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Alopecias
Óstio folicular, padrão de perda e causas sistêmicas
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Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Criança tratada com antifúngico oral por tinha do couro cabeludo mantém, ao final de 8 semanas, área de alopecia com pele lisa e brilhante, sem descamação e sem óstios foliculares visíveis. Qual é a explicação?
Como esse tema cai
A queixa chega sempre igual: o cabelo está caindo. O que muda é tudo o que vem depois, e a maior parte do que decide a resposta cabe no exame de dois minutos que separa uma alopecia da outra. Quem chegou até aqui já reconhece a placa arredondada e assintomática da areata, já sabe que a rarefação difusa do topo com preservação da linha frontal é padrão feminino, e já ouviu falar em pelos em ponto de exclamação.
O eixo que decide a questão difícil é anterior a tudo isso, e é anatômico: os óstios foliculares estão preservados ou apagados? Essa pergunta divide as alopecias em dois mundos com prognósticos opostos, e é ela que determina se a conduta é tratar esperando repilação ou correr para conter a destruição antes que ela avance. Enunciado que descreve a superfície do couro cabeludo está oferecendo a resposta, não o cenário.
Há depois um conjunto de números que só existe se tiver sido lido: as faixas de extensão que classificam a gravidade da areata, os critérios que promovem um paciente leve para moderado sem que a extensão mude, a concentração e o intervalo da infiltração intralesional, e a latência que separa o gatilho da queda no eflúvio telógeno. São todos verificáveis em documento brasileiro recente.
E há uma armadilha que não é dermatológica. Uma parte das alopecias em placas que chegam ao ambulatório não é doença do cabelo: é manifestação de outra doença, cujo tratamento não passa por nada que se aplique no couro cabeludo. Reconhecê-la muda a conduta inteira e é frequentemente o que o enunciado está testando quando descreve um adulto jovem com falhas capilares e alguma outra coisa no exame.
O que muda decisão
A primeira bifurcação não é o diagnóstico, é o óstio folicular
Antes de nomear qualquer alopecia, o exame precisa responder a uma pergunta binária: os óstios foliculares estão visíveis ou desapareceram? O óstio é a abertura do folículo na superfície, o pequeno ponto de onde o fio emerge. Enquanto ele estiver lá, o folículo existe e a repilação é possível. Quando ele some, substituído por pele lisa e brilhante, o folículo foi destruído e substituído por fibrose — e nenhum tratamento traz de volta o que já foi perdido.
Essa é a divisão entre alopecia não cicatricial e alopecia cicatricial, e ela reorganiza a urgência do caso. Na não cicatricial, o tempo trabalha a favor: a areata pode repilar espontaneamente, o eflúvio telógeno se resolve sozinho, a alopecia de padrão progride devagar. Na cicatricial, cada semana de doença ativa é folículo perdido em definitivo, e o objetivo do tratamento passa a ser conter a borda que avança, não recuperar o centro.

Do lado não cicatricial ficam a alopecia de padrão, a areata, o eflúvio telógeno e anágeno, a alopecia por tração em fase inicial, a tricotilomania e a alopecia sifilítica. Do lado cicatricial ficam o líquen plano pilar, a alopecia frontal fibrosante, o lúpus discoide do couro cabeludo, a foliculite decalvante e a fase tardia da tração mantida por anos.
Dois grupos merecem cuidado porque atravessam a fronteira. A alopecia por tração começa não cicatricial e, mantida por tempo suficiente, destrói folículo e vira cicatricial — o que explica por que a orientação de suspender penteados tracionados vale mesmo quando a rarefação ainda parece discreta. E a tinha do couro cabeludo costuma ser não cicatricial, mas a forma inflamatória com quérion pode deixar alopecia definitiva se o tratamento demorar.
O exame que responde à pergunta não exige equipamento. Basta afastar os fios com boa iluminação e olhar a superfície. Onde há dúvida, a tricoscopia resolve, e a biópsia fecha os casos em que a distinção muda a conduta — o que, na prática, quer dizer todos os casos com suspeita de doença cicatricial ativa.
Tricoscopia: os achados que decidem
A tricoscopia é a dermatoscopia aplicada ao couro cabeludo, e ela transformou o diagnóstico das alopecias porque cada doença tem um conjunto de achados razoavelmente próprio. Vale conhecer os que aparecem nos enunciados.
Na alopecia de padrão, o achado central é a diversidade de diâmetro dos fios: pelos terminais grossos convivendo com fios finos e curtos, resultado da miniaturização progressiva do folículo. Somam-se a redução da densidade na área acometida, com preservação da região occipital, e o sinal peripilar, um halo acastanhado ao redor do óstio. A miniaturização é o que dá nome ao processo e é o que se pretende reverter.
Na alopecia areata, os achados clássicos são os pelos em ponto de exclamação — fios curtos que afinam em direção à base, mais estreitos embaixo do que em cima —, os pontos amarelos, que correspondem a óstios dilatados preenchidos por material sebáceo e queratina, os pontos pretos, que são fios quebrados na saída do óstio, e os pelos velus. Nada disso é cicatricial: os óstios estão todos lá, e é por isso que a repilação espontânea existe.
Na tinha do couro cabeludo, aparecem pelos em vírgula e pelos em saca-rolha, além de descamação e fios quebrados rentes. É um dos poucos quadros em que a tricoscopia sugere um agente infeccioso, e o achado deve disparar o micológico direto e a cultura.
Nas alopecias cicatriciais, o achado que importa é negativo: a ausência de óstios foliculares. Somam-se eritema perifolicular e descamação perifolicular no líquen plano pilar e na alopecia frontal fibrosante; tampões foliculares, pontos vermelhos e áreas de atrofia com discromia no lúpus discoide; e tufos de vários fios saindo de um mesmo óstio na foliculite decalvante.
Na tricotilomania, os fios têm comprimentos irregulares dentro da mesma área, há fios quebrados em alturas diferentes e não há o afinamento basal do ponto de exclamação. O contorno da falha costuma ser geométrico e de bordas anguladas, ao contrário da placa arredondada e regular da areata — sinal indireto de que a perda foi mecânica.
Uma leitura de conjunto ajuda mais do que memorizar achado por achado. Fios do mesmo comprimento e mesma fase, com óstios preservados, sugerem doença que ataca o folículo em bloco. Fios de comprimentos variados sugerem quebra mecânica. Fios de diâmetros variados sugerem miniaturização. E superfície sem óstio encerra a discussão sobre repilação.
Teste de tração: o que ele mede e o que ele não mede
O teste de tração consiste em segurar delicadamente um feixe de fios próximo ao couro cabeludo e tracioná-lo com firmeza suave até as pontas, contando quantos se soltam. Ele responde a uma pergunta específica: há queda ativa agora? Não responde qual é o diagnóstico.
A leitura mais aceita considera o teste positivo quando se solta mais de um décimo dos fios tracionados. É um teste que precisa de contexto para ser interpretado: lavagem recente reduz o número de fios soltos e pode produzir resultado falsamente tranquilizador, e escovação vigorosa antes da consulta faz o mesmo.
Onde o teste é feito muda o que ele significa. No eflúvio telógeno, ele tende a ser positivo de forma difusa, em várias regiões do couro cabeludo, porque a fase de queda atingiu os folículos em bloco. Na alopecia areata, o teste é positivo na borda da placa e negativo no couro cabeludo distante, porque a atividade da doença está na periferia da lesão que se expande — daí a importância de testar a borda, e não o centro. Na alopecia de padrão, o teste costuma ser negativo, já que o problema é miniaturização progressiva e não queda maciça, e um teste positivo em rarefação de padrão levanta a hipótese de eflúvio sobreposto.
Na tricotilomania, o teste é caracteristicamente negativo dentro da falha: os fios que restaram são os que não puderam ser apreendidos, curtos demais para serem arrancados, e estão firmemente ancorados. Positividade dentro de uma placa de contorno geométrico deve fazer reconsiderar o diagnóstico.
Um detalhe que o consenso brasileiro de alopecia areata acrescenta e que costuma escapar: um teste de tração positivo em mais de um sítio é um dos critérios que promovem o paciente de faixa de gravidade, mesmo sem aumento da extensão medida. O achado deixa de ser apenas descritivo e passa a ter consequência de classificação.
Vale ainda separar o teste de tração do exame que a família costuma fazer em casa: contar fios no travesseiro ou no ralo. A perda fisiológica diária é da ordem de dezenas de fios e varia com a frequência de lavagem, de modo que a contagem doméstica quase nunca distingue normal de anormal. O que distingue é a comparação da densidade entre regiões, a presença de miniaturização e o teste feito com técnica.
Alopecia de padrão: a escada muda com o sexo
A alopecia de padrão é a causa mais comum de rarefação capilar em ambos os sexos e tem uma característica que a define: ela é regional, não difusa. Existe uma área que perde e uma área que não perde, e a área poupada é sempre a mesma — a região occipital, cujos folículos não respondem ao estímulo que miniaturiza os demais.
No homem, o padrão descrito na escala de Hamilton e Norwood começa pela recessão das entradas temporais e pela rarefação do vértice, que progridem uma em direção à outra até confluírem, deixando uma faixa de cabelo em ferradura nas regiões parietais e occipital.
Na mulher, o padrão descrito por Ludwig é outro: rarefação difusa do topo com alargamento da risca central, que vai ficando mais larga à medida que a densidade cai, e preservação da linha de implantação frontal. Essa preservação da linha frontal é o achado que mais rende, porque é ele que separa a alopecia de padrão de outra doença que ocupa o mesmo território e evolui em sentido oposto.
A escala de Ludwig tem três graus, do rareamento perceptível apenas na risca central até a perda extensa do topo com a linha frontal ainda de pé. A leitura prática é simples: a paciente costuma perceber primeiro pela largura da risca no espelho e pelo volume do rabo de cavalo, não por queda maciça.
A investigação da mulher com rarefação de padrão tem um princípio que evita exame desnecessário: dosagem androgênica não é obrigatória em toda paciente, e sim naquelas com sinais clínicos de hiperandrogenismo — irregularidade menstrual, hirsutismo, acne persistente, virilização. Numa mulher com ciclos regulares e sem hirsutismo, o rendimento da dosagem hormonal é baixo, e o que rende é procurar carência de ferro e disfunção tireoidiana.
O que se promete no tratamento também precisa ser calibrado. O objetivo inicial é estabilizar a perda, e só depois recuperar densidade; o efeito depende de uso continuado, e a suspensão devolve o paciente à trajetória anterior em meses. Registro fotográfico padronizado no mesmo enquadramento e na mesma iluminação é o que permite comparar, porque a percepção do próprio cabelo no espelho é notoriamente pouco confiável.
Um detalhe do exame que separa duas doenças no mesmo consultório: a alopecia de padrão feminina preserva a linha frontal e a alopecia frontal fibrosante recua a linha frontal, deixando uma faixa de pele lisa, pálida e sem óstios entre a testa antiga e a nova implantação, com perda das sobrancelhas e, às vezes, fios isolados sobreviventes à frente da linha. A primeira é não cicatricial e a segunda é cicatricial; confundi-las é confundir prognóstico.
Alopecia areata: as faixas de gravidade e o que promove de degrau
A alopecia areata é uma doença autoimune órgão-específica em que linfócitos atacam o folículo em fase anágena. O quadro típico é a placa arredondada, de instalação rápida, assintomática, sem descamação e com óstios preservados, que pode ser única ou múltipla. Não há contágio, e essa frase precisa ser dita ao paciente com todas as letras.
A extensão dá nome às formas: placas isoladas, forma total quando todo o couro cabeludo é acometido, e forma universal quando também se perdem os pelos do corpo. A quantificação usa o percentual de couro cabeludo sem cabelo, e é sobre esse percentual que o consenso brasileiro constrói as faixas de gravidade.
As faixas são três. Leve corresponde a acometimento de até 20% do couro cabeludo. Moderada, de 21% a 49%. Grave, de 50% a 100%. Elas importam porque a faixa é o que orienta a escolha do tratamento, e não a impressão de quanto o paciente está incomodado.
