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Intoxicações agudas na criança e no adolescente
O diagnóstico nasce da cena, do toxíndrome e do ECG; a conduta começa com suporte e descontaminação seletiva, e o antídoto só entra quando substância, tempo e gravidade autorizam.
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Qual conduta em ingestão de cáustico?
Como esse tema cai
Intoxicação aguda pediátrica exige raciocínio sindrômico e suporte imediato. Crianças pequenas costumam ter exposições não intencionais; adolescentes concentram exposições voluntárias, uso recreativo e risco de autolesão. A ausência de uma história confiável não autoriza espera: ABCDE, glicemia, temperatura e ECG guiam as primeiras decisões.
Em provas, o núcleo é reconhecer toxíndromes, escolher exames que mudam conduta, saber quando carvão ativado é útil e associar antídotos a síndromes específicas. Na prática brasileira, o Centro de Informação e Assistência Toxicológica deve ser contatado precocemente pelo 0800 722 6001.
O que muda decisão
1. Segurança, estabilização e história dirigida
Proteja equipe e paciente de contaminação secundária. Retire roupas contaminadas e irrigue pele ou olhos quando houver exposição externa, usando equipamento de proteção. No ABCDE, avalie via aérea, frequência e esforço respiratório, perfusão, consciência, pupilas, temperatura e glicemia. Administre oxigênio e ventilação assistida quando indicados; convulsões, choque, disritmias e hipoglicemia são tratados de imediato.
A história útil inclui substância, formulação, concentração, quantidade máxima possível, horário, via, sintomas, peso e tratamentos prévios. Leve embalagens e fotografias, mas não induza vômito. Para estimar a dose, use a pior hipótese plausível: quantidade que faltava × concentração ÷ peso. Medicamentos de visitantes, produtos artesanais e combinações devem ser lembrados.
Em adolescentes, converse em ambiente reservado assim que a condição permitir. Pergunte por coingestão, álcool, drogas, intenção suicida, coerção e acesso recorrente a medicamentos. A estabilização não substitui avaliação de saúde mental e proteção antes da alta.
2. Toxíndromes: padrões que reduzem a incerteza
Toxíndrome é um conjunto de achados autonômicos e neurológicos. A síndrome opioide combina depressão do nível de consciência, hipoventilação e miose, embora pupilas possam variar. A colinérgica cursa com secreções abundantes, broncorreia, broncoespasmo, vômitos, diarreia, sudorese, miose, fasciculações e fraqueza.
A anticolinérgica produz midríase, pele e mucosas secas, rubor, hipertermia, retenção urinária, íleo, taquicardia, agitação e delirium. A simpaticomimética também causa midríase, taquicardia, hipertensão, hipertermia e agitação, mas tipicamente com sudorese e ruídos intestinais preservados. Sedativo-hipnótica cursa com depressão do SNC, ataxia e fala arrastada, frequentemente sem a hipoventilação intensa do opioide isolado.
Toxíndromes podem ser incompletas por dose, tempo ou coingestão. Não se deve forçar um diagnóstico quando o exame é discordante.

3. Exames que realmente mudam conduta
Glicemia e ECG de 12 derivações têm alto rendimento. No ECG, procure QRS alargado, QTc prolongado, bloqueios, ectopia e padrão compatível com bloqueio de canal de sódio. QRS largo em exposição a antidepressivo tricíclico ou outro bloqueador de canal de sódio indica bicarbonato de sódio, sobretudo diante de hipotensão, arritmia ventricular ou acidose.
Dosagem de paracetamol é recomendada em ingestão intencional ou história incerta, pois a fase inicial pode ser assintomática. Em ingestão aguda única com horário conhecido, a concentração obtida a partir de 4 horas é interpretada pelo nomograma de Rumack–Matthew. O nomograma não se aplica a ingestão repetida supraterapêutica, horário desconhecido ou apresentação tardia.
Eletrólitos, gasometria, função renal e hepática, osmolaridade, lactato, creatinoquinase, salicilato, ferro e teste de gravidez são solicitados conforme suspeita. Triagens urinárias amplas raramente definem manejo agudo e podem gerar falsos positivos; um resultado nunca substitui a clínica.
4. Descontaminação: menos é mais
Retire contaminantes da pele e irrigue olhos copiosamente. Não provoque vômito. Lavagem gástrica não é rotina e só é cogitada em cenário excepcional, muito precoce, potencialmente letal, após discussão com toxicologia e com via aérea protegida quando necessário.
Carvão ativado em dose única, usualmente 1 g/kg (máximo 50 g), pode ser considerado idealmente até 1 hora após ingestão potencialmente tóxica de substância adsorvível. O benefício pode persistir mais tarde em alguns fármacos de liberação prolongada ou que retardam esvaziamento, sempre individualizado. É contraindicado quando a via aérea não está protegida, há risco importante de aspiração, perfuração/obstrução intestinal ou ingestão de substância não adsorvida.
Carvão não adsorve adequadamente álcoois, lítio, ferro e diversos cáusticos. Irrigação intestinal total é reservada a situações selecionadas, como formulações de liberação prolongada, ferro, lítio ou body packing, com orientação especializada. Cáusticos não devem ser neutralizados nem submetidos a carvão; o foco é via aérea, analgesia e avaliação endoscópica conforme indicação.
5. Antídotos e terapias específicas de alto rendimento
Naloxona é indicada diante de hipoventilação compatível com opioide; titule para restaurar ventilação, não necessariamente vigília completa, e observe recorrência porque sua duração pode ser menor que a do agente. Na intoxicação por paracetamol, N-acetilcisteína é mais eficaz quando iniciada precocemente e não deve ser adiada se a apresentação ultrapassa cerca de 8 horas, há nível tóxico ou lesão hepática compatível.
Na síndrome colinérgica, atropina é titulada para secar secreções brônquicas e melhorar ventilação, não para normalizar pupilas ou frequência cardíaca. Pralidoxima é considerada em organofosforados, sobretudo com fraqueza ou manifestações nicotínicas, em consulta ao CIATox. Bicarbonato de sódio trata toxicidade por bloqueio de canal de sódio com QRS largo, arritmia ou hipotensão.
Fomepizol bloqueia metabolismo de metanol e etilenoglicol; casos graves podem exigir hemodiálise. Hidroxocobalamina é opção para cianeto; azul de metileno para metemoglobinemia sintomática, com cautela em deficiência de G6PD. Flumazenil raramente é apropriado na intoxicação indiferenciada, pois pode precipitar convulsões em usuário crônico, coingestão pró-convulsivante ou epilepsia.
6. Síndromes específicas que aparecem em prova
Salicilato pode produzir náusea, vômito, zumbido, taquipneia e padrão ácido-básico misto. Corrija volume, potássio e glicose; alcalinização com bicarbonato aumenta eliminação. Intubação é de alto risco porque queda da ventilação eleva rapidamente a acidemia e a fração não ionizada; quando inevitável, mantenha ventilação minuto elevada e envolva toxicologia/nefrrologia.
Ferro causa sintomas gastrointestinais, choque, acidose e hepatotoxicidade. Radiografia pode mostrar comprimidos, mas exame normal não exclui. Concentração sérica no tempo adequado e gravidade guiam deferoxamina. Beta-bloqueadores podem requerer glucagon e insulina em altas doses; bloqueadores de canal de cálcio também podem exigir cálcio e insulina euglicêmica, sempre em ambiente intensivo.
Monóxido de carbono pode apresentar cefaleia, náusea, confusão ou síncope; o oxímetro de pulso comum pode parecer normal. Administre oxigênio a 100% e meça carboxi-hemoglobina, discutindo oxigenoterapia hiperbárica em manifestações neurológicas, cardiovasculares, acidose grave ou gestação.
7. Observação, destino e vigilância
O tempo de observação depende do agente, formulação, dose, sintomas e meia-vida. Preparações de liberação prolongada, substâncias cardiotóxicas e agentes com metabólitos ativos exigem períodos maiores. Alta só ocorre após janela segura, exame e sinais vitais normais, possibilidade de alimentação, plano de retorno e ambiente protegido.
Exposição intencional requer avaliação de risco suicida, supervisão e restrição de acesso antes da alta. Suspeita de negligência, violência ou administração maliciosa aciona a rede de proteção. Casos devem ser notificados conforme normas locais e orientados pelo CIATox.
8. Padrão mental para a prova
Diante de uma exposição desconhecida, pense: primeiro fisiologia, depois toxíndrome, ECG e exames-alvo; só então descontaminação e antídoto. A pergunta correta não é apenas “o que foi ingerido?”, mas “qual falência mata primeiro e qual intervenção tem benefício imediato?”. Em opções de prova, indução de vômito, lavagem rotineira, carvão em paciente rebaixado sem via aérea protegida e espera pela toxicologia laboratorial costumam estar erradas.
Abordagem estruturada da intoxicação
Suporte e reconhecimento sindrômico precedem a confirmação laboratorial.
- 1Interromper exposição e estabilizar
- 2Calcular pior dose plausível
- 3Reconhecer toxíndrome e obter ECG
- 4Contatar CIATox 0800 722 6001
- 5Definir observação, antídoto e destino
1. ABCDE
Via aérea, ventilação, circulação, consciência, glicemia e temperatura.
2. Síndrome
Pupilas, secreções, pele, ruídos intestinais, frequência cardíaca e comportamento.
3. Risco elétrico
ECG com QRS e QTc, repetido se houver agente cardiotóxico.
4. Específico
Descontaminação seletiva, antídoto e eliminação aumentada quando indicados.
Toxíndromes de alto rendimento
| Síndrome | Pupilas/pele | Achados-chave | Exemplos |
|---|---|---|---|
| Opioide | Miose; pele variável | Hipoventilação e coma | Morfina, fentanil |
| Colinérgica | Miose; sudorese | Broncorreia, diarreia, fasciculações | Organofosforados |
| Anticolinérgica | Midríase; seca e quente | Delirium, retenção, íleo | Anti-histamínicos, tricíclicos |
| Simpaticomimética | Midríase; sudorese | Agitação, hipertensão, hipertermia | Cocaína, anfetaminas |
| Sedativo-hipnótica | Variável | Depressão do SNC, ataxia | Benzodiazepínicos, álcool |
Não induzir vômito.
