Cirurgia Geral › Procedimentos e Vias de Acesso
O exame que se faz duas vezes
Imobilização provisória e tala
Examinar antes e depois da imobilização, aliviar dor e reconhecer ameaça à perfusão, à pele e aos compartimentos sem adiar ajuda.
Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Hospitalar às Urgências — Protocolos de Intervenção para o SAMU 192 (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência): Suporte Avançado de Vida. Brasília: Ministério da Saúde, 2ª edição, 2016. Protocolos AT19 (trauma de membros superiores e inferiores), AT20 (fratura exposta das extremidades), AT21 (amputação traumática), AT23 (síndrome do esmagamento), AT24 (síndrome compartimental) e AC37 (manejo da dor)
Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo — Atendimento de Urgência ao Paciente Vítima de Trauma: Diretrizes Clínicas. Vitória: SESA-ES, versão 2018. Seção 13.3 (lesões traumatológicas ortopédicas), Quadro 34 (tratamento de emergência), Quadro 35 (classificação de Gustilo e Anderson), Quadro 38 (síndrome compartimental — destaques) e Quadro 39 (síndrome compartimental — diagnóstico)
Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia — Consensos Brasileiros de Ortopedia e Traumatologia. Coordenadores João Carlos Belloti e Moisés Cohen. São Paulo: SBOT / Agência NaJaca, 2019. Pergunta 7 (tratamento funcional da lesão ligamentar lateral do tornozelo) e pergunta 32 (fraturas diafisárias do úmero: cirúrgico ou conservador)
Ministério da Saúde e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (TelessaúdeRS-UFRGS) — Protocolos de Encaminhamento da Atenção Primária para a Atenção Especializada, volume 4: Ortopedia Adulto. Brasília: Ministério da Saúde, 1ª edição eletrônica, 2022. Protocolo 12 (fraturas e luxações) e protocolos 6 a 10 (mão e punho, joelho, ombro, quadril, tornozelo e pé)
Ministério da Saúde, Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação e do Complexo Econômico-Industrial da Saúde — Relação Nacional de Medicamentos Essenciais: Rename 2024. Brasília: Ministério da Saúde, 2024. Anexos do componente Básico e do componente Especializado da Assistência Farmacêutica
Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde — Protocolos de Intervenção para o SAMU 192: Suporte Básico de Vida. Brasília: Ministério da Saúde, 2ª edição, 2016. Série de protocolos BP de emergências traumáticas
Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia — Manual de trauma ortopédico. São Paulo: SBOT, 2011, 377 p.
Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (regionais) e serviços universitários — protocolos institucionais de imobilização provisória em pronto-socorro
British Orthopaedic Association. Diagnosis and Management of Compartment Syndrome of the Extremities. [Acessar fonte](https://www.boa.ac.uk/resource/boast-10-pdf.html)
Responda antes de ler
Paciente de 68 anos recebe alta da unidade de pronto atendimento com fratura de rádio distal imobilizada em tala gessada e tipoia, sem deformidade residual significativa, com perfusão e sensibilidade normais registradas antes e depois da imobilização. Qual plano de continuidade do cuidado é adequado após essa alta?
O paciente que você vai ver
Vinte e três e dez de uma sexta-feira. O hospital é geral, tem cento e trinta leitos, atende uma cidade de cento e oitenta mil habitantes e é referência para mais cinco municípios da microrregião. Tem tomógrafo, tem raio-X funcionando vinte e quatro horas, tem centro cirúrgico com uma sala aberta à noite. Não tem ortopedista de plantão presencial: tem sobreaviso. O da noite é o doutor Maurivan Coriolano, que mora a vinte e cinco minutos e, quando o telefone toca, está terminando uma cirurgia em outro hospital da cidade. Ele atende, ouve, e diz que chega em duas horas.
Você é o interno da escala noturna do pronto-socorro. Nas próximas duas horas, deve avaliar o paciente com o médico plantonista, iniciar o cuidado supervisionado e manter contato com a ortopedia. A ausência do especialista presencial não transfere ao interno uma atuação independente.
Jucelino Abrantes tem 34 anos, 78 quilos, é entregador de aplicativo e caiu de moto às 22h20, sozinho, numa curva de asfalto molhado. Não bateu em nada nem em ninguém. Estava de capacete, o capacete está intacto, ele não perdeu a consciência e lembra de tudo. Chegou de carro particular, trazido por dois colegas de ponto, sentado no banco de trás com a perna direita esticada em cima do console. Fala, responde, dá o número do cartão do SUS de cor. Está pálido e suando, e a razão é a dor.
A técnica de enfermagem, a Rosilma Petrucci, já cortou a calça com a tesoura e deixou a perna à mostra. O que se vê é isto: terço médio da perna direita com uma angulação evidente, de uns vinte graus, com a proeminência voltada para fora; edema que ainda está crescendo; pele íntegra, sem ferida, sem sangramento, com uma área arroxeada de uns oito centímetros sobre a deformidade. O pé está na posição em que a gravidade o deixou, virado para fora. Pressão 132 por 84, frequência 104, saturação 98% em ar ambiente, glicemia 118. Ele diz que a dor é dez.
Nos próximos vinte minutos, a prioridade é aliviar a dor e proteger o membro, registrando sua condição antes e depois da intervenção.
Preparar a tala e encaminhar ao raio-X não encerra o atendimento. Sem o exame inicial, perde-se a comparação necessária para distinguir a lesão já presente de uma alteração após o alinhamento ou o enfaixamento.
As duas que somem são o pulso e a sensibilidade de antes. Depois que o membro está enfaixado, ninguém mais consegue dizer se o pé já estava assim quando chegou ou se ficou assim quando alguém alinhou a perna. A que não nasce é a checagem de depois: a que transforma a tala de um objeto num procedimento com resultado verificado. O protocolo nacional que governa esse momento coloca as três coisas em três passos numerados e consecutivos — avaliar, imobilizar, reavaliar — e o hábito de serviço costuma cumprir o do meio.
Há uma segunda razão para o gesto pesar mais do que parece, e ela é a que dá nome ao resto do capítulo. Imobilizar não é uma medida de conforto adicional à analgesia: é analgesia. A dor da fratura vem em boa parte do movimento dos fragmentos contra o periósteo e contra as partes moles em volta, e a tala tira essa fonte. Junto com a dor, ela tira o que o movimento continuava produzindo: mais sangramento no foco, mais lesão de músculo em volta e o risco concreto de que uma ponta óssea que ainda está debaixo da pele atravesse a pele numa transferência de maca.
Jucelino traz uma lesão isolada do membro e está estável. Enquanto a ortopedia se desloca, o interno participa do atendimento com o plantonista: avalia, ajuda a imobilizar, reexamina e comunica mudanças. O tratamento definitivo será definido pela equipe responsável.
Então a pergunta do plantão é simples de enunciar e difícil de executar: o que essa imobilização tem de fazer, o que ela não pode fazer, e como você prova, na ficha, que fez o certo?
Quem adoece disso
Comece pelo desenho do sistema, porque é ele que coloca o interno nesta posição, e não o acaso do plantão.
O documento federal que organiza o encaminhamento da atenção primária para a especializada, no volume de ortopedia do adulto, é explícito: toda situação de suspeita ou diagnóstico de fratura ou luxação pós-trauma é condição de encaminhamento para serviço de urgência ou emergência. Não há filtro, não há gradação, não há "se houver deformidade". Toda. A consequência aritmética disso é que a primeira imobilização de praticamente toda fratura do país é feita fora da ortopedia — numa unidade de pronto atendimento, num pronto-socorro geral, por quem estiver escalado. O ortopedista, quando entra, entra depois da tala.
O mesmo documento fecha o circuito do outro lado, e essa é a parte que quase ninguém lê: fratura já manejada em serviço de urgência com suspeita de síndrome compartimental não é caso de ambulatório de ortopedia — é caso de voltar para a urgência. O sistema, portanto, prevê explicitamente que a complicação apareça depois da alta, na casa do paciente, e desenha a rota de volta. Quem faz a orientação escrita que aciona essa rota é quem deu a alta.
Do lado do atendimento móvel, a relação de forças aparece na própria contagem dos protocolos. O volume de suporte avançado do SAMU 192 traz trinta e um protocolos de emergências traumáticas. Cinco deles são sobre o membro: trauma de membros superiores e inferiores, fratura exposta das extremidades, amputação traumática, síndrome do esmagamento e síndrome compartimental. Um sexto, o de trauma de pelve, é osteomuscular por outro caminho. Isso é quase um quinto do capítulo de trauma dedicado a osso e partes moles de extremidade — proporção que não se reflete em nenhum documento hospitalar brasileiro equivalente.
A suspeita de síndrome compartimental aumenta em fraturas de tíbia e antebraço, esmagamento, reperfusão, queimaduras e uso de curativos apertados. Perna, coxa, região glútea, antebraço, pé e mão podem ser atingidos. Essas situações orientam a vigilância clínica, sem depender de uma taxa de incidência para o serviço.
Repare no que essa lista tem de desconfortável. Dois dos seis mecanismos de maior suspeição são iatrogênicos: o curativo apertado e a reperfusão. E o protocolo nacional do SAMU acrescenta, em nota de observação da folha de síndrome compartimental, que imobilizações mantidas por tempo prolongado e enfaixamento circular muito apertado — incluindo, com essas palavras, aparelho gessado — também podem levar à síndrome. Ou seja: o próprio gesto que este capítulo ensina está, em dois documentos brasileiros independentes, na lista de causas da complicação que ele existe para evitar.
Um dado brasileiro sobre a variabilidade da conduta merece registro, porque desmonta a ideia de que existe um jeito único e sabido de imobilizar. Os Consensos Brasileiros de Ortopedia e Traumatologia, de 2019, ao discutir a entorse lateral aguda de tornozelo, informam que os ortopedistas brasileiros se dividem quase ao meio: 47% fazem imobilização funcional e 47,1% fazem imobilização rígida, e o documento conclui, com essas palavras, que não há consenso quanto ao método de imobilização. Se os especialistas se dividem metade a metade numa lesão banal e de baixa energia, a expectativa de que o interno acerte "o jeito certo" por intuição é inconsistente com o que o país sabe.
O aprendizado da imobilização provisória exige demonstração e supervisão da técnica, além de saber indicar o procedimento. Extensão da tala, acolchoamento, posição e reavaliação precisam estar claros no plano; uma instrução genérica para imobilizar não ensina esses passos.
Por que acontece o que acontece
A dor da fratura tem origem no osso e nos tecidos associados: periósteo, medula e estruturas ósseas possuem inervação sensitiva, e a lesão de partes moles e o espasmo muscular ampliam o estímulo. O deslocamento dos fragmentos e a tensão local explicam por que a transferência entre macas pode aumentar tanto a dor. A imobilização reduz movimento e agressão adicional, enquanto a analgesia permite cuidado e exame mais toleráveis. Dor progressiva ou desproporcional, porém, exige buscar complicação, mesmo após imobilizar.
Daí a primeira consequência do capítulo, e a mais fácil de esquecer justamente por ser óbvia: a imobilização é analgesia. Ela não é o conforto que se oferece depois de resolver a dor com medicamento — ela é uma das duas metades do tratamento da dor, e é a metade que age em segundos, não em quinze minutos, e que não depende de acesso venoso, de checagem de alergia nem de disponibilidade de opioide na farmácia da noite. Num serviço em que a morfina fica trancada e a chave está com a enfermeira que está em outra sala, a tala é o analgésico que você tem na mão.
A segunda consequência é hemostática. O foco de fratura sangra, e sangra de duas fontes: do osso esponjoso exposto e dos vasos das partes moles rompidas. Esse sangue se acumula no compartimento em volta e forma o hematoma fraturário, que é a matéria-prima da consolidação. Movimento repetido dos fragmentos faz duas coisas ruins ao mesmo tempo: desfaz o coágulo que estava se organizando e produz sangramento novo. Imobilizar cedo diminui o volume final desse hematoma, e o volume final desse hematoma é uma das variáveis que decidem se o compartimento vai ou não vai ficar hipertenso nas horas seguintes.
