Ginecologia e Obstetrícia › Puerpério, aleitamento e vitalidade fetal
Infecção puerperal e mastite
A prova cobra duas febres do puerpério com réguas diferentes: a que vem do útero — endometrite, internação e antibiótico venoso — e a que vem da mama — mastite, amamentação mantida e cefalexina. Saber os números de definição e o que fazer quando a febre não cede é o que separa acerto de erro.
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Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Puérpera de 25 anos, no 5º dia após parto vaginal, retorna com febre de 38,8 °C, dor em baixo ventre e lóquios fétidos e purulentos. PA = 110/70 mmHg, FC = 96 bpm. Ao toque, útero amolecido e doloroso à mobilização, colo pérvio. Qual é o esquema antibiótico de escolha para o tratamento?
Como esse tema cai
Infecção é o terceiro vértice da tríade que mata gestante e puérpera no Brasil, ao lado de hipertensão e hemorragia — e é o vértice que a prova cobra com menos vinheta dramática e mais régua numérica. O examinador quer saber se você reconhece a febre que precisa de internação e antibiótico venoso imediato (endometrite), a febre que se trata mantendo a amamentação (mastite) e a coleção que nenhum antibiótico resolve sem drenagem (abscesso).
O recorte nacional tem dono claro em cada ponta. Para a infecção puerperal, não há PCDT: o documento brasileiro de referência é o Protocolo Febrasgo nº 117 (2018), que segue a linha do RCOG e da OMS. Para a mastite lactacional, a régua do SUS é o Caderno de Atenção Básica nº 23 do Ministério da Saúde (2ª edição, 2015) — é dele que saem as condutas de atenção primária que a prova do MEC espera: manter a amamentação, cefalexina e reavaliação em 48 horas.
Há ainda uma camada recente que as bancas começaram a explorar: o protocolo nº 36 da Academy of Breastfeeding Medicine (2022) reescreveu o manejo da mastite como um espectro inflamatório e aposentou condutas que o material brasileiro ainda descreve, como a massagem e a ordenha para 'esvaziar' a mama. Este capítulo entrega as duas versões e ensina a identificar qual delas a questão está cobrando.
O que muda decisão
A régua da febre no puerpério
A definição clássica de morbidade febril puerperal, herdada da Joint Commission on Maternal Welfare e repetida pelos livros-texto, é temperatura oral de 38,0 °C ou mais, em pelo menos dois dos dez primeiros dias pós-parto, excluídas as primeiras 24 horas. A exclusão das primeiras 24 horas existe porque febre baixa e autolimitada é comum logo após o parto, sem significar infecção. Mas essa exclusão é estatística, não clínica: a sepse pelo estreptococo do grupo A (Streptococcus pyogenes) pode ser precoce e fulminante, e febre alta nas primeiras 24 horas com queda do estado geral se investiga como sepse, não se observa.
A OMS definiu em 1992 a sepse puerperal como infecção do trato genital ocorrendo entre a rotura das membranas (ou o trabalho de parto) e o 42º dia pós-parto, com dois ou mais dos seguintes achados: dor pélvica; febre com temperatura oral de 38,5 °C ou mais em qualquer ocasião; corrimento vaginal anormal (purulento); odor anormal do corrimento; e atraso na involução uterina, definido como redução menor que 2 cm por dia nos primeiros oito dias. Repare que são duas réguas de temperatura diferentes — 38,0 °C na morbidade febril, 38,5 °C na definição de sepse puerperal da OMS — e a prova gosta de trocar uma pela outra.
A infecção puerperal complica de 1% a 15% dos partos e, nos países desenvolvidos, a sepse já ultrapassou a hipertensão como primeira causa de morte materna obstétrica direta. O Protocolo Febrasgo nº 117 organiza as formas clínicas em três degraus: localizada (vulvoperineal, vaginite, cervicite e endometrite), propagada (endomiometrite, salpingite, anexite, parametrite, pelviperitonite e tromboflebite pélvica) e generalizada (peritonite difusa, sepse e choque séptico). A febre do puerpério também pode vir de fora do útero — mama, trato urinário, pulmão, ferida operatória e sítio de punção — e o exame físico da puérpera febril percorre todos esses territórios antes de fechar diagnóstico.
Endometrite: diagnóstico e investigação
A endometrite puerperal é uma infecção ascendente e polimicrobiana: a flora vaginal e entérica — aeróbios como Escherichia coli e estreptococos, anaeróbios da cavidade — coloniza a decídua cruenta depois do parto. O parto cesáreo é o principal fator de risco isolado, e é por isso que a profilaxia com cefazolina antes da incisão é universal na cesariana. O restante da lista do Protocolo Febrasgo nº 117 é previsível quando se entende o mecanismo: amniorrexe e trabalho de parto prolongados, toques vaginais repetidos, monitoração interna, retenção de restos ovulares, hemorragia, más condições de assepsia, anemia, obesidade, diabetes, imunossupressão e baixo nível socioeconômico.
O quadro típico é febre nos primeiros dias pós-parto acompanhada de dor e hipersensibilidade uterina, útero subinvoluído e lóquios aumentados, purulentos ou fétidos. O aspecto dos lóquios orienta a etiologia: odor fétido sugere anaeróbios; lóquios serossanguinolentos e pouco fétidos sugerem infecção estreptocócica. O protocolo da Febrasgo lista os sinais de alarme ('sinal vermelho') que indicam doença sistêmica: temperatura acima de 38 °C, taquicardia sustentada acima de 90 bpm, frequência respiratória acima de 20 irpm, dor abdominal ou torácica, diarreia ou vômitos e mal-estar generalizado. Dor abdominal com febre acima de 38 °C e frequência cardíaca acima de 90 bpm já é, por si, indicação de internação e antibiótico intravenoso.
A investigação inicial é objetiva: hemograma completo, hemoculturas, cultura de material endocervical/endometrial e ultrassonografia — que é o exame fundamental para dois diagnósticos que mudam a conduta, a retenção de restos ovulares e o abscesso (intracavitário ou de parede). Nenhum resultado é pré-requisito para tratar: numa paciente com sinais sistêmicos, o antibiótico entra imediatamente após a coleta, porque a deterioração da sepse puerperal é medida em horas. Vale lembrar o agente que mais mata: o estreptococo do grupo A, responsável direto por 13 dos 29 óbitos maternos por infecção no Reino Unido entre 2006 e 2008.
Tratamento da endometrite
O tratamento é hospitalar, com antibiótico intravenoso de amplo espectro em dose plena, iniciado sem esperar culturas. O Protocolo Febrasgo nº 117 oferece dois esquemas equivalentes: (1) ampicilina-sulbactam 3 g IV a cada 6 horas + aminoglicosídeo (gentamicina 180 a 240 mg, IV ou IM, 1 vez ao dia, ou amicacina 1 g 1 vez ao dia); ou (2) clindamicina 600 mg IV a cada 6 horas ou metronidazol 500 mg IV a cada 8 horas + aminoglicosídeo. A revisão Cochrane de 2015 dá o pano de fundo: clindamicina + gentamicina teve menos falhas terapêuticas que os esquemas com penicilinas (RR 0,65), e esquemas com má cobertura de anaeróbios resistentes à penicilina falharam quase o dobro. É essa cobertura anaeróbia — clindamicina ou metronidazol — que não pode faltar, sobretudo na endometrite pós-cesariana.
Duração pela régua da Febrasgo: 7 a 10 dias de tratamento, mantendo a via intravenosa por pelo menos 24 a 48 horas após o último pico febril. Duas observações do protocolo caem em prova: evitar usar terapeuticamente o mesmo antibiótico que foi usado na profilaxia da cesariana; e, não havendo melhora clínica em 24 a 48 horas, pedir avaliação da infectologia e reavaliar a terapêutica. A evidência internacional discorda da duração — o bloco de divergências deste capítulo detalha — mas o número que o protocolo brasileiro imprime é 7 a 10 dias.
Quando a febre persiste apesar de esquema adequado, a sequência de raciocínio é: reexaminar (ferida operatória, mamas, urina, membros inferiores, sítios de punção), repetir a ultrassonografia e procurar causa cirúrgica. Restos ovulares pedem curetagem; abscesso pede drenagem — perineal, da incisão, ou colpotomia se a coleção está no fundo de saco de Douglas; fasciíte necrosante (dor desproporcional é a marca) pede desbridamento amplo; miometrite e infecção por Clostridium podem exigir histerectomia. Se nada disso aparece e a febre em picos continua, o diagnóstico de exclusão é a tromboflebite pélvica séptica: trombose infectada das veias pélvicas, invisível ao exame, cujo teste diagnóstico é terapêutico — heparina intravenosa (5.000 UI em bolus, seguidas de 700 a 2.000 UI/h, titulando o TTPA para 1,5 a 2 vezes o controle). A defervescência em 48 a 72 horas de anticoagulação confirma a suspeita.
Prevenção em uma linha: profilaxia antibiótica na cesariana (detalhada no capítulo de cesariana), técnica asséptica e parcimônia de toques vaginais no trabalho de parto prolongado.
Mastite lactacional
Mastite é a inflamação de um ou mais segmentos da mama lactante, que pode ou não evoluir para infecção bacteriana. O pico é na 2ª e 3ª semanas pós-parto. Na descrição do Caderno de Atenção Básica nº 23, o evento inicial é a estase láctea: a pressão intraductal aumentada abre espaços entre as células alveolares, componentes do plasma passam ao interstício e a inflamação se instala; sobre esse terreno, bactérias — Staphylococcus aureus à frente, tendo a fissura mamilar como porta de entrada — produzem a mastite infecciosa. Tudo que perpetua estase predispõe: mamadas em horários fixos, redução súbita das mamadas, chupetas e mamadeiras, sucção fraca, produção excessiva, desmame abrupto e fadiga materna.
Clinicamente, o segmento afetado está doloroso, vermelho, edemaciado e quente; quando há infecção, somam-se febre alta (acima de 38 °C), calafrios e mal-estar importante. Não há exame que separe com segurança a forma inflamatória da infecciosa no primeiro atendimento — a distinção é evolutiva. A cultura do leite com antibiograma é reservada a cinco situações: falta de resposta ao antibiótico, mastite recorrente (mais de duas), mastite hospitalar, casos graves e mastite epidêmica.
O manejo pelo CAB 23 tem uma hierarquia clara. Primeiro, manter a amamentação — inclusive na mama afetada: o leite com bactérias não oferece risco ao recém-nascido a termo sadio, e o esvaziamento pelo próprio lactente é descrito como o componente mais importante do tratamento, complementado por ordenha se a mamada não esvazia. Segundo, suporte: analgesia com anti-inflamatório (ibuprofeno é o mais efetivo), repouso, líquidos e sutiã firme. Terceiro, antibiótico — indicado quando há sintomas graves desde o início, fissura mamilar, ou ausência de melhora após 12 a 24 horas de remoção efetiva do leite. As opções do Ministério da Saúde: cefalexina 500 mg VO a cada 6 horas; amoxicilina 500 mg ou amoxicilina-clavulanato 500/125 mg a cada 8 horas; eritromicina 500 mg a cada 6 horas na alergia a betalactâmicos; vancomicina se MRSA. Duração mínima de 10 dias — cursos mais curtos recidivam. Sem regressão em 48 horas de antibiótico, pensar em abscesso e referenciar.
O protocolo nº 36 da ABM (2022) redesenhou essa doença como espectro: estreitamento ductal inflamatório (o 'leite empedrado' não é um plug macroscópico que se possa expulsar), mastite inflamatória, mastite bacteriana, fleimão e abscesso. As mudanças práticas: amamentar em livre demanda sem tentar 'esvaziar' a mama (bombas extras hiperestimulam a produção e alimentam o ciclo); evitar massagem profunda e aparelhos vibratórios (pioram edema e lesão microvascular e favorecem fleimão); evitar compressas de soro e calor prolongado; preferir gelo e anti-inflamatório; e reservar o antibiótico para a mastite bacteriana, porque tratar inflamação estéril com antibiótico desorganiza o microbioma mamário e facilita a progressão. O esquema empírico da ABM: dicloxacilina ou flucloxacilina 500 mg 6/6 h, ou cefalexina 500 mg 6/6 h, por 10 a 14 dias; segunda linha com clindamicina 300 mg 6/6 h ou sulfametoxazol-trimetoprima na dose dobrada 12/12 h — este último evitado se o lactente tem deficiência de G6PD e usado com cautela em prematuros e ictéricos com menos de 30 dias.

Fleimão, abscesso mamário e galactocele
O abscesso mamário complica 3% a 11% das mastites agudas — em geral mastite não tratada, tratada tarde ou interrompida junto com a amamentação sem esvaziamento. O quadro é dor intensa, febre, calafrios e área de flutuação à palpação; a ultrassonografia confirma a coleção e indica o melhor ponto para drenar. O diagnóstico diferencial obrigatório: galactocele, fibroadenoma e carcinoma — mama que não melhora como deveria depois do quadro agudo precisa de reexame e imagem até a resolução.
A conduta tem três pilares inegociáveis: drenar a coleção, manter o antibiótico e manter a amamentação. Pelo CAB 23, a drenagem é cirúrgica, de preferência sob anestesia local, com cultura do material; a ABM 2022 prefere, quando há estrutura, punção aspirativa ou colocação de dreno guiadas por ultrassom — a punção isolada frequentemente recorre, por isso o dreno (mantido por gravidade, nunca a vácuo) é o manejo definitivo no próprio procedimento inicial. A amamentação continua inclusive na mama drenada — o risco de fístula láctea é menor que 2% — e, se a dor impedir, a pausa é temporária e só na mama afetada, mantendo a sadia. Supressão farmacológica da lactação não está indicada quando a mãe quer amamentar. O estrago de não tratar bem: cerca de 10% dos abscessos comprometem lactações futuras, além de necrose e deformidade nos casos negligenciados.
Dois vizinhos do abscesso completam o espectro da ABM. O fleimão é a massa endurecida, mal definida e sem flutuação que aparece tipicamente depois de massagem agressiva sobre mastite — trata-se com antibiótico e paciência, não com bisturi, e pode levar semanas para desaparecer. A galactocele é o cisto de leite formado quando o estreitamento ductal represa grande volume: massa pouco dolorosa, sem sinais sistêmicos, que flutua de tamanho com as mamadas; só exige drenagem (e antibiótico) quando infecta.
Duas réguas: a febre do útero e a da mama
Comece pela fonte provável da febre. Endometrite é diagnóstico predominantemente clínico e recebe antibiótico intravenoso; ferida infectada exige inspeção e controle de foco; mastite percorre um espectro em que inflamação não significa automaticamente bactéria; coleção exige imagem e drenagem.
- 1TRIAGEM — avaliar estabilidade e sepse; examinar útero/lóquios, ferida abdominal e períneo, mamas, trato urinário, pulmões, membros inferiores e acessos venosos.
- 2ENDOMETRITE PROVÁVEL — febre com dor uterina, subinvolução e/ou lóquios purulentos ou fétidos sustenta diagnóstico clínico. Hemocultura, cultura endometrial e ultrassonografia não são obrigatórias em toda paciente estável.
- 3TRATAMENTO INICIAL — internar quando indicado e iniciar esquema intravenoso de amplo espectro com cobertura anaeróbia, como clindamicina mais gentamicina, ajustado a alergia, função renal, gravidade e protocolo local.
- 4BOA RESPOSTA — manter via intravenosa até melhora clínica e ausência de febre por 24–48 horas. Após resposta de endometrite não complicada, antibiótico oral de rotina não acrescenta benefício; exceções dependem do foco e do protocolo.
- 5SEM RESPOSTA EM 24–48 HORAS — rever diagnóstico, culturas e imagem; procurar restos ovulares, abscesso, hematoma infectado, tromboflebite pélvica séptica, resistência antimicrobiana e foco extrauterino. Controlar o foco confirmado.
- 6FERIDA OU PERÍNEO — abrir e drenar coleção/pus, coletar material quando útil e avaliar extensão. Dor desproporcional, crepitação, bolhas ou necrose exigem cirurgia imediata por suspeita de fasciíte.
- 7MASTITE INFLAMATÓRIA — manter amamentação ou retirada fisiológica, corrigir manejo, usar frio e analgesia; evitar massagem profunda e esvaziamento excessivo. Febre precoce isolada não obriga antibiótico.
- 8MASTITE BACTERIANA — iniciar antibiótico quando o quadro for persistente, progressivo ou claramente bacteriano. Cultura do leite é seletiva: falha terapêutica, recorrência, gravidade, aquisição hospitalar ou surto.
- 9FLEIMÃO, ABSCESSO OU GALACTOCELE INFECTADA — realizar ultrassonografia e drenagem quando houver coleção; manter a lactação sempre que possível e reavaliar até resolução.
Ingurgitamento patológico (3º-5º dia)
Mama difusamente distendida, dolorosa e brilhante, mamilo achatado, com ou sem febre baixa. Conduta: livre demanda, ordenha da aréola antes da pega, analgesia/AINE, crioterapia por até 20 minutos. Sem antibiótico.
Mastite inflamatória
Cunha dolorosa, quente e avermelhada num segmento, sem sinais sistêmicos importantes. Conduta ABM: livre demanda sem 'esvaziar', gelo, AINE, sem massagem profunda e sem antibiótico — reavaliar em 12-24 h.
Mastite bacteriana
A mesma cunha, agora com febre acima de 38 °C, calafrios e queda do estado geral, ou sem melhora após 12-24 h de manejo conservador. Conduta: manter amamentação + antibiótico anti-estafilocócico por 10-14 dias.
Fleimão → abscesso
Massa dura sem flutuação (fleimão) ou coleção flutuante com febre (abscesso). Ultrassom confirma. Abscesso: drenagem (incisão ou punção/dreno guiado) + antibiótico + amamentação mantida, inclusive na mama drenada.
| Esquema (endometrite — Febrasgo nº 117) | Droga, dose e via | Intervalo | Observação |
|---|---|---|---|
| Esquema 1 | Ampicilina-sulbactam 3 g IV | 6/6 h | Associar aminoglicosídeo; reações alérgicas raras |
| Esquema 1 (aminoglicosídeo) | Gentamicina 180-240 mg IV/IM ou amicacina 1 g IV/IM | 1×/dia | Monitorar função renal e ototoxicidade |
| Esquema 2 | Clindamicina 600 mg IV | 6/6 h | Associar aminoglicosídeo; menos falhas na Cochrane 2015 |
| Esquema 2 (alternativa) | Metronidazol 500 mg IV | 8/8 h | Associar aminoglicosídeo; garante cobertura anaeróbia |
Antibióticos na mastite lactacional — CAB 23 (MS, 2015) × ABM nº 36 (2022)
| Situação | CAB 23 (Ministério da Saúde) | ABM 2022 |
|---|---|---|
| Primeira linha | Cefalexina 500 mg VO 6/6 h; ou amoxicilina 500 mg ou amoxicilina-clavulanato 500/125 mg 8/8 h | Dicloxacilina/flucloxacilina 500 mg 6/6 h; cefalexina 500 mg 6/6 h como alternativa de espectro mais largo |
| Alergia a betalactâmico | Eritromicina 500 mg VO 6/6 h | Clindamicina 300 mg VO 6/6 h |
| MRSA / segunda linha | Vancomicina (ambiente hospitalar) | Clindamicina 300 mg 6/6 h ou sulfametoxazol-trimetoprima dose dobrada 12/12 h (evitar se lactente com deficiência de G6PD; cautela em prematuro e ictérico < 30 dias) |
| Duração | Mínimo 10 dias (cursos curtos recidivam) | 10-14 dias |
Endometrite: manter a via IV por pelo menos 24-48 h após o último pico febril e evitar tratar com o mesmo antibiótico usado na profilaxia da cesariana (Febrasgo nº 117).
Cultura do leite com antibiograma só em cinco situações (CAB 23): falha do antibiótico, mastite recorrente (> 2 episódios), mastite hospitalar, casos graves e mastite epidêmica.
Sem melhora da endometrite em 24-48 h: avaliação da infectologia e reavaliação terapêutica; sem melhora da mastite em 48 h de antibiótico: pensar em abscesso e referenciar.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Protocolo Febrasgo nº 117 (2018)
Tratamento por 7 a 10 dias, com via IV mantida por pelo menos 24-48 h após o último pico febril. Segue a linha do RCOG (Green-top 64b, 2017), orientada para sepse materna, com evidências classificadas pelo próprio protocolo como grau 3-4.
Febrasgo, Protocolo Obstetrícia nº 117, 2018
Cochrane 2015 (e a prática norte-americana derivada dela)
Na endometrite não complicada, o esquema IV (clindamicina + gentamicina) é suspenso 24-48 h após a melhora clínica/afebrilidade, sem continuação oral: três ensaios não mostraram diferença de recorrência ao adicionar antibiótico oral depois da resposta ao venoso.
Mackeen et al., Cochrane Database Syst Rev 2015;(2):CD001067
Na prova
O enunciado que cita Febrasgo, rotina de maternidade brasileira ou 'completar o tratamento' está no mundo dos 7-10 dias; o que descreve endometrite não complicada com resposta rápida e pergunta se há benefício em antibiótico oral de alta está citando a evidência da Cochrane. As alternativas denunciam o recorte: '7 a 10 dias' e 'suspender 24-48 h após afebril, sem esquema oral' raramente convivem na mesma questão por acaso.
CAB 23 — Ministério da Saúde (2015)
O esvaziamento adequado da mama é o componente mais importante do tratamento: mamada pelo lactente, ordenha complementar se necessário e massagens delicadas nas regiões afetadas. Reflete o entendimento OMS da época, centrado na estase láctea.
Ministério da Saúde, CAB nº 23, 2ª ed., 2015
ABM Protocolo nº 36 (2022)
Amamentar em livre demanda sem tentar 'esvaziar' a mama; evitar massagem profunda, aparelhos vibratórios, bombas extras e compressas de soro — o excesso de estímulo e o trauma mecânico pioram o edema e empurram o quadro para fleimão. A fisiopatologia é inflamação e estreitamento ductal com disbiose, não um 'plug' macroscópico removível.
Mitchell et al., Breastfeed Med 2022;17(5):360-76
Na prova
A data e o vocabulário do enunciado entregam o recorte: questão que fala em 'esvaziamento da mama' e 'massagem' está na régua do CAB 23, a régua do SUS e da prova do MEC; questão que fala em 'espectro da mastite', 'disbiose' ou cita a ABM cobra as condutas de 2022. Os dois mundos concordam no essencial: amamentação mantida, anti-inflamatório e antibiótico anti-estafilocócico quando a mastite é bacteriana.
CAB 23 — Ministério da Saúde (2015)
Drenagem cirúrgica, de preferência sob anestesia local, com cultura da secreção — a conduta clássica, executável em qualquer nível de atenção com centro cirúrgico.
Ministério da Saúde, CAB nº 23, 2ª ed., 2015
ABM Protocolo nº 36 (2022)
Punção aspirativa ou, de preferência, colocação de dreno guiado por ultrassom já no primeiro procedimento (a aspiração isolada recorre com frequência); dreno mantido por gravidade, nunca sistema a vácuo na mama lactante. Depende de ultrassom e, idealmente, radiologia intervencionista.
Mitchell et al., Breastfeed Med 2022;17(5):360-76
Na prova
Cenário de UBS/hospital geral do SUS conversa com a drenagem cirúrgica do CAB 23; cenário com ultrassom à beira-leito e serviço de mama conversa com punção/dreno da ABM. Nos dois mundos a resposta tem os mesmos três pilares — drenar, antibiótico e amamentação mantida — e a alternativa que suspende a lactação está errada em ambos.
Caso resolvido
- achado
- Febre > 38 °C com taquicardia sustentada (> 90 bpm), útero subinvoluído e doloroso, lóquios purulentos e fétidos no 4º dia pós-cesariana — trabalho de parto prolongado com bolsa rota e via cesariana somam os principais fatores de risco.
- diagnóstico
- Endometrite puerperal com sinais sistêmicos ('sinal vermelho' da Febrasgo: febre + FC > 90). O odor fétido sugere participação de anaeróbios. Ferida e mamas examinadas e afastadas como foco.
- conduta
- Internação; hemograma, hemoculturas e cultura de lóquios; ultrassonografia para afastar restos ovulares e coleção; antibiótico IV imediato sem aguardar culturas — clindamicina 600 mg 6/6 h + gentamicina em dose única diária (cobertura anaeróbia garantida, essencial pós-cesariana). Evitar reutilizar a cefalosporina da profilaxia como tratamento.
- reavaliação
- Afebril a partir de 36 h de esquema, com útero menos doloroso: manter IV por 24-48 h após o último pico febril e completar a régua Febrasgo de 7-10 dias. Se a febre tivesse persistido por 48 h, o caminho seria nova ultrassonografia (restos → curetagem; abscesso → drenagem) e, com investigação negativa e febre em picos, heparina como teste terapêutico para tromboflebite pélvica séptica.
Agora feche você
- achado
- Mastite que não regrediu após 48-72 h de antibiótico adequado, agora com área de flutuação — a evolução esperada da mastite mal resolvida para coleção purulenta.
- diagnóstico
- Abscesso mamário lactacional (diferenciais: galactocele infectada, fibroadenoma, carcinoma). Ultrassonografia confirma a coleção e marca o melhor ponto de acesso.
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Suspender a amamentação na mastite ou no abscesso Atrai porque 'o leite está infectado'. Errado nas duas réguas: o leite com bactérias não faz mal ao recém-nascido a termo sadio, e a estase de leite é justamente o motor da doença — suspender piora. Mantém-se a amamentação inclusive na mama afetada e na mama drenada; a pausa, quando a dor exige, é temporária e unilateral.
- 2Ignorar febre nas primeiras 24 horas porque 'a definição exclui' A exclusão das primeiras 24 h na morbidade febril puerperal é estatística — febre baixa autolimitada é comum. Mas sepse por estreptococo do grupo A é precoce e mata em horas: febre alta com taquicardia, taquipneia ou queda do estado geral nas primeiras 24 h se trata como sepse, não como fisiologia.
- 3Antibiótico de rotina para toda mama dolorida Ingurgitamento e mastite inflamatória não são infecção. Pela régua do CAB 23, o antibiótico entra com sintomas graves, fissura ou falta de melhora após 12-24 h de remoção efetiva do leite; pela ABM, só na mastite bacteriana — antibiótico na inflamação estéril desorganiza o microbioma mamário e facilita a progressão.
- 4Esquecer a tromboflebite pélvica séptica na febre que não cede Endometrite em esquema adequado, ultrassom sem restos nem coleção, exame sem outro foco — e a febre em picos continua. O diagnóstico é de exclusão e o teste é terapêutico: heparina IV com queda da febre em 48-72 h. Quem não lembra dela escala antibiótico indefinidamente ou indica cirurgia sem alvo.
- 5Tratar abscesso só com antibiótico Coleção purulenta com cápsula não responde a antibiótico isolado — sem drenagem o quadro recorre, necrosa e deforma. O par obrigatório da questão é drenagem + antibiótico; a alternativa que oferece 'trocar o antibiótico e reavaliar' diante de flutuação é o distrator clássico.
- 6Repetir na terapêutica o antibiótico da profilaxia A Febrasgo manda evitar o uso terapêutico do antibiótico que já foi usado na profilaxia da cesariana — a falha da profilaxia sugere flora não coberta por ele. Na endometrite pós-cesariana, o esquema terapêutico precisa de cobertura anaeróbia (clindamicina ou metronidazol), que a cefazolina profilática não dá.
