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Escabiose, pediculose e piodermites
Escabiose, pediculose e infecções bacterianas cutâneas (impetigo, erisipela)
Diagnóstico clínico, tratamento de contatos e sinais de gravidade
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Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Homem de 58 anos, diabético, apresenta febre de 38,5°C, dor e edema em membro inferior direito com eritema de limites bem definidos, brilhante e elevado, de rápida progressão em 24 horas. Ao exame: PA 130x82 mmHg, FC 92 bpm, placa eritematosa quente e dolorosa em perna, sem crepitação ou necrose, com linfangite ascendente. Qual é o agente etiológico mais frequentemente envolvido nesse quadro?
Como esse tema cai
Escabiose, pediculose, impetigo e erisipela têm em comum o diagnóstico clínico e a prova que quase nunca pergunta o diagnóstico. O enunciado entrega a topografia, o horário do prurido, a cor da crosta ou a nitidez da borda, e cobra a decisão seguinte: quem mais precisa ser tratado junto, qual droga entra, quando o tópico deixa de bastar e em que ponto o caso sai da unidade básica.
A régua brasileira aqui é uma lista de medicamentos, não um protocolo clínico. A Rename 2024, instituída pela Portaria GM/MS nº 6.324/2024, coloca no Componente Básico a permetrina em loção nas duas concentrações que interessam — 10 mg/g (1%) para pediculose e 50 mg/g (5%) para escabiose —, a ivermectina 6 mg comprimido e a cefalexina 500 mg. Mupirocina, ácido fusídico, deltametrina, enxofre e benzoato de benzila ficam fora dessa lista nacional. É por isso que os protocolos de atenção primária brasileiros resolvem impetigo extenso com cefalexina oral e escabiose com permetrina ou ivermectina: a escolha de primeira linha é, antes de tudo, a que está na prateleira.
O texto federal que ainda descreve a escabiose é o verbete do guia de bolso de doenças infecciosas e parasitárias do Ministério da Saúde, de 2010. Ele convive com as respostas de segunda opinião formativa do TelessaúdeRS-UFRGS e com a nota técnica de surtos da vigilância goiana, de 2025, e nem sempre coincidem — o esquema da permetrina e o prazo de afastamento mudaram de 2010 para cá. O capítulo trata essas diferenças no bloco de divergências, com o ano de cada documento, porque as duas versões circulam em prova.
O que muda decisão
Escabiose: o padrão que fecha o diagnóstico
O agente é o Sarcoptes scabiei variedade hominis. A fêmea escava a galeria no estrato córneo e deposita ovos; as larvas eclodem em três a quatro dias e o ciclo completo dura quatro a seis semanas. O prurido não vem do ácaro em si, e sim da reação alérgica aos seus produtos metabólicos — por isso o período de incubação vai de 1 dia a 6 semanas na primoinfestação e cai para poucos dias na reinfestação, quando o organismo já está sensibilizado. Essa é a explicação de um achado que confunde: o contato que começa a coçar dois dias depois já tinha tido escabiose antes.
O prurido é intenso e se intensifica à noite. A topografia é a assinatura do quadro: espaços interdigitais das mãos, face anterior dos punhos, pregas axilares anteriores, região periumbilical, cintura, coxas, sulco interglúteo, mamas e genitália externa masculina. No adulto a cabeça é poupada. Em lactentes e em idosos a distribuição sobe e se amplia — couro cabeludo, face, palmas das mãos e plantas dos pés entram na conta, e um lactente com vesicopústulas palmoplantares e irritabilidade noturna é escabiose até prova em contrário.
As lesões elementares são pápulas, vesículas e o sulco acarino, uma linha esbranquiçada ou acinzentada de poucos milímetros que corresponde ao trajeto da fêmea. Em cima delas quase sempre há escoriação, crosta e eczematização, que apagam a lesão original — o aluno que procura o sulco perfeito perde o diagnóstico. Dois achados valem por um exame complementar: o nódulo escabiótico, uma pápula ou nódulo eritêmato-acastanhado no escroto, no pênis ou nas axilas, que persiste semanas depois da cura e é reação de hipersensibilidade e não parasitose ativa; e o prurido em mais de um morador do mesmo domicílio. O diagnóstico é clínico e epidemiológico; a visualização do ácaro por raspado ou biópsia existe, mas não é exigida para tratar.
A escabiose crostosa, chamada de sarna norueguesa no guia federal, é outra doença do ponto de vista prático. Ocorre em imunossuprimidos, em idosos e em acamados, cursa com hiperceratose espessa e descamação intensa, e o prurido é discreto ou ausente — justamente porque falta a resposta imune que produz o prurido. A carga parasitária é de milhares de ácaros contra uma dezena da forma comum, o que a torna extremamente contagiosa e a explicação mais frequente para surto em instituição de longa permanência: o caso índice não coça, ninguém suspeita, e a equipe adoece antes do diagnóstico.
A complicação que a prova cobra é a infecção secundária pela coçadura, por Staphylococcus aureus ou por estreptococo beta-hemolítico. O guia federal registra que a piodermite estreptocócica sobre a escabiose pode levar à glomerulonefrite. A nota técnica de vigilância de 2025, citando a Organização Mundial da Saúde de 2023, vai além e trata a infecção cutânea associada à escabiose como fator de risco para doença renal e, possivelmente, para cardiopatia reumática — uma associação que o ensino clássico não fazia. O seguimento prático que decorre disso é modesto e concreto: em criança com piodermite extensa, vale checar o exame de urina algumas semanas depois.

