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Estado de mal epiléptico: o relógio começa aos cinco minutos

Estado de mal epiléptico na criança: estabilização, benzodiazepínico, segunda linha, refratariedade e investigação etiológica

Aos cinco minutos a crise já é estado de mal: benzodiazepínico vem primeiro, a segunda linha não espera doses indefinidas e a refratariedade exige via aérea, infusão contínua e EEG.

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Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Uma criança de 7 anos chega convulsionando há 8 minutos. Recebeu uma dose adequada de midazolam intranasal no transporte, mas a crise continua. Qual é a próxima conduta mais apropriada?

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Como esse tema cai

Estado de mal epiléptico convulsivo é uma emergência tempo-dependente. Para a prova e para a prática, uma crise tônico-clônica contínua por 5 minutos, ou crises repetidas sem recuperação da consciência, deve ser tratada como estado de mal — não se espera o antigo limite de 30 minutos.

O candidato precisa dominar quatro decisões: reconhecer o tempo zero, estabilizar sem atrasar o anticonvulsivante, usar benzodiazepínico em dose plena contando doses pré-hospitalares e avançar para terapia de segunda linha quando duas doses adequadas falham. A investigação etiológica ocorre em paralelo.

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O que muda decisão

1. Definição operacional e por que cinco minutos importam

A maioria das crises convulsivas autolimitadas termina antes de 5 minutos. A partir desse ponto, a probabilidade de cessação espontânea diminui e aumenta o risco de refratariedade, hipóxia, acidose, hipertermia, rabdomiólise e lesão neuronal. Cinco minutos correspondem ao tempo t1 do estado de mal tônico-clônico generalizado: é o momento de iniciar tratamento. O tempo t2, associado a maior risco de consequências duradouras, é aproximadamente 30 minutos, mas jamais deve ser usado como limiar para aguardar.

Crises intermitentes também configuram estado de mal quando o paciente não recupera a consciência basal entre elas. Após cessarem os movimentos, rebaixamento persistente pode representar período pós-ictal, efeito medicamentoso, causa metabólica ou estado de mal não convulsivo; evolução clínica e EEG ajudam na distinção.

2. Primeiros cinco minutos: estabilização e causa reversível

Acione ajuda, registre a hora de início e faça ABCDE. Proteja contra trauma, posicione a cabeça, aspire secreções quando necessário, ofereça oxigênio se houver hipoxemia e conecte monitor cardíaco, oximetria e pressão. Não introduza objetos na boca nem contenha os membros. Deixe bolsa-válvula-máscara pronta, sobretudo após benzodiazepínicos.

A glicemia capilar é a investigação imediata indispensável. Corrija hipoglicemia prontamente por via IV ou IO. Obtenha acesso venoso, mas não deixe a dificuldade atrasar midazolam intranasal, bucal ou intramuscular. Eletrólitos, cálcio, magnésio, gasometria e outros exames são dirigidos pelo contexto.

Febre não explica automaticamente uma crise prolongada. Considere meningite/encefalite, intoxicação, trauma, distúrbio hidroeletrolítico, erro inato, baixa adesão e lesão estrutural. Antimicrobianos não devem ser retardados quando houver suspeita de infecção do SNC; punção lombar e imagem vêm após estabilização.

3. Primeira linha: benzodiazepínico em dose adequada

Se a crise persiste aos 5 minutos, administre benzodiazepínico imediatamente. Opções usuais: lorazepam IV 0,1 mg/kg (máximo 4 mg), diazepam IV 0,15–0,2 mg/kg (máximo 10 mg) ou midazolam IN, bucal ou IM 0,2 mg/kg (máximo usual 10 mg). Uma via não intravenosa rápida é melhor que perder minutos tentando acesso.

Se não cessar, uma segunda dose pode ser dada após cerca de 5 minutos. Conte toda dose domiciliar ou pré-hospitalar. Mais de duas doses aumenta depressão respiratória e atrasa a segunda linha. Trate insuficiência ventilatória com abertura de via aérea, ventilação e, se necessário, intubação; não subdose por medo do suporte respiratório.