E há uma regra de promoção que costuma ser o ponto da questão: casos leves ou moderados sobem uma faixa na presença de qualquer um de quatro achados — acometimento de sobrancelhas ou cílios, resposta inadequada após seis meses de tratamento, teste de tração positivo em mais de um sítio, e impacto psicossocial negativo. Isso significa que um paciente com 15% de couro cabeludo acometido e perda de sobrancelhas é conduzido como moderado, e que um paciente moderado com sofrimento psíquico relevante é conduzido como grave.
Repare no que essa regra faz. Ela introduz, dentro de uma classificação de extensão, três variáveis que não são de extensão: uma topográfica (sobrancelha e cílio), uma temporal (falha de resposta em seis meses) e uma subjetiva mas explícita (impacto psicossocial). Enunciado que oferece um percentual pequeno e, no meio do texto, menciona falhas na sobrancelha, está pedindo que a promoção seja aplicada.
As associações valem ser lembradas porque orientam a investigação: atopia, doença tireoidiana autoimune e vitiligo são as companhias mais frequentes, e o antecedente familiar de doença autoimune é comum. O acometimento ungueal existe e o achado mais característico é a depressão puntiforme, as pequenas covinhas na lâmina; unha acometida é marcador de doença mais extensa e de curso menos favorável.
O prognóstico é honestamente imprevisível, e dizer isso faz parte do tratamento. Repilação espontânea ocorre, recidiva ocorre, e o curso não se deixa prever pelo tamanho da placa inicial. Fatores associados a evolução menos favorável incluem início na infância, doença de longa duração, forma em faixa na região occipital e temporal, acometimento ungueal e atopia.
O que o consenso brasileiro coloca em primeira linha
A recomendação que mais aparece em prova é a do adulto com doença localizada: a corticoterapia intralesional é a primeira opção para adultos com alopecia areata leve a moderada, e os candidatos ideais são pacientes com áreas isoladas e pequenas.
Os números da técnica estão no documento e são cobráveis. A triancinolona é usada na concentração de 2,5 a 10 mg/mL para o couro cabeludo e de 2,5 a 5 mg/mL para a face — a concentração menor na face existe por causa do risco de atrofia em pele fina. A infiltração é de 0,02 a 0,1 mL por ponto, distribuída pela área, e o intervalo entre as sessões é de quatro a seis semanas.
Na criança, a lógica muda por razão prática antes de farmacológica: infiltrar exige colaboração que a maioria das crianças pequenas não tem. Para casos leves na infância, recomendam-se corticosteroides tópicos, preferencialmente de média a alta potência, e figuram como alternativas a antralina, a difenciprona e o minoxidil.
Para a doença grave, os inibidores de Janus quinase são os medicamentos com maior nível de evidência. Dois têm aprovação em bula no Brasil para essa indicação, com faixas etárias diferentes: o baricitinibe, na dose de 4 mg por dia, para maiores de 18 anos, e o ritlecitinibe, na dose de 50 mg por dia, a partir dos 12 anos. Essa diferença de idade é o que torna o segundo a única opção aprovada em bula para o adolescente com doença extensa.
Duas condutas continuam pedindo atenção porque são erros recorrentes. A primeira é a corticoterapia sistêmica prolongada como estratégia de manutenção: ela controla enquanto dura e recidiva quando se retira, ao custo dos efeitos adversos conhecidos, o que a torna má escolha para uma doença de curso crônico e imprevisível. A segunda é prometer resultado rápido: mesmo com tratamento adequado, a avaliação de resposta pede meses, e o próprio critério de promoção de faixa usa a janela de seis meses.
Fecha o pacote o que não é medicamento e costuma valer ponto na estação: explicar a natureza autoimune e a ausência de contágio, oferecer apoio psicológico, orientar fotoproteção das áreas descobertas, discutir recursos de camuflagem e programar retorno para reavaliar extensão e resposta.
Eflúvio telógeno: a queda que tem data
O eflúvio telógeno é o resultado de um evento que empurra, de uma vez, uma proporção anormal de folículos da fase de crescimento para a fase de repouso. Como o fio em repouso demora a cair, existe uma latência característica entre o gatilho e a queda, tipicamente de dois a quatro meses. É essa latência que dá ao quadro a sua marca clínica: quando o paciente procura ajuda, o evento que causou a queda já passou e frequentemente já foi esquecido.
Os gatilhos são reconhecíveis e devem ser perguntados nominalmente: parto, cirurgia de grande porte, doença febril, perda ponderal rápida ou dieta muito restritiva, hemorragia importante, estresse emocional intenso, introdução ou suspensão de medicamentos e descompensação tireoidiana. Perguntar apenas por estresse tem rendimento baixo; perguntar pelos eventos um a um tem rendimento alto.
O quadro é difuso, sem placas, sem falhas circunscritas e sem alteração inflamatória do couro cabeludo. A paciente descreve queda maciça, com tufos na mão e no ralo, e não descreve afinamento gradual. O teste de tração é positivo em várias regiões. Os óstios estão preservados e não há miniaturização importante — quando há, costuma haver alopecia de padrão coexistindo, e o eflúvio apenas desmascarou o que já estava em curso.
O curso natural é a resolução. O eflúvio agudo tende a se resolver em poucos meses depois de removido o gatilho, com recuperação da densidade. Quando a queda ultrapassa seis meses, fala-se em eflúvio telógeno crônico, e aí a busca por causa persistente ganha peso: carência de ferro mantida, doença tireoidiana não tratada, medicamento em uso continuado, doença sistêmica.
A conversa terapêutica mais importante é a de expectativa. O tratamento é a remoção da causa; não há medicamento que encurte de forma confiável o processo, e a densidade retorna no ritmo do ciclo do folículo, não no ritmo da ansiedade do paciente. Prometer resposta rápida é o caminho mais seguro para perder a adesão quando ela for realmente necessária.
Duas diferenças fecham o raciocínio. O eflúvio anágeno é outra coisa: a queda ocorre em dias a poucas semanas, não em meses, porque o agente interrompe a mitose do folículo em plena fase de crescimento — é o padrão da quimioterapia. E a alopecia de padrão não tem gatilho datável nem queda maciça: tem afinamento progressivo com topografia definida.
A alopecia que não é doença do cabelo
Existe uma alopecia em placas cujo tratamento não passa por nada aplicado no couro cabeludo, e ela é cobrada com frequência exatamente por isso. Na sífilis secundária, a perda capilar aparece como falhas irregulares e de contorno mal definido, descritas como alopecia em clareira, que dão ao couro cabeludo um aspecto roído. A perda de terço distal das sobrancelhas, a madarose, acompanha o quadro.
O protocolo nacional de infecções sexualmente transmissíveis lista a alopecia em clareira e a madarose entre as manifestações cutâneo-mucosas do secundarismo, ao lado da roséola, das placas mucosas, das sifílides papulosas, das sifílides palmoplantares, do condiloma plano e da rouquidão, e situa esse conjunto na janela de seis semanas a seis meses após a cicatrização do cancro. Acompanham micropoliadenopatia, com a característica identificação dos gânglios epitrocleares, e sintomas gerais inespecíficos.
A consequência prática é direta: adulto com vida sexual ativa e alopecia em placas de contorno irregular merece exame do restante do tegumento, com atenção às regiões palmar e plantar, palpação de cadeias linfonodais e testagem. O mesmo protocolo estabelece a periodicidade do rastreio por população, com testagem anual para adolescentes e jovens até 30 anos com vida sexual ativa e semestral para populações de maior exposição.
A segunda alopecia que engana é a tinha do couro cabeludo. Predomina em crianças, cursa com descamação e fios quebrados rentes à superfície, pode ter linfonodo cervical palpável e, na forma inflamatória, produzir o quérion, uma placa elevada, dolorosa e supurativa que pode ser confundida com abscesso bacteriano. O ponto que decide a questão é terapêutico: o tratamento da tinha do couro cabeludo é sistêmico, porque o fungo está dentro da haste e o tópico não alcança o folículo; antifúngico tópico isolado não trata, e xampu tem papel apenas adjuvante para reduzir a dispersão de esporos.
A terceira é a alopecia por tração, produzida por penteados que mantêm tensão sustentada nos fios — tranças apertadas, coques altos, extensões, uso continuado de aparelhos de fixação. Localiza-se preferencialmente nas margens, em regiões frontotemporais, e tem um achado descrito característico: a preservação de uma fileira fina de fios bem na borda da implantação, poupada porque sofre menos tração. Enquanto houver óstio, a suspensão do hábito permite recuperação; mantida por anos, a doença se torna cicatricial.
A quarta é a tricotilomania, em que a perda decorre de arrancamento repetido, muitas vezes não plenamente admitido. Falha de contorno geométrico, fios de comprimentos irregulares dentro da área e teste de tração negativo dentro da placa compõem o quadro, e o manejo é conjunto com a saúde mental.
Fecha a lista o lúpus discoide do couro cabeludo, que é cicatricial: placas eritematosas com escama aderente, tampões foliculares, atrofia central com discromia e perda de óstios. Diante dele, a biópsia não é preciosismo — é o que distingue uma doença que ainda pode ser contida de uma área já perdida.
Ferro, tireoide e o que vale medir
A investigação laboratorial das alopecias tem um risco duplo: pedir de menos e perder uma causa tratável, ou pedir de mais e transformar achados irrelevantes em tratamento desnecessário. Alguns princípios organizam a decisão.
O hemograma com ferritina rende quando há sangramento crônico, fluxo menstrual volumoso, dieta restritiva, cirurgia bariátrica ou queda difusa. A ferritina é o marcador mais sensível de estoque de ferro, com uma ressalva importante: ela é proteína de fase aguda e sobe em inflamação e infecção, de modo que um valor normal em paciente inflamado não afasta carência. Nessas situações, a saturação de transferrina ajuda.
A função tireoidiana rende quando há sintomas sugestivos, bócio, antecedente pessoal ou familiar de tireoidopatia, ou quando o quadro é de eflúvio sem gatilho identificado. Hipotireoidismo e hipertireoidismo produzem queda difusa, e a correção do distúrbio corrige o cabelo com a latência habitual do ciclo folicular.
A testagem para sífilis e para o vírus da imunodeficiência humana rende diante de alopecia em placas de contorno irregular, de exposição sexual desprotegida e de qualquer achado sistêmico associado. É um exame barato que muda o diagnóstico inteiro.
As dosagens androgênicas rendem quando há sinais clínicos de hiperandrogenismo, e não como triagem em toda mulher com rarefação. Pedir testosterona e sulfato de deidroepiandrosterona em paciente com ciclos regulares, sem hirsutismo e sem acne produz, na maioria das vezes, resultado normal e nenhuma mudança de conduta — e, ocasionalmente, um valor limítrofe que gera uma investigação inteira sem destino.
O micológico direto e a cultura do raspado rendem sempre que houver descamação, fios quebrados rentes ou qualquer suspeita de tinha, sobretudo em criança. É o exame que impede tratar como areata uma dermatofitose e, ao contrário, é o que autoriza um tratamento sistêmico prolongado que ninguém deve começar às cegas.
A biópsia de couro cabeludo entra quando a distinção entre cicatricial e não cicatricial não se resolve pelo exame, quando há suspeita de doença cicatricial ativa e quando a resposta ao tratamento não corresponde à hipótese. Colhe-se de preferência a borda ativa, e não do centro já fibrótico, porque o que se procura é o infiltrado que está destruindo o folículo agora.
Um último princípio, útil quando o enunciado oferece uma lista longa de exames: a alopecia de padrão e a areata são diagnósticos clínicos, sustentados por história, exame e tricoscopia. O laboratório entra para procurar causa associada e para preparar tratamento, não para confirmar o que já está diagnosticado à inspeção.
Do óstio à faixa de gravidade: a ordem que resolve
Em alopecia, o nome da doença raramente separa as alternativas — todas são plausíveis à primeira leitura. O que separa é a ordem do raciocínio: primeiro a anatomia da superfície, depois o padrão de perda, depois o número que classifica. Cada etapa descarta um grupo inteiro.
- 11. Os óstios foliculares estão visíveis? Se não estiverem, e a superfície for lisa e brilhante, trata-se de alopecia cicatricial: a conduta muda de recuperar para conter, e a biópsia da borda ativa passa a ser necessária.
