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Exame neurológico e localização da lesão à beira do leito
Da queixa de fraqueza ao território da lesão: examinar com método, reconhecer urgências e comunicar uma hipótese que orienta a investigação.
MSD Manual Professional. Introduction to the Neurologic Examination.
MSD Manual Professional. How To Assess the Motor System.
MSD Manual Professional. How To Assess the Cranial Nerves.
MSD Manual Professional. How To Assess Reflexes.
MSD Manual Professional. How To Assess Sensation.
MSD Manual Professional. How To Assess Gait, Stance, and Coordination.
Myasthenia Gravis Foundation of America. MG Emergencies.
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Na evolução, qual registro permite melhor comparação neurológica?
O paciente que você vai ver
Marina, 58 anos, chega à enfermaria acompanhada pela filha. Há três semanas deixa objetos caírem e sente as pernas duras. Hoje precisou de ajuda para subir um degrau. A ficha resume: “fraqueza, investigar AVC”. Ela conversa com clareza, movimenta o rosto simetricamente e não descreve início súbito. O interno tem um martelo, um diapasão, uma lanterna e poucos minutos antes da visita.
Ao perguntar o que “fraqueza” significa, descobre dificuldade para abotoar a blusa e uma marcha que parece presa ao chão. Não houve desmaio, dor limitante ou falta de ar. A localização ainda está aberta. Pedir uma tomografia de crânio antes de examinar pode responder à pergunta errada. O que falta é transformar uma palavra do paciente em um conjunto de sinais.
Quem adoece disso
No Internato, sintomas neurológicos aparecem em cenários muito diferentes: déficit focal no pronto-socorro, confusão na enfermaria, quedas e parestesias na atenção primária. A probabilidade prévia muda com o contexto, a idade, as exposições e o tempo de evolução. Um déficit máximo desde o primeiro minuto pede raciocínio vascular; piora em dias a semanas amplia hipóteses inflamatórias, compressivas, infecciosas e metabólicas; progressão crônica traz outras possibilidades. Nenhum desses tempos, sozinho, fecha o diagnóstico.
Em Marina, a progressão por semanas enfraquece a ideia de um único AVC agudo como explicação de todo o quadro. Isso não torna o caso eletivo: piora motora com possível compressão medular pode exigir avaliação no mesmo dia. Frequência e urgência são perguntas diferentes.
Por que acontece o que acontece
A contração voluntária depende de uma cadeia: comando cortical, vias descendentes, neurônio motor periférico, junção neuromuscular e músculo. A interrupção em qualquer ponto pode produzir fraqueza, mas os sinais acompanhantes mudam. Lesões do sistema motor central tendem a combinar paresia, reflexos vivos e resposta plantar extensora; lesões periféricas podem combinar paresia, atrofia, fasciculações e reflexos reduzidos. São padrões, não leis isoladas: uma lesão central aguda pode inicialmente apresentar flacidez e reflexos diminuídos.
A distribuição ajuda a escolher o nível. Hemiparesia com afasia ou negligência aponta para hemisfério cerebral. Alteração de par craniano de um lado e de força ou sensibilidade do corpo do outro sugere tronco encefálico. Comprometimento bilateral abaixo de um nível, associado a sinais piramidais e disfunção esfincteriana, levanta hipótese medular. Dor irradiada, fraqueza miotômica e alteração reflexa podem apontar para raiz; um território de nervo nomeado favorece mononeuropatia. Fraqueza proximal simétrica sem perda sensitiva sugere músculo; fatigabilidade ocular ou bulbar sem déficit sensitivo sugere junção neuromuscular.
Esses desenhos são hipóteses testáveis. Uma pessoa pode ter duas doenças ao mesmo tempo, como polineuropatia diabética e mielopatia cervical. Um reflexo aquileu ausente não anula outros sinais medulares. Procure a explicação que acomoda o conjunto e explicite o que ela ainda não explica.

Como se apresenta de verdade
Ao terminar este capítulo, você deverá conseguir fazer um exame neurológico organizado, reconhecer seus limites e formular uma hipótese topográfica. A tarefa do interno é mostrar quais funções estão alteradas, quais estão preservadas, onde a combinação provavelmente se origina e o que exige ajuda imediata. O diagnóstico etiológico vem depois dessa síntese, embora a estabilização de uma emergência aconteça antes de completar qualquer roteiro.
