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Parada cardiorrespiratória pediátrica
Três algoritmos disputam a mesma criança, e o que decide qual deles vale não é o diagnóstico: é um aniversário, um sinal de puberdade e um número de batimentos. Este capítulo mede onde cada régua começa, onde termina e o que sobra sem nome entre elas.
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Lactente de 8 meses, previamente hígido, é encontrado irresponsivo no berço pela mãe. Dois socorristas treinados iniciam o atendimento: a criança não responde a estímulos, não apresenta respiração e não há pulso braquial palpável em até 10 segundos. Inicia-se imediatamente a reanimação cardiopulmonar com compressões torácicas de alta qualidade. Segundo o PALS/SAVP, com dois socorristas disponíveis, qual é a relação compressão-ventilação recomendada para esse lactente?
Como esse tema cai
Neste instantâneo do acervo de questões da plataforma há 23.717 questões vivas e 819 capítulos escritos. Varrendo enunciado, alternativas, comentário e resposta esperada de todas elas, sem olhar a coluna de tema, a reanimação de uma criança aparece em 34 questões. Trinta e uma estão soltas. As três que já pertencem a algum capítulo pertencem a capítulos de adulto: o de parada cardiorrespiratória e suporte avançado de vida, o de insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida e o de parada cardiorrespiratória na gestante. Nenhuma é ensinada em Pediatria.
O desenho dessas 31 questões diz o que a banca pede. Elas cobram a decisão de comprimir diante de bradicardia com má perfusão, a sequência de fármacos na fibrilação ventricular, a conta de joules e de miligramas para um peso dado, a ventilação de resgate no afogado e a manobra de desobstrução. O que elas não cobram é a fronteira: em que idade uma régua termina e a outra começa, e o que acontece com o paciente que cai exatamente em cima do corte.
É ali que o tema fica difícil, porque não há uma reanimação pediátrica, há três. A do recém-nascido, com relação 3 para 1 e 120 eventos por minuto. A do lactente e da criança, com 100 a 120 compressões por minuto e relação que muda conforme o número de socorristas. E a do adolescente, que é a do adulto. As três dividem os mesmos fármacos, o mesmo desfibrilador e o mesmo corpo pequeno, e trocam de comando por um aniversário, por um sinal físico ou por um endereço.
Este capítulo cobre esse vão. Ele arruma os números lado a lado, faz as contas de peso em que cada teto de dose encosta, mostra em que pontos as duas réguas em vigor no Brasil discordam entre si e aponta as três frases em que os próprios documentos deixam um valor sem nome.
O que muda decisão
Três algoritmos, dois aniversários e um sinal físico
Como usar este capítulo: percorra o algoritmo na ordem real — reconhecimento em até 10 segundos, ventilação e compressões de qualidade, identificação do ritmo, choque ou adrenalina, causas reversíveis e cuidados pós-parada. Memorize primeiro os pontos de transição; doses, energia e exceções vêm na segunda passagem.
A diretriz brasileira abre a seção pediátrica definindo quem é quem, e a definição é curta o bastante para ser lida inteira. Lactentes são os menores de 1 ano, excluindo os recém-nascidos. Crianças são os maiores de 1 ano e antes de apresentar sinais de puberdade, definidos ali como o aparecimento do broto mamário nas meninas e a presença de pelos em região axilar nos meninos. Adolescentes são os que apresentam sinais de puberdade, e nesse grupo aplicam-se as recomendações dos adultos.
Leia de novo as duas primeiras linhas e conte os dias. Lactente é quem tem menos de 1 ano. Criança é quem tem mais de 1 ano. A criança que faz um ano hoje não está em nenhuma das duas frases. O mesmo corte reaparece, com a mesma redação, na desobstrução de via aérea: as manobras do texto brasileiro são descritas para os menores de 1 ano e para os maiores de 1 ano, e outra vez o aniversário exato fica de fora. Não é sutileza de leitura: é a diferença entre comprimir o tórax e comprimir o abdome, entre a relação de dois dedos e a de duas mãos.
A fronteira de cima é ainda mais estranha, porque não é um número. É um sinal físico, procurado num paciente inconsciente, geralmente vestido, com a equipe fazendo compressões. Um menino de 11 anos com pelos axilares recebe, pela letra da diretriz, a régua do adulto: relação 30 para 2 sempre, profundidade de 5 a 6 centímetros, 1 ventilação a cada 6 segundos depois de intubado. Um menino de 14 anos ainda pré-púbere recebe a régua pediátrica. A diretriz americana de 2025, no capítulo de suporte avançado, descreve a população pediátrica por idade, e não por puberdade, e chega a nomear separadamente as crianças com 1 ano de idade ou mais ao dar o alvo de pressão diastólica. As duas fronteiras coexistem, e a prova brasileira costuma cobrar a puberdade.
A fronteira de baixo é a que mais aparece em vinheta. O documento brasileiro de reanimação neonatal traz no próprio título o seu alcance: recém-nascido com 34 semanas ou mais em sala de parto. Ali a relação é 3 compressões para 1 ventilação, com 120 eventos por minuto, o que dá 90 movimentos de massagem e 30 ventilações. A massagem começa se a frequência estiver abaixo de 60 depois de 30 segundos de ventilação por cânula traqueal com técnica adequada, e a bradicardia, nesse texto, é definida como frequência abaixo de 100. Já a definição brasileira de lactente exclui o recém-nascido sem dizer até quando ele é recém-nascido.
O resultado é aritmético e vale a pena ver escrito. Na sala de parto o bebê recebe 90 compressões e 30 ventilações por minuto. O mesmo bebê, dias depois num pronto-socorro pela régua do lactente, recebe 100 a 120 compressões e, na relação 15 para 2 com dois socorristas a 120 compressões por minuto, 16 ventilações. As compressões sobem entre 11% e 33%; as ventilações caem para 8/15 do que ele recebia no primeiro minuto de vida.
Para a prova, o que importa é saber que a mudança existe e por que ela existe. A reanimação neonatal privilegia a ventilação porque o problema é a transição respiratória: o pulmão precisa encher de ar. A reanimação do lactente já assume um coração hipoxêmico há mais tempo e privilegia a perfusão coronariana, que depende da compressão. Quando o enunciado diz sala de parto, minuto de ouro ou clampeamento de cordão, a régua é neonatal. Quando diz berço, casa, ambulância ou pronto-socorro, é a pediátrica.
O que se decide em dez segundos, e o número que ninguém nomeia
O reconhecimento tem três elementos e um relógio: paciente não responsivo, sem respiração ou com respiração agônica, e sem pulso central. A checagem de respiração e pulso é simultânea, com o mínimo de 5 e o máximo de 10 segundos, e o pulso é braquial no lactente e carotídeo na criança.
A checagem de responsividade tem descrição própria por faixa: no lactente, bater na região plantar de um dos pés três vezes; na criança, chamar e tocar nos ombros três vezes.
O socorrista leigo tem regra diferente, e a diferença é deliberada. O leigo não checa pulso: se a criança está inconsciente e não respira, a compressão está indicada. E ele mantém a relação de 30 compressões para 2 ventilações em todas as faixas etárias, mesmo que sejam dois leigos. A relação 15 para 2 é do profissional de saúde com dois socorristas.
A decisão que mais aparece em prova não é a da parada instalada. É a da bradicardia. A diretriz brasileira diz, com todas as letras, que frequência inferior a 60 batimentos por minuto com perfusão inadequada é indicação para o início das compressões torácicas. E acrescenta a condição que a banca esconde: isso vale depois de ventilação e oxigenação efetivas. Se a criança melhora com a ventilação, não se comprime. A hipoxemia é a principal causa das bradiarritmias pediátricas, e a ventilação é o tratamento da causa.
Agora o vão. O mesmo texto, na sequência do suporte básico, manda deixar a criança em posição de recuperação caso o pulso esteja presente e a frequência seja maior que 60 com respiração regular; e manter as compressões se o pulso estiver ausente ou menor que 60. Uma frequência de exatamente 60 batimentos por minuto não está em nenhuma das duas metades. A resolução clínica é óbvia — a decisão real é pela perfusão, não pelo número — mas a alternativa de prova costuma ser escrita com o número, e é preciso reconhecer que ele fica sem dono.
O segundo relógio é o da reavaliação. A cada 2 minutos se reavalia o pulso central e se troca quem comprime, para reduzir fadiga. Se o pulso está ausente ou há dúvida depois de 10 segundos, reinicia-se a compressão. E a diretriz americana de 2025 acrescentou uma exigência de qualidade que é fácil de cobrar: as pausas nas compressões devem ser inferiores a 10 segundos, com o argumento de que a frequência e a duração das pausas se associaram a menor chance de retorno da circulação espontânea.
Vale registrar a epidemiologia porque ela costuma virar alternativa. A parada pediátrica é, na maioria das vezes, secundária a deterioração respiratória ou choque, com assistolia e atividade elétrica sem pulso como ritmos mais frequentes; a causa cardíaca primária responde por 5 a 15% das paradas pré-hospitalares. A sobrevida pré-hospitalar fica em torno de 6 a 8%, com 4% em lactentes, 10% em crianças e 13% em adolescentes; a hospitalar melhorou para 36 a 43% de sobrevida à alta.
Profundidade, frequência e a relação que depende de quantas mãos há na sala
A profundidade tem duas redações que convivem na mesma linha, e é preciso saber que são duas. A regra estrutural é comprimir no mínimo um terço do diâmetro anteroposterior do tórax; a prática é comprimir aproximadamente 4 centímetros no lactente e 5 na criança. E há um teto herdado do adulto: a diretriz brasileira registra o limite máximo de 6 centímetros em adolescentes, com dados mostrando associação consistente com pior desfecho acima disso.
As duas redações só coincidem em um tórax de tamanho específico. Um terço vale 4 centímetros quando o diâmetro anteroposterior é de 12 centímetros, e vale 5 centímetros quando o diâmetro é de 15. Num escolar de tórax mais profundo, digamos 18 centímetros, um terço já dá 6 centímetros — que é o teto do adolescente. Em 21 centímetros, um terço daria 7, acima do teto. A regra do terço e a regra dos centímetros divergem exatamente onde a criança começa a ter porte de adulto, e é ali que a banca gosta de perguntar qual das duas manda.
A frequência é a mesma em toda a faixa pediátrica: mínimo de 100 e máximo de 120 compressões por minuto. Convém notar uma inconsistência do próprio documento brasileiro, porque ela já apareceu como pegadinha: no algoritmo de bradicardia com pulso, a fase que manda comprimir escreve 100 compressões por minuto, sem a faixa. Todo o resto do texto, inclusive o quadro de suporte básico de alta qualidade e a seção de suporte avançado, diz 100 a 120.
A relação compressão-ventilação é a marca registrada da pediatria e o item mais cobrado do capítulo. Com um socorrista, 30 para 2. Com dois ou mais socorristas profissionais, 15 para 2. A diferença existe porque a parada pediátrica é asfíxica: dois socorristas conseguem dobrar a oferta de ventilações sem sacrificar compressão. A reanimação só com compressão, tão divulgada para o leigo no adulto, não é a recomendação em pediatria: a diretriz brasileira indica ventilação intercalada dentro e fora do hospital, e reserva a compressão isolada para quem não consegue ventilar.
A técnica de compressão é o ponto em que as duas réguas hoje se afastam. O texto brasileiro descreve, no lactente com um socorrista, dois dedos no centro do tórax logo abaixo da linha intermamilar; e, com dois ou mais socorristas, os dois polegares com as mãos circundando o tórax e sustentando o dorso. Na criança, uma ou duas mãos no terço inferior do esterno, evitando o apêndice xifoide. A diretriz americana de 2025 mudou: para lactentes, o socorrista deve comprimir com a base de uma das mãos ou com a técnica dos dois polegares circundando o tórax, e a técnica tradicional dos dois dedos deixou de ser recomendada, com o argumento de que ela não alcançava a profundidade adequada.
Na desobstrução de via aérea por corpo estranho, a mesma coisa aconteceu na direção contrária. O texto brasileiro manda, no menor de 1 ano, alternar cinco golpes nas costas com cinco compressões torácicas; e, no maior de 1 ano, realizar compressões abdominais na região entre a cicatriz umbilical e o apêndice xifoide. A diretriz americana de 2025 passou a iniciar também a criança por golpes nas costas, em ciclos de cinco golpes seguidos de cinco compressões abdominais, por dados observacionais de melhor desobstrução. As duas concordam no essencial e é isso que a prova cobra: compressão abdominal só acima de 1 ano, e compressão torácica no lactente. A exceção é a criança obesa em que o socorrista não consegue abraçar o abdome, situação em que o texto brasileiro autoriza a compressão torácica.
Dois números fecham a lista. A obstrução por corpo estranho ocorre predominantemente em menores de 5 anos, com 65% dos casos abaixo de 1 ano. E, na perda de consciência, a conduta deixa de ser manobra de desobstrução e passa a ser reanimação iniciada pelas compressões, sem palpar pulso, retirando o objeto em movimento de pinça apenas se estiver visível — nunca por varredura às cegas.
