicircular lateral, canal do facial e tegumento, podendo causar paralisia facial, fístula labiríntica, meningite e abscesso cerebral. Nenhum antibiótico o elimina, e o tratamento é cirúrgico, com timpanomastoidectomia. Chamá-lo de lesão benigna e observar é o erro conceitual que a questão cobra, pois a benignidade histológica não corresponde a comportamento clínico inofensivo.
Qual complicação pode resultar da otite média com efusão persistente e não tratada?
A pressão negativa mantida e a efusão crônica enfraquecem a membrana timpânica, que se retrai e forma bolsas, sobretudo na pars flácida; quando a bolsa acumula queratina e deixa de se autolimpar, instala-se o colesteatoma adquirido, complicação de tratamento cirúrgico. A perda auditiva da efusão é condutiva e reversível, o que torna a opção de perda neurossensorial profunda irreversível o distrator conceitualmente errado. Otosclerose e neurinoma têm mecanismos independentes do processo inflamatório tubário.
Qual das situações abaixo indica colocação de tubo de ventilação em criança com otite média com efusão?
A indicação de tubo de ventilação se apoia em três eixos: tempo de persistência, habitualmente acima de três meses, repercussão auditiva ou de linguagem e presença de fatores de risco para atraso de desenvolvimento. Efusão de duas semanas é achado esperado e não indica intervenção, sendo o distrator que atrai quem trata o achado em vez da evolução. Curva do tipo C isolada indica pressão negativa por disfunção tubária, sem efusão estabelecida, e não sustenta indicação cirúrgica.
Qual conjunto de fatores aumenta o risco de otite média com efusão na infância?
Creche, tabagismo passivo, alimentação em decúbito e anomalias craniofaciais como a fenda palatina comprometem a função da tuba auditiva ou aumentam a carga de infecções, elevando o risco de efusão. Aleitamento materno e vacinação são fatores protetores, e apontá-los como risco inverte o sentido da associação. Natação e protetores auriculares se relacionam à otite externa, e não à efusão da orelha média, distinção topográfica que a questão testa junto com a epidemiologia.
Criança de 5 anos com síndrome de Down apresenta otite média com efusão persistente e hipoacusia condutiva. Qual particularidade deve orientar o manejo?
Na síndrome de Down somam-se hipotonia, alterações craniofaciais e disfunção tubária persistente, com efusão prolongada e conduto frequentemente estenosado, o que dificulta a otoscopia e mascara o problema; como esses pacientes já enfrentam desafios de linguagem e cognição, qualquer perda condutiva adicional é especialmente onerosa, justificando vigilância rigorosa e intervenção mais precoce. Presumir resolução espontânea rápida é o erro que a questão cobra, pois inverte exatamente a característica que define esse grupo.
Qual é o agente etiológico mais frequentemente responsável pela otite externa necrosante?
Pseudomonas aeruginosa responde pela grande maioria dos casos de otite externa necrosante, favorecida pela microangiopatia e pela alteração do cerume no diabético, embora fungos como Aspergillus apareçam em imunossuprimidos graves e em pacientes previamente tratados com antibiótico prolongado. Responder pneumococo é o erro que transporta a microbiologia da orelha média para o conduto. Esse conhecimento é o que sustenta a escolha empírica de antipseudomonas sistêmico, e não de esquemas dirigidos a cocos gram-positivos.
Paciente com otite externa apresenta perfuração timpânica prévia conhecida. Qual cuidado deve orientar a escolha da medicação tópica?
Com a membrana timpânica perfurada ou com tubo de ventilação, a medicação alcança a orelha média e a janela redonda, e aminoglicosídeos como a neomicina e a gentamicina tornam-se potencialmente ototóxicos, com risco de perda neurossensorial irreversível. A escolha recai sobre quinolonas tópicas, seguras nesse cenário e ativas contra Pseudomonas. Preparações alcoólicas e soluções ácidas concentradas são irritantes e dolorosas na presença de perfuração, e abandonar a via tópica desperdiça o tratamento mais eficaz.
Paciente com otite média crônica supurativa e perfuração timpânica apresenta agudização com otorreia purulenta. Qual medicação tópica é a mais adequada?
Com a membrana perfurada, a medicação alcança a janela redonda, o que exclui aminoglicosídeos como neomicina e gentamicina pelo risco de perda neurossensorial irreversível, e faz das quinolonas tópicas a escolha segura e eficaz, inclusive contra Pseudomonas. A combinação de neomicina com polimixina é o distrator mais perigoso porque é amplamente disponível e habitualmente prescrita sem atenção à integridade timpânica. Soluções alcoólicas são irritantes na orelha média exposta.
Qual o papel do componente corticoide nas preparações otológicas combinadas usadas na otite externa aguda?
O corticoide tópico atua sobre o edema e a inflamação que produzem a dor e obstruem o conduto, o que encurta o tempo até o alívio sintomático e melhora a distribuição do antimicrobiano. Ele não substitui o antibiótico, não protege contra ototoxicidade e não cicatriza perfuração, itens que compõem distratores atraentes por atribuírem ao componente anti-inflamatório funções que ele não exerce. A analgesia sistêmica continua indicada nos primeiros dias, quando a dor costuma ser intensa.
Menino de 4 anos teve otite média aguda tratada há seis semanas. Está assintomático, mas a otoscopia mostra membrana timpânica opaca com nível hidroaéreo e mobilidade reduzida, e a audiometria revela perda condutiva de 20 dB bilateral. Qual a conduta?
A efusão que persiste após otite média aguda resolve-se espontaneamente na maioria das crianças dentro de três meses, e a conduta inicial é observação com reavaliação da audição e da otoscopia. Prescrever antibiótico é o erro mais comum, porque não acelera a resolução da efusão e expõe a criança a efeitos adversos. Anti-histamínicos, descongestionantes e corticoides não têm eficácia demonstrada nessa indicação, e a colocação de tubo depende de persistência e de repercussão auditiva ou de linguagem.
Na timpanometria, uma curva do tipo B com volume de conduto normal indica:
A curva do tipo B é achatada, sem pico de complacência, e sua interpretação depende do volume do conduto: com volume normal, indica orelha média preenchida por líquido ou tímpano imóvel; com volume aumentado, indica perfuração ou tubo pérvio, porque o equipamento mede também o volume da caixa timpânica. Ignorar o volume e responder perfuração é o erro clássico, pois transforma dois achados distintos em um só. A curva do tipo C corresponde à pressão negativa por disfunção tubária.
Paciente com otite média crônica evolui com cefaleia progressiva, febre, vômitos e papiledema. Qual conduta é prioritária?
Cefaleia progressiva, febre, vômitos e papiledema em paciente com otite média crônica configuram suspeita de complicação intracraniana, e a neuroimagem com contraste precede qualquer outra conduta. A punção lombar antes da imagem é o erro perigoso, porque diante de lesão expansiva e hipertensão intracraniana pode precipitar herniação. Manejo ambulatorial com ajuste de antibiótico oral subestima um quadro potencialmente fatal, e exames funcionais auditivos não respondem à pergunta clínica urgente.
Criança com suspeita de otite média com efusão realiza timpanometria. Qual resultado sustenta o diagnóstico?
A curva achatada do tipo B com volume de conduto normal indica orelha média preenchida por líquido, sendo o padrão esperado na efusão. A mesma curva com volume aumentado significa que o equipamento está medindo também o volume da caixa timpânica, o que ocorre em perfuração ou tubo pérvio, e é o distrator que separa quem lê a curva de quem lê a curva junto ao volume. A curva do tipo A é normal e a do tipo Ad sugere hipermobilidade, como em descontinuidade ossicular ou membrana flácida.
Criança com tubo de ventilação timpânica há dois meses. Qual orientação é adequada aos pais?
As evidências não sustentam a proibição da natação em piscinas tratadas nem o uso rotineiro de protetores em crianças com tubo, embora se recomende evitar mergulho profundo e água notoriamente contaminada. Otorreia pelo tubo é evento esperado e se trata com gotas otológicas apropriadas, sem retirada imediata. Impor isolamento absoluto da água é a orientação mais difundida e desnecessariamente restritiva, e os tubos costumam ser extruídos espontaneamente, com reavaliação auditiva de rotina após o procedimento.