A entrega do interno. Ao apresentar o paciente, separe quatro níveis: o sintoma referido, o sinal que você demonstrou, a síndrome topográfica e as causas possíveis. “Perna fraca” é queixa; “dorsiflexão direita grau 3” é sinal; “déficit em território de raiz ou nervo” é hipótese topográfica. Nenhuma dessas frases, sozinha, identifica a etiologia. Exame, imagem e evolução precisam ser coerentes. Reconhecimento e comunicação de uma emergência acontecem em paralelo ao exame, sob supervisão.
Aprender para cuidar no internato. Distinguir queixa, sinal, síndrome e causa; apresentar uma hipótese topográfica sustentada pelo exame. Ao discutir o caso com o preceptor, explicite os achados que sustentam a hipótese, uma alternativa relevante, a decisão que precisa ocorrer agora e o que fará mudar o plano. O resultado esperado é uma ação clínica justificada e acompanhada, além de reconhecer o diagnóstico.
Como usar este capítulo
O exame começa enquanto a pessoa entra: postura, marcha, movimentos espontâneos, atenção e linguagem já fornecem dados. A observação espontânea complementa, mas não substitui, as manobras. “Movimenta os quatro membros” não equivale a força normal; “orientado” não resume cognição; “pupilas normais” não resume pares cranianos. Execute o núcleo do exame e amplie os componentes dirigidos pela história. No começo do treinamento, use um roteiro completo para evitar que uma hipótese precoce apague os achados contrários.
Este é um capítulo de base. AVC, compressão medular, Guillain-Barré, miastenia, neuropatias e alterações da consciência têm capítulos próprios para tratamento. Aqui você aprende a reconhecer a síndrome que abre a porta certa, sem repetir todos esses protocolos.
Como fechar o diagnóstico
Antes das manobras, confirme o início dos sintomas, o último momento em que a função era normal, a trajetória e a repercussão funcional. Pergunte sobre trauma, dor cervical ou lombar, febre, câncer, anticoagulantes, substâncias, medicamentos sedativos, retenção urinária e alterações da deglutição ou respiração. Verifique sinais vitais e glicemia quando houver déficit agudo ou alteração da consciência. Se houver instabilidade, acione o supervisor e trate a ameaça imediata.
Como tornar as manobras reproduzíveis. Demonstre o movimento no lado mais preservado, estabilize o segmento e teste o outro nas mesmas condições. Distingua incapacidade por dor de perda de força: registre a limitação sem atribuir automaticamente grau 5 ou simulação. No grau 3 da MRC, o movimento vence a gravidade; no grau 2, só ocorre com gravidade eliminada. O grupo testado, a posição e a colaboração ajudam a interpretar diferenças entre examinadores. Uma soma global de força não deve apagar uma queda localizada.
Localização não é exclusão por um sinal. Face poupada favorece medula em Marina apenas pelo conjunto bilateral, piramidal e progressivo; não exclui AVC subcortical em outro paciente. Afasia favorece hemisfério dominante, mas sua ausência não exclui lesão cerebral. Em diplopia aguda com disartria, ataxia ou déficit cruzado, considere tronco e circulação posterior. NIHSS baixo, quando utilizado, não elimina déficit incapacitante ou AVC posterior. Não prolongue um exame eletivo diante de instalação súbita.
1. Consciência, atenção e linguagem
Observe se a pessoa está desperta espontaneamente, se sustenta contato e se executa ordens. Teste atenção com uma tarefa simples adequada à escolaridade e à audição, como meses do ano em ordem inversa. Avalie fala espontânea, compreensão, nomeação de objetos e repetição de uma frase. Afasia é alteração de linguagem; disartria é alteração da articulação. Uma pessoa disártrica pode compreender e escrever normalmente. Adapte o exame a deficiência auditiva, barreira de idioma e baixa escolaridade antes de interpretar um erro como lesão cerebral.
No paciente com rebaixamento, registre componentes observados de uma escala de consciência e fatores que impedem o teste, como intubação ou sedação. Um número total sem contexto informa pouco. Em déficit focal agudo, não prolongue testes cognitivos a ponto de atrasar a via de AVC.
