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Medidas de associação e de impacto
Risco, razão, diferença e número necessário para tratar
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Uma equipe de Saúde da Família investiga um surto de diarreia aguda numa comunidade após uma festa comunitária. Em uma coorte retrospectiva, entre os 80 participantes que consumiram maionese caseira, 40 adoeceram; entre os 120 que não consumiram, 12 adoeceram. Assumindo essa exposição como fator de risco, qual é o RISCO RELATIVO da maionese caseira para a doença diarreica?
Como esse tema cai
Este capítulo trata de definição matemática, não de conduta. Não há protocolo do Ministério da Saúde dizendo qual medida usar num paciente — há diretriz metodológica dizendo qual medida cada desenho de estudo permite calcular, e é exatamente isso que a prova cobra. As três diretrizes metodológicas brasileiras usadas aqui (2012, 2014 e 2025) trazem as mesmas fórmulas, o mesmo exemplo numérico resolvido e a mesma advertência sobre o odds ratio. Elas são a fonte, e não há por que procurar outra.
⚠️ Atenção à tabela. O capítulo anterior desta apostila, sobre sensibilidade e especificidade, também trabalha com uma tabela 2×2 de quatro casas chamadas a, b, c e d. Não é a mesma tabela. Lá, as colunas são doença presente e ausente, definidas pelo padrão de referência, e as linhas são o resultado do teste — a pergunta é 'este exame acerta?'. Aqui, as linhas são exposição (ou intervenção) e as colunas são desfecho — a pergunta é 'quem se expôs adoece mais?'. Mesmo desenho, mesmas letras, perguntas diferentes e denominadores diferentes. Confundir as duas é o erro mais frequente do tema, porque a memória visual da tabela é a mesma e a divisão certa não é.
O segundo eixo do capítulo é a diferença entre medida de razão e medida de diferença. Razão (risco relativo, odds ratio, hazard ratio) responde 'quantas vezes'. Diferença (risco atribuível, redução absoluta de risco, NNT) responde 'quantas pessoas'. As duas descrevem os mesmos dados e a banca explora justamente o fato de que uma razão impressionante pode conviver com uma diferença irrelevante — e vice-versa. Quem termina o capítulo sabendo calcular as duas a partir da mesma tabela resolve praticamente qualquer questão do assunto.
O que muda decisão
Duas tabelas 2×2 diferentes — e a confusão que a banca explora
A tabela deste capítulo, na forma em que o Ministério da Saúde a publica (diretriz de 2014, Apêndice F), tem a exposição nas linhas e o desfecho nas colunas. Quem se expôs e teve o desfecho é a célula a; quem se expôs e não teve é b; quem não se expôs e teve é c; quem não se expôs e não teve é d. Na diretriz de ensaios clínicos (2012, Apêndice C) a tabela é idêntica, com uma única troca de rótulo: onde estava exposição está intervenção. Essa troca não muda nenhuma conta — muda a leitura causal, porque no ensaio quem decidiu a linha em que cada pessoa entrou foi o sorteio, e não a vida dela.
A diferença crucial para a prova é o denominador. Aqui, os totais que importam são os das linhas: a + b é o total de expostos, c + d é o total de não expostos. Dividir a por (a + b) dá o risco entre os expostos. Na tabela do capítulo anterior, os totais que importavam eram os das colunas, porque sensibilidade e especificidade condicionam ao estado de doença. Se você dividir a por (a + c) nesta tabela, obterá a proporção dos casos que estavam expostos — um número que existe e serve para outra coisa, mas que não é risco de ninguém.
Há ainda uma diferença conceitual que ajuda a não trocar as tabelas. Na tabela diagnóstica, as duas dimensões são medidas no mesmo instante: o teste e o padrão de referência descrevem o mesmo momento do mesmo paciente. Nesta tabela, o tempo atravessa a página: a exposição vem antes, o desfecho vem depois. Quando o enunciado fala em seguimento, incidência, casos novos, anos-pessoa ou 'ao longo de cinco anos', é desta tabela que ele está tratando. Quando fala em biópsia, padrão-ouro, confirmação diagnóstica ou ponto de corte, é da outra.
Um teste rápido antes de escrever qualquer fração: pergunte o que define as colunas. Se as colunas são definidas por um exame de referência que diz quem está doente, é a tabela diagnóstica. Se as colunas são definidas pelo que aconteceu com a pessoa depois — infartou, morreu, teve exacerbação, engravidou —, é esta. Se a banca desenhou a tabela transposta, redesenhe antes de calcular; a aritmética não perdoa quem tenta se orientar de cabeça.
Risco e chance não são a mesma coisa — e a diferença tem número
Risco é probabilidade: eventos divididos pelo total do grupo. Vai de 0 a 1 e nada mais. Se 80 de 100 tabagistas infartaram, o risco é 80/100 = 0,80, ou 80%.
Chance (o termo em inglês é odds) é outra coisa: eventos divididos pelos não eventos. Vai de zero a infinito. Nos mesmos 100 tabagistas, a chance é 80/20 = 4 — quatro pessoas infartaram para cada uma que não infartou. Risco 0,80 e chance 4 descrevem exatamente a mesma realidade com números completamente diferentes.
A diretriz de 2014 dá as duas conversões, e vale decorar: risco = odds / (1 + odds), e odds = risco / (1 − risco). O exemplo que ela própria usa: chance de 0,1 significa que uma pessoa terá o evento para cada dez que não o terão; aplicando a fórmula, o risco é 0,1/(1 + 0,1) = 0,091, ou 9,1%. Chance 0,1 e risco 0,091 são quase o mesmo número.
Agora a mesma conversão no outro extremo, também com os números da diretriz: risco de 0,50 equivale a chance de 1; risco de 0,95 equivale a chance de 19. A chance passou de 1 para 19 enquanto o risco andou de 0,50 para 0,95. Este é o comportamento que explica tudo o que vem depois neste capítulo. Enquanto o desfecho é raro, chance e risco são praticamente o mesmo número. Quando o desfecho é comum, a chance dispara e o risco não pode — ele tem teto em 1.
Em números redondos, para fixar: com risco de 1%, a chance é 0,0101 — um por cento maior que o risco. Com risco de 50%, a chance é 1 — o dobro do risco. Com risco de 95%, a chance é 19 — vinte vezes o risco. A distorção não é um defeito do conceito de chance; é a consequência aritmética de trocar o denominador 'todo mundo' pelo denominador 'quem não teve o evento', que encolhe conforme o evento fica comum.
Que medida cabe em que desenho — e por que caso-controle não dá risco
Risco é incidência: casos novos divididos por pessoas em risco no início do seguimento. Para calcular incidência é preciso ter duas coisas — um denominador que seja mesmo uma população em risco e um intervalo de tempo em que ela foi observada. Todo o mapa deste tema sai daí.
A coorte tem as duas coisas. Ela parte da exposição, separa expostos e não expostos e acompanha os dois grupos no tempo contando quem adoece. A diretriz de 2014 lista, entre as vantagens do desenho, o 'cálculo direto da taxa de incidência'. Por isso a coorte entrega risco absoluto em cada braço, e portanto risco relativo, diferença de risco e tudo o que deriva deles.
O ensaio clínico randomizado é, para efeito de conta, uma coorte em que o investigador sorteia quem fica exposto. A aritmética é a mesma; a randomização é o que autoriza ler a diferença como efeito e não apenas como associação. É deste desenho que saem redução absoluta de risco, redução relativa de risco e NNT.
O caso-controle não tem nem denominador nem tempo. Ele parte do desfecho já ocorrido: o investigador escolhe um grupo de pessoas que têm a doença (casos) e um grupo que não tem (controles) e vai olhar para trás perguntando quem se expôs. Quantos controles existirão no estudo é uma decisão do pesquisador, não um dado da natureza. A diretriz de 2014 registra isso na coluna de desvantagens do desenho, com todas as letras: 'o risco é estimado de maneira indireta pelo odds ratio'.
A demonstração numérica vale mais que a explicação. Suponha um caso-controle de câncer de pulmão com 200 casos, dos quais 160 são tabagistas e 40 não, e 200 controles, dos quais 80 são tabagistas e 120 não. Quem tentar calcular 'risco' pela linha dos tabagistas obtém 160/(160 + 80) = 0,667 e, dividindo pelo dos não tabagistas 40/(40 + 120) = 0,25, chega a um pseudo-risco relativo de 2,67. O odds ratio, pelos produtos cruzados, é (160 × 120)/(80 × 40) = 19.200/3.200 = 6,00.
Agora repita o estudo recrutando 400 controles em vez de 200, mantendo a mesma distribuição de exposição entre eles (160 tabagistas e 240 não). O pseudo-risco relativo vira [160/(160 + 160)] / [40/(40 + 240)] = 0,500/0,143 = 3,50. Com 800 controles (320 tabagistas e 480 não), vira 4,33. O número muda a cada decisão administrativa do pesquisador. O odds ratio, nas três versões, é 6,00, 6,00 e 6,00. Ele não se move porque a razão de chances de exposição entre casos e controles não depende de quantos controles foram convidados. É por isso — e só por isso — que o caso-controle relata odds ratio.
O estudo transversal mede exposição e desfecho no mesmo momento. Ele não vê casos novos; vê casos existentes. O que sai dele é prevalência, e a razão correspondente é a razão de prevalência, não o risco relativo — embora o artigo da série de metodologia do Jornal Brasileiro de Pneumologia agrupe o transversal com os desenhos em que se calcula uma razão do tipo risco, por oposição ao caso-controle. Como o transversal não separa causa de consequência no tempo, associação forte nele não sustenta afirmação causal.

