Pediatria › Pneumologia Pediátrica
Aspiração de corpo estranho: o que sobra depois que a tosse passa
Aspiração de corpo estranho em vias aéreas
O engasgo tem dono no capítulo de parada; aqui mora a criança que engasgou, melhorou e continua com o objeto dentro — e a régua que decide se ela vai para a broncoscopia hoje ou para a radiografia de controle daqui a seis semanas
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Criança de 2 anos, previamente hígida, brincava com amendoim quando iniciou subitamente crise de tosse e engasgo, seguida de sibilância. Ao exame: FR 34 ipm, SatO2 95%, sibilância localizada em hemitórax direito com murmúrio vesicular diminuído à direita. Sem febre. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
Como esse tema cai
Este capítulo começa devolvendo o que não é dele. A manobra de desengasgo — cinco golpes dorsais alternados com cinco compressões torácicas abaixo de um ano, compressão abdominal acima de um ano, e a divergência entre a régua brasileira e a atualização americana sobre começar ou não pelas costas — é ensinada no capítulo de parada cardiorrespiratória pediátrica desta mesma apostila, e o capítulo de otorrinolaringologia já registra por escrito que a entrega foi feita. O corpo estranho nasal e otológico é da otorrinolaringologia; o retal, da coloproctologia. A geometria dos brônquios e a lateralidade da aspiração têm dono no capítulo de árvore brônquica do ciclo básico, que mede a assimetria de ângulo e mostra que ela se acentua com a idade.
O que sobra é a criança que engasgou, tossiu, ficou boa — e continua com o objeto dentro. Essa criança não aparece na sala de emergência gritando: ela aparece no ambulatório com tosse que não passa, no pronto-socorro com o terceiro episódio de pneumonia no mesmo lobo, ou na sala de nebulização com uma "asma" que não responde a nada. Ela é a razão pela qual a série brasileira que este capítulo usa recebeu crianças com intervalo entre o evento e a chegada variando de uma hora a sessenta dias.
O vão que justifica o recorte é grande e mensurável. Quatro capítulos vizinhos desta apostila citam a aspiração de corpo estranho como diferencial e nenhum deles ensina o que fazer com a suspeita. O capítulo de asma manda pedir radiografia "para excluir corpo estranho inalado" e não diz qual radiografia. O de crupe registra que a radiografia cervical normal não exclui a aspiração e para aí. O de bronquiolite escreve que sibilância unilateral súbita sem pródromo é corpo estranho até prova em contrário, sem dizer qual é a prova em contrário. E o de pneumonia reserva o controle radiológico de 4 a 6 semanas para três situações, uma delas a suspeita de aspiração de corpo estranho — o que, lido isolado, transforma uma indicação de endoscopia em hoje numa consulta de retorno em mês e meio.
A régua deste capítulo é uma pergunta só, e ela não é sobre imagem: quanto vale a história de engasgo quando tudo o mais está normal? A resposta que as três fontes sustentam é desconfortável — vale mais do que o exame físico e mais do que a radiografia, e é por isso que a broncoscopia negativa é aceitável e esperada.
O que muda decisão
Dois eventos com o mesmo nome, e um deles não é doença
A palavra engasgo cobre duas coisas incompatíveis, e a confusão entre elas é o primeiro erro do capítulo. Uma é o reflexo faríngeo, presente desde o nascimento e permanente por toda a vida, que existe justamente para impedir que material entre na via aérea. A outra é a obstrução de via aérea por corpo estranho, que o guia brasileiro de 2025 abrevia como OVACE e que é um objeto ou alimento sólido alojado onde deveria passar ar.
O documento da Sociedade Brasileira de Pediatria de agosto de 2025 foi escrito para separar as duas, e a separação tem consequência prática imediata: no engasgo por líquido não se faz manobra. O texto é explícito sobre por que isso importa — orientações de mídia e de redes sociais vinham recomendando as manobras de desobstrução para engasgo com leite materno, fórmula ou suco, o que o documento classifica como em desacordo com o conhecimento científico. A conduta correta ali tem quatro passos e nenhum deles é golpe ou compressão: sentar ou semi-sentar a criança, retirar o excesso de líquido da boca com um lenço, observar a resposta e, só se houver apneia, esfregar delicadamente as costas — e, se ainda assim não voltar a respirar e perder a consciência, iniciar reanimação.
Vale notar de onde essa recomendação vem, porque isso muda o quanto se pode apoiar nela. A epidemiologia do engasgo por líquido no documento sai de um único estudo pré-hospitalar americano, sobre 110.367 chamadas de ambulância em um ano, e o próprio guia o descreve como um dos poucos da literatura a descrever o fenômeno. As duas referências que sustentam o passo a passo são um texto de 2024 no site da Sociedade de Pediatria de São Paulo e o consenso internacional de ressuscitação de 2023 — que trata de obstrução por corpo estranho. Ensaio clínico que compare as duas condutas no engasgo por líquido: nenhum é citado. A recomendação é fisiopatológica e de bom senso, e o capítulo a adota; mas o aluno que a defender numa prova de residência precisa saber que ela não se apoia em ensaio.
O dado do mesmo estudo pré-hospitalar explica por que as duas populações nunca se encontram na enfermaria: 59% das obstruções se resolveram antes da chegada da ambulância, e 69% dessas eram por líquido. O que sobra para o hospital é o sólido que ficou.
Por que os números de epidemiologia não fecham entre si
O guia de 2025 escreve que noventa por cento dos casos ocorrem em menores de cinco anos, sendo 65% em menores de um ano. A página de orientação a famílias da mesma sociedade, atualizada em abril de 2023 e no ar hoje, escreve que 84% dos engasgos ocorrem em menores de cinco anos. São dois números da mesma instituição para a mesma faixa, com dois anos de distância, e o capítulo os registra como duas réguas convivendo — não há aritmética a fazer com eles.
O choque interessante é outro. Se 65% dos casos fossem mesmo de lactentes abaixo de um ano, as séries de broncoscopia deveriam ser dominadas por bebês. Não são: na série da Unicamp a idade mínima é de 8 meses e a média é de 35,8 meses; na série polonesa a média é de 2,92 anos e 74,24% tinham até três anos. As duas séries concordam entre si e discordam do guia.
A reconciliação honesta não é dizer que alguém errou: é que os denominadores contam eventos diferentes. O guia conta episódios de obstrução, e nessa contagem entram o leite que desceu errado e o susto que passou em trinta segundos — eventos que são majoritariamente de lactentes e majoritariamente por líquido. As séries contam objetos retirados, e nessa contagem entram apenas os sólidos que ficaram. O bebê engasga mais; quem chega à broncoscopia é o pré-escolar com feijão no brônquio.
Essa distinção não é erudição: ela é a razão de o capítulo existir. A criança que aparece na porta com sintoma respiratório e sem crise aguda pertence à segunda população, e é a segunda população que a prova cobra.
A história de engasgo: sensível, e nada específica
O achado mais valioso na suspeita de corpo estranho é o menos científico de todos — alguém viu. A série polonesa mediu o desempenho do episódio testemunhado de engasgo como preditor de broncoscopia positiva: sensibilidade de 91% e especificidade de 46%. Os autores chamam esse episódio, na mesma frase, de o fator preditivo mais específico e mais sensível.
Metade dessa frase não sobrevive à sua própria medida. Especificidade de 46% é pior que o acaso para descartar: no estudo turco de onde os autores tiram os dados, o engasgo testemunhado foi relatado em 91% das broncoscopias positivas e em 54% das negativas — mais da metade das crianças que não tinham nada tinha história de engasgo. A história é ótima para levantar a suspeita e péssima para confirmá-la.
O condicional invertido é o erro que a prova cobra. De "quase toda criança com corpo estranho tem história de engasgo" não se segue "criança sem história de engasgo não tem corpo estranho": os 9% que faltam para fechar a sensibilidade são exatamente as aspirações não presenciadas, que são também as que chegam tarde. E o próprio artigo, dois parágrafos depois da frase da especificidade, escreve o contrário do que a leitura invertida sugere — quando o exame físico mostra dispneia, tosse, esforço respiratório ou febre e a radiografia é compatível, a broncoscopia rígida está recomendada mesmo sem engasgo observado.
Na prática de porta, isso dá uma regra de duas entradas independentes: história de engasgo confiável entra sozinha, mesmo com exame e imagem duvidosos; e quadro respiratório focal compatível entra sozinho, mesmo sem ninguém ter visto nada.
A ausculta decide menos do que parece
A tabela de ausculta da série brasileira é uma das poucas do capítulo que fecha como partição limpa, e por isso serve de régua. Entre as 69 crianças levadas à broncoscopia: assimetria de murmúrio vesicular em 27 (39,1%), ausculta normal em 18 (26,1%), sibilância em 17 (24,7%) e murmúrio assimétrico com sibilos em 7 (10,1%). As quatro linhas somam 69 crianças e 100,0% — nenhuma criança em duas categorias, nenhuma fora.
Duas leituras saem daí. A primeira é que a ausculta alterada é a regra: 51 das 69, ou 73,9%, tinham alguma anormalidade, e é esse o 74% que o resumo do artigo publica. A segunda é a que muda conduta: mais de um quarto tinha ausculta normal, numa série em que 87% dos procedimentos acharam corpo estranho de verdade. Ausculta simétrica e limpa em criança com história de engasgo não é alta, é uma criança com corpo estranho que ainda não fez o que ele faz.
O quadro clínico à admissão, ao contrário da ausculta, não é partição e não deve ser lido como tal: tosse em 52 (75,4%), desconforto respiratório em 29 (42,0%), cianose em 19 (27,5%), sibilos em 18 (26,0%), febre em 10 (14,5%), vômito em 7 (10,1%), dor torácica em 3, estridor em 2, rouquidão em 1, halitose em 1 e uma criança inteiramente assintomática. Somadas, essas linhas passam de 200%, porque a mesma criança entra em várias.
A halitose numa lista de sintomas respiratórios agudos é o rastro do capítulo inteiro: cheiro ruim é sinal de material orgânico apodrecendo em brônquio, e quem chega com ele já perdeu semanas.
A radiografia: qual pedir, e o que ela não resolve
A conduta do guia brasileiro para a criança sintomática mas estável é uma frase só, e cada pedaço dela vale: encaminhar a serviço hospitalar para radiografia simples de tórax, inspiratória e expiratória, para identificar localização e material — e, logo em seguida, que estudos radiográficos normais não excluem o corpo estranho, podendo ser necessária tomografia, inclusive para achar corpos esofágicos que comprimem a via aérea por fora.
A incidência em expiração existe porque o corpo estranho brônquico costuma funcionar como válvula: deixa o ar entrar na inspiração e prende na expiração. O pulmão obstruído, portanto, não colaba na expiração como o outro — fica hiperinsuflado, hipertransparente, e empurra o mediastino para o lado sadio. Numa radiografia feita só em inspiração esse achado desaparece, o que é a explicação mecânica de boa parte dos exames "normais".


A série brasileira mediu o que essas radiografias mostram. De 67 exames, 8 estavam sem alteração (11,9%). Entre os alterados, atelectasia em 26 (38,8%), hiperinsuflação em 16 (23,9%), opacidade de parênquima em 10 (14,9%), desvio de traqueia em 9 (13,4%) e o corpo estranho visível em 15 (22,4%). Essas cinco linhas somam 113,4%, porque a mesma criança pode ter atelectasia num lobo e hiperinsuflação noutro — quem as ler como fatias de um bolo erra a conta.
O número que quase todo mundo memoriza errado é o do exame visível: apenas 22,4% tinham o objeto aparecendo na radiografia. O restante é sinal indireto, e sinal indireto é o que a incidência expiratória serve para revelar. Objeto de plástico, semente, feijão e amendoim são radiotransparentes; a série brasileira teve 21,7% de feijão e 18,3% de amendoim entre os 60 objetos retirados, nenhum deles visível em radiografia simples.
E aqui está a discordância mais importante do capítulo. Os 11,9% de radiografias normais da série brasileira convivem, na literatura que a série polonesa reúne, com uma estimativa de que a radiografia inalterada apesar de corpo estranho presente pode chegar a 66% dos pacientes. Onze por cento e sessenta e seis por cento não são o mesmo número medido duas vezes: o primeiro sai de crianças que já tinham sido selecionadas para broncoscopia por suspeita clínica forte, e o segundo estima a população de suspeitos em geral. A radiografia parece boa exatamente na população em que ela já não era necessária para decidir.
O relógio, e o que ele cobra
Na série brasileira, o intervalo entre o evento e a chegada foi de uma hora a sessenta dias, e apenas 26 das 69 crianças (37,7%) chegaram nas primeiras 24 horas. A leitura que vale é a complementar: 62,3% chegaram depois de um dia, e a maior parte delas depois de muito mais que um dia.
O preço do atraso está medido. Complicações ocorreram em 29% dos pacientes, a mais comum sendo pneumonia, e foram associadas ao tempo maior de aspiração, com significância estatística declarada em p = 0,03. Na série polonesa, inflamação de via aérea inferior foi vista durante a broncoscopia em 19 das 66 crianças, e a discussão do artigo cita a literatura de que a criança operada depois de 24 horas pode ter bronquite em até 34% dos casos.
O guia brasileiro descreve a ponta ruim dessa curva: um corpo estranho retido por várias semanas pode causar inflamação e infecção que exigem antibiótico e corticosteroide sistêmico antes da retirada endoscópica, para reduzir a inflamação. Quer dizer que o atraso não só piora o desfecho como muda o procedimento — a criança que chegaria a uma endoscopia limpa passa a precisar de tratamento clínico prévio.
Daí a frase que este capítulo entrega ao capítulo de pneumonia da mesma apostila. Aquele capítulo reserva a radiografia de controle em 4 a 6 semanas a três situações, e uma delas é a suspeita de aspiração de corpo estranho. A régua está certa para pneumonia de repetição e para suspeita de malformação; para corpo estranho ela é a régua do seguimento, não a da suspeita. A mesma suspeita que rende uma radiografia de controle em 4 a 6 semanas rende, se for suspeita de verdade, uma broncoscopia em menos de 24 horas — e a série polonesa é explícita nesse prazo. Marcar retorno em mês e meio para uma criança que engasgou é atravessar inteira a janela em que a inflamação se instala.
A broncoscopia, e por que a negativa é aceitável
O guia brasileiro é direto: a broncoscopia rígida é o procedimento de escolha, tanto para identificar e remover quanto para controlar a via aérea, com índice de sucesso na remoção de cerca de 95% e taxa de complicação menor que 1%. A flexível é descrita como excelente opção, alcança brônquios subsegmentares sem anestesia geral e tem sucesso de 91%, mas com risco adicional de deslocar o objeto e agravar a obstrução. Quando a via endoscópica falha, a indicação é toracotomia.
A pergunta que decide a conduta não é qual aparelho, e sim quando indicar. Aqui as duas séries se separam de um jeito instrutivo. Na Unicamp, 9 das 69 broncoscopias (13,0%) não acharam corpo estranho — só sinais indiretos de edema, hiperemia e secreção. Em Lublin, 24 das 66 (36,36%) foram negativas. As duas estão dentro da faixa que a literatura registra, e a faixa é enorme: a ausência de corpo estranho na broncoscopia varia, conforme o serviço, entre 10% e 75% dos casos.
Uma variação de 10% a 75% não descreve a doença; descreve o limiar de quem indica. Serviço com limiar baixo scopa mais criança sem nada e perde menos objeto; serviço com limiar alto tem estatística bonita e diagnostica tarde. A frase que o artigo polonês usa para justificar o limiar baixo é a conclusão honesta do capítulo: nenhum sintoma, nenhum item de anamnese e nenhum exame é sensível ou específico o bastante para decidir sozinho — só a broncoscopia dá certeza.
Por isso a broncoscopia negativa não é erro de indicação. Ela é o preço, conhecido e aceito, de não deixar objeto dentro de criança. O que a série polonesa mostra é que esse preço tem contrapartida operacional: as crianças foram operadas com jejum de seis horas na maioria dos casos, e em cinco delas o procedimento foi feito com urgência ignorando o jejum. Depois de retirar objeto e muco, o serviço fazia sempre um segundo olhar para avaliar a mucosa e procurar fragmentos remanescentes — conduta que a série brasileira também exemplifica, com um amendoim cujos fragmentos foram encontrados nos dois brônquios.
O lado: um eixo com dono, e o número que faltava lá
A lateralidade da aspiração é ensinada no capítulo de árvore brônquica do ciclo básico, que já registra que a regra do lado direito enfraquece na criança pequena, que a assimetria de ângulo entre os brônquios se acentua com a idade, e que abaixo de dois anos há tendência a predomínio esquerdo. Este capítulo não reabre esse eixo. Ele entrega ao capítulo vizinho três números que faltavam lá, porque os três aparecem em documentos que o aluno de prova vai abrir.
O primeiro é o guia brasileiro de 2025, que escreve que 52% dos corpos estranhos ficam no brônquio principal direito e 18% no esquerdo. Essa é a assimetria de adulto, quase três para um, impressa em documento de sociedade pediátrica publicado no ano passado. Note também que 52 e 18 somam 70 — os outros 30% não são nomeados em lugar nenhum do texto.
