Cirurgia Geral › Urgência e Emergência Cirúrgica
Apendicite aguda
A banca raramente pergunta se é apendicite. Pergunta qual imagem pedir em quem, o que fazer com o escore que você somou, quanto tempo o paciente pode esperar pela sala — e, cada vez mais, quando o antibiótico pode substituir o bisturi.
Ministério da Saúde / CONITEC — Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT)
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Freitas RG, Pitombo MB, Maya MCA, Leal PRF. Apendicite aguda. Revista do Hospital Universitário Pedro Ernesto (UERJ). 2009;8(1):38-51
Sabiston — Tratado de Cirurgia; Schwartz — Princípios de Cirurgia
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Homem de 34 anos com dor em fossa ilíaca direita há 7 dias, febre e massa palpável dolorosa nessa topografia. Encontra-se estável, sem irritação peritoneal difusa. Tomografia de abdome com contraste: coleção organizada de 6 cm adjacente ao ceco, com apêndice espessado no interior do processo inflamatório, sem pneumoperitônio e sem líquido livre difuso. Qual a conduta inicial e o seguimento adequados?
Como esse tema cai
Apendicite aguda é a causa mais comum de abdome agudo cirúrgico, e a série brasileira de referência dá a dimensão: de 1048 internações por abdome agudo num pronto-socorro de Juiz de Fora, 638 eram apendicite — 60,88%. Idade média de 32 anos, 65,2% homens, com o adulto jovem concentrando 60% dos casos.
O diagnóstico é clínico, e por isso a prova quase nunca pergunta se é apendicite: pergunta o que fazer com o escore que você somou, qual imagem pedir em quem, quanto o paciente pode esperar pela sala e por quantos dias o antibiótico continua depois da cirurgia. O capítulo percorre essa sequência — migração da dor, sinais semiológicos, escore de Alvarado com os pesos certos, escada de imagem, a linha entre doença não complicada e complicada, e as condutas que dependem dela.
A apendicite não tem protocolo do Ministério da Saúde: a régua é a diretriz de Jerusalém, da World Society of Emergency Surgery, atualizada em 2020 — que tem contribuição brasileira na classificação de gravidade. Fora do recorte: tumores do apêndice, mucocele e apendicite crônica.
O que muda decisão
A dor que muda de lugar — e por que isso vale ponto
Tudo começa com obstrução da luz apendicular: hiperplasia linfoide nos menores de 20 anos, fecalito no adulto e no idoso. O apêndice é longo e estreito e obstrui em alça fechada — a mucosa distal segue secretando contra um lúmen bloqueado, a parede distende, a pressão sobe.
A distensão estimula fibras aferentes viscerais que entram na medula em T10, e dor visceral não se localiza: o paciente aponta o umbigo com a mão espalmada e sente náusea. Quando a inflamação atravessa a parede e alcança o peritônio parietal, a inervação passa a somática — dor contínua, apontável com um dedo na fossa ilíaca direita. Essa migração é o achado clínico de maior peso do tema.
A ordem dos sintomas também é informação: dor, depois anorexia e náusea, depois vômito, febre por último. Vômito que precede a dor é a ordem da gastroenterite. O intervalo importa igualmente — perfuração é rara antes de 24 horas de sintomas e comum depois de 48 a 72 horas. A mortalidade geral fica abaixo de 1%, sobe para cerca de 3% na perfuração e chega a 15% quando o perfurado é idoso.

Os sinais com nome próprio (e o que cada um está testando)
O ponto de McBurney fica na união do terço lateral com os dois terços mediais da linha traçada da espinha ilíaca anterossuperior direita até a cicatriz umbilical. Dor à palpação desse ponto é o achado isolado mais valioso do exame — e um dos dois únicos itens do Alvarado que valem dois pontos.
O sinal de Blumberg é a descompressão brusca dolorosa localizada, e testa irritação do peritônio parietal naquele ponto. O de Rovsing é a dor referida na fossa ilíaca direita ao se comprimir a esquerda, pelo deslocamento de gás no cólon. O de Dunphy é a dor provocada pela tosse. O de Lenander é a temperatura retal excedendo a axilar em pelo menos um grau — pouco usado hoje, mas ainda cobrado por nome em prova brasileira.
Dois sinais localizam o apêndice, e é aí que o exame explica por que dois pacientes com a mesma doença parecem diferentes. O sinal do psoas — dor à extensão passiva da coxa direita, ou à flexão do quadril contra resistência — aponta apêndice RETROCECAL, apoiado sobre o psoas ilíaco e escondido atrás do ceco, que funciona como anteparo: dá dor no flanco e na região lombar, palpação anterior pobre e pouca defesa. O sinal do obturador, dor à rotação interna do quadril direito fletido, aponta apêndice PÉLVICO, que irrita bexiga e reto e produz disúria, tenesmo e dor ao toque. Exame frustro não exclui apendicite — obriga a procurar a posição atípica.
