PediatriaEmergências Pediátricas

Parada cardiorrespiratória pediátrica

Três algoritmos disputam a mesma criança, e o que decide qual deles vale não é o diagnóstico: é um aniversário, um sinal de puberdade e um número de batimentos. Este capítulo mede onde cada régua começa, onde termina e o que sobra sem nome entre elas.

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Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Lactente de 8 meses, previamente hígido, é encontrado irresponsivo no berço pela mãe. Dois socorristas treinados iniciam o atendimento: a criança não responde a estímulos, não apresenta respiração e não há pulso braquial palpável em até 10 segundos. Inicia-se imediatamente a reanimação cardiopulmonar com compressões torácicas de alta qualidade. Segundo o PALS/SAVP, com dois socorristas disponíveis, qual é a relação compressão-ventilação recomendada para esse lactente?

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Como esse tema cai

Neste instantâneo do acervo de questões da plataforma há 23.717 questões vivas e 819 capítulos escritos. Varrendo enunciado, alternativas, comentário e resposta esperada de todas elas, sem olhar a coluna de tema, a reanimação de uma criança aparece em 34 questões. Trinta e uma estão soltas. As três que já pertencem a algum capítulo pertencem a capítulos de adulto: o de parada cardiorrespiratória e suporte avançado de vida, o de insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida e o de parada cardiorrespiratória na gestante. Nenhuma é ensinada em Pediatria.

O desenho dessas 31 questões diz o que a banca pede. Elas cobram a decisão de comprimir diante de bradicardia com má perfusão, a sequência de fármacos na fibrilação ventricular, a conta de joules e de miligramas para um peso dado, a ventilação de resgate no afogado e a manobra de desobstrução. O que elas não cobram é a fronteira: em que idade uma régua termina e a outra começa, e o que acontece com o paciente que cai exatamente em cima do corte.

É ali que o tema fica difícil, porque não há uma reanimação pediátrica, há três. A do recém-nascido, com relação 3 para 1 e 120 eventos por minuto. A do lactente e da criança, com 100 a 120 compressões por minuto e relação que muda conforme o número de socorristas. E a do adolescente, que é a do adulto. As três dividem os mesmos fármacos, o mesmo desfibrilador e o mesmo corpo pequeno, e trocam de comando por um aniversário, por um sinal físico ou por um endereço.

Este capítulo cobre esse vão. Ele arruma os números lado a lado, faz as contas de peso em que cada teto de dose encosta, mostra em que pontos as duas réguas em vigor no Brasil discordam entre si e aponta as três frases em que os próprios documentos deixam um valor sem nome.

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O que muda decisão

Três algoritmos, dois aniversários e um sinal físico

Como usar este capítulo: percorra o algoritmo na ordem real — reconhecimento em até 10 segundos, ventilação e compressões de qualidade, identificação do ritmo, choque ou adrenalina, causas reversíveis e cuidados pós-parada. Memorize primeiro os pontos de transição; doses, energia e exceções vêm na segunda passagem.

A diretriz brasileira abre a seção pediátrica definindo quem é quem, e a definição é curta o bastante para ser lida inteira. Lactentes são os menores de 1 ano, excluindo os recém-nascidos. Crianças são os maiores de 1 ano e antes de apresentar sinais de puberdade, definidos ali como o aparecimento do broto mamário nas meninas e a presença de pelos em região axilar nos meninos. Adolescentes são os que apresentam sinais de puberdade, e nesse grupo aplicam-se as recomendações dos adultos.

Leia de novo as duas primeiras linhas e conte os dias. Lactente é quem tem menos de 1 ano. Criança é quem tem mais de 1 ano. A criança que faz um ano hoje não está em nenhuma das duas frases. O mesmo corte reaparece, com a mesma redação, na desobstrução de via aérea: as manobras do texto brasileiro são descritas para os menores de 1 ano e para os maiores de 1 ano, e outra vez o aniversário exato fica de fora. Não é sutileza de leitura: é a diferença entre comprimir o tórax e comprimir o abdome, entre a relação de dois dedos e a de duas mãos.

A fronteira de cima é ainda mais estranha, porque não é um número. É um sinal físico, procurado num paciente inconsciente, geralmente vestido, com a equipe fazendo compressões. Um menino de 11 anos com pelos axilares recebe, pela letra da diretriz, a régua do adulto: relação 30 para 2 sempre, profundidade de 5 a 6 centímetros, 1 ventilação a cada 6 segundos depois de intubado. Um menino de 14 anos ainda pré-púbere recebe a régua pediátrica. A diretriz americana de 2025, no capítulo de suporte avançado, descreve a população pediátrica por idade, e não por puberdade, e chega a nomear separadamente as crianças com 1 ano de idade ou mais ao dar o alvo de pressão diastólica. As duas fronteiras coexistem, e a prova brasileira costuma cobrar a puberdade.

A fronteira de baixo é a que mais aparece em vinheta. O documento brasileiro de reanimação neonatal traz no próprio título o seu alcance: recém-nascido com 34 semanas ou mais em sala de parto. Ali a relação é 3 compressões para 1 ventilação, com 120 eventos por minuto, o que dá 90 movimentos de massagem e 30 ventilações. A massagem começa se a frequência estiver abaixo de 60 depois de 30 segundos de ventilação por cânula traqueal com técnica adequada, e a bradicardia, nesse texto, é definida como frequência abaixo de 100. Já a definição brasileira de lactente exclui o recém-nascido sem dizer até quando ele é recém-nascido.

O resultado é aritmético e vale a pena ver escrito. Na sala de parto o bebê recebe 90 compressões e 30 ventilações por minuto. O mesmo bebê, dias depois num pronto-socorro pela régua do lactente, recebe 100 a 120 compressões e, na relação 15 para 2 com dois socorristas a 120 compressões por minuto, 16 ventilações. As compressões sobem entre 11% e 33%; as ventilações caem para 8/15 do que ele recebia no primeiro minuto de vida.

Para a prova, o que importa é saber que a mudança existe e por que ela existe. A reanimação neonatal privilegia a ventilação porque o problema é a transição respiratória: o pulmão precisa encher de ar. A reanimação do lactente já assume um coração hipoxêmico há mais tempo e privilegia a perfusão coronariana, que depende da compressão. Quando o enunciado diz sala de parto, minuto de ouro ou clampeamento de cordão, a régua é neonatal. Quando diz berço, casa, ambulância ou pronto-socorro, é a pediátrica.

O que se decide em dez segundos, e o número que ninguém nomeia

O reconhecimento tem três elementos e um relógio: paciente não responsivo, sem respiração ou com respiração agônica, e sem pulso central. A checagem de respiração e pulso é simultânea, com o mínimo de 5 e o máximo de 10 segundos, e o pulso é braquial no lactente e carotídeo na criança.

A checagem de responsividade tem descrição própria por faixa: no lactente, bater na região plantar de um dos pés três vezes; na criança, chamar e tocar nos ombros três vezes.

O socorrista leigo tem regra diferente, e a diferença é deliberada. O leigo não checa pulso: se a criança está inconsciente e não respira, a compressão está indicada. E ele mantém a relação de 30 compressões para 2 ventilações em todas as faixas etárias, mesmo que sejam dois leigos. A relação 15 para 2 é do profissional de saúde com dois socorristas.

A decisão que mais aparece em prova não é a da parada instalada. É a da bradicardia. A diretriz brasileira diz, com todas as letras, que frequência inferior a 60 batimentos por minuto com perfusão inadequada é indicação para o início das compressões torácicas. E acrescenta a condição que a banca esconde: isso vale depois de ventilação e oxigenação efetivas. Se a criança melhora com a ventilação, não se comprime. A hipoxemia é a principal causa das bradiarritmias pediátricas, e a ventilação é o tratamento da causa.