Correta: a endometrite puerperal é polimicrobiana (aeróbios e anaeróbios); o esquema clássico é clindamicina + gentamicina EV até melhora clínica e afebril por 24–48h. Azitromicina isolada não cobre adequadamente a flora anaeróbia/mista da endometrite. Nitrofurantoína trata ITU baixa, não endometrite. Penicilina benzatina é para sífilis. Fluconazol é antifúngico, sem indicação neste quadro bacteriano.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Puérpera de 24 anos, no 3º dia após parto vaginal, apresenta-se com mama direita dolorosa, com área de hiperemia, calor local e endurecimento em quadrante superior externo. Temperatura axilar 38,5 °C, referindo mal-estar. Mantém amamentação. Qual é o diagnóstico mais provável?
A associação de hiperemia localizada, dor, calor, endurecimento e febre com mal-estar em lactante caracteriza mastite puerperal. O abscesso apresenta flutuação e coleção palpável, ausente aqui. O ingurgitamento é bilateral, difuso e sem febre alta ou hiperemia localizada. O carcinoma inflamatório é raro e não surge agudamente no puerpério imediato. A galactocele é um cisto de retenção láctea indolor, sem febre.
Puérpera de 28 anos, 5º dia pós-parto vaginal, retorna à emergência com febre de 38,9 °C, calafrios, dor em baixo ventre e lóquios fétidos e purulentos. PA 110 x 70 mmHg, FC 104 bpm. Ao exame, útero subinvoluído e doloroso à mobilização, com saída de secreção pelo colo. Qual é o agente/perfil microbiológico mais provável e o tratamento inicial mais adequado?
A endometrite puerperal é tipicamente polimicrobiana ascendente (aeróbios e anaeróbios da flora genital), e o esquema clássico é clindamicina + gentamicina endovenosas (cobertura de Gram-negativos e anaeróbios). GBS isolado com penicilina não cobre o espectro polimicrobiano. Clamídia causa endometrite tardia/subaguda, não este quadro agudo febril precoce. S. aureus não é o agente predominante da endometrite puerperal clássica. Não é quadro viral autolimitado — trata-se de infecção bacteriana que exige antibioticoterapia.
Puérpera de 28 anos, parto vaginal há 5 dias, retorna com febre de 38,8°C, dor pélvica em baixo ventre, útero subinvoluído e doloroso à palpação, com lóquios fétidos e purulentos. PA 110x70 mmHg, FC 100 bpm. Sem sinais de peritonite. Qual é o esquema terapêutico de escolha para essa condição?
O quadro é endometrite puerperal (febre, útero subinvoluído doloroso, lóquios fétidos após parto); o padrão-ouro é clindamicina + gentamicina EV, cobrindo anaeróbios e gram-negativos (correta). Azitromicina dose única cobre clamídia/cervicite, não a infecção polimicrobiana puerperal. Nitrofurantoína trata cistite, não endometrite. Fluconazol/metronidazol tópico é para candidíase/vaginose, sem alcance sistêmico adequado. Penicilina benzatina trata sífilis, não cobre o espectro da endometrite.
Puérpera de 32 anos, no 4º dia após cesariana, procura atendimento por febre de 38,7 °C, dor pélvica e loquiação com odor fétido. PA 118/76 mmHg, FC 104 bpm, FR 18 ipm. Ao exame, o útero está amolecido e doloroso à palpação, com colo pérvio; mamas sem sinais flogísticos, membros inferiores sem edema assimétrico, e o sítio cirúrgico está limpo e sem secreção. Qual é o diagnóstico mais provável e o tratamento de escolha?
Febre, útero amolecido e doloroso, subinvolução e loquiação fétida no pós-parto (especialmente pós-cesárea) definem endometrite puerperal, cujo tratamento de escolha é antibioticoterapia EV de amplo espectro (clindamicina + gentamicina é o esquema clássico). Mastite cursa com mama flogística, ausente aqui. Ferida operatória foi descrita limpa. Tromboflebite pélvica séptica é diagnóstico de exclusão quando a febre persiste apesar de antibióticos. ITU alta não explica útero doloroso e loquiação fétida, e o quadro exige tratamento hospitalar.
Puérpera de 28 anos, no 4º dia após cesárea por falha de progressão, apresenta febre de 38,9 °C, dor abdominal em baixo ventre, útero amolecido e doloroso à palpação e loquiação com odor fétido. FC 104 bpm, PA 118/72 mmHg. Hemograma com leucocitose. Qual é o esquema antibiótico endovenoso de escolha para o tratamento?
O quadro é endometrite puerperal pós-cesárea, infecção polimicrobiana; o esquema padrão-ouro é clindamicina + gentamicina EV (cobre anaeróbios e Gram-negativos) — correta. Cefazolina isolada não cobre adequadamente anaeróbios/enterococo do quadro estabelecido. Metronidazol isolado não cobre Gram-negativos aeróbios. Azitromicina+ceftriaxona é esquema de DIP/cervicite, não de endometrite polimicrobiana puerperal. Penicilina isolada tem espectro insuficiente.
Puérpera de 27 anos, no 15º dia pós-parto vaginal, comparece à UBS queixando-se de dor, hiperemia e endurecimento em quadrante superior externo da mama esquerda, associados a febre de 38,5 °C e mal-estar. Está amamentando. Ao exame, área mamária quente e dolorosa, sem flutuação. Qual é a conduta correta?
O quadro é de mastite puerperal, complicação comum da lactação. A conduta correta é MANTER a amamentação e orientar o esvaziamento mamário eficaz (fundamental para resolução), associado a antibioticoterapia com cobertura para S. aureus (cefalexina) e analgésicos/anti-inflamatórios. Suspender a amamentação piora a estase e o quadro. Drenagem cirúrgica só se indica se houver abscesso (flutuação), ausente aqui. Apenas sintomáticos com reavaliação tardia retarda o tratamento e favorece progressão para abscesso.
Puérpera de 32 anos, 8º dia pós-parto vaginal, retorna à UBS com dor e vermelhidão em mama direita, febre de 38,5°C e área endurecida no quadrante superior externo, sem flutuação. Amamenta exclusivamente. Qual a conduta mais adequada?
Quadro de mastite puerperal (dor, eritema, endurecimento e febre, sem flutuação — logo, sem abscesso). A conduta é manter a amamentação/esvaziamento frequente da mama (esvaziar é parte do tratamento) associado a antibiótico com cobertura para S. aureus, como cefalexina. Suspender a amamentação piora a estase e é contraindicado. Drenagem cirúrgica só se houver abscesso formado (flutuação/coleção). Só anti-inflamatório é insuficiente diante de febre e sinais infecciosos que indicam antibiótico.
Puérpera de 27 anos retorna à UBS no 5º dia pós-parto vaginal referindo dor e vermelhidão em mama esquerda, associadas a febre de 38,5°C e mal-estar. Ao exame, há área endurecida, quente e hiperemiada no quadrante superior externo da mama, sem flutuação. Está amamentando. Qual é a conduta mais adequada?
O quadro é de mastite puerperal (dor, hiperemia, calor e febre) sem sinais de abscesso (ausência de flutuação). A conduta é manter a amamentação/esvaziamento efetivo da mama e iniciar antibioticoterapia (ex.: cefalexina). Suspender a amamentação piora a estase e é contraindicado. Drenagem só se houver abscesso formado. Sem antibiótico há risco de evolução para abscesso.
Puérpera de 28 anos, parto vaginal há 3 dias, retorna à UPA com febre de 38,8 °C, dor em baixo ventre e lóquios com odor fétido. Ao exame, útero amolecido e doloroso à palpação, com subinvolução. Sem sinais de peritonite. Qual é o diagnóstico mais provável e a conduta inicial adequada?
Febre puerperal com útero doloroso, subinvoluído e lóquios fétidos configura endometrite puerperal, cujo tratamento é antibioticoterapia de amplo espectro (ex.: clindamicina + gentamicina), geralmente com internação. ITU cursaria com sintomas urinários e não explica a dor uterina/lóquios fétidos. Mastite acomete a mama, não o útero. Tromboflebite pélvica séptica é diagnóstico de exclusão, considerado quando há febre persistente apesar de antibióticos adequados.
Uma puérpera de 24 anos, no 3º dia pós-parto vaginal, retorna à maternidade com febre de 38,8°C, dor em baixo ventre e loquiação com odor fétido. Ao exame, útero amolecido e doloroso à mobilização, sem sinais de peritonite generalizada. Está estável hemodinamicamente. Qual é o diagnóstico e a conduta inicial mais adequados?
Febre, dor uterina, útero subinvoluído e loquiação fétida no puerpério precoce definem endometrite puerperal, que exige internação e antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro, sendo clindamicina + gentamicina o esquema clássico. ITU baixa não cursa com útero doloroso e loquiação fétida. Mastite acomete a mama, não o útero. Tromboflebite pélvica séptica é diagnóstico de exclusão, considerado quando não há resposta à antibioticoterapia, e não se trata só com anticoagulação.
Puérpera de 27 anos, 5 dias após parto vaginal, retorna à UPA com febre de 38,8°C, dor em baixo ventre e loquiação com odor fétido. Útero doloroso à palpação e subinvoluído. Está estável. Qual o diagnóstico e a conduta mais apropriada?
Febre puerperal com útero doloroso, subinvoluído e lóquios fétidos caracteriza endometrite puerperal. O tratamento é antibioticoterapia de amplo espectro (clindamicina + gentamicina classicamente), com internação para casos moderados/graves. Infecção urinária não explica o útero doloroso e lóquios fétidos. Mastite acomete a mama, não o útero. TVP cursa com dor/edema em membro, não com quadro uterino e loquiação fétida.
Puérpera de 29 anos retorna à UBS no 10º dia pós-parto vaginal com febre de 38,7°C, dor em mama esquerda, com área endurecida, hiperemiada e quente no quadrante superior externo, sem flutuação. Amamenta e refere dor à pega. Qual é a conduta mais adequada?
O quadro é de mastite puerperal (febre, dor e área inflamatória sem flutuação). O tratamento correto associa manutenção da amamentação e esvaziamento mamário eficaz a antibioticoterapia sistêmica com cobertura para S. aureus. Suspender a amamentação e inibir a lactação (distrator) piora a estase e é contraindicado, pois o esvaziamento é parte do tratamento. Drenagem cirúrgica (distrator) só se indica quando há abscesso com flutuação/coleção. Apenas analgésico sem antibiótico (distrator) é insuficiente diante de mastite bacteriana com febre.
Puérpera de 27 anos, 8 dias pós-parto vaginal, retorna à UBS com febre de 38,7°C, dor em baixo ventre e lóquios com odor fétido. Ao exame, há dor à mobilização uterina e útero subinvoluído. Está estável hemodinamicamente. Qual o diagnóstico mais provável e a conduta inicial adequada?
Febre puerperal com dor pélvica, útero subinvoluído e doloroso e lóquios fétidos caracterizam endometrite puerperal. A conduta é internação e antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro (clássico esquema clindamicina + gentamicina). ITU cursaria com sintomas urinários e não explica os lóquios fétidos e a dor à mobilização uterina. Mastite envolve a mama. TVP cursaria com sinais em membro inferior, não com útero doloroso e lóquios fétidos.
Puérpera de 28 anos, 6 dias após parto vaginal, retorna à UPA com febre de 38,8 °C, dor em baixo ventre e lóquios com odor fétido. Ao exame: útero amolecido e doloroso à palpação, colo entreaberto. PA 110x70 mmHg, FC 98 bpm. Qual o diagnóstico mais provável e a conduta inicial?
Febre puerperal com útero doloroso/amolecido, lóquios fétidos e colo entreaberto configura endometrite puerperal. A conduta é internação e antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro (esquema clássico clindamicina + gentamicina). Infecção urinária não explica útero doloroso e lóquios fétidos. Mastite acomete a mama, não o útero. Tromboflebite pélvica séptica é diagnóstico de exclusão quando a febre persiste apesar de antibiótico adequado — não é a primeira hipótese nem a conduta inicial.
Puérpera de 24 anos, parto vaginal há 4 dias, retorna à UPA com febre de 38,7°C, dor em baixo ventre e loquiação de odor fétido. PA 110x70 mmHg, FC 98 bpm. Útero doloroso à palpação, subinvoluído. Não há sinais de choque. Qual é a conduta antibiótica inicial mais adequada para o diagnóstico mais provável?
O quadro é endometrite puerperal (febre, dor uterina, loquiação fétida, subinvolução após parto vaginal), infecção polimicrobiana envolvendo anaeróbios e gram-negativos. O tratamento padrão é antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro, classicamente clindamicina + gentamicina, com internação e reavaliação. Amoxicilina oral isolada é insuficiente para a flora polimicrobiana e não cobre adequadamente anaeróbios. Candidíase não causa febre e loquiação fétida. Herpes disseminado é improvável e não explica o útero doloroso subinvoluído.
Puérpera de 26 anos, no 4º dia após parto vaginal, retorna à UPA com febre de 38,7°C, dor em hipogástrio e loquiação com odor fétido. Ao exame, apresenta útero amolecido e doloroso à palpação, com subinvolução. Sinais vitais estáveis, sem sinais de choque. Qual a conduta terapêutica mais adequada neste nível de atenção?
O quadro é endometrite puerperal, cujo tratamento padrão é antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro (classicamente clindamicina + gentamicina) com internação. Antibiótico oral ambulatorial é insuficiente para endometrite puerperal estabelecida com febre. A curetagem não é primeira linha — reserva-se a restos ovulares após falha ou evidência de retenção. Apenas solicitar USG e aguardar atrasa o início do tratamento de uma infecção potencialmente grave.
Uma puérpera de 25 anos, no terceiro dia após parto vaginal, procura a maternidade com febre de 38,7 °C, dor em baixo ventre e loquiação de odor fétido. Refere que o parto teve bolsa rota por tempo prolongado. Ao exame: pressão arterial normal, taquicardia leve, útero amolecido e doloroso à palpação, com colo entreaberto e saída de secreção purulenta. Mamas sem sinais flogísticos. Qual é o diagnóstico e a conduta inicial?
Febre puerperal com útero amolecido, doloroso, loquiação fétida e secreção purulenta, em contexto de bolsa rota prolongada, caracteriza endometrite puerperal; a conduta é internação e antibioticoterapia de amplo espectro (esquema clássico clindamicina + gentamicina) — alternativa correta. O ingurgitamento mamário cursa com mamas dolorosas e ingurgitadas, aqui sem alterações. Infecção urinária não explica útero doloroso e loquiação fétida. Trombose venosa profunda cursa com dor e edema de membro, sem os achados uterinos e a secreção purulenta descritos.
Puérpera de 29 anos, no 4º dia após parto vaginal, procura a maternidade por febre de 38,8 °C, dor em baixo ventre e lóquios com odor fétido. Refere trabalho de parto prolongado e bolsa rota por mais de 18 horas. Ao exame: PA 110x70 mmHg, FC 100 bpm, útero subinvoluído e doloroso à palpação, com saída de secreção purulenta pelo canal vaginal. As mamas estão sem sinais flogísticos. Exame de urina sem alterações. O diagnóstico mais provável e a conduta inicial adequada são, respectivamente:
Febre, dor uterina, útero subinvoluído e lóquios fétidos/purulentos no puerpério, com fatores de risco (bolsa rota prolongada, parto prolongado), caracterizam endometrite puerperal. O tratamento é antibioticoterapia de amplo espectro, classicamente clindamicina associada à gentamicina. Mastite cursa com sinais flogísticos mamários, ausentes aqui. A urina normal afasta ITU. Retenção de restos sem infecção não explica febre e secreção purulenta; a prioridade é tratar a infecção.
Mulher de 27 anos, no 3º dia de puerpério de parto vaginal, procura o pronto-socorro com febre de 38,8°C, dor em baixo ventre e lóquios com odor fétido. Refere trabalho de parto prolongado e bolsa rota por 20 horas. Ao exame: taquicárdica (FC 104 bpm), abdome doloroso à palpação em hipogástrio, útero subinvoluído e amolecido, doloroso à mobilização. As mamas estão flácidas, sem sinais flogísticos. Loquiação purulenta e fétida à inspeção vulvar. Diante do quadro, o diagnóstico e a conduta inicial mais adequada são, respectivamente:
Febre puerperal com útero subinvoluído, doloroso e lóquios fétidos, em contexto de bolsa rota prolongada e trabalho de parto prolongado, define endometrite puerperal. A conduta é internação e antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro (clindamicina + gentamicina). A mastite cursa com mama flogística, ausente aqui (mamas flácidas). ITU alta teria sintomas urinários e sinais renais, não útero doloroso e lóquios fétidos. Tromboflebite pélvica séptica é diagnóstico de exclusão após falha antibiótica, não a hipótese inicial.
Mulher, 27 anos, no 5º dia de pós-parto de cesariana por falha de progressão (bolsa rota havia 18 horas antes do procedimento), procura o pronto-socorro com febre e dor abdominal baixa. Ao exame: T 38,9 °C, FC 108 bpm, PA 110/70 mmHg. Abdome doloroso à palpação de hipogástrio, útero amolecido e doloroso à mobilização, com lóquios purulentos e fétidos. Mamas flácidas, sem sinais flogísticos. Ferida operatória limpa e seca. Hemograma: leucócitos 16.500/mm³ (VR 4.000–11.000) com desvio à esquerda. Qual é a conduta antibiótica inicial mais adequada?
A vinheta descreve endometrite puerperal (febre, útero doloroso, lóquios fétidos após cesariana com fatores de risco: bolsa rota prolongada e parto cirúrgico). O tratamento padrão-ouro é internação com antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro contra a flora polimicrobiana genital, sendo o esquema clássico clindamicina + gentamicina (opção correta). Cefalexina oral ambulatorial é insuficiente para endometrite estabelecida com sepse incipiente e não cobre adequadamente anaeróbios. Azitromicina em dose única trata cervicite/uretrite por clamídia, não endometrite polimicrobiana. Penicilina cristalina isolada não cobre gram-negativos entéricos nem anaeróbios da flora vaginal. Nitrofurantoína é para infecção urinária baixa, sem penetração tecidual adequada para endometrite.
Mulher, 30 anos, no 20º dia de amamentação exclusiva do primeiro filho, queixa-se de dor intensa e vermelhidão na mama direita há 2 dias, acompanhadas de febre e mal-estar. Ao exame: T 38,5 °C, FC 96 bpm. Mama direita com área endurecida, quente, hiperemiada e dolorosa no quadrante superior externo, SEM flutuação ou coleção palpável. Qual é o diagnóstico mais provável?
O quadro é típico de mastite lactacional (opção correta): área localizada de dor, hiperemia, calor e endurecimento em mama lactante, com febre e sintomas sistêmicos, sem flutuação — geralmente por Staphylococcus aureus. Abscesso cursaria com flutuação/coleção palpável, ausente aqui. Ingurgitamento fisiológico é bilateral, difuso, sem hiperemia localizada nem febre alta, ocorrendo tipicamente na apojadura (2º–5º dia). Carcinoma inflamatório é raro, de evolução mais arrastada e não responde a antibiótico, não sendo a hipótese principal em lactante jovem com quadro agudo. Galactocele é cisto lácteo indolor, sem sinais flogísticos agudos nem febre.
Mulher, 32 anos, no 15º dia pós-parto, em amamentação, apresenta há 5 dias dor e vermelhidão na mama esquerda tratadas com cefalexina oral, sem melhora. Retorna com piora da dor e febre persistente (T 38,7 °C). Ao exame: mama esquerda com área hiperemiada, muito dolorosa, apresentando região central de FLUTUAÇÃO à palpação. Ultrassonografia mamária evidencia coleção líquida septada de 4 cm compatível com abscesso. Qual é a conduta mais adequada neste momento?
Trata-se de abscesso mamário — complicação da mastite que não respondeu ao antibiótico, agora com flutuação clínica e coleção confirmada ao ultrassom. A conduta é drenagem (aspiração por agulha guiada por US para coleções menores ou incisão e drenagem para maiores), mantendo a antibioticoterapia (opção correta). Manter apenas antibiótico oral já falhou e não resolve coleção formada — pus organizado exige drenagem. A amamentação pode e deve ser mantida, inclusive na mama afetada (ou pelo menos o esvaziamento), não havendo indicação de suspensão definitiva bilateral. Mastectomia é conduta desproporcional e não indicada para abscesso puerperal. Inibir a lactação com cabergolina e apenas observar não trata a coleção e favorece estase/piora infecciosa.
Mulher, 30 anos, na 3ª semana de pós-parto, em aleitamento materno exclusivo. Há cerca de 2 dias evolui com dor, calor e vermelhidão no quadrante superior externo da mama esquerda, acompanhados de febre de 38,7°C, calafrios, mialgia e mal-estar importante. Ao exame: mama esquerda com área endurecida, eritematosa e muito dolorosa à palpação, SEM ponto de flutuação e sem coleção palpável; ausência de linfonodomegalia axilar dolorosa. Refere que vinha mamando bem, mas passou a evitar a mama afetada pela dor. Qual é a conduta mais adequada?
O quadro é de mastite puerperal (agente mais comum S. aureus), com sintomas sistêmicos intensos e mais de 24 horas de evolução. O tratamento associa esvaziamento eficaz e frequente da mama (a estase é o fator perpetuante) MANTENDO a amamentação, antibiótico antiestafilocócico (cefalexina/dicloxacilina, compatíveis com a lactação) e analgesia/anti-inflamatório. Suspender e desprezar o leite piora a estase e o ingurgitamento, favorecendo abscesso — a mama deve ser esvaziada, não poupada. Não há flutuação nem coleção; USG e drenagem só se houver suspeita de abscesso, que não é o caso. Com sintomas sistêmicos e >24h de evolução o antibiótico é indicado de imediato; adiá-lo aumenta o risco de abscesso. O leite da mama com mastite é seguro; interromper o AME é desnecessário e prejudica mãe e lactente.
Mulher, 28 anos, no 5º dia de pós-operatório de cesariana realizada por parada de progressão após bolsa rota prolongada. Procura a maternidade com febre. Ao exame: temperatura axilar 38,9 °C, FC 112 bpm, PA 110/70 mmHg, FR 18 ipm. Abdome com útero doloroso à palpação e mal involuído; lóquios em grande quantidade, purulentos e fétidos. Mamas sem sinais flogísticos, punho-percussão lombar negativa, panturrilhas livres e indolores. Sumário de urina sem alterações. Qual é a conduta terapêutica mais adequada?
A vinheta (febre no puerpério, útero doloroso e subinvoluído, lóquios purulentos e fétidos, com foco urinário e de mama afastados) configura endometrite puerperal, mais frequente após cesárea com bolsa rota prolongada. Trata-se de infecção polimicrobiana, e o esquema padrão-ouro é clindamicina + gentamicina EV, mantido até a paciente ficar afebril por 24-48 h. Cefazolina em dose única é profilaxia cirúrgica, não trata infecção estabelecida. O tratamento é hospitalar e endovenoso em quadro febril com repercussão sistêmica; monoterapia oral ambulatorial e azitromicina isolada não cobrem adequadamente a flora polimicrobiana. Nitrofurantoína trata ITU, foco explicitamente afastado (urina normal, Giordano negativo).
Mulher, 25 anos, primípara, em aleitamento materno exclusivo há 3 semanas. Há 2 dias apresenta dor progressiva na mama esquerda, associada a febre de 38,6 °C, calafrios e mialgia. Ao exame: área de eritema, calor e endurecimento doloroso no quadrante superior externo da mama esquerda, sem ponto de flutuação e sem drenagem de secreção purulenta. A mama contralateral é normal. Qual é o diagnóstico mais provável?
Puérpera lactante com dor, eritema, calor e endurecimento localizados em um quadrante de UMA mama, acompanhados de febre e sintomas gripais (mialgia/calafrios), é o quadro típico de mastite lactacional, geralmente por Staphylococcus aureus a partir de fissuras mamilares. Abscesso exigiria massa flutuante/coleção, ausente aqui. Ingurgitamento é bilateral, difuso, sem eritema localizado nem febre alta, e ocorre nos primeiros dias. Galactocele é cisto de retenção láctea, indolor e sem sinais inflamatórios sistêmicos. Carcinoma inflamatório é raro na lactação, tem evolução mais arrastada, pele em casca de laranja e não responde ao contexto agudo infeccioso descrito.
Mulher, 30 anos, amamentando há 5 semanas, foi diagnosticada com mastite lactacional e iniciou cefalexina por via oral, além de manter o esvaziamento da mama. Após 4 dias de tratamento, mantém febre de 38,7 °C e piora da dor. Ao exame, no quadrante superior externo da mama direita há área de eritema com massa endurecida, agora com ponto de flutuação à palpação e extremamente dolorosa. Qual é a conduta mais adequada neste momento?
Mastite que não melhora após 48-72 h de antibiótico adequado e evolui com massa flutuante indica formação de abscesso mamário. A conduta é confirmar/localizar a coleção com ultrassonografia e drená-la (aspiração guiada por US ou incisão e drenagem), mantendo a amamentação ou o esvaziamento da mama, pois a interrupção piora a estase e a infecção. Suspensão da lactação e supressão com cabergolina não são indicadas; a amamentação deve ser mantida. Só trocar o antibiótico oral ignora a coleção já formada, que precisa de drenagem. Mamografia não é o exame de escolha na mama lactante inflamada e aguda; a US é superior. Core biopsy investiga suspeita de malignidade, não é a conduta para uma coleção purulenta aguda que requer drenagem.
Mulher, 28 anos, no 4º dia de pós-operatório de cesariana indicada por parada de progressão (bolsa rota há 18 horas antes do parto). Refere calafrios e mal-estar. Ao exame: T 38,9 °C, FC 104 bpm, PA 118/74 mmHg, FR 18 ipm, SatO2 98%. Abdome com útero amolecido e intensamente doloroso à palpação; lóquios abundantes, purulentos e fétidos. Ferida operatória limpa e seca. Hb 11,2 g/dL (VR 12–16); leucócitos 18.400/mm³ (VR 4.000–11.000) com desvio à esquerda. Encontra-se hemodinamicamente estável. Qual é a conduta antibiótica de escolha?
O quadro (febre, útero doloroso, lóquios fétidos/purulentos e leucocitose após cesárea com bolsa rota prolongada) é endometrite puerperal, infecção polimicrobiana. O esquema padrão-ouro é clindamicina + gentamicina EV, que cobre anaeróbios e gram-negativos, com resposta esperada em 48–72 h. Cefalexina VO é regime de mastite leve/infecção de partes moles, insuficiente para endometrite que exige terapia parenteral. Amoxicilina-clavulanato VO não é o padrão e a via oral é inadequada para endometrite estabelecida. Metronidazol isolado cobre apenas anaeróbios, deixando descoberto o componente gram-negativo. Penicilina cristalina isolada não cobre anaeróbios nem gram-negativos entéricos típicos da endometrite.
Mulher, 25 anos, no 3º puerpério, amamentando exclusivamente há 3 semanas, procura atendimento por dor, calor e vermelhidão em quadrante superior externo da mama esquerda há 4 dias. Iniciou cefalexina por via oral há 48 horas, sem melhora. Ao exame: T 38,5 °C, FC 96 bpm, mama esquerda com área eritematosa, quente e agora com região central flutuante à palpação; mamilo íntegro. Mama contralateral normal. Qual é a conduta mais adequada neste momento?
