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Outras EspecialidadesDermatologia

Melanoma cutâneo

Biópsia inicial, Breslow, margens e linfonodo sentinela

01

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Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Homem de 52 anos apresenta há 3 meses lesão pigmentada no dorso que aumentou de tamanho e mudou de cor. Ao exame dermatoscópico observa-se lesão assimétrica, com bordas irregulares, coloração variada (marrom, preto e áreas azuladas) e diâmetro de 9 mm. Considerando a suspeita de melanoma, qual é a conduta mais adequada?

02

Como esse tema cai

O melanoma responde por uma fração pequena dos cânceres de pele e pela maior parte das mortes por câncer de pele. As Diretrizes do Ministério da Saúde estimam cerca de 4.200 casos anuais em homens e 4.250 em mulheres no Brasil, com média de idade entre 57 e 64 anos. É o 12º tumor mais frequente no mundo. Nada disso é o que a prova cobra.

A prova cobra uma cadeia curta de decisões. Primeiro: esta lesão é suspeita? A resposta sai do ABCDE e do sinal do patinho feio. Segundo: que biópsia se faz? Excisional, com margem estreita, levando a bainha de gordura — porque a espessura medida nessa peça é o principal fator prognóstico e o que define todo o resto. Terceiro: com o Breslow em mãos, qual a margem de ampliação e há indicação de pesquisa do linfonodo sentinela?

Duas coisas derrubam o candidato. Uma é confundir a biópsia diagnóstica com o tratamento definitivo: quem já sai ampliando 2 cm na primeira abordagem destrói a drenagem linfática e inviabiliza o sentinela. A outra é decorar um limiar de sentinela só, sem perceber que três documentos brasileiros vigentes usam limiares diferentes — e que o enunciado costuma dizer qual deles está sendo usado.

Melanoma não tem programa de rastreamento populacional no Brasil. A porta de entrada é a lesão que o paciente traz ou que o médico vê no exame, e a régua de quem entra na fila da especialidade é o protocolo de encaminhamento, não um exame de triagem.

03

O que muda decisão

A lesão suspeita: ABCDE, patinho feio e a lista de sete pontos

O ponto de partida é sempre uma lesão de pele. O paciente relata o surgimento de uma lesão pigmentada nova ou a modificação de tamanho, forma ou cor de um nevo que já existia. Cerca de 30% dos melanomas derivam de nevos benignos preexistentes, proporção que pode chegar a 50% em quem tem muitos nevos — o que significa que a maioria nasce em pele antes normal, e que vigiar apenas os nevos conhecidos deixa passar caso.

A régua brasileira de suspeita, tanto nas Diretrizes do Ministério da Saúde quanto no protocolo do TelessaúdeRS, é o ABCDE: Assimetria (geométrica, em dois eixos), Bordas irregulares, pelo menos duas Cores diferentes na lesão, Diâmetro maior que 6 mm e Evolução — mudança recente de tamanho, forma, cor ou aspecto. O protocolo gaúcho considera suspeita a lesão melanocítica com um único critério do ABCDE, não com todos os cinco. Esse detalhe é o que separa a leitura correta da leitura restritiva do enunciado.

Ao lado do ABCDE vale o sinal do patinho feio: numa pessoa com vários nevos, os nevos tendem a se parecer entre si; a lesão com padrão diferente das outras é a suspeita, ainda que isoladamente pareça banal. É um critério de comparação, não de descrição — e é o que resgata o melanoma pequeno e o amelanótico.

As Diretrizes de 2022 trazem também a lista de sete pontos, que separa características mais relevantes (mudança de tamanho, pigmentação irregular, borda irregular) das menos relevantes (inflamação, sensação alterada ou coceira, lesão maior do que as outras, exsudação ou crostas). Sangramento, ulceração e prurido tardios costumam aparecer nos enunciados como sinais de doença já avançada, não de doença inicial.

A dermatoscopia tem especificidade maior que o exame a olho nu. Os achados dermatoscópicos que as Diretrizes listam como suspeitos são pigmentação assimétrica, pseudópodes (estrias irregulares na periferia), véu cinza-azulado (áreas de regressão tumoral) e arquitetura vascular atípica. Dermatoscopia sugestiva não substitui a biópsia — ela seleciona quem vai à biópsia.

Corte transversal da pele com lesão pigmentada invadindo a derme e uma linha vertical marcando a distância entre a camada granulosa da epiderme e a célula tumoral mais profunda.
O índice de Breslow é uma distância: da camada granulosa da epiderme até a célula neoplásica mais profunda, em milímetros. É essa medida, e não o diâmetro da lesão na pele, que define margem, estádio e prognóstico.

Quem é de alto risco — e o que muda no seguimento dessa pessoa

O protocolo do TelessaúdeRS define alto risco para melanoma de forma objetiva: a pessoa precisa reunir três ou mais dos seis critérios da lista, ou os critérios E e F juntos. São eles: (A) fototipo I ou II de Fitzpatrick; (B) efélides; (C) história de queimadura solar com formação de bolhas antes dos 20 anos; (D) história de bronzeamento artificial antes dos 35 anos; (E) mais de 50 nevos melanocíticos ou pelo menos um nevo atípico confirmado por exame anatomopatológico; (F) um familiar de primeiro grau ou dois ou mais familiares de qualquer grau com história de melanoma.