O segundo é a série da Unicamp: entre os 60 objetos localizados, 33 no brônquio direito (55,0%), 22 no esquerdo (36,7%), 4 na traqueia (6,7%) e 1 fragmentado nos dois lados. Razão de um vírgula cinco para um.
O terceiro é o mais instrutivo, porque mostra como a regra de adulto se refabrica no papel. A série polonesa contou 20 no brônquio direito e 18 no esquerdo, entre 42 — razão de 1,1 para 1, praticamente simetria. O artigo, porém, imprime 57,14% para o lado direito. Vinte de 42 dá 47,62%; 57,14% é a fatia das castanhas (24 de 42), citada na frase seguinte. Com o número impresso, as quatro topografias do artigo somam 109,52%; com a contagem, somam 100%. E o parágrafo que se segue explica a suposta predominância direita pelo calibre maior e pelo trajeto mais retilíneo do brônquio direito — a explicação anatômica do adulto aplicada a uma diferença de dois casos.
O mesmo artigo, três linhas antes, já tinha dado o argumento contra si: a literatura que ele resume põe o brônquio direito em 30 a 60% e o esquerdo em 25 a 60%. As duas faixas se sobrepõem quase inteiras. Em prova, a consequência é simples e vale mais que qualquer porcentagem: o enunciado de criança escreve achado unilateral, não achado à direita, e a alternativa que promete começar a broncoscopia pela direita porque "é sempre a direita" é a que se marca errado.
Manobra, tosse e a única contradição interna do guia
A manobra aguda pertence ao capítulo de parada, mas um pedaço dela pertence a este: quando não fazer nada com as mãos. O guia brasileiro é claro sobre a obstrução parcial — criança que consegue falar ou tossir não recebe manobra de desobstrução, pelo risco de deslocar o objeto e converter obstrução parcial em completa; e pelo mesmo motivo a varredura às cegas da boca e da orofaringe é desestimulada. Em obstrução parcial, o que se faz é estimular a tosse, porque a tosse é a manobra mais eficaz e a prova de que ainda passa ar.
É nesse ponto que o documento se contradiz consigo mesmo, e a contradição merece ser conhecida porque é sobre um item que a prova cobra. Numa passagem, o guia escreve que na criança com obstrução incompleta, caso a tosse se torne inefetiva, pancadas leves no dorso estão indicadas antes de iniciar as manobras de desobstrução. Duas colunas depois, ao descrever as manobras, o mesmo documento prescreve para o maior de um ano apenas a compressão abdominal, sem golpe dorsal nenhum. As duas frases estão no mesmo arquivo de sete páginas.
Isso é matéria do capítulo de parada, que trata a divergência entre a régua brasileira e a atualização americana sobre iniciar ou não pelas costas. O que este capítulo lhe entrega é a data e a fonte: o documento brasileiro que já traz golpe dorsal antes da compressão abdominal na criança maior de um ano é o Guia Prático de Atualização nº 222, publicado em 1º de agosto de 2025 e fechado no arquivo em 29 de julho — anterior, portanto, à atualização americana, e brasileiro.
A trava que sobra para uso próprio é a da criança estável. Toda criança submetida a manobra de desengasgo deve ser encaminhada para exame médico e de imagem, para procurar lesão traumática — e o mesmo vale para o suspeito sintomático e estável que nunca recebeu manobra. A manobra funciona em fratura de costela, perfuração de víscera, pneumomediastino e laceração mesentérica, todas descritas; e a criança que "melhorou" depois do golpe não está liberada, está começando o percurso deste capítulo.
O que persiste depois, e por que ninguém fecha a conta
O corpo estranho que fica produz uma lista curta e previsível: infecção pulmonar de repetição, atelectasia e bronquiectasia. A sequência é mecânica — obstrução parcial, retenção de secreção, colonização, inflamação crônica, destruição de parede brônquica. É por isso que "pneumonia de repetição sempre no mesmo lobo" é um dos gatilhos que o próprio capítulo de pneumonia lista, e é por isso que a topografia repetida vale mais que o número de episódios.
Material orgânico agrava a curva. Feijão e amendoim absorvem água, incham e liberam ácidos graxos que produzem reação inflamatória intensa na mucosa — o que explica ao mesmo tempo a halitose, o edema que dificulta a retirada e a necessidade, nos casos de semanas, de antibiótico e corticosteroide antes da endoscopia. Na série brasileira, o material vegetal foi o mais frequente (40,6% dos 69 casos), seguido de metálico (17,4%), plástico (15,9%) e mineral (2,9%). Na polonesa, 80,95% dos objetos retirados eram orgânicos, com castanhas em 24 dos 42.
Um aviso de leitura sobre o material, porque é o ponto do artigo brasileiro que não reconcilia. O resumo escreve que a origem vegetal predominou "destacando feijão e amendoim (30,7%)"; a tabela do artigo dá feijão em 13 dos 60 (21,7%) e amendoim em 11 dos 60 (18,3%), que somam 40,0% dos objetos retirados, ou 34,8% se a base for as 69 crianças. Nenhuma das duas contas dá 30,7%. O número está impresso, e este capítulo o registra como impresso sem usá-lo em aritmética alguma.
Há, por fim, o que nenhuma das fontes fecha, e vale dizer em voz alta em vez de fingir precisão: quanto tempo é tarde demais. O guia fala em "várias semanas" sem definir a fronteira, a série polonesa recomenda broncoscopia em menos de 24 horas sem dizer o que fazer com quem chega no décimo dia, e a série brasileira mostra que complicações crescem com o tempo sem publicar o ponto de corte. O que existe é gradiente, não limiar — e a conduta que decorre disso é indicar cedo, não calcular se ainda dá tempo.
A régua da suspeita de corpo estranho na via aérea
Toda vinheta desta condição se resolve por três perguntas, feitas nesta ordem: o material era sólido ou líquido; a criança está falando ou tossindo agora; e quanto tempo passou desde o episódio. A primeira separa doença de reflexo, a segunda separa emergência de investigação, e a terceira decide se a endoscopia vai ser limpa ou precedida de tratamento clínico. Nenhuma delas é respondida por exame de imagem.
- 1Engasgo por líquido — leite, fórmula, suco, medicamento, saliva? Sente ou semi-sente a criança, retire o excesso da boca com um lenço e observe. Manobra de desobstrução não se faz aqui. Se permanecer sintomática, encaminhe; se ficar em apneia, esfregue delicadamente as costas; se perder a consciência, chame ajuda e inicie reanimação.
- 2Sólido, e a criança fala, chora ou tosse? Obstrução parcial. Estimule a tosse, não faça manobra e não varra a boca às cegas — as duas coisas deslocam o objeto e podem fechar o que estava aberto.
- 3Sólido, e a criança não emite som, fica cianótica ou leva as mãos ao pescoço? Obstrução completa: a conduta é a do capítulo de parada cardiorrespiratória pediátrica, com a régua por idade e a divergência de golpes dorsais que se resolve lá.
- 4Passada a fase aguda — inclusive na criança que melhorou e inclusive na que recebeu manobra — encaminhe a serviço hospitalar. Toda criança submetida a manobra precisa de exame médico e de imagem para procurar lesão traumática.
- 5Peça radiografia simples de tórax em inspiração e em expiração. A incidência expiratória existe para revelar o pulmão que não esvazia; sem ela, o achado que decide desaparece.
- 6Radiografia normal não afasta. Objeto de plástico, semente, feijão e amendoim são radiotransparentes, e na série brasileira o corpo estranho estava visível em apenas 22,4% dos exames.
- 7Indique broncoscopia quando houver história confiável de engasgo, mesmo com exame e imagem duvidosos — ou quando houver quadro respiratório focal compatível, mesmo sem ninguém ter presenciado nada. As duas entradas são independentes.
- 8Broncoscopia rígida sob anestesia geral é o procedimento de escolha, com segundo olhar depois da retirada para procurar fragmento remanescente e avaliar a mucosa. Falha da via endoscópica indica toracotomia.
- 9Chegada tardia, de semanas: espere inflamação e infecção, e conte com antibiótico e corticosteroide sistêmico antes da retirada. Não é motivo para adiar a indicação, é motivo para avisar a equipe.
Engasgo por líquido e obstrução por sólido, como o guia brasileiro de 2025 separa os dois
| Item | Engasgo por líquido | Obstrução por corpo estranho sólido |
|---|---|---|
| O que é | Reflexo faríngeo de proteção, presente desde o nascimento | Objeto ou alimento alojado na via aérea |
| Posição inicial | Sentar ou semi-sentar | Depende da idade e do nível de consciência |
| Manobra de desobstrução | Não indicada | Indicada apenas na obstrução completa |
| Retirada de material da boca | Retirar o excesso com lenço | Só o que estiver visível; varredura às cegas desestimulada |
| Se a criança tosse e volta ao normal | Ajudar e observar | Estimular a tosse e não intervir |
| Se fica sintomática depois | Levar a serviço de emergência | Levar a serviço de emergência |
| Se perde a consciência | Chamar ajuda e iniciar reanimação | Chamar ajuda e iniciar reanimação |
As três fontes lado a lado, com os números recontados
| Fonte | População | Broncoscopia negativa | Direito : esquerdo | Material |
|---|---|---|---|---|
| Guia da sociedade brasileira, 2025 | Revisão narrativa, sem série própria | Não informa | 52% : 18% (os outros 30% não são nomeados) | Objetos pequenos e alimentos, sem contagem |
| Série da Unicamp, 69 crianças, 2000-2005 | Suspeita clínica, hospital terciário | 9 de 69 (13,0%) | 33 : 22 entre 60 objetos (1,5 para 1) | Vegetal 40,6%; feijão 21,7% e amendoim 18,3% dos 60 |
| Série de Lublin, 66 crianças, 2015-2020 | Suspeita clínica, serviço de otorrinolaringologia | 24 de 66 (36,36%) | 20 : 18 entre 42 objetos (1,1 para 1) | Orgânico 80,95%; castanhas 24 dos 42 |
| Faixa da literatura reunida em Lublin | Vários serviços | 10% a 75% | Direito 30-60%; esquerdo 25-60% | Inorgânico em 7% a 25% das positivas |
Ausculta na admissão das 69 crianças levadas à broncoscopia, a única partição limpa da série
| Ausculta | n | % |
|---|---|---|
| Assimetria de murmúrio vesicular | 27 | 39,1 |
| Normal | 18 | 26,1 |
| Sibilância | 17 | 24,7 |
| Murmúrio assimétrico com sibilos | 7 | 10,1 |
| Total | 69 | 100,0 |
A tabela de ausculta soma 69 crianças e 100,0% — nenhuma criança entra em duas linhas. Já a tabela de achados radiográficos do mesmo artigo soma 113,4% e a de quadro clínico passa de 200%: nessas duas a mesma criança aparece em várias linhas, e lê-las como fatias de um bolo produz conta errada.
As porcentagens do artigo brasileiro mudam de denominador conforme a variável: 69 para quadro clínico e ausculta, 67 para radiografia (duas crianças não fizeram o exame) e 60 para topografia e material (as nove sem corpo estranho saem da conta). Conferir qual base está em uso antes de comparar com qualquer outra série.
O resumo do artigo brasileiro atribui 30,7% a feijão e amendoim; a tabela do mesmo artigo dá 21,7% e 18,3%, que somam 40,0% dos 60 objetos ou 34,8% das 69 crianças. Os três números estão impressos e não se reconciliam — use os da tabela e não faça aritmética com o do resumo.
O artigo polonês imprime 57,14% para o brônquio direito, mas conta 20 casos entre 42, o que dá 47,62% — e 57,14% é a proporção das castanhas na frase seguinte. Com o valor impresso, as quatro topografias somam 109,52%.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Limiar baixo, assumindo procedimento negativo: nenhum sintoma, item de anamnese ou exame é sensível e específico o bastante para decidir sozinho, e só a broncoscopia dá certeza. História confiável de engasgo indica o procedimento mesmo com exame físico e imagem duvidosos; e quadro respiratório compatível o indica mesmo sem engasgo presenciado. Nessa série, 36,36% das broncoscopias foram negativas, dentro da faixa de 10% a 75% que a literatura reunida registra.
Pietraś A, Markiewicz M, Mielnik-Niedzielska G. Children. 2021;8(12):1206, seções de discussão sobre valor do engasgo testemunhado e sobre broncoscopia negativa.
Limiar apoiado no conjunto clínico e radiológico: história de início súbito de engasgo e tosse, anormalidades na ausculta pulmonar e na radiografia de tórax caracterizam o quadro e são indicativas de broncoscopia — com 13,0% de procedimentos sem corpo estranho nessa série. O corpo estranho pode não ser encontrado em 10 a 15% dos pacientes, taxa que os autores tratam como o esperado.
Fraga AMA e colaboradores. J Bras Pneumol. 2008;34(2):74-82, conclusão do estudo e introdução.
Sem limiar declarado, e com um degrau intermediário de imagem: encaminhar o sintomático estável para radiografia inspiratória e expiratória, lembrando que estudos normais não excluem, e recorrer à tomografia quando for necessário complementar — inclusive para corpo estranho esofágico comprimindo a via aérea por fora. A broncoscopia rígida aparece como procedimento de escolha para retirada, sem critério explícito de quando indicá-la.
Sociedade Brasileira de Pediatria, Guia Prático de Atualização nº 222, 01/08/2025, seção Conduta na obstrução de vias aéreas por corpo estranho.
Na prova
A banca brasileira raramente cobra o limiar por porcentagem; ela cobra a ordem e a suficiência. Enunciado que descreve engasgo presenciado, criança estável e radiografia normal está testando se o candidato entende que a imagem normal não encerra a investigação — a resposta esperada é indicar a endoscopia, não repetir a imagem nem observar. Quando o enunciado insiste em oferecer tomografia, o recorte costuma ser o do guia da sociedade, que a menciona como complemento; quando oferece observação ambulatorial, é distrator em qualquer recorte.
Cerca de doze por cento: de 67 radiografias realizadas, 8 estavam sem alteração (11,9%), e o corpo estranho estava visível em 15 (22,4%). O achado mais frequente foi atelectasia, em 26 (38,8%), seguido de hiperinsuflação em 16 (23,9%).
Fraga AMA e colaboradores. J Bras Pneumol. 2008;34(2):74-82, seção de resultados.
Até dois terços: a frequência de radiografia inalterada apesar de corpo estranho presente pode chegar a 66% dos pacientes, razão pela qual imagem normal não afasta a hipótese.
Pietraś A e colaboradores. Children. 2021;8(12):1206, discussão, apoiada em cinco referências reunidas pelos autores.
Na prova
O número não é cobrado; a regra é. Toda vez que o enunciado diz "radiografia de tórax sem alterações" numa criança com engasgo presenciado, ele está montando a armadilha do exame tranquilizador — e a diferença entre 11,9% e 66% existe porque as duas populações são diferentes, não porque uma medida esteja errada. Para responder, basta saber que a imagem normal mantém a suspeita de pé; para justificar, vale lembrar que a série de porcentagem baixa já era formada por crianças selecionadas para a endoscopia.
Predomínio nítido, quase três para um: a maioria dos casos se apresenta em localização brônquica, sendo 52% no brônquio principal direito e 18% no esquerdo, com obstruções laríngeas e traqueais menos comuns.
Sociedade Brasileira de Pediatria, Guia Prático de Atualização nº 222, 01/08/2025, seção Conduta na obstrução de vias aéreas por corpo estranho.
Quase simetria, com faixas de literatura sobrepostas: 20 objetos no brônquio direito e 18 no esquerdo entre 42, e a literatura reunida põe o direito em 30 a 60% e o esquerdo em 25 a 60%. O artigo imprime 57,14% para o lado direito, número que corresponde à proporção das castanhas e não à contagem de 20 em 42, que dá 47,62%.
Pietraś A e colaboradores. Children. 2021;8(12):1206, resultados e discussão.
Na prova
O eixo é ensinado no capítulo de árvore brônquica, que mede a atenuação da assimetria de ângulo na criança pequena. Para a prova, o que basta é reconhecer que o enunciado pediátrico descreve achado unilateral e não achado à direita: alternativa que manda procurar o objeto à direita porque o brônquio direito é mais retilíneo está transportando anatomia de adulto. Quando aparecer uma porcentagem de lateralidade num enunciado, ela virá do guia da sociedade.
Caso resolvido
- Passo 1 — Reconheça de que população esta criança é
- Não é a criança do capítulo de parada. Não há obstrução aguda, ela fala e respira, e a fase de manobra passou há três semanas. Ela é a segunda população: engasgou, melhorou e continua com o objeto dentro. Idade e alimento são o retrato da casuística — na série brasileira, 75,4% tinham menos de 3 anos e o amendoim respondeu por 18,3% dos objetos retirados.
- Passo 2 — Não deixe a radiografia normal encerrar nada
- Amendoim é radiotransparente e não aparece em radiografia simples. Além disso, o exame foi feito só em inspiração, que é justamente a incidência em que o aprisionamento de ar não se forma. O guia da sociedade pede inspiratória e expiratória e diz textualmente que estudos radiográficos normais não excluem corpo estranho aspirado. Peça a incidência em expiração e procure hiperinsuflação à direita com desvio de mediastino para a esquerda.