2. Pares cranianos: testar funções, não recitar números
Avalie acuidade visual de cada olho quando pertinente, campos por confrontação, tamanho e reatividade pupilar. Examine posições do olhar, diplopia e nistagmo; peça que acompanhe um alvo sem girar a cabeça. Compare sensibilidade facial e movimentos da testa, fechamento ocular e sorriso. Verifique audição funcional, voz, elevação do palato, movimentos da língua e elevação dos ombros conforme o quadro. Fundoscopia é útil quando indicada, mas não ter conseguido ver a papila deve ser registrado como limitação, jamais como fundo normal.
Disfonia nova, tosse fraca e dificuldade para lidar com secreções exigem atenção à proteção da via aérea. Não ofereça água apenas para “testar” deglutição em quem pode aspirar; use o protocolo de rastreio do serviço. Reflexo nauseoso isolado não prova deglutição segura. No contexto de trauma ou suspeita de lesão cervical, evite manobras que movimentem o pescoço sem liberação adequada.
3. Motor: inspecionar, mobilizar e comparar
Exponha os segmentos necessários com privacidade. Procure atrofia, fasciculações, movimentos involuntários e assimetrias. Avalie tônus com mobilização passiva e compare lados: resistência dependente da velocidade sugere espasticidade, enquanto rigidez exige outra interpretação. Teste grupos proximais e distais contra resistência, estabilizando a articulação e distinguindo fraqueza de limitação por dor.
Use a escala MRC: 0, nenhuma contração; 1, contração sem movimento; 2, movimento com gravidade eliminada; 3, contra gravidade; 4, contra resistência reduzida; 5, força considerada normal. O grau 4 abrange uma faixa ampla e precisa de descrição funcional. Registre grupos musculares e lados. Para uma triagem de assimetria, observe braços estendidos com palmas para cima e olhos fechados, se seguro; queda com pronação pode indicar déficit piramidal. Uma manobra isolada não substitui o exame segmentar.

4. Reflexos e sensibilidade: desenhar o território
Com o paciente relaxado, compare reflexos bicipital, tricipital, patelar e aquileu; acrescente os demais conforme a hipótese. Registre simetria, amplitude e clônus. Pesquise resposta plantar com estímulo adequado, sem ferir. Retirada por desconforto não deve ser automaticamente chamada de Babinski. Hiperreflexia simétrica pode ocorrer sem doença; assimetria e associação com outros sinais dão significado ao achado.
Explique a prova sensitiva antes de fechar os olhos. Compare toque, estímulo doloroso seguro e, conforme a hipótese, vibração com diapasão de 128 Hz e posição articular. Varie a ordem, evite perguntas sugestivas e delimite a transição entre normal e alterado. Padrão em luvas e meias sugere polineuropatia; faixa dermatomérica sugere raiz; um nível no tronco pede investigação medular. A altura sensitiva clínica orienta a imagem, mas não determina sozinha o nível anatômico exato da lesão.
5. Coordenação, equilíbrio e marcha
Peça movimentos dedo-nariz e calcanhar-joelho, considerando que paresia, dor e perda proprioceptiva podem prejudicá-los sem lesão cerebelar primária. Observe velocidade, decomposição e erro de trajetória. Examine a marcha com apoio próximo: base, comprimento do passo, balanço dos braços, arrasto do pé e giro. Só acrescente marcha em tandem, pontas e calcanhares quando seguro.
No Romberg, a pessoa deve conseguir ficar de pé com olhos abertos antes da comparação com olhos fechados. Piora importante ao retirar a visão sugere dependência visual por alteração proprioceptiva ou vestibular; não é um teste específico de cerebelo. Quem já oscila intensamente de olhos abertos precisa de outra interpretação. Não provoque uma queda para demonstrar um sinal.
Do conjunto de sinais à pergunta para a imagem
Compare topografia, tempo e gravidade antes de escolher o exame complementar.
- 1Há ameaça respiratória, rebaixamento, déficit súbito ou progressão rápida? Acione ajuda e a via de urgência correspondente.
- 2Defina o déficit dominante e procure sinais acompanhantes: linguagem, pares cranianos, reflexos, sensibilidade e esfíncteres.
- 3Formule a topografia provável e uma alternativa plausível.
- 4Escolha o exame que testa a hipótese; documente limitações e programe exame seriado.