A ausência de resposta ao antibiótico após 48 h somada à área flutuante indica evolução da mastite lactacional para abscesso mamário. A conduta é confirmar por ultrassonografia e drenar (aspiração guiada por US ou incisão/drenagem), mantendo o esvaziamento/amamentação e o antibiótico antiestafilocócico. Não se suspende a lactação nem se usa inibidor da prolactina; a manutenção do esvaziamento faz parte do tratamento. Manter o mesmo esquema diante de falha e coleção formada retarda a drenagem necessária. Mamografia não tem papel na abordagem aguda do abscesso puerperal; o método é a ultrassonografia. Trocar antibiótico sem drenar a coleção mantém o foco não resolvido; compressas mornas (não frias) auxiliam a drenagem do leite, mas não substituem a intervenção.
Mulher, 30 anos, primípara, em aleitamento materno exclusivo há 4 semanas, procura pronto-atendimento com dor intensa e vermelhidão na mama esquerda há 4 dias, associadas a febre (38,8 °C), calafrios e mal-estar. Refere fissura mamilar prévia por pega inadequada. Ao exame: mama esquerda com área eritematosa, quente e endurecida no quadrante superior externo, com ponto de flutuação à palpação. A ultrassonografia mamária evidencia coleção líquida organizada de 3 cm, compatível com abscesso. Qual a conduta mais adequada?
Correta: Diante de flutuação clínica e coleção organizada confirmada por ultrassom, o diagnóstico é abscesso mamário, cuja resolução exige drenagem (punção guiada por imagem ou incisão) associada a antibiótico com cobertura para Staphylococcus aureus (ex.: cefalexina/dicloxacilina). A amamentação deve ser mantida/estimulada, pois o esvaziamento eficaz é parte do tratamento e não há contraindicação (se a dor impedir a sucção direta, ordenhar). Supressão da lactação com cabergolina não é indicada e interrompe desnecessariamente o aleitamento. Antibiótico isolado não resolve coleção já formada — retardar a drenagem agrava o quadro. Amoxicilina isolada não cobre adequadamente S. aureus e a conduta expectante ignora o abscesso. Suspender a amamentação bilateralmente é desnecessário e prejudica a manutenção da lactação.
Mulher, 28 anos, no 4º dia de pós-operatório de cesariana por parada de progressão, procura o pronto-socorro com febre e dor no baixo ventre. Refere calafrios desde a véspera. Ao exame: regular estado geral, T 38,9 °C, FC 112 bpm, PA 110/70 mmHg, FR 18 ipm. Abdome com dor à palpação em hipogástrio; útero amolecido e doloroso à mobilização, com loquiação de odor fétido. Mamas sem sinais flogísticos, ferida operatória limpa e seca, panturrilhas livres. Hemograma: leucócitos 16.500/mm³ (VR 4.000–11.000) com desvio à esquerda. Sumário de urina sem alterações. Qual a conduta mais adequada?
O quadro (febre, dor uterina à mobilização, loquiação fétida e leucocitose no pós-cesárea) define endometrite puerperal, infecção tipicamente polimicrobiana (aeróbios e anaeróbios da flora genital). O tratamento padrão-ouro é internação com antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro, sendo o esquema clássico e mais defensível a clindamicina + gentamicina EV, mantido até 24–48 h afebril (opção correta). Cefalexina VO é conduta de mastite/infecção de partes moles leve, insuficiente e por via inadequada para endometrite, que exige EV e cobertura de anaeróbios. Azitromicina em dose única trata cervicite por clamídia/gonococo, não a infecção polimicrobiana puerperal. Ampicilina isolada não cobre anaeróbios nem gram-negativos entéricos de forma adequada — é passo insuficiente (monoterapia). Curetagem não é conduta inicial; só se indica esvaziamento na suspeita de restos ovulares que não respondem ao antibiótico, e curetagem precoce em útero infectado aumenta risco de perfuração e disseminação.
Uma mulher de 27 anos, puérpera de parto vaginal há 8 dias, comparece à Unidade Básica de Saúde queixando-se de dor intensa e vermelhidão na mama direita, além de febre de 38,7 °C, mal-estar e mialgia iniciados há cerca de 24 horas. Está em aleitamento materno exclusivo. Ao exame, apresenta-se em regular estado geral; a mama direita mostra área endurecida, eritematosa, quente e dolorosa no quadrante superior externo, sem flutuação ou ponto de drenagem. Não há sinais de coleção à palpação. Com base no quadro descrito, qual é, respectivamente, o diagnóstico mais provável e a conduta adequada?
O quadro de dor, eritema, calor local e febre com sintomas sistêmicos após alguns dias de amamentação caracteriza mastite lactacional. A conduta preconizada pelo Ministério da Saúde inclui manter o esvaziamento eficaz da mama (a amamentação NÃO deve ser suspensa, pois o esvaziamento é parte do tratamento), analgesia/anti-inflamatório e antibiótico com cobertura para S. aureus, como cefalexina. Não há flutuação nem coleção, afastando abscesso; ademais, na mastite não se suspende a amamentação. O ingurgitamento não cursa com eritema localizado, febre alta e toxemia. Suspender a amamentação é contraindicado e o metronidazol não cobre o agente habitual (S. aureus).
Uma mulher de 30 anos, na 3ª semana pós-parto, comparece à UBS com dor intensa e localizada na mama direita há 2 dias. Refere febre de 38,8°C, calafrios e mal-estar. Ao exame, observa-se área endurecida, hiperemiada, quente e dolorosa no quadrante superior externo da mama direita, sem flutuação. A amamentação vinha ocorrendo sem outras queixas. Sinais vitais: FC 96 bpm, PA 120x74 mmHg. Considerando o diagnóstico mais provável, quais são, respectivamente, o diagnóstico e a conduta corretas?
Febre alta, calafrios, mal-estar e área endurecida/hiperemiada/quente e dolorosa em região localizada, na 3ª semana pós-parto, caracterizam MASTITE puerperal. A conduta é MANTER a amamentação/esvaziamento eficaz da mama (esvaziar é parte do tratamento), analgésico/anti-inflamatório e antibiótico com cobertura para S. aureus (ex.: cefalexina). Erra: ingurgitamento é bilateral, difuso e sem febre alta/toxemia. Rotular como abscesso exigiria flutuação/coleção (ausente aqui) e drenagem — e mesmo no abscesso não se suspende a amamentação de rotina. Erra ao suspender a amamentação, o que piora a estase e o quadro.
Uma mulher de 27 anos comparece à Unidade Básica de Saúde no 4º dia de pós-parto de um parto vaginal a termo, com bolsa rota há 20 horas antes do nascimento. Queixa-se de febre alta, calafrios e dor em baixo-ventre. Ao exame: temperatura axilar de 39,0 °C, frequência cardíaca de 108 bpm, útero amolecido e doloroso à palpação, com lóquios abundantes e fétidos. Mamas sem sinais flogísticos, com boa apojadura. Abdome sem sinais de irritação peritoneal e sem outros focos infecciosos aparentes. Considerando o quadro clínico e o principal diagnóstico, qual é a conduta mais adequada?
O quadro é clássico de endometrite puerperal (febre, útero amolecido e doloroso, lóquios fétidos), favorecido pela bolsa rota prolongada. Por ser infecção potencialmente grave e polimicrobiana, o tratamento padrão é internação com antibioticoterapia IV de amplo espectro (clindamicina + gentamicina) até a paciente ficar afebril por 24-48h. Antibiótico oral ambulatorial é insuficiente para endometrite estabelecida com sinais sistêmicos. Não tratar a infecção e suspender a amamentação está errado — a amamentação pode ser mantida. A endometrite é diagnóstico clínico; o tratamento não deve aguardar imagem.
Uma puérpera de 24 anos, no 15º dia de amamentação exclusiva do primeiro filho, procura a Unidade de Saúde da Família com dor, calor e vermelhidão localizados no quadrante superior externo da mama esquerda há dois dias, acompanhados de febre de 38,5 °C, mialgia e mal-estar. Ao exame, há área endurecida, hiperemiada e dolorosa, SEM flutuação, ponto amolecido ou drenagem de secreção purulenta. Relata que o bebê tem apresentado dificuldade para pegar essa mama. Qual é a conduta mais apropriada para o caso?
É mastite lactacional (dor, hiperemia, calor localizados + sintomas sistêmicos, sem sinais de abscesso). O pilar do tratamento é o esvaziamento eficaz e frequente da mama (manter a amamentação/ordenha) associado a antibiótico antiestafilocócico como a cefalexina, além de analgesia. Suspender a amamentação e inibir a lactação piora a estase e é contraindicado — a amamentação deve ser mantida. Não há abscesso (sem flutuação), portanto não há indicação de drenagem. Retardar o antibiótico diante de mastite já com febre e sinais flogísticos favorece progressão para abscesso.
Uma mulher de 27 anos comparece à unidade de saúde da família no quarto dia após parto vaginal a termo, ocorrido em maternidade do SUS, com episiotomia médio-lateral e bolsa rota há 20 horas antes do nascimento. Refere febre não aferida, calafrios e dor no baixo ventre iniciados há cerca de 24 horas, além de "corrimento com cheiro forte". Nega tosse, disúria ou dor em membros inferiores. Ao exame: regular estado geral, corada, temperatura axilar de 38,7 °C, pressão arterial de 110 x 70 mmHg, frequência cardíaca de 104 bpm. Mamas com leve ingurgitamento simétrico, sem hiperemia ou nódulos. Abdome doloroso à palpação de hipogástrio, com útero amolecido, pouco involuído, cerca de 2 cm acima da cicatriz umbilical e muito doloroso à mobilização. Loquiação abundante, achocolatada e com odor fétido. Episiotomia com bordas coaptadas, sem secreção. Panturrilhas livres.
A tríade febre ≥ 38 °C após as primeiras 24 horas do parto, útero subinvoluído e doloroso à mobilização e loquiação fétida caracteriza endometrite puerperal, favorecida pela rotura prematura de membranas prolongada. O tratamento preconizado no Brasil é antibioticoterapia parenteral de amplo espectro cobrindo a flora polimicrobiana genital — clindamicina + gentamicina é o esquema clássico — com internação hospitalar. Ingurgitamento mamário está afastado: as mamas estão sem sinais flogísticos e o quadro é claramente uterino, além de febre alta persistente com loquiação fétida não ser explicada por apojadura. Infecção de episiotomia é improvável, pois a ferida está coaptada e sem secreção, e não explicaria a subinvolução uterina dolorosa. Pielonefrite cursaria com dor lombar/Giordano positivo e sintomas urinários, ausentes aqui, e a loquiação fétida com útero doloroso aponta o foco endometrial.
Uma primípara de 24 anos procura a UBS no 21º dia pós-parto queixando-se de dor intensa e vermelhidão na mama direita há 3 dias, com febre de 38,5 °C, mialgia e prostração. Vinha amamentando exclusivamente, mas relata fissura no mamilo direito desde a segunda semana e diz ter interrompido as mamadas nessa mama há 2 dias "para o peito descansar". Ao exame: bom estado geral, temperatura axilar de 38,4 °C, frequência cardíaca de 96 bpm. Mama direita com área de hiperemia, calor e endurecimento doloroso no quadrante superior externo, sem flutuação e sem ponto de amolecimento; fissura mamilar em cicatrização. Mama esquerda sem alterações. Útero involuído, indolor, loquiação serosa e inodora. A paciente pergunta se deve desmamar.
O quadro é de mastite lactacional infecciosa: fissura mamilar como porta de entrada, estase pela interrupção das mamadas, área de hiperemia/endurecimento focal e sintomas sistêmicos após a primeira semana. A conduta preconizada pelo Ministério da Saúde é manter a amamentação com esvaziamento frequente e eficaz da mama acometida (o leite não faz mal ao lactente), corrigir a pega, associar analgesia e antibiótico com cobertura para S. aureus — cefalexina é a primeira escolha por 10 a 14 dias. Suspender as mamadas e inibir a lactação piora a estase e favorece a evolução para abscesso, além de amoxicilina isolada não cobrir adequadamente estafilococo produtor de penicilinase. Não há indicação de drenagem: não existe flutuação nem ponto de amolecimento que caracterize abscesso. Somente medidas de suporte são insuficientes, pois há febre alta e sinais flogísticos francos, incompatíveis com ingurgitamento simples, que é bilateral, difuso e sem hiperemia localizada.
Uma mulher de 30 anos, no quinto dia após cesariana realizada por sofrimento fetal agudo em maternidade do SUS, é atendida no pronto-socorro com febre e dor abdominal baixa iniciadas no dia anterior. Ao exame físico: temperatura axilar de 38,6 °C, pressão arterial de 116 x 74 mmHg, frequência cardíaca de 100 bpm, frequência respiratória de 18 irpm. Mamas sem sinais flogísticos. Ferida operatória limpa, seca, sem secreção ou hiperemia. Abdome doloroso à palpação de hipogástrio, útero pouco involuído e muito doloroso à mobilização, loquiação abundante e de odor fétido. Ausculta pulmonar sem alterações; punho-percussão lombar negativa bilateralmente; panturrilhas livres e indolores.
O diagnóstico é endometrite puerperal, a causa mais frequente de infecção puerperal e ainda mais provável após cesariana, que é o principal fator de risco. O conjunto febre acima de 38 °C após as primeiras 24 horas do parto, útero subinvoluído e doloroso à mobilização e loquiação fétida define o quadro. Tromboflebite pélvica séptica é diagnóstico de exclusão, tipicamente suspeitado quando a febre persiste apesar de antibioticoterapia adequada, o que não é o caso nesta apresentação inicial. Infecção do sítio cirúrgico está afastada porque a ferida operatória está limpa, seca e sem hiperemia ou secreção. Mastite lactacional está descartada pela ausência de sinais flogísticos nas mamas e pela localização uterina dos achados.
Uma mulher de 31 anos, com 22 dias de puerpério de parto vaginal, procura a unidade de pronto atendimento com febre de 39 °C, calafrios e mialgia iniciados há 36 horas, além de dor intensa na mama esquerda. Relata fissura mamilar à esquerda desde a primeira semana e que, por causa da dor, vem oferecendo apenas a mama direita há três dias. Ao exame: regular estado geral, corada, hidratada, frequência cardíaca de 104 bpm, mama esquerda com área de eritema, calor, edema e endurecimento doloroso no quadrante superior externo, sem flutuação à palpação e sem ponto de amolecimento; mama direita sem alterações; lóquios fisiológicos e útero involuído e indolor. Qual é a conduta adequada para o caso?
O quadro é de mastite puerperal infecciosa: febre alta com repercussão sistêmica, área unilateral de eritema, calor e endurecimento doloroso, tendo como fatores desencadeantes a fissura mamilar (porta de entrada para o Staphylococcus aureus) e a estase láctea gerada pela suspensão das mamadas naquela mama. A base do tratamento é o ESVAZIAMENTO da mama — por isso o aleitamento deve ser MANTIDO na mama acometida (o leite não oferece risco ao lactente) — somado à correção da pega, antibioticoterapia com cobertura antiestafilocócica (cefalexina é a primeira escolha do Ministério da Saúde, compatível com a amamentação) por 10 a 14 dias, analgesia/anti-inflamatório e reavaliação em 48–72 horas. A primeira alternativa é justamente o oposto da conduta: suspender as mamadas e enfaixar mantém a estase e favorece a evolução para abscesso. A segunda erra no espectro do antibiótico — a amoxicilina isolada não cobre adequadamente o S. aureus produtor de betalactamase, agente mais frequente. A terceira erra porque não há flutuação nem sinais de coleção que caracterizem abscesso; se a febre persistir após 48–72 horas de antibiótico adequado, aí sim está indicada ultrassonografia para investigar abscesso, cuja drenagem também não exige interromper o aleitamento bilateral.
Uma mulher de 28 anos, no 21º dia pós-parto, procura a Unidade de Pronto Atendimento com dor na mama esquerda há dois dias, febre de 38,9 ºC, calafrios e mal-estar semelhante a quadro gripal. Relata que o filho vem mamando menos do lado esquerdo por causa da dor e que teve fissura mamilar nas primeiras semanas. Ao exame: regular estado geral, corada, hidratada; mama esquerda com área endurecida, quente, hiperemiada e dolorosa em quadrante superolateral, sem flutuação, sem ponto de drenagem espontânea e sem linfonodomegalia axilar supurada. A mama direita está normal. O lactente encontra-se hígido, com bom ganho ponderal. Qual é, respectivamente, o diagnóstico e a conduta adequada?
O quadro (febre alta, sintomas sistêmicos, área endurecida, quente e hiperemiada em um quadrante, com fissura prévia como porta de entrada e estase por mamadas reduzidas) define mastite puerperal infecciosa. Conforme o Ministério da Saúde e a diretriz de aleitamento materno, o tratamento associa antibiótico com cobertura para Staphylococcus aureus (cefalexina ou outro antiestafilocócico), analgésico/anti-inflamatório, repouso, hidratação e — pilar terapêutico — ESVAZIAMENTO EFETIVO E FREQUENTE da mama, mantendo a amamentação do lado afetado (o leite não oferece risco ao lactente hígido). Suspender as mamadas do lado acometido perpetua a estase e favorece a evolução para abscesso, sendo erro clássico. Abscesso exigiria flutuação/coleção (idealmente confirmada por ultrassonografia) e, mesmo quando presente, não impõe desmame bilateral. Ingurgitamento cursa com acometimento difuso e bilateral, febre baixa e autolimitada, sem área flogística localizada nem toxemia, e não justifica o quadro descrito.
Uma mulher de 27 anos, primigesta, procura a UPA no 4º dia após cesariana de urgência indicada por parada de progressão, realizada em maternidade do SUS, com bolsa rota havia 18 horas e múltiplos toques vaginais. Refere febre alta, calafrios e dor abdominal baixa progressiva desde a véspera, além de lóquios em maior quantidade, com odor fétido. Nega tosse, disúria ou dor em membros inferiores. Ao exame: regular estado geral, corada, temperatura axilar 39,1 °C, frequência cardíaca 112 bpm, pressão arterial 108 x 66 mmHg. Mamas sem sinais flogísticos, com boa pega e sem ingurgitamento. Ferida operatória limpa, sem secreção ou hiperemia. Abdome doloroso à palpação do hipogástrio, útero amolecido, subinvoluído e muito doloroso à mobilização; lóquios purulentos e fétidos ao exame especular. Hemograma com 18.400 leucócitos/mm³ e desvio à esquerda.
Correta: a tríade febre pós-parto, útero subinvoluído e doloroso à mobilização e lóquios purulentos/fétidos, em cesariana de urgência com bolsa rota prolongada e múltiplos toques (principais fatores de risco), define endometrite puerperal. Por ser infecção polimicrobiana, o esquema padrão recomendado é clindamicina + gentamicina endovenosas, mantidas até 24–48 horas afebril e com melhora clínica, sem necessidade de antibiótico oral subsequente na maioria dos casos. Incorretas: infecção de sítio cirúrgico exigiria hiperemia/secreção na incisão, que está limpa; mastite é afastada pelo exame normal das mamas — e, mesmo se houvesse, a amamentação deve ser mantida; restos placentários cursam com sangramento vivo e não explicam lóquios purulentos e febre alta com leucocitose, e a curetagem não substitui o antibiótico.
Uma mulher de 24 anos, no 18º dia pós-parto vaginal, comparece à unidade básica de saúde queixando-se de dor intensa na mama esquerda há dois dias, acompanhada de febre de 38,7 °C, calafrios e mal-estar semelhante a um quadro gripal. Relata que amamenta exclusivamente em livre demanda, mas vem apresentando fissura no mamilo esquerdo e evitando oferecer essa mama por causa da dor. Ao exame: bom estado geral, hidratada, temperatura axilar 38,5 °C. Mama esquerda com área de hiperemia, calor, endurecimento e dor no quadrante superior lateral, sem flutuação, sem ponto de amolecimento e sem drenagem de secreção purulenta. Mama direita normal. Útero involuído, indolor, lóquios serosos e sem odor.
Correta: quadro clássico de mastite lactacional — sinais flogísticos localizados em uma mama, febre e sintomas sistêmicos, com fissura mamilar e esvaziamento inadequado como fatores desencadeantes. A conduta preconizada pelo Ministério da Saúde é MANTER a amamentação na mama afetada (o leite não oferece risco ao lactente e o esvaziamento é parte do tratamento), garantir drenagem eficaz, analgesia, correção da pega e antibiótico oral antiestafilocócico, como cefalexina, por 10 a 14 dias. Incorretas: abscesso exigiria flutuação ou coleção, ausentes ao exame; ingurgitamento é bilateral, precoce e sem sinais flogísticos localizados nem febre alta com toxemia; endometrite cursaria com útero doloroso e lóquios fétidos, e o exame ginecológico está normal.
Puérpera de 29 anos, 25 dias pós-parto, procura a UPA com dor e calor em quadrante superior externo da mama esquerda há 3 dias, febre de 39 °C, mialgia e prostração. Há 48 horas iniciou compressas e esvaziamento frequente da mama orientados na UBS, sem melhora. Ao exame: área endurecida, hiperemiada e muito dolorosa, sem flutuação, fissura mamilar em cicatrização; ultrassonografia sem coleção. A mãe pergunta se deve "secar o leite". Qual a conduta mais adequada?
Trata-se de mastite infecciosa: sintomas sistêmicos importantes, fissura como porta de entrada e ausência de melhora após 24–48 horas de esvaziamento eficaz — indicação clássica de antibiótico. O agente mais comum é o Staphylococcus aureus, cobrindo-se com cefalexina (ou amoxicilina-clavulanato) por 10 a 14 dias, via oral, já que a paciente está em bom estado geral e sem sinais de sepse. O ponto-chave é MANTER a amamentação e o esvaziamento na mama acometida: a estase piora a mastite e favorece abscesso; o leite não oferece risco ao lactente a termo. Suspender as mamadas na mama afetada é justamente o erro que perpetua o quadro. Punção/antibiótico endovenoso são para abscesso (flutuação ou coleção ao ultrassom), ausentes aqui. Manter só medidas de suporte por mais 48 horas retarda o tratamento, e a inibição da lactação com cabergolina não tem indicação — a mastite não é contraindicação à amamentação.
Uma mulher de 27 anos, no 5º dia de pós-operatório de cesariana realizada por sofrimento fetal agudo após 14 horas de trabalho de parto e bolsa rota, procura a UPA com febre e dor abdominal baixa. Refere lóquios abundantes e com odor fétido. Ao exame: temperatura axilar de 38,9 °C, frequência cardíaca de 112 bpm, pressão arterial de 110 x 70 mmHg. Abdome doloroso à palpação do hipogástrio, sem sinais de irritação peritoneal; ferida operatória limpa, sem secreção ou hiperemia. Ao toque vaginal, há dor intensa à mobilização uterina e colo pérvio, com saída de secreção purulenta. As mamas estão sem alterações e a diurese é clara.
O quadro é típico de endometrite puerperal (febre, lóquios fétidos, dor à mobilização uterina) em paciente com os principais fatores de risco: cesariana após trabalho de parto prolongado e bolsa rota. Trata-se de infecção polimicrobiana que exige internação e antibioticoterapia endovenosa, sendo clindamicina + gentamicina o esquema padrão-ouro recomendado pelas diretrizes brasileiras e pelo Ministério da Saúde. Cefalexina oral não cobre adequadamente anaeróbios nem trata endometrite estabelecida com repercussão sistêmica, e o manejo ambulatorial é inadequado nesse cenário. Nitrofurantoína trataria infecção urinária baixa, hipótese afastada pela ausência de sintomas urinários e pelos achados genitais purulentos. A histerectomia é reservada a falha do tratamento clínico com complicações (miometrite necrosante, abscesso, sepse refratária), não sendo conduta inicial.
Uma mulher de 24 anos, no 18º dia pós-parto vaginal, comparece à Unidade Básica de Saúde queixando-se de dor e vermelhidão na mama direita há 2 dias, acompanhadas de febre e mal-estar. Ao exame: temperatura axilar de 38,5 °C; mama direita com área de hiperemia, calor e endurecimento no quadrante superior externo, dolorosa à palpação, sem flutuação ou drenagem de secreção. Há fissura no mamilo direito. A mama esquerda está normal e o recém-nascido encontra-se em aleitamento materno exclusivo, com ganho ponderal adequado.
O quadro é de mastite lactacional, cujo agente mais frequente é o Staphylococcus aureus, tendo a fissura mamilar por pega inadequada como principal porta de entrada. A conduta preconizada pelo Ministério da Saúde é manter o esvaziamento eficaz da mama (mantendo a amamentação, inclusive do lado acometido), corrigir a técnica de pega e associar antibiótico com cobertura para estafilococo, como cefalexina. Suspender a amamentação e enfaixar a mama pioram a estase láctea e favorecem a progressão para abscesso, além de comprometerem o aleitamento. Inibir a lactação não tem indicação, pois a mastite não é contraindicação ao aleitamento. A drenagem cirúrgica só se justifica na presença de abscesso (flutuação/coleção confirmada), ausente neste caso.
Uma mulher de 30 anos, no 25º dia pós-parto, retorna à Unidade Básica de Saúde por manutenção dos sintomas de mastite na mama esquerda, apesar do uso correto de cefalexina há 4 dias e da manutenção do aleitamento. Refere piora da dor e febre persistente. Ao exame: temperatura axilar de 38,8 °C; mama esquerda com área endurecida de cerca de 5 cm no quadrante inferior externo, muito dolorosa, com hiperemia intensa e ponto de flutuação à palpação.
A falha terapêutica após 48–72 horas de antibiótico adequado, associada a flutuação à palpação, indica abscesso mamário. A conduta correta é confirmar/localizar a coleção pela ultrassonografia mamária (exame de escolha na lactante) e proceder à drenagem — por punção aspirativa guiada ou incisão —, mantendo o antibiótico e o esvaziamento/aleitamento, que permanece recomendado inclusive na mama acometida (salvo se a incisão/drenagem inviabilizar a pega, quando se ordenha o leite). Apenas trocar o antibiótico não resolve coleção formada e retarda o tratamento definitivo. A mamografia tem baixo rendimento na mama lactante e não é o exame inicial; o carcinoma inflamatório é hipótese a considerar apenas em casos refratários após drenagem, com biópsia. Inibir a lactação piora a estase, não trata o abscesso e compromete desnecessariamente o aleitamento.
Mulher de 27 anos, no 5º dia de pós-parto vaginal não complicado, retorna à Unidade Básica de Saúde referindo saída de secreção vaginal acastanhada e serosa, em pequena quantidade e sem odor fétido. Nega febre, dor ou sangramento vermelho-vivo. Ao exame: afebril, mamas sem sinais flogísticos, útero involuindo, indolor, palpável a dois dedos abaixo da cicatriz umbilical; loquiação serosa. Qual a conduta mais adequada?
A loquiação evolui de rubra (dias 1-4), para serosa (dias ~4-10) e alba (após ~10 dias). No 5º dia, loquios serosos acastanhados, sem odor, com útero involuindo e paciente afebril, caracterizam puerpério fisiológico: a conduta é tranquilizar e orientar sinais de alerta. Endometrite exige loquios fétidos, febre e útero amolecido/doloroso, ausentes aqui. Não há sinais de subinvolução ou sangramento anormal que justifiquem imagem. Curetagem é conduta invasiva sem qualquer indicação neste quadro normal.
Puérpera de 24 anos, 12 horas após parto vaginal, encontra-se internada no alojamento conjunto. Está assintomática, refere apenas cansaço. Aferição isolada mostra temperatura axilar de 38°C; frequência cardíaca 88 bpm, PA 118x74 mmHg. Ao exame: útero contraído abaixo da cicatriz umbilical, loquios rubros sem odor, mamas em início de apojadura sem sinais flogísticos, ferida perineal íntegra. Qual a conduta inicial?