Na investigação por imagem da otite externa necrosante, qual afirmativa é correta?
A tomografia mostra a erosão óssea e a extensão da doença, mas as alterações estruturais persistem por meses após a cura, o que a torna inadequada para decidir o fim do tratamento. A cintilografia com tecnécio é bastante sensível para detectar a atividade osteoblástica, enquanto a com gálio acompanha a atividade inflamatória e normaliza com a resolução, servindo ao seguimento. Usar a tomografia como critério de suspensão do antibiótico é o erro que a questão cobra e que leva a tratamentos indevidamente prolongados.
Paciente com otite externa apresenta conduto auditivo externo tão edemaciado que não permite a visualização da membrana timpânica nem a entrada adequada da medicação. Qual a conduta apropriada?
Quando o edema obstrui o conduto, a gota simplesmente não chega ao local da infecção, e a solução prática é a mecha expansível, que absorve a medicação e a conduz por capilaridade até a porção profunda, sendo retirada em 24 a 72 horas com a redução do edema. Abandonar a via tópica em favor da sistêmica é o distrator que atrai quem interpreta a dificuldade técnica como falha do método, mas a concentração sistêmica no conduto é muito inferior. Instilar sob pressão é doloroso e ineficaz.
Homem de 73 anos, diabético tipo 2 com hemoglobina glicada de 10,4%, apresenta otalgia intensa à direita há três semanas, que piora à noite e não cede a analgésicos comuns, com otorreia persistente apesar de duas séries de gotas otológicas. À otoscopia, tecido de granulação no assoalho do conduto, na junção osteocartilaginosa. Qual o diagnóstico?
Dor desproporcional, de predomínio noturno, refratária ao tratamento tópico, com tecido de granulação na junção osteocartilaginosa do assoalho do conduto em diabético idoso descompensado, é o quadro característico da otite externa necrosante, osteomielite de base de crânio que se dissemina a partir do conduto. Insistir no rótulo de otite externa refratária é o erro que retarda a investigação de imagem e o tratamento sistêmico prolongado. O carcinoma de conduto é o diferencial que justifica biópsia do tecido de granulação em casos duvidosos ou refratários.
Em qual situação está indicada a coleta de cultura da secreção do conduto auditivo externo?
A otite externa não complicada tem etiologia previsível e responde ao tratamento tópico empírico, de modo que a cultura de rotina não muda conduta e apenas encarece o atendimento. A coleta se justifica quando o desfecho do empirismo já falhou ou quando o hospedeiro impõe risco maior, como no diabético, no imunossuprimido e na suspeita de otite externa maligna, em que identificar o agente e o perfil de sensibilidade orienta semanas de tratamento sistêmico. Afirmar que a cultura nunca tem valor descarta justamente esses cenários.
Homem de 30 anos, sem comorbidades, com otite média aguda unilateral, febre e otalgia intensa. Qual o esquema antibiótico e a duração adequados?
No adulto imunocompetente, a otite média aguda se trata com amoxicilina, com curso de cinco a sete dias, reservando a associação com clavulanato para falha terapêutica, uso recente de antibiótico ou otite recorrente. Prescrever quinolona pela cobertura de Pseudomonas é o erro que transporta a microbiologia do conduto para a orelha média, cujos agentes são pneumococo, Haemophilus e Moraxella. Vancomicina oral não é absorvida e se destina ao tratamento de colite por Clostridioides difficile.
Sobre o uso de hastes flexíveis com algodão para higiene do conduto auditivo externo, qual afirmativa é correta?
O cerume é ácido, hidrofóbico e antimicrobiano, e removê-lo elimina a principal defesa do conduto; além disso, a haste empurra o material para a porção óssea, onde ele se impacta, e a fricção produz escoriações que servem de porta de entrada para Pseudomonas e estafilococos. Considerar o uso seguro após o banho é o distrator que a intuição favorece, mas o conduto amolecido é ainda mais suscetível ao trauma. A remoção de rolha deve ser feita por profissional, com irrigação ou instrumentação sob visão.
Homem de 51 anos apresenta sensação de plenitude auricular e hipoacusia à direita há quatro meses, com otoscopia mostrando efusão na orelha média direita e otoscopia normal à esquerda. Não teve infecções recentes. Qual a conduta obrigatória antes de qualquer tratamento?
Efusão unilateral persistente em adulto exige exame da rinofaringe, e a fossa de Rosenmüller é o sítio de origem mais frequente do carcinoma de nasofaringe, que obstrui a tuba auditiva e se manifesta por otite serosa unilateral, muitas vezes antes de qualquer sintoma nasal. Tratar apenas a orelha, mesmo com sucesso sintomático, atrasa o diagnóstico oncológico, e essa é a armadilha central. A audiometria caracteriza a perda, mas não responde à pergunta etiológica que a lateralidade e a persistência impõem.
Qual afirmativa sobre o tratamento medicamentoso da otite média com efusão em crianças está correta?
As diretrizes desaconselham antibióticos, anti-histamínicos, descongestionantes e corticoides no tratamento da otite média com efusão: nenhum desses produz benefício sustentado, e todos acrescentam risco. O corticoide é o distrator mais convincente porque de fato reduz a efusão de forma transitória em alguns estudos, mas o efeito não se mantém e não justifica a exposição. O manejo correto é observação, monitorização da audição e, conforme a persistência e a repercussão, colocação de tubo de ventilação.
Paciente tratado com gotas otológicas antibióticas por dez dias mantém prurido intenso e otorreia. À otoscopia, observam-se filamentos esbranquiçados com pontos enegrecidos no conduto, com aspecto de papel molhado. Qual o diagnóstico e o tratamento?
Prurido predominante sobre a dor, falha do antibiótico tópico e material filamentoso com pontos escuros compõem o quadro de otomicose, favorecida justamente pelo uso prolongado de antibiótico, que suprime a flora bacteriana. O tratamento é a limpeza meticulosa do conduto, sem a qual nenhuma medicação alcança a pele, associada a antifúngico tópico. Interpretar como resistência bacteriana e trocar de antibiótico é o erro que perpetua o ciclo, e é a conduta mais intuitiva diante de uma falha terapêutica.
Criança de 5 anos que já foi submetida a colocação de tubo de ventilação apresenta recidiva da efusão após a extrusão do tubo, com nova indicação cirúrgica. Qual procedimento deve ser considerado em associação?
Em criança com quatro anos ou mais que necessita de novo conjunto de tubos, pode-se associar adenoidectomia para reduzir recorrência e necessidade de nova inserção. Em menores de quatro anos, a adenoidectomia não deve ser automática e requer indicação independente, como obstrução nasal ou adenoidite crônica. A idade foi explicitada porque determina a validade da conduta. Amigdalectomia isolada não trata a efusão; mastoidectomia e timpanoplastia não são procedimentos de rotina para otite média com efusão simples. Fonte: AAO-HNSF Clinical Practice Guideline: Tympanostomy Tubes in Children, update 2022.
Qual orientação é adequada para prevenção de novos episódios de otite externa em nadador com quadros recorrentes?
A prevenção se apoia em manter o conduto seco e preservar sua barreira natural: secar após a exposição à água, não introduzir hastes flexíveis, que removem o cerume protetor e produzem microtraumas, e usar protetores auriculares em nadadores frequentes. Usar hastes para secar é justamente o comportamento que perpetua a doença e é a resposta mais escolhida por quem confunde limpeza com proteção. Antibiótico tópico contínuo seleciona resistência e favorece otomicose, e proibir a natação é desproporcional.
Qual característica clínica melhor distingue a otite externa aguda da otite média aguda?
A manobra de tração do pavilhão e a pressão do trago mobilizam o conduto cartilaginoso e reproduzem a dor apenas quando a inflamação está ali, sendo o achado que separa as duas entidades à beira do leito. Atribuir a hipoacusia exclusivamente à otite média é o distrator sedutor, pois ambas podem cursar com perda condutiva, seja por efusão, seja por obstrução do conduto pelo edema. Otorreia ocorre nas duas, na externa pela própria secreção do conduto e na média quando há perfuração espontânea.
Passageiro de avião apresenta otalgia intensa durante a descida, seguida de hipoacusia. À otoscopia, membrana timpânica retraída com hemorragia subepitelial, sem perfuração. Qual o diagnóstico e a conduta?