- 22. Se os óstios estão preservados, a perda é em placas ou difusa? Placas apontam para areata, tinha, tricotilomania, tração e sífilis. Perda difusa aponta para eflúvio telógeno e alopecia de padrão.
- 33. Se é em placas, há descamação e fios quebrados rentes? Então é tinha até prova em contrário, e o tratamento será sistêmico. Há pelos em ponto de exclamação, pontos amarelos e pontos pretos, com placa arredondada e assintomática? Então é areata.
- 44. Se é em placas com contorno irregular e aspecto roído, em adulto com vida sexual ativa, teste para sífilis e para o vírus da imunodeficiência humana, e examine palmas, plantas, mucosas e cadeias linfonodais.
- 55. Se é difusa, há gatilho datável dois a quatro meses antes, com queda maciça e teste de tração positivo em várias regiões? Então é eflúvio telógeno, e o tratamento é remover a causa.
- 66. Se é difusa com afinamento progressivo, diversidade de diâmetro dos fios, área occipital poupada e linha frontal preservada na mulher, então é alopecia de padrão.
- 77. Se o diagnóstico é areata, calcule a faixa pela extensão do couro cabeludo e, antes de escolher o tratamento, aplique a regra de promoção: sobrancelha ou cílio acometidos, seis meses sem resposta, tração positiva em mais de um sítio, ou impacto psicossocial negativo sobem uma faixa.
- 88. A pergunta é sobre exame complementar? Ferritina e função tireoidiana rendem em queda difusa e em fatores de risco identificados; dosagem androgênica só rende com sinal clínico de hiperandrogenismo; micológico rende diante de descamação; biópsia rende diante de suspeita de doença cicatricial.
Régua da gravidade da areata
II Consenso da Sociedade Brasileira de Dermatologia para tratamento da alopecia areata, 2025. Leve corresponde a até 20% do couro cabeludo, moderada de 21% a 49% e grave de 50% a 100%. Casos leves ou moderados sobem uma faixa se houver acometimento de sobrancelhas ou cílios, resposta inadequada após seis meses de tratamento, teste de tração positivo em mais de um sítio, ou impacto psicossocial negativo.
Régua do tratamento da areata
Mesmo consenso. Corticoterapia intralesional é a primeira opção no adulto com doença leve a moderada, com triancinolona de 2,5 a 10 mg/mL no couro cabeludo e de 2,5 a 5 mg/mL na face, de 0,02 a 0,1 mL por ponto, em sessões separadas por quatro a seis semanas. Em crianças com doença leve, corticosteroide tópico de média a alta potência. Na doença grave, inibidores de Janus quinase: baricitinibe 4 mg por dia a partir dos 18 anos e ritlecitinibe 50 mg por dia a partir dos 12 anos.
Régua da alopecia que é infecção
Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis, 2022. A sífilis secundária inclui alopecia em clareira e madarose entre as manifestações cutâneo-mucosas, na janela de seis semanas a seis meses após a cicatrização do cancro, acompanhada de micropoliadenopatia com gânglios epitrocleares. O mesmo documento fixa o rastreio anual para jovens até 30 anos com vida sexual ativa.
Réguas do padrão feminino
A descrição de Ludwig, de 1977, fixa os três graus do padrão feminino com alargamento da risca central e preservação da linha frontal. O artigo de Olsen, de 2001, consolida a expressão alopecia de padrão feminino no lugar de alopecia androgenética feminina, porque a dependência androgênica não está demonstrada em boa parte das pacientes — o que muda quando a investigação hormonal é obrigatória.
O que cada alopecia faz no exame, e o que decide
| Quadro | Óstio folicular | Padrão da perda | Achado que decide |
|---|---|---|---|
| Alopecia de padrão | Preservado | Regional, com occipital poupada | Diversidade de diâmetro dos fios e miniaturização |
| Alopecia areata | Preservado | Placas arredondadas assintomáticas | Pelo em ponto de exclamação, ponto amarelo, ponto preto |
| Eflúvio telógeno | Preservado | Difusa, sem placas | Gatilho datável dois a quatro meses antes |
| Tinha do couro cabeludo | Preservado, em regra | Placa descamativa com fios quebrados | Micológico e cultura; tratamento sistêmico |
| Alopecia sifilítica | Preservado | Falhas irregulares, aspecto roído | Achados de secundarismo e testagem reagente |
| Tricotilomania | Preservado | Falha de contorno geométrico | Fios de comprimentos variados e tração negativa na placa |
| Alopecia por tração | Preservado no início | Margens frontotemporais | Hábito de tração e fileira fina poupada na borda |
| Alopecia frontal fibrosante | Apagado | Recuo da linha frontal | Faixa lisa sem óstios e perda de sobrancelhas |
| Lúpus discoide do couro cabeludo | Apagado | Placas com atrofia central | Escama aderente, tampão folicular e discromia |
A regra de promoção de faixa da areata introduz três variáveis que não são de extensão: topografia, tempo de falha terapêutica e impacto psicossocial. Enunciado que oferece percentual pequeno e menciona falha de sobrancelha está pedindo a promoção.
Teste de tração positivo na borda da placa e negativo longe dela é o padrão da areata em expansão. Positivo em várias regiões é o padrão do eflúvio. Negativo dentro de falha geométrica sugere arrancamento.
Tinha do couro cabeludo exige tratamento sistêmico. Antifúngico tópico isolado não resolve porque o fungo está dentro da haste, e xampu serve apenas para reduzir a dispersão de esporos.
Alopecia por tração começa não cicatricial e pode terminar cicatricial. A orientação de suspender o hábito vale enquanto ainda houver óstio, o que torna o diagnóstico precoce uma decisão de prognóstico.
A preservação da linha de implantação frontal separa a alopecia de padrão feminina da alopecia frontal fibrosante, que recua essa linha e deixa faixa de pele lisa sem óstios, frequentemente com perda de sobrancelhas.
Depressão puntiforme ungueal na areata é marcador de doença mais extensa e de curso menos favorável, não achado incidental.
A ferritina é proteína de fase aguda: valor normal em paciente inflamado não afasta carência de ferro, e a saturação de transferrina ajuda nesses casos.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Nomenclatura androgenética
A rarefação difusa do topo com preservação da linha frontal é descrita como alopecia androgenética feminina, com três graus, dentro da mesma família da calvície comum masculina e atribuída à ação androgênica sobre folículos geneticamente suscetíveis.
Ludwig E. Br J Dermatol. 1977;97(3):247-54.
Nomenclatura de padrão
A expressão preferida passa a ser alopecia de padrão feminino, porque grande parte das pacientes tem androgênios normais, nem todas respondem a antiandrogênio e a dependência androgênica não está demonstrada como na forma masculina.
Olsen EA. Female pattern hair loss. J Am Acad Dermatol. 2001;45(3 Suppl):S70-80.
Na prova
As duas expressões descrevem a mesma paciente e a diferença de nome não muda o exame. O que muda é a consequência sobre a investigação: quem adota a leitura androgenética tende a pedir dosagem hormonal em toda paciente, e quem adota a leitura de padrão reserva a dosagem para quem tem sinal clínico de hiperandrogenismo. Enunciado que descreve ciclos regulares, sem hirsutismo e sem acne, e pergunta pela conduta de investigação, está testando a segunda leitura. Enunciado que descreve irregularidade menstrual e hirsutismo pede a dosagem em qualquer das duas leituras.
Régua clínica
Os inibidores de Janus quinase são o tratamento com maior nível de evidência para a doença grave, com duas moléculas aprovadas em bula no país e faixas etárias distintas: baricitinibe a partir dos 18 anos e ritlecitinibe a partir dos 12 anos.
II Consenso da Sociedade Brasileira de Dermatologia para tratamento da alopecia areata. An Bras Dermatol. 2025;100:328-41.
Régua de financiamento público
A avaliação de tecnologias para incorporação no sistema público analisa essas moléculas para a indicação e, até o momento, a alopecia areata segue conduzida no serviço público com as opções previamente disponíveis, sem linha de cuidado incorporada para os inibidores de Janus quinase nessa indicação.
Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde. Relatórios de recomendação sobre inibidores de Janus quinase para alopecia areata.
Na prova
O verbo do enunciado entrega a régua. Perguntas com as expressões maior nível de evidência, tratamento de escolha, primeira linha ou aprovado em bula pertencem à régua clínica, e a resposta esperada é o inibidor de Janus quinase, com atenção à idade do paciente para escolher a molécula. Perguntas com as expressões disponível no sistema público, componente da assistência farmacêutica, dispensação ou conduta na unidade pertencem à régua de financiamento, e a resposta muda. Quando o enunciado descreve um adolescente com doença extensa e pergunta a opção aprovada, a idade é o dado que resolve.
Régua da carência de ferro
Os pontos de corte usados para caracterizar depleção de estoques de ferro na população geral são os que constam das recomendações de avaliação do estado nutricional de ferro e das faixas de referência dos métodos laboratoriais, e são baixos.
Organização Mundial da Saúde. Serum ferritin concentrations for the assessment of iron status in individuals and populations. Genebra, 2020.
Régua da tricologia
A literatura de doenças capilares propõe alvos de ferritina mais altos do que os usados para caracterizar carência de ferro na população geral, sob o argumento de que o folículo responde a estoques marginais, e reconhece que não há ensaio que estabeleça um número único.
Trost LB, Bergfeld WF, Calogeras E. J Am Acad Dermatol. 2006;54(5):824-44.
Na prova
O terreno é reconhecidamente instável e por isso o enunciado bem construído não pede um número: pede a conduta. O que é seguro afirmar em qualquer das duas leituras é que ferritina francamente baixa com queda difusa justifica repor ferro e investigar a causa da perda, e que ferritina normal em paciente com processo inflamatório ou infeccioso ativo não afasta carência, porque ela é proteína de fase aguda. Diante de um valor limítrofe isolado, o que muda o desfecho é procurar o sangramento, não discutir o ponto de corte.
Caso resolvido
- Passo 1 — a superfície é a mesma nos dois, e isso já elimina metade das hipóteses
- Os dois têm óstios foliculares preservados, o que coloca ambos no grupo não cicatricial e, em princípio, com repilação possível. Nenhum dos dois tem descamação nem fios quebrados rentes, o que torna a tinha do couro cabeludo improvável nos dois. Nenhum dos dois tem falha de contorno geométrico com fios de comprimentos variados, o que afasta arrancamento. A partir daqui, o que separa os dois casos é o contorno das placas e o que existe fora do couro cabeludo.
- Passo 2 — o contorno da placa é o divisor
- Placas arredondadas de bordas regulares, assintomáticas, com pelos em ponto de exclamação, pontos amarelos e pontos pretos compõem o quadro da areata no primeiro paciente, e as depressões puntiformes ungueais reforçam a hipótese. Falhas de contorno mal definido e aspecto roído compõem o padrão descrito como alopecia em clareira, que é a assinatura capilar do secundarismo sifilítico. O contorno, sozinho, já orienta caminhos diferentes.
- Passo 3 — o exame fora do couro cabeludo fecha o segundo caso
- No segundo paciente, três achados convergem: madarose com rarefação do terço distal das sobrancelhas, máculas em palmas e plantas, e história de úlcera genital indolor de resolução espontânea há cerca de quatro meses. Esse intervalo cai dentro da janela de seis semanas a seis meses após a cicatrização do cancro em que o protocolo nacional situa o secundarismo. Falta procurar micropoliadenopatia, com atenção aos gânglios epitrocleares, e a conduta imediata é testagem para sífilis e para o vírus da imunodeficiência humana.
- Passo 4 — classificar o primeiro paciente pela régua certa
- Com cerca de 15% do couro cabeludo acometido, o primeiro paciente cairia na faixa leve, que vai até 20%. Mas ele tem acometimento de área pilosa da face, com duas falhas na barba, e o consenso brasileiro promove uma faixa diante de acometimento de sobrancelhas ou cílios, resposta inadequada após seis meses, tração positiva em mais de um sítio, ou impacto psicossocial negativo. Vale, portanto, checar ativamente cada um desses critérios antes de fechar a faixa: perguntar por cílio e sobrancelha, testar a tração na borda de mais de uma placa e investigar o quanto o quadro está pesando na vida dele.
