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Clínica MédicaEndocrinologia

Complicações microvasculares do diabetes

A prova quase nunca pergunta o mecanismo. Ela pergunta quando rastrear, com que exame, o que confirma um resultado alterado e o que muda a conduta — e é aí que a régua brasileira tem números próprios.

01

Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Mulher de 58 anos, hipertensa e diabética há 15 anos com controle irregular, procura atendimento por perda visual indolor e progressiva no olho esquerdo. Ao exame de fundo de olho: microaneurismas, hemorragias em chama de vela e em pontos, exsudatos duros, além de neovasos no disco óptico e hemorragia vítrea inicial. Acuidade visual reduzida. PA 148x88 mmHg. Além do controle glicêmico e pressórico, qual é a conduta oftalmológica de escolha para a fase atual da retinopatia?

02

Como esse tema cai

Retinopatia, doença renal e neuropatia são a mesma doença de vaso pequeno em três territórios. A prova sabe disso e cobra o que é comum às três: um rastreamento que começa em momentos diferentes no DM1 e no DM2, um exame de triagem barato para cada uma, e uma decisão que só muda quando o resultado é confirmado.

O ponto que separa quem estudou de quem decorou é o calendário. No DM2 as três complicações são rastreadas no momento do diagnóstico, porque o diagnóstico chega anos depois do início da hiperglicemia. No DM1 há um intervalo de carência, e ele não é o mesmo para as três — nem é o mesmo em todas as edições da diretriz brasileira.

O segundo ponto é a confirmação. Albuminúria alterada em uma única amostra não fecha nada: a variabilidade diária é da ordem de 20% e febre, exercício intenso, hiperglicemia grave, infecção urinária sintomática, insuficiência cardíaca descompensada e hipertensão não controlada elevam o resultado sem que exista doença renal. Neuropatia também não se diagnostica com um teste só.

O terceiro é saber quando a complicação não é do diabetes. Proteinúria nefrótica, hematúria glomerular, queda rápida da filtração e ausência de retinopatia num paciente com proteinúria pesada apontam para outra nefropatia. Deficiência de B12, etilismo, hipotireoidismo e síndrome do túnel do carpo produzem a mesma queixa de formigamento nos pés — e o diagnóstico de neuropatia diabética é de exclusão.

03

O que muda decisão

Retinopatia: o calendário e o que o laudo quer dizer

A retinopatia diabética é a complicação microvascular mais específica do diabetes. Uma metanálise de 35 estudos com mais de 20 mil pessoas estimou prevalência de 34,6% de retinopatia, 6,8% de edema macular e 10% de retinopatia com risco de perda visual. Numa amostra brasileira de 824 pessoas com DM2, a prevalência foi de 37,3%.

O rastreamento começa no momento do diagnóstico no DM2 — no Diabetes Prevention Program, adultos que evoluíram para DM2 já tinham 12,6% de retinopatia três anos após o diagnóstico. No adulto com DM1, começa ao completar cinco anos de doença. Em crianças e adolescentes com DM1 a régua é mais precoce: a partir dos 11 anos de idade, com pelo menos dois a cinco anos de duração — porque a retinopatia progride mais rápido no jovem com DM1 do que no DM2.

O exame de rastreio é o fundo de olho com pupila dilatada, com retinografia ou mapeamento de retina e biomicroscopia de fundo. Retinografia com leitura remota por oftalmologista treinado é recomendada para ampliar o acesso onde não há especialista — e imagem de qualidade insuficiente ou com anormalidade significativa exige exame presencial.

Se não há retinopatia ou ela é leve, o intervalo é anual: o risco de progressão em um ano é de 0,10% sem retinopatia e 0,59% na leve. Na moderada esse risco sobe para 12,3% e na grave para 32,5% — daí a recomendação de encurtar o intervalo. Uma revisão sistemática com 262.541 pessoas concluiu que a evidência atual não sustenta espaçar o rastreio para além de um ano.

Gestação é situação à parte. Mulher com diabetes prévio à gestação faz exame de retina a cada trimestre e durante o primeiro ano pós-parto. Quem desenvolve diabetes gestacional não precisa de exame oftalmológico na gravidez — o risco de retinopatia não aumenta. Essa distinção entre diabetes prévio e diabetes gestacional é distrator clássico.

Ilustração do fundo de olho na retinopatia diabética, com disco óptico, vasos, microaneurismas, hemorragias em vários quadrantes, dilatação venosa em rosário e um tufo de neovasos junto ao disco.
Os achados que o laudo descreve: microaneurismas, hemorragias por quadrante, dilatação venosa e neovasos. É a combinação deles, não cada um isolado, que define a gravidade.

A regra 4-2-1 e o que faz o paciente sair da UBS para o retinólogo

A classificação adotada pela SBD é a escala internacional. Sem retinopatia é fundo normal. Retinopatia não proliferativa leve é apenas microaneurismas. Moderada é microaneurismas mais outras alterações que não chegam aos critérios de grave.

Grave é onde o laudo vira conduta, e o critério é o que se chama regra 4-2-1: qualquer uma destas três alterações basta — hemorragias nos quatro quadrantes, dilatações venosas em dois ou mais quadrantes, ou alterações microvasculares intrarretinianas em pelo menos um quadrante. Duas das três configuram retinopatia não proliferativa muito grave.

Proliferativa é a presença de neovascularização — no disco óptico ou na retina — ou hemorragia vítrea (o protocolo do Ministério da Saúde acrescenta a hemorragia pré-retiniana). É o estágio em que o risco de perda visual grave se torna alto e em que a panfotocoagulação tem benefício demonstrado desde o Diabetic Retinopathy Study: queda de 15,9% para 6,4% no risco de perda visual grave em seis anos.

Dentro da proliferativa há um subgrupo que o protocolo nacional trata como urgência: a retinopatia proliferativa de alto risco, definida pelo ETDRS como neovascularização de disco maior ou igual à fotografia padrão 10A, neovascularização de disco menor associada a hemorragia vítrea ou pré-retiniana, ou neovascularização fora do disco com pelo menos meia área de disco associada a hemorragia vítrea ou pré-retiniana. Diagnosticada, a fotocoagulação começa com a maior brevidade possível.

Os números de história natural do protocolo do Ministério da Saúde explicam por que a gravidade muda tudo: metade dos olhos com retinopatia não proliferativa grave progride para proliferativa em um ano, e 15% para proliferativa de alto risco; na muito grave, o risco de proliferativa em um ano é de 75%, sendo 45% de alto risco. Daí o intervalo de seguimento de quatro meses que o protocolo estabelece para esses estágios.

Três diagnósticos disparam o encaminhamento a oftalmologista com experiência em retina: edema macular, retinopatia não proliferativa grave e retinopatia proliferativa. Para o edema macular que envolve o centro da mácula com queda de acuidade visual, o tratamento farmacológico com anti-VEGF é a recomendação de primeira linha; laser focal fica como alternativa onde não há acesso ao anti-VEGF. No SUS, aflibercepte e ranibizumabe estão previstos apenas para edema macular que envolve o centro da fóvea, com qualquer grau de retinopatia, e o envolvimento central é definido por espessura do subcampo foveal central igual ou maior que 275 μm à tomografia de coerência óptica. Vitrectomia entra em quatro situações: hemorragia vítrea que não clareia espontaneamente ou que impede a panfotocoagulação completa; descolamento tracional que atinge ou ameaça a mácula; descolamento misto, tracional e regmatogênico; e hemorragia vítrea associada a rubeosis iridis.

Dois detalhes que a banca gosta. Primeiro: ácido acetilsalicílico usado para proteção cardiovascular é mantido mesmo com retinopatia — não aumenta hemorragia retiniana. Segundo: melhorar a glicemia muito rápido em quem estava cronicamente descompensado piora a retinopatia no curto prazo. No DCCT, 13,1% do grupo intensivo tiveram piora inicial contra 7,6% do convencional aos 6 e 12 meses, e o benefício só apareceu depois. Por isso se avalia a retina antes de intensificar o tratamento de quem está muito descompensado — sem que isso seja motivo para não intensificar.

Doença renal do diabetes: sempre os dois exames

O termo mudou. Desde 2007 usa-se doença renal do diabetes (DRD) no lugar de nefropatia diabética, e a diretriz de 2025 é explícita: nefropatia diabética passou a designar o diagnóstico anatomopatológico, feito por biópsia. A troca não é cosmética — ela existe para acomodar o fenótipo não albuminúrico, em que a filtração cai sem que a albuminúria suba.

O rastreamento é feito com dois exames que não se substituem: razão albumina/creatinina (RAC) em amostra de urina, de preferência a primeira da manhã, e taxa de filtração glomerular estimada pela creatinina sérica com a equação CKD-EPI de 2021 — a versão que não usa mais raça. Em crianças, a estimativa é pela fórmula de Schwartz. Não é preciso urina de 24 horas para rastrear, diagnosticar nem acompanhar.

No DM2 o rastreamento começa no momento do diagnóstico. No DM1, a diretriz de 2025 posiciona o início a partir da puberdade ou dos 10 anos de idade, em quem já tem pelo menos cinco anos de diagnóstico, repetindo anualmente.

O ponto de corte é RAC acima de 30 mg/g. Como a variabilidade diária da RAC é da ordem de 20%, todo teste alterado precisa ser confirmado em duas de três amostras colhidas em três a seis meses. Antes de repetir, retire o que eleva o resultado sem doença renal: febre, exercício intenso, insuficiência cardíaca descompensada, hiperglicemia grave, infecção urinária sintomática e hipertensão não controlada. Bacteriúria assintomática não interfere de forma relevante — esse é um distrator frequente.

A CKD-EPI baseada em creatinina tem um ponto cego previsível: em quem tem muita massa muscular ela subestima a filtração, e em quem tem sarcopenia, desnutrição ou idade avançada com pouca massa muscular ela superestima. Nessas duas situações a diretriz sugere cistatina C, na equação combinada creatinina-cistatina C.

O estadiamento é o da KDIGO, cruzando faixa de TFGe com faixa de albuminúria — os dois eixos ao mesmo tempo, não um só. É esse cruzamento que define risco baixo, intermediário, alto e muito alto de progressão, e é dele que sai a frequência de reavaliação.

Quando a nefropatia não é do diabetes

A diretriz de 2025 lista seis sinais de alerta para investigar outra nefropatia: início abrupto ou proteinúria rapidamente progressiva; proteinúria nefrótica acima de 3,5 g por dia; declínio rápido da TFGe, acima de 4 mL/min/1,73 m² ao ano; queda rápida e sustentada da TFGe, acima de 30%, após início de IECA, BRA ou iSGLT2; hematúria glomerular ou outras alterações do sedimento urinário; e manifestações clínicas de outras doenças sistêmicas.

Queda de TFGe acima de 4 mL/min/1,73 m² ao ano é o critério que a diretriz usa para indicar investigação com biópsia renal, independentemente da albuminúria — reconhecendo que existe progressão rápida sem albuminúria elevada.

Há ainda um sinal negativo que a prova adora: ausência de retinopatia. O fenótipo não albuminúrico da DRD se associa a mulheres, hipertensão, tabagismo e justamente ausência de retinopatia. Já no paciente com proteinúria pesada e fundo de olho normal, a correspondência esperada entre os dois territórios microvasculares falha — e isso aumenta a chance de que a doença renal tenha outra causa.

O gatilho para chamar o nefrologista tem dois números diferentes conforme o documento que se lê, e vale conhecer os dois. A diretriz da SBD usa queda de TFGe acima de 4 mL/min/1,73 m² ao ano como marcador de progressão rápida. O protocolo do Ministério da Saúde define o encaminhamento ao nefrologista por perda de função renal acima de 5 mL/min/1,73 m² em seis meses, com TFGe abaixo de 60 mL/min/1,73 m², confirmada em dois exames — e acrescenta duas outras portas: macroalbuminúria e suspeita de nefropatia de outra causa. O mesmo protocolo manda encaminhar à atenção especializada qualquer paciente com alteração na fundoscopia, albuminúria em amostra urinária ou redução de sensibilidade nos pés.

Tratamento da DRD: quatro camadas que se somam

A primeira camada é o bloqueio do sistema renina-angiotensina. IECA ou BRA, na maior dose aprovada em bula e tolerada, para todo paciente com RAC acima de 30 mg/g — independentemente da pressão arterial. As duas classes são equivalentes; combiná-las é formalmente não recomendado, porque o ontarget e o VA-nephron-D mostraram mais hiperpotassemia, mais dano renal agudo e mais hipotensão sem ganho de desfecho.

E não se suspende o bloqueio pelo valor isolado da filtração. Num estudo observacional com mais de 200 mil pacientes, reduzir ou suspender IECA/BRA por medo de hiperpotassemia dobrou a mortalidade. A conduta recomendada diante de potássio alto é tratar a hiperpotassemia — dieta, diurético, quelante como o ciclossilicato de zircônio sódico — para conseguir manter a medicação.

A segunda camada é o inibidor do SGLT2, indicado no DM2 com RAC igual ou maior que 30 mg/g e TFGe acima de 20 mL/min/1,73 m², independentemente da HbA1c, para reduzir desfechos renais. Cada molécula tem seu piso de início: canagliflozina não abaixo de 35, dapagliflozina não abaixo de 25, empagliflozina não abaixo de 20. Uma vez iniciado, mantém-se até o começo da diálise. No DAPA-CKD o NNT para o desfecho primário foi 19 em 2,4 anos.

A terceira camada é a finerenona, antagonista não esteroidal do receptor mineralocorticoide, associada ao IECA ou BRA em paciente albuminúrico com TFGe igual ou maior que 25 mL/min/1,73 m² e potássio sérico igual ou menor que 4,8 mEq/L. A dose inicial depende da filtração: 20 mg por dia com TFGe igual ou maior que 60; 10 mg por dia entre 25 e menos de 60. Reavalia-se o potássio em quatro semanas — até 4,8 mEq/L titula-se para 20 mg; entre 4,8 e 5,5 mantém-se a dose; acima de 5,5 suspende-se e reinicia-se com 10 mg quando o potássio voltar a 5,0 ou menos.

A quarta camada é o agonista do receptor de GLP-1. A semaglutida tem recomendação específica para desfecho renal, com base no estudo FLOW, em DM2 com TFGe acima de 25 mL/min/1,73 m² e RAC acima de 100 mg/g, associada à dose máxima de IECA ou BRA. Os demais agonistas entram por redução de risco cardiovascular, peso e controle glicêmico.

Fora dessas quatro camadas ficam os ajustes por filtração, que são pergunta fácil e resposta decorada: metformina no máximo 1 g por dia com TFGe entre 30 e 45 e suspensa abaixo de 30; glibenclamida formalmente contraindicada abaixo de 60; estatina de alta potência em DRD não dialítica com TFGe abaixo de 60 e no pós-transplante renal, mas sem iniciar estatina em quem já está em diálise e não tem coronariopatia clínica — se já usava antes da diálise, mantém-se. Restrição proteica de 0,8 g/kg de peso ideal por dia entra na TFGe abaixo de 30, e o sódio fica limitado a 1,5 g por dia quando há hipertensão.

Entre o que a diretriz recomenda e o que a farmácia do SUS entrega há uma distância que a prova de banca pública explora. O protocolo do Ministério da Saúde para o DM2 disponibiliza a dapagliflozina como segunda intensificação de tratamento, e o critério de elegibilidade é cardiovascular, não renal: 40 anos ou mais com doença cardiovascular estabelecida, ou homem com 55 anos ou mais e mulher com 60 anos ou mais que tenham pelo menos um entre hipertensão, dislipidemia e tabagismo. O mesmo protocolo determina suspender metformina, secretagogos e dapagliflozina quando a TFGe cai abaixo de 25 mL/min/1,73 m², mantendo insulinoterapia exclusiva até a consulta com o endocrinologista. Finerenona e semaglutida, que a diretriz da SBD recomenda por desfecho renal, não estão entre os medicamentos desse protocolo.

As metas: pressão arterial abaixo de 130/80 mmHg. HbA1c abaixo de 7% quando a TFGe está acima de 45 mL/min/1,73 m² com RAC acima de 30 mg/g, e entre 7 e 7,9% quando a TFGe cai abaixo de 45 ou o paciente está em diálise — porque a mortalidade associada à HbA1c em doença renal avançada tem forma de U, e apertar demais mata tanto quanto afrouxar.

Neuropatia: rastrear é uma coisa, diagnosticar é outra

A neuropatia é a complicação crônica mais prevalente, mais subdiagnosticada e mais subtratada do diabetes. A prevalência de neuropatia periférica diabética na população geral chega a 49%, vai de 12% no pré-diabetes até 90% em candidatos a transplante renal, e até um quarto dos pacientes tem a forma dolorosa. Metade permanece assintomática por anos — o que torna o rastreamento ativo obrigatório.

O calendário: rastreia-se no momento do diagnóstico do DM2 e cinco anos após o diagnóstico do DM1; se negativo, repete-se anualmente. Quem tem pré-diabetes com sintoma neuropático deve ser avaliado para neuropatia de fibras finas, e quem tem neuropatia sem causa aparente deve fazer teste oral de tolerância à glicose.

O diagnóstico é clínico e exige dois ou mais testes ou sinais neurológicos alterados, depois de excluir outras causas — deficiência de B12, etilismo, hipotireoidismo, síndrome do túnel do carpo, excesso de B6, drogas neurotóxicas e metais pesados, que podem coexistir com o diabetes.

A escolha dos testes segue a fisiopatologia: as fibras finas são acometidas mais cedo e são avaliadas por sensibilidade térmica, dolorosa e função sudomotora; as fibras grossas, mais tardias, por reflexos tendíneos e sensibilidades vibratória, tátil e de posição. Por isso a diretriz da SBD recomenda dois testes — um de fibra fina e um de fibra grossa, este de preferência com biotesiômetro.

O monofilamento de 10 g é o ponto de atrito, e os dois lados são brasileiros. Nas revisões sistemáticas compiladas pela SBD sua sensibilidade contra a eletroneuromiografia varia de 19% a 59%, e a diretriz orienta usá-lo com cautela para rastreio de neuropatia precoce — reservando-o para a triagem do pé em risco de úlcera, que é outro objetivo. Diapasão isolado é pior ainda para rastreio, com sensibilidade de 1% a 19%, embora seja bastante específico. Já o protocolo do Ministério da Saúde para o DM2 exige ao menos dois testes na avaliação neurológica dos pés, sendo um deles obrigatoriamente o monofilamento e o segundo à escolha do profissional, de preferência o diapasão de 128 Hz — e determina que esse exame seja feito ao diagnóstico e no mínimo anualmente. É uma divergência que o capítulo destrincha adiante.

Para o diagnóstico definitivo, a SBD recomenda o Escore de Comprometimento Neuropático, validado para o português. Ele soma quatro testes bilaterais — sensibilidade vibratória com diapasão de 128 Hz, sensibilidade térmica, dor superficial e reflexo aquileu — e classifica pela soma: 0 a 2 ausente, 3 a 5 leve, 6 a 8 moderada, 9 a 10 grave. Sintoma neuropático somado a diabetes, sozinho, não fecha o diagnóstico.

Controle glicêmico previne neuropatia? Depende do tipo de diabetes

Aqui há uma assimetria que quase nunca é dita em voz alta. No DM1, a evidência é forte: no seguimento do DCCT, o controle intensivo reduziu a incidência de neuropatia clínica em cinco anos de 17% para 8%, risco relativo 0,46, além de retardar a piora dos marcadores eletrofisiológicos.

No DM2, o efeito é modesto. Uma metanálise de quatro ensaios com 6.669 pacientes encontrou apenas uma tendência não significativa de redução do risco anual de neuropatia com melhor controle glicêmico. A explicação provável é que a fisiopatologia da neuropatia no DM2 tem componentes da síndrome metabólica — o que desloca o alvo para pressão, lipídios, peso, sedentarismo, tabagismo e álcool, e não só para a glicemia.

Uma vez instalada, a neuropatia é em geral irreversível. O tratamento se organiza em três eixos: o de base, que age sobre a história natural (controle glicêmico e fatores de risco cardiovascular); o restaurador, que inclui fisioterapia, ácido alfa-lipoico e reposição de vitamina D e B12 apenas com deficiência documentada por dosagem sérica; e o sintomático, dirigido à dor.

Cirurgia bariátrica não é recomendada como medida de prevenção de neuropatia, apesar de coortes mostrarem menor incidência em quem operou — a evidência disponível não sustenta a indicação com essa finalidade.

Dor neuropática: o que se prescreve e o que não se prescreve

Primeira linha, em monoterapia: antidepressivo tricíclico (imipramina, nortriptilina, amitriptilina), duloxetina, venlafaxina ou gabapentina. Os NNT para alívio relevante são 3,5 para os tricíclicos, 5,0 para a duloxetina (60 a 120 mg/dia) e 5,9 para a gabapentina a partir de 1.200 mg/dia. Comece com dose baixa e titule devagar, a cada 4 a 8 semanas, até a dose máxima tolerada antes de julgar que falhou.

As contraindicações absolutas do tricíclico são a chave de várias questões: infarto e isquemia miocárdica, bloqueio atrioventricular de segundo ou terceiro grau, demência, glaucoma, disautonomia e transtorno bipolar. Acima de 50 anos, recomenda-se ECG antes de iniciar. Num idoso cardiopata com dor neuropática, o tricíclico está fora e a escolha recai sobre duloxetina, venlafaxina ou gabapentina.

Segunda linha: combinar duas drogas de primeira linha com mecanismos diferentes, ou usar pregabalina. Vale notar por que a pregabalina não é primeira linha na régua brasileira — a 300 mg/dia o NNT para redução de pelo menos 50% da dor é 22, contra 5 da duloxetina; a 600 mg/dia o NNT melhora para 7,8, mas essa dose é off-label e a sonolência sobe de 11% para 15% e a tontura de 13% para 22%.

Terceira linha: estimulação de medula espinhal, acupuntura e terapia tópica. A terapia tópica — adesivo de lidocaína, capsaicina a 8%, toxina botulínica subcutânea — está reservada à dor focal, restrita a área menor que 20 x 30 cm. Opioide fraco (tramadol) só como resgate, em casos selecionados e por curto prazo.

Uma distinção prática que evita prescrição desnecessária: parestesia não dolorosa não é dor neuropática. Ela costuma melhorar apenas com a otimização do controle glicêmico e não demanda antidepressivo nem anticonvulsivante.

04

Da triagem à conduta: o roteiro das três complicações

O erro mais caro nesse tema não é errar um valor de corte — é rastrear fora de hora ou tratar um exame isolado como se fosse diagnóstico. O roteiro abaixo é o mesmo em qualquer cenário de prova.

  1. 1Situe o paciente no calendário. DM2: as três complicações são rastreadas no momento do diagnóstico. DM1: retina aos 5 anos de doença no adulto (a partir dos 11 anos de idade com 2 a 5 anos de duração na criança e no adolescente), rim a partir da puberdade ou dos 10 anos de idade em quem já tem 5 anos de diagnóstico, e nervo 5 anos após o diagnóstico.
  2. 2Peça o exame certo para cada território: fundo de olho sob midríase (retinografia ou mapeamento de retina com biomicroscopia), RAC em amostra de urina somada à TFGe pela CKD-EPI, e exame neurológico dos pés com pelo menos dois testes — a combinação exigida varia conforme o documento que se segue, e essa diferença está destrinchada no bloco de divergências.
  3. 3Não conclua com uma medida só. RAC alterada exige confirmação em 2 de 3 amostras em 3 a 6 meses, retirando antes febre, exercício intenso, hiperglicemia grave, ITU sintomática, IC descompensada e hipertensão não controlada. Neuropatia exige dois ou mais testes ou sinais alterados, com outras causas excluídas.
  4. 4Procure ativamente o que não é do diabetes: proteinúria nefrótica, hematúria glomerular, queda de TFGe acima de 4 mL/min/1,73 m² ao ano, proteinúria pesada sem retinopatia, B12 baixa, hipotireoidismo, etilismo.
  5. 5Defina o encaminhamento pelo achado: edema macular, retinopatia não proliferativa grave ou proliferativa vão para o retinólogo; progressão renal rápida ou sinal de alerta de outra nefropatia vão para o nefrologista e eventual biópsia.
  6. 6Trate o que muda desfecho: no rim, IECA ou BRA na dose máxima tolerada, iSGLT2, finerenona e, quando indicado, semaglutida; no olho, panfotocoagulação na proliferativa e na não proliferativa grave, anti-VEGF no edema macular com centro acometido; no nervo, tratamento de base mais a droga de primeira linha compatível com as comorbidades.

Sem retinopatia

Fundo normal. Reavaliação anual. Risco de progressão em um ano: 0,10%.

Não proliferativa leve

Somente microaneurismas. Reavaliação anual. Risco de progressão em um ano: 0,59%.

Não proliferativa moderada

Microaneurismas e outras alterações que não atingem os critérios de grave. Encurtar o intervalo de revisão. Risco de progressão em um ano: 12,3%.

Não proliferativa grave (regra 4-2-1)

Basta uma: hemorragias nos 4 quadrantes, dilatações venosas em 2 ou mais quadrantes, ou alterações microvasculares intrarretinianas em 1 quadrante. Duas das três configuram muito grave. Encaminhar ao retinólogo; panfotocoagulação indicada. Risco de progressão em um ano: 32,5%.

Proliferativa

Neovascularização no disco óptico ou na retina, ou hemorragia vítrea. Encaminhamento ao retinólogo; panfotocoagulação; vitrectomia se hemorragia vítrea sem resolução ou descolamento atingindo mácula ou nervo óptico.

ComplicaçãoInício do rastreio no DM2Início do rastreio no DM1Exame de rastreioIntervalo se normal
RetinopatiaNo momento do diagnósticoAo completar 5 anos de doença no adulto; a partir dos 11 anos de idade com 2 a 5 anos de duração na criança e no adolescenteFundo de olho sob midríase: retinografia ou mapeamento de retina + biomicroscopia de fundoAnual (sem retinopatia ou retinopatia leve)
Doença renal do diabetesNo momento do diagnósticoA partir da puberdade ou dos 10 anos de idade, em quem tem pelo menos 5 anos de diagnósticoRAC em amostra de urina (de preferência a 1ª da manhã) + TFGe pela CKD-EPI 2021Anual
Neuropatia periféricaNo momento do diagnóstico5 anos após o diagnósticoPelo menos dois testes: um de fibra fina + um de fibra grossa, de preferência biotesiômetro (SBD); monofilamento de 10 g obrigatório + um segundo teste, de preferência diapasão de 128 Hz (PCDT do MS)Anual
Retinopatia na gestante com DM prévioA cada trimestre e no 1º ano pós-partoA cada trimestre e no 1º ano pós-partoFundo de olho sob midríaseNão se aplica: quem desenvolve diabetes gestacional não requer exame oftalmológico na gravidez

Classificação da retinopatia diabética e o que ela dispara

EstágioAchado retinianoConduta
Ausência de retinopatiaFundo normalReavaliar em 1 ano
Não proliferativa leveSomente microaneurismasReavaliar em 1 ano
Não proliferativa moderadaMicroaneurismas e outras alterações que não caracterizam a forma graveEncurtar o intervalo de revisão
Não proliferativa graveQualquer uma: hemorragias nos 4 quadrantes; dilatações venosas em ≥ 2 quadrantes; alterações vasculares intrarretinianas em ≥ 1 quadranteEncaminhar ao retinólogo; panfotocoagulação recomendada
Não proliferativa muito graveDuas das três alterações da forma graveEncaminhar ao retinólogo; panfotocoagulação recomendada
ProliferativaNeovascularização no disco óptico ou na retina; hemorragia vítreaEncaminhar ao retinólogo; panfotocoagulação; vitrectomia nas indicações específicas
Edema macular com centro acometido e queda de acuidade visualEspessamento macular envolvendo o centroEncaminhar ao retinólogo; anti-VEGF intravítreo (laser focal onde não há acesso ao anti-VEGF)

Doença renal do diabetes: os números que decidem

DecisãoCorteObservação
Albuminúria significativaRAC > 30 mg/gConfirmar em 2 de 3 amostras em 3 a 6 meses (variabilidade diária ~20%)
Progressão rápida / indicação de investigar biópsiaQueda de TFGe > 4 mL/min/1,73 m² ao anoIndepende da albuminúria
IECA ou BRA em dose máxima toleradaRAC > 30 mg/gIndependente da pressão arterial; nunca combinar IECA com BRA
iSGLT2 para desfecho renalRAC ≥ 30 mg/g e TFGe > 20 mL/min/1,73 m²Pisos por molécula: canagliflozina 35, dapagliflozina 25, empagliflozina 20; manter até o início da diálise
FinerenonaTFGe ≥ 25 mL/min/1,73 m² e K⁺ ≤ 4,8 mEq/L, em paciente albuminúrico20 mg/dia se TFGe ≥ 60; 10 mg/dia se 25 a < 60; recontrolar K⁺ em 4 semanas
Semaglutida para desfecho renalTFGe > 25 mL/min/1,73 m² e RAC > 100 mg/gAssociada à dose máxima de IECA ou BRA (estudo FLOW)
Metformina1 g/dia no máximo se TFGe 30–45; suspender se < 30Risco de acidose lática
GlibenclamidaContraindicada se TFGe < 60 mL/min/1,73 m²Alto risco de hipoglicemia
Meta de HbA1c< 7% se TFGe > 45 com RAC > 30; 7 a 7,9% se TFGe < 45 ou em diáliseMortalidade em curva de U na doença renal avançada
Meta de pressão arterial< 130/80 mmHgMenor risco de AVC, IAM e menor albuminúria
Restrição proteica0,8 g/kg de peso ideal por dia com TFGe < 30 (não dialítico)Sódio até 1,5 g/dia quando há hipertensão

Rastreamento da neuropatia: desempenho dos testes contra a eletroneuromiografia

TesteSensibilidadeEspecificidadeFibra avaliada
DPN-Check95%71%Grossas
Biotesiômetro61 a 80%64 a 76%Grossas
Monofilamento de 10 g19 a 59%64 a 87%Grossas
Diapasão1 a 19%87 a 89%Grossas
Escore de Toronto modificado98%97%Finas e grossas
Escore de comprometimento neuropático (ECN/NDS)89%100%Finas e grossas
Escore de Michigan (MDNS)80%100%Finas e grossas
NeuroPad86 a 89%60 a 65%Finas

Escore de Comprometimento Neuropático (ECN/NDS): pontuação e leitura

Teste (pontuado em cada pé)Pontuação
Sensibilidade vibratória, diapasão de 128 HzPreservada 0 / alterada 1
Sensibilidade térmicaPreservada 0 / alterada 1
Dor superficialAusente 0 / presente 1
Reflexo aquileuNormal 0 / presente com reforço 1 / ausente 2
Soma bilateral 0 a 2Neuropatia ausente
Soma bilateral 3 a 5Neuropatia leve
Soma bilateral 6 a 8Neuropatia moderada
Soma bilateral 9 a 10Neuropatia grave

Dor neuropática diabética: linhas de tratamento

LinhaOpçõesNúmeros e cuidados
PrimeiraAntidepressivo tricíclico (imipramina, nortriptilina, amitriptilina), duloxetina, venlafaxina ou gabapentina, em monoterapiaNNT 3,5 para tricíclicos; 5,0 para duloxetina 60–120 mg/dia; 5,9 para gabapentina ≥ 1.200 mg/dia. Titular a cada 4 a 8 semanas até a dose máxima tolerada
SegundaCombinação de duas drogas de primeira linha com mecanismos diferentes, ou pregabalinaPregabalina 300 mg/dia: NNT 22 para redução ≥ 50% da dor; 600 mg/dia (off-label): NNT 7,8, com sonolência 15% e tontura 22%
TerceiraEstimulação de medula espinhal, acupuntura, terapia tópicaTópico (lidocaína, capsaicina 8%, toxina botulínica) apenas para dor focal em área menor que 20 x 30 cm
ResgateTramadolCasos selecionados, curto prazo
Contraindicação absoluta ao tricíclicoInfarto e isquemia miocárdica, BAV de 2º ou 3º grau, demência, glaucoma, disautonomia, transtorno bipolarECG antes de iniciar em maiores de 50 anos

Bacteriúria assintomática não interfere de forma relevante na RAC; infecção urinária sintomática interfere. A distinção é o distrator.

Urina de 24 horas não é necessária para rastrear, diagnosticar nem acompanhar a doença renal do diabetes.

Suspender ou reduzir IECA/BRA pelo valor isolado da filtração é conduta formalmente não recomendada — trata-se a hiperpotassemia para manter a droga.

Ácido acetilsalicílico em uso para proteção cardiovascular é mantido na presença de retinopatia.

Melhora glicêmica muito rápida em paciente cronicamente descompensado piora a retinopatia nos primeiros 6 a 12 meses; avalia-se a retina antes de intensificar, mas não se deixa de intensificar por isso.

Parestesia não dolorosa não é dor neuropática e melhora com o controle glicêmico — não indica antidepressivo nem anticonvulsivante.

Os cortes de indicação do iSGLT2, da finerenona e da semaglutida nesta tabela são os da diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes. A elegibilidade para receber dapagliflozina pelo SUS segue outro critério, cardiovascular, no protocolo do Ministério da Saúde — ver o bloco de divergências.

Retinopatia não proliferativa grave e muito grave têm intervalo de reavaliação de quatro meses no protocolo nacional; é a impossibilidade de garantir esse retorno que antecipa a panfotocoagulação nesses estágios.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Meta de HbA1c na doença renal do diabetes: em que faixa de filtração a meta afrouxa

Corte na TFGe de 60, meta 6,5 a 7% acima dele — SBD, edição de 2024

Recomendava buscar HbA1c entre 6,5 e 7% quando a TFGe estivesse acima de 60 mL/min/1,73 m² com RAC acima de 30 mg/g, e manter 7 a 7,9% quando a TFGe caísse abaixo de 60 mL/min/1,73 m² ou o paciente estivesse em diálise.

Avaliação e tratamento da doença renal do diabetes. Diretriz da SBD, ed. 2024 (DOI 10.29327/5412848.2024-6), R3 e R4 — texto hoje arquivado pela própria sociedade.

Corte na TFGe de 45, meta abaixo de 7% acima dele — SBD, edição de 2025

Recomenda HbA1c abaixo de 7% quando a TFGe está acima de 45 mL/min/1,73 m² com RAC acima de 30 mg/g, e 7 a 7,9% quando a TFGe está abaixo de 45 mL/min/1,73 m² ou o paciente está em diálise. O piso da meta apertada desaparece e a faixa em que se pode buscar controle mais estrito se amplia de 60 para 45.

Manejo da doença renal do diabetes. Diretriz da SBD, ed. 2025 (DOI 10.29327/5660187.2025-2), R3 e R4.

Meta única de 7,0%, afrouxada pela idade e não pela filtração — Ministério da Saúde, PCDT do DM2 (dezembro de 2025)

Estabelece HbA1c abaixo de 7,0% para o adulto com DM2, abaixo de 7,5% para o idoso saudável e abaixo de 8,0% para o idoso comprometido; no idoso muito comprometido, o alvo passa a ser evitar sintomas de hiperglicemia e de hipoglicemia. Registra que valores abaixo de 7,0% associaram-se a maior risco de mortalidade nessa população e desencoraja metas mais agressivas em idosos vulneráveis. A função renal não entra como eixo de definição da meta glicêmica.

PCDT do Diabete Melito tipo 2, Ministério da Saúde / CONITEC, Relatório de Recomendação nº 1074, dezembro de 2025, quadro de metas no tratamento do DM2.

Na prova

Divergência entre dois textos da mesma sociedade brasileira, com um ano de distância, e num terceiro documento nacional o eixo da meta nem é a filtração. Como o material de estudo em circulação ainda reproduz a versão de 2024, o enunciado costuma trazer o valor da filtração no meio do caminho — TFGe entre 45 e 60 — que é exatamente onde as duas redações da SBD discordam. Se o enunciado cita a edição da diretriz ou o ano, ele já entregou o recorte; se não cita e a TFGe está acima de 60 ou abaixo de 45, as duas versões dão a mesma resposta e a divergência não decide a questão. Cenário de atenção primária com paciente idoso e função renal preservada aponta para o eixo etário do protocolo do Ministério da Saúde; ambulatório de nefrologia ou endocrinologia com estadiamento KDIGO no enunciado aponta para o eixo da filtração. O limiar de 7 a 7,9% na doença avançada é idêntico nas duas edições da SBD e se apoia na mesma curva de mortalidade em U — o que muda é só onde ele começa a valer.

Monofilamento de 10 g no rastreamento da neuropatia diabética

Obrigatório entre os dois testes da avaliação neurológica dos pés — Ministério da Saúde, PCDT do DM2 (dezembro de 2025)

A avaliação neurológica busca identificar a perda de sensibilidade protetora e inclui monofilamento de 10 g, diapasão de 128 Hz, teste de sensação tátil por percepção de picada e reflexo aquileu. Recomenda-se realizar ao menos dois desses testes, sendo um deles obrigatoriamente o monofilamento e o outro à escolha do profissional conforme a disponibilidade da equipe, com preferência para o diapasão. O exame neurológico dos membros inferiores é feito ao diagnóstico e no mínimo anualmente.

PCDT do Diabete Melito tipo 2, Ministério da Saúde / CONITEC, Relatório de Recomendação nº 1074, dezembro de 2025, seção de avaliação dos pés.

Sensibilidade insuficiente para detectar neuropatia precoce — Sociedade Brasileira de Diabetes (revisão de março de 2022)

Compilando revisões sistemáticas que usaram a eletroneuromiografia como referência, a sensibilidade do monofilamento de 10 g fica entre 19% e 59% e a do diapasão entre 1% e 19%. A diretriz orienta usar o monofilamento com cautela no rastreio da neuropatia precoce e recomenda, para essa finalidade, um teste de fibra fina (térmica, dolorosa ou sudomotora) somado a um de fibra grossa, de preferência o biotesiômetro — reservando o monofilamento à triagem do pé em risco de úlcera.

Diagnóstico e tratamento da neuropatia periférica diabética. Diretriz da SBD (DOI 10.29327/557753.2022-14), R2, tabela de sensibilidade e especificidade e nota sobre o uso do monofilamento de 10 g.

Na prova

Os dois documentos são brasileiros e o mais recente é o do Ministério da Saúde, de dezembro de 2025; a diretriz de sociedade é de março de 2022. Eles também não perseguem o mesmo desfecho: o protocolo nacional procura perda de sensibilidade protetora, isto é, o pé em risco de ulcerar; a diretriz da sociedade procura neuropatia precoce, que começa nas fibras finas. A causa da distância é de disponibilidade — biotesiômetro e teste sudomotor não existem na maioria das unidades básicas, enquanto monofilamento e diapasão custam quase nada e cabem na mochila da equipe. O enunciado revela o recorte pelo cenário e pelo verbo: unidade básica, avaliação anual dos pés, prevenção de úlcera e amputação estão no mundo do protocolo nacional; ambulatório especializado que pergunta pelo diagnóstico precoce ou por fibras finas está no mundo da diretriz de sociedade. As alternativas também denunciam: se uma delas oferece 'teste de fibra fina associado a teste de fibra grossa' e outra oferece 'monofilamento associado a diapasão', a questão está escolhendo entre os dois documentos.

Panfotocoagulação na retinopatia não proliferativa grave

Indicada na retinopatia não proliferativa grave — Sociedade Brasileira de Diabetes

A recomendação é de panfotocoagulação a laser para reduzir o risco de perda de visão em pessoas com retinopatia proliferativa e com retinopatia não proliferativa grave, sem condicionantes, com classe I e nível de evidência A, apoiada no Diabetic Retinopathy Study e no Early Treatment Diabetic Retinopathy Study.

Manejo da retinopatia diabética. Diretriz da SBD (DOI 10.29327/557753.2022-17), R14.

Indicada na proliferativa de alto risco; na não proliferativa grave, só em situações definidas — Ministério da Saúde, PCDT da Retinopatia Diabética (2021)

O protocolo indica a fotocoagulação nos casos em que exista retinopatia proliferativa de alto risco. Na não proliferativa grave e muito grave, ela deve ser utilizada quando há dificuldade de acesso ao sistema de saúde que impeça manter o acompanhamento recomendado a cada quatro meses, na gestação conforme a classificação no início dela, ou em situações clínicas especiais como a iminência de cirurgia de catarata. O mesmo protocolo não preconiza anti-VEGF isolado nem associado à panfotocoagulação nesses estágios sem edema macular.

PCDT da Retinopatia Diabética, Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 17, de 1º de outubro de 2021, itens 7.2.1 a 7.3.2.

Na prova

Aqui a distância não é econômica, e isso é o mais interessante: a panfotocoagulação destrói retina periférica e cobra o preço em campo visual, visão de cores e visão noturna. O protocolo nacional aceita adiá-la enquanto for possível reavaliar o olho a cada quatro meses, e antecipa quando esse seguimento não estiver garantido — daí o critério de dificuldade de acesso ao sistema de saúde entrar como indicação. A classificação em si não diverge: os dois documentos usam a mesma escala e os mesmos critérios 4-2-1. O que muda é o gatilho do laser. Questão que descreve rede de referência funcionante, retorno agendado e ausência de edema macular está no terreno do protocolo nacional; questão que só apresenta o estágio e pergunta o tratamento estabelecido está no terreno da recomendação de sociedade. Menção a acesso difícil, gestação ou cirurgia de catarata iminente no enunciado é sinal de que o recorte é o do protocolo do SUS.

Inibidor do SGLT2: quem tem indicação e até que filtração se mantém

Indicação por albuminúria, mantido até a diálise — Sociedade Brasileira de Diabetes (2025)

Iniciar iSGLT2 no DM2 com RAC igual ou maior que 30 mg/g e TFGe acima de 20 mL/min/1,73 m², independentemente da HbA1c, para reduzir desfechos renais. Abaixo de 20 mL/min/1,73 m² não se inicia, mas deve ser considerada a manutenção até o início da terapia de substituição renal. Os pisos de início por molécula seguem a bula aprovada no Brasil: canagliflozina 35, dapagliflozina 25 e empagliflozina 20 mL/min/1,73 m² — e a própria diretriz registra que o consenso conjunto da American Diabetes Association com a KDIGO e a diretriz luso-brasileira preconizam valores menores, com tendência de convergência para 20.

Manejo da doença renal do diabetes. Diretriz da SBD, ed. 2025, R9, R10 e notas sobre ajuste de dose e sobre os inibidores do SGLT2 no SUS.

Elegibilidade por risco cardiovascular, suspenso abaixo de 25 — Ministério da Saúde, PCDT do DM2 (dezembro de 2025)

A dapagliflozina é oferecida a quem precisa de segunda intensificação de tratamento e preenche um critério cardiovascular: 40 anos ou mais com doença cardiovascular estabelecida, ou homem com 55 anos ou mais e mulher com 60 anos ou mais com pelo menos um entre hipertensão, dislipidemia e tabagismo. Quando a TFGe cai abaixo de 25 mL/min/1,73 m², o protocolo determina suspender metformina, secretagogos e dapagliflozina, mantendo insulinoterapia exclusiva até a consulta com o endocrinologista.

PCDT do Diabete Melito tipo 2, Ministério da Saúde / CONITEC, Relatório de Recomendação nº 1074, dezembro de 2025, critérios de inclusão e quadro de encaminhamento à atenção especializada.

Na prova

Os dois eixos são diferentes: a sociedade indica a classe pelo rim, o protocolo nacional dispensa o medicamento pelo risco cardiovascular. A causa é de incorporação — o que entra na farmácia do SUS depende de avaliação econômica caso a caso, e a albuminúria isolada não é, hoje, porta de entrada para a dapagliflozina no DM2. Reconhece-se o recorte pelo verbo do enunciado: 'está indicado', 'qual a conduta recomendada' e vinheta de ambulatório especializado apontam para a recomendação de classe; 'pode ser dispensado', 'está disponível no SUS', 'preenche critério para receber' e cenário de unidade básica apontam para o protocolo nacional. Um valor de TFGe entre 20 e 25 mL/min/1,73 m² no enunciado é o ponto exato em que as duas leituras se separam, porque ali o protocolo já mandou suspender e a diretriz ainda manda manter.

Quando começa o rastreamento renal no diabetes tipo 1

Cinco anos de diagnóstico, com reavaliação de 1 a 4 vezes por ano — SBD, edição de 2024

O rastreamento era ancorado apenas na duração da doença: iniciar aos 5 anos do diagnóstico de DM1 e repetir de uma a quatro vezes ao ano.

Avaliação e tratamento da doença renal do diabetes. Diretriz da SBD, ed. 2024 (DOI 10.29327/5412848.2024-6), R1.

Puberdade ou 10 anos de idade, somados a 5 anos de doença, com reavaliação anual — SBD, edição de 2025

O rastreamento passou a exigir duas condições: idade (a partir da puberdade ou dos 10 anos) e duração (pelo menos 5 anos de diagnóstico), com repetição anual. A justificativa vem da própria série citada nas duas edições, em que nenhum caso de albuminúria aumentada foi detectado em adolescentes com menos de 15 anos e a prevalência em quem tinha 5 a 9 anos de DM1 era de cerca de 3%.

Manejo da doença renal do diabetes. Diretriz da SBD, ed. 2025 (DOI 10.29327/5660187.2025-2), R1.

Na prova

As duas redações só produzem respostas diferentes na criança pequena com diabetes de longa data — por exemplo, um paciente de 8 anos com 6 anos de DM1, que a edição de 2024 já rastrearia e a de 2025 ainda não. Fora dessa faixa, a exigência de 5 anos de doença é comum às duas e a divergência não decide nada. A frequência de reavaliação é o detalhe mais visível: 'anualmente' aponta para o texto de 2025, 'uma a quatro vezes ao ano' para o de 2024.

Qual equação CKD-EPI usar para estimar a filtração glomerular

CKD-EPI de 2021, sem raça — Sociedade Brasileira de Diabetes (2025)

A estimativa preconizada é a CKD-EPI de 2021, explicitamente descrita como a equação que não utiliza mais a raça como parâmetro, calculada a partir de creatinina sérica rastreável a padrões internacionais pela metodologia de espectrometria de massa por diluição isotópica. Em crianças e adolescentes, usa-se a fórmula de Schwartz. Quando há muita massa muscular (que subestima a filtração) ou sarcopenia, desnutrição e idade avançada com pouca massa muscular (que a superestima), sugere-se a equação combinada creatinina-cistatina C.

Manejo da doença renal do diabetes. Diretriz da SBD, ed. 2025 (DOI 10.29327/5660187.2025-2), R1 e sumário de evidências.

CKD-EPI com o coeficiente de raça — Ministério da Saúde, PCDT do DM2 (dezembro de 2025)

O protocolo manda estimar a filtração pela equação CKD-EPI e reproduz a fórmula na íntegra, incluindo os fatores multiplicativos 1,018 para mulher e 1,159 para pessoa negra — isto é, a versão de 2009 da equação, que mantém a raça como variável.

PCDT do Diabete Melito tipo 2, Ministério da Saúde / CONITEC, Relatório de Recomendação nº 1074, dezembro de 2025, nota metodológica do quadro de avaliação clínica e laboratorial.

Na prova

Dois documentos brasileiros do mesmo ano, com equações diferentes para o mesmo cálculo. A causa é de defasagem editorial, não de discordância técnica: a retirada do coeficiente de raça foi proposta em 2021 por não haver base biológica que a sustente, e o protocolo nacional reproduziu a formulação antiga. A diferença é pequena, mas não é nula — a versão com raça devolve um valor mais alto de filtração para a pessoa negra, o que pode deslocar o paciente de faixa em cortes decisivos como 60, 45, 30 e 25 mL/min/1,73 m². Um enunciado que traga a raça do paciente como dado explícito junto de creatinina e peça o cálculo está sinalizando qual equação tem em mente; a menção nominal a 'CKD-EPI 2021' aponta para o texto da sociedade.

06

Caso resolvido

Homem de 58 anos, DM2 diagnosticado há 9 anos, comparece à unidade básica para consulta de rotina. Usa metformina 850 mg três vezes ao dia e losartana 50 mg duas vezes ao dia. Refere formigamento e queimação nos pés há cerca de um ano, que pioram à noite e melhoram quando anda. Nunca fez fundo de olho. Exames trazidos: HbA1c 8,4%; creatinina 1,5 mg/dL, com TFGe estimada em 48 mL/min/1,73 m²; RAC 320 mg/g; potássio 4,4 mEq/L. Pressão arterial 148/88 mmHg. Ao exame dos pés, reflexo aquileu ausente bilateralmente e sensibilidade térmica reduzida em ambos os hálux.
achado
As três complicações microvasculares estão em jogo ao mesmo tempo, e nenhuma delas foi rastreada. O paciente tem doença renal do diabetes com albuminúria muito elevada e filtração reduzida, tem quadro clínico compatível com neuropatia periférica dolorosa e nunca fez o exame de retina que deveria ter sido feito no momento do diagnóstico, nove anos atrás.
confirmação
A RAC de 320 mg/g precisa ser confirmada em 2 de 3 amostras dentro de 3 a 6 meses. Antes de repetir, checa-se se havia febre, exercício intenso, infecção urinária sintomática, hiperglicemia grave, insuficiência cardíaca descompensada ou hipertensão não controlada — e a pressão de 148/88 mmHg é um dos fatores que elevam a RAC de forma transitória. A neuropatia já satisfaz o critério de dois sinais alterados (reflexo aquileu ausente e sensibilidade térmica reduzida), mas o diagnóstico é de exclusão: dosar B12 e TSH antes de rotular.
olho
Solicitar fundo de olho sob midríase — retinografia ou mapeamento de retina com biomicroscopia. Com RAC muito elevada, a probabilidade de encontrar retinopatia é alta, e a presença dela reforça que a doença renal é mesmo do diabetes. Como o controle está ruim há tempo e o tratamento será intensificado, a avaliação da retina antes de apertar a glicemia é a conduta recomendada — pela piora transitória que a queda rápida da HbA1c pode produzir nos primeiros 6 a 12 meses.
rim
Titular a losartana até a maior dose tolerada, porque a RAC está acima de 30 mg/g — e isso independe da pressão arterial. Acrescentar inibidor do SGLT2: com TFGe de 48 mL/min/1,73 m², dapagliflozina e empagliflozina estão liberadas. Com potássio de 4,4 mEq/L e TFGe acima de 25, a finerenona também é candidata, na dose de 10 mg por dia, porque a filtração está entre 25 e 60, com recontrole do potássio em quatro semanas. A metformina é mantida na dose plena, porque a TFGe está acima de 45.
nervo e metas
Otimizar o tratamento de base (glicemia, pressão, lipídios, peso, tabagismo) e tratar a dor. Meta pressórica abaixo de 130/80 mmHg e meta de HbA1c abaixo de 7% — a TFGe de 48 está acima de 45, então ainda vale a meta mais estrita. Para a dor neuropática, uma droga de primeira linha em monoterapia, iniciada em dose baixa e titulada a cada 4 a 8 semanas.
07

Agora feche você

Mulher de 71 anos, DM2 há 15 anos, hipertensa, com infarto do miocárdio há 3 anos. Vem por dor em queimação nos pés, com piora noturna, que a impede de dormir; EVA 8. Exames: HbA1c 7,6%; TFGe 62 mL/min/1,73 m²; RAC 18 mg/g; potássio 4,6 mEq/L; TSH e vitamina B12 normais. Ao exame, sensibilidade vibratória alterada e reflexo aquileu ausente bilateralmente.
achado
Neuropatia periférica diabética dolorosa: dois sinais alterados no exame, dor com padrão neuropático clássico (piora ao repouso e à noite) e causas alternativas comuns já excluídas com TSH e B12 normais. A RAC de 18 mg/g está abaixo do corte de 30 mg/g e a filtração está preservada — a doença renal não é a questão aqui.
escolha do fármaco de primeira linha
08

Onde a banca derruba

  1. 1Fechar doença renal do diabetes com uma única RAC alterada A variabilidade diária da RAC é da ordem de 20%, e febre, exercício intenso, hiperglicemia grave, ITU sintomática, insuficiência cardíaca descompensada e hipertensão não controlada elevam o valor sem que exista doença renal. O critério é confirmação em 2 de 3 amostras dentro de 3 a 6 meses. A vinheta que traz um desses fatores no enunciado está pedindo 'repetir', não 'tratar'.
  2. 2Confundir bacteriúria assintomática com infecção urinária sintomática na interpretação da RAC As duas parecem intercambiáveis e não são: a infecção urinária sintomática eleva a albuminúria de forma transitória, a bacteriúria assintomática não interfere de maneira relevante. Um urocultura positiva sem sintomas não é motivo para adiar a interpretação do exame.
  3. 3Suspender IECA ou BRA porque a creatinina subiu ou o potássio ficou no limite Reduzir ou suspender o bloqueio do SRAA pelo valor isolado da filtração é conduta formalmente não recomendada e dobrou a mortalidade num estudo com mais de 200 mil pacientes. A ordem é inversa: trata-se a hiperpotassemia com dieta, diurético e quelante de potássio para conseguir manter a droga. A queda de filtração que preocupa é a sustentada e maior que 30% após o início — e essa é sinal de investigar outra nefropatia, não de simplesmente parar.
  4. 4Somar IECA com BRA achando que dobra a proteção renal A combinação é formalmente não recomendada. ONTARGET e VA-NEPHRON-D mostraram mais hiperpotassemia, mais dano renal agudo, mais hipotensão e síncope, sem ganho de desfecho. O caminho para aumentar o bloqueio é titular a dose única até o máximo tolerado e associar finerenona, não empilhar duas classes que fazem a mesma coisa.
  5. 5Tratar monofilamento normal como neuropatia excluída Com sensibilidade entre 19% e 59% contra a eletroneuromiografia, o monofilamento de 10 g normal não afasta neuropatia — ele avalia só fibra grossa, e as fibras finas são acometidas antes. Ele é bom para identificar o pé em risco de úlcera, que é o objetivo para o qual foi validado.
  6. 6Pedir exame de retina para a gestante com diabetes gestacional Quem tem diabetes prévio à gestação faz fundo de olho a cada trimestre e no primeiro ano pós-parto. Quem desenvolve diabetes gestacional não requer exame oftalmológico durante a gravidez, porque não há aumento de risco de retinopatia. A vinheta troca 'diabetes prévio' por 'diabetes diagnosticado na gestação' e a resposta muda.
  7. 7Adiar a intensificação do controle glicêmico por medo de piorar a retinopatia A piora inicial é real — 13,1% contra 7,6% aos 6 e 12 meses no DCCT — mas é transitória, e o benefício de longo prazo é claro. A conduta recomendada é avaliar a retina antes de intensificar em quem está cronicamente descompensado e acompanhar mais de perto se houver retinopatia, não deixar de intensificar.
  8. 8Prescrever antidepressivo tricíclico para o idoso cardiopata com dor neuropática É a droga com melhor NNT do grupo de primeira linha, o que a torna tentadora, mas infarto, isquemia miocárdica, BAV de 2º ou 3º grau, demência, glaucoma, disautonomia e transtorno bipolar são contraindicações absolutas. Acima de 50 anos, ECG antes de iniciar.
  9. 9Pedir proteinúria de 24 horas para rastrear ou acompanhar a doença renal do diabetes Não é necessária para rastreamento, diagnóstico nem seguimento. A RAC em amostra de urina, de preferência a primeira da manhã, tem excelente correlação com a medida de 24 horas e é a recomendada — a coleta de 24 horas só acrescenta erro de coleta e atraso.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

A presença de neovasos e hemorragia vítrea define retinopatia diabética PROLIFERATIVA, cujo tratamento de escolha é a panfotocoagulação a laser (frequentemente associada a anti-VEGF intravítreo), para regredir a neovascularização e prevenir hemorragia/descolamento tracional. Timolol reduz PIO no glaucoma, sem efeito sobre a neovascularização. Observação anual é conduta da retinopatia não proliferativa leve, inadequada aqui. Óculos não corrigem a perda por retinopatia. Ciclopentolato apenas dilata a pupila, não trata a doença de base.

09

Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

Sorteando as questões…

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Plano de revisão

em 7 dias

Reconstrua de cabeça a tabela de rastreamento: para retinopatia, doença renal e neuropatia, quando começa no DM2, quando começa no DM1, qual o exame e qual o intervalo se normal. Depois recite a regra 4-2-1 da retinopatia não proliferativa grave (4 quadrantes de hemorragia, 2 quadrantes de dilatação venosa, 1 quadrante de alteração intrarretiniana) e os três diagnósticos que mandam o paciente ao retinólogo.

em 30 dias

Pegue um caso de DM2 com TFGe de 40 mL/min/1,73 m², RAC de 500 mg/g e potássio de 5,2 mEq/L e escreva a prescrição inteira: dose de metformina, qual iSGLT2 pode ser iniciado, se a finerenona entra e em que dose, meta de HbA1c, meta de pressão e o que fazer com o potássio. Depois refaça com TFGe de 28 e veja quantas linhas mudam. Feche listando os seis sinais de alerta de outra nefropatia e as contraindicações absolutas do antidepressivo tricíclico.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Homem de 62 anos, DM2 há 12 anos, chega à unidade básica queixando-se de dormência e queimação nos pés que atrapalham o sono há oito meses. Traz exames de dois meses atrás: HbA1c 9,1%, creatinina 1,4 mg/dL, RAC 240 mg/g. Nunca fez fundo de olho. Usa metformina e enalapril em doses baixas. Conduza a consulta: rastreie o que falta, decida o que confirmar antes de rotular e ajuste o tratamento. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Complicações microvasculares do diabetes — Preparatório para provas | OsceLabs