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AVC isquêmico agudo

O tratamento existe, funciona e a maior parte dos pacientes não recebe — não por falta de droga, por relógio. E o relógio quase nunca se perde na rua: perde-se dentro do hospital.

Fontes deste capítulo

Ministério da Saúde — Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Acidente Vascular Cerebral Isquêmico Agudo, aprovado pela Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 29, de 12 de dezembro de 2023

Ministério da Saúde — Linha de Cuidados em Acidente Vascular Cerebral (AVC) na Rede de Atenção às Urgências e Emergências

Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção Primária à Saúde — Linha de Cuidado do Acidente Vascular Cerebral (AVC) no Adulto. Brasília, 2020

Comitê Executivo da Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares e Departamento Científico de Doenças Cerebrovasculares da Academia Brasileira de Neurologia — Diretrizes para Tratamento da Fase Aguda do Acidente Vascular Cerebral Isquêmico, Parte II

Análise das barreiras à utilização de trombolíticos em casos de acidente vascular cerebral isquêmico em um hospital privado do Rio de Janeiro, Brasil. Cadernos de Saúde Pública, 2013;29(12)

01

Responda antes de ler

Cinco horas após trombólise, paciente piora neurologicamente e apresenta cefaleia e vômitos. Qual ação é adequada?

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O paciente que você vai ver

São 14h20 de uma terça-feira. Um homem de 67 anos entra no pronto-socorro apoiado no filho, arrastando levemente a perna direita. Ele está acordado, olhando para você, e tenta responder quando a recepcionista pergunta o nome — sai um som, não sai a palavra. O filho responde por ele: começou no almoço, ele largou o garfo e a mão não pegava mais. O canto direito da boca está caído. O braço direito, quando você pede para levantar, sobe uns dez centímetros e desaba.

Você olha o relógio da parede e faz a única conta que importa nesta sala: se começou no almoço, quanto tempo faz? O filho diz que almoçaram por volta de meio-dia e meia. Antes que você pergunte se foi antes ou depois de sentar à mesa, se o pai falou alguma coisa normal depois disso, se alguém ligou para ele naquela hora — o filho diz que vai tirar o carro da entrada da ambulância e some pelo corredor. Ele é a única pessoa neste hospital que sabe o horário. E o horário é o que decide se este senhor volta a falar.

Enquanto isso, chegam uma mulher que percebeu fraqueza ao acordar e um homem diabético com déficit recente. Todos exigem avaliação rápida: nenhum pode ser declarado sem AVC ou sem possibilidade de reperfusão apenas por essa descrição. Glicemia, história temporal, exame e imagem definirão caminhos diferentes. A descoberta dos sintomas ao acordar não é prova de futilidade terapêutica.

Você é o interno. Você não vai decidir a trombólise — quem decide é o neurologista, e num serviço bem organizado ele já foi chamado. Mas você é a primeira pessoa que encostou nesses três pacientes, e três coisas que só você pode fazer agora valem mais do que qualquer coisa que aconteça depois: perguntar o horário enquanto o acompanhante ainda está aqui, furar o dedo para ver a glicemia, e levar o primeiro à tomografia antes que ele entre na fila.

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Quem adoece disso

No Brasil, o acidente vascular cerebral é a causa mais frequente de óbito na população adulta, respondendo por cerca de 10% das mortes e por 10% das internações hospitalares públicas. O país tem a quarta maior taxa de mortalidade por AVC entre os países da América Latina e do Caribe. A leitura prática disso é que o déficit neurológico focal e súbito não é evento de neurologista: é evento de pronto-socorro geral, e todo médico que atende urgência vai receber esse paciente — com ou sem neurologista na casa.

Um estudo prospectivo nacional encontrou incidência anual de 108 casos por 100 mil habitantes; o registro de base populacional de Joinville, que é a série brasileira mais bem documentada, encontrou 160 casos por 100 mil habitantes-ano. De 75% a 85% de todos os AVC são isquêmicos, e a mortalidade nos primeiros 30 dias fica em torno de 10% a 12,5%, chegando a 40% no primeiro ano. O que sobra é o número que o interno costuma nunca ver, porque acontece depois da alta: aproximadamente 70% dos sobreviventes não retornam ao trabalho e 30% precisam de auxílio para caminhar. O desfecho relevante deste paciente não é sobreviver — é ter braço, fala e perna quando sair.

Cerca de 90% dos AVC podem ser associados a fatores de risco identificáveis, com hipertensão arterial em primeiro lugar, seguida de tabagismo, obesidade, dieta inadequada, sedentarismo, diabetes, consumo de álcool, doenças cardíacas e dislipidemia. Aproximadamente 20% dos AVC isquêmicos são cardioembólicos, mais comumente associados à fibrilação atrial, e cerca de 30% permanecem sem causa definida mesmo depois de investigação extensa. Isso muda duas coisas na sua conduta: a fibrilação atrial encontrada no eletrocardiograma da admissão é achado etiológico e não ruído, e o paciente que sai do hospital sem investigação de causa vai voltar.

O número que dá o eixo deste capítulo veio de um estudo brasileiro que auditou o próprio serviço. Numa coorte de 257 pacientes admitidos com suspeita de AVC isquêmico em hospital do Rio de Janeiro, 156 tiveram o diagnóstico confirmado e apenas 18 foram trombolisados. Entre os que estavam dentro da janela e com déficit compatível — 30 pacientes —, 20 não receberam o tratamento. A maior fatia dessa perda, 45%, foi de barreira administrativa: fluxo interno, espera, autorização, transporte. Em 20% dos prontuários o horário de início dos sintomas simplesmente não estava registrado. A mediana do tempo entre a porta e a tomografia foi de 53 minutos, e entre a porta e a avaliação do neurologista, 95 minutos. Nenhum desses minutos foi perdido na rua, na ambulância ou na falta de medicamento: todos foram perdidos dentro do hospital, e todos eram evitáveis por alguém que estava lá.

04

Por que acontece o que acontece

Uma artéria cerebral fecha e o fluxo para. O tecido irrigado por ela não morre todo de uma vez, e é essa demora desigual que cria a janela terapêutica. No centro da área isquêmica, onde o fluxo caiu quase a zero, a bomba de sódio e potássio para em minutos, a célula incha, a membrana rompe e não há mais o que salvar: é o núcleo do infarto. Ao redor dele há um anel de tecido que recebe fluxo residual pela circulação colateral — pouco para funcionar, o suficiente para não morrer. Esse anel é a penumbra isquêmica. Ele está eletricamente calado, e é exatamente por isso que o paciente está com o braço parado: o déficit que você examina é, em boa parte, penumbra. Tecido que não funciona mas ainda respira.

A reperfusão busca salvar tecido hipoperfundido ainda viável. O benefício tende a cair com o atraso, mas a velocidade de progressão varia com colaterais, território e paciente; seis horas não significam benefício zero para todos. A clínica e a imagem selecionam quem pode se beneficiar além da janela habitual. Tratar cedo continua sendo prioridade.

Alteplase: 0,9 mg/kg, máximo 90 mg, 10% em bolus e restante em 60 minutos. Tenecteplase: opção endovenosa em bolus único conforme protocolo de AVC e produto, usualmente 0,25 mg/kg, máximo 25 mg; não aplicar o esquema de infarto do miocárdio. A recomendação clínica, o registro do produto e sua incorporação e disponibilidade no SUS são questões distintas. O PCDT brasileiro consultado, Portaria 29/2023, detalha alteplase; confirmar o fluxo efetivamente adotado pelo serviço sem afirmar que tenecteplase não existe no país.

A trombectomia mecânica ataca o mesmo problema por outra via. Quando o trombo está numa artéria grande — carótida interna intracraniana, primeiro segmento da cerebral média —, ele é volumoso demais para que a plasmina o dissolva a tempo; a taxa de recanalização da trombólise química nessas oclusões é baixa. A retirada mecânica, com um stent que se abre dentro do coágulo e o arrasta, ou com um cateter que o aspira, resolve o obstáculo em vez de dissolvê-lo. Por isso as duas terapias não competem: quem tem oclusão de grande vaso e está na janela recebe as duas, a química primeiro porque está disponível mais cedo, e a mecânica em seguida.

Duas consequências do mecanismo governam a prescrição inteira. A primeira é a pressão arterial. O tecido em penumbra perde a autorregulação: o fluxo que chega até ele passa a depender diretamente da pressão sistêmica, e derrubar a pressão de um paciente com artéria ocluída encolhe a penumbra imediatamente. Ao mesmo tempo, pressão alta sobre um leito capilar lesado e sob efeito de trombolítico é o que produz hemorragia. Toda a régua pressórica do AVC agudo vive nessa contradição, e é por isso que ela é estranhamente permissiva antes da trombólise e estranhamente rígida depois. A segunda é a glicemia: o tecido em penumbra sobrevive de metabolismo marginal, e tanto a hipoglicemia quanto a hiperglicemia pioram o desfecho — a primeira porque tira o substrato, a segunda porque aumenta o lactato local e a permeabilidade capilar.

Por fim, o mecanismo explica por que o exame neurológico localiza sem precisar de imagem. Em cerca de 80% dos casos a circulação acometida é a anterior, ou carotídea: déficit motor contralateral com predomínio em membros, alteração de linguagem quando o hemisfério é o dominante, perda sensitiva contralateral, hemianopsia homônima e desvio conjugado do olhar para o lado da lesão. A circulação posterior, ou vertebrobasilar, é menos frequente e de pior prognóstico, com coma, tetraparesia, alteração de nervos cranianos, diplopia, vertigem ou ataxia. Guardar as duas listas resolve um problema prático: quem tem vertigem e ataxia sem fraqueza nenhuma pode estar tendo um AVC de fossa posterior, e nenhuma das três perguntas da escala pré-hospitalar vai pegá-lo.

Esquema colorido de território cerebral isquêmico, núcleo central, penumbra e vasos colaterais.
Esquema conceitual do núcleo isquêmico, com lesão mais grave, e da penumbra ao redor, potencialmente recuperável conforme perfusão e tempo. A circulação colateral pode sustentar parte do território. O déficit clínico, isoladamente, não mede a penumbra nem determina a viabilidade tecidual.
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Como se apresenta de verdade

O livro descreve hemiparesia de instalação súbita com desvio de rima e afasia, num hipertenso de sessenta e poucos anos. Esse paciente existe, entra pela porta e é o mais fácil do seu plantão — desde que alguém tenha olhado o relógio. O problema é o resto da fila: o déficit que não é fraqueza, o déficit que já passou, o déficit que apareceu durante o sono e o déficit que não é AVC.

Aprender para cuidar no internato. Reconhecer déficit incapacitante, reconstruir a última vez bem e organizar reperfusão sem atrasos evitáveis. Ao discutir o caso com o preceptor, explicite os achados que sustentam a hipótese, uma alternativa relevante, a decisão que precisa ocorrer agora e o que fará mudar o plano. O resultado esperado é uma ação clínica justificada e acompanhada, além de reconhecer o diagnóstico.

Súbito é a palavra, e ela vale mais que o déficit

O déficit neurológico focal de instalação súbita indica a possibilidade de AVC. Guarde as três palavras juntas, porque cada uma exclui um mundo. Focal separa do rebaixamento indiferenciado de consciência, que tem caminho próprio e outra pressa — coma sem lateralização é outro capítulo. Súbito separa do que se instala em dias ou semanas: um déficit que cresceu ao longo de semanas costuma ser lesão com efeito de massa, neoplasia ou abscesso, e um hematoma subdural se distingue pelo curso mais prolongado e pela mistura de disfunção focal com disfunção difusa. E déficit, no sentido de perda, separa do sintoma positivo — a diferença que resolve a confusão mais frequente do plantão, e que aparece adiante.

