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Hérnia inguinal, hidrocele e criptorquidia na infância
Três doenças que nascem do mesmo canal e correm em três relógios diferentes. A prova quase nunca pergunta o diagnóstico: pergunta em que idade se encaminha, em que idade se opera e o que não se faz enquanto isso.
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Recém-nascido masculino é avaliado no berçário e nota-se que o meato uretral abre-se na face ventral do pênis, na região peniana proximal, associado a curvatura ventral do pênis (chordee) e prepúcio dorsal em capuz. Diante do diagnóstico de hipospádia, qual orientação é correta em relação à conduta neonatal?
Como esse tema cai
Hérnia inguinal, hidrocele e criptorquidia são estudadas juntas porque compartilham um único acidente de percurso: o testículo desce do retroperitônio para a bolsa escrotal arrastando um dedo de peritônio, o conduto peritoniovaginal, e esse conduto deveria fechar. Quando não fecha, o que o atravessa define o nome da doença. Se passa alça ou epíplon, é hérnia inguinal indireta. Se passa apenas líquido peritoneal, é hidrocele comunicante. Se o próprio testículo não completou o trajeto, é criptorquidia — e nela o conduto quase sempre está aberto junto, o que explica por que hérnia e testículo retido tantas vezes chegam no mesmo lactente.
O diagnóstico das três é clínico e barato: inspeção, palpação do cordão, transiluminação e uma manobra de um minuto na bolsa escrotal. O que a prova cobra não é o nome — é o relógio. São três relógios diferentes. A hérnia da criança não tem relógio: encontrou, opera, porque ela não fecha sozinha e o risco de encarceramento é maior justamente onde o paciente é menor. A hidrocele isolada tem relógio longo: a maioria fecha sozinha no primeiro ano de vida e operar antes disso é operar o que ia se resolver. A criptorquidia tem o relógio mais curto e o mais implacável: a descida espontânea essencialmente acaba aos 6 meses, e cada mês depois disso custa célula germinativa.
É também um tema de armadilha de conduta, e as armadilhas são quase todas de excesso. Pedir ultrassom para localizar testículo, puncionar hidrocele, prescrever hormônio para o testículo descer, colocar tela na parede do lactente e mandar a hérnia da criança para uma fila eletiva de meses são cinco erros que aparecem como alternativa plausível e que os documentos, brasileiros e internacionais, desautorizam nominalmente.
O que muda decisão
Um só canal, três doenças
A descida testicular acontece em duas fases. Na fase transabdominal, até por volta da 15ª semana, o gubernáculo encurta e traz o testículo até a região do anel inguinal interno. Na fase inguinoescrotal, dependente de androgênios e concentrada entre o 7º e o 8º mês de gestação, o testículo percorre o canal inguinal e alcança a bolsa. É por isso que a criptorquidia é uma doença estatisticamente ligada à prematuridade: o prematuro nasce no meio da segunda fase.
Ao descer, o testículo empurra à frente um prolongamento de peritônio — o conduto peritoniovaginal, ou processus vaginalis. Depois da descida esse conduto deveria obliterar, deixando apenas a túnica vaginal que recobre o testículo. A obliteração é lenta e incompleta em muita gente: o conduto está presente em 80 a 94% dos recém-nascidos e ainda em cerca de 20% dos adultos, segundo a EAU. Ou seja, conduto pérvio não é sinônimo de doença — doença é conduto pérvio com conteúdo.
Daí sai o mapa que organiza todo o capítulo. Conduto largo o bastante para passar víscera: hérnia inguinal indireta. Conduto estreito, que deixa passar só líquido: hidrocele comunicante, que varia de volume ao longo do dia. Conduto que oblitera nas duas pontas e fica pérvio no meio: hidrocele de cordão, um cisto isolado no trajeto. Conduto fechado, com líquido preso na túnica vaginal por desequilíbrio entre secreção e reabsorção: hidrocele não comunicante, que também pode ser adquirida depois de trauma, torção, epididimite ou cirurgia de varicocele.
A criptorquidia entra por outra porta: não é o conteúdo do conduto que falhou, é a migração do testículo. Mas as duas coisas andam juntas — o testículo que não desceu costuma vir com conduto pérvio, e é por isso que a orquidopexia frequentemente inclui o fechamento do saco herniário no mesmo tempo cirúrgico.
Uma consequência prática dessa anatomia comum: toda vez que se encontra uma das três, examina-se o outro lado e examina-se a bolsa escrotal. Hidrocele com testículo não palpável dentro dela não é hidrocele simples, e hérnia inguinal em menino com hemiescroto vazio é dois diagnósticos, não um.

Hérnia inguinal da criança: indireta, sempre operar, sem tela
A hérnia inguinal da criança é congênita e indireta por definição: o saco é o próprio conduto peritoniovaginal, e não há defeito adquirido de parede como no adulto. Ocorre em 1 a 2% dos recém-nascidos a termo e é mais comum nos prematuros. A distribuição por lado é assimétrica e cai em prova: cerca de 60% à direita, 25% à esquerda e 15% bilaterais — no prematuro a fatia de bilaterais aumenta. O predomínio à direita acompanha a cronologia da descida, já que o testículo direito desce depois.
O quadro típico é o abaulamento inguinal ou inguinoescrotal que aparece ao esforço — choro, tosse, evacuação — e some quando a criança relaxa. Muitas vezes a consulta acontece com a criança sem abaulamento nenhum, e o diagnóstico se apoia na história dos pais somada ao exame do cordão espermático: o espessamento do cordão sobre o púbis, que dá a sensação de duas superfícies de seda deslizando entre os dedos, é o sinal da seda, descrito no protocolo do TelessaúdeRS como evidência de tumoração ou espessamento do cordão. Diagnóstico de hérnia inguinal na criança é clínico. Ultrassom só entra quando há dúvida sobre a natureza de uma massa escrotal ou quando o testículo não é palpável.
Não existe tratamento conservador. O conduto não fecha depois que a hérnia já se manifestou, e o argumento para não esperar é o encarceramento: no material do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, a incidência de encarceramento nos bebês abaixo de três meses chega a 28,3%. Quanto menor a criança, maior o risco — o oposto da intuição de quem trata hérnia de adulto. A conclusão prática é que hérnia inguinal diagnosticada em lactente é cirurgia agendada com prioridade, não fila eletiva longa.
A operação é uma herniotomia: dissecção do saco herniário, ligadura alta junto ao anel inguinal interno e nada mais. Não se usa tela, não se reconstrói parede posterior, não se faz Lichtenstein. O defeito é a persistência do conduto, e fechá-lo resolve o problema; colocar prótese numa parede em crescimento é criar um problema novo. A alternativa laparoscópica, com ligadura percutânea do conduto, é equivalente em resultado, e a EAU registra que nenhuma técnica se mostrou superior. A recidiva é baixa — bem menor que no adulto —, mas não é zero, e é maior no prematuro e no encarcerado operado em urgência.
A hérnia encarcerada é a face de urgência do tema. O quadro é massa inguinoescrotal endurecida, dolorosa, irredutível, sem transiluminação, com choro inconsolável, vômitos e sinais de obstrução. Na ausência de sinais de estrangulamento — pele com eritema ou equimose, toxemia, sinais de peritonite —, a conduta inicial é analgesia e sedação, posição de Trendelenburg e taxia delicada. Reduzida a hérnia, a criança fica internada e opera na mesma internação, em 24 a 48 horas, quando o edema local diminui; mandar para casa com cirurgia eletiva daqui a meses é convidar o reencarceramento. Se a redução falha ou se há estrangulamento, a operação é imediata, e a checagem obrigatória é a viabilidade da gônada: no lactente, o conteúdo encarcerado comprime os vasos espermáticos, e a atrofia testicular é uma complicação do encarceramento, não só da cirurgia.
Duas particularidades fecham a seção. Na menina, o conteúdo do saco encarcerado é frequentemente o ovário, que pode estar irredutível e ainda assim indolor — e ovário palpável no canal inguinal é indicação cirúrgica, com atenção à possibilidade de torção. E a exploração do lado contralateral, que já foi rotina, hoje é decisão individualizada: o conduto contralateral está pérvio em cerca de 63% dos casos, mas apenas 8% desenvolvem hérnia metacrônica, de modo que o número necessário para tratar chega a 18 pela contabilidade da EAU.
Hidrocele: a que espera e a que não espera
Hidrocele é coleção de líquido entre os folhetos da túnica vaginal. Na criança, a pergunta que decide tudo é se ela comunica ou não com a cavidade peritoneal, e essa pergunta se responde com história e mão, não com aparelho. A hidrocele comunicante tem volume variável: menor pela manhã, quando a criança passou a noite deitada, e maior no fim do dia; à compressão delicada do escroto ela esvazia, e a transiluminação confirma o conteúdo líquido. A não comunicante é estável ou regride devagar ao longo de meses. O cisto de cordão é um aumento fixo ou pouco variável na região inguinal, cístico, móvel e indolor.
A transiluminação é o exame de beira de leito do tema, e tem um limite que a prova gosta: alça intestinal cheia de líquido também transilumina, e alguns tumores pré-puberais também. Por isso a EAU recomenda ultrassonografia quando há dúvida sobre o caráter da massa intraescrotal ou quando o testículo não é palpável dentro dela — e não como rotina de toda bolsa aumentada.
A história natural sustenta a espera. A resolução espontânea cai com a idade: 92% resolvem abaixo de um ano e 43% ainda resolvem acima dos três anos, segundo a EAU. A progressão para hérnia é rara e não resulta em encarceramento, e não há evidência de que a hidrocele lese o testículo. Na hidrocele adquirida não comunicante, a chance de resolução espontânea é de 75%, e a conduta expectante recomendada é de seis a nove meses. Traduzindo para o consultório: hidrocele isolada em lactente, com testículo palpável e sem abaulamento inguinal, é observação e reavaliação — não é encaminhamento imediato nem cirurgia.
A espera tem exceções, e todas são a mesma exceção: hidrocele que não é só hidrocele. Suspeita de hérnia inguinal associada, patologia testicular subjacente ou testículo não palpável dentro da bolsa mudam o caso de categoria e indicam cirurgia precoce. O protocolo do TelessaúdeRS separa as duas rotas com clareza: hidrocele isolada persistente segue para a Urologia Pediátrica, enquanto hidrocele em criança com hérnia inguinal, em qualquer idade, segue para a Cirurgia Pediátrica.
A operação, quando indicada, é a mesma lógica da hérnia: acesso inguinal, ligadura do conduto peritoniovaginal no anel, com o coto distal deixado aberto. Na hidrocele adquirida do adolescente e do adulto usa-se a via escrotal, com as técnicas de Lord ou de Jaboulay-Winkelmann. E há um gesto proibido: agentes esclerosantes não devem ser usados em criança, pelo risco de peritonite química se o conduto for comunicante. Pela mesma razão, punção aspirativa não trata hidrocele infantil — o líquido volta, porque a torneira continua aberta.
Criptorquidia: o relógio mais curto do capítulo
Criptorquidia é a ausência de um ou dos dois testículos na bolsa escrotal, com o testículo parado em algum ponto do trajeto normal de descida. Os números da Sociedade Brasileira de Pediatria organizam o problema: 3,4% dos recém-nascidos a termo, cerca de 30% dos prematuros, e apenas 0,8% aos 12 meses — prevalência que se mantém em 0,8% daí até a vida adulta. A leitura desses três números é a regra clínica inteira: a descida espontânea acontece, mas ela acontece cedo. Depois dos 6 meses o testículo raramente desce sozinho, e é por isso que todo documento coloca o início do tratamento nessa idade.
A primeira bifurcação do exame é palpável contra não palpável. Cerca de 20% são não palpáveis; entre eles, 50 a 60% estão intra-abdominais, canaliculares ou peeping — mudando de posição entre o canal alto e o anel interno —, 20% estão ausentes e 30% são atróficos ou rudimentares. Monorquidia aparece em até 4% dos meninos com testículo não descido e anorquia em menos de 1%. O testículo ectópico é outro personagem: está fora do trajeto normal, mais comumente na bolsa inguinal superficial, e nunca desce sozinho — indicação cirúrgica em qualquer idade.
A segunda bifurcação é a que mais derruba candidato: testículo retrátil não é criptorquidia. O retrátil já completou a descida e sobe por reflexo cremastérico exagerado. A manobra que separa os dois está descrita no protocolo do TelessaúdeRS: traz-se o testículo até a bolsa e segura-se por um minuto, tempo suficiente para fatigar o cremaster. Se ele permanece na bolsa, é retrátil; se não se posiciona ou retorna imediatamente à posição ascendida, é criptorquídico. Posições que relaxam o cremaster — sapinho, pernas cruzadas — ajudam a tornar palpável o que parecia impalpável. O retrátil não é operado, mas também não é esquecido: até um terço evolui com ascensão secundária, e por isso a EAU pede controle anual até a puberdade, enquanto a Linha de Cuidado do Ministério da Saúde orienta monitorar a cada 6 a 12 meses.
Duas condutas são proibidas por documento. A primeira é a imagem: ultrassom não tem sensibilidade nem especificidade para afirmar presença ou ausência de testículo intra-abdominal, a AUA orienta explicitamente não realizar imagem antes do encaminhamento porque ela raramente muda decisão, e o TelessaúdeRS registra que nenhum exame de imagem é necessário na avaliação da criptorquidia. Pedir ultrassom só adia a cirurgia. A segunda é a terapia hormonal para fazer o testículo descer: a taxa de sucesso é de cerca de 20%, e perto de 20% dos que descem voltam a subir; a AUA recomenda não usar hormônio e a EAU dá recomendação forte contra o uso em criptorquidia unilateral apenas para descida.
O tratamento é cirúrgico e o acesso segue a palpabilidade. Testículo palpável: orquidofunicólise e orquidopexia por via inguinal, com fixação em bolsa subdártica e fechamento do conduto peritoniovaginal quando presente; o testículo palpável baixo pode ser abordado por via escrotal única. Testículo não palpável: exame sob anestesia e laparoscopia diagnóstica, que localiza a gônada e permite decidir entre orquidopexia em um ou dois tempos, ou orquiectomia quando o testículo é atrófico e o contralateral é normal. Testículos não palpáveis bilateralmente mudam a prioridade de todo o caso: são critério de suspeita de anomalia da diferenciação sexual, exigem avaliação endocrinológica e genética e não podem ser tratados como um problema cirúrgico eletivo do primeiro ano.
O que a orquidopexia compra — e o que ela não compra
A justificativa da pressa é biológica: a partir do fim do primeiro ano, o testículo retido já mostra perda progressiva de células germinativas e de células de Leydig. Por isso a recomendação forte da EAU é concluir a orquidopexia antes dos 12 meses, no máximo até os 18. A Sociedade Brasileira de Pediatria fala a mesma língua, situando a idade ideal de correção entre 6 e 12 meses e indicando correção no momento do diagnóstico para quem já passou de 1 ano.
O ganho em fertilidade é real e assimétrico. Quem tem um testículo retido tem taxa de fertilidade menor, mas taxa de paternidade igual à da população geral. Quem tem os dois retidos tem as duas taxas comprometidas. Nos bilaterais não tratados, 100% ficam oligospérmicos e 75% azoospérmicos; entre os tratados, os números caem para 75% e 42%. A Sociedade Brasileira de Pediatria estima infertilidade em 30 a 50% dos casos unilaterais e em até 75% dos bilaterais. É a diferença entre unilateral e bilateral que decide o tom da conversa com a família.
O ganho em câncer é real e parcial, e aqui está a pegadinha mais elegante do tema. A orquidopexia não elimina o risco de tumor testicular: ela o reduz e, sobretudo, muda a data em que o tumor pode ser percebido. A coorte sueca de quase 17 mil homens operados mostra risco relativo de 2,2 para quem fez orquidopexia antes dos 13 anos, contra 5,4 para quem operou depois. A Sociedade Brasileira de Pediatria registra que cerca de 10% dos cânceres testiculares se associam à criptorquidia, com risco 5 a 20 vezes maior que o da população geral. Por isso a orientação de autoexame testicular a partir da puberdade faz parte da alta cirúrgica: o testículo na bolsa é o testículo que dá para examinar.
Há ainda um ganho silencioso que raramente aparece nos guias e sempre aparece nas alternativas: o testículo intra-abdominal ou canalicular está mais sujeito a torção e é onde o encarceramento de uma hérnia associada faz mais estrago. Trazê-lo para a bolsa resolve o problema anatômico, permite o exame, e fecha, no mesmo tempo cirúrgico, o conduto peritoniovaginal que sustentava a hérnia.