- Passo 5 — o tratamento de cada um
- No primeiro paciente, com doença localizada e leve a moderada em adulto, a primeira opção é a corticoterapia intralesional, com triancinolona de 2,5 a 10 mg/mL no couro cabeludo, 0,02 a 0,1 mL por ponto, em sessões separadas por quatro a seis semanas. Entram junto a explicação da natureza autoimune, a informação de que não há contágio, o aviso de curso imprevisível com possibilidade de repilação espontânea e de recidiva, e o rastreio das associações: função tireoidiana com anticorpos e investigação de carência de ferro. No segundo, nada será aplicado no couro cabeludo: o tratamento é o da sífilis, com notificação, testagem para outras infecções sexualmente transmissíveis e convocação das parcerias.
- Passo 6 — a resposta à pergunta que os dois fizeram
- Os dois quadros são não cicatriciais e a repilação é esperada nos dois, mas por caminhos diferentes. No primeiro, a repilação depende do controle da doença autoimune e o curso é imprevisível, o que precisa ser dito sem promessa de prazo. No segundo, a alopecia é manifestação transitória do secundarismo e regride com o tratamento da infecção, o que costuma ser a melhor notícia que o paciente recebe naquela consulta — e a que mais ajuda a garantir que ele volte para o seguimento sorológico.
Agora feche você
- Pista 1
- Óstios visíveis em toda a área rarefeita colocam o quadro no grupo em que a repilação é possível e afastam, de saída, o grupo cujo tratamento tem outro objetivo.
- Pista 2
- A perda é regional e não difusa: há uma área que perdeu e uma área que não perdeu. Repare em qual região foi poupada e em que isso significa sobre o mecanismo.
- Pista 3
- Fios de calibres diferentes convivendo na mesma área têm nome e apontam para um processo específico, diferente de queda em bloco. O teste de tração negativo reforça essa leitura.
- Pista 4
- A integridade da linha de implantação frontal é o achado que separa esse quadro de uma doença que ocupa o mesmo território, evolui em sentido oposto e tem prognóstico bem pior.
- Pista 5
- Ciclos longos, fluxo volumoso e aumento de pelos em áreas androgênicas mudam a resposta à segunda pergunta dela, sobre exames. Existe um critério que decide quando a investigação hormonal rende, e ele é clínico.
- Pista 6
- O hemograma traz dois números que apontam para a mesma direção e que se conectam ao fluxo menstrual descrito. Vale pensar no exame que confirma esse eixo e no cuidado de interpretação que ele exige.
Onde a banca derruba
- 1Nomear a alopecia antes de olhar a superfície do couro cabeludo A primeira pergunta é anatômica e binária: há óstio folicular visível? Superfície lisa, brilhante e sem óstios significa fibrose, e nenhum tratamento devolve o que ali foi perdido — o objetivo passa a ser conter a borda ativa. Começar pelo nome da doença faz perder a informação que muda o prognóstico e a urgência do caso.
- 2Tratar tinha do couro cabeludo com antifúngico tópico O fungo coloniza o interior da haste e o tópico não alcança o folículo, de modo que o tratamento é sistêmico. Xampu tem papel adjuvante para reduzir a dispersão de esporos e proteger contatos, não para curar. Em criança com placa descamativa e fios quebrados rentes, o micológico e a cultura precedem o tratamento prolongado que se vai iniciar.
- 3Ler uma alopecia em placas de contorno irregular como areata sem examinar o resto A alopecia em clareira da sífilis secundária tem contorno mal definido e aspecto roído, ao contrário da placa arredondada e regular da areata, e vem acompanhada de outras manifestações: roséola, sifílides palmoplantares, placas mucosas, condiloma plano, madarose, rouquidão e micropoliadenopatia com gânglios epitrocleares. O exame do restante do tegumento e a testagem custam pouco e mudam o diagnóstico inteiro.
- 4Fazer o teste de tração no centro da placa de areata A atividade da doença está na periferia da lesão que se expande, e é ali que o teste é positivo. Testado no centro, ou longe da placa, ele tende a ser negativo e leva à conclusão errada de doença inativa. E, no consenso brasileiro, tração positiva em mais de um sítio é critério de promoção de faixa de gravidade, não achado descritivo.
- 5Classificar a areata só pela extensão As faixas por percentual de couro cabeludo são o ponto de partida, mas casos leves ou moderados sobem uma faixa diante de acometimento de sobrancelhas ou cílios, resposta inadequada após seis meses, teste de tração positivo em mais de um sítio, ou impacto psicossocial negativo. Um paciente com pouca extensão e falha de sobrancelha não é conduzido como leve.
- 6Confundir preservação com recuo da linha frontal A alopecia de padrão feminina rareia o topo e alarga a risca central, mantendo a linha de implantação frontal. A alopecia frontal fibrosante faz o oposto: recua a linha, deixa uma faixa de pele lisa, pálida e sem óstios e costuma levar as sobrancelhas junto. A primeira é não cicatricial e a segunda é cicatricial, de modo que confundi-las é errar o prognóstico e o tempo de resposta.
- 7Pedir dosagem androgênica para toda mulher com rarefação A investigação hormonal rende quando há sinal clínico de hiperandrogenismo — irregularidade menstrual, hirsutismo, acne persistente, virilização. Em paciente com ciclos regulares e exame sem esses achados, a dosagem quase sempre volta normal e não muda a conduta, e um valor limítrofe isolado costuma abrir uma investigação sem destino. O que rende ali é procurar carência de ferro e disfunção tireoidiana.
- 8Esperar que o eflúvio telógeno tenha causa recente A latência entre o gatilho e a queda é de dois a quatro meses, então o evento já passou quando o paciente procura ajuda e frequentemente foi esquecido. Perguntar genericamente por estresse tem rendimento baixo; perguntar nominalmente por parto, cirurgia, doença febril, perda ponderal rápida, hemorragia, mudança de medicação e descompensação tireoidiana no intervalo certo tem rendimento alto.
- 9Manter corticoide sistêmico para segurar a areata A doença tem curso crônico e imprevisível, e a corticoterapia sistêmica prolongada controla enquanto dura e recidiva à retirada, ao custo dos efeitos adversos conhecidos. O documento brasileiro coloca a corticoterapia intralesional como primeira opção no adulto com doença leve a moderada e reserva os inibidores de Janus quinase para a doença grave.
- 10Biopsiar o centro da placa cicatricial O centro já é fibrose e devolve um laudo inespecífico de alopecia cicatricial em fase final, sem dizer qual doença a produziu. O que se procura é o infiltrado que está destruindo folículos agora, e ele está na borda ativa. Colher no lugar errado transforma um exame que decidiria a conduta em um exame que apenas confirma o que já se via a olho nu.
A perda dos óstios foliculares com pele lisa e brilhante indica destruição do folículo, ou seja, alopecia cicatricial, sequela das formas inflamatórias e do tratamento tardio, que não regride com mais antifúngico e pode exigir abordagem cirúrgica no futuro. Repetir o antifúngico diante de sequela é o erro que expõe a criança sem benefício, e o que sinaliza doença ativa é descamação, tonsura e micológico positivo. A griseofulvina não causa alopecia cicatricial.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Sobre o líquen plano pilar e sua variante frontal fibrosante, assinale a afirmativa correta:
O líquen plano pilar e a alopecia frontal fibrosante são alopecias cicatriciais linfocitárias: o infiltrado destrói a unidade folicular e substitui por fibrose, de modo que o cabelo perdido não volta e o objetivo do tratamento é interromper a progressão nas áreas ainda ativas. Classificá-las como não cicatriciais engana porque a maioria das alopecias vistas no consultório (areata, androgenética, eflúvio telógeno) é reversível, e o aluno generaliza. A areata tem placas com óstios foliculares preservados; minoxidil, isoladamente, não controla o processo inflamatório cicatricial.
Qual achado à dermatoscopia (tricoscopia) é característico da alopecia androgenética?
A marca tricoscópica da alopecia androgenética é a anisotricose, ou seja, a variabilidade de diâmetro dos fios pela miniaturização progressiva, com predomínio de unidades foliculares contendo um único fio na área acometida. Pelos em ponto de exclamação e pontos amarelos apontam alopecia areata. Fios em vírgula e em saca-rolhas são característicos da tinha do couro cabeludo. Ausência de óstios com eritema e descamação perifolicular indica alopecia cicatricial, como o líquen plano pilar. Fios quebrados em alturas irregulares sugerem tricotilomania.
Qual efeito adverso deve ser informado ao paciente antes do início da finasterida oral?
Os efeitos adversos relevantes da finasterida são sexuais — redução de libido, disfunção erétil e alterações do volume ejaculado —, geralmente reversíveis com a suspensão, embora haja relatos controversos de persistência. Há também ginecomastia e alteração de humor descritas. Um ponto prático que costuma ser esquecido: a droga reduz aproximadamente pela metade o valor do antígeno prostático específico, o que exige ajuste na interpretação do rastreamento de câncer de próstata. Hepatotoxicidade grave, neutropenia e nefrotoxicidade não compõem o perfil da droga.
Qual tratamento é a primeira linha para alopecia androgenética feminina?
O minoxidil tópico é a primeira linha na mulher, com antiandrogênios como espironolactona e ciproterona considerados em casos selecionados, sobretudo quando há hiperandrogenismo associado. A finasterida em mulheres é usada apenas em situações específicas e sempre com contracepção eficaz, pela teratogenicidade com risco de feminilização de feto masculino — por isso nunca é a resposta como primeira escolha universal. Corticoide intralesional é tratamento da alopecia areata em placas. Fototerapia e antibiótico prolongado não têm indicação nessa alopecia não inflamatória.
Paciente inicia minoxidil tópico e, após 4 semanas, relata aumento da queda de cabelo e ameaça abandonar o tratamento. Qual a orientação correta?
O aumento da queda nas primeiras semanas de uso do minoxidil é fenômeno esperado, chamado de shedding, e ocorre porque a droga empurra folículos telógenos para uma nova fase anágena, com desprendimento dos fios antigos; é transitório e sinaliza atividade do tratamento. Sem esse aviso prévio, o paciente abandona a terapia exatamente quando ela começou a funcionar. Os efeitos adversos reais a monitorar são irritação, dermatite de contato e hipertricose facial, sobretudo em mulheres. A resposta clínica é lenta e deve ser avaliada apenas após três a seis meses de uso contínuo.
Qual o mecanismo fisiopatológico da alopecia androgenética?
A di-hidrotestosterona, formada a partir da testosterona pela 5-alfarredutase, atua em folículos geneticamente suscetíveis encurtando progressivamente a fase anágena e miniaturizando o folículo, que passa de terminal a veloso — daí o padrão de afinamento antes da rarefação franca. Esse mecanismo explica a eficácia da finasterida, inibidora da 5-alfarredutase tipo 2. A destruição autoimune corresponde à alopecia areata, a fibrose perifolicular às alopecias cicatriciais e a passagem sincronizada para telógeno ao eflúvio telógeno, cada uma com tratamento e prognóstico distintos.
Paciente relata queda capilar difusa e intensa iniciada 3 meses após cirurgia de grande porte com perda sanguínea importante. Ao exame, há queda difusa sem padrão, teste de tração positivo e ausência de miniaturização. Qual o diagnóstico e o prognóstico?
O eflúvio telógeno decorre da passagem sincronizada de grande número de folículos para a fase telógena após um gatilho — cirurgia, hemorragia, parto, febre alta, perda ponderal importante, ferropenia, disfunção tireoidiana ou drogas —, com queda que aparece caracteristicamente cerca de dois a quatro meses depois e recuperação espontânea uma vez removida a causa. Esse intervalo é o que confunde o paciente, que não relaciona a queda ao evento. A ausência de miniaturização afasta a alopecia androgenética, e a preservação dos óstios afasta as formas cicatriciais, que são irreversíveis.
Mulher de 34 anos com rarefação capilar difusa na região central do couro cabeludo, com preservação da linha de implantação frontal, alargamento progressivo da risca central e afinamento dos fios. Qual o diagnóstico e o padrão descrito?