O esquema que a farmácia da unidade básica tem
A permetrina 5% em loção é a primeira linha e é a opção com o perfil de segurança mais largo: pode ser usada a partir de 2 meses de idade, na gestação e na lactação. A aplicação é a parte que mais falha na prática. Ela vai sobre pele seca, limpa e fria — banho quente antes aumenta a absorção sistêmica e a irritação —, do pescoço para baixo, cobrindo regiões que o paciente pula sozinho: atrás das orelhas, espaços interdigitais, palmas, plantas, região periumbilical, genitália, sulco interglúteo e a pele sob as unhas, que devem ser aparadas. Cerca de 30 mL bastam para um adulto médio. O produto permanece 8 a 14 horas e sai no banho, o que na prática significa aplicar antes de dormir e remover pela manhã. Repete-se a aplicação em 7 dias. Em menores de 2 a 3 anos e em idosos, o couro cabeludo, as orelhas e a face entram na aplicação, poupando as regiões periocular e perioral.
A ivermectina 6 mg por via oral é a alternativa sistêmica: 0,2 mg/kg em dose única, repetida em 7 dias, seguindo a escala de peso do guia federal. Ela não é usada em gestantes nem em quem pesa menos de 15 kg. Suas indicações preferenciais são justamente as situações em que o tópico não funciona ou não se sustenta: falha da terapia tópica, surto em comunidade fechada, eczema generalizado, imunossupressão, idoso, dermatite atópica e qualquer cenário em que aplicar loção em todo o corpo de várias pessoas seja irrealista. A dose única supervisionada é a razão de ela dominar o manejo de surto.
Tratar o caso índice sozinho é o erro que devolve o paciente à unidade em três semanas. Todos os que dividem o domicílio e todos os que tiveram contato pele a pele prolongado nas últimas 6 semanas são tratados ao mesmo tempo, no mesmo dia, mesmo assintomáticos — quem está no período de incubação transmite sem lesão visível, e o tratamento escalonado apenas ressemeia a casa. Parceria sexual entra nessa lista.
Os fômites são a outra metade da conduta. Roupas de cama, toalhas e roupas usadas nos últimos três dias vão para a máquina em água a 60 °C por pelo menos 20 minutos e depois para o ferro de passar ou a secadora. O que não puder ser lavado fica fechado em saco plástico por 7 dias, prazo que atende tanto o guia federal quanto a nota técnica estadual. Colchão e sofá não precisam de inseticida: o ácaro fora do hospedeiro sobrevive poucos dias.
Depois do tratamento correto, o prurido persiste por 2 a 4 semanas e diminui progressivamente — é o prurido pós-escabiótico, reação de hipersensibilidade residual, não falha. Trata-se com anti-histamínico sedante à noite, como a dexclorfeniramina, e com hidratante. A régua para diferenciar: sinais e sintomas que persistem sem melhora depois de 2 semanas configuram falha terapêutica; sintomas que somem e reaparecem depois de 4 semanas configuram reinfestação, e aí o problema está no domicílio ou nos contatos que ficaram de fora. Prurido que se arrasta além de 4 semanas com pele em melhora pede reavaliação para dermatite de contato ao próprio escabicida — o uso repetido de escabicida é iatrogenia clássica.
A escabiose crostosa exige os dois caminhos ao mesmo tempo: permetrina 5% em todo o corpo, incluindo couro cabeludo, face e pescoço, a cada 2 a 3 dias por 1 a 2 semanas, associada a ivermectina 0,2 mg/kg em 3, 5 ou 7 doses não consecutivas conforme a intensidade da infestação. Somam-se remoção mecânica das crostas com queratolítico e precaução de contato prolongada.
Surto, notificação e afastamento
O caso individual de escabiose fica fora da lista nacional de notificação compulsória, e o guia federal diz isso com todas as letras. O surto é outra história. A nota técnica de vigilância goiana de 2025 define surto como a ocorrência de 2 ou mais casos com vínculo epidemiológico em instituição fechada — escola, creche, hospital, instituição de longa permanência, unidade prisional — ou entre indivíduos institucionalizados; também conta como surto o aumento do número de casos acima do esperado para o município. Nesse cenário, a comunicação à vigilância epidemiológica municipal é imediata, preenche-se o relatório de investigação de surto e a notificação entra no Sinan pelo módulo de Notificação de Surto, com o CID B86, e a ficha deve ser inserida em até 7 dias do início dos casos.
As medidas de bloqueio são quatro e caem juntas em questão de vigilância: tratar simultaneamente casos e contatos, incluindo os profissionais que prestam cuidado direto; manter precaução de contato por 24 horas após o início da terapia eficaz; não compartilhar roupas, toalhas, roupas de cama e objetos de uso pessoal; e não transferir o paciente para outro serviço sem informar o diagnóstico ao estabelecimento que o recebe. Em instituição de longa permanência, a busca ativa precisa incluir o residente que não coça — a forma crostosa costuma ser o reservatório do surto.
Nada disso se confunde com programa de tratamento em massa. A Organização Mundial da Saúde, que incluiu a escabiose entre as doenças tropicais negligenciadas em 2017, recomenda administração em massa de ivermectina em duas doses de 200 mcg/kg quando a prevalência comunitária atinge 10% ou mais, com permetrina tópica para quem tem contraindicação ao oral. Essa é uma estratégia populacional de território endêmico, e no Brasil o manejo é por foco: caso, domicílio, instituição.
Pediculose da cabeça
O Pediculus humanus capitis dá prurido de predomínio occipital e retroauricular, escoriações na nuca e, com frequência, linfonodo cervical posterior palpável e piodermite secundária — criança levada à consulta por 'ínguas no pescoço' e crostas na nuca merece o pente antes do antibiótico. O diagnóstico de infestação ativa exige piolho vivo. Lêndea colada a mais de 1 cm do couro cabeludo é resíduo de infestação antiga, porque o cabelo cresce cerca de 1 cm por mês e o ovo já eclodiu ou inviabilizou; tratar por lêndea distante é sobretratamento.
A primeira linha é a permetrina 1% em loção. Lava-se o cabelo com xampu comum, sem condicionador — o condicionador forma película e reduz a fixação do produto —, aplica-se em cabelo quase seco saturando couro cabeludo, nuca e região retroauricular, deixa-se agir 10 minutos, enxagua-se com água morna e evita-se lavar o cabelo por 24 a 48 horas. Repete-se a aplicação no dia 9. Cabelo longo consome dois frascos; quantidade insuficiente é a causa mais banal de falha aparente.
Quando há falha verdadeira, subir a concentração de 1% para 5% não resolve, e essa é a pegadinha clássica. As alternativas são a ivermectina oral 200 a 400 mcg/kg em dose única repetida no sétimo dia, com o mesmo piso de 15 kg; a associação de permetrina 1% com sulfametoxazol-trimetoprima, que eleva a eficácia de cerca de 72% para 95%; a ivermectina 0,5% em loção manipulada, aplicação única de 10 minutos, a partir dos 6 anos; e a dimeticona 4% em loção, 8 horas de contato e repetição no dia 7 — a dimeticona age por asfixia física, não é neurotóxica e não seleciona resistência.
O restante do manejo é de contato e de ambiente. Examinam-se todos os conviventes; tratam-se os que têm piolho vivo ou lêndea a menos de 1 cm do couro cabeludo, e profilaticamente quem divide a cama. Pentes e escovas ficam em água quente por 5 a 10 minutos; acessórios de cabelo que não podem ser lavados ficam em saco plástico fechado por 2 semanas. A retirada mecânica das lêndeas com pente fino em cabelo úmido e com condicionador, a cada 2 a 3 dias, é complementar e opcional — é exigência escolar e estética, não substitui o pediculicida. Para não fabricar resistência: nada de tratamento preventivo, não aplicar em cabelo encharcado e alternar o princípio ativo entre ciclos.
Impetigo e ectima
O impetigo não bolhoso responde pela maioria dos casos e é causado por Staphylococcus aureus, por Streptococcus pyogenes ou pelos dois. Começa como vesícula ou pústula frágil que se rompe rápido e deixa a crosta cor de mel, aderida, sobre base eritematosa, na face — sobretudo ao redor das narinas e da boca — e nas extremidades. Prurido é discreto, dor é pouca, febre é exceção, e a disseminação por autoinoculação segue os dedos da criança. O impetigo bolhoso é obra exclusiva do S. aureus produtor de toxina esfoliativa: bolhas flácidas de conteúdo claro que se turva, que se rompem e deixam erosão com colarete descamativo na periferia, mais comum em lactentes, em tronco e em áreas de dobra.
O ectima é o mesmo processo que atravessou a epiderme: úlcera rasa de bordas elevadas coberta por crosta espessa e aderida, geralmente em membros inferiores, sobre pele previamente traumatizada, escoriada ou já infestada por escabiose. Como atinge a derme, cicatriza com marca — e, por definição, pede antibiótico sistêmico.
A decisão terapêutica se resume a contar lesões e olhar o contexto. Quadro localizado, com poucas lesões, resolve-se com antibiótico tópico: mupirocina 2% três vezes ao dia por 5 a 7 dias é a opção descrita, e o ácido fusídico 2% três vezes ao dia é a alternativa. Neomicina não serve — é ineficaz nesse cenário e sensibiliza, provocando dermatite de contato que o aluno confunde com piora da infecção. Lesões extensas ou numerosas, vários acometidos ao mesmo tempo na mesma casa, ou ectima, indicam via oral: cefalexina 50 mg/kg/dia de 6 em 6 horas por 7 dias na criança e 250 a 500 mg de 6 em 6 horas por 7 dias no adulto. Na alergia comprovada à cefalexina entra a eritromicina, e na suspeita de S. aureus resistente à meticilina de origem comunitária, o sulfametoxazol-trimetoprima. Clindamicina e doxiciclina, esta a partir dos 8 anos, completam o banco de reserva.
O cuidado local pesa tanto quanto o antibiótico: lavar com água e sabão, remover as crostas amolecidas, manter as unhas curtas, individualizar toalha e fronha e lavar as mãos. A criança pode voltar à escola 24 horas depois de iniciado o antibiótico, com as lesões cobertas quando possível. A complicação a explicar para a família é a glomerulonefrite pós-estreptocócica, que aparece semanas depois do quadro de pele e se manifesta por urina escura, edema periorbitário e hipertensão — motivo suficiente para orientar retorno e, na piodermite extensa, checar o exame de urina.
Erisipela e celulite
A erisipela é infecção da derme superficial e dos vasos linfáticos superficiais, quase sempre estreptocócica. O quadro tem uma sequência que a prova adora: febre alta e calafrios que precedem em horas o aparecimento da lesão de pele. Depois surge a placa eritematosa, quente, dolorosa, edemaciada, com borda elevada e nitidamente demarcada — a borda que se apalpa é o achado semiológico que separa erisipela de celulite. Localiza-se em membro inferior na maioria dos casos e em face na minoria; linfangite em cordão e adenomegalia regional são frequentes; bolhas e púrpura na superfície indicam quadro mais grave.
A celulite ocupa a derme profunda e o tecido subcutâneo, tem borda mal definida que se perde na pele sadia, evolui mais arrastada e admite Staphylococcus aureus como agente, ao lado do estreptococo. A distinção importa menos para a escolha do antibiótico do que para o reconhecimento de profundidade: quanto mais fundo, menor a chance de o caso caber no ambulatório.
O achado que muda o desfecho é a porta de entrada, e ela quase sempre está no pé: intertrigo interdigital ou tinea pedis com maceração e fissura, úlcera crônica, onicomicose, fissura de calcanhar, picada coçada. Insuficiência venosa crônica, linfedema, obesidade, diabetes e imunossupressão são os fatores que sustentam a recidiva. Prescrever antibiótico e não tratar a micose interdigital é garantir o próximo episódio.
No tratamento ambulatorial entra antibiótico oral com cobertura antiestreptocócica — penicilina, amoxicilina, cefalexina ou cefadroxila. Sinais sistêmicos importantes, incapacidade de usar a via oral, comorbidade descompensada, imunossupressão, extremos de idade ou falha do oral levam à via parenteral, com penicilina; na alergia à penicilina, ceftriaxona ou cefazolina. Elevação do membro, analgesia, hidratação da pele e demarcação da borda com caneta para acompanhar a evolução completam a conduta.
Erisipela de repetição, definida como 3 ou mais episódios por ano, é primeiro um problema de fator de risco: insuficiência venosa, tinea pedis, linfedema, obesidade e imunossupressão precisam ser tratados antes de qualquer profilaxia. Só depois se considera antibioticoprofilaxia, com penicilina G benzatina 1.200.000 UI por via intramuscular a cada 2 a 4 semanas, penicilina V 250 ou 500 mg de 12 em 12 horas, ou eritromicina 250 mg duas vezes ao dia.
Dois diferenciais derrubam questão. A dermatite de estase é bilateral, crônica, sem febre, com hiperpigmentação ocre e prurido em vez de dor — e não pede antibiótico; placa 'de erisipela' nas duas pernas ao mesmo tempo e sem febre quase nunca é erisipela. A trombose venosa profunda dá edema e dor sem a borda nítida e sem a porta de entrada cutânea. E há o sinal de parada: dor desproporcional ao achado visível, anestesia sobre a placa, bolhas hemorrágicas, necrose, crepitação ou toxemia apontam para fasciíte necrosante, que é urgência cirúrgica e não se resolve trocando o antibiótico.
A profundidade decide o esquema
A única classificação que muda a conduta nas piodermites é a profundidade que a infecção alcançou. Ela ordena o mesmo par de bactérias em cinco quadros, do tópico à sala de cirurgia, e a borda da lesão é o dado de exame físico que localiza o degrau.
- 1Prurido intenso que piora à noite, com mais de um morador coçando: pense em escabiose antes de pensar em alergia, e olhe punhos, espaços interdigitais e umbigo.
- 2Confirmado o padrão, trate no mesmo dia o paciente e todos os conviventes: permetrina 5% em loção, ou ivermectina oral quando aplicar loção em todo mundo for irrealista, quando houver imunossupressão ou quando a forma for crostosa.
- 3Lesão com crosta cor de mel, sem prurido noturno e sem caso na família: é impetigo. Conte as lesões antes de escolher entre tópico e oral, e procure escabiose ou pediculose por baixo.
- 4Placa vermelha, quente, dolorosa, com borda elevada que se apalpa, precedida de febre e calafrio: erisipela. Antes de prescrever, examine o espaço interdigital do pé à procura da porta de entrada.
- 5Borda que se perde na pele sadia, dor desproporcional, bolha hemorrágica, anestesia, crepitação ou toxemia: o caso saiu do ambulatório — encaminhe, e na suspeita de fasciíte o encaminhamento é cirúrgico.
Impetigo — epiderme
Vesícula frágil que se rompe e deixa crosta cor de mel sobre base eritematosa. Não ulcera e não deixa cicatriz. Poucas lesões: mupirocina 2% três vezes ao dia por 5 a 7 dias.
Ectima — derme
A mesma infecção atravessa a epiderme e ulcera. Crosta espessa e aderida, bordas elevadas, cicatriz ao fim. Antibiótico sistêmico por definição.
Erisipela — derme superficial e linfáticos
Placa de borda elevada e nítida, febre e calafrio antes da lesão. Estreptococo. Antibiótico oral antiestreptocócico e caça à porta de entrada no pé.
Celulite — derme profunda e subcutâneo
Borda que se perde na pele sadia, evolução mais arrastada, S. aureus entra na conta. Mesma família de antibióticos, limiar menor para via parenteral.
Fasciíte necrosante — fáscia
Dor desproporcional, anestesia sobre a placa, bolha hemorrágica, necrose, crepitação, toxemia. Urgência cirúrgica: não se resolve trocando o antibiótico.
| Fármaco | Apresentação na Rename 2024 | Esquema | Quem fica de fora |
|---|---|---|---|
| Permetrina 5% loção (escabiose) | Loção 50 mg/g (5%) — Componente Básico | Uma aplicação do pescoço para baixo, 8 a 14 horas, removida no banho; repetir em 7 dias | Ninguém: liberada a partir de 2 meses, na gestação e na lactação |
| Permetrina 1% loção (pediculose) | Loção 10 mg/g (1%) — Componente Básico | Cabelo quase seco, 10 minutos, enxaguar; repetir no dia 9; não lavar o cabelo por 24 a 48 horas | Liberada a partir de 2 meses e na gestação |
| Ivermectina 6 mg comprimido | Comprimido 6 mg — Componente Básico | 0,2 mg/kg em dose única, repetida em 7 dias; na pediculose refratária, 200 a 400 mcg/kg repetidos no dia 7 | Gestantes e quem pesa menos de 15 kg |
| Enxofre precipitado 5 a 10% em petrolato | Fora da lista nacional — depende de manipulação | Corpo todo por 24 horas, 3 noites consecutivas, repetindo após uma semana | Alternativa para lactente com menos de 2 meses e para gestante quando a permetrina não estiver disponível |
| Dimeticona 4% loção (pediculose) | Fora da lista nacional — depende de manipulação | 8 horas de contato, repetir no dia 7 | Sem restrição relevante: age por asfixia física e não seleciona resistência |
Ivermectina: escala de peso do guia federal para dose única
| Peso | Dose | Comprimidos de 6 mg |
|---|---|---|
| 15 a 24 kg | 3 mg | meio comprimido |
| 25 a 35 kg | 6 mg | 1 comprimido |
| 36 a 50 kg | 9 mg | 1 comprimido e meio |
| 51 a 65 kg | 12 mg | 2 comprimidos |
| 66 a 79 kg | 15 mg | 2 comprimidos e meio |
| 80 kg ou mais | 18 mg | 3 comprimidos |
Piodermites: quem trata o quê
| Quadro | Agente principal | Primeira escolha | Dose e duração |
|---|---|---|---|
| Impetigo localizado | S. aureus e S. pyogenes | Mupirocina 2% tópica | Três vezes ao dia por 5 a 7 dias |
| Impetigo extenso ou vários casos na casa | S. aureus e S. pyogenes | Cefalexina oral | Criança 50 mg/kg/dia de 6/6 h por 7 dias; adulto 250 a 500 mg de 6/6 h por 7 dias |
| Impetigo bolhoso | S. aureus produtor de toxina esfoliativa | Cefalexina oral | Mesmas doses do impetigo extenso |
| Ectima | S. pyogenes, com ou sem S. aureus | Cefalexina oral | Mesmas doses, sempre sistêmico por atingir a derme |
| Erisipela ambulatorial | S. pyogenes | Penicilina, amoxicilina, cefalexina ou cefadroxila por via oral | Curso oral com reavaliação em 48 a 72 horas |
| Erisipela grave ou com falha do oral | S. pyogenes | Penicilina parenteral; ceftriaxona ou cefazolina na alergia | Hospitalar, até a melhora sistêmica |
| Erisipela de repetição (3 ou mais por ano) | S. pyogenes | Corrigir o fator de risco e então profilaxia | Penicilina G benzatina 1.200.000 UI IM a cada 2 a 4 semanas, ou penicilina V 250 a 500 mg de 12/12 h |
A escala de peso da ivermectina publicada no guia federal de 2010 traz 65 kg simultaneamente no fim de uma faixa e no começo da seguinte, e a nota técnica estadual de 2025 reproduz o mesmo erro de impressão. A tabela acima corrige o limite para 66 kg; em dose por quilo o resultado é o mesmo, porque o alvo é 0,2 mg/kg.
Mupirocina e ácido fusídico ficam fora da Rename 2024. Onde o tópico não está disponível na unidade, o quadro localizado tende a ser conduzido com higiene rigorosa e reavaliação, e o extenso com cefalexina oral, que está no Componente Básico como cápsula e comprimido de 500 mg e suspensão de 50 mg/mL.
Deltametrina, enxofre e benzoato de benzila também ficam fora da lista nacional de 2024, embora o guia federal de 2010 os cite como alternativas — na prática dependem de manipulação, o que muda o que se pode prescrever de fato numa UBS.
Prurido que persiste após o tratamento correto não é falha: o prurido pós-escabiótico dura 2 a 4 semanas. Falha é sintoma sem melhora depois de 2 semanas; sintoma que some e volta depois de 4 semanas é reinfestação.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Permetrina 5% tópica como primeira linha, ivermectina reservada
A permetrina 5% em loção é a escolha inicial em qualquer idade a partir de 2 meses, inclusive na gestação e na lactação; a ivermectina oral fica para falha do tópico, surto em comunidade fechada, eczema generalizado, imunossupressão, idoso e demais situações em que o tópico não possa ser usado.
TelessaúdeRS-UFRGS, Segunda Opinião Formativa sobre escabiose; Organização Mundial da Saúde, ficha de escabiose, 2023
Ivermectina oral encabeçando o verbete federal
O verbete do guia de bolso do Ministério da Saúde abre o item Tratamento pela ivermectina em dose única por via oral, com a escala de peso corporal, e só depois apresenta a permetrina 5%, a deltametrina e o enxofre a 10% como opções.
Ministério da Saúde, Doenças infecciosas e parasitárias: guia de bolso, 8. ed., 2010, verbete Escabiose
Na prova
A diferença é de data e de exequibilidade: o texto federal é de 2010 e valoriza a dose única supervisionada, que é o que funciona em surto e em domicílio numeroso; as fontes mais recentes ordenam pela segurança em gestante, lactante e lactente. O recorte aparece no enunciado: gestante, lactante ou criança abaixo de 15 kg puxa a discussão para o tópico, porque o oral está vedado; instituição fechada, presídio, morador de rua e imunossuprimido puxam para o oral. Enunciado que cita nominalmente o guia de bolso do Ministério da Saúde está falando do corpo de 2010.
Uma aplicação mantida 8 a 14 horas, repetida em 7 dias
Aplicação única em todo o corpo do pescoço para baixo, mantida por 8 a 14 horas e removida no banho, com uma segunda aplicação uma a duas semanas depois.
TelessaúdeRS-UFRGS, Segunda Opinião Formativa sobre escabiose; corpo do texto da Nota Técnica nº 1/2025 da SES-GO
Aplicação à noite por 6 noites
Permetrina a 5% em creme, uma aplicação à noite, por 6 noites seguidas; a mesma linha aparece no quadro de tratamento tópico da nota técnica estadual de 2025, ao lado da deltametrina por 7 a 10 dias.
Ministério da Saúde, Doenças infecciosas e parasitárias: guia de bolso, 8. ed., 2010; quadro 2 da Nota Técnica nº 1/2025 da SES-GO
Na prova
É divergência de data, e ela chega a conviver dentro do mesmo documento: a nota técnica estadual de 2025 descreve no corpo do texto a aplicação de 8 a 14 horas repetida em 7 dias e, na tabela da página seguinte, mantém as 6 noites herdadas do texto federal de 2010 — a tabela não foi atualizada junto com o texto. Questão que cobra número de noites é rara justamente por isso; o que cai é o resto do esquema, que as duas versões partilham: pele seca e fria, do pescoço para baixo, couro cabeludo e face incluídos em lactente e idoso, e segunda aplicação. Enunciado que reproduz o vocabulário do guia de bolso está no corpo de 2010.
No dia seguinte ao primeiro tratamento
Retorno às atividades no dia seguinte ao primeiro tratamento; na forma crostosa, o afastamento se estende por cerca de 2 semanas. A precaução de contato se encerra 24 horas após o início da terapia eficaz.
TelessaúdeRS-UFRGS, Segunda Opinião Formativa sobre escabiose; Nota Técnica nº 1/2025 da SES-GO
Até 24 horas após o término do tratamento
Afastar o indivíduo da escola ou do trabalho até 24 horas após o término do tratamento; para o paciente hospitalizado, o isolamento perdura por 24 a 48 horas após o início do tratamento.
Ministério da Saúde, Doenças infecciosas e parasitárias: guia de bolso, 8. ed., 2010, item Medidas de controle
Na prova
Os dois números só colidem porque o texto federal descreve um esquema tópico de 6 noites: 'término do tratamento' ali significa uma semana de afastamento, enquanto o corpo mais recente, que aplica a permetrina uma vez, libera no dia seguinte. Note que a própria página federal usa réguas diferentes para cenários diferentes — comunidade conta do término, hospital conta do início. Cenário escolar ou creche com enunciado de vigilância costuma trabalhar com a régua do serviço de saúde que emitiu a orientação citada; cenário hospitalar ou de instituição de longa permanência trabalha com precaução de contato por 24 horas após o início do tratamento eficaz.
Antibiótico tópico de entrada — mupirocina 2%
No quadro localizado, o tratamento tópico é o mais apropriado, com menos efeitos adversos e menor pressão de resistência que o sistêmico; a mupirocina 2%, três vezes ao dia por 5 a 7 dias, é a primeira opção, com ácido fusídico 2% como alternativa.
TelessaúdeRS-UFRGS, Segunda Opinião Formativa sobre impetigo
Antisséptico antes do antibiótico — peróxido de hidrogênio 1%
No impetigo não bolhoso localizado em pessoa sem doença sistêmica e sem alto risco de complicação, considerar peróxido de hidrogênio 1% em creme; o antibiótico tópico em curso curto entra quando o peróxido não for adequado, para preservar o antibiótico da pressão de resistência.
National Institute for Health and Care Excellence, Impetigo: antimicrobial prescribing (NG153), 2020
Na prova
A causa da diferença é de política antimicrobiana somada à disponibilidade: o corpo britânico deslocou o antibiótico tópico para segunda linha por controle de resistência, e no Brasil a mupirocina sequer consta da Rename 2024, de modo que a decisão prática na unidade básica costuma oscilar entre higiene rigorosa com reavaliação e antibiótico oral quando o quadro é extenso. Cenário de UBS, criança com poucas lesões e alternativas em português com nomes de apresentação disponíveis no SUS indicam o corpo brasileiro; enunciado que traz peróxido de hidrogênio entre as alternativas denuncia o recorte britânico.
Caso resolvido
- achado
- Prurido de predomínio noturno com topografia clássica — interdigitais, punhos, periumbilical e sulco interglúteo — poupando a cabeça no adulto, somado a mais de um caso no mesmo domicílio. O diagnóstico de escabiose é clínico e epidemiológico; raspado de pele não é exigido para tratar.
- raciocínio
- O que decide a conduta não é a droga, é a abrangência. O domicílio inteiro está no ciclo, e quem ainda não coça pode estar no período de incubação, que vai de 1 dia a 6 semanas — tratar só quem tem lesão devolve a família à unidade em três semanas com o rótulo de falha terapêutica.
- conduta
- Permetrina 5% em loção para os quatro moradores, aplicada no mesmo dia: pele seca, limpa e fria, do pescoço para baixo, sem esquecer retroauricular, interdigitais, palmas, plantas, periumbilical, genitália e sob as unhas aparadas; manter 8 a 14 horas e remover no banho. Repetir em 7 dias. No filho de 4 anos, incluir couro cabeludo, orelhas e face, poupando as regiões periocular e perioral. A criança de 18 kg poderia receber ivermectina, mas com permetrina disponível para todos não há motivo para trocar de via.
- ambiente
- Roupas, toalhas e roupas de cama dos últimos três dias na máquina a 60 °C por pelo menos 20 minutos, seguidas de ferro ou secadora; o que não puder ser lavado fica em saco plástico fechado por 7 dias. Colchão e sofá não precisam de inseticida.
- seguimento
- Explicar que o prurido pode durar mais 2 a 4 semanas mesmo com a cura, e prescrever dexclorfeniramina à noite. Reavaliar em 2 semanas: sintomas sem melhora nesse prazo indicam falha; sintomas que somem e voltam depois de 4 semanas indicam reinfestação, e aí a investigação volta para os contatos que ficaram de fora.
Agora feche você
- achado
- Febre e calafrio precedendo a lesão, placa unilateral com borda elevada e nítida: erisipela de membro inferior, infecção da derme superficial e dos linfáticos, de origem estreptocócica. A ausência de dor desproporcional, de bolha hemorrágica e de crepitação afasta, neste momento, a suspeita de fasciíte necrosante.
- porta de entrada
- A maceração e a fissura interdigitais à direita são a porta de entrada — o achado que explica por que esta perna e não a outra.
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Tratar só quem coça É o erro mais caro da escabiose e o mais fácil de cair, porque a alternativa que trata apenas o paciente parece a mais prudente. O contato assintomático dentro do período de incubação transmite sem lesão visível; o tratamento escalonado ressemeia o domicílio e volta como 'falha terapêutica'. Domicílio e contato pele a pele prolongado das últimas 6 semanas entram juntos, no mesmo dia.
- 2Ler prurido persistente como falha do escabicida O prurido pós-escabiótico dura 2 a 4 semanas depois da cura e atrai a repetição do escabicida, que é iatrogenia clássica e gera dermatite de contato — que por sua vez é lida como piora. A régua separa: sem melhora depois de 2 semanas é falha; melhora seguida de retorno depois de 4 semanas é reinfestação; melhora lenta com pele em recuperação é apenas o prurido residual.
- 3Descartar escabiose porque o idoso não coça Na forma crostosa o prurido é discreto ou ausente, exatamente onde a carga parasitária é maior. O quadro se apresenta como 'psoríase', 'eczema crônico' ou 'pele seca do acamado' e recebe corticoide, que aumenta a proliferação do ácaro. Idoso institucionalizado com hiperceratose e equipe coçando é escabiose crostosa até prova em contrário.
- 4Subir a permetrina de 1% para 5% na pediculose que falhou A troca parece lógica e é o distrator preferido das bancas: aumentar a concentração não melhora a falha. Antes de trocar de droga, checar o básico — quantidade suficiente, cabelo apenas úmido e sem condicionador, 10 minutos de contato e a repetição no dia 9. Confirmada a falha, o caminho é ivermectina oral, associação com sulfametoxazol-trimetoprima ou dimeticona 4%.
- 5Tratar lêndea distante como infestação ativa Lêndea colada a mais de 1 cm do couro cabeludo corresponde a mais de um mês de crescimento do fio e não indica infestação ativa. Infestação ativa exige piolho vivo. Tratar por lêndea residual é sobretratamento, e tratamento preventivo repetido é justamente o que seleciona resistência ao piretroide.
- 6Chamar de erisipela a placa bilateral e sem febre Dermatite de estase é bilateral, crônica, sem febre, com hiperpigmentação ocre e prurido em vez de dor, e não pede antibiótico. Erisipela é aguda, unilateral, dolorosa e vem depois de febre e calafrio. Também entra aqui a trombose venosa profunda, que dá edema e dor sem borda nítida e sem porta de entrada cutânea.
- 7Prescrever o antibiótico e ignorar o espaço interdigital A erisipela cura com o antibiótico e volta pela mesma porta. Tinea pedis, fissura de calcanhar, onicomicose, úlcera e linfedema sustentam a recidiva, e a profilaxia com penicilina G benzatina só entra depois que esses fatores foram tratados — não antes, e não no lugar deles.
- 8Confundir a crosta cor de mel com herpes ou com micose A crosta melicérica aderida sobre base eritematosa, perinasal ou peribucal, em criança em bom estado geral, é impetigo. Aciclovir, antifúngico tópico e corticoide são as três respostas erradas mais oferecidas — e o corticoide piora. Vale ainda procurar o que está por baixo: escabiose e pediculose escoriadas são a matriz de boa parte dos impetigos.
O quadro descreve erisipela: placa eritematosa de bordas bem delimitadas, elevada, brilhante, com linfangite, cujo agente clássico é o Streptococcus pyogenes (beta-hemolítico do grupo A). Staphylococcus epidermidis é comensal de baixa virulência, associado a corpos estranhos/próteses, não à erisipela. Clostridium perfringens causa gangrena gasosa/mionecrose com crepitação e necrose, ausentes aqui. Pseudomonas está mais ligada a infecções em imunossuprimidos, queimados e otite externa maligna. E. coli é agente de infecções abdominais e urinárias, não da erisipela típica.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Criança de 6 anos é levada ao pronto-atendimento com lesões periorificiais na face, ao redor do nariz e da boca, há 5 dias. Ao exame: vesículas e pústulas que se romperam formando crostas espessas cor de mel (melicéricas), sem sinais sistêmicos, afebril. Qual é o agente etiológico mais frequentemente associado a esse quadro?
As crostas melicéricas (cor de mel) periorificiais em criança caracterizam o impetigo, cujos agentes clássicos são Staphylococcus aureus e Streptococcus pyogenes. O herpes simples causa vesículas agrupadas dolorosas sobre base eritematosa, não crostas melicéricas típicas. Candida causa lesões em áreas úmidas/intertriginosas com pústulas satélites. Sarcoptes scabiei causa escabiose (prurido noturno e túneis). Malassezia está associada à pitiríase versicolor e dermatite seborreica.
Mulher de 34 anos procura atendimento por lesões nas axilas e virilhas há 2 anos, com surtos recorrentes de nódulos dolorosos que drenam material purulento e fétido, deixando cicatrizes retráteis e trajetos fistulosos. É tabagista (20 maços-ano) e apresenta IMC de 34 kg/m². Ao exame, notam-se comedões duplos e cordões fibróticos nas regiões acometidas. Qual é o diagnóstico mais provável?
A hidradenite supurativa é definida por nódulos/abscessos dolorosos recorrentes em áreas de dobras ricas em glândulas apócrinas (axilas, virilhas, região perineal), com trajetos fistulosos, cicatrizes e comedões duplos patognomônicos; tabagismo e obesidade são fatores de risco clássicos. A furunculose recorrente causa nódulos, mas não forma trajetos fistulosos crônicos nem comedões duplos. A doença de Crohn metastática cursa com úlceras/fissuras genitais, mas a apresentação típica em dobras com comedões favorece hidradenite. A actinomicose forma abscessos com grânulos sulfúricos, geralmente cervicofacial, sem esse padrão de dobras. O escrofuloderma decorre de tuberculose ganglionar com fístulas frias, sem comedões duplos nem distribuição em dobras.
Um escolar de 6 anos é levado à Unidade Básica de Saúde pela mãe, que refere que a criança apresenta lesões de pele há 5 dias. Ao exame, observam-se lesões na face, próximas ao nariz e à boca, caracterizadas por vesículas e pústulas que se romperam, formando crostas espessas de coloração amarelada, com aspecto melicérico (cor de mel). As lesões não são dolorosas e a criança está em bom estado geral, afebril e ativa. Há relato de outras crianças com lesões semelhantes na escola. Considerando o diagnóstico mais provável e a conduta terapêutica, respectivamente, assinale:
Crostas espessas e amareladas com aspecto melicérico (cor de mel) na face de criança, contagiosas (outras crianças afetadas), é o quadro clássico de impetigo, geralmente causado por Staphylococcus aureus ou Streptococcus pyogenes; trata-se com antibiótico tópico (mupirocina) ou sistêmico se extenso, mais higiene local. Herpes simples cursa com vesículas agrupadas dolorosas em base eritematosa, sem crosta melicérica. Dermatite atópica é crônica, pruriginosa, em áreas flexurais, sem crostas melicéricas. Escabiose cursa com prurido intenso, sobretudo noturno, e lesões em espaços interdigitais/pregas, não com crostas melicéricas na face.
Menino de 6 anos é levado à UBS pela mãe por lesões na face há 5 dias. Iniciaram como pequenas vesículas que romperam e formaram crostas. Ao exame, observam-se lesões periorais e no queixo com crostas espessas e aderentes de cor amarelada (aspecto melicérico), sobre base eritematosa, sem sinais sistêmicos. A criança está afebril, em bom estado geral, e há relato de que um colega da escola tem lesões parecidas. Nega comorbidades. Considerando o diagnóstico mais provável e o tratamento de primeira escolha para a forma localizada, respectivamente, qual é a conduta correta?
Vesículas que evoluem para crostas melicéricas (amareladas, aspecto de mel) na face, em criança em bom estado geral e com contato conhecido, são típicas de impetigo não bolhoso (Staphylococcus/Streptococcus); a forma localizada é tratada com antibiótico tópico como a mupirocina e higiene local, reservando antibiótico oral para casos extensos. O herpes simples produz vesículas agrupadas dolorosas e não crostas melicéricas clássicas. A dermatite atópica é pruriginosa e crônica, e corticoide isolado agravaria uma infecção. O molusco contagioso apresenta pápulas umbilicadas, sem crostas melicéricas.
Uma mulher de 28 anos procura a UBS com lesões pruriginosas que surgiram nas mãos e nos punhos há cerca de 3 semanas, com piora noturna. Relata que o companheiro e a filha de 5 anos apresentam queixa semelhante. Ao exame, observam-se pápulas eritematosas escoriadas nos espaços interdigitais, punhos e região periumbilical; em uma das mãos há uma fina linha serpiginosa acinzentada de poucos milímetros terminando em ponto elevado. Não há febre nem comprometimento sistêmico. O restante do exame é normal. Considerando a apresentação clínica e o contexto familiar, assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, o diagnóstico mais provável e a conduta terapêutica de escolha na atenção básica.
Prurido de predomínio noturno, distribuição em espaços interdigitais/punhos/região periumbilical, acometimento de múltiplos membros do domicílio e o achado do TÚNEL (linha serpiginosa) definem escabiose. O tratamento de escolha na APS é a permetrina 5% tópica, aplicada do pescoço para baixo, com repetição em 7 dias, e é OBRIGATÓRIO tratar simultaneamente todos os contatos íntimos/domiciliares para evitar reinfestação, além de higienização de roupas e roupa de cama. Dermatite atópica tem história pessoal/familiar de atopia, curso crônico e distribuição flexural, sem contágio domiciliar nem túneis. Urticária cursa com placas fugazes e evanescentes, não pápulas escoriadas fixas. Dermatite de contato segue a área de exposição a um alérgeno e não explica o contágio familiar simultâneo.
Homem, 34 anos, morador de albergue, procura atendimento por prurido intenso há 3 semanas, pior à noite. Ao exame, apresenta lesões papulosas escoriadas e trajetos lineares serpiginosos em espaços interdigitais das mãos, punhos e região periumbilical; nota-se ainda pápulas eritematosas na bolsa escrotal. Relata que dois companheiros de quarto têm queixa semelhante. A dermatoscopia evidencia, na extremidade de um dos trajetos, uma estrutura triangular escura em forma de "asa-delta". Qual é o próximo passo mais adequado no manejo?
O quadro é clássico de escabiose: prurido de predomínio noturno, túneis interdigitais/punhos, acometimento genital e o "sinal da asa-delta" (delta wing/jet-trail) à dermatoscopia, correspondente à cabeça do Sarcoptes scabiei. Correta: a permetrina 5% tópica é a primeira linha, e o tratamento DEVE incluir contactantes próximos (sintomáticos ou não) e descontaminação de fômites (roupas/lençóis lavados em água quente ou isolados 72h) para interromper a cadeia de transmissão. Erra: o quadro não é dermatite de contato; corticoide isolado não erradica o ácaro. Erra: não há sinais de impetiginização (crostas melicéricas/pústulas) e antibiótico não trata escabiose. Erra: o diagnóstico é clínico/dermatoscópico, sem necessidade de biópsia. Erra: mesmo optando por ivermectina, é obrigatório tratar contactantes e fômites — omití-los perpetua a reinfestação.
Menina, 6 anos, previamente hígida, é levada pela mãe por lesões na face que surgiram há 4 dias. Ao exame, observam-se lesões periorais e nas narinas com vesículas que se romperam e formaram crostas espessas de coloração amarelo-dourada ("cor de mel"), sobre base eritematosa, sem dor significativa e sem febre. Não há acometimento sistêmico. Qual é o diagnóstico mais provável?
As crostas espessas "cor de mel" (melicéricas) sobre base eritematosa em face de criança, sem sintomas sistêmicos, definem o impetigo não bolhoso (crostoso), causado por Streptococcus pyogenes e/ou Staphylococcus aureus. Correta: Erra erisipela é uma celulite superficial com placa eritematosa quente, edemaciada, de bordas nítidas, dolorosa e frequentemente com febre — não crostas melicéricas localizadas. Erra: herpes-zóster cursa com vesículas agrupadas em distribuição dermatomérica unilateral e dor, incomum nessa faixa e apresentação. Erra: dermatite atópica infectada teria história de eczema crônico/prurido e distribuição flexural, não o quadro agudo perioral típico. Erra: a escabiose crostosa ocorre em imunossuprimidos, com hiperceratose difusa e altíssima carga de ácaros, não crostas melicéricas focais na face.
Mulher, 58 anos, diabética, procura o pronto-socorro por dor e vermelhidão em perna direita há 2 dias. Ao exame: placa eritematosa, quente, brilhante, com bordas bem delimitadas e elevadas em face medial da perna, acompanhada de linfangite ascendente e adenopatia inguinal dolorosa. Temperatura axilar 38,6 °C, FC 98 bpm, PA 128/78 mmHg. Identifica-se maceração e fissura interdigital nos pododáctilos ipsilaterais. Considerando o diagnóstico de erisipela, qual é a conduta terapêutica de primeira escolha e a porta de entrada a ser tratada?
A erisipela é uma dermo-hipodermite aguda predominantemente causada por Streptococcus beta-hemolítico (grupo A), com placa eritematosa de bordas nítidas e elevadas, febre, linfangite e adenopatia. Correta: o antibiótico de primeira linha é dirigido ao estreptococo — penicilina ou amoxicilina — e é fundamental tratar a porta de entrada, que aqui é a tinea pedis interdigital (maceração/fissura), fator de risco e recorrência clássico. Erra: aciclovir trata infecção viral, não bacteriana. Erra: erisipela exige antibiótico; corticoide isolado é inadequado e potencialmente deletério. Erra: vancomicina não é primeira escolha de rotina — reserva-se a suspeita de MRSA/casos graves; erisipela típica responde a betalactâmico antiestreptocócico. Erra: a porta de entrada é micótica (tinea), não escabiose, e permetrina não trata a infecção bacteriana.
Mulher, 58 anos, diabética, procura pronto atendimento com febre (38,5 °C) e dor em perna direita iniciadas há 24 horas. Ao exame: PA 130/80 mmHg, FC 96 bpm; placa eritematosa em face medial da perna, quente, brilhante, com bordas nítidas e elevadas, além de estria eritematosa ascendente e linfonodo inguinal doloroso. Nega trauma, não há flutuação nem coleção palpável. Panturrilha indolor, sem empastamento, Homans negativo. Qual o tratamento de primeira escolha?
O quadro é clássico de erisipela: placa eritematosa de bordas bem delimitadas e elevadas, edema, febre, linfangite (estria ascendente) e linfadenopatia satélite, tendo o Streptococcus pyogenes, beta-hemolítico do grupo A, como agente quase exclusivo. Por isso a terapia de escolha é um betalactâmico com bom espectro para estreptococo, como a amoxicilina/penicilina por via oral. A anticoagulação plena por suspeita de trombose venosa profunda está afastada pela perna sem empastamento, Homans negativo e presença de sinais infecciosos (febre, bordas nítidas, linfangite) — anticoagular seria erro e risco. O aciclovir não cabe: o herpes-zóster produz vesículas em dermátomo, com dor neuropática, não placa infecciosa de bordas elevadas. O sulfametoxazol-trimetoprima cobre MRSA e é reservado a abscessos/celulite purulenta, cenário diferente da erisipela estreptocócica não purulenta. E associar drenagem cirúrgica é inútil: não há coleção nem flutuação — não existe o que drenar; drenagem é para abscesso.
Menino, 6 anos, levado pela mãe por prurido intenso há 3 semanas, tipicamente pior à noite. Ao exame apresenta pápulas e pequenos trajetos lineares (sulcos) nos espaços interdigitais das mãos, punhos e cintura, além de escoriações por coçadura; não há secreção purulenta, crostas melicéricas ou sinais flogísticos. A mãe e um irmão também referem prurido semelhante nas últimas semanas. Qual a conduta mais adequada?
Prurido de predomínio noturno, sulcos e pápulas em interdígitos/punhos/cintura e vários conviventes acometidos configuram escabiose. O tratamento de escolha na criança é a permetrina 5% tópica, aplicada do pescoço para baixo, com reaplicação em 7 dias, ESTENDIDA a todos os contatos domiciliares (mesmo assintomáticos) e associada à higiene de roupas/roupa de cama. Corticoide alivia o prurido mas não elimina o ácaro — não trata a causa. Ivermectina oral é alternativa, mas tratar 'apenas o paciente' perpetua a reinfestação pelos contatos não tratados; além disso é evitada em crianças com menos de 15 kg. Anti-histamínico e observação não erradicam a infestação. Não há crostas melicéricas nem sinais de infecção secundária que justifiquem antibiótico para impetigo.
Menino de 5 anos, previamente hígido, é levado à Unidade Básica de Saúde pela mãe. Há 6 dias iniciou quadro de febre baixa e lesões vesiculares pruriginosas disseminadas pelo tronco, face e couro cabeludo, tendo recebido diagnóstico clínico de varicela. Nas últimas 24 horas, a mãe notou retorno de febre alta (39,2°C) e que uma das lesões na coxa direita tornou-se muito dolorosa. Ao exame, observa-se, sobre lesão de varicela, placa eritematosa quente e endurecida de cerca de 4 cm, com edema, calor local e drenagem de secreção purulenta, dolorosa à palpação. O restante das lesões evolui normalmente para crostas. Qual é, respectivamente, a complicação mais provável e a conduta indicada?
A complicação mais frequente da varicela é a infecção bacteriana secundária das lesões, causada por S. aureus e S. pyogenes, sugerida aqui pelo retorno da febre alta e por lesão com eritema, calor, edema e secreção purulenta (celulite/impetiginização) — a conduta é antibiótico com cobertura para esses agentes (ex.: cefalexina). Errada porque febre recorrente e sinais flogísticos/purulência não fazem parte da evolução normal, que caminha para crostas sem inflamação local intensa. O herpes-zóster é implausível: ocorre por reativação e é raro nessa idade/contexto, sem o quadro agudo descrito. A reação de hipersensibilidade não se sustenta, pois não há relação temporal com fármaco nem padrão alérgico, e corticoide agravaria a infecção.
Uma mulher de 34 anos procura a Unidade Básica de Saúde queixando-se de coceira intensa há duas semanas, que piora à noite e a impede de dormir. Ao exame, apresenta lesões papulares eritematosas escoriadas nos espaços interdigitais das mãos, punhos, região periumbilical e nádegas. Relata que o marido e os dois filhos também estão com prurido semelhante. Nega febre ou outros sintomas. Considerando o quadro clínico e o contexto epidemiológico familiar, qual é o diagnóstico mais provável?
O quadro é clássico de escabiose: prurido de predomínio noturno, lesões nos espaços interdigitais, punhos, região periumbilical e nádegas, com vários membros da família acometidos (contágio interpessoal). A dermatite atópica tem distribuição em áreas flexurais e histórico atópico, sem o padrão de contágio familiar simultâneo. A urticária colinérgica cursa com pápulas fugazes desencadeadas por calor/exercício, não com o padrão descrito. A pitiríase rósea apresenta placa-mãe e lesões em 'árvore de Natal' no tronco, sem o contágio familiar.
Um menino de 6 anos é levado pela mãe à Unidade de Saúde da Família com lesões na face, ao redor da boca e nas narinas, iniciadas há 4 dias. Ao exame, observam-se lesões com crostas espessas de coloração amarelada ('cor de mel'), sobre base eritematosa, algumas com vesículas e secreção purulenta, sem sinais sistêmicos. A criança frequenta creche e outras crianças apresentam lesões parecidas. Qual é o diagnóstico mais provável?
As crostas melicéricas ('cor de mel') em face de criança, com contágio na creche, são o quadro típico de impetigo, infecção bacteriana superficial causada por Staphylococcus aureus e/ou Streptococcus pyogenes. O herpes simples cursa com vesículas agrupadas dolorosas que recidivam no mesmo local, sem crosta melicérica. O molusco contagioso apresenta pápulas umbilicadas perláceas, sem crostas nem secreção purulenta. A dermatite de contato causa eritema e prurido na área de contato com o alérgeno, sem crostas melicéricas nem contágio.
Um homem de 52 anos, diabético, comparece à UPA com quadro iniciado há 2 dias de dor, vermelhidão e inchaço na perna direita. Ao exame, apresenta placa eritematosa quente, brilhante, dolorosa, com bordas bem delimitadas e elevadas na região da panturrilha, além de temperatura axilar de 38,5°C. Nota-se uma pequena fissura interdigital no pé (porta de entrada). Qual é o diagnóstico mais provável?
A placa eritematosa quente, dolorosa, com bordas bem delimitadas e elevadas, acompanhada de febre e com porta de entrada (fissura interdigital), é característica da erisipela, infecção dermo-hipodérmica geralmente causada por Streptococcus pyogenes, mais frequente em diabéticos. A trombose venosa profunda cursa com edema e dor, mas sem placa eritematosa de bordas nítidas nem porta de entrada cutânea. A dermatite de estase é crônica, bilateral, com hiperpigmentação e sem febre. O linfedema crônico é indolor, sem eritema agudo ou febre.
Menino de 4 anos, previamente hígido e sem comorbidades, é levado à Unidade de Pronto Atendimento. A mãe refere que há 5 dias ele iniciou febre baixa e lesões vesiculares pruriginosas disseminadas, em diferentes estágios evolutivos, com diagnóstico ambulatorial de varicela. Havia melhorado da febre no terceiro dia, mas há 24 horas voltou a apresentar temperatura de 39,5 °C, prostração e dor intensa na coxa direita. Ao exame: ativo, hidratado, corado; lesões crostosas difusas e, na face lateral da coxa direita, área de eritema quente, edemaciada, dolorosa à palpação, com bordas mal delimitadas e cerca de 8 cm de extensão, sem flutuação. Não há rigidez de nuca nem instabilidade hemodinâmica. Quais são, respectivamente, o diagnóstico mais provável e a conduta adequada?