Morbidade febril puerperal define-se por temperatura ≥38°C em pelo menos duas aferições, excluídas as primeiras 24 horas pós-parto. A elevação térmica isolada nas primeiras 24h costuma ser fisiológica (desidratação, esforço do trabalho de parto, apojadura incipiente): a conduta é hidratar, observar e reavaliar. Iniciar antibiótico sem foco infeccioso e dentro das 24h iniciais é precipitado, ainda mais com útero contraído e loquios sem odor. Investigação de restos ovulares não se justifica sem sangramento anormal ou subinvolução.
Mulher de 32 anos, terceira gestação, no 3º dia de pós-parto vaginal, amamentando em livre demanda, queixa-se de cólicas em baixo ventre que pioram nitidamente durante as mamadas. Ao exame: afebril, útero contraído e indolor à palpação leve, palpável entre a cicatriz umbilical e a sínfise púbica; loquiação rubra em pequena quantidade e sem odor; mamas em apojadura. Qual a conduta?
As cólicas puerperais (tortos ou afterpains) resultam de contrações uterinas fisiológicas que promovem a involução; são mais intensas em multíparas e se acentuam durante a amamentação, pela ocitocina liberada com a sucção. Com útero contraído, involução adequada e loquios normais, a conduta é orientar e oferecer analgésico simples. Interromper a amamentação é contraindicado e não trata a causa. Uterotônico é desnecessário com involução normal. Ausência de febre, dor à palpação ou loquios fétidos afasta infecção e dispensa investigação.
Mulher de 28 anos, no 4º dia de pós-operatório de cesariana realizada em maternidade de referência, procura o pronto-atendimento com febre de 38,9 °C, dor em baixo ventre e lóquios com odor fétido. Ao exame: FC 104 bpm, PA 110×70 mmHg, útero doloroso à palpação e com subinvolução; ferida operatória sem sinais flogísticos e mamas sem alterações. Qual é a conduta inicial mais apropriada?
O quadro (febre, dor uterina, subinvolução e lóquios fétidos após cesariana) é típico de endometrite puerperal, principal causa de febre no puerpério, sobretudo pós-cesárea. O tratamento padrão é antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro, classicamente clindamicina + gentamicina, até 24–48 h afebril. A cefalexina oral ambulatorial é insuficiente para endometrite estabelecida. A histerectomia é medida de exceção, reservada a casos refratários com sepse grave ou abscesso, não a apresentação inicial. Retardar a antibioticoterapia à espera de imagem é inadequado diante de quadro infeccioso clínico definido.
Lactante de 30 anos, no 20º dia pós-parto, está em tratamento há 3 dias com cefalexina oral por mastite na mama esquerda. Retorna à UBS mantendo febre de 38,5 °C, agora com área endurecida, flutuante e muito dolorosa no quadrante superior externo, com pele eritematosa e brilhante. Qual é a conduta mais adequada?
A persistência de febre após 48–72 h de antibiótico, somada à área flutuante, indica evolução para abscesso mamário. A conduta é confirmar por ultrassonografia e drenar a coleção (aspiração guiada ou incisão), mantendo o esvaziamento/amamentação da mama para evitar estase. Só manter o mesmo antibiótico com sinal de flutuação perpetua a coleção. Trocar o antibiótico sem drenar a coleção também falha, pois o abscesso não responde apenas a antimicrobiano. Suspender a amamentação e inibir a lactação é contraindicado: piora a estase e não trata o abscesso.
Lactante de 25 anos, no 15º dia pós-parto, comparece à UBS com dor, calor e vermelhidão em forma de cunha na mama direita há 2 dias, associados a febre de 38,3 °C e mialgia. Amamenta a cada 2 horas. Ao exame, há área eritematosa, quente e dolorosa, sem ponto de flutuação ou coleção palpável. Qual é a conduta mais adequada?
O quadro (eritema em cunha, febre, mialgia, sem flutuação) é de mastite lactacional. O manejo baseia-se em manter a amamentação com esvaziamento frequente e eficaz da mama, analgesia/anti-inflamatório e antibiótico com cobertura para S. aureus (cefalexina ou dicloxacilina) quando há sinais sistêmicos ou ausência de melhora. Suspender o aleitamento agrava a estase láctea e a própria mastite. Inibir a lactação com cabergolina não está indicado e piora o esvaziamento. Sem flutuação/coleção, não há abscesso a drenar, tornando a cirurgia precoce e desnecessária.
Puérpera de 31 anos, no 18º dia pós-parto, procura a Unidade de Pronto Atendimento do SUS com febre de 39 °C, calafrios e dor intensa na mama esquerda há 4 dias, apesar de já usar analgésico. Ao exame, há área de hiperemia, calor e endurecimento no quadrante superior externo, agora com ponto de flutuação bem definido e drenagem espontânea de secreção purulenta. Mantém amamentação, referindo muita dor. Qual é a conduta mais adequada?
A evolução de mastite com ponto de flutuação e drenagem purulenta caracteriza abscesso mamário. O tratamento exige drenagem da coleção (cirúrgica ou por punção guiada) associada a antibioticoterapia contra S. aureus e, fundamentalmente, manutenção do esvaziamento da mama (amamentação e/ou ordenha), que é parte da cura (correta). Suspender a amamentação e usar só analgésico agrava a estase e a infecção (opção incorreta). Antibiótico isolado não resolve coleção purulenta organizada — o abscesso precisa ser drenado (opção incorreta). A inibição da lactação não está indicada e piora o esvaziamento; drenagem continua necessária (opção incorreta).
Mulher de 34 anos, tabagista (15 anos-maço), nuligesta, retorna ao ambulatório com o terceiro episódio, em 18 meses, de abscesso subareolar na mama esquerda. Nas duas ocasiões anteriores foi submetida a drenagem cirúrgica e antibioticoterapia, com resolução apenas temporária. Ao exame, observa-se orifício fistuloso na borda areolar drenando secreção purulenta, discreta retração papilar e hiperemia periareolar, sem febre. A ultrassonografia mostra coleção subareolar de 2,0 cm comunicante com trajeto fistuloso. Assinale a conduta definitiva mais adequada.
O quadro é típico de mastite periductal com abscesso subareolar recidivante e fístula mamilar (doença de Zuska): mulher jovem, não lactante, tabagista, com retração papilar e recorrência após drenagens simples. O tabagismo é o principal fator causal (lesão do epitélio ductal e metaplasia escamosa), e a cura exige tratar a causa anatômica — a exérese dos ductos terminais retroareolares junto com o trajeto fistuloso, após controlar a infecção aguda com drenagem e antibiótico com cobertura para anaeróbios — além da cessação do tabagismo, sem a qual a recidiva é a regra. Drenagem simples já falhou duas vezes: sem retirar o ducto doente, a fístula persiste. A mastite granulomatosa idiopática ocorre tipicamente em multíparas em idade reprodutiva, com massa periférica e diagnóstico histológico obrigatório; não cursa com fístula areolar em ducto terminal, e corticoide aqui não resolveria a fístula. A adenectomia é tratamento desproporcional para doença benigna localizada aos ductos retroareolares.
Mulher de 27 anos, no 4º dia após cesariana de urgência (bolsa rota há 20 horas, três toques vaginais no trabalho de parto), procura a maternidade com febre. Ao exame: temperatura axilar 39,1 °C, FC 112 bpm, PA 108/68 mmHg, abdome com útero subinvoluído e muito doloroso à mobilização, lóquios abundantes e fétidos. Hemograma com 18.000 leucócitos e desvio à esquerda; sedimento urinário normal; ferida operatória limpa. Assinale a conduta mais adequada.
O quadro é endometrite puerperal, cujos fatores de risco clássicos estão presentes (cesariana, rotura prolongada de membranas e toques repetidos). É infecção polimicrobiana (aeróbios e anaeróbios), e o padrão-ouro é a antibioticoterapia endovenosa hospitalar com clindamicina + gentamicina até 24-48 h afebril. Amoxicilina-clavulanato oral ambulatorial não cobre adequadamente um quadro sistêmico grave e não permite monitorização. Cefazolina em dose única é profilaxia intraparto, sem papel terapêutico aqui. O esquema ceftriaxona + doxiciclina é para DIP em não puérpera e não cobre a flora anaeróbia da endometrite pós-cesárea.
Lactante de 25 anos, com 3 semanas de puerpério, vem à UBS por persistência de febre. Há 5 dias iniciou cefalexina por mastite no quadrante súpero-externo da mama direita, mas mantém temperatura de 38,7 °C. Ao exame, nota-se, nesse quadrante, área de hiperemia com nódulo endurecido, muito doloroso, agora com flutuação à palpação. Restante do exame sem alterações. Assinale o próximo passo mais adequado.
A mastite que não responde ao antibiótico em 48-72 h e evolui com massa flutuante caracteriza abscesso mamário lactacional. A conduta é confirmar a coleção por ultrassonografia e drená-la (por punção aspirativa guiada ou incisão), mantendo o esvaziamento da mama — a amamentação/ordenha não deve ser interrompida. Apenas trocar o antibiótico oral e observar retarda o tratamento de uma coleção já formada. Suspender a lactação piora a estase e não é indicado. Biópsia para carcinoma inflamatório não é a prioridade diante de abscesso com evolução típica pós-mastite.
Lactante de 30 anos, com 2 semanas de puerpério, refere há 2 dias dor e vermelhidão na mama esquerda, associadas a febre de 38,5 °C, calafrios e mialgia. Ao exame, há área de hiperemia em cunha no quadrante súpero-externo, quente e dolorosa, com endurecimento localizado, sem flutuação nem ponto de coleção; refere pega dolorosa e fissura mamilar. Assinale a conduta correta.
Trata-se de mastite lactacional (hiperemia em cunha, febre, sintomas sistêmicos e fissura como porta de entrada), sem sinais de abscesso. O tratamento associa esvaziamento frequente e eficaz da mama (mantendo a amamentação, que é segura e terapêutica), correção da pega, analgesia e antibiótico antiestafilocócico — cefalexina ou dicloxacilina — cobrindo S. aureus, o agente mais comum. Suspender o aleitamento favorece a estase e piora o quadro. Abster-se de antibiótico é adequado ao ingurgitamento, mas aqui há infecção com repercussão sistêmica. Ausência de flutuação/coleção afasta a necessidade de drenagem.
Puérpera de 32 anos, na 3ª semana de pós-parto, procura atendimento com dor intensa no quadrante superior externo da mama esquerda há 2 dias. Ao exame apresenta área de hiperemia, calor e endurecimento em cunha, muito dolorosa, temperatura axilar de 38,7°C, além de mialgia e mal-estar do tipo 'gripal'. Não há flutuação à palpação. A amamentação vinha ocorrendo com fissuras mamilares à esquerda. Assinale a conduta correta:
O quadro é de mastite puerperal (área em cunha, hiperemia, calor, febre alta e sintomas sistêmicos, com porta de entrada pela fissura). O tratamento associa esvaziamento efetivo — mantendo a amamentação, que é parte da terapêutica — a antibiótico anti-estafilocócico (cefalexina/oxacilina). Não se suspende a amamentação; sem flutuação não há abscesso a drenar. Há sinais focais e toxemia, o que afasta ingurgitamento fisiológico. O antibiótico é empírico e imediato, não se aguardando USG, reservada à suspeita de abscesso ou refratariedade.
Puérpera de 27 anos, no 25º dia pós-parto de gestação a termo, procura a UPA com febre de 39,2 °C, calafrios e dor intensa em mama esquerda. Refere que há 4 dias iniciou cefalexina 500 mg de 6/6 h prescrita na UBS por mastite, mantendo as mamadas do lado acometido. Ao exame: regular estado geral, FC 108 bpm, mama esquerda com área de 5 cm no quadrante superior externo, hiperemiada, quente, muito dolorosa e agora com flutuação à palpação; mamilo com fissura em cicatrização. Mama direita sem alterações. O lactente está em aleitamento materno exclusivo, com ganho ponderal adequado. Assinale a conduta mais apropriada.
Mastite lactacional que não responde a 48–72 h de antibiótico adequado e que evolui com área flutuante caracteriza abscesso mamário: o tratamento exige drenagem, idealmente punção aspirativa guiada por ultrassonografia (ou drenagem cirúrgica em coleções grandes/multiloculadas), mantendo antibiótico antiestafilocócico e, sobretudo, o esvaziamento da mama — a amamentação pode e deve ser mantida na mama afetada (ou substituída por ordenha se a dor/incisão impedir a pega), pois a estase piora o quadro. Inibir a lactação com cabergolina é erro: agrava a estase e não trata a coleção. Apenas trocar o antibiótico ignora que coleção formada não resolve com antimicrobiano isolado. Interromper a amamentação por 14 dias e investigar carcinoma inflamatório com RM é desproporcional em quadro agudo típico de lactante com porta de entrada (fissura) e evolução clássica.
Mulher de 27 anos, submetida a cesariana de urgência após período expulsivo prolongado, com rotura de membranas de 18 horas e múltiplos toques vaginais. No 3º dia de pós-operatório apresentou febre de 38,6 °C, dor em hipogástrio, útero amolecido e doloroso à palpação e lóquios purulentos e fétidos, sendo iniciada clindamicina associada a gentamicina por via endovenosa. Decorridas 72 horas de antibioticoterapia adequada, mantém picos febris diários, porém encontra-se em bom estado geral, com abdome sem sinais de irritação peritoneal, ferida operatória limpa, ultrassonografia pélvica sem coleções ou restos ovulares e hemoculturas negativas. Assinale a conduta adequada.
Endometrite puerperal responde a clindamicina + gentamicina em 48–72 h na maioria dos casos; falha terapêutica com paciente clinicamente estável, sem coleção, sem restos e com hemoculturas negativas caracteriza o quadro clássico de tromboflebite pélvica séptica — diagnóstico de exclusão cujo tratamento é a anticoagulação plena somada ao antibiótico, com defervescência habitual em 48–72 h. Curetagem não se justifica sem restos ovulares e aumenta o risco de perfuração e sinéquias. Trocar por ampicilina-sulbactam não amplia a cobertura de forma relevante frente a um esquema já adequado para anaeróbios e Gram-negativos. Vancomicina cobriria MRSA, hipótese pouco provável na ausência de infecção de ferida, bacteremia ou foco cutâneo.
Puérpera de 29 anos, no 18º dia após parto vaginal, em aleitamento materno exclusivo, procura a unidade básica de saúde com dor intensa na mama esquerda há dois dias. Relata fissura mamilar prévia e mamadas com pega inadequada. Ao exame: temperatura axilar de 38,5 °C, mal-estar e mialgia; mama esquerda com área endurecida, quente, dolorosa e eritematosa em quadrante superior externo, sem ponto de flutuação ou abaulamento; mama direita normal. Assinale a conduta adequada.
Mastite lactacional infecciosa (febre, sintomas sistêmicos, área inflamatória localizada, fissura como porta de entrada) tem como pilares o esvaziamento eficaz da mama — a amamentação deve ser MANTIDA, pois a estase perpetua o processo —, a correção da pega, analgesia/anti-inflamatório e antibiótico com cobertura para Staphylococcus aureus (cefalexina ou amoxicilina-clavulanato) por 10–14 dias. Suspender a lactação e inibi-la com cabergolina agrava a estase e é erro clássico. Conduta expectante sem antibiótico cabe apenas no ingurgitamento ou na mastite não infecciosa de poucas horas, não em paciente febril e toxemiada há dois dias. Drenagem cirúrgica pressupõe abscesso, e não há flutuação.
Puérpera de 31 anos, no 24º dia após parto vaginal, retorna ao pronto-socorro em uso de cefalexina há 5 dias por mastite à direita. Refere piora da dor e manutenção de picos febris. Ao exame: temperatura de 38,8 °C; mama direita com eritema extenso e área endurecida em quadrante inferior externo, agora com ponto amolecido e flutuante de cerca de 4 cm, muito doloroso; linfonodomegalia axilar dolorosa. A ultrassonografia mamária evidencia coleção heterogênea de 4,5 cm com debris, sem componente sólido. Assinale a conduta adequada.
Mastite que não responde ao antibiótico em 48–72 h, com área flutuante e coleção confirmada ao ultrassom, define abscesso mamário: o tratamento exige drenagem — punção aspirativa guiada por ultrassonografia (preferencial em coleções únicas e acessíveis, com menor morbidade e melhor resultado estético) ou drenagem por incisão nas coleções volumosas/multiloculadas — associada a antibiótico com cobertura estafilocócica, mantendo-se o aleitamento na mama contralateral e, sempre que possível, também na acometida. Coleção formada não se resolve apenas com antibiótico. Carcinoma inflamatório é diferencial de mastite que não responde ao tratamento, mas em puérpera com coleção típica e evolução aguda a drenagem vem primeiro; a biópsia fica para casos arrastados ou atípicos. Ordenha vigorosa sobre abscesso é ineficaz e pode disseminar a infecção.
Puérpera de 27 anos comparece à UBS com o filho de 20 dias, em aleitamento materno exclusivo. Refere, há dois dias, dor intensa e endurecimento na mama direita, associados a febre aferida de 38,8 °C, calafrios e mal-estar importante. Relata fissura mamilar à direita desde a primeira semana e mamadas com pega inadequada. Ao exame: mama direita com área endurecida, quente, hiperemiada e muito dolorosa no quadrante superolateral, sem flutuação ou drenagem de secreção purulenta; mama esquerda sem alterações. Lactente ativo, corado, com ganho ponderal adequado. Assinale a conduta adequada.
Mastite puerperal com sinais sistêmicos (febre alta, calafrios, mal-estar) e mais de 24 horas de evolução tem indicação de antibiótico antiestafilocócico oral (cefalexina ou similar), associado à manutenção da amamentação na mama acometida, ordenha do excesso, analgesia e correção da pega — o esvaziamento é parte do tratamento. Errada porque o leite da mama com mastite não oferece risco ao lactente e a estase piora o quadro. Reavaliar em 48 horas seria aceitável apenas na mastite inicial sem sinais sistêmicos, o que não é o caso. Suspender o aleitamento com cabergolina é iatrogênico: não há indicação de desmame nem de inibição da lactação.
Puérpera com endometrite pós-cesariana iniciou ampicilina + gentamicina há 48 horas, sem cobertura adicional, e mantém febre e dor uterina. Recebeu cefazolina profilática na cesariana. À luz da revisão Cochrane de 2015 sobre esquemas antibióticos para endometrite pós-parto, o ajuste mais adequado do esquema é:
A Cochrane 2015 mostrou que clindamicina + gentamicina tem menos falhas que esquemas com penicilinas (RR 0,65) e que regimes com má cobertura de anaeróbios resistentes à penicilina falham quase o dobro — exatamente a lacuna do esquema em uso na endometrite pós-cesariana, onde os anaeróbios da cavidade participam do inóculo. Aumentar a dose de ampicilina não corrige a lacuna de espectro; cefazolina tropeça duas vezes — não cobre anaeróbios e repete o antibiótico da profilaxia, o que a Febrasgo manda evitar; suspender tudo é inaceitável em infecção puerperal em atividade; não há indicação de antifúngico empírico na endometrite bacteriana típica.
Puérpera em tratamento de endometrite pós-cesariana com clindamicina + gentamicina IV há 72 horas mantém picos febris diários de 39 °C, apesar de melhora parcial da dor. Ultrassonografia sem restos ovulares e sem coleções; ferida operatória, mamas, urina e membros inferiores sem alterações; hemoculturas negativas até o momento. A principal hipótese e a conduta correspondente são:
Febre persistente apesar do tratamento exige reavaliar esquema, complicações e focos, incluindo tromboflebite pélvica séptica. Ultrassom sem coleção não exclui toda trombose ou abscesso pélvico, e imagem seccional pode ajudar. Defervescência após heparina não é teste confirmatório, e a evidência não sustenta impor anticoagulação empírica como prova diagnóstica. A decisão sobre anticoagular deve considerar trombose demonstrada, extensão, evolução e riscos. Não há indicação automática de laparotomia sem alvo nem de reduzir o tratamento para cefalexina oral.
Lactante no 15º dia pós-parto apresenta dor, hiperemia e calor em quadrante superolateral da mama esquerda, febre de 38,5 °C e mal-estar. Havia fissura mamilar na primeira semana. Sobre a amamentação nesse momento, a orientação correta é:
O CAB 23 do Ministério da Saúde é explícito: a manutenção da amamentação está indicada na mastite, inclusive na mama afetada, porque a presença de bactérias no leite não oferece risco ao recém-nascido a termo sadio — e o esvaziamento pelo próprio lactente é o componente mais importante do tratamento, já que a estase láctea é o motor da doença. Suspender total, parcial ou descartar o leite agrava a estase e empurra o quadro para abscesso; a supressão farmacológica não está indicada quando a mãe deseja amamentar. A pausa unilateral só se justifica temporariamente por dor intolerável, com ordenha da mama afetada.
Sobre as definições que regem a febre no puerpério, assinale a alternativa que descreve corretamente a morbidade febril puerperal em sua definição clássica:
A definição clássica (Joint Commission on Maternal Welfare, reproduzida pelos livros-texto): temperatura oral ≥ 38,0 °C em pelo menos dois de os dez primeiros dias, excluídas as primeiras 24 horas — nas quais febre baixa autolimitada é comum e geralmente não infecciosa. Não confundir com a definição de sepse puerperal da OMS (1992), citada pelo Protocolo Febrasgo nº 117, que usa corte de 38,5 °C e janela até o 42º dia com pelo menos dois critérios (dor pélvica, febre, corrimento purulento, odor anormal, subinvolução < 2 cm/dia nos primeiros 8 dias). As demais alternativas misturam cortes e janelas das duas réguas — o truque favorito da banca neste tema.
Considerando os fatores de risco listados pelo Protocolo Febrasgo nº 117 para infecção puerperal, o principal fator de risco isolado para endometrite é:
O parto cesáreo é o principal fator de risco isolado para endometrite — incisão uterina, tecido desvitalizado, corpo estranho de sutura e inóculo da cavidade somam-se, e é exatamente por isso que a profilaxia com cefazolina antes da incisão é universal na cesariana. Os demais fatores reais do Protocolo Febrasgo nº 117 acompanham o mecanismo de ascensão bacteriana: amniorrexe e trabalho de parto PROLONGADOS (não curtos, o que descarta A), toques repetidos, retenção de restos, hemorragia, anemia, obesidade e diabetes. Livre demanda e deambulação precoce são práticas benéficas do puerpério, e a ocitocina profilática do terceiro período previne hemorragia, sem relação causal com endometrite.
Lactante no 20º dia pós-parto, em uso de cefalexina há 4 dias por mastite, evolui com dor intensa, febre persistente e área de flutuação de 4 cm na mama afetada, confirmada por ultrassonografia como coleção anecoica. A conduta correta inclui:
Flutuação + coleção ao ultrassom = abscesso mamário, e coleção encapsulada não responde a antibiótico isolado nem a 'ordenha vigorosa', que só traumatiza o tecido. Os três pilares valem nas duas réguas — CAB 23 (drenagem cirúrgica sob anestesia local com cultura) e ABM 2022 (punção/dreno guiado por ultrassom, mantido por gravidade): drenar, manter o antibiótico por 10-14 dias e manter a amamentação, inclusive na mama drenada — o risco de fístula láctea é < 2% e a supressão da lactação não está indicada quando a mãe quer amamentar. A punção única sem antibiótico soma dois erros: a aspiração isolada recorre com frequência e a infecção dos tecidos vizinhos persiste.
Lactante com 3 semanas pós-parto apresenta há 12 horas dor e vermelhidão em cunha no quadrante superior da mama direita, sem febre e em bom estado geral. Segundo o protocolo nº 36 da Academy of Breastfeeding Medicine (2022), que redefiniu a mastite como um espectro inflamatório, a conduta inicial adequada é:
Quadro localizado sem sinais sistêmicos é mastite inflamatória no espectro da ABM 2022: livre demanda sem esvaziamento extra, gelo, AINE e reavaliação — antibiótico só se surgirem febre/queda do estado geral ou não houver melhora, porque tratar inflamação estéril desorganiza o microbioma e facilita a progressão. A massagem profunda piora edema e lesão microvascular e favorece fleimão; bombas em potência máxima hiperestimulam a produção e alimentam o ciclo de congestão; antibiótico universal contraria a recomendação de reservá-lo à mastite bacteriana; suspender a mamada agrava a estase — a amamentação continua em todas as fases do espectro.
Puérpera de 28 anos, 4º dia pós-cesariana de emergência após trabalho de parto prolongado com bolsa rota por 16 horas, procura a maternidade com febre de 38,6 °C, calafrios e dor hipogástrica. Exame: FC 104 bpm, FR 18 irpm, PA 105 × 65 mmHg, útero subinvoluído, amolecido e doloroso à palpação, lóquios purulentos e fétidos; ferida operatória sem sinais flogísticos, mamas normais. A conduta mais adequada é:
Febre > 38 °C com dor abdominal e taquicardia > 90 bpm é 'sinal vermelho' do Protocolo Febrasgo nº 117: indica internação e antibiótico IV imediato, colhendo culturas antes mas sem esperar resultado — a sepse puerperal deteriora em horas (por isso A e B erram; a via oral ambulatorial não cabe em quadro sistêmico pós-cesariana). O esquema precisa de cobertura anaeróbia (clindamicina ou metronidazol + aminoglicosídeo; na Cochrane 2015, clindamicina + gentamicina teve menos falhas). Curetagem só se a ultrassonografia mostrar restos ovulares. Heparina é o teste terapêutico da tromboflebite pélvica séptica — diagnóstico de exclusão reservado à febre que persiste apesar de antibiótico adequado e investigação negativa.
Lactante de 26 anos iniciou cefalexina por mastite bacteriana e, no 4º dia de tratamento, está afebril, sem dor e com a mama de aspecto normal. Telefona para a unidade perguntando se pode interromper o antibiótico, já que se considera curada, e informa que segue amamentando em livre demanda. Qual é a orientação correta quanto à duração do tratamento?
A duração mínima do antibiótico na mastite é de dez dias — o Caderno de Atenção Básica nº 23 registra que cursos mais curtos recidivam, e o protocolo nº 36 da Academy of Breastfeeding Medicine escreve 10 a 14 dias para o esquema anti-estafilocócico. Melhora clínica no 4º dia é a resposta esperada e não autoriza interromper: as alternativas que suspendem agora ou fecham o tratamento em cinco dias confundem desaparecimento dos sintomas com erradicação, e é essa confusão que produz a recidiva. Aguardar cultura do leite negativa inverte a indicação do exame, reservado a cinco situações — falha do antibiótico, mastite recorrente com mais de dois episódios, mastite hospitalar, casos graves e mastite epidêmica — e nunca usado como controle de cura. E suspender a amamentação, ainda que por poucos dias, agrava a estase láctea, que é o motor da doença; o leite com bactérias não oferece risco ao recém-nascido a termo sadio, e a pausa só se justifica por dor intolerável, temporária e apenas na mama afetada.
Lactante de 31 anos, na 5ª semana pós-parto, completou sete dias de cefalexina por mastite bacteriana e está afebril há três dias. Durante o tratamento aplicou massagens profundas repetidas sobre a área acometida. Hoje apresenta massa endurecida, mal delimitada e dolorosa no quadrante superior externo, sem flutuação, e a ultrassonografia não mostra coleção. Segundo o protocolo nº 36 da Academy of Breastfeeding Medicine, qual é a conduta?