A régua das três idades
O bloco abaixo resolve as três perguntas que a vinheta faz: o que é essa massa, quando o caso sai da unidade básica e quando ele entra na sala cirúrgica. A ordem importa — a maior parte dos erros de conduta vem de aplicar o relógio da hidrocele a uma hérnia, ou o relógio da hérnia a um testículo retrátil.
- 1Olhe a bolsa escrotal antes de olhar a massa: o testículo está lá dentro, dos dois lados?
- 2Se há aumento de volume, pergunte se ele varia — some ao dormir e volta ao chorar é conduto pérvio com conteúdo que entra e sai.
- 3Transilumine: líquido acende, alça e massa sólida em geral não. Testículo não palpável dentro de bolsa que transilumina pede ultrassom.
- 4Palpe o cordão sobre o púbis à procura do sinal da seda e tente reduzir a massa com delicadeza.
- 5Se o testículo não está na bolsa, traga-o com a mão e segure por um minuto para fatigar o cremaster: fica, é retrátil; volta, é criptorquídico.
- 6Só então decida a idade: hérnia opera ao diagnóstico, hidrocele isolada espera o primeiro ano, criptorquidia encaminha entre 4 e 6 meses e opera até 12, no máximo 18.
Intra-abdominal — não palpável
Testículo acima do anel inguinal interno. Não se palpa, não se enxerga em ultrassom com confiança e não desce sozinho. É o cenário de exame sob anestesia mais laparoscopia diagnóstica, com orquidopexia em um ou dois tempos conforme o comprimento do pedículo vascular.
Canalicular ou peeping
Testículo dentro do canal inguinal, às vezes escorregando para dentro e para fora do anel interno. Pode ser palpável como uma bolinha que salta sob os dedos quando se percorre o canal em direção ao púbis. Abordagem inguinal, com liberação do cordão para ganhar comprimento.
Anel inguinal externo — supraescrotal
Testículo palpável logo acima da bolsa, que não alcança o fundo do escroto nem se mantém lá. É o mais baixo dos criptorquídicos e o de melhor prognóstico cirúrgico — pode ser resolvido por acesso escrotal único quando bem posicionado.
Escrotal alto — testículo retrátil
Última posição da escala e a única que não é doença: o testículo desce até a bolsa e nela permanece depois de um minuto de tração, subindo apenas por reflexo cremastérico. Não se opera e não se dá hormônio — acompanha-se, porque até um terço evolui com ascensão secundária.
| Condição | Quando encaminhar | Quando operar | Documento que sustenta |
|---|---|---|---|
| Hérnia inguinal redutível | Ao diagnóstico, com prioridade | Ao diagnóstico — não fecha sozinha | CBC/RCBC (2001); encarceramento de 28,3% abaixo de 3 meses |
| Hérnia encarcerada sem estrangulamento | Emergência | Mesma internação, 24 a 48 h após a redução manual | Conduta consolidada de cirurgia pediátrica |
| Hérnia estrangulada ou taxia falha | Emergência | Imediata | Conduta consolidada de cirurgia pediátrica |
| Hidrocele isolada, testículo palpável | Se persistir após 12 meses | Persistência após o primeiro ano; adquirida, expectante 6 a 9 meses | TelessaúdeRS-UFRGS (2020); EAU (2026) |
| Hidrocele com hérnia inguinal | Qualquer idade, para Cirurgia Pediátrica | Precoce, ao diagnóstico | TelessaúdeRS-UFRGS (2020); EAU (2026) |
| Criptorquidia (testículo retido) | Após 4 meses de idade corrigida (RS) ou aos 6 meses (MS e AUA) | Entre 6 e 12 meses; no máximo até 18 meses | TelessaúdeRS (2020); MS, Linha de Cuidado; SBP (2023); EAU (2026) |
| Testículo ectópico, ausente ou ascendente | Qualquer idade | Ao diagnóstico — não desce espontaneamente | TelessaúdeRS-UFRGS (2020); EAU (2026) |
| Testículo retrátil | Só se houver dúvida diagnóstica | Não opera; controle anual até a puberdade | EAU (2026); MS, Linha de Cuidado (a cada 6 a 12 meses) |
| Testículos não palpáveis bilateralmente | Emergência ou prioridade, com Endocrinologia Pediátrica | Depois da investigação endócrina e genética | TelessaúdeRS-UFRGS (2020); EAU (2026) |
Diferencial da massa inguinoescrotal na criança
| Quadro | Como o volume varia | Transiluminação | Testículo na bolsa | Chave da conduta |
|---|---|---|---|---|
| Hérnia inguinal | Aumenta ao esforço e some em repouso | Negativa | Sim, ao lado da massa | Operar ao diagnóstico; sinal da seda no cordão |
| Hidrocele comunicante | Menor de manhã, maior à noite; esvazia à compressão | Positiva | Sim | Observar no primeiro ano; encaminhar se persistir |
| Hidrocele não comunicante | Estável ou regride ao longo de meses | Positiva | Sim | Observar; adquirida resolve em 75% dos casos |
| Cisto de cordão | Fixo ou pouco variável, na região inguinal | Positiva | Sim | Ressecção ou destelhamento do cisto quando persiste |
| Criptorquidia | Sem massa: hemiescroto vazio | Não se aplica | Não | Encaminhar cedo; operar até 12 a 18 meses |
| Testículo retrátil | Sobe e desce conforme o cremaster | Não se aplica | Sim, e permanece após 1 minuto de tração | Não operar; controle periódico |
| Hérnia encarcerada | Massa fixa, endurecida, dolorosa, irredutível | Negativa | Sim, deslocado | Analgesia e taxia; operar na mesma internação |
| Torção testicular | Dor aguda, edema, testículo alto e horizontalizado | Negativa | Sim, doloroso | Emergência cirúrgica — não é caso de fila |
Ultrassom não localiza testículo com confiança e não deve atrasar o encaminhamento; ele entra quando a dúvida é sobre o caráter de uma massa intraescrotal ou quando o testículo não é palpável dentro de uma bolsa aumentada.
Agentes esclerosantes e punção não tratam hidrocele infantil: com conduto comunicante, o esclerosante pode causar peritonite química.
Tela é material de parede adulta. Na criança o gesto é ligadura alta do saco, e nada mais.
Toda avaliação inclui o lado contralateral e a bolsa escrotal: hidrocele sem testículo palpável dentro dela e hérnia com hemiescroto vazio são dois diagnósticos, não um.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Ministério da Saúde — aos 6 meses
A Linha de Cuidado da criança trata os testículos não palpáveis ao nascer como achado comum, sobretudo no prematuro, com descida espontânea até os 3 meses de vida; se aos 6 meses os testículos não forem apalpados na bolsa escrotal, a criança deve ser encaminhada para avaliação e tratamento. É a régua da puericultura, alinhada ao momento em que a descida espontânea deixa de acontecer.
Ministério da Saúde, Linha de Cuidado Criança: Puericultura e Hebicultura
TelessaúdeRS-UFRGS e SES-RS (2020) — após 4 meses
O protocolo estadual de regulação antecipa o gatilho: encaminha-se testículo retido, palpável ou impalpável, após os 4 meses de idade — corrigida, no prematuro. Antecipar o encaminhamento em dois meses é uma decisão de fila, não de biologia: o tempo entre a solicitação e a primeira consulta com o urologista pediátrico precisa caber dentro da janela cirúrgica que fecha aos 12 a 18 meses.
TelessaúdeRS-UFRGS; SES-RS. Protocolos de encaminhamento para Urologia Pediátrica, 2020
AUA (2014, validade confirmada em 2025) — 6 meses de idade corrigida
A diretriz americana encaminha lactentes com criptorquidia detectada ao nascimento que não tiveram descida espontânea até os 6 meses de idade corrigida para a idade gestacional, e determina que o especialista opere no ano seguinte — o que coloca o limite prático em 18 meses. A revisão de 2025 reexaminou o texto de 2014 e confirmou sua validade, sem substituí-lo.
American Urological Association. Evaluation and Treatment of Cryptorchidism, 2014, validade confirmada em 2025
Na prova
A diferença entre os dois documentos brasileiros é de prazo de fila, não de biologia — os dois querem a cirurgia dentro da mesma janela. O verbo do enunciado separa os mundos: encaminhar não é operar. Enunciado ambientado em unidade básica, puericultura, regulação ou fila do SUS puxa a régua brasileira de encaminhamento — e, se a banca é do Rio Grande do Sul ou cita o protocolo de encaminhamento, o gatilho é 4 meses; se cita a Linha de Cuidado do Ministério da Saúde, é 6. Enunciado que pergunta a idade da orquidopexia, ou que se passa em serviço terciário, joga para a janela de 6 a 12 meses com limite em 18, onde não há discordância entre os documentos. Um distrator que ofereça 24 ou 36 meses denuncia que a questão está cobrando exatamente a janela.
TelessaúdeRS-UFRGS (2020) — encaminhar depois dos 12 meses
O protocolo brasileiro fixa o corte de encaminhamento em hidrocele não associada a hérnia ou a outra patologia escrotal que persista em crianças com mais de 12 meses de idade. É um corte administrativo de acesso: a criança entra na fila da especialidade depois do primeiro ano.
TelessaúdeRS-UFRGS; SES-RS. Protocolos de encaminhamento para Urologia Pediátrica, 2020
EAU (2026) — observar pelo menos o primeiro ano, e a resolução continua depois dele
A recomendação forte é observar a hidrocele na maioria dos lactentes antes de cogitar cirurgia, com dado de resolução de 92% abaixo de um ano e ainda 43% acima dos três anos; na hidrocele adquirida não comunicante, a conduta expectante recomendada é de seis a nove meses, com 75% de resolução espontânea. Ou seja, passar dos 12 meses não converte automaticamente a hidrocele em indicação cirúrgica.
EAU Guidelines on Paediatric Urology, edição 2026, capítulo 7
Na prova
A pergunta costuma vir com um dos dois verbos, e eles não são sinônimos: quando encaminhar aponta para o corte de 12 meses do documento brasileiro; quando indicar cirurgia aponta para a persistência do quadro, que a literatura internacional acompanha para além dos 12 meses e frequentemente até 24. Cenário de unidade básica com fila e regulação puxa o corte brasileiro. E qualquer menção a abaulamento inguinal que varia, a testículo não palpável dentro da bolsa ou a suspeita de hérnia associada tira o caso da discussão de idade: aí é cirurgia precoce em qualquer dos dois documentos.
Conduta clássica brasileira — antes da alta da UTI neonatal
A escola tradicional opera o prematuro ainda internado, esperando apenas que ele esteja apto sob os demais aspectos e que o peso alcance ao menos 1.800 g. O argumento é o risco de encarceramento, que é máximo justamente nos primeiros meses de vida — no mesmo material, a incidência de encarceramento abaixo dos 3 meses chega a 28,3%.
GABRIEL, E. Hérnia inguinal na infância. Rev Col Bras Cir, v. 28, n. 6, 2001
HIP Trial (2024) — depois da alta e acima de 55 semanas de idade pós-menstrual
O ensaio randomizado multicêntrico com 338 lactentes prematuros em 39 hospitais comparou reparo antes da alta da UTI neonatal com reparo programado após a alta e acima de 55 semanas de idade pós-menstrual: 28% do grupo precoce contra 18% do grupo tardio tiveram ao menos um evento adverso grave em 10 meses de observação, com 97% de probabilidade posterior de benefício do reparo tardio. A causa do resultado é anestésica e respiratória, não cirúrgica: o prematuro pequeno tolera mal a anestesia, e adiar reduz esse custo mais do que o encarceramento na espera acrescenta.
HIP Trial. JAMA, v. 331, n. 12, p. 1035-1044, 2024
Na prova
A separação entre as duas posições é de causa, e a causa é anestésica: o ensaio de 2024 pesa a tolerância respiratória do prematuro contra o risco de encarceramento na espera. Vinheta que descreve prematuro ainda intubado, com displasia broncopulmonar, apneia ou peso muito baixo, e que oferece idade pós-menstrual no enunciado, está usando o vocabulário desse ensaio e cobrando o adiamento. Vinheta que descreve hérnia encarcerada, irredutível ou com sinais obstrutivos sai inteiramente dessa discussão — encarceramento é urgência em qualquer das duas escolas. Provas mais antigas e questões que citam o peso de 1.800 g estão ancoradas na conduta clássica; o ano da referência citada no enunciado costuma ser o melhor indicador de qual régua a banca usou.
AUA — não usar hormônio
A orientação é direta: não utilizar terapia hormonal para induzir a descida testicular, porque as taxas de resposta são baixas e falta evidência de eficácia em longo prazo.
American Urological Association. Evaluation and Treatment of Cryptorchidism, 2014, validade confirmada em 2025
EAU (2026) — não para descida, mas há uma exceção fraca no bilateral
A recomendação forte é não oferecer terapia hormonal na criptorquidia unilateral apenas para obter descida — o sucesso é de cerca de 20% e perto de 20% desses testículos voltam a ascender. Ao mesmo tempo, há uma recomendação fraca de oferecer tratamento endócrino nos casos de testículos bilateralmente não descidos, com o objetivo de preservar o potencial de fertilidade futura, e não de fazer o testículo descer.
EAU Guidelines on Paediatric Urology, edição 2026, capítulo 4
Na prova
O que separa as duas posições é a finalidade declarada no enunciado. Quando a pergunta é como fazer o testículo descer, os dois documentos convergem contra o hormônio, e a alternativa com hCG ou GnRH é distrator. Quando a vinheta descreve criptorquidia bilateral e a pergunta gira em torno de fertilidade futura, o enunciado está no terreno em que a EAU abre a exceção de força fraca. Menção nominal a uma das duas sociedades no enunciado resolve a questão sozinha.
Caso resolvido
- achado
- Dois diagnósticos no mesmo menino: abaulamento inguinal intermitente com sinal da seda à direita, e hemiescroto esquerdo vazio com testículo canalicular que não se mantém na bolsa.
- raciocínio
- O abaulamento que aparece ao esforço e some em repouso, com espessamento do cordão, é hérnia inguinal indireta — conduto peritoniovaginal pérvio e largo. Do lado esquerdo, a manobra de tração sustentada é o que separa retrátil de criptorquídico: como o testículo retorna imediatamente à posição ascendida, trata-se de criptorquidia, e não de testículo retrátil. A idade corrigida é de cerca de 3 meses, mas a idade cronológica já ultrapassou os 4 meses; a associação entre hérnia e testículo retido não é coincidência, e sim a mesma falha embriológica dos dois lados do quadro.
- conduta
- Nenhum exame de imagem é necessário: o diagnóstico das duas condições é clínico, e ultrassom não localiza testículo com confiança nem confirma hérnia. Encaminhamento cirúrgico com prioridade pela hérnia, que não fecha sozinha e cujo risco de encarceramento é maior quanto menor a criança, e encaminhamento pela criptorquidia dentro do gatilho de idade — 4 meses no protocolo de regulação, 6 meses pela Linha de Cuidado do Ministério da Saúde e pela AUA, com idade corrigida no prematuro. Orientar a família sobre os sinais de encarceramento e sobre a necessidade de retorno imediato se o abaulamento ficar fixo, doloroso ou acompanhado de vômitos.
- desfecho
- Herniotomia à direita com ligadura alta do saco, sem tela, e orquidopexia inguinal à esquerda com fechamento do conduto peritoniovaginal no mesmo tempo cirúrgico, concluída antes dos 12 meses. Alta com orientação de autoexame testicular a partir da puberdade — a orquidopexia reduz, mas não zera, o risco de tumor testicular.
Agora feche você
- achado
- Massa inguinoescrotal fixa, dolorosa e irredutível, sem transiluminação, em criança com história prévia de abaulamento intermitente, acompanhada de vômitos e distensão abdominal.
- raciocínio
- O conjunto é hérnia inguinal encarcerada com obstrução intestinal. A ausência de eritema, equimose, toxemia e sinais de peritonite indica que ainda não há estrangulamento estabelecido, e é essa distinção que decide a próxima ação.
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Pedir ultrassom para localizar o testículo antes de encaminhar Parece diligência e é atraso. O ultrassom não tem sensibilidade nem especificidade para afirmar a presença ou a ausência de testículo intra-abdominal; a AUA orienta explicitamente não realizar imagem antes do encaminhamento porque ela raramente ajuda na decisão, e o protocolo do TelessaúdeRS registra que nenhum exame de imagem é necessário na avaliação da criptorquidia. Quem não é palpável vai para laparoscopia, não para a sala de ecografia. A imagem tem lugar bem definido e outro: dúvida sobre o caráter de uma massa intraescrotal ou testículo não palpável dentro de bolsa aumentada.