Na descida, a pressão ambiente sobe rapidamente e a tuba auditiva, se disfuncional, não equaliza, criando pressão negativa relativa na orelha média com retração, transudação e hemorragia subepitelial: é o barotrauma, que se resolve espontaneamente com analgesia, descongestionante e manobras de equalização. Tratar como otite média bacteriana é o erro mais comum e prescreve antibiótico sem infecção. Fístula perilinfática cursaria com vertigem intensa e hipoacusia neurossensorial, quadro bem mais grave e raro.
Homem de 44 anos apresenta o terceiro episódio de otite média com efusão unilateral à esquerda em oito meses, sem infecções de via aérea associadas. É natural do sudeste asiático. Qual conduta é imperativa?
Otite média com efusão unilateral e persistente no adulto é sinal de alarme e exige visualização direta da rinofaringe, porque a obstrução da tuba auditiva por carcinoma de nasofaringe se manifesta exatamente assim, sobretudo em pacientes com ascendência do sudeste asiático, população de maior incidência. Colocar o tubo de ventilação sem examinar a rinofaringe alivia o sintoma e mascara o tumor, e é a conduta que a questão pune. Tecido adenoideano em adulto é achado que também exige biópsia, e não adenoidectomia empírica.
Homem de 30 anos com otorreia fétida crônica há anos, hipoacusia progressiva à direita e otoscopia com perfuração marginal em pars flaccida com massa esbranquiçada e descamativa. Qual o diagnóstico?
Otorreia fétida crônica com perfuração marginal na pars flaccida e massa esbranquiçada e descamativa é a descrição do colesteatoma, acúmulo de epitélio queratinizado com capacidade osteolítica. A otite média secretora cursa com efusão sem perfuração nem otorreia fétida, a otite externa dói intensamente à tração do pavilhão e acomete o conduto, a miringite bolhosa é aguda e dolorosa, e a otosclerose causa hipoacusia condutiva com membrana timpânica normal.
Quais complicações graves podem decorrer do colesteatoma não tratado?
O colesteatoma pode erodir estruturas do osso temporal e causar complicações intratemporais, como paralisia facial e fístula labiríntica, além de complicações intracranianas, como meningite, abscesso cerebral ou cerebelar e trombose do seio lateral/sigmoide. Assim, a alternativa A reúne complicações reconhecidas, mas a paralisia facial não deve ser chamada de intracraniana. Fontes: PMID 39406584 e PMID 23892792.
Sobre a otoscopia na otite média aguda, qual achado é o mais específico?
O abaulamento da membrana timpânica é o achado que melhor traduz a presença de líquido sob pressão na orelha média e é o mais específico para o diagnóstico de otite média aguda. Hiperemia isolada é o distrator mais frequente, porque pode decorrer de choro, febre ou manipulação do conduto, levando a diagnósticos e antibióticos desnecessários. Cerume, retração leve isolada e cicatriz prévia não indicam infecção aguda em curso.
Homem de 38 anos com colesteatoma evolui com vertigem intensa desencadeada por pressão sobre o tragus e por sons altos. Qual complicação deve ser suspeitada?
Vertigem provocada por pressão no conduto ou por sons intensos, em paciente com colesteatoma, indica comunicação entre o ouvido médio e o labirinto por erosão do canal semicircular lateral — o achado é conhecido como sinal da fístula e denuncia complicação que exige cirurgia. A otite externa necrosante ocorre em diabéticos idosos com dor intensa, o neurinoma do acústico cursa com hipoacusia neurossensorial progressiva e desequilíbrio, e a doença de Ménière tem crises espontâneas, não desencadeadas por pressão.
Qual o tratamento definitivo do colesteatoma e por quê?
O colesteatoma cresce e erode estruturas ósseas vizinhas, podendo destruir a cadeia ossicular, o canal semicircular lateral, o canal do nervo facial e a tábua óssea que separa o ouvido do crânio — por isso o tratamento é cirúrgico, com remoção completa da matriz. Antibiótico e gotas controlam infecção secundária e ajudam a preparar a cirurgia, mas não eliminam a lesão, e apenas observar permite que as complicações se instalem.
Homem de 42 anos com colesteatoma submetido a cirurgia. Qual orientação de seguimento é adequada?
O colesteatoma pode deixar matriz residual ou recidivar mesmo após cirurgia bem conduzida, o que exige acompanhamento prolongado com exame otológico periódico e imagem quando há suspeita — em alguns protocolos, com revisão cirúrgica programada em situações específicas. Dar alta definitiva é o erro que permite o crescimento silencioso de doença residual até uma complicação. Tomografias semanais são absurdas, e reoperar anualmente sem indicação submete o paciente a risco desnecessário.
Homem de 68 anos, diabético, com otalgia intensa, otorreia e tecido de granulação no assoalho do conduto auditivo externo, com dor desproporcional e paralisia facial periférica. Qual o diagnóstico?
Diabético idoso com otalgia desproporcional, granulação no assoalho do conduto e acometimento de nervo craniano configura a otite externa necrosante, infecção invasiva da base do crânio geralmente causada por Pseudomonas, que exige antibiótico prolongado com atividade antipseudomonas e investigação com imagem. A otite externa simples melhora em dias com tratamento tópico e não produz granulação nem paralisia facial — a presença de neuropatia craniana é o que muda o diagnóstico.
Paciente com otite média crônica supurativa apresenta otorreia persistente e perfuração timpânica ampla. Qual conduta deve ser evitada?
Com a membrana perfurada, a droga alcança a orelha média e a janela redonda, e os aminoglicosídeos tópicos são ototóxicos, com risco de lesão coclear e vestibular irreversível. A alternativa segura nesse cenário é a quinolona tópica, que não tem esse potencial. As demais medidas fazem parte do manejo correto: a limpeza melhora a penetração da medicação, a audiometria documenta a perda auditiva e o encaminhamento define a necessidade de timpanoplastia.
Adolescente que pratica natação apresenta otalgia intensa à direita, dor à pressão do trago, conduto auditivo edemaciado com secreção, e membrana timpânica de aspecto normal quando visualizada. Qual o tratamento de escolha?
Otite externa é infecção do conduto, e o tratamento correto é tópico, com gotas antimicrobianas que atingem no local concentrações muito superiores às alcançadas por via sistêmica, associadas a analgesia e à limpeza do canal quando necessário. Prescrever antibiótico oral é o erro mais comum, porque transporta a régua da otite média para uma doença de outro compartimento. A lavagem sob pressão pode agravar a lesão e é contraindicada quando há dúvida sobre a integridade da membrana.
Adolescente de 17 anos, nadador, procura a Unidade Básica de Saúde com dor no ouvido esquerdo há dois dias, que piora à tração do pavilhão auricular e à mastigação. Otoscopia mostra conduto auditivo externo edemaciado e hiperemiado, com discreta secreção, e membrana timpânica íntegra quando visualizada. Sem febre, sem hipoacusia importante e sem sinais de celulite periauricular. Qual é a conduta adequada?
Dor à tração do pavilhão com conduto edemaciado e membrana íntegra define otite externa aguda, cujo tratamento é tópico, com analgesia e proteção do conduto contra umidade. Antibiótico oral é indicado na otite média aguda ou quando há celulite ou imunossupressão, situações ausentes. Timpanocentese é procedimento para coleta em otite média complicada. Encaminhamento urgente ao especialista não se justifica em quadro não complicado, resolvido na atenção primária.
Criança de 8 anos apresenta há 2 dias dor intensa em ouvido esquerdo, com piora à tração do pavilhão auricular. Frequenta piscina diariamente. Ao exame otoscópico, há edema e hiperemia do conduto auditivo externo, com secreção escassa, e a membrana timpânica é visualizada com dificuldade, mas parece íntegra. Não há febre. Qual é o diagnóstico e o tratamento?
Dor à tração do pavilhão auricular com edema e hiperemia do conduto em nadador caracteriza otite externa aguda, tratada topicamente com antibiótico otológico e cuidados para manter o conduto seco. A otite média aguda cursa com abaulamento timpânico e frequentemente febre, sem dor à manipulação do pavilhão. A mastoidite envolve dor retroauricular e deslocamento do pavilhão, ausentes aqui. O corpo estranho seria identificado à otoscopia e tem apresentação distinta.