A instalação súbita também é a informação que você tem de arrancar de alguém, porque o paciente com afasia não pode dar. Não pergunte quando começou: pergunte qual foi a última vez que ele foi visto absolutamente normal. As duas perguntas parecem a mesma e não são. Quando começou traz o momento em que alguém notou; a última vez visto bem traz o momento em que o cérebro ainda estava inteiro. É esse segundo horário que entra na conta da janela, e é ele que precisa estar escrito no prontuário — com hora e minuto, e com o nome de quem informou.

Cefaleia e crise epiléptica são mais comuns no AVC hemorrágico do que no isquêmico, mas nenhuma das duas separa os dois com segurança suficiente para mudar conduta. Quem separa é a tomografia, e ela é obrigatória antes de qualquer decisão.

As três perguntas da triagem — e os pacientes que elas deixam passar

A escala pré-hospitalar de Cincinnati é o instrumento de triagem recomendado por ter boa acurácia e caber em trinta segundos. São três itens, e um único positivo com início súbito basta para suspeitar. Queda facial: peça para o paciente sorrir ou mostrar os dentes e veja se há assimetria. Fraqueza nos braços: peça para estender os dois braços para a frente, a 90 graus com o tronco, e mantê-los por 10 segundos — veja se um deles não sobe ou cai em relação ao outro. Fala anormal: peça para repetir uma frase e veja se ele troca palavras, fala incompreensivelmente ou não consegue falar. Os documentos brasileiros trazem duas frases-teste, na casa do padeiro nem sempre tem trigo e o céu é azul; a frase importa menos que o fato de você ter pedido uma.

O que a escala não pega é o que mais adoece a estatística do serviço. Um AVC de circulação posterior pode se apresentar só com vertigem e desequilíbrio, ou com diplopia, ou com ataxia, sem tocar em face, braço ou fala. A hemianopsia isolada passa. A perda sensitiva isolada passa. Por isso a equipe precisa reconhecer, além dos três itens, outros sinais de início súbito: vertigem associada à falta de equilíbrio, adormecimento ou formigamento de um hemicorpo, dificuldade de enxergar em um ou nos dois olhos, e cefaleia súbita, intensa e sem causa aparente.

Dentro do hospital, o instrumento passa a ser a NIHSS, que tem utilidade diagnóstica, prognóstica e — a que mais importa nas próximas 24 horas — de avaliação sequencial. A escala vai de 0 a 42, com valores maiores indicando déficit mais grave, e não precisa de neurologista para ser aplicada: neurologista, clínico ou enfermeiro treinado podem aplicá-la. Aprender a NIHSS no internato tem uma razão prática que ninguém conta: ela é o único jeito de você provar, daqui a duas horas, que o paciente piorou. Sem um valor de base anotado, piora é impressão.

O paciente que acordou assim

Uma fatia grande dos AVC é percebida ao acordar, e essa é a situação em que o horário de início não existe. A regra brasileira é literal e não admite arredondamento otimista: quando os sintomas são observados ao acordar, considera-se o último momento em que o paciente foi visto sem sintomas, antes de dormir. Se ela deitou às 23h e acordou às 6h com hemiparesia, o relógio dela marca 6 ou 7 horas às sete da manhã, não uma. Pela régua do protocolo nacional, essa paciente não é candidata à trombólise.

Isso não a manda para casa nem a tira da urgência, e aqui está a diferença que o interno costuma perder. O mesmo horário — a última vez vista bem — é o que define elegibilidade para trombectomia mecânica, e a janela da trombectomia vai até 24 horas. A mulher de 43 anos que acordou às seis com hemiparesia esquerda, e que às oito da manhã está fora da janela da alteplase, está dentro da janela da trombectomia se tiver oclusão de grande vaso e preencher os demais critérios. Tratar wake-up stroke como caso perdido é um erro de calendário, não de medicina.

AIT é um episódio transitório de disfunção neurológica causado por isquemia focal sem infarto agudo demonstrado. A duração é frequentemente curta, mas o corte de uma hora não define sozinho AIT nem distingue AVC. Déficit que desaparece continua exigindo avaliação urgente e prevenção. ABCD² não deve ser usado isoladamente para dispensar investigação vascular, cardíaca e imagem.

O que muda conforme quem é o paciente

No idoso, o quadro chega mais frequentemente contaminado por outra coisa: uma queda, uma confusão, uma infecção urinária que já estava lá. Idade acima de 80 anos interfere na relação risco-benefício da trombólise, e por isso pesa na decisão — mas não é contraindicação absoluta ao tratamento, e usar a idade como filtro informal na triagem é uma das formas mais comuns de negar reperfusão a quem tinha direito a ela.

No diabético, dois problemas se somam. O primeiro é que a combinação de AVC prévio com diabetes também interfere na relação risco-benefício, sem proibir o tratamento. O segundo é maior: o diabético é o paciente em que a hipoglicemia imita AVC com mais frequência e mais convincência, e é justamente nele que a glicemia capilar deixa de ser rotina e vira o primeiro exame do atendimento. O manejo do controle glicêmico durante a internação segue o esquema do capítulo de hiperglicemia hospitalar; o que este capítulo exige é a faixa: manter a glicemia acima de 70 e abaixo de 200 mg/dL.

No jovem, a suspeita esbarra na estatística e perde. Um déficit focal súbito aos 35 anos costuma ser rotulado como enxaqueca, ansiedade ou postura, e é assim que se perde a dissecção de artéria cervical, a cardiopatia embolígena e a trombose venosa cerebral. Idade acima de 18 anos é o único corte etário dos critérios de inclusão; abaixo dela, o protocolo não se aplica e o caso é pediátrico.

Na avaliação de anticoagulantes, registre agente, dose, última tomada e função renal. Atividade de anticoagulante oral direto não é excluída por TP/INR ou TTPA normais. Uso recente exige avaliação especializada e, quando disponíveis, testes específicos e protocolo validado; não liberar trombólise apenas por coagulograma de rotina normal.

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Como fechar o diagnóstico

A investigação do AVC agudo tem uma característica que a distingue de quase tudo o mais no pronto-socorro: ela é curta e é cronometrada. São quatro perguntas, e elas têm ordem obrigatória. Há quanto tempo o cérebro está sem receber sangue — o que define se existe tratamento. É glicemia — o que descarta o imitador mais comum e mais reversível. Tem sangue dentro da cabeça — o que autoriza ou proíbe o trombolítico. E existe uma artéria grande fechada — o que define se além do trombolítico cabe o cateter.

Nenhuma dessas quatro perguntas é respondida por um exame caro, e três delas podem ser respondidas em menos de vinte minutos por um interno com um relógio, um glicosímetro e um pedido de tomografia. O que se perde no Brasil, se perde aqui.

Déficit incapacitante e circulação posterior. Afasia, hemianopsia, perda de função manual necessária ao trabalho e incapacidade de marcha podem ser relevantes mesmo com NIHSS baixo. Diplopia, disartria, ataxia e alteração de consciência podem refletir oclusão vertebrobasilar. A seleção não deve se limitar a hemiparesia com NIHSS acima de um corte. Informe o que o paciente conseguia fazer antes e o que perdeu agora; angioimagem responde uma pergunta diferente da TC sem contraste.

Primeiro exame: o horário

O dado mais decisivo do atendimento não vem de máquina nenhuma, não aparece em nenhum resultado, não pode ser recuperado depois e some se ninguém perguntar na hora certa. O horário de início dos sintomas é o último momento em que o paciente foi visto sem sinais ou sintomas neurológicos. Quem sabe esse horário é o acompanhante, e o acompanhante vai embora estacionar o carro, buscar documento, avisar a família ou pegar remédio em casa. Se ele sair pela porta sem que você tenha perguntado, o paciente perde a trombólise por um dado, não por uma doença.

Por isso a pergunta tem forma fixa e é feita antes de qualquer outra coisa. Qual foi a última vez que o senhor viu seu pai completamente normal, falando e mexendo os dois lados? O senhor falou com ele por telefone depois disso? Ele levantou, andou, comeu, atendeu alguém? Cada uma dessas respostas move o relógio, e move nas duas direções. Um filho que diz começou no almoço mas depois lembra que o pai respondeu a uma mensagem de voz às 13h40 acabou de dar 70 minutos de janela ao pai dele.

O horário se escreve no prontuário com hora e minuto, com o nome de quem informou e com o grau de certeza. Se o paciente foi encontrado assim, o horário é o último momento em que ele estava bem, não o momento em que foi encontrado. Se acordou assim, o horário é o momento em que foi dormir. E se ninguém sabe, escreva que ninguém sabe: horário desconhecido é uma informação, horário chutado é um erro que vai sustentar uma decisão de trombolisar ou não trombolisar.

Um serviço brasileiro que auditou os próprios prontuários encontrou o horário de início ausente em 20% deles. Não é falha de conhecimento — é falha de sequência. A pergunta precisa vir antes do exame físico completo, antes da anamnese de antecedentes, antes de o acompanhante ser mandado para a recepção fazer o cadastro.

Segundo exame: a glicemia capilar

A hipoglicemia produz déficit focal e imita AVC de forma convincente — hemiparesia, disartria, confusão — e é totalmente reversível em minutos. Ela é o único imitador que se trata furando o dedo, e por isso a glicemia capilar entra na lista de exames obrigatórios diante de qualquer suspeita de AVC, junto com o eletrocardiograma de repouso e os exames de sangue. Ela não custa nada, não atrasa nada e resolve o único diagnóstico que você não pode deixar de fazer antes da tomografia.

Corrigir hipoglicemia prontamente, por via intravenosa se houver rebaixamento ou deglutição insegura, conforme protocolo institucional. Reavaliar glicemia e exame neurológico em cerca de 10–15 minutos, ou antes se houver deterioração, repetindo a correção quando necessária; não esperar uma hora. Persistência de déficit mantém investigação urgente de AVC, mas não confirma etiologia isoladamente. Investigar causa e recorrência da hipoglicemia; não oferecer líquidos por boca a quem pode aspirar.

O contrário também tem régua. Glicemia acima de 400 mg/dL não é critério absoluto de exclusão para trombólise, desde que o neurologista responsável esteja convicto de que a hiperglicemia não é a causa do déficit neurológico agudo. Durante todo o atendimento, o alvo é manter a glicemia acima de 70 e abaixo de 200 mg/dL, com monitorização a cada 4 horas se estava normal na admissão e a cada 1 hora se estava alterada.

Terceiro exame: a tomografia de crânio sem contraste

Este é o exame que autoriza ou proíbe a trombólise, e a pergunta que ele responde é uma só: há sangue dentro da cabeça? Um dos critérios de inclusão para trombolisar é tomografia computadorizada ou ressonância magnética sem sinais de hemorragia intracraniana. Se há hemorragia, o paciente sai deste capítulo e entra no de AVC hemorrágico e hemorragia subaracnóidea, onde o manejo é outro, começando por uma régua pressórica bem menos permissiva. Nenhum dado clínico substitui essa imagem: sintoma, história e exame físico não distinguem isquêmico de hemorrágico com segurança suficiente para prescrever um trombolítico.

A tomografia sem contraste é o método mais utilizado, mais disponível e de menor custo para a avaliação inicial. Ela é excelente para achar sangue e medíocre para achar isquemia recente — e essa assimetria é a fonte do erro mais comum de leitura. Sinais precoces de isquemia aparecem em até 67% dos casos nas primeiras 3 horas e em até 82% nas primeiras 6 horas do icto; a detecção só chega a cerca de 90% depois de uma semana. Uma tomografia normal em paciente com déficit focal de duas horas é o achado esperado e é exatamente o que permite trombolisar. Ler laudo normal como não é AVC inverte o sentido do exame.

Há um achado tomográfico que muda a decisão: hipodensidade precoce sugestiva de área isquêmica aguda acometendo mais de um terço do território da artéria cerebral média é contraindicação à trombólise. A leitura fisiopatológica é direta — isso já não é penumbra, é núcleo extenso, e reperfundir esse território entrega sangue a um leito que vai sangrar. O mesmo raciocínio, medido de outro jeito, aparece nos critérios da trombectomia: um escore aspects abaixo de 6 exclui o procedimento na janela de até 8 horas.