- 2Chamar de criptorquidia o testículo que é apenas retrátil A confusão nasce de um exame apressado. O testículo retrátil desce à bolsa e nela permanece se for mantido sob tração por um minuto, tempo necessário para fatigar o cremaster; o criptorquídico não se posiciona ou retorna de imediato. Sem esse minuto, o reflexo cremastérico transforma menino normal em candidato a cirurgia. O erro simétrico também existe: o retrátil não é alta definitiva, porque até um terço evolui com ascensão secundária e precisa de controle periódico.
- 3Puncionar ou esclerosar a hidrocele da criança A punção alivia por dias e não resolve nada, porque a torneira — o conduto peritoniovaginal — continua aberta. Pior, agentes esclerosantes não devem ser usados em criança pelo risco de peritonite química quando o conduto é comunicante. Hidrocele infantil se observa ou se opera pelo anel inguinal; não se aspira.
- 4Colocar tela na parede inguinal do lactente A alternativa soa técnica porque copia a hérnia do adulto, e é justamente por isso que está errada. Na criança não há defeito adquirido de parede: o saco é o conduto que não fechou, e a operação é a ligadura alta desse saco. Prótese numa parede em crescimento é solução para um problema que o paciente não tem.
- 5Prescrever hCG ou GnRH para o testículo descer A taxa de sucesso é de cerca de 20%, e perto de 20% dos testículos que descem voltam a ascender; a EAU dá recomendação forte contra o uso em criptorquidia unilateral apenas para descida, e a AUA orienta não usar hormônio para induzir descida. A única brecha, de força fraca, é outra pergunta: tratamento endócrino em criptorquidia bilateral com a finalidade de preservar fertilidade futura.
- 6Mandar a hérnia da criança para fila eletiva longa Transportar para a pediatria o raciocínio da hérnia do adulto — pequena, pouco sintomática, pode esperar — inverte o risco. Na criança o encarceramento é mais provável quanto menor o paciente, chegando a 28,3% abaixo dos 3 meses no material do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, e ainda pode custar o testículo. A hérnia diagnosticada opera, e opera com prioridade.
- 7Tratar a hidrocele associada a hérnia como hidrocele isolada O relógio longo da hidrocele vale para a hidrocele que está sozinha. Suspeita de hérnia inguinal concomitante, patologia testicular subjacente ou testículo não palpável dentro da bolsa indicam cirurgia precoce, e o protocolo brasileiro chega a mudar o destino do encaminhamento: hidrocele com hérnia inguinal vai para a Cirurgia Pediátrica em qualquer idade, e não para a fila da hidrocele.
- 8Achar que a orquidopexia zera o risco de câncer testicular Ela reduz e antecipa a chance de perceber o tumor, mas não elimina o risco. Na coorte sueca de quase 17 mil homens, o risco relativo foi de 2,2 para quem operou antes dos 13 anos e de 5,4 para quem operou depois. Por isso o autoexame testicular a partir da puberdade faz parte da orientação de alta: o valor de trazer o testículo à bolsa também está em torná-lo examinável.
- 9Tratar testículos não palpáveis bilateralmente como caso eletivo do primeiro ano Dois testículos impalpáveis, ou um impalpável associado a hipospádia ou micropênis, são critério de suspeita de anomalia da diferenciação sexual, com avaliação endocrinológica e genética obrigatória. O erro é encaixar esse recém-nascido na régua de encaminhamento dos 4 a 6 meses da criptorquidia comum — ele tem prioridade e precisa de mais de uma especialidade.
Na hipospádia NÃO se deve circuncidar o recém-nascido, porque o prepúcio é frequentemente usado como enxerto/retalho na uretroplastia corretiva. A cirurgia é eletiva (geralmente entre 6 e 18 meses), não de urgência neonatal. Sondagem para 'dilatar' não tem papel. Testosterona sistêmica de rotina não é conduta padrão neonatal (uso hormonal, quando indicado, é tópico/pré-operatório em casos selecionados de micropênis, não reposição sistêmica ao nascimento).
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Menino de 3 anos é levado à UBS pela mãe, que notou ausência do testículo direito na bolsa escrotal desde o nascimento. Ao exame, bolsa escrotal direita hipoplásica e vazia, testículo não palpável no canal inguinal; o esquerdo é tópico e normal. Qual a conduta correta?
Trata-se de criptorquidia (testículo não descido). A descida espontânea, quando ocorre, acontece nos primeiros 6 meses de vida; aos 3 anos ela não é mais esperada. A conduta é o encaminhamento para correção cirúrgica (orquidopexia), idealmente realizada precocemente (por volta de 1 a 2 anos) para reduzir risco de infertilidade e permitir vigilância do risco aumentado de neoplasia testicular. Aguardar a puberdade prejudica a fertilidade. Testosterona não trata criptorquidia com essa finalidade. Não reavaliar posterga inadequadamente a correção.
Um lactente de 4 meses é levado pela mãe à UBS para consulta de puericultura. Ela refere abaulamento intermitente na região inguinal direita que aparece quando a criança chora e desaparece espontaneamente. No momento da consulta, o abaulamento está presente, é firme, doloroso à palpação, não redutível, e a criança está irritada, com vômitos e recusa alimentar iniciados há cerca de 3 horas. Qual é a conduta mais adequada?
A hérnia inguinal em lactentes tem alto risco de encarceramento, especialmente nos primeiros meses de vida. O quadro de hérnia irredutível, dolorosa, com vômitos e irritabilidade caracteriza encarceramento, que é emergência cirúrgica pelo risco de estrangulamento e necrose. A conduta é encaminhamento imediato ao serviço de referência. Compressa morna com reavaliação tardia é perigosa diante de hérnia já encarcerada. Funda/faixa de contenção não têm indicação em hérnia inguinal pediátrica e não previnem encarceramento. Redução manual vigorosa por profissional não treinado pode causar redução "em massa" com perpetuação da isquemia; toda hérnia inguinal na criança tem indicação cirúrgica (não eletiva se encarcerada).
Menino, 4 meses, nascido a termo, é levado ao pronto-socorro pela mãe por abaulamento inguinal direito que surgiu há 6 horas e não regride. A criança está irritada, chorosa, com recusa alimentar e um episódio de vômito. Ao exame: PA 90x55 mmHg, FC 160 bpm, T 37,4 °C; abdome levemente distendido, sem sinais de peritonite; na região inguinoescrotal direita há massa endurecida, dolorosa à palpação, com pele local eritematosa e sem transiluminação. As tentativas iniciais de redução manual foram malsucedidas. Qual é a conduta mais apropriada?
Correta: Na hérnia inguinal encarcerada do lactente sem sinais de estrangulamento/peritonite (aqui: sem abdome em tábua, sem instabilidade, sem toxemia grave), a conduta de escolha é analgesia + sedação leve e taxe cuidadoso; a maioria reduz. Após redução bem-sucedida, opera-se na mesma internação em 24–72 h (edema cede e a técnica fica mais segura), evitando reencarceramento. Cirurgia de urgência imediata é reservada a irredutível/estrangulada ou com sinais de sofrimento intestinal — o eritema isolado não define estrangulamento e não contraindica a taxe. Não se dá alta com hérnia encarcerada, mesmo se USG mostrar fluxo — o risco de novo encarceramento e de isquemia é alto; USG não substitui a decisão clínica. Gelo + observação prolongada sem tentar reduzir prolonga a isquemia e é conduta ultrapassada. Antibiótico não trata encarceramento e adiar por 'FC' apenas atrasa o tratamento definitivo.
Lactente do sexo masculino, 8 meses, é trazido pela mãe por aumento indolor da bolsa escrotal esquerda, percebido desde o nascimento, que oscila de tamanho ao longo do dia (maior no fim da tarde). Não há dor, febre, vômitos ou alteração do hábito intestinal. Ao exame: escroto esquerdo aumentado, de consistência cística, indolor, com transiluminação positiva; não se palpa alça intestinal no orifício inguinal e a tumoração não reduz completamente à compressão. O testículo é identificado à palpação. Qual é o diagnóstico mais provável e a conduta correta?
Correta: Massa escrotal cística, indolor, transiluminação positiva, que varia de volume ao longo do dia (menor pela manhã, maior à tarde) caracteriza hidrocele comunicante (conduto peritoniovaginal patente). Em lactentes, a maioria das hidroceles fecha espontaneamente até 12–24 meses, de modo que a conduta é observação e cirurgia (ligadura alta do conduto) só se persistir após ~1–2 anos ou se surgir hérnia. Não há alça palpável, dor, eritema ou sinais obstrutivos — não é hérnia encarcerada. Tumor testicular é massa sólida, endurecida, que NÃO transilumina; a transiluminação positiva afasta. Torção é dor escrotal aguda intensa com testículo elevado/horizontalizado — incompatível com quadro indolor crônico. Varicocele é rara antes da puberdade, dá aspecto de 'saco de vermes' e não transilumina.
Menino de 1 ano é levado à consulta de puericultura. A mãe relata que, desde o nascimento, o testículo direito 'nunca desceu'. Ao exame, a bolsa escrotal direita está hipoplásica e vazia, não sendo possível palpar o testículo no escroto nem no canal inguinal; o testículo esquerdo é tópico e normal. A criança está assintomática, sem outras malformações. Qual é a conduta mais adequada neste momento?
Correta: Criptorquidia diagnosticada e mantida após os 6 meses tem baixíssima chance de descida espontânea (a descida, quando ocorre, se dá nos primeiros 3–6 meses). O tratamento de escolha é a orquidopexia cirúrgica, idealmente entre 6 e 18 meses, para preservar potencial de fertilidade e permitir vigilância do risco de malignidade. Esperar até os 5 anos é errado — após 6 meses a descida espontânea é improvável e o retardo prejudica a gônada. Terapia hormonal tem baixa eficácia e não é primeira linha na criptorquidia unilateral verdadeira. Orquiectomia não é conduta inicial em testículo viável e palpável/preservável — o risco de câncer justifica pexia + vigilância, não ressecção profilática rotineira. Apenas USG seriada e adiar até a puberdade não corrige o problema e aumenta risco de infertilidade e dificuldade de vigilância oncológica.
Lactente masculino, 3 meses, ex-prematuro (34 semanas), é levado ao pronto-socorro com abaulamento na região inguinal direita que, segundo a mãe, surgiu há cerca de 6 horas e não desaparece mais. A criança está irritada, chorosa e apresentou um episódio de vômito. Ao exame: massa inguinoescrotal direita endurecida e dolorosa à palpação, sem alteração da coloração da pele suprajacente; abdome distendido, sem sinais de irritação peritoneal; ausência de febre. As tentativas iniciais de redução espontânea com o repouso e elevação dos membros não obtiveram sucesso. A conduta mais adequada é:
Trata-se de hérnia inguinal encarcerada em lactente, SEM sinais de estrangulamento (pele preservada, sem toxemia, sem peritonite). Nesse cenário a conduta padrão é a redução manual (taxe) com analgesia/sedação e, uma vez reduzida e resolvido o edema local, a herniorrafia é programada para a MESMA internação (em geral 24–48 h), pois o risco de novo encarceramento é alto no lactente (opção correta). A cirurgia de emergência sem tentativa de redução é reservada aos casos com sinais de estrangulamento/sofrimento de alça, pois operar sobre tecidos edemaciados e inflamados aumenta a morbidade. A simples observação por 24 h em hérnia já encarcerada e irredutível expõe a alça a isquemia progressiva. Liberar para casa sem reduzir mantém o encarceramento e o risco de estrangulamento. Não há indicação de antibiótico nem de postergar por 72 h um encarceramento estabelecido.
Lactente masculino, 8 meses, hígido, é trazido à consulta por aumento indolor da bolsa escrotal esquerda percebido pelos pais há algumas semanas, sem relação com o choro e sem episódios de dor. Ao exame: aumento de volume da hemibolsa esquerda, de consistência cística e flutuante, indolor; a transiluminação é positiva; o testículo é palpável e de características normais; não há redução da massa à manobra de compressão nem impulsão à tosse/choro. O diagnóstico mais provável é:
O quadro é típico de hidrocele: aumento escrotal indolor, cístico/flutuante, com transiluminação positiva e testículo palpável, sem redução ou impulsão (opção correta). A transiluminação positiva com testículo normal palpável é o dado-chave. A hérnia encarcerada cursa com massa endurecida, dolorosa, irredutível e sinais de obstrução (irritabilidade, vômitos) — ausentes aqui. A torção testicular é um quadro AGUDO e muito doloroso, com testículo elevado/horizontalizado e reflexo cremastérico abolido, incompatível com massa indolor e transiluminável. A varicocele é rara nesta idade, tipicamente à esquerda em adolescentes, com aspecto de 'saco de vermes' e sem transiluminação. O tumor testicular forma massa sólida, endurecida, que NÃO transilumina.
Menino de 12 meses é avaliado em consulta de puericultura. A mãe nota, desde o nascimento, que a bolsa escrotal do lado esquerdo 'parece vazia'. Ao exame físico cuidadoso, em ambiente aquecido e com a criança relaxada, o testículo esquerdo NÃO é palpável na bolsa nem em todo o trajeto do canal inguinal; o testículo direito é tópico e normal. Não há outras alterações genitais nem sinais de virilização. O próximo passo mais adequado é:
Diante de um testículo NÃO palpável (criptorquidia com gônada impalpável), o padrão-ouro para localização e conduta é a videolaparoscopia diagnóstica, que identifica testículo intra-abdominal, agenesia/vanishing testis ou remanescente e permite o tratamento no mesmo tempo (opção correta). A ultrassonografia tem baixa sensibilidade para testículo intra-abdominal e não altera a conduta cirúrgica — não deve retardar a laparoscopia. TC e RM não são recomendadas de rotina: alto custo, sedação/radiação e acurácia insuficiente para mudar a conduta. Aos 12 meses a janela para descida espontânea já se encerrou (ocorre até ~6 meses); protelar aumenta o risco de dano à espermatogênese e dificulta a orquidopexia, que deve ser realizada idealmente entre 6 e 18 meses.
Lactente do sexo masculino, 5 meses, é levado ao pronto-socorro com abaulamento na região inguinal direita há cerca de 6 horas, acompanhado de choro intenso e dois episódios de vômito. A mãe relata que, nas últimas semanas, abaulamentos intermitentes na virilha eram notados durante o banho, mas desapareciam espontaneamente. Ao exame: irritado, hidratado, afebril; FC 148 bpm, FR 32 ipm, sem distensão abdominal e sem sinais de peritonismo. Na região inguinoescrotal direita palpa-se massa endurecida, dolorosa, que não reduz à manobra suave; pele local sem eritema. Restante do exame sem alterações. Qual a conduta inicial mais apropriada?
O quadro é de hérnia inguinal encarcerada (abaulamento intermitente prévio que agora se tornou irredutível, doloroso, com vômitos) SEM sinais de estrangulamento (ausência de eritema, febre, toxemia ou peritonismo). Nesse cenário, a conduta é a redução manual cuidadosa (taxe) com analgesia/sedação e Trendelemburg; obtendo-se sucesso, programa-se a herniorrafia nas 24–48 h seguintes (após redução do edema), evitando cirurgia de emergência no tecido friável. Erra: cirurgia de urgência sem taxe fica reservada para falha da redução ou sinais de estrangulamento/peritonismo, ausentes aqui. Erra: hérnia irredutível não pode receber alta — há risco de estrangulamento. Erra: encarceramento não se resolve com compressa e postergar 4 semanas, expõe ao estrangulamento. Erra: toda hérnia inguinal na infância exige correção cirúrgica, e após episódio de encarceramento o reparo deve ser precoce.
Menino de 14 meses é encaminhado ao ambulatório de cirurgia pediátrica por 'testículo que não desceu' à direita, percebido desde o nascimento. Nasceu a termo, sem intercorrências neonatais. Ao exame: bolsa escrotal direita hipoplásica e vazia; o testículo direito não é palpável em todo o trajeto inguinal, mesmo com manobras cuidadosas e paciente relaxado; o testículo esquerdo é tópico, de volume normal. Genitália externa masculina normal, sem hipospádia ou outras ambiguidades. Qual a conduta mais adequada?