Defesa involuntária e rigidez de parede saem do território da apendicite simples e entram no da perfuração com peritonite: é a diferença entre um abdome que dói e um que se protege.
Nenhum sinal confirma sozinho — eles somam, e é por isso que existem escores. Um passo, porém, vem antes de tudo na mulher em idade fértil: beta-hCG. Gravidez ectópica rota se apresenta como dor em fossa ilíaca com defesa e mata rápido; doença inflamatória pélvica, torção e ruptura de cisto ovariano completam os diferenciais que mais custam ponto. Em criança, adenite mesentérica após infecção de vias aéreas; em qualquer idade, divertículo de Meckel, ileíte terminal da doença de Crohn, diverticulite de cólon direito e cólica nefrética à direita.

Laboratório: o que ele decide e o que ele não decide
Leucocitose com neutrofilia e proteína C reativa elevada são marcadores de inflamação, não de apendicite. Entram nos escores porque somam, não porque decidam. Leucograma normal nas primeiras horas não exclui nada — a proteína C reativa sobe ainda mais tarde —, e leucocitose isolada sem quadro compatível não indica cirurgia.
Beta-hCG em toda mulher em idade fértil, antes da imagem: o resultado muda qual exame você pede e qual diagnóstico você persegue. Pedir tomografia antes do beta-hCG é o tipo de erro que a prova adora, porque parece diligência.
O sumário de urina merece cuidado. Leucocitúria e hematúria discretas são frequentes na apendicite, sobretudo quando o apêndice é pélvico e irrita ureter ou bexiga. Trocar o diagnóstico por infecção urinária por causa disso é armadilha clássica: piúria franca com bacteriúria é uma coisa; alterações discretas em quadro de dor migratória são outra.
Imagem: a escada que a diretriz desenha
Em adultos, a WSES 2020 recomenda a ultrassonografia à beira do leito como ferramenta de primeira linha (forte, 1B). Os achados que interessam: apêndice não compressível, diâmetro maior que 6 milímetros, dor à compressão com o transdutor, apendicolito e líquido ou borramento da gordura periapendicular.
Aqui mora uma armadilha que custa questão: apêndice não visualizado é exame INCONCLUSIVO, não exame negativo. A ultrassonografia é operador-dependente. Com suspeita clínica intermediária ou alta e apêndice não visualizado, o passo seguinte é tomografia ou observação com reavaliação — nunca alta.
Quando a tomografia é necessária, a diretriz é específica quanto ao protocolo: contrastada de BAIXA dose, preferida à de dose padrão (forte, 1A) — mesma acurácia, menos radiação. E há um atalho legítimo: em paciente de alto risco pelo escore e com menos de 40 anos, a tomografia pode ser dispensada, indo direto à laparoscopia diagnóstica e terapêutica. Em crianças, ultrassonografia primeiro (fraca, 2B) e ressonância preferida à tomografia como segunda linha; na gestante, ultrassonografia com compressão gradual (fraca, 2C) e ressonância quando ela é inconclusiva (fraca, 2B).
Combinar escore com ultrassonografia melhora a acurácia, reduz a necessidade de tomografia e derruba a apendicectomia negativa — a diretriz cita 1,6% de exploração negativa com a estratégia de escore contra 3,2% sem ela.
Não complicada e complicada: a linha que decide tudo
A classificação de gravidade que a WSES adota é de autoria brasileira: Carlos Augusto Gomes, da Universidade Federal de Juiz de Fora, publicada no World Journal of Emergency Surgery em 2015, combinando achados clínicos, de imagem e de laparoscopia.
Do lado NÃO complicado ficam o grau 0, apêndice macroscopicamente normal, e o grau 1, apêndice inflamado — hiperemia, edema, eventualmente fibrina, com pouco ou nenhum líquido pericólico. Do lado complicado: grau 2A é necrose segmentar e 2B é necrose da base, na inserção cecal, que exige sutura ou grampeador e muda a técnica na hora. O grau 3 é a doença bloqueada — 3A é o fleimão ou plastrão, massa inflamatória sem abscesso; 3B é abscesso menor que 5 centímetros; 3C é abscesso de 5 centímetros ou mais. O grau 4 é a perfuração com peritonite difusa.
Essa linha determina quatro decisões: se o tratamento não operatório pode sequer ser discutido, se o paciente precisa de drenagem antes ou em vez da cirurgia, por quantos dias o antibiótico continua depois, e que experiência cirúrgica a operação vai exigir. Quando a prova entrega o achado intraoperatório ou o laudo da tomografia, é essa classificação que ela está pedindo — mesmo sem nomeá-la. E ela tem consequência mensurável: na série brasileira de 638 casos, a internação média foi de 7 dias no conjunto e de 12,4 dias em quem chegou já perfurado.
