Cirurgia GeralCirurgia Pediátrica

Invaginação intestinal do lactente

Invaginação/intussuscepção intestinal do lactente

A causa mais comum de obstrução intestinal no lactente, e a que mais se esconde: a tríade clássica aparece em menos da metade dos casos. A prova cobra reconhecer o quadro incompleto, pedir a ultrassonografia e saber que o enema é tratamento, não só exame.

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Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Lactente de 8 meses, previamente hígido, apresenta há 12 horas crises de choro intenso e súbito, com flexão das pernas sobre o abdome, intercaladas por períodos de acalmia. Nas últimas horas evacuou fezes com muco e sangue de aspecto "em geleia de framboesa". Exame: PA 85/50 mmHg, FC 155 bpm, palpação de massa alongada em forma de salsicha no quadrante superior direito. Qual a hipótese diagnóstica mais provável?

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Como esse tema cai

Invaginação intestinal é a causa mais comum de obstrução intestinal em lactentes e crianças pequenas. Um segmento do intestino telescopa para dentro do segmento seguinte, arrastando o mesentério junto — e é o mesentério estrangulado, não o intestino em si, que faz a dor vir em ondas, o sangue aparecer nas fezes e a criança adoecer depressa. Em 75% a 95% dos casos a invaginação é ileocólica: o íleo terminal atravessa a válvula ileocecal e caminha pelo cólon.

O recorte deste capítulo é o lactente e o pré-escolar: 60% dos casos ocorrem no primeiro ano de vida e 90% até o fim do segundo, com pico entre 5 e 9 meses. Nessa faixa, mais de 90% das invaginações não têm causa anatômica — a hipótese aceita é a hipertrofia do tecido linfoide da parede ileal depois de uma infecção viral, que funciona como ponto de tração. Invaginação fora dessa faixa etária muda de doença: passa a ser sinal de alguma coisa puxando a alça, e a criança de 5 anos ou mais com invaginação precisa que se procure a causa, não só que se reduza o intestino.

A prova cobra três coisas, e em geral só três. Primeira: reconhecer o quadro quando ele vem incompleto, que é o normal — a tríade clássica está presente em menos de metade das crianças. Segunda: pedir ultrassonografia, e não deixar que uma radiografia normal feche a porta. Terceira: saber que o enema é tratamento e que a cirurgia tem indicações estreitas e nomeadas. Há ainda um quarto assunto, que só aparece em prova brasileira: a relação entre invaginação e vacina rotavírus, que é por onde o Estado brasileiro enxerga esta doença.

Vale dizer o que fica de fora. Invaginação do adulto é outra doença: quase sempre tem um tumor como ponto-guia e quase sempre termina em ressecção, sem tentativa de redução por enema. Invaginação curta de delgado, achada por acaso numa tomografia de outra indicação e sem obstrução, costuma se desfazer sozinha e não entra na mesma conversa.

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O que muda decisão

Quem invagina — e o que isso muda

A incidência estimada é de 1,5 a 4,3 casos para cada 1.000 recém-nascidos, com predomínio masculino de cerca de 2 para 1. A distribuição etária é a informação mais rentável do tema: 60% no primeiro ano, 90% até o fim do segundo, pico entre 5 e 9 meses. Uma criança dentro dessa janela, com o quadro típico, é invaginação idiopática até prova em contrário — e o trabalho é reduzir.

Ponto-guia patológico, ou lead point, é qualquer lesão que funcione como cabeça de tração: um divertículo de Meckel, uma duplicação intestinal, um pólipo, um linfoma, uma placa de púrpura de Henoch-Schönlein na parede da alça. Ele está presente em menos de 10% dos casos, e sua probabilidade sobe conforme a criança se afasta da faixa típica. Abaixo dos 2 anos, o achado mais comum é o divertículo de Meckel; no recém-nascido, a duplicação intestinal; a partir dos 5 anos, o linfoma. A consequência prática é direta: idade atípica muda a conduta antes mesmo de mudar o diagnóstico — a redução ainda pode ser tentada, mas a investigação não termina com o intestino desinvaginado.

Existe também a invaginação pós-operatória, quase sempre ileoileal, que aparece dias depois de uma laparotomia e se manifesta como íleo que não resolve. Ela não responde a enema, porque o enema não alcança o delgado proximal, e a conduta é cirúrgica.

Duas populações merecem menção porque a banca gosta delas. A criança com fibrose cística pode invaginar mais tarde, com o conteúdo intestinal espesso funcionando como ponto de tração. E a criança com púrpura de Henoch-Schönlein e dor abdominal intensa precisa que se pense em invaginação — nela, o segmento acometido costuma ser ileoileal, o que reduz o rendimento do enema e aumenta o peso da ultrassonografia com varredura completa do abdome.

O quadro clínico e por que ele engana

A tríade clássica — dor abdominal em cólica, fezes em geleia de framboesa e massa abdominal palpável — está presente em menos de 50% das crianças com invaginação. Esperar as três é o erro que atrasa o diagnóstico, e o atraso é o que transforma um enema de dez minutos numa ressecção intestinal.