Trata-se de criptorquidia com testículo NÃO palpável aos 14 meses. Nessa situação o padrão-ouro é a videolaparoscopia diagnóstica, que localiza o testículo intra-abdominal (ou identifica vasos/deferente cegos = anorquia) e permite a orquidopexia no mesmo ato. A cirurgia deve ocorrer entre 6 e 18 meses (idealmente por volta dos 12 meses) para preservar fertilidade e reduzir risco oncológico, portanto aos 14 meses a intervenção já está indicada. Erra: exames de imagem (US) têm baixa sensibilidade para o testículo intra-abdominal e não alteram a conduta — não devem ser solicitados de rotina. Erra: terapia hormonal tem baixa eficácia e não é recomendada como tratamento de escolha. Erra: descida espontânea não ocorre após os 6 meses; postergar até 4–5 anos compromete fertilidade e vigilância oncológica. Erra: a RM não é indicada e não exclui com segurança a presença de testículo — a ausência só se confirma na laparoscopia.
Lactente do sexo masculino, 8 meses, é levado pela mãe à Unidade Básica de Saúde por aumento de volume na bolsa escrotal direita. A mãe relata que o inchaço é indolor, varia ao longo do dia — fica maior ao fim da tarde e quando a criança chora, e menor pela manhã, ao acordar. Ao exame, observa-se aumento cístico do hemiescroto direito, de consistência amolecida, indolor à palpação, que transilumina à prova com lanterna; o testículo é palpável e tópico, e não há sinais flogísticos, vômitos ou irritabilidade. O abdome está flácido e indolor. Considerando o quadro, quais são, respectivamente, o diagnóstico mais provável e a conduta adequada?
A variação do volume com a posição/choro, a consistência amolecida, a indolor transiluminação positiva e o testículo tópico palpável caracterizam hidrocele comunicante. Como grande parte se resolve com o fechamento espontâneo do conduto peritoneovaginal, a conduta é expectante, com correção cirúrgica apenas se persistir após 1-2 anos. Hérnia encarcerada cursa com massa endurecida, dolorosa, irredutível e sinais obstrutivos — ausentes aqui. Hérnia redutível apresenta abaulamento que reduz e se estende pelo canal inguinal, sem transiluminação típica de líquido. Tumor testicular é massa sólida, não transiluminante e não flutuante com o dia.
Menino de 14 meses é levado à consulta de puericultura na Estratégia Saúde da Família. Ao exame físico, o pediatra nota que o hemiescroto direito está vazio e hipoplásico. À palpação, identifica o testículo direito no trajeto do canal inguinal, sendo possível tracioná-lo apenas parcialmente em direção à bolsa, com retorno imediato à posição alta ao soltar; o testículo esquerdo é tópico e normal. A criança nasceu a termo e a mãe informa que, desde o nascimento, esse testículo nunca foi observado na bolsa. Não há dor nem outras alterações. Qual é a conduta mais adequada neste momento?
O testículo palpável em posição alta no canal, que não alcança a bolsa e retorna imediatamente, caracteriza criptorquidia verdadeira (distinta do testículo retrátil, que desce e permanece na bolsa sem tração). Como a descida espontânea é improvável após os 6 meses de idade, a conduta é o encaminhamento para orquidopexia, idealmente entre 6 e 18 meses, para reduzir riscos de infertilidade e câncer testicular e permitir a autopalpação futura. A conduta expectante prolongada é inadequada; a terapia hormonal não é primeira linha e tem baixa eficácia; investigação genética/hormonal só se justifica em criptorquidia bilateral não palpável ou ambiguidade genital.
Lactente de 6 meses, do sexo masculino, é trazido pela mãe à Unidade Básica de Saúde porque ela percebeu um abaulamento intermitente na região inguinal direita, que se estende em direção à bolsa escrotal. O abaulamento surge quando a criança chora, faz força ou evacua, e desaparece espontaneamente quando ela se acalma ou é colocada deitada. Ao exame, no momento em que a criança chora, palpa-se uma tumoração alongada na região inguinal, de consistência elástica, indolor, que é reduzida com manobra suave e delicada, sem endurecimento ou sinais inflamatórios. O testículo é tópico. Qual é o diagnóstico mais provável?
Abaulamento inguinal redutível, intermitente, que surge ao aumento da pressão intra-abdominal (choro/esforço) e desaparece em repouso, estendendo-se para a bolsa, é o quadro clássico de hérnia inguinal indireta na infância — decorrente da persistência do conduto peritoneovaginal. A hidrocele não comunicante é volume escrotal estável, transiluminante e não redutível. Adenomegalia inguinal é nódulo fixo, não redutível e sem variação com o choro. Torção do cordão é emergência com dor intensa, edema e endurecimento agudo — incompatível com massa indolor e redutível. Toda hérnia inguinal na criança tem indicação cirúrgica eletiva, pela ausência de resolução espontânea e risco de encarceramento.
Lactente do sexo masculino, 5 meses, é levado à UPA pela mãe. Ela refere abaulamento na região inguinal direita há cerca de dois meses, que surgia ao choro e ao esforço evacuatório e desaparecia espontaneamente quando a criança dormia. Há 6 horas o abaulamento não regride, e a criança está irritada, com choro contínuo e dois episódios de vômito alimentar. Ao exame: afebril, corado, hidratado, FC 152 bpm, abdome levemente distendido, ruídos hidroaéreos presentes, sem sinais de irritação peritoneal. Palpa-se massa inguinoescrotal direita, endurecida e dolorosa, sem redução à manobra suave inicial, com pele sobrejacente de coloração normal e transiluminação negativa. O testículo direito é palpável separadamente da massa.
O quadro é de hérnia inguinal indireta encarcerada: abaulamento previamente redutível que se tornou irredutível, doloroso, com vômitos e sem sinais de estrangulamento (ausência de febre, hiperemia/eritema da pele, toxemia ou peritonite). A conduta padronizada é a tentativa de redução manual (taxe) com analgesia e sedação — bem-sucedida na maioria dos casos —, seguida de internação e herniorrafia na mesma internação (24–48 h), pelo alto risco de novo encarceramento no lactente. A alternativa de hidrocele comunicante é incorreta: a massa é endurecida, dolorosa e com transiluminação negativa, e a hidrocele não causa vômitos nem dor. A alternativa de estrangulamento é incorreta porque não há sinais de sofrimento de alça/necrose que contraindiquem a taxe; a exploração de urgência fica reservada a esses casos ou à falha da redução. Adenite inguinal é incorreta: cursa com linfonodo doloroso, frequentemente com porta de entrada e sinais flogísticos, sem história de abaulamento redutível nem vômitos.
Menino de 14 meses é trazido à unidade de saúde da família em consulta de rotina. A mãe conta que "o testículo direito nunca desceu" e que isso foi anotado ainda na maternidade. Nega dor, abaulamento inguinal, vômitos ou infecções urinárias. Nasceu a termo, com peso adequado, e vem em bom desenvolvimento neuropsicomotor. Ao exame físico, com a criança tranquila e em ambiente aquecido: bolsa escrotal direita hipoplásica e vazia; palpa-se estrutura ovalada, móvel, indolor, no canal inguinal direito, que pode ser tracionada até o anel inguinal externo, mas não alcança a bolsa escrotal e retorna imediatamente ao soltar. O testículo esquerdo é tópico, de tamanho e consistência normais. Pênis normal, sem hipospádia.
Trata-se de criptorquidia (testículo palpável no canal inguinal, que não alcança nem permanece na bolsa escrotal) — e não de testículo retrátil, que por definição pode ser trazido à bolsa e ali permanece temporariamente. A recomendação atual é a orquidopexia entre 6 e 18 meses de vida, pois a descida espontânea é improvável após os 6 meses e o atraso aumenta o risco de infertilidade e de malignização, além de dificultar a vigilância do testículo. Testículo retrátil é incorreto pela própria descrição do exame (retorna imediatamente, não permanece na bolsa). Solicitar ultrassonografia é incorreto: em testículo palpável o exame não muda a conduta e apenas atrasa o encaminhamento — é o exame físico que define; nos casos de testículo não palpável, a investigação de escolha é a videolaparoscopia, não a ultrassonografia. Tratamento hormonal com hCG não é recomendado como terapia de rotina, por baixa eficácia e ausência de benefício sobre a fertilidade futura.
Lactente masculino de 4 meses é levado à UPA com abaulamento inguinoescrotal direito doloroso há 6 horas, associado a choro intenso e recusa alimentar. Ao exame: massa inguinoescrotal direita tensa, sem sinais flogísticos, abdome flácido, sem distensão ou vômitos. Após analgesia e posicionamento em Trendelenburg, o médico realiza taxe (redução manual) com sucesso e a criança acalma-se. Qual a conduta mais adequada?
Hérnia inguinal encarcerada REDUTÍVEL: após a taxe bem-sucedida, o risco de reencarceramento é alto, por isso a correção é feita na mesma internação, após regressão do edema (24-48 h) — alternativa correta. Adiar por meses expõe a novo encarceramento/estrangulamento. Cirurgia de urgência imediata só se a redução falhar ou houver sinais de estrangulamento (irredutibilidade, sinais flogísticos, toxemia). Funda não corrige hérnia na criança, não elimina o risco e não é recomendada.
Lactente de 8 meses, previamente hígido, é levado à UBS por aumento indolor da bolsa escrotal esquerda percebido desde o nascimento. A mãe relata que o volume varia ao longo do dia, ficando maior ao fim da tarde e menor pela manhã. Ao exame: aumento escrotal esquerdo, indolor, sem hiperemia, que transilumina à luz; testículos tópicos e palpáveis; sem massa inguinal redutível e sem outros achados. Qual a conduta mais apropriada?
Transiluminação positiva e variação do volume ao longo do dia caracterizam hidrocele comunicante, que na maioria dos lactentes fecha espontaneamente (obliteração do conduto peritoneovaginal) até por volta dos 2 anos — logo, observação. Hidrocele é coleção líquida e não estrangula (isso ocorreria em hérnia com alça intestinal), afastando B. Punção é contraindicada em criança (recidiva e risco de complicação). Ausência de dor, febre e hiperemia afasta orquiepididimite. A cirurgia é reservada para persistência após ~2 anos.
Menino de 14 meses é trazido à UBS para consulta de puericultura, sem queixas. Ao exame físico, a bolsa escrotal direita apresenta-se vazia e hipoplásica, e o testículo direito não é palpável na bolsa nem no trajeto inguinal. O testículo esquerdo é tópico e de características normais. A criança tem desenvolvimento neuropsicomotor adequado e restante do exame sem alterações. Qual a conduta mais apropriada?
O quadro é de criptorquidia (testículo não descido). A descida espontânea praticamente só ocorre até os 6 meses de idade; após esse período, o encaminhamento para orquidopexia (idealmente entre 6 e 18 meses) reduz o risco de infertilidade e facilita o rastreio de malignização — logo, A. Esperar até os 5 anos ou aguardar descida na puberdade Incorreto: e prejudicial. Cariótipo/dosagem hormonal não é rotina na criptorquidia unilateral com testículo contralateral normal e genitália típica; investigação endócrina se reserva a casos bilaterais não palpáveis ou com ambiguidade genital.
Lactente de 4 meses, nascido a termo, é levado ao pronto-socorro com choro intenso há cerca de 6 horas e abaulamento na região inguinoescrotal direita, notado pela mãe desde o nascimento e até então redutível. Ao exame: irritado, hidratado, afebril, abdome distendido, sem sinais de peritonite; massa inguinoescrotal direita endurecida, dolorosa, com pele suprajacente normocorada, sem edema ou eritema. Não houve vômitos biliosos nem sangue nas fezes. Sob sedação e Trendelenburg, o cirurgião realiza taxe manual com redução completa do conteúdo herniário e alívio imediato da dor. Assinale a conduta adequada.
Hérnia inguinal encarcerada sem sinais de estrangulamento (ausência de toxemia, febre, eritema/edema da pele, vômitos biliosos ou enterorragia) deve primeiro ser reduzida por taxe sob sedação. Reduzida com sucesso, a criança é internada e operada NA MESMA internação, tipicamente em 24-48 horas, aguardando a regressão do edema tecidual — retardar a alta é justamente para evitar a recorrência do encarceramento (risco alto nas primeiras semanas), e operar no mesmo tempo do encarceramento aumenta complicações pelo edema. A laparotomia imediata não se justifica sem sinais de sofrimento de alça após redução eficaz e alívio da dor. Adiar para depois dos 12 meses expõe a criança a reencarceramento, atrofia testicular e ressecção intestinal. Hérnia inguinal na infância NUNCA fecha espontaneamente (defeito anatômico — persistência do conduto peritoniovaginal), sendo sempre cirúrgica; quem pode fechar espontaneamente é a hidrocele não comunicante.
Lactente de 10 meses, previamente hígido, é levado à UBS porque a mãe percebeu aumento indolor da bolsa escrotal à esquerda, presente desde os primeiros meses. Refere que o volume é menor pela manhã e aumenta ao longo do dia, sobretudo após choro prolongado. Nega vômitos, febre ou irritabilidade. Ao exame: bom estado geral, abdome flácido; aumento de volume escrotal esquerdo, indolor, de consistência cística, com transiluminação positiva, sem massa palpável no canal inguinal e sem conteúdo intestinal redutível; testículos tópicos e de volume simétrico. Assinale a conduta adequada.
O quadro é de hidrocele comunicante (transiluminação positiva, consistência cística, variação do volume no dia e com o choro, sem conteúdo intestinal redutível). Em menores de 2 anos, a persistência do conduto peritoniovaginal ainda pode se obliterar espontaneamente, e a conduta é expectante com reavaliação; a cirurgia (ligadura alta do conduto) fica reservada à persistência após os 2 anos, ao aumento progressivo ou ao surgimento de hérnia. Herniorrafia de urgência seria conduta para hérnia com conteúdo intestinal/encarceramento, o que o exame afasta. Punção e escleroterapia são contraindicadas na criança (recidiva, infecção, lesão testicular e risco de lesão de alça se houver hérnia associada). O Doppler de urgência responde à suspeita de torção — aqui não há dor nem sinais inflamatórios — e não há indício de infecção para antibiótico.
Menino de 12 meses é levado à consulta de puericultura. A mãe relata que, desde o nascimento, o pediatra não conseguia palpar o testículo direito na bolsa escrotal. Ao exame físico: hemiescroto direito hipoplásico e vazio; testículo direito palpável no canal inguinal, sendo possível tracioná-lo parcialmente em direção à bolsa, mas retornando à posição inguinal ao ser solto. Testículo esquerdo tópico, de volume normal. Genitália externa sem ambiguidade, meato uretral tópico. Assinale a conduta adequada para o testículo direito.
Trata-se de criptorquidia (testículo palpável no canal inguinal, não alcançando o escroto, com hemiescroto hipoplásico) — distinto do testículo retrátil, que desce até a bolsa e ali permanece. A descida espontânea praticamente não ocorre após os 6 meses de idade, e a orquidopexia está indicada entre 6 e 12 meses (aceitável até 18 meses), para preservar a espermatogênese, reduzir o risco de torção/trauma e permitir o exame do testículo — reduzindo, ainda, o risco relativo de neoplasia. A ultrassonografia é desnecessária no testículo palpável e apenas atrasa a cirurgia (no não palpável, o padrão é a videolaparoscopia diagnóstica, não a US). Terapia hormonal com hCG tem baixa eficácia e não é recomendada como tratamento de rotina. Aguardar a puberdade condena o testículo à degeneração tubular.
Lactente de 8 meses, sexo masculino, nascido a termo, sem intercorrências perinatais, é levado à unidade básica de saúde porque a mãe percebe aumento de volume da bolsa escrotal à direita desde os 2 meses de vida. Refere que o volume é menor pela manhã, ao acordar, e aumenta no fim do dia e quando a criança chora muito. Nega dor, febre, vômitos ou irritabilidade. Ao exame: criança ativa, corada, abdome flácido e indolor. Bolsa escrotal direita aumentada, de consistência cística, indolor, com transiluminação positiva; ambos os testículos são palpáveis em posição tópica, de volume simétrico. Não há massa inguinal palpável nem sinais flogísticos. Assinale a conduta adequada.