A terceira consequência é a conversão. Uma fratura fechada com angulação tem, na concavidade da angulação, uma ponta óssea afiada apontando para a pele, e essa pele está esticada por cima dela e mal perfundida pelo edema. Cada movimento aproxima os dois. A fratura exposta não é apenas uma fratura com ferida: é uma categoria com outra régua inteira — antibiótico, sala cirúrgica, classificação de contaminação, prognóstico de infecção e de consolidação. Transformar uma fratura fechada numa exposta durante um transporte interno é um dano de gravidade desproporcional ao esforço que teria evitado, e é evitável com uma tala e duas mãos.
Agora o mecanismo que organiza o resto do capítulo. O membro é dividido em compartimentos por fáscias, e fáscia não estica. Dentro de cada compartimento há músculo, nervo e vaso, num volume que não tem para onde crescer. A diretriz estadual capixaba enuncia a física com precisão: a síndrome ocorre quando a pressão dentro de um compartimento miofascial sobe o bastante para causar isquemia muscular e neural, e ela sobe por dois caminhos — aumento do conteúdo, como na hemorragia e no extravasamento que segue a reperfusão, ou redução do volume do compartimento, como acontece com curativo circunferencial compressivo. Sangramento por dentro e enfaixamento por fora produzem o mesmo desfecho pela mesma equação.
Falta o passo que explica por que o pulso engana, e ele é o mais importante de entender de verdade, porque é o que separa o interno que vai reconhecer a complicação do que não vai. A artéria é um tubo de parede espessa que carrega uma pressão sistólica alta; ela continua pulsando com uma pressão em volta que já é suficiente para colabar o leito capilar, que é um tubo de parede finíssima carregando alguns milímetros de mercúrio. Perfusão de tecido não é função da pressão arterial sozinha nem da pressão do compartimento sozinha: é função da diferença entre as duas. Por isso o músculo pode estar em isquemia com pulso pedioso cheio, tempo de enchimento capilar de dois segundos e pé rosado. E por isso a mesma diretriz que fixa um número absoluto de pressão diz, seis itens depois, que quanto menor a pressão arterial sistêmica, menor a pressão necessária para produzir a síndrome — que é a mesma frase, dita por trás.
É desse desencontro que nasce a ordem dos sinais, e ela é o oposto da que a memória do estudante costuma guardar. O protocolo nacional do SAMU separa explicitamente os dois grupos: dor intensa e desproporcional à lesão, que geralmente não cede à analgesia leve e moderada, e parestesia são sinais precoces; ausência de pulso, palidez e paralisia são sinais tardios. A diretriz capixaba diz o mesmo por outro caminho, ao afirmar que redução de pulsos, lentificação do enchimento capilar e fraqueza neuromuscular não costumam estar presentes ou representam alterações tardias. Quem espera o pulso sumir para suspeitar está esperando o compartimento morrer para diagnosticá-lo.
Falta a mecânica da tala em si, que é elementar e por isso raramente dita. Um osso longo fraturado é uma alavanca partida no meio, e as duas extremidades dessa alavanca são as articulações vizinhas. Se você imobiliza só o foco, cada movimento do joelho ou do tornozelo devolve momento de flexão ao ponto exato que você queria parar. Imobilizar a articulação acima e a de baixo não é uma regra decorativa nem uma margem de segurança: é o mínimo geométrico para que o segmento pare de se dobrar. Uma tala de perna que termina abaixo do joelho e uma tala de antebraço que solta o cotovelo são objetos que consomem material e tempo sem fazer o que a tala serve para fazer.

Como se apresenta de verdade
O membro traumatizado se apresenta de seis maneiras que pedem coisas diferentes do interno, e a diferença entre elas não está na quantidade de osso quebrado: está no que o relógio permite. Duas dessas apresentações não esperam a radiografia, três esperam, e uma delas é a que mata a perna justamente porque parece a mais tranquila.
O que segue está ordenado pela urgência da decisão, não pela frequência. As três primeiras pedem que você faça alguma coisa antes de sair de perto do doente.
O membro deformado e estável — as quatro perguntas antes da tala
É a apresentação de Jucelino, e é a mais comum. Deformidade evidente, pele íntegra, doente estável, sem outra lesão. A tentação é imobilizar de imediato, porque a deformidade é feia e a dor é alta, e imobilizar de imediato é errado por uma razão de registro: existem quatro informações que deixam de ser obteníveis assim que o membro entra na tala.
A primeira é o pulso distal, palpado e comparado com o lado são. Na perna, é o pedioso no dorso do pé e o tibial posterior atrás do maléolo medial; no membro superior, é o radial. A segunda é a perfusão, medida pelo enchimento capilar da polpa do hálux ou do polegar, pela temperatura comparada e pela cor. A terceira é a sensibilidade, testada em território de nervo e comparada lado a lado — no pé, primeiro espaço interdigital dorsal para o fibular profundo, borda lateral para o sural, planta para o tibial; na mão, polpa do indicador para o mediano, do mínimo para o ulnar, primeiro espaço dorsal para o radial. A quarta é a motricidade ativa distal, e ela se testa sem mexer no foco: dorsiflexão e flexão plantar do hálux, abdução dos dedos da mão, extensão do punho.
As quatro cabem em noventa segundos e são exatamente o que o protocolo nacional numera como passo 7 da folha de trauma de membros: avaliar pulso periférico e perfusão, sensibilidade e mobilidade. Nenhuma delas exige equipamento. Todas se perdem debaixo da atadura.
O que muda a conduta: qualquer alteração nas quatro tira o caso da rota tranquila e o coloca na rota do telefone. Membro deformado com pulso ausente ou sensibilidade alterada é conversa com o ortopedista agora, não depois da radiografia.
O pé branco e o membro sem pulso — a apresentação que não espera nada
Fratura-luxação de tornozelo com o pé desviado, ou luxação de joelho, ou fratura supracondiliana com o antebraço frio. O membro está pálido ou cianótico distalmente, o pulso é fino ou ausente, o enchimento capilar passa de três segundos, e a pele sobre a proeminência óssea está branca e tensa, às vezes com um ponto de palidez que não recora.
Aqui a régua brasileira é curta e não é ambígua sobre a direção, ainda que seja econômica sobre o detalhe. O protocolo nacional, na folha de trauma de membros, registra em observação que o retorno à posição anatômica pode aliviar a compressão de artérias ou nervos e melhorar a perfusão e a função neurológica. Na folha de fratura exposta, ele transforma isso em passo de conduta, com ênfase no retorno à posição anatômica — e com uma exceção nomeada, que é o coração da decisão e está discutida adiante.
O que muda a conduta: não se manda para a radiografia um pé branco. A radiografia leva de vinte a cinquenta minutos entre transporte, fila e laudo, e nesse intervalo a decisão que teria salvado a perfusão já venceu. O alinhamento, aqui, é manobra de reanimação de membro, e a imagem vem depois.
O que muda a conduta, do outro lado: pele tensa e esbranquiçada sobre a proeminência, sem alteração vascular distal, também é motivo de alinhar cedo — porque aquela é a pele que vai necrosar em algumas horas e produzir uma exposição óssea tardia, sem que ninguém tenha encostado no doente.
A dor desproporcional — a apresentação que engana por ser tarde demais quando fica evidente
Poucas horas depois do trauma, ou poucas horas depois da tala, o doente refere dor que não cede. A escala sobe, o pedido de analgésico se repete antes do intervalo, e a equipe da noite escreve na evolução que "o paciente é queixoso". É a apresentação inicial da síndrome compartimental, e a palavra que a define é a única que interessa: desproporcional.
Os quatro achados do quadro diagnóstico da diretriz estadual capixaba são: dor de intensidade desproporcional ao trauma ou à palpação do segmento lesionado; dor à extensão passiva da musculatura do compartimento testado; edema com aspecto hipertensivo no compartimento testado; e parestesias ou disestesias distais ao compartimento testado. Repare que nenhum dos quatro é pulso.
O sinal mais barato e mais subutilizado dessa lista é o segundo. Estender passivamente a musculatura do compartimento significa, na perna, puxar o hálux e os dedos para cima devagar; no antebraço, estender passivamente os dedos com o punho neutro. Se isso produz uma dor que não é proporcional à delicadeza do movimento, a informação está dada. Custa quinze segundos e não precisa que ninguém tire a tala — só que se abra uma janela nela.
O que muda a conduta: dor crescente que exige doses crescentes é indicação de reexaminar o membro, não de subir a dose. Essa frase é do vizinho — o capítulo de analgesia da apostila de prescrição a enuncia como regra geral do internado — e ela vale aqui na versão específica: abrir a imobilização e olhar vem antes de pedir mais opioide.
A fratura exposta — a que muda de categoria e não só de gravidade
Ferimento com exposição óssea, ou ferimento sem exposição óssea associado a deformidade, crepitação, encurtamento do membro ou alteração sensitiva, vascular e motora: são esses os critérios de inclusão que o protocolo nacional dá para a folha de fratura exposta. Vale sublinhar a segunda metade: uma ferida pequena, puntiforme, sobre o foco de uma fratura deformada entra na mesma folha que a exposição escancarada. A ponta óssea que saiu e voltou não deixa recibo.
Duas instruções desse protocolo são de execução imediata e de baixo custo, e as duas costumam ser feitas ao contrário. A primeira: cobrir o ferimento e as extremidades ósseas com curativo estéril, considerando um enxágue breve com solução salina apenas se houver sujidade grosseira. A segunda: não recolocar o osso exposto para dentro do ferimento.
E há uma terceira, que é de registro e é quase folclórica de tão esquecida: se as extremidades ósseas se retraírem para dentro da ferida durante a imobilização, isso deve ser anotado e passado para a equipe que recebe o doente. É a única maneira de o cirurgião saber que aquela ferida de meio centímetro é uma fratura exposta.
O que muda a conduta: a classificação de Gustilo e Anderson, a escolha do antimicrobiano por grau e a decisão cirúrgica pertencem ao capítulo sobre fratura exposta, na apostila de Ortopedia; procure-as lá. Aqui fica só o gesto: cobrir, não recolocar, alinhar sem forçar, imobilizar, reavaliar e anotar.
O doente que não pode reclamar — a apresentação sem sintoma
Rebaixado por traumatismo craniano, sedado, intubado, alcoolizado, com lesão medular acima do segmento, ou criança pequena. Nesses doentes, os quatro achados do quadro diagnóstico são inúteis: três deles dependem de o paciente dizer o que sente e o quarto, o edema tenso, é o único que sobrevive.
Essa é a situação em que a medida objetiva de pressão do compartimento deixa de ser refinamento acadêmico e passa a ser a única informação disponível — e é também a situação em que quase nenhum pronto-socorro brasileiro tem o material para medi-la. O reconhecimento honesto dessa lacuna vale mais que uma recomendação que ninguém pode cumprir: onde não há como medir, o que sobra é exame seriado pela mesma pessoa, com intervalo curto e anotação de cada passagem, e um limiar de chamar o cirurgião muito mais baixo que no doente que fala.
O que muda a conduta: em doente que não relata dor, o edema que endurece e a imobilização que "apertou sozinha" desde a última passagem são motivo suficiente para abrir a imobilização até a pele e chamar. Não se espera sinal tardio em quem não pode produzir sinal precoce.
A fratura de baixa energia no idoso — a que parece simples e tem outra armadilha
Queda da própria altura, punho apoiado no chão, dor e deformidade em dorso de garfo no rádio distal. Ou o ombro que não levanta depois de um tropeço. Não há alta energia, não há choque, não há risco compartimental comparável ao da tíbia — e a apresentação tem outra armadilha, que é a pele.
