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Outras EspecialidadesDermatologia

Escabiose, pediculose e piodermites

Escabiose, pediculose e infecções bacterianas cutâneas (impetigo, erisipela)

Diagnóstico clínico, tratamento de contatos e sinais de gravidade

01

Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Homem de 58 anos, diabético, apresenta febre de 38,5°C, dor e edema em membro inferior direito com eritema de limites bem definidos, brilhante e elevado, de rápida progressão em 24 horas. Ao exame: PA 130x82 mmHg, FC 92 bpm, placa eritematosa quente e dolorosa em perna, sem crepitação ou necrose, com linfangite ascendente. Qual é o agente etiológico mais frequentemente envolvido nesse quadro?

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Como esse tema cai

Escabiose, pediculose, impetigo e erisipela têm em comum o diagnóstico clínico e a prova que quase nunca pergunta o diagnóstico. O enunciado entrega a topografia, o horário do prurido, a cor da crosta ou a nitidez da borda, e cobra a decisão seguinte: quem mais precisa ser tratado junto, qual droga entra, quando o tópico deixa de bastar e em que ponto o caso sai da unidade básica.

A régua brasileira aqui é uma lista de medicamentos, não um protocolo clínico. A Rename 2024, instituída pela Portaria GM/MS nº 6.324/2024, coloca no Componente Básico a permetrina em loção nas duas concentrações que interessam — 10 mg/g (1%) para pediculose e 50 mg/g (5%) para escabiose —, a ivermectina 6 mg comprimido e a cefalexina 500 mg. Mupirocina, ácido fusídico, deltametrina, enxofre e benzoato de benzila ficam fora dessa lista nacional. É por isso que os protocolos de atenção primária brasileiros resolvem impetigo extenso com cefalexina oral e escabiose com permetrina ou ivermectina: a escolha de primeira linha é, antes de tudo, a que está na prateleira.

O texto federal que ainda descreve a escabiose é o verbete do guia de bolso de doenças infecciosas e parasitárias do Ministério da Saúde, de 2010. Ele convive com as respostas de segunda opinião formativa do TelessaúdeRS-UFRGS e com a nota técnica de surtos da vigilância goiana, de 2025, e nem sempre coincidem — o esquema da permetrina e o prazo de afastamento mudaram de 2010 para cá. O capítulo trata essas diferenças no bloco de divergências, com o ano de cada documento, porque as duas versões circulam em prova.

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O que muda decisão

Escabiose: o padrão que fecha o diagnóstico

O agente é o Sarcoptes scabiei variedade hominis. A fêmea escava a galeria no estrato córneo e deposita ovos; as larvas eclodem em três a quatro dias e o ciclo completo dura quatro a seis semanas. O prurido não vem do ácaro em si, e sim da reação alérgica aos seus produtos metabólicos — por isso o período de incubação vai de 1 dia a 6 semanas na primoinfestação e cai para poucos dias na reinfestação, quando o organismo já está sensibilizado. Essa é a explicação de um achado que confunde: o contato que começa a coçar dois dias depois já tinha tido escabiose antes.

O prurido é intenso e se intensifica à noite. A topografia é a assinatura do quadro: espaços interdigitais das mãos, face anterior dos punhos, pregas axilares anteriores, região periumbilical, cintura, coxas, sulco interglúteo, mamas e genitália externa masculina. No adulto a cabeça é poupada. Em lactentes e em idosos a distribuição sobe e se amplia — couro cabeludo, face, palmas das mãos e plantas dos pés entram na conta, e um lactente com vesicopústulas palmoplantares e irritabilidade noturna é escabiose até prova em contrário.

As lesões elementares são pápulas, vesículas e o sulco acarino, uma linha esbranquiçada ou acinzentada de poucos milímetros que corresponde ao trajeto da fêmea. Em cima delas quase sempre há escoriação, crosta e eczematização, que apagam a lesão original — o aluno que procura o sulco perfeito perde o diagnóstico. Dois achados valem por um exame complementar: o nódulo escabiótico, uma pápula ou nódulo eritêmato-acastanhado no escroto, no pênis ou nas axilas, que persiste semanas depois da cura e é reação de hipersensibilidade e não parasitose ativa; e o prurido em mais de um morador do mesmo domicílio. O diagnóstico é clínico e epidemiológico; a visualização do ácaro por raspado ou biópsia existe, mas não é exigida para tratar.

A escabiose crostosa, chamada de sarna norueguesa no guia federal, é outra doença do ponto de vista prático. Ocorre em imunossuprimidos, em idosos e em acamados, cursa com hiperceratose espessa e descamação intensa, e o prurido é discreto ou ausente — justamente porque falta a resposta imune que produz o prurido. A carga parasitária é de milhares de ácaros contra uma dezena da forma comum, o que a torna extremamente contagiosa e a explicação mais frequente para surto em instituição de longa permanência: o caso índice não coça, ninguém suspeita, e a equipe adoece antes do diagnóstico.

