Fundamentos da Prática Clínica › Semiologia: populações especiais
Semiologia do idoso
Duas perguntas predizem queda melhor que a lista de fatores de risco
A cena
A consulta do senhor de 82 anos foi minuciosa: pressão, ausculta, exame abdominal, revisão de todos os medicamentos, exames laboratoriais recentes. Vinte minutos de exame bem-feito. Ninguém perguntou se ele caiu no último ano. Ele caiu duas vezes, e não contou porque ninguém perguntou e porque acha que é normal da idade.
Uma queda prévia no ano anterior tem razão de verossimilhança entre 2,3 e 2,8 para novas quedas — e o dado se obtém com uma pergunta. No mesmo estudo, vários fatores de risco que o exame minucioso investigou não predisseram quedas de forma consistente. A consulta gastou vinte minutos no que informa menos e zero segundo no que informa mais.
De onde vem o sinal
A semiologia do idoso acrescenta uma dimensão que não existe no exame do adulto jovem: a função. Não basta saber quais doenças a pessoa tem — é preciso saber o que ela consegue fazer. Duas pessoas com as mesmas doenças e os mesmos exames podem ter vidas completamente diferentes, e é a capacidade funcional que separa as duas.
A avaliação funcional se organiza em dois níveis. As atividades básicas de vida diária são as de autocuidado: banhar-se, vestir-se, usar o banheiro, transferir-se, continência e alimentar-se. As atividades instrumentais são as que permitem viver de forma independente na comunidade: usar telefone, fazer compras, preparar refeições, cuidar da casa, lavar roupa, usar transporte, administrar a própria medicação e as próprias finanças. As instrumentais costumam se perder primeiro, e por isso são as mais sensíveis para detectar declínio precoce.
A apresentação das doenças muda no idoso, e isso é a principal armadilha do capítulo. Infecção pode se manifestar como confusão ou queda, sem febre. Infarto pode se apresentar sem dor torácica. Depressão pode aparecer como queixa somática. O resultado é que o sintoma clássico frequentemente falta, e o que aparece é uma alteração funcional inespecífica — a pessoa parou de fazer algo que fazia.
Nas quedas, existe um contraste entre o que se imagina e o que se mede. A intuição diz que o risco vem da soma de muitos fatores — visão, medicamentos, cognição, pressão postural. A evidência mostra algo mais simples e mais estreito, e o capítulo apresenta isso adiante.
Na cognição, a distinção mais importante não é entre normal e alterado, e sim entre delirium, demência e depressão. O delirium é agudo, flutuante, cursa com alteração da atenção e tem causa tratável — e é frequentemente perdido porque a forma hipoativa não incomoda ninguém. A demência é insidiosa e progressiva. A depressão pode simular ambos. Confundi-los custa caro, porque só um deles é uma emergência.

O que perguntar
Duas dessas perguntas carregam mais informação preditiva que a maior parte do exame.
“O senhor caiu alguma vez no último ano?”
É o primeiro passo do rastreio de quedas e o dado isolado de maior valor preditivo. Muitos idosos não relatam espontaneamente porque atribuem à idade.
“O senhor tem medo de cair? Deixou de fazer alguma coisa por causa disso?”
O medo de cair leva a restrição de atividade, que leva a descondicionamento, que aumenta o risco de cair. Identificar o ciclo permite interrompê-lo.
“O senhor consegue tomar banho, se vestir e ir ao banheiro sozinho?”
Avalia as atividades básicas de vida diária, que definem o grau de dependência e a necessidade de suporte.
“Quem controla os remédios, o dinheiro e as compras da casa?”
As atividades instrumentais se perdem primeiro. A resposta 'minha filha faz' pode ser a primeira pista de declínio cognitivo.
“Pode me mostrar todas as caixas de remédio que o senhor toma, incluindo os que comprou por conta?”
Pedir para ver as caixas revela o que a lista do prontuário não tem, inclusive medicamentos duplicados e automedicação.
“Isso começou de repente, em horas ou dias? Fica indo e voltando ao longo do dia?”
Instalação aguda e curso flutuante são as marcas do delirium, e essa pergunta é dirigida ao acompanhante, não ao paciente.
“O senhor enxerga e escuta bem? Está usando os óculos e o aparelho auditivo?”
Déficit sensorial não corrigido prejudica o próprio exame e pode ser confundido com alteração cognitiva.