Em adolescente, sempre avaliar intencionalidade e segurança.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Regra geral
Maior benefício quando administrado precocemente, em geral até 1 hora.
Manuais de toxicologia
Exceções
Liberação prolongada ou esvaziamento retardado podem justificar uso mais tardio.
Avaliação toxicológica
Na prova
Nunca o indique automaticamente; confirme substância adsorvível e via aérea segura.
Uso restrito
Pode ser considerado em exposição iatrogênica selecionada, sem dependência ou coingestão.
Toxicologia clínica
Evitar no desconhecido
Pode precipitar abstinência, convulsão e arritmia.
Segurança
Na prova
Na overdose intencional ou indiferenciada, suporte ventilatório costuma ser a resposta segura.
Caso resolvido
- Prioridade
- Abrir via aérea, fornecer oxigênio e ventilar com bolsa-válvula-máscara.
- Reconhecimento
- Coma, hipoventilação e miose formam toxíndrome opioide.
- Terapia
- Administrar naloxona titulada à ventilação e continuar suporte.
- Vigilância
- Observar ressedações, pois o opioide pode durar mais que a naloxona.
- Depois
- Investigar coingestões, obter ECG e realizar avaliação de saúde mental/proteção.
Agora feche você
- Suporte imediato
- ABCDE, oxigenação, ventilação e acesso.
- Terapia específica
- _____
- Descontaminação
- _____
Onde a banca derruba
- 1Induzir vômito Não reduz risco e aumenta aspiração.
- 2Carvão para qualquer agente Álcoois, ferro, lítio e cáusticos não são adequadamente adsorvidos.
- 3Confiar no oxímetro no CO Pode mostrar saturação falsamente tranquilizadora.
- 4Normalizar frequência com atropina Na síndrome colinérgica, o alvo é secar secreções e melhorar ventilação.
- 5Usar nomograma fora do contexto Rumack–Matthew não vale para tempo desconhecido ou ingestão repetida.
- 6Alta sem avaliação psicossocial Exposição intencional exige avaliação de risco e segurança.
Neutralização e vômito agravam lesão.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Na intoxicação colinérgica, a atropina deve ser titulada para:
O alvo clínico é respiratório.
Sobre flumazenil em intoxicação indiferenciada:
Risco alto em dependência/coingestão.
Oxímetro normal exclui monóxido de carbono?
Oximetria convencional é enganosa.
Após exposição intencional em adolescente, alta segura requer:
A dimensão psicossocial é obrigatória.
Carvão ativado é contraindicado quando:
Aspiração é risco maior.
Qual achado diferencia melhor simpaticomimética de anticolinérgica?
Simpaticomimética sua; anticolinérgica tende à pele seca.
O nomograma de Rumack–Matthew aplica-se a:
Seu uso é restrito a ingestão aguda única.
Adolescente é encontrado sonolento ao lado de cartelas vazias. Está ventilando lentamente, com pupilas puntiformes. Qual intervenção não deve aguardar a identificação exata da substância?
Hipoventilação opioide exige suporte e naloxona sem esperar confirmação.
Qual dado deve ser obtido imediatamente em toda intoxicação com alteração neurológica?
Hipoglicemia é causa reversível.
QRS alargado após tricíclico indica:
Bicarbonato trata bloqueio de canal de sódio.
Criança de 2 anos ingeriu pequena quantidade de água sanitária doméstica diluída, está assintomática, sem sialorreia, sem lesões orais e aceitando líquidos. Qual a conduta?
O hipoclorito doméstico diluído tem pH próximo do neutro e potencial cáustico baixo, e a criança assintomática, sem lesão oral e aceitando líquidos, pode ser observada sem endoscopia. Indicar o exame para todos é o excesso que a questão testa, e ele merece ressalva importante: a AUSÊNCIA de lesão oral não afasta lesão esofágica quando o agente é um álcali forte, como soda cáustica ou desentupidor, cenário em que a endoscopia continua indicada.
Criança de 3 anos ingere acidentalmente soda cáustica. Chega ao pronto-socorro com sialorreia, recusa alimentar e lesões esbranquiçadas em orofaringe. Qual a conduta inicial?
Na ingestão de cáustico o tratamento é de suporte, com jejum e endoscopia precoce para estadiar a lesão e orientar a conduta. Induzir vômito é o erro mais grave: reexpõe o esôfago ao agente e aumenta o risco de perfuração e aspiração. Neutralizar com ácido ou com grandes volumes gera reação exotérmica e distensão, e a sonda às cegas pode perfurar um esôfago já friável.
Adolescente de 17 anos e trazido por intoxicacao alcoolica aguda apos ingerir destilado em festa. Apos estabilizacao clinica, qual conduta e a mais importante antes da alta?
O episodio agudo e uma janela de oportunidade: a intervencao breve estruturada no proprio servico reduz consumo e recorrencia, e em menor de idade a comunicacao aos responsaveis e o encaminhamento sao obrigatorios. Liberar apos normalizar sinais vitais engana porque tecnicamente o motivo da vinda foi resolvido, mas perde-se a unica chance de mudar a trajetoria de um adolescente em risco. Dissulfiram nao tem indicacao em adolescentes nem em uso pontual, e internacao compulsoria e desproporcional a um episodio isolado.
Adolescente de 15 anos é trazido ao pronto-socorro com euforia, hiperemia conjuntival, taquicardia, boca seca, aumento do apetite e ansiedade intensa com ideias de que estão o perseguindo. Qual a substância mais provavelmente envolvida e a conduta?
Euforia, hiperemia conjuntival, taquicardia, xerostomia, hiperfagia e ansiedade com ideação persecutória compõem a intoxicação aguda por cannabis, que é autolimitada e se maneja com ambiente calmo, reasseguramento e benzodiazepínico se necessário. Intoxicação por opioide cursaria com miose e depressão respiratória, e a por cocaína com midríase, hipertensão e agitação, cenário em que o betabloqueador isolado é classicamente evitado pelo risco de estimulação alfa sem oposição.
Adolescente é trazido após inalar solvente em festa e apresenta euforia seguida de sonolência, ataxia e, em seguida, parada cardiorrespiratória durante corrida ao ser abordado por seguranças. Qual o mecanismo mais provável dessa morte súbita?
Os hidrocarbonetos dos inalantes sensibilizam o miocárdio às catecolaminas, e uma descarga adrenérgica súbita, como a de correr ou levar um susto, pode desencadear fibrilação ventricular, fenômeno conhecido como morte súbita por inalação. Essa fisiopatologia tem consequência prática imediata: adrenalina e outros simpaticomiméticos devem ser evitados sempre que possível nesses pacientes, e a abordagem prioriza manter o adolescente calmo, particularidade que a opção de depressão respiratória por opioide não contempla.
Adolescente de 15 anos e trazido por familiares apos ser encontrado inalando cola de sapateiro. Apresenta euforia, ataxia, fala arrastada e halito caracteristico. Qual complicacao grave deve ser considerada?
Os inalantes sensibilizam o miocardio as catecolaminas e podem provocar arritmias fatais, fenomeno descrito como morte subita por inalacao, especialmente se houver esforco ou susto durante o uso; a exposicao cronica produz leucoencefalopatia, neuropatia periferica e toxicidade renal e hepatica. Subestimar o risco engana porque sao substancias baratas e de acesso legal, o que transmite falsa impressao de inocuidade.
Adolescente de 14 anos chega ao pronto-socorro após ingerir 20 comprimidos de paracetamol há 5 horas, em contexto de conflito familiar. Está assintomática. A conduta é:
A intoxicação por paracetamol é traiçoeira porque a fase inicial é oligossintomática e a hepatotoxicidade aparece após 24 a 72 horas — quando a criança fica sintomática, a janela ideal da N-acetilcisteína já passou. A dosagem sérica interpretada pelo nomograma orienta o tratamento. Além disso, toda tentativa exige avaliação psiquiátrica antes da alta, porque o risco de repetição é máximo nos dias seguintes.
Criança de 18 meses ingeriu, há 30 minutos, quantidade desconhecida de comprimido do avô. Chega assintomática, com sinais vitais normais. Qual a informação que mais altera a conduta imediata?
Identificar o agente é a primeira pergunta da toxicologia pediátrica porque existe um grupo em que um comprimido basta para matar um lactente: bloqueadores de canal de cálcio, sulfonilureias, opioides, antidepressivos tricíclicos, clonidina, cânfora e antimaláricos. Estar assintomático nas primeiras horas não tranquiliza nesses casos e é justamente o que produz altas precoces perigosas. O vômito espontâneo é o distrator mais sedutor por dar falsa segurança, pois não garante esvaziamento. O xarope de ipeca está abandonado há décadas pelo risco de aspiração e por não melhorar desfecho.
Adolescente de 12 anos é trazido pelos amigos após ingerir bebida alcoólica destilada em festa. Está sonolento, com hálito etílico, hipotermia leve e glicemia capilar de 45 mg/dL. Qual a diferença mais relevante entre a intoxicação alcoólica na criança e no adulto?
O etanol inibe a gliconeogênese e a criança tem estoque hepático de glicogênio proporcionalmente pequeno, combinação que produz hipoglicemia grave, muitas vezes o achado que domina o quadro e que precisa ser rastreado e corrigido em todo sonolento com hálito etílico. A ideia de metabolismo mais rápido engana quem lembra que crianças depuram alguns fármacos mais depressa, o que não vale aqui. A depressão do sensório predomina sobre a agitação, a hipotermia é mais provável justamente pela maior superfície corporal relativa, e o risco de depressão respiratória é maior, não menor.
Adolescente de 16 anos chega ao pronto-socorro trazido por amigos, com rebaixamento do nível de consciência, hálito etílico, vômitos e glicemia capilar de 48 mg/dL. Qual a conduta prioritária?