Agora o vão. O mesmo texto, na sequência do suporte básico, manda deixar a criança em posição de recuperação caso o pulso esteja presente e a frequência seja maior que 60 com respiração regular; e manter as compressões se o pulso estiver ausente ou menor que 60. Uma frequência de exatamente 60 batimentos por minuto não está em nenhuma das duas metades. A resolução clínica é óbvia — a decisão real é pela perfusão, não pelo número — mas a alternativa de prova costuma ser escrita com o número, e é preciso reconhecer que ele fica sem dono.

O segundo relógio é o da reavaliação. A cada 2 minutos se reavalia o pulso central e se troca quem comprime, para reduzir fadiga. Se o pulso está ausente ou há dúvida depois de 10 segundos, reinicia-se a compressão. E a diretriz americana de 2025 acrescentou uma exigência de qualidade que é fácil de cobrar: as pausas nas compressões devem ser inferiores a 10 segundos, com o argumento de que a frequência e a duração das pausas se associaram a menor chance de retorno da circulação espontânea.

Vale registrar a epidemiologia porque ela costuma virar alternativa. A parada pediátrica é, na maioria das vezes, secundária a deterioração respiratória ou choque, com assistolia e atividade elétrica sem pulso como ritmos mais frequentes; a causa cardíaca primária responde por 5 a 15% das paradas pré-hospitalares. A sobrevida pré-hospitalar fica em torno de 6 a 8%, com 4% em lactentes, 10% em crianças e 13% em adolescentes; a hospitalar melhorou para 36 a 43% de sobrevida à alta.

Profundidade, frequência e a relação que depende de quantas mãos há na sala

A profundidade tem duas redações que convivem na mesma linha, e é preciso saber que são duas. A regra estrutural é comprimir no mínimo um terço do diâmetro anteroposterior do tórax; a prática é comprimir aproximadamente 4 centímetros no lactente e 5 na criança. E há um teto herdado do adulto: a diretriz brasileira registra o limite máximo de 6 centímetros em adolescentes, com dados mostrando associação consistente com pior desfecho acima disso.

As duas redações só coincidem em um tórax de tamanho específico. Um terço vale 4 centímetros quando o diâmetro anteroposterior é de 12 centímetros, e vale 5 centímetros quando o diâmetro é de 15. Num escolar de tórax mais profundo, digamos 18 centímetros, um terço já dá 6 centímetros — que é o teto do adolescente. Em 21 centímetros, um terço daria 7, acima do teto. A regra do terço e a regra dos centímetros divergem exatamente onde a criança começa a ter porte de adulto, e é ali que a banca gosta de perguntar qual das duas manda.

A frequência é a mesma em toda a faixa pediátrica: mínimo de 100 e máximo de 120 compressões por minuto. Convém notar uma inconsistência do próprio documento brasileiro, porque ela já apareceu como pegadinha: no algoritmo de bradicardia com pulso, a fase que manda comprimir escreve 100 compressões por minuto, sem a faixa. Todo o resto do texto, inclusive o quadro de suporte básico de alta qualidade e a seção de suporte avançado, diz 100 a 120.

A relação compressão-ventilação é a marca registrada da pediatria e o item mais cobrado do capítulo. Com um socorrista, 30 para 2. Com dois ou mais socorristas profissionais, 15 para 2. A diferença existe porque a parada pediátrica é asfíxica: dois socorristas conseguem dobrar a oferta de ventilações sem sacrificar compressão. A reanimação só com compressão, tão divulgada para o leigo no adulto, não é a recomendação em pediatria: a diretriz brasileira indica ventilação intercalada dentro e fora do hospital, e reserva a compressão isolada para quem não consegue ventilar.

A técnica de compressão é o ponto em que as duas réguas hoje se afastam. O texto brasileiro descreve, no lactente com um socorrista, dois dedos no centro do tórax logo abaixo da linha intermamilar; e, com dois ou mais socorristas, os dois polegares com as mãos circundando o tórax e sustentando o dorso. Na criança, uma ou duas mãos no terço inferior do esterno, evitando o apêndice xifoide. A diretriz americana de 2025 mudou: para lactentes, o socorrista deve comprimir com a base de uma das mãos ou com a técnica dos dois polegares circundando o tórax, e a técnica tradicional dos dois dedos deixou de ser recomendada, com o argumento de que ela não alcançava a profundidade adequada.

Na desobstrução de via aérea por corpo estranho, a mesma coisa aconteceu na direção contrária. O texto brasileiro manda, no menor de 1 ano, alternar cinco golpes nas costas com cinco compressões torácicas; e, no maior de 1 ano, realizar compressões abdominais na região entre a cicatriz umbilical e o apêndice xifoide. A diretriz americana de 2025 passou a iniciar também a criança por golpes nas costas, em ciclos de cinco golpes seguidos de cinco compressões abdominais, por dados observacionais de melhor desobstrução. As duas concordam no essencial e é isso que a prova cobra: compressão abdominal só acima de 1 ano, e compressão torácica no lactente. A exceção é a criança obesa em que o socorrista não consegue abraçar o abdome, situação em que o texto brasileiro autoriza a compressão torácica.

Dois números fecham a lista. A obstrução por corpo estranho ocorre predominantemente em menores de 5 anos, com 65% dos casos abaixo de 1 ano. E, na perda de consciência, a conduta deixa de ser manobra de desobstrução e passa a ser reanimação iniciada pelas compressões, sem palpar pulso, retirando o objeto em movimento de pinça apenas se estiver visível — nunca por varredura às cegas.

A ventilação, que é onde as réguas mais discordam

Aqui está a divergência ativa mais consequente do capítulo, e ela tem data. Até 2020, a régua era única: na criança em apneia com pulso, 12 a 20 respirações por minuto, isto é, uma a cada 3 a 5 segundos; e, na reanimação com via aérea avançada, 1 ventilação a cada 6 segundos, ou seja, 10 por minuto, com compressões contínuas. É exatamente isso que a diretriz brasileira de 2019 traz na Tabela 12.1 e no Quadro 11.1.

A diretriz americana de 2020 mudou os dois números para o mesmo valor: 1 ventilação a cada 2 ou 3 segundos, isto é, 20 a 30 por minuto, tanto na ventilação de resgate quanto na reanimação com via aérea avançada. A justificativa publicada é direta: frequências mais altas — no mínimo 30 por minuto em bebês com menos de 1 ano e no mínimo 25 por minuto em crianças — associaram-se a mais retorno de circulação e mais sobrevida na parada intra-hospitalar pediátrica. A revisão de 2025 manteve a mudança.

O tamanho da diferença merece a conta. Em 2 minutos de reanimação com o tubo instalado, a régua brasileira de 2019 entrega 20 ventilações; a americana vigente entrega de 40 a 60. É o triplo, no limite superior. E há um detalhe contraintuitivo que a banca adora: a frequência de ventilação sobe quando o tubo entra. Antes de intubar, na relação 15 para 2 a 120 compressões por minuto, saem 16 ventilações por minuto; a 100 compressões por minuto, saem 13,3. Na relação 30 para 2, saem 8 e 6,7 respectivamente. Depois de intubar, a régua americana pede 20 a 30. Quem decorou que via aérea avançada significa ventilar menos aprendeu a regra do adulto, onde a frequência realmente é 1 a cada 6 segundos.

Eixo vertical de ventilações por minuto de 0 a 30. À esquerda, antes da via aérea avançada: relação 30 para 2 a 100 compressões dá 6,7 e a 120 dá 8; relação 15 para 2 a 100 compressões dá 13,3 e a 120 dá 16. À direita, depois da via aérea avançada: ponto em 10 pela diretriz brasileira de 2019 e faixa de 20 a 30 pela diretriz americana vigente. Duas setas partem do valor 16, uma descendo até 10 e outra subindo até a faixa de 20 a 30. No rodapé, em 2 minutos com o tubo instalado, 20 ventilações contra 40 a 60.
Na mesma criança intubada, uma régua manda ventilar 10 vezes por minuto e a outra 20 a 30: pela brasileira a frequência cai quando o tubo entra, pela americana ela sobe.