Massa endurecida, mal definida e sem flutuação, surgida após massagem agressiva sobre mastite, com ultrassonografia sem coleção, é fleimão — e fleimão se trata com antibiótico e tempo, não com bisturi: a regressão pode levar semanas. As duas alternativas que drenam, por incisão ou por punção com dreno, tratam uma coleção que a imagem não encontrou e acrescentam trauma a um tecido já lesado; a drenagem é o par obrigatório do antibiótico no abscesso, que é coleção flutuante confirmada por imagem. Suprimir a lactação contraria o princípio que atravessa todo o espectro da mastite: a amamentação se mantém, inclusive na mama afetada e na mama drenada, e a supressão farmacológica não está indicada quando a mãe deseja amamentar. E intensificar massagem profunda, compressas mornas e bomba extra é o conjunto de condutas que o protocolo de 2022 aposentou — o trauma mecânico e a hiperestimulação pioram o edema e a lesão microvascular e são justamente o que empurra a mastite para o fleimão. O seguimento com reexame e imagem continua até a resolução, porque mama que não melhora como deveria exige afastar carcinoma.
Puérpera de 22 anos, 10 horas após parto vaginal a termo com bolsa rota por 14 horas, apresenta calafrios e temperatura oral de 39,4 °C. Ao exame: FC 124 bpm, FR 26 irpm, PA 94/56 mmHg, prostrada, útero doloroso à palpação e lóquios com odor discreto. O plantonista lembra que a definição clássica de morbidade febril puerperal exclui as primeiras 24 horas e propõe apenas reaferir a temperatura pela manhã. Qual é a leitura correta dessa proposta?
A exclusão das primeiras 24 horas na definição clássica de morbidade febril puerperal — temperatura oral de 38,0 °C ou mais em dois dos dez primeiros dias — existe porque elevação térmica baixa e autolimitada é comum logo após o parto. Ela é estatística, não clínica: a sepse pelo estreptococo do grupo A pode ser precoce e fulminante, e febre alta com taquicardia, taquipneia, hipotensão e queda do estado geral nesse período se investiga e trata como sepse, com internação, culturas e antibiótico intravenoso imediato. A alternativa que legitima adiar a reavaliação transforma um critério de contagem em permissão para observar. A apojadura ocorre por volta do 3º ao 5º dia e não cursa com hipotensão nem com útero doloroso. A definição de sepse puerperal da Organização Mundial da Saúde começa na rotura das membranas ou no trabalho de parto, e não a partir do segundo dia. E taquicardia sustentada acima de 90 bpm e frequência respiratória acima de 20 irpm são exatamente os sinais de alarme listados pelo Protocolo Febrasgo nº 117.
Puérpera de 30 anos, em amamentação há 3 semanas, apresenta massa mamária dolorosa, com hiperemia, calor local, febre de 38,5 °C e flutuação à palpação. A ultrassonografia mostra coleção de 4 cm com conteúdo espesso. Qual é a conduta inicial mais adequada?
Abscesso mamário puerperal exige drenagem — a punção guiada por ultrassom, eventualmente repetida, é a primeira escolha nas coleções acessíveis, com incisão e drenagem reservada às maiores ou refratárias — associada a antibiótico com cobertura para estafilococo e à manutenção do esvaziamento da mama, que é parte do tratamento. Antibiótico isolado trata a mastite sem coleção, mas falha diante de abscesso formado, e é o erro mais comum. Suspender a amamentação piora a estase e a resolução; o aleitamento pode e deve ser mantido, inclusive na mama afetada na maioria dos casos. Mastectomia setorial de urgência é desproporcional e mutilante.
Sobre a manutenção da amamentação na mastite puerperal, qual afirmação está correta?
Esvaziar a mama é terapêutico, e a maioria dos antibióticos utilizados é compatível com a lactação, de modo que a orientação é manter as mamadas ou, se houver dor intensa, ordenhar para não permitir estase. A ideia de leite contaminado prejudicial engana e é frequente na orientação leiga, mas a interrupção agrava a doença e prejudica o binômio.
Qual medida é a mais eficaz na prevenção da mastite puerperal?
A estase láctea e a fissura mamilar são os dois pilares da fisiopatologia, e ambos derivam principalmente de pega inadequada, de modo que o apoio à técnica de amamentação é a intervenção preventiva de maior impacto. Compressão contínua com sutiã apertado engana quem busca conforto e sustentação, mas favorece a obstrução de ductos e a estase, aumentando o risco.
Puérpera de 26 anos, no 18º dia após o parto, em amamentação exclusiva, apresenta febre de 39 °C, calafrios e área endurecida, quente e dolorosa no quadrante superior externo da mama esquerda, com eritema. Não há flutuação. Qual o agente mais provável e a conduta?
A mastite puerperal decorre principalmente da penetração de estafilococo por fissuras mamilares em mama com estase láctea, e o tratamento associa antibiótico com cobertura para esse agente ao esvaziamento eficaz, mantendo a amamentação, que é parte da terapia. Suspender a mamada engana quem teme contaminar o lactente, mas a interrupção agrava a estase e favorece a progressão para abscesso.
Puérpera com mastite tratada há 4 dias com antibiótico mantém febre e apresenta agora área flutuante e dolorosa na mama. A ultrassonografia mostra coleção de 4 cm. Qual a conduta?
Coleção formada não se resolve com antibiótico isolado, e a aspiração guiada por imagem, repetida quando necessário, controla a maioria dos abscessos com melhor resultado estético e permite manter a amamentação. Manter apenas a antibioticoterapia engana porque houve resposta parcial inicial, mas a persistência da febre com flutuação define a necessidade de drenagem — o controle do foco é o que resolve.
Puérpera com abscesso mamário de 6 cm, com pele adelgaçada e prestes a fistulizar, com toxemia. Qual a conduta?
Coleções volumosas, multiloculadas ou com pele comprometida e paciente toxemiada exigem drenagem cirúrgica com desfazimento de septos e antibiótico endovenoso, diferentemente dos abscessos menores tratados por aspiração. Insistir na punção ambulatorial engana porque ela é de fato a primeira escolha na maioria dos casos, mas não drena adequadamente coleções grandes e septadas com pele em risco de necrose.
Qual complicação pode resultar do tratamento tardio ou inadequado da mastite puerperal?
A progressão do processo infeccioso leva à coleção purulenta, que pode fistulizar para a pele e comprometer definitivamente a amamentação, além de gerar sequelas estéticas. As demais opções enganam por pertencerem ao universo obstétrico e serem lembradas por associação com o período gravídico-puerperal, mas nenhuma delas guarda relação fisiopatológica com a infecção mamária.
Puérpera com mastite não responde a 48 a 72 horas de antibiótico adequado, sem coleção à ultrassonografia. Qual conduta deve ser considerada?
Falha terapêutica obriga a rever o diagnóstico, ampliar a cobertura para cepas resistentes e lembrar que o carcinoma inflamatório pode se apresentar como mastite refratária, inclusive em puérperas — a biópsia esclarece. Manter o mesmo esquema sem reavaliação engana quem atribui a demora à evolução natural, mas é assim que se perde tempo em uma neoplasia agressiva.
Sobre a escolha do antibiótico na mastite puerperal em paciente sem alergia, qual opção é adequada?
Como o agente predominante é o estafilococo, a escolha recai sobre betalactâmicos com essa cobertura, ajustando o esquema se houver suspeita de cepa resistente à meticilina. A nitrofurantoína engana por ser antimicrobiano familiar e compatível com a lactação, mas sua ação se concentra no trato urinário e não alcança concentrações adequadas em tecido mamário.
Puérpera no 5º dia após cesariana apresenta febre, dor pélvica, útero amolecido e doloroso à mobilização e loquiação fétida. Qual o diagnóstico e a conduta?
Febre com útero subinvoluído e doloroso, associado a loquiação de odor fétido após cesariana, caracteriza a infecção uterina puerperal, tratada com esquema endovenoso de amplo espectro cobrindo a flora polimicrobiana genital. A tromboflebite pélvica séptica engana por também cursar com febre persistente no puerpério, mas é diagnóstico de exclusão, considerado quando a febre não cede apesar do antibiótico adequado.
Sobre o uso da mamografia na avaliação de processo inflamatório mamário agudo, qual afirmação é correta?
Na fase aguda, a compressão da mamografia é mal tolerada e o exame tem rendimento reduzido pelo edema, enquanto a ultrassonografia identifica coleções e orienta a punção; a avaliação mamográfica entra depois ou quando a suspeita de neoplasia é forte. Dispensar qualquer imagem engana porque o exame físico não separa abscesso de carcinoma inflamatório nem localiza coleções puncionáveis.
Qual conduta é indicada quando o material drenado de um abscesso mamário revela crescimento de Staphylococcus aureus resistente à meticilina?
A identificação da cepa resistente exige troca para antimicrobiano ativo, sem abandonar o controle do foco, que continua sendo o pilar do tratamento das coleções. Manter o esquema inicial engana quem observa melhora após a drenagem e atribui o resultado ao antibiótico em uso, mas a resposta veio do esvaziamento e a infecção residual pode recrudescer.
Paciente com mastite puerperal evolui com área flutuante e ultrassonografia confirmando coleção de 3 cm. Qual a conduta preferencial?
Abscessos mamários pequenos e moderados respondem bem à punção aspirativa guiada por ultrassonografia, eventualmente repetida, associada a antibiótico, com melhor resultado estético e menor interferência na amamentação do que a incisão ampla. A drenagem cirúrgica aberta fica reservada a coleções volumosas, multiloculadas ou refratárias. Manter apenas antibiótico diante de coleção formada é insuficiente, pois a cavidade precisa ser esvaziada.
Mulher no décimo dia pós-parto apresenta dor, eritema e endurecimento em quadrante da mama esquerda, febre de 38,5 °C e mal-estar, sem flutuação. Qual a conduta?
A mastite puerperal é tratada com antibiótico dirigido a estafilococo, analgesia e, sobretudo, esvaziamento mamário frequente, mantendo a amamentação, que é parte do tratamento e não um risco para o lactente. Suspender a lactação é o erro mais difundido e piora a estase, favorecendo a evolução para abscesso. Drenagem só se justifica quando há coleção documentada por exame clínico ou ultrassonografia.
Puérpera de 25 anos, terceiro dia pós-cesárea, apresenta febre de 38,8°C, dor à palpação uterina, lóquios fétidos e útero subinvoluído. Qual o diagnóstico e a conduta?
Febre puerperal com útero doloroso, subinvoluído e lóquios fétidos define endometrite, complicação mais frequente após cesárea, de etiologia polimicrobiana ascendente. O tratamento é antibiótico endovenoso de amplo espectro, com clindamicina e gentamicina como esquema clássico, mantido até 24 a 48 horas de melhora clínica e afebril. A investigação da febre puerperal deve varrer as demais fontes — mama, ferida operatória, trato urinário, pulmão e trombose —, mas os achados uterinos aqui são específicos. Atribuir febre e mal-estar a alterações emocionais do puerpério é o erro que retarda o antibiótico numa infecção que pode evoluir para sepse.
Sobre o agente etiológico mais frequente na mastite puerperal e no abscesso mamário, qual afirmativa está correta?
O estafilococo é o agente dominante na mastite e no abscesso puerperal, geralmente introduzido por fissuras mamilares, e por isso o antibiótico empírico deve cobri-lo, com atenção à prevalência local de cepas resistentes à meticilina, que mudam a escolha. Pensar em enterobactérias ou fungos engana quem transporta a flora de outros sítios para a mama lactante, e resulta em cobertura inadequada com falha terapêutica e progressão para abscesso.
Puérpera de 6 dias após cesariana apresenta febre de 38,8 °C, dor em baixo ventre, útero doloroso à palpação e lóquios com odor fétido. Qual o diagnóstico e a conduta?
Febre puerperal com dor uterina e lóquios fétidos caracteriza endometrite, mais frequente após cesariana, cuja infecção é polimicrobiana e exige antibiótico endovenoso de amplo espectro com cobertura para anaeróbios até a melhora clínica. Atribuir a febre à mama ou ao trato urinário engana quem não examina o abdome e o útero, e mantém o foco sem tratamento. A tromboflebite pélvica séptica entra como diagnóstico de exclusão quando a febre persiste apesar de antibiótico adequado.
Sobre a coleta de material para cultura no abscesso mamário, qual afirmativa está correta?
Colher o material drenado para cultura permite ajustar o antibiótico, o que ganha importância quando há falha do esquema empírico, recidiva ou suspeita de estafilococo resistente à meticilina, cuja prevalência varia entre serviços. Colher swab da pele íntegra engana quem quer evitar o procedimento e retorna apenas flora cutânea, sem valor. Colher após dias de antibiótico reduz o rendimento, e ignorar o resultado anula o propósito do exame e perpetua tratamento inadequado.
Puérpera de 22 dias apresenta dor intensa em mama esquerda, febre de 39 °C, área endurecida, eritematosa e com flutuação à palpação. Ultrassonografia confirma coleção de 5 cm. Qual a conduta?
Abscesso mamário exige drenagem, e a punção guiada por ultrassonografia, repetida se necessário, tem excelentes resultados com menor morbidade que a incisão cirúrgica, reservada a coleções grandes, multiloculadas ou com pele comprometida. O antibiótico acompanha, mas não substitui a drenagem. Suspender a amamentação engana quem teme contaminar o lactente: a manutenção do esvaziamento da mama, inclusive na mama acometida quando possível, é parte do tratamento e acelera a resolução.
Puérpera de 12 dias apresenta dor, eritema e endurecimento em quadrante superior externo da mama direita, febre de 38,5 °C, sem flutuação. Qual a conduta inicial?
O quadro integra o espectro da mastite. Febre pode acompanhar inflamação sem infecção bacteriana; duração, progressão e resposta às medidas iniciais precisam ser avaliadas. Mantêm-se alimentação fisiológica e apoio à amamentação, evitando ordenha excessiva e massagem profunda. Frio local e analgesia podem aliviar os sintomas. Persistência de sintomas sistêmicos além de 24 horas ou piora/falha das medidas conservadoras exige avaliação para componente bacteriano e antibioticoterapia. Reavaliar em 24–48 horas, antes se houver piora; suspeita de coleção pode requerer ultrassonografia e drenagem. Referência: Academy of Breastfeeding Medicine, protocolo 36, 2022.
Puérpera de 27 anos com mastite pergunta se o leite da mama infectada é prejudicial ao bebê. Qual a orientação correta?
O leite da mama com mastite pode e deve ser oferecido, pois não representa risco ao lactente e o esvaziamento é parte do tratamento; interromper aumenta a estase e a chance de abscesso. Desprezar o leite durante a febre engana porque parece proteger o bebê, mas troca um risco inexistente por um risco real de piora materna e de desmame. Não há indicação de pasteurização domiciliar, de substituição por fórmula nem de aguardar cultura.
Qual o agente etiológico mais frequentemente implicado na mastite puerperal?
O Staphylococcus aureus é o agente mais frequente da mastite puerperal, o que explica a escolha de cefalexina ou de oxacilina como terapia empírica e a necessidade de cobrir cepas resistentes à meticilina em casos refratários ou em serviços com prevalência alta. Estreptococos engana porque também colonizam a orofaringe do lactente e podem causar mastite, mas são bem menos frequentes. Cândida causa dor mamilar em queimação e não mastite com abscesso, e anaeróbios aparecem sobretudo em abscessos crônicos e não puerperais.
Puérpera em tratamento de mastite há 72 horas com cefalexina mantém febre, e o exame agora revela área flutuante e dolorosa de 4 cm em quadrante superior externo. Ultrassonografia confirma coleção de 4,2 cm. Qual a conduta?
Abscesso mamário confirmado exige drenagem, e a punção guiada por ultrassonografia é a primeira escolha em coleções acessíveis por ser menos mutilante e permitir manutenção da amamentação, reservando a incisão cirúrgica para coleções grandes, multiloculadas ou com pele comprometida. Apenas trocar o antibiótico engana porque a falha terapêutica sugere germe resistente, mas antibiótico não penetra adequadamente em pus organizado. Mastectomia setorial é desproporcional e a suspensão bilateral da amamentação não tem indicação.
Puérpera de 26 anos, 15 dias após parto vaginal, com dor intensa em mama esquerda, febre de 38,9 °C, calafrios e área endurecida, quente e hiperemiada no quadrante superior externo. Não há flutuação. Qual a conduta?
Na mastite puerperal com febre alta e sinais flogísticos francos, o tratamento combina esvaziamento eficaz da mama, analgesia e antibiótico com cobertura para estafilococo, como cefalexina, mantendo a amamentação, que é segura e essencial para a drenagem. Suspender a mamada engana porque a dor sugere proteger a mama, mas a estase é justamente o que perpetua a infecção e leva ao abscesso. Adiar o antibiótico só se justifica em quadros iniciais sem febre alta, drenagem cirúrgica exige coleção e a inibição da lactação é contraproducente.
Sobre o uso de antibióticos na lactação, qual esquema é seguro para a puérpera que amamenta com mastite?
Cefalexina é o esquema padrão na mastite puerperal por cobrir Staphylococcus aureus sensível à meticilina e ser compatível com a amamentação. Quinolonas engana porque penetram bem em tecidos, mas são evitadas na lactação como primeira linha. Tetraciclinas afetam esmalte e crescimento ósseo em uso prolongado, cloranfenicol traz risco de toxicidade medular, e sulfametoxazol com trimetoprima é evitado em recém-nascido ictérico ou com menos de um mês pelo risco de deslocamento da bilirrubina.
Puérpera de 31 anos, cesariana há 8 dias, com febre de 38,7 ºC, dor à mobilização uterina, loquiação purulenta e útero amolecido acima do esperado. Qual o tratamento inicial?
A endometrite puerperal é polimicrobiana e o esquema clássico com clindamicina e gentamicina cobre anaeróbios e gram-negativos, com melhora esperada em 48 a 72 horas. Levar direto ao esvaziamento engana porque restos podem coexistir, mas manipular um útero infectado sem cobertura antibiótica aumenta o risco de disseminação e de bacteremia.
Puérpera de 22 anos, décimo dia pós-parto, apresenta confusão mental, desorientação temporoespacial flutuante, febre de 39 °C, taquicardia e lóquios com odor fétido. Qual a hipótese principal?
O sinal que redireciona todo o raciocínio é a febre com lóquios fétidos: há um foco infeccioso puerperal, e a alteração do sensório com flutuação e desorientação temporoespacial é delirium, não psicose primária. A regra de ouro do puerpério é excluir causa orgânica — infecção, tireoidite, distúrbio hidroeletrolítico, anemia grave, intoxicação — antes de rotular como psicose puerperal, porque o tratamento é completamente diferente e o atraso é fatal. A psicose puerperal é o distrator natural pela janela temporal, mas nela o nível de consciência é preservado e não há febre nem lóquios alterados. Conduta: antibiótico, suporte e investigação, não antipsicótico isolado.
Puérpera com mastite iniciou cefalexina há 72 horas e mantém febre de 38,9 °C. Ao exame, área de 4 cm em quadrante superior externo, agora com abaulamento e flutuação à palpação. Qual a conduta?
Mastite que não responde em 48 a 72 horas e desenvolve flutuação significa abscesso, e coleção precisa de drenagem — a punção guiada por ultrassonografia é a primeira escolha, com manutenção do aleitamento, inclusive na mama acometida quando tolerado. Trocar o antimicrobiano e esperar mais três dias é o atraso que transforma coleção pequena em abscesso extenso com necessidade de drenagem cirúrgica aberta. Mamografia em mama lactante inflamada tem baixo rendimento, e corticoide sistêmico não trata infecção coleccionada.
Lactante de 32 anos, no quarto mês de amamentação exclusiva, apresenta nódulo mamário doloroso de 2 cm, endurecido, com pele suprajacente eritematosa e sem febre. Refere que o bebê passou a mamar menos na mama esquerda. Qual a primeira medida?
O quadro é compatível com inflamação localizada no espectro da mastite, sem sinais sistêmicos. A conduta inicial é manter a amamentação segundo a demanda fisiológica, sem aumentar mamadas ou ordenhas com o objetivo de esvaziar a mama, associar gelo e analgesia/anti-inflamatório e evitar massagem profunda, que aumenta edema e microlesão. Antibiótico é reservado para suspeita de mastite bacteriana; internação e terapia intravenosa não são indicadas neste quadro estável. Fonte: Academy of Breastfeeding Medicine Clinical Protocol #36, The Mastitis Spectrum, 2022.
Mulher de 30 anos, quarto dia após cesariana, apresenta temperatura de 38,9 °C, dor à mobilização uterina, lóquios purulentos e fétidos, sem sinais flogísticos na incisão. Qual o esquema de escolha?
Endometrite puerperal é infecção polimicrobiana com anaeróbios, e a associação de clindamicina com gentamicina por via endovenosa é o esquema clássico de escolha, mantido até a paciente completar cerca de 48 horas afebril. Cefalexina oral ambulatorial é o distrator que mais atrai porque cobre germes de pele, mas não alcança os anaeróbios do endométrio nem serve para paciente febril com dor à mobilização uterina. Ausência de sinais na incisão afasta infecção de sítio cirúrgico, e nem fungo nem herpes explicam lóquios purulentos.
Puérpera de 22 anos, no 4º dia de pós-parto vaginal complicado por corioamnionite, apresenta febre de 38,7 °C, dor hipogástrica, útero subinvoluído e doloroso à mobilização, com loquiação fétida. Qual o esquema antibiótico de escolha?
O quadro é endometrite puerperal, infecção polimicrobiana com participação importante de anaeróbios, e o esquema clássico e mais cobrado é clindamicina com gentamicina intravenosas, mantidas até 24 a 48 horas de melhora clínica e apirexia, sem necessidade de continuar antibiótico oral na maioria dos casos. Cefalexina oral é o distrator mais tentador porque é o antibiótico habitual de infecção de pele e de tratamento ambulatorial, mas não cobre anaeróbios e não atende a infecção uterina com febre alta e útero doloroso, que exige via intravenosa. Nitrofurantoína trataria cistite, e o exame aponta útero, não bexiga, embora infecção urinária deva sempre entrar no diferencial de febre puerperal. Azitromicina em dose única é esquema de cervicite. E etiologia fúngica não tem papel aqui. Se não houver melhora em 48 a 72 horas, investigar abscesso, retenção de restos e tromboflebite pélvica séptica.
Puérpera de 30 anos, com 3 semanas de pós-parto, apresenta dor intensa em quadrante superior externo da mama direita, com eritema em cunha, calor local, febre de 38,9 °C e mialgia. Não há flutuação. Qual a conduta?
Mastite lactacional é unilateral, com eritema em cunha, dor intensa e sintomas sistêmicos, e o agente mais comum é o Staphylococcus aureus, o que justifica cefalexina ou outro antibiótico antiestafilocócico por 10 a 14 dias. O pilar do tratamento, porém, é o esvaziamento: manter a amamentação na mama afetada, complementar com ordenha e corrigir a técnica de pega. Suspender a mamada é o erro mais frequente e o mais nocivo, porque a estase perpetua e agrava o quadro, e o leite da mama com mastite não faz mal ao lactente. Inibir a lactação só entra em situações excepcionais e não é medida terapêutica da mastite. Drenagem exige abscesso, definido por flutuação ou por coleção na ultrassonografia, e não por febre alta. Tratar sem antibiótico é adequado à fase de estase láctea ou de mastite muito inicial sem repercussão sistêmica, o que não é o caso desta paciente.
Puérpera de 26 anos, 18 dias após parto vaginal, apresenta há 48 horas dor e eritema progressivo em quadrante superior externo da mama esquerda, febre de 38,8 °C e mal-estar persistentes apesar de medidas conservadoras, sem massa flutuante. Qual conduta é a mais adequada?
Febre persistente, mal-estar e eritema progressivo apesar de medidas conservadoras favorecem mastite bacteriana e justificam antibiótico apropriado, com cobertura inicial para os agentes habituais e reavaliação. A amamentação deve ser mantida conforme a demanda e a tolerância, sem tentar esvaziar repetidamente a mama nem realizar massagem profunda. Analgesia e medidas anti-inflamatórias locais ajudam. Suspeita de coleção ou evolução desfavorável indica ultrassonografia; a ausência de flutuação não exclui abscesso profundo. Não se indica supressão rotineira da lactação nem drenagem sem coleção demonstrada.
Qual medida reduz de forma consistente o risco de endometrite após cesariana?
A profilaxia em dose única antes da incisão é a medida com maior impacto na redução de endometrite e de infecção de sítio cirúrgico após cesariana, junto com técnica asséptica e preparo adequado da pele. Prolongar o antibiótico após a alta não acrescenta proteção e favorece resistência, sendo o distrator mais frequente por parecer mais cuidadoso. Drenos de rotina não reduzem infecção, e a exteriorização uterina é questão de técnica, sem efeito consistente sobre infecção.
Puerpera de 31 anos com endometrite pos-cesariana em uso de clindamicina e gentamicina ha 72 horas mantem picos febris diarios, mas esta clinicamente bem, com utero involuindo e sem dor. Ultrassonografia e tomografia sem colecao. Hemoculturas negativas. Qual a hipotese mais provavel?
Febre persistente com paciente em bom estado geral, exame pelvico e imagem sem colecao, apesar de antibiotico adequado, e o quadro classico da tromboflebite pelvica septica - diagnostico de exclusao, tratado com anticoagulacao alem do antibiotico. Escalonar para carbapenemico e o reflexo mais comum e falha porque o problema nao e cobertura microbiologica. Restos placentarios costumam cursar com sangramento e utero amolecido e apareceriam na imagem.
Puerpera de 24 anos, 3o dia pos-cesariana, com febre 38,8 C, dor a mobilizacao uterina, lochia fetida e utero subinvoluido. Ferida operatoria limpa e seca. Qual o diagnostico e o esquema antibiotico?
Febre com utero doloroso e subinvoluido e lochia fetida, com ferida integra, e endometrite puerperal - infeccao polimicrobiana que responde a clindamicina com gentamicina endovenosa ate 24 a 48 horas afebril. Culpar a ferida engana o desatento, mas a ferida esta limpa e seca no enunciado; a dor a mobilizacao uterina e o dado que localiza o foco. Tromboflebite pelvica septica so entra como diagnostico de exclusao quando a febre persiste apesar de antibiotico adequado.
Puerpera com mastite tratada com cefalexina ha 5 dias mantem febre e agora apresenta area flutuante de 4 cm na mama. Qual a conduta?
Falha do antibiotico com area flutuante indica abscesso, que exige drenagem - a puncao guiada por ultrassonografia e a primeira escolha por ser menos mutilante e permitir manter a amamentacao, inclusive na mama acometida quando a incisao nao envolve a areola. Persistir apenas trocando antibiotico engana quem acha que e resistencia bacteriana, mas colecao formada nao resolve com farmaco. Carcinoma inflamatorio entra como hipotese quando o quadro nao responde apos drenagem adequada, nao como primeira medida.
Qual esquema antibiótico é adequado para o tratamento da endometrite pós-procedimento com necessidade de terapia parenteral?
A endometrite é polimicrobiana, com participação importante de anaeróbios, e a associação de clindamicina com gentamicina é o esquema clássico, mantido por via parenteral até 24 a 48 horas de melhora clínica, sem necessidade de complementação oral prolongada na maioria dos casos. Nitrofurantoína atinge concentração adequada apenas na urina e não trata infecção uterina. Antifúngico não tem papel, e penicilina benzatina, além do espectro inadequado, trata sífilis.