A infecção bacteriana secundária das lesões de pele é a complicação mais frequente da varicela na criança imunocompetente, e o quadro é típico: febre que reaparece após defervescência inicial (curva bifásica), dor localizada e placa de celulite sobre área previamente escoriada. Os agentes esperados são S. aureus e S. pyogenes, e o tratamento de escolha na celulite sem sinais de gravidade é antibioticoterapia oral com cefalexina (ou clindamicina, se suspeita de MRSA comunitário), com reavaliação em 24-48 horas para detectar progressão (fasciíte necrosante, sepse). A varicela hemorrágica cursa com lesões com conteúdo sanguinolento e sangramento cutâneo, não com placa inflamatória localizada, e corticoide sistêmico é formalmente contraindicado na varicela por agravar a doença. Reação a antitérmico não produz febre alta com placa quente e dolorosa unilateral. A síndrome de Stevens-Johnson cursa com acometimento de mucosas e descolamento epidérmico difuso, ausentes aqui.
Uma mulher de 62 anos, com diabetes mellitus tipo 2 e obesidade, procura a unidade de pronto atendimento com dor e vermelhidão na perna direita há dois dias, acompanhadas de febre aferida de 38,7 °C e calafrios. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, hemodinamicamente estável, com placa eritematosa, quente e dolorosa no terço distal da perna direita, de bordas elevadas e nitidamente demarcadas em relação à pele sã, com estria eritematosa ascendente e linfonodomegalia inguinal dolorosa à palpação. Observam-se ainda maceração, fissura e descamação nos espaços interdigitais do pé direito. Não há flutuação, crepitação, bolhas hemorrágicas, dor desproporcional ou áreas de necrose. A panturrilha está livre, sem empastamento ou aumento de diâmetro. Nesse caso, o diagnóstico e a conduta são, respectivamente,
Correta: a placa eritematosa de bordas elevadas e NITIDAMENTE demarcadas, com início agudo, febre, linfangite e adenomegalia satélite define erisipela (celulite superficial da derme e linfáticos), cujo agente é o Streptococcus pyogenes — daí a escolha de penicilina/amoxicilina como primeira linha. O segundo passo, cobrado pelo Ministério da Saúde e pelas diretrizes de dermatologia, é identificar e tratar a PORTA DE ENTRADA: a tinha interdigital (maceração/fissura entre os pododáctilos) é a causa mais comum e sua não abordagem é o principal fator de recorrência. TVP não cursa com bordas demarcadas, linfangite e adenomegalia, e a panturrilha está livre — anticoagular sem indicação expõe a risco hemorrágico. Dermatite de estase é crônica, bilateral, pruriginosa e afebril; corticoide tópico em infecção bacteriana agrava o quadro. Fasciíte necrosante exige sinais de alarme ausentes aqui (dor desproporcional, bolhas hemorrágicas, crepitação, necrose, toxemia).
Um menino de 6 anos é levado pela mãe à unidade básica de saúde por lesões na face iniciadas há cinco dias. A mãe conta que começaram como pequenas "bolhinhas" que se romperam e formaram feridas, e que um colega da escola apresentou lesões semelhantes na semana anterior. Nega febre, dor importante ou uso de medicamentos. Ao exame, a criança está em bom estado geral, afebril, ativa, com quatro lesões ao redor das narinas e no mento, medindo de 0,5 a 1,5 cm, constituídas por erosões superficiais recobertas por crostas espessas, aderentes, de coloração amarelo-acastanhada (aspecto melicérico), com discreto halo eritematoso. Não há vesículas agrupadas, linfonodomegalia, celulite adjacente nem lesões em outras áreas. O diagnóstico e a conduta são, respectivamente,
Correta: crostas melicéricas em face de criança em bom estado geral, com contactante escolar, é o quadro clássico de impetigo não bolhoso (Streptococcus pyogenes e/ou Staphylococcus aureus). Sendo localizado e sem sinais sistêmicos, o tratamento preconizado é tópico: limpeza/remoção das crostas com água e sabão e mupirocina (ou ácido fusídico) por 5 a 7 dias, reservando antibiótico oral (cefalexina) para lesões numerosas, extensas ou com repercussão sistêmica. Medidas de controle da transmissão — higiene das mãos, corte de unhas, não compartilhar toalhas e afastamento escolar até 24 h de tratamento — são parte da conduta na atenção primária. Herpes simples cursa com vesículas agrupadas sobre base eritematosa, pródromo de ardor e crostas escuras, não melicéricas. Faltam história de atopia, prurido crônico e lesões em áreas flexurais; corticoide tópico isolado não trata a infecção. Tinha da face é placa anular de bordas descamativas com clareamento central, de evolução lenta e sem crostas melicéricas.
Homem de 62 anos, diabético, procura a UPA com placa eritematosa quente, dolorosa e bem delimitada na perna direita, iniciada há 2 dias, com bordas elevadas e nítidas, acompanhada de febre (38,5 °C) e calafrios. Ao exame, nota-se fissura interdigital com descamação no pé ipsilateral, sem crepitação, bolhas ou áreas de necrose. Considerando o diagnóstico mais provável, qual é a conduta inicial mais adequada?
O quadro (placa eritematosa quente, bem delimitada, com bordas elevadas e nítidas, febre e porta de entrada micótica) é típico de erisipela, infecção dermo-hipodérmica causada principalmente por Streptococcus pyogenes; o tratamento é antibiótico com cobertura para estreptococo (penicilina/amoxicilina), elevação do membro, analgesia e tratamento da porta de entrada. Aciclovir é para herpes-zóster, que cursa com vesículas em dermátomo. Desbridamento de urgência só se houver sinais de fasciíte necrosante (dor desproporcional, crepitação, bolhas hemorrágicas, necrose), ausentes aqui. Corticoide tópico não trata infecção bacteriana e pioraria o quadro.
Mulher de 28 anos comparece à UBS com prurido intenso há 3 semanas, que piora à noite. Ao exame, observam-se pápulas eritematosas e lesões lineares finas (sulcos) nos espaços interdigitais das mãos, punhos e região periumbilical. Relata que o companheiro e o filho de 5 anos também estão com coceira semelhante. Não há febre nem sinais de infecção secundária. Qual é a conduta mais adequada?
O prurido de predomínio noturno, os sulcos escabióticos em regiões interdigitais, punhos e periumbilical, e o acometimento de múltiplos conviventes definem escabiose (Sarcoptes scabiei). O tratamento de escolha é a permetrina 5% tópica, e é essencial tratar simultaneamente todos os contatos domiciliares (mesmo assintomáticos) e higienizar roupas/roupa de cama, para interromper a reinfestação — tratar só a paciente perpetua o ciclo. Corticoide isolado alivia o prurido mas não elimina o ácaro. Antifúngico não tem ação sobre o parasita.
Menina de 8 anos é levada à UBS pela mãe devido a prurido no couro cabeludo há 2 semanas. Ao exame, observam-se lêndeas esbranquiçadas firmemente aderidas à haste dos cabelos, sobretudo nas regiões retroauricular e da nuca, além de alguns parasitas móveis visíveis. Vários colegas da escola apresentam queixa semelhante. Não há placas descamativas, alopecia nem linfonodomegalia. Qual é o diagnóstico e o tratamento de primeira escolha?
Lêndeas aderidas à haste dos cabelos com piolhos visíveis, predomínio retroauricular/nuca e surto escolar caracterizam pediculose do couro cabeludo (Pediculus humanus capitis); o tratamento de primeira linha é a permetrina 1% tópica, com repetição em 7-10 dias e remoção mecânica das lêndeas. Tinea capitis cursa com placas descamativas, tonsura/alopecia e linfonodomegalia, ausentes aqui. Dermatite seborreica gera descamação gordurosa sem lêndeas. Psoríase apresenta placas eritemato-descamativas, não parasitas.
Lactente de 8 meses, acompanhado na Unidade Básica de Saúde, apresenta desde os 3 meses lesões eczematosas pruriginosas em face e superfícies extensoras dos membros, com diagnóstico de dermatite atópica em uso regular de hidratante e corticoide tópico de baixa potência. Há 3 dias, a mãe refere piora importante, com surgimento de crostas amareladas ('cor de mel'), exsudato e eritema intenso sobre as lesões. A criança está afebril e em bom estado geral. Qual a conduta mais adequada?
As crostas melicéricas ('cor de mel'), o exsudato e o eritema sobre a dermatite atópica caracterizam impetiginização secundária por S. aureus, complicação frequente da DA. Em criança afebril, em bom estado geral e sem sinais sistêmicos, a conduta na APS é antibioticoterapia oral (cefalexina) mantendo hidratação e controle da inflamação de base. Não há dados de dermatofitose; antifúngico não trata infecção bacteriana. Internação/EV é reservada a quadros extensos, sistêmicos ou refratários, o que não é o caso. Apenas intensificar corticoide e hidratante ignora a infecção bacteriana ativa, que precisa de antibiótico.
Menino de 3 anos, previamente hígido, é levado à Unidade Básica de Saúde por prurido intenso de predomínio noturno há 5 semanas. A mãe e a irmã de 8 anos também referem prurido nas últimas semanas. Ao exame: pápulas eritematosas escoriadas nos espaços interdigitais das mãos, punhos e região axilar anterior, com finos sulcos lineares, além de vesicopústulas em regiões plantares e nódulos eritematosos no escroto. Peso: 14 kg. Não há febre nem crostas melicéricas. Assinale a conduta mais adequada.
Prurido noturno, acometimento de contactantes, sulcos interdigitais/punhos, vesicopústulas palmoplantares e nódulos escrotais fecham escabiose clássica na criança. O escabicida de primeira linha é a permetrina 5% tópica (segura a partir de 2 meses), com aplicação em todo o tegumento — em lactentes e pré-escolares incluindo couro cabeludo, face poupando mucosas, e palmas/plantas —, por 8-12 h, repetida em 7 dias, e o tratamento SIMULTÂNEO de todos os contactantes domiciliares (sintomáticos ou não) mais medidas ambientais, sem o que a reinfestação é a regra. Erra duas vezes: ivermectina oral é contraindicada abaixo de 15 kg (ou 5 anos) e tratar só o sintomático perpetua o ciclo. Dermatite atópica não poupa a face nesta idade, não produz sulcos nem nódulos escrotais, e corticoide isolado mascara a escabiose ("escabiose incógnita"). Enxofre precipitado 5-10% é a opção reservada a menores de 2 meses e gestantes, não a única segura aos 3 anos.
Mulher de 62 anos, diabética tipo 2 e obesa, procura a UPA com febre de 38,8 °C, calafrios e dor na perna direita há 2 dias. Ao exame: placa eritematosa, quente, brilhante, com bordas nitidamente delimitadas e elevadas na face medial da perna direita, associada a linfangite ascendente e adenomegalia inguinal dolorosa. Observa-se maceração e fissura no 4º espaço interdigital do pé direito. Não há crepitação, bolhas hemorrágicas, hipoestesia, necrose cutânea nem dor desproporcional ao exame. Assinale a conduta mais adequada.
Placa eritematosa com bordas NÍTIDAS e elevadas, início abrupto com febre e calafrios, linfangite e adenomegalia definem erisipela (celulite superficial da derme e linfáticos), cujo agente é o estreptococo beta-hemolítico do grupo A — daí a penicilina/amoxicilina ou cefalexina como primeira linha. O segundo passo, que é o cerne da questão, é tratar a PORTA DE ENTRADA: a tinha interdigital macerada é o fator de risco modificável mais associado a erisipela e à sua recorrência; sem tratá-la, o quadro se repete. Cobertura para MRSA não é rotina na erisipela típica, sem abscesso, purulência ou fator de risco específico. Faltam os sinais de gravidade da fasciíte necrotizante — dor desproporcional, bolhas hemorrágicas, crepitação, hipoestesia, necrose, toxemia —, todos explicitamente ausentes. TVP não cursa com bordas nítidas, linfangite e adenomegalia inguinal dolorosa.
Menina de 8 anos é levada à Unidade Básica de Saúde por prurido intenso no couro cabeludo há 3 semanas, com piora noturna; duas colegas de sala apresentam queixa semelhante. Ao exame: escoriações nas regiões occipital e retroauricular, estruturas ovaladas esbranquiçadas firmemente aderidas à haste dos cabelos a poucos milímetros do couro cabeludo, e, na nuca, placas confluentes com crostas espessas cor de mel. Não há área de alopecia em clareira nem tonsura dos fios. Há adenomegalia cervical posterior dolorosa, sem febre. Assinale a conduta mais adequada.
Lêndeas firmemente aderidas à haste próximas ao couro cabeludo, prurido, predomínio occipital/retroauricular e surto escolar definem pediculose do couro cabeludo; as crostas cor de mel (melicéricas) confluentes na nuca com adenomegalia regional indicam impetiginização secundária. Logo, a conduta exige os DOIS passos: pediculicida tópico de primeira linha (permetrina 1% em loção, repetida em 7-10 dias para atingir as ninfas eclodidas, já que ovos não são plenamente ovicidas) e antibiótico — como o impetigo é extenso e com adenomegalia, indica-se via oral (cefalexina) em vez de mupirocina tópica —, além de avaliar contactantes. Tinha do couro cabeludo cursa com tonsura/alopecia em clareira, ausentes. Escabiose poupa o couro cabeludo em escolares e não produz lêndeas. A remoção mecânica é adjuvante, não substitui o pediculicida, e ignora o impetigo.
Homem de 79 anos, institucionalizado em instituição de longa permanência, em uso crônico de prednisona por polimialgia reumática, é avaliado por lesões cutâneas há 3 meses. Ao exame: placas hiperceratósicas espessas, acinzentadas e fissuradas em mãos, pés, cotovelos e couro cabeludo, com descamação intensa e acometimento subungueal; refere prurido de leve intensidade. Nas últimas semanas, sete outros residentes e três cuidadores apresentaram prurido intenso de predomínio noturno, com pápulas em espaços interdigitais e cintura pélvica. Assinale a conduta mais adequada para o caso-índice.
Idoso institucionalizado e imunossuprimido por corticoterapia, com placas hiperceratósicas em áreas acrais e couro cabeludo, acometimento ungueal, prurido desproporcionalmente leve e surto de escabiose clássica ao redor: é escabiose crostosa (norueguesa), que abriga milhares de ácaros e é altamente contagiosa. O tratamento exige terapia combinada — ivermectina oral em doses repetidas (habitualmente D1, D2 e D8, com esquemas adicionais nos casos extensos) associada a escabicida tópico, ceratolítico para penetração, precaução de contato e tratamento simultâneo de todos os contactantes, roupas e ambiente. Permetrina em dose única sem tratar contactantes é insuficiente até na escabiose comum e garante reinfestação no surto institucional. Corticoide de alta potência e imunossupressão adicional agravam a doença. Psoríase não explica o surto de prurido nos contactantes nem o contexto epidemiológico.
Mulher de 58 anos, diabética tipo 2 e obesa, procura a unidade de pronto atendimento com febre de 38,9 °C, calafrios e dor na perna esquerda iniciados há 36 horas. Ao exame: placa eritematosa quente e dolorosa em terço distal da perna esquerda, de bordas nítidas e elevadas, com aspecto de 'casca de laranja' e cordão linfangítico ascendente, além de adenomegalia inguinal dolorosa. Nos espaços interdigitais do pé esquerdo há maceração, fissuras e descamação esbranquiçada. PA 128 x 76 mmHg, FC 96 bpm, sem sinais de crepitação, bolhas hemorrágicas ou dor desproporcional. Assinale a conduta mais adequada.
Placa eritematosa de bordas NÍTIDAS e elevadas, com linfangite, adenomegalia e febre de início abrupto caracteriza erisipela, infecção dermo-hipodérmica superficial cujo agente predominante é o Streptococcus pyogenes — daí a indicação de penicilina ou amoxicilina. A tinha interdigital é a porta de entrada e deve ser tratada com antifúngico tópico, junto com elevação do membro, sob pena de recorrência. Vancomicina empírica não se justifica: MRSA é agente de celulite purulenta/abscesso, e não da erisipela não purulenta, e seu uso indiscriminado seleciona resistência. Não há critérios de fasciíte necrosante — faltam dor desproporcional, crepitação, bolhas hemorrágicas, necrose e instabilidade hemodinâmica —, de modo que a exploração cirúrgica de urgência é desnecessária. Conduta expectante sem antibiótico é inaceitável em paciente febril, diabética e com linfangite ascendente.
Em qual das situações abaixo a ivermectina oral está contraindicada para o tratamento da escabiose?
As duas restrições da ivermectina no tratamento da escabiose são gestação e peso inferior a 15 kg — o critério é o peso, não a idade em anos. A criança de 12 kg fica, portanto, fora da indicação e deve ser tratada com permetrina 5% em loção, liberada a partir dos 2 meses de vida. O idoso institucionalizado é justamente uma das indicações preferenciais do oral, porque a dose única supervisionada resolve o problema logístico de aplicar loção em todo o corpo de vários residentes. O adolescente de 48 kg está acima do limite de peso e receberia dose única conforme a escala. O uso de anti-hipertensivo não constitui restrição ao escabicida oral.
Homem de 58 anos, diabético e obeso, chega ao pronto-atendimento com febre de 38,7 °C e calafrios iniciados há 12 horas, seguidos do aparecimento de placa eritematosa, quente e dolorosa na perna direita, com borda elevada e nitidamente demarcada. A perna esquerda está normal, e não há bolhas, crepitação ou dor desproporcional. Ao exame dos pés, há maceração e fissura entre o quarto e o quinto pododáctilos à direita. Além do antibiótico, a medida que mais reduz o risco de um novo episódio é:
O quadro é erisipela de membro inferior: febre e calafrio precedendo a lesão e placa unilateral com borda elevada e nitidamente demarcada, correspondendo a infecção estreptocócica da derme superficial e dos linfáticos. A maceração e a fissura interdigitais são a porta de entrada e explicam por que a infecção ocorreu naquela perna. Tratar a tinea pedis e cuidar continuamente da pele dos pés é a medida que age sobre a causa da recidiva, e é isso que a pergunta cobra. Elevação do membro e analgesia fazem parte do suporte, mas não reduzem o risco de novo episódio, e o anti-inflamatório pode mascarar a progressão. O Doppler venoso investiga trombose, que não explica febre com placa de borda nítida e porta de entrada evidente, e não deve retardar o antibiótico. Corticoide sistêmico não faz parte do tratamento. Antibiótico tópico sobre a placa não penetra a derme e apenas acrescenta pressão de resistência.
Menino de 6 anos, 22 kg, é levado à unidade básica com cerca de vinte lesões com crosta cor de mel espalhadas pela face, pelo pescoço e pelos dois membros superiores, surgidas há cinco dias. Está afebril e em bom estado geral, sem sinais de acometimento sistêmico. Dois irmãos apresentam lesões semelhantes. A conduta medicamentosa mais adequada para o menino é:
A crosta cor de mel aderida sobre base eritematosa, em face e extremidades, em criança em bom estado geral, define impetigo não bolhoso, causado por Staphylococcus aureus, por Streptococcus pyogenes ou por ambos. O tratamento tópico com mupirocina 2% é adequado ao quadro localizado, com poucas lesões; aqui há cerca de vinte lesões em três regiões e mais dois casos no mesmo domicílio, cenário que indica a via oral. A cefalexina cobre os dois agentes e está no Componente Básico da Rename 2024, na dose de 50 mg/kg/dia de 6 em 6 horas por 7 dias na criança. Aciclovir trataria herpes, que produz vesículas agrupadas sobre base eritematosa e não crosta melicérica difusa. Corticoide tópico não trata infecção bacteriana e tende a piorar o quadro. A penicilina G benzatina não cobre S. aureus e não é a escolha para impetigo.
Homem de 82 anos, acamado em instituição de longa permanência e em uso crônico de corticoide, apresenta placas hiperceratóticas espessas e descamativas em mãos, pés e tronco, com prurido discreto. Nas últimas semanas, três funcionários do setor passaram a apresentar prurido noturno e lesões escoriadas em punhos. Sobre esse quadro, é correto afirmar:
O quadro é escabiose crostosa, também chamada de sarna norueguesa: ocorre em imunossuprimidos, idosos e acamados, cursa com hiperceratose e descamação intensas e o prurido é discreto ou ausente justamente porque falta a resposta imune que o produz — a ausência de prurido não afasta o diagnóstico, é característica da forma. A carga parasitária é de milhares de ácaros, o que a torna muito mais contagiosa que a forma comum e explica o adoecimento simultâneo de vários funcionários, tornando incorreta a alternativa que fala em baixa transmissibilidade. O manejo é distinto e combina os dois caminhos: permetrina 5% em todo o corpo, incluindo couro cabeludo, face e pescoço, a cada 2 a 3 dias por 1 a 2 semanas, associada a ivermectina 0,2 mg/kg em 3, 5 ou 7 doses não consecutivas conforme a intensidade — o esquema tópico único é insuficiente. Corticoide isolado piora o quadro por favorecer a proliferação do ácaro.
Em uma instituição de longa permanência para idosos, três residentes de alas diferentes e duas cuidadoras passam a apresentar prurido noturno e lesões escoriadas em punhos e abdome no intervalo de duas semanas. Sobre a condução dessa situação, é correto afirmar:
Surto de escabiose é definido como a ocorrência de 2 ou mais casos com vínculo epidemiológico em instituição fechada ou entre indivíduos institucionalizados, e o cenário descrito preenche o critério com folga. Embora o caso individual não integre a lista nacional de notificação compulsória, o surto deve ser comunicado de imediato à vigilância epidemiológica municipal e notificado no Sinan pelo módulo de Notificação de Surto, com o CID B86, o que torna incorreta a alternativa que se limita a registrar em prontuário e reforçar a higiene ambiental. O tratamento escalonado é justamente o que perpetua o surto, porque quem está no período de incubação transmite sem lesão: casos e contatos, incluindo os profissionais que prestam cuidado direto, são tratados simultaneamente. A precaução de contato se encerra 24 horas após o início da terapia eficaz, e não com a resolução das lesões, que pode levar semanas. O diagnóstico é clínico e epidemiológico, e a confirmação laboratorial não é pré-requisito para intervir.
Menina de 9 anos, 30 kg, foi tratada para pediculose da cabeça com permetrina 1% em loção, com a aplicação repetida conforme orientado, e mantém piolhos vivos ao exame do couro cabeludo. Sobre a conduta diante dessa falha, é correto afirmar:
Diante de falha da permetrina 1%, aumentar a concentração para 5% não melhora o resultado — é o distrator clássico do tema. As alternativas descritas são a ivermectina oral 200 a 400 mcg/kg em dose única repetida no sétimo dia, respeitado o piso de 15 kg, que a paciente de 30 kg cumpre; a associação de permetrina 1% com sulfametoxazol-trimetoprima, que eleva a eficácia de cerca de 72% para 95%; a ivermectina 0,5% em loção manipulada a partir dos 6 anos; e a dimeticona 4%, que age por asfixia física e não seleciona resistência. A retirada mecânica com pente fino é complementar e opcional, não substitui o pediculicida. Lêndea a mais de 1 cm do couro cabeludo corresponde a mais de um mês de crescimento do fio e indica infestação antiga, não atividade — infestação ativa exige piolho vivo. Tratamento preventivo repetido é justamente o que seleciona resistência ao piretroide e deve ser evitado.
Mulher de 34 anos procura a unidade básica com prurido intenso há três semanas, que a acorda de madrugada. Ao exame, há pápulas escoriadas nos espaços interdigitais das mãos, na face anterior dos punhos, ao redor do umbigo e no sulco interglúteo; a cabeça está poupada. Ela conta que o marido e os dois filhos, de 4 e 9 anos, começaram a coçar depois dela. Não está grávida nem amamentando, e nenhum dos filhos pesa menos de 15 kg. A conduta mais adequada é:
O quadro é escabiose: prurido de predomínio noturno, topografia clássica de interdigitais, punhos, região periumbilical e sulco interglúteo, cabeça poupada no adulto e mais de um caso no mesmo domicílio. O diagnóstico é clínico e epidemiológico, o que elimina a alternativa que condiciona o tratamento ao raspado — a visualização do ácaro é possível, mas não é exigência. Tratar apenas a paciente, agora ou depois, ignora que os contatos no período de incubação, que vai de 1 dia a 6 semanas, transmitem sem lesão visível: o tratamento escalonado ressemeia a casa e retorna como suposta falha terapêutica. Por isso o domicílio inteiro e os contatos pele a pele prolongados das últimas 6 semanas são tratados no mesmo dia, mesmo assintomáticos, e o marido não pode ficar de fora. Corticoide e anti-histamínico isolados apenas mascaram o prurido e atrasam o diagnóstico. A permetrina 5% em loção é a escolha aqui porque cobre todos, inclusive crianças pequenas, e o cuidado com fômites completa a conduta.
Mulher de 62 anos com linfedema crônico da perna esquerda teve quatro episódios de erisipela no mesmo membro nos últimos 12 meses, todos tratados e resolvidos. Está assintomática na consulta de hoje, e os fatores de risco já foram abordados. Entre as opções abaixo, a que corresponde à profilaxia antibiótica descrita para erisipela de repetição é:
Erisipela de repetição é definida como 3 ou mais episódios por ano, e o primeiro passo é sempre tratar o que sustenta a recidiva: insuficiência venosa, tinea pedis, linfedema, obesidade e imunossupressão. Só depois se considera a antibioticoprofilaxia, e os esquemas descritos são penicilina G benzatina 1.200.000 UI por via intramuscular a cada 2 a 4 semanas, penicilina V 250 ou 500 mg de 12 em 12 horas por via oral, ou eritromicina 250 mg duas vezes ao dia — todos com alvo no estreptococo, agente da erisipela. Cefalexina contínua em dose plena por 12 meses não é esquema profilático descrito e expõe a paciente a efeitos adversos e a pressão de resistência desnecessários. Azitromicina semanal e ciprofloxacino intermitente não integram os esquemas de profilaxia da erisipela, e a quinolona ainda tem cobertura inadequada para estreptococo cutâneo.
Homem de 27 anos, em situação de rua, apresenta na perna direita três lesões de 1,5 a 2 cm, com dois meses de evolução: úlceras rasas de bordas elevadas, recobertas por crosta espessa e aderida, sobre pele previamente escoriada. Está afebril e em bom estado geral, sem placa eritematosa ao redor, sem linfangite e sem adenomegalia dolorosa. Qual é a conduta medicamentosa mais adequada?
Úlcera rasa de bordas elevadas coberta por crosta espessa e aderida, em membro inferior, sobre pele previamente traumatizada ou escoriada, é ectima: o mesmo processo do impetigo que atravessou a epiderme e alcançou a derme. Essa profundidade traz duas consequências — cicatriza deixando marca e, por definição, pede antibiótico sistêmico, ainda que as lesões sejam poucas. Contar lesões só decide a via quando o processo é superficial: no impetigo localizado, com poucas lesões, o tópico resolve, e a mupirocina 2% três vezes ao dia por cinco a sete dias é a opção descrita, com o ácido fusídico como alternativa. A neomicina não serve nesse cenário: além de ineficaz, sensibiliza e provoca dermatite de contato, que costuma ser lida como piora da infecção. Corticoide não trata infecção bacteriana e favorece a progressão. Antifúngico trata outra doença. E o cuidado local completa a conduta em qualquer das piodermites: lavar com água e sabão, remover as crostas amolecidas, manter as unhas curtas e individualizar toalha e fronha.
Uma equipe de saúde da família registra, em um mês, sete casos de escabiose em três domicílios do mesmo território, todos com vínculo epidemiológico entre si. O gestor local sugere adotar a estratégia de administração em massa de ivermectina para toda a população adscrita. Qual afirmação orienta corretamente a decisão?
Administração em massa é estratégia de território endêmico, não de foco. A Organização Mundial da Saúde, que incluiu a escabiose entre as doenças tropicais negligenciadas em 2017, recomenda ivermectina em duas doses de 200 mcg/kg quando a prevalência comunitária atinge 10% ou mais, com permetrina tópica reservada a quem tem contraindicação ao oral — e não o inverso. No Brasil o manejo é por foco: caso, domicílio, instituição. O que cabe a esta equipe é tratar simultaneamente casos e contatos domiciliares e de contato pele a pele prolongado das últimas seis semanas, cuidar de roupas de uso, de cama e toalhas, e avaliar se o cenário preenche a definição de surto — ocorrência de dois ou mais casos com vínculo epidemiológico em instituição fechada ou entre pessoas institucionalizadas, ou aumento de casos acima do esperado para o município. Dois casos com vínculo disparam investigação e bloqueio, jamais tratamento populacional. E nenhuma estratégia terapêutica dispensa a notificação de surto, que segue caminho próprio no sistema de informação.
Mulher de 71 anos, obesa, com varizes de longa data, é encaminhada por erisipela de repetição. Refere vermelhidão nas duas pernas há cerca de catorze meses, com prurido, descamação e escurecimento acastanhado acima dos tornozelos. Nunca teve febre nem calafrio, e a dor é leve. Recebeu três cursos de cefalexina no último ano, sem qualquer mudança no aspecto das pernas. Ao exame: eritema bilateral e simétrico, sem borda elevada, sem porta de entrada interdigital, com pulsos pedioso e tibial posterior palpáveis. Qual é a conduta?
Placa bilateral, crônica, sem febre, com hiperpigmentação ocre e prurido no lugar da dor não é erisipela — é dermatite de estase, e ela não pede antibiótico. A erisipela é aguda e unilateral, começa com febre alta e calafrios que precedem em horas a lesão de pele e produz placa quente e dolorosa, com borda elevada e nitidamente demarcada, quase sempre com porta de entrada no pé. Nada disso está presente, e três cursos de antibiótico sem qualquer mudança são a própria demonstração de que o alvo estava errado; ampliar a cobertura repete o erro e acrescenta pressão de resistência. A profilaxia com penicilina G benzatina a cada duas a quatro semanas é reservada à erisipela de repetição, definida como três ou mais episódios verdadeiros por ano, e só depois de tratados os fatores que sustentam a recidiva — insuficiência venosa, dermatofitose interdigital, linfedema, obesidade e imunossupressão. Corticoide sistêmico não integra o tratamento de nenhum dos dois quadros. Antifúngico por via oral trata dermatofitose, que não produz eritema bilateral e simétrico com pigmentação ocre acima dos maléolos. O que muda o curso é o manejo da doença venosa crônica, com cuidado da pele e elevação do membro.
Paciente com celulite não purulenta de perna, sem abscesso, sem sinais sistêmicos e sem fatores de risco para germes resistentes. Qual é a cobertura empírica adequada?
A regra prática que organiza a escolha é a presença de pus: celulite não purulenta é predominantemente estreptocócica e se trata com cefalexina, penicilina ou similar; infecção purulenta, com abscesso ou drenagem, é predominantemente estafilocócica e aí entra a cobertura para o agente resistente da comunidade. Cobrir sistematicamente esse germe em toda celulite é o excesso mais frequente na emergência e não melhora desfecho na forma não purulenta. Gram-negativos e anaeróbios entram em situações específicas, como pé diabético, mordedura, infecção necrosante e imunossupressão.
Qual é a diferença anatômica fundamental entre erisipela e celulite?
A profundidade explica toda a clínica: como a erisipela fica na derme superficial e nos linfáticos, ela produz placa com borda nítida e elevada, aspecto em casca de laranja e linfangite visível; como a celulite desce ao subcutâneo, seus limites são imprecisos e o relevo é menos marcado. Nenhuma das duas envolve a fáscia — quando o processo alcança a fáscia, o nome muda para fasciíte necrosante e a conduta deixa de ser clínica. Ambas são bacterianas, e a localização não define a entidade, embora perna e face sejam os sítios mais frequentes.
Criança de 6 anos apresenta lesões vesicobolhosas que se rompem e formam crostas melicéricas na face, ao redor das narinas, sem febre e em bom estado geral, com poucas lesões. Qual é a conduta?
Crostas melicéricas peri-orificiais em criança em bom estado geral descrevem impetigo não bolhoso, causado por estreptococo ou estafilococo. Nas formas localizadas, o tratamento tópico com mupirocina ou ácido fusídico é suficiente, reservando o antibiótico sistêmico às lesões extensas, múltiplas ou com sintomas sistêmicos. Corticoide tópico piora a infecção. Aciclovir cobriria herpes simples, cuja lesão é vesicular agrupada sobre base eritematosa, dolorosa e com crosta escura, não melicérica. Vale lembrar da complicação que a prova adora: glomerulonefrite pós-estreptocócica, que o tratamento do impetigo não previne de forma confiável.
Paciente com celulite de perna em tratamento com cefalexina há 3 dias apresenta piora do eritema, febre mantida e surgimento de área flutuante de 4 cm. Qual é a conduta?
Área flutuante significa abscesso, e abscesso se drena — a drenagem é o tratamento principal, com o antibiótico como coadjuvante. O achado de pus muda a probabilidade etiológica na direção do estafilococo, incluindo o resistente à meticilina de origem comunitária, o que justifica cobrir com sulfametoxazol-trimetoprim, doxiciclina ou clindamicina conforme o perfil local. Manter o esquema que falhou por mais cinco dias é aceitar a progressão. Penicilina benzatina é medicamento de profilaxia de recorrência, não de infecção purulenta ativa. Corticoide sistêmico não tem lugar no tratamento inicial de infecção de partes moles.
Homem de 34 anos apresenta, no dorso, nódulo que existe há 3 anos, previamente indolor, com pequeno ponto central escurecido na pele. Há 4 dias tornou-se doloroso, quente, hiperemiado, e agora está francamente flutuante, com 3 cm. Sem febre, sem comorbidades. Qual é a conduta inicial?
Nódulo cutâneo antigo com punctum central que evoluiu para coleção flutuante é cisto epidérmico infectado, e coleção formada se trata drenando: incisão e drenagem resolvem o quadro agudo, com alívio imediato. Antibiótico isolado é o erro clássico — não penetra adequadamente a cavidade purulenta e não substitui a drenagem em abscesso definido. Tentar a exérese completa da cápsula no meio da inflamação aumenta a chance de ruptura, de ressecção incompleta e de ferida complicada; ela fica para semanas depois. Compressas mornas ajudam apenas na fase pré-supurativa. Punção com agulha fina drena mal conteúdo espesso e costuma exigir novo procedimento.
Criança de 6 anos apresenta lesões em face, ao redor das narinas, com vesículas que se romperam e formaram crostas espessas cor de mel, sem febre e sem comprometimento sistêmico. Qual é o diagnóstico e o tratamento inicial mais adequado?
Crostas melicéricas em região perinasal de criança é impetigo não bolhoso, e nas formas localizadas o tratamento tópico com mupirocina, associado a higiene e a medidas de controle de transmissão, é suficiente — antibiótico sistêmico fica para lesões numerosas, disseminadas ou com acometimento sistêmico. Indicar antibiótico endovenoso obrigatório é sobretratamento de uma piodermite superficial localizada. Herpes simples produz vesículas agrupadas sobre base eritematosa com sensação de queimação, recorrentes no mesmo sítio, e não crostas cor de mel. Dermatite seborreica dá escamas gordurosas sem vesículas, e escabiose cursa com prurido intenso, pior à noite, em sítios característicos.
Mulher de 29 anos com abscesso cutâneo em coxa, drenado no pronto-socorro, apresenta celulite circundante de 6 cm e febre de 38,4 °C. Considerando a epidemiologia de infecções de pele adquiridas na comunidade, qual esquema antibiótico empírico é mais apropriado?
Abscesso cutâneo com celulite significativa e febre exige antibiótico sistêmico, e o agente que domina os abscessos comunitários é o Staphylococcus aureus, com prevalência relevante de cepas resistentes à meticilina — daí a escolha por sulfametoxazol-trimetoprima, clindamicina ou doxiciclina. Amoxicilina isolada é o distrator mais tentador porque cobre estreptococo, mas é inativada pela penicilinase estafilocócica e falha justamente no agente mais provável. Metronidazol cobre anaeróbios e não tem papel isolado aqui. Nitrofurantoína atinge concentração terapêutica apenas na urina, e antifúngico não trata infecção bacteriana de pele.
Paciente de 24 anos apresenta lesão em face com placa eritematosa vermelho-viva, quente, dolorosa, com bordas nitidamente demarcadas e elevadas, acompanhada de febre e calafrios de início súbito. Qual é o diagnóstico e o agente mais provável?
A borda nítida e elevada separando pele sã de pele doente é a marca da erisipela, infecção da derme superficial e dos linfáticos, tipicamente estreptocócica e com início abrupto acompanhado de febre e calafrios — responde bem a penicilina. A celulite é o distrator mais próximo e a diferença cobrada é justamente a delimitação: por acometer derme profunda e subcutâneo, tem bordas mal definidas e se associa mais ao estafilococo. Dermatite de contato cursa com prurido e não com febre. Herpes-zóster segue dermátomo e evolui para vesículas agrupadas com dor neuropática. Lúpus cutâneo não tem início súbito com calafrios.
Paciente com erisipela de membro inferior evolui no quarto dia com bolhas tensas de conteúdo claro sobre a placa, sem crepitação, sem necrose e sem piora sistêmica. Qual é a conduta?
A forma bolhosa da erisipela decorre do edema intenso da derme, que descola a epiderme, e não significa necrose nem falha terapêutica quando o conteúdo é claro, não há crepitação e o paciente melhora sistemicamente. A conduta é conservadora: manter o esquema, elevar o membro para drenar o edema e cuidar das bolhas. O que mudaria tudo seria conteúdo hemorrágico, dor desproporcional, anestesia cutânea, crepitação ou toxemia — aí o desbridamento é imediato. Escalonar antibiótico por causa de uma bolha, num paciente que melhora, é reagir à pele em vez de ao doente.
Qual é a conduta mais adequada diante de um cisto epidérmico infectado localizado na região central da face, em paciente com sinais de celulite ao redor e febre?
A coleção continua exigindo drenagem, mas a face central é justamente uma das localizações que somam indicação de antibiótico sistêmico — junto com celulite extensa, sinais sistêmicos e imunossupressão —, pela drenagem venosa da região e pelo risco de complicações. Optar por drenagem isolada aplica corretamente a regra do abscesso simples, mas ignora que este caso reúne dois critérios que a excedem, e é o distrator mais tentador. Antibiótico tópico não trata coleção nem celulite. Exérese da cápsula no meio da infecção compromete o resultado estético e a completude da ressecção. Observar por 72 horas com febre e celulite é postergar tratamento definido.
Paciente com nódulo doloroso, eritematoso e flutuante de 3 cm em região glútea, sem febre, sem celulite extensa e sem comorbidades. Qual é a conduta?
Abscesso cutâneo simples em paciente hígido se trata com incisão e drenagem, e o antibiótico é acessório — indicado quando há celulite ao redor, sinais sistêmicos, imunossupressão, lesões múltiplas, localização em face ou mão, ou falha da drenagem isolada. Prescrever antibiótico sem drenar é o erro mais comum e não resolve, porque a droga não penetra a cavidade. Aspiração por agulha tem alta taxa de recidiva em comparação com a incisão. Excisão em bloco com sutura primária em campo infectado reproduz a coleção sob a sutura.
Homem de 50 anos, diabético, apresenta lesão em nuca com múltiplos pontos de drenagem purulenta, base endurecida de 6 cm, dolorosa, com febre. Qual é o diagnóstico e a conduta?
Quando vários folículos adjacentes se comprometem e coalescem, formando um bloco com múltiplos pontos de drenagem, chama-se carbúnculo — mais comum em diabéticos e na nuca. Diferentemente do furúnculo isolado, que costuma drenar sozinho com calor local, o carbúnculo exige drenagem cirúrgica ampla, com abertura das septações internas, somada a antibiótico sistêmico com cobertura antiestafilocócica. Tratar com compressa morna é subestimar a extensão do processo em um paciente com cicatrização comprometida. Hidradenite ocorre em dobras e é crônica e recorrente, não aguda na nuca.
Criança de 8 anos com prurido intenso no couro cabeludo, especialmente na região retroauricular e occipital, com lêndeas aderidas à haste dos cabelos. Qual é o tratamento adequado?
A pediculose do couro cabeludo é tratada com pediculicida tópico, tipicamente permetrina, e a repetição em 7 a 10 dias é o detalhe que decide o sucesso: o produto não é totalmente ovicida, e a segunda aplicação atinge as ninfas que eclodiram. A remoção mecânica com pente fino complementa, e os contatos devem ser examinados. Corticoide não trata a infestação, apenas o prurido. Antifúngico se dirige a tinha do couro cabeludo, que cursa com placas descamativas e alopecia, não com lêndeas aderidas. Raspar o cabelo é desnecessário e estigmatizante.
Homem de 47 anos, etilista, apresenta placa eritematosa quente em face, acometendo bochecha e dorso do nariz, com bordas elevadas e nítidas, febre e calafrios. Qual é a complicação temida dessa localização e que exige vigilância?
A erisipela facial merece respeito por causa da drenagem venosa: as veias faciais e angulares são avalvuladas e comunicam-se com o seio cavernoso, de modo que a infecção do terço médio da face — o chamado triângulo perigoso — pode ascender e produzir trombose séptica, com oftalmoplegia, proptose, quemose e comprometimento de pares cranianos. Por isso a erisipela facial costuma ser tratada por via endovenosa e com internação. Osteomielite de mandíbula e sinusite têm origem odontogênica e sinusal, não erisipelatosa, e não explicam esse risco.
Sobre a linfangite associada a infecções de pele, qual afirmativa está correta?
A linfangite se apresenta como estrias eritematosas lineares que sobem do foco em direção ao linfonodo regional, que costuma estar aumentado e doloroso; o agente habitual é o estreptococo do grupo A e o tratamento é o da infecção primária, com antibiótico apropriado, elevação do membro e cuidado da porta de entrada. Ela indica progressão pelos linfáticos e merece atenção, mas não equivale a bacteremia estabelecida nem a critério de terapia intensiva. Não é sinal de necrose — o que sinaliza necrose é dor desproporcional, bolha hemorrágica, crepitação e anestesia cutânea — e não há nada a drenar em um vaso linfático.
Paciente de 27 anos com prurido intenso, de predomínio noturno, e lesões papulosas escoriadas em espaços interdigitais, punhos e região periumbilical. Sobre algumas lesões há crostas melicéricas e eritema perilesional. Outros moradores da casa têm prurido semelhante. Qual é a conduta correta?
Prurido noturno com lesões em espaços interdigitais, punhos e região periumbilical e vários casos no mesmo domicílio é escabiose; as crostas cor de mel indicam impetiginização secundária pelo ato de coçar. O tratamento correto tem três partes: escabicida, cobertura antibiótica da infecção secundária e tratamento simultâneo de todos os contatos domiciliares, além do manejo de roupas e roupas de cama. Tratar apenas o paciente é o erro que garante a reinfestação, e é o mais cobrado. Corticoide isolado alivia o prurido e mascara o quadro sem tratar a causa nem a infecção. Antifúngico não tem papel, e internação é desnecessária num caso sem repercussão sistêmica.
Qual fator de risco aumenta a probabilidade de infecção de pele por Staphylococcus aureus resistente à meticilina de origem comunitária?
O perfil comunitário desse agente concentra-se em situações de contato próximo e pele lesada: infecção prévia, contato domiciliar acometido, ambiente de confinamento, uso de drogas injetáveis, esportes de contato e história de abscessos recorrentes. Reconhecer esse perfil orienta a cobertura empírica quando há pus. Erisipela com bordas nítidas aponta na direção oposta, para estreptococo, e é a infecção não purulenta em que essa cobertura não é rotineira. Idade, uso de anti-inflamatório e topografia do membro não discriminam etiologia.
Paciente idoso, acamado e imunossuprimido, apresenta lesões descamativas e crostosas generalizadas, hiperceratóticas, com prurido pouco intenso, e vários profissionais que o assistem desenvolveram prurido. Qual é o diagnóstico e a implicação para o controle?
A escabiose crostosa, ou sarna norueguesa, ocorre em imunossuprimidos, idosos e institucionalizados, apresenta milhares de ácaros por grama de pele e é extraordinariamente contagiosa — daí o surto entre os cuidadores, apesar do prurido paradoxalmente discreto no paciente. O manejo exige precaução de contato, ivermectina oral em doses repetidas associada a escabicida tópico, tratamento simultâneo de todos os contatos e descontaminação ambiental. Confundir com psoríase é o erro clássico e mantém a fonte de transmissão ativa dentro do serviço, além de expor o paciente a imunossupressão adicional.
Qual é o tratamento antibiótico de escolha para erisipela típica, sem sinais sistêmicos graves, em paciente sem alergia?
A erisipela é doença estreptocócica, e por isso a penicilina e seus derivados continuam sendo o tratamento de escolha, com cefalexina e clindamicina como alternativas úteis. Sulfametoxazol-trimetoprim é o reflexo de quem pensa em estafilococo resistente da comunidade — droga com boa ação contra esse agente, mas cobertura inconsistente contra estreptococo, o que a torna má escolha aqui; ela ganha espaço quando há abscesso ou pus. Anaeróbios entram apenas em quadros polimicrobianos, como mordeduras, pé diabético e infecção necrosante. Quinolona e antifúngico erram o alvo por completo.
Paciente com celulite de perna em tratamento adequado apresenta, no segundo dia, aumento do eritema e da temperatura local, sem piora sistêmica, com queda da febre e melhora da dor. Qual é a interpretação?
É um fenômeno bem descrito: nas primeiras 24 a 48 horas o eritema pode aumentar por liberação de enzimas e antígenos das bactérias mortas, e o que informa se o tratamento funciona são os parâmetros sistêmicos e a dor — que aqui melhoraram. Trocar o antibiótico nesse momento é o erro mais comum na enfermaria e leva a escalonamentos desnecessários. O que autorizaria mudar de rota seria piora sistêmica, dor desproporcional, bolhas, crepitação ou necrose, sinais que não estão presentes. Marcar o limite do eritema com caneta na admissão é o gesto simples que torna essa reavaliação objetiva.
Paciente com prurido intenso de predomínio noturno, lesões em espaços interdigitais, punhos e região periumbilical, com outros moradores da casa também sintomáticos. Qual é a conduta?
A escabiose só é controlada quando se trata todo o domicílio ao mesmo tempo, sintomáticos ou não, porque o período de incubação faz com que contatos já infestados ainda não cocem — tratar apenas o caso índice garante o reinfestamento. Somam-se a lavagem em água quente ou o isolamento em saco plástico das roupas e roupas de cama por alguns dias. O prurido pode persistir por semanas após a cura, e é aí que o corticoide tópico ajuda, como sintomático, jamais como tratamento. Antibiótico entra apenas se houver piodermite secundária pela coçadura.
Após incisão e drenagem de abscesso cutâneo de 3 cm em paciente hígido, sem febre e sem celulite significativa ao redor, qual é a conduta correta quanto ao antibiótico?
Em abscesso cutâneo simples de paciente hígido, o que cura é a drenagem; o antibiótico sistêmico é adjuvante e ganha indicação clara quando há celulite extensa ao redor, sinais sistêmicos, múltiplos abscessos, imunossupressão, extremos de idade, falha de drenagem ou localização de risco como a face. Exigir antibiótico endovenoso para todos é sobretratamento. Antibiótico tópico não penetra a cavidade e nunca substitui a drenagem, que é o ponto central da questão. Esperar a cultura atrasa uma decisão que é clínica, e a afirmação de que o antibiótico seria contraindicado ignora todas as situações em que ele de fato agrega.
Mulher de 60 anos, hipertensa e obesa, com placa eritematosa em perna direita, de bordas nítidas e elevadas, com aspecto em casca de laranja, dor local, calor e febre de 38,5 °C iniciada há 24 horas. Qual é o diagnóstico e o agente mais provável?
Bordas nítidas e elevadas, placa em casca de laranja, início abrupto e febre alta caracterizam erisipela, infecção da derme superficial e dos linfáticos, causada em sua enorme maioria por estreptococo beta-hemolítico do grupo A. A celulite é o distrator legítimo: acomete a derme profunda e o subcutâneo, tem limites imprecisos e associa-se mais ao estafilococo — a distinção que a prova cobra é justamente a nitidez da borda. Dermatite de contato não causa febre. Trombose venosa dá edema e empastamento sem placa eritematosa demarcada. E o que afastaria fasciíte é a ausência de dor desproporcional, bolhas hemorrágicas, crepitação e toxemia.
Qual achado clínico melhor indica internação hospitalar para tratamento endovenoso em paciente com celulite de membro inferior?