Na mulher, a alopecia androgenética costuma poupar a linha de implantação frontal e produzir rarefação centroparietal, com alargamento progressivo da risca em formato descrito como árvore de Natal. A alopecia frontal fibrosante é o diferencial que se define exatamente pelo oposto: recuo da linha de implantação, com perda de sobrancelhas e caráter cicatricial. O eflúvio telógeno é difuso e não alarga a risca de forma progressiva. A tricotilomania deixa fios quebrados em comprimentos irregulares. Vale avaliar hiperandrogenismo quando há irregularidade menstrual, hirsutismo ou acne associados.
Homem de 28 anos com alopecia androgenética em progressão deseja tratamento. Quais são as opções com eficácia estabelecida?
O minoxidil tópico, que prolonga a fase anágena e aumenta o calibre do fio, e a finasterida oral, que inibe a 5-alfarredutase tipo 2 e reduz a di-hidrotestosterona, são os tratamentos com eficácia estabelecida no homem, com transplante capilar como opção nos casos avançados. Ambos exigem uso contínuo, pois a suspensão devolve a perda em meses — informação essencial no aconselhamento. Corticoide sistêmico e metotrexato pertencem ao arsenal de doenças inflamatórias e autoimunes como a alopecia areata grave. Isotretinoína trata acne e pode inclusive causar eflúvio, e cetoconazol oral não tem essa indicação.
Homem de 32 anos apresenta rarefação capilar progressiva há 4 anos, com recuo bitemporal das entradas e afinamento do vértice, sem lesões inflamatórias, sem descamação e com óstios foliculares preservados. Qual o diagnóstico?
Rarefação progressiva em padrão definido, com recuo bitemporal e acometimento do vértice, sem inflamação e com óstios foliculares preservados, caracteriza a alopecia androgenética, alopecia não cicatricial mais comum. A alopecia areata produz placas de perda súbita e bem delimitadas, não um padrão gradual. O líquen plano pilar é cicatricial e destrói os óstios, achado que muda todo o prognóstico e por isso deve ser procurado ativamente. O eflúvio telógeno causa queda difusa e aguda, geralmente após um gatilho, sem padrão. A tinha cursa com descamação, pelos tonsurados e frequentemente inflamação.
Homem de 25 anos com alopecia androgenética pergunta sobre a evolução esperada sem tratamento. Qual a orientação correta?
A alopecia androgenética é crônica e progressiva, com evolução determinada pela suscetibilidade genética dos folículos à di-hidrotestosterona, e não regride espontaneamente; sem tratamento contínuo, a tendência é de piora gradual, e quanto mais precoce o início, maior costuma ser a extensão final. Um ponto que gera confusão é achar que só desenvolve a condição quem tem testosterona elevada: os níveis séricos costumam ser normais, e o que difere é a sensibilidade folicular local. Dieta e xampus não revertem a miniaturização, embora corrigir deficiências nutricionais ajude na saúde capilar geral.
Paciente de 15 anos apresenta perda de todo o cabelo do couro cabeludo, além de sobrancelhas, cílios e pelos corporais. Como se denomina essa forma e qual seu prognóstico?
A perda de todo o cabelo do couro cabeludo define a alopecia total; quando se estende a todos os pelos do corpo, incluindo sobrancelhas, cílios e pelos corporais, denomina-se alopecia areata universal, forma de prognóstico reservado. São ainda fatores de pior prognóstico o início na infância, a duração prolongada, o padrão em ofíase — faixa occipital e temporal —, a atopia associada e o acometimento ungueal. Nessas formas extensas discutem-se imunossupressores sistêmicos e, mais recentemente, inibidores de janus quinase, com resultados relevantes, mas com recidiva frequente após a suspensão.
Paciente com alopecia areata em duas placas pequenas no couro cabeludo, sem outras áreas acometidas. Qual o tratamento inicial?
Na doença limitada, o corticoide intralesional é o tratamento de primeira linha, com resposta frequente em poucas semanas, e o corticoide tópico de alta potência serve como alternativa, sobretudo em crianças; minoxidil tópico pode ser associado. Corticoide sistêmico e imunossupressores ficam para formas extensas ou rapidamente progressivas, pela toxicidade e pela recidiva ao suspender. Antifúngico trataria tinha, diagnóstico já afastado pela ausência de descamação e pelos tonsurados. Transplante capilar não tem lugar em doença ativa com folículos preservados e potencial de repilação espontânea.
Qual doença está mais frequentemente associada à alopecia areata e deve ser rastreada?
A alopecia areata é doença autoimune e se associa a outras condições do mesmo espectro, com destaque para a tireoidite autoimune, além de vitiligo, doença celíaca, diabetes tipo 1 e atopia; há também maior prevalência em pacientes com síndrome de Down. Isso justifica avaliar sintomas e, conforme o caso, solicitar função tireoidiana e anticorpos. As demais condições listadas são doenças de mecanismo metabólico e vascular, sem relação autoimune com a alopecia — e escolhê-las revela justamente a confusão entre associação epidemiológica genuína e comorbidade comum na população.
Paciente de 30 anos com alopecia areata extensa, acometendo mais de 50% do couro cabeludo, refratária a corticoide tópico e intralesional. Qual opção terapêutica pode ser considerada?
Nas formas extensas e refratárias, os inibidores de janus quinase mostraram eficácia relevante ao bloquear a sinalização de citocinas envolvidas na perda do privilégio imunológico, sendo hoje a novidade terapêutica mais importante do tema, com a ressalva de recidiva frequente ao suspender e da necessidade de monitorar infecções e alterações laboratoriais. Outras opções incluem corticoide sistêmico em pulsos, imunoterapia tópica de contato e imunossupressores clássicos. A finasterida trata alopecia androgenética, mecanismo completamente distinto, e a isotretinoína não tem indicação nessa doença autoimune.
Paciente com alopecia areata em placa única no couro cabeludo pergunta sobre a chance de o cabelo voltar sem tratamento. Qual a orientação?
Na alopecia areata o folículo não é destruído, apenas mantido em estado de inflamação peribulbar que interrompe o ciclo, e por isso o processo é potencialmente reversível: casos limitados repilam espontaneamente em grande proporção ao longo de meses, embora as recidivas sejam frequentes ao longo da vida. Esse é um dado de aconselhamento essencial, porque separa a alopecia areata das formas cicatriciais, em que a perda é definitiva. Também é importante dizer que a maioria dos pacientes não evolui para as formas total ou universal, e que os fios podem voltar inicialmente brancos.
Qual achado tricoscópico é característico da alopecia areata em atividade?
A tricoscopia da alopecia areata ativa mostra pontos amarelos, correspondentes a óstios dilatados com material sebáceo, pontos pretos de fios quebrados no óstio e pelos em ponto de exclamação na borda da placa; pelos velosos indicam repilação. Fios em vírgula e em saca-rolhas apontam tinha do couro cabeludo. Anisotricose é a marca da alopecia androgenética. Ausência de óstios com descamação perifolicular caracteriza alopecia cicatricial. Fios quebrados em alturas variadas sugerem tricotilomania — cada padrão leva a um tratamento diferente, o que torna a tricoscopia decisiva.
Qual o mecanismo imunológico central da alopecia areata?
O bulbo do folículo anágeno mantém um estado de privilégio imunológico, com baixa expressão de moléculas do complexo principal de histocompatibilidade de classe I; sua quebra expõe autoantígenos e atrai linfócitos T citotóxicos, formando o infiltrado peribulbar descrito histologicamente como enxame de abelhas. Esse mecanismo explica por que os inibidores de janus quinase, que bloqueiam a via do interferon gama, funcionam nas formas graves. Deposição de imunocomplexos ocorre no lúpus, a hipersensibilidade imediata na urticária, e infiltração neutrofílica destrutiva caracteriza foliculites cicatriciais.
Paciente de 24 anos apresenta, há 3 semanas, placa arredondada de 4 cm no couro cabeludo, totalmente sem pelos, com pele lisa, sem descamação, sem eritema e com óstios foliculares preservados. Na periferia há pelos curtos, mais finos na base e mais grossos na ponta. Qual o diagnóstico?
Placa arredondada de instalação rápida, pele lisa sem inflamação e óstios preservados, com pelos em ponto de exclamação na periferia — afilados na base e mais espessos na extremidade —, é o quadro clássico da alopecia areata, doença autoimune com infiltrado linfocitário peribulbar. A tinha traria descamação, pelos tonsurados e às vezes inflamação intensa. Líquen plano pilar e lúpus discoide são alopecias cicatriciais e destroem os óstios, com eritema perifolicular, descamação e atrofia — a preservação dos óstios é justamente o que separa o reversível do definitivo.
Qual alteração ungueal se associa com maior frequência à alopecia areata?
As depressões puntiformes, ou unhas em dedal, são o achado ungueal mais associado à alopecia areata, ao lado de traquioníquia e leuconíquia, e sua presença sugere doença mais extensa ou de pior prognóstico. Onicólise com hiperceratose subungueal aparece na psoríase e na onicomicose, sendo o distrator mais comum porque a psoríase também produz depressões puntiformes, embora tipicamente mais profundas e irregulares. Coiloníquia relaciona-se à ferropenia, hemorragias em estilhaço com nódulos dolorosos sugerem endocardite, e linhas de Beau indicam parada transitória do crescimento por doença sistêmica.
Adolescente de 14 anos apresenta alopecia areata acometendo cerca de 70% do couro cabeludo, com perda de cílios, sem resposta a corticoide tópico e a infiltrações realizadas ao longo de oito meses. Considerando as moléculas com aprovação em bula no país para essa indicação e as respectivas faixas etárias, qual delas contempla esse paciente?
Entre os inibidores de Janus quinase aprovados em bula no país para alopecia areata, o ritlecitinibe alcança pacientes a partir dos doze anos, o que contempla um paciente de quatorze. O baricitinibe tem aprovação a partir dos dezoito anos, e não a partir dos doze. Não existe indicação sem restrição de idade condicionada apenas à extensão do acometimento. Afirmar que as duas se restringem a maiores de dezoito anos ignora a aprovação pediátrica de uma delas. E as faixas etárias das duas moléculas não coincidem, justamente por isso a escolha depende da idade.
Mulher de 22 anos apresenta falha capilar de contorno anguloso na região parietal direita, com fios de comprimentos irregulares dentro da área, alguns quebrados em alturas diferentes, sem descamação e com óstios preservados. O teste de tração feito dentro da falha é negativo. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
Falha de contorno anguloso com fios de comprimentos variados quebrados em alturas diferentes e teste de tração negativo dentro da placa compõem o quadro de perda mecânica por arrancamento repetido, que é a tricotilomania. A areata produz placa arredondada de bordas regulares, com pelos em ponto de exclamação e tração positiva na borda. A tinha cursa com descamação, ausente aqui. O eflúvio telógeno é difuso por definição, e não produz falha localizada. E a alopecia por tração predomina nas margens frontotemporais e decorre de tensão sustentada por penteados, sem fios quebrados em alturas variadas dentro da área.
Mulher de 42 anos com placa alopécica única no couro cabeludo é avaliada com teste de tração, com o objetivo de verificar se a doença está em atividade e em expansão. Em que local o teste deve ser realizado para responder a essa pergunta?
Na alopecia areata em expansão, a atividade se concentra na periferia da lesão, e é ali que o teste de tração se torna positivo, respondendo à pergunta sobre atividade da doença. Testar o centro tende a dar resultado negativo, porque os fios que iriam cair já caíram. A região occipital serve de referência para densidade na alopecia de padrão, não para atividade de placa. Testar quadrantes distantes avalia queda difusa, que é o padrão do eflúvio. E a linha frontal não é o sítio de atividade da placa descrita.
Mulher de 45 anos apresenta rarefação do topo do couro cabeludo com alargamento da risca central, densidade preservada na região occipital, fios de calibres diferentes na área acometida e teste de tração negativo. Qual achado do exame é o que mais afasta a hipótese de alopecia frontal fibrosante?
A alopecia frontal fibrosante recua a linha de implantação e deixa uma faixa de pele lisa sem óstios foliculares, de modo que uma linha frontal íntegra com óstios visíveis é o achado que mais a afasta. Tração negativa apenas indica ausência de queda ativa e ocorre nas duas situações. Fios de diâmetros diferentes traduzem miniaturização e apoiam alopecia de padrão, mas não excluem doença cicatricial coexistente em outra topografia. Occipital preservada é característica do padrão e não informa sobre a linha frontal. E o alargamento da risca é sintoma, não achado discriminativo.