A complicação que a prova cobra é a infecção secundária pela coçadura, por Staphylococcus aureus ou por estreptococo beta-hemolítico. O guia federal registra que a piodermite estreptocócica sobre a escabiose pode levar à glomerulonefrite. A nota técnica de vigilância de 2025, citando a Organização Mundial da Saúde de 2023, vai além e trata a infecção cutânea associada à escabiose como fator de risco para doença renal e, possivelmente, para cardiopatia reumática — uma associação que o ensino clássico não fazia. O seguimento prático que decorre disso é modesto e concreto: em criança com piodermite extensa, vale checar o exame de urina algumas semanas depois.

Silhuetas de um adulto e de um lactente com as áreas típicas das lesões de escabiose destacadas.
No adulto a escabiose poupa a cabeça e se concentra nas pregas e na cintura; no lactente e no idoso ela sobe para o couro cabeludo, a face, as palmas e as plantas.

O esquema que a farmácia da unidade básica tem

A permetrina 5% em loção é a primeira linha e é a opção com o perfil de segurança mais largo: pode ser usada a partir de 2 meses de idade, na gestação e na lactação. A aplicação é a parte que mais falha na prática. Ela vai sobre pele seca, limpa e fria — banho quente antes aumenta a absorção sistêmica e a irritação —, do pescoço para baixo, cobrindo regiões que o paciente pula sozinho: atrás das orelhas, espaços interdigitais, palmas, plantas, região periumbilical, genitália, sulco interglúteo e a pele sob as unhas, que devem ser aparadas. Cerca de 30 mL bastam para um adulto médio. O produto permanece 8 a 14 horas e sai no banho, o que na prática significa aplicar antes de dormir e remover pela manhã. Repete-se a aplicação em 7 dias. Em menores de 2 a 3 anos e em idosos, o couro cabeludo, as orelhas e a face entram na aplicação, poupando as regiões periocular e perioral.

A ivermectina 6 mg por via oral é a alternativa sistêmica: 0,2 mg/kg em dose única, repetida em 7 dias, seguindo a escala de peso do guia federal. Ela não é usada em gestantes nem em quem pesa menos de 15 kg. Suas indicações preferenciais são justamente as situações em que o tópico não funciona ou não se sustenta: falha da terapia tópica, surto em comunidade fechada, eczema generalizado, imunossupressão, idoso, dermatite atópica e qualquer cenário em que aplicar loção em todo o corpo de várias pessoas seja irrealista. A dose única supervisionada é a razão de ela dominar o manejo de surto.

Tratar o caso índice sozinho é o erro que devolve o paciente à unidade em três semanas. Todos os que dividem o domicílio e todos os que tiveram contato pele a pele prolongado nas últimas 6 semanas são tratados ao mesmo tempo, no mesmo dia, mesmo assintomáticos — quem está no período de incubação transmite sem lesão visível, e o tratamento escalonado apenas ressemeia a casa. Parceria sexual entra nessa lista.

Os fômites são a outra metade da conduta. Roupas de cama, toalhas e roupas usadas nos últimos três dias vão para a máquina em água a 60 °C por pelo menos 20 minutos e depois para o ferro de passar ou a secadora. O que não puder ser lavado fica fechado em saco plástico por 7 dias, prazo que atende tanto o guia federal quanto a nota técnica estadual. Colchão e sofá não precisam de inseticida: o ácaro fora do hospedeiro sobrevive poucos dias.

Depois do tratamento correto, o prurido persiste por 2 a 4 semanas e diminui progressivamente — é o prurido pós-escabiótico, reação de hipersensibilidade residual, não falha. Trata-se com anti-histamínico sedante à noite, como a dexclorfeniramina, e com hidratante. A régua para diferenciar: sinais e sintomas que persistem sem melhora depois de 2 semanas configuram falha terapêutica; sintomas que somem e reaparecem depois de 4 semanas configuram reinfestação, e aí o problema está no domicílio ou nos contatos que ficaram de fora. Prurido que se arrasta além de 4 semanas com pele em melhora pede reavaliação para dermatite de contato ao próprio escabicida — o uso repetido de escabicida é iatrogenia clássica.

A escabiose crostosa exige os dois caminhos ao mesmo tempo: permetrina 5% em todo o corpo, incluindo couro cabeludo, face e pescoço, a cada 2 a 3 dias por 1 a 2 semanas, associada a ivermectina 0,2 mg/kg em 3, 5 ou 7 doses não consecutivas conforme a intensidade da infestação. Somam-se remoção mecânica das crostas com queratolítico e precaução de contato prolongada.

Surto, notificação e afastamento

O caso individual de escabiose fica fora da lista nacional de notificação compulsória, e o guia federal diz isso com todas as letras. O surto é outra história. A nota técnica de vigilância goiana de 2025 define surto como a ocorrência de 2 ou mais casos com vínculo epidemiológico em instituição fechada — escola, creche, hospital, instituição de longa permanência, unidade prisional — ou entre indivíduos institucionalizados; também conta como surto o aumento do número de casos acima do esperado para o município. Nesse cenário, a comunicação à vigilância epidemiológica municipal é imediata, preenche-se o relatório de investigação de surto e a notificação entra no Sinan pelo módulo de Notificação de Surto, com o CID B86, e a ficha deve ser inserida em até 7 dias do início dos casos.