“Quem mora com o senhor? Se precisar de ajuda à noite, tem alguém?”
A rede de suporte determina o que é seguro em termos de conduta, independentemente do diagnóstico.
Antes de encostar
- Garantir que o paciente esteja com óculos e aparelho auditivo
- Examinar cognição em quem não escuta a pergunta produz resultado falso. Déficit sensorial não corrigido é a causa mais banal de teste cognitivo alterado.
- Ambiente silencioso e boa iluminação
- Reduz a demanda sensorial e melhora tanto a comunicação quanto o desempenho nos testes.
- Falar de frente, em ritmo normal e sem gritar
- Gritar distorce as consoantes e piora a compreensão. Falar de frente permite leitura labial parcial, que muitos idosos usam sem perceber.
- Tempo adicional
- A avaliação funcional e cognitiva não cabe em consulta apressada. Reconhecer isso é parte do planejamento, não uma falha.
- Acompanhante presente para parte da consulta
- Informações sobre memória, funcionalidade e curso dos sintomas frequentemente só o acompanhante tem. Mas reserve também um tempo a sós com o paciente.
- Pedir para trazer todas as caixas de medicamento
- É a única forma confiável de saber o que a pessoa realmente toma, incluindo automedicação e duplicidades.
- Espaço livre para avaliar marcha
- A avaliação de marcha e equilíbrio é o segundo passo do rastreio de quedas e exige alguns metros livres e apoio próximo.
A técnica
Ao exame clínico habitual acrescentam-se três avaliações: funcional, de quedas e cognitiva.
- 1
Perguntar sobre quedas no último ano
Faça a pergunta de forma direta e explícita, ao paciente e ao acompanhante. É o primeiro passo do rastreio e o dado de maior valor preditivo isolado.
Erro comum: Não perguntar, ou aceitar 'foi um tropeço' como negativa. Muitos idosos não relatam porque atribuem a queda à idade ou temem perder autonomia.
- 2
Avaliar marcha e equilíbrio em quem não caiu
Para quem não relatou queda no último ano, o rastreio prossegue com a avaliação de marcha e equilíbrio — os preditores mais consistentes de queda futura.
Erro comum: Substituir essa avaliação por uma lista de fatores de risco. Vários deles não predizem quedas de forma consistente.
- 3
Observar a marcha espontânea e cronometrar a velocidade habitual
Observe o paciente levantar da cadeira, caminhar, virar e sentar. Cronometre a velocidade habitual em distância conhecida.
Erro comum: Avaliar marcha apenas em trajeto reto. A virada e o levantar da cadeira são onde a instabilidade mais aparece.
- 4
Avaliar as atividades básicas de vida diária
Pergunte sobre banho, vestir-se, uso do banheiro, transferência, continência e alimentação. Registre o que a pessoa faz sozinha, com ajuda parcial, ou não faz.
Erro comum: Perguntar se ela consegue em vez do que ela realmente faz. A diferença entre capacidade e desempenho é grande.
- 5
Avaliar as atividades instrumentais
Pergunte sobre telefone, compras, preparo de refeições, tarefas domésticas, transporte, medicação e finanças. São as que se perdem primeiro.
Erro comum: Pular as instrumentais. Elas detectam declínio precoce que as básicas ainda não mostram.
- 6
Rastrear delirium quando houver alteração aguda
Avalie os quatro elementos: início agudo com curso flutuante, desatenção, pensamento desorganizado e alteração do nível de consciência. O diagnóstico requer os dois primeiros mais um dos outros dois.
Erro comum: Procurar delirium apenas em pacientes agitados. A forma hipoativa é comum, passa despercebida e tem o mesmo significado.
- 7
Obter a linha de base com o acompanhante
Pergunte especificamente como o paciente estava há uma semana e há um mês. Sem a linha de base, não há como identificar mudança aguda.
Erro comum: Avaliar cognição sem saber o estado prévio, o que impede distinguir delirium de demência estabelecida.
- 8
Aplicar teste cognitivo estruturado quando indicado
Use um instrumento validado, com o paciente usando óculos e aparelho auditivo, em ambiente silencioso, e considere escolaridade na interpretação.
Erro comum: Interpretar o resultado sem ajustar para escolaridade e sem corrigir déficit sensorial — as duas causas mais comuns de resultado falsamente alterado.
