Cirurgia GeralCirurgia Torácica

Derrame pleural e empiema: puncionar, drenar ou operar

A prova quase nunca pergunta a causa do derrame. Pergunta se aquele líquido sai com agulha, se precisa de dreno e em que momento o caso deixa de ser clínico e vira cirúrgico.

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Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Mulher de 52 anos com tosse por 4 semanas realiza radiografia de tórax que evidencia derrame pleural à direita. Realizada toracocentese diagnóstica. A análise do líquido mostra: proteína no líquido 4,2 g/dL (proteína sérica 6,5 g/dL) e DHL no líquido 320 UI/L (DHL sérica 250 UI/L, limite superior do normal 230 UI/L). Segundo os critérios de Light, esse derrame é classificado como:

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Como esse tema cai

Derrame pleural não é diagnóstico, é achado. A prova sabe disso e por isso quase nunca pergunta "qual a causa". Pergunta a decisão: esse líquido precisa ser puncionado? Precisa de dreno? Precisa de sala cirúrgica? Um caso de pneumonia com derrame pequeno e um caso de pneumonia com pus na pleura recebem o mesmo antibiótico e desfechos completamente diferentes — o que separa os dois é a decisão de drenar, tomada em horas.

Três conjuntos de números carregam praticamente toda a cobrança: os critérios de Light, que separam transudato de exsudato; o trio pH, glicose e LDH do líquido, que dizem se o exsudato parapneumônico é complicado; e o volume ou o aspecto do líquido, que decidem o dreno sem precisar de mais nada. Pus na seringa encerra a discussão: drena.

O recorte brasileiro tem duas particularidades que mudam resposta. A primeira é a tuberculose: aqui, exsudato linfocítico em adulto jovem é tuberculose pleural até prova em contrário, enquanto na literatura de países de baixa incidência o mesmo quadro puxa neoplasia. A segunda é a terapêutica intrapleural: o documento nacional de referência é de 2006 e descreve estreptoquinase, enquanto a diretriz britânica de 2023 trabalha com alteplase associada a DNase — duas réguas escritas com quinze anos de distância e com disponibilidades diferentes.

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O que muda decisão

Antes da agulha: confirmar que há líquido e que ele é puncionável

A radiografia de tórax em PA mostra derrame a partir de cerca de 200 a 300 mL, quando o seio costofrênico apaga. Volumes menores aparecem no perfil (que apaga o seio posterior antes, com cerca de 50 mL) ou na incidência em decúbito lateral com raios horizontais, que é a manobra clássica para responder à única pergunta que a radiografia responde bem: o líquido é livre ou está preso? Se a lâmina escorre e mede menos de 10 mm no decúbito, o derrame é mínimo e não se punciona.

A ultrassonografia à beira do leito mudou a prática e é hoje o exame que orienta a punção. Ela vê septações que a radiografia não vê, mede a lâmina com precisão, marca o ponto e reduz pneumotórax iatrogênico e punção seca. Derrame septado ao ultrassom já é informação terapêutica: aquele líquido não sai inteiro por uma agulha. A tomografia com contraste entra quando se suspeita de empiema organizado, de abscesso pulmonar ou de doença pleural neoplásica — o realce e o espessamento das duas pleuras, com separação delas pelo líquido, é o sinal do split pleura, que aponta empiema.

Nem todo derrame precisa de punção. Derrame bilateral em paciente com insuficiência cardíaca descompensada, sem febre e sem dor pleurítica, tratado com diurético, é para observar: se resolver com o tratamento da insuficiência, o transudato está diagnosticado sem agulha nenhuma. A punção passa a ser obrigatória quando o quadro foge do esperado — derrame unilateral, febre, dor pleurítica, emagrecimento, derrame que não regride com o tratamento da causa presumida ou qualquer derrame que acompanhe pneumonia e tenha mais de 10 mm.

Toracocentese: onde entra a agulha e o que se pede no líquido

O ponto clássico é no dorso, na linha escapular ou axilar posterior, um a dois espaços abaixo do limite superior da macicez, e nunca abaixo do oitavo espaço intercostal — mais baixo que isso o risco é puncionar fígado ou baço. A agulha entra rente à borda superior da costela inferior, porque o feixe vasculonervoso intercostal corre no sulco da borda inferior da costela de cima. Passar por cima da costela de baixo é a diferença entre uma punção limpa e um hemotórax iatrogênico.

A retirada é limitada. Não se esvazia a pleura de uma vez: o teto prático é de 1,0 a 1,5 L por sessão, e a punção deve ser interrompida antes disso se o paciente começar a tossir muito, referir dor torácica ou opressão. O motivo é o edema pulmonar de reexpansão, complicação rara mas grave, que aparece quando um pulmão colapsado há dias reexpande rápido demais. Se sobrou líquido, punciona-se de novo em outro momento.