Paciente de 24 anos apresenta abortamento infectado com febre de 39,5 graus, taquicardia, hipotensão, secreção fétida e útero doloroso, com sinais de sepse. Qual a conduta imediata?
No abortamento infectado, o útero é o foco, e a remoção do conteúdo é parte do controle da sepse, devendo ocorrer precocemente, em paralelo à ressuscitação e ao antibiótico de amplo espectro. Esperar a febre ceder para esvaziar é o erro que mantém o foco ativo e permite a progressão para choque. A histerectomia fica reservada à necrose uterina ou à falha do tratamento, e exames de imagem não devem retardar o controle do foco em paciente séptica.
Puérpera com endometrite grave evolui com dor intensa desproporcional ao exame, crepitação à palpação abdominal, secreção acinzentada e deterioração clínica rápida, com hemocultura em andamento. Qual a conduta?
Dor desproporcional ao exame, crepitação e deterioração rápida sinalizam infecção necrosante, quadro em que o desbridamento cirúrgico precoce é o que determina a sobrevida, associado a antibiótico de amplo espectro. Aguardar cultura ou reavaliar em 24 horas é o erro que perde a janela terapêutica, porque a progressão se dá em horas. Corticoide não trata infecção necrosante, e a curetagem isolada não aborda o tecido desvitalizado além da cavidade.
Paciente com endometrite pós-curetagem mantém febre após 72 horas de antibioticoterapia parenteral adequada. A ultrassonografia mostra material heterogêneo de 3 cm na cavidade uterina, com vascularização ao Doppler. Qual a conduta?
Restos ovulares funcionam como foco infeccioso e impedem a resolução com antibiótico isolado, de modo que o esvaziamento é necessário, mantida a cobertura antimicrobiana. Apenas trocar o antibiótico é o erro que prolonga a infecção sem remover a causa. A histerectomia fica reservada a falha após esvaziamento e antibiótico adequados, a necrose miometrial ou a sepse refratária. A anticoagulação entra na suspeita de tromboflebite pélvica séptica, hipótese a considerar somente após afastar foco residual.
Lactante de 30 anos, 3 semanas pos-parto, com dor em quadrante superior externo da mama direita, area endurecida, eritematosa e quente, febre de 38,5 C e mialgia. Sem flutuacao. Qual a conduta?
Mastite infecciosa trata-se com esvaziamento eficaz (que e parte do tratamento, nao risco), analgesia e antibiotico antiestafilococico como cefalexina. Suspender a mamada e o erro classico: a estase piora a mastite e favorece o abscesso, e o leite nao prejudica o lactente. Drenagem se reserva ao abscesso, sugerido por flutuacao ou confirmado por ultrassonografia. Suprimir a lactacao nao trata a infeccao.
Segundo a definição adotada pela OMS para infecção materna periparto relacionada ao nascimento, qual alternativa está correta?
A definição de infecção materna periparto da OMS não equivale a uma regra de duas aferições de febre entre o segundo e o décimo dia. Abrange o período da ruptura de membranas ou início do trabalho de parto até 42 dias após o nascimento e considera sinais clínicos associados à infecção genital ou de tecidos adjacentes. Infecção pode ocorrer nas primeiras 24 horas; febre nesse intervalo não deve ser ignorada nem determina antibiótico automaticamente. Hemocultura positiva não é requisito universal. Referência: OMS, Recommendations for Prevention and Treatment of Maternal Peripartum Infections (2015), definições.
Puérpera no sétimo dia após cesariana apresenta febre de 38,4 graus e dor pélvica. Ao exame, útero doloroso e subinvoluído, loquiação fétida, ferida operatória limpa e sem sinais flogísticos. Qual a conduta inicial?
Endometrite puerperal após cesariana com febre e útero doloroso é indicação de internação e antibioticoterapia parenteral com cobertura ampla, mantida até a paciente ficar afebril e assintomática por 24 a 48 horas. Tratar ambulatorialmente com esquema oral é o erro que subestima uma infecção com potencial de sepse. A curetagem só se justifica diante de restos placentários, e a amamentação deve ser mantida, pois os antibióticos usados são compatíveis com a lactação.
Sobre a antibioticoprofilaxia em procedimentos uterinos, assinale a alternativa correta.
O benefício depende do procedimento. Na cesariana, a profilaxia deve preceder a incisão. No aborto cirúrgico, recomenda-se antibioticoprofilaxia, enquanto no tratamento exclusivamente medicamentoso ela não é rotina. A inserção de DIU não exige antibiótico preventivo habitual; rastreamento e tratamento de infecção genital, quando indicados, são medidas distintas. Também não se prescreve um curso de sete dias para todo procedimento intrauterino. Suspeita de infecção ativa requer abordagem terapêutica própria, não simples prolongamento da profilaxia.
Mulher de 26 anos, no quinto dia após curetagem uterina por abortamento incompleto, apresenta febre de 38,6 graus, dor hipogástrica, útero amolecido e doloroso à mobilização, com loquiação de odor fétido. Qual o diagnóstico?
Febre, dor uterina à mobilização, útero amolecido e secreção fétida após manipulação da cavidade compõem o quadro de endometrite, infecção polimicrobiana ascendente que decorre da quebra da barreira cervical durante o procedimento. A infecção urinária cursa com sintomas miccionais e dor lombar, sem dor uterina à mobilização. A tromboflebite pélvica séptica é diagnóstico de exclusão, considerado quando a febre persiste apesar de antibiótico adequado, e não na apresentação inicial.
Puérpera no décimo dia após cesariana apresenta febre, dor pélvica e loquiação purulenta, além de ferida operatória com hiperemia, calor e drenagem de secreção purulenta ao explorar a incisão. Qual a conduta em relação à ferida?
Infecção de sítio cirúrgico com coleção purulenta exige abertura e drenagem, associada ao antibiótico sistêmico, porque coleção fechada não se resolve com antimicrobiano isolado. Ressuturar sobre uma ferida infectada é erro que aprisiona a infecção e pode evoluir para fasciíte. Curativo oclusivo sem drenagem tem o mesmo problema. A endometrite concomitante é tratada clinicamente, e a histerectomia só entra em cenários extremos, como necrose uterina ou sepse refratária.
Qual é o fator de risco mais fortemente associado à endometrite puerperal?
A cesariana aumenta o risco de endometrite em várias vezes em relação ao parto vaginal, e esse risco cresce quando a cirurgia ocorre após trabalho de parto prolongado com membranas rotas, situação em que a cavidade já foi colonizada por via ascendente. Outros fatores relevantes são corioamnionite, múltiplos toques, extração manual da placenta e trabalho de parto prolongado. Analgesia peridural e amamentação não aumentam o risco, e a episiotomia se relaciona a infecção da própria ferida perineal.
Puérpera de 31 anos, no oitavo dia após parto vaginal, apresenta febre persistente em picos apesar de 4 dias de antibioticoterapia parenteral de amplo espectro para endometrite, sem restos à ultrassonografia, com bom estado geral entre os picos e sem outro foco identificado. Qual a hipótese?
Febre em picos que persiste apesar de esquema adequado, sem foco novo e com paciente relativamente bem entre os episódios, é a apresentação típica da tromboflebite pélvica séptica, diagnóstico de exclusão confirmado por imagem quando possível e tratado com anticoagulação somada ao antibiótico. Insistir em troca de antibiótico é o erro que prolonga a internação. Mastite seria identificada ao exame das mamas, e desidratação não produz febre persistente por dias em vigência de hidratação hospitalar.
Sobre o uso de antibioticos na lactante com mastite, qual afirmacao esta correta?
Cefalexina, amoxicilina com clavulanato e clindamicina sao compativeis com a amamentacao, e manter as mamadas faz parte do tratamento porque o esvaziamento e o que resolve a estase que alimenta a infeccao. Descartar leite ou interromper a mamada e o erro mais comum e piora a mastite, alem de comprometer a manutencao da lactacao. Excecoes reais existem (algumas quimioterapicas, radiofarmacos), mas nao para os antibioticos habituais.
Puerpera em tratamento de endometrite com clindamicina e gentamicina evolui afebril ha 36 horas, com utero indolor e lochia sem odor. Qual a conduta?
O criterio de suspensao e clinico: 24 a 48 horas afebril, com melhora do exame, permite parar o esquema endovenoso, e a evidencia mostra que continuar com antibiotico oral apos a alta nao traz beneficio em endometrite nao complicada. Prescrever um curso oral 'para completar' e o habito mais difundido e sem respaldo. Prolongar internacao sem sinal de complicacao expoe a paciente e afasta o binomio.
Sobre a microbiologia da endometrite puerperal, qual afirmacao esta correta?
A endometrite puerperal e ascendente e polimicrobiana - estreptococos, enterobacterias e anaerobios como Bacteroides e Peptostreptococcus -, e e por isso que o esquema classico associa clindamicina (anaerobios e Gram-positivos) a gentamicina (Gram-negativos). Pensar em estafilococo isolado e o reflexo de quem mistura com mastite, cujo agente principal e o Staphylococcus aureus. Chlamydia participa de algumas endometrites tardias, mas nao explica o quadro precoce.
Qual medida reduz comprovadamente a incidencia de endometrite pos-cesariana?
A profilaxia com cefazolina administrada antes da incisao e a medida com maior impacto na reducao de endometrite e infeccao de ferida na cesariana. Sondagem vesical prolongada, imobilizacao e jejum prolongado nao protegem e aumentam complicacoes como infeccao urinaria e tromboembolismo. Curetagem intraoperatoria de rotina nao e recomendada e pode traumatizar o endometrio.
Puerpera com febre no 3o dia pos-cesariana. Qual dado do exame fisico melhor DIFERENCIA endometrite de infeccao de sitio cirurgico da parede?
O que separa os dois focos e a localizacao: utero doloroso, subinvoluido e lochia fetida apontam endometrio; eritema, calor, secrecao purulenta e dor concentrada na incisao apontam parede. Febre, taquicardia, leucocitose e dor difusa aparecem nos dois e por isso nao discriminam - apoiar-se neles e o erro que leva a tratar o foco errado. Vale lembrar que os dois podem coexistir apos cesariana.
Puerpera de 22 anos, parto vaginal ha 4 dias, com febre de 39 C, taquicardia de 120 bpm, utero doloroso e amolecido, lochia purulenta e sangramento vaginal aumentado. Ultrassonografia mostra cavidade uterina com conteudo heterogeneo de 3 cm com fluxo ao Doppler. Qual a conduta?
Endometrite com restos ovulares exige as duas coisas: antibiotico endovenoso e esvaziamento da cavidade, que e a fonte. A sequencia importa - inicia-se a cobertura antibiotica e, sob ela, faz-se a curetagem ou aspiracao, reduzindo bacteriemia e risco de perfuracao no utero inflamado. Esvaziar antes de qualquer antibiotico e o erro de sequencia mais cobrado. Histerectomia so em falha do tratamento com sepse refrataria ou necrose uterina.
Qual e o principal fator de risco para endometrite puerperal?
A cesariana e disparadamente o maior fator de risco para endometrite, com incidencia varias vezes maior que a do parto vaginal, e o risco cresce quando ela ocorre apos trabalho de parto com bolsa rota prolongada e multiplos toques. Culpar a episiotomia engana quem associa 'ferida' a infeccao, mas ela se relaciona a infeccao perineal, nao a endometrite. Analgesia peridural pode causar febre nao infecciosa intraparto, o que e diferente de endometrite.
Puerpera de 29 anos com episiotomia mediolateral, no 5o dia, com dor perineal crescente, saida de secrecao purulenta pela sutura, eritema e edema local, sem febre. Qual a conduta?
Infeccao de episiotomia com secrecao purulenta trata-se abrindo os pontos e drenando, com higiene local e antibiotico cobrindo flora mista genital e cutanea; a reparacao, quando necessaria, e feita depois, com tecido limpo. Ressuturar sobre foco infectado e o erro que aprisiona a colecao e favorece progressao para fasciite. Banho de assento isolado nao trata colecao purulenta ja formada.
Puerpera de 26 anos com endometrite tratada em regime hospitalar recebe alta. Qual orientacao de seguimento e mais adequada?
Apos endometrite tratada, o seguimento e retorno precoce com orientacao clara de sinais de alarme (febre, sangramento aumentado, dor, secrecao fetida), mantendo o aleitamento, que nao e prejudicado pelo quadro nem pelos antibioticos usuais. Esperar a revisao de 42 dias e o erro que atrasa a deteccao de recorrencia ou de abscesso. Restringir a deambulacao aumenta risco tromboembolico, ja elevado no puerperio.
Lactante de 33 anos com massa endurecida na mama ha 3 semanas, eritema em casca de laranja, sem febre, que nao respondeu a dois cursos de antibiotico e a uma tentativa de drenagem sem saida de pus. Linfonodo axilar endurecido. Qual a conduta?
Mastite que nao responde a antibiotico adequado, sem pus na puncao, com pele em casca de laranja e adenopatia axilar endurecida, obriga biopsia para excluir carcinoma inflamatorio - a gestacao e a lactacao nao protegem contra cancer de mama e sao justamente o cenario em que o diagnostico atrasa. Insistir com mais antibiotico e o erro classico e custa meses. Suspender a lactacao e observar tambem apenas adia o diagnostico.
Puerpera de 27 anos com endometrite pos-cesariana evolui, no 5o dia, com dor abdominal intensa, distensao, ileo e massa palpavel em fundo de saco. Tomografia mostra colecao pelvica de 7 cm com realce periferico. Qual a conduta?
Abscesso pelvico e colecao formada: antibiotico sozinho penetra mal e a regra e drenar, hoje preferencialmente por puncao guiada por imagem, reservando a cirurgia aberta para falha ou colecao inacessivel. Insistir so com farmaco e o erro que prolonga a sepse. Histerectomia e conduta de resgate, nao de primeira linha. Anticoagulacao seria a resposta se o quadro fosse tromboflebite pelvica septica, que nao forma colecao com realce periferico.
Qual e o agente mais comumente implicado na mastite puerperal infecciosa?
O Staphylococcus aureus e o principal agente da mastite lactacional, procedente da orofaringe do lactente e da pele materna, e por isso a escolha empirica recai sobre antiestafilococicos como cefalexina - com atencao a cepas resistentes a meticilina em ambiente de risco. Escolher Escherichia coli confunde com infeccao urinaria e endometrite; anaerobios como Bacteroides pesam na endometrite polimicrobiana, nao na mastite.
Qual e a definicao de morbidade febril puerperal?
A definicao classica exige 38 C ou mais em dois dias quaisquer dos primeiros 10 dias, excluindo as primeiras 24 horas - justamente porque a febre isolada do primeiro dia costuma ser reacional, ligada a desidratacao, apojadura ou atelectasia, e nao a infeccao. Incluir as primeiras 24 horas e o erro que gera antibiotico desnecessario. Lochia fetida e um achado que sugere endometrite, mas nao faz parte da definicao de morbidade febril.
Puérpera no sétimo dia após cesariana permanece febril apesar de 72 horas de antibioticoterapia adequada para endometrite, com melhora dos lóquios, sem coleções à tomografia e com hemoculturas negativas. Qual a hipótese e a conduta?
Febre persistente sem foco identificável, apesar de tratamento adequado e com melhora dos demais sinais de endometrite, é a apresentação típica da tromboflebite pélvica séptica, diagnóstico de exclusão em que a resposta à anticoagulação costuma ser rápida e serve como confirmação terapêutica. Escalonar antibiótico é o reflexo mais comum e mantém a paciente febril porque o problema já não é bacteriano puro. Suspender a cobertura antes do controle do foco é arriscado, e a tomografia sem coleções afasta abscesso de parede.
Puérpera de 24 anos, terceira semana de amamentação, apresenta dor e área endurecida, quente e avermelhada em quadrante superior externo da mama direita, febre de 38,4 °C e mal-estar. Não há flutuação. Qual a conduta?
A estase láctea alimenta a mastite, de modo que esvaziar a mama é parte do tratamento e não um risco para o lactente; a suspensão da amamentação piora o quadro e favorece a formação de abscesso. O agente predominante é o estafilococo, coberto por cefalexina ou outro antiestafilocócico oral. Ausência de flutuação afasta a necessidade de drenagem naquele momento, e cobertura para anaeróbios entéricos pertence à endometrite, não à mama.
Confirmado o diagnóstico de endometrite puerperal em paciente internada, qual o esquema antibiótico de escolha?
A infecção é polimicrobiana, com anaeróbios e gram-negativos entéricos, e o esquema com clindamicina e aminoglicosídeo cobre esse espectro com eficácia consagrada, mantido até a paciente completar 24 a 48 horas afebril e assintomática. Cefalexina oral engana por ser o antibiótico habitual das infecções de pele e da mastite, mas não cobre anaeróbios nem alcança concentração adequada em quadro sistêmico. Nitrofurantoína trata cistite, azitromicina cobre clamídia e a penicilina benzatina se destina à sífilis.
Puérpera de 33 anos, cesariana há 5 dias, retorna com febre de 38,6 °C há 24 horas, dor hipogástrica, lóquios purulentos e de odor fétido, útero amolecido e doloroso à mobilização. Ferida operatória limpa, sem secreção. Qual a conduta?
Febre acima de 38 °C após as primeiras 24 horas, útero doloroso e lóquios fétidos definem endometrite puerperal, mais frequente após cesariana. O tratamento padrão é antibioticoterapia intravenosa com cobertura polimicrobiana — o esquema clássico associa clindamicina a gentamicina — mantida até 24 a 48 horas afebril. O antibiótico oral ambulatorial engana quem subestima a natureza polimicrobiana da infecção. A curetagem não é conduta inicial e só entra se houver restos ovulares documentados após a cobertura antibiótica, pelo risco de perfuração no útero amolecido e infectado.
Puérpera de 26 anos, décimo dia após parto vaginal, com sangramento vaginal aumentado, lóquios fétidos, febre de 38,5 °C e útero amolecido e doloroso à palpação. Qual a causa mais provável do sangramento?
Febre, lóquios com odor e útero doloroso e subinvoluído no puerpério tardio compõem o quadro clássico de endometrite, condição em que a infecção impede a contração adequada e se associa com frequência à retenção de fragmentos placentários. Atonia primária é fenômeno das primeiras horas e não cursa com febre. Coagulopatia se manifestaria já no parto e sem sinais infecciosos, laceração não suturada sangraria desde o início e a inversão é evento agudo com massa vaginal palpável.
Qual é a definição clássica de morbidade febril puerperal?
A exclusão das primeiras 24 horas existe porque elevações térmicas isoladas nesse período são frequentes e habitualmente benignas, ligadas a desidratação, esforço do trabalho de parto e apojadura; exigir dois dias com temperatura significativa dentro da primeira dezena de dias dá especificidade ao critério. Considerar qualquer pico nas primeiras horas geraria investigação desnecessária em grande parte das puérperas. Hemocultura positiva define bacteremia, e não é requisito para o conceito.
Paciente com mastite tratada com antibiótico há cinco dias mantém febre e agora apresenta área flutuante e dolorosa na mama, confirmada como coleção de 4 cm à ultrassonografia. Qual a conduta?
Abscesso é coleção fechada e não se resolve com antibiótico isolado; a punção guiada, muitas vezes repetida, substituiu a incisão ampla em coleções acessíveis e permite manter a amamentação. Trocar o antibiótico é a tentação de quem interpreta a falha como espectro inadequado, quando o problema é mecânico. Inibir a lactação não trata a coleção e agrava a estase, e ressecção cirúrgica ampla é desproporcional a uma infecção benigna e drenável.
Puérpera de 27 anos, 6 dias após cesariana, mantém febre de 38,8 °C em picos, apesar de 72 horas de clindamicina com gentamicina em doses adequadas. Apresenta bom estado geral entre os picos, útero involuindo bem, lóquios sem odor, ferida operatória limpa e exames de imagem sem coleções. Qual o diagnóstico mais provável?
A tromboflebite pélvica séptica é diagnóstico de exclusão e tem uma assinatura clínica peculiar: febre persistente em picos apesar de antibiótico adequado, em paciente que parece surpreendentemente bem entre os episódios e sem foco identificável. Endometrite refratária costuma manter útero doloroso e lóquios alterados, ausentes aqui. Abscesso de parede ou coleções pélvicas seriam vistos na imagem. Infecção urinária traz sintomas e sedimento alterado. O ingurgitamento mamário pode elevar discretamente a temperatura no início da lactação, mas não sustenta febre alta no sexto dia com antibiótico em curso.
Puérpera de 30 anos, 4 dias após parto vaginal, com febre de 38,5 °C, dor à mobilização uterina, útero amolecido e subinvoluído e lóquios com odor fétido. Qual o diagnóstico e o tratamento inicial?
Febre puerperal com útero doloroso e subinvoluído e lóquios fétidos configura endometrite, infecção polimicrobiana ascendente cujo principal fator de risco é a cesariana, especialmente após trabalho de parto e bolsa rota prolongada. O tratamento clássico associa clindamicina e gentamicina intravenosas, mantidas até 24 a 48 horas afebril, sem necessidade de antibiótico oral subsequente na maioria dos casos. A mastite cursa com sinais flogísticos mamários, e a pielonefrite com dor lombar e alterações urinárias. A ausência de melhora após 48 a 72 horas de tratamento adequado é o que dispara a busca por complicações.
Puérpera de 33 anos, 5 dias após cesariana, com febre persistente e dor em fossa ilíaca direita. A tomografia mostra trombo em veia ovariana direita com realce parietal e borramento da gordura adjacente. Por que a veia ovariana direita é a mais acometida?
A veia ovariana direita é acometida na grande maioria dos casos puerperais. Entre os mecanismos propostos estão o fluxo anterógrado à direita, que pode favorecer a ascensão de contaminantes uterinos, múltiplas válvulas incompetentes, a dextrorrotação do útero gravídico e a drenagem direta na veia cava inferior. A veia ovariana esquerda é que drena na veia renal esquerda; irrigação arterial e produção hormonal não explicam a lateralidade. A redação anterior estava errada ao atribuir o predomínio direito a fluxo retrógrado. Fonte: Jenayah et al., Ovarian vein thrombosis in the postnatal period, 2021, PMID 34172481.
Qual exame de imagem é mais útil para documentar trombose de veia ovariana em puérpera com febre persistente?
A tomografia com contraste e a ressonância são os exames que melhor demonstram o trombo em veia ovariana ou em veias pélvicas, tipicamente à direita, além de afastarem abscessos e outras coleções, e por isso participam do raciocínio de exclusão que sustenta o diagnóstico. A ultrassonografia transvaginal é acessível, porém tem sensibilidade limitada para veias pélvicas profundas, e um exame normal não exclui o quadro — essa limitação é o ponto que mais engana. Radiografia simples não avalia estruturas vasculares, e histerossalpingografia avalia cavidade e trompas, sem qualquer papel aqui.
Qual a conduta terapêutica na tromboflebite pélvica séptica puerperal?
O tratamento combina antibiótico de amplo espectro com anticoagulação plena, e a resposta costuma ser rápida, com defervescência em 48 a 72 horas — resposta que inclusive ajuda a confirmar o diagnóstico. A duração da anticoagulação varia conforme a extensão da trombose e a resposta clínica. Anticoagulação apenas profilática é insuficiente. Suspender o antibiótico ignora o componente séptico, e cirurgia se reserva a complicações como abscesso ou embolização séptica não controlada. A histerectomia, outrora usada, hoje é excepcional e não pertence à conduta inicial.
Lactante de 25 anos, 3 semanas após o parto, apresenta área endurecida, eritematosa e dolorosa no quadrante superior externo da mama esquerda, febre de 38,7 °C e mal-estar, sem flutuação à palpação. Qual a conduta?
Na mastite puerperal, o esvaziamento mamário eficaz é parte do tratamento, e a amamentação deve ser mantida — inclusive na mama acometida — porque a estase é o que perpetua o processo; associam-se antibiótico com cobertura para estafilococo, analgesia e correção da pega. Suspender a amamentação e enfaixar as mamas é a conduta antiga que agrava a estase e favorece a evolução para abscesso. A drenagem se reserva ao abscesso, com flutuação ou confirmação ultrassonográfica. Inibir a lactação não trata a infecção e priva o lactente. Casos leves e muito iniciais podem ser manejados só com esvaziamento, mas com febre e sinais sistêmicos o antibiótico entra.
Qual medida reduz de forma mais consistente a incidência de endometrite puerperal em pacientes submetidas a cesariana?
A profilaxia antibiótica em dose única, tipicamente com cefazolina, administrada nos 60 minutos que antecedem a incisão, reduz endometrite e infecção de sítio cirúrgico de forma mais eficaz do que a administração após o clampeamento do cordão — prática antiga baseada no receio de mascarar sepse neonatal, receio que não se confirmou. A tricotomia com lâmina e antecipada aumenta infecção, devendo-se preferir tosquia imediatamente antes, quando necessária. Drenos de rotina não reduzem infecção. A antissepsia vaginal pré-operatória tem evidência favorável, mas a irrigação cavitária com antisséptico não é medida estabelecida.
Puérpera de 30 anos, na terceira semana, apresenta febre de 38,8 °C, calafrios, dor e área de eritema, calor e endurecimento em quadrante superior externo da mama esquerda. Sem flutuação. A conduta é:
Na mastite, manter o esvaziamento é parte do tratamento: a estase alimenta a infecção, e o leite da mama acometida não faz mal ao lactente. O antibiótico deve cobrir Staphylococcus aureus, agente predominante. Suspender a mamada é o erro mais comum e converte mastite em abscesso, ao manter o leite retido. A drenagem só entra quando há coleção demonstrada — daí o papel da ultrassonografia diante de falha terapêutica após 48 a 72 horas.
Puérpera de 31 anos, no quinto dia após cesariana, retorna à maternidade com febre de 38,7 °C, dor hipogástrica e loquiação de odor fétido. Ao exame: útero doloroso à palpação, subinvoluído, ferida operatória sem sinais flogísticos, ausência de sintomas urinários e mamas sem alterações. Leucócitos de 17.000/mm³. Está hemodinamicamente estável. Assinale o diagnóstico mais provável e a conduta correta.
Febre no puerpério com útero doloroso e subinvoluído e loquiação fétida caracteriza endometrite puerperal, mais frequente após cesariana, cujo tratamento é a antibioticoterapia venosa de amplo espectro com cobertura para anaeróbios em ambiente hospitalar. Mastite cursa com sinais inflamatórios mamários, ausentes aqui. Infecção de sítio cirúrgico exigiria alterações na ferida operatória, descrita como íntegra. A tromboflebite pélvica séptica é diagnóstico de exclusão, considerado quando a febre persiste apesar de antibioticoterapia adequada, e nunca se trata apenas com anticoagulação.
Puérpera de 25 anos, com 18 dias de parto vaginal, procura a Unidade Básica de Saúde com dor intensa na mama direita, febre de 38,5 °C e mal-estar. Ao exame: área endurecida, eritematosa e quente no quadrante superior externo da mama direita, sem flutuação, com fissura mamilar. O recém-nascido está em aleitamento exclusivo e tem ganho ponderal adequado. Não há linfonodomegalia axilar dolorosa supurada. Assinale a conduta correta.
Na mastite lactacional o tratamento combina manutenção do aleitamento, correção da pega, esvaziamento eficaz da mama e antibiótico com cobertura para Staphylococcus aureus, além de analgesia. Suspender a amamentação e inibir a lactação piora a estase e favorece o abscesso, além de privar o lactente do leite materno. A drenagem cirúrgica se reserva ao abscesso, caracterizado por flutuação ou confirmação ultrassonográfica. Tratar apenas com analgésico em paciente febril com sinais flogísticos francos retarda o controle da infecção.