A ressonância magnética é bem mais sensível e precisa para identificar e localizar a lesão, especialmente com técnicas de difusão e perfusão. E é justamente por isso que ela não é o exame da porta: consome um tempo de realização maior, que pode ser decisivo para a indicação do trombolítico. Trocar tomografia por ressonância na fase hiperaguda é comprar precisão diagnóstica com minutos de penumbra.

Os exames de sangue: quais esperar, quais não esperar

A lista é curta e sai numa punção só: hemograma completo com contagem de plaquetas, tempo de protrombina com RNI, tempo de tromboplastina parcial ativada, sódio, potássio, ureia, creatinina, glicemia e troponina, além do eletrocardiograma de repouso. O eletrocardiograma procura arritmia que aumente o risco de AVC — fibrilação atrial em primeiro lugar —, sinais de infarto e de dissecção de aorta associada; os laboratoriais avaliam coagulabilidade e situações que possam mimetizar ou agravar um AVC em curso, como hipoglicemia, infecção e distúrbios hidroeletrolíticos.

A regra de quando esperar o resultado é a parte que economiza janela, e ela é explícita: na maioria dos casos não é necessário aguardar os resultados para iniciar a trombólise. As exceções são nominais. Aguarde sempre o RNI em quem usa antagonista da vitamina K, como varfarina ou femprocumona. Aguarde o TTPA em paciente hospitalizado em uso de heparina não fracionada endovenosa. Aguarde a contagem de plaquetas em quem tem história ou suspeita de plaquetopenia. E aguarde todos os exames de coagulação em quem tem história de coagulopatia, hepatopatia ou hemorragia.

Fora dessas quatro situações, a infusão pode começar antes dos resultados e deve ser interrompida se depois vier RNI acima de 1,7, TTPA elevado ou plaquetas abaixo de 100.000. Segurar um paciente elegível esperando coagulograma de rotina é uma das formas mais silenciosas de perder a janela, porque parece prudência.

Quarto exame: existe uma artéria grande fechada?

Esta pergunta abre a segunda terapia. A trombectomia mecânica é indicada em oclusão de grandes vasos, e os critérios brasileiros dividem em duas janelas contadas a partir do mesmo relógio — o momento em que o paciente foi visto bem pela última vez.

O PCDT brasileiro de 2023 organiza a trombectomia com critérios por janela, função prévia, território e imagem. Esses critérios orientam o fluxo SUS descrito, mas não esgotam a evidência de 2026. Diante de possível oclusão proximal, discutir com a referência sem usar idade, ASPECTS ou ausência de perfusão como exclusões universais fora do contexto do protocolo específico.

Entre 8 e 24 horas, os critérios ficam mais estreitos e passam a exigir imagem de perfusão ou difusão: quadro de circulação anterior, NIHSS de 6 ou mais, Rankin modificado prévio menor ou igual a 2, e volume de infarto abaixo de cortes que variam com idade e gravidade — de menos de 21 cm³, no paciente de 80 anos ou mais com NIHSS acima de 10, a menos de 70 cm³ na janela entre 8 e 16 horas com mismatch favorável. Os critérios de exclusão dessa faixa e os cortes completos estão na tabela do bloco seguinte. Quem foi visto bem há mais de 24 horas não é elegível.

Duas consequências disso mudam o que o interno faz. A primeira: a NIHSS deixa de ser burocracia e passa a ser critério de elegibilidade — uma pontuação abaixo de 6 tira o paciente da trombectomia. A segunda: os cortes de volume de infarto entre 8 e 24 horas exigem tomografia de perfusão ou ressonância com difusão, que a maioria dos serviços brasileiros não tem à mão. Na prática, o paciente da janela estendida é um paciente de transferência, e a decisão que sobra para você é acionar a regulação cedo, não escolher o exame.

O diferencial: o que imita AVC, e o que o AVC imita

Trombolisar um imitador é dano — sangramento sistêmico e intracraniano em quem não tinha artéria entupida. Não trombolisar um AVC é dano maior, porque o prejuízo é permanente e a chance não volta. A régua tem que servir para as duas direções, e ela é clínica.

A régua central separa sintoma negativo de sintoma positivo. A maioria das crises epilépticas produz atividade motora ou sensitiva positiva — abalos, formigamento que sobe, cheiro, cintilação —, enquanto a maioria dos AVC e dos ataques isquêmicos transitórios produz sintoma negativo: perda de força, perda de sensibilidade, perda de campo visual, perda de fala. Quando o relato é de algo que apareceu, pense em crise; quando é de algo que sumiu, pense em vascular. O estado pós-ictal complica isso, porque a paresia de Todd é sintoma negativo e pode durar horas — mas ela costuma vir precedida do fenômeno positivo, e essa é a pergunta que resolve: antes de o braço ficar fraco, ele tremeu, formigou ou se contraiu sozinho? A armadilha final está no outro lado: cerca de 10% dos AVC, especialmente os embólicos, cursam com crise convulsiva concomitante — e crise epiléptica não é contraindicação à trombólise.

A enxaqueca com aura é o outro imitador frequente, e engana porque produz déficit focal transitório em pessoa jovem. A diferença está na velocidade e na sequência: a aura marcha, se espalha ao longo de minutos de um território para outro e é tipicamente positiva antes de negativa — escotoma cintilante antes do escotoma, formigamento que sobe pelo braço antes do adormecimento —, e costuma vir seguida de cefaleia com padrão que o paciente reconhece. O déficit vascular é máximo desde o primeiro instante e não caminha. Ainda assim, a primeira aura da vida em paciente com fatores de risco não é para ser resolvida na base do padrão: é para ir para a tomografia.

A hipoglicemia já foi tratada acima e é a primeira a ser excluída. Vestibulopatias periféricas, incluindo a doença de Ménière, imitam AVC de fossa posterior, e a separação entre vertigem periférica e central é o ponto em que a semiologia ainda decide mais que a imagem — a tomografia de crânio é ruim para fossa posterior. Encefalopatias metabólicas e infecciosas produzem alteração difusa e não focal, e quando produzem lateralização costumam estar reacendendo um déficit antigo. Lesões com efeito de massa — neoplasia, abscesso — dão déficit que cresce em semanas; hematoma subdural dá curso mais prolongado com mistura de sinais focais e difusos. E delirium no idoso internado é diagnóstico frequente e tem capítulo próprio; o que o separa aqui é o mesmo de sempre: delirium flutua e é difuso, AVC é fixo e é focal.

O caminho inverso também existe. O AVC imita coisas: um infarto de artéria cerebral média direita pode chegar como agitação e negligência, sem que ninguém fale em fraqueza; uma afasia de Wernicke chega como confusão mental aguda e vira suspeita de psicose ou de delirium; um AVC de tronco chega como rebaixamento de consciência puro. A pergunta que protege é sempre a mesma: existe algum sinal que seja de um lado só?

O que não pedir, e o que custa pedir

Ressonância magnética de rotina antes da decisão de trombolisar: o ganho de sensibilidade não paga o tempo, e o tempo aqui é penumbra. A ressonância tem lugar na investigação de causa, em jovens sem fator de risco, e na seleção de casos fora de janela por centros que têm o método — não na porta. Na mesma linha está o coagulograma de rotina segurando a infusão de quem não usa anticoagulante: é o atraso que mais se disfarça de cuidado.

Anti-hipertensivo de rotina em quem não vai ser trombolisado: fora da rota do trombolítico, a pressão só é reduzida se a sistólica estiver em 220 mmHg ou mais, ou a diastólica em 120 mmHg ou mais, ou se dissecção de aorta, infarto agudo do miocárdio ou edema agudo de pulmão exigirem. Baixar a pressão por reflexo, num paciente com artéria ocluída e autorregulação perdida, encolhe a penumbra que você está tentando salvar.

Volume liberal e soro glicosado: nada de grande volume exceto em hipotensão, e nesse caso cloreto de sódio a 0,9%. Solução glicosada isotônica a 5% não repõe volume neste paciente.

Dieta e medicação por via oral antes do rastreio de disfagia: todo paciente com AVC — conservador, trombolisado ou submetido a trombectomia — passa por teste de deglutição de água ou de consistência múltipla antes da primeira alimentação, para prevenir a pneumonia pós-AVC e reduzir a mortalidade precoce. E o mais barato de todos: elevar a cabeceira por hábito. A orientação é manter a cabeceira a 0 grau, com 30 graus reservado a quem está vomitando — sentar o paciente reduz a pressão de perfusão exatamente onde ela está sendo disputada.

O que existe no SUS, e o que isso muda no seu plantão

O AVC tem rede formal no SUS. Os Centros de Atendimento de Urgência aos Pacientes com AVC são habilitados nos tipos I, II e III e integram a Rede de Atenção às Urgências e Emergências, com os requisitos estabelecidos nos artigos 128 a 137 da Portaria de Consolidação nº 3, de 28 de setembro de 2017. Para receber paciente e infundir trombolítico, o serviço precisa de equipe organizada e capacitada coordenada por neurologista clínico disponível 24 horas, capacidade de monitorização contínua cardiovascular e respiratória, unidade de terapia intensiva, laboratório de patologia clínica 24 horas, tomógrafo 24 horas, disponibilidade neurocirúrgica 24 horas e serviço de hemoterapia ou agência transfusional 24 horas, incluindo disponibilidade de crioprecipitado.

A regulação também é formal: o SAMU 192 é responsável pela triagem dos pacientes com suspeita de AVC, devendo priorizá-los e direcioná-los, no menor tempo possível, ao centro habilitado mais adequado, sem necessidade de passar por outro método de triagem ou regulação. Se o atendimento inicial for feito em unidade não referenciada, em UPA ou em unidade básica, o SAMU é acionado para o transporte.

As duas terapias estão incorporadas. A alteplase é medicamento já disponível no SUS. A trombectomia mecânica entrou por duas decisões da Conitec — o Relatório de Recomendação nº 589, de fevereiro de 2021, para a janela de até 8 horas, e o nº 677, de novembro de 2021, ampliando para a janela entre 8 e 24 horas —, e as duas estão consolidadas no protocolo nacional vigente. A tenecteplase, que dispensaria bomba de infusão por ser dada em bolus único, não integra o protocolo brasileiro: alteplase é o único trombolítico ali preconizado, e a apresentação de tenecteplase de 25 mg só chegou ao mercado nacional em abril de 2026, com a primeira trombólise brasileira realizada em Ribeirão Preto no dia 29 daquele mês. Prescrever tenecteplase para AVC pelo SUS, hoje, não é opção de plantão.

O que não está garantido é o mais importante. Existir centro habilitado no estado não significa haver centro habilitado onde você está, e o mapa dessa rede é a informação que muda a sua conduta mais do que qualquer critério de inclusão. Se o seu serviço não é referência, a decisão que sobra para você não é trombolisar — é acionar o SAMU e a regulação imediatamente, mantendo o paciente monitorizado, com glicemia corrigida, sem baixar pressão sem indicação e com o horário de início escrito no papel que vai junto. E a telemedicina existe como caminho formal: a orientação da trombólise por telemedicina em centros sem especialista é recomendada pelas sociedades brasileiras. Descobrir na madrugada de domingo qual é o centro de referência da sua região é tarde; isso se sabe antes.

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O relógio, e o que cada faixa dele ainda permite

Todas as decisões de reperfusão do AVC isquêmico penduram no mesmo número: quantas horas fazem desde a última vez em que o paciente foi visto sem déficit. As barras abaixo são esse relógio, contado a partir daquele momento e não da chegada ao hospital.

