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Medidas de frequência e indicadores de saúde
Denominadores, unidades e interpretação dos indicadores
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Um gestor municipal analisa indicadores para planejar ações de atenção primária. Ele observa que a mortalidade infantil no município é de 18 por mil nascidos vivos, sendo o componente neonatal precoce (0 a 6 dias) o de maior peso. Considerando os determinantes desse componente, qual intervenção da atenção primária tende a ter o MAIOR impacto sobre a mortalidade neonatal precoce?
Como esse tema cai
Medida de frequência rende duas ou três questões em qualquer prova de residência e quase nunca exige conta difícil. O que a banca cobra é o denominador. Todas as medidas deste capítulo dividem um número de eventos por alguma coisa; trocar essa coisa muda o nome da medida, muda a unidade, muda a interpretação e muda a alternativa certa — mesmo quando o numerador é idêntico. Um único óbito vira letalidade de 3%, mortalidade de 2,5 por 100 mil ou nada disso, dependendo apenas do que se põe embaixo da fração.
A segunda camada é brasileira. Os indicadores de mortalidade que o SUS publica têm fórmula fixada em documento: numerador delimitado por código da CID-10, denominador tirado de um sistema de informação específico e multiplicador que não é escolha do candidato — mortalidade infantil por mil nascidos vivos, mortalidade materna por 100 mil. Questão com recorte de saúde coletiva, de prova oficial do MEC ou de concurso municipal cobra a fórmula oficial, não a fórmula genérica de livro internacional.
A terceira camada separa quem decorou de quem entendeu: de onde vem cada número. sim, Sinasc e Sinan produzem numeradores e denominadores; onde eles falham por sub-registro entram fatores de correção e estimativas demográficas. É por isso que dois documentos brasileiros publicam valores diferentes para o mesmo indicador no mesmo ano, e é por isso que o ano do documento citado no enunciado carrega informação.
O que muda decisão
Razão, proporção e taxa: o nome vem do denominador
Há três formas de comparar dois números, e elas se distinguem por uma pergunta só: o que está em cima faz parte do que está embaixo? Na razão, não faz. Numerador e denominador são grandezas independentes, o resultado vai de zero ao infinito e não tem leitura de percentual. Na proporção, faz: o numerador é uma parte do todo que está no denominador, o resultado fica entre 0 e 1 e se lê como percentual. A taxa (ou coeficiente) é uma proporção com uma exigência a mais — o denominador precisa ser a população efetivamente exposta ao risco, num período de tempo declarado — e vem multiplicada por uma potência de dez para virar número legível.
O multiplicador não é escolha de quem calcula: ele é convenção fixa de cada indicador e só serve para tirar zeros da frente da vírgula. Mortalidade infantil sai por mil nascidos vivos, mortalidade materna por 100 mil nascidos vivos, mortalidade proporcional por 100, mortalidade por causa específica por 100 mil habitantes. Trocar o multiplicador não muda a interpretação; trocar o denominador muda tudo.
Sobre a palavra coeficiente, a documentação oficial brasileira resolve a dúvida sem margem: ela trata coeficiente e taxa como sinônimos. A ficha do indicador de mortalidade infantil se chama "Taxa de mortalidade infantil" e traz logo abaixo, entre parênteses, "Coeficiente de mortalidade infantil"; a de mortalidade perinatal faz o mesmo. Quem procurar uma distinção técnica entre os dois termos nos documentos do SUS não a encontrará, porque ela não está lá. Quando o enunciado escrever "índice" — palavra que os textos usam com folga —, o caminho é o mesmo: ler o denominador e classificar a medida por ele.
Vale registrar o caso que a própria documentação nomeia com cuidado: a mortalidade materna é chamada de razão, e não de taxa, porque o denominador é emprestado. Quem corre risco de morte materna é a gestante, e o número de gestantes de um território não é conhecido. Entram nascidos vivos como aproximação — e, como o numerador não é parte desse denominador, o quociente deixa de ser um risco.
Incidência: quantos adoeceram e com que velocidade
Incidência conta casos novos. Quem já tem a doença não pode adoecer de novo dela e sai do denominador — essa é a regra que a banca testa com pergunta sobre "população sob risco". A partir daí, há duas incidências, e elas respondem a perguntas diferentes.
A incidência acumulada é o risco: casos novos divididos pela população sob risco no início do período. É adimensional, varia de 0 a 1 e só significa alguma coisa com o período declarado junto. "Risco de 2%" não quer dizer nada; "risco de 2% em cinco anos" e "risco de 2% em um ano" descrevem doenças com velocidades muito distintas. Ela pressupõe que todo mundo foi acompanhado pelo mesmo tempo, o que raramente acontece fora do ensaio clínico.
A taxa de incidência, também chamada de densidade de incidência, resolve esse problema pondo tempo no denominador: casos novos divididos pela soma do tempo que cada pessoa contribuiu de observação. A unidade é caso por pessoa-tempo — tipicamente por mil pessoas-ano — e o valor vai de zero ao infinito, porque o denominador cresce indefinidamente com o seguimento. É a medida das coortes em que gente entra e sai, morre, muda de cidade ou desiste.
A conta separa as duas de forma limpa. Quinhentos trabalhadores acompanhados, 300 deles por quatro anos e 200 por dois, somam 1.600 pessoas-ano. Trinta e dois casos novos dão incidência acumulada de 6,4% (32 sobre 500) e taxa de incidência de 2 casos por 100 pessoas-ano (32 sobre 1.600). O mesmo numerador, dois números e duas leituras: a fração que adoeceu e a velocidade com que a doença apareceu.
Um caso particular de incidência acumulada tem nome próprio na vigilância: a taxa de ataque, usada em surto, com o denominador restrito aos expostos e multiplicador 100. E a taxa de ataque secundária, que mede transmissão dentro de populações fechadas, tem no denominador os contatos do caso primário — não a população geral, não os expostos ao veículo.
Prevalência: o estoque, não o fluxo
Prevalência conta quem tem a doença, casos novos e antigos juntos. A prevalência pontual olha um instante; a de período, uma janela de tempo. Em ambas o denominador é a população naquele momento ou naquele período, e o resultado é uma proporção — não um risco, não uma velocidade.
A relação entre as duas famílias de medida cabe numa aproximação que explica quase toda questão do tema: prevalência é aproximadamente igual à incidência multiplicada pela duração média da doença. É um reservatório com uma entrada e duas saídas. A incidência é a torneira que enche; cura e óbito são os ralos. O nível da água é a prevalência.
Daí saem consequências que a banca adora. Doença crônica de longa duração acumula estoque e tem prevalência alta mesmo com incidência baixa — hipertensão, diabetes, tuberculose, hanseníase, infecção pelo HIV. Doença aguda tem prevalência pontual quase nula mesmo em plena epidemia, porque o doente sai do estoque em poucos dias: dengue, sarampo e diarreia se medem por incidência, e questão que oferece prevalência para doença aguda está oferecendo distrator.
A consequência mais cobrada é contraintuitiva: tratamento que prolonga a vida sem curar aumenta a prevalência. Não é piora — é o ralo do óbito fechando. Foi o que aconteceu com a infecção pelo HIV depois da terapia antirretroviral, e é o que acontece em qualquer programa que reduz letalidade de doença crônica. Do outro lado, tratamento curativo eficaz derruba a prevalência sem tocar na incidência, porque abre o ralo da cura.
Por isso prevalência não serve para estimar risco nem para avaliar causalidade em estudo transversal: quem morreu depressa não está lá para ser contado. Um fator que agrave o prognóstico pode aparecer sub-representado entre os casos prevalentes exatamente por matar rápido.

Letalidade, mortalidade e taxa de ataque: três frações com o mesmo numerador
Letalidade é a proporção de óbitos entre os casos da doença. O denominador são os doentes, o resultado se lê em percentual e a pergunta que ela responde é sobre gravidade: quem contrai isto, morre com que frequência? Mortalidade por causa específica é a proporção de óbitos por aquela doença na população inteira, com multiplicador 100 mil, e responde outra pergunta: quanto essa doença pesa sobre a população?
As duas se movem em direções independentes, e é essa independência que a prova cobra. Doença rara e quase sempre fatal — raiva humana é o exemplo limpo — tem letalidade próxima de 100% e mortalidade desprezível. Doença comum e pouco letal pode ter letalidade de fração de ponto percentual e mortalidade alta, porque atinge muita gente. Programa que reduz letalidade não reduz necessariamente incidência, e vice-versa.
Num surto, a mesma aritmética aparece três vezes com denominadores diferentes, e o enunciado costuma dar todos os números de propósito. Numa festa com 150 convidados, 90 comeram maionese caseira e 54 desses adoeceram: a taxa de ataque entre expostos é 60% (54 sobre 90). Se 6 dos 60 que não comeram também adoeceram, a taxa de ataque entre não expostos é 10% — e é a comparação entre as duas que aponta o veículo, não o valor isolado de nenhuma. Dividir os 54 pelos 150 presentes dá 36% e não é taxa de ataque de coisa nenhuma.
Os indicadores brasileiros de mortalidade materno-infantil
A taxa de mortalidade infantil é o número de óbitos de residentes com menos de um ano dividido pelo número de nascidos vivos de mães residentes, por mil. O denominador chama a atenção: não é a população de menores de um ano, é o total de nascidos vivos do ano. A escolha é deliberada — o indicador estima o risco de morte de quem nasceu vivo durante o primeiro ano de vida, e nascidos vivos é a coorte de entrada.
Os componentes dividem esse primeiro ano em três janelas, todas com nascidos vivos no denominador: neonatal precoce, de 0 a 6 dias completos; neonatal tardia, de 7 a 27 dias; e pós-neonatal, de 28 dias a menos de um ano. A leitura é direta e vale ouro em prova: predomínio neonatal aponta para a assistência ao pré-natal, ao parto e ao recém-nascido; predomínio pós-neonatal aponta para ambiente, saneamento, nutrição e cuidado domiciliar. Municípios que reduzem a mortalidade infantil quase sempre reduzem primeiro o componente pós-neonatal, e o neonatal é o que resiste.
A escala clássica classifica a taxa como alta a partir de 50 por mil, média entre 20 e 49 e baixa abaixo de 20. A própria ficha do indicador registra que esses parâmetros exigem revisão periódica, porque foram construídos num perfil epidemiológico em que o Brasil inteiro ocupava as duas primeiras faixas — hoje o país está em torno de 13 por mil, dentro da faixa baixa, e a escala já não separa realidades muito diferentes entre si. Ela continua sendo a régua cobrada, e vale saber que valores abaixo de 10 por mil podem encobrir desigualdade interna grave.
O cálculo direto — óbitos do sim sobre nascidos vivos do Sinasc — só é adotado onde a cobertura permite. Onde a cobertura do Sinasc fica abaixo de 90%, ou onde o índice composto que combina cobertura e regularidade do sim não atinge 80%, o número publicado vem de estimativa por técnicas demográficas indiretas. As duas rotas produzem valores diferentes para a mesma unidade da federação no mesmo ano, e a causa é o sub-registro de óbitos e de nascimentos, historicamente maior no Norte e no Nordeste.
A taxa de mortalidade perinatal tem o denominador mais distinto do grupo: nascimentos totais, isto é, nascidos vivos somados aos óbitos fetais. O período perinatal começa em 22 semanas completas de gestação (154 dias, cerca de 500 g e 25 cm) e termina aos 7 dias completos de vida, ou seja, no 6º dia. O óbito fetal de 22 semanas ou mais entra dos dois lados da fração — no numerador como óbito, no denominador dentro dos nascimentos totais —, e o indicador só é recomendado onde a mortalidade infantil já é calculada pelo método direto.
A razão de mortalidade materna é o número de óbitos maternos por 100 mil nascidos vivos. Morte materna é a morte da mulher durante a gestação ou até 42 dias após o término dela, por causa relacionada ou agravada pela gravidez, excluídas as causas acidentais e incidentais. O numerador vem do capítulo XV da CID-10, menos O96 e O97, mais um punhado de códigos de outros capítulos: tétano obstétrico (A34), transtornos mentais e comportamentais do puerpério (F53), osteomalácia puerperal (M83.0), necrose hipofisária pós-parto (E23.0), mola hidatiforme maligna ou invasiva (D39.2) e as causas ligadas ao HIV, com exigência de comprovação do vínculo com o estado gravídico-puerperal.
Duas categorias da CID-10 existem e ficam de fora do cálculo, e o enunciado costuma escondê-las no meio da vinheta: morte materna tardia (O96), por causa obstétrica ocorrida entre 42 dias e um ano após o parto, e morte por sequela de causa obstétrica direta (O97), um ano ou mais depois. Reconhecer o óbito e ainda assim não somá-lo ao numerador é exatamente o que a questão testa.
Mortalidade geral, padronização por idade e os indicadores que não são de mortalidade
O coeficiente geral de mortalidade divide todos os óbitos pela população, por mil habitantes. É o indicador mais simples do conjunto e o mais traiçoeiro, porque depende quase tanto da estrutura etária quanto da saúde: uma cidade litorânea envelhecida exibe mortalidade bruta maior que uma capital jovem mesmo com assistência melhor, porque tem mais gente na faixa em que se morre. Comparar coeficientes brutos entre populações com pirâmides etárias diferentes não informa sobre a saúde de nenhuma das duas.
Há duas saídas. A primeira é abandonar o número único e usar coeficientes específicos por faixa etária, comparando faixa com faixa. A segunda é padronizar. Na padronização direta, aplicam-se as taxas específicas de cada população estudada à estrutura etária de uma população-padrão comum, e os totais resultantes ficam comparáveis. Na indireta, faz-se o inverso: aplicam-se as taxas específicas do padrão à estrutura da população estudada para obter o número de óbitos esperados, e a razão entre óbitos observados e esperados, vezes 100, é a razão de mortalidade padronizada — recurso da vez em que os óbitos por faixa etária são poucos demais para gerar taxas específicas estáveis.
A esperança de vida ao nascer resolve o mesmo problema por outro caminho: ela sintetiza as taxas específicas de mortalidade de um ano numa tábua de vida e devolve o número médio de anos que uma coorte hipotética viveria sob aquelas taxas. Por não depender da estrutura etária real, compara populações diferentes sem ajuste. Não é previsão sobre nenhuma pessoa, e sim resumo das condições de mortalidade do momento.
Do lado da entrada, a taxa bruta de natalidade divide os nascidos vivos pela população, por mil, e a taxa de fecundidade total estima o número médio de filhos que uma mulher teria ao fim do período reprodutivo. A queda da fecundidade é o motor da transição demográfica brasileira e mexe nos denominadores de meio capítulo: menos nascidos vivos por ano deixam a mortalidade infantil mais instável em municípios pequenos e envelhecem a população, empurrando o coeficiente bruto de mortalidade para cima.
Por fim, indicador de saúde não é sinônimo de indicador de mortalidade. A matriz brasileira de indicadores básicos organiza o conjunto em sete subconjuntos temáticos: demográficos, socioeconômicos, morbidade, mortalidade, recursos, cobertura e fatores de risco e de proteção. Questão que pede um indicador de cobertura quer proporção de gestantes com pré-natal adequado ou cobertura vacinal; a que pede indicador de recursos quer leitos ou profissionais por mil habitantes. Ler o subconjunto pedido antes de escolher a alternativa evita responder mortalidade para pergunta de cobertura.
Mortalidade proporcional: Swaroop-Uemura e a curva de Nelson de Moraes
Mortalidade proporcional não é risco. Ela distribui o total de óbitos em fatias — por causa, por idade — e as fatias somam 100%. O denominador é o total de óbitos, não a população, e por isso ela dispensa saber quanta gente mora no território. Essa é a virtude e o defeito: dá para calcular onde não há censo confiável, mas a fatia de uma causa pode crescer sem que ninguém tenha passado a morrer mais dela, bastando que outra causa encolha.
A mortalidade proporcional por grupos de causas tem uma sutileza de denominador na versão oficial brasileira: ela exclui do total os óbitos por causas mal definidas. Onde a proporção de causas mal definidas é alta, o indicador perde utilidade — e é justamente onde o registro é pior.
A razão de mortalidade proporcional, ou indicador de Swaroop-Uemura, é a fatia dos óbitos que ocorre a partir dos 50 anos: óbitos de 50 anos ou mais sobre o total de óbitos, vezes 100. Foi o primeiro indicador construído para medir nível de saúde, apresentado em 1955 a um grupo de estudo sobre medida do nível de saúde patrocinado pela OMS. A lógica é a de que, quanto mais alto o valor, mais a morte se concentra nas idades avançadas, e mais alto o nível de saúde da população.