O que se manda para o laboratório é padronizado e cai em prova: proteína total e LDH do líquido, com dosagem simultânea de proteína e LDH no soro (sem o par sérico os critérios de Light não podem ser aplicados); glicose; contagem total e diferencial de células; pH em seringa heparinizada, coletado sem ar e processado rápido, idealmente em gasômetro; citologia oncótica; bacterioscopia pelo Gram e cultura, com frascos de hemocultura aumentando o rendimento; e, no cenário brasileiro, adenosina deaminase. Amilase entra quando se pensa em pancreatite ou rotura esofágica, triglicerídeos quando o líquido é leitoso e se cogita quilotórax.

O aspecto macroscópico já orienta: líquido citrino e claro fala a favor de transudato ou de exsudato não complicado; turvo ou francamente purulento define empiema e dispensa qualquer outro exame para indicar o dreno; hemorrágico levanta neoplasia, embolia pulmonar com infarto e trauma; leitoso sugere quilotórax; e odor pútrido aponta anaeróbios.

Corte da parede torácica entre duas costelas: o feixe de vasos e nervo corre na borda inferior da costela de cima e a agulha entra rente à borda superior da costela de baixo, atravessando os músculos intercostais e a pleura parietal até o líquido.
A agulha passa rente à borda superior da costela inferior: o feixe vasculonervoso intercostal corre protegido no sulco da costela de cima, e é ele que se lesa quando a punção é feita alta demais no espaço.

Transudato ou exsudato: os critérios de Light e onde eles erram

A primeira bifurcação de todo derrame é mecânica. Transudato é líquido empurrado para a pleura por desequilíbrio de pressões — hidrostática alta na insuficiência cardíaca, oncótica baixa na cirrose e na síndrome nefrótica — com pleura íntegra. Exsudato é líquido que atravessa uma pleura doente, com permeabilidade aumentada por inflamação, infecção ou tumor, ou com drenagem linfática bloqueada. Transudato se trata tratando a doença de base; exsudato exige investigação da pleura.

Os critérios de Light classificam como exsudato o líquido que preencher pelo menos um dos três: relação entre proteína do líquido e proteína do soro maior que 0,5; relação entre LDH do líquido e LDH do soro maior que 0,6; ou LDH do líquido maior que dois terços do limite superior da normalidade do LDH sérico do laboratório. Nenhum dos três presente significa transudato. O conjunto é deliberadamente sensível: praticamente não deixa exsudato passar como transudato, ao preço de rotular como exsudato cerca de um em cada quatro transudatos.

O erro tem nome e é o cenário mais cobrado: paciente com insuficiência cardíaca que já vem tomando diurético. O diurético concentra o líquido pleural, sobe proteína e LDH, e um transudato cruza a linha de Light. A saída é o gradiente: diferença entre a albumina do soro e a albumina do líquido maior que 1,2 g/dL, ou diferença de proteína total maior que 3,1 g/dL, reclassifica como transudato apesar de Light. Diante de um paciente com clínica inequívoca de congestão e derrame bilateral rotulado como exsudato por pouca margem, é o gradiente que resolve.

Uma vez definido exsudato, a diferencial se organiza pela celularidade. Predomínio de neutrófilos aponta processo agudo — parapneumônico é o campeão, seguido de embolia pulmonar e pancreatite. Predomínio de linfócitos aponta processo arrastado: tuberculose e neoplasia lideram, com linfoma, quilotórax e derrame pós-cirurgia cardíaca atrás. Eosinofilia acima de 10% costuma refletir ar ou sangue na pleura, incluindo punção prévia, e é achado de baixa especificidade.

O parapneumônico: pH, glicose e LDH decidem por você

Derrame parapneumônico é o derrame que acompanha pneumonia, abscesso pulmonar ou bronquiectasia infectada, e aparece em parcela expressiva das pneumonias comunitárias internadas. A maioria é simples: líquido estéril, reacional, que some junto com a pneumonia sob antibiótico. O problema é a fração que evolui — bactéria invade o espaço, o metabolismo anaeróbio local consome glicose e produz ácido láctico, e o líquido acidifica.

Por isso os três números são os mesmos três de sempre, e todos medem a mesma coisa por caminhos diferentes: pH do líquido abaixo de 7,20, glicose abaixo de 40 mg/dL e LDH acima de 1.000 U/L caracterizam o derrame parapneumônico complicado. Não é preciso que os três estejam presentes. Qualquer um deles, isolado, já indica que aquele líquido não vai se resolver com antibiótico.

Hierarquia entre eles: o pH é o mais precoce e o mais confiável, desde que colhido direito — em seringa heparinizada, sem bolha de ar, lido em gasômetro e não em fita. Ar na seringa alcaliniza a amostra e transforma um pH de 7,05 em 7,25, revertendo a indicação de dreno. Lidocaína na seringa acidifica e faz o contrário. Quando não há gasômetro disponível, a glicose abaixo de 40 mg/dL é o substituto operacional, e ela é bem menos sensível a erro de coleta.