A pele do idoso em uso crônico de corticoide, ou apenas idosa, é fina, com pouco tecido subcutâneo e vasos frágeis. Ela não tolera três coisas que se fazem por hábito: esparadrapo dado direto sobre a pele, atadura de crepe apertada para "segurar melhor" e apoio de tala em cima do relevo do olécrano, do maléolo ou da cabeça da ulna sem acolchoamento suficiente. As lesões que isso produz aparecem entre o primeiro e o segundo dia — ou seja, já em casa.
Há ainda uma segunda armadilha, social e não anatômica: a tipoia e a tala de membro superior removem uma mão de uma pessoa que mora sozinha. Alta com o braço imobilizado, sem que alguém tenha perguntado quem abre a garrafa de água e quem ajuda no banho, é alta que volta.
O que muda a conduta: nesta apresentação, o tempo que se investe é o do acolchoamento e o da orientação escrita, e não o da manobra. É também a apresentação em que se decide se cabe alta com retorno ambulatorial — e o documento federal de encaminhamento dá a resposta do lado de fora: fratura manejada na urgência que fica com deformidade ou prejuízo funcional é que vai para a ortopedia; suspeita de síndrome compartimental volta para a urgência.
Como fechar o diagnóstico
Investigar um membro traumatizado é menos pedir exame do que produzir e guardar informação clínica em dois momentos separados no tempo. O exame de imagem responde uma pergunta que quase nunca é a urgente; a pergunta urgente é respondida por dedos, por comparação com o lado são e por relógio.
As seis seções seguintes separam o que cada instrumento responde de fato, e o que se costuma pedir a ele por engano.
Os dois momentos: por que o registro é o exame
O protocolo nacional de trauma de membros tem doze passos numerados, e três deles formam a espinha deste capítulo, nesta ordem: o passo 7 manda avaliar pulso periférico e perfusão, sensibilidade e mobilidade; o passo 8 manda realizar a imobilização da parte afetada; o passo 9 manda reavaliar pulso periférico e perfusão, sensibilidade e mobilidade após a imobilização. A folha de fratura exposta repete a mesma tríade com os mesmos verbos.
Não é redundância de redação. É o desenho de um experimento com um antes e um depois, e o objeto do experimento é a sua própria manobra. Sem o antes, um pé insensível encontrado às duas da manhã é indistinguível de um pé que ficou insensível quando alguém alinhou a perna às onze e meia. Com o antes anotado, a mesma informação vira um dado que orienta a conduta e, de quebra, protege quem imobilizou.
Escrever isso na ficha custa uma linha e ela precisa ter três elementos: hora, achado e lado comparado. Uma linha aceitável é: "23h22, antes da tala: pedioso e tibial posterior direitos presentes e simétricos ao esquerdo, enchimento capilar 2 s, sensibilidade preservada nos três territórios, dorsiflexão e flexão do hálux presentes". E a linha gêmea, meia hora depois, com a palavra "após". Duas linhas.
É útil dizer sem rodeio o que essa dupla de linhas significa juridicamente, porque o interno tem o direito de saber: ela é a diferença entre um evento adverso documentado e uma sequência sem testemunha. Isso não é o motivo de fazer — o motivo é o paciente —, mas é uma consequência real e não há razão para escondê-la.
Radiografia: o que ela responde, quando entra e quando atrapalha
A radiografia responde a três perguntas: qual osso, qual traço, e qual o desvio residual. Nenhuma das três é urgente no doente com pulso presente, e nenhuma das três muda o que se faz nos primeiros vinte minutos.
Proteja e apoie o membro para transporte e radiografia, depois de analgesia e exame neurovascular. Havendo ameaça à perfusão ou à pele, a equipe deve avaliar realinhamento urgente antes de esperar imagem. Sem ameaça imediata, a oportunidade da redução depende da fratura e do plano clínico, e não de uma regra baseada apenas no pulso.
Uma advertência de execução que economiza uma segunda viagem: a tala precisa ser posterior ou em goteira, e não circular, para que a incidência em perfil seja legível. Membro dentro de gesso circular fechado costuma voltar do raio-X com laudo pedindo repetição.
A leitura sistemática da imagem, as incidências obrigatórias e os padrões radiológicos não são deste capítulo: são da apostila de Interpretação de Exames à Beira do Leito, que ensina o método de leitura. Fica dito, com todas as letras, que aquela apostila hoje tem capítulo de radiografia de tórax e não de radiografia de membro — quem for procurar a leitura da tíbia lá não vai achar, e este capítulo não a assume, porque leitura de imagem não é o gesto que ele ensina.
A pressão do compartimento: dois números que não medem a mesma coisa
A diretriz estadual capixaba diz duas coisas sobre a medida, e é preciso ler as duas juntas. No item 4 do quadro de destaques, ela afirma que o diagnóstico é clínico, podendo ser complementado por mensuração da pressão compartimental, com o valor maior que 30 mmHg indicando pressão elevada. No item 6 do mesmo quadro, ela afirma que quanto menor a pressão arterial sistêmica, menor a pressão necessária para produzir a síndrome.
Os dois itens não podem ser verdadeiros ao mesmo tempo se o número for lido como corte absoluto, e a conta que mostra isso está nas notas de auditoria deste capítulo. Em resumo: um doente com pressão compartimental medida de 28 mmHg está abaixo do corte com qualquer pressão arterial, mas o mesmo 28 mmHg num doente com pressão arterial de 90 por 50 deixa uma diferença de 22 mmHg entre a diastólica e o compartimento — margem que a escola da pressão diferencial considera diagnóstica.
O que o interno faz com isso, num serviço que não tem aparelho de medida — que é a maioria — é o seguinte: usar o número como confirmação quando ele existe e nunca como excludente quando ele é baixo, e nunca deixar de registrar a pressão arterial do doente na mesma linha em que registrar a suspeita. A pressão arterial não é contexto: é metade do critério.
Vale ainda registrar o que a medida não faz. Ela não substitui o exame seriado, não vira normal por ter sido normal há duas horas, e não é feita para adiar a chamada do cirurgião — a mesma diretriz encerra o quadro diagnóstico dizendo que, havendo suspeita razoável, o tratamento não deve ser adiado.
O exame vascular: o que o pulso não responde
Pulso distal palpável não exclui lesão arterial significativa nem síndrome compartimental. Integre perfusão, temperatura, cor, enchimento capilar, sensibilidade, motricidade e mecanismo, repetindo o exame. Circulação colateral ou lesão parcial pode manter pulso, e a síndrome compartimental pode evoluir muito antes de ele desaparecer.
Em serviço com Doppler portátil, o sinal audível acrescenta pouco à mesma pergunta e responde bem a outra: comparar simetria de fluxo quando o edema impede a palpação. Ausência de sinal audível num membro edemaciado é achado forte; presença de sinal não tranquiliza sobre compartimento.
O que substitui utilmente o pulso na cabeça do interno é uma pergunta de tendência, não de estado: o membro está melhor, igual ou pior que na última vez em que eu o vi, e quanto tempo faz? Achado isolado sem série vale pouco; três medidas do mesmo achado, feitas pela mesma pessoa em intervalos anotados, valem quase tudo.
O laboratório: o pouco que ajuda e o muito que distrai
Fratura fechada isolada de osso longo em doente estável não é indicação de painel laboratorial. O hemograma da admissão serve de base, e a coagulação e a tipagem entram se houver perspectiva cirúrgica no mesmo turno — que é o cenário mais provável na fratura exposta e no desvio que vai precisar de redução sob anestesia.
Creatinoquinase e função renal têm papel restrito e específico: doente com esmagamento, com longo tempo até o desencarceramento, ou com membro isquêmico reperfundido. Nesses, a rabdomiólise é o problema, e ela é do capítulo de atendimento inicial ao politraumatizado e do de cirurgia de controle de danos, na apostila de Trauma — este capítulo não a assume.
O erro de investigação mais caro é o inverso do que se imagina: não é deixar de pedir exame, é pedir tomografia para investigar um membro edemaciado e doloroso. A decisão sobre compartimento é clínica, e um exame que tira o doente da vista da equipe por quarenta minutos custa exatamente aquilo que ele deveria estar poupando.
Reexaminar é investigação, e precisa de nome, hora e intervalo
A investigação mais sensível disponível para o membro traumatizado é a repetição do mesmo exame clínico pela mesma pessoa. Ela não custa nada, não depende de plantão de raio-X e não tem contraindicação. O que ela exige é combinação explícita, porque exame seriado sem intervalo prescrito não acontece.
A combinação tem quatro elementos e todos precisam estar escritos na prescrição, não ditos no corredor: o que se olha, de quanto em quanto tempo, quem olha e o que dispara o chamado. Por exemplo: perfusão, sensibilidade, dor à extensão passiva e tensão do compartimento, de duas em duas horas nas primeiras seis, pela enfermagem, com chamada médica se houver piora de qualquer um deles ou se o doente pedir analgésico fora do horário.
É aqui que a passagem de plantão entra como parte do exame e não como formalidade. Um membro imobilizado às 23h30 por um interno que sai às 7h é um membro cuja linha de base existe na cabeça de alguém que foi embora, a menos que ela tenha virado texto. O capítulo de passagem de plantão, na apostila de prescrição e cuidado do paciente internado, cuida do formato; o que este capítulo acrescenta é o conteúdo mínimo: hora da imobilização, achado de antes, achado de depois e o gatilho combinado.
A régua brasileira do gesto: o que está escrito, o que não está, e as contas que não fecham
O exame antes e depois da imobilização documenta o que mudou e permite reconhecer lesão em evolução. No internato, o objetivo é avaliar, analgesiar, ajudar a imobilizar sob supervisão e reavaliar, sabendo quando a ameaça ao membro exige atuação imediata.
- 1Antes de encostar na perna: exponha o membro inteiro, retire anel, pulseira, relógio e cordão do lado lesado, e olhe a pele em toda a volta. Adorno em membro que vai inchar é torniquete com data marcada.
- 2Examine e anote as quatro: pulso distal comparado, enchimento capilar, sensibilidade em território de nervo comparada lado a lado, motricidade ativa distal. Hora e lado na mesma linha. Esta é a linha que não pode faltar.
- 3Avaliar com a equipe deformidade, pele, perfusão e função. Isquemia ou pele ameaçada pede resposta imediata e possível realinhamento por operador habilitado; perfusão normal não elimina outras indicações de redução. Imobilizar provisoriamente com acolchoamento e sem aperto, conforme o plano.
- 4Se houver ferida sobre o foco: cubra com curativo estéril, enxágue breve com salina apenas se houver sujidade grosseira, e não recoloque osso exposto para dentro. Se a ponta óssea sumir dentro da ferida durante a manobra, anote isso — é a única forma de o cirurgião saber que a fratura é exposta.
- 5Monte a imobilização incluindo a articulação acima e a de baixo. Acolchoe generosamente, com atenção às proeminências ósseas, e cubra toda a extensão que a tala vai tocar, com sobra nas duas pontas.
- 6Feche por fora com atadura de crepe, com o membro em posição funcional. Nada circular e rígido, nada de esparadrapo dando a volta no membro, nenhuma faixa com o edema ainda em curva de subida.
- 7Reavalie as quatro, de novo, com o membro já imobilizado, e anote na segunda linha. Se qualquer uma piorou, abra a imobilização até a pele, na hora, e reavalie de novo antes de decidir qualquer outra coisa.
- 8Eleve o membro ao nível do coração — não acima dele, quando há suspeita de compartimento, porque elevar demais reduz a pressão de perfusão. Aplique frio por cima da imobilização, sem contato direto com a pele.
- 9Analgesie e reexamine depois de analgesiar. Dor que persiste alta com o membro já imobilizado e já medicado é achado, não teimosia.
