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Tipos de estudo epidemiológico
Reconhecer o desenho e escolher a medida possível
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Em epidemiologia, o desenho de estudo influencia a força da evidência. Um pesquisador acompanha, ao longo de dez anos, um grupo de tabagistas e um grupo de não tabagistas, inicialmente sem a doença, para verificar a incidência de câncer de pulmão em cada grupo. Qual é o desenho de estudo descrito?
Como esse tema cai
Este é um dos temas mais rentáveis de Medicina Preventiva porque a prova o cobra sempre do mesmo jeito. Ou o enunciado descreve um estudo em quatro linhas e pede o nome do desenho, ou dá o nome e pergunta qual medida de associação sai dali, ou — a versão mais frequente — descreve o estudo e coloca nas alternativas uma medida que aquele desenho é incapaz de produzir. Quem decora definições erra; quem sabe o ponto de partida de cada desenho acerta sem hesitar.
Quatro perguntas resolvem qualquer vinheta: quem decidiu a exposição, existe grupo de comparação, qual é a unidade de análise e para que lado aponta a seta do tempo. Elas separam experimental de observacional, analítico de descritivo, individual de agregado, e coorte de caso-controle de transversal. O resto do capítulo é o detalhe de cada um e o que cada um perde.
Há ainda dois pedaços brasileiros que caem com nome e sobrenome. O primeiro é a investigação de surto, em que o Ministério da Saúde diz por escrito quando usar coorte e quando usar caso-controle no campo, com taxa de ataque e odds ratio. O segundo é a régua ética do ensaio clínico, que mudou de patamar em 2024: a Lei nº 14.874 é lei federal e está acima, na hierarquia das normas, da Resolução CNS nº 466/2012, que até então governava sozinha o assunto — e as duas dizem coisas diferentes sobre o que acontece com o participante depois que o estudo acaba.
O que muda decisão
Quatro perguntas que classificam qualquer estudo
A primeira pergunta é quem decidiu a exposição. Se foi o investigador — ele sorteou quem recebe o medicamento, quem recebe o comparador, quem entra no programa —, o estudo é experimental ou de intervenção. Se a exposição foi decidida pela vida do participante (ele fuma, ele mora perto da fábrica, ele nasceu com aquele genótipo) e o pesquisador apenas observou e registrou, o estudo é observacional. Nenhuma outra característica muda essa classificação: ensaio comunitário sem cegamento continua experimental, e coorte com 40 anos de seguimento continua observacional.
A segunda pergunta é se existe grupo de comparação. Sem ele, o estudo é descritivo: relato de caso, série de casos, descrição de pessoa-tempo-lugar de um surto. Descritivo gera hipótese, descreve o quadro, alerta para o inesperado — e não mede associação, porque não há com o que comparar. Com grupo de comparação, o estudo é analítico e passa a produzir medida de associação.
A terceira pergunta é qual a unidade de análise. Se cada linha do banco de dados é uma pessoa, o estudo é individual. Se cada linha é um município, um estado, um ano ou uma escola, o estudo é ecológico (agregado) — e tudo o que ele mede vale para o grupo, nunca para o indivíduo.
A quarta pergunta é a direção da seta no tempo, e é ela que separa os três desenhos observacionais analíticos. A coorte parte da exposição e caminha para o desfecho: primeiro classifica em expostos e não expostos, depois conta quem adoeceu. O caso-controle parte do desfecho e volta para a exposição: primeiro recruta doentes e não doentes, depois pergunta quem se expôs. O transversal corta o tempo num instante só e mede exposição e desfecho na mesma entrevista, sem seta.
Guarde essa quarta pergunta com cuidado, porque nela mora o erro mais cobrado da matéria. O que define coorte não é o pesquisador estar olhando para a frente: é o estudo partir da exposição. Uma coorte histórica reconstruída a partir de prontuários de 2010 continua sendo coorte, mesmo que toda a coleta aconteça hoje.

Transversal: a fotografia
No estudo transversal (seccional, ou de prevalência) exposição e desfecho são medidos ao mesmo tempo, numa amostra da população. É o desenho dos inquéritos: uma equipe visita domicílios sorteados, aplica o questionário e mede a pressão, tudo na mesma visita. É rápido, é barato, dispensa seguimento e serve para planejar serviço — quantos hipertensos existem no território, quantos sabem que são, quantos estão controlados. Os grandes inquéritos brasileiros de saúde, como a Pesquisa Nacional de Saúde e o Vigitel, são transversais repetidos: cada rodada é uma fotografia nova, não o seguimento das mesmas pessoas.
A medida natural do transversal é a prevalência, e a medida de associação é a razão de prevalências: prevalência do desfecho entre expostos dividida pela prevalência entre não expostos. Nada impede o cálculo de uma odds ratio a partir da mesma tabela 2x2, e é justamente aí que a leitura desanda. A odds ratio superestima a razão de prevalências, e o erro cresce com a frequência do desfecho. No estudo brasileiro que comparou os métodos, a odds ratio ficou cerca de 13% acima da razão de prevalências num desfecho com 5,1% de prevalência, cerca do dobro num desfecho com 37,8% e cerca de quatro vezes num desfecho com 53,8%.
Esses três números resolvem uma pergunta que costuma ficar em aberto: a partir de que frequência a odds ratio deixa de aproximar a medida de risco? A régua deste capítulo é 10% — abaixo disso a distorção é pequena o bastante para não mudar decisão, e mesmo assim ela já existe, como mostram os 13% de excesso numa prevalência de 5,1%. Acima de 10%, ler odds ratio como se fosse risco é erro de interpretação, não arredondamento. Para estimar razão de prevalências sem esse desvio, os autores concluíram que as regressões de Cox e de Poisson com variância robusta são melhores alternativas que a logística; a log-binomial, que estimaria a razão diretamente, falha em convergir justamente quando a prevalência é alta e há covariável contínua no modelo.
O calcanhar do transversal é a temporalidade. Como tudo é medido junto, o estudo não sabe o que veio antes. Se sedentários têm mais dor lombar, pode ser que o sedentarismo cause a dor ou que a dor tenha imposto o sedentarismo — causalidade reversa. Há ainda um segundo problema, mais sutil: a fotografia encontra preferencialmente os casos de longa duração. Doença que mata rápido ou que cura rápido tem menos chance de estar ali no dia da entrevista, e o retrato da doença fica enviesado para as formas arrastadas. É o viés de prevalência-incidência, também chamado de viés de Neyman.
Duas confusões clássicas fecham a seção. Transversal repetido não é coorte: são amostras novas a cada rodada, e a comparação é entre populações, não entre as mesmas pessoas. E um transversal, por maior que seja, jamais produz incidência — incidência exige acompanhar quem estava sadio ao longo do tempo.
Coorte: da exposição para o desfecho
A coorte parte de um grupo inicialmente sadio quanto ao desfecho, classifica cada pessoa segundo a exposição e acompanha para ver quem adoece. É o desenho observacional que mais se aproxima do experimento: como a exposição é medida antes do desfecho, a temporalidade fica estabelecida, e essa é a razão de ela ocupar o degrau mais alto entre os observacionais.
Ela é o único desenho observacional que entrega incidência: incidência acumulada (risco) quando o denominador é o número de pessoas seguidas, e densidade de incidência quando o denominador é pessoa-tempo. Daí saem risco relativo (razão entre a incidência nos expostos e nos não expostos), risco atribuível nos expostos (diferença entre as duas incidências, que é o que se evitaria removendo a exposição) e fração atribuível.
Coorte prospectiva ou concorrente: o pesquisador define a coorte hoje e espera o desfecho acontecer. Coorte histórica, retrospectiva ou não concorrente: a exposição já está registrada em prontuários, fichas de admissão, registros de trabalho, e o pesquisador reconstrói o seguimento até o presente. As duas partem da exposição, e as duas são coorte — o que muda é o custo, o tempo e a qualidade do dado de exposição, que na histórica é o que alguém anotou por outro motivo.
A coorte brilha quando a exposição é rara (é possível recrutar propositalmente os expostos — trabalhadores de uma indústria, moradores de uma área contaminada) e quando um mesmo fator pode causar vários desfechos, porque o seguimento captura todos de uma vez. E ela é péssima escolha quando a doença é rara ou tem latência longa: seriam necessárias dezenas de milhares de pessoas e anos de espera para juntar casos suficientes.
O viés característico é a perda de seguimento. Perda que acontece por igual nos dois grupos rouba poder; perda diferencial — quem estava passando mal abandonou mais no grupo exposto — distorce a medida e não se conserta na análise. Some-se a isso o viés de aferição quando quem mede o desfecho sabe a que grupo a pessoa pertence, motivo pelo qual boa coorte cega o avaliador do desfecho sempre que possível.
Caso-controle: do desfecho para a exposição
O caso-controle recruta pessoas que têm a doença (casos) e pessoas que não a têm (controles), e pergunta a ambos sobre exposições passadas. Cada grupo é então subdividido em expostos e não expostos, e a comparação é entre a proporção de expostos entre os casos e a proporção de expostos entre os controles. Parte-se do doente para chegar à exposição — a seta anda para trás.
Como o investigador escolheu quantos doentes e quantos sadios recrutar, a proporção de doentes na amostra é artificial. Consequência direta e muito cobrada: o caso-controle não permite calcular incidência nem prevalência da doença. A medida que ele entrega é a odds ratio, calculada da tabela 2x2 como a razão entre a chance de exposição dos casos e a chance de exposição dos controles. Odds ratio igual a 1 indica ausência de associação; maior que 1, associação com a doença, e quanto maior, mais forte; menor que 1, fator protetor. A leitura correta é em chance de exposição: os doentes tiveram 2,5 vezes mais chance de terem sido expostos à fonte suspeita do que os controles.
O desenho é a escolha certa para doença rara e para latência longa, porque começa pelos casos, que são exatamente o recurso escasso. Ele também aceita investigar muitas exposições ao mesmo tempo para um único desfecho — o inverso da coorte, que investiga uma exposição e muitos desfechos.
O ponto frágil é a seleção dos controles, e o critério do Ministério da Saúde para investigação de campo vale como regra geral: o controle não pode ter a doença, e tem de vir da mesma população, da mesma área de procedência e do mesmo período dos casos — em uma frase, tem de ter tido a mesma chance de ter sido caso. Vizinhos do caso e pacientes hospitalizados por outros motivos são as opções mais usadas. Controle escolhido em população diferente da que gerou os casos produz viés de seleção que nenhum ajuste estatístico desfaz.
O segundo ponto frágil é o viés de memória: quem adoeceu revisita a própria história atrás de explicação e lembra melhor das exposições do que quem está bem. É por isso que exposição documentada (prontuário, registro de dispensação, folha de ponto) vale mais que exposição relatada, e é por isso que o caso-controle aninhado numa coorte é tão superior — os controles saem da própria coorte, a base populacional é conhecida e a exposição foi registrada antes de qualquer um adoecer.
Sobre o número de controles: em surtos pequenos, de 2 a 4 controles por caso. Acima disso o esforço de campo cresce sem ganho relevante de poder estatístico.
Ecológico, relato e série de casos
No estudo ecológico a unidade de análise é o grupo: correlaciona-se a cobertura vacinal de cada município com a incidência da doença naquele município, ou o consumo médio de sal por país com a mortalidade por doença cerebrovascular. É barato, usa dados que já existem em sistemas de informação e serve para gerar hipótese quando o dado individual não está disponível.
O limite tem nome: falácia ecológica. Da associação entre médias de grupos não se conclui nada sobre indivíduos. Municípios com maior consumo médio de sal podem ter maior mortalidade sem que sejam as pessoas que consomem mais sal as que estão morrendo — a associação pode estar inteiramente explicada por outra característica do município. Sempre que a alternativa transforma um achado agregado em conselho para o paciente, a armadilha está posta.
Relato de caso e série de casos descrevem um ou poucos doentes sem grupo de comparação. São o primeiro sinal de um problema novo — foi assim que reações adversas raras e doenças emergentes apareceram na literatura — e não medem associação nem risco. Numa investigação de surto, a fase descritiva de pessoa, tempo e lugar cumpre exatamente esse papel: organiza os fatos e levanta as hipóteses que a fase analítica vai testar.
Ensaio clínico randomizado
No ensaio clínico o investigador aloca a intervenção, e a alocação é sorteada. A randomização é a única ferramenta metodológica que distribui entre os grupos tanto os confundidores conhecidos quanto os que ninguém mediu nem imaginou — nenhum ajuste estatístico em estudo observacional faz isso. É essa propriedade, e não o tamanho da amostra, que coloca o ensaio no topo da hierarquia de desenhos.
Duas proteções costumam ser confundidas. O sigilo de alocação impede que quem recruta saiba qual será o próximo grupo sorteado, e atua antes da entrada do participante — sem ele, o recrutador seleciona quem entra em cada braço e a randomização vira enfeite. O cegamento impede que participante, equipe assistente ou avaliador do desfecho saibam a alocação depois que ela ocorreu, e protege a aferição do desfecho e o manejo clínico. Estudo em que a intervenção é uma cirurgia pode ser impossível de cegar e ainda assim ter sigilo de alocação impecável.
A análise por intenção de tratar mantém cada participante no grupo em que foi sorteado, mesmo que ele tenha trocado de tratamento ou abandonado. É ela que preserva o que a randomização comprou. A análise por protocolo considera só quem cumpriu o tratamento como previsto e, ao excluir os desviantes, desfaz a comparabilidade dos grupos — quem abandona costuma abandonar por motivo ligado ao desfecho. Em ensaio de superioridade, a intenção de tratar puxa o resultado na direção da ausência de diferença e por isso é a análise conservadora. Em ensaio de não inferioridade essa mesma tendência trabalha a favor da conclusão desejada pelo patrocinador, e é por isso que se exigem as duas análises concordando.
As fases têm perguntas diferentes: a I investiga segurança e dose tolerada, tipicamente em voluntários sadios (em oncologia, em doentes, pela toxicidade dos produtos); a II procura efeito biológico e dose eficaz em doentes selecionados; a III compara com o tratamento existente ou com placebo, em muitos centros, no desfecho que importa clinicamente; a IV acompanha o produto depois do registro, quando a população que usa é grande e heterogênea o bastante para revelar eventos raros. Variações que a prova cita pelo nome: cruzado, em que o mesmo participante recebe as duas intervenções em sequência; fatorial, que testa duas intervenções e a combinação delas; e por conglomerados, em que a unidade sorteada é a UBS, a escola ou o município inteiro — nesse caso, a análise tem de respeitar o agrupamento, porque pessoas do mesmo conglomerado se parecem entre si.
A régua ética brasileira mudou de patamar em 2024 e cai em prova de preventiva e de bioética. A Lei nº 14.874/2024 define ensaio clínico como pesquisa clínica experimental em seres humanos para avaliar segurança, desempenho clínico ou eficácia de dispositivo médico, medicamento experimental ou terapia avançada, e define placebo como formulação sem efeito farmacológico ou procedimento simulado usado em grupo-controle. O art. 21 admite o uso exclusivo de placebo apenas quando inexistem métodos comprovados de profilaxia, diagnóstico ou tratamento e os riscos não superam os benefícios; o parágrafo único acrescenta que o participante não pode ser privado de receber o melhor tratamento disponível, ou o preconizado nos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde, e subsidiariamente o de protocolos de sociedades médicas da área.
A mesma lei fixa prazos que também caem: a análise ética não passa de 30 dias úteis, com triagem documental em até 10 dias úteis (art. 14), e cai para 15 dias úteis quando a pesquisa é de interesse estratégico para o SUS (art. 15). E ela cria o plano de acesso pós-estudo, submetido ao comitê antes de a pesquisa começar (art. 30), com fornecimento gratuito quando o produto for a melhor terapia para aquele participante (art. 31, § 2º) e hipóteses expressas de interrupção do fornecimento (art. 33) — entre elas a cura, a existência de alternativa terapêutica, a ausência de benefício, a reação adversa e a incorporação do produto na rede pública. A lei entrou em vigor 90 dias depois da publicação, de 29 de maio de 2024.
No campo: escolher o desenho numa investigação de surto
Esta é a aplicação mais brasileira do tema, e o Ministério da Saúde escreveu o critério em duas frases. Coorte quando o grupo é pequeno e a população, bem definida — festa, casamento, congresso, escola, enfermaria —, situação em que existe lista nominal de todos os envolvidos e as exposições são conhecidas, de modo que dá para perguntar quem consumiu o quê e quem adoeceu. Caso-controle quando a população não é bem definida, quando os casos estão dispersos, quando o número de envolvidos é grande demais para enumerar ou quando a doença é rara — situação em que a coorte simplesmente não é viável.
Na coorte de surto, o cálculo é a taxa de ataque, item a item do cardápio. Taxa de ataque nos expostos é o número de pessoas expostas ao fator que adoeceram dividido pelo total de expostos, vezes 100; nos não expostos, o mesmo com o denominador dos que não se expuseram. O risco relativo é a divisão da taxa de ataque dos expostos pela dos não expostos, e é a partir dele que se estabelece a fonte do surto. O alimento suspeito combina três sinais: taxa de ataque alta entre quem comeu, taxa baixa entre quem não comeu e risco relativo bem acima de 1.
No caso-controle de surto, a medida é a odds ratio, os controles vêm da mesma área e do mesmo período dos casos, e a proporção usual é de 2 a 4 controles por caso. Note a assimetria que a prova adora: como a proporção de doentes foi decidida por quem desenhou o estudo, não existe coeficiente de incidência nem taxa de ataque nesse desenho.
Vale registrar uma tensão dentro do próprio guia, porque ela aparece em questão. O documento afirma que o estudo mais utilizado em investigações de surtos de doenças transmissíveis é o caso-controle — o que descreve a realidade da vigilância, em que a maioria dos surtos chega com casos dispersos e sem lista de expostos — e, algumas páginas adiante, manda usar a coorte sempre que a população for enumerável. As duas coisas convivem: a frequência maior do caso-controle é uma consequência de como os surtos costumam chegar, não um critério de escolha. Quando o enunciado entrega a lista de convidados, o critério operacional vale, e o desenho é a coorte retrospectiva.
Do enunciado ao desenho, e do desenho à medida
A vinheta de prova sempre entrega os quatro sinais, mesmo quando não usa o nome do desenho. O roteiro abaixo lê a vinheta na ordem em que os sinais aparecem e termina na medida — que é onde a alternativa errada costuma estar.
- 1Pergunte quem decidiu a exposição: se foi o investigador que alocou, é experimental; se a exposição veio da vida do participante, é observacional.
- 2Procure o grupo de comparação. Sem grupo de comparação o estudo é descritivo e não mede associação nenhuma.
- 3Identifique a unidade de análise: se o dado é de município, estado, escola ou ano, é ecológico, e a conclusão vale para o grupo.
- 4Siga a seta do tempo: parte da exposição (coorte), parte da doença (caso-controle) ou mede tudo no mesmo momento (transversal).
- 5Confira a medida citada: prevalência aponta transversal; taxa de ataque, incidência e risco relativo apontam coorte; odds ratio sem denominador populacional aponta caso-controle.
- 6Só então leia as alternativas e elimine a que oferece uma medida que aquele desenho não produz, por mais correta que a frase pareça.
Degrau 1 — relato e série de casos
Sem grupo de comparação. Descrevem o inesperado e geram hipótese; não medem associação nem risco.
Degrau 2 — ecológico e transversal
Já comparam, mas não fixam a ordem entre causa e efeito. Entregam correlação de agregados e prevalência.
Degrau 3 — caso-controle e coorte
Observacionais analíticos. O caso-controle depende da memória e da escolha dos controles; a coorte sustenta a temporalidade e entrega incidência.
Degrau 4 — ensaio randomizado
Único em que o investigador aloca. Lida com o confundidor que ninguém mediu, e a revisão sistemática de ensaios fica logo acima dele.
| Desenho | Parte de | Direção no tempo | Medida que entrega | O que ele não entrega |
|---|---|---|---|---|
| Transversal (seccional) | Uma população num instante | Sem seta — tudo medido junto | Prevalência e razão de prevalências | Incidência; ordem entre exposição e desfecho |
| Coorte (prospectiva ou histórica) | A exposição | Da exposição para o desfecho | Incidência, risco relativo, risco atribuível | Resposta rápida para doença rara ou de latência longa |
| Caso-controle | O desfecho | Do desfecho de volta para a exposição | Odds ratio | Incidência e prevalência da doença |
| Ecológico | Grupos, territórios ou períodos | Depende da série usada | Correlação entre indicadores agregados | Qualquer conclusão sobre o indivíduo |
| Ensaio clínico randomizado | A intervenção alocada por sorteio | Da intervenção para o desfecho | Risco relativo, redução absoluta de risco, NNT | Efeito em quem os critérios de elegibilidade excluíram |
| Relato e série de casos | Um ou poucos doentes | Descritiva | Descrição clínica e hipótese | Medida de associação — falta o grupo de comparação |
Quanto a odds ratio se afasta da razão de prevalências, conforme o desfecho fica frequente
| Desfecho do estudo | Prevalência | Distância entre odds ratio e razão de prevalências |
|---|---|---|
| Demência em idosos | 5,1% | Odds ratio cerca de 13% acima |
| Transtorno mental comum | 37,8% | Odds ratio cerca do dobro |
| Autopercepção de saúde ruim | 53,8% | Odds ratio cerca de quatro vezes |
O viés que a banca descreve sem dar o nome
| Como o enunciado descreve | Nome do viés | Desenho onde ele mora |
|---|---|---|
| Os doentes lembram das exposições melhor que os controles | Viés de memória | Caso-controle |
| Controles recrutados na enfermaria de pneumologia, num estudo sobre tabaco | Viés de seleção | Caso-controle |
| Perda de 30% do seguimento, concentrada no grupo exposto | Viés de atrito (perda diferencial) | Coorte |
| Quem avalia o desfecho sabe a que grupo o participante pertence | Viés de aferição | Coorte e ensaio clínico |
| Só quem sobreviveu tempo suficiente apareceu doente na fotografia | Viés de prevalência-incidência (Neyman) | Transversal |
| O paciente mudou o hábito depois de adoecer | Causalidade reversa | Transversal |
| Municípios que consomem mais têm mais óbitos, logo quem consome morre mais | Falácia ecológica | Ecológico |
Fases do ensaio clínico
| Fase | Pergunta que responde | Quem participa | Ordem de grandeza |
|---|---|---|---|
| I | É seguro? Qual a dose tolerada? | Voluntários sadios (em oncologia, doentes) | Dezenas |
| II | Tem efeito biológico? Qual a dose eficaz? | Doentes selecionados | Dezenas a centenas |
| III | É melhor que o comparador no desfecho que importa? | Doentes, em vários centros | Centenas a milhares |
| IV | O que aparece depois do registro? | População que usa o produto no mercado | Milhares |
Coorte histórica continua sendo coorte. O que define o desenho é o ponto de partida — a exposição —, não o momento em que o pesquisador chegou aos dados.
A escada ordena desenhos, não estudos: ensaio mal conduzido vale menos que coorte bem conduzida. Por isso a avaliação de qualidade vem depois de classificar o desenho, nunca no lugar dela.
Caso-controle aninhado numa coorte reúne o melhor dos dois: os controles saem da própria coorte, a base populacional é conhecida e a exposição foi registrada antes de qualquer participante adoecer.
A ordem de grandeza das fases é convenção de condução de ensaios, não número fixado em norma. O que a prova cobra é a pergunta de cada fase e quem participa dela.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Resolução CNS nº 466/2012 — Conselho Nacional de Saúde
O item III.3.d obriga o patrocinador a assegurar a todos os participantes, ao final do estudo, acesso gratuito e por tempo indeterminado aos melhores métodos profiláticos, diagnósticos e terapêuticos que se demonstraram eficazes; o subitem d.1 estende a garantia ao intervalo entre o fim da participação individual e o fim do estudo, admitindo estudo de extensão para cumpri-la.
Resolução CNS nº 466, de 12/12/2012, itens III.3.d e d.1.
Lei nº 14.874/2024 — lei federal
Substitui a garantia aberta por um plano de acesso pós-estudo submetido ao comitê antes do início da pesquisa (art. 30), com fornecimento gratuito quando o produto for a melhor terapia para aquele participante (art. 31, § 2º) e hipóteses expressas de interrupção (art. 33): cura, existência de alternativa terapêutica, ausência de benefício, reação adversa, impossibilidade técnica e incorporação do produto à rede pública, entre outras.
Lei nº 14.874, de 28/5/2024, arts. 30, 31 e 33; vigência 90 dias após a publicação, em 29/5/2024 (art. 65).
Na prova
O vocabulário do enunciado entrega o corpo de regra que ele quer. 'Sistema CEP/Conep', 'acesso por tempo indeterminado' e numeração em itens romanos (III.3) vêm da resolução de 2012. 'Plano de acesso pós-estudo', 'instância nacional de ética', prazos em dias úteis e citação a Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas vêm da lei de 2024. Questão de concurso escrita antes de 2024 costuma cobrar a resolução; questão que cita a lei nominalmente está pedindo o texto novo. A causa da mudança está no próprio texto do art. 33: a lei ancorou o fornecimento na disponibilidade do SUS e na existência de alternativa terapêutica, enquanto a resolução não colocava limite de tempo. Como referência de hierarquia, lei federal está acima de resolução de conselho.
Razão de prevalências por Poisson ou Cox com variância robusta — Revista de Saúde Pública, 2008
Em 2.072 idosos de São Paulo, a odds ratio ficou cerca de 13% acima da razão de prevalências num desfecho de 5,1%, cerca do dobro num de 37,8% e cerca de quatro vezes num de 53,8%. As estimativas de Cox e de Poisson com variância robusta ficaram próximas da referência de Mantel-Haenszel, e os autores concluem que essas são melhores alternativas que a regressão logística para estimar razão de prevalências.
Coutinho LMS, Scazufca M, Menezes PR. Rev Saúde Pública. 2008;42(6):992-8.
Odds ratio da regressão logística, padrão consolidado de relato
A regressão logística continua sendo o padrão de saída em software estatístico e o formato em que boa parte da literatura relata análise de transversal: converge com facilidade, aceita covariável contínua sem problema numérico e permite ajuste multivariado direto. A log-binomial, que estimaria a razão de prevalências sem intermediários, falha em convergir justamente quando a prevalência é alta e há covariável contínua no modelo — o cenário em que a diferença entre as duas medidas mais importa.
Coutinho LMS, Scazufca M, Menezes PR. Rev Saúde Pública. 2008;42(6):992-8 — o mesmo artigo documenta a falha de convergência da log-binomial e usa a logística como termo de comparação.
Na prova
Olhe a prevalência que o enunciado fornece. Com desfecho frequente, alternativa que traduz odds ratio em 'tantas vezes mais risco' está trocando as medidas — e o enunciado costuma denunciar o recorte ao dar a prevalência de bandeja, que só serve para isso. Inquérito populacional brasileiro (Pesquisa Nacional de Saúde, Vigitel, inquérito municipal) tende a trazer razão de prevalências; caso-controle traz odds ratio, e ali ela é a medida própria do desenho, não uma aproximação de risco. Alternativa que oferece incidência a partir de um transversal já se denunciou sozinha.
Caso resolvido
- população
- A população é enumerável: existe lista de todos os presentes, expostos e não expostos, e as exposições possíveis (os pratos servidos) são conhecidas. É exatamente a condição que o Ministério da Saúde coloca para escolher a coorte no campo — grupo pequeno e população bem definida.
- desenho
- Coorte retrospectiva (histórica). O episódio já ocorreu, mas o estudo continua partindo da exposição — cada item do cardápio — em direção ao desfecho. Chamar isso de caso-controle é o erro clássico: caso-controle começaria pelos 41 doentes e descartaria a lista de convidados, que é justamente o ativo mais valioso da investigação.
- cálculo
- Para cada item, taxa de ataque nos expostos (quem comeu e adoeceu dividido pelo total de quem comeu, vezes 100) e taxa de ataque nos não expostos (quem não comeu e adoeceu dividido pelo total de quem não comeu, vezes 100).
- leitura
- Maionese caseira: 39 doentes entre os 63 que comeram (taxa de ataque 61,9%) e 2 doentes entre os 55 que não comeram (3,6%). Salada de folhas: 20 doentes entre 60 que comeram (33,3%) e 21 entre 58 que não comeram (36,2%).
- medida
- Risco relativo é a taxa de ataque dos expostos dividida pela dos não expostos. Maionese: 61,9 dividido por 3,6, risco relativo de cerca de 17. Salada: 33,3 dividido por 36,2, risco relativo de 0,92 — exposição comuníssima e sem associação nenhuma, que é o padrão de qualquer alimento inocente servido a quase todo mundo.
- conduta
- Notificar o surto à vigilância epidemiológica municipal, colher amostras clínicas e de alimento enquanto houver sobra, e agir sobre o processo que produziu o problema — preparo com ovo cru e conservação fora da temperatura adequada. A medida de controle não espera o resultado do laboratório.
Agora feche você
- achado
- Casos dispersos, doença rara, população sob risco não enumerável e exposições apenas suspeitas, ainda a levantar.
- desenho e medida
- …
Onde a banca derruba
- 1Chamar de caso-controle toda coorte que olha para trás A palavra 'retrospectivo' aparece nos dois, e o enunciado costuma dizer que os dados vieram de prontuários antigos. O que decide é o ponto de partida: se o estudo separou expostos e não expostos e foi contar quem adoeceu, é coorte, ainda que tudo tenha sido reconstruído de registros de dez anos atrás.
- 2Calcular prevalência ou incidência dentro de um caso-controle A alternativa parece inofensiva porque a tabela 2x2 está ali, com todos os números. Só que a proporção de doentes foi escolhida por quem desenhou o estudo — recrutar dois ou quatro controles por caso muda a 'prevalência' da amostra sem que nada tenha mudado na população.
- 3Ler a odds ratio de desfecho frequente como se fosse risco 'Duas vezes mais chance' vira 'duas vezes mais risco' sem que ninguém perceba. Num desfecho com prevalência acima de 10% essa tradução já erra de forma relevante, e num desfecho perto de 50% a odds ratio chega a ficar cerca de quatro vezes a razão de prevalências.
- 4Achar que 'randomizado e duplo-cego' resolve o problema da alocação Cegamento e sigilo de alocação protegem momentos diferentes: o sigilo age antes da entrada, impedindo que o recrutador saiba para onde vai o próximo participante; o cegamento age depois. Ensaio duplo-cego com envelope de alocação violável tem randomização apenas nominal.
- 5Aceitar a análise por protocolo num ensaio de não inferioridade Excluir quem não cumpriu o tratamento parece rigor metodológico. Em superioridade, a intenção de tratar é conservadora e a análise por protocolo infla a diferença; em não inferioridade, a intenção de tratar aproxima os grupos e facilita a conclusão de não inferioridade, e por isso as duas análises precisam concordar.
- 6Aconselhar o paciente com base em dado agregado O estudo mostrou que municípios com maior consumo médio têm maior mortalidade, e a alternativa transforma isso em recomendação individual. A unidade de análise era o município; nada no estudo diz que foram as pessoas de maior consumo as que morreram. É a falácia ecológica em forma de conselho.
Acompanhar grupos definidos pela exposição, livres da doença, ao longo do tempo, medindo incidência, caracteriza estudo de coorte. Caso-controle parte da doença (casos e controles) e olha retrospectivamente a exposição. Transversal mede exposição e desfecho num mesmo instante, sem seguimento. Ensaio clínico randomizado envolve intervenção alocada aleatoriamente pelo pesquisador, não observação de exposição natural. Série de casos apenas descreve pacientes doentes, sem grupo de comparação.
Recuperação
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Uma pesquisadora deseja avaliar a associação entre o uso prolongado de um medicamento raro e o desenvolvimento de uma neoplasia igualmente rara. Ela dispõe de recursos limitados e precisa de um desenho de estudo eficiente para desfechos raros, comparando pessoas com a doença e pessoas sem a doença quanto à exposição prévia. Qual é o desenho de estudo mais apropriado e a medida de associação que ele fornece?
Para desfecho raro e recursos limitados, o caso-controle é o desenho mais eficiente e fornece a razão de chances (odds ratio) (correta). Coorte prospectiva para doença rara exigiria amostra enorme e longo seguimento, sendo ineficiente. Transversal mede prevalência, não estabelece a sequência temporal exposição-doença. Ensaio clínico não é ético/viável para investigar um dano suspeito. Série de casos não tem grupo de comparação e não mede associação.
Em um estudo, pesquisadores selecionaram 100 pacientes com câncer de bexiga (casos) e 100 pacientes sem a doença (controles) e, retrospectivamente, investigaram a exposição pregressa ao tabagismo em ambos os grupos, comparando as chances de exposição. Qual é o desenho de estudo empregado e a principal medida de associação obtida?
Partir da doença (casos e controles) e olhar retrospectivamente a exposição caracteriza estudo caso-controle, cuja medida de associação é o odds ratio. Coorte parte da exposição e segue no tempo (RR). Ensaio clínico randomizado envolve intervenção alocada aleatoriamente. Transversal mede exposição e desfecho simultaneamente (razão de prevalência). Série de casos apenas descreve pacientes, sem grupo de comparação.
Uma equipe deseja avaliar a eficácia de uma nova estratégia educativa para controle glicêmico em diabéticos. Para minimizar viés de seleção e confundimento, escolhe randomizar os participantes entre grupo intervenção e controle. Quanto à hierarquia de evidências e ao delineamento, qual afirmação é correta?
O ECR é o delineamento de maior nível entre estudos primários individuais e a randomização distribui aleatoriamente fatores de confusão conhecidos e desconhecidos entre os grupos (correta). Coortes são inferiores a ECRs na hierarquia para eficácia. Randomização não dispensa cegamento nem análise por intenção de tratar, que reduzem outros vieses. Séries de casos têm baixo nível de evidência. Caso-controle é adequado para etiologia de doenças raras, não para avaliar eficácia terapêutica.
Em um estudo epidemiológico, pesquisadores partem de um grupo de indivíduos expostos e outro de não expostos a um fator (tabagismo) e os acompanham ao longo do tempo para verificar a ocorrência de câncer de pulmão. Qual é o desenho de estudo descrito?
O acompanhamento de expostos e não expostos ao longo do tempo, verificando a incidência do desfecho, caracteriza o estudo de coorte. Caso-controle parte do desfecho (doentes e não doentes) e olha retrospectivamente a exposição. Estudo transversal mede exposição e desfecho simultaneamente, sem seguimento. Ensaio clínico randomizado envolve alocação aleatória de intervenção pelo pesquisador. Relato de caso descreve pacientes individuais, sem grupo comparativo.
Uma pesquisadora quer estudar a associação entre uso prolongado de determinado medicamento e ocorrência de uma doença rara. Ela seleciona 100 pessoas com a doença e 100 sem a doença e verifica retrospectivamente a exposição prévia ao medicamento. Qual é o desenho de estudo utilizado e a medida de associação apropriada?
Correta (caso-controle; odds ratio): partir da doença (casos e controles) e olhar a exposição retrospectivamente caracteriza um estudo caso-controle, cuja medida de associação é o odds ratio — especialmente adequado para doenças raras. A coorte parte da exposição e permite RR, o inverso deste desenho. Ensaio clínico randomizado exige alocação de intervenção. Transversal mede exposição e desfecho simultaneamente. Ecológico usa dados agregados de populações.
Investigadores comparam a frequência de tabagismo (exposição) entre 200 pacientes com câncer de bexiga (casos) e 200 pessoas sem a doença (controles), medindo retrospectivamente a exposição passada. Encontram odds ratio de 3,2 (IC95% 2,1-4,8). Qual o desenho de estudo utilizado e a principal limitação a ele associada?
Partir da doença (casos e controles) e medir a exposição passada de forma retrospectiva, estimando odds ratio, caracteriza o estudo caso-controle, cuja limitação clássica é o viés de memória/recordação. Não é coorte (que parte da exposição e segue no tempo), nem ensaio clínico (que aloca intervenção), nem transversal (que mede exposição e desfecho simultaneamente e serve para prevalência).
Uma equipe de pesquisa deseja investigar a associação entre exposição ocupacional a solventes orgânicos e o desenvolvimento de leucemia mieloide aguda (LMA), uma doença rara. Os pesquisadores dispõem de recursos limitados e tempo curto para concluir o estudo. Eles identificam pacientes com diagnóstico confirmado de LMA em um centro de referência e, para cada caso, selecionam indivíduos sem a doença atendidos no mesmo hospital por outras causas, comparando retrospectivamente a frequência de exposição pregressa a solventes nos dois grupos. Qual é o delineamento de estudo adotado e a medida de associação apropriada a ser calculada?
Correta: o delineamento parte da DOENÇA (casos com LMA) e busca controles sem a doença, investigando retrospectivamente a exposição — isso define o estudo de caso-controle, ideal para doenças raras e com recursos/tempo limitados. Como a seleção é feita pelo desfecho, não se pode estimar incidência nem risco relativo diretamente; a medida apropriada é a razão de chances (OR). A coorte parte da EXPOSIÇÃO e acompanha até o desfecho — inviável e ineficiente para doença rara em curto prazo; ela permite RR, mas não é o desenho aqui. O transversal mede exposição e desfecho simultaneamente (fotografia), sem a lógica de seleção por casos e controles descrita. O ensaio clínico exige que o pesquisador ALOQUE a exposição/intervenção por randomização, o que não ocorre (exposição ocupacional não é randomizável, nem eticamente). Ainda que seja retrospectivo, a seleção começou pela doença, não pela exposição, então não é coorte; e o RR não é a medida calculável neste desenho.
Um pesquisador conduziu um inquérito de saúde em uma cidade, entrevistando e examinando 1.200 adultos selecionados aleatoriamente em um único momento. Foram aferidos simultaneamente a presença de hipertensão arterial e o hábito de consumo elevado de sal. Ao final, observou-se que os hipertensos referiam, com maior frequência, dieta hipossódica do que os normotensos. O pesquisador concluiu que o baixo consumo de sal causa hipertensão. Qual limitação inerente a esse delineamento explica melhor essa conclusão equivocada?
Correta: o inquérito descrito é um estudo transversal (medida simultanea de exposição e desfecho em um único momento). Sua principal limitação para inferência causal é não distinguir o que veio antes: aqui, provavelmente os hipertensos JÁ diagnosticados reduziram o sal como tratamento (causalidade reversa), e não o inverso. Perda de seguimento é problema de estudos longitudinais (coorte); o transversal não tem seguimento. O transversal compara expostos e não expostos dentro da mesma amostra — a ausência de grupo controle separado não é sua limitação característica. O viés de memória é típico de caso-controle, que depende de recordação retrospectiva da exposição; no transversal a exposição é aferida no presente. Regressão à média é fenômeno estatístico de medidas repetidas, não a limitação central que explica a inversão de causa e efeito neste caso.
Um novo anti-hipertensivo será testado. Os pesquisadores recrutam 800 pacientes hipertensos e os distribuem, por sorteio, em dois grupos: um recebe o fármaco em estudo e o outro recebe placebo; nem o paciente nem o avaliador do desfecho sabem qual tratamento foi administrado. Após 12 meses, comparam a incidência de eventos cardiovasculares maiores entre os grupos. Sobre esse delineamento, assinale a alternativa correta quanto à sua principal vantagem metodológica.
Correta: Trata-se de um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo. A alocação aleatória (randomização) é seu diferencial: distribui de forma balanceada tanto os fatores de confusão CONHECIDOS quanto os DESCONHECIDOS entre os braços, o que o consagra como padrão-ouro para inferência causal de intervenções. Calcular prevalência de forma rápida e barata é característica do estudo transversal, não do ensaio (que é caro e longitudinal). Desfechos muito raros são mais bem estudados por caso-controle; o ensaio precisaria de amostra e tempo inviáveis. O paciente ser seu próprio controle descreve estudos crossover ou pareados; o desenho apresentado tem dois grupos paralelos distintos com comparador (placebo). Coleta retrospectiva de exposição e viés de memória remetem ao caso-controle; no ensaio a exposição (tratamento) é alocada prospectivamente pelo pesquisador.
Um grupo de pesquisadores identifica 2.000 trabalhadores de uma indústria petroquímica, todos livres de doença respiratória no início do estudo. Metade tem exposição ocupacional documentada a solventes voláteis e a outra metade não. Os participantes são acompanhados por 12 anos para registrar quantos, em cada grupo, desenvolvem doença pulmonar obstrutiva crônica. Qual é o tipo de estudo epidemiológico descrito?
Correta: Parte-se da EXPOSIÇÃO (expostos vs. não expostos a solventes), ambos sem o desfecho no início, e acompanha-se ao longo do tempo (12 anos) para medir a INCIDÊNCIA da doença — a marca registrada da coorte prospectiva, que permite calcular risco relativo. Caso-controle partiria do DESFECHO (doentes vs. não doentes) olhando exposição retrospectivamente — aqui ocorre o inverso. Transversal mediria exposição e desfecho num único momento, sem seguimento. Ensaio clínico randomizado exigiria que o investigador ALOCASSE a exposição por sorteio — a exposição aqui é natural/ocupacional, não intervenção. Ecológico usaria dados agregados de populações, não indivíduos acompanhados.
Uma pesquisadora deseja investigar fatores de risco para angiossarcoma hepático, neoplasia com incidência estimada em cerca de 1 caso por milhão de habitantes/ano. Ela dispõe de recursos e tempo limitados e precisa de um delineamento eficiente para levantar múltiplas exposições passadas (cloreto de vinila, arsênico, dióxido de tório). Qual é o delineamento MAIS apropriado e eficiente para essa investigação?
Correta: Para doenças RARAS, o caso-controle é o desenho de escolha: parte-se dos casos já existentes e de controles comparáveis, olhando retrospectivamente várias exposições — é rápido, barato e não exige acompanhar milhões de pessoas. Fornece odds ratio como estimativa da associação. Coorte prospectiva seria inviável: com incidência de 1/milhão/ano, seria necessário seguir uma população enorme por muitos anos para acumular poucos casos. Ensaio randomizado é antiético e impossível — não se aloca exposição a carcinógenos. Transversal capta prevalência num instante e é fraco para doença rara e de curta sobrevida, além de não estabelecer temporalidade. Série de casos apenas descreve os doentes, sem grupo de comparação, não permitindo testar associação.
Um inquérito de saúde entrevista, em um único dia, 3.000 adultos de um município, aferindo simultaneamente a pressão arterial e aplicando questionário sobre consumo de sal. Observa-se que hipertensos referem maior ingestão atual de sal do que normotensos, e os autores concluem que 'o alto consumo de sal causa hipertensão'. Qual é a principal LIMITAÇÃO desse delineamento que fragiliza a conclusão causal?
Correta: Trata-se de estudo transversal (seccional): exposição e desfecho são medidos ao MESMO tempo, gerando ambiguidade temporal — não se sabe se o alto consumo de sal precedeu a hipertensão ou se hipertensos, já diagnosticados, mudaram/relataram diferente sua dieta (causalidade reversa). Por isso o transversal mede prevalência e gera hipóteses, mas é frágil para inferência causal. Perda de seguimento é problema de coorte/ensaio — no transversal não há seguimento. Acompanhar por anos descreve coorte, não este desenho de instante único. Alocação aleatória diz respeito a ensaio clínico; aqui não há intervenção. A hipertensão é doença comum, não rara — o problema não é poder estatístico e sim a temporalidade.
Um serviço de medicina do trabalho identifica, ao longo de 3 anos, oito casos de angiossarcoma hepático — neoplasia extremamente rara — entre trabalhadores de uma indústria de cloreto de vinila. A equipe de vigilância deseja testar a hipótese de associação entre a exposição ocupacional ao monômero e o surgimento do tumor, dispondo de recursos e tempo limitados. Considera-se que a exposição não pode ser deliberadamente alocada aos trabalhadores por questões éticas. Qual é o delineamento de estudo mais adequado e eficiente para investigar essa associação?
Correta: Para um desfecho MUITO raro, o caso-controle é o delineamento mais eficiente: parte-se dos casos já identificados (os 8 tumores) e de controles sem a doença, comparando retrospectivamente a frequência de exposição — fornece a razão de chances (odds ratio) com poucos sujeitos, tempo e custo. Coorte prospectiva seria inviável para desfecho tão raro: exigiria seguir milhares de trabalhadores por décadas para acumular casos suficientes. O transversal mede prevalência em um instante e não serve para doença rara nem esclarece temporalidade. Ensaio randomizado é eticamente inaceitável, pois alocaria pessoas a um carcinógeno conhecido. O estudo ecológico usa dados agregados (não individuais) e está sujeito à falácia ecológica, sendo apenas gerador de hipóteses.
Pesquisadores recrutam 5.000 adultos sem doença pulmonar, classificam cada um como tabagista ou não tabagista no início do estudo e os acompanham por 10 anos, registrando quantos desenvolvem DPOC ao longo do seguimento. Ao final, comparam a incidência da doença entre os dois grupos. Sobre esse estudo, qual medida de associação pode ser calculada DIRETAMENTE a partir desse desenho?
Correta: o desenho descrito é uma coorte prospectiva: parte-se da exposição (tabagismo), o desfecho ainda não ocorreu no início e a incidência (novos casos) é medida ao longo do seguimento em expostos e não expostos. Como a incidência é diretamente mensurável nos dois grupos, calcula-se o risco relativo (razão de incidências). Existe grupo de comparação claro (não tabagistas); a razão de chances é a medida típica do caso-controle, não da coorte. A razão de prevalência é a medida do estudo transversal, em que exposição e desfecho são medidos simultaneamente — não é o caso, pois há seguimento no tempo. Redução absoluta de risco e randomização pertencem ao ensaio clínico; aqui a exposição foi observada, não alocada. O estudo é prospectivo (segue no tempo a partir da exposição), não retrospectivo, e permite calcular risco, tornando a razão de chances desnecessária.
Um médico da vigilância epidemiológica de um município do interior investiga a possível associação entre a exposição ocupacional a determinado agrotóxico e o desenvolvimento de um tumor hepático raro. Como a doença é pouco frequente na população e o pesquisador dispõe de recursos limitados e prazo curto, ele decide partir dos pacientes já diagnosticados com o tumor em um hospital de referência do SUS e selecionar um grupo de comparação sem a doença, investigando de forma retrospectiva a frequência da exposição ao agrotóxico nos dois grupos. Considerando essa estratégia, qual é, respectivamente, o delineamento do estudo e a medida de associação adequada?
Partir da doença (casos) e selecionar controles para investigar retrospectivamente a exposição caracteriza o estudo caso-controle, delineamento de escolha para doenças raras por ser eficiente e barato; sua medida de associação é a razão de chances (odds ratio). Coorte parte da exposição e segue no tempo, permitindo risco relativo, o que não ocorre aqui. O transversal mede exposição e desfecho em um único momento, sem partir dos casos. No ensaio clínico a exposição/intervenção é alocada (randomizada) pelo pesquisador, o que é antiético e inviável para um agrotóxico.
Uma equipe de pesquisa em saúde do trabalhador acompanha, ao longo de 12 anos, dois grupos de trabalhadores de uma indústria de beneficiamento de rochas: um exposto a altos níveis de sílica e outro sem exposição significativa. No início do estudo, nenhum participante apresentava doença pulmonar. Durante o seguimento, os pesquisadores registram os novos casos de silicose que surgem em cada grupo, com o objetivo de comparar a ocorrência da doença entre expostos e não expostos ao longo do tempo. Com base nessa descrição, qual é, respectivamente, o tipo de estudo e a medida que ele permite estimar?
Partir de indivíduos sadios classificados pela exposição e segui-los no tempo para registrar novos casos (incidência) define o estudo de coorte, que permite calcular a incidência nos expostos e não expostos e, a partir dela, o risco relativo. Caso-controle parte da doença e fornece razão de chances, não incidência. O transversal fotografa um único momento e não acompanha o surgimento de casos. Não há alocação/randomização da exposição pelo pesquisador — a exposição é ocupacional e observada, não experimental.
A Secretaria Municipal de Saúde realiza, em uma única semana, um inquérito de base populacional para conhecer a situação da hipertensão arterial no território adscrito às equipes de Saúde da Família. Agentes comunitários de saúde visitam domicílios previamente sorteados e, em um único momento, aferem a pressão arterial dos moradores e registram quais deles já possuem diagnóstico prévio da doença, sem qualquer acompanhamento posterior dos participantes. Esse tipo de inquérito, que mede exposição e desfecho ao mesmo tempo, corresponde a qual delineamento epidemiológico?
A coleta de dados em um único momento, sem seguimento, medindo simultaneamente exposição e desfecho, é a marca do estudo transversal (seccional), cuja principal medida é a prevalência — por isso é a base dos inquéritos de saúde. Coorte exige acompanhamento no tempo para medir incidência. Ensaio clínico envolve intervenção alocada pelo pesquisador. Caso-controle parte dos casos da doença, o que não é o caso deste inquérito populacional.
Após o aumento de nascimentos com microcefalia em um município do Nordeste, a Secretaria Municipal de Saúde conduz uma investigação. A equipe identifica, nas maternidades do SUS, 120 recém-nascidos com microcefalia confirmada por ultrassonografia transfontanela e seleciona, no mesmo período e nas mesmas maternidades, 240 recém-nascidos sem microcefalia. Por meio de entrevista com as mães e revisão do cartão de pré-natal, os pesquisadores verificam retrospectivamente a ocorrência de exantema e de sorologia compatível com infecção por Zika vírus durante a gestação. O desfecho é raro na população e não há coorte previamente constituída para acompanhamento. Considerando o cenário descrito, o delineamento do estudo e a medida de associação apropriada são, respectivamente,
Correta: a amostragem partiu do DESFECHO (casos com microcefalia e controles sem microcefalia) e a exposição foi investigada retrospectivamente — definição de caso-controle. Como os grupos são selecionados pelo desfecho, a incidência (e portanto o risco relativo) não é estimável; a medida própria é a razão de chances, que aproxima o RR em desfechos raros, como aqui. Coorte retrospectiva/RR: errada, pois na coorte parte-se da EXPOSIÇÃO e acompanha-se até o desfecho, o que não ocorreu. Transversal/razão de prevalências: errada, pois não houve aferição simultânea em amostra única da população — houve seleção deliberada por desfecho. Ensaio clínico: errado, pois não houve intervenção alocada pelo pesquisador.
Um centro de pesquisa vinculado a um hospital universitário do SUS avalia um novo esquema de tratamento para tuberculose pulmonar sensível. Adultos com baciloscopia positiva e sem tratamento prévio são convidados a participar e, após assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido, são alocados por sorteio computadorizado em dois grupos: um recebe o esquema básico padrão preconizado pelo Ministério da Saúde e o outro recebe o esquema experimental. Ambos os grupos são acompanhados por seis meses para avaliar negativação do escarro e ocorrência de eventos adversos. Pacientes e avaliadores desconhecem a alocação. O delineamento de estudo descrito é
Correta: há intervenção definida e ALOCADA pelo pesquisador por sorteio (randomização), com grupo comparador e mascaramento de pacientes e avaliadores — características que definem o ensaio clínico randomizado e cego, padrão-ouro para avaliar eficácia terapêutica. Coorte prospectiva: errada, pois na coorte o pesquisador apenas observa a exposição que já ocorre naturalmente, sem alocá-la. Caso-controle aninhado: errado, pois não houve seleção a partir do desfecho dentro de uma coorte. Transversal: errado, pois houve seguimento de seis meses, e não aferição em um único momento.
Em um município do interior do Nordeste, a equipe de uma Unidade Básica de Saúde observou aumento de casos de hanseníase no território. A Secretaria Municipal de Saúde, em parceria com uma universidade, decidiu investigar se os contatos intradomiciliares de pacientes com hanseníase multibacilar adoecem mais do que pessoas sem esse contato. Foram identificados, a partir do cadastro das equipes de saúde da família, 400 contatos intradomiciliares de casos multibacilares e 400 moradores do mesmo território sem contato conhecido, todos sem sinais da doença no início. Todos foram examinados a cada seis meses, durante cinco anos, para verificar o aparecimento de lesões cutâneas e alterações neurológicas compatíveis com hanseníase. O desenho de estudo epidemiológico descrito é o de
Correta: coorte prospectivo. Os participantes foram classificados pela EXPOSIÇÃO (contato intradomiciliar com caso multibacilar versus não contato), estavam livres do desfecho no início e foram SEGUIDOS ao longo do tempo (cinco anos) para observar a incidência de hanseníase — a sequência exposição → seguimento → desfecho define a coorte, e o fato de o seguimento começar no presente e avançar no tempo a torna prospectiva (concorrente). Caso-controle: partiria de pessoas que JÁ têm hanseníase (casos) e de controles sem a doença, olhando retrospectivamente a exposição — o oposto do que foi feito. Transversal: mediria exposição e desfecho no MESMO momento, em uma única aferição, sem seguimento, permitindo estimar prevalência e não incidência. Ensaio clínico randomizado: exigiria que o investigador ALOCASSE aleatoriamente uma intervenção; aqui a exposição (conviver com um doente) é natural, não atribuída pelo pesquisador, o que caracteriza estudo observacional.
Um médico de família de uma UPA notou vários casos graves de dengue em adultos jovens e questionou se o uso prévio de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) na fase febril estaria associado à evolução para dengue com sinais de alarme. Com apoio da vigilância epidemiológica municipal, foram selecionados 150 pacientes internados com dengue com sinais de alarme e 300 pacientes com dengue sem sinais de alarme atendidos no mesmo período e território. Por meio de entrevista e revisão de prontuário, verificou-se o uso de AINEs nos primeiros dias de febre. A análise mostrou odds ratio de 3,2 (IC 95%: 1,8–5,7). A interpretação correta desse estudo é que
O estudo partiu do DESFECHO (casos = dengue com sinais de alarme; controles = dengue sem sinais de alarme) e investigou retrospectivamente a EXPOSIÇÃO (uso prévio de AINEs) — desenho de caso-controle, cuja medida de associação própria é a odds ratio. OR = 3,2 significa que a CHANCE de exposição a AINEs foi cerca de 3 vezes maior entre os casos; como o IC 95% (1,8–5,7) não inclui o valor nulo 1, a associação é estatisticamente significativa. Classificar como coorte retrospectivo com risco relativo de 3,2 é incorreto: a coorte exigiria partir da exposição e acompanhar a ocorrência do desfecho ao longo do tempo, o que permitiria calcular incidência e risco relativo — a seleção aqui foi feita pelo desfecho, e caso-controle não estima RR diretamente. Classificar como estudo transversal com prevalência 3,2 vezes maior também não se sustenta: o transversal mediria exposição e desfecho simultaneamente em uma amostra da população, estimando prevalência; a amostragem por casos e controles fixa artificialmente a proporção de doentes e impede estimar prevalência. Por fim, dizer que o resultado não é significativo porque o intervalo inclui valores acima de 1 inverte a regra do intervalo de confiança: o resultado seria não significativo apenas se o IC INCLUÍSSE o 1, o que não ocorre.
A coordenação de atenção primária de um município quer saber se a adição de uma sessão mensal de educação em saúde em grupo, conduzida por agente comunitário de saúde, melhora o controle pressórico de hipertensos já acompanhados nas UBS, em comparação ao cuidado habitual. Há financiamento para conduzir a avaliação em oito UBS, com 600 hipertensos, ao longo de 12 meses, e a equipe deseja um resultado que permita atribuir com maior segurança a eventual diferença observada na pressão arterial à própria intervenção, minimizando o efeito de fatores de confusão conhecidos e desconhecidos. O desenho de estudo mais adequado para responder a essa pergunta é o
Correta: ensaio clínico randomizado. A pergunta é sobre EFICÁCIA de uma intervenção que o investigador pode alocar; a randomização distribui, em média, fatores de confusão conhecidos E desconhecidos entre os grupos, sendo o desenho de maior força para inferência causal sobre intervenções — por isso é o padrão-ouro quando a alocação é factível e eticamente aceitável (não há privação de tratamento, pois o comparador é o cuidado habitual). Coorte prospectivo: também acompanha o desfecho no tempo, mas a exposição é autosselecionada (quem escolhe participar dos grupos tende a ser mais aderente), mantendo confusão residual mesmo com ajuste estatístico. Transversal: mede exposição e desfecho no mesmo momento, não estabelece temporalidade e não avalia efeito de intervenção. Caso-controle: parte do desfecho para trás, útil para desfechos raros e geração de hipóteses etiológicas, não para testar intervenção.
Uma equipe de saúde de um município do interior conduziu um estudo de coorte com 4.200 adultos cadastrados nas unidades de saúde da família, com o objetivo de avaliar a associação entre consumo habitual de café e ocorrência de câncer de pulmão. Após cinco anos de seguimento, a análise bruta mostrou risco relativo de 2,1 (IC95% 1,6-2,8) para os consumidores de quatro ou mais xícaras diárias. Ao repetir a análise estratificando os participantes segundo carga tabágica, o risco relativo passou a 1,05 (IC95% 0,82-1,34) tanto no estrato de fumantes quanto no de não fumantes. Sabe-se, pelos dados do próprio estudo, que os grandes consumidores de café fumavam muito mais que os demais.
A alternativa correta descreve confundimento: o tabagismo associa-se à exposição (consumidores de café fumavam mais), é fator de risco independente para o desfecho e não é etapa intermediária entre café e câncer; por isso a associação bruta (RR 2,1) desaparece na análise estratificada (RR ~1,0). Modificação de efeito está errada porque exigiria medidas DIFERENTES entre os estratos — aqui os estratos são iguais entre si e diferentes apenas da bruta, o padrão típico de confundimento. Viés de aferição está errado porque não há informação de erro de mensuração, e um erro de medida do café não seria corrigido por estratificação pelo tabagismo. Viés de seleção está errado porque não há relato de perda diferencial de seguimento; além disso, viés de seleção não é removido por ajuste para um terceiro fator.
Um pesquisador vinculado à vigilância em saúde de um município investiga a possível associação entre exposição ocupacional a agrotóxicos e ocorrência de leucemia em trabalhadores rurais. Como a doença é rara e o tempo de latência é longo, ele identifica, nos serviços de referência oncológica do SUS, 200 pacientes com diagnóstico confirmado de leucemia e seleciona 400 pessoas sem a doença, atendidas nas mesmas unidades e pareadas por idade e sexo. Em seguida, aplica questionário padronizado a todos, de forma retrospectiva, para verificar se houve ou não exposição prévia a agrotóxicos. Considerando o desenho utilizado, qual é a medida de associação adequada para estimar a força dessa associação?
O desenho descrito é um estudo caso-controle: parte-se do desfecho (casos de leucemia e controles) e investiga-se retrospectivamente a exposição. Como o pesquisador define arbitrariamente quantos casos e quantos controles inclui, o denominador populacional de expostos e não expostos é desconhecido — não há como calcular incidência nem risco. A medida adequada é a razão de chances (odds ratio), que estima bem o risco relativo quando a doença é rara, como a leucemia. O risco relativo exige medida de incidência e só é calculável em coortes ou ensaios clínicos. O risco atribuível populacional também depende de incidência/risco absoluto, indisponível nesse desenho. O NNH, assim como o NNT, deriva da diferença absoluta de riscos e só se aplica quando os riscos absolutos são conhecidos.
A vigilância epidemiológica de um município investiga possível associação entre a exposição materna a um medicamento e uma malformação congênita rara. Por indisponibilidade de coorte e pela raridade do desfecho, foram selecionados 100 recém-nascidos com a malformação e 200 recém-nascidos sem a malformação, verificando-se retrospectivamente a exposição em prontuários do pré-natal. Nesse desenho de estudo, a medida de associação adequada para estimar a força da associação é
Trata-se de estudo caso-controle: os grupos são definidos pelo desfecho e a proporção de casos é fixada pelo investigador, de modo que a medida calculável é a razão de chances (odds ratio), que estima bem o risco relativo quando o desfecho é raro. O risco relativo exige incidências, que só podem ser medidas quando se parte da exposição e se acompanha o desfecho (coorte). Pelo mesmo motivo, a incidência acumulada nos expostos não pode ser estimada, pois o denominador de expostos não representa a população-fonte. O NNT é medida de impacto de intervenção, derivada de ensaios clínicos, e não se aplica a um estudo observacional de exposição a risco.
Em um município de médio porte, a vigilância epidemiológica identifica, em quatro semanas, 12 casos de hepatite aguda grave em crianças menores de 10 anos — evento raro na série histórica local. A equipe suspeita de uma exposição alimentar comum, dispõe de tempo curto para a resposta e de recursos limitados, e precisa testar rapidamente as hipóteses de exposição para orientar as medidas de controle. Qual é o desenho de estudo epidemiológico mais adequado para investigar a associação entre as exposições suspeitas e o desfecho nesse cenário?
Correta: em desfecho RARO e investigação de surto com urgência e poucos recursos, o caso-controle é o desenho de escolha — parte-se dos casos já ocorridos e busca-se retrospectivamente a exposição em casos e controles, permitindo estimar a razão de chances em curto prazo. Coorte prospectiva é inviável: exigiria acompanhar enorme população por longo tempo para acumular casos de doença rara, incompatível com a resposta rápida ao surto. Ensaio clínico randomizado é eticamente inaceitável, pois alocaria deliberadamente crianças a uma exposição potencialmente nociva. Estudo transversal mede exposição e desfecho no mesmo momento e é adequado para doenças de alta prevalência e longa duração, não para evento agudo e raro, além de não estabelecer a sequência temporal.
Uma equipe de pesquisa vinculada à Atenção Primária deseja estimar a incidência de diabetes melito tipo 2 e verificar se o sedentarismo aumenta o risco de desenvolvê-lo. São recrutados 3.000 usuários adultos sem diabetes, cadastrados em Unidades Básicas de Saúde, classificados no início do estudo quanto ao nível de atividade física e acompanhados por seis anos, com aferição periódica de glicemia. Considerando o objetivo e a estrutura descritos, qual é o desenho do estudo e a medida de associação que ele permite calcular diretamente?
Correta: há indivíduos livres do desfecho na linha de base, classificados pela exposição e seguidos no tempo até a ocorrência da doença — definição de coorte prospectiva. Por permitir contar casos NOVOS em cada grupo, calcula-se a incidência e, com ela, o risco relativo. Caso-controle parte do desfecho já instalado e seleciona controles, não permitindo calcular incidência (daí usar odds ratio) — não é o que se descreve. Transversal mediria exposição e desfecho em um único momento, gerando prevalência e razão de prevalências, incompatível com os seis anos de seguimento. Ensaio clínico randomizado exige alocação da intervenção pelo pesquisador; aqui a exposição (sedentarismo) foi apenas observada, não designada.
Um inquérito de saúde municipal entrevistou 1.500 adultos em domicílio, coletando no mesmo momento informações sobre prática atual de atividade física e presença de dor lombar crônica. Os resultados mostraram maior prevalência de dor lombar entre os que relataram praticar atividade física regular. A equipe de vigilância cogita divulgar que a atividade física aumenta o risco de dor lombar na população. Qual é a principal limitação do desenho do estudo que impede essa conclusão?
Correta: no estudo transversal, exposição e desfecho são aferidos simultaneamente, de modo que não se sabe o que veio antes — é plausível que pessoas com dor lombar tenham sido orientadas a iniciar exercício (causalidade reversa), e não o inverso. Calcular medidas de frequência é justamente o forte do transversal: ele estima prevalência e razão de prevalências, ao contrário de séries/relatos de casos. Perda de seguimento é limitação típica de coortes e ensaios clínicos, pois pressupõe acompanhamento no tempo, o que não existe em um inquérito de momento único. Randomização e cegamento são atributos de estudos experimentais; sua ausência não é falha de um desenho observacional descritivo.
Em maternidade de referência do SUS, pesquisadores conduzem estudo caso-controle sobre uso de medicamentos no primeiro trimestre e malformações congênitas. A exposição foi obtida por entrevista com as mães após o parto, já conhecido o desfecho. O odds ratio foi 3,1 (IC95% 1,9–5,0). Em subamostra na qual a exposição foi conferida em prontuário e registros da farmácia da unidade, o odds ratio caiu para 1,2 (IC95% 0,8–1,9): mães de casos relataram exposições não registradas com frequência muito maior que as mães de controles. Qual erro sistemático melhor explica o achado?
Mães de recém-nascidos malformados buscam ativamente explicações e recordam/relatam exposições com mais detalhe que as mães de controles: é o viés de memória (recall bias), uma classificação errônea DIFERENCIAL da exposição — o erro depende do status de caso/controle e, por isso, pode afastar a medida da nulidade, superestimando o OR, como demonstrou a validação em registros objetivos. Perda de seguimento: caso-controle parte do desfecho e não segue coorte no tempo; não há seguimento a perder. Confundimento residual: não explicaria a discrepância entre relato materno e registro documental da MESMA exposição, que é problema de mensuração. Viés de Neyman: aplica-se a doenças crônicas em que casos prevalentes sobrevivem seletivamente, o que não cabe a malformação identificada ao nascimento.
Uma equipe de vigilância epidemiológica municipal investiga a possível associação entre exposição ocupacional a agrotóxicos e a ocorrência de um tipo raro de câncer hematológico entre trabalhadores rurais. Diante de recursos limitados e de um desfecho infrequente, a equipe seleciona pacientes já diagnosticados com a neoplasia e um grupo de comparação sem a doença, avaliando retrospectivamente a frequência de exposição prévia em cada grupo. Qual delineamento de estudo epidemiológico foi empregado?
Correta: caso-controle. A seleção parte do desfecho (doentes e não doentes) e olha retrospectivamente a exposição, sendo o desenho ideal para doenças raras e de baixo custo; fornece a razão de chances (OR). Coorte prospectivo parte da exposição e acompanha para o desfecho, inviável para desfecho tão raro. Transversal mede exposição e desfecho no mesmo momento (prevalência), sem temporalidade. Ensaio clínico randomizado exige intervenção e alocação dos participantes, não sendo observacional.
Um gestor da Atenção Primária deseja estimar, em um único momento, a prevalência de hipertensão arterial entre os adultos cadastrados em uma Unidade Básica de Saúde. Para isso, aplica a todos, no mesmo período, um inquérito com aferição de pressão arterial e questionário, sem qualquer seguimento posterior dos participantes. Qual delineamento de estudo epidemiológico corresponde a esse levantamento?
Correta: transversal. Mede exposição e desfecho simultaneamente em um único momento, sendo o desenho adequado para estimar prevalência. Coorte acompanha os participantes ao longo do tempo para medir incidência. Caso-controle parte de quem já tem o desfecho, comparando com controles. Ensaio clínico envolve intervenção deliberada, ausente em um inquérito observacional.
Um grupo de pesquisadores deseja investigar a associacao entre exposicao ocupacional ao benzeno e leucemia mieloide aguda, doenca de baixa incidencia na populacao geral. Por limitacao de tempo e recursos, seleciona 120 pacientes com o diagnostico ja confirmado e 240 individuos sem a doenca, pareados por idade e sexo, e compara retrospectivamente a frequencia de exposicao previa ao benzeno nos dois grupos. Sobre o delineamento empregado, assinale a alternativa correta.
O estudo parte dos DOENTES (casos) e de controles e olha retrospectivamente a exposicao: e um caso-controle, delineamento eficiente para doencas raras. Como nao se parte de uma populacao de expostos/nao expostos, nao se calcula incidencia nem risco relativo, e a medida de associacao e a razao de chances (odds ratio) - correta. Classificar o estudo como coorte erra porque a coorte parte da exposicao e permitiria calcular incidencia e risco relativo, o que aqui e impossivel. Erra: transversal mede exposicao e desfecho simultaneamente e nao define temporalidade. Erra: nao ha intervencao/alocacao pelo pesquisador, logo nao e ensaio clinico.
Em um inquerito de saude de base populacional, 1.500 adultos de um municipio foram avaliados em um unico momento, medindo-se simultaneamente o indice de massa corporal e a concentracao serica de vitamina D. Observou-se que os individuos com obesidade apresentavam, em media, menores niveis de vitamina D. Os autores concluiram que a obesidade e causa de hipovitaminose D. Assinale a principal limitacao dessa inferencia.
A afericao simultanea de exposicao e desfecho, em um unico momento, caracteriza estudo transversal (de prevalencia). Ele nao permite saber o que ocorreu antes - a obesidade pode reduzir a vitamina D (sequestro no tecido adiposo) ou a hipovitaminose pode preceder o ganho de peso (causalidade reversa) - por isso a limitacao correta e a ausencia de temporalidade. A perda de seguimento, a randomizacao e a coorte prospectiva descrevem, respectivamente, coorte, ensaio clinico e estudo longitudinal, que nao correspondem ao desenho aplicado.
Uma industria farmaceutica pretende demonstrar, com o maior nivel de evidencia possivel, que um novo anti-hipertensivo reduz desfechos cardiovasculares maiores em comparacao ao tratamento padrao, minimizando o efeito de fatores de confusao tanto conhecidos quanto desconhecidos. Assinale o delineamento mais apropriado e a caracteristica que justifica sua superioridade.
Para inferencia causal de eficacia terapeutica, o ensaio clinico randomizado e o padrao-ouro: a randomizacao equilibra os grupos quanto a fatores de confusao CONHECIDOS e DESCONHECIDOS, algo que nenhum estudo observacional alcanca. Erra: coorte controla apenas confundidores medidos, restando confundimento residual desconhecido. Erra: caso-controle fornece razao de chances, nao risco relativo direto, e nao e o maior nivel de evidencia. Erra: transversal nao estabelece causalidade nem eficacia.
O serviço de hematologia de um hospital terciário identificou, em 18 meses, 22 pacientes com agranulocitose — evento cuja incidência estimada na população geral é de cerca de 5 casos por milhão de habitantes por ano. A suspeita recai sobre um antitireoidiano comercializado há três anos. A equipe de epidemiologia dispõe de verba limitada e precisa de resposta em seis meses. Opta-se por comparar esses 22 pacientes com 88 pacientes internados por outras causas no mesmo período, quanto ao uso prévio do fármaco, resgatado em prontuários e receituários. Assinale a opção que indica corretamente o delineamento empregado e a medida de associação dele derivada.
O estudo parte do DESFECHO (22 casos de agranulocitose), seleciona controles sem a doença e olha retrospectivamente para a exposição — definição de caso-controle, desenho de escolha para doenças raras e de baixo custo/tempo. Como a amostragem é feita pelo desfecho, a incidência não pode ser estimada e a medida própria é a razão de chances (odds ratio), boa aproximação do risco relativo em doenças raras. Coorte retrospectiva parte da EXPOSIÇÃO e acompanha até o desfecho, permitindo risco relativo — não é o caso. Transversal mediria exposição e desfecho simultaneamente em amostra da população, gerando razão de prevalências. Estudo ecológico tem a população, e não o indivíduo, como unidade de análise.
Uma secretaria municipal de saúde realizou inquérito domiciliar em amostra probabilística de 2.400 adultos. Em uma única visita, aferiu-se a pressão arterial e aplicou-se questionário sobre atividade física. Observou-se prevalência de hipertensão de 32% entre os sedentários e de 18% entre os fisicamente ativos (razão de prevalências 1,78; IC95% 1,45–2,18). O relatório final conclui que 'o sedentarismo causa hipertensão arterial na população do município'. Assinale a opção que aponta a principal limitação metodológica dessa conclusão.
Em estudo transversal exposição e desfecho são medidos no mesmo momento, de modo que não se sabe o que veio primeiro: a ambiguidade temporal (com possibilidade de causalidade reversa — o hipertenso diagnosticado pode ter reduzido a atividade física) impede a inferência causal. Perda de seguimento não se aplica: não há seguimento em corte transversal. O poder foi suficiente, tanto que o intervalo de confiança exclui o valor nulo 1. Falta de cegamento pode gerar viés de aferição, mas é problema secundário diante da limitação estrutural do desenho.
Pesquisadores obtiveram, no arquivo de uma indústria naval, a lista nominal de todos os 3.180 trabalhadores admitidos entre 1985 e 1995, com registro individual dos anos de trabalho em setores com e sem exposição a asbesto. Em 2024, por meio de cruzamento com o Sistema de Informações sobre Mortalidade e com registros de câncer de base populacional, mediram a ocorrência de mesotelioma pleural em cada grupo, calculando taxas de incidência e risco relativo. Nenhum contato com os trabalhadores foi feito e toda a informação de exposição precede o desfecho. Assinale a opção que classifica corretamente esse delineamento.
Há grupos definidos pela EXPOSIÇÃO, seguimento no tempo e cálculo de incidência e risco relativo — logo, coorte. Como exposição e desfecho já ocorreram quando o estudo começou, e a reconstrução se faz por registros preexistentes, trata-se de coorte retrospectiva ou histórica. Caso-controle aninhado exigiria selecionar, dentro da coorte, os casos e um subconjunto de controles — aqui toda a coorte foi analisada. Coorte prospectiva implicaria arrolar os trabalhadores e acompanhá-los para desfechos futuros. Transversal não permite incidência, pois mede exposição e desfecho no mesmo instante.
Após a incorporação de um novo antirretroviral ao protocolo brasileiro de profilaxia da transmissão vertical do HIV, surgiu a hipótese de que seu uso a partir do primeiro trimestre aumentaria a ocorrência de parto prematuro — desfecho frequente nessa população. O Ministério da Saúde deseja estimar a INCIDÊNCIA de prematuridade entre expostas e não expostas e obter o risco relativo, sem que seja eticamente aceitável sortear gestantes para deixar de receber profilaxia. Há financiamento para acompanhamento de cinco anos em maternidades de referência. Assinale o delineamento mais adequado a essa pergunta.
A pergunta exige incidência e risco relativo, com exposição definida antes do desfecho e vedação ética à randomização: isso caracteriza a coorte prospectiva, que arrola gestantes expostas e não expostas e as acompanha até o parto. O caso-controle parte do desfecho e fornece apenas razão de chances, sem estimar incidência; além disso, prematuridade é desfecho comum, situação em que o odds ratio superestima o risco relativo. O ensaio randomizado com placebo é inaceitável por privar gestantes de profilaxia com eficácia estabelecida. O transversal mede exposição e desfecho simultaneamente e não distingue a sequência temporal.
Vinte e quatro horas após uma confraternização de empresa com 210 participantes, a vigilância municipal recebe comunicações de 62 pessoas com diarreia aquosa, cólicas e vômitos, três delas atendidas na UPA com desidratação leve. O cardápio incluía maionese caseira, arroz frito, frango assado, salada crua e sobremesa com creme. A lista completa de convidados, com telefones, está disponível com a organização do evento. O médico da vigilância deve conduzir a investigação do surto. Assinale a conduta adequada.
Em surto de doença transmitida por alimentos com população de base bem definida e enumerável (a lista de convidados), o desenho de escolha é a coorte retrospectiva: define-se o caso, monta-se a curva epidêmica e calculam-se taxas de ataque entre expostos e não expostos a cada alimento, com risco relativo — passo padrão do roteiro de investigação de surtos. Surto é evento de notificação IMEDIATA (24h), que jamais aguarda confirmação laboratorial. Não existe limiar de taxa de ataque para tornar a notificação compulsória — qualquer agregação inusitada de casos é notificável. O caso-controle só é indicado quando a população de base não é enumerável, e controles de outro município teriam exposição alimentar totalmente distinta, invalidando a comparação.
Após um surto de doença hepática de causa desconhecida em um município, a vigilância epidemiológica selecionou 100 pacientes com a doença confirmada e 100 pessoas sem a doença, pareadas por idade e sexo, e investigou retrospectivamente o consumo prévio de um determinado suplemento à base de ervas. Entre os doentes, 80 haviam consumido o produto; entre os não doentes, 40 o haviam consumido. Considerando o delineamento empregado, assinale a alternativa que indica corretamente a medida de associação aplicável e o seu valor.
O delineamento descrito — partir de doentes e não doentes e investigar retrospectivamente a exposição — é um estudo de caso-controle. Nele NÃO se pode calcular incidência nem risco relativo, porque a proporção de doentes é fixada pelo investigador; a medida de associação apropriada é a razão de chances (odds ratio). Montando a tabela 2x2: OR = (80 × 60) / (20 × 40) = 4.800 / 800 = 6,0 — ou seja, a chance de exposição ao suplemento é seis vezes maior entre os casos. A alternativa que traz risco relativo está errada pelo delineamento, independentemente do valor: RR exige seguimento de expostos e não expostos (coorte ou ensaio clínico). O valor 2,0 corresponde apenas à razão das proporções de exposição (80% / 40%), que não é nem RR nem OR. O risco atribuível também depende de incidências e, portanto, é inaplicável ao caso-controle. Vale lembrar que a OR aproxima bem o RR quando a doença é rara na população.
Um estudo comparou, entre os 5.570 municípios brasileiros, o consumo médio de sal estimado por inquérito e o coeficiente de mortalidade por doenças cerebrovasculares, encontrando correlação positiva e estatisticamente significativa. Qual conclusão o desenho permite?
A unidade de análise é o município, e não a pessoa: o desenho é ecológico e gera hipótese, sem autorizar conclusão sobre indivíduos. Transformar a correlação de agregados em afirmação sobre quem consome mais sal, em previsão de efeito individual de redução ou em relação causal é cair na falácia ecológica — a associação pode estar inteiramente explicada por outra característica dos municípios. Também não há coorte alguma: ninguém foi classificado individualmente por exposição nem seguido no tempo, de modo que não sai risco relativo.
Pesquisadores identificaram, nos registros de admissão de uma mineradora, todos os 1.840 trabalhadores contratados entre 2000 e 2005 e classificaram cada um como exposto ou não exposto à poeira de sílica conforme a função registrada. A seguir, cruzaram essa lista com os bancos de internação e de óbito até 2020 para verificar quem desenvolveu doença pulmonar intersticial. Toda a coleta ocorreu em 2021, a partir de registros já existentes. Qual é o desenho do estudo e qual medida de associação ele permite calcular?
O estudo parte da EXPOSIÇÃO (classifica os trabalhadores em expostos e não expostos à sílica) e só depois vai verificar quem adoeceu: isso é coorte, e o fato de a coleta ter sido feita em 2021 sobre registros antigos apenas a torna histórica ou retrospectiva. Como se conhece todo o denominador de seguidos, saem incidência e risco relativo. Caso-controle começaria pelos doentes; transversal mediria exposição e desfecho no mesmo momento e daria prevalência; ecológico teria o grupo, e não a pessoa, como unidade de análise; e não houve alocação de intervenção pelo investigador, o que exclui qualquer desenho experimental.
Vigilância municipal investiga 9 casos de uma doença rara ocorridos em seis semanas, em moradores de bairros distintos e sem vínculo entre si, sem que seja possível enumerar a população exposta. Optou-se por um estudo de caso-controle. Sobre a seleção dos controles nessa investigação, qual conduta está correta?
O guia do Ministério da Saúde é explícito: o controle não pode ter a doença e deve vir da mesma população, da mesma área de procedência e do mesmo período dos casos, ou seja, deve ter tido a mesma chance de ter sido caso — vizinhos e pacientes hospitalizados por outras causas são as escolhas habituais. Em surtos pequenos usam-se 2 a 4 controles por caso; acima disso o esforço de campo cresce sem ganho significativo de poder, o que descarta a opção de 12 por caso. Buscar controles em outra população gera viés de seleção, familiares compartilham exposições domiciliares e podem mascarar o fator investigado, e quem já teve a doença é caso, não controle.
Um estudo de caso-controle recrutou 200 pacientes com determinada neoplasia rara e 400 controles hospitalizados por outras causas, e investigou exposição ocupacional prévia. Os autores encontraram odds ratio de 3,4 (IC 95% 2,1-5,5). Qual medida NÃO pode ser estimada a partir desse desenho?
Num caso-controle o investigador decide quantos doentes e quantos sadios recrutar, de modo que a proporção de doentes na amostra é artificial e não reflete a população: por isso o desenho não estima incidência nem prevalência da doença, como o próprio guia do Ministério da Saúde registra ao dizer que ali não se calcula coeficiente de incidência. As proporções de expostos dentro de cada grupo são exatamente o que o estudo mede, e delas saem a odds ratio e o seu intervalo de confiança — todas calculáveis. A troca de incidência por odds ratio, ou o inverso, é o erro mais cobrado nesse desenho.
Um inquérito domiciliar de base populacional avaliou 2.072 idosos e encontrou autopercepção de saúde ruim em 53,8% deles. Ao analisar a associação entre baixa escolaridade e esse desfecho, a equipe hesita entre relatar a odds ratio obtida por regressão logística e a razão de prevalências obtida por regressão de Poisson com variância robusta. Qual afirmação está correta?
Quanto mais frequente o desfecho, mais a odds ratio se afasta da razão de prevalências: no estudo brasileiro que comparou os métodos nesses mesmos 2.072 idosos, a distância foi de cerca de 13% com prevalência de 5,1%, cerca do dobro com 37,8% e cerca de quatro vezes com 53,8%, e as regressões de Cox e de Poisson com variância robusta ficaram próximas da referência de Mantel-Haenszel. A alternativa 1 inverte a regra (a aproximação vale para desfecho RARO); a razão de prevalências admite ajuste multivariado normalmente; estudo transversal não produz incidência; e a log-binomial é justamente a que falha em convergir quando a prevalência é alta e há covariável contínua.
Ensaio clínico randomizado de não inferioridade comparou um esquema antibiótico oral de sete dias com o esquema padrão endovenoso. Dos 900 randomizados, 118 abandonaram o tratamento antes do término, com predomínio no braço oral. Os autores relataram apenas a análise por protocolo, que incluiu os 782 participantes que completaram o esquema alocado. Qual é a principal crítica metodológica?
A intenção de tratar mantém cada participante no grupo em que foi sorteado e é o que preserva o efeito da randomização; a análise por protocolo exclui os desviantes, que costumam desviar por motivo ligado ao desfecho, e desfaz a comparabilidade — aqui com abandono desigual entre os braços, o que agrava o problema. Em não inferioridade as duas análises são exigidas e devem concordar, porque cada uma erra para um lado: a intenção de tratar aproxima os grupos e facilita concluir não inferioridade, e a por protocolo tende a exagerar diferenças. O tamanho amostral não é a questão central, ensaio de não inferioridade é randomizado por definição, a análise por protocolo tem papel legítimo quando acompanhada da outra, e o cegamento é desejável mas não é o erro descrito.
Doze a trinta e seis horas após uma festa de casamento com 118 convidados, 41 pessoas apresentam diarreia aquosa e vômitos. Os noivos dispõem da lista nominal completa dos convidados e o buffet guardou o cardápio servido. Segundo o guia de investigação de surtos do Ministério da Saúde, qual desenho de estudo é o indicado nesta situação e qual o cálculo central?
O critério do guia é a possibilidade de enumerar a população: existindo lista de todos os presentes, expostos e não expostos, a coorte é viável e é a escolha, com taxa de ataque calculada item a item do cardápio e risco relativo obtido da divisão da taxa de ataque dos expostos pela dos não expostos. O caso-controle fica reservado a população não bem definida ou doença rara, e usá-lo aqui jogaria fora justamente a lista de convidados. Transversal e ecológico não respondem à pergunta de qual alimento causou o surto, e a série de casos é a fase descritiva que antecede a análise, sem grupo de comparação e sem medida de associação.
Um laboratório propõe ensaio clínico de fase III com novo anti-hipertensivo em pacientes com hipertensão estágio 2, comparando a droga contra placebo puro, sem qualquer anti-hipertensivo no braço controle. À luz da Lei nº 14.874/2024, qual é a análise correta do desenho proposto?
O art. 21 da Lei nº 14.874/2024 admite o uso EXCLUSIVO de placebo apenas quando inexistem métodos comprovados de profilaxia, diagnóstico ou tratamento; o parágrafo único acrescenta que o participante não pode ser privado do melhor tratamento disponível ou do preconizado nos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde. Em hipertensão estágio 2 há tratamento consagrado, e o braço controle teria de recebê-lo — placebo cabe como adição ao tratamento padrão, não no lugar dele. A lei não proíbe placebo em bloco, consentimento não legitima privar alguém de tratamento eficaz, fase III não exige placebo puro, e o prazo de 15 dias úteis do art. 15 é regra de tramitação, não autorização de desenho.
Um ensaio randomizado comparou duas técnicas cirúrgicas. A alocação foi feita por central telefônica independente, que só revelava o grupo depois de o paciente ter sido incluído; paciente e equipe cirúrgica souberam qual técnica seria usada. Um revisor afirma que o estudo não tem validade interna, por não ser duplo-cego. Sobre essa crítica:
Sigilo de alocação e cegamento protegem momentos diferentes. O sigilo age antes da entrada do participante, impedindo que quem recruta saiba para qual grupo o próximo será sorteado; sem ele, o recrutador seleciona quem entra em cada braço e a randomização vira enfeite. A central telefônica independente descrita cumpre esse papel. O cegamento age depois da alocação e protege o manejo clínico e a aferição do desfecho. Em ensaio de técnica cirúrgica, cegar paciente e equipe pode ser impossível, e ainda assim o desfecho pode ser medido por profissional que desconhece o grupo, que é a proteção disponível. Sustentar que a falta de cegamento retira da randomização a distribuição dos fatores não medidos confunde as duas coisas: quem distribui é o sorteio, e ele ocorreu. Afirmar que sem cegamento o sigilo também fica impossível junta proteções que atuam em momentos distintos. Tratá-las como o mesmo procedimento com nomes diferentes é o erro que a pergunta expõe. E isentar o ensaio cirúrgico das duas proteções, atribuindo a comparabilidade ao tamanho da amostra, troca método por volume.
Um município repete a cada dois anos um inquérito domiciliar de base populacional, com amostra nova sorteada em cada rodada. A prevalência de determinada condição crônica passou de 14% na primeira rodada para 21% na quarta. O gestor conclui que a incidência da condição é de cerca de 1,2% ao ano entre as pessoas acompanhadas pelo inquérito. Sobre essa conclusão:
Inquérito repetido é uma sequência de fotografias: cada rodada sorteia amostra nova, e a comparação se faz entre populações em momentos diferentes, nunca entre as mesmas pessoas ao longo do tempo. Nenhum estudo transversal produz incidência, porque incidência exige acompanhar quem estava sadio e contar casos novos num período declarado. A subida de 14% para 21% descreve prevalências, e prevalência depende também da duração da condição, não apenas do surgimento de casos novos. Chamar a série de coorte aberta ignora que ninguém foi seguido. Igualar o tamanho das amostras não cria seguimento nem permite comparação pessoa a pessoa. Invocar falta de significância troca o problema: o defeito é de desenho, não de precisão. E dizer que o inquérito só estima razão de chances contraria a medida natural do transversal, que é justamente a prevalência, com a razão de prevalências como medida de associação.
Uma coorte de 45.000 adultos coletou e armazenou amostras de sangue de todos os participantes na entrada do estudo. Doze anos depois, 180 deles haviam desenvolvido a doença de interesse. Os pesquisadores querem testar se um biomarcador dosado naquelas amostras precede o adoecimento, mas dosá-lo nas 45.000 amostras é inviável. Qual desenho responde à pergunta com o menor número de dosagens?
O caso-controle aninhado é montado dentro de uma coorte já existente: identificam-se os casos incidentes e sorteia-se, entre os demais participantes da mesma coorte, um grupo de controles. A vantagem é dupla e é exatamente o que a situação pede — a exposição foi registrada antes de qualquer um adoecer, o que afasta o viés de memória, e a base populacional é conhecida, o que evita controles vindos de população diferente da que gerou os casos. O custo cai, porque o marcador é dosado em algumas centenas de amostras em vez de 45.000. Buscar controles internados por outras causas descarta a coorte já constituída e reintroduz o risco de selecionar quem não teria tido a mesma chance de ser caso. Medir marcador e doença no encerramento do seguimento é um corte transversal e destrói a temporalidade que a coorte havia estabelecido. O desenho ecológico troca a pessoa pelo centro como unidade de análise e não responde à pergunta individual. E sortear quem terá o marcador dosado não aloca exposição alguma: o marcador já está no participante, e sorteio de dosagem não é intervenção.
Ao investigar uma doença rara, pesquisadores selecionam pessoas que já têm o desfecho e um grupo comparável sem o desfecho, e então investigam retrospectivamente a exposição prévia em ambos. Qual o desenho e a medida de associação apropriada?
Partir do desfecho e olhar para trás em busca da exposição define o caso-controle, desenho eficiente para doenças raras e de longa latência, cuja medida de associação é a razão de chances, já que não se pode calcular incidência sem uma população em risco acompanhada no tempo. A coorte engana por ser o desenho observacional mais lembrado, mas ela parte da exposição e segue os participantes até o desfecho, permitindo calcular risco relativo. O transversal mede exposição e desfecho no mesmo momento, sem estabelecer temporalidade.
Pesquisadores selecionaram 300 pessoas com câncer de pâncreas e 600 pessoas sem a doença, e investigaram retrospectivamente a exposição prévia ao tabagismo em ambos os grupos. Qual é o desenho de estudo e a medida de associação apropriada?
Partir do desfecho — pessoas com e sem a doença — e olhar para trás em busca da exposição define o estudo caso-controle, cuja medida natural é a razão de chances, já que a incidência não pode ser calculada quando o investigador escolhe quantos doentes recrutar. Chamar de coorte é o erro mais comum e vem de confundir a direção temporal da análise com a direção do desenho: a coorte parte da exposição e acompanha até o desfecho, permitindo calcular risco relativo.
Qual desenho de estudo é o mais adequado para investigar rapidamente a causa de um surto de diarreia após um evento com 300 convidados, ocorrido há dois dias?
Em surto com população bem definida e delimitada, como os convidados de um evento, a investigação de escolha é a coorte retrospectiva: entrevista-se todo mundo, calcula-se a taxa de ataque entre quem comeu e quem não comeu cada alimento, e o risco relativo aponta o veículo. O caso-controle é a alternativa quando a população-fonte não é enumerável, e escolhê-lo aqui é o erro que descarta a vantagem de já se conhecer a coorte inteira.
Estudo publicado comparou a mortalidade por câncer de pulmão entre países e observou correlação forte entre consumo per capita de cigarros e taxa de mortalidade nacional. Os autores concluíram que fumantes individuais têm risco aumentado de morrer da doença. Qual é o principal problema metodológico dessa conclusão?
Em estudo ecológico a unidade de análise é a população, e transferir a associação agregada para o risco individual configura falácia ecológica. O viés de memória exige coleta individual retrospectiva de exposição, o que não ocorre em dados agregados nacionais. A perda de seguimento é problema de coortes, e o desenho descrito não acompanha indivíduos ao longo do tempo. Confundimento pode existir em qualquer desenho observacional, mas a afirmação de que ocorre apenas em ensaios randomizados é incorreta e não é o erro central da conclusão.
Uma pesquisadora deseja avaliar se a exposição ocupacional a um solvente aumenta o risco de leucemia, doença rara com longo período de latência. Dispõe de registro hospitalar de casos e de recursos limitados para acompanhamento prospectivo. Qual desenho de estudo é o mais apropriado para esse objetivo?
Para doença rara e de longa latência, o desenho caso-controle é eficiente porque parte dos casos já identificados e investiga a exposição pregressa, com menor custo e tempo. A coorte prospectiva seria válida, mas exigiria amostra muito grande e décadas de seguimento, incompatível com os recursos descritos. Ensaio randomizado com exposição a agente potencialmente carcinogênico é eticamente inaceitável. O transversal não estabelece a sequência temporal necessária para inferir causalidade em doença de longa latência.
Um pesquisador conduz ensaio clínico e observa que 12% dos participantes do grupo intervenção abandonaram o estudo, muitos migrando para o tratamento do outro braço. Na análise, ele decide manter cada participante no grupo ao qual foi alocado originalmente, independentemente do tratamento efetivamente recebido. Esse procedimento é denominado:
Manter os participantes no grupo de alocação original, mesmo com desvios de adesão, é a análise por intenção de tratar, que preserva a comparabilidade obtida pela randomização e evita superestimar o efeito. A análise por protocolo considera apenas quem cumpriu o tratamento designado, sendo mais sujeita a viés. Análise de subgrupos investiga efeito em estratos específicos, tema distinto da alocação. O escore de propensão é técnica de estudos observacionais para equilibrar grupos não randomizados.
Uma equipe de pesquisa deseja avaliar se a exposição ocupacional a solventes orgânicos aumenta a ocorrência de leucemia, doença rara na população geral. Os recursos são limitados e o tempo disponível é curto. O grupo já dispõe de acesso a registros hospitalares de casos confirmados e à possibilidade de recrutar pessoas sem a doença atendidas na mesma instituição. Qual é o desenho de estudo mais adequado a essa questão?
Para desfecho raro, com restrição de tempo e de recursos, o caso-controle é o desenho mais eficiente, pois parte da doença e investiga retrospectivamente a exposição. O ensaio randomizado é inviável e antiético para exposição potencialmente nociva. A coorte prospectiva exigiria acompanhar enorme contingente por muitos anos para acumular casos de doença rara. O estudo ecológico usa dados agregados e não permite inferência sobre o indivíduo, ficando sujeito à falácia ecológica.
Pesquisadores compararam, entre municípios brasileiros, o consumo médio de sal estimado por dados de venda e a taxa de mortalidade por acidente vascular cerebral, encontrando forte correlação positiva. Os autores concluíram que indivíduos que consomem mais sal têm maior risco de morrer por acidente vascular cerebral. O estudo utilizou apenas dados agregados por município, sem informações individuais sobre consumo, pressão arterial ou desfecho de cada pessoa. O principal problema metodológico dessa conclusão é:
O delineamento é ecológico, com unidade de análise coletiva, e concluir sobre risco individual a partir de dados agregados incorre em falácia ecológica, pois a associação entre médias populacionais pode não se reproduzir entre pessoas. Viés de memória é típico de estudos que dependem de recordação individual, o que não ocorre com dados de venda agregados. Perda de seguimento é problema de estudos longitudinais com acompanhamento de indivíduos, inexistente aqui. Efeito placebo pertence a ensaios de intervenção, e o estudo descrito é observacional, sem qualquer intervenção aplicada aos participantes.
Um município implanta programa de melhoria do acesso na atenção primária e deseja avaliar seus efeitos. A equipe compara indicadores de internações por condições sensíveis à atenção primária antes e depois da intervenção, utilizando série histórica mensal de vários anos e considerando tendências prévias, sazonalidade e a ocorrência de outros eventos no período que possam ter influenciado os resultados observados no município ao longo do tempo analisado. O desenho descrito corresponde a:
A análise de série temporal interrompida compara o comportamento de um indicador antes e depois de uma intervenção, considerando tendência prévia, sazonalidade e possíveis eventos concorrentes, sendo desenho útil na avaliação de políticas e programas de saúde. O ensaio randomizado individual pressupõe alocação aleatória de participantes, ausente. O caso-controle parte do desfecho para investigar exposições. A coorte acompanha indivíduos ao longo do tempo segundo exposição, não sendo o desenho descrito.
Uma equipe de pesquisa avalia a associação entre uso de determinado medicamento e ocorrência de evento adverso raro, que ocorre em menos de um caso a cada dez mil pessoas expostas por ano. Os pesquisadores discutem qual desenho de estudo seria mais eficiente para investigar essa associação, considerando a raridade do desfecho, o custo e o tempo necessários para acompanhar prospectivamente uma população suficientemente grande para observar número adequado de eventos. O desenho mais adequado é:
O estudo de caso-controle é o desenho mais eficiente para desfechos raros, pois parte dos casos já ocorridos e seleciona controles adequados, exigindo amostra muito menor e menor tempo que estudos prospectivos. O ensaio randomizado exigiria número muito grande de participantes e seguimento prolongado, além de restrições éticas para expor pessoas a risco. O estudo transversal não distingue temporalidade entre exposição e desfecho. O estudo ecológico usa dados agregados e não permite inferência individual.
Um serviço de pesquisa acompanha há dez anos uma coorte de 30 mil adultos, com coleta de sangue congelado no início. Os investigadores querem testar se um biomarcador inflamatório caro se associa a câncer de pâncreas, doença que ocorreu em 60 participantes. Dosar o marcador em toda a coorte é inviável pelo custo. O delineamento escolhido deve preservar a temporalidade da exposição e permitir cálculo eficiente da associação com o menor número possível de dosagens. Qual delineamento atende a essas condições?
O caso-controle aninhado usa as amostras já armazenadas antes do adoecimento, garantindo temporalidade, e dosa o marcador apenas nos 60 casos e em uma amostra de controles sob risco, o que reduz drasticamente o custo sem perder a validade da coorte. Nova coleta transversal mediria o marcador depois da doença, invertendo a temporalidade e introduzindo causalidade reversa. Ensaio clínico é inaplicável porque o biomarcador não é uma intervenção que se possa alocar. Estudo ecológico trabalha com médias populacionais e não permite inferência sobre indivíduos.
Uma equipe de pesquisa quer avaliar se a implantação de um protocolo de acolhimento reduz internações por condições sensíveis à atenção primária. A intervenção é organizacional, atinge toda a unidade de saúde e não pode ser aplicada a alguns usuários e não a outros dentro da mesma equipe, sob risco de contaminação entre os grupos. Trinta unidades básicas de saúde do município aceitaram participar. Qual delineamento é o mais adequado para esse contexto?
Quando a intervenção é implantada no nível do serviço e há risco de contaminação entre participantes da mesma unidade, o delineamento indicado é o ensaio randomizado por conglomerados, com sorteio das unidades e análise que considere a correlação intracluster. A randomização individual é inviável porque o protocolo modifica o funcionamento de toda a equipe. O estudo transversal com unidades autosselecionadas não permite inferência causal e está sujeito a confundimento por características do serviço. Série de casos é apenas descritiva e não tem grupo de comparação.
Um novo esquema oral para tuberculose foi comparado ao esquema padrão em ensaio cujo objetivo declarado era demonstrar que o novo tratamento não é clinicamente pior que o atual, com a vantagem de menor número de comprimidos. Os autores definiram previamente uma margem de tolerância de 6 pontos percentuais na taxa de cura. Ao final, a diferença observada foi de -2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95% de -5 a +1. O comitê assessor do programa nacional analisa o resultado. Qual é a conclusão correta?
Em estudo de não inferioridade a conclusão depende de o limite desfavorável do intervalo de confiança não cruzar a margem pré-especificada: com margem de 6 pontos e limite inferior de -5, a não inferioridade está demonstrada. Superioridade exigiria que o intervalo excluísse o zero em favor do novo esquema, o que não ocorreu. Incluir o zero não torna o estudo inconclusivo neste desenho, pois a pergunta não é de diferença e sim de tolerância. A estimativa pontual desfavorável, dentro da margem, não caracteriza inferioridade.
Uma equipe de Saúde da Família decide investigar se o uso de fogão a lenha se associa a sibilância recorrente em crianças de sua área. Seleciona 120 crianças com sibilância recorrente registradas no prontuário e 240 crianças sem sibilância, atendidas no mesmo período, e pergunta aos responsáveis sobre exposição pregressa ao fogão a lenha. Qual o desenho de estudo e a medida de associação apropriada?
A seleção parte do desfecho já ocorrido — crianças com e sem sibilância — e retrocede à exposição, o que define um estudo caso-controle, cuja medida própria é a odds ratio, já que a incidência não pode ser estimada com denominadores populacionais. A coorte retrospectiva parte da exposição registrada no passado e acompanha o surgimento do desfecho, o inverso do que foi feito. O estudo transversal mede exposição e desfecho no mesmo instante, sem a seleção deliberada por doentes e não doentes em proporção fixada pelo pesquisador. O ensaio comunitário exige intervenção alocada pelo investigador, ausente aqui. O estudo ecológico tem como unidade de análise o grupo ou a área, não a criança individual, o que não corresponde à coleta descrita.
Um estudo acompanhou por 8 anos 4.000 trabalhadores expostos a sílica e 4.000 não expostos, ambos livres de doença no início. Ao final, foram registrados 120 casos de fibrose pulmonar entre os expostos e 30 entre os não expostos. Todos os participantes foram recrutados na mesma indústria e acompanhados com o mesmo protocolo de exames anuais, com perdas de seguimento inferiores a 5% em ambos os grupos. Qual o desenho do estudo e o risco relativo estimado?
O estudo parte da exposição e acompanha os participantes ao longo do tempo até o desfecho, o que define uma coorte prospectiva; a incidência é de 3% nos expostos e 0,75% nos não expostos, resultando em risco relativo de 4,0. O caso-controle parte do desfecho e busca a exposição retrospectivamente, produzindo razão de chances, e não é o que se descreve. O estudo transversal mede exposição e desfecho no mesmo momento, sem seguimento temporal, e o valor apresentado inverte a razão. O ensaio clínico exige alocação da exposição pelo pesquisador, o que seria antiético com sílica, e o valor não corresponde ao cálculo. A série de casos não tem grupo de comparação, ao contrário do desenho apresentado.
Um estudo transversal avaliou 1.200 adultos de uma cidade e encontrou prevalência de obesidade de 25%, com maior frequência entre pessoas de menor escolaridade. Os autores concluíram que a baixa escolaridade causa obesidade. Todos os dados de exposição e desfecho foram coletados na mesma entrevista, com aferição direta de peso e altura pelos entrevistadores treinados. Qual a principal limitação dessa conclusão?
O estudo transversal mede exposição e desfecho no mesmo momento, o que impede estabelecer qual veio primeiro e, portanto, inviabiliza a inferência causal proposta pelos autores. A prevalência é justamente a medida típica do estudo transversal, e pode sim ser calculada. Uma amostra de 1.200 pessoas é adequada para estimar prevalência com boa precisão. A aferição direta de peso e altura aumenta a qualidade da medida, sendo superior ao autorrelato, e não invalida o desfecho. Estudos transversais não permitem calcular incidência, que exige seguimento temporal de indivíduos livres do desfecho no início.
Em um ensaio clínico, os pesquisadores alocaram os participantes aos grupos de intervenção e controle por sorteio computadorizado, mantendo a sequência de alocação oculta até o momento da inclusão. Nem os participantes nem os avaliadores dos desfechos sabiam a que grupo cada pessoa pertencia, e a análise incluiu todos os randomizados no grupo original, independentemente da adesão ao tratamento. Qual estratégia analítica está sendo descrita ao final?
Analisar todos os participantes no grupo ao qual foram originalmente alocados, independentemente da adesão, é a análise por intenção de tratar, que preserva a comparabilidade gerada pela randomização e evita viés por abandono seletivo. A análise por protocolo restringe-se a quem cumpriu integralmente o tratamento, o que quebra a randomização e tende a superestimar o efeito. A análise de subgrupos definida após ver os resultados aumenta o risco de achados espúrios por múltiplas comparações. A análise de sensibilidade testa a robustez dos resultados frente a diferentes suposições, o que não é o descrito. A análise interina é feita durante o estudo para decidir sobre sua interrupção, e não define o conjunto analisado ao final.
Uma equipe de pesquisa deseja avaliar se um novo protocolo de reabilitação melhora a capacidade funcional de idosos. Planeja recrutar 300 participantes, alocá-los aleatoriamente em dois grupos e comparar o desempenho no teste de caminhada de 6 minutos após 12 semanas. A equipe deseja garantir que diferenças observadas não se devam a características basais distintas entre os grupos. Qual característica do delineamento garante essa comparabilidade inicial?
A randomização é a característica que, ao alocar os participantes por sorteio, tende a distribuir igualmente entre os grupos fatores de confusão conhecidos e desconhecidos, garantindo comparabilidade basal. O cegamento reduz viés de aferição e de desempenho durante o estudo, mas não influencia a distribuição inicial de características. O cálculo do tamanho amostral define o poder estatístico para detectar diferenças, sem assegurar equilíbrio de covariáveis. A análise por protocolo, ao contrário, quebra a comparabilidade produzida pela randomização. O placebo controla o efeito da expectativa, não a distribuição de características demográficas iniciais.
Um município deseja avaliar a efetividade de uma nova estratégia de busca ativa de faltosos ao pré-natal. Os pesquisadores sortearam 20 unidades para receber a estratégia e 20 para manter a rotina, medindo posteriormente a proporção de gestantes com seis ou mais consultas. Todas as unidades pertencem à mesma rede, com perfil socioeconômico semelhante, e a análise respeitou o agrupamento das gestantes por unidade. Qual o desenho de estudo utilizado?
A alocação aleatória da intervenção a unidades de saúde inteiras, e não a indivíduos, com análise que respeita o agrupamento, define um ensaio clínico randomizado por conglomerados, desenho comum em intervenções de serviço que não podem ser aplicadas isoladamente a cada paciente. A coorte prospectiva não envolve alocação pelo pesquisador, e aqui houve sorteio da intervenção. O caso-controle aninhado seleciona casos e controles dentro de uma coorte já estabelecida, o que não corresponde ao procedimento descrito. O estudo transversal mede exposição e desfecho no mesmo momento e não comporta intervenção alocada. A série temporal interrompida analisa a mudança de tendência antes e depois de uma intervenção sem grupo comparador, o oposto do desenho paralelo com 20 unidades controle.
Um serviço de atenção primária deseja avaliar se determinada intervenção educativa reduz a incidência de diabetes em população de risco. Por questões logísticas e de contaminação entre participantes, a alocação será feita por unidades de saúde inteiras, e não por indivíduos, com todas as pessoas de cada unidade recebendo a mesma intervenção, e a análise levará em conta a estrutura de agrupamento dos dados. Qual delineamento está sendo descrito?
A alocação aleatória de grupos inteiros, como unidades de saúde, em vez de indivíduos, define o ensaio clínico randomizado por conglomerados, cuja análise deve considerar a correlação intraconglomerado. O caso-controle aninhado seleciona casos e controles dentro de uma coorte já existente, sem alocação de intervenção. O estudo transversal repetido mede prevalências em momentos distintos, sem randomização de intervenção. A série temporal interrompida avalia mudança de tendência após uma intervenção, sem grupo controle randomizado. O estudo ecológico analisa dados agregados sem informação individual, o que não corresponde ao delineamento com intervenção alocada e seguimento descrito.
Uma equipe deseja avaliar se a implantação de um programa de exercícios em unidades básicas reduziu internações por causas cardiovasculares no município. Dispõe de dados mensais de internação dos cinco anos anteriores e dos três anos posteriores à implantação, sem grupo de comparação disponível, e sabe que não houve outras mudanças relevantes na rede assistencial nesse mesmo período analisado. Qual desenho de estudo é mais apropriado?
Com dados longitudinais agregados antes e depois de uma intervenção e sem grupo de comparação, a série temporal interrompida é o desenho apropriado, pois modela a tendência prévia e avalia mudanças de nível e de inclinação após a implantação. O ensaio clínico randomizado individual não é possível para intervenção já implantada em toda a rede. O caso-controle parte do desfecho e não avalia impacto de política sobre séries temporais. O estudo transversal em um único momento não permite comparar com o período anterior. A série de casos descreve apenas os participantes, sem denominador populacional nem avaliação de impacto.
Uma equipe consultou prontuários e registros de admissão de uma indústria referentes ao período de 1995 a 2005, identificou trabalhadores expostos e não expostos a ruído ocupacional naquela época e verificou, nos registros ambulatoriais até 2020, quem desenvolveu perda auditiva induzida por ruído. Nenhum participante foi entrevistado ou examinado no momento do início do estudo. Qual o desenho de estudo utilizado?
Trata-se de coorte histórica: a exposição foi definida em registros do passado e o seguimento até o desfecho ocorreu em documentos já existentes, mantendo a lógica da coorte, que parte da exposição para o desfecho. O estudo transversal afere exposição e desfecho simultaneamente, sem seguimento. O ensaio clínico exige alocação da exposição pelo pesquisador, impossível e antiética nesse contexto. O caso-controle parte de quem já tem o desfecho e busca a exposição pregressa, o que não corresponde ao descrito. O estudo ecológico usa grupos como unidade de análise, e não indivíduos.
Um estudo comparou 40 municípios e observou que aqueles com maior consumo médio de sal por habitante apresentavam maior taxa de mortalidade por acidente vascular cerebral. Os dados de consumo vieram de inquéritos de vendas por município e as taxas de mortalidade, dos sistemas de informação. Nenhuma informação individual foi coletada, e os autores concluíram que o consumo de sal aumenta o risco individual de acidente vascular cerebral. Qual o principal problema dessa conclusão?
O problema é a falácia ecológica: associação observada entre agregados populacionais não autoriza inferência sobre indivíduos, pois os dados não permitem saber se as pessoas que consomem mais sal são as que adoecem. O viés de memória exige coleta individual por relato, ausente no estudo. A causalidade reversa não é a limitação central desse desenho, e sim a unidade de análise. Perda de seguimento é problema de coorte, e o estudo não acompanhou indivíduos. O erro tipo II se refere à falha em detectar associação existente, e aqui a associação foi encontrada.
Um laboratório desenvolveu um antibiótico oral para pneumonia comunitária, com posologia mais cômoda e menor custo que o tratamento padrão. O ensaio clínico foi planejado para demonstrar que o novo fármaco não é pior que o comparador ativo além de uma margem previamente definida de 10% na taxa de cura clínica em 14 dias, e não para demonstrar superioridade. Sobre esse tipo de ensaio, é correto afirmar que:
É correto que a margem de não inferioridade deve ser definida antes do início do estudo, com justificativa clínica, sob pena de o resultado ser moldado pela conveniência dos achados. O comparador em ensaio de não inferioridade é o tratamento ativo padrão, e não placebo. Nesse desenho, a análise por intenção de tratar tende a aproximar os grupos e favorecer a conclusão de não inferioridade, razão pela qual a análise por protocolo também é apresentada. Um resultado simplesmente não significativo não demonstra não inferioridade. Concluir superioridade a partir de não inferioridade é logicamente indevido.
Após um jantar comunitário com 300 participantes, 90 pessoas desenvolveram gastroenterite em 24 horas. A equipe de vigilância dispõe da lista completa dos participantes e deseja identificar rapidamente o alimento implicado, medindo taxas de ataque entre expostos e não expostos a cada item do cardápio servido. Qual o delineamento mais apropriado nesse cenário?
Quando a população exposta é bem definida e completa, como a lista dos participantes do jantar, o delineamento adequado é a coorte retrospectiva, com cálculo de taxas de ataque entre expostos e não expostos a cada alimento e obtenção do risco relativo. O ensaio clínico randomizado é inviável e antiético em investigação de surto alimentar. O estudo transversal na população geral perderia a definição da exposição relevante. A série de casos sem grupo de comparação não permite estimar associação. O estudo ecológico usa dados agregados e está sujeito à falácia ecológica, inadequado para identificar o alimento implicado.
Em ensaio randomizado, parte dos participantes interrompe a medicação por eventos adversos. Para estimar o efeito da estratégia de atribuir o tratamento, como deve ser feita a análise principal por intenção de tratar?
A intenção de tratar preserva a comparação da atribuição inicial; perdas de dados ainda precisam ser tratadas adequadamente. Referência: CDC. Principles of Epidemiology in Public Health Practice, 3ª edição. Dados e cálculos fictícios elaborados para esta questão. https://stacks.cdc.gov/view/cdc/6914
Trinta unidades de saúde foram randomizadas para uma intervenção de organização do cuidado. A análise trata cada paciente como independente, ignorando semelhanças dentro da mesma unidade. Qual problema é esperado?
Pacientes da mesma unidade compartilham condições; ignorar a correlação pode produzir intervalos estreitos e significância excessiva. Referência: CDC. Principles of Epidemiology in Public Health Practice, 3ª edição. Dados e cálculos fictícios elaborados para esta questão. https://stacks.cdc.gov/view/cdc/6914
Em surto sem lista completa de expostos, os investigadores recrutam doentes e controles sem doença da mesma comunidade, perguntando quais alimentos consumiram. Como deve ser classificado o desenho descrito?
Os indivíduos são selecionados segundo o desfecho, caracterizando caso-controle. A seleção parte do desfecho: casos e controles são comparados quanto a exposições anteriores. Referência: https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson1/section7.html
A relação entre renda média de bairros e taxa de mortalidade infantil de cada bairro é analisada sem pareamento de renda e desfecho nas famílias. Como deve ser classificado o desenho descrito?
O nível de agregação territorial torna o desenho ecológico. A unidade de análise é coletiva; relações entre médias ou taxas de grupos não demonstram automaticamente relações individuais. Referência: https://www.cdc.gov/field-epi-manual/php/chapters/design-conduct-analyze-field-studies.html
Pesquisadores comparam países segundo média de consumo de ultraprocessados e mortalidade padronizada, sem identificar o consumo dos indivíduos que morreram. Como deve ser classificado o desenho descrito?
A exposição e o desfecho estão agregados por país, definindo unidade ecológica. A unidade de análise é coletiva; relações entre médias ou taxas de grupos não demonstram automaticamente relações individuais. Referência: https://www.cdc.gov/field-epi-manual/php/chapters/design-conduct-analyze-field-studies.html
Um estudo correlaciona o consumo médio municipal de sal com a taxa municipal de internação por insuficiência cardíaca, sem dados individuais. Como deve ser classificado o desenho descrito?
Municípios são as unidades de análise, caracterizando estudo ecológico. A unidade de análise é coletiva; relações entre médias ou taxas de grupos não demonstram automaticamente relações individuais. Referência: https://www.cdc.gov/field-epi-manual/php/chapters/design-conduct-analyze-field-studies.html
Em estudo de prevenção, voluntários são alocados aleatoriamente a vacina ou comparador e depois observados para adoecimento, com critérios iguais de busca do desfecho. Como deve ser classificado o desenho descrito?
A atribuição aleatória da intervenção distingue ensaio clínico de coorte observacional. O investigador atribui intervenções por processo aleatório e compara os desfechos entre os grupos. Referência: https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson1/section7.html
Uma pesquisa domiciliar estima quantos adultos têm diabetes no momento da entrevista e mede simultaneamente escolaridade e hábitos alimentares. Como deve ser classificado o desenho descrito?
A mensuração contemporânea sem seguimento caracteriza inquérito transversal. Exposição e desfecho são avaliados em um recorte temporal, permitindo estimar prevalência, com limitações de temporalidade. Referência: https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson1/section7.html
Para estudar defeito congênito raro, são selecionados recém-nascidos afetados e não afetados da mesma população, entrevistando as mães sobre medicamentos durante a gestação. Como deve ser classificado o desenho descrito?
A seleção dos grupos parte do defeito congênito, não da exposição materna. A seleção parte do desfecho: casos e controles são comparados quanto a exposições anteriores. Referência: https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson1/section7.html
Gestantes com e sem determinada exposição já existente são recrutadas antes do parto e acompanhadas quanto a desfechos neonatais; nenhuma exposição é atribuída pela equipe. Como deve ser classificado o desenho descrito?
O seguimento observacional de grupos definidos pela exposição é uma coorte. Participantes são agrupados por exposição e acompanhados quanto à ocorrência de desfechos; registros históricos também podem compor coorte retrospectiva. Referência: https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson1/section7.html
Hospitais são sorteados para implementar um protocolo ou manter a rotina, e os pacientes atendidos são acompanhados quanto a infecção hospitalar. Como deve ser classificado o desenho descrito?
A randomização ocorre por conglomerados, mas o desenho permanece experimental randomizado. O investigador atribui intervenções por processo aleatório e compara os desfechos entre os grupos. Referência: https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson1/section7.html
Em campanha de saúde, adultos são avaliados uma única vez quanto a obesidade e qualidade do sono. O objetivo é comparar prevalências, sem estabelecer qual condição surgiu primeiro. Como deve ser classificado o desenho descrito?
O desenho é transversal e limita inferências sobre direção temporal. Exposição e desfecho são avaliados em um recorte temporal, permitindo estimar prevalência, com limitações de temporalidade. Referência: https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson1/section7.html
Dentro de um registro populacional, cada paciente com doença recém-diagnosticada é comparado a controles elegíveis sem a doença naquele momento, investigando uso prévio de medicamento. Como deve ser classificado o desenho descrito?
A amostragem condicionada ao desfecho define caso-controle, mesmo dentro de uma população acompanhada. A seleção parte do desfecho: casos e controles são comparados quanto a exposições anteriores. Referência: https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson1/section7.html
Usando registros de 2010, pesquisadores identificam operários expostos e não expostos a poeira e verificam a ocorrência de doença até 2020. Todo o período já terminou quando a análise começa. Como deve ser classificado o desenho descrito?
A existência de dados históricos não muda a seleção pela exposição; trata-se de coorte retrospectiva. Participantes são agrupados por exposição e acompanhados quanto à ocorrência de desfechos; registros históricos também podem compor coorte retrospectiva. Referência: https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson1/section7.html
Uma amostra aleatória de moradores responde, na mesma visita, sobre atividade física atual e recebe avaliação para hipertensão prevalente, sem acompanhamento. Como deve ser classificado o desenho descrito?
Exposição e condição são medidas em um único recorte temporal. Exposição e desfecho são avaliados em um recorte temporal, permitindo estimar prevalência, com limitações de temporalidade. Referência: https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson1/section7.html
Pacientes elegíveis recebem por sorteio um de dois tratamentos e são acompanhados por seis meses; a sequência é oculta até a inclusão. Como deve ser classificado o desenho descrito?
O investigador determina aleatoriamente a intervenção, configurando ensaio randomizado. O investigador atribui intervenções por processo aleatório e compara os desfechos entre os grupos. Referência: https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson1/section7.html
Pesquisadores classificam trabalhadores inicialmente sem asma segundo exposição ocupacional, sem interferir nela, e acompanham novos diagnósticos durante cinco anos. Como deve ser classificado o desenho descrito?
A seleção pela exposição e o seguimento da incidência caracterizam coorte. Participantes são agrupados por exposição e acompanhados quanto à ocorrência de desfechos; registros históricos também podem compor coorte retrospectiva. Referência: https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson1/section7.html
Equipe seleciona pessoas com tumor raro e controles da população que originou os casos, comparando retrospectivamente exposição a solventes. Como deve ser classificado o desenho descrito?
A inclusão depende de ter ou não o desfecho, característica de caso-controle. A seleção parte do desfecho: casos e controles são comparados quanto a exposições anteriores. Referência: https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson1/section7.html
Um painel compara taxas anuais de vacinação e doença por estado, sem registro individual que ligue vacinação ao adoecimento. Como deve ser classificado o desenho descrito?
A repetição temporal não elimina o caráter ecológico das unidades agregadas. A unidade de análise é coletiva; relações entre médias ou taxas de grupos não demonstram automaticamente relações individuais. Referência: https://www.cdc.gov/field-epi-manual/php/chapters/design-conduct-analyze-field-studies.html
Cada participante é sorteado para receber inicialmente tratamento A ou B, com período de washout e inversão posterior; a intervenção é controlada pelos pesquisadores. Como deve ser classificado o desenho descrito?
O desenho cruzado com sequência aleatória é uma modalidade de ensaio clínico randomizado. O investigador atribui intervenções por processo aleatório e compara os desfechos entre os grupos. Referência: https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson1/section7.html
Trabalhadores são examinados em um dia para estimar prevalência de perda auditiva e relatar exposição atual ao ruído; não há reconstrução de seguimento. Como deve ser classificado o desenho descrito?
O recorte único de exposição e condição define estudo transversal. Exposição e desfecho são avaliados em um recorte temporal, permitindo estimar prevalência, com limitações de temporalidade. Referência: https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson1/section7.html
Após surto em um refeitório, existe lista completa dos comensais e do que comeram. Os investigadores calculam o risco de adoecer entre expostos e não expostos a cada prato. Como deve ser classificado o desenho descrito?
A população definida permite reconstruir uma coorte retrospectiva de exposição alimentar. Participantes são agrupados por exposição e acompanhados quanto à ocorrência de desfechos; registros históricos também podem compor coorte retrospectiva. Referência: https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson1/section7.html
Um pesquisador relaciona o consumo médio municipal de bebidas alcoólicas com a mortalidade municipal por cirrose, sem dados individuais. Que característica define esse estudo como ecológico?
A unidade analítica é o município, e não cada pessoa com seus dados vinculados. Referência: CDC. Principles of Epidemiology, Lesson 1, Analytic Epidemiology. https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson1/section7.html
Pesquisadores acessam os registros de todos os funcionários de uma fábrica contratados em 2005. Classificam a exposição ocupacional daquele ano e verificam, em prontuários até 2025, quem desenvolveu asma. Qual é o delineamento?
A população foi definida antes do desfecho e comparada segundo exposição; exposição e seguimento foram reconstruídos em registros existentes. Referência: CDC. Principles of Epidemiology, Lesson 1, Analytic Epidemiology. https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson1/section7.html
Um estudo caso-controle investiga a associação entre um agrotóxico e uma doença rara. Qual é a propriedade mais importante do grupo controle para estimar validamente a associação?
Os controles devem refletir a população fonte; se desenvolvessem a doença, deveriam poder ser incluídos como casos. Referência: CDC. Principles of Epidemiology, Lesson 1, Analytic Epidemiology. https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson1/section7.html
Um inquérito simultâneo mostra que adultos com obesidade relatam fazer mais dietas que adultos sem obesidade. O autor conclui que fazer dieta provoca obesidade. Qual limitação ameaça diretamente essa conclusão?
A obesidade pode motivar a dieta. A medida simultânea permite causalidade reversa. Referência: CDC. Principles of Epidemiology, Lesson 1, Analytic Epidemiology. https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson1/section7.html
Para avaliar uma intervenção de promoção da atividade física, pesquisadores sorteiam 24 unidades de saúde para receber o programa ou manter o cuidado habitual. Os usuários são acompanhados por um ano. Qual é a unidade de randomização?
O sorteio ocorreu entre serviços; os participantes estão agrupados nessas unidades, caracterizando randomização por conglomerados. Referência: CDC. Principles of Epidemiology, Lesson 1, Analytic Epidemiology. https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/lesson1/section7.html
Qual é a odds ratio da associação na tabela caso-controle?

OR=(60×70)/(40×30)=3,5.
Que princípio deve orientar a seleção dos controles para a comparação mostrada?

Controles adequados poderiam tornar-se casos sob o mesmo mecanismo de seleção.
Por que 60/100 entre os casos não estima o risco de adoecer dos expostos na população?

O denominador não é a população exposta sob risco.
Se a exposição foi obtida por entrevista após o diagnóstico, qual viés merece atenção especial?

Casos e controles podem recordar exposições de maneira diferente.
Qual é a diferença absoluta de sobrevida livre do evento entre A e B aos 24 meses?

0,88−0,76=0,12, ou 12 pontos percentuais.
A mediana de tempo livre do evento foi alcançada em algum dos grupos no período mostrado?

Ambas as curvas permanecem acima de 0,50.
O que representam os sinais de mais na curva A?

O tempo de seguimento contribui até a censura, sem evento documentado naquele ponto.
Qual informação da figura caracteriza o desenho caso-controle?

Há amostra definida de casos e controles, seguida de comparação da exposição.
Qual conclusão não pode ser obtida apenas comparando os pontos finais das curvas?

OHR exige análise de taxas instantâneas e pressupostos apropriados.
Qual é a probabilidade estimada de ter ocorrido o evento até 24 meses no grupo A, considerando o complemento da sobrevida?

1−0,88=0,12, ou 12%.
Qual pesquisa é um ensaio randomizado?

Na pesquisa D, a intervenção é atribuída por sorteio.
Qual desenho corresponde a B?

Pessoas são acompanhadas segundo exposição para observar incidência.
Em C, associação entre sedentarismo e dor pode ser limitada por qual problema temporal?

Medida simultânea pode não esclarecer se exposição veio antes do desfecho.
Qual pesquisa mede exposição e doença numa única visita?

C é um estudo transversal.
Por que a pesquisa A não permite calcular diretamente incidência populacional apenas pela proporção de casos na amostra?

No caso-controle, amostragem por desfecho altera a fração de casos; odds ratio pode estimar associação sob pressupostos apropriados.
Para investigar uma exposição ocupacional, cada caso é pareado a um controle por idade e bairro. A equipe planeja ignorar os pares e analisar os dados como se a amostra fosse inteiramente não pareada. Qual orientação metodológica é adequada?
O desenho cria relações entre observações que precisam ser respeitadas, como em análise pareada ou regressão logística condicional. Referência: CDC. Field Epidemiology Manual: Analyzing and Interpreting Data, 2025. https://www.cdc.gov/field-epi-manual/php/chapters/analyze-interpret-data.html
Um ensaio de terapia-alvo inclui apenas pacientes cujo tumor expressa um biomarcador relacionado à maior probabilidade de resposta ao fármaco. O objetivo da seleção não é simplesmente aumentar a frequência basal de eventos. Como se classifica essa estratégia?
A seleção procura pessoas com maior probabilidade de responder ao tratamento específico. Referência: FDA. Enrichment Strategies for Clinical Trials to Support Determination of Effectiveness of Human Drugs and Biological Products, 2019. https://www.fda.gov/media/121320/download
Um ensaio pequeno não encontra diferença estatisticamente significativa entre dois tratamentos. O IC95% é amplo e inclui tanto benefício clinicamente relevante quanto dano relevante. Os autores afirmam que os tratamentos são equivalentes. Qual é o principal problema dessa conclusão?
O intervalo é compatível com diferenças relevantes nas duas direções; equivalência exige margens e análise apropriadas. Referência: FDA. Non-Inferiority Clinical Trials to Establish Effectiveness, 2016. https://www.fda.gov/media/78504/download
Um ensaio compara um tratamento novo com o padrão. O desfecho é falha terapêutica; a diferença é calculada como risco no novo menos risco no padrão. A margem de não inferioridade, definida antes do estudo, é +5 pontos percentuais. O IC95% da diferença vai de -1 a +3 pontos. Considerando apenas esse critério estatístico, qual conclusão é adequada?
O limite superior de +3 está abaixo da margem de +5; como o intervalo inclui zero, não demonstra menor risco de falha. Referência: FDA. Non-Inferiority Clinical Trials to Establish Effectiveness, 2016. https://www.fda.gov/media/78504/download
Um ensaio reduz um desfecho composto de morte, infarto ou revascularização. Na análise por componentes, a diferença se concentra nas revascularizações, enquanto as estimativas de morte e infarto são imprecisas e não mostram redução demonstrada. Qual conclusão respeita os resultados?
O efeito no conjunto não pode ser transferido automaticamente a cada componente; é necessário examinar seus resultados próprios. Referência: FDA. Multiple Endpoints in Clinical Trials, 2022. https://www.fda.gov/regulatory-information/search-fda-guidance-documents/multiple-endpoints-clinical-trials
Um ensaio 2×2 sorteia separadamente um medicamento e uma intervenção educativa, formando quatro grupos. O medicamento reduz o desfecho quando acompanhado da educação, mas não quando usado sozinho, com interação importante demonstrada. Qual apresentação é mais informativa?
A pergunta passa a incluir em que contexto a intervenção funciona. O desenho fatorial permite examinar essa relação quando os dados são apresentados adequadamente. Referências: Cochrane Handbook. Chapter 23: Including variants on randomized trials — https://www.cochrane.org/authors/handbooks-and-manuals/handbook/current/chapter-23
Planeja-se comparar duas intervenções capazes de curar definitivamente uma condição. Propõe-se que cada participante receba primeiro A e depois B, com ordem sorteada, avaliando a mesma condição em ambos os períodos. Qual é o problema central desse crossover?
O desenho precisa ser compatível com a duração do efeito e a evolução da condição. Uma intervenção curativa pode inviabilizar a reversibilidade necessária à comparação. Referências: Cochrane Handbook. Chapter 23: Including variants on randomized trials — https://www.cochrane.org/authors/handbooks-and-manuals/handbook/current/chapter-23
Uma coorte armazenou sangue de 30.000 pessoas antes de qualquer diagnóstico da doença-alvo. Dez anos depois, para reduzir custos de um biomarcador, serão dosadas amostras de todos os casos incidentes e de controles amostrados entre os membros em risco quando cada caso surgiu. Qual é o desenho?
O armazenamento prévio permite analisar a exposição em uma subamostra eficiente. A seleção dos controles deve representar a experiência de risco da coorte de origem. Referências: NIOSH. An Incidence Density Sampling Program for Nested Case-Control Analyses — https://stacks.cdc.gov/view/cdc/190364
Em um ensaio, todas as unidades começam no cuidado usual e passam gradualmente à intervenção, em ordem sorteada, até que todas a recebam. No mesmo período, melhora o abastecimento de medicamentos em toda a rede. Qual aspecto é essencial na análise?
O escalonamento cria uma relação entre intervenção e calendário. A análise deve separar, tanto quanto o desenho permite, o efeito estudado da evolução comum da rede. Referências: Cochrane Handbook. Chapter 23: Including variants on randomized trials — https://www.cochrane.org/authors/handbooks-and-manuals/handbook/current/chapter-23
Em estudo odontológico, um tratamento é sorteado para um lado da boca e o comparador para o outro lado da mesma pessoa. Os pesquisadores analisam os lados como se pertencessem a pessoas independentes. Qual correção é necessária?
O sorteio entre regiões não elimina a dependência dentro do indivíduo. A análise deve refletir como as intervenções e as medidas foram organizadas. Referências: Cochrane Handbook. Chapter 23: Including variants on randomized trials — https://www.cochrane.org/authors/handbooks-and-manuals/handbook/current/chapter-23
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em 7 dias
Sem olhar, diga o ponto de partida dos três desenhos observacionais e a medida de cada um. Depois diga, para cada desenho, uma medida que ele NÃO produz — é essa metade que a prova cobra. Feche recitando o critério do campo: lista de convidados chama coorte com taxa de ataque; casos dispersos chamam caso-controle com odds ratio e 2 a 4 controles por caso.
em 30 dias
Pegue três vinhetas de prova e classifique cada uma pelas quatro perguntas (quem alocou, existe comparação, qual a unidade, para onde aponta a seta) antes de olhar as alternativas. Monte um surto fictício com 100 convidados, calcule taxa de ataque e risco relativo de dois alimentos, e depois refaça o mesmo cenário sem a lista de convidados, decidindo o que muda no desenho e na medida. Termine lendo lado a lado o art. 21 da Lei nº 14.874/2024 e os itens III.3.b e III.3.d da Resolução CNS nº 466/2012.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Você está na UBS quando a vigilância municipal telefona: 23 pessoas que almoçaram no mesmo restaurante ontem passaram mal, e três chegaram agora à sala de observação com desidratação. Atenda o paciente à sua frente e, junto com a equipe, decida qual desenho de estudo cabe nesta investigação e que dados precisam ser coletados hoje. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