O material tem números próprios. Balão autoinflável de 250 mililitros no prematuro, de no mínimo 450 a 500 no recém-nascido de termo e no lactente, e acima de 750 na criança a partir de 1 ano; com reservatório e fluxo de 10 a 15 litros por minuto, ele entrega fração inspirada de oxigênio próxima de 100%. Cada ventilação é feita em 1 segundo, com elevação visível do tórax.

O calibre da cânula tem uma tabela e uma fórmula, e elas não fecham nas bordas. A tabela brasileira dá 2 a 3 milímetros sem balonete no prematuro e no recém-nascido, 3 a 3,5 no lactente até 6 meses, 4 a 4,5 no lactente de 6 a 12 meses, a fórmula da idade dividida por 4 mais 4 sem balonete — ou mais 3,5 com balonete — entre 1 e 8 anos, e 7 a 8 com balonete acima de 8 anos e em adolescentes. Note que 6 meses aparece nas duas faixas de lactente. Note, sobretudo, o degrau dos 8 anos: pela fórmula, aos 8 anos o cálculo dá 6 milímetros sem balonete e 5,5 com balonete; a linha seguinte da tabela salta para 7 milímetros. É um degrau de 1 a 1,5 milímetro em um aniversário.

O degrau se propaga para a profundidade de inserção, porque ela é estimada como o diâmetro interno multiplicado por 3. Seis milímetros dão 18 centímetros; sete milímetros dão 21. Três centímetros de diferença por causa de uma linha de tabela. Some-se a isso a preferência de lâmina: reta até 4 anos, curva acima disso.

Dois pontos em que a régua americana atualizou e a brasileira de 2019 ainda não acompanhou. O balonete: a diretriz de 2020 passou a recomendá-lo em vez da cânula sem balonete em qualquer idade, com pressão de insuflação abaixo de 20 a 25 centímetros de água; o texto brasileiro admite as duas, prefere a com balonete em complacência reduzida, resistência alta ou escape, e fixa o teto em 20. E a pressão cricoide: a diretriz de 2020 deixou de recomendar seu uso rotineiro, enquanto o texto brasileiro ainda a inclui na sequência rápida do afogado. A capnografia é altamente recomendada em todos os ambientes, com a ressalva de que, na parada, o dióxido de carbono exalado pode não ser detectável mesmo com o tubo bem posicionado.

Farmacologia por quilo: onde cada teto encosta

A regra geral vem antes das doses: elas são calculadas pelo peso atual na criança não obesa, ou pelo peso ideal estimado pela altura na criança obesa, e nunca ultrapassam a dose preconizada para o adulto. Sem o peso, usam-se fitas com doses pré-calculadas por comprimento. Se o acesso venoso não sai, o intraósseo é estabelecido, e ele é preferível à via endotraqueal.

A adrenalina é o fármaco do capítulo. Na parada, 0,01 miligrama por quilo, o que corresponde a 0,1 mililitro por quilo da solução 1 para 10.000, por via intravascular ou intraóssea, na primeira dose e nas subsequentes, em intervalos de 3 a 5 minutos, com dose máxima única de 1 miligrama. A via endotraqueal não é mais recomendada, mas, se for a única obtida, a dose é aumentada em dez vezes: 0,1 miligrama por quilo, o que corresponde a 0,1 mililitro por quilo da solução 1 para 1.000.

Repare no desenho da armadilha: o volume é o mesmo nas duas vias — 0,1 mililitro por quilo — e o que muda é a diluição. O teto de 1 miligrama por dose só encosta na conta por quilo aos 100 quilos, de modo que, em pediatria, ele quase nunca limita nada.

O momento da adrenalina virou recomendação com número. A diretriz americana de 2020 estabeleceu como aconselhável administrar a dose inicial em até 5 minutos depois do início das compressões, com ênfase no ritmo não chocável; a revisão de 2025 passou a dizer o mais rápido possível, citando revisão sistemática em que intervalo inferior a 3 minutos se associou a mais desfechos favoráveis. O texto brasileiro traz o intervalo de repetição, mas não fixa a janela da primeira dose.

Os antiarrítmicos têm tetos que caem em pesos redondos, e vale saber quais. A amiodarona na fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular sem pulso é 5 miligramas por quilo em bólus, com máximo de 300 miligramas — teto que encosta exatamente aos 60 quilos. A adenosina na taquicardia supraventricular é 0,1 miligrama por quilo, com máximo de 6 miligramas na primeira dose, e 0,2 miligrama por quilo, com máximo de 12 miligramas na segunda: os dois tetos também encostam aos 60 quilos, de modo que a duplicação da dose se mantém válida até esse peso e depois dele deixa de existir. O sulfato de magnésio é 25 a 50 miligramas por quilo, com máximo de 2 gramas: o limite superior da faixa encosta no teto aos 40 quilos, e o inferior só aos 80. A lidocaína é 1 miligrama por quilo em bólus, com infusão de 20 a 50 microgramas por quilo por minuto, e 2 a 3 miligramas por quilo se a via for endotraqueal.

A atropina é o caso mais interessante do capítulo, porque o documento brasileiro se contradiz dentro de uma mesma página. A dose é 0,02 miligrama por quilo, com limites em crianças de 0,1 a 0,5 miligrama por dose e, em adolescentes, de 0,1 a 1 miligrama; pode ser repetida em 5 minutos, até um total de 1 miligrama em crianças e 2 em adolescentes; e a via endotraqueal usa 0,04 a 0,06 miligrama por quilo. Faça as contas: 0,02 miligrama por quilo encontra o piso de 0,1 miligrama aos 5 quilos e o teto de 0,5 aos 25 quilos; em adolescentes, o teto de 1 miligrama encosta aos 50 quilos. Num lactente de 3,2 quilos, o cálculo dá 0,064 miligrama, e obedecer ao piso de 0,1 significa administrar 0,031 miligrama por quilo, ou seja, 1,56 vez a dose por quilo prescrita. E o mesmo texto, ao discutir a pré-medicação da intubação de emergência, escreve que nessa indicação é permitido utilizar doses inferiores a 0,1 miligrama.

Os fármacos restantes têm indicação, não rotina. Cálcio só em hipocalcemia, intoxicação por bloqueador de canal de cálcio, hipermagnesemia ou hipercalemia, na dose de 20 miligramas por quilo de cloreto de cálcio a 10%, equivalentes a 5,4 miligramas por quilo de cálcio elementar; o gluconato precisa do triplo para o mesmo cálcio elementar. Bicarbonato de sódio entra na acidose metabólica grave com ventilação adequada, na hipercalemia, na hipermagnesemia e na intoxicação por bloqueadores de canal de sódio, com 1 miliequivalente por quilo em bólus lento, ou 1 a 2 na intoxicação, até pH acima de 7,45. Glicose apenas com hipoglicemia documentada, 0,5 a 1 grama por quilo, e as três apresentações são internamente coerentes: 2 mililitros de soro glicosado a 25% carregam meio grama, tanto quanto 5 mililitros do a 10% e 10 do a 5%.

A fronteira farmacológica com o recém-nascido fecha a seção e é o número que mais surpreende. Na sala de parto a adrenalina endovenosa é de 0,01 a 0,03 miligrama por quilo, e o Anexo 5 do documento neonatal brasileiro transforma isso em prática com 0,2 mililitro por quilo da diluição de 1 mililitro da ampola em 9 de soro fisiológico — ou seja, 0,02 miligrama por quilo, o dobro do algoritmo pediátrico. Num bebê de 3 quilos, 0,06 miligrama na sala de parto contra 0,03 fora dela. O mesmo texto proíbe ultrapassar 0,1 miligrama por quilo por qualquer via no período neonatal, e esse é exatamente o valor da dose endotraqueal pediátrica.