- 9
Revisar os medicamentos com as caixas na mesa
Peça que traga todas as caixas, incluindo o que comprou por conta própria. Registre o que é realmente tomado, e não o que está prescrito.
Erro comum: Confiar na lista do prontuário. Duplicidades e automedicação só aparecem com as caixas à vista.
- 10
Avaliar rede de suporte e ambiente
Pergunte com quem mora, quem ajuda, e sobre riscos no domicílio — tapetes soltos, escadas sem corrimão, iluminação insuficiente, banheiro sem barra.
Erro comum: Concluir a avaliação de quedas sem falar do ambiente onde as quedas acontecem.
Achados, limites e forma de registro
- Independência nas atividades básicas e instrumentais de vida diária.
- Ausência de quedas no último ano, com marcha e equilíbrio preservados.
- Marcha com velocidade habitual preservada, virada estável e levantar da cadeira sem apoio de braços.
- Cognição preservada, com o paciente orientado, atento e com discurso organizado.
- Rede de suporte identificada e ambiente domiciliar sem riscos evidentes.
- Exemplo de registro: função basal e atual em atividades básicas e instrumentais, mobilidade e dispositivo habitual, quedas, visão, audição, medicamentos, atenção e cognição descritos; apoio disponível e objetivo prioritário da pessoa incorporados ao plano.
- Queda no último ano
- É o dado de maior valor preditivo isolado para novas quedas, com razão de verossimilhança entre 2,3 e 2,8. Obtido apenas perguntando.
- Alteração de marcha ou de equilíbrio
- Preditor mais consistente de quedas futuras entre todos os avaliados, com razão de verossimilhança entre 1,7 e 2,4. É o segundo passo do rastreio.
- Perda de atividades instrumentais com básicas preservadas
- Padrão de declínio precoce. As instrumentais se perdem primeiro, e a resposta 'minha filha cuida disso' pode ser a primeira pista.
- Início agudo, curso flutuante e desatenção
- Padrão de delirium. Exige busca ativa da causa, que é frequentemente tratável — infecção, medicamento, distúrbio metabólico, retenção urinária.
- Paciente sonolento, quieto e pouco responsivo, sem agitação
- Forma hipoativa do delirium, que é comum e passa despercebida justamente por não incomodar. Tem o mesmo significado da forma agitada.
- Confusão ou queda como única manifestação, sem febre ou dor
- Apresentação atípica de doença aguda no idoso. Infecção e infarto podem se manifestar assim, sem o sintoma clássico.
- Medo de cair com restrição de atividades
- Inicia o ciclo de descondicionamento que aumenta o risco de novas quedas. É achado modificável e frequentemente não relatado espontaneamente.
- Teste cognitivo alterado em paciente sem óculos ou sem aparelho auditivo
- Resultado não interpretável. Déficit sensorial não corrigido é a causa mais banal de teste cognitivo falsamente alterado.
O que isso quer dizer
A evidência sobre quedas é o achado mais útil deste capítulo, e ela simplifica em vez de complicar. Uma revisão sistemática reuniu 18 coortes prospectivas de idosos de 65 anos ou mais vivendo na comunidade, população em que cerca de 27% caem pelo menos uma vez por ano.
Dois preditores se destacaram. Ter caído no ano anterior apresentou razão de verossimilhança entre 2,3 e 2,8 para novas quedas. E alterações de marcha e equilíbrio foram descritas como os preditores mais consistentes, com razão de verossimilhança entre 1,7 e 2,4.
O achado que contraria a intuição é o outro lado. Deficiência visual, uso de medicamentos, redução nas atividades de vida diária e comprometimento cognitivo não predisseram quedas de forma consistente entre os estudos. E a hipotensão ortostática, que ocupa lugar de destaque no ensino, não mostrou valor preditivo depois do controle para outros fatores.
Isso não significa que esses fatores sejam irrelevantes para o cuidado — vários deles são alvo de intervenção e importam por outras razões. Significa que, como preditores de queda futura, eles não sustentam o peso que costumam receber. E leva à recomendação prática que os autores derivam: o rastreio eficiente começa perguntando se o paciente caiu no último ano; para quem não caiu, prossegue com a avaliação de marcha e equilíbrio. Duas etapas, ambas rápidas.