Operar: via, janela e antibiótico
A apendicectomia laparoscópica é a via preferida sobre a aberta (forte, 1A): menos dor, menos infecção de sítio cirúrgico, internação mais curta, retorno ao trabalho mais rápido. E a técnica convencional de três portais é preferida ao portal único, também com recomendação forte 1A.
A janela é o ponto que mais gente erra por excesso de zelo. A diretriz recomenda programar a apendicectomia laparoscópica para a próxima lista cirúrgica disponível dentro de 24 horas (forte, 1B) e recomenda CONTRA atrasar além de 24 horas contadas da ADMISSÃO (forte, 1B). Um atraso curto é seguro no paciente estável com doença não complicada: 24 horas é teto, não meta. Em crianças a régua aperta — não passar de 24 horas, e apendicectomia precoce em até 8 horas quando a apendicite é complicada (fraca, 2C).
O antibiótico tem três regras, todas recomendações fortes. Dose ÚNICA pré-operatória de amplo espectro para todo mundo (1A). Na apendicite não complicada, nada de antibiótico no pós-operatório (1A) — é a alternativa que mais gente marca errado. Na complicada do adulto, não prolongar além de 3 a 5 dias (1A), com controle de foco adequado como premissa. Na criança com doença complicada, troca precoce para via oral após 48 horas e duração total menor que 7 dias (1B).
Os detalhes técnicos que caem seguem o mesmo espírito de fazer menos: aspiração isolada da cavidade, sem irrigação, na complicada (forte, 1B); recomendação CONTRA dreno após apendicectomia por apendicite complicada em adultos (forte, 1B); ligadura simples do coto em vez de invaginação (forte, 1A), com endoloop, fio ou clipe polimérico (forte, 1B); e protetor plástico de ferida na cirurgia aberta (forte, 1B).
Na gestante, a laparoscopia é sugerida como preferida à cirurgia aberta onde há experiência com a técnica (fraca, 2B), e o tratamento não operatório é desaconselhado (fraca, 2C). Em obesos, idosos e pacientes de alto risco, a via laparoscópica também é sugerida (fraca, 2B).
Plastrão e abscesso: quando a resposta é não operar agora
Um subgrupo chega tarde, com cinco a sete dias de dor, febre e massa palpável e dolorosa na fossa ilíaca direita: o organismo bloqueou a perfuração com epíplon e alças, formando fleimão ou abscesso. Esse paciente não é candidato à apendicectomia de urgência — operar um plastrão maduro na fase aguda aumenta muito a chance de terminar em ressecção ileocecal, que é exatamente o que se quer evitar. A WSES sugere tratamento não operatório com antibiótico e, quando disponível, drenagem percutânea (fraca, 2B), reservando a cirurgia a quem falha; se operado, o acesso laparoscópico é o sugerido onde há experiência avançada (fraca, 2B).
Sobre o seguimento há duas recomendações que se confundem com facilidade, e a prova gosta de cruzá-las. A primeira: recomendação CONTRA a apendicectomia de intervalo de rotina depois de tratamento não operatório bem-sucedido em adultos jovens, com menos de 40 anos, e em crianças (forte, 1B) — a recorrência fica entre 12% e 24%, e a indicação se reserva a quem volta a ter sintomas. A segunda: em pacientes com 40 anos ou mais, a diretriz sugere colonoscopia e tomografia de intervalo com contraste em dose plena (fraca, 2C), porque neoplasia de ceco ou de apêndice se apresenta exatamente assim.
As duas respondem a perguntas diferentes: a primeira é sobre operar, a segunda sobre investigar. Um paciente de 55 anos com abscesso tratado clinicamente precisa de colonoscopia — e isso não significa que precise de apendicectomia de intervalo.
Escore de Alvarado: o que ele decide e o que ele não decide
O Alvarado, ou MANTRELS, é a régua ordinal que as bancas brasileiras mais cobram pelo nome. Ele é bom para EXCLUIR e ruim para CONFIRMAR — e a diretriz internacional diz isso com todas as letras. Saber somar não basta: o que a prova testa é a faixa.
- 1Some os oito itens: máximo de 10 pontos, com dois itens valendo 2 — dor à palpação da fossa ilíaca direita e leucocitose — e os outros seis valendo 1.
- 2Abaixo de 5 pontos: sensibilidade de cerca de 99% para EXCLUIR, segundo a WSES. É o uso legítimo do escore — liberar com segurança e orientação de retorno.
- 3De 5 a 6 pontos: o escore não decide. É a faixa da imagem e da observação com reavaliação seriada.