A dor é o sintoma de abertura e tem uma assinatura: crises paroxísticas em que o lactente chora, fica pálido, flexiona as pernas sobre o abdome e faz força como se fosse evacuar — e entre as crises fica quieto, às vezes mamando normalmente. É esse intervalo de normalidade que confunde, porque a criança examinada no vale da cólica parece bem. Cerca de 20% dos pacientes não apresentam dor, e nesses a apresentação pode ser apenas letargia, palidez e hipoatividade — quadro que imita sepse, meningite ou intoxicação, e que é a forma mais perigosa de todas justamente porque não aponta para o abdome.

O vômito começa reflexo e alimentar; quando fica bilioso, já anuncia obstrução estabelecida. A hematoquezia em geleia de framboesa costuma surgir nas primeiras 24 horas, mas é achado tardio na história natural — é sangue e muco resultantes da congestão venosa da alça invaginada, ou seja, aparece quando a alça já está sofrendo. Sua ausência não afasta nada, e sua presença deve acelerar tudo. Em alguns casos o sangue só é encontrado ao toque retal.

Ao exame, o sinal mais consistente é a massa palpável, alongada, de aspecto tubular ou em salsicha, mal definida e amolecida, no quadrante superior direito ou na região subcostal — o intussuscepto caminhando pelo cólon transverso. Descreve-se junto a sensação de vazio na fossa ilíaca direita, o sinal de Dance, porque o ceco migrou de lugar. Massa palpável ao toque retal, ou prolapso de alça pelo ânus, é achado de doença avançada e não deve ser confundido com prolapso retal simples.

A definição de caso do Ministério da Saúde, usada na vigilância pós-vacinal, organiza isso em critérios maiores — evidência de obstrução (vômito bilioso com distensão e ruídos diminuídos, ou radiografia com níveis líquidos), evidência da invaginação em si (massa abdominal, massa retal, prolapso, ou invaginação visível em radiografia, ultrassonografia ou tomografia) e evidência de comprometimento vascular (sangramento retal, fezes sanguinolentas ou sangue ao toque) — e critérios menores, entre eles idade abaixo de 1 ano, sexo masculino, dor, vômitos, letargia, palidez e choque hipovolêmico. A lista é de vigilância, não de beira de leito, mas ensina a hierarquia certa: obstrução, massa, sangue.

Imagem: o que confirma e o que não exclui

A ultrassonografia é o método de eleição. A sensibilidade descrita é de 98% a 100% e a especificidade de 88% a 100%, é exame de beira de leito, não irradia e ainda orienta a redução em tempo real. No corte perpendicular ao eixo da alça, aparece o sinal do alvo ou da rosquinha — anéis concêntricos de parede intestinal dentro de parede intestinal. No corte longitudinal, o sinal do pseudorrim. Nenhum dos dois é patognomônico: espessamento inflamatório de alça, hematoma de parede, enterocolite, vólvulo e até fecaloma podem imitá-los, o que importa quando o contexto clínico não fecha.

A radiografia simples de abdome é diagnóstica em cerca de metade dos casos e normal em 25%. Uma radiografia normal não exclui invaginação — essa frase é literal no manual do Ministério da Saúde e é uma das armadilhas mais cobradas do tema. O que a radiografia faz bem é outra coisa: mostrar pneumoperitônio. Ar livre no decúbito dorsal indica abdome cirúrgico e contraindica a redução não cirúrgica. Quando há sinal indireto de invaginação, ele costuma ser uma massa de partes moles no quadrante superior direito apagando o contorno hepático.

No enema com contraste, os sinais clássicos são o do menisco — o ápice arredondado do intussuscepto projetando-se na coluna de contraste em forma de crescente — e o da mola espiralada. Mas o enema hoje entra como tratamento, e o diagnóstico já vem feito pela ultrassonografia. A tomografia mostra os mesmos padrões de alvo e pseudorrim e tem papel na criança maior, quando se procura o ponto-guia, não no lactente típico.

Ainda na ultrassonografia, dois detalhes mudam conduta: o diâmetro do bloco invaginado, que ajuda a separar a invaginação ileocólica verdadeira da ileoileal curta e transitória, e a presença de líquido livre ou de ausência de fluxo ao Doppler na parede, sinais de sofrimento da alça que baixam a chance de sucesso do enema e pedem que a equipe cirúrgica esteja avisada antes de começar.

Ultrassonografia pediátrica em dois planos: sinal do alvo no corte transversal e sinal do pseudorrim no longitudinal.
Na ultrassonografia, a alça invaginada vista transversalmente forma anéis concêntricos — o sinal do alvo; no plano longitudinal, assume aspecto reniforme — o sinal do pseudorrim.