  1. 1Porta. Déficit neurológico focal de início súbito abre o protocolo. Prioridade máxima na triagem, sem passar por outra fila. O paciente vai para uma sala com monitor, não para a espera.
  2. 2Antes de qualquer outra coisa, três gestos que somados levam três minutos: pergunte ao acompanhante qual foi a última vez que viu o paciente absolutamente normal e anote hora e minuto; fure o dedo para a glicemia capilar; e não deixe o acompanhante sair sem ter dado o horário e um telefone.
  3. 3Posicionar conforme consciência, proteção da via aérea, risco de aspiração, respiração e hemodinâmica; não impor cabeceira a zero a todos. Monitorizar, obter acesso viável sem atraso e suplementar oxigênio quando necessário, em geral para saturação acima de 94%, individualizando se houver risco de hipercapnia. Evitar oxigênio rotineiro em normoxemia e corrigir hipovolemia sem bolus indiscriminados.
  4. 4Corrigir hipoglicemia prontamente, por via intravenosa se houver rebaixamento ou deglutição insegura, conforme protocolo institucional. Reavaliar glicemia e exame neurológico em cerca de 10–15 minutos, ou antes se houver deterioração, repetindo a correção quando necessária; não esperar uma hora. Persistência de déficit mantém investigação urgente de AVC, mas não confirma etiologia isoladamente. Investigar causa e recorrência da hipoglicemia; não oferecer líquidos por boca a quem pode aspirar.
  5. 5Tomografia de crânio sem contraste, em regime de urgência. Se o seu serviço não tem tomógrafo, transfira imediatamente para fazê-la — a transferência não espera nada. Em paralelo: eletrocardiograma de 12 derivações, coleta única de hemograma com plaquetas, RNI, TTPA, sódio, potássio, ureia, creatinina, glicemia e troponina, e aplicação da NIHSS, que pode ser feita por neurologista, clínico ou enfermeiro treinado.
  6. 6Hemorragia muda o protocolo. Sem hemorragia, integrar clínica, extensão do infarto e critérios individuais; TC normal não é autorização isolada para trombólise.
  7. 7Menos de 4 horas e 30 minutos até o início da infusão, com avaliação de neurologista confirmando AVC isquêmico agudo: rode a lista de contraindicações e, se estiver limpa, controle a pressão para abaixo de 185 por 110 mmHg e trombolise. Sem controle pressórico, a infusão não começa.
  8. 8A janela habitual de trombólise intravenosa vai até 4h30, com déficit incapacitante e elegibilidade individual; NIHSS baixo não exclui incapacidade. AHA/ASA 2026 admite alteplase ou tenecteplase e seleção de alguns pacientes de início desconhecido ou de 4h30–9h por imagem avançada. Na suspeita de oclusão de grande vaso, obter estudo vascular e discutir trombectomia em paralelo. Critérios atualizados incluem alguns grandes núcleos isquêmicos e oclusão basilar selecionada até 24 horas. Não extrapolar cortes de um protocolo de financiamento para exclusões clínicas universais.
  9. 9Depois da trombólise, manter vigilância neurológica e hemodinâmica por 24 horas. No protocolo adotado, medir pressão a cada 15 minutos nas primeiras duas horas, a cada 30 minutos nas seis seguintes e a cada 60 minutos até completar 24 horas; com anti-hipertensivo IV, a cada 15 minutos durante as 24 horas. Seguir o quadro de monitorização para NIHSS, glicemia e demais cuidados; deterioração exige reavaliação imediata fora dos horários programados.

Janela habitual

Até 4h30, avaliar trombólise e, em paralelo, oclusão de grande vaso.

Seleção ampliada

Início desconhecido ou janela estendida pode exigir imagem avançada e protocolo específico.

Trombectomia

Pode beneficiar pacientes selecionados até 24h; território e imagem importam.

Sem atalho pelo relógio

O tempo é decisivo, mas não substitui elegibilidade, gravidade e avaliação especializada.

CenárioAvaliação práticaCuidado com a interpretação
Até 4h30Trombólise se elegível; avaliar trombectomia em paralelo se oclusão de grande vaso.Déficit incapacitante importa, mesmo com NIHSS baixo.
Início desconhecido ou 4h30–9hAlguns pacientes podem ser selecionados para trombólise por imagem avançada em fluxo especializado.Não é extensão automática para todos; seguir critérios e protocolo.
Suspeita de oclusão de grande vaso até 24hAngioimagem e discussão urgente com centro habilitado; seleção depende de território, imagem e contexto.PCDT 2023 tem critérios próprios; evidência posterior ampliou alguns grupos.
Horário incerto ou além das janelas habituaisManter avaliação urgente, investigação e cuidado; discutir situações selecionadas com referência.Não prometer reperfusão nem declarar ausência de qualquer possibilidade apenas pela hora.

Alteplase 0,9 mg/kg — a conta já feita, com o frasco reconstituído a 1 mg/mL

PesoDose totalBolus (10%), em 1 minInfusão em 60 minBombaFrascos
52 kg46,8 mg = 46,8 mL4,68 mL42,12 mL42,1 mL/h1 frasco de 50 mg
70 kg63 mg = 63 mL6,3 mL56,7 mL56,7 mL/h1 de 50 mg + 1 de 20 mg
85 kg76,5 mg = 76,5 mL7,65 mL68,85 mL68,8 mL/h2 de 50 mg
100 kg90 mg = 90 mL (no teto)9 mL81 mL81 mL/h2 de 50 mg
110 kg90 mg = 90 mL (teto atingido)9 mL81 mL81 mL/h2 de 50 mg

Elegibilidade para trombólise: avaliação individual e protocolo completo

Grupo de verificaçãoO que precisa ser definido
Diagnóstico e gravidadeDéficit persistente atribuível à isquemia e impacto funcional; excluir mimetizadores relevantes.
Imagem e tempoExcluir hemorragia e avaliar extensão do dano; janela habitual ou seleção validada por imagem.
HemostasiaAnticoagulante, última dose, função renal, plaquetas e exames indicados; INR normal não afasta efeito de DOAC.
Risco hemorrágico e situações especiaisSangramento ativo, cirurgia ou trauma recentes, lesões intracranianas, gestação e comorbidades exigem checklist completo e discussão especializada.
PressãoAbaixo de 185/110 antes e abaixo de 180/105 depois, com monitorização.
Sem exclusão reflexaIdade avançada, crise no início ou NIHSS baixo não decidem sozinhos; sintomas leves porém incapacitantes podem justificar tratamento.

Alvos fisiológicos nas primeiras 24 horas

ParâmetroQuem vai ser trombolisado ou já foiQuem não vai ser trombolisado
Pressão arterialAntes: <185/110 mmHg. Depois: <180/105 mmHg por 24h; evitar hipotensão. Não há piso universal de 160.Só tratar se sistólica em 220 mmHg ou mais, ou diastólica em 120 mmHg ou mais, ou se dissecção de aorta, infarto agudo do miocárdio ou edema agudo de pulmão exigirem
GlicemiaAcima de 70 e abaixo de 200 mg/dL, aferida de hora em horaAcima de 70 e abaixo de 200 mg/dL; de 4 em 4 horas se normal na admissão, de hora em hora se alterada
Temperatura axilarTratar se atingir 37,5 °CTratar se atingir 37,5 °C
Saturação de oxigênioOxigênio quando necessário, geralmente para SpO2 >94%; individualizar risco de hipercapnia.Mesma régua
CabeceiraPosição individualizada por consciência, aspiração e hemodinâmica; zero grau não é obrigatório.Mesma régua
VolumeCloreto de sódio a 0,9%; nada de solução glicosada a 5% para repor volumeMesma régua
DietaSuspensa por 24 horas; rastreio de disfagia antes da primeira alimentaçãoSuspensa até o rastreio de disfagia

O imitador e o que o separa

ImitadorO que ele tem em comum com o AVCO que o separaO que fazer
HipoglicemiaHemiparesia, disartria, confusão, início súbitoGlicemia capilar; e a recuperação completa do déficit com a correçãoCorrigir hipoglicemia e reexaminar; déficit persistente mantém suspeita de AVC, sem confirmar sozinho.
Crise epiléptica com paresia de ToddDéficit focal negativo que dura horasO fenômeno positivo que veio antes — abalo, formigamento ascendente, automatismo — e a testemunha que o viuCrise no início não exclui AVC. Avaliar se déficit persiste por isquemia ou fenômeno pós-ictal e decidir reperfusão com a equipe.
Enxaqueca com auraDéficit focal transitório, frequentemente em jovemA marcha: a aura caminha ao longo de minutos e é positiva antes de negativa; o déficit vascular é máximo no primeiro instantePrimeira aura da vida, ou aura em quem tem fator de risco, vai para a tomografia do mesmo jeito
Vertigem periférica, incluindo doença de MénièreVertigem intensa, desequilíbrio, náuseaSemiologia vestibular à beira do leito; a tomografia de crânio é ruim para fossa posterior e um exame normal não resolve nada aquiProcurar qualquer sinal de tronco associado: diplopia, disartria, disfagia, dismetria, déficit cruzado
Encefalopatia metabólica, séptica ou tóxicaAlteração aguda do estado mentalÉ difusa e flutuante, não focal e fixa; quando lateraliza, costuma estar reacendendo déficit antigoProcurar foco infeccioso, sódio, função renal e medicações. Rebaixamento sem lateralização segue o caminho do coma
Lesão com efeito de massa e hematoma subduralDéficit focalO curso: cresce em semanas, ou mistura sinal focal com disfunção difusaA tomografia da porta já responde

O relógio do AVC não é o da chegada ao hospital: é o da última vez em que o paciente foi visto sem déficit, e para quem acorda com o quadro esse momento é a hora em que foi dormir. As duas janelas de trombectomia são contadas a partir do mesmo instante — por isso o horário mal levantado custa duas terapias, não uma.

A janela de 4 horas e 30 minutos vai até o INÍCIO DA INFUSÃO, não até a porta, não até a tomografia e não até a avaliação do neurologista. Um paciente que chega com 3 horas de sintoma tem 90 minutos para tudo: triagem, glicemia, exame, tomografia, laudo, decisão, consentimento, controle de pressão e punção. Documentos do Ministério da Saúde organizam o atendimento por uma faixa operacional de 4 horas justamente para deixar essa margem de 30 minutos dentro do hospital.

A NIHSS aparece três vezes e por três motivos: avaliação inicial, critério de elegibilidade para trombectomia (6 pontos ou mais) e reavaliação seriada nas 24 horas seguintes, em que piora de 4 pontos ou mais é sinal de alerta para hemorragia. Só o terceiro uso exige um valor de base anotado — e é por isso que aplicar a escala antes de qualquer tratamento não é formalidade.

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A conduta, hora a hora

A linha do tempo acompanha Nelson, 67 anos e 78 kg. À chegada às 14h20, a informação inicial de última vez bem às 12h30 significa 110 minutos transcorridos e 160 minutos restantes até 17h00, limite da janela habitual de 4h30. No caso resolvido, o filho confirma função normal às 13h00, e a referência é atualizada explicitamente: às 14h25 são 85 minutos transcorridos e 185 restantes, até 17h30. O horário não pode mudar silenciosamente entre blocos.

Duas advertências antes da prescrição. A primeira: a decisão de trombolisar é do neurologista, e um dos critérios de inclusão é justamente a avaliação de médico neurologista confirmando AVC isquêmico agudo — presencial ou por telemedicina. O interno não indica; o interno é quem entrega ao neurologista, em vinte minutos, um paciente com horário definido, glicemia corrigida, tomografia pronta e pressão dentro da meta. A segunda: nenhuma dose abaixo se aplica a quem tem sangue na tomografia.