- 4De 7 para cima no homem e de 9 para cima na mulher, a razão de verossimilhança positiva é comparável à da tomografia. O corte é mais alto na mulher porque os diferenciais ginecológicos inflam a pontuação.
- 5A WSES sugere CONTRA usar o Alvarado para confirmar o diagnóstico (fraca, 2B) e recomenda no lugar os escores AIR e AAS (forte, 1A) — além de sugerir contra diagnosticar por escore isolado, seja qual for (fraca, 2C).
0 a 4
Improvável. Alta com orientação de retorno, sem imagem obrigatória.
5 a 6
Possível. Ultrassonografia, e observação com reavaliação seriada se ela for inconclusiva.
7 a 8
Provável no homem; na mulher ainda pede imagem.
9 a 10
Muito provável. Com menos de 40 anos, pode ir direto à laparoscopia.
| Item (MANTRELS) | O que conta | Pontos |
|---|---|---|
| M — Migração da dor | Dor que começou periumbilical e migrou para a fossa ilíaca direita | 1 |
| A — Anorexia | Perda de apetite desde o início do quadro | 1 |
| N — Náusea ou vômito | Presente, e depois da dor | 1 |
| T — Dor à palpação da fossa ilíaca direita | Sensibilidade localizada no quadrante inferior direito | 2 |
| R — Descompressão dolorosa | Sinal de Blumberg presente | 1 |
| E — Elevação da temperatura | Febre — o limiar da descrição original é 37,3 °C | 1 |
| L — Leucocitose | Leucócitos acima de 10.000/mm³ | 2 |
| S — Desvio à esquerda | Neutrófilos acima de 75% | 1 |
| Total | Dois itens valem 2, seis valem 1 | 10 |
O AIR, escore que a diretriz recomenda no lugar do Alvarado, vai de 0 a 12 e pesa a INTENSIDADE dos achados em vez de tratá-los como sim ou não: vômito 1; dor em fossa ilíaca direita 1; defesa ou descompressão dolorosa leve 1, média 2, forte 3; temperatura de 38,5 °C ou mais 1; neutrófilos de 70 a 84% valem 1 e 85% ou mais valem 2; leucócitos de 10,0 a 14,9 mil valem 1 e 15,0 mil ou mais valem 2; proteína C reativa de 10 a 49 mg/L vale 1 e 50 mg/L ou mais vale 2. Faixas: 0 a 4 baixa probabilidade, 5 a 8 indeterminada, 9 a 12 alta. A WSES registra sensibilidade de 92% e especificidade de 63%.
O AAS, Adult Appendicitis Score, é o outro recomendado: abaixo de 11 pontos, baixa probabilidade; 16 pontos ou mais, alta probabilidade, com 93% de especificidade.
Por que o Alvarado sobrevive na prova brasileira mesmo rebaixado pela diretriz: comparações diretas favorecem o AIR (área sob a curva de 0,901 contra 0,821), mas o Alvarado é o único dos três que dispensa proteína C reativa, o que o mantém aplicável na primeira hora e em serviço sem laboratório completo. Saiba somá-lo — só não aceite alternativa dizendo que ele CONFIRMA o diagnóstico.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
A diretriz internacional admite a conversa
A WSES 2020 recomenda DISCUTIR o tratamento não operatório com antibiótico como alternativa segura à cirurgia em adultos com apendicite não complicada — recomendação forte, evidência 1A —, com a obrigação embutida de informar ao paciente que a recorrência chega a 39% em cinco anos. O regime começa endovenoso e troca para via oral (forte, 1B). O CODA, maior ensaio do tema, randomizou 1552 adultos em 25 centros dos Estados Unidos e mostrou não inferioridade do antibiótico no estado geral de saúde em 30 dias; ainda assim, 29% do braço antibiótico tinha sido operado em 90 dias. O APPAC, com 530 finlandeses e tomografia confirmando doença não complicada, chegou a 39,1% de recorrência em cinco anos e, aos dez anos, a 44,3% de apendicectomia acumulada — com bem menos complicações no braço antibiótico, 8,5% contra 27,4%.
WSES 2020, recomendação 2.1.1 (forte, 1A); CODA Collaborative, N Engl J Med 2020;383:1907-1919; Salminen et al., JAMA 2018;320:1259-1265 e JAMA 2026;335(12):1041-1049
A prova brasileira ainda espera cirurgia
A apendicectomia segue como conduta padrão nas bancas nacionais e no pronto-socorro brasileiro, e isso não é atraso: a própria diretriz formula a recomendação como DISCUTIR a opção, não como substituir a cirurgia. O tratamento não operatório tem pré-requisitos que não se podem presumir em qualquer serviço — tomografia confirmando doença não complicada, ausência de apendicolito e garantia de reavaliação. A literatura brasileira trata a apendicectomia como tratamento de escolha porque, além de resolver a doença, ela dá o diagnóstico definitivo.
