Cirurgia GeralCirurgia Pediátrica

Hérnia inguinal, hidrocele e criptorquidia na infância

Três doenças que nascem do mesmo canal e correm em três relógios diferentes. A prova quase nunca pergunta o diagnóstico: pergunta em que idade se encaminha, em que idade se opera e o que não se faz enquanto isso.

01

Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Recém-nascido masculino é avaliado no berçário e nota-se que o meato uretral abre-se na face ventral do pênis, na região peniana proximal, associado a curvatura ventral do pênis (chordee) e prepúcio dorsal em capuz. Diante do diagnóstico de hipospádia, qual orientação é correta em relação à conduta neonatal?

02

Como esse tema cai

Hérnia inguinal, hidrocele e criptorquidia são estudadas juntas porque compartilham um único acidente de percurso: o testículo desce do retroperitônio para a bolsa escrotal arrastando um dedo de peritônio, o conduto peritoniovaginal, e esse conduto deveria fechar. Quando não fecha, o que o atravessa define o nome da doença. Se passa alça ou epíplon, é hérnia inguinal indireta. Se passa apenas líquido peritoneal, é hidrocele comunicante. Se o próprio testículo não completou o trajeto, é criptorquidia — e nela o conduto quase sempre está aberto junto, o que explica por que hérnia e testículo retido tantas vezes chegam no mesmo lactente.

O diagnóstico das três é clínico e barato: inspeção, palpação do cordão, transiluminação e uma manobra de um minuto na bolsa escrotal. O que a prova cobra não é o nome — é o relógio. São três relógios diferentes. A hérnia da criança não tem relógio: encontrou, opera, porque ela não fecha sozinha e o risco de encarceramento é maior justamente onde o paciente é menor. A hidrocele isolada tem relógio longo: a maioria fecha sozinha no primeiro ano de vida e operar antes disso é operar o que ia se resolver. A criptorquidia tem o relógio mais curto e o mais implacável: a descida espontânea essencialmente acaba aos 6 meses, e cada mês depois disso custa célula germinativa.

É também um tema de armadilha de conduta, e as armadilhas são quase todas de excesso. Pedir ultrassom para localizar testículo, puncionar hidrocele, prescrever hormônio para o testículo descer, colocar tela na parede do lactente e mandar a hérnia da criança para uma fila eletiva de meses são cinco erros que aparecem como alternativa plausível e que os documentos, brasileiros e internacionais, desautorizam nominalmente.

03

O que muda decisão

Um só canal, três doenças

A descida testicular acontece em duas fases. Na fase transabdominal, até por volta da 15ª semana, o gubernáculo encurta e traz o testículo até a região do anel inguinal interno. Na fase inguinoescrotal, dependente de androgênios e concentrada entre o 7º e o 8º mês de gestação, o testículo percorre o canal inguinal e alcança a bolsa. É por isso que a criptorquidia é uma doença estatisticamente ligada à prematuridade: o prematuro nasce no meio da segunda fase.

Ao descer, o testículo empurra à frente um prolongamento de peritônio — o conduto peritoniovaginal, ou processus vaginalis. Depois da descida esse conduto deveria obliterar, deixando apenas a túnica vaginal que recobre o testículo. A obliteração é lenta e incompleta em muita gente: o conduto está presente em 80 a 94% dos recém-nascidos e ainda em cerca de 20% dos adultos, segundo a EAU. Ou seja, conduto pérvio não é sinônimo de doença — doença é conduto pérvio com conteúdo.

Daí sai o mapa que organiza todo o capítulo. Conduto largo o bastante para passar víscera: hérnia inguinal indireta. Conduto estreito, que deixa passar só líquido: hidrocele comunicante, que varia de volume ao longo do dia. Conduto que oblitera nas duas pontas e fica pérvio no meio: hidrocele de cordão, um cisto isolado no trajeto. Conduto fechado, com líquido preso na túnica vaginal por desequilíbrio entre secreção e reabsorção: hidrocele não comunicante, que também pode ser adquirida depois de trauma, torção, epididimite ou cirurgia de varicocele.

A criptorquidia entra por outra porta: não é o conteúdo do conduto que falhou, é a migração do testículo. Mas as duas coisas andam juntas — o testículo que não desceu costuma vir com conduto pérvio, e é por isso que a orquidopexia frequentemente inclui o fechamento do saco herniário no mesmo tempo cirúrgico.

Uma consequência prática dessa anatomia comum: toda vez que se encontra uma das três, examina-se o outro lado e examina-se a bolsa escrotal. Hidrocele com testículo não palpável dentro dela não é hidrocele simples, e hérnia inguinal em menino com hemiescroto vazio é dois diagnósticos, não um.

Esquema do canal inguinal do lactente em quatro variantes: conduto peritoniovaginal fechado com testículo na bolsa, conduto largo com alça intestinal, conduto estreito com líquido e conduto pérvio apenas no trecho médio formando cisto de cordão.
O mesmo canal, quatro desfechos: o que define hérnia, hidrocele comunicante e cisto de cordão é o calibre do conduto peritoniovaginal e o que passa por ele.