As medidas de bloqueio são quatro e caem juntas em questão de vigilância: tratar simultaneamente casos e contatos, incluindo os profissionais que prestam cuidado direto; manter precaução de contato por 24 horas após o início da terapia eficaz; não compartilhar roupas, toalhas, roupas de cama e objetos de uso pessoal; e não transferir o paciente para outro serviço sem informar o diagnóstico ao estabelecimento que o recebe. Em instituição de longa permanência, a busca ativa precisa incluir o residente que não coça — a forma crostosa costuma ser o reservatório do surto.

Nada disso se confunde com programa de tratamento em massa. A Organização Mundial da Saúde, que incluiu a escabiose entre as doenças tropicais negligenciadas em 2017, recomenda administração em massa de ivermectina em duas doses de 200 mcg/kg quando a prevalência comunitária atinge 10% ou mais, com permetrina tópica para quem tem contraindicação ao oral. Essa é uma estratégia populacional de território endêmico, e no Brasil o manejo é por foco: caso, domicílio, instituição.

Pediculose da cabeça

O Pediculus humanus capitis dá prurido de predomínio occipital e retroauricular, escoriações na nuca e, com frequência, linfonodo cervical posterior palpável e piodermite secundária — criança levada à consulta por 'ínguas no pescoço' e crostas na nuca merece o pente antes do antibiótico. O diagnóstico de infestação ativa exige piolho vivo. Lêndea colada a mais de 1 cm do couro cabeludo é resíduo de infestação antiga, porque o cabelo cresce cerca de 1 cm por mês e o ovo já eclodiu ou inviabilizou; tratar por lêndea distante é sobretratamento.

A primeira linha é a permetrina 1% em loção. Lava-se o cabelo com xampu comum, sem condicionador — o condicionador forma película e reduz a fixação do produto —, aplica-se em cabelo quase seco saturando couro cabeludo, nuca e região retroauricular, deixa-se agir 10 minutos, enxagua-se com água morna e evita-se lavar o cabelo por 24 a 48 horas. Repete-se a aplicação no dia 9. Cabelo longo consome dois frascos; quantidade insuficiente é a causa mais banal de falha aparente.

Quando há falha verdadeira, subir a concentração de 1% para 5% não resolve, e essa é a pegadinha clássica. As alternativas são a ivermectina oral 200 a 400 mcg/kg em dose única repetida no sétimo dia, com o mesmo piso de 15 kg; a associação de permetrina 1% com sulfametoxazol-trimetoprima, que eleva a eficácia de cerca de 72% para 95%; a ivermectina 0,5% em loção manipulada, aplicação única de 10 minutos, a partir dos 6 anos; e a dimeticona 4% em loção, 8 horas de contato e repetição no dia 7 — a dimeticona age por asfixia física, não é neurotóxica e não seleciona resistência.

O restante do manejo é de contato e de ambiente. Examinam-se todos os conviventes; tratam-se os que têm piolho vivo ou lêndea a menos de 1 cm do couro cabeludo, e profilaticamente quem divide a cama. Pentes e escovas ficam em água quente por 5 a 10 minutos; acessórios de cabelo que não podem ser lavados ficam em saco plástico fechado por 2 semanas. A retirada mecânica das lêndeas com pente fino em cabelo úmido e com condicionador, a cada 2 a 3 dias, é complementar e opcional — é exigência escolar e estética, não substitui o pediculicida. Para não fabricar resistência: nada de tratamento preventivo, não aplicar em cabelo encharcado e alternar o princípio ativo entre ciclos.

Impetigo e ectima

O impetigo não bolhoso responde pela maioria dos casos e é causado por Staphylococcus aureus, por Streptococcus pyogenes ou pelos dois. Começa como vesícula ou pústula frágil que se rompe rápido e deixa a crosta cor de mel, aderida, sobre base eritematosa, na face — sobretudo ao redor das narinas e da boca — e nas extremidades. Prurido é discreto, dor é pouca, febre é exceção, e a disseminação por autoinoculação segue os dedos da criança. O impetigo bolhoso é obra exclusiva do S. aureus produtor de toxina esfoliativa: bolhas flácidas de conteúdo claro que se turva, que se rompem e deixam erosão com colarete descamativo na periferia, mais comum em lactentes, em tronco e em áreas de dobra.

O ectima é o mesmo processo que atravessou a epiderme: úlcera rasa de bordas elevadas coberta por crosta espessa e aderida, geralmente em membros inferiores, sobre pele previamente traumatizada, escoriada ou já infestada por escabiose. Como atinge a derme, cicatriza com marca — e, por definição, pede antibiótico sistêmico.

A decisão terapêutica se resume a contar lesões e olhar o contexto. Quadro localizado, com poucas lesões, resolve-se com antibiótico tópico: mupirocina 2% três vezes ao dia por 5 a 7 dias é a opção descrita, e o ácido fusídico 2% três vezes ao dia é a alternativa. Neomicina não serve — é ineficaz nesse cenário e sensibiliza, provocando dermatite de contato que o aluno confunde com piora da infecção. Lesões extensas ou numerosas, vários acometidos ao mesmo tempo na mesma casa, ou ectima, indicam via oral: cefalexina 50 mg/kg/dia de 6 em 6 horas por 7 dias na criança e 250 a 500 mg de 6 em 6 horas por 7 dias no adulto. Na alergia comprovada à cefalexina entra a eritromicina, e na suspeita de S. aureus resistente à meticilina de origem comunitária, o sulfametoxazol-trimetoprima. Clindamicina e doxiciclina, esta a partir dos 8 anos, completam o banco de reserva.