Homem de 68 anos, diabético tipo 2 em uso irregular de metformina, procura a Unidade de Pronto Atendimento com otalgia intensa à esquerda há três semanas, pior à noite, sem melhora após duas séries de gotas otológicas com neomicina. Refere otorreia purulenta persistente. Ao exame, temperatura axilar 37,8 °C, conduto auditivo externo edemaciado com tecido de granulação no assoalho, na junção osteocartilaginosa. Nota-se desvio da rima labial para a direita. Glicemia capilar de 318 mg/dL e velocidade de hemossedimentação de 92 mm/h. A conduta mais adequada é:
Otalgia noturna arrastada em idoso diabético, tecido de granulação na junção osteocartilaginosa e paralisia facial configuram otite externa necrosante (maligna), osteomielite de base de crânio geralmente por Pseudomonas aeruginosa. A conduta é internação, imagem do osso temporal para avaliar extensão e antibiótico sistêmico antipseudomonas prolongado, além de controle glicêmico. Persistir com terapia tópica ignora que a infecção já ultrapassou o conduto e atingiu o osso. Curetagem isolada com analgesia não trata a osteomielite e retarda o diagnóstico. Corticoide para paralisia de Bell é erro grave: a paralisia aqui é complicação infecciosa, e a imunossupressão pioraria a doença.
Homem de 32 anos é atendido na Unidade Básica de Saúde por otorreia fétida intermitente no ouvido esquerdo há cerca de quatro anos, com piora após banhos de rio. Relata hipoacusia progressiva do mesmo lado e nega dor. Já usou vários ciclos de antibiótico tópico e oral, com melhora apenas temporária. À otoscopia, observa-se perfuração na porção superior da membrana, com massa esbranquiçada de aspecto epidérmico e crostas na região do ático. Não há paralisia facial nem nistagmo. A conduta correta é:
Otorreia fétida crônica, hipoacusia progressiva e massa epidérmica com crostas na região do ático caracterizam colesteatoma, doença destrutiva que erode a cadeia ossicular e pode causar paralisia facial, labirintite e complicações intracranianas. O tratamento é cirúrgico e o papel da atenção primária é o encaminhamento oportuno. Antibiótico tópico prolongado apenas controla a infecção secundária e não interrompe a destruição óssea. Conduta expectante é inadequada porque colesteatoma não regride espontaneamente. Lavagem otológica com membrana perfurada é contraindicada e pode provocar vertigem e infecção da orelha média.
Mulher de 41 anos é atendida na Unidade Básica de Saúde por otorreia mucopurulenta não fétida no ouvido direito, recorrente há vários anos, sempre associada a entrada de água ou episódios de resfriado. Refere hipoacusia estável no mesmo lado e nega dor, vertigem ou febre. À otoscopia, perfuração central ampla da membrana timpânica direita, sem tecido de granulação nem massa epidérmica, com mucosa da caixa timpânica úmida. Audiometria prévia mostrou perda condutiva de 35 dB à direita. A conduta adequada é:
Perfuração central ampla com otorreia recorrente e perda condutiva, sem tecido de granulação ou massa epidérmica, caracteriza otite média crônica supurativa simples. O manejo inclui quinolona tópica, que é segura com membrana perfurada, precaução hídrica e encaminhamento para timpanoplastia, que fecha a perfuração e recupera audição. Irrigação com água corrente na orelha média é contraindicada e perpetua a infecção. Neomicina é aminoglicosídeo ototóxico e não deve ser instilada com membrana perfurada. Antibiótico sistêmico isolado controla surtos, mas deixa a perfuração e a perda auditiva sem solução.
Homem de 58 anos, com diabetes tipo 2, procura a Unidade Básica de Saúde com queixa de dor intensa em ouvido direito há cinco dias, com otorreia purulenta persistente e piora progressiva, sem melhora após uso de gotas otológicas comuns. Refere dor desproporcional e que irradia para a articulação temporomandibular. Ao exame: dor intensa à tração do pavilhão auricular, conduto auditivo edemaciado com tecido de granulação em assoalho, temperatura 37,8 °C, glicemia capilar 268 mg/dL, sem paralisia facial. A conduta correta é:
Otalgia desproporcional, otorreia persistente refratária ao tratamento tópico e tecido de granulação no assoalho do conduto em diabético mal controlado sugerem otite externa necrotizante, infecção invasiva de base de crânio, com necessidade de avaliação especializada e hospitalar urgente e controle glicêmico rigoroso. Manter tratamento tópico e observar por dez dias arrisca progressão para osteomielite e paralisia de nervos cranianos. Analgesia isolada mascara a evolução. Lavagem do conduto em quadro invasivo é inadequada e pode agravar a infecção e o dano local.
Menino de 8 anos é levado ao pronto-atendimento com dor intensa no ouvido direito há 2 dias, que piora ao tracionar o pavilhão auricular. Passou os últimos dias frequentando piscina diariamente. Ao exame apresenta temperatura axilar 36,9 °C, dor intensa à tração do pavilhão e à pressão do trago, conduto auditivo externo edemaciado e hiperemiado com secreção esbranquiçada, membrana timpânica pouco visualizada porém sem abaulamento na porção observada, e sem edema retroauricular. A hipótese e a conduta corretas são:
Dor à tração do pavilhão e à pressão do trago, com edema e hiperemia do conduto após exposição à água, caracteriza otite externa aguda, tratada com limpeza cuidadosa, analgesia e antibiótico tópico otológico, além de manter o ouvido seco. A otite média aguda cursa com abaulamento e hiperemia da membrana timpânica, sem dor à manipulação do pavilhão. A mastoidite apresenta edema, dor e deslocamento do pavilhão com apagamento do sulco retroauricular, ausentes. Corpo estranho seria identificado à otoscopia e não explica o edema difuso do conduto.
Homem de 61 anos, diabético de longa data com controle inadequado, procura a Unidade Básica de Saúde com otalgia intensa e persistente à direita há três semanas, sem melhora com colírio otológico, associada a otorreia purulenta e cefaleia. Ao exame: dor intensa à mobilização do pavilhão auricular, conduto auditivo edemaciado com tecido de granulação na junção osteocartilaginosa, e paralisia facial periférica incipiente à direita. A velocidade de hemossedimentação está muito elevada. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
Otalgia intensa e persistente em diabético, com tecido de granulação no conduto auditivo, refratariedade ao tratamento tópico, acometimento de nervo craniano e provas inflamatórias muito elevadas, caracteriza a otite externa necrosante, infecção invasiva da base do crânio geralmente por Pseudomonas, que exige antibioticoterapia sistêmica prolongada e avaliação especializada. A otite externa aguda comum responde ao tratamento tópico e não causa paralisia facial. A otite média serosa é indolor e cursa com hipoacusia. O neurinoma do acústico provoca perda auditiva progressiva e zumbido, sem otorreia purulenta e granulação.
Homem de 41 anos procura a Unidade de Pronto Atendimento com dor retroauricular intensa, febre e otorreia purulenta há dez dias, com piora progressiva apesar do uso de colírio otológico. Ao exame: temperatura axilar 38,7 °C, edema, eritema e dor à palpação da região retroauricular, com deslocamento anterior do pavilhão auricular, membrana timpânica abaulada com perfuração e secreção purulenta no conduto. Não há paralisia facial e não há sinais meníngeos. Qual é a conduta correta?
Dor e edema retroauriculares com deslocamento anterior do pavilhão em vigência de otite média supurada caracterizam mastoidite aguda, complicação que exige internação, antibiótico endovenoso, imagem para avaliar extensão e complicações intracranianas e avaliação otorrinolaringológica para eventual mastoidectomia ou drenagem. Tratamento tópico isolado é ineficaz para infecção óssea. Sintomáticos com alta ignoram a gravidade. Lavagem do conduto não trata o processo mastóideo e retarda o tratamento adequado.