O que separa quem interna de quem trata em casa é a repercussão sistêmica e o terreno: taquicardia, hipotensão, confusão, febre alta persistente, imunossupressão, comorbidade descompensada, incapacidade de tomar medicação oral, suspeita de infecção necrosante e falha do tratamento ambulatorial bem conduzido. Diâmetro isolado não define nada, e dor, calor e eritema são a definição da própria celulite, presentes em todos os casos, inclusive nos leves. Confundir critério diagnóstico com critério de gravidade é o erro que a questão testa.
Qual complicação infecciosa é a mais frequente e temida no paciente com linfedema crônico de membro?
Cada episódio de erisipela destrói mais vasos linfáticos e aprofunda o edema, criando um ciclo em que o linfedema predispõe à infecção e a infecção agrava o linfedema — por isso os cuidados com a pele e o tratamento precoce são parte do manejo, com antibioticoprofilaxia em pacientes com episódios frequentes. Pensar em fasciíte necrotizante em todo episódio febril engana porque ela é grave e possível, mas rara diante da frequência da erisipela.
Qual quadro clínico caracteriza a linfangite aguda?
O trajeto linear e ascendente acompanhando os vasos linfáticos, com adenomegalia regional dolorosa e febre, é a assinatura da linfangite, tratada com antibiótico dirigido a cocos gram-positivos e cuidado da porta de entrada. A lesão vesicobolhosa em dermátomo engana quem procura qualquer quadro cutâneo doloroso e linear, mas corresponde ao herpes-zóster, cuja distribuição segue o nervo, não o vaso linfático.
Mulher de 55 anos com linfedema de membro inferior teve três episódios de erisipela no último ano, apesar do tratamento adequado de cada surto. Qual medida deve ser adicionada?
Episódios repetidos justificam profilaxia com penicilina de depósito ou por via oral, sempre associada ao controle da micose interdigital e ao manejo do edema, porque cada surto destrói mais linfáticos e aumenta a chance do próximo. Suspender a compressão engana quem teme piorar a inflamação, mas fora do surto agudo é justamente a compressão que reduz o edema e a recorrência.
Homem de 30 anos apresenta prurido intenso de predomínio noturno há 3 semanas, com lesões papulosas e escoriações em espaços interdigitais das mãos, punhos e região periumbilical. A esposa e os filhos relatam prurido semelhante. Qual o diagnóstico e a conduta?
Prurido noturno intenso, topografia de dobras e espaços interdigitais e acometimento de vários moradores da casa definem a escabiose, cujo tratamento inclui obrigatoriamente todos os contatos, mesmo assintomáticos, além do cuidado com roupas e roupas de cama. Tratar só o paciente engana porque as lesões melhoram, mas a reinfestação é imediata e o quadro é rotulado erroneamente como falha terapêutica.
Paciente imunossuprimido apresenta lesões crostosas e hiperqueratósicas generalizadas, com descamação intensa e prurido discreto, altamente contagiosas. Qual o diagnóstico?
A forma crostosa cursa com carga parasitária enorme, prurido paradoxalmente discreto e altíssima transmissibilidade, exigindo isolamento de contato e tratamento combinado por via oral e tópica. A psoríase eritrodérmica engana por produzir descamação intensa e generalizada, mas não tem o contexto de imunossupressão com contágio de contactantes nem a resposta ao acaricida, e a raspagem cutânea resolve a dúvida.
Homem de 22 anos apresenta lesões crostosas melicéricas na face, sem febre, de instalação em poucos dias, com contactantes acometidos. Qual o diagnóstico e a conduta?
A crosta cor de mel em face de paciente jovem, com transmissão a contactantes, corresponde à piodermite superficial, tratada topicamente quando as lesões são poucas e por via sistêmica quando são extensas ou há acometimento sistêmico. O herpes simples engana por também produzir lesões crostosas na face, mas é precedido por vesículas agrupadas sobre base eritematosa com sensação de queimação, e tende a recorrer no mesmo local.
Paciente com erisipela de membro inferior, sem sinais de gravidade, sem comorbidades descompensadas e em boas condições clínicas. Qual a conduta?
Paciente sem toxemia, sem instabilidade e sem sinais de infecção necrosante pode ser tratado em casa com antibiótico por via oral, elevação do membro e reavaliação programada, reservando a internação para quem tem sinais sistêmicos, falha terapêutica ou comorbidade descompensada. Internar todos engana por parecer conduta cautelosa, mas expõe o paciente a risco hospitalar sem ganho. Antibiótico tópico não alcança a derme profunda comprometida.
Sobre o tratamento da escabiose com ivermectina oral, qual afirmação está correta?
Como o fármaco não atua sobre os ovos, a segunda dose alcança os ácaros que eclodiram após a primeira, e é essa repetição que evita a recidiva interpretada como falha. Considerar a dose única suficiente engana porque o prurido melhora e o paciente parece curado, mas o ciclo se reinstala. Lactentes de baixo peso e gestantes têm restrições, e o tratamento ambiental de roupas continua necessário.
Homem de 48 anos com linfedema crônico de perna direita apresenta há 24 horas febre de 39 °C, calafrios e placa eritematosa de bordas bem delimitadas e elevadas, quente e dolorosa, no terço distal da perna. Qual o diagnóstico e o agente mais provável?
Placa eritematosa de bordas bem delimitadas e elevadas, com início abrupto, febre alta e calafrios, corresponde ao acometimento da derme superficial e dos linfáticos, cujo agente predominante é o estreptococo beta-hemolítico — e o tratamento é penicilina ou derivado. A celulite engana por ser vizinha na apresentação, mas atinge planos mais profundos, com bordas mal definidas e progressão mais lenta.
Paciente apresenta prurido intenso de predomínio noturno, com lesões papulosas e escoriações em espaços interdigitais, punhos e região periumbilical, e mais dois familiares com o mesmo quadro. Qual o diagnóstico e o tratamento?
Prurido de predomínio noturno com lesões em espaços interdigitais, punhos e cintura, somado a casos entre conviventes, é escabiose - e o tratamento fracassa se os contatos não forem tratados ao mesmo tempo e se as roupas e roupas de cama não forem higienizadas, porque a reinfestação é a regra. O prurido pode persistir por semanas após a erradicação, o que não significa falha e não justifica repetir o esquema indefinidamente. Corticoide isolado alivia o sintoma e mascara o quadro, permitindo a disseminação para toda a família.
Mulher de 58 anos, obesa e com insuficiência venosa crônica, apresenta há 2 dias placa eritematosa em perna direita, quente, dolorosa, com bordas bem delimitadas e elevadas, febre de 38,6 graus e linfangite ascendente. Qual o diagnóstico e o tratamento de escolha?
Bordas bem delimitadas e elevadas, início agudo com febre e linfangite caracterizam a erisipela, infecção dérmica superficial com linfáticos comprometidos, causada predominantemente por Streptococcus pyogenes - o tratamento é betalactâmico com atividade antiestreptocócica, sem necessidade de cobertura ampla para estafilococo resistente. A celulite, mais profunda, tem bordas mal definidas e maior participação estafilocócica, e é a distinção que orienta o espectro. Trombose venosa cursa sem placa eritematosa delimitada, e dermatite de estase é bilateral, crônica e sem febre.
Paciente com quadro de erisipela apresenta melhora clínica após 3 dias de antibiótico, mas o eritema permanece com aspecto semelhante. Qual a conduta?
A resposta clínica se mede por febre, dor, extensão da lesão e estado geral, e não pela cor da pele: o eritema pode inclusive intensificar-se nas primeiras 24 a 48 horas, por liberação de antígenos e inflamação, e sua regressão é lenta - trocar o antibiótico por causa disso é o erro que gera escalonamento desnecessário de espectro. O que exigiria reavaliação seria progressão real das margens marcadas, piora sistêmica, dor desproporcional ou surgimento de bolhas, situações que apontam falha ou infecção necrosante subjacente.
Homem de 60 anos, diabético, com celulite de membro inferior e coleção flutuante de 5 cm na panturrilha. Qual a conduta?
Coleção purulenta exige drenagem: o antibiótico não penetra adequadamente em pus e tecido desvitalizado, e o controle do foco é o que define o desfecho. A cultura do material orienta o descalonamento, especialmente relevante em diabético, no qual a infecção costuma ser polimicrobiana e a resistência mais provável. Retardar a drenagem por dias com compressas ou por corticoide permite extensão da infecção e, no diabético com neuropatia e vasculopatia, aumenta o risco de amputação. Aspiração sem cultura desperdiça a única amostra confiável.
Mulher de 64 anos, obesa, com linfedema crônico, apresenta o quarto episódio de erisipela em perna direita nos últimos 18 meses. Tratou o episódio atual com sucesso. Além do tratamento da micose interdigital e dos cuidados com o linfedema, qual medida é a mais adequada para reduzir novas recorrências?
Erisipela de repetição em membro com linfedema tem indicação de profilaxia secundária com penicilina — benzatina intramuscular a cada 2 a 4 semanas ou penicilina V oral diária — mantida enquanto persistirem os fatores de risco, e sempre junto do tratamento da porta de entrada interdigital e da terapia compressiva. Azitromicina mensal engana quem transporta o esquema de outras profilaxias, mas seleciona resistência em macrolídeos e não tem evidência aqui. Corticoide não previne infecção, antibiótico tópico em pele íntegra é inútil, e dizer que nada se faz ignora que a profilaxia comprovadamente reduz recorrência.
Homem de 24 anos, jogador de rúgbi, procura atendimento com nódulo eritematoso, doloroso e flutuante de 3 cm na coxa, com ponto de drenagem espontânea de pus, sem febre e sem celulite ao redor. Qual a conduta inicial mais adequada?
Em coleção purulenta cutânea, a drenagem é o tratamento: sem esvaziar a cavidade, nenhum antibiótico alcança concentração útil dentro do pus. O antibiótico sistêmico entra como adjuvante em abscessos maiores, múltiplos, com celulite associada, em imunossuprimidos ou com sinais sistêmicos, e o esquema deve contemplar S. aureus comunitário resistente à meticilina em populações de risco, como atletas de contato. Tratar apenas com cefalexina engana porque cobre estafilococo sensível mas não substitui o procedimento nem cobre MRSA comunitário. Excisão em bloco é agressiva e desnecessária.
Mulher de 58 anos, diabética, com placa eritematosa em perna direita, quente e dolorosa, de bordas nítidas e elevadas, com linfangite ascendente e adenomegalia inguinal dolorosa. Temperatura 38,7 °C. Há intertrigo interdigital no mesmo pé. O achado semiológico que melhor sustenta o diagnóstico de erisipela, e não de celulite, é:
Erisipela é infecção da derme superficial e dos linfáticos, e por isso desenha um limite abrupto e palpável, em relevo, entre a pele doente e a sã; a celulite compromete derme profunda e subcutâneo e tem bordas mal definidas, que se perdem na pele vizinha. A dor com febre alta engana porque está presente nas duas — é marcador de gravidade, não de profundidade. Diabetes, adenomegalia satélite e localização em perna são frequentes em ambas e não discriminam. A porta de entrada interdigital deve sempre ser procurada e tratada, sob pena de recorrência.
Homem de 41 anos apresenta, na região cervical posterior, placa endurecida, dolorosa, com múltiplos orifícios drenando pus, febre de 38,4 °C e diabetes descompensada (HbA1c 10,2%). Qual o diagnóstico e a conduta?
A confluência de vários furúnculos formando placa com múltiplos pontos de drenagem é o carbúnculo estafilocócico, clássico em nuca de diabético descompensado — exige drenagem ampla, antibiótico sistêmico e controle glicêmico, que é parte do tratamento e não detalhe. O nome engana: antraz por Bacillus anthracis é a doença do carbúnculo maligno, com escara enegretada indolor e contexto de exposição a animais, quadro completamente distinto. Hidradenite acomete axilas, virilhas e região inframamária, com fístulas e cicatrizes em cordão, e não se trata na urgência com imunobiológico.
Criança de 3 anos, com dermatite atópica extensa em atividade, apresenta piora súbita com múltiplas lesões crostosas e exsudativas sobre as placas eczematosas, febre baixa e irritabilidade. Qual a principal hipótese e a conduta?
A pele atópica é colonizada por S. aureus e a impetiginização é a complicação mais frequente da dermatite atópica em atividade — crostas melicéricas sobre o eczema, exsudação e febre pedem antibiótico sistêmico com cobertura estafilocócica, sem abandonar hidratação e controle da inflamação. A erupção variceliforme de Kaposi (eczema herpético) é o diferencial que engana: também piora súbita sobre eczema, mas cursa com vesículas monomorfas umbilicadas e erosões em saca-bocado, e o tratamento é aciclovir — corticoide em dose alta ali seria deletério. Suspender emolientes piora a barreira e alimenta o ciclo.
Sobre a antibioticoterapia das infecções de pele e partes moles em pronto-socorro brasileiro, assinale a afirmativa correta:
A divisão purulenta versus não purulenta é o eixo prático que organiza o empirismo: coleção com pus aponta estafilococo, com atenção a MRSA comunitário em populações de risco; placa difusa sem pus aponta estreptococo e responde a betalactâmico. Cobrir MRSA em todo mundo engana porque parece seguro, mas amplia espectro sem ganho e piora a cobertura para estreptococo se a droga escolhida for fraca contra ele. Swab de superfície colhe colonizante, não patógeno, e o tempo de tratamento de celulite não complicada gira em torno de 5 a 7 dias, guiado pela resposta clínica.
Mulher de 52 anos com celulite de membro inferior recebe cefazolina endovenosa. Após 72 horas, mantém febre, e o eritema avançou 4 cm além da marcação inicial feita na admissão. Está estável hemodinamicamente, sem crepitação, sem bolhas e sem dor desproporcional. Qual a melhor conduta?
Falha aparente em 48 a 72 horas obriga a revisar três coisas: existe coleção não drenada, o agente está fora do espectro (MRSA, gram-negativos em pé diabético) ou o diagnóstico está errado (dermatite de estase, trombose venosa profunda, dermatite de contato). O ultrassom à beira do leito é o passo mais rentável. Dizer que a progressão é sempre esperada engana porque, embora algum avanço do eritema nas primeiras horas seja comum pela resposta inflamatória, febre persistente com avanço aos três dias exige reavaliação. Levar à cirurgia sem sinais de necrose ou coleção é excessivo, e trocar antibiótico por corticoide antes de excluir infecção é perigoso.
Mulher de 71 anos, com erisipela em membro inferior, chega ao pronto-socorro. Qual dos achados abaixo é o que mais fortemente indica internação hospitalar em vez de tratamento oral domiciliar?
O que decide a internação é a repercussão sistêmica — hipotensão, taquicardia e alteração do sensório indicam sepse e exigem antibiótico parenteral, monitorização e busca ativa de infecção necrosante. Linfangite ascendente impressiona visualmente e engana muito aluno, mas por si só é achado esperado da erisipela e não define gravidade. Febre isolada com bom estado geral, recorrência prévia e bolhas serosas superficiais não são, isoladamente, critérios de internação; bolhas hemorrágicas com necrose e dor desproporcional, essas sim, mudam a rota para avaliação cirúrgica urgente.
Mulher de 39 anos, sem comorbidades, apresenta placa eritematosa em face, acometendo bochecha e dorso nasal, com bordas elevadas, edema, febre de 39 °C e calafrios, iniciada há 24 horas. Qual a principal preocupação adicional imposta por esta localização?
A erisipela de face preocupa pela drenagem venosa da região centrofacial, que comunica com o seio cavernoso — daí o limiar mais baixo para antibiótico parenteral e internação, e a vigilância de sinais como oftalmoplegia, proptose e alteração do sensório. Pensar em glomerulonefrite engana porque a complicação existe, mas não depende da topografia da piodermite. O agente segue sendo o estreptococo, e o betalactâmico é justamente o tratamento indicado; biópsia não faz parte da abordagem de um quadro agudo febril típico, embora o lúpus cutâneo entre no diferencial de eritema malar arrastado e sem febre.
Homem de 30 anos, 48 horas após uso de banheira de hidromassagem em hotel, apresenta pápulas e pústulas foliculares pruriginosas no tronco e nádegas, mais numerosas nas áreas cobertas pela roupa de banho, sem febre. Qual o agente mais provável e a conduta?
Foliculite após banheira de hidromassagem ou piscina aquecida com desinfecção inadequada é classicamente causada por Pseudomonas aeruginosa. As lesões costumam predominar nas áreas ocluídas pela roupa de banho, que retém água contaminada junto à pele. Em imunocompetentes, o quadro em geral é autolimitado e recebe tratamento sintomático, sem antibiótico sistêmico de rotina. Fontes: PMID 27823913 e PMID 10533506.
Adolescente de 15 anos com lesões pruriginosas há 3 semanas em espaços interdigitais das mãos, punhos e cintura pélvica, com piora noturna; a mãe e o irmão têm prurido semelhante. Algumas lesões estão escoriadas, com crostas melicéricas e eritema perilesional. Qual a conduta correta?
Prurido de predomínio noturno, distribuição em interdigitais, punhos e cintura, e mais de um caso no domicílio fecham escabiose clinicamente; o impetigo aqui é secundário à escoriação, e tratar só a crosta deixa o ácaro e a coceira, garantindo recidiva. O tratamento simultâneo de todos os contatos domiciliares, sintomáticos ou não, e o cuidado com roupas e roupas de cama são o que interrompe o ciclo. Corticoide isolado engana porque alivia o prurido e mascara o quadro sem tratar a causa; biópsia é desnecessária diante de quadro epidemiológico e clínico típico.
Homem de 46 anos, hígido, com erisipela em perna esquerda, sem sinais sistêmicos de gravidade, hemodinamicamente estável, capaz de aceitar via oral e com boa rede de apoio. Qual o esquema antibiótico ambulatorial de primeira escolha?
A erisipela clássica, sem abscesso e sem secreção purulenta, é doença estreptocócica — a cobertura de escolha é betalactâmico com espectro para S. pyogenes (penicilina, amoxicilina ou cefalexina). O sulfametoxazol-trimetoprim engana quem generaliza a cobertura anti-MRSA para toda infecção de pele: ele é apropriado para infecção purulenta (abscesso, furúnculo), mas tem cobertura ruim para estreptococo, justamente o agente aqui. Ciprofloxacino não cobre bem gram-positivos de pele, e vancomicina oral não é absorvida — serve apenas para colite por Clostridioides difficile.
Lactente de 4 meses apresenta bolhas flácidas de conteúdo inicialmente claro, que se rompem deixando colarete de descamação e superfície erosada brilhante em região inguinal e periumbilical, sem crostas melicéricas espessas. Qual o agente etiológico e o mecanismo envolvidos?
O impetigo bolhoso é doença estafilocócica mediada por toxina esfoliativa A/B, que cliva a desmogleína 1 da granulosa e produz bolhas flácidas superficiais com colarete residual — o mesmo mecanismo, generalizado, produz a síndrome da pele escaldada estafilocócica. O estreptococo engana porque é o agente clássico do impetigo não bolhoso (crostas cor de mel), mas não produz esfoliatina e não faz bolha. Candidíase de fralda dá placas eritematosas com lesões satélites, e não bolhas com colarete; herpes neonatal dá vesículas agrupadas e é quadro de gravidade distinta.
Menino de 6 anos, previamente hígido, apresenta há 4 dias lesões periorificiais na face: vesículas que romperam e formaram crostas cor de mel, sem febre, sem dor importante. Dois colegas da creche têm quadro semelhante. Qual a conduta inicial mais adequada?
Crostas melicéricas periorificiais em criança de creche, sem sintomas sistêmicos, é impetigo não bolhoso localizado — o tratamento tópico com mupirocina (ou ácido fusídico/retapamulina) resolve e reduz transmissão; o antibiótico sistêmico fica reservado para lesões numerosas, extensas ou com acometimento sistêmico. A cefalexina oral engana quem trata todo impetigo como doença sistêmica: funciona, mas expõe a criança a antibiótico oral sem necessidade em doença localizada. O aciclovir seria para herpes simples recorrente, que dá vesículas agrupadas sobre base eritematosa com pródromo de ardor, não crostas cor de mel disseminadas por autoinoculação.
Paciente de 55 anos apresenta lesões cutâneas com crostas melicéricas em face, de instalação rápida, sem sinais sistêmicos, com crianças na casa apresentando lesões semelhantes. Qual o diagnóstico e a conduta?
Crostas melicéricas cor de mel, de instalação rápida e com casos semelhantes entre contactantes, caracterizam o impetigo, piodermite superficial altamente transmissível causada por Streptococcus pyogenes e Staphylococcus aureus. O tratamento é tópico com mupirocina ou ácido fusídico em lesões localizadas, e sistêmico quando extenso ou com múltiplos focos, sempre com orientação de higiene e afastamento de compartilhamento de toalhas. A erisipela produz placa eritematosa infiltrada com bordas nítidas e febre. O herpes-zóster segue dermátomo com vesículas agrupadas e dor neuropática prévia.
Qual cuidado é necessário ao prescrever ivermectina oral para escabiose?
A ivermectina é dosada por peso, exige repetição da dose após cerca de uma a duas semanas para alcançar os ácaros eclodidos dos ovos e tem restrições reconhecidas na gestação e em crianças abaixo de determinado peso, situações em que a permetrina tópica ou o enxofre precipitado são preferidos. Dose fixa e sem repetição é justamente o esquema que produz falhas e recidivas. Ela não exige jejum prolongado, e o corticoide sistêmico não faz parte do tratamento, embora corticoide tópico e anti-histamínicos ajudem no prurido residual.
Paciente de 40 anos, sem comorbidades, com erisipela de perna, sem sinais sistêmicos graves, tolerando via oral. Qual o antibiótico adequado?
A erisipela é predominantemente estreptocócica, o que torna a penicilina, a amoxicilina e as cefalosporinas de primeira geração escolhas adequadas em quadros não complicados, com tratamento oral e ambulatorial em pacientes sem sinais sistêmicos graves nem comorbidades descompensadas. Vancomicina é reservada a suspeita de estafilococo resistente à meticilina, mais associada a abscessos e a infecções com pus. Metronidazol cobre anaeróbios, que não são os agentes habituais. Quinolona cobre gram-negativos, também não pertinentes, e antifúngico não trata infecção bacteriana.
Qual condição predispõe de forma mais consistente à erisipela recorrente de membro inferior?
O linfedema é o fator predisponente mais consistente: a estase linfática compromete a depuração local de microrganismos e a resposta imune tecidual, e cada novo episódio infeccioso agrava a lesão linfática, retroalimentando o ciclo. Outros fatores relevantes são obesidade, insuficiência venosa crônica, portas de entrada persistentes como intertrigo e onicomicose, e diabetes. Reconhecer isso muda a conduta, pois a prevenção passa tanto pela profilaxia antibiótica quanto pelo manejo do linfedema. As demais condições listadas não guardam relação estabelecida com o risco de erisipela.
Paciente com celulite de perna apresenta área central flutuante de 4 cm. Qual a conduta?
Diante de coleção purulenta com flutuação, a drenagem é o tratamento essencial, e o antibiótico se torna adjuvante, indicado quando há celulite extensa associada, sinais sistêmicos, imunossupressão, comorbidades ou falha da drenagem isolada. Insistir em antibiótico sem drenar é o erro clássico: o antibiótico não penetra adequadamente a cavidade abscedada e o quadro persiste. Punções repetidas com agulha fina não esvaziam adequadamente a coleção e prolongam o processo. Nos abscessos cutâneos, deve-se considerar cobertura para Staphylococcus aureus resistente à meticilina conforme o perfil local.
Qual o esquema terapêutico adequado para escabiose crostosa?
A escabiose crostosa exige tratamento combinado e prolongado: ivermectina oral em múltiplas doses ao longo de semanas, escabicida tópico repetido — permetrina ou enxofre precipitado — e ceratolíticos, porque as crostas espessas abrigam os ácaros e impedem a penetração do tópico. Esquemas de dose única, adequados à escabiose comum, falham nessa forma e explicam recidivas e surtos persistentes. O corticoide tópico piora a infestação ao suprimir ainda mais a resposta local, e o antibiótico só entra se houver piodermite secundária.
Paciente com quarto episódio de erisipela na mesma perna em 2 anos, com linfedema residual. Qual medida reduz a recorrência?
A erisipela recidivante forma um ciclo vicioso: cada episódio agride os linfáticos, agrava o linfedema, e o linfedema aumenta o risco do episódio seguinte. Quebrar esse ciclo exige três frentes — profilaxia antibiótica contínua, classicamente com penicilina benzatina a cada 15 a 21 dias, tratamento das portas de entrada, sobretudo intertrigo interdigital e onicomicose, e medidas de controle do linfedema, como compressão elástica e cuidados com a pele. Tratar apenas as crises com antibiótico deixa a causa da recorrência intacta. Corticoide e anticoagulação não têm papel preventivo aqui.
Qual condição predispõe ao desenvolvimento de escabiose crostosa?
A forma crostosa surge quando a resposta imune celular não contém a proliferação do ácaro: infecção pelo HIV, uso de imunossupressores e corticoides, transplante, neoplasias hematológicas e infecção pelo HTLV-1 são fatores clássicos, assim como idade muito avançada, déficit neurológico e incapacidade de coçar, que reduzem a remoção mecânica dos ácaros. Por isso o diagnóstico de escabiose crostosa deve motivar investigação de imunossupressão não conhecida, especialmente HIV e HTLV-1 em áreas endêmicas — a pele aqui é a pista de uma condição sistêmica.
Paciente de 58 anos apresenta placa eritematosa em perna direita, quente, dolorosa, de bordas nítidas e elevadas, com progressão em 24 horas, febre de 38,9 °C e calafrios. Qual o diagnóstico e o agente mais provável?
Bordas nítidas e elevadas, com limite abrupto entre pele acometida e sã, indicam erisipela, infecção da derme superficial e dos linfáticos, tipicamente estreptocócica, de início abrupto com febre e calafrios. A celulite acomete derme profunda e subcutâneo, tem bordas mal definidas e envolve com mais frequência o Staphylococcus aureus. A nitidez da borda é o dado que separa as duas na prática. Na fasciíte necrosante há dor desproporcional aos achados, toxemia e sinais de necrose. A trombose venosa profunda não costuma cursar com placa eritematosa de bordas elevadas e febre alta.
Paciente tratado adequadamente para escabiose comum persiste com prurido 3 semanas após o tratamento, sem novas lesões, sem túneis e sem contactantes sintomáticos. Qual a conduta?
O prurido pode persistir por duas a quatro semanas após o tratamento eficaz, porque decorre da resposta de hipersensibilidade a antígenos residuais do ácaro, e não de infestação ativa; a conduta é sintomática, com emolientes, anti-histamínicos e corticoide tópico. Repetir escabicidas indefinidamente produz dermatite irritativa que perpetua o prurido e alimenta o ciclo — erro comum na prática. A suspeita de falha real se apoia em lesões novas, túneis ativos e contactantes sintomáticos, situação em que se revisa a técnica de aplicação e o tratamento dos contatos.
Paciente de 68 anos, institucionalizado e em uso crônico de corticoide, apresenta placas hiperceratósicas espessas e fissuradas em mãos, pés e couro cabeludo, com descamação intensa e prurido surpreendentemente discreto. Vários funcionários da instituição apresentam prurido. Qual o diagnóstico?
Placas hiperceratósicas espessas em paciente imunossuprimido ou institucionalizado, com prurido desproporcionalmente leve e surto de prurido entre contactantes, caracteriza a escabiose crostosa, forma hiperinfestada com milhares a milhões de ácaros. O prurido discreto se explica pela resposta imune deficiente, que é justamente o que permite a proliferação maciça — e é essa dissociação que costuma atrasar o diagnóstico por meses, com o quadro sendo tratado como psoríase ou eczema, muitas vezes com corticoide, que agrava a infestação.
Qual achado clínico é considerado o mais específico da escabiose comum?
O túnel escabiótico, linha fina e sinuosa de poucos milímetros com uma vesícula na extremidade, representa a galeria escavada pela fêmea e é o achado mais específico da doença, mais bem visualizado em espaços interdigitais, punhos, axilas, região periumbilical, aréolas e genitália. O prurido de predomínio noturno e a presença de contactantes sintomáticos completam o raciocínio. Em lactentes, a distribuição inclui palmas, plantas, couro cabeludo e face, áreas classicamente poupadas no adulto, o que muda o padrão esperado do exame.
Criança de 6 anos apresenta prurido intenso no couro cabeludo, com lêndeas aderidas à haste dos cabelos próximas ao couro cabeludo e escoriações na região occipital. Qual a conduta?
A pediculose do couro cabeludo se trata com pediculicida tópico, classicamente permetrina ou dimeticona, associado à remoção mecânica das lêndeas com pente fino em cabelos úmidos e à avaliação de contactantes domiciliares e escolares, com repetição do tratamento conforme o ciclo do parasita. Cortar todo o cabelo não é necessário e tem impacto emocional evitável. Corticoide trata apenas o prurido residual, e o antibiótico se reserva à piodermite secundária, comum pelas escoriações. Afastamento prolongado sem tratar não resolve nem interrompe a transmissão.
Lactente de 5 meses apresenta lesões papulovesiculosas e pústulas em palmas, plantas, couro cabeludo e face, com irritabilidade e prurido noturno; a mãe refere prurido nas mãos. Qual o diagnóstico e o cuidado no tratamento?
No lactente, a escabiose acomete áreas classicamente poupadas no adulto — palmas, plantas, couro cabeludo e face — e frequentemente apresenta vesículas, pústulas e nódulos, o que muda tanto o reconhecimento quanto a área de aplicação do tratamento, que deve incluir couro cabeludo e face. A escolha do escabicida respeita a idade, com a permetrina como opção habitual e a ivermectina oral restrita por peso e idade. O contexto epidemiológico — mãe com prurido — reforça o diagnóstico, e tratar todos os contactantes é indispensável.
Paciente tratado para escabiose apresenta, semanas depois, nódulos eritematosos firmes e pruriginosos em bolsa escrotal e axilas, sem túneis ativos. Qual o diagnóstico e a conduta?
Os nódulos escabióticos representam reação de hipersensibilidade a antígenos residuais do ácaro e podem persistir por semanas ou meses após a erradicação, tipicamente em escroto, axilas e virilhas; o tratamento é anti-inflamatório, com corticoide tópico potente ou intralesional, e não escabicida. Insistir em novas aplicações produz dermatite irritativa e perpetua o prurido, além de expor o paciente sem necessidade. A ausência de túneis ativos e de contactantes sintomáticos ajuda a distinguir essa situação de uma infestação verdadeiramente persistente.
Qual a orientação correta sobre a aplicação da permetrina tópica no tratamento da escabiose no adulto?
A aplicação correta é do pescoço para baixo em toda a superfície corporal, e não apenas nas lesões visíveis, incluindo dobras, região interdigital, umbigo, região periungueal, genitália e nádegas, com permanência de 8 a 14 horas, tipicamente durante a noite, e reaplicação após uma a duas semanas. Falhas de técnica — aplicar só nas lesões ou remover cedo — são causa frequente de fracasso atribuído erroneamente a resistência. Em lactentes e idosos, couro cabeludo e face também são tratados, já que nesses grupos essas áreas podem ser acometidas.
Qual achado dermatoscópico auxilia no diagnóstico da escabiose?
A dermatoscopia da escabiose mostra o sinal em asa-delta, uma pequena estrutura triangular escura correspondente à porção anterior do ácaro, situada na extremidade de uma linha esbranquiçada que representa o túnel — imagem descrita também como rastro de avião a jato. É um método rápido, indolor e útil sobretudo em crianças, evitando a raspagem. Os demais padrões pertencem a outras dermatoses: ceratose seborreica, carcinoma basocelular, alopecia areata e melanoma, respectivamente.
Qual orientação escolar é adequada diante de um caso de pediculose da cabeça?
As recomendações atuais desaconselham políticas de exclusão baseadas na presença de lêndeas, porque lêndeas antigas e distantes do couro cabeludo não indicam infestação ativa e o afastamento prolongado prejudica a criança sem controlar a transmissão. A conduta é tratar, orientar a família sobre a remoção mecânica e a repetição do tratamento, e avaliar contactantes domiciliares e próximos. Tratamento profilático em massa de quem não está infestado seleciona resistência sem benefício, e medidas como cortar cabelos de toda a turma são desproporcionais.
Qual espécie de piolho é vetor de doenças como o tifo epidêmico e a febre das trincheiras?
O piolho do corpo, que vive e deposita ovos nas costuras das roupas e não na pele, é o único dos piolhos humanos com papel vetorial reconhecido, transmitindo o tifo epidêmico por Rickettsia prowazekii, a febre das trincheiras por Bartonella quintana e a febre recorrente por Borrelia recurrentis. Está associado a situações de aglomeração, guerra e falta de higiene, e seu controle passa pela descontaminação das roupas mais do que pelo tratamento da pele. O piolho da cabeça, apesar de muito mais prevalente, não é vetor de doenças.
Paciente de 26 anos apresenta prurido intenso na região pubiana e observa pequenos pontos escuros aderidos aos pelos, além de máculas azul-acinzentadas na pele adjacente. Qual o diagnóstico e a conduta complementar obrigatória?
A pediculose pubiana é causada pelo Pthirus pubis e produz prurido genital com lêndeas aderidas aos pelos e as características máculas cerúleas, azul-acinzentadas, decorrentes da hemorragia local pela picada. Como a transmissão é predominantemente sexual, o diagnóstico obriga a rastrear outras infecções sexualmente transmissíveis e a avaliar parceiros — essa é a conduta que costuma ser esquecida. Em crianças, a ftiríase deve levantar suspeita de abuso sexual. O tratamento usa permetrina tópica, com repetição, e descontaminação de roupas e roupas de cama.
Gestante de 22 semanas apresenta escabiose confirmada. Qual o tratamento mais adequado?
A permetrina tópica é o escabicida preferido na gestação e na lactação, com boa eficácia e absorção sistêmica desprezível, mantendo-se a regra da repetição e do tratamento simultâneo dos contactantes. A ivermectina oral é evitada na gestação por falta de dados de segurança suficientes. O lindano foi abandonado em muitos países pela neurotoxicidade, especialmente em crianças e gestantes. Não tratar até o parto é inaceitável: a infestação persiste, o prurido compromete o sono e o risco de piodermite secundária e de transmissão ao recém-nascido é real.
Paciente com escabiose refere que já usou permetrina corretamente por duas vezes, com tratamento de todos os contactantes e descontaminação adequada, mantendo túneis ativos e lesões novas. Qual a conduta?
Persistência de túneis ativos e de lesões novas, apesar de técnica correta, tratamento de contactantes e descontaminação, caracteriza falha terapêutica verdadeira, e não prurido residual — a distinção se faz pela presença de doença ativa, não pela intensidade do prurido. A conduta é trocar de classe, usando ivermectina oral com doses repetidas, e reavaliar o paciente em busca de áreas hiperceratósicas que indiquem forma crostosa não percebida, além de investigar imunossupressão. Corticoide sistêmico agravaria a infestação.
Quais são os agentes bacterianos mais frequentemente implicados na celulite periorbitária associada a trauma ou porta de entrada cutânea?
Quando existe solução de continuidade na pele, os agentes são os colonizadores cutâneos habituais, e a escolha do antibiótico deve cobri-los levando em conta a prevalência local de estafilococo resistente à oxacilina. Haemophilus influenzae tipo b era protagonista das celulites periorbitárias de origem hematogênica antes da vacinação universal, e hoje é raro — marcar essa opção é usar epidemiologia desatualizada.
Criança de 5 anos com erisipela em face apresenta febre persistente, extensão da placa apesar de 72 horas de amoxicilina oral e recusa alimentar. Qual a conduta?
Falha terapêutica após 48 a 72 horas, com extensão da lesão, febre e recusa alimentar em erisipela de face, indica internação e antibiótico endovenoso com espectro ampliado para estafilococo, além de reavaliar a possibilidade de abscesso ou de infecção profunda. Manter o mesmo esquema é o erro que ignora o marco temporal de resposta esperada. Anti-inflamatório isolado mascara a febre e a dor e retarda o reconhecimento de complicação — na infecção de partes moles, ele pode inclusive obscurecer a fasciíte necrosante.
Lactente de 8 meses apresenta lesões bolhosas flácidas com conteúdo claro, que se rompem deixando colarete descamativo, em região de fralda e tronco, sem febre. Qual o agente e o diagnóstico?
O impetigo bolhoso é causado por cepas de Staphylococcus aureus produtoras de toxina esfoliativa, que cliva a desmogleína da epiderme superficial, produzindo bolhas flácidas que se rompem e deixam colarete — a forma localizada da mesma toxina que, disseminada, causa a síndrome da pele escaldada estafilocócica. Atribuir ao estreptococo é o erro que muda o antibiótico: a forma bolhosa exige cobertura antiestafilocócica. Pênfigo vulgar é doença autoimune, excepcional nessa idade, com acometimento mucoso.
Menino de 3 anos apresenta erisipela recorrente em membro inferior direito, com três episódios em 8 meses. Qual medida é mais importante para reduzir recidivas?
A recidiva de erisipela quase sempre se sustenta numa porta de entrada persistente — micose interdigital, fissura, dermatite ou lesão de coçadura — somada a comprometimento linfático; tratar essa porta é a intervenção com maior impacto, e a profilaxia antibiótica sistêmica pode ser considerada nos casos com múltiplas recidivas apesar disso. Antibiótico tópico contínuo não previne e seleciona resistência. Corticoide de manutenção aumenta o risco infeccioso, e restringir atividade física não altera a fisiopatologia.
Menina de 6 anos apresenta há 2 dias placa eritematosa em face, quente, dolorosa, com bordas nítidas e elevadas, acompanhada de febre de 38,8 °C e adenomegalia submandibular. Qual o diagnóstico e o agente mais provável?
Bordas nítidas e elevadas separando a pele acometida da sã, com eritema vivo e febre, definem erisipela — infecção da derme superficial e dos linfáticos, causada tipicamente por estreptococo beta-hemolítico do grupo A. A celulite é o distrator obrigatório: ela acomete a derme profunda e o subcutâneo, tem bordas mal delimitadas e o estafilococo ganha peso na etiologia, o que muda a cobertura antimicrobiana. Angioedema não cursa com febre nem dor, e sim com edema pouco eritematoso e prurido.
Menino de 5 anos com erisipela de perna, sem sinais sistêmicos de gravidade, aceitando bem líquidos, com lesão bem delimitada de 8 cm. Qual a conduta?
Erisipela sem toxemia, sem extensão rápida e em criança que aceita via oral pode ser tratada ambulatorialmente com antibiótico dirigido ao estreptococo, demarcando a borda a caneta para avaliar objetivamente a progressão na reavaliação. Internar todos é o excesso que ocupa leito sem benefício. Antibiótico tópico não alcança a derme, e corticoide isolado mascara a evolução de uma infecção. Antifúngico não tem papel, embora tratar uma micose interdigital seja parte da prevenção de recidiva nas lesões de membro inferior.
Menina de 9 anos, alérgica à penicilina com história de anafilaxia, apresenta erisipela de perna. Qual a alternativa terapêutica adequada?
Em alergia grave à penicilina, com anafilaxia documentada, evita-se toda a classe dos betalactâmicos, incluindo cefalosporinas pelo risco de reação cruzada — a clindamicina cobre estreptococo e estafilococo e é a escolha, com a vantagem adicional de inibir a produção de toxinas. Optar por cefalexina é o erro mais frequente: a reação cruzada é baixa, mas não desprezível, e não se corre esse risco diante de antecedente anafilático. Todas as demais opções são betalactâmicos.
Duas semanas após um quadro de impetigo, menino de 7 anos apresenta edema periorbitário, urina escurecida e pressão arterial acima do percentil 99 para idade e estatura. Qual a complicação?
A infecção estreptocócica de pele pode desencadear glomerulonefrite pós-estreptocócica após 2 a 3 semanas, com a tríade edema, hematúria e hipertensão. A febre reumática é o distrator obrigatório e a distinção é conceitual: ela só ocorre após infecção de orofaringe, jamais após piodermite — o tratamento da faringoamigdalite previne febre reumática, mas o tratamento do impetigo não previne a glomerulonefrite. A síndrome nefrótica cursa com proteinúria maciça e edema volumoso, sem hematúria macroscópica nem hipertensão como marca.
Criança de 4 anos com erisipela de coxa evolui, no 2º dia de antibiótico, com dor desproporcional ao exame, áreas acinzentadas com bolhas hemorrágicas, crepitação e hipotensão. Qual a conduta?
Dor desproporcional ao aspecto da pele, necrose acinzentada, bolhas hemorrágicas, crepitação e repercussão sistêmica são a assinatura da fasciíte necrosante, cujo tratamento é desbridamento cirúrgico imediato somado a antibiótico de amplo espectro — nenhum exame de imagem deve atrasar a exploração quando o quadro é típico. Esperar 24 horas para reavaliar é o erro que custa membro e vida, porque a progressão se mede em horas. A piora sob antibiótico adequado é sinal de alarme, nunca fenômeno esperado.
Menino de 6 anos apresenta lesões com crostas cor de mel em região perinasal, sem febre e sem repercussão sistêmica, com poucas lesões localizadas. Qual a conduta?
Impetigo não bolhoso localizado, com poucas lesões e sem repercussão sistêmica, é tratado topicamente com mupirocina ou ácido fusídico, associando higiene, corte de unhas e afastamento das atividades de contato até 24 horas de tratamento. Partir direto para antibiótico sistêmico é o excesso mais comum: ele fica reservado a lesões numerosas, disseminadas ou com sinais sistêmicos. Corticoide tópico agrava a infecção, e aciclovir e antifúngico tratam agentes que não produzem crosta melicérica.
Sobre a diferenciação entre erisipela e celulite, qual conjunto de achados favorece a erisipela?
A erisipela é superficial, envolve derme e linfáticos, e por isso desenha uma borda em degrau, nítida e elevada, com início abrupto e febre alta. Bordas mal definidas e envolvimento do subcutâneo descrevem a celulite, e essa é a comparação que a questão cobra — a distinção orienta se o esquema precisa cobrir estafilococo. Flutuação com drenagem indica abscesso, cujo tratamento principal é a drenagem. Placas anulares com centro claro sugerem dermatofitose.
Lactente de 5 meses com escabiose apresenta lesões também em palmas, plantas, couro cabeludo e face. Qual a particularidade da escabiose nessa faixa etária e a conduta?
Ao contrário do que ocorre em crianças maiores e adultos, o lactente apresenta lesões em palmas, plantas, couro cabeludo e face, e o tratamento tópico precisa cobrir essas áreas, o que costuma ser omitido por transposição da regra do adulto. A ivermectina oral não é indicada em crianças com menos de 15 kg ou 5 anos, o que a exclui aqui. A permetrina tópica é segura no lactente quando aplicada corretamente, e o tratamento não deve ser adiado.
Adolescente de 15 anos, em uso crônico de corticoide por doença autoimune, apresenta placas hiperceratóticas espessas e descamativas difusas, com pouco prurido, e vários familiares com prurido intenso. Qual o diagnóstico?
A escabiose crostosa ocorre em imunossuprimidos e cursa com milhares de ácaros sob crostas espessas, com prurido paradoxalmente discreto — é extremamente contagiosa, o que explica os familiares acometidos, e exige isolamento de contato, tratamento tópico associado a ivermectina oral em doses repetidas. Diagnosticar psoríase é o erro que leva a prescrever corticoide potente e a multiplicar a infestação. A pista epidemiológica dos conviventes com prurido é o que separa uma dermatose inflamatória de uma infestação.
Menino de 8 anos com escabiose. Qual conduta é indispensável além do tratamento do próprio paciente?
O tratamento simultâneo de todos os moradores, inclusive assintomáticos, é o que interrompe o ciclo — quem está no período de incubação ainda não coça, mas já transmite, e tratar só os sintomáticos garante a reinfestação em poucas semanas. Aplicar o produto apenas sobre as lesões é outro erro frequente: o escabicida tópico deve cobrir toda a superfície corporal do pescoço para baixo, incluindo dobras, região periungueal e genital, e na criança pequena também o couro cabeludo e a face.
Menina de 6 anos apresenta há 4 semanas prurido intenso de predomínio noturno, com lesões papulosas e escoriações em punhos, espaços interdigitais e região periumbilical. A mãe e o irmão também estão com prurido. Qual o diagnóstico?
Prurido de predomínio noturno, lesões em interdígitos, punhos e cintura, e vários membros da casa acometidos formam o tripé diagnóstico da escabiose — o prurido é imunomediado e por isso surge semanas após a infestação inicial. A dermatite atópica é o distrator mais próximo pela coçadura crônica, mas suas lesões predominam em dobras antecubitais e poplíteas, há história pessoal ou familiar de atopia e não há acometimento simultâneo de vários conviventes.
Sobre a higienização ambiental no surto familiar de escabiose, qual orientação é adequada?
O ácaro sobrevive pouco tempo fora do hospedeiro, e por isso basta lavar em água quente e secar ao sol ou em secadora as roupas usadas nos últimos dias, ou isolá-las em saco fechado por alguns dias. Dedetização, descarte de móveis e aplicação de escabicida em superfícies são medidas desproporcionais, caras e sem respaldo — a transmissão é por contato direto e prolongado pele a pele, não por fômites ambientais em geral.
Qual a lesão considerada patognomônica da escabiose?
O túnel escabiótico é o trajeto que a fêmea escava na camada córnea para depositar os ovos e, embora nem sempre seja encontrado por conta das escoriações, é o achado específico da doença. Vesículas agrupadas em base eritematosa remetem à infecção herpética, e pápulas urticariformes evanescentes à urticária. Nódulos eritematosos dolorosos em pernas sugerem eritema nodoso. Reconhecer o túnel dispensa exames em boa parte dos casos, já que o diagnóstico é clínico e epidemiológico.
Criança de 7 anos com escabiose apresenta, sobre as lesões de coçadura, crostas melicéricas e áreas de eritema com calor local. Qual a conduta?
A escoriação abre porta para infecção bacteriana secundária, e o manejo trata as duas coisas: escabicida para erradicar o ácaro e antibiótico — tópico se localizado, sistêmico se extenso — para a piodermite. Adiar o escabicida é o erro que mantém o prurido, a coçadura e, com ela, a reinfecção da pele. Vale lembrar da associação entre piodermite estreptocócica e glomerulonefrite pós-estreptocócica, que reforça a importância de tratar bem a infecção cutânea.
Qual o esquema mais adequado com permetrina a 5% tópica para escabiose?
A permetrina é aplicada em todo o corpo, mantida por 8 a 14 horas e repetida após uma semana — a segunda aplicação existe porque o produto não é plenamente ovicida, e os ovos que eclodem depois precisam ser atingidos. Fazer aplicação única é o erro que produz a recidiva típica de duas semanas depois, frequentemente interpretada como falha do medicamento. Tempo de contato curto não permite a ação do escabicida na camada córnea.
Sobre a ivermectina oral no tratamento da escabiose, assinale a afirmativa correta.
A ivermectina é eficaz e prática, sobretudo em surtos institucionais e na escabiose crostosa, mas exige repetição após 1 a 2 semanas pelo mesmo motivo da permetrina — não é ovicida — e não é recomendada abaixo de 15 kg pela escassez de dados de segurança. Considerar dose única suficiente é o erro que explica boa parte das recidivas. Não existe esquema diário prolongado no tratamento habitual da escabiose.
Criança de 10 anos tratada corretamente para escabiose há 3 semanas persiste com prurido, mas sem lesões novas e sem novos casos na família. Qual a interpretação e a conduta?