A ventilação, que é onde as réguas mais discordam
Aqui está a divergência ativa mais consequente do capítulo, e ela tem data. Até 2020, a régua era única: na criança em apneia com pulso, 12 a 20 respirações por minuto, isto é, uma a cada 3 a 5 segundos; e, na reanimação com via aérea avançada, 1 ventilação a cada 6 segundos, ou seja, 10 por minuto, com compressões contínuas. É exatamente isso que a diretriz brasileira de 2019 traz na Tabela 12.1 e no Quadro 11.1.
A diretriz americana de 2020 mudou os dois números para o mesmo valor: 1 ventilação a cada 2 ou 3 segundos, isto é, 20 a 30 por minuto, tanto na ventilação de resgate quanto na reanimação com via aérea avançada. A justificativa publicada é direta: frequências mais altas — no mínimo 30 por minuto em bebês com menos de 1 ano e no mínimo 25 por minuto em crianças — associaram-se a mais retorno de circulação e mais sobrevida na parada intra-hospitalar pediátrica. A revisão de 2025 manteve a mudança.
O tamanho da diferença merece a conta. Em 2 minutos de reanimação com o tubo instalado, a régua brasileira de 2019 entrega 20 ventilações; a americana vigente entrega de 40 a 60. É o triplo, no limite superior. E há um detalhe contraintuitivo que a banca adora: a frequência de ventilação sobe quando o tubo entra. Antes de intubar, na relação 15 para 2 a 120 compressões por minuto, saem 16 ventilações por minuto; a 100 compressões por minuto, saem 13,3. Na relação 30 para 2, saem 8 e 6,7 respectivamente. Depois de intubar, a régua americana pede 20 a 30. Quem decorou que via aérea avançada significa ventilar menos aprendeu a regra do adulto, onde a frequência realmente é 1 a cada 6 segundos.

O material tem números próprios. Balão autoinflável de 250 mililitros no prematuro, de no mínimo 450 a 500 no recém-nascido de termo e no lactente, e acima de 750 na criança a partir de 1 ano; com reservatório e fluxo de 10 a 15 litros por minuto, ele entrega fração inspirada de oxigênio próxima de 100%. Cada ventilação é feita em 1 segundo, com elevação visível do tórax.
O calibre da cânula tem uma tabela e uma fórmula, e elas não fecham nas bordas. A tabela brasileira dá 2 a 3 milímetros sem balonete no prematuro e no recém-nascido, 3 a 3,5 no lactente até 6 meses, 4 a 4,5 no lactente de 6 a 12 meses, a fórmula da idade dividida por 4 mais 4 sem balonete — ou mais 3,5 com balonete — entre 1 e 8 anos, e 7 a 8 com balonete acima de 8 anos e em adolescentes. Note que 6 meses aparece nas duas faixas de lactente. Note, sobretudo, o degrau dos 8 anos: pela fórmula, aos 8 anos o cálculo dá 6 milímetros sem balonete e 5,5 com balonete; a linha seguinte da tabela salta para 7 milímetros. É um degrau de 1 a 1,5 milímetro em um aniversário.
O degrau se propaga para a profundidade de inserção, porque ela é estimada como o diâmetro interno multiplicado por 3. Seis milímetros dão 18 centímetros; sete milímetros dão 21. Três centímetros de diferença por causa de uma linha de tabela. Some-se a isso a preferência de lâmina: reta até 4 anos, curva acima disso.
Dois pontos em que a régua americana atualizou e a brasileira de 2019 ainda não acompanhou. O balonete: a diretriz de 2020 passou a recomendá-lo em vez da cânula sem balonete em qualquer idade, com pressão de insuflação abaixo de 20 a 25 centímetros de água; o texto brasileiro admite as duas, prefere a com balonete em complacência reduzida, resistência alta ou escape, e fixa o teto em 20. E a pressão cricoide: a diretriz de 2020 deixou de recomendar seu uso rotineiro, enquanto o texto brasileiro ainda a inclui na sequência rápida do afogado. A capnografia é altamente recomendada em todos os ambientes, com a ressalva de que, na parada, o dióxido de carbono exalado pode não ser detectável mesmo com o tubo bem posicionado.
Farmacologia por quilo: onde cada teto encosta
A regra geral vem antes das doses: elas são calculadas pelo peso atual na criança não obesa, ou pelo peso ideal estimado pela altura na criança obesa, e nunca ultrapassam a dose preconizada para o adulto. Sem o peso, usam-se fitas com doses pré-calculadas por comprimento. Se o acesso venoso não sai, o intraósseo é estabelecido, e ele é preferível à via endotraqueal.
A adrenalina é o fármaco do capítulo. Na parada, 0,01 miligrama por quilo, o que corresponde a 0,1 mililitro por quilo da solução 1 para 10.000, por via intravascular ou intraóssea, na primeira dose e nas subsequentes, em intervalos de 3 a 5 minutos, com dose máxima única de 1 miligrama. A via endotraqueal não é mais recomendada, mas, se for a única obtida, a dose é aumentada em dez vezes: 0,1 miligrama por quilo, o que corresponde a 0,1 mililitro por quilo da solução 1 para 1.000.
Repare no desenho da armadilha: o volume é o mesmo nas duas vias — 0,1 mililitro por quilo — e o que muda é a diluição. O teto de 1 miligrama por dose só encosta na conta por quilo aos 100 quilos, de modo que, em pediatria, ele quase nunca limita nada.
O momento da adrenalina virou recomendação com número. A diretriz americana de 2020 estabeleceu como aconselhável administrar a dose inicial em até 5 minutos depois do início das compressões, com ênfase no ritmo não chocável; a revisão de 2025 passou a dizer o mais rápido possível, citando revisão sistemática em que intervalo inferior a 3 minutos se associou a mais desfechos favoráveis. O texto brasileiro traz o intervalo de repetição, mas não fixa a janela da primeira dose.
Os antiarrítmicos têm tetos que caem em pesos redondos, e vale saber quais. A amiodarona na fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular sem pulso é 5 miligramas por quilo em bólus, com máximo de 300 miligramas — teto que encosta exatamente aos 60 quilos. A adenosina na taquicardia supraventricular é 0,1 miligrama por quilo, com máximo de 6 miligramas na primeira dose, e 0,2 miligrama por quilo, com máximo de 12 miligramas na segunda: os dois tetos também encostam aos 60 quilos, de modo que a duplicação da dose se mantém válida até esse peso e depois dele deixa de existir. O sulfato de magnésio é 25 a 50 miligramas por quilo, com máximo de 2 gramas: o limite superior da faixa encosta no teto aos 40 quilos, e o inferior só aos 80. A lidocaína é 1 miligrama por quilo em bólus, com infusão de 20 a 50 microgramas por quilo por minuto, e 2 a 3 miligramas por quilo se a via for endotraqueal.
A atropina é o caso mais interessante do capítulo, porque o documento brasileiro se contradiz dentro de uma mesma página. A dose é 0,02 miligrama por quilo, com limites em crianças de 0,1 a 0,5 miligrama por dose e, em adolescentes, de 0,1 a 1 miligrama; pode ser repetida em 5 minutos, até um total de 1 miligrama em crianças e 2 em adolescentes; e a via endotraqueal usa 0,04 a 0,06 miligrama por quilo. Faça as contas: 0,02 miligrama por quilo encontra o piso de 0,1 miligrama aos 5 quilos e o teto de 0,5 aos 25 quilos; em adolescentes, o teto de 1 miligrama encosta aos 50 quilos. Num lactente de 3,2 quilos, o cálculo dá 0,064 miligrama, e obedecer ao piso de 0,1 significa administrar 0,031 miligrama por quilo, ou seja, 1,56 vez a dose por quilo prescrita. E o mesmo texto, ao discutir a pré-medicação da intubação de emergência, escreve que nessa indicação é permitido utilizar doses inferiores a 0,1 miligrama.
Os fármacos restantes têm indicação, não rotina. Cálcio só em hipocalcemia, intoxicação por bloqueador de canal de cálcio, hipermagnesemia ou hipercalemia, na dose de 20 miligramas por quilo de cloreto de cálcio a 10%, equivalentes a 5,4 miligramas por quilo de cálcio elementar; o gluconato precisa do triplo para o mesmo cálcio elementar. Bicarbonato de sódio entra na acidose metabólica grave com ventilação adequada, na hipercalemia, na hipermagnesemia e na intoxicação por bloqueadores de canal de sódio, com 1 miliequivalente por quilo em bólus lento, ou 1 a 2 na intoxicação, até pH acima de 7,45. Glicose apenas com hipoglicemia documentada, 0,5 a 1 grama por quilo, e as três apresentações são internamente coerentes: 2 mililitros de soro glicosado a 25% carregam meio grama, tanto quanto 5 mililitros do a 10% e 10 do a 5%.
A fronteira farmacológica com o recém-nascido fecha a seção e é o número que mais surpreende. Na sala de parto a adrenalina endovenosa é de 0,01 a 0,03 miligrama por quilo, e o Anexo 5 do documento neonatal brasileiro transforma isso em prática com 0,2 mililitro por quilo da diluição de 1 mililitro da ampola em 9 de soro fisiológico — ou seja, 0,02 miligrama por quilo, o dobro do algoritmo pediátrico. Num bebê de 3 quilos, 0,06 miligrama na sala de parto contra 0,03 fora dela. O mesmo texto proíbe ultrapassar 0,1 miligrama por quilo por qualquer via no período neonatal, e esse é exatamente o valor da dose endotraqueal pediátrica.
As duas escadas de energia, e onde elas se cruzam
Desfibrilação e cardioversão usam o mesmo aparelho, a mesma unidade e faixas que se tocam. Separar as duas escadas antes de ler a alternativa é metade da questão.
A desfibrilação trata fibrilação ventricular e taquicardia ventricular sem pulso, é assíncrona e vem antes de qualquer fármaco no ritmo chocável. A dose inicial recomendada pelo texto brasileiro é de 2 a 4 joules por quilo, e as subsequentes aumentam progressivamente até 10 se necessário — a justificativa é a baixa taxa de sucesso com 2 joules por quilo e a segurança demonstrada com até 10. O documento registra que não se conhece a energia mínima eficaz nem o limite superior seguro.
A cardioversão é sincronizada com a onda R, trata taquiarritmia com pulso e perfusão inadequada, e começa muito mais baixo: 0,5 a 1 joule por quilo na taquicardia supraventricular; se a arritmia persistir depois da primeira tentativa, dobra-se para 1 a 2 joules por quilo. Se ainda assim não converter, o passo não é subir a carga: é reavaliar se aquilo é mesmo supraventricular ou se é taquicardia ventricular.
Agora as sobreposições, que são o material de prova. Um joule por quilo é ao mesmo tempo o topo da primeira carga de cardioversão e o piso da segunda: a redação diz 0,5 a 1 e depois 1 a 2, e o valor de 1 pertence às duas linhas. Dois joules por quilo é ao mesmo tempo o topo da segunda carga de cardioversão e o piso da primeira desfibrilação. Numa criança de 15 quilos, isso quer dizer que 30 joules podem ser a segunda tentativa de cardioverter uma taquicardia supraventricular ou o primeiro choque de uma fibrilação ventricular. A alternativa que diz apenas o número de joules, sem dizer se é sincronizado, não está dizendo o suficiente.
Vale fixar a escada em um peso. Numa criança de 15 quilos: cardioversão de 7,5 joules, depois 15; desfibrilação de 30 joules, depois 60, com teto de 150 se for preciso chegar aos 10 joules por quilo. A primeira carga de cardioversão é um quarto da primeira de desfibrilação.
O equipamento tem hierarquia declarada. Para fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular sem pulso em criança fora do hospital, a ordem de preferência é desfibrilador manual, depois desfibrilador externo automático com atenuador de carga pediátrico, depois desfibrilador externo automático sem atenuador. E há uma cláusula que anula a hierarquia na prática: havendo qualquer atraso na disponibilidade do dispositivo preferido, usa-se o que estiver imediatamente disponível.
O critério do atenuador tem dois eixos e eles não se sobrepõem perfeitamente. O texto brasileiro diz que o uso do aparelho com atenuador é preferível em crianças menores de 8 anos, incluindo lactentes, ou com menos de 25 quilos. Como os dois critérios são alternativos, um escolar obeso de 6 anos com 32 quilos entra pela idade e um adolescente magro de 10 anos com 22 quilos entra pelo peso. E o aparelho automático pode ser usado em menores de 1 ano na ausência de desfibrilador manual — ponto que já foi contraindicação em diretrizes antigas e ainda aparece como distrator. Quanto às pás, usa-se o maior tamanho que couber no tórax sem que uma toque na outra, porque a impedância transtorácica cai com o aumento do tamanho; a posição anteroposterior e a anterolateral não diferiram em retorno de circulação.
Depois do retorno, e o que a prova cobra do pós-parada
O retorno da circulação espontânea abre um segundo capítulo com números próprios, e a prova brasileira ainda cobra pouco dele — o que faz dele terreno de questão discriminativa.
A temperatura é o item mais antigo e o mais mal decorado. A febre é tratada agressivamente. Em crianças comatosas ressuscitadas de parada extra-hospitalar, o texto brasileiro manda manter 5 dias de normotermia, definida como 36 a 37,5 graus, ou 2 dias de hipotermia contínua inicial, de 32 a 34 graus, seguidos de 3 dias de normotermia. As duas opções somam 5 dias, e é essa simetria que a banca inverte. Depois de parada intra-hospitalar, o documento registra que os dados não bastam para recomendar a hipotermia sobre a normotermia.