Menino de 7 anos é levado à Unidade Básica de Saúde com dor de ouvido, prurido e sensação de plenitude no ouvido esquerdo há três dias, após frequentar piscina diariamente nas férias. Nega febre e hipoacusia importante. Ao exame: dor intensa à tração do pavilhão auricular e à pressão do trago à esquerda, conduto auditivo edemaciado e hiperemiado com descamação, membrana timpânica pouco visível por edema, mas sem abaulamento, sem otorreia purulenta abundante e sem adenomegalia. Qual é a conduta correta?
A otite externa aguda, sugerida pela dor à tração do pavilhão e à pressão do trago com edema do conduto após exposição à água, é tratada com solução otológica tópica adequada e analgesia, orientando manter o ouvido seco, com antibiótico sistêmico reservado a extensão além do conduto, imunossupressão ou diabetes. Antibiótico sistêmico como primeira escolha é desnecessário. Timpanostomia não tem indicação. Antitérmico isolado não trata a infecção do conduto.
Mulher, 26 anos, é atendida na UBS com queixa de dor e secreção no ouvido esquerdo há 4 dias, com prurido intenso e piora ao tracionar o pavilhão auricular. Refere natação diária em piscina. Exame: dor intensa à tração do pavilhão e à pressão do trago, conduto auditivo externo edemaciado e hiperemiado com secreção esbranquiçada, membrana timpânica visualizada parcialmente e íntegra. Sem febre, sem hipoacusia significativa, sem adenomegalia. Qual o diagnóstico e a conduta?
Dor à tração do pavilhão e à pressão do trago, com conduto edemaciado e secreção, em nadadora, define otite externa aguda difusa, tratada com limpeza do conduto, analgesia e antibiótico tópico, além de orientação para manter o ouvido seco. Otite média aguda cursa com abaulamento e hiperemia da membrana timpânica, sem dor à tração do pavilhão. Otite média com efusão é indolor, com líquido atrás de membrana íntegra e hipoacusia. Mastoidite cursa com dor retroauricular, deslocamento do pavilhão e sinais sistêmicos. Colesteatoma cursa com otorreia fétida crônica, retração ou perfuração timpânica e perda auditiva progressiva, sem esse quadro agudo relacionado à natação.
Menino de 4 anos é trazido pela mãe por hipoacusia percebida há 4 meses, com aumento do volume da televisão e trocas na fala. Nega otalgia ou febre no período. Teve três episódios de otite média aguda no último ano. À otoscopia, membranas timpânicas íntegras, opacas, retraídas, com nível hidroaéreo e mobilidade reduzida à otoscopia pneumática, bilateralmente. Audiometria mostra perda condutiva de 35 dB bilateral e timpanometria com curva tipo B nas duas orelhas. Qual a conduta indicada?
A timpanostomia com tubo de ventilação bilateral é a conduta indicada: a efusão já dura mais de três meses, com curva timpanométrica tipo B e perda condutiva de 35 dB, ou seja, otite média com efusão crônica associada a repercussão auditiva e de linguagem, limiar consagrado de indicação cirúrgica. A amoxicilina com clavulanato trata otite média aguda, e a criança não tem otalgia, febre nem abaulamento inflamatório. O corticoide nasal tópico por três meses não altera a resolução da efusão e apenas posterga a intervenção. A observação por mais seis meses seria aceitável se a audição estivesse preservada, o que não é o caso com 35 dB de perda. A adenoidectomia isolada pode ser associada em recidivas ou em crianças maiores com obstrução nasal, mas não drena a efusão já instalada.
Homem de 32 anos refere otorreia fétida intermitente na orelha direita há 3 anos, com hipoacusia progressiva ipsilateral. Nega vertigem ou paralisia facial. À otoscopia direita há perfuração marginal no quadrante posterossuperior, com massa branco-perolada e crostas; a orelha esquerda é normal. A audiometria mostra perda condutiva de 40 dB à direita. A tomografia de ossos temporais revela erosão da cadeia ossicular e da parede lateral do ático. Qual a principal hipótese diagnóstica?
O colesteatoma adquirido reúne os quatro achados da vinheta: otorreia fétida crônica, perfuração marginal posterossuperior, massa branco-perolada à otoscopia e erosão óssea da cadeia ossicular e do ático na tomografia, pois a matriz de epitélio escamoso queratinizado é osteolítica. A otite média crônica supurativa simples cursa com perfuração central e não erode osso. O granuloma de colesterol produz membrana timpânica azulada e íntegra, sem otorreia fétida por perfuração marginal. A otite externa necrosante ocorre em diabéticos idosos, com dor desproporcional e granulação no conduto, não com massa perolada no ático. O carcinoma espinocelular do conduto causa dor intensa, sangramento e massa friável, com evolução em meses e não em três anos de quadro estável.
Homem de 71 anos, diabético tipo 2 em uso de insulina, procura o pronto-socorro por otalgia intensa à esquerda há 3 semanas, refratária a analgésicos e a gotas otológicas, com otorreia purulenta persistente. Ao exame: T 37,9 °C, FC 88 bpm, PA 138x84 mmHg; otoscopia com edema do conduto e tecido de granulação no assoalho, na junção osteocartilaginosa. HbA1c 10,2% (VR menor que 5,7%); VHS 92 mm/h (VR menor que 20). A tomografia mostra erosão da base do crânio. Qual o agente etiológico mais provável?
Pseudomonas aeruginosa é o agente da otite externa necrosante em mais de 90% dos casos, e o quadro é típico: diabético idoso mal controlado, otalgia desproporcional e refratária por três semanas, granulação na junção osteocartilaginosa, VHS muito elevada e osteomielite da base do crânio na tomografia. Staphylococcus aureus causa furunculose do conduto e otite externa localizada, sem osteomielite de base de crânio. Aspergillus fumigatus responde por otite externa necrosante apenas em neutropênicos ou transplantados, cenário ausente aqui. Streptococcus pneumoniae é agente de otite média aguda, e a membrana timpânica não é o foco descrito. Candida albicans causa otomicose com prurido e placas esbranquiçadas, sem erosão óssea.
Mulher de 26 anos, nadadora, refere prurido intenso e sensação de plenitude na orelha direita há 12 dias, com otorreia escassa. Fez uso de gotas otológicas com neomicina por 10 dias, sem melhora e com piora do prurido. Nega febre ou otalgia intensa. À otoscopia há material esbranquiçado de aspecto algodonoso com pontos escuros preenchendo o conduto, e a membrana timpânica está íntegra quando visualizada. Qual a principal hipótese diagnóstica?
A otomicose é o diagnóstico: exposição frequente à água, prurido como sintoma dominante, piora após antibiótico tópico prolongado, que suprime a flora bacteriana e favorece o fungo, e o achado patognomônico de massa algodonosa com pontos enegrecidos, correspondendo aos conidióforos de Aspergillus niger. O tratamento é limpeza aspirativa e antifúngico tópico. A otite externa bacteriana difusa cursa com dor intensa à tração do trago e melhoraria com a neomicina. A dermatite de contato por neomicina causa eczema e prurido, porém sem massa algodonosa com pontos escuros. A otite média crônica supurativa exige perfuração timpânica, ausente aqui. A psoríase do conduto apresenta placas descamativas e lesões cutâneas em outros sítios.
Menina, 10 anos, frequentadora de piscina, apresenta otalgia intensa há 2 dias, com piora ao tracionar o pavilhão auricular e à mastigação. Nega febre e hipoacusia importante. FC 88 bpm, T 36,7 °C. À otoscopia, conduto auditivo externo edemaciado, hiperemiado e com debris, dificultando a visualização da membrana timpânica, que parece íntegra na porção visível. Não há adenomegalia cervical nem celulite periauricular. Qual a conduta indicada?
O antimicrobiano tópico otológico com limpeza do conduto e analgesia é a conduta indicada: a dor à tração do pavilhão com conduto edemaciado e membrana timpânica íntegra caracteriza otite externa aguda, cuja terapia é tópica, com concentrações locais muito superiores às obtidas por via sistêmica. A amoxicilina oral trata a otite média aguda, que não cursa com dor à tração do pavilhão. A ceftriaxona intramuscular também é via sistêmica desnecessária. O corticoide isolado não trata o componente infeccioso. A timpanocentese avalia a orelha média e não tem papel no acometimento do conduto externo.