Padrões úteis, com suas ressalvas
| Conjunto | Topografia provável | Consequência prática |
|---|---|---|
| Hemiparesia com afasia | Hemisfério dominante | Via de AVC se início agudo; neuroimagem urgente. |
| Par craniano e sinais corporais cruzados | Tronco encefálico | Atenção a circulação posterior, via aérea e progressão. |
| Pernas espásticas, mãos desajeitadas, face poupada | Medula cervical entre as hipóteses | Procurar sinais medulares e discutir RM cervical urgente conforme evolução. |
| Paresia distal, arreflexia, perda em meias | Nervos periféricos | Buscar evolução e risco respiratório; ENMG conforme contexto. |
| Ptose fatigável, diplopia, sensibilidade preservada | Junção neuromuscular | Avaliar função bulbar e respiratória; oximetria isolada não exclui falência ventilatória. |
Topografia é inferência clínica. O resultado deve permanecer aberto a revisão quando história, exame e imagem discordarem.
A conduta, hora a hora
Em Marina, o exame encontra lentidão dos movimentos finos das mãos, força reduzida em alguns grupos distais, reflexos vivos nos quatro membros, resposta plantar extensora bilateral e marcha espástica. Não há afasia, alteração de campos visuais ou pares cranianos. Ao ser perguntada diretamente, relata dificuldade nova para esvaziar a bexiga. A combinação favorece uma síndrome medular cervical e aumenta a urgência da investigação.
Transformar a hipótese em plano. Em Marina, mantenha exame motor e esfincteriano comparável enquanto a equipe organiza avaliação urgente. Proteja contra quedas, evite marcha de teste se houver instabilidade e registre qualquer piora com horário. Se a imagem não explicar a síndrome, o próximo passo é revisar a topografia e os diferenciais, não atribuir todos os sintomas à primeira alteração degenerativa do laudo. Se houver incapacidade ventilatória ou dificuldade com secreções, o cuidado respiratório tem prioridade sobre completar o roteiro.
Na avaliação inicial
Comunique imediatamente ao supervisor a progressão motora e a queixa urinária. Proteja contra quedas e avalie retenção conforme recursos locais. Evite manipulações cervicais.
Na definição do destino
Organize investigação hospitalar e RM dirigida à suspeita medular com a equipe. Se não houver acesso no serviço, articule transferência; não transforme a ausência de exame em retorno eletivo.
Enquanto aguarda
Repita força, sensibilidade e função esfincteriana; procure piora respiratória quando a topografia ou a doença a tornarem plausível. Trate causas e complicações sob supervisão, sem prescrever corticoide empiricamente para toda mielopatia.
Como saber se está funcionando
O exame seriado usa os mesmos grupos e a mesma linguagem. “Piorou” deve virar uma mudança verificável: antes dorsiflexia grau 4 à direita, agora grau 2; antes caminhava com ajuda de uma pessoa, agora não sustenta os joelhos. Informe hora, medicações intervenientes, dor e cooperação. Pequenas diferenças entre examinadores podem ser técnicas, por isso uma piora suspeita deve ser conferida prontamente e comunicada.
Na avaliação hospitalar, a RM de Marina demonstra compressão cervical degenerativa importante com alteração de sinal medular, coerente com a topografia. A equipe especializada define o tratamento. O papel formativo do caso é perceber que o exame selecionou a região a investigar. Uma imagem degenerativa incidental não bastaria: sua relevância depende da concordância com a síndrome.
Onde o erro machuca
O dano: Pode investigar a região errada e atrasar a causa tratável.
Como pegar a tempo: Formule síndrome e território; em emergência, faça isso em paralelo à estabilização.
O dano: A fase aguda e doenças coexistentes podem modificar o padrão.
Como pegar a tempo: Interprete o conjunto e o tempo de evolução.
O dano: Cria uma falsa linha de base.
Como pegar a tempo: Declare o componente não examinado e o motivo.
O dano: Dor, fadiga, compreensão e doença orgânica podem produzir variação.
Como pegar a tempo: Reavalie técnica e contexto; procure sinais positivos e avaliação apropriada, sem atribuição por exclusão apressada.
O dano: Pode perder deterioração neuromuscular ou compressão medular.
Como pegar a tempo: Pesquise esses riscos e acione ajuda conforme a síndrome.
O que dizer ao paciente e à família
“Marina, a combinação da dificuldade nas mãos com a rigidez das pernas sugere que o problema pode estar na medula, na região do pescoço. Ainda precisamos confirmar a causa. Como houve piora e mudança para urinar, vou chamar meu supervisor agora e organizar uma avaliação urgente.” Essa fala distingue hipótese e certeza, explica a pressa e deixa claro quem assumirá a próxima etapa.