As duas escadas de energia, e onde elas se cruzam

Desfibrilação e cardioversão usam o mesmo aparelho, a mesma unidade e faixas que se tocam. Separar as duas escadas antes de ler a alternativa é metade da questão.

A desfibrilação trata fibrilação ventricular e taquicardia ventricular sem pulso, é assíncrona e vem antes de qualquer fármaco no ritmo chocável. A dose inicial recomendada pelo texto brasileiro é de 2 a 4 joules por quilo, e as subsequentes aumentam progressivamente até 10 se necessário — a justificativa é a baixa taxa de sucesso com 2 joules por quilo e a segurança demonstrada com até 10. O documento registra que não se conhece a energia mínima eficaz nem o limite superior seguro.

A cardioversão é sincronizada com a onda R, trata taquiarritmia com pulso e perfusão inadequada, e começa muito mais baixo: 0,5 a 1 joule por quilo na taquicardia supraventricular; se a arritmia persistir depois da primeira tentativa, dobra-se para 1 a 2 joules por quilo. Se ainda assim não converter, o passo não é subir a carga: é reavaliar se aquilo é mesmo supraventricular ou se é taquicardia ventricular.

Agora as sobreposições, que são o material de prova. Um joule por quilo é ao mesmo tempo o topo da primeira carga de cardioversão e o piso da segunda: a redação diz 0,5 a 1 e depois 1 a 2, e o valor de 1 pertence às duas linhas. Dois joules por quilo é ao mesmo tempo o topo da segunda carga de cardioversão e o piso da primeira desfibrilação. Numa criança de 15 quilos, isso quer dizer que 30 joules podem ser a segunda tentativa de cardioverter uma taquicardia supraventricular ou o primeiro choque de uma fibrilação ventricular. A alternativa que diz apenas o número de joules, sem dizer se é sincronizado, não está dizendo o suficiente.

Vale fixar a escada em um peso. Numa criança de 15 quilos: cardioversão de 7,5 joules, depois 15; desfibrilação de 30 joules, depois 60, com teto de 150 se for preciso chegar aos 10 joules por quilo. A primeira carga de cardioversão é um quarto da primeira de desfibrilação.

O equipamento tem hierarquia declarada. Para fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular sem pulso em criança fora do hospital, a ordem de preferência é desfibrilador manual, depois desfibrilador externo automático com atenuador de carga pediátrico, depois desfibrilador externo automático sem atenuador. E há uma cláusula que anula a hierarquia na prática: havendo qualquer atraso na disponibilidade do dispositivo preferido, usa-se o que estiver imediatamente disponível.

O critério do atenuador tem dois eixos e eles não se sobrepõem perfeitamente. O texto brasileiro diz que o uso do aparelho com atenuador é preferível em crianças menores de 8 anos, incluindo lactentes, ou com menos de 25 quilos. Como os dois critérios são alternativos, um escolar obeso de 6 anos com 32 quilos entra pela idade e um adolescente magro de 10 anos com 22 quilos entra pelo peso. E o aparelho automático pode ser usado em menores de 1 ano na ausência de desfibrilador manual — ponto que já foi contraindicação em diretrizes antigas e ainda aparece como distrator. Quanto às pás, usa-se o maior tamanho que couber no tórax sem que uma toque na outra, porque a impedância transtorácica cai com o aumento do tamanho; a posição anteroposterior e a anterolateral não diferiram em retorno de circulação.

Depois do retorno, e o que a prova cobra do pós-parada

O retorno da circulação espontânea abre um segundo capítulo com números próprios, e a prova brasileira ainda cobra pouco dele — o que faz dele terreno de questão discriminativa.

A temperatura é o item mais antigo e o mais mal decorado. A febre é tratada agressivamente. Em crianças comatosas ressuscitadas de parada extra-hospitalar, o texto brasileiro manda manter 5 dias de normotermia, definida como 36 a 37,5 graus, ou 2 dias de hipotermia contínua inicial, de 32 a 34 graus, seguidos de 3 dias de normotermia. As duas opções somam 5 dias, e é essa simetria que a banca inverte. Depois de parada intra-hospitalar, o documento registra que os dados não bastam para recomendar a hipotermia sobre a normotermia.

A pressão arterial ganhou alvos em dois momentos distintos. Durante a reanimação, com monitorização invasiva contínua, a diretriz americana de 2025 considera aceitável mirar diastólica de 25 milímetros de mercúrio ou mais em bebês e de 30 ou mais em crianças com 1 ano de idade ou mais. Depois da parada, o texto brasileiro pede sistólica acima do percentil 5 para a faixa etária, e a revisão de 2025 subiu para sistólica e média acima do percentil 10, com base em análise que associou sistólica acima do percentil 10 e diastólica acima do percentil 50 nas primeiras 6 horas a melhor desfecho. A hipotensão ocorre em 25% a 50% dos bebês e crianças depois do retorno da circulação.

O dióxido de carbono exalado tem um número e uma proibição. A diretriz americana de 2025 registra que valores de dióxido de carbono ao final da expiração iguais ou superiores a 20 milímetros de mercúrio durante a reanimação se associaram a mais retorno de circulação e mais sobrevida à alta, e que o monitoramento pode ser considerado para acompanhar a qualidade da reanimação. E acrescenta, como recomendação nova, que um valor isolado de corte não deve ser usado como única indicação para terminar os esforços, porque houve sobreviventes com média abaixo de 20. Alternativa que manda interromper a reanimação por causa de um número de capnografia está errada por essa frase.

As convulsões entraram nas diretrizes pediátricas em 2020: monitoramento contínuo por eletroencefalografia, quando houver recurso, na encefalopatia persistente; tratar as convulsões clínicas; e tratar o estado epiléptico não convulsivo com especialista. A revisão de 2025 acrescentou que o eletroencefalograma feito até 72 horas depois da parada é aceitável para apoiar prognóstico quando interpretado junto com outros critérios, e que nenhuma modalidade isolada — exame neurológico, biomarcador, eletroencefalograma ou imagem — atingiu precisão para prognosticar sozinha. Os reflexos de tosse e de vômito e a resposta à dor tiveram a utilidade descrita como não bem estabelecida.

A glicemia é monitorizada para evitar hipoglicemia e hiperglicemia prolongada, sem que o controle rigoroso tenha se mostrado superior ao moderado, e o oxigênio é titulado para saturação igual ou maior que 94%. A reabilitação virou recomendação formal desde 2020: avaliar a necessidade de serviços de reabilitação e encaminhar para avaliação neurológica continuada por pelo menos um ano depois da parada.

Duas situações especiais fecham o capítulo porque mudam números que pareciam fixos. No afogamento, a hipóxia é a causa e o tratamento começa pela ventilação: administram-se cinco ventilações de resgate assim que possível, mantém-se 30 compressões para 2 ventilações e evita-se a reanimação só com compressão; a imobilização cervical não é indicada de rotina, porque a incidência de lesão de coluna cervical em afogados é de aproximadamente 0,5%. E há sobrevida sem dano neurológico descrita em submersões acima de 60 minutos, quase invariavelmente em água gelada. No choque, o bólus é de 20 mililitros por quilo de cristaloide isotônico, repetido se a perfusão não melhorar, mesmo com pressão arterial normal; a diretriz americana de 2020 flexibilizou para alíquotas de 10 ou 20 mililitros por quilo com reavaliação frequente, por risco de sobrecarga, e passou a indicar adrenalina ou noradrenalina como vasoativo inicial no choque séptico refratário a volume, com dopamina apenas se aquelas não estiverem disponíveis.

