Pediatria › Pneumologia Pediátrica
Crise asmática na criança
Asma na infância: diagnóstico, classificação e manejo da crise
Reconhecer e tratar a crise, confirmar o diagnóstico e acompanhar controle, técnica e prevenção de novas exacerbações.
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Responda antes de ler
Na crise asmática muito grave de um escolar de 28 kg que não respondeu à primeira hora plena (3 doses cheias de salbutamol + ipratrópio + corticoide sistêmico), a gasometria arterial mostra pH 7,36, PaO2 68 mmHg (em máscara) e PaCO2 41 mmHg. A leitura mais correta desse resultado é:
O paciente que você vai ver
Duas e quarenta da manhã num pronto-socorro pediátrico de porta aberta. A técnica de enfermagem nem espera a ficha: traz a criança direto para a sala de emergência, porque ouviu o chiado do corredor. Sofia, 6 anos, 20 quilos, sentada na maca com o tronco inclinado para a frente e as mãos apoiadas nos joelhos, o cabelo grudado na testa de suor. Você pergunta o nome dela e a resposta vem picada: "So... fia". A mãe responde o resto: resfriado há dois dias, tosse seca que virou chiado ontem, e hoje de madrugada "o peito fechou de vez". Em casa ela fez "a bombinha" duas vezes — dois jatos cada, sem espaçador, direto na boca — "mas dessa vez não resolveu".
Você despe o tórax e conta: frequência respiratória de 40, tiragem subcostal e intercostal, fúrcula cavando a cada inspiração. A ausculta tem sibilos difusos nos dois tempos, mais longos na expiração, em todos os campos. Frequência cardíaca de 132, saturação de 91% em ar ambiente, perfusão boa, afebril. Ela está agitada, não quer deitar de jeito nenhum — e tem razão: deitada, o diafragma perde vantagem mecânica. A história pregressa a mãe entrega em uma frase: "ela tem bronquite desde os 2 anos, doutor; é a terceira vez que a gente corre pro pronto-socorro só este ano". A "bombinha de todo dia", a de cor diferente, acabou faz uns dois meses e ninguém renovou a receita.
Nesse momento, duas rotinas de plantão se oferecem para te carregar. A primeira: pedir radiografia de tórax e "uns exames para ver como ela está", porque criança chiando com saturação de 91% assusta, e exame parece cuidado. A segunda: mandar "fazer uma nebulização" — cinco gotas de salbutamol no soro, máscara, dez minutos — e reavaliar quando der, porque a sala está cheia e a nebulização compra tempo. As duas parecem medicina. As duas custam exatamente o que a Sofia não tem: a primeira hora.
O que muda o desfecho dela não precisa de nenhum exame: precisa de uma classificação feita em trinta segundos à beira da maca — fala, estado mental, musculatura acessória, ausculta, saturação — e da primeira hora bem usada. Sofia fala frases entrecortadas, está agitada, usa musculatura acessória, satura 91%: crise grave. A resposta certa é oxigênio titulado, beta-2 de curta em dose cheia com espaçador ou nebulização a cada 20 minutos por três vezes, brometo de ipratrópio junto, e corticoide por boca ainda na primeira hora — porque ele demora horas para agir, e cada minuto de atraso na prescrição é um minuto a mais de inflamação sem tratamento lá na frente.
A crise de asma é uma das poucas emergências pediátricas em que o interno, integrado à equipe e com supervisão, participa de medidas que podem modificar o desfecho desde os primeiros minutos. O capítulo anterior desta apostila ensinou uma doença em que a virtude era não fazer: na bronquiolite, broncodilatador não tem alvo. Aqui é o espelho invertido — o broncodilatador é exatamente a droga certa para o mecanismo, e a virtude é fazer cedo, na dose certa, e não parar antes da hora. Confundir as duas doenças custa caro nos dois sentidos, e a fronteira entre elas tem capítulo marcado mais adiante.
Guarde a Sofia. Ela atravessa este capítulo inteiro: volta na classificação, volta hora a hora na conduta, volta na reavaliação — e volta na alta, que é onde a maioria dos plantões perde a crise que acabou de ganhar. Porque o final desta história não é a saturação subindo: é a receita que impede a quarta vinda ao pronto-socorro este ano.
Quem adoece disso
A asma é a doença crônica mais comum da infância brasileira, e o Brasil está no grupo de países com mais sintomas no mundo: cerca de 20% dos adolescentes relatam sintomas de asma, mas só 12% carregam o diagnóstico — uma tesoura de subdiagnóstico documentada pelas Recomendações da SBPT de 2020. A consequência clínica vem antes do número: a criança que chia repetidamente e "tem bronquite" quase nunca é um mistério diagnóstico; é uma asmática sem nome, sem corticoide inalatório e sem plano de ação — e é ela que lota a sala de nebulização de todo pronto-socorro pediátrico do país.
O tamanho do problema hospitalar está nos registros do SIH/SUS: entre 2013 e 2023 foram 533 mil internações por asma em crianças e adolescentes no Brasil — metade delas em crianças de 1 a 4 anos e um terço de 5 a 9 anos, com permanência média de três dias. Somando todas as idades, o país registrou em 2013 cerca de 130 mil internações e pouco mais de 2 mil mortes por asma, com tendência de queda ao longo da década conforme o acesso ao tratamento de controle melhorou. Leia esses números como um teste da rede, não como fatalidade: internação por asma é, na maioria, um evento evitável — cada leito ocupado por crise é uma falha do ambulatório que aconteceu semanas antes, e o pronto-socorro é o único lugar onde essa cadeia pode ser quebrada, na receita de alta.
A morte por asma na infância é rara — e é exatamente por isso que cada uma pesa tanto. O mecanismo é asfixia em quase todos os casos, e o retrato repetido nas diretrizes da SBPT é o de uma doença crônica mal controlada, com uso inadequado de corticoide inalatório e gravidade subestimada por médico e família; a minoria dos óbitos é súbita, em quem não parecia grave. No guia conjunto ASBAI/SBP de asma grave, quase 30% das crianças com asma grave de uma grande coorte americana tinham história de intubação na vida — a criança que quase morre de asma existe, é identificável antes, e passa pelo pronto-socorro várias vezes antes do episódio que a mata.
O elo entre a crise de hoje e a morte de amanhã tem um marcador mensurável: o consumo de broncodilatador de resgate. A partir de três frascos de beta-2 de curta ação dispensados por ano, o risco de exacerbação grave sobe; a partir de doze, sobe o risco de morrer de asma — e o uso domiciliar de nebulização de resgate também se associa a morte, porque adia a vinda ao hospital. Esses números da GINA transformam uma pergunta banal de anamnese — "quantas bombinhas ele gasta por ano?" — em rastreio de risco de vida, e transformam a receita de alta que você assina no plantão em uma intervenção sobre mortalidade, não em burocracia de saída.
Por que acontece o que acontece
Três coisas fecham a via aérea da Sofia ao mesmo tempo, e o capítulo inteiro deriva de saber qual droga age sobre qual delas. A primeira é o broncoespasmo: o anel de músculo liso que envolve cada brônquio e bronquíolo contrai, e o tubo estreita agora, em minutos. A segunda é o edema: a parede inflamada incha para dentro da luz. A terceira é a secreção: muco espesso, produzido em excesso, formando rolhas nas vias menores. A proporção varia de criança para criança e de crise para crise, mas a exacerbação clássica — a desencadeada por vírus respiratório, como a dela — tem os três componentes juntos: um mecânico e imediato, dois inflamatórios e lentos.
O beta-2 agonista de curta ação ataca o componente imediato. Ele se liga ao receptor beta-2 do músculo liso, dispara a cascata que relaxa a fibra, e o anel abre — efeito que começa em minutos quando a droga chega ao alvo pela via inalatória, com melhora clínica esperada dentro de 20 a 60 minutos, o prazo que o próprio PCDT da Asma usa como critério de resposta. O corticoide sistêmico ataca os outros dois componentes, e não tem como ser rápido: age dentro do núcleo da célula, desligando a transcrição dos genes da inflamação, e seus efeitos principais aparecem 4 a 6 horas depois da dose. Essa assimetria de tempo é a justificativa inteira da conduta da primeira hora: os dois entram juntos e cedo porque fazem trabalhos diferentes em prazos diferentes — o beta-2 abre o músculo agora, o corticoide desmonta o edema e a secreção de hoje à noite. Corticoide dado às 3 h da manhã começa a valer às 7 h; corticoide "deixado para o plantonista decidir" às 7 h começa a valer ao meio-dia. O atraso não some: ele é transferido para a frente, com juros.
A via inalatória é a escolhida para o beta-2 porque entrega a droga na superfície do próprio músculo que precisa relaxar, com fração mínima indo para o resto do corpo. Mas essa entrega depende de física: partículas do jato do spray saem a alta velocidade e, disparadas direto na boca, colidem com a orofaringe e são engolidas. O espaçador existe para resolver exatamente isso — o aerossol fica suspenso na câmara, a velocidade cai, e a criança inala nuvem em vez de jato, sem precisar coordenar disparo com inspiração. É por isso que os dois jatos que a mãe da Sofia fez em casa, direto na boca, "não resolveram": além de a dose estar baixa para uma crise, a fração que chegou ao pulmão foi uma fração da fração. Técnica não é detalhe de enfermagem; é biodisponibilidade.
A hipoxemia da crise tem mecanismo próprio, e entendê-lo muda duas condutas. A obstrução não é uniforme: algumas unidades pulmonares ventilam mal e continuam perfundidas, e esse desequilíbrio ventilação-perfusão derruba a saturação — não é hipoventilação global, que é fenômeno tardio. Consequência prática um: a hipoxemia da crise responde a oxigênio de baixo fluxo, e a criança que precisa de muito oxigênio para saturar está dizendo que algo mais grave acontece. Consequência prática dois: o próprio beta-2 pode piorar transitoriamente esse desequilíbrio — ele vasodilata e reperfunde áreas ainda mal ventiladas — e uma queda discreta e breve de saturação logo após a inalação não significa falha do tratamento; significa farmacologia funcionando, e se corrige com o oxigênio que já está instalado.
O que mata na asma é a mecânica da fadiga, e ela tem uma assinatura que você precisa reconhecer de longe. Com a via aérea estreita, a expiração — que em repouso é passiva — vira trabalho muscular ativo; o ar entra e não sai por completo, o pulmão aprisiona volume, e cada respiração seguinte começa mais insuflada e mais cara. A criança pequena, com caixa torácica complacente e musculatura de menos reserva, paga essa conta mais rápido. Quando o fluxo de ar cai abaixo de um limiar, o sibilo — que é som de ar passando apertado — desaparece: o tórax silencioso com esforço respiratório não é melhora, é obstrução quase total, e é o achado mais grave de toda a ausculta. No mesmo estágio, a PaCO2 conta a mesma história por outro caminho: a criança em crise taquipneica lava CO2 e deveria ter PaCO2 baixa; um valor "normal" numa criança exausta e taquipneica significa que a bomba ventilatória já não dá conta — é o número subindo a caminho da insuficiência respiratória, não um resultado tranquilizador. A gasometria de aparência inocente é uma das leituras mais perigosas do plantão.
As duas drogas de segunda linha completam o mapa. O brometo de ipratrópio bloqueia o tônus colinérgico — o freio vagal que também contrai a via aérea, sobretudo os brônquios mais centrais — e, somado ao beta-2 na primeira hora das crises graves, reduz a necessidade de internação; depois da primeira hora seu benefício adicional encolhe, e é por isso que ele é droga de ataque, não de manutenção. O sulfato de magnésio relaxa o músculo liso por antagonismo do cálcio, um mecanismo independente do receptor beta-2 — e essa independência é exatamente sua utilidade: é o recurso para a crise muito grave em que a via beta já foi estimulada ao máximo e não bastou.

Como se apresenta de verdade
A maioria das crises não é súbita: a deterioração costuma ser gradual, ao longo de dias — tosse que piora à noite, resgate usado com frequência crescente, atividade que diminui — até o dia em que "fechou de vez". Isso significa que a criança que chega de madrugada em crise grave quase sempre avisou durante a semana, e significa também que a minoria de crises verdadeiramente súbitas, que despencam em minutos ou poucas horas, marca um fenótipo mais perigoso, de broncoespasmo dominante, que responde rápido mas também mata rápido.
Na porta, a classificação de gravidade se faz com quatro observações e um número — fala, estado mental, musculatura acessória, ausculta e saturação — e obedece a uma regra de ouro: o pior achado manda. Uma criança com saturação de 93% mas sonolenta não é crise moderada; é muito grave, porque o sensório vale mais que o oxímetro. A tabela completa mora no bloco de critérios; o que segue é o que cada linha dela significa à beira do leito.
As quatro perguntas da porta, antes de qualquer aparelho
Como ela fala? A fala é espirometria de beira de leito: quem completa frases tem fluxo aéreo razoável; quem corta as frases no meio, como a Sofia, está gastando em musculatura o ar que usaria em fala; quem só solta palavras isoladas — ou, no lactente, tem choro curto e não consegue mamar — está no degrau grave. É o parâmetro que funciona em qualquer idade que já fale, não custa nada e não depende de colaboração: basta fazer uma pergunta e ouvir.
Como ela está? O estado mental normal ou uma agitação proporcional ao desconforto acompanham as crises leves a graves. Os dois extremos do sensório são alarme: a agitação intensa que não se explica pelo contexto pode ser hipoxemia, e a sonolência, a confusão ou a criança "quietinha demais" numa crise intensa são hipoxemia e hipercapnia até prova em contrário — o degrau da iminência de parada.
Como ela respira? Tiragem subcostal e intercostal marcam esforço; fúrcula, batimento de asa nasal e o esternocleidomastóideo saltado marcam esforço acentuado; a postura em tripé — sentada, inclinada para a frente, mãos apoiadas — é a criança otimizando a mecânica do próprio diafragma. Respiração paradoxal, com abdome e tórax em gangorra, é a musculatura falindo.
O que a ausculta diz? Sibilos expiratórios difusos são o esperado; sibilos nos dois tempos marcam obstrução maior; e o silêncio com esforço é o achado mais grave que existe nessa doença, pelo mecanismo que o bloco anterior explicou. A ausculta da crise também é assimetria: sibilância de um lado só não é asma típica e abre o diferencial da seção adiante.