O quadro é de hidrocele comunicante (variação do volume ao longo do dia e com o choro, transiluminação positiva, testículos tópicos, ausência de massa inguinal redutível ou de sintomas obstrutivos). O conduto peritoneovaginal fecha espontaneamente na maioria das crianças até 12–24 meses, de modo que a conduta é expectante, indicando-se a correção cirúrgica se a hidrocele persistir após os 2 anos (ou se houver aumento progressivo, dor ou surgimento de hérnia). A punção aspirativa é contraindicada na infância: não trata a causa (conduto pérvio), recidiva sempre e expõe a risco de lesão de alça/testículo. A cirurgia imediata não se justifica — hidrocele comunicante não encarcera; o risco de encarceramento é da hérnia inguinal indireta, que se apresenta como massa inguinal redutível com conteúdo intestinal. O Doppler de urgência seria indicado se houvesse dor súbita, escroto hiperemiado e testículo elevado/horizontalizado, o que não ocorre em quadro indolor de meses de evolução.
Menino de 9 meses é levado à consulta de puericultura. Nasceu a termo, com peso adequado para a idade gestacional, e vem em bom desenvolvimento neuropsicomotor. A mãe relata que, desde o nascimento, o pediatra comenta que "um dos testículos não está no lugar". Ao exame físico: genitália masculina típica, meato uretral tópico, bolsa escrotal hipoplásica à direita, com testículo esquerdo tópico e de volume normal. O testículo direito é palpável no canal inguinal, móvel, porém não é possível trazê-lo até a bolsa escrotal, retornando à posição inicial. Não há hérnia palpável. Assinale a conduta correta.
Trata-se de criptorquidia (testículo inguinal verdadeiro, não redutível à bolsa) — diferente do testículo retrátil, que alcança a bolsa e ali permanece transitoriamente. A descida espontânea, quando ocorre, acontece nos primeiros 6 meses de vida; após esse período torna-se improvável, e a orquidopexia deve ser realizada entre 6 e 12 meses (até 18 meses), para preservar o potencial de fertilidade e permitir o exame do testículo. Aguardar a puberdade é errado: a lesão do epitélio germinativo é progressiva a partir do primeiro ano. A terapia hormonal com hCG tem baixa eficácia e alta recidiva, não sendo recomendada como primeira linha. A ultrassonografia é dispensável no testículo palpável — o exame físico já o localiza — e não muda a conduta (no testículo NÃO palpável, o exame de escolha seria a videolaparoscopia, não a US).
Lactente de 3 meses, masculino, ex-prematuro de 33 semanas, é levado ao pronto-socorro com choro intenso e inconsolável há cerca de 6 horas, dois episódios de vômito e recusa alimentar. A mãe refere que há semanas notava um "caroço" na virilha esquerda que aparecia ao choro e sumia sozinho, mas hoje não desapareceu. Ao exame: irritado, hidratado, afebril, FC 168 bpm; abdome distendido, timpânico, sem sinais de irritação peritoneal; massa inguinoescrotal esquerda de cerca de 3 cm, endurecida, dolorosa à palpação, irredutível à manobra suave, com pele sobrejacente sem hiperemia ou edema importante. Assinale o próximo passo mais adequado.
Hérnia inguinal indireta encarcerada em ex-prematuro (grupo de maior incidência e maior risco de encarceramento), com sinais obstrutivos (vômitos, distensão) mas SEM sinais de estrangulamento (ausência de peritonite, de hiperemia/edema importante da pele, de toxemia). Nesse cenário, a conduta padrão é a redução manual (taxe) sob analgesia/sedação e Trendelenburg; obtido o sucesso, mantém-se a criança internada e opera-se após 24–48 horas, quando o edema do saco herniário regride, o que reduz drasticamente a taxa de complicações em relação à cirurgia no conteúdo edemaciado. A exploração de urgência sem tentativa de redução é reservada aos casos com sinais de estrangulamento/peritonite ou às falhas do taxe — operar todos de imediato aumenta lesão de cordão e recidiva. A ultrassonografia atrasa a conduta e é desnecessária: massa inguinal endurecida, dolorosa, irredutível, com vômitos e distensão é diagnóstico clínico (a hidrocele é indolor e transilumina). Antibiótico e observação não tratam o encarceramento — não se trata de processo infeccioso.
Recém-nascido de 4 dias de vida, a termo, parto domiciliar, sem pré-natal, é levado ao ambulatório por "testículos que não desceram". A mãe refere que a criança mama bem, mas apresenta vômitos desde ontem. Ao exame: RN ativo, desidratado leve; genitália com falo de 2,5 cm, meato uretral em face ventral (hipospádia peniana), bolsa escrotal com aspecto bífido e hiperpigmentada, sem gônadas palpáveis bilateralmente, tampouco nos canais inguinais. Não há massas inguinais. Restante do exame sem alterações. Assinale a conduta inicial mais adequada.
Gônadas não palpáveis BILATERALMENTE associadas a hipospádia e escroto bífido/hiperpigmentado não configuram criptorquidia simples: é apresentação clássica de distúrbio da diferenciação do sexo (DDS), sendo a causa mais frequente a hiperplasia adrenal congênita por deficiência de 21-hidroxilase em recém-nascido 46,XX virilizado. Os vômitos e a desidratação no fim da primeira semana levantam a suspeita de crise perdedora de sal — emergência potencialmente fatal. Por isso, a prioridade é a investigação imediata (cariótipo, 17-OH-progesterona, eletrólitos com sódio e potássio, glicemia e perfil hormonal), com estabilização e definição diagnóstica antes de qualquer decisão cirúrgica ou de designação de sexo. Programar orquidopexia bilateral assume que as gônadas são testículos, o que não está estabelecido — pode-se operar uma criança 46,XX. A ultrassonografia tem baixa acurácia para gônada não palpável e postergar a reavaliação para os 6 meses ignora o risco imediato de crise adrenal. A videolaparoscopia é o método de escolha para testículo não palpável em criança com genitália típica, mas nunca antes do cariótipo e da avaliação endócrina em suspeita de DDS.
Lactente de 9 meses chega ao pronto-socorro com choro inconsolável há 5 horas e dois episódios de vômito. Apresenta massa inguinoescrotal esquerda endurecida, dolorosa e irredutível à primeira tentativa, sem transiluminação, com pele sobrejacente normocorada. O abdome está distendido e difusamente doloroso, sem descompressão brusca dolorosa, e a criança está afebril e sem toxemia. Após analgesia, sedação leve e taxia delicada em posição de Trendelenburg, a massa é reduzida com sucesso e a criança melhora. Qual é a conduta subsequente?
Hérnia inguinal encarcerada reduzida com sucesso não volta para casa esperando fila eletiva: o reencarceramento é frequente, e por isso a conduta padrão é internar e operar na mesma internação, tipicamente em 24 a 48 horas, quando o edema local cede e a dissecção fica mais segura. Alta com cirurgia em 6 meses e alta com faixa compressiva expõem a criança a novo encarceramento e a risco de atrofia testicular por compressão dos vasos espermáticos. Ultrassonografia não acrescenta a um diagnóstico que já é clínico e apenas atrasa a operação. Observação indefinida ignora que a redução resolveu o episódio agudo, não o conduto peritoniovaginal pérvio que o causou. Vale registrar o critério que autorizou a taxia: ausência de eritema, equimose, toxemia e sinais de peritonite — com qualquer um deles, a indicação seria exploração cirúrgica imediata.
Menino de 10 meses é avaliado por hemiescroto direito vazio desde o nascimento. Ao exame cuidadoso, com a criança relaxada e em posição de rã, o testículo direito não é palpável em nenhum ponto do canal inguinal nem em posições ectópicas; o testículo esquerdo é tópico, de tamanho normal. O pênis é normal e não há outras alterações. Qual é a conduta diagnóstica e terapêutica correta?
Testículo verdadeiramente não palpável, após exame cuidadoso e manobras posicionais, tem conduta definida: exame sob anestesia e laparoscopia diagnóstica, recomendação forte da EAU (edição 2026), porque a laparoscopia localiza a gônada e permite decidir no mesmo tempo entre orquidopexia em um ou dois estágios e orquiectomia do testículo atrófico com contralateral normal. Imagem não resolve: ultrassom e ressonância não determinam com confiança a presença ou ausência de testículo intra-abdominal, e a AUA orienta não realizar imagem antes do encaminhamento. Hormônio tem sucesso de cerca de 20% e não é indicado para induzir descida. Esperar até os 3 anos confunde o problema com testículo retrátil e ultrapassa a janela em que a orquidopexia preserva fertilidade, que se fecha aos 12 a 18 meses.
Menino de 3 anos é levado à consulta porque a mãe percebe que, em dias frios e quando a criança está agitada, os testículos parecem subir e sumir da bolsa escrotal. Ao exame, com a criança tranquila, ambos os testículos são trazidos manualmente até o fundo da bolsa escrotal e, mantidos sob tração por um minuto, permanecem posicionados após a liberação. O tamanho e a consistência das gônadas são normais e simétricos. Qual é a conduta?
Testículo que desce à bolsa e nela permanece depois de um minuto de tração — tempo necessário para fatigar o cremaster — é testículo retrátil, não criptorquidia: ele completou a descida e sobe apenas por reflexo cremastérico exagerado. A EAU (edição 2026) dá recomendação forte para não oferecer tratamento clínico nem cirúrgico ao testículo retrátil, mas manter seguimento regular até a puberdade, porque até um terço evolui com ascensão secundária; a Linha de Cuidado do Ministério da Saúde orienta monitorar a cada 6 a 12 meses. Por isso operar e prescrever hormônio são condutas erradas, e a alta definitiva também é: o retrátil precisa ser reexaminado justamente por causa do risco de ascensão. Ultrassonografia semestral não tem papel no seguimento do testículo retrátil, cuja avaliação é de palpação.
Em um ensaio clínico randomizado multicêntrico publicado no JAMA em 2024 (HIP Trial), 338 lactentes prematuros com hérnia inguinal diagnosticada durante a internação neonatal foram alocados para reparo precoce (antes da alta da unidade de terapia intensiva neonatal) ou reparo tardio (após a alta e acima de 55 semanas de idade pós-menstrual), com desfecho primário de ocorrência de pelo menos um evento adverso grave em 10 meses de observação. Qual foi o resultado encontrado?
O HIP Trial (JAMA, 2024;331:1035-1044) encontrou 28% de lactentes com ao menos um evento adverso grave no grupo de reparo precoce contra 18% no grupo de reparo tardio, com 97% de probabilidade posterior bayesiana de benefício do reparo tardio; a conclusão dos autores apoia adiar a correção para depois da alta da unidade neonatal. O resultado se explica pelo custo anestésico e respiratório de operar o prematuro pequeno, que supera o risco acrescentado pela espera. É um deslocamento em relação à conduta clássica descrita na literatura brasileira, que operava o prematuro ainda internado assim que ele atingisse cerca de 1.800 g. Atenção ao limite do achado: ele vale para a hérnia redutível do prematuro internado, e não muda nada na hérnia encarcerada, que segue sendo urgência em qualquer idade.
Recém-nascido de 3 dias de vida, a termo, é examinado na maternidade. Nenhum dos testículos é palpável na bolsa escrotal nem ao longo dos canais inguinais, e o pênis apresenta meato uretral em posição ventral proximal. Não há outras malformações aparentes. Qual é a conduta mais apropriada?
Testículos não palpáveis bilateralmente já isolam o caso, e a associação com hipospádia reforça: os dois achados constam nos critérios de suspeita de anomalia da diferenciação sexual do protocolo do TelessaúdeRS-UFRGS, que indica encaminhamento à urologia pediátrica e à endocrinologia pediátrica, e a EAU torna obrigatória a avaliação endocrinológica e genética nesse cenário. Reavaliar aos 6 meses aplica ao caso a régua da criptorquidia comum e perde tempo de investigação. Hormônio não é conduta para descida, e menos ainda antes de definir o diagnóstico. Ultrassom não determina com confiança a presença ou ausência de gônada e não deve ser o exame que trava a conduta. Programar orquidopexia eletiva sem investigação inverte a ordem: primeiro se define o diagnóstico, depois se opera.
Lactente de 4 meses é trazido à unidade básica porque a bolsa escrotal direita está aumentada. A mãe relata que o aumento é estável, sem variação ao longo do dia, e que a criança não tem dor nem irritabilidade. Ao exame, o aumento é liso, indolor, com transiluminação positiva; o testículo direito é palpável dentro do aumento de volume; não há abaulamento inguinal nem espessamento do cordão espermático. Qual é a conduta?
Aumento escrotal estável, indolor, com transiluminação positiva e testículo palpável dentro dele, sem abaulamento inguinal e sem espessamento de cordão, é hidrocele isolada do lactente. A história natural sustenta a espera: 92% resolvem abaixo de um ano e 43% ainda resolvem acima dos três anos, e a progressão para hérnia é rara e não causa encarceramento (EAU, edição 2026). Punção aspirativa não trata, porque o conduto peritoniovaginal continua permeável, e agentes esclerosantes são contraindicados na criança pelo risco de peritonite química. Cirurgia imediata por risco de encarceramento confunde hidrocele com hérnia. A ultrassonografia não é rotina: ela se justifica quando há dúvida sobre o caráter da massa ou quando o testículo não é palpável dentro da bolsa — o que não é o caso.
Lactente masculino de 8 meses é levado à unidade básica de saúde porque a mãe percebe, há cerca de três meses, um abaulamento na região inguinal direita que surge quando a criança chora ou faz força para evacuar e desaparece quando ela dorme. A criança está eutrófica, sem vômitos, sem dor e com desenvolvimento adequado. No momento da consulta não há abaulamento visível, mas a palpação do cordão espermático sobre o tubérculo púbico direito revela espessamento com sensação de deslizamento entre os dedos. Ambos os testículos estão na bolsa escrotal, de tamanho e consistência normais. Qual é a conduta adequada?
O abaulamento inguinal que aparece ao esforço e desaparece em repouso, somado ao espessamento do cordão espermático (sinal da seda), fecha o diagnóstico clínico de hérnia inguinal indireta do lactente — o saco é o conduto peritoniovaginal que não obliterou. Não há tratamento conservador: o conduto não fecha depois que a hérnia se manifestou, e o encarceramento é mais provável quanto menor a criança (28,3% abaixo dos 3 meses, no material do Colégio Brasileiro de Cirurgiões). Por isso a alternativa correta é o encaminhamento cirúrgico com prioridade, e a técnica é a herniotomia com ligadura alta, sem tela, porque na criança não existe defeito adquirido de parede. A ultrassonografia é desnecessária: o diagnóstico é clínico, e a imagem só entra quando há dúvida sobre o caráter de massa intraescrotal ou testículo não palpável. Observar por 12 meses confunde o relógio da hidrocele com o da hérnia. Adiar para os 2 anos e prescrever suspensório expõem a criança ao encarceramento sem qualquer ganho.
Menino de 5 meses, nascido a termo, é avaliado em consulta de puericultura. O hemiescroto esquerdo está vazio; o testículo é palpável no canal inguinal e, ao ser tracionado até a bolsa e mantido sob tração por um minuto, retorna imediatamente à posição alta assim que a mão é solta. O testículo direito é tópico. O exame do pênis é normal e não há outras alterações. Considerando a janela recomendada para a correção cirúrgica, qual é o período em que a orquidopexia deve estar concluída?
A manobra de um minuto é o que separa testículo retrátil de criptorquídico: como a gônada não permanece na bolsa após fatigar o cremaster, trata-se de criptorquidia. O tratamento deve começar aos 6 meses, porque depois dessa idade o testículo raramente desce sozinho, e qualquer tratamento que posicione o testículo na bolsa deve estar concluído até 12 meses, no máximo 18, porque a partir daí já há perda progressiva de células germinativas e de Leydig — recomendação forte da EAU (edição 2026) e mesma janela indicada pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Esperar 24 a 36 meses, 4 anos ou a puberdade custa fertilidade e aumenta o risco de tumor. Operar antes dos 3 meses não é urgência e ainda contraria a possibilidade de descida espontânea, que ocorre principalmente até essa idade.
Menino de 14 meses tem hérnia inguinal direita redutível, confirmada pelo exame clínico, sem nenhum episódio de encarceramento. O lado esquerdo é normal ao exame e ambos os testículos são tópicos. Ao programar a herniotomia, os pais perguntam se o cirurgião deve explorar também o lado esquerdo no mesmo tempo cirúrgico. Qual é a orientação correta?