- Passo 3 — Some o achado que já está no exame físico
- Murmúrio vesicular diminuído em um hemitórax é assimetria de ausculta, o achado mais frequente da série brasileira, presente em 27 das 69 crianças. Com história de engasgo presenciado, sintoma persistente por três semanas e ausculta assimétrica, a suspeita não depende mais de imagem para se sustentar — as duas entradas da régua já estão preenchidas de uma vez.
- Passo 4 — Indique a endoscopia e avise que ela não vai ser limpa
- A conduta é broncoscopia rígida sob anestesia geral, procedimento de escolha com sucesso de cerca de 95% e complicação abaixo de 1%. Três semanas de amendoim em brônquio significam mucosa edemaciada e inflamada: o guia prevê que o corpo estranho retido por várias semanas pode exigir antibiótico e corticosteroide sistêmico antes da retirada. Isso se combina com a equipe antes do procedimento — não é motivo para adiar a indicação.
- Passo 5 — Responda à avó e desarme o retorno de um mês
- O retorno em quatro a seis semanas é a régua da pneumonia, não a desta criança. Explique que a tosse que não passa depois de um engasgo com amendoim tem uma causa mecânica provável, que ela não se resolve com nebulização nem com antibiótico, e que cada semana de espera acrescenta risco de infecção de repetição, atelectasia e bronquiectasia. Complicações na série brasileira ocorreram em 29% e foram associadas ao tempo maior de aspiração.
Agora feche você
- Passo 1
- Diga a que categoria pertence cada episódio — reflexo de proteção ou obstrução por corpo estranho — e qual das duas mães recebeu a orientação errada pela internet.
- Passo 2
- Escreva os quatro passos da conduta correta no engasgo por líquido, na ordem, e explique por que a manobra de desobstrução é contraindicada ali mesmo quando a criança ficou vermelha e tossiu.
- Passo 3
- Para a segunda criança, nomeie os dois achados que já bastam para indicar a endoscopia e explique por que a radiografia normal não muda a conduta. Diga qual incidência falta e o que ela procuraria.
- Passo 4
- A radiografia mostrou sibilos à esquerda. Explique por que isso não contradiz o que se ensina sobre lateralidade em criança e o que o enunciado de prova costuma escrever no lugar de "à direita".
- Passo 5
- Diga qual das duas crianças vai para casa hoje, com que orientação, e qual vai para o centro cirúrgico — e qual é a taxa de broncoscopia sem corpo estranho que se aceita como preço dessa decisão.
Onde a banca derruba
- 1Fazer manobra de desengasgo em engasgo por líquido O guia brasileiro de 2025 foi escrito principalmente para desmontar isso. Leite, fórmula, suco e medicamento líquido não se comportam como sólido: impactam a passagem de ar transitoriamente e o reflexo faríngeo resolve. A conduta é sentar a criança, retirar o excesso com um lenço e observar. Golpe dorsal e compressão abdominal ali não têm alvo e têm complicações descritas — fratura de costela, perfuração de víscera oca, pneumomediastino, laceração mesentérica.
- 2Intervir na obstrução parcial em que a criança ainda tosse Criança que fala, chora ou tosse tem via aérea permeável, e a tosse é a manobra mais eficaz que existe. Manobra de desobstrução e varredura digital às cegas deslocam o objeto e podem converter obstrução parcial em completa. A conduta é estimular a tosse e vigiar se ela permanece eficaz.
- 3Dar alta porque a radiografia veio normal Na série brasileira, o objeto estava visível em apenas 22,4% dos exames, e a literatura reunida na série polonesa estima que a radiografia inalterada apesar de corpo estranho presente pode chegar a 66% dos pacientes. Feijão, amendoim, semente e plástico são radiotransparentes. Imagem normal só afasta o corpo estranho radiopaco, que é a minoria.
- 4Pedir só a incidência em inspiração O corpo estranho brônquico funciona como válvula: o ar entra e não sai. O pulmão obstruído, portanto, não esvazia na expiração e aparece hiperinsuflado, com desvio do mediastino para o lado sadio. Em inspiração isolada esse achado não se forma. Pedir radiografia em inspiração e em expiração é o que o guia da sociedade escreve, e é o que faz o exame render.
- 5Ler ausculta normal como argumento contra Mais de um quarto das crianças da série brasileira — 18 de 69, ou 26,1% — chegou com ausculta normal, numa casuística em que 87% dos procedimentos encontraram corpo estranho. Ausculta simétrica não é ausência de objeto; é objeto que ainda não obstruiu o suficiente para produzir assimetria.
- 6Exigir engasgo presenciado para indicar a endoscopia O condicional está invertido. O engasgo testemunhado tem sensibilidade de 91% e especificidade de 46% — bom para levantar a suspeita, ruim para descartar. O próprio artigo que publica esses números recomenda broncoscopia rígida diante de dispneia, tosse, esforço ou febre com radiografia compatível, mesmo sem engasgo observado. Aspiração não presenciada é justamente a que chega tarde.
- 7Marcar retorno em 4 a 6 semanas para a criança que engasgou A radiografia de controle em 4 a 6 semanas é a régua de seguimento da pneumonia — apropriada para pneumonia de repetição no mesmo lobo e para suspeita de malformação. Aplicada à suspeita ativa de corpo estranho, ela atravessa inteira a janela em que a inflamação se instala. Corpo estranho retido por semanas passa a exigir antibiótico e corticosteroide antes da retirada endoscópica.
- 8Contar a broncoscopia negativa como erro de indicação A taxa de procedimentos sem corpo estranho varia entre 10% e 75% conforme o serviço, e foi de 13,0% na série brasileira e 36,36% na polonesa. Essa variação mede limiar de indicação, não prevalência de doença. Serviço que nunca tem broncoscopia negativa está diagnosticando tarde.
Início súbito durante alimentação com alimento de risco (amendoim), engasgo e achados assimétricos (sibilância e murmúrio diminuídos unilaterais) apontam aspiração de corpo estranho. Bronquiolite ocorre em lactentes com pródromo viral e achados difusos. Pneumonia atípica tem curso arrastado. Laringite causa estridor e tosse ladrante, não sibilância unilateral. Asma cursa com sibilância difusa e história recorrente, não episódio súbito único durante alimentação.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Menino de 3 anos brincava sozinho na sala e subitamente apresentou episódio de tosse e engasgo, seguido de sibilância localizada em hemitórax direito. Exame: bom estado geral, sem febre, murmúrio vesicular diminuído à direita, SatO2 96%. A radiografia de tórax mostra hiperinsuflação do pulmão direito. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
Início súbito com síndrome de penetração (tosse/engasgo) em criança pré-escolar brincando sozinha, com sibilância localizada, murmúrio assimétrico e hiperinsuflação unilateral por mecanismo valvular, é clássico de aspiração de corpo estranho. Asma tende a ser difusa e recorrente, não súbita e unilateral. Pneumonia lobar cursa com febre e consolidação. Bronquiolite acomete lactentes com quadro difuso. Laringotraqueobronquite (crupe) dá estridor inspiratório, não sibilância unilateral.
Menina de 2 anos, previamente hígida, é levada à UPA com história de engasgo súbito enquanto brincava com sementes há 2 horas, seguido de tosse intensa. Ao exame, apresenta sibilância e diminuição do murmúrio vesicular localizada no hemitórax direito, sem febre e sem pródromo de vias aéreas superiores. Qual é a hipótese diagnóstica e a conduta mais adequada?
Início súbito de engasgo/tosse durante brincadeira, sem pródromo viral e com achados assimétricos (sibilância e redução do murmúrio unilaterais), aponta fortemente para aspiração de corpo estranho, cuja conduta é encaminhamento para broncoscopia (diagnóstica e terapêutica) no serviço de referência — correta. Bronquiolite tem pródromo viral e achados difusos, além de ser diagnóstico de lactente. Pneumonia cursa com febre e não com história de engasgo súbito. Asma não explica a apresentação aguda unilateral pós-engasgo, e liberar sem investigar arriscaria complicações graves.
Menina de 2 anos é atendida em UPA com início súbito, há 1 hora, de tosse intensa, engasgo e sibilância unilateral, enquanto brincava com peças pequenas sem supervisão. Está eupneica no momento, SatO2 97%, ausculta com redução localizada do murmúrio vesicular à direita. Qual a principal hipótese diagnóstica e a conduta inicial?
Início súbito com engasgo durante brincadeira com objetos pequenos, sibilância/redução do murmúrio unilateral aponta fortemente para aspiração de corpo estranho. A conduta é encaminhar a serviço de referência para avaliação e broncoscopia (diagnóstica e terapêutica). Asma não se instala de forma tão abrupta com achado unilateral e contexto de aspiração. Pneumonia bacteriana tem curso febril progressivo, não súbito. Bronquiolite acomete lactentes menores com quadro difuso e catarral prévio, incompatível com o início abrupto localizado.
Criança de 2 anos, previamente hígida, é levada à UPA pela avó com relato de início súbito de tosse e engasgo há 1 hora enquanto brincava com peças pequenas, seguido de sibilância unilateral à direita. Não houve febre nem pródromo. Qual a principal hipótese diagnóstica?
Início súbito de tosse/engasgo durante brincadeira com objeto pequeno, sem febre, com sibilância localizada/assimétrica, é altamente sugestivo de aspiração de corpo estranho. Bronquiolite tem pródromo viral e é difusa. A laringite cursa com estridor e tosse ladrante, geralmente com pródromo viral. Asma não se apresenta com engasgo súbito monitorizado por testemunha.
Uma criança de 2 anos, previamente hígida, é trazida à UPA com história de engasgo súbito durante o almoço há 1 hora, seguido de tosse intensa e episódio de cianose que melhorou. No momento está com leve estridor, murmúrio vesicular assimétrico com redução à direita e boa saturação. Não há febre. Qual é a hipótese principal e a conduta imediata?
O início súbito com engasgo durante alimentação, tosse, cianose transitória e ausculta assimétrica é altamente sugestivo de aspiração de corpo estranho em via aérea. A conduta é manter a criança calma (evitar manobras que desloquem o corpo estranho enquanto ela respira), oferecer O2 se necessário e encaminhar a serviço capaz de realizar broncoscopia, que é diagnóstica e terapêutica (opção correta). Bronquiolite e laringite têm início gradual e contexto infeccioso ausente aqui (B e C erradas). A ausência de febre e a história aguda por engasgo tornam pneumonia improvável como hipótese principal (opção errada).
Lactente de 18 meses é levado ao pronto-socorro pela avó, que relata que a criança estava brincando e comendo amendoim quando subitamente apresentou episódio de engasgo, tosse intensa e sufocação, há cerca de 2 horas. Após o episódio, a criança manteve tosse persistente. Ao exame: bom estado geral, sem cianose, FR 34 irpm, SpO2 95%, ausculta pulmonar com sibilância localizada e redução do murmúrio vesicular no hemitórax direito, assimetria à ausculta. Estridor ausente. A radiografia de tórax mostra hiperinsuflação do pulmão direito. Considerando o diagnóstico mais provável e a conduta definitiva mais adequada, respectivamente, tem-se:
História de engasgo súbito durante alimentação com amendoim, seguido de tosse persistente, com ausculta assimétrica (sibilância localizada e redução do murmúrio à direita) e hiperinsuflação unilateral na radiografia (mecanismo valvular do corpo estranho brônquico), configura aspiração de corpo estranho. A conduta definitiva é a broncoscopia (rígida) para visualização e remoção. Bronquiolite é bilateral, difusa, em contexto viral e sem o evento de engasgo. Pneumonia lobar cursaria com febre e consolidação, não hiperinsuflação. Crise asmática é difusa e não explica a assimetria localizada nem a história de aspiração — nebulizar não removeria o corpo estranho e retardaria o tratamento correto.
Menino, 18 meses, previamente hígido, é levado ao pronto-socorro pela mãe cerca de 40 minutos após episódio súbito de engasgo e tosse durante brincadeira com amendoins na sala. No trajeto apresentou melhora parcial. À chegada: consciente, ativo, corado, FR 32 ipm, SatO2 96% em ar ambiente, sem tiragem. À ausculta, murmúrio vesicular diminuído em base direita, com sibilo localizado à direita. Não há estridor nem cianose. Radiografia de tórax em inspiração é descrita como normal. Qual é a conduta mais adequada neste momento?
Correta: Criança estável, com história típica de aspiração (síndrome de penetração súbita com amendoim) e achados unilaterais (murmúrio diminuído + sibilo localizado à direita) tem alta probabilidade de corpo estranho brônquico, mesmo com RX em inspiração normal. Corpos estranhos radiotransparentes (amendoim) não aparecem; o sinal indireto é o aprisionamento aéreo (air-trapping) por mecanismo valvular, mais bem demonstrado em RX de expiração ou decúbito lateral. A confirmação e o tratamento definitivos são a broncoscopia rígida. Tratar como broncoespasmo atrasa o diagnóstico e não remove o corpo estranho; a história de penetração impõe investigação. Manobras de desobstrução são reservadas à obstrução grave com sinais de asfixia (incapacidade de tossir/falar/cianose) — a criança está estável e tossindo. TC pode ser adjuvante em casos duvidosos, mas não precede a broncoscopia num caso de história e exame tão sugestivos, e não é o próximo passo. RX em inspiração normal NÃO exclui corpo estranho radiotransparente — liberar é conduta insegura.
Menina, 2 anos, é trazida com quadro de tosse e sibilância há 3 semanas, tratada como "bronquite" com broncodilatador e dois cursos de antibiótico, sem melhora sustentada. A mãe nega febre alta persistente, mas relata um episódio de engasgo com pedaço de cenoura crua há cerca de um mês, que na ocasião foi valorizado como "passageiro". Ao exame: FR 36 ipm, SatO2 95%, murmúrio vesicular reduzido em hemitórax esquerdo com sibilo unilateral. Radiografia mostra hiperinsuflação persistente do pulmão esquerdo. Qual é o diagnóstico mais provável?
Correta: o conjunto — sintomas respiratórios persistentes e refratários ao tratamento habitual, história de engasgo com alimento sólido (cenoura), achados unilaterais (murmúrio diminuído e sibilo à esquerda) e hiperinsuflação localizada persistente ao RX — é o quadro clássico do corpo estranho crônico/tardio, frequentemente confundido com asma ou pneumonia de repetição. A pista-chave é a lateralização fixa dos achados. Asma é tipicamente bilateral/difusa e não causa hiperinsuflação persistente unilateral nem se explica por engasgo alimentar. Pneumonia geralmente cursa com consolidação (não hiperinsuflação) e febre, e responderia a antibiótico. Bronquiolite viral acomete lactentes, é bilateral e autolimitada, não persiste 3 semanas com achado unilateral fixo. Malformação congênita é possível diferencial de hiperinsuflação lobar, mas a história aguda de engasgo com início dos sintomas torna o corpo estranho muito mais provável.
Lactente de 14 meses estava comendo uvas inteiras quando, subitamente, começou a apresentar dificuldade respiratória grave. No momento da avaliação está consciente, porém incapaz de chorar ou emitir som, sem tossir efetivamente, com cianose perioral progressiva e esforço respiratório intenso. Qual é a conduta imediata mais apropriada?
A régua da desobstrução separa por um único aniversário, e as três fontes concordam: abaixo de um ano, cinco golpes dorsais interescapulares alternados com cinco compressões torácicas; a partir de um ano, compressões abdominais, aplicadas entre a cicatriz umbilical e o apêndice xifoide. Aos catorze meses o paciente já está do lado de cima do corte, e é a manobra abdominal que está indicada — o socorrista ajoelha-se atrás da criança para trabalhar na altura certa, e repete os ciclos até desobstruir ou até a perda de consciência, quando começa a reanimação. A alternativa dos golpes dorsais com compressões torácicas é a armadilha central da questão, e ela funciona porque a palavra "lactente" tem dois sentidos que não coincidem: na pediatria geral a designação clínica se estende até os dois anos, mas a régua da reanimação corta no primeiro aniversário. Quem responde pela designação clínica comprime o tórax de uma criança que já deveria receber compressão abdominal. Vale notar que a contraindicação da manobra abdominal é real, mas só abaixo de um ano, pelo risco de lesão visceral num abdome sem a proteção do gradil costal inferior — acima disso ela deixa de valer. A revisão americana de 2025 acrescentou cinco golpes nas costas antes de cada série de compressões abdominais na criança, mas manteve o abdome como alvo acima de um ano; as duas réguas convergem no que a questão pede. A varredura digital às cegas está proscrita em qualquer idade, porque pode empurrar o corpo estranho para além das cordas vocais. Broncodilatador e corticoide não removem obstrução mecânica. E oferecer oxigênio aguardando transporte é inaceitável numa obstrução completa: sem fluxo aéreo, o oxigênio da máscara não alcança o alvéolo.
Menino, 2 anos, previamente hígido, iniciou subitamente crise de tosse e engasgo enquanto comia amendoim, há cerca de 3 horas. No pronto-socorro apresenta-se taquipneico (FR 44 ipm), SatO2 94% em ar ambiente, com sibilância e murmúrio vesicular reduzido no hemitórax direito. A radiografia de tórax mostra hipertransparência com aprisionamento aéreo à direita e desvio do mediastino para a esquerda na expiração. Qual a conduta mais adequada?