E a saturação fecha a conta, nas faixas da tabela de critérios: quanto mais baixa em ar ambiente, mais grave — e 90% ou menos já é território de crise muito grave. O oxímetro na criança tem ruídos — sensor frouxo, extremidade fria, choro — e em pele mais escura pode superestimar a saturação real; leitura que destoa da clínica se repete com sensor bem posicionado antes de mudar conduta, mas nunca se usa o oxímetro para desmentir uma criança que parece grave.
Os quatro sinais que anunciam a parada
Existe um degrau acima da crise grave, e ele tem nome no algoritmo: iminência de parada respiratória. Os sinais são quatro, e nenhum deles precisa de exame. Tórax silencioso com esforço mantido — a obstrução venceu o fluxo. Sensório deprimido — sonolência, confusão, hipotonia, a criança que "cansou de lutar". Exaustão visível — sudorese fria, cianose, respiração paradoxal, frequência respiratória que cai sem melhora de nenhum outro parâmetro. E bradicardia relativa numa criança que vinha taquicárdica — o coração hipóxico desistindo. Qualquer um deles isoladamente já reclassifica a crise e muda o lugar dela: sala de emergência, monitor, médico mais experiente ao lado, terapia intensiva acionada e o pacote farmacológico máximo, descrito na conduta.
A gasometria participa desse degrau por um único número, já explicado no mecanismo: a PaCO2 que "normalizou" na criança taquipneica e exausta. Guarde a leitura correta: na crise compensada, PaCO2 baixa é o esperado; o valor que se aproxima do normal é fadiga ventilatória em progressão, e a faixa que define a crise muito grave está na tabela de critérios — mesmo que a criança ainda esteja acordada e o restante do exame pareça estável.
Quem é a criança que morre de asma
A morte por asma quase nunca é imprevisível: ela se anuncia na história, e a anamnese da crise tem que procurar esses anúncios ativamente, porque nenhum deles aparece no exame físico. O fator mais fortemente associado a evolução fatal ou quase fatal é a crise grave prévia com necessidade de terapia intensiva — sobretudo se houve ventilação mecânica. Ao lado dele: três ou mais idas à emergência ou duas ou mais internações por asma no último ano; uso frequente ou recente de corticoide sistêmico; consumo alto de beta-2 de resgate — dois ou mais frascos por mês na régua da SBPT, e já a partir de três frascos por ano na régua da GINA o risco de exacerbação grave sobe; asma lábil, com variações acentuadas de função pulmonar; má percepção da própria obstrução, o fenótipo que "não sente" a crise e chega tarde; e o feixe psicossocial — depressão, baixa adesão, dificuldade de acesso, conflito familiar — que o documento ASBAI/SBP marca como alto risco de asma fatal justamente no adolescente.
No menor de 5 anos, a SBPT acrescenta três marcadores próprios: idade abaixo de 12 meses, necessidade de doses repetidas e não usuais de beta-2 já nas primeiras horas do quadro, e recidiva abrupta apesar de tratamento adequado. E um dado estrutural para calibrar sua leitura de "parece bem": na coorte americana de asma grave pediátrica citada pelo guia ASBAI/SBP, quase um terço das crianças tinha história de intubação. A criança de risco não é uma abstração epidemiológica — ela é reconhecível na ficha, e a presença de qualquer um desses fatores abaixa seu limiar para internar, mesmo com boa resposta na primeira hora. A tabela desses fatores está no bloco de critérios.
Repare no que esses fatores têm em comum: quase todos são história de tratamento, não de biologia. A criança que morre de asma no Brasil é, no retrato das diretrizes, uma criança com doença crônica sem corticoide inalatório, resgatada repetidamente com beta-2, cujas crises foram sendo subestimadas — por quem cuida e por quem atende. Cada um desses marcadores é modificável, e o lugar onde se modifica é a consulta de alta que encerra este capítulo.
A fronteira com a bronquiolite — e os outros chiados que não são asma
A criança que chia com vírus é o território compartilhado entre este capítulo e o anterior, e a conduta é oposta: na bronquiolite o broncodilatador não tem alvo — a luz está entupida de debris, o músculo não é o problema — e aqui ele é a droga que salva. À beira do leito, quatro perguntas separam as duas. Idade e episódio: primeiro chiado da vida em lactente abaixo de 12 meses, na estação viral, é bronquiolite até prova em contrário; segundo, terceiro, quarto episódio em criança acima de 1 ano é sibilância recorrente, e a lógica passa a ser a da asma. História: atopia pessoal (dermatite, rinite) ou asma nos pais empurra para asma; pródromo de coriza em criança previamente sadia e sem história empurra para bronquiolite. Resposta: melhora clínica clara dentro de 20 a 60 minutos após o beta-2 — o critério do PCDT — é a assinatura da asma; a ausência de resposta, repetida, é a assinatura da bronquiolite. E o intervalo: a bronquiolite é um episódio contínuo com curva de dias; a asma fecha e abre. Na zona cinzenta — o lactente grande, no segundo episódio, com eczema — a prova terapêutica com beta-2 é diagnóstico e tratamento ao mesmo tempo: se abriu, mantenha e trate como crise; se não abriu em três doses, pare de insistir — o capítulo anterior explica por quê.
Fora do vírus, quatro diferenciais valem memória. Corpo estranho: início súbito em criança previamente bem, geralmente ao comer ou brincar, com sibilância ou murmúrio diminuído de um lado só — o chiado assimétrico não é asma, e a pergunta "ela estava comendo o quê?" precisa ser feita de forma direta. Pneumonia: febre alta sustentada, prostração desproporcional e achado focal — o capítulo 1 desta apostila; lembrando que a crise de asma desencadeada por vírus pode ter febre baixa, e que o erro clássico é dar antibiótico ao chiado difuso e afebril "pela radiografia". Insuficiência cardíaca do lactente: sudorese às mamadas, ganho de peso ruim, hepatomegalia, taquicardia desproporcional — o chiado cardíaco existe e piora com a hidratação generosa. E o ruído que nunca foi embora: estridor ou sibilância presentes desde o nascimento, contínuos, com resposta ruim a tudo, apontam anel vascular, displasia broncopulmonar no ex-prematuro ou outra doença estrutural — é história de ambulatório, não de crise, e o PCDT lista os quadros por faixa etária.
No escolar e no adolescente, dois imitadores merecem nota. A disfunção de vias aéreas superiores — a corda vocal que aduz na inspiração — produz "crises" dramáticas com estridor mais que sibilo, ausculta pulmonar limpa e saturação teimosamente normal, e não responde a broncodilatador. E a crise de hiperventilação com ansiedade, que rouba o rótulo de asma com frequência. Nenhuma das duas exclui asma — as duas podem coexistir com ela —, mas a criança rotulada de "asma de difícil controle" cuja crise nunca dessatura merece essa revisão antes do próximo degrau de corticoide.
O menor de 6 anos: quando o rótulo importa menos que a crise
Abaixo dos 6 anos o diagnóstico formal de asma é reconhecidamente difícil — a espirometria não colabora, o chiado viral recorrente é comum e muitas crianças sibilantes deixarão de sibilar. O PCDT resolve o impasse com pragmatismo: sintomas recorrentes compatíveis, exclusão de alternativas e resposta clínica oportuna ao tratamento — na crise, melhora em 20 a 60 minutos com o beta-2; fora dela, teste terapêutico de 2 a 3 meses com corticoide inalatório em dose baixa, feito de preferência na estação em que a criança adoece, com resposta avaliada e dose reduzida depois.
Para o plantão, a tradução é uma regra de duas pontas. Não rotule asma no primeiro chiado — o capítulo anterior existe exatamente para isso. Mas não negue tratamento de crise ao pré-escolar sibilante recorrente por falta de rótulo: a crise dele se classifica pela mesma régua de gravidade e se trata com as doses da faixa etária — que este capítulo traz separadas nas tabelas —, e a criança com episódios repetidos que exigiram pronto-socorro sai com a mesma conversa de alta: teste terapêutico ambulatorial, técnica com espaçador e máscara, e consulta marcada. O nome da doença pode esperar meses; o tratamento da crise e o plano de saída, não.
Como fechar o diagnóstico
Este é o bloco em que a asma difere de quase todo o resto da apostila: o diagnóstico da crise e a decisão de tratar não dependem de nenhum exame complementar. A pergunta do interno diante da Sofia não é "o que eu peço?" — é "o que eu deixo de pedir, e por quê?". Cada exame desta seção tem a mesma estrutura: o que ele responde, quando essa pergunta existe de verdade, e o custo de pedi-lo sem pergunta.
1. O diagnóstico é clínico, e o único número obrigatório é a saturação
A crise asmática se diagnostica com a história (sibilante conhecido, ou episódios prévios que respondem a broncodilatador) e o exame (sibilância difusa, expiração prolongada, esforço). A oximetria de pulso entra em toda criança, em ar ambiente, na chegada e em cada reavaliação — é ela que separa os degraus de gravidade, que indica oxigênio e que participa da decisão de internar. É medida, não exame: não atrasa nada e não se dispensa nunca.
O que a oximetria não faz é substituir o olho: os ruídos de leitura e a regra de desempate com a clínica estão na nota da tabela de critérios, e a direção é única — o oxímetro pode piorar a sua classificação, nunca melhorá-la contra a criança que você está vendo.
2. Radiografia de tórax: por que não, e as exceções que valem
A radiografia não participa do diagnóstico da crise nem da decisão de tratar, e as duas diretrizes que sustentam este capítulo a excluem da rotina — a GINA com a frase seca de que não se faz radiografia rotineiramente, a SBPT restringindo-a à exacerbação grave e à suspeita de complicação ou comorbidade: pneumonia, pneumotórax, insuficiência cardíaca. O custo de pedi-la sem pergunta é o mesmo que o capítulo de bronquiolite descreveu: a crise asmática produz hiperinsuflação e áreas de atelectasia por rolha de muco, a atelectasia vira "consolidação" no laudo, e a criança com doença viral sai com antibiótico — a cascata inteira nasce de um exame que não tinha pergunta.
As perguntas que existem de verdade: dor torácica súbita ou enfisema subcutâneo (pneumotórax e pneumomediastino, que a crise pode causar); febre alta sustentada com achado focal persistente (pneumonia — e o filtro é o do capítulo 1: foco + febre + prostração, não "sibilo + laudo"); assimetria persistente após broncodilatador (corpo estranho); e a criança muito grave que não responde ao tratamento pleno, na qual a radiografia procura o que mais está errado. Fora disso, o tórax da Sofia não precisa de imagem — precisa de beta-2.
3. Gasometria: quase nunca — e como ler quando fizer
A gasometria não classifica crise — a classificação é clínica — e não é critério para iniciar nem escalar o tratamento da primeira hora. A SBPT reserva o exame para a criança com sinais de crise muito grave, saturação persistentemente abaixo de 93% ou pico de fluxo abaixo de 30% do previsto apesar do tratamento: em português de plantão, a gasometria entra quando você já está considerando terapia intensiva, e serve para documentar a trajetória, não para autorizar a próxima dose.
Quando vier, leia com a régua invertida que o mecanismo explicou: a criança taquipneica em crise deve ter PaCO2 baixa; um valor na casa dos 40 numa criança cansada é fadiga da bomba ventilatória, e 45 ou mais assina a crise muito grave. O erro de leitura mais perigoso do plantão é arquivar como "gasometria sem alterações" o exame que mostra exatamente a transição para a insuficiência respiratória. E a decisão de intubar não espera número: na asma, a indicação de via aérea definitiva é clínica — exaustão progressiva, sensório caindo, hipoxemia refratária — e a SBPT é explícita em não condicioná-la a valores gasométricos absolutos.
4. Pico de fluxo expiratório: o que acrescenta, onde falha
O pico de fluxo expiratório é a única medida objetiva de obstrução disponível na sala, e nas mãos certas acrescenta duas coisas: gradua a crise na chegada (acima de 50% do previsto, leve a moderada; 30 a 50%, grave; abaixo de 30%, muito grave) e objetiva a resposta na reavaliação — voltar a mais de 70% do basal é um dos critérios de alta da SBPT. No adolescente que já monitora o próprio PFE, o número na chegada comparado ao melhor pessoal vale mais que o previsto por tabela.
As limitações na criança são estruturais, e a SBPT as nomeia: a manobra é esforço-dependente, exige compreensão e treino — o que exclui a maioria abaixo de 5 ou 6 anos — e, durante a crise, a própria dispneia impede verificações confiáveis mesmo em quem sabe fazer. A regra prática do plantão: use o PFE em maiores de 5 anos que conhecem a manobra, como complemento; nunca atrase uma dose de broncodilatador para obtê-lo, nunca desclassifique com ele uma criança que parece grave, e não o transforme em cabo de guerra com a criança exausta que não consegue soprar.
5. Hemograma, eletrólitos e o que o tratamento em dose alta pede
Hemograma não é exame de crise: entra apenas na suspeita concreta de infecção bacteriana, com o mesmo filtro clínico do capítulo de pneumonia. Duas pegadinhas de interpretação que a SBPT registra: o corticoide sistêmico sobe a contagem de neutrófilos já nas primeiras 4 horas — o hemograma colhido depois da prednisolona "mostra infecção" que não existe —, e o estresse da própria crise leucocita. Se a pergunta bacteriana não existia antes do hemograma, ela não deve nascer dele.
Os eletrólitos têm uma indicação específica de farmacovigilância: o beta-2 em dose alta e repetida empurra potássio para dentro da célula, e a criança em nebulização contínua ou em doses muito frequentes merece potássio sérico monitorado — a SBPT acrescenta o cenário de associação com corticoide e xantina. Fora desse cenário, e da criança em hidratação venosa prolongada, eletrólitos de rotina não acrescentam nada à crise.
6. O diferencial mora aqui dentro: a prova terapêutica é o exame
O melhor exame diferencial da criança que chia não é imagem nem sangue: é a resposta ao broncodilatador, cronometrada. Melhora clara em 20 a 60 minutos — menos esforço, fala mais longa, sibilos mudando, saturação subindo — confirma que o mecanismo era músculo, e o quadro é asma ou sibilância responsiva; três doses bem feitas sem nenhuma resposta, em lactente no primeiro episódio, apontam bronquiolite e mandam parar de insistir; ausência de resposta com assimetria persistente aponta corpo estranho e broncoscopia; ausência de resposta com estridor e saturação normal aponta via aérea superior. A prova só vale se for bem feita — dose cheia, técnica correta, reavaliação estruturada — porque a prova malfeita não nega nada: só desperdiça a primeira hora.