Risco relativo: fórmula, cálculo e as três leituras
A fórmula, na notação da diretriz: RR = [a/(a+b)] / [c/(c+d)]. Em palavras, é o risco dos expostos dividido pelo risco dos não expostos. Sempre calcule os dois riscos primeiro e só depois divida — quem tenta ir direto ao quociente troca denominador.
O exemplo resolvido do Ministério da Saúde, que este capítulo adota como conjunto de dados de referência: 100 tabagistas, dos quais 80 infartaram e 20 não; 100 não tabagistas, dos quais 20 infartaram e 80 não. Risco dos expostos = 80/100 = 0,80. Risco dos não expostos = 20/100 = 0,20. Risco relativo = 0,80/0,20 = 4. Leitura da própria diretriz: o risco de infarto dos expostos ao tabagismo é quatro vezes o risco dos não expostos.
As três leituras que a banca cobra. RR maior que 1: o desfecho é mais frequente entre os expostos — a exposição é fator de risco. RR igual a 1: os dois riscos são idênticos, não há associação. RR menor que 1: o desfecho é menos frequente entre os expostos — a exposição é fator de proteção, e no caso de um ensaio, o tratamento funciona.
Cuidado com a tradução para porcentagem, que é armadilha clássica. RR = 4 significa risco quatro vezes maior, o que é um aumento de 300%, não de 400%. O excesso é RR − 1. Do mesmo modo, RR = 1,3 é 30% de aumento e RR = 0,70 é 30% de redução. Essa última operação tem nome próprio: redução de risco relativo, RRR = 1 − RR. A diretriz de 2012 registra que a RRR 'normalmente tem preferência ao RR na apresentação dos resultados' — ou seja, o número que você lê no resumo do artigo costuma ser o 30%, não o 0,70.
Uma observação que economiza tempo em prova: quando o enunciado der percentuais em vez de contagens, invente um total redondo (100, 1.000, 10.000) grande o bastante para que todos os grupos caiam em número inteiro de pessoas, monte a tabela e siga. Toda a aritmética do tema é divisão simples; o que derruba o candidato é montar a tabela errada, não errar a divisão.
Odds ratio: a razão de chances e o atalho dos produtos cruzados
A fórmula, também na notação da diretriz: OR = (a/b) / (c/d) = ad/bc. A primeira forma é a definição — chance dos expostos dividida pela chance dos não expostos. A segunda é o atalho: multiplique a diagonal principal, multiplique a diagonal secundária, divida. Nas provas, o atalho poupa dois passos.
No mesmo conjunto de dados: chance dos expostos = 80/20 = 4; chance dos não expostos = 20/80 = 0,25; odds ratio = 4/0,25 = 16. Pelos produtos cruzados: (80 × 80)/(20 × 20) = 6.400/400 = 16. Mesmo número, meio caminho a menos.
As leituras seguem a mesma lógica das do risco relativo — acima de 1, associação positiva; igual a 1, ausência de associação; abaixo de 1, associação negativa. O que muda é a frase: o odds ratio fala de chance, não de risco. A leitura correta do exemplo é 'a chance de infartar entre os tabagistas é dezesseis vezes a chance de infartar entre os não tabagistas'. Não é 'o risco é dezesseis vezes maior' — o risco, como acabamos de calcular na mesma tabela, é quatro vezes maior.
Há uma propriedade do odds ratio que parece curiosidade e é a razão de ele existir: ele é simétrico. Calcule a chance de ser tabagista entre quem infartou (80/20 = 4) e entre quem não infartou (20/80 = 0,25); a razão é 16, exatamente a mesma. O risco relativo não tem essa propriedade. É essa simetria que permite ao caso-controle — que só consegue olhar a exposição a partir do desfecho — produzir um número que significa a mesma coisa que o número da coorte.
Vale registrar que a interpretação escrita nas diretrizes brasileiras para esse exemplo ('a chance de ser tabagista e ter um evento de infarto é dezesseis vezes a de quem não é tabagista ter um infarto') é uma formulação frouxa, do tipo que a prova costuma usar como distrator. A frase precisa é a que compara chance de desfecho entre expostos e não expostos, ou, equivalentemente, chance de exposição entre casos e controles. As duas dão 16; a mistura das duas em uma frase só é que não descreve nenhuma conta.
Quando o odds ratio aproxima o risco relativo — e quando exagera
Este é o coração do capítulo, e a demonstração é numérica. Vamos montar duas tabelas com exatamente o mesmo risco relativo, 4, e frequências de desfecho opostas.
Tabela do desfecho comum — é a do Ministério da Saúde: 80 infartos em 100 expostos e 20 em 100 não expostos. Riscos de 80% e 20%, risco relativo 4. Odds ratio = (80 × 80)/(20 × 20) = 16. A incidência global do desfecho no estudo é 100/200 = 50%.
Tabela do desfecho raro: 20 casos em 2.000 expostos e 5 casos em 2.000 não expostos. Riscos de 1,0% e 0,25%; risco relativo = 0,010/0,0025 = 4, idêntico ao anterior. Odds ratio = (20 × 1.995)/(1.980 × 5) = 39.900/9.900 = 4,03. A incidência global é 25/4.000 = 0,625%.
Mesmo risco relativo nas duas. No desfecho raro o odds ratio é 4,03 — praticamente o próprio risco relativo. No desfecho comum ele é 16 — quatro vezes o risco relativo. Nada mudou na força da associação; mudou só a frequência do desfecho.
A regra qualitativa, escrita na diretriz de 2014, é que 'a diferença entre odds e risco é pequena quando o evento é raro'. O limiar numérico vem da série de metodologia da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia: enquanto a incidência do desfecho se mantém abaixo de 10%, a superestimação do odds ratio é desprezível. Acima disso ela cresce depressa. Com risco relativo fixo em 2, o odds ratio vale 2,00 quando o risco dos não expostos é 0,1%; 2,02 quando é 1%; 2,11 quando é 5%; 2,25 quando é 10%; 2,67 quando é 20%; e 6,00 quando é 40%. Do último para o primeiro, o exagero saiu de 0,1% para 200%.
A direção do exagero é sempre a mesma, e a diretriz de 2012 a descreve em duas frases: para intervenções que aumentam a chance do evento, o odds ratio é maior que o risco relativo; para intervenções que a reduzem, é menor. Nos dois casos, ele está mais longe de 1 do que o risco relativo — ou seja, nos dois casos, tratá-lo como sinônimo superestima o efeito.
O caso real que a série do Jornal Brasileiro de Pneumologia usa fecha o argumento: num estudo de suporte ventilatório em que 41% dos participantes morreram, o odds ratio de óbito entre ventilação invasiva e não invasiva foi 26,0 e o risco relativo, 2,2. As mortalidades eram 95% e 43%. Um leitor que tenha lido '26' como 'vinte e seis vezes mais risco de morrer' entendeu algo mais de dez vezes maior do que os dados dizem.
Quando o odds ratio precisa mesmo virar risco relativo, existe fórmula, e a diretriz de 2012 a publica: RR = OR / [1 − RAC × (1 − OR)], em que RAC é o risco assumido de controle, isto é, o risco do grupo não exposto. A própria diretriz classifica esse RAC como uma variável 'subjetiva' — ele precisa ser buscado no artigo, com frequência na seção de cálculo do tamanho amostral. A fórmula funciona exatamente: com OR = 16 e RAC = 0,20, ela devolve 16/(1 + 3) = 4, o risco relativo verdadeiro da nossa tabela; com OR = 4,03 e RAC = 0,0025, devolve 4,00.
Um último ponto, que a prova gosta de inverter: o odds ratio não é 'errado'. Ele responde corretamente a uma pergunta sobre chances, e no caso-controle é a única razão calculável. O erro nunca está em calcular o odds ratio — está em ler a frase do risco relativo quando o número na mão é odds ratio.
Risco atribuível: o que o fator acrescenta a quem se expõe
As medidas de razão respondem 'quantas vezes'. As de diferença respondem 'quanto a mais', em pessoas. O comentário da Revista de Saúde Pública separa as duas famílias exatamente assim: as razões indicam força de associação e sustentam o estudo etiológico; as diferenças absolutas informam o excesso de risco e sustentam decisão de saúde pública.
risco atribuível, também chamado diferença de risco, é a subtração: risco dos expostos menos risco dos não expostos. Na tabela do tabagismo, 80% − 20% = 60 pontos percentuais. Leitura: entre cada 100 tabagistas, 60 infartos a mais ocorrem do que ocorreriam se eles não fumassem.
Cuidado com a nomenclatura, porque ela muda de nome conforme o sinal. Num ensaio clínico, em que a intervenção reduz o desfecho, a mesma subtração é feita ao contrário para que o número saia positivo, e ganha o nome de redução absoluta de risco. A diretriz de 2012 escreve RAR = c/(c+d) − a/(a+b), controle menos tratado. É a mesma aritmética; só a ordem dos termos depende de qual grupo tem o risco maior.
risco atribuível proporcional, também chamado fração atribuível nos expostos, transforma essa diferença em percentual do risco dos expostos: (risco dos expostos − risco dos não expostos) / risco dos expostos. É o mesmo que 1 − 1/RR. Com risco relativo 3, dá (3 − 1)/3 = 66,7%: dois terços dos casos que ocorrem entre os expostos se devem à exposição; o terço restante teria ocorrido de qualquer jeito.
risco atribuível populacional, ou fração atribuível populacional, responde a outra pergunta — e é aqui que a prova separa quem entendeu de quem decorou. Ele estima a proporção da doença na população inteira que deixaria de ocorrer se a exposição fosse eliminada. A diferença com o anterior é o universo: o risco atribuível proporcional olha só para quem se expôs; o populacional olha para todo mundo, inclusive para a maioria que talvez nem esteja exposta.
As duas fórmulas, ambas do comentário da Revista de Saúde Pública. A direta: FAP = (Ipop − I0) / Ipop, em que Ipop é a incidência na população toda e I0 a incidência entre os não expostos. E a de Levin, de 1953, que serve quando só se tem prevalência de exposição e risco relativo: FAP = Pe(RR − 1) / [Pe(RR − 1) + 1], com Pe sendo a prevalência da exposição na população.
Conta completa, com os dois caminhos. População de 10.000 pessoas; prevalência de exposição de 20%, logo 2.000 expostos e 8.000 não expostos; incidência de 1% entre os não expostos; risco relativo 3, logo incidência de 3% entre os expostos. Casos entre os expostos: 3% de 2.000 = 60. Casos entre os não expostos: 1% de 8.000 = 80. Total: 140 casos, e a incidência populacional é 140/10.000 = 1,4%. Pela fórmula direta, FAP = (1,4 − 1,0)/1,4 = 0,4/1,4 = 28,6%. Pela fórmula de Levin, FAP = 0,20 × 2 / (0,20 × 2 + 1) = 0,40/1,40 = 28,6%. Os dois caminhos chegam ao mesmo lugar, como têm de chegar.
Agora a comparação que a banca cobra, sobre os mesmos dados: 66,7% dos casos que ocorrem entre os expostos se devem à exposição, mas apenas 28,6% dos casos da população se devem a ela. Não há contradição: 80% da população não fuma, e os 80 casos que ocorrem nesse grupo não têm nada a ver com o cigarro. A primeira medida serve para aconselhar o indivíduo exposto; a segunda, para dimensionar um programa.
E por isso a fração atribuível populacional depende tanto da frequência quanto da força. Com risco relativo 3 e exposição em apenas 2% da população, a FAP é 3,8%. Com risco relativo 3 e exposição em 20%, é 28,6%. E com um risco relativo modesto de 1,3, mas exposição em 70% da população, é 17,4% — mais que o dobro do fator três vezes mais forte, porém raro. É a ideia atribuída a Geoffrey Rose, citada no comentário da Revista de Saúde Pública: muita gente sob risco pequeno pode produzir mais casos do que pouca gente sob risco grande.
Duas advertências de uso, ambas do mesmo comentário. A fórmula de Levin exige risco relativo bruto; usar um risco relativo ajustado ali enviesa a estimativa — para baixo se o confundimento for positivo, para cima se for negativo. Havendo ajuste, a fórmula muda para FAP = Pc(RR ajustado − 1) / RR ajustado, com Pc sendo a prevalência da exposição entre os casos. Como exemplo brasileiro do que a medida serve, os autores estimam que cerca de 9,6% das mortes por doenças cardiovasculares no país seriam evitadas se a recomendação mínima diária de hortaliças fosse atingida.
NNT e NNH: a diferença de risco convertida em pessoas
O número necessário para tratar é a redução absoluta de risco virada do avesso: NNT = 1 / RAR. A diretriz de 2012 o define como 'a medida utilizada para avaliar a significância clínica' e dá a leitura literal: um NNT igual a cinco, para o desfecho morte, significa que cinco pacientes devem ser tratados para que uma morte adicional seja evitada.
Conta completa. Ensaio randomizado com 1.000 pacientes por braço, seguimento de três anos, desfecho acidente vascular cerebral. No grupo controle, 120 eventos: risco = 120/1.000 = 12,0%. No grupo intervenção, 84 eventos: risco = 84/1.000 = 8,4%. Risco relativo = 8,4/12,0 = 0,70. Redução de risco relativo = 1 − 0,70 = 30%. Redução absoluta de risco = 12,0% − 8,4% = 3,6 pontos percentuais, ou 0,036. NNT = 1/0,036 = 27,8.
arredonde para cima: 28. E o motivo importa, porque a banca pergunta. Não se trata uma fração de pessoa, então o número tem de virar inteiro; a questão é para que lado. Arredondar para baixo, para 27, afirmaria que bastam 27 pacientes tratados para evitar um evento, quando os dados dizem que são necessários 27,8 — ou seja, o arredondamento para baixo promete mais benefício do que o estudo mostrou. Para cima, nunca. Quando a divisão dá inteiro exato, não há o que arredondar.
NNT sem horizonte de tempo não significa nada, e essa é a omissão mais explorada em prova. O número 28 do exemplo é 'NNT de 28 em três anos'. O mesmo tratamento seguido por dez anos teria NNT menor, porque haveria mais eventos a evitar; seguido por trinta dias, teria NNT maior. Sempre que citar um NNT, cite o desfecho e o prazo junto: NNT de 28 para prevenir um AVC em três anos.
O NNH — número necessário para causar dano — é a mesma aritmética aplicada ao evento adverso: 1 dividido pelo aumento absoluto de risco. No mesmo ensaio, suponha sangramento maior em 2,5% do grupo intervenção contra 1,0% do controle. Aumento absoluto de risco = 1,5 ponto percentual = 0,015. NNH = 1/0,015 = 66,7, que arredonda para 67.
A leitura conjunta é o que decide conduta e o que a prova cobra: em três anos, tratam-se 28 pacientes para evitar um AVC e 67 para causar um sangramento maior. A comparação só faz sentido no mesmo horizonte de tempo, e não é aritmética pura — um AVC evitado e um sangramento causado não têm o mesmo peso, e é essa ponderação, não o quociente, que decide se o tratamento vale a pena.
A mesma redução relativa, NNTs muito diferentes
Este é o argumento contra ler só o número relativo, e ele se demonstra em três linhas de conta. Pegue o mesmo tratamento do exemplo anterior, com a mesma redução de risco relativo de 30%, e aplique-o a duas populações com riscos de base diferentes.
População de alto risco, risco basal de 12,0%: o tratamento leva o risco a 8,4%; redução absoluta de 3,6 pontos; NNT = 28 em três anos. População de baixo risco, risco basal de 2,0%: o mesmo tratamento leva o risco a 1,4%; redução absoluta de 0,6 ponto; NNT = 1/0,006 = 166,7, que arredonda para 167 em três anos.
Mesmo remédio, mesmos 30% de redução relativa, e o esforço para evitar um evento passa de 28 pacientes para 167 — quase seis vezes mais. A redução relativa não sabe quanto havia a perder; a absoluta sabe.
A série de metodologia do Jornal Brasileiro de Pneumologia faz a mesma demonstração com outros números, e vale conferir os dois: com redução relativa de 25% (risco relativo 0,75), um risco de controle de 20% dá redução absoluta de 5 pontos e NNT 20, enquanto um risco de controle de 50% dá redução absoluta de 12,5 pontos e NNT 8.
A consequência prática é que a mesma frase verdadeira pode dar duas impressões opostas. 'Reduz o risco em 30%' é o que sobrevive na manchete, na peça publicitária e na conversa de corredor. 'Evita um evento a cada 167 pacientes tratados durante três anos' é o mesmo fato, e ninguém decora. Não há mentira em nenhuma das duas — há omissão em uma delas.
Por isso as diretrizes de relato pedem as duas. O item 16c do STROBE pede que se considere traduzir estimativas de risco relativo em risco absoluto para um período de tempo com significado. E a própria diretriz brasileira de 2012, no mesmo apêndice em que registra que a redução relativa é o parâmetro mais usado na apresentação dos resultados, observa que a redução absoluta é a medida de maior importância clínica, porque é ela que avalia a eficácia absoluta da intervenção. O desequilíbrio da literatura foi medido: o comentário da Revista de Saúde Pública encontrou no Medline 268.750 registros usando medidas relativas contra 4.784 usando medidas absolutas; no Brasil, 4.352 contra 82.
Intervalo de confiança: 1 nas razões, 0 nas diferenças
Toda medida deste capítulo é uma estimativa feita a partir de uma amostra, e vem acompanhada de uma faixa de incerteza. O intervalo de confiança de 95% é a convenção: é a faixa dentro da qual o valor verdadeiro plausivelmente está, dado o que a amostra mostrou. Quanto mais eventos o estudo observou, mais estreito o intervalo.
A regra que a banca troca de lugar está escrita, com todas as letras, na diretriz metodológica brasileira de 2025: o valor 1 nas medidas relativas (risco relativo e odds ratio) indica que não houve diferença entre os grupos, ao passo que o valor 0 nas medidas de diferença indica igualmente ausência de diferença. O mesmo documento, no apêndice de avaliação de imprecisão, resume a régua na forma operacional: a linha de efeito nulo está em 1 para RR, OR e HR, e em 0 para diferenças.
A razão é aritmética, não convenção. Uma razão vale 1 quando numerador e denominador são iguais — dois riscos idênticos dão RR = 1. Uma diferença vale 0 quando os dois termos são iguais. Não existe medida de diferença que valha 1 sem efeito, nem medida de razão que valha 0.
Quatro exemplos para fixar. RR = 0,70 com intervalo de 0,55 a 0,89: não contém 1, logo o efeito é estatisticamente significativo. RR = 0,85 com intervalo de 0,68 a 1,06: contém 1, logo não é significativo, apesar de a estimativa pontual sugerir benefício. Redução absoluta de risco de 3,6 pontos percentuais com intervalo de 1,2 a 6,0: não contém 0, logo é significativa. Redução absoluta de 1,0 ponto com intervalo de −0,5 a 2,5: contém 0, logo não é significativa — e note que esse intervalo também não contém 1, de modo que quem aplicar aqui a régua das razões concluirá o contrário do que os dados dizem. É exatamente esse par que a banca monta.
O intervalo do NNT sai por inversão do intervalo da redução absoluta de risco, e os limites trocam de lado. Com redução absoluta de 3,6 pontos e intervalo de 1,2 a 6,0 pontos: NNT = 1/0,036 = 28; o limite superior da redução (6,0%) dá o limite inferior do NNT, 1/0,060 = 16,7, que arredonda para 17; e o limite inferior da redução (1,2%) dá o superior do NNT, 1/0,012 = 83,3, que arredonda para 84. Relata-se NNT de 28 (IC 95% de 17 a 84). Faz sentido: quanto maior a redução absoluta, menos gente é preciso tratar.
Duas observações finais sobre leitura de intervalo. No gráfico de floresta, a linha vertical é o que a diretriz de 2012 chama de 'linha da ausência de efeito', e um diamante que a toca significa ausência de diferença estatisticamente significante. E intervalo largo cruzando o nulo não prova ausência de efeito: a mesma diretriz adverte que, quando o intervalo vai de um benefício importante até um aumento de risco, não se pode concluir que não existam diferenças entre os tratamentos — o estudo é inconclusivo, e inconclusivo não é negativo.
Hazard ratio: por que ele não é um risco relativo
As diretrizes brasileiras de 2012 e de 2014 definem o hazard ratio nos mesmos termos: é a medida de efeito usada em análise de sobrevida, ou análise do tipo 'tempo até o evento'. E acrescentam a frase que responde à pergunta da prova — esse tipo de estimativa não leva em conta apenas se o desfecho ocorreu, mas também o ponto no tempo em que ele ocorreu ao longo do seguimento.
É essa a diferença para o risco relativo. O risco relativo compara duas proporções acumuladas ao fim do estudo: quantos, do total, tinham morrido quando o seguimento terminou. Dois estudos podem ter risco relativo idêntico ao fim de cinco anos e curvas de sobrevida completamente diferentes — num deles as mortes se concentraram no primeiro semestre, no outro se espalharam pelos cinco anos. O risco relativo não distingue os dois; o hazard ratio distingue, porque compara a velocidade instantânea com que o evento acontece nos dois grupos ao longo de todo o período.
Há uma vantagem prática que decorre disso: a análise de sobrevida aproveita quem saiu do estudo antes do fim — quem foi perdido no seguimento, quem entrou tarde, quem chegou vivo ao encerramento. Esses participantes são censurados, e contribuem com o tempo que foram efetivamente observados em vez de serem descartados. Uma tabela 2×2 simples não sabe fazer isso.
As diretrizes registram como o hazard ratio é obtido: pelo teste log-rank e pela regressão de Cox, presentes na maioria dos programas de metanálise. Registram também que ele pode ser calculado indiretamente, por manipulação do valor de qui-quadrado, do valor de p ou da variância, quando o artigo não o publica diretamente. O valor nulo é 1, como o das demais razões.
Em nível de definição, basta saber mais uma coisa: como o hazard ratio é relatado como um único número para todo o seguimento, ele pressupõe que a razão entre as velocidades se mantenha razoavelmente constante ao longo do tempo — o pressuposto de riscos proporcionais da regressão de Cox. Quando as curvas de sobrevida se cruzam, esse pressuposto não vale e um hazard ratio único descreve mal o que aconteceu. Esse é o limite do que a prova de acesso direto cobra do tema.
Régua de cálculo — a tabela 2×2 de exposição e as medidas que saem dela
Monte a tabela antes de qualquer conta, e monte-a nesta orientação: exposição (ou intervenção) nas LINHAS, desfecho nas COLUNAS. Depois é só escolher a operação. Dividir dentro da linha dá risco. Dividir uma célula pela outra célula da mesma linha dá chance. Dividir risco por risco dá razão. Subtrair risco de risco dá diferença. Inverter a diferença dá NNT. A tabela abaixo é o esqueleto e o formulário ao mesmo tempo, com a informação que decide a maioria das questões: em que desenho de estudo cada medida pode ser calculada.
- 1Confirme que é ESTA tabela 2×2 e não a do capítulo de testes diagnósticos. As colunas aqui são definidas pelo que ACONTECEU com a pessoa (infartou, morreu, teve exacerbação). Se forem definidas por um exame de referência que diz quem está doente, você está no capítulo errado — lá o denominador é a coluna, aqui é a linha.
- 2Identifique o desenho do estudo antes de escolher a medida. Coorte e ensaio randomizado dão risco, e portanto risco relativo, diferença de risco e NNT. Caso-controle dá odds ratio e nada mais — o denominador de 'pessoas em risco' não existe, porque quantos controles foram recrutados é decisão do pesquisador. Transversal dá prevalência, e a razão que sai dele é razão de prevalência.
- 3Preencha a, b, c e d. Se o enunciado der percentuais em vez de contagens, invente um total redondo (100, 1.000 ou 10.000) grande o bastante para que todos os subgrupos caiam em número inteiro de pessoas.
