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Atenção domiciliar: o escore classifica, o gatilho o ignora, o cuidador barra

Atenção domiciliar no SUS: modalidades AD1, AD2 e AD3, critérios de elegibilidade e divisão de responsabilidade com o serviço especializado

Elegibilidade, modalidade e segurança na atenção domiciliar

01

Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Idosa de 81 anos, dependente completa para todas as atividades básicas após fratura de quadril, mora sozinha desde a morte do marido. Não há familiares na cidade, vizinhos não assumem cuidados e a família não contratou cuidador. A equipe avalia a inclusão em atenção domiciliar. Como se conduz a avaliação segundo o instrumento federal?

02

Como esse tema cai

Este capítulo trata da decisão que a equipe de atenção primária toma quando conclui que um paciente não vai mais chegar à unidade. A pergunta seguinte não é se ele será atendido em casa — isso já está decidido pela clínica —, e sim qual modalidade de atenção domiciliar o caso ocupa, porque é a modalidade que define quem assume o paciente, com que frequência ele é visto e que procedimentos cabem dentro da porta da casa dele. O sistema oferece três, e a fronteira entre elas não é a doença.

O material federal que governa esse recorte tem duas camadas de idade diferente e elas não dizem a mesma coisa da mesma forma. A camada antiga descreve as modalidades por características narradas: espaçamento das visitas, complexidade dos procedimentos, estabilidade do problema de saúde. A camada recente entrega um instrumento numerado, com pontos por eixo e faixas de corte, mais uma lista curta que impede a entrada antes de qualquer pontuação. Ler só uma das camadas produz duas condutas diferentes para o mesmo paciente, e a diferença é sistemática, não ocasional.

O eixo do capítulo é essa distância. Ela aparece três vezes e sempre no mesmo sentido: o instrumento numerado sobe o paciente de modalidade quando a soma não subiria; a soma sobe o paciente quando nenhum procedimento justificaria; e o cuidador, que na soma vale quase nada, na lista de entrada vale tudo. Quem entende essas três assimetrias decide bem a maior parte dos casos domiciliares sem consultar tabela.

03

O que muda decisão

O domicílio não é um lugar de atendimento: é uma modalidade de cuidado

A primeira confusão a desfazer é a que trata atenção domiciliar como sinônimo de visita. Visita é um ato; atenção domiciliar é um regime de cuidado, com vínculo declarado, plano escrito, frequência pactuada e uma equipe nominalmente responsável. O paciente que recebe uma visita porque faltou à consulta não está em atenção domiciliar. O paciente que passa a ser acompanhado em casa, com retorno programado e conduta que se decide ali, está — e a partir desse momento existe uma pergunta administrativa com consequência clínica direta: qual das três modalidades ele ocupa.

As três modalidades se chamam AD um, AD dois e AD três. A primeira é responsabilidade da própria equipe de atenção primária, com a estrutura que ela já tem. As duas seguintes pertencem ao serviço especializado de atenção domiciliar, com equipes multiprofissionais próprias, e existem onde o município as habilitou. A diferença prática para quem atende é imediata: na primeira, o problema continua sendo da equipe de família; nas outras duas, a equipe de família compartilha o caso com um serviço que tem outra composição e outro ritmo de visita.

Essa arquitetura tem uma consequência que o profissional novo demora a aceitar. A existência de um serviço especializado no município não transfere para ele todos os pacientes acamados do território. A primeira modalidade continua sendo obrigação da atenção primária, e ela é, de longe, a mais populosa: pessoas com dependência funcional, problemas compensados e nenhuma necessidade de procedimento complexo. Encaminhar esse grupo ao serviço especializado não organiza o cuidado — apenas cria fila em um serviço que vai devolver o caso, e deixa o paciente sem acompanhamento durante a devolução.

O material federal registra ainda o caminho de volta, que é menos lembrado: quem teve alta das modalidades mais complexas entra na primeira, mantendo interface entre as equipes. O paciente que saiu de ventilação invasiva ou terminou a antibioticoterapia parenteral em casa não volta para o ambulatório comum — volta para a atenção domiciliar da equipe de família, que herda um plano já em curso. Quem recebe esse paciente sem ler o plano de quem o entregou perde exatamente o que a modalidade organiza.

A fronteira entre as modalidades não é o diagnóstico, é a frequência e o procedimento

A descrição narrada da primeira modalidade tem quatro características, e nenhuma delas é uma doença. Ela permite maior espaçamento entre as visitas; não exige procedimentos e técnicas de maior complexidade; não exige atendimento médico frequente; e pressupõe problemas de saúde controlados ou compensados. Um paciente com insuficiência cardíaca avançada, sequela extensa de acidente vascular cerebral e demência pode caber inteiro nessa descrição, desde que estável. Um paciente com um diagnóstico banal e uma ferida que exige curativo diário não cabe.

Isso inverte o instinto formado no hospital, onde a gravidade do diagnóstico organiza tudo. Em casa, o que organiza é a carga de trabalho técnica: quantas vezes por semana alguém precisa entrar naquela porta, e o que essa pessoa precisa saber fazer quando entra. Duas pessoas com a mesma doença, o mesmo grau de dependência e a mesma idade ocupam modalidades diferentes se uma delas tem uma lesão que pede troca diária de cobertura e a outra não.

A definição da primeira modalidade fecha por exclusão, e essa é a chave de leitura mais econômica que o material oferece: pertence a ela quem não se enquadra nos critérios das outras duas. A consequência prática é que o raciocínio corre de cima para baixo. Não se pergunta se o paciente é da primeira modalidade; pergunta-se se ele aciona alguma das exigências das modalidades mais complexas. Se nenhuma, ele é da primeira, e o caso é da equipe de família.