Note a hierarquia: a radiografia "para ver o que é" responde pior, mais devagar e com mais dano colateral do que a prova terapêutica feita com relógio. É a inversão que este bloco quer deixar de herança — na criança chiando, a droga certa administrada certo é simultaneamente tratamento e método diagnóstico.
7. O que existe no SUS
O arsenal completo da primeira hora é de disponibilidade básica, e isso muda a régua de exigência sobre qualquer serviço do país. Na Rename estão o salbutamol em aerossol de 100 µg e em solução para nebulização de 5 mg/mL, o brometo de ipratrópio em solução de 0,25 mg/mL e em aerossol de 20 µg por dose, a prednisolona em solução oral de 1 e de 3 mg/mL, a prednisona em comprimidos de 5 e 20 mg e o sulfato de magnésio injetável — o mesmo da eclâmpsia, presente em qualquer hospital com maternidade. O PCDT acrescenta o tratamento de manutenção que interessa à alta: beclometasona nas apresentações de 50, 200 e 250 µg e budesonida-formoterol, dispensados pelo componente da assistência farmacêutica.
A consequência prática tem dois gumes. Não existe crise asmática "sem recurso" em UBS brasileira: espaçador artesanal à parte, beta-2, ipratrópio e corticoide oral têm que estar na sala, e a transferência de uma criança grave sem a primeira hora feita é falha de conduta, não de estrutura. E não existe alta "sem opção de manutenção": o corticoide inalatório da receita de saída é item de farmácia básica — a barreira real é a receita não escrita, não o medicamento inexistente.
8. Depois da crise: confirmar o diagnóstico e conhecer os intervalos
Sofia volta após a recuperação da crise. A consulta começa perguntando como era a vida antes daquela madrugada: tosse ou chiado entre resfriados, despertares, limitação para correr, frequência de resgate e faltas à escola. A melhora com broncodilatador sustenta parte do raciocínio, mas não encerra a investigação de sintomas recorrentes. Diagnosticar asma envolve uma história compatível de sintomas variáveis e demonstração de limitação variável do fluxo expiratório quando a idade e a capacidade permitem, com avaliação de outras causas.
Na criança capaz de realizar a manobra, solicite espirometria com prova broncodilatadora em situação apropriada e com técnica aceitável. Um exame normal fora do período sintomático não exclui asma. Se a suspeita permanece, pode ser necessário repetir durante sintomas, revisar interferência do tratamento ou utilizar outro método indicado pelo serviço. Não suspenda medicamento de forma improvisada para produzir um exame alterado; siga orientação de preparo do laboratório e preserve segurança.

No critério pediátrico da GINA 2026, uma resposta broncodilatadora compatível é aumento do VEF1 de pelo menos 12% do valor previsto. O denominador importa: se o previsto é 1,20 L e o VEF1 passa de 0,90 para 1,06 L, a diferença de 0,16 L representa 13,3% do previsto. Não se exige o acréscimo absoluto de 200 mL utilizado em critérios de adultos. O resultado deve ser integrado à qualidade do teste e à história, sem transformar um número isolado em diagnóstico.
Em menores de seis anos, a avaliação costuma ser clínica. Caracterize episódios de sibilância, sintomas entre episódios, resposta documentada ao tratamento e sinais de outra doença. Um teste terapêutico com corticosteroide inalatório pode ser indicado e precisa ter objetivo, duração e reavaliação; não é uma receita indefinida para qualquer tosse. Ausência de resposta pede primeiro verificação de técnica e uso real, seguida de reconsideração diagnóstica. Atopia e história familiar apoiam a hipótese, mas não são obrigatórias nem suficientes.
Início muito precoce, sintomas relacionados à alimentação, tosse produtiva persistente, estridor, assimetria, baixo ganho ponderal ou infecções incomuns ampliam o diferencial. Radiografia, avaliação de deglutição e outros exames entram quando existe uma pergunta correspondente. Eosinófilos, IgE e testes de sensibilização podem ajudar em situações selecionadas; não confirmam asma isoladamente e resultados baixos não a excluem.
Classificar a crise, dosar por peso e decidir o destino
Na crise, avalie fala, consciência, esforço, entrada de ar e oxigenação. O achado mais grave orienta a urgência, mas a resposta precisa ser observada ao longo do tratamento. As tabelas apoiam dose e dispositivo; os marcos mostram quando manter, espaçar ou escalar. Depois da estabilização, retome diagnóstico por idade, controle, risco de exacerbação, técnica e adesão no percurso longitudinal.
- 1Classifique da porta, sem aparelho: fala, estado mental, musculatura acessória, ausculta e, na sequência, a saturação em ar ambiente. Um único achado da coluna mais grave já puxa a crise para ela.
- 2SpO2 abaixo de 94%: oxigênio agora, titulado ao alvo — não espere a primeira nebulização resolver a hipoxemia.
- 3Pese ou estime o peso e escreva as doses antes da primeira inalação: jatos ou mL de salbutamol, ipratrópio se grave, prednisolona em mL. Conta feita de cabeça no corredor é onde mora a subdose.
- 4Entregue a primeira dose de beta-2 com técnica observada: espaçador na leve a moderada e na grave cooperativa; nebulização com O2 6-8 L/min se hipoxemia, exaustão ou não cooperação. Na crise grave, brometo de ipratrópio junto, no mesmo copo ou na sequência dos jatos.
- 5Corticoide sistêmico ainda na primeira hora de toda crise moderada para cima: prednisolona por boca se a criança engole e retém; venoso apenas se vomita ou está muito grave. O efeito começa em 4-6 h — cada minuto de atraso agora é sentido lá na frente.
- 6Repita o beta-2 a cada 20 minutos até completar 3 doses na primeira hora, reavaliando antes de cada dose: fala, esforço, ausculta, SpO2. Melhorou de verdade antes da terceira? Pode espaçar. Piorou em qualquer momento? Pule para o degrau de cima sem esperar a sequência.
- 7Reavaliação estruturada 30-60 minutos após a terceira dose — é ela que separa os três caminhos: boa resposta (observa 60 min e prepara alta), resposta incompleta (mantém no pronto-socorro com beta-2 a cada 1-2 h e reavaliações seriadas) e má resposta (escala: nebulização contínua, magnésio IV, UTI acionada).
- 8Decida o destino em até 4 horas de pronto-socorro: alta apenas com todos os critérios da tabela de alta; internação pelos critérios objetivos — e com limiar mais baixo se houver fator de risco para asma quase fatal ou barreira social ao tratamento domiciliar.
- 9Nenhuma alta sem os cinco itens da receita mínima: corticoide oral para completar em casa, resgate com plano claro, corticoide inalatório iniciado ou retomado, técnica demonstrada de volta pela família e reavaliação marcada em 24-48 h.
Leve a moderada
Frases completas, sensório normal, esforço leve, SpO2 acima de 95%. Beta-2 com espaçador a cada 20 min até 3 doses; corticoide oral se moderada; observação e alta com plano depois de 1 h estável.
Grave
Frases entrecortadas, agitação, retrações acentuadas, SpO2 de 91 a 95%. Sala de emergência: beta-2 em dose cheia + ipratrópio a cada 20 min, corticoide na primeira hora, oxigênio titulado ao alvo.
Muito grave — iminência de parada
Palavras soltas ou sonolência, tórax silencioso, SpO2 de 90% ou menos. UTI acionada junto com a primeira nebulização: salbutamol contínuo + ipratrópio, corticoide venoso, magnésio; intubação decidida pela clínica.
| Achado | Leve a moderada | Grave | Muito grave (iminência de parada) |
|---|---|---|---|
| Impressão geral | Sem alterações | Sem alterações | Cianose, sudorese, exaustão |
| Estado mental | Normal | Normal ou agitação | Agitação, confusão ou sonolência |
| Fala | Frases completas | Frases incompletas; lactente com choro curto e dificuldade de mamar | Frases curtas ou monossílabos; lactente que não sustenta a mamada |
| Musculatura acessória | Retrações leves ou ausentes | Retrações acentuadas | Retrações acentuadas |
| Sibilância | Ausente com murmúrio normal, localizada ou difusa | Localizada ou difusa | Ausente com murmúrio diminuído — tórax silencioso |
| Frequência respiratória | Normal ou aumentada | Aumentada | Aumentada |
| Frequência cardíaca | Até 110 bpm | Acima de 110 bpm | Acima de 140 bpm — ou bradicardia |
| SpO2 em ar ambiente | Acima de 95% | 91 a 95% | 90% ou menos |
| PFE (% do previsto ou do melhor pessoal) | Acima de 50% | 30 a 50% | Abaixo de 30% |
| PaCO2 | Abaixo de 40 mmHg | Abaixo de 45 mmHg | 45 mmHg ou mais |
Gravidade × conduta da primeira hora
| Gravidade | Broncodilatador | Corticoide sistêmico | Oxigênio | Onde ela fica |
|---|---|---|---|---|
| Leve a moderada | Salbutamol com espaçador pela tabela de peso, a cada 20 min, até 3 doses conforme resposta | Dispensável na leve que abre com 1-2 doses e não tem fator de risco; nas demais, prednisolona oral na 1ª hora | Raramente necessário; indicar se SpO2 < 94% | Observação com reavaliação a cada 20-30 min |
| Grave | Salbutamol em dose cheia + brometo de ipratrópio, a cada 20 min, 3 doses | Sempre, na 1ª hora: oral se engole e retém; venoso se não | Titulado para SpO2 ≥ 94% | Sala de emergência, monitorizada, médico por perto |
| Muito grave | Nebulização de salbutamol + ipratrópio sem intervalos (ou contínua); magnésio IV se 1ª hora sem resposta; salbutamol IV se refratária | Venoso (metilprednisolona ou hidrocortisona), imediato | Desde a chegada; preparar suporte ventilatório | Sala de emergência com UTI acionada desde o primeiro minuto |
Salbutamol por peso: jatos no espaçador e mililitros na nebulização
| Peso | Espaçador: jatos de 100 µg por dose | Nebulização: mg e mL da solução de 5 mg/mL, por dose |
|---|---|---|
| 10 kg | 4 a 5 jatos | 2,5 mg (0,5 mL) |
| 15 kg | 5 a 8 jatos | 2,5 mg (0,5 mL) |
| 20 kg | 7 a 10 jatos | 3,0 mg (0,6 mL) |
| 25 kg | 8 a 10 jatos | 3,75 mg (0,75 mL) |
| 30 kg | 10 jatos | 4,5 mg (0,9 mL) |
| 33 kg ou mais | 10 jatos | 5 mg (1 mL) — teto |
As outras drogas da crise: dose, teto e como fazer
| Droga | Dose | Teto | Como fazer | Fonte |
|---|---|---|---|---|
| Brometo de ipratrópio — nebulização (0,25 mg/mL) | Até 10 kg: 125 µg (0,5 mL); acima de 10 kg: 250 µg (1 mL), a cada 20 min, 3 doses | 3 doses na 1ª hora; manter depois disso tem benefício controverso | No mesmo copo do salbutamol, na mesma máscara | SBPT 2012 |
| Brometo de ipratrópio — spray (20 µg/jato) | Menor de 5 anos: 2 jatos; 5 anos ou mais: 4 jatos, a cada 20 min, 3 doses | Idem nebulização | Com espaçador, na sequência dos jatos de salbutamol | SBPT 2012 |
| Prednisolona ou prednisona, via oral | 1-2 mg/kg/dia, dose única matinal, por 3-5 dias, sem desmame | 40 mg/dia (6-11 anos); 30 mg (2-5 anos); 20 mg (até 2 anos); adolescente: 40-50 mg por 5-7 dias | Solução de 3 mg/mL: volume em mL = dose ÷ 3; dar ainda na 1ª hora da crise | PCDT 2026 e GINA 2025; tetos do pré-escolar: SBPT 2020 |
| Metilprednisolona IV | 0,5-1 mg/kg/dose, a cada 4-6 h | 60 mg/dose | Quando a criança não engole ou não retém, ou na crise muito grave | SBPT 2012 |
| Hidrocortisona IV | 2-4 mg/kg/dose, a cada 4-6 h | 250 mg/dose | Alternativa à metilprednisolona; efeito clínico equivalente ao oral | SBPT 2012 |
| Sulfato de magnésio IV | 50 mg/kg, dose única (faixa aceita: 25-75 mg/kg), em 20-30 min; pode repetir uma vez em 20 min | 2 g | Ampola a 10% tem 100 mg/mL e a 50%, 500 mg/mL; diluir em SF até no máximo 200 mg/mL (alvo ~60) e infundir lento, com pressão arterial vigiada | SBPT 2012; GINA reserva à crise sem resposta ao tratamento inicial pleno |
| Salbutamol — nebulização contínua | 0,3-0,5 mg/kg/h | 10-15 mg/h | Solução acoplada a bomba de infusão no nebulizador; melhor tolerada acima de 4 anos; potássio sérico se prolongada | SBPT 2012 |
| Salbutamol IV | Bolus de 15-20 µg/kg em 10-15 min; depois 0,5-1 µg/kg/min, escalonando a cada 20-30 min | 8-15 µg/kg/min, titulado por resposta e efeito adverso | Criança sem resposta à via inalatória — cenário de UTI, com monitorização contínua | SBPT 2012 |
| Adrenalina subcutânea (1 mg/mL) | 0,01 mg/kg | Uso pontual; a fonte não define teto | Exceção: criança que não aceita ou não pode usar a via inalatória; se o quadro for anafilaxia com sibilo, a droga é a mesma mas a via é IM e a doença é outra | SBPT 2012 (algoritmo pediátrico) |
Critérios de internação
| Domínio | Interna se |
|---|---|
| Oxigenação | SpO2 persistentemente abaixo de 92% após a 1ª hora de tratamento pleno — é o critério objetivo que melhor se correlaciona com gravidade na criança |
| Função pulmonar | PFE ou VEF1 igual ou abaixo de 50% do previsto após tratamento pleno de emergência (quando mensurável) |
| Resposta clínica | Resposta incompleta que não vira boa resposta até a 4ª hora de pronto-socorro; ou qualquer piora durante a observação |
| Gravidade de chegada | Crise muito grave em qualquer momento; complicação identificada (pneumotórax, pneumonia) |
| Risco de fundo | Fator de risco para asma quase fatal presente — o limiar de internação cai mesmo com boa resposta |
| Contexto social | Sem condição de tratamento domiciliar, sem acesso rápido de volta ao serviço ou vulnerabilidade que comprometa a receita — a SBPT manda afrouxar os critérios nesses casos |