Homem de 30 anos tem alopecia areata acometendo cerca de 15% do couro cabeludo, distribuída em quatro placas. Ao exame, apresenta também falha em uma das sobrancelhas. Segundo o consenso brasileiro de tratamento da alopecia areata, como esse paciente deve ser classificado quanto à gravidade?
A extensão de 15% situaria o paciente na faixa leve, que vai até 20%, mas o consenso promove uma faixa diante de acometimento de sobrancelhas ou cílios, resposta inadequada após seis meses, teste de tração positivo em mais de um sítio ou impacto psicossocial negativo — e a falha de sobrancelha aciona essa promoção, tornando-o moderado. Manter a classificação apenas pelo percentual ignora a regra de promoção. Não há regra que leve diretamente à faixa mais alta por acometimento de área pilosa extracraniana. A promoção não distingue sobrancelha de cílio. E o número de placas não é critério de faixa.
Mulher de 36 anos com rarefação do topo do couro cabeludo há quatro anos, ciclos menstruais regulares, sem hirsutismo, sem acne e com exame físico sem sinais de virilização, pergunta quais exames deve fazer para descobrir a causa. Qual é a conduta mais adequada quanto à investigação hormonal?
A dosagem androgênica rende quando há sinal clínico de hiperandrogenismo, como irregularidade menstrual, hirsutismo, acne persistente ou virilização, e a paciente descrita não apresenta nenhum deles; pedir de rotina produz resultado normal na maioria das vezes ou um valor limítrofe que abre investigação sem destino. Solicitar como triagem em todas contraria esse critério clínico. O teste de tração informa sobre queda ativa e não indica investigação hormonal. Condicionar a dosagem à falha do tópico inverte a lógica, que é clínica e não terapêutica. E a ultrassonografia isolada não substitui a avaliação hormonal quando esta está indicada.
Mulher de 31 anos refere queda capilar maciça iniciada há seis semanas, com tufos de fios na mão ao lavar o cabelo. Nega falhas circunscritas, prurido e descamação. O couro cabeludo tem óstios preservados e o teste de tração é positivo em regiões frontal, parietal e occipital. Ela teve cesariana e hemorragia puerperal há cerca de quatro meses. Qual é o achado da história que melhor sustenta o diagnóstico?
O eflúvio telógeno se caracteriza pela latência de dois a quatro meses entre o gatilho e a queda, e a cesariana com hemorragia puerperal quatro meses antes fecha exatamente esse intervalo, o que sustenta o diagnóstico melhor do que qualquer outro dado. A ausência de prurido e descamação apenas afasta doença inflamatória do couro cabeludo. A positividade na região occipital indica queda difusa, mas não data o processo. A idade não discrimina entre as hipóteses. E o relato de tufos descreve a intensidade da queda, sem indicar sua causa.
Homem de 26 anos apresenta há dois meses falhas capilares de contorno mal definido e distribuição irregular, dando ao couro cabeludo aspecto roído, sem descamação e com óstios preservados. Ao exame há rarefação do terço distal das sobrancelhas, máculas acastanhadas em palmas e plantas e gânglios epitrocleares palpáveis. Relata úlcera genital indolor que cicatrizou sozinha há cerca de quatro meses. Qual é a conduta imediata?
A alopecia em clareira com aspecto roído, a madarose, as lesões palmoplantares, a micropoliadenopatia com gânglios epitrocleares e a úlcera genital indolor prévia dentro da janela de seis semanas a seis meses compõem sífilis secundária, e a conduta é testagem seguida de tratamento da infecção, com convocação de parcerias. Infiltração intralesional trata alopecia areata, cuja placa é arredondada e regular. Micológico é para dermatofitose, que cursa com descamação e fios quebrados. Biópsia é desnecessária diante de óstios preservados e quadro sistêmico típico. E minoxidil não age sobre a causa do quadro descrito.
Mulher de 54 anos procura atendimento por perda capilar lentamente progressiva. Ao exame, há uma faixa de pele lisa, pálida e brilhante entre a testa e a nova linha de implantação, na qual não se identificam aberturas foliculares, além de rarefação acentuada das sobrancelhas. Qual é a consequência prática mais importante desse achado da superfície do couro cabeludo?
Superfície lisa e sem óstios foliculares significa destruição do folículo com substituição por fibrose, o que caracteriza alopecia cicatricial: o que se perdeu não retorna e o objetivo passa a ser conter a borda ativa, com biópsia da periferia para definir a doença. Miniaturização folicular ocorre na alopecia de padrão, que preserva os óstios. Repilação espontânea é possível na areata, também com óstios preservados. Queda difusa com tração positiva em várias regiões descreve eflúvio telógeno. E perda mecânica recuperável descreve tração em fase inicial, quando o óstio ainda existe.
Mulher de 49 anos apresenta placas no couro cabeludo com eritema e descamação ao redor dos folículos na periferia, e áreas centrais de pele lisa em que não se identificam óstios foliculares. Indica-se biópsia para definir qual doença está em curso. De onde deve ser retirado o fragmento?
Na alopecia cicatricial, o que muda a conduta é identificar o infiltrado inflamatório que ainda destrói folículos, e ele se concentra na borda ativa da placa. O centro já é fibrose e devolve laudo inespecífico de fase final, sem apontar a doença que a produziu. Pele sem lesão não contém o processo que se quer caracterizar. A região occipital serve de referência de densidade na alopecia de padrão, e não como sítio de biópsia. E colher pontos distantes estima extensão, informação que o exame clínico já fornece.
Homem de 34 anos com alopecia areata em duas placas isoladas e pequenas no couro cabeludo, sem outras áreas acometidas, será tratado conforme o consenso brasileiro. Qual é a primeira opção terapêutica e o intervalo entre as sessões?
O consenso brasileiro coloca a corticoterapia intralesional como primeira opção no adulto com doença leve a moderada, sendo candidatos ideais os pacientes com áreas isoladas e pequenas, com sessões separadas por quatro a seis semanas. Corticoterapia sistêmica prolongada controla enquanto dura, recidiva à retirada e carrega efeitos adversos que não se justificam em doença localizada. Inibidor de Janus quinase é reservado à doença grave. Imunoterapia de contato é alternativa para casos extensos ou refratários. E minoxidil com xampu antifúngico não corresponde à primeira linha nessa situação.
Adolescente de 14 anos é levada à Unidade Básica de Saúde pela mãe, que percebeu falhas no couro cabeludo da filha. A adolescente admite que arranca fios de cabelo repetidamente, sobretudo quando está tensa ou estudando, sentindo alívio depois, e que tenta parar sem sucesso. Nega ideação suicida e uso de substâncias. Ao exame, áreas de rarefação capilar com fios de comprimentos diferentes e alguns quebrados, sem eritema, descamação, pústulas ou sinais inflamatórios do couro cabeludo. Restante do exame normal. A hipótese diagnóstica mais provável é:
Arrancamento recorrente de cabelos com tentativas frustradas de parar, precedido por tensão e seguido de alívio, com áreas de rarefação contendo fios de comprimentos variados e quebrados, define tricotilomania, transtorno do espectro obsessivo-compulsivo tratado com psicoterapia, especialmente reversão de hábito. A alopecia areata produz placas bem delimitadas, lisas, sem fios quebrados de tamanhos diferentes. A tinea capitis cursa com descamação, eritema e frequentemente adenomegalia, com exame micológico positivo. A alopecia androgenética segue padrão difuso de rarefação, sem relação com comportamento repetitivo.
Mulher de 31 anos comparece à Unidade Básica de Saúde com queixa de queda de cabelo há três meses, difusa, percebida ao lavar e pentear, sem áreas de calvície localizada. Refere parto há cinco meses, amamentação em curso e dieta pobre em carnes. Nega uso de medicamentos, doenças tireoidianas ou prurido no couro cabeludo. Ao exame: rarefação capilar difusa, sem placas de alopecia, sem descamação ou eritema, unhas sem alterações. Exames: hemoglobina 10,8 g/dL, ferritina 9 ng/mL, TSH normal. A conduta mais adequada é:
Queda difusa iniciada meses após o parto, sem placas nem inflamação, caracteriza eflúvio telógeno, aqui agravado por deficiência de ferro evidenciada pela ferritina muito baixa; a conduta é explicar o processo, repor ferro e acompanhar, pois a recuperação costuma ser espontânea. Corticoide intralesional destina-se à alopecia areata, que produz placas bem delimitadas, ausentes. Minoxidil oral em dose alta e biópsia não são etapas iniciais e desconsideram a causa já identificada. Suspender o aleitamento não corrige a queda, que decorre da sincronização folicular pós-gestacional, e retira benefícios importantes para o binômio.
Menino de 11 anos é levado à Unidade Básica de Saúde porque a mãe percebeu falhas no cabelo há dois meses, que aumentaram de tamanho. Nega prurido, dor, descamação ou uso de produtos químicos. Ao exame apresenta três áreas arredondadas de perda completa de cabelo no couro cabeludo, com pele lisa, sem descamação, sem eritema, sem pústulas e sem cicatriz, com alguns pelos curtos em ponto de exclamação nas bordas. As unhas mostram pequenas depressões puntiformes. O restante do exame é normal e a criança está bem. A hipótese diagnóstica mais provável é:
Placas arredondadas de alopecia não cicatricial, com pele lisa, pelos em ponto de exclamação e depressões puntiformes ungueais, definem alopecia areata, doença autoimune de curso variável, com tratamento tópico e apoio psicossocial. A tinea capitis cursa com descamação, cabelos quebradiços e, por vezes, pústulas, com exame micológico positivo. A tricotilomania produz áreas irregulares com pelos de comprimentos variados e bordas mal definidas. A alopecia cicatricial do lúpus discoide apresenta atrofia, eritema, tampões foliculares e destruição do folículo, ausentes neste exame.
Homem de 33 anos comparece à Unidade Básica de Saúde preocupado com a queda de cabelo iniciada há cerca de cinco anos, com piora gradual. O pai e o avô materno apresentam calvície. Nega prurido, descamação, dor no couro cabeludo, perda de peso ou uso de medicamentos. Ao exame apresenta rarefação capilar simétrica nas entradas frontotemporais e no vértice, com miniaturização dos fios, sem áreas de pele lisa, sem descamação, sem eritema e sem cicatriz, e restante do exame físico normal. A conduta mais adequada é:
Rarefação progressiva e simétrica em entradas frontotemporais e vértice, com miniaturização dos fios e história familiar, caracteriza alopecia androgenética, cujo manejo inclui esclarecimento e opções como minoxidil tópico e finasterida, com discussão de expectativas e efeitos adversos. Biópsia é reservada a casos duvidosos ou com suspeita de alopecia cicatricial. Antifúngico sistêmico trata tinha do couro cabeludo, que cursa com descamação e cabelos quebradiços. Corticoide sistêmico em dose alta não é tratamento de alopecia androgenética e expõe a efeitos adversos sem benefício.
Mulher de 30 anos procura a Unidade Básica de Saúde muito preocupada porque, há dois meses, o cabelo cai em grande quantidade ao pentear e lavar. Teve parto vaginal há quatro meses, sem complicações, e amamenta exclusivamente. Nega dor, prurido, descamação ou uso de medicamentos. Ao exame apresenta rarefação capilar difusa, sem placas de calvície, com couro cabeludo sem eritema, descamação ou cicatriz, e teste de tração positivo com desprendimento de fios em telógeno. A hemoglobina e a função tireoidiana estão normais. A conduta mais adequada é:
Queda capilar difusa iniciada meses após o parto, com teste de tração positivo, couro cabeludo normal e exames laboratoriais sem alterações, é eflúvio telógeno pós-parto, condição autolimitada que se resolve espontaneamente, exigindo acolhimento e reavaliação. Corticoide sistêmico não é tratamento dessa condição e traz riscos. Antifúngico tópico se aplicaria a micose, que não cursa com queda difusa e couro cabeludo normal. Suspender o aleitamento é conduta prejudicial e sem qualquer relação causal com a resolução do quadro.