O cuidado local pesa tanto quanto o antibiótico: lavar com água e sabão, remover as crostas amolecidas, manter as unhas curtas, individualizar toalha e fronha e lavar as mãos. A criança pode voltar à escola 24 horas depois de iniciado o antibiótico, com as lesões cobertas quando possível. A complicação a explicar para a família é a glomerulonefrite pós-estreptocócica, que aparece semanas depois do quadro de pele e se manifesta por urina escura, edema periorbitário e hipertensão — motivo suficiente para orientar retorno e, na piodermite extensa, checar o exame de urina.

Erisipela e celulite

A erisipela é infecção da derme superficial e dos vasos linfáticos superficiais, quase sempre estreptocócica. O quadro tem uma sequência que a prova adora: febre alta e calafrios que precedem em horas o aparecimento da lesão de pele. Depois surge a placa eritematosa, quente, dolorosa, edemaciada, com borda elevada e nitidamente demarcada — a borda que se apalpa é o achado semiológico que separa erisipela de celulite. Localiza-se em membro inferior na maioria dos casos e em face na minoria; linfangite em cordão e adenomegalia regional são frequentes; bolhas e púrpura na superfície indicam quadro mais grave.

A celulite ocupa a derme profunda e o tecido subcutâneo, tem borda mal definida que se perde na pele sadia, evolui mais arrastada e admite Staphylococcus aureus como agente, ao lado do estreptococo. A distinção importa menos para a escolha do antibiótico do que para o reconhecimento de profundidade: quanto mais fundo, menor a chance de o caso caber no ambulatório.

O achado que muda o desfecho é a porta de entrada, e ela quase sempre está no pé: intertrigo interdigital ou tinea pedis com maceração e fissura, úlcera crônica, onicomicose, fissura de calcanhar, picada coçada. Insuficiência venosa crônica, linfedema, obesidade, diabetes e imunossupressão são os fatores que sustentam a recidiva. Prescrever antibiótico e não tratar a micose interdigital é garantir o próximo episódio.

No tratamento ambulatorial entra antibiótico oral com cobertura antiestreptocócica — penicilina, amoxicilina, cefalexina ou cefadroxila. Sinais sistêmicos importantes, incapacidade de usar a via oral, comorbidade descompensada, imunossupressão, extremos de idade ou falha do oral levam à via parenteral, com penicilina; na alergia à penicilina, ceftriaxona ou cefazolina. Elevação do membro, analgesia, hidratação da pele e demarcação da borda com caneta para acompanhar a evolução completam a conduta.

Erisipela de repetição, definida como 3 ou mais episódios por ano, é primeiro um problema de fator de risco: insuficiência venosa, tinea pedis, linfedema, obesidade e imunossupressão precisam ser tratados antes de qualquer profilaxia. Só depois se considera antibioticoprofilaxia, com penicilina G benzatina 1.200.000 UI por via intramuscular a cada 2 a 4 semanas, penicilina V 250 ou 500 mg de 12 em 12 horas, ou eritromicina 250 mg duas vezes ao dia.

Dois diferenciais derrubam questão. A dermatite de estase é bilateral, crônica, sem febre, com hiperpigmentação ocre e prurido em vez de dor — e não pede antibiótico; placa 'de erisipela' nas duas pernas ao mesmo tempo e sem febre quase nunca é erisipela. A trombose venosa profunda dá edema e dor sem a borda nítida e sem a porta de entrada cutânea. E há o sinal de parada: dor desproporcional ao achado visível, anestesia sobre a placa, bolhas hemorrágicas, necrose, crepitação ou toxemia apontam para fasciíte necrosante, que é urgência cirúrgica e não se resolve trocando o antibiótico.

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A profundidade decide o esquema

A única classificação que muda a conduta nas piodermites é a profundidade que a infecção alcançou. Ela ordena o mesmo par de bactérias em cinco quadros, do tópico à sala de cirurgia, e a borda da lesão é o dado de exame físico que localiza o degrau.

  1. 1Prurido intenso que piora à noite, com mais de um morador coçando: pense em escabiose antes de pensar em alergia, e olhe punhos, espaços interdigitais e umbigo.
  2. 2Confirmado o padrão, trate no mesmo dia o paciente e todos os conviventes: permetrina 5% em loção, ou ivermectina oral quando aplicar loção em todo mundo for irrealista, quando houver imunossupressão ou quando a forma for crostosa.
  3. 3Lesão com crosta cor de mel, sem prurido noturno e sem caso na família: é impetigo. Conte as lesões antes de escolher entre tópico e oral, e procure escabiose ou pediculose por baixo.
  4. 4Placa vermelha, quente, dolorosa, com borda elevada que se apalpa, precedida de febre e calafrio: erisipela. Antes de prescrever, examine o espaço interdigital do pé à procura da porta de entrada.
  5. 5Borda que se perde na pele sadia, dor desproporcional, bolha hemorrágica, anestesia, crepitação ou toxemia: o caso saiu do ambulatório — encaminhe, e na suspeita de fasciíte o encaminhamento é cirúrgico.