Acima desses números, duas coisas indicam dreno sozinhas, sem laboratório nenhum: pus franco na seringa, que é a definição de empiema, e Gram ou cultura positivos no líquido, que provam bactéria dentro da pleura. E há a indicação puramente anatômica: derrame que ocupa mais da metade do hemitórax, ou que está loculado, ou que cursa com espessamento pleural, drena — independentemente do pH, porque um volume desses não reabsorve e comprime pulmão.

A lógica das quatro categorias de risco que organizam isso é simples de reconstruir: quanto maior o líquido, mais evidência de bactéria e mais ácido o pH, maior o risco de desfecho ruim e mais cedo se coloca o dreno. Derrame mínimo, com menos de 10 mm, é categoria de risco muito baixo e nem se punciona. Derrame pequeno a moderado com bacteriologia negativa e pH acima de 7,20 é risco baixo: antibiótico e observação com imagem seriada. A partir do momento em que aparece volume grande, loculação, bactéria ou pH baixo, o caso é de risco moderado ou alto e o dreno entra.

As três fases do empiema e por que o relógio importa

O empiema não é um estado, é uma linha do tempo. Na fase exsudativa, na primeira semana, o líquido é fluido, livre, pobre em células, e sai inteiro por um dreno fino — às vezes até por toracocenteses repetidas. Na fase fibrinopurulenta, tipicamente da segunda à terceira semana, deposita-se fibrina, formam-se septos que compartimentam a cavidade, o líquido fica espesso e o dreno passa a drenar apenas o bolsão em que sua ponta está. Na fase organizada, a partir da terceira a quarta semana, fibroblastos convertem a fibrina em uma casca fibrosa aderente que encarcera o pulmão e impede a reexpansão mesmo com a cavidade vazia.

Essa cronologia é a razão de a indicação de dreno ser uma decisão de horas e não de dias. Um mesmo empiema tratado no terceiro dia sai com um dreno; tratado no vigésimo dia precisa de decorticação. Um paciente com pneumonia e derrame que se mantém febril e com leucocitose após 48 a 72 horas de antibiótico adequado tem coleção pleural não drenada até prova em contrário — não é falha do antibiótico, é foco não controlado.

As fases também explicam o que cada terapia faz. Antibiótico trata o parênquima e chega mal ao pus dentro da pleura, onde a penetração é ruim e o pH ácido inativa parte das drogas. Dreno resolve o líquido livre. Fibrinolítico intrapleural desmancha os septos da fase fibrinopurulenta e não tem o que fazer contra uma casca já organizada. Cirurgia é a única coisa que remove casca. Escolher a terapia é, na prática, cronometrar em que fase o paciente está.

O dreno: calibre, posição e o que fazer quando ele para

O dreno de tórax no empiema vai no espaço pleural pelo triângulo de segurança — delimitado pela borda lateral do peitoral maior à frente, pela borda anterior do grande dorsal atrás e por uma linha horizontal ao nível do mamilo abaixo, com o vértice na axila — o que na prática coloca a inserção no quarto ou quinto espaço intercostal, na linha axilar média. Em coleção loculada, o dreno vai onde a coleção está, guiado por ultrassom ou por tomografia, e não no ponto anatômico padrão. Conecta-se em selo d'água.

O calibre é um ponto de discórdia real, tratado adiante. O que não se discute é o cuidado com o dreno depois de colocado: manter permeável com lavagem regular com soro fisiológico quando o material é espesso, checar oscilação da coluna e débito, e reavaliar com imagem — o dreno que "parou de drenar" pode significar cavidade vazia ou pode significar dreno obstruído com pulmão ainda comprimido, e só a imagem separa as duas coisas.

A avaliação é diária e tem três perguntas: o paciente melhorou clinicamente (febre, leucócitos, dor)? O débito caiu porque a cavidade esvaziou? A imagem mostra reexpansão? Persistência de coleção com dreno bem posicionado após 48 a 72 horas é o gatilho para escalar — fibrinolítico intrapleural ou cirurgia, conforme a fase e o serviço. Arrastar o dreno por uma semana esperando melhora é o erro que produz o pulmão encarcerado.

Antibiótico corre em paralelo e cobre a etiologia esperada. Empiema comunitário cobre pneumococo, estreptococos do grupo milleri e anaeróbios — daí o papel de amoxicilina com clavulanato, ampicilina com sulbactam ou de uma cefalosporina de terceira geração associada a clindamicina ou metronidazol. Empiema associado a cuidados de saúde ou pós-operatório amplia para Staphylococcus aureus resistente à meticilina e bacilos gram-negativos. Aminoglicosídeos são má escolha: perdem atividade no pH ácido do pus pleural. A duração é longa, tipicamente duas a quatro semanas e ajustada ao controle do foco, não a um número fixo.

Fibrinolítico intrapleural e cirurgia: o que cada um resolve

A ideia do fibrinolítico intrapleural é atacar o que o dreno não alcança: instilar na cavidade uma droga que dissolva os septos de fibrina, unificar os bolsões e permitir que tudo saia pelo mesmo tubo. O documento brasileiro de 2006 descreve estreptoquinase 250.000 UI diluída em 50 a 100 mL de soro fisiológico, instilada uma a duas vezes ao dia por até três dias, com melhor resultado quando aplicada na primeira semana após o diagnóstico das septações — a janela importa, porque fibrina velha organizada não se dissolve.

