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Clínica MédicaEndocrinologia

Diabetes mellitus tipo 2

Diagnóstico, metas e escalonamento terapêutico na atenção primária, com o que o SUS realmente dispensa. Os cortes, as doses e o calendário de rastreio que a prova cobra.

01

Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Homem de 52 anos, assintomático, comparece para check-up. Nega diabetes prévio. Exames em jejum de 8 horas: glicemia de jejum 142 mg/dL, confirmada em nova coleta com 138 mg/dL; hemoglobina glicada 7,1%. Segundo os critérios diagnósticos atuais, qual é a conclusão?

02

Como esse tema cai

Diabetes tipo 2 na atenção primária é tema de alto rendimento e baixa criatividade. A banca não pergunta fisiopatologia — pergunta número. Quer saber se você fecha o diagnóstico com o exame certo, se sabe quando precisa repetir e quando não precisa, se escolhe a meta de HbA1c olhando para o paciente e não para a tabela genérica, e se escalona o tratamento com o que o SUS efetivamente entrega na farmácia da unidade.

É exatamente aí que mora a pegadinha mais cara desse tema. A literatura internacional e a diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes de 2025 empurraram inibidores de SGLT2 e agonistas de GLP-1 para muito cedo no algoritmo. O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde, atualizado em fevereiro de 2024, mantém metformina como primeira escolha e coloca sulfonilureia antes de dapagliflozina. Prova de residência com recorte de APS, ENAMED e Revalida cobram o PCDT. Prova de instituição privada com viés de especialista tende a cobrar a SBD. Saber as duas posições e saber qual responder em cada contexto vale mais do que decorar qualquer uma delas isolada.

O que segue está calibrado nessa ordem: PCDT 2024 como texto principal, SBD 2025 e ADA 2026 onde divergem, sempre com o número escrito e a fonte nomeada.

03

O que muda decisão

Quem rastrear, com qual exame e de quanto em quanto tempo

O PCDT de 2024 define duas portas de entrada para o rastreamento de DM2 em adulto assintomático e não gestante. A primeira é etária e não admite discussão: todo indivíduo com 45 anos ou mais deve ser rastreado, mesmo sem nenhum fator de risco. A segunda é de risco: qualquer idade, desde que haja sobrepeso ou obesidade (IMC ≥ 25 kg/m²) somado a pelo menos um fator de risco adicional.

A lista de fatores de risco adicionais do PCDT é fechada e vale memorizar, porque bancas montam vinheta em cima dela: etnia negra, hispânica ou latina, asiática ou indígena; história familiar de DM em parente de primeiro grau; hipertensão arterial sistêmica; doença cardiovascular prévia; HDL-c abaixo de 35 mg/dL; triglicerídeos acima de 250 mg/dL; síndrome dos ovários policísticos; sedentarismo; diabetes mellitus gestacional prévio; pré-diabetes; acantose nigricans; apneia obstrutiva do sono; pessoas vivendo com HIV; fibrose cística; e transplantados de órgão.

O exame de rastreamento de escolha é a glicemia plasmática de jejum. Não é a HbA1c e não é o TOTG. O PCDT é explícito ao justificar: o TOTG consome tempo e incomoda o paciente, ficando reservado a situações específicas como fibrose cística; a HbA1c é onerosa e não considera a variabilidade individual de glicação proteica. HbA1c e TOTG entram quando é preciso confirmar, não para varrer a população.

A periodicidade tem um valor padrão e um valor de exceção. O padrão é a cada 3 anos após a primeira testagem negativa — vale tanto para quem tem 45 anos ou mais quanto para quem tem sobrepeso com pelo menos um fator de risco. A exceção é anual, e o PCDT lista quando: mais de um fator de risco para DM2, ganho de peso acelerado ou mudança nos fatores de risco, pré-diabetes, doenças associadas a diabetes secundário (endocrinopatias, doenças pancreáticas) e condições frequentemente associadas ao DM, como infecção pelo HIV, doença periodontal e esteatose hepática. Quem rastreou alterado e não teve o diagnóstico confirmado também volta para o intervalo anual.

Duas situações específicas de saúde da mulher: mulher sem diagnóstico de DM que planeja engravidar deve ser rastreada na consulta pré-concepcional; e quem teve diabetes mellitus gestacional é rastreada para DM2 entre 4 e 12 semanas pós-parto, aí sim com TOTG — é a exceção clássica em que o TOTG é o exame indicado, e cai em prova.

Por fim, uma recomendação que parece burocrática e não é: o PCDT desaconselha rastreamento populacional desvinculado de serviço de saúde. Mutirão de glicemia em praça pública sem vínculo assistencial não é rastreamento — é geração de resultado alterado sem quem confirme e trate.

Fechar o diagnóstico: quatro exames, quatro cortes, uma regra de confirmação

São quatro exames diagnósticos, com cortes que precisam estar automatizados. Glicemia plasmática de jejum, com jejum de pelo menos 8 horas: DM2 a partir de 126 mg/dL. TOTG de 2 horas com sobrecarga de 75 g de glicose anidra: DM2 a partir de 200 mg/dL. HbA1c: DM2 a partir de 6,5%. Glicemia plasmática aleatória: DM2 a partir de 200 mg/dL, mas — e esse detalhe é o que a banca testa — apenas em paciente com sintomas de hiperglicemia.

Os mesmos exames delimitam o pré-diabetes, que no PCDT aparece como pré-DM2: glicemia de jejum de 100 a 125 mg/dL, TOTG de 2 horas de 140 a 199 mg/dL, HbA1c de 5,7% a 6,4%. Não existe faixa de pré-diabetes para glicemia aleatória. Abaixo desses valores, normal: jejum menor que 100, TOTG menor que 140, HbA1c menor que 5,7%.

A regra de confirmação é onde a maioria das questões é decidida, e ela se divide em dois cenários. No paciente assintomático, um resultado alterado não fecha diagnóstico. É preciso ter dois resultados anormais — ou o mesmo exame alterado em duas amostras diferentes, ou dois exames diferentes alterados na mesma amostra de sangue. O PCDT recomenda nominalmente a estratégia mais prática e fidedigna: pedir glicemia de jejum e HbA1c na mesma amostra plasmática. Se os dois vierem alterados, diagnóstico fechado numa única punção. Se os dois vierem normais, diagnóstico afastado. Se apenas um vier alterado, repete-se; mantendo-se o padrão, descarta-se o diagnóstico e o paciente volta ao rastreamento em um ano.

No paciente sintomático o raciocínio inverte. Diante de sinais e sintomas clássicos e inequívocos de hiperglicemia, o PCDT recomenda fechar o diagnóstico com glicemia plasmática aleatória ≥ 200 mg/dL, explicitamente para não postergar o início do tratamento. Não se repete exame. Atenção ao valor intermediário: se a glicemia aleatória do sintomático vier entre 126 e 199 mg/dL, aí sim é preciso um segundo teste diagnóstico para confirmar.

Os sinais e sintomas que autorizam essa via rápida também estão tabelados. Clássicos: poliúria, polidipsia, perda ponderal, noctúria e polifagia. Menos específicos, mas que devem levantar suspeita: fadiga, fraqueza e letargia, visão turva, prurido vulvar ou cutâneo e balanopostite, além de infecções de repetição. E há um grupo que já é complicação instalada e não sintoma inicial: doença renal crônica, neuropatia, retinopatia, catarata e doença aterosclerótica.

Um último cuidado técnico que rende questão: a HbA1c mente em algumas condições, e o PCDT lista quais. Anemias agudas, hemoglobinopatias, variantes de hemoglobina, transfusão sanguínea, deficiência de G6PD, uso de alfaepoetina, uso de antirretrovirais (inibidores da transcriptase reversa análogos de nucleosídeos e inibidores de protease), hemodiálise, segundo e terceiro trimestres de gestação e puerpério. Nessas situações — e na fibrose cística — a confirmação deve ser feita com glicemia de jejum associada ao TOTG, não com HbA1c.

Ilustração esquemática da fisiopatologia do diabetes tipo 2, com pâncreas e células beta em falência progressiva à esquerda e músculo e fígado com glicose acumulada fora da célula à direita, representando resistência insulínica periférica.
Os dois motores do DM2: falência secretória progressiva da célula beta e resistência insulínica em músculo e fígado. É por a célula beta continuar perdendo função ao longo dos anos que o tratamento do DM2 é escalonado — a monoterapia que controlava no diagnóstico tende a falhar com o tempo, e isso não significa má adesão.

A meta de HbA1c não é uma só — e escolher a errada é erro de conduta

A meta genérica do adulto com DM2 é HbA1c abaixo de 7,0%. O PCDT sustenta esse número com o argumento de que a intensificação do controle glicêmico desde o diagnóstico, mantendo HbA1c em 7% ou menos, reduz complicações microvasculares — retinopatia, doença renal do diabetes e neuropatia — e também macrovasculares. Junto com ela vêm as metas de glicemia capilar do adulto: jejum entre 80 e 130 mg/dL, 2 horas pós-prandial abaixo de 180 mg/dL e ao deitar entre 90 e 150 mg/dL.

A partir dos 60 anos a meta afrouxa, e o PCDT estratifica o idoso em três perfis com números distintos. Idoso saudável, definido como pessoa com 60 anos ou mais com poucas comorbidades crônicas e estado funcional e cognitivo preservados: HbA1c abaixo de 7,5%, jejum de 80 a 130 mg/dL, pós-prandial abaixo de 180 mg/dL, ao deitar de 90 a 150 mg/dL. Idoso comprometido, com múltiplas comorbidades crônicas, comprometimento funcional leve a moderado e comprometimento cognitivo moderado: HbA1c abaixo de 8,0%, jejum de 90 a 150 mg/dL, pós-prandial abaixo de 180 mg/dL, ao deitar de 100 a 180 mg/dL. Idoso muito comprometido, com doença terminal como câncer metastático, insuficiência cardíaca classe IV da NYHA, doença pulmonar crônica em oxigenoterapia ou paciente em diálise, com comprometimento funcional e cognitivo grave: aqui não há alvo numérico de HbA1c — o objetivo declarado é evitar sintomas de hiperglicemia e de hipoglicemia, com jejum de 100 a 180 mg/dL e ao deitar de 110 a 200 mg/dL.

Criança e adolescente têm meta de HbA1c abaixo de 7,0%, com jejum um pouco mais permissivo na borda inferior, de 70 a 130 mg/dL, pós-prandial abaixo de 180 e ao deitar de 90 a 150 mg/dL.

O ponto que a prova adora e que o candidato pouco espera: no idoso, meta agressiva é erro. O PCDT afirma que valores de HbA1c abaixo de 7,0% se associaram a maior risco de mortalidade nessa população e que, por isso, a adoção de metas mais agressivas é desencorajada em idosos com DM2. Meta apertada fica reservada a indivíduos jovens, sem doença cardiovascular significativa e com DM2 de início recente, desde que isso não custe hipoglicemias graves e frequentes. Traduzindo para a vinheta: idoso de 78 anos, frágil, com HbA1c de 7,8% em uso de sulfonilureia não precisa de intensificação — precisa de revisão do risco de hipoglicemia.

Ainda sobre números que a banca cobra fora do controle glicêmico: hipoglicemia é definida como glicemia aleatória abaixo de 70 mg/dL. E remissão do DM2 é definida como HbA1c abaixo de 6,5% medida pelo menos 3 meses após a cessação do tratamento farmacológico, com necessidade de testes subsequentes ao menos anuais para sustentar essa classificação.

Metformina: quando começar, com quanto, até onde subir e quando parar

O PCDT separa dois cenários no início do tratamento. Paciente com diagnóstico há menos de 3 meses e sem fator de risco: começa exclusivamente com mudanças de estilo de vida — controle de peso, alimentação adequada e prática de atividade física — e reavalia a resposta terapêutica em 3 meses. Se a resposta não for adequada, inicia-se cloridrato de metformina em monoterapia. Paciente com diagnóstico há 3 meses ou mais, ou com fatores de risco: tratamento medicamentoso associado às mudanças de estilo de vida desde já, e o PCDT justifica pela inércia terapêutica — atrasar a introdução e a intensificação da terapia é fator determinante para a evolução de complicações crônicas.

A titulação da metformina é pedida com frequência. Inicia-se com dose baixa, 500 mg ou 850 mg, em dose única diária, durante ou após uma refeição (café da manhã ou jantar), justamente para prevenir sintomas gastrointestinais. Após 5 a 7 dias, se não surgirem eventos adversos, sobe-se para 500 mg ou 850 mg duas vezes ao dia, durante ou após café e jantar. Havendo efeitos gastrointestinais, reduz-se a dose e tenta-se nova subida após 3 a 6 meses. A dose máxima terapêutica descrita é 850 mg no café, no almoço e no jantar, totalizando 2.550 mg por dia — esse é o número de dose máxima efetiva que o PCDT registra.

Contraindicações e limites renais precisam estar decorados porque separam alternativas em prova. Metformina é contraindicada com taxa de filtração glomerular abaixo de 30 mL/min/1,73 m², e em qualquer situação de maior risco de hiperlactatemia — insuficiência hepática descompensada, sepse, hipotensão. Também é contraindicada na gravidez e na amamentação. Na maioria das internações hospitalares a metformina deve ser suspensa.

Duas orientações que contrariam a intuição de muitos candidatos. Primeira: metformina é o medicamento de primeira escolha também no idoso, porque tem boa eficácia, baixo risco de hipoglicemia e benefício de redução de risco cardiovascular. Segunda: ao iniciar insulina, a metformina deve ser mantida, para preservar seus benefícios glicêmicos e metabólicos, exceto se houver contraindicação ou efeito adverso intolerável. Suspender metformina porque o paciente insulinizou é erro.

No idoso há uma ressalva prática: desconforto gastrointestinal, boca metálica, náuseas, diarreia e emagrecimento progressivo podem ser efeitos adversos comuns e potencialmente severos. Nesses casos considera-se a troca por formulação de liberação prolongada — a metformina XR está disponível no Programa Farmácia Popular do Brasil — ou a desprescrição, especialmente se houver risco nutricional associado.

O intervalo de reavaliação também é número de prova: o estado glicêmico deve ser avaliado após 3 a 6 meses, no máximo, para decidir sobre associação de outro hipoglicemiante. E existe um atalho autorizado: em pacientes com HbA1c maior que 7,5% já ao diagnóstico de DM2, pode-se considerar iniciar direto com terapia de combinação.

Falhou a metformina: o que o SUS oferece, nesta ordem

Aqui está a informação que mais distingue o candidato que estudou o documento brasileiro do que estudou apenas revisão internacional. Pelo PCDT de 2024, o tratamento de segunda linha sugerido são as sulfonilureias, seguidas de iSGLT2 ou insulina. Sulfonilureia vem antes de dapagliflozina no algoritmo do SUS.

As sulfonilureias disponíveis no SUS são glibenclamida e gliclazida, com eficácia similar entre si. A gliclazida de liberação prolongada (MR) associa-se a menor taxa de hipoglicemia e é preferível em pacientes com episódios recorrentes de hipoglicemia ou risco aumentado dela. No idoso, o PCDT recomenda preferir gliclazida justamente para reduzir o risco de hipoglicemia. São contraindicadas com TFG abaixo de 30 mL/min/1,73 m² ou insuficiência hepática grave, com a ressalva de que a gliclazida de liberação prolongada pode ser usada na insuficiência renal leve a moderada sob monitoramento cauteloso. Como a metformina, em geral não devem ser usadas em pacientes internados.

O iSGLT2 disponibilizado pelo SUS é a dapagliflozina, na dose de 10 mg uma vez ao dia, e o acesso é condicionado. O PCDT a reserva para quem precisa de segunda intensificação de tratamento e preenche um de dois perfis. Perfil um: idade igual ou maior que 40 anos com doença cardiovascular estabelecida, entendida como infarto agudo do miocárdio prévio, revascularização miocárdica prévia, angioplastia coronariana prévia, angina estável ou instável, acidente vascular cerebral isquêmico prévio, ataque isquêmico transitório prévio ou insuficiência cardíaca com fração de ejeção abaixo de 40%. Perfil dois: homens com 55 anos ou mais, ou mulheres com 60 anos ou mais, com alto risco de desenvolver doença cardiovascular, definido como a presença de ao menos um entre hipertensão arterial sistêmica, dislipidemia ou tabagismo.

Limites renais da dapagliflozina: não indicada com TFG abaixo de 25 mL/min/1,73 m², com a observação de que a eficácia glicêmica é menor quando a TFG está abaixo de 45 mL/min/1,73 m². Em idosos, o PCDT pede cautela com a classe como um todo, pelo maior risco de cetoacidose diabética euglicêmica e de infecções urogenitais, principalmente em mulheres no primeiro mês de tratamento.

E o que não existe no SUS por este protocolo, dito com todas as letras pelo próprio documento: inibidores da alfa-glicosidase (acarbose), inibidores da DPP-4, agonistas de GLP-1, meglitinidas, tiazolidinedionas e análogos de insulina de longa e de curta duração não estão incorporados. A Conitec registrou benefício discreto das insulinas análogas de ação prolongada, incerteza quanto à redução de hipoglicemias e questão de custo-efetividade, concluindo que as metas de controle glicêmico podem ser atingidas com os medicamentos disponíveis no SUS associados a medidas não medicamentosas efetivas. Prescrever semaglutida ou dulaglutida como resposta a uma questão de conduta na APS pelo SUS é errar o recorte.

Uma última nota que costuma passar batido: gestante com DM2 pré-gestacional deve interromper o tratamento não insulínico antes ou logo após o início da gestação, garantida a substituição imediata pela insulinoterapia.

Insulinização na APS: o gatilho, a dose inicial e a regra de ajuste

Insulinizar na atenção primária não é sinal de fracasso nem exige encaminhamento automático. O PCDT define gatilhos objetivos: hiperglicemia importante, caracterizada por HbA1c maior que 9% ou glicemia de jejum igual ou maior que 300 mg/dL; sintomas de hiperglicemia aguda, ou seja, poliúria, polidipsia e perda ponderal; ou presença de intercorrências médicas e internações hospitalares decorrentes do DM2. Também está indicada quando há falha no controle glicêmico com os hipoglicemiantes orais disponíveis.

O esquema de início é basal e noturno. A escolha é a insulina NPH, administrada à noite, antes de dormir, com dose inicial de 10 UI ou de 0,1 a 0,2 UI/kg. Ela pode ser adicionada ao tratamento oral já estabelecido — os hipoglicemiantes orais podem ser mantidos a critério médico, principalmente a metformina nos casos com resistência insulínica.

A titulação segue uma regra simples e muito cobrada: aumentar 2 UI a cada 3 dias até atingir a meta de glicemia de jejum. O controle do ajuste é feito com glicemia capilar antes do café da manhã. Se a glicemia de jejum estiver acima de 130 mg/dL, aumenta-se 2 UI de NPH até atingir a meta. Se a glicemia estiver abaixo de 70 mg/dL, reduz-se 4 UI ou 10% a 20% da dose diária.

A dose total de insulina no DM2 costuma ficar entre 0,5 e 1,5 UI/kg/dia, variando conforme o grau de resistência insulínica e, particularmente, o grau de obesidade. Se a HbA1c permanecer acima da meta com NPH noturna, o passo seguinte é dividir a NPH em duas aplicações diárias, com uma aritmética específica: toma-se 80% da dose total que vinha sendo aplicada antes de dormir e distribui-se em 2/3 pela manhã e 1/3 antes de dormir.

A insulina regular humana entra depois, para pacientes sem controle adequado com uma ou duas aplicações de NPH, idealmente após a glicemia de jejum já estar controlada. Começa-se com 4 UI — ou 10% da dose de NPH — antes da principal refeição ou naquela refeição em que há hiperglicemia pós-prandial, ajustando 1 a 2 UI ou 10% a 15% da dose duas vezes por semana conforme as glicemias pós-prandiais. Havendo hipoglicemia, reduz-se 10% a 20%. A aplicação deve ser feita cerca de 30 minutos antes do início da refeição.

Sobre automonitorização: o PCDT é explícito ao dizer que não há evidência suficiente de que a automonitorização rotineira de glicemia capilar em pacientes com DM2 em uso apenas de hipoglicemiantes orais seja custo-efetiva. Nesses casos, a glicemia capilar pode ser feita na própria unidade de saúde nas consultas de rotina. Para quem usa insulina, a automonitorização é ferramenta importante e a frequência é individualizada.

O calendário anual de rastreio de complicações

Esta é a tabela que a APS mais usa na vida real e a que mais aparece em questão de organização do cuidado. O PCDT define a periodicidade de acompanhamento em três blocos.

A cada consulta: monitoramento do peso, estratificação de risco cardiovascular e medida da pressão arterial.

Ao diagnóstico e anualmente: avaliação do pé diabético com monofilamento e palpação de pulsos podais; perfil lipídico completo (colesterol total, triglicerídeos, HDL-c e LDL-c); avaliação de nefropatia com creatinina sérica e albuminúria; e avaliação de retinopatia com fundoscopia.

Ao diagnóstico e a cada 6 meses: glicemia plasmática de jejum e hemoglobina glicada. Note a diferença entre este intervalo de monitoramento (6 meses) e o intervalo de reavaliação para intensificar tratamento (3 a 6 meses, no máximo) — não são a mesma coisa, e o PCDT permite antecipar avaliações anuais ou semestrais conforme a necessidade do paciente.

Sobre a avaliação de proteinúria, o PCDT aceita três formas: albuminúria isolada, relação albuminúria/creatininúria ou relação proteinúria/creatininúria, todas em amostra isolada de urina, desde que valores alterados sejam confirmados. O risco cardiovascular deve ser estimado na avaliação inicial e pelo menos uma vez ao ano.

Na avaliação inicial do paciente recém-diagnosticado, além da glicemia e da HbA1c, o protocolo solicita colesterol total e frações, triglicerídeos, creatinina com estimativa da taxa de filtração glomerular, relação albumina/creatinina em amostra urinária e exame comum de urina.

Ilustração do exame do pé diabético: monofilamento aplicado perpendicularmente à planta do pé até encurvar, com marcadores dos pontos de teste plantares, e palpação simultânea do pulso pedioso no dorso do pé.
Avaliação do pé diabético com monofilamento e pulsos podais: ao diagnóstico e depois anualmente, conforme o PCDT de 2024. O monofilamento deve ser aplicado perpendicularmente até encurvar — é a curvatura que padroniza a pressão aplicada. Sensibilidade diminuída nos pés é, por si só, critério de encaminhamento para atenção especializada.

Quando a APS encaminha

O PCDT afirma que, na maioria dos casos, a apresentação clínica do DM2 não é grave e o acompanhamento deve ocorrer preferencialmente na atenção primária. Encaminhar sem critério congestiona a rede; não encaminhar quando há critério atrasa cuidado. O protocolo lista os gatilhos.

Endocrinologista: paciente sem controle glicêmico adequado em uso de insulina em dose igual ou maior que 1 UI/kg/dia e com boa adesão terapêutica — isto é, casos que requerem esquemas mais complexos, com doses fracionadas e misturas de insulina, de duas a quatro injeções ao dia. Também: presença de complicações, como alteração na fundoscopia, albuminúria em amostra urinária ou diminuição da sensibilidade nos pés.

Endocrinologista e nefrologista em conjunto: doença renal crônica com TFG abaixo de 30 mL/min/1,73 m² (estágios 4 e 5). Aqui há uma conduta associada que costuma ser a resposta certa em vinheta: suspender o cloridrato de metformina e manter insulinoterapia exclusiva até a consulta com o endocrinologista.

Nefrologista isoladamente: proteinúria em faixa de macroalbuminúria; perda rápida de função renal, definida como queda maior que 5 mL/min/1,73 m² em um período de seis meses com TFG abaixo de 60 mL/min/1,73 m², confirmada em dois exames; ou suspeita de nefropatia por outras causas.

Oftalmologista com avaliação imediata: perda súbita de visão, hemorragia pré-retiniana ou vítrea, descolamento de retina — suspeitado pela percepção de luzes piscando, aparecimento súbito de vários corpos flutuantes ou percepção de sombra ou cortina sobre parte do campo visual. Também retinopatia proliferativa ou pré-proliferativa grave e suspeita de maculopatia.

Cirurgia vascular em caráter de urgência: suspeita de isquemia crítica aguda do membro, com dor constante em repouso, palidez, ausência de pulso, membro mais frio que o contralateral, alteração de sensibilidade ou força, parestesia, paralisia ou sinais de gangrena. Em caráter ambulatorial: doença arterial crônica avançada com ameaça ao membro (dor crônica em repouso, úlcera arterial) ou claudicação limitante refratária a 6 meses de tratamento conservador otimizado.

Vale registrar o lembrete que o próprio protocolo faz e que costuma ser a chave de questões de descompensação: a principal causa de descompensação do DM2 é a má adesão ao tratamento — situação em que a atenção primária tem mais instrumentos para ajudar do que a atenção especializada. Antes de escalonar droga em paciente descompensado, investigue adesão.

04

Do rastreamento ao terceiro degrau: fluxo de decisão do DM2 na APS

O fluxo abaixo condensa o PCDT de Diabete Melito Tipo 2 (Ministério da Saúde, 2024) do rastreamento à insulinização. A tabela traz os cortes diagnósticos exatos do Quadro 4 do protocolo. Percorra o fluxo perguntando, a cada passo, se o paciente tem sintomas — é essa bifurcação que muda a regra de confirmação e a urgência do tratamento.

  1. 11. Rastrear: todo adulto com 45 anos ou mais, mesmo sem fator de risco; ou qualquer idade com IMC ≥ 25 kg/m² somado a pelo menos um fator de risco. Exame de escolha: glicemia plasmática de jejum.
  2. 22. Definir o cenário. Há sinais e sintomas clássicos e inequívocos de hiperglicemia (poliúria, polidipsia, perda ponderal, noctúria, polifagia)?
  3. 33. SINTOMÁTICO — glicemia plasmática aleatória ≥ 200 mg/dL fecha o diagnóstico sem repetição, para não postergar tratamento. Se o valor vier entre 126 e 199 mg/dL, solicitar um segundo teste diagnóstico.
  4. 44. ASSINTOMÁTICO — exige dois resultados alterados: o mesmo exame em duas amostras diferentes, ou dois exames diferentes na mesma amostra. Estratégia preferencial do PCDT: glicemia de jejum + HbA1c na mesma amostra plasmática. Ambos alterados fecham; ambos normais afastam; apenas um alterado manda repetir, e mantendo-se o padrão descarta-se o diagnóstico, com novo rastreamento em 1 ano.
  5. 55. Se houver condição que distorça a HbA1c (anemia aguda, hemoglobinopatia, transfusão, deficiência de G6PD, alfaepoetina, antirretrovirais, hemodiálise, 2º/3º trimestres, puerpério) ou fibrose cística: confirmar com glicemia de jejum associada ao TOTG, não com HbA1c.
  6. 66. Diagnóstico fechado — definir a meta. Adulto: HbA1c < 7,0%. Idoso saudável: < 7,5%. Idoso comprometido: < 8,0%. Idoso muito comprometido: sem alvo numérico, apenas evitar sintomas de hiper e de hipoglicemia.
  7. 77. Iniciar tratamento. Diagnóstico há menos de 3 meses e sem fator de risco: apenas mudanças de estilo de vida, reavaliando em 3 meses. Diagnóstico há 3 meses ou mais, ou com fatores de risco: metformina + mudanças de estilo de vida desde já. HbA1c > 7,5% ao diagnóstico: considerar terapia combinada de início.
  8. 88. Titular metformina: 500 ou 850 mg 1x/dia com refeição; após 5 a 7 dias sem eventos adversos, 500 ou 850 mg 2x/dia; máximo efetivo de 850 mg no café, almoço e jantar (2.550 mg/dia). Suspender se TFG < 30 mL/min/1,73 m².
  9. 99. Reavaliar o estado glicêmico em 3 a 6 meses, no máximo. Fora da meta: 2ª linha do SUS = sulfonilureia (glibenclamida ou gliclazida; preferir gliclazida MR se risco de hipoglicemia e no idoso).
  10. 1010. Ainda fora da meta na 2ª intensificação: dapagliflozina 10 mg/dia, se ≥ 40 anos com doença cardiovascular estabelecida, ou homem ≥ 55 anos / mulher ≥ 60 anos com ao menos um entre HAS, dislipidemia ou tabagismo. Não usar com TFG < 25 mL/min/1,73 m².
  11. 1111. Insulinizar quando: HbA1c > 9%, glicemia de jejum ≥ 300 mg/dL, sintomas de hiperglicemia aguda, intercorrências ou internação por DM2, ou falha dos orais. Esquema: NPH antes de dormir, 10 UI ou 0,1 a 0,2 UI/kg, mantendo a metformina.
  12. 1212. Titular a insulina pela glicemia capilar antes do café: aumentar 2 UI a cada 3 dias até a meta; se jejum > 130 mg/dL, subir 2 UI; se < 70 mg/dL, reduzir 4 UI ou 10% a 20% da dose diária. Persistindo HbA1c fora da meta, dividir a NPH: 80% da dose total, sendo 2/3 pela manhã e 1/3 antes de dormir; depois associar regular humana 4 UI (ou 10% da NPH) 30 minutos antes da principal refeição.
  13. 1313. Em paralelo e para sempre: peso, risco cardiovascular e PA a cada consulta; glicemia de jejum e HbA1c a cada 6 meses; pé diabético, perfil lipídico, creatinina com albuminúria e fundoscopia ao diagnóstico e anualmente.
ExameNormalPré-DM2DM2Observação que a prova cobra
Glicemia plasmática de jejum (mg/dL)< 100100 a 125≥ 126Exige jejum de pelo menos 8 horas. É o exame de escolha para rastreamento.
TOTG 2 horas, 75 g de glicose (mg/dL)< 140140 a 199≥ 200Não é exame de rastreamento de rotina. Reservado a fibrose cística, distorção da HbA1c e rastreio pós-DMG (4 a 12 semanas pós-parto).
HbA1c (%)< 5,75,7 a 6,4≥ 6,5Não exige jejum, mas é falseada por anemia aguda, hemoglobinopatia, transfusão, deficiência de G6PD, alfaepoetina, antirretrovirais, hemodiálise, 2º/3º trimestres e puerpério.
Glicemia plasmática aleatória (mg/dL)< 200não se aplica≥ 200Só vale como critério diagnóstico em paciente COM sintomas de hiperglicemia. Nesse caso fecha sozinha, sem repetição.
Regra de confirmação — assintomáticoDois resultados alteradosMesmo exame em duas amostras diferentes OU dois exames diferentes na mesma amostra. Preferência do PCDT: glicemia de jejum + HbA1c na mesma coleta.
Regra de confirmação — sintomáticoUm resultado bastaGlicemia aleatória ≥ 200 mg/dL com sintomas clássicos fecha o diagnóstico. Entre 126 e 199 mg/dL, pedir segundo teste.

Jejum para glicemia plasmática significa não ingerir bebidas calóricas nem alimentos por pelo menos 8 horas. Para o TOTG, o preparo é outro e é cobrado: o paciente deve ingerir pelo menos 150 g de carboidrato por dia nos três dias anteriores ao exame — restrição de carboidrato antes do teste produz resposta falsamente aumentada à sobrecarga.

Periodicidade do rastreamento negativo: a cada 3 anos como padrão; anual se houver mais de um fator de risco, ganho de peso acelerado ou mudança de fatores de risco, pré-diabetes, doenças associadas a DM secundário, HIV, doença periodontal ou esteatose hepática. Quem rastreou alterado e não confirmou também volta ao intervalo anual.

As metas glicêmicas capilares que acompanham cada meta de HbA1c: adulto — jejum 80 a 130, pós-prandial de 2 h < 180, ao deitar 90 a 150 mg/dL. Idoso saudável — iguais às do adulto, com HbA1c < 7,5%. Idoso comprometido — jejum 90 a 150, pós-prandial < 180, ao deitar 100 a 180. Idoso muito comprometido — jejum 100 a 180 e ao deitar 110 a 200, sem alvo de HbA1c. Criança e adolescente — jejum 70 a 130, HbA1c < 7,0%.

Hipoglicemia é glicemia aleatória abaixo de 70 mg/dL. Remissão do DM2 é HbA1c abaixo de 6,5% medida pelo menos 3 meses após a cessação do tratamento farmacológico.

Não estão incorporados ao SUS por este PCDT: acarbose, inibidores da DPP-4, agonistas de GLP-1, meglitinidas, tiazolidinedionas e análogos de insulina de longa e curta duração. O único iSGLT2 disponível é a dapagliflozina, com critérios restritos.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Qual é a segunda linha quando a metformina falha

PCDT / SUS (2024)

Sugere sulfonilureia como tratamento de segunda linha, seguida de iSGLT2 ou insulina. A dapagliflozina só entra na segunda intensificação e apenas para perfis cardiovasculares definidos: idade ≥ 40 anos com doença cardiovascular estabelecida, ou homem ≥ 55 / mulher ≥ 60 anos com ao menos um entre HAS, dislipidemia ou tabagismo. Agonistas de GLP-1 não estão incorporados ao SUS.

PCDT de Diabete Melito Tipo 2, Portaria SECTICS/MS nº 7, de 28/02/2024, seções 8.3 a 8.3.4.

SBD 2025 / literatura internacional

Posiciona iSGLT2 e agonistas de GLP-1 muito mais cedo, guiados por risco cardiovascular, obesidade e comprometimento renal, e não pela falha sequencial de outra droga. Em alto ou muito alto risco cardiovascular sem obesidade, iSGLT2 já na largada; havendo obesidade, agonista de GLP-1 ou tirzepatida. A combinação iSGLT2 + AR-GLP1 é recomendada em obesidade com alto risco de insuficiência cardíaca. Sulfonilureia deixa de figurar como segundo passo preferencial.

Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, ed. 2025, capítulo de Manejo da terapia antidiabética no DM2.

Na prova

A distância entre os dois documentos é de acesso, não de leitura da evidência. O PCDT precisa prescrever dentro do que está incorporado ao SUS — sulfonilureia na segunda linha, dapagliflozina só na segunda intensificação e apenas nos perfis cardiovasculares definidos (idade ≥ 40 anos com doença cardiovascular estabelecida, ou homem ≥ 55 e mulher ≥ 60 anos com ao menos um entre HAS, dislipidemia e tabagismo), agonistas de GLP-1 fora da lista —, enquanto a SBD 2025 posiciona iSGLT2 e AR-GLP1 por risco cardiovascular, obesidade e comprometimento renal, sem depender de falha sequencial de outra droga. UBS, Estratégia Saúde da Família, farmácia da unidade, menção ao SUS ou ao PCDT, e prova oficial do MEC — que tende a conduta SUS — indicam o corpo nacional; ambulatório de especialidade, escolha guiada por estratificação de risco e citação nominal da SBD indicam o outro. As alternativas também entregam o recorte: tirzepatida e a combinação iSGLT2 + AR-GLP1 só existem no mundo da SBD, e sulfonilureia como segundo passo preferencial só existe no do PCDT. Semaglutida ou dulaglutida como conduta dentro do SUS caem por indisponibilidade, não por mérito clínico — a diferença entre esses dois motivos vale ser registrada.

A metformina ainda é obrigatoriamente a primeira linha

PCDT / SUS (2024)

Sim. A estratégia inicial de escolha do tratamento medicamentoso é a metformina em monoterapia, inclusive no idoso, por eficácia, baixo risco de hipoglicemia e benefício cardiovascular. Outras drogas entram associadas a ela, não no lugar dela.

PCDT de Diabete Melito Tipo 2 (2024), seções 8.3 e 8.3.1.

SBD 2025

Não. A atualização de 2025 retira da metformina a exclusividade de primeira linha e estratifica a escolha inicial por HbA1c, risco cardiovascular e presença de obesidade — HbA1c abaixo de 7,5% admite monoterapia (que pode ser iSGLT2 ou AR-GLP1, a depender do perfil), e HbA1c de 7,5% ou mais indica terapia dupla já na largada.

Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, ed. 2025.

Na prova

O “sim” e o “não” vêm de documentos com liberdades diferentes. O PCDT 2024 mantém metformina em monoterapia como estratégia inicial de escolha, inclusive no idoso, por eficácia, baixo risco de hipoglicemia, benefício cardiovascular e disponibilidade garantida na rede; a SBD 2025 retira dela a exclusividade e estratifica a largada por HbA1c (abaixo de 7,5% admite monoterapia, que pode ser iSGLT2 ou AR-GLP1 conforme o perfil; 7,5% ou mais indica terapia dupla já no início), risco cardiovascular e obesidade. Vinheta de APS pelo SUS, citação do protocolo do Ministério da Saúde, ou enunciado que não informa HbA1c nem risco, operam com metformina; vinheta que traz a HbA1c de largada, descreve obesidade com doença cardiovascular ou renal e oferece escolha entre classes, está pedindo a estratificação da SBD. Quando as duas condutas aparecem juntas nas alternativas, o que separa é o contexto assistencial descrito e o nível de detalhe que o enunciado ofereceu — e prova oficial do MEC tende ao caminho do SUS.

Idade para iniciar o rastreamento em assintomático sem fator de risco

PCDT / SUS (2024) e SBD

45 anos. Todo indivíduo com 45 anos ou mais deve ser rastreado, mesmo sem nenhum fator de risco. Abaixo dessa idade, só com IMC ≥ 25 kg/m² somado a pelo menos um fator de risco.

PCDT de Diabete Melito Tipo 2 (2024), Quadro 1.

ADA 2026

35 anos. O rastreamento em adultos assintomáticos sem fatores de risco adicionais deve começar aos 35 anos, mantendo a recomendação de rastrear em qualquer idade quem tem sobrepeso ou obesidade com um ou mais fatores de risco. Intervalo mínimo de 3 anos para repetir o rastreio negativo, igual ao brasileiro.

American Diabetes Association, Standards of Care in Diabetes 2026, seção 2.

Na prova

Os dois números saem da mesma lógica aplicada a capacidades diferentes: a ADA 2026 baixou o início para 35 anos no adulto assintomático, decisão de rastreamento viável onde o exame é abundante; o PCDT 2024 e a SBD mantêm 45 anos, corte compatível com a capacidade laboratorial da rede e com a custo-efetividade de um rastreio universal no SUS. Fora da idade-piso as fontes coincidem: IMC ≥ 25 kg/m² somado a pelo menos um fator de risco autoriza rastrear em qualquer idade, e o intervalo mínimo de 3 anos para repetir rastreio negativo é o mesmo nas duas. Citação nominal da ADA, ou o vocabulário de “Standards of Care”, aponta para 35 anos; UBS, planejamento de rastreamento populacional, programa do SUS ou citação do PCDT apontam para 45. Prova oficial do MEC tende ao recorte nacional; nas outras bancas, ver 35 e 45 anos convivendo entre as alternativas é o sinal de que o enunciado precisa ser lido de novo à procura do mundo em que a questão se passa.

A glicemia de 1 hora no TOTG entra como critério diagnóstico

PCDT / SUS (2024)

Não menciona. O Quadro 4 do protocolo trabalha apenas com o TOTG de 2 horas, com corte de 200 mg/dL para diabetes e faixa de 140 a 199 mg/dL para pré-diabetes.

PCDT de Diabete Melito Tipo 2 (2024), Quadro 4.

SBD 2024/2025, alinhada à IDF

Sim. A glicemia medida 1 hora após sobrecarga de 75 g passou a compor os critérios diagnósticos, com corte de 209 mg/dL ou mais para diabetes e faixa de 155 a 208 mg/dL para hiperglicemia intermediária (pré-diabetes).

Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, capítulo de Diagnóstico de diabetes mellitus, ed. 2025.

Na prova

O critério de 1 hora é ganho recente de sensibilidade diagnóstica, adotado pela SBD 2024/2025 em linha com a IDF (209 mg/dL ou mais para diabetes, 155 a 208 mg/dL para hiperglicemia intermediária) e ainda ausente do PCDT 2024, cujo Quadro 4 trabalha apenas com o TOTG de 2 horas — 200 mg/dL para diabetes, 140 a 199 mg/dL para pré-diabetes —, coerente com um fluxo que parte de glicemia de jejum e HbA1c, exames que a rede consegue ofertar em escala. Alternativa que cite glicemia de 1 hora com corte de 209 mg/dL é tecnicamente sustentada pela SBD, e o fato de ser conteúdo novo aumenta a chance de aparecer; alternativa que atribua esse critério ao protocolo do Ministério da Saúde não encontra apoio no documento. Enunciado que pergunta qual exame solicitar na UBS, ou que cita o PCDT, se move no fluxo de jejum e HbA1c na mesma amostra; enunciado que cita a SBD ou a IDF, ou que descreve TOTG com coleta de 1 hora já realizada, se move no critério ampliado. A distinção útil é de natureza: o corte de 1 hora muda o desempenho diagnóstico do teste, não a porta de entrada da investigação.

De quanto em quanto tempo se repete a HbA1c

PCDT / SUS (2024)

A cada 6 meses, junto com a glicemia plasmática de jejum, além da medida ao diagnóstico. O protocolo admite antecipar avaliações anuais ou semestrais conforme a necessidade do paciente, e determina separadamente que o estado glicêmico seja avaliado em 3 a 6 meses no máximo quando se decide sobre intensificação de tratamento.

PCDT de Diabete Melito Tipo 2 (2024), Quadro 8 e seção 8.3.

SBD e ADA

Trabalham com dois intervalos conforme o controle: cerca de 6 meses para quem está estável e dentro da meta, e cerca de 3 meses para quem está fora da meta ou teve mudança recente de terapia.

Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, ed. 2025; ADA Standards of Care 2026.

Na prova

Os dois intervalos respondem a perguntas diferentes e por isso convivem: 6 meses é o monitoramento de rotina do Quadro 8 do PCDT, junto com a glicemia plasmática de jejum e além da medida ao diagnóstico; 3 meses é o prazo de reavaliação de quem está fora da meta ou mudou de terapia, adotado pela SBD 2025 e pela ADA 2026 e presente também no próprio PCDT, que determina avaliar o estado glicêmico em 3 a 6 meses no máximo quando se decide sobre intensificação. O sinal está no verbo do enunciado: acompanhamento de rotina de paciente estável e dentro da meta na APS cai no intervalo semestral; reavaliação após ajuste de droga ou com paciente fora da meta cai no trimestral. Alternativa com reavaliação anual não se apoia em nenhum dos documentos, ainda que o PCDT admita antecipar ou espaçar conforme a necessidade do paciente.

06

Caso resolvido

Mulher de 58 anos comparece à UBS para consulta de rotina, assintomática. IMC 31 kg/m², hipertensa em uso de losartana, mãe com diabetes. Nunca fez rastreamento. Traz glicemia plasmática de jejum de 134 mg/dL colhida há duas semanas em coleta única. Pressão arterial 138/86 mmHg. Sem poliúria, polidipsia ou perda de peso.
achado
Ela tinha indicação inequívoca de rastreamento por duas vias independentes: idade de 58 anos (≥ 45 anos rastreia todo mundo) e IMC de 31 kg/m² com múltiplos fatores de risco associados — hipertensão arterial e história familiar de DM em parente de primeiro grau.
achado
A glicemia de jejum de 134 mg/dL está acima do corte de 126 mg/dL. Mas ela é assintomática: não há poliúria, polidipsia nem perda ponderal. Isso muda a regra de confirmação.
raciocínio
Em assintomático, um único exame alterado não fecha diagnóstico. O PCDT exige dois resultados anormais — o mesmo exame em duas amostras diferentes, ou dois exames diferentes na mesma amostra. Prescrever metformina agora seria tratar alguém que ainda não tem diagnóstico confirmado.
conduta
Solicitar glicemia plasmática de jejum e HbA1c na mesma amostra — a estratégia que o próprio PCDT nomeia como a mais prática e fidedigna. Não há motivo para pedir TOTG: ela não tem fibrose cística nem condição que distorça a HbA1c.
desfecho
Retorna com glicemia de jejum de 141 mg/dL e HbA1c de 7,1%. Dois exames alterados na mesma amostra: diagnóstico de DM2 estabelecido, sem necessidade de nova coleta.
conduta
Meta: HbA1c abaixo de 7,0%, porque tem 58 anos e não se enquadra em nenhum perfil de idoso. Como o diagnóstico já nasce com fatores de risco presentes, não cabe o período de 3 meses só com mudanças de estilo de vida — inicia-se metformina junto com as medidas não farmacológicas, para evitar inércia terapêutica. Metformina 500 ou 850 mg uma vez ao dia, com o jantar; após 5 a 7 dias sem eventos adversos, subir para duas vezes ao dia.
conduta
Na mesma consulta, abrir o rastreio de complicações que o diagnóstico dispara: perfil lipídico, creatinina sérica com estimativa de TFG, albuminúria em amostra urinária, exame comum de urina, fundoscopia e avaliação do pé diabético com monofilamento e pulsos podais. Reavaliar o estado glicêmico em 3 a 6 meses, no máximo.
armadilha
A alternativa que trata HbA1c de 7,1% como pré-diabetes existe para punir quem confunde as faixas. Pré-diabetes vai de 5,7% a 6,4%; a partir de 6,5% é diabetes. E a alternativa que manda repetir a glicemia em 3 anos ignora que o primeiro exame já veio alterado — resultado alterado no rastreamento vai para confirmação, não para o intervalo de repetição.
07

Agora feche você

Homem de 61 anos, em acompanhamento na UBS por DM2 há 7 anos, hipertenso, ex-tabagista, IMC 28 kg/m². Teve infarto agudo do miocárdio há 2 anos, com angioplastia. Está em uso de metformina 850 mg três vezes ao dia há mais de um ano e gliclazida MR 60 mg/dia há 8 meses, com boa adesão confirmada pela equipe e pela dispensação na farmácia da unidade. Traz HbA1c de 8,2%, glicemia de jejum de 168 mg/dL. Creatinina 1,1 mg/dL, TFG estimada de 68 mL/min/1,73 m². Sem poliúria, polidipsia ou perda ponderal. Fundoscopia e monofilamento do último ano sem alterações.
achado
Está fora da meta. Aos 61 anos, sem múltiplas comorbidades limitantes nem comprometimento funcional ou cognitivo, ele se enquadra como idoso saudável pelo PCDT: meta de HbA1c abaixo de 7,5%. Com 8,2%, precisa de intensificação.
achado
Já está em dose máxima efetiva de metformina — 850 mg no café, almoço e jantar equivalem a 2.550 mg/dia — e já recebeu a segunda linha do SUS, uma sulfonilureia. A adesão foi verificada, o que afasta a causa mais comum de descompensação.
achado
Não há gatilho para insulinização: HbA1c de 8,2% não ultrapassa 9%, glicemia de jejum de 168 mg/dL está longe de 300 mg/dL, e ele não tem sintomas de hiperglicemia aguda nem intercorrências ou internações por DM2.
achado
Ele tem doença cardiovascular estabelecida documentada: infarto agudo do miocárdio prévio com angioplastia coronariana. E tem 61 anos. Função renal preservada, com TFG de 68 mL/min/1,73 m².
conduta
08

Onde a banca derruba

  1. 1Fechar diagnóstico com um exame só em paciente assintomático É o erro mais cobrado do tema. Glicemia de jejum de 130 mg/dL isolada em paciente sem sintomas não é diagnóstico de DM2 — é indicação de confirmação. A regra do PCDT exige dois resultados alterados: o mesmo exame em duas amostras diferentes ou dois exames diferentes na mesma amostra. A recíproca também é armadilha: em paciente COM sintomas clássicos, glicemia aleatória ≥ 200 mg/dL fecha o diagnóstico sozinha, e marcar a alternativa que manda repetir o exame também erra, porque atrasa tratamento sem necessidade.
  2. 2Aplicar a meta de HbA1c < 7,0% em todo mundo O PCDT afirma que valores de HbA1c abaixo de 7,0% se associaram a maior risco de mortalidade em idosos com DM2 e que metas agressivas são desencorajadas nessa população. Idoso saudável: < 7,5%. Idoso comprometido: < 8,0%. Idoso muito comprometido: nenhum alvo numérico, só evitar sintomas de hiper e de hipoglicemia. Intensificar tratamento de idoso frágil com HbA1c de 7,8% não é zelo, é iatrogenia — e é alternativa errada.
  3. 3Suspender a metformina ao iniciar insulina O PCDT determina o contrário: a metformina deve ser mantida quando o paciente inicia insulina, para preservar seus benefícios glicêmicos e metabólicos, salvo contraindicação ou efeito adverso intolerável. Os demais hipoglicemiantes orais também podem ser mantidos a critério médico, principalmente a metformina nos casos com resistência insulínica. A situação em que a metformina realmente sai de cena é outra: TFG abaixo de 30 mL/min/1,73 m², quando se suspende a metformina e se mantém insulinoterapia exclusiva até a consulta com o endocrinologista.
  4. 4Prescrever agonista de GLP-1 ou insulina análoga como conduta no SUS O PCDT lista nominalmente o que não está incorporado: acarbose, inibidores da DPP-4, agonistas de GLP-1, meglitinidas, tiazolidinedionas e análogos de insulina de longa e de curta duração. Numa vinheta de UBS, semaglutida, dulaglutida, glargina e degludeca são distratores por indisponibilidade. As insulinas do protocolo são NPH e regular humana. E a dapagliflozina, embora disponível, tem critério de acesso — não é para qualquer paciente que falhou a metformina.
  5. 5Escalonar droga antes de investigar adesão O próprio PCDT registra que a principal causa de descompensação do DM2 é a má adesão ao tratamento, e que é a atenção primária quem tem mais instrumentos para trabalhar isso. Vinheta de paciente descompensado costuma trazer pistas de não adesão — receita vencida, falta às consultas, retirada irregular na farmácia, relato de que parou por conta própria. Havendo essas pistas, a conduta correta não é adicionar fármaco, é abordar a adesão.
  6. 6Trocar o exame de rastreamento pelo de confirmação O exame de escolha para rastrear DM2 é a glicemia plasmática de jejum — o PCDT justifica que o TOTG é demorado e desconfortável e que a HbA1c é onerosa e não considera a variabilidade individual de glicação proteica. HbA1c e TOTG são ferramentas de confirmação. A exceção clássica em que o TOTG é o exame indicado é o rastreamento de DM2 entre 4 e 12 semanas pós-parto em mulher que teve diabetes mellitus gestacional.
  7. 7Confiar na HbA1c em quem ela mente Anemia aguda, hemoglobinopatias, variantes de hemoglobina, transfusão sanguínea, deficiência de G6PD, uso de alfaepoetina, uso de antirretrovirais, hemodiálise, segundo e terceiro trimestres de gestação e puerpério distorcem a relação entre HbA1c e glicemia real. Nessas condições — e na fibrose cística — a confirmação diagnóstica é feita com glicemia de jejum associada ao TOTG. Vinheta que menciona anemia falciforme ou hemodiálise e oferece HbA1c como resposta está testando exatamente isso.
  8. 8Errar a aritmética da NPH dividida em duas tomadas É a conta mais específica do tema e a mais fácil de esquecer. Quando a HbA1c permanece acima da meta com NPH noturna, divide-se a dose assim: toma-se 80% da dose total que vinha sendo aplicada antes de dormir e distribui-se em 2/3 pela manhã e 1/3 antes de dormir. Não é metade e metade, e não é a dose total mantida. Guarde junto os outros números do ajuste: início com 10 UI ou 0,1 a 0,2 UI/kg, aumento de 2 UI a cada 3 dias, +2 UI se jejum acima de 130 mg/dL, e redução de 4 UI ou 10% a 20% da dose diária se jejum abaixo de 70 mg/dL.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

Diabetes mellitus é diagnosticado por glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL confirmada em segunda amostra, OU HbA1c ≥ 6,5%. O paciente tem duas glicemias de jejum ≥ 126 (142 e 138) e HbA1c de 7,1% — critérios diagnósticos plenamente preenchidos e confirmados. Glicemia de jejum alterada seria 100–125 mg/dL. Tolerância diminuída seria glicemia de 140–199 mg/dL no TOTG de 2h. Não são exames normais. Não há necessidade de TOTG, pois os critérios já estão confirmados por dois métodos.

09

Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

Sorteando as questões…

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Plano de revisão

em 7 dias

Refaça de memória a tabela de cortes diagnósticos: jejum 126, TOTG 2 h 200, HbA1c 6,5%, aleatória 200 com sintomas — e as faixas de pré-diabetes correspondentes (100 a 125; 140 a 199; 5,7 a 6,4%). Em seguida escreva, sem consultar, a regra de confirmação nos dois cenários: assintomático exige dois resultados alterados (mesmo exame em duas amostras ou dois exames na mesma amostra, de preferência jejum + HbA1c); sintomático fecha com aleatória ≥ 200 mg/dL sem repetir. Feche recitando as quatro metas de HbA1c: adulto < 7,0%, idoso saudável < 7,5%, idoso comprometido < 8,0%, idoso muito comprometido sem alvo numérico.

em 30 dias

Percorra o algoritmo terapêutico inteiro em voz alta, do diagnóstico à insulina, dizendo os números: metformina 500 ou 850 mg 1x/dia, sobe em 5 a 7 dias, teto de 2.550 mg/dia, contraindicada com TFG < 30; reavaliar em 3 a 6 meses; segunda linha do SUS é sulfonilureia (gliclazida MR se risco de hipoglicemia ou idoso); dapagliflozina 10 mg só na segunda intensificação e só com ≥ 40 anos com DCV estabelecida ou homem ≥ 55 / mulher ≥ 60 com HAS, dislipidemia ou tabagismo; insulina se HbA1c > 9%, jejum ≥ 300 mg/dL ou sintomas, começando com NPH noturna 10 UI ou 0,1 a 0,2 UI/kg, subindo 2 UI a cada 3 dias, e dividindo em 80% da dose com 2/3 manhã e 1/3 noite se persistir fora da meta. Termine repetindo o calendário: peso, risco cardiovascular e PA a cada consulta; HbA1c e glicemia de jejum a cada 6 meses; pé, olho, rim e lipídios ao diagnóstico e anualmente. Depois recite as duas divergências que mais caem: sulfonilureia (PCDT) contra iSGLT2/AR-GLP1 (SBD 2025) na segunda linha, e 45 anos (PCDT) contra 35 anos (ADA) para iniciar o rastreamento.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Homem de 63 anos chega à UBS para consulta de rotina trazendo exames que fez por conta própria. Está assintomático, mas relata que anda mais cansado e urinando mais à noite. É hipertenso, tem IMC de 32 kg/m² e o pai era diabético. Você tem na mão uma glicemia de jejum alterada e precisa decidir: fecha o diagnóstico agora ou confirma antes? Qual meta de HbA1c vale para ele? Começa metformina hoje ou dá três meses de mudança de estilo de vida? E o que mais precisa ser pedido nesta primeira consulta? Conduza a consulta do rastreamento ao plano terapêutico completo. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Diabetes mellitus tipo 2 — Preparatório para provas | OsceLabs