Homem, 71 anos, diabético mal controlado, apresenta há 3 semanas otalgia intensa e persistente à direita, com otorreia purulenta que não melhorou após uso de gotas otológicas. T 37,6 graus Celsius, PA 140x84 mmHg. Há tecido de granulação na junção osteocartilaginosa do conduto auditivo externo e paralisia facial periférica ipsilateral. Velocidade de hemossedimentação 96 mm/h (VR até 15); hemoglobina glicada 10,2% (VR menor que 5,7). Qual o agente mais provável e a conduta?
A Pseudomonas aeruginosa é o agente clássico da otite externa maligna, quadro sugerido por otalgia arrastada em diabético descompensado, tecido de granulação no conduto e paralisia facial, exigindo antibioticoterapia sistêmica antipseudomonas por período prolongado. O Staphylococcus aureus causa furunculose do conduto, sem osteomielite de base de crânio, e o tratamento oral proposto seria insuficiente. A Candida provoca otomicose, com prurido e placas esbranquiçadas, sem acometimento de par craniano. O Streptococcus pyogenes causa erisipela do pavilhão, com placa eritematosa bem delimitada. O Haemophilus influenzae relaciona-se à otite média aguda, e não ao acometimento do conduto com invasão óssea.
Homem, 38 anos, apresenta há 3 dias otalgia intensa à direita, sensação de plenitude auricular e hipoacusia, após quadro de resfriado comum. T 38,0 graus Celsius, PA 124x78 mmHg. A otoscopia mostra membrana timpânica hiperemiada e abaulada, com perda dos referenciais anatômicos e sem perfuração. Não há dor à palpação da mastoide, edema retroauricular, paralisia facial ou sinais neurológicos. Qual a conduta indicada?
A amoxicilina por via oral com analgesia adequada é a conduta na otite média aguda com membrana abaulada, febre e otalgia intensa no adulto. O antibiótico endovenoso com internação é reservado a complicações como mastoidite ou acometimento intracraniano, ausentes ao exame. O corticoide isolado não trata a infecção bacteriana. A timpanostomia de urgência é indicada em casos selecionados, como dor refratária ou complicação, não como primeira conduta. Os descongestionantes nasais isolados não alteram a evolução da otite média aguda bacteriana.
Menino de 10 anos, nadador, apresenta há 3 dias otalgia à direita que piora à tração do pavilhão auricular e à pressão do trago, com sensação de plenitude e discreta hipoacusia. Está afebril, T 36,8 graus Celsius. A otoscopia mostra conduto auditivo externo edemaciado e hiperemiado, com descamação, e a membrana timpânica é visualizada parcialmente, sem abaulamento ou perfuração. Qual a conduta indicada?
O antibiótico tópico otológico com analgesia e a orientação de manter o ouvido seco constituem a conduta na otite externa aguda, identificada pela dor à tração do pavilhão e à pressão do trago com conduto edemaciado. O antibiótico sistêmico é reservado a extensão para tecidos adjacentes, imunossupressão ou diabetes. A lavagem auricular com jato pode agravar a inflamação e é contraindicada se houver dúvida sobre a integridade timpânica. O corticoide isolado não trata a infecção. A timpanostomia trata otite média com efusão, condição distinta.
Homem, 29 anos, com otorreia fétida intermitente à esquerda há 4 anos e hipoacusia progressiva, apresenta agora vertigem e paralisia facial periférica homolateral. PA 124x78 mmHg, FC 78 bpm, T 37,2 °C. Otoscopia mostra perfuração timpânica marginal em quadrante posterossuperior com massa esbranquiçada e debris epiteliais. Audiometria com perda condutiva de 45 dB. Qual o diagnóstico e a conduta?
Otorreia fétida crônica com perfuração marginal posterossuperior, massa esbranquiçada com debris epiteliais, perda condutiva e agora vertigem com paralisia facial indicam colesteatoma com erosão de estruturas adjacentes; a conduta é tomografia de ossos temporais e tratamento cirúrgico com timpanomastoidectomia. A otite externa maligna acomete diabéticos e imunossuprimidos, com tecido de granulação no conduto e osteíte de base de crânio. A otite média secretora cursa com efusão sem perfuração nem otorreia fétida. A otite média aguda recorrente não produz massa epitelial nem complicações erosivas crônicas. O neurinoma do acústico causa perda neurossensorial progressiva, e não otorreia com perfuração marginal.
Homem, 74 anos, diabético de longa data com mau controle, apresenta otalgia intensa e persistente à esquerda há 4 semanas, refratária a antibiótico tópico, com otorreia purulenta e cefaleia. PA 138x84 mmHg, FC 92 bpm, T 37,8 °C. Exame: tecido de granulação no assoalho do conduto auditivo externo, na junção osteocartilaginosa, e paresia facial periférica esquerda incipiente. Velocidade de hemossedimentação 92 mm na primeira hora; hemoglobina glicada 10,4%. Qual a principal hipótese diagnóstica?
A otite externa necrosante, também chamada maligna, por Pseudomonas aeruginosa, é a hipótese principal: idoso diabético descompensado, otalgia desproporcional e refratária, tecido de granulação na junção osteocartilaginosa, acometimento de nervo craniano e velocidade de hemossedimentação muito elevada compõem o quadro de osteomielite da base do crânio. A otite externa difusa é autolimitada e responde ao tratamento tópico, sem paralisia facial. O carcinoma de conduto é diferencial que exige biópsia, mas o contexto clínico e a resposta esperada ao antibiótico sistêmico favorecem a infecção. O colesteatoma de conduto não cursa com marcadores inflamatórios tão elevados. A otite média crônica simples não provoca dor intensa nem neuropatia craniana.
Homem, 34 anos, com otorreia fétida intermitente à direita há 6 anos e hipoacusia progressiva, refere episódios de tontura ao assoar o nariz. PA 124x76 mmHg, FC 76 bpm, T 36,6 °C. Otoscopia mostra retração da pars flácida com acúmulo de escamas epiteliais e crostas, além de erosão da parede póstero-superior. Audiometria evidencia perda condutiva de 40 dB à direita. Tomografia mostra massa de partes moles no ático com erosão da cadeia ossicular. Qual a conduta mais adequada?
O tratamento cirúrgico com timpanomastoidectomia é a conduta no colesteatoma, doença com crescimento expansivo e capacidade osteolítica, sugerida por otorreia fétida crônica, retração da pars flácida com escamas, erosão ossicular e sintoma de fístula labiríntica ao aumento de pressão. O antibiótico tópico controla infecção secundária, mas não remove a matriz epidérmica. O corticosteroide não tem papel curativo. A adaptação de aparelho auditivo trata o sintoma auditivo e deixa a doença progredir para complicações intracranianas. Observar até surgirem complicações inverte a lógica do tratamento, que é preventivo do dano irreversível.
Homem, 30 anos, nadador, apresenta otalgia intensa à direita há 3 dias, com sensação de plenitude auricular. PA 122x76 mmHg, FC 78 bpm, T 36,9 °C. Dor intensa à tração do pavilhão auricular e à pressão do trago; conduto auditivo edemaciado e hiperemiado com secreção escassa; membrana timpânica íntegra quando visualizada. Não é diabético nem imunossuprimido. Qual a conduta?
A otite externa aguda, sugerida pela dor à tração do pavilhão e à pressão do trago com conduto edemaciado, é tratada com antibiótico tópico otológico, frequentemente associado a corticoide, analgesia e orientação para manter o conduto seco. O antimicrobiano sistêmico é reservado a extensão além do conduto, imunossuprimidos e diabéticos. O corticoide isolado não trata a infecção. A lavagem sob pressão em conduto inflamado é dolorosa e pode agravar a lesão. A miringotomia trata a orelha média, compartimento não acometido nesse quadro.
Nadador de 19 anos apresenta otalgia que piora ao puxar a orelha e pressionar o trago. O conduto está edemaciado e hiperemiado, com secreção; o tímpano está íntegro e não há diabetes nem extensão periauricular. Qual intervenção dirigida à causa é a mais adequada entre as opções?
Na forma não complicada, gotas e cuidados locais costumam bastar; antibiótico sistêmico não é rotina. Referência: https://www.enthealth.org/conditions/swimmers-ear-otitis-externa/
Nadador de 19 anos apresenta otalgia que piora ao puxar a orelha e pressionar o trago. O conduto está edemaciado e hiperemiado, com secreção; o tímpano está íntegro e não há diabetes nem extensão periauricular. Qual achado complementar favorece especificamente essa hipótese?