Lima AP et al., Rev Col Bras Cir 2016;43(4):248-253, que descreve a apendicectomia como tratamento de escolha; e a própria WSES 2020, cuja recomendação 2.1.1 é de discutir a alternativa, não de substituir a cirurgia
Na prova
O tratamento não operatório só entra em cena quando o enunciado constrói o cenário completo dos ensaios: tomografia confirmando apendicite NÃO complicada, ausência de apendicolito, paciente estável e, em geral, menção explícita ao CODA, ao APPAC ou à ideia de tratamento conservador — sinais de que a questão está no corpo internacional, que mesmo assim formula a recomendação como DISCUTIR a alternativa com o paciente (informando recorrência de até 39% em cinco anos), não como substituir a cirurgia. Enunciado seco de pronto-socorro, sem esse recorte, vive no padrão nacional, em que a apendicectomia segue como conduta de referência — e a distância não é atraso: o manejo com antibiótico pressupõe tomografia disponível e reavaliação garantida, condições que não se podem presumir em qualquer serviço brasileiro, além de a cirurgia entregar o diagnóstico definitivo. Apendicolito na imagem desfaz a divergência: no CODA, esse subgrupo teve 20% de complicações com antibiótico contra 3,6% com cirurgia, e 41% acabaram operados em 90 dias — os dois corpos convergem para operar. Alternativa de antibiótico isolado num enunciado que nem descreveu a tomografia é distrator em qualquer dos mundos.
A diretriz permite esperar até 24 horas
A WSES recomenda programar a apendicectomia laparoscópica para a próxima lista disponível dentro de 24 horas (forte, 1B) e recomenda contra atrasar além de 24 horas da admissão (forte, 1B). O raciocínio: atraso hospitalar curto, no paciente estável com doença não complicada e sob antibiótico e analgesia, não aumenta desfecho adverso — ultrapassar as 24 horas aumenta. Na prática, isso libera o serviço de operar de madrugada com equipe reduzida.
WSES 2020, recomendações 3.1 e 3.2 (ambas fortes, 1B)
O ensino cirúrgico clássico trata como urgência imediata
A tradição cirúrgica brasileira ensina apendicectomia precoce como regra, apoiada na progressão da doença: a operação é tecnicamente fácil nas primeiras 24 horas, torna-se mais complexa sobretudo depois das 48 horas, e a partir do terceiro dia a frequência de complicações muda a própria forma de tratar — de apendicectomia simples para drenagens percutâneas e, no extremo, ressecção do cólon direito.
Freitas RG et al., Apendicite aguda, Rev HUPE (UERJ) 2009;8(1):38-51
Na prova
As duas posições convergem no essencial — 24 horas é teto, não meta, e o relógio corre desde a ADMISSÃO —, então a divergência real é de ênfase, e o enunciado revela qual ênfase está sendo cobrada. Vocabulário de 'próxima lista disponível', paciente estável sob antibiótico e analgesia, discussão de logística de centro cirúrgico: é a WSES 2020, que respalda programar dentro de 24 horas (forte, 1B) e se posiciona contra ultrapassá-las. Enunciado que enfatiza a progressão da doença — operação tecnicamente fácil nas primeiras 24 horas, mais complexa após 48, complicações mudando a própria forma de tratar a partir do terceiro dia — fala a língua do ensino cirúrgico clássico brasileiro, da urgência imediata. Perfuração, peritonite difusa ou instabilidade encerram a divergência nos dois corpos: cirurgia imediata.
Caso resolvido
- achado
- A dor migrou — periumbilical primeiro, fossa ilíaca direita depois. É a transição da dor visceral para a somática, e o achado de maior peso do tema. Repare também que o vômito veio DEPOIS da dor: o inverso puxaria para gastroenterite.
- escore
- Alvarado: migração 1, anorexia 1, náusea e vômito 1, dor em fossa ilíaca direita 2, descompressão dolorosa 1, febre 1, leucocitose 2, desvio à esquerda 1. Total de 10 — probabilidade altíssima.
- imagem
- A ultrassonografia já resolveu: apêndice não compressível de 9 mm com líquido periapendicular, sem coleção nem plastrão. É NÃO complicada. Tomografia não acrescentaria — e a diretriz admite ir direto à laparoscopia em alto risco com menos de 40 anos.
- conduta
- Apendicectomia laparoscópica (forte, 1A), programada para a próxima lista disponível dentro de 24 horas, com dose ÚNICA de antibiótico de amplo espectro na indução anestésica.
- pós-operatório
- Nenhum antibiótico depois: na apendicite não complicada a diretriz recomenda CONTRA mantê-lo (1A). É a alternativa que mais gente marca errado no tema.