A intoxicação alcoólica aguda em adolescentes é mais perigosa do que em adultos porque a hipoglicemia é frequente e pode ser grave, com risco de lesão neurológica, além do risco de aspiração pelo rebaixamento e pelos vômitos. A conduta é suporte, glicose e monitorização, investigando sempre trauma craniano e uso concomitante de outras substâncias. Flumazenil não trata álcool e pode precipitar convulsão em coingestão com benzodiazepínico, e a indução de vômito é proscrita.
Adolescente de 14 anos é atendido com sinais de intoxicação por inalantes (solventes), com euforia, ataxia, fala arrastada e odor característico. Qual complicação grave deve ser conhecida?
Os hidrocarbonetos voláteis sensibilizam o miocárdio às catecolaminas, e um susto ou uma corrida logo após a inalação podem desencadear arritmia ventricular fatal, mecanismo conhecido como morte súbita por inalação. A implicação prática é direta: o manejo deve ser calmo, evitando estímulos e agitação, e o uso de adrenalina exige extrema cautela. O uso crônico traz ainda leucoencefalopatia, neuropatia periférica e lesão renal e hepática.
Adolescente de 16 anos é trazido com agitação intensa, midríase, taquicardia, hipertensão arterial, hipertermia e dor torácica após uso de substância em festa. Qual a hipótese e a conduta?
Midríase, hipertensão, taquicardia, hipertermia e agitação compõem a síndrome simpaticomimética; o tratamento é benzodiazepínico, que controla agitação, frequência e pressão simultaneamente, além de resfriamento ativo e hidratação, com atenção à rabdomiólise. O erro clássico e cobrado é o betabloqueador isolado na intoxicação por cocaína, que deixa o estímulo alfa sem oposição e pode agravar a hipertensão e o vasoespasmo coronariano.
Criança de 3 anos é levada à Unidade de Pronto Atendimento pelos pais 40 minutos depois de ingerir acidentalmente soda cáustica armazenada em garrafa de refrigerante. Apresenta sialorreia intensa, recusa alimentar, choro persistente e dor retroesternal. Ao exame: lesões esbranquiçadas em lábios e orofaringe, sem estridor e sem desconforto respiratório, boa perfusão periférica, frequência cardíaca 128 bpm e saturação de oxigênio 97% em ar ambiente. Os pais perguntam se devem provocar vômito ou oferecer leite para neutralizar. Qual é a conduta correta?
Na ingestão de cáustico a conduta é jejum, analgesia, suporte e endoscopia precoce para estadiar a lesão esofágica e orientar o seguimento, evitando qualquer manobra que reexponha a mucosa ao produto. Induzir vômito faz o cáustico atravessar o esôfago uma segunda vez e aumenta o risco de perfuração e aspiração. Tentar neutralizar com substância ácida gera reação exotérmica e agrava a queimadura. O carvão ativado não adsorve álcalis, prejudica a visualização endoscópica, e a passagem às cegas da sonda pode perfurar o esôfago lesado.
Menino de 2 anos é trazido à Unidade Básica de Saúde pela avó cerca de 30 minutos depois de ingerir pequena quantidade de querosene guardado em garrafa plástica de refrigerante no quintal. Houve engasgo e tosse imediatamente após a ingestão, e a criança mantém hálito característico do produto. No momento está ativa, corada, com frequência respiratória de 30 irpm, frequência cardíaca 120 bpm, saturação de oxigênio de 96% em ar ambiente e ausculta pulmonar sem ruídos adventícios. Qual é a conduta adequada?
O risco dos hidrocarbonetos é a pneumonite química por aspiração, e não a toxicidade sistêmica da pequena quantidade ingerida, de modo que a conduta é não provocar vômito, não esvaziar o estômago e observar a criança com atenção ao aparecimento de tosse, taquipneia e hipoxemia, com radiografia se houver sintomas. Induzir vômito multiplica a chance de aspiração, que é exatamente o desfecho a evitar. A lavagem gástrica tem a mesma objeção e não traz benefício comprovado. Corticoide e antibiótico profiláticos não reduzem a incidência de pneumonite e selecionam germes resistentes.
Menina de 2 anos é levada ao pronto-socorro pela mãe duas horas depois de ingerir cerca de 20 comprimidos de sulfato ferroso pertencentes à avó. Apresentou vômitos repetidos e duas evacuações escuras no trajeto. Ao exame: irritada, mucosas descoradas, tempo de enchimento capilar de 3 segundos, frequência cardíaca 150 bpm, pressão arterial 82x48 mmHg e dor à palpação epigástrica. Radiografia simples de abdome evidencia comprimidos radiopacos no estômago e a gasometria mostra acidose metabólica. Qual é o antídoto específico indicado?
A ingestão maciça de sais de ferro com vômitos, sangramento digestivo, hipotensão e acidose configura intoxicação grave, e a deferoxamina é o quelante que remove o ferro livre circulante, indicada pela repercussão sistêmica e pela visualização radiológica dos comprimidos. O carvão ativado não adsorve metais como o ferro, sendo inútil nessa intoxicação. O azul de metileno se destina à metemoglobinemia, que cursa com cianose refratária ao oxigênio e não com choque e melena. A N-acetilcisteína é antídoto do paracetamol e não quela ferro.
Menina de 2 anos é trazida ao pronto-socorro pela avó, que relata ter encontrado a criança com o frasco aberto de um medicamento de uso da família. A criança está sonolenta, com miose, bradicardia de 68 bpm e pressão arterial de 68x38 mmHg, além de hipoglicemia de 46 mg/dL. Não há convulsões. A avó traz a cartela, que corresponde a um betabloqueador em comprimidos, e não sabe quantos foram ingeridos. Qual é o conceito toxicológico ilustrado por essa situação?
Diversas classes de medicamentos de uso adulto, entre elas betabloqueadores, bloqueadores de canal de cálcio, antidepressivos tricíclicos, sulfonilureias e opioides, podem causar toxicidade grave ou morte em crianças pequenas com poucos comprimidos, o que fundamenta a orientação de guarda segura e a avaliação hospitalar de toda ingestão suspeita. Considerar benigna qualquer ingestão de medicamento comum é erro perigoso. O risco depende da dose por quilo, e não apenas do número absoluto de comprimidos. Afirmar ausência de toxicidade dos betabloqueadores contraria o quadro clínico descrito.
Adolescente de 15 anos é levado ao pronto-socorro por amigos após consumir grande quantidade de destilado em festa. Chega sonolento, com hálito etílico intenso e vômitos. Ao exame: responde a estímulo verbal vigoroso, reflexo de vômito presente, pupilas médias e reativas, frequência cardíaca 98 bpm, pressão arterial 104x62 mmHg, saturação de oxigênio 96% em ar ambiente e temperatura axilar 35,8 °C. A glicemia capilar é de 48 mg/dL. Qual é a conduta prioritária?
A intoxicação alcoólica aguda no adolescente cursa com risco de hipoglicemia, hipotermia e broncoaspiração, de modo que a conduta é corrigir a glicemia, aquecer, proteger a via aérea, monitorar e, superada a fase aguda, abordar o uso de álcool com o adolescente e a família. O flumazenil reverte benzodiazepínicos e não tem ação sobre o etanol. Provocar vômito em paciente com rebaixamento do sensório aumenta muito o risco de aspiração. Liberar sem responsável e sem abordagem preventiva desconsidera a vulnerabilidade e a possibilidade de recorrência.
Menina de 3 anos é levada à Unidade Básica de Saúde 30 minutos após ter ingerido, acidentalmente, comprimidos de anti-hipertensivo da avó, encontrados abertos no chão da sala. A mãe não sabe quantos comprimidos foram ingeridos. A criança está consciente, sem vômitos, sem sonolência. Ao exame: ativa, PA 92x54 mmHg, FC 96 bpm, saturação 98%, glicemia capilar 88 mg/dL, sem alterações neurológicas ou respiratórias. A unidade tem contato disponível com o centro de informação toxicológica. A conduta correta é:
Ingestão acidental de anti-hipertensivo em criança pequena, com dose desconhecida, exige contato com centro de informação toxicológica, monitorização e encaminhamento para observação, pois muitos desses fármacos têm efeito tardio e potencialmente grave em crianças. A indução de vômito é contraindicada, pelo risco de aspiração e por não reduzir de forma confiável a absorção. Leite não neutraliza medicamentos e pode acelerar a absorção de algumas substâncias. Liberar para casa sem observação desconsidera a possibilidade de deterioração hemodinâmica horas após a ingestão.
Menina de 6 anos é levada à unidade de pronto atendimento com desvio forçado da cabeça para a esquerda, contração sustentada da musculatura cervical e desvio dos olhos para cima, iniciados há 1 hora. Está consciente, orientada e assustada, referindo que não consegue controlar os movimentos. Recebeu metoclopramida por via oral há 6 horas para vômitos. Ao exame apresenta temperatura axilar 36,7 °C, sem rigidez de nuca, sem febre, com força e sensibilidade preservadas e sem déficit focal fora do quadro distônico. A conduta imediata é:
Postura distônica cervical e crise oculógira poucas horas após metoclopramida, em criança consciente e afebril, é reação extrapiramidal aguda, revertida com a suspensão do fármaco e a administração de anticolinérgico como o biperideno ou anti-histamínico com essa ação. Anticonvulsivante não se aplica, pois não há crise epiléptica e a consciência está preservada. Punção lombar seria indicada em suspeita de infecção do sistema nervoso central, afastada pela ausência de febre e de sinais meníngeos. Repetir a metoclopramida agrava a reação, já que ela é o próprio agente causador.
Menino de 3 anos, morador de casa antiga em processo de reforma com raspagem de tinta velha, é levado à Unidade Básica de Saúde por irritabilidade, dor abdominal recorrente, constipação e perda de interesse pelas brincadeiras nos últimos meses. A mãe relata que ele coloca lascas de tinta na boca. Ao exame apresenta palidez cutâneo-mucosa, atraso de linguagem em relação à consulta anterior e exame neurológico sem déficit focal. O hemograma mostra anemia microcítica com pontilhado basófilo nas hemácias. A hipótese diagnóstica mais provável é:
Regressão comportamental, irritabilidade, dor abdominal, constipação e anemia microcítica com pontilhado basófilo em criança exposta a tinta antiga com hábito de levar lascas à boca caracteriza intoxicação por chumbo, que exige dosagem de plumbemia, afastamento da fonte e notificação como agravo relacionado ao ambiente. A anemia ferropriva simples não produz pontilhado basófilo nem regressão neurocomportamental. A talassemia menor cursa com microcitose desproporcional à anemia, sem sintomas neurológicos e com história familiar. Verminose provoca anemia e dor abdominal, mas não explica a regressão de linguagem nem o achado hematológico descrito.