Na passagem do caso: “58 anos, progressão em três semanas, piora hoje, paresia distal de mãos, hiperreflexia nos quatro membros, plantares extensores, marcha espástica, face e linguagem preservadas, queixa urinária nova. Suspeito de mielopatia cervical compressiva; preciso discutir imagem e avaliação hospitalar hoje.” Apresente os achados antes do nome da doença.
Onde bons médicos discordam
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que pesa na hora de decidir para o seu paciente.
Roteiro completo
Ajuda o aprendiz a cobrir funções e a perceber sinais fora da hipótese inicial.
MSD Manual, introdução ao exame neurológico.
Exame dirigido
Em uma emergência, prioriza funções que definem ameaça e destino, seguido de complementação.
Aplicação clínica do roteiro ao contexto de urgência.
Faça um núcleo sistemático e acrescente testes dirigidos. Não adie reperfusão, proteção de via aérea ou avaliação de compressão para terminar uma lista.
O raciocínio, em voz alta
Marina apresenta o quadro progressivo descrito na abertura. Agora você precisa justificar a topografia e o destino, sem conhecer a RM.
Definir a síndrome
Há disfunção motora bilateral com sinais piramidais e repercussão na marcha, acompanhada de dificuldade manual e sintoma urinário.
Localizar
A associação de membros superiores e inferiores com face e linguagem poupadas favorece medula cervical. Uma lesão cortical única explica pior esse conjunto.
Avaliar urgência
Progressão e alteração esfincteriana justificam avaliação hospitalar urgente, mesmo sem início súbito.
Escolher a investigação
Discutir RM da região suspeita e avaliação especializada; ampliar a investigação se houver discordância clínica.
Comunicar e proteger
Documentar exame basal, comunicar o supervisor, prevenir quedas e repetir o exame enquanto organiza o destino.
Faça você
Luís, 32 anos, tem diplopia e ptose que pioram no fim do dia. Hoje passou a falar com voz anasalada e cansou durante uma refeição. Está consciente, sem déficit sensitivo, com reflexos preservados e saturação de 97% em ar ambiente.
Localize
Que nível da cadeia motora é favorecido e quais achados apoiam essa hipótese?
Priorize
Qual risco precisa ser avaliado agora, mesmo com saturação normal?
Comunique
Escreva uma passagem de caso que contenha hipótese, gravidade e pedido objetivo.
Ver como fecharíamos
A combinação de fatigabilidade ocular e bulbar, sem alteração sensitiva e com reflexos preservados, favorece disfunção da junção neuromuscular. É preciso avaliar proteção da via aérea e força ventilatória imediatamente, com supervisor e equipe de emergência; saturação normal não exclui hipoventilação inicial. Aferições de capacidade vital e força inspiratória, quando disponíveis e executáveis, complementam a avaliação clínica e seriada. Não oferecer alimento como teste. Passagem possível: “32 anos, síndrome ocular fatigável com progressão bulbar hoje, suspeita de miastenia com risco de crise; solicito avaliação imediata respiratória e definição de monitorização.” A suspeita não é confirmação etiológica: diplopia e disfunção bulbar agudas também exigem considerar lesão de tronco conforme história e exame. Não usar uma medida respiratória isolada para liberar o paciente; tendência, tosse, secreções e esforço ventilatório orientam a equipe. Documentar o que foi efetivamente testado e o que ficou limitado por fadiga.
O registro segmentar, lateralizado e com limites explícitos permite acompanhar mudanças. Formulações genéricas escondem déficits e confundem não examinado com normal.
Teste-se
Cada uma é um ponto de bifurcação: o que você faz agora. O comentário abre a cada decisão ou só no fim — você escolhe.
Plano de revisão
Em 7 dias
Recuperação ativa em sete dias. Escolha três sinais de Marina que sustentam a localização medular e um achado que faria rever a hipótese. Demonstre a graduação de força sem confundir dor com paresia. Responda antes de reler e depois confira onde faltou justificar uma decisão.
Em 30 dias
Aplicação em trinta dias. Examine uma pessoa sob supervisão e apresente em um minuto: tempo, sinais positivos, localização provável, urgência e próximo passo. Compare sua avaliação com a do preceptor. Use dados observados, reconheça o que ainda não sabe e peça comparação com a avaliação do supervisor.
Agora atenda
No atendimento vinculado, use a distribuição de força, reflexos e sensibilidade para localizar a lesão antes de consultar os exames.