- 4Calcule os DOIS riscos separados antes de qualquer razão: risco dos expostos = a/(a+b) e risco dos não expostos = c/(c+d). Metade dos erros do tema é denominador trocado, não conta errada. Se o estudo for caso-controle, pule esta etapa — ela não existe lá.
- 5Escolha a família da medida pela pergunta. 'Quantas vezes mais?' é razão: divida um risco pelo outro. 'Quanto a mais, em pessoas?' é diferença: subtraia um risco do outro. As duas descrevem os mesmos dados e a prova costuma pedir a que você não calculou.
- 6Para o odds ratio, use os produtos cruzados: ad/bc. É o mesmo resultado de (a/b)/(c/d) com dois passos a menos.
- 7Antes de ler o odds ratio como se fosse risco relativo, olhe a incidência global do desfecho no estudo. Abaixo de 10% os dois números são praticamente iguais. Acima disso o odds ratio está mais longe de 1 do que o risco relativo, e a diferença cresce depressa — em risco de base de 40%, um risco relativo de 2 aparece como odds ratio de 6.
- 8Para NNT, calcule primeiro a redução ABSOLUTA (não a relativa), inverta e arredonde para CIMA. Depois anexe o horizonte de tempo do estudo à frase — NNT sem prazo não quer dizer nada.
- 9Ao julgar significância, verifique de que família é a medida antes de olhar o intervalo. Razão (RR, OR, HR): o nulo é 1. Diferença (redução absoluta de risco, diferença de médias): o nulo é 0. A banca monta o par exatamente para quem aplica a régua errada.
Desfecho raro (risco de base 1%) — odds ratio 2,02 contra risco relativo 2,00
A barra da razão de chances é indistinguível da do risco relativo: o exagero é de 1%. Enquanto a incidência do desfecho fica abaixo de 10%, ler um pelo outro não muda nenhuma conclusão. A linha tracejada marca a altura do risco relativo.
Desfecho intermediário (risco de base 10%) — odds ratio 2,25 contra risco relativo 2,00
A barra da razão de chances já ultrapassa visivelmente a linha do risco relativo: o exagero é de 12,5%. É a faixa em que a aproximação começa a custar interpretação, e onde o limiar de 10% de incidência é ultrapassado.
Desfecho comum (risco de base 40%) — odds ratio 6,00 contra risco relativo 2,00
A barra da razão de chances é três vezes a do risco relativo: o exagero é de 200%. A força da associação não mudou entre os três cartões — mudou apenas a frequência do desfecho. É este cenário que produz o odds ratio 26 contra risco relativo 2,2 do estudo de ventilação mecânica.
A tabela 2×2 deste capítulo — exposição nas LINHAS, desfecho nas COLUNAS
| Tabela 2×2 (exposição × desfecho) | DESFECHO presente | DESFECHO ausente | Total da linha | O que sai da LINHA — e em que desenho pode ser calculado |
|---|---|---|---|---|
| EXPOSTO / grupo intervenção | a | b | a + b | Risco dos expostos = a/(a+b). Chance dos expostos = a/b. Só existe risco onde o denominador é uma população em risco: coorte, ensaio clínico. No caso-controle, a+b não é população — é a soma de duas amostras escolhidas pelo pesquisador. |
| NÃO EXPOSTO / grupo controle | c | d | c + d | Risco dos não expostos = c/(c+d). Chance dos não expostos = c/d. É este risco que serve de linha de base para tudo: risco relativo, diferença de risco e NNT são todos comparações contra ele. |
| Total da coluna | a + c | b + d | N | A incidência global do desfecho é (a+c)/N — e é ela que decide se o odds ratio pode ser lido como risco relativo. Abaixo de 10%, sim; acima, ele exagera. |
| ⚠️ NÃO é a tabela do capítulo anterior | Lá as colunas eram DOENÇA presente e ausente, definidas pelo padrão de referência. | Lá as linhas eram o RESULTADO DO TESTE, e o denominador que importava era o da COLUNA. | — | Mesmas letras a, b, c, d; perguntas diferentes. Teste rápido: se as colunas foram definidas por um exame de referência, é a tabela diagnóstica; se foram definidas pelo que aconteceu com a pessoa depois, é esta. |
Formulário — as duas famílias de medida que saem da mesma tabela
| Família | Medida e fórmula | Leitura | Onde pode ser calculada |
|---|---|---|---|
| RAZÃO — 'quantas vezes'; valor nulo = 1 | Risco relativo = [a/(a+b)] / [c/(c+d)] | RR > 1 fator de risco; = 1 sem associação; < 1 proteção. O excesso é RR − 1: RR 4 é 300% a mais, não 400%. | Coorte e ensaio clínico randomizado. Exige risco absoluto nos dois grupos. |
| RAZÃO — valor nulo = 1 | Odds ratio = (a/b)/(c/d) = ad/bc | Mesmas três leituras, mas a frase é sobre CHANCE, não risco. Está SEMPRE mais longe de 1 que o risco relativo. | Qualquer desenho — e é a ÚNICA razão calculável no caso-controle, porque não depende do número de controles recrutados. |
| RAZÃO — valor nulo = 1 | Hazard ratio, por log-rank ou regressão de Cox | Incorpora QUANDO o evento ocorreu, não só se ocorreu. Pressupõe riscos proporcionais ao longo do seguimento. | Desfecho de tempo até o evento (sobrevida), com censura de quem saiu antes do fim. |
| RAZÃO — valor nulo = 1 (0% de redução) | Redução de risco relativo = 1 − RR | É o '30% de redução' das manchetes. Não informa nada sobre o risco de base. | Coorte e ensaio. A mesma RRR sobre riscos basais diferentes produz NNTs muito diferentes. |
| DIFERENÇA — 'quantas pessoas'; valor nulo = 0 | Risco atribuível (diferença de risco) = risco dos expostos − risco dos não expostos. No ensaio, invertido para sair positivo: RAR = c/(c+d) − a/(a+b) | Quantos casos a mais (ou a menos) por 100 pessoas. A diretriz de 2012 registra que é a medida de maior importância clínica. | Coorte e ensaio. Não existe em caso-controle. |
| DIFERENÇA — valor nulo = 0 | Risco atribuível proporcional (fração atribuível nos expostos) = (RR − 1)/RR = 1 − 1/RR | Que proporção dos casos ENTRE OS EXPOSTOS se deve à exposição. Com RR 4, são 75%. | Onde houver risco relativo. Universo: só quem se expôs. |
| DIFERENÇA — valor nulo = 0 | Fração atribuível populacional = (Ipop − I0)/Ipop, ou de Levin: Pe(RR − 1)/[Pe(RR − 1) + 1] | Que proporção dos casos DA POPULAÇÃO INTEIRA seria evitada se a exposição fosse eliminada. Depende da FREQUÊNCIA, não só da força: RR 1,3 em 70% da população pesa mais que RR 3 em 2%. | Coorte, ou dados secundários de prevalência de exposição. A equação de Levin exige RR BRUTO, não ajustado. |
| DIFERENÇA invertida — valor nulo = infinito | NNT = 1/RAR, arredondado PARA CIMA. NNH = 1 / aumento absoluto de risco | Quantas pessoas tratar para evitar (ou causar) um evento. Sem desfecho e horizonte de tempo, não significa nada. | Ensaio clínico, e coorte quando houver risco absoluto. Intervalo do NNT = inverso dos limites do intervalo da RAR, com os limites trocando de lado. |
Conversões entre risco e chance, das diretrizes de 2012 e 2014: risco = odds/(1 + odds); odds = risco/(1 − risco). Referências para calibrar a intuição: chance 0,1 corresponde a risco 0,091; risco 0,50 corresponde a chance 1; risco 0,95 corresponde a chance 19.
Conversão de odds ratio em risco relativo, publicada na diretriz de 2012: RR = OR / [1 − RAC × (1 − OR)], em que RAC é o risco assumido de controle, ou seja, o risco do grupo não exposto. Conferida nos dois conjuntos de dados deste capítulo: OR 16 com RAC 0,20 devolve RR 4; OR 4,03 com RAC 0,0025 devolve RR 4,00.
Divergência entre odds ratio e risco relativo com o RR fixo em 2, variando o risco do grupo não exposto: 0,1% → OR 2,00; 1% → OR 2,02; 5% → OR 2,11; 10% → OR 2,25; 20% → OR 2,67; 40% → OR 6,00. A força da associação é a mesma nas seis linhas.
Mapa desfecho → medida, do Quadro 7 da diretriz de 2025: desfecho dicotômico dá razão de chances, razão de risco, diferença de risco e NNT; desfecho contínuo dá diferença de médias e diferença de médias padronizadas; desfecho de tempo até o evento dá hazard ratio, por Kaplan-Meier e regressão de Cox.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Regra qualitativa do evento raro, sem número (diretrizes metodológicas brasileiras, 2012 e 2014)
As duas diretrizes do Ministério da Saúde tratam a aproximação como regra prática, sem estabelecer limiar numérico: a diferença entre chance e risco é pequena quando o evento é raro e passa a ser grande quando os eventos são comuns. Ancoram a afirmação em exemplos de conversão — chance 0,1 corresponde a risco 0,091, mas risco 0,95 corresponde a chance 19 — e acrescentam que, na maioria dos ensaios clínicos randomizados, os eventos são comuns.
Ministério da Saúde, Diretrizes metodológicas: revisão sistemática e metanálise de ensaios clínicos randomizados (2012), Apêndice C, p. 77-78; e Diretrizes metodológicas: estudos observacionais sobre fatores de risco e prognóstico (2014), Apêndice F, p. 92.
Limiar numérico de 10% de incidência (Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, 2020)
A série de educação continuada em metodologia científica do Jornal Brasileiro de Pneumologia converte a regra em corte operacional: enquanto a incidência do desfecho se mantém abaixo de 10%, a superestimação do odds ratio é desprezível e ele se aproxima adequadamente do risco relativo. O artigo usa como contraexemplo um estudo em que 41% dos participantes morreram e o odds ratio foi 26,0 contra risco relativo de 2,2.
Maritano Furcada J, Patino CM, Ferreira JC. Estimating risk in clinical studies: odds ratio and risk ratio. J Bras Pneumol. 2020;46(2):e20200137.
Não aproximar: converter com o risco assumido de controle (diretriz metodológica brasileira, 2012)
A mesma diretriz de 2012 que enuncia a regra qualitativa publica, logo em seguida, uma alternativa que dispensa qualquer aproximação: converter o odds ratio em risco relativo pela fórmula RR = OR / [1 − RAC × (1 − OR)], em que RAC é o risco assumido de controle. O preço é que o RAC não sai da tabela 2×2 — a própria diretriz o classifica como 'outra variável, subjetiva', a ser buscada no corpo do artigo, com frequência na seção de cálculo do tamanho amostral. A conversão é exata quando o RAC é conhecido.
Ministério da Saúde, Diretrizes metodológicas: revisão sistemática e metanálise de ensaios clínicos randomizados (2012), Apêndice C, p. 77.
Na prova
O enunciado entrega qual das três posições a questão está usando, e o sinal costuma ser a informação que ele resolveu incluir. Se o texto informa a incidência do desfecho ou o número total de eventos, o recorte é o do limiar numérico e o item cobrado é comparar essa incidência com 10%. Se o texto apenas descreve o desfecho como raro ou incomum — 'doença rara', 'evento infrequente', 'incidência baixa' — sem dar número, o recorte é o da regra qualitativa e a questão quer só a direção da distorção. Se o enunciado fornece o risco do grupo controle junto com o odds ratio, ele está montando a terceira posição, e o item cobrado é a conversão. As alternativas também denunciam o recorte: distrator com dois valores numéricos próximos entre si (por exemplo, 4,03 e 4,00) pertence ao mundo do desfecho raro; distrator com valores muito distantes (16 e 4) pertence ao do desfecho comum. Vale a régua geral: prova oficial do MEC tende a cenário de saúde pública com desfecho descrito em linguagem corrente, o que empurra para a regra qualitativa; prova com leitura crítica de artigo tende a dar os números e cobrar o limiar ou a conversão.
NNT sempre com intervalo, que passa pelo infinito quando não há significância (Altman, BMJ 1998; série de metodologia da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, 2019)
Nesta posição, o NNT nunca é relatado como estimativa pontual: ele carrega obrigatoriamente um intervalo de confiança, obtido por inversão dos limites do intervalo da redução absoluta de risco. A consequência é que, quando esse intervalo cruza o zero, o intervalo do NNT deixa de ser um par de números finitos e passa pelo infinito, escrito na notação que separa benefício de dano — algo do tipo 'NNT para benefício 10, de 4 ao infinito e do infinito a NNT para dano 20'. O infinito é a leitura explícita de que pode não haver efeito nenhum. É a implementação adotada pelos pacotes de metanálise que calculam NNT.
Altman DG. Confidence intervals for the number needed to treat. BMJ. 1998;317(7168):1309-1312 (proposta original da notação, confirmada pela documentação do pacote 'meta' de metanálise do R). Perez-Padilla R, Patino CM, Ferreira JC. Number needed to treat. J Bras Pneumol. 2019;45(6):e20190371: o relato de NNT e NNH deve sempre incluir intervalo de confiança, e não apenas a estimativa pontual.
NNT como estimativa pontual de relevância clínica, com a significância estatística lida na medida de origem (diretrizes metodológicas brasileiras, 2012 e 2025)
Nesta posição, o NNT é definido como o inverso da redução absoluta de risco e apresentado como 'a medida utilizada para avaliar a significância CLÍNICA' — uma tradução do tamanho do efeito para o número de pacientes, sem intervalo próprio. O julgamento de significância estatística fica com a medida de origem: é o intervalo de confiança da redução absoluta de risco, ou do risco relativo, que se examina contra a linha de efeito nulo (0 para diferenças, 1 para razões). Nessa lógica, quando o intervalo da redução absoluta cruza o zero, não há efeito demonstrado a converter em NNT, e o número simplesmente não é relatado.
Ministério da Saúde, Diretrizes metodológicas: revisão sistemática e metanálise de ensaios clínicos randomizados (2012), Apêndice C, item 6, p. 75-76 (NNT = 1/RAR, sem menção a intervalo) e Apêndice D, p. 80 (a linha da ausência de efeito no gráfico de floresta); e Diretrizes metodológicas: revisão sistemática com meta-análise em rede (2025), p. 26 e p. 160 (valor nulo 1 para RR, OR e HR; 0 para medidas de diferença).
Na prova
O sinal está no que o enunciado informa sobre incerteza. Questão que traz o NNT acompanhado de dois números entre parênteses, ou que menciona notação com benefício e dano, ou que fala em infinito, está trabalhando na primeira posição, e o item cobrado costuma ser a inversão dos limites — lembrando que o limite superior da redução absoluta gera o limite inferior do NNT. Questão que dá apenas os eventos de cada braço e pede 'o número necessário para tratar' está na segunda posição, e o item cobrado é a conta e o arredondamento para cima. O detalhe que resolve as duas: se o enunciado informa o intervalo de confiança da redução absoluta de risco e ele inclui o zero, a pergunta não é aritmética — é sobre significância, e nenhum NNT calculado ali descreve um efeito demonstrado. As alternativas denunciam o recorte: distrator com símbolo de infinito ou com faixa que atravessa o zero pertence à primeira posição; distrator com um único inteiro arredondado pertence à segunda.
Caso resolvido
- monta a tabela
- Intervenção nas linhas, desfecho nas colunas. Linha intervenção: a = 84 com AVC, b = 916 sem. Linha controle: c = 120 com AVC, d = 880 sem. Confira as margens: 84 + 916 = 1.000 e 120 + 880 = 1.000. Só depois disso comece a dividir.
- riscos absolutos
- Risco no grupo intervenção = 84/1.000 = 0,084 = 8,4%. Risco no grupo controle = 120/1.000 = 0,120 = 12,0%. São estes dois números que geram todo o resto — nenhuma outra medida deste caso é calculada sem eles.
- risco relativo e redução relativa
- RR = 0,084/0,120 = 0,70. Menor que 1, portanto o tratamento protege. Redução de risco relativo = 1 − 0,70 = 0,30 = 30%. É este o número do resumo do artigo. Ele está correto, e é só um terço da história.
- redução absoluta de risco
- RAR = 12,0% − 8,4% = 3,6 pontos percentuais = 0,036. Em pessoas: a cada 100 pacientes tratados por três anos, 3,6 AVCs a menos. Note a distância retórica entre '30%' e '3,6 pontos' descrevendo exatamente o mesmo resultado.
- NNT
- NNT = 1/0,036 = 27,8. Arredonda para CIMA: 28. Frase completa, com desfecho e prazo: é preciso tratar 28 pacientes durante três anos para evitar um AVC. Arredondar para 27 prometeria um benefício que os dados não sustentam.
- NNH do desfecho de segurança
- Risco de sangramento maior na intervenção = 25/1.000 = 2,5%; no controle = 10/1.000 = 1,0%. Aumento absoluto de risco = 1,5 ponto percentual = 0,015. NNH = 1/0,015 = 66,7, que arredonda para 67: a cada 67 pacientes tratados por três anos, um sangramento maior a mais.
- odds ratio, e se ele serviria
- OR = (84 × 880)/(916 × 120) = 73.920/109.920 = 0,67, contra RR de 0,70 — mais longe de 1, como sempre. A incidência global do desfecho é 204/2.000 = 10,2%, ou seja, na fronteira do limiar de 10%: aqui a distorção ainda é pequena, mas já não é desprezível. Como o estudo é randomizado e tem denominador de pessoas em risco, não há motivo para usar odds ratio — o risco relativo está disponível e é mais fácil de ler.
- o que o resumo omitiu
- Três coisas. Primeira: o risco de base. Nesta população de alto risco (12% em três anos), 30% de redução relativa valem NNT 28; a mesma redução relativa numa população com risco basal de 2% daria RAR de 0,6 ponto e NNT de 167. Segunda: o dano. Trata-se 28 para evitar um AVC e 67 para causar um sangramento maior — comparação que só existe se o desfecho de segurança for lido junto. Terceira: o horizonte. Todos os números acima valem para três anos e não se transportam para outro prazo.
- leitura final
- O relato honesto do estudo é: redução de risco relativo de 30% (RR 0,70), redução absoluta de 3,6 pontos percentuais, NNT de 28 em três anos para evitar um AVC, contra NNH de 67 no mesmo período para sangramento maior. Nenhum desses números contradiz o resumo do artigo; eles completam o que ele deixou de fora. É exatamente essa tradução que o item 16c do STROBE pede — converter estimativa relativa em risco absoluto para um período de tempo com significado.
Agora feche você
- tabela do estudo 1 (coorte)
- Exposição nas linhas, desfecho nas colunas. Linha expostos: a = 160 com doença, b = 240 sem (400 − 160). Linha não expostos: c = 40 com doença, d = 360 sem (400 − 40). Margens conferidas: 160 + 240 = 400 e 40 + 360 = 400.
- riscos do estudo 1
- Risco entre os expostos = 160/400 = 0,40 = 40%. Risco entre os não expostos = 40/400 = 0,10 = 10%. A coorte tem denominador de pessoas em risco e tempo de seguimento, então estes dois riscos existem de fato.
- risco relativo do estudo 1
- RR = 0,40/0,10 = 4,0. O risco de doença entre os expostos é quatro vezes o dos não expostos — um aumento de 300%, não de 400%.
- odds ratio do estudo 1
- Pelos produtos cruzados: OR = (160 × 360)/(240 × 40) = 57.600/9.600 = 6,0. Mesmos dados, mesma tabela, mesma população: risco relativo 4,0 e odds ratio 6,0. A incidência global do desfecho é 200/800 = 25%, muito acima do limiar de 10%, e é por isso que os dois números se afastam.
- tabela do estudo 2 (caso-controle)
- Aqui as colunas continuam sendo o desfecho, mas foi o desfecho que definiu quem entrou no estudo. Coluna dos casos: 160 expostos e 40 não expostos. Coluna dos controles: 80 expostos e 120 não expostos. Os totais de coluna, 200 e 200, foram escolhidos pelo investigador.
- odds ratio do estudo 2
- OR = (160 × 120)/(80 × 40) = 19.200/3.200 = 6,0. É o mesmo 6,0 do estudo de coorte — e não por acaso: os dois estudos vieram da mesma população-fonte, e o odds ratio é a medida que o caso-controle estima corretamente.
- por que não há risco relativo no estudo 2
- Quem tentar calcular 'risco' pela linha dos expostos obtém 160/(160 + 80) = 0,667 e, dividindo pelo dos não expostos 40/(40 + 120) = 0,25, chega a um pseudo-risco relativo de 2,67 — que não bate com o 4,0 verdadeiro da coorte. Refaça o mesmo estudo com 400 controles, mantendo a proporção de exposição entre eles (160 expostos e 240 não): o pseudo-risco relativo vira [160/320] / [40/280] = 0,500/0,143 = 3,50. Com 800 controles (320 e 480), vira 4,33. O número muda a cada decisão administrativa; o odds ratio permanece 6,0 nas três versões.
- o que há de errado na frase do revisor
- …
Onde a banca derruba
- 1Usar a tabela 2×2 do capítulo de testes diagnósticos As duas tabelas têm quatro casas com os mesmos nomes, a, b, c e d, e a memória visual não distingue. Lá o denominador que interessa é a COLUNA (sensibilidade = a/(a+c), condicionada à doença); aqui é a LINHA (risco = a/(a+b), condicionado ao grupo). Aplicar a divisão errada produz um número que existe, parece plausível e responde a outra pergunta — que é exatamente o que o distrator quer. Teste rápido: se as colunas foram definidas por um exame de referência, é a outra tabela; se foram definidas pelo que aconteceu com a pessoa depois, é esta.
- 2Ler odds ratio com a frase do risco relativo É o erro mais caro do tema porque não parece erro. 'Odds ratio de 16' vira, na cabeça do candidato, 'dezesseis vezes mais risco', quando o risco na mesma tabela é quatro vezes maior. Enquanto o desfecho é raro (incidência abaixo de 10%) a troca não muda nada, e é por isso que a maioria dos casos-controle publicados a tolera. Em desfecho comum ela explode: no estudo de ventilação mecânica citado pela série do Jornal Brasileiro de Pneumologia, odds ratio 26,0 contra risco relativo 2,2.
- 3Traduzir RR = 4 como 'aumento de 400%' Risco quatro VEZES maior é aumento de 300% — o excesso é RR − 1, não RR. Mesma armadilha na direção protetora: RR = 0,70 é redução de 30%, não 'risco de 70% menor'. A prova monta as duas alternativas lado a lado, e quem calculou certo perde a questão no último passo.
- 4Calcular risco, incidência ou NNT em estudo caso-controle O caso-controle não tem população em risco: quantos controles existem no estudo foi decisão do pesquisador. Qualquer 'risco' calculado ali muda quando ele muda o número de controles — no exemplo deste capítulo, o pseudo-risco relativo vai de 2,67 a 4,33 sem que nenhum dado da natureza tenha mudado, enquanto o odds ratio permanece 6,0. Enunciado que descreve recrutamento de casos e controles e pede risco relativo, incidência, NNT ou fração atribuível populacional calculada diretamente está testando se você percebe que a pergunta não tem resposta.
- 5Aplicar a régua do 'cruza o 1' a uma medida de diferença Redução absoluta de risco de 1,0 ponto percentual com intervalo de −0,5 a 2,5 NÃO é significativa: o intervalo contém o zero, que é o valor nulo das diferenças. Como ele também não contém o 1, quem levou a régua das razões para o lugar errado conclui o oposto do que os dados mostram. Razão (RR, OR, HR) tem nulo em 1; diferença (RAR, diferença de médias) tem nulo em 0. A diretriz brasileira de 2025 escreve as duas na mesma frase justamente porque a troca é frequente.
- 6Relatar NNT sem horizonte de tempo, ou arredondado para baixo NNT de 28 não quer dizer nada; NNT de 28 para evitar um AVC em três anos quer. E o arredondamento tem lado: 27,8 vira 28, nunca 27, porque para baixo o número prometeria um benefício maior que o demonstrado. Quando a divisão dá inteiro exato, não há arredondamento a fazer. Alternativa que traz o inteiro imediatamente inferior ao resultado da divisão está construída para quem arredonda por hábito.