Hérnia inguinal da criança: indireta, sempre operar, sem tela

A hérnia inguinal da criança é congênita e indireta por definição: o saco é o próprio conduto peritoniovaginal, e não há defeito adquirido de parede como no adulto. Ocorre em 1 a 2% dos recém-nascidos a termo e é mais comum nos prematuros. A distribuição por lado é assimétrica e cai em prova: cerca de 60% à direita, 25% à esquerda e 15% bilaterais — no prematuro a fatia de bilaterais aumenta. O predomínio à direita acompanha a cronologia da descida, já que o testículo direito desce depois.

O quadro típico é o abaulamento inguinal ou inguinoescrotal que aparece ao esforço — choro, tosse, evacuação — e some quando a criança relaxa. Muitas vezes a consulta acontece com a criança sem abaulamento nenhum, e o diagnóstico se apoia na história dos pais somada ao exame do cordão espermático: o espessamento do cordão sobre o púbis, que dá a sensação de duas superfícies de seda deslizando entre os dedos, é o sinal da seda, descrito no protocolo do TelessaúdeRS como evidência de tumoração ou espessamento do cordão. Diagnóstico de hérnia inguinal na criança é clínico. Ultrassom só entra quando há dúvida sobre a natureza de uma massa escrotal ou quando o testículo não é palpável.

Não existe tratamento conservador. O conduto não fecha depois que a hérnia já se manifestou, e o argumento para não esperar é o encarceramento: no material do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, a incidência de encarceramento nos bebês abaixo de três meses chega a 28,3%. Quanto menor a criança, maior o risco — o oposto da intuição de quem trata hérnia de adulto. A conclusão prática é que hérnia inguinal diagnosticada em lactente é cirurgia agendada com prioridade, não fila eletiva longa.

A operação é uma herniotomia: dissecção do saco herniário, ligadura alta junto ao anel inguinal interno e nada mais. Não se usa tela, não se reconstrói parede posterior, não se faz Lichtenstein. O defeito é a persistência do conduto, e fechá-lo resolve o problema; colocar prótese numa parede em crescimento é criar um problema novo. A alternativa laparoscópica, com ligadura percutânea do conduto, é equivalente em resultado, e a EAU registra que nenhuma técnica se mostrou superior. A recidiva é baixa — bem menor que no adulto —, mas não é zero, e é maior no prematuro e no encarcerado operado em urgência.

A hérnia encarcerada é a face de urgência do tema. O quadro é massa inguinoescrotal endurecida, dolorosa, irredutível, sem transiluminação, com choro inconsolável, vômitos e sinais de obstrução. Na ausência de sinais de estrangulamento — pele com eritema ou equimose, toxemia, sinais de peritonite —, a conduta inicial é analgesia e sedação, posição de Trendelenburg e taxia delicada. Reduzida a hérnia, a criança fica internada e opera na mesma internação, em 24 a 48 horas, quando o edema local diminui; mandar para casa com cirurgia eletiva daqui a meses é convidar o reencarceramento. Se a redução falha ou se há estrangulamento, a operação é imediata, e a checagem obrigatória é a viabilidade da gônada: no lactente, o conteúdo encarcerado comprime os vasos espermáticos, e a atrofia testicular é uma complicação do encarceramento, não só da cirurgia.

Duas particularidades fecham a seção. Na menina, o conteúdo do saco encarcerado é frequentemente o ovário, que pode estar irredutível e ainda assim indolor — e ovário palpável no canal inguinal é indicação cirúrgica, com atenção à possibilidade de torção. E a exploração do lado contralateral, que já foi rotina, hoje é decisão individualizada: o conduto contralateral está pérvio em cerca de 63% dos casos, mas apenas 8% desenvolvem hérnia metacrônica, de modo que o número necessário para tratar chega a 18 pela contabilidade da EAU.

Hidrocele: a que espera e a que não espera

Hidrocele é coleção de líquido entre os folhetos da túnica vaginal. Na criança, a pergunta que decide tudo é se ela comunica ou não com a cavidade peritoneal, e essa pergunta se responde com história e mão, não com aparelho. A hidrocele comunicante tem volume variável: menor pela manhã, quando a criança passou a noite deitada, e maior no fim do dia; à compressão delicada do escroto ela esvazia, e a transiluminação confirma o conteúdo líquido. A não comunicante é estável ou regride devagar ao longo de meses. O cisto de cordão é um aumento fixo ou pouco variável na região inguinal, cístico, móvel e indolor.

A transiluminação é o exame de beira de leito do tema, e tem um limite que a prova gosta: alça intestinal cheia de líquido também transilumina, e alguns tumores pré-puberais também. Por isso a EAU recomenda ultrassonografia quando há dúvida sobre o caráter da massa intraescrotal ou quando o testículo não é palpável dentro dela — e não como rotina de toda bolsa aumentada.

A história natural sustenta a espera. A resolução espontânea cai com a idade: 92% resolvem abaixo de um ano e 43% ainda resolvem acima dos três anos, segundo a EAU. A progressão para hérnia é rara e não resulta em encarceramento, e não há evidência de que a hidrocele lese o testículo. Na hidrocele adquirida não comunicante, a chance de resolução espontânea é de 75%, e a conduta expectante recomendada é de seis a nove meses. Traduzindo para o consultório: hidrocele isolada em lactente, com testículo palpável e sem abaulamento inguinal, é observação e reavaliação — não é encaminhamento imediato nem cirurgia.