Reperfusão em 2026. A janela habitual de trombólise intravenosa vai até 4h30, com déficit incapacitante e elegibilidade individual; NIHSS baixo não exclui incapacidade. AHA/ASA 2026 admite alteplase ou tenecteplase e seleção de alguns pacientes de início desconhecido ou de 4h30–9h por imagem avançada. Na suspeita de oclusão de grande vaso, obter estudo vascular e discutir trombectomia em paralelo. Critérios atualizados incluem alguns grandes núcleos isquêmicos e oclusão basilar selecionada até 24 horas. Não extrapolar cortes de um protocolo de financiamento para exclusões clínicas universais. Alteplase: 0,9 mg/kg, máximo 90 mg, 10% em bolus e restante em 60 minutos. Tenecteplase: opção endovenosa em bolus único conforme protocolo de AVC e produto, usualmente 0,25 mg/kg, máximo 25 mg; não aplicar o esquema de infarto do miocárdio. A recomendação clínica, o registro do produto e sua incorporação e disponibilidade no SUS são questões distintas. O PCDT brasileiro consultado, Portaria 29/2023, detalha alteplase; confirmar o fluxo efetivamente adotado pelo serviço sem afirmar que tenecteplase não existe no país.

  1. Minuto 0 a 3 — a porta, e a pergunta que não pode esperar

    Déficit focal súbito abre o protocolo com prioridade máxima. Antes do exame físico completo, antes da anamnese de antecedentes e antes de o acompanhante ser mandado para o cadastro: qual foi a última vez em que ele foi visto absolutamente normal? Anote hora, minuto e quem informou. Peça também um telefone do acompanhante — se ele sumir, o horário não some junto.

    Prescrição
    • Posicionar conforme consciência, proteção da via aérea, risco de aspiração, respiração e hemodinâmica; não impor cabeceira a zero a todos. Monitorizar, obter acesso viável sem atraso e suplementar oxigênio quando necessário, em geral para saturação acima de 94%, individualizando se houver risco de hipercapnia. Evitar oxigênio rotineiro em normoxemia e corrigir hipovolemia sem bolus indiscriminados.
    • Obter acesso periférico prontamente; se possível, dois acessos antes da trombólise. Preferência pelo membro não parético não justifica atrasar cuidado se outro acesso seguro está disponível.
    • Monitorização de pressão arterial não invasiva, monitorização cardíaca contínua, oximetria e temperatura axilar (Linha de Cuidados em AVC na RUE)
    • Suplementar oxigênio se necessário para manter saturação geralmente acima de 94%; individualizar em risco de hipercapnia. Normoxemia não exige oxigênio rotineiro.
    • Não administrar grande volume de fluido, exceto em hipotensão; nesse caso, cloreto de sódio a 0,9%. Não usar solução glicosada a 5% para repor volume (Linha de Cuidados em AVC na RUE)
  2. Minuto 3 a 8 — o dedo, o traçado e a punção única

    Glicemia e avaliação clínica são imediatas. NIHSS fornece medida basal, sem substituir reconhecimento de déficit incapacitante ou circulação posterior. Colha exames e obtenha ECG em paralelo: não atrasar imagem ou reperfusão para completar ECG, troponina ou painel de rotina. Verifique rapidamente anticoagulantes, última dose e suspeita de coagulopatia, que podem mudar a avaliação de segurança.

    Prescrição
    • Corrigir hipoglicemia prontamente, por via intravenosa se houver rebaixamento ou deglutição insegura, conforme protocolo institucional. Reavaliar glicemia e exame neurológico em cerca de 10–15 minutos, ou antes se houver deterioração, repetindo a correção quando necessária; não esperar uma hora. Persistência de déficit mantém investigação urgente de AVC, mas não confirma etiologia isoladamente. Investigar causa e recorrência da hipoglicemia; não oferecer líquidos por boca a quem pode aspirar.
    • Coleta única: hemograma completo com contagem de plaquetas, tempo de protrombina com RNI, TTPA, sódio, potássio, ureia, creatinina, glicemia e troponina (PCDT do AVC Isquêmico Agudo, Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 29/2023)
    • Eletrocardiografia de repouso em 12 derivações (PCDT do AVC Isquêmico Agudo)
    • Antitérmico se a temperatura axilar atingir 37,5 °C: dipirona 1.000 mg por via endovenosa, ou paracetamol 500 mg por via oral se a via estiver liberada (Linha de Cuidados em AVC na RUE)
  3. Minuto 8 a 25 — a tomografia

    A TC sem contraste pesquisa hemorragia, sinais de isquemia estabelecida e diagnósticos alternativos. TC normal não exclui AVC e não autoriza trombólise sozinha. Na suspeita de oclusão proximal, obtenha angio-TC quando disponível e indicada, sem atrasar trombólise elegível. RM pode ser usada em fluxos rápidos ou na seleção por imagem; não é proibida na fase aguda. Ausência de recursos exige regulação imediata e comunicação do que já foi feito.

    Prescrição
    • TC de crânio sem contraste urgente; RM é alternativa em serviço com fluxo apropriado e sem atraso. Estudo vascular é necessário quando a questão é oclusão de grande vaso.
    • Não aguardar exames laboratoriais de rotina quando não há suspeita de alteração relevante e o protocolo permite prosseguir. Anticoagulantes, plaquetopenia ou coagulopatia exigem avaliação específica. INR e TTPA normais não excluem atividade de anticoagulantes orais diretos; última dose, função renal e testes específicos, quando disponíveis, orientam a equipe.
  4. Minuto 25 a 45 — a pressão, a lista e o consentimento

    Tomografia sem sangue e paciente dentro da janela: agora corre a lista de contraindicações e o controle pressórico, e os dois em paralelo, porque o segundo demora. A meta antes da agulha é sistólica abaixo de 185 e diastólica abaixo de 110 mmHg. Não se inicia a infusão com a pressão fora da meta. Ao mesmo tempo, a conversa com o paciente e a família sobre riscos e benefícios é obrigatória e vai registrada no prontuário.

    Prescrição
    • Manter PA abaixo de 185/110 mmHg antes da trombólise, com fármaco intravenoso titulável definido pelo protocolo de AVC do serviço.
    • Labetalol, nicardipina ou outra opção protocolada dependem de disponibilidade e contraindicações; não montar uma combinação por comparação entre documentos antigos. Evitar queda abrupta.
    • Monitorizar PA e condição clínica durante titulação e comunicar se a meta não for alcançada.
    • Explicar benefício, risco e alternativas ao paciente ou responsável e registrar a decisão, sem atrasos evitáveis por formalidades em uma emergência.
  5. Minuto 45 a 60 — a agulha

    A infusão precisa começar dentro de 4 horas e 30 minutos do início dos sintomas. Para o paciente de 78 kg: dose total de 70,2 mg, bolus de 7,02 mL em 1 minuto e 63,18 mL restantes em bomba, correndo a 63,2 mL por hora durante 60 minutos. Como o frasco reconstituído tem 1 mg por mL, mililitro e miligrama são o mesmo número — a única conta que sobra é multiplicar o peso por 0,9 e separar 10%.

    Prescrição
    • Alteplase 0,9 mg/kg, máximo de 90 mg, por via intravenosa: 10% da dose em bolus e o restante em infusão contínua ao longo de 60 minutos, em bomba. A administração deve ocorrer em até 4 horas e 30 minutos do início dos sintomas (PCDT do AVC Isquêmico Agudo, Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 29/2023)
    • Apresentações: frasco-ampola de 50 mg com 50 mL de diluente, de 20 mg com 20 mL e de 10 mg com 10 mL — todos reconstituídos a 1 mg/mL (PCDT do AVC Isquêmico Agudo)
    • Teto absoluto de 90 mg: acima de 100 kg a dose não sobe. Um paciente de 110 kg recebe os mesmos 90 mg de um de 100 kg (PCDT do AVC Isquêmico Agudo)
    • Não reduzir empiricamente alteplase para 0,6 mg/kg por receio inespecífico de sangramento. Use o esquema validado no protocolo adotado e reavalie elegibilidade quando o risco for elevado. Alteplase: 0,9 mg/kg, máximo 90 mg, 10% em bolus e restante em 60 minutos. Tenecteplase: opção endovenosa em bolus único conforme protocolo de AVC e produto, usualmente 0,25 mg/kg, máximo 25 mg; não aplicar o esquema de infarto do miocárdio. A recomendação clínica, o registro do produto e sua incorporação e disponibilidade no SUS são questões distintas. O PCDT brasileiro consultado, Portaria 29/2023, detalha alteplase; confirmar o fluxo efetivamente adotado pelo serviço sem afirmar que tenecteplase não existe no país.
  6. Hora 1 a hora 2 — durante a infusão

    Avaliação neurológica a cada 15 minutos enquanto o trombolítico corre. A pressão é medida a cada 15 minutos nas primeiras 2 horas. Este é o intervalo em que a hemorragia sintomática mais aparece, e os sinais de alerta são cinco: piora de 4 pontos ou mais na NIHSS, cefaleia intensa, piora do nível de consciência, elevação súbita da pressão arterial, náuseas e vômitos.

    Prescrição
    • Antes da trombólise, controlar PA para abaixo de 185/110 mmHg; depois, manter abaixo de 180/105 mmHg durante as primeiras 24 horas, evitando queda brusca e hipotensão. Não existe piso universal de sistólica de 160 nem indicação automática de volume ou vasopressor só por sistólica abaixo de 140. Avaliar perfusão, tendência, volemia e comorbidades. Após trombectomia, individualizar com a equipe; redução intensiva para sistólica abaixo de 140 não é recomendada mesmo com reperfusão completa (AHA/ASA 2026).
    • Se houver hipotensão ou queda clinicamente relevante, reavaliar a causa, pausar ou ajustar anti-hipertensivo e corrigir volemia quando indicado. Volume e vasopressor dependem da perfusão e do contexto, sem gatilho automático em sistólica de 140 mmHg.
    • Glicemia capilar de hora em hora, mantida acima de 70 e abaixo de 200 mg/dL (Linha de Cuidados em AVC na RUE; PCDT do AVC Isquêmico Agudo)
    • Angioedema orolingual ocorre em cerca de 5% dos trombolisados, sobretudo em infarto de córtex insular e frontal e em usuários de inibidor da enzima conversora — inspecionar a boca e a língua durante a infusão (SBDCV/ABN, Parte II)
  7. Se sangrar — a hora em que a infusão para

    Deterioração neurológica durante ou logo depois da infusão é hemorragia até prova em contrário, e a prova é tomográfica. A sequência tem nove passos e o primeiro é o único que precisa ser instantâneo: fechar a bomba.

    Prescrição
    • Cessar a infusão diante de qualquer sinal de deterioração neurológica ou de hemorragia significativa (SBDCV/ABN, Parte II)
    • Garantir duas veias periféricas com cristaloide e levar o paciente à tomografia de crânio (SBDCV/ABN, Parte II)
    • Colher hematócrito, tempo de protrombina, TTPA, plaquetas e fibrinogênio (SBDCV/ABN, Parte II; Linha de Cuidados em AVC na RUE)
    • Deterioração durante trombólise exige interromper a infusão se ainda estiver em curso, acionar equipe de AVC, avaliar via aérea, glicemia e PA e obter TC urgente. Colher hemograma, TP/INR, TTPA e fibrinogênio. Em hemorragia sintomática associada ao trombolítico, acionar hemoterapia e neurocirurgia e iniciar reversão protocolada; crioprecipitado é fonte preferida de fibrinogênio, frequentemente com dose inicial de 10 unidades no adulto, seguida de controle e redose para manter fibrinogênio ao menos 150 mg/dL conforme protocolo. Plasma não é substituto equivalente automático. Não aguardar 4–6 horas de deterioração para reavaliar a hemostasia.
    • Concentrado de hemácias suficiente para manter hematócrito adequado; fluidos e drogas vasoativas para hipotensão, evitando soluções hipotônicas (SBDCV/ABN, Parte II)
    • Acionar neurocirurgia e hemoterapia na hemorragia intracraniana. Se TC inicial não mostrar sangue, investigar outras causas da piora; retomar uma infusão interrompida é decisão expressa da equipe de AVC após reavaliação de segurança, não uma regra automática.
  8. Horas 2 a 24 — o segundo turno, e a lista do que não se faz

    Monitorização contínua de pressão arterial, oximetria e eletrocardiografia por pelo menos 24 horas. Este é o período em que o paciente parece estável e em que a maior parte dos danos evitáveis acontece — por um antiagregante prescrito cedo demais, por uma sonda passada na hora errada, por uma dieta liberada antes do rastreio de deglutição.