Adolescente de 16 anos é trazido ao pronto-socorro por amigos, encontrado sonolento em uma festa. Eles relatam uso de comprimidos comprados na internet, sem saber o nome. Ao exame: responde apenas a estímulo doloroso, pupilas puntiformes simétricas, frequência respiratória 6 irpm com respiração superficial, saturação de oxigênio 84% em ar ambiente, frequência cardíaca 56 bpm, pressão arterial 96x58 mmHg, glicemia capilar 98 mg/dL e temperatura axilar 36 °C. Qual é a conduta imediata mais adequada?
Rebaixamento do sensório com miose puntiforme e depressão respiratória compõe a tríade da intoxicação por opioide, e a conduta é assegurar via aérea, ventilar e administrar naloxona titulada até a recuperação da ventilação, com observação prolongada pelo risco de nova depressão após o fim do efeito do antídoto. Flumazenil é antídoto de benzodiazepínico e pode desencadear convulsão em intoxicação mista. Apenas aguardar com oxigênio não corrige a hipoventilação e leva à parada respiratória. A glicemia está normal, tornando a glicose desnecessária, e a alta precoce é insegura.
Menino de 3 anos é levado ao pronto-socorro após ingerir acidentalmente querosene armazenado em garrafa de refrigerante, há 1 hora, apresentando tosse e engasgo logo após a ingestão. Ao exame apresenta temperatura axilar 37,4 °C, FR 40 ipm, saturação de 93% em ar ambiente, tiragem leve, tosse frequente, hálito característico e ausculta com estertores esparsos em base direita, mantendo-se consciente, hidratado e sem rebaixamento do sensório. A conduta correta é:
Na ingestão de hidrocarbonetos, o principal risco é a aspiração com pneumonite química, e por isso são contraindicadas medidas que aumentem esse risco, como indução de vômito e lavagem gástrica, mantendo-se observação clínica, suporte respiratório e vigilância radiológica conforme a evolução. Induzir vômito eleva a chance de aspiração do produto. Lavagem gástrica traz o mesmo risco sem benefício. Carvão ativado não adsorve bem hidrocarbonetos e aumenta o risco de vômito e aspiração.
Menina de 6 anos é levada ao pronto-atendimento após ingerir, há uma hora, líquido de limpeza alcalino guardado em garrafa de refrigerante. Ela chorou muito, apresentou sialorreia e recusa alimentar, mas não vomitou. Ao exame, há lesões esbranquiçadas em lábios e mucosa oral, sialorreia importante, sem estridor, sem dispneia e com saturação de 97%. O abdome está flácido e indolor, sem sinais de perfuração, e ela está hemodinamicamente estável, com pressão arterial normal para a idade. A conduta correta é
Na ingestão de cáustico, a conduta é manter jejum, estabilizar, avaliar a via aérea e programar endoscopia digestiva alta na janela recomendada para estadiar a lesão, evitando manobras que aumentem o dano. Indução de vômito reexpõe o esôfago ao agente e eleva o risco de perfuração e aspiração. Neutralização química libera calor e agrava a lesão térmica. Sonda nasogástrica às cegas pode perfurar tecido já necrosado.
Menino de 4 anos é levado ao pronto-atendimento com icterícia progressiva, vômitos, sonolência e confusão mental há dois dias, após quadro febril tratado em casa com doses repetidas de paracetamol acima do recomendado. Ao exame, está sonolento, ictérico, com flapping, hálito hepático, fígado não palpável e sem ascite. Os exames mostram transaminases acima de 3.000 U/L, razão normalizada internacional de 3,2, bilirrubina elevada, hipoglicemia e amônia aumentada. Ele não tem antecedente de hepatopatia. A conduta correta é
Encefalopatia com coagulopatia e transaminases muito elevadas após intoxicação por paracetamol caracteriza insuficiência hepática aguda, que exige suporte intensivo, correção de hipoglicemia, uso de antídoto específico e transferência precoce para centro com programa de transplante hepático, pois a evolução é rápida. Hidratação isolada com reavaliação em um dia é conduta insuficiente. Corticoide não é tratamento da hepatotoxicidade por paracetamol. Aguardar 48 horas para encaminhar pode inviabilizar o transplante.
Menino de 3 anos é levado ao pronto-socorro 40 minutos após ingerir soda cáustica guardada em garrafa de refrigerante. Apresenta sialorreia, recusa alimentar e choro intenso. Ao exame, lesões esbranquiçadas em lábios, língua e orofaringe, sem estridor, com saturação de 97% em ar ambiente, frequência respiratória de 28 irpm e abdome indolor. A mãe pergunta se deve provocar vômito, como leu na internet, e se pode oferecer leite para neutralizar. A conduta correta é:
Na ingestão de cáusticos, provocar vômito reexpõe o esôfago à substância e aumenta a lesão, e tentativas de neutralização geram reação exotérmica com agravamento do dano; a conduta é manter jejum, avaliar e proteger a via aérea, oferecer suporte e encaminhar para avaliação endoscópica no tempo recomendado, que orienta prognóstico e seguimento das estenoses. Lavagem gástrica com sonda arrisca perfuração de tecidos já lesados. Grandes volumes de qualquer líquido podem provocar vômito e reexposição.
Menina de 2 anos é levada à Unidade Básica de Saúde e a mãe relata que a criança tomou por engano vários comprimidos de sulfato ferroso da avó há duas horas. Ela apresentou vômitos e uma evacuação escurecida, e agora está sonolenta. Ao exame, está hipoativa, com palidez, dor abdominal à palpação, frequência cardíaca de 150 bpm e enchimento capilar de três segundos. A pressão arterial é de 82x50 mmHg e a glicemia capilar é normal. A radiografia de abdome mostra imagens radiopacas no trato gastrointestinal. A conduta correta é
A intoxicação aguda por ferro é grave, com fases de toxicidade gastrointestinal, hepática e choque, exigindo estabilização, descontaminação apropriada e quelação com deferoxamina conforme a gravidade clínica e os níveis séricos, em serviço de referência. Indução de vômito não é recomendada e o leite não neutraliza o ferro. O carvão ativado não adsorve ferro de forma eficaz. Aguardar 24 horas permite a progressão para choque e falência hepática, com risco de morte.
Uma criança de 3 anos é levada à unidade de pronto atendimento após ingerir quantidade desconhecida de um produto de limpeza doméstico. Está sonolenta, com sialorreia e vômitos, e a família traz o frasco sem rótulo. O médico plantonista precisa de orientação técnica sobre toxicidade, manejo e antídoto, além de cumprir a obrigação legal relativa ao evento. Qual é a conduta correta quanto à orientação e ao registro do caso?
Diante de intoxicação exógena com agente desconhecido, o manejo é apoiado pelo centro de informação e assistência toxicológica, que orienta descontaminação, antídotos e vigilância, e o caso deve ser notificado, pois intoxicação exógena é agravo de notificação compulsória independentemente da gravidade. Aguardar dosagens séricas retarda condutas tempo-dependentes. Restringir a notificação a óbito ou internação em terapia intensiva subestima a vigilância e impede ações de prevenção. Afirmar que intoxicação acidental não é notificável contraria a lista nacional de notificação compulsória.
Adolescente de 17 anos é levada à unidade de pronto atendimento com desvio involuntário e sustentado da cabeça para a esquerda, contratura dolorosa do pescoço e desvio dos olhos para cima, iniciados há duas horas. Está lúcida, orientada e muito angustiada com o quadro. A mãe informa que ela recebeu metoclopramida na véspera e novamente hoje pela manhã por náuseas. Está afebril, sem rigidez de nuca, sem déficit motor e a glicemia capilar é normal. Qual é a conduta adequada?
Reação distônica aguda por bloqueio dopaminérgico é efeito adverso frequente da metoclopramida em jovens, e o tratamento é suspender o fármaco e administrar biperideno ou prometazina por via parenteral, com resposta rápida. Não há febre nem rigidez de nuca que sugiram meningite, e a punção seria desnecessária e invasiva. Haloperidol é outro bloqueador dopaminérgico e agravaria a distonia. Manter o agente causador perpetua e pode intensificar a reação, incluindo risco de crise oculógira e laringoespasmo.
Lactente de 4 meses é levado ao pronto-socorro com cianose peribucal e de extremidades notada há 6 horas, sem esforço respiratório. A família reside em zona rural e utiliza água de poço artesiano no preparo das mamadeiras. Exame: cianose generalizada, FR 44 ipm, FC 150 bpm, SatO2 de 86% pelo oxímetro, ausculta pulmonar e cardíaca normais. A cianose não melhora com oxigênio a 100%; o sangue coletado tem coloração achocolatada. Qual a principal hipótese diagnóstica?
Cianose refratária ao oxigênio, com ausculta normal, sangue de coloração achocolatada e exposição a nitratos da água de poço caracteriza metemoglobinemia adquirida, confirmada por cooximetria e tratada com azul de metileno quando há sintomas ou níveis elevados. A cardiopatia congênita cianótica cursa com sopro, alteração da silhueta cardíaca e teste de hiperóxia com resposta característica, além de manifestação em geral mais precoce. A bronquiolite apresentaria taquipneia, sibilos e esforço respiratório, ausentes. A intoxicação por monóxido de carbono cursa com pele avermelhada e oximetria falsamente normal. A hipertensão pulmonar persistente é doença do período neonatal imediato, não de lactente de quatro meses.