04

Da vinheta ao algoritmo, e do algoritmo ao número

Três perguntas em sequência, e nenhuma delas é o diagnóstico. A primeira é qual régua vale, e se resolve pela idade, pelo sinal de puberdade e pelo endereço. A segunda é se aquilo já é parada, e se resolve por pulso e por frequência. A terceira é o número, e se resolve pelo peso — desde que se saiba em que peso cada teto encosta.

  1. 11. Onde a cena acontece? Sala de parto, minuto de ouro, cordão ainda no campo → régua neonatal: 3 para 1, 120 eventos por minuto, comprimir abaixo de 60 depois de 30 segundos de ventilação por cânula. Qualquer outro lugar → régua pediátrica.
  2. 22. Que idade tem? Menos de 1 ano e já fora do período de recém-nascido → lactente: pulso braquial, profundidade de cerca de 4 centímetros, compressão torácica na desobstrução. Mais de 1 ano e sem sinal de puberdade → criança: pulso carotídeo, cerca de 5 centímetros, compressão abdominal na desobstrução.
  3. 33. Há broto mamário ou pelo axilar? Sim → adolescente, e valem as recomendações do adulto: 30 para 2 sempre, profundidade de 5 a 6 centímetros com teto de 6, e 1 ventilação a cada 6 segundos depois da via aérea avançada.
  4. 44. Há pulso central em até 10 segundos? Não, ou dúvida → comprimir. Sim, com frequência abaixo de 60 e má perfusão apesar de ventilação e oxigenação efetivas → comprimir. Sim, acima de 60 com respiração regular → posição de recuperação.
  5. 55. Quantos socorristas profissionais? Um → 30 para 2. Dois ou mais → 15 para 2. Socorrista leigo, em qualquer idade e em qualquer número → 30 para 2, e sem checar pulso.
  6. 66. O ritmo é chocável? Fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular sem pulso → desfibrilar antes de qualquer fármaco, com 2 a 4 joules por quilo, subindo até 10. Assistolia ou atividade elétrica sem pulso → adrenalina o quanto antes, 0,01 miligrama por quilo, repetida a cada 3 a 5 minutos.
  7. 77. Persiste chocável depois do segundo choque e da adrenalina? → amiodarona 5 miligramas por quilo em bólus, teto de 300 miligramas, ou lidocaína 1 miligrama por quilo como alternativa.
quatro reguas, tres fronteirasRN sala de parto3:1 · 120 eventos = 90 comp + 30 ventlactente <1 ano100-120/min · 30:2 ou 15:2 · ~4 cmcrianca >1 ano100-120/min · 30:2 ou 15:2 · ~5 cmadolescenteregua do adulto · 30:2 sempre · teto 6 cmo aniversario de 1 ano nao cabe em nenhuma das duas linhas do meio

Quatro réguas, e o que muda em cada fronteira

O recém-nascido em sala de parto recebe 3 compressões para 1 ventilação, 120 eventos por minuto, o que decompõe em 90 compressões e 30 ventilações. O lactente e a criança recebem 100 a 120 compressões por minuto, com 30 para 2 se houver um socorrista e 15 para 2 se houver dois. O adolescente recebe a régua do adulto. As duas primeiras fronteiras são um aniversário e um sinal de puberdade; a de baixo é um endereço, porque o documento neonatal se declara para a sala de parto e a definição de lactente exclui o recém-nascido sem dizer até quando.

peso em que a conta por quilo para de crescer0254060 kg80100atropina: piso 0,1 mg aos 5 kgatropina: teto 0,5 mg aos 25 kgmagnesio 50 mg/kg: 2 g aos 40 kgadenosina e amiodarona: 60 kgadrenalina 0,01 mg/kg: dose maxima de 1 mg so aos 100 kg

Onde cada teto de dose encosta

A dose por quilo vale até o peso em que ela alcança o teto fixo; depois disso o teto manda, e a dose por quilo vira ficção. Adenosina e amiodarona encostam nos seus tetos exatamente aos 60 quilos, o que faz do adolescente médio o ponto em que três contas param de crescer ao mesmo tempo. O magnésio encosta aos 40 quilos pelo limite superior da faixa e só aos 80 pelo inferior. A atropina é a única com piso além de teto: a conta por quilo alcança o piso de 0,1 miligrama aos 5 quilos e o teto de 0,5 aos 25.

cardioversao e desfibrilacao: onde os J/kg se tocamcardioversao (sincronizada)0,5 a 11 a 2o valor 1 esta nas duasdesfibrilacao (assincrona)2 a 4ate 10o valor 2 fecha uma e abre a outraem 15 kg: 7,5 J e 15 J na cardioversao; 30 J, 60 J e teto de 150 J na desfibrilacao30 J = 2a cardioversao OU 1o choque de FV; a alternativa precisa dizer o sincronismo

Duas escadas de joules que se tocam em dois degraus

A cardioversão sincronizada sobe de 0,5 a 1 joule por quilo para 1 a 2. A desfibrilação assíncrona começa em 2 a 4 e sobe até 10. O valor de 1 joule por quilo pertence às duas cargas de cardioversão, e o de 2 joules por quilo pertence à segunda cardioversão e à primeira desfibrilação. Numa criança de 15 quilos, 30 joules podem ser a segunda tentativa de cardioverter uma taquicardia supraventricular ou o primeiro choque de uma fibrilação ventricular: o número sozinho não distingue, só o sincronismo.

As três réguas lado a lado, nos itens que a prova compara

ItemRecém-nascido (sala de parto)Lactente e criançaAdolescente e adulto
Relação compressão-ventilação3 para 130 para 2 com 1 socorrista; 15 para 2 com 230 para 2 sempre
Ritmo por minuto120 eventos: 90 compressões e 30 ventilações100 a 120 compressões100 a 120 compressões
Profundidadeterço inferior do esterno, dois polegares sobrepostos1/3 do diâmetro: cerca de 4 cm no lactente, 5 cm na criança5 a 6 cm, com teto de 6 cm
Gatilho da compressãofrequência abaixo de 60 após 30 s de ventilação por cânulafrequência abaixo de 60 com má perfusão apesar de ventilação efetivaausência de pulso
Ventilação com via aérea avançada3 para 1 mantido10 por minuto pela régua brasileira de 2019; 20 a 30 pela americana vigente1 a cada 6 segundos, ou 10 por minuto
Adrenalina endovenosa0,01 a 0,03 mg/kg; 0,2 mL/kg da diluição de trabalho0,01 mg/kg, ou 0,1 mL/kg de 1 para 10.000, máximo de 1 mg1 mg por dose
Desobstrução por corpo estranhonão se aplicagolpes nas costas com compressão torácica abaixo de 1 ano; compressão abdominal acimacompressão abdominal, precedida de golpes nas costas pela régua de 2025

O socorrista leigo não checa pulso e mantém 30 para 2 em todas as faixas etárias, mesmo quando são dois leigos; a relação 15 para 2 é do profissional de saúde.

A reanimação apenas com compressão não é a recomendação em pediatria: a ventilação intercalada está indicada dentro e fora do hospital, e a compressão isolada é o recurso de quem não consegue ventilar.

O acesso intraósseo é preferível à via endotraqueal quando o venoso falha, e por ele passam medicamentos, cristaloides, coloides e hemoderivados; a punção é na porção proximal da tíbia ou distal do fêmur.