Impetigo — epiderme

Vesícula frágil que se rompe e deixa crosta cor de mel sobre base eritematosa. Não ulcera e não deixa cicatriz. Poucas lesões: mupirocina 2% três vezes ao dia por 5 a 7 dias.

Ectima — derme

A mesma infecção atravessa a epiderme e ulcera. Crosta espessa e aderida, bordas elevadas, cicatriz ao fim. Antibiótico sistêmico por definição.

Erisipela — derme superficial e linfáticos

Placa de borda elevada e nítida, febre e calafrio antes da lesão. Estreptococo. Antibiótico oral antiestreptocócico e caça à porta de entrada no pé.

Celulite — derme profunda e subcutâneo

Borda que se perde na pele sadia, evolução mais arrastada, S. aureus entra na conta. Mesma família de antibióticos, limiar menor para via parenteral.

Fasciíte necrosante — fáscia

Dor desproporcional, anestesia sobre a placa, bolha hemorrágica, necrose, crepitação, toxemia. Urgência cirúrgica: não se resolve trocando o antibiótico.

FármacoApresentação na Rename 2024EsquemaQuem fica de fora
Permetrina 5% loção (escabiose)Loção 50 mg/g (5%) — Componente BásicoUma aplicação do pescoço para baixo, 8 a 14 horas, removida no banho; repetir em 7 diasNinguém: liberada a partir de 2 meses, na gestação e na lactação
Permetrina 1% loção (pediculose)Loção 10 mg/g (1%) — Componente BásicoCabelo quase seco, 10 minutos, enxaguar; repetir no dia 9; não lavar o cabelo por 24 a 48 horasLiberada a partir de 2 meses e na gestação
Ivermectina 6 mg comprimidoComprimido 6 mg — Componente Básico0,2 mg/kg em dose única, repetida em 7 dias; na pediculose refratária, 200 a 400 mcg/kg repetidos no dia 7Gestantes e quem pesa menos de 15 kg
Enxofre precipitado 5 a 10% em petrolatoFora da lista nacional — depende de manipulaçãoCorpo todo por 24 horas, 3 noites consecutivas, repetindo após uma semanaAlternativa para lactente com menos de 2 meses e para gestante quando a permetrina não estiver disponível
Dimeticona 4% loção (pediculose)Fora da lista nacional — depende de manipulação8 horas de contato, repetir no dia 7Sem restrição relevante: age por asfixia física e não seleciona resistência

Ivermectina: escala de peso do guia federal para dose única

PesoDoseComprimidos de 6 mg
15 a 24 kg3 mgmeio comprimido
25 a 35 kg6 mg1 comprimido
36 a 50 kg9 mg1 comprimido e meio
51 a 65 kg12 mg2 comprimidos
66 a 79 kg15 mg2 comprimidos e meio
80 kg ou mais18 mg3 comprimidos

Piodermites: quem trata o quê

QuadroAgente principalPrimeira escolhaDose e duração
Impetigo localizadoS. aureus e S. pyogenesMupirocina 2% tópicaTrês vezes ao dia por 5 a 7 dias
Impetigo extenso ou vários casos na casaS. aureus e S. pyogenesCefalexina oralCriança 50 mg/kg/dia de 6/6 h por 7 dias; adulto 250 a 500 mg de 6/6 h por 7 dias
Impetigo bolhosoS. aureus produtor de toxina esfoliativaCefalexina oralMesmas doses do impetigo extenso
EctimaS. pyogenes, com ou sem S. aureusCefalexina oralMesmas doses, sempre sistêmico por atingir a derme
Erisipela ambulatorialS. pyogenesPenicilina, amoxicilina, cefalexina ou cefadroxila por via oralCurso oral com reavaliação em 48 a 72 horas
Erisipela grave ou com falha do oralS. pyogenesPenicilina parenteral; ceftriaxona ou cefazolina na alergiaHospitalar, até a melhora sistêmica
Erisipela de repetição (3 ou mais por ano)S. pyogenesCorrigir o fator de risco e então profilaxiaPenicilina G benzatina 1.200.000 UI IM a cada 2 a 4 semanas, ou penicilina V 250 a 500 mg de 12/12 h

A escala de peso da ivermectina publicada no guia federal de 2010 traz 65 kg simultaneamente no fim de uma faixa e no começo da seguinte, e a nota técnica estadual de 2025 reproduz o mesmo erro de impressão. A tabela acima corrige o limite para 66 kg; em dose por quilo o resultado é o mesmo, porque o alvo é 0,2 mg/kg.

Mupirocina e ácido fusídico ficam fora da Rename 2024. Onde o tópico não está disponível na unidade, o quadro localizado tende a ser conduzido com higiene rigorosa e reavaliação, e o extenso com cefalexina oral, que está no Componente Básico como cápsula e comprimido de 500 mg e suspensão de 50 mg/mL.