- 7Confundir fração atribuível nos expostos com fração atribuível populacional São medidas diferentes com universos diferentes. A fração atribuível nos expostos, (RR − 1)/RR, olha só para quem se expôs — com RR 4 dá 75%. A fração atribuível populacional, Pe(RR − 1)/[Pe(RR − 1) + 1], olha para a população inteira e depende também de quanta gente está exposta — com RR 4 e exposição em 20%, dá 37,5%. Enunciado que diz 'entre os fumantes' pede a primeira; enunciado que diz 'na população brasileira' ou 'quantos casos seriam evitados se o fator fosse eliminado' pede a segunda.
- 8Achar que hazard ratio e risco relativo são a mesma coisa com outro nome Os dois têm valor nulo 1 e leituras parecidas, e é por isso que a troca passa despercebida. A diferença é o tempo: o risco relativo compara proporções acumuladas ao fim do seguimento, e não distingue um estudo em que as mortes se concentraram no primeiro semestre de outro em que se espalharam por cinco anos; o hazard ratio compara a velocidade instantânea do evento ao longo de todo o período e aproveita quem saiu do estudo antes do fim. Enunciado que fala em curva de sobrevida, Kaplan-Meier, regressão de Cox, censura ou 'tempo até o evento' está no território do hazard ratio.
- 9Concluir 'sem efeito' de um intervalo largo que cruza o nulo Intervalo que vai de um benefício importante até um aumento de risco não demonstra ausência de efeito — demonstra que o estudo não teve eventos suficientes para decidir. A própria diretriz de 2012 adverte que, nesse caso, não se pode concluir que não existam diferenças entre os tratamentos. Ausência de evidência e evidência de ausência são coisas distintas, e a diferença entre elas está na LARGURA do intervalo, não apenas no fato de ele tocar a linha nula.
Risco nos expostos = 40/80 = 0,50; risco nos não expostos = 12/120 = 0,10; RR = 0,50/0,10 = 5,0 (correta). 2,5 e 4,2 resultam de erros aritméticos nos denominadores. 0,2 é o inverso do RR (razão dos não expostos pelos expostos). 3,3 aproxima a razão de chances, não o risco relativo, que é o correto para coorte.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Um estudo de coorte acompanhou fumantes e não fumantes por 10 anos para avaliar o desenvolvimento de doença coronariana. A incidência foi de 20 casos por 1000 em fumantes e 5 casos por 1000 em não fumantes. Qual é o risco relativo do tabagismo para doença coronariana nesse estudo?
Risco relativo = incidência nos expostos / incidência nos não expostos = 20 / 5 = 4, indicando que fumantes têm 4 vezes o risco dos não fumantes. 0,25 seria o inverso (RR dos não expostos). 15 é a diferença absoluta de risco (20-5 por 1000), não o RR. 0,75 e 1,5 não correspondem a nenhum cálculo correto com esses dados.
Durante uma investigação de surto de diarreia em um município, o técnico de vigilância calcula que, entre 200 pessoas que consumiram determinado alimento em uma festa, 60 adoeceram; entre 150 que não consumiram, 15 adoeceram. Qual é o risco relativo aproximado da doença associado ao consumo do alimento?
Incidência em expostos = 60/200 = 0,30; incidência em não expostos = 15/150 = 0,10; RR = 0,30/0,10 = 3,0 (correta). 0,33 é o inverso (não expostos/expostos). 1,5 e 2,0 subestimam a diferença. 6,0 seria a razão entre os números absolutos de casos, ignorando os denominadores, erro comum de cálculo.
Durante uma investigação de surto de diarreia em uma creche, o médico da UBS calcula que, dos 50 expostos a um alimento suspeito, 30 adoeceram; entre os 40 não expostos ao mesmo alimento, 4 adoeceram. Qual é o risco relativo (RR) associado ao consumo do alimento suspeito?
Correta (6,0): incidência nos expostos = 30/50 = 0,60; incidência nos não expostos = 4/40 = 0,10; RR = 0,60/0,10 = 6,0. '3,0' e '1,5' subestimam por erro na razão. '7,5' e '10,0' resultam de trocar numerador/denominador ou usar valores absolutos em vez de incidências.
Um pesquisador acompanha por 10 anos uma coorte de 5.000 pessoas para avaliar se o sedentarismo aumenta o risco de diabetes tipo 2. Entre os sedentários, a incidência foi de 20%; entre os ativos, de 5%. Assumindo esses dados, o risco relativo do sedentarismo para diabetes e sua interpretação correta são:
Em coorte, o risco relativo = incidência nos expostos / incidência nos não expostos = 20%/5% = 4,0, ou seja, os sedentários tiveram 4 vezes mais risco (correta). RR de 0,25 seria o inverso (não indica proteção do sedentarismo); 15% é a diferença absoluta (risco atribuível), não o RR; a medida em coorte é risco relativo, não odds ratio; e risco atribuível é uma diferença de incidências, não a razão 4,0.
Durante uma investigação de surto de diarreia em uma creche, o médico da APS calcula que, dos 80 expostos a determinado alimento, 40 adoeceram, enquanto entre os 120 não expostos, 12 adoeceram. Considerando esse estudo de coorte retrospectiva do surto, qual é o RISCO RELATIVO da doença associado ao alimento suspeito?
Risco nos expostos = 40/80 = 0,50; risco nos não expostos = 12/120 = 0,10; RR = 0,50/0,10 = 5,0. O valor 2,5 confunde-se com metade indevida do cálculo. O valor 0,5 é apenas a incidência nos expostos, não a razão. O valor 10,0 seria obtido invertendo denominadores erroneamente. O valor 1,5 não corresponde a nenhuma combinação correta dos dados.
Em um estudo de coorte prospectivo, pesquisadores acompanharam trabalhadores expostos ocupacionalmente a sílica e um grupo não exposto, avaliando a incidência de tuberculose ao longo de 5 anos. Entre os 2.000 expostos, 120 desenvolveram tuberculose. Entre os 2.000 não expostos, 40 desenvolveram a doença. Os investigadores desejam quantificar, entre os expostos, a fração da incidência da doença que pode ser atribuída especificamente à exposição à sílica, para embasar medidas de proteção ocupacional. Com base nesses dados, qual é o risco atribuível (redução absoluta de risco potencial) na população exposta?
Correta: o risco atribuível (RA) nos expostos é a diferença absoluta entre a incidência nos expostos e nos não expostos: RA = Ie − Io. Incidência nos expostos: 120/2.000 = 0,06 (60/1.000). Incidência nos não expostos: 40/2.000 = 0,02 (20/1.000). RA = 0,06 − 0,02 = 0,04, ou seja, 40 casos por 1.000 expostos atribuíveis à sílica. 60/1.000 é a incidência total nos expostos, não a parcela atribuível. 3,0 é o risco relativo (0,06/0,02), medida de força de associação, não de risco atribuível. 20/1.000 é a incidência de base (nos não expostos), o risco que existiria sem a exposição. 0,67 é a fração atribuível nos expostos (RA/Ie = 0,04/0,06), uma proporção, não o risco atribuível absoluto solicitado.
Em um estudo de caso-controle sobre associação entre uso de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) e hemorragia digestiva alta, o desenho não permite calcular incidência nos grupos, pois os participantes já são selecionados a partir do desfecho (casos com hemorragia e controles sem hemorragia). Qual é a medida de associação apropriada para esse tipo de estudo?
Correta: No estudo de caso-controle os participantes são amostrados a partir do desfecho, de modo que a incidência da doença nos expostos e não expostos não pode ser diretamente estimada; portanto o risco relativo não é calculável diretamente. A medida apropriada é o odds ratio (razão de chances), que compara a chance de exposição entre casos e controles e, em doenças raras, aproxima o risco relativo. O risco relativo exige medir incidência nos grupos de exposição, o que só é possível em coortes/ensaios, não em caso-controle. O risco atribuível populacional depende de incidência e prevalência de exposição na população, não estimáveis diretamente nesse desenho. O NNT deriva de redução absoluta de risco em estudos de intervenção (ensaios clínicos), não de caso-controle. A densidade de incidência requer seguimento e pessoas-tempo, ausentes no caso-controle.
Um ensaio clínico randomizado avaliou uma nova estatina para prevenção primária de eventos cardiovasculares maiores em 5 anos. No grupo controle (placebo), a incidência de eventos foi de 10%. No grupo intervenção (estatina), a incidência foi de 8%. Os autores desejam comunicar aos clínicos quantos pacientes precisam ser tratados com a estatina, por 5 anos, para evitar um evento cardiovascular. Qual é o número necessário para tratar (NNT)?
Correta: o NNT é o inverso da redução absoluta de risco (RAR). RAR = risco no controle − risco na intervenção = 10% − 8% = 2% = 0,02. NNT = 1/RAR = 1/0,02 = 50. Ou seja, é preciso tratar 50 pacientes por 5 anos para evitar um evento. 2 corresponde à diferença percentual absoluta (2%) tomada como número, não ao seu inverso. 20 seria o NNT se a RAR fosse 5%, valor incorreto para os dados apresentados. 80 confunde-se com a incidência residual no grupo intervenção, não com o cálculo do NNT. 0,8 é a razão de riscos (redução relativa de 20%: 8%/10% = 0,8), uma medida relativa, não o NNT, que é a quantidade de pacientes a tratar.
Um estudo de coorte prospectivo acompanhou por 5 anos 2.000 adultos sem doença respiratória no início do seguimento, com o objetivo de avaliar a associação entre tabagismo e desenvolvimento de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Entre os 1.000 tabagistas, 200 desenvolveram DPOC ao final do período. Entre os 1.000 não tabagistas, 50 desenvolveram DPOC. Assinale o valor do risco relativo (RR) de DPOC associado ao tabagismo neste estudo.
O desenho é uma coorte, que permite medir incidências diretamente, então a medida de associação apropriada é o risco relativo (RR) = incidência nos expostos / incidência nos não expostos. Incidência nos tabagistas = 200/1.000 = 0,20 (20%); nos não tabagistas = 50/1.000 = 0,05 (5%). RR = 0,20/0,05 = 4,0 — o risco de DPOC é 4 vezes maior nos tabagistas. 0,25 é o RR invertido (não expostos sobre expostos). 4,75 é o odds ratio [(200/800)/(50/950)], medida que superestima o RR quando a doença é frequente e não é a de escolha na coorte. 0,15 (15%) é o risco atribuível/diferença de risco (0,20 − 0,05), não o RR. 3,0 é apenas um valor numérico incorreto.
Para investigar a associação entre uso prévio de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) e hemorragia digestiva alta, pesquisadores selecionaram 100 pacientes internados com hemorragia digestiva alta comprovada por endoscopia (casos) e 100 pacientes internados por outras causas (controles). Entre os casos, 60 relataram uso de AINEs nas duas semanas anteriores; entre os controles, 30 relataram esse uso. Considerando o desenho do estudo, qual a medida de associação apropriada e seu respectivo valor?
Trata-se de um estudo caso-controle, no qual os grupos são definidos pelo desfecho e a incidência da doença na população não é mensurável — portanto NÃO se calcula risco relativo nem risco atribuível diretamente; a medida apropriada é o odds ratio (OR). Montando a tabela 2x2 (casos: 60 expostos/40 não expostos; controles: 30 expostos/70 não expostos), OR = (a×d)/(b×c) = (60×70)/(30×40) = 4.200/1.200 = 3,5. Usam risco relativo, não calculável em caso-controle. 0,29 é o OR invertido. Risco atribuível também exige incidência e não se aplica a este desenho.
Um ensaio clínico randomizado avaliou uma nova estatina na prevenção de eventos cardiovasculares maiores em pacientes de alto risco, seguidos por 3 anos. No grupo placebo, a incidência do desfecho foi de 20%; no grupo tratado com a estatina, a incidência foi de 12%. Com base nesses dados, qual é o número necessário para tratar (NNT) para evitar um evento cardiovascular maior em 3 anos?
O NNT é o inverso da redução absoluta de risco (RRA): NNT = 1/RRA. A RRA = risco no controle − risco no tratado = 0,20 − 0,12 = 0,08 (8%). NNT = 1/0,08 = 12,5, arredondado sempre PARA CIMA = 13 — é preciso tratar 13 pacientes por 3 anos para evitar 1 evento. 5 corresponde a 1/0,20 (usa apenas o risco basal). 8 confunde a RRA em pontos percentuais (8%) com o próprio NNT. 3 aproxima-se do inverso da redução RELATIVA de risco (RRR = 0,08/0,20 = 40%; 1/0,4 = 2,5), que não deve ser usada para o NNT. 40 é a RRR expressa em porcentagem, não o NNT.
Em um ensaio clínico randomizado, controlado e duplo-cego, um novo anticoagulante oral foi comparado ao placebo na prevenção primária de acidente vascular cerebral (AVC) em pacientes com fibrilação atrial não valvar, com seguimento de 2 anos. Ao final do estudo, a incidência acumulada de AVC foi de 10% no grupo placebo e de 6% no grupo que recebeu o anticoagulante. Assumindo que a diferença foi estatisticamente significativa, assinale o número necessário para tratar (NNT), ao longo do período do estudo, para evitar um evento de AVC.
O NNT é o inverso da redução absoluta de risco (RRA). Primeiro passo: RRA = risco no grupo controle (10%) − risco no grupo tratado (6%) = 4% = 0,04. Segundo passo: NNT = 1 / RRA = 1 / 0,04 = 25 (opção correta) — é preciso tratar 25 pacientes por 2 anos para evitar 1 AVC. 2,5 vem de 1/RRR (a redução relativa de risco é 0,04/0,10 = 40%; 1/0,40 = 2,5), erro clássico de usar risco relativo em vez de absoluto. 10 é 1/risco do controle (1/0,10), não corresponde a benefício terapêutico. 17 (≈1/0,06) é 1/risco do grupo tratado, também sem sentido como NNT. 40 é o valor percentual da RRR (40%) confundido diretamente com o NNT.
Investigadores conduziram um estudo caso-controle para avaliar a associação entre tabagismo e câncer de pâncreas. Foram incluídos 200 casos (pacientes com o diagnóstico) e 200 controles. Entre os casos, 120 eram tabagistas e 80 não tabagistas; entre os controles, 60 eram tabagistas e 140 não tabagistas. Considerando o desenho do estudo, assinale a medida de associação apropriada e seu respectivo valor.
Primeiro passo: reconhecer o desenho. Em estudo caso-controle a amostragem parte do desfecho (casos e controles são fixados pelo investigador), de modo que a incidência da doença não pode ser estimada — logo NÃO se calcula risco relativo, e a medida apropriada é a odds ratio (razão de chances). Segundo passo: montar a tabela 2x2 e calcular OR = (a×d)/(b×c) = (120×140)/(60×80) = 16.800/4.800 = 3,5 (opção correta). 1,83 corresponde ao RR calculado ingenuamente [(120/180)/(80/220)], inválido neste desenho — em o valor até é rotulado como OR, mas o número está errado. RR = 2,0 vem de 120/60 e, além de errado, usa medida inaplicável. Risco atribuível também exige incidências, indisponíveis em caso-controle. Como o câncer de pâncreas é relativamente raro, a OR ainda assim aproxima bem o RR (rare disease assumption).
Uma médica de família, em uma Unidade Básica de Saúde do interior, conduz um estudo de coorte para avaliar a associação entre tabagismo e desenvolvimento de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) na sua área adscrita. Acompanha, por 10 anos, 200 usuários tabagistas e 200 não tabagistas, comparáveis quanto a idade e comorbidades. Ao final do seguimento, 40 tabagistas e 10 não tabagistas receberam diagnóstico de DPOC. A partir desses dados, a médica deseja quantificar quantas vezes o tabagismo aumenta o risco de adoecer em relação a quem nunca fumou. Qual é o risco relativo (RR) de DPOC entre os tabagistas comparados aos não tabagistas?
Em coorte o RR é a razão entre a incidência nos expostos e a incidência nos não expostos. Incidência nos tabagistas = 40/200 = 0,20; nos não tabagistas = 10/200 = 0,05; RR = 0,20/0,05 = 4 (correta). 0,25 é o valor invertido (não expostos sobre expostos). 8 corresponderia a comparar apenas os numeradores absolutos (40/10 é o dobro do RR real, pois ignora os denominadores). 2 subestima a razão das incidências.
Ao atualizar o protocolo municipal de prevenção cardiovascular, um médico da rede analisa um ensaio clínico randomizado que comparou uma estatina ao placebo na prevenção de eventos cardiovasculares maiores em cinco anos, em pacientes de risco atendidos na atenção primária. No grupo placebo, a incidência de eventos foi de 10%; no grupo tratado, de 5%. O gestor da rede pergunta quantos pacientes precisariam ser tratados com a estatina, durante o período do estudo, para evitar um único evento cardiovascular, medida útil para dimensionar o impacto e o custo da intervenção no SUS. Qual é o número necessário para tratar (NNT)?
O NNT é o inverso da redução absoluta de risco (RRA). RRA = 10% − 5% = 5% = 0,05; NNT = 1/0,05 = 20 (correta). 10 resulta de usar erroneamente o inverso da incidência do placebo (1/0,10). 5 é a própria RRA em pontos percentuais, não o NNT. 100 viria de usar uma diferença de 1% (0,01), valor que não corresponde aos dados do estudo.
Diante de um surto de uma doença de notificação compulsória, a equipe de vigilância epidemiológica conduz um estudo caso-controle para investigar a associação com o consumo de determinado alimento servido em um evento comunitário. Entre os 100 casos, 60 haviam consumido o alimento e 40 não; entre os 100 controles, 30 consumiram e 70 não. Como o desenho caso-controle parte do desfecho já ocorrido e seleciona os participantes pela condição de doente ou não doente, não permite estimar diretamente a incidência da doença. Qual é a medida de associação apropriada para esse desenho e o seu valor aproximado?
No caso-controle não se calcula incidência, logo o risco relativo não é obtido diretamente; a medida apropriada é a odds ratio (razão de chances). OR = (60×70)/(40×30) = 4200/1200 = 3,5 (correta). 'Risco relativo de 2,0' erra a medida e usa a razão ingênua 60/30. 'Odds ratio de 0,29' é o valor invertido (1/3,5). 'Risco relativo de 3,5' acerta o número mas nomeia a medida errada para este desenho.
Um médico de família de uma unidade básica de saúde participa de um estudo de coorte no território adscrito para avaliar a associação entre tabagismo e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Foram acompanhados por 10 anos 200 usuários tabagistas e 400 usuários não tabagistas, todos sem doença respiratória no início do seguimento e submetidos a espirometria anual. Ao final do período, 40 tabagistas e 20 não tabagistas receberam o diagnóstico de DPOC. O médico deseja apresentar o resultado ao Conselho Local de Saúde utilizando a medida de associação apropriada para um estudo de coorte. Com base nesses dados, qual é o risco relativo (RR) de DPOC associado ao tabagismo e sua interpretação?
Em coorte calcula-se incidência em cada grupo e o RR é a razão entre elas. Incidência nos tabagistas = 40/200 = 0,20 (20%); nos não tabagistas = 20/400 = 0,05 (5%). RR = 0,20/0,05 = 4,0, ou seja, quatro vezes o risco. Incorretas: RR = 0,25 é o cálculo invertido (0,05/0,20), indicaria fator de proteção; RR = 0,15 corresponde à diferença de risco (risco atribuível = 0,20 − 0,05 = 0,15, isto é, 15 pontos percentuais), que é medida de impacto e não de associação relativa; RR = 4,75 resulta do cálculo da razão de chances (odds ratio = [40/160]/[20/380]), medida apropriada para caso-controle, não para coorte com risco disponível.
Uma médica da atenção primária discute com a equipe da estratégia de saúde da família a incorporação de um anti-hipertensivo para prevenção de acidente vascular encefálico (AVE) em hipertensos de risco moderado. Ela apresenta um ensaio clínico randomizado, duplo-cego, controlado por placebo, com 5 anos de seguimento, incluindo pacientes de perfil semelhante ao da população adscrita. No grupo placebo, a incidência de AVE em 5 anos foi de 8%; no grupo que recebeu a medicação, foi de 4%. A equipe quer saber quantos pacientes precisam ser tratados por 5 anos para evitar um AVE. Qual é o número necessário para tratar (NNT) nesse estudo?
O NNT é o inverso da redução absoluta de risco (RAR). RAR = 8% − 4% = 4% = 0,04; NNT = 1/0,04 = 25 pacientes tratados por 5 anos para evitar um AVE. Incorretas: NNT = 50 viria de RAR de 2%, valor que não corresponde aos dados; NNT = 12,5 é o inverso da incidência do grupo controle (1/0,08), o que ignora o desfecho no grupo tratado; NNT = 4 confunde o número com a própria RAR expressa em porcentagem (4%), erro comum ao não fazer a inversão. Note ainda que a redução relativa de risco é de 50% (4/8), cifra que impressiona mais, mas o NNT, baseado no risco absoluto, é a medida que melhor comunica o benefício clínico à equipe.
Durante uma epidemia de dengue, a vigilância epidemiológica municipal conduz um estudo caso-controle para avaliar se o uso prévio de anti-inflamatório não esteroidal (AINE) na fase febril se associa a dengue com sinais de alarme. Foram definidos como casos 100 pacientes internados com dengue com sinais de alarme e, como controles, 120 pacientes com dengue sem sinais de alarme atendidos no mesmo período. Entre os casos, 60 haviam usado AINE; entre os controles, 30 haviam usado. O médico responsável precisa informar a medida de associação adequada ao desenho do estudo. Qual é a razão de chances (odds ratio) do uso de AINE nesse estudo?
Em caso-controle não se calcula incidência, portanto a medida de associação é a razão de chances. Tabela 2x2: casos expostos = 60, casos não expostos = 40, controles expostos = 30, controles não expostos = 90. OR = (60 × 90)/(40 × 30) = 5400/1200 = 4,5 — a chance de exposição prévia a AINE é 4,5 vezes maior entre os casos, resultado coerente com a recomendação do Ministério da Saúde de contraindicar AINE e AAS na dengue. Incorretas: OR = 2,2 resulta de calcular indevidamente um 'risco relativo' (60/90 dividido por 40/130), impossível em caso-controle, pois a proporção de casos é fixada pelo desenho; OR = 0,22 é o inverso do cálculo correto e sugeriria proteção; OR = 1,5 corresponde apenas à razão entre expostos (60/30), ignorando os não expostos.
Um ensaio clínico randomizado multicêntrico, conduzido em unidades básicas de saúde do SUS, avaliou um esquema anti-hipertensivo intensificado em 4.000 adultos de 50 a 70 anos com hipertensão arterial de difícil controle, sem doença cardiovascular prévia. Os participantes foram alocados para o esquema intensificado (2.000 pacientes) ou para o esquema convencional (2.000 pacientes) e acompanhados por cinco anos. Ao final do seguimento, a incidência acumulada de acidente vascular cerebral foi de 6% no grupo do esquema intensificado e de 10% no grupo do esquema convencional, com diferença estatisticamente significante. O médico de família deseja apresentar o benefício do novo esquema à equipe em termos do número de pacientes que precisariam ser tratados, por cinco anos, para evitar um AVC. Qual é o número necessário para tratar (NNT) nesse estudo?
O NNT é o inverso da redução absoluta de risco (RAR). Primeiro passo: RAR = risco no grupo convencional − risco no grupo intensificado = 10% − 6% = 4% (0,04). Segundo passo: NNT = 1/RAR = 1/0,04 = 25 pacientes tratados por cinco anos para evitar um AVC — alternativa correta. "4 pacientes" confunde o valor da RAR em pontos percentuais (4%) com o próprio NNT. "17 pacientes" corresponderia a 1/0,06, usando erroneamente o risco do grupo intervenção como se fosse a diferença de riscos. "40 pacientes" resulta de tomar a redução relativa de risco (RRR = 40%, pois RR = 6/10 = 0,6) como se fosse o NNT — erro clássico: medidas relativas (RR/RRR) não permitem calcular NNT sem o risco basal; apenas a RAR gera o NNT.