Menino, 3 anos, é levado ao pronto-socorro 40 minutos após ingestão acidental de comprimidos do avô, com relato de que o frasco continha carbamazepina. Está alerta, sem vômitos, com Glasgow 15. Exame: PA 96/58 mmHg, FC 118 bpm, FR 24 ipm, SatO2 98%, pupilas isocóricas fotorreagentes, sem sialorreia e sem convulsões. Peso de 15 kg, com via aérea pérvia e reflexo de tosse preservado. Assinale a alternativa INCORRETA sobre o uso do carvão ativado.
Afirmar que o carvão ativado está indicado em qualquer intoxicação é incorreto: ele é contraindicado na ingestão de cáusticos, pois compromete a avaliação endoscópica e aumenta o risco de complicações, além de ser inútil para várias substâncias. A eficácia máxima na primeira hora após a ingestão é dado consolidado. A proteção da via aérea é obrigatória quando há rebaixamento de consciência, pelo risco de aspiração. Ferro, lítio, álcoois e hidrocarbonetos não são adequadamente adsorvidos pelo carvão. As doses repetidas têm indicação em intoxicações selecionadas, como por carbamazepina e fenobarbital, por interromperem a circulação êntero-hepática.
Adolescente de 15 anos ingeriu, há 6 horas, cerca de 20 comprimidos de paracetamol de 750 mg em tentativa de autoextermínio, com peso de 50 kg. Está consciente, com náuseas e dois episódios de vômito. Exame: PA 110/70 mmHg, FC 96 bpm, Glasgow 15, abdome doloroso em hipocôndrio direito. Transaminases ainda normais; INR 1,0; nível sérico de paracetamol acima da linha de tratamento no nomograma. Qual a conduta indicada?
Nível sérico acima da linha de tratamento no nomograma indica N-acetilcisteína imediata, pois o antídoto repõe glutationa e é mais eficaz quanto antes administrado, não devendo aguardar sinais de lesão hepática. Aguardar a elevação das transaminases perde a janela de maior eficácia. O carvão ativado tem baixo rendimento seis horas após a ingestão e não substitui o antídoto. A hemodiálise não é o tratamento de escolha na intoxicação por paracetamol nesse cenário. Prescrever protetor gástrico e observar ignora o risco de hepatite fulminante em intoxicação já documentada laboratorialmente.
Menino, 6 anos, morador de zona rural, é trazido ao pronto-socorro após contato com produto usado na lavoura. Apresenta sialorreia intensa, vômitos, diarreia, sudorese profusa e dificuldade respiratória há 1 hora. Exame: FR 38 ipm, SatO2 88%, FC 52 bpm, PA 84/50 mmHg, pupilas mióticas puntiformes, estertores difusos, fasciculações musculares, sonolência progressiva e odor característico nas roupas. Qual o tratamento específico?
A síndrome colinérgica com miose puntiforme, sialorreia, broncorreia, bradicardia e fasciculações após exposição a inseticida caracteriza intoxicação por organofosforado, tratada com atropina em doses repetidas até secar as secreções brônquicas, associada à pralidoxima, que reativa a acetilcolinesterase, além de descontaminação e suporte ventilatório. A naloxona reverte opioides, que causam miose sem sialorreia e fasciculações. O flumazenil antagoniza benzodiazepínicos e pode precipitar convulsões. O azul de metileno trata metemoglobinemia, com cianose refratária ao oxigênio. O gluconato de cálcio é usado em intoxicação por bloqueadores de canal de cálcio e hiperpotassemia.
Menina, 2 anos, ingeriu comprimidos de sulfato ferroso da mãe há 4 horas. Apresentou vômitos com sangue e diarreia, seguidos de aparente melhora, e agora está sonolenta. Exame: PA 76/40 mmHg, FC 160 bpm, FR 32 ipm, tempo de enchimento capilar de 4 segundos, Glasgow 13. Glicemia 148 mg/dL; pH 7,18; bicarbonato 12 mEq/L; lactato 5,2 mmol/L; radiografia de abdome com material radiopaco em estômago. Qual o tratamento específico indicado?
A intoxicação grave por ferro cursa com gastroenterite hemorrágica, fase de aparente melhora, choque e acidose metabólica, com comprimidos radiopacos visíveis, e o antídoto é a deferoxamina intravenosa, associada a suporte e eventual irrigação intestinal. O carvão ativado não adsorve ferro e não tem utilidade. A N-acetilcisteína é antídoto do paracetamol, sem papel aqui, embora possa ser usada em insuficiência hepática tardia como suporte. O dimercaprol é quelante de metais como arsênico e chumbo, não de ferro nesse contexto. O bicarbonato pode ser adjuvante na acidose grave, mas não trata a causa da toxicidade.
Menino, 3 anos, ingeriu soda cáustica armazenada em garrafa de refrigerante há 2 horas. Apresenta sialorreia, recusa alimentar, dor retroesternal e odinofagia. Exame: lesões esbranquiçadas em lábios e orofaringe, sem estridor, FR 28 ipm, SatO2 97%, PA 98/60 mmHg, T 36,8 °C, abdome sem sinais de irritação peritoneal e sem enfisema subcutâneo cervical. Qual a conduta correta?
Na ingestão de cáustico a conduta é jejum, suporte clínico e endoscopia digestiva alta entre 12 e 48 horas para estadiar a lesão e orientar o seguimento, evitando-se manobras que reexponham a mucosa ao agente. Induzir vômito faz o cáustico percorrer novamente o esôfago, agravando a lesão. O carvão ativado é contraindicado, pois não adsorve cáusticos e prejudica a visualização endoscópica. A lavagem gástrica com sonda calibrosa aumenta o risco de perfuração de tecido já lesado. A neutralização química libera calor e agrava a lesão térmica sobre a mucosa comprometida.
Família com três crianças é resgatada de casa com aquecedor a gás em ambiente fechado. O menino de 8 anos apresenta cefaleia intensa, náuseas, tontura e confusão mental. Exame: pele avermelhada, FR 26 ipm, FC 118 bpm, PA 104/64 mmHg, Glasgow 14, oximetria de pulso mostrando 99%, sem cianose. Gasometria com pO2 normal e carboxi-hemoglobina de 28%; lactato elevado; eletrocardiograma sem isquemia. Qual a conduta imediata?
Na intoxicação por monóxido de carbono a oximetria de pulso é falsamente normal, e o tratamento imediato é oxigênio a 100% em máscara não reinalante, que reduz a meia-vida da carboxi-hemoglobina, considerando-se câmara hiperbárica em casos graves com acometimento neurológico. O azul de metileno trata metemoglobinemia, em que o sangue é achocolatado e a cianose não responde ao oxigênio. Manter o paciente em ar ambiente prolonga a meia-vida do monóxido ligado à hemoglobina. A naloxona reverte opioides, sem relação com o mecanismo aqui envolvido. A hidratação isolada não corrige a hipóxia tecidual em curso.
Adolescente de 16 anos é trazido ao pronto-socorro inconsciente, encontrado em festa. Exame: FR 6 ipm com padrão superficial, SatO2 84% em ar ambiente, FC 58 bpm, PA 92/54 mmHg, pupilas mióticas puntiformes, Glasgow 7, sem sinais de trauma, marcas de punção em fossa antecubital esquerda. Glicemia capilar 96 mg/dL; sem febre; ausculta pulmonar sem estertores e sem sibilos. Qual a conduta imediata?
Depressão respiratória com miose puntiforme e rebaixamento de consciência caracteriza intoxicação por opioide, tratada com suporte ventilatório imediato e naloxona, que reverte rapidamente a depressão respiratória. O flumazenil antagoniza benzodiazepínicos e pode precipitar convulsões, especialmente em intoxicações mistas. A tomografia antes de tratar posterga a reversão de uma causa prontamente tratável de insuficiência respiratória. O carvão ativado em paciente com rebaixamento e via aérea desprotegida traz risco elevado de aspiração. A hidratação isolada não corrige a hipoventilação nem a hipoxemia instaladas.
Adolescente de 16 anos é trazido de festa com rebaixamento do nível de consciência. Os amigos relatam ingestão de grande quantidade de destilados em poucas horas. Exame: Glasgow 10, hálito etílico, PA 104/62 mmHg, FC 104 bpm, FR 16 ipm, SatO2 96%, pupilas isocóricas, sem sinais de trauma, T 36,0 °C. Glicemia capilar 52 mg/dL; sódio 138 mEq/L; gasometria com acidose metabólica leve e ânion gap discretamente aumentado. Qual a conduta imediata?
Na intoxicação alcoólica aguda do adolescente a conduta é suporte: correção da hipoglicemia, que é frequente pela inibição da gliconeogênese, hidratação, aquecimento, monitorização e proteção da via aérea conforme o nível de consciência. O flumazenil antagoniza benzodiazepínicos, sem efeito sobre o etanol, e pode induzir convulsões. A lavagem gástrica não é eficaz, pois o álcool tem absorção rápida, e aumenta o risco de aspiração. Antiemético com alta precoce ignora a hipoglicemia e o rebaixamento de consciência. A naloxona reverte opioides e não trata a intoxicação por etanol.
Menino, 3 anos, ingeriu produto de limpeza alcalino há 4 horas. Apresenta sialorreia, recusa alimentar e lesões esbranquiçadas em mucosa oral. FC 132 bpm, FR 28 ipm, T 36,8 °C, SatO2 98% em ar ambiente; sem estridor, sem enfisema subcutâneo e com abdome flácido e indolor. A radiografia de tórax não mostra pneumomediastino e a de abdome não mostra pneumoperitônio. Qual a conduta indicada?
Na ingestão de cáustico em criança sem sinais de perfuração ou obstrução de via aérea, a conduta é jejum, suporte clínico e endoscopia digestiva alta entre 12 e 48 horas para graduar a lesão e orientar dieta, prognóstico e risco de estenose. Neutralizar o álcali com ácido provoca reação exotérmica e agrava a queimadura. A sonda calibrosa para lavagem reexpõe a mucosa ao agente e pode perfurar. O corticoide sistêmico prolongado não previne estenose de forma comprovada e aumenta o risco infeccioso. Dar alta sem avaliar a extensão da lesão deixa passar queimaduras graves que evoluirão para estenose.