Deltametrina, enxofre e benzoato de benzila também ficam fora da lista nacional de 2024, embora o guia federal de 2010 os cite como alternativas — na prática dependem de manipulação, o que muda o que se pode prescrever de fato numa UBS.

Prurido que persiste após o tratamento correto não é falha: o prurido pós-escabiótico dura 2 a 4 semanas. Falha é sintoma sem melhora depois de 2 semanas; sintoma que some e volta depois de 4 semanas é reinfestação.

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Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Primeira linha no tratamento da escabiose: tópico ou oral

Permetrina 5% tópica como primeira linha, ivermectina reservada

A permetrina 5% em loção é a escolha inicial em qualquer idade a partir de 2 meses, inclusive na gestação e na lactação; a ivermectina oral fica para falha do tópico, surto em comunidade fechada, eczema generalizado, imunossupressão, idoso e demais situações em que o tópico não possa ser usado.

TelessaúdeRS-UFRGS, Segunda Opinião Formativa sobre escabiose; Organização Mundial da Saúde, ficha de escabiose, 2023

Ivermectina oral encabeçando o verbete federal

O verbete do guia de bolso do Ministério da Saúde abre o item Tratamento pela ivermectina em dose única por via oral, com a escala de peso corporal, e só depois apresenta a permetrina 5%, a deltametrina e o enxofre a 10% como opções.

Ministério da Saúde, Doenças infecciosas e parasitárias: guia de bolso, 8. ed., 2010, verbete Escabiose

Na prova

A diferença é de data e de exequibilidade: o texto federal é de 2010 e valoriza a dose única supervisionada, que é o que funciona em surto e em domicílio numeroso; as fontes mais recentes ordenam pela segurança em gestante, lactante e lactente. O recorte aparece no enunciado: gestante, lactante ou criança abaixo de 15 kg puxa a discussão para o tópico, porque o oral está vedado; instituição fechada, presídio, morador de rua e imunossuprimido puxam para o oral. Enunciado que cita nominalmente o guia de bolso do Ministério da Saúde está falando do corpo de 2010.

Como se aplica a permetrina 5% na escabiose

Uma aplicação mantida 8 a 14 horas, repetida em 7 dias

Aplicação única em todo o corpo do pescoço para baixo, mantida por 8 a 14 horas e removida no banho, com uma segunda aplicação uma a duas semanas depois.

TelessaúdeRS-UFRGS, Segunda Opinião Formativa sobre escabiose; corpo do texto da Nota Técnica nº 1/2025 da SES-GO

Aplicação à noite por 6 noites

Permetrina a 5% em creme, uma aplicação à noite, por 6 noites seguidas; a mesma linha aparece no quadro de tratamento tópico da nota técnica estadual de 2025, ao lado da deltametrina por 7 a 10 dias.

Ministério da Saúde, Doenças infecciosas e parasitárias: guia de bolso, 8. ed., 2010; quadro 2 da Nota Técnica nº 1/2025 da SES-GO

Na prova

É divergência de data, e ela chega a conviver dentro do mesmo documento: a nota técnica estadual de 2025 descreve no corpo do texto a aplicação de 8 a 14 horas repetida em 7 dias e, na tabela da página seguinte, mantém as 6 noites herdadas do texto federal de 2010 — a tabela não foi atualizada junto com o texto. Questão que cobra número de noites é rara justamente por isso; o que cai é o resto do esquema, que as duas versões partilham: pele seca e fria, do pescoço para baixo, couro cabeludo e face incluídos em lactente e idoso, e segunda aplicação. Enunciado que reproduz o vocabulário do guia de bolso está no corpo de 2010.

Quando o paciente com escabiose volta à escola ou ao trabalho

No dia seguinte ao primeiro tratamento

Retorno às atividades no dia seguinte ao primeiro tratamento; na forma crostosa, o afastamento se estende por cerca de 2 semanas. A precaução de contato se encerra 24 horas após o início da terapia eficaz.

TelessaúdeRS-UFRGS, Segunda Opinião Formativa sobre escabiose; Nota Técnica nº 1/2025 da SES-GO

Até 24 horas após o término do tratamento

Afastar o indivíduo da escola ou do trabalho até 24 horas após o término do tratamento; para o paciente hospitalizado, o isolamento perdura por 24 a 48 horas após o início do tratamento.

Ministério da Saúde, Doenças infecciosas e parasitárias: guia de bolso, 8. ed., 2010, item Medidas de controle

Na prova

Os dois números só colidem porque o texto federal descreve um esquema tópico de 6 noites: 'término do tratamento' ali significa uma semana de afastamento, enquanto o corpo mais recente, que aplica a permetrina uma vez, libera no dia seguinte. Note que a própria página federal usa réguas diferentes para cenários diferentes — comunidade conta do término, hospital conta do início. Cenário escolar ou creche com enunciado de vigilância costuma trabalhar com a régua do serviço de saúde que emitiu a orientação citada; cenário hospitalar ou de instituição de longa permanência trabalha com precaução de contato por 24 horas após o início do tratamento eficaz.