Redução não cirúrgica: como se faz e o que esperar

Antes de qualquer contraste, a criança é preparada: acesso venoso periférico, hidratação, correção de distúrbios hidroeletrolíticos, sonda nasogástrica quando há vômitos ou distensão e analgesia quando indicada. A equipe cirúrgica é avisada antes da tentativa, não depois de ela falhar. Antibiótico profilático de rotina antes da redução não reduz complicações na criança hemodinamicamente estável e sem doença grave — é a primeira recomendação da revisão sistemática da associação americana de cirurgia pediátrica, de 2021.

Há três técnicas em uso. O enema baritado guiado por fluoroscopia é o método histórico, com sucesso de 53% a 85% na literatura, a maioria das séries entre 70% e 85%. O enema pneumático, também fluoroscópico, insufla ar sob pressão controlada e alcança taxas frequentemente acima de 90%, com pressões que na prática ficam em torno de 100 mmHg — a média descrita é de 97,8 mmHg, com variação de 30 a 160. E a redução hidrostática com soro fisiológico guiada por ultrassonografia, que chega a 95% de sucesso e dispensa radiação.

A regra dos três organiza a tentativa com bário: a bolsa de contraste fica suspensa a três pés acima da mesa, ou seja, pouco mais de 90 centímetros, admitem-se até três tentativas e até três minutos de pressão contínua em cada uma. Ela é a régua clássica que a prova cobra pelo nome. O tempo de escopia deve ser mantido curto, idealmente até quatro minutos, para limitar a dose de radiação na criança.

A redução é considerada bem-sucedida quando o contraste ou o ar reflui livremente para o íleo terminal e o bloco invaginado desaparece à imagem — clinicamente, a criança em geral se acalma e volta a mamar. Redução parcial não é redução: a alça que parou no ceco ainda vai obstruir.

Quando as técnicas são comparadas de frente, a metanálise de 2024 com 49 estudos e 9.391 crianças mostra a redução hidrostática guiada por ultrassonografia superando o enema de ar guiado por fluoroscopia tanto em sucesso (risco relativo 1,128; IC 95% 1,099-1,157) quanto em segurança, com menos perfurações (risco relativo 0,405; IC 95% 0,244-0,670), além de tempo de redução menor e menos radiação. É o dado mais recente do tema e o que mais tem mudado a prática dos serviços que dispõem de radiologista à beira do leito.

Quando não se tenta o enema — e quando se opera

As contraindicações à redução não cirúrgica são três, e são as mesmas em todas as fontes: peritonite, choque e perfuração. Ar livre na radiografia entra aqui, porque é perfuração já demonstrada. Diante de qualquer uma delas, a criança vai para o centro cirúrgico depois de estabilizada — não para a sala de radiologia.

Fora dessas três, a indicação cirúrgica se resume a duas situações: falha da redução por enema e presença de ponto-guia patológico. Na cirurgia, tenta-se primeiro a redução manual, ordenhando a alça de distal para proximal, sem tracionar o intussuscepto — a tração rasga. Ressecção com anastomose fica reservada para alça inviável, perfuração ou lesão que precise sair. A via laparoscópica é frequentemente bem-sucedida na redução e evita a laparotomia em parte dos casos.

Duração longa de sintomas, sinais de obstrução completa, desidratação importante e criança muito pequena reduzem a chance de sucesso do enema, mas não são contraindicações por si sós. Nesse grupo a tentativa continua valendo a pena, feita com a equipe cirúrgica de prontidão e com limite de tentativas combinado antes.

A perfuração durante a redução é a complicação temida, mais grave com bário do que com ar ou soro, porque o bário no peritônio produz peritonite química imediata. É um dos argumentos de peso a favor das técnicas que não usam bário, ao lado da radiação.

Depois da redução: recorrência e destino do paciente

A recorrência após redução por enema fica entre 6% e 8%, e é precoce: cerca de 1% nas primeiras 24 horas e 2% em 48 horas. Recorrência não significa que a redução foi malfeita nem que se errou a indicação — significa que a causa que fez a alça invaginar continua ali.

Diante de uma recorrência em criança estável, a conduta é repetir o enema, e não operar. A repetição é segura e funciona, incluindo o enema tardio programado nos casos em que a primeira tentativa reduziu apenas parcialmente e a criança seguiu estável: esperar algumas horas e repetir aumenta a taxa de sucesso. A recorrência de repetição, sim, aumenta a suspeita de ponto-guia e pede investigação.

Sobre o destino do paciente, a evidência mais recente autoriza observação após a redução sem internação hospitalar em criança estável, que voltou a se alimentar e não tem sinais de alarme — a observação em unidade de emergência por algumas horas produz o mesmo resultado que a internação, com menos tempo de hospital e sem aumento de reinternação ou de recorrência. Na prática brasileira ainda predomina a internação por 24 horas, e uma questão de prova que descreva alta após observação não está descrevendo erro.

Sintoma que persiste depois de uma redução considerada bem-sucedida merece nova ultrassonografia. As duas explicações são invaginação residual, tipicamente ileoileal, que o enema não alcançou, e ponto-guia não identificado.