Há um item de infraestrutura escondido nessa mesma lista, e ele reprova casos que a clínica aprovaria: o domicílio precisa ter estrutura física compatível com o cuidado. Quando as condições materiais implicam aumento de risco para o paciente, o domicílio deixa de ser um local de tratamento e passa a ser um fator de agravo. Quem avalia elegibilidade sem olhar a casa avalia metade do problema, e é sempre a metade mais fácil de corrigir no papel e mais difícil de corrigir na rua.

Três quartos domiciliares com a mesma cama e o mesmo mobiliário, distintos apenas pelo aparato ao redor: cadeira e criado-mudo; carrinho de curativo com suporte de soro; ventilador mecânico com circuito, cilindro de oxigênio e monitor de cabeceira.
A modalidade de atenção domiciliar não se lê no diagnóstico, e sim na carga técnica que entra pela porta: a mesma cama muda de modalidade conforme a frequência da visita e o procedimento que ela exige.

O instrumento numerado: sete eixos, uma soma e três faixas

A camada recente do material federal substitui a descrição narrada por um instrumento de pontuação. Ele abre perguntando qual é a indicação clínica principal — condição crônica agudizada que exija manejo multiprofissional de sintomas, incluindo cuidados paliativos; lesão de pele de difícil manejo que exija avaliação semanal; reabilitação com possibilidade de ganho funcional após cirurgia de grande porte, evento agudo, fratura ou internação prolongada; medicação parenteral seriada em casa; e prematuridade com necessidade de ganho ponderal.

Depois da indicação vêm os eixos que somam. Uso do sistema de saúde conta internações nos últimos três meses, procura por serviços de urgência no mesmo período e tempo de permanência hospitalar, cada um com sua escada de pontos, e a internação em terapia intensiva pesa mais do que qualquer outra hospitalização isolada. Vulnerabilidade social entra por uma razão só, a de moradores por cômodo, dividindo o número de pessoas pelo número de cômodos da casa. Suporte familiar vale um único ponto quando é inadequado.

Funcionalidade é o eixo mais pesado do bloco somável, e ele muda de régua conforme a idade. Para crianças até os sete anos, a pergunta é se acompanham ou não o desenvolvimento neuropsicomotor, com um salto grande de pontos quando não acompanham. Para crianças maiores, adultos e idosos, avaliam-se três capacidades — banhar-se, alimentar-se e locomover-se —, cada uma graduada em independente, dependente parcial e dependente completo. Fecha o instrumento a polifarmácia, definida como cinco ou mais medicamentos de uso contínuo diário, valendo um ponto.

A soma cai em três faixas. Até nove pontos, o paciente é da primeira modalidade. De dez a quinze, da segunda. De dezesseis em diante, da terceira. É uma régua limpa, reprodutível entre profissionais e fácil de auditar — e é exatamente por ser assim que as duas assimetrias das seções seguintes importam: o instrumento que a produziu não confia inteiramente nela, e escreveu duas regras que a contrariam.

O gatilho vale contra a própria soma, e a distância entre os dois é de duas modalidades

Entre a indicação clínica e os eixos somáveis, o instrumento insere um bloco chamado de indicações especiais, ou gatilhos. São dois. O primeiro é a necessidade diária de curativos complexos ou de medicação parenteral, excetuada a insulina, e classifica o paciente na segunda modalidade. O segundo é a necessidade de tratamentos de alta complexidade no domicílio — transfusão, paracentese, nutrição parenteral, cuidados paliativos sequenciais para sintomas mal controlados — ou o uso de ventilação mecânica invasiva, e classifica na terceira.

O texto do instrumento diz que a presença de qualquer um deles já classifica o usuário independentemente da pontuação final. E cada gatilho vale cinco pontos. Aqui a aritmética do próprio documento fica visível: cinco pontos, lançados na tabela final, caem na faixa de até nove — que é a primeira modalidade. Um paciente cuja única alteração seja o gatilho de alta complexidade soma cinco, o que a tabela lê como primeira modalidade, enquanto a regra do gatilho o coloca na terceira. Duas modalidades de distância, no mesmo formulário, para o mesmo paciente.

Isso não é erro de redação: é a razão de o gatilho existir. Ele foi escrito precisamente porque a soma não alcançaria o resultado certo. Considere quem representa esse caso na vida real — a pessoa em ventilação mecânica invasiva domiciliar, com família organizada, sem internação nos últimos meses, morando em casa espaçosa. Todos os eixos somáveis a premiam com zero. A soma diz que ela pode ser acompanhada pela equipe de família com visitas espaçadas. A clínica diz que uma falha de circuito mata em minutos.

A leitura correta, portanto, é hierárquica e não aritmética. Verifique primeiro se existe gatilho; havendo, a modalidade está decidida e a soma vira informação de perfil, útil para dimensionar equipe, não para classificar. Só na ausência de gatilho a soma decide. Quem preenche o instrumento na ordem em que ele está impresso e confia na linha final rebaixa exatamente os pacientes que menos podem ser rebaixados: os que dependem de um equipamento para respirar.