Critérios de terapia intensiva
| Gatilho | Leitura |
|---|---|
| Iminência de parada na chegada: tórax silencioso, sonolência ou confusão, exaustão, cianose | A UTI é acionada junto com a primeira nebulização, não depois dela |
| PaCO2 de 45 mmHg ou mais, pH abaixo de 7,30 ou hipoxemia refratária ao oxigênio | Gasometria aqui documenta a falência — a decisão de intubar continua clínica |
| Persistência dos sinais de gravidade apesar do tratamento pleno: sensório caindo, PFE abaixo de 30%, silêncio auscultatório | Falha da primeira e da segunda linha é indicação de escalonamento de ambiente, não de repetição do que já falhou |
| Necessidade das terapias de exceção: salbutamol IV, ventilação não invasiva, sequência rápida com quetamina | Droga de UTI se faz em UTI — ou com a UTI ao lado |
| Hipotensão, arritmia, lactato subindo | Comprometimento sistêmico: a crise deixou de ser só respiratória |
| Parada cardiorrespiratória ou ventilação mecânica | Critérios formais — o objetivo do capítulo inteiro é agir antes deles |
Fatores de risco para asma quase fatal — procure ativamente na anamnese
| Fator | Régua e fonte |
|---|---|
| Crise prévia com UTI — sobretudo com intubação/ventilação mecânica | O fator isolado mais fortemente associado a evolução fatal ou quase fatal (SBPT 2012) |
| Três ou mais idas à emergência, ou duas ou mais internações por asma, no último ano | SBPT 2012 |
| Uso frequente de corticoide sistêmico — ou curso recente | SBPT 2012 |
| Consumo alto de beta-2 de resgate | Dois ou mais frascos/mês (SBPT 2012); três ou mais frascos/ano já eleva risco de exacerbação grave e doze ou mais/ano, de morte (GINA 2025) |
| Nebulização domiciliar de resgate | Associada a morte por asma — adia a vinda ao hospital (GINA 2025) |
| Asma lábil: variação de PFE ou VEF1 acima de 30% | SBPT 2012 |
| Má percepção da obstrução | A criança/família que "não sente" a crise chega tarde (SBPT 2012) |
| Problemas psicossociais, depressão, baixa adesão, acesso difícil | SBPT 2012; no adolescente, o guia ASBAI/SBP marca como alto risco de asma fatal |
| No menor de 5 anos: idade abaixo de 12 meses; doses repetidas e não usuais de beta-2 já nas primeiras horas; recidiva abrupta apesar de tratamento adequado | SBPT 2012 |
Critérios de alta da emergência e a receita mínima
| Item | Alvo ou conteúdo |
|---|---|
| Estabilidade observada | Pelo menos 60 min após a última dose de beta-2 sem piora; esforço resolvido; fala, come e deambula como de costume |
| Oxigenação | SpO2 acima de 94% em ar ambiente (GINA); a régua SBPT combina SpO2 acima de 95% com PFE |
| Função pulmonar (quando mensurável) | PFE ou VEF1 igual ou acima de 70% do previsto ou do melhor pessoal (SBPT) |
| Receita 1 — corticoide oral | Prednisolona 1-2 mg/kg/dia até completar 3-5 dias, dose única matinal, sem desmame |
| Receita 2 — resgate com regra de parada | Salbutamol 100 µg com espaçador se sintomas: 2 jatos, repetindo a cada 20 min se preciso; mais de 6 jatos em 2 h sem melhora = voltar à emergência (SBPT 2020) |
| Receita 3 — controle | Corticoide inalatório iniciado ou retomado na própria receita de alta; a alta pós-crise entra nas etapas 3-4 do PCDT — beta-2 isolado como único tratamento é proibido |
| Técnica | Família demonstra de volta o uso do espaçador (teach-back) antes de sair |
| Plano de ação | Por escrito: o que usar em casa, quando aumentar e os sinais de volta imediata |
| Seguimento | Reavaliação em 24-48 h (SBPT 2020) e consulta de manutenção em 2-7 dias (PCDT); crise grave ou recorrente = encaminhar ao especialista |
Da crise à manutenção: o que precisa chegar à próxima consulta
| Momento | Informação que não pode se perder | Decisão seguinte |
|---|---|---|
| Atendimento agudo | Gravidade inicial, doses, dispositivo, resposta e efeitos | Destino e segurança da alta |
| Alta | Esquema compreendido, técnica demonstrada e regra de procura de ajuda | Alívio seguro e prevenção de recorrência |
| Revisão precoce | Sintomas, resgate, acesso e uso real | Corrigir falhas e completar recuperação |
| Manutenção | Diagnóstico por idade, controle, risco e participação | Manter ou ajustar etapa; encaminhar quando indicado |
O pior achado manda: a presença de vários parâmetros, mas não necessariamente de todos, indica a classificação geral — um único critério da coluna mais grave já puxa a crise para ela (SBPT 2012). As réguas de frequência cardíaca divergem entre as fontes (SBPT: acima de 110 já é grave; GINA: acima de 120): use a taquicardia como reforço da classificação, nunca como critério isolado — e lembre que o próprio beta-2 taquicardiza.
Frequência respiratória se lê contra o corte da idade — os mesmos cortes do AIDPI que o capítulo de pneumonia usa: 60 até 2 meses, 50 de 2 a 11 meses, 40 de 1 a 5 anos, 30 de 6 a 8 anos; acima disso, régua de adulto (SBPT 2012).
Nebulização se faz com 3-4 mL de soro fisiológico e oxigênio a 6-8 L/min; água destilada como veículo é proibida — há risco de broncoespasmo grave e óbito (SBPT 2012). Prescreva o salbutamol em mL e aspire com seringa: conta de gotas varia entre frascos.
As doses de espaçador seguem a régua da SBPT 2012 (1 jato para cada 2-3 kg, máximo 10) com o piso de 4 jatos da faixa GINA/PCDT; a nebulização usa o teto da faixa da SBPT (0,15 mg/kg) com o piso prático de 2,5 mg do quadro do Ministério da Saúde. PFE só em maiores de 5-6 anos que conhecem a manobra — e nunca atrasando dose para medi-lo.
A conduta, hora a hora
Os marcos acompanham Sofia, de seis anos e 20 kg, desde a avaliação inicial até o seguimento. Nos primeiros minutos, classifique e entregue o tratamento indicado; durante a primeira hora, reavalie a resposta; em seguida, decida observação, internação ou terapia intensiva. A alta exige plano de alívio, controlador quando indicado, técnica demonstrada e revisão. Nenhuma janela de tempo autoriza esperar se houver deterioração.
Confira nome, dose, teto, via, concentração e dispositivo de cada medicamento. Não reduza uma dose indicada apenas por receio, mas também não trate doses maiores como necessariamente melhores. Tremor e taquicardia são efeitos possíveis do beta-2; uso intensivo pode trazer outros problemas e requer monitorização. Antes de cada nova etapa, reavalie quadro, resposta, efeitos e entrega efetiva da medicação.
Minuto 0 — a sala inteira ao mesmo tempo
A Sofia chega falando picado, agitada, com tiragem em três andares e saturando 91%. Isso é classificação feita: crise grave. Os primeiros gestos acontecem em paralelo, não em fila: oxigênio, monitor, a criança sentada no colo ou na maca como preferir — quem escolheu o tripé sabe o que faz; deitar à força é roubar mecânica do diafragma. E a caneta trabalha junto: peso anotado, doses calculadas e escritas antes da primeira máscara. O que NÃO acontece no minuto zero: radiografia, gasometria, coleta "para ver como está", acesso venoso de rotina — na criança que engole, nem o corticoide precisa de veia.
Prescrição- Classificação registrada com hora: fala, sensório, musculatura, ausculta, SpO2 — crise GRAVE
- Oxigênio por cateter nasal ou máscara, titulado para SpO2 ≥ 94% (GINA 2025; SBPT 2012: alvo 94-95% na criança)
- Monitorização com oximetria contínua; sinais vitais registrados a cada reavaliação
- Peso real ou estimado ANOTADO na prescrição; doses por peso escritas antes da primeira dose
- Sem radiografia, sem gasometria, sem hemograma de rotina (GINA 2025; SBPT 2012, Quadro 12)
- Acesso venoso apenas se crise muito grave, vômitos ou necessidade prevista de drogas IV
0 a 20 minutos — a primeira dose cheia, com o corticoide junto
Grave com hipoxemia: a via escolhida para a Sofia é a nebulização, porque ela já precisa do oxigênio que carrega o aerossol — salbutamol e ipratrópio no mesmo copo, nas doses da tabela de peso. Se ela estivesse na faixa moderada, saturando bem, o espaçador na dose da mesma tabela entregaria o mesmo efeito, mais rápido de executar e ensinando de quebra a técnica de casa. E antes da primeira máscara sair, a prednisolona já desceu pela boca: o corticoide leva 4 a 6 horas para agir — dado agora, às 2h50, começa a valer perto das 7h; "deixado para depois da reavaliação", só à tarde. Não existe justificativa fisiológica para corticoide depois da terceira nebulização: a decisão de dar é da chegada, e só a via (oral ou venosa) se discute.
Prescrição- Salbutamol solução 5 mg/mL: 3 mg (0,6 mL) — 0,15 mg/kg, teto 5 mg — em 3 mL de SF 0,9%, nebulizado com O2 a 6-8 L/min (SBPT 2012)
- Brometo de ipratrópio 0,25 mg/mL: 250 µg (1 mL) no mesmo copo — criança acima de 10 kg, crise grave (SBPT 2012)
- Prednisolona solução 3 mg/mL: 40 mg (13,3 mL) por boca, agora — 2 mg/kg, teto de 40 mg dos 6 aos 11 anos (PCDT 2026/GINA 2025)
- Se vomitar a prednisolona ou não aceitar: metilprednisolona 20 mg IV (1 mg/kg/dose, teto 60 mg) (SBPT 2012)
- Alternativa ao copo na criança moderada sem hipoxemia: salbutamol spray 100 µg, 7 a 10 jatos com espaçador, um jato por vez (SBPT 2012, régua de peso; GINA 2025: 4-10 jatos)
- Registrar horário da 1ª dose — o cronômetro da série de três começa aqui
20 a 60 minutos — as outras duas doses, reavaliando antes de cada uma
A série clássica é beta-2 a cada 20 minutos, três vezes na primeira hora — mas cada dose é precedida de reavaliação, e a série tem duas portas de saída legítimas. Melhora franca antes da terceira dose: pode espaçar — a série é teto, não meta. Piora em qualquer ponto: não existe "completar a série" — pula-se para o degrau da crise muito grave. Na Sofia, a reavaliação antes da segunda dose mostra FR caindo para 34, frases um pouco mais longas, sibilos agora mais sonoros — o que assusta quem não leu o mecanismo e alegra quem leu: ar voltando a se mover faz barulho. Ela completa as três doses com ipratrópio nas três (o benefício do ipratrópio é da primeira hora; depois dela, controverso). A SpO2 balança para 90% logo após cada nebulização e volta: efeito ventilação-perfusão esperado, não falha terapêutica.
Prescrição- Salbutamol 3 mg + ipratrópio 250 µg nebulizados com O2 6-8 L/min aos 20 e aos 40 minutos, cada dose PRECEDIDA de reavaliação registrada (SBPT 2012)
- Reavaliação pré-dose: fala, sensório, musculatura, ausculta, FR, FC, SpO2 — com horário
- Melhora franca sustentada antes da 3ª dose: espaçar para 1/1 h e seguir o fluxo da bifurcação
- Piora em qualquer momento (sensório, silêncio auscultatório, exaustão): tratar como muito grave JÁ — nebulização sem intervalos e UTI acionada, sem esperar completar a série
- Não repetir corticoide — a dose do dia já foi dada; o que se titula é broncodilatador
- Queda transitória de SpO2 logo após a nebulização, com retorno em minutos: esperada; manter O2 e seguir
60 a 90 minutos — a bifurcação que decide a noite
A reavaliação é contínua; ao final da primeira hora, sintetize resposta e destino. Boa resposta: esforço resolvido, fala e atividade recuperadas, oxigenação estável em ar ambiente e medidas de fluxo quando viáveis, mantendo observação e plano completo de alta. Resposta incompleta: prosseguir broncodilatador e reavaliações conforme o protocolo, conferir técnica, oxigênio e corticoide, e definir se precisa de internação. Má resposta ou piora: chamar ajuda e escalonar imediatamente; não esperar uma hora ou um número de doses. Novas doses de beta-2 podem integrar o cuidado, mas repetir o mesmo esquema sem revisar gravidade, entrega e necessidade de suporte não é uma estratégia. Sofia ainda precisa de O2 a 1 L/min para manter 94%; a melhora parcial não basta para alta.
Prescrição- Reavaliação completa 30-60 min após a 3ª dose, com as cinco perguntas da classificação + SpO2 em AR AMBIENTE por 5 minutos (SBPT 2012)
- Boa resposta: observação por 60 min sem broncodilatador; se sustentar, iniciar o checklist de alta
- Resposta incompleta: manter no PS; salbutamol (espaçador ou nebulização, mesma dose) a cada 1-2 h; O2 titulado; reavaliação a cada hora
- Má resposta: pacote da crise muito grave sem intervalo — próximo marco
- Registrar a categoria da resposta no prontuário com hora: é ela que justifica alta, permanência ou escalonamento
1 a 4 horas — quem interna, e o que muda no andar
A quarta hora é o prazo honesto do pronto-socorro: a criança que ainda não cruzou a régua de alta a essa altura tem indicação de leito, e mantê-la "mais um pouco" na sala de nebulização é adiar com outro nome. Internam também, independentemente do relógio: SpO2 persistentemente abaixo de 92% após a primeira hora plena — o critério objetivo que a SBPT destaca na criança —, a crise muito grave em qualquer momento, complicação, fator de risco quase fatal na história e a barreira social que inviabiliza o tratamento em casa. No andar, a lógica muda de ataque para sustentação: broncodilatador espaçando progressivamente conforme a resposta, corticoide mantido, oxigênio titulado para baixo, e a vigilância estruturada que o bloco de reavaliação detalha. A Sofia sobe com O2 a 1 L/min, salbutamol de 2/2 h e a prescrição do que não se faz por escrito.