- 10Prescreva o exame seriado com nome, intervalo, responsável e gatilho de chamada. Sem intervalo prescrito, exame seriado não acontece.
- 11Radiografe. Membro estável: depois da tala. Membro sem pulso: depois do alinhamento e do contato com o ortopedista, nunca antes.
- 12Comunique-se com o ortopedista e diga, na ordem: mecanismo, achado vascular e neurológico de antes, manobra feita, achado de depois, e o que você quer dele. Não peça "uma avaliação": diga o que mudou.
- 13Na alta, entregue orientação escrita com os sinais que trazem o doente de volta na mesma noite, e confira quem, na casa, vai olhar o membro de madrugada.
O que a régua brasileira diz sobre a imobilização provisória — e onde ela para de dizer
| Decisão do plantão | O que o documento brasileiro diz | Onde está escrito | O que continua sendo julgamento seu |
|---|---|---|---|
| Examinar antes de imobilizar | Avaliar pulso periférico e perfusão, sensibilidade e mobilidade — passo numerado, anterior à imobilização | SAMU 192, suporte avançado, folha AT19, passo 7; repetido na folha AT20, passo 7 | Em que território testar a sensibilidade e o que contar como assimetria num membro já edemaciado |
| Escolher a técnica da imobilização | "Realizar a imobilização da parte afetada conforme técnica mais apropriada" — a folha não descreve nenhuma técnica | SAMU 192, folha AT19, passo 8 | Tudo: material, extensão, espessura, acolchoamento e posição. É aqui que a régua nacional termina |
| Reavaliar depois de imobilizar | Reavaliar pulso periférico e perfusão, sensibilidade e mobilidade após a imobilização — passo numerado e posterior | SAMU 192, folha AT19, passo 9; repetido na folha AT20, passo 9 | Com que intervalo repetir depois dessa primeira reavaliação, o que o documento não diz |
| Alinhar ou não alinhar antes de imobilizar | Ênfase no retorno à posição anatômica, "exceto se presença de dor significativa e/ou resistência ao reposicionamento"; em observação, que o retorno anatômico pode aliviar compressão de artérias ou nervos | SAMU 192, folha AT20, passo 8, e observações da folha AT19 | O que conta como dor significativa num doente que já refere dez, e quanta resistência é resistência |
| O que fazer com o osso exposto | Cobrir ferimentos e extremidades ósseas com curativo estéril; não recolocar o osso exposto para o interior do ferimento; anotar se ele se retrair para dentro durante a imobilização | SAMU 192, folha AT20, passo 5 e observações | Como registrar isso de modo que a equipe cirúrgica leia e entenda a implicação |
| O que a emergência hospitalar faz com o membro | Cobertura da ferida, imobilização provisória com o material disponível; na sala, controle de sangramento, exposição de todo o membro, imobilizar em posição funcional, checar necessidade de profilaxia antitetânica e iniciar antibiótico quando necessário | SESA-ES, diretrizes clínicas de trauma, 2018, Quadro 34 | O que é "o material disponível" no seu serviço às três da manhã, e o que fazer quando ele não existe |
| Quem recebe o doente depois | Toda suspeita ou diagnóstico de fratura ou luxação pós-trauma vai para urgência; fratura já manejada que fica com deformidade ou prejuízo funcional vai para ortopedia; fratura tratada com suspeita de síndrome compartimental volta para a urgência | Protocolos de encaminhamento, volume 4 (Ortopedia Adulto), Ministério da Saúde e UFRGS, 2022, Protocolo 12 | Como escrever o encaminhamento para que ele seja aceito: o protocolo exige local e data da fratura, tratamento já feito, presença de deformidade e o laudo de imagem anexado |
A articulação acima e a de baixo — o mínimo geométrico, segmento por segmento
| Segmento fraturado | Articulação acima | Articulação abaixo | Posição em que se deixa | O que denuncia a tala curta |
|---|---|---|---|---|
| Diáfise do úmero | Ombro | Cotovelo | Cotovelo a noventa graus, antebraço em posição neutra, membro junto ao tronco | Dor ao virar o corpo na cama, porque o ombro solto devolve rotação ao foco |
| Antebraço (rádio e ulna) | Cotovelo | Punho | Cotovelo a noventa graus, antebraço neutro, punho em leve extensão, dedos livres e visíveis | Dor à pronossupinação espontânea; tala que solta o cotovelo permite rotação inteira do foco |
| Rádio distal | Punho | Articulações metacarpofalângicas (que ficam livres) | Punho em leve extensão, dedos livres a partir da prega palmar distal, polegar livre | Rigidez de dedos na primeira semana, quando a tala avança sobre as pregas e impede a flexão |
| Diáfise da tíbia e da fíbula | Joelho | Tornozelo | Joelho em leve flexão, tornozelo a noventa graus, dedos visíveis | Dor ao sentar na maca; tala que termina abaixo do joelho não impede o momento de flexão no foco |
| Tornozelo e terço distal da perna | Joelho ou terço proximal da perna, conforme o traço | Antepé | Tornozelo a noventa graus, evitando equino, com apoio até a cabeça dos metatarsos | Pé caindo em equino dentro da imobilização — sequela funcional produzida pela própria tala |
| Fêmur | Quadril | Joelho | Membro alinhado, imobilizado ao membro contralateral e ao tronco quando não há material próprio | Volume de sangramento na coxa que não estabiliza; segmento sem contenção continua sangrando |
| Clavícula e cintura escapular | Não se aplica: contenção do membro ao tronco | Cotovelo | Tipoia com o cotovelo a noventa graus e o antebraço apoiado em toda a extensão, não pendurado pelo punho | Dor cervical no dia seguinte, quando a alça da tipoia leva o peso no pescoço em vez de no ombro contralateral |
Síndrome compartimental: o que é precoce, o que é tardio e o que cada número decide
| Achado ou número | O que ele significa | Documento brasileiro | Decisão que ele dispara |
|---|---|---|---|
| Dor intensa e desproporcional à lesão, que não cede a analgesia leve e moderada | Sinal precoce, e o mais sensível de todos | SAMU 192, folha AT24, critérios de inclusão | Abrir a imobilização até a pele e reexaminar antes de qualquer aumento de dose |
| Parestesia distal ao compartimento | Sinal precoce; o nervo é mais sensível à isquemia que o músculo | SAMU 192, folha AT24; SESA-ES, Quadro 39 | Mesma conduta do item anterior, e chamada do cirurgião se persistir depois de abrir |
| Dor à extensão passiva da musculatura do compartimento testado | Achado diagnóstico de exame físico, barato e reprodutível | SESA-ES, Quadro 39 | Registrar como positivo ou negativo em toda passagem; positivo novo é piora |
| Edema com aspecto hipertensivo do compartimento | Achado diagnóstico; sobrevive no doente que não fala | SESA-ES, Quadro 39 | Único achado utilizável em rebaixado, sedado ou criança pequena |
| Ausência de pulso, palidez, paralisia | Sinais tardios; a diretriz estadual acrescenta que não costumam estar presentes | SAMU 192, folha AT24; SESA-ES, Quadro 38, item 5 | Presença confirma tarde; ausência não exclui nada e não pode tranquilizar |
| Pressão do compartimento acima de 30 mmHg | Corte absoluto de pressão elevada, apresentado como complemento de um diagnóstico que é clínico | SESA-ES, Quadro 38, item 4 | Confirma quando alto; não exclui quando baixo, sobretudo com pressão arterial baixa |
| Pressão arterial sistêmica baixa | Reduz a pressão de compartimento necessária para produzir a síndrome | SESA-ES, Quadro 38, item 6 | Registrar a pressão arterial na mesma linha da suspeita: ela é metade do critério |
| Suspeita razoável, com ou sem número | Limiar de ação declarado pela diretriz | SESA-ES, Quadro 39, parágrafo final | Não adiar: fasciotomia descompressiva imediata dos compartimentos envolvidos, decisão do cirurgião |
Analgesia da fratura: o que o protocolo nacional manda, quanto dá em mililitros e o que a Rename 2024 fornece
| Fármaco e apresentação do protocolo | Dose que o protocolo prescreve | Conversão conferida em Python, adulto de 70 kg | Consta da Rename 2024? |
|---|---|---|---|
| Dipirona sódica, 500 mg/mL, intravenosa ou oral | 1 g, liberada nos três níveis de dor | 1.000 mg ÷ 500 mg/mL = 2,0 mL, ou seja uma ampola de 2 mL | Sim: 500 mg comprimido, 500 mg/mL solução oral e 500 mg/mL solução injetável, componente Básico |
| Paracetamol, solução oral de 200 mg/mL | 40 a 50 gotas, ou um comprimido de 500 mg | 40 gotas = 2,0 mL = 400 mg; 50 gotas = 2,5 mL = 500 mg, tomando 20 gotas por mililitro | Sim: 200 mg/mL solução oral e 500 mg comprimido, componente Básico. Não há apresentação injetável na relação |
| Cetoprofeno, tenoxicam ou cetorolaco de trometamina, injetáveis | Cetoprofeno 100 a 300 mg; tenoxicam 20 a 40 mg; cetorolaco 30 mg — liberados apenas para dor leve | Cetorolaco 30 mg ÷ 30 mg/mL = 1,0 mL, uma ampola | Não: nenhum dos três consta da relação. O anti-inflamatório que o SUS fornece é ibuprofeno oral, componente Básico |
| Cloridrato de tramadol, 50 mg/mL, intramuscular ou intravenoso | 100 mg, lento, único fármaco liberado para dor moderada | 100 mg ÷ 50 mg/mL = 2,0 mL, uma ampola de 2 mL | Não consta da Rename 2024, e o próprio protocolo já o marcava como fora da Rename 2013 |
| Sulfato de morfina, 1 mg/mL e 10 mg/mL | Intravenosa 2 a 10 mg por 70 kg; intramuscular 5 a 20 mg por 70 kg | Com a ampola de 10 mg/mL: 2 mg = 0,2 mL e 10 mg = 1,0 mL. Doses baixas exigem diluição antes de aspirar | Sim, mas só a apresentação de 10 mg/mL injetável, no componente Especializado e vinculada ao protocolo de dor crônica. A apresentação de 1 mg/mL não consta |
| Fentanila, 50 mcg/mL | 2 a 4 mL, sem referência de peso | 2 mL = 100 mcg e 4 mL = 200 mcg; num doente de 50 kg, 200 mcg equivalem a 4,0 mcg/kg | Não consta da Rename 2024 em nenhuma apresentação |
| Material da imobilização: atadura gessada, algodão ortopédico, atadura de crepe | Não prescrito por nenhum dos documentos consultados | Não se aplica | Não: a Rename é relação de medicamentos e não de material. Nenhum documento nacional aberto especifica o insumo da imobilização provisória |
Conversões de analgésicos. Na apresentação de paracetamol 200 mg/mL com 20 gotas/mL, cada gota contém 10 mg: 40–50 gotas correspondem a 400–500 mg. Dipirona 500 mg/mL fornece 1 g em 2 mL. Confirme a concentração e, para gotas, o gotejador do produto.
Disponibilidade no plantão. A lista de opções de um protocolo não demonstra o estoque do serviço. Confira quais analgésicos e apresentações estão disponíveis, mantendo um plano compatível com a avaliação da dor e os riscos do paciente.
Via e apresentação. Comprimido de ondansetrona não substitui a formulação intravenosa. Para morfina a 10 mg/mL, 2 mg correspondem a 0,2 mL: confira a diluição padronizada, a dose e a administração com a equipe antes de aspirar.
Acesso à analgesia. Organize o fornecimento do fármaco prescrito e comunique dificuldades. A imobilização reduz a dor provocada pelo movimento dos fragmentos e integra o cuidado enquanto o restante do plano é executado; não elimina a avaliação da necessidade de medicamentos.