O caminho inverso também existe: chega-se ao topo sem nenhum procedimento

A assimetria tem um espelho, e ele é menos comentado. Suponha um paciente sem nenhum gatilho: nenhuma medicação parenteral, nenhum curativo diário complexo, nenhuma ventilação. Ele ainda pode alcançar a faixa mais alta somando os eixos comuns. Duas ou mais internações no trimestre, uma delas em terapia intensiva, procura repetida por serviços de urgência, permanência hospitalar longa, casa com mais moradores do que cômodos, suporte familiar inadequado, dependência completa para banho, alimentação e locomoção, e cinco ou mais medicamentos contínuos.

Some esse perfil e o resultado ultrapassa com folga o corte da terceira modalidade. O paciente é classificado no topo da complexidade sem que nenhum procedimento de alta complexidade esteja previsto para ele. Não é distorção do instrumento: é a declaração do que ele mede. O que a soma mede é carga de cuidado, não complexidade técnica — fragilidade funcional, instabilidade recente, pobreza de estrutura e ausência de rede. O gatilho, esse sim, mede complexidade técnica.

Reconhecer isso resolve a discussão de corredor mais comum sobre atenção domiciliar, aquela em que uma equipe acha absurdo que um idoso acamado sem sonda ocupe a mesma modalidade de alguém em ventilação. Os dois chegaram lá por caminhos diferentes e demandam coisas diferentes do serviço. O primeiro consome visita, tempo de equipe multiprofissional e articulação social; o segundo consome técnica, insumo e retaguarda de urgência. A modalidade nomeia a intensidade do vínculo, não o tipo de trabalho.

Para quem atende, a consequência é uma pergunta a mais na avaliação, e ela não está impressa em lugar nenhum: por qual caminho este paciente chegou à modalidade? Se chegou por gatilho, o plano precisa de procedimento, insumo e treinamento de quem executa. Se chegou por soma, o plano precisa de frequência, apoio social e prevenção de reinternação. Escrever o plano errado para o caminho certo é o modo mais silencioso de um serviço de atenção domiciliar não funcionar.

O cuidador não pontua: ele barra

No instrumento somável, a rede de apoio aparece uma vez, com peso mínimo: suporte familiar inadequado vale um ponto, o mesmo que a polifarmácia e menos do que a razão de moradores por cômodo. Lida isoladamente, essa linha sugere que a ausência de quem cuide é um detalhe do perfil, corrigível com mais visitas. É a leitura mais perigosa que o documento permite, e o próprio conjunto federal a desmente em outro papel.

Antes de qualquer pontuação existe uma lista de critérios que tornam o usuário inelegível, e a ausência de cuidador ou de rede de apoio está nela, restrita a uma condição: quando o usuário depende de cuidados de terceiros. Não é um ponto a mais nem a menos. É porta fechada, verificada antes de preencher o restante do formulário. O mesmo eixo, portanto, opera em dois regimes: gradiente de um ponto quando o suporte é ruim, chave binária quando ele não existe e o paciente não se vira sozinho.

A conciliação entre as duas leituras é clínica, e vale a pena escrevê-la com todas as letras porque ela muda a conversa com a família. Suporte inadequado descreve quem tem alguém, mas esse alguém é sobrecarregado, mal orientado ou intermitente — situação que mais visita, orientação e apoio multiprofissional efetivamente melhoram. Ausência de rede descreve quem não tem ninguém para executar o que o plano prescreve, e nenhuma frequência de visita substitui a pessoa que troca a fralda às três da manhã.

O material antigo acrescenta a ressalva que fecha o raciocínio e evita o erro oposto: nem todo paciente de atenção domiciliar precisa de cuidador. O exemplo que ele mesmo dá é o de uma pessoa cadeirante que mora sozinha e tem autonomia para se cuidar. As duas afirmações convivem sem contradição porque falam de populações distintas — a barreira alcança apenas quem depende de terceiros. Confundi-las produz os dois erros simétricos: negar cuidado domiciliar a quem é autônomo e prometer cuidado domiciliar a quem vai ficar sozinho com ele.

O que impede a entrada quase nunca é clínico

A lista que barra a admissão tem cinco itens, e só um deles depende do paciente enquanto doente. Moradia fora da área de abrangência do serviço; recusa do paciente ou da família; inexistência de rede elétrica estável e segura quando há dispositivos elétricos de suporte à vida; residência em localidade comprovadamente de alto risco de violência urbana que impeça a segurança da equipe, sem alternativa de cuidado; e ausência de cuidador ou rede de apoio para quem depende de terceiros.

Quando um desses itens está presente, quem avalia não precisa preencher o restante do instrumento — o usuário é encaminhado ao ponto de atenção mais conveniente para a assistência. Repare no que isso significa: o encaminhamento existe, e é obrigação de quem avaliou. Inelegível para cuidado em casa não quer dizer sem destino. Quer dizer que o destino é outro, e que nomeá-lo faz parte do mesmo ato.

O critério da rede elétrica merece atenção porque é o mais fácil de esquecer e o mais literal de todos. Concentrador de oxigênio, aspirador, bomba de infusão e ventilador dependem de energia contínua; a casa que oscila ou que puxa energia de ligação improvisada não sustenta suporte de vida. Antes de prometer ventilação domiciliar a uma família, a pergunta a fazer é banal e decisiva: como é a energia aqui, e o que acontece quando ela cai.

O critério de violência urbana é o único que protege a equipe, e ele não é abstrato. A cláusula que o acompanha, porém, é a parte que se esquece: o critério só vale quando o território não oferece alternativa para o cuidado. Existindo acordo local, escolta, horário combinado ou ponto de encontro seguro, a barreira não se aplica. Ler apenas a primeira metade da frase transforma um critério condicional em exclusão territorial permanente, e é assim que bairros inteiros deixam de ser visitados.