Prescrição- Salbutamol com espaçador (7-10 jatos) ou nebulização (3 mg) a cada 2 h, espaçando para 3/3 h e 4/4 h conforme reavaliação — desmame guiado por exame, não por horário fixo
- Prednisolona 40 mg VO 1×/dia mantida (não recomeçar contagem: o dia 1 foi no PS)
- Oxigênio titulado ao MENOR fluxo que sustente SpO2 ≥ 94%; pausa diária de O2 para testar ar ambiente
- Ipratrópio suspenso após a 1ª hora — benefício adicional controverso na manutenção (SBPT 2012)
- Dieta oral liberada conforme aceitação; hidratação venosa só se não beber — e isotônica
- Reavaliação médica e de enfermagem com as cinco perguntas a cada 2-3 h, com SpO2
- Sem antibiótico sem foco bacteriano definido; sem fisioterapia respiratória de rotina na crise; sem sedativo (GINA 2025)
A crise muito grave — os 20 minutos que precedem a UTI
Se a Sofia tivesse chegado sonolenta, com tórax silencioso ou saturando 88%, ou se a primeira hora tivesse falhado de vez, o pacote muda de patamar — e o primeiro item dele não é droga: é gente. UTI acionada, o médico mais experiente do plantão ao lado, material de via aérea testado na cabeceira. O broncodilatador vira contínuo, o corticoide vai para a veia, e o sulfato de magnésio — o mesmo frasco da eclâmpsia, que existe em qualquer hospital com maternidade — entra como o broncodilatador de mecanismo independente que é. A intubação, se vier, é decisão clínica (exaustão progressiva, sensório caindo, hipoxemia refratária), nunca espera de gasometria; faz-se em sequência rápida com quetamina, que broncodilata, e assume-se ventilação protetora aceitando hipercapnia — ventilar asma é dar tempo de expirar, não normalizar o CO2 no primeiro ciclo.
Prescrição- Nebulização CONTÍNUA de salbutamol 0,3-0,5 mg/kg/h — Sofia: 6 a 10 mg/h, teto 10-15 mg/h — acoplada a bomba, com ipratrópio a cada 20 min na 1ª hora (SBPT 2012)
- Metilprednisolona 20 mg IV agora (1 mg/kg/dose, 4-6 h; teto 60 mg) — ou hidrocortisona 80 mg IV (4 mg/kg, teto 250 mg) (SBPT 2012)
- Sulfato de magnésio 1 g IV (50 mg/kg, teto 2 g): diluir a ≤ 200 mg/mL (alvo ~60) e infundir em 20-30 min com PA monitorada; pode repetir 1× em 20 min (SBPT 2012; GINA: reservado à falha do tratamento inicial)
- Potássio sérico solicitado junto com a prescrição da contínua; gasometria arterial AQUI — para documentar trajetória, não para autorizar droga (SBPT 2012)
- Sem resposta à via inalatória: salbutamol IV — bolus 15-20 µg/kg (Sofia: 300-400 µg) em 10-15 min, depois 0,5-1 µg/kg/min escalonando — com a UTI já ao lado (SBPT 2012)
- Criança que não aceita/não pode inalar: adrenalina 0,01 mg/kg SC (0,2 mL para 20 kg) como ponte (SBPT 2012)
- Se intubar: sequência rápida — quetamina 1-4 mg/kg IV (broncodilatadora) ± midazolam 0,1-0,5 mg/kg (teto 10 mg); ventilação protetora com tempo expiratório longo, aceitando hipercapnia (SBPT 2012)
- Aminofilina NÃO é tratamento inicial: adjuvante de exceção em refratariedade, em UTI, com nível sérico (SBPT 2012)
A alta — a receita que fecha a crise de hoje e desarma a próxima
No dia seguinte a Sofia amanhece em ar ambiente, correndo pelo corredor. A alta dela tem cinco documentos, e nenhum é opcional. O corticoide oral até completar o curso — parar no dia da alta é devolver a inflamação no meio do tratamento. O resgate com regra de parada explícita, porque "faz a bombinha se precisar" sem número vira nebulização caseira até a madrugada errada. O corticoide inalatório na mesma receita — a Sofia está na terceira ida ao pronto-socorro no ano e há dois meses sem controle: a crise dela nasceu dessa lacuna, e a régua do PCDT manda sair da crise já em etapa de tratamento com corticoide inalatório, nunca com beta-2 isolado. A técnica demonstrada de volta, com espaçador — a conversa deste capítulo ensina as frases. E o papel com o plano de ação e as consultas marcadas. É a prescrição mais barata do capítulo e a única que mexe com mortalidade.
Prescrição- Prednisolona 3 mg/mL: 40 mg (13,3 mL) por boca, 1×/dia pela manhã, até completar 5 dias de curso total — sem desmame (PCDT 2026/GINA 2025: 3-5 dias em crianças; crise grave: curso cheio)
- Salbutamol 100 µg com espaçador SE sintomas: 2 jatos, podendo repetir a cada 20 min; MAIS de 6 jatos em 2 h sem melhora = voltar à emergência agora (SBPT 2020)
- Tratamento contendo corticosteroide inalatório antes da alta, com etapa, formulação e dose individualizadas pelo responsável. Na Sofia, reavaliar necessidade de etapa 3 ou 4 após a exacerbação grave; não aplicar automaticamente uma dose baixa. O bloco de acompanhamento apresenta opções e um exemplo de MART para 6–11 anos, condicionado ao produto, à indicação por idade e ao dispositivo disponíveis.
- Espaçador: fornecer ou prescrever; técnica com demonstração de volta pela família ANTES da saída
- Plano de ação POR ESCRITO: dose de manutenção, dose de resgate com regra de parada, e os sinais de volta imediata (fala entrecortada, afundamento entre as costelas, lábios roxos, sonolência)
- Reavaliação em 24-48 h na unidade (SBPT 2020) + consulta de manutenção em 2-7 dias (PCDT 2026)
- Encaminhamento a especialista: 3ª ida ao PS no ano = asma sem controle — não é "azar", é indicação (SBPT 2012/PCDT)
- Checagem de gatilhos domiciliares na orientação: fumaça de tabaco em casa dobra o problema — nomear sem culpabilizar
Em qualquer momento — a prescrição do que NÃO se faz
O marco sem horário, para escrever no prontuário com a mesma seriedade das doses. Cada item daqui já machucou criança em crise: o antibiótico que trata laudo de radiografia; o sedativo que "acalma" a agitação que era hipoxemia e apaga o drive de quem estava exausto; a série de exames que atrasa a série de doses; o xarope que não existe para essa doença. Escrever o que se decidiu não fazer transforma omissão consciente em conduta defensável — e ensina o plantão seguinte.
Prescrição- Sedativo de qualquer classe fora do contexto de intubação: PROIBIDO — a agitação da crise é hipoxemia até prova em contrário (GINA 2025)
- Antibiótico: apenas com foco bacteriano definido pelos critérios clínicos do capítulo de pneumonia — nunca pela radiografia de rotina que não deveria ter sido pedida (GINA 2025)
- Radiografia, gasometria e hemograma de rotina: não — as exceções nominais estão no bloco de investigação (SBPT 2012)
- Água destilada como veículo de nebulização: NUNCA — broncoespasmo grave e risco de óbito (SBPT 2012)
- Aminofilina como droga inicial ou principal: não (SBPT 2012)
- Fisioterapia respiratória na crise: sem papel; xarope, mucolítico, anti-histamínico "para o peito": sem papel
- Suspender beta-2 por tremor ou taquicardia isolados: não — são efeito esperado de dose terapêutica; reavalie ritmo e dose, não a existência do tratamento
- Beta-2 isolado como receita de saída: proibido — toda alta pós-crise sai com corticoide inalatório (PCDT 2026/GINA 2025)
Como saber se está funcionando
Reavalie antes de novas doses e sempre que houver mudança clínica, com intensidade proporcional à gravidade. A resposta da primeira hora ajuda a decidir destino, mas melhora inicial não garante evolução favorável. Resposta incompleta pode exigir repetição ou ajuste do tratamento sob observação; deterioração ou má resposta pede escalonamento e ajuda especializada. A decisão deriva do conjunto clínico, não apenas do número de doses já administradas.
E uma regra de leitura para todos os parâmetros: trate a criança, não o monitor. O oxímetro balança com choro, sensor e perfusão; a frequência cardíaca sobe com o próprio tratamento; o sibilo aumenta quando o ar volta. Cada número desta lista só significa algo contra o exame clínico feito no mesmo minuto.
Entre as crises: controle atual e risco futuro são avaliados separadamente
Pergunte sobre as últimas semanas: sintomas diurnos, despertares por asma, necessidade de alívio e limitação de atividades. Caracterize frequência e contexto; a criança pode ter parado de correr e, por isso, relatar menos sintomas. Ouça o cuidador e a própria criança. O uso de um instrumento validado pode ajudar a acompanhar, mas não substitui perguntas sobre rotina, escola e exercício.
Depois avalie risco: exacerbações anteriores, internação ou intubação, uso repetido de corticosteroide sistêmico, tratamento sem componente anti-inflamatório adequado, técnica, acesso, exposição ao tabaco e comorbidades. Uma criança com poucos sintomas recentes ainda pode ter risco relevante de nova crise. Em Sofia, três idas ao pronto-socorro e interrupção do tratamento preventivo importam mesmo quando a ausculta está limpa na revisão.
Controle, gravidade da crise e gravidade da asma não são sinônimos. A crise da madrugada foi grave. O controle descreve o estado sob o tratamento atual. A classificação de asma grave exige avaliação após otimizar diagnóstico, técnica, adesão e fatores modificáveis, considerando a intensidade de tratamento necessária. Não rotule asma grave apenas porque o medicamento acabou e a criança piorou sem recebê-lo.
Escolher o tratamento de manutenção pela idade, pelo risco e pelo que pode ser usado
Todo plano precisa identificar qual medicamento fornece tratamento anti-inflamatório e qual estratégia será usada para alívio. Para crianças de 6 a 11 anos, a GINA 2026 inclui opções de alívio com componente anti-inflamatório mesmo em sintomas pouco frequentes. Sintomas mais frequentes, despertares, função reduzida e exacerbações recentes podem exigir tratamento de manutenção mais intenso. Um esquema apenas com salbutamol deixa de tratar essa dimensão da doença.
As opções variam por faixa etária. Em menores de seis anos, não se transportam automaticamente esquemas de escolares ou adolescentes. Quando indicado, o corticosteroide inalatório diário em dose apropriada e o alívio conforme o plano são acompanhados por reavaliação da resposta e da necessidade de continuar. Na criança de 6 a 11 anos, existem estratégias com corticosteroide inalatório diário, combinações com broncodilatador de longa ação e manutenção e alívio com corticosteroide–formoterol em etapas específicas. No adolescente, as opções e doses têm outro recorte.
MART significa usar uma combinação apropriada de corticosteroide inalatório e formoterol tanto na manutenção quanto no alívio. Não significa usar qualquer combinação de corticosteroide com broncodilatador de longa ação conforme a necessidade. Salmeterol, por exemplo, não substitui formoterol nesse esquema. LABA isolado não é tratamento de asma. A escolha exige verificar produto, apresentação, idade autorizada, evidência, dispositivo e acesso local.
Como exemplo de leitura da recomendação, a GINA 2026 descreve, para 6 a 11 anos, budesonida–formoterol com dose liberada de 80/4,5 microgramas por inalação, equivalente a dose medida de 100/6 microgramas, em esquemas específicos de MART. Na etapa 3, o exemplo é uma inalação diária e uma quando necessário; na etapa 4, uma inalação duas vezes ao dia e uma quando necessário. O limite de referência é oito inalações totais em 24 horas; necessidade de ultrapassá-lo exige atendimento, e sinais de gravidade exigem atendimento antes desse limite. Isso não autoriza transpor a posologia a outra concentração, a outro dispositivo ou a uma apresentação sem indicação adequada para a criança.
A prescrição individual define produto, dose, frequência, estratégia de alívio, limite, sinais de procura de ajuda e data de revisão. Dose baixa, média e alta dependem da molécula e da formulação; números em microgramas não são equivalentes entre todos os corticosteroides nem entre partículas convencionais e extrafinas. Para Sofia, a exacerbação grave e as recorrências exigem revisar o tratamento de saída e a necessidade de etapa 3 ou 4, junto da correção da interrupção de uso e da técnica. Uma receita de dose baixa genérica não resolve automaticamente esse risco.
Recomendação clínica internacional, registro sanitário e fornecimento pelo SUS são verificações diferentes. Quando uma opção não está disponível ou não é adequada à apresentação local, selecione uma alternativa prevista no protocolo aplicável que a família consiga obter e usar. Não deixe a criança sem tratamento anti-inflamatório enquanto aguarda uma formulação específica. Registre a escolha e o plano de revisão com o supervisor.
Técnica inalatória: pedir para ver antes de aumentar a dose
Peça à criança ou ao cuidador que demonstre o uso com o próprio dispositivo. Observe preparo, encaixe, vedação, disparo, inspiração e intervalo entre doses conforme instrução do produto. Um relato de uso correto não substitui a demonstração. Corrija poucos passos por vez e peça nova tentativa, até verificar que a habilidade foi adquirida.
Com aerossol dosimetrado e espaçador, faça um disparo por vez. Garanta boa vedação com bocal ou máscara apropriada; uma máscara afastada do rosto perde eficiência. A técnica respiratória e o número de respirações seguem idade, capacidade e dispositivo. Não dispare várias doses juntas na câmara para poupar tempo. Oriente higiene e secagem conforme o fabricante e limpeza da boca após corticosteroide inalatório; quando usada máscara, cuide também da pele do rosto.