A literatura posterior mostrou que fibrinolítico isolado não é suficiente. O que muda desfecho é a combinação de fibrinolítico com uma enzima que quebra o DNA extracelular liberado por neutrófilos mortos, responsável pela viscosidade do pus: alteplase com DNase reduz o volume de opacificação e a necessidade de cirurgia, enquanto cada uma isoladamente não faz diferença. A diretriz britânica de 2023 incorporou isso e reserva a terapia enzimática para o cenário exato em que ela faz sentido — dreno já colocado, drenagem cessada e coleção residual documentada.

A cirurgia entra por duas portas. A videotoracoscopia é a opção precoce do empiema loculado: desfaz septos sob visão direta, aspira o pus, libera o pulmão e posiciona o dreno no lugar certo, com morbidade bem menor que a toracotomia. Quanto mais cedo indicada, maior a chance de que a videotoracoscopia baste. A decorticação por toracotomia é o resgate: reservada ao pulmão encarcerado pela casca fibrosa da fase organizada, à expansão pulmonar inadequada e à fístula persistente após falha do fibrinolítico ou da videotoracoscopia.

Há um erro de sequenciamento cobrado com frequência: gastar dias tentando fibrinolítico em empiema já organizado, com casca espessa e pulmão preso à imagem, para só então indicar cirurgia. Nesse cenário o fibrinolítico não tem substrato para agir e o tempo perdido só aumenta a casca. Do outro lado, indicar toracotomia com decorticação em um empiema de três dias, fluido e livre, é operar o que um dreno resolveria.

Exsudato linfocítico no Brasil: tuberculose pleural

A tuberculose pleural é a forma extrapulmonar mais frequente em pessoas sem HIV no Brasil e é a principal causa de exsudato linfocítico em adulto jovem no país. O quadro é subagudo: semanas de febre vespertina, sudorese, emagrecimento, dor pleurítica e tosse seca, com derrame quase sempre unilateral e de volume pequeno a moderado. O líquido é exsudato de predomínio linfocítico, com proteína alta, glicose habitualmente normal ou pouco baixa e ausência de células mesoteliais em quantidade — mesotélio abundante fala contra tuberculose.

O rendimento microbiológico direto no líquido é ruim: a baciloscopia é quase sempre negativa e a cultura do líquido positiva numa minoria dos casos, porque a doença é uma reação de hipersensibilidade à proteína do bacilo, com pouquíssimos bacilos na cavidade. É por isso que a biópsia pleural por agulha permanece o exame de maior rendimento diagnóstico: o histopatológico do fragmento mostra granuloma com necrose caseosa e a cultura do fragmento acrescenta positividade, elevando bastante o rendimento quando os dois são feitos juntos.

A adenosina deaminase é a peça que evita boa parte das biópsias. Em população brasileira, o estudo de curva ROC identificou corte ótimo em 35 U/L, com sensibilidade de 92,8% e especificidade de 96,4% — desempenho alto porque a prevalência de tuberculose entre nossos exsudatos linfocíticos é alta. Muitos laboratórios e protocolos de serviço operam com 40 U/L. Diante de exsudato linfocítico em adulto jovem, com adenosina deaminase acima do corte e sem outra causa evidente, é prática consolidada iniciar o tratamento sem biópsia. Os falso-positivos têm nomes: empiema bacteriano, linfoma, artrite reumatoide e lúpus também elevam a enzima — e, entre eles, o empiema é o que mais engana, o que reforça que adenosina deaminase alta em líquido purulento não é tuberculose.

O tratamento é o esquema básico da tuberculose, com a mesma duração de seis meses do caso pulmonar: dois meses de rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol seguidos de quatro meses de rifampicina e isoniazida. O derrame regride ao longo de semanas e a punção de alívio só se justifica por sintoma. Corticoide não é rotina — pode acelerar a reabsorção do líquido, mas não reduz o espessamento pleural residual de forma que justifique o uso sistemático.

Derrame neoplásico: a decisão é do sintoma, não do volume

Derrame pleural neoplásico é exsudato, frequentemente volumoso, muitas vezes hemorrágico, e sinaliza doença avançada — pulmão e mama são as origens mais comuns, seguidas de linfoma. A citologia oncótica do líquido fecha o diagnóstico em torno de dois terços dos casos, e repetir a punção aumenta o rendimento; quando a citologia é negativa e a suspeita permanece, a biópsia pleural guiada por imagem ou a toracoscopia com biópsia sob visão direta têm rendimento muito superior, porque permitem escolher onde biopsiar.