O que se aplica no impetigo não bolhoso localizado

Antibiótico tópico de entrada — mupirocina 2%

No quadro localizado, o tratamento tópico é o mais apropriado, com menos efeitos adversos e menor pressão de resistência que o sistêmico; a mupirocina 2%, três vezes ao dia por 5 a 7 dias, é a primeira opção, com ácido fusídico 2% como alternativa.

TelessaúdeRS-UFRGS, Segunda Opinião Formativa sobre impetigo

Antisséptico antes do antibiótico — peróxido de hidrogênio 1%

No impetigo não bolhoso localizado em pessoa sem doença sistêmica e sem alto risco de complicação, considerar peróxido de hidrogênio 1% em creme; o antibiótico tópico em curso curto entra quando o peróxido não for adequado, para preservar o antibiótico da pressão de resistência.

National Institute for Health and Care Excellence, Impetigo: antimicrobial prescribing (NG153), 2020

Na prova

A causa da diferença é de política antimicrobiana somada à disponibilidade: o corpo britânico deslocou o antibiótico tópico para segunda linha por controle de resistência, e no Brasil a mupirocina sequer consta da Rename 2024, de modo que a decisão prática na unidade básica costuma oscilar entre higiene rigorosa com reavaliação e antibiótico oral quando o quadro é extenso. Cenário de UBS, criança com poucas lesões e alternativas em português com nomes de apresentação disponíveis no SUS indicam o corpo brasileiro; enunciado que traz peróxido de hidrogênio entre as alternativas denuncia o recorte britânico.

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Caso resolvido

Mulher de 34 anos vem à unidade básica com prurido intenso há três semanas, que a acorda de madrugada. Ao exame há pápulas escoriadas nos espaços interdigitais das mãos, na face anterior dos punhos, ao redor do umbigo e nas nádegas; a cabeça está poupada. Ela conta que o marido e os dois filhos, de 4 e de 9 anos, começaram a coçar depois dela. Não está grávida nem amamentando; as crianças pesam 18 e 30 kg.
achado
Prurido de predomínio noturno com topografia clássica — interdigitais, punhos, periumbilical e sulco interglúteo — poupando a cabeça no adulto, somado a mais de um caso no mesmo domicílio. O diagnóstico de escabiose é clínico e epidemiológico; raspado de pele não é exigido para tratar.
raciocínio
O que decide a conduta não é a droga, é a abrangência. O domicílio inteiro está no ciclo, e quem ainda não coça pode estar no período de incubação, que vai de 1 dia a 6 semanas — tratar só quem tem lesão devolve a família à unidade em três semanas com o rótulo de falha terapêutica.
conduta
Permetrina 5% em loção para os quatro moradores, aplicada no mesmo dia: pele seca, limpa e fria, do pescoço para baixo, sem esquecer retroauricular, interdigitais, palmas, plantas, periumbilical, genitália e sob as unhas aparadas; manter 8 a 14 horas e remover no banho. Repetir em 7 dias. No filho de 4 anos, incluir couro cabeludo, orelhas e face, poupando as regiões periocular e perioral. A criança de 18 kg poderia receber ivermectina, mas com permetrina disponível para todos não há motivo para trocar de via.
ambiente
Roupas, toalhas e roupas de cama dos últimos três dias na máquina a 60 °C por pelo menos 20 minutos, seguidas de ferro ou secadora; o que não puder ser lavado fica em saco plástico fechado por 7 dias. Colchão e sofá não precisam de inseticida.
seguimento
Explicar que o prurido pode durar mais 2 a 4 semanas mesmo com a cura, e prescrever dexclorfeniramina à noite. Reavaliar em 2 semanas: sintomas sem melhora nesse prazo indicam falha; sintomas que somem e voltam depois de 4 semanas indicam reinfestação, e aí a investigação volta para os contatos que ficaram de fora.
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Agora feche você

Homem de 58 anos, diabético e obeso, chega ao pronto-atendimento com febre de 38,7 °C e calafrios iniciados há 12 horas. Cerca de seis horas depois da febre surgiu uma placa eritematosa, quente e dolorosa na face medial da perna direita, com borda elevada e nitidamente demarcada, que ele acompanhou crescendo. A perna esquerda está normal. Não há bolhas, necrose, crepitação nem dor desproporcional. Ao exame dos pés, há maceração esbranquiçada e fissura entre o quarto e o quinto pododáctilos à direita. Sinais vitais estáveis, aceita via oral, glicemia capilar de 180 mg/dL.
achado
Febre e calafrio precedendo a lesão, placa unilateral com borda elevada e nítida: erisipela de membro inferior, infecção da derme superficial e dos linfáticos, de origem estreptocócica. A ausência de dor desproporcional, de bolha hemorrágica e de crepitação afasta, neste momento, a suspeita de fasciíte necrosante.
porta de entrada
A maceração e a fissura interdigitais à direita são a porta de entrada — o achado que explica por que esta perna e não a outra.
conduta
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Onde a banca derruba