Vacina rotavírus: a parte que só a prova brasileira cobra

A primeira vacina rotavírus licenciada, a tetravalente de origem rhesus, foi retirada do mercado americano em 1999 por associação com invaginação intestinal: o risco chegou a ser mais de 20 vezes maior entre o terceiro e o décimo quarto dia após a primeira dose, na ordem de um caso para cada 10 mil doses aplicadas. Esse episódio é a razão de tudo o que veio depois — as vacinas atuais só foram licenciadas após ensaios desenhados especificamente para medir intussuscepção, com dezenas de milhares de crianças cada um.

Com as vacinas em uso hoje, o risco atribuível estimado é de 1 a 3 casos por 100 mil crianças vacinadas, concentrado nos primeiros dias após a primeira dose. Um estudo de série de casos autocontrolados feito no Brasil e no México encontrou aumento de risco após a primeira dose no México (OR 5,8; IC 95% 2,6-13) e, no Brasil, um aumento pequeno mas significativo na semana seguinte à segunda dose (OR 1,9; IC 95% 1,1-3,4). Esse risco é muito menor que o das hospitalizações e óbitos por gastroenterite que a vacina evita, e por isso a vacinação segue recomendada.

Há três regras operacionais que caem em prova. Primeira: a vacina rotavírus é contraindicada em criança com história prévia de invaginação intestinal, com malformação congênita do trato digestivo ou com doença gastrointestinal crônica — e também em imunodeficiência combinada grave, em uso de imunossupressores e em alergia grave a componente, incluindo látex no aplicador da monovalente. Ser exposto ao HIV não contraindica, conviver com imunodeprimido não contraindica, e o prematuro pode receber conforme a idade cronológica desde que não esteja hospitalizado.

Segunda: todo caso de invaginação intestinal que ocorra até 14 dias após a vacinação deve ser notificado e investigado, registrando-se o tempo entre a vacinação e os sintomas, o tempo entre os sintomas e o diagnóstico, os exames de imagem e o tratamento realizado. Terceira: invaginação intestinal contraindica a dose subsequente da vacina. Note o contraste com um achado vizinho — raias de sangue nas fezes após a vacina, tão comuns e de causalidade tão duvidosa, não contraindicam as doses seguintes; só se considera suspender o esquema diante de sangramento em grande volume ou frequência.

Por fim, a janela etária. A regra clássica, decorada por gerações, era primeira dose até 3 meses e 15 dias e segunda até 7 meses e 29 dias — limites estreitos herdados justamente do medo da invaginação, já que a incidência natural da doença sobe ao longo do primeiro ano. A Nota Técnica nº 193/2024 do Programa Nacional de Imunizações ampliou esses limites para 11 meses e 29 dias na primeira dose e 23 meses e 29 dias na segunda, mantendo as idades recomendadas de 2 e 4 meses e o intervalo mínimo de 30 dias. A motivação é de acesso: coberturas abaixo da meta de 90% e dificuldade de vacinar no momento certo em áreas de difícil acesso, com respaldo do documento de posição da Organização Mundial da Saúde de julho de 2021, que autoriza vacinar até 24 meses.

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Do choro em cólica à alta

O caminho inteiro em oito passos, do primeiro paroxismo de dor até a decisão sobre internar ou observar. Os cards separam os três cenários que mudam completamente a conduta — e a diferença entre eles não é o diagnóstico, é o estado da criança. As tabelas trazem as duas réguas numéricas do tema: as taxas por técnica de redução e as janelas etárias da vacina rotavírus, antes e depois de 2024.

  1. 1Suspeite em lactente de 3 meses a 2 anos com dor abdominal paroxística, choro com flexão das pernas e intervalos de calma — e também em lactente com letargia e palidez sem foco, porque cerca de 20% não têm dor.
  2. 2Examine o abdome procurando massa alongada em quadrante superior direito e faça o toque retal: sangue no dedo de luva vale tanto quanto fezes em geleia de framboesa.
  3. 3Peça ultrassonografia de abdome — é o método de eleição. Sinal do alvo no corte transversal, pseudorrim no longitudinal.
  4. 4Peça radiografia simples com o objetivo de procurar pneumoperitônio, não de excluir invaginação: ela é normal em 25% dos casos.
  5. 5Estabilize antes de reduzir: acesso venoso, hidratação, correção hidroeletrolítica, sonda nasogástrica se houver vômitos ou distensão, e equipe cirúrgica avisada.
  6. 6Confirme que não há peritonite, choque ou perfuração. Havendo qualquer uma, o destino é o centro cirúrgico e o enema está contraindicado.
  7. 7Reduza por enema — hidrostático guiado por ultrassonografia ou pneumático guiado por fluoroscopia — respeitando limites de pressão, de tempo e de número de tentativas. Sucesso é o contraste refluindo para o íleo terminal com desaparecimento do bloco.
  8. 8Observe depois. Recorrência acontece em 6% a 8%, quase toda nas primeiras 48 horas, e em criança estável a resposta é repetir o enema, não operar. Sintoma que persiste após redução dita bem-sucedida pede nova ultrassonografia.