Dispositivos de pó seco exigem capacidade de realizar a inspiração apropriada e não usam espaçador. Uma técnica aprendida para spray não serve automaticamente para pó seco. A escolha deve considerar habilidade demonstrada, gravidade no momento, preferência e disponibilidade. Trocar para um dispositivo que a criança não consegue usar pode reduzir a dose efetivamente recebida apesar de uma prescrição aparentemente mais potente.
Pergunte também se o dispositivo tem medicamento, como a família percebe que acabou e como obtém reposição. Cor da embalagem é uma pista frágil para diferenciar funções; nomes, rótulos claros e demonstração são mais seguros. Em Sofia, o problema não era somente lembrar a dose: o preventivo acabou, a receita não foi renovada e o resgate era feito sem espaçador. O plano precisa resolver as três etapas.
Adesão, comorbidades e atividade: o que pode ser corrigido antes de intensificar
Pergunte quantas doses foram realmente utilizadas em uma semana concreta, sem tom acusatório. Explore esquecimento, medo de corticosteroide, custo, falta de receita, dificuldade de retirada, escola, efeitos adversos e divisão de tarefas entre cuidadores. Uma resposta franca é mais útil que a concordância obtida sob pressão. Combine estratégia compatível com rotina e confirme se o produto estará disponível até a próxima consulta.
Avalie rinite e outras condições que possam contribuir para sintomas ou dificultar controle, conforme a história. Investigue exposição ao tabaco, vaporizadores, umidade e desencadeantes relevantes, mas evite listas de restrições ambientais caras e sem relação demonstrada com a criança. O objetivo é reduzir exposições pertinentes e tratar comorbidades, preservando uma vida ativa.
Atividade física faz parte da vida que o tratamento deve permitir. Pergunte se a criança participa das brincadeiras ou se evita esforço para não sentir falta de ar. Sintomas no exercício exigem avaliação de controle, técnica e diagnóstico diferencial, incluindo outras causas de dispneia. A estratégia de medicação antes do exercício, quando indicada, deve ser compatível com o plano de alívio escolhido; não crie uma segunda receita contraditória para a escola.
Depois de corrigir os fatores identificados, defina quando reavaliará. Se o controle continua inadequado apesar de uso consistente e técnica adequada, reveja o diagnóstico e ajuste a etapa conforme orientação por idade. Exacerbações repetidas, necessidade de altas doses, dúvida diagnóstica, efeitos adversos ou antecedente de evento com risco de vida favorecem avaliação especializada. Encaminhar não interrompe o acompanhamento pela equipe de origem.
Plano escrito e consultas: continuidade com critérios de revisão
O plano escrito deve distinguir rotina, piora e urgência, usando os medicamentos que a criança realmente recebeu. Inclua nomes, apresentações, dose de manutenção quando houver, estratégia de alívio, limite de uso e como procurar ajuda. Se o plano utiliza MART, as doses de manutenção e alívio entram na contagem total. Se utiliza outro esquema, não se copia a regra de um inalador combinado que não foi prescrito.
Após uma crise, a revisão precoce já descrita neste capítulo verifica recuperação, acesso e técnica. A consulta de manutenção avalia resposta nas semanas seguintes, em geral com revisão formal em dois a três meses após início ou ajuste, antecipada conforme risco. Acompanhamento de sintomas, exacerbações, função pulmonar quando possível e crescimento ajuda a avaliar benefício e efeitos do tratamento.
Redução de tratamento é planejada após controle sustentado, com avaliação de risco, escolha de um momento adequado e retorno definido. Para escolares, a GINA considera redução após cerca de três meses de bom controle; não se suspende por conta própria ao terminar o frasco ou porque a ausculta normalizou. Na criança menor, a necessidade de tratamento também é revista periodicamente, com avaliação de recorrência quando houver redução ou suspensão orientada.
Sofia volta a brincar sem interromper a atividade e a família demonstra o dispositivo. Isso é um resultado importante, mas o seguimento ainda precisa verificar recorrências, uso real, efeitos e disponibilidade. O sucesso do plano inclui saber o que fazer quando o medicamento estiver acabando e como antecipar o atendimento se os sintomas retornarem.

Esperado: Retrações regredindo de baixo para cima (fúrcula some, depois intercostal, depois subcostal) e FR caindo em direção ao corte da idade, com a criança tranquila
Se não melhora: Esforço persistente exige reclassificar a resposta e revisar dose, dispositivo e diagnósticos associados. Piora súbita com assimetria e dor levanta complicação como pneumotórax. Redução da frequência acompanhada de piora de consciência ou esforço insuficiente sugere fadiga e exige suporte imediato.
Esperado: Frases alongando a cada reavaliação; agitação cedendo junto com o esforço; a criança que volta a reclamar, pedir colo e brigar com a máscara está oxigenando o cérebro
Se não melhora: Fala regredindo para monossílabos, sonolência, hipotonia ou confusão em qualquer momento interrompem a sequência: crise muito grave, UTI acionada, preparar suporte. Sensório é o parâmetro que manda em todos os outros — nunca atribua sonolência a "cansaço da madrugada" numa criança em crise.
Esperado: Sustentar 94% ou mais com fluxos decrescentes de O2, até ar ambiente; queda breve logo após cada nebulização, com retorno espontâneo, é efeito ventilação-perfusão esperado
Se não melhora: SpO2 persistentemente abaixo de 92% após a 1ª hora de tratamento pleno é critério de internação (SBPT); necessidade CRESCENTE de O2 para o mesmo alvo é o sinal objetivo mais confiável de piora e antecipa o escalonamento. Leitura discordante da clínica: reposicione o sensor e repita antes de mudar conduta — mas nunca use o número bom para desmentir a criança que parece grave.
Esperado: Trajetória sonora da melhora: o tórax silencioso vira sibilante (ar voltando a mover), o sibilante vira sibilos esparsos, o esparso vira murmúrio limpo com expiração encurtando
Se não melhora: Sibilo que desaparece com esforço mantido é o pior achado do exame — obstrução quase total, não resposta. Assimetria nova ou persistente após broncodilatador: corpo estranho ou pneumotórax entram no raciocínio. Crepitações focais com febre alta sustentada: o diferencial de pneumonia reabre.
Esperado: Taquicardia e tremor finos são efeito esperado de beta-2 em dose terapêutica — não são razão para suspender nem para subdosar; a FC tende a CAIR quando a criança melhora, porque o esforço e a hipoxemia pesam mais que a droga
Se não melhora: Taquicardia desproporcional e sustentada, ritmo irregular ou piora perfusional pedem revisão de dose, eletrólitos e ritmo no monitor. Na nebulização contínua ou em doses muito repetidas, hipocalemia é real: a SBPT manda monitorar potássio — escreva o pedido junto da prescrição da contínua, e reponha pelo resultado, não por palpite.
Esperado: Subir acima de 70% do previsto ou do melhor pessoal na janela decisória — é o braço objetivo do critério de alta da SBPT
Se não melhora: Entre 40 e 70%: resposta incompleta — permanência com beta-2 seriado. Abaixo de 40%, ou criança exausta demais para soprar: trate como má resposta pelo conjunto clínico. Nunca transforme a manobra em disputa com a criança dispneica: o PFE que não sai vira dado clínico ("não consegue realizar"), não lacuna.
Esperado: Boa resposta que se sustenta por 60 min de observação sem broncodilatador: é ela que autoriza a alta. Incompleta que cruza a régua até a 4ª hora: alta tardia possível com a mesma receita
Se não melhora: Má resposta ou deterioração exige escalonamento imediato. Na resposta incompleta, manter observação com tratamento e reavaliações seriadas, decidindo internação conforme evolução. Repetir medicação pode fazer parte do manejo, mas não deve adiar suporte adicional quando necessário.
Esperado: Resgate em queda dia a dia (e nunca acima da regra de parada), noites dormidas, atividade voltando, corticoide oral completado, inalatório iniciado e técnica funcionando na frente do profissional
Se não melhora: Necessidade de resgate além do plano, dificuldade para falar, exaustão ou outro sinal de gravidade exige atendimento urgente. No seguimento da criança estável, rever diagnóstico, técnica, acesso, uso real, gatilhos e comorbidades antes de ajustar a etapa. Ensino do dispositivo e ajuste farmacológico podem ser necessários no mesmo plano.
Esperado: Menos sintomas e limitações, com atividades e sono preservados.
Se não melhora: Rever diagnóstico, técnica, uso real e fatores modificáveis antes de ajustar a etapa.
Esperado: Redução de exacerbações, função acompanhada quando possível e crescimento monitorado.
Se não melhora: Reavaliar intensidade e efeitos do tratamento e necessidade de avaliação especializada.
Onde o erro machuca
O dano: Dose insuficiente ou entrega inadequada pode manter a obstrução e parecer ausência de resposta farmacológica. Verifique o dispositivo e a administração antes de concluir que o medicamento falhou. A dose correta também exige acompanhamento de efeitos adversos; segurança não se resume a escolher entre subdose e dose plena.
Como pegar a tempo: Confira peso, técnica, dose e teto antes da inalação. Tremor ou taquicardia leves podem ocorrer, mas intensidade, perfusão, ritmo, potássio e resposta respiratória orientam a reavaliação. Persistência de obstrução pede escalonamento; suspeita de toxicidade exige ajuste pela equipe, sem interpretar toda taquipneia como necessidade de mais beta-2.
O dano: O corticoide leva 4-6 horas para os efeitos principais: decidido só depois da terceira nebulização falhar, ele começa a agir com meio período de atraso, e a criança paga a diferença em horas a mais de inflamação — recidiva precoce, mais internação, mais tempo de sala.
Como pegar a tempo: Corticoide oral é decisão da chegada, junto da primeira dose de beta-2, em toda crise moderada para cima. A única discussão legítima é a via (oral × venosa) — não o horário. Prednisolona por boca não precisa de acesso, não precisa de jejum e não espera ninguém.
O dano: Perde-se o dobro: a criança moderada espera fila de copo e fluxômetro para receber o que 4-10 jatos entregariam em dois minutos, e a família vai embora sem nunca ter visto a técnica que vai usar em casa — a causa mais comum do "a bombinha não funciona" que traz a próxima crise.
Como pegar a tempo: Espaçador é primeira escolha na crise sem hipoxemia que coopera (eficácia equivalente na régua da SBPT; preferência da GINA). Reserve o copo para quem precisa do O2 junto. E cada dose de espaçador dada no serviço é uma aula gratuita: administre com a família olhando e narrando os passos.
O dano: A melhora da saída é o beta-2 mascarando a inflamação que ainda está lá; sem o curso completo, a parede continua inflamada e a recidiva chega nas 48-72 horas — a criança volta pior, de madrugada, com a família certa de que "o tratamento do hospital não funcionou".
Como pegar a tempo: Toda alta pós-crise (salvo a muito leve que abriu com 1-2 doses) sai com prednisolona 1-2 mg/kg/dia por 3-5 dias escrita, com data de término — e sem desmame, que curso curto não precisa. A SBPT lista a falta desse item entre os equívocos clássicos da alta.
O dano: Metade da farmacologia deste capítulo depende de coordenação motora: o jato disparado na boca sem espaçador deposita na orofaringe, e a criança "em tratamento" segue sem droga no pulmão. O rótulo que ela ganha meses depois — asma de difícil controle — esconde um erro de ensino, não de biologia.
Como pegar a tempo: Teach-back obrigatório: a família demonstra (com o dispositivo, não de ouvido) antes de sair, e o profissional corrige na hora. As frases prontas estão no bloco de conversa. Técnica se reconfere em TODA consulta seguinte — é a primeira pergunta do "não melhorou", antes de qualquer escalada.
O dano: É o erro com estatística de mortalidade: tratamento só com beta-2 associa-se a mais exacerbação, pior função pulmonar e morte por asma (a dispensação de frascos por ano é marcador de risco na GINA). A crise tratada e devolvida ao esquema que a causou tem retorno marcado.
Como pegar a tempo: A receita de alta carrega o corticoide inalatório — item de farmácia básica — iniciado ou retomado no mesmo papel do resgate. A alta pós-crise entra na etapa 3-4 do PCDT, e "resolver isso no posto depois" só vale com a consulta marcada em 2-7 dias e o remédio já na mão.
O dano: Os três são a mesma armadilha em órgãos diferentes: fluxo baixo demais para sibilar, bomba cansada demais para taquipneia, cérebro hipóxico demais para agitação. Lidos como melhora, produzem a pior sequência do plantão — espaçar doses de quem precisava de UTI.
Como pegar a tempo: Melhora de verdade é um pacote coerente: esforço caindo JUNTO com fala alongando, ausculta sonorizando e SpO2 subindo. Qualquer "melhora" de um parâmetro isolado com esforço mantido ou sensório caindo se lê ao contrário. Na dúvida entre melhora e exaustão: é exaustão, e a conduta é degrau acima.
O dano: PaCO2 na casa dos 40 em quem deveria estar lavando CO2 é a bomba ventilatória falindo — lida como "normal", a criança perde a janela de escalonamento e a próxima gasometria já vem com acidose e indicação de via aérea em condições piores.
Como pegar a tempo: Régua invertida escrita no laudo mental: crise compensada = PaCO2 baixa; PaCO2 "normal" = alarme; 45 ou mais = muito grave. E lembrar a montante: gasometria nem devia ter sido colhida fora do cenário de gravidade — se foi, que ao menos seja lida certa.
O dano: A crise produz hiperinsuflação e atelectasias por rolha de muco; o laudo produz "consolidação"; a consolidação produz antibiótico e às vezes internação — dano em cascata a partir de um exame sem pergunta, idêntico ao descrito no capítulo de bronquiolite.
Como pegar a tempo: Radiografia só com pergunta nominal: pneumotórax? pneumonia pelos critérios clínicos do capítulo 1? corpo estranho? criança muito grave sem resposta? Formule a pergunta em voz alta antes de pedir; se ela não existe, o exame também não.
O dano: A agitação da crise é hipoxemia e fome de ar até prova em contrário; sedada, a criança perde o drive respiratório que a mantinha compensada e o sinal clínico que permitia acompanhá-la — combinação que mata, e por isso a GINA proíbe sedativo na crise fora da intubação.