A saída da primeira modalidade tem seis portas, e uma delas encolhe quando a lista é reimpressa

O desligamento da primeira modalidade também é regrado, e a lista tem seis itens: mudança de área de abrangência, com transferência para a equipe do novo domicílio; impossibilidade de permanência do cuidador no domicílio; não aceitação do acompanhamento; recuperação das condições de deslocamento até a unidade; piora clínica; e os dois desfechos que fecham qualquer acompanhamento, cura e óbito. Fecha a lista uma exigência de processo: o desligamento pede discussão ampla do caso com toda a equipe.

O item da piora clínica é o único que aponta para outro serviço, e é o que muda de redação dentro do mesmo documento. Na primeira vez em que a lista aparece, ele diz piora clínica que justifique segunda ou terceira modalidade ou internação hospitalar. Na segunda vez, mais de cem mil caracteres adiante, a mesma lista reaparece com os outros cinco itens palavra por palavra e este encurtado para piora clínica que justifique internação hospitalar. As modalidades intermediárias somem da frase.

A diferença parece editorial e não é. Quem lê a segunda versão aprende que o paciente domiciliar que piora tem uma saída só, o hospital. Quem lê a primeira aprende que existem duas saídas antes dela, e que a escalada correta para quem piora em casa costuma ser mudar de modalidade — passar a receber medicação parenteral em casa, ganhar curativo diário com equipe treinada, ganhar frequência — sem passar pela emergência. É a diferença entre um idoso com celulite que recebe antibiótico venoso na própria cama e o mesmo idoso numa maca de corredor.

Na dúvida, vale a versão mais completa, e por dois motivos. O primeiro é textual: a versão longa está no corpo normativo do capítulo que define a modalidade, e a curta, na seção de síntese, onde encurtar listas é um efeito conhecido do resumo. O segundo é clínico e decide sozinho: internar quem poderia ser escalado de modalidade expõe a infecção hospitalar, a imobilidade e o delírio um paciente que estava estável na própria casa. Diante de piora em domicílio, a primeira pergunta é se existe modalidade acima antes de existir leito.

O documento que ensina e a norma que vale não são da mesma década

O material narrado que descreve as modalidades é da primeira metade da década passada e ancora a primeira modalidade em uma portaria daquele período. O instrumento numerado é recente. Entre um e outro, a atenção primária brasileira trocou de política nacional, extinguiu o arranjo de apoio multiprofissional que o texto antigo cita nominalmente como corresponsável pela modalidade e reorganizou o financiamento duas vezes. O documento continua publicado e continua nomeando um time que a rede não tem mais com aquele nome.

Isso exige uma leitura em duas velocidades, e ela é simples de operar. O que envelheceu foram os nomes das equipes, os códigos de habilitação e as regras de repasse — tudo que depende de portaria e muda a cada ciclo de gestão. O que permaneceu foi a arquitetura da decisão: três modalidades, a primeira sob responsabilidade da atenção primária, as outras duas sob serviço especializado, fronteira dada por frequência e procedimento, entrada barrada por condições materiais e por rede de apoio.

A regra prática que sobrevive a qualquer atualização, portanto, não é decorar sigla de equipe. É saber que a responsabilidade pela modalidade mais leve não migra: ela é da equipe que já tem aquele território. Quando uma portaria nova troca o nome do arranjo multiprofissional de apoio, o que muda é quem ajuda; quem responde continua sendo a equipe de família. Confundir apoio com transferência é o erro que sobrevive a todas as reformas.

Há um ganho concreto em ler as duas camadas juntas em vez de escolher uma. A camada antiga explica por que cada critério existe, com o raciocínio de saúde da família por trás — vínculo, território, longitudinalidade. A camada recente entrega como aplicar o critério de forma reprodutível, com pontos e cortes. Quem só tem a primeira decide por impressão e não consegue justificar a decisão a um colega; quem só tem a segunda preenche formulário e não sabe o que fazer quando o resultado contraria o bom senso.

O que o médico faz dentro da casa, e o que ele decide antes de sair

A visita que classifica é também a visita que trata, e há um roteiro que aproveita a única oportunidade de ver o paciente no ambiente que o adoece. Comece pela reconciliação da prescrição, com todas as caixas sobre a mesa, incluindo o que foi comprado por conta própria e o que sobrou de internação antiga. É onde aparecem a duplicidade de anti-hipertensivo, o benzodiazepínico que ninguém suspendeu e a insulina guardada fora da geladeira. A polifarmácia deixa de ser um ponto no formulário e vira uma lista de suspensões.

Examine a pele em decúbito, virando o paciente, e estadie o que encontrar. Lesão por pressão em casa é frequentemente o motivo real da mudança de modalidade, porque a exigência de troca diária de cobertura é justamente um dos gatilhos. Meça também o que sustenta a cicatrização: estado nutricional, superfície de apoio, umidade, e a frequência real com que alguém muda o paciente de posição — que é uma pergunta feita a quem cuida, não ao paciente.

Avalie o cuidador como paciente, e não como recurso. Pergunte quantas horas ele dorme, se tem quem o substitua, se tem doença própria em acompanhamento, se emagreceu. A sobrecarga de quem cuida é a causa mais comum de colapso de um plano domiciliar bem escrito, e é a única variável do conjunto que se deteriora em silêncio enquanto todos os indicadores do paciente melhoram. Cuidador que adoece devolve o paciente ao hospital sem que nada tenha piorado no paciente.