O conduto peritoniovaginal contralateral está pérvio em cerca de 63% das crianças operadas de hérnia inguinal, mas apenas 8% desenvolvem hérnia metacrônica, e a contabilidade europeia chega a um número necessário para tratar de 18. Por isso a exploração do outro lado deixou de ser rotina e passou a ser individualizada. Torná-la obrigatória abaixo de 2 anos operaria dezoito crianças para beneficiar uma. Declarar contraindicação formal inventa um risco que não está descrito. Apoiar a decisão em ultrassonografia confunde conduto pérvio com doença, já que o conduto está aberto em 80% a 94% dos recém-nascidos e ainda em cerca de 20% dos adultos sem que isso signifique hérnia. E o lado da hérnia inicial não governa essa escolha.
Lactente de 10 meses é levado à consulta por aumento indolor da bolsa escrotal direita, estável há meses, sem variação ao longo do dia e com transiluminação positiva. Ao exame cuidadoso, o testículo direito não é palpável dentro do aumento de volume nem em nenhum ponto do canal inguinal; o testículo esquerdo é tópico. Não há abaulamento inguinal nem espessamento do cordão. Qual é a conduta?
Hidrocele isolada em lactente é observação, porque a resolução espontânea é alta e chega a 92% abaixo de um ano. A exceção está no próprio exame: hidrocele com testículo não palpável dentro dela não é hidrocele simples, e essa é uma das duas únicas situações em que a ultrassonografia é recomendada, ao lado da dúvida sobre a natureza da massa intraescrotal. Manter observação semestral ou apenas repetir o exame conduz como benigno um escroto cuja gônada não foi encontrada. Punção não trata hidrocele infantil, porque o conduto continua aberto e o líquido volta. Agente esclerosante é proibido na criança, pelo risco de peritonite química se o conduto for comunicante. E a transiluminação tem limite: alça cheia de líquido e alguns tumores pré-puberais também transiluminam.
Menino de 4 meses, nascido a termo, é avaliado por hemiescroto esquerdo vazio. Ao exame, com a criança relaxada, palpa-se a gônada esquerda em uma bolsa superficial situada lateralmente ao anel inguinal externo, acima da aponeurose e fora do trajeto normal de descida; ela não alcança a bolsa escrotal à tração. O testículo direito é tópico e o pênis é normal. Qual é a conduta?
Gônada palpável fora do trajeto normal de descida é ectopia, e a bolsa inguinal superficial é a posição ectópica mais comum. O testículo ectópico nunca desce sozinho: a indicação cirúrgica vale em qualquer idade e não espera a janela dos 6 aos 12 meses, que existe para a criptorquidia verdadeira, em que a descida espontânea ainda acontece até cerca dos 6 meses e depois disso é rara. Terapia hormonal para induzir a descida tem sucesso de cerca de 20%, com perto de 20% de reascensão entre os que desceram, e há recomendação explícita contra o seu uso. E imagem não muda decisão em gônada palpável: nenhum exame de imagem é necessário na avaliação, e pedir apenas adia a operação.
Menino de 4 anos apresenta abaulamento inguinal direito redutível, percebido pelos pais durante o choro. Qual é a conduta cirúrgica adequada?
Na criança, a hérnia inguinal é indireta e decorre da persistência do processo vaginal, sem defeito na parede muscular, de modo que o tratamento consiste apenas em ligar e ressecar o saco herniário na altura do anel inguinal profundo, procedimento conhecido como herniotomia. Não há indicação de tela, que seria material permanente em uma parede em crescimento. A observação não se aplica, pois a hérnia infantil não fecha espontaneamente e tem risco de encarceramento significativo, especialmente nos primeiros meses de vida.
Lactente de 3 meses com hérnia inguinal diagnosticada apresenta abaulamento inguinal irredutível, doloroso, com irritabilidade e vômitos. Qual é a conduta?
Na criança, a hérnia inguinal encarcerada frequentemente pode ser reduzida com sedação, analgesia e manobra delicada, e a conduta consagrada é reduzir e operar na mesma internação, após a resolução do edema, o que torna a cirurgia mais segura para o testículo e para o conteúdo herniado. Diante de falha da redução ou de sinais de estrangulamento, a operação é imediata. Adiar ou observar sem intervenção é inaceitável pelo risco de necrose intestinal e de atrofia testicular por compressão dos vasos do cordão.
Menino de 12 meses apresenta testículo direito não palpável na bolsa escrotal, sendo localizado em região inguinal. Qual é a conduta e o momento ideal?
A orquidopexia é recomendada entre 6 e 18 meses de idade, pois após esse período as alterações histológicas do testículo criptorquídico progridem, com prejuízo à espermatogênese futura; a operação reduz o risco de infertilidade e, sobretudo, posiciona o testículo em local palpável, o que permite o acompanhamento de um órgão que mantém risco oncológico aumentado. Aguardar a puberdade é conduta ultrapassada, e o tratamento hormonal isolado tem baixa eficácia. A orquiectomia se reserva a testículos atróficos ou inviáveis.
Qual é a via de acesso adequada para a correção de hidrocele comunicante na criança e por quê?
Na criança, a hidrocele comunicante decorre da persistência do processo vaginal, e o tratamento é a ligadura alta desse processo por via inguinal, o mesmo princípio da herniotomia infantil, já que a causa está no canal inguinal e não na bolsa escrotal. Abordagens escrotais tratam o receptáculo e deixam a comunicação intacta, resultando em recidiva. Punção e escleroterapia não têm lugar na criança, tanto pela recidiva quanto pelo risco de lesão de estruturas do cordão em desenvolvimento.
Lactente de 10 meses apresenta aumento indolor da bolsa escrotal à direita, com transiluminação positiva, que varia de tamanho ao longo do dia, aumentando ao choro e reduzindo durante o sono. Qual é o diagnóstico e a conduta?
A variação de volume ao longo do dia, com aumento ao choro e redução durante o sono, indica comunicação com a cavidade peritoneal através de um processo vaginal patente, caracterizando a hidrocele comunicante. Como o processo vaginal pode se obliterar espontaneamente, a conduta é observar até cerca de 1 a 2 anos e operar se persistir, com ligadura alta do processo vaginal por via inguinal. Tumor e torção não transiluminam e cursam com massa endurecida ou dor aguda, respectivamente.
Qual é a relação entre criptorquidia e risco oncológico, e o que a orquidopexia modifica?
O testículo criptorquídico tem risco aumentado de tumor de células germinativas, e a orquidopexia não anula esse risco, embora dados sugiram redução quando realizada precocemente; o benefício mais claro é tornar o órgão palpável e acessível ao autoexame e ao acompanhamento, permitindo diagnóstico mais precoce. Vale ainda notar que há discreto aumento de risco também no testículo contralateral, o que aponta para uma alteração de base do desenvolvimento gonadal e não apenas para o efeito da posição.
Lactente de 7 meses, sem dor, com aumento do volume escrotal direito que fica maior no fim da tarde e quase desaparece ao acordar. À transiluminação há transmissão homogênea da luz, não se palpam alças na bolsa e não há abaulamento inguinal ao choro. Qual é o diagnóstico mais provável?
A variação do volume ao longo do dia é o que define a comunicação: o líquido peritoneal desce pelo conduto peritoneovaginal patente quando a criança fica em pé ou chora e retorna à cavidade quando ela se deita. A hidrocele não comunicante tem volume constante, porque o líquido está aprisionado na túnica vaginal e o conduto já se fechou. A hérnia encarcerada é dolorosa, irredutível, endurecida e costuma vir com vômitos e irritabilidade, o que não ocorre aqui. Torção do apêndice testicular cursa com dor aguda e o ponto azul característico, e o tumor germinativo é massa sólida, que não transilumina.
Lactente de 4 meses chega ao pronto-socorro com massa inguinoescrotal direita endurecida, dolorosa, irredutível há 3 horas, com vômitos, mas sem hiperemia da pele e sem sinais de peritonite. Qual é a conduta inicial adequada?
Na hérnia encarcerada sem sinais de estrangulamento, a redução manual sob analgesia e sedação, com a criança em posição de Trendelenburg, tem alta taxa de sucesso e converte uma operação de urgência, em tecido edemaciado, em uma cirurgia programada e mais segura. Conseguida a redução, a correção é feita na mesma internação, após 24 a 48 horas, porque o risco de novo encarceramento é elevado e alta com agendamento distante é inaceitável. A cirurgia de urgência sem tentar reduzir fica reservada aos casos com falha da redução ou com sinais de sofrimento de alça, como hiperemia, toxemia ou peritonite. A imagem não deve atrasar a tentativa de redução.
Lactente de 5 meses com hidrocele não comunicante à esquerda, de volume estável desde o nascimento, sem hérnia associada e assintomático. Qual é a conduta apropriada?
A hidrocele não comunicante do lactente resulta de líquido aprisionado na túnica vaginal com o conduto já obliterado, e é reabsorvida espontaneamente na grande maioria dos casos até o segundo ano de vida. Operar antes disso expõe a criança a anestesia e a risco cirúrgico sem benefício. A punção não trata a causa, tem recidiva praticamente universal e acrescenta risco de infecção e de lesão testicular. A escleroterapia é de uso adulto e é proibida na criança pelo risco de dano ao testículo em crescimento. Fundas e faixas compressivas não têm eficácia e podem machucar a pele.
Você vai orientar a mãe do lactente com hidrocele comunicante sobre sinais que exigem procura imediata do pronto-socorro. Qual conjunto de sinais indica encarceramento?
O encarceramento se anuncia pela perda da redutibilidade somada a dor e a repercussão sistêmica: a massa fica firme, não desaparece com o repouso, a criança chora sem consolo, vomita, recusa a mamada e pode parar de eliminar gases e fezes. Progredindo para estrangulamento, surgem hiperemia ou coloração arroxeada da pele e distensão abdominal. Os demais achados descritos são exatamente o comportamento esperado da hidrocele comunicante não complicada e não justificam ida ao pronto-socorro. Ensinar essa diferença à família é o que evita tanto a demora perigosa quanto a ida desnecessária.
Qual é o mecanismo embriológico comum à hérnia inguinal indireta, à hidrocele comunicante e à hidrocele do cordão espermático na criança?
As três condições são variações do mesmo defeito: o processo vaginal que acompanha o testículo na descida não se oblitera. Se a comunicação é larga, passa alça ou omento e há hérnia indireta; se é estreita, passa apenas líquido e há hidrocele comunicante; se ocorre obliteração nas duas extremidades com líquido retido no meio, forma-se a hidrocele do cordão. É por isso que a correção é a mesma nas três: ligadura alta do conduto no anel inguinal interno, sem necessidade de reforço da parede como no adulto. O defeito da fáscia transversalis explica a hérnia direta, típica do adulto, e a falha de descida testicular explica a criptorquidia.
Ainda sobre a criança de 7 meses com aumento do volume escrotal indolor, qual achado de exame físico melhor separa a hidrocele comunicante da hidrocele não comunicante?
Todos os outros achados listados aparecem nas duas formas e por isso não discriminam nada: as duas transiluminam, nas duas o testículo costuma ser palpável dentro do líquido, nas duas não há dor e nas duas a pele é normal. O que muda com a patência do conduto é o comportamento do volume no tempo, e é por isso que a história de bolsa maior no fim do dia e quase normal ao acordar vale mais que qualquer manobra isolada. Na prática, pedir à mãe que observe a criança pela manhã e à noite resolve a dúvida sem exame de imagem.
A avó de um lactente com hidrocele comunicante pergunta o que pode fazer em casa para ajudar enquanto a família aguarda a consulta com a cirurgia pediátrica. Qual orientação está correta?
Faixas, moedas e emplastros não fecham o conduto peritoneovaginal e causam dano real: lesão de pele, dermatite de contato e, quando muito apertados, compressão do cordão espermático. A massagem forçada não tem benefício e pode machucar. A punção do líquido não trata a causa, recidiva e adiciona risco de infecção e de lesão testicular. A vacinação e a alimentação seguem normalmente, porque a condição é assintomática e a cirurgia é eletiva. A orientação útil à família é reconhecer os sinais de encarceramento e saber que, nesse caso, o atendimento é imediato.
Lactente de 9 meses com testículo direito não palpável em exame realizado por dois examinadores, com bolsa vazia desse lado. Qual é a conduta em relação à investigação por imagem?
Nenhum método de imagem tem sensibilidade suficiente para excluir o testículo intra-abdominal, e um exame negativo não muda a conduta nem dispensa a exploração, o que torna o pedido custo e atraso sem benefício. A videolaparoscopia é ao mesmo tempo o exame que localiza a gônada e o procedimento que a trata, e por isso é o caminho direto no testículo não palpável unilateral. Cariótipo e avaliação endocrinológica são obrigatórios em outro cenário: as duas gônadas não palpáveis, sobretudo com hipospádia, situação que levanta a hipótese de diferenciação sexual atípica e exige investigação antes de qualquer cirurgia.
Menino de 14 meses, com testículo direito não palpável na bolsa em exames repetidos e bolsa hipoplásica à direita, sem outras alterações. Qual é a conduta correta quanto ao momento da orquidopexia?
A descida espontânea, quando ocorre, acontece nos primeiros 6 meses de vida; depois disso a espera só acrescenta dano. A orquidopexia é recomendada entre 6 e 18 meses porque a partir daí já se documenta perda de células germinativas, com repercussão sobre a fertilidade futura, e porque posicionar o testículo na bolsa permite examiná-lo ao longo da vida, o que importa diante do risco aumentado de tumor, que a cirurgia reduz mas não elimina. O tratamento hormonal tem eficácia baixa e não é recomendado como rotina. Orquiectomia só se considera diante de testículo atrófico ou não viável encontrado no intraoperatório.
Menino de 6 anos cujo testículo esquerdo é encontrado na região inguinal alta ao exame, mas desce até o fundo da bolsa com manobra suave e ali permanece por alguns instantes após soltar. Qual é a interpretação correta?
O testículo retrátil é puxado para cima pelo reflexo cremastérico, muito ativo entre os 3 e os 7 anos, mas alcança o fundo da bolsa e ali permanece quando tracionado sem tensão, o que o distingue da criptorquidia verdadeira, em que o testículo não atinge a bolsa ou retorna imediatamente. A conduta é acompanhar anualmente, porque uma parte dessas crianças evolui para testículo ascendente, e aí sim há indicação cirúrgica. O testículo ectópico está fora do trajeto normal de descida, em posição femoral, perineal ou peniana, e nunca alcança a bolsa. A anorquia é a ausência da gônada, com testículo não encontrado em nenhuma posição.
Menina de 8 meses apresenta massa inguinal redutível. Qual estrutura é mais frequentemente encontrada como conteúdo herniário nessa faixa etária e sexo?
Na menina lactente o conteúdo herniário mais comum é o ovário, que pode deslizar pelo canal de Nuck e ficar irredutível, com risco de torção e necrose — razão pela qual a hérnia inguinal encarcerada na menina exige avaliação cirúrgica rápida mesmo sem sinais de obstrução intestinal. O apêndice cecal dentro do saco herniário configura a hérnia de Amyand, e o divertículo de Meckel, a hérnia de Littré: ambos enganam por serem epônimos memoráveis, mas são achados raros.
Sobre a exploração cirúrgica do lado contralateral em criança operada de hérnia inguinal unilateral, qual é a orientação atual predominante?
A exploração contralateral sistemática caiu em desuso porque expõe um lado assintomático a anestesia e a risco de lesão do cordão, e boa parte dos condutos pérvios nunca se manifesta clinicamente; hoje a decisão é individualizada, considerando prematuridade, idade muito baixa e presença de fatores que elevem a pressão abdominal. Torná-la obrigatória engana quem lembra da alta frequência de conduto pérvio bilateral — frequência anatômica não é sinônimo de doença clínica.
Qual é a base embriológica da hérnia inguinal indireta na criança?
O processo vaginal acompanha o testículo em sua descida e normalmente se fecha; quando permanece pérvio, cria o trajeto por onde as vísceras deslizam, o que explica por que a hérnia da criança é sempre indireta e por que o tratamento é a simples ligadura alta do saco, sem reforço de parede. A fraqueza adquirida da parede posterior engana porque descreve a hérnia DIRETA do adulto, resultado de esforço e envelhecimento tecidual, rara na infância. O anel umbilical corresponde a outra hérnia, de conduta expectante.
Lactente de 6 meses chega com hérnia inguinal encarcerada há 3 horas, sem sinais de peritonite, sem toxemia e com pele local sem alterações inflamatórias. Qual é a conduta inicial?
Na ausência de sinais de estrangulamento, a redução manual cuidadosa é bem-sucedida na maioria dos casos e permite operar com o tecido menos edemaciado, reduzindo complicações; a cirurgia é feita logo em seguida, na mesma internação, pelo alto risco de novo encarceramento. Indicar cirurgia de urgência sem tentar reduzir engana quem trata todo encarceramento como estrangulamento — este sim, com toxemia, eritema e sinais peritoneais, contraindica a manobra. Liberar para casa com retorno tardio expõe a criança à perda de alça e de testículo.