    Prescrição
    • NIHSS a cada 30 minutos nas primeiras 6 horas e a cada 1 hora até completar 24 horas (Linha de Cuidados em AVC na RUE; SBDCV/ABN, Parte II)
    • Pressão arterial a cada 15 minutos nas primeiras 2 horas, a cada 30 minutos nas 6 horas seguintes e a cada 60 minutos até completar 24 horas; quem estiver em anti-hipertensivo endovenoso é medido a cada 15 minutos durante as 24 horas (SBDCV/ABN, Parte II)
    • Monitorizar continuamente pressão arterial, oximetria de pulso e eletrocardiografia por pelo menos 24 horas; manter a glicemia abaixo de 200 mg/dL e tratar temperatura axilar de 37,5 °C ou mais (PCDT do AVC Isquêmico Agudo)
    • Manter sem oferta oral até rastreio de deglutição e liberação pela equipe. O PCDT brasileiro consultado prevê restrição oral por 24 horas após trombólise; seguir o protocolo adotado e planejar vias seguras, sem oferecer água como teste improvisado. Não confundir esse fluxo com espera obrigatória de 24 horas para reconhecer e avaliar disfagia.
    • Não usar antiagregante, heparina ou anticoagulante oral nas primeiras 24 horas após o trombolítico (Linha de Cuidados em AVC na RUE; SBDCV/ABN, Parte II)
    • Não realizar cateterização venosa central nem punção arterial nas primeiras 24 horas (SBDCV/ABN, Parte II)
    • Não passar sonda vesical até pelo menos 30 minutos do término da infusão, nem sonda nasoenteral nas primeiras 24 horas (SBDCV/ABN, Parte II)
    • Após trombectomia, definir meta com a equipe segundo reperfusão e quadro clínico; evitar redução intensiva de sistólica para menos de 140 e hipotensão. Não perseguir uma meta única sem considerar a evolução.
  9. Hora 24 — a imagem de controle e o primeiro antitrombótico

    Ao final das 24 horas, imagem de controle antes de liberar antitrombótico, e rastreio de disfagia antes da primeira colher. A partir daí, a prescrição deixa de ser de emergência e passa a ser de prevenção secundária, que começa dentro do hospital e não no ambulatório.

    Prescrição
    • Neuroimagem — tomografia ou ressonância — ao final de 24 horas, antes de iniciar a terapia antitrombótica (SBDCV/ABN, Parte II)
    • Rastreio de disfagia antes da primeira alimentação, em todos os pacientes com AVC, tratados de forma conservadora, trombolisados ou submetidos a trombectomia, com teste de deglutição de água ou de consistência múltipla (PCDT do AVC Isquêmico Agudo)
    • Após a imagem de controle e liberação de segurança, definir antitrombótico segundo mecanismo. AAS é opção de antiagregação; fibrilação atrial exige planejar anticoagulação em momento individualizado, conforme tamanho do infarto, sangramento e contexto. Não manter antiagregante como substituto automático de anticoagulação indicada.
    • Definir terapia hipolipemiante pela etiologia e risco vascular; quando indicada, preferir estatina de alta intensidade ou máxima dose tolerada, com revisão de contraindicações e interações. Sinvastatina 40 mg não é equivalente automático a regime de alta intensidade.
    • Em paciente imóvel, avaliar compressão pneumática intermitente e profilaxia farmacológica conforme risco trombótico e hemorrágico. Depois de trombólise, a escolha e o momento da heparina dependem da imagem de controle e da liberação da equipe; ajustar função renal e peso.
  10. Em paralelo — o paciente que não vai ser trombolisado

    Ausência de trombólise não encerra o tratamento nem a avaliação de trombectomia. Antitrombótico, controle de fatores, reabilitação e etiologia continuam prioritários. AIT ou AVC menor não incapacitante requerem estratificação e prevenção precoce; dupla antiagregação de curta duração pode ser indicada em casos não cardioembólicos selecionados, com baixo risco de sangramento, e não para todo paciente.

    Prescrição
    • AAS 300 mg por via oral uma vez ao dia. Se houver contraindicação: clopidogrel 75 mg, 4 comprimidos no primeiro dia, seguidos de 75 mg por dia (Linha de Cuidado do AVC no Adulto, 2020; Linha de Cuidados em AVC na RUE)
    • Anti-hipertensivo apenas se a sistólica atingir 220 mmHg ou a diastólica 120 mmHg, ou se dissecção de aorta, infarto agudo do miocárdio ou edema agudo de pulmão exigirem controle. Nas unidades sem via endovenosa disponível, captopril 25 mg por via oral até de 6 em 6 horas (Linha de Cuidados em AVC na RUE)
    • Individualizar estatina, hidratação e profilaxia de trombose segundo etiologia, mobilidade, função renal e risco de sangramento; não prescrever volume intravenoso contínuo indiscriminadamente.
    • Dieta suspensa até o rastreio de disfagia; sem alteração no teste, iniciar medicação oral e dieta pastosa hipossódica, com cabeceira a 90 graus e sob supervisão (Linha de Cuidados em AVC na RUE)
  11. Dia 1 ao dia 3 — o que ainda pode piorar

    Edema pode piorar nos primeiros dias após infarto extenso, mas novo rebaixamento não identifica sua causa sozinho. Investigue hemorragia, edema, nova isquemia, crise epiléptica e alterações sistêmicas com avaliação e imagem urgentes. Discuta precocemente descompressão quando indicada, sem aguardar um dia fixo do calendário ou herniação estabelecida.

    Prescrição
    • Considerar craniectomia descompressiva em pacientes com infartos extensos em território de artéria cerebral média, por meio de protocolo específico (Linha de Cuidados em AVC na RUE)
    • Manter temperatura axilar abaixo de 37,5 °C e glicemia entre 70 e 200 mg/dL durante toda a internação (Linha de Cuidados em AVC na RUE)
    • Aplicar a NIHSS antes do tratamento e 24 horas após o evento, e o escore de Rankin modificado 3 meses depois (PCDT do AVC Isquêmico Agudo)
    • Iniciar reabilitação por equipe especializada durante a internação, com objetivo de desospitalização precoce (Linha de Cuidado do AVC no Adulto, 2020)
  12. A alta — e o que não pode faltar nela

    Planeje investigação etiológica e prevenção desde a internação. A causa pode permanecer indeterminada mesmo após avaliação adequada; isso exige plano explícito de seguimento e investigação, não uma falsa certeza nem alta sem continuidade. Combine medicação, reabilitação, deglutição, apoio familiar e sinais de retorno.

    Prescrição
    • Investigação etiológica completa antes da alta, com classificação de TOAST. Se indisponível na unidade, encaminhar para: eletrocardiograma em repouso, ecocardiograma, ecodoppler de carótidas e rastreio para diabetes e dislipidemia (Linha de Cuidado do AVC no Adulto, 2020)
    • Em pacientes abaixo de 45 anos, ou acima disso sem fatores de risco e com investigação inicial negativa: ressonância magnética de crânio, estudo de imagem dos vasos intra e extracranianos, e rastreio para causas inflamatórias, trombofilias e doenças genéticas quando a história for compatível (Linha de Cuidado do AVC no Adulto, 2020)
    • Encaminhamento à Atenção Primária para gerenciar o cuidado e a prevenção secundária, com orientação escrita ao paciente e à família para acionar o SAMU 192 diante de novo sintoma (Linha de Cuidado do AVC no Adulto, 2020)
09

Como saber se está funcionando

A reavaliação do AVC agudo tem uma peculiaridade: ela não pergunta se o tratamento funcionou, pergunta se alguma coisa quebrou. Melhora neurológica após trombólise é bem-vinda e não é obrigatória — muitos pacientes só se recuperam ao longo de dias e semanas, e ausência de melhora imediata não indica repetir nada. O que a vigilância das primeiras 24 horas procura é o contrário: hemorragia, edema e as complicações que a imobilidade e a disfagia produzem.

Por isso todo parâmetro aqui tem hora marcada, e a hora está na prescrição, não na boa vontade da equipe. Um paciente reavaliado quando dá é um paciente sem reavaliação.

A NIHSS — o número, não a impressãoAntes de qualquer tratamento, para fixar a base. Durante a infusão, a cada 15 minutos. Depois, a cada 30 minutos nas primeiras 6 horas e a cada 1 hora até completar 24 horas. E de novo às 24 horas do evento

Esperado: Estabilidade ou melhora. O valor absoluto importa menos que a comparação com o basal, e é por isso que o basal precisa existir: sem ele, piora vira opinião.

Se não melhora: Aumento de 4 pontos ou mais é sinal de alerta para hemorragia e obriga tomografia de crânio sem contraste urgente, com hemograma, tempo de protrombina, TTPA, plaquetas e fibrinogênio, e acionamento do neurologista. Os mesmos sinais valem sem contar pontos: cefaleia intensa, piora do nível de consciência, elevação súbita da pressão arterial, náuseas e vômitos. Se a infusão ainda estiver correndo, ela para antes da tomografia, não depois. Piora que aparece entre o segundo e o quarto dia, num infarto extenso de cerebral média, costuma ser edema e não sangramento — e é a janela em que a craniectomia descompressiva ainda muda desfecho.

A pressão arterialA cada 15 minutos nas primeiras 2 horas, a cada 30 minutos nas 6 horas seguintes e a cada 60 minutos até completar 24 horas. Quem está em anti-hipertensivo endovenoso é medido a cada 15 minutos durante as 24 horas inteiras

Esperado: Antes da trombólise, controlar PA para abaixo de 185/110 mmHg; depois, manter abaixo de 180/105 mmHg durante as primeiras 24 horas, evitando queda brusca e hipotensão. Não existe piso universal de sistólica de 160 nem indicação automática de volume ou vasopressor só por sistólica abaixo de 140. Avaliar perfusão, tendência, volemia e comorbidades. Após trombectomia, individualizar com a equipe; redução intensiva para sistólica abaixo de 140 não é recomendada mesmo com reperfusão completa (AHA/ASA 2026).

Se não melhora: Confirmar medida e reavaliar perfusão e estado neurológico. Titular anti-hipertensivo para o teto indicado; queda relevante pede investigação e correção individualizada, sem bolus automático por sistólica menor que 140.

Glicemia e temperaturaGlicemia capilar de hora em hora nas 24 horas pós-trombólise; de 4 em 4 horas se estava normal na admissão e de 1 em 1 hora se estava alterada, no paciente não trombolisado. Temperatura axilar de 2 em 2 horas

Esperado: Glicemia acima de 70 e abaixo de 200 mg/dL. Temperatura axilar abaixo de 37,5 °C.

Se não melhora: Corrigir hipoglicemia prontamente, por via intravenosa se houver rebaixamento ou deglutição insegura, conforme protocolo institucional. Reavaliar glicemia e exame neurológico em cerca de 10–15 minutos, ou antes se houver deterioração, repetindo a correção quando necessária; não esperar uma hora. Persistência de déficit mantém investigação urgente de AVC, mas não confirma etiologia isoladamente. Investigar causa e recorrência da hipoglicemia; não oferecer líquidos por boca a quem pode aspirar. Hiperglicemia persistente requer controle hospitalar sem metas intensivas que provoquem hipoglicemia; febre exige avaliação de causa, sem presumir broncoaspiração em todo caso.

A deglutição, e o que ela impedeAntes da primeira alimentação, em todo paciente com AVC — conservador, trombolisado ou submetido a trombectomia. No trombolisado, depois das 24 horas de jejum obrigatório

Esperado: Teste de deglutição de água ou de consistência múltipla sem alteração. Sem alteração, libera-se medicação oral e dieta pastosa hipossódica, com cabeceira a 90 graus e sob supervisão.