O tratamento é paliativo e a indicação é ditada pela dispneia, não pelo tamanho do derrame na radiografia. Uma toracocentese de alívio inicial serve a dois propósitos: alivia o sintoma e testa a hipótese — se o paciente melhora e o pulmão reexpande, há benefício em um procedimento definitivo; se o pulmão não reexpande porque está encarcerado por tumor, pleurodese não vai funcionar. Nesse caso, o cateter pleural de longa permanência, drenado em domicílio, é a alternativa que controla o sintoma.

Com pulmão que reexpande e derrame que recidiva rápido, a pleurodese com talco é o procedimento padrão, feita por insuflação durante toracoscopia ou como suspensão pelo dreno. Ela funciona colando as duas pleuras e abolindo o espaço — e depende de as duas superfícies se tocarem, o que é exatamente o motivo de a reexpansão pulmonar ser pré-requisito.

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Da punção à sala: os cortes que decidem

O caminho é sempre o mesmo — confirmar líquido puncionável, puncionar, classificar em transudato ou exsudato, e no exsudato parapneumônico aplicar os três números que indicam o dreno. Só depois entram fibrinolítico e cirurgia, e o que decide entre eles é a fase em que a coleção está.

  1. 1Confirmar derrame e medi-lo: radiografia com decúbito lateral ou, de preferência, ultrassom à beira do leito — lâmina menor que 10 mm não se punciona.
  2. 2Toracocentese diagnóstica rente à borda superior da costela inferior, nunca abaixo do oitavo espaço intercostal, retirando no máximo 1,0 a 1,5 L.
  3. 3Enviar proteína e LDH do líquido com o par sérico, glicose, pH em seringa heparinizada, celularidade com diferencial, Gram, cultura, citologia oncótica e adenosina deaminase.
  4. 4Aplicar os critérios de Light: nenhum positivo, é transudato — tratar a doença de base. Pelo menos um positivo, é exsudato.
  5. 5No exsudato com pneumonia: pus, Gram ou cultura positivos, pH < 7,20, glicose < 40 mg/dL, LDH > 1.000 U/L, volume acima de metade do hemitórax ou loculação indicam dreno.
  6. 6Reavaliar em 48 a 72 horas: febre, leucócitos, débito e imagem. Coleção residual com dreno bem posicionado exige escalar.
  7. 7Escalar pela fase: coleção septada recente vai para terapia intrapleural ou videotoracoscopia precoce; pulmão encarcerado por casca organizada vai para decorticação.

Fase exsudativa (até ~1 semana): líquido livre e fluido

Cavidade única, líquido claro a turvo, pouca fibrina. Sai inteiro por dreno de pequeno calibre e às vezes por punções repetidas. É a janela em que o caso ainda é clínico.

Fase fibrinopurulenta (~2ª a 3ª semana): septos e pus espesso

Fibrina compartimenta a cavidade em bolsões. O dreno esvazia só o compartimento onde está a ponta. É a fase em que fibrinolítico intrapleural e videotoracoscopia precoce têm o que resolver.

Fase organizada (a partir da 3ª a 4ª semana): pulmão encarcerado

Fibroblastos convertem a fibrina em casca fibrosa aderente. O pulmão não reexpande nem com a cavidade vazia. Fibrinolítico não tem substrato; a casca só sai por decorticação.

Critério de LightCorteLeitura
Proteína do líquido / proteína do soro> 0,5Exsudato
LDH do líquido / LDH do soro> 0,6Exsudato
LDH do líquido> 2/3 do limite superior do LDH sérico normalExsudato
Nenhum dos três positivoTransudato: tratar a doença de base
Gradiente de albumina soro − líquido (uso de diurético)> 1,2 g/dLReclassifica como transudato apesar de Light
Gradiente de proteína total soro − líquido (uso de diurético)> 3,1 g/dLReclassifica como transudato apesar de Light

Derrame parapneumônico: categoria de risco e conduta

CategoriaLíquido / imagemBacteriologia e pHConduta
Risco muito baixoLâmina < 10 mm no decúbito lateral ou ao ultrassomNão se puncionaAntibiótico apenas
Risco baixo> 10 mm e menos de metade do hemitórax, livreGram e cultura negativos; pH ≥ 7,20Antibiótico e reavaliação com imagem
Risco moderado≥ metade do hemitórax, loculado ou com espessamento pleuralGram ou cultura positivos, ou pH < 7,20Drenagem torácica
Risco altoPus franco (empiema)Independe do pHDrenagem torácica imediata

Líquido pleural: o que cada exame responde

ExameAchadoSignificado
pH (seringa heparinizada, em gasômetro)< 7,20Parapneumônico complicado: indica dreno
Glicose< 40 mg/dLParapneumônico complicado; também baixa em artrite reumatoide e neoplasia
LDH do líquido> 1.000 U/LInflamação intensa: indica dreno no contexto parapneumônico
CelularidadePredomínio de neutrófilosProcesso agudo: parapneumônico, embolia, pancreatite
CelularidadePredomínio de linfócitosProcesso arrastado: tuberculose e neoplasia à frente
Adenosina deaminase> 35 a 40 U/L com exsudato linfocíticoTuberculose pleural; falso-positivo em empiema, linfoma, artrite reumatoide e lúpus
Citologia oncóticaCélulas neoplásicasDerrame neoplásico; negativa não exclui — repetir ou biopsiar
AmilaseElevadaPancreatite, pseudocisto ou rotura esofágica
Triglicerídeos> 110 mg/dL com líquido leitosoQuilotórax

Sem proteína e LDH SÉRICOS colhidos junto, os critérios de Light não podem ser calculados — é o erro de coleta mais comum na enfermaria.

pH de líquido pleural em fita ou em amostra com bolha de ar não vale: o ar alcaliniza e apaga a indicação de dreno.