O achado é característico de acometimento do conduto, distinto de doença restrita à orelha média. Referência: https://www.enthealth.org/conditions/swimmers-ear-otitis-externa/
Criança de 3 anos apresenta febre de 39,2 °C e otalgia há 48 horas após resfriado. A otoscopia mostra membrana timpânica opaca, abaulada e com mobilidade reduzida; o conduto não está inflamado. Qual achado complementar favorece especificamente essa hipótese?
Hiperemia isolada não basta; o abaulamento é mais específico para otite média aguda. Referência: https://www.nidcd.nih.gov/health/ear-infections-children
Nadador de 19 anos apresenta otalgia que piora ao puxar a orelha e pressionar o trago. O conduto está edemaciado e hiperemiado, com secreção; o tímpano está íntegro e não há diabetes nem extensão periauricular. Qual é o diagnóstico mais provável?
Dor à mobilização do pavilhão e inflamação do conduto localizam a infecção na orelha externa. Referência: https://www.enthealth.org/conditions/swimmers-ear-otitis-externa/
Criança de 3 anos apresenta febre de 39,2 °C e otalgia há 48 horas após resfriado. A otoscopia mostra membrana timpânica opaca, abaulada e com mobilidade reduzida; o conduto não está inflamado. Qual intervenção dirigida à causa é a mais adequada entre as opções?
A gravidade descrita favorece tratamento antibiótico; alergias, uso prévio e conjuntivite purulenta podem alterar a escolha. Referência: https://www.nidcd.nih.gov/health/ear-infections-children
Nadador de 19 anos apresenta otalgia que piora ao puxar a orelha e pressionar o trago. O conduto está edemaciado e hiperemiado, com secreção; o tímpano está íntegro e não há diabetes nem extensão periauricular. Qual mecanismo explica melhor o quadro?
Umidade e traumatismo local favorecem proliferação bacteriana. Referência: https://www.enthealth.org/conditions/swimmers-ear-otitis-externa/
Criança de 3 anos apresenta febre de 39,2 °C e otalgia há 48 horas após resfriado. A otoscopia mostra membrana timpânica opaca, abaulada e com mobilidade reduzida; o conduto não está inflamado. Qual mecanismo explica melhor o quadro?
Infecção respiratória pode alterar a ventilação da orelha média e favorecer o processo. Referência: https://www.nidcd.nih.gov/health/ear-infections-children
Criança de 3 anos apresenta febre de 39,2 °C e otalgia há 48 horas após resfriado. A otoscopia mostra membrana timpânica opaca, abaulada e com mobilidade reduzida; o conduto não está inflamado. Qual é o diagnóstico mais provável?
Abaulamento timpânico com sintomas agudos demonstra inflamação e efusão na orelha média. Referência: https://www.nidcd.nih.gov/health/ear-infections-children
Criança com infecção de ouvido apresenta cefaleia e edema retroauricular novo. O exame confirma pavilhão deslocado e dor mastoidea, motivando internação e investigação de extensão. Qual diagnóstico é mais provável?
A localização retroauricular do processo deve levantar mastoidite, não apenas otite não complicada. Febre, dor e edema retroauricular com deslocamento do pavilhão após otite sugerem complicação mastoidea. Referência: https://www.nhs.uk/conditions/mastoiditis/
Criança de três anos apresenta otalgia recente. A membrana timpânica mostra abaulamento moderado com líquido purulento retrotimpânico; hiperemia isolada não foi usada como critério diagnóstico. Qual diagnóstico é mais provável?
O abaulamento com efusão distingue otite média aguda de simples hiperemia por choro. Abaulamento timpânico com sinais agudos e efusão no ouvido médio sustenta otite média aguda. Referência: https://www.nidcd.nih.gov/health/ear-infections-children
Paciente usa aparelho auditivo e apresenta dor ao inserir o molde. Há edema difuso e exsudato no conduto, com tímpano íntegro e ausência de efusão média. Qual diagnóstico é mais provável?
A inflamação está restrita ao canal externo, compatível com otite externa. Dor à mobilização do pavilhão ou do trago e inflamação do conduto favorecem otite externa. Referência: https://www.nhs.uk/conditions/ear-infections/
Paciente pediátrico tem nova febre e otalgia após virose. A otoscopia pneumática demonstra membrana abaulada, amarelada e imóvel, sem sinais retroauriculares. Qual diagnóstico é mais provável?
O quadro agudo com efusão e abaulamento é compatível com otite média aguda não complicada. Abaulamento timpânico com sinais agudos e efusão no ouvido médio sustenta otite média aguda. Referência: https://www.nidcd.nih.gov/health/ear-infections-children
Mulher apresenta sensação de ouvido tampado após piscina e dor à mastigação. O tímpano está preservado, mas o conduto difusamente inflamado e a pressão do trago é dolorosa. Qual diagnóstico é mais provável?
Dor à manipulação externa com conduto inflamado favorece otite externa difusa. Dor à mobilização do pavilhão ou do trago e inflamação do conduto favorecem otite externa. Referência: https://www.nhs.uk/conditions/ear-infections/
Menina retorna após otite por febre persistente e tumefação flutuante retroauricular. A avaliação identifica abscesso subperiosteal ligado às células mastoideas. Qual diagnóstico é mais provável?
O abscesso retroauricular é complicação da mastoidite aguda. Febre, dor e edema retroauricular com deslocamento do pavilhão após otite sugerem complicação mastoidea. Referência: https://www.nhs.uk/conditions/mastoiditis/
Após melhora parcial da otalgia, criança desenvolve febre alta e dor sobre o osso temporal. A orelha se projeta para frente e a tomografia confirma inflamação e erosão das células mastoideas. Qual diagnóstico é mais provável?
O comprometimento ósseo mastoideo com sinais retroauriculares confirma a complicação. Febre, dor e edema retroauricular com deslocamento do pavilhão após otite sugerem complicação mastoidea. Referência: https://www.nhs.uk/conditions/mastoiditis/
Lactente irritado apresenta otorreia recente sem dor ao trago. Após limpeza, observa-se perfuração timpânica com drenagem de secreção proveniente do ouvido médio, no contexto de febre aguda. Qual diagnóstico é mais provável?
Otite média pode perfurar o tímpano e causar otorreia, sem sinais de infecção primária do conduto. Abaulamento timpânico com sinais agudos e efusão no ouvido médio sustenta otite média aguda. Referência: https://www.nidcd.nih.gov/health/ear-infections-children
Usuário de hastes flexíveis apresenta prurido seguido de otalgia e secreção. A tração do pavilhão reproduz dor; a otoscopia localiza eritema e edema difusos no canal. Qual diagnóstico é mais provável?
Manipulação do conduto favorece lesão da barreira local e otite externa. Dor à mobilização do pavilhão ou do trago e inflamação do conduto favorecem otite externa. Referência: https://www.nhs.uk/conditions/ear-infections/
Menino em tratamento de otite mantém febre e desenvolve edema doloroso atrás da orelha, com protrusão do pavilhão. O sulco retroauricular está apagado. Qual diagnóstico é mais provável?
A extensão inflamatória retroauricular indica complicação da infecção do ouvido médio. Febre, dor e edema retroauricular com deslocamento do pavilhão após otite sugerem complicação mastoidea. Referência: https://www.nhs.uk/conditions/mastoiditis/
Criança com resfriado evolui com febre e dor de ouvido. Otoscopia mostra membrana opaca, abaulada e com mobilidade reduzida, sem inflamação importante do conduto. Qual diagnóstico é mais provável?
Abaulamento e efusão com sintomas agudos definem comprometimento do ouvido médio. Abaulamento timpânico com sinais agudos e efusão no ouvido médio sustenta otite média aguda. Referência: https://www.nidcd.nih.gov/health/ear-infections-children
Nadador apresenta otalgia intensa após férias, agravada ao pressionar o trago. O conduto está edemaciado e com secreção; a membrana timpânica visível não está abaulada. Qual diagnóstico é mais provável?