Se não melhora: Teste alterado significa via alternativa e avaliação da fonoaudiologia, não dieta líquida com cuidado. A finalidade do rastreio está escrita no protocolo nacional: prevenir a pneumonia pós-AVC e diminuir o risco de mortalidade precoce. É a complicação que mais mata paciente que sobreviveu ao AVC, e é a que mais depende de um gesto de enfermaria.

A hipótese — e a etiologia que ainda está em abertoA cada resultado que volta, e obrigatoriamente antes da alta

Esperado: Que o paciente saia da internação com a causa classificada por TOAST, ou com os exames agendados: eletrocardiograma de repouso, ecocardiograma, ecodoppler de carótidas e rastreio para diabetes e dislipidemia.

Se não melhora: Se o déficit não melhorou e nenhuma complicação apareceu, isso não é fracasso do tratamento: é a história natural de quem teve núcleo grande, e o caminho passa a ser reabilitação precoce por equipe especializada durante a internação. Se, ao contrário, o quadro não bate — déficit que flutua, que muda de lado, que melhora e volta sem alteração de imagem —, reabra o diferencial: hipoglicemia recorrente, crise epiléptica, encefalopatia metabólica. E se a etiologia não fechou, o paciente abaixo de 45 anos, ou acima disso sem fatores de risco e com investigação inicial negativa, ainda precisa de ressonância de crânio, estudo dos vasos intra e extracranianos e rastreio para causas inflamatórias, trombofilias e doenças genéticas. Alta sem causa definida é alta com o segundo AVC já contratado.

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Onde o erro machuca

Deixar o acompanhante ir embora antes de perguntar o horário

O dano: O horário da última vez em que o paciente foi visto bem é o dado que decide trombólise e trombectomia, e é o único que não pode ser recuperado por exame nenhum. Quem sabe é quem estava junto, e essa pessoa vai tirar o carro, buscar documento ou avisar a família. Um serviço brasileiro que auditou os próprios prontuários encontrou o horário ausente em 20% deles.

Como pegar a tempo: A pergunta vem antes do exame físico completo e antes da anamnese de antecedentes: qual foi a última vez que o senhor o viu absolutamente normal? Anote hora, minuto, quem informou e um telefone. Se o acompanhante precisar sair, ele sai depois de responder.

Ler a tomografia normal como prova de que não é AVC

O dano: Sinais precoces de isquemia aparecem em até 67% dos casos nas primeiras 3 horas e em até 82% nas primeiras 6 horas. Uma tomografia limpa em paciente com déficit de duas horas é o resultado esperado — e é justamente ela que autoriza a trombólise. Tratar o exame normal como descarte inverte o sentido do que ele responde e manda para casa exatamente o paciente que ainda tinha tratamento.

Como pegar a tempo: Peça a tomografia com a pergunta certa na cabeça: há sangue? Depois procure a segunda resposta, hipodensidade precoce acima de um terço do território da cerebral média. Fora essas duas, o exame não descarta nada — quem descarta AVC é a clínica, e ela está dizendo o contrário.

Levar o paciente à tomografia sem ter furado o dedo

O dano: A hipoglicemia produz hemiparesia, disartria e confusão de forma convincente, e é o único imitador que se reverte em minutos. O paciente hipoglicêmico que vai para a tomografia, volta, espera laudo e só então tem a glicemia medida passou trinta minutos com neuroglicopenia tratável. No sentido oposto, o diabético que teve as duas coisas — hipoglicemia e AVC — é liberado como hipoglicemia resolvida quando o déficit persiste.

Como pegar a tempo: Glicemia capilar antes de qualquer transporte. Abaixo de 70 mg/dL, glicose hipertônica a 50%, 20 mL por via endovenosa, e reexamine. A regra que fecha os dois lados: déficit que se recupera por completo com a correção, e glicemia que estava abaixo de 50, era hipoglicemia e contraindica trombolisar; déficit que persiste depois da correção é AVC.

Baixar a pressão por reflexo em quem não vai ser trombolisado

O dano: O tecido em penumbra perdeu a autorregulação e passa a depender diretamente da pressão sistêmica. Derrubar a pressão de 190 para 140 mmHg em nome do número reduz o fluxo colateral que está mantendo vivo o anel de tecido ainda recuperável, e converte penumbra em infarto. Fora da rota do trombolítico, a pressão só se trata em 220 mmHg de sistólica ou 120 de diastólica, ou quando dissecção de aorta, infarto agudo do miocárdio ou edema agudo de pulmão exigirem.

Como pegar a tempo: Antes de prescrever anti-hipertensivo em AVC agudo, responda a uma pergunta: este paciente vai receber trombolítico? Se sim, a meta é abaixo de 185 por 110 mmHg antes da agulha e abaixo de 180 por 105 mmHg depois. Se não, a pressão fica em paz até os cortes acima. São duas réguas diferentes, e trocá-las é o erro nos dois sentidos.

Segurar a infusão esperando coagulograma de rotina

O dano: Este atraso se disfarça de prudência e come a janela em silêncio. Na maioria dos casos não é necessário aguardar os resultados para iniciar a trombólise, e a infusão pode ser interrompida depois se vier RNI acima de 1,7, TTPA elevado ou plaquetas abaixo de 100.000. Trinta minutos esperando exame de quem não usa anticoagulante são trinta minutos de penumbra.

Como pegar a tempo: Decore as quatro exceções, porque só elas obrigam a esperar: antagonista da vitamina K, aguardar sempre o RNI; heparina não fracionada endovenosa em paciente internado, aguardar TTPA; história ou suspeita de plaquetopenia, aguardar plaquetas; história de coagulopatia, hepatopatia ou hemorragia, aguardar tudo. Fora dessas quatro, o exame corre em paralelo à infusão.

Descartar o paciente que acordou com o déficit

O dano: Quem acorda com hemiparesia tem o relógio ancorado na hora em que foi dormir e, quase sempre, está fora da janela da alteplase. Mas a trombectomia mecânica é contada pelo mesmo relógio e vai até 24 horas. Chamar esse paciente de fora de janela sem checar oclusão de grande vaso, NIHSS e independência prévia joga fora a única terapia que ainda existia — e joga fora justamente no paciente com déficit grave, que é quem mais ganharia.

Como pegar a tempo: Depois de calcular o horário, faça sempre as duas perguntas em vez de uma. Cabe alteplase? E cabe trombectomia? A segunda continua de pé até 24 horas, exige NIHSS de 6 ou mais e Rankin prévio de 0 a 2, e a decisão prática que sobra para você é acionar a regulação para o centro que faz o procedimento — cedo, não depois de o neurologista dizer que a trombólise está descartada.

Prescrever AAS ou heparina profilática nas primeiras 24 horas pós-trombólise

O dano: Antiagregante, heparina e anticoagulante oral ficam proibidos nas 24 horas seguintes ao trombolítico, e a prescrição de rotina da enfermaria é o lugar onde eles entram sem que ninguém decida — a profilaxia de trombose venosa é reflexo em qualquer internação. Somar antiagregação à fibrinólise recente multiplica o risco de transformação hemorrágica no exato momento de maior vulnerabilidade.

Como pegar a tempo: Escreva a proibição na prescrição, em vez de contar com a lembrança: sem antiagregante, sem heparina, sem anticoagulante oral até completar 24 horas, e imagem de controle antes de liberar. Na mesma linha vão as outras quatro proibições do período — sem acesso venoso central, sem punção arterial, sonda vesical só depois de 30 minutos do fim da infusão e sonda nasoenteral só depois de 24 horas.

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O que dizer ao paciente e à família

A conversa do AVC agudo é difícil por três motivos que se somam. Ela acontece com pressa, porque o relógio está correndo. Ela acontece com um paciente que muitas vezes não pode responder, mas quase sempre entende. E ela pede consentimento para um tratamento cujo risco é sangrar dentro da cabeça. As falas abaixo são para dizer em voz alta.

O paciente está afásico e a família fala por ele

Seu Nelson, eu sou o médico que vai cuidar do senhor. Eu sei que o senhor está entendendo o que eu digo mesmo sem conseguir falar agora — isso é parte do que está acontecendo. Eu vou explicar tudo para o senhor e para o seu filho ao mesmo tempo, e quando eu perguntar alguma coisa, o senhor pode apertar a minha mão com a mão que está boa.

Não diga: Falar sobre o paciente na terceira pessoa, na frente dele, como se ele não estivesse ali. Afasia de expressão não é rebaixamento de consciência, e a maioria dessas pessoas se lembra depois do que foi dito na sala.

Você precisa do horário e a família está assustada

Eu vou fazer uma pergunta que parece pequena e é a mais importante de todas: qual foi a última vez que o senhor viu seu pai completamente normal, falando e mexendo os dois lados? Não é a hora em que vocês perceberam — é a última hora em que ele estava bem. Ele falou com alguém depois do almoço? Atendeu telefone? Levantou? Cada minuto que a gente conseguir precisar aqui pode mudar o tratamento que eu posso oferecer a ele.

Não diga: Aceitar de manhã, no almoço ou faz umas horas e escrever isso no prontuário. Horário impreciso não é dado: é uma decisão de tratamento apoiada num chute, e ela vai nas duas direções.

Consentimento para a trombólise

O tratamento precisa ser avaliado e iniciado o mais cedo possível; a janela habitual é de quatro horas e meia e algumas situações têm seleção especializada por imagem. O que ele pode fazer de bom é o senhor recuperar movimento e fala. O risco principal é sangramento, inclusive dentro da cabeça, e é um risco real — por isso ele vai ficar monitorizado o tempo todo e eu vou examiná-lo de quinze em quinze minutos. Sem o remédio, o risco de sequela permanente é maior. Eu preciso que o senhor entenda os dois lados e me diga se podemos seguir.

Não diga: Descrever só o benefício para agilizar a assinatura. O esclarecimento sobre riscos e eventos adversos é obrigatório e vai registrado em prontuário — e uma família que não foi avisada do sangramento vive a complicação como erro, e não como risco que aceitou.

A janela passou e não há reperfusão a oferecer

Pelo horário que a gente conseguiu estabelecer, já se passou tempo demais para os tratamentos que abrem a artéria — eles têm hora para funcionar, e depois dela o risco passa a ser maior que o benefício. Isso não quer dizer que não há nada a fazer. Ele fica internado, a gente vai controlar pressão, glicemia, temperatura, prevenir as complicações que aparecem nos primeiros dias, começar a fisioterapia ainda aqui dentro e descobrir por que isso aconteceu, para impedir o próximo.

Não diga: Chegou tarde demais. Mesmo quando é factualmente verdadeiro, essa frase transfere para a família uma culpa que não muda nada do que vem pela frente — e costuma ser injusta, porque boa parte do atraso acontece depois da porta do hospital.

Houve sangramento durante ou depois da infusão

Eu preciso contar uma coisa difícil. O exame mostrou que houve um sangramento no cérebro, que é a complicação mais séria do remédio que a gente usou — foi o risco que eu expliquei antes de começar. Nós paramos a medicação assim que ele piorou e já iniciamos o tratamento para corrigir a coagulação. Eu vou acompanhar de perto e volto a falar com vocês assim que tiver algo novo, mesmo que a notícia não seja boa.

Não diga: Omitir a relação entre a complicação e o tratamento, ou apresentá-la como piora natural da doença. A família precisa ouvir de você o que vai ler no prontuário depois, e ouvir na hora.

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Onde bons médicos discordam

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que pesa na hora de decidir para o seu paciente.

Qual saturação de oxigênio dispara o suplemento: 92% ou 94%?

Suplementar abaixo de 92%

Administrar oxigênio por cateter nasal ou máscara se a oximetria estiver abaixo de 92%, tanto no atendimento pré-hospitalar quanto no hospitalar, mantendo a saturação em 92% ou mais durante o cuidado do AVC isquêmico.