Antibiótico não substitui drenagem: a penetração no pus pleural é ruim e o pH ácido inativa parte das drogas, aminoglicosídeos em especial.

Febre e leucocitose persistentes após 48 a 72 horas de antibiótico adequado em pneumonia com derrame significam coleção não drenada até prova em contrário.

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Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Qual terapia intrapleural usar quando o dreno não esvazia a coleção septada

Estreptoquinase intrapleural, 250.000 UI ao dia por até três dias — documento brasileiro de 2006

O capítulo nacional sobre derrame parapneumônico descreve estreptoquinase 250.000 UI diluída em 50 a 100 mL de soro fisiológico, uma a duas vezes ao dia, por até três dias, com melhor resposta quando iniciada na primeira semana após o aparecimento das septações e resultado mais consistente em crianças.

Marchi E, Lundgren F, Mussi R. Derrame pleural parapneumônico e empiema. J Bras Pneumol. 2006;32(Supl 4).

Alteplase 10 mg com DNase 5 mg, duas vezes ao dia por três dias — diretriz britânica de 2023

A terapia enzimática combina fibrinolítico e enzima que degrada DNA extracelular, e é indicada quando a drenagem pelo dreno cessou e permanece coleção residual. A dose de alteplase pode ser reduzida a 5 mg. Monoterapia com qualquer um dos dois componentes não é recomendada, porque isoladamente nenhum dos dois mudou desfecho nos ensaios.

Roberts ME, Rahman NM, Maskell NA, et al. British Thoracic Society Guideline for pleural disease. Thorax. 2023;78(Supl 3).

Na prova

A causa da diferença é dupla: data e disponibilidade. O documento brasileiro é de 2006 e foi escrito antes dos ensaios que testaram a combinação de alteplase com DNase; a diretriz britânica é de 2023 e já incorpora esses resultados. Some-se que estreptoquinase saiu de circulação e que alteplase e dornase alfa não são itens padronizados para uso intrapleural na maioria dos serviços do SUS. Para identificar o recorte: enunciado que nomeia diretriz internacional, cenário de centro terciário ou alternativa que traz a dupla alteplase mais DNase está no corpo internacional; enunciado que descreve serviço público brasileiro, cita o documento nacional ou oferece estreptoquinase entre as alternativas está no corpo brasileiro. Um distrator com fibrinolítico isolado como monoterapia denuncia que a questão foi escrita a partir da literatura anterior a 2011.

Calibre do dreno de tórax no empiema

Dreno de pequeno calibre como primeira escolha — diretriz britânica de 2023

O dreno fino, guiado por imagem, é a escolha inicial na infecção pleural: drena tão bem quanto o calibroso quando associado a lavagem e terapia enzimática, e calibres acima de 14F produzem mais dor.

Roberts ME, Rahman NM, Maskell NA, et al. British Thoracic Society Guideline for pleural disease. Thorax. 2023;78(Supl 3).

Dreno tubular calibroso no pus espesso — prática da escola cirúrgica brasileira

Diante de empiema com material espesso e septado, o dreno tubular de maior calibre é usado para reduzir obstrução do tubo e permitir lavagem eficaz, especialmente onde a terapia enzimática intrapleural não está disponível para compensar a viscosidade do pus.

Marchi E, Lundgren F, Mussi R. Derrame pleural parapneumônico e empiema. J Bras Pneumol. 2006;32(Supl 4).

Na prova

A divergência não é sobre o tubo, é sobre o que acompanha o tubo: o dreno fino da diretriz de 2023 pressupõe ultrassom para posicionar e terapia enzimática para dissolver o que entope. Sem esses dois recursos, o calibre volta a fazer diferença. Para identificar o recorte: menção a ultrassom à beira do leito, a alteplase com DNase ou à diretriz britânica coloca a questão no cenário do dreno fino; descrição de empiema espesso em serviço sem terapia intrapleural, ou alternativa que ofereça calibre em French alto junto com lavagem, aponta o cenário cirúrgico clássico.

Primeira hipótese diante de exsudato linfocítico em adulto jovem

Tuberculose pleural em primeiro lugar, com adenosina deaminase — corpo brasileiro

Em país de alta incidência, a tuberculose é a principal causa de exsudato linfocítico em adulto jovem, e a adenosina deaminase acima de 35 U/L teve sensibilidade de 92,8% e especificidade de 96,4% em população brasileira. O desempenho alto do teste depende justamente dessa prevalência elevada.