Puérpera de 26 anos, no 18º dia pós-parto vaginal, procura a Unidade Básica de Saúde com dor intensa e vermelhidão na mama direita há dois dias, febre de 38,7 °C e mialgia. Amamenta exclusivamente. Ao exame: quadrante superior externo direito endurecido, quente e hiperemiado, sem flutuação nem ponto de drenagem; fissura no mamilo direito. Sinais vitais estáveis, sem prostração. Qual é a conduta adequada?
Trata-se de mastite lactacional sem abscesso: o esvaziamento eficaz da mama é a medida terapêutica central, e mantém-se a amamentação associada a antibiótico com cobertura para estafilococo e correção da pega, que é a causa da porta de entrada. Suspender a lactação piora a estase e agrava o quadro. A drenagem cirúrgica pressupõe flutuação ou coleção documentada, ausentes aqui. Compressas e analgesia isoladas deixam sem tratamento a infecção bacteriana já com repercussão sistêmica.
Puérpera de 30 anos, no terceiro dia após cesariana, apresenta febre de 38,2 °C. A ferida operatória está com discreto eritema perilesional, sem secreção. As mamas estão ingurgitadas e dolorosas, o útero está bem contraído e indolor, os lóquios não têm odor e não há sintomas urinários. Ela refere que o bebê tem dificuldade para pegar a mama. Assinale a causa mais provável da febre e a conduta indicada.
Febre baixa no terceiro dia de puerpério com mamas ingurgitadas e doloridas, útero indolor, lóquios sem odor e ferida sem secreção sugere febre relacionada ao ingurgitamento, cuja conduta é o esvaziamento mamário e a correção da pega, com reavaliação. Endometrite exigiria útero doloroso e lóquios fétidos, expressamente ausentes. Infecção de sítio cirúrgico profunda cursaria com secreção purulenta e sinais flogísticos importantes, e abrir a ferida sem esses achados é intervenção injustificada. Pielonefrite implicaria sintomas urinários e dor lombar, também ausentes.
Mulher de 27 anos, no 18º dia pós-parto, procura a Unidade Básica de Saúde com dor intensa na mama direita, febre de 38,8 °C, calafrios e mal-estar. Ao exame: área endurecida, quente e eritematosa no quadrante superior externo da mama direita, sem flutuação; fissura mamilar presente. A pega do bebê é inadequada. Qual é a conduta correta?
Na mastite lactacional sem abscesso, a manutenção do aleitamento com esvaziamento eficaz e a correção da pega são parte essencial do tratamento, associadas a antibiótico com cobertura para Staphylococcus aureus e analgesia. Suspender a amamentação piora a estase láctea e favorece a evolução para abscesso. A supressão da lactação com cabergolina retira o principal fator terapêutico e frustra o aleitamento desejado. A drenagem cirúrgica só se indica quando há coleção formada, e não há flutuação no exame descrito.
Criança de 9 meses, em aleitamento materno, apresenta febre e recusa alimentar. A mãe tem mastite em tratamento com antibiótico e pergunta se deve interromper a amamentação. Ela relata dor mamária, hiperemia e febre, sem abscesso identificado. Qual é a orientação correta?
O esvaziamento adequado da mama, incluindo a amamentação na mama acometida, é parte essencial do tratamento da mastite, junto com antibiótico e analgesia, e não oferece risco à criança. Suspender a amamentação na mama afetada favorece estase e progressão para abscesso. Interromper o aleitamento por uso de antibiótico é desnecessário, pois há opções compatíveis com a lactação. A substituição definitiva por fórmula é conduta desproporcional e prejudicial.
Puérpera de 31 anos retorna à Unidade Básica de Saúde no décimo dia após cesariana com febre de 38,6 °C, dor pélvica e loquiação de odor fétido. A ferida operatória está limpa, sem secreção. Ao exame, há dor à mobilização do colo e útero amolecido e doloroso à palpação, com altura entre a cicatriz umbilical e a sínfise púbica. A pressão arterial é de 112x70 mmHg e a frequência cardíaca é de 104 bpm. Não há sinais de peritonite. Considerando o diagnóstico mais provável, a conduta correta é
O quadro é de endometrite puerperal, infecção polimicrobiana que, após cesariana e com repercussão sistêmica, exige internação e antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro com cobertura para anaeróbios, sendo o esquema clássico a associação de clindamicina com gentamicina. Antibiótico oral ambulatorial é insuficiente para essa apresentação e retarda a resposta. A curetagem não é medida inicial e só se cogita diante de restos ovulares comprovados após tratamento clínico. Febre com loquiação fétida nunca é fisiológica: a loquiação normal não tem odor pútrido e a febre puerperal exige investigação obrigatória.
Puérpera de 24 anos, no décimo segundo dia após parto vaginal, é atendida na Unidade Básica de Saúde com dor intensa e endurecimento na mama esquerda, com área de eritema em cunha no quadrante superior externo, quente e muito dolorosa. Apresenta febre de 38,8 °C, calafrios e mal-estar. Não há flutuação à palpação nem drenagem espontânea de secreção. A pega do bebê é inadequada e há fissura mamilar à esquerda. A conduta correta é
A mastite lactacional com sinais sistêmicos exige antibiótico com cobertura para Staphylococcus aureus, e o esvaziamento eficaz da mama é parte essencial do tratamento, junto à correção da pega, que é a causa da fissura e da porta de entrada. Suspender a amamentação piora a estase, favorece o abscesso e leva ao desmame. Drenagem cirúrgica só é indicada quando há abscesso formado, e não há flutuação neste caso. Tratar apenas sintomas em quadro febril com sinais flogísticos francos retarda o controle da infecção e aumenta o risco de abscesso.
Puérpera de 24 anos comparece à Unidade Básica de Saúde no oitavo dia pós-parto vaginal referindo dor intensa em mama direita e febre. Amamenta em livre demanda, mas relata fissura mamilar dolorosa desde a primeira semana e pega superficial. Ao exame: temperatura axilar 38,6 °C, mama direita com área endurecida, eritematosa e quente no quadrante superior externo, sem flutuação e sem drenagem de secreção purulenta. Recém-nascido em bom estado geral, ganhando peso. A conduta mais adequada é:
O quadro é de mastite lactacional, e o esvaziamento eficaz da mama é parte central do tratamento: manter a amamentação, corrigir a pega que originou a fissura porta de entrada, associar antibiótico com cobertura para Staphylococcus aureus e analgesia. Suspender a mamada agrava a estase e favorece a evolução para abscesso, além de comprometer desnecessariamente o aleitamento, que permanece seguro para o bebê. Não há flutuação nem sinais de coleção que justifiquem imagem urgente e drenagem. Adiar o antibiótico por 72 horas em paciente com febre alta e sinais flogísticos francos aumenta o risco de abscesso.
Puérpera de 33 anos, no sexto dia após cesariana, retorna ao pronto-atendimento com febre persistente de 38,5 °C apesar de três dias de clindamicina com gentamicina por endometrite. Não há dor à mobilização do colo, a ferida operatória está limpa e o útero está involuindo. O exame de urina é normal, a radiografia de tórax é normal e a tomografia de abdome mostra trombo em veia ovariana direita. A pressão arterial é de 118x74 mmHg. A conduta correta é
Febre persistente após antibioticoterapia adequada para endometrite, sem outro foco identificado, e trombo em veia ovariana caracteriza tromboflebite pélvica séptica, tratada com manutenção do antibiótico associado à anticoagulação. Suspender o antibiótico ignora o componente infeccioso que originou a trombose. Histerectomia não é tratamento de escolha e ficaria reservada a casos de abscesso ou falência do tratamento clínico. Antifúngico empírico não se justifica sem fatores de risco para candidemia e sem culturas sugestivas.
Puérpera de 26 anos comparece à Unidade Básica de Saúde no décimo dia após parto vaginal, com febre, dor pélvica e loquiação com odor fétido há dois dias. Nega sintomas urinários, tosse ou sinais mamários. Ao exame: temperatura 38,7 °C, FC 110 bpm, PA 104x64 mmHg, abdome doloroso em hipogástrio, útero subinvoluído e doloroso à palpação, loquiação purulenta e fétida ao exame especular, mamas sem sinais inflamatórios, panturrilhas indolores. A conduta correta é:
Febre no puerpério com útero subinvoluído e doloroso e loquiação fétida caracteriza endometrite puerperal, infecção que exige antibioticoterapia adequada, geralmente parenteral e em ambiente hospitalar quando há febre alta, taquicardia e sinais de repercussão sistêmica, pelo risco de sepse. Anti-inflamatório isolado mascara a febre e retarda o tratamento. Suspender a amamentação não trata a infecção uterina e prejudica o binômio. Candidíase não causa loquiação purulenta fétida com dor uterina e febre alta, e antifúngico não cobre os agentes envolvidos.
Puérpera de 31 anos, no vigésimo dia pós-parto, procura a unidade de pronto atendimento com dor intensa na mama esquerda há 2 dias, febre e mal-estar. Vinha apresentando fissuras mamilares e mamadas com intervalos longos. Ao exame apresenta temperatura axilar 38,7 °C, FC 104 bpm, mama esquerda com área de eritema, calor e endurecimento no quadrante superior externo, muito dolorosa à palpação, sem flutuação ou ponto de drenagem, com o recém-nascido em bom estado geral. A conduta mais adequada é:
Na mastite puerperal sem abscesso, o tratamento combina esvaziamento eficaz da mama, com manutenção do aleitamento inclusive no lado acometido, antibiótico com cobertura para Staphylococcus aureus e analgesia, além da correção da pega. Suspender a amamentação piora a estase e favorece a formação de abscesso. Drenagem cirúrgica é indicada apenas quando há abscesso, com flutuação ou confirmação por ultrassonografia. Analgesia isolada não trata a infecção bacteriana já instalada com febre alta.
Mulher de 34 anos, no décimo dia de puerpério após cesariana, é atendida no pronto-socorro com dor abdominal em flanco direito, febre de 38,5 °C e náuseas. Ela está em uso de analgésicos e não teve intercorrências no parto. Ao exame, há dor à palpação profunda do flanco direito, com massa alongada e dolorosa palpável, sem sinais de irritação peritoneal. Os leucócitos estão em 17.000/mm³ e o exame de urina é normal. A tomografia mostra trombose de veia ovariana direita com realce parietal. A conduta correta é
A trombose de veia ovariana no puerpério cursa com dor em flanco, febre e massa palpável, e o tratamento associa antibioticoterapia de amplo espectro à anticoagulação, evitando extensão do trombo para a veia cava e embolia pulmonar. Analgesia isolada não trata a infecção nem o trombo. Cirurgia com ooforectomia é medida excepcional em casos refratários ou com complicação. Tratar como infecção urinária ignora o exame de urina normal e o achado tomográfico definidor do diagnóstico.
Mulher de 28 anos, no oitavo dia de puerpério após parto vaginal com trabalho de parto prolongado e várias avaliações vaginais, procura a Unidade de Pronto Atendimento com febre, dor pélvica e loquiação com odor fétido. Ao exame: temperatura axilar 39 °C, frequência cardíaca 118 bpm, pressão arterial 98x60 mmHg, útero subinvoluído e doloroso à palpação, com colo entreaberto e saída de secreção purulenta e fétida. Exames: leucocitose com desvio à esquerda e proteína C reativa elevada. Qual é a conduta correta?
Febre puerperal com útero subinvoluído e doloroso e loquiação purulenta e fétida caracteriza endometrite puerperal, que exige internação e antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro cobrindo flora polimicrobiana, com investigação de restos ovulares e de complicações. Antibiótico oral ambulatorial é insuficiente diante de taquicardia, febre alta e sinais de resposta inflamatória. Analgésico e uterotônico isolados não tratam a infecção. Histerectomia é reservada a casos refratários ou com complicações graves, como sepse não controlada.
Mulher de 30 anos, no vigésimo dia de amamentação exclusiva, procura a Unidade Básica de Saúde com dor intensa e vermelhidão em quadrante superior externo da mama direita, febre e mal-estar há dois dias. Refere fissuras mamilares e dificuldade de pega do bebê. Ao exame: temperatura axilar 38,6 °C, área endurecida, quente e dolorosa na mama direita, sem flutuação e sem ponto de drenagem, com fissura mamilar visível. O bebê está com bom ganho de peso. Qual é a conduta correta?
Na mastite lactacional a manutenção do esvaziamento mamário é parte central do tratamento, associada à correção da pega, analgesia, calor local e antibiótico com cobertura para estafilococo, sendo a amamentação segura para o lactente. Suspender a amamentação na mama acometida favorece estase e evolução para abscesso. Interromper todo o aleitamento não tem justificativa clínica e prejudica o binômio. A drenagem cirúrgica é indicada apenas quando há abscesso, com flutuação ou confirmação por imagem.
Mulher de 31 anos, no vigésimo quinto dia pós-parto e amamentando, chega ao pronto-socorro com dor intensa na mama esquerda, febre e mal-estar há 4 dias, sem melhora após antibiótico oral iniciado há 3 dias. Ao exame apresenta temperatura axilar 38,9 °C, FC 110 bpm, mama esquerda com área de eritema, calor e endurecimento no quadrante superior externo, agora com flutuação evidente à palpação e ponto de maior amolecimento, sem necrose cutânea e com o recém-nascido em bom estado geral. A conduta mais adequada é:
O abscesso mamário puerperal exige drenagem, preferencialmente por punção guiada por ultrassonografia, com manutenção do esvaziamento da mama e do aleitamento e ajuste do antibiótico conforme evolução e cultura. Suspender a amamentação favorece estase e piora do quadro, além de prejudicar o binômio. Compressas e analgesia isoladas não resolvem coleção com flutuação. Mastectomia parcial é conduta desproporcional para infecção tratável com drenagem e antibiótico.
Puérpera de 25 anos, no quinto dia após cesariana, procura a maternidade com febre, dor pélvica e loquiação com odor fétido. O trabalho de parto foi prolongado, com bolsa rota por muitas horas antes da cirurgia. Ao exame, temperatura axilar de 38,8 °C, frequência cardíaca de 112 bpm, útero subinvoluído e doloroso à palpação, loquiação purulenta e fétida, ferida operatória sem sinais flogísticos e ausculta pulmonar limpa. Leucócitos de 18.000/mm³. A conduta correta é:
Febre, útero subinvoluído e doloroso e loquiação fétida no puerpério, após cesariana com fatores de risco como trabalho de parto prolongado e bolsa rota prolongada, caracterizam endometrite puerperal, que exige internação e antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro, com vigilância de complicações e investigação de restos ovulares ou coleções. Tratamento oral ambulatorial é insuficiente nesse cenário. Antitérmico isolado ignora infecção com repercussão sistêmica. Histerectomia é medida excepcional, reservada a casos refratários com sepse grave.
Puérpera de 31 anos, no vigésimo dia após parto vaginal, comparece à Unidade Básica de Saúde com dor mamária localizada, endurecimento em quadrante superior externo da mama esquerda e febre de 38,7 °C há dois dias, sem melhora com esvaziamento e analgesia. Ao exame, há área endurecida com flutuação de cerca de 5 cm, eritema, calor e dor intensa, sem drenagem espontânea. Ela está prostrada, com frequência cardíaca de 108 bpm e pressão arterial de 110x68 mmHg. A conduta correta é
A presença de flutuação indica abscesso mamário, cujo tratamento é a drenagem, por punção guiada ou incisão, associada a antibiótico com cobertura para Staphylococcus aureus e à manutenção do esvaziamento da mama, inclusive com amamentação quando possível. Antibiótico isolado sem drenagem não resolve a coleção. Suspender definitivamente a amamentação favorece estase e desmame. Mastectomia é conduta absurda em processo infeccioso benigno tratável.
Puérpera de 29 anos, no quarto dia após cesariana por corioamnionite, é reinternada com febre de 39,2 °C, taquicardia de 126 bpm, hipotensão de 86x50 mmHg, dor pélvica intensa e loquiação fétida. Ao exame, há dor intensa à mobilização do colo, útero doloroso e amolecido, com ferida operatória sem secreção. Os exames mostram leucócitos de 24.000/mm³ com desvio, lactato de 4,0 mmol/L e creatinina de 1,5 mg/dL. A conduta correta é
O quadro corresponde a sepse puerperal de foco uterino, exigindo ressuscitação volêmica e antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro imediatas, com investigação de coleção ou restos e avaliação cirúrgica diante de falha do tratamento clínico. Antibiótico oral com observação prolongada é insuficiente em paciente com hipotensão e hiperlactatemia. Histerectomia imediata sem tratamento clínico não é a conduta inicial. Aguardar hemoculturas retarda a intervenção que reduz mortalidade.
Mulher, 28 anos, no 18º dia de puerpério, com dor intensa em quadrante superior externo da mama direita há 4 dias, sem melhora com analgésico e esvaziamento frequente. T 38,9 °C, PA 108/66 mmHg, FC 110 bpm. Exame: área endurecida, hiperemiada, muito dolorosa, com flutuação à palpação profunda. Ultrassom mamário mostra coleção heterogênea de 4,5 cm com debris. Leucócitos 16.400/mm³ (VR 4.000–11.000). Qual a conduta correta?
Drenar a coleção, por punção guiada por ultrassom ou incisão, associar antibiótico com cobertura para Staphylococcus aureus e manter o aleitamento, inclusive na mama afetada, é a conduta correta no abscesso mamário lactacional confirmado por imagem, já que a manutenção do esvaziamento acelera a resolução e o leite não oferece risco ao lactente. Manter apenas antibiótico oral não resolve coleção organizada de 4,5 cm e prolonga a sepse. Suspender a amamentação e inibir a lactação favorece a estase e é medida contrária à recomendação vigente. A mastectomia setorial é desproporcional e não é conduta para abscesso puerperal. Compressas mornas com ordenha isolada são insuficientes diante de coleção formada e febre alta com leucocitose.
Mulher, 29 anos, no 5º dia após cesariana de urgência por sofrimento fetal, com bolsa rota por 20 horas e múltiplos toques vaginais, retorna com febre e dor pélvica. T 38,8 °C, PA 106/64 mmHg, FC 112 bpm. Útero amolecido, subinvoluído e muito doloroso à mobilização, com loquiação abundante e fétida. Ferida operatória sem sinais flogísticos. Leucócitos 18.200/mm³ (VR 4.000–11.000). Ultrassom sem coleções ou restos evidentes. Qual a conduta correta?
Internação e antibioticoterapia intravenosa com clindamicina associada a gentamicina, mantida até 48 horas afebril, é o tratamento padrão da endometrite puerperal, cujo diagnóstico é clínico, com febre, útero subinvoluído e doloroso e loquiação fétida em paciente com fatores de risco como cesariana, bolsa rota prolongada e múltiplos toques. A curetagem só se justifica se houver restos ovulares documentados, ausentes no ultrassom, e a manipulação sem indicação aumenta o risco de perfuração e sinéquias. O antibiótico oral ambulatorial é insuficiente para paciente febril, taquicárdica e com leucocitose. A histerectomia é medida de exceção, reservada a falha terapêutica com necrose uterina, e o útero de Couvelaire pertence ao descolamento prematuro de placenta. Anti-inflamatório com ocitocina não trata a infecção estabelecida.
Mulher, 27 anos, no 8º dia de puerpério de cesariana, mantém picos febris diários de até 39 °C apesar de 5 dias de clindamicina e gentamicina em doses adequadas. PA 112/70 mmHg, FC 104 bpm. Abdome pouco doloroso, útero involuindo, loquiação sem odor, ferida operatória íntegra. Hemoculturas negativas. Tomografia de abdome e pelve mostra trombo em veia ovariana direita, com realce parietal e estriação da gordura adjacente. Qual a conduta correta?
Manter a antibioticoterapia e associar anticoagulação plena é a conduta correta na tromboflebite pélvica séptica, diagnóstico sugerido pela febre persistente apesar de antibiótico adequado, com exame físico pobre e hemoculturas negativas, e confirmado pela trombose de veia ovariana à tomografia. Apenas escalonar o antibiótico ignora o componente trombótico, que é o responsável pela febre refratária. A laparotomia com ligadura venosa e histerectomia é conduta histórica, hoje reservada a falhas do tratamento clínico. Suspender os antibióticos é incorreto, pois o processo é infeccioso e trombótico ao mesmo tempo. A corticoterapia não tem papel e poderia mascarar a evolução de um quadro séptico.
Mulher, 34 anos, no 8º dia de puerpério de parto vaginal, com amamentação exclusiva, apresenta dor e endurecimento em quadrante superior externo da mama direita há 3 dias, com piora progressiva. T 38,7 °C, FC 104 bpm. Exame: área de 6 cm eritematosa, quente, com flutuação à palpação. Ultrassonografia: coleção de 4 cm com debris, sem septações complexas. Qual a conduta?
Trata-se de abscesso mamário puerperal: a conduta atual é a drenagem por punção guiada por ultrassonografia, associada a antibiótico com cobertura para Staphylococcus aureus e à manutenção do esvaziamento da mama, inclusive com amamentação, que ajuda na resolução. Suspender a lactação e secar a mama piora a estase e não é indicado, já que a amamentação pode seguir mesmo na mama acometida na maioria dos casos. Antibiótico isolado não resolve coleção organizada de 4 cm. A incisão ampla com desbridamento é reservada a abscessos volumosos, multiloculados ou refratários, por deixar cicatriz e comprometer ductos. Compressas frias e conduta expectante retardam o tratamento de uma coleção já flutuante em paciente febril e taquicárdica.
Mulher, 33 anos, no 10º dia de puerpério, amamentando, apresenta dor em mama direita há 2 dias, com área endurecida, eritematosa e quente em quadrante superior externo, sem flutuação. T 38,4 °C, FC 98 bpm. Refere fissura mamilar e mamas muito cheias antes das mamadas. Ultrassonografia mamária: espessamento e edema do parênquima, sem coleção organizada. Recém-nascido com boa sucção após ajuste da pega. Qual a conduta?
Na mastite puerperal, o tratamento reúne manutenção do esvaziamento mamário — com amamentação e correção da pega, que é a causa da fissura e da estase —, analgesia e antibiótico com cobertura para Staphylococcus aureus, o agente mais frequente. Interromper a lactação e suprimir com cabergolina piora a estase e retira o principal mecanismo de resolução. A drenagem cirúrgica é indicada em abscesso, e a ultrassonografia mostrou apenas espessamento, sem coleção. Analgesia isolada é insuficiente em paciente febril com quadro já instalado há dois dias. A cobertura para Gram-negativos entéricos não corresponde à etiologia habitual e deixaria o principal agente sem tratamento adequado.
Comissão de controle de infecção de uma maternidade revisa as medidas adotadas para reduzir endometrite e infecção de sítio cirúrgico. São discutidos o número de toques vaginais durante o trabalho de parto, o preparo vaginal antes da cesariana com bolsa rota, a tricotomia pré-operatória, a antibioticoprofilaxia e a remoção da placenta durante a cesariana, além do uso de curativos oclusivos. Qual conjunto de práticas está corretamente indicado?
O conjunto correto reúne a limitação do número de toques vaginais, o preparo vaginal com antisséptico antes da cesariana, sobretudo com membranas rotas, a preferência por tricotomia com tricotomizador elétrico ou sua não realização em vez do uso de lâmina, e a antibioticoprofilaxia administrada antes da incisão. A tricotomia com lâmina cria microlesões que aumentam a infecção, e os toques repetidos elevam o risco de corioamnionite. A remoção manual da placenta aumenta a endometrite em comparação com a dequitação por tração controlada do cordão. A antibioticoprofilaxia é indicada em todas as cesarianas, eletivas ou de urgência. Manter curativo oclusivo por 7 dias sem inspecionar a ferida atrasa o diagnóstico de complicações, e a inspeção regular é parte do cuidado.
Mulher, 37 anos, procura a UBS com queixa de dor e edema em mama direita há 4 dias, com febre de 38,5 °C. Está no puerpério, amamentando há 3 semanas. Exame: área de eritema, calor e endurecimento no quadrante superior externo da mama direita, dolorosa, sem flutuação; fissura mamilar presente; sem linfangite extensa. T 38,4 °C, FC 96 bpm. Sem abscesso identificável à palpação ou à ultrassonografia realizada hoje. Qual a conduta correta?
Mastite puerperal sem abscesso é tratada mantendo o esvaziamento frequente da mama, corrigindo a pega e tratando a fissura mamilar que serve de porta de entrada, associando antibiótico com cobertura antiestafilocócica; manter a amamentação é parte do tratamento e é segura para o lactente. Suspender a amamentação da mama afetada favorece estase e progressão para abscesso. Anti-inflamatório e compressas isolados são insuficientes diante de febre e sinais flogísticos francos. Drenagem cirúrgica só se indica com abscesso confirmado, e a maioria das mastites não evolui para essa complicação quando tratada adequadamente. Suprimir a lactação com cabergolina é conduta inadequada, pois a estase é justamente o fator que perpetua a infecção.
Mulher, 30 anos, no 9º dia após cesariana, mantém febre de 39 °C apesar de 6 dias de clindamicina e gentamicina em doses adequadas. PA 100/60 mmHg, FC 118 bpm, abdome doloroso em hipogástrio com massa palpável dolorosa. Leucócitos 20.400/mm³ (VR 4.000–11.000), PCR muito elevada. Tomografia mostra coleção líquida de 8 cm com realce periférico e bolhas de gás em fundo de saco posterior. Qual a conduta correta?
Drenar a coleção, preferencialmente por via percutânea guiada por imagem ou por abordagem cirúrgica quando inacessível, com coleta de material para cultura e ajuste do esquema antibiótico, é a conduta correta no abscesso pélvico pós-cesariana, situação em que o antibiótico isolado não resolve a infecção sem o controle do foco. Manter o mesmo esquema por mais 7 dias perpetua a sepse e a resistência. A tromboflebite pélvica séptica é diferencial importante da febre refratária, mas a tomografia mostra coleção organizada, e a anticoagulação isolada não trataria o abscesso. A histerectomia imediata é desproporcional antes da tentativa de drenagem. Suspender os antibióticos em paciente séptica com coleção é conduta perigosa.
Mulher, 27 anos, no 12º dia após cesariana, retorna com dor pélvica intensa, febre e sangramento vaginal aumentado com odor. T 38,8 °C, PA 96/58 mmHg, FC 122 bpm, abdome doloroso com defesa em hipogástrio. Leucócitos 19.800/mm³ (VR 4.000–11.000). Ultrassom mostra solução de continuidade na parede uterina anterior no sítio da histerotomia, com coleção adjacente de 5 cm e líquido livre em pequena quantidade. Qual a conduta correta?
Internação com antibioticoterapia de amplo espectro e abordagem cirúrgica com revisão da histerorrafia, que pode resultar em ressutura, drenagem ou histerectomia conforme a extensão da necrose e a instabilidade da paciente, é a conduta correta na deiscência infectada de histerotomia, quadro que pode evoluir para peritonite, sepse e hemorragia. A alta com antibiótico oral é inaceitável em paciente febril, taquicárdica e com defesa abdominal. A curetagem ambulatorial isolada não trata a solução de continuidade e arrisca ampliar a lesão. Afirmar cicatrização espontânea garantida é falso e perigoso. A anticoagulação empírica trataria outro diagnóstico e não abordaria a deiscência com coleção já demonstrada por imagem.