Criança estável

Bom estado geral, hidratada, sem sinais peritoneais, radiografia sem ar livre. É a maioria. Caminho: preparo, enema como tratamento, observação depois. Duração longa de sintomas ou desidratação importante reduzem a chance de sucesso, mas não impedem a tentativa — apenas exigem a equipe cirúrgica de prontidão.

Redução parcial ou falha

O bloco recuou mas não desapareceu, ou não recuou. Se a criança segue estável, cabem tentativas adicionais dentro do limite combinado e o enema tardio programado, algumas horas depois, que aumenta a taxa de sucesso. Falha definitiva em criança estável é indicação cirúrgica eletiva, sem correria — na mesa, reduz-se manualmente por ordenha, e a ressecção é exceção.

Peritonite, choque ou perfuração

Abdome em tábua, instabilidade hemodinâmica ou pneumoperitônio. As três contraindicam a redução por enema em qualquer técnica. Caminho: estabilizar e operar. Aqui o exame que decide não é a ultrassonografia, é a radiografia mostrando ar livre — e a decisão é de minutos.

Técnica de reduçãoGuia de imagemSucesso descritoO que pesa na escolha
Enema baritadoFluoroscopia53% a 85% (maioria das séries 70% a 85%)Método histórico e a origem da regra dos três. Perfuração com bário causa peritonite química — é o pior desfecho possível do procedimento.
Enema pneumático (ar)Fluoroscopia27% a 96% (muitas séries acima de 90%)Pressão média descrita de 97,8 mmHg (30 a 160). Perfuração produz pneumoperitônio hipertensivo, que exige punção imediata, mas sem contaminação química.
Redução hidrostática com soroUltrassonografiaAté 95%Sem radiação, feita à beira do leito. Na metanálise de 2024 superou o enema de ar fluoroscópico em sucesso (RR 1,128) e em segurança (RR de perfuração 0,405). Depende de radiologista disponível.
Redução cirúrgicaVisão direta (laparoscopia ou laparotomia)DefinitivaIndicada por peritonite, choque, perfuração, falha do enema ou ponto-guia. Reduz-se por ordenha, nunca por tração; ressecção só para alça inviável ou lesão que precise sair.

Vacina rotavírus no PNI: a régua antes e depois da Nota Técnica nº 193/2024

DoseIdade recomendadaLimites até 2024Limites vigentes (NT 193/2024)
1ª dose2 meses1 mês e 15 dias a 3 meses e 15 dias1 mês e 15 dias a 11 meses e 29 dias
2ª dose4 meses3 meses e 15 dias a 7 meses e 29 dias3 meses e 15 dias a 23 meses e 29 dias
IntervaloMínimo de 30 diasMínimo de 30 dias (mantido)

Ponto-guia patológico por faixa etária

Faixa etáriaAchado mais provávelConsequência prática
Recém-nascidoDuplicação intestinalInvaginação neonatal é rara e quase sempre tem causa — a investigação não termina com a alça reduzida.
Menor de 2 anosIdiopática em mais de 90%; quando há causa, divertículo de MeckelFaixa típica: reduzir é o tratamento, e caçar causa é exceção guiada por recorrência.
2 a 5 anosZona de transição: pólipo, Meckel, púrpura de Henoch-SchönleinQuanto mais velha a criança, menor o limiar para procurar a lesão depois de resolvida a urgência.
5 anos ou maisLinfomaInvaginação nessa idade é sinal de doença de base até prova em contrário; tomografia e avaliação oncológica entram na conta.

A regra dos três vale para o enema baritado: coluna de contraste a três pés (pouco mais de 90 cm) acima da mesa, até três tentativas, até três minutos de pressão contínua em cada uma.

Antibiótico profilático de rotina antes da redução não diminui complicações em criança estável e sem doença grave.

Redução parcial não conta como redução. A alça que parou no ceco continua obstruindo — e a criança continua doente.

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Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Qual técnica de redução usar: ar guiado por fluoroscopia ou soro guiado por ultrassonografia

Enema pneumático guiado por fluoroscopia

Técnica consagrada nas séries brasileiras, com sucesso frequentemente acima de 90% e pressões em torno de 100 mmHg. Tem a vantagem de documentar a redução em imagem fluoroscópica reprodutível e de ser executável por qualquer plantão de radiologia com fluoroscópio, sem depender de operador treinado em ultrassonografia intervencionista.

Cunha FM et al. Radiologia Brasileira, 2005;38(3):209-218.