Analgesia e contexto. Intensidade da dor, sangramento, perfusão, função renal e demais condições do paciente orientam a discussão do esquema. Uma célula de tabela não deve ser interpretada sem as ressalvas do atendimento ao trauma.
Opioide prescrito em volume. Fentanila a 50 mcg/mL fornece 100–200 mcg em 2–4 mL. Os mesmos 200 mcg correspondem a 2,86 mcg/kg em 70 kg e 4 mcg/kg em 50 kg. Isso ilustra por que um volume fixo exige conferir paciente, dose e monitorização; não é uma recomendação de dose inicial.
Pressão compartimental e perfusão. Com compartimento a 28 mmHg, a diferença para a pressão diastólica é 52 mmHg se ela for 80, mas apenas 22 mmHg se for 50. Um valor absoluto abaixo de 30 não exclui síndrome no hipotenso. Leve a pressão arterial contemporânea e o exame seriado à equipe.
Exame antes e depois. Registre pulso, enchimento capilar, sensibilidade e motricidade antes da imobilização e repita após a intervenção. A mesma sequência é necessária na transferência e diante de sintomas novos, mesmo quando uma lista de verificação não a repete.
Esmagamento. Reposição volêmica e distúrbios eletrolíticos pertencem ao atendimento específico do trauma. A composição de uma solução deve ser interpretada junto da quantidade, do estado circulatório e dos exames; comparar isoladamente potássio ou cloreto não define o fluido para o paciente.
Encaminhamento. Suspeita de síndrome compartimental após a imobilização exige retorno à urgência, não espera por consulta ambulatorial. A orientação escrita deve indicar o serviço e os sinais que justificam procurar ajuda imediatamente.
Aplicação de protocolos. Identifique o contexto pré-hospitalar ou hospitalar da recomendação e combine o plano com quem supervisiona. Uma sequência abreviada de atendimento móvel não substitui a avaliação seriada na espera pelo especialista.
Técnica da tala. Extensão, acolchoamento e posição devem corresponder ao segmento e à lesão, sob supervisão. Confira se o suporte acomoda o edema e repita o exame distal; a expressão “material disponível” não dispensa esses cuidados.
A conduta, hora a hora
Prática do internato: confirmar indicação e identidade, explicar ao paciente e combinar supervisão antes da execução. O interno deve reconhecer seus limites, interromper diante de dificuldade ou deterioração e comunicar os achados ao responsável. Registrar resultado, intercorrências e plano de reavaliação faz parte do procedimento.
O que segue é a noite de Jucelino Abrantes, na ordem do relógio, com o que se faz e o que se escreve em cada marco. A conduta específica de fratura — redução definitiva, escolha entre gesso e fixação, indicação cirúrgica — não é deste capítulo e não aparece aqui: é da ortopedia, e o doutor Maurivan chega às duas horas da manhã.
Repare que sete dos oito marcos acontecem antes de o especialista pisar no hospital, e que dois deles são só escrever.
23h12 — antes de qualquer material: expor, retirar adorno, olhar em volta
A calça já foi cortada. Falta expor o membro inteiro, do quadril ao pé, e olhar toda a circunferência da perna, inclusive a face posterior, levantando o membro em bloco com as duas mãos e não pela ponta. Você procura três coisas: ferida sobre o foco, ainda que puntiforme; área de pele branca ou tensa sobre a proeminência; e bolha ou marca de pressão. Jucelino tem pele íntegra, área equimótica de oito centímetros e nenhuma ferida. Retire tornozeleira, anel do dedo do pé se houver, e a pulseira do lado lesado — o membro vai inchar nas próximas horas e adorno em membro que incha é torniquete com data marcada.
Prescrição- Exposição completa do membro, com inspeção da face posterior por elevação em bloco
- Retirada de adornos do lado lesado, com registro do que foi retirado e entrega ao acompanhante
- Manutenção do doente aquecido: exposição não é sinônimo de hipotermia
23h14 — o exame que só existe agora: pulso, perfusão, sensibilidade, motricidade
Noventa segundos, quatro achados, comparação com o lado são em todos. Pedioso e tibial posterior direitos, palpados e comparados com os esquerdos. Enchimento capilar da polpa do hálux, contado em voz alta. Sensibilidade em três territórios: primeiro espaço interdigital dorsal, borda lateral do pé e planta. Motricidade: dorsiflexão e flexão plantar do hálux contra resistência leve, sem mexer no foco. Em Jucelino, os quatro estão normais e simétricos. Isso é o que o protocolo nacional numera como passo 7, e é o que deixa de ser obtenível daqui a seis minutos.
Prescrição- Registro na ficha, com hora: pulsos pedioso e tibial posterior direitos presentes e simétricos; enchimento capilar 2 s; sensibilidade preservada nos três territórios; dorsiflexão e flexão plantar do hálux presentes
- Escala numérica de dor registrada como número, não como adjetivo: dor 10
- Pressão arterial anotada junto ao exame do membro — ela é metade do critério de compartimento
23h16 — a decisão de alinhar, e a decisão de não alinhar
Perfusão e sensibilidade preservadas são dados favoráveis, mas não excluem todas as lesões nem decidem sozinhas se a fratura necessita redução. No cuidado inicial, discuta alinhamento e imobilização com o médico responsável, considerando deformidade, ameaça à pele, estabilidade e exame neurovascular. Em Jucelino, a equipe pode optar por imobilização provisória acolchoada até avaliação ortopédica se não houver ameaça imediata; não é uma regra para toda angulação com pulso presente. Isquemia ou pele ameaçada exigem ajuda imediata e eventual realinhamento por profissional habilitado, com analgesia e reexame, sem esperar radiografia se isso atrasar a correção de ameaça ao membro.
Prescrição- Analgesia antes da manobra, e não depois: a manobra em doente com dor dez produz resistência muscular que atrapalha o alinhamento e piora a lesão
- Duas pessoas para a manobra: uma sustenta acima do foco e outra abaixo, com tração suave, sustentada e no eixo do membro
- Definir com o médico responsável a necessidade e a oportunidade de realinhamento; não usar pulso presente como proibição universal de redução. O interno não deve executar manobra sem supervisão e preparo apropriado.
23h18 — a analgesia, com a conta feita e a apresentação real na bandeja
Dor dez, doente de 78 quilos, estável, sem alergia conhecida, sem uso de anticoagulante. O protocolo nacional libera analgésico simples nos três níveis e opioide forte na dor intensa. Na prática, o que costuma haver às onze da noite é dipirona e, trancada, uma ampola de morfina de 10 mg/mL. A conta da morfina intravenosa é 2 a 10 mg por 70 kg: com a ampola de 10 mg/mL, 2 mg são 0,2 mL, o que significa diluir antes de aspirar. Titular em incrementos e reexaminar entre eles vale mais que acertar o número de primeira. E há a outra metade da analgesia, que não passa pela farmácia: a tala.
Prescrição- Dipirona 1 g intravenosa — 2 mL da solução de 500 mg/mL, uma ampola (Rename 2024: componente Básico)
- Sulfato de morfina intravenosa titulada, diluída antes de aspirar, com reavaliação da dor e do nível de consciência entre incrementos (Rename 2024: 10 mg/mL injetável, componente Especializado)
- Imobilização registrada na prescrição como medida analgésica, e não apenas como cuidado de enfermagem
- Reavaliação da dor por escala numérica quinze minutos depois, anotada
23h22 — a tala: acolchoar mais do que parece necessário, e incluir joelho e tornozelo
Goteira posterior de gesso, da raiz da coxa até a cabeça dos metatarsos, com o joelho em leve flexão e o tornozelo a noventa graus. Acolchoamento generoso em toda a extensão, com sobra nas duas pontas e camadas extras sobre calcâneo, maléolos, cabeça da fíbula e tuberosidade da tíbia. Dedos visíveis, sempre. Fixação por fora com atadura de crepe, aplicada com a mão frouxa e nunca com o membro esticado por outra pessoa. Nada circular fechado, nada de esparadrapo dando a volta no membro. Se não houver goteira, papelão firme forrado, tala de madeira acolchoada ou o membro contralateral servem — o quadro estadual autoriza imobilização provisória com o material disponível, e o que ele não autoriza é apertar.
Prescrição- Imobilização em goteira posterior incluindo joelho e tornozelo, em posição funcional
- Acolchoamento com sobra nas extremidades e camadas adicionais sobre proeminências ósseas
- Atadura de crepe frouxa por fora, sem volta de esparadrapo em torno do membro
- Extremidades dos dedos deixadas visíveis e acessíveis ao exame
23h28 — a segunda metade do experimento: reavaliar e escrever de novo
As mesmas quatro, na mesma ordem, com o membro já imobilizado. É o passo 9 do protocolo nacional, e é o passo que a rotina come. Em Jucelino, os pulsos continuam presentes, o enchimento capilar segue em dois segundos, a sensibilidade está preservada nos três territórios e ele mexe o hálux. A dor caiu de dez para cinco só com a tala e a primeira dose. A segunda linha da ficha nasce agora, e ela é a que transforma a tala num procedimento com desfecho verificado. Se qualquer achado tivesse piorado, a conduta seria abrir a imobilização até a pele imediatamente e reavaliar antes de qualquer outra decisão.
Prescrição- Registro na ficha, com hora: reavaliação após a imobilização, com os quatro achados e a comparação explícita com o exame de antes
- Elevação do membro ao nível do coração, com apoio em toda a extensão da panturrilha e o calcâneo livre
- Crioterapia por cima da imobilização, sem contato direto com a pele, por períodos curtos
- Ordem escrita e verbal à equipe: abrir a imobilização e chamar diante de piora de dor, perfusão ou sensibilidade
23h40 — a radiografia, e o telefone com conteúdo
Agora, e não antes, o doente vai ao raio-X — imobilizado, transportado em bloco, com a goteira posterior que permite o perfil. Enquanto ele desce, o telefone. A ligação para o ortopedista de sobreaviso não é um pedido de avaliação: é um relato com quatro elementos e um pedido. Mecanismo e horário; achado vascular e neurológico antes da imobilização; o que foi feito; achado depois da imobilização. E então o pedido concreto, que aqui é uma pergunta de tempo: ele quer que o doente fique em jejum e vá para a sala esta noite, ou o caso pode esperar a manhã? A resposta muda a prescrição das próximas horas.
Prescrição- Radiografia da perna direita em duas incidências, com articulações vizinhas incluídas, após a imobilização
- Transporte em bloco, com apoio acima e abaixo do foco, e reavaliação do membro após o retorno da sala de imagem
- Contato com a ortopedia de sobreaviso, com registro em prontuário do horário, do conteúdo transmitido e da orientação recebida
- Jejum e via de acesso conforme a resposta da ortopedia sobre a perspectiva cirúrgica
00h10 até a manhã — o exame seriado prescrito, não combinado no corredor
A tala está feita e o membro está estável. O que decide o desfecho de Jucelino, daqui em diante, é uma prescrição de vigilância que precisa estar escrita com quatro elementos: o que se olha, de quanto em quanto tempo, quem olha e o que dispara a chamada. Sem intervalo prescrito, exame seriado não existe. Na passagem de plantão das sete, esses mesmos elementos vão junto com o achado de antes e o de depois — porque a linha de base de Jucelino mora na sua cabeça, e você vai embora.
Prescrição- Avaliação de perfusão, sensibilidade, dor à extensão passiva do hálux e tensão da panturrilha de 2 em 2 horas nas primeiras 6 horas, e de 4 em 4 depois, pela enfermagem, com registro
- Chamada médica imediata diante de piora de qualquer um dos quatro, ou de pedido de analgésico fora do horário prescrito
- Reavaliação médica do membro pelo menos uma vez por turno, com registro comparativo
- Passagem de plantão contendo horário da imobilização, achado de antes, achado de depois e o gatilho combinado
Como saber se está funcionando
Reavaliar um membro imobilizado é comparar, não descrever. Um achado isolado vale pouco; o mesmo achado medido três vezes, pela mesma pessoa, com hora anotada, vale quase tudo. Os sete parâmetros abaixo são os que mudam conduta.