O prurido pode persistir por 2 a 4 semanas após a erradicação do ácaro, porque é reação de hipersensibilidade aos antígenos remanescentes — na ausência de lesões novas e de novos casos, não se repete o escabicida. Tratar novamente é o erro que expõe a criança a toxicidade e alimenta o ciclo de aplicações sucessivas. O manejo é sintomático, com anti-histamínico, emoliente e, se necessário, corticoide tópico de baixa potência.
Criança de 4 anos com prurido intenso, predominantemente noturno, apresenta lesões papulosas escoriadas em espaços interdigitais, punhos e região periumbilical, com casos semelhantes na família. Algumas lesões estão com crostas melicéricas. Qual é a conduta?
Prurido noturno com lesões em áreas típicas e acometimento familiar define escabiose, e o impetigo é complicação da coçadura — tratar apenas a infecção bacteriana deixa a causa em atividade e o quadro recidiva. O tratamento simultâneo de TODOS os contatos, mesmo assintomáticos, e a descontaminação de roupas e roupas de cama são o que interrompe a cadeia; poupar os contatos é a razão mais frequente de falha terapêutica.
Qual orientação sobre transmissão e frequência escolar deve ser dada à família de criança com impetigo?
O impetigo se transmite pelo contato com as lesões e por objetos contaminados, de modo que o retorno é liberado após o início do antibiótico e a cobertura das lesões, com reforço de higiene das mãos e unhas curtas para reduzir autoinoculação. Liberar sem qualquer tratamento engana quem subestima a contagiosidade em ambiente coletivo, e afastar por três semanas é excessivo, prejudicando a criança sem benefício epidemiológico.
Criança de 5 anos com lesão em membro inferior apresenta úlcera com bordas elevadas, recoberta por crosta aderente e escura, com base indurada, evoluindo há duas semanas a partir de uma lesão de impetigo. Qual é o diagnóstico?
O ectima é a evolução profunda do impetigo: a infecção ultrapassa a epiderme e alcança a derme, formando úlcera de base indurada com crosta aderente, exige antibiótico sistêmico e cicatriza deixando marca. A leishmaniose tegumentar engana por também produzir úlcera de bordas elevadas em membro inferior, mas seu curso é mais arrastado, com bordas em moldura, fundo granuloso e contexto epidemiológico de exposição em área endêmica.
Menino de 6 anos com impetigo extenso, mais de dez lesões em face, tronco e membros, com linfonodomegalia regional dolorosa. Qual é o tratamento adequado?
Doença extensa, com múltiplas lesões e linfonodomegalia, indica antibioticoterapia sistêmica cobrindo os dois agentes habituais, complementada pela higiene local e pelo afastamento temporário de atividades coletivas. Prescrever penicilina isolada engana quem lembra do estreptococo como causa clássica de impetigo, mas ela não cobre o Staphylococcus aureus produtor de betalactamase, hoje o agente mais frequente. Tratamento tópico isolado é insuficiente nessa extensão.
Criança de 6 anos com impetigo limitado a três lesões pequenas na região perinasal, sem sinais sistêmicos. Qual é o tratamento indicado?
Impetigo localizado, com poucas lesões e sem repercussão sistêmica, é tratado topicamente, com eficácia comparável à do antibiótico oral e menos efeitos adversos, reservando-se a via sistêmica para formas extensas, múltiplas ou com celulite associada. Prescrever antibiótico oral de largada engana quem quer garantir resposta, mas expõe a criança desnecessariamente e contribui para resistência bacteriana. Corticoide tópico agrava a infecção e antifúngico não tem alvo aqui.
Criança de 3 anos apresenta febre alta, irritabilidade extrema, eritema difuso doloroso ao toque, com descolamento superficial da pele e sinal de Nikolsky positivo, poupando mucosas. Qual é o diagnóstico?
A toxina esfoliativa estafilocócica atinge a pele à distância do foco infeccioso, produzindo eritema doloroso, descolamento superficial e Nikolsky positivo com PRESERVAÇÃO das mucosas — detalhe que a separa das reações graves a medicamentos. A síndrome de Stevens-Johnson engana por compartilhar o descolamento cutâneo e a gravidade, mas acomete intensamente mucosas oral, ocular e genital, tem clivagem mais profunda e relação com fármacos.
Lactente de 8 meses apresenta bolhas flácidas de conteúdo claro em tronco, que se rompem deixando área erosada com colarete descamativo, sem crosta espessa. Qual é o agente etiológico?
O impetigo bolhoso é causado por cepas de Staphylococcus aureus que produzem toxinas esfoliativas capazes de clivar a desmogleína da epiderme superficial, formando bolhas flácidas que se rompem facilmente — a mesma toxina, quando disseminada, provoca a síndrome da pele escaldada estafilocócica. O Streptococcus pyogenes engana por ser um dos agentes do impetigo, mas causa a forma NÃO bolhosa, com crosta melicérica, e não produz essa toxina.
Menino de 5 anos apresenta múltiplas lesões em face e membros, iniciadas como vesículas que se romperam, deixando erosões recobertas por crostas espessas de cor amarelo-dourada (melicéricas), sem febre e sem repercussão sistêmica. Qual é o diagnóstico?
A crosta melicérica é o sinal semiológico que define o impetigo não bolhoso, causado principalmente por Staphylococcus aureus e Streptococcus pyogenes, altamente contagioso e frequente em pré-escolares. A varicela em fase crostosa engana porque também evolui com vesículas e crostas, mas suas lesões são disseminadas, em diferentes estágios simultâneos — o polimorfismo regional —, começam no tronco e vêm acompanhadas de febre e prurido intenso.
Menina de 8 anos apresenta prurido intenso, predominantemente noturno, com lesões papulares e escoriações nos espaços interdigitais, punhos e região periumbilical. A mãe e o irmão têm queixa semelhante. Qual o diagnóstico e a conduta?
Prurido de predomínio noturno com lesões em espaços interdigitais, punhos, axilas e região periumbilical, com outros casos na casa, é escabiose. A regra que define o sucesso do tratamento é tratar simultaneamente todos os contactantes, mesmo os assintomáticos, e higienizar roupas e roupas de cama, porque tratar apenas o caso índice garante a reinfestação. É importante orientar que o prurido pode persistir por semanas após a cura parasitológica, sem significar falha.
Menino de 6 anos apresenta lesões com crostas melicéricas na face, ao redor das narinas e da boca, sem febre e sem comprometimento sistêmico. Qual o diagnóstico e o tratamento?
Crostas cor de mel em região perioral e perinasal, sem sintomas sistêmicos, é impetigo não bolhoso, tratado com higiene e antibiótico tópico quando as lesões são poucas e localizadas, reservando a via sistêmica para quadros extensos ou com comprometimento geral. A doença é muito contagiosa e requer orientação de higiene, corte de unhas e afastamento temporário de atividades coletivas. Uma complicação a conhecer é a glomerulonefrite pós-estreptocócica, que o tratamento não previne de forma confiável.
Criança de 7 anos apresenta prurido no couro cabeludo, com lêndeas aderidas aos fios próximo ao couro cabeludo, sobretudo na região retroauricular e occipital. Qual a conduta?
A pediculose é tratada com pediculicida tópico associado à remoção mecânica das lêndeas com pente fino, medida que aumenta a eficácia e reduz recidivas, além do exame de contactantes. Raspar o cabelo é desnecessário e estigmatizante. Produtos caseiros como querosene são perigosos, com risco de queimadura química e intoxicação, e ainda são usados com frequência. O afastamento escolar prolongado não se justifica: a criança retorna após o tratamento.
Criança de 5 anos com varicela evolui com dor desproporcional ao exame, área de eritema violáceo com bolhas, crepitação e toxemia, com rápida progressão em horas. Qual a hipótese e a conduta?
Dor desproporcional ao aspecto da lesão, progressão em horas, bolhas violáceas, crepitação e toxemia caracterizam infecção necrosante de partes moles, emergência cirúrgica em que o desbridamento precoce determina a sobrevida. A varicela é fator de risco reconhecido para essa complicação por estreptococo do grupo A. O erro fatal é tratar como celulite ambulatorial: o antibiótico isolado não alcança o tecido desvitalizado e a doença avança enquanto se aguarda resposta.
Escolar de 8 anos é levado à Unidade Básica de Saúde por lesões pruriginosas nas mãos, punhos e região interdigital há 3 semanas, com piora noturna. Dois irmãos apresentam queixa semelhante. Ao exame, observam-se pápulas escoriadas e sulcos lineares nos espaços interdigitais, além de lesões escoriadas em axilas. Não há sinais de infecção secundária. Qual é a conduta mais adequada nesse nível de atenção?
O quadro de prurido de predomínio noturno com sulcos interdigitais e acometimento familiar define escabiose, tratada na atenção primária com escabicida tópico aplicado no paciente e em todos os contatos domiciliares simultaneamente, com higienização de roupas de cama e repetição do ciclo. O corticoide isolado alivia o prurido, mas não elimina o ácaro e perpetua a transmissão. A biópsia não é necessária para diagnóstico eminentemente clínico. O antibiótico sistêmico só se justificaria se houvesse impetiginização, ausente no caso.
Menina de 4 anos apresenta há 5 dias lesões vesicopustulosas e crostas melicéricas em região perioral e narinas, com discreto eritema perilesional, sem febre. A criança frequenta creche e outras duas crianças da turma têm lesões semelhantes. Qual é o diagnóstico e a conduta na atenção primária?
Crostas melicéricas periorificiais em criança de creche, com transmissão para colegas, caracterizam impetigo não bolhoso, tratado com remoção das crostas e antibiótico tópico quando as lesões são localizadas, reservando a via sistêmica para acometimento extenso ou sinais sistêmicos. O herpes simples produz vesículas agrupadas com base eritematosa e recorrência no mesmo local, sem crosta cor de mel. A dermatite atópica tem prurido crônico e distribuição em dobras, e corticoide potente pioraria uma infecção ativa. A varicela cursa com lesões em vários estágios disseminadas e febre, não com lesões restritas à face.
Criança de 9 anos apresenta prurido intenso em couro cabeludo há 1 mês, com escoriações na região occipital e adenomegalia cervical posterior. Ao exame, visualizam-se lêndeas aderidas à haste dos cabelos próximas ao couro cabeludo e alguns parasitas adultos. Outros colegas de sala apresentam quadro semelhante. Qual é a conduta correta?
A pediculose do couro cabeludo é tratada com pediculicida tópico associado à remoção mecânica das lêndeas com pente fino, além de orientação à escola e tratamento dos conviventes com infestação. O corte de cabelo não é necessário e é estigmatizante. O antibiótico sistêmico só se justifica se houver infecção bacteriana secundária, e nunca de forma coletiva. O afastamento prolongado não tem respaldo e prejudica a criança, sendo o retorno possível após o tratamento.
Menino de 6 anos é levado à Unidade Básica de Saúde com prurido intenso, pior à noite, e lesões papulovesiculares em espaços interdigitais, punhos e região periumbilical há três semanas. Dois irmãos e a mãe apresentam prurido semelhante. Frequenta creche onde outras crianças têm queixa parecida. Sem sinais de infecção secundária. Qual é a conduta correta?
Na escabiose, o tratamento simultâneo de todos os contatos domiciliares, sintomáticos ou não, associado ao processamento de roupas e roupas de cama, é a medida que interrompe a cadeia de reinfestação. Tratar apenas o caso índice perpetua o ciclo dentro do domicílio. Antibiótico sistêmico só se justifica diante de infecção bacteriana secundária, ausente. Afastamento prolongado sem tratamento não elimina o ácaro e prejudica a criança sem benefício sanitário.
Criança de 5 anos apresenta febre há 3 dias e surgimento de placa eritematosa em face, com bordas bem delimitadas e elevadas, quente e dolorosa, de progressão rápida. Há porta de entrada em pequena escoriação. A criança está febril, com temperatura de 38,9 graus Celsius, sem sinais de toxemia grave. Qual é o diagnóstico e o tratamento?
Placa eritematosa de bordas bem delimitadas e elevadas, quente e dolorosa, com progressão rápida e porta de entrada, é característica de erisipela, infecção dermo-hipodérmica superficial por estreptococo, tratada com antibiótico dirigido a esse agente. A celulite tem bordas mal definidas e a drenagem só é necessária quando há abscesso. A dermatite de contato não cursa com febre nem bordas nítidas elevadas. O herpes-zóster segue dermátomo com vesículas agrupadas e é incomum nessa faixa etária.
Criança de 10 anos apresenta lesões crostosas espessas e descamativas difusas, com prurido intenso, acometendo tronco, membros e couro cabeludo, com espessamento da pele em mãos e pés. Está em uso de corticoide sistêmico por doença autoimune. Vários familiares apresentam prurido. Qual é o diagnóstico e a implicação para o controle?
A escabiose crostosa ocorre em imunossuprimidos, apresenta carga parasitária muito elevada e é altamente transmissível, exigindo tratamento sistêmico associado ao tópico, precaução de contato e tratamento simultâneo dos contatos. A psoríase não é transmissível nem cursa com prurido em vários familiares. A dermatite atópica não produz crostas espessas com essa distribuição e contexto epidemiológico. A pitiríase rubra pilar é rara e não explica o acometimento familiar.
Lactente de 5 meses apresenta lesões bolhosas flácidas em tronco e região inguinal, que se rompem facilmente deixando áreas erosadas com colarete descamativo, sem febre. As lesões surgiram há 3 dias e progridem. A criança está em bom estado geral, mamando bem. Qual é o diagnóstico e o tratamento?
Bolhas flácidas que se rompem deixando colarete descamativo em lactente, com bom estado geral, caracterizam impetigo bolhoso causado por toxinas esfoliativas do estafilococo, tratado com antibiótico sistêmico quando há lesões múltiplas ou progressivas. O herpes neonatal ocorre nas primeiras semanas com vesículas agrupadas e acometimento sistêmico. A epidermólise bolhosa manifesta-se desde o nascimento em áreas de atrito. A síndrome de Stevens-Johnson envolve mucosas e desprendimento cutâneo com quadro sistêmico grave.
Criança de 2 anos apresenta febre alta, eritema cutâneo difuso doloroso ao toque, com formação de bolhas superficiais e descolamento da epiderme ao atrito, poupando mucosas. Há foco de impetigo em face. A criança está irritada, com desidratação leve, e o sinal de Nikolsky é positivo. Qual é o diagnóstico?
Eritrodermia dolorosa com descolamento superficial da epiderme e sinal de Nikolsky positivo, poupando mucosas, em criança pequena com foco estafilocócico, define a síndrome da pele escaldada estafilocócica, mediada por toxina esfoliativa. A necrólise epidérmica tóxica acomete mucosas e tem relação com medicamentos, com necrose de espessura total. A escarlatina apresenta exantema áspero sem descolamento epidérmico. A doença de Kawasaki não cursa com sinal de Nikolsky nem com descolamento cutâneo agudo.
Adolescente de 15 anos apresenta abscesso cutâneo em coxa, com flutuação e eritema, sem febre, sem comorbidades. Nega uso recente de antibiótico ou internação. Qual é a conduta inicial mais adequada?
A drenagem é o tratamento principal do abscesso cutâneo, e o antibiótico é reservado a situações com celulite extensa, sinais sistêmicos, imunossupressão ou falha após a drenagem. Prescrever antibiótico sem drenar a coleção não resolve o foco. Compressas isoladas retardam a resolução de abscesso já flutuante. A internação com terapia intravenosa é desproporcional em adolescente hígido sem sinais sistêmicos.
Menino de 6 anos apresenta lesões crostosas melicéricas em região perioral e narinas, com halo eritematoso, iniciadas há cinco dias após arranhar picadas de inseto. Sem febre, sem linfangite, sem toxemia e sem comprometimento sistêmico. Frequenta escola e há colegas com lesões semelhantes. Sem alergias medicamentosas conhecidas. Qual é a conduta correta?
Impetigo não bolhoso localizado é tratado com higiene, remoção das crostas e antibiótico tópico, com medidas de higiene para conter a transmissão em ambiente escolar. Corticoide tópico não trata infecção bacteriana e pode agravá-la. Antibiótico intravenoso é reservado a formas extensas ou com repercussão sistêmica. Compressas isoladas não erradicam a infecção nem interrompem a transmissão.
Menina de 9 anos apresenta prurido intenso no couro cabeludo há três semanas, com escoriações na região occipital. Ao exame: lêndeas aderidas à haste dos cabelos próximas ao couro cabeludo e alguns parasitas móveis. Duas colegas de classe apresentam quadro semelhante. Sem sinais de infecção secundária ou adenomegalia dolorosa importante. Qual é a conduta correta?
Pediculose se trata com pediculicida tópico associado à remoção mecânica das lêndeas e ao exame e tratamento dos contatos infestados, sem afastamento prolongado da escola. Cortar o cabelo é medida estigmatizante e desnecessária. Tratamento oral em massa de indivíduos sem infestação é inadequado. Antibiótico só se justifica na infecção bacteriana secundária, ausente no relato.
Uma criança de 5 anos, atendida na Unidade Básica de Saúde, tem diagnóstico de pediculose e a mãe relata que a escola exige atestado de negativação antes do retorno. A criança já iniciou o tratamento e não tem outras queixas. Qual é a conduta correta da equipe?
O afastamento prolongado por pediculose não tem respaldo técnico e gera estigma e prejuízo escolar, cabendo à equipe orientar o retorno após o início do tratamento e articular com a instituição de ensino. Emitir atestado de quinze dias legitima uma prática sem base científica. O encaminhamento ao especialista é desnecessário em quadro simples. Recomendar troca de escola é resposta desproporcional que não enfrenta o problema.
Equipe de Saúde da Família é acionada pela escola do território após identificação de piolhos em várias crianças de uma turma de 20 alunos. Os responsáveis relatam tratamentos repetidos e recorrência do problema. A escola cogita afastar as crianças infestadas das aulas até a resolução completa. A equipe é chamada para orientar o corpo docente e as famílias em uma reunião. Considerando as diretrizes de manejo da pediculose no ambiente escolar, a orientação mais adequada é:
O controle da pediculose baseia-se em tratar quem está efetivamente infestado, examinar e tratar contatos domiciliares infestados e associar remoção mecânica com pente fino, mantendo a criança na escola, pois a exclusão é ineficaz, estigmatiza e prejudica a aprendizagem. Afastar toda a turma até a ausência de lêndeas prolonga desnecessariamente o afastamento, já que lêndeas remanescentes podem ser inviáveis. Tratamento universal sem infestação expõe crianças a pediculicida sem indicação e favorece resistência. Inseticida ambiental é desnecessário, pois o piolho não sobrevive por muito tempo fora do couro cabeludo humano.
Homem de 52 anos é atendido na Unidade de Pronto Atendimento com dor, eritema, calor e edema em perna direita, iniciados há dois dias, associados a febre de 38,6 °C e calafrios. Ao exame, há placa eritematosa de bordas bem delimitadas e elevadas, quente e dolorosa, ocupando o terço distal da perna, com porta de entrada em intertrigo interdigital. Há adenomegalia inguinal dolorosa ipsilateral. Não há empastamento da panturrilha e a circunferência é apenas discretamente maior à direita. A conduta correta é
Placa eritematosa de bordas bem delimitadas e elevadas, febre, calafrios, adenomegalia satélite e porta de entrada interdigital caracterizam erisipela, tratada com antibiótico com cobertura para estreptococos, cuidado da porta de entrada e elevação do membro para reduzir o edema. Anticoagulação plena trataria trombose, que não explica o eritema em placa com bordas nítidas e febre. Fasciíte necrosante cursa com dor desproporcional, toxemia, bolhas, crepitação e necrose, ausentes. Anti-inflamatório isolado deixa a infecção sem tratamento e pode mascarar a progressão.
Mulher de 66 anos, com linfedema crônico do membro inferior direito, procura a Unidade de Pronto Atendimento com placa avermelhada, quente e dolorosa na perna direita, iniciada há dois dias, acompanhada de febre e calafrios. Ao exame, temperatura axilar de 38,7 °C, placa eritematosa com bordas bem delimitadas e elevadas, superfície brilhante, calor local e linfangite ascendente; presença de fissura interdigital com maceração. Frequência cardíaca de 96 bpm e pressão arterial de 128 x 78 mmHg, sem crepitação, bolhas hemorrágicas ou necrose. A conduta adequada é:
Placa eritematosa de bordas bem definidas e elevadas, com febre e linfangite em paciente com linfedema, corresponde a erisipela, cujo agente típico é o estreptococo; o tratamento inclui antibiótico apropriado, elevação do membro, analgesia e, sobretudo, tratamento da porta de entrada, geralmente uma micose interdigital, além de medidas de prevenção de recidiva. Desbridamento amplo é reservado a infecção necrosante, que cursaria com dor desproporcional, crepitação, bolhas hemorrágicas e necrose. Anti-inflamatório sem antibiótico não trata a infecção. Antifúngico endovenoso não é o tratamento da erisipela, embora a micose deva ser tratada topicamente.
Equipe de Saúde da Família é chamada a uma instituição de longa permanência para idosos do território após oito residentes e duas cuidadoras apresentarem prurido intenso de predomínio noturno, com lesões escoriadas em punhos, região interdigital, axilas e região periumbilical, iniciadas há três semanas. Um dos residentes, acamado e com demência avançada, apresenta lesões crostosas espessas e hiperceratóticas difusas, com prurido pouco evidente. Não há febre nem sinais de infecção sistêmica nos casos. A conduta correta para o controle do surto é:
Em surto institucional de escabiose, o tratamento deve ser simultâneo de todos os contatos, sintomáticos ou não, para interromper a cadeia de transmissão, com atenção especial ao caso de sarna crostosa, altamente contagioso, que exige isolamento durante o tratamento e esquema intensificado, além do processamento de roupas e enxovais. Tratar apenas os sintomáticos mantém reservatórios e perpetua o surto, já que o período de incubação é longo. Corticoide isolado alivia prurido mas não elimina o ácaro e pode agravar a forma crostosa. Aguardar exame parasitológico de todos atrasa a intervenção, sendo o diagnóstico eminentemente clínico e epidemiológico.
Mulher de 58 anos, com diabetes tipo 2 e obesidade, procura a Unidade Básica de Saúde com dor, vermelhidão e calor em perna direita há dois dias, associados a febre e calafrios. Refere fissura interdigital nos pés há semanas. Ao exame: placa eritematosa em perna direita, bem delimitada, com bordas elevadas, quente e dolorosa, temperatura 38,4 °C, FC 96 bpm, PA 128x78 mmHg, sem crepitação, sem bolhas hemorrágicas nem áreas de necrose; intertrigo interdigital com descamação. Glicemia capilar 210 mg/dL. A conduta mais adequada é:
Placa eritematosa bem delimitada com bordas elevadas, febre e porta de entrada interdigital caracteriza erisipela, de etiologia predominantemente estreptocócica, cujo tratamento é antibiótico oral, elevação do membro, tratamento da micose que serve de porta de entrada e reavaliação precoce, medida que previne recorrências. Fasciite necrosante cursa com dor desproporcional, toxemia, crepitação, bolhas hemorrágicas ou necrose, todas ausentes. Antifúngico isolado não trata a infecção bacteriana já estabelecida. Corticoide sistêmico não tem indicação e pode piorar o controle glicêmico e a resposta imune em paciente diabética.
Homem de 45 anos, diabético em uso irregular de metformina, procura a unidade de pronto atendimento por lesão dolorosa na nuca há 5 dias, com piora progressiva e febre. Ao exame apresenta temperatura axilar 38,3 °C, FC 102 bpm, placa eritematosa endurecida de cerca de 6 cm na nuca, com múltiplos pontos de drenagem purulenta e áreas de flutuação, muito dolorosa, com edema perilesional. A glicemia capilar está em 312 mg/dL. Não há crepitação, necrose extensa nem instabilidade hemodinâmica. A conduta mais adequada é:
Lesão com múltiplos pontos de drenagem e flutuação na nuca de paciente diabético descompensado é antraz estafilocócico, que exige drenagem cirúrgica, antibiótico sistêmico com cobertura para Staphylococcus aureus e controle glicêmico, além de vigilância para complicações. Compressas e analgesia isoladas são suficientes apenas em furúnculo pequeno e não drenado, sem febre. Antibiótico tópico não atinge coleção profunda. Corticoide sistêmico agrava a hiperglicemia e a infecção, sem qualquer papel terapêutico nesse contexto.
Homem de 80 anos, acamado em instituição de longa permanência e em uso crônico de corticoide, é avaliado por lesões cutâneas extensas há dois meses, com pouco prurido. Vários funcionários e outros residentes vêm apresentando prurido intenso nas últimas semanas. Ao exame apresenta placas hiperceratósicas espessas e descamativas em mãos, pés, cotovelos e couro cabeludo, com fissuras e crostas espessas, além de distrofia ungueal acentuada. A raspagem das escamas revela grande número de ácaros ao exame direto. A conduta correta é:
Placas hiperceratósicas com carga parasitária altíssima em idoso imunossuprimido, com surto de prurido entre contatos, é escabiose crostosa, altamente contagiosa, que exige isolamento de contato, tratamento combinado com ivermectina oral e escabicida tópico, além do tratamento simultâneo de todos os contatos e da desinfecção de roupas e superfícies. Tratar somente o paciente e sem isolamento perpetua o surto institucional. Corticoide tópico piora a infestação por reduzir a resposta imune local. Aguardar biópsia atrasa a interrupção da transmissão, já demonstrada pelo exame direto.
Lactente de 14 meses é levado ao pronto-socorro com febre, irritabilidade e vermelhidão difusa da pele iniciada há 2 dias, com formação de bolhas flácidas que se rompem facilmente, deixando áreas exulceradas. Teve conjuntivite purulenta na semana anterior. Ao exame apresenta temperatura axilar 38,8 °C, eritema difuso com acentuação em pregas e ao redor da boca, descolamento da epiderme à fricção leve, crostas periorificiais e mucosas oral e conjuntival preservadas, sem lesões alvo. A hipótese diagnóstica mais provável é:
Eritema difuso com bolhas flácidas, sinal de Nikolsky positivo, crostas periorificiais e mucosas preservadas em lactente com foco infeccioso prévio é síndrome da pele escaldada estafilocócica, mediada por toxina esfoliativa e tratada com antibiótico antiestafilocócico e cuidados de suporte. A necrólise epidérmica tóxica e a síndrome de Stevens-Johnson acometem mucosas de forma marcante e cursam com lesões alvo atípicas, geralmente após exposição a fármacos. A doença de Kawasaki apresenta febre prolongada, conjuntivite não purulenta, alterações de lábios e língua e edema de extremidades, sem descolamento epidérmico bolhoso.
Menino de 7 anos, morador de área com saneamento precário, é levado à Unidade Básica de Saúde por feridas nas pernas há três semanas, que começaram como pequenas bolhas após picadas de inseto e foram se aprofundando. Ao exame apresenta múltiplas úlceras arredondadas de 1 a 2 cm nas pernas, com crostas espessas e aderentes, bordas elevadas e endurecidas, dolorosas, com base purulenta ao remover a crosta, além de adenomegalia inguinal reacional e higiene precária, sem febre e em bom estado geral. A hipótese diagnóstica mais provável é:
Úlceras com crostas espessas e aderentes, bordas elevadas e base purulenta, acometendo a derme e deixando cicatriz, caracterizam ectima, forma profunda de piodermite que exige antibioticoterapia sistêmica, cuidados locais e melhora das condições de higiene. O impetigo não bolhoso é superficial, com crostas melicéricas e sem ulceração profunda nem cicatriz. A escabiose provoca prurido intenso com túneis e pápulas em espaços interdigitais e punhos. A larva migrans cutânea produz trajeto linear serpiginoso migratório, sem úlceras crostosas profundas.
Mulher de 49 anos, com histórico de erisipelas de repetição em perna esquerda, comparece à Unidade Básica de Saúde após o quarto episódio em 18 meses. Entre as crises, permanece com edema residual do membro, com pele espessada e sinal de Stemmer positivo. Ela é obesa, tem intertrigo interdigital crônico e onicomicose. Está afebril, com pressão arterial de 132x80 mmHg e sem sinais flogísticos no momento. Considerando a prevenção de novos episódios, a conduta mais adequada é
A prevenção da erisipela de repetição combina o tratamento das portas de entrada, como intertrigo e onicomicose, cuidados com a pele, controle do linfedema com compressão e, diante de recorrências frequentes, antibioticoprofilaxia contínua, medida com benefício demonstrado. Afirmar que não há prevenção contraria as evidências disponíveis. Linfadenectomia agravaria a drenagem linfática e a recorrência. Corticoide contínuo aumenta o risco infeccioso e não trata a causa do quadro.
Mulher de 63 anos, obesa e com insuficiência venosa crônica, procura a Unidade Básica de Saúde com dor, calor e vermelhidão na perna esquerda há dois dias, associados a febre e calafrios. Ao exame: temperatura axilar 38,4 °C, placa eritematosa, quente e dolorosa em face medial da perna, com bordas bem delimitadas e elevadas, sem flutuação, sem crepitação e sem áreas de necrose, com porta de entrada em micose interdigital. Os pulsos são palpáveis e a paciente está hemodinamicamente estável. Qual é a conduta mais adequada?
A erisipela apresenta placa eritematosa de bordas bem delimitadas e elevadas, com febre e porta de entrada frequentemente micótica, sendo tratada com antibiótico dirigido a estreptococo, elevação do membro e tratamento da micose interdigital para prevenir recorrência. Cobertura ampla para gram-negativos e anaeróbios não é necessária nesse quadro típico e favorece resistência. Desbridamento amplo se destina a infecção necrosante, sugerida por dor desproporcional, crepitação e necrose, ausentes. Deixar sem antibiótico permite progressão da infecção e bacteremia.
Homem de 34 anos procura a Unidade de Pronto Atendimento com lesão dolorosa na coxa há quatro dias, que aumentou progressivamente. Nega febre alta e comorbidades. Ao exame: nódulo eritematoso de 4 cm, quente, doloroso, com flutuação central evidente e ponto de drenagem espontânea, sem celulite extensa ao redor, sem crepitação, temperatura axilar 37,4 °C e sem sinais sistêmicos de gravidade. Ele pergunta se apenas o antibiótico resolveria, para evitar o procedimento. Qual é a conduta mais adequada?
O tratamento principal do abscesso cutâneo é a drenagem da coleção, ficando o antibiótico como adjuvante em situações como celulite extensa associada, sinais sistêmicos, imunossupressão, múltiplas lesões ou falha após a drenagem. Antibiótico isolado não penetra adequadamente em coleção purulenta organizada e leva a falha terapêutica. Compressas mornas isoladas podem auxiliar em lesões iniciais, mas não substituem a drenagem de abscesso com flutuação. Internação para antibiótico endovenoso sem drenar o foco mantém a coleção e prolonga o tratamento.
Homem de 58 anos, vivendo com HIV e sem adesão ao tratamento, é internado com lesões cutâneas descamativas generalizadas, com crostas espessas em mãos, pés, couro cabeludo e tronco, associadas a prurido variável. Vários profissionais que o assistiram nos últimos dias relataram prurido e lesões pruriginosas. Ao exame: hiperceratose difusa com fissuras, crostas espessas e descamação intensa, sem febre. O raspado das lesões mostra grande quantidade de ácaros. Qual é a conduta correta?
A escabiose crostosa ocorre em imunossuprimidos, apresenta carga parasitária altíssima e é extremamente contagiosa, exigindo isolamento de contato, tratamento com esquema combinado tópico e sistêmico e tratamento de contatos e profissionais expostos, além de medidas ambientais. Hidratante e corticoide tópico agravam a infestação e não interrompem a transmissão. Tratar somente o paciente perpetua o ciclo e gera surtos hospitalares. Antibiótico isolado só se justifica em infecção bacteriana secundária, e não trata a infestação.
Mulher de 24 anos procura a Unidade Básica de Saúde com prurido intenso na região pubiana há duas semanas, com piora noturna. Relata que o parceiro apresenta queixa semelhante. Ao exame, observam-se pequenas lesões escoriadas na região pubiana e, à inspeção cuidadosa com boa iluminação, identificam-se parasitas aderidos à base dos pelos pubianos e lêndeas fixadas aos pelos. Não há úlceras genitais, corrimento nem adenomegalias inguinais. A conduta correta é:
A pediculose pubiana é transmitida sobretudo por contato sexual, exigindo tratamento tópico da paciente e das parcerias, higienização de roupas pessoais e de cama e oferta de testagem para outras infecções sexualmente transmissíveis, já que a coinfecção é frequente. Tratar apenas a paciente perpetua o ciclo de reinfestação. Antibiótico sistêmico não trata a parasitose. Depilação isolada não elimina os parasitas e as lêndeas de forma confiável nem substitui o tratamento medicamentoso.
Homem de 29 anos, usuário de drogas injetáveis, chega ao pronto-socorro com dor, edema e vermelhidão em fossa antecubital direita há 5 dias, com febre. Ao exame apresenta temperatura axilar 38,5 °C, FC 108 bpm, PA 118x74 mmHg, área endurecida de 5 cm com flutuação central, eritema e calor, com múltiplas marcas de punção na região, sem linfangite ascendente, sem crepitação e com pulsos distais presentes e simétricos no membro acometido. A conduta mais adequada é:
O abscesso de partes moles com flutuação exige drenagem cirúrgica associada a cuidados locais e antibiótico conforme extensão e sinais sistêmicos, aproveitando-se o contato para oferecer testagem para HIV, sífilis e hepatites e vincular o paciente à rede de atenção psicossocial e de redução de danos. Antibiótico isolado não resolve coleção formada. Punção aspirativa isolada leva a recidiva. Condicionar o atendimento à interrupção do uso de drogas é discriminatório e contraria os princípios do Sistema Único de Saúde.
Homem de 61 anos, diabético e obeso, chega ao pronto-socorro com dor, calor e vermelhidão em perna esquerda há 3 dias, com febre e piora progressiva. Ao exame apresenta temperatura axilar 39 °C, FC 122 bpm, PA 94x58 mmHg, prostração, placa eritematosa extensa em perna esquerda com bordas mal definidas, calor local, edema importante, dor à palpação e presença de porta de entrada interdigital, sem necrose, sem crepitação e sem dor desproporcional aos achados. A conduta mais adequada é:
Celulite extensa com febre alta, taquicardia, hipotensão e comorbidades exige internação, antibioticoterapia intravenosa, tratamento da porta de entrada, como micose interdigital, e reavaliações frequentes para detectar precocemente evolução para infecção necrosante. Antibiótico oral ambulatorial é insuficiente diante de sinais sistêmicos e instabilidade. Desbridamento amplo imediato é indicado na fasciíte necrosante, cujos sinais de alarme estão ausentes neste momento. Repouso e anti-inflamatório isolados deixam a infecção sem tratamento.
Mulher de 61 anos, com insuficiência venosa crônica e linfedema em membro inferior direito, apresentou quatro episódios de erisipela no mesmo membro nos últimos doze meses, todos tratados com antibiótico e com boa resposta inicial. Ao exame no momento, fora do episódio agudo: membro com edema crônico endurecido, pele espessada, sem eritema, sem calor e sem porta de entrada evidente, exceto descamação interdigital discreta. Ela pergunta como evitar novas crises. Qual é a conduta mais adequada?
A prevenção da erisipela de repetição envolve tratar as portas de entrada, especialmente micoses interdigitais, controlar o linfedema com compressão, elevação e cuidados de pele, e considerar profilaxia antimicrobiana prolongada em pacientes com episódios recorrentes apesar dessas medidas. Tratar apenas os episódios agudos perpetua o ciclo de infecção e piora do linfedema. Amputação é conduta desproporcional e inaceitável. A compressão é parte do tratamento do linfedema, e não causa das recidivas.
Mulher de 41 anos, moradora de casa com muitos moradores, procura a Unidade Básica de Saúde com prurido intenso, sobretudo à noite, há três semanas, com lesões nas mãos e no abdome. Relata que o marido e dois filhos apresentam prurido semelhante. Ao exame: pápulas eritematosas e escoriações em espaços interdigitais, punhos, axilas, região periumbilical e nádegas, com alguns trajetos lineares finos, poupando a face e o couro cabeludo, sem sinais de infecção secundária. Qual é a conduta correta?
A escabiose exige tratamento simultâneo de todos os contatos domiciliares e parceiros, mesmo assintomáticos, associado a medidas ambientais com lavagem e secagem adequadas de roupas de cama e vestuário, pois tratar apenas o caso índice leva a reinfestação. Anti-histamínico alivia o prurido, mas não elimina o ácaro. Corticoide tópico reduz a inflamação sem tratar a infestação e pode mascarar o quadro, favorecendo formas extensas.
Homem de 27 anos procura a Unidade Básica de Saúde com lesões recorrentes de furúnculos em nádegas e coxas nos últimos oito meses, com quatro episódios que exigiram drenagem. Ele trabalha em academia, compartilha toalhas e não tem comorbidades conhecidas. Ao exame: dois nódulos eritematosos dolorosos com pontos de flutuação em nádega direita, sem febre, sem celulite extensa e sem sinais sistêmicos, além de cicatrizes de lesões prévias. A glicemia de jejum e a testagem para HIV são normais. Qual é a conduta mais adequada?
A furunculose de repetição exige drenagem das lesões flutuantes e adoção de medidas de descolonização e higiene, como uso de antisséptico corporal, tratamento tópico nasal quando indicado, lavagem adequada de roupas e toalhas e orientação para não compartilhar objetos pessoais, avaliando também contatos domiciliares. Antibiótico contínuo prolongado isolado não previne recorrência e induz resistência. Curativos sem drenagem mantêm a coleção. Excisão ampla é conduta mutilante e desnecessária.
Mulher de 22 anos procura a Unidade Básica de Saúde com dor, vermelhidão e secreção purulenta no lóbulo da orelha, onde colocou um piercing há duas semanas em estabelecimento sem condições adequadas de higiene. Refere febre baixa. Ao exame: eritema, edema e dor no lóbulo, com secreção purulenta ao redor do piercing, sem acometimento da cartilagem auricular, sem flutuação e sem linfangite. Ela pergunta se precisa retirar o adorno e o que mais deve ser feito. Qual é a conduta correta?
A infecção associada a piercing exige retirada do corpo estranho, que funciona como foco persistente, tratamento antimicrobiano adequado e orientação sobre riscos de procedimentos em locais sem controle sanitário, incluindo transmissão de hepatites virais e HIV, com verificação da situação vacinal. Manter o adorno perpetua a infecção. Corticoide tópico não trata a infecção bacteriana. Aguardar resolução espontânea pode levar a abscesso e, quando há acometimento de cartilagem, a deformidade permanente.
Uma equipe de saúde da família atende comunidade em que muitas pessoas em situação de rua apresentam prurido corporal intenso e lesões escoriadas no tronco, com achado de parasitas e ovos aderidos às costuras das roupas, e não nos pelos corporais. Vários relatam febre e mal-estar. A equipe discute o manejo individual e coletivo, considerando as condições de higiene e a possibilidade de doenças transmitidas por esse vetor em populações vulneráveis. Qual é a conduta correta?
A pediculose do corpo tem o parasita e os ovos alojados nas costuras das roupas, e o controle exige tratamento das pessoas associado a higienização adequada ou substituição das vestimentas e roupas de cama, além de melhoria das condições de higiene, com atenção a doenças transmitidas por esse vetor em populações vulneráveis, como o tifo epidêmico e a febre recorrente. Tratamento tópico capilar isolado não elimina o reservatório nas roupas. Negar a transmissão de doenças é incorreto. Antibiótico sistêmico não trata a infestação.
Homem de 55 anos é internado com celulite extensa em membro inferior direito e inicia antibiótico endovenoso. No terceiro dia, apesar da melhora do eritema, mantém febre e surge nova área de flutuação na panturrilha, com dor local desproporcional e aumento do edema. Ao exame: área flutuante de cerca de 5 cm, dolorosa, com pele tensa, sem crepitação e sem necrose, e o restante do membro com melhora do eritema. Os marcadores inflamatórios mantêm-se elevados. Qual é a conduta correta?
Persistência de febre com surgimento de coleção flutuante durante o tratamento de celulite indica abscesso, que exige drenagem com coleta de material para cultura, mantendo-se e ajustando-se o antimicrobiano conforme o resultado, pois coleções organizadas não se resolvem apenas com antibiótico. Ampliar o espectro sem drenar mantém o foco. Suspender o antibiótico em infecção ativa é conduta inadequada. Compressas mornas isoladas não substituem a drenagem de coleção já formada.
Gestante de 24 anos, com 22 semanas, comparece à Unidade Básica de Saúde com lesões papulosas eritematosas pruriginosas em membros inferiores e tronco, com algumas pústulas e crostas por coçadura, iniciadas há duas semanas. Outros moradores da casa apresentam prurido semelhante, principalmente à noite. Ao exame, há pápulas e escoriações em espaços interdigitais, punhos e região periumbilical, com túneis visíveis em algumas áreas. Ela está afebril e o exame obstétrico é normal. A conduta correta é
A escabiose na gestação é tratada com escabicida seguro, como a permetrina tópica, com tratamento simultâneo de todos os contactantes domiciliares e medidas de descontaminação de roupas e roupas de cama, mesmo em assintomáticos. Anti-histamínico isolado alivia o prurido, mas não elimina o ácaro. Adiar o tratamento perpetua a infestação e o risco de infecção secundária. Tratar apenas a gestante resulta em reinfestação a partir dos contactantes.
Menino de 5 anos é levado à Unidade Básica de Saúde com lesões na face iniciadas há cinco dias, que a mãe descreve como feridas que aumentam e formam casquinha amarelada. Frequenta creche e outras crianças têm lesões semelhantes. Ao exame: lesões eritematosas com erosões e crostas melicéricas em região perioral e narinas, sem bolhas, sem febre, sem celulite ao redor e sem adenomegalia dolorosa importante, com bom estado geral. Qual é a conduta mais adequada?
O impetigo não bolhoso com poucas lesões localizadas é tratado com antibiótico tópico, remoção delicada das crostas, higiene das mãos e afastamento temporário das atividades coletivas até 24 horas após o início do tratamento, reservando-se antibiótico sistêmico para lesões extensas, múltiplas ou com sinais sistêmicos. Corticoide tópico agrava a infecção. Internação é conduta desproporcional para quadro localizado. Apenas lavagem não erradica a infecção e mantém a transmissão na creche.
Lactente de 2 meses é levado à Unidade de Pronto Atendimento com lesões cutâneas iniciadas há três dias, que evoluíram rapidamente. Ao exame: bolhas flácidas de conteúdo claro e algumas turvas, com áreas de descolamento superficial deixando base eritematosa e úmida, distribuídas em região cervical, axilas e região de fralda, com temperatura axilar de 37,8 °C, criança irritada e mamando menos, sem sinais de choque. Qual é a conduta correta?
O impetigo bolhoso no lactente jovem, causado por toxina estafilocócica, tende a ser extenso e pode evoluir para formas disseminadas com perda de barreira cutânea e risco de sepse, exigindo antibioticoterapia sistêmica, cuidados de pele e vigilância, com internação nessa faixa etária e diante de lesões extensas. Antibiótico tópico isolado é insuficiente. Corticoide sistêmico não trata a infecção e pode agravá-la. Banhos com antisséptico não substituem o tratamento antimicrobiano sistêmico.
Menina de 3 anos é levada ao pronto-socorro com febre alta, irritabilidade e lesões cutâneas iniciadas há dois dias. Ao exame: febril, com eritema difuso que se acentua em dobras, descolamento superficial da pele ao mínimo atrito, deixando áreas exulceradas e úmidas, com aspecto de queimadura, poupando mucosas, além de crostas periorificiais na face e dor cutânea intensa ao toque. A criança tem foco de conjuntivite purulenta e está desidratada. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
Eritema difuso com descolamento superficial da pele ao atrito, dor cutânea intensa, crostas periorificiais e preservação das mucosas, em criança pequena com foco estafilocócico, caracteriza a síndrome da pele escaldada estafilocócica, mediada por toxina, com bom prognóstico quando tratada precocemente com antibiótico sistêmico e cuidados de suporte. A necrólise epidérmica tóxica acomete mucosas e tem clivagem mais profunda. A doença de Kawasaki cursa com febre prolongada e alterações de extremidades e mucosas. A escarlatina descama tardiamente, sem descolamento ao atrito.
Menino de 6 anos é levado à Unidade Básica de Saúde com lesão em perna direita há três dias, com dor, vermelhidão e calor progressivos. Teve pequeno arranhão no local ao brincar. Ao exame: temperatura axilar 38,2 °C, placa eritematosa quente e dolorosa com bordas mal definidas em face lateral da perna direita, sem flutuação, sem crepitação, sem necrose e sem dor desproporcional, com linfangite discreta ascendente e adenomegalia inguinal dolorosa. Qual é a conduta correta?
A celulite na criança, com placa eritematosa de bordas mal definidas após solução de continuidade da pele, é tratada com antibiótico cobrindo estreptococo e estafilococo, elevação do membro, analgesia e reavaliação programada, com internação em casos extensos, com toxemia ou em lactentes. Desbridamento amplo se reserva a infecção necrosante, sugerida por dor desproporcional, crepitação e necrose, ausentes aqui. Anti-inflamatório isolado não trata a infecção. Antifúngico não tem indicação nesse quadro bacteriano.
Menino de 7 anos é levado à Unidade Básica de Saúde com lesão em nádega direita há quatro dias, dolorosa e endurecida, com piora progressiva. Ao exame: nódulo eritematoso de cerca de 3 cm, quente, muito doloroso, com flutuação evidente à palpação e ponto de drenagem espontânea de material purulento, sem celulite extensa ao redor, sem febre e sem sinais sistêmicos, com bom estado geral e crescimento adequado. Qual é a conduta correta?
O abscesso cutâneo tem como tratamento principal a drenagem da coleção, com antibiótico sistêmico reservado a celulite extensa associada, sinais sistêmicos, lesões múltiplas, imunossupressão, localização em face ou falha após a drenagem. Antibiótico isolado não penetra adequadamente em coleção organizada. Compressas mornas isoladas podem ajudar em lesões iniciais, mas não substituem a drenagem quando há flutuação. Internação sem drenar mantém o foco e prolonga o tratamento.
Menino de 6 anos é levado à Unidade Básica de Saúde com prurido intenso, sobretudo à noite, e lesões em mãos, punhos e abdome há um mês. A mãe e dois irmãos apresentam prurido semelhante. Ao exame: pápulas eritematosas e escoriações em espaços interdigitais, punhos, região periumbilical e nádegas, com alguns túneis lineares, poupando face e couro cabeludo, e sem sinais de infecção bacteriana secundária. A família mora em casa com muitos moradores. Qual é a conduta correta?
A escabiose exige tratamento simultâneo de todos os contatos domiciliares, mesmo assintomáticos, associado a medidas ambientais com lavagem e secagem adequadas de roupas de cama e vestuário, pois tratar apenas o caso índice resulta em reinfestação. Anti-histamínico alivia o prurido, mas não elimina o ácaro. Corticoide tópico reduz a inflamação e pode mascarar o quadro, favorecendo formas extensas e mantendo a transmissão no domicílio.
Menina de 7 anos é levada à Unidade Básica de Saúde porque a escola comunicou a presença de piolhos e a mãe está constrangida, temendo que a filha seja excluída pelos colegas. Ao exame: lêndeas aderidas aos fios de cabelo próximas ao couro cabeludo em região occipital e retroauricular, com poucos parasitas móveis visíveis, escoriações discretas por coçadura, sem lesões infectadas e sem adenomegalias dolorosas. A criança está bem, sem febre. Qual é a conduta correta?
A pediculose do couro cabeludo é tratada com produto específico associado à remoção mecânica das lêndeas e avaliação dos contatos domiciliares, sendo importante orientar a família e a escola para evitar estigma e afastamento prolongado, que causa prejuízo escolar sem benefício epidemiológico relevante. Exigir ausência total de lêndeas para o retorno é prática desaconselhada. Raspar os cabelos é medida constrangedora e desnecessária. Antibiótico só se justifica diante de infecção bacteriana secundária.