Criança do sexo masculino, 3 anos, ingeriu acidentalmente querosene armazenado em garrafa de refrigerante há 2 horas, com tosse imediata e engasgo. Exame: T 37,6 °C, FR 42 ipm, SatO2 91% em ar ambiente, tiragem subcostal, estertores em base direita, hálito característico. Radiografia mostra infiltrado em base direita. Encontra-se alerta, hidratada e sem vômitos desde o evento. Qual a conduta correta?
Na ingestão de hidrocarbonetos de baixa viscosidade, como querosene, o dano principal é a pneumonite química por aspiração, e qualquer manobra que provoque retorno do conteúdo gástrico aumenta esse risco; a conduta é suporte respiratório com oxigênio, monitorização e observação, sem indução de vômito, lavagem gástrica ou carvão ativado. Induzir vômito é formalmente contraindicado. A lavagem gástrica com sonda calibrosa também favorece aspiração, e o carvão ativado não adsorve bem hidrocarbonetos e ainda pode ser aspirado. Corticoide e antibiótico profilático de rotina não demonstraram benefício e podem favorecer infecção secundária. A broncoscopia não remove líquido já disperso no parênquima e é reservada a corpo estranho sólido.
Lactente, 7 meses, em uso de digoxina por insuficiência cardíaca, apresenta vômitos, recusa alimentar e sonolência há 2 dias. Recebeu também furosemida sem reposição de potássio. FC 68 bpm, FR 34 ipm, PA 82x48 mmHg. Eletrocardiograma com bradicardia, bloqueio atrioventricular de segundo grau e infradesnivelamento côncavo do segmento ST. Exames: potássio 2,8 mEq/L; digoxinemia acima da faixa terapêutica. Qual a conduta?
A intoxicação digitálica, favorecida pela hipocalemia induzida pelo diurético, manifesta-se com sintomas gastrointestinais, sonolência, bradicardia e bloqueio atrioventricular, e a conduta é suspender a digoxina, corrigir o potássio e monitorizar o ritmo, com anticorpo antidigoxina nos casos graves. Aumentar a dose agrava a toxicidade. O cálcio endovenoso é classicamente evitado na intoxicação digitálica pelo risco de arritmias graves. A amiodarona eleva os níveis séricos de digoxina e pioraria o quadro. Manter os dois fármacos perpetua a hipocalemia e a intoxicação.
Menino, 2 anos, ingeriu acidentalmente querosene armazenado em garrafa de refrigerante há duas horas, com tosse e engasgo imediatos. FR 46 ipm, FC 138 bpm, SatO2 91%, com estertores difusos e taquipneia. A radiografia mostra infiltrados perihilares bilaterais e a criança apresenta hálito característico. Está desperto, sem convulsões e sem rebaixamento do nível de consciência. Qual a conduta indicada?
Na ingestão de hidrocarbonetos, a principal complicação é a pneumonite química por aspiração, e a indução de vômito ou a lavagem gástrica aumentam esse risco, de modo que a conduta é suporte respiratório e observação clínica. A ipeca está proscrita justamente pelo risco de aspiração. A lavagem gástrica com carvão ativado não adsorve bem hidrocarbonetos e favorece aspiração. Antibiótico profilático e corticoide não demonstraram benefício na pneumonite química. O óleo mineral aumenta o risco de aspiração e é contraindicado.
Menino de 2 anos é levado ao pronto-socorro por sonolência e sudorese iniciadas há 1 hora. A avó, que mora na casa, usa glibenclamida e mantém a cartela sobre a mesa. FC 148 bpm, PA 96x58 mmHg, T 36,6 graus Celsius. A glicemia capilar é de 28 mg/dL. A criança é previamente hígida, eutrófica, sem antecedente de hipoglicemia e sem histórico de jejum prolongado nas últimas horas. Qual a conduta indicada?
Corrigir a glicemia e manter observação hospitalar prolongada é a conduta na ingestão acidental de sulfonilureia, pois esses fármacos têm meia-vida longa e provocam hipoglicemia recorrente por muitas horas, exigindo monitorização e, por vezes, infusão contínua de glicose e uso de octreotida. Liberar após a recuperação inicial expõe a criança a nova hipoglicemia grave em domicílio. A insulina agravaria o quadro. A dieta isolada é insuficiente. O corticoide não é o tratamento dessa intoxicação.
Lactente, 3 meses, levado ao pronto-socorro por coloração azulada de lábios e extremidades notada há 6 horas, após uso de anestésico tópico em creme na região perineal. FC 148 bpm, FR 48 ipm, SatO2 de 85% pelo oxímetro, sem melhora com oxigênio a 100%. Ausculta cardíaca e pulmonar normais. Gasometria arterial com pO2 de 190 mmHg; sangue de coloração achocolatada; metemoglobina de 24%. Qual o diagnóstico e a conduta?
A metemoglobinemia adquirida é o diagnóstico, sugerida por cianose após exposição a agente oxidante tópico, com saturação baixa refratária ao oxigênio, pressão parcial de oxigênio arterial normal ou elevada, sangue achocolatado e metemoglobina de 24%, sendo o azul de metileno o tratamento, na ausência de deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase. A cardiopatia cianótica não cursaria com pressão parcial de oxigênio de 190 mmHg. A pneumonia teria alteração auscultatória e radiológica. A crise hipoxêmica ocorre em cardiopatia conhecida com sopro. O choque séptico cursaria com má perfusão e instabilidade.
Menina, 3 anos, encontrada sonolenta após ingestão acidental de comprimidos da avó. FC 148 bpm, FR 26 ipm, PA 78x42 mmHg, T 36,4 °C. Pupilas midriáticas, mucosas secas e retenção urinária. Eletrocardiograma com complexo QRS alargado para 140 ms e onda R proeminente em derivação ávele. Exames: pH 7,24; bicarbonato 16 mEq/L; potássio 3,6 mEq/L; glicemia 92 mg/dL. Qual a conduta específica?
A intoxicação por antidepressivo tricíclico, sugerida por síndrome anticolinérgica com alargamento do complexo QRS e onda R proeminente em ávele, é tratada com bicarbonato de sódio endovenoso, que reduz a ligação do fármaco ao canal de sódio e estreita o complexo, prevenindo arritmias ventriculares. O flumazenil reverte benzodiazepínicos e pode precipitar convulsões nesse contexto. A amiodarona bloqueia canais e agrava a toxicidade cardíaca. A naloxona reverte opioides, sem relação com a síndrome anticolinérgica. Aguardar a eliminação espontânea arrisca arritmia fatal.
Menina, 3 anos, ingeriu quantidade desconhecida de comprimidos de sulfato ferroso da mãe há 2 horas, apresentando vômitos repetidos e dor abdominal, com uma evacuação diarreica escurecida. FC 138 bpm, PA 88x50 mmHg, T 36,8 °C; letárgica e com enchimento capilar de 4 segundos. Glicemia 156 mg/dL; pH 7,22 com lactato 4,8 mmol/L; radiografia de abdome com comprimidos radiopacos. Qual a conduta indicada?
Intoxicação grave por ferro, com vômitos, hipotensão, acidose lática e comprimidos radiopacos visíveis, é tratada com suporte hemodinâmico agressivo, irrigação intestinal total para descontaminação e quelação com deferoxamina intravenosa. O carvão ativado não adsorve ferro e é inútil nessa intoxicação. A indução de vômito com ipeca é prática abandonada e perigosa. A hemodiálise não remove ferro de forma eficaz, servindo apenas para remover o complexo com deferoxamina em insuficiência renal. Apenas observar em criança com choque e acidose é conduta inaceitável.
Menino, 5 anos, recebeu doses repetidas e excessivas de paracetamol pela família por três dias, totalizando cerca de 180 mg/kg ao dia. Apresenta náuseas, dor abdominal e sonolência há 12 horas. FC 118 bpm, T 36,8 °C; icterícia leve. ALT 1.840 U/L (VR até 40); INR 2,2; bilirrubina total 4,2 mg/dL (VR até 1,2); glicemia 68 mg/dL e amônia discretamente elevada. Qual a conduta indicada?
Intoxicação crônica supraterapêutica por paracetamol com hepatite grave, coagulopatia e encefalopatia incipiente exige N-acetilcisteína intravenosa, que mantém benefício mesmo tardiamente, além de contato precoce com centro de transplante pela possibilidade de insuficiência hepática aguda. O carvão ativado não tem utilidade após três dias de ingestão. O corticoide não altera o curso da hepatotoxicidade. A hemodiálise não é conduta de rotina nesse cenário. Apenas observar por 24 horas desperdiça a janela terapêutica em paciente com INR de 2,2 e sonolência já instalada.
Menina, 3 anos, ingeriu cerca de 20 comprimidos de sulfato ferroso da mãe há 90 minutos. Exame: vômitos repetidos com raias de sangue, dor abdominal, letargia; FC 148 bpm, PA 78x44 mmHg, enchimento capilar de 4 segundos. Laboratório: pH 7,18; bicarbonato 12 mEq/L; glicemia 168 mg/dL (VR 70-99); leucócitos 19.000/mm3 (VR 4.500-13.500). Radiografia de abdome mostra comprimidos radiopacos no estômago. Qual a conduta específica mais adequada?
A conduta específica é a deferoxamina venosa, quelante do ferro, associada à irrigação intestinal total, indicada pela presença de comprimidos radiopacos, e à ressuscitação volêmica agressiva: a criança apresenta a fase de toxicidade sistêmica, com vômitos hemorrágicos, choque, acidose metabólica, hiperglicemia e leucocitose, marcadores de gravidade. O carvão ativado não adsorve ferro. A N-acetilcisteína é antídoto do paracetamol e não previne a hepatotoxicidade do ferro. O bicarbonato corrige parcialmente a acidose, mas não é tratamento específico. Aguardar a eliminação espontânea em paciente já em choque e com comprimidos visíveis é conduta inaceitável.