Esperado: Queda após a imobilização e após a analgesia, e depois estabilidade ou queda lenta ao longo das horas
Se não melhora: Dor que sobe com o membro já imobilizado e já medicado, ou que exige doses crescentes em poucas horas, é o sinal precoce da lista do protocolo nacional. A conduta é abrir a imobilização até a pele e reexaminar, e só então decidir sobre dose. Subir a dose sem olhar sepulta o diagnóstico debaixo do opioide.
Esperado: Ausente ou desproporcionalmente leve para o movimento executado
Se não melhora: Positivo novo é piora, mesmo com pulso presente e pé rosado. É um dos quatro achados do quadro diagnóstico da diretriz estadual, custa quinze segundos e não exige desmontar a tala — exige apenas que os dedos estejam acessíveis, o que é uma decisão tomada na hora de montar.
Esperado: Preservada e simétrica nos territórios testados
Se não melhora: Parestesia nova é sinal precoce, não tardio, e é o primeiro território a falhar porque o nervo tolera menos isquemia que o músculo. Parestesia que aparece depois da tala pede abrir a imobilização antes de qualquer outra hipótese, porque a causa mais provável é a que você acabou de criar.
Esperado: Polpa rosada, quente, enchimento capilar de até dois segundos, simétrico
Se não melhora: Palidez e lentificação são achados tardios: a diretriz estadual registra que costumam não estar presentes na síndrome compartimental. Presença confirma tarde; ausência não exclui e não pode servir de tranquilizante para adiar a chamada.
Esperado: Presente e simétrico ao contralateral
Se não melhora: Perda nova de pulso é emergência vascular e exige contato imediato com o cirurgião, além de abrir a imobilização inteira. Mas o inverso é a lição do capítulo: pulso mantido não é critério de segurança e não deve aparecer sozinho na evolução como prova de que o membro está bem.
Esperado: Edema que estabiliza nas primeiras horas e compartimento que continua depressível
Se não melhora: Compartimento tenso, que não deprime, é o único dos quatro achados diagnósticos que sobrevive no doente rebaixado, sedado ou muito pequeno. Nesses, ele passa de sinal complementar a sinal principal, e o limiar de chamar cai.
Esperado: Sem dor localizada em ponto único, sem odor, sem umidade e sem mancha no acolchoamento
Se não melhora: Dor que o doente aponta com um dedo, sempre no mesmo lugar, é úlcera de pressão em formação até prova em contrário, e não é dor de fratura — dor de fratura é difusa. Abrir uma janela e olhar é obrigatório, e a lesão de pele sob imobilização aparece em 24 a 48 horas, quase sempre depois da alta.
Onde o erro machuca
O dano: É o erro que organiza todos os outros. Depois da atadura, pulso e sensibilidade de antes deixam de existir, e um pé insensível encontrado de madrugada fica indistinguível de um pé que ficou insensível na manobra. O paciente perde a informação que orientaria a conduta; o interno perde a única prova de que o déficit veio do trauma e não da mão dele. E o protocolo nacional numera esse exame como passo anterior à imobilização, o que torna a omissão difícil de justificar.
Como pegar a tempo: Duas linhas na ficha, com hora, achado e comparação com o lado são: uma antes e uma depois. Noventa segundos cada. Se a pressa for real, escreva primeiro e enfaixe depois — a ordem dos passos numerados é essa por um motivo.
O dano: Gesso circular fechado, ou atadura apertada, nas primeiras horas de uma fratura é a versão externa da mesma equação que produz a síndrome compartimental: a diretriz estadual descreve a redução do volume do compartimento por curativo circunferencial compressivo como um dos dois mecanismos, e o protocolo nacional nomeia o aparelho gessado entre as causas na observação da folha de síndrome compartimental. O edema pós-traumático sobe por horas, e o invólucro que servia às onze da noite estrangula às três da manhã.
Como pegar a tempo: Imobilização provisória é goteira, tala posterior ou tala em U — nunca circular fechado nas primeiras horas. Se algum circular for inevitável, ele é aberto longitudinalmente até a pele, incluindo o acolchoamento, antes de o doente sair da sua vista. Gesso circular é decisão de tratamento definitivo, e essa decisão é da ortopedia.
O dano: O acolchoamento não é conforto: é o que distribui a pressão de uma superfície rígida sobre uma pele que já está mal perfundida pelo edema. Onde falta algodão — calcâneo, maléolos, cabeça da fíbula, olécrano, cabeça da ulna —, a pressão se concentra num ponto e produz lesão em 24 a 48 horas, quase sempre depois da alta, num paciente que voltará com uma úlcera que ninguém relaciona à tala. No idoso e no doente em corticoide, o prazo é mais curto.
Como pegar a tempo: Acolchoar toda a extensão que a tala vai tocar, com sobra nas duas pontas e camadas extras sobre cada relevo ósseo. Passar o dedo entre a tala e a pele em cada proeminência antes de fechar: se não entra, falta algodão. E perguntar ao doente onde dói mais depois de pronta — dor em ponto único é mapa.
O dano: É a versão improvisada do circular fechado, com dois agravantes: o esparadrapo não cede quando o membro incha, ao contrário do crepe, e ele adere à pele, de modo que a retirada arranca epiderme de quem já tem pele frágil. A faixa costuma ser estreita, o que concentra a compressão numa linha e produz um sulco de constrição justamente onde ninguém vai olhar, debaixo da tala.
Como pegar a tempo: Fixação por fora com atadura de crepe, frouxa, e esparadrapo apenas para prender a ponta da atadura em si mesma — nunca em volta do membro e nunca sobre a pele. Se a tala escorrega, o problema é o comprimento ou o apoio, e apertar não conserta nenhum dos dois.
O dano: A dor desproporcional que não responde à analgesia leve e moderada é, no protocolo nacional, critério de inclusão da síndrome compartimental — ou seja, o próprio documento usa a falha da analgesia como sinal diagnóstico. Tratar essa falha com mais dose apaga o único sinal precoce disponível e transfere o diagnóstico para o grupo tardio, que é ausência de pulso, palidez e paralisia. Quando esses aparecem, a decisão já não é sobre função.
Como pegar a tempo: Ordem fixa: dor que sobe pede exame antes de dose. Abrir a imobilização até a pele, olhar, testar extensão passiva e sensibilidade, comparar com a linha de base escrita — e então decidir sobre analgesia. A regra geral de que dor nova ou crescente é complicação até prova em contrário é do capítulo de analgesia no paciente internado, na apostila de prescrição; aqui ela tem endereço, e o endereço é o compartimento.
O dano: A complicação da imobilização provisória acontece, na maioria das vezes, longe do hospital e de madrugada. O documento federal de encaminhamento prevê essa rota de volta explicitamente, ao mandar que fratura tratada com suspeita de síndrome compartimental retorne à urgência — mas quem aciona a rota é o paciente, e ele só aciona o que sabe reconhecer. Orientação dada verbalmente a um doente que acabou de tomar opioide não sobrevive ao trajeto de ônibus.
Como pegar a tempo: Folha escrita, em linguagem de leigo, com quatro gatilhos nomeados: dor que aumenta em vez de diminuir, formigamento ou dormência nova nos dedos, dedos frios ou roxos, e impossibilidade de mexer os dedos. Mais três instruções: manter o membro elevado, não molhar, não enfiar nada por dentro para coçar. E uma pergunta feita em voz alta antes da alta: quem, na sua casa, vai olhar esses dedos de madrugada?
O que dizer ao paciente e à família
Quase tudo o que se conversa em torno de uma tala é uma negociação sobre tempo: o tempo que o ortopedista vai demorar, o tempo que o doente vai ficar imobilizado, o tempo que a dor vai levar para ceder e o tempo que ele tem para voltar se alguma coisa mudar. Falar isso mal produz dois desfechos previsíveis: alta a pedido e retorno tardio.
As falas abaixo são para o interno que ainda não sabe onde ficar de pé. Nenhuma delas promete o que não se pode cumprir.
Explicar por que você vai examinar e escrever antes de fazer qualquer coisa, com o doente em dor dez
“Seu Jucelino, eu sei que dói muito e eu vou tratar a dor agora. Antes disso eu preciso de noventa segundos para testar quatro coisas nesse pé: se o sangue está chegando, se o senhor sente, se o senhor mexe e como está o pulso. Eu preciso testar agora porque, depois que a perna estiver enfaixada, eu não consigo mais — e se alguma dessas coisas mudar de madrugada, essa anotação é o que vai dizer à equipe se mudou por causa da queda ou por causa da tala. Não vou mexer no lugar quebrado.”
Não diga: "Vou só dar uma olhadinha rápida." A frase pede permissão para um exame que não é opcional e transmite que é dispensável se o doente reclamar. Também evita-se anunciar a analgesia depois do exame: anuncie antes, e o doente colabora.
Dizer que a tala não é o tratamento, sem que isso soe como "não fizemos nada"
“Essa tala não é o conserto da perna. Ela faz três coisas: tira boa parte da dor, segura o sangramento lá dentro e impede que o osso rompa a pele quando o senhor for para o raio-X. O conserto quem decide é o ortopedista, que está vindo. O que vamos fazer até lá é manter a perna quieta, tratar a dor e olhar esse pé de duas em duas horas.”
Não diga: "É só uma tala provisória." A palavra "só" desqualifica o único tratamento que o doente está recebendo naquele momento e prepara o terreno para que ele saia andando com ela no meio da noite.
Explicar o alinhamento antes de fazê-lo, quando o pé está pálido
“O pé da senhora está mais pálido e mais frio que o outro, e a posição em que o tornozelo ficou está apertando por dentro. Eu vou puxar devagar e endireitar, sem forçar, e é bem provável que doa mais por alguns segundos. Estou fazendo isso antes do raio-X de propósito: o raio-X demora e essa circulação não pode esperar. Se doer de um jeito que a senhora não aguente, eu paro.”
Não diga: "Vai doer um pouquinho." Minimizar destrói a confiança exatamente no segundo seguinte. E evite pedir a radiografia primeiro "para ver o que tem" num membro pálido: é a decisão que o capítulo inteiro existe para desfazer.
Ligar para o ortopedista de sobreaviso, às onze e quarenta da noite
“Doutor Maurivan, aqui é o interno do pronto-socorro. Homem de 34 anos, queda de moto às 22h20, fratura fechada de perna direita com angulação de uns vinte graus, pele íntegra, estável. Antes de imobilizar: pedioso e tibial posterior presentes e simétricos, sensibilidade preservada, mexia os dedos. Imobilizei em goteira posterior incluindo joelho e tornozelo, não tentei reduzir. Depois de imobilizar: os quatro mantidos, dor caiu de dez para cinco. Está indo para o raio-X agora. Minha pergunta é de tempo: o senhor quer ele em jejum para esta noite, ou eu programo a manhã?”
Não diga: "Doutor, tem um paciente aqui com fratura, o senhor pode dar uma olhada?" A ligação sem conteúdo transfere a decisão sem transferir a informação, e costuma voltar como uma pergunta que você já poderia ter respondido.
Explicar por que abrir a tala que acabou de ser feita, sem parecer que houve erro
“Vou abrir essa faixa até a pele agora. Não é porque foi mal feita: é porque a perna continua inchando depois do acidente, e o que estava justo às onze pode estar apertado à uma. A dor que o senhor está descrevendo é maior do que eu esperaria a esta altura, e a primeira coisa que eu tenho que descartar é que a apertadura seja minha e não da fratura. Vou abrir, olhar, testar e refazer.”
Não diga: Abrir sem avisar, ou avisar depois. E evite a frase "vou aliviar um pouquinho": abrir significa abrir até a pele, incluindo o algodão, e meia medida aqui não tem valor diagnóstico nenhum.