Antes de sair, deixe três coisas escritas e ditas em voz alta: a data do próximo retorno, os sinais que autorizam chamar antes dele, e a quem ligar. O terceiro item é o que costuma faltar, e sem ele o único número que a família tem é o do serviço de urgência. Se a evolução esperada inclui morte em casa, essa conversa também é agora — e o registro de acompanhamento que a equipe mantém é o que permitirá que a declaração de óbito seja emitida por quem assistia o paciente, matéria que tem regra própria e capítulo próprio.

O erro que a modalidade produz: encaminhar em vez de assumir

Reunidas, as regras deste tema convergem para um único erro recorrente, e ele não é de conhecimento, é de reflexo. Diante do paciente que não chega mais à unidade, a equipe de família preenche um encaminhamento ao serviço especializado e considera o caso resolvido. Na maioria das vezes esse paciente é da primeira modalidade — sem gatilho, com pontuação baixa, estável — e o encaminhamento vai voltar. Enquanto volta, ninguém o visita.

O reflexo se corrige com uma sequência curta, aplicada na ordem. Primeiro, procure gatilho: há necessidade diária de curativo complexo ou medicação parenteral, há tratamento de alta complexidade ou ventilação invasiva? Havendo, a modalidade é a especializada e o encaminhamento é correto. Segundo, não havendo gatilho, verifique os impedimentos de entrada — área, recusa, energia, segurança, rede de apoio. Terceiro, só então some os eixos, para dimensionar frequência e composição da visita.

A pergunta que fecha a avaliação é a mais útil de todas e não aparece em nenhum formulário: o que muda no cuidado deste paciente se ele trocar de modalidade? Se a resposta é uma visita a mais por mês, o paciente é da equipe de família e a resposta certa é organizar a agenda dela. Se a resposta é um procedimento que a equipe não executa, ou um insumo que ela não tem, então há razão para o serviço especializado — e essa razão precisa estar escrita no encaminhamento, com o nome do procedimento.

Vale guardar as três assimetrias juntas, porque elas resolvem os casos difíceis sem consulta: o gatilho sobe o paciente que a soma rebaixaria; a soma sobe o paciente que nenhum procedimento justificaria; e a falta de quem cuide, que na soma quase não pesa, fecha a porta antes de a soma começar. Quem decide nessa ordem acerta a modalidade — e, mais importante, sabe dizer por quê para a família que está ouvindo na sala.

04

Da porta da casa à modalidade, e de cada modalidade ao seu plano

A sequência abaixo decide a modalidade sem consultar tabela na maior parte dos casos, porque respeita a hierarquia real do material federal: barreira antes de gatilho, gatilho antes de soma, e soma apenas para dimensionar o que já foi decidido.

  1. 1Confirme que se trata de atenção domiciliar e não de visita isolada: há vínculo declarado, plano escrito e retorno programado? Sem isso, o que existe é um atendimento fora da unidade, e nenhuma modalidade se aplica.
  2. 2Verifique as cinco barreiras de elegibilidade antes de qualquer pontuação. Havendo uma, encaminhe ao ponto de atenção conveniente e registre qual barreira — é ela que orienta o destino.
  3. 3Procure gatilho. Curativo complexo diário ou medicação parenteral seriada, exceto insulina, classifica na segunda modalidade. Tratamento de alta complexidade em domicílio ou ventilação mecânica invasiva classifica na terceira, independentemente da pontuação final.
  4. 4Não havendo gatilho, some os eixos: uso do sistema de saúde nos últimos 3 meses (internações, procura por urgência, tempo de permanência), razão morador/cômodo, suporte familiar, funcionalidade (banho, alimentação, locomoção; ou desenvolvimento neuropsicomotor até 7 anos) e polifarmácia de 5 ou mais medicamentos contínuos.
  5. 5Leia a faixa: até 9, primeira modalidade; 10 a 15, segunda; 16 ou mais, terceira. Registre também por qual caminho o paciente chegou — gatilho ou soma —, porque isso define se o plano é de procedimento ou de frequência.
  6. 6Na primeira modalidade, escreva o plano da própria equipe: periodicidade de visita, reconciliação da prescrição, estadiamento de lesão de pele, avaliação do cuidador, sinais que autorizam contato antes do retorno e telefone de referência.
  7. 7Diante de piora clínica em domicílio, pergunte se há modalidade acima antes de acionar leito hospitalar. Antibiótico venoso, curativo diário com equipe treinada e aumento de frequência resolvem em casa parte do que hoje entra pela emergência.

Primeira modalidade — a equipe de família assume

Dependência funcional com problema de saúde controlado ou compensado, sem procedimento de maior complexidade, sem necessidade de atendimento médico frequente, com maior espaçamento entre as visitas. Define-se por exclusão: é quem não se enquadra nas outras duas. No instrumento de pontuação, até 9 pontos. Responsabilidade da própria atenção primária, exista ou não serviço especializado no município.

Segunda e terceira — o serviço especializado assume

Segunda modalidade: 10 a 15 pontos, ou o gatilho de curativo complexo diário / medicação parenteral seriada (exceto insulina). Terceira: 16 pontos ou mais, ou o gatilho de alta complexidade — transfusão, paracentese, nutrição parenteral, cuidados paliativos sequenciais para sintomas mal controlados — ou ventilação mecânica invasiva. O gatilho vale 5 pontos e classifica sozinho.