A pressão arterial ganhou alvos em dois momentos distintos. Durante a reanimação, com monitorização invasiva contínua, a diretriz americana de 2025 considera aceitável mirar diastólica de 25 milímetros de mercúrio ou mais em bebês e de 30 ou mais em crianças com 1 ano de idade ou mais. Depois da parada, o texto brasileiro pede sistólica acima do percentil 5 para a faixa etária, e a revisão de 2025 subiu para sistólica e média acima do percentil 10, com base em análise que associou sistólica acima do percentil 10 e diastólica acima do percentil 50 nas primeiras 6 horas a melhor desfecho. A hipotensão ocorre em 25% a 50% dos bebês e crianças depois do retorno da circulação.
O dióxido de carbono exalado tem um número e uma proibição. A diretriz americana de 2025 registra que valores de dióxido de carbono ao final da expiração iguais ou superiores a 20 milímetros de mercúrio durante a reanimação se associaram a mais retorno de circulação e mais sobrevida à alta, e que o monitoramento pode ser considerado para acompanhar a qualidade da reanimação. E acrescenta, como recomendação nova, que um valor isolado de corte não deve ser usado como única indicação para terminar os esforços, porque houve sobreviventes com média abaixo de 20. Alternativa que manda interromper a reanimação por causa de um número de capnografia está errada por essa frase.
As convulsões entraram nas diretrizes pediátricas em 2020: monitoramento contínuo por eletroencefalografia, quando houver recurso, na encefalopatia persistente; tratar as convulsões clínicas; e tratar o estado epiléptico não convulsivo com especialista. A revisão de 2025 acrescentou que o eletroencefalograma feito até 72 horas depois da parada é aceitável para apoiar prognóstico quando interpretado junto com outros critérios, e que nenhuma modalidade isolada — exame neurológico, biomarcador, eletroencefalograma ou imagem — atingiu precisão para prognosticar sozinha. Os reflexos de tosse e de vômito e a resposta à dor tiveram a utilidade descrita como não bem estabelecida.
A glicemia é monitorizada para evitar hipoglicemia e hiperglicemia prolongada, sem que o controle rigoroso tenha se mostrado superior ao moderado, e o oxigênio é titulado para saturação igual ou maior que 94%. A reabilitação virou recomendação formal desde 2020: avaliar a necessidade de serviços de reabilitação e encaminhar para avaliação neurológica continuada por pelo menos um ano depois da parada.
Duas situações especiais fecham o capítulo porque mudam números que pareciam fixos. No afogamento, a hipóxia é a causa e o tratamento começa pela ventilação: administram-se cinco ventilações de resgate assim que possível, mantém-se 30 compressões para 2 ventilações e evita-se a reanimação só com compressão; a imobilização cervical não é indicada de rotina, porque a incidência de lesão de coluna cervical em afogados é de aproximadamente 0,5%. E há sobrevida sem dano neurológico descrita em submersões acima de 60 minutos, quase invariavelmente em água gelada. No choque, o bólus é de 20 mililitros por quilo de cristaloide isotônico, repetido se a perfusão não melhorar, mesmo com pressão arterial normal; a diretriz americana de 2020 flexibilizou para alíquotas de 10 ou 20 mililitros por quilo com reavaliação frequente, por risco de sobrecarga, e passou a indicar adrenalina ou noradrenalina como vasoativo inicial no choque séptico refratário a volume, com dopamina apenas se aquelas não estiverem disponíveis.
Da vinheta ao algoritmo, e do algoritmo ao número
Três perguntas em sequência, e nenhuma delas é o diagnóstico. A primeira é qual régua vale, e se resolve pela idade, pelo sinal de puberdade e pelo endereço. A segunda é se aquilo já é parada, e se resolve por pulso e por frequência. A terceira é o número, e se resolve pelo peso — desde que se saiba em que peso cada teto encosta.
- 11. Onde a cena acontece? Sala de parto, minuto de ouro, cordão ainda no campo → régua neonatal: 3 para 1, 120 eventos por minuto, comprimir abaixo de 60 depois de 30 segundos de ventilação por cânula. Qualquer outro lugar → régua pediátrica.
- 22. Que idade tem? Menos de 1 ano e já fora do período de recém-nascido → lactente: pulso braquial, profundidade de cerca de 4 centímetros, compressão torácica na desobstrução. Mais de 1 ano e sem sinal de puberdade → criança: pulso carotídeo, cerca de 5 centímetros, compressão abdominal na desobstrução.
- 33. Há broto mamário ou pelo axilar? Sim → adolescente, e valem as recomendações do adulto: 30 para 2 sempre, profundidade de 5 a 6 centímetros com teto de 6, e 1 ventilação a cada 6 segundos depois da via aérea avançada.
- 44. Há pulso central em até 10 segundos? Não, ou dúvida → comprimir. Sim, com frequência abaixo de 60 e má perfusão apesar de ventilação e oxigenação efetivas → comprimir. Sim, acima de 60 com respiração regular → posição de recuperação.
- 55. Quantos socorristas profissionais? Um → 30 para 2. Dois ou mais → 15 para 2. Socorrista leigo, em qualquer idade e em qualquer número → 30 para 2, e sem checar pulso.
- 66. O ritmo é chocável? Fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular sem pulso → desfibrilar antes de qualquer fármaco, com 2 a 4 joules por quilo, subindo até 10. Assistolia ou atividade elétrica sem pulso → adrenalina o quanto antes, 0,01 miligrama por quilo, repetida a cada 3 a 5 minutos.
- 77. Persiste chocável depois do segundo choque e da adrenalina? → amiodarona 5 miligramas por quilo em bólus, teto de 300 miligramas, ou lidocaína 1 miligrama por quilo como alternativa.
Quatro réguas, e o que muda em cada fronteira
O recém-nascido em sala de parto recebe 3 compressões para 1 ventilação, 120 eventos por minuto, o que decompõe em 90 compressões e 30 ventilações. O lactente e a criança recebem 100 a 120 compressões por minuto, com 30 para 2 se houver um socorrista e 15 para 2 se houver dois. O adolescente recebe a régua do adulto. As duas primeiras fronteiras são um aniversário e um sinal de puberdade; a de baixo é um endereço, porque o documento neonatal se declara para a sala de parto e a definição de lactente exclui o recém-nascido sem dizer até quando.
Onde cada teto de dose encosta
A dose por quilo vale até o peso em que ela alcança o teto fixo; depois disso o teto manda, e a dose por quilo vira ficção. Adenosina e amiodarona encostam nos seus tetos exatamente aos 60 quilos, o que faz do adolescente médio o ponto em que três contas param de crescer ao mesmo tempo. O magnésio encosta aos 40 quilos pelo limite superior da faixa e só aos 80 pelo inferior. A atropina é a única com piso além de teto: a conta por quilo alcança o piso de 0,1 miligrama aos 5 quilos e o teto de 0,5 aos 25.
Duas escadas de joules que se tocam em dois degraus
A cardioversão sincronizada sobe de 0,5 a 1 joule por quilo para 1 a 2. A desfibrilação assíncrona começa em 2 a 4 e sobe até 10. O valor de 1 joule por quilo pertence às duas cargas de cardioversão, e o de 2 joules por quilo pertence à segunda cardioversão e à primeira desfibrilação. Numa criança de 15 quilos, 30 joules podem ser a segunda tentativa de cardioverter uma taquicardia supraventricular ou o primeiro choque de uma fibrilação ventricular: o número sozinho não distingue, só o sincronismo.
As três réguas lado a lado, nos itens que a prova compara
| Item | Recém-nascido (sala de parto) | Lactente e criança | Adolescente e adulto |
|---|---|---|---|
| Relação compressão-ventilação | 3 para 1 | 30 para 2 com 1 socorrista; 15 para 2 com 2 | 30 para 2 sempre |
| Ritmo por minuto | 120 eventos: 90 compressões e 30 ventilações | 100 a 120 compressões | 100 a 120 compressões |
| Profundidade | terço inferior do esterno, dois polegares sobrepostos | 1/3 do diâmetro: cerca de 4 cm no lactente, 5 cm na criança | 5 a 6 cm, com teto de 6 cm |
| Gatilho da compressão | frequência abaixo de 60 após 30 s de ventilação por cânula | frequência abaixo de 60 com má perfusão apesar de ventilação efetiva | ausência de pulso |
| Ventilação com via aérea avançada | 3 para 1 mantido | 10 por minuto pela régua brasileira de 2019; 20 a 30 pela americana vigente | 1 a cada 6 segundos, ou 10 por minuto |
| Adrenalina endovenosa | 0,01 a 0,03 mg/kg; 0,2 mL/kg da diluição de trabalho | 0,01 mg/kg, ou 0,1 mL/kg de 1 para 10.000, máximo de 1 mg | 1 mg por dose |
| Desobstrução por corpo estranho | não se aplica | golpes nas costas com compressão torácica abaixo de 1 ano; compressão abdominal acima | compressão abdominal, precedida de golpes nas costas pela régua de 2025 |
O socorrista leigo não checa pulso e mantém 30 para 2 em todas as faixas etárias, mesmo quando são dois leigos; a relação 15 para 2 é do profissional de saúde.
A reanimação apenas com compressão não é a recomendação em pediatria: a ventilação intercalada está indicada dentro e fora do hospital, e a compressão isolada é o recurso de quem não consegue ventilar.
O acesso intraósseo é preferível à via endotraqueal quando o venoso falha, e por ele passam medicamentos, cristaloides, coloides e hemoderivados; a punção é na porção proximal da tíbia ou distal do fêmur.
Doses são calculadas pelo peso atual na criança não obesa e pelo peso ideal estimado pela altura na criança obesa, e nunca ultrapassam a dose de adulto.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Dez por minuto, uma a cada 6 segundos
A tabela de frequência das ventilações por situação clínica traz, para parada com via aérea definitiva por intubação traqueal ou máscara laríngea, 10 ventilações por minuto com compressões torácicas contínuas de 100 a 120 por minuto. O quadro de componentes do suporte básico de alta qualidade repete o número como 1 ventilação a cada 6 segundos. Para apneia sem parada cardíaca, a mesma tabela dá 12 a 20 por minuto.
Tabela 12.1 e Quadro 11.1 da Atualização da Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de Cardiologia, 2019
Vinte a trinta por minuto, uma a cada 2 ou 3 segundos
A recomendação de 2020 elevou a frequência para 1 ventilação a cada 2 ou 3 segundos, ou seja, 20 a 30 por minuto, e unificou o número para as duas situações: ventilação de resgate na criança com pulso e esforço respiratório inadequado, e reanimação com via aérea avançada. O documento registra que dados novos mostraram frequências de no mínimo 30 por minuto em bebês e de no mínimo 25 em crianças associadas a mais retorno de circulação e mais sobrevida, e adverte que frequências superiores a essas podem comprometer a hemodinâmica.
Destaques das Diretrizes de Ressuscitação Cardiopulmonar e Atendimento Cardiovascular de Emergência de 2020 da American Heart Association, edição em português, capítulo de suporte básico e avançado de vida pediátrico; mantido na revisão de 2025
Na prova
Procure a âncora do enunciado antes de contar segundos. Banca que cita a diretriz brasileira de 2019, que fala em suporte avançado de vida em pediatria nos termos da sociedade brasileira, ou que oferece a alternativa junto com 100 a 120 compressões contínuas, está pedindo 10 por minuto. Banca que menciona a atualização americana, o ano de 2020 ou de 2025, ou que escreve o número como intervalo em segundos, está pedindo 20 a 30. E cuidado com a transposição: 1 ventilação a cada 6 segundos continua sendo a resposta certa no adulto intubado, inclusive na revisão americana de 2025 — o que mudou foi só o lado pediátrico.
Dois a quatro joules por quilo
O texto brasileiro recomenda a dose inicial de 2 a 4 joules por quilo e, se necessário, aumentar progressivamente as doses subsequentes até 10 joules por quilo. A justificativa citada é a baixa porcentagem de sucesso em tratar a fibrilação ventricular em crianças com 2 joules por quilo, e a segurança demonstrada com doses mais altas. Pela redação, quatro joules por quilo é uma primeira carga legítima.
Seção 12.2 da Atualização da Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de Cardiologia, 2019
Dois joules por quilo no primeiro choque
O algoritmo americano estrutura a escada com um valor por degrau: primeiro choque de 2 joules por quilo, segundo de 4, e subsequentes de 4 ou mais, até 10 joules por quilo ou a dose de adulto. Nessa leitura, quatro joules por quilo é a segunda carga, não a primeira, e uma vinheta que aplique 4 na abertura está fora do algoritmo.
Algoritmo de parada cardiorrespiratória em pediatria da American Heart Association, reproduzido na Figura 11 dos Destaques das Diretrizes de 2020, edição em português
Na prova
Quando o enunciado dá o peso e pede o número de joules do primeiro choque, veja qual referência ele cita. Sem citação explícita, a resposta segura é 2 joules por quilo, porque ela é a primeira carga nas duas réguas — está dentro da faixa brasileira e é o valor único do algoritmo americano. O que não se deve fazer é marcar 4 joules por quilo como primeira carga apenas porque a faixa brasileira o admite: nenhuma banca constrói a alternativa correta no ponto em que as duas réguas discordam sem sinalizar a fonte.