Menina de 5 anos é levada à Unidade de Pronto Atendimento com febre e dor intensa em membro inferior direito há dois dias, com dificuldade para andar. Ao exame: temperatura axilar 39 °C, com placa eritematosa, quente e dolorosa em perna direita, de bordas bem delimitadas e elevadas, com aspecto em casca de laranja, sem flutuação, sem crepitação e sem necrose, além de adenomegalia inguinal dolorosa e criança toxemiada, com dificuldade para deambular. Qual é a hipótese e a conduta?
Placa eritematosa de bordas bem delimitadas e elevadas, quente e dolorosa, com febre alta e adenomegalia regional, caracteriza erisipela, tratada com antibiótico dirigido a estreptococo, elevação do membro e analgesia, com internação diante de toxemia, extensão importante ou impossibilidade de via oral. A infecção necrosante cursa com dor desproporcional, crepitação e necrose, ausentes. A dermatite de contato não provoca febre alta e toxemia. A trombose venosa profunda é rara nessa idade e não cursa com placa eritematosa de bordas nítidas.
Menino de 6 anos é levado à Unidade Básica de Saúde com lesões crostosas em membros inferiores há três semanas, iniciadas após picadas de inseto e coçadura intensa. Ao exame: múltiplas lesões com crostas espessas e aderentes, algumas com base ulcerada e bordas violáceas, em pernas e pés, com discreta secreção purulenta, sem febre e sem celulite extensa, e a criança mora em condições precárias de higiene e saneamento. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
Lesões com crostas espessas e ulceração que atinge a derme, com bordas elevadas, em criança com coçadura sobre picadas e condições precárias de higiene, caracterizam ectima, forma profunda de piodermite que exige antibiótico sistêmico e cuidados locais, com atenção a complicações como glomerulonefrite pós-estreptocócica. O impetigo não bolhoso é superficial, com crostas melicéricas e sem ulceração profunda. O molusco contagioso apresenta pápulas umbilicadas. A leishmaniose produz úlcera única indolor de bordas elevadas em moldura, com evolução mais lenta.
Menino de 3 anos é levado ao pronto-socorro com febre alta há dois dias, prostração e lesão em face. Ao exame: toxemiado, febril, com placa eritematosa, quente e endurecida em região malar e periorbitária direita, com edema palpebral, sem proptose e com movimentação ocular preservada e indolor, além de adenomegalia cervical dolorosa. A acuidade visual parece preservada e não há alteração pupilar. A criança está irritada e recusa alimentação. Qual é a conduta correta?
Celulite facial e periorbitária em criança pequena com toxemia exige internação e antibiótico endovenoso, com reavaliação frequente para identificar progressão para celulite orbitária, que se manifesta por proptose, dor e limitação da movimentação ocular e alteração visual. Antibiótico oral com alta é conduta insegura diante de toxemia e recusa alimentar. Corticoide não trata a infecção. Drenagem cirúrgica imediata não é indicada na ausência de coleção definida.
Menina de 4 anos, no sexto dia de varicela, é levada ao pronto-socorro com febre alta que havia cedido e retornou, além de vermelhidão e dor ao redor de várias lesões no tronco. Ao exame: febril, com áreas de eritema, calor e edema ao redor de lesões crostosas, com secreção purulenta em algumas, sem crepitação, sem dor desproporcional, sem áreas acinzentadas de necrose e sem sinais de choque, com bom estado geral relativo. Qual é a conduta correta?
O retorno da febre com sinais inflamatórios e secreção purulenta em lesões de varicela indica infecção bacteriana secundária, complicação mais frequente da doença, exigindo antibiótico sistêmico com cobertura para estafilococo e estreptococo e reavaliação frequente para identificar progressão para infecção necrosante ou doença invasiva. Manter apenas sintomáticos permite a progressão. Antiviral não trata infecção bacteriana. Desbridamento amplo é conduta da infecção necrosante, que apresenta dor desproporcional e necrose, ausentes aqui.
Menino de 7 anos, morador de casa de acolhimento institucional, é levado à Unidade Básica de Saúde com prurido intenso, sobretudo noturno, e lesões escoriadas em punhos, região interdigital e cintura, há três semanas. Outras cinco crianças e dois cuidadores da instituição apresentam queixas semelhantes. Ao exame: pápulas escoriadas e sulcos lineares em espaços interdigitais, punhos e região periumbilical, com algumas lesões impetiginizadas em membros, sem febre e sem adenomegalias. Qual é a conduta correta?
Em ambiente coletivo, o controle da escabiose exige tratamento simultâneo de todos os residentes e cuidadores, sintomáticos ou não, tratamento da infecção bacteriana secundária, lavagem de roupas pessoais e de cama em água quente e orientação sobre a persistência do prurido após o tratamento. Tratar apenas o caso índice mantém o ciclo de reinfestação. Anti-histamínico isolado não elimina o ácaro. Isolar sem tratar estigmatiza a criança e não interrompe a transmissão.
Menina de 9 anos, em quimioterapia para leucemia, é levada ao serviço com lesões cutâneas descamativas espessas e crostosas difusas, acometendo couro cabeludo, tronco e membros, com prurido discreto. A mãe relata que várias pessoas próximas passaram a apresentar prurido intenso nas últimas semanas. Ao exame: hiperceratose difusa com crostas espessas, fissuras e descamação intensa, sem febre, com adenomegalias discretas e sem sinais de sepse, e a raspagem mostra numerosos ácaros. Qual é a conduta correta?
A escabiose crostosa ocorre em imunossuprimidos, apresenta carga parasitária muito elevada e transmissibilidade alta, exigindo tratamento combinado com escabicida tópico e ivermectina sistêmica em doses repetidas, precaução de contato e tratamento de todos os contatos, mesmo assintomáticos. Corticoide tópico isolado agrava o quadro ao reduzir a resposta local. Adiar o tratamento mantém a fonte de surto. Não tratar os contatos perpetua a transmissão para o próprio paciente e para o serviço.
Menino de 6 anos apresenta o quarto episódio de abscesso cutâneo em seis meses, sempre drenados na unidade e com boa resposta local, e outros dois familiares apresentaram furúnculos no mesmo período. A família compartilha toalhas, e a criança pratica esporte de contato na escola, com uso coletivo de equipamentos. Ao exame: lesão flutuante em coxa direita, com eritema perilesional, sem febre e sem sinais sistêmicos, com boa cicatrização das lesões anteriores e sem alterações do crescimento. Qual é a conduta mais adequada?
Abscessos cutâneos recorrentes com acometimento familiar sugerem colonização por Staphylococcus aureus, exigindo drenagem das lesões, medidas de higiene pessoal e domiciliar, tratamento das lesões ativas e estratégias de descolonização de portadores, além de evitar o compartilhamento de toalhas e equipamentos. Antibiótico sistêmico contínuo por meses seleciona resistência. A investigação de imunodeficiência se justifica diante de infecções graves ou em múltiplos sítios, com repercussão sistêmica. Afastar definitivamente do esporte é medida desproporcional.
Menina de 4 anos é levada à Unidade Básica de Saúde com dor e vermelhidão ao redor do ânus há duas semanas, com dor à evacuação e episódios de retenção de fezes por medo da dor, além de pequenas estrias de sangue no papel. Ao exame: eritema vivo, bem delimitado, perianal, com discreta maceração e fissuras superficiais, sem secreção purulenta, sem abscesso e sem lesões vesiculares, com abdome flácido e sem massas fecais volumosas palpáveis. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
O eritema perianal vivo e bem delimitado, com dor à evacuação, fissuras e sangramento discreto, caracteriza a dermatite perianal estreptocócica, que exige tratamento antimicrobiano específico, pois não responde a medidas tópicas isoladas e tende a recidivar. A dermatite de contato ocorre em área de fralda com padrão difuso poupando dobras. A oxiuríase provoca prurido de predomínio noturno sem eritema tão delimitado. A doença inflamatória intestinal cursa com diarreia crônica, perda de peso e fístulas.
Menina de 8 anos é levada à Unidade Básica de Saúde com lesões papulares pruriginosas em tronco e coxas, surgidas dois dias após frequentar uma banheira de hidromassagem em festa de aniversário. Outras crianças que estiveram no mesmo local apresentam queixas semelhantes. Ao exame: pápulas e pústulas foliculares eritematosas em áreas cobertas pelo traje de banho, poupando palmas e plantas, sem febre, sem adenomegalias e com bom estado geral, sem sinais de infecção sistêmica. Qual é a hipótese diagnóstica?
Pápulas e pústulas foliculares em áreas cobertas pelo traje de banho, surgidas poucos dias após exposição a água recreativa com desinfecção inadequada e acometendo várias crianças expostas, caracterizam a foliculite por Pseudomonas, quadro autolimitado que exige orientação e raramente tratamento sistêmico. A escabiose cursa com prurido noturno e sulcos em locais característicos. O impetigo produz lesões crostosas melicéricas. A reação ao cloro produz irritação difusa, sem padrão folicular pustuloso.
Mulher de 22 anos procura a Unidade Básica de Saúde por prurido intenso na região pubiana há duas semanas, pior à noite, sem corrimento vaginal. Refere parceiro sexual novo no último mês. Ao exame da região genital, observam-se lêndeas aderidas à haste dos pelos pubianos e parasitas visíveis próximos à base, com escoriações por coçadura e máculas azuladas na pele adjacente. O restante do exame é normal, sem lesões vesiculosas, úlceras ou verrugas, e não há linfonodomegalia inguinal. Qual é a conduta adequada?
Lêndeas aderidas aos pelos pubianos com parasitas visíveis e máculas cerúleas definem pediculose pubiana, tratada com pediculicida tópico, tratamento das parcerias e higiene de roupas e roupas de cama; como é infecção de transmissão sexual, indica-se testagem para outras infecções, incluindo sífilis e HIV. Anti-histamínico e corticoide aliviam o prurido, mas não eliminam o parasita e permitem a transmissão. Aciclovir trata herpes, que cursa com vesículas e ulcerações dolorosas, ausentes. Metronidazol trata tricomoníase, cujo quadro é corrimento amarelo-esverdeado e colo com aspecto de framboesa.
Mulher, 25 anos, procura a UBS por lesões pruriginosas que pioram à noite, iniciadas há 3 semanas, localizadas em espaços interdigitais das mãos, punhos e região periumbilical. O companheiro e a irmã com quem divide o apartamento têm prurido semelhante. Exame: pápulas eritematosas escoriadas e sulcos lineares nas regiões descritas; sem pústulas, febre ou linfadenomegalia. Sem uso recente de medicamentos, sem história de atopia. Ausência de acometimento facial. Qual a conduta correta?
Prurido de predomínio noturno, sulcos e pápulas em espaços interdigitais, punhos e região periumbilical, com casos semelhantes entre coabitantes, define escabiose, e o tratamento tópico com permetrina a 5% deve ser estendido a todos os contatos domiciliares simultaneamente, com lavagem de roupas pessoais e de cama, sob pena de reinfestação. O corticoide tópico alivia inflamação, mas não elimina o ácaro e pode mascarar o quadro, favorecendo a forma crostosa. A cefalexina só se justificaria diante de impetiginização evidente, com pústulas ou crostas melicéricas, não descritas. Anti-histamínico isolado trata sintoma e adia por 30 dias o tratamento etiológico, ampliando a transmissão. Tratar apenas a paciente, ainda que com ivermectina, é o erro mais comum e leva ao ciclo de reinfestação, já que os contatos podem estar em período de incubação.
Mulher, 22 anos, refere prurido intenso em região pubiana há 3 semanas, pior à noite, com pequenas manchas azuladas na pele adjacente. Refere que o parceiro tem queixa semelhante. Exame: pequenos organismos aderidos à base dos pelos pubianos e diminutas estruturas ovaladas fixadas às hastes dos pelos; escoriações por coçadura. Sem acometimento de couro cabeludo, interdígitos ou punhos, e sem lesões em outras regiões. Qual o diagnóstico e a conduta?
Prurido pubiano com parasitas aderidos à base dos pelos, lêndeas nas hastes e máculas cerúleas caracteriza a pediculose pubiana, tratada com permetrina tópica, higienização de roupas e tratamento das parcerias sexuais, além de rastreio de outras infecções sexualmente transmissíveis. A escabiose clássica acomete interdígitos, punhos e pregas, com túneis e prurido noturno generalizado, e não parasitas visíveis presos aos pelos pubianos. A dermatite de contato por depilação não produz parasitas nem lêndeas. A tinha inguinal cursa com placa eritematodescamativa de bordas ativas, sem parasitas. A foliculite bacteriana forma pústulas centradas em folículos, sem as estruturas ovaladas aderidas às hastes.
Menino, 5 anos, apresenta lesões vesicopustulosas com crostas melicéricas em região perioral e narinas, iniciadas há 5 dias, pruriginosas e com disseminação por autoinoculação. Está afebril, em bom estado geral, e as lesões acometem menos de 5% da superfície corporal, sem sinais de celulite, sem linfangite e sem acometimento sistêmico. Não há lesões em outros locais do corpo. Qual a conduta indicada?
O impetigo não bolhoso localizado, com crostas melicéricas e sem repercussão sistêmica, é tratado com antibiótico tópico como a mupirocina, associado a medidas de higiene e corte de unhas para evitar autoinoculação. A antibioticoterapia venosa é reservada a formas extensas, com celulite associada ou repercussão sistêmica. Corticoide tópico não trata infecção bacteriana e favorece a disseminação. O aciclovir seria indicado em herpes simples, que produz vesículas agrupadas sobre base eritematosa com recorrência no mesmo local, e não crostas melicéricas disseminadas por autoinoculação. Compressas isoladas não erradicam a colonização bacteriana e mantêm a transmissibilidade.
Menino, 5 anos, apresenta prurido intenso, predominantemente noturno, há 3 semanas, com lesões papulosas e escoriações em espaços interdigitais, punhos e axilas. Dois irmãos e a mãe apresentam sintomas semelhantes. Ao exame, observam-se sulcos lineares finos nos espaços interdigitais e pápulas escoriadas. Não há febre, sinais de infecção secundária ou comprometimento do estado geral. Qual a conduta indicada?
Prurido noturno com sulcos e pápulas em espaços interdigitais, punhos e axilas, acometendo vários membros da família, é escabiose, tratada com permetrina tópica ou ivermectina, sempre com tratamento simultâneo de todos os contatos domiciliares e higienização de roupas de cama e vestuário. Corticoide tópico alivia o prurido, mas não elimina o ácaro e mantém a transmissão. A cefalexina trata infecção bacteriana secundária, ausente neste caso. O anti-histamínico isolado é apenas sintomático e não resolve a infestação. O aciclovir é antiviral, sem qualquer atividade contra o Sarcoptes scabiei.
Homem, 53 anos, é atendido na UBS com queixa de dor e edema em membro inferior esquerdo há 3 dias, com febre de 38,4 °C e calafrios. Exame: placa eritematosa quente, dolorosa, com bordas bem delimitadas e elevadas, ocupando a face anterior da perna, com linfangite ascendente e adenomegalia inguinal dolorosa; interdígito com maceração e fissura. Sem crepitação, sem bolhas hemorrágicas ou necrose. Glicemia 108 mg/dL, sem instabilidade hemodinâmica. Qual o diagnóstico e a conduta?
Placa eritematosa quente e dolorosa com bordas nítidas e elevadas, linfangite, adenomegalia e febre, tendo como porta de entrada uma fissura interdigital por micose, é erisipela, causada predominantemente por estreptococo, e o tratamento exige antibiótico com essa cobertura somado ao tratamento da dermatofitose interdigital para prevenir recidivas. Fasciíte necrosante cursa com dor desproporcional, toxemia, crepitação, bolhas hemorrágicas e necrose, todas ausentes. Trombose venosa profunda não produz placa com bordas nítidas nem linfangite, e anticoagular sem investigação é inadequado. Dermatite de contato não cursa com febre, calafrios e adenomegalia dolorosa. Linfedema descompensado pode predispor à erisipela, mas não explica a febre e o quadro inflamatório agudo descrito.
Lactente, 18 meses, apresenta há 2 dias febre e irritabilidade, seguidas de eritema difuso e doloroso que se iniciou em face e dobras, com formação de bolhas flácidas e descolamento superficial da pele ao toque, poupando as mucosas oral e conjuntival. Exame: crostas periorificiais radiadas, sinal de Nikolsky positivo, sem acometimento mucoso. T 38,8 °C. Cultura das bolhas estéril; cultura de nasofaringe positiva para Staphylococcus aureus. Qual o diagnóstico e o tratamento?
Eritema doloroso com descolamento superficial, crostas periorificiais radiadas, Nikolsky positivo, poupando mucosas, com bolhas estéreis e foco estafilocócico à distância, define a síndrome da pele escaldada estafilocócica, mediada por toxina esfoliativa e tratada com antibiótico antiestafilocócico sistêmico e cuidados de suporte. A necrólise epidérmica tóxica acomete gravemente as mucosas e decorre de fármaco, com clivagem na junção dermoepidérmica. A doença de Kawasaki exige febre por cinco dias com critérios como conjuntivite não exsudativa e alterações de extremidades, sem descolamento em lençol. O pênfigo vulgar é raro na infância e cursa com acometimento mucoso e acantólise suprabasal. Queimadura acidental teria distribuição localizada e história compatível, além de não produzir crostas periorificiais radiadas.
Homem, 72 anos, acamado e com demência avançada, é levado por prurido intenso e lesões cutâneas há 2 meses. Exame: placas hiperceratóticas espessas e fissuradas em mãos, pés, cotovelos e couro cabeludo, com descamação abundante; unhas espessadas e distróficas. Vários cuidadores da instituição apresentam prurido. Raspado cutâneo com hidróxido de potássio: incontáveis ácaros e ovos em campo microscópico. Qual o diagnóstico e a conduta?
Placas hiperceratóticas com descamação abundante e carga parasitária maciça em paciente debilitado, com surto de prurido entre cuidadores, define escabiose crostosa, altamente contagiosa, tratada com ivermectina oral em doses repetidas associada a escabicida tópico, tratamento de contactantes e medidas de isolamento e desinfecção ambiental. A psoríase palmoplantar não apresenta ácaros ao raspado nem contágio de cuidadores. A dermatite seborreica cursa com descamação untuosa em áreas seborreicas, sem hiperceratose maciça e sem parasitas. O eczema asteatótico produz pele seca com fissuras em padrão de porcelana rachada, sem ácaros. A tinha teria hifas ao exame micológico, e não ácaros e ovos.
Lactente, 4 meses, apresenta há 3 semanas irritabilidade e lesões cutâneas, com piora noturna e choro persistente. Exame: pápulas eritematosas, vesículas e pústulas em palmas, plantas, couro cabeludo e face, além de nódulos eritematosos em axilas e região inguinal. A mãe e o irmão de 6 anos apresentam prurido intenso, com lesões em punhos e interdígitos. Raspado cutâneo confirma a presença do ácaro. Qual a conduta adequada para o lactente e a família?
Na escabiose do lactente, o acometimento de palmas, plantas, couro cabeludo e face é característico e o tratamento é a permetrina tópica aplicada nessas áreas também, com tratamento simultâneo de todos os contactantes e higienização de roupas e roupas de cama. A ivermectina oral não é recomendada em lactentes de baixo peso e idade, e deixar os contactantes sem tratamento garante a reinfestação. O corticoide isolado alivia o prurido sem eliminar o ácaro e mantém a transmissão. O antibiótico trata apenas infecção secundária, não a parasitose. Isolar sem tratar não elimina o parasita e prolonga o sofrimento da criança.
Menina, 9 anos, apresenta há 1 mês prurido intenso no couro cabeludo, sobretudo nas regiões occipital e retroauricular, com escoriações e pequenas crostas. Colegas da escola apresentam queixa semelhante. Exame: lêndeas firmemente aderidas às hastes dos cabelos próximas ao couro cabeludo e alguns parasitas móveis visíveis; linfonodos cervicais posteriores discretamente aumentados, sem sinais flogísticos. Qual a conduta adequada?
Na pediculose da cabeça, o tratamento é o pediculicida tópico, como a permetrina, com repetição após 7 a 10 dias para atingir as ninfas eclodidas de lêndeas não destruídas na primeira aplicação, associada à remoção mecânica com pente fino e ao exame dos contactantes. O corticoide tópico apenas reduz o prurido sem eliminar os parasitas. O cetoconazol trata dermatite seborreica e não tem ação pediculicida. Antibiótico sistêmico só se justifica em impetiginização secundária, e a adenomegalia é reacional. Raspar o couro cabeludo é medida desnecessária e estigmatizante, havendo tratamentos eficazes e simples disponíveis.
Homem, 24 anos, apresenta há 3 dias pápulas e pústulas eritematosas foliculares, pruriginosas, distribuídas no tronco e nas coxas, poupando as áreas cobertas pela sunga. Refere ter frequentado uma banheira de hidromassagem coletiva 48 horas antes. Nega febre e mal-estar significativos. Exame: pústulas foliculares monomorfas em áreas que estiveram submersas. Cultura das pústulas: crescimento de Pseudomonas aeruginosa. Qual a conduta?
A foliculite por Pseudomonas aeruginosa relacionada a banheiras e piscinas mal cloradas é autolimitada em imunocompetentes, resolvendo em 7 a 14 dias com sintomáticos, e a distribuição poupando a área da sunga é característica. Antibiótico antiestafilocócico não cobre o agente identificado e é desnecessário. A isotretinoína trata acne grave e não tem qualquer papel nessa foliculite infecciosa. O corticoide imunossupressor é contraindicado em quadro infeccioso. A antibioticoterapia endovenosa é reservada a imunossuprimidos ou a quadros graves e sistêmicos, ausentes em paciente afebril e em bom estado geral.
Menino, 7 anos, em situação de vulnerabilidade social, apresenta há 3 semanas múltiplas lesões nas pernas que começaram como pústulas e evoluíram para úlceras de 1 a 2 cm, com crostas espessas e aderentes, bordas elevadas e violáceas, deixando cicatriz ao cicatrizarem. Refere prurido prévio por picadas de insetos. Exame: úlceras rasas com fundo purulento e crostas em pernas e nádegas. Cultura: Streptococcus pyogenes. Qual o diagnóstico e a conduta?
Lesões ulceradas com crostas espessas e aderentes que atingem a derme e deixam cicatriz, com cultura positiva para Streptococcus pyogenes, caracterizam ectima, forma profunda de piodermite que exige antibioticoterapia sistêmica e cuidados locais, além de atenção ao risco de glomerulonefrite pós-estreptocócica. O impetigo não bolhoso é superficial, com crostas melicéricas e sem cicatriz, podendo ser tratado topicamente quando localizado. A leishmaniose produz úlcera indolor de bordas em moldura e cultura bacteriana negativa. O pioderma gangrenoso apresenta bordas violáceas escavadas, dor desproporcional e culturas negativas, e o corticoide seria desastroso em infecção bacteriana. A escabiose crostosa cursa com hiperceratose e carga maciça de ácaros.
Homem, 50 anos, apresenta há 4 dias nódulo doloroso, quente e eritematoso na nuca, com aumento progressivo, evoluindo com múltiplos pontos de drenagem purulenta na superfície e área central endurecida. T 38,3 °C. Diabético com hemoglobina glicada de 9,6% (VR até 5,7). Exame: placa infiltrada de 6 cm com vários orifícios drenando pus e necrose central; sem crepitação, sem bolhas hemorrágicas e sem instabilidade hemodinâmica. Qual o diagnóstico e a conduta?
Conglomerado de furúnculos com múltiplos pontos de drenagem e necrose central em nuca de diabético descompensado é o antraz estafilocócico, ou carbúnculo, tratado com drenagem cirúrgica, antibiótico sistêmico antiestafilocócico e controle glicêmico. A fasciíte necrosante cursa com dor desproporcional, bolhas hemorrágicas, crepitação e instabilidade, expressamente ausentes. A hidradenite supurativa acomete dobras com fístulas crônicas e cordões cicatriciais, e não abscesso agudo único em nuca. O cisto epidérmico inflamado tem orifício único com material caseoso e não forma múltiplos pontos de drenagem com necrose. A miíase apresenta orifício único com larva e sensação de movimentação.
Mulher, 62 anos, com linfedema crônico de membro inferior esquerdo, apresenta há 2 dias febre alta, calafrios e área eritematosa de bordas bem delimitadas e elevadas na perna esquerda, dolorosa e quente. T 39 °C, PA 118/72 mmHg, FC 104 bpm. Leucócitos de 17.000/mm³ com desvio à esquerda. Não há flutuação, crepitação, necrose cutânea ou dor desproporcional ao exame. Qual a conduta mais adequada?
A erisipela, com placa eritematosa de bordas bem delimitadas e febre, é causada predominantemente por estreptococo e tratada com antibioticoterapia dirigida, repouso com elevação do membro e cuidados com a pele, incluindo tratamento de porta de entrada. O desbridamento de urgência é indicado na fasciite necrosante, cujos sinais de alarme estão ausentes. A compressão de alta pressão na fase aguda é dolorosa e geralmente adiada até a melhora inflamatória. O corticoide isolado não trata a infecção. A anticoagulação não tem indicação sem trombose documentada.
Mulher, 64 anos, com linfedema crônico de membro inferior, apresentou quatro episódios de erisipela no último ano, cada um com febre e placa eritematosa dolorosa, todos tratados com antibiótico. PA 126/78 mmHg, FC 76 bpm, afebril no momento. Ao exame, edema duro com espessamento cutâneo, sem lesão aguda, com micose interdigital e fissuras nos espaços entre os dedos. Qual conduta reduz a recorrência dos episódios infecciosos?
A prevenção de erisipelas de repetição no linfedema depende de eliminar portas de entrada, como micose e fissuras interdigitais, manter cuidados rigorosos com a pele e a terapia compressiva, considerando antibioticoprofilaxia nos casos de recorrência frequente. Suspender a compressão agrava o edema e o risco infeccioso. A linfadenectomia piora a drenagem linfática. A corticoterapia contínua aumenta a suscetibilidade a infecções. O diurético contínuo é ineficaz no linfedema e causa depleção volêmica.
Mulher, 31 anos, apresenta há 4 semanas prurido genital intenso, pior à noite, com pápulas e escoriações em região púbica, nádegas e face interna das coxas, além de nódulos avermelhados persistentes em grandes lábios. O parceiro tem prurido semelhante. Exame: túneis lineares em punhos e interdígitos, pápulas escoriadas na região genital e nódulos eritematosos vulvares. Raspado cutâneo confirma a presença do ácaro. Qual a conduta adequada?
A escabiose com acometimento genital, confirmada pelo raspado, é tratada com escabicida tópico aplicado em todo o corpo — ou ivermectina oral —, com tratamento simultâneo de todos os contatos íntimos e domiciliares e higienização de roupas e roupas de cama, para evitar reinfestação. O corticoide isolado alivia o prurido, mas não elimina o ácaro e cronifica o quadro. O antibiótico trata apenas impetiginização secundária. O antifúngico não tem ação sobre ectoparasitas. Tratar somente o parceiro deixa a paciente infestada e mantém o ciclo de reinfestação.
Mulher, 24 anos, refere lesões dolorosas recorrentes em região púbica e grandes lábios após depilação com lâmina, com pápulas e pústulas centradas em folículos e pelos encravados. Nega febre, corrimento e úlceras. Exame: pústulas foliculares e pápulas eritematosas na área depilada, algumas com pelo visível no interior, sem trajetos fistulosos e sem cordões cicatriciais. Cultura de uma pústula: Staphylococcus aureus sensível à oxacilina. Qual a conduta mais adequada?
Pústulas foliculares com pelos encravados após depilação com lâmina, com cultura positiva para Staphylococcus aureus, caracterizam foliculite vulvar bacteriana, tratada com antibiótico tópico ou oral conforme a extensão, associado à mudança da técnica de depilação e a cuidados locais. O antifúngico trata foliculite fúngica, incompatível com a cultura bacteriana. O corticoide potente contínuo favorece infecção e atrofia. O aciclovir supressivo trata herpes genital recorrente, que cursa com vesículas e úlceras agrupadas. A exérese ampla é conduta desproporcional e mutilante para condição benigna e tratável clinicamente.
Menino, 8 anos, apresenta há 4 dias febre e dor em membro inferior esquerdo, com edema e hiperemia em face lateral da coxa, sem porta de entrada evidente. T 38,9 °C, FC 128 bpm. A área acometida é dolorosa, quente, com bordas mal definidas e sem flutuação. Leucócitos 16.400/mm³ (VR 5.000–15.000); PCR 130 mg/L (VR < 5). O ultrassom não mostra coleção e a radiografia não evidencia alterações ósseas até o momento da avaliação. Qual a conduta indicada?
Celulite com repercussão sistêmica e provas inflamatórias elevadas, sem coleção ao ultrassom, é tratada com antibioticoterapia venosa cobrindo estafilococo e estreptococo, com reavaliação seriada para identificar formação de abscesso ou evolução para osteomielite. A drenagem cirúrgica não tem alvo sem coleção documentada. O corticoide não trata a infecção e pode mascarar a progressão. Compressas e analgesia com alta são insuficientes em criança febril com celulite extensa. O antifúngico empírico não tem indicação em infecção de partes moles com agentes bacterianos como causa esperada.
Menina, 8 anos, apresenta há 2 dias febre e lesões cutâneas eritematosas, dolorosas, com bordas bem delimitadas e elevadas em face, associadas a edema local e linfonodomegalia regional. T 38,7 °C, FC 118 bpm. A lesão progride rapidamente e há discreta descamação superficial. Leucócitos 15.800/mm³ (VR 5.000–15.000); PCR 120 mg/L (VR < 5). Não há sinais de comprometimento sistêmico grave nem instabilidade hemodinâmica. Qual o diagnóstico e o tratamento indicado?
Lesão eritematosa com bordas bem delimitadas e elevadas, dolorosa, de progressão rápida e com linfonodomegalia regional, caracteriza erisipela, infecção dermo-hipodérmica superficial geralmente estreptocócica, tratada com antibiótico dirigido a esse agente. A infecção necrosante cursa com dor desproporcional, bolhas violáceas, crepitação e toxemia, ausentes aqui. A dermatite atópica não causa febre, leucocitose e elevação acentuada da proteína C reativa. O herpes-zóster produz vesículas agrupadas com distribuição em dermátomo. O lúpus cutâneo agudo apresenta eritema malar fotossensível, sem febre alta com marcadores inflamatórios bacterianos e progressão em dois dias.
Menina, 5 anos, apresenta lesões cutâneas em membros inferiores há 2 semanas, com pústulas que evoluem para úlceras rasas cobertas por crosta espessa e aderente, com bordas elevadas e violáceas. Vive em condições precárias de higiene e teve infestação por escabiose recentemente. Não há febre nem comprometimento do estado geral. As lesões são dolorosas e deixam cicatriz ao cicatrizar, segundo o relato da família. Qual o diagnóstico e o tratamento indicado?
Úlceras rasas com crosta espessa aderente e bordas elevadas, que deixam cicatriz, caracterizam ectima, forma profunda de piodermite que atinge a derme e exige antibioticoterapia sistêmica associada a cuidados locais e tratamento da escabiose predisponente. O impetigo não bolhoso é superficial, com crostas melicéricas, cicatriza sem cicatriz e pode ser tratado topicamente quando localizado. O herpes simples produz vesículas agrupadas recorrentes no mesmo local. A leishmaniose tegumentar produz úlcera única indolor com bordas em moldura e fundo granuloso, em contexto epidemiológico específico. A dermatite de contato não forma úlceras com crosta aderente e cicatriz.
Menina, 7 anos, apresenta prurido intenso no couro cabeludo há 3 semanas, com piora noturna, e há duas colegas da escola com queixa semelhante. FC 88 bpm, T 36,5 °C. Ao exame, encontram-se lêndeas aderidas à haste dos cabelos próximo ao couro cabeludo e formas móveis à inspeção, além de escoriações na região occipital, sem secreção purulenta e sem adenomegalia dolorosa. Qual a conduta indicada?
Permetrina tópica com repetição após sete dias e remoção mecânica das lêndeas é a conduta indicada: o intervalo entre as aplicações cobre os ovos que eclodem depois da primeira dose, e a retirada com pente fino reduz a recidiva. O cetoconazol trata dermatofitose, não infestação por piolhos, e o corte dos cabelos é desnecessário. A ivermectina para toda a escola sem triagem é medida desproporcional. O corticoide tópico alivia prurido, mas não elimina o parasita. O antibiótico sistêmico é indicado apenas se houver impetiginização secundária, ausente neste caso.
Menino, 12 anos, com paralisia cerebral e uso crônico de corticoide, apresenta lesões descamativas espessas e generalizadas há 2 meses, com crostas em mãos, pés e couro cabeludo. O prurido é discreto. FC 96 bpm, T 37,2 °C. Três cuidadores da instituição apresentaram prurido intenso recentemente. O exame direto das escamas mostra numerosos ácaros e ovos. Leucócitos 12.100/mm³ (VR 4.000–11.000), com eosinofilia. Qual a conduta indicada?
Ivermectina oral em doses repetidas com escabicida tópico e tratamento dos contatos é a conduta indicada: a escabiose crostosa ocorre em imunossuprimidos, tem carga parasitária altíssima e transmissibilidade elevada, o que explica os cuidadores sintomáticos e exige terapia combinada. A permetrina em aplicação única é insuficiente diante das crostas espessas que protegem os ácaros. O corticoide tópico isolado agrava a infestação. O antibiótico sistêmico trata apenas eventual infecção secundária. O antifúngico não atua sobre ácaros, e o exame direto já demonstrou o parasita.
Menino, 6 anos, apresenta lesões cutâneas na face há 5 dias, iniciadas como vesículas que romperam formando crostas melicéricas ao redor do nariz e da boca. Nega febre. FC 92 bpm, T 36,6 °C. Ao exame, há quatro lesões crostosas de 1 a 2 cm, sem celulite ao redor, sem adenomegalia dolorosa e sem acometimento de outras regiões do corpo. A criança está em bom estado geral e frequenta a escola normalmente. Qual a conduta indicada?
Antibiótico tópico com mupirocina, higiene e afastamento temporário é a conduta indicada: impetigo localizado, com poucas lesões e sem sinais sistêmicos, responde ao tratamento tópico, e as medidas de higiene reduzem a transmissão entre contatos. O antibiótico oral se reserva a lesões numerosas, extensas ou com celulite associada, não sendo obrigatório em toda forma da doença. O corticoide com antifúngico não trata a infecção bacteriana. A internação com antibiótico venoso é desproporcional em criança em bom estado geral. A penicilina benzatina não previne a complicação renal, que é a de fato associada às piodermites.
Mulher, 62 anos, obesa e com insuficiência venosa crônica, apresenta há 2 dias placa eritematosa quente e dolorosa em perna direita, de bordas elevadas e bem delimitadas, com progressão rápida. T 38,4 graus Celsius, PA 126x78 mmHg, FC 96 bpm. Há linfangite ascendente e adenomegalia inguinal dolorosa. Não há flutuação, crepitação, bolhas hemorrágicas ou dor desproporcional. Ela relata dois episódios semelhantes no último ano. Qual a conduta indicada?
A penicilina ou cefalosporina de primeira geração com elevação do membro é o tratamento da erisipela, cujo agente predominante é o estreptococo beta-hemolítico, reconhecida pelas bordas elevadas e bem delimitadas com linfangite. A vancomicina empírica é reservada a suspeita de estafilococo resistente à oxacilina, como em abscessos ou uso recente de dispositivos. O desbridamento cirúrgico se aplicaria à fasciíte necrotizante, afastada pela ausência de dor desproporcional, crepitação e bolhas hemorrágicas. O anti-inflamatório isolado não trata a infecção bacteriana em curso. A anticoagulação plena trataria trombose venosa profunda, que não cursa com placa de bordas nítidas, febre alta e linfangite.
Menino de 9 anos, com escoriações prévias em membros inferiores, apresenta há 12 dias lesões ulceradas com bordas elevadas e crostas espessas aderentes, com cerca de 2 cm, em perna direita. Está afebril, T 36,7 graus Celsius, em bom estado geral. Há eritema perilesional discreto, sem linfangite, sem adenomegalia dolorosa e sem sinais sistêmicos de infecção. As lesões deixam área deprimida ao remover a crosta. Qual o diagnóstico e o tratamento?
O ectima é o diagnóstico, forma ulcerada e mais profunda da piodermite estreptocócica ou estafilocócica, com crosta espessa aderente e ulceração que atinge a derme, exigindo antibiótico sistêmico e cuidados locais. O impetigo bolhoso é superficial, com bolhas flácidas e crostas melicéricas, e o tratamento tópico isolado seria insuficiente aqui. A leishmaniose cutânea tem úlcera indolor de bordas em moldura, com evolução mais arrastada e epidemiologia de área de mata. O pioderma gangrenoso apresenta bordas violáceas e associação com doenças sistêmicas. A úlcera de estase ocorre em adultos com insuficiência venosa crônica.
Mulher, 36 anos, apresenta lesão dolorosa em região glútea há 5 dias, com aumento progressivo. Exame: T 37,8 °C, lesão de 5 cm, eritematosa, quente, com flutuação central evidente e área de amolecimento, sem crepitação, sem necrose cutânea e sem sinais sistêmicos de sepse. Ultrassonografia confirma coleção líquida organizada no subcutâneo. Não é diabética e não apresenta imunossupressão conhecida. Qual a conduta mais adequada?
O tratamento do abscesso é a drenagem, princípio cirúrgico clássico, realizada com incisão adequada, quebra de loculações e curativo, sendo o antibiótico indicado em situações como celulite extensa associada, sinais sistêmicos, imunossupressão, localização de risco ou falha da drenagem isolada. A antibioticoterapia oral isolada não resolve coleção organizada e prolonga o quadro. Compressas mornas com observação por mais uma semana retardam o tratamento e aumentam o risco de extensão da infecção. A punção aspirativa com agulha fina tem alta taxa de recidiva por não permitir a quebra de loculações nem a drenagem contínua. O corticoide intralesional agrava a infecção ao reduzir a resposta imune local.
Mulher, 58 anos, obesa, com insuficiência venosa crônica, apresenta lesão em perna direita há 2 dias. Exame: T 38,2 °C, FC 96 bpm, PA 128x78 mmHg, placa eritematosa bem delimitada, com bordas elevadas e nítidas, quente e dolorosa, acometendo o terço distal da perna, sem flutuação, sem crepitação, sem necrose e sem bolhas hemorrágicas. Presença de intertrigo interdigital com fissuras nos pododáctilos. Qual a conduta mais adequada?
Placa eritematosa bem delimitada com bordas elevadas e nítidas, febre e porta de entrada por intertrigo interdigital caracteriza erisipela, infecção dermo-hipodérmica geralmente estreptocócica, tratada com antibiótico com boa cobertura para estreptococo, associado a elevação do membro e, fundamentalmente, ao tratamento da porta de entrada, que previne recorrências. O desbridamento cirúrgico é reservado a infecção necrosante, afastada pela ausência de dor desproporcional, crepitação, bolhas hemorrágicas e instabilidade. O corticoide sistêmico não trata a infecção. O antifúngico isolado trata o intertrigo, mas deixa a infecção bacteriana sem cobertura. Elevação e compressão são adjuvantes, insuficientes como tratamento isolado de infecção com repercussão sistêmica.
Homem, 26 anos, apresenta há 8 meses episódios recorrentes de nódulos dolorosos com ponto central purulento em nádegas e coxas, cerca de um por mês, com drenagem espontânea. Está afebril, sem comorbidades conhecidas, com glicemia de jejum normal e sem imunossupressão. Ao exame há lesões em diferentes estágios, algumas cicatriciais, sem celulite extensa ou repercussão sistêmica no momento. Qual a conduta mais adequada?
A drenagem das lesões flutuantes associada a medidas de descolonização e higiene, incluindo cuidados com toalhas, roupas e contatos domiciliares, é a conduta mais adequada na furunculose de repetição. A antibioticoterapia contínua por meses seleciona resistência e não trata o reservatório. A corticoterapia agrava a infecção. A excisão ampla é mutilante e desnecessária como conduta inicial. Observar sem medidas perpetua o ciclo de recorrências e o risco de complicações locais.
Homem, 72 anos, institucionalizado, em uso crônico de prednisona, apresenta lesões descamativas espessas e crostosas generalizadas há 2 meses, com prurido leve e acometimento de couro cabeludo, palmas e leito ungueal. Temperatura axilar 36,7 °C, frequência cardíaca 84 bpm. Vários funcionários e outros residentes desenvolveram prurido intenso nas últimas semanas. Raspado cutâneo mostra numerosos ácaros e ovos. Qual a conduta?
Lesões crostosas generalizadas com altíssima carga parasitária em idoso imunossuprimido, com surto entre contatos, definem escabiose crostosa, altamente contagiosa; o tratamento combina ivermectina oral em doses repetidas com escabicida tópico, além de isolamento de contato, tratamento simultâneo de todos os contatos e desinfecção ambiental. Permetrina em dose única sem tratar contatos perpetua o surto. Corticoide tópico agrava a proliferação do ácaro ao suprimir a resposta local. Antibiótico isolado trataria apenas infecção bacteriana secundária, sem eliminar o parasito. A fototerapia não tem qualquer papel no tratamento da escabiose.
Lactente de 18 dias apresenta há 2 dias eritema difuso doloroso iniciado em região periorificial, com formação de bolhas flácidas e descolamento superficial da pele ao atrito leve. FC 168 bpm, FR 56 ipm, T 38,3 °C, irritado e com recusa alimentar. Ausência de acometimento de mucosas. Leucócitos 19.000/mm3 (VR 9.000 a 30.000); proteína C reativa 68 mg/L (VR até 5). Cultura de secreção conjuntival cresce Staphylococcus aureus. Qual a conduta mais adequada?
O antibiótico antiestafilocócico endovenoso associado a cuidados de suporte, com controle de dor, hidratação e manejo cuidadoso da pele, é o tratamento da síndrome da pele escaldada estafilocócica, mediada por toxina esfoliativa, com sinal de Nikolsky positivo e mucosas poupadas. O corticosteroide sistêmico não é indicado e pode agravar a infecção. O aciclovir se destina ao herpes neonatal, que cursa com vesículas agrupadas e frequente acometimento sistêmico ou de mucosas. Emolientes isolados deixariam sem tratamento uma infecção bacteriana com repercussão sistêmica. A imunoglobulina isolada não substitui a antibioticoterapia dirigida ao foco estafilocócico.
Lactente de 11 meses apresenta febre e eritema difuso iniciado em face e pescoço há 2 dias, evoluindo com descolamento superficial da pele à mínima fricção e formação de bolhas flácidas. Temperatura axilar 38,7 °C, frequência cardíaca 156 bpm. Mucosas oral e conjuntival preservadas. Havia impetigo periorificial na semana anterior. Sinal de Nikolsky positivo. Qual o diagnóstico e a conduta?
Eritema difuso com descolamento superficial, bolhas flácidas, sinal de Nikolsky positivo, mucosas poupadas e foco estafilocócico prévio caracterizam a síndrome da pele escaldada estafilocócica, mediada por toxina esfoliativa; o tratamento é antimicrobiano antiestafilocócico endovenoso, hidratação e cuidados de barreira. A necrólise epidérmica tóxica acomete intensamente as mucosas e relaciona-se a fármacos, com necrose de toda a epiderme. A doença de Kawasaki cursa com febre por cinco dias, conjuntivite não purulenta, alterações de extremidades e lábios, sem Nikolsky positivo. A escarlatina produz exantema micropapular áspero sem descolamento, e não justificaria alta imediata. O pênfigo vulgar é raro na infância e acomete mucosas de forma proeminente.
Homem, 28 anos, apresenta lesão dolorosa em região glútea há 5 dias, com aumento progressivo. PA 124x78 mmHg, FC 84 bpm, T 37,4 °C. Nódulo de 4 cm, eritematoso, quente, com flutuação central evidente e sem celulite extensa ao redor. Não é diabético nem imunossuprimido. Leucócitos 10.200/mm³ (VR 4.000-11.000). Sobre o manejo desse abscesso cutâneo, assinale a alternativa correta.
A incisão e drenagem constituem o tratamento principal do abscesso cutâneo com flutuação, e o antimicrobiano é reservado a celulite extensa associada, sinais sistêmicos, imunossupressão, localização de risco ou falha da drenagem. Antibiótico oral isolado não esteriliza coleção purulenta sob pressão. A punção aspirativa é insuficiente para abscessos maiores, com alta taxa de recorrência por drenagem incompleta. A cultura não é obrigatória em abscesso simples de paciente hígido, sendo indicada em casos graves, recorrentes ou em imunossuprimidos. Corticoide tópico não trata infecção purulenta e pode piorar a evolução local.
Homem, 64 anos, diabético com neuropatia periférica, apresenta úlcera plantar crônica e, há 3 dias, febre com celulite ascendente em perna direita. PA 104x62 mmHg, FC 112 bpm, T 38,8 °C. Eritema quente e doloroso do pé até o terço médio da perna, sem crepitação nem bolhas. Leucócitos 17.500/mm³ (VR 4.000-11.000); glicemia 320 mg/dL. Hemocultura com Streptococcus agalactiae. Qual a conduta?
O Streptococcus agalactiae é causa reconhecida de infecção invasiva de pele e partes moles em adultos diabéticos, e a conduta é internação com penicilina ou ampicilina endovenosa, controle glicêmico e avaliação do foco na úlcera plantar, incluindo pesquisa de osteomielite. Antibiótico tópico isolado não trata bacteremia com celulite ascendente. A vancomicina é alternativa para alérgicos, mas não é o único antimicrobiano ativo, e o agente é habitualmente sensível a betalactâmicos. Corticoide não trata a infecção e agrava o controle glicêmico. A amputação primária não é conduta padrão diante de celulite tratável clinicamente.
Mulher de 26 anos apresenta prurido noturno intenso com pápulas nos punhos e espaços interdigitais. Seu companheiro também começou a coçar; são vistos pequenos trajetos lineares na pele. Qual é o diagnóstico mais provável?
Prurido noturno, distribuição típica, túneis e casos em contatos favorecem escabiose. Referência: https://www.cdc.gov/scabies/about/index.html
Mulher de 26 anos apresenta prurido noturno intenso com pápulas nos punhos e espaços interdigitais. Seu companheiro também começou a coçar; são vistos pequenos trajetos lineares na pele. Qual mecanismo explica melhor o quadro?
O ácaro escava a camada córnea e seus produtos desencadeiam prurido. Referência: https://www.cdc.gov/scabies/about/index.html
Mulher de 26 anos apresenta prurido noturno intenso com pápulas nos punhos e espaços interdigitais. Seu companheiro também começou a coçar; são vistos pequenos trajetos lineares na pele. Qual intervenção dirigida à causa é a mais adequada entre as opções?
Tratar apenas a pessoa sintomática favorece reinfestação; prurido pode persistir após erradicação. Referência: https://www.cdc.gov/scabies/about/index.html
Mulher de 26 anos apresenta prurido noturno intenso com pápulas nos punhos e espaços interdigitais. Seu companheiro também começou a coçar; são vistos pequenos trajetos lineares na pele. Qual achado complementar favorece especificamente essa hipótese?
A demonstração parasitológica confirma a infestação, embora resultado negativo isolado não a exclua. Referência: https://www.cdc.gov/scabies/about/index.html
Família apresenta prurido noturno simultâneo, com pápulas e sulcos nas mãos e punhos de vários membros. Qual hipótese é mais provável?
A transmissão entre contatos favorece escabiose. Prurido noturno, lesões em locais típicos e contatos com sintomas semelhantes favorecem infestação por Sarcoptes scabiei. Referência: https://www.cdc.gov/scabies/about/index.html
Paciente tem prurido intenso à noite, sulcos interdigitais e familiares que começaram a coçar no mesmo período. Qual hipótese é mais provável?
O padrão epidemiológico e os sulcos sugerem escabiose. Prurido noturno, lesões em locais típicos e contatos com sintomas semelhantes favorecem infestação por Sarcoptes scabiei. Referência: https://www.cdc.gov/scabies/about/index.html
Morador de instituição apresenta pápulas pruriginosas em punhos e espaços interdigitais, com surtos semelhantes entre contatos. Qual hipótese é mais provável?
A distribuição e a transmissão favorecem escabiose. Prurido noturno, lesões em locais típicos e contatos com sintomas semelhantes favorecem infestação por Sarcoptes scabiei. Referência: https://www.cdc.gov/scabies/about/index.html
Paciente apresenta coceira noturna e lesões em genitais e punhos, com parceiro sintomático e identificação do ácaro em raspado. Qual hipótese é mais provável?
A identificação confirma escabiose. Prurido noturno, lesões em locais típicos e contatos com sintomas semelhantes favorecem infestação por Sarcoptes scabiei. Referência: https://www.cdc.gov/scabies/about/index.html
Comparando adulto e lactente no desenho, qual diferença de distribuição da escabiose deve ser lembrada?