A combinação E e F valer sozinha, sem os demais, não é detalhe burocrático: nevo atípico comprovado somado a história familiar é o perfil de maior risco da lista, e é ele que sustenta o encaminhamento à Dermatologia para vigilância — mesmo sem lesão suspeita no momento da consulta.

Os fototipos de Fitzpatrick que interessam aqui são os extremos: fototipo I (pele branco-pálida, não se bronzeia, queima facilmente) e fototipo II (pele branca, bronzeia-se com dificuldade, queima facilmente). Do III ao VI a capacidade de bronzear cresce e a de queimar cai — o VI escurece e não se queima. Fototipo alto não é imunidade: o melanoma lentiginoso acral, de palmas, plantas e leito ungueal, aparece em pele pigmentada e não tem relação com exposição solar cumulativa, o que faz dele o subtipo classicamente subdiagnosticado e diagnosticado tarde.

Outros fatores que as Diretrizes listam: nevos displásicos, nevos melanocíticos congênitos, lentigo maligno, história pessoal de melanoma, exposição solar intermitente com queimaduras (sobretudo na infância), uso de câmaras de bronzeamento e estados de imunossupressão. As duas vias patogênicas descritas são a exposição solar cumulativa no local do futuro tumor em pessoas sensíveis ao sol e a exposição precoce ou intermitente somada à propensão a nevos, de fundo genético.

Encaminhamento à Dermatologia, no protocolo gaúcho, cabe para nevo melanocítico congênito maior que 20 cm, para dois ou mais nevos congênitos maiores que 1,5 cm, para seguimento clínico de melanoma prévio e para o paciente de alto risco. Repare que nenhuma dessas quatro situações é lesão suspeita — a lesão suspeita segue outro caminho, mais rápido, descrito adiante.

A biópsia que define o caso — e as que estragam o caso

As Diretrizes de 2022 são diretas: realizar biópsia excisional da lesão com margens de 1 a 2 mm de pele normal e com bainha de gordura. Margem estreita de propósito. A intenção não é tratar, é obter a lesão inteira, em profundidade, para medir. Raspagens e curetagens são contraindicadas — elas seccionam a lesão em plano horizontal e tornam a espessura impossível de medir, ou pior, medível para menos.

A SBOC 2026 aceita a biópsia incisional (elíptica ou por punch) quando a lesão é extensa ou está em local onde a retirada completa causaria dano funcional ou estético, especialmente face e extremidades, com a orientação de dirigir a amostra ao ponto mais profundo da lesão. Também considera aceitável o shaving profundo, mas não o shaving superficial. As duas fontes convergem no essencial: o que não pode é sair uma amostra que não permita medir a profundidade.

O laudo histopatológico tem itens obrigatórios nas Diretrizes: espessura de Breslow; presença ou ausência de ulceração; taxa mitótica dérmica; avaliação do status das margens profunda e periférica; presença ou ausência de microssatelitose; existência de desmoplasia pura; e existência de invasão linfovascular ou angiolinfática. Laudo que só diz 'melanoma' não permite estadiar nem decidir margem, e devolver esse laudo ao patologista é conduta, não formalidade.

O índice de Breslow é a profundidade de invasão medida em milímetros, da camada granulosa da epiderme até a base da lesão. Os níveis de Clark descrevem a mesma coisa por camada anatômica invadida: nível I limitado à epiderme ou à junção (melanoma in situ), II derme papilar superficial, III toda a derme papilar, IV derme reticular, V hipoderme. Clark aparece na prova como conhecimento histórico e como critério secundário — quem decide margem e estádio é Breslow, com a ulceração ao lado.

Os quatro tipos histológicos mais comuns são o melanoma extensivo superficial, o nodular, o lentigo maligno e o lentiginoso acral. Padrão de crescimento nodular, idade avançada e sexo masculino são apontados nas Diretrizes como fatores prognósticos desfavoráveis. O nodular é o que cresce em profundidade desde cedo — é o subtipo que chega espesso mesmo com pouco tempo de história e diâmetro pequeno, e por isso o critério D do ABCDE isolado engana.

Breslow, ulceração e o T do AJCC

O estadiamento T do melanoma tem duas variáveis apenas: espessura e ulceração. A espessura define o número (T1 a T4) e a ulceração define a letra (a sem ulceração, b com ulceração). A única exceção ao padrão está no T1, onde entrou o corte de 0,8 mm: T1a é a lesão com menos de 0,8 mm sem ulceração, e T1b abrange tanto a lesão com menos de 0,8 mm com ulceração quanto a de 0,8 a 1,0 mm, com ou sem ulceração.

Esse corte de 0,8 mm não é decorativo. As próprias Diretrizes registram que lesões com menos de 0,8 mm tipicamente têm pouco acesso a vasos linfáticos e sanguíneos, o que torna baixa a probabilidade de metástase locorregional ou a distância — e é exatamente por isso que 0,8 mm virou o divisor de águas na discussão do linfonodo sentinela.

Do T2 em diante a lógica é regular: T2 acima de 1,0 até 2,0 mm; T3 acima de 2,0 até 4,0 mm; T4 acima de 4,0 mm. A letra a ou b sai só da ulceração. Melanoma in situ é Tis, e melanoma cuja espessura não pôde ser avaliada — o caso clássico é o material obtido por curetagem — é TX, que é a tradução formal do estrago de uma biópsia mal escolhida.