Doses são calculadas pelo peso atual na criança não obesa e pelo peso ideal estimado pela altura na criança obesa, e nunca ultrapassam a dose de adulto.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Quantas ventilações por minuto na criança intubada em reanimação

Dez por minuto, uma a cada 6 segundos

A tabela de frequência das ventilações por situação clínica traz, para parada com via aérea definitiva por intubação traqueal ou máscara laríngea, 10 ventilações por minuto com compressões torácicas contínuas de 100 a 120 por minuto. O quadro de componentes do suporte básico de alta qualidade repete o número como 1 ventilação a cada 6 segundos. Para apneia sem parada cardíaca, a mesma tabela dá 12 a 20 por minuto.

Tabela 12.1 e Quadro 11.1 da Atualização da Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de Cardiologia, 2019

Vinte a trinta por minuto, uma a cada 2 ou 3 segundos

A recomendação de 2020 elevou a frequência para 1 ventilação a cada 2 ou 3 segundos, ou seja, 20 a 30 por minuto, e unificou o número para as duas situações: ventilação de resgate na criança com pulso e esforço respiratório inadequado, e reanimação com via aérea avançada. O documento registra que dados novos mostraram frequências de no mínimo 30 por minuto em bebês e de no mínimo 25 em crianças associadas a mais retorno de circulação e mais sobrevida, e adverte que frequências superiores a essas podem comprometer a hemodinâmica.

Destaques das Diretrizes de Ressuscitação Cardiopulmonar e Atendimento Cardiovascular de Emergência de 2020 da American Heart Association, edição em português, capítulo de suporte básico e avançado de vida pediátrico; mantido na revisão de 2025

Na prova

Procure a âncora do enunciado antes de contar segundos. Banca que cita a diretriz brasileira de 2019, que fala em suporte avançado de vida em pediatria nos termos da sociedade brasileira, ou que oferece a alternativa junto com 100 a 120 compressões contínuas, está pedindo 10 por minuto. Banca que menciona a atualização americana, o ano de 2020 ou de 2025, ou que escreve o número como intervalo em segundos, está pedindo 20 a 30. E cuidado com a transposição: 1 ventilação a cada 6 segundos continua sendo a resposta certa no adulto intubado, inclusive na revisão americana de 2025 — o que mudou foi só o lado pediátrico.

Qual é a energia do primeiro choque na fibrilação ventricular pediátrica

Dois a quatro joules por quilo

O texto brasileiro recomenda a dose inicial de 2 a 4 joules por quilo e, se necessário, aumentar progressivamente as doses subsequentes até 10 joules por quilo. A justificativa citada é a baixa porcentagem de sucesso em tratar a fibrilação ventricular em crianças com 2 joules por quilo, e a segurança demonstrada com doses mais altas. Pela redação, quatro joules por quilo é uma primeira carga legítima.

Seção 12.2 da Atualização da Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de Cardiologia, 2019

Dois joules por quilo no primeiro choque

O algoritmo americano estrutura a escada com um valor por degrau: primeiro choque de 2 joules por quilo, segundo de 4, e subsequentes de 4 ou mais, até 10 joules por quilo ou a dose de adulto. Nessa leitura, quatro joules por quilo é a segunda carga, não a primeira, e uma vinheta que aplique 4 na abertura está fora do algoritmo.

Algoritmo de parada cardiorrespiratória em pediatria da American Heart Association, reproduzido na Figura 11 dos Destaques das Diretrizes de 2020, edição em português

Na prova

Quando o enunciado dá o peso e pede o número de joules do primeiro choque, veja qual referência ele cita. Sem citação explícita, a resposta segura é 2 joules por quilo, porque ela é a primeira carga nas duas réguas — está dentro da faixa brasileira e é o valor único do algoritmo americano. O que não se deve fazer é marcar 4 joules por quilo como primeira carga apenas porque a faixa brasileira o admite: nenhuma banca constrói a alternativa correta no ponto em que as duas réguas discordam sem sinalizar a fonte.

Por onde começa a desobstrução da criança maior de um ano que engasgou

Direto na compressão abdominal

O texto brasileiro separa por idade: em menores de 1 ano, iniciar com cinco golpes nas costas e cinco compressões torácicas até sinais de desobstrução ou perda de consciência; em maiores de 1 ano, realizar as compressões abdominais na região entre a cicatriz umbilical e o apêndice xifoide. Não há golpes nas costas antecedendo a compressão abdominal na criança. A exceção prevista é a criança obesa em que o socorrista não consegue abraçar totalmente o abdome, caso em que se fazem compressões torácicas.

Seção 11.10 da Atualização da Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de Cardiologia, 2019

Cinco golpes nas costas antes das compressões abdominais

A revisão de 2025 passou a recomendar, para a criança com obstrução grave, ciclos repetidos de cinco golpes nas costas alternados com cinco compressões abdominais, até que o objeto seja expelido ou a criança fique inconsciente. O motivo declarado é um estudo observacional em adultos e crianças sugerindo melhor desobstrução com golpes nas costas, somado à uniformidade de treinamento. Para o lactente, a mudança foi de técnica: cinco golpes nas costas alternados com cinco compressões torácicas feitas com a base de uma das mãos.

Destaques das Diretrizes para Ressuscitação Cardiopulmonar e Atendimento Cardiovascular de Emergência de 2025 da American Heart Association e da American Academy of Pediatrics, edição em português, capítulo de suporte básico de vida em pediatria

Na prova

As duas réguas concordam no que a banca costuma testar, e é nisso que convém se apoiar: acima de 1 ano a compressão é abdominal, abaixo de 1 ano é torácica, e varredura digital às cegas está errada em qualquer idade. Elas só discordam sobre o que vem antes da compressão abdominal na criança. Se as alternativas oferecem golpes nas costas seguidos de compressões abdominais e também compressões abdominais isoladas, a primeira é a que sobrevive às duas leituras. E, se o enunciado leva a criança à inconsciência, as duas convergem outra vez: começa a reanimação pelas compressões, sem checar pulso.

Que técnica de compressão usar no lactente

Dois dedos com um socorrista, dois polegares com dois

O texto brasileiro descreve, para o lactente com um ressuscitador, dois dedos no centro do tórax logo abaixo da linha intermamilar; e, com dois ou mais ressuscitadores, envolver o tórax e sustentar as costas com os dedos de ambas as mãos, usando os polegares lado a lado no terço inferior do esterno, com sobreposição permitida em bebês muito pequenos. Para o socorrista leigo, o mesmo documento manda usar a técnica de dois dedos com um ou dois socorristas.

Seção 11.8 e Quadro 11.1 da Atualização da Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de Cardiologia, 2019

Base de uma das mãos ou dois polegares; dois dedos deixa de ser recomendado

A revisão de 2025 recomenda comprimir o esterno do lactente com a base de uma das mãos ou com a técnica dos dois polegares e mãos circundando o tórax, e reservar a de uma mão para quando o socorrista não conseguir envolver fisicamente o tórax. O documento afirma que a técnica tradicional de dois dedos não é mais recomendada, citando revisões e meta-análises de simulação em que os dois polegares foram superiores e um registro observacional em que nenhum segmento de compressão feito com dois dedos ficou em conformidade.

Destaques das Diretrizes para Ressuscitação Cardiopulmonar e Atendimento Cardiovascular de Emergência de 2025 da American Heart Association e da American Academy of Pediatrics, edição em português, capítulo de suporte básico de vida em pediatria

Na prova

Este é o item em que a régua brasileira ficou para trás mais recentemente, e por isso ele ainda aparece com a resposta antiga. Enunciado que descreve um socorrista único num lactente e oferece dois dedos como alternativa está, muito provavelmente, escrito sobre a régua brasileira de 2019 e a espera como certa. Reserve a resposta da revisão de 2025 para o enunciado que cita o ano ou que fala em profundidade insuficiente. O que vale nas duas, e é onde a questão costuma se resolver, é o local: terço inferior do esterno, logo abaixo da linha intermamilar, poupando o apêndice xifoide.