A rede de apoio: 1 ponto de um lado, porta fechada do outro

Suporte familiar inadequado soma 1 ponto no instrumento — peso de detalhe. Ausência de cuidador ou de rede de apoio, em usuário dependente de cuidados de terceiros, é critério de inelegibilidade verificado antes da pontuação. Quem tem alguém sobrecarregado ganha visita; quem não tem ninguém e depende de terceiros precisa de outro ponto de atenção.

As cinco barreiras, verificadas antes de tudo

Moradia fora da área de abrangência; recusa do paciente ou da família; rede elétrica instável ou insegura quando há dispositivo elétrico de suporte à vida; alto risco documentado de violência urbana sem alternativa de cuidado; ausência de rede de apoio no dependente. Presente qualquer uma, o instrumento não se preenche e quem avalia encaminha ao ponto de atenção conveniente.

Os dois caminhos até a mesma modalidade, e o que cada um exige do plano

CaminhoO que ele medeO que o plano precisa ter
Gatilho clínico (5 pontos, classifica sozinho)Complexidade técnica do que precisa ser feito na casaInsumo, procedimento, treinamento de quem executa e retaguarda para intercorrência do dispositivo
Soma dos eixos (até 9 / 10 a 15 / 16 ou mais)Carga de cuidado: fragilidade, instabilidade recente, moradia e redeFrequência de visita, apoio multiprofissional, articulação social e prevenção de reinternação
Barreira de elegibilidade (antes da pontuação)Condições materiais e humanas que a casa não ofereceEncaminhamento nomeado a outro ponto de atenção, com a barreira registrada

Onde o mesmo eixo recebe dois pesos

EixoNo instrumento de pontuaçãoNa lista de elegibilidade
Rede de apoio / cuidadorSuporte familiar inadequado: 1 pontoAusência de cuidador em usuário dependente: inelegível
Necessidade de ventilação mecânica invasiva5 pontos — sozinha, cairia na faixa de até 9Classifica na terceira modalidade, independentemente da soma
Estrutura física do domicílioEntra só pela razão morador/cômodo (até 2 pontos)Rede elétrica instável com suporte de vida: inelegível

A insulina está excluída do gatilho de medicação parenteral. Paciente diabético que recebe insulina em casa não sobe de modalidade por isso — e essa exceção é escrita entre parênteses no próprio instrumento.

A internação em terapia intensiva nos últimos 3 meses pesa 4 pontos, mais do que duas ou mais internações comuns (2 pontos). O instrumento lê a passagem pela terapia intensiva como marcador de instabilidade, não de quantidade.

A funcionalidade da criança até 7 anos é avaliada por um item único, com salto de 6 pontos quando o desenvolvimento neuropsicomotor não é acompanhado — mais do que a soma máxima das três capacidades do adulto.

O desligamento da modalidade exige discussão do caso com toda a equipe multiprofissional. Alta de atenção domiciliar não é decisão individual, nem do médico nem de quem visitou por último.

Cura e óbito estão na mesma lista de desligamento que a mudança de endereço e a recusa do acompanhamento. A modalidade se encerra por seis portas, e quatro delas não são desfechos clínicos.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Para onde vai o paciente da primeira modalidade que piora em casa

Redação do corpo normativo do capítulo da modalidade

Piora clínica que justifique AD2/AD3 ou internação hospitalar.

Caderno de Atenção Domiciliar, volume 1, Ministério da Saúde, seção 2.5.3 (Desligamento), deslocamento 54.460 do texto extraído por PyMuPDF e 54.491 por pypdf

Redação da mesma lista na seção de síntese do mesmo documento

Piora clínica que justifique internação hospitalar.

Caderno de Atenção Domiciliar, volume 1, Ministério da Saúde, seção de síntese do desligamento, deslocamento 160.483 do texto extraído por PyMuPDF e 160.520 por pypdf

Na prova

O enunciado que descreve piora clínica em paciente acompanhado em domicílio pela equipe de atenção primária, com necessidade nova de antibiótico venoso ou de curativo diário, está cobrando a escalada de modalidade, não a internação. Quando o enunciado acrescenta instabilidade hemodinâmica, rebaixamento de consciência ou necessidade de suporte que a casa não comporta, a resposta vira leito hospitalar. O que separa os dois recortes é se a necessidade nova cabe dentro de uma casa com equipe treinada.

Quanto pesa a ausência de quem cuide

Instrumento de pontuação, eixo de suporte familiar

Paciente com suporte familiar inadequado — 1 ponto.

Instrumento de Avaliação da Elegibilidade e Complexidade da Atenção Domiciliar, bloco Suporte Familiar/Cuidado, publicado na página do programa federal de atenção domiciliar

Critérios de inelegibilidade do mesmo instrumento

Ausência de cuidador/rede de apoio, no caso de usuário dependente de cuidados de terceiros.

Instrumento de Avaliação da Elegibilidade e Complexidade da Atenção Domiciliar, anexo de critérios para inelegibilidade, publicado na página do programa federal de atenção domiciliar

Na prova

Enunciado que descreve cuidador exausto, revezamento precário ou orientação insuficiente pede aumento de suporte e de frequência: o paciente é elegível. Enunciado que descreve usuário dependente de terceiros e literalmente sem ninguém disponível pede outro ponto de atenção, porque a barreira é verificada antes da pontuação. A palavra que separa os dois é dependência.

A modalidade de quem tem gatilho e não tem pontuação

Bloco de indicações especiais do instrumento

A presença de qualquer uma delas já classifica o usuário como AD2 ou AD3, independente da pontuação final — e cada gatilho vale 5 pontos.