O agrupamento por estádios clínicos, na tabela da SBOC 2026, segue direto do T enquanto não há linfonodo: estádio 0 é Tis; ia é T1a; Ib reúne T1b e T2a; IIa reúne T2b e T3a; IIb reúne T3b e T4a; IIC é T4b. Qualquer T com N1, N2 ou N3 é estádio III; qualquer M1 é estádio IV. Ou seja: no melanoma localizado, saber espessura e ulceração já dá o estádio inteiro.

Nos estádios clínicos I e II não é necessário exame de imagem de rotina — as Diretrizes reservam imagem para indicação clínica. Exames séricos também não são de rotina; a desidrogenase láctica (LDH) entra no estádio IV, porque faz parte da classificação M. Nos estádios III e IV consideram-se tomografia de tórax, abdome e pelve, com tomografia cervical quando o primário está em pescoço, face ou couro cabeludo, e ressonância magnética de encéfalo a considerar do estádio IIIB ao IV, mesmo em paciente assintomático.

Margens ampliadas: a tabela que a prova cobra

Confirmado o diagnóstico e conhecida a espessura, faz-se a excisão radical da cicatriz remanescente com ampliação de margens. A justificativa das Diretrizes para ampliar é a frequência de lesões satélites: margem estreita se associa a recidiva local. A largura da ampliação varia conforme o Breslow, e o quadro de margens das Diretrizes de 2022 coincide, valor a valor, com a tabela da SBOC de 2026 — é dos poucos pontos do tema em que os documentos brasileiros não se afastam.

Melanoma in situ: 0,5 a 1,0 cm. Breslow de até 1,0 mm: 1,0 cm. Acima de 1,0 até 2,0 mm: 1,0 a 2,0 cm. Acima de 2,0 até 4,0 mm: 2,0 cm. Acima de 4,0 mm: 2,0 cm — a margem não continua crescendo depois de 4 mm, e a alternativa que oferece 3 ou 5 cm para o tumor espesso costuma ser o distrator.

Margem maior que 2 cm não melhora desfecho. As Diretrizes citam revisão sistemática com metanálise de 2021 comparando margens estreitas (1 a 2 cm) com largas (3 a 5 cm), sem diferença estatisticamente significativa em recorrência locorregional, recorrência local, metástases em trânsito, metástase linfonodal regional, metástase a distância nem mortalidade. Do outro lado, a SBOC 2026 registra atualização de estudo randomizado indicando que 1 cm é insuficiente acima de 2,0 mm de Breslow, com pior sobrevida doença-específica. As duas informações combinam: o intervalo útil é estreito, e é dentro dele que a tabela se move.

A maioria dos pacientes chega em estádio inicial, e nesses casos o tratamento cirúrgico é curativo em 70% a 90% — número que as Diretrizes trazem e que ajuda a dimensionar por que a discussão de margem e de sentinela pesa mais, na prática brasileira, do que a discussão de imunoterapia.

Linfonodo sentinela: para que serve e quem opera

O linfonodo sentinela é o primeiro linfonodo a receber a linfa da região do tumor, e por isso o de maior risco de conter célula tumoral. Sua pesquisa é procedimento de estadiamento e de prognóstico — preditora de recorrência e de sobrevida —, não é terapêutica. Quando o sentinela é negativo, a probabilidade de não haver doença metastática naquela cadeia é superior a 95%, e o paciente é poupado de um esvaziamento que traria linfedema sem benefício.

A técnica descrita nas Diretrizes é a linfocintilografia pré-operatória com tecnécio associada a corante azul patente e gama-probe intraoperatório, seguida da biópsia do linfonodo identificado. As Diretrizes desaconselham o exame de congelação: ele reduz a sensibilidade e consome parte do linfonodo, prejudicando a detecção de células isoladas.

Sentinela positivo já não implica linfadenectomia completa automática. Os estudos MSLT-II e DeCOG não mostraram ganho de sobrevida com a dissecção completa comparada à observação com ultrassonografia seriada da base nodal, e a SBOC 2026 recomenda o acompanhamento ecográfico como padrão, reservando a linfadenectomia para quem tem múltiplos sentinelas acometidos ou não tem acesso confiável a seguimento clínico e ultrassonográfico. Essa ressalva de acesso é uma decisão brasileira explícita: onde a vigilância não é exequível, opera-se.

Quem opera o quê, no protocolo do TelessaúdeRS, depende do tamanho e do sítio. Suspeita clínica de melanoma vai para Oncologia Cirurgia de Pele. Melanoma já confirmado vai para Oncologia Cirurgia de Pele se houver indicação de sentinela, ou se a ampliação de margens não puder ser feita na Atenção Primária nem na Dermatologia. Lesão bucal com suspeita de melanoma e melanoma bucal confirmado vão para Oncologia Cirurgia de Cabeça e Pescoço. Melanoma avançado com metástase a distância vai para Oncologia Clínica. E a lesão suspeita, diz o protocolo, deve ser avaliada em serviço de referência com brevidade.

Doença avançada: o que o SUS oferece e por quê

O melanoma é considerado tumor resistente à radioterapia. Ela permanece útil em situações selecionadas — tumor irressecável, metástase cerebral, tumor muito extenso, linfonodomegalia volumosa, alto risco cirúrgico, alívio de sintomas e casos em que o resultado estético da cirurgia seria desfavorável, sobretudo em face, cabeça e pescoço.