História de síndrome de penetração (tosse/engasgo súbitos com alimento) + assimetria auscultatória + radiografia com aprisionamento aéreo unilateral (mecanismo valvular do corpo estranho radiotransparente) firmam aspiração de corpo estranho brônquico. O padrão-ouro diagnóstico e terapêutico é a broncoscopia rígida, que permite ventilação e remoção sob visão direta. A manobra de Heimlich é indicada apenas na obstrução COMPLETA com asfixia/incapacidade de tossir — a criança ventila e tosse, e a manobra poderia deslocar o corpo estranho para obstrução total. A fisioterapia/drenagem postural é contraindicada pelo risco de migração e obstrução da via aérea central. Tratar como broncoespasmo ou como pneumonia posterga a remoção e mantém o risco de obstrução, atelectasia e infecção.
Menino, 2 anos, previamente hígido, é levado ao pronto-socorro pela mãe após episódio súbito de tosse e engasgo que começou enquanto comia amendoim, há cerca de 1 hora. Desde então mantém tosse intermitente. Ao exame: ativo, corado, FR 32 ipm, SatO2 96% em ar ambiente, sem tiragem. Ausculta pulmonar com murmúrio vesicular diminuído e sibilância localizada no hemitórax direito; hemitórax esquerdo sem alterações. Afebril. Qual o diagnóstico mais provável?
Correta: a tríade de início súbito de engasgo/tosse durante alimentação (amendoim é o corpo estranho mais aspirado em pré-escolares), com sibilância e redução do murmúrio vesicular UNILATERAIS, é a apresentação clássica da aspiração de corpo estranho — a assimetria localizada é a chave semiológica. Bronquiolite: acomete lactentes <2 anos com pródromo viral e sibilância DIFUSA bilateral, não início súbito unilateral pós-alimentação. Asma: sibilância difusa/bilateral, geralmente com história prévia de recorrência e atopia, sem gatilho de engasgo. Crupe: quadro de tosse ladrante, estridor INSPIRATÓRIO e rouquidão por acometimento subglótico viral, não sibilância unilateral. Pneumonia lobar: evolução febril subaguda com estertores e opacidade lobar, não início hiperagudo durante refeição.
Menina, 18 meses, com história de engasgo súbito ao brincar com uma semente há 2 dias, evoluiu com tosse persistente e sibilância à direita. Encontra-se estável, afebril, SatO2 97%. Foi solicitada radiografia de tórax em inspiração e expiração. Considerando que a maioria dos corpos estranhos aspirados na infância é radiotransparente, qual achado radiográfico é MAIS sugestivo do diagnóstico nesse contexto?
Correta: Corpo estranho radiotransparente gera obstrução em mecanismo de válvula (ball-valve): o ar entra na inspiração mas não sai na expiração, causando HIPERINSUFLAÇÃO/aprisionamento aéreo do lado afetado (à direita), com o mediastino sendo empurrado para o lado CONTRALATERAL (esquerda) — achado mais evidente na incidência EXPIRATÓRIA. Consolidação com broncograma: sugere pneumonia, complicação tardia, não o achado precoce de aprisionamento. Infiltrado intersticial difuso: padrão de doença viral/intersticial, sem correlação com obstrução localizada. Hiperinsuflação simétrica bilateral: sugere doença obstrutiva difusa (bronquiolite/asma), não obstrução brônquica unilateral. Imagem radiopaca: o enunciado especifica que o corpo estranho é radiotransparente (orgânico/semente), logo não seria visível diretamente na radiografia.
Menino, 3 anos, apresentou episódio de engasgo súbito com tosse enquanto comia um pedaço de cenoura crua, há 3 dias. No momento está estável, afebril, SatO2 97%, eupneico, com ausculta pulmonar discretamente assimétrica (murmúrio um pouco reduzido à direita). A radiografia de tórax em inspiração e expiração foi interpretada como normal. Diante da forte suspeita clínica de aspiração de corpo estranho, qual a conduta mais adequada?
Correta: Radiografia normal NÃO exclui aspiração de corpo estranho (até 15-30% dos casos têm radiografia normal, sobretudo com objetos orgânicos radiotransparentes). Com história e exame sugestivos, a conduta padrão-ouro é a broncoscopia RÍGIDA, que confirma o diagnóstico e permite a remoção sob via aérea controlada. Alta: inaceitável — o corpo estranho retido evolui para pneumonia, atelectasia e granulação. Fisioterapia/broncodilatador: CONTRAINDicada — pode deslocar o corpo estranho de um brônquio para a traqueia/carina e converter obstrução parcial em obstrução COMPLETA, com risco de asfixia. Repetir radiografia: apenas retarda a intervenção sem alterar a indicação, já firmada pela clínica. Broncoscopia flexível: útil como método diagnóstico auxiliar, mas a REMOÇÃO em criança é feita preferencialmente pela broncoscopia rígida, que garante ventilação e melhor controle da via aérea.
Um menino de 2 anos é levado ao pronto-socorro pelo pai. Há cerca de 4 horas, enquanto comia amendoim, apresentou episódio súbito de engasgo, tosse intensa e cianose transitória, com melhora espontânea em poucos minutos. Desde então mantém tosse seca ocasional. À admissão, está ativo, eupneico, corado, afebril, FR 30 irpm, saturação de 96% em ar ambiente, sem estridor, sem tiragem e falando normalmente. À ausculta pulmonar, há sibilos localizados e murmúrio vesicular diminuído no hemitórax direito, com ausculta normal à esquerda. A radiografia de tórax em expiração mostra hipertransparência e hiperinsuflação do pulmão direito, com desvio do mediastino para a esquerda. Qual é a conduta mais apropriada?
O conjunto história de engasgo com alimento oleaginoso (amendoim é o corpo estranho aspirado mais típico nessa faixa etária), sibilância unilateral com murmúrio vesicular reduzido à direita e hiperinsuflação obstrutiva com desvio contralateral do mediastino caracteriza aspiração de corpo estranho brônquico com mecanismo valvular. Como a obstrução é parcial e a criança está estável, o tratamento definitivo é a remoção por broncoscopia rígida sob anestesia geral, em ambiente com suporte de via aérea — padrão-ouro diagnóstico e terapêutico. As manobras de desobstrução estão indicadas apenas na obstrução completa/ineficaz da via aérea (criança que não tosse, não fala, não respira); aplicá-las numa obstrução parcial estável pode deslocar o objeto e converter o quadro em obstrução total. Broncodilatador e corticoide tratam broncoespasmo difuso e não removem o objeto, além de retardar o diagnóstico. Antibiótico e fisioterapia não têm indicação nesse momento e, mantido o corpo estranho, evoluiriam para pneumonia de repetição, atelectasia ou bronquiectasia.
Menino de 2 anos é levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) pela mãe com tosse persistente e chiado há cerca de 3 semanas, sem melhora após broncodilatador e xarope. A mãe relata que o quadro começou subitamente, após um episódio de engasgo enquanto o filho comia amendoim. Ao exame, está afebril, com murmúrio vesicular diminuído e sibilos localizados no hemitórax direito. A radiografia de tórax evidencia hiperinsuflação do pulmão direito, com desvio do mediastino para a esquerda. Qual a conduta mais apropriada?
A história de engasgo súbito com alimento, os achados auscultatórios unilaterais e a hiperinsuflação com mecanismo valvular (ball-valve) na radiografia configuram corpo estranho brônquico; a broncoscopia rígida é o padrão para confirmar e remover, mesmo com radiografia pouco específica (a maioria dos corpos estranhos é radiotransparente). A alternativa da asma não explica o início súbito pós-engasgo nem os achados localizados. O antibiótico é incorreto por não haver febre/consolidação e por não remover o objeto. Tomografia e fisioterapia atrasam a remoção, e a fisioterapia ainda pode mobilizar o corpo estranho, com risco de obstrução total.
Lactente de 8 meses é levado ao balcão de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) pela avó, que relata engasgo súbito há cerca de 1 minuto, enquanto oferecia um pedaço de salsicha. A criança está consciente, agitada e cianótica, sem conseguir chorar ou emitir sons, com esforço respiratório evidente e sem tosse eficaz. Qual a conduta imediata mais apropriada?
Trata-se de obstrução grave de via aérea (tosse ineficaz, cianose, incapacidade de emitir sons) em lactente consciente menor de 1 ano; a conduta preconizada é alternar 5 golpes interescapulares (dorsais) com 5 compressões torácicas até desobstruir ou a criança perder a consciência. A manobra de Heimlich (compressões abdominais) é contraindicada em menores de 1 ano pelo risco de lesão de vísceras abdominais. A varredura digital às cegas pode impactar ainda mais o corpo estranho. A reanimação cardiopulmonar só é iniciada se houver perda de consciência.
Menina de 18 meses é trazida à Unidade Básica de Saúde (UBS) pelos pais com início súbito de tosse e engasgo há cerca de 2 horas, ocorrido enquanto brincava com contas plásticas pequenas. Está afebril, em bom estado geral, com discreto sibilo audível à ausculta do hemitórax esquerdo e murmúrio vesicular levemente reduzido nesse lado. Não houve febre, coriza ou tosse nos dias anteriores. Qual a principal hipótese diagnóstica?
O início súbito de tosse e engasgo durante manipulação de objeto pequeno, em criança previamente hígida e afebril, com achado auscultatório unilateral (sibilo e redução do murmúrio), é o quadro clássico de aspiração de corpo estranho. A asma cursa com sibilância difusa e costuma ter episódios prévios, sem relação com engasgo agudo. A bronquiolite acomete predominantemente lactentes, com pródromo viral e sibilância difusa bilateral. A pneumonia comunitária tipicamente cursa com febre e sinais de consolidação, ausentes neste caso.
Menino de 3 anos, previamente hígido, engasgou-se com amendoim durante festa de aniversário. Inicialmente apresentava tosse vigorosa e choro audível, motivo pelo qual a mãe apenas o estimulou a tossir. Em poucos minutos, tornou-se afônico, com esforço respiratório sem entrada de ar e cianose progressiva; o pai realizou golpes nas costas, sem sucesso. A criança evolui com perda de consciência e não responde a estímulos, no colo da mãe, em ambiente domiciliar, com o serviço médico de emergência já acionado por um vizinho. Assinale a conduta imediata adequada.
Correta: nas diretrizes de suporte de vida pediátrico (AHA/SBP), a vítima de obstrução grave de via aérea por corpo estranho que perde a consciência deve receber RCP imediata — as compressões torácicas geram pressão intratorácica capaz de deslocar o objeto; a cada tentativa de ventilação abre-se a via aérea e inspeciona-se a boca, retirando o corpo estranho SOMENTE se visível. Erradas: a varredura digital às cegas é formalmente contraindicada (empurra o objeto e lesa a orofaringe), e o Heimlich não se aplica a vítima inconsciente; manter golpes/compressões em vítima que já perdeu a consciência atrasa a RCP, que é o passo indicado nesse momento; a cricotireoidostomia por punção não é o primeiro passo e é excepcional em pré-escolar, cabendo apenas em obstrução supraglótica irressolúvel por equipe treinada.
Menina de 2 anos e 4 meses é levada ao ambulatório com tosse seca e chiado há 5 semanas, tratada como "asma" com corticoide inalatório e broncodilatador de resgate, sem melhora. Nega febre, atopia ou internações prévias. Ao exame: eupneica, afebril, saturação 96%, sibilos e murmúrio vesicular reduzido restritos ao hemitórax direito. Radiografia de tórax em inspiração sem alterações; em expiração, observa-se hiperinsuflação do pulmão direito com desvio do mediastino para a esquerda. Assinale a conduta mais adequada.
Correta: sibilância unilateral persistente e refratária a broncodilatador em pré-escolar, com aprisionamento aéreo expiratório unilateral e desvio contralateral do mediastino, configura mecanismo valvular por corpo estranho em brônquio-fonte direito (sítio mais comum) — mesmo sem história de engasgo testemunhada, a broncoscopia rígida sob anestesia geral é ao mesmo tempo o padrão diagnóstico e o tratamento. Erradas: a TC pode ser útil em casos duvidosos, mas aqui a radiografia em expiração já é diagnóstica e o exame apenas atrasaria a remoção; a fisioterapia com tapotagem é contraindicada, pois pode mobilizar o corpo estranho para a traqueia e causar obstrução completa; corticoide sistêmico trata a hipótese equivocada de asma, já afastada pela ausculta localizada e pela imagem.
Lactente de 18 meses, previamente hígido e com vacinação em dia, é trazido ao pronto-socorro pela avó. Enquanto brincava com o irmão mais velho e comia amendoins, apresentou subitamente acesso intenso de tosse, engasgo e cianose transitória de lábios, com resolução espontânea em cerca de um minuto. Chega afebril, ativo, saturação de 95% em ar ambiente, discreta taquipneia e tiragem intercostal leve. À ausculta, sibilo e redução do murmúrio vesicular localizados no hemitórax direito, com hemitórax esquerdo normal. Assinale o diagnóstico mais provável.
Correta: início súbito de tosse e engasgo em criança menor de 3 anos manuseando alimento de alto risco (amendoim), seguido de achado auscultatório unilateral (sibilo e murmúrio reduzido à direita), é a apresentação clássica de aspiração de corpo estranho — o brônquio-fonte direito é o sítio mais acometido por ser mais curto, calibroso e verticalizado. Erradas: bronquiolite cursa com pródromo viral e sibilância difusa e bilateral, não súbita e unilateral; asma implica episódios recorrentes com sibilância difusa e resposta a broncodilatador, sem o gatilho do engasgo; pneumonia cursaria com febre e crepitações, ausentes aqui.
Menino de 2 anos é levado ao pronto-socorro pela avó. Ela relata que, há cerca de 6 horas, enquanto a criança brincava e comia amendoim na sala, houve episódio súbito de engasgo, tosse intensa e cianose de curta duração, com melhora espontânea. Desde então mantém tosse seca ocasional. Sem febre, sem coriza e sem episódios prévios de sibilância. Ao exame: ativo, corado, FR 34 irpm, SpO2 96% em ar ambiente, sem tiragem; ausculta com murmúrio vesicular diminuído e sibilos localizados no hemitórax direito, sendo o esquerdo normal. Radiografia de tórax em expiração mostra hipertransparência e aprisionamento aéreo à direita, com desvio do mediastino para a esquerda. Assinale a conduta adequada.
A tríade síndrome de penetração súbita + sibilância/redução do murmúrio unilateral + aprisionamento aéreo com desvio contralateral do mediastino caracteriza corpo estranho brônquico com mecanismo valvular, e o tratamento é a broncoscopia rígida sob anestesia geral, que é simultaneamente diagnóstica e terapêutica. Broncodilatador e corticoide tratariam crise asmática, diagnóstico improvável em primeiro episódio com achado estritamente unilateral e história de engasgo. Antibiótico trataria pneumonia, mas não há febre nem consolidação, e a obstrução persistiria. A tomografia atrasa a conduta em quadro já suficientemente definido pela clínica e pela radiografia.
O episódio de engasgo testemunhado por cuidador, como preditor de broncoscopia positiva em criança, tem sensibilidade estimada em 91% e especificidade estimada em 46%. Qual conclusão é compatível com esses dois números?
Sensibilidade de 91% significa que quase toda criança com objeto tem a história, o que torna o relato útil para levantar a suspeita. Especificidade de 46% significa que a história aparece também em quem não tem nada — no estudo turco de onde vêm os dados, em 54% das endoscopias negativas. Daí não se segue que a ausência de relato afaste o diagnóstico: os 9% que faltam para completar a sensibilidade são justamente as aspirações não presenciadas, que costumam chegar tarde, e o próprio artigo recomenda a endoscopia diante de quadro respiratório compatível ainda que ninguém tenha visto nada. Também não se segue que o relato confirme e dispense imagem, porque metade das crianças com a história não tem objeto. Chamar 46% de valor alto contraria a própria medida.
Um serviço de pediatria revisa sua casuística e verifica que, entre as crianças submetidas a broncoscopia por suspeita de aspiração, 36% dos procedimentos não encontraram corpo estranho. O coordenador propõe elevar o limiar de indicação para reduzir esse percentual. Qual é a crítica mais consistente a essa proposta?
A ausência de corpo estranho na broncoscopia varia entre 10% e 75% conforme o serviço, e as duas séries do capítulo ficam nessa faixa, com 13,0% no hospital brasileiro e 36,36% no polonês. Essa dispersão descreve o limiar de quem indica, não a prevalência da doença nem a competência de quem executa: elevar o limiar reduz o número de procedimentos vazios e aumenta o número de objetos que permanecem, com infecção de repetição, atelectasia e bronquiectasia como preço. Atribuir o achado a falha técnica ignora que a decisão é anterior ao procedimento. Restringir a comparação ao aparelho flexível troca a pergunta, já que a rígida é o procedimento de escolha para retirada. Por fim, afirmar que a endoscopia negativa não tem custo nem risco anestésico é falso e enfraquece a crítica em vez de sustentá-la.
Criança de 3 anos é trazida após engasgar com um pedaço de cenoura crua. Está consciente, chorando alto, tossindo vigorosamente e conseguindo falar palavras isoladas. Está corada, com saturação de 97%. Qual é a conduta imediata?