Redução hidrostática com soro guiada por ultrassonografia

Metanálise de 2024 com 49 estudos e 9.391 crianças mostra sucesso maior (RR 1,128; IC 95% 1,099-1,157) e menos perfuração (RR 0,405; IC 95% 0,244-0,670) que o enema de ar fluoroscópico, com tempo de redução menor, internação mais curta e nenhuma radiação — argumento de peso em população pediátrica.

Revisão sistemática e metanálise, 2024 (PMID 38498581).

Na prova

A causa da diferença é de infraestrutura e de data, não de mérito: a descrição brasileira é de 2005, quando a redução guiada por ultrassonografia ainda era técnica de poucos serviços, e ela depende de radiologista com treinamento específico disponível na hora. Enunciado que cita fluoroscopia, sala de radiologia, coluna de contraste ou pressão em mmHg está no mundo fluoroscópico; enunciado que descreve redução à beira do leito, ausência de radiação ou controle ultrassonográfico em tempo real está no mundo da metanálise recente. Alternativas que oferecem enema baritado ao lado das outras duas denunciam questão escrita a partir do material mais antigo.

Até que idade se pode aplicar a vacina rotavírus no Brasil

Limites estreitos do calendário clássico

Primeira dose de 1 mês e 15 dias a 3 meses e 15 dias; segunda de 3 meses e 15 dias a 7 meses e 29 dias. É a régua que sustentou o programa desde 2006 e que a maioria do material didático ainda reproduz. O fundamento é a incidência natural de invaginação, que sobe ao longo do primeiro ano de vida.

Calendário Nacional de Vacinação e Instrução Normativa anteriores, descritos no item 2.2 da Nota Técnica nº 193/2024-CGICI/DPNI/SVSA/MS.

Janela ampliada de 2024

Primeira dose até 11 meses e 29 dias e segunda até 23 meses e 29 dias, mantidas as idades recomendadas de 2 e 4 meses e o intervalo mínimo de 30 dias. A justificativa é de acesso — coberturas abaixo da meta de 90% e dificuldade de vacinar na idade certa em áreas de difícil acesso — com respaldo do documento de posição da OMS de julho de 2021, que autoriza vacinar até 24 meses.

Nota Técnica nº 193/2024-CGICI/DPNI/SVSA/MS, assinada em dezembro de 2024.

Na prova

Aqui a divergência é entre dois documentos brasileiros de datas diferentes, e a data da prova é a pista principal: questão elaborada antes de 2025 tende a trabalhar com a régua estreita, e a nota técnica é recente o bastante para que muito material ainda não a tenha incorporado. Vocabulário também denuncia: enunciado que fala em oportunidade perdida, resgate de esquema atrasado ou busca ativa de não vacinados está no território da ampliação; enunciado que trata a idade como contraindicação absoluta trabalha com a régua anterior. Régua geral: prova oficial do MEC tende à conduta do SUS, e o documento vigente do PNI é a nota técnica de 2024.

O que fazer quando o enema falha ou a invaginação recidiva

Falha do enema como indicação cirúrgica

Descrição clássica: a cirurgia fica reservada aos casos em que a redução por enema está contraindicada ou fracassa. Nessa leitura, esgotadas as três tentativas da regra dos três, a criança segue para o centro cirúrgico, e a recidiva levanta suspeita de ponto-guia que só a exploração resolve.

Cunha FM et al. Radiologia Brasileira, 2005;38(3):209-218.

Repetição do enema antes de operar

Revisão sistemática da associação americana de cirurgia pediátrica, de 2021: tentativas repetidas de redução radiológica são seguras e podem ser feitas quando clinicamente apropriado; na criança estável cuja primeira tentativa reduziu parcialmente, o enema tardio programado aumenta a taxa de sucesso. A recorrência, que ocorre em 6% a 8% e quase toda nas primeiras 48 horas, é tratada com novo enema, e a maioria não precisa de cirurgia.

Kelley-Quon LI et al. Journal of Pediatric Surgery, 2021 (APSA Outcomes and Evidence-Based Practice Committee).

Na prova

A distância entre as duas posições é de estabilidade clínica, e o enunciado sempre informa isso: criança ativa, hidratada, sem sinais peritoneais e sem ar livre está no cenário em que a repetição é defensável; criança com abdome distendido, letárgica, taquicárdica ou com pneumoperitônio saiu da discussão e entrou na indicação cirúrgica clássica. Cenário de centro terciário com radiologia intervencionista disponível favorece a leitura de 2021; cenário de hospital geral sem retaguarda pediátrica de plantão favorece a conduta clássica. Uma alternativa que oferece nova tentativa de enema numa criança com peritonite é distrator, não recorte.