Direto na compressão abdominal
O texto brasileiro separa por idade: em menores de 1 ano, iniciar com cinco golpes nas costas e cinco compressões torácicas até sinais de desobstrução ou perda de consciência; em maiores de 1 ano, realizar as compressões abdominais na região entre a cicatriz umbilical e o apêndice xifoide. Não há golpes nas costas antecedendo a compressão abdominal na criança. A exceção prevista é a criança obesa em que o socorrista não consegue abraçar totalmente o abdome, caso em que se fazem compressões torácicas.
Seção 11.10 da Atualização da Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de Cardiologia, 2019
Cinco golpes nas costas antes das compressões abdominais
A revisão de 2025 passou a recomendar, para a criança com obstrução grave, ciclos repetidos de cinco golpes nas costas alternados com cinco compressões abdominais, até que o objeto seja expelido ou a criança fique inconsciente. O motivo declarado é um estudo observacional em adultos e crianças sugerindo melhor desobstrução com golpes nas costas, somado à uniformidade de treinamento. Para o lactente, a mudança foi de técnica: cinco golpes nas costas alternados com cinco compressões torácicas feitas com a base de uma das mãos.
Destaques das Diretrizes para Ressuscitação Cardiopulmonar e Atendimento Cardiovascular de Emergência de 2025 da American Heart Association e da American Academy of Pediatrics, edição em português, capítulo de suporte básico de vida em pediatria
Na prova
As duas réguas concordam no que a banca costuma testar, e é nisso que convém se apoiar: acima de 1 ano a compressão é abdominal, abaixo de 1 ano é torácica, e varredura digital às cegas está errada em qualquer idade. Elas só discordam sobre o que vem antes da compressão abdominal na criança. Se as alternativas oferecem golpes nas costas seguidos de compressões abdominais e também compressões abdominais isoladas, a primeira é a que sobrevive às duas leituras. E, se o enunciado leva a criança à inconsciência, as duas convergem outra vez: começa a reanimação pelas compressões, sem checar pulso.
Dois dedos com um socorrista, dois polegares com dois
O texto brasileiro descreve, para o lactente com um ressuscitador, dois dedos no centro do tórax logo abaixo da linha intermamilar; e, com dois ou mais ressuscitadores, envolver o tórax e sustentar as costas com os dedos de ambas as mãos, usando os polegares lado a lado no terço inferior do esterno, com sobreposição permitida em bebês muito pequenos. Para o socorrista leigo, o mesmo documento manda usar a técnica de dois dedos com um ou dois socorristas.
Seção 11.8 e Quadro 11.1 da Atualização da Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de Cardiologia, 2019
Base de uma das mãos ou dois polegares; dois dedos deixa de ser recomendado
A revisão de 2025 recomenda comprimir o esterno do lactente com a base de uma das mãos ou com a técnica dos dois polegares e mãos circundando o tórax, e reservar a de uma mão para quando o socorrista não conseguir envolver fisicamente o tórax. O documento afirma que a técnica tradicional de dois dedos não é mais recomendada, citando revisões e meta-análises de simulação em que os dois polegares foram superiores e um registro observacional em que nenhum segmento de compressão feito com dois dedos ficou em conformidade.
Destaques das Diretrizes para Ressuscitação Cardiopulmonar e Atendimento Cardiovascular de Emergência de 2025 da American Heart Association e da American Academy of Pediatrics, edição em português, capítulo de suporte básico de vida em pediatria
Na prova
Este é o item em que a régua brasileira ficou para trás mais recentemente, e por isso ele ainda aparece com a resposta antiga. Enunciado que descreve um socorrista único num lactente e oferece dois dedos como alternativa está, muito provavelmente, escrito sobre a régua brasileira de 2019 e a espera como certa. Reserve a resposta da revisão de 2025 para o enunciado que cita o ano ou que fala em profundidade insuficiente. O que vale nas duas, e é onde a questão costuma se resolver, é o local: terço inferior do esterno, logo abaixo da linha intermamilar, poupando o apêndice xifoide.
Caso resolvido
- O ritmo chocável tira o fármaco da frente
- Fibrilação ventricular e taquicardia ventricular sem pulso são os dois ritmos em que a desfibrilação precede qualquer medicação. A reanimação de alta qualidade continua durante o carregamento, o choque é aplicado e as compressões recomeçam imediatamente, sem checar pulso, por 2 minutos antes da nova análise de ritmo. A adrenalina entra depois do primeiro ou do segundo choque, conforme o serviço, e o antiarrítmico entra depois do segundo choque com adrenalina já administrada.
- As duas primeiras cargas, e o teto
- Pela régua brasileira, a dose inicial é de 2 a 4 joules por quilo, e as subsequentes sobem progressivamente até 10. Em 15 quilos, isso dá 30 joules na leitura de 2 joules por quilo, 60 joules na de 4, e um teto de 150 joules quando se chega aos 10 joules por quilo. O algoritmo americano fixa 30 joules como primeiro choque e 60 como segundo. Note que 150 joules num menino de 4 anos é mais energia do que a segunda carga de muitos protocolos de adulto — a conta por quilo produz números que parecem errados e não são.
- A adrenalina, em miligramas e em mililitros
- 0,01 miligrama por quilo em 15 quilos dá 0,15 miligrama. Como a solução 1 para 10.000 tem 0,1 miligrama por mililitro, o volume é de 1,5 mililitro, o que confere com a regra do 0,1 mililitro por quilo. A repetição é a cada 3 a 5 minutos, na mesma dose. Se a única via obtida fosse a endotraqueal, a dose subiria dez vezes, para 1,5 miligrama, e o volume continuaria 1,5 mililitro, agora da solução 1 para 1.000.
- O antiarrítmico, e por que o teto não aparece aqui
- Amiodarona 5 miligramas por quilo em bólus dá 75 miligramas em 15 quilos, muito abaixo do teto de 300. A alternativa é lidocaína 1 miligrama por quilo, ou 15 miligramas. Um erro comum de alternativa é oferecer amiodarona 300 miligramas, que é a dose do adulto e o teto pediátrico: ela só seria a dose calculada num paciente de 60 quilos.
- O adolescente de 60 quilos: três tetos ao mesmo tempo
- Aos 60 quilos, a amiodarona calculada dá exatamente os 300 miligramas do teto. Se a arritmia fosse supraventricular com pulso, a adenosina calculada daria exatamente 6 miligramas na primeira dose e 12 na segunda, que são os dois tetos. É o único peso da tabela em que três limites encostam simultaneamente, e a partir dele a dose por quilo deixa de crescer. A adrenalina é a exceção: seu teto de 1 miligrama por dose só encostaria aos 100 quilos, de modo que em 60 quilos ela ainda seria 0,6 miligrama.
- O recém-nascido de 3 quilos: outro algoritmo, não outra dose
- Na sala de parto a pergunta muda de forma. A fibrilação ventricular é rara e a bradicardia é a regra: comprime-se abaixo de 60 batimentos por minuto depois de 30 segundos de ventilação por cânula traqueal, na relação 3 para 1 com 120 eventos por minuto. A adrenalina endovenosa é de 0,01 a 0,03 miligrama por quilo, com 0,2 mililitro por quilo como número de trabalho, o que em 3 quilos dá 0,6 mililitro, ou 0,06 miligrama — o dobro dos 0,03 miligrama que o algoritmo pediátrico daria ao mesmo bebê fora da sala de parto. O flush é de 3 mililitros de soro fisiológico, e a via endotraqueal usa 1 mililitro por quilo em uso único.
- O que fecha a resposta
- Escreva a sequência como a banca a quer ler: 30 joules, 2 minutos de reanimação, 60 joules, adrenalina 0,15 miligrama por via intravenosa ou intraóssea, 2 minutos, amiodarona 75 miligramas, e adrenalina repetida a cada 3 a 5 minutos enquanto se procuram as causas reversíveis. E registre a única frase que muda tudo: se em algum momento houver pulso com perfusão inadequada, o choque deixa de ser desfibrilação e passa a ser cardioversão sincronizada, começando em 7,5 joules neste peso.
Agora feche você
- Diga qual régua vale, e por qual frase do documento
- Cite a definição brasileira das três faixas etárias e mostre em qual delas este paciente cai. Diga qual é o sinal físico que a diretriz nomeia para meninos e qual para meninas. Explique por que a idade cronológica de 12 anos, isolada, não decide, e o que a diretriz manda fazer com quem apresenta sinais de puberdade.
- Traduza a régua em três números concretos
- Dê a relação compressão-ventilação que se aplica a este paciente com dois socorristas profissionais, e diga por que ela não é a mesma que se usaria numa criança de 8 anos com os mesmos dois socorristas. Dê a profundidade em centímetros, com o piso e o teto. Dê a frequência de ventilação depois que a via aérea avançada estiver instalada, e diga se esse número é o mesmo que se usaria na criança pré-púbere pela régua americana vigente.
- Mostre o que a mudança de régua não muda
- Explique por que a dose de adrenalina continua sendo calculada por quilo mesmo num paciente que recebe a relação do adulto, e calcule quanto ele receberia. Faça a mesma conta para a amiodarona e diga se o teto encosta neste peso. Faça a conta do sulfato de magnésio pelos dois extremos da faixa e diga qual deles já bate no teto de 2 gramas com 42 quilos.
- Resolva a energia com o peso na mão
- Calcule a primeira e a segunda cargas de desfibrilação pelas duas leituras possíveis da faixa brasileira, e o teto de 10 joules por quilo. Diga se o desfibrilador externo automático com atenuador de carga estaria indicado neste paciente, citando os dois eixos do critério e mostrando que ele falha nos dois. Diga o que fazer se o único aparelho disponível fosse um automático sem atenuador.
- Refaça o caso sem o sinal de puberdade
- Repita os três números do segundo passo para o mesmo paciente sem pelos axilares, e aponte qual deles muda e qual permanece. Diga o que acontece com a profundidade quando o diâmetro anteroposterior do tórax deste adolescente é de 18 centímetros e a regra do terço passa a conflitar com a regra dos centímetros. Conclua dizendo, em uma frase, por que uma fronteira definida por sinal físico é frágil no cenário exato em que ela precisa ser aplicada.
Onde a banca derruba
- 1Chamar de lactente quem já passou do primeiro aniversário Na clínica geral, lactente costuma designar a criança de 29 dias a 2 anos. Na reanimação, lactente é quem tem menos de 1 ano, e o corte muda a manobra. Uma vinheta que abre com a expressão lactente de 14 meses está usando o sentido clínico, e quem responde pelo sentido clínico aplica compressão torácica num paciente que já pertence à faixa da compressão abdominal. O acervo desta plataforma tem exatamente esse caso: entre as 336 questões vivas que tocam engasgo ou corpo estranho, uma descreve um paciente de 14 meses consciente, incapaz de chorar, e dá como certa a alternância de cinco golpes dorsais com cinco compressões torácicas. Pelas três réguas em vigor, a compressão nessa idade é abdominal.
- 2Levar a relação da sala de parto para o pronto-socorro, ou o contrário A relação 3 para 1, com 120 eventos por minuto, é do recém-nascido em sala de parto e existe porque o problema é encher de ar um pulmão que estava cheio de líquido. Levada para o lactente de dois meses no pronto-socorro, ela entrega 90 compressões por minuto, abaixo do piso de 100, e 30 ventilações, quase o dobro do que a relação 15 para 2 entregaria. O caminho inverso é igualmente errado: aplicar 15 para 2 na sala de parto sacrifica a ventilação que é o pilar da reanimação neonatal. A palavra-chave do enunciado costuma ser o lugar, não a idade.
- 3Trocar o corte fixo de 60 batimentos por bradicardia para a idade O gatilho da compressão em pediatria não é uma frequência abaixo do percentil para a idade: é o número 60, com má perfusão, e depois de ventilação e oxigenação efetivas. Um lactente com 90 batimentos por minuto e perfusão ruim não recebe compressão, recebe investigação e suporte; um lactente com 48 batimentos e enchimento capilar de 5 segundos que não melhora com a ventilação recebe compressão. A alternativa que fala em bradicardia para a faixa etária está trocando uma trava determinística por um julgamento, e é quase sempre distrator.
- 4Achar que a via aérea avançada sempre significa ventilar menos No adulto, intubar reduz a frequência de ventilação para 1 a cada 6 segundos, e isso continua verdadeiro na revisão americana de 2025. Na criança, pela régua americana vigente, acontece o oposto: a relação 15 para 2 a 120 compressões por minuto entrega 16 ventilações por minuto, e a via aérea avançada eleva o alvo para 20 a 30. Quem transporta a regra do adulto para a criança erra em duas frentes ao mesmo tempo — no número e na direção da mudança.
- 5Decorar 0,1 mililitro por quilo sem olhar a diluição A adrenalina endovenosa da parada pediátrica é 0,1 mililitro por quilo da solução 1 para 10.000, e a endotraqueal é 0,1 mililitro por quilo da solução 1 para 1.000. O volume é idêntico; a dose difere dez vezes, porque 0,01 miligrama por quilo virou 0,1. A alternativa que diz apenas o volume não diz a dose, e a que troca a diluição transforma a via de resgate em intoxicação ou a via preferida em subdose.