Criança que chora, fala e tosse tem via aérea permeável, ou seja, obstrução parcial — e a tosse é a manobra mais eficaz disponível. O guia brasileiro é explícito ao dizer que nas obstruções parciais as manobras de desobstrução não estão indicadas, pelo risco de deslocar o objeto e converter obstrução parcial em completa, e que pelo mesmo motivo a varredura às cegas deve ser desestimulada. Compressões abdominais e o par golpes dorsais com compressões torácicas são técnicas de obstrução completa, e cada uma pertence a uma faixa etária distinta. Posicionar com a cabeça abaixo do tronco isoladamente não é conduta de desobstrução em criança dessa idade e não resolve a obstrução parcial.
Um guia brasileiro de 2025 registra que 52% dos corpos estranhos se alojam no brônquio principal direito e 18% no esquerdo. Duas séries pediátricas contam 33 contra 22 e 20 contra 18. Qual é a leitura correta desse conjunto para a prova?
A assimetria de calibre e de ângulo que sustenta a regra do lado direito é do adulto e se acentua com a idade, de modo que nas séries pediátricas a diferença encolhe: 33 contra 22 dá razão de 1,5 para 1, e 20 contra 18 dá 1,1 para 1, quase simetria. A literatura reunida põe o brônquio direito em 30 a 60% e o esquerdo em 25 a 60%, faixas que se sobrepõem quase inteiras. Por isso o enunciado pediátrico escreve achado unilateral em vez de achado à direita, e iniciar a inspeção sempre pela direita é conduta transportada do adulto. Descartar as séries em favor de um valor de revisão narrativa inverte a hierarquia de evidência, e não há suporte nas fontes para atribuir lateralidade ao tipo de material.
Menina de 4 anos aspirou uma peça plástica de brinquedo há seis semanas, com diagnóstico feito somente agora, após três episódios de febre e tosse. A tomografia confirma corpo estranho em brônquio principal esquerdo, com espessamento de parede e secreção. Além da retirada endoscópica, o que o guia brasileiro prevê para este cenário de retenção prolongada?
O guia registra que o corpo estranho retido por várias semanas pode causar inflamação e infecção da via aérea, exigindo tratamento clínico com antibiótico e corticosteroide sistêmicos para reduzir a inflamação antes da remoção endoscópica. A toracotomia existe, mas como recurso para quando a via endoscópica não obtém sucesso, e não como primeira escolha por tempo decorrido. Fisioterapia respiratória não trata a mucosa inflamada nem substitui a retirada. O aparelho flexível é opção de extração com sucesso de 91%, porém traz risco adicional de deslocar o objeto, e a escolha padrão continua sendo a rígida. Esperar expulsão espontânea acrescenta risco de infecção de repetição, atelectasia e bronquiectasia.
Uma série hospitalar de crianças levadas à broncoscopia por suspeita clínica encontrou apenas 11,9% de radiografias de tórax sem alterações, enquanto revisões de literatura estimam que a imagem pode permanecer inalterada, apesar de corpo estranho presente, em até 66% dos pacientes. Qual explicação reconcilia os dois números?
Os dois números medem populações diferentes. A série hospitalar conta crianças que já haviam sido encaminhadas ao centro cirúrgico por suspeita clínica forte — história de engasgo, ausculta assimétrica, sintoma persistente — e nessa população o exame alterado está enriquecido por construção. A estimativa de literatura descreve o suspeito em geral, incluindo quem tem história frágil e exame pobre. A consequência prática inverte a intuição: a radiografia parece boa justamente onde já não era necessária para decidir. Atribuir a diferença a equipamento ignora que o achado é indireto e depende da técnica de incidência, não da resolução. Corpo estranho esofágico aparece nas duas leituras e pode inclusive comprimir a via aérea. Por fim, tratar um dos valores como erro descarta a informação em vez de explicá-la.
Menino de 2 anos engasgou com amendoim há duas semanas, tossiu e melhorou. Persiste com tosse seca e recebeu broncodilatador sem resposta. Está eupneico, afebril, com murmúrio vesicular diminuído à direita. A radiografia de tórax em inspiração foi laudada como normal. Qual é a conduta?
Há episódio de engasgo presenciado, sintoma persistente e assimetria de ausculta: a suspeita se sustenta sem depender de imagem. Amendoim é radiotransparente e não aparece em radiografia simples, e o exame foi feito apenas em inspiração, incidência em que o aprisionamento de ar não se forma — por isso o guia da sociedade pede inspiratória e expiratória e registra que estudo normal não exclui corpo estranho aspirado. Marcar controle radiológico em 4 a 6 semanas é a régua de seguimento da pneumonia e, aplicada aqui, atravessa a janela em que a inflamação se instala. Tratar como asma ou como infecção bacteriana repete o erro que já falhou e adia a retirada; prova de função pulmonar não é exame de decisão nesta idade nem nesta suspeita.
Na suspeita de aspiração de corpo estranho em criança estável e sintomática, qual é a incidência radiográfica que o guia brasileiro de 2025 recomenda associar à radiografia de tórax convencional, e qual achado ela procura?
O guia recomenda radiografia simples de tórax idealmente inspiratória e expiratória. O motivo é mecânico: o corpo estranho brônquico funciona como válvula, deixando o ar entrar e prendendo-o na saída, de modo que o pulmão obstruído não esvazia na expiração e aparece hiperinsuflado, empurrando o mediastino para o lado sadio. Feita apenas em inspiração, a radiografia não forma esse achado. Decúbito lateral serve para derrame livre, perfil de cavum e sinal do polegar são de epiglotite, e a ápico-lordótica é incidência de ápice pulmonar — nenhuma delas responde à pergunta do aprisionamento de ar. Inspiração profunda mantida é justamente a condição em que o achado desaparece.
Lactente de 5 meses, em aleitamento materno exclusivo, engasga durante a mamada, apresenta acesso de tosse e fica ruborizado. Em menos de um minuto retoma a respiração normal e volta a mamar. Ao exame está corado, eupneico, com ausculta pulmonar simétrica e saturação de 98% em ar ambiente. A mãe pergunta se deveria ter aplicado as manobras de desengasgo que viu em um vídeo na internet. Qual é a conduta correta neste episódio?
Engasgo com líquido em lactente é, na maioria das vezes, o reflexo faríngeo de proteção funcionando — não obstrução de via aérea por corpo estranho. O guia brasileiro de 2025 descreve exatamente a sequência de sentar ou semissentar, retirar o excesso com um lenço e observar. As manobras de desobstrução, sejam golpes dorsais com compressões torácicas ou compressões abdominais, não têm alvo aqui e têm complicações traumáticas descritas, incluindo fratura de costela e lesão de vísceras; a compressão abdominal, além disso, é técnica de criança maior de um ano. Varredura digital às cegas é desestimulada em qualquer cenário, porque empurra material e lesa a via aérea. Levar à radiografia e à endoscopia é conduta de criança que permanece sintomática ou que aspirou sólido, e esta voltou ao normal em menos de um minuto.
Em uma série brasileira de 69 crianças submetidas a broncoscopia por suspeita de aspiração, a ausculta pulmonar na admissão distribuiu-se em quatro grupos, e um deles reúne 18 crianças. Qual achado de ausculta esse grupo representa e qual é a implicação prática?
A tabela distribui as 69 crianças em assimetria de murmúrio vesicular em 27, ausculta normal em 18, sibilância em 17 e murmúrio assimétrico com sibilos em 7 — as quatro linhas somam exatamente 69 e 100%, o que faz dela uma partição limpa. O grupo de 18 é o de ausculta normal, equivalente a 26,1%, numa casuística em que 87% dos procedimentos encontraram corpo estranho. A leitura prática é que exame respiratório sem alterações mantém a suspeita de pé. A assimetria isolada é o achado mais frequente, com 27 crianças, e não o de 18; a combinação de assimetria com sibilos é o grupo menor, com 7; e estridor apareceu em apenas duas crianças em toda a série, no quadro clínico de admissão.
Criança de 18 meses recebeu manobra de desobstrução por engasgo com pedaço de salsicha em uma festa. O objeto foi expelido e ela voltou a respirar normalmente, chegando ao pronto-socorro corada, eupneica e brincando. A mãe quer levá-la para casa. Qual é a conduta?
O guia brasileiro determina que toda criança submetida às manobras de desengasgo seja encaminhada para exame médico e de imagem, para observar possíveis lesões traumáticas — e a mesma orientação vale para o suspeito sintomático e estável que nunca recebeu manobra. As complicações descritas incluem fratura de costela, perfuração de jejuno, estômago ou esôfago, pneumomediastino e laceração mesentérica, e nas manobras do lactente há dano possível a fígado, coração, baço e pulmões. Liberar para casa porque a criança melhorou ignora esse risco. Observação por tempo fixo ou oximetria isolada não procuram lesão de víscera nem de parede torácica. Endoscopia de rotina não é o que o documento prevê depois de desobstrução eficaz, e sim quando a suspeita de retenção persiste.
Sobre a localização mais frequente do corpo estranho aspirado em crianças e o exame de escolha para diagnóstico e tratamento, é correto afirmar que:
O brônquio direito é mais vertical e de maior calibre, o que o torna a rota preferencial do material aspirado — em crianças pequenas essa diferença é menos marcada, mas ainda predomina. A broncoscopia rígida é diagnóstica e terapêutica, permitindo controle da via aérea durante a retirada. Toracotomia é excepcional, reservada a falha endoscópica ou a corpo estranho impactado com complicação, e não a via padrão.
Sobre a radiografia na suspeita de aspiração de corpo estranho, é correto afirmar que:
Sementes, amendoim, pedaços de alimento e plástico não aparecem na radiografia; o exame ajuda por sinais INDIRETOS — hiperinsuflação localizada, atelectasia, desvio do mediastino — mais evidentes na expiração ou no decúbito lateral. Deixar de indicar broncoscopia porque a radiografia veio normal é o erro que produz os casos de diagnóstico tardio. Em paciente com história convincente e sintomas persistentes, a suspeita clínica prevalece sobre a imagem.
Menino de 2 anos, previamente hígido, apresenta episódio súbito de tosse e engasgo enquanto comia amendoim, com cianose transitória. Chega ao serviço consciente, com tosse eficaz e estridor leve. A conduta é:
Com tosse eficaz, a própria criança gera o maior fluxo expiratório possível: intervir pode deslocar o corpo estranho para posição mais obstrutiva. As manobras de desobstrução se reservam à obstrução COMPLETA, com tosse ineficaz ou incapacidade de falar. Varredura digital às cegas é proscrita porque empurra o objeto. Radiografia normal não afasta corpo estranho orgânico, que é radiotransparente, e liberar com base nela é o erro que gera complicações tardias.
Lactente de 10 meses, no segundo episódio de sibilância, apresenta história de engasgo súbito com amendoim há 6 semanas, seguido de tosse persistente. Ausculta com sibilos localizados à direita e murmúrio reduzido nessa base. A conduta é:
Sibilância ASSIMÉTRICA com redução localizada do murmúrio, após episódio de engasgo, é corpo estranho até prova em contrário — e o material orgânico costuma ser radiotransparente, de modo que a radiografia normal não exclui o diagnóstico. A broncoscopia é diagnóstica e terapêutica. Tratar como quadro obstrutivo comum permite que a reação inflamatória local evolua para atelectasia persistente, bronquiectasia e infecções de repetição.
Criança de 4 anos aspirou corpo estranho e foi submetida a broncoscopia rígida com retirada de fragmento de amendoim. No pós-procedimento imediato, apresenta estridor e desconforto respiratório. A conduta mais adequada é:
O estridor pós-broncoscopia costuma refletir edema subglótico pela instrumentação, e o manejo é clínico, com corticoide, umidificação e, se necessário, adrenalina inalatória, mantendo observação. Repetir a broncoscopia sem suspeita de fragmento residual acrescenta trauma à via aérea já edemaciada. Dar alta com estridor é arriscado, porque o edema pode progredir nas primeiras horas, e antibiótico não trata edema mecânico.
Menino de 9 anos com atelectasia persistente do mesmo lobo há 6 semanas, apesar de fisioterapia adequada, sem melhora clínica. A conduta é:
Atelectasia sempre no mesmo território, persistente e refratária à higiene brônquica, deixa de ser rolha e passa a exigir explicação anatômica: corpo estranho não diagnosticado, granuloma, tumor endobrônquico, linfonodo comprimindo o brônquio ou tuberculose ganglionar. Prolongar a fisioterapia por meses adia o diagnóstico e permite evolução para bronquiectasia. Ressecção sem diagnóstico prévio é conduta desproporcional e pode ser desnecessária.
Criança de 5 anos com obstrução completa de via aérea por corpo estranho evolui para inconsciência durante as manobras. A conduta seguinte é:
Com a perda de consciência, a sequência muda: inicia-se reanimação, e as compressões torácicas geram pressão capaz de deslocar o objeto, funcionando como manobra de desobstrução. A boca é inspecionada a cada ventilação, removendo-se o corpo estranho apenas quando visível — a varredura às cegas continua contraindicada por impactar o material. A via aérea cirúrgica é recurso extremo, hospitalar, quando todas as tentativas falham.
Menina de 3 anos apresenta, há 3 semanas, tosse persistente e sibilância que não responde a broncodilatador, após episódio de engasgo não valorizado. Radiografia em expiração mostra hiperinsuflação do hemitórax direito com desvio do mediastino para a esquerda. A explicação para esse achado é:
O corpo estranho parcialmente obstrutivo funciona como válvula: na inspiração o brônquio dilata e o ar entra, na expiração ele se estreita e o ar fica retido — daí a hiperinsuflação com desvio contralateral do mediastino, especialmente evidente na radiografia em expiração ou em decúbito lateral. Atelectasia produziria o desvio para o MESMO lado, e essa inversão é o erro de leitura mais comum. Pneumotórax hipertensivo daria quadro agudo e dramático.
Lactente de 8 meses engasga com pedaço de cenoura, torna-se subitamente incapaz de tossir ou emitir som, com cianose progressiva. A manobra de desobstrução indicada é:
Em menores de 1 ano, a sequência é de golpes dorsais alternados com compressões torácicas, justamente porque a compressão abdominal traz risco elevado de lesão hepática e de vísceras nessa idade — o fígado é proporcionalmente grande e pouco protegido pelo gradil costal. A varredura digital às cegas continua contraindicada. Aguardar a equipe em obstrução completa significa permitir a evolução para parada hipóxica em poucos minutos.
Menino de 18 meses aspirou corpo estranho há 2 meses, sem diagnóstico na época. Apresenta agora tosse produtiva crônica, febre recorrente e radiografia com atelectasia persistente em lobo inferior direito. A complicação mais provável e a conduta são:
Corpo estranho retido produz inflamação, tecido de granulação e obstrução persistente, com infecções de repetição no mesmo território e evolução para bronquiectasia localizada — a atelectasia SEMPRE no mesmo lobo é a pista topográfica. A retirada é urgente mesmo tardiamente. Tratar como asma ou como doença difusa ignora que o achado é focal e fixo, e cada mês adicional aumenta a chance de dano irreversível naquele segmento.
Sobre a prevenção de aspiração de corpo estranho em crianças menores de 4 anos, a orientação mais adequada é:
A dentição incompleta, a coordenação imatura da deglutição e o hábito de correr enquanto come explicam o pico de incidência abaixo dos 4 anos. Alimentos são a causa mais frequente, e não objetos — o amendoim é o campeão clássico. Uvas devem ser cortadas longitudinalmente em quatro partes, porque metades ainda ocluem a via aérea com formato cilíndrico. Comer em movimento é justamente o comportamento que precede a maioria dos engasgos.
Criança de 2 anos apresenta engasgo súbito, tosse ineficaz, cianose e incapacidade de emitir som. Está consciente. Segundo as diretrizes AHA/AAP de 2025, qual a conduta imediata?
Aos dois anos, a criança segue o algoritmo infantil para maiores de aproximadamente um ano até a puberdade. Na obstrução grave consciente, a AHA/AAP 2025 recomenda ciclos de cinco golpes nas costas e cinco compressões abdominais. No lactente, as compressões são torácicas. Acionar ajuda e, se houver perda de consciência, iniciar RCP conforme o algoritmo, retirando apenas objeto visível ao abrir a via aérea. Não realizar varredura digital cega. Referência: AHA/AAP, Pediatric Basic Life Support, 2025, Foreign-Body Airway Obstruction.
Qual o principal motivo de a aspiração de corpo estranho ser mais frequente no brônquio principal direito em crianças maiores e adultos?
A anatomia explica a lateralidade: o brônquio principal direito segue um trajeto mais vertical, é mais largo e mais curto, o que faz o objeto aspirado seguir preferencialmente por ele. Em lactentes muito pequenos a diferença é menos marcada. Afirmar que o esquerdo é mais calibroso inverte o dado anatômico, e complacência pulmonar e posição do diafragma não determinam o trajeto de um corpo estranho aspirado.
Homem adulto engasga durante refeição em restaurante, leva as mãos ao pescoço, não consegue falar nem tossir e está consciente. Qual a conduta?
O sinal universal de engasgo com incapacidade de falar e tossir caracteriza obstrução completa no adulto consciente, e a resposta são compressões abdominais alternadas com golpes interescapulares até desobstruir ou o paciente perder a consciência, quando se inicia reanimação. Esperar e oferecer água são condutas que perdem os minutos disponíveis. A via cirúrgica é recurso para falha das manobras, e as compressões torácicas ficam reservadas a gestantes, obesos e lactentes.