06

Caso resolvido

Menino de 4 anos, 15 quilos, previamente hígido, colapsa diante da equipe numa emergência. O monitor mostra fibrilação ventricular. Peça-se a sequência inteira em números: a energia do primeiro choque e do segundo, o teto de energia, a dose e o volume da adrenalina, a dose do antiarrítmico e o que aconteceria com cada uma dessas contas se o mesmo quadro ocorresse num adolescente de 60 quilos e num recém-nascido de 3 quilos ainda na sala de parto.
O ritmo chocável tira o fármaco da frente
Fibrilação ventricular e taquicardia ventricular sem pulso são os dois ritmos em que a desfibrilação precede qualquer medicação. A reanimação de alta qualidade continua durante o carregamento, o choque é aplicado e as compressões recomeçam imediatamente, sem checar pulso, por 2 minutos antes da nova análise de ritmo. A adrenalina entra depois do primeiro ou do segundo choque, conforme o serviço, e o antiarrítmico entra depois do segundo choque com adrenalina já administrada.
As duas primeiras cargas, e o teto
Pela régua brasileira, a dose inicial é de 2 a 4 joules por quilo, e as subsequentes sobem progressivamente até 10. Em 15 quilos, isso dá 30 joules na leitura de 2 joules por quilo, 60 joules na de 4, e um teto de 150 joules quando se chega aos 10 joules por quilo. O algoritmo americano fixa 30 joules como primeiro choque e 60 como segundo. Note que 150 joules num menino de 4 anos é mais energia do que a segunda carga de muitos protocolos de adulto — a conta por quilo produz números que parecem errados e não são.
A adrenalina, em miligramas e em mililitros
0,01 miligrama por quilo em 15 quilos dá 0,15 miligrama. Como a solução 1 para 10.000 tem 0,1 miligrama por mililitro, o volume é de 1,5 mililitro, o que confere com a regra do 0,1 mililitro por quilo. A repetição é a cada 3 a 5 minutos, na mesma dose. Se a única via obtida fosse a endotraqueal, a dose subiria dez vezes, para 1,5 miligrama, e o volume continuaria 1,5 mililitro, agora da solução 1 para 1.000.
O antiarrítmico, e por que o teto não aparece aqui
Amiodarona 5 miligramas por quilo em bólus dá 75 miligramas em 15 quilos, muito abaixo do teto de 300. A alternativa é lidocaína 1 miligrama por quilo, ou 15 miligramas. Um erro comum de alternativa é oferecer amiodarona 300 miligramas, que é a dose do adulto e o teto pediátrico: ela só seria a dose calculada num paciente de 60 quilos.
O adolescente de 60 quilos: três tetos ao mesmo tempo
Aos 60 quilos, a amiodarona calculada dá exatamente os 300 miligramas do teto. Se a arritmia fosse supraventricular com pulso, a adenosina calculada daria exatamente 6 miligramas na primeira dose e 12 na segunda, que são os dois tetos. É o único peso da tabela em que três limites encostam simultaneamente, e a partir dele a dose por quilo deixa de crescer. A adrenalina é a exceção: seu teto de 1 miligrama por dose só encostaria aos 100 quilos, de modo que em 60 quilos ela ainda seria 0,6 miligrama.
O recém-nascido de 3 quilos: outro algoritmo, não outra dose
Na sala de parto a pergunta muda de forma. A fibrilação ventricular é rara e a bradicardia é a regra: comprime-se abaixo de 60 batimentos por minuto depois de 30 segundos de ventilação por cânula traqueal, na relação 3 para 1 com 120 eventos por minuto. A adrenalina endovenosa é de 0,01 a 0,03 miligrama por quilo, com 0,2 mililitro por quilo como número de trabalho, o que em 3 quilos dá 0,6 mililitro, ou 0,06 miligrama — o dobro dos 0,03 miligrama que o algoritmo pediátrico daria ao mesmo bebê fora da sala de parto. O flush é de 3 mililitros de soro fisiológico, e a via endotraqueal usa 1 mililitro por quilo em uso único.
O que fecha a resposta
Escreva a sequência como a banca a quer ler: 30 joules, 2 minutos de reanimação, 60 joules, adrenalina 0,15 miligrama por via intravenosa ou intraóssea, 2 minutos, amiodarona 75 miligramas, e adrenalina repetida a cada 3 a 5 minutos enquanto se procuram as causas reversíveis. E registre a única frase que muda tudo: se em algum momento houver pulso com perfusão inadequada, o choque deixa de ser desfibrilação e passa a ser cardioversão sincronizada, começando em 7,5 joules neste peso.
07

Agora feche você

Adolescente de 12 anos e 8 meses, 42 quilos, é encontrado inconsciente no vestiário da escola. Não responde, não respira e não tem pulso carotídeo palpável em 10 segundos. Ao expor o tórax para colocar as pás, a equipe registra pelos axilares presentes. Chegam dois profissionais treinados. Descreva o raciocínio completo, dizendo o que exclui cada opção que descartar, e indique em que ponto a resposta mudaria se o mesmo paciente, com a mesma idade e o mesmo peso, não tivesse nenhum sinal de puberdade.
Diga qual régua vale, e por qual frase do documento
Cite a definição brasileira das três faixas etárias e mostre em qual delas este paciente cai. Diga qual é o sinal físico que a diretriz nomeia para meninos e qual para meninas. Explique por que a idade cronológica de 12 anos, isolada, não decide, e o que a diretriz manda fazer com quem apresenta sinais de puberdade.
Traduza a régua em três números concretos
Dê a relação compressão-ventilação que se aplica a este paciente com dois socorristas profissionais, e diga por que ela não é a mesma que se usaria numa criança de 8 anos com os mesmos dois socorristas. Dê a profundidade em centímetros, com o piso e o teto. Dê a frequência de ventilação depois que a via aérea avançada estiver instalada, e diga se esse número é o mesmo que se usaria na criança pré-púbere pela régua americana vigente.
Mostre o que a mudança de régua não muda
Explique por que a dose de adrenalina continua sendo calculada por quilo mesmo num paciente que recebe a relação do adulto, e calcule quanto ele receberia. Faça a mesma conta para a amiodarona e diga se o teto encosta neste peso. Faça a conta do sulfato de magnésio pelos dois extremos da faixa e diga qual deles já bate no teto de 2 gramas com 42 quilos.
Resolva a energia com o peso na mão
Calcule a primeira e a segunda cargas de desfibrilação pelas duas leituras possíveis da faixa brasileira, e o teto de 10 joules por quilo. Diga se o desfibrilador externo automático com atenuador de carga estaria indicado neste paciente, citando os dois eixos do critério e mostrando que ele falha nos dois. Diga o que fazer se o único aparelho disponível fosse um automático sem atenuador.
Refaça o caso sem o sinal de puberdade
Repita os três números do segundo passo para o mesmo paciente sem pelos axilares, e aponte qual deles muda e qual permanece. Diga o que acontece com a profundidade quando o diâmetro anteroposterior do tórax deste adolescente é de 18 centímetros e a regra do terço passa a conflitar com a regra dos centímetros. Conclua dizendo, em uma frase, por que uma fronteira definida por sinal físico é frágil no cenário exato em que ela precisa ser aplicada.
08