- 6Somar a dose neonatal ao algoritmo pediátrico Na sala de parto, a adrenalina endovenosa é de 0,01 a 0,03 miligrama por quilo, e o anexo de medicações da diretriz brasileira de reanimação neonatal converte isso em 0,2 mililitro por quilo da diluição de trabalho, o que dá 0,02 miligrama por quilo — o dobro do que o algoritmo pediátrico usa. Num bebê de 3 quilos, 0,06 miligrama na sala de parto e 0,03 miligrama fora dela. O mesmo texto proíbe ultrapassar 0,1 miligrama por quilo por qualquer via no período neonatal, e 0,1 miligrama por quilo é exatamente a dose endotraqueal do algoritmo pediátrico.
- 7Ler o número de joules sem perguntar se o choque é sincronizado Dois joules por quilo é o topo da segunda carga de cardioversão e o piso da primeira desfibrilação; um joule por quilo pertence às duas cargas de cardioversão. Numa criança de 15 quilos, 30 joules podem ser qualquer uma das duas coisas. A alternativa só está completa quando diz o sincronismo, e o enunciado só está resolvido quando se sabe se há pulso: com pulso e perfusão inadequada, cardioverte-se; sem pulso, desfibrila-se.
- 8Interromper a reanimação por um valor de capnografia Valores de dióxido de carbono ao final da expiração iguais ou superiores a 20 milímetros de mercúrio durante a reanimação associaram-se a mais retorno de circulação e mais sobrevida, e o monitoramento pode ser considerado para acompanhar a qualidade. Mas a revisão americana de 2025 introduziu recomendação explícita em sentido contrário ao uso do número como veredito: um valor isolado de corte não deve ser a única indicação para terminar os esforços, porque houve sobreviventes com média abaixo de 20. Alternativa que manda encerrar a reanimação com base num número de capnografia está errada por essa frase, não por julgamento.
Correta: No PALS/SAVP, em lactentes e crianças com dois socorristas, a relação é 15:2 (com um único socorrista, é 30:2). Como o cenário descreve dois socorristas treinados, a resposta é 15:2. 30:2 é a relação para socorrista único, não para dois. 5:1 é uma relação antiga/incorreta, não recomendada. 3:1 é a relação específica da reanimação NEONATAL (RN em sala de parto), não do lactente em PCR fora desse contexto. Compressões contínuas sem ventilação (Hands-Only) aplicam-se ao adulto leigo; na PCR pediátrica, tipicamente hipóxica/asfíxica, a ventilação é essencial.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Lactente de 6 meses com quadro de bronquiolite evolui com esforço respiratório progressivo e rebaixamento do sensório. À monitorização: FC 48 bpm, FR irregular, SatO2 82%. São iniciadas ventilação com bolsa-válvula-máscara com O2 a 100% e manutenção de via aérea pérvia. Após 30-60 segundos de ventilação efetiva (com elevação torácica adequada), a criança mantém FC de 45 bpm associada a sinais de má perfusão sistêmica: enchimento capilar > 4 s, palidez cutânea e hipotonia. Qual é a conduta imediata mais apropriada?
Correta: Regra central do PALS: bradicardia com FC < 60 bpm e sinais de má perfusão que PERSISTEM apesar de oxigenação e ventilação adequadas é indicação de iniciar compressões torácicas. A criança mantém FC 45 bpm com má perfusão após ventilação efetiva, logo o próximo passo é comprimir. Atropina só é indicada em bradicardia por tônus vagal aumentado ou bloqueio AV, não como primeira medida aqui. Adrenalina é o fármaco de escolha, porém entra APÓS iniciar compressões, se a bradicardia persistir. Marca-passo transcutâneo não é passo inicial e é reservado a bloqueio AV/disfunção do nó sinusal, não à bradicardia hipóxica. Apenas manter ventilação é insuficiente, pois a bradicardia com má perfusão já persiste após ventilação adequada.
Menino de 4 anos (peso estimado 15 kg), previamente hígido, apresenta colapso súbito presenciado em ambiente hospitalar. Ao monitor, identifica-se fibrilação ventricular. É realizada desfibrilação com 2 J/kg, seguida de RCP de alta qualidade por 2 minutos; persistindo o ritmo, procede-se a nova desfibrilação com 4 J/kg e administração de adrenalina 0,01 mg/kg IV/IO. Após mais um ciclo de 2 minutos de RCP, o paciente permanece em fibrilação ventricular refratária. Qual é o fármaco antiarrítmico e a dose corretos a serem administrados neste momento?
Correta: Em FV/TV sem pulso refratária (que persiste após desfibrilação, RCP e adrenalina), o PALS indica amiodarona 5 mg/kg IV/IO em bolus (para 15 kg = 75 mg; a lidocaína 1 mg/kg é alternativa aceita). 300 mg é a dose fixa do ADULTO; na criança a dose é ponderal (5 mg/kg), e 300 mg extrapolaria muito a dose de 15 kg. A dose correta de adrenalina é 0,01 mg/kg; 0,1 mg/kg representa erro de 10x (dose usada apenas por via endotraqueal, não IV/IO). Adenosina trata taquicardia supraventricular estável, não tem papel na FV. Atropina é usada em bradicardia vagal/bloqueio AV, sem indicação na fibrilação ventricular.
Lactente, 8 meses, previamente hígido, é levado ao pronto-socorro com desconforto respiratório por bronquiolite. Evolui com rebaixamento do nível de consciência, palidez, cianose central, tempo de enchimento capilar de 5 segundos e pulsos centrais fracos. A frequência cardíaca é de 48 bpm. Inicia-se ventilação com bolsa-válvula-máscara e oxigênio a 100%, com expansibilidade torácica adequada. Após 30 segundos de ventilação efetiva, a frequência cardíaca permanece em 45 bpm e mantêm-se os sinais de má perfusão. Qual a conduta imediata?
Correta: No algoritmo de bradicardia do PALS, frequência cardíaca menor que 60 bpm acompanhada de sinais de má perfusão que persiste APESAR de oxigenação e ventilação adequadas é indicação de iniciar compressões torácicas — o passo imediato antes de qualquer fármaco. Atropina reserva-se à bradicardia de origem vagal ou a bloqueio atrioventricular, não à bradicardia hipóxica deste lactente. Epinefrina (0,01 mg/kg) é o próximo passo somente se a bradicardia persistir APÓS o início das compressões, não antes delas. Marca-passo transcutâneo não beneficia bradicardia hipóxica (é opção em bloqueio AV completo). Adenosina trata taquicardia supraventricular, um ritmo rápido, sendo inadequada na bradicardia.
A atropina pediátrica é prescrita a 0,02 mg/kg, com limites de 0,1 a 0,5 mg por dose em crianças. Em que pesos a dose calculada encontra, respectivamente, o limite inferior e o superior?
Dividir o limite pela dose por quilo devolve o peso em que os dois se encontram: 0,1 miligrama dividido por 0,02 miligrama por quilo dá cinco quilos, e 0,5 miligrama dividido pela mesma dose dá vinte e cinco quilos. Entre esses dois pesos, a dose prescrita é a calculada; abaixo de cinco quilos o piso passa a mandar, e acima de vinte e cinco quilos manda o teto. A consequência prática merece atenção: num lactente de 3,2 quilos o cálculo daria 0,064 miligrama, e obedecer ao piso significa administrar 0,031 miligrama por quilo, cerca de 1,6 vez a dose por quilo prescrita. O próprio documento brasileiro cria aqui uma contradição interna, porque ao discutir a pré-medicação da intubação de emergência registra que nessa indicação é permitido utilizar doses inferiores a 0,1 miligrama. Em adolescentes o teto por dose sobe para 1 miligrama, que a conta encontraria aos cinquenta quilos, e os totais acumulados são de 1 miligrama em crianças e 2 em adolescentes.
Criança de 14 meses engasgou com uva inteira. Está consciente, sem conseguir chorar ou emitir som, sem tosse eficaz, com cianose perioral progressiva. Qual manobra está indicada e por quê?
A régua da desobstrução separa por um único aniversário: abaixo de um ano a compressão é torácica, acima de um ano é abdominal, feita entre a cicatriz umbilical e o apêndice xifoide. Aos catorze meses o paciente já está do lado de cima do corte, e a compressão torácica deixa de ser a manobra correta — a designação clínica de lactente, que na prática se estende até os dois anos, não é a mesma da reanimação, e é justamente essa ambiguidade que a alternativa da compressão torácica explora. A revisão americana de 2025 acrescentou cinco golpes nas costas antes de cada série de cinco compressões abdominais na criança, mas manteve o abdome como alvo acima de um ano, de modo que as duas réguas convergem no que a questão pede. Varredura digital às cegas está proscrita em qualquer idade pelo risco de empurrar o corpo estranho, e a reanimação só entra quando houver perda de consciência, momento em que se inicia pelas compressões sem checar pulso. Adiar a manobra para exame de imagem numa obstrução completa é erro de tempo.
Menino de 4 anos, 15 kg, em fibrilação ventricular. Recebeu choque de 2 J/kg, dois minutos de reanimação, novo choque de 4 J/kg e adrenalina 0,01 mg/kg. Persiste em fibrilação após mais dois minutos. Qual é a próxima medicação e em que dose?
Na fibrilação ventricular refratária, o antiarrítmico entra depois do segundo choque com adrenalina já administrada, e a amiodarona é a escolha, na dose de 5 miligramas por quilo em bólus, com máximo de 300 miligramas. Em 15 quilos a conta dá 75 miligramas, bem abaixo do teto — que só seria alcançado por um paciente de 60 quilos, e é por isso que a dose de 300 miligramas figura como distrator: ela é simultaneamente a dose do adulto e o teto pediátrico, o que a torna tentadora para quem decorou o número sem o denominador. A alternativa da lidocaína, ausente aqui, seria aceitável na dose de 1 miligrama por quilo. A adrenalina em 1,5 miligrama corresponderia a dez vezes a dose intravenosa, que é o ajuste da via endotraqueal, não da intraóssea. A atropina não tem papel em ritmo chocável, e a adenosina trata taquicardia supraventricular com pulso, situação em que existe circulação e o problema é o circuito de reentrada, não a desfibrilação.
Lactente de 6 meses com bronquiolite evolui com rebaixamento do sensório, cianose e enchimento capilar de 5 segundos. Recebe ventilação com bolsa e máscara com oxigênio a 100%, com expansibilidade adequada. Após 30 a 60 segundos, mantém frequência cardíaca de 45 batimentos por minuto. Qual é a conduta?
O gatilho da compressão em pediatria é um número fixo e uma condição: frequência cardíaca abaixo de 60 batimentos por minuto com sinais de perfusão inadequada, depois de ventilação e oxigenação efetivas. As duas partes precisam estar satisfeitas, e nesta vinheta estão: o tórax expande, o oxigênio está ofertado e a frequência não subiu. A hipoxemia é a principal causa de bradiarritmia nessa faixa etária, e por isso a ventilação vem antes; quando ela falha, a bradicardia já tem repercussão hemodinâmica e a perfusão coronariana passa a depender da compressão. A adrenalina está indicada na bradicardia sintomática persistente, mas depois de estabelecida a compressão, não em lugar dela. A atropina fica reservada à suspeita de tônus vagal aumentado, toxicidade colinérgica ou bloqueio atrioventricular, e o próprio texto registra que a adrenalina é mais efetiva nessa situação. Marca-passo é recurso de bradicardia por bloqueio completo ou disfunção do nó sinusal refratária, com experiência limitada em crianças.
Adolescente de 60 kg. Considerando as doses pediátricas e seus limites máximos, qual afirmação sobre esse peso está correta?
A conta por quilo só vale até o peso em que ela alcança o limite fixo, e vários limites caem em pesos redondos que vale a pena memorizar. A amiodarona de 5 miligramas por quilo alcança o máximo de 300 miligramas exatamente aos 60 quilos. A adenosina de 0,1 miligrama por quilo alcança o máximo de 6 miligramas nesse mesmo peso, e a segunda dose, de 0,2 miligrama por quilo, alcança o máximo de 12 miligramas também aos 60 — o que significa que a duplicação da dose se mantém coerente até ali e deixa de existir acima. A adrenalina é a exceção interessante: a dose de 0,01 miligrama por quilo só encostaria no máximo de 1 miligrama aos 100 quilos, de modo que em pediatria esse teto praticamente nunca limita nada. O sulfato de magnésio, de 25 a 50 miligramas por quilo com máximo de 2 gramas, encosta no teto aos 40 quilos pelo limite superior da faixa e só aos 80 pelo inferior, de modo que aos 60 quilos apenas parte da faixa está limitada. O cálculo pela altura é o recurso de quando o peso é desconhecido, e o peso ideal estimado pela altura é o critério da criança obesa, não uma regra por faixa.
Menina de 9 anos, 30 kg, é encontrada em parada fora do hospital. Só há no local um desfibrilador externo automático sem atenuador de carga pediátrico. Qual é a conduta?