No tratamento sistêmico, o marco brasileiro é o Relatório de Recomendação nº 541, de julho de 2020, da Conitec, que recomendou a incorporação da classe anti-PD1 (nivolumabe ou pembrolizumabe) para primeira linha do melanoma avançado irressecável e metastático. Os números que sustentaram a decisão estão no próprio relatório citado pelas Diretrizes: sobrevida global em cinco anos de 70% com imunoterapia isolada contra cerca de 40% com dacarbazina, e sobrevida mediana de 36 meses contra 11 meses.

O ipilimumabe teve recomendação de não incorporação em 2018 (Relatório nº 391), com a justificativa de já existirem imunoterapias mais eficazes registradas no país. A alfainterferona foi incorporada em 2012 para quimioterapia adjuvante do estádio III e continua sendo o que a tabela do SUS descreve nessa rubrica — enquanto as diretrizes internacionais, citadas pelas próprias Diretrizes brasileiras, deixaram de recomendá-la por benefício pequeno e tolerância pior que a das terapias modernas.

Vale saber o que a tabela do SUS nomeia, porque enunciado de prova de gestão usa esses códigos: quimioterapia paliativa do melanoma maligno avançado e quimioterapia adjuvante de melanoma maligno, além dos procedimentos de radioterapia de pele, de metástase em sistema nervoso central e de radioterapia externa. As Diretrizes determinam que o paciente com melanoma seja atendido em serviço habilitado em oncologia, e que a responsabilidade pelo fornecimento do antineoplásico é do hospital habilitado, público ou privado.

Pesquisa de mutação de BRAF entra no estadiamento do estádio III e IV pela SBOC 2026, e as Diretrizes de 2022 registram que não existe mutação universal do melanoma — a classificação genômica sugere quatro subgrupos: BRAF, RAS, NF1 e tipo selvagem triplo. Terapia-alvo com inibidores de BRAF e MEK aparece nas diretrizes internacionais para o mutado V600; o corpo brasileiro descreve essas opções sem as incorporar como primeira linha.

Seguimento, gestação e prevenção

O seguimento é escalonado por estádio nas Diretrizes de 2022, e a regra geral é: depois de cinco anos, todos os pacientes seguem anualmente; quem também tem nevos displásicos passa a consultas semestrais, porque o risco de um segundo tumor primário é maior nesse grupo e em quem tem história familiar. O exame anual deve continuar por pelo menos dez anos, e preferencialmente por toda a vida, porque cerca de 3% dos pacientes têm recidiva tardia.

Melanoma in situ tratado não exige seguimento oncológico após o tratamento inicial, a avaliação do resultado e as orientações — o que não dispensa a vigilância cutânea de quem já mostrou ter pele que faz melanoma.

Na gestação, a orientação das Diretrizes é clara e costuma cair como pegadinha: deve-se biopsiar qualquer lesão pigmentada que se altere durante a gravidez, e a biópsia excisional pode ser feita com segurança sob anestesia local em qualquer momento da gestação — não se adia para o pós-parto. O tratamento recomendado é o mesmo de mulheres não grávidas. Mulheres que desejam engravidar após excisão de melanoma em estádio I ou II devem ser aconselhadas a postergar a gravidez por dois anos, pelo risco aumentado de recorrência.

Prevenção é fotoproteção e reconhecimento precoce: proteção contra queimadura solar, sobretudo na infância, e não uso de câmaras de bronzeamento — o bronzeamento artificial antes dos 35 anos é critério de alto risco no protocolo gaúcho. Não há, no Brasil, programa de rastreamento populacional de melanoma; o que existe é a busca ativa de lesão suspeita nos grupos de risco durante o exame clínico, e o encaminhamento rápido quando a lesão aparece.

04

Da lesão suspeita à margem definitiva

A sequência abaixo é a mesma nos três documentos brasileiros e é o esqueleto que a maioria das questões percorre. O ponto em que os documentos se separam — o limiar do linfonodo sentinela — está isolado no bloco seguinte.

  1. 1Lesão melanocítica com um ou mais critérios do ABCDE, ou com o sinal do patinho feio: classificar como suspeita.
  2. 2Biópsia excisional com margem de 1 a 2 mm de pele normal, incluindo a bainha de gordura. Não usar raspagem nem curetagem; incisional dirigida ao ponto mais profundo só quando a excisão completa causaria dano funcional ou estético.
  3. 3Ler no laudo: Breslow, ulceração, taxa mitótica, margens profunda e periférica, microssatelitose, desmoplasia, invasão linfovascular.
  4. 4Com Breslow e ulceração, definir T e o estádio clínico (sem linfonodo palpável, o T já entrega o estádio).
  5. 5Definir a margem de ampliação pela espessura e programar a excisão da cicatriz remanescente.
  6. 6Avaliar indicação de pesquisa do linfonodo sentinela antes da ampliação, porque a ampliação altera a drenagem linfática.
  7. 7Estádio I e II: sem imagem de rotina. Estádio III e IV: tomografia de tórax, abdome e pelve, LDH no IV, ressonância de encéfalo a considerar do IIIB em diante.
  8. 8Encaminhar conforme o protocolo: lesão suspeita e melanoma confirmado com indicação cirúrgica para Oncologia Cirurgia de Pele; lesão bucal para Cabeça e Pescoço; doença metastática para Oncologia Clínica.