Instrumento de Avaliação da Elegibilidade e Complexidade da Atenção Domiciliar, bloco Indicações Clínicas Especiais ou Gatilhos, publicado na página do programa federal de atenção domiciliar

Tabela de pontuação final do mesmo instrumento

AD1: até 09 pontos. AD2: de 10 a 15 pontos. AD3: maior ou igual a 16 pontos.

Instrumento de Avaliação da Elegibilidade e Complexidade da Atenção Domiciliar, tabela Pontuação Final / Modalidade AD, publicado na página do programa federal de atenção domiciliar

Na prova

Enunciado com ventilação mecânica invasiva domiciliar, família organizada e nenhuma internação recente é construído exatamente sobre esta assimetria: a soma cairia na faixa mais baixa e a regra do gatilho manda para a mais alta. A resposta esperada acompanha o gatilho. Quem soma antes de procurar gatilho erra por duas modalidades.

06

Caso resolvido

Homem de 78 anos, acompanhado pela equipe de saúde da família há nove anos, com sequela de acidente vascular cerebral há três anos: hemiplegia à direita, afasia de expressão e disfagia leve compensada com dieta pastosa. Deixou de comparecer à unidade há oito meses porque a filha não consegue descê-lo do segundo andar sem ajuda. Faz uso contínuo de sete medicamentos. Não teve internações no último ano. Mora com a filha e o genro em casa de quatro cômodos; a filha trabalha meio período e uma vizinha fica com ele nas manhãs. Na avaliação em domicílio, tem dependência completa para banho e locomoção e parcial para alimentação, além de uma área eritematosa que não embranquece na região sacral, sem perda de continuidade da pele. O município tem serviço especializado de atenção domiciliar habilitado.
Primeiro: confirme que é atenção domiciliar, e não visita avulsa
Há vínculo antigo, incapacidade estável de chegar à unidade e necessidade de acompanhamento continuado. Isso caracteriza regime de atenção domiciliar, e obriga a definir modalidade, plano e periodicidade. A pergunta seguinte não é se ele será visitado, e sim de quem ele passa a ser.
Segundo: verifique as barreiras antes de qualquer pontuação
Mora na área de abrangência; a família aceita o acompanhamento; não há dispositivo elétrico de suporte à vida em uso, de modo que a exigência de rede elétrica não se aplica; não há relato de impedimento de segurança; e existe rede de apoio, ainda que imperfeita — filha em meio período e vizinha pela manhã. Nenhuma barreira. O instrumento pode ser preenchido.
Terceiro: procure gatilho, e não invente um
A lesão sacral é eritema que não embranquece com pele íntegra — estágio 1, que se maneja com alívio de pressão, mudança de decúbito e cuidados de pele, sem curativo complexo diário. Não há medicação parenteral, não há tratamento de alta complexidade, não há ventilação. Sem gatilho, a modalidade será decidida pela soma.
Quarto: some os eixos com os dados que a visita deu
Uso do sistema de saúde: nenhuma internação e nenhuma procura por urgência no período, zero. Razão morador/cômodo: três pessoas em quatro cômodos, menor que um, zero. Suporte familiar: presente, ainda que parcial — a leitura razoável é adequado, zero. Funcionalidade: dependência completa para banho e locomoção e parcial para alimentação, cinco. Polifarmácia: sete medicamentos contínuos, um. Total de seis pontos.
Quinto: leia a faixa e não terceirize o caso
Seis pontos caem na faixa de até nove: primeira modalidade. A existência de serviço especializado no município é irrelevante para este paciente. Ele é da equipe de saúde da família, e encaminhá-lo só produziria fila e devolução.
Sexto: escreva o plano que a modalidade exige
Visitas espaçadas com periodicidade definida; reconciliação dos sete medicamentos com todas as caixas na mesa; estadiamento e reavaliação programada da lesão sacral, com superfície de redistribuição de pressão e mudança de decúbito pactuada com quem executa; avaliação da filha como cuidadora, incluindo sono e revezamento; e uma lista curta de sinais que autorizam contato antes do retorno, com telefone de referência da equipe.
Sétimo: antecipe a escalada antes de precisar dela
Deixe registrado o que mudaria a modalidade: lesão que evolua para necessidade de troca diária de cobertura complexa, ou infecção que exija antibiótico venoso em casa. Qualquer uma delas aciona gatilho e transfere o caso para o serviço especializado — e essa é a escalada correta, antes de considerar leito hospitalar.
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Agora feche você

Mulher de 34 anos, com lesão medular alta por acidente automobilístico há quatorze meses, em ventilação mecânica invasiva domiciliar por traqueostomia, com aspiração de vias aéreas várias vezes ao dia. Recebeu alta hospitalar há dez meses e desde então não voltou a internar nem procurou serviço de urgência. O marido deixou o emprego para cuidar dela e há uma técnica de enfermagem contratada pela família em parte do dia. Moram os dois em casa de cinco cômodos, com rede elétrica estável e gerador próprio. Ela usa quatro medicamentos contínuos, é independente para alimentar-se com adaptação e dependente completa para banho e locomoção. Reside na área de abrangência de um serviço especializado de atenção domiciliar habilitado.
Primeiro
Percorra as cinco barreiras de elegibilidade uma a uma com os dados da história e diga, para cada uma, se ela se aplica. Dê atenção especial à que trata de energia elétrica, e explique por que ela é verificada nesta paciente e não seria na anterior.
Segundo
Some os eixos do instrumento com os dados fornecidos, item por item, e escreva o total. Não pule o eixo de uso do sistema de saúde nem o de razão morador por cômodo, mesmo que ambos deem zero.
Terceiro
Diga em que faixa esse total cairia se a soma fosse a única regra, e depois diga qual é a modalidade correta. Nomeie a regra que prevalece e explique, em uma frase clínica, por que ela existe.
Quarto
Defina o que o plano de cuidado desta paciente precisa ter e que o plano do caso anterior não precisava, partindo do caminho pelo qual cada uma chegou à sua modalidade.
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Onde a banca derruba