Como pegar a tempo: Agitação trata-se com O2, broncodilatador e colo — no sentido literal: criança no colo de quem a acalma, com a máscara segura pelo cuidador. Anti-histamínico não tem papel nenhum na crise. Sedação só existe neste capítulo dentro da sequência rápida de intubação.
O dano: A nebulização domiciliar de resgate associa-se a morte por asma: ela adia a vinda ao hospital exatamente nas crises em que o tempo era o recurso — a família repete copos de soro com gotas pela madrugada enquanto a criança cruza os degraus de gravidade sem ninguém classificando.
Como pegar a tempo: O resgate domiciliar é espaçador com regra de parada explícita e numérica (2 jatos, repetir em 20 min; mais de 6 jatos em 2 h sem melhora = emergência agora). E dentro do serviço, o detalhe da mesma família: nebulização é com soro fisiológico — água destilada como veículo é proibida, com risco de broncoespasmo grave.
O dano: Taquicardia pode resultar da crise, da hipóxia, da ansiedade e do medicamento. Suspender automaticamente o broncodilatador pode piorar obstrução; ignorar taquicardia persistente ou desproporcional também é inadequado. A equipe reavalia perfusão, oxigenação, ritmo, dose acumulada e outros achados para ajustar o plano.
Como pegar a tempo: Tremor e taquicardia moderada são farmacologia, não toxicidade — e a FC costuma cair quando a criança abre, porque esforço e hipoxemia taquicardizam mais que a droga. O que pede revisão: taquicardia desproporcional sustentada, arritmia no monitor, piora perfusional — revisa-se dose e potássio, não a existência do tratamento.
O que dizer ao paciente e à família
Metade do desfecho da asma se decide na fala: a técnica que a família leva para casa, o medo de corticoide que faz a receita ser abandonada na primeira semana, e a clareza sobre quando voltar. As falas abaixo estão escritas para serem ditas — ajuste o vocabulário à família, não o conteúdo. Duas delas valem mais que o resto: a do espaçador, porque técnica errada é a causa mais comum de "remédio que não funciona", e a do plano de ação, porque é ela que decide se a próxima crise chega cedo ou tarde ao serviço.
Uma nota de tom: a mãe da Sofia fez tudo "errado" pela régua deste capítulo — dois jatos sem espaçador, sem manutenção há dois meses, veio tarde. Nenhuma dessas informações vira acusação: vira conteúdo de ensino, no mesmo tom com que se ensina um colega. Família culpabilizada esconde informação na próxima crise; família ensinada chega mais cedo.
Na chegada — anunciar o plano antes da primeira máscara, para transformar a sala de emergência em lugar previsível
“Mãe, a Sofia está tendo uma crise de asma forte, e eu vou te dizer exatamente o que vai acontecer na próxima hora. Ela vai receber oxigênio e três inalações do remédio que abre o peito, uma a cada vinte minutos, e um corticoide por boca agora, que é o que desinflama — ele demora umas horas pra agir, por isso damos logo. A senhora fica com ela no colo o tempo todo, segurando a máscara. Daqui a uma hora eu volto, examino de novo e te digo se ela já pode ir melhorando pra casa ou se precisa ficar. Piorou qualquer coisa antes disso, eu estou ali.”
Não diga: "Vamos fazer uma nebulização e ver." O plano de uma dose só, sem horário de reavaliação anunciado, é o que produz a família andando atrás de notícia pelo corredor — e o interno decidindo a esmo a cada copo.
Ensinar o espaçador, passo a passo, com o aparelho na mão da família — a fala mais importante do capítulo
“Vou te ensinar do jeito que funciona, porque tem um segredo: a bombinha sozinha, apertada na boca, quase não chega no pulmão — o remédio bate na garganta e ela engole. Com esse tubo, o espaçador, chega. Olha a sequência, depois a senhora repete pra mim: primeiro, chacoalha bem a bombinha e encaixa aqui atrás. Segundo, encosta a máscara no rosto dela cobrindo nariz e boca, sem folga — pode ser no colo, por trás, do jeito que ela aceita. Terceiro, aperta UM jato só. Aí segura a máscara no lugar enquanto ela respira normal umas cinco ou seis vezes — conta no relógio uns dez, quinze segundos. Se for dar mais um jato, espera meio minuto e repete tudo: um jato de cada vez, nunca dois juntos. Quando for o remédio marrom, o de todo dia, faz igual — e depois dá água pra ela bochechar ou beber, pra não ficar resto na boca. Uma vez por semana, lava o espaçador com água e detergente e deixa secar sozinho, sem esfregar por dentro nem enxugar com pano — parece bobagem, mas o pano deixa o plástico grudando o remédio na parede.”
Não diga: Entregar a receita dizendo "qualquer dúvida no uso, pergunta na farmácia". A técnica se ensina com o dispositivo na mão, e termina com a família DEMONSTRANDO de volta — sem o teach-back, metade sai fazendo errado e ninguém fica sabendo.
Quando vem a pergunta que trava metade dos tratamentos: "doutor, essa bombinha vicia? dizem que ataca o coração"
“Não vicia, e eu vou te explicar de onde vem essa fama, porque ela tem uma parte verdadeira. A bombinha azul, a de socorro, só alivia na hora — ela não trata a inflamação que causa as crises. Quem usa ela sozinha, sem o remédio de todo dia, vai precisando dela cada vez mais. Visto de fora parece vício; na verdade é a asma piorando por falta do tratamento certo. É por isso que a Sofia vai sair daqui com dois: o marrom, de todo dia, que trata a causa e vai fazer ela quase não precisar do azul; e o azul, só pro aperto. Se a senhora notar que o azul está sendo usado demais, não é hora de esconder a bombinha dela — é hora de me trazer ela antes, porque é o sinal de que o tratamento precisa de ajuste. E o coração: o remédio pode dar tremedeira e acelerar um pouco por uns minutos, igual um susto — incomoda, mas não machuca. O que machuca o coração e o resto todo é faltar ar.”
Não diga: "Pode usar sem medo" — sem explicar a diferença entre alívio e controle. A frase tranquiliza hoje e desarma a família justamente do sinal de alerta (uso crescente do resgate) que este capítulo inteiro quer que ela reconheça.
A receita de corticoide — oral agora, inalatório para sempre visível — e o medo do nome
“Vão pra casa dois remédios com fama parecida e tamanhos muito diferentes, e quero te mostrar a diferença. O corticoide por boca é um curso curto: cinco dias, uma vez de manhã, e acabou — nessa dose e nesse tempo ele não engorda, não incha, não "vicia o organismo"; ele apaga o incêndio que começou hoje. Parar antes, porque ela acordou boa no terceiro dia, é apagar metade do incêndio: costuma voltar. O da bombinha marrom é diferente: a dose que vai pro pulmão é minúscula, uma fração da do comprimido, e é ele que impede o incêndio de recomeçar — por isso é de todo dia, mesmo com ela ótima. A conta que eu queria que a senhora levasse é essa: um mês inteiro do marrom tem menos corticoide que um dia de crise mal cuidada.”
Não diga: Dizer "é só uma bombinha, não tem química" ou esconder que é corticoide. A família descobre na bula, conclui que o médico escondeu, e abandona os dois — a adesão sobrevive à informação, não à omissão.
Quando a família estranha a ausência de exames: "não vai tirar uma chapa? nem sangue?"
“Justa a pergunta, e a resposta é boa de ouvir: a crise de asma a gente enxerga inteira examinando — o jeito que ela respira, o chiado, o oxigênio no dedinho. A chapa não mostra a asma; e nessa situação ela costuma mostrar umas sombras que são só rolhinhas de catarro, que muita vez acabam tratadas como pneumonia sem ser — antibiótico que não precisava, mais tempo aqui dentro. Se em algum momento aparecer febre alta que não cede, dor no peito ou alguma coisa que fuja do padrão, aí o exame passa a ter uma pergunta certa, e eu peço na hora.”
Não diga: "Não precisa de exame." Sem o porquê, soa desleixo — sobretudo para a família que já saiu de outro serviço "sem fazerem nada". Com o porquê, a ausência de exame vira demonstração de que o médico sabe exatamente o que está tratando.
A alta — entregar o plano de ação por escrito e os sinais de voltar correndo
“Esse papel é o mapa da Sofia, e eu vou ler com a senhora antes de assinar. Todo dia: o marrom, dois jatos de manhã e dois à noite, com o espaçador, mesmo ela ótima — e o corticoide por boca até quinta, de manhã. Se apertar o peito: o azul, dois jatos com o espaçador; pode repetir em vinte minutos. Agora a linha vermelha, e essa eu queria que a senhora falasse de volta pra mim: se ela precisar do azul de novo em menos de tempo, se passar de seis jatos em duas horas sem melhorar, ou se aparecer QUALQUER um destes três — a fala saindo picada, o afundamento embaixo das costelas, lábio arroxeado ou ela sonolenta fora de hora — não é pra dar mais bombinha esperando passar: é pra vir naquela hora, de madrugada, como for. Voltar cedo nunca é exagero; a senhora fez certo em vir hoje.”
Não diga: "Qualquer coisa, volta." O 'qualquer coisa' não filtra: a família volta pela tosse leve e hesita na madrugada em que a fala picou. Sinal de volta se nomeia, se escreve e se pede de volta em voz alta — como toda prescrição importante.
Fechando: a consulta marcada, o posto, e a pergunta "ela vai ser assim pra sempre?"
“Duas datas antes de vocês saírem: depois de amanhã ela volta aqui ou no posto, só pra eu ter certeza de que a melhora segurou; e na outra semana tem a consulta do tratamento, que é onde essa história muda de rumo — é a terceira vez dela no pronto-socorro este ano, e isso não é normal DELA, é a asma avisando que estava sem o remédio de manutenção. Com o marrom todo dia e a técnica que a senhora aprendeu, a maioria das crianças simplesmente para de viver essa cena; muitas melhoram tanto na adolescência que quase não sentem mais. E uma coisa da casa, sem julgamento nenhum: se alguém fuma, mesmo na varanda, a fumaça que fica na roupa e no sofá já atrapalha o pulmão dela — se quiser, o posto tem ajuda boa pra parar. Não prometo zero crise; prometo que crise vai virar exceção — e que da próxima vez a senhora vai chegar sabendo exatamente o que fazer.”
Não diga: Prometer cura ("depois dos 7 anos passa sozinho") ou soltar o encaminhamento sem tradução ("segue com a pneumo"). A família precisa sair sabendo POR QUE a consulta de rotina importa mais que a emergência de hoje — senão a agenda lotada decide por ela.
Medo do preventivo
“Quero que a Sofia consiga dormir e brincar e precise menos do pronto-socorro. Vamos usar a menor intensidade de tratamento que mantenha esse controle, conferir a técnica e acompanhar seu crescimento. Se o frasco estiver acabando, não esperem a próxima crise para pedir reposição.”
Não diga: Dizer que corticosteroide inalatório não tem nenhum risco ou que todo chiado exige aumentar a dose.
Onde bons médicos discordam
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que pesa na hora de decidir para o seu paciente.
Equivalência com escolha pelo contexto — a posição das diretrizes brasileiras
A SBPT registra eficácia semelhante entre inalador pressurizado com espaçador e nebulização, mesmo nas exacerbações graves, e manda decidir por particularidades do serviço e do paciente; o quadro do Ministério da Saúde para menores de 5 anos oferece as duas vias lado a lado (6 jatos com espaçador ou 2,5 mg nebulizados).
Diretrizes SBPT 2012 (broncodilatadores de curta ação); MS, Linhas de Cuidado — sibilância em menores de 5 anos
Espaçador como via habitual — a preferência do corpo internacional
A GINA descreve o tratamento da crise com SABA "usualmente por inalador pressurizado com espaçador", reservando outras vias a contextos específicos — apoiada em ser mais rápido, mais barato, com menos taquicardia e sem exigir fonte de gás; e registra ainda a associação entre nebulização domiciliar de resgate e morte por asma.
GINA 2025, Summary Guide (manejo de exacerbações)
Decida pela pergunta "esta criança precisa do oxigênio junto?". Hipoxemia abaixo do alvo, exaustão ou não cooperação: nebulização, que carrega O2 a 6-8 L/min enquanto trata. Crise sem hipoxemia em criança que coopera: espaçador — entrega igual, execução mais rápida em sala cheia, e cada dose administrada é uma aula da técnica que a família usará em casa. A escolha também é logística honesta: numa sala com um fluxômetro e três crianças, o espaçador libera o posto de oxigênio para quem precisa dele. O que não se decide por preferência: dose — cheia nas duas vias, pela tabela de peso.
Via oral como padrão, com equivalência de efeito — diretrizes brasileiras e internacional
A SBPT afirma efeito clínico equivalente entre corticoide oral e intravenoso na exacerbação, e a GINA prescreve prednisolona oral como rotina da crise, inclusive na grave — o oral não exige acesso, não atrasa e dói menos.
Diretrizes SBPT 2012 (corticoides); GINA 2025 (prednisolona 1-2 mg/kg na criança)
Venoso nos cenários de exceção — a mesma diretriz brasileira
A própria SBPT mantém hidrocortisona e metilprednisolona venosas no arsenal, com dose e intervalo definidos, para a criança que não engole ou não retém (vômitos), a crise muito grave e o caminho da intubação — cenários em que a via oral é impraticável ou o trânsito digestivo é incerto.
Diretrizes SBPT 2012, Quadro 13 (hidrocortisona 2-4 mg/kg/dose; metilprednisolona 0,5-1 mg/kg/dose)
A pergunta é uma só: "engole e retém?". Sim — prednisolona oral agora, e nenhum acesso venoso se abre só para corticoide. Vomitou a dose, está sonolenta, muito grave ou a caminho da UTI — venoso sem culpa, na dose da tabela. O que a equivalência de efeito proíbe é o meio-termo clássico do plantão: adiar o corticoide "até pegar a veia" — se a veia está difícil e a criança engole, a boca ganha; se não engole, a veia vira prioridade porque o corticoide não pode esperar.