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Caso resolvido

Lactente de 7 meses, previamente hígido, trazido pela mãe ao pronto-socorro com história de 14 horas de crises de choro intenso que duram poucos minutos e se repetem a cada 20 ou 30 minutos. Durante as crises, encolhe as pernas sobre a barriga, fica pálido e sua; entre elas, brinca e aceitou mamar duas vezes. Vomitou três vezes, conteúdo alimentar, e há duas horas evacuou fezes com muco e raias de sangue. Nega febre. Ao exame: ativo no momento, hidratado, corado, frequência cardíaca 148 bpm, tempo de enchimento capilar de 2 segundos, abdome flácido, doloroso à palpação profunda em flanco direito, com massa alongada e mal definida palpável em quadrante superior direito, sem sinais de irritação peritoneal. Toque retal com sangue no dedo de luva. Radiografia de abdome sem ar livre e sem níveis hidroaéreos evidentes.
achado
Lactente de 7 meses — dentro do pico de 5 a 9 meses — com dor paroxística e intervalos de normalidade, o padrão que mais confunde porque a criança examinada entre as crises parece bem. Massa alongada em quadrante superior direito e sangue ao toque completam a tríade, que aparece inteira em menos de metade dos casos. A radiografia sem alterações não afasta nada: ela é normal em 25% dos casos, e sua função aqui foi outra, procurar pneumoperitônio.
conduta diagnóstica
Ultrassonografia de abdome, método de eleição, com sensibilidade de 98% a 100%. Mostra bloco de alças em quadrante superior direito com sinal do alvo no corte transversal e pseudorrim no longitudinal, sem líquido livre volumoso e com fluxo preservado ao Doppler na parede — imagem de invaginação ileocólica sem sinais de sofrimento avançado.
preparo
Acesso venoso periférico, hidratação, jejum e comunicação à equipe de cirurgia pediátrica antes de qualquer tentativa. Sem vômitos biliosos nem distensão importante, a sonda nasogástrica não é obrigatória. Antibiótico profilático não está indicado: em criança estável e sem doença grave, ele não reduz complicações.
conduta terapêutica
Redução não cirúrgica. Não há peritonite, choque nem perfuração — nenhuma das três contraindicações. Onde há radiologista disponível, a redução hidrostática com soro guiada por ultrassonografia é a opção com maior sucesso e menor perfuração na comparação direta de 2024; onde a rotina é fluoroscópica, o enema pneumático resolve mais de 90% dos casos. A redução é considerada completa quando o material reflui para o íleo terminal e o bloco desaparece.
depois
Observação com dieta reintroduzida assim que a criança aceitar. A recorrência gira em torno de 6% a 8% e se concentra nas primeiras 48 horas, o que justifica orientar a mãe com clareza sobre o retorno das crises de choro. Se o quadro recidivar e a criança estiver estável, repete-se o enema — a recorrência, por si só, não é indicação cirúrgica.
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Agora feche você

Lactente de 5 meses, nascido a termo, sem comorbidades, trazido ao pronto-socorro com 10 horas de choro em crises, vômitos e uma evacuação com muco e sangue. Ao exame está hidratado, ativo entre as crises, com massa palpável em quadrante superior direito e sem sinais de peritonite; a radiografia não mostra ar livre. A ultrassonografia confirma invaginação ileocólica. Na caderneta, a mãe registra que a criança recebeu a primeira dose da vacina rotavírus há seis dias, na unidade básica, junto com as demais vacinas dos 4 meses, sem intercorrências. A redução hidrostática guiada por ultrassonografia é realizada com sucesso e a criança se recupera bem, aceitando dieta em poucas horas.
achado
Invaginação ileocólica confirmada em lactente estável, reduzida sem cirurgia — até aqui, o caso clínico está resolvido. O que ainda não foi feito é a parte que a régua brasileira exige e que não tem nada a ver com o abdome: a criança recebeu a primeira dose da vacina rotavírus seis dias antes, ou seja, dentro da janela de vigilância.
conduta
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Onde a banca derruba