T1 — até 1,0 mm

Invasão superficial. T1a abaixo de 0,8 mm sem ulceração; T1b abaixo de 0,8 mm com ulceração ou de 0,8 a 1,0 mm com ou sem ulceração. Margem de ampliação de 1,0 cm.

T2 — acima de 1,0 até 2,0 mm

Derme papilar. T2a sem ulceração, T2b com ulceração. Margem de ampliação de 1,0 a 2,0 cm.

T3 — acima de 2,0 até 4,0 mm

Derme reticular. T3a sem ulceração, T3b com ulceração. Margem de ampliação de 2,0 cm.

T4 — acima de 4,0 mm

Derme profunda e hipoderme. T4a sem ulceração, T4b com ulceração — T4b sozinho já é estádio IIC. Margem de ampliação de 2,0 cm: ela não cresce mais.

Espessura de BreslowMargem de ampliação
Melanoma in situ0,5 a 1,0 cm
Até 1,0 mm1,0 cm
Acima de 1,0 até 2,0 mm1,0 a 2,0 cm
Acima de 2,0 até 4,0 mm2,0 cm
Acima de 4,0 mm2,0 cm

Categoria T do melanoma cutâneo (AJCC 8ª edição, como reproduzida pelas Diretrizes de 2022)

CategoriaEspessuraUlceração
TisMelanoma in situNão se aplica
TXNão pôde ser avaliada (ex.: material de curetagem)Não se aplica
T1aAbaixo de 0,8 mmSem ulceração
T1bAbaixo de 0,8 mm / de 0,8 a 1,0 mmCom ulceração / com ou sem ulceração
T2aAcima de 1,0 até 2,0 mmSem ulceração
T2bAcima de 1,0 até 2,0 mmCom ulceração
T3aAcima de 2,0 até 4,0 mmSem ulceração
T3bAcima de 2,0 até 4,0 mmCom ulceração
T4aAcima de 4,0 mmSem ulceração
T4bAcima de 4,0 mmCom ulceração

Estádio clínico quando não há linfonodo acometido nem metástase (M0, N0)

EstádioT correspondente
0Tis
IAT1a
IBT1b ou T2a
IIAT2b ou T3a
IIBT3b ou T4a
IICT4b

Periodicidade do seguimento por estádio (Diretrizes do Ministério da Saúde, 2022)

EstádioExame físicoExames de imagem
0Não necessita seguimento após tratamento inicial, avaliação do resultado e orientaçõesNão indicados
IA a IIAA cada 6 a 12 meses nos primeiros 5 anos; depois, anualNão de rotina — apenas se sintoma sugestivo de metástase
IIB a IICA cada 3 a 6 meses por 2 anos; depois a cada 6 a 12 meses por 3 anos; depois anualA cada 3 a 12 meses nos 3 primeiros anos, conforme a condição clínica
III e alémA cada 3 a 6 meses por 2 anos; depois a cada 6 a 12 meses por 3 anosConforme estadiamento e indicação clínica

Critérios de alto risco para melanoma (TelessaúdeRS-UFRGS, 2023) — três ou mais critérios, ou E e F juntos

CritérioDescrição
AFototipo I ou II de Fitzpatrick
BEfélides
CQueimadura solar com formação de bolhas antes dos 20 anos
DBronzeamento artificial antes dos 35 anos
EMais de 50 nevos melanocíticos ou pelo menos um nevo atípico confirmado por anatomopatológico
FUm familiar de primeiro grau ou dois ou mais familiares de qualquer grau com melanoma

A tabela de margens é a mesma nas Diretrizes de 2022 e na SBOC 2026, mas o quadro original do Ministério da Saúde imprime as faixas como 'entre 1,0 e 2,0 mm' e 'entre 2,1 e 4,0 mm' — o que sobrepõe o valor 1,0 mm com a faixa anterior e deixa sem faixa própria as espessuras entre 2,01 e 2,09 mm. As faixas acima estão escritas segundo as categorias T do AJCC, que o próprio documento reproduz: até 1,0; acima de 1,0 até 2,0; acima de 2,0 até 4,0; acima de 4,0.

A ordem importa: pesquisa-se o linfonodo sentinela antes ou no mesmo tempo cirúrgico da ampliação de margens. Ampliar primeiro altera a drenagem linfática da região e compromete a linfocintilografia.

Sem linfonodo palpável e sem metástase, o estádio do melanoma sai inteiro de duas informações do laudo: espessura e ulceração.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

A partir de que espessura se pesquisa o linfonodo sentinela

Acima de 1,0 mm como indicação firme; abaixo disso, decisão compartilhada

As Diretrizes de 2022 indicam a pesquisa do sentinela para melanoma com espessura maior que 1,0 mm. Para o estádio IB / T1b (abaixo de 0,8 mm com ulceração, ou de 0,8 a 1,0 mm com ou sem ulceração), e ocasionalmente para T1a abaixo de 0,8 mm com fatores de mau prognóstico como invasão linfovascular e ulceração, o texto determina que riscos e benefícios sejam discutidos com o paciente — não estabelece indicação automática.

Ministério da Saúde, Portaria Conjunta SAES/SCTIE/MS nº 19, de 25 de outubro de 2022 (Diretrizes Diagnósticas e Terapêuticas do Melanoma Cutâneo).