Ministério da Saúde — Linha de Cuidados em Acidente Vascular Cerebral (AVC) na Rede de Atenção às Urgências e Emergências

Suplementar abaixo de 94%

Administrar oxigênio por cateter nasal ou máscara se a saturação de oxigênio for menor que 94%, com atenção especial aos portadores de doença pulmonar obstrutiva crônica.

Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção Primária à Saúde — Linha de Cuidado do Acidente Vascular Cerebral (AVC) no Adulto, 2020

Como decidir

A orientação geral atual é evitar hipóxia e oxigênio rotineiro em normoxemia, usualmente titulando para acima de 94%. Risco de retenção de CO2 requer meta individual, avaliação ventilatória e protocolo, não simples escolha entre dois cortes antigos.

Dose do trombolítico e atualizações

Esquema validado e seleção

Alteplase: 0,9 mg/kg, máximo 90 mg, 10% em bolus e restante em 60 minutos. Tenecteplase: opção endovenosa em bolus único conforme protocolo de AVC e produto, usualmente 0,25 mg/kg, máximo 25 mg; não aplicar o esquema de infarto do miocárdio. A recomendação clínica, o registro do produto e sua incorporação e disponibilidade no SUS são questões distintas. O PCDT brasileiro consultado, Portaria 29/2023, detalha alteplase; confirmar o fluxo efetivamente adotado pelo serviço sem afirmar que tenecteplase não existe no país.

AHA/ASA 2026 e PCDT MS 2023

Como decidir

Não escolher uma dose reduzida como solução genérica para risco elevado. Revisar elegibilidade, protocolo adotado e alternativas com a equipe de AVC; separar recomendação, registro e acesso.

Gestante com AVC isquêmico agudo pode ser trombolisada?

Gravidez entre os critérios de exclusão

A lista de critérios de exclusão para o uso do rt-PA inclui, no mesmo item, evidência de endocardite ou êmbolo séptico e gravidez.

Comitê Executivo da Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares e Departamento Científico de Doenças Cerebrovasculares da Academia Brasileira de Neurologia — Diretrizes para Tratamento da Fase Aguda do Acidente Vascular Cerebral Isquêmico, Parte II

Gravidez como contraindicação relativa

A mesma lista de critérios de exclusão separa a gravidez dos demais itens e a classifica explicitamente como contraindicação relativa, ao lado do infarto do miocárdio nos últimos 3 meses.

Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção Primária à Saúde — Linha de Cuidado do Acidente Vascular Cerebral (AVC) no Adulto, 2020

Como decidir

A diferença entre absoluta e relativa é exatamente a diferença entre não se faz e decide-se caso a caso, e ela muda o que acontece na sala: a primeira leitura encerra a discussão, a segunda obriga a uma conversa com obstetrícia e neurologia sobre uma paciente específica. Três coisas orientam essa conversa. A gravidade do déficit, porque uma oclusão de grande vaso em gestante jovem carrega décadas de incapacidade se não for tratada. A idade gestacional e o risco hemorrágico obstétrico do momento. E a existência de alternativa: se houver oclusão de grande vaso e acesso a trombectomia mecânica, a via mecânica resolve o dilema sem o efeito fibrinolítico sistêmico, e essa costuma ser a saída mais defensável. O que não é defensável é a gestante ser excluída da avaliação de reperfusão por reflexo de triagem, sem que neurologia e obstetrícia tenham sido chamadas.

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O raciocínio, em voz alta

Volte ao homem de 67 anos da cena. Nelson, 78 kg, hipertenso em uso irregular de losartana, sem outros antecedentes. Chegou às 14h20 apoiado no filho, com hemiparesia direita e afasia. Pressão 178 por 98 mmHg, frequência 88, saturação 96% em ar ambiente. Você está num hospital geral com tomógrafo 24 horas e neurologista de sobreaviso por telemedicina. Acompanhe o raciocínio em voz alta.

  1. o que penso nos primeiros trinta segundos

    Afasia com hemiparesia direita sugere hemisfério dominante esquerdo. É hipótese clínica de AVC, a ser correlacionada com imagem e evolução. Acione o neurologista enquanto a equipe obtém glicemia, história temporal e exame dirigido; não deixar todas essas tarefas em fila.

  2. a pergunta, e como ela muda o caso

    Alcanço o filho no corredor. Qual foi a última vez que o senhor viu seu pai completamente normal? Ele repete: no almoço, umas 12h30. Insisto: depois disso, ele falou alguma coisa? Levantou? O filho para, pensa, e diz que o pai reclamou do noticiário da televisão por volta das 13h. Isso não é detalhe: acabei de ganhar meia hora. O horário que vai para o prontuário é 13h00, informado pelo filho, com telefone anotado. São 14h25 — 85 minutos de sintoma, e 185 minutos até o fim da janela.

  3. o que faço enquanto ele vai para a tomografia

    Posiciono segundo proteção da via aérea e respiração, obtenho acesso e exames em paralelo à TC, sem atrasá-la por ECG. Glicemia é 112 mg/dL e saturação 96% em ar ambiente. NIHSS 14 registra déficit importante. Ritmo sinusal no ECG de agora não exclui fibrilação atrial paroxística como etiologia futura.

  4. a tomografia, aos 40 minutos de porta

    A TC sem hemorragia não exclui isquemia e não decide sozinha o tratamento. Apresento ao neurologista: última vez bem confirmada às 13h00, déficit incapacitante, NIHSS 14, glicemia 112 e imagem sem sangue. Confirmo antecedentes hemorrágicos, anticoagulantes e checklist de elegibilidade; estudo vascular corre em paralelo quando indicado.

  5. a pressão, e o que ela atrasa

    PA 178/98 mmHg está abaixo do limite pré-trombólise e não precisa ser reduzida por hábito. Se excedesse a meta, a equipe usaria anti-hipertensivo intravenoso titulável conforme o protocolo. Converso com Nelson e o filho sobre benefício, risco e incerteza, registrando a decisão.

  6. a conta da dose

    78 × 0,9 = 70,2 mg de alteplase. A 1 mg/mL, são 7,02 mL em bolus de um minuto e 63,18 mL em 60 minutos, com conferência da precisão permitida pela bomba. Um frasco de 50 mg mais um de 20 mg soma apenas 70 mg e é insuficiente: disponibilizar apresentação adicional ou dois frascos de 50 mg, aspirando somente a dose prescrita e seguindo regras do produto. Às 15h05, com última vez bem às 13h00, transcorreram 2h05 e restam 2h25 da janela habitual. Isso não é tempo a consumir: iniciar assim que elegível.

  7. a segunda pergunta, que quase não é feita

    Estar trombolisando não encerra o caso. NIHSS de 14 é déficit grave, ele era independente antes — Rankin prévio 0 —, e está dentro de 8 horas. Se houver oclusão de carótida interna intracraniana ou de M1, ele tem indicação de trombectomia mecânica, e as duas terapias somam em vez de competir. Aciono a regulação para o centro que faz o procedimento agora, durante a infusão, e não depois que ela terminar.

  8. as 24 horas seguintes

    Monitorizo exame e PA em série, mantendo PA abaixo de 180/105 e evitando hipotensão. Não imponho piso de 160. Procuro sangramento e angioedema; qualquer deterioração exige resposta imediata. Sem oferta oral até rastreio e liberação conforme protocolo, com cuidado especial pós-trombólise. Evito antitrombóticos nas primeiras 24 horas e obtenho imagem de controle antes de liberá-los. Prevenção, estatina quando indicada, profilaxia de trombose e reabilitação são individualizadas.

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Faça você

Agora é a mulher de 43 anos da mesma fila. Ela acordou às 6h00 sem força no lado esquerdo e passou o dia achando que tinha dormido torto; procurou o pronto-socorro às 14h40, quando o braço não melhorou. Deitou-se para dormir às 23h30 do dia anterior, e o marido confirma que até esse momento ela estava normal. Não fuma, usa contraceptivo oral, sem hipertensão, sem diabetes, independente para tudo. Ao exame: hemiparesia esquerda com braço plégico, desvio do olhar para a direita, negligência do hemicorpo esquerdo, fala preservada. Pressão 152 por 88 mmHg, frequência 96 e irregular, saturação 97%, glicemia capilar 104 mg/dL. NIHSS de 15. Eletrocardiograma com fibrilação atrial de resposta ventricular em torno de 100 bpm. Tomografia de crânio sem hemorragia e sem hipodensidade precoce.

  1. o relógio dela

    Os sintomas foram percebidos ao acordar, então o horário de início é o último momento em que ela foi vista sem déficit: 23h30 da véspera, e não 6h00. Às 14h40, quando ela chega, isso dá 15 horas e 10 minutos.

  2. o que a fibrilação atrial acrescenta

    Fibrilação atrial em ritmo novo é achado etiológico, não ruído: cerca de 20% dos AVC isquêmicos são cardioembólicos, e a fibrilação é a causa mais comum entre eles. Ela explica o mecanismo e antecipa a discussão de anticoagulação para a prevenção secundária — que não é decisão desta hora, e cujo manejo pertence ao capítulo de fibrilação atrial.

  3. o que o exame neurológico já diz sobre a artéria

    Hemiparesia esquerda com braço plégico, desvio conjugado do olhar para a direita e negligência do hemicorpo esquerdo formam a síndrome de circulação anterior direita, e a combinação de déficit grave com desvio do olhar aponta para oclusão proximal. NIHSS de 15 e Rankin prévio de 0.

  4. conduta

    Acionar equipe e referência para angioimagem e seleção de trombectomia, sem assumir oclusão de grande vaso apenas pelo NIHSS. A clínica e o tempo tornam essa avaliação urgente. Não inventar INR, plaquetas ou antecedentes que a vinheta não forneceu.

Ver como fecharíamos

A última vez bem foi às 23h30; às 14h40 são 15h10. Isso afasta a janela habitual de trombólise baseada apenas no relógio, mas não encerra a avaliação de reperfusão. O quadro sugere circulação anterior direita e possível oclusão proximal; falta demonstrar o vaso e avaliar imagem e elegibilidade no centro habilitado. Acione referência e regulação agora, enviando horário, NIHSS, função prévia e TC; angioimagem pode ser feita localmente se não atrasar transferência. Não declare INR e plaquetas normais nem ausência de toda contraindicação: esses dados não constam do caso. A fibrilação atrial favorece mecanismo cardioembólico, sem provar a causa exclusiva ou indicar heparina imediata. Mantenha monitorização, proteção da deglutição e posição adequada; PA 152/88 não exige redução automática. O plano inclui tratamento selecionado, vigilância e prevenção etiológica posterior.

Gabarito da questão de abertura
Comentário

Qualquer deterioração relevante pede reavaliação. Se a infusão estiver em curso, interromper; hemorragia sintomática exige reversão protocolada e apoio de hemoterapia. Não esperar horas para verificar resposta.

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Teste-se

Cada uma é um ponto de bifurcação: o que você faz agora. O comentário abre a cada decisão ou só no fim — você escolhe.

Sorteando as questões…
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Plano de revisão

Em 7 dias

Recuperação ativa em sete dias. Refaça a conta do relógio do caso e explique por que TC sem sangue e NIHSS baixo não decidem sozinhos. Descreva correção de hipoglicemia e reexame. Responda antes de reler e depois confira onde faltou justificar uma decisão.

Em 30 dias

Aplicação em trinta dias. Simule passagem para a equipe de AVC com horário, função prévia, déficit, glicemia, pressão, anticoagulante e imagem. Justifique o caminho de reperfusão e a monitorização após tratamento. Use dados observados, reconheça o que ainda não sabe e peça comparação com a avaliação do supervisor.

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Agora atenda

Agora atenda: mulher de 71 anos trazida pela filha ao pronto-socorro com desvio de rima e fraqueza no braço direito notados há pouco. A filha está com pressa e o carro está na entrada da ambulância. Conduza da porta à decisão — e diga em voz alta, para a paciente e para a filha, o que o senhor sabe, o que ainda não sabe e por que o horário é a pergunta mais importante da sala.

AVC isquêmico agudo — Internato | OsceLabs