Adolescente, 16 anos, é trazido pelos amigos após ingerir vários comprimidos de difenidramina em uma brincadeira. Exame: agitado e confuso, com alucinações visuais; pele seca, quente e ruborizada, mucosas secas, pupilas midriáticas pouco reagentes, retenção urinária com globo vesical; T 38,6 graus C, FC 136 bpm, PA 138x84 mmHg. Eletrocardiograma com QRS de 96 ms e QT corrigido de 430 ms. Qual a síndrome tóxica e a conduta inicial?
A síndrome é anticolinérgica, resumida no quadro de paciente quente, seco, ruborizado, cego pela midríase, louco pelo delirium e retendo urina, típica dos anti-histamínicos de primeira geração; a conduta inicial é suporte com benzodiazepínico para agitação, resfriamento, hidratação e sondagem vesical, reservando a fisostigmina a casos selecionados com delirium refratário e sem alargamento do QRS. A síndrome colinérgica cursa com sialorreia, broncorreia e miose, o oposto do descrito. A síndrome simpaticomimética cursa com sudorese profusa, e não com pele seca. A síndrome opioide traz miose e depressão respiratória. A abstinência alcoólica exigiria história de etilismo e cursa com sudorese intensa.
Três adolescentes chegam juntos ao pronto-socorro após consumirem chá preparado com sementes de uma planta conhecida como trombeteira, colhida em terreno baldio. Exame: todos agitados, com alucinações, fala incoerente, pele seca e ruborizada, midríase acentuada e taquicardia; T 38,2 graus C, FC 128 bpm; ruídos hidroaéreos diminuídos. Nenhum apresenta sudorese, sialorreia ou broncorreia. Qual o mecanismo tóxico envolvido?
O mecanismo é o bloqueio de receptores muscarínicos por alcaloides tropânicos, como atropina, escopolamina e hiosciamina, presentes nas plantas do gênero Datura, conhecidas como trombeteira ou saia-branca, o que explica a síndrome anticolinérgica com pele seca, midríase, delirium, hipertermia e redução dos ruídos hidroaéreos. A inibição da acetilcolinesterase produziria o quadro oposto, com sialorreia e broncorreia. O bloqueio de canais de sódio é o mecanismo dos tricíclicos e cursa com alargamento do QRS. O estímulo serotoninérgico central produziria clônus e hiperreflexia. A inibição da citocromo-oxidase é o mecanismo do cianeto, com acidose láctica grave.
Menino, 5 anos, ingeriu raiz de mandioca mal processada em zona rural há 2 horas. Exame: taquipneico, com cefaleia, vômitos e confusão; FR 34 ipm, PA 88x50 mmHg, FC 138 bpm, SatO2 de 99% na oximetria de pulso, pele sem cianose evidente. Gasometria mostra acidose metabólica com lactato de 11 mmol/L (VR até 2) e PaO2 normal. Qual o mecanismo e a conduta específica?
O mecanismo é a liberação de cianeto a partir da linamarina, glicosídeo cianogênico da mandioca brava mal processada, e a conduta específica é a hidroxocobalamina, além de oxigênio e suporte: a acidose láctica intensa com PaO2 e saturação normais reflete o bloqueio da citocromo-oxidase e a incapacidade celular de usar oxigênio. A metemoglobinemia cursaria com cianose refratária ao oxigênio e sangue achocolatado. A intoxicação colinérgica traria miose, sialorreia e broncorreia. O choque por gastroenterite não explicaria lactato dessa magnitude em duas horas com apenas alguns vômitos. Os organoclorados provocam convulsões, mas não esse padrão de acidose láctica com oxigenação preservada.
Menina, 3 anos, ingeriu acidentalmente soda cáustica guardada em garrafa de refrigerante há 90 minutos. Exame: sialorreia, recusa alimentar, dor à deglutição, lesões esbranquiçadas em lábios e orofaringe; FR 26 ipm, sem estridor, sem dispneia, abdome flácido e indolor; T 36,8 graus C. Radiografia de tórax e abdome sem pneumomediastino ou pneumoperitônio. Qual a conduta mais adequada?
A conduta é manter jejum, oferecer suporte e realizar endoscopia digestiva alta idealmente entre 12 e 24 horas, para estadiar as lesões e orientar o prognóstico e o risco de estenose. A indução de vômito reexpõe o esôfago ao cáustico e aumenta o risco de perfuração e aspiração. A tentativa de neutralização com vinagre gera reação exotérmica e agrava a lesão. A lavagem gástrica com sonda calibrosa pode perfurar tecidos lesados, e o carvão ativado não adsorve cáusticos e ainda prejudica a visualização endoscópica. A alta com retorno em 30 dias abandona a criança no período de maior risco de complicações precoces.
Menino, 5 anos, ingeriu soda cáustica há 8 semanas, com esofagite grave documentada na endoscopia inicial. Retorna com disfagia progressiva para sólidos há 3 semanas, regurgitação de alimentos e perda de 2 kg. FC 104 bpm, T 36,6 °C. Esofagografia mostra estenose longa e regular no terço médio do esôfago, com dilatação a montante. Endoscopia confirma estreitamento fibrótico que não permite a passagem do aparelho. Qual a conduta inicial mais adequada?
As dilatações endoscópicas seriadas constituem o tratamento inicial da estenose esofágica pós-cáustica, com bons resultados na maioria dos casos e possibilidade de associar medidas adjuvantes, reservando-se a cirurgia à falha do programa de dilatações. A esofagectomia com substituição de imediato é agressiva e desnecessária antes de tentar o tratamento endoscópico. O corticosteroide sistêmico isolado não reverte fibrose estabelecida. A gastrostomia definitiva sem tentativa de dilatação abandona a possibilidade de restaurar a via oral, embora possa ser usada temporariamente para suporte nutricional. A prótese metálica permanente é inadequada em criança, com risco de migração, hiperplasia e lesão.
Após uso de churrasqueira dentro de casa, criança desenvolve confusão e mal-estar, com co-oximetria compatível com intoxicação por CO. Qual intervenção específica tem prioridade?
A oferta de oxigênio é indicada apesar de eventual SpO2 normal. Exposição a combustão em ambiente fechado pode causar intoxicação por CO; oximetria convencional pode ser enganosa e oxigênio é indicado. Referência: https://www.cdc.gov/carbon-monoxide/hcp/clinical-guidance/index.html
Criança e irmãos apresentam cefaleia e tontura após aquecedor defeituoso em casa; há carboxihemoglobina elevada. Qual intervenção específica tem prioridade?
Oxigênio em alta concentração é tratamento imediato da intoxicação. Exposição a combustão em ambiente fechado pode causar intoxicação por CO; oximetria convencional pode ser enganosa e oxigênio é indicado. Referência: https://www.cdc.gov/carbon-monoxide/hcp/clinical-guidance/index.html
Família usou gerador em ambiente fechado; criança apresenta cefaleia, náusea e confusão, embora o oxímetro convencional marque 99%. Qual intervenção específica tem prioridade?
A saturação aparente não exclui intoxicação por CO. Exposição a combustão em ambiente fechado pode causar intoxicação por CO; oximetria convencional pode ser enganosa e oxigênio é indicado. Referência: https://www.cdc.gov/carbon-monoxide/hcp/clinical-guidance/index.html
Paciente foi encontrado sonolento em quarto com combustão inadequada, sem queimaduras, e tem suspeita de exposição a CO. Qual intervenção específica tem prioridade?
O afastamento da fonte e oxigênio são prioritários. Exposição a combustão em ambiente fechado pode causar intoxicação por CO; oximetria convencional pode ser enganosa e oxigênio é indicado. Referência: https://www.cdc.gov/carbon-monoxide/hcp/clinical-guidance/index.html
Qual informação é essencial para interpretar a concentração em um nomograma apropriado?

Concentração só é interpretável em relação ao tempo e ao padrão de ingestão aplicável.
Qual antídoto é usado quando indicado nessa intoxicação?

N-acetilcisteína reduz risco de lesão hepática quando usada nas situações indicadas.
Se o horário for desconhecido ou houver ingestões repetidas, o mesmo nomograma pode ser aplicado sem adaptação?

Validade depende de ingestão aguda única com tempo conhecido; outros padrões exigem critérios diferentes.
Qual órgão é especialmente ameaçado em intoxicação relevante por paracetamol?

Metabólitos tóxicos podem causar lesão hepática grave.
Por que uma concentração baixa colhida com 2 horas não basta para excluir toxicidade pela regra usual do nomograma?

O nomograma não é validado para excluir risco por amostra precoce; avaliação deve seguir protocolo toxicológico.
Após ligação do ferro pela deferoxamina, qual via de eliminação do complexo ajuda a explicar a atenção necessária à diurese e à função renal?
A eliminação renal da ferrioxamina pode ficar comprometida em oligúria ou anúria. Referência: DailyMed/FDA. Desferal (deferoxamina), bula Novartis, junho de 2025. https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/services/v2/spls/a7174843-5965-49fc-b842-f7eff7b48bbc.xml
Uma criança ingeriu comprimidos de ferro com liberação modificada. Por que a avaliação pode exigir dosagens repetidas mais tardiamente do que na ingestão de uma formulação de liberação imediata?
Formulações de liberação modificada podem produzir elevação sérica mais tardia. Referência: Royal Children’s Hospital Melbourne. Clinical Practice Guidelines: Iron poisoning. https://www.rch.org.au/clinicalguide/guideline_index/Iron_poisoning/
Após ingestão importante de ferro, uma dosagem sérica mais tardia é menor, mas a criança permanece clinicamente grave. Qual interpretação evita falsa tranquilização?
Concentrações tardias podem subestimar toxicidade após distribuição; a evolução clínica é essencial. Referência: Royal Children’s Hospital Melbourne. Clinical Practice Guidelines: Iron poisoning. https://www.rch.org.au/clinicalguide/guideline_index/Iron_poisoning/
Na investigação de possível intoxicação por monóxido de carbono em uma criança, qual tipo de amostra sanguínea pode ser utilizado para dosagem de carboxi-hemoglobina por co-oximetria?
Ambas as amostras podem ser usadas para quantificar carboxi-hemoglobina. Referência: CDC. Clinical Guidance for Carbon Monoxide Poisoning (2026). https://www.cdc.gov/carbon-monoxide/hcp/clinical-guidance/index.html
Uma criança com história compatível com exposição a CO tem a coleta de sangue realizada horas após sair do ambiente e receber oxigênio. Como esse intervalo pode afetar a interpretação?