A espera tem exceções, e todas são a mesma exceção: hidrocele que não é só hidrocele. Suspeita de hérnia inguinal associada, patologia testicular subjacente ou testículo não palpável dentro da bolsa mudam o caso de categoria e indicam cirurgia precoce. O protocolo do TelessaúdeRS separa as duas rotas com clareza: hidrocele isolada persistente segue para a Urologia Pediátrica, enquanto hidrocele em criança com hérnia inguinal, em qualquer idade, segue para a Cirurgia Pediátrica.

A operação, quando indicada, é a mesma lógica da hérnia: acesso inguinal, ligadura do conduto peritoniovaginal no anel, com o coto distal deixado aberto. Na hidrocele adquirida do adolescente e do adulto usa-se a via escrotal, com as técnicas de Lord ou de Jaboulay-Winkelmann. E há um gesto proibido: agentes esclerosantes não devem ser usados em criança, pelo risco de peritonite química se o conduto for comunicante. Pela mesma razão, punção aspirativa não trata hidrocele infantil — o líquido volta, porque a torneira continua aberta.

Criptorquidia: o relógio mais curto do capítulo

Criptorquidia é a ausência de um ou dos dois testículos na bolsa escrotal, com o testículo parado em algum ponto do trajeto normal de descida. Os números da Sociedade Brasileira de Pediatria organizam o problema: 3,4% dos recém-nascidos a termo, cerca de 30% dos prematuros, e apenas 0,8% aos 12 meses — prevalência que se mantém em 0,8% daí até a vida adulta. A leitura desses três números é a regra clínica inteira: a descida espontânea acontece, mas ela acontece cedo. Depois dos 6 meses o testículo raramente desce sozinho, e é por isso que todo documento coloca o início do tratamento nessa idade.

A primeira bifurcação do exame é palpável contra não palpável. Cerca de 20% são não palpáveis; entre eles, 50 a 60% estão intra-abdominais, canaliculares ou peeping — mudando de posição entre o canal alto e o anel interno —, 20% estão ausentes e 30% são atróficos ou rudimentares. Monorquidia aparece em até 4% dos meninos com testículo não descido e anorquia em menos de 1%. O testículo ectópico é outro personagem: está fora do trajeto normal, mais comumente na bolsa inguinal superficial, e nunca desce sozinho — indicação cirúrgica em qualquer idade.

A segunda bifurcação é a que mais derruba candidato: testículo retrátil não é criptorquidia. O retrátil já completou a descida e sobe por reflexo cremastérico exagerado. A manobra que separa os dois está descrita no protocolo do TelessaúdeRS: traz-se o testículo até a bolsa e segura-se por um minuto, tempo suficiente para fatigar o cremaster. Se ele permanece na bolsa, é retrátil; se não se posiciona ou retorna imediatamente à posição ascendida, é criptorquídico. Posições que relaxam o cremaster — sapinho, pernas cruzadas — ajudam a tornar palpável o que parecia impalpável. O retrátil não é operado, mas também não é esquecido: até um terço evolui com ascensão secundária, e por isso a EAU pede controle anual até a puberdade, enquanto a Linha de Cuidado do Ministério da Saúde orienta monitorar a cada 6 a 12 meses.

Duas condutas são proibidas por documento. A primeira é a imagem: ultrassom não tem sensibilidade nem especificidade para afirmar presença ou ausência de testículo intra-abdominal, a AUA orienta explicitamente não realizar imagem antes do encaminhamento porque ela raramente muda decisão, e o TelessaúdeRS registra que nenhum exame de imagem é necessário na avaliação da criptorquidia. Pedir ultrassom só adia a cirurgia. A segunda é a terapia hormonal para fazer o testículo descer: a taxa de sucesso é de cerca de 20%, e perto de 20% dos que descem voltam a subir; a AUA recomenda não usar hormônio e a EAU dá recomendação forte contra o uso em criptorquidia unilateral apenas para descida.

O tratamento é cirúrgico e o acesso segue a palpabilidade. Testículo palpável: orquidofunicólise e orquidopexia por via inguinal, com fixação em bolsa subdártica e fechamento do conduto peritoniovaginal quando presente; o testículo palpável baixo pode ser abordado por via escrotal única. Testículo não palpável: exame sob anestesia e laparoscopia diagnóstica, que localiza a gônada e permite decidir entre orquidopexia em um ou dois tempos, ou orquiectomia quando o testículo é atrófico e o contralateral é normal. Testículos não palpáveis bilateralmente mudam a prioridade de todo o caso: são critério de suspeita de anomalia da diferenciação sexual, exigem avaliação endocrinológica e genética e não podem ser tratados como um problema cirúrgico eletivo do primeiro ano.

O que a orquidopexia compra — e o que ela não compra

A justificativa da pressa é biológica: a partir do fim do primeiro ano, o testículo retido já mostra perda progressiva de células germinativas e de células de Leydig. Por isso a recomendação forte da EAU é concluir a orquidopexia antes dos 12 meses, no máximo até os 18. A Sociedade Brasileira de Pediatria fala a mesma língua, situando a idade ideal de correção entre 6 e 12 meses e indicando correção no momento do diagnóstico para quem já passou de 1 ano.