  1. 1Tratar só quem coça É o erro mais caro da escabiose e o mais fácil de cair, porque a alternativa que trata apenas o paciente parece a mais prudente. O contato assintomático dentro do período de incubação transmite sem lesão visível; o tratamento escalonado ressemeia o domicílio e volta como 'falha terapêutica'. Domicílio e contato pele a pele prolongado das últimas 6 semanas entram juntos, no mesmo dia.
  2. 2Ler prurido persistente como falha do escabicida O prurido pós-escabiótico dura 2 a 4 semanas depois da cura e atrai a repetição do escabicida, que é iatrogenia clássica e gera dermatite de contato — que por sua vez é lida como piora. A régua separa: sem melhora depois de 2 semanas é falha; melhora seguida de retorno depois de 4 semanas é reinfestação; melhora lenta com pele em recuperação é apenas o prurido residual.
  3. 3Descartar escabiose porque o idoso não coça Na forma crostosa o prurido é discreto ou ausente, exatamente onde a carga parasitária é maior. O quadro se apresenta como 'psoríase', 'eczema crônico' ou 'pele seca do acamado' e recebe corticoide, que aumenta a proliferação do ácaro. Idoso institucionalizado com hiperceratose e equipe coçando é escabiose crostosa até prova em contrário.
  4. 4Subir a permetrina de 1% para 5% na pediculose que falhou A troca parece lógica e é o distrator preferido das bancas: aumentar a concentração não melhora a falha. Antes de trocar de droga, checar o básico — quantidade suficiente, cabelo apenas úmido e sem condicionador, 10 minutos de contato e a repetição no dia 9. Confirmada a falha, o caminho é ivermectina oral, associação com sulfametoxazol-trimetoprima ou dimeticona 4%.
  5. 5Tratar lêndea distante como infestação ativa Lêndea colada a mais de 1 cm do couro cabeludo corresponde a mais de um mês de crescimento do fio e não indica infestação ativa. Infestação ativa exige piolho vivo. Tratar por lêndea residual é sobretratamento, e tratamento preventivo repetido é justamente o que seleciona resistência ao piretroide.
  6. 6Chamar de erisipela a placa bilateral e sem febre Dermatite de estase é bilateral, crônica, sem febre, com hiperpigmentação ocre e prurido em vez de dor, e não pede antibiótico. Erisipela é aguda, unilateral, dolorosa e vem depois de febre e calafrio. Também entra aqui a trombose venosa profunda, que dá edema e dor sem borda nítida e sem porta de entrada cutânea.
  7. 7Prescrever o antibiótico e ignorar o espaço interdigital A erisipela cura com o antibiótico e volta pela mesma porta. Tinea pedis, fissura de calcanhar, onicomicose, úlcera e linfedema sustentam a recidiva, e a profilaxia com penicilina G benzatina só entra depois que esses fatores foram tratados — não antes, e não no lugar deles.
  8. 8Confundir a crosta cor de mel com herpes ou com micose A crosta melicérica aderida sobre base eritematosa, perinasal ou peribucal, em criança em bom estado geral, é impetigo. Aciclovir, antifúngico tópico e corticoide são as três respostas erradas mais oferecidas — e o corticoide piora. Vale ainda procurar o que está por baixo: escabiose e pediculose escoriadas são a matriz de boa parte dos impetigos.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

O quadro descreve erisipela: placa eritematosa de bordas bem delimitadas, elevada, brilhante, com linfangite, cujo agente clássico é o Streptococcus pyogenes (beta-hemolítico do grupo A). Staphylococcus epidermidis é comensal de baixa virulência, associado a corpos estranhos/próteses, não à erisipela. Clostridium perfringens causa gangrena gasosa/mionecrose com crepitação e necrose, ausentes aqui. Pseudomonas está mais ligada a infecções em imunossuprimidos, queimados e otite externa maligna. E. coli é agente de infecções abdominais e urinárias, não da erisipela típica.

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Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

Refaça de cabeça as três decisões que a prova cobra: na escabiose, quem entra no tratamento além do paciente e em que dia; na pediculose, o que fazer quando a permetrina 1% falhou; nas piodermites, o que separa o que se trata com tópico do que exige antibiótico oral. Depois recite a topografia da escabiose no adulto e a diferença dela no lactente e no idoso, e as restrições da ivermectina — gestante e menos de 15 kg.

em 30 dias

Reconstrua a escada de profundidade — impetigo, ectima, erisipela, celulite, fasciíte — dizendo em cada degrau qual borda se vê ao exame e onde o caso deixa de ser ambulatorial. Em seguida, escreva as quatro divergências com o ano de cada documento: primeira linha da escabiose, esquema da permetrina, prazo de afastamento e o que se aplica no impetigo localizado. Feche checando o que a Rename 2024 tem e o que ela não tem, porque é essa lista que define a prescrição possível na UBS.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Mãe traz o filho de 6 anos à unidade básica: prurido que piora à noite há um mês, lesões escoriadas entre os dedos das mãos e ao redor do umbigo, e desde a semana passada crostas amareladas no queixo e no braço. Os dois irmãos também coçam, e a professora comentou que outras crianças da turma estão coçando a cabeça. Conduza a consulta. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Escabiose, pediculose e infecções bacterianas cutâneas – Escabiose, pediculose e piodermites — Preparatório para provas | OsceLabs