Uma equipe de Saúde da Família acompanhou por dois anos 500 adultos tabagistas e 500 adultos não tabagistas adscritos ao território, todos sem doença respiratória crônica no início do seguimento. Ao final do período, foi confirmado diagnóstico de DPOC em 60 tabagistas e em 15 não tabagistas. A equipe pretende dimensionar o excesso de adoecimento atribuível ao tabagismo entre os expostos, para justificar a ampliação do grupo de cessação do tabagismo na unidade. Com base nesses dados, o risco atribuível (diferença de riscos) entre os tabagistas é de
A incidência acumulada em expostos é 60/500 = 12% e em não expostos, 15/500 = 3%. O risco atribuível nos expostos (diferença de riscos) é 12% − 3% = 9%, ou seja, 9 casos por 100 tabagistas em dois anos — a parcela do risco que, na hipótese causal, seria evitada com a cessação. A opção de 3 por 100 corresponde ao risco basal dos não expostos (risco de fundo), não ao excesso atribuível. A de 12 por 100 é o risco absoluto total dos expostos, que inclui o risco de fundo. A de 75 por 100 confunde a fração atribuível nos expostos [(RR−1)/RR = 75%, com RR = 4] com o risco atribuível, que é uma diferença absoluta e não uma proporção.
A Conitec avalia a incorporação ao SUS de um medicamento para prevenção secundária de eventos cardiovasculares. O ensaio clínico randomizado pivotal, com seguimento de três anos, alocou 1.000 pacientes para o medicamento e 1.000 para placebo, todos em terapia otimizada. O desfecho combinado ocorreu em 80 pacientes do grupo intervenção e em 120 do grupo placebo. Com base nesses resultados, o número necessário para tratar (NNT) em três anos é de aproximadamente
Os riscos absolutos são 80/1.000 = 8% com o medicamento e 120/1.000 = 12% com placebo. A redução absoluta de risco é 12% − 8% = 4%, e o NNT é o inverso dessa diferença: 1/0,04 = 25 pacientes tratados por três anos para evitar um desfecho. A opção de 8 apenas reproduz o risco absoluto no grupo intervenção. A de 33 corresponde ao valor numérico da redução relativa de risco (4/12 ≈ 33%), erro clássico de usar a medida relativa no lugar da absoluta. A de 50 resultaria de uma redução absoluta de 2% (1/0,02), o dobro do observado.
Após uma confraternização em um bairro, a equipe da UBS identifica vários moradores com diarreia e vômitos iniciados entre 2 e 6 horas após a refeição. A vigilância epidemiológica municipal conduz um estudo de coorte retrospectiva com os 120 participantes. Dos 60 que consumiram maionese caseira, 45 adoeceram; dos 60 que não consumiram, 5 adoeceram. Com base nesses dados, o risco relativo de adoecer associado ao consumo da maionese é de:
Primeiro passo: calcular as taxas de ataque. Expostos = 45/60 = 75%; não expostos = 5/60 ≈ 8,3%. Segundo passo: RR = 0,75 / 0,083 ≈ 9. Um RR de 9, com período de incubação curto (2 a 6 horas, sugestivo de toxina pré-formada de Staphylococcus aureus) e alta taxa de ataque entre expostos, incrimina a maionese como veículo mais provável — orientando a coleta de restos do alimento e a investigação do manipulador. A alternativa de 0,9 corresponderia a taxas de ataque semelhantes entre expostos e não expostos, o que não ocorre. 1,5 subestima grosseiramente a razão calculada. 15 seria o valor se praticamente nenhum não exposto tivesse adoecido; como houve 5 casos entre os não expostos (possível contaminação cruzada ou outro veículo), o RR é 9. Vale lembrar que surto de doença transmitida por alimentos é de notificação imediata.
Uma equipe de Saúde da Família de uma Unidade Básica de Saúde conduz um estudo de coorte para avaliar a associação entre tabagismo materno na gestação e baixo peso ao nascer. Foram acompanhadas 200 gestantes tabagistas e 200 não tabagistas até o parto. Entre as tabagistas, 40 recém-nascidos tiveram baixo peso; entre as não tabagistas, 20. Com base nesses dados, a medida de associação adequada e sua interpretação são:
Em coorte a incidência é mensurável, permitindo o risco relativo (RR). Risco nas expostas = 40/200 = 0,20; nas não expostas = 20/200 = 0,10; RR = 0,20/0,10 = 2,0 — dobro do risco (correta). O risco atribuível seria 0,20 − 0,10 = 0,10 (10%), não 2,0 (opção errada). Razão de chances é a medida típica de caso-controle, e este é uma coorte (opção errada). RR = 2,0 indica fator de risco, não proteção; RR < 1 é que indicaria proteção (opção errada).
Um centro de referência do SUS realiza um estudo caso-controle para investigar a associação entre o uso prévio de um medicamento e a ocorrência de determinada reação adversa grave. Foram selecionados 100 casos (com a reação) e 100 controles (sem a reação). Entre os casos, 50 haviam usado o medicamento; entre os controles, 25 o utilizaram. Qual é a medida de associação apropriada ao desenho e seu valor?
No caso-controle parte-se do desfecho, não se conhece a incidência, portanto a medida válida é a razão de chances (OR). OR = (50×75)/(50×25) = 3750/1250 = 3,0 (correta). Risco relativo exige incidência, que não pode ser estimada nesse desenho (B e C erradas, além de o cálculo de RR ser inaplicável). Risco atribuível também depende de incidência e não se obtém de diferença de exposição (opção errada).
Um ensaio clínico randomizado avaliou, na Atenção Primária, uma intervenção preventiva para reduzir a incidência de um evento cardiovascular ao longo de 5 anos. No grupo controle, o evento ocorreu em 20% dos participantes; no grupo submetido à intervenção, em 10%. A equipe deseja comunicar ao serviço quantos pacientes precisam ser tratados para evitar um evento. A interpretação correta é:
O NNT é o inverso da redução absoluta de risco (RAR). RAR = 20% − 10% = 10% = 0,10; NNT = 1/0,10 = 10 (correta). A redução relativa de risco (RRR = 10%/20% = 50%) não gera o NNT, e seu inverso (2) não tem esse significado (opção errada). O inverso do risco do controle (1/0,20 = 5) não representa NNT (opção errada). A RRR real é 50%, não 10%, e RRR não equivale a NNT (opção errada).
Pesquisadores vinculados à Atenção Primária acompanham, por cinco anos, gestantes cadastradas em Unidades Básicas de Saúde, comparando a incidência de diabetes mellitus gestacional entre as que apresentavam e as que não apresentavam sobrepeso pré-gestacional. O estudo parte da exposição e segue os participantes ao longo do tempo até a ocorrência do desfecho. Nesse delineamento, qual é a medida de associação diretamente obtida?
Correta: risco relativo. O estudo descrito é uma coorte, que parte da exposição e mede a incidência do desfecho nos grupos, permitindo o cálculo direto do risco relativo. A razão de chances é a medida típica dos estudos de caso-controle. Prevalência pontual e razão de prevalências são medidas de estudos transversais, que fotografam um único momento e não acompanham a incidência.
Em um estudo de coorte prospectivo conduzido em uma cidade do interior, pesquisadores acompanharam trabalhadores por 10 anos para avaliar a associação entre tabagismo e doença arterial coronariana (DAC). No grupo de fumantes (1.500 indivíduos), 180 desenvolveram DAC ao longo do seguimento. No grupo de não fumantes (2.000 indivíduos), 60 desenvolveram o desfecho. Considerando os dados apresentados, assinale a alternativa que corresponde corretamente ao RISCO RELATIVO de DAC associado ao tabagismo nesta coorte.
A incidência entre expostos é 180/1500 = 12% e entre não expostos 60/2000 = 3%; RR = 12%/3% = 4 (fumantes têm 4 vezes o risco). '9%' é o risco atribuível absoluto (12%-3%), medida de impacto, não de força de associação. '0,25' é o RR invertido (não expostos vs. expostos). '75%' é a fração atribuível nos expostos [(RR-1)/RR = 3/4], que quantifica a proporção de casos evitáveis, não o RR.
Um ensaio clínico randomizado, duplo-cego, avaliou um novo anticoagulante para prevenção de AVC em pacientes com fibrilação atrial de alto risco. Após 2 anos de seguimento, a incidência de AVC foi de 25% no grupo placebo e de 15% no grupo tratamento. Com base nesses resultados e assumindo que a diferença foi estatisticamente significativa, assinale a alternativa que apresenta o NÚMERO NECESSÁRIO A TRATAR (NNT) para evitar um AVC com o novo fármaco.
A redução absoluta de risco (RRA) é 25% - 15% = 10% = 0,10; o NNT = 1/RRA = 1/0,10 = 10, ou seja, tratar 10 pacientes para evitar um AVC. '40' confunde-se com a redução relativa de risco (RRR = 10/25 = 40%), que não é usada no denominador do NNT. '4' e '6,7' são os inversos das incidências isoladas do placebo (1/0,25) e do tratamento (1/0,15). O NNT depende sempre da diferença ABSOLUTA de risco.
Para investigar a associação entre exposição ocupacional a solventes orgânicos e uma neoplasia hepática rara, pesquisadores desenharam um estudo caso-controle. Foram incluídos 100 casos confirmados (80 com história de exposição e 20 sem exposição) e 100 controles hospitalares pareados (40 expostos e 60 não expostos). Como se trata de doença de baixa incidência avaliada retrospectivamente, assinale a alternativa que indica corretamente a MEDIDA DE ASSOCIAÇÃO apropriada para este desenho e seu respectivo valor.
Em estudo caso-controle não se calcula incidência, logo o risco relativo NÃO é estimável diretamente — a medida apropriada é o odds ratio (razão de chances): OR = (a×d)/(b×c) = (80×60)/(20×40) = 4800/800 = 6. A alternativa 'Risco relativo de 4' está errada no princípio, pois o RR não pode ser obtido neste desenho. 'Odds ratio de 0,17' é o OR invertido (1/6). 'Risco atribuível de 40%' também exige incidências, indisponíveis em caso-controle.
Uma coorte prospectiva acompanhou 12.000 adultos para investigar a associação entre consumo habitual de café e câncer de pâncreas. A análise bruta mostrou risco relativo (RR) de 2,3 (IC95% 1,8-2,9). Sabendo que o tabagismo é causa reconhecida de câncer de pâncreas e que fumantes tendem a consumir mais café, os pesquisadores estratificaram os dados por tabagismo: entre fumantes o RR do café foi 1,04 (IC95% 0,88-1,23) e entre não fumantes foi 1,06 (IC95% 0,90-1,25). Assinale a interpretação correta.
Confundimento: o tabagismo associa-se tanto à exposição (café) quanto ao desfecho (câncer de pâncreas) sem estar na cadeia causal, inflando o RR bruto. Ao estratificar, a associação desaparece (RR ~1 em ambos os estratos), evidência clássica de confusão. Controla-se por randomização, restrição, pareamento, estratificação ou ajuste multivariado. Errado: na modificação de efeito os RRs seriam DIFERENTES entre estratos; aqui são semelhantes entre si e distintos do bruto, padrão de confusão, não de interação. Viés de seleção não se resolve por estratificação de uma covariável mensurada e não explica o padrão. Causalidade reversa exigiria a doença precedendo a exposição, incompatível com o achado.
Um serviço de saúde do trabalhador acompanhou, por cinco anos, duas coortes de trabalhadores da indústria de beneficiamento de rochas ornamentais de um município do interior, com o objetivo de estimar a ocorrência de tuberculose pulmonar ativa. Todos os participantes eram HIV-negativos e estavam livres da doença na linha de base. Ao final do seguimento, entre os 1.000 trabalhadores expostos cronicamente à poeira de sílica, foram identificados 60 casos incidentes de tuberculose; entre os 1.000 trabalhadores não expostos, foram identificados 15 casos. As perdas de seguimento foram inferiores a 5% em ambos os grupos e distribuídas de forma semelhante. Com base nesses dados, assinale a opção que apresenta corretamente o risco relativo e o risco atribuível nos expostos.
Correta: em estudo de coorte calcula-se incidência acumulada em cada grupo — expostos 60/1.000 = 6,0% e não expostos 15/1.000 = 1,5%. RR = 6,0/1,5 = 4,0 (os expostos têm quatro vezes o risco). O risco atribuível nos expostos (diferença de riscos) = 6,0% − 1,5% = 4,5%, ou 45 casos por 1.000 expostos, isto é, o excesso de casos atribuível à exposição. Dar 6,0% como risco atribuível confunde-o com o risco absoluto total dos expostos, ignorando o risco de base. Um RR de 0,25 inverte numerador e denominador (1,5/6,0), o que sugeriria proteção pela sílica. Um RR de 4,5 com risco atribuível de 4,0% troca os dois valores entre si.
Pesquisadores de um hospital universitário investigaram a associação entre tabagismo e adenocarcinoma de pâncreas. Foram selecionados 300 pacientes com diagnóstico histopatológico confirmado da neoplasia (casos) e 300 pacientes internados na mesma instituição por causas ortopédicas, pareados por sexo e faixa etária (controles). A exposição foi aferida por questionário padronizado aplicado por entrevistador cego ao desfecho. Entre os casos, 180 eram tabagistas e 120 não tabagistas; entre os controles, 120 eram tabagistas e 180 não tabagistas. Considerando o desenho empregado e os dados apresentados, assinale a opção correta sobre a medida de associação obtida.
Correta: trata-se de estudo caso-controle, em que a medida própria é a razão de chances (odds ratio), calculada pelos produtos cruzados: OR = (180 × 180)/(120 × 120) = 32.400/14.400 = 2,25. Como a amostragem parte do desfecho (o investigador fixa o número de casos e de controles), não há denominador populacional em risco: não se calculam incidência, risco absoluto nem risco relativo de modo direto. Um OR de 1,5 erra o cálculo — esse valor é apenas a razão de expostos entre casos e controles — e afirmar que o pareamento permitiria estimar RR é indevido. O valor 0,44 inverte os produtos cruzados (1/2,25), invertendo o sentido da associação. Chamar o resultado de razão de prevalências confunde a razão de chances com a medida típica de estudo transversal.
Um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo avaliou o uso de uma estatina em prevenção primária em 8.000 adultos de 50 a 70 anos com risco cardiovascular intermediário, acompanhados por cinco anos. O desfecho primário composto (infarto agudo do miocárdio não fatal, acidente vascular cerebral não fatal ou morte cardiovascular) ocorreu em 8% dos participantes alocados para a estatina e em 12% dos alocados para placebo, com diferença estatisticamente significativa. A adesão ao tratamento foi superior a 85% em ambos os braços e a análise seguiu o princípio da intenção de tratar. Assinale a opção que apresenta corretamente a redução absoluta de risco e o número necessário para tratar (NNT) no período do estudo.
Correta: a redução absoluta de risco (RRA) é a diferença entre os riscos — 12% − 8% = 4 pontos percentuais (0,04). O NNT é o inverso da RRA: 1/0,04 = 25, ou seja, é preciso tratar 25 pessoas por cinco anos para evitar um evento do desfecho composto. Tomar o próprio valor 4 como NNT acerta a RRA, mas dispensa o cálculo do inverso. Usar a redução relativa de risco (4/12 = 33%) como se fosse absoluta deriva um NNT falsamente pequeno — erro clássico de superestimar benefício. Calcular o inverso do risco do grupo tratado, em vez da diferença de riscos, também está errado: o denominador do NNT é sempre a RRA.
Em coorte prospectiva com 12.400 adultos acompanhados por 10 anos, o consumo de mais de quatro xícaras de café por dia associou-se a câncer de pulmão com risco relativo bruto de 1,9 (IC95% 1,4–2,6). Os autores observaram que grandes consumidores de café fumavam três vezes mais que os demais. Ao incluir carga tabágica no modelo de regressão de Cox, o risco relativo ajustado caiu para 1,05 (IC95% 0,78–1,41). A análise estratificada por tabagismo mostrou RR próximo de 1,0 tanto entre fumantes quanto entre não fumantes. Assinale a interpretação correta.
O tabagismo preenche os três critérios de confundidor: associa-se à exposição (grandes consumidores fumam mais), é causa independente do desfecho e não está na via causal café–câncer; o achado típico é o RR bruto se anular após ajuste, com estratos homogêneos próximos de 1,0 — controle correto por estratificação/regressão. Modificação de efeito exigiria medidas DIFERENTES entre os estratos, o oposto do descrito. Causalidade reversa não se sustenta em coorte prospectiva com 10 anos de seguimento e sem plausibilidade. Viés de memória é problema de estudos retrospectivos, não de aferição prospectiva da exposição.
Um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo avaliou um novo anti-hipertensivo em 4.000 pacientes com alto risco cardiovascular, seguidos por 12 meses. No grupo placebo, o desfecho primário (morte por causa cardiovascular) ocorreu em 15% dos participantes; no grupo intervenção, em 10%. A diferença foi estatisticamente significante (p = 0,001). O comitê de avaliação de tecnologias em saúde solicita a estimativa de quantos pacientes precisariam ser tratados por 12 meses para evitar um óbito cardiovascular. Assinale a alternativa que apresenta corretamente esse valor.
O número necessário para tratar (NNT) é o inverso da redução absoluta de risco (RRA). Aqui, RRA = 15% − 10% = 5% = 0,05; portanto NNT = 1/0,05 = 20 pacientes tratados por 12 meses para evitar um óbito cardiovascular. A alternativa '5' corresponde à própria RRA em pontos percentuais, não ao seu inverso. A alternativa '10' corresponde ao risco no grupo intervenção. A alternativa '33' é o valor obtido se, por engano, se usasse a redução RELATIVA de risco (RRR = 5/15 = 33%) como se fosse absoluta, confusão frequente e que superestima a necessidade de tratamento. Observe que a significância estatística (p = 0,001) informa sobre o acaso, mas não substitui a magnitude do efeito: é o NNT que traduz a relevância clínica e sustenta a decisão de incorporação da tecnologia.
Um estudo de coorte acompanhou por dez anos 1.000 trabalhadores de uma mineradora, dos quais 400 estavam expostos a poeira de sílica e 600 não. Ao final do seguimento, 60 dos expostos e 30 dos não expostos haviam desenvolvido doença pulmonar intersticial. A partir desses dados, o risco relativo e a razão de chances (odds ratio) da exposição para o desfecho valem, respectivamente:
Monte a tabela com exposição nas linhas: expostos a = 60 com doença e b = 340 sem (400 − 60); não expostos c = 30 com doença e d = 570 sem (600 − 30). Risco dos expostos = 60/400 = 15%; risco dos não expostos = 30/600 = 5%; risco relativo = 15/5 = 3,00. Odds ratio pelos produtos cruzados = (60 × 570)/(340 × 30) = 34.200/10.200 = 3,35. Gabarito: 3,00 e 3,35. A alternativa 1,50 e 1,80 sai de dividir 60 por 30 e ignorar os denominadores dos grupos, erro clássico de quem não monta a tabela. A alternativa 2,00 e 2,00 supõe que as duas medidas sempre coincidem, o que só ocorre quando o desfecho é raro — aqui a incidência global é 9%, na fronteira, e por isso os dois números ficaram próximos mas não iguais. A alternativa 3,35 e 3,00 inverte as duas medidas: o odds ratio está SEMPRE mais longe de 1 que o risco relativo, nunca mais perto. A alternativa 6,00 e 3,35 dobra o risco relativo sem qualquer conta que o sustente.
Uma metanálise de ensaios randomizados relatou, para um mesmo desfecho, dois resultados: risco relativo de 0,88 (IC 95% 0,74 a 1,04) e redução absoluta de risco de 1,2 ponto percentual (IC 95% −0,3 a 2,7 pontos). A leitura estatisticamente correta desses dois resultados é:
A diretriz metodológica brasileira de 2025 escreve a regra em uma frase: o valor 1 nas medidas de efeito relativas (RR e OR) indica que não houve diferença entre os grupos, ao passo que o valor 0 nas medidas de diferença indica igualmente ausência de diferença. Aqui o intervalo do risco relativo vai de 0,74 a 1,04 e contém o 1; o intervalo da redução absoluta vai de −0,3 a 2,7 pontos e contém o 0. Os dois resultados dizem a mesma coisa e são perfeitamente compatíveis: o efeito não é estatisticamente significativo. A segunda alternativa é a armadilha exata que a banca monta — aplica a régua do 1 à medida de diferença, cujo intervalo de fato não contém 1, e conclui o oposto do que os dados dizem. A terceira e a quarta confundem estimativa pontual com intervalo: a posição do ponto em relação ao nulo não decide significância, quem decide é o intervalo. A quinta erra porque as duas leituras convergem. Vale registrar que intervalo cruzando o nulo não PROVA ausência de efeito — a própria diretriz de 2012 adverte que, quando o intervalo é largo, o estudo é inconclusivo, e inconclusivo não é negativo.
Uma coorte hospitalar avaliou a associação entre um marcador inflamatório elevado à admissão e óbito intra-hospitalar. Entre os 100 pacientes com o marcador elevado, 40 morreram. Entre os 100 pacientes sem elevação do marcador, 10 morreram. Um comentarista escreveu que 'a chance de óbito foi seis vezes maior no grupo com marcador elevado, o que significa que o risco de morrer foi seis vezes maior'. A respeito dessa afirmação:
Tabela: expostos a = 40 óbitos e b = 60 sobreviventes; não expostos c = 10 óbitos e d = 90 sobreviventes. Risco dos expostos = 40/100 = 40%; risco dos não expostos = 10/100 = 10%; risco relativo = 40/10 = 4,0. Razão de chances = (40 × 90)/(60 × 10) = 3.600/600 = 6,0. O cálculo do comentarista está certo; a tradução é que está errada. A incidência global do desfecho é 50/200 = 25%, muito acima do limiar de 10% abaixo do qual a série de metodologia da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia considera desprezível a superestimação — por isso as duas medidas se afastam tanto. A diretriz metodológica brasileira de 2012 registra a direção do erro: o odds ratio fica sempre mais longe de 1 que o risco relativo, de modo que tratá-los como sinônimos superestima o efeito. A primeira alternativa é a própria armadilha. A segunda inverte as duas medidas. A quarta ignora que a coorte fornece as duas, com valores diferentes. A quinta erra porque a coorte fornece razão de chances sim — o que ela tem a mais é o risco relativo, indisponível no caso-controle.
Numa determinada população, a prevalência de exposição a um fator de risco é de 25% e o risco relativo bruto da exposição para determinada doença é 2,0. A incidência da doença entre os não expostos é de 2% ao ano. Um gestor precisa saber duas coisas: que proporção dos casos que ocorrem ENTRE OS EXPOSTOS se deve ao fator, e que proporção dos casos DA POPULAÇÃO INTEIRA seria evitada se o fator fosse eliminado. Os valores corretos são, respectivamente:
São duas medidas distintas com universos distintos. A proporção dos casos entre os expostos que se deve ao fator é o risco atribuível proporcional, ou fração atribuível nos expostos: (RR − 1)/RR = (2 − 1)/2 = 50%. A proporção dos casos da população inteira é a fração atribuível populacional, pela equação de Levin citada no comentário da Revista de Saúde Pública: Pe(RR − 1)/[Pe(RR − 1) + 1] = 0,25 × 1/(0,25 × 1 + 1) = 0,25/1,25 = 20%. Conferindo pelo caminho direto numa população de 20.000 pessoas: 5.000 expostos com risco de 4% dão 200 casos; 15.000 não expostos com risco de 2% dão 300 casos; total 500 casos e incidência populacional de 2,5%. FAP = (2,5 − 2,0)/2,5 = 20%, idêntico. A diferença entre 50% e 20% não é contradição: 75% da população não está exposta, e os casos que ocorrem nesse grupo não se devem ao fator. As alternativas 20% e 50% invertem as duas medidas — erro de quem decora as fórmulas sem saber a qual pergunta cada uma responde. As demais confundem a fração com a própria prevalência de exposição ou com o excesso de risco relativo.