Sobre a radiografia de tórax na suspeita de aspiração de corpo estranho, qual afirmativa é correta?
A maior parte dos objetos aspirados por crianças é orgânica — amendoim, milho, feijão — e não aparece na radiografia, que muitas vezes mostra apenas sinais indiretos como hiperinsuflação ou atelectasia, quando mostra algo. Usar o exame normal para excluir o diagnóstico é o erro que mantém a criança com o objeto retido por semanas. Diante de história e exame sugestivos, a broncoscopia é o método que confirma e trata.
Sobre a broncoscopia na aspiração de corpo estranho em crianças, qual afirmativa é correta?
Na criança, a broncoscopia rígida é a escolha para a remoção porque garante a ventilação através do próprio aparelho e permite instrumentos de preensão adequados ao objeto. O aparelho flexível tem papel diagnóstico e em situações selecionadas, mas não oferece o mesmo controle da via aérea durante a extração. Toracotomia é exceção para objetos inacessíveis, o procedimento exige anestesia, e a idade baixa não é contraindicação — é justamente a faixa de maior incidência.
Criança de 3 anos com aspiração de corpo estranho não diagnosticada há 2 meses apresenta tosse produtiva, febre recorrente e condensação persistente no mesmo lobo. Qual a complicação mais provável?
Corpo estranho retido obstrui e infecta sempre o mesmo território, produzindo pneumonias de repetição na mesma topografia e, com o tempo, dano brônquico irreversível com bronquiectasia — a repetição no mesmo segmento é justamente o sinal que deve levantar a suspeita. Asma e fibrose cística produzem alterações difusas e bilaterais, e nem tuberculose primária nem cardiopatia explicam a condensação persistentemente restrita ao mesmo lobo em criança previamente hígida.
Criança de 18 meses, previamente hígida, apresenta episódio súbito de tosse e engasgo enquanto brincava com amendoim, com resolução espontânea. Duas semanas depois, mantém tosse persistente e sibilância unilateral à direita, sem febre. Radiografia de tórax mostra hiperinsuflação do pulmão direito. Qual a hipótese e a conduta?
O intervalo assintomático depois do episódio de engasgo é a armadilha clássica: a tosse cede e o quadro parece resolvido, mas o objeto permanece e produz sibilância unilateral com hiperinsuflação por mecanismo valvular, que deixa o ar entrar e dificulta a saída. A conduta é broncoscopia, diagnóstica e terapêutica. Tratar como asma é o erro mais frequente, e a chave que o evita é a assimetria: sibilância unilateral em criança pequena com história de engasgo.
Criança de 2 anos com história de engasgo súbito seguido de estridor persistente e desconforto respiratório progressivo. Qual a localização mais provável do corpo estranho?
Estridor com desconforto respiratório progressivo indica obstrução alta, na laringe ou na traqueia, situação de maior gravidade porque compromete toda a ventilação e exige intervenção imediata. O objeto alojado em brônquio principal produz sibilância unilateral e redução do murmúrio daquele lado, não estridor — essa é a distinção topográfica cobrada. Corpo estranho esofágico pode comprimir a traqueia, mas o quadro típico é disfagia e sialorreia.
Qual afirmativa sobre o quadro clínico do corpo estranho brônquico na fase tardia é correta?
A fase tardia é traiçoeira: o episódio inicial é esquecido e a criança passa a ser tratada como asmática por tosse crônica e sibilância, que na verdade é localizada, com pneumonias que se repetem sempre no mesmo território. Reconhecer esse padrão é o que leva à broncoscopia e ao diagnóstico. Supor que o quadro é sempre agudo e evidente ou que o objeto se resolve sozinho é justamente o que sustenta os diagnósticos tardios com bronquiectasia estabelecida.
Criança de 5 anos aspirou corpo estranho e apresenta obstrução completa, evoluindo com perda de consciência. Qual a conduta?
Com a perda de consciência, a sequência muda para reanimação com compressões torácicas, que também geram pressão capaz de deslocar o objeto, verificando a cavidade oral a cada abertura da via aérea e retirando o corpo estranho apenas se estiver visível. Varredura digital às cegas empurra o objeto mais profundamente. Manter golpes nas costas com a criança inconsciente, aguardar sem intervir ou oferecer líquidos são condutas que abandonam o paciente no momento crítico.
Qual orientação preventiva é mais relevante para reduzir a aspiração de corpo estranho em crianças menores de 3 anos?
A prevenção se apoia em duas frentes: retirar do cardápio os alimentos duros, pequenos e arredondados, que ocluem bem a via aérea, e manter fora do alcance objetos e peças pequenas, além de supervisionar as refeições. Todas as demais opções descrevem exatamente os comportamentos de risco que a orientação busca evitar, e comer correndo ou brincando é uma das circunstâncias mais associadas ao evento nessa faixa etária.
Menina de 2 anos apresenta há 3 semanas tosse persistente e sibilância que não melhora com broncodilatador nem corticoide. Ao exame, murmúrio vesicular reduzido e sibilos localizados no hemitórax direito. A mãe lembra de um episódio de engasgo com amendoim. Qual a conduta diagnóstica e terapêutica?
Sibilância localizada, unilateral e refratária a broncodilatador, com história de engasgo, é corpo estranho brônquico até prova em contrário — e a broncoscopia rígida é diagnóstica e terapêutica no mesmo ato, com controle da via aérea. Insistir em corticoide é o erro que perpetua o rótulo de asma e leva a pneumonia de repetição e bronquiectasia no lobo afetado. A broncoscopia flexível pode visualizar, mas não é o instrumento adequado para retirar objeto sólido com segurança na criança. A fisioterapia pode mobilizar o corpo estranho para posição pior.
Menino de 3 anos engasgou com uma uva, mas está tossindo com força, chorando e falando. Qual a conduta?
Tosse eficaz, choro e fala indicam obstrução parcial com troca gasosa preservada — a tosse espontânea é o mecanismo mais eficiente de expulsão, e qualquer manobra pode converter uma obstrução parcial em completa. Aplicar golpes ou Heimlich 'para garantir' é o erro mais comum de quem se guia pelo susto e não pela avaliação. Sedar é francamente perigoso, porque abole o reflexo de tosse. A conduta muda no instante em que a tosse enfraquece, o som desaparece ou surge cianose.
Criança de 4 anos engasga com uma bala, está consciente, agarrando o pescoço, sem conseguir falar. Qual a conduta?
Acima de 1 ano, na obstrução completa em vítima consciente, a manobra é a compressão abdominal (Heimlich), mantida até a desobstrução ou a perda de consciência, quando então se inicia reanimação. Aguardar a tosse é adequado apenas na obstrução parcial, com criança que tosse com força, fala ou chora — não é o caso de quem não emite som. A cricotireoidostomia é medida extrema para obstrução alta irresolúvel com via aérea impossível, jamais o primeiro passo, e é excepcional na criança pequena.
Menina de 2 anos teve corpo estranho brônquico não diagnosticado por 4 meses. Qual a complicação tardia mais esperada?
A permanência prolongada do corpo estranho gera inflamação crônica, obstrução e infecção de repetição no segmento distal, culminando em bronquiectasia localizada e pneumonias recorrentes sempre no mesmo lobo — motivo pelo qual pneumonia que recidiva no mesmo sítio obriga a investigar obstrução. Fibrose difusa bilateral é o distrator que confunde padrão localizado com doença intersticial generalizada, o que não é a fisiopatologia aqui. Quilotórax decorre de lesão do ducto torácico, sem relação com aspiração.
Lactente de 10 meses engasga com um pedaço de cenoura durante a refeição. Está consciente, cianótico, sem emitir som e sem conseguir tossir. Qual a conduta imediata?
No lactente com obstrução completa e consciente, a sequência é 5 golpes interescapulares seguidos de 5 compressões torácicas, repetidos até a desobstrução ou a perda de consciência. A manobra de Heimlich é o erro clássico nessa faixa etária: as compressões abdominais lesam o fígado, que é grande e pouco protegido pelo gradil costal do lactente, e por isso são reservadas a crianças acima de 1 ano. A varredura digital às cegas empurra o corpo estranho para mais fundo. Oferecer líquido a quem não consegue respirar não desobstrui e retarda o socorro.
Lactente de 18 meses com suspeita de aspiração de corpo estranho tem radiografia de tórax em inspiração normal. Qual a interpretação e o próximo passo?
A maioria dos corpos estranhos aspirados é radiotransparente — restos alimentares, plástico, amendoim — e a radiografia em inspiração pode ser inteiramente normal; sinais indiretos como hiperinsuflação localizada aparecem melhor na expiração ou no decúbito lateral. Dar alta com base em radiografia normal é o erro que mais custa nessa condição, porque a história de engasgo somada a achado auscultatório localizado indica broncoscopia independentemente da imagem. Ressonância não tem papel e antibiótico só trata a consequência, não a causa.
Criança de 18 meses inicia subitamente, durante brincadeira com sementes, acesso de tosse e engasgo, evoluindo com sibilância unilateral e murmúrio vesicular reduzido à direita. Radiografia em expiração mostra hiperinsuflação do pulmão direito. Qual o diagnóstico e a conduta?
Início súbito durante alimentação ou brincadeira com objeto pequeno, sibilância assimétrica e aprisionamento aéreo unilateral, evidenciado pela radiografia em expiração, formam a tríade que indica corpo estranho brônquico, cuja conduta é a remoção endoscópica. Tratar como asma é o erro clássico, porque a sibilância responde parcialmente ao broncodilatador e mascara o quadro, permitindo evolução para pneumonia de repetição e bronquiectasia no segmento afetado.
Qual característica anatômica explica por que corpos estranhos aspirados alojam-se com mais frequência no brônquio principal DIREITO em crianças maiores?
A menor angulação e o maior calibre do brônquio direito favorecem a passagem do objeto por esse lado, particularidade que orienta a busca radiográfica e broncoscópica. Afirmar que o brônquio direito é mais estreito inverte a anatomia. Vale lembrar que em lactentes a diferença angular é menos marcada, de modo que a aspiração pode ocorrer com frequência semelhante nos dois lados — detalhe que evita descartar o diagnóstico quando os achados são à esquerda.
Qual é o exame indicado para diagnóstico e tratamento da aspiração de corpo estranho em brônquio?
A broncoscopia rígida é diagnóstica e terapêutica, permitindo controle da via aérea durante a retirada — e a suspeita clínica, mesmo com radiografia normal, é indicação suficiente, já que a maioria dos objetos aspirados por crianças é radiotransparente. Confiar na radiografia normal para excluir engana quem espera ver o objeto, mas a imagem serve para mostrar sinais INDIRETOS, como hiperinsuflação, atelectasia e desvio do mediastino. A fisioterapia pode deslocar o corpo estranho e causar obstrução completa.
Qual é a conduta correta quando uma criança que engasgou perde a consciência?
Com a perda da consciência, o algoritmo muda para reanimação cardiopulmonar: as compressões torácicas geram pressão capaz de deslocar o objeto, e a inspeção da boca antes das ventilações permite retirá-lo se estiver acessível. A varredura às cegas engana quem quer agir diretamente sobre a causa, mas empurra o corpo estranho mais profundamente. Aguardar sem intervir custa os minutos que determinam a sobrevida e o desfecho neurológico.
Criança de 2 anos com história de aspiração de corpo estranho não diagnosticada há 2 meses apresenta pneumonias de repetição no mesmo lobo. Qual é a explicação e a conduta?
Pneumonia de repetição sempre no MESMO segmento aponta para causa obstrutiva local, e o corpo estranho retido é a hipótese principal em criança dessa idade com antecedente de engasgo, exigindo broncoscopia — a demora pode levar a bronquiectasia irreversível. As imunodeficiências e a fibrose cística enganam por serem as causas clássicas de pneumonia recorrente, mas produzem acometimento em locais VARIADOS, e é a repetição topográfica que redireciona o raciocínio.
Qual orientação preventiva é mais relevante para reduzir aspiração de corpo estranho em crianças menores de 4 anos?
A criança pequena não tem molares para triturar adequadamente nem coordenação madura entre deglutição e respiração, o que torna alimentos duros, redondos ou escorregadios especialmente perigosos, ao lado de peças pequenas de brinquedos. Permitir que se alimente em movimento engana quem foca apenas no tipo de alimento, mas correr ou brincar enquanto come é um dos principais desencadeantes do engasgo. Manter dieta pastosa até os 5 anos é excessivo e prejudica o desenvolvimento da mastigação.
Criança de 2 anos engasga com um pedaço de salsicha, está consciente, com tosse fraca, estridor e incapacidade de falar. Qual é a conduta imediata?
Tosse ineficaz com incapacidade de falar indica obstrução grave, e a desobstrução por manobras é a conduta enquanto houver consciência; caso a criança perca a consciência, inicia-se a reanimação cardiopulmonar, com inspeção da boca antes das ventilações. A varredura digital às cegas engana quem quer retirar o objeto diretamente, mas pode empurrá-lo mais profundamente. Oferecer líquidos com obstrução de via aérea agrava o risco de aspiração.
Menino de 3 anos, previamente hígido, apresenta episódio súbito de tosse e engasgo enquanto comia amendoim, com resolução espontânea. Duas semanas depois, evolui com tosse persistente, sibilância unilateral à direita e febre. Radiografia mostra hiperinsuflação do pulmão direito. Qual é a hipótese?
A história de episódio súbito de engasgo — a síndrome de penetração — seguida de intervalo assintomático e depois sintomas persistentes unilaterais é o roteiro típico da aspiração de corpo estranho, que aloja-se preferencialmente no brônquio direito por ser mais verticalizado. A asma engana porque a sibilância é o sintoma que mais chama atenção, mas na asma ela é bilateral e difusa, e o antecedente de engasgo com resolução súbita não faria parte da história.
Lactente de 8 meses engasgou com um pedaço de cenoura crua e está consciente, com esforço respiratório intenso, sem emitir som e com cianose progressiva. Qual a manobra correta?
Em lactentes com obstrução grave e consciente a sequência correta alterna cinco golpes interescapulares com cinco compressões torácicas, evitando as compressões abdominais pelo risco de lesão de vísceras nessa faixa etária. A manobra de Heimlich é o distrator mais escolhido, mas se aplica a crianças maiores de um ano e adultos. A varredura digital às cegas pode empurrar o objeto mais profundamente e é formalmente contraindicada, e a criança que não emite som já tem obstrução grave, o que descarta esperar a tosse ou oferecer líquidos.
Menino de 2 anos teve episódio de engasgo há 3 semanas, com tosse que cedeu no mesmo dia. Agora apresenta tosse persistente e sibilância localizada à direita, sem febre. A radiografia de tórax mostra hiperinsuflação do pulmão direito. Qual a hipótese e a conduta?
O intervalo assintomático após o episódio de engasgo é a fase que mais engana, e a persistência de tosse com sibilância unilateral e hiperinsuflação por aprisionamento aéreo denuncia corpo estranho brônquico, cujo tratamento é a remoção por broncoscopia rígida. Tratar como asma é o erro mais frequente, porque a sibilância responde parcialmente ao broncodilatador e reforça o diagnóstico equivocado, mantendo o objeto na via aérea, com risco de pneumonia de repetição no mesmo lobo e de bronquiectasia.
Sobre a radiografia de tórax na suspeita de aspiração de corpo estranho, é correto afirmar:
Alimentos como amendoim, feijão e milho são radiotransparentes e não aparecem no exame, de modo que a radiografia serve sobretudo para mostrar sinais indiretos, como aprisionamento aéreo, atelectasia e desvio de mediastino, e um exame normal jamais afasta o diagnóstico diante de história compatível. Confiar na radiografia normal para liberar a criança é o erro que mantém o corpo estranho no brônquio por semanas, e a decisão de indicar broncoscopia se apoia principalmente na história do episódio.
Criança de 4 anos engasgou com uma bala e está tossindo vigorosamente, falando com dificuldade, mas conseguindo emitir sons. Qual a conduta?
Tosse eficaz, com emissão de sons e alguma troca respiratória, indica obstrução parcial, e a tosse espontânea é o mecanismo mais eficiente de desobstrução, de modo que a conduta é encorajá-la e vigiar de perto, intervindo apenas se a tosse se tornar ineficaz ou a criança parar de emitir sons. Executar a manobra de Heimlich em obstrução parcial é o erro mais comum e pode converter um quadro que se resolveria sozinho em obstrução completa, além de causar lesões abdominais desnecessárias.
Menino de 6 anos é levado ao pronto-socorro após engasgo súbito durante refeição. Está consciente, com tosse fraca, estridor, cianose perioral e dificuldade respiratória progressiva. Não consegue falar. Qual é a conduta imediata?
Obstrução grave de via aérea por corpo estranho em criança consciente exige manobras imediatas de desobstrução, que podem salvar a vida em segundos. Traqueostomia como primeira medida é inadequada e demorada nesse contexto. Solicitar imagem em obstrução grave atrasa a intervenção. Corticoide e broncodilatador tratam obstrução inflamatória e broncoespasmo, não corpo estranho mecânico.
Criança de 2 anos, previamente hígida, é levada ao pronto-atendimento após episódio súbito de engasgo enquanto comia amendoim, evoluindo com tosse persistente e sibilância localizada à direita. Está consciente, com choro vigoroso, SpO2 94%, sem cianose. Radiografia mostra hiperinsuflação do pulmão direito. Qual é a conduta adequada?