Sequência visual do manejo temporal do estado de mal epiléptico pediátrico
No estado de mal convulsivo, o tratamento começa aos 5 minutos: estabilize em paralelo, administre benzodiazepínico em dose adequada e avance sem demora para a segunda linha se a crise persistir.

4. Segunda linha: não prolongue a fase de benzodiazepínicos

Persistindo após duas doses adequadas, administre prontamente um fármaco de ação mais prolongada. Levetiracetam 60 mg/kg IV (máximo 4.500 mg), fosfenitoína 20 mg equivalentes de fenitoína/kg IV (máximo 1.500 mg PE) e valproato 40 mg/kg IV (máximo 3.000 mg) apresentam eficácia global semelhante; escolha conforme contraindicações, disponibilidade e cenário.

Levetiracetam tem poucas interações e pouca repercussão hemodinâmica. Fosfenitoína/fenitoína exige monitorização cardíaca e cautela em arritmias. Evite valproato em hepatopatia importante, suspeita de doença mitocondrial/metabólica e situações de risco gestacional. Fenobarbital 20 mg/kg IV é alternativa relevante, sobretudo em lactentes, mas pode causar hipotensão e depressão respiratória.

O erro clássico é alternar pequenas doses de benzodiazepínico e aguardar. A sequência correta é dose eficaz, reavaliação breve e progressão organizada.

5. Estado de mal refratário

Persistência apesar de benzodiazepínico e uma segunda linha em dose apropriada caracteriza refratariedade. Acione UTI, neurologia e anestesia. Pode ser necessária intubação e infusão contínua de midazolam, propofol, pentobarbital ou outro esquema institucional, com EEG contínuo.

Paralisante neuromuscular elimina a manifestação motora, não a atividade elétrica. Após intubação e bloqueio, o EEG torna-se ainda mais importante. Monitore hipotensão, ventilação, temperatura, distúrbios metabólicos e complicações musculares.

6. Investigação etiológica sem quebrar o fluxo

Busque duração real, semiologia focal, febre, trauma, adesão, acesso a substâncias, comorbidades e desenvolvimento. Em epilepsia conhecida com retorno completo ao basal, exames podem ser seletivos; primeira crise prolongada, déficit focal, trauma, imunossupressão ou recuperação atípica ampliam a investigação.

Imagem urgente é indicada com sinais de hipertensão intracraniana, déficit focal persistente, trauma relevante, suspeita de hemorragia ou lesão estrutural. Considere punção lombar na suspeita de meningite/encefalite, após estabilização e sem atrasar antimicrobianos. Níveis séricos de alguns anticonvulsivantes ajudam, mas não atrasam tratamento.

7. Depois que os abalos cessam

Documente horário, dose, via, resposta e eventos respiratórios. Reavalie consciência, pupilas, lateralização, glicemia, temperatura e ventilação. Pós-ictal pode durar dezenas de minutos, mas ausência de melhora progressiva, movimentos sutis, desvio ocular ou instabilidade sem explicação sugerem estado não convulsivo e indicam EEG.

A internação depende de duração, necessidade de segunda linha, causa, recuperação, idade, comorbidades e segurança familiar. Antes da alta de casos selecionados, revise plano de resgate, dose pelo peso atual, sinais para chamar emergência e seguimento.

8. Padrão mental para a prova

Pense em três trilhos simultâneos: suporte fisiológico, interrupção da crise e investigação da causa. Aos 5 minutos: ABC, glicemia e benzodiazepínico. Após segunda dose adequada sem resposta: segunda linha. Persistência: refratário, via aérea, infusão anestésica e EEG. Tentativas repetidas de acesso ou múltiplas doses pequenas representam atraso terapêutico.

04

Algoritmo temporal do estado de mal convulsivo

Os tempos são aproximados; o princípio é evitar intervalos ociosos.

  1. 1Convulsão ≥5 min ou crises sem recuperação
  2. 2ABCDE + glicemia em paralelo
  3. 3Benzodiazepínico — máximo duas doses adequadas
  4. 4Segunda linha sem demora
  5. 5Persistência: refratariedade e EEG

0–5 min

Segurança, ABCDE, monitorização, glicemia e acesso sem atrasar tratamento.