Um ensaio clínico randomizado comparou uma estratégia antimicrobiana precoce ao cuidado habitual em pacientes com sepse, com desfecho primário mortalidade em 30 dias. Foram alocados 500 pacientes por braço. Ocorreram 90 óbitos no grupo controle e 60 óbitos no grupo intervenção. O número necessário para tratar, com o desfecho e o horizonte de tempo do estudo, é:
Calcule primeiro os riscos absolutos: controle = 90/500 = 18,0%; intervenção = 60/500 = 12,0%. A redução ABSOLUTA de risco é 18,0% − 12,0% = 6,0 pontos percentuais = 0,06. O NNT é o inverso da redução absoluta: 1/0,06 = 16,67, que arredonda PARA CIMA, dando 17. O arredondamento tem lado obrigatório porque arredondar para baixo (16, a terceira alternativa) afirmaria que 16 pacientes tratados bastam para evitar um óbito, quando os dados dizem que são necessários 16,67 — ou seja, prometeria mais benefício do que o estudo demonstrou. A alternativa 3 vem de inverter a redução RELATIVA de risco (1 − 12/18 = 33,3%; 1/0,333 = 3), erro de quem confunde as duas reduções: 33% é o número relativo, e ele não gera NNT. A alternativa 33 usa a redução relativa como se fosse o próprio NNT. A alternativa 60 apenas repete o número de óbitos do braço intervenção. Note também que o NNT só significa alguma coisa acompanhado do desfecho e do prazo — 17 em 30 dias não se transporta para outro horizonte de seguimento.
Um ensaio clínico em oncologia relatou o desfecho sobrevida global por meio de curvas de Kaplan-Meier e de um hazard ratio de 0,78 (IC 95% 0,64 a 0,95), obtido por regressão de Cox. Sobre essa medida, é correto afirmar:
O hazard ratio compara taxas instantâneas do evento e não a proporção de sobreviventes ao final do estudo. Na interpretação do modelo de Cox, HR de 0,78 corresponde a uma taxa instantânea estimada 22% menor no grupo intervenção, observados os pressupostos do modelo. Como o IC95% de 0,64 a 0,95 exclui 1, há significância estatística no teste correspondente. Isso não elimina vieses, não garante validade do modelo e não informa sozinho benefício absoluto ou relevância clínica. HR pode ser utilizado tanto em ensaios quanto em estudos observacionais.
Um grupo de pesquisa investigou a associação entre uso prévio de determinado fármaco e uma neoplasia rara. Foram recrutados 150 pacientes com o diagnóstico confirmado da neoplasia e 300 pacientes sem a neoplasia, atendidos no mesmo serviço, e a história de uso do fármaco foi levantada retrospectivamente em prontuário para ambos os grupos. Sobre as medidas que este desenho de estudo permite estimar, é correto afirmar:
O desenho descrito é um caso-controle: parte-se do desfecho já ocorrido e olha-se para trás em busca da exposição. A diretriz metodológica brasileira de 2014 registra, na coluna de desvantagens desse desenho, que 'o risco é estimado de maneira indireta pelo odds ratio'. A razão é que o denominador da linha dos expostos não é uma população em risco: quantos controles entram no estudo é decisão administrativa. Se os pesquisadores dobrarem o número de controles mantendo a mesma distribuição de exposição, qualquer 'risco relativo' calculado ali muda, enquanto a razão de chances permanece a mesma — é justamente essa estabilidade que faz do odds ratio a medida do caso-controle. A primeira alternativa erra porque incidência exige denominador de pessoas em risco e tempo de observação, que o desenho não oferece. A terceira erra porque NNT deriva da redução absoluta de risco, que por sua vez exige risco absoluto em cada braço. A quarta erra porque a fórmula direta da fração atribuível populacional depende de incidências, indisponíveis aqui (a fração pode ser estimada indiretamente a partir do odds ratio, mas não por essa fórmula). A quinta erra porque o grupo de comparação existe — são os controles.
Um mesmo anti-hipertensivo foi testado em duas populações distintas e produziu, nas duas, uma redução de risco relativo de 20% para o desfecho evento cardiovascular maior em cinco anos. Na população A, de alto risco, a incidência do desfecho no grupo controle foi de 40%. Na população B, de baixo risco, foi de 4%. Sobre os números necessários para tratar nessas duas populações, é correto afirmar:
Redução relativa de 20% significa risco relativo 0,80. Na população de alto risco: risco no controle 40%, risco na intervenção 40 × 0,80 = 32%; redução ABSOLUTA = 40 − 32 = 8 pontos percentuais; NNT = 1/0,08 = 12,5, que arredonda para cima, dando 13. Na população de baixo risco: risco no controle 4%, risco na intervenção 3,2%; redução absoluta = 0,8 ponto percentual; NNT = 1/0,008 = 125 exato, sem arredondamento a fazer. Mesma redução relativa, mesmo medicamento, e o esforço para evitar um evento passa de 13 para 125 pacientes — porque a redução relativa não sabe quanto havia a perder. É a demonstração que a série de metodologia do Jornal Brasileiro de Pneumologia faz com outros números (redução relativa de 25% dando NNT 20 sobre risco basal de 20% e NNT 8 sobre risco basal de 50%). Dizer que os NNT são iguais porque a redução relativa é a mesma é o erro central do tema. Trocar os valores, pondo 125 no grupo de alto risco e 13 no de baixo, inverte a direção: o benefício absoluto é maior onde há MAIS eventos a evitar. Responder 5 nos dois grupos confunde as duas reduções, aplicando o inverso da redução relativa. E dizer que falta o número absoluto de pacientes erra porque o NNT depende de proporções, não do tamanho dos braços.
Uma coorte relatou risco relativo de 2,5 para determinado desfecho entre expostos a um agente ocupacional. No mesmo estudo, o risco do desfecho em dez anos entre os não expostos foi de 0,8%. Uma reportagem afirmou que a exposição eleva o risco em 250%. Qual é a leitura correta desses números?
Risco relativo de 2,5 significa risco duas vezes e meia maior, e o excesso é RR − 1, isto é, 150% — não 250%. A mesma armadilha existe na direção protetora, em que risco relativo de 0,70 é redução de 30%. Em termos absolutos, com risco de 0,8% em dez anos entre os não expostos, o risco dos expostos é 0,8 × 2,5 = 2,0%, e a diferença é de 1,2 ponto percentual. Somar 2,5 ao risco de base, chegando a 3,3%, troca multiplicação por soma. O número necessário para causar dano sai do inverso da diferença absoluta, 1/0,012 = 83,3, que arredonda para cima e dá 84, e não 12. E afirmar que uma razão de riscos não permite estimar risco absoluto ignora que o enunciado informa o risco dos não expostos, que é exatamente o dado que falta para converter a razão em números de pessoas.
Um ensaio clínico randomizado relatou, para o desfecho primário em cinco anos, redução absoluta de risco de 5,0 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95% de 2,0 a 10,0 pontos. O relatório precisa apresentar também o número necessário para tratar com a respectiva faixa de incerteza.
O número necessário para tratar é o inverso da redução absoluta de risco: 1/0,05 = 20 em cinco anos. O intervalo sai por inversão dos limites da redução, e eles trocam de lado, porque quanto maior a redução absoluta menos gente é preciso tratar: o limite de 10,0 pontos dá 1/0,10 = 10, e o limite de 2,0 pontos dá 1/0,02 = 50. Relata-se 20, com intervalo de 10 a 50 no mesmo horizonte de tempo. Usar o limite menor da redução para calcular a estimativa central troca o ponto pelo extremo da faixa. Carregar 2 a 10 como intervalo do número esquece a inversão e mistura duas escalas diferentes. Sustentar que medida derivada não admite intervalo contraria a prática de relato, que exige a faixa de incerteza junto da estimativa. E aplicar o valor nulo 1 a essa faixa leva a régua das razões para uma medida de diferença: quem decide a significância aqui é o intervalo da redução absoluta, de 2,0 a 10,0 pontos, que não contém o zero.
Um ensaio randomizado de pequeno porte, encerrado antes do previsto por lentidão no recrutamento, comparou um tratamento novo ao cuidado habitual em uma condição de desfecho pouco frequente. O resultado publicado foi risco relativo de 0,62, com intervalo de confiança de 95% de 0,31 a 1,24. A equipe do serviço discute o que esse resultado autoriza afirmar.
O intervalo de 0,31 a 1,24 abrange desde redução de quase 70% até aumento de 24% do risco: contém o valor nulo das medidas de razão, de modo que o resultado não é estatisticamente significativo — mas ele também não exclui benefício importante. Intervalo largo cruzando o nulo torna o estudo inconclusivo, e inconclusivo não é negativo; a conduta correta é não afirmar ausência de efeito. Concluir que o tratamento não funciona transforma falta de prova em prova de falta. Afirmar redução de 38% adota a estimativa pontual como se o intervalo não existisse. Procurar o valor zero dentro de um intervalo de razão troca a régua: o zero é o nulo das medidas de diferença, e o 1 é o das razões. E declarar equivalência exige margem definida de antemão e precisão suficiente, que uma faixa desse tamanho não oferece.
Numa investigação de surto alimentar em evento com 200 participantes, foi calculado o risco relativo de adoecer entre quem consumiu maionese caseira (RR = 6,4; IC95% 2,8-14,6) e entre quem consumiu salada verde (RR = 1,1; IC95% 0,7-1,8). Qual a interpretação correta?
A maionese tem risco relativo alto com intervalo de confiança que não cruza o 1, o que torna a associação estatisticamente significante; a salada tem risco praticamente nulo e intervalo que inclui o 1, ou seja, compatível com ausência de associação. Considerar ambos veículos engana quem lê apenas o valor pontual sem olhar o intervalo. Exigir cultura no alimento antes de agir travaria a resposta: o alimento muitas vezes já foi descartado, e a evidência epidemiológica basta para a medida de controle.
Em um ensaio clínico, o desfecho ocorreu em 20% do grupo controle e em 15% do grupo intervenção. Qual o número necessário para tratar (NNT)?
A redução absoluta de risco é a diferença entre os riscos: 20% menos 15% resulta em 5 pontos percentuais, ou 0,05. O número necessário para tratar é o inverso dessa diferença, ou seja, 1 dividido por 0,05, o que dá 20 — é preciso tratar 20 pessoas para evitar um desfecho. Responder 5 engana porque esse é o valor da redução absoluta em pontos percentuais, e o aluno para antes de calcular o inverso; responder 25 seria confundir com a redução relativa de risco, que aqui é de 25%, número maior e mais impressionante, motivo pelo qual costuma ser o divulgado.
Um estudo relata risco relativo de 1,8 com intervalo de confiança de 95% entre 0,9 e 3,4. Qual a interpretação correta?
Para medidas de razão, como risco relativo e razão de chances, o valor nulo é 1; um intervalo de confiança que o inclui indica resultado compatível com ausência de associação, ou seja, não significativo no nível adotado. Olhar apenas a estimativa pontual engana porque 1,8 sugere efeito e é o número que salta aos olhos, mas a amplitude do intervalo revela imprecisão, geralmente por amostra pequena. Não significativo tampouco prova ausência de efeito, e nenhum resultado isolado estabelece causalidade.
Na investigacao de surto alimentar, a coorte retrospectiva mostrou: entre os 60 que comeram o frango, 45 adoeceram; entre os 40 que nao comeram, 10 adoeceram. A taxa de ataque entre expostos e o risco relativo sao, respectivamente:
Taxa de ataque entre expostos e 45/60 = 75%; entre nao expostos, 10/40 = 25%. O risco relativo e a razao entre elas: 75/25 = 3,0. O valor 4,5 engana quem divide o numero de doentes expostos pelo numero de doentes nao expostos (45/10), esquecendo de dividir cada grupo pelo seu proprio denominador — erro que superestima a associacao. Em surto, o alimento suspeito e aquele que combina taxa de ataque alta entre expostos, taxa baixa entre nao expostos e numero de casos suficiente para explicar o surto.
Um ensaio clinico mostrou que a incidencia de eventos cardiovasculares em 5 anos foi de 10% no grupo placebo e 8% no grupo tratado. O numero necessario para tratar (NNT) e:
A reducao absoluta de risco e 10% menos 8% = 2%, e o numero necessario para tratar e o inverso desse valor: 1/0,02 = 50 pacientes tratados por 5 anos para evitar um evento. O valor 20 engana quem usa a reducao RELATIVA de risco (20%) no lugar da absoluta — erro que faz o tratamento parecer muito mais eficaz do que e. Reducao relativa nao permite calcular o numero necessario para tratar sem conhecer o risco basal.
Em um ensaio clínico, a mortalidade em cinco anos foi de 20% no grupo controle e de 15% no grupo intervenção. Qual é o número necessário para tratar (NNT) e a redução absoluta de risco?
A redução absoluta de risco é a diferença entre os riscos, ou seja, 20% menos 15%, resultando em 5 pontos percentuais, e o número necessário para tratar é o inverso dessa diferença: 1 dividido por 0,05 equivale a 20 pessoas tratadas para evitar um óbito. O valor de 25% corresponde à redução relativa de risco, e confundi-la com a absoluta é a distorção que faz intervenções de pequeno impacto parecerem espetaculares em manchetes e materiais promocionais.
Estudo de coorte mostrou risco relativo de 2,5 para infarto entre tabagistas, com prevalencia de tabagismo de 40% na populacao. O risco atribuivel populacional percentual e de aproximadamente:
O risco atribuivel populacional percentual e calculado por p(RR-1)/[p(RR-1)+1]: 0,4 x 1,5 = 0,6; 0,6/1,6 = 0,375, ou seja, cerca de 37,5% dos infartos na populacao poderiam ser evitados eliminando o tabagismo. Responder 60% engana quem para no numerador e esquece de dividir pelo denominador. Esse indicador depende da prevalencia da exposicao, e nao apenas da forca da associacao — por isso exposicoes fracas mas muito prevalentes podem ter grande impacto populacional.
Uma coorte acompanhou 1.000 trabalhadores expostos a solvente e 1.000 não expostos por 10 anos. A incidência de doença renal crônica foi de 8% nos expostos e 2% nos não expostos. Qual é o risco relativo e sua interpretação?
O risco relativo é a razão entre as incidências, 8% dividido por 2%, resultando em 4 — os expostos adoeceram quatro vezes mais. O valor 6 corresponde à diferença de riscos em pontos percentuais, medida de impacto absoluto que responde a outra pergunta e é o distrator mais frequente. Vale notar que risco relativo alto pode conviver com impacto absoluto pequeno quando a doença é rara, e é por isso que as duas medidas se complementam.
Um novo tratamento reduz a mortalidade de 2% para 1% em 5 anos. A forma de apresentacao que MENOS induz superestimacao do beneficio pelo paciente e:
A medida absoluta e o numero necessario para tratar comunicam magnitude real de beneficio, ao passo que a reducao relativa infla a percepcao — 'metade do risco' soa enorme quando o risco basal e minusculo. Apresentar so o valor relativo engana pacientes e profissionais e e uma das principais fontes de intervencao excessiva, tema central da prevencao quaternaria. As formulacoes que falam em dobrar chances sao a mesma medida relativa reescrita de modo ainda mais persuasivo.
Equipe de Saúde da Família investiga um surto após festa comunitária. Das 200 pessoas presentes, 60 adoeceram com náuseas, vômitos e diarreia entre 2 e 6 horas após a refeição. Entre os 100 que comeram maionese caseira, 50 adoeceram; entre os 100 que não comeram, 10 adoeceram. Qual é o risco relativo associado ao consumo da maionese?
O risco relativo é a razão entre a incidência nos expostos (50/100 = 0,50) e a incidência nos não expostos (10/100 = 0,10), resultando em 5,0 — ou seja, quem comeu a maionese teve cinco vezes mais risco de adoecer. O valor 2,5 corresponderia a uma incidência de 25% nos expostos, que não é o observado. O valor 0,4 inverteria numerador e denominador, indicando erroneamente efeito protetor. O valor 10,0 confunde risco relativo com a razão entre os números absolutos de doentes sem considerar os denominadores.
Estudo randomizado comparou novo anti-hipertensivo com placebo em 2.000 pacientes. O desfecho de acidente vascular cerebral ocorreu em 4% do grupo intervenção e em 6% do grupo placebo, com diferença estatisticamente significante. Considerando esses dados, quantos pacientes precisam ser tratados para evitar um evento?
O número necessário para tratar é o inverso da redução absoluta de risco: a diferença entre 6% e 4% é de 2%, e o inverso de 0,02 corresponde a 50 pacientes. O valor 20 corresponderia a uma redução absoluta de 5%, superior à observada. O valor 33 corresponderia a uma redução de 3%. O valor 100 corresponderia a 1% de redução absoluta, subestimando o efeito encontrado no estudo.
Em ensaio clínico com 2.000 participantes hipertensos acompanhados por cinco anos, o desfecho combinado cardiovascular ocorreu em 10% dos participantes que receberam o novo fármaco e em 15% dos que receberam o comparador. Não houve perdas relevantes de seguimento e a randomização foi adequada. A equipe de gestão da atenção primária deseja saber quantas pessoas precisariam ser tratadas para evitar um evento no período do estudo. Qual é esse valor?
A redução absoluta de risco é a diferença entre 15% e 10%, ou seja, 5 pontos percentuais, e o número necessário para tratar é o inverso dessa diferença, resultando em 20 pessoas tratadas para evitar um evento no período. O valor 5 corresponde à redução absoluta em pontos percentuais, não ao número necessário para tratar. O valor 33 seria obtido a partir de uma redução absoluta de 3 pontos percentuais. O valor 50 corresponderia a uma redução absoluta de 2 pontos percentuais.
Um estudo acompanhou por dez anos 8.000 adultos sem doença cardiovascular, classificados no início conforme a prática regular de atividade física. Entre os 3.000 fisicamente ativos, ocorreram 60 infartos; entre os 5.000 sedentários, ocorreram 250 infartos. Os pesquisadores desejam expressar quantas vezes o risco de infarto foi maior no grupo sedentário em relação ao grupo ativo, medida que exige o cálculo direto das incidências em cada grupo. A medida de associação apropriada para esse delineamento e esse objetivo é:
O delineamento descrito é de coorte, no qual grupos definidos pela exposição são acompanhados ao longo do tempo, permitindo calcular incidências e, portanto, o risco relativo, medida que expressa quantas vezes o risco é maior entre expostos. A razão de chances é a medida típica de estudos de caso-controle, nos quais a incidência não pode ser calculada diretamente, e não é imposta por diferença de tamanho entre grupos. Prevalência descreve casos existentes em um momento e não mede associação longitudinal. Letalidade relaciona óbitos ao número de doentes, não à população exposta, e responde a outra pergunta.
Em um município, a incidência anual de infarto agudo do miocárdio é de 8 por 1.000 entre tabagistas e de 2 por 1.000 entre não tabagistas. O inquérito local mostrou que 25% da população adulta fuma. A coordenadora da vigilância de doenças crônicas quer estimar quanto da incidência total de infarto na população seria evitado se o tabagismo fosse eliminado, para justificar a ampliação do programa de cessação. Qual medida responde diretamente a essa pergunta?
A pergunta é quanto da doença na população inteira desapareceria com a remoção da exposição, e isso é exatamente o risco atribuível populacional, que combina a força da associação com a prevalência da exposição. O risco relativo mede quantas vezes o risco é maior entre expostos, mas ignora quantas pessoas estão expostas. O odds ratio é medida de associação de estudos caso-controle e tampouco incorpora prevalência. O número necessário para tratar quantifica o benefício de uma intervenção já testada, não o impacto populacional da eliminação de um fator de risco.
Um estudo de coorte acompanhou 2.000 adultos por 5 anos. Entre os 800 expostos ao sedentarismo, ocorreram 120 casos de diabetes tipo 2; entre os 1.200 não expostos, ocorreram 60 casos. Os autores desejam comunicar aos gestores quantas pessoas precisariam deixar o sedentarismo para evitar um caso. Com base nesses dados, é correto afirmar que:
A incidência nos expostos é 120 em 800, ou 15%, e nos não expostos é 60 em 1.200, ou 5%, o que dá risco relativo de 3,0; a diferença de riscos é de 10 pontos percentuais, e o número necessário para tratar é o inverso dessa diferença, isto é, 1 dividido por 0,10, resultando em 10 — porém, como se pede o número de pessoas que precisam deixar a exposição, arredonda-se para cima somente quando o valor não é inteiro, e aqui o cálculo exato de 1/0,10 é 10. A opção que combina risco relativo 3,0 com número 9 é a única que reproduz corretamente ambos os cálculos quando se usa a incidência acumulada arredondada dos dados fornecidos. Risco relativo de 2,0 exigiria incidências de 15% e 7,5%, o que não corresponde aos números. Chamar 15% de risco atribuível confunde a incidência nos expostos com a diferença entre grupos, que é de 10%. Um risco relativo de 0,33 inverteria numerador e denominador, e o número necessário para tratar é perfeitamente calculável em coorte a partir da diferença de riscos.
Um ensaio clínico randomizado comparou um novo anti-hipertensivo com placebo em 2.000 pacientes. A incidência de eventos cardiovasculares foi de 8% no grupo tratado e de 12% no grupo placebo, com seguimento de 5 anos e perdas inferiores a 3%. Os autores desejam apresentar aos gestores uma medida que expresse quantos pacientes precisam ser tratados para evitar um evento. Qual o número necessário para tratar?
A redução absoluta de risco é a diferença entre 12% e 8%, ou seja, 0,04 (4 pontos percentuais), e o número necessário para tratar é o inverso dessa redução absoluta, resultando em 25 pacientes tratados por cinco anos para evitar um evento. O valor 0,04 é a própria redução absoluta, e não o seu inverso. O valor 0,33 é a redução relativa de risco, medida de efeito e não de impacto assistencial. Já 12,5 e 8,33 resultam de inverter isoladamente a incidência de cada grupo, e não a diferença entre elas.
Um estudo caso-controle avaliou a associação entre uso de determinado medicamento e malformação congênita. Foram incluídos 200 casos de recém-nascidos com malformação e 400 controles sem malformação. Entre os casos, 60 mães usaram o medicamento; entre os controles, 40 usaram. Todos os dados de exposição foram obtidos por entrevista com as mães após o nascimento, com o mesmo questionário estruturado. Qual a razão de chances e qual o viés mais provável?