Kaisemann MC, Kritski AL, Pereira MFC, Trajman A. J Bras Pneumol. 2004;30(6).

Neoplasia em primeiro lugar, com investigação por toracoscopia — corpo de países de baixa incidência

Onde a tuberculose é rara, exsudato linfocítico persistente é investigado como doença maligna, com citologia repetida e toracoscopia com biópsia sob visão direta; a adenosina deaminase perde valor preditivo positivo porque a prevalência da doença que ela busca é baixa.

Roberts ME, Rahman NM, Maskell NA, et al. British Thoracic Society Guideline for pleural disease. Thorax. 2023;78(Supl 3).

Na prova

A causa aqui não é qualidade de evidência, é epidemiologia: o mesmo teste, com a mesma sensibilidade e especificidade, muda de valor preditivo conforme a prevalência local. Para identificar o recorte: idade jovem, quadro consumptivo de semanas, contexto de unidade básica ou hospital público brasileiro e adenosina deaminase entre os exames do enunciado indicam a leitura nacional; paciente idoso, tabagista, com derrame volumoso e recidivante, ou enunciado que sequer oferece adenosina deaminase entre as alternativas, indica a leitura de doença maligna.

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Caso resolvido

Homem de 54 anos, etilista, internado há três dias por pneumonia em lobo inferior direito, em ceftriaxona com azitromicina. Mantém febre de 38,7 °C e leucócitos de 21.000/mm³. Radiografia mostra opacidade que ocupa cerca de metade do hemitórax direito com apagamento do seio costofrênico. Ultrassom à beira do leito: derrame de moderado volume com septações finas. Toracocentese: líquido turvo, pH 7,08, glicose 28 mg/dL, LDH 2.400 U/L (LDH sérico 300 U/L), proteína do líquido 4,8 g/dL (proteína sérica 6,2 g/dL), 92% de neutrófilos, Gram sem microrganismos.
achado
Febre e leucocitose que não cedem após 72 horas de antibiótico adequado em pneumonia com derrame. Isso não é falha do antibiótico: é foco não controlado dentro da pleura até prova em contrário.
classificação
Exsudato por Light e com folga: relação de proteína 0,77 (> 0,5) e relação de LDH 8,0 (> 0,6). Predomínio neutrofílico confirma processo agudo parapneumônico.
gravidade
Os três marcadores de complicação estão presentes: pH 7,08 (< 7,20), glicose 28 mg/dL (< 40) e LDH 2.400 U/L (> 1.000). Somam-se volume de metade do hemitórax e septações ao ultrassom. Gram negativo não desfaz nada — a maioria dos parapneumônicos complicados tem Gram negativo.
conduta
Drenagem torácica imediata, com o dreno posicionado guiado por ultrassom por causa das septações, mantido em selo d'água e com lavagem regular. Antibiótico ajustado para cobrir anaeróbios e estreptococos do grupo milleri, dado o etilismo — por exemplo, ampicilina com sulbactam, ou manter a cefalosporina associando clindamicina.
seguimento
Reavaliação em 48 a 72 horas com febre, leucócitos, débito e imagem. Se restar coleção com o dreno bem posicionado, escalar: terapia intrapleural ou videotoracoscopia precoce. O que não se faz é aguardar mais uma semana — cada dia aproxima a fase organizada, em que só a decorticação resolve.
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Agora feche você

Mulher de 71 anos, com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, em uso crônico de furosemida 80 mg/dia. Procura o pronto-socorro por dispneia progressiva há duas semanas, sem febre e sem dor pleurítica. Exame: turgência jugular a 45°, estertores em ambas as bases, edema de membros inferiores 3+/4+. Radiografia: derrame bilateral, maior à direita, com cardiomegalia. Toracocentese à direita: líquido citrino, proteína do líquido 3,4 g/dL (proteína sérica 6,4 g/dL), LDH do líquido 160 U/L (LDH sérico 240 U/L, limite superior do laboratório 220 U/L), glicose 96 mg/dL, celularidade escassa com predomínio de linfócitos, citologia oncótica negativa. Albumina sérica 3,6 g/dL e albumina do líquido 2,1 g/dL.
achado
Quadro clínico inequívoco de congestão sistêmica e pulmonar, com derrame bilateral e sem nenhum sinal de doença pleural primária — nem febre, nem dor pleurítica, nem emagrecimento.
critérios de Light
Relação de proteína 3,4 sobre 6,4 é 0,53, acima de 0,5: positivo. Relação de LDH 160 sobre 240 é 0,67, acima de 0,6: positivo. Dois terços do limite superior do laboratório (220 U/L) dão 146,7, e o LDH do líquido de 160 U/L supera esse valor: positivo. Pelos critérios de Light, exsudato — os três, por margens estreitas.
conduta
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Onde a banca derruba