Em 1959, Nelson de Moraes estendeu a ideia para uma curva, distribuindo a mortalidade proporcional em cinco faixas etárias: menores de 1 ano, 1 a 4, 5 a 19, 20 a 49 e 50 anos ou mais. O formato da linha resultante classifica o nível de saúde em quatro degraus, do muito baixo ao elevado, conforme a massa de óbitos se desloca da infância para a velhice. Como toda medida proporcional, ela depende da estrutura etária da população e da qualidade do registro de causas — duas cidades com o mesmo risco de morrer podem exibir curvas diferentes se uma delas for muito mais envelhecida.
De onde vem cada número
O Sistema de Informações sobre Mortalidade (sim) é alimentado pela declaração de óbito e fornece todos os numeradores de mortalidade. O Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc), alimentado pela declaração de nascido vivo, fornece o denominador de mortalidade infantil, perinatal e materna. O Sinan recebe as notificações compulsórias e fornece os numeradores de incidência das doenças transmissíveis. Os denominadores populacionais dos coeficientes gerais vêm das estimativas do IBGE, não dos sistemas do SUS.
Há prazo normativo para o dado virar oficial: os dados do sim são divulgados em caráter oficial até 30 de dezembro do ano seguinte ao da ocorrência, conforme a Portaria nº 116/2009 do Ministério da Saúde. Antes disso o número circula como preliminar e muda. Um indicador do ano corrente citado num enunciado é sempre provisório.
Onde o registro falha, entram correções. Na mortalidade materna, o numerador é ajustado por fatores derivados da investigação dos óbitos de mulheres em idade fértil, e o ajuste incide apenas no numerador — nascidos vivos entram como o Sinasc os informa. Na mortalidade infantil, a correção não é um multiplicador, e sim a substituição do cálculo direto por estimativa demográfica indireta nas unidades da federação de cobertura insuficiente. São duas estratégias diferentes para o mesmo problema, e confundi-las é erro frequente.
Classificar o nível de saúde de uma população pela mortalidade
O caminho abaixo transforma uma tabela de óbitos em juízo sobre o nível de saúde de um território. Ele começa pela pergunta que separa todas as medidas — qual é o denominador — e termina na curva de mortalidade proporcional, que é a leitura visual desse juízo.
- 1Olhe o denominador antes do numerador: população exposta faz taxa, total de óbitos faz proporção, grandeza independente do numerador faz razão.
- 2Separe risco de gravidade: mortalidade divide os óbitos pela população; letalidade divide os óbitos pelos casos.
- 3Calcule a mortalidade proporcional por faixa etária — menores de 1 ano, 1 a 4, 5 a 19, 20 a 49 e 50 anos ou mais — sempre sobre o total de óbitos.
- 4Localize onde está a maior fatia: quanto mais deslocada para os 50 anos ou mais, mais alto o nível de saúde.
- 5Quantifique com a razão de mortalidade proporcional de Swaroop-Uemura: óbitos de 50 anos ou mais sobre o total de óbitos, vezes 100.
- 6Cruze com a taxa de mortalidade infantil e a razão de mortalidade materna, que medem risco e não proporção, e com a proporção de causas mal definidas, que diz se dá para confiar no registro.
Tipo I — nível de saúde muito baixo
A maior fatia dos óbitos está nos menores de 1 ano, cai nas faixas seguintes, faz uma elevação discreta entre 20 e 49 anos e volta a cair nos de 50 anos ou mais. A linha desenha um N invertido. Poucos chegam à velhice, e morre-se em idade produtiva.
Tipo II — nível de saúde baixo
Concentração alta nos menores de 1 ano e queda abrupta logo depois, com as demais faixas achatadas e sem recuperação nos idosos. A linha desenha um L. A mortalidade infantil domina o perfil de óbitos do território.
Tipo III — nível de saúde regular
Duas pontas altas: ainda morre criança pequena, mas já morre bastante gente com 50 anos ou mais, e o meio da vida esvazia. A linha desenha um U. É o perfil de transição, comum em território que melhorou o saneamento e ainda não venceu a mortalidade neonatal.
Tipo IV — nível de saúde elevado
Fatia pequena nos menores de 1 ano e crescimento contínuo até o pico nos de 50 anos ou mais, onde ocorre a maioria dos óbitos. A linha desenha um J. É o formato do Brasil e da maioria das unidades da federação nas séries recentes.
| Forma | O numerador está dentro do denominador? | O que é o denominador | Faixa de valores | Exemplo brasileiro |
|---|---|---|---|---|
| Razão | Não | Grandeza independente do numerador | 0 ao infinito | Razão de mortalidade materna: óbitos maternos ÷ nascidos vivos × 100.000 |
| Proporção | Sim | O todo do qual o numerador é uma parte | 0 a 1 (0 a 100%) | Mortalidade proporcional por grupo de causas: óbitos pela causa ÷ óbitos com causa definida × 100 |
| Taxa (coeficiente) | Sim | População exposta ao risco, em período declarado | 0 a 1 quando é risco; 0 ao infinito quando é pessoa-tempo | Taxa de mortalidade infantil: óbitos de menores de 1 ano ÷ nascidos vivos × 1.000 |
Incidência, prevalência, letalidade e taxa de ataque: o que cada uma responde
| Medida | Numerador | Denominador | Multiplicador usual | Pergunta que responde |
|---|---|---|---|---|
| Incidência acumulada (risco) | Casos novos no período | População sob risco no início do período | 100 | Que fração adoeceu? |
| Taxa (densidade) de incidência | Casos novos no período | Soma do tempo de observação de cada pessoa | 1.000 pessoas-ano | Com que velocidade a doença aparece? |
| Prevalência pontual | Casos existentes num instante, novos e antigos | População naquele instante | 100 (ou até 1.000.000 se a doença é rara) | Quantos têm a doença agora? |
| Letalidade | Óbitos pela doença | Casos da doença | 100 | Quão grave é a doença para quem a tem? |
| Mortalidade por causa específica | Óbitos pela doença | População | 100.000 | Quanto essa doença pesa na população? |
| Taxa de ataque | Casos novos no surto | Expostos | 100 | Que fração dos expostos adoeceu? |
| Taxa de ataque secundária | Casos entre os contatos do caso primário | Total de contatos | 100 | Quanto a doença transmite dentro do grupo fechado? |
Indicadores brasileiros de mortalidade materno-infantil: a fórmula oficial
| Indicador | Numerador | Denominador | Multiplicador | Recorte de tempo |
|---|---|---|---|---|
| Taxa de mortalidade infantil | Óbitos de residentes com menos de 1 ano | Nascidos vivos de mães residentes | 1.000 | Do nascimento ao 364º dia |
| Componente neonatal precoce | Óbitos de 0 a 6 dias completos | Nascidos vivos de mães residentes | 1.000 | Primeira semana de vida |
| Componente neonatal tardio | Óbitos de 7 a 27 dias | Nascidos vivos de mães residentes | 1.000 | Restante do primeiro mês |
| Componente pós-neonatal | Óbitos de 28 dias a menos de 1 ano | Nascidos vivos de mães residentes | 1.000 | Do 2º ao 12º mês |
| Taxa de mortalidade perinatal | Óbitos fetais de 22 semanas ou mais somados aos óbitos de 0 a 6 dias | Nascimentos totais: nascidos vivos mais óbitos fetais de 22 semanas ou mais | 1.000 | De 22 semanas de gestação ao 6º dia de vida |
| Razão de mortalidade materna | Óbitos maternos: capítulo XV da CID-10 exceto O96 e O97, mais os códigos listados de outros capítulos | Nascidos vivos de mães residentes | 100.000 | Gestação até 42 dias após o término |
O denominador da mortalidade perinatal não se repete em nenhum outro indicador do grupo: ele soma os óbitos fetais aos nascidos vivos, porque o feto que morreu antes de nascer também esteve sob risco de morrer no período.
Nascidos vivos entram no denominador da razão de mortalidade materna como aproximação do número de gestantes, que não é conhecido. É por esse denominador emprestado que a medida se chama razão.
A escala clássica da mortalidade infantil — alta com 50 por mil ou mais, média entre 20 e 49, baixa abaixo de 20 — foi construída quando o país inteiro ocupava as duas primeiras faixas, e a própria ficha do indicador diz que ela precisa de revisão periódica.
Curva de mortalidade proporcional se lê com uma ressalva: ela reflete também a estrutura etária. População envelhecida empurra a curva para o tipo IV mesmo sem ganho de saúde, e território com registro ruim de causas distorce o desenho.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Razão — nome adotado na ficha de qualificação do indicador
A medida se chama razão de mortalidade materna porque o denominador não é a população em risco. Quem corre risco de morte materna é a gestante, e o número de gestantes de um território não é conhecido; nascidos vivos entram como aproximação, e o quociente deixa de ser um risco.
Ripsa. Ficha de qualificação MRT.2.01 — Razão de mortalidade materna (CGIAE/DAENT/SVSA/MS), 2025.
Taxa e coeficiente — denominações registradas no mesmo corpo documental
A publicação de referência abre o capítulo com o título "Razão de mortalidade materna" e logo abaixo registra, entre parênteses, "Taxa de mortalidade materna, coeficiente de mortalidade materna" como denominações em uso. O mesmo volume trata taxa e coeficiente como sinônimos nas fichas de mortalidade infantil e perinatal.
Ripsa. Indicadores básicos para a saúde no Brasil: conceitos e aplicações. 2ª ed. Brasília: Opas, 2008 — fichas C.1, C.2 e C.3.
Na prova
O enunciado que quer testar a distinção conceitual entrega o denominador junto: quando aparece "por 100 mil nascidos vivos" ao lado de "mortes maternas", o eixo cobrado é o denominador emprestado, não a nomenclatura. Já enunciado de gestão, painel do SUS ou indicador de meta escreve "taxa de mortalidade materna" sem nenhuma intenção conceitual — ali o nome funciona como rótulo administrativo e o que se cobra é o cálculo. Alternativa que trate coeficiente e taxa como categorias tecnicamente distintas está usando um recorte que os documentos brasileiros não sustentam.
Fator fixo de 1,4 (documento de 2008)
A 2ª edição dos indicadores básicos determina que, para o Brasil, o total de óbitos maternos coletados pelo SIM seja corrigido pelo fator de ajuste de 1,4 a partir de 2000, e que a razão só seja calculada nas unidades da federação com índice de cobertura e regularidade do SIM igual ou superior a 80% e cobertura do Sinasc igual ou superior a 90%.
Ripsa. Indicadores básicos para a saúde no Brasil, 2ª ed., 2008 — ficha C.3, notas (i) e (ii).
Fator anual da vigilância do óbito de mulher em idade fértil (ficha de 2025)
A ficha vigente restringe o 1,4 ao período de 2000 a 2007, registra 1,2 para 2008 e, de 2009 a 2023, substitui o multiplicador fixo por fatores calculados ano a ano pela metodologia de vigilância do óbito de mulher em idade fértil, aplicados apenas às unidades da federação em que a variação percentual dos óbitos maternos declarados ao SIM antes e depois da investigação fica abaixo de 34,3%. A correção incide só no numerador.
Ripsa. Ficha de qualificação MRT.2.01 (CGIAE/DAENT/SVSA/MS), 2025 — quadros 1 e 2.
Na prova
A causa da diferença é datada e não é discordância técnica: a investigação dos óbitos de mulheres em idade fértil virou rotina no SIM e tornou o multiplicador único desnecessário. Enunciado que traz o número 1,4 solto está ancorado no material de 2008; enunciado que fala em investigação de óbito de mulher em idade fértil, em fator anual ou em correção só do numerador está ancorado na ficha atual. Quando a questão citar um ano de referência, ele próprio separa os dois mundos — antes ou depois de 2009.
22 semanas completas — CID-10, referendada pelo Conselho Federal de Medicina
O período perinatal começa em 22 semanas completas de gestação, ou 154 dias, o que corresponde a cerca de 500 g de peso ao nascer e 25 cm de estatura, e termina aos 7 dias completos de vida. A definição foi referendada pela Resolução CFM nº 1.601, de 9 de agosto de 2000.
Ripsa. Indicadores básicos para a saúde no Brasil, 2ª ed., 2008 — ficha C.2, nota 1 (CID-10 e Resolução CFM nº 1.601/2000).
28 semanas — definição anterior à CID-10, ainda em circulação
Antes da 10ª revisão da CID, o limite inferior do período perinatal eram 28 semanas de gestação. A ficha do indicador aponta o uso do conceito antigo como fonte de imprecisão no cálculo, ao lado da omissão do tempo de gestação na declaração de óbito.
Ripsa. Indicadores básicos para a saúde no Brasil, 2ª ed., 2008 — ficha C.2, item 4 (limitações).
Na prova
O corte costuma aparecer disfarçado de peso: 500 g e 25 cm são a tradução de 22 semanas, e enunciado que cite qualquer um dos três está no mesmo recorte. Vinheta que descreve óbito fetal com 24 ou 26 semanas e pergunta se ele entra no cálculo está testando exatamente a troca de definição. Menção à CID-10, à resolução do Conselho Federal de Medicina ou ao Sinasc situa a questão no recorte vigente; enunciado antigo, ou material de concurso reciclado, ainda circula com 28 semanas.
Caso resolvido
- taxa de ataque
- 34 casos entre 120 expostos = 28,3%. O denominador da taxa de ataque são os expostos, não a população do município nem o total de casos notificados.
- letalidade
- 1 óbito entre os 34 casos da creche = 2,9%; calculada sobre os 51 casos do município, 2,0%. Letalidade mede gravidade e sempre divide pelo número de casos — mudar o recorte de casos muda o valor.
- mortalidade
- 1 óbito em 40.000 habitantes = 2,5 por 100 mil. Mesma morte, número muito menor, porque agora o denominador é a população inteira. Mortalidade mede o peso da doença sobre a população, não a gravidade para quem adoeceu.
- incidência
- 51 casos novos em 40.000 habitantes na semana = 127,5 por 100 mil. Casos novos sobre população sob risco é incidência; a taxa de ataque é essa mesma conta com o denominador restrito aos expostos de um surto.
- o que não se calcula aqui
- Prevalência não cabe. A diarreia aguda dura poucos dias e o levantamento contou casos novos; prevalência exigiria contar quem está doente num instante, incluindo quem adoeceu antes do início da semana.
Agora feche você
- óbitos maternos elegíveis
- Cinco. O óbito ocorrido 4 meses após o parto é morte materna tardia (O96) e não entra no numerador da razão de mortalidade materna, ainda que seja de causa obstétrica.
- componentes da mortalidade infantil
- 72 neonatais precoces (0 a 6 dias), 28 neonatais tardios (7 a 27 dias) e 60 pós-neonatais (28 dias a menos de 1 ano). Os três dividem pelo mesmo denominador: nascidos vivos.
- cálculo e leitura
- …
Onde a banca derruba
- 1Trocar letalidade por mortalidade As duas dividem óbitos por alguma coisa, e a questão conta com isso. Letalidade tem casos no denominador e mede gravidade; mortalidade tem população e mede impacto. Doença rara e quase sempre fatal tem letalidade altíssima e mortalidade desprezível — as duas se movem de forma independente.
- 2Ler prevalência em alta como epidemia Prevalência é estoque. Tratamento que faz o doente viver mais sem curar fecha o ralo do óbito e eleva a prevalência com incidência estável ou até em queda. Foi o que aconteceu com a infecção pelo HIV depois da terapia antirretroviral, e é sucesso do programa, não fracasso.
- 3Usar prevalência para doença aguda Sarampo, dengue e diarreia duram dias: a prevalência pontual de qualquer uma é quase zero mesmo em plena epidemia, porque o doente sai do estoque rápido. Doença aguda se mede por incidência; prevalência serve às de longa duração.
- 4Tratar mortalidade proporcional como risco A fatia de uma causa pode subir sem que ninguém tenha passado a morrer mais dela — basta que outra causa encolha, já que as fatias somam 100% sobre o total de óbitos. Concluir que o risco aumentou a partir de proporção é o erro que a curva de mortalidade proporcional mais induz.
- 5Corrigir também o denominador da razão de mortalidade materna O fator de correção incide apenas no numerador. Os nascidos vivos entram como o Sinasc os informa, sem ajuste. Alternativa que descreve correção do denominador está descrevendo procedimento que a ficha do indicador nega expressamente.
- 6Somar o óbito fetal só no numerador da mortalidade perinatal Óbito fetal de 22 semanas ou mais entra dos dois lados da fração: no numerador, como óbito perinatal, e no denominador, dentro dos nascimentos totais. Deixá-lo só em cima infla o indicador, e é o distrator clássico da fórmula.
A mortalidade neonatal precoce liga-se fortemente à qualidade do pré-natal e da assistência ao parto e à detecção de gestações de risco (correta). Vacinação de crianças de 1 a 4 anos atua na mortalidade pós-neonatal/na infância, não no período neonatal precoce. Combate ao tabagismo em homens não impacta diretamente o componente neonatal. Vitamina A em pré-escolares age fora da faixa neonatal. Tuberculose em adultos não é determinante direto da mortalidade neonatal precoce.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Um município com 50.000 habitantes registrou, ao longo de um ano, 250 casos novos de determinada doença crônica e 1.000 casos existentes (novos + antigos) da mesma doença ao final do período. Com base nesses dados, quais são, respectivamente, a INCIDÊNCIA e a PREVALÊNCIA aproximadas dessa doença por 1.000 habitantes?
Incidência = casos novos/população = 250/50.000 = 5 por 1.000; prevalência = casos existentes/população = 1.000/50.000 = 20 por 1.000 (correta). A opção que inverte os valores troca os conceitos de casos novos e existentes. Valores iguais (5 e 5) ignoram a diferença entre novos e totais. 25 e 100 usam denominador errado. 2 e 10 resultam de cálculo aritmético incorreto.
Uma Unidade Básica de Saúde de um município de pequeno porte acompanha, ao longo de um ano, os casos novos e antigos de hanseníase em sua área de abrangência. O médico de família deseja calcular um indicador que expresse o número de casos NOVOS diagnosticados durante o ano dividido pela população exposta ao risco no mesmo período. Qual medida epidemiológica está sendo descrita?
A incidência mede casos NOVOS em um período dividido pela população sob risco, expressando a velocidade de aparecimento da doença. Prevalência conta casos novos e antigos existentes num momento (casos totais/população). Letalidade é óbitos entre os doentes daquela doença. Mortalidade proporcional é a fração de óbitos por uma causa sobre o total de óbitos. Coeficiente de mortalidade específica relaciona óbitos por causa à população, não casos novos da doença.
Um município apresentou, em determinado ano, 40 óbitos de crianças menores de 1 ano e 8.000 nascidos vivos no mesmo período. Qual é o coeficiente de mortalidade infantil, expresso por 1.000 nascidos vivos?
O coeficiente de mortalidade infantil = (óbitos < 1 ano / nascidos vivos) × 1.000 = (40/8.000) × 1.000 = 5 por 1.000 NV. As demais alternativas resultam de erro de base (usar 10.000 ou 100.000) ou de divisão incorreta; 0,5 esquece o multiplicador 1.000, e 50 usa base ampliada indevida.
Durante uma investigação de surto de doença diarreica aguda em uma creche, a equipe de vigilância epidemiológica quer estimar a rapidez de aparecimento de novos casos ao longo do tempo em uma população inicialmente sadia e exposta. Qual medida de frequência de doença é a mais adequada para esse objetivo?
A incidência mede a ocorrência de casos NOVOS em população sob risco durante um período, sendo ideal para surtos e dinâmica de aparecimento de casos. Prevalência mede casos existentes (novos + antigos) em um momento, não capta rapidez de surgimento. Letalidade é a proporção de óbitos entre os doentes. Mortalidade relaciona óbitos à população geral. Razão de chances é medida de associação, não de frequência de doença.
Uma equipe de Estratégia Saúde da Família (ESF) analisa os indicadores do território e observa que, em um bairro com 3.200 habitantes, ocorreram 8 óbitos de crianças menores de 1 ano ao longo do ano, sendo que nasceram vivos 400 recém-nascidos no mesmo período. Considerando esses dados, qual é o coeficiente de mortalidade infantil desse território no ano analisado?
Correta (20/1.000 NV): o coeficiente de mortalidade infantil é o número de óbitos em menores de 1 ano dividido pelo número de nascidos vivos, multiplicado por 1.000 — (8/400) x 1.000 = 20 por 1.000 nascidos vivos. '8 por 1.000 NV' usa o numerador bruto sem o cálculo. '25 e 2,5 por 1.000 habitantes' erram o denominador (habitantes, não nascidos vivos). '32 por 1.000 NV' aplica um fator incorreto.
Uma equipe de Saúde da Família acompanha uma área com 3.400 pessoas cadastradas. Durante o ano, a médica quer priorizar ações a partir da estrutura demográfica do território. A agente comunitária traz os dados: predomínio de idosos, alta proporção de hipertensos e diabéticos, poucos nascimentos no último ano e razão de dependência elevada. Diante do perfil descrito, qual instrumento demográfico melhor sintetiza a distribuição por sexo e faixa etária para orientar o planejamento local?
A pirâmide etária é a representação gráfica da população estratificada por sexo e faixas de idade, ideal para sintetizar a estrutura demográfica e orientar planejamento local. O coeficiente de mortalidade infantil, o índice de Swaroop-Uemura, o coeficiente de letalidade e a taxa de natalidade são indicadores pontuais (numéricos), não instrumentos que descrevem a distribuição etária por sexo do território.
Um gestor municipal analisa dois bairros para instalar uma nova unidade. No bairro A, ocorreram 40 casos novos de tuberculose ao longo de 2025 em uma população média de 20.000 habitantes. No bairro B, existiam 120 casos de tuberculose em acompanhamento em 31/12/2025, em uma população de 20.000 habitantes. Considerando os conceitos epidemiológicos envolvidos, a afirmativa CORRETA é:
Incidência = casos NOVOS / população em risco: 40/20.000 = 2 por 1.000 habitantes-ano (correta). A prevalência do bairro B é 120/20.000 = 6 por 1.000, não 40. Incidência mede casos novos e prevalência casos existentes (definições invertidas na alternativa). A prevalência depende da incidência e da duração da doença (P ≈ I × duração), portanto não independe da duração.
Gestor municipal analisa indicadores e observa que a taxa de mortalidade infantil do município caiu, mas o componente neonatal precoce permanece elevado. Ele quer priorizar ações que impactem esse componente. A mortalidade neonatal precoce compreende os óbitos ocorridos em qual período, e qual estratégia tende a ter maior impacto sobre ela?
A mortalidade neonatal precoce compreende óbitos de 0 a 6 dias de vida e é fortemente determinada por fatores ligados à gestação, ao pré-natal e à assistência ao parto, sendo a qualificação desses cuidados a estratégia de maior impacto. O período de 7 a 27 dias corresponde ao neonatal tardio. O período de 28 dias a 11 meses é o pós-neonatal, mais ligado a fatores ambientais/socioeconômicos e infecções. O período de 0 a 27 dias abrange todo o neonatal (precoce + tardio), não só o precoce. Óbitos do 1º ano completo referem-se à mortalidade infantil global.
Uma equipe de Estratégia Saúde da Família (ESF) atende um território adscrito de 3.200 pessoas. No ano de 2025, foram registrados 8 óbitos de crianças menores de 1 ano. Nesse mesmo período, ocorreram 200 nascidos vivos e 2 óbitos fetais (natimortos com 28 semanas ou mais). O médico da equipe, ao construir os indicadores de saúde do território para o relatório quadrimestral, precisa calcular o coeficiente de mortalidade perinatal. Considerando que 3 dos 8 óbitos infantis ocorreram na 1ª semana de vida (período neonatal precoce), qual é o valor aproximado do coeficiente de mortalidade perinatal por 1.000?
A mortalidade perinatal soma os óbitos fetais (natimortos com 28 semanas ou mais) e os óbitos neonatais precoces (0 a 6 dias) no numerador, dividido pelo total de nascimentos (nascidos vivos + natimortos): (2 óbitos fetais + 3 neonatais precoces) / (200 nascidos vivos + 2 natimortos) x 1.000 = 5/202 x 1.000 ≈ 24,8. Correta: 24,8. Distrator 40,0 usaria os 8 óbitos infantis totais/200 (mortalidade infantil, eixo errado). Distrator 15,0 e 10,0 usam apenas parte do numerador ignorando natimortos ou neonatais. Distrator 50,0 dividiria por número menor sem incluir nascidos vivos corretamente.
Uma equipe de Saúde da Família analisa os dados de sua área e identifica que a taxa de incidência de dengue mede a ocorrência de casos novos em determinado período. Um gestor pergunta qual indicador epidemiológico expressa o total de casos existentes (novos e antigos) de uma doença em um dado momento na população. Qual é esse indicador?
A prevalência mede o total de casos existentes (novos e antigos) em um momento ou período, sendo útil para doenças crônicas e planejamento de serviços. A incidência mede apenas casos novos em um período. A letalidade é a proporção de óbitos entre os doentes. A mortalidade relaciona óbitos ao total da população, não o número de casos existentes de uma doença.
Uma equipe de Saúde da Família deseja avaliar a magnitude de um surto de diarreia no território após enchentes. Em duas semanas, 60 novos casos surgiram entre os 3.000 habitantes da área adscrita. Não havia casos prévios. Qual medida epidemiológica é a mais apropriada para descrever a ocorrência dos novos casos nesse período e qual seu valor?
Como se trata de casos NOVOS surgidos em um período definido dentro da população em risco, a medida correta é a incidência: 60/3.000 = 0,02 = 2%. Prevalência contabilizaria todos os casos existentes (novos + antigos) num ponto no tempo, mas o enunciado especifica casos novos sem casos prévios — é incidência. Mortalidade e letalidade envolvem óbitos, que não foram mencionados, sendo portanto inaplicáveis à situação descrita.
Uma equipe de Saúde da Família de uma UBS analisa os indicadores de sua área adscrita de 4.000 habitantes. No último ano ocorreram 8 óbitos de crianças menores de 1 ano; nasceram vivos 100 crianças na área. Foram registrados 2 óbitos maternos e 3 óbitos fetais (natimortos). A equipe deseja calcular o coeficiente de mortalidade infantil para priorizar ações de puericultura e pré-natal. Considerando as definições epidemiológicas usadas no SUS, qual é o valor desse coeficiente?
O coeficiente de mortalidade infantil é o número de óbitos de menores de 1 ano dividido pelo número de nascidos vivos, multiplicado por 1.000: 8/100 x 1.000 = 80 por mil nascidos vivos (correta). '110' somaria indevidamente os natimortos, que NÃO contam como óbito infantil (o menor de 1 ano é nascido vivo que morreu) nem como nascido vivo — erro conceitual. '100 por mil' ignora que o denominador é 100 nascidos vivos e não confunde a base. '80 por mil habitantes' erra o denominador: a mortalidade infantil se refere a nascidos vivos, não à população geral (esse seria o formato de coeficientes gerais de mortalidade).
Mulher de 45 anos, hipertensa, comparece à UBS para consulta de rotina no âmbito da Estratégia Saúde da Família. O médico deseja calcular um indicador de saúde da população adscrita e pergunta qual seria a fórmula da prevalência de hipertensão na área. Qual a definição correta de prevalência?
Prevalência é a proporção de casos existentes (novos e antigos) em um dado momento sobre a população total. Casos novos em um período sobre a população em risco define incidência. Óbitos sobre o total de doentes é letalidade. E a razão entre casos novos e o número total de casos não corresponde a nenhum indicador padrão.
Em uma UBS, a equipe analisa os dados do território: entre 500 pessoas com hipertensão cadastradas, 380 têm pelo menos uma consulta registrada no último ano. A gestão pede o indicador que expressa a proporção de hipertensos acompanhados. Qual medida epidemiológica esse indicador representa e qual seu valor?
O indicador (380/500 = 76%) é uma proporção de cobertura/acompanhamento: dos cadastrados, quantos foram acompanhados. Incidência mede casos novos em população em risco. Prevalência exige denominador da população total, não só os cadastrados. Letalidade relaciona óbitos a casos da doença, o que não se aplica.
Em uma comunidade adscrita a uma equipe de Saúde da Família, a taxa de mortalidade infantil vem caindo, mas o componente neonatal precoce permanece elevado. O médico deseja intervir no determinante mais diretamente relacionado a esse componente. Qual ação da APS tem maior potencial de impacto sobre a mortalidade neonatal precoce?
A mortalidade neonatal precoce (0-6 dias) relaciona-se fortemente à qualidade do pré-natal, do parto e do cuidado perinatal; captação precoce, pré-natal adequado e vinculação à maternidade são as intervenções de maior impacto na APS. Vacinação impacta mais o pós-neonatal/infantil por doenças imunopreveníveis. Tabagismo em idosos e hipertensos não atuam sobre o determinante neonatal precoce.
Uma equipe de Saúde da Família deseja avaliar se a introdução de um grupo de caminhada e educação alimentar reduziu a incidência de novos casos de diabetes tipo 2 em sua população adscrita ao longo de 3 anos, comparando o período antes e depois da intervenção. Considerando os conceitos de epidemiologia, qual medida é a mais apropriada para quantificar o surgimento de casos novos e avaliar esse efeito?
A incidência mede casos novos em população sob risco em um período, sendo a medida adequada para avaliar o efeito de uma intervenção sobre o surgimento da doença. A prevalência pontual mede casos existentes em um momento (novos + antigos), não capturando especificamente casos novos. A letalidade mede mortes entre os doentes de uma condição, não incidência. E o coeficiente de mortalidade proporcional descreve a distribuição das causas de óbito, sem relação com casos novos de diabetes.
Uma equipe de Saúde da Família analisa os dados do seu território e observa taxa de mortalidade infantil de 22 por mil nascidos vivos, acima da média do município. Ao detalhar os óbitos do último ano, a maioria ocorreu no período neonatal precoce (0 a 6 dias), com causas relacionadas a afecções perinatais e prematuridade. Considerando a organização da atenção no SUS, qual intervenção da APS tem maior potencial de impacto sobre esse componente da mortalidade?
A mortalidade neonatal precoce é fortemente determinada por condições da gestação e do parto; a maior alavanca da APS é qualificar o pré-natal (captação no 1º trimestre, estratificação de risco, número adequado de consultas e vinculação a maternidade/serviço de referência para gestação de risco), reduzindo prematuridade e afecções perinatais (correta). Cobertura vacinal, reidratação oral e suplementação de micronutrientes impactam sobretudo a mortalidade pós-neonatal (por causas infecciosas/nutricionais), não o componente neonatal precoce descrito.
Uma equipe de Saúde da Família deseja avaliar a magnitude da hipertensão arterial em sua população adscrita. Em levantamento, identifica que, entre os 2.000 adultos cadastrados, 400 têm diagnóstico de hipertensão registrado no prontuário. Ao longo de um ano de acompanhamento, entre os 1.600 adultos inicialmente sem a doença, foram registrados 80 novos diagnósticos. A equipe discute os conceitos epidemiológicos para orientar o planejamento das ações. Considerando esses dados, quais são, respectivamente, a prevalência inicial e a incidência de hipertensão no período?
A prevalência inicial é o total de casos existentes sobre a população: 400/2.000 = 20%. A incidência é o número de casos novos sobre a população em risco (que não tinha a doença): 80/1.600 = 5%. Logo, prevalência 20% e incidência 5%. Prevalência de 5% com incidência de 20% inverte os valores. Incidência de 4% erra o denominador (80/2.000 = 4%, mas o denominador da incidência é a população em risco). Prevalência de 40% erra a prevalência.
Em um estudo transversal, uma equipe de saúde da família visitou todos os 2.000 moradores de um bairro em um único dia e identificou 160 pessoas com hipertensão arterial sistêmica diagnosticada, entre as quais 40 haviam recebido o diagnóstico nos últimos 12 meses. A medida de frequência que corresponde à proporção de indivíduos que apresentam a doença no momento da avaliação, independentemente de quando ela surgiu, é a prevalência. Com base nos dados apresentados, qual é a prevalência de hipertensão arterial nesse bairro?
Correta: Prevalencia = numero total de casos EXISTENTES da doenca em um dado momento dividido pela populacao total avaliada. Aqui: 160/2.000 = 0,08 = 8%. Todos os 160 hipertensos contam, independentemente de quando foram diagnosticados. Erra: 40/2.000 = 2% representaria a incidencia (apenas casos NOVOS no periodo), nao a prevalencia. Erra: 40/160 = 25% (na verdade descreve outra fracao) confunde casos novos sobre casos existentes, medida sem significado epidemiologico direto. Erra: repete a logica de razao novos/antigos, invalida como prevalencia. Erra: usa denominador incorreto (200 em vez de 2.000), inflando artificialmente o resultado.
Um servico de infectologia acompanhou, ao longo de 2025, uma coorte de 500 pacientes vivendo com HIV, todos livres de tuberculose ativa no inicio do seguimento. Durante o ano, 25 pacientes desenvolveram tuberculose ativa. Ao final de 2025, considerando os casos que ja existiam de anos anteriores mais os novos, havia 45 pacientes com tuberculose ativa em acompanhamento. O gestor pergunta qual medida melhor expressa o RISCO de um paciente desse grupo adoecer por tuberculose ao longo do periodo estudado. Qual medida responde corretamente a essa pergunta e qual seu valor?
Correta: o RISCO de adoecer ao longo de um periodo e medido pela incidencia cumulativa (risco absoluto) = casos NOVOS surgidos no periodo / populacao em risco no inicio. Aqui: 25/500 = 0,05 = 5%. A pergunta e sobre risco de VIR a adoecer, o que exige contar apenas casos incidentes. Erra: chama de prevalencia mas usa o numerador de casos novos (25), misturando conceitos; alem disso prevalencia nao mede risco de adoecer. Erra: usa 45 (casos existentes ao final, incidentes + antigos) como se fossem novos, o que corresponderia a prevalencia, nao a incidencia. Erra: 45/500 = 9% e a prevalencia, que mede carga da doenca em um momento, e NAO o risco de adoecer ao longo do tempo. Erra: usa denominador incorreto (45 casos totais) em vez da populacao em risco (500).
Um municipio registrou, em determinado ano, 20.000 nascidos vivos. Nesse mesmo ano ocorreram: 240 obitos de criancas menores de 1 ano; desses, 150 ocorreram nos primeiros 27 dias de vida (periodo neonatal) e 90 entre 28 dias e 1 ano incompleto (periodo pos-neonatal). Alem disso, houve 100 obitos fetais (natimortos com 22 semanas ou mais). A Secretaria de Saude deseja calcular especificamente o coeficiente de mortalidade infantil, indicador classico da qualidade da atencao materno-infantil e das condicoes de vida da populacao. Qual e o coeficiente de mortalidade infantil desse municipio?
Correta: o coeficiente de mortalidade infantil = obitos de menores de 1 ano (0 a 364 dias) no ano / nascidos vivos no mesmo ano x 1.000. Aqui: 240/20.000 x 1.000 = 12 por 1.000 nascidos vivos. Inclui todos os obitos infantis, neonatais e pos-neonatais. Erra: 150/20.000 = 7,5/1.000 e o coeficiente de mortalidade NEONATAL (componente parcial, obitos ate 27 dias). Erra: 90/20.000 = 4,5/1.000 e a mortalidade POS-NEONATAL (28 dias a 1 ano), outro componente parcial. Erra: soma obitos fetais aos infantis; natimortos NAO entram no coeficiente de mortalidade infantil (compoem a mortalidade perinatal/fetal) e o denominador tambem seria diferente. Erra: 100/20.000 = 5/1.000 usa apenas obitos fetais, correspondendo a um coeficiente de mortalidade fetal, nao infantil.
Em um município da região Norte, a equipe de vigilância epidemiológica consolidou os dados referentes ao ano de 2024: 30 óbitos de crianças menores de 1 ano de idade (registrados no SIM) e 2.500 nascidos vivos (registrados no SINASC). Desse total de óbitos infantis, 18 ocorreram no período neonatal (menores de 28 dias). Com base nesses dados, o coeficiente de mortalidade infantil do município em 2024 foi de:
O coeficiente de mortalidade infantil (CMI) usa como numerador os óbitos de menores de 1 ano (fonte SIM) e como denominador os nascidos vivos (fonte SINASC), multiplicando por 1.000: 30/2.500 × 1.000 = 12 por 1.000 NV, logo. 7,2 corresponde ao coeficiente de mortalidade NEONATAL (18/2.500 × 1.000), componente do CMI, não o total. 4,8 é a mortalidade pós-neonatal (12/2.500 × 1.000). 83,3 resulta da inversão numerador/denominador (2.500/30). Usa o multiplicador errado (por 100.000, próprio de indicadores como a razão de mortalidade materna), subestimando o valor.
Uma doença crônica X apresenta incidência estável em determinada população ao longo da última década. Recentemente foi incorporado ao SUS um novo tratamento que não altera o número de casos novos, mas prolonga significativamente a sobrevida dos pacientes. Mantidas constantes as demais condições, qual o efeito esperado sobre a PREVALÊNCIA da doença X nessa população?
Correta: a prevalência pontual relaciona-se com a incidência e a duração da doença pela relação P ≈ I × D (em estado estacionário e para doenças pouco frequentes). Um tratamento que prolonga a sobrevida aumenta a duração média da doença sem reduzir os casos novos, elevando o estoque de casos existentes e, portanto, a prevalência. Errada: mesmo com incidência estável, o prolongamento da duração aumenta o número de casos existentes. Errada: a prevalência depende de incidência E duração, não apenas da incidência. Errada: o enunciado afirma que a incidência (casos novos) não se altera. Errada: a prevalência pode subir apenas por aumento da duração, sem mudança na incidência.
Em um estudo de coorte sobre tuberculose, 500 pessoas suscetíveis foram acompanhadas prospectivamente. Ao final do seguimento observaram-se 20 casos novos da doença, e o total acumulado de tempo de observação foi de 2.000 pessoas-ano. Qual é a taxa (densidade) de incidência nessa coorte?
Correta: a densidade (ou taxa) de incidência usa o tempo-pessoa em risco no denominador: 20 casos ÷ 2.000 pessoas-ano = 0,01 = 10 casos por 1.000 pessoas-ano. Errada: 20/500 = 4% é a incidência acumulada (risco), cujo denominador são pessoas, não pessoas-tempo; o comando pede a densidade de incidência. Errada: usa denominador incorreto (equivaleria a dividir por ~500 pessoas-ano). Errada: erro de fator, subestima em 10 vezes (0,001). Errada: valor sem correspondência com os dados (não é 20/2.000 nem 20/500).
Sobre as medidas de frequência em epidemiologia, assinale a alternativa que define corretamente a PREVALÊNCIA de uma doença.
Correta: a prevalência mede a proporção de casos EXISTENTES (novos e antigos) em um dado momento sobre a população, refletindo a carga da doença naquele instante. Errada: descreve a incidência acumulada (risco), que conta apenas casos novos. Errada: é a letalidade (óbitos entre os doentes). Errada: é o coeficiente de mortalidade (óbitos sobre a população). Errada: descreve a densidade de incidência (casos novos por pessoa-tempo).
A Secretaria Municipal de Saúde de uma cidade realiza, em um único dia, um inquérito domiciliar em que conta TODOS os moradores que apresentam diabetes mellitus naquele momento, dividindo esse número pela população total examinada. O resultado obtido expressa a proporção de pessoas doentes existentes na comunidade naquele instante. A medida de frequência descrita nesse inquérito é a:
Correta: Prevalência. O inquérito conta os casos EXISTENTES (novos e antigos) em um ponto no tempo, dividindo pela população examinada — essa é exatamente a definição de prevalência (pontual). Incidência cumulativa mede apenas casos NOVOS surgidos num período de acompanhamento, não casos existentes num instante. Densidade de incidência (taxa de incidência) usa casos novos no numerador e pessoas-tempo de observação no denominador — exige seguimento, não um corte transversal. Coeficiente de mortalidade geral tem óbitos no numerador, não pessoas doentes vivas. Taxa de ataque é uma incidência cumulativa aplicada a surtos/período curto de exposição, também restrita a casos novos.
Durante um surto de doença meningocócica em um município com 50.000 habitantes, o serviço de vigilância epidemiológica notificou, ao longo de 30 dias, 40 casos confirmados da doença, dos quais 8 pacientes evoluíram para óbito em decorrência da meningite. Com base nesses dados, o coeficiente de letalidade do surto foi de:
Correta: o coeficiente de letalidade mede a gravidade da doença = óbitos pela doença / número de casos da doença × 100 = 8/40 × 100 = 20%. Exige reconhecer o denominador correto (casos, não a população). 0,08% é a incidência (40/50.000), que usa a população no denominador, não os casos. 16 por 100.000 é o coeficiente de mortalidade específica pela doença (8/50.000), que mede impacto na população, não a gravidade entre os doentes. 80 por 100.000 é a incidência (40/50.000) expressa por 100.000 — de novo denominador populacional. 5 por 1.000 confunde óbitos com base populacional e usa fator errado; não corresponde a nenhum indicador válido desses dados.
Em um município brasileiro de médio porte, a Secretaria Municipal de Saúde acompanha, no Serviço de Atenção Especializada, as pessoas vivendo com HIV. Entre 2015 e 2023, o número de novos diagnósticos notificados por ano manteve-se relativamente estável, em torno de 40 casos anuais. No mesmo intervalo, com a ampliação do acesso à terapia antirretroviral e o fortalecimento da rede de cuidado, houve queda expressiva na mortalidade por aids, e o número total de pacientes em acompanhamento cresceu de forma progressiva. A equipe de vigilância epidemiológica discute como esses dados se refletem nas medidas de frequência da infecção no território. Considerando os conceitos de incidência e prevalência, qual afirmativa explica corretamente o aumento observado?
Correta: a prevalência de uma doença é aproximadamente proporcional à incidência multiplicada pela duração média da condição. Com casos novos estáveis (incidência constante) e queda da mortalidade pela terapia antirretroviral, os pacientes vivem mais tempo com a infecção, aumentando a duração e, logo, a prevalência. A distingue-se pois incidência = casos novos, que permaneceu estável (não é incidência que subiu). Erra ao dizer que prevalência independe da duração e ao invocar aumento da letalidade — a letalidade caiu. Incorreta: prevalência elevada aqui reflete maior sobrevida (bom controle), não intensificação da transmissão.
Durante uma epidemia de dengue, a equipe de vigilância epidemiológica de um município com população estimada em 200.000 habitantes consolida os dados do ano. Ao longo do período, foram confirmados 500 casos novos de dengue. O médico da vigilância precisa calcular o coeficiente (taxa) de incidência da dengue no município naquele ano, para comparar com o coeficiente estadual e classificar a magnitude do surto. Ele recorda que o coeficiente de incidência relaciona os casos novos surgidos no período à população exposta ao risco, usualmente expresso por uma base populacional padronizada. Assinale a alternativa que apresenta o coeficiente de incidência anual de dengue correto para esse município.
O coeficiente de incidência = (casos novos / população exposta) × base. Aqui: (500 / 200.000) × 100.000 = 0,0025 × 100.000 = 250 casos por 100.000 habitantes. Os valores de 100 e de 200 casos por 100.000 habitantes resultam de divisões incorretas pela população; 500 casos por 100.000 habitantes corresponde ao número absoluto de casos aplicado sem dividir pela população real, ignorando o denominador populacional. Apenas o resultado de 250 por 100.000 aplica corretamente a fórmula do coeficiente de incidência com a base de 100.000 habitantes.
Em um município de 100.000 habitantes, ocorre um surto de doença meningocócica. Ao longo de quatro semanas, o serviço de vigilância epidemiológica confirma 50 casos da doença, dos quais 5 pacientes evoluem para óbito, apesar do tratamento instituído. A gestão de saúde solicita ao médico responsável pela investigação que caracterize a gravidade da doença durante o surto, informando a proporção de pessoas doentes que morreram em decorrência do agravo — indicador distinto do coeficiente de mortalidade da população geral. Com base nesses dados e no conceito adequado de indicador de gravidade, qual das alternativas descreve corretamente a medida solicitada?
Correta: a taxa de letalidade mede a proporção de óbitos entre os doentes (casos), refletindo a gravidade da doença: (5 óbitos / 50 casos) × 100 = 10%. Expressar por 100.000 habitantes confunde letalidade com coeficiente de mortalidade (óbitos/população = 5/100.000), que usa denominador populacional, não os casos. Chamar de coeficiente de mortalidade troca o nome do indicador — 10% aqui é letalidade, e coeficiente de mortalidade se expressa por base populacional, não em percentual sobre casos. A letalidade de 50% usa denominador incorreto. O enunciado pede explicitamente a proporção de doentes que morreram, que é a letalidade.
Médico de família responsável pela vigilância em saúde de um município de pequeno porte prepara o relatório anual para o Conselho Municipal de Saúde. Consultando as bases oficiais referentes a 2023, encontra: 1.200 nascidos vivos de mães residentes no município registrados no Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC) e 24 óbitos de residentes menores de 1 ano de idade registrados no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), dos quais 10 ocorreram entre o nascimento e o sexto dia de vida. A população estimada pelo IBGE para o mesmo ano era de 30.000 habitantes. O gestor solicita o cálculo da taxa de mortalidade infantil do município e a identificação da fonte do denominador utilizado.
A taxa (coeficiente) de mortalidade infantil é o número de óbitos de residentes menores de 1 ano (numerador, obtido do SIM) dividido pelo número de nascidos vivos de mães residentes (denominador, obtido do SINASC), multiplicado por 1.000: 24/1.200 × 1.000 = 20 por 1.000 nascidos vivos. Alternativa 2: errada porque restringe o numerador ao componente neonatal precoce (0 a 6 dias), que é um subindicador (8,3 por 1.000), e não a mortalidade infantil. Alternativa 3: errada porque o denominador da mortalidade infantil não é a população geral do IBGE, e sim os nascidos vivos do SINASC. Alternativa 4: embora 2 por 100 seja numericamente equivalente a 20 por 1.000, a fonte do denominador está errada — o SIM registra óbitos, não nascimentos; nascidos vivos vêm do SINASC.
Médico recém-integrado a uma equipe de Saúde da Família de um município do interior do Nordeste é convidado pela Vigilância Epidemiológica a apresentar, na reunião mensal da unidade, o comportamento da dengue no território adscrito. A área tem população cadastrada estável de 5.000 habitantes, todos considerados suscetíveis no início do período. Ao consultar o SINAN, ele verifica que, entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2024, foram notificados e confirmados 150 casos novos de dengue entre os moradores do território, sem óbitos e sem casos que já estivessem em curso antes desse intervalo. O gestor pede que o resultado seja apresentado como coeficiente de incidência anual, expresso por 1.000 habitantes. O valor do coeficiente de incidência anual de dengue nesse território é de
O coeficiente (ou taxa) de incidência é obtido dividindo-se o número de CASOS NOVOS ocorridos no período pela população exposta ao risco no mesmo período, multiplicando-se pela base escolhida: 150 / 5.000 × 1.000 = 30 casos por 1.000 habitantes ao ano. As demais alternativas resultam de erro de base ou de cálculo: 3 por 1.000 corresponde a usar base 100 e depois multiplicar indevidamente (ou dividir por 50.000); 15 por 1.000 corresponde a considerar apenas metade dos casos (ex.: um semestre), o que o enunciado não autoriza; 300 por 1.000 usa base 10.000, resultado incompatível com a expressão solicitada por 1.000 habitantes.
Em uma unidade básica de saúde de município prioritário para o controle da hanseníase, o médico da equipe organiza os dados do território adscrito para a avaliação anual pactuada com a vigilância municipal. A população cadastrada é de 10.000 habitantes. Ao revisar o SINAN e os prontuários, ele identifica que, em 31 de dezembro de 2024, havia 40 pacientes com hanseníase em registro ativo, ou seja, diagnosticados e ainda em poliquimioterapia naquela data. Desses, 8 haviam sido diagnosticados ao longo de 2024, e os demais vinham de anos anteriores. A vigilância solicita especificamente o coeficiente de PREVALÊNCIA de hanseníase, expresso por 10.000 habitantes, indicador padronizado pelo Ministério da Saúde. O coeficiente de prevalência de hanseníase nesse território é de
A prevalência computa TODOS os casos existentes em um dado momento (casos antigos ainda em tratamento + casos novos), dividida pela população, na base padronizada pelo Ministério da Saúde para hanseníase (por 10.000 habitantes): 40 / 10.000 × 10.000 = 40 casos por 10.000 habitantes (prevalência pontual em 31/12/2024). 8 por 10.000 é o coeficiente de DETECÇÃO de casos novos (medida de incidência), não de prevalência. 48 por 10.000 soma indevidamente os casos novos aos casos em registro ativo, que já os incluem — dupla contagem. 32 por 10.000 exclui os casos novos do registro ativo, o que descaracteriza a prevalência, pois eles também são casos existentes na data.
Médico de uma equipe de Saúde da Família participa da reunião do Comitê Municipal de Prevenção do Óbito Infantil e Fetal de um município de pequeno porte. A secretaria de saúde apresenta os dados consolidados do ano de 2024, extraídos do SINASC e do SIM: ocorreram 2.000 nascidos vivos de mães residentes no município e foram registrados 24 óbitos de residentes menores de 1 ano de idade, além de 10 óbitos fetais. A população total do município é de 40.000 habitantes. O coordenador do comitê pede ao médico que calcule o indicador clássico usado para comparar a situação de saúde infantil entre municípios: o coeficiente de mortalidade infantil. O coeficiente de mortalidade infantil desse município em 2024 é de
O coeficiente de mortalidade infantil é o número de óbitos de menores de 1 ano de residentes dividido pelo número de NASCIDOS VIVOS de mães residentes no mesmo ano, multiplicado por 1.000: 24 / 2.000 × 1.000 = 12 por 1.000 nascidos vivos. Os óbitos fetais não entram nesse cálculo (compõem a mortalidade fetal/perinatal). 24 por 1.000 nascidos vivos ignora a divisão pelo total de nascidos vivos e apenas repete o numerador. 12 por 1.000 habitantes usa denominador errado — a população geral serve à mortalidade geral, não à infantil, cujo denominador padronizado é o de nascidos vivos. 0,12 por 1.000 nascidos vivos decorre de erro de multiplicação pela base.
Uma equipe de Saúde da Família de um município do interior é responsável por um território com 4.000 pessoas adultas cadastradas. Durante a reorganização da agenda de consultas e da dispensação de medicamentos na farmácia da unidade básica de saúde, a enfermeira e o médico da equipe realizam, em um único dia, um levantamento nos prontuários eletrônicos e nas fichas de cadastro individual do e-SUS. Verificam que, naquele momento, 400 pessoas adultas do território possuem diagnóstico registrado de diabetes mellitus tipo 2, incluindo tanto casos identificados naquele ano quanto casos diagnosticados em anos anteriores e que permanecem em acompanhamento. A equipe deseja expressar esse achado por meio da medida de frequência adequada para planejar a oferta de serviços.
Correta: prevalência de 10% (400/4.000). Prevalência mede os casos EXISTENTES (novos + antigos) em uma população em um dado momento (prevalência pontual), sendo a medida adequada para dimensionar carga de doença e planejar oferta de consultas e medicamentos — exatamente o levantamento descrito. Incidência (coeficiente de incidência) conta apenas CASOS NOVOS surgidos em um período entre pessoas sob risco; o enunciado explicita que casos antigos foram incluídos, o que descaracteriza incidência. Incidência acumulada (risco) também exige apenas casos novos e população livre da doença no início do seguimento. Densidade de incidência exige denominador em pessoas-tempo (pessoas-ano de seguimento), não a população cadastrada em um instante.
Durante uma epidemia de dengue, o médico da vigilância epidemiológica de um município brasileiro com 200.000 habitantes consolida os dados do SINAN referentes ao ano de 2024. Foram notificados e confirmados 4.000 casos de dengue no período, dos quais 20 evoluíram para óbito, todos em pacientes com dengue grave atendidos na UPA e na enfermaria do hospital de referência. O gestor municipal solicita ao médico um indicador que expresse a gravidade da doença, ou seja, a proporção de pessoas que adoeceram por dengue e que morreram em decorrência dessa doença, para comparar o desempenho da assistência com o de anos anteriores e de municípios vizinhos.
Correta: letalidade = óbitos pela doença ÷ casos da doença = 20/4.000 = 0,5%. É o indicador que expressa a gravidade/virulência da doença e a qualidade da assistência, pois o denominador são os doentes. O coeficiente de mortalidade específica (20/200.000 = 10 por 100.000 habitantes) tem como denominador a POPULAÇÃO geral e mede o impacto do agravo na comunidade, não a gravidade entre os doentes. O coeficiente de incidência (4.000/200.000 = 2.000 por 100.000) mede o risco de adoecer, não de morrer. A mortalidade proporcional relaciona os óbitos por dengue ao TOTAL de óbitos do município — dado que o enunciado sequer fornece —, e não aos casos da doença.
Um médico da Estratégia Saúde da Família de um município do interior é chamado ao domicílio de uma família cadastrada em sua área de abrangência. Trata-se de um lactente do sexo masculino, de 3 meses de idade, nascido a termo em maternidade do SUS, sem comorbidades conhecidas, encontrado sem vida no berço pela mãe ao amanhecer. Não há sinais externos de violência e a morte é considerada natural, sem causa esclarecida. Após os trâmites legais, o médico preenche a Declaração de Óbito. Na reunião de equipe, a enfermeira pergunta como esse óbito será utilizado pela vigilância epidemiológica para o cálculo do coeficiente de mortalidade infantil do município. Nesse contexto, qual é, respectivamente, o sistema de informação alimentado pela Declaração de Óbito e o denominador utilizado no cálculo desse coeficiente?
Correta: a Declaração de Óbito (DO) é o documento-base do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), e o coeficiente de mortalidade infantil é definido pelo Ministério da Saúde como o número de óbitos de menores de 1 ano (numerador, oriundo do SIM) dividido pelo número de nascidos vivos (denominador, oriundo do SINASC, cujo instrumento é a Declaração de Nascido Vivo), multiplicado por 1.000 — o chamado 'linkage SIM/SINASC'. Distratores: o SINAN registra doenças e agravos de notificação compulsória (dengue, tuberculose, sífilis, violências), não óbitos por causas naturais, ainda que o óbito infantil seja de investigação obrigatória. O e-SUS APS é o sistema de registro das ações da Atenção Primária (prontuário eletrônico do cidadão/coleta de dados simplificada), não alimenta indicadores de mortalidade, e a população total do IBGE é denominador da mortalidade geral, não da infantil. Usar o total de óbitos como denominador produziria a mortalidade proporcional (indicador de Swaroop-Uemura quando referida a maiores de 50 anos), e não um coeficiente/taxa de mortalidade infantil.
Na Unidade Básica de Saúde de um município, a equipe de saúde realiza o levantamento de hipertensão arterial entre os adultos adscritos. Em um único dia de campanha, foram avaliados 2.000 adultos cadastrados, e 400 deles já tinham diagnóstico de hipertensão arterial registrado ou foram diagnosticados naquele momento. A enfermeira apresenta o resultado na reunião de equipe e pergunta qual medida de frequência foi obtida com esse levantamento. A medida de frequência calculada nesse levantamento é a
O levantamento foi feito em um único momento (estudo transversal), contabilizando casos novos e antigos existentes na população em um ponto no tempo: 400/2.000 = 20% — definição de prevalência. Incidência acumulada exige seguimento de população sob risco (sem a doença no início) por um período, contabilizando apenas casos novos — não é o caso. Densidade de incidência requer denominador em pessoa-tempo, obtido por seguimento longitudinal, inexistente aqui. Taxa de ataque é uma incidência acumulada aplicada a surtos com período curto e definido de exposição, o que não corresponde a uma condição crônica avaliada transversalmente.
Um município implanta um programa de acesso universal a terapia antirretroviral pela rede do SUS. Após cinco anos, o número anual de casos novos de HIV notificados permanece estável, mas a prevalência da infecção no município aumentou de forma consistente. O gestor questiona a equipe de vigilância epidemiológica se o programa estaria falhando. A explicação mais adequada para o aumento da prevalência nesse cenário é
A prevalência é aproximadamente igual à incidência multiplicada pela duração média da doença. Com incidência estável, o tratamento antirretroviral reduz a mortalidade e prolonga a sobrevida dos casos, aumentando a duração e, portanto, a prevalência — isso indica sucesso, não falha do programa. Aumento real da incidência é incompatível com o enunciado, que informa casos novos estáveis. Melhora da sensibilidade diagnóstica elevaria a detecção de casos novos, o que também contraria a estabilidade da incidência descrita. Migração de pessoas não infectadas aumentaria o denominador e reduziria a prevalência, movendo-a no sentido oposto ao observado.
O setor de vigilância epidemiológica de um município apresenta os dados de dengue do último ano: 1.200 casos confirmados, 24 óbitos por dengue e população de 300.000 habitantes. A equipe da atenção primária discute quais indicadores melhor descrevem, respectivamente, o risco de adoecer na população e a gravidade da doença entre os acometidos. Os valores corretos são
O risco de adoecer é medido pelo coeficiente de incidência: 1.200/300.000 = 400 por 100.000 habitantes (a dengue é doença aguda, de notificação compulsória, e os casos do ano são casos novos). A gravidade entre os acometidos é medida pela letalidade: 24/1.200 = 2%. Chamar de prevalência e usar mortalidade para 2% troca os conceitos — mortalidade tem como denominador a população total, não os doentes. A terceira opção informa mortalidade de 24/100.000, quando o valor correto é 8/100.000 (24/300.000), e não traz o indicador de gravidade solicitado. A quarta troca os denominadores: letalidade nunca usa a população geral como denominador.
A equipe de vigilância epidemiológica de um município pretende calcular o coeficiente de mortalidade infantil referente ao ano anterior, indicador considerado sensível às condições de vida e à qualidade da assistência materno-infantil. Para construir corretamente esse indicador, quais sistemas de informação fornecem, respectivamente, o numerador (óbitos de menores de 1 ano) e o denominador (nascidos vivos)?
O coeficiente de mortalidade infantil = (óbitos de menores de 1 ano / nascidos vivos) × 1.000, em determinado local e período. O numerador (óbitos) vem do SIM (Sistema de Informação sobre Mortalidade), baseado na Declaração de Óbito; o denominador (nascidos vivos) vem do SINASC (Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos), baseado na Declaração de Nascido Vivo. O SINAN registra agravos de notificação, não óbitos gerais nem nascimentos, o que exclui as alternativas que o utilizam. Inverter SIM e SINASC (última opção) troca as fontes de óbito e nascimento.
Em um município de médio porte, a equipe de vigilância epidemiológica analisa a série histórica do diabetes mellitus tipo 2 na população adscrita à Atenção Primária. Entre 2015 e 2020, o número de casos novos por ano manteve-se estável, mas a prevalência da doença aumentou de 6% para 9%. No mesmo período, a ampliação do acesso à Atenção Primária e a melhora do controle metabólico reduziram a letalidade do diabetes no município. Qual é a explicação mais provável para o aumento da prevalência observado?
A prevalência (P) relaciona-se com a incidência (I) e a duração da doença (D) pela expressão P é proporcional a I x D. Com incidência estável e queda da letalidade, os pacientes vivem mais tempo com a doença: a duração média aumenta e a prevalência sobe, mesmo sem novos casos adicionais. Rejeita-se a incidência (o enunciado afirma que ela ficou estável), a latência (não determina prevalência de doença crônica já instalada) e o aumento de letalidade (ela caiu, o que sozinho reduziria a prevalência).
Após uma festa comunitária, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) recebe vários usuários com náuseas, vômitos e diarreia de início súbito. A vigilância epidemiológica municipal investiga um surto de doença transmitida por alimentos. Do total de 250 participantes que consumiram a maionese caseira, 80 adoeceram; entre os 150 participantes que não consumiram a maionese, 10 adoeceram. Considerando a maionese como alimento suspeito, qual é a taxa de ataque entre os expostos?
A taxa de ataque entre os expostos é uma incidência cumulativa: doentes expostos dividido pelo total de expostos = 80/250 = 32%. Rejeita-se 6,7% (10/150, que é a taxa de ataque entre os NÃO expostos), 22,5% (90/400, taxa de ataque global de todos os participantes) e 88,9% (80/90, proporção dos doentes que estavam expostos — não é medida de frequência de adoecimento). A comparação entre 32% e 6,7% é o que aponta a maionese como veículo provável.
Durante uma capacitação em vigilância em saúde na Atenção Primária, a equipe discute as diferentes medidas de frequência de doenças. Uma agente comunitária de saúde pergunta qual é a medida que expressa o número de casos NOVOS de uma doença que surgem em uma população sob risco durante determinado período de tempo. Assinale a resposta correta.
A incidência mede casos novos que surgem em uma população sob risco em um período — reflete o risco e a velocidade de ocorrência da doença. A prevalência expressa os casos existentes (novos e antigos) em um dado momento. A letalidade é a proporção de óbitos entre os que adoeceram, medindo a gravidade. A mortalidade proporcional indica a participação de uma causa no total de óbitos, não a ocorrência de casos novos.
Em uma capital brasileira, a Coordenação de Vigilância em Saúde analisa a série histórica de HIV/aids dos últimos dez anos. Os dados mostram coeficiente de incidência de novos casos estável em todo o período, queda acentuada do coeficiente de mortalidade após a ampliação do acesso à terapia antirretroviral e, ao mesmo tempo, aumento progressivo da prevalência de pessoas vivendo com HIV no município. A cobertura de testagem e a qualidade da notificação permaneceram constantes. Assinale a explicação que melhor justifica o aumento da prevalência observado.
A relação clássica prevalência ≈ incidência × duração média explica o quadro: com incidência estável e mortalidade em queda pela TARV, os casos vivem mais tempo, aumentando a duração média da doença e, portanto, a prevalência (alternativa correta). A elevação da incidência contradiz o enunciado (incidência estável). Dizer que a queda da letalidade não afeta o número de doentes é o oposto do mecanismo: maior sobrevida aumenta os prevalentes. O crescimento populacional não explica isoladamente o aumento de um coeficiente já ajustado por população.
Durante uma epidemia de dengue em um município de 200.000 habitantes, a vigilância epidemiológica confirmou, ao final da temporada, 4.000 casos da doença e 40 óbitos atribuídos ao agravo. O gestor solicita ao residente de Medicina Preventiva o cálculo do indicador que expressa a gravidade da doença entre os que adoeceram, para comparar com temporadas anteriores. Considerando exclusivamente os dados apresentados, assinale a alternativa que apresenta corretamente esse indicador e a forma de cálculo utilizada.
O indicador que mede a gravidade entre os que adoeceram é a taxa de letalidade = óbitos ÷ casos = 40/4.000 = 1%. O coeficiente de mortalidade usa a população como denominador (40/200.000 = 0,02%) e mede risco de morte na população geral, não a gravidade entre doentes. O coeficiente de incidência (4.000/200.000 = 2%) mede risco de adoecer, não gravidade. Chamar o resultado de 1% de coeficiente de mortalidade acerta a conta, mas troca o nome do indicador.
O Departamento de Vigilância Epidemiológica de um município com 50.000 habitantes consolida os dados vitais de um ano: foram registrados 2.000 nascidos vivos e 45 óbitos totais no período, dos quais 30 ocorreram em menores de 1 ano de idade (20 deles no período neonatal). A equipe da residência precisa calcular o indicador clássico usado para monitorar as condições de saúde materno-infantil e o acesso a serviços de saúde. Assinale a alternativa que apresenta corretamente esse coeficiente e seu valor.
O coeficiente de mortalidade infantil (CMI) usa como denominador os nascidos vivos, não a população: 30 óbitos de menores de 1 ano ÷ 2.000 nascidos vivos × 1.000 = 15 por mil nascidos vivos (correta). Usar a população total (0,6 por mil habitantes) é erro de denominador — esse é o padrão de coeficientes gerais, não do CMI. Considerar só os 20 óbitos neonatais fornece o componente neonatal (10 por mil), que é subconjunto, não o CMI. Dividir os 45 óbitos totais pelos nascidos vivos (22,5) mistura óbitos de todas as idades no numerador infantil.
A Secretaria Municipal de Saúde de um município de médio porte consolida os dados do ano-base para o relatório de indicadores. Foram registrados 18 óbitos de crianças menores de 1 ano e 1.200 nascidos vivos residentes. O gestor precisa calcular o coeficiente de mortalidade infantil e identificar corretamente as fontes oficiais para o numerador e o denominador do indicador. Assinale a alternativa correta.
O coeficiente de mortalidade infantil é o número de óbitos de menores de 1 ano dividido pelos nascidos vivos, multiplicado por 1.000: (18/1.200) × 1.000 = 15 por 1.000 nascidos vivos. O numerador (óbitos) vem do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM, alimentado pela Declaração de Óbito) e o denominador (nascidos vivos) vem do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC, alimentado pela Declaração de Nascido Vivo). Tomar os óbitos no SINASC e os nascidos vivos no SIM inverte as fontes. Atribuir ambos ao SINAN confunde o sistema — ele é de agravos de notificação, não registra óbitos nem nascimentos — e ainda erra a conta. Usar denominador populacional do IBGE troca os nascidos vivos por população, o que corresponderia à mortalidade geral, não à infantil.
Em uma região de saúde, ao longo de um ano, foram identificados 6 óbitos maternos (mortes de mulheres durante a gestação, o parto ou até 42 dias de puerpério por causas relacionadas) e 15.000 nascidos vivos residentes. O epidemiologista da regional deseja calcular a Razão de Mortalidade Materna (RMM) e apontar as fontes de dados corretas para numerador e denominador. Assinale a alternativa correta.
A Razão de Mortalidade Materna é o número de óbitos maternos dividido pelos nascidos vivos, multiplicado por 100.000: (6/15.000) × 100.000 = 40 por 100.000 nascidos vivos. O numerador provém do SIM (Declaração de Óbito, com investigação do óbito de mulher em idade fértil) e o denominador do SINASC (nascidos vivos como proxy da população exposta). Atribuir ambas as bases ao SINAN usa fonte errada: ele não registra óbitos nem nascimentos. Usar 4 por 1.000 nascidos vivos erra a constante de multiplicação (a RMM usa 100.000, não 1.000) e ainda inverte as fontes, trocando SIM por SINASC. Usar denominador populacional do IBGE troca o denominador correto (nascidos vivos) por população e erra o cálculo.
Médico de família responsável por uma equipe de Saúde da Família em município de médio porte revisa a série histórica do território, que tem população adstrita estável de 8.000 pessoas e baixa rotatividade de cadastros. Nos últimos cinco anos, a prevalência de diabetes mellitus tipo 2 subiu de 5,2% para 7,8%. No mesmo período, o número anual de novos diagnósticos manteve-se praticamente constante (cerca de 60 casos/ano), enquanto a mortalidade entre os diabéticos caiu de forma expressiva após a implantação de um programa de acompanhamento com dispensação regular de medicamentos e busca ativa de faltosos. Sobre esse achado, assinale a interpretação epidemiológica correta.
A relação clássica entre as medidas de frequência é prevalência ≈ incidência × duração média da doença. Com incidência estável (60 casos novos/ano) e população constante, o único componente que variou foi a duração: a queda da mortalidade entre diabéticos aumenta a sobrevida, os casos permanecem mais tempo no denominador de prevalentes e a prevalência sobe — paradoxo bem descrito em doenças crônicas cujo cuidado melhora. Supor que só o aumento de casos novos eleva a prevalência ignora o componente da duração. Atribuir o achado a erro de aferição também inverte o conceito: quem depende exclusivamente de casos novos é a incidência, não a prevalência. E dizer que a queda da letalidade reduziria a prevalência inverte o sentido do efeito — menor letalidade aumenta, e não reduz, a prevalência.
Durante epidemia de dengue, o serviço de vigilância epidemiológica de um município com 250.000 habitantes consolida os dados do ano: foram notificados e confirmados 10.000 casos da doença, com 25 óbitos atribuídos à dengue. O coordenador da vigilância solicita ao médico da equipe que calcule os indicadores para a reunião do Conselho Municipal de Saúde, diferenciando o risco de morrer da população geral e o risco de morrer entre os doentes. Assinale a alternativa que apresenta corretamente, nessa ordem, a taxa de letalidade por dengue e o coeficiente de mortalidade específica por dengue no município.
Letalidade tem como denominador os DOENTES: 25/10.000 = 0,0025 = 0,25%. O coeficiente de mortalidade específica tem como denominador a POPULAÇÃO: 25/250.000 = 0,0001, ou seja, 10 óbitos por 100.000 habitantes. A opção que apresenta 10 óbitos por 100.000 habitantes como letalidade e 0,25% como mortalidade troca os denominadores entre si. A opção com 4.000 óbitos por 100.000 habitantes acerta a letalidade, mas usa como mortalidade o valor da incidência, e não o dos óbitos. A opção com letalidade de 0,01% acerta a mortalidade, mas calcula a letalidade sobre a população, e não sobre os doentes.
Médico integrante do Comitê de Prevenção do Óbito Infantil de um município analisa o Sistema de Informações sobre Mortalidade e o Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos referentes ao ano anterior. Foram registrados 2.500 nascidos vivos e 30 óbitos de menores de um ano de idade, assim distribuídos: 12 óbitos ocorreram entre 0 e 6 dias completos de vida, 6 óbitos entre 7 e 27 dias completos e 12 óbitos entre 28 e 364 dias. O comitê deseja avaliar especificamente o componente relacionado à assistência ao pré-natal, ao parto e ao recém-nascido. Assinale o valor do coeficiente de mortalidade neonatal do município.
O componente neonatal abrange os óbitos de 0 a 27 dias completos de vida, somando o neonatal precoce (0 a 6 dias: 12 óbitos) e o neonatal tardio (7 a 27 dias: 6 óbitos), total de 18 óbitos. O denominador é o número de nascidos vivos: 18/2.500 × 1.000 = 7,2 por 1.000 nascidos vivos — é justamente o componente mais ligado à qualidade do pré-natal, do parto e da assistência ao recém-nascido. O valor 4,8 corresponde tanto à mortalidade neonatal precoce (12/2.500) quanto à pós-neonatal (12/2.500), isoladamente. O valor 12,0 é o coeficiente de mortalidade infantil global (30/2.500 × 1.000). O valor 2,4 é o componente neonatal tardio (6/2.500 × 1.000).
A vigilância epidemiológica de um município analisa os 1.000 óbitos não fetais ocorridos no ano, com boa cobertura e baixa proporção de causas mal definidas. A distribuição por faixa etária foi: menores de 1 ano, 40 óbitos; 1 a 49 anos, 340 óbitos; 50 anos ou mais, 620 óbitos. A equipe deseja um indicador simples que expresse o nível de saúde e o grau de avanço da transição epidemiológica local. Assinale a alternativa que apresenta corretamente o indicador calculado e sua interpretação.
A razão de mortalidade proporcional (Swaroop-Uemura) mede quantos óbitos ocorreram em pessoas de 50 anos ou mais, dividido pelo total de óbitos do período: 620/1.000 = 62%. Na classificação clássica, valores ≥75% correspondem ao nível I (melhor nível de saúde), 50–74% ao nível II (intermediário), 25–49% ao nível III e <25% ao nível IV — logo, 62% é nível II, e não nível I. O valor de 38% corresponde ao complemento (óbitos abaixo dos 50 anos), que não é o indicador pedido. O coeficiente geral de mortalidade exige o denominador populacional, ausente no enunciado, e não se calcula a partir da distribuição etária dos óbitos.
Ao elaborar o plano municipal de saúde, a equipe de planejamento levanta a estrutura etária do município: 12.000 habitantes com menos de 15 anos, 50.000 entre 15 e 59 anos e 9.600 com 60 anos ou mais. O secretário quer um indicador que expresse diretamente o avanço do envelhecimento populacional, comparando o contingente de idosos com o de crianças e adolescentes, para justificar a ampliação das linhas de cuidado ao idoso. Assinale o valor correto desse indicador para o município.
O índice de envelhecimento é a razão entre a população de 60 anos ou mais e a população menor de 15 anos, multiplicada por 100: (9.600/12.000) × 100 = 80 idosos para cada 100 jovens. O valor 125 corresponde à razão invertida (jovens/idosos). O valor 43,2 é a razão de dependência total — (12.000 + 9.600)/50.000 × 100 —, que compara dependentes e população em idade produtiva, não idosos e jovens. O valor 19,2 corresponde à razão de dependência de idosos (9.600/50.000 × 100).
Mulher de 78 anos vem à consulta na ESF acompanhada da filha. É hipertensa, diabética há 20 anos com retinopatia, tem osteoartrose de joelhos, DPOC e sequela motora de AVC isquêmico prévio; usa nove medicamentos. Deambula com andador, não sai de casa há um ano e depende de terceiros para banho e medicação. O residente comenta que, no território, casos como esse se tornaram frequentes. Ao discutir o impacto da transição demográfica e epidemiológica na avaliação da carga de doença, assinale o indicador que melhor captura essa situação.
Com o envelhecimento populacional e o predomínio das DCNT, a carga de doença deixa de ser bem representada apenas por mortes: cresce o peso dos anos vividos com incapacidade. O DALY (AVAI) é justamente a soma dos anos de vida perdidos por morte prematura (YLL) com os anos vividos com incapacidade (YLD), capturando o quadro de multimorbidade e dependência funcional descrito. A taxa bruta de mortalidade só contabiliza óbitos e é fortemente influenciada pela estrutura etária. A incidência mede casos novos, sem dimensionar incapacidade. A mortalidade proporcional distribui óbitos por causa, mas ignora integralmente a morbidade incapacitante.
O serviço de vigilância epidemiológica de um município de 200.000 habitantes acompanha uma doença crônica não transmissível cuja incidência vem se mantendo estável em 20 casos novos por 1.000 pessoas-ano há mais de uma década. A duração média da doença, da instalação até a cura ou o óbito, é de 5 anos. Neste ano, o gestor incorpora à rede um novo esquema terapêutico que não modifica o risco de adoecer nem cura os pacientes, mas comprovadamente dobra a sobrevida dos doentes. Assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, a prevalência estimada antes da incorporação e o comportamento esperado dos indicadores após a incorporação do tratamento.
Em doença de incidência estável e duração média conhecida, vale a relação P ≈ I × D, ou seja, 20/1.000 pessoas-ano × 5 anos = 100/1.000 = 10%. Um tratamento que prolonga a sobrevida sem curar aumenta a duração média da doença e, portanto, eleva a prevalência, sem alterar a incidência (que depende do risco de adoecer). Afirmar que prevalência e incidência aumentam proporcionalmente erra ao supor aumento da incidência — o tratamento não muda o surgimento de casos novos. A estimativa de 4% usa cálculo incorreto (0,02 × 2) e ainda supõe queda da incidência. A de 20% multiplica indevidamente pela sobrevida dobrada e, além disso, prevalência estável só ocorreria se a duração não mudasse.
Numa confraternização com 150 convidados, 90 comeram maionese caseira e 60 não comeram. Nas 12 horas seguintes, 54 dos que comeram maionese e 6 dos que não comeram apresentaram vômitos e diarreia. A taxa de ataque entre os expostos à maionese foi de:
Taxa de ataque é a incidência acumulada de um surto e seu denominador são os expostos, não o total de presentes: 54/90 = 60%. Os distratores usam denominadores errados — 54/150 = 36% e 60/150 = 40% — ou trocam o grupo: 6/60 = 10% é a taxa de ataque entre os não expostos, número que serve para comparar os grupos e apontar o veículo do surto, e não para descrever os expostos.
Um município com 20.000 nascidos vivos registrou, no ano: 8 óbitos de mulheres por hemorragia pós-parto e eclâmpsia ocorridos até 42 dias após o término da gestação; 2 óbitos por causa obstétrica ocorridos entre o 3º e o 6º mês após o parto, codificados como O96; e 3 óbitos de mulheres em idade fértil por acidente de trânsito, sem relação com o ciclo gravídico-puerperal. A razão de mortalidade materna do município no ano foi de:
Entram no numerador apenas os 8 óbitos por causa relacionada à gestação ocorridos até 42 dias após o término dela: 8/20.000 × 100.000 = 40 por 100 mil. Os 2 óbitos entre o 3º e o 6º mês são morte materna tardia (O96) e ficam fora do cálculo por definição da CID-10; os 3 óbitos por acidente sem relação com o ciclo gravídico-puerperal são causas incidentais. Somar os tardios levaria a 50 por 100 mil e somar tudo levaria a 65 por 100 mil.
Um candidato compara dois documentos brasileiros sobre a razão de mortalidade materna. O primeiro, de 2008, determina que o total de óbitos maternos do Brasil seja multiplicado por um fator de ajuste fixo de 1,4. A ficha de qualificação vigente do mesmo indicador não usa esse multiplicador fixo para os anos recentes. A explicação para a diferença entre os dois documentos é que:
O fator fixo de 1,4 valeu para o Brasil de 2000 a 2007 e foi de 1,2 em 2008; de 2009 em diante a correção do numerador passou a ser calculada a cada ano pela metodologia de vigilância do óbito de mulher em idade fértil, aplicada apenas às unidades da federação em que a variação dos óbitos maternos declarados antes e depois da investigação fica abaixo do valor de referência. A correção incide só no numerador, o que elimina a alternativa do denominador, e a razão de mortalidade materna não é estimada por técnica demográfica indireta — esse recurso é usado na mortalidade infantil de unidades com cobertura insuficiente.
Uma coorte ocupacional acompanhou 500 trabalhadores expostos a um agente químico. Trezentos foram seguidos por 4 anos completos e duzentos entraram no estudo mais tarde, contribuindo com 2 anos de seguimento cada. Ocorreram 32 casos novos da doença no período. A taxa de incidência (densidade de incidência) foi de aproximadamente:
A densidade de incidência tem tempo no denominador: 300 × 4 anos mais 200 × 2 anos somam 1.600 pessoas-ano, e 32/1.600 = 0,02, ou seja, 2 casos por 100 pessoas-ano. Dividir os 32 casos pelos 500 trabalhadores dá 6,4%, que é incidência acumulada, medida sem unidade de tempo e válida apenas quando todos são seguidos pelo mesmo período — não é o caso aqui. As demais alternativas usam somas parciais de pessoas-ano e descartam parte do seguimento.
Ao comparar a mortalidade de duas cidades, um sanitarista observa que na cidade A a maior fatia dos óbitos ocorre em pessoas de 50 anos ou mais, enquanto na cidade B a maior fatia se concentra em menores de 1 ano. Sobre os indicadores empregados nessa comparação, é correto afirmar que:
O indicador de Swaroop-Uemura é a razão de mortalidade proporcional: óbitos de 50 anos ou mais sobre o total de óbitos, vezes 100 — quanto mais alto, mais a mortalidade se desloca para as idades avançadas. A curva de Nelson de Moraes usa cinco faixas: menores de 1 ano, 1 a 4, 5 a 19, 20 a 49 e 50 anos ou mais. Mortalidade proporcional é proporção e não risco, porque a fatia de um grupo pode crescer apenas porque outro encolheu; e, por ser calculada sobre o total de óbitos, ela dispensa o tamanho da população, que é exatamente o que os coeficientes exigem.
Um município implantou, há oito anos, um programa de acesso universal ao tratamento de uma doença crônica de curso arrastado. Antes do programa, a doença tinha incidência de 30 casos novos por 100 mil habitantes ao ano e sobrevida média de 3 anos após o diagnóstico. Hoje a incidência anual está em 26 por 100 mil e a sobrevida média subiu para 11 anos. O secretário de saúde recebe o relatório mostrando que a prevalência da doença no município mais que dobrou no período e conclui que o programa fracassou. Sobre a leitura desses números, é correto afirmar que:
Prevalência é estoque e depende de duas torneiras: entra com casos novos (incidência) e sai com cura ou óbito. Como a prevalência é aproximadamente igual à incidência multiplicada pela duração média da doença, quase quadruplicar a sobrevida eleva o estoque mesmo com a incidência caindo — foi o que aconteceu com a infecção pelo HIV após a terapia antirretroviral. As erradas: a primeira e a terceira inventam causas quando a duração já explica o achado; a segunda trata como intercambiáveis duas medidas que respondem a perguntas diferentes (fluxo e estoque); a última descreve incidência acumulada e ignora que quem morre ou cura sai do estoque.
Um município apresenta taxa de mortalidade infantil de 16 por mil nascidos vivos, com componente neonatal precoce de 9 por mil, neonatal tardio de 3 por mil e pós-neonatal de 4 por mil. A leitura correta desse perfil é:
O componente neonatal soma o precoce (0 a 6 dias) e o tardio (7 a 27 dias), aqui 12 dos 16 por mil, e aponta para a assistência ao pré-natal, ao parto e ao recém-nascido; é o pós-neonatal (28 dias a menos de 1 ano) que responde por ambiente, saneamento e cuidado domiciliar, e ele não predomina neste município. Todos os componentes têm nascidos vivos no denominador, não a população de menores de um ano. E, pela escala clássica, 16 por mil está na faixa baixa, que vai até 20 por mil.
Durante um surto de doença infecciosa em município de 200 mil habitantes foram confirmados 400 casos e 20 óbitos pela doença. A letalidade e a mortalidade específica pela doença no período foram, respectivamente:
Letalidade divide os óbitos pelos casos (20/400 = 5%) e mede a gravidade da doença para quem a contraiu. Mortalidade específica divide os óbitos pela população (20/200.000 × 100.000 = 10 por 100 mil) e mede o peso da doença sobre a população. As demais alternativas trocam os denominadores: 0,2% sai de dividir os 400 casos pelos 200 mil habitantes, e 200 por 100 mil é a incidência dos casos, não a mortalidade dos óbitos.
Um serviço acompanha 10.000 adultos cadastrados. No primeiro dia do ano, 2.000 deles já tinham o diagnóstico de determinada condição crônica. Ao longo dos doze meses seguintes, 240 pessoas receberam o diagnóstico pela primeira vez. A incidência acumulada da condição nesse ano foi de:
Incidência conta casos novos entre quem ainda podia adoecer, e quem já tem a doença sai do denominador: a população sob risco no início do período é 10.000 − 2.000 = 8.000, e a incidência acumulada do ano é 240/8.000 = 3,0%. Dividir por 10.000 devolve 2,4% e mantém no denominador gente que não podia entrar no numerador. O valor de 22,4% é a prevalência ao fim do ano, com casos novos e antigos somados sobre a população total; 20,0% é a prevalência do início do período; e 12,0% divide os casos novos pelos casos que já existiam, quociente que não descreve risco de ninguém. Vale lembrar que incidência acumulada só significa alguma coisa com o período declarado junto — aqui, um ano — e que ela pressupõe seguimento de mesma duração para todos, condição que o cadastro fechado do serviço satisfaz.
Um município de pequeno porte registrou taxa de mortalidade infantil de 9 óbitos por mil nascidos vivos no último ano. O gestor apresenta o número ao conselho municipal e propõe encerrar o comitê de investigação de óbitos infantis, por considerar o problema resolvido. Sobre a leitura desse indicador, é correto afirmar que:
A escala clássica classifica a taxa de mortalidade infantil como alta a partir de 50 por mil, média entre 20 e 49 e baixa abaixo de 20, de modo que 9 por mil cai na faixa baixa. A própria ficha do indicador registra que esses parâmetros exigem revisão periódica, porque foram construídos num perfil em que o país inteiro ocupava as duas primeiras faixas, e que valores abaixo de 10 por mil podem encobrir desigualdade interna grave. Somem-se dois cuidados: em município com poucos nascidos vivos por ano o indicador oscila muito de um ano para o outro, e a leitura que orienta conduta é a dos componentes — predomínio neonatal aponta para pré-natal, parto e recém-nascido; predomínio pós-neonatal, para ambiente, saneamento, nutrição e cuidado domiciliar. Situar 9 por mil na faixa alta inventa um corte que a escala não tem. Concluir que a assistência está adequada dispensa justamente a análise por componentes. E o denominador do indicador são os nascidos vivos do período, nunca a população de menores de um ano.
Ao montar o painel de indicadores do município, a equipe percebe que um dos indicadores de mortalidade é chamado de razão, e não de taxa nem de coeficiente. Sobre a razão de mortalidade materna, é correto afirmar que ela recebe esse nome porque:
Razão, proporção e taxa se distinguem pelo denominador: na proporção o numerador é parte do todo que está embaixo; na razão, não é. A mortalidade materna é chamada de razão porque quem corre o risco de morrer por causa ligada à gestação é a gestante, e o número de gestantes de um território não é conhecido — entram nascidos vivos como aproximação, e o numerador não está contido nesse denominador, de modo que o quociente deixa de ser um risco. O multiplicador de 100 mil é convenção fixa do indicador e serve apenas para tirar zeros da frente da vírgula, sem mudar a natureza da medida. A exclusão das mortes maternas tardias delimita o numerador, e não a classificação da medida. E a documentação oficial brasileira trata coeficiente e taxa como sinônimos, sem reservar um dos termos para numerador corrigido: a ficha do indicador de mortalidade infantil traz os dois nomes lado a lado.
Em um municipio com 200.000 habitantes ha 400 pessoas vivendo com hanseniase em 31 de dezembro; ao longo daquele ano foram diagnosticados 60 casos novos. Os valores de prevalencia e de coeficiente de deteccao (incidencia) sao, respectivamente:
Prevalencia conta casos existentes num momento: 400/200.000 x 10.000 = 20 por 10.000. Incidencia (coeficiente de deteccao anual) conta casos NOVOS no periodo: 60/200.000 x 10.000 = 3 por 10.000. Trocar os dois e o erro mais frequente e tem consequencia pratica: prevalencia depende da duracao da doenca e cai quando o tratamento encurta o tempo de doenca, enquanto a deteccao mede transmissao ativa. Somar novos aos existentes nao gera indicador valido.
Durante epidemia de dengue, um municipio registrou 12.000 casos notificados, dos quais 300 classificados como dengue grave, com 15 obitos, todos entre os casos graves. A letalidade da dengue grave e a mortalidade especifica por dengue na populacao de 300.000 habitantes sao, respectivamente:
Letalidade tem no denominador os DOENTES daquela forma clinica: 15/300 = 5%. Mortalidade tem no denominador a POPULACAO: 15/300.000 x 100.000 = 5 por 100.000. Calcular 15/12.000 engana quem usa o total de casos notificados como denominador da letalidade da forma grave — isso responde a outra pergunta (letalidade geral da dengue) e subestima muito a gravidade da forma grave. A confusao entre denominador de doentes e denominador populacional e a pegadinha classica.
Em um município com 200.000 habitantes, foram registrados 400 casos novos de tuberculose em 2025 e havia 1.200 pessoas vivendo com a doença ao longo daquele ano. Qual é a incidência de tuberculose nesse município em 2025?
A incidência conta apenas casos novos no período dividido pela população exposta: 400 dividido por 200.000 resulta em 0,002, ou 200 casos por 100.000 habitantes. O valor de 600 por 100.000 corresponde à prevalência, calculada com os 1.200 casos existentes, e é o distrator que captura quem confunde as duas medidas. A distinção é prática: a incidência mede risco de adoecer e avalia o impacto de medidas preventivas, enquanto a prevalência mede carga de doença e depende também da duração.
Ao analisar a mortalidade de dois municípios, um gestor observa que o município A tem coeficiente bruto de mortalidade maior que o município B, embora o acesso a serviços e as condições de vida sejam melhores em A. Investigando, verifica que a população de A é bem mais envelhecida. Qual procedimento permite comparar adequadamente a mortalidade entre os dois municípios?
Diferenças na estrutura etária confundem a comparação de coeficientes brutos, e a padronização por idade com população-padrão comum é o procedimento adequado para neutralizar esse efeito. A mortalidade proporcional descreve a distribuição das causas, mas não corrige a comparação de magnitude entre populações com perfis etários distintos. O coeficiente de mortalidade infantil mede outro fenômeno e não substitui a mortalidade geral. Um teste estatístico sobre frequências absolutas não corrige o desequilíbrio de composição, apenas avalia significância de números que continuam não comparáveis.
Uma equipe de Saúde da Família prepara relatório com número de casos novos de tuberculose no território no último ano, comparando com a população estimada. Deseja calcular um indicador que expresse o risco de adoecimento na população durante o período. O indicador adequado é:
Casos novos em um período, relacionados à população sob risco, definem o coeficiente de incidência, que expressa o risco de adoecer. A prevalência computa casos existentes, novos e antigos, em um momento, refletindo carga da doença e não risco de adoecimento. A letalidade relaciona óbitos ao número de doentes, medindo gravidade. A mortalidade proporcional distribui os óbitos por causa, sem informar risco de adoecimento.
Uma equipe de vigilância epidemiológica apresenta dados de um município: em determinado ano houve 300 casos novos de tuberculose e 900 pessoas vivendo com a doença ao longo do ano, em população de 300 mil habitantes, com 30 óbitos entre os doentes. Os gestores discutem quais indicadores usar para avaliar a transmissão recente e o desempenho do programa de controle, e um profissional confunde os conceitos de casos novos e casos existentes. Qual indicador expressa melhor a ocorrência de casos novos?
A incidência expressa o número de casos novos em população sob risco durante período determinado, sendo o indicador adequado para avaliar transmissão recente e efeito de medidas de controle. A prevalência reflete casos existentes e depende também da duração da doença. A letalidade mede a gravidade, relacionando óbitos ao número de doentes. A mortalidade proporcional compara óbitos por determinada causa com o total de óbitos, servindo a outra finalidade analítica.
Durante epidemia de arbovirose, a secretaria municipal de saúde apresenta dados de que houve 4.000 casos notificados e 40 óbitos pela doença no período, em município com 200 mil habitantes. Os gestores discutem como comunicar à população a gravidade da doença e a magnitude do problema, e há divergência sobre qual medida representa a proporção de mortes entre as pessoas que adoeceram, e qual representa o risco de morrer na população geral. Qual é o indicador que expressa a proporção de óbitos entre os doentes?
A taxa de letalidade relaciona os óbitos pela doença ao número de pessoas que adoeceram, expressando a gravidade da doença entre os acometidos. O coeficiente de mortalidade relaciona óbitos à população total, expressando o risco de morrer na população. O coeficiente de incidência mede casos novos em relação à população sob risco. A prevalência mede casos existentes, não sendo indicador de gravidade nem de mortalidade.
Uma equipe de vigilância investiga aumento de casos de doença diarreica em bairro atendido por poço comunitário, com identificação de contaminação por coliformes na água distribuída. Além das medidas emergenciais de tratamento da água, a equipe quer avaliar o impacto das ações ao longo dos meses seguintes, escolhendo indicadores que permitam comparar a situação antes e depois da intervenção e monitorar a resposta no território. Qual conjunto de indicadores é mais adequado?
O monitoramento de uma intervenção de saneamento e vigilância da água exige indicadores que reflitam tanto o desfecho de saúde, como a ocorrência de casos novos de diarreia por período, quanto o processo e a exposição, como a proporção de amostras de água fora do padrão de potabilidade, permitindo comparação antes e depois. O total de atendimentos não discrimina a causa e sofre influência de outros fatores. Óbitos por diarreia são eventos raros e tardios para monitorar impacto. Satisfação dos usuários avalia outra dimensão do cuidado.
Uma equipe de vigilância analisa dados de dois municípios vizinhos e observa que o município A apresenta coeficiente de mortalidade por doenças cardiovasculares muito superior ao do município B. Ao examinar a composição populacional, verifica que o município A tem proporção de idosos muito maior que a do município B, cuja população é predominantemente jovem, o que pode explicar parte da diferença observada entre os coeficientes brutos calculados para os dois municípios. Para comparar adequadamente os dois municípios, é necessário:
A comparação de coeficientes de mortalidade entre populações com estruturas etárias distintas exige padronização por idade, direta ou indireta, que remove o efeito da composição etária e permite atribuir a diferença remanescente a outros fatores. Comparar números absolutos ignora o tamanho e a composição das populações. A mortalidade proporcional depende do total de óbitos e não mede risco. Recusar qualquer comparação desconsidera a existência de métodos consagrados para ajustá-la.
Uma equipe de vigilância investiga a ocorrência de determinada doença em uma população e verifica que a doença tem longa duração, com muitos casos que permanecem vivos por anos após o diagnóstico. A equipe deseja escolher a medida mais adequada para dimensionar a demanda por serviços e o planejamento de recursos, considerando que o interesse é conhecer o número total de pessoas doentes em determinado momento, e não a velocidade de surgimento de novos casos na população. A medida adequada é:
A prevalência mede o número de casos existentes em determinado momento e é a medida adequada para dimensionar a carga de doença e planejar serviços e recursos, especialmente em doenças de longa duração. A incidência mede casos novos e é útil para avaliar risco e efeito de medidas preventivas. A letalidade mede a proporção de óbitos entre os doentes. A densidade de incidência é uma forma de expressar incidência considerando o tempo-pessoa, também voltada a casos novos.
Uma equipe de vigilância acompanhou 500 trabalhadores de uma indústria têxtil por até cinco anos para estimar a ocorrência de asma ocupacional. Ao final do seguimento foram registrados 40 casos novos, e o somatório do tempo de observação de todos os participantes, descontadas perdas e óbitos, totalizou 1.800 pessoas-ano. O coordenador da vigilância em saúde do trabalhador precisa apresentar ao gestor municipal uma medida que leve em conta o tempo de exposição de cada trabalhador, e não apenas o número de pessoas incluídas no início. Qual medida deve ser calculada?
A medida que incorpora o tempo de observação de cada indivíduo no denominador é a taxa ou densidade de incidência: 40 casos divididos por 1.800 pessoas-ano, ou 22,2 casos por 1.000 pessoas-ano. É a escolha correta quando há perdas de seguimento e tempos de acompanhamento desiguais. A prevalência pontual conta casos existentes em um instante e não expressa velocidade de adoecimento. A incidência acumulada usa a população inicial como denominador e distorce o risco quando o seguimento é incompleto. O coeficiente de mortalidade mede óbitos, não casos novos da doença.
Durante um surto de doença respiratória em um município de 240 mil habitantes, foram confirmados 1.200 casos em oito semanas, dos quais 36 evoluíram para óbito, a maioria em pessoas com mais de 70 anos e comorbidades. No mesmo período, o município registrou 480 óbitos por todas as causas. O secretário municipal pede ao médico da vigilância epidemiológica um indicador que expresse a gravidade da doença especificamente entre as pessoas que adoeceram, para comparação com o observado em outros municípios atingidos pelo mesmo agente. Qual indicador deve ser calculado e informado?
A gravidade da doença entre os que adoeceram é medida pela letalidade, que tem como denominador os casos confirmados, no exemplo 36 dividido por 1.200, ou 3%. O coeficiente de mortalidade usa a população total como denominador e mede o impacto da doença sobre toda a comunidade, não a gravidade individual. Mortalidade proporcional indica a participação daquela causa entre todos os óbitos, servindo a outro propósito. Incidência mede a ocorrência de casos novos e responde sobre disseminação, não sobre gravidade.
Uma criança de 5 anos teve diagnóstico confirmado de uma doença de transmissão respiratória. Na casa residem outras seis pessoas suscetíveis. Nas três semanas seguintes, quatro delas adoeceram com o mesmo quadro. A equipe de vigilância registra esse dado para estimar a transmissibilidade domiciliar do agente e comparar com o descrito na literatura, orientando as medidas de bloqueio no território. Qual é a medida calculada e o seu valor neste domicílio?
A taxa de ataque secundária mede a proporção de contatos suscetíveis que adoecem após exposição ao caso índice, excluindo o próprio caso índice do denominador: quatro adoecidos entre seis suscetíveis resulta em cerca de 67%. Taxa de ataque primária refere-se aos atingidos pela exposição inicial comum, não aos contatos do caso. Chamar de coeficiente de incidência domiciliar e incluir o caso índice no denominador desvirtua o indicador. Número reprodutivo básico é parâmetro populacional de população totalmente suscetível, não uma contagem de um único domicílio.
Uma equipe de vigilância acompanhou trabalhadores de uma indústria química e observou 45 óbitos por câncer durante o período, enquanto o número esperado, calculado a partir das taxas da população geral com a mesma distribuição etária, seria de 30 óbitos. A empresa alega que os resultados não têm significado porque a população de referência é diferente. O médico da vigilância precisa apresentar e interpretar o indicador adequado. Qual é a interpretação correta?
A razão de mortalidade padronizada é a divisão dos óbitos observados pelos esperados, aqui 45 sobre 30, resultando em 1,5, ou seja, 50% mais óbitos do que o previsto pelas taxas da população de referência ajustadas por idade, achado que sustenta investigação da exposição ocupacional. Inverter a razão produz interpretação oposta e equivocada. Prevalência de câncer não responde à pergunta sobre excesso de mortalidade. A padronização existe justamente para permitir comparar populações de tamanhos e estruturas etárias distintos.
Um serviço de saúde registra, em um ano, 800 casos novos de tuberculose em uma população de 400.000 habitantes, além de 1.200 casos em tratamento no período, considerando os que iniciaram em anos anteriores. Os dados provêm do sistema de notificação e a cobertura de diagnóstico é considerada adequada pela vigilância local, sem mudanças metodológicas no período. Qual o coeficiente de incidência de tuberculose nessa população?
A incidência considera apenas casos novos no período dividido pela população exposta: 800 dividido por 400.000, multiplicado por cem mil, resulta em 200 casos por cem mil habitantes. O valor de 300 por cem mil corresponderia ao uso dos 1.200 casos em tratamento, que representam a prevalência e não a incidência. O valor de 500 por cem mil não decorre de nenhum dos cálculos possíveis. Expressar 2 por mil habitantes-ano como prevalência confunde as duas medidas, pois o numerador utilizado é de casos novos. O percentual de 0,2% também descreve prevalência pontual, medida distinta da solicitada.
Uma população de 50.000 habitantes apresenta, em um ano, 250 casos novos de determinada doença e 40 óbitos por essa mesma causa, com 1.000 pessoas vivendo com a doença ao final do período. Os dados foram consolidados a partir dos sistemas de informação, sem alterações metodológicas no ano analisado e com boa qualidade de registro nos serviços da rede pública e privada. Qual a letalidade dessa doença no período?
A letalidade é a proporção de óbitos entre os doentes, calculada com os 40 óbitos divididos pelos 250 casos novos, resultando em 16%. O valor de 0,08% corresponde à mortalidade na população geral, com denominador de 50.000 habitantes. O valor de 4% resultaria de dividir os óbitos pelos 1.000 casos prevalentes, o que mistura numerador e denominador de conceitos distintos. O valor de 80 por cem mil habitantes é o coeficiente de mortalidade pela doença. O valor de 25 por mil habitantes não corresponde a nenhuma das medidas calculáveis com precisão a partir desses dados.
Uma pesquisadora compara a mortalidade por doenças cardiovasculares entre dois municípios. O município A apresenta coeficiente bruto de 400 óbitos por cem mil habitantes e o município B, 250 por cem mil. Ao analisar a estrutura populacional, verifica que o município A tem proporção muito maior de idosos que o B, sendo a distribuição etária substancialmente diferente entre os dois locais. Qual a conduta metodológica adequada para essa comparação?
Quando as populações comparadas têm estruturas etárias muito diferentes, é necessário calcular taxas padronizadas por idade, por método direto ou indireto, para remover o efeito da composição etária sobre a mortalidade. Comparar coeficientes brutos atribui ao município A uma mortalidade maior que pode decorrer apenas de sua população mais envelhecida. Excluir os idosos descarta justamente o grupo em que ocorre a maior parte dos óbitos cardiovasculares e distorce a análise. Números absolutos ignoram o tamanho populacional e são ainda menos comparáveis. A razão de mortalidade proporcional entre jovens não responde à pergunta e permanece sujeita a distorções de composição.
Equipe de vigilância epidemiológica analisa dados de uma doença transmissível no município, calculando indicadores para orientar ações de controle e avaliar o impacto das medidas adotadas ao longo do último ano, incluindo taxas de ocorrência, letalidade e mortalidade na população de referência do território. Sobre esses indicadores, assinale a alternativa correta.
A incidência mede a ocorrência de casos novos em determinado período e população, sendo o indicador adequado para avaliar risco e impacto de medidas de controle. A prevalência considera casos novos e antigos existentes, e não apenas os novos. A letalidade é a razão entre óbitos pela doença e o total de doentes, não a população exposta. A mortalidade relaciona óbitos pela doença à população, enquanto a proporção de doentes que morrem corresponde à letalidade. Incidência e prevalência não são equivalentes, diferindo especialmente em doenças de longa duração.
Em um município com 200.000 habitantes, foram registrados 400 casos novos de determinada doença infecciosa crônica em um ano, e havia 3.000 pessoas vivendo com a doença ao final desse período. A equipe de vigilância discute quais indicadores utilizar para monitorar a transmissão e o impacto de um novo tratamento que aumentou a sobrevida dos doentes. Assinale a alternativa correta.
A incidência de 400 casos novos em 200.000 habitantes corresponde a 200 casos por 100.000 habitantes ao ano e é o indicador que melhor reflete a transmissão recente, pois considera apenas casos novos. A prevalência, por incluir casos antigos, sofre influência da duração da doença e é inadequada para medir transmissão recente. Um tratamento que prolonga a sobrevida sem curar aumenta a prevalência, e não a reduz. Incidência e prevalência podem divergir justamente porque a prevalência depende da duração média da doença. A prevalência de 1,5% indica pessoas vivendo com a doença no período, e não pessoas que adoeceram naquele ano.
Uma doença crônica passa a ter tratamento que prolonga a sobrevida sem curar. A incidência se mantém estável, assim como migração e detecção. Qual mudança é esperada na prevalência?
Com entrada de casos estável e permanência mais longa no estado de doença, cresce o número de casos existentes. Referência: CDC. Principles of Epidemiology in Public Health Practice, 3ª edição. Dados e cálculos fictícios elaborados para esta questão. https://stacks.cdc.gov/view/cdc/6914
Uma coorte registra 36 primeiros episódios de doença ao longo de 1.200 pessoas-ano sob risco. Qual é a taxa de incidência?
A taxa é 36/1.200 = 0,03 por pessoa-ano, equivalente a 30 por 1.000. Referência: CDC. Principles of Epidemiology in Public Health Practice, 3ª edição. Dados e cálculos fictícios elaborados para esta questão. https://stacks.cdc.gov/view/cdc/6914
Uma unidade conta todos os pacientes que vivem com determinada condição em uma data e divide pelo total de moradores naquela data, sem distinguir quando adoeceram. Qual indicador corresponde à definição apresentada?
O numerador de casos existentes caracteriza prevalência pontual. Casos existentes em uma data divididos pela população nessa mesma data estimam a proporção que apresenta a condição naquele momento. Referência: https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson3/section2.html
Hospital acompanha cem pacientes com doença e registra vinte mortes por ela. O indicador pretendido descreve gravidade entre esses pacientes, sem extrapolar para toda a população. Qual indicador corresponde à definição apresentada?
A proporção de óbitos entre doentes é letalidade hospitalar nessa série. Óbitos pela doença entre seus casos, em população e período definidos, expressam gravidade entre doentes, e não risco de morte da população geral. Referência: https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson3/section3.html
Após exposição alimentar, 24 dos 80 convidados inicialmente saudáveis adoecem no período investigado. A chamada taxa de ataque é calculada por 24/80. Qual indicador corresponde à definição apresentada?
A taxa de ataque é uma incidência acumulada, aqui de 30%. Novos casos no período divididos pela população inicialmente sob risco estimam a probabilidade de adoecer nesse intervalo, com seguimento apropriado. Referência: https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson3/section2.html
Um censo de saúde encontra 150 pessoas vivendo com epilepsia entre 10.000 residentes no dia da avaliação, independentemente da data de início. Qual indicador corresponde à definição apresentada?
A medida é prevalência pontual de 1,5%, não incidência. Casos existentes em uma data divididos pela população nessa mesma data estimam a proporção que apresenta a condição naquele momento. Referência: https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson3/section2.html
Duas doenças têm igual número de casos, mas uma provoca maior proporção de mortes entre eles. O indicador comparado mede fatalidade entre os afetados. Qual indicador corresponde à definição apresentada?
O indicador descrito é letalidade e depende também da detecção dos casos e do seguimento. Óbitos pela doença entre seus casos, em população e período definidos, expressam gravidade entre doentes, e não risco de morte da população geral. Referência: https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson3/section3.html
Uma coorte de 2.000 pessoas sem doença tem 100 novos casos em dois anos, com acompanhamento completo. A equipe apresenta risco de 5% nesse período. Qual indicador corresponde à definição apresentada?
Risco de adoecer num intervalo corresponde à incidência acumulada. Novos casos no período divididos pela população inicialmente sob risco estimam a probabilidade de adoecer nesse intervalo, com seguimento apropriado. Referência: https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson3/section2.html
Uma população fechada de mil pessoas inicialmente sem a doença é acompanhada completamente por um ano; cinquenta desenvolvem a condição. Calcula-se 50/1.000. Qual indicador corresponde à definição apresentada?
O cálculo usa novos casos e população inicialmente sob risco, resultando em incidência acumulada de 5%. Novos casos no período divididos pela população inicialmente sob risco estimam a probabilidade de adoecer nesse intervalo, com seguimento apropriado. Referência: https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson3/section2.html
Em surto, detectar mais casos leves aumenta o denominador e reduz a proporção de mortes entre os casos detectados, sem mudar o número de óbitos. Qual indicador corresponde à definição apresentada?
A letalidade observada é sensível à detecção de casos leves e não representa apenas virulência. Óbitos pela doença entre seus casos, em população e período definidos, expressam gravidade entre doentes, e não risco de morte da população geral. Referência: https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson3/section3.html
Uma terapia prolonga a vida com doença sem alterar o número de novos casos; aumenta a proporção de pessoas vivendo com a condição numa data. Qual indicador corresponde à definição apresentada?
O aumento da duração pode elevar prevalência, mesmo com incidência estável. Casos existentes em uma data divididos pela população nessa mesma data estimam a proporção que apresenta a condição naquele momento. Referência: https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson3/section2.html
Em 1º de julho, 240 dos 4.000 moradores de uma área têm diabetes, incluindo diagnósticos recentes e antigos. Calcula-se 240/4.000. Qual indicador corresponde à definição apresentada?
A proporção de casos existentes numa data é prevalência pontual de 6%. Casos existentes em uma data divididos pela população nessa mesma data estimam a proporção que apresenta a condição naquele momento. Referência: https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson3/section2.html
Durante surto com 300 casos confirmados e seguimento completo, quinze pacientes morrem pela doença. A equipe calcula 15/300. Qual indicador corresponde à definição apresentada?
A proporção de mortes entre os casos corresponde à letalidade de 5%. Óbitos pela doença entre seus casos, em população e período definidos, expressam gravidade entre doentes, e não risco de morte da população geral. Referência: https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson3/section3.html
Entre 500 trabalhadores livres de dermatite no início, quarenta têm primeiro episódio durante seis meses, sem perdas. O denominador é o grupo sob risco no início. Qual indicador corresponde à definição apresentada?
A ocorrência de casos novos no intervalo define incidência acumulada de 8%. Novos casos no período divididos pela população inicialmente sob risco estimam a probabilidade de adoecer nesse intervalo, com seguimento apropriado. Referência: https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson3/section2.html
Um tratamento prolonga a sobrevida de pessoas com uma doença crônica incurável, sem modificar sua incidência. Em uma população estável, sem migração relevante, qual mudança da prevalência é mais plausível após vários anos?
Mais pessoas permanecem vivas com a doença, ampliando o estoque de casos mesmo sem novos casos adicionais. Referência: CDC. Principles of Epidemiology, Lesson 3, Morbidity Frequency Measures. https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson3/section2.html
Uma escola tinha 480 estudantes, dos quais 80 já haviam apresentado determinada infecção e estavam imunes. Entre os 400 suscetíveis, ocorreram 40 casos durante um surto, com acompanhamento completo. Qual foi a incidência acumulada entre os suscetíveis?
O denominador sob risco exclui os 80 imunes: 40/400 = 10%. Referência: CDC. Principles of Epidemiology, Lesson 3, Morbidity Frequency Measures. https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson3/section2.html
Em dez domicílios, há dez casos primários e 50 contatos. Dos contatos, dez já eram imunes. Durante o período de observação, surgem oito casos secundários entre os contatos suscetíveis. Qual é a taxa de ataque secundário?
Há 40 contatos suscetíveis; oito adoeceram: 8/40 = 20%. Casos primários não entram no denominador de contatos. Referência: CDC. Principles of Epidemiology, Lesson 3, Morbidity Frequency Measures. https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson3/section2.html
Um inquérito examina todos os 2.000 moradores de uma comunidade em uma mesma semana e identifica 160 pessoas com diabetes, incluindo 30 diagnosticadas nessa avaliação. Qual medida pode ser calculada diretamente como 160/2.000?
Os 160 incluem casos antigos e recém-identificados existentes na população examinada. Referência: CDC. Principles of Epidemiology, Lesson 3, Morbidity Frequency Measures. https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson3/section2.html
Uma coorte registrou 36 primeiros episódios de trombose durante 1.800 pessoas-ano de observação. O seguimento terminou no primeiro evento, óbito ou perda de contato. Qual expressão descreve corretamente a frequência observada?
A densidade de incidência usa o tempo sob risco: 36/1.800 = 0,02 por pessoa-ano. Referência: CDC. Principles of Epidemiology, Lesson 3, Morbidity Frequency Measures. https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson3/section2.html
Qual densidade de incidência corresponde ao tempo informado?

45/880 = 0,05114 por pessoa-ano, ou 51,1 por 1.000 pessoas-ano.
Se um tratamento prolongar a sobrevida sem modificar o número de casos novos, o que pode ocorrer com a prevalência?

Prevalência depende da entrada de novos casos e do tempo que as pessoas permanecem com a condição.
Que medida conta apenas os casos novos em determinado período?

Incidência descreve ocorrência de casos novos.
Qual é a prevalência no início?

100 casos existentes em 1.000 pessoas correspondem a 10%.
Qual incidência acumulada anual usa o denominador correto?

No início, 900 pessoas estavam sem doença e sob risco; 45/900 = 5%.
Aplicando taxas específicas de uma população de referência à estrutura etária de uma coorte, estimaram-se 80 óbitos esperados. Foram observados 120. Qual é a razão padronizada de mortalidade, expressa como razão e não como percentual?
A padronização indireta compara observados com esperados sob as taxas de referência. O excesso descritivo não prova, sozinho, um mecanismo causal. Referências: Richardson et al. Observed and Expected Mortality in Cohort Studies, 2017 — https://stacks.cdc.gov/view/cdc/211697
Para uma doença, um estudo de carga estima 800 anos de vida perdidos por morte prematura (YLL) e 200 anos de vida saudável perdidos por incapacidade (YLD), já calculados com métodos compatíveis. Quantos DALYs correspondem a essa carga?
A medida integra perdas fatais e não fatais: 800 + 200 = 1.000. O total representa anos de saúde perdidos sob a metodologia adotada. Referências: WHO. Leading causes of DALYs: definition and methods — https://www.who.int/data/gho/data/themes/mortality-and-global-health-estimates/global-health-estimates-leading-causes-of-dalys
Um painel de óbitos por data de ocorrência mostra queda abrupta nas últimas duas semanas. Sabe-se que a emissão e o processamento das declarações levam várias semanas, e os dados recentes são provisórios. Qual interpretação inicial é mais adequada?
A cauda recente de uma série pode parecer artificialmente baixa. Comparações precisam considerar quanto do período já foi captado pelo sistema. Referências: CDC NCHS. Quarterly Provisional Estimates: Technical Notes, Mortality — https://www.cdc.gov/nchs/nvss/vsrr/mortality-technical-notes.htm
Um município registrou seis óbitos que atendem à definição de morte materna e 12.000 nascidos vivos no mesmo ano. A investigação dos óbitos está concluída. Qual é a razão de mortalidade materna por 100.000 nascidos vivos?
O indicador utiliza nascidos vivos como denominador e expressa a magnitude por 100 mil. Não se deve trocar essa base pelo total de habitantes ou de mulheres. Referências: WHO. Maternal mortality ratio, indicator metadata — https://www.who.int/data/gho/indicator-metadata-registry/imr-details/26
Uma cidade tem mortalidade de 2 por mil entre menores de 60 anos e 20 por mil entre pessoas de 60 anos ou mais. Para padronização direta, adota-se uma população-padrão com 80% no primeiro estrato e 20% no segundo. Qual é a taxa padronizada por mil?
A padronização direta aplica pesos comuns às taxas específicas. O resultado de 5,6 por mil é uma medida comparativa e não precisa coincidir com a taxa bruta da cidade. Referências: CDC. Principles of Epidemiology, Lesson 3, Mortality Frequency Measures — https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson3/section3.html
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em 7 dias
Escreva de memória, sem consultar, o denominador de cada uma: incidência acumulada, densidade de incidência, prevalência pontual, letalidade, mortalidade por causa específica, taxa de ataque, taxa de ataque secundária, mortalidade infantil e razão de mortalidade materna. Confira só os denominadores — é onde as questões moram.
em 30 dias
Abra o painel de mortalidade do Ministério da Saúde, pegue os dados do seu município ou do seu estado e calcule a taxa de mortalidade infantil com os três componentes. Diga qual deles pesa mais, o que isso indica sobre a assistência local, e confirme se o valor foi obtido por cálculo direto ou por estimativa.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Você é o médico da equipe de saúde da família. A enfermeira relata que, em três dias, seis das 28 crianças de uma creche da área adscrita procuraram a unidade com diarreia aquosa e vômitos; todas almoçam no refeitório da creche e uma delas internou por desidratação. A diretora está na sua sala e quer saber se pode manter a creche aberta. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