O local da inflamação e a dor provocada pelo trago apontam para o conduto externo. Dor à mobilização do pavilhão ou do trago e inflamação do conduto favorecem otite externa. Referência: https://www.nhs.uk/conditions/ear-infections/
Ao escolher gotas para tratar otite externa em pessoa com tubo de ventilação ou perfuração timpânica conhecida, qual propriedade do produto assume especial importância?
Com membrana não íntegra, deve-se selecionar preparação tópica não ototóxica apropriada. Referência: AAO-HNSF/ENT Health. Swimmer’s Ear (Otitis Externa). https://www.enthealth.org/conditions/swimmers-ear-otitis-externa/
Na expressão tradicional “otite externa maligna”, qual característica justifica esse qualificativo e corresponde ao conceito atual de otite externa necrotizante?
O termo descreve comportamento infeccioso invasivo e potencial gravidade, não uma neoplasia. Referência: AAO-HNSF/ENT Health. Swimmer’s Ear (Otitis Externa). https://www.enthealth.org/conditions/swimmers-ear-otitis-externa/
Na formação de um colesteatoma adquirido por bolsa de retração timpânica, qual sequência fisiopatológica explica o início do processo?
Ventilação tubária inadequada pode produzir pressão negativa e bolsa de retração que acumula epitélio. Referência: AAO-HNSF/ENT Health. Cholesteatoma. https://www.enthealth.org/conditions/cholesteatoma/
Após resolução de um episódio de otite média aguda, permanece líquido atrás do tímpano, sem febre, otalgia aguda ou outros sinais de infecção ativa. Como esse estado deve ser conceituado?
Líquido na orelha média pode permanecer após a infecção, sem representar um novo episódio agudo. Referência: NIDCD/NIH. Ear Infections in Children. https://www.nidcd.nih.gov/health/ear-infections-children
Ao explicar o tratamento cirúrgico da otite média com efusão, qual função descreve corretamente o pequeno tubo colocado na membrana timpânica?
O tubo mantém comunicação através do tímpano, favorecendo ventilação e escoamento da efusão. Referência: NHS. Glue ear. https://www.nhs.uk/conditions/glue-ear/
Após a remoção cirúrgica de um colesteatoma, a pessoa está sem otorreia e relata melhora. Qual é a principal justificativa para manter acompanhamento otológico prolongado?
A melhora inicial não exclui persistência ou recorrência, justificando vigilância prolongada. Referência: NHS. Cholesteatoma (2025). https://www.nhs.uk/conditions/cholesteatoma/
Na otite externa, o edema intenso do conduto dificulta que as gotas alcancem a área afetada. Qual é a finalidade principal de uma mecha colocada por profissional no conduto?
A mecha permite que as gotas atinjam melhor a pele inflamada quando o canal está muito estreitado. Referência: AAO-HNSF/ENT Health. Swimmer’s Ear (Otitis Externa). https://www.enthealth.org/conditions/swimmers-ear-otitis-externa/
Na prevenção da otite externa associada à natação, qual alteração causada pela permanência de água no conduto auditivo favorece o desenvolvimento da infecção?
A umidade prolongada prejudica a proteção local do conduto e facilita infecção. Referência: CDC. Preventing Swimmer’s Ear (2025). https://www.cdc.gov/healthy-swimming/prevention/preventing-swimmers-ear.html
Apesar de sua capacidade de causar erosão óssea, qual descrição caracteriza a natureza do colesteatoma da orelha média e ajuda a distingui-lo de uma neoplasia maligna?
O colesteatoma envolve pele e acúmulo de células descamadas na orelha; pode ser destrutivo sem ser câncer. Referência: NHS. Cholesteatoma (2025). https://www.nhs.uk/conditions/cholesteatoma/
Um adulto receberá gotas prescritas para otite externa. Qual orientação sobre a posição da cabeça favorece o contato do medicamento com o conduto auditivo afetado?
Essa posição favorece a permanência e distribuição das gotas no conduto. Referência: AAO-HNSF/ENT Health. Swimmer’s Ear (Otitis Externa). https://www.enthealth.org/conditions/swimmers-ear-otitis-externa/
Em um adulto imunocompetente com quadro localizado como o da imagem, sem extensão além do conduto, qual tratamento costuma ser inicial? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

Otite externa não complicada costuma responder a tratamento local, considerando a integridade timpânica.
Otalgia piorada ao pressionar o trago acompanha a otoscopia mostrada. Qual diagnóstico é mais provável? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

Edema e secreção no conduto, associados à dor à manipulação, favorecem inflamação do ouvido externo.
O conduto da imagem está edemaciado e contém secreção que dificulta ver o tímpano. Qual conclusão é adequada para o planejamento do tratamento tópico? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

A visualização é insuficiente; devem ser considerados história, exame apropriado e segurança da preparação escolhida.
No quadro de otite externa mostrado, há perfuração timpânica conhecida. Qual característica deve orientar a escolha da preparação tópica? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

Perfuração exige produto seguro para possível exposição do ouvido médio/interno.
Uma criança de oito anos tem otite média com efusão e dificuldade auditiva leve, sem infecção aguda. Consegue compreender e executar uma técnica com dispositivo nasal sob orientação. Qual intervenção não cirúrgica pode ser considerada durante o acompanhamento?
A decisão integra acompanhamento auditivo e impacto funcional. Referências: NICE NG233. Otitis media with effusion in under 12s — https://www.nice.org.uk/guidance/ng233/chapter/Recommendations
Criança com tubo de ventilação apresenta otorreia aguda, sem febre alta, celulite adjacente, imunossupressão ou outra infecção que exija antibiótico sistêmico. Qual tratamento é recomendado para esse episódio não complicado?
A presença de complicações modificaria a avaliação e a escolha terapêutica. Referências: AAO-HNSF. Clinical Practice Guideline: Tympanostomy Tubes in Children, Update 2022 — https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35138954/
Criança com perda auditiva associada à otite média com efusão, sem rinite alérgica ou outra indicação, recebe proposta de prednisolona oral ou corticoide nasal para eliminar o líquido. Qual orientação corresponde à NICE NG233?
Outras indicações para corticoide devem ser avaliadas separadamente. Referências: NICE NG233. Otitis media with effusion in under 12s — https://www.nice.org.uk/guidance/ng233/chapter/Recommendations
Criança com tubos de ventilação, sem otorreia recorrente nem dor com água, quer retomar natação recreativa de superfície em piscina tratada. Segundo a diretriz AAO-HNSF, qual aconselhamento geral é adequado?
Dor, otorreia recorrente e exposições específicas podem exigir orientação individual. Referências: AAO-HNSF. Clinical Practice Guideline: Tympanostomy Tubes in Children, Update 2022 — https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35138954/
Adulto sem diabetes iniciou tratamento tópico para otite externa difusa e retorna após 72 horas sem melhora. Está afebril, sem celulite periauricular ou déficit neurológico. Qual é o próximo passo mais apropriado?
A reavaliação em 48–72 horas permite corrigir problemas e reconhecer diagnósticos alternativos. Referências: AAO-HNSF. Clinical practice guideline: acute otitis externa — https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24491310/
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em 7 dias
Escreva de memória a diferença entre orelha externa e orelha média em três linhas: qual é o tecido, qual é o agente típico e qual é a via do tratamento. Depois, sem consultar, diga as três situações em que a otite externa ganha antibiótico sistêmico e explique por que o exemplo dado nos protocolos não cobre Pseudomonas. Feche dizendo qual gota é proibida quando a membrana está perfurada e por quê.
em 30 dias
Refaça de cabeça a tabela dos relógios, com as cinco linhas, e diga em voz alta, para cada uma, de onde a contagem começa. Em seguida, reconstrua a contradição interna da monografia internacional: qual frase proíbe o aminoglicosídeo, qual passo do algoritmo o prescreve e por que as duas falam da mesma orelha. Termine explicando por que a otorreia, presente em setenta e oito por cento das otites externas necrosantes, decide menos do que o tecido de granulação, presente em setenta e cinco.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Um homem de 69 anos entra no consultório com um chumaço de algodão na orelha direita e diz que já usou duas gotas diferentes e que a dor não passa, principalmente à noite. Ele conta que é diabético e que faz tempo que não mede a glicemia. Está sem febre. Conduza a consulta: descubra o que muda esta otite de categoria e decida para onde ele vai. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