Agora feche você
- achado
- Seis dias de evolução, massa palpável e coleção organizada de 6 cm. O quadro está bloqueado — não é apendicite aguda simples que chegou cedo.
- exame
- Sem peritonite difusa e sem instabilidade hemodinâmica. O bloqueio funcionou, e é isso que abre a porta para não operar agora.
- classificação
- …
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Pedir imagem antes do beta-hCG na mulher em idade fértil Gravidez ectópica rota se apresenta como dor em fossa ilíaca com defesa e mata rápido. O beta-hCG vem antes da tomografia, sempre — e o resultado muda qual exame de imagem você pede.
- 2Ler apêndice não visualizado como ultrassonografia negativa É exame INCONCLUSIVO, não exame negativo. A ultrassonografia é operador-dependente. Com suspeita clínica intermediária ou alta, o passo seguinte é tomografia de baixa dose ou observação com reavaliação — nunca alta.
- 3Manter antibiótico no pós-operatório da apendicite não complicada A diretriz recomenda CONTRA, com evidência 1A. Dose única na indução e acabou. Na complicada, de 3 a 5 dias, não mais que isso. É o erro mais frequente do tema em prova e no plantão.
- 4Descartar apendicite no idoso porque o abdome está pouco doloroso O idoso tem apresentação frustra e chega mais tarde. A mortalidade da perfuração no idoso chega a 15%, contra menos de 1% no quadro geral. Abdome pobre em paciente idoso com febre e leucocitose pede mais investigação, não menos.
- 5Pedir tomografia na gestante com ultrassonografia inconclusiva A escada é ultrassonografia com compressão gradual e depois ressonância magnética. E, se você pensou em tratar a gestante só com antibiótico para evitar a cirurgia, a diretriz sugere contra o tratamento não operatório na gestação.
- 6Colocar dreno e lavar a cavidade na apendicite complicada do adulto As duas coisas têm recomendação forte contra: nada de dreno (1B) e aspiração isolada em vez de irrigação (1B). O distrator parece cuidadoso e está errado.
- 7Aceitar vômito que precede a dor como apendicite Na apendicite a dor vem primeiro, e o vômito depois. Quando o enunciado inverte a ordem de propósito, ele está sinalizando outro diagnóstico — na maioria das vezes, gastroenterite.
Trata-se de abscesso apendicular em paciente estável e com o processo bloqueado. A WSES 2020 sugere tratamento NÃO operatório com antibiótico e, quando disponível, drenagem percutânea (fraca, 2B) — abordar cirurgicamente um plastrão maduro na fase aguda aumenta a chance de terminar em ressecção ileocecal, justamente o que se quer evitar. Sobre o seguimento, a diretriz recomenda CONTRA a apendicectomia de intervalo de rotina após tratamento não operatório bem-sucedido em adultos jovens, com menos de 40 anos, e em crianças (forte, 1B): a recorrência fica entre 12% e 24%, e a indicação se reserva a quem volta a ter sintomas. Com 34 anos ele não entra na outra recomendação, a de colonoscopia e tomografia de intervalo em dose plena, sugerida acima dos 40 anos (fraca, 2C) pelo risco de neoplasia. Colonoscopia na fase aguda é erro à parte. E dreno na apendicite complicada do adulto tem recomendação forte contra (1B), assim como a lavagem da cavidade, substituída por aspiração isolada (forte, 1B).
Recuperação
Responda as 7 e o gabarito abre no fim, com o comentário de cada uma.
Homem de 38 anos com apendicite aguda confirmada por tomografia, sem sinais de perfuração, abscesso ou peritonite. A tomografia mostra apendicolito de 8 mm na base do apêndice. O paciente relata forte preferência por evitar a cirurgia e pergunta se pode ser tratado apenas com antibiótico. Qual a orientação mais adequada?
Homem de 38 anos com apendicite aguda confirmada por tomografia, sem sinais de perfuração, abscesso ou peritonite. A tomografia mostra apendicolito de 8 mm na base do apêndice. O paciente relata forte preferência por evitar a cirurgia e pergunta se pode ser tratado apenas com antibiótico. Qual a orientação mais adequada?
A WSES 2020 recomenda DISCUTIR o tratamento não operatório com antibiótico como alternativa segura à cirurgia na apendicite não complicada (forte, 1A), informando ao paciente uma recorrência que chega a 39% em cinco anos — e registra explicitamente que a presença de apendicolito aumenta o risco de falha. Os números vêm do CODA, maior ensaio do tema, com 1552 adultos: no braço antibiótico, 29% tinham sido operados em 90 dias, e essa taxa subiu para 41% entre os que tinham apendicolito contra 25% entre os que não tinham; no subgrupo com apendicolito, as complicações foram de 20% com antibiótico contra 3,6% com cirurgia. O apendicolito não transforma o caso em complicado, mas desloca a balança para operar. Não contraindica a laparoscopia, que segue como via preferida (forte, 1A); o regime não operatório, quando indicado, começa endovenoso e troca para via oral (forte, 1B), não por via oral exclusiva por 21 dias; e apendicolito não é diagnóstico de apendicite crônica.