Aspiração de corpo estranho com sibilância localizada e hiperinsuflação unilateral exige remoção por broncoscopia rígida, o procedimento diagnóstico e terapêutico de escolha. A manobra de Heimlich é indicada na obstrução completa com tosse ineficaz, e realizá-la em criança que tosse e chora vigorosamente pode deslocar o corpo estranho para posição mais crítica. Broncodilatador e corticoide não removem o objeto e retardam a conduta. Aguardar eliminação espontânea expõe a atelectasia, pneumonia e bronquiectasia.
Menino de 2 anos é levado à Unidade de Pronto Atendimento pela mãe por tosse súbita e engasgo enquanto comia amendoim, há cerca de quatro horas. Houve melhora parcial, mas a criança permanece com tosse seca. Ao exame: ativo, corado, sem cianose, frequência respiratória 32 irpm, saturação de oxigênio 95% em ar ambiente, sibilos localizados no hemitórax direito e murmúrio vesicular diminuído à direita. A radiografia de tórax em expiração mostra hiperinsuflação do pulmão direito com desvio do mediastino para a esquerda. Qual é a conduta indicada?
Engasgo súbito com alimento seguido de sibilância localizada, redução unilateral do murmúrio e aprisionamento aéreo com desvio do mediastino configura corpo estranho brônquico, cuja retirada se faz por broncoscopia rígida, também diagnóstica quando a suspeita é alta e a radiografia é normal. Corticoide e broncodilatador podem aliviar o componente inflamatório, mas deixam o corpo estranho no lugar, com risco de pneumonia obstrutiva e bronquiectasia. A manobra de Heimlich é para obstrução completa com tosse ineficaz, e aplicada aqui pode deslocar o objeto para posição pior. Adiar por tomografia atrasa a intervenção sem alterar a indicação.
Menino de 4 anos brinca com uma bala dura durante uma festa e subitamente leva as mãos ao pescoço, para de emitir sons, não consegue tossir nem respirar e apresenta cianose progressiva. Está consciente, mas não responde verbalmente. Um médico presente é acionado e observa que a criança está em pé, agitada e com esforço respiratório sem entrada de ar audível. Não há material de emergência disponível no local. Qual é a manobra imediata indicada?
Na obstrução completa de via aérea por corpo estranho em criança consciente maior de um ano, a manobra indicada é a compressão abdominal subdiafragmática repetida até a expulsão do objeto ou a perda de consciência, quando se inicia reanimação. Tapotagem isolada é insuficiente e a sequência de golpes no dorso alternada com compressões torácicas é a técnica usada em lactentes. Varredura digital às cegas pode empurrar o objeto para posição mais distal. Ventilar sem desobstruir não vence a obstrução completa e desperdiça tempo crítico.
Menino de 2 anos é trazido correndo à Unidade Básica de Saúde pela mãe, que relata que ele engasgou com uma uva há cerca de três minutos. A criança está consciente, agitada, com esforço respiratório importante, levando as mãos ao pescoço, sem conseguir emitir som nem tossir de forma efetiva. Ao exame: cianose perioral incipiente, tiragem intensa, ausência de murmúrio vesicular audível, sem estridor audível, ainda responsiva. A equipe está reunida e o material de via aérea está disponível na sala. A conduta imediata correta é:
Obstrução completa de via aérea por corpo estranho em criança consciente, com tosse inefetiva e ausência de som, exige manobras de desobstrução adequadas à idade, com reavaliação contínua e acionamento do serviço de urgência; se houver perda de consciência, inicia-se reanimação. Iniciar compressões torácicas com a criança consciente não é a sequência recomendada. Varredura digital às cegas pode empurrar o objeto e agravar a obstrução. Oferecer líquidos em obstrução completa é perigoso e retarda a manobra que pode salvar a vida em poucos minutos.
Menino de 2 anos é levado ao ambulatório por tosse persistente e sibilância localizada há dois meses, com duas pneumonias no mesmo lobo nesse período, sem melhora com broncodilatador e corticoide inalatório. A mãe recorda que, cerca de dois meses antes, ele teve um episódio de engasgo súbito enquanto comia amendoim, que cedeu espontaneamente. Ao exame apresenta murmúrio vesicular diminuído em hemitórax direito, sibilância localizada nesse lado e a radiografia mostra hiperinsuflação persistente à direita. A conduta mais adequada é:
Sibilância localizada, pneumonias de repetição no mesmo lobo e hiperinsuflação persistente unilateral, com antecedente de engasgo súbito, indicam corpo estranho brônquico de diagnóstico tardio, cuja confirmação e tratamento se dão por broncoscopia. Manter corticoide inalatório trata asma, diagnóstico incompatível com achados localizados e refratários. Antibiótico prolongado sem remover o corpo estranho perpetua as infecções e leva a bronquiectasias. Espirometria não é exame confiável nessa idade e não substitui a broncoscopia.
Mãe de lactente de 7 meses pergunta na consulta quais alimentos deve evitar oferecer pelo risco de engasgo, pois um primo teve um episódio grave. A criança já se senta com apoio, leva alimentos à boca e está em alimentação complementar iniciada aos 6 meses, com boa aceitação. Ao exame: lactente ativo, com desenvolvimento adequado, sem alterações neurológicas e sem dificuldade de deglutição. A família tem hábito de oferecer petiscos durante o preparo das refeições. Qual é a orientação correta?
A prevenção de engasgo em lactentes e pré-escolares inclui evitar alimentos duros, pequenos e arredondados, cortar os alimentos em pedaços adequados, oferecer as refeições com a criança sentada e sob supervisão próxima, sem brincadeiras ou deslocamentos durante a alimentação. Oferecer todos os alimentos livremente ignora riscos bem estabelecidos. Manter dieta líquida até os 2 anos compromete a nutrição e o desenvolvimento da mastigação. Comer andando é justamente um dos comportamentos associados a aspiração de corpo estranho.
Homem de 62 anos engasga durante refeição em restaurante e, minutos depois, é levado ao pronto-socorro que fica ao lado. Está consciente, agitado, levando as mãos ao pescoço, sem conseguir falar nem tossir, com esforço respiratório intenso e cianose perioral progressiva. Ao exame não há passagem de ar audível, a saturação é de 78% e não se observa movimentação torácica efetiva, com o paciente ainda em pé e responsivo aos comandos visuais da equipe. A conduta imediata mais adequada é:
Na obstrução completa de via aérea por corpo estranho em adulto consciente, com incapacidade de falar ou tossir e cianose progressiva, a conduta é realizar compressões abdominais subdiafragmáticas repetidas até a desobstrução ou até a perda de consciência, quando se inicia reanimação com compressões torácicas. Compressões torácicas em paciente consciente não são a técnica indicada nesse cenário. Oferecer água pode agravar a obstrução e causar aspiração. Aguardar tosse espontânea é inadequado quando a obstrução já é completa e há cianose.
Mulher de 39 anos é atendida em ambulatório com queixa de tosse produtiva e chiado recorrentes há dois anos, atribuídos a asma, sem melhora com corticoide inalatório em dose alta. Ao exame: FR 18 ipm, saturação 95%, ausculta com sibilo localizado e persistente em hemitórax direito, sem alteração com a tosse, restante do exame sem alterações. Espirometria com obstrução sem resposta broncodilatadora. Radiografia de tórax mostra hipotransparência discreta em base direita. Ela nega tabagismo e refere episódio de engasgo importante com alimento há dois anos, antes do início dos sintomas. A conduta correta é:
Sibilo localizado, persistente e que não se modifica com a tosse, associado a obstrução sem resposta broncodilatadora e história de engasgo prévio, sugere obstrução brônquica localizada por corpo estranho ou lesão endobrônquica, exigindo broncoscopia diagnóstica e eventualmente terapêutica. Escalonar o tratamento de asma perpetua o diagnóstico equivocado. Antibiótico prolongado não resolve obstrução mecânica. Rotular como asma refratária e usar corticoide oral contínuo expõe a paciente a efeitos adversos sem tratar a causa.
Menino de 2 anos é levado à Unidade Básica de Saúde com tosse crônica há dois meses, com episódios de sibilância localizada e pneumonia recorrente no lobo inferior direito. A mãe se lembra de um episódio de engasgo intenso durante uma refeição com amendoim, cerca de três meses atrás, que melhorou espontaneamente e não foi investigado. Ao exame: sibilos localizados à direita, murmúrio vesicular reduzido nessa região e ausculta contralateral normal. Qual é a conduta mais adequada?
História de engasgo seguida de sintomas respiratórios persistentes com achados localizados e pneumonias recorrentes no mesmo lobo é altamente sugestiva de corpo estranho brônquico não diagnosticado, exigindo broncoscopia diagnóstica e terapêutica, pois a permanência do objeto leva a pneumonia obstrutiva e bronquiectasia. Tratamento clínico isolado mantém o corpo estranho. Antibiótico prolongado não resolve a obstrução. Rotular como asma sem investigar retarda o diagnóstico e perpetua o dano pulmonar.
Menino, 2 anos, previamente hígido, apresenta episódio súbito de tosse e engasgo durante brincadeira com sementes, há 6 horas, seguido de sibilância unilateral. FR 38 ipm, SatO2 94%, sem estridor. Ausculta com murmúrio reduzido à direita e sibilos localizados. Radiografia de tórax em expiração: hiperinsuflação do pulmão direito com desvio do mediastino para a esquerda, sem consolidações. Qual a conduta indicada?
Engasgo súbito seguido de sibilância unilateral e hiperinsuflação com desvio mediastinal na radiografia em expiração caracteriza corpo estranho brônquico com mecanismo valvular, e o tratamento é a remoção por broncoscopia rígida. Broncodilatador e corticoide tratam broncoespasmo e não removem o objeto, além de retardar o diagnóstico. Antibiótico é indicado apenas se houver infecção associada, e a espera favorece pneumonia obstrutiva e bronquiectasia. Fisioterapia com tapotagem pode deslocar o corpo estranho para a traqueia e causar obstrução completa, sendo contraindicada. A traqueostomia não resolve obstrução brônquica distal e não está indicada em criança sem obstrução de via aérea alta.
Menino, 2 anos, apresentou episódio súbito de engasgo e tosse enquanto comia amendoim, há 3 dias, com melhora aparente. Desde então tem tosse persistente e sibilância que não responde a broncodilatador. Exame: murmúrio vesicular reduzido à direita com sibilos localizados. Radiografia de tórax em expiração: hiperinsuflação do pulmão direito com desvio do mediastino para a esquerda, sem opacidades. SatO2 95% em ar ambiente. Qual a conduta?
História de engasgo súbito com alimento seguida de tosse persistente e sibilância localizada refratária a broncodilatador, com aprisionamento aéreo unilateral na radiografia em expiração, indica corpo estranho brônquico, cuja conduta é a broncoscopia rígida para remoção. Corticoide e broncodilatador tratam broncoespasmo e não removem o objeto. A fisioterapia com manobras pode deslocar o corpo estranho para a via aérea central e provocar obstrução completa, sendo contraindicada. O antibiótico trata apenas complicação infecciosa tardia. Adiar por 30 dias favorece pneumonia de repetição, atelectasia e bronquiectasia.
Menino, 3 anos, apresenta tosse crônica e sibilância localizada à direita há 2 meses, sem resposta a broncodilatador e corticoide inalatório. Teve pneumonia no mesmo lobo há 6 semanas. A radiografia mostra hiperinsuflação persistente do pulmão direito. Os pais negam episódio de engasgo presenciado, mas relatam que a criança brinca frequentemente com peças pequenas e sementes. A broncoscopia é indicada para investigação diagnóstica adicional. Qual a conduta e a justificativa?
Sibilância localizada persistente com hiperinsuflação unilateral e pneumonia no mesmo lobo, em criança pequena, sugere corpo estranho brônquico, e a ausência de engasgo presenciado não afasta o diagnóstico, pois o episódio frequentemente não é testemunhado, indicando broncoscopia rígida diagnóstica e terapêutica. Manter tratamento para asma por mais três meses retarda o diagnóstico e favorece bronquiectasia. O antibiótico prolongado trata a infecção secundária sem remover a causa obstrutiva. A lobectomia sem investigação é conduta desproporcional e possivelmente desnecessária. Tratar como refluxo não explica a sibilância estritamente localizada com hiperinsuflação unilateral.
Menino, 2 anos, apresenta há 10 dias tosse persistente, febre baixa e chiado. Foi tratado com broncodilatador sem melhora. A mãe relata que a criança teve episódio de engasgo com amendoim há 2 semanas, resolvido espontaneamente. A ausculta mostra sibilância localizada à direita, e a radiografia revela hiperinsuflação do pulmão direito. Não há febre alta nem toxemia, e o estado geral é bom, com SatO2 95% em ar ambiente. Qual a conduta indicada?
Histórico de engasgo com amendoim, sibilância localizada persistente e hiperinsuflação unilateral definem corpo estranho brônquico, cuja remoção é feita por broncoscopia rígida, procedimento diagnóstico e terapêutico. Manter broncodilatador e corticoide trata broncoespasmo e não remove o objeto, permitindo evolução para pneumonia obstrutiva e bronquiectasia. O antibiótico isolado trata infecção secundária sem eliminar a causa. A fisioterapia com tapotagem pode mobilizar o corpo estranho para a traqueia, provocando obstrução completa. Repetir tomografias sem intervir apenas documenta a permanência do objeto e o dano progressivo ao parênquima distal.
Homem, 58 anos, com prótese dentária, refere tosse persistente e sibilância localizada à direita há 4 meses, além de dois episódios de pneumonia no mesmo lobo. PA 128x78 mmHg, FC 84 bpm, SatO2 95%. Recebeu tratamento para asma sem melhora. A tomografia mostra atelectasia do lobo médio e imagem endoluminal no brônquio correspondente. Não recorda episódio de engasgo, mas relata procedimento odontológico sob sedação há 5 meses. Qual a conduta indicada?
A broncoscopia para retirada do corpo estranho com avaliação da mucosa é a conduta indicada: sibilância localizada, pneumonias de repetição no mesmo lobo e imagem endoluminal após procedimento odontológico sob sedação apontam aspiração de corpo estranho, mesmo sem história de engasgo referida. O tratamento para asma já falhou e não corrige obstrução mecânica. A lobectomia imediata é desproporcional antes da tentativa endoscópica, que frequentemente resolve o quadro. O antibiótico prolongado sem investigação trata a consequência e não a causa. A radioterapia é inadequada sem diagnóstico de neoplasia.
Lactente de 8 meses, previamente hígido, engasgou subitamente enquanto brincava com peças pequenas de um brinquedo do irmão. Está consciente, com tosse fraca, cianose peribucal progressiva e esforço respiratório importante, sem emitir sons audíveis. Exame: FR 12 ipm com movimentos ineficazes, SatO2 82%, FC 168 bpm, tiragem intercostal intensa e retração de fúrcula. A mãe iniciou tentativa de retirada com o dedo, sem sucesso. Qual a conduta imediata?
No lactente com obstrução grave de via aérea e tosse ineficaz, a sequência é alternar cinco golpes interescapulares com cinco compressões torácicas, repetidas até a expulsão do corpo estranho ou a perda de consciência. A manobra de Heimlich com compressões abdominais é reservada a crianças maiores de 1 ano, pelo risco de lesão hepática no lactente. A varredura digital às cegas pode aprofundar o objeto e é formalmente contraindicada. A intubação sem tentativa prévia de desobstrução tende a impactar ainda mais o corpo estranho. A ventilação com bolsa-válvula-máscara antes das manobras não vence a obstrução mecânica estabelecida.
Menino, 2 anos, teve episódio súbito de tosse e engasgo há 5 dias enquanto comia amendoim, com melhora espontânea. Desde então mantém tosse persistente e sibilância unilateral, sem febre. Exame: SatO2 95%, FR 34 ipm, murmúrio vesicular reduzido em hemitórax direito com sibilos localizados, sem tiragem. Radiografia em expiração mostra hiperinsuflação do pulmão direito com desvio do mediastino para a esquerda. Qual a conduta indicada?
História de engasgo seguido de sibilância unilateral persistente e aprisionamento aéreo na radiografia em expiração caracteriza corpo estranho brônquico, cuja remoção é feita por broncoscopia rígida, diagnóstica e terapêutica. Corticoide e broncodilatador tratariam broncoespasmo, sem remover a obstrução mecânica. O antibiótico isolado poderia ser necessário em complicação infecciosa, mas não resolve a causa. A fisioterapia respiratória é contraindicada nessa suspeita, pelo risco de mobilizar o objeto para a traqueia. A tomografia seriada apenas posterga o procedimento definitivo em criança com diagnóstico já sustentado pela clínica e pela radiografia.
Homem, 58 anos, etilista, é levado ao pronto-socorro após engasgo durante churrasco há 4 horas, com tosse persistente desde então. Exame: PA 128x80 mmHg, FC 98 bpm, FR 22 ipm, SatO2 94% em ar ambiente, sibilo localizado em hemitórax direito com murmúrio reduzido nessa região. Radiografia de tórax em expiração mostra hiperinsuflação do pulmão direito com desvio do mediastino para a esquerda, sem opacidade radiopaca visível. Qual a conduta mais adequada?