Faixa larga com uso na crise muito grave — diretriz brasileira
A SBPT indica o magnésio nas exacerbações muito graves sem resposta ao tratamento usual, com dose pediátrica de 25 a 75 mg/kg (teto 2 g), infusão lenta e possibilidade de repetição — resposta esperada em 1-2 h, perfil de segurança bom.
Diretrizes SBPT 2012, Quadro 13 e seção de drogas alternativas
Reserva à falha do tratamento inicial intensivo, sem uso rotineiro — corpo internacional
A GINA posiciona o magnésio IV como consideração em serviço de emergência para o paciente com resposta inadequada ao tratamento inicial intensivo — não como rotina de crise grave, e sem antecipá-lo à primeira hora bem feita.
GINA 2025, Summary Guide (manejo em unidade de emergência)
Os dois corpos concordam no essencial — é droga de segunda linha para a crise que não abriu — e divergem na largura da dose. Uma régua única resolve a largura: 50 mg/kg (teto 2 g) em 20-30 min — o centro da faixa brasileira, dentro do que os dois corpos admitem, suficiente para efeito e distante da toxicidade. O gatilho prático: primeira hora PLENA (três doses cheias + ipratrópio + corticoide) sem resposta na crise grave/muito grave — aí o magnésio entra ANTES de descontinuar o resto, nunca no lugar do beta-2, e com pressão arterial vigiada durante a infusão. O que ele não é: antecipação de rotina na crise que ainda não recebeu a primeira linha completa — magnésio não conserta subdose de beta-2.
Alvo ≥ 94% na criança — corpo internacional e diretriz brasileira
A GINA titula oxigênio para saturação ≥ 94% em crianças de 6 a 12 anos (93-95% em adolescentes e adultos); a SBPT usa meta de 94-95% para crianças. Réguas essencialmente coincidentes.
GINA 2025, Summary Guide; Diretrizes SBPT 2012 (oxigenoterapia)
Faixa 94-98% no menor de 5 anos — quadro do Ministério da Saúde
O quadro nacional de sibilância do pré-escolar orienta oxigênio para manter saturação entre 94 e 98%, e usa 92% como corte de gravidade que aciona transferência urgente na atenção primária.
MS, Linhas de Cuidado — sibilância em menores de 5 anos (AIDPI)
90% como corte de tratamento intensivo — o PCDT na atenção primária
O PCDT da Asma orienta, na apresentação em crise na APS, considerar saturação abaixo de 90% como indicativa de tratamento intensivo e transferência urgente — um corte de ação mínima, não um alvo terapêutico.
PCDT da Asma 2026 (Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 43)
Separe três números que fazem papéis diferentes. Alvo de titulação: ≥ 94% — é para ele que se ajusta o fluxo, e sustentar acima de 98% só prolonga cateter. Corte de classificação: 92% para baixo já é território grave (na régua do MS para o pré-escolar) e 90% ou menos assina a crise muito grave em qualquer tabela. Corte de ação imediata: abaixo de 90%, oxigênio e escalonamento não esperam nem mais um ciclo de reavaliação. E o modificador que nenhum número captura: a leitura do oxímetro tem ruído (perfusão, sensor, pele mais escura superestimando) — na discordância entre o número e a criança, a criança manda.
O raciocínio, em voz alta
Benício, 2 anos e 4 meses, 12 kg, chega a uma UPA de Campinas numa noite de setembro. Coriza desde ontem, chiado e "canseira" começaram há 4 horas. Está no colo, agitado, com choro curto; fala palavras isoladas entre os choros. Frequência respiratória de 48, tiragem subcostal e intercostal, sibilos difusos nos dois tempos, SpO2 de 92% em ar ambiente, FC 148, afebril. A mãe conta que "é a terceira vez que ele fica assim" — a primeira aos 15 meses, com internação de dois dias aos 18 meses — e que "inalação sempre resolve". Ele tem dermatite atópica em tratamento; o pai "tem bronquite asmática desde criança".
o que penso agora
Pré-escolar chiando com pródromo viral — o território dividido entre dois capítulos desta apostila. Mas quase tudo aqui aponta para longe da bronquiolite: 2 anos e 4 meses (não é lactente), terceiro episódio (não é primeiro), setembro no Sudeste (fora da janela alta do vírus sincicial), atopia pessoal e paterna, e história de resposta a broncodilatador. Penso em crise de sibilância do pré-escolar em espectro de asma — e classifico a gravidade antes de qualquer outra coisa: SpO2 de 92%, choro curto, tiragem em dois andares: crise grave pela régua deste capítulo.
o que pergunto, com a primeira dose já correndo
Classificação grave não espera anamnese completa: peço à enfermagem a primeira dose enquanto pergunto. As perguntas que mudam conduta: como foram os episódios anteriores e a resposta à "inalação" (resposta prévia a beta-2 reforça o mecanismo asmático)? A internação de 18 meses teve UTI ou "aparelho"? (não — enfermaria, dois dias). Quantas bombinhas ou nebulizações por mês? ("quase toda semana ele faz inalação em casa com o aparelhinho"). Ele estava comendo ou brincando com algo pequeno quando começou? (não — e a ausculta é simétrica). Alguém fuma? (o avô, dentro de casa). Cada resposta soma: sibilante recorrente responsivo, com resgate domiciliar frequente por nebulizador, internação prévia, tabagismo domiciliar — e nenhum sinal de corpo estranho.
como isso muda o que penso
O rótulo definitivo de asma pode esperar o ambulatório — a conduta da crise, não. Nesta idade a prova terapêutica é diagnóstico e tratamento ao mesmo tempo: se ele abrir em 20-60 minutos com broncodilatador bem feito, o mecanismo era músculo e a lógica asmática se confirma; se três doses cheias nada fizerem, recuo e repenso (o capítulo de bronquiolite explica o outro lado da fronteira). E a história que colhi rebaixa meu limiar de internação: internação prévia, resgate semanal por nebulização domiciliar — que a GINA associa a chegada tardia e morte — e fumaça em casa. Este menino pode até ir para casa hoje; não pode ir embora com o mesmo plano de antes.
o que faço na primeira hora
Oxigênio por cateter a 1 L/min — 92% está abaixo do alvo de 94% — e a série de três: salbutamol 2,5 mg (0,5 mL da solução de 5 mg/mL, o piso prático do quadro do MS para o peso dele) em 3 mL de SF nebulizado com O2 a 6 L/min, com brometo de ipratrópio 250 µg (1 mL — acima de 10 kg) nas três doses, a cada 20 minutos. Se ele estivesse saturando bem, faria com espaçador e máscara: 6 jatos de 100 µg, um a um, pela régua do MS para a crise grave do pré-escolar. E prednisolona já, antes da segunda dose: 20 mg por boca (1,7 mg/kg — dentro da faixa de 1-2 mg/kg e abaixo do teto de 30 mg dos 2 aos 5 anos da SBPT 2020) — 6,7 mL da solução de 3 mg/mL. Sem radiografia: chiado difuso e simétrico com história típica não tem pergunta para a imagem responder.
a reavaliação que decide — 30-60 minutos após a terceira dose
Ele responde como quem lê o PCDT: ao fim da série, FR de 36, tiragem só subcostal discreta, sibilos esparsos no fim da expiração, SpO2 de 95% em ar ambiente após 5 minutos sem cateter, mamadeira aceita no colo, choro comprido e irritado — o choro saudável de quem tem fôlego. Resposta boa, dentro da janela de 20-60 minutos que o PCDT usa como critério diagnóstico de responsividade. A prova terapêutica confirmou o mecanismo; a bronquiolite ficou definitivamente no outro capítulo. Fica em observação por mais uma hora sem broncodilatador — e sustenta.
o que prescrevo — e o que deliberadamente não prescrevo
Alta com cinco itens. Prednisolona 20 mg (6,7 mL) 1×/dia pela manhã por 5 dias no total, sem desmame. Resgate por espaçador com máscara — dispensado na própria UPA — com regra de parada: 2 jatos de salbutamol se apertar, repetir em 20 minutos se preciso; mais de 6 jatos em 2 horas sem melhora, emergência imediatamente (SBPT 2020). Teste terapêutico de manutenção iniciado JÁ, pela régua do PCDT para menores de 6 anos com episódios repetidos que exigiram urgência: beclometasona 100 µg de 12/12 h com espaçador, reduzindo para 50 µg de 12/12 h quando a resposta confirmar o diagnóstico — decisão de 2-3 meses, da consulta que sai marcada. E o que não sai: antibiótico (sem foco), xarope (sem papel), e — dito com todas as letras — o nebulizador de casa deixa de ser o plano de resgate: a nebulização domiciliar madrugada adentro é exatamente o hábito que atrasa a vinda e que a GINA associa a morte.
o que aviso à mãe — e o que fica no prontuário
Com a mãe, três conversas do bloco anterior condensadas: a técnica do espaçador com demonstração de volta; o plano de ação escrito com os sinais de volta imediata (fala/choro picado, afundamento entre as costelas, lábio arroxeado, sonolência); e a fumaça do avô, nomeada sem culpa e com oferta de ajuda do posto. Reavaliação em 24-48 h na unidade; consulta de manutenção na semana. No prontuário: classificação de chegada com hora, as três doses com horários, a categoria da resposta (boa, aos 55 minutos), o risco somado (internação prévia + resgate frequente + tabagismo domiciliar) e o plano completo de alta — porque o próximo plantão que o receber precisa saber em 30 segundos quem é este menino.
Faça você
Rafael, 9 anos, 30 kg, asma diagnosticada desde os 5, "sem remédio de manutenção porque melhorou". Crise iniciada há 6 horas; a família fez três nebulizações caseiras com soro e "gotinhas" pela madrugada. Chega à emergência às 5h40: agitado, fala palavras isoladas, prefere ficar sentado inclinado, FR 38, tiragem universal com fúrcula, sibilos apertados nos dois tempos, quase inaudíveis nas bases, SpO2 de 89% em ar ambiente, FC 138. Vomitou a última tentativa de "xarope" em casa.
classifique e conduza os primeiros 20 minutos
SpO2 de 89% e fala em palavras isoladas: crise muito grave — e um degrau de exame antes da parada: as bases quase silenciosas com esforço universal. UTI acionada agora, junto com o tratamento, não depois dele. Oxigênio imediato titulado ao alvo; salbutamol 4,5 mg (0,9 mL) + ipratrópio 250 µg nebulizados com O2 a 6-8 L/min, doses sem intervalos; corticoide pela veia — ele vomitou há minutos: metilprednisolona 30 mg IV (1 mg/kg). Monitor, acesso, o médico mais experiente do plantão ao lado da maca. Nenhuma radiografia atrasa nada disso.
sua vez: a primeira hora plena falhou — diga o que entra agora, com dose calculada para 30 kg, e onde ele vai estar na próxima hora
— sua vez —
Ver como fecharíamos
Sulfato de magnésio: 1,5 g IV (50 mg/kg, dentro da faixa de 25-75 e abaixo do teto de 2 g), diluído até no máximo 200 mg/mL e infundido em 20-30 minutos com pressão arterial monitorada — o broncodilatador de mecanismo independente do receptor beta, indicado exatamente na crise muito grave sem resposta ao tratamento usual (SBPT 2012; a GINA o reserva a esta falha do tratamento inicial). Simultaneamente, o beta-2 não para: nebulização contínua de salbutamol 9 a 15 mg/h (0,3-0,5 mg/kg/h), com potássio sérico solicitado. Gasometria arterial agora tem papel — documentar a trajetória: PaCO2 de 40 para cima neste menino taquipneico é fadiga, e 45 ou mais assina a falência. O lugar dele na próxima hora é a UTI, com material de via aérea testado: se sensório cair, exaustão progredir ou hipoxemia se tornar refratária, intubação por decisão clínica — sequência rápida com quetamina 1-4 mg/kg IV — e ventilação protetora aceitando hipercapnia. O que não entra: sedativo "para acalmar" (proibido fora da intubação), aminofilina como droga inicial, e uma quarta rodada idêntica à que já falhou — na má resposta, repetir não é persistência, é atraso.
A criança em crise taquipneica deveria estar LAVANDO CO2 — PaCO2 esperada é baixa. Um valor na casa dos 40 nesse contexto significa que a bomba ventilatória já não sustenta a hiperventilação compensatória: é o número "normalizando" a caminho de 45+, que define a crise muito grave. É o resultado de aparência mais inocente e leitura mais perigosa do plantão. As demais alternativas erram cada uma por um mecanismo: "dentro da normalidade" ignora que normalidade depende do contexto ventilatório; ansiolítico é proibido na crise (a agitação é hipoxemia até prova em contrário, e sedar apaga o drive); a intubação na asma é decisão CLÍNICA (exaustão, sensório, hipoxemia refratária) — a SBPT é explícita em não condicioná-la a corte gasométrico absoluto; e o exame, neste cenário específico (muito grave sem resposta), tinha indicação — o erro seria colhê-lo de rotina ou lê-lo errado.
Teste-se
Cada uma é um ponto de bifurcação: o que você faz agora. O comentário abre a cada decisão ou só no fim — você escolhe.
Plano de revisão
Em 7 dias
Classifique uma crise e explique os achados de maior gravidade, inclusive entrada de ar reduzida e alteração de consciência. Confira a prescrição e o dispositivo para dois pesos, depois reavalie resposta e efeitos. Diferencie resposta incompleta e deterioração. No seguimento, separe controle atual, risco futuro e gravidade da asma; diga como a idade modifica a confirmação diagnóstica.
Em 30 dias
Conduza uma crise com reavaliação e decisão de destino. Na alta, demonstre o espaçador e peça ao cuidador e à criança que repitam a técnica. Entregue um único plano coerente para casa e escola, com sinais de urgência. Na consulta seguinte, investigue uso real e acesso ao tratamento, sintomas e participação; justifique manter ou ajustar a etapa e quando discutir redução supervisionada.
Agora atenda
Plantão noturno de pronto-socorro pediátrico: chega uma menina de 7 anos, 22 kg, chiando, falando em pedaços, saturando 92%. Classifique pela fala, esforço e saturação, conduza a primeira hora com doses por peso — e decida, com critérios, se ela dorme em casa, na enfermaria ou na UTI. Depois, simule o retorno de manutenção: confirme a história entre crises, observe o inalador, revise o tratamento por idade e combine o acompanhamento com a família.