Mulher de 31 anos procura a Unidade Básica de Saúde por rarefação capilar nas regiões frontal e temporal, percebida há dois anos e progressiva. Usa penteados com tranças bem apertadas e apliques desde a adolescência, além de alisamentos químicos periódicos. Ao exame apresenta rarefação capilar nas margens frontotemporais, com pelos velos finos remanescentes na linha de implantação, sem descamação, sem eritema ativo, sem pústulas e com alguns pontos de perda folicular definitiva nas áreas mais antigas. A conduta mais adequada é:
Rarefação nas margens frontotemporais em quem usa penteados com tração sustentada e alisamentos químicos é alopecia por tração, potencialmente reversível se os hábitos forem interrompidos antes da fibrose folicular, com tratamento tópico e acompanhamento. Antifúngico trata tinha do couro cabeludo, que cursa com descamação e cabelos quebradiços. Transplante sem cessar a tração leva à perda dos enxertos pelo mesmo mecanismo. Corticoide sistêmico contínuo não é indicado e não corrige a causa mecânica do dano folicular.
Puérpera de 27 anos, no terceiro mês após o parto, comparece à Unidade Básica de Saúde relatando queda de cabelo importante, que a preocupa muito, com fios saindo ao pentear e ao lavar. Ela amamenta exclusivamente, alimenta-se bem e nega uso de medicamentos ou tratamentos capilares. Ao exame, apresenta rarefação difusa sem áreas de alopecia cicatricial, sem sinais inflamatórios no couro cabeludo e sem outras queixas. Está com pressão arterial de 110x68 mmHg, e os exames mostram hemoglobina de 12,4 g/dL e função tireoidiana normal. A conduta correta é
A queda difusa de cabelo no puerpério corresponde ao eflúvio telógeno, fenômeno fisiológico e autolimitado decorrente da sincronização dos ciclos capilares após o parto, com recuperação espontânea em meses, sendo a conduta tranquilizar e vigiar causas contributivas, como anemia e disfunção tireoidiana, já afastadas nesta paciente. Minoxidil não é o tratamento inicial. Suplementação em altas doses sem deficiência comprovada é desnecessária. Biópsia não se justifica na ausência de alopecia cicatricial.
Mulher, 40 anos, é atendida na UBS com queixa de queda de cabelo difusa há 4 meses. Relata que perdeu 12 kg com dieta muito restritiva iniciada há 6 meses e que passa por separação conjugal. Exame: rarefação difusa do cabelo, sem áreas de alopecia cicatricial, sem descamação ou eritema do couro cabeludo; teste de tração positivo em várias áreas. Hemoglobina 12,4 g/dL; ferritina 18 ng/mL; TSH 2,0 mUI/L; VDRL não reagente. Qual o diagnóstico e a conduta?
Queda difusa e não cicatricial iniciada 2 a 4 meses após estressor importante — dieta restritiva com perda ponderal acentuada e estresse emocional — com teste de tração positivo caracteriza eflúvio telógeno, cuja conduta é corrigir os fatores precipitantes, repor ferro diante de ferritina baixa e informar que o quadro é autolimitado e reversível. A alopecia androgenética produz rarefação em padrão característico, com miniaturização, e não queda difusa aguda com tração positiva. A alopecia areata forma placas bem delimitadas de alopecia, ausentes. A tinea capitis cursa com descamação, eritema e tonsura, principalmente em crianças. O lúpus discoide provoca alopecia cicatricial com atrofia e alteração de pigmentação, o que contraria a ausência de cicatrização descrita.
Homem, 24 anos, apresenta há 2 meses três placas circulares de alopecia no couro cabeludo, de 3 a 5 cm, com pele lisa, sem descamação, eritema ou cicatriz. Refere surgimento súbito. Exame: pelos em ponto de exclamação nas bordas das placas e teste de tração positivo na periferia. Unhas com depressões puntiformes múltiplas. Nega dor, prurido e uso de medicamentos. Exame micológico direto do couro cabeludo negativo. Qual o diagnóstico?
Placas de alopecia não cicatricial de surgimento súbito, com pele lisa, pelos em ponto de exclamação, teste de tração positivo na periferia e depressões ungueais puntiformes caracterizam a alopecia areata, doença autoimune do folículo piloso. A tinha tonsurante cursa com descamação, pelos tonsurados e exame micológico positivo, expressamente negativo aqui. O líquen plano pilar produz alopecia cicatricial com eritema perifolicular, hiperceratose e perda dos óstios foliculares. A tricotilomania apresenta pelos quebrados em comprimentos variados e bordas irregulares, sem pelos em ponto de exclamação. O eflúvio telógeno causa rarefação difusa, e não placas circunscritas bem delimitadas.
Mulher, 30 anos, refere queda capilar difusa e intensa iniciada há 3 meses, notando muitos fios no travesseiro e no ralo do banho. Relata cirurgia bariátrica há 5 meses e perda de 22 kg. Nega áreas de alopecia localizada e prurido. Exame: rarefação difusa sem placas, teste de tração positivo em várias áreas, com fios em bulbo esbranquiçado, sem sinais inflamatórios ou cicatriciais. Ferritina 8 ng/mL (VR 15–150), TSH normal. Qual o diagnóstico e a conduta?
Queda difusa iniciada dois a três meses após evento desencadeante — cirurgia, perda ponderal expressiva e ferropenia — com fios em bulbo esbranquiçado e ausência de sinais inflamatórios define eflúvio telógeno, cuja conduta é corrigir a causa, repor ferro e orientar sobre a reversibilidade do quadro. A alopecia androgenética feminina cursa com rarefação progressiva do topo e alargamento da linha média, sem início abrupto pós-evento. A alopecia areata difusa apresentaria pelos em ponto de exclamação e não a relação temporal com o gatilho nutricional. O lúpus cutâneo causa alopecia cicatricial com perda de óstios foliculares e lesões inflamatórias. A tinha do couro cabeludo cursa com descamação, tonsura e micológico positivo.
Homem, 34 anos, apresenta há 8 meses rarefação capilar progressiva com pústulas foliculares recorrentes no vértice do couro cabeludo, evoluindo com áreas cicatriciais brilhantes e perda definitiva dos óstios foliculares. Exame: tufos de múltiplos pelos emergindo de um mesmo óstio, crostas e eritema perifolicular. Cultura com Staphylococcus aureus. Biópsia: infiltrado neutrofílico perifolicular com fibrose e destruição do folículo. Qual o diagnóstico?
Alopecia cicatricial com pústulas recorrentes, tufos de pelos emergindo de um mesmo óstio, isolamento de Staphylococcus aureus e histologia com infiltrado neutrofílico e destruição folicular definem a foliculite decalvante. A alopecia areata é não cicatricial, com preservação dos óstios foliculares e pelos em ponto de exclamação. A tinha do couro cabeludo cursa com descamação e pelos tonsurados, com exame micológico positivo. A alopecia androgenética é não cicatricial, com miniaturização progressiva e padrão característico, sem pústulas nem fibrose. O eflúvio telógeno crônico produz rarefação difusa sem inflamação, cicatriz ou perda de óstios.
Mulher, 61 anos, na pós-menopausa, apresenta há 3 anos recuo progressivo e uniforme da linha de implantação frontotemporal dos cabelos, com faixa de pele brilhante e sem óstios foliculares, além de perda quase completa dos supercílios. Exame: eritema e hiperceratose perifolicular na linha de recuo, com pelos solitários residuais. Biópsia: infiltrado linfocitário liquenoide perifolicular com fibrose lamelar concêntrica e destruição do folículo. Qual o diagnóstico?
Recuo em faixa da linha frontotemporal com pele cicatricial, perda de supercílios, eritema e hiperceratose perifolicular e histologia liquenoide com fibrose concêntrica definem a alopecia frontal fibrosante, variante do líquen plano pilar típica de mulheres na pós-menopausa. A alopecia de tração relaciona-se a penteados tracionantes e poupa habitualmente os supercílios, sem histologia liquenoide. A alopecia androgenética feminina é não cicatricial, com rarefação do topo e alargamento da linha média, preservando os óstios. A alopecia areata ofiásica é não cicatricial, com padrão em faixa occipital e temporal e pelos em ponto de exclamação. O eflúvio telógeno causa queda difusa sem cicatriz nem perda de supercílios.
Mulher, 38 anos, refere rarefação capilar progressiva há 4 anos, com alargamento da linha média do couro cabeludo e preservação da linha de implantação frontal. Nega queda difusa aguda, áreas de alopecia circunscrita e prurido. Exame: rarefação em padrão de árvore de Natal no vértice, com miniaturização de fios e sem sinais inflamatórios ou cicatriciais; óstios foliculares preservados. Ferritina 68 ng/mL (VR 15–150) e TSH 1,8 mUI/L (VR 0,4–4,0). Qual o diagnóstico e a opção terapêutica de primeira linha?
Rarefação progressiva do vértice com alargamento da linha média em padrão de árvore de Natal, miniaturização de fios, preservação da linha frontal e óstios foliculares íntegros define alopecia androgenética feminina, cuja primeira linha é o minoxidil tópico, podendo-se associar antiandrogênios em casos selecionados. A alopecia areata apresenta placas circunscritas com pelos em ponto de exclamação. O eflúvio telógeno cursa com queda difusa aguda após gatilho, e a ferritina está normal. A alopecia frontal fibrosante causa recuo cicatricial da linha frontal com perda de óstios e de supercílios. A tinha teria descamação e exame micológico positivo.
Mulher, 31 anos, no terceiro mês pós-parto, refere queda capilar intensa e difusa, percebida ao pentear e ao lavar os cabelos, iniciada há 4 semanas. Amamenta exclusivamente e nega dieta restritiva. Ao exame, rarefação difusa sem áreas de alopecia cicatricial e sem lesões descamativas no couro cabeludo. Hemograma normal, ferritina 48 ng/mL (VR 15–150) e TSH 2,0 mUI/L (VR 0,4–4,0). Qual a orientação correta?
A queda ocorre porque o alto nível estrogênico da gestação prolonga a fase de crescimento dos fios, que passam simultaneamente à fase de queda após o parto, produzindo eflúvio telógeno difuso e autolimitado, com recuperação em alguns meses e sem necessidade de tratamento específico. A alopecia areata forma placas bem delimitadas de perda total, não descritas. A alopecia androgenética cursa com rarefação progressiva do vértice e da linha frontal, sem esse padrão agudo e difuso. A anemia grave foi afastada pelo hemograma e pela ferritina normais. A alopecia cicatricial apresenta perda definitiva dos óstios foliculares, ausente ao exame.
Adolescente, 15 anos, apresenta há 1 ano falhas capilares em região parietal direita. Admite arrancar fios repetidamente, com sensação de tensão crescente antes e alívio depois, tendo tentado parar sem sucesso. Sente vergonha e evita atividades em grupo. PA 106x66 mmHg, FC 78 bpm, T 36,4 °C. Exame: placa de alopecia com fios de comprimentos variados e sem descamação, eritema ou pústulas; teste de tração negativo nas áreas adjacentes. Qual o diagnóstico mais provável?
A tricotilomania é definida pelo arrancamento recorrente de cabelo com perda capilar visível, tentativas repetidas de reduzir o comportamento e sofrimento ou prejuízo, frequentemente com tensão prévia e alívio subsequente, e produz placa com fios de comprimentos variados. A alopecia areata apresenta pele lisa sem fios quebrados e pelos em ponto de exclamação. A tinea capitis cursaria com descamação, prurido e eventual quérion. O eflúvio telógeno causa queda difusa, não placa localizada com fios truncados. A alopecia cicatricial do líquen plano pilar mostra eritema e hiperceratose perifolicular com perda definitiva do óstio folicular.
Paciente apresenta placas sem cabelo com óstios foliculares mantidos, teste clínico compatível e ausência de micose. Qual diagnóstico melhor corresponde à descrição?
A manutenção dos óstios indica alopecia não cicatricial areata. Perda de cabelo em placas não cicatriciais, com pele lisa e fios em ponto de exclamação, favorece alopecia areata. Referência: https://www.niams.nih.gov/health-topics/alopecia-areata
Pessoa apresenta queda de cabelo em placa circular lisa, com fios em ponto de exclamação e sem fibrose folicular. Qual diagnóstico melhor corresponde à descrição?