A orientação de alta para quem vai para casa com o membro imobilizado
“Vou deixar isso por escrito e quero que a senhora leve o papel. São quatro coisas que fazem a senhora voltar para cá na mesma noite, sem esperar amanhã: se a dor aumentar em vez de diminuir; se aparecer formigamento ou dormência nos dedos; se os dedos ficarem frios ou roxos; se a senhora não conseguir mexer os dedos. Qualquer uma dessas quatro, volta. E três coisas de cuidado: manter a mão acima do nível do coração quando estiver sentada, não molhar, e não enfiar nada por dentro para coçar. Quem mora com a senhora?”
Não diga: Entregar a receita e dizer "qualquer coisa procure um serviço de saúde". "Qualquer coisa" é a instrução que o doente não consegue reconhecer, e "um serviço de saúde" é uma abstração para quem depende de duas conduções para chegar até aqui.
Responder ao acompanhante que quer saber por que não colocaram gesso de verdade
“A senhora tem razão de estranhar, e eu explico. Gesso fechado em volta da perna, nas primeiras horas, é perigoso justamente porque a perna ainda vai inchar — e o gesso não cede. Por isso a gente usa esse formato aberto, que segura por trás e deixa espaço na frente. O gesso fechado, se for o caso, quem coloca é o ortopedista, quando o inchaço tiver estabilizado. Não é uma versão pior: é a versão certa para hoje.”
Não diga: Responder que "aqui a gente faz assim". A resposta institucional sem razão clínica é a que produz a segunda opinião na farmácia da esquina e a retirada da tala em casa.
Onde bons médicos discordam
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que pesa na hora de decidir para o seu paciente.
Reduzir primeiro quando há sinal de sofrimento: a régua federal coloca o retorno anatômico como conduta e a imagem depois
Na folha de fratura exposta das extremidades, o protocolo nacional coloca a imobilização com ênfase no retorno à posição anatômica como passo 8 da conduta, antes de qualquer menção a exame de imagem — que aliás não aparece na folha, porque ela é pré-hospitalar. E na folha de trauma de membros, em observação, registra que o retorno à posição anatômica pode aliviar a compressão de artérias ou nervos e melhorar a perfusão e a função neurológica. Quem sustenta essa posição argumenta que a radiografia responde qual osso e qual traço, e que nenhuma dessas duas perguntas muda a conduta dos primeiros minutos num membro mal perfundido, enquanto o tempo gasto até a imagem é tempo de isquemia acumulada.
Ministério da Saúde, Protocolos de Intervenção para o SAMU 192, suporte avançado, 2ª edição, 2016 — folha AT20, passo 8, e observações da folha AT19 (folhas com revisão datada de outubro de 2014)
Documentar antes de manipular: a régua estadual coloca a imagem dentro do que cabe ao ortopedista, depois da imobilização provisória
O quadro de tratamento de emergência das lesões traumatológicas ortopédicas da diretriz estadual capixaba organiza a sequência em três blocos com donos diferentes: tratamento imediato da emergência, que é cobrir a ferida e imobilizar provisoriamente com o material disponível; tratamento na sala de emergência, que inclui expor todo o membro, imobilizar em posição funcional, checar antitetânica e antibiótico; e tratamento pelo ortopedista, que é onde entram a avaliação do estado vascular e neurológico, a solicitação de radiografias em duas incidências e as incidências especiais. Quem sustenta essa leitura argumenta que a manobra de redução antes da imagem apaga a anatomia original da lesão, dificulta a classificação posterior, pode converter uma fratura em exposta e é executada por quem não vai tratá-la — e que o documento estadual atribui essa etapa ao especialista, não ao plantão.
Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo, Atendimento de Urgência ao Paciente Vítima de Trauma — Diretrizes Clínicas, versão 2018, aprovada em 30/09/2018, Quadro 34
Avalie deformidade, pele, perfusão e função antes da manobra. Sofrimento vascular ou pele ameaçada exige contato imediato com a equipe e decisão urgente sobre realinhamento por operador habilitado. Em membro estável, organize imagem e plano de redução; perfusão preservada, isoladamente, não resolve todas as indicações. Registre antes e depois, sem forçar resistência durante a manobra.
A divisão é real e está medida no Brasil: entre ortopedistas brasileiros, praticamente metade a metade, e o próprio documento declara não haver consenso
Ao discutir a entorse lateral aguda de tornozelo, os Consensos Brasileiros de Ortopedia e Traumatologia registram que os ortopedistas do país divergem quanto à melhor conduta: 47% realizam imobilização funcional e 47,1% realizam imobilização rígida, e o texto conclui, com essas palavras, que não há consenso quanto ao método de imobilização. O mesmo capítulo do documento resume, a seguir, uma revisão sistemática Cochrane com 21 ensaios e 2.184 participantes em que o tratamento funcional apresentou diferenças significativas a favor em retorno ao esporte, retorno ao trabalho, edema persistente e satisfação, sem nenhuma diferença significativa a favor da imobilização — e adverte que os próprios autores da revisão pedem cautela, porque a maioria das diferenças perde significância quando se excluem os ensaios de baixa qualidade metodológica.
Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, Consensos Brasileiros de Ortopedia e Traumatologia, 2019 — pergunta 7, com o levantamento nacional e a síntese da revisão Cochrane citada ali
Para o membro traumatizado agudo, os dois documentos oficiais brasileiros descrevem o invólucro rígido circular como causa possível da complicação, não como opção equivalente
A diretriz estadual capixaba coloca a redução do volume do compartimento por curativo circunferencial compressivo como um dos dois mecanismos que produzem síndrome compartimental, ao lado do aumento do conteúdo por hemorragia. E o protocolo nacional, na observação da folha de síndrome compartimental, escreve que imobilizações aplicadas por tempo prolongado e enfaixamento circular muito apertado, inclusive aparelho gessado, também podem levar à síndrome — e, na conduta da mesma folha, coloca como passo 3 avaliar e remover imobilizações ou enfaixamentos circulares apertados. Quem sustenta essa posição argumenta que a discussão funcional-versus-rígido é uma discussão de tratamento de lesão ligamentar estabilizada, e não do membro agudo cujo edema ainda está subindo.
SESA-ES, Diretrizes Clínicas de Trauma, 2018, seção de síndrome compartimental; Ministério da Saúde, Protocolos SAMU 192, suporte avançado, 2ª ed. 2016, folha AT24, passo 3 e observações
Nas primeiras horas, a imobilização provisória deve acomodar o edema e permitir vigilância. A comparação entre tratamento funcional e rígido de uma entorse estabilizada responde a outra etapa. Defina suporte e retorno com a equipe, evitando compressão circular apertada; a escolha definitiva depende da lesão e da reavaliação.
Abrir é passo de conduta antes de qualquer medida, e a suspeita razoável basta para não adiar o resto
Na folha de síndrome compartimental, o protocolo nacional coloca avaliar e remover imobilizações ou enfaixamentos circulares apertados como passo 3, imediatamente depois das avaliações primária e secundária e antes de qualquer outra coisa, inclusive antes da analgesia, que é o passo 5. Não há nenhuma medida de pressão em nenhum ponto da folha. Do lado hospitalar, a diretriz estadual encerra o quadro diagnóstico afirmando que, havendo suspeita razoável de síndrome compartimental, o tratamento não deve ser adiado, devendo-se proceder de imediato à fasciotomia descompressiva dos compartimentos envolvidos, sob pena de lesão isquêmica do membro e rabdomiólise com insuficiência renal aguda. Quem sustenta essa posição argumenta que abrir a imobilização não tem custo, não tem contraindicação e é reversível, e que esperar para medir é gastar a única janela em que a lesão ainda é reversível.
Ministério da Saúde, Protocolos SAMU 192, suporte avançado, 2ª ed. 2016, folha AT24, conduta; SESA-ES, Diretrizes Clínicas de Trauma, 2018, Quadro 39, parágrafo final
A mesma diretriz oferece um número, e a medida existe para não operar o membro errado
O quadro de destaques da diretriz estadual afirma que o diagnóstico é clínico, podendo ser complementado por mensuração da pressão compartimental, e fixa que valor maior que 30 mmHg indica pressão elevada. Quem sustenta o uso da medida argumenta que fasciotomia é uma operação com morbidade própria — ferida aberta, necessidade de cobertura secundária, cicatriz extensa, risco de infecção — e que a dor desproporcional é um sinal com especificidade baixa num doente que também tem fratura, trauma de partes moles e, com frequência, ansiedade e privação de sono. Nessa leitura, o número é o que separa o membro que precisa da operação do membro que precisa apenas de tempo e de vigilância.
SESA-ES, Diretrizes Clínicas de Trauma, 2018, Quadro 38, itens 4 e 6
Diante de dor crescente, parestesia, dor à extensão passiva ou compartimento tenso, exponha o membro e alivie a imobilização compressiva, com reexame e acionamento imediato da equipe. A decisão sobre fasciotomia é cirúrgica. Informe a evolução dos achados e a pressão arterial junto de eventual medida compartimental; um número isolado baixo não tranquiliza o paciente hipotenso.
O raciocínio, em voz alta
Volte ao Jucelino Abrantes: 34 anos, 78 quilos, entregador de aplicativo, queda de moto sozinho às 22h20 numa curva molhada, de capacete, sem perda de consciência. Chega às 23h05 num carro particular. Perna direita com angulação de vinte graus no terço médio, proeminência voltada para fora, pele íntegra com área equimótica de oito centímetros, edema em progressão, pé em rotação externa pela gravidade. Pressão 132 por 84, frequência 104, saturação 98%, glicemia 118, dor 10. Hospital geral de 130 leitos, raio-X funcionando, ortopedista de sobreaviso a duas horas de distância. Você é o interno, e a técnica Rosilma Petrucci está com você.
antes de qualquer material, examino as quatro e escrevo a primeira linha
Exponho o membro inteiro, olho a face posterior levantando em bloco, retiro a tornozeleira do lado direito. Pedioso e tibial posterior direitos presentes e simétricos ao esquerdo. Enchimento capilar da polpa do hálux em dois segundos. Sensibilidade preservada e simétrica no primeiro espaço interdigital dorsal, na borda lateral e na planta. Dorsiflexão e flexão plantar do hálux presentes. Escrevo, com a hora: 23h14, antes da imobilização, os quatro achados e a comparação com o lado esquerdo. Essa linha é a que vai valer às três da manhã, e ela não existe se eu enfaixar primeiro.
decido não reduzir, e digo por quê na ficha
Os quatro achados normais respondem a pergunta do alinhamento: não há compressão vascular ou neural a aliviar. E a exceção que o próprio protocolo nacional nomeia — dor significativa ou resistência ao reposicionamento — se aplica com folga a um doente que refere dez. Então não corrijo os vinte graus. Imobilizo na posição em que a perna está, com tração longitudinal apenas o suficiente para acomodá-la na goteira. Registro a decisão e a razão, porque conduta não escrita vira omissão aos olhos de quem lê depois.
analgesio antes da manobra, com a conta feita para a apresentação que existe
Dipirona 1 g intravenosa — dois mililitros da solução de 500 mg/mL, uma ampola. E morfina titulada: com a ampola de 10 mg/mL, que é a única apresentação injetável da relação nacional, 2 mg são 0,2 mL, e portanto dilui-se antes de aspirar. Titulo em incrementos, reavaliando dor e nível de consciência entre eles. Anoto a escala numérica antes e quinze minutos depois. A segunda metade da analgesia é a tala, e ela vai na prescrição escrita como medida analgésica — não como cuidado de enfermagem no rodapé.