Onde a banca derruba

  1. 1Chamar de lactente quem já passou do primeiro aniversário Na clínica geral, lactente costuma designar a criança de 29 dias a 2 anos. Na reanimação, lactente é quem tem menos de 1 ano, e o corte muda a manobra. Uma vinheta que abre com a expressão lactente de 14 meses está usando o sentido clínico, e quem responde pelo sentido clínico aplica compressão torácica num paciente que já pertence à faixa da compressão abdominal. O acervo desta plataforma tem exatamente esse caso: entre as 336 questões vivas que tocam engasgo ou corpo estranho, uma descreve um paciente de 14 meses consciente, incapaz de chorar, e dá como certa a alternância de cinco golpes dorsais com cinco compressões torácicas. Pelas três réguas em vigor, a compressão nessa idade é abdominal.
  2. 2Levar a relação da sala de parto para o pronto-socorro, ou o contrário A relação 3 para 1, com 120 eventos por minuto, é do recém-nascido em sala de parto e existe porque o problema é encher de ar um pulmão que estava cheio de líquido. Levada para o lactente de dois meses no pronto-socorro, ela entrega 90 compressões por minuto, abaixo do piso de 100, e 30 ventilações, quase o dobro do que a relação 15 para 2 entregaria. O caminho inverso é igualmente errado: aplicar 15 para 2 na sala de parto sacrifica a ventilação que é o pilar da reanimação neonatal. A palavra-chave do enunciado costuma ser o lugar, não a idade.
  3. 3Trocar o corte fixo de 60 batimentos por bradicardia para a idade O gatilho da compressão em pediatria não é uma frequência abaixo do percentil para a idade: é o número 60, com má perfusão, e depois de ventilação e oxigenação efetivas. Um lactente com 90 batimentos por minuto e perfusão ruim não recebe compressão, recebe investigação e suporte; um lactente com 48 batimentos e enchimento capilar de 5 segundos que não melhora com a ventilação recebe compressão. A alternativa que fala em bradicardia para a faixa etária está trocando uma trava determinística por um julgamento, e é quase sempre distrator.
  4. 4Achar que a via aérea avançada sempre significa ventilar menos No adulto, intubar reduz a frequência de ventilação para 1 a cada 6 segundos, e isso continua verdadeiro na revisão americana de 2025. Na criança, pela régua americana vigente, acontece o oposto: a relação 15 para 2 a 120 compressões por minuto entrega 16 ventilações por minuto, e a via aérea avançada eleva o alvo para 20 a 30. Quem transporta a regra do adulto para a criança erra em duas frentes ao mesmo tempo — no número e na direção da mudança.
  5. 5Decorar 0,1 mililitro por quilo sem olhar a diluição A adrenalina endovenosa da parada pediátrica é 0,1 mililitro por quilo da solução 1 para 10.000, e a endotraqueal é 0,1 mililitro por quilo da solução 1 para 1.000. O volume é idêntico; a dose difere dez vezes, porque 0,01 miligrama por quilo virou 0,1. A alternativa que diz apenas o volume não diz a dose, e a que troca a diluição transforma a via de resgate em intoxicação ou a via preferida em subdose.
  6. 6Somar a dose neonatal ao algoritmo pediátrico Na sala de parto, a adrenalina endovenosa é de 0,01 a 0,03 miligrama por quilo, e o anexo de medicações da diretriz brasileira de reanimação neonatal converte isso em 0,2 mililitro por quilo da diluição de trabalho, o que dá 0,02 miligrama por quilo — o dobro do que o algoritmo pediátrico usa. Num bebê de 3 quilos, 0,06 miligrama na sala de parto e 0,03 miligrama fora dela. O mesmo texto proíbe ultrapassar 0,1 miligrama por quilo por qualquer via no período neonatal, e 0,1 miligrama por quilo é exatamente a dose endotraqueal do algoritmo pediátrico.
  7. 7Ler o número de joules sem perguntar se o choque é sincronizado Dois joules por quilo é o topo da segunda carga de cardioversão e o piso da primeira desfibrilação; um joule por quilo pertence às duas cargas de cardioversão. Numa criança de 15 quilos, 30 joules podem ser qualquer uma das duas coisas. A alternativa só está completa quando diz o sincronismo, e o enunciado só está resolvido quando se sabe se há pulso: com pulso e perfusão inadequada, cardioverte-se; sem pulso, desfibrila-se.
  8. 8Interromper a reanimação por um valor de capnografia Valores de dióxido de carbono ao final da expiração iguais ou superiores a 20 milímetros de mercúrio durante a reanimação associaram-se a mais retorno de circulação e mais sobrevida, e o monitoramento pode ser considerado para acompanhar a qualidade. Mas a revisão americana de 2025 introduziu recomendação explícita em sentido contrário ao uso do número como veredito: um valor isolado de corte não deve ser a única indicação para terminar os esforços, porque houve sobreviventes com média abaixo de 20. Alternativa que manda encerrar a reanimação com base num número de capnografia está errada por essa frase, não por julgamento.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

Correta: No PALS/SAVP, em lactentes e crianças com dois socorristas, a relação é 15:2 (com um único socorrista, é 30:2). Como o cenário descreve dois socorristas treinados, a resposta é 15:2. 30:2 é a relação para socorrista único, não para dois. 5:1 é uma relação antiga/incorreta, não recomendada. 3:1 é a relação específica da reanimação NEONATAL (RN em sala de parto), não do lactente em PCR fora desse contexto. Compressões contínuas sem ventilação (Hands-Only) aplicam-se ao adulto leigo; na PCR pediátrica, tipicamente hipóxica/asfíxica, a ventilação é essencial.

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Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

Recite as três definições de faixa etária com as palavras da diretriz brasileira e aponte onde o aniversário de um ano fica sem nome. Diga a relação compressão-ventilação em cada uma das quatro situações: recém-nascido em sala de parto, profissional sozinho, dois profissionais, socorrista leigo. Dê a frequência de compressão, a profundidade em fração e em centímetros para lactente e criança, e o teto do adolescente. Diga o corte de frequência cardíaca que manda comprimir, a condição que precisa estar satisfeita antes e o valor exato que nenhuma das duas frases do documento nomeia. Termine com a divergência de ventilação: os dois números, de quem é cada um, e qual deles continua valendo no adulto.

em 30 dias

Reconstrua sem consultar as três tabelas que decidem número. Primeiro a dos fármacos: adrenalina em miligramas por quilo e em mililitros por quilo nas duas diluições, com o peso em que o teto de 1 miligrama encosta; amiodarona e adenosina com seus tetos e o peso em que os três caem juntos; magnésio pelos dois extremos da faixa; atropina com piso, teto, os pesos de 5 e 25 quilos e a contradição interna sobre doses menores que 0,1 miligrama. Depois a das energias: as duas cargas de cardioversão, as duas primeiras de desfibrilação, o teto de 10 joules por quilo e os dois valores que pertencem a duas linhas ao mesmo tempo, tudo calculado para 15 quilos. Por fim a das vias aéreas: a fórmula da cânula com e sem balonete entre 1 e 8 anos, o salto que a tabela dá aos 8 anos, a profundidade de inserção como o diâmetro interno vezes três, e a idade em que a lâmina deixa de ser reta. Feche montando a fronteira neonatal: relação, eventos por minuto decompostos, gatilho da compressão, e a dose de adrenalina que é o dobro da pediátrica.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Lactente de 7 meses, previamente hígido, é trazido ao pronto-socorro pela mãe por piora de um quadro de bronquiolite iniciado há três dias. À chegada está sonolento, com cianose perioral, tiragem intensa e tempo de enchimento capilar de 5 segundos. O monitor mostra frequência cardíaca de 46 batimentos por minuto e saturação de 84%. Conduza o atendimento: reconheça em até dez segundos se aquilo já é parada, diga onde procura o pulso nesta idade, estabeleça ventilação com bolsa e máscara com oxigênio e reavalie; se a frequência não subir com ventilação efetiva, diga em voz alta o número que autoriza começar as compressões, a profundidade em centímetros, a relação que vale com dois profissionais na sala e o intervalo de reavaliação; prepare a adrenalina dizendo a diluição, o volume e a dose para o peso estimado; e explique à mãe, sem jargão, por que a primeira coisa que a equipe faz num bebê que está parando não é medicação, é ar. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Parada cardiorrespiratória pediátrica — Preparatório para provas | OsceLabs