A morfologia indica alopecia areata. Perda de cabelo em placas não cicatriciais, com pele lisa e fios em ponto de exclamação, favorece alopecia areata. Referência: https://www.niams.nih.gov/health-topics/alopecia-areata
Mulher percebe perda súbita de fios em duas placas lisas, sem eritema, escamas ou cicatriz, com pelos afilados na periferia. Qual diagnóstico melhor corresponde à descrição?
O aspecto favorece alopecia areata. Perda de cabelo em placas não cicatriciais, com pele lisa e fios em ponto de exclamação, favorece alopecia areata. Referência: https://www.niams.nih.gov/health-topics/alopecia-areata
Paciente tem placa arredondada de perda de cabelo, com pele lisa, óstios preservados e fios em ponto de exclamação na borda. Qual diagnóstico melhor corresponde à descrição?
O padrão não cicatricial é típico de alopecia areata. Perda de cabelo em placas não cicatriciais, com pele lisa e fios em ponto de exclamação, favorece alopecia areata. Referência: https://www.niams.nih.gov/health-topics/alopecia-areata
Que achado do painel direito favorece alopecia cicatricial em relação ao esquerdo?

O tecido folicular foi substituído por fibrose.
Por que o reconhecimento precoce do padrão à direita é importante?

Controlar atividade inflamatória pode limitar perda adicional.
Na alopecia areata, características clínicas ajudam a discutir o prognóstico sem permitir prever com certeza a evolução individual. Qual conjunto se associa a maior chance de repilação?
Menor extensão, início em idade mais tardia e ausência de alterações das unhas associam-se a prognóstico mais favorável, embora não garantam recuperação. Referência: NIAMS/NIH. Alopecia Areata (2024). https://www.niams.nih.gov/health-topics/alopecia-areata
Em formas localizadas de alopecia areata, podem ser utilizadas infiltrações de corticosteroide nas áreas afetadas. Qual é a finalidade principal dessa intervenção?
O corticosteroide intralesional busca controlar a atividade imune local, favorecendo a retomada do crescimento dos pelos. Referência: NIAMS/NIH. Alopecia Areata: Diagnosis, Treatment, and Steps to Take (2024). https://www.niams.nih.gov/health-topics/alopecia-areata/diagnosis-treatment-and-steps-to-take
Na alopecia areata extensa, a perda de cílios e sobrancelhas tem implicações além da aparência. Qual medida de proteção está diretamente relacionada a essa perda?
Cílios e sobrancelhas contribuem para a proteção ocular; óculos podem ajudar a compensar sua ausência contra poeira e exposição solar. Referência: NIAMS/NIH. Alopecia Areata: Diagnosis, Treatment, and Steps to Take (2024). https://www.niams.nih.gov/health-topics/alopecia-areata/diagnosis-treatment-and-steps-to-take
Sobre a evolução natural da alopecia areata, qual orientação é mais adequada ao discutir a possibilidade de repilação e o acompanhamento de longo prazo?
A alopecia areata tem curso imprevisível; algumas áreas repilam espontaneamente, e a recuperação não exclui novos episódios. Referência: NIAMS/NIH. Alopecia Areata (2024). https://www.niams.nih.gov/health-topics/alopecia-areata
A nomenclatura das formas extensas de alopecia areata descreve a distribuição da perda de pelos. Qual associação entre termo e extensão está correta?
A alopecia total compromete todo o couro cabeludo, enquanto a universal se estende aos pelos de outras regiões corporais. Referência: NIAMS/NIH. Alopecia Areata (2024). https://www.niams.nih.gov/health-topics/alopecia-areata
A alopecia areata e a alopecia androgenética podem causar perda de cabelos, mas apresentam mecanismos distintos. Qual processo é central na alopecia areata?
A alopecia areata é uma doença autoimune em que a resposta imune afeta os folículos e interrompe o crescimento dos pelos. Referência: NIAMS/NIH. Alopecia Areata (2024). https://www.niams.nih.gov/health-topics/alopecia-areata
Durante a recuperação de uma área afetada por alopecia areata, os primeiros fios podem crescer brancos ou acinzentados. Qual interpretação é mais adequada?
Os fios que voltam a crescer podem inicialmente apresentar pouca pigmentação e depois recuperar a cor, sem que isso indique outra doença obrigatoriamente. Referência: NIAMS/NIH. Alopecia Areata (2024). https://www.niams.nih.gov/health-topics/alopecia-areata
Qual antecedente temporal pode funcionar como gatilho no caso?

Doença sistêmica é possível gatilho de eflúvio telógeno com intervalo de semanas a meses.
Se forem encontradas áreas com perda de óstios e inflamação perifolicular, como muda a avaliação?

Perda de aberturas foliculares e inflamação sugerem processo cicatricial e exigem avaliação dirigida.
A queda descrita é localizada ou difusa?

O relato e a distribuição indicam queda generalizada no couro cabeludo.
Qual hipótese integra gatilho remoto, intervalo e queda difusa não cicatricial?

Gatilho sistêmico pode deslocar folículos para fase telógena e causar queda difusa meses depois.
Qual investigação adicional é mais coerente se houver sinais de anemia ou doença tireoidiana?

Avaliação deve buscar causas relevantes e corrigíveis, evitando exames e suplementos sem indicação.
Uma mulher relata rarefação progressiva há cinco anos, sem queda súbita ou sintomas inflamatórios. Qual diagnóstico é mais compatível com a distribuição mostrada? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

A evolução gradual e a rarefação central com preservação frontal relativa favorecem essa hipótese.
Qual distribuição de rarefação capilar está demonstrada? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

Há maior exposição do couro cabeludo ao longo da região central.
No painel direito, a área central já perdeu estruturas foliculares, enquanto a borda ainda mostra sinais inflamatórios perifoliculares. Se for necessária biópsia para esclarecer a causa, qual região tende a ser mais informativa? Imagem didática do acervo OsceLabs.

Pode preservar o processo causador; o centro totalmente cicatrizado pode ser pouco específico.
Uma paciente tem ardor, eritema perifolicular e expansão de áreas como a direita. Qual objetivo terapêutico deve ser explicado? Imagem didática do acervo OsceLabs.

Folículos destruídos e substituídos por cicatriz não recuperam crescimento normal com simples estímulo.
Qual achado à inspeção do couro cabeludo corresponde à perda estrutural do painel direito? Imagem didática do acervo OsceLabs.

A destruição folicular pode apagar as aberturas dos folículos.
Qual painel preserva estruturas foliculares no corte da pele? Imagem didática do acervo OsceLabs.

Há folículos reconhecíveis, ao contrário da substituição cicatricial à direita.
Paciente com suspeita de alopecia cicatricial tem uma área central lisa, sem óstios, e áreas periféricas ainda com fios, eritema e escamas perifoliculares. Será realizada biópsia para esclarecer o tipo de processo inflamatório. Qual estratégia tende a aumentar o rendimento diagnóstico?
A tricoscopia ajuda a localizar estruturas acometidas e orientar uma amostra representativa. Áreas de fibrose final isolada podem não revelar a causa da alopecia. Referências: Miteva M, Tosti A. Dermoscopy guided scalp biopsy in cicatricial alopecia, 2013 — https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22449222/
Mulher de 25 anos usa tranças muito apertadas diariamente e percebe rarefação nas margens frontotemporais, com fios quebrados e desconforto quando o penteado é feito. Os óstios ainda estão presentes na maior parte da área. Qual orientação é prioritária?
A alopecia por tração pode tornar-se cicatricial quando o estímulo persiste. Reconhecer o padrão e mudar o hábito precocemente protege os folículos restantes. Referências: AAD. Hairstyles that pull can lead to hair loss — https://www.aad.org/public/diseases/hair-loss/causes/hairstyles
Uma paciente com alopecia areata tinha escore SALT de 80 antes do tratamento e passou a 20 no seguimento. Qual interpretação corresponde ao que esse instrumento mede?
Quanto menor o SALT, menor a perda capilar medida no couro cabeludo. Ele permite acompanhar resposta, mas não resume sozinho toda a experiência da doença. Referências: British Association of Dermatologists. Severity of Alopecia Tool score, 2024 — https://cdn.bad.org.uk/uploads/2024/07/10132036/Severity-of-Alopecia-Tool-SALT-score.pdf
Mulher com alopecia cicatricial centrífuga central confirmada continua perdendo cabelos e apresenta ardência e eritema no couro cabeludo. Utiliza apenas minoxidil por conta própria. Qual ajuste conceitual é necessário no plano terapêutico?
A prioridade na alopecia cicatricial ativa é impedir dano adicional. Estimuladores de crescimento podem ser adjuvantes, sem substituir controle da inflamação. Referências: AAD. Central centrifugal cicatricial alopecia: treatment — https://www.aad.org/public/diseases/hair-loss/types/ccca/treatment
Paciente apresenta perda capilar difusa e intensa poucas semanas após iniciar quimioterapia citotóxica. O couro cabeludo não tem placas cicatriciais, e a avaliação relaciona a queda à lesão de células foliculares em divisão. Qual mecanismo é mais compatível?
O contexto de quimioterapia e a interrupção do crescimento folicular orientam eflúvio anágeno. O padrão deve ser diferenciado de outras causas de queda. Referências: AAD. Do you have hair loss or hair shedding? — https://www.aad.org/public/diseases/hair-loss/insider/shedding
Homem com alopecia androgenética obteve melhora com minoxidil tópico durante nove meses, sem efeitos adversos. Pretende interromper definitivamente porque considera o problema curado. Qual esclarecimento é adequado?
A decisão de continuar deve considerar benefício, tolerância e preferências, com informação sobre a provável perda do efeito após suspensão. Referências: AAD. Male pattern hair loss: treatment — https://www.aad.org/public/diseases/hair-loss/treatment/male-pattern-hair-loss-treatment
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em 7 dias
Escreva de memória a lista das alopecias não cicatriciais e a das cicatriciais, e ao lado de cada uma anote o achado de exame que a coloca naquele grupo. Em seguida, reproduza as três faixas de gravidade da alopecia areata com seus percentuais e os quatro critérios que promovem um paciente de faixa. Por fim, escreva os números da corticoterapia intralesional: concentração para couro cabeludo, concentração para face, volume por ponto e intervalo entre sessões.
em 30 dias
Resolva seis quadros curtos dizendo, antes de responder, qual grupo de alopecia está em jogo. Criança de 7 anos com placa descamativa e fios quebrados rentes, e a pergunta é o tratamento. Mulher de 32 anos com queda maciça difusa iniciada três meses após parto, e a pergunta é a conduta. Homem de 26 anos com falhas irregulares no couro cabeludo, lesões palmoplantares e gânglios epitrocleares, e a pergunta é o exame a solicitar. Mulher de 55 anos com recuo da linha frontal, faixa lisa sem óstios e perda de sobrancelhas, e a pergunta é o prognóstico. Homem de 30 anos com três placas arredondadas, pelos em ponto de exclamação e depressões puntiformes ungueais, com 15% do couro cabeludo acometido e perda de sobrancelha, e a pergunta é a faixa de gravidade. Mulher de 40 anos com risca central alargada, linha frontal preservada, ciclos regulares e sem hirsutismo, e a pergunta é quais exames pedir.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Uma mulher de 38 anos, assistente administrativa, chega ao ambulatório queixando-se de rarefação capilar progressiva há cinco anos, com alargamento da risca central e perda de volume do cabelo, sem episódios de queda maciça e sem falhas circunscritas. Conduza a consulta: caracterize o padrão da rarefação e pergunte explicitamente se houve queda em tufos, falhas em placas, prurido, dor, descamação ou lesão no couro cabeludo. Investigue os gatilhos de eflúvio um a um, o fluxo menstrual e sinais de carência de ferro, a regularidade dos ciclos e o aumento de pelos em áreas androgênicas, os medicamentos em uso, as práticas capilares de tração e química, e o antecedente familiar de rarefação semelhante. No exame, inspecione a linha de implantação frontal, compare a densidade do topo com a da região occipital, faça a tricoscopia das duas regiões e o teste de tração, e examine sobrancelhas, cílios, unhas e o restante do tegumento. Então decida: qual é o padrão, quais exames rendem nesta paciente e por qual critério clínico, e o que exatamente você promete a ela sobre o resultado do tratamento. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