Mulher de 19 anos chega às 23 horas com apendicite aguda não complicada confirmada por ultrassonografia. Está estável, com dor controlada e sem sinais de perfuração. O centro cirúrgico está ocupado com um politraumatizado e a equipe estima liberação apenas na manhã seguinte, cerca de 10 horas depois. Qual conduta é compatível com a diretriz de Jerusalém da WSES (2020)?
A WSES 2020 recomenda programar a apendicectomia laparoscópica para a próxima lista cirúrgica disponível dentro de 24 horas (forte, 1B) e recomenda CONTRA atrasar além de 24 horas contadas da admissão (forte, 1B): um atraso curto é seguro no paciente estável com apendicite não complicada, enquanto ultrapassar esse teto aumenta os desfechos adversos. Dez horas de espera com analgesia e antibiótico cabem folgadamente nessa janela, e a paciente não precisa ser transferida nem operada em ambiente inadequado. Repare que 24 horas é teto, não meta, e que o relógio corre desde a ADMISSÃO. Reavaliar em 72 horas transformaria cirurgia simples em complicada, já que a perfuração é frequente depois de 48 a 72 horas. Em crianças a régua aperta: apendicectomia precoce, em até 8 horas, quando a apendicite é complicada (fraca, 2C).
Homem de 23 anos, previamente hígido, chega ao pronto-socorro com dor abdominal iniciada há 20 horas. A dor começou ao redor do umbigo, em cólica e mal localizada, e nas últimas 8 horas fixou-se na fossa ilíaca direita, tornando-se contínua. Refere perda de apetite desde o início e dois episódios de vômito, que começaram depois da dor. Ao exame: temperatura axilar 37,8 °C, PA 126 × 78 mmHg, FC 94 bpm; dor à palpação do ponto de McBurney, descompressão brusca dolorosa localizada e sinal de Rovsing positivo, sem defesa involuntária e sem irritação peritoneal difusa. Leucócitos 14.800/mm³ com 84% de neutrófilos. Ultrassonografia de abdome: apêndice não compressível medindo 9 mm, com líquido periapendicular discreto e sem coleções organizadas. Qual a conduta?
O quadro é típico e a ultrassonografia já fechou apendicite NÃO complicada: apêndice não compressível de 9 mm com líquido periapendicular e sem coleção. A conduta é apendicectomia laparoscópica, via preferida pela WSES 2020 (forte, 1A), programada para a próxima lista disponível dentro de 24 horas, com dose ÚNICA pré-operatória de antibiótico de amplo espectro (forte, 1A). A alternativa que acrescenta 5 dias de antibiótico no pós-operatório é a que mais atrai e erra no ponto que a diretriz destaca: em apendicite não complicada há recomendação CONTRA antibiótico pós-operatório (forte, 1A). A tomografia nada acrescenta com ultrassonografia já diagnóstica. O tratamento não operatório exigiria tomografia confirmando doença não complicada e ausência de apendicolito, e não é a conduta esperada. Alta é insegura: 20 horas de evolução é a janela em que a perfuração começa a entrar em cena.
Mulher de 28 anos com dor em fossa ilíaca direita há 10 horas, sem migração da dor, sem anorexia e sem vômitos. Temperatura axilar 36,8 °C. Ao exame, dor discreta à palpação profunda da fossa ilíaca direita, sem descompressão brusca dolorosa. Leucócitos 8.200/mm³ com 62% de neutrófilos. Beta-hCG negativo. O escore de Alvarado foi calculado em 3 pontos. Sobre a interpretação desse escore, assinale a alternativa correta.
O uso legítimo do Alvarado é EXCLUIR, não confirmar. A WSES 2020 registra que escore abaixo de 5 é suficientemente sensível para excluir apendicite aguda, com sensibilidade em torno de 99%, e na mesma diretriz sugere CONTRA usar o escore para confirmar positivamente o diagnóstico (fraca, 2B): ele não é específico o bastante, é pouco confiável no idoso e menos sensível no paciente HIV positivo. Por isso a diretriz recomenda os escores AIR e AAS como preditores clínicos (forte, 1A). O escore é aplicável a mulheres — o que muda é o corte no outro extremo: 7 ou mais em homens e 9 ou mais em mulheres têm razão de verossimilhança positiva comparável à da tomografia, porque os diferenciais ginecológicos inflam a pontuação. Internar ou tomografar paciente de baixo risco só acrescenta custo e radiação.