O ganho em fertilidade é real e assimétrico. Quem tem um testículo retido tem taxa de fertilidade menor, mas taxa de paternidade igual à da população geral. Quem tem os dois retidos tem as duas taxas comprometidas. Nos bilaterais não tratados, 100% ficam oligospérmicos e 75% azoospérmicos; entre os tratados, os números caem para 75% e 42%. A Sociedade Brasileira de Pediatria estima infertilidade em 30 a 50% dos casos unilaterais e em até 75% dos bilaterais. É a diferença entre unilateral e bilateral que decide o tom da conversa com a família.

O ganho em câncer é real e parcial, e aqui está a pegadinha mais elegante do tema. A orquidopexia não elimina o risco de tumor testicular: ela o reduz e, sobretudo, muda a data em que o tumor pode ser percebido. A coorte sueca de quase 17 mil homens operados mostra risco relativo de 2,2 para quem fez orquidopexia antes dos 13 anos, contra 5,4 para quem operou depois. A Sociedade Brasileira de Pediatria registra que cerca de 10% dos cânceres testiculares se associam à criptorquidia, com risco 5 a 20 vezes maior que o da população geral. Por isso a orientação de autoexame testicular a partir da puberdade faz parte da alta cirúrgica: o testículo na bolsa é o testículo que dá para examinar.

Há ainda um ganho silencioso que raramente aparece nos guias e sempre aparece nas alternativas: o testículo intra-abdominal ou canalicular está mais sujeito a torção e é onde o encarceramento de uma hérnia associada faz mais estrago. Trazê-lo para a bolsa resolve o problema anatômico, permite o exame, e fecha, no mesmo tempo cirúrgico, o conduto peritoniovaginal que sustentava a hérnia.

04

A régua das três idades

O bloco abaixo resolve as três perguntas que a vinheta faz: o que é essa massa, quando o caso sai da unidade básica e quando ele entra na sala cirúrgica. A ordem importa — a maior parte dos erros de conduta vem de aplicar o relógio da hidrocele a uma hérnia, ou o relógio da hérnia a um testículo retrátil.

  1. 1Olhe a bolsa escrotal antes de olhar a massa: o testículo está lá dentro, dos dois lados?
  2. 2Se há aumento de volume, pergunte se ele varia — some ao dormir e volta ao chorar é conduto pérvio com conteúdo que entra e sai.
  3. 3Transilumine: líquido acende, alça e massa sólida em geral não. Testículo não palpável dentro de bolsa que transilumina pede ultrassom.
  4. 4Palpe o cordão sobre o púbis à procura do sinal da seda e tente reduzir a massa com delicadeza.
  5. 5Se o testículo não está na bolsa, traga-o com a mão e segure por um minuto para fatigar o cremaster: fica, é retrátil; volta, é criptorquídico.
  6. 6Só então decida a idade: hérnia opera ao diagnóstico, hidrocele isolada espera o primeiro ano, criptorquidia encaminha entre 4 e 6 meses e opera até 12, no máximo 18.

Intra-abdominal — não palpável

Testículo acima do anel inguinal interno. Não se palpa, não se enxerga em ultrassom com confiança e não desce sozinho. É o cenário de exame sob anestesia mais laparoscopia diagnóstica, com orquidopexia em um ou dois tempos conforme o comprimento do pedículo vascular.

Canalicular ou peeping

Testículo dentro do canal inguinal, às vezes escorregando para dentro e para fora do anel interno. Pode ser palpável como uma bolinha que salta sob os dedos quando se percorre o canal em direção ao púbis. Abordagem inguinal, com liberação do cordão para ganhar comprimento.

Anel inguinal externo — supraescrotal

Testículo palpável logo acima da bolsa, que não alcança o fundo do escroto nem se mantém lá. É o mais baixo dos criptorquídicos e o de melhor prognóstico cirúrgico — pode ser resolvido por acesso escrotal único quando bem posicionado.

Escrotal alto — testículo retrátil

Última posição da escala e a única que não é doença: o testículo desce até a bolsa e nela permanece depois de um minuto de tração, subindo apenas por reflexo cremastérico. Não se opera e não se dá hormônio — acompanha-se, porque até um terço evolui com ascensão secundária.