Vale reconhecer o tamanho desses números. Razões de verossimilhança entre 1,7 e 2,8 são modestas — nenhuma delas confirma nem afasta risco isoladamente. O que as torna valiosas é o custo: uma pergunta e uma observação de marcha, contra uma bateria de avaliações que não prediz melhor.
O segundo bloco é sobre delirium. Uma revisão sistemática com meta-análise reuniu 22 estudos e 2.442 pacientes avaliando o instrumento padronizado de avaliação de confusão. A sensibilidade agrupada foi de 82%, com intervalo de 69% a 91%, e a especificidade de 99%, com intervalo de 87% a 100%.
Especificidade de 99% significa poucos falsos positivos entre pacientes sem delirium no conjunto estudado; não torna o resultado positivo conclusivo em qualquer cenário, porque a probabilidade pós-teste depende da prevalência e do contexto. Um resultado positivo eleva muito a suspeita e deve acionar a busca da causa. A sensibilidade de 82% significa que cerca de um em cada cinco casos pode escapar, exigindo manter a suspeita diante de mudança aguda relatada pelo acompanhante.
Há um ponto que os números não capturam e que é o mais frequente na prática: a forma hipoativa. O idoso quieto, sonolento e pouco responsivo não gera chamada de enfermagem nem preocupação da família, e por isso passa. Ele tem o mesmo delirium do paciente agitado, com a mesma necessidade de investigar causa tratável. Procurar delirium apenas onde há agitação é procurar metade dos casos.
Rastreio cognitivo alterado não é diagnóstico e sofre influência de escolaridade, linguagem, audição, visão, delirium e humor. Capacidade decisória é específica para a decisão e para o momento; função basal, atenção, medicamentos, mobilidade e ambiente orientam risco e plano centrado na pessoa.
| Sinal | Medida | Valor | Fonte |
|---|---|---|---|
| Queda no ano anterior como preditor de novas quedas | Predição de quedas futuras em idosos de 65 anos ou mais na comunidade, em revisão de 18 coortes prospectivas. Cerca de 27% dessa população cai ao menos uma vez por ano. | Razão de verossimilhança entre 2,3 e 2,8 | Ganz DA, Bao Y, Shekelle PG, Rubenstein LZ. Will my patient fall? JAMA. 2007;297(1):77-86. |
| Alterações de marcha e equilíbrio como preditor de quedas | Predição de quedas futuras na mesma revisão. Deficiência visual, uso de medicamentos, redução de atividades de vida diária e comprometimento cognitivo NÃO predisseram de forma consistente; a hipotensão ortostática não mostrou valor preditivo após controle para outros fatores. | Razão de verossimilhança entre 1,7 e 2,4 — descritos como os preditores mais consistentes entre os avaliados | Ganz DA, Bao Y, Shekelle PG, Rubenstein LZ. Will my patient fall? JAMA. 2007;297(1):77-86. |
| Instrumento padronizado de avaliação de confusão para delirium | Desempenho em revisão sistemática com meta-análise de 22 estudos e 2.442 pacientes. A especificidade elevada torna o resultado positivo muito informativo nos contextos estudados, mas sua probabilidade pós-teste depende da prevalência; a sensibilidade deixa escapar cerca de um em cada cinco casos. | Sensibilidade agrupada 82% (IC 95% 69–91%) e especificidade 99% (IC 95% 87–100%) | Shi Q, Warren L, Saposnik G, MacDermid JC. Confusion assessment method: a systematic review and meta-analysis of diagnostic accuracy. Neuropsychiatr Dis Treat. 2013;9:1359-70. |
Delirium, demência ou depressão?
A distinção mais importante da avaliação cognitiva do idoso, porque só uma delas é emergência.
| Característica | Delirium | Demência | Depressão |
|---|---|---|---|
| Instalação | Aguda, em horas a dias | Insidiosa, meses a anos | Semanas a meses |
| Curso | Flutuante ao longo do dia | Progressivo e estável no dia | Relativamente estável |
| Atenção | Comprometida — marca central | Preservada até fases avançadas | Pode estar reduzida |
| Nível de consciência | Frequentemente alterado | Preservado | Preservado |
| Reversibilidade | Geralmente, tratando a causa | Não | Sim, com tratamento |
| Resposta às perguntas | Desorganizada, incoerente | Respostas erradas com esforço | Respostas 'não sei' frequentes |
| Urgência | Emergência — buscar causa | Investigação ambulatorial | Investigação e tratamento |
- Rastreio de quedas em dois passos: perguntou se caiu no último ano? Se não caiu, avalie marcha e equilíbrio.