A razão de chances é obtida dividindo a chance de exposição entre os casos, 60 sobre 140, pela chance entre os controles, 40 sobre 360, resultando em aproximadamente 3,86; como a exposição é reconstruída por entrevista após o nascimento, o viés de memória é a principal ameaça, pois mães de crianças malformadas recordam exposições com mais detalhe. O risco relativo não pode ser calculado diretamente em caso-controle, pois não há denominador populacional. O valor de 1,5 subestima o cálculo apresentado. O risco atribuível também exige medidas de incidência. A razão de prevalência é medida de estudo transversal, desenho distinto do descrito.
Um estudo de coorte acompanhou 10.000 pessoas por 10 anos para avaliar a associação entre atividade física e mortalidade. Após ajuste para idade, sexo, tabagismo e comorbidades, o hazard ratio para os mais ativos foi de 0,72, com intervalo de confiança de 95% entre 0,64 e 0,81. As perdas de seguimento foram de 6%, distribuídas de forma semelhante entre os grupos comparados. Qual a interpretação correta desse resultado?
Um hazard ratio de 0,72 indica redução de 28% no risco instantâneo de óbito entre os mais ativos, e como o intervalo de confiança de 0,64 a 0,81 não inclui o valor nulo de 1,0, o resultado é estatisticamente significativo. Interpretar como aumento de 72% inverte completamente o significado da medida. O intervalo apresentado não contém o valor nulo, de modo que afirmar ausência de significância é incorreto. O hazard ratio é medida relativa e não expressa redução absoluta em pontos percentuais. Perdas de 6% distribuídas de forma equilibrada são aceitáveis e não invalidam a inferência.
Um pesquisador deseja avaliar a eficácia de uma nova vacina em prevenir determinada doença. Planeja acompanhar 20.000 voluntários por 2 anos, com alocação aleatória entre vacina e placebo, cegamento de participantes e investigadores, e desfecho definido como incidência de doença confirmada laboratorialmente. Pretende ainda calcular a redução proporcional da incidência entre vacinados e não vacinados ao final do seguimento. Qual medida expressa a eficácia vacinal nesse estudo?
A eficácia vacinal é definida como um menos o risco relativo, expressa em porcentagem, e indica a redução proporcional da incidência entre vacinados em comparação aos não vacinados. O valor de p informa apenas a probabilidade de o resultado ser devido ao acaso, sem quantificar o efeito. A prevalência no grupo vacinado não permite comparação sem o grupo controle. O número absoluto de casos no placebo depende do tamanho do grupo e do tempo de seguimento, não expressando eficácia. A razão de chances de exposição é medida típica de estudo caso-controle, desenho distinto do ensaio clínico descrito.
Um estudo comparou dois tratamentos e relatou que o tratamento A reduziu o risco relativo de eventos em 50% em relação ao tratamento B. Ao consultar os dados brutos, verifica-se que a incidência de eventos foi de 0,2% com o tratamento A e de 0,4% com o tratamento B, em uma população de baixo risco basal acompanhada por dois anos, com adesão semelhante entre os grupos comparados. Qual a melhor interpretação desses dados?
A redução relativa de 50% impressiona, mas a redução absoluta é de apenas 0,2 ponto percentual, o que corresponde a um número necessário para tratar de 500 pacientes, evidenciando o quanto medidas relativas podem superestimar o benefício em populações de baixo risco basal. Redução relativa e absoluta não são equivalentes, justamente por dependerem do risco de base. Um número necessário para tratar de 2 pacientes corresponderia a redução absoluta de 50 pontos percentuais. A redução absoluta de 50 pontos percentuais confunde a medida relativa com a absoluta. Os dados apresentados permitem sim calcular ambas as medidas de impacto.
Um estudo de coorte acompanhou 3.000 trabalhadores expostos a solvente orgânico e 3.000 não expostos, por 10 anos, avaliando a incidência de neuropatia periférica. O risco relativo encontrado foi de 1,8, com intervalo de confiança de 95% entre 0,9 e 3,4. Os pesquisadores concluíram haver forte associação entre exposição e doença. Sobre esse intervalo de confiança, assinale a alternativa INCORRETA.
Afirmar que o intervalo incluindo 1 confirma definitivamente a ausência de associação é o erro pedido: ausência de significância não é prova de ausência de efeito, sobretudo em estimativa imprecisa como esta. É verdadeiro que o intervalo inclui o valor nulo, o que impede afirmar associação estatisticamente significativa. É correto que a amplitude ampla indica imprecisão, geralmente por poucos eventos. É correto que amostras maiores estreitam o intervalo. Também é correto que o intervalo informa simultaneamente magnitude e precisão, o que o torna mais informativo que o valor de p isolado.
Em investigação de surto de doença diarreica após evento social, 60 dos 100 participantes que consumiram determinada maionese adoeceram, enquanto 10 dos 100 que não consumiram apresentaram sintomas. Os pesquisadores calculam medidas de associação para orientar a hipótese sobre o alimento implicado. Considerando esses dados, assinale a alternativa correta.
A incidência entre expostos é de 60% e entre não expostos de 10%, resultando em risco relativo de 6,0, valor que indica forte associação entre o consumo da maionese e a ocorrência de diarreia. Um risco relativo de 0,17 corresponderia à razão invertida e indicaria proteção, o que não se aplica. A razão de chances pode perfeitamente ser calculada em coorte, embora o risco relativo seja a medida preferencial nesse desenho. O risco atribuível entre expostos é a diferença entre as incidências, de 50%, e não a soma delas. Afirmar que o risco relativo de 6,0 não permite inferência sobre associação nega o próprio significado da medida.
Em estudo caso-controle, 72 dos 120 casos e 48 dos 160 controles foram expostos. Qual é a odds ratio?
Não expostos: 48 casos e 112 controles. OR = (72 × 112)/(48 × 48) = 3,5. Referência: CDC. Principles of Epidemiology in Public Health Practice, 3ª edição. Dados e cálculos fictícios elaborados para esta questão. https://stacks.cdc.gov/view/cdc/6914
Em um ensaio de dois anos, evento adverso grave ocorreu em 6% dos tratados e 2% dos controles. Qual é o número necessário para causar um evento adicional nesse período?
O aumento absoluto do risco é 0,06 − 0,02 = 0,04; NNH = 1/0,04 = 25. Referência: CDC. Principles of Epidemiology in Public Health Practice, 3ª edição. Dados e cálculos fictícios elaborados para esta questão. https://stacks.cdc.gov/view/cdc/6914
Em dois grupos populacionais, uma intervenção produz redução relativa de risco de 50%. Em um ano, o risco sem tratamento é 20% no grupo X e 2% no grupo Y. Como comparar os NNTs?
As reduções absolutas são 10 e 1 ponto percentual; seus inversos são 10 e 100, respectivamente. Referência: CDC. Principles of Epidemiology in Public Health Practice, 3ª edição. Dados e cálculos fictícios elaborados para esta questão. https://stacks.cdc.gov/view/cdc/6914
Numa coorte vacinal, a incidência de doença é 1% nos vacinados e 4% nos não vacinados. A razão entre os riscos é 0,25. Qual medida corresponde ao cálculo ou interpretação descritos?
A divisão direta das incidências acumuladas é risco relativo. Risco relativo divide a incidência acumulada nos expostos ou tratados pela incidência no grupo de comparação, no período definido. Referência: https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson3/section5.html
Dois grupos têm mortalidade de 20% e 15% em cinco anos. A equipe relata que a intervenção evita cinco mortes por cem tratados. Qual medida corresponde ao cálculo ou interpretação descritos?
A expressão por cem pessoas traduz diferença absoluta de risco. A redução absoluta é o risco do evento adverso no controle menos o risco no tratamento; sua unidade é proporção ou pontos percentuais. Referência: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/7873954/
Um tratamento evita quatro eventos adicionais a cada cem pessoas acompanhadas por três anos. A equipe calcula 1/0,04 e obtém 25. Qual medida corresponde ao cálculo ou interpretação descritos?
São necessárias 25 pessoas tratadas para evitar um evento adicional nesse horizonte, em média. NNT é o inverso da redução absoluta do risco, expressa como proporção, para um desfecho e período definidos, arredondando para cima quando necessário. Referência: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/7873954/
Em ensaio com seguimento igual, o risco de AVC é 6% no controle e 4% na intervenção. O benefício absoluto é 0,02. Qual medida corresponde ao cálculo ou interpretação descritos?
A diferença de dois pontos percentuais corresponde à redução absoluta do risco. A redução absoluta é o risco do evento adverso no controle menos o risco no tratamento; sua unidade é proporção ou pontos percentuais. Referência: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/7873954/
Uma intervenção reduz risco de 10% para 8% em um ano. Após obter a diferença de 0,02, calcula-se seu inverso e encontra-se 50. Qual medida corresponde ao cálculo ou interpretação descritos?
O inverso da redução absoluta define o NNT para esse período. NNT é o inverso da redução absoluta do risco, expressa como proporção, para um desfecho e período definidos, arredondando para cima quando necessário. Referência: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/7873954/
Um tratamento reduz eventos em dois anos de 15% para 10%. A equipe expressa o benefício como cinco pontos percentuais. Qual medida corresponde ao cálculo ou interpretação descritos?
A subtração dos riscos fornece redução absoluta, diferente da redução proporcional. A redução absoluta é o risco do evento adverso no controle menos o risco no tratamento; sua unidade é proporção ou pontos percentuais. Referência: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/7873954/
O risco de recorrência em um ano cai de 9% para 6%. Calcula-se 1/0,03 e arredonda-se 33,33 para 34 pessoas. Qual medida corresponde ao cálculo ou interpretação descritos?
O arredondamento para cima fornece o NNT inteiro para prevenir um evento adicional. NNT é o inverso da redução absoluta do risco, expressa como proporção, para um desfecho e período definidos, arredondando para cima quando necessário. Referência: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/7873954/
Ensaio relata HR=0,80 em análise de Cox, e o autor corretamente evita afirmar que 20% dos pacientes necessariamente evitaram o evento. Qual medida corresponde ao cálculo ou interpretação descritos?
Hazard ratio de 0,80 compara hazards, sem determinar a redução absoluta de eventos. Hazard ratio compara taxas instantâneas condicionais de evento ao longo do seguimento; não é diretamente uma razão de riscos acumulados. Referência: https://www.cancer.gov/publications/dictionaries/cancer-terms/def/hazard-ratio
Um modelo de Cox informa razão de 0,70 para a taxa instantânea de morte entre tratados e controles, condicionada a ainda estar sob risco. Qual medida corresponde ao cálculo ou interpretação descritos?
A medida do modelo de Cox é hazard ratio, não redução direta da probabilidade acumulada. Hazard ratio compara taxas instantâneas condicionais de evento ao longo do seguimento; não é diretamente uma razão de riscos acumulados. Referência: https://www.cancer.gov/publications/dictionaries/cancer-terms/def/hazard-ratio
Numa coorte, 30 de 300 expostos e 10 de 200 não expostos adoecem. O cálculo (30/300)/(10/200) resulta em 2. Qual medida corresponde ao cálculo ou interpretação descritos?
Os denominadores permitem calcular incidências acumuladas e sua razão. Risco relativo divide a incidência acumulada nos expostos ou tratados pela incidência no grupo de comparação, no período definido. Referência: https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson3/section5.html
A análise de um estudo selecionado pelo desfecho compara as chances de exposição prévia nos casos e nos controles, sem estimar diretamente incidência. Qual medida corresponde ao cálculo ou interpretação descritos?
Caso-controle clássico permite estimar odds ratio, sem calcular riscos pela proporção amostral de casos. Odds ratio compara chances; em tabela 2×2 pode ser calculado pelo produto cruzado ad/bc e não equivale necessariamente ao risco relativo. Referência: https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson3/section5.html
Pesquisa de sobrevida considera censura e apresenta uma razão entre taxas instantâneas de progressão. A medida não informa por si só a diferença absoluta em cinco anos. Qual medida corresponde ao cálculo ou interpretação descritos?
Razão de hazards é medida relativa de tempo até evento, distinta do risco absoluto em data fixa. Hazard ratio compara taxas instantâneas condicionais de evento ao longo do seguimento; não é diretamente uma razão de riscos acumulados. Referência: https://www.cancer.gov/publications/dictionaries/cancer-terms/def/hazard-ratio
Em ensaio, a incidência acumulada é 2% no grupo tratado e 5% no controle. Dividir 0,02 por 0,05 produz 0,40. Qual medida corresponde ao cálculo ou interpretação descritos?
O resultado representa risco relativo de 0,40 no período especificado. Risco relativo divide a incidência acumulada nos expostos ou tratados pela incidência no grupo de comparação, no período definido. Referência: https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson3/section5.html
Uma regressão logística para desfecho binário produz exp(beta)=1,8, interpretado como razão entre chances ajustadas. Qual medida corresponde ao cálculo ou interpretação descritos?
A exponenciação do coeficiente logístico estima odds ratio. Odds ratio compara chances; em tabela 2×2 pode ser calculado pelo produto cruzado ad/bc e não equivale necessariamente ao risco relativo. Referência: https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson3/section5.html
Uma tabela apresenta 80 expostos e 20 não expostos entre casos, contra 40 expostos e 60 não expostos entre controles. A medida calculada é (80×60)/(20×40). Qual medida corresponde ao cálculo ou interpretação descritos?
O cálculo ad/bc produz odds ratio de 6, sem significar automaticamente risco seis vezes maior. Odds ratio compara chances; em tabela 2×2 pode ser calculado pelo produto cruzado ad/bc e não equivale necessariamente ao risco relativo. Referência: https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson3/section5.html
Um artigo apresenta a estimativa relativa obtida de modelo de riscos proporcionais e discute a validade da hipótese de proporcionalidade ao longo do tempo. Qual medida corresponde ao cálculo ou interpretação descritos?
A hipótese de hazards proporcionais é central à interpretação do hazard ratio no modelo descrito. Hazard ratio compara taxas instantâneas condicionais de evento ao longo do seguimento; não é diretamente uma razão de riscos acumulados. Referência: https://www.cancer.gov/publications/dictionaries/cancer-terms/def/hazard-ratio
Em estudo caso-controle, 60 casos e 30 controles foram expostos; 40 casos e 70 controles não foram. Calcula-se (60×70)/(40×30). Qual medida corresponde ao cálculo ou interpretação descritos?
O produto cruzado em caso-controle estima a razão de chances. Odds ratio compara chances; em tabela 2×2 pode ser calculado pelo produto cruzado ad/bc e não equivale necessariamente ao risco relativo. Referência: https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson3/section5.html
Em cinco anos, 12% dos expostos e 4% dos não expostos desenvolvem o desfecho. O pesquisador divide 0,12 por 0,04 e obtém 3. Qual medida corresponde ao cálculo ou interpretação descritos?
A divisão de riscos acumulados no mesmo período calcula risco relativo. Risco relativo divide a incidência acumulada nos expostos ou tratados pela incidência no grupo de comparação, no período definido. Referência: https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson3/section5.html
Em população de menor risco, a diferença absoluta de eventos com tratamento é 0,005 em dois anos. O inverso fornece 200. Qual medida corresponde ao cálculo ou interpretação descritos?
O NNT cresce quando o benefício absoluto diminui, mantido o período de observação. NNT é o inverso da redução absoluta do risco, expressa como proporção, para um desfecho e período definidos, arredondando para cima quando necessário. Referência: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/7873954/
Tratamento reduz o risco de internação de 30% para 24% em seis meses. A equipe distingue seis pontos percentuais de benefício de uma redução relativa de 20%. Qual medida corresponde ao cálculo ou interpretação descritos?
Os seis pontos percentuais representam redução absoluta do risco. A redução absoluta é o risco do evento adverso no controle menos o risco no tratamento; sua unidade é proporção ou pontos percentuais. Referência: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/7873954/
Em população de baixo risco, um ensaio de cinco anos registra 3% de eventos no controle e 1% no tratamento. Os riscos devem ser convertidos em proporções antes da inversão. Qual é o número necessário para tratar nesse período?
A diferença é 0,03−0,01=0,02; NNT=50 para o horizonte de cinco anos. NNT de 50 corresponde a redução absoluta de 0,02, ou dois pontos percentuais. Referência: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/7873954/
Um tratamento reduz eventos em três anos de 8% no controle para 4% na intervenção. Considere apenas o benefício absoluto observado, sem extrapolar o período. Qual é o número necessário para tratar nesse período?
A redução é 0,04; NNT=1/0,04=25 pessoas durante três anos. NNT de 25 corresponde a redução absoluta de 0,04, ou quatro pontos percentuais. Referência: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/7873954/
Em ensaio com seguimento de dois anos, a recorrência ocorre em 20% dos controles e 10% dos tratados. Use NNT=1/(risco no controle−risco no tratamento), com riscos em proporção. Qual é o número necessário para tratar nesse período?
A diferença é 0,20−0,10=0,10; seu inverso é 10 pessoas por dois anos para evitar uma recorrência adicional. NNT corresponde ao inverso da redução absoluta do risco, em proporção, para um desfecho e horizonte definidos. Referência: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/7873954/
Em estudo de um ano, cem de mil controles e cinquenta de mil tratados são internados. Os grupos têm seguimento completo e o desfecho é a primeira internação. Qual é o número necessário para tratar nesse período?
Os riscos são 0,10 e 0,05; a redução absoluta é 0,05 e NNT=20. NNT de 20 corresponde a redução absoluta do risco de 0,05, ou cinco pontos percentuais. Referência: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/7873954/
Em uma coorte sem perdas, 30 de 300 expostos e 15 de 600 não expostos desenvolveram o desfecho. Qual é o risco relativo dos expostos em comparação aos não expostos?
Os riscos são 30/300 = 10% e 15/600 = 2,5%; a razão é 4. Referência: CDC. Principles of Epidemiology, Lesson 3, Measures of Association. https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson3/section5.html
Em um ensaio com seguimento de dois anos, ocorreram eventos em 12% do grupo controle e 9% do grupo tratado. O paciente pergunta quantos eventos a menos ocorreram a cada 100 pessoas tratadas nesse período. Qual é a resposta?
A redução absoluta é 12% − 9% = 3 pontos percentuais em dois anos. Referência: CDC. Principles of Epidemiology, Lesson 3, Measures of Association. https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson3/section5.html
Em uma coorte, o desfecho ocorreu em 40% dos expostos e 20% dos não expostos. Um artigo apresenta odds ratio de aproximadamente 2,67. Qual é a interpretação correta dessa diferença em relação ao risco relativo?
RR = 0,40/0,20 = 2; OR = (0,40/0,60)/(0,20/0,80) ≈ 2,67. As medidas não são intercambiáveis com eventos comuns. Referência: CDC. Principles of Epidemiology, Lesson 3, Measures of Association. https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson3/section5.html
Um tratamento reduz o risco relativo de um evento em 25% durante cinco anos. Em uma população, o risco sem tratamento é 20%; em outra, é 4%. Admitindo o mesmo efeito relativo, qual interpretação do benefício absoluto é correta?
No grupo de maior risco, a redução é 20% × 25% = 5 pontos percentuais; no de menor risco, 4% × 25% = 1 ponto percentual. Os NNT são, respectivamente, 20 e 100 em cinco anos. Referência: CDC. Principles of Epidemiology, Lesson 3, Measures of Association. https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson3/section5.html
Um estudo selecionou 100 casos e 100 controles. Havia exposição prévia em 60 casos e em 30 controles. Qual é a razão de chances de exposição dos casos em relação aos controles?
As chances são 60/40 e 30/70; a razão equivale a (60 × 70)/(40 × 30) = 3,5. Referência: CDC. Principles of Epidemiology, Lesson 3, Measures of Association. https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson3/section5.html
Dois estudos estimam RR de 2,0. O primeiro tem IC95% de 1,8 a 2,2; o segundo, de 0,7 a 5,5. Qual diferença está diretamente demonstrada?
O intervalo mais estreito indica menor incerteza amostral em torno da estimativa. Referência: CDC. Field Epidemiology Manual, Chapter 8: Analyzing and Interpreting Data (2025). https://www.cdc.gov/field-epi-manual/php/chapters/analyze-interpret-data.html
Um estudo estima RR de 0,78, com IC95% de 0,52 a 1,18. Considerando um teste bilateral convencional com alfa de 5%, qual interpretação é adequada?
O valor nulo de uma razão de riscos é 1, que está dentro do intervalo. Referência: CDC. Field Epidemiology Manual, Chapter 8: Analyzing and Interpreting Data (2025). https://www.cdc.gov/field-epi-manual/php/chapters/analyze-interpret-data.html
Um relatório descreve um intervalo de confiança de 95% para uma medida de associação. Qual explicação corresponde à interpretação frequencista do procedimento?
O nível de confiança é uma propriedade do método sob suas premissas, e não uma distribuição dos indivíduos. Referência: CDC. Field Epidemiology Manual, Chapter 8: Analyzing and Interpreting Data (2025). https://www.cdc.gov/field-epi-manual/php/chapters/analyze-interpret-data.html
Um estudo que compara dois tratamentos para hipertensão apresenta p = 0,03 no teste do desfecho principal. Sob as premissas do modelo, qual interpretação é correta?
O valor de p condiciona a análise à hipótese nula e ao modelo; não é a probabilidade de a hipótese ser verdadeira. Referência: CDC. Field Epidemiology Manual, Chapter 8: Analyzing and Interpreting Data (2025). https://www.cdc.gov/field-epi-manual/php/chapters/analyze-interpret-data.html
Qual estudo tem intervalo compatível tanto com redução quanto com aumento de risco?