5–10 min

Benzodiazepínico em dose plena; repetir uma vez se persistir.

10–20 min

Levetiracetam, fosfenitoína/fenitoína, valproato ou fenobarbital conforme contexto.

>20–30 min

Refratário: UTI, via aérea, infusão contínua e EEG.

Opções farmacológicas usuais

EtapaFármacoDose de referênciaCuidado
1ª linhaLorazepam IV0,1 mg/kg; máx. 4 mgVentilação
1ª linha sem IVMidazolam IN/bucal/IM0,2 mg/kg; máx. usual 10 mgNão atrasar
2ª linhaLevetiracetam IV60 mg/kg; máx. 4.500 mgPouca repercussão hemodinâmica
2ª linhaFosfenitoína IV20 mg PE/kg; máx. 1.500 mg PEMonitorização cardíaca
2ª linhaValproato IV40 mg/kg; máx. 3.000 mgEvitar hepatopatia/mitocondriopatia
AlternativaFenobarbital IV20 mg/kgHipotensão/depressão respiratória

Conte doses pré-hospitalares.

A ausência de acesso IV não justifica atraso.

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Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Qual é a melhor segunda linha?

Evidência comparativa

Levetiracetam, fosfenitoína e valproato têm taxas globais semelhantes.

ESETT e diretrizes

Protocolos locais

A ordem varia por disponibilidade, idade, comorbidades e familiaridade.

Serviços pediátricos

Na prova

Reconheça mais de uma opção válida; prioridade é dose correta e precoce.

Intubar após benzodiazepínico?

Não automaticamente

Sonolência com ventilação adequada permite suporte e vigilância.

Prática de emergência

Quando necessário

Apneia, hipoventilação, hipoxemia ou anestesia para refratariedade exigem via aérea.

ABCDE

Na prova

A decisão é fisiológica, não baseada apenas no número de doses.

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Caso resolvido

Menino de 7 anos, 24 kg, convulsiona há 8 minutos. Recebeu midazolam intranasal 5 mg há 3 minutos. Mantém abalos, SpO₂ 93%, glicemia 96 mg/dL e não há acesso venoso.
Reconhecer
É estado de mal porque ultrapassou 5 minutos.
Estabilizar
Posicionar, oxigenar, aspirar se indicado, monitorar e preparar ventilação.
Tratar
A dose pré-hospitalar aproximou-se de 0,2 mg/kg. Se completar 5 minutos sem cessação, dar a segunda e última dose adequada por via rápida.
Avançar
Persistindo após duas doses, obter IV/IO e iniciar segunda linha.
Investigar
História e exames dirigidos ocorrem em paralelo.
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Agora feche você

Lactente de 10 meses mantém crise tônico-clônica após duas doses adequadas de benzodiazepínico. Glicemia normal, ventilação assistida eficaz e acesso IO obtido.
Classificação
Estado de mal estabelecido após falha da primeira linha.
Próxima intervenção
_____
Se persistir
_____
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Onde a banca derruba

  1. 1Esperar 30 minutos O limiar operacional é 5 minutos.
  2. 2Insistir no acesso venoso Use via não IV enquanto o acesso é obtido.
  3. 3Ignorar dose domiciliar Dose pré-hospitalar conta no limite.
  4. 4Repetir benzodiazepínico Após duas doses, avance.
  5. 5Confundir paralisia com controle Bloqueio mascara convulsão e requer EEG.
  6. 6Punção antes de estabilizar Suporte e interrupção da crise vêm primeiro.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

O tratamento começa aos 5 minutos; doses pré-hospitalares contam.

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Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

Reconstrua a linha do tempo 0–5, 5–10, 10–20 e >20 minutos e escreva uma dose em cada etapa.

em 30 dias

Resolva uma vinheta com dose pré-hospitalar, acesso difícil e falha da segunda linha. Explique quando suspeitar de estado não convulsivo.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Verbalize o relógio, conte as doses já recebidas, escolha a via mais rápida e antecipe suporte ventilatório. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.