  1. 1Aceitar o rótulo de exsudato em paciente diureticado sem calcular o gradiente Atrai porque os critérios de Light foram aplicados corretamente e o resultado é objetivo. O problema é que Light foi desenhado para ser sensível, não específico, e o diurético concentra o líquido: cerca de um em cada quatro transudatos cruza a linha. Quando a clínica grita insuficiência cardíaca e o derrame é bilateral, o gradiente de albumina acima de 1,2 g/dL é o que impede uma investigação pleural inteira sem indicação.
  2. 2Colher o pH do líquido pleural em fita, com bolha de ar ou depois de anestesiar a seringa Atrai porque parece detalhe de técnica e não de conduta. Mas é o número que sozinho indica o dreno: ar na amostra alcaliniza e transforma 7,05 em 7,25, abolindo a indicação; lidocaína residual acidifica e cria indicação onde não havia. Seringa heparinizada, sem bolha, processada rápido em gasômetro. Sem gasômetro, a glicose abaixo de 40 mg/dL é o substituto operacional.
  3. 3Esperar o Gram positivar para indicar o dreno Atrai porque bactéria vista no microscópio parece ser a prova de infecção pleural. A maioria dos derrames parapneumônicos complicados tem Gram negativo, muitas vezes porque o paciente já está em antibiótico. Gram ou cultura positivos indicam dreno, mas Gram negativo não desindica nada — quem indica são pH, glicose, LDH, volume e aspecto.
  4. 4Esvaziar toda a pleura numa única toracocentese Atrai porque o paciente está dispneico e o líquido é abundante — parece obviamente melhor tirar tudo. O limite prático é de 1,0 a 1,5 L por sessão, interrompendo antes se surgirem tosse intensa, dor ou opressão torácica. Acima disso, aparece o edema pulmonar de reexpansão, raro mas potencialmente fatal, num paciente que estava apenas dispneico.
  5. 5Insistir em fibrinolítico intrapleural no empiema já organizado Atrai porque é menos invasivo do que operar e porque a droga funcionou no paciente da semana anterior. Fibrinolítico dissolve fibrina fresca da fase fibrinopurulenta; não tem substrato contra a casca fibrosa que encarcera o pulmão a partir da terceira a quarta semana. Cada dia gasto tentando engrossa a casca e transforma uma videotoracoscopia possível numa decorticação obrigatória.
  6. 6Tratar o derrame neoplásico pelo tamanho na radiografia em vez de pelo sintoma Atrai porque um hemitórax opaco parece exigir esvaziamento imediato. A indicação de pleurodese ou de cateter de longa permanência é ditada pela dispneia e, sobretudo, pela reexpansão do pulmão após a punção de alívio. Pulmão encarcerado por tumor não reexpande, as pleuras não se tocam e a pleurodese falha por construção — nesse caso o cateter de longa permanência é o que controla o sintoma.
  7. 7Ler adenosina deaminase alta como tuberculose sem olhar o líquido Atrai porque o corte é objetivo e a sensibilidade é alta. O empiema bacteriano é uma causa clássica de adenosina deaminase elevada, e linfoma, artrite reumatoide e lúpus também sobem a enzima. O teste foi validado para exsudato linfocítico: em líquido purulento e neutrofílico, valor alto aponta para o pus, não para o bacilo.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

Pelos critérios de Light, basta um critério para exsudato: relação proteína líquido/soro > 0,5 (4,2/6,5 = 0,65), relação DHL líquido/soro > 0,6 (320/250 = 1,28) e DHL do líquido > 2/3 do limite superior sérico (320 > 153). Todos positivos, definindo exsudato. Transudato exige todos os critérios negativos. Quilotórax requer triglicerídeos elevados no líquido. Hemotórax se define pelo hematócrito do líquido. Empiema requer pus/bacterioscopia positiva/pH baixo.

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Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

Reescreva de memória: os três critérios de Light com os cortes; os três números do parapneumônico complicado (pH, glicose, LDH); as quatro situações que indicam dreno sem depender de pH; e o teto de volume da toracocentese. Depois responda em uma frase por que o Gram negativo não desindica o dreno.

em 30 dias

Monte três casos-espelho e decida a conduta de cada um em até um minuto: pneumonia com derrame de 8 mm ao ultrassom; pneumonia com derrame de metade do hemitórax, septado, pH 7,05; empiema de quatro semanas com pulmão que não reexpande após dreno bem posicionado. Em seguida, refaça o caso do paciente diureticado calculando o gradiente de albumina e explique por que ele vence os critérios de Light.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Homem de 58 anos, tabagista, chega ao pronto-socorro com febre há oito dias e dor torácica direita que piora à inspiração profunda. Está em antibiótico oral prescrito na unidade básica há cinco dias, sem melhora. Ao exame: taquipneico, murmúrio vesicular abolido em terço inferior do hemitórax direito, com macicez à percussão e frêmito toracovocal reduzido. Conduza a avaliação, decida o que puncionar e defenda a indicação ou não de drenagem torácica. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Derrame pleural e empiema: puncionar, drenar ou operar — Preparatório para provas | OsceLabs