CondiçãoQuando encaminharQuando operarDocumento que sustenta
Hérnia inguinal redutívelAo diagnóstico, com prioridadeAo diagnóstico — não fecha sozinhaCBC/RCBC (2001); encarceramento de 28,3% abaixo de 3 meses
Hérnia encarcerada sem estrangulamentoEmergênciaMesma internação, 24 a 48 h após a redução manualConduta consolidada de cirurgia pediátrica
Hérnia estrangulada ou taxia falhaEmergênciaImediataConduta consolidada de cirurgia pediátrica
Hidrocele isolada, testículo palpávelSe persistir após 12 mesesPersistência após o primeiro ano; adquirida, expectante 6 a 9 mesesTelessaúdeRS-UFRGS (2020); EAU (2026)
Hidrocele com hérnia inguinalQualquer idade, para Cirurgia PediátricaPrecoce, ao diagnósticoTelessaúdeRS-UFRGS (2020); EAU (2026)
Criptorquidia (testículo retido)Após 4 meses de idade corrigida (RS) ou aos 6 meses (MS e AUA)Entre 6 e 12 meses; no máximo até 18 mesesTelessaúdeRS (2020); MS, Linha de Cuidado; SBP (2023); EAU (2026)
Testículo ectópico, ausente ou ascendenteQualquer idadeAo diagnóstico — não desce espontaneamenteTelessaúdeRS-UFRGS (2020); EAU (2026)
Testículo retrátilSó se houver dúvida diagnósticaNão opera; controle anual até a puberdadeEAU (2026); MS, Linha de Cuidado (a cada 6 a 12 meses)
Testículos não palpáveis bilateralmenteEmergência ou prioridade, com Endocrinologia PediátricaDepois da investigação endócrina e genéticaTelessaúdeRS-UFRGS (2020); EAU (2026)

Diferencial da massa inguinoescrotal na criança

QuadroComo o volume variaTransiluminaçãoTestículo na bolsaChave da conduta
Hérnia inguinalAumenta ao esforço e some em repousoNegativaSim, ao lado da massaOperar ao diagnóstico; sinal da seda no cordão
Hidrocele comunicanteMenor de manhã, maior à noite; esvazia à compressãoPositivaSimObservar no primeiro ano; encaminhar se persistir
Hidrocele não comunicanteEstável ou regride ao longo de mesesPositivaSimObservar; adquirida resolve em 75% dos casos
Cisto de cordãoFixo ou pouco variável, na região inguinalPositivaSimRessecção ou destelhamento do cisto quando persiste
CriptorquidiaSem massa: hemiescroto vazioNão se aplicaNãoEncaminhar cedo; operar até 12 a 18 meses
Testículo retrátilSobe e desce conforme o cremasterNão se aplicaSim, e permanece após 1 minuto de traçãoNão operar; controle periódico
Hérnia encarceradaMassa fixa, endurecida, dolorosa, irredutívelNegativaSim, deslocadoAnalgesia e taxia; operar na mesma internação
Torção testicularDor aguda, edema, testículo alto e horizontalizadoNegativaSim, dolorosoEmergência cirúrgica — não é caso de fila

Ultrassom não localiza testículo com confiança e não deve atrasar o encaminhamento; ele entra quando a dúvida é sobre o caráter de uma massa intraescrotal ou quando o testículo não é palpável dentro de uma bolsa aumentada.

Agentes esclerosantes e punção não tratam hidrocele infantil: com conduto comunicante, o esclerosante pode causar peritonite química.

Tela é material de parede adulta. Na criança o gesto é ligadura alta do saco, e nada mais.

Toda avaliação inclui o lado contralateral e a bolsa escrotal: hidrocele sem testículo palpável dentro dela e hérnia com hemiescroto vazio são dois diagnósticos, não um.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Idade de encaminhar a criptorquidia: 4 ou 6 meses?

Ministério da Saúde — aos 6 meses

A Linha de Cuidado da criança trata os testículos não palpáveis ao nascer como achado comum, sobretudo no prematuro, com descida espontânea até os 3 meses de vida; se aos 6 meses os testículos não forem apalpados na bolsa escrotal, a criança deve ser encaminhada para avaliação e tratamento. É a régua da puericultura, alinhada ao momento em que a descida espontânea deixa de acontecer.

Ministério da Saúde, Linha de Cuidado Criança: Puericultura e Hebicultura

TelessaúdeRS-UFRGS e SES-RS (2020) — após 4 meses

O protocolo estadual de regulação antecipa o gatilho: encaminha-se testículo retido, palpável ou impalpável, após os 4 meses de idade — corrigida, no prematuro. Antecipar o encaminhamento em dois meses é uma decisão de fila, não de biologia: o tempo entre a solicitação e a primeira consulta com o urologista pediátrico precisa caber dentro da janela cirúrgica que fecha aos 12 a 18 meses.

TelessaúdeRS-UFRGS; SES-RS. Protocolos de encaminhamento para Urologia Pediátrica, 2020

AUA (2014, validade confirmada em 2025) — 6 meses de idade corrigida

A diretriz americana encaminha lactentes com criptorquidia detectada ao nascimento que não tiveram descida espontânea até os 6 meses de idade corrigida para a idade gestacional, e determina que o especialista opere no ano seguinte — o que coloca o limite prático em 18 meses. A revisão de 2025 reexaminou o texto de 2014 e confirmou sua validade, sem substituí-lo.

American Urological Association. Evaluation and Treatment of Cryptorchidism, 2014, validade confirmada em 2025

Na prova

A diferença entre os dois documentos brasileiros é de prazo de fila, não de biologia — os dois querem a cirurgia dentro da mesma janela. O verbo do enunciado separa os mundos: encaminhar não é operar. Enunciado ambientado em unidade básica, puericultura, regulação ou fila do SUS puxa a régua brasileira de encaminhamento — e, se a banca é do Rio Grande do Sul ou cita o protocolo de encaminhamento, o gatilho é 4 meses; se cita a Linha de Cuidado do Ministério da Saúde, é 6. Enunciado que pergunta a idade da orquidopexia, ou que se passa em serviço terciário, joga para a janela de 6 a 12 meses com limite em 18, onde não há discordância entre os documentos. Um distrator que ofereça 24 ou 36 meses denuncia que a questão está cobrando exatamente a janela.