Esses sítios são relevantes na avaliação infantil.
Adulto com prurido noturno e contatos domiciliares sintomáticos apresenta lesões nas áreas assinaladas. Qual hipótese é favorecida?

Punhos, espaços interdigitais, cintura e região genital são sítios típicos.
Na investigação de contatos de escabiose, um familiar pergunta se alguém recém-infestado, ainda sem prurido, pode participar da cadeia de transmissão. Qual esclarecimento está correto?
Na primeira infestação, os sintomas podem demorar semanas, e a pessoa já pode transmitir o ácaro nesse intervalo. Referência: CDC. About Scabies (2024). https://www.cdc.gov/scabies/about/index.html
Duas crianças apresentam impetigo não bolhoso com crostas melicéricas semelhantes. Em uma, a cultura identifica estreptococo; na outra, estafilococo. O que esse exemplo demonstra?
Impetigo não bolhoso pode ser causado por S. aureus, S. pyogenes ou ambos, com apresentações clínicas sobrepostas. Referência: CDC. Clinical Guidance for Group A Streptococcal Impetigo (2025). https://www.cdc.gov/group-a-strep/hcp/clinical-guidance/impetigo.html
Ao comparar impetigo bolhoso e não bolhoso, o residente deve reconhecer a diferença etiopatogênica entre as formas. Qual associação explica a formação de bolhas no impetigo bolhoso?
A forma bolhosa está associada a cepas de S. aureus produtoras de toxinas que comprometem a adesão epidérmica. Referência: CDC. Clinical Guidance for Group A Streptococcal Impetigo (2025). https://www.cdc.gov/group-a-strep/hcp/clinical-guidance/impetigo.html
Uma prescrição de loção de malationa inclui orientação para evitar secador, chapinha e chamas durante a aplicação e enquanto o cabelo permanece molhado pelo produto. Qual risco fundamenta essa instrução?
A loção de malationa é inflamável; fontes de calor e chama podem causar queimaduras durante o uso. Referência: CDC. Clinical Care of Head Lice (2025). https://www.cdc.gov/lice/hcp/clinical-care/index.html
Alguns esquemas tópicos para pediculose capilar preveem uma segunda aplicação após o intervalo recomendado para o produto. Qual característica biológica fundamenta essa repetição?
Produtos sem ação ovicida suficiente podem exigir reaplicação para atingir os piolhos recém-eclodidos antes de nova oviposição. Referência: CDC. Clinical Care of Head Lice (2025). https://www.cdc.gov/lice/hcp/clinical-care/index.html
Em uma atividade educativa sobre pediculose capilar, é necessário explicar por que brincadeiras com contato entre as cabeças favorecem a disseminação. Qual descrição é correta?
O contato direto entre os cabelos é a principal via de transmissão; piolhos não saltam nem voam. Referência: CDC. About Head Lice (2024). https://www.cdc.gov/lice/about/head-lice.html
Após tratamento de pediculose, a inspeção cuidadosa e o pente fino não encontram ninfas nem adultos. Restam algumas lêndeas a dois centímetros do couro cabeludo. Qual interpretação é mais adequada?
Lêndeas distantes do couro cabeludo frequentemente representam ovos já eclodidos ou mortos; formas vivas são evidência mais forte de atividade. Referência: CDC. About Head Lice (2024). https://www.cdc.gov/lice/about/head-lice.html
Ao revisar opções para escabiose em lactentes com menos de dois meses, a equipe procura uma formulação tópica que possa ser utilizada nessa faixa etária. Qual opção atende a esse requisito?
O enxofre nessa base é uma opção tópica para lactentes, inclusive menores de dois meses, com prescrição e orientação de uso. Referência: CDC. Clinical Care of Scabies (2023). https://www.cdc.gov/scabies/hcp/clinical-care/index.html
No manejo da escabiose crostosa, pode ser acrescentado um queratolítico ao tratamento escabicida. Qual é a finalidade específica dessa medida nas placas espessas?
O queratolítico reduz a espessura das crostas e facilita o acesso do escabicida à área infestada. Referência: CDC. Clinical Care of Scabies (2023). https://www.cdc.gov/scabies/hcp/clinical-care/index.html
Uma pessoa que teve escabiose anteriormente desenvolve prurido poucos dias após uma nova exposição, enquanto um contato sem história prévia demora semanas para manifestar sintomas. O que explica essa diferença?
Na reinfestação, a resposta a antígenos do ácaro pode surgir mais rapidamente devido à sensibilização prévia. Referência: CDC. Symptoms of Scabies (2024). https://www.cdc.gov/scabies/signs-symptoms/index.html
Na revisão histórica dos escabicidas, discute-se por que o lindano perdeu espaço para opções mais seguras, sobretudo em pessoas com maior absorção cutânea. Qual toxicidade é central nessa restrição?
A absorção excessiva ou o uso inadequado de lindano pode lesar o sistema nervoso e provocar convulsões. Referência: CDC. Clinical Care of Scabies (2023). https://www.cdc.gov/scabies/hcp/clinical-care/index.html
Uma pessoa adulta recebe diagnóstico de pediculose pubiana adquirida em contexto de contato sexual. Além do tratamento da infestação e da abordagem dos contatos, qual avaliação é pertinente?
A forma de aquisição justifica avaliar outras ISTs, embora o piolho pubiano não seja, por si, vetor delas. Referência: CDC. About Pubic Lice (2024). https://www.cdc.gov/lice/about/pubic-lice.html
Além de provocar prurido, a pediculose corporal tem importância epidemiológica pela transmissão de alguns agentes. Qual bactéria está classicamente associada a esse vetor?
O piolho corporal é vetor de Bartonella quintana, agente da febre das trincheiras. Referência: CDC. About Body Lice (2024). https://www.cdc.gov/lice/about/body-lice.html
Confirmada pediculose corporal, a equipe organiza o cuidado de uma pessoa sem acesso regular a água e troca de roupa. Qual intervenção enfrenta diretamente o principal reservatório da infestação?
O cuidado das roupas e o acesso à higiene são centrais, pois o piolho corporal vive e deposita ovos principalmente nas vestimentas. Referência: CDC. About Body Lice (2024). https://www.cdc.gov/lice/about/body-lice.html
Uma pessoa em situação de rua apresenta prurido no tronco e escoriações, com suspeita de pediculose corporal. Qual local deve ser examinado com especial atenção para encontrar ovos e parasitos?
Os piolhos do corpo e seus ovos são encontrados principalmente nas roupas, especialmente nas costuras. Referência: CDC. About Body Lice (2024). https://www.cdc.gov/lice/about/body-lice.html
Durante o tratamento de impetigo, orienta-se manter as lesões cobertas quando possível e evitar compartilhar toalhas. Qual objetivo imediato fundamenta a cobertura das lesões?
A cobertura ajuda a limitar o contato com material infectante e a autoinoculação. Referência: CDC. Clinical Guidance for Group A Streptococcal Impetigo (2025). https://www.cdc.gov/group-a-strep/hcp/clinical-guidance/impetigo.html
Após tratamento adequado da escabiose, com manejo dos contatos, uma pessoa apresenta melhora das lesões, ausência de novos sulcos e prurido residual no décimo dia. Qual mecanismo pode explicar a coceira?
A reação inflamatória pode persistir por semanas após a eliminação dos parasitos; prurido isolado precoce não comprova falha. Referência: CDC. About Scabies (2024). https://www.cdc.gov/scabies/about/index.html
Uma pessoa apresenta sulcos interdigitais típicos e convive com dois casos confirmados de escabiose. Um único raspado não identifica ácaros, ovos ou fezes. Como interpretar esse resultado?
A carga parasitária costuma ser pequena na escabiose comum; o exame negativo deve ser integrado aos achados clínicos. Referência: CDC. About Scabies (2024). https://www.cdc.gov/scabies/about/index.html
O sulco escabiótico é uma lesão relacionada diretamente ao ciclo do parasito, diferentemente de várias pápulas decorrentes da resposta do hospedeiro. Qual evento produz esse sulco?
A fêmea fecundada escava o túnel e deposita ovos enquanto o prolonga. Referência: CDC. DPDx — Scabies (2024). https://www.cdc.gov/dpdx/scabies/index.html
Na discussão da anatomia patológica da escabiose, o preceptor pergunta em qual compartimento cutâneo se localizam os túneis escavados pelo Sarcoptes scabiei. Qual é a resposta correta?
Os túneis da escabiose se situam no estrato córneo, a camada mais superficial da epiderme. Referência: CDC. DPDx — Scabies (2024). https://www.cdc.gov/dpdx/scabies/index.html
Qual pessoa deve ser incluída na avaliação de contatos do caso?