A ordem de preferência declarada para o choque em criança fora do hospital é desfibrilador manual, depois aparelho automático com atenuador de carga pediátrico e, por último, automático sem atenuador. Mas existe uma cláusula que anula a hierarquia na prática e é ela que a questão cobra: havendo qualquer atraso na disponibilidade do dispositivo recomendado, usa-se o que estiver imediatamente disponível. Adiar a desfibrilação num ritmo chocável para esperar equipamento é o erro mais caro do cenário. O critério do atenuador tem dois eixos alternativos — menores de oito anos, incluindo lactentes, ou menos de vinte e cinco quilos — e esta paciente não preenche nenhum dos dois, o que torna o aparelho comum ainda mais adequado; note que os dois eixos podem discordar entre si, e um escolar obeso de seis anos com trinta e dois quilos entraria pela idade. O aparelho automático não é contraindicado em criança pequena: ele pode ser usado até em menores de um ano quando não houver desfibrilador manual. Quanto às pás, a posição anteroposterior e a anterolateral não diferiram em retorno de circulação, e o que importa é usar o maior tamanho que couber sem que uma toque na outra.
Bebê de 3 kg, com 6 dias de vida e transição neonatal já concluída, sofre parada cardiorrespiratória após alta da maternidade. A equipe inicia suporte básico de vida pediátrico, com dois profissionais e sem via aérea avançada. Segundo a AHA/AAP de 2025, qual é a combinação adequada de frequência de compressões e relação compressões:ventilações?
No algoritmo pediátrico especificado, dois profissionais realizam compressões a 100–120/min e, sem via aérea avançada, usam relação 15:2. Devem minimizar interrupções, permitir retorno completo do tórax e assegurar ventilação efetiva. A reanimação na transição ao nascimento tem contexto próprio; sua relação 3:1 não deve ser transferida automaticamente para toda parada posterior com base apenas na idade em dias.
Criança de 5 anos em reanimação é intubada, com posição confirmada por capnografia. Segundo a atualização da diretriz brasileira de 2019 e segundo a atualização americana vigente, qual é a frequência de ventilação a partir desse momento?
Esta é a divergência ativa mais consequente do tema. A tabela de frequência das ventilações do documento brasileiro de 2019 traz, para parada com via aérea definitiva, dez ventilações por minuto com compressões contínuas de 100 a 120 por minuto, e o quadro de suporte básico repete o número como uma ventilação a cada seis segundos. A atualização americana de 2020 elevou o alvo para uma ventilação a cada dois ou três segundos, isto é, 20 a 30 por minuto, e unificou esse número com o da ventilação de resgate; a revisão de 2025 manteve a mudança. A justificativa publicada cita frequências de no mínimo 30 por minuto em bebês e de no mínimo 25 em crianças associadas a mais retorno de circulação e mais sobrevida na parada intra-hospitalar. Em dois minutos de reanimação a diferença é de vinte ventilações contra quarenta a sessenta. Vale registrar que a frequência de uma a cada seis segundos permanece correta no adulto intubado, inclusive na revisão de 2025 — foi só o lado pediátrico que mudou. A relação 15 para 2 deixa de ser aplicada assim que a via aérea avançada está instalada, porque as compressões passam a ser contínuas.
Durante reanimação de lactente sem acesso vascular, a equipe cogita a via endotraqueal para a adrenalina. Comparada à dose intravenosa, o que muda?
A dose intravenosa ou intraóssea é de 0,01 miligrama por quilo, o que corresponde a 0,1 mililitro por quilo da solução 1 para 10.000. Pela via endotraqueal a dose é aumentada em dez vezes, para 0,1 miligrama por quilo, o que corresponde a 0,1 mililitro por quilo da solução 1 para 1.000. O volume administrado por quilo é idêntico nas duas situações, e o que muda é a concentração da solução escolhida — desenho que torna o item perigoso para quem decorou o número em mililitros e esqueceu a diluição. Convém lembrar que a via endotraqueal deixou de ser recomendada e sobrevive apenas como recurso quando nenhuma outra foi obtida, com absorção variável e eficácia não comprovada; o acesso intraósseo é preferível a ela e deve ser estabelecido quando o venoso falhar. O intervalo de repetição permanece de três a cinco minutos em qualquer via, e a dose máxima única de 1 miligrama continua valendo.
Menina de 5 anos, 15 kg, chega com taquicardia de complexo estreito a 240 bpm, sonolenta, com extremidades frias e enchimento capilar de 4 segundos. Não houve resposta a manobra vagal e não se conseguiu acesso vascular, venoso ou intraósseo, até o momento. Recebe cardioversão sincronizada com 7,5 J e, sem conversão, nova cardioversão sincronizada com 15 J. O ritmo persiste inalterado, com pulso presente. Qual é o passo seguinte?
Na taquicardia supraventricular com comprometimento hemodinâmico, a AHA recomenda cardioversão sincronizada com 0,5–1 J/kg inicialmente e 2 J/kg se necessário. Para 15 kg, 2 J/kg correspondem a 30 J. Esse valor não é exclusivo da desfibrilação. Persistência do ritmo exige verificar sincronização, reavaliar e obter ajuda especializada; não justifica dobrar indefinidamente. Referência: AHA, Pediatric Advanced Life Support (2025).
Menino de 6 anos é reanimado com sucesso após parada cardiorrespiratória ocorrida fora do hospital e chega à terapia intensiva comatoso, hemodinamicamente estável e sem febre. A equipe discute o manejo da temperatura nos próximos dias. Segundo a diretriz brasileira, quais são as duas opções aceitáveis para esse paciente?
Em crianças comatosas ressuscitadas de parada ocorrida fora do hospital, o texto brasileiro admite duas estratégias que somam o mesmo total: cinco dias de normotermia, definida como 36 a 37,5 °C, ou dois dias de hipotermia contínua inicial, de 32 a 34 °C, seguidos de três dias de normotermia. É essa simetria de cinco dias que costuma ser invertida nas opções. Estender a hipotermia por cinco dias, ou colocá-la depois da normotermia, troca a duração e a ordem do braço que existe. Encurtar a normotermia isolada para dois dias reduz pela metade o período de controle térmico, e a escolha entre as duas estratégias não se faz por idade. Permitir hipertermia contraria o ponto mais firme do pós-parada, que é tratar a febre de forma agressiva. E afirmar que não há alvo definido desconhece a recomendação: depois de parada ocorrida dentro do hospital, o que o documento registra é que os dados não bastam para preferir hipotermia à normotermia — o que é diferente de não haver alvo. Vale lembrar que, no mesmo período, o oxigênio é titulado para saturação de 94% ou mais e a glicemia é monitorizada para evitar hipoglicemia e hiperglicemia prolongada.
Qual é a causa mais frequente de parada cardiorrespiratória em crianças?
Na criança, a parada geralmente é o desfecho final de insuficiência respiratória ou de choque não reconhecidos, e o ritmo mais comum é a assistolia ou a atividade elétrica sem pulso, o que muda toda a estratégia: reconhecer e tratar precocemente a falência respiratória e o choque previne a parada. Assumir causa arrítmica primária, típica do adulto com doença coronariana, é o erro que desloca o foco para a desfibrilação em detrimento da via aérea e da oxigenação, que são as prioridades pediátricas.
Qual é a principal medida para reduzir a mortalidade por parada cardiorrespiratória em crianças hospitalizadas?
Como a parada pediátrica costuma ser o desfecho de deterioração progressiva, a estratégia com maior impacto é identificá-la antes que ocorra, por meio de escores de alerta precoce, vigilância estruturada e times de resposta rápida que intervenham na insuficiência respiratória e no choque. Ampliar desfibriladores e treinar apenas desfibrilação tem impacto limitado em ritmos majoritariamente não chocáveis. Monitorização invasiva universal não é factível nem necessária, e adrenalina profilática não existe como conduta.
Qual é a energia recomendada para desfibrilação inicial em criança com fibrilação ventricular?
A desfibrilação pediátrica utiliza 2 joules por quilo na primeira tentativa e 4 joules por quilo nas seguintes, podendo chegar a valores maiores em cargas subsequentes sem exceder a dose máxima do adulto. Aplicar carga fixa de adulto em criança pequena entrega energia muito acima do necessário, e cargas muito baixas não revertem a arritmia, ambos erros de consequência direta. Na cardioversão sincronizada as energias iniciais são menores, o que reforça a necessidade de distinguir os dois procedimentos.
Lactente de 8 meses apresenta obstrução completa de via aérea por corpo estranho, com incapacidade de chorar ou tossir e cianose progressiva. Qual é a manobra indicada?
Em lactentes, a desobstrução se faz com cinco golpes interescapulares alternados com cinco compressões torácicas, apoiando a criança sobre o antebraço, evitando-se compressões abdominais pelo risco de lesão de vísceras nessa faixa etária. Aplicar a manobra abdominal do adulto é o erro que causa lesão hepática e esplênica. A varredura digital cega pode empurrar o corpo estranho mais profundamente e só se remove o que é visível. Aguardar sem intervir em obstrução completa é inaceitável.
Qual é o parâmetro que melhor define bradicardia com necessidade de compressões torácicas em lactente durante a reanimação?
Em lactentes e crianças, a bradicardia abaixo de 60 batimentos por minuto acompanhada de má perfusão, apesar de oxigenação e ventilação adequadas, é tratada como parada e indica compressões torácicas, porque nessa faixa etária o débito depende fortemente da frequência. Usar limiares mais altos leva a comprimir quem ainda mantém perfusão, e esperar valores muito baixos atrasa a manobra em criança que já não perfunde. A ênfase em corrigir primeiro ventilação e oxigenação reflete a origem hipóxica da maioria dos casos.
Criança de 2 anos apresenta parada cardiorrespiratória após afogamento. Qual é a prioridade na reanimação?
A parada por afogamento é hipóxica, e a prioridade é restabelecer oxigenação e ventilação precocemente, iniciando com ventilações de resgate e mantendo compressões e ventilações de qualidade. Compressões abdominais para retirar água são ineficazes e aumentam o risco de regurgitação e aspiração, sendo prática abandonada. Desfibrilação só se aplica se houver ritmo chocável, incomum nesse contexto. O aquecimento é importante na hipotermia associada, mas não precede a reanimação, que deve começar imediatamente.
Lactente de 6 meses apresenta taquicardia de 280 bpm, complexo QRS estreito, sem variação com o choro, irritabilidade e má perfusão. Qual é o diagnóstico e a conduta inicial?
O ritmo muito rápido e regular, com QRS estreito e sem variação com o choro, favorece taquicardia supraventricular. A má perfusão indica comprometimento cardiopulmonar e exige suporte inicial, monitorização e cardioversão sincronizada, começando com 0,5–1 J/kg e aumentando para 2 J/kg se necessário. Adenosina pode ser tentada quando o acesso já está disponível, sem retardar a terapia elétrica. Manobras vagais são apropriadas sobretudo no paciente estável. Desfibrilação não sincronizada não é a terapia inicial da TSV com pulso. Referência: AHA, Pediatric Advanced Life Support (2025).
Qual é a dose de adrenalina recomendada na parada cardiorrespiratória pediátrica por via endovenosa ou intraóssea?
A dose é de 0,01 mg por quilo, equivalente a 0,1 mL por quilo da solução diluída a um por dez mil, repetida a cada três a cinco minutos, com atenção redobrada porque a confusão entre concentrações é fonte clássica de erro de dez vezes na dose. Usar a dose fixa do adulto em uma criança pequena representa sobredose importante. Doses altas foram estudadas e não melhoraram desfecho, associando-se a pior evolução, e o acesso intraósseo é alternativa precoce quando o venoso não é obtido rapidamente.
Qual é a relação compressão-ventilação recomendada na reanimação de uma criança sem via aérea avançada, com dois socorristas?
Com dois socorristas em lactentes e crianças, a relação é de 15 compressões para 2 ventilações, enquanto o socorrista único mantém 30 para 2, ajuste que reflete a importância maior da ventilação na parada pediátrica, geralmente de origem hipóxica. Aplicar a relação do adulto com dois socorristas é o erro mais frequente e reduz a oferta de oxigênio justamente no cenário em que ela é decisiva. Reanimação apenas com compressões é aceitável para leigos em adultos, mas não é a estratégia recomendada em crianças.
Durante a reanimação de uma criança de 6 anos vítima de afogamento, o monitor mostra atividade elétrica sem pulso. Além de manter compressões e ventilações, a conduta é:
Atividade elétrica sem pulso é ritmo NÃO chocável: o tratamento é reanimação de alta qualidade com adrenalina e correção das causas reversíveis, e no afogamento hipóxia e hipotermia encabeçam a lista. Desfibrilar aqui gasta tempo de compressão sem benefício, além de expor o paciente a interrupções. Amiodarona pertence à fibrilação ventricular e à taquicardia ventricular sem pulso refratárias ao choque; cardioversão sincronizada exige pulso e ritmo organizado.
Sobre a qualidade das compressões torácicas na criança em parada cardiorrespiratória, é correto afirmar que:
Profundidade de um terço do diâmetro anteroposterior, frequência de 100 a 120 por minuto, retorno completo e mínima interrupção são os pilares que determinam a perfusão coronariana. Checar pulso a cada minuto fragmenta a reanimação e derruba a pressão de perfusão construída. Com socorrista único a relação é 30:2, passando a 15:2 com dois socorristas — inverter isso é erro frequente. Comprimir sobre o xifoide aumenta risco de lesão hepática.