Homem de 31 anos com dor abdominal há 30 horas, febre e anorexia. A dor é referida no flanco e na região lombar à direita, e a palpação da fossa ilíaca direita provoca apenas desconforto discreto, sem defesa. O examinador coloca o paciente em decúbito lateral esquerdo e realiza a extensão passiva da coxa direita, o que reproduz a dor. Esse achado sugere que o apêndice inflamado esteja em qual posição?
O sinal do psoas — dor à extensão passiva da coxa direita, ou à flexão do quadril contra resistência — indica irritação do músculo psoas ilíaco pelo apêndice inflamado apoiado sobre ele, o que caracteriza a posição RETROCECAL. E é ela que explica o resto do quadro: dor referida no flanco e na região lombar, palpação anterior pobre e ausência de defesa, porque o ceco funciona como anteparo entre o apêndice e o peritônio parietal anterior. Quem aponta apêndice pélvico é o sinal do obturador, dor à rotação interna do quadril direito fletido, em geral com disúria, tenesmo e dor ao toque retal. As demais posições não têm manobra própria. A lição de prova: exame frustro na fossa ilíaca direita não exclui apendicite — obriga a procurar a posição atípica.
Gestante de 22 semanas, 29 anos, com dor no flanco e no quadrante inferior direito há 14 horas, náuseas e temperatura axilar de 37,9 °C. Ao exame, dor à palpação do quadrante inferior direito, sem defesa. Foi realizada ultrassonografia abdominal com compressão gradual, que não visualizou o apêndice e não identificou outra causa para o quadro. A suspeita clínica de apendicite permanece. Qual o próximo passo?
A WSES 2020 desenha a escada de imagem da gestante em dois degraus: ultrassonografia transabdominal com compressão gradual como exame inicial (fraca, 2C) e RESSONÂNCIA MAGNÉTICA quando a ultrassonografia é inconclusiva (fraca, 2B). Apêndice não visualizado é exame inconclusivo, não exame negativo — repetir daqui a 48 horas o mesmo exame que já falhou só consome a janela em que a perfuração aparece. A tomografia não é o degrau seguinte na gestante, e menos ainda em dose padrão: quando a tomografia é necessária em adultos, a diretriz prefere o protocolo de BAIXA dose (forte, 1A). Tratar empiricamente com antibiótico erra duas vezes: sem diagnóstico e contra a diretriz, que sugere CONTRA o tratamento não operatório da apendicite na gestação (fraca, 2C). Laparotomia sem diagnóstico expõe gestante e feto sem necessidade — se a cirurgia for indicada depois, a via laparoscópica é a sugerida onde há experiência (fraca, 2B).
Três pacientes foram operados no mesmo plantão. O primeiro, homem de 26 anos, teve como achado intraoperatório apêndice hiperemiado e edemaciado, sem perfuração e com pouco líquido livre. A segunda, mulher de 44 anos, teve apêndice perfurado com peritonite localizada, aspirada durante a laparoscopia. A terceira, menina de 9 anos, teve apêndice perfurado com peritonite difusa. Segundo a diretriz de Jerusalém da WSES (2020), qual conduta antibiótica pós-operatória está correta?
São três recomendações fortes e distintas da WSES 2020. Na apendicite NÃO complicada, a dose é única e pré-operatória (forte, 1A), e há recomendação CONTRA manter antibiótico no pós-operatório (forte, 1A) — o primeiro paciente, com apêndice apenas hiperemiado e edemaciado, é exatamente esse caso. Na apendicite COMPLICADA do adulto, a diretriz recomenda contra prolongar além de 3 a 5 dias (forte, 1A), tendo o controle de foco adequado como premissa. Na criança com apendicite complicada, recomenda troca precoce para via oral após 48 horas, com duração total inferior a 7 dias (forte, 1B). Guiar a duração pela proteína C reativa prolonga tratamento sem benefício demonstrado. E não dar antibiótico a ninguém ignora a profilaxia pré-operatória, a recomendação mais forte do bloco.
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em 7 dias
Os oito itens do Alvarado com os pesos certos — dor em fossa ilíaca direita e leucocitose valem 2, os outros seis valem 1 — e as faixas: abaixo de 5 exclui, 5 a 6 pede imagem, 7 no homem e 9 na mulher se aproximam do valor da tomografia. Junto, a escada de imagem.
em 30 dias
As três regras de antibiótico que dependem da linha entre não complicada e complicada — dose única sem manutenção, 3 a 5 dias no adulto complicado, menos de 7 dias na criança — mais o teto de 24 horas até a cirurgia. E o que fazer depois do abscesso tratado clinicamente: investigar com colonoscopia acima dos 40 anos não é o mesmo que operar de intervalo.
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