  1. 1Esperar a tríade completa para pensar em invaginação Atrai porque dor em cólica, fezes em geleia de framboesa e massa palpável formam um trio memorável e didático. Só que os três juntos aparecem em menos de 50% das crianças, e o sangue nas fezes é achado tardio — quando surge, a alça já está congesta. Quem espera a tríade fechar troca um enema de dez minutos por uma ressecção intestinal.
  2. 2Usar a radiografia de abdome para excluir o diagnóstico A tentação é grande porque a radiografia é rápida, barata e está sempre disponível. Mas ela é normal em 25% dos casos e diagnóstica em cerca de metade. Radiografia normal não exclui invaginação. O papel dela é outro e é importante: procurar ar livre, que indica perfuração e contraindica a redução por enema.
  3. 3Tratar o lactente letárgico e pálido como quadro neurológico ou séptico Cerca de 20% dos pacientes não têm dor, e nesses a apresentação pode ser só letargia, palidez e hipoatividade intermitentes. O quadro imita sepse, meningite e intoxicação, e a criança acaba investigada por tudo menos pelo abdome. Em lactente com rebaixamento sem foco, a ultrassonografia de abdome custa pouco e resolve o impasse.
  4. 4Levar a criança direto ao centro cirúrgico porque o enema falhou Parece a leitura literal da regra dos três, e por décadas foi a conduta. Mas em criança estável, com redução apenas parcial, a repetição do enema — inclusive a tentativa tardia, algumas horas depois — é segura e aumenta a taxa de sucesso. O que manda operar sem discussão é outra lista: peritonite, choque, perfuração.
  5. 5Tratar a recorrência precoce como erro técnico e indicar cirurgia A recidiva assusta porque parece que a redução foi malfeita. Ela ocorre em 6% a 8% dos casos, quase toda nas primeiras 48 horas, e é esperada — o que fez a alça invaginar continua ali. Em criança estável, a conduta é repetir o enema. Recorrências de repetição, aí sim, apontam para ponto-guia e pedem investigação.
  6. 6Reduzir a alça na criança de 6 anos e dar o caso por encerrado O reflexo treinado no lactente atrapalha aqui. Mais de 90% das invaginações do lactente são idiopáticas, mas essa proporção não se transporta para a criança maior: a partir dos 5 anos, o ponto-guia mais comum é o linfoma. Invaginação fora da faixa típica é sinal de doença de base até prova em contrário, e a investigação continua depois de o intestino voltar ao lugar.
  7. 7Confundir raias de sangue nas fezes pós-vacinal com invaginação As duas coisas convivem na mesma faixa etária e no mesmo intervalo pós-vacinal, o que faz a confusão parecer razoável. Mas sangramento em pequena quantidade após a vacina rotavírus é comum, de causalidade duvidosa e não contraindica as doses seguintes. Invaginação intestinal, sim, contraindica a dose subsequente — e ainda obriga a notificar se ocorreu até 14 dias após a vacina.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

Dor abdominal em cólica paroxística, fezes em 'geleia de framboesa' e massa em salsicha no lactente definem intussuscepção (invaginação) intestinal — a causa mais comum de obstrução nessa faixa. O divertículo de Meckel sangrante tipicamente cursa com sangramento indolor, sem cólica paroxística nem massa. A gastroenterite aguda bacteriana dá diarreia difusa, não massa palpável nem crises de choro em salvas. A constipação funcional com fissura anal dá sangramento vivo em pequena quantidade, sem massa. E a alergia à proteína do leite de vaca não gera massa em salsicha nem quadro obstrutivo agudo.

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Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

Os números na ordem em que a questão os usa. Epidemiologia: incidência de 1,5 a 4,3 por 1.000 recém-nascidos, pico de 5 a 9 meses, 60% no primeiro ano e 90% até o fim do segundo, predomínio masculino de 2 para 1, forma ileocólica em 75% a 95%, mais de 90% sem ponto-guia. Clínica: tríade completa em menos de 50%, cerca de 20% sem dor, massa alongada em quadrante superior direito como sinal mais consistente. Imagem: ultrassonografia com sensibilidade de 98% a 100% e especificidade de 88% a 100%, sinal do alvo no transversal e pseudorrim no longitudinal; radiografia simples diagnóstica em cerca de 50% e normal em 25%, servindo para procurar pneumoperitônio. Tratamento: bário 53% a 85%, ar frequentemente acima de 90% com pressão média de 97,8 mmHg, soro guiado por ultrassonografia até 95%; regra dos três (três pés, três tentativas, três minutos); contraindicações à redução — peritonite, choque, perfuração. Depois: recorrência de 6% a 8%, sendo 1% em 24 horas e 2% em 48 horas, tratada com novo enema em criança estável.

em 30 dias

As decisões, sem os números. Suspeitar em lactente de 3 meses a 2 anos com dor paroxística e intervalos de calma, e também no lactente letárgico sem foco. Pedir ultrassonografia, e usar a radiografia para procurar ar livre, nunca para excluir. Estabilizar antes de reduzir e avisar a cirurgia antes de começar. Reduzir por enema, hidrostático guiado por ultrassonografia onde houver radiologista, pneumático onde a rotina for fluoroscópica; a comparação direta de 2024 favorece o primeiro em sucesso e em segurança. Operar apenas por peritonite, choque, perfuração, falha do enema ou ponto-guia — e, na mesa, reduzir por ordenha, ressecando só alça inviável. Repetir o enema na recorrência com criança estável. Investigar causa quando a criança está fora da faixa típica ou recidiva mais de uma vez. E fechar o caso pela régua brasileira: invaginação até 14 dias após a vacina rotavírus é de notificação e investigação obrigatórias, invaginação contraindica a dose subsequente, e a janela etária vigente do PNI vai até 11 meses e 29 dias na primeira dose e 23 meses e 29 dias na segunda.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Lactente de 7 meses trazido ao pronto-socorro com 14 horas de crises de choro com flexão das pernas, palidez durante os episódios e calma entre eles, dois vômitos e uma evacuação com muco e raias de sangue; ao exame, massa alongada palpável em quadrante superior direito, sem sinais de irritação peritoneal — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Invaginação/intussuscepção intestinal do lactente – Invaginação intestinal do lactente — Preparatório para provas | OsceLabs