Sobre a qualidade das compressões torácicas em crianças, assinale a alternativa correta.
Um terço do diâmetro anteroposterior, ritmo de 100 a 120 por minuto, permitir o retorno completo do tórax e minimizar interrupções são os quatro pilares da compressão eficaz — o retorno incompleto é o defeito técnico mais comum e reduz o enchimento cardíaco. Pausas longas para checar pulso derrubam a pressão de perfusão construída pelas compressões anteriores.
Qual a dose e a via preferencial de adrenalina na parada cardiorrespiratória pediátrica?
A dose é de 0,01 mg/kg da solução a 1:10.000 por veia ou via intraóssea, repetida a cada três a cinco minutos, e o acesso intraósseo deve ser obtido rapidamente quando a veia não vem. A via endotraqueal é alternativa de último recurso, com absorção errática e dose maior. Dose fixa de adulto em criança é erro grave de cálculo.
Menino de 3 anos é encontrado sem resposta na sala de espera. Você confirma ausência de respiração e de pulso central. Qual a sequência inicial de atendimento com dois socorristas?
Com dois socorristas em criança, a relação é de 15 compressões para 2 ventilações — a proporção 30:2 vale para socorrista único e para adultos, e usá-la reduz a ventilação num cenário em que a parada costuma ser hipóxica. A desfibrilação depende do ritmo identificado, e a maioria das paradas pediátricas ocorre em ritmo não chocável.
Durante reanimação de criança intubada, qual parâmetro melhor indica a qualidade das compressões torácicas e sugere retorno da circulação espontânea?
O dióxido de carbono expirado depende do fluxo pulmonar gerado pelas compressões, funcionando como termômetro de qualidade; valores persistentemente abaixo de 10 mmHg indicam compressão ineficaz e uma elevação abrupta e sustentada costuma anunciar o retorno da circulação. A oximetria é inútil durante a parada, pois não há fluxo pulsátil detectável.
Sobre a bradicardia em lactente com má perfusão, assinale a alternativa correta.
Na criança a bradicardia é quase sempre consequência de hipóxia, e a primeira medida é oxigenar e ventilar — se a frequência permanecer abaixo de 60 com má perfusão apesar disso, iniciam-se compressões torácicas e depois adrenalina. Partir direto para atropina é transportar o algoritmo do adulto e tratar o efeito sem corrigir a causa que o produziu.
Durante a reanimação de criança de 5 anos, o monitor mostra atividade elétrica sem pulso. Qual a conduta imediata?
Atividade elétrica sem pulso é ritmo não chocável, e o que muda o desfecho são compressões de qualidade, adrenalina precoce e a busca ativa das causas reversíveis — hipóxia, hipovolemia, hipotermia, distúrbios de potássio, pneumotórax hipertensivo, tamponamento, toxinas e trombose. Desfibrilar ritmo não chocável interrompe compressões sem qualquer benefício.
Criança de 8 anos em parada com fibrilação ventricular. Qual a energia da primeira desfibrilação e a conduta subsequente?
A sequência é 2 J/kg no primeiro choque e 4 J/kg nos seguintes, com retomada imediata das compressões sem parar para checar pulso — a pausa pós-choque reduz a pressão de perfusão coronariana e piora o desfecho. A estratégia de três choques empilhados foi abandonada. Cardioversão sincronizada se aplica a taquiarritmias com pulso, não à parada.
Após retorno da circulação espontânea em criança reanimada, qual cuidado é prioritário?
Os cuidados pós-parada visam proteger o cérebro: normalizar a pressão arterial, titular o oxigênio para evitar tanto hipoxemia quanto hiperoxemia, controlar temperatura evitando febre e tratar a causa que levou à parada. Manter oxigênio a 100% indefinidamente é o reflexo mais comum e produz lesão por radicais livres. Hiperventilação de rotina reduz o fluxo cerebral e piora o desfecho.
Lactente de 6 meses em parada cardiorrespiratória. Qual a técnica de compressão torácica recomendada com dois socorristas?
Com dois socorristas em lactente, a técnica dos dois polegares com as mãos envolvendo o tórax gera melhor pressão de perfusão coronariana do que a técnica de dois dedos, que fica reservada ao socorrista único. O ponto de compressão é o terço inferior do esterno, logo abaixo da linha intermamilar, e comprimir o epigástrio provoca lesão hepática.
Menino de 3 anos, durante manobras de desobstrução por engasgo, perde a consciência e cai no chão. Qual a conduta?
Com a perda de consciência, passa-se à reanimação cardiopulmonar: as compressões torácicas geram pressão capaz de deslocar o corpo estranho, e a cada abertura da via aérea inspeciona-se a boca, retirando o objeto somente se ele estiver visível. Insistir nas compressões abdominais é o erro de quem congela na manobra anterior. A varredura às cegas continua proibida em qualquer momento, porque desloca o objeto para a via aérea inferior. Ventilar com pressão excessiva insufla o estômago e aumenta o risco de aspiração.
Criança de 5 anos em parada cardiorrespiratória é atendida por dois socorristas com bolsa-válvula-máscara disponível, antes da via aérea avançada. Qual a relação compressão-ventilação?
Com dois socorristas na criança, a relação é 15:2; com um socorrista apenas, mantém-se 30:2. A relação 30:2 é o distrator mais forte porque é a do adulto e a do socorrista único, e a troca de relação conforme o número de socorristas é justamente o detalhe cobrado. Depois de estabelecida a via aérea avançada, as compressões passam a ser contínuas, a 100 a 120 por minuto, com uma ventilação a cada 2 a 3 segundos. A relação de 3:1 pertence à reanimação neonatal em sala de parto.
Sobre a parada cardiorrespiratória na criança, assinale a afirmativa correta.
A parada pediátrica é, na esmagadora maioria, o desfecho de hipóxia e choque progressivos, e por isso os ritmos predominantes são assistolia e atividade elétrica sem pulso — ritmos não chocáveis, em que a prioridade é ventilação eficaz, compressões de qualidade e adrenalina precoce. Presumir fibrilação ventricular e correr para o desfibrilador é transportar o raciocínio do adulto, cuja parada é tipicamente arrítmica primária. A regra de adrenalina após o terceiro choque pertence ao algoritmo de ritmo chocável, não à realidade mais comum da criança.
Criança de 6 anos, 20 kg, em parada com assistolia e acesso intraósseo estabelecido. Qual a dose de adrenalina?
A dose é 0,01 mg/kg (0,1 mL/kg da solução 1:10.000), com máximo de 1 mg, repetida a cada 3 a 5 minutos enquanto durar a reanimação. Adotar a dose fixa de 1 mg é o erro de quem aplica o protocolo do adulto a uma criança de 20 kg — resultaria em dose cinco vezes maior que a recomendada. A dose alta (0,1 mg/kg) já foi usada no passado e foi abandonada por piorar desfecho neurológico. Adrenalina em reanimação é bolus repetido, não infusão contínua, que fica para a fase pós-parada.
Sobre o mecanismo mais frequente de parada cardiorrespiratória na criança, é correto afirmar que:
A criança quase nunca para por evento coronariano: ela chega à parada por deterioração progressiva de insuficiência respiratória ou de choque, e por isso o ritmo encontrado é habitualmente assistolia ou atividade elétrica sem pulso. Essa diferença muda toda a estratégia, priorizando oxigenação, ventilação e adrenalina precoce em vez do desfibrilador. Raciocinar pelo ritmo do adulto é o erro que leva a atrasar a adrenalina enquanto se procura um ritmo chocável que na maioria das vezes não existe.
Lactente de 10 meses é encontrado sem resposta, sem respiração e sem pulso central palpável após episódio de engasgo. Iniciada reanimação por dois socorristas, sem via aérea avançada. Qual a relação compressão-ventilação correta?
Em lactentes e crianças, quando há dois socorristas treinados, a relação passa a ser de 15 para 2, porque a parada pediátrica é predominantemente hipóxica e a ventilação tem peso maior do que no adulto. A relação de 30 para 2 vale para o socorrista único ou para o adulto, e é o erro mais frequente na prática. Compressão contínua sem ventilação é estratégia do adulto com parada presumidamente cardíaca e não se aplica a criança.
Após retorno da circulação espontânea em criança reanimada, qual conduta faz parte do cuidado pós-parada?
O cuidado pós-parada visa proteger o cérebro já isquêmico: a hiperóxia aumenta a produção de radicais livres e piora a lesão de reperfusão, e a hipocapnia induzida por hiperventilação provoca vasoconstrição cerebral, reduzindo ainda mais o fluxo. Por isso o oxigênio é titulado e a ventilação é ajustada para normocapnia, com prevenção ativa de febre. Manter oxigênio a 100% por reflexo é justamente a conduta que se acredita segura e não é.
Criança de 4 anos, 16 kg, com choque séptico. Qual a conduta inicial de ressuscitação volêmica?
A ressuscitação se faz em bolus fracionados de cristaloide, com reavaliação clínica de perfusão, frequência cardíaca, nível de consciência e sinais de sobrecarga a cada etapa, porque volume em excesso piora desfecho em contextos específicos, como cardiopatia, desnutrição grave e malária. Infundir grande volume sem reavaliar é o erro oposto e igualmente perigoso. Solução glicosada não expande volume, pois se distribui rapidamente pelo espaço intracelular, e ainda produz hiperglicemia.
Durante o atendimento de uma criança em parada, a equipe não consegue acesso venoso periférico após duas tentativas em 90 segundos. Qual a conduta?
O acesso intraósseo é rápido, tem alta taxa de sucesso e permite infundir todas as drogas de reanimação, fluidos e hemoderivados, com farmacocinética equivalente à via venosa, sendo por isso a via a ser buscada de imediato quando a periférica falha. Insistir em punção periférica ou aguardar equipe especializada consome os minutos que definem sobrevida. A via endotraqueal tem absorção imprevisível e serve apenas para algumas drogas, jamais para fluidos.
Criança em parada cardiorrespiratória recebe via aérea avançada com tubo endotraqueal. Como devem ser conduzidas as compressões e as ventilações a partir desse momento?
Com via aérea avançada, as compressões deixam de ser interrompidas e as ventilações passam a ser assíncronas, na faixa de 20 a 30 por minuto na criança, o que corresponde a uma ventilação a cada dois a três segundos. Manter a relação sincronizada com pausas é o erro que reduz a fração de compressão torácica e a pressão de perfusão coronariana. Hiperventilar também prejudica, porque aumenta a pressão intratorácica e diminui o retorno venoso.
Durante reanimação de criança de 7 anos, o monitor mostra fibrilação ventricular. Qual a carga do primeiro choque e a do subsequente?
A desfibrilação pediátrica começa com 2 J/kg e escalona para 4 J/kg no choque seguinte, podendo aumentar nas tentativas posteriores até um limite em torno de 10 J/kg ou a carga do adulto, o que for menor. A carga fixa do adulto aplicada a uma criança é o erro mais perigoso desse cenário. Vale lembrar que cargas muito baixas, como as usadas na cardioversão sincronizada, não convertem fibrilação e apenas consomem tempo de reanimação.
Criança de 3 anos com quadro de diarreia há 4 dias, taquicárdica, com extremidades frias, tempo de enchimento capilar de 4 segundos, pulsos periféricos finos e pressão arterial de 88 x 55 mmHg. Como classificar esse quadro?
A criança compensa o choque por vasoconstrição e taquicardia e mantém a pressão arterial normal até estar próxima do colapso, de modo que enchimento capilar lentificado, extremidades frias e pulsos finos já definem choque mesmo com pressão preservada. Esperar a hipotensão para diagnosticar é o erro que mais mata na pediatria, porque ela é evento tardio. O padrão frio com vasoconstrição também afasta o perfil distributivo, que cursa com extremidades quentes e pulsos amplos.
Lactente de 11 meses, 9 kg, é encontrado sem resposta na sala de emergência. Não respira e não tem pulso braquial palpável em 10 segundos. Iniciadas compressões e ventilações com dois socorristas. O monitor mostra atividade elétrica sem pulso. Qual a conduta medicamentosa correta?
Atividade elétrica sem pulso é ritmo não chocável, e o que muda desfecho é compressão de alta qualidade somada à adrenalina precoce na dose de 0,01 mg/kg da solução a 1 mg/mL diluída, repetida a cada 3 a 5 minutos, enquanto se caçam as causas reversíveis. A dose de 0,1 mg/kg é o erro de vírgula mais perigoso da pediatria e vem da confusão com a apresentação diluída a 1 para 10.000. Desfibrilar ritmo não chocável não tem benefício, e a amiodarona só entra em fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular sem pulso refratárias ao choque.
Sobre as causas reversíveis de parada cardiorrespiratória que devem ser pesquisadas durante a reanimação pediátrica, qual conjunto é o mais relevante nessa faixa etária?
A lista de causas reversíveis é a mesma do adulto, mas o peso relativo muda: na criança, hipóxia e hipovolemia respondem pela maioria dos casos, seguidas de distúrbios metabólicos, hipotermia, intoxicações e as causas mecânicas obstrutivas. Buscar infarto e dissecção como hipóteses centrais é transportar a epidemiologia do adulto e desviar a equipe da via aérea e do volume, que são as duas intervenções com maior chance de reverter a parada nessa faixa.
Criança de 5 anos, 20 kg, em parada cardiorrespiratória com ritmo de assistolia. Qual a dose e a via de adrenalina recomendadas?
A dose pediátrica é de 0,01 mg/kg, o que corresponde a 0,1 mL/kg da solução a 1:10.000, repetida a cada três a cinco minutos, e em ritmo não chocável ela deve ser administrada o mais precocemente possível, idealmente nos primeiros minutos, porque cada minuto de atraso reduz a sobrevida. A dose fixa de 1 mg é do adulto e representa sobredose grave na criança pequena. A via endotraqueal é alternativa de exceção, com absorção errática, e não substitui o acesso intraósseo.
Qual a técnica correta das compressões torácicas em uma criança de 5 anos durante a reanimação cardiopulmonar com dois socorristas?
Com dois socorristas em pediatria a relação é de quinze compressões para duas ventilações, aplicadas na metade inferior do esterno, com profundidade de aproximadamente um terço do diâmetro anteroposterior e frequência de cem a cento e vinte por minuto, permitindo o retorno completo do tórax. A relação de trinta para dois é o distrator mais escolhido, porque é a usada por socorrista único e em adultos. Vale lembrar que bradicardia abaixo de sessenta com má perfusão já indica iniciar compressões.
Sobre a parada cardiorrespiratória em pediatria, é correto afirmar:
Na criança a parada é habitualmente o desfecho de uma deterioração respiratória ou circulatória progressiva, e por isso os ritmos encontrados são majoritariamente não chocáveis, o que desloca a prioridade para ventilação e compressões de alta qualidade e para o reconhecimento precoce da criança grave antes da parada. Transportar o modelo adulto, com fibrilação ventricular e desfibrilação precoce como centro do atendimento, é o erro conceitual mais importante, ainda que ritmos chocáveis ocorram em situações específicas.
Criança de 3 anos com engasgo evolui para perda de consciência. Qual a conduta imediata?
Com a perda de consciência inicia-se a reanimação cardiopulmonar, cujas compressões torácicas também geram pressão capaz de deslocar o corpo estranho, e a boca é inspecionada antes de cada ventilação para retirar o objeto apenas se ele estiver visível. Insistir na manobra de Heimlich na criança inconsciente atrasa as compressões que são agora prioritárias. A varredura às cegas empurra o objeto, aguardar sem agir é sentença, e a via aérea cirúrgica não é a primeira medida nesse contexto.
Lactente de 8 meses é levado à Unidade de Pronto Atendimento em parada cardiorrespiratória, após quadro de diarreia e vômitos há três dias com recusa alimentar. A equipe é composta por médico e enfermeiro, e o monitor mostra assistolia. A criança já está sobre superfície rígida, com via aérea aberta. A equipe pergunta qual relação entre compressões e ventilações deve ser adotada e qual a profundidade das compressões enquanto se prepara o acesso vascular. Qual é a orientação correta?
Na parada cardiorrespiratória de lactentes e crianças com dois ou mais socorristas profissionais, a relação recomendada é de 15 compressões para 2 ventilações, com profundidade de aproximadamente um terço do diâmetro anteroposterior do tórax e frequência de 100 a 120 por minuto. A relação de 30 para 2 é usada apenas com socorrista único. Ventilação isolada não gera débito cardíaco em criança já em parada. A estratégia de compressões contínuas sem ventilação destina-se a leigos em adultos, e não à parada pediátrica, cuja causa mais frequente é hipóxica.
Lactente de 3 meses é levado à sala de emergência com prostração e desconforto respiratório progressivo. Ao exame: hipotônico, pálido, com tempo de enchimento capilar de 5 segundos, pulsos centrais fracos, frequência cardíaca de 48 bpm, frequência respiratória de 20 irpm irregular e saturação de 84% apesar de ventilação com bolsa-válvula-máscara com oxigênio a 100% por um minuto. A glicemia capilar é de 76 mg/dL. Qual é a conduta imediata mais adequada?
Em lactente com frequência cardíaca abaixo de 60 bpm e sinais de má perfusão que persistem apesar de oxigenação e ventilação adequadas, indicam-se compressões torácicas e adrenalina, pois essa bradicardia é pré-parada e a causa habitual é hipóxica. A atropina tem papel restrito à bradicardia de origem vagal ou por bloqueio, não sendo a primeira droga nesse cenário. O marca-passo transcutâneo é reservado a bloqueios de condução, situação incomum em pediatria. Postergar as compressões diante de má perfusão persistente leva à parada cardíaca.
Menino de 3 anos, com cerca de 14 kg, será submetido a intubação orotraqueal na sala de emergência por rebaixamento do nível de consciência após traumatismo cranioencefálico grave. A equipe prepara o material e o residente pergunta como escolher o tubo e o que considerar na ventilação prévia com bolsa-válvula-máscara. A criança está pré-oxigenada, monitorizada, com acesso venoso e sem sinais de via aérea difícil. Não há sangramento em orofaringe. Qual é a orientação correta quanto ao preparo?
O preparo da intubação pediátrica inclui estimar o calibre do tubo a partir da idade, deixar disponíveis os tamanhos imediatamente maior e menor, e ventilar com volume e pressão suficientes apenas para elevar o tórax, pois a hiperventilação provoca distensão gástrica, barotrauma e redução do retorno venoso. Tubos com balonete são hoje aceitos em pediatria, com controle da pressão do balonete. Volumes excessivos são justamente o erro mais comum na ventilação com bolsa. A criança dessatura mais rápido que o adulto, tornando a pré-oxigenação ainda mais importante.
Menino de 4 anos é encontrado sem resposta em unidade de pronto atendimento após piora respiratória progressiva por pneumonia grave. Ao ser avaliado, não responde ao chamado, não respira e não tem pulso central palpável após 10 segundos de checagem. A equipe está presente, com carrinho de emergência e desfibrilador disponíveis, e o monitor mostra atividade elétrica sem pulso. A criança pesa cerca de 16 kg e há acesso venoso periférico previamente instalado e funcionante. A conduta imediata mais adequada é:
Na parada cardiorrespiratória pediátrica, mais frequentemente de origem respiratória ou hipóxica, o tratamento é reanimação com compressões de alta qualidade associadas a ventilações e adrenalina precoce, sendo esse o ritmo não chocável descrito. Desfibrilação está indicada em fibrilação ventricular e taquicardia ventricular sem pulso, não em atividade elétrica sem pulso. Apenas ofertar oxigênio sem compressões não gera débito cardíaco. Cardioversão sincronizada é usada em taquiarritmias com pulso, situação incompatível com parada.
Menino, 4 anos, com 16 kg, encontra-se em insuficiência respiratória por pneumonia grave e será submetido a intubação em sequência rápida. Exame: FR 52 ipm, SatO2 88% com máscara não reinalante, FC 152 bpm, PA 92/56 mmHg, rebaixamento do nível de consciência com Glasgow 10. A equipe pré-oxigena o paciente e prepara o material, discutindo a escolha do tubo e das medicações a serem utilizadas. Qual a estimativa correta do diâmetro interno do tubo com balonete?
A fórmula usual para tubo com balonete é a idade em anos dividida por 4 somada a 3,5, o que resulta em aproximadamente 4,5 mm de diâmetro interno para uma criança de 4 anos, com material de tamanhos vizinhos sempre disponível. O diâmetro de 7,0 mm corresponde a adultos e provocaria trauma laríngeo grave. O tubo de 2,5 mm é destinado a recém-nascidos, sobretudo prematuros. Multiplicar a idade por 1,5 não corresponde a nenhuma fórmula validada e superestima o calibre. O tubo de 3,0 mm é adequado a lactentes pequenos e resultaria em ventilação insuficiente nesta criança.
Menina, 5 anos, encontrada irresponsiva na sala de espera do pronto-socorro. Não respira e não apresenta pulso central palpável após checagem de 10 segundos. Um segundo socorrista traz o carrinho de emergência. O monitor mostra atividade elétrica sem pulso, com complexos largos e lentos. Não há acesso venoso disponível de imediato, e a criança pesa cerca de 18 kg. Qual a conduta imediata?
Na atividade elétrica sem pulso, ritmo não chocável, o tratamento é reanimação cardiopulmonar de alta qualidade com adrenalina o mais precocemente possível, buscando acesso venoso ou intraósseo, além da identificação das causas reversíveis. A desfibrilação se aplica a fibrilação ventricular e taquicardia ventricular sem pulso. A cardioversão sincronizada exige ritmo organizado com pulso. A atropina não faz parte do algoritmo de parada e não substitui as compressões. Priorizar a intubação atrasa as compressões, que são a intervenção de maior impacto na sobrevida.
Menino, 13 anos, durante partida de beisebol, recebeu impacto de bola no tórax anterior e caiu imediatamente irresponsivo. Não respira e está sem pulso central. FC ausente, sem PA aferível. O desfibrilador automático externo do clube está disponível e o ritmo identificado é fibrilação ventricular. Não há sinais de trauma torácico penetrante nem deformidade de parede, e a criança era hígida. Qual a conduta imediata?
O commotio cordis resulta de impacto torácico durante fase vulnerável da repolarização, desencadeando fibrilação ventricular em coração estruturalmente normal, e o tratamento é desfibrilação imediata com reanimação de alta qualidade, sendo o tempo até o choque o principal determinante de sobrevida. Reanimar sem desfibrilar em ritmo chocável desperdiça a única intervenção eficaz. A toracotomia não tem indicação sem trauma penetrante. Administrar adrenalina antes do choque inverte a prioridade em ritmo chocável. Aguardar avaliação médica retarda fatalmente o atendimento.
Menina, 6 anos, com 20 kg, em parada cardiorrespiratória presenciada em sala de emergência. Não respira e não tem pulso central. O monitor mostra fibrilação ventricular. Compressões torácicas de alta qualidade foram iniciadas e o desfibrilador manual está disponível com pás pediátricas. Não há acesso venoso ainda, e um segundo socorrista prepara acesso intraósseo enquanto a equipe se organiza. Sobre a desfibrilação, assinale a alternativa correta.
Na fibrilação ventricular pediátrica, a desfibrilação usa carga inicial de dois joules por quilograma, com aumento nas tentativas seguintes conforme o protocolo, retomando-se imediatamente as compressões após o choque. A carga fixa de adulto não se aplica a crianças pequenas. A sincronização é usada na cardioversão de ritmos organizados, e não na fibrilação ventricular, que não tem onda R identificável. Aguardar acesso venoso e adrenalina atrasa a intervenção mais eficaz para ritmo chocável. E a fibrilação ventricular é, por definição, ritmo chocável também em crianças.
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em 7 dias
Recite as três definições de faixa etária com as palavras da diretriz brasileira e aponte onde o aniversário de um ano fica sem nome. Diga a relação compressão-ventilação em cada uma das quatro situações: recém-nascido em sala de parto, profissional sozinho, dois profissionais, socorrista leigo. Dê a frequência de compressão, a profundidade em fração e em centímetros para lactente e criança, e o teto do adolescente. Diga o corte de frequência cardíaca que manda comprimir, a condição que precisa estar satisfeita antes e o valor exato que nenhuma das duas frases do documento nomeia. Termine com a divergência de ventilação: os dois números, de quem é cada um, e qual deles continua valendo no adulto.
em 30 dias
Reconstrua sem consultar as três tabelas que decidem número. Primeiro a dos fármacos: adrenalina em miligramas por quilo e em mililitros por quilo nas duas diluições, com o peso em que o teto de 1 miligrama encosta; amiodarona e adenosina com seus tetos e o peso em que os três caem juntos; magnésio pelos dois extremos da faixa; atropina com piso, teto, os pesos de 5 e 25 quilos e a contradição interna sobre doses menores que 0,1 miligrama. Depois a das energias: as duas cargas de cardioversão, as duas primeiras de desfibrilação, o teto de 10 joules por quilo e os dois valores que pertencem a duas linhas ao mesmo tempo, tudo calculado para 15 quilos. Por fim a das vias aéreas: a fórmula da cânula com e sem balonete entre 1 e 8 anos, o salto que a tabela dá aos 8 anos, a profundidade de inserção como o diâmetro interno vezes três, e a idade em que a lâmina deixa de ser reta. Feche montando a fronteira neonatal: relação, eventos por minuto decompostos, gatilho da compressão, e a dose de adrenalina que é o dobro da pediátrica.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Lactente de 7 meses, previamente hígido, é trazido ao pronto-socorro pela mãe por piora de um quadro de bronquiolite iniciado há três dias. À chegada está sonolento, com cianose perioral, tiragem intensa e tempo de enchimento capilar de 5 segundos. O monitor mostra frequência cardíaca de 46 batimentos por minuto e saturação de 84%. Conduza o atendimento: reconheça em até dez segundos se aquilo já é parada, diga onde procura o pulso nesta idade, estabeleça ventilação com bolsa e máscara com oxigênio e reavalie; se a frequência não subir com ventilação efetiva, diga em voz alta o número que autoriza começar as compressões, a profundidade em centímetros, a relação que vale com dois profissionais na sala e o intervalo de reavaliação; prepare a adrenalina dizendo a diluição, o volume e a dose para o peso estimado; e explique à mãe, sem jargão, por que a primeira coisa que a equipe faz num bebê que está parando não é medicação, é ar. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