- A forma hipoativa do delirium é comum e passa despercebida por não incomodar. Tem o mesmo significado da forma agitada.
Erros que custam o achado
- Não perguntar sobre quedas
- É o dado isolado de maior valor preditivo, custa uma pergunta, e muitos idosos não relatam espontaneamente — atribuem à idade ou temem perder autonomia.
- Substituir o rastreio de dois passos por uma lista de fatores de risco
- Deficiência visual, medicamentos, redução de atividades e comprometimento cognitivo não predisseram quedas de forma consistente. Eles importam para o cuidado, mas não como preditores.
- Valorizar a hipotensão ortostática como preditor de quedas
- Ela não mostrou valor preditivo após o controle para outros fatores. Segue relevante por outras razões, mas não sustenta o peso que recebe nessa pergunta específica.
- Procurar delirium apenas em pacientes agitados
- A forma hipoativa é comum e não gera alarme. Procurar só onde há agitação encontra metade dos casos — e a forma quieta tem o mesmo significado clínico.
- Avaliar cognição sem a linha de base do acompanhante
- Sem saber como o paciente estava há uma semana, não há como identificar mudança aguda. É essa mudança que separa delirium de demência estabelecida.
- Testar cognição sem óculos e sem aparelho auditivo
- Déficit sensorial não corrigido é a causa mais banal de teste cognitivo falsamente alterado. O resultado obtido assim não é interpretável.
- Perguntar se consegue em vez de perguntar o que faz
- Capacidade e desempenho são coisas diferentes. Muita gente consegue tomar banho sozinha e não toma. O que interessa funcionalmente é o que acontece.
- Pular as atividades instrumentais
- Elas se perdem antes das básicas e detectam declínio precoce. 'Minha filha cuida dos remédios' pode ser a primeira pista de comprometimento cognitivo.
- Confiar na lista de medicamentos do prontuário
- Duplicidades, automedicação e o que foi suspenso por conta própria só aparecem quando as caixas estão na mesa.
- Esperar apresentação clássica de doença aguda
- No idoso, infecção pode se manifestar como confusão ou queda sem febre, e infarto pode ocorrer sem dor torácica. Alteração funcional inespecífica é frequentemente a única apresentação.
Roteiro da estação
Avaliação do idoso, acrescida ao exame clínico habitual.
- 01Confirmar que o paciente está com óculos e aparelho auditivo
- 02Garantir ambiente silencioso e falar de frente, sem gritar
- 03Perguntar diretamente sobre quedas no último ano, ao paciente e ao acompanhante
- 04Se não houve queda, avaliar marcha e equilíbrio
- 05Observar levantar da cadeira, caminhar, virar e sentar
- 06Cronometrar a velocidade habitual de marcha em distância conhecida
- 07Perguntar sobre medo de cair e restrição de atividades
- 08Avaliar as atividades básicas de vida diária, perguntando o que faz e não o que consegue
- 09Avaliar as atividades instrumentais
- 10Obter com o acompanhante a linha de base cognitiva e funcional
- 11Rastrear delirium diante de qualquer alteração aguda, inclusive na forma hipoativa
- 12Aplicar teste cognitivo estruturado quando indicado, ajustando para escolaridade
- 13Revisar medicamentos com todas as caixas à vista
- 14Avaliar rede de suporte e riscos no ambiente domiciliar
Teste-se
Agora faça no paciente
Homem de 68 anos chega ao ambulatório e a primeira coisa que você ouve é: "Doutor, minha mão direita começou a tremer faz mais de um ano e eu ando mais devagar." Agora é sua vez: conduza a anamnese, examine e monte o seu raciocínio.
Revisão espaçada
Quais são os dois passos do rastreio de quedas e por que essa sequência é mais eficiente que uma lista de fatores de risco? Qual a diferença entre atividades básicas e instrumentais, e por que as instrumentais detectam declínio mais cedo?
O instrumento de avaliação de confusão tem especificidade 99% e sensibilidade 82%. O que você conclui de um resultado positivo e de um negativo? E por que procurar delirium apenas em pacientes agitados encontra apenas parte dos casos?