  1. 1Somar os eixos antes de procurar o gatilho É o erro de ordem, e ele tem sentido único: sempre rebaixa. O paciente em ventilação invasiva com boa estrutura familiar soma 5 pontos e cai na faixa de até 9. A regra do gatilho existe justamente para impedir esse resultado. Verifique gatilho primeiro; a soma serve para dimensionar a visita, não para classificar quem já foi classificado.
  2. 2Encaminhar ao serviço especializado todo paciente acamado do território A existência de serviço especializado no município não transfere a primeira modalidade. Ela é responsabilidade da atenção primária, e é a mais populosa. O encaminhamento em massa gera fila, devolução e um intervalo em que ninguém visita o paciente. Encaminhe quando houver procedimento que a equipe não executa, e escreva o nome do procedimento no encaminhamento.
  3. 3Ler suporte familiar inadequado como equivalente a ausência de rede São eixos com regimes diferentes. Inadequado vale 1 ponto e melhora com apoio; ausente, em quem depende de terceiros, fecha a entrada antes da pontuação. Prometer cuidado domiciliar a quem vai ficar sozinho com um plano que exige outra pessoa transfere para a família uma tarefa que ninguém vai executar.
  4. 4Concluir que o paciente domiciliar que piora só tem o hospital como saída A lista de desligamento aparece duas vezes no mesmo documento, e a segunda versão suprime as modalidades intermediárias do item de piora clínica. Vale a versão completa. Antibiótico venoso domiciliar, curativo diário com equipe treinada e aumento de frequência são escalada, e evitam a maca de corredor em quem estava estável em casa.
  5. 5Tratar a lista de inelegibilidade como se fosse clínica Quatro dos cinco critérios são de território, consentimento, infraestrutura e segurança. O paciente pode estar clinicamente perfeito para o domicílio e ainda assim ser inelegível por causa da energia elétrica da casa. Avaliar elegibilidade sem perguntar da energia, da área de abrangência e de quem cuida é avaliar metade do problema.
  6. 6Aplicar a barreira de violência urbana sem a cláusula que a condiciona O critério exige, além do alto risco documentado, que o território não ofereça alternativa para o cuidado. Existindo acordo local, horário combinado ou ponto de encontro seguro, a barreira não se aplica. Ler só a primeira metade da frase converte um critério condicional em exclusão permanente de bairros inteiros.
  7. 7Contar a insulina como medicação parenteral para efeito de gatilho O instrumento exclui a insulina entre parênteses, no próprio texto do gatilho. Paciente diabético em uso domiciliar de insulina não sobe de modalidade por esse motivo. O gatilho mira medicação parenteral seriada que exige equipe para ser administrada, não a que a própria pessoa ou a família aplica todo dia.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

A ausência de cuidador ou de rede de apoio, em usuário dependente de cuidados de terceiros, é critério de inelegibilidade verificado antes de qualquer pontuação. Reconhecido o critério, quem avalia não preenche os demais tópicos do instrumento e direciona a pessoa ao ponto de atenção mais conveniente para a assistência — o encaminhamento faz parte do mesmo ato, e inelegível para cuidado em casa não significa sem destino. O eixo somável de suporte familiar trata de situação diferente: ele vale um ponto quando existe alguém, mas sobrecarregado, intermitente ou mal orientado, quadro que efetivamente melhora com apoio e frequência. Aumentar visitas não substitui a pessoa que executa o cuidado nas horas em que a equipe não está na casa, e deixar a paciente aguardando sem acompanhamento é a única alternativa que não produz nenhum cuidado.

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Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

Escreva de memória, sem consultar, a ordem das três verificações — barreira, gatilho, soma — e diga em uma frase por que inverter a segunda com a terceira rebaixa o paciente. Depois liste as cinco barreiras de elegibilidade e marque quantas delas dependem da doença. Feche escrevendo os dois gatilhos com a exceção que um deles carrega entre parênteses.

em 30 dias

Reconstrua as três faixas de pontuação com os números exatos e calcule quanto soma um paciente que tem apenas o gatilho de alta complexidade; diga em que faixa esse total cairia e qual regra prevalece. Em seguida, monte mentalmente um paciente sem nenhum gatilho que ainda assim alcance a terceira modalidade, nomeando os eixos que você usou. Por fim, escreva as seis portas de desligamento e sublinhe a única que muda de redação entre as duas impressões da lista.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

A filha de um senhor de 78 anos com sequela de derrame procura a equipe porque não consegue mais levar o pai à unidade e ouviu falar que existe um serviço que atende em casa. Ela chega decidida a conseguir o encaminhamento e preocupada com uma vermelhidão que apareceu nas costas do pai. Converse com ela, descubra o que a casa e a rotina de cuidado realmente oferecem, e explique de quem esse acompanhamento passa a ser. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Atenção domiciliar no SUS – Atenção domiciliar: o escore classifica, o gatilho o ignora, o cuidador barra — Preparatório para provas | OsceLabs