Contatos próximos podem estar infestados antes de apresentar sintomas e precisam de abordagem apropriada.
Se o prurido persistir pouco tempo após tratamento completo, como interpretar?

Hipersensibilidade pode persistir; lesões novas e evolução ajudam a distinguir atividade e sintoma residual.
Qual localização das lesões está descrita?

Esses são locais comuns de lesão na escabiose clássica.
Qual fator do manejo anterior favorece persistência ou reinfestação?

Manejo exige esquema adequado, aplicação correta, avaliação dos contatos e medidas ambientais indicadas.
Qual parasitose é favorecida pelo padrão de pele e contatos?

Prurido noturno, sulcos e contatos sintomáticos são compatíveis com escabiose.
Na imagem ultrassonográfica de uma coleção dolorosa subcutânea, qual informação ainda precisa ser obtida antes de planejar uma via segura de drenagem? Imagem sintética de exame, para fins didáticos.

A cavidade está visível, mas uma imagem em escala de cinza não estabelece sozinha a segurança de todo o trajeto.
Um adulto com febre, dor intensa e edema rapidamente progressivo da perna, sem trauma aberto ou procedimento recente, apresenta a radiografia ilustrada. Qual achado aumenta a suspeita de infecção necrosante? Imagem sintética de exame, para fins didáticos.

As pequenas imagens radiolucentes nos tecidos, no contexto descrito, são um sinal preocupante de infecção profunda.
No paciente com dor desproporcional, instabilidade hemodinâmica e o achado radiográfico mostrado, qual é a prioridade? Imagem sintética de exame, para fins didáticos.

Suspeita de infecção necrosante exige controle cirúrgico oportuno associado ao tratamento sistêmico.
A lesão ilustrada é dolorosa e apresenta flutuação localizada à palpação. Qual processo predomina? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

Purulência focal e flutuação favorecem coleção supurativa.
Qual achado da fotografia demonstra que o quadro não é exclusivamente uma celulite não purulenta? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

É o componente supurativo diretamente mostrado.
Um paciente tem tumefação cutânea dolorosa, eritema e febre. A ultrassonografia da área está representada. Qual achado favorece abscesso em relação a celulite sem coleção? Imagem sintética de exame, para fins didáticos.

A cavidade complexa, no contexto infeccioso, favorece abscesso e ajuda a diferenciá-lo de edema difuso.
Febre, dor e calor local acompanham a placa aguda unilateral mostrada na perna. Qual grupo diagnóstico é favorecido? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

A associação clínica favorece infecção; a fotografia isolada não diferencia com segurança a profundidade nem identifica o agente.
Uma paciente tem episódios recorrentes de infecção cutânea não purulenta com aspecto como o mostrado e edema crônico do membro. Após tratar o episódio agudo, qual estratégia aborda fatores de recorrência? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

Linfedema e portas de entrada persistentes favorecem repetição; prevenção deve ir além de repetir antibiótico a cada crise.
A área mostrada aumenta rapidamente; surge dor muito intensa além da borda visível e instabilidade circulatória. Qual hipótese muda imediatamente a conduta? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

Dor desproporcional, rápida progressão e toxicidade levantam suspeita de comprometimento profundo.
Ao examinar o membro com a placa inflamatória ilustrada, qual achado local pode indicar uma porta de entrada para infecção bacteriana? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

A ruptura da barreira cutânea pode facilitar entrada de bactérias e deve ser tratada.
Ao examinar um lactente com o padrão desenhado, quais superfícies distais devem ser incluídas? Imagem didática do acervo OsceLabs.

Podem ser acometidas em lactentes.
O padrão de distribuição assinalado no adulto também aparece em dois coabitantes; um deles ainda não apresenta prurido. Qual estratégia reduz reinfestação? Imagem didática do acervo OsceLabs.

Pode haver período assintomático após infestação.
Após tratamento adequado, não surgiram novas lesões nas áreas típicas assinaladas no esquema, embora o prurido persista; os contatos também foram tratados. Qual interpretação é mais adequada? Imagem didática do acervo OsceLabs.

Persistência de coceira isolada não prova infestação ativa.
Na figura do adulto, qual combinação de áreas assinaladas favorece examinar locais típicos de escabiose? Imagem didática do acervo OsceLabs.

São áreas frequentemente acometidas em adultos.
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Refaça de cabeça as três decisões que a prova cobra: na escabiose, quem entra no tratamento além do paciente e em que dia; na pediculose, o que fazer quando a permetrina 1% falhou; nas piodermites, o que separa o que se trata com tópico do que exige antibiótico oral. Depois recite a topografia da escabiose no adulto e a diferença dela no lactente e no idoso, e as restrições da ivermectina — gestante e menos de 15 kg.
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Reconstrua a escada de profundidade — impetigo, ectima, erisipela, celulite, fasciíte — dizendo em cada degrau qual borda se vê ao exame e onde o caso deixa de ser ambulatorial. Em seguida, escreva as quatro divergências com o ano de cada documento: primeira linha da escabiose, esquema da permetrina, prazo de afastamento e o que se aplica no impetigo localizado. Feche checando o que a Rename 2024 tem e o que ela não tem, porque é essa lista que define a prescrição possível na UBS.
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Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Mãe traz o filho de 6 anos à unidade básica: prurido que piora à noite há um mês, lesões escoriadas entre os dedos das mãos e ao redor do umbigo, e desde a semana passada crostas amareladas no queixo e no braço. Os dois irmãos também coçam, e a professora comentou que outras crianças da turma estão coçando a cabeça. Conduza a consulta. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