Mulher, 28 anos, no 4º dia após cesariana, apresenta temperatura de 38,7 °C. Refere dor abdominal difusa, disúria leve e desconforto em panturrilha direita. Ao exame, mamas com ingurgitamento discreto, ferida operatória com hiperemia periférica, útero doloroso à mobilização, loquiação com odor, panturrilha direita com empastamento. PA 108/66 mmHg, FC 112 bpm, FR 20 ipm, SatO2 97%, leucócitos 17.000/mm³. Qual conduta é a correta?
A conduta correta é investigar sistematicamente as causas de febre puerperal, examinando mamas, útero, ferida operatória, trato urinário, pulmões e membros inferiores, solicitando exames dirigidos como hemograma, urina, uroculturas, hemoculturas e ultrassonografia com Doppler venoso, e iniciar tratamento empírico conforme o foco mais provável, que neste caso aponta para endometrite, com necessidade de excluir trombose venosa profunda e infecção de sítio cirúrgico. Atribuir a febre ao ingurgitamento é insuficiente diante de útero doloroso e loquiação com odor. Antibiótico oral com alta imediata é inadequado em paciente febril e taquicárdica com múltiplos focos possíveis. Aguardar apenas a urocultura retarda o tratamento. Focar exclusivamente na ferida ignora os demais achados clínicos.
Puérpera de 29 anos, no quinto dia após cesariana por trabalho de parto prolongado, apresenta febre de 38,8 °C persistente há 48 horas, apesar de clindamicina e gentamicina, com dor em flanco direito e massa alongada palpável nessa topografia. Loquiação sem odor, útero involuindo, ferida operatória limpa. Leucócitos 16.400/mm³, urocultura negativa, tomografia com trombo em veia ovariana direita. Qual a conduta correta?
Febre persistente apesar de antibiótico adequado, dor em flanco e trombo demonstrado por imagem caracterizam tromboflebite séptica de veia ovariana, cujo tratamento associa a manutenção do antibiótico à anticoagulação plena, com defervescência habitual em poucos dias. Suspender o antibiótico e apenas observar deixa o processo infeccioso sem cobertura. Indicar laparotomia com ligadura venosa é conduta de exceção, reservada a falha do tratamento clínico ou embolia recorrente. Trocar para antifúngico sem evidência de candidemia é escalonamento inadequado que não trata a causa. Realizar histerectomia é intervenção desproporcional, com útero involuindo e sem sinais de endometrite grave ou necrose.
Puérpera de 25 anos, no terceiro dia após parto vaginal com bolsa rota por 20 horas, apresenta T 39,2 °C, PA 86x48 mmHg, FC 126 bpm, FR 26 ipm e confusão leve. Útero doloroso à palpação, com loquiação fétida. Lactato 3,8 mmol/L (VR até 2), leucócitos 22.000/mm³ com desvio à esquerda e creatinina 1,4 mg/dL. Culturas foram colhidas. Qual a conduta antimicrobiana inicial correta?
A endometrite puerperal com sepse exige antibiótico intravenoso de amplo espectro na primeira hora, sendo clindamicina associada a gentamicina o esquema clássico, junto de ressuscitação volêmica e coleta prévia de culturas. Aguardar hemoculturas atrasa o tratamento e aumenta a mortalidade a cada hora de retardo. Prescrever cefalexina oral é inadequado para sepse, tanto pela via quanto pelo espectro insuficiente contra anaeróbios. Iniciar antifúngico empírico como primeira escolha não corresponde à etiologia habitual, polimicrobiana e bacteriana. Indicar histerectomia antes do antibiótico inverte a sequência, pois a cirurgia se reserva a falha do tratamento clínico, abscesso ou necrose uterina.
Mulher, 29 anos, no sétimo dia após cesariana, apresenta dor em flanco direito, febre de 38,7 °C e mal-estar, sem melhora após 48 horas de antibiótico iniciado por suspeita de endometrite. Ao exame, dor à palpação do flanco direito, sem sinais de irritação peritoneal e com útero involuindo bem. Leucócitos 16.200/mm³ (VR 4.000–11.000). Tomografia com contraste mostra falha de enchimento na veia ovariana direita. Qual a conduta adequada?
A trombose séptica da veia ovariana é causa clássica de febre puerperal refratária a antibiótico, e o tratamento associa anticoagulação plena à manutenção da cobertura antimicrobiana, com boa resposta clínica em poucos dias. Manter apenas o antibiótico ignora o achado tomográfico que explica a refratariedade. A laparotomia com ligadura é medida de exceção, reservada a falha do tratamento clínico ou a complicações como embolia séptica recorrente. Suspender o antibiótico e usar apenas anti-inflamatório deixa sem tratamento o componente infeccioso. O filtro de veia cava é medida adjuvante em contraindicação à anticoagulação, não terapia isolada nesse cenário.
Puérpera de 28 anos, com 3 semanas de pós-parto, apresenta há 2 dias dor intensa em mama direita, com área endurecida, quente e eritematosa em quadrante superior externo, acompanhada de febre e mal-estar. T 38,9 graus Celsius, FC 104 bpm, PA 116x74 mmHg. Não há flutuação à palpação da área acometida. O recém-nascido está com ganho de peso adequado e a mãe interrompeu as mamadas do lado doloroso há 1 dia. Qual a conduta correta?
Manter o esvaziamento frequente da mama e iniciar antibiótico com cobertura para Staphylococcus aureus é a conduta na mastite puerperal, pois a estase láctea perpetua a infecção e a interrupção das mamadas agrava o quadro. Suspender definitivamente a amamentação do lado acometido é contraindicado, já que o leite não oferece risco ao lactente nessa condição. O inibidor de lactação encerra precocemente o aleitamento sem necessidade clínica. A drenagem cirúrgica se aplica a abscesso mamário, caracterizado por flutuação ou confirmado por ultrassom, ausente aqui. Prescrever apenas analgésico deixa sem tratamento uma infecção já com febre alta e sinais flogísticos francos.
Mulher, 29 anos, no quinto dia após cesariana, apresenta febre, dor pélvica e loquiação com odor fétido. T 38,9 graus Celsius, PA 108x66 mmHg, FC 116 bpm. Há dor à mobilização uterina e útero amolecido e subinvoluído. Leucócitos 18.400/mm3 (VR 4.000-11.000). A ferida operatória está limpa, sem secreção, e o exame de urina não mostra leucocitúria ou nitrito positivo. Qual a conduta indicada?
A antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro com cobertura para anaeróbios é a conduta na endometrite puerperal, sugerida por febre, dor à mobilização uterina, subinvolução e loquiação fétida após cesariana, com outros focos afastados. O tratamento oral ambulatorial é insuficiente para infecção com repercussão sistêmica. A histerectomia é medida extrema, reservada a falha terapêutica com necrose uterina ou sepse refratária. A curetagem de rotina não é indicada, ficando reservada a restos ovulares. Considerar a febre puerperal fisiológica é erro grave e retarda o tratamento.
Mulher, 31 anos, com mastite puerperal tratada com antibiótico há 6 dias, mantém febre e dor mamária, com piora local. T 38,6 graus Celsius, PA 116x72 mmHg, FC 108 bpm. Há área endurecida, quente e flutuante em quadrante superior externo da mama direita, com cerca de 5 cm, e eritema local. O ultrassom confirma coleção com conteúdo espesso e septações, sem sinais de acometimento cutâneo necrótico. Qual a conduta indicada?
A drenagem da coleção por punção guiada ou incisão, com manutenção do aleitamento e do esvaziamento mamário, é a conduta no abscesso mamário puerperal. Manter apenas o antibiótico não resolve coleção formada e explica a falha terapêutica observada. Suspender o aleitamento e inibir a lactação é desnecessário e agrava a estase láctea. A mastectomia é conduta desproporcional e mutilante. Compressas frias e analgesia isoladas não controlam o foco infeccioso já organizado.
Puérpera de 29 anos, com 18 dias pós-parto, apresenta há 2 dias dor intensa e endurecimento em quadrante superior externo da mama direita, com hiperemia, calor local e febre. T 38,7 °C, FC 108 bpm, PA 118x72 mmHg. Refere fissura mamilar prévia à direita. Ao exame, área endurecida de 6 cm, sem flutuação, sem coleção à ultrassonografia. O recém-nascido mama bem e ganha peso. Qual a conduta mais adequada?
Manter o aleitamento com esvaziamento frequente da mama acometida e prescrever antibiótico com cobertura para Staphylococcus aureus é a conduta correta na mastite puerperal sem abscesso, pois a estase é fator perpetuante e o esvaziamento é parte do tratamento. Suspender o aleitamento na mama acometida agrava a estase e favorece a evolução para abscesso. A cabergolina para inibir a lactação é medida drástica e desnecessária. A drenagem cirúrgica se destina a abscesso com coleção, afastado pela ultrassonografia. Compressas e analgésico isolados são insuficientes diante de febre e sinais flogísticos francos com fissura como porta de entrada.
Puérpera de três semanas tem área mamária unilateral eritematosa e dolorosa com febre persistente, apesar de medidas de suporte. Avaliação sugere mastite bacteriana e não identifica abscesso ou outra massa. Qual achado favorece especificamente essa hipótese?
Flutuação ou massa persistente exigiria investigar coleção e possível drenagem. Referência: https://www.bfmed.org/protocols
Puérpera de três semanas tem área mamária unilateral eritematosa e dolorosa com febre persistente, apesar de medidas de suporte. Avaliação sugere mastite bacteriana e não identifica abscesso ou outra massa. Qual conduta é mais adequada ao quadro?
É possível manter lactação em muitos casos; excesso de estímulo e trauma podem perpetuar inflamação. Referência: https://www.bfmed.org/protocols
No terceiro dia após cesariana, uma mulher apresenta febre, dor uterina e lóquios fétidos. A ferida não tem sinais de infecção localizada; não há sintomas urinários. A equipe suspeita de foco uterino. Qual diagnóstico é mais provável?
Febre, sensibilidade uterina e lóquios alterados após parto favorecem infecção endometrial. Referência: https://www.who.int/publications/i/item/9789241549363
No terceiro dia após cesariana, uma mulher apresenta febre, dor uterina e lóquios fétidos. A ferida não tem sinais de infecção localizada; não há sintomas urinários. A equipe suspeita de foco uterino. Qual característica define melhor essa condição?
A contaminação ascendente após parto pode envolver aeróbios e anaeróbios. Referência: https://www.who.int/publications/i/item/9789241549363
No terceiro dia após cesariana, uma mulher apresenta febre, dor uterina e lóquios fétidos. A ferida não tem sinais de infecção localizada; não há sintomas urinários. A equipe suspeita de foco uterino. Qual achado favorece especificamente essa hipótese?
O conjunto localiza o foco, sem dispensar investigação de sepse ou outras causas. Referência: https://www.who.int/publications/i/item/9789241549363
No terceiro dia após cesariana, uma mulher apresenta febre, dor uterina e lóquios fétidos. A ferida não tem sinais de infecção localizada; não há sintomas urinários. A equipe suspeita de foco uterino. Qual conduta é mais adequada ao quadro?
Cobertura polimicrobiana e reavaliação clínica são essenciais; falta de resposta exige procurar foco persistente. Referência: https://www.who.int/publications/i/item/9789241549363
Puérpera de três semanas tem área mamária unilateral eritematosa e dolorosa com febre persistente, apesar de medidas de suporte. Avaliação sugere mastite bacteriana e não identifica abscesso ou outra massa. Qual diagnóstico é mais provável?
Inflamação focal com sintomas sistêmicos persistentes e avaliação compatível sustenta componente bacteriano. Referência: https://www.bfmed.org/protocols
Puérpera de três semanas tem área mamária unilateral eritematosa e dolorosa com febre persistente, apesar de medidas de suporte. Avaliação sugere mastite bacteriana e não identifica abscesso ou outra massa. Qual característica define melhor essa condição?
Nem toda inflamação mamária é bacteriana; evolução e exame orientam necessidade de antibiótico. Referência: https://www.bfmed.org/protocols
Puérpera em amamentação tem dor e eritema focal acompanhados de sintomas gripais e febre, sem cavidade purulenta demonstrada. Qual diagnóstico é mais provável?
A apresentação é compatível com mastite lactacional. Dor, eritema e sintomas sistêmicos durante lactação podem indicar mastite; avaliação diferencia inflamação, infecção e coleção. Referência: https://www.nhs.uk/conditions/mastitis/
Lactante apresenta febre e área unilateral dolorosa, eritematosa e quente na mama, sem coleção ao ultrassom. Qual diagnóstico é mais provável?
O quadro inflamatório focal da lactação favorece mastite. Dor, eritema e sintomas sistêmicos durante lactação podem indicar mastite; avaliação diferencia inflamação, infecção e coleção. Referência: https://www.nhs.uk/conditions/mastitis/
Pessoa em aleitamento apresenta mama com área dolorosa vermelha, febre e mal-estar, sem coleção ou sinais de tumor na avaliação. Qual diagnóstico é mais provável?
O contexto e os sintomas favorecem mastite lactacional. Dor, eritema e sintomas sistêmicos durante lactação podem indicar mastite; avaliação diferencia inflamação, infecção e coleção. Referência: https://www.nhs.uk/conditions/mastitis/
Lactante com fissura mamilar desenvolve febre e inflamação dolorosa de um setor da mama, sem abscesso identificado. Qual diagnóstico é mais provável?
A inflamação sintomática focal favorece mastite. Dor, eritema e sintomas sistêmicos durante lactação podem indicar mastite; avaliação diferencia inflamação, infecção e coleção. Referência: https://www.nhs.uk/conditions/mastitis/
Paciente tem picos febris persistentes após parto, sem abscesso ou tecido retido; CT demonstra trombose de veia ovariana em quadro infeccioso. Qual diagnóstico explica melhor o quadro?
A localização venosa explica hipótese de tromboflebite séptica. Febre persistente no puerpério, apesar de tratamento e avaliação de outros focos, pode associar-se a trombose venosa pélvica infectada. Referência: https://www.msdmanuals.com/professional/gynecology-and-obstetrics/postpartum-care-and-associated-disorders/postpartum-endometritis
Após infecção mamária, persiste nódulo doloroso; imagem identifica coleção drenável no parênquima. Qual diagnóstico explica melhor o quadro?
A cavidade purulenta indica abscesso. Coleção purulenta na mama pode complicar infecção e geralmente exige drenagem apropriada, além das demais medidas indicadas. Referência: https://www.nhs.uk/conditions/breast-abscess/
Paciente em aleitamento tem dor focal na mama, eritema e mal-estar, sem massa líquida ou flutuação na avaliação. Qual diagnóstico explica melhor o quadro?
O quadro é compatível com mastite sem coleção. Dor e eritema mamário com sintomas sistêmicos durante lactação podem ocorrer sem coleção; evolução e exame orientam tratamento. Referência: https://www.nhs.uk/conditions/mastitis/
Puérpera segue febril apesar de cobertura antimicrobiana apropriada; avaliação identifica trombose venosa pélvica e não encontra outro foco persistente. Qual diagnóstico explica melhor o quadro?
O quadro é compatível com tromboflebite pélvica séptica. Febre persistente no puerpério, apesar de tratamento e avaliação de outros focos, pode associar-se a trombose venosa pélvica infectada. Referência: https://www.msdmanuals.com/professional/gynecology-and-obstetrics/postpartum-care-and-associated-disorders/postpartum-endometritis
Paciente tem dor mamária localizada e líquido espesso em cavidade identificada ao ultrassom, com sinais de infecção. Qual diagnóstico explica melhor o quadro?
O acúmulo purulento define abscesso mamário. Coleção purulenta na mama pode complicar infecção e geralmente exige drenagem apropriada, além das demais medidas indicadas. Referência: https://www.nhs.uk/conditions/breast-abscess/
Lactante com área eritematosa em cunha e febre não apresenta coleção ao exame de imagem. Qual diagnóstico explica melhor o quadro?
O padrão favorece mastite sem abscesso. Dor e eritema mamário com sintomas sistêmicos durante lactação podem ocorrer sem coleção; evolução e exame orientam tratamento. Referência: https://www.nhs.uk/conditions/mastitis/
Mulher após cesárea apresenta febre, sensibilidade uterina e lóquios de odor alterado, com investigação de outros focos negativa. Qual diagnóstico explica melhor o quadro?
O foco uterino é o mais provável. Febre pós-parto com dor uterina e lóquios anormais sugere infecção endometrial, especialmente após cesárea ou fatores de risco. Referência: https://www.msdmanuals.com/professional/gynecology-and-obstetrics/postpartum-care-and-associated-disorders/postpartum-endometritis
Pessoa com parto prolongado e ruptura de membranas prévia apresenta febre e dor à palpação uterina no puerpério, com secreção uterina anormal. Qual diagnóstico explica melhor o quadro?
Os fatores de risco e o exame favorecem infecção endometrial. Febre pós-parto com dor uterina e lóquios anormais sugere infecção endometrial, especialmente após cesárea ou fatores de risco. Referência: https://www.msdmanuals.com/professional/gynecology-and-obstetrics/postpartum-care-and-associated-disorders/postpartum-endometritis
Puérpera mantém febre apesar de tratamento adequado e controle de outros focos; imagem demonstra trombo em veia pélvica com contexto infeccioso. Qual diagnóstico explica melhor o quadro?
A trombose no contexto séptico sustenta tromboflebite pélvica. Febre persistente no puerpério, apesar de tratamento e avaliação de outros focos, pode associar-se a trombose venosa pélvica infectada. Referência: https://www.msdmanuals.com/professional/gynecology-and-obstetrics/postpartum-care-and-associated-disorders/postpartum-endometritis
Puérpera apresenta massa mamária dolorosa e flutuante; ultrassom confirma cavidade com conteúdo purulento. Qual diagnóstico explica melhor o quadro?
A coleção caracteriza abscesso mamário. Coleção purulenta na mama pode complicar infecção e geralmente exige drenagem apropriada, além das demais medidas indicadas. Referência: https://www.nhs.uk/conditions/breast-abscess/
Lactante tem febre e área mamária unilateral vermelha e dolorosa; ultrassom não mostra coleção. Qual diagnóstico explica melhor o quadro?
Há inflamação mamária sintomática sem abscesso. Dor e eritema mamário com sintomas sistêmicos durante lactação podem ocorrer sem coleção; evolução e exame orientam tratamento. Referência: https://www.nhs.uk/conditions/mastitis/
Após cesárea, paciente apresenta febre, útero doloroso e lóquios fétidos, sem foco mamário ou urinário identificado. Qual diagnóstico explica melhor o quadro?
A localização uterina favorece endometrite. Febre pós-parto com dor uterina e lóquios anormais sugere infecção endometrial, especialmente após cesárea ou fatores de risco. Referência: https://www.msdmanuals.com/professional/gynecology-and-obstetrics/postpartum-care-and-associated-disorders/postpartum-endometritis
Pessoa com febre puerperal persistente tem trombo em veia ovariana e sinais inflamatórios adjacentes na imagem, após investigação de outras causas. Qual diagnóstico explica melhor o quadro?
A trombose infectada pode sustentar febre refratária. Febre persistente no puerpério, apesar de tratamento e avaliação de outros focos, pode associar-se a trombose venosa pélvica infectada. Referência: https://www.msdmanuals.com/professional/gynecology-and-obstetrics/postpartum-care-and-associated-disorders/postpartum-endometritis
Puérpera com sinais infecciosos mamários tem massa flutuante e coleção comprovada por ultrassom. Qual diagnóstico explica melhor o quadro?
A demonstração de coleção diferencia abscesso de inflamação sem cavidade. Coleção purulenta na mama pode complicar infecção e geralmente exige drenagem apropriada, além das demais medidas indicadas. Referência: https://www.nhs.uk/conditions/breast-abscess/
Pessoa amamentando tem mama dolorosa, quente e eritematosa, com febre, mas sem coleção confirmada. Qual diagnóstico explica melhor o quadro?
O diagnóstico é mastite sem abscesso no momento. Dor e eritema mamário com sintomas sistêmicos durante lactação podem ocorrer sem coleção; evolução e exame orientam tratamento. Referência: https://www.nhs.uk/conditions/mastitis/
Paciente apresenta febre e dor uterina no período pós-parto, com secreção compatível com infecção e sem causa urinária identificada. Qual diagnóstico explica melhor o quadro?
Endometrite é a hipótese principal. Febre pós-parto com dor uterina e lóquios anormais sugere infecção endometrial, especialmente após cesárea ou fatores de risco. Referência: https://www.msdmanuals.com/professional/gynecology-and-obstetrics/postpartum-care-and-associated-disorders/postpartum-endometritis
No terceiro dia após cesariana, mulher apresenta febre, dor hipogástrica, sensibilidade uterina e lóquios com odor desagradável. A ferida operatória não tem secreção ou hiperemia. Qual foco infeccioso é mais provável?
A combinação de febre, sensibilidade uterina e alteração dos lóquios, especialmente após cesariana, favorece infecção uterina puerperal. Referência: WHO. Recommendations for prevention and treatment of maternal peripartum infections. https://www.who.int/publications/i/item/9789241549363
Na mama lactante ilustrada, qual achado diferencia abscesso de inflamação sem coleção?

A coleção organizada pode exigir drenagem.
Se o exame confirma a coleção focal representada, qual princípio orienta o tratamento?

Antibiótico isolado pode ser insuficiente para abscesso organizado.
Após antibiótico, persiste coleção bem definida como a mostrada, com dor e febre. Qual próximo passo é mais apropriado? Imagem sintética de exame, para fins didáticos.

Antimicrobiano pode ser insuficiente sem controle de uma coleção persistente.
Qual papel do ultrassom é particularmente útil nesse quadro? Imagem sintética de exame, para fins didáticos.

Diferencia inflamação sem coleção de abscesso e pode guiar punção.
Uma puérpera tem dor focal mamária, febre e massa flutuante. Qual interpretação da ultrassonografia é mais compatível? Imagem sintética de exame, para fins didáticos.

Conteúdo líquido com debris, associado ao quadro inflamatório, favorece abscesso.
A coleção recidiva no mesmo local após drenagem e terapia adequada, ou há massa persistente fora do período puerperal. Qual atitude é apropriada? Imagem sintética de exame, para fins didáticos.

Recorrência localizada e persistência exigem reavaliação além de repetir empiricamente o mesmo esquema.
A coleção recorre no mesmo local apesar de tratamento e drenagem. Qual avaliação adicional é pertinente? Imagem didática do acervo OsceLabs.

Recorrência focal exige verificar controle do foco e diagnósticos alternativos.
Qual exame costuma caracterizar a área central desenhada e orientar eventual drenagem? Imagem didática do acervo OsceLabs.

Permite verificar líquido, debris, extensão e acesso à coleção.
Qual achado do esquema corresponde ao tecido inflamado ao redor da coleção? Imagem didática do acervo OsceLabs.

Representa inflamação local; temperatura e dor dependem do exame clínico.
Após drenagem da coleção e tratamento adequado, a mãe quer manter lactação. Qual orientação é mais apropriada? Imagem didática do acervo OsceLabs.

Abscesso tratado não exige automaticamente desmame; o plano deve considerar localização e dor.
Puérpera teve abscesso mamário drenado, com melhora clínica e antibiótico compatível com a lactação. O ponto de drenagem está distante da aréola e protegido, sem possibilidade de contato da boca do bebê com secreção purulenta. O lactente nasceu a termo e está saudável. Como orientar a amamentação nessa mama?
O caso já assegura controle do foco, compatibilidade do medicamento e ausência de contato com secreção. Não apresenta motivo para impor desmame definitivo. Referências: Academy of Breastfeeding Medicine. Clinical Protocol 36: The Mastitis Spectrum, 2022 — https://www.bfmed.org/assets/ABM%20Protocol%20%2336.pdf
Paciente em tratamento de mastite apresenta massa firme dolorosa. A ultrassonografia mostra área inflamatória heterogênea mal delimitada, sem cavidade líquida que possa ser drenada; o laudo descreve flegmão. A febre começou a ceder e não há sepse. Qual estratégia de acompanhamento é mais adequada?
A pergunta diferencia uma massa inflamatória de uma cavidade purulenta já formada. A evolução seriada determina se surgirá necessidade de drenagem. Referências: Academy of Breastfeeding Medicine. Clinical Protocol 36: The Mastitis Spectrum, 2022 — https://www.bfmed.org/assets/ABM%20Protocol%20%2336.pdf
Lactante com produção abundante passou a usar bomba após cada mamada até tentar deixar as mamas vazias. A produção aumentou, seguida de edema e dor focal. Está bem, sem febre persistente ou sinais sistêmicos. A criança ganha peso adequadamente e mama com boa pega. Qual ajuste é mais adequado?
O problema surgiu após acrescentar uma intervenção desnecessária a mamadas eficazes. A conduta deve corrigir essa rotina e acompanhar a resposta clínica. Referências: Academy of Breastfeeding Medicine. Clinical Protocol 36: The Mastitis Spectrum, 2022 — https://www.bfmed.org/assets/ABM%20Protocol%20%2336.pdf
Mulher em lactação teve três episódios de mastite no mesmo quadrante em quatro meses. Entre os episódios, permanece um espessamento localizado. A avaliação da pega e da ordenha não identifica excesso de estímulo. Além de examinar e colher cultura quando pertinente, qual providência é necessária?
O elemento decisivo é a recorrência na mesma área com alteração entre crises. Isso impede tratar todos os episódios como eventos independentes. Referências: Academy of Breastfeeding Medicine. Clinical Protocol 36: The Mastitis Spectrum, 2022 — https://www.bfmed.org/assets/ABM%20Protocol%20%2336.pdf
Puérpera com área mamária dolorosa e edemaciada relata piora após sessões de compressão vigorosa com os nós dos dedos para desfazer um suposto entupimento. Não há coleção ao ultrassom. Qual orientação sobre o cuidado local é mais adequada?
A ausência de coleção e a piora após manipulação orientam a retirada do procedimento traumático. É necessário reavaliar se surgirem sinais de progressão. Referências: Academy of Breastfeeding Medicine. Clinical Protocol 36: The Mastitis Spectrum, 2022 — https://www.bfmed.org/assets/ABM%20Protocol%20%2336.pdf
Lactante recebeu cefalexina para mastite bacteriana. Após 48 horas, mantém dor, eritema e febre, apesar de adesão e doses corretas. Está hemodinamicamente estável; ultrassom não mostra abscesso. Qual exame pode orientar a revisão do antibiótico?
Antes de simplesmente prolongar a mesma prescrição, é preciso reavaliar o diagnóstico e obter informação microbiológica pertinente ao foco. Referências: Academy of Breastfeeding Medicine. Clinical Protocol 36: The Mastitis Spectrum, 2022 — https://www.bfmed.org/assets/ABM%20Protocol%20%2336.pdf
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Refaça de memória as duas réguas de temperatura (38,0 °C na morbidade febril; 38,5 °C na sepse puerperal da OMS), os dois esquemas IV da endometrite com doses e o gatilho de antibiótico na mastite pelo CAB 23. Depois confira no capítulo e marque o que errou.
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Monte a árvore da febre puerperal que não cede em 48 h (restos → curetagem; abscesso → drenagem; nada → heparina) e liste as quatro condutas de mastite que a ABM 2022 aposentou. Termine resolvendo de novo o caso para completar.
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Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Puérpera no 4º dia de uma cesariana de urgência chega com febre, calafrios e dor em baixo ventre. O útero está doloroso, os lóquios fétidos — e a ferida operatória parece limpa. Conduza o caso: o que colher, o que iniciar e o que fazer se a febre não ceder. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