Que característica clínica diferencia a hérnia umbilical da hérnia inguinal quanto à conduta na infância?
O anel umbilical continua se fechando após o nascimento, e a maioria das hérnias umbilicais desaparece sozinha, ficando a cirurgia reservada à persistência após os quatro ou cinco anos, a anéis grandes ou às raras complicações. A hérnia inguinal, por depender de um conduto peritoniovaginal pérvio, nunca fecha depois de manifesta e sempre se opera — inverter essas duas condutas é o erro mais comum na prova e no ambulatório.
Qual é a complicação mais temida do encarceramento herniário prolongado no lactente do sexo masculino, além do sofrimento da alça intestinal?
O conteúdo encarcerado comprime os vasos espermáticos no anel inguinal, e a isquemia prolongada leva à atrofia da gônada — motivo pelo qual o encarceramento não pode esperar. A torção do funículo engana porque produz isquemia testicular por outro mecanismo, mas é evento independente da hérnia, típico do adolescente e do recém-nascido. Priapismo, ruptura vesical e fimose não decorrem do encarceramento inguinal.
Lactente de 5 meses, ex-prematuro de 30 semanas, será submetido a herniorrafia inguinal eletiva. Qual cuidado pós-operatório específico esse paciente exige?
O ex-prematuro tem controle respiratório imaturo e risco aumentado de apneia nas horas seguintes à anestesia geral, o que contraindica a alta no mesmo dia e exige monitorização hospitalar, geralmente até certa idade pós-conceptual definida em protocolo. A antibioticoterapia prolongada engana quem trata a herniorrafia como cirurgia contaminada, mas é procedimento limpo, sem indicação de antibiótico prolongado. Jejum prolongado e restrição hídrica são desnecessários e prejudiciais.
Menino de 3 anos apresenta aumento de volume escrotal indolor, que transilumina, aumenta ao longo do dia e diminui durante o sono. Qual é o diagnóstico e a conduta?
A variação de volume ao longo do dia denuncia a comunicação com a cavidade peritoneal: o líquido entra em pé e escoa deitado, o que significa conduto pérvio e, portanto, o mesmo trajeto de uma hérnia, com indicação de ligadura cirúrgica. A hidrocele não comunicante engana por ser muito mais frequente no lactente e por realmente merecer observação, mas nela o volume é estável, sem variação diurna, e a resolução espontânea ocorre nos primeiros dois anos. A varicocele é achado do adolescente, com aspecto de saco de vermes e sem transiluminação.
Lactente de 4 meses é levado ao pronto-socorro com choro inconsolável há 8 horas, dois episódios de vômito e abaulamento doloroso na região inguinal direita, endurecido, que não reduz à manobra suave. Abdome distendido. Qual é o diagnóstico?
Massa inguinal irredutível, dolorosa, com vômitos e distensão abdominal em lactente configura encarceramento de hérnia inguinal indireta, situação de urgência pelo risco de isquemia da alça e da gônada. A hidrocele comunicante engana por também produzir aumento de volume que varia com o choro, mas é indolor, transilumina e não causa obstrução intestinal. A torção testicular acomete a bolsa escrotal com testículo elevado e reflexo cremastérico abolido, e a linfadenite traz sinais flogísticos superficiais sem repercussão intestinal.
Menino de 2 anos tem hérnia inguinal direita redutível diagnosticada em consulta de rotina, assintomático. Qual é a conduta?
Diferentemente da hérnia umbilical, a inguinal da criança não fecha sozinha e tem risco significativo de encarceramento, especialmente no primeiro ano de vida, de modo que o diagnóstico é indicação cirúrgica. Aguardar fechamento espontâneo engana porque essa é exatamente a conduta correta na hérnia UMBILICAL, que se resolve na maioria dos casos até os 4 ou 5 anos. Fundas e faixas não corrigem o defeito e podem lesar as estruturas do cordão.
Menino de 8 meses é levado à consulta de puericultura e o pai pergunta sobre a ausência de um dos testículos na bolsa escrotal, percebida desde o nascimento. Ao exame: testículo direito tópico e testículo esquerdo não palpável na bolsa, sendo palpável na região inguinal, não redutível ao escroto. Não há hérnia inguinal evidente nem alterações do pênis. O restante do exame é normal. Assinale a conduta correta.
Criptorquidia persistente após os 6 meses tem baixa probabilidade de descida espontânea e indica encaminhamento cirúrgico para orquidopexia entre 6 e 18 meses, o que reduz o risco de infertilidade e facilita a vigilância do risco oncológico. Aguardar até a puberdade compromete a espermatogênese e não corresponde à história natural. O tratamento hormonal tem baixa eficácia e não é a conduta de escolha. Considerar variação normal deixa de tratar uma condição com consequências reprodutivas e oncológicas.
Menino de 10 meses é levado à consulta de puericultura. Ao exame, o testículo direito não é palpável na bolsa escrotal nem no canal inguinal, enquanto o esquerdo está tópico. Não há hérnia inguinal, hipospádia ou outras alterações genitais. A criança tem desenvolvimento normal e não apresenta sintomas. Qual é a conduta correta?
A criptorquidia que persiste após os seis meses de vida não costuma se resolver espontaneamente, e a correção cirúrgica é recomendada até cerca de dezoito meses para preservar a fertilidade e reduzir o risco de malignização. Aguardar anos aumenta o dano testicular. Tratamento hormonal tem baixa eficácia e não é primeira escolha. Dosagem hormonal isolada não substitui a avaliação cirúrgica e adia o tratamento.
Lactente de 6 meses é levado ao pronto-socorro pela mãe por abaulamento doloroso na região inguinal direita, notado há 8 horas, que não reduz espontaneamente. A criança está irritada, com vômitos e recusa alimentar. Ao exame: massa inguinoescrotal direita, endurecida, dolorosa, sem redução à manobra manual delicada, com pele eritematosa sobre a lesão, abdome distendido e ruídos hidroaéreos aumentados. Frequência cardíaca 172 bpm e tempo de enchimento capilar de 3 segundos. Qual é a conduta indicada?
Hérnia inguinal irredutível com dor, vômitos, distensão abdominal e alteração da pele em lactente configura encarceramento com risco de estrangulamento e necrose intestinal e gonadal, exigindo abordagem cirúrgica urgente após estabilização. Programar cirurgia eletiva para semanas depois ignora a emergência instalada. Insistir indefinidamente na redução manual sobre alça já comprometida pode reduzir conteúdo necrótico para a cavidade. Hérnia inguinal na criança não se resolve espontaneamente e sempre tem indicação cirúrgica.
Menino de 14 meses é levado à consulta de puericultura e a mãe relata que o testículo esquerdo nunca foi palpado na bolsa escrotal desde o nascimento, o que já havia sido registrado na maternidade. A criança é saudável, com desenvolvimento adequado. Ao exame: bolsa escrotal esquerda hipoplásica e vazia, com testículo palpável no canal inguinal esquerdo, não redutível de forma estável até o escroto, e testículo direito tópico e de volume normal. Não há hérnia evidente. Qual é a conduta correta?
A descida espontânea do testículo raramente ocorre após os seis meses de idade, e a orquidopexia precoce, idealmente até os 18 meses, reduz o risco de infertilidade e facilita a vigilância do risco aumentado de neoplasia testicular, que persiste mesmo após a correção. Aguardar até a idade escolar compromete o parênquima testicular por exposição térmica prolongada. O tratamento hormonal tem eficácia limitada e não é a primeira escolha. Afirmar ausência de repercussões contraria a associação estabelecida com infertilidade e câncer de testículo.
Menino de 1 ano é levado à Unidade Básica de Saúde para consulta de puericultura e a mãe relata que o testículo direito nunca foi palpado na bolsa escrotal. Ele nasceu a termo, com bom desenvolvimento e sem outras malformações. Ao exame, o testículo esquerdo está tópico e o direito é palpável no canal inguinal, não sendo possível trazê-lo à bolsa escrotal de forma sustentada. O pênis é normal e não há hérnia inguinal evidente. O restante do exame físico é normal. A conduta correta é
A criptorquidia que persiste após os primeiros meses de vida deve ser corrigida cirurgicamente ainda no primeiro ano ou logo em seguida, pois a permanência do testículo fora da bolsa compromete a espermatogênese e dificulta o exame para detecção precoce de neoplasia testicular, cujo risco é aumentado. Aguardar a puberdade é conduta ultrapassada e prejudica a fertilidade. Tratamento hormonal isolado tem eficácia limitada e não é definitivo. Reavaliar apenas aos 5 anos perde a janela ideal de intervenção.
Menino de 3 anos é levado à Unidade Básica de Saúde com abaulamento na região inguinal direita, percebido pela mãe quando ele chora ou faz esforço, que desaparece espontaneamente quando ele relaxa. Ele não tem dor, vômitos ou alteração do hábito intestinal, e está em bom estado geral. Ao exame, há abaulamento inguinal redutível à manobra suave, sem sinais inflamatórios, com testículos tópicos bilateralmente e abdome flácido e indolor. Ele está afebril, ativo e com bom estado nutricional. A conduta correta é
A hérnia inguinal indireta da infância decorre da persistência do conduto peritoniovaginal, não regride espontaneamente e tem risco significativo de encarceramento, sobretudo em crianças pequenas, indicando correção cirúrgica eletiva após o diagnóstico. Aguardar fechamento espontâneo é conduta da hérnia umbilical, não da inguinal. Faixas compressivas não corrigem o defeito e podem causar lesão. Esperar um episódio de encarceramento expõe a criança a isquemia intestinal e gonadal evitável.
Um menino de 10 meses é levado à consulta de puericultura e o exame mostra bolsa escrotal direita vazia, com testículo palpável no canal inguinal, não redutível à bolsa. O testículo esquerdo é tópico e de tamanho normal. A criança é hígida, com desenvolvimento adequado, e a mãe informa que o achado já havia sido notado ao nascimento. O testículo direito tem tamanho compatível com a idade, não há hérnia inguinal associada e não existem sinais de hipospádia ou de ambiguidade genital. Qual é a conduta correta nesse momento?
Criptorquidia persistente após os 6 meses tem baixa chance de resolução espontânea e indica encaminhamento para orquidopexia entre 6 e 18 meses, prazo que reduz o risco de infertilidade e facilita a vigilância do risco oncológico. Aguardar até os 5 anos expõe o testículo a dano térmico progressivo. Tomografia é desnecessária quando o testículo é palpável no canal inguinal. Tratamento hormonal tem baixa eficácia e não é recomendado como primeira linha para descida testicular.
Lactente, 3 meses, é levado ao pronto-socorro com irritabilidade, vômitos e abaulamento inguinoescrotal direito irredutível há 10 horas. Exame: massa endurecida e dolorosa em região inguinal direita estendendo-se à bolsa escrotal, com pele eritematosa; abdome distendido e timpânico. FC 178 bpm, com desidratação moderada. Radiografia de abdome: distensão de alças com níveis hidroaéreos. Testículo direito não individualizado à palpação. Qual a conduta?
Hérnia inguinal encarcerada com sinais obstrutivos, eritema local e testículo não individualizado sugere estrangulamento e risco de isquemia da alça e da gônada, exigindo estabilização clínica e exploração cirúrgica de urgência. Tentativas repetidas e prolongadas de redução manual em hérnia com sinais de sofrimento arriscam reduzir alça inviável para a cavidade. Aguardar redução espontânea por 24 horas condena o conteúdo herniário e o testículo. Agendar cirurgia eletiva em 30 dias ignora a emergência atual. O antibiótico isolado não desfaz o encarceramento nem restaura a perfusão.
Lactente, 10 meses, é levado por ausência do testículo direito na bolsa escrotal desde o nascimento. Exame: bolsa escrotal hipoplásica à direita, com testículo palpável no canal inguinal, não redutível à bolsa; testículo esquerdo tópico. Ultrassonografia confirma testículo direito no canal inguinal, de volume discretamente reduzido. Não houve descida espontânea nos últimos meses de acompanhamento. Qual a conduta e o momento adequado?
A criptorquidia deve ser corrigida por orquidopexia entre 6 e 18 meses de idade, pois a descida espontânea praticamente não ocorre após os 6 meses e a permanência fora da bolsa compromete a espermatogênese; a posição escrotal também facilita o exame e a vigilância do risco oncológico, que permanece aumentado. Aguardar a puberdade acarreta dano testicular irreversível. A terapia hormonal tem baixa eficácia e não é tratamento definitivo. A orquiectomia sacrifica gônada viável e recuperável em lactente. A observação anual sem intervenção repete o erro de postergar a correção.
Lactente, 8 meses, apresenta aumento do volume escrotal direito que varia ao longo do dia, maior ao final da tarde e menor pela manhã. Nega dor, febre e vômitos. Exame: hemiescroto direito aumentado, indolor, com transiluminação positiva; consegue-se palpar o cordão espermático acima da massa, com sinal do pinçamento negativo, e a massa reduz parcialmente à compressão suave, sem ruídos hidroaéreos. Qual o diagnóstico e a conduta?
Aumento escrotal indolor que varia ao longo do dia, transilumina e reduz parcialmente à compressão, com cordão palpável acima da massa, caracteriza hidrocele comunicante, cuja correção cirúrgica é indicada quando persiste após os 12 a 24 meses, pela chance de fechamento espontâneo do conduto peritoneovaginal. A hérnia encarcerada é irredutível, dolorosa e cursa com sinais obstrutivos. A torção testicular provoca dor intensa e ausência de fluxo, e não flutuação de volume ao longo do dia. O tumor testicular é massa sólida indolor que não transilumina. A varicocele é dilatação do plexo pampiniforme em adolescentes, com aspecto de saco de vermes que desaparece em decúbito.
Menino de 10 meses é levado à consulta porque a família não palpa o testículo direito na bolsa escrotal desde o nascimento. FC 120 bpm, PA 88/52 mmHg, desenvolvimento adequado. Ao exame, testículo esquerdo tópico e direito palpável em região inguinal, não redutível à bolsa escrotal. Não há hipospádia associada e o restante do exame genital é normal para a idade. Qual a conduta mais adequada?
A criptorquidia que persiste após os 6 meses de vida raramente se resolve espontaneamente, e a orquidopexia deve ser realizada idealmente entre 6 e 18 meses, para preservar a fertilidade e facilitar a vigilância oncológica. Aguardar até a puberdade compromete a função germinativa. A terapia hormonal tem baixa eficácia e não é tratamento definitivo. A orquiectomia se reserva a testículo atrófico ou não viável. Realizar apenas ultrassonografia anual sem corrigir a posição não previne as complicações associadas.
Menino, 10 meses, é levado ao ambulatório porque a mãe não palpa o testículo direito desde o nascimento. Exame: bolsa escrotal com testículo esquerdo tópico e hemiescroto direito hipoplásico e vazio, testículo direito palpável em região inguinal, redutível parcialmente mas que retorna. Sem hérnia inguinal evidente, sem sinais de ambiguidade genital, restante do exame normal e desenvolvimento adequado para a idade. Qual a conduta correta?
A criptorquidia com testículo palpável em canal inguinal aos 10 meses tem indicação de orquidopexia entre 6 e 18 meses, período em que a intervenção reduz o risco de comprometimento da espermatogênese e facilita a vigilância para neoplasia futura. Aguardar até os 5 anos ignora que a descida espontânea é rara após os 6 meses e agrava o dano tubular. A terapia hormonal tem baixa eficácia e não é tratamento definitivo. Orquiectomia é reservada a testículos atróficos ou não viáveis, e não a uma gônada palpável passível de fixação. Observação indefinida mantém o risco de infertilidade e dificulta o exame de uma gônada com risco oncológico aumentado.
Homem, 45 anos, é atendido no ambulatório com massa escrotal indolor à esquerda, percebida há 6 meses, sem crescimento rápido. Exame: massa cística no hemiescroto esquerdo, que transilumina, com testículo palpável separadamente e de consistência normal, sem alterações do epidídimo, sem sinais flogísticos, sem hérnia inguinal. Ultrassonografia mostra coleção anecoica ao redor do testículo, com parênquima testicular normal e sem lesões sólidas identificadas. Qual o diagnóstico e a conduta?