Até quando esperar a hidrocele da criança

TelessaúdeRS-UFRGS (2020) — encaminhar depois dos 12 meses

O protocolo brasileiro fixa o corte de encaminhamento em hidrocele não associada a hérnia ou a outra patologia escrotal que persista em crianças com mais de 12 meses de idade. É um corte administrativo de acesso: a criança entra na fila da especialidade depois do primeiro ano.

TelessaúdeRS-UFRGS; SES-RS. Protocolos de encaminhamento para Urologia Pediátrica, 2020

EAU (2026) — observar pelo menos o primeiro ano, e a resolução continua depois dele

A recomendação forte é observar a hidrocele na maioria dos lactentes antes de cogitar cirurgia, com dado de resolução de 92% abaixo de um ano e ainda 43% acima dos três anos; na hidrocele adquirida não comunicante, a conduta expectante recomendada é de seis a nove meses, com 75% de resolução espontânea. Ou seja, passar dos 12 meses não converte automaticamente a hidrocele em indicação cirúrgica.

EAU Guidelines on Paediatric Urology, edição 2026, capítulo 7

Na prova

A pergunta costuma vir com um dos dois verbos, e eles não são sinônimos: quando encaminhar aponta para o corte de 12 meses do documento brasileiro; quando indicar cirurgia aponta para a persistência do quadro, que a literatura internacional acompanha para além dos 12 meses e frequentemente até 24. Cenário de unidade básica com fila e regulação puxa o corte brasileiro. E qualquer menção a abaulamento inguinal que varia, a testículo não palpável dentro da bolsa ou a suspeita de hérnia associada tira o caso da discussão de idade: aí é cirurgia precoce em qualquer dos dois documentos.

Quando operar a hérnia inguinal do prematuro internado

Conduta clássica brasileira — antes da alta da UTI neonatal

A escola tradicional opera o prematuro ainda internado, esperando apenas que ele esteja apto sob os demais aspectos e que o peso alcance ao menos 1.800 g. O argumento é o risco de encarceramento, que é máximo justamente nos primeiros meses de vida — no mesmo material, a incidência de encarceramento abaixo dos 3 meses chega a 28,3%.

GABRIEL, E. Hérnia inguinal na infância. Rev Col Bras Cir, v. 28, n. 6, 2001

HIP Trial (2024) — depois da alta e acima de 55 semanas de idade pós-menstrual

O ensaio randomizado multicêntrico com 338 lactentes prematuros em 39 hospitais comparou reparo antes da alta da UTI neonatal com reparo programado após a alta e acima de 55 semanas de idade pós-menstrual: 28% do grupo precoce contra 18% do grupo tardio tiveram ao menos um evento adverso grave em 10 meses de observação, com 97% de probabilidade posterior de benefício do reparo tardio. A causa do resultado é anestésica e respiratória, não cirúrgica: o prematuro pequeno tolera mal a anestesia, e adiar reduz esse custo mais do que o encarceramento na espera acrescenta.

HIP Trial. JAMA, v. 331, n. 12, p. 1035-1044, 2024

Na prova

A separação entre as duas posições é de causa, e a causa é anestésica: o ensaio de 2024 pesa a tolerância respiratória do prematuro contra o risco de encarceramento na espera. Vinheta que descreve prematuro ainda intubado, com displasia broncopulmonar, apneia ou peso muito baixo, e que oferece idade pós-menstrual no enunciado, está usando o vocabulário desse ensaio e cobrando o adiamento. Vinheta que descreve hérnia encarcerada, irredutível ou com sinais obstrutivos sai inteiramente dessa discussão — encarceramento é urgência em qualquer das duas escolas. Provas mais antigas e questões que citam o peso de 1.800 g estão ancoradas na conduta clássica; o ano da referência citada no enunciado costuma ser o melhor indicador de qual régua a banca usou.

Terapia hormonal na criptorquidia

AUA — não usar hormônio

A orientação é direta: não utilizar terapia hormonal para induzir a descida testicular, porque as taxas de resposta são baixas e falta evidência de eficácia em longo prazo.

American Urological Association. Evaluation and Treatment of Cryptorchidism, 2014, validade confirmada em 2025

EAU (2026) — não para descida, mas há uma exceção fraca no bilateral

A recomendação forte é não oferecer terapia hormonal na criptorquidia unilateral apenas para obter descida — o sucesso é de cerca de 20% e perto de 20% desses testículos voltam a ascender. Ao mesmo tempo, há uma recomendação fraca de oferecer tratamento endócrino nos casos de testículos bilateralmente não descidos, com o objetivo de preservar o potencial de fertilidade futura, e não de fazer o testículo descer.

EAU Guidelines on Paediatric Urology, edição 2026, capítulo 4

Na prova

O que separa as duas posições é a finalidade declarada no enunciado. Quando a pergunta é como fazer o testículo descer, os dois documentos convergem contra o hormônio, e a alternativa com hCG ou GnRH é distrator. Quando a vinheta descreve criptorquidia bilateral e a pergunta gira em torno de fertilidade futura, o enunciado está no terreno em que a EAU abre a exceção de força fraca. Menção nominal a uma das duas sociedades no enunciado resolve a questão sozinha.

