Internato·Outras Especialidades
Medicina do Trabalho
O que o paciente faz das sete às cinco muda o diagnóstico, o benefício e a estatística — e quem escreve isso é você.
3 capítulos
- 01A lesão que só vira acidente se alguém escreverO interno é quem decide se a fratura da madrugada entra no mundo como acidente de trabalho ou apenas como fratura — e a decisão muda benefício, estabilidade no emprego e a estatística que orienta fiscalização. Aqui: o que é acidente de trabalho e de trajeto, a doença equiparada, como reconhecer LER/DORT numa dor crônica sem trauma, o que perguntar sobre a jornada, o que não escrever, o afastamento, e para onde vai a notificação.
- 02Em que o senhor trabalhaDuas coisas que o interno acha que não são dele e são: decidir que uma doença tem relação com o trabalho, que tem método, tem lista oficial e não é atribuição exclusiva do perito; e a Comunicação de Acidente de Trabalho, que tem prazo, tem quem pode emitir e quase nunca é emitida por quem assiste. Aqui: a pergunta que abre o nexo, o que se registra, a Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho e o que ela é, quem emite a CAT e o que ela muda para o paciente, e as doenças ocupacionais que chegam à unidade básica sem nome.
- 03Ninguém vem por causa dissoDuas doenças que não doem, não voltam e não trazem ninguém ao serviço: a perda auditiva induzida por ruído e as pneumoconioses instalam-se em silêncio ao longo de décadas e só aparecem quando já não há o que recuperar. O único momento em que alguém pode interromper a exposição costuma ser uma consulta marcada por outro motivo. Aqui: o inventário de exposição que cabe em três minutos, o que a audiometria mostra e o que ela deixa passar, as poeiras que adoecem no Brasil e onde, o que o asbesto obriga por trinta anos depois do fim do contrato, o afastamento, a notificação e a conversa com quem pode perder o emprego por ter contado.