Massa escrotal cística que transilumina, com testículo palpável separadamente e ultrassonografia mostrando coleção anecoica com parênquima normal, caracteriza hidrocele, condição benigna cujo tratamento cirúrgico é indicado apenas quando há desconforto, volume significativo ou impacto funcional. Tumor testicular é sólido, não transilumina e cursa com alteração do parênquima. Torção testicular cursa com dor súbita intensa e alteração do fluxo ao Doppler. Hérnia inguinoescrotal cursa com massa redutível com alças intestinais ao exame e à imagem. Espermatocele infectada cursaria com dor e sinais inflamatórios, além de localizar-se no polo superior junto ao epidídimo.
Menino, 3 anos, é levado ao ambulatório com aumento intermitente do volume escrotal direito, que piora ao final do dia e ao chorar, e reduz durante o sono. Exame: hemiescroto direito aumentado, com massa que transilumina, sem dor, testículo palpável e de consistência normal, sem sinais flogísticos. A massa reduz parcialmente à compressão suave. Não há sinais de encarceramento, vômitos, distensão abdominal ou irritabilidade importante. Qual o diagnóstico e a conduta?
Aumento escrotal que varia ao longo do dia, piora com o choro e reduz durante o sono, com transiluminação positiva, indica hidrocele comunicante por persistência do conduto peritoneovaginal, cujo tratamento é a correção cirúrgica com ligadura do conduto, sobretudo após os 2 anos, quando o fechamento espontâneo é improvável. A hidrocele não comunicante é de volume fixo e costuma resolver espontaneamente nos primeiros anos, o que não corresponde à variação descrita. Hérnia encarcerada cursaria com massa irredutível, dor intensa e sintomas obstrutivos. Torção testicular cursaria com dor súbita e testículo doloroso. Tumor testicular é sólido, indolor e não transilumina.
Menino, 3 anos, apresenta abaulamento inguinal direito intermitente, que surge ao chorar e reduz espontaneamente. Nega dor, vômitos ou alteração do hábito intestinal. FC 96 bpm, T 36,5 °C, abdome flácido. Ao exame, cordão espessado à direita e abaulamento inguinal redutível, sem sinais inflamatórios. Os testículos estão tópicos e de volume normal bilateralmente. Qual a conduta indicada?
A herniotomia com ligadura alta do saco, sem prótese, é a conduta indicada: a hérnia inguinal da criança decorre da persistência do conduto peritoneovaginal, de modo que ligar o saco resolve o problema, e a tela é desnecessária em parede sadia e em crescimento. A observação até a puberdade expõe a criança ao encarceramento, complicação frequente nessa idade. A faixa compressiva não fecha o conduto e pode causar lesão de conteúdo. A tela de polipropileno interfere no crescimento e pode comprometer o funículo. A exploração contralateral de rotina foi abandonada como conduta obrigatória.
Lactente de 4 meses é levado ao pronto-socorro com choro intenso e abaulamento inguinal direito que não regride há 6 horas. Apresentou dois episódios de vômito e recusa alimentar. Exame: massa inguinoescrotal direita endurecida, dolorosa, sem redução espontânea, pele local com hiperemia discreta, abdome distendido, FC 168 bpm, T 37,0 °C, ruídos hidroaéreos aumentados e timbre metálico. Qual a conduta indicada?
Hérnia inguinal encarcerada com sinais de obstrução exige tentativa de redução manual com sedação e analgesia adequadas e, em caso de falha ou de sinais de estrangulamento, correção cirúrgica de urgência, com herniorrafia precoce mesmo após redução bem-sucedida. Observar por 24 horas permite evolução para estrangulamento e necrose. Laxante e compressa morna não resolvem o encarceramento e retardam o tratamento. O encaminhamento eletivo em três meses ignora a urgência do quadro atual. Repetir ultrassonografias sem intervir não altera o desfecho de uma alça já encarcerada.
Menino de 2 anos é levado à consulta porque o pai não consegue expor a glande durante o banho, sem que haja abaulamento durante a micção, infecções urinárias ou balanopostite. Ao exame genital, o prepúcio é retrátil apenas parcialmente, sem anel fibrótico. A bolsa escrotal apresenta testículo direito tópico e testículo esquerdo não palpável no escroto, sendo identificado no canal inguinal, sem possibilidade de descida manual. Qual a conduta correta?
Observar o prepúcio e encaminhar para correção cirúrgica da criptorquidia é a conduta correta: a fimose nessa idade é fisiológica e sem complicações, enquanto o testículo não descido deve ser operado idealmente entre 6 e 18 meses para reduzir risco de infertilidade e de malignização. A postectomia imediata não se justifica sem fimose patológica ou infecções de repetição. As retrações forçadas provocam fissuras e anel fibrótico secundário, e adiar a avaliação do testículo até os 5 anos ultrapassa a janela ideal. O tratamento hormonal com gonadotrofina tem baixa eficácia e não é a escolha atual. Cariótipo e dosagens hormonais são indicados na criptorquidia bilateral não palpável associada a genitália atípica.
Lactente de 4 meses, do sexo masculino, apresenta abaulamento inguinal direito irredutível há 8 horas, com choro intenso, vômitos e recusa alimentar. FC 168 bpm, FR 44 ipm, T 37,3 °C; a massa inguinal é endurecida, dolorosa e não reduz à manobra suave, e o abdome está distendido. A pele sobre a massa está sem alterações de coloração e a bolsa escrotal direita é palpável separadamente. Qual a conduta indicada?
Hérnia inguinal encarcerada em lactente sem sinais de estrangulamento, como alteração de coloração da pele ou toxemia, é abordada com analgesia, sedação e tentativa de redução manual, seguida de herniorrafia na mesma internação, pelo alto risco de novo encarceramento. Apenas observar por 24 horas permite evolução para estrangulamento e necrose de alça e de gônada. A herniorrafia eletiva em três meses ignora a urgência do quadro atual. A punção aspirativa pode perfurar alça intestinal contida no saco herniário. O antibiótico isolado não trata a obstrução mecânica nem a isquemia iminente.
Lactente do sexo masculino, 7 meses, apresenta abaulamento inguinal direito intermitente, que surge ao choro e desaparece espontaneamente, notado pelos pais há 2 meses. Exame: bom estado geral, abaulamento inguinal redutível à palpação, sem dor, sem sinais inflamatórios, testículos tópicos bilateralmente. Sem vômitos, distensão ou alteração do trânsito intestinal, com bom ganho ponderal e desenvolvimento adequado. Qual a conduta mais adequada?
A hérnia inguinal na criança decorre da persistência do conduto peritoniovaginal e não regride espontaneamente, apresentando risco significativo de encarceramento, sobretudo no primeiro ano de vida, o que indica correção cirúrgica programada em prazo curto após o diagnóstico. Aguardar até os cinco anos confunde hérnia inguinal com hérnia umbilical, esta sim com alta taxa de fechamento espontâneo. O uso de cinta ou funda não corrige o defeito e pode causar lesão local. Condicionar a cirurgia a um episódio de encarceramento expõe a criança a isquemia intestinal ou gonadal evitável. A ultrassonografia seriada não substitui o tratamento definitivo de um defeito anatômico já diagnosticado clinicamente.
Lactente de 7 semanas é levado ao pronto-socorro por choro intenso e inconsolável iniciado há 5 horas, diferente do habitual. Está pálido, com FC 178 bpm, T 36,5 graus Celsius, tempo de enchimento capilar de 3 segundos. Ao exame há abaulamento inguinal direito endurecido e doloroso, com vômitos biliosos e distensão abdominal. Não houve eliminação de fezes ou gases desde o início do quadro. Qual a conduta indicada?
A avaliação cirúrgica de urgência é a conduta, pois o choro inconsolável associado a abaulamento inguinal endurecido e doloroso, vômitos biliosos e parada de eliminação de gases configura hérnia encarcerada, e não cólica do lactente. Orientar sobre cólica e dar alta ignora sinais de alarme evidentes. A simeticona com retorno tardio permite evolução para estrangulamento e necrose. O exame de fezes com antiparasitário não tem relação com o quadro. A fórmula hidrolisada trataria alergia alimentar, hipótese incompatível com abaulamento inguinal e obstrução.
Menino de 5 anos é levado à consulta porque a mãe percebe que os testículos às vezes não estão na bolsa escrotal. Ao exame, em ambiente aquecido e com manobra delicada, ambos os testículos são trazidos ao escroto e permanecem em posição sem tração, retornando ao canal apenas com estímulo do reflexo cremastérico. Não há hipoplasia escrotal, hérnia inguinal ou hipospádia associada. Qual a conduta indicada?
O acompanhamento clínico anual é a conduta no testículo retrátil, pois a gônada permanece no escroto sem tração, sendo o achado benigno, mas com possibilidade de evolução para testículo ascendente, que exige correção cirúrgica. A orquidopexia imediata não é indicada quando o testículo permanece em posição escrotal. O tratamento hormonal tem baixa eficácia e não é recomendado. A alta definitiva sem seguimento perde a chance de identificar a ascensão testicular. A investigação genética e hormonal é desnecessária diante de genitália normal e testículos palpáveis.
Lactente de 4 meses, do sexo masculino, apresenta há 6 horas irritabilidade intensa, vômitos e abaulamento inguinal direito. T 36,9 graus Celsius, FC 168 bpm. Há massa inguinoescrotal endurecida e dolorosa, irredutível às tentativas iniciais, com pele de coloração normal. O abdome está discretamente distendido, com ruídos hidroaéreos presentes e sem sinais de irritação peritoneal ao exame. Qual a conduta indicada?
Tentar a redução com analgesia e sedação leve e, na falha, operar de urgência é a conduta na hérnia inguinal encarcerada do lactente, pois a redução bem-sucedida permite operar em melhores condições após a redução do edema, enquanto a falha impõe cirurgia imediata pelo risco de sofrimento de alça e de gônada. Programar cirurgia eletiva em 3 meses com observação domiciliar ignora o encarceramento. A faixa compressiva é ineficaz e perigosa. O antibiótico não resolve o problema mecânico. Aguardar redução espontânea expõe a criança a necrose intestinal e testicular.
Lactente de 10 meses é levado à consulta por aumento indolor da bolsa escrotal à direita, percebido desde os primeiros meses, que varia de tamanho ao longo do dia, maior ao fim da tarde. Ao exame há aumento escrotal com transiluminação positiva, sem dor, sem eritema e com testículo palpável e de características normais. Não há vômitos, irritabilidade ou sinais de obstrução intestinal. Qual a conduta indicada?
O acompanhamento clínico, com indicação cirúrgica se a hidrocele persistir após os 2 anos, é a conduta correta, pois a maioria dos casos comunicantes resolve espontaneamente com o fechamento do conduto peritoneovaginal. A cirurgia de urgência não se justifica na ausência de encarceramento, sugerido por massa endurecida, irredutível e dolorosa com vômitos. A punção aspirativa não é definitiva e traz risco de infecção e recidiva. O suspensório escrotal não altera a evolução. O antibiótico não tem indicação em quadro indolor e sem sinais inflamatórios.
Lactente do sexo masculino, com 13 meses, é levado à consulta porque o testículo direito nunca foi palpado na bolsa escrotal. Nasceu a termo, com peso adequado. Exame: bolsa escrotal hipoplásica à direita, testículo esquerdo tópico e de volume normal; testículo direito palpável no canal inguinal, não redutível à bolsa. Pênis de tamanho normal, sem hipospádia. Desenvolvimento pôndero-estatural adequado. Qual a conduta?
A descida espontânea do testículo praticamente não ocorre após os 6 meses de idade, e a orquidopexia deve ser realizada de preferência entre 6 e 18 meses, para preservar o potencial de fertilidade e permitir vigilância do testículo, que mantém risco aumentado de neoplasia. Aguardar até os 5 anos perde a janela cirúrgica e agrava o dano ao epitélio germinativo. A gonadotrofina coriônica tem baixa eficácia e não é considerada tratamento de escolha na criptorquidia verdadeira. Solicitar cariótipo e dosagem hormonal antes da cirurgia se justifica em criptorquidia bilateral não palpável ou associada a hipospádia, situações ausentes neste caso unilateral. A orquiectomia não é a conduta inicial, pois o testículo posicionado na bolsa permite exame e detecção precoce de tumor.
Recém-nascido de 20 dias é trazido por aumento indolor da bolsa escrotal à direita, que varia de tamanho ao longo do dia, sendo maior no fim da tarde. Ao exame: bolsa escrotal aumentada à direita, transiluminação positiva, testículo palpável e de consistência normal, sem sinais flogísticos, redutível parcialmente à compressão suave. Criança ativa, sem vômitos, FC 136 bpm, T 36,7 °C, com ganho ponderal adequado. Qual a conduta mais adequada?
Observar e reservar a correção cirúrgica para persistência após o primeiro ano é a conduta correta na hidrocele comunicante do lactente, pois a maioria dos casos resolve espontaneamente com o fechamento do conduto peritoniovaginal, e o quadro descrito, com variação diurna e transiluminação positiva, é típico. A exploração de urgência se destina à torção testicular, que cursa com dor intensa, eritema e ausência de fluxo ao Doppler. A punção aspirativa é contraindicada pelo risco de lesão e de recidiva imediata. A orquidopexia trata criptorquidia ou torção, e o testículo está tópico e normal. O antibiótico não tem indicação em coleção não infecciosa.
Criança apresenta tumoração inguinoescrotal que surge ao esforço e contém alça intestinal na avaliação. Qual diagnóstico é mais provável?
A presença de alça no canal confirma hérnia. Persistência do processo vaginal pode permitir herniação; massa inguinal variável e irredutibilidade com sintomas exigem avaliação apropriada. Referência: https://www.niddk.nih.gov/health-information/digestive-diseases/inguinal-hernia
Lactente tem abaulamento inguinal que aumenta ao chorar e reduz em repouso; avaliação confirma conteúdo herniário no canal. Qual diagnóstico é mais provável?
A variação do volume é compatível com hérnia inguinal. Persistência do processo vaginal pode permitir herniação; massa inguinal variável e irredutibilidade com sintomas exigem avaliação apropriada. Referência: https://www.niddk.nih.gov/health-information/digestive-diseases/inguinal-hernia
Lactente tem persistência de comunicação peritoneal pelo canal inguinal e protrusão de conteúdo abdominal ao chorar. Qual diagnóstico é mais provável?
A persistência do processo vaginal permite hérnia inguinal. Persistência do processo vaginal pode permitir herniação; massa inguinal variável e irredutibilidade com sintomas exigem avaliação apropriada. Referência: https://www.niddk.nih.gov/health-information/digestive-diseases/inguinal-hernia
Bebê tem massa inguinal antes intermitente, agora irredutível e dolorosa, acompanhada de vômitos. Qual diagnóstico é mais provável?
Hérnia inguinal pode encarcerar e causar obstrução. Persistência do processo vaginal pode permitir herniação; massa inguinal variável e irredutibilidade com sintomas exigem avaliação apropriada. Referência: https://www.niddk.nih.gov/health-information/digestive-diseases/inguinal-hernia
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Três relógios: hérnia opera ao diagnóstico, hidrocele isolada espera o primeiro ano, criptorquidia encaminha entre 4 e 6 meses e opera entre 6 e 12, no máximo 18. Hérnia da criança é indireta, o saco é o conduto peritoniovaginal, e a cirurgia é ligadura alta sem tela. Manobra de 1 minuto separa retrátil de criptorquídico. Não pedir imagem, não puncionar, não dar hormônio.
em 30 dias
Números para o dia da prova: hérnia em 1 a 2% dos nascidos a termo, 60% à direita, 15% bilaterais, encarceramento em 28,3% abaixo dos 3 meses. Criptorquidia em 3,4% dos nascidos a termo, 30% dos prematuros e 0,8% aos 12 meses; 20% dos retidos são não palpáveis. Hidrocele resolve em 92% abaixo de 1 ano e ainda em 43% acima dos 3 anos. Risco relativo de câncer testicular de 2,2 se a orquidopexia é feita antes dos 13 anos, contra 5,4 depois. Refaça o caso da massa inguinoescrotal irredutível e reconstrua a sequência analgesia, taxia, internação e cirurgia em 24 a 48 horas.
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Lactente de 7 meses trazido à unidade básica pela mãe, que notou o escroto direito maior no fim da tarde e quase normal ao acordar. Ele não tem dor, não vomita e está ganhando peso. Conduza o atendimento: examine a bolsa e o canal inguinal, transilumine, decida se há hérnia associada e diga o que orientar à família sobre prazo, sinais de alarme e o que não fazer enquanto se espera. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