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Caso resolvido

Lactente masculino de 5 meses de idade cronológica, ex-prematuro de 33 semanas, é levado à unidade básica porque a mãe percebeu um caroço na virilha direita que aparece quando ele chora e desaparece quando dorme. Ele está bem, ganhando peso, sem vômitos e sem dor. Ao exame, não há abaulamento visível no momento; a palpação do cordão espermático sobre o púbis direito mostra espessamento com sensação de deslizamento entre os dedos. A bolsa escrotal tem o testículo direito tópico. À esquerda, o hemiescroto está vazio e há um testículo palpável no canal inguinal; trazido até a bolsa e mantido sob tração, ele retorna imediatamente à posição alta.
achado
Dois diagnósticos no mesmo menino: abaulamento inguinal intermitente com sinal da seda à direita, e hemiescroto esquerdo vazio com testículo canalicular que não se mantém na bolsa.
raciocínio
O abaulamento que aparece ao esforço e some em repouso, com espessamento do cordão, é hérnia inguinal indireta — conduto peritoniovaginal pérvio e largo. Do lado esquerdo, a manobra de tração sustentada é o que separa retrátil de criptorquídico: como o testículo retorna imediatamente à posição ascendida, trata-se de criptorquidia, e não de testículo retrátil. A idade corrigida é de cerca de 3 meses, mas a idade cronológica já ultrapassou os 4 meses; a associação entre hérnia e testículo retido não é coincidência, e sim a mesma falha embriológica dos dois lados do quadro.
conduta
Nenhum exame de imagem é necessário: o diagnóstico das duas condições é clínico, e ultrassom não localiza testículo com confiança nem confirma hérnia. Encaminhamento cirúrgico com prioridade pela hérnia, que não fecha sozinha e cujo risco de encarceramento é maior quanto menor a criança, e encaminhamento pela criptorquidia dentro do gatilho de idade — 4 meses no protocolo de regulação, 6 meses pela Linha de Cuidado do Ministério da Saúde e pela AUA, com idade corrigida no prematuro. Orientar a família sobre os sinais de encarceramento e sobre a necessidade de retorno imediato se o abaulamento ficar fixo, doloroso ou acompanhado de vômitos.
desfecho
Herniotomia à direita com ligadura alta do saco, sem tela, e orquidopexia inguinal à esquerda com fechamento do conduto peritoniovaginal no mesmo tempo cirúrgico, concluída antes dos 12 meses. Alta com orientação de autoexame testicular a partir da puberdade — a orquidopexia reduz, mas não zera, o risco de tumor testicular.
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Agora feche você

Menino de 10 meses chega ao pronto-socorro com 6 horas de choro inconsolável e três episódios de vômito. A mãe conta que ele já tinha um caroço na virilha direita que ia e vinha havia dois meses, mas que hoje não some. Ao exame: irritado, hidratado, FC 168 bpm, temperatura axilar de 36,8 °C. Há massa inguinoescrotal direita, endurecida, dolorosa à palpação, irredutível à manobra delicada inicial, sem transiluminação; a pele sobre a massa está normocorada, sem eritema nem equimose. O abdome está distendido, timpânico, doloroso difusamente, sem descompressão brusca dolorosa. Os dois testículos são palpáveis na bolsa.
achado
Massa inguinoescrotal fixa, dolorosa e irredutível, sem transiluminação, em criança com história prévia de abaulamento intermitente, acompanhada de vômitos e distensão abdominal.
raciocínio
O conjunto é hérnia inguinal encarcerada com obstrução intestinal. A ausência de eritema, equimose, toxemia e sinais de peritonite indica que ainda não há estrangulamento estabelecido, e é essa distinção que decide a próxima ação.
conduta
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Onde a banca derruba