monto a goteira incluindo joelho e tornozelo, com algodão de sobra
Goteira posterior da raiz da coxa até a cabeça dos metatarsos: joelho é a articulação acima e tornozelo é a de baixo, e uma tala que termine abaixo do joelho devolve momento de flexão ao foco a cada vez que ele sentar na maca. Joelho em leve flexão, tornozelo a noventa graus para não deixar o pé cair em equino. Acolchoamento em toda a extensão, com sobra nas duas pontas e camadas extras sobre calcâneo, maléolos, cabeça da fíbula e tuberosidade da tíbia. Passo o dedo entre a tala e cada proeminência antes de fechar. Dedos visíveis. Crepe frouxo por fora, e nenhuma volta de esparadrapo no membro.
reavalio as mesmas quatro e escrevo a segunda linha
23h28, depois da imobilização: pulsos mantidos e simétricos, enchimento capilar dois segundos, sensibilidade preservada nos três territórios, mexe o hálux. Dor caiu de dez para cinco. Escrevo a segunda linha com a palavra "após" e a comparação explícita com o exame de antes. É o passo 9 do protocolo, é o que fecha o experimento, e é o passo que a rotina come. Elevo o membro ao nível do coração, com apoio em toda a panturrilha e o calcâneo livre, e ponho frio por cima da tala, sem contato com a pele.
só agora a radiografia, e o telefone com conteúdo
Radiografia da perna em duas incidências, com joelho e tornozelo incluídos, depois da tala e não antes — a viagem até a sala de imagem é o momento de maior risco de converter fechada em exposta, e a goteira posterior permite o perfil sem repetição. Enquanto ele desce, ligo para o doutor Maurivan e digo, na ordem: mecanismo e hora, os quatro achados de antes, o que fiz, os quatro achados de depois, e a pergunta de tempo — jejum para esta noite ou programo a manhã? Registro em prontuário o horário da ligação e a orientação recebida.
prescrevo a vigilância com nome, intervalo, responsável e gatilho
Perfusão, sensibilidade, dor à extensão passiva do hálux e tensão da panturrilha, de duas em duas horas nas primeiras seis e de quatro em quatro depois, pela enfermagem, com registro. Chamada médica imediata diante de piora de qualquer um dos quatro, ou se ele pedir analgésico fora do horário — porque o pedido fora do horário é, no protocolo nacional, critério de suspeita e não sinal de que o doente é queixoso. Reavaliação médica pelo menos uma vez por turno, comparativa.
passo o plantão com a linha de base, não com o diagnóstico
Às sete da manhã, o que precisa atravessar a troca não é "fratura de tíbia direita aguardando ortopedia". É: imobilizado às 23h22; achado de antes; achado de depois; a decisão de não reduzir e a razão dela; o gatilho combinado com a enfermagem; e a orientação da ortopedia sobre horário. A linha de base de Jucelino mora na minha cabeça até eu escrevê-la, e eu vou embora às sete.
Faça você
Agora é a dona Cremilde Passarinho, 79 anos, 52 quilos, aposentada, mora sozinha num sobrado de dois lances de escada, com a filha em outro bairro. Está em prednisona 10 mg por dia há sete meses por polimialgia reumática e usa losartana. Escorregou no piso molhado da cozinha às 19h e apoiou a mão direita no chão. Chega à unidade de pronto atendimento às 21h40, andando, acompanhada de uma vizinha. O punho direito tem deformidade em dorso de garfo, edema moderado, pele íntegra mas fina e com equimose que já se espalhou pelo dorso da mão. Ela sente e mexe todos os dedos, o radial está presente e simétrico, o enchimento capilar do polegar é de dois segundos. Dor 7. Não há ortopedista na unidade; a referência de ortopedia é um hospital a uma hora daqui, com baldeação de ônibus no meio do caminho, e ela não tem quem a leve hoje à noite. Você é o interno, e a decisão de alta é sua com o clínico da escala. Antes de ler os passos, decida: você imobiliza e manda para casa, e com o quê?
primeiro examino e escrevo, e o exame aqui inclui a pele
As quatro de sempre — radial, enchimento capilar, sensibilidade em polpa do indicador, do mínimo e primeiro espaço dorsal, e motricidade dos dedos — estão normais e simétricas, e vão para a ficha com a hora. Mas nesta apresentação há um quinto item, e ele é o que decide o desfecho: a pele. Sete meses de prednisona e setenta e nove anos produzem pele fina, subcutâneo escasso e vasos frágeis. Registro o estado da pele sobre a cabeça da ulna, sobre o processo estiloide do rádio e no dorso da mão, porque é ali que a imobilização vai apoiar.
não é caso de alinhar, e é caso de imobilizar bem
Perfusão e sensibilidade estão preservadas, mas isso não resolve a indicação de redução do rádio distal. Avalio deformidade, pele e imagem com o médico responsável e a ortopedia. Enquanto se define o tratamento, faço imobilização provisória supervisionada, acolchoada e sem compressão, protegendo a pele frágil e permitindo acompanhar os dedos. A posição e a extensão da tala dependem do padrão de fratura e da orientação da equipe; não forço o punho a uma posição padrão.
o acolchoamento é o procedimento, nesta paciente
Camadas generosas em toda a extensão, com sobra nas duas pontas, e camadas adicionais sobre a cabeça da ulna e o estiloide radial. Nenhum esparadrapo em contato com a pele: crepe frouxo por fora e esparadrapo apenas prendendo a atadura em si mesma. Nada circular fechado. Passo o dedo entre a tala e cada relevo antes de fechar e pergunto a ela onde está apertando — dor em ponto único, apontada com um dedo, é mapa de úlcera em formação, não dor de fratura.
reavalio, escrevo a segunda linha e monto a tipoia direito
Radial mantido, enchimento capilar dois segundos, sensibilidade preservada, mexe os dedos, dor caiu para quatro. Segunda linha na ficha, com a hora e a palavra "após". A tipoia vem depois, e ela é a parte que costuma ser feita mal: cotovelo a noventa graus, antebraço apoiado em toda a extensão e não pendurado pelo punho, e a alça passando pelo ombro contralateral e não pela base do pescoço. Tipoia mal montada devolve a paciente em dois dias com cervicalgia e com o punho mais inchado do que saiu.
a decisão de alta é uma decisão sobre a casa dela, não sobre o punho
Depois da radiografia, a equipe precisa definir se há indicação de redução ou tratamento urgente e se o seguimento ambulatorial é seguro. Só então considerar alta, com dor controlada, exame neurovascular repetido e plano ortopédico efetivo. A paciente de 79 anos mora sozinha: combinar ajuda para água, higiene, transporte e observação dos dedos faz parte da decisão, sem presumir que a vizinha assumirá esse cuidado.
a folha de orientação escrita, e o encaminhamento que será aceito
Folha em linguagem de leigo com quatro gatilhos de retorno na mesma noite: dor que aumenta em vez de diminuir; formigamento ou dormência nova nos dedos; dedos frios ou roxos; impossibilidade de mexer os dedos. Mais três cuidados: manter a mão acima do nível do coração quando sentada, não molhar, não enfiar nada por dentro para coçar. E o encaminhamento com o que o protocolo federal exige para ser aceito: local e data da fratura, o que já foi feito, se há deformidade ou prejuízo funcional, e o laudo da imagem anexado.
Continuidade do caso e prática do internato
Em Jucelino, faça uma passagem objetiva: mecanismo, pele, exame neurovascular antes e depois, analgesia, imobilização e motivo de qualquer chamada antecipada.
Questão integrativa 1
Pulso palpável exclui síndrome compartimental?
Questão integrativa 2
Osso não dói é uma explicação correta?
Questão integrativa 3
Perfusão normal proíbe redução de toda fratura?
Questão integrativa 4
O que registrar novamente após a tala?
Questão integrativa 5
Dor crescente após enfaixar pede apenas reforço da analgesia?
Questão integrativa 6
Uma radiografia concluída garante alta à paciente idosa?
Ver como fecharíamos
A tala deve proteger a pele frágil, acolchoar proeminências e permitir vigilância, sem compressão circular excessiva. Perfusão e sensibilidade normais não dispensam avaliação da deformidade e da necessidade de redução com a equipe. A alta depende do plano definitivo, dor, exame após imobilizar, possibilidade de retorno e apoio em casa. Explique que piora de dor, formigamento, fraqueza, dedos frios ou mudança de cor exigem reavaliação imediata. Suspeita de síndrome compartimental demanda avaliação cirúrgica urgente; não aguardar perda de pulso nem simplesmente repetir analgésico. Questões integrativas — respostas comentadas 1. Não. Pode permanecer presente; dor desproporcional ou progressiva, dor ao estiramento e alterações sensitivas exigem avaliação urgente. 2. Não. Estruturas ósseas e tecidos associados têm inervação; movimento e lesão local ajudam a explicar a dor. 3. Não. Deformidade, pele, padrão da fratura e plano ortopédico também importam; a decisão e execução exigem profissional habilitado. 4. Dor, perfusão, pulsos, enchimento capilar, sensibilidade e motricidade pertinentes, com hora e comparação com o exame inicial. 5. Não. Reavaliar compressão e complicações, aliviar constrição externa quando indicada e acionar avaliação urgente. 6. Não. Confirmar plano ortopédico, segurança clínica, retorno e apoio para atividades básicas e observação do membro.
Fratura de rádio distal imobilizada necessita plano de seguimento para avaliar alinhamento, estabilidade, consolidação e recuperação funcional, mesmo quando a avaliação neurovascular na alta é normal. Organizar revisão pelo serviço de fraturas/ortopedia conforme fluxo;BOAST recomenda avaliação precoce, em até 72 horas. Levar imagens, data, tratamento e exame neurovascular. Critérios de encaminhamento da APS por sequela não autorizam esperar deformidade ou incapacidade para acompanhar a fase aguda. Dor progressiva desproporcional, parestesias, piora da perfusão ou suspeita de síndrome compartimental exigem retorno imediato à urgência.
Teste-se
Cada uma é um ponto de bifurcação: o que você faz agora. O comentário abre a cada decisão ou só no fim — você escolhe.
Plano de revisão
Em 7 dias
Sem consultar nada, escreva as quatro coisas que se examinam antes de imobilizar e diga, para cada uma, como se testa e com o que se compara. Depois escreva a mesma lista de novo, agora como ela aparece na ficha: hora, achado, lado comparado. Em seguida, separe em duas colunas os sinais precoces e os tardios da síndrome compartimental e confira contra a tabela do capítulo — se você colocou ausência de pulso na coluna dos precoces, é o erro que importa. Por fim, para cinco segmentos (úmero, antebraço, rádio distal, tíbia, tornozelo), escreva qual é a articulação acima e qual é a de baixo, e em que posição cada uma fica.
Em 30 dias
Volte ao Jucelino e troque um dado de cada vez, dizendo em qual marco a conduta se altera e por quê: se o pedioso estivesse ausente na chegada; se houvesse uma ferida puntiforme de meio centímetro sobre a deformidade; se ele tivesse chegado rebaixado por traumatismo craniano e não pudesse referir dor; se o serviço não tivesse goteira nem atadura gessada; se ele voltasse às três da manhã dizendo que a dor subiu de cinco para nove; se ele pedisse alta a pedido às onze e meia. Depois refaça a conta do capítulo: um doente com pressão arterial de 90 por 50 e pressão de compartimento medida em 28 mmHg está ou não está dentro do corte de 30 mmHg da diretriz estadual, e o que o item 6 do mesmo quadro faz com essa resposta?
Agora atenda
Agora atenda: pronto atendimento, um menino de 8 anos chega com o pai uma hora depois de cair do trepa-trepa com a mão espalmada no chão; diz que o punho dói muito, ficou meio torto, e pergunta se vai precisar de agulha. Antes de pegar a tala, examine e anote com a hora as quatro coisas que somem debaixo da atadura — pulso, perfusão, sensibilidade e movimento dos dedos — e explique à criança e ao pai o que vai fazer. Decida como imobilizar até a avaliação definitiva, confira de novo o que examinou depois da tala e diga o que os faz voltar antes do retorno.