O tempo fora da fonte e a oxigenoterapia reduzem COHb; resultado tardio exige contexto. Referência: CDC. Clinical Guidance for Carbon Monoxide Poisoning (2026). https://www.cdc.gov/carbon-monoxide/hcp/clinical-guidance/index.html
Ao comparar crianças expostas a monóxido de carbono, por que a concentração isolada de carboxi-hemoglobina não deve definir toda a avaliação de gravidade?
História, sinais neurológicos e repercussões orgânicas continuam essenciais à avaliação. Referência: CDC. Clinical Guidance for Carbon Monoxide Poisoning (2026). https://www.cdc.gov/carbon-monoxide/hcp/clinical-guidance/index.html
Na evolução de intoxicação sistêmica por ferro, qual conjunto de alterações aponta especialmente para comprometimento hepático grave?
Esse conjunto pode acompanhar necrose e insuficiência hepática por intoxicação grave. Referência: Royal Children’s Hospital Melbourne. Clinical Practice Guidelines: Iron poisoning. https://www.rch.org.au/clinicalguide/guideline_index/Iron_poisoning/
Semanas após intoxicação grave por ferro, uma criança desenvolve vômitos persistentes e sinais de obstrução digestiva. Qual mecanismo tardio deve ser considerado?
A cicatrização da lesão pode produzir obstrução semanas após a intoxicação. Referência: Royal Children’s Hospital Melbourne. Clinical Practice Guidelines: Iron poisoning. https://www.rch.org.au/clinicalguide/guideline_index/Iron_poisoning/
Uma criança recebe alta após melhora de intoxicação por monóxido de carbono. Qual possibilidade justifica orientar a família sobre mudanças posteriores de memória, comportamento ou marcha?
A recuperação aguda não exclui manifestações neurológicas tardias, que exigem reavaliação. Referência: CDC. Clinical Guidance for Carbon Monoxide Poisoning (2026). https://www.cdc.gov/carbon-monoxide/hcp/clinical-guidance/index.html
Uma família acredita que perceberia pelo cheiro qualquer acúmulo de monóxido de carbono no ambiente em que as crianças dormem. Qual propriedade do gás torna essa ideia inadequada?
A ausência de cheiro ou de coloração no ar não permite descartar CO. Referência: CDC. Carbon Monoxide Poisoning Basics (2026). https://www.cdc.gov/carbon-monoxide/about/index.html
Em intoxicação por ferro que exige tratamento prolongado com deferoxamina, qual complicação medicamentosa merece atenção especial, sobretudo quando a infusão precisa se estender além de 24 horas?
O uso prolongado requer reavaliação especializada devido ao risco de toxicidade pulmonar. Referência: DailyMed/FDA. Desferal (deferoxamina), bula Novartis, junho de 2025. https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/services/v2/spls/a7174843-5965-49fc-b842-f7eff7b48bbc.xml Complemento sobre uso prolongado: Royal Children’s Hospital. https://www.rch.org.au/clinicalguide/guideline_index/Iron_poisoning/
Durante falta de energia, uma família propõe ligar um gerador a combustível dentro da garagem, mantendo o portão aberto. Qual orientação reduz o risco de intoxicação das crianças por CO?
Portão aberto não torna segura a operação dentro da garagem; o equipamento deve permanecer fora e afastado de aberturas. Referência: CDC. Carbon Monoxide Poisoning Basics (2026). https://www.cdc.gov/carbon-monoxide/about/index.html
Na ingestão de preparação líquida de ferro, qual limitação deve ser reconhecida ao considerar radiografia abdominal para avaliar o material ingerido?
Na ingestão líquida, não há comprimidos para localizar por esse método. Referência: Royal Children’s Hospital Melbourne. Clinical Practice Guidelines: Iron poisoning. https://www.rch.org.au/clinicalguide/guideline_index/Iron_poisoning/
Na avaliação de intoxicação grave por CO em um adolescente, por que podem ser indicados eletrocardiograma e dosagem de troponina, além da avaliação neurológica?
O coração pode sofrer repercussão importante na intoxicação por CO. Referência: CDC. Clinical Guidance for Carbon Monoxide Poisoning (2026). https://www.cdc.gov/carbon-monoxide/hcp/clinical-guidance/index.html
Além de prejudicar o transporte de oxigênio no sangue, qual efeito contribui para a toxicidade sistêmica do monóxido de carbono em uma criança exposta?
A toxicidade não se limita à capacidade de transporte; o metabolismo celular também é afetado. Referência: CDC. Clinical Guidance for Carbon Monoxide Poisoning (2026). https://www.cdc.gov/carbon-monoxide/hcp/clinical-guidance/index.html
Após exposição acidental a um solvente contendo diclorometano, também chamado cloreto de metileno, pode ocorrer aumento de carboxi-hemoglobina. Qual mecanismo explica esse achado?
O metabolismo hepático do diclorometano pode gerar CO e contribuir para toxicidade tardia. Referência: ATSDR/CDC. Medical Management Guidelines for Methylene Chloride (arquivo). https://wwwn.cdc.gov/TSP/MMG/MMGDetails.aspx?mmgid=230&toxid=42
Quando se utiliza deferoxamina por via intravenosa no tratamento de intoxicação por ferro, qual risco sustenta evitar a administração rápida em bolus?
Administração intravenosa rápida está associada a reações graves; deve-se respeitar a infusão prescrita. Referência: DailyMed/FDA. Desferal (deferoxamina), bula Novartis, junho de 2025. https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/services/v2/spls/a7174843-5965-49fc-b842-f7eff7b48bbc.xml
Após vômitos e dor abdominal por ingestão importante de ferro, uma criança apresenta melhora transitória. Por que essa melhora não permite concluir resolução da intoxicação?
A redução inicial dos sintomas gastrointestinais pode preceder deterioração orgânica. Referência: Royal Children’s Hospital Melbourne. Clinical Practice Guidelines: Iron poisoning. https://www.rch.org.au/clinicalguide/guideline_index/Iron_poisoning/
Na avaliação de uma criança que ingeriu comprimidos de um sal de ferro, qual quantidade deve fundamentar o cálculo da exposição por quilograma de peso?
A fração de ferro varia entre formulações; a avaliação usa ferro elementar por peso. Referência: Royal Children’s Hospital Melbourne. Clinical Practice Guidelines: Iron poisoning. https://www.rch.org.au/clinicalguide/guideline_index/Iron_poisoning/
Uma criança com hemólise apresenta discreta elevação de carboxi-hemoglobina, sem fonte ambiental identificada. Qual processo fisiológico pode contribuir para esse resultado?
A degradação do heme gera CO; hemólise pode elevar discretamente COHb. Referência: CDC. Clinical Guidance for Carbon Monoxide Poisoning (2026). https://www.cdc.gov/carbon-monoxide/hcp/clinical-guidance/index.html
Uma criança foi tratada com glicose e octreotida por intoxicação por sulfonilureia. Está bem e se alimenta normalmente; ambas as infusões foram suspensas há uma hora. Segundo a diretriz pediátrica do RCH, qual conduta deve preceder a alta?
Glicemia controlada durante o efeito do tratamento não comprova resolução da exposição. A alta exige estabilidade sustentada após a retirada e planejamento seguro. Referências: Royal Children’s Hospital. Oral hypoglycaemic poisoning. Consultado em 23/09/2026 — https://www.rch.org.au/clinicalguide/guideline_index/Oral_Hypoglycaemic_Poisoning/
Após ingerir líquido de cigarro eletrônico, uma criança apresenta vômitos, sudorese e taquicardia. Durante a observação, evolui com fraqueza, bradicardia e hipoventilação. Qual mecanismo explica essa sequência?
A fase inicial estimulante não impede deterioração subsequente. A evolução clínica importa mais que classificar a exposição apenas pelos primeiros sinais. Referências: Royal Children’s Hospital. Nicotine poisoning. Consultado em 23/09/2026 — https://www.rch.org.au/clinicalguide/guideline_index/Nicotine_Poisoning/
Um lactente de 3 meses chega sonolento após provável exposição a um sedativo. O relato inicial afirma que ele abriu sozinho o frasco e engoliu comprimidos encontrados em uma prateleira. Após estabilização, qual aspecto deve orientar a investigação e a proteção da criança?
A avaliação de intoxicação inclui como a exposição ocorreu. A hipótese deve ser investigada com documentação objetiva e proteção, sem antecipar culpabilidade. Referências: Royal Children’s Hospital. Poisoning: acute guidelines for initial management. Consultado em 23/09/2026 — https://www.rch.org.au/clinicalguide/guideline_index/Poisoning_-_Acute_Guidelines_For_Initial_Management/
Um menino pequeno é encontrado com um frasco de clonidina aberto. Apresenta sonolência, miose, bradicardia e hipotensão; a glicemia é normal. A equipe inicia suporte e vigilância ventilatória. Qual interpretação integra melhor o medicamento e o exame?
A pupila puntiforme não identifica sozinha a substância. Confrontar a toxíndrome com os fármacos acessíveis orienta o suporte e a consulta toxicológica. Referências: Royal Children’s Hospital. Poisoning: acute guidelines for initial management. Consultado em 23/09/2026 — https://www.rch.org.au/clinicalguide/guideline_index/Poisoning_-_Acute_Guidelines_For_Initial_Management/
Uma adolescente com ingestão excessiva de valproato permanece sonolenta, apesar de glicemia e oxigenação normais e ausência de trauma. Além da concentração do fármaco, eletrólitos e avaliação hepática, qual dosagem é particularmente pertinente para procurar complicação metabólica associada?
O exame dirigido deve acompanhar o mecanismo e as complicações do tóxico identificado. Uma glicemia normal não encerra a avaliação metabólica. Referências: Royal Children’s Hospital. Sodium valproate poisoning. Consultado em 23/09/2026 — https://www.rch.org.au/clinicalguide/guideline_index/Sodium_Valproate_poisoning/
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