O aprisionamento aéreo unilateral com desvio contralateral do mediastino traduz mecanismo valvular por corpo estranho brônquico, e a broncoscopia é simultaneamente diagnóstica e terapêutica, sendo a rígida a preferida para material volumoso ou friável no adulto. A antibioticoterapia com reavaliação tardia permite evolução para pneumonia obstrutiva, atelectasia e bronquiectasia. A manobra de Heimlich aplica-se à obstrução alta com incapacidade de falar ou tossir, e o paciente já apresenta obstrução brônquica distal com tosse eficaz. Corticoide e broncodilatador tratariam broncoespasmo, mas não removem o objeto que causa a válvula unidirecional. A toracotomia é medida de exceção, reservada a falha da broncoscopia ou a complicações como perfuração.
Menino, 2 anos, apresentou episódio súbito de tosse e cianose enquanto comia amendoim há 3 dias, com melhora parcial. Desde então mantém tosse e sibilância unilateral. FC 128 bpm, FR 34 ipm, T 36,8 °C, SatO2 95% em ar ambiente; murmúrio vesicular reduzido à direita com sibilos localizados. A radiografia em expiração mostra hiperinsuflação do pulmão direito com desvio do mediastino para a esquerda. Qual a conduta indicada?
Síndrome de penetração com sibilância unilateral e hiperinsuflação obstrutiva por mecanismo valvular indica aspiração de corpo estranho, cuja conduta é a broncoscopia rígida sob anestesia geral, diagnóstica e terapêutica. O corticoide inalatório com broncodilatador trata asma e apenas retarda a retirada do objeto. O antibiótico pode ser adjuvante se houver infecção secundária, mas não resolve a obstrução mecânica. A fisioterapia com drenagem postural é contraindicada, pelo risco de deslocar o corpo estranho para a traqueia e provocar obstrução completa. A tomografia seriada expõe a criança à radiação e adia o tratamento definitivo.
Homem, 58 anos, durante refeição em restaurante, leva as mãos ao pescoço, não consegue falar nem tossir e apresenta cianose progressiva de lábios. Está consciente, em pé, com esforço respiratório ineficaz e sem ruído audível na inspiração. Não há sinais de trauma. Um acompanhante solicita ajuda e outro pergunta o que deve ser feito imediatamente pelo socorrista presente no local. Qual a conduta imediata?
As compressões abdominais subdiafragmáticas são a conduta na obstrução grave de via aérea em adulto consciente, situação caracterizada pela incapacidade de falar e tossir com cianose. Oferecer água pode provocar aspiração e agrava a obstrução. Estimular a tosse é adequado apenas na obstrução parcial, quando ainda há tosse eficaz. A varredura digital às cegas pode impactar ainda mais o corpo estranho. Iniciar compressões torácicas em paciente consciente não é o procedimento indicado, ficando reservado à vítima que perde a consciência.
Menino de 2 anos apresentou episódio súbito de engasgo e tosse enquanto brincava com peças pequenas há 6 horas, evoluindo com tosse persistente e sibilância. T 36,8 graus Celsius, FR 38 ipm, SatO2 93%, FC 132 bpm. A ausculta mostra redução do murmúrio vesicular à direita com sibilos localizados. A radiografia em expiração evidencia hiperinsuflação do pulmão direito com desvio do mediastino para a esquerda. Qual a conduta indicada?
A broncoscopia rígida em centro cirúrgico é a conduta para remoção de corpo estranho brônquico, sugerido por engasgo súbito seguido de sibilância localizada e hiperinsuflação com desvio do mediastino por mecanismo valvular. A fisioterapia com tapotagem pode deslocar o objeto para a traqueia e causar obstrução completa. Tratar como crise asmática retarda o diagnóstico e não resolve a obstrução mecânica. O antibiótico não elimina o corpo estranho e permite evolução para pneumonia de repetição e bronquiectasia. As manobras de desobstrução são indicadas apenas na obstrução grave com tosse ineficaz, o que não ocorre aqui.
Menino, 2 anos, com tosse persistente e sibilância unilateral há três semanas, sem resposta a broncodilatador e corticoide. Está afebril, FR 34 ipm, FC 118 bpm, SatO2 94%, com murmúrio reduzido em hemitórax direito e sibilo localizado. A radiografia em expiração mostra hiperinsuflação do pulmão direito com desvio do mediastino para a esquerda durante a expiração forçada. Qual a conduta indicada?
Sibilância unilateral persistente, refratária a broncodilatador, com hiperinsuflação localizada e desvio mediastinal na expiração, caracteriza mecanismo valvular por corpo estranho, indicando broncoscopia rígida diagnóstica e terapêutica. Manter corticoide inalatório atrasa o diagnóstico e permite evolução para bronquiectasia. Antibiótico prolongado não remove o objeto. Investigar fibrose cística e imunodeficiência antes de retirar um corpo estranho evidente inverte a prioridade. A fisioterapia com tapotagem pode deslocar o objeto para posição mais perigosa e é contraindicada.
Lactente de 10 meses engasga com um pedaço de cenoura durante a refeição e evolui em segundos com incapacidade de tossir, cianose e ausência de choro. Está consciente, mas sem emitir som, com esforço respiratório ineficaz. A mãe corre com a criança até a unidade básica de saúde, que fica ao lado de casa, e a equipe é acionada imediatamente para o atendimento. Qual a conduta imediata?
Na obstrução grave de via aérea por corpo estranho em lactente consciente, a manobra indicada é a alternância de cinco golpes no dorso com cinco compressões torácicas, repetida até a desobstrução ou a perda de consciência. A manobra de Heimlich com compressões abdominais é contraindicada em menores de um ano pelo risco de lesão visceral. A varredura digital às cegas pode empurrar o objeto mais profundamente. Ventilar com pressão elevada não desobstrui e pode piorar a impactação. Aguardar o resgate sem intervir é inaceitável.
Menina, 18 meses, com sibilância persistente há dez dias, tratada como bronquiolite sem melhora. FR 40 ipm, FC 132 bpm, SatO2 93%, com sibilância assimétrica mais intensa à direita e murmúrio reduzido nesse hemitórax. Está afebril e a mãe, ao ser questionada de forma dirigida, recorda um episódio de tosse súbita e engasgo enquanto a criança brincava com sementes. Qual a conduta indicada?
Sibilância assimétrica persistente sem febre, refratária ao tratamento, com relato dirigido de episódio de engasgo, indica corpo estranho em via aérea, cuja abordagem é a broncoscopia rígida diagnóstica e terapêutica. Manter o tratamento de bronquiolite atrasa o diagnóstico e favorece complicações como bronquiectasia. O corticoide não remove o objeto. Aguardar tomografia retarda o procedimento definitivo, que é ao mesmo tempo diagnóstico e terapêutico. O antibiótico não trata a obstrução mecânica causada pelo corpo estranho.
Pais de criança de 2 anos pedem orientações sobre alimentos que oferecem risco de engasgo, após episódio de tosse intensa durante o lanche. A criança é saudável, come sozinha com supervisão e tem dentição adequada para a idade. Os pais relatam oferecer com frequência uvas inteiras, pipoca, amendoim e pedaços grandes de salsicha durante as refeições e os lanches realizados em casa. Qual a orientação correta?
Evitar alimentos de alto risco e cortar frutas e salsichas em pedaços pequenos, preferencialmente no sentido longitudinal, é a orientação correta, pois alimentos redondos, duros e escorregadios são os que mais causam aspiração fatal em menores de 4 anos. Manter os alimentos atuais apenas com a criança sentada não elimina o risco. Amendoim e pipoca devem ser evitados nessa faixa etária. Comer andando aumenta o risco de aspiração. Ensinar a engolir rapidamente é orientação perigosa e sem qualquer respaldo.
Criança de três anos teve engasgo ao comer amendoim e mantém tosse e sibilância unilateral. Está estável; a radiografia inicial foi descrita como normal, mas a história é convincente. Qual achado complementar favorece especificamente essa hipótese?
Muitos objetos são radiotransparentes, e exame radiográfico normal não exclui aspiração. Referência: https://www.rch.org.au/clinicalguide/guideline_index/Foreign_bodies_inhaled/
Criança de três anos teve engasgo ao comer amendoim e mantém tosse e sibilância unilateral. Está estável; a radiografia inicial foi descrita como normal, mas a história é convincente. Qual intervenção dirigida à causa é a mais adequada entre as opções?
A história de alto risco justifica investigação especializada; observação isolada pode atrasar remoção. Referência: https://www.rch.org.au/clinicalguide/guideline_index/Foreign_bodies_inhaled/
Criança de três anos teve engasgo ao comer amendoim e mantém tosse e sibilância unilateral. Está estável; a radiografia inicial foi descrita como normal, mas a história é convincente. Qual mecanismo explica melhor o quadro?
O objeto pode produzir efeito valvular, atelectasia ou infecção secundária. Referência: https://www.rch.org.au/clinicalguide/guideline_index/Foreign_bodies_inhaled/
Criança de três anos teve engasgo ao comer amendoim e mantém tosse e sibilância unilateral. Está estável; a radiografia inicial foi descrita como normal, mas a história é convincente. Qual é o diagnóstico mais provável?
Início súbito após engasgo com sinal focal mantém forte suspeita apesar de imagem normal. Referência: https://www.rch.org.au/clinicalguide/guideline_index/Foreign_bodies_inhaled/
Criança previamente bem desenvolve tosse súbita e sibilância unilateral após colocar pequeno objeto na boca. Qual hipótese é mais provável?
O episódio sugere aspiração de corpo estranho. Início súbito após engasgo, sibilância unilateral ou assimetria ventilatória exige considerar corpo estranho; imagem normal não exclui. Referência: https://www.rch.org.au/clinicalguide/guideline_index/Foreign_bodies_inhaled/
Após engasgo com alimento, criança apresenta tosse e redução de ventilação de um hemitórax, sem febre inicial. Qual hipótese é mais provável?
A história e o exame favorecem corpo estranho brônquico. Início súbito após engasgo, sibilância unilateral ou assimetria ventilatória exige considerar corpo estranho; imagem normal não exclui. Referência: https://www.rch.org.au/clinicalguide/guideline_index/Foreign_bodies_inhaled/
Criança tem episódio de engasgo brincando com objeto pequeno; depois mantém assimetria de ausculta, apesar de radiografia inicial normal. Qual hipótese é mais provável?
Imagem normal não afasta corpo estranho inalado. Início súbito após engasgo, sibilância unilateral ou assimetria ventilatória exige considerar corpo estranho; imagem normal não exclui. Referência: https://www.rch.org.au/clinicalguide/guideline_index/Foreign_bodies_inhaled/
Lactente maior engasga ao comer e passa a ter tosse persistente e sibilância unilateral, sem pródromo infeccioso. Qual hipótese é mais provável?
O início abrupto e a assimetria sugerem aspiração. Início súbito após engasgo, sibilância unilateral ou assimetria ventilatória exige considerar corpo estranho; imagem normal não exclui. Referência: https://www.rch.org.au/clinicalguide/guideline_index/Foreign_bodies_inhaled/
Paciente após episódio de aspiração tem assimetria ventilatória persistente, sem instabilidade atual. A história é fortemente sugestiva. Qual estratégia é mais apropriada?
Avaliação endoscópica é necessária para esclarecer e remover o corpo estranho. Suspeita elevada de aspiração requer avaliação para retirada endoscópica, mesmo quando radiografia não demonstra o objeto. Referência: https://www.rch.org.au/clinicalguide/guideline_index/Foreign_bodies_inhaled/
Após engasgo, criança está estável, mas mantém sibilância unilateral e suspeita elevada de objeto brônquico, apesar de radiografia normal. Qual estratégia é mais apropriada?
É necessária avaliação para broncoscopia. Suspeita elevada de aspiração requer avaliação para retirada endoscópica, mesmo quando radiografia não demonstra o objeto. Referência: https://www.rch.org.au/clinicalguide/guideline_index/Foreign_bodies_inhaled/
Após estabilização, criança com forte suspeita de corpo estranho inalado precisa de investigação e retirada do material. Qual estratégia é mais apropriada?
A avaliação especializada para broncoscopia é prioritária. Suspeita elevada de aspiração requer avaliação para retirada endoscópica, mesmo quando radiografia não demonstra o objeto. Referência: https://www.rch.org.au/clinicalguide/guideline_index/Foreign_bodies_inhaled/
Criança apresenta tosse súbita após colocar objeto na boca e mantém sinais focais; o objeto pode ser radiotransparente. Qual estratégia é mais apropriada?
Radiografia normal não dispensa avaliação broncoscópica quando a suspeita é alta. Suspeita elevada de aspiração requer avaliação para retirada endoscópica, mesmo quando radiografia não demonstra o objeto. Referência: https://www.rch.org.au/clinicalguide/guideline_index/Foreign_bodies_inhaled/
Por que a ausência de objeto radiopaco na figura não exclui aspiração?

Alimentos podem não ser vistos diretamente.
Em criança após episódio de engasgo, qual assimetria radiográfica apoia obstrução brônquica com mecanismo valvular?

Aprisionamento de ar unilateral pode persistir enquanto o lado oposto esvazia.
Com história convincente de engasgo e a alteração unilateral, qual avaliação é apropriada?

A combinação clínica e radiológica justifica investigar obstrução persistente.
Por que varredura digital às cegas não é adequada em criança que ainda ventila?

Manobra cega pode deslocar o objeto para posição mais obstrutiva; conduta depende da gravidade e dos protocolos de desobstrução.
Quando o ar entra, mas sai com dificuldade, ocorre qual fenômeno?

Mecanismo valvular pode reter ar distalmente ao objeto.
O objeto interfere diretamente no fluxo de qual sistema?

Ele está dentro de um brônquio e altera a passagem de ar.
Se o objeto do desenho passar a fechar completamente o brônquio e impedir também a entrada de ar, qual alteração distal pode surgir com o tempo?

Na obstrução completa, o gás distal pode ser absorvido e o segmento colapsar, diferentemente do mecanismo valvular com entrada parcial de ar.
Qual achado auscultatório focal pode acompanhar o desenho?

Obstrução brônquica pode causar assimetria de entrada de ar.
A criança está estável, mas a história e a assimetria sustentam alta suspeita de corpo estranho brônquico. Qual estratégia é adequada? Radiografia de referência: Sha Yan e Uchechi Azubuine, JETem (2018), CC BY 4.0. Cenário clínico didático; imagem original sem alteração.

Em suspeita forte, a broncoscopia permite localizar e remover a obstrução.
Uma criança teve engasgo súbito seguido de tosse persistente. Qual achado radiográfico é relevante? Radiografia de referência: Sha Yan e Uchechi Azubuine, JETem (2018), CC BY 4.0. Cenário clínico didático; imagem original sem alteração.

A maior transparência e expansão de um lado, no contexto, sugerem obstrução brônquica valvular.
Após o engasgo, uma nova radiografia é descrita como normal, mas persistem sibilo focal e tosse. Qual interpretação é correta? Radiografia de referência: Sha Yan e Uchechi Azubuine, JETem (2018), CC BY 4.0. Cenário clínico didático; imagem original sem alteração.

Objetos podem ser radiotransparentes e sinais indiretos podem variar.
Qual mecanismo explica a assimetria mostrada após aspiração de um fragmento alimentar? Radiografia de referência: Sha Yan e Uchechi Azubuine, JETem (2018), CC BY 4.0. Cenário clínico didático; imagem original sem alteração.

O efeito valvular pode produzir hiperinsuflação distal ao corpo estranho.
Quer treinar mais nesse tema? Estas questões vêm do nosso banco — lá tem milhares, com simulado, maratona e estatística de acerto por área.
Criar conta grátis e continuar →Plano de revisão
em 7 dias
Diga em voz alta a separação entre engasgo por líquido e obstrução por sólido, com os quatro passos do líquido e a proibição da manobra ali. Depois recite as duas entradas independentes para indicar broncoscopia — história confiável de engasgo com exame e imagem duvidosos, e quadro respiratório focal compatível sem engasgo presenciado. Por fim, escreva de memória a partição da ausculta da série brasileira, com os quatro grupos e a linha de ausculta normal, e explique por que a radiografia precisa da incidência em expiração.
em 30 dias
Reconstrua a tabela das três fontes: quantas crianças, quantas broncoscopias negativas e qual a razão direito para esquerdo em cada uma — e explique por que 52% contra 18% no guia da sociedade, 33 contra 22 na série brasileira e 20 contra 18 na polonesa não descrevem a mesma anatomia. Refaça as duas contas que o capítulo recalcula: 20 entre 42 dá quanto, e de onde saiu o 57,14% impresso. Termine dizendo por que 11,9% de radiografias normais numa série e até 66% na literatura geral não são contradição.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Menina de 20 meses é trazida ao pronto atendimento pela mãe, que relata tosse há cinco semanas e dois diagnósticos prévios de bronquite tratados com nebulização. A mãe menciona de passagem que a menina "vive engasgando" com comida e que houve um episódio pior, na casa da tia, em que ela tossiu até vomitar. Está afebril, brincando, com discreta redução do murmúrio à direita e hálito desagradável. A mãe insiste em receber uma receita de xarope e quer saber se pode ser alergia, porque o pai tem asma. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