  1. 1Pedir ultrassom para localizar o testículo antes de encaminhar Parece diligência e é atraso. O ultrassom não tem sensibilidade nem especificidade para afirmar a presença ou a ausência de testículo intra-abdominal; a AUA orienta explicitamente não realizar imagem antes do encaminhamento porque ela raramente ajuda na decisão, e o protocolo do TelessaúdeRS registra que nenhum exame de imagem é necessário na avaliação da criptorquidia. Quem não é palpável vai para laparoscopia, não para a sala de ecografia. A imagem tem lugar bem definido e outro: dúvida sobre o caráter de uma massa intraescrotal ou testículo não palpável dentro de bolsa aumentada.
  2. 2Chamar de criptorquidia o testículo que é apenas retrátil A confusão nasce de um exame apressado. O testículo retrátil desce à bolsa e nela permanece se for mantido sob tração por um minuto, tempo necessário para fatigar o cremaster; o criptorquídico não se posiciona ou retorna de imediato. Sem esse minuto, o reflexo cremastérico transforma menino normal em candidato a cirurgia. O erro simétrico também existe: o retrátil não é alta definitiva, porque até um terço evolui com ascensão secundária e precisa de controle periódico.
  3. 3Puncionar ou esclerosar a hidrocele da criança A punção alivia por dias e não resolve nada, porque a torneira — o conduto peritoniovaginal — continua aberta. Pior, agentes esclerosantes não devem ser usados em criança pelo risco de peritonite química quando o conduto é comunicante. Hidrocele infantil se observa ou se opera pelo anel inguinal; não se aspira.
  4. 4Colocar tela na parede inguinal do lactente A alternativa soa técnica porque copia a hérnia do adulto, e é justamente por isso que está errada. Na criança não há defeito adquirido de parede: o saco é o conduto que não fechou, e a operação é a ligadura alta desse saco. Prótese numa parede em crescimento é solução para um problema que o paciente não tem.
  5. 5Prescrever hCG ou GnRH para o testículo descer A taxa de sucesso é de cerca de 20%, e perto de 20% dos testículos que descem voltam a ascender; a EAU dá recomendação forte contra o uso em criptorquidia unilateral apenas para descida, e a AUA orienta não usar hormônio para induzir descida. A única brecha, de força fraca, é outra pergunta: tratamento endócrino em criptorquidia bilateral com a finalidade de preservar fertilidade futura.
  6. 6Mandar a hérnia da criança para fila eletiva longa Transportar para a pediatria o raciocínio da hérnia do adulto — pequena, pouco sintomática, pode esperar — inverte o risco. Na criança o encarceramento é mais provável quanto menor o paciente, chegando a 28,3% abaixo dos 3 meses no material do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, e ainda pode custar o testículo. A hérnia diagnosticada opera, e opera com prioridade.
  7. 7Tratar a hidrocele associada a hérnia como hidrocele isolada O relógio longo da hidrocele vale para a hidrocele que está sozinha. Suspeita de hérnia inguinal concomitante, patologia testicular subjacente ou testículo não palpável dentro da bolsa indicam cirurgia precoce, e o protocolo brasileiro chega a mudar o destino do encaminhamento: hidrocele com hérnia inguinal vai para a Cirurgia Pediátrica em qualquer idade, e não para a fila da hidrocele.
  8. 8Achar que a orquidopexia zera o risco de câncer testicular Ela reduz e antecipa a chance de perceber o tumor, mas não elimina o risco. Na coorte sueca de quase 17 mil homens, o risco relativo foi de 2,2 para quem operou antes dos 13 anos e de 5,4 para quem operou depois. Por isso o autoexame testicular a partir da puberdade faz parte da orientação de alta: o valor de trazer o testículo à bolsa também está em torná-lo examinável.
  9. 9Tratar testículos não palpáveis bilateralmente como caso eletivo do primeiro ano Dois testículos impalpáveis, ou um impalpável associado a hipospádia ou micropênis, são critério de suspeita de anomalia da diferenciação sexual, com avaliação endocrinológica e genética obrigatória. O erro é encaixar esse recém-nascido na régua de encaminhamento dos 4 a 6 meses da criptorquidia comum — ele tem prioridade e precisa de mais de uma especialidade.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

Na hipospádia NÃO se deve circuncidar o recém-nascido, porque o prepúcio é frequentemente usado como enxerto/retalho na uretroplastia corretiva. A cirurgia é eletiva (geralmente entre 6 e 18 meses), não de urgência neonatal. Sondagem para 'dilatar' não tem papel. Testosterona sistêmica de rotina não é conduta padrão neonatal (uso hormonal, quando indicado, é tópico/pré-operatório em casos selecionados de micropênis, não reposição sistêmica ao nascimento).

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Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

Três relógios: hérnia opera ao diagnóstico, hidrocele isolada espera o primeiro ano, criptorquidia encaminha entre 4 e 6 meses e opera entre 6 e 12, no máximo 18. Hérnia da criança é indireta, o saco é o conduto peritoniovaginal, e a cirurgia é ligadura alta sem tela. Manobra de 1 minuto separa retrátil de criptorquídico. Não pedir imagem, não puncionar, não dar hormônio.

em 30 dias

Números para o dia da prova: hérnia em 1 a 2% dos nascidos a termo, 60% à direita, 15% bilaterais, encarceramento em 28,3% abaixo dos 3 meses. Criptorquidia em 3,4% dos nascidos a termo, 30% dos prematuros e 0,8% aos 12 meses; 20% dos retidos são não palpáveis. Hidrocele resolve em 92% abaixo de 1 ano e ainda em 43% acima dos 3 anos. Risco relativo de câncer testicular de 2,2 se a orquidopexia é feita antes dos 13 anos, contra 5,4 depois. Refaça o caso da massa inguinoescrotal irredutível e reconstrua a sequência analgesia, taxia, internação e cirurgia em 24 a 48 horas.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Lactente de 7 meses trazido à unidade básica pela mãe, que notou o escroto direito maior no fim da tarde e quase normal ao acordar. Ele não tem dor, não vomita e está ganhando peso. Conduza o atendimento: examine a bolsa e o canal inguinal, transilumine, decida se há hérnia associada e diga o que orientar à família sobre prazo, sinais de alarme e o que não fazer enquanto se espera. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Hérnia inguinal, hidrocele e criptorquidia na infância — Preparatório para provas | OsceLabs