Acima de 0,8 mm, ou ulceração, ou invasão linfovascular — critério objetivo de encaminhamento

O protocolo de encaminhamento transforma a discussão em regra binária, para uso na Atenção Primária: na ausência de sinais clínicos de metástase regional ou a distância, investiga-se o sentinela se Breslow maior que 0,8 mm, ou se houver ulceração, ou se houver invasão linfovascular. Metástase a distância exclui a indicação. O documento declara-se adaptação das Diretrizes de 2022, mas baixa o limiar de 1,0 para 0,8 mm e dispensa a decisão caso a caso.

TelessaúdeRS-UFRGS, Protocolos de encaminhamento para Dermatologia, versão digital 2023 (Quadro 6).

Acima de 0,8–1,0 mm, com critérios secundários adicionais

A diretriz da sociedade brasileira de oncologia clínica indica a biópsia do sentinela na ausência de acometimento linfonodal clínico quando Breslow é maior que 0,8–1,0 mm (evidência alta, recomendação forte), quando é menor que 0,8–1,0 mm com ulceração, e quando a margem profunda positiva subestima a espessura. Acrescenta critérios secundários que o corpo brasileiro anterior não lista: índice mitótico igual ou maior que 2 por mm², nível de Clark IV ou V e invasão angiolinfática.

SBOC, Diretrizes de tratamentos oncológicos 2026 — Melanoma cutâneo, publicada em 19 de maio de 2026.

Na prova

A causa do afastamento é temporal, não conceitual: o corte de 0,8 mm entrou no AJCC 8ª edição e foi sendo absorvido pelos documentos brasileiros em anos diferentes — 2022 para o Ministério, 2023 para o protocolo de encaminhamento, 2026 para a sociedade. Como a faixa de conflito é estreita, o enunciado costuma sair dela: espessura acima de 1,0 mm sem linfonodo palpável tem indicação nos três documentos, e melanoma in situ não tem em nenhum. Quando a vinheta cai justamente entre 0,8 e 1,0 mm, o recorte aparece no cenário e no vocabulário — encaminhamento a partir de UBS, fila regulada e critério binário apontam para o protocolo estadual; 'discutir riscos e benefícios com o paciente' e menção a estádio IB apontam para o texto do Ministério; índice mitótico por mm² e nível de Clark como critério de decisão só existem no documento de 2026.

O que fazer quando o linfonodo sentinela é positivo

Linfadenectomia seletiva, guiada por recidiva e por necessidade de definir adjuvância

As Diretrizes de 2022 registram que dois ensaios clínicos randomizados compararam a dissecção linfonodal completa com observação clínica acompanhada de palpação e ultrassonografia e não mostraram ganho de sobrevida relacionada ao melanoma nem de sobrevida livre de metástases, com menos linfedema no grupo observado. O documento indica a dissecção completa na recidiva sob acompanhamento ecográfico, quando o exame dos linfonodos for determinante para a terapia adjuvante, e quando há metástase em linfonodo regional caracterizando estádio III.

Ministério da Saúde, Portaria Conjunta nº 19/2022, item 7.1.3 (esvaziamento linfático e ressecção).

Ultrassonografia seriada da base nodal como padrão, com linfadenectomia condicionada ao acesso

A diretriz de 2026 recomenda, com evidência alta e recomendação forte, o acompanhamento seriado com ultrassonografia da base nodal sem linfadenectomia complementar, apoiada nos estudos DeCOG e MSLT-II. Ressalva expressa: em pacientes sem acesso adequado a serviço de acompanhamento clínico ou ultrassonográfico, ou com múltiplos linfonodos sentinela acometidos, a linfadenectomia pode ser considerada.

SBOC, Diretrizes de tratamentos oncológicos 2026 — Melanoma cutâneo.

Na prova

As duas posições nascem dos mesmos dois ensaios e chegam perto uma da outra; a diferença é de ênfase e de ano. A ressalva de 2026 é de exequibilidade, e é ela que costuma ser cobrada: a vigilância ultrassonográfica só substitui a cirurgia onde existe ultrassonografia acessível e adesão ao seguimento — em cenário de rede sem esse recurso, a diretriz brasileira admite operar. Enunciado que descreve o paciente que mora longe, que já faltou a consultas ou que não tem serviço de imagem disponível está sinalizando esse recorte.

Tratamento sistêmico do melanoma avançado: estado da arte e o que está incorporado

Imunoterapia e terapia-alvo em múltiplos arranjos, guiados por BRAF

As diretrizes internacionais reproduzidas dentro do documento brasileiro oferecem, para o melanoma metastático ou irressecável com BRAF tipo selvagem, ipilimumabe associado a nivolumabe seguido de nivolumabe, nivolumabe em monoterapia ou pembrolizumabe; e, para o mutado BRAF V600, essas opções mais dabrafenibe com trametinibe, encorafenibe com binimetinibe ou vemurafenibe com cobimetinibe. Na adjuvância do estádio III ressecável, nivolumabe ou pembrolizumabe por 52 semanas.

Recomendações da ASCO e diretrizes escocesas, conforme descritas e referenciadas nas Diretrizes do Ministério da Saúde de 2022 (item 7).

Classe anti-PD1 em primeira linha do avançado; ipilimumabe não incorporado; alfainterferona na adjuvância desde 2012

A Conitec recomendou, no Relatório nº 541 de julho de 2020, a incorporação da classe anti-PD1 (nivolumabe ou pembrolizumabe) para primeira linha do melanoma avançado irressecável e metastático, com sobrevida global em cinco anos de 70% contra cerca de 40% da dacarbazina e mediana de 36 contra 11 meses. O ipilimumabe recebeu recomendação de não incorporação no Relatório nº 391, de outubro de 2018, por já existirem imunoterapias mais eficazes registradas no país. Para a adjuvância do estádio III, o que foi incorporado, em 2012, foi a alfainterferona.

Conitec, Relatórios de Recomendação nº 391/2018 e nº 541/2020, e Diretrizes Diagnósticas e Terapêuticas do Melanoma Cutâneo (2022).

Na prova

A causa aqui é de custo e de calendário de incorporação, não de discordância científica: as próprias Diretrizes brasileiras registram que a alfainterferona tem benefício pequeno e que as terapias modernas são mais eficazes e mais bem toleradas, e ainda assim ela é o que está incorporado para adjuvância do estádio III desde 2012. Cenário de rede pública, menção a serviço habilitado em oncologia ou a procedimento da tabela do SUS puxa a leitura para o corpo incorporado; centro terciário, teste de BRAF disponível e arranjos combinados de imunoterapia com terapia-alvo puxam para o corpo internacional. Prova oficial do MEC tende a cobrar a conduta do SUS; em outras bancas, o distrator que cita esquema combinado indisponível na rede denuncia o recorte.

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Caso resolvido

Homem de 61 anos, pele branca que queima facilmente e nunca bronzeia, pedreiro aposentado, procura a UBS por causa de uma 'pinta que mudou' no dorso. Refere que a lesão existe há anos, mas que nos últimos oito meses ficou maior e escureceu de forma desigual. Ao exame: lesão pigmentada de 9 mm no dorso, assimétrica, com bordas recortadas e duas tonalidades de marrom com uma área enegrecida. Não há ulceração nem sangramento. Palpação axilar e cervical sem linfonodomegalia. Tem várias outras lesões pigmentadas no tronco, todas de aspecto uniforme entre si — a do dorso destoa das demais.
achado
Lesão melanocítica com quatro critérios do ABCDE (assimetria, bordas irregulares, duas ou mais cores, diâmetro maior que 6 mm) e evolução relatada, somada ao sinal do patinho feio. Basta um critério para configurar suspeita clínica de melanoma; aqui há cinco.
conduta imediata
Biópsia excisional da lesão com margem de 1 a 2 mm de pele normal, incluindo a bainha de gordura. Curetagem, raspagem ou shaving superficial estão fora: destroem a medida da espessura e podem tornar o tumor inclassificável (TX). Ampliação de margens não se faz agora — o Breslow ainda não existe.
encaminhamento
Suspeita clínica de melanoma é condição de encaminhamento para Oncologia Cirurgia de Pele, com avaliação em serviço de referência com brevidade. O encaminhamento deve trazer localização, tamanho em centímetros, características (assimetria, bordas, cores, crescimento), presença de ulceração, tempo de evolução, fotografias da lesão e o laudo anatomopatológico quando já houver.
laudo
Melanoma extensivo superficial, Breslow 1,6 mm, sem ulceração, taxa mitótica 1/mm², margens laterais e profunda livres, sem microssatelitose e sem invasão linfovascular. Isso é T2a. Sem linfonodo palpável e sem metástase, o estádio clínico é IB.
tratamento
Ampliação de margens de 1,0 a 2,0 cm sobre a cicatriz remanescente, e pesquisa do linfonodo sentinela — indicada nos três documentos brasileiros, já que a espessura passa de 1,0 mm e não há linfonodo clinicamente acometido. A pesquisa do sentinela precede ou acompanha a ampliação, nunca vem depois.
estadiamento e seguimento
Estádio clínico I não pede imagem de rotina nem exames séricos. Se o sentinela vier negativo, o seguimento do estádio IB é exame físico a cada 6 a 12 meses nos primeiros 5 anos e, depois, anual — mantido por pelo menos dez anos, com orientação de fotoproteção e autoexame da pele.
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Agora feche você

Mulher de 47 anos, fototipo III, chega ao ambulatório com laudo de biópsia excisional de lesão do braço esquerdo realizada há três semanas: melanoma nodular, índice de Breslow de 3,4 mm, com ulceração, margem profunda comprometida, invasão angiolinfática presente. Ao exame não há linfonodo axilar palpável, não há lesões satélites e o restante do exame físico é normal. A paciente traz também um pedido, feito por outro serviço, de tomografia de tórax e abdome.
achado
Breslow de 3,4 mm com ulceração corresponde a T3b. Sem linfonodo clinicamente acometido e sem metástase conhecida, o estádio clínico é IIB.
conduta
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Onde a banca derruba

  1. 1Tratar a primeira cirurgia como definitiva e já ampliar 2 cm Parece eficiente — resolve tudo numa cirurgia só. Só que a espessura ainda não é conhecida quando a primeira lâmina é feita, e a ampliação altera a drenagem linfática da região, comprometendo a linfocintilografia e a pesquisa do sentinela. A biópsia inicial é diagnóstica, com margem de 1 a 2 mm; a ampliação vem depois, calibrada pelo Breslow.
  2. 2Curetagem, raspagem ou shaving superficial em lesão pigmentada suspeita Atrai porque é o gesto rápido do consultório e porque resolve bem a ceratose actínica e a queratose seborreica. No melanoma seciona o tumor no plano errado, impede medir a profundidade e leva à categoria TX — sem espessura, não há margem, não há estádio e não há decisão sobre sentinela. As Diretrizes contraindicam expressamente raspagem e curetagem.
  3. 3Exigir todos os cinco critérios do ABCDE para chamar de suspeita A leitura de que a lesão precisa ser assimétrica, de bordas irregulares, de várias cores, maior que 6 mm e em evolução para virar suspeita é o filtro que deixa passar o melanoma nodular — que cresce em profundidade, é simétrico, pequeno e de cor uniforme. Um critério basta, e o sinal do patinho feio existe justamente para pegar a lesão que não preenche nenhum.
  4. 4Achar que pele mais pigmentada dispensa a suspeita Fototipos altos têm menor incidência de melanoma ligado à exposição solar, e isso vira, no raciocínio apressado, uma dispensa de investigação. O melanoma lentiginoso acral aparece em palma, planta e leito ungueal, não guarda relação com sol cumulativo e é o subtipo que mais chega tarde. Lesão pigmentada nova ou em mudança nessas regiões é suspeita, qualquer que seja o fototipo.
  5. 5Aumentar a margem porque o tumor é espesso A intuição de que tumor maior pede margem maior é forte, e a alternativa com 3 cm ou 5 cm parece a mais segura. A margem para de crescer em 2,0 cm: é a mesma para a faixa acima de 2,0 até 4,0 mm e para acima de 4,0 mm. A metanálise citada pelas Diretrizes não encontrou diferença de recorrência nem de mortalidade entre margens de 1 a 2 cm e de 3 a 5 cm.
  6. 6Pedir tomografia e marcadores para todo melanoma recém-diagnosticado Parece diligência. Nos estádios clínicos I e II, exame de imagem não é rotina e exames séricos não são indicados de rotina — imagem se solicita por indicação clínica. LDH pertence ao estádio IV, porque integra a classificação M. Tomografia de tórax, abdome e pelve entram nos estádios III e IV, com tomografia cervical quando o primário está em face, pescoço ou couro cabeludo.
  7. 7Adiar a biópsia de lesão que mudou durante a gestação A intenção protetora é o que atrai. As Diretrizes determinam o contrário: biopsiar qualquer lesão pigmentada que se altere durante a gravidez, com biópsia excisional feita com segurança sob anestesia local em qualquer momento da gestação, sem adiar para o pós-parto, e com o mesmo tratamento das não gestantes. Postergar por dois anos é orientação para engravidar depois da excisão de melanoma em estádio I ou II — não para investigar.
  8. 8Assumir que sentinela positivo obriga esvaziamento completo Era a conduta histórica, e por isso continua soando correta. MSLT-II e DeCOG não mostraram ganho de sobrevida da dissecção completa sobre a observação com ultrassonografia seriada, e o custo em linfedema é real. A linfadenectomia permanece para linfonodo clinicamente acometido, para múltiplos sentinelas positivos e para quem não tem seguimento ultrassonográfico acessível.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

Diante de lesão suspeita de melanoma (regra ABCDE positiva), a conduta correta é a biópsia excisional com margem estreita (1-3 mm), que permite avaliar a espessura de Breslow e definir a margem definitiva. A biópsia por shave é contraindicada por fragmentar a lesão e impedir a medida correta da espessura. Crioterapia destrói a lesão sem diagnóstico e é proscrita. Excisão ampla de 2 cm imediata é excessiva antes de conhecer o Breslow. Apenas acompanhar uma lesão já suspeita atrasa o diagnóstico.

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Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

ABCDE com um critério já é suspeita, e o patinho feio pega quem não preenche nenhum. Biópsia excisional com margem de 1 a 2 mm e bainha de gordura — nunca curetagem ou raspagem. Breslow e ulceração dão o T inteiro: até 1,0 / acima de 1,0 até 2,0 / acima de 2,0 até 4,0 / acima de 4,0 mm, com 0,8 mm separando T1a de T1b. Margens: in situ 0,5–1,0 cm; até 1 mm, 1 cm; 1–2 mm, 1–2 cm; acima de 2 mm, 2 cm — e para de crescer aí.

em 30 dias

Sentinela é estadiamento, não tratamento, e vem antes da ampliação de margens; acima de 1,0 mm sem linfonodo palpável está indicado nos três documentos brasileiros, e a faixa de 0,8 a 1,0 mm é onde eles se separam (Ministério 2022, TelessaúdeRS 2023, SBOC 2026). Estádios I e II não pedem imagem nem exame sérico de rotina; LDH é do estádio IV. Seguimento IA–IIA: exame físico a cada 6 a 12 meses por 5 anos, depois anual, por pelo menos dez anos. Na gestação, lesão que muda se biopsia na hora. No SUS, primeira linha do avançado é anti-PD1 (nivolumabe ou pembrolizumabe), incorporada em 2020; a adjuvância do estádio III incorporada em 2012 é a alfainterferona.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Homem de 58 anos chega à UBS preocupado com uma lesão escura na sola do pé direito, que a esposa notou há uns cinco meses e que, segundo ele, 'era uma manchinha e agora está do tamanho de um feijão'. Trabalha na roça, tem pele morena e diz nunca ter tido problema de pele. Nega dor, mas relata que a lesão sangrou uma vez ao esfregar com a toalha. Conduza a consulta: caracterize a lesão, defina se há suspeita, escolha a abordagem diagnóstica e explique ao paciente o que vem depois. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Melanoma cutâneo — Preparatório para provas | OsceLabs