Seu IC vai de 0,8 a 1,8 e cruza 1.
No ensaio da figura, qual é a redução absoluta do risco de evento em um ano?

Risco controle 20/100=20%; tratamento 10/100=10%; diferença=10 pontos percentuais.
Entre os estudos A e B, qual apresenta intervalo de confiança mais estreito na escala mostrada?

A largura é 0,98−0,65=0,33, menor que 0,90−0,40=0,50.
Assumindo relação causal e ausência de vieses, qual fração dos casos entre expostos é atribuível à exposição?

Fração atribuível nos expostos=(RR−1)/RR=(4−1)/4=75%.
Apesar da associação calculada, qual limitação permanece se a exposição não foi randomizada?

É necessário avaliar fatores associados à exposição e ao desfecho.
Qual é a diferença absoluta de risco entre os grupos da coorte?

20%−5%=15 pontos percentuais.
Qual é o número necessário para tratar para evitar um evento em um ano, com base na figura?

NNT=1/0,10=10, para o horizonte de um ano estudado.
Qual é o risco relativo de doença nos expostos em comparação aos não expostos?

(80/400)/(20/400)=0,20/0,05=4.
Na coorte apresentada, qual é a incidência acumulada entre os expostos em um ano?

80 novos casos entre 400 expostos inicialmente sem doença:80/400=20%.
Qual é a redução relativa do risco produzida pelo tratamento no ensaio mostrado?

(20%−10%)/20%=50%. A redução relativa usa o risco do controle como denominador.
Por que não se deve apresentar o NNT calculado como um valor universal independente do tempo?

A tabela informa desfecho em um ano.
Quais estudos apresentam IC95% inteiramente abaixo do valor nulo de RR=1?

Seus limites superiores são 0,90 e 0,98.
Qual estimativa mostra associação com maior risco e IC95% que exclui 1?

RR1,8 com IC1,3–2,5.
Que aspecto descrito no título favorece o equilíbrio de fatores prognósticos entre os grupos, em média?

A alocação aleatória reduz confundimento na comparação causal.
O intervalo de C cruzar 1 permite afirmar que não existe qualquer efeito?

Ausência de significância não prova equivalência.
No ensaio da tabela, participantes que pioraram abandonaram mais frequentemente o tratamento. Um analista pretende excluí-los e comparar apenas quem completou a terapia. Qual é o principal risco dessa decisão?

Excluir participantes com base em eventos pós-randomização pode quebrar comparabilidade. Intenção de tratar preserva grupos de alocação; dados ausentes e estimandos precisam ser tratados explicitamente.
Qual é o risco relativo tratamento/controle?

Dividindo 5% por 10%, obtém-se 0,5.
Por que informar apenas redução relativa de 50% pode ser insuficiente para decidir?

A magnitude absoluta e o horizonte temporal tornam o efeito mais interpretável para decisões clínicas.
Qual risco foi observado no grupo controle?

100 eventos em 1.000 participantes correspondem a 10%.
Qual grupo teve menor risco do evento?

Os riscos foram 5% no tratamento e 10% no controle.
Uma exposição causal eleva o risco de uma doença de 2% para 8% em grupos comparáveis. Um relatório afirma que 75% dos casos entre expostos são atribuíveis à exposição. Qual leitura desse número está correta sob esses pressupostos?
O denominador da fração atribuível é o risco nos expostos. Ela descreve a composição dos casos nesse grupo e não a probabilidade individual de adoecer. Referências: CDC. Principles of Epidemiology, Lesson 3, Measures of Public Health Impact — https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson3/section6.html
Dois tratamentos foram estudados em populações distintas. O primeiro apresenta NNT de 20 para evitar internação em cinco anos; o segundo, NNT de 30 para evitar internação em seis meses. Um gestor escolhe o primeiro apenas por seu NNT menor. Qual é a principal ressalva?
A comparação exige uma pergunta clínica comum. Não se deve converter automaticamente uma estimativa acumulada de cinco anos em efeito semestral. Referências: Cochrane Handbook. Chapter 15: Interpreting results and drawing conclusions — https://www.cochrane.org/authors/handbooks-and-manuals/handbook/current/chapter-15
Em uma população, 20% estão expostos a um agente. O risco anual da doença é 15% nos expostos e 5% nos demais. Admita associação causal, grupos comparáveis e que eliminar a exposição faria o risco de todos ser 5%. Qual fração dos casos na população seria evitável?
A média ponderada é 0,20×0,15 + 0,80×0,05 = 0,07. No cenário proposto, a fração evitável é (0,07−0,05)/0,07. A interpretação depende dos pressupostos causais apresentados. Referências: CDC. Principles of Epidemiology, Lesson 3, Measures of Public Health Impact — https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson3/section6.html
Uma coorte registra 40 eventos em 2.000 pessoas-ano no grupo exposto e 30 eventos em 3.000 pessoas-ano no não exposto. Qual é a razão de taxas de incidência dos expostos em relação aos não expostos?
Primeiro, cada contagem é dividida por seu tempo de observação; depois, comparam-se as taxas. A unidade de pessoa-tempo se cancela na razão. Referências: Cochrane Handbook. Chapter 6: Choosing effect measures and computing estimates of effect — https://www.cochrane.org/authors/handbooks-and-manuals/handbook/current/chapter-06
Em ensaio randomizado com seguimento completo de um ano, sangramento ocorreu em 6% dos tratados e em 2% dos controles. Qual é o número necessário para tratar associado a um sangramento adicional nesse período, também chamado NNH?
O evento adicional é estimado pela diferença entre os grupos: 1/(0,06 − 0,02). A interpretação mantém o desfecho e o horizonte temporal do estudo. Referências: Cochrane Handbook. Chapter 15: Interpreting results and drawing conclusions — https://www.cochrane.org/authors/handbooks-and-manuals/handbook/current/chapter-15
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em 7 dias
Redesenhe de memória a tabela 2×2 com exposição nas linhas e desfecho nas colunas e escreva, sem consultar, as seis fórmulas: risco de cada grupo, risco relativo, odds ratio pelos produtos cruzados, diferença de risco, NNT e fração atribuível populacional pela equação de Levin. Depois refaça as duas contas-âncora do capítulo. Primeira: 80/20/20/80 dá risco relativo 4 e odds ratio 16, com incidência global de 50%. Segunda: 20/1.980/5/1.995 dá o mesmo risco relativo 4 e odds ratio 4,03, com incidência global de 0,625%. Se as duas saírem em menos de três minutos, o núcleo do tema está resolvido. Feche recitando os dois valores nulos: 1 para razões, 0 para diferenças.
em 30 dias
Pegue um artigo aberto de ensaio clínico ou de coorte, no SciELO ou no Jornal Brasileiro de Pneumologia, e faça três coisas. Primeira: identifique o desenho e diga, antes de ler os resultados, qual medida ele PODE relatar. Segunda: encontre no resumo a medida relativa que os autores destacaram e reconstrua a partir dos números do corpo do artigo a medida absoluta correspondente, com o horizonte de tempo — se for ensaio, calcule o NNT e arredonde para cima. Terceira: localize os intervalos de confiança e verifique, para cada medida, se o valor nulo correto (1 ou 0) está dentro ou fora. Se o artigo relatar odds ratio, olhe a incidência do desfecho: acima de 10%, tente a conversão RR = OR / [1 − RAC × (1 − OR)] usando o risco do grupo controle e veja o quanto o número se move.
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Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Homem de 62 anos, hipertenso e diabético, retorna à unidade básica com o resultado dos exames e uma reportagem impressa no celular. A manchete diz que um novo medicamento 'reduz em 30% o risco de infarto'. Ele quer saber se deve trocar o que já toma por esse remédio, que não é fornecido pela farmácia da unidade e custa cerca de trezentos reais por mês. O estudo citado na reportagem acompanhou por cinco anos pacientes com risco basal de infarto bem mais alto que o dele. Conduza a consulta: explique a diferença entre o número que ele leu e o benefício que ele pode esperar, calcule com ele o que 30% significam em pessoas quando o risco de partida é baixo, e feche uma decisão compartilhada sem desqualificar a reportagem nem prometer o